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FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SOROCABA

DESENHO TÉCNICO MECÂNICO I

Resumo de Aulas

Títulos das Aulas:

1. Introdução ao curso de DTM


2. Esboço cotado de Poliedros
3. Esboço cotado de peças c/ furos e/ou arcos
4. Vistas necessárias e suficientes (VNS)
5. Desenho definitivo (ou com instrumentos)
6. 1ª VA (1ª Verificação da Aprendizagem)
7. Escalas em DT – VNS a partir de perspectivas
8. Perspectiva isométrica simplificada de poliedros
9. Perspectiva isométrica simplificada de peças c/ furos e/ou arcos
10. Perspectiva Cavaleira
11. Perspectiva isométrica (real)
12. 2ª VA
13. Cortes e seções – Generalidades – Corte total
14. Omissões – Corte parcial
15. Meio-corte – Detalhe ampliado
16. Cortes com desvios (translação, rotação)
17. Vista auxiliar
18. Seções. Corte ou seção: o que usar
19. 3ª.VA

Prof. M. Sc. Edson Del Mastro


2º. Semestre de 2009
Desenho Técnico Mecânico I – Resumo de aulas – Prof. M.Sc. Edson Del Mastro 2

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO AO CURSO DE DTM ........................................................................ 5


1.1 Razão e importância do Desenho Técnico ..................................................... 5
1.2 Conceituação e definição ................................................................................ 6
1.3 Normas Técnicas .......................................................................................... 11
1.4 Relação de materiais e instrumentos ............................................................ 13
1.5 Conteúdo programático e planejamento ....................................................... 14
1.6 Avaliação ...................................................................................................... 14
1.7 Orientações ................................................................................................... 15
1.8 Referências bibliográficas ............................................................................. 16

2. ESBOÇO COTADO DE POLIEDROS ..................................................................... 17


2.1 Definições ..................................................................................................... 17
2.2 As vistas essenciais no 1º. Diedro ................................................................ 18
2.3 Regra da dobradiça....................................................................................... 20
2.4 Noções do traçado à mão livre ..................................................................... 21
2.5 Desenho Técnico à Mão Livre ou Esboço..................................................... 22

3. ESBOÇO COTADO DE PEÇAS COM FUROS E/OU ARCOS ................................ 27


3.1 Furos ............................................................................................................. 28
3.2 Arcos ............................................................................................................. 29
3.3 Vistas de objetos simétricos .......................................................................... 30

4. VISTAS NECESSÁRIAS E SUFICIENTES.............................................................. 31


4.1 Conceito ........................................................................................................ 31
4.2 Escolha das vistas ........................................................................................ 31
4.3 Determinação do número de vistas............................................................... 31
4.4 Neste momento do aprendizado do aluno .................................................... 32

5. DESENHO DEFINITIVO (OU COM INSTRUMENTOS) .......................................... 34


5.1 Comentários sobre a distribuição das vistas na folha ................................... 34
5.2 Desenho definitivo a partir de esboço cotado ............................................... 35
5.3 Cálculo da distribuição das vistas no formato A4 .......................................... 36
5.4 Exercícios resolvidos .................................................................................... 43

6. 1ª. VERIFICAÇÃO DA APRENDIZAGEM (1ª. V. A.) ............................................... 48

7. ESCALAS EM DT – VNS A PARTIR DE PERSPECTIVAS ..................................... 49


7.1 Definições ..................................................................................................... 49
7.2 Observação importante ................................................................................. 49
7.3 Inscrição........................................................................................................ 50
7.4 Escolha da escala a ser utilizada .................................................................. 50
7.5 Formato da folha ........................................................................................... 50

8. PERSPECTIVA ISOMÉTRICA SIMPLIFICADA DE POLIEDROS ........................... 53


8.1 Conceituação ................................................................................................ 53
8.2 Aplicações..................................................................................................... 53
8.3 Tipos de perspectivas ................................................................................... 53
8.4 Perspectiva isométrica simplificada .............................................................. 55
8.5 Características .............................................................................................. 55

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8.6 Seqüência para fazer a perspectiva .............................................................. 56


8.7 Seqüência completa...................................................................................... 57
8.8 Seqüência simplificada ................................................................................. 58
8.9 Aplicações..................................................................................................... 59
8.10 Cálculo da distribuição no formato A4........................................................... 59

9. PERSPECT. ISOMÉT. SIMP DE PEÇAS COM FUROS E ARCOS ........................ 60


9.1 Uso do gabarito de elipses (35°16´) – eixos na posição a ............................ 60
9.2 Uso do gabarito de elipses – eixos isométricos nas posições b, c, d. .......... 62
9.3 Falsa elipse................................................................................................... 63

10. PERSPECTIVA CAVALEIRA................................................................................... 64


10.1 Definição ....................................................................................................... 64
10.2 Eixos ............................................................................................................. 65
10.3 Ângulos e reduções da perspectiva cavaleira............................................... 65
10.4 Características .............................................................................................. 65
10.5 Escolher a face do objeto que será plano frontal .......................................... 66
10.6 Perspectiva cavaleira de um sólido de revolução ......................................... 66
10.7 Furos e Arcos nas faces inclinadas .............................................................. 67

11. PERSPECTIVA ISOMÉTRICA (REAL) .................................................................... 68


11.1 Perspectivas isométricas .............................................................................. 68
11.2 Sólidos de revolução em persp. Isométrica .................................................. 69

12. 2ª. VERIFICAÇÃO DA APRENDIZAGEM (2ª. V. A.) ............................................... 70

13. CORTES E SEÇÕES: generalidades – CORTE TOTAL ......................................... 71


13.1 Generalidades .............................................................................................. 71
13.1.1 Necessidades ............................................................................................... 71
13.1.2 Definição e conceituação ............................................................................. 73
13.1.3 Regras e recomendações ............................................................................. 74
13.1.4 Hachuras....................................................................................................... 79
13.2 Tipos de Corte .............................................................................................. 82
13.2.1 Corte Total (ou Pleno) .................................................................................. 82

14. OMISSÕES DE CORTE - CORTE PARCIAL .......................................................... 87


14.1 Omissões de corte ........................................................................................ 87
14.1.1 Quais elementos ........................................................................................... 87
14.1.2 Justificativas ................................................................................................. 87
14.2 Corte Parcial ................................................................................................. 90
14.2.1 O que é ......................................................................................................... 90
14.2.2 Variantes....................................................................................................... 90
14.2.3 Características .............................................................................................. 91
14.2.4 Aplicações .................................................................................................... 92

15. MEIO-CORTE – DETALHE AMPLIADO.................................................................. 95


15.1 Meio-Corte .................................................................................................... 95
15.1.1 O que é ......................................................................................................... 95
15.1.2 Características .............................................................................................. 96
15.1.3 Aplicações .................................................................................................... 97
15.2 Detalhe ampliado .......................................................................................... 97
15.2.1 O que é e onde se aplica .............................................................................. 97

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15.2.2 Tipos de detalhe ampliado ............................................................................ 98


15.2.3 Observação Prática ...................................................................................... 98

16. CORTE COM DESVIOS DE (TRANSLAÇÃO, ROTAÇÃO) ................................... 102


16.1 Corte com Desvio de Translação (Corte com Desvio) ................................ 102
16.1.1 O que é? ..................................................................................................... 102
16.2 Corte com Desvio de Rotação (Corte Rebatido)......................................... 103
16.2.1 O que é e onde se aplica? .......................................................................... 103

17. VISTA AUXILIAR ..................................................................................................... 98


17.1 Corte Auxiliar .............................................................................................. 110
17.1.1 Planos principais de projeção, vistas principais .......................................... 110
17.1.2 Planos auxiliares de projeção, Vistas Auxiliares ......................................... 110
17.1.3 Definição e aplicação .................................................................................. 112
17.1.4 Características ............................................................................................ 113

18. SEÇÕES ............................................................................................................... 114


18.1 Seções ....................................................................................................... 114
18.2 Tipos de Seção .......................................................................................... 115
18.3 Características e usos ............................................................................... 116
18.3 Corte x Seção (o que usar?) ...................................................................... 119

19. 3ª. VERIFICAÇÃO DA APRENDIZAGEM (3ª. V. A.) ............................................ 123

Referências Bibliográficas gerais ................................................................................... 124

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1ª aula INTRODUÇÃO AO CURSO DE DTM

OBJETIVOS:
• Motivar o educando para a aprendizagem de Desenho Técnico.
• Conceituar e definir o objeto de estudo, sua relação com as normas técnicas e sua
aplicação prática.
• Esclarecer sobre a estratégia ensino-aprendizagem, métodos, materiais didáticos e
o critério de avaliação usados neste curso de Desenho Técnico Mecânico.
• Fazer o planejamento semestral.

1.1 Razão e importância do Desenho Técnico

O homem aprendeu desenhar figuras muito antes de aprender a escrever (como


também acontece com a criança). Povos primitivos gravaram desenhos, em pedras e
paredes de cavernas, de figuras humanas, animais, peixes e objetos que perduram até
hoje. (SEREBRYAKOV, YANKOVSKY et PLESHKIN,1960: 7)

Fig. 1.1 Pintura Rupestre

O Desenho Técnico foi criado pela necessidade de se representar objetos técnicos


de maneira CLARA. A linguagem corrente (português, inglês, etc.) se mostrou insuficiente
e dúbia para isso. Ele é a linguagem usada entre engenheiros, tecnólogos, técnicos,
desenhistas, projetistas, técnicos de processos, preparadores de máquinas, inspetores da
qualidade, ferramenteiros, oficiais de manutenção, compradores e vendedores técnicos
além de outros profissionais qualificados.

“A sala de desenho técnico é muitas vezes o pórtico de entrada da indústria, e


mesmo aquele que nunca precise desenhar deve ser capaz de interpretar um desenho e
saber quando ele está certo ou errado. Será tido como ignorante o engenheiro que
desconhecer esta linguagem.” (FRENCH, 1958: 1)

Erros e omissões no desenho (DT) podem comprometer toda a produção de um


lote de peças, provocando sua rejeição completa ou retrabalho - acarretando prejuízos. O
que é muito grave, pois hoje não são raros lotes entre 10.000 e 50.000 peças. Devido a
isso o DT é o documento técnico de maior importância para definição das características
do objeto e de responsabilidades (nomes e assinaturas de quem projetou, desenhou,
copiou, revisou e aprovou – com datas). Dentro da empresa, cada profissional ou setor
que recebeu o desenho, com a data da última modificação, também deve assinar um livro
que fica em poder dos responsáveis pela execução do desenho.

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“..., na realidade ele (o desenho) está em primeiro lugar e é acima de tudo


fundamental para os fins de uma concepção e realização corretas de qualquer
mecanismo.” (MANFÉ, POZZA e SCARATO, 1977: 183)

“A razão inquestionável por que a expressão gráfica é tão extremamente


importante é que ela é a linguagem do projetista, do técnico e do engenheiro, utilizada
para se comunicar projetos e pormenores de construção a outras pessoas. Um
engenheiro,(...)seria completamente ineficaz sem um domínio da expressão gráfica,
simplesmente porque todos os esforços para transmitir projetos a outras pessoas
fracassariam miseravelmente.” (FRENCH e VIERCK, 1989: 7)

1.2 Conceituação e definição

Em primeiro lugar, o DT é uma linguagem gráfica universal.

“(...), dentro deste plano, que considera o desenho como uma linguagem, a
linguagem gráfica internacional do mundo industrial com suas várias formas de
expressão, sua gramática, seus estilos”. (FRENCH, 1958: VII).

Analisando a citação acima, podemos interpretar ‘suas várias formas de expressão’


como os recursos de representação (vistas principais, vistas auxiliares, detalhes, cortes,
etc.) e as formas de apresentação (desenho de detalhes, de montagem, de operações,
perspectiva, peça em bruto, produto acabado – em formato separado, formato único etc.);
‘sua gramática’ como sendo as normas de desenho (abaixo referidas). E, ‘seus estilos’
como sendo a maneira própria que cada desenhista ou o projetista se utiliza daqueles
recursos de representação e das formas de apresentação disponíveis, com observância
das normas. De maneira semelhante um escritor segue as regras gramaticais mas tem
seu estilo característico, sua marca pessoal. Portanto, como toda linguagem, o desenho
técnico é uma técnica e também uma arte.

Quanto à representação da forma (seu quesito mais característico), o DT usa uma


fonte teórica única: tira seus fundamentos da GEOMETRIA DESCRITIVA, uma disciplina
aplicada da MATEMÁTICA. É o ‘método mongeano de projeção’ que deve o nome ao seu
criador Gaspard MONGE (1746 – 1818) (LAROUSSE, 1995: v17-4051), (BARSA: 1978,
v15-361) (idem, v7-12).

Essa base teórica comum está caracterizada nas normas internacionais ISO 128-
1982 Technical drawing – General principles of presentation e IS0/DIN 129.1-2004
Technical drawings – indication of dimensions and tolerances – part 1: General principles
Essas normas têm sido repassadas quase que integralmente para as normas nacionais
dos diversos países membros (o Brasil, através da ABNT, é país membro da ISO desde
sua criação em1947).1

1) Outras normas ou recomendações ISO referentes a DT ou para inscrição nele: ISO/R 1219 e DIN-ISO 1219
simbologia pneumática e hidráulica; ISO/R 406 inscrição de tolerâncias linear e angular (em desenhos); ISO 1302
Desenho técnico – método de inscrição de textura superficial em desenhos (conf. ISO/R 468 Textura superficial e
símbolos); ISO 2162 Desenho técnico – Representação de molas; ISO 53 Cremalheira de referência para engrenagens
cilíndricas; ISO 53 Módulos para engrenagens cilíndricas; ISO/R 1340 Engrenagens cilíndricas – informação a ser dada
ao fabricante (no desenho); ISO 1341 idem para engrenagem cônica reta; ISO 2203 Desenho técnico – representação
convencional de engrenagens; ISO 1328 Sistema ISO de precisão para engrenagens cilíndricas à evolvente (inclui as
classes de qualidade para engrenagens).

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As informações do DT pretendem ser CLARAS, e senão completas, as necessárias


e suficientes para o objetivo proposto ou a qualidade exigida. Isto é, para um mesmo
objeto (peça ou conjunto) podem-se fazer desenhos diversos com objetivos diferentes.

“Instruções claras, inequívocas, devem ser transmitidas pelos desenhos...”


(MAGUIRE; SIMMONS, 1982: 9)

Portanto, poderíamos defini-lo assim:

“Desenho técnico é uma linguagem gráfica internacional que representa com


clareza o objeto em sua forma2, dimensões, material e demais quesitos técnicos3
com informações necessárias e suficientes para a função a que se destina (p. e.,
fabricação, alteração, manutenção, montagem, expedição, etc.)”.

Vide nas próximas páginas exemplos de desenhos projetivos (ER-24-02 e ER-24-04) e


desenho não projetivo (esquema pneumático: Fig. 1.2 e elétrico Fig. 1.3).

2) Esta definição se refere ao desenho projetivo que é o usado em DTM. Existe também o desenho técnico não
projetivo “desenho não subordinado à correspondência, por meio de projeção, entre as figuras que o constituem e o
que é por ele representado” (NBR 10647, 1, ABR/1989), como os diagramas, esquemas, ábacos, normogramas,
organogramas, fluxogramas – também considerados como sendo DT, conforme esta norma.

3) Incluem-se nesses demais quesitos técnicos, p. e., tolerâncias dimensionais (obrigatório), tolerâncias geométricas,
rugosidade superficial, tratamentos superficiais, tratamentos térmicos, características mecânicas, elétricas, magnéticas,
óticas ou outras informações – que só serão especificadas quando necessário.

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Fig.1.2 Exemplo de Esquema Pneumático

Fig.1.3 Exemplo de Esquema Elétrico

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1.3 Normas técnicas

Observação inicial: as normas, mesmo quando modificadas, em geral mantém seu


código alfa-numérico. Então é necessário ficar atento à sua última data (mês/ano).

As normas técnicas mais importantes para nosso estudo são as normas brasileiras
(ABNT) para desenho e com as quais trabalharemos oportunamente. São elas pela ordem
numérica:

• NBR 8196 – Emprego de escalas em desenho técnico;


• NBR 8402 – Execução de caracteres para escrita em desenho técnico;
• NBR 8403 – Aplicação de linhas em desenho – Tipos de linhas – Largura das
linhas;
• NBR 8404 – Indicação do estado de superfície em desenhos técnicos;
• NBR 8993 – Representação convencional de partes roscadas em desenhos
técnicos;
• NBR 10067 – Princípios gerais de representação em desenho técnico – vistas e
cortes;
• NBR 10068 – Folha de desenho – leiaute e dimensões;
• NBR 10126 – Cotagem em desenho técnico;
• NBR ISO 10209-2 – Documentação técnica de produto – Parte 2: Termos relativos
aos métodos de projeção;
• NBR 10582 – Conteúdo da folha para desenho técnico;
• NBR 10647 – Desenho técnico – Norma geral;
• NBR 12298 – Representação de área de corte por meio de hachuras em desenho
técnico;

Além destas normas específicas de desenho técnico, outras da ABNT freqüentemente


são usadas pelos profissionais da área de desenho:

• NBR 6158 – Sistema de tolerâncias e ajustes


• NBR 6371 – Tolerâncias gerais de dimensões lineares e angulares
• NBR 6405 – Rugosidade das superfícies
• NBR 6409 – Tolerâncias de forma e tolerâncias de posição.

Na falta de norma brasileira para um determinado assunto, poderemos usar norma


ISO (internacional) ou ainda norma DIN (alemã) – esta, muito usada no Brasil e
considerada uma das melhores do mundo. Em conseqüência, têm sido umas das
principais referências para a feitura das normas ABNT e ISO.
Por outro lado, amiúde temos que consultar outras normas porque estão referidas em
desenhos oriundos de outros países ou blocos econômicos4, ou ainda, assuntos que
tradicionalmente o mercado nacional usa determinada norma (p.e., Correias “V” – que, no
Brasil, só existe com norma americana).

Relacionamos abaixo alguns dos principais institutos de normalização que mais de


perto dizem respeito às engenharias mecânica e de produção:

o A2LA – American Association for Laboratory Accreditation


o ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (BRA)

4) O Brasil tem o maior número de montadoras (de automóveis) do mundo – nenhuma brasileira. Conseqüentemente os
fornecedores (empresas de auto-peças) têm que seguir as normas usadas nesses desenhos.

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o AFNOR – Association Française de Normalisation (FRA)


o AGMA – American Gear Manufacturers Association (USA)
o AIIE – American Institute of Industrial Engineers (USA)
o AISI – The American Iron and Steel Institute (USA)
o ANSI – American National Standards Institute (USA)
o API – American Petroleum Institute (USA)
o AREA – American Railway Engineering Association
o ASHRAE – American Society of Heating, Refrigerating & Air-Conditioning
Engineers (USA)
o ASME – American Society of Mechanical Engineers (USA)
o ASQ – American Society for Quality Control (USA)
o ASTM – American Society for Testing and Materials (USA)
o ASTME – American Society of Tool and Manufaturing Engineers
o AWS – American Welding Society (USA)
o BSI – British Standards Intitution (GBR)
o CEN – Eurofile-Europe Harmonized Standards
o CMN – Comitê Mercosul de Normalização
o DIN – Deutsches Institut für Normung (DEU) (antigo: Deutsche Industrie
Norm)5
o GOST – normas russas
o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (BRA)6
o ISA – Instrument Society of America (USA)
o ISO – International Organization for Standardization
o JIS – Japanese Industrial Standards (JPN)
o MSS – Manufactures Standardization Society of the Valve & Fittings Industry
(USA)
o NACE – National Association of Corrosion Engineers (USA)
o SAE – Society of Automotive Engineers (USA)
o UNI – normas italianas.

5) Expressão (apelido) usada por muitos alemães (inclusive no Brasil) que assim se regozijam da excelência de suas
normas: Das Ist Norm (isto é norma!)
6) O IPT, localizado na cidade universitária da USP (cidade de São Paulo) – em frente da EPUSP, dispõe de normas
técnicas dos principais organismos normativos nacionais e internacionais, assim como as normas históricas de todas as
coleções do acervo, no que é considerado uma das maiores bibliotecas de normas da América Latina. Para outras
normas ou informações, consulte:
Citec - Centro de Informação Tecnológica
T +55 (11) 3767 4042
F +55 (11) 3767 4081
normas@ipt.br

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1.4 Relação de materiais e instrumentos

Em todo curso de desenho (DT) deve-se aprender executar e ler desenhos á mão
livre e com instrumentos. No entanto, a relação de instrumentos abaixo é meramente
circunstancial, apesar de necessária. Eles (os instrumentos) são vários e as normas de
desenho não os particularizam7.
Obs.: se você já tinha itens desta relação, mesmo que não especificados, discuta
com o professor o possível aproveitamento dos mesmos.
• lapiseira 0,5 mm com grafite 0,5 HB
• lapiseira 0,3 mm com grafite 0,3 HB ou F
• compasso (TRIDENT Mod.9000 ou similar)
• régua “T” X cm
• par de esquadros (45° e 60°) sem escala - acrílico cristal - 3 mm x 32 cm
• régua milimetrada – 300 mm - acrílico cristal - incolor
• gabarito de furos – em milímetros (TRIDENT D1 ou D2)
• gabarito de elipses - 35° 16’ – em milímetros (TRIDENT D4 ou D24)
• borracha mole ou plástica
• lápis borracha
• fita adesiva transparente
• flanela para limpeza
• pasta tipo “polionda” – espessura aprox. 6 cm (ou outra melhor)
• 50 folhas formato A4 com legenda “FATEC”
• caderno de caligrafia técnica (20 folhas)
• paquímetro universal 150mm (pode ser de plástico)
• Apostilas de DTM1.
• Tesoura sem ponta

7) Apesar de existirem normas de construção para a maioria desses instrumentos, a norma geral de desenho (NBR
10647/1988 será subst. Pela NBR ISO 10209-1) só diz que, quanto ao grau de elaboração, ele pode ser: esboço,
preliminar e definitivo; quanto ao material empregado: lápis, tinta, giz, carvão, etc.; quanto à técnica de execução:
manual, à mão livre, com instrumento, à máquina.

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1.5 Conteúdo programático e planejamento

semana Título da aula data pág.


1ª Introdução ao curso de DTM
2ª Esboço cotado de poliedros
3ª Esboço cotado de peças c/ furos e/ou arcos
4ª Vistas necessárias e suficientes (VNS)
5ª Desenho definitivo (ou com instrumentos)
6ª 1ª Verificação da Aprendizagem (1ª V.A.)
7ª Escalas em DT. VNS a partir de perspectivas
8ª Perspectiva isométrica simplificada de poliedros
9ª Perspectiva isom. simpl. de peças c/ furos e/ou arcos
10ª Perspectiva Cavaleira
11ª Perspectiva isométrica (real)
12ª 2ª V.A.
13ª Cortes e seções: - generalidades; corte total
14ª Omissões de corte; corte parcial
15ª Meio- Corte; Detalhe ampliado
16ª Cortes com desvios (translação, rotação)
17ª Vistas auxiliares – Corte Auxiliar
18ª Seções. Corte ou seção: o que usar
19ª 3ª V.A.

1.6 Avaliação

A avaliação será contínua e pretende verificar em que medida o aluno atingiu os


objetivos instrucionais dos respectivos conteúdos programáticos. Assim os exercícios
extra-classe (semanais) verifica a aprendizagem das aulas da última semana8. As VAs
(Verificação da Aprendizagem – feitas em classe) avalia sobre as aulas das 5 últimas
semanas. Num e noutro caso as avaliações subentendem os conhecimentos anteriores já
que os problemas propostos, em geral, exigem solução completa. Haverá um retorno em
tempo hábil com os erros corrigidos desses exercícios.
As avaliações serão feitas através dos seguintes instrumentos, datas e valores:

Exercícios extra-classe ..................... semanais (~19) ..................... média = 2,5 pontos


1a. VA .................................................. 6ª. semana .......................................... 2,5 pontos
2a. VA .................................................. 12ª. semana ........................................ 2,5 pontos
3a. VA .................................................. 19ª. semana ........................................ 2,5 pontos
Totalizando ..................................................................................................... 10,0 pontos

Os exercícios extra-classe deverão ser entregues até o início da próxima aula (+15
minutos). Podem ser entregue antes (p/ qualquer pessoa da Equipe de Desenho, que o
colocará no escaninho correspondente). Não serão aceitos exercícios fora do prazo. Evite
atrasar ou faltar, mas se isso for ocorrer pode-se encaminhar o exercício por outra
pessoa. Aluno em trânsito pode mandar por e-mail: destec@fatecsorocaba.edu.br e até
mesmo sanar sua dúvida no mesmo e-mail. No preenchimento da legenda não deixe de
anotar: seu nome em “desenho”; o nome de quem projetou em “projeto” (se não sabe,

8) Além dos exercícios extra-classe serão recolhidos oportunamente alguns exercícios feitos em classe (~4) que serão
computados na média dos exercícios.

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ponha o nome do professor); na última linha, o dia da semana de sua aula e o turno (p. e.:
quarta-manhã; quinta-noite; etc.).

Conceitos finais – a soma dos pontos obtidos nas avaliações será convertida em
conceito final conforme o quadro abaixo:

TOTAL DE
CONCEITO SIGNIFICADO RESULTADO
PONTOS
10 a 9,5 E Excelente (*) Promovido
9,4 a 8,0 A Bom Promovido
7,9 a 6,0 B Suficiente Promovido
5,9 ou menos C Insuficiente Retido
qualquer RF Assiduidade insuficiente Retido (faltas > 14)

(*) Como incentivo, será conferida “honra ao mérito” aos alunos que atingirem o
conceito “E”. A entrega será feita em classe no próximo semestre (certificado).

Ensino-aprendizagem

- É um caminho de duas mãos. Isto é, não adianta o professor querer ensinar se o aluno
não quiser aprender (motivação e interação). O aluno tem que fazer sua parte.
- A inteligência pragmática precede a inteligência teórica (PIAGET). As pessoas
aprendem mais facilmente começando pela prática, por exercícios.
- Deve ser ministrada em doses homeopáticas, com doses de reforço.

Estratégia

Nossa estratégia para o ensino-aprendizagem se baseia em dois pontos principais:


1 Em classe: exposição do professor com RAV9 (20/30 min. – no início da aula) seguida
de exercícios feitos em classe, com assistência. Algumas vezes haverá mais uma
exposição na parte final da aula para um assunto complementar ou para discutir um
exercício a ser feito em casa.
2 Extra-classe: exercício semanais, com assistência se necessário10.

1.7 Orientações

Aluno interessado em aprender é aquele que, em princípio, não falta, não atrasa,
traz os materiais necessários, participa ativamente das aulas (prestando atenção, tirando
dúvidas, fazendo colocações, realizando os exercícios com presteza e capricho) e faz,
conscientemente, os exercícios extra-classe.

Os exercícios extra-classe são uma oportunidade para tirar dúvidas e reforçar a


aprendizagem. O aluno tem uma semana para isso, mas não deve deixar para o último
dia. Assim terá tempo de consultar alguém da Equipe de Desenho se surgirem dúvidas.

9) Recursos Áudio Visuais


10) Os professores da área de desenho desenvolvem suas aulas na mesma sala P4-S7 (há mais instrutores e
estagiários que normalmente ficam na sala de apoio P4-S7A) para um total de 12 turmas (DTM – 1 e 2 nos diversos
cursos e turnos). Portanto, de 2ª a 6ª feira nas 3 primeiras aulas da manhã e nas primeiras da noite pode-se consultar 1
professor (o programa e o material didático está unificado). Há mais 2 horários de aulas pela manhã e horários de
estagiários a tarde. Consulte o quadro de horários do lado externo da sala (sala 7A), vizinha à Sala de Desenho.

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Desenho Técnico Mecânico I – Resumo de aulas – Prof. M.Sc. Edson Del Mastro 16

Além das consultas, a sala de desenho (+ recursos didáticos) pode ser usada naqueles
horários para a realização de exercícios.

Faltas - Não falte sem necessidade. Anote suas faltas e cuide-se quanto a isso. Os
professores não informarão sobre o número de faltas e não as justificarão em hipótese
nenhuma. Faltas justificáveis e abonáveis (para os casos previstos em lei) deverão ser
encaminhadas para a seção de alunos (com documentos comprobatórios). O professor
não entrará no mérito dessa questão.

Atrasos – Qualquer trabalho desenvolvido em grupo necessita de pontualidade. No


nosso caso o atraso é particularmente danoso: a) interrompe a exposição do professor –
prejudicando todos e b) perde parcialmente a explicação – prejudicando a si próprio. Após
os 10 minutos iniciais faz-se uma chamada e o aluno ausente já terá uma falta. No final da
3ª. Aula haverá outra chamada.

Organize-se para poder estudar! O sucesso da vida estudantil depende muito mais
de trabalho e organização do que normalmente se imagina. Organize seus materiais
(apontamentos, livros, apostilas, etc.), calendários, datas, endereços, telefones, etc. de tal
sorte que estejam à mão quando for usá-los. Planeje quando e aonde estudar e fazer os
exercícios. Organize seu local de estudo com móveis e materiais necessários e cuide, no
possível, que ele seja adequadamente iluminado, seco, arejado, silencioso, isolado.

- Sucesso!

1.8 – Referências bibliográficas

ABNT – Coletânea de normas técnicas para DESENHO TÉCNICO. Elaboração:


LANÇAS, S. Y. S.; Orientação: DEL MASTRO, E. Sorocaba. FATEC-SO. 2005.
BARSA – Enciclopédia Barsa. São Paulo: Encyclopaedia Britannica editores ltda., 1978.
FRENCH, T. E. Desenho técnico. Porto Alegre: Globo, 1958.
FRENCH, T. E. e VIERCK, C. J. Desenho técnico e tecnologia gráfica. São Paulo:
Globo, 1989.
LAROUSSE CULTURAL Grande enciclopédia. São Paulo: Nova Cultural, 1998.
MANFÉ, G., POZZA, R. e SCARATO, G. Desenho técnico mecânico – curso completo.
vol. 1. São Paulo: Hemus, 1977.
MICELI, M. T.; Desenho Técnico Básico. 2ª. Ed. Revisada. Rio de Janeiro: Ed. Ao Livro
Técnico, 2004.
SEREBRYAKOV, A., YANKOVSKY, K. et PLESHKIN, M. Mechanical drawing. Moscow:
Peace Publishers, 1960.

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2ª aula ESBOÇO COTADO DE POLIEDROS11

OBJETIVOS: fazer
azer esboço cotado em vistas essenciais (3) de objeto poliédrico
polié de média
12 13
complexidade , no 1º diedro , a partir de modelo real.

2.1 Definições

Sólido:: Porção de espaço limitado por superfícies rígidas. Corpo que tem 3
dimensões e é limitado por superfícies
super fechadas.

Poliedro:: Sólido limitado por polígonos planos. Sólido limitado por superfícies
planas. Pode ser:
• Côncavo ou convexo;
• Regular ou irregular.

Poliedro regular:: poliedro convexo cujas faces são polígonos regulares iguais e
cujos ângulos sólidos
ólidos são todos iguais. São só 5: tetraedro (4 triângulos eqüiláteros);
hexaedro (seis quadrados); octaedro (8 triângulos eqüiláteros); ); dodecaedro (12
pentágonos); icoxaedro (20 triângulos eqüiláteros).

2.1 Poliedros regulares e suas planificações

Poliedro irregular:: Todos os infinitos poliedros possíveis exceto os 5 regulares.

Esboço: (uma definição da ABNT) “Representação gráfica expedita. Aplicada


habitualmente aos estágios iniciais da elaboração de um projeto podendo, entretanto,
epresentação de elementos existentes ou à execução de obra.” (NBR
servir ainda à representação
10647, 1988: 2)

Nossa definição:
Esboço:: desenho técnico, geralmente à mão livre, com material, cotas e outras
informações necessárias para a construção do objeto. Rápido e de baixo custo, é usado
como desenho preliminar ou para a produção unitária ou de pequenos lotes de peças.
Muito usado em manutenção.

Modelo real:: objeto tridimensional sólido (peça) para manuseio direto do aluno. É
um recurso didático que possibilita quatro tipos de conversões em DT14 e inúmeros

11) Nos referimos especialmente aos poliedros irregulares. Muitas peças em mecânica são desse tipo. E, se
modificadas através de furos diversos (portanto, já não poliedros), se constituem em boa parte das peças usinadas
usadas em mecânica.
12) Aqueles cujo número de cotas (necessárias e suficientes) seja de 8 a 12 (classificação interna da disciplina).
13) Neste curso de DTM –1 1 foi usado exclusivamente o método
método mongeano de projeções, no 1º diedro. Doravante este
dado será omitido.
14) 1) fazer o desenho a partir da peça;

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Desenho Técnico Mecânico I – Resumo de aulas – Prof. M.Sc. Edson Del Mastro 18

exercícios. Muito usado em nosso curso (principalmente no início), objetivando um rápido


aprimoramento do senso espacial do educando.

2.2 As Vistas essenciais (3) no 1º diedro


Vistas essenciais: Das 6 vistas conseguidas nas faces do hexaedro (Fig 2.2), há 3 pares
de vistas onde o contorno se repete (invertido):
Vista frontal e vista posterior (a e f);
Vista superior e vista inferior (b e e);
Vista lateral esquerda e vista lateral direita (c e d) (Fig 2.3)

Fig 2.2 – As 6 projeções de um objeto no hexaedro (no 1º diedro)

2) fazer a perspectiva a partir da peça;


3) identificar a peça (entre muitas outras) a partir da perspectiva;
4) identificar a peça (entre muitas outras) a partir do desenho;

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Fig 2.3 – As 6 vistas principais após planificar o hexaedro (ref.: vista frontal a)

Como as linhas de contorno são as melhores para caracterizar tanto a forma como
as dimensões, basta uma vista de cada um daqueles pares para vermos o objeto segundo
as 3 direções triortogonais (eixos x, y, z). Na maioria dos casos essas 3 vistas são
suficientes para representar o objeto, apesar de nem sempre todas serem necessárias.
( b e c) são chamadas de vistas essenciais15.
Tradicionalmente essas 3 vistas (a,

15) – Nas antigas normas ABNT elas tinham essa denominação.

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2.3. Regra da dobradiça: é um método prático de conseguir as vistas essenciais no 1º.


diedro, com o mesmo resultado do procedimento teórico. (Fig. 2.4)

Fig. 2.4 Regra prática para conseguir as 3 vistas essenciais (regra da dobradiça)

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2.4 Noções necessárias para o desenho de esboço:

2.4.1. Traçado à mão livre: linha limpa; linha curta, longa, vertical, horizontal, inclinada,
preliminar, definitiva (v. 2.6, próxima página);

2.4.2. Projeções no 1º. Diedro (Regra prática – v. fig. 2.4. pág. anterior);

2.4.3. Escolha das vistas (menor número de linhas tracejadas);

2.4.4. Proporcionalidade (dimensões totais e detalhes) e distribuição das vistas na folha


de Desenho Técnico;

2.4.5. Linhas em DT: tipos (larga, estreita, contínua, tracejada, traço-ponto, sinuosa, etc)
e aplicações (contorno, aresta visível, auxiliar, cota, ruptura, etc) veja NBR 8403,
pág. 82 da apostila de exercícios;

2.4.6. Cotagem: as cotas deverão ser as necessárias e suficientes (cada detalhe tem um
número determinado de cotas. Regras para a cotagem:
2.4.6.1. Cotar cada detalhe na vista onde melhor aparecer (linha de contorno);
2.4.6.2. Cotar as totais (3) distribuindo-as;

2.4.7. Escrita em Desenho Técnico: usar a escrita técnica (NBR 8402 – pág. 85 da
apostila de exercícios). Cotas e outras inscrições: escrever da esquerda para a
direita, de baixo para cima (e sentidos intermediários); sobre a linha de cota e no
centro desta (mas sem encostar na linha);

2.4.8. Especificar o material da peça desenhada (por exemplo: aço ABNT 1045, latão,
madeira);

2.4.9. Preencher a legenda com: nome da instituição, da peça, do conjunto onde vai ser
montada, do projetista, do desenhista, datas do projeto, do desenho, das
modificações, código da peça, o diedro usado (1º ou 3º), etc.

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2.5 DESENHO TÉCNICO À MÃO LIVRE OU ESBOÇO

2.5.1 Importância e Aplicação


cação
- Os desenhos e projetos de manutenção são geralmente feitos e usados diretamente em
esboço.
- A quase totalidade dos desenhos feitos por técnicos e engenheiros no recinto da fábrica
são do tipo esboço.
- Os ante-projetos
projetos e estudos de modificações são inicialmente feitos em esboço.
- Em geral, todo desenho definitivo passa antes pela fase de esboço.
- Desenho rápido e de baixo custo.
- Exemplos

2.5.2 Material Necessário


- Papel (liso quadriculado, normalizado ou não).
- Borracha (eventualmente).
- Lápis HB ou N°2 ou lapiseira

2.5.3 Afiação do lápis: como um cone onde a altura maior seja de três a quatro vezes
ve o
seu maior diâmetro (fig.
g. 2.5).
2.5

Fig. 2.5

2.5.4 Regras para o traçado à mão livre

Observação geral:: segure o lápis com desembaraço, sem rigidez nas articulações
articul dos
dedos, mantendo uma distância mínima da ponta de 25 mm.

2.5.4.1 – RETAS DE PEQUENAS EXTENSÕES


EXT

- Verticais – traçar de cima para baixo movimentando-se


movimentando se o lápis apenas com os
dedos, permanecendo firme o pulso (fig. 2.6).
2

- Horizontais – traçarr as horizontais da esquerda para a direita movimentando-se


movimentando o
lápis com os dedos e o pulso, mantendo-se
manten firme o ante-braço (fig.. 2.7).
2.7

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Fig. 2.6 Fig. 2.7

Exercícios
Recomenda-se calma e capricho na realização dos exercícios. Numa folha em branco
traçarr inúmeras verticais e depois horizontais de pequena extensão.

vertical traçam-sse como as verticais


- Linhas de pequena inclinação em relação à vertical,
(fig. 2.8).

- Linhas de pequena inclinação em relação à horizontal,


horizontal, traçam-se
traça como as
horizontais (fig. 2.9).

- Retas inclinadas a 45° localizadas no II° e IV° quadrantes,


quadrantes, como as verticais (fig.
2.10).

- Retas inclinadas a 45° localizadas no I° e III° quadrantes,


quadrantes, como as horizontais (fig.
2.10).

Fig. 2.8 Fig. 2.9 Fig. 2.10


2.

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2.5.4.2– RETAS DE GRANDES


S EXTENSÕES

- Horizontais – traçam-se
se as horizontais de grandes extensões da esquerda para a
direita girando o ante-braço
braço sobre o cotovelo e, compensando com os dedos a curvatura
conseqüente desse movimento.
1- traça-se
se uma linha de construção (fina) rapidamente,
rapidamente, fixando-se
fixando o olhar no ponto
extremo (sem olhar a ponta do lápis).
2- traça-se
se sobre esta linha final, olhando agora a ponta do lápis com a intenção de
corrigir os defeitos apresentados pela primeira linha (no final pode-se
pode se apagar as partes da
linha de construção que ficaram muito fora). (fig. 2.11).
2.11

Fig. 2.11

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Exercícios
Execute uma série de horizontais de grande extensão com calma e capricho, seguindo as
instruções acima.

- Verticais – traçam-se as verticais de grande extensão a partir da sobreposição de


várias verticais de pequena extensão, correndo-se o cotovelo no sentido da linha a cada
novo traço. É uma boa técnica fazer inicialmente uma linha de construção (fina) de uma
só vez, mantendo-se o apenas fixado no ponto extremo e, correndo-se o lápis apenas
com o movimento do braço, mantendo-se rígido os dedos, o pulso e o ante-braço.

Exercícios
Execute uma série de verticais de grande extensão seguindo o processo acima. Procure
fazer com calma e perfeição – eduque o seu pulso.

- Inclinadas de grande extensão – traçam-se com as horizontais ou verticais de


grande extensão conforme sua inclinação ou quadrante (I° e III° como as horizontais - II°
e IV° como as verticais).

- Excepcionalmente quando as retas são muito longas, poderemos inclinar o papel


e traçá-las como as horizontais.

Exercícios
Consulte as figuras 2.8, 2.9 e 2.10 e execute uma série de inclinadas de grande extensão.
Procure exercitar-se cada vez que tiver que fazer um desenho ou esquema nas
oportunidades que tiver (p. ex: nas aulas das outras disciplinas)

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Formato A4
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3ª aula ESBOÇO COTADO DE PEÇAS COM FUROS E/OU ARCOS

OBJETIVOS: Fazer desenho em esboço cotado (à mão) em 3 vistas essenciais de peças


contendo furos e/ou arcos16, a partir de modelo real. Também de peças simétricas17.

Deverão ser acrescentadas NOÇÕES


NOÇÕ de:
1. tra ponto18 (NBR 8403 –
Linhas de centro e eixos de simetria: usar linha estreita traço-ponto
veja pág. 82 da apostila de exercícios);
2. Representação de furos 2 e 29 desta apostila)19;
os e arcos (veja pág. 28
3. Cotagem pág 28 e 29 desta apostila)20;
gem de furos e arcos (veja pág.
4. Redução de cotas nos desenhos com 1, 2 ou 3 eixos de simetria21;

Fig. 3.1 Cotagem de furos e arcos

16
) Todas as aulas de DTM1 serão desenvolvidas
desenvo no 1º diedro do sistema Mongeano
ongeano de projeções; portanto,
este dado será omitido nos OBJETIVOS das demais aulas.
17
) Inclusive
ive furos cilíndricos passantes e setores de superfícies cilíndricas externas e internas.
18
) Idem 17.
19
) Ver exercícios nas páginas 26, 29,9, 30 e 31 da apostila de exercícios.
20
) Ver exercícios nas páginas 25 e 31 da apostila de exercícios.
21
) São necessáriasas 3 cotas: coordenadas do centro e diâmetro.

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3.1 Furos

Fig. 3.2 Representação de Furos

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3.2 Arcos

3.2.1 Externos

Fig. 3.3
3. Representação de Arcos Externos

3.2.2 Internos

Fig. 3.4 Representação de Arcos Internos

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3.3 Vistas de Objetos Simétricos22:

22
) Conforme retirada de norma ABNT

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4ª aula VISTAS NECESSÁRIAS E SUFICIENTES (VNS)

OBJETIVOS:
• Transmitir ao educando o conceito geral de VNS, assim como a orientação
normativa e sua aplicação prática.
• Capacitar o aluno para a determinação das VNS (1, 2 ou 3), a partir das 3 vistas
essenciais (estágio atual do curso), inclusive sólidos de revolução.

NOTA: Doravante adotaremos a sigla VNS = Vistas Necessárias e Suficientes.

4.1 Conceito

Apesar deste conceito geralmente não figurar em destaque nos livros e nos
programas de ensino, ele tem sido praticado pela maioria dos livros, escolas e
principalmente, pelos profissionais de desenho e projeto.
É na prática industrial que o conceito de VNS mostra toda sua abrangência. Nela,
Vista é todo e qualquer recurso de representação. Aí se incluem as 6 vistas ortográficas,
as vistas auxiliares (primárias e secundárias), as vistas incompletas (vista parcial, meia-
vista, ¼ de vista), os cortes e seções de todos os tipos; os detalhes ampliados e as vistas
em direção indicada (por uma seta e identificada por uma letra).

Este procedimento com VNS está previsto nas normas brasileiras23:

4.2 Escolha das Vistas

Vista Principal

A vista mais importante de uma peça deve ser utilizada como vista frontal ou
principal. Geralmente esta vista representa a peça na sua posição de utilização.

Outras Vistas

Quando outras vistas forem necessárias, inclusive cortes e/ou seções, elas devem
ser selecionadas conforme os seguintes critérios:
a) usar o menor número de vistas;
b) evitar repetição de detalhes;
c) evitar linhas tracejadas desnecessárias.

4.3 Determinação do número de vistas

Devem ser executadas tantas vistas quantas forem necessárias à caracterização


da forma da peça, sendo preferíveis vistas, cortes ou seções ao emprego de grande
quantidade de linhas tracejadas24; e também na norma ISO25 128-1982 (E):

23
) ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.
24
) NBR 10067 de maio de 1995: PRINCÍPIOS GERAIS DE REPRESENTAÇÃO EM DESENHO TÉCNICO: VISTAS E
CORTES – Procedimento; pág. 4 .
25
) Internacional Organization for Standardization.

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“... (as vistas) deverão ser escolhidas de acordo com os seguintes princípios:
• limitar o número
mero de vistas e cortes ao mínimo necessário e suficiente para
descrever o objeto sem ambigüidades;
• evitar a necessidade de contornos e arestas ocultas (linhas tracejadas);
• evitar a repetição desnecessária de detalhes26”.

Este conceito de VNS, recomendado


recomendad pelas normas, aplica-se se a qualquer tipo de
objeto, mas sua plenitude só se efetivará com a possibilidade de utilização de quaisquer
dos recursos de representação.

4.4 Neste momento do aprendizado do aluno:

vistas ortográficas essenciais27, é o


O conceito simples das VNS, a partir das 3 vistas
seguinte: usaremos 1, 2 ou 3 vistas para representar a peça (só aquelas aonde algum
detalhe aparecer melhor). Em geral, as vistas descartadas são aquelas cujo contorno28 é
um retângulo, ou contorno repetido, ou circunferências
circunferências concêntricas (sólidos de
revolução)29.

VNS=3
Se há 1 ou mais detalhes em cada uma das 3 direções ortogonais, então as 3
vistas serão necessárias, como no caso da peça abaixo:

Fig. 4.1 Peça com 3 vistas

26) Internacional Standard ISO 128 – Technical drawings – General principles of presentation; pag. 3.
27) a)) vista frontal; b) vista superior; c) vista lateral esquerda.
28) Consideram-se as linhas de contornontorno externas e internas.
29) Com este procedimento, e contando apenas as vistas citadas, podemos resolver peças com detalhes quaisquer, desde que estes sejam

perpendiculares às superfícies passantes.

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VNS = 2
Se há detalhes somente em duas direções ortogonais, então só 2 vistas serão
necessárias30. Veja o exemplo abaixo:

Fig. 4.2 Peça com 2 vistas

VNS = 1
Se há detalhe(s) em só uma direção, então só uma vista será desenhada. Ver os
exemplos abaixo (à esquerda uma peça estampada; à direita
direita uma torneada):

Fig. 4.3 Peças com 1 vista cada

30) A vista frontal (a) será sempre desenhada.

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5ª aula DESENHO DEFINITIVO (OU COM INSTRUMENTOS)

OBJETIVOS:
• Fazer desenho definitivo a partir de esboço cotado de peças com furos e/ou arcos.
• Seqüência de trabalho.
• Cálculo para distribuição das vistas no formato (com 1, 2 ou 3 vistas).

Consulta rápida: ........................................................................................... página:

• Seqüência de trabalho: ....................................................................... 35

• Cálculo da distribuição das vistas no formato A4: ............................... 36

• Desenho com 3 vistas: ........................................................................ 37


o Caso “A”: .................................................. 38
o Caso “B”: .................................................. 39

• Desenho com 2 vistas – Frontal e Superior – caso “C”: ...................... 40

• Desenho com 2 vistas – Frontal e Lateral esquerda – caso “D”: ......... 41

• Desenho com 1 vista – caso “E”: ........................................................ 42

• Exemplos resolvidos (todos os casos): ............................................... 43 a 47

5.1 Comentários sobre a distribuição das vistas na folha

1. O principal atributo do DESENHO TÉCNICO deve ser a CLAREZA. Um dos


fatores que contribuem para isso é uma boa distribuição.

2. O método aqui apresentado tem a sua lógica, mas existem outros.

3. Deve-se observar uma boa distribuição independentemente do equipamento


usado para desenhar (convencional, CAD, etc). Essa preocupação deve existir até
mesmo nos desenhos em ESBOÇO, ainda que não se calcule.

4. Após o cálculo, algumas vezes faz-se pequenos deslocamentos (horizontal e/ou


vertical) para melhorar a distribuição. Por exemplo, quando os espaços em branco
não são grandes e um dos lados tem diversas cotas sobrepostas. Faça esses
ajustes quando julgar necessário. Afinal, a clareza é mais importante que o
cálculo.

5. Despreze as frações de milímetro nos cálculos. Um milímetro a mais ou a menos


não prejudica a distribuição.

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5.2 Desenho Definitivo a partir de esboço cotado

SEQÜÊNCIA DE TRABALHO

1. Calcular a distribuição.

Observação: do passo 2 ao 5: traçar com linhas fracas.

2. Marcar e traçar a distribuição (cotas totais a,b,c).

3. Apagar excessos (ficam os retângulos).

4. Construir os detalhes (exceto os arcos) e apagar os excessos.

5. Traçar as linhas conseqüentes nas outras vistas.

6. Traçar as linhas de centro e eixos de simetria (se houver).

7. Traçar os arcos de circunferência.

8. Traçar as inclinadas.

9. Traçar as horizontais (de cima para baixo).

10. Traçar as verticais (da esquerda para a direita).

11. Traçar linhas auxiliares horizontais (de cima para baixo).

12. Traçar linhas auxiliares e linhas de cotas verticais (da esquerda para direita).

13. Traçar linhas de cotas horizontais.

14. Traçar cotas angulares e inclinadas.

15. Fazer as setas (horizontais, verticais, angulares, inclinadas).

16. Inscrever as cotas.

17. Escrever as notas (se houver).

18. Preencher a legenda.

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5.3 Cálculo da distribuição das vistas no formato A4

A atividade de calcular a distribuição das vistas no formato mostra, em primeiro


lugar, uma preocupação com uso do espaço disponível para desenhar. Se uma boa
distribuição não for observada, fatalmente haverá algum desperdício: ou estaremos
usando um formato
ormato maior que o necessário ou perdendo clareza em nossa linguagem.
Esta preocupação em bem distribuir as vistas (3, 2 ou 1) no formato A4, deverá ser
transferida para outras situações com número de vistas e formatos diferentes dos
aqui estudados.. Em alguns casos, onde diversas peças e/ou conjuntos são desenhados
num formato grande, essa distribuição se tornará um verdadeiro arranjo gráfico.

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5.3.1 Desenho com 3 vistas (casos


( A e B)

EVH = ESPAÇO VAZIO HORIZONTAL


EVV = ESPAÇO VAZIO VERTICAL

EVH = 178 - (a+b)


EVV = 233 - (b+c)

Obs1.: Ver entre EVH e EVV qual é o menor (caso A ou B)

Obs2.: Manter as distâncias entre vistas iguais

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Caso A quando EVH < EVV

EVH EVV − X
X = Y=
3 2

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Caso B quando EVV < EVH

EVV EVH − Y
Y= X =
3 2

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5.3.2 Desenho com Duas Vistas – (casos C e D)

Caso C Vistas Frontal e Superior

EVH = 178 – a EVV = 233 – (b+c)

EVH EVV
X = Y=
2 3

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Caso D Vistas Frontal e Lateral Esquerda

EVH = 178 – (a+b) EVV = 233 – c

EVH EVV
X= Y=
3 2

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5.3.3 Desenho com Uma Vista

Caso E (Único)

EVH = 178 – a EVV = 233 – c

EVH EVV
X = Y=
2 2

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5.4 Exercícios Resolvidos


EXEMPLO Nº 1

a=80
b=60
c=40

EVH = 178 – a
EVH = 178 – 80 = 98

EVV = 233
23 – (a+b)
EVV = 233 – (60+40) = 133

Duas Vistas
Caso C

EVH 98
X= = = 49
2 2

EVV 133
Y= = ≅ 44
3 3

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EXEMPLO Nº 2

a=26
b=58
c=90

EVH = 178 – (a + b)
EVH = 178 – (26 + 58) = 94

EVV = 233 – (b + c)
EVV = 233 – (58 + 90) = 85

Portanto EVV < EVH


Caso B

EVV 85
Y= = ≅ 28
3 3

EVH − Y 94 − 28
X = = = 33
2 2

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EXEMPLO Nº 3

a=51
b=30
c=70

EVH = 178 – (a + b)
EVH = 178 – (51 + 30) = 97

EVV = 233 – (b + c)
EVV = 233 – (30 + 70) = 133

Portanto EVH < EVV


Caso A

EVH 97
X= = ≅ 32
3 3

EVV − X 133 − 32
Y= = ≅ 50
2 2

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EXEMPLO Nº 4

a=70
b=12
c=100

EVH = 178 – a
EVH = 178 – 70 = 108

EVV = 233 – c
EVV = 233 – 100 = 133

Uma Vista, portanto


Caso E

EVH 108
X= = = 54
2 2

EVV 133
Y= = ≅ 66
2 2

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EXEMPLO Nº 5

a=36
b=24
c=120

EVH = 178 – (a + b)
EVH = 178 – (36 + 24) = 118

EVV = 233 – c
EVV = 233 – 120 = 113

Duas Vistas
Caso D

EVH 118
X= = ≅ 39
3 3

EVV 113
Y= = ≅ 55
2 2

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6ª aula 1ª VERIFICAÇÃO DA APRENDIZAGEM (1ª. V.A.)

OBJETIVOS:
• Verificar o grau de aprendizagem do aluno quanto aos tópicos desenvolvidos.
• Identificar pontos fracos e possibilitar a execução de exercícios de reforço, com
assistência.
• Levantar subsídios para a atribuição do conceito final.

Exemplo típico de prova (com 2 desenhos):

1 – Fazer esboço cotado a partir de modelo real dado


2 – Fazer desenho definitivo a partir de esboço cotado dado

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7ª aula ESCALAS EM DT – VNS A PARTIR DE PERSPECTIVAS

OBJETIVOS: Fazer desenho definitivo em VNS, em escalas diversas31, a partir de


modelo real, de esboço ou de perspectiva cotados.

“O homem é a medida de todas as coisas (...)”32

Ref.: NBR 8196 de dez/1999: Emprego de escalas em desenho técnico.(ver pág. 82 na


apost. de exercícios)

7.1 Definições

Escala: é a relação entre as dimensões lineares do desenho original33 e as


dimensões reais do objeto.

Em resumo: E= desenho/objeto.

Escala natural: quando o desenho é do mesmo tamanho do objeto. E = 1:1

Escala de ampliação: quando o desenho é maior do que o objeto, ou seja, a


relação é maior do que 1:1.
Escalas recomendadas: 2:1, 5:1, 10:1, e múltiplos de 10. (veja exemplo na página
52 deste Resumo).

Escala de redução: quando o desenho é menor que o objeto, ou seja, a relação é


menor que 1:1.
Escalas recomendadas: 1:2, 1:5, 1:10,... e múltiplos de 10. (veja exemplo na página
19 da apostila de exercícios).

7.2 Observação importante

O valor numérico da cota será sempre a dimensão real do objeto, para quaisquer
das escalas utilizadas, ou para qualquer tipo de desenho cotado (esboço, definitivo,
perspectiva).

31
) Usar escalas normalizadas, preferencialmente.
32
)Protágoras, filósofo (sofista) grego, (486-404 a. C). Este conceito (enunciado parcialmente) é bastante abrangente e
reflete uma tendência de adaptar a natureza (e a própria tecnologia) às limitações do homem (por exemplo: força,
velocidade, limiares auditivos, visuais, etc). Ele pode ser considerado como o protótipo do conceito atual de
ERGONOMIA: estudo da adaptação do trabalho ao homem. (IIDA, I. “Ergonomia: Projeto e Produção” – Ed. Edgar
Blucher – São Paulo: 1993 – 2ª reimpressão).
33
) A escala de uma reprodução pode ser diferente à do desenho original.

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7.3 Inscrição

• A escala usada no desenho deve estar inscrita na legenda, na forma: Escala 1:1,
ou: Escala x:1 ; ou Escala 1:x .
• Se for usada mais de uma escala no desenho, só a principal deve constar na
legenda. As demais escalas devem estar inscritas junto à identificação das vistas,
cortes ou detalhes a que se referem. (Ver nas páginas 51, 99, 100 e 101 deste
resumo, exemplo de detalhe ampliado34).

7.4 Escolha da escala a ser utilizada35:

A escolha da escala adequada depende de alguns fatores que podem atuar isolada
ou conjuntamente:
• Tamanho do objeto: objetos muito grandes terão desenhos reduzidos e os muito
pequenos, ampliados – independentemente de outros fatores. Por exemplo, por
menor que seja uma casa, seu desenho será feito com uma escala de redução;

• Grau de complexidade do objeto: por exemplo, é possível que três peças com as
mesmas dimensões totais e de desenhos com as mesmas finalidades (por
exemplo: desenho de fabricação), necessitem de escalas diferentes por terem,
cada uma, número de detalhes (e de cotas) muito diferentes;

• Finalidade de representação: um desenho de montagem e outro de


acionamentos (operação) de uma mesma máquina. Ou ainda, um mapa do Estado
de São Paulo mostrando a localização das cidades e estradas e outro de uma
cidade mostrando as ruas.

Em todo caso, a escala selecionada deve permitir uma interpretação fácil e clara da
informação representada e pretendida.

7.5 Formato da folha

As dimensões do objeto, o número de vistas (VNS) e a(s) escala(s) utilizada(s),


determinarão a área necessária para o desenho, ou seja, o formato da folha (A4, A3, ...
A0, 2 A0, ... ).

34
) Mais um tipo de Vista (que compõem as VNS).
35
) Evidentemente, o uso da escala só faz sentido para desenhos definitivos, feitos com instrumentos.

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8ª aula PERSPECTIVA ISOMÉTRICA SIMPLIF. DE POLIEDROS

OBJETIVOS: Mostrar os principais tipos de perspectiva e indicar as mais usuais em


mecânica. Fazer desenhos em Perspectiva Isométrica Simplificada de objetos
poliédricos, a partir de modelos reais ou de desenhos em VNS, definitivo ou esboço.

8.1 Conceituação

Grosso modo, Perspectiva é uma vista única36 que mostra três faces de um objeto.
É uma representação mais ilustrativa do que técnica.

8.2 Aplicações

Por ser semelhante à fotografia, ela pode ser interpretada por qualquer pessoa (o
que não acontece com o Desenho Técnico em VNS). Por isso é usada em folhetos
ilustrativos, publicidade, catálogos diversos, guias do usuário, manuais de manutenção,
etc
Algumas vezes essa representação é utilizada com o objetivo de construção
(substituindo ou apenas auxiliando um desenho de fabricação), quando devem ser
interpretadas por profissionais ou artesãos pouco ou nada versados em Desenho Técnico.
Mas, apesar de ser um entendimento quase universal, essa linguagem é bastante limitada
quando usada como de desenho de fabricação. Seu uso se restringe a peças
relativamente simples e sem detalhes internos.

8.3 Tipos de perspectivas (alguns):

Perspectivas Paralelas Perspectivas cônicas


Isométrica Simplificada (1) Exata
Isométrica Real (2) Cônica
Dimétrica Bicônica
Trimétrica Tricônica
Cavaleira (3)
(veja página 54)

Observação: as perspectivas mais usuais em mecânica são as do tipo (1), (2) e (3).

36
) Projeção cilíndrica ortogonal (nas isométrica, dimétrica e trimétrica), cilíndrica obliqua, na cavaleira e cônica na
exata.

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Isométrica (real) Projeções ortogonais (em VNS) Isométrica simplificada

Dimétrica Trimétrica Cavaleira

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8.4. Perspectiva Isométrica Simplificada

8.4.1 Eixos
Perspectivas feitas por técnicos, mormente as usadas como desenho de
fabricação, pretendem mostrar
mostra as faces que tem o maior número mero de detalhes. Essa
escolha das faces, em geral, coincide com a seleção das vistas feitas para o desenho em
vistas ortográficas.

Há quatro posições básicas para os eixos isométricos:

Uma dessas posições deverá ser usada para melhor mostrar os detalhes quando
se respeita a posição de funcionamento do objeto (veja desenho abaixo). Quando a
o for conhecida37 podemos usar os eixos na posição normal
posição de funcionamento não
a).

38
Cornija vista por baixo (posição b) ).

8.5 Características

8.5.1 – Arestas paralelas no objeto resultam em linhas paralelas na perspectiva;


8.5.2 – Dimensões de comprimento se mantêm
mant iguais no objeto e na perspectiva,
desde que estejam sobre os eixos isométricos
isomé ou paraleloss a estes (nisto reside a
simplificação desta perspectiva).
8.5.3 – Ângulos
ngulos do objeto se alteram nesta perspectiva,
perspectiva, devem ser solucionados
por medidas de comprimento nas direções isométricas (veja exemplo a seguir).

37
) Ou indiferente.
38
) Um tipo de detalhe arquitetônico antigo.

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8.6 Sequência
ência para fazer a perspectiva (isométrica simplificada)
(Use linhas fracas até o item 8.6.6)

8.6.1 – Escolher a posição da peça;


8.6.2 – Marcar um ponto39 e traçar os eixos isométricos;
8.6.3 – Marcar as cotas totais sobre os eixos (conf. 8.6.1)
8.6.4 – Construir a caixa (usar a 1ª. característica);
8.6.5 – Apagar os excessos;
8.6.6 – Marcar, construir, apagar excessos e completar as linhas faltantes de cada
detalhe40 (primeiro os mais profundos)

(Daqui em diante, traçado definitivo)


8.6.7 – Traçar linhas de centro e de simetria que puder;
8.6.8 – Traçar furos e/ou arcos (usar gabarito de elipses)41;
8.6.9 – Traçar retas 30º à direita (de cima pra baixo);
8.6.10 – Traçar retas 30º à esquerda (idem);
8.6.11 – Traçar as retas verticais (da esquerda pra direita);
8.6.12 – Traçar retas com outras inclinações;
8.6.13 – Completar linhas faltantes (centro, simetria).

(Ver exemplos nas páginas 57 e 58 Res.)

39
) estimar a posição do ponto ou calcular.
ca Para calcular veja pág. 59 Res.
40
) exceto os detalhes com curvas.
41
) na perspectiva cavaleira, usar gabarito de furos

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8.7 Seqüência completa

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8.8 Seqüência Simplificada

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8.9 Aplicações:

A perspectiva isométrica tem uso geral, inclusive como perspectiva explodida. Mas,
tem uma exceção: não deve ser usada junto com as vistas ortográficas (p. ex., as VNS).
VNS

8.10 Cálculo da distribuição no formato A4

b'= b.sen30°= b
2
a'= a.sen30°= a
2
H= a+b + c
2

a"= a.cos30°

b"= b.cos30°

L= a"+b"= (a+b) 0.866

X= 178-L+0.866.a
178
2

Y= 233-H
233
2

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PERSPECTIVA ISOMÉTRICA SIMPLIFICADA DE PEÇAS


9ª aula
COM FUROS E/OU ARCOS

OBJETIVOS: Fazer desenhos em Perspectiva Isométrica Simplificada de objetos com


furos e/ou arcos (também sólidos de revolução),
revolução), a partir de modelo real ou de desenho
em VNS.

Deverão ser acrescentadas as seguintes habilidades em relação à aula anterior:


• O uso do gabarito de elipses;
• Construção de falsa elipse;
• Peças com eixo(s) de simetria

9.1 Uso do gabarito de elipses (35º 16’) – eixos na posição a)


9.1.1 – marcar e traçar as linhas de centro;
9.1.2 – multiplicar diâmetros e/ou raios por 1,23 (e aprox. p/
p/ gab.);
gab.)
9.1.3 – traçar as bissetrizes – a partir do centro, e de um só lado!;
9.1.4 – observar a posição angular do gabarito (esquemas abaixo);

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Observações práticas:

9.1.5 – para quaisquer casos (elipses completas ou não) permanecem as regras


anteriores – valem as posições angulares dos gabaritos para as superfícies angulares e
as paralelas a estas;
9.1.6 – para arcos menores que 180º não é necessário traçar as bissetrizes: só
s as
tangentes são as suficientes (em linhas de construção);
9.1.7 – quando aparecer o fundo do furo42 usa-se se a mesma elipse, no mesmo
ângulo. O gabarito se desloca de um valor igual ao da espessura da peça na direção do
diâmetro menor da elipse;
9.1.8 – quando
ando o traçado da elipse determinar a largura da peça ou de um rasgo
(em geral, arcos de 180º). Traçar as linhas de centro e as semi-elipses,
semi elipses, para só depois
traçar a largura da peça ou do rasgo;

42
) Isto ocorre quando o diâmetro menor da elipse for maior que a espessura da peça onde o furo foi feito.

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9.2 Uso do gabarito de elipses (35º


( 16’) – eixos isométricos nas posições b), c) e d)

9.2.1 – Marcar e traçar as linhas de centro43;


9.2.2 – Multiplicar diâmetros e/ou raios por 1,23 (e aproximar para gabarito de
elipses);
9.2.3 – Traçar as bissetrizes, a partir do centro e de um só lado!;
lado!;
9.2.4 – Observar a posição angular do gabarito (esquemas abaixo).

43
) Veja página 55.

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9.3 Falsa elipse para perspectiva isométrica simplificada44.

Quando não se dispõe de gabarito de elipses, ou de diâmetros maiores (acima de


81mm)45 pode-se
se construir falsa elipse completa
completa ou parcial, segundo o método abaixo:

completa: traçar as linhas de centro; marcar e traçar losango (lado =


9.3.1 – elipse completa:
ø do furo); traçar perpendiculares a partir do centro de cada lado (determinando os
centros de R e r); traçar R e r,, formando a falsa
f elipse.

9.3.2 – elipses parciais (raios de arredondamento): traçar as tangentes (linhas de


construção); marcar os raios* (da peça); traçar as perpendiculares determinando o centro
de R e/ou r; traçar R e/ou r; a falsa elipse parcial.

44
) Método também válido para perspectiva isométrica
iso real, desde que os lados do losango (ou os raios de
arredondamento)
dondamento) sejam multiplicados por 0,81.
45
) Para isométrica real, até 100mm.

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10ª aula PERSPECTIVA CAVALEIRA

OBJETIVOS: Fazer desenho em Perspectiva Cavaleira de objetos quaisquer, mas


principalmente de sólidos de revolução e objetos com uma (e somente uma) face
complexa, a partir de modelo real ou desenho em VNS.

10.1 Definição

É o resultado de uma projeção cilíndrica oblíqua


oblíqua em que uma das faces do objeto
fica paralela (ou coincidente) com o plano de projeção.
Na figura abaixo o plano π foi inclinado de α no plano yz e de β no xz.
A face maior do objeto está paralela ao plano π, portanto, a projeção que acontece
nesse plano é uma perspectiva cavaleira46. Se α é igual a β,, é uma perspectiva cavaleira
a 45º.

46
) ou oblíqua.

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10.2 Ângulos e reduções da perspectiva cavaleira47

Ângulos ɣ reduções
30° ¼
45° 1/3 mais usada
60° ½
10.3 Eixos:

Os eixos têm 4 posições. O plano frontal aparece em todas as 4. Deve-se


Deve escolher
uma dessas posições de eixos que mostre as faces com maior número de detalhes,
mesmo respeitando
espeitando a posição de trabalho do objeto.

10.4 Característica

Os eixos x com y formam o ângulo de 90º e determinam o chamado plano frontal. A


face do objeto que aparece nesse plano
plano não sofre deformações de qualquer
qual natureza, ou

47
Apesar dos possíveis ângulos reduções, em nosso curso só será utilizado o ângulo de 45° com a redução
red de 1/3.

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seja, no plano frontal


al tanto as dimensões de comprimento como as angulares são iguais
às do objeto. No entanto, as outras duas faces adjacentes ao eixo z sofrem deformações
defor
importantes. Para minimizar os efeitos dessa
essa deformação, multiplicaremos por 2/3 as
dimensões sobre o eixo z.

10.5 Escolher a face do objeto que será plano frontal

• Colocar no plano frontal a maior face do objeto;


• Colocar no plano frontal a face mais complexa do objeto (em geral, a que tem furos
e/ou arcos).

Obs.: no caso de conflito entre estas 2 regras,


regras prevalece a 2ª.

10.6 Perspectiva cavaleira de um sólido de revolução

As circunferências do objeto continuam sendo circunferências na perspectiva (no


plano frontal); as distâncias entre centros no eixo z devem ser multiplicadas por 2/3.

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10.7 Furos
os e Arcos nas faces inclinadas

Devem ser evitados os furos e/ou arcos nas faces inclinadas. Mas quando isto
ocorrer (com eixo a 2/3), podemos resolver de 2 maneiras48:

10.7.1 – Traçado por pontos e curva francesa

O traçado por pontos (na circunferência)


circunferência) vale para qualquer inclinação da
perspectiva desde que os 2 eixos da face onde se localiza a elipse não tenham redução.
Neste caso um dos eixos (o z)) está com 2/3. Então a circunferência de base já não é mais
uma circunferência, e sim uma elipse de mesmo
mesm ø a 41,81º (aqui foi usado o gabarito de
elipses à 40º). Marcar os pontos, traçar o paralelogramo e passá-lo
passá lo para a perspectiva
com as mesmas medidas. Traçar com curvas francesas.

10.7.2. – Com gabarito de elipses (diâmetros até 45 mm): a elipse (do gabarito)
g
que mais se aproxima é a de 20º,
20º cujo diâmetro maior fica a 12,5º do eixo sem redução (x
ou y) 49.

48
) Os dois processos aqui apresentados são métodos de aproximação.
49
) No gabarito corresponde a uma elipse de diâmetro maior (em geral, o próximo maior).

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11ª aula PERSPECTIVA ISOMÉTRICA (REAL)

OBJETIVOS: Fazer desenho em Perspectiva Isométrica Real de objetos quaisquer,


inclusive sólidos de revolução, a partir de modelo real ou de desenho em VNS.

Como visto na 8ª. aula, a perspectiva isométrica simplificada50 tem uso


generalizado, com uma exceção: junto com as projeções ortogonais (por exemplo, as
VNS), porque é desenhada com as mesmas dimensões do objeto e fica na escala 1,23:1 .
Já a perspectiva isométrica (real) fica na escala 1:1 e pode ser usada em qualquer
situação. Ela (a real) só não é mais usada porque é mais trabalhosa que a simplificada;
mas deve ser utilizada quando se tratar de fazer uma perspectiva ao lado das vistas
ortográficas (ver, por exemplo, página 19 da apostila de exercícios).

Ver comparação entre as perspectivas isométricas real e simplificada na página 54


do resumo de aulas.

Respeitadas as diferenças destacadas no quadro abaixo, os eixos, a sequência de


construção (ver pg 56), etc, são iguais na real e na simplificada.

11.1 Perspectivas isométricas

Simplificada Real
Dimensões de
comprimento sobre os
eixos isométricos ou Se mantêm X 0,81
paralelos a estes
(gabarito de elipses 35º
16’) elipses de furos e X 1,23 Se mantêm
arcos
Ângulos Não se mantêm Não se mantêm

Uso Geral, exceto com as VNS Geral, inclusive com as


VNS

50
) A mais utilizada em Mecânica.

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11.2 Sólidos de revolução em Perspectiva Isométrica (Real)

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12ª aula 2ª VERIFICAÇÃO DA APRENDIZAGEM (2ª. V.A.)

OBJETIVOS: Verificar o grau de aprendizagem do aluno quanto aos tópicos


desenvolvidos até então, dando ênfase aos últimos 5 módulos. Identificar pontos fracos e
possibilitar a execução de exercícios de reforço, com assistência. Levantar subsídios para
a atribuição do conceito final.

Exemplo típico de prova (com 2 desenhos)

1 – Fazer o desenho definitivo em VNS a partir de peça ou perspectiva (uso de escala)


2 – Fazer a perspectiva (isométrica simplificada, isométrica real ou cavaleira) a partir de
peça ou de desenho em VNS (definitivo ou esboço).

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13ª aula CORTES E SEÇÕES: GENERALIDADES – CORTE TOTAL

OBJETIVOS: Motivar o educando para o aprendizado sobre CORTES E SEÇÕES


mostrando a necessidade de sua aplicação conforme o tipo de peça ou conjunto. Definir e
conceituar CORTE. Regras e recomendações normativas. Fazer desenhos onde é
necessária a aplicação de um (ou mais) Corte Total.

13.1 Generalidades

13.1.1 Necessidade

Como vimos anteriormente, se o objeto a ser desenhado é simples e não tem


detalhes internos (a não ser furos passantes de seção constante), em geral, ele pode ser
representado com clareza por uma ou por mais vistas externas,
externas, conforme necessidade
(fig. 13.1 e 13.2).

Fig. 13.1: Objeto


bjeto simples sem detalhes internos Fig. 13.2:: Objeto com furos passantes de seção
constante

Quando, porém, o objeto se torna mais complexo (furos com seção variável, furos
cegos, cavidades irregulares, detalhes externos no meio da peça não passantes ou de
seção variável) ou ainda quando diversas peças aparecem montadas em partes internas
formando um conjunto, a tentativa de representar isso numa vista externa tornaria a
leitura do desenho difícil (ou impossível em alguns casos) devido aos diversos contornos
co
e arestas não visíveis (que resultam no desenho em linhas tracejadas). Nesses casos
aplicam-se um ou mais CORTES que, além de ESCLARECER melhor a forma, facilita a
cotagem ou a indicação dos detalhes (fig. 13.3 e 13.4).

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Fig. 13.3: Peça com furos cego e rebaixado

Fig. 13.4: Conjunto de peças montadas com indicação dos itens (vista em CORTE)

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Desenho Técnico Mecânico I – Resumo de aulas – Prof. M.Sc. Edson Del Mastro 73

Os CORTES e SEÇÕES compõem dentro do Desenho Técnico de uma peça ou um


conjunto, as chamadas VNS (Vistas Necessárias e Suficientes).
Dentre os recursos de representação usados por desenhistas e projetistas, eles (os
cortes e as seções) revelam-se particularmente importantes devido seu largo emprego.
Possibilitam simplificar e clarear a representação, facilitando a cotagem, indicação e
identificação de componentes, eliminando as linhas tracejadas – que são as PIORES
linhas para cotar. Aliás, um bom desenhista EVITARÁ cotar em tracejadas.
Vejamos o que fala a norma brasileira específica (NBR 10067/87):
“NÚMERO DE VISTAS
Devem ser executadas tantas vistas quantas forem necessárias à caracterização da
forma do objeto. Vistas ou CORTES são preferíveis do que o emprego de grande
quantidade de linhas tracejadas.”
E como o desenho deve ser sempre o mais simples e CLARO possível, a fim de
facilitar sua leitura, há que se examinar atentamente o assunto CORTES e SEÇÕES.

13.1.2 –Definição e Conceituação

CORTE ou VISTA em CORTE é a representação em projeção ortogonal de um


objeto ou peça onde uma de suas partes foi cortada e removida e deixando visível a parte
interior. Isso é feito através da passagem de um ou mais planos de corte (planos secantes
imaginários).
As superfícies criadas pela interseção desses planos com a peça são diferenciadas
das demais por terem no seu interior linhas de HACHURAS. As linhas que delimitam
essas superfícies são chamadas de LINHAS de CONTORNO de CORTE e são ótimas
para cotar (fig. 13.5).

Fig.13.5: Plano de corte, hachuras, linha de corte

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13.1.3- Regras e Recomendações

A – Quantos
uantos cortes?
cortes

O desenho de um objeto pode incluir


incluir um ou mais cortes e/ou seções de vários
tipos, conforme o que for necessário para a CLAREZA da representação e cotagem e/ou
indicação.
Observação: O conhecimento e uso adequados de todos os tipos de cortes e
seções, em geral, diminui o número de vistas
vistas necessárias do desenho.

B – Plano
lano de corte

O plano de corte é representado por linha estreita traço-ponto


traço ponto em toda extensão por
onde passou o corte exceto nas extremidades e nos desvios (quando houver dois ou mais
planos). As extremidades e oss desvios
desvios serão representados por linha larga traço-ponto.
traço
O sentido de visada deve ser mostrado por seta cuja ponta se apóia no plano de
corte perpendicularmente. Nas setas e nos desvios do PLANO DE CORTE devem
aparecer letras maiúsculas (A, B, C...) uma letra
letra repetida para cada corte (fig. 13.6). Essa
mesma letra identificará a vista cortada:
cort A-A; B-B; C-C, etc. (fig. 13.7).

Fig.13.6:: Planos de Corte, Setas, Indicação por Fig. 13.7:: Indicação dos Planos de Corte e
letras maiúsculas Identificação das Vistas
tas em Corte

Tanto as letras das indicações dos planos de corte (fig. 13.6 e 13.7) como a
identificação da VISTA CORTADA (ou CORTE) (fig. 13.7)) devem ser maiores e mais
grossas que os algarismos das cotas do desenho. Também as setas de indicação do
plano
no de corte devem ser maiores que as das cotas.
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C – Identificar

Quanto à localização da identificação em relação à vista cortada (por ex., A-A),


A ela
deve ficar numa posição indubitável. Ora em cima nas vistas superiores (frontal, lateral),
ora embaixo em vistas inferiores (por exemplo: superior) (fig. 13.7).
). Mas ainda pode ficar
em outras posições (por exemplo à esquerda ou à direita da vista cortada) desde que
fique claro a que vista se refere (neste ponto as normas se contradizem: ABNT embaixo;
BS, UNII indiferente; ISO, DIN, GOST em cima).
Observação: Quando o desenho tiver apenas um corte simples e sua localização
for clara, não há necessidade de nenhuma indicação ou identificação (fig. 13.8). Em casos
intermediários poderão ser suprimidas parcialmente
parcialmen (fig. 13.9).

Fig.13.8:: Desenho com UM corte simples, sem Fig. 13.9:: Desenho com UM corte com desvio,
necessidade de indicação e de identificação apenas indicação parcial
do corte

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D – Onde
nde desenhar o corte

A disposição das vistas cortadas deverá ser a mesma das vistas do desenho
(frontal em corte, superior em corte, vista lateral em corte...), sempre que possível (fig.
13.8 e 13.9).
Quando, porém, são traçados diversos
diversos cortes segundo a mesma direção, os
mesmos poderão ser desenhados em qualquer lugar do desenho desde que se façam
todas as indicações dos planos de corte e as identificações das vistas cortadas.
cortadas Mas
evite, em nome da clareza, alterar a posição angular da
d vista (fig. 13.7).
13.7

E – Escala

Uma vista em CORTE ou SEÇÃO poderá ser desenhada com escala diferente da
do desenho em geral, desde que isso fique convenientemente indicado.
Por exemplo: B-B (5:1) - (ER--38-02 e ER-38-03 págs. 121 e 122) (ver também pgs 98 a
101).

inhas tracejadas
F – Linhas

Não se colocam as linhas tracejadas nas vistas cortadas, exceto:


a) No corte parcial, onde são traçadas na parte não cortada da vista (fig. 13.10);
1
b) Quando a falta delas atrapalhar a interpretação do desenho.

Fig. 13.10:: Corte Parcial: as tracejadas continuam no resto da vista

G – O corte é imaginário

No traçado das outras vistas após um corte, considerar sempre como se a peça
estivesse inteira anteriormente. Isto é, como se a parte não tivesse sido retirada (fig.13.11
(f
e 13.12).

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Fig. 13.11:: Ao rebater a lateral esquerda (da frontal em


corte) ela permanece inteira

Fig. 13.12:
1 O Corte é imaginário (ver corte B-B)

H – Cotas

Podem ser colocadas fora ou dentro das vistas em corte. As hachuras não podem
passar
ssar em cima dos valores numéricos das cotas (fig. 13.9, 13.13,, 16.4 e 16.6). Assim
como nenhuma outra linha deve cortar ou encostar nos valores numéricos em nome da
CLAREZA. Por isso, recomendamos a seguinte seqüência para desenhos que contenham
vistas em corte.

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eqüência de trabalho (v. figura 13.13)


I – Seqüência

1) Desenhar todas as vistas;


2) Cotar completo (observação: as linhas de contorno de corte são ótimas para
cotar);
3) Hachurar (“pulando” as cotas internas, quando houver);
4) Indicar os planos de corte;
5) Identificar
car as vistas cortadas.

Fig. 13.13a: Desenhar as vistas Fig. 13.13b:


b: Cotar completo

Fig 13.13c: Hachurar Fig. 13.13d: d: Indicar os Planos de Corte e


Identificar as vistas em Corte

Fig 13.13: Seqüência de Trabalho

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13.1.4 – Hachuras

hachura geral)
A – Definição (hachura

São linhas estreitas (finas), a 45º em relação às linhas principais de contorno ou


eixos de simetria, igualmente espaçadas, usadas em áreas de corte em Desenho Técnico
(fig. 13.14, 13.15, 13.16, 17.4
4 e 17.5).
Observação:
1) Evitar direções
es paralelas ao contorno das vistas.
2) Excepcionalmente poder-se-á
poder á usar hachuras específicas
específica conforme NBR-
12298/1995 (ver pág. 87 na apostila de Exercícios);

Fig.13.14 Fig.13.15 Fig.13.16

B – Espaçamento
spaçamento e direção

4.2.1 – Espaçamento: Não há uma medida determinada. Mas, superfícies maiores


terão hachuras mais espaçadas. Ter especial cuidado para não “escurecer” a superfície
hachurada, por usar espaçamentos pequenos.
4.2.2 – Nos diversos cortes do desenho de uma peça, as hachuras permanecem
inalteradas,
nalteradas, isto é, devem ter a mesma direção e espaçamento (fig. 13.5, 13.7, 13.12,
14.14, ER-38-02 e ER-38-03)
4.2.3 – Conjunto e detalhe: Uma mesma peça desenhada
desenhada no conjunto e em
separado, deve ter hachuras com mesma direção e mesmo espaçamento.
4.2.4 – Desenhos de conjuntos: Nos desenhos de conjuntos as HACHURAS
procurarão diferenciar as diversas peças justapostas (ou adjacentes) das seguintes
maneiras (uma, outra ou ambas):
a) Hachuras com direção contrária (no possível);
b) Espaçamentos diferentes (peças
(peças maiores, espaçamento mais largos). Ver
Ve
figura 13.17.

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Fig. 13.17:
13.17 Desenho de conjunto: Hachuras com
direção e espaçamentos diferentes

C- Superfícies
uperfícies grandes

Cortes com superfícies muito grandes, o hachurado pode ser feito apenas na
vizinhança do contorno (fig. 13.18)
13.18

Fig.13.18

D – Paredes
aredes finas

Peças de paredes finas, quando em corte ou seção podem ser enegrecidas ao


invés de hachuradas (figs 13.19 e 15.2).
No desenho de conjunto de peças de paredes finas adjacentes há que se deixar
um espaço em branco (linha de luz) entre as partes enegrecidas (2 x a espessura da linha
larga; mínimo = 0,7 mm) (fig. 13.20).
13.20

Fig.13.19:: Paredes finas Fig. 13.20:


13.20 Linhas de luz

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E – Cortes
ortes com desvios

É permitido realizar cortes com desvios onde os detalhes estejam sobrepostos.


Mas esse recurso pode prejudicar a CLAREZA da representação e cotagem. Portanto,
recomenda-se
se evitar sua utilização,
utilização, na medida do possível (fig. 13.21 e 13.22).
13.22

Fig. 13.21:: Corte com desvio de translação com Fig. 13.22:: Corte com desvio de rotação (ou
detalhes sobrepostos
obrepostos rebatido) com detalhes sobrepostos

Para maior CLAREZA, os planos de corte devem atravessar completamente os


detalhes mostrados e, seus desvios, devem ocorrer fora de pontos “notáveis”, ou seja,
onde os contornos interno e externo não se alterem (fig. 13.23 e 13.24
4).

Fig. 13.23:: Corte com desvio de translação com Fig. 13.24:: Corte com desvio de rotação com
detalhes NÃO sobrepostos detalhes NÃO sobrepostos

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13.2 – Tipos de Corte

Observações iniciais:
1) A classificação dos cortes em tipos, objeto deste capítulo, não tem grande valor
teórico. Por exemplo, uma vista em corte será identificada como “CORTE A-A”,
“CORTE B-B” (ou “A-A”, “B-B”), independentemente do tipo de corte ou seção usado.
Este tipo de classificação tem, porém, importância pedagógica e prática – como
linguagem conceitual na escola e em âmbito profissional.
2) A nomenclatura usada aqui para os tipos de corte também não é necessariamente a
usada na norma brasileira e que a nosso ver carece de maior rigor e respaldo de usos
em alguns casos. Usou-se uma nomenclatura mais abrangente, sempre constando
também, a designação corrente no meio técnico. Os tipos “MEIO-CORTE”, “CORTE
PARCIAL” e “CORTE AUXILIAR” são designações de consenso geral.
3) Um objeto ou conjunto pode ser resolvido por diversos recursos de representação,
entre eles os vários tipos de cortes e seções. Em princípio, as vistas devem ser as
necessárias e suficientes (as formas ficam mais claras quando definidas por linhas de
contorno e linhas de contorno de corte – a cotagem também deve acontecer aí).
Enfim, o bom senso do desenhista é que irá ditar que recursos ele irá usar para fazer
um trabalho com RACIONALIZAÇÃO e CLAREZA.

13.2.1 – Corte Total (ou Pleno)

O que é: É um corte onde um único plano de corte atravessa inteiramente o objeto,


mostrando uma projeção completa em corte.
Característica: O plano de corte passa normalmente pelo eixo principal da peça,
mas pode passar por outras posições paralelas ou perpendiculares, sempre porém numa
direção principal.
Aplicação: Em peças com um ou mais detalhes internos (alinhados) que estejam
distribuídos ao longo de uma direção principal. É o tipo de corte mais usual. Os outros
cortes são variações deste primeiro (fig. 13.25, 13.26, 13.3, 13.5, 13.7, 13.8, 13.11 e
13.12).

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Fig. 13.25a: Plano de Corte Fig. 13.25b:


b: Após o corte fica a parte “visada” (a anterior
atravessando a peça foi retirada)

Fig. 13.25c: Desenho final da peça em VNS

Fig. 13.26a: Plano de Corte Fig. 13.26b:


b: Após o corte fica a parte “visada”
atravessando a peça (a anterior foi retirada)

Fig. 13.26
6c: Desenho final da peça em VNS (Corte Total)

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14ª aula OMISSÕES DE CORTE – CORTE PARCIAL

OBJETIVOS: Definir, conceituar e mostrar aplicações sobre estes recursos de


representação, relacionando-os com as normas técnicas. Fazer desenhos utilizando
Omissões de Corte e Corte Parcial.

14.1 - Omissões de Corte

Omitir significa: deixar de fazer, dizer ou escrever, não mencionar.


Omissão de corte: Não se cortam (e não se hachuram) diversos elementos de
máquinas ou ainda algumas partes de peças, mesmo que o plano de corte passe sobre
os mesmos.

14.1.1 – Quais elementos?

Não se cortam no sentido longitudinal: braços ou raios de rodas, dentes de


engrenagens, pinos, parafusos, rebites, chavetas, arruelas, porcas, eixos, almas de perfis,
nervuras de reforço, etc. (fig. 14.1, 14.2, 14.3, 14.4, 14.5, 14.6).
Porcas e arruelas normalizadas não se cortam em nenhum sentido (exceto porcas
e arruelas para rolamentos).
Observação: Nesses casos, se for mesmo necessário cortar, usa-se corte parcial.

14.1.2 – Justificativas:

A - No caso de peças como parafusos, porcas, arruelas, pinos, rebites, chavetas


etc., ocorrem mais comumente em desenhos de conjuntos (vistas em corte), porque a
grande maioria delas é normalizada e assim sendo não são detalhadas (desenho
separado em VNS). Acontece que esses elementos, em geral, não têm detalhes internos
e são reconhecidos mais facilmente pela sua vista externa. Por isso representa-se
aqueles cortes de conjunto como se esses elementos permanecessem inteiros – em suas
vistas externas (Figs 14.1, 14.2 e 14.3).

B - Quanto aos detalhes de peças como dentes de engrenagens, braços ou raios


de rodas, nervuras de reforço, aletas de refrigeração, almas de perfis ou em rodas
fundidas, chapas, etc., não se cortam (no sentido longitudinal) para evitar a ilusão de
continuidade de existência de material (no sentido de translação ou de rotação). Por
exemplo, poderíamos ter uma interpretação enganosa se hachurássemos a alma vazada
da polia em 14.4b (fig. 14.4), não a diferenciaríamos de 14.4a (alma cheia). Ou ainda
como na fig. 14.5 – se a nervura em 14.5b estivesse hachurada, poderíamos nos iludir e
pensar que a peça fosse cheia como em 14.5a.

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O eixo “A” foi cortado somente no trecho


necessário para por em evidência a posição do Rebite
pino (Corte parcial)

Fig. 14.1:
14.1 Pino, Eixo e Rebite – sentido longitudinal

Fig. 14.2: Parafuso, Arruela e Porca

Fig. 14.3:: Eixo, Chaveta, Dente de engrenagem – longitudinal e transversal

Fig. 14.4a: Polia com alma cheia

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Fig. 14.4b: Polia com alma vazada

Fig. 14.5a:
a: Peça cheia Fig. 14.5b:
b: Peça com nervura

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14.2 – Corte Parcial

14.2.1 – O que é?

É um tipo de corte aplicado só em parte(s) da vista. Isto é, o plano de corte penetra


só parcialmente no objeto (fig. 14.6a e 14.6b).

Fig. 14.6a:
a: Plano de Corte penetra parcialmente Fig. 14.6b:
b: Vista em Corte Parcial

14.2.2 – Variantes

Há duas variantes
tes de corte PARCIAL conforme mostram as fig. 14.7 e 14.8.

Fig. 14.7:: Corte Parcial Fig. 14.8:: Corte em Vista Parcial

Observações referentes ao CORTE em VISTA PARCIAL (v. fig. 14.8).


1) No mínimo ele deverá ter a indicação simples do plano de corte comoco mostra a
fig. 14.8 – isso se ele for a ÚNICA VISTA em CORTE do desenho.
2) Se, além dele foi aplicado um ou mais cortes, as indicações dos planos de corte e
as identificações das vistas cortadas deverão serse completas
mpletas como mostra a fig. 14.9.
14.9
3) Poderá ter escala ala diferente da escala no desenho desde que isso fique indicado
na vista em CORTE.

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Fig. 14.9: Indicação e Identificação completas

14.2.3 – Características do Corte Parcial (v. fig. 14.6, 14.7, 14.10 e 14.11)

a) Pode ser aplicado uma ou mais vezes na mesma vista. (v. pág. 8, 9 e 93)
b) É o único tipo de corte que pode ser usado em qualquer situação e em qualquer
tipo de peça, inclusive nos casos de OMISSÕES de CORTE (v. pág. 94)
c) A parte cortada pode estar numa borda, no meio ou ainda em diversos outros
lugares da vista.
d) No resto da vista (sem corte) continuam existindo as eventuais tracejadas.
e) Em geral os planos de corte não são indicados e os cortes (parciais) não
identificados, mesmo quando no desenho tenham-se usados outros tipos de cortes
e seções (os outros tipos o serão).
f) É separado do resto da vista por uma linha sinuosa (estreita).

Essa linha sinuosa, em nome da clareza, deve ter as seguintes características (fig.
14.10):
1) Não deve ser “paralela” a nenhuma outra linha do desenho;
2) Não deve “congestionar” com outras linhas;
3) Não deve começar ou terminar em pontos notáveis do desenho;

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1) Errado 2) Errado 3) Errado

Certo Certo

Fig. 14.10: Características da linha sinuosa

14.2.4 - Aplicações

a) Quando o tamanho do detalhe interno (em relação ao da vista) não justificar um


corte total (ou um meio-corte) – economia de trabalho (fig. 14.12, 14.13 e 14.14).
b) Nos casos de omissões de corte, onde ele é exceção, sendo o único tipo corte
permitido (fig. 14.11b, 14.15 e 14.16).

Fig.14.11: Eixo com 2 cortes parciais

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15ª aula MEIO-CORTE – DETALHE AMPLIADO

OBJETIVOS: Definir, conceituar e mostrar aplicações sobre estes recursos de


representação, relacionando-os
os com as normas técnicas. Fazer desenhos utilizando Meio-
Meio
corte e Detalhe Ampliado.

15.1 – Meio-Corte

15.1.1 – O que é?

Um tipo de corte onde metade da vista é cortada e outra metade é desenhada em


vista externa (fig. 15.1).

Fig. 15.1a:
a: Planos de Corte incidindo na peça Fig. 15.1b:
b: Após o corte fica a parte “visada”
(a anteriorr foi retirada)

Fig. 15.1c:
c: Desenho final da peça em VNS (Meio-Corte)
(Meio

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15.1.2 – Características

a) Só aplicável em objetos simétricos;


b) A metade de vista externa não terá linhas tracejadas;
c) Quando o eixo de simetria for vertical a metade cortada será a do lado l direito (fig.
15.2 e 15.5).
). Quando horizontal, a metade cortada será a de baixo (fig. 15.1c e
15.3);
d) Elementos onde só metade foi representada terão só uma linha auxiliar e só uma
seta. A linha de cota deve ultrapassar
ultrapa o eixo de simetria
ria (fig. 15.1c, 15.2,
1 15.3 e
15.4);
e) As duas metades de vista ficam separadas pelo eixo de simetria (fig. 15.1c, 15.2, 15
15.3 e 15.4).
f) Quando os planos de cortes forem indicados levarão apenas uma seta para
indicar o sentido da “visada” (fig.13.6
(fig. – E-E – e fig. 15.1).

Fig. 15.2: Meio-Corte


Corte com eixo de Fig. 15.3: Meio-Corte
Corte com eixo de
simetria vertical simetria horizontal

ângulos de fund. 3°
raios de fund.: R2,5
material: fofo FE 3207

Fig. 15.4:
1 Meio-Corte em peça “trabalhosa”

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15.1.3– Aplicações

Pode ser aplicado em qualquer objeto simétrico que necessite de corte. Mas o seu
uso mais vantajoso acontece, principalmente, em dois casos:
a) Peças complexas (ou “trabalhosas”): O uso do meio-corte
meio corte resulta em economia
por não se desenhar a outra metade da vista também em corte (igual à primeira) (fig.
15.4);
b) Sólidos de revolução:
ção: Que, além dos detalhes no contorno interno, tenham
também modificações na superfície externa (recartilhado, marcações, graduações,
gravações, etc.). O uso do meio-corte
meio corte resulta em economia por se resolver tudo numa
única vista (fig. 15.5).

Fig. 15.5:
1 Bucha recartilhada em Meio-Corte

15.2 – DETALHE AMPLIADO

15.2.1 – O que é e onde se aplica

Em casos onde a escala usada no desenho não permitir representar ou cotar com
clareza um elemento menor da vista, pode-se
pode se ampliar esse detalhe envolvendo-o
envolvendo com um
círculo de linha fina (estreita) e identificando-o
identificando o com uma letra maiúscula. O detalhe é
então desenhado separadamente em escala maior, acompanhado da mesma
identificação (a nova escala deve ser inscrita em seguida e entre parênteses) (ver Fig.
15.6).
Pode ser aplicado uma ou mais vezes no mesmo desenho, em vista externa ou
corte (15.2.2). Seu uso adequado pode significar mais clareza e economia.

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Fig. 15.6 – Detalhe ampliado (tipo A)

15.2.2 – TIPOS de detalhe ampliado

Chamaremos de vista-ba
base
se à vista de onde o detalhe foi retirado.
Quanto ao aspecto vista externa ou corte, usam-se
usam se normalmente estes 3 tipos:

A – Vista-base
base e detalhe, ambos estão em vista externa (ver Fig. 15.6)
B – Vista-base
base e detalhe, ambos estão em corte (ver ER-26-02)
ER
C – Vista-base ER 26-0151, ER-26-03 e
base está em vista externa, detalhe está em corte (ver ER-26
ER-26-04)

15.2.3 – Observação prática

Não é necessário e, muitas vezes, nem é possível desenhar e cotar o detalhe com
todos seus pormenores na vista-base
vista (ver Fig. 15.6 e ER-26-02)
02). Algumas vezes,
inclusive é impossível, pois o detalhe tem representação convencional na peça-base
peça (ver
ER-26-04).

51
Ver página 51

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16ª aula CORTES COM DESVIOS (DE TRANSLAÇÃO E DE ROTAÇÃO)

OBJETIVOS: Definir, conceituar e mostrar aplicações


aplicações sobre estes recursos de
representação, relacionando-os
os com as normas técnicas e a sua evolução prática. Fazer
desenhos utilizando Corte com Desvio de Translação e Corte com Desvio de Rotação.

16.1 – Corte com Desvio de Translação (Corte com


c Desvio)

16.1.1 – O que é?

É um corte com dois ou mais planos de corte paralelos ligados entre si por planos
de desvios, com objetivo de mostrar detalhes
detalhes não alinhados do objeto (fig.13.6:
(fig.13.6 B-B e C-
C) (releia 13.1.4-E pág. 81)) (fig. 13.9, 13.21, 13.23, 16.1, 16.2 e 16.3).

Fig. 16.1b:
b: Após o corte fica a parte “visada”
Fig. 16.1a:
a: Planos de Corte atravessando a peça
(a anterior foi retirada)

Fig. 16.1c: Desenho final da peça em VNS

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Fig. 16.2b: Após o corte fica a parte “visada”


Fig. 16.2a: Planos de Corte atravessando a peça
(a anterior foi retirada)

Fig. 16.2c: Desenho final da peça em VNS

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A-A

Fig. 16.3
3: Corte com desvio de Translação (especial)

OBSERVAÇÃO – O corte com desvio de translação pode ser total ou parcial.

16.2 – Corte com Desvio de


e Rotação (Corte Rebatido)

16.2.1 – O que é e onde se aplica?


aplica

É um tipo de corte que usa dois ou mais planos de corte angularmente ligados
entre si, aplicados em peças angulares e, que após o corte são alinhados sobre o eixo
principal, evitando a projeção deformada dessas partes (fig. 13.6 – D--D, fig. 13.24, 16.4 e
16.5);
Ou ainda dois ou mais planos de corte radialmente dispostos em peças redondas
(na vista circunferencial) ligados entre si através de setores de superfícies cilíndricas
concêntricas
cas e, que após o corte, são alinhados sobre o diâmetro principal -
representando esses detalhes em verdadeira grandeza e mantendo inalteradasinalterad suas
posições radiais (fig. 13.23, 16.5
16. e 16.6).

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Fig. 16.4a:
16. Planos de Corte atravessando a peça

Fig. 16.4b:
b: Após o corte fica a parte “visada” (a anterior foi retirada)

Fig. 16.4c: Desenho final da peça em VNS

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Fig. 16.5: Os Planos de Corte são rotacionados até o eixo principal

Fig. 16.6: Peça com uso de Corte com desvio de Rotação

OBSERVAÇÃO: O corte com desvio de rotação pode ser total ou parcial.

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17ª aula VISTAS AUXILIARES – CORTE AUXILIAR

OBJETIVOS: Definir e conceituar: planos principais de projeção, planos auxiliares de


projeção e vistas auxiliares. Definir, conceituar e mostrar aplicações do Corte Auxiliar e
variantes. Fazer desenhos utilizando Corte Auxiliar.

17.1 – Corte Auxiliar

17.1.1 – Planos principais de projeção, vistas principais

Vistas ortográficas principais são as obtidas sobre seis planos, ditos principais,
dispostos dois a dois segundo orientações perpendiculares entre si, formando o
paralelepípedo de referência. Estas seis vistas são (fig. 17.1):
VF Vista Frontal
VS Vista Superior
VLE Vista Lateral Esquerda
VLD Vista Lateral Direita
VI Vista Inferior
VP Vista Posterior

Fig. 17.1: Os seis planos principais de projeção (1º diedro)

17.1.2 – Planos auxiliares de projeção, Vistas Auxiliares

Vistas Ortográficas Auxiliares são obtidas sobre planos auxiliares de projeção,


inclinados em relação a planos principais de projeção. Empregam-se para representar em
verdadeira grandeza, detalhes do objeto, inclinados em relação às faces principais do
mesmo.
Os planos e as vistas auxiliares dividem-se em:
A – Primários – se perpendiculares só à dois dos planos principais (fig. 17.2 e
17.3)
B – Secundários – se são inclinados em relação a todos os planos principais.

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Fig. 17.2 – Exemplo de Plano Auxiliar Primário (1º diedro)

Fig. 17.3 – Exemplo de Vista Auxiliar Primária (1º diedro)

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17.1.3 – Definição e aplicação

Corte Auxiliar é um corte aplicado num plano auxiliar de projeção, com o objetivo
de representar, em verdadeira grandeza, algum detalhe interno do objeto, inclinado em
relação às faces principais do mesmo (fig. 17.4).

Fig. 17.4a: Plano de corte atravessando a peça

Fig. 17.4b: Desenho final da peça em VNS

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17.1.4 – Características

A – Variantes: Os Cortes Auxiliares podem ser totais, parciais (fig. 17.4) e com
desvio de translação (fig. 17.5)
B – Limites: Serão determinados por linhas sinuosas (estreitas) nos casos:
a) quando o corte for parcial (do lado que não atravessa a peça)
b) quando o plano de corte intercepta a superfície limite (ou sua tangente) em
ângulo diferente de 90º (isto para tirar a ilusão de verdadeira grandeza) (casos a e b ver
fig. 17.4b e 17.5).

Fig. 17.5: Exemplo de Corte Auxiliar com Desvio de Translação

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18ª aula SEÇÕES / CORTE OU SEÇÃO: O QUE USAR

OBJETIVOS: Definir e conceituar Seção comparando-a com Corte. Mostrar os 4 tipos de


seção e suas aplicações. Escolher entre Corte e Seção. Fazer desenhos utilizando só
Seção e também com Corte.

18.1 - Seções

18.1.1 – Definição

Seção é uma variedade de vista cortada que registra tão somente a intersecção do
plano secante com o objeto.

18.1.2 – Diferença entre Corte e Seção

No corte aparecem a superfície hachurada (intersecção do plano secante com o


objeto) e a superfície em branco referente à parte do objeto que eventualmente possa ser
vista, situada além desse plano (não hachurada) (fig. 18.1a).
Na seção aparece tão somente a superfície hachurada (fig. 18.1b).

Fig. 18.1a: Corte Fig 18.1b: Seção

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18.2 – Tipos de seção

Há quatro tipos de seção. Classificada conforme onde é feito seu rebatimento:

Fig. 18.2a: Seção rebatida sobre a vista

Fig. 18.2b: Seção rebatida entre a vista

Fig. 18.2c: Seção rebatida ao lado da vista

Fig. 18.2d: Seção rebatida em qualquer parte do desenho

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18.3 – Características e usos

(Referência: fig. 18.2a, b, c ou d)

18.3.1 – Indicação do plano de corte e identificação da seção:

Nos casos a, b e c não são necessárias (no caso c apenas uma linha estreita
traço-ponto ligando a seção à vista da qual foi retirada).
Já no caso d, isso é necessário. Completo, se houver outro(s) corte(s) e/ou seções.
Parcial, se for a única vista secional. Ainda no caso d as setas no plano de corte serão
necessárias se a seção não for simétrica.

18.3.2 – Contorno da seção:

Será a linha larga contínua, exceto no caso a (linha estreita contínua).

18.3.3 – Escalas:

Será a mesma da vista principal nos casos a, b e c. Poderá no caso d, ter escala
diferente desde que isso fique indicado (fig. 18.2d).

18.3.4 – Clareza na representação e cotas:

O pior tipo é o caso a porque é traçado sobre a vista e, no contraste com as linhas
largas da mesma, as linhas estreitas da seção têm menor apelo visual. Já os casos b, c e
d são muito claros tanto na representação como nas cotas. O caso d deve ser aplicado se
a seção for pequena ou rica em detalhes (para poder ampliar).

18.3.5 – Usos, vantagens e desvantagens

A – Nos casos a e b a seção é traçada dentro do mesmo espaço da vista. Isto pode
ser uma vantagem se sua necessidade não foi prevista no momento da distribuição das
vistas na folha.
B – O caso a não deve ser usado se a vista principal for curva e/ou continuamente
variável (fig. 18.3 e 18.4). Nessas situações, o caso c é o mais recomendável (fig. 18.6).
C – Mesmo com a vista principal sendo reta e de seção constante, se porém a
mesma for curta em relação à largura da seção rebatida, não podemos usar os casos a e
b (fig. 18.5).

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Fig. 18.3:: Aplicação não recomendável (caso “a”


“ ” em vista principal curva)

Fig. 18.4:: Aplicação não recomendável (caso “a”


“ ” em vista principal variável)

Fig. 18.5:
18. Seção caso “c” em vista principal curta

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Fig. 18.6: Seções caso “c” – usado em vista principal variável e curva

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18.4 – Corte x Seção (O que usar?)

Algumas vezes o CORTE e a SEÇÃO, num determinado plano de corte, são


idênticos. Nesse caso, o uso de um ou de outro é indiferente.
Na maioria das vezes, porém, eles resultam em vistas diferentes. Então, o que
usar?

18.4.1 – Seção:

Usar SEÇÃO, por economia, quando no corte vão aparecer outras linhas referentes
a detalhes posteriores ao plano secante e que já foram suficientemente esclarecidos em
outra(s) vista(s) e que no momento não interessa (fig. 18.7).
Ainda podemos usar SEÇÃO no lugar de corte por clareza, porque além daquelas
linhas darem trabalho, podem atrapalhar a representação e dificultar a cotagem.

18.4.2 – Corte:

Usar CORTE quando os detalhes posteriores ao plano de corte são oportunos e


necessários (representação e cotagem dos mesmos) (fig. 18.7) ou ainda quando a seção
resulte numa vista prejudicada (por exemplo detalhes passantes radiais num eixo) (fig.
18.8).

18.4.3 – Conclusão

Devemos usar o melhor em cada situação: podemos usar CORTES e/ou SEÇÕES
quais e quantos forem necessários à CLAREZA do desenho. Não esquecer de indicá-los
e identificá-los corretamente (por exemplo A-A ; B-B; C-C; etc.).

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Fig. 18.7: No corte A-A


A foi aplicado porque era oportuno e necessário, além do furo roscado cego, aparecer
a flange posterior. Já no tramo Ø20, foi aplicada seção (caso “c”)
“ ”) por economia e por clareza.

Fig. 18.8: Usar CORTE quando a SEÇÃO resulta numa vista prejudicada

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19ª aula 3ª. VERIFICAÇÃO DA APRENDIZAGEM (3ª. V.A)

OBJETIVOS: Verificar o grau de aprendizagem do aluno quanto aos tópicos


desenvolvidos até então, dando ênfase aos últimos 6 módulos. Identificar pontos fracos e
possibilitar a execução de exercícios de reforço, com assistência. Levantar subsídios para
a atribuição do conceito final.

Exemplo típico de prova (com 1 ou 2 desenhos)

– Fazer o desenho definitivo (ou esboço) em VNS a partir de peça ou perspectiva (peças
que precisem de um ou mais cortes e/ou seções)

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Referências bibliográficas:

• ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10647


abr/1989 Desenho técnico – norma geral – terminologia, São Paulo, 1989.
• BARSA – Enciclopédia Barsa. São Paulo: Encyclopaedia Britannica editores
ltda., 1978.
• DEL MASTRO, E. Características do trabalho atual e riscos à saúde e à
segurança do trabalhador. Dissertação de mestrado, São Paulo: Escola
Politécnica da Universidade de Paulo, 2001.
• FRENCH, T. E. Desenho técnico. Porto Alegre: Globo, 1958.
• FRENCH, T. E. e VIERCK, C. J. Desenho técnico e tecnologia gráfica. São
Paulo: Globo, 1989.
• LAROUSSE CULTURAL Grande enciclopédia. São Paulo: Nova Cultural, 1998.
• MANFÉ, G., POZZA, R. e SCARATO, G. Desenho técnico mecânico – curso
completo. vol. 1. São Paulo: Hemus, 1977.
• SEREBRYAKOV, A., YANKOVSKY, K. et PLESHKIN, M. Mechanical drawing.
Moscow: Peace publishers, 1960.

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