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Ronald Dener Bezerra Pessa INTERNET DAS COISAS NA INDÚSTRIA CIVIL BRASILEIRA Trabalho de Graduação Universidade

Ronald Dener Bezerra Pessa

INTERNET DAS COISAS NA INDÚSTRIA CIVIL BRASILEIRA

Trabalho de Graduação

NA INDÚSTRIA CIVIL BRASILEIRA Trabalho de Graduação Universidade Federal de Pernambuco graduacao@cin.ufpe.br

Universidade Federal de Pernambuco graduacao@cin.ufpe.br www.cin.ufpe.br/~graduacao

RECIFE

2016

Universidade Federal de Pernambuco Centro de Informática Graduação em Engenharia da Computação Ronald Dener Bezerra

Universidade Federal de Pernambuco

Centro de Informática Graduação em Engenharia da Computação

Ronald Dener Bezerra Pessa

INTERNET DAS COISAS NA INDÚSTRIA CIVIL BRASILEIRA

Trabalho apresentado ao Programa de Graduação em Enge- nharia da Computação do Centro de Informática da Univer- sidade Federal de Pernambuco como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro da Computação.

Orientador: Vinícius Cardoso Garcia

RECIFE

2016

Trabalho de Graduação apresentado por Ronald Dener Bezerra Pessa ao programa de Gra- duação em Engenharia da Computação do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, sob o título Internet das Coisas na Indústria Civil brasileira, orientado pelo Prof. Vinícius Cardoso Garcia e aprovado pela banca examinadora formada pelos professores:

———————————————————————– Prof. Vinícius Cardoso Garcia Centro de Informática/UFPE

———————————————————————– Prof. Centro de Informática/UFPE

RECIFE

2016

Eu dedico este trabalho ao meu pai, José Ronaldo, e a minha mãe, Lucinda Pessoa, que me deram todo o suporte necessário para chegar até aqui.

Agradecimentos

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O sertanejo é, antes de tudo, um forte. —EUCLIDES DA CUNHA

Resumo

Este trabalho busca averiguar os impactos da utilização do conceito de Internet das Coisas na indústria civil brasileira, com foco no segmento de estruturas pré-fabricadas de concreto. IoT (Internet of Things) tem proporcionado uma oportunidade promissora para construção de poderosos sistemas industriais e aplicações, por meio da crescente presença de tecnologias como identificadores de rádio-frequência, repetidores wireless, sensores, dispositivos GPS, dispositivos móveis, entre outras. Essas tecnologias possibilitam o entendimento do estado físico das coisas e, através de um sistema computacional, informações sobre todo o ciclo de vida do pré-moldado podem ser apresentadas de maneira simples e inteligente para os diretores e gestores das fabricantes. A adoção de uma estratégia baseada na Engenharia de Software tem como objetivo entender os problemas das empresas do setor e desenvolver uma solução para melhorar os processos do ativo, desde seu projeto e fabricação, passando pelo armazenamento e transporte, até sua montagem nos canteiros de obras e manutenção.

Palavras-chave: Internet das Coisas, Indústria Civil, Monitoramento, Rádio-frequência, Pré- fabricados, Engenharia de Software, Logística

Lista de Figuras

2.1

Número de artigos de revistas por ano na Web Knowledge

 

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2.2

Tecnologias associadas com IoT

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2.3

Composição do Código de Barras.

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2.4

Modelo NIST de definição de computação em

 

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2.5

Ciclo de vida do pré-moldado de

 

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3.1

Etiqueta RFID utilizada nos produtos da Shea

 

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4.1

Business Model Canvas - BMC.

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4.2

Lean Canvas do

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4.3

Processo de análise de

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5.1

Estrutura pré-moldada de concreto armado no estágio da

 

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5.2

Fabricação de concreto não-armado.

 

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5.3

Processos englobados na construção do MVP da tecnologia.

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5.4

Aplicativo móvel - Mega

 

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5.5

Sistema Web - Dashboard.

 

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5.6

Sistema Web -

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5.7

Sistema Web -

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5.8

Sistema Web - Agendamento de

 

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5.9

Sistema Web - Lista de produção.

 

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5.10

Sistema Web - Timeline.

 

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5.11

Sistema Web - Mapa.

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6.1

Inserção de chip NFC na produção de lajes alveolares.

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6.2

Acompanhamento do processo de estocagem de uma estaca.

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6.3

Pilha de lajes alveolares estocadas e monitoradas através do chip

 

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6.4

Disposição das estruturas utilizadas na prova de conceito no chão de

 

53

Sumário

1 Introduction

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2 Fundamentação Teórica

 

19

2.1 Internet das Coisas

 

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2.1.1 RFID - Radio Frequency Identification

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2.1.2 NFC - Near Field Communication

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2.1.3 UPC - Universal Product Code

 

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2.1.4 Location based service

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2.1.4.1

GPS - Global Positioning System

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2.1.5 Cloud computing

 

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2.2 IoT na Indústria Civil

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2.3 Estruturas Pré-fabricadas de Concreto

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2.3.1

Ciclo de vida do Pré-moldado

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3 Trabalhos Relacionados

 

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3.1 A Engenharia de Serviço na indústria naval

 

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3.2 Fabricantes de concreto usam RFID

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3.3 Gammon Steel rastreia pré-moldados metálicos

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4 Metodologia

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4.1 Problemas e desafios do mercado do pré-moldado

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4.2 Idealização e Desenvolvimento .

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4.2.1 Modelo de Negócios

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4.2.1.1

Lean Canvas .

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4.2.2 Estratégia para desenvolvimento

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5 Proposta

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5.1 Escolha da Tecnologia

 

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5.1.1 Identificador

 

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5.1.2 Leitor

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5.2 Entendendo os processos

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5.2.1 Fabricação

 

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5.2.2 Estocagem

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5.2.3 Transporte (Romaneio) .

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5.2.4 Montagem

 

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5.2.5 Manutenção .

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5.3

Requisitos .

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5.3.1 Módulo de Monitoramento - Aplicativo Móvel

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5.3.2 Módulo de Gerenciamento - Sistema Web .

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5.3.2.1 Dashboard

 

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5.3.2.2 Clientes e Projetos .

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5.3.2.3 Produção .

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5.3.2.4 Timeline e Filtros

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5.3.2.5 Mapa .

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5.3.3 Auditorias .

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6 Prova de conceito

 

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6.1

Demonstração .

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7 Conclusão

 

55

Referências

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1

Introduction

171717

2

191919

Fundamentação Teórica

Sistemas computacionais são, em grande parte, concebidos a partir de necessidades de outras áreas de conhecimento, como medicina, administração, entreterimento, etc (PEDROSA, 2015). O presente trabaho expõe uma alternativa para resolução de problemas da indústria civil brasileira, utilizando uma abordagem de internet das coisas em fabricantes de estruturas pré-moldadas de concreto. Para tal, descreveremos a seguir alguns conceitos utilizados no desenvolvimento do trabalho.

2.1 Internet das Coisas

A Internet das Coisas, Internet of Things (IoT) em inglês, é um novo paradigma que combina aspectos e tecnologias provenientes de diferentes abordagens. Computação ubíqua,

computação pervasiva, Protocolo de Internet, tecnologias sensoriais, tecnologias de comunicação,

e

dispositivos embarcados são utilizados em conjunto para formar um sistema onde o mundo real

e

o mundo digital se encontram e estão em constante simbiose (BORGIA, 2014). Ao colocar

inteligência nos objetos do cotidiano, eles são transformados em objetos inteligentes capazes de não só coletar informações do ambiente e interagir/controlar o mundo físico, como também estar interconectados, através da internet, para trocar dados e informação. Como consequência, essas trocas podem reduzir, otimizar e economizar recursos naturais e energéticos. Nos primeiros dias de 2015, o mundo registrou 25 bilhões de dispositivos conectados à internet (João Loes, 2015). Prevê-se que o número de “coisas” conectadas excederá 7 trilhões em 2025, com uma estimativa de 1000 dispositivos por pessoa (VINCENTELLI, 2014). Parte delas será vestível (HARLE et al., 2012), mas a maiora será de infraestrutura. Nessa visão, os seres humanos estarão completamente imersos em um mundo de tecnologia. Aproveitando a crescente presença de identificadores de rádio-frequência (RFID), redes wireless, dispositivos móveis e sensores, poderosas aplicações e sistemas industriais são construí- dos em áreas como agricultura, a industria de processamento de alimentos, a industria de serviços de saúde, monitoramento ambiental, transporte, vigilância e segurança, entre outros (XU; HE; LI., 2014).

20

CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

As possibilidades de aplicações são infinitas, desde automações domiciliares como acender e apagar as luzes de qualquer cômodo da casa a partir do smartphone; garagem que abre sozinha ao detectar que o carro se aproxima; porta de casa que dispensa chaves e pode ser aberta a partir de reconhecimento facial (Rodrigo Nascimento, 2015), até poderosos sistemas industriais de rastreamento de cargas e veículos, monitorando seus movimentos e prevendo sua localização futura e possível tráfego rodoviário. Seguindo essa revolução digital, empresas estão unindo esforços para fortalecer o con- ceito de IoT. A Ford e Intel pretendem reinventar o interior dos automóveis com um sistema que reconhece o rosto do motorista - Mobii - e, com isso, carrega informações favoritas como agenda, contatos, músicas e até ajusta preferências como altura e distância do banco e posição dos retrovisores (Minuto Seguros, Blog, 2015); a empresa de elevadores Thyssenkrupp e a Microsoft, juntas, desenvolveram um sistema inteligente e online para monitoramento dos elevadores através de call centers e técnicos; e a IBM, em parceria com a Wether Co, pretende combinar previsões meteorológicas em tempo real e dados empresariais para se adaptar rapidamente a padrões de compra de consumidores ou a questões de cadeia logística ligadas ao clima (Da Reuters, 2015). O número de publicações sobre Internet das Coisas na academia também está crescendo rapidamente. Através de uma extensiva revisão da literatura feita por XU; HE; LI. (2014), examinando artigos das cinco maiores bases de dados (IEEE Xplore, Web of Knowledge, ACM digital library, INSPEC, e ScienceDirect) foram encontrados um grande número de artigos de revistas e papers de conferências relacionados com IoT. Por exemplo, através de pesquisas apenas na base de dados da Web of Knowledge, mais de 300 artigos de revistas foram publicados entre 2009 e 2013.

300 artigos de revistas foram publicados entre 2009 e 2013. Figura 2.1: Número de artigos de

Figura 2.1: Número de artigos de revistas por ano na Web Knowledge

Fonte: XU; HE; LI. (2014)

Graças aos recentes avanços na miniaturização e queda dos custos de tecnologias como

2.1.

INTERNET DAS COISAS

21

RFID, redes de sensores, NFC, comunicação wireless, a internet das coisas tornou-se rapidamente relevante para indústria e usuários finais. A detecção do estado físico das coisas através de sensores, junto à coleção e processamento detalhado de dados, permite respostas imediatas a mudanças no mundo real (UCKELMANN; HARRISON; MICHAHELLES, 2011). Na Figura 2.2 encontramos algumas das tecnologias facilitadoras que foram utilizadas direta e indiretamente para desenvolvimento deste trabalho e serão descritas nas subseções a seguir.

deste trabalho e serão descritas nas subseções a seguir. Figura 2.2: Tecnologias associadas com IoT Fonte:

Figura 2.2: Tecnologias associadas com IoT

Fonte: XU; HE; LI. (2014)

2.1.1 RFID - Radio Frequency Identification

Radio Frequency Identification (ou identificação por rádio-frequêcia) é um termo genérico usado para descrever um sistema sem fio que transmite a identidade (na forma de um número serial único) de um objeto ou pessoa, usando ondas de rádio. Está agrupado na categoria mais ampla de tecnologias de identificação automática (Bob Violino, 2005). Na prática, a comunicação se dá por meio de antenas e etiquetas RFID. Estas últimas, também conhecidas como tags, são classificadas como ativas ou passivas. As etiquetas ativas são alimentadas por uma bateria interna e têm função tipicamente de leitura e gravação. Os dados do tag ativo podem ser escritos e modificados, de acordo com a necessidade, e o tamanho da sua memória pode chegar a 1 MB (megabyte). O alcance nos tags providos de bateria é maior, podendo chegar a 10 metros. Porém, o tamanho e custo também se elevam e a vida operacional é limitada por conta bateria, que chega a durar 10 anos. Os tags passivos operam sem fonte de alimentação externa e são ativados pelo campo eletromagnético emitido pelo leitor. São, conseqüentemente, muito mais leves e menores que os tags ativos, muito mais baratos e oferecem uma vida operacional praticamente ilimitada. A desvantagem é que eles têm menor alcance que os tags ativos e exigem um leitor mais potente para a leitura dos dados. Os tags passivos podem ser somente leitura ou leitura/gravação (Acura, Blog, 2015).

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CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1.2 NFC - Near Field Communication

Near Field Communication (ou comunicação de campo próximo) é uma tecnologia de curto alcance, baseada em padrões de conectividade sem fio que usa indução de campo magnético para ativar a comunicação entre dispositivos eletrônicos próximos. Foi desenvolvida, em conjunto, pela Sony e NXP Semicondutors (antiga Philips).

NFC é projetado para permitir a troca de vários tipos de informação, como números de telefone, fotos, arquivos MP3 ou autorizações digitais entre dois dispositivos habilitados com

a tecnologia, como telefones celulares, ou entre um telefone móvel com NFC e tags e leitores RFID compatíveis, que são mantidos próximos uns dos outros (Roland Minihold, 2011).

A tecnologia NFC oferece suporte a três modos de operação (Teleco, Blog, 2014):

Tag/Card (Reader/Writer): modo em que o dispositivo móvel faz a leitura/gravação de informações contidas em cartazes, etiquetas, e folhetos inteligentes. Exemplo: Car- tazes de cinema, ticket de estacionamento, calendários de eventos, mapas inteligentes, e etc.

Peer-to-Peer (P2P): permite que dois dispositivos habilitados com NFC se comuni- quem para troca de arquivos, informações, cartões de visitas, fotos digitais e etc.

Interactive Wallet (Card Emulation): permite que dispositivos habilitados com NFC operem como carteira móvel, permitindo aos usuários realizar transações como compras ou transferências de dinheiro, como acontece com os cartões de crédito e de débito.

2.1.3 UPC - Universal Product Code

O código de barras UPC (em inglês Universal Product Code) foi criado pela empresa

UCC (Uniform Code Concil) para auxiliar os mercados a aumentar a velocidade do processo de

verificação na saída de produtos e melhorar o controle de inventário. Mais tarde, constatou-se

a eficiência desse tipo de código e sua utilização foi extendida para todo o varejo rapida- mente (Marshall Brain, 2000).

A decodificação ou leitura dos dados é realizada por um tipo de scanner (leitor de código

de barras), que emite um raio vermelho que percorre todas as barras. Estas últimas podem ser de várias larguras, cada uma significando um caractere diferente. A interpretação acontece através do uso de um conversor analógico/digital, que transforma os sinais analógicos produzidos pela luz em um sinal digital (Leonardo Calandiello, 2012).

A imagem do código de barras, apresentada na Figura 2.3, é uma representação gráfica

de uma combinação numérica, o GTIN — Número Global do Item Comercial. Os números identificam o país de origem, o fornecedor e a descrição do produto. Com o GTIN, é possível acessar informações como peso, altura, largura, cor e até as datas de fabricação e de validade

2.1.

INTERNET DAS COISAS

23

de cada item. O fornecedor é quem define as informações que deseja incluir na descrição. A sequência numérica completa é transformada na imagem de barras por meio de softwares específicos (Patrícia Machado and Adriane Castilho, 2011).

( Patrícia Machado and Adriane Castilho , 2011 ). Figura 2.3: Composição do Código de Barras.

Figura 2.3: Composição do Código de Barras.

Fonte: Patrícia Machado and Adriane Castilho (2011)

2.1.4 Location based service

Location Based Service (ou serviço baseado em localização) é qualquer informação, entreterimento ou serviço de mídia social disponível em um dispositivo móvel, e que faz utilização da posição geográfica. Esta última é determinada por meio do GPS, Assisted GPS ou Wifi e triangulação de potencial. Serviços baseados em localização são fornecidos através de aplicações móveis (aplicativos), ou são construídos dentro do hardware e software de dispositivos móveis (Fred Zahradnik, 2015).

2.1.4.1 GPS - Global Positioning System

O GPS (Global Positioning System) é uma rede de satélites e dispositivos receptores

usados para determinar a localização de algo na terra. Alguns receptores GPS são tão precisos

que podem estabelecer sua localização dentro de 1 centímetro. Eles fornecem localização da latitude, longitude e altitude, além do tempo exato (National Geographic Education, 2015).

O sistema de posicionamento global - GPS - inclui 24 satélites que circundam a Terra

em órbitas precisas. Cada satélite faz uma órbita completa da Terra a cada 12 horas e enviam

24

CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

constantemente sinais de rádio.

2.1.5 Cloud computing

Cloud Computing é um modelo que permite ubiquidade, praticidade e acesso a uma rede sob-demanda para um compartilhado de recursos computacionais configuráveis (ex: redes, servidores, armazenamento, aplicações e serviços) que podem ser rapidamente provisionados e liberados com o mínimo de esforço de gerenciamento ou interação com o provedor dos serviços (MELL; GRANCE, 2012). Esse modelo de nuvem é composto por cinco carasterísticas essenciais, três modelos de serviço e quatro modelos de deployment, apresentados na Figura 2.4.

quatro modelos de deployment , apresentados na Figura 2.4. Figura 2.4: Modelo NIST de definição de

Figura 2.4: Modelo NIST de definição de computação em nuvem.

Fonte: Autor

Em termos mais simples, Cloud computing (ou computação em nuvem) significa armaze- nar e acessar dados e programas através da internet ao invés do disco rígido do computador. A nuvem é apenas uma metáfora para a internet (ERIC GRIFFITH, 2015). Computação em nuvem entra em foco somente quando se pensa sobre o que TICs sempre precisam: uma maneira de aumentar a capacidade ou adicionar capacidades, em tempo real, sem investimento em novas infra-estruturas, treinamento de novos funcionários, ou liscenciamento de um novo software. Cloud computing abrange qualquer serviço baseado em assinatura ou pey-per- view que, em tempo real, através da internet, amplia as capacidades das TICs existentes (Eric Knorr, 2008).

2.2.

IOT NA INDÚSTRIA CIVIL

25

2.2 IoT na Indústria Civil

Convivemos diariamente com várias das tecnologias descritas na seção anterior, através, principalmente, dos smartphones (ex: troca de arquivos entre aparelhos habilitados com NFC; serviços que utilizam GPS, como Waze, Google Maps, entre outros). Alguns setores da indústria também possuem familiaridade com aplicações que utilizam RFID, GPS e a nuvem para prover automação de processos, redução de custos e um melhor gerenciamento das empresas. Contudo, esse é um cenário distante para a indústria civil brasileira, que insiste em adotar técnicas de controle rudimentares e manuais, como papel e planilhas de Excel. Em contrapartida, alguns países como China e Estados Unidos investem cada vez mais em soluções tecnológicas (tanto do ponto de vista computacional quanto do ponto de vista das novas tecnologias de concreto) para melhorar o planejamento e execução dos processos da construção civil, sejam nos escritórios ou nos canteiros de obra (SWEDBERG, 2008, 2014). O entendimento do que acontece no chão-de-fábrica, por exemplo, pode trazer muitos benefícios para as empresas, desde a redução de desperdícios até o aumento da produtividade da equipe envolvida. E, para que isso se torne possível, sensores, leitores e identificadores devem ser utilizados para monitorar os processos operacionais e coletar dados. Esses dados, por fim, podem dar origem a um software de gerenciamento que dê apoio às tomadas de decisão da empresa. Por outro lado, se olharmos para as novas tecnologias de concreto, a industrialização da construção civil, através da utilização de peças pré-fabricadas, promoveu um salto de qualidade nos canteiros de obra. Exemplo desse avanço é a capacidade de construção de um prédio de 30 andares em apenas 15 dias (Engenharia é, Youtube, 2012). Funciona de maneira análoga a um LEGO (2016), onde as peças são montadas facilmente, encaixando umas nas outras. Unindo as vantagens que o conceito de Internet das Coisas pode trazer, justamente com a utilização de estruturas pré-moldadas, a indústria civil tende a se tornar ainda mais competitiva e, consequentemente, gerar mais lucro.

2.3 Estruturas Pré-fabricadas de Concreto

Os métodos de execução da construção civil no Brasil não acompanharam o desenvolvi- mento tecnológico por um bom tempo. Ao longo dos anos não se teve a preocupação em adotar processos construtivos mais racionais; a mão de obra até então, abundante e barata, compensava os gastos com desperdícios e processos com baixo controle. No entanto, com o aquecimento do mercado e a forte concorrência, as empresas que atuam no setor buscaram encontrar maneiras de se manter cada vez mais competitivas, de modo que a redução de custos de produção, tempos de execução, menor desperdício, otimização da mão de obra são quesitos que devem ser ponderados. O uso de metodologias que propiciem a industrialização da construção civil se torna uma alternativa interessante, como é o caso da

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CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

aplicação de elementos pré-moldados ou pré-fabricados (MILANI et al., 2012). Embora tratem-se de expressões similares, a grande diferença destes dois tipos de peças está na sua qualidade. De acordo com a NBR 9062, a definição de concreto pré-moldado é de um elemento produzido fora do local na qual será definitivamente empregado. O controle de qualidade acerca deste concreto é menos rigoroso, devendo ser inspecionado por pessoal capacitado do próprio construtor ou proprietário (Incopre, 2016). Já o concreto pré-fabricado, que também é definido por um material confeccionado externamente, mas de forma industrial, atende a padrões mais rigorosos de controle de quali-

dade, sendo avaliado em várias etapas de sua fabricação, além de armazenamento, transporte e utilização final. Para garantir a qualidade deste material, ele deve ser registrado, constando na documentação informações referentes à identificação, data, tipo de concreto e aço empregados e assinaturas de profissionais responsáveis da garantia de qualidade do produto. Para fins didáticos, apesar das diferenças, este trabalho referir-se-á aos elementos pré- moldados e pré-fabricados como uma só coisa.

A racionalização conseguida com o uso de estruturas pré-fabricadas de concreto permite

que os materiais disponíveis para a execução do empreendimento sejam mais bem aproveitados, sem, contudo, demandar profundas alterações tecnológicas (PEDERIVA, 2009). Em sua concepção, as estruturas podem ser dividias em duas categorias: concreto simples

e concreto armado. Na primeira categoria, a composição do pré-moldado se dá através da mistura

de cimento (aglomerante), areia (agregado miúdo), brita (agregado graúdo) e água em proporções exatas e bem definidas. Em contrapartida, o concreto armado é um material resultante da união do concreto simples e de barras de aço, envolvidas pelo concreto, com perfeita aderência entre os dois materiais, de tal maneira que resistam ambos solidariamente aos esforços a que forem submetidos (Tarley Ferreira de Souza Jr, 2015).

2.3.1 Ciclo de vida do Pré-moldado

O ciclo de vida de uma estrutura pré-fabricada de concreto engloba a fabricação, arma-

zenamento, transporte, montagem e manutenção, como mostrado na Figura 2.5. Em cada uma dessas etapas, existe uma série de desafios e problemas relacionados que custam bastante às

empresas.

A maioria dessas questões podem, no entanto, ser resolvidas se utilizarmos o conceito

Internet das Coisas para o desenvolvimento de um sistema computacional que planeje, monitore

e gerencie todos os processos que envolvem as peças. Seguindo essa linha de raciocínio, o

próximo capítulo apresenta, de maneira mais detalhada, como IoT já vem sendo empregada em alguns setores da indústria da construção.

2.3.

ESTRUTURAS PRÉ-FABRICADAS DE CONCRETO

27

2.3. ESTRUTURAS PRÉ-FABRICADAS DE CONCRETO 27 Figura 2.5: Ciclo de vida do pré-moldado de concreto. Fonte:

Figura 2.5: Ciclo de vida do pré-moldado de concreto.

Fonte: Autor

3

292929

Trabalhos Relacionados

Já existem alguns trabalhos (OLIVEIRA et al., 2012; SWEDBERG, 2008, 2013, 2014)

que abordam o conceito de Internet das Coisas para melhorar e automatizar processos na indústria,

principalmente quando o ativo relacionado tem valores elevados. Da indústria naval à indústria da construção, o número de possíveis aplicações com IoT são infinitas e devem se tornar cada vez mais realidade.

3.1 A Engenharia de Serviço na indústria naval

Devido a investimentos recentes do governo federal no pré-sal (Petrobrás, 2015), a industria naval brasileira ganhou foco. Porém, para que o setor se consolide frente ao competitivo mercado internacional muitos são os desafios. Atualmente, novos paradigmas tecnológicos estão transformando os processos de manu- fatura e, com isso, sistemas computacionais começam a ser utilizados na produção industrial, viabilizando a implantação de novos conceitos tais como indústria verde, servicizing, dema- terialisation, economia funcional, entre outros, permitindo a sustentabilidade e a melhoria da competitividade.

O artigo de PEZZOTTA; CAVALIERI; GAIARDELLI (2009) aborda a engenharia de

serviço, que tem como objetivo o projeto e desenvolvimento de serviços que existirão e estarão disponíveis durante todo o ciclo de vida de um produto. Na indústrica da construção naval, estes serviços permitem que valores sejam agregados ao longo do início, meio e final (descarte) da

vida de um navio. Tudo o que acontecer com o produto será monitorado e rastreado, desde o projeto e construção em um ambiente de estaleiro, passando pelo uso e fretamento, até o seu desmonte.

3.2 Fabricantes de concreto usam RFID

Fabricantes internacionais de estruturas pré-fabricadas de concreto, como a Phoenix Precast (2015) e a E.F. Shea Concrete (2015), estão usando um sistema de RFID (Idencia, 2016)

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CAPÍTULO 3. TRABALHOS RELACIONADOS

para rastrear como as peças são feitas, inspecionadas, armazenadas e despachadas para um canteiro de obra (SWEDBERG, 2008). Esse sistema provê um controle eletrônico de qualidade e um melhor gerenciamento do inventário no estoque. Além de rastrear os processos que envolvem o pré-moldado, esse tipo de sistema fornece amplas vantagens para aquisição de certificados de qualidade, que são requisitos obrigatórios para alguns tipos de licitações e obras. Um tag RFID passivo, como apresentado na Figura 3.1, é embarcado no início da fabricação das estruturas, bem como nas fôrmas de aço em que são moldadas. O sistema, então, permite que os agentes de controle de qualidade das fabricantes leiam as etiquetas, criando uma espécie de arquivo eletrônico de dados que narra quando e qual produto foi feito, quando foi inspecionado e por quem.

qual produto foi feito, quando foi inspecionado e por quem. Figura 3.1: Etiqueta RFID utilizada nos

Figura 3.1: Etiqueta RFID utilizada nos produtos da Shea Concrete.

Fonte: SWEDBERG (2008)

O sistema também fornece dados sobre a localização das peças no estoque, onde ficam armazenadas até que sejam trasportadas por caminhões para os clientes. No momento em que a tag RFID é lida, o leitor ativa seu GPS e envia todos os dados para o software de gerenciamento, via Wifi. Essas informações, por fim, fornecem uma base sólida para o entendimento do que acontece no chão de fábrica, melhoria de procesos operacionais e tomadas de decisão.

3.3 Gammon Steel rastreia pré-moldados metálicos

Grandes obras como estádios de futebol, shoppings centers, rodovias e etc., são muitas vezes construídas utilizando peças pré-fabricadas que chegam no local pouco antes de serem incorporadas a uma nova estrutura. Essa modularização de projetos de construção reduz os cronogramas e custos trabalhistas. No entanto, erros cometidos durante esse cenário - como a instalação ou entrega errada de uma peça, ou a falha de um item para chegar no local, quando necessário - podem ser caros (SWEDBERG, 2013). Em Hong Kong, a empresa Gammon Construction (2016) está usando uma solução para rastrear o despache, entrega e montagem das suas peças pré-moldadas de aço. O sistema

3.3.

GAMMON STEEL RASTREIA PRÉ-MOLDADOS METÁLICOS

31

desenvolvido pela Tecton (2016), assim como na Seção 3.2, funciona através da inserção de etiquetas RFID durante a produção das peças. Então, os funcionários monitoram a saída das estruturas metálicas da fábrica com um leitor RFID, capturando dados como data e horário do despache e responsável pelo transporte. Ao chegar nos canteiros de obra, uma nova checagem é feita. O leitor RFID, então, se comunica com o back-end do sistema via Wifi e verifica onde a peça deve ser montada, de acordo com o design do projeto original da construção. O software também emite um alerta caso a estrutura seja instalada no local errado.

4

Metodologia

333333

De acordo com o IEEE (1990), engenharia de software pode ser definida como a aplicação de uma abordagem sistemática, disciplinada e quantificável no desenvolvimento, operação e manutenção de software.

Sistemática por que deve existir um processo de desenvolvimento definindo as atividades que deverão ser executadas. Disciplinada por que parte do princípio de que os processos definidos serão seguidos. Quantificável por que se deve definir um conjunto de medidas a serem extraídas do processo durante o desenvolvimento de forma que as tomadas de decisão relacionadas ao desenvolvimento do software (por exemplo, melhoria de processo) sejam embasadas em dados reais, e não em “achismos” (AVILA; SPINOLA, 2007).

Este trabalho sugere o desenvolvimento de um business que resolva problemas e desa-

fios de fabricantes de peças pré-moldadas de concreto. E, para criar uma solução inovadora, segundo DECUSATIS (2008) e complementado por MEIRA (2013), é necessária uma forte articulação entre quatro papéis. Primeiro, é preciso ESCLARECER o que tem que ser feito:

qual é o problema; por que ele é um problema, em algum ou todos os contextos; quais são as

consequências de não resolvê-lo; o que se ganha por resolvê-lo

ZAR as possíveis soluções. Terceiro, é necessário DESENVOLVER a solução, na prática. Não apenas o desenvolvimento de um produto qualquer, como no caso de desenvolver, no sentido de escrever, software. Mas de todo o processo envolvido em criar condições para que o produto exista. E, por fim, é preciso IMPLEMENTAR a solução.

Para cumprir com os papéis sugeridos por DeCusatis, se faz necessário um time que deve resolver os problemas para os clientes. Reunimos, então, pessoas das áreas da engenharia da computação, engenharia civil e designer para montar uma startup, que, segundo RIES (2016), é uma instituição humana desenhada para criar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza. Um dos integrantes da equipe, que atua a mais de cinco anos no mercado de pré-fabricados, nos deu acesso a uma fabricante em Pernambuco para que conhecêssemos de perto o processo de fabricação das peças e, consequentemente, entendêssemos melhor os problemas associados, que seguem descritos na Seção 4.1.

Segundo, é preciso IDEALI-

34

CAPÍTULO 4. METODOLOGIA

4.1 Problemas e desafios do mercado do pré-moldado

Segundo Íria Doniak, presidente da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto em 2014, a cadeia produtiva do setor de pré-fabricados movimenta mais que 5 bilhões de reais anualmente (Revista Grandes Construções, 2010). A industrialização das obras dos mais diversos segmentos, como construção de moradias populares, centros de distribuição, edifícios comerciais, shoppings centers, hipermercados e estádios de futebol, reforça a confiança do setor para manter a taxa de expansão nos próximos anos. No entanto, apesar da agilidade proporcionada à construção civil, as fabricantes de pré- moldados se deparam com diversos problemas no dia a dia em chão de fábrica como: saber onde as peças se encontram no estoque; quantas peças foram produzidas no último dia, semana ou mês; ter conhecimento de quais setores da fábrica estão sobrecarregados, bem como os ociosos; qual a quantidade de matéria-prima utilizada na produção de determinadas estruturas; entre outros.

A carência ou escassez de informações sobre as peças causam problemas não só no

processo de fabricação, mas em todo o ciclo de vida do pré-moldado, que envolve também o armazenamento, transporte, montagem e manutenção dos ativos. O extravio de peças é uma questão recorrente no caminho das fábricas até as obras e os mecanismos de segurança são, quase sempre, ineficientes. Além disso, a falta de controle e padronização na montagem das obras permite que estruturas sejam confundidas e trocadas, comprometendo assim os cronogramas e execução dos projetos.

Auditorias internas e externas também são práticas obrigatórias para fabricantes, devido aos altos investimentos que acercam o mercado da construção civil. Durante esse procedimento, os problemas são evidenciados pela falta de acesso a informações sobre as peças e processos adjacentes. Há casos de fábricas que chegam a parar sua produção por um alguns meses para buscar, comparar e validar informações sobre as estruturas produzidas. Todos os problemas citados geram um defcit significativo nas fabricantes, tanto financeiro quanto de produtividade. Ainda assim, a construção industrializada do concreto é bastante lucrativa para as fabricantes, devido às economias associadas e cronogramas ousados. No Brasil, o setor está dando os primeiros passos se comparado com países da Europa e Ásia, que já empregam mecanismos de controle automatizados em todo ciclo de vida do pré-moldado. Isso dá margem para criação de um modelo de negócio que resolva os desafios locais.

4.2 Idealização e Desenvolvimento

A filosofia Lean Startup (RIES, 2011), utilizada na idealização e desenvolvimento do

negócio, pretende eliminar práticas de desperdício e aumentar práticas de produção de valor durante a fase de desenvolvimento do produto, para que a startup possa ter melhores chances de sucesso sem necessitar de grandes quantidades de financiamento externo, planos de negócios

4.2.

IDEALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

35

elaborados ou o produto perfeito. Ela está apoiada em três importantes pilares (ENDEAVOR,

2016):

Modelo de Negócio: o empreendedor deve estar ciente de que antes de lançar seu produto – mesmo que tenha feito muita pesquisa – não tem nada além de hipóteses que precisa comprovar. Então, em vez de consolidar um longo relatório – o Plano de Negócios – a metodologia propõe que o empreendedor use uma ferramenta chamada Canvas para montar o seu modelo de negócio. Basicamente, o Canvas é um diagrama que mostra como a empresa cria valor para si e para os clientes.

Customer Development: o empreendedor deve testar as suas hipóteses com a aborda- gem chamada de “desenvolvimento com clientes”, ou customer development. Isso significa que a empresa conversará com potenciais usuários, compradores e parcei- ros para pegar sua opinião sobre todo e qualquer elemento do modelo de negócios, incluindo características do produto, preços, canais de distribuição e estratégias econômicas de aquisição de clientes. Para fazer isso, o empreendedor deve montar um MVP - Minimum Viable Product ou “Produto Mínimo Viável” - que é uma versão beta de um produto, desenvolvida de forma ágil e econômica para ser apresentada ao seu público-alvo e receber feedbacks.

Desenvolvimento ágil: a startup enxuta adota o chamado “desenvolvimento ágil”, que anda de mãos dadas com o desenvolvimento com o cliente. No desenvolvimento ágil, não há perda de tempo ou de recursos, pois o produto é desenvolvido de forma iterativa e incremental.

4.2.1 Modelo de Negócios

Em seu livro Business Model Generation, OSTERWALDER; PIGNEUR (2009) apre- sentam uma metodologia para modelagem de negócios que descreve organizações, produtos e serviços na forma de blocos visuais e de fácil compreensão, como apresentado na Figura 4.1. Um modelo de negócios, diferentemente de um plano de negócios (SEBRAE, 2016), descreve a lógica de como uma organização cria, entrega e captura valor. Para MEIRA (2013), se um modelo de negócios é uma proposição descritiva do que é seu negócio, um plano de negócios vai vir a ser o detalhamento prescritivo de como as coisas terão que ser feitas, passo a passo, para o negócio se desenrolar.

4.2.1.1 Lean Canvas

A modelagem do negócio proposto neste trabalho foi feita através do Lean Canvas - adaptação do Business Model Canvas criada por MAURYA (2012) no espírito Lean Startup (inicialização rápida, consisa e eficaz). Esse novo modelo promete um plano discutível e focado no empresário; e não nos clientes, consultores, investidores e conselheiros. Ele proporciona

36

CAPÍTULO 4. METODOLOGIA

36 CAPÍTULO 4. METODOLOGIA Figura 4.1: Business Model Canvas - BMC . Fonte: OSTERWALDER; PIGNEUR (

Figura 4.1: Business Model Canvas - BMC.

Fonte: OSTERWALDER; PIGNEUR (2009)

uma base sólida para a experimentações que geram aprendizado constante e se concentra em problemas, soluções, principais métricas e vantagens competitivas. Na Figura 4.2 estão descritas as hipóteses que foram validadas com fabricantes per- nambucanas para o desenvolvimento do sistema de rastreamento de estruturas pré-moldadas de concreto.

4.2.2 Estratégia para desenvolvimento

A análise de requisitos possui um papel primordial no processo de desenvolvimento de

software. É nesta etapa em que o sistema será definido para posteriormente ser desenvolvido pela equipe. Com o surgimento das metodologias ágeis de projeto, a análise de requisitos sofreu mudanças para buscar uma melhor adaptação.

A monografia de FONTE (2015), um dos envolvidos na construção da tecnologia,

descreve detalhadamente a análise de requisitos utilizada no projeto. A estratégia adotada faz

uso de variadas técnicas de elicitação, análise e manutenção de requisitos já consolidadas na literatura como: mapeamento de processos de negócio (PALMER, 2015), prototipagem de sistema (Balsamiq, 2016) e entrevistas com stakeholders. No entanto, executadas sob uma nova perspectiva para potencializar os objetivos de metodologias ágeis, em especial os projetos que utilizam a metodologia SCRUM.

O processo implantado e apresentado na Figura 4.3, assim como nas metodologias ágeis,

é iterativo e incremental, ou seja, é feito por etapas. Ele incorpora o conceito de sprints na

4.2.

IDEALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

37

4.2. IDEALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 37 Figura 4.2: Lean Canvas do ConcretID. Fonte: Autor análise de requisitos

Figura 4.2: Lean Canvas do ConcretID.

Fonte: Autor

análise de requisitos e um de seus principais pilares é o alinhamento entre os responsáveis pelo desenvolvimento e análise do sistema.

os responsáveis pelo desenvolvimento e análise do sistema. Figura 4.3: Processo de análise de requisitos. Fonte:

Figura 4.3: Processo de análise de requisitos.

Fonte: FONTE (2015)

Com base nas metodologias apresentadas, as principais funcionalidades para compor o desenvolvimento do mínimo produto viável (MVP) foram definidas e estão descritas no Capítulo 5.

5

Proposta

393939

Este trabalho propõe o desenvolvimento de um sistema computacional para o monito- ramento de todo o ciclo de vida de uma estrutura pré-moldada de concreto. A aplicação deve prover o rastreamento das atividades e processos na fabricação, armazenamento, transporte, montagem e manutenção do ativo; o planejamento e avaliação desses processos, através de uma camada gerencial e métricas associadas; a localização das peças; e o acesso a essas informações de maneira simples e instantânea, com foco nas auditorias e controle de qualidade.

5.1 Escolha da Tecnologia

Um identificador deve ser associado à estrutura no início da sua fabricação e, a partir daí, todos os processos adjacentes serão mapeados por um leitor (handheld), que envia as informações colhidas (inclusive localização) para a nuvem, via Wifi. Em seguida, essas informações são apresentadas em um sistema web.

Diante as várias opções presentes no mercado, a escolha da tecnologia foi feita levando em consideração, principalmente, o ambiente de manuseio dos pré-moldados e os custos as- sociados à instalação nas fabricantes. Como as fábricas possuem, geralmente, uma grande extensão terrotirial e as etapas do ciclo de vida do pré-moldado são realizadas em diferentes locais, decidimos utilizar uma tecnologia sem fio para facilitar sua implantação e utilização ao decorrer dos processos.

5.1.1

Identificador

As tecnologias de rádio-frequência pareceram a mellhor opção para a comunicação sem fio em ambientes brutos, como é o caso das fábricas de pré-moldado. O mercado já disponibiliza etiquetas RFID que podem ser embarcadas no concreto e resistem, inclusive, ao processo de centrifugação na produção de estacas. Etiquetas com código de barras e QRCode, mesmo com preços mais acessíveis, não apresentaram resultados positivos no chão-de-fábrica, devido às rasuras decorrentes do manuseio do ativo e consequente perda de informação.

40

CAPÍTULO 5. PROPOSTA

RFID proporciona a construção de poderosos sistemas de comunicação a grandes distân- cias, promovendo a automatização de vários processos. Enquanto portais capturam a movimenta- ção dos ativos com tag embarcada, antenas “conversam” com esses chips, lendo e escrevendo informação neles. Contudo, os custos relacionados à construção de uma infraestrutura que suporte esse tipo de aplicação, com utilização de leitores, antenas e etiquetas RFID, é exorbitante. Diante desse cenário, o NFC se mostrou uma alternativa bastante interessante, com tags a preços mais acessíveis e leitores substituídos por smartphones com suporte à tecnologia.

5.1.2 Leitor

Como o alcance do NFC é muito curto, a inspeção do ativo deve ser feito por um funcionário da fabricante com função de manuseio do leitor (celular). Para tal, sugere-se o desenvolvimento de uma aplicação baseada em toques, minimizando, assim, possíveis erros humanos. Atualmente, fabricantes de celulares fornecem aproximadamente 300 opções de aparelhos com suporte à tecnologia NFC (NFC World, 2015). Visando facilitar a portabilidade do sistema, foi desenvolvido um aplicativo android, compatível com a grande maioria das marcas citadas pelo NFC World. A proposta atrai, dessa maneira, a atenção de quem quer monitorar o que acontece com o ativo sem desembolsar muito.

5.2 Entendendo os processos

Após a imersão nos processos operacionais de três grandes fabricantes pernambucanas, segmentamos as principais necessidades do mercado e, com base nisso, definimos os principais requisitos da aplicação. Processos industriais variam de empresa para empresa, contudo segmentos específicos apresentam padrões gerenciais e operacionais semelhantes. Visando construir uma solução escalável, observamos as convergências nos processos das fabricantes para conceber quais deles possuiam uma implicação mais direta na produtividade da equipe e lucratividade da empresa.

5.2.1 Fabricação

Os processos de fabricação das peças diferem de acordo com a composição do concreto, seja simples ou armado. Para empresas que trabalham com concreto armado, as preocupações com o controle e monitoramento desses processos começam ainda no estágio inicial da produção das estruturas. É nessa fase, denominada armação e apresentada na Figura 5.1, que a