Ronald Dener Bezerra Pessa

INTERNET DAS COISAS NA INDÚSTRIA CIVIL BRASILEIRA

Trabalho de Graduação

Universidade Federal de Pernambuco
graduacao@cin.ufpe.br
www.cin.ufpe.br/~graduacao

RECIFE
2016

Universidade Federal de Pernambuco
Centro de Informática
Graduação em Engenharia da Computação

Ronald Dener Bezerra Pessa

INTERNET DAS COISAS NA INDÚSTRIA CIVIL BRASILEIRA

Trabalho apresentado ao Programa de Graduação em Engenharia da Computação do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco como requisito parcial para
obtenção do grau de Engenheiro da Computação.

Orientador: Vinícius Cardoso Garcia

RECIFE
2016

Trabalho de Graduação apresentado por Ronald Dener Bezerra Pessa ao programa de Graduação em Engenharia da Computação do Centro de Informática da Universidade Federal de
Pernambuco, sob o título Internet das Coisas na Indústria Civil brasileira, orientado pelo
Prof. Vinícius Cardoso Garcia e aprovado pela banca examinadora formada pelos professores:

———————————————————————–
Prof. Vinícius Cardoso Garcia
Centro de Informática/UFPE
———————————————————————–
Prof.
Centro de Informática/UFPE

RECIFE
2016

Eu dedico este trabalho ao meu pai, José Ronaldo, e a
minha mãe, Lucinda Pessoa, que me deram todo o suporte
necessário para chegar até aqui.

Agradecimentos
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O sertanejo é, antes de tudo, um forte.
—EUCLIDES DA CUNHA

Resumo
Este trabalho busca averiguar os impactos da utilização do conceito de Internet das Coisas
na indústria civil brasileira, com foco no segmento de estruturas pré-fabricadas de concreto.
IoT (Internet of Things) tem proporcionado uma oportunidade promissora para construção de
poderosos sistemas industriais e aplicações, por meio da crescente presença de tecnologias
como identificadores de rádio-frequência, repetidores wireless, sensores, dispositivos GPS,
dispositivos móveis, entre outras. Essas tecnologias possibilitam o entendimento do estado físico
das coisas e, através de um sistema computacional, informações sobre todo o ciclo de vida
do pré-moldado podem ser apresentadas de maneira simples e inteligente para os diretores e
gestores das fabricantes. A adoção de uma estratégia baseada na Engenharia de Software tem
como objetivo entender os problemas das empresas do setor e desenvolver uma solução para
melhorar os processos do ativo, desde seu projeto e fabricação, passando pelo armazenamento e
transporte, até sua montagem nos canteiros de obras e manutenção.
Palavras-chave: Internet das Coisas, Indústria Civil, Monitoramento, Rádio-frequência, Préfabricados, Engenharia de Software, Logística

Lista de Figuras
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5

Número de artigos de revistas por ano na Web Knowledge
Tecnologias associadas com IoT . . . . . . . . . . . . . .
Composição do Código de Barras. . . . . . . . . . . . . .
Modelo NIST de definição de computação em nuvem. . . .
Ciclo de vida do pré-moldado de concreto. . . . . . . . . .

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20
21
23
24
27

3.1

Etiqueta RFID utilizada nos produtos da Shea Concrete. . . . . . . . . . . . . .

30

4.1
4.2
4.3

Business Model Canvas - BMC. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Lean Canvas do ConcretID. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Processo de análise de requisitos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

36
37
37

5.1
5.2
5.3
5.4
5.5
5.6
5.7
5.8
5.9
5.10
5.11

Estrutura pré-moldada de concreto armado no estágio da armação.
Fabricação de concreto não-armado. . . . . . . . . . . . . . . . .
Processos englobados na construção do MVP da tecnologia. . . .
Aplicativo móvel - Mega fluxo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Sistema Web - Dashboard. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Sistema Web - Clientes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Sistema Web - Projetos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Sistema Web - Agendamento de produção. . . . . . . . . . . . . .
Sistema Web - Lista de produção. . . . . . . . . . . . . . . . . .
Sistema Web - Timeline. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Sistema Web - Mapa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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48
49
49

6.1
6.2
6.3
6.4

Inserção de chip NFC na produção de lajes alveolares. . . . . . . . . . . .
Acompanhamento do processo de estocagem de uma estaca. . . . . . . . .
Pilha de lajes alveolares estocadas e monitoradas através do chip NFC. . . .
Disposição das estruturas utilizadas na prova de conceito no chão de fábrica.

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52
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Sumário
1

Introduction

17

2

Fundamentação Teórica

19

2.1

Internet das Coisas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

19

2.1.1

RFID - Radio Frequency Identification . . . . . . . . . . . . . . . . .

21

2.1.2

NFC - Near Field Communication . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

22

2.1.3

UPC - Universal Product Code . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

22

2.1.4

Location based service . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

23

2.1.4.1

GPS - Global Positioning System . . . . . . . . . . . . . . .

23

Cloud computing . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

24

2.2

IoT na Indústria Civil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

25

2.3

Estruturas Pré-fabricadas de Concreto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

25

2.3.1

26

2.1.5

3

4

Trabalhos Relacionados

29

3.1

A Engenharia de Serviço na indústria naval . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

29

3.2

Fabricantes de concreto usam RFID . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

29

3.3

Gammon Steel rastreia pré-moldados metálicos . . . . . . . . . . . . . . . . .

30

Metodologia

33

4.1

Problemas e desafios do mercado do pré-moldado . . . . . . . . . . . . . . . .

34

4.2

Idealização e Desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

34

4.2.1

Modelo de Negócios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

35

4.2.1.1

Lean Canvas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

35

Estratégia para desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

36

4.2.2
5

Ciclo de vida do Pré-moldado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Proposta

39

5.1

Escolha da Tecnologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

39

5.1.1

Identificador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

39

5.1.2

Leitor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

40

Entendendo os processos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

40

5.2.1

Fabricação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

40

5.2.2

Estocagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

42

5.2.3

Transporte (Romaneio) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

42

5.2.4

Montagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

42

5.2.5

Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

42

5.2

16
5.3

Requisitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
5.3.1 Módulo de Monitoramento - Aplicativo Móvel
5.3.2 Módulo de Gerenciamento - Sistema Web . . .
5.3.2.1 Dashboard . . . . . . . . . . . . . .
5.3.2.2 Clientes e Projetos . . . . . . . . . .
5.3.2.3 Produção . . . . . . . . . . . . . . .
5.3.2.4 Timeline e Filtros . . . . . . . . . .
5.3.2.5 Mapa . . . . . . . . . . . . . . . . .
5.3.3 Auditorias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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43
43
45
45
46
46
48
48

6

Prova de conceito
6.1 Demonstração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

51
51

7

Conclusão

55

Referências

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57

17

1
Introduction

19

2
Fundamentação Teórica
Sistemas computacionais são, em grande parte, concebidos a partir de necessidades de
outras áreas de conhecimento, como medicina, administração, entreterimento, etc (PEDROSA,
2015). O presente trabaho expõe uma alternativa para resolução de problemas da indústria
civil brasileira, utilizando uma abordagem de internet das coisas em fabricantes de estruturas
pré-moldadas de concreto. Para tal, descreveremos a seguir alguns conceitos utilizados no
desenvolvimento do trabalho.

2.1

Internet das Coisas

A Internet das Coisas, Internet of Things (IoT) em inglês, é um novo paradigma que
combina aspectos e tecnologias provenientes de diferentes abordagens. Computação ubíqua,
computação pervasiva, Protocolo de Internet, tecnologias sensoriais, tecnologias de comunicação,
e dispositivos embarcados são utilizados em conjunto para formar um sistema onde o mundo real
e o mundo digital se encontram e estão em constante simbiose (BORGIA, 2014). Ao colocar
inteligência nos objetos do cotidiano, eles são transformados em objetos inteligentes capazes de
não só coletar informações do ambiente e interagir/controlar o mundo físico, como também estar
interconectados, através da internet, para trocar dados e informação. Como consequência, essas
trocas podem reduzir, otimizar e economizar recursos naturais e energéticos.
Nos primeiros dias de 2015, o mundo registrou 25 bilhões de dispositivos conectados à
internet (João Loes, 2015). Prevê-se que o número de “coisas” conectadas excederá 7 trilhões
em 2025, com uma estimativa de 1000 dispositivos por pessoa (VINCENTELLI, 2014). Parte
delas será vestível (HARLE et al., 2012), mas a maiora será de infraestrutura. Nessa visão, os
seres humanos estarão completamente imersos em um mundo de tecnologia.
Aproveitando a crescente presença de identificadores de rádio-frequência (RFID), redes
wireless, dispositivos móveis e sensores, poderosas aplicações e sistemas industriais são construídos em áreas como agricultura, a industria de processamento de alimentos, a industria de serviços
de saúde, monitoramento ambiental, transporte, vigilância e segurança, entre outros (XU; HE;
LI., 2014).

20

CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

As possibilidades de aplicações são infinitas, desde automações domiciliares como
acender e apagar as luzes de qualquer cômodo da casa a partir do smartphone; garagem que
abre sozinha ao detectar que o carro se aproxima; porta de casa que dispensa chaves e pode ser
aberta a partir de reconhecimento facial (Rodrigo Nascimento, 2015), até poderosos sistemas
industriais de rastreamento de cargas e veículos, monitorando seus movimentos e prevendo sua
localização futura e possível tráfego rodoviário.
Seguindo essa revolução digital, empresas estão unindo esforços para fortalecer o conceito de IoT. A Ford e Intel pretendem reinventar o interior dos automóveis com um sistema que
reconhece o rosto do motorista - Mobii - e, com isso, carrega informações favoritas como agenda,
contatos, músicas e até ajusta preferências como altura e distância do banco e posição dos
retrovisores (Minuto Seguros, Blog, 2015); a empresa de elevadores Thyssenkrupp e a Microsoft,
juntas, desenvolveram um sistema inteligente e online para monitoramento dos elevadores através
de call centers e técnicos; e a IBM, em parceria com a Wether Co, pretende combinar previsões
meteorológicas em tempo real e dados empresariais para se adaptar rapidamente a padrões de
compra de consumidores ou a questões de cadeia logística ligadas ao clima (Da Reuters, 2015).
O número de publicações sobre Internet das Coisas na academia também está crescendo
rapidamente. Através de uma extensiva revisão da literatura feita por XU; HE; LI. (2014),
examinando artigos das cinco maiores bases de dados (IEEE Xplore, Web of Knowledge, ACM
digital library, INSPEC, e ScienceDirect) foram encontrados um grande número de artigos de
revistas e papers de conferências relacionados com IoT. Por exemplo, através de pesquisas
apenas na base de dados da Web of Knowledge, mais de 300 artigos de revistas foram publicados
entre 2009 e 2013.

Figura 2.1: Número de artigos de revistas por ano na Web Knowledge

Fonte: XU; HE; LI. (2014)

Graças aos recentes avanços na miniaturização e queda dos custos de tecnologias como

2.1. INTERNET DAS COISAS

21

RFID, redes de sensores, NFC, comunicação wireless, a internet das coisas tornou-se rapidamente
relevante para indústria e usuários finais. A detecção do estado físico das coisas através de
sensores, junto à coleção e processamento detalhado de dados, permite respostas imediatas a
mudanças no mundo real (UCKELMANN; HARRISON; MICHAHELLES, 2011). Na Figura 2.2
encontramos algumas das tecnologias facilitadoras que foram utilizadas direta e indiretamente
para desenvolvimento deste trabalho e serão descritas nas subseções a seguir.

Figura 2.2: Tecnologias associadas com IoT

Fonte: XU; HE; LI. (2014)

2.1.1

RFID - Radio Frequency Identification

Radio Frequency Identification (ou identificação por rádio-frequêcia) é um termo genérico
usado para descrever um sistema sem fio que transmite a identidade (na forma de um número
serial único) de um objeto ou pessoa, usando ondas de rádio. Está agrupado na categoria mais
ampla de tecnologias de identificação automática (Bob Violino, 2005). Na prática, a comunicação
se dá por meio de antenas e etiquetas RFID. Estas últimas, também conhecidas como tags, são
classificadas como ativas ou passivas.
As etiquetas ativas são alimentadas por uma bateria interna e têm função tipicamente de
leitura e gravação. Os dados do tag ativo podem ser escritos e modificados, de acordo com a
necessidade, e o tamanho da sua memória pode chegar a 1 MB (megabyte). O alcance nos tags
providos de bateria é maior, podendo chegar a 10 metros. Porém, o tamanho e custo também se
elevam e a vida operacional é limitada por conta bateria, que chega a durar 10 anos.
Os tags passivos operam sem fonte de alimentação externa e são ativados pelo campo
eletromagnético emitido pelo leitor. São, conseqüentemente, muito mais leves e menores que
os tags ativos, muito mais baratos e oferecem uma vida operacional praticamente ilimitada. A
desvantagem é que eles têm menor alcance que os tags ativos e exigem um leitor mais potente
para a leitura dos dados. Os tags passivos podem ser somente leitura ou leitura/gravação (Acura,
Blog, 2015).

22

2.1.2

CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

NFC - Near Field Communication

Near Field Communication (ou comunicação de campo próximo) é uma tecnologia
de curto alcance, baseada em padrões de conectividade sem fio que usa indução de campo
magnético para ativar a comunicação entre dispositivos eletrônicos próximos. Foi desenvolvida,
em conjunto, pela Sony e NXP Semicondutors (antiga Philips).
NFC é projetado para permitir a troca de vários tipos de informação, como números de
telefone, fotos, arquivos MP3 ou autorizações digitais entre dois dispositivos habilitados com
a tecnologia, como telefones celulares, ou entre um telefone móvel com NFC e tags e leitores
RFID compatíveis, que são mantidos próximos uns dos outros (Roland Minihold, 2011).
A tecnologia NFC oferece suporte a três modos de operação (Teleco, Blog, 2014):   

2.1.3

Tag/Card (Reader/Writer): modo em que o dispositivo móvel faz a leitura/gravação
de informações contidas em cartazes, etiquetas, e folhetos inteligentes. Exemplo: Cartazes de cinema, ticket de estacionamento, calendários de eventos, mapas inteligentes,
e etc.
Peer-to-Peer (P2P): permite que dois dispositivos habilitados com NFC se comuniquem para troca de arquivos, informações, cartões de visitas, fotos digitais e etc.
Interactive Wallet (Card Emulation): permite que dispositivos habilitados com NFC
operem como carteira móvel, permitindo aos usuários realizar transações como
compras ou transferências de dinheiro, como acontece com os cartões de crédito e de
débito.

UPC - Universal Product Code

O código de barras UPC (em inglês Universal Product Code) foi criado pela empresa
UCC (Uniform Code Concil) para auxiliar os mercados a aumentar a velocidade do processo de
verificação na saída de produtos e melhorar o controle de inventário. Mais tarde, constatou-se
a eficiência desse tipo de código e sua utilização foi extendida para todo o varejo rapidamente (Marshall Brain, 2000).
A decodificação ou leitura dos dados é realizada por um tipo de scanner (leitor de código
de barras), que emite um raio vermelho que percorre todas as barras. Estas últimas podem ser de
várias larguras, cada uma significando um caractere diferente. A interpretação acontece através
do uso de um conversor analógico/digital, que transforma os sinais analógicos produzidos pela
luz em um sinal digital (Leonardo Calandiello, 2012).
A imagem do código de barras, apresentada na Figura 2.3, é uma representação gráfica
de uma combinação numérica, o GTIN — Número Global do Item Comercial. Os números
identificam o país de origem, o fornecedor e a descrição do produto. Com o GTIN, é possível
acessar informações como peso, altura, largura, cor e até as datas de fabricação e de validade

2.1. INTERNET DAS COISAS

23

de cada item. O fornecedor é quem define as informações que deseja incluir na descrição.
A sequência numérica completa é transformada na imagem de barras por meio de softwares
específicos (Patrícia Machado and Adriane Castilho, 2011).

Figura 2.3: Composição do Código de Barras.

Fonte: Patrícia Machado and Adriane Castilho (2011)

2.1.4

Location based service

Location Based Service (ou serviço baseado em localização) é qualquer informação,
entreterimento ou serviço de mídia social disponível em um dispositivo móvel, e que faz
utilização da posição geográfica. Esta última é determinada por meio do GPS, Assisted GPS ou
Wifi e triangulação de potencial. Serviços baseados em localização são fornecidos através de
aplicações móveis (aplicativos), ou são construídos dentro do hardware e software de dispositivos
móveis (Fred Zahradnik, 2015).
2.1.4.1

GPS - Global Positioning System

O GPS (Global Positioning System) é uma rede de satélites e dispositivos receptores
usados para determinar a localização de algo na terra. Alguns receptores GPS são tão precisos
que podem estabelecer sua localização dentro de 1 centímetro. Eles fornecem localização da
latitude, longitude e altitude, além do tempo exato (National Geographic Education, 2015).
O sistema de posicionamento global - GPS - inclui 24 satélites que circundam a Terra
em órbitas precisas. Cada satélite faz uma órbita completa da Terra a cada 12 horas e enviam

24

CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

constantemente sinais de rádio.

2.1.5 Cloud computing
Cloud Computing é um modelo que permite ubiquidade, praticidade e acesso a uma
rede sob-demanda para um compartilhado de recursos computacionais configuráveis (ex: redes,
servidores, armazenamento, aplicações e serviços) que podem ser rapidamente provisionados
e liberados com o mínimo de esforço de gerenciamento ou interação com o provedor dos
serviços (MELL; GRANCE, 2012). Esse modelo de nuvem é composto por cinco carasterísticas
essenciais, três modelos de serviço e quatro modelos de deployment, apresentados na Figura 2.4.

Figura 2.4: Modelo NIST de definição de computação em nuvem.

Fonte: Autor
Em termos mais simples, Cloud computing (ou computação em nuvem) significa armazenar e acessar dados e programas através da internet ao invés do disco rígido do computador. A
nuvem é apenas uma metáfora para a internet (ERIC GRIFFITH, 2015).
Computação em nuvem entra em foco somente quando se pensa sobre o que TICs sempre
precisam: uma maneira de aumentar a capacidade ou adicionar capacidades, em tempo real, sem
investimento em novas infra-estruturas, treinamento de novos funcionários, ou liscenciamento de
um novo software. Cloud computing abrange qualquer serviço baseado em assinatura ou pey-perview que, em tempo real, através da internet, amplia as capacidades das TICs existentes (Eric
Knorr, 2008).

2.2. IOT NA INDÚSTRIA CIVIL

2.2

25

IoT na Indústria Civil

Convivemos diariamente com várias das tecnologias descritas na seção anterior, através,
principalmente, dos smartphones (ex: troca de arquivos entre aparelhos habilitados com NFC;
serviços que utilizam GPS, como Waze, Google Maps, entre outros). Alguns setores da indústria
também possuem familiaridade com aplicações que utilizam RFID, GPS e a nuvem para prover
automação de processos, redução de custos e um melhor gerenciamento das empresas. Contudo,
esse é um cenário distante para a indústria civil brasileira, que insiste em adotar técnicas de
controle rudimentares e manuais, como papel e planilhas de Excel.
Em contrapartida, alguns países como China e Estados Unidos investem cada vez mais
em soluções tecnológicas (tanto do ponto de vista computacional quanto do ponto de vista
das novas tecnologias de concreto) para melhorar o planejamento e execução dos processos da
construção civil, sejam nos escritórios ou nos canteiros de obra (SWEDBERG, 2008, 2014).
O entendimento do que acontece no chão-de-fábrica, por exemplo, pode trazer muitos
benefícios para as empresas, desde a redução de desperdícios até o aumento da produtividade da
equipe envolvida. E, para que isso se torne possível, sensores, leitores e identificadores devem
ser utilizados para monitorar os processos operacionais e coletar dados. Esses dados, por fim,
podem dar origem a um software de gerenciamento que dê apoio às tomadas de decisão da
empresa.
Por outro lado, se olharmos para as novas tecnologias de concreto, a industrialização da
construção civil, através da utilização de peças pré-fabricadas, promoveu um salto de qualidade
nos canteiros de obra. Exemplo desse avanço é a capacidade de construção de um prédio de
30 andares em apenas 15 dias (Engenharia é, Youtube, 2012). Funciona de maneira análoga a
um LEGO (2016), onde as peças são montadas facilmente, encaixando umas nas outras.
Unindo as vantagens que o conceito de Internet das Coisas pode trazer, justamente com a
utilização de estruturas pré-moldadas, a indústria civil tende a se tornar ainda mais competitiva e,
consequentemente, gerar mais lucro.

2.3

Estruturas Pré-fabricadas de Concreto

Os métodos de execução da construção civil no Brasil não acompanharam o desenvolvimento tecnológico por um bom tempo. Ao longo dos anos não se teve a preocupação em adotar
processos construtivos mais racionais; a mão de obra até então, abundante e barata, compensava
os gastos com desperdícios e processos com baixo controle.
No entanto, com o aquecimento do mercado e a forte concorrência, as empresas que
atuam no setor buscaram encontrar maneiras de se manter cada vez mais competitivas, de modo
que a redução de custos de produção, tempos de execução, menor desperdício, otimização da
mão de obra são quesitos que devem ser ponderados. O uso de metodologias que propiciem
a industrialização da construção civil se torna uma alternativa interessante, como é o caso da

26

CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

aplicação de elementos pré-moldados ou pré-fabricados (MILANI et al., 2012).
Embora tratem-se de expressões similares, a grande diferença destes dois tipos de peças
está na sua qualidade. De acordo com a NBR 9062, a definição de concreto pré-moldado é
de um elemento produzido fora do local na qual será definitivamente empregado. O controle
de qualidade acerca deste concreto é menos rigoroso, devendo ser inspecionado por pessoal
capacitado do próprio construtor ou proprietário (Incopre, 2016).
Já o concreto pré-fabricado, que também é definido por um material confeccionado
externamente, mas de forma industrial, atende a padrões mais rigorosos de controle de qualidade, sendo avaliado em várias etapas de sua fabricação, além de armazenamento, transporte e
utilização final. Para garantir a qualidade deste material, ele deve ser registrado, constando na
documentação informações referentes à identificação, data, tipo de concreto e aço empregados e
assinaturas de profissionais responsáveis da garantia de qualidade do produto.
Para fins didáticos, apesar das diferenças, este trabalho referir-se-á aos elementos prémoldados e pré-fabricados como uma só coisa.
A racionalização conseguida com o uso de estruturas pré-fabricadas de concreto permite
que os materiais disponíveis para a execução do empreendimento sejam mais bem aproveitados,
sem, contudo, demandar profundas alterações tecnológicas (PEDERIVA, 2009).
Em sua concepção, as estruturas podem ser dividias em duas categorias: concreto simples
e concreto armado. Na primeira categoria, a composição do pré-moldado se dá através da mistura
de cimento (aglomerante), areia (agregado miúdo), brita (agregado graúdo) e água em proporções
exatas e bem definidas. Em contrapartida, o concreto armado é um material resultante da união
do concreto simples e de barras de aço, envolvidas pelo concreto, com perfeita aderência entre
os dois materiais, de tal maneira que resistam ambos solidariamente aos esforços a que forem
submetidos (Tarley Ferreira de Souza Jr, 2015).

2.3.1

Ciclo de vida do Pré-moldado

O ciclo de vida de uma estrutura pré-fabricada de concreto engloba a fabricação, armazenamento, transporte, montagem e manutenção, como mostrado na Figura 2.5. Em cada uma
dessas etapas, existe uma série de desafios e problemas relacionados que custam bastante às
empresas.
A maioria dessas questões podem, no entanto, ser resolvidas se utilizarmos o conceito
Internet das Coisas para o desenvolvimento de um sistema computacional que planeje, monitore
e gerencie todos os processos que envolvem as peças. Seguindo essa linha de raciocínio, o
próximo capítulo apresenta, de maneira mais detalhada, como IoT já vem sendo empregada em
alguns setores da indústria da construção.

2.3. ESTRUTURAS PRÉ-FABRICADAS DE CONCRETO

Figura 2.5: Ciclo de vida do pré-moldado de concreto.

Fonte: Autor

27

29

3
Trabalhos Relacionados
Já existem alguns trabalhos (OLIVEIRA et al., 2012; SWEDBERG, 2008, 2013, 2014)
que abordam o conceito de Internet das Coisas para melhorar e automatizar processos na indústria,
principalmente quando o ativo relacionado tem valores elevados. Da indústria naval à indústria
da construção, o número de possíveis aplicações com IoT são infinitas e devem se tornar cada
vez mais realidade.

3.1

A Engenharia de Serviço na indústria naval

Devido a investimentos recentes do governo federal no pré-sal (Petrobrás, 2015), a
industria naval brasileira ganhou foco. Porém, para que o setor se consolide frente ao competitivo
mercado internacional muitos são os desafios.
Atualmente, novos paradigmas tecnológicos estão transformando os processos de manufatura e, com isso, sistemas computacionais começam a ser utilizados na produção industrial,
viabilizando a implantação de novos conceitos tais como indústria verde, servicizing, dematerialisation, economia funcional, entre outros, permitindo a sustentabilidade e a melhoria da
competitividade.
O artigo de PEZZOTTA; CAVALIERI; GAIARDELLI (2009) aborda a engenharia de
serviço, que tem como objetivo o projeto e desenvolvimento de serviços que existirão e estarão
disponíveis durante todo o ciclo de vida de um produto. Na indústrica da construção naval, estes
serviços permitem que valores sejam agregados ao longo do início, meio e final (descarte) da
vida de um navio. Tudo o que acontecer com o produto será monitorado e rastreado, desde o
projeto e construção em um ambiente de estaleiro, passando pelo uso e fretamento, até o seu
desmonte.

3.2

Fabricantes de concreto usam RFID

Fabricantes internacionais de estruturas pré-fabricadas de concreto, como a Phoenix
Precast (2015) e a E.F. Shea Concrete (2015), estão usando um sistema de RFID (Idencia, 2016)

30

CAPÍTULO 3. TRABALHOS RELACIONADOS

para rastrear como as peças são feitas, inspecionadas, armazenadas e despachadas para um
canteiro de obra (SWEDBERG, 2008). Esse sistema provê um controle eletrônico de qualidade
e um melhor gerenciamento do inventário no estoque.
Além de rastrear os processos que envolvem o pré-moldado, esse tipo de sistema fornece
amplas vantagens para aquisição de certificados de qualidade, que são requisitos obrigatórios
para alguns tipos de licitações e obras.
Um tag RFID passivo, como apresentado na Figura 3.1, é embarcado no início da
fabricação das estruturas, bem como nas fôrmas de aço em que são moldadas. O sistema, então,
permite que os agentes de controle de qualidade das fabricantes leiam as etiquetas, criando uma
espécie de arquivo eletrônico de dados que narra quando e qual produto foi feito, quando foi
inspecionado e por quem.

Figura 3.1: Etiqueta RFID utilizada nos produtos da Shea Concrete.

Fonte: SWEDBERG (2008)
O sistema também fornece dados sobre a localização das peças no estoque, onde ficam
armazenadas até que sejam trasportadas por caminhões para os clientes. No momento em que a
tag RFID é lida, o leitor ativa seu GPS e envia todos os dados para o software de gerenciamento,
via Wifi.
Essas informações, por fim, fornecem uma base sólida para o entendimento do que
acontece no chão de fábrica, melhoria de procesos operacionais e tomadas de decisão.

3.3

Gammon Steel rastreia pré-moldados metálicos

Grandes obras como estádios de futebol, shoppings centers, rodovias e etc., são muitas
vezes construídas utilizando peças pré-fabricadas que chegam no local pouco antes de serem
incorporadas a uma nova estrutura. Essa modularização de projetos de construção reduz os
cronogramas e custos trabalhistas. No entanto, erros cometidos durante esse cenário - como a
instalação ou entrega errada de uma peça, ou a falha de um item para chegar no local, quando
necessário - podem ser caros (SWEDBERG, 2013).
Em Hong Kong, a empresa Gammon Construction (2016) está usando uma solução
para rastrear o despache, entrega e montagem das suas peças pré-moldadas de aço. O sistema

3.3. GAMMON STEEL RASTREIA PRÉ-MOLDADOS METÁLICOS

31

desenvolvido pela Tecton (2016), assim como na Seção 3.2, funciona através da inserção de
etiquetas RFID durante a produção das peças. Então, os funcionários monitoram a saída das
estruturas metálicas da fábrica com um leitor RFID, capturando dados como data e horário do
despache e responsável pelo transporte.
Ao chegar nos canteiros de obra, uma nova checagem é feita. O leitor RFID, então, se
comunica com o back-end do sistema via Wifi e verifica onde a peça deve ser montada, de acordo
com o design do projeto original da construção. O software também emite um alerta caso a
estrutura seja instalada no local errado.

33

4
Metodologia
De acordo com o IEEE (1990), engenharia de software pode ser definida como a aplicação
de uma abordagem sistemática, disciplinada e quantificável no desenvolvimento, operação e
manutenção de software.
Sistemática por que deve existir um processo de desenvolvimento definindo as atividades
que deverão ser executadas. Disciplinada por que parte do princípio de que os processos definidos
serão seguidos. Quantificável por que se deve definir um conjunto de medidas a serem extraídas
do processo durante o desenvolvimento de forma que as tomadas de decisão relacionadas ao
desenvolvimento do software (por exemplo, melhoria de processo) sejam embasadas em dados
reais, e não em “achismos” (AVILA; SPINOLA, 2007).
Este trabalho sugere o desenvolvimento de um business que resolva problemas e desafios de fabricantes de peças pré-moldadas de concreto. E, para criar uma solução inovadora,
segundo DECUSATIS (2008) e complementado por MEIRA (2013), é necessária uma forte
articulação entre quatro papéis. Primeiro, é preciso ESCLARECER o que tem que ser feito:
qual é o problema; por que ele é um problema, em algum ou todos os contextos; quais são as
consequências de não resolvê-lo; o que se ganha por resolvê-lo... Segundo, é preciso IDEALIZAR as possíveis soluções. Terceiro, é necessário DESENVOLVER a solução, na prática. Não
apenas o desenvolvimento de um produto qualquer, como no caso de desenvolver, no sentido de
escrever, software. Mas de todo o processo envolvido em criar condições para que o produto
exista. E, por fim, é preciso IMPLEMENTAR a solução.
Para cumprir com os papéis sugeridos por DeCusatis, se faz necessário um time que deve
resolver os problemas para os clientes. Reunimos, então, pessoas das áreas da engenharia da
computação, engenharia civil e designer para montar uma startup, que, segundo RIES (2016),
é uma instituição humana desenhada para criar um novo produto ou serviço em condições de
extrema incerteza. Um dos integrantes da equipe, que atua a mais de cinco anos no mercado
de pré-fabricados, nos deu acesso a uma fabricante em Pernambuco para que conhecêssemos
de perto o processo de fabricação das peças e, consequentemente, entendêssemos melhor os
problemas associados, que seguem descritos na Seção 4.1.

34

4.1

CAPÍTULO 4. METODOLOGIA

Problemas e desafios do mercado do pré-moldado

Segundo Íria Doniak, presidente da Associação Brasileira da Construção Industrializada
de Concreto em 2014, a cadeia produtiva do setor de pré-fabricados movimenta mais que 5
bilhões de reais anualmente (Revista Grandes Construções, 2010). A industrialização das obras
dos mais diversos segmentos, como construção de moradias populares, centros de distribuição,
edifícios comerciais, shoppings centers, hipermercados e estádios de futebol, reforça a confiança
do setor para manter a taxa de expansão nos próximos anos.
No entanto, apesar da agilidade proporcionada à construção civil, as fabricantes de prémoldados se deparam com diversos problemas no dia a dia em chão de fábrica como: saber onde
as peças se encontram no estoque; quantas peças foram produzidas no último dia, semana ou
mês; ter conhecimento de quais setores da fábrica estão sobrecarregados, bem como os ociosos;
qual a quantidade de matéria-prima utilizada na produção de determinadas estruturas; entre
outros.
A carência ou escassez de informações sobre as peças causam problemas não só no
processo de fabricação, mas em todo o ciclo de vida do pré-moldado, que envolve também o
armazenamento, transporte, montagem e manutenção dos ativos. O extravio de peças é uma
questão recorrente no caminho das fábricas até as obras e os mecanismos de segurança são, quase
sempre, ineficientes. Além disso, a falta de controle e padronização na montagem das obras
permite que estruturas sejam confundidas e trocadas, comprometendo assim os cronogramas e
execução dos projetos.
Auditorias internas e externas também são práticas obrigatórias para fabricantes, devido
aos altos investimentos que acercam o mercado da construção civil. Durante esse procedimento,
os problemas são evidenciados pela falta de acesso a informações sobre as peças e processos
adjacentes. Há casos de fábricas que chegam a parar sua produção por um alguns meses para
buscar, comparar e validar informações sobre as estruturas produzidas.
Todos os problemas citados geram um defcit significativo nas fabricantes, tanto financeiro
quanto de produtividade. Ainda assim, a construção industrializada do concreto é bastante
lucrativa para as fabricantes, devido às economias associadas e cronogramas ousados. No Brasil,
o setor está dando os primeiros passos se comparado com países da Europa e Ásia, que já
empregam mecanismos de controle automatizados em todo ciclo de vida do pré-moldado. Isso
dá margem para criação de um modelo de negócio que resolva os desafios locais.

4.2

Idealização e Desenvolvimento

A filosofia Lean Startup (RIES, 2011), utilizada na idealização e desenvolvimento do
negócio, pretende eliminar práticas de desperdício e aumentar práticas de produção de valor
durante a fase de desenvolvimento do produto, para que a startup possa ter melhores chances de
sucesso sem necessitar de grandes quantidades de financiamento externo, planos de negócios

4.2. IDEALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

35

elaborados ou o produto perfeito. Ela está apoiada em três importantes pilares (ENDEAVOR,
2016):   

4.2.1

Modelo de Negócio: o empreendedor deve estar ciente de que antes de lançar seu
produto – mesmo que tenha feito muita pesquisa – não tem nada além de hipóteses
que precisa comprovar. Então, em vez de consolidar um longo relatório – o Plano de
Negócios – a metodologia propõe que o empreendedor use uma ferramenta chamada
Canvas para montar o seu modelo de negócio. Basicamente, o Canvas é um diagrama
que mostra como a empresa cria valor para si e para os clientes.
Customer Development: o empreendedor deve testar as suas hipóteses com a abordagem chamada de “desenvolvimento com clientes”, ou customer development. Isso
significa que a empresa conversará com potenciais usuários, compradores e parceiros para pegar sua opinião sobre todo e qualquer elemento do modelo de negócios,
incluindo características do produto, preços, canais de distribuição e estratégias
econômicas de aquisição de clientes. Para fazer isso, o empreendedor deve montar
um MVP - Minimum Viable Product ou “Produto Mínimo Viável” - que é uma versão
beta de um produto, desenvolvida de forma ágil e econômica para ser apresentada ao
seu público-alvo e receber feedbacks.
Desenvolvimento ágil: a startup enxuta adota o chamado “desenvolvimento ágil”,
que anda de mãos dadas com o desenvolvimento com o cliente. No desenvolvimento
ágil, não há perda de tempo ou de recursos, pois o produto é desenvolvido de forma
iterativa e incremental.

Modelo de Negócios

Em seu livro Business Model Generation, OSTERWALDER; PIGNEUR (2009) apresentam uma metodologia para modelagem de negócios que descreve organizações, produtos e
serviços na forma de blocos visuais e de fácil compreensão, como apresentado na Figura 4.1.
Um modelo de negócios, diferentemente de um plano de negócios (SEBRAE, 2016), descreve
a lógica de como uma organização cria, entrega e captura valor. Para MEIRA (2013), se um
modelo de negócios é uma proposição descritiva do que é seu negócio, um plano de negócios vai
vir a ser o detalhamento prescritivo de como as coisas terão que ser feitas, passo a passo, para o
negócio se desenrolar.
4.2.1.1

Lean Canvas

A modelagem do negócio proposto neste trabalho foi feita através do Lean Canvas adaptação do Business Model Canvas criada por MAURYA (2012) no espírito Lean Startup
(inicialização rápida, consisa e eficaz). Esse novo modelo promete um plano discutível e focado
no empresário; e não nos clientes, consultores, investidores e conselheiros. Ele proporciona

36

CAPÍTULO 4. METODOLOGIA

Figura 4.1: Business Model Canvas - BMC.

Fonte: OSTERWALDER; PIGNEUR (2009)
uma base sólida para a experimentações que geram aprendizado constante e se concentra em
problemas, soluções, principais métricas e vantagens competitivas.
Na Figura 4.2 estão descritas as hipóteses que foram validadas com fabricantes pernambucanas para o desenvolvimento do sistema de rastreamento de estruturas pré-moldadas de
concreto.

4.2.2

Estratégia para desenvolvimento

A análise de requisitos possui um papel primordial no processo de desenvolvimento de
software. É nesta etapa em que o sistema será definido para posteriormente ser desenvolvido
pela equipe. Com o surgimento das metodologias ágeis de projeto, a análise de requisitos sofreu
mudanças para buscar uma melhor adaptação.
A monografia de FONTE (2015), um dos envolvidos na construção da tecnologia,
descreve detalhadamente a análise de requisitos utilizada no projeto. A estratégia adotada faz
uso de variadas técnicas de elicitação, análise e manutenção de requisitos já consolidadas na
literatura como: mapeamento de processos de negócio (PALMER, 2015), prototipagem de
sistema (Balsamiq, 2016) e entrevistas com stakeholders. No entanto, executadas sob uma nova
perspectiva para potencializar os objetivos de metodologias ágeis, em especial os projetos que
utilizam a metodologia SCRUM.
O processo implantado e apresentado na Figura 4.3, assim como nas metodologias ágeis,
é iterativo e incremental, ou seja, é feito por etapas. Ele incorpora o conceito de sprints na

4.2. IDEALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

37

Figura 4.2: Lean Canvas do ConcretID.

Fonte: Autor
análise de requisitos e um de seus principais pilares é o alinhamento entre os responsáveis pelo
desenvolvimento e análise do sistema.

Figura 4.3: Processo de análise de requisitos.

Fonte: FONTE (2015)
Com base nas metodologias apresentadas, as principais funcionalidades para compor
o desenvolvimento do mínimo produto viável (MVP) foram definidas e estão descritas no
Capítulo 5.

39

5
Proposta
Este trabalho propõe o desenvolvimento de um sistema computacional para o monitoramento de todo o ciclo de vida de uma estrutura pré-moldada de concreto. A aplicação deve
prover o rastreamento das atividades e processos na fabricação, armazenamento, transporte,
montagem e manutenção do ativo; o planejamento e avaliação desses processos, através de uma
camada gerencial e métricas associadas; a localização das peças; e o acesso a essas informações
de maneira simples e instantânea, com foco nas auditorias e controle de qualidade.

5.1

Escolha da Tecnologia

Um identificador deve ser associado à estrutura no início da sua fabricação e, a partir daí,
todos os processos adjacentes serão mapeados por um leitor (handheld), que envia as informações
colhidas (inclusive localização) para a nuvem, via Wifi. Em seguida, essas informações são
apresentadas em um sistema web.
Diante as várias opções presentes no mercado, a escolha da tecnologia foi feita levando
em consideração, principalmente, o ambiente de manuseio dos pré-moldados e os custos associados à instalação nas fabricantes. Como as fábricas possuem, geralmente, uma grande
extensão terrotirial e as etapas do ciclo de vida do pré-moldado são realizadas em diferentes
locais, decidimos utilizar uma tecnologia sem fio para facilitar sua implantação e utilização ao
decorrer dos processos.

5.1.1

Identificador

As tecnologias de rádio-frequência pareceram a mellhor opção para a comunicação sem
fio em ambientes brutos, como é o caso das fábricas de pré-moldado. O mercado já disponibiliza
etiquetas RFID que podem ser embarcadas no concreto e resistem, inclusive, ao processo de
centrifugação na produção de estacas. Etiquetas com código de barras e QRCode, mesmo com
preços mais acessíveis, não apresentaram resultados positivos no chão-de-fábrica, devido às
rasuras decorrentes do manuseio do ativo e consequente perda de informação.

40

CAPÍTULO 5. PROPOSTA

RFID proporciona a construção de poderosos sistemas de comunicação a grandes distâncias, promovendo a automatização de vários processos. Enquanto portais capturam a movimentação dos ativos com tag embarcada, antenas “conversam” com esses chips, lendo e escrevendo
informação neles. Contudo, os custos relacionados à construção de uma infraestrutura que
suporte esse tipo de aplicação, com utilização de leitores, antenas e etiquetas RFID, é exorbitante.
Diante desse cenário, o NFC se mostrou uma alternativa bastante interessante, com tags a preços
mais acessíveis e leitores substituídos por smartphones com suporte à tecnologia.

5.1.2

Leitor

Como o alcance do NFC é muito curto, a inspeção do ativo deve ser feito por um
funcionário da fabricante com função de manuseio do leitor (celular). Para tal, sugere-se o
desenvolvimento de uma aplicação baseada em toques, minimizando, assim, possíveis erros
humanos.
Atualmente, fabricantes de celulares fornecem aproximadamente 300 opções de aparelhos
com suporte à tecnologia NFC (NFC World, 2015). Visando facilitar a portabilidade do sistema,
foi desenvolvido um aplicativo android, compatível com a grande maioria das marcas citadas
pelo NFC World. A proposta atrai, dessa maneira, a atenção de quem quer monitorar o que
acontece com o ativo sem desembolsar muito.

5.2

Entendendo os processos

Após a imersão nos processos operacionais de três grandes fabricantes pernambucanas,
segmentamos as principais necessidades do mercado e, com base nisso, definimos os principais
requisitos da aplicação.
Processos industriais variam de empresa para empresa, contudo segmentos específicos
apresentam padrões gerenciais e operacionais semelhantes. Visando construir uma solução
escalável, observamos as convergências nos processos das fabricantes para conceber quais deles
possuiam uma implicação mais direta na produtividade da equipe e lucratividade da empresa.

5.2.1

Fabricação

Os processos de fabricação das peças diferem de acordo com a composição do concreto,
seja simples ou armado. Para empresas que trabalham com concreto armado, as preocupações
com o controle e monitoramento desses processos começam ainda no estágio inicial da produção
das estruturas. É nessa fase, denominada armação e apresentada na Figura 5.1, que a tag NFC
deve ser associada. Em seguida, o ativo passará pela concretagem, acabamento (em caso de
fissuras no concreto) e estocagem. A partir desse ponto, o pré-moldado estará pronto para ser
despachado para os canteiros de obra.

5.2. ENTENDENDO OS PROCESSOS

41

Figura 5.1: Estrutura pré-moldada de concreto armado no estágio da armação.

Fonte: ?

Já para empresas que trabalham com concreto simples (ou não-armado), os desafios se
reduzem bastante devido aos mecanismos automatizados de produção. Essas fabricantes investem
em equipamentos sofisticados que conduzem todo o processo de fabricação com qualidade e
rigor. Os operadores desse maquinário devem selecionar apenas o tipo da estrutura (paver, bloco,
meio-fio...) e o traço do concreto (composição de areia, brita e cimento). Então, as estruturas
serão produdizas e, em seguida, colocadas em pallets, como demonstrado na Figura 5.2, estando
prontas para o despache para os canteiros de obra.

Figura 5.2: Fabricação de concreto não-armado.

Fonte: ?

42

5.2.2

CAPÍTULO 5. PROPOSTA

Estocagem

Devido ao volume de produção das fabricantes, é necessário se ter um controle efetivo
de entrada e saída das estruturas no estoque, bem como o consumo real e teórico dos insumos
utilizados. Esse tipo de informação ajuda no planejamento da compra de matérias-primas e
entendimento do desperdício gerado durante a fabricação do pré-moldado.

5.2.3

Transporte (Romaneio)

A fim de minimizar ou mitigar ocorrências de extravio de peças, a aplicação deve fornecer
o controle preciso da data e horário da saída das peças das fabricantes, bem como a data e horário
da entrega dos ativos, além de informações sobre o motorista responsável e veículo utilizado no
romaneio.

5.2.4

Montagem

Como abordado na Seção 3.3, grandes construções são feitas frequentemente com
utilização de peças pré-fabricadas que chegam nos canteiros de obras pouco antes de serem
incorporadas a uma nova estrutura e erros cometidos durante esse cenário podem custar muito.
Para reduzir tais problemas, a aplicação deve fornecer um controle de qualidade fiel na montagem
das construções.

5.2.5

Manutenção

As preocupações aparentemente findam após a resolução dos problemas e desafios da
fabricação, estocagem, romaneio e instalação das estruturas pré-moldadas. Contudo, os custos
relacionados às auditorias dessas construções continuam chamando atenção, principalmente pela
falta de referências sobre as estruturas utilizadas, bem como o traço e resistência do concreto,
fabricante e outras informações necessárias.
A solução sugere a rastreabilidade do ativo desde o início da sua produção. Dessa
maneira, com uma simples leitura do chip identificador embarcado na peça, todas as informações
do pré-moldado podem ser acessadas.

5.3

Requisitos

Após observação conseguida dos processos existentes nas fábricas e concepção de
novos processos com foco na melhoria de qualidade, foram definidos os requisitos e, então,
desenvolvidas as telas que fazem parte do MVP da solução.
Levando em consideração a disponibilidade de recursos e tempo para desenvolvimento,
o mínimo produto viável se concentra apenas nas três primeiras fases do ciclo de vida do

5.3. REQUISITOS

43

pré-moldado: fabricação, estocagem e transporte (Figura 5.3).

Figura 5.3: Processos englobados na construção do MVP da tecnologia.

Fonte: Autor

5.3.1

Módulo de Monitoramento - Aplicativo Móvel

Esse módulo se refere aos processos no chão de fábrica. Na Figura 5.4 são apresentadas
algumas das funcionalidades do aplicativo móvel, bem como o fluxo das telas para manuseio do
mesmo. As telas em azul indicam o monitoramento do momento em que o chip identificador é
associado, atualização da localização e atualização do estado das estruturas pré-moldadas. Já as
telas em verde se referem ao processo de romaneio (busca das peças no estoque e preparação
para o transporte).
Visando melhorar a experiência dos usuários ao utilizar o aplicativo e minimizar o número
de erros cometidos nas fabricantes, foi escolhida uma estratégia de design baseada em toques.
Dessa maneira, os funcionários não precisam perder tempo escrevendo e, consequentemente,
podem melhorar ainda mais a sua produtividade no trabalho.
Além das funcionalidades descritas acima, há um outro módulo para controle da saída e
entrega das estruturas pré-moldadas. São registradas informações como data e horário, nome do
motorista, veículo e romaneio associado.

5.3.2

Módulo de Gerenciamento - Sistema Web

Além do monitoramento dos ativos, a solução provê uma camada gerencial, com foco no
planejamento e avaliação dos processos. Dessa maneira, o conceito de Internet das Coisas ganha
espaço e reforça a necessidade da geração de informações inteligentes sobre tudo o que acontece
com as estruturas pré-fabricadas de concreto.
Para tal, foi concebido um sistema web que transmite as informações coletadas sobre as
estruturas pré-moldadas. Assim, os diretores e gestores podem acessar o que está acontecendo
na fábrica de qualquer lugar e a qualquer hora, através da nuvem.
Algumas das funcionalidades do sistema web serão descritas a seguir.

44

CAPÍTULO 5. PROPOSTA

Figura 5.4: Aplicativo móvel - Mega fluxo.

Fonte: Autor

5.3. REQUISITOS
5.3.2.1

45

Dashboard

A avaliação dos processos é feita através de métricas confiáveis, a fim de gerar relatórios
e números para que os dirigentes das fabricantes entendam melhor o que está acontecendo nas
suas empresas e tomem decisões com base sólida.
A dashboard apresenta um resumo do funcionamento da empresa, com uma timeline
descrevendo as atividades mais recentes na fábrica e métricas como: 

tempo médio de armação, concretagem, acabamento e estocagem; 

número de projetos ativos, peças em produção e peças esperando; 

quantidade de peças produzidas no dia, semana e mês; 

previsão de reabastecimento de matérias primas.

Figura 5.5: Sistema Web - Dashboard.

Fonte: Autor

5.3.2.2

Clientes e Projetos

A tela de Clientes, apresentada na Figura 5.6, apresenta o nome, CNPJ, número de
projetos ativos e concluídos de cada cliente. Entende-se por projeto uma determinada ordem de
produção de peças, seja para uma grande obra, como construção de um estádio de futebol ou
para uma obra pequena, como a construção de uma residência popular.

46

CAPÍTULO 5. PROPOSTA

Figura 5.6: Sistema Web - Clientes.

Fonte: Autor
Ao selecionar um cliente específico, o sistema dá acesso aos projetos de maneira detalhada, com as informações de nome, ordem de serviço, percentual de conclusão do projeto e
número de peças, conforme mostra a Figura 5.7. Dentro de cada projeto também são apresentadas
todas as estruturas pré-moldadas que serão produzidas, bem como sua situação atual na fábrica.
5.3.2.3

Produção

O sistema web também aborda o processo de fabricação das estruturas e a Figura 5.8
apresenta uma feature para agendamento dessa produção, segmentado por setor, engenheiro
responsável, data de agendamento e peças disponíveis. É uma importante ferramenta para
planejamento dos cronogramas e entrega para os clientes das fabricantes.
Além do agendamento, o sistema contém uma tela que apresenta a lista de produção
das estruturas. Essa informação é colocada no chão de fábrica para que os funcionários tenham
conhecimento das tarefas que devem ser executadas naquele dia e entendam quais peças estão
atrasadas. A tela mostra o código, classe, projeto, engenheiro responsável, situação e data de
início da fabricação de cada peça.
5.3.2.4

Timeline e Filtros

A timeline, como mostra a Figura 5.10, apresenta o log de todas as atividades executadas
no chão de fábrica e sistema. Isso garante que os diretores entendam o que seus funcionários

5.3. REQUISITOS

47

Figura 5.7: Sistema Web - Projetos.

Fonte: Autor

Figura 5.8: Sistema Web - Agendamento de produção.

Fonte: Autor

48

CAPÍTULO 5. PROPOSTA

Figura 5.9: Sistema Web - Lista de produção.

Fonte: Autor
estão fazendo, aumentando a transparência da empresa e, consequentemente, a produtividade da
equipe.
Para facilitar a busca específica por atvidades, funcionários ou peças, a solução possui
um sistema de filtragem, demonstrado no canto superior direito da Figura 5.10. O filtro também
pode ser encontrado em outros módulos da tecnologia.
5.3.2.5

Mapa

Para empresas com grandes extensões territoriais, sugere-se uma feature de localização
dos ativos. Isso traz como benefício o entendimento sobre a disposição das peças na fabricante e
reduz bastante o tempo de busca de uma estrutura específica no estoque.
No desenvolvimento do MVP, utilizamos a API do Google Maps (como mostra a Figura 5.11), contudo o ideal é utilizar um mapa vetorizado da planta baixa da fábrica, que tende a
ser muito mais preciso.

5.3.3

Auditorias

Auditorias são processos bastante comuns no segmento de pré-moldados de concreto,
sejam internas ou externas, devido aos altos investimentos demandados. Há casos de fabricantes
que têm que parar sua produção por semanas ou até meses para buscar, comparar e validar
informações sobre o que acontece no chão de fábrica e outras instãncias do ciclo de vida das

5.3. REQUISITOS

49

Figura 5.10: Sistema Web - Timeline.

Fonte: Autor

Figura 5.11: Sistema Web - Mapa.

Fonte: Autor

50

CAPÍTULO 5. PROPOSTA

peças.
A aplicação provê o acesso, em tempo real, a todas essas informações através da nuvem.
Os auditores poderão, com isso, captar os dados necessários do próprio smartphone, tablet ou
computador. Também há margem para a criação de um selo de qualidade para fabricantes que
seguem determinados padrões de processo.

51

6
Prova de conceito
Prova de Conceito, do inglês Proof of Concept (PoC), é um termo utilizado para denominar um modelo prático que possa provar o conceito (teórico) estabelecido por uma pesquisa
ou artigo técnico. Em Tecnologia da Informação, o termo pode ser relacionado ao desenvolvimento de um protótipo como ferramenta para provar a viabilidade de um projeto de rede de
computadores, como é o caso desde trabalho.
Segundo PINHEIRO (2010), a prova de conceito permite demonstrar na prática a metodologia, os conceitos e as tecnologias envolvidas na elaboração do projeto. Trata-se, pois, de
uma iniciativa de curto prazo, incluída no cronograma de atividades do projeto e orientada de
forma restrita a um segmento da rede. Tem natureza colaborativa, envolvendo a expertise do
projetista e fornecedores e as competências do cliente.
A prova de conceito serve, então, para validar um projeto antes que este seja executado na
prática. Testes de aceitação e de certificação devem ser realizados e seus resultados plenamente
avaliados, uma vez que nas fases posteriores, que envolvem o planejamento e futuramente a instalação e operação, será maior a relutância às mudanças ou à reinterpretação dos requisitos (SILVA,
2012).

6.1

Demonstração

Através do desevolvimento de um protótipo executável, a prova de conceito pode ser
feita por meio de uma demonstração. Implementamos, então, toda infraestrutura necessária
para realização de uma demonstração em uma fabricante associada à ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto), visando o entendimento real dos benefícios
proporcionados pelo sistema desenvolvido e apresentado na Capítulo 5.
Foram acompanhados os processos de fabricação de algumas lajes alveolares e estacas,
através da inserção de um chip identificador com tecnologia NFC (mais precisamente, a ntag203),
como mostra a Figura 6.1. Essas etiquetas foram testadas sob diversas condições climáticas desde sol escaldante até fortes chuvas - e apresentaram excelentes resultados, diferentemente
dos códigos de barra testados e que sofreram, de alguma maneira, rasura e consequente perda de

52

CAPÍTULO 6. PROVA DE CONCEITO

informação.

Figura 6.1: Inserção de chip NFC na produção de lajes alveolares.

Fonte: Autor
Os tags chegaram a resistir, inclusive, ao processo de centrifugação das estacas, considerado pela fabricante como o processo de produção que envolve a maior complexidade entre as
estruturas pré-fabricadas, conforme a Figura 6.2.

Figura 6.2: Acompanhamento do processo de estocagem de uma estaca.

Fonte: Autor
O sistema web desenvolvido também apresentou perfeito funcionamento, como esperado.
A engenheira responsável pelo setor onde a demonstração foi feita reforçou os benefícios
relacionados ao acesso às informações das peças e apresentou uma forte receptividade à utilização
da tecnologia em seu dia a dia. Isso se deu principalmente pela economia de tempo gerada, isto
é, tarefas que levavam algumas horas para serem executadas no chão de fábrica foram realizadas
em poucos minutos, através a aplicação. Além disso, ela previu que a perda de peças no estoque
não seria mais um problema e que não teria mais que parar a produção das estruturas nos tempos
de auditoria.

6.1. DEMONSTRAÇÃO

53

Figura 6.3: Pilha de lajes alveolares estocadas e monitoradas através do chip NFC.

Fonte: Autor

Figura 6.4: Disposição das estruturas utilizadas na prova de conceito no chão de fábrica.

Fonte: Autor

54

CAPÍTULO 6. PROVA DE CONCEITO

A demonstração durou, ao total, duas semanas e atendeu às expectativas tanto da equipe
de desenvolvimento do negócio quanto do possível cliente. A versão beta foi finalizada e validada
para, então, ser colocada no mercado sob o nome ConcretID (2015).

55

7
Conclusão
Este trabalho apresentou uma nova abordagem para resolução de problemas na indústria
civil, com foco no segmento de estruturas pré-fabricadas de concreto. O conceito de Internet
das Coisas provocou a concepção de um sistema computacional onde os ativos pudessem ser
rastreados, a fim de entender o que acontece em todas as etapas do seu ciclo de vida.
Visando minimização de custos e tempo para desenvolvimento de um protótipo, esse
entendimento foi alcançado através do desenvolvimento de um aplicativo móvel com tecnologia
NFC e um sistema web. O aplicativo móvel teve foco no monitoramento dos processos do ativo
em campo, já o sistema web possibilitou o planejamento, gerenciamento e avaliação desses
processos, além da disponibilidade provida pela cloud computing.
Após o piloto na fabricante, percebeu-se um ganho notável de qualidade nos processos
que envolvem o pré-moldado de concreto. A rastreabilidade associada à camada gerencial
fornece uma transparência que permite que as tomadas de decisão da empresa sejam feitas com
base sólida, tanto no que se diz respeito à produtividade da equipe quanto à lucratividade das
fábricas. A tecnologia permite que as auditorias sejam bastante facilitadas, visto que todas as
informações podem ser acessadas de qualquer lugar e a qualquer horário. Isso dá margem para
criação de um selo de qualidade com foco no controle e monitoramento dos processos, a exemplo
do que acontece em outros países (SWEDBERG, 2008) e (SWEDBERG, 2014).
Além das vantagens qualitativas, estima-se uma redução do número de extravios de
peças. Com o tempo, a transparência dos processos pode levar à anulação desses extravios, o
que representaria uma economia significativa para as empresas de pré-fabricados, devido aos
valores elevados associados à construção civil.
A solução proposta ainda pode ser levada, em trabalhos futuros, para a montagem
das estruturas nos canteiros de obra e, posteriormente, para manutenção dessas construções.
Dessa maneira, todo o ciclo de vida do pré-moldado seria monitorado. A tecnologia também
pode ser aplicada a outros mercados que possuem ativos caros e processos semelhantes aos do
pré-fabricado.

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