O uso dos blogs na Educação com foco no aperfeiçoamento das produções textuais

DEBORAH ADRIANA TONINI MARTINI CESAR deborahmartinister@gmail.com UFLA - Universidade Federal de Lavras Curso de Pós-Graduação Lato Sensu a Distância Informática em Educação Cx Postal 3010 - CEP 37200-000 Lavras (MG) Resumo: Este artigo aborda o conceito de projeto dentro do paradigma da cibercultura e o papel social que a escola desempenha nesse contexto, observando os aspectos da prática pedagógica que podem ou não favorecer o desenvolvimento da informática educativa. O uso do blog para fins pedagógicos é o ponto principal deste artigo, com foco para seu uso na disciplina de Português no desenvolvimento e aperfeiçoamento das produções textuais. Palavras-Chave: Informática em Educação, cibercultura, blog, projeto, redação. Abstract: This article discusses the concept of project in the cyber culture paradigm and the social role that school performs in this context, observing the aspects of pedagogical practice that can help or not the development of educative informatics. Educative blogging is the main theme of this article, focusing its use in Portuguese for the development and improvement of writing. Key words: Educative Informatics, cyber culture, blog, project, writing. 1.Introdução A Educação busca caminhos que possam ampliar seu potencial de ação junto ao ser humano. Dentre esses caminhos está inserida a prática pedagógica com projetos, utilizando as tecnologias. Mas qual é o conceito de projeto neste âmbito? O projeto é um termo abrangente, que extrapola a idéias das seqüências pedagógicas temáticas e interdisciplinares, concepção mais disseminada sobre esse conceito no meio docente. “Projeto é uma construção própria do seu humano, que se concretiza a partir de uma intencionalidade representada pelo conjunto de ações que ele antevê como necessários para executar, a fim de transformar uma situação problemática em uma situação desejada. A realização das atividades produz um movimento no sentido de buscar atingir, no futuro, uma nova situação que responda às suas indagações ou avance no sentido de melhor compreendê-las. Nesse processo de realização das atividades acontecem imprevistos e mudanças se fazem necessárias, evidenciando que o projeto traz em seu bojo as idéias de previsão de futuro, abertura de mudanças, autonomia na tomada de decisões e flexibilidade.”1 Sob esta ótica pode-se vislumbrar o projeto educacional da atualidade. Se até o século passado o projeto social era o de dotar seus cidadãos de conhecimentos necessários para que servissem à sociedade industrial, a prioridade da educação hodierna deve ser a de preparar o indivíduo para a cibercultura. E o que é a cibercultura? Segundo as palavras de Pierre Lévy: “não é a cultura dos fanáticos da Internet, é uma transformação profunda da noção mesma de cultura”. 2 A sociedade industrial teve seus idealizadores, como Henry Ford, que percebeu a agilidade que a
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LÉVY, Pierre. Entrevista à @rchipress. Disponível na Internet via www.URL: Arquivo capturado em: 19 de novembro de 2006. 2 idem nota 1

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fragmentação das atividades poderia trazer à produção industrial. Esse mesmo modelo fragmentado influenciou a escola que passou a compartimentar-se, dividindo as disciplinas e isolando-as. A cibercultura já evidencia as diferenças que tem em relação ao modo de produção de bens culturais da sociedade industrial. Esses eram, ou ainda são o privilégio de alguns que desejam continuar mantendo o monopólio das informações como editores e autores. Eram, porque a Internet atualmente é capaz de suprir inúmeras necessidades de informação, mas alguns ainda conseguem deter esse poder pela restrição de acesso a esse recurso, imposta pela exclusão digital proveniente, dentre outros aspectos, das condições financeiras que formam uma barreira entre grande público e as tecnologias. Cabe à escola esforçar-se para romper essa barreira que atinge a grande maioria dos estudantes brasileiros, colocando à margem do acesso aos bens culturais. Mas esse esforço não cabe unicamente às escolas, mas sim ao governo, que deve aplicar recursos de maneira mais efetiva na Educação de uma maneira geral, ampliando também a possibilidade de entrada na Internet. Das 162 mil escolas de Ensino Fundamental, 129 mil não têm acesso a esse meio de comunicação no Brasil.3 O Governo Federal tem um programa para facilitar a inclusão dessa parcela excluída da população, chamado Computador para Todos, mas, que para ter uma serventia cultural carece de um projeto pedagógico que o acompanhe. “O programa facilita o acesso das pessoas atualmente excluídas, mas, se elas não souberem como usar a ferramenta para obter benefícios, o computador servirá apenas para estimular o consumo, bater papo e mandar emails.”4
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A cibercultura tem uma natureza diversa da visão de mundo anterior em que deter o conhecimento era a garantia de sobrevivência. Esse novo paradigma veio para desfragmentar e descentralizar os focos de disseminação de bens culturais. O que era unilateral passou a ser multidirecional. Usando um pensamento popular: “Várias cabeças pensam melhor do que uma”, podemos sintetizar o conceito de “inteligência coletiva” de Pierre Lévy, que afirma que através da rede mundial de computadores, a Web, podemos “(...)integrar essa “constelação de neurônios”com os milhões de outras pessoas (...) a Internet nos permite hoje criar uma superinteligência coletiva, dar início a uma grande revolução humana.”5 Para que essa revolução aconteça é necessário que a escola e o docente estejam conscientes de sua importância nesse processo de construção social. A primeira mudança deve estar focada na relação professor-aluno. O professor precisa abandonar a posição de disseminador de um conhecimento estático, para assumir a postura de pesquisador e mediador nos processos de ensino-aprendizagem. Ao mesmo tempo, os alunos precisam adaptar-se ao perfil desse professor que não oferece o conhecimento mastigado em pequenas porções, mas que abre espaço para um número mais significativo de informações, selecionando-as e refletindo sobre elas, ensinando seu aluno a fazer o mesmo. Esse aluno não será um mero acumulador de informações, nem um ouvinte passivo, mas saberá interagir com essas informações criticamente.6 Esse é o perfil desejado para o professor que pretenda utilizar as novas tecnologias, em especial a informática, para o desenvolvimento de seu trabalho pedagógico, mas além dessa disposição para a mudança, o professor precisa ser preparado
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BENCINI, Roberta. O desafio da qualidade.Revista Nova Escola, São Paulo, n.196,p. 44,out/2006.
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LÉVY, Pierre. Apud: Estamos todos Conectados de Ricardo Prado. Nova Escola On-line. Disponível na Internet via www.URL: http://novaescola.abril.com.br/ed/164_ago03/html/falam estre.htm. Arquivo capturado em: 19 de novembro de 2006.
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BOAS, Sergio Vilas. Acesso ao Desenvolvimento, Inclusão digital. Especial Tecnologia. Revista Educação, São Paulo, n. 115. p. 49, nov/2006.

BEHRENS, Marilda A. Projetos de Aprendizagem Colaborativa num Paradigma Emergente. In: Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas: Papirus,2000.

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para tal. Não bastam cursos de informática que servem para preparar usuários. O professor precisa aprender a lidar com essa tecnologia de forma eficaz pedagogicamente. Para a escola mudar, é necessário que existam modificações nos cursos de formação docente.Há muitos que, apesar de perceberem a necessidade de utilizar a informática ainda se sentem um tanto tímidos na utilização desse recurso por falta de intimidade com os computadores e a sua linguagem. Embora existam muitas propostas de utilização de informática em processos de ensino e aprendizagem, muitas destas não ocorrem na prática, devido a problemas relativos à estrutura das escolas e dificuldades de adaptação dos métodos tradicionais de ensino a estas propostas. A tecnologia de redes viabiliza funções em que não só os estudantes, mas os próprios professores podem desenvolver suas atividades de modo colaborativo. De acordo com Valente (1999)7, a Internet pode ser utilizada para veicular sistemas computacionais, divididos em três classes: ensino assistido por computador, ambientes interativos de aprendizado, que exemplificam o paradigma construcionista cujo controle da interação está totalmente nas mãos do aprendiz e, aprendizado socialmente distribuído, que tem seu acesso facilitado pela rede que apresenta novas possibilidades através da globalização da informação, de videoconferências, listas de discussões, correio eletrônico e outras. Dentre as possibilidades oferecidas pela tecnologia de redes, o blog é uma ferramenta que pode proporcionar uma inovação no processo de ensino-aprendizagem e o foco deste artigo incidirá justamente sobre as suas possibilidades pedagógicas.

Blog é uma “abreviatura do termo em inglês weblogs”8 que define um tipo de ferramenta ou interface de publicação diferente do site convencional por possibilitar atualizações freqüentes, sem a necessidade de reconstruir a página e tornar a publicá-la. Os textos ficam armazenados e visíveis no blog de acordo com a data de publicação. Um dos maiores motivos da popularidade dessa ferramenta da web é a extrema facilidade de formatar os textos, inserir figuras e fotos, alterar planos de fundo que os próprios “blog builders”9 deixam disponíveis para os usuários poderem personalizar seu espaço. A princípio o blog era utilizado principalmente como uma espécie de diário pessoal, bastante utilizado por jovens e adolescentes com o desejo de compartilhar suas experiências pessoais, mágoas, alegrias, amores e até episódios bem exóticos ou picantes.No entanto, essa ferramenta não foi concebida com esse fim exclusivo, mas para servir como suporte para as mais variadas formas de expressão pessoal. Há blogs para todos os gostos, tribos, serventias e categorias: para expor resenhas de filmes; divulgar shows de rock e para abrigar os elogios incondicionais dos fãs de diferentes bandas e estilos musicais; blogs para blogueiros , que oferecem templates, scripts e gifs para ilustração e formatação. Pode-se dizer que o blog serve para todo o tipo de expressão pessoal que possa ser manifesta através da escrita. Ainda há espaço para sons nos blogs, para isso pode se fazer uso dos audioblogs. “Audioblog é semelhante ao weblog, só que em vez de textos, o autor publica arquivos de áudio” 9. Há
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GUTIERRE, Priscila B. Blogs na Sala de Aula. Disponível na Internet via www.URL: http://www.educarede.org.br/educa_educarede/especiais. cfm?id_especial=221 . Arquivo capturado em: 23 de outubro de 2006.
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2.O que é um blog?
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Termo empregado para designar o site para a construção de blogs. How do I create a blog? Disponível na Internet via www.URL: www.angelfire.lycos.com/build/blogfaq.tmpl . Arquivo capturado em: 09 de novembro de 2006.
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VALENTE, José Armando. Diferentes usos do computador na educação.Computadores e conhecimento: repensando a educação. 1 ed. Campinas:Unicamp, 1993.p.24-44.

MENTA,E; BARROS,G.C. – Podcast: quebrando o silêncio da integração de mídias na educação. Paraná, mar/ 2006. Disponível na Internet via www.URL:www.escolabr.com.Arquivo capturado em:

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audioblogs que permitem além de arquivos de áudio, publicar textos e imagens, como o www.podomatic.com. O blog é um meio de expressão semiaberto, diferente dos Wikis que “(...) são sites em que qualquer pessoa pode colaborar acrescentando, apagando e corrigindo as informações”.10 . Os proprietários dos blogs podem optar por construí-los de maneira colaborativa, convidando outras pessoas a publicarem nesse mesmo espaço. No entanto, o proprietário ou administrador tem a prerrogativa de utilizar um sistema de moderação, através do qual ele lê as postagens e comentários, podendo publicá-los, ou não. Apesar desse mecanismo de gerenciamento existir, não descaracteriza o perfil interativo do blog, em redor do qual podem reunir-se comunidades com objetivos e gostos afins. Quando uma postagem recebe um comentário, esse, apesar de não alterar o texto original, dialoga com ele, ampliando-o de certa maneira, seja pelo retificar ou ratificar de uma idéia. O texto original não é modificado formalmente, no entanto um comentário pode influenciar a percepção de um segundo leitor. Em geral, postagens bastante comentadas chamam a atenção dos visitantes que acabam lendo o texto e os comentários. Apesar de muitos afirmarem que a Internet diminui as possibilidades de interação humana face a face, ela permite uma outra forma de comunicação, a virtual. Se a comunicação real pode ser restrita pelos limites espaciais, a virtual rompe essa barreira e favorece sobremaneira o diálogo, valorizando especialmente a cultura letrada, ainda que na haja uma busca pela correção lingüística na maioria dos grupos. Há, porém os que já se mostram extremamente hostis ao uso do chamado Internetês que, a princípio, tem seu motivo de existir, pois se agiliza o processo de comunicação via ICQ, chat, e-mail, etc., mas
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que tem migrado para a língua escrita fora desse ambiente, perturbando sobremaneira aos que zelam pela integridade e continuidade de uso da norma padrão. Em alguns grupos, os participantes são radicais e impiedosos em relação a quaisquer falhas na escrita, apontando-as abertamente. 3. Questões de terminologia Cercam o blog algumas questões quanto à percepção de sua natureza. Segundo Primo 11, Theodor Nelson, o criador do termo “hipertexto”, critica a web no tangente à sua estrutura hipertextual. Segundo Theodor, “a web não é um hipertexto, mas são diretórios decorados”12 , referindo-se aos percursos programáveis de navegação. No entanto, apesar das críticas de Theodor, o termo de sua criação é amplamente utilizado na Web. Conforme a tipologia de hipertextos de Primo, o blog é classificado como hipertexto cooperativo. Um hipertexto difere de um texto convencional porque “(...) um texto tradicional é uma obra que, tipicamente, deve se lida começando-se pela primeira linha e seguindo de forma lineal, uma frase após outra, até a última (...) um hipertexto, ao contrário, não tem uma ordem preferencial para ser lido.”13. Dicionários e enciclopédias são tipos de hipertexto. A Web pode ser considerada hipertextual à medida que, através de links, o texto que está sendo lido pode ser ampliado por outras informações. Quanto sua função, o blog tanto é denominado ferramenta como interface. Segundo Johnson, o termo ferramenta lembra mais a sociedade industrial e seu modo de produção, enquanto a palavra interface é mais adequada a cibercultura.

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PRIMO, Alex Fernando Teixeira; RECUERO, Raquel da Cunha.. Hipertexto Cooperativo: Uma Análise da Escrita Coletiva a partir dos Blogs e de Wikipédia. Revista da FAMECOS, n.23, p.54-63, Dez./2003.
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Tradução do original “The Web isn’t hypertext, it’s DECORATED DIRECTORIES”
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Wikipédia. A maior Enciclopédia do Mundo está sendo escrita na Internet e é de graça. Disponível em Revista Veja de 23 de janeiro de 2006, nº 401

TORNAGHI, Alberto. Computadores, Internet e educação a distância. In: Integração das Tecnologias da Educação, Salto para o Futuro. Brasília: MEC, 2006, p 168.

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“A ferramenta opera como objeto material e a interface, um objeto virtual”.14 4. Blog, espaço democrático

A palavra democrático, atualmente, apesar de no dicionário ser referente a um regime de governo, o governo do povo, tem recebido em nossa sociedade uma ampliação semântica, ligando-se ao conceito de popularização. Sob esta ótica, o blog é um espaço democrático, pois qualquer pessoa que tenha acesso à Internet pode desenvolver sua página, mesmo sem ter muitos conhecimentos sobre informática. Como citado anteriormente, o blog servia a princípio como diário pessoal, mas depois da tragédia de 11 de setembro, ganhou uma nova função, de jornal on-line.15Cidadãos comuns faziam a cobertura do evento mesmo antes que a mídia jornalística o fizesse. Esse processo “rompeu com o tradicional modelo emissor-receptor”16. Se antes a informação vinha somente do jornalismo para os leitores, hoje esse fluxo de informação se dispersou. O cidadão também noticia, opina, participa dos acontecimentos. E se deter informação é ter poder, o cidadão pode deter esse poder, posicionando-se ante aos fatos. É notório, no entanto, que nem toda a informação veiculada na Web é jornalismo. Segundo Catarina Rodrigues: “Os blogs são o suporte para um conteúdo , que pode ou
SILVA,Marco. Internet na escola e inclusão. Integração das Tecnologias da Educação, Salto para o Futuro. Brasília: MEC, 2006, p 65.
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não ser jornalístico, e como é obvio muitas vezes não é.”17 Há muitas informações equivocadas e tendenciosas, pois são a expressão de um indivíduo, marcada por sua ótica pessoal e, mesmo porque em geral não seguem qualquer código ético vigente no jornalismo profissional.
5. A apropriação dos blogs para fins pedagógicos Tem sido crescente a utilização do blog para fins pedagógicos, uma vez que sua própria estrutura favorece o desenvolvimento de atividades compatíveis com a visão pedagógica moderna. É uma oportunidade para o educador iniciar o letramento digital, ou seja, dar início a um trabalho contínuo com a linguagem da informática, além de poder trabalhar com questões cruciais da educação, que são a leitura e escrita, pontos fracos no ensino brasileiro, que gera a cada ano um grande número de analfabetos funcionais, ou seja, alunos que lêem, porém não compreendem. O blog é, por si só, um gênero escrito, específico da web que, segundo Richardson tem “grande valor em termos de desenvolvimento do exercício do pensamento crítico, na prática da escrita e informações sobre o desenvolvimento da leitura e da escrita entre outras coisas”18, mas que pode abranger outros gêneros , exigindo porém, algumas adaptações em alguns casos em que a síntese é necessária. O blog é normalmente usado pelos educadores como página de conteúdos, avisos, regras, exercícios, sugestões de leitura e outras informações referentes à escola ou às disciplinas, como ensaios, artigos ou links que enriqueçam ou embasem a matéria ou assunto que estejam sendo trabalhados. Podem ser utilizados para organizar debates em sala de aula, ou mesmo desenvolvê-los on-line como fóruns e também abrigam
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DOWNES, Stephen. Educacional Blogging. EDUCAUSE Review, v. 39, n.5, p.14-26, set/out / 2004. Disponível na Internet via www.URL: www.educause.edu/pub/er/erm04/erm0450.asp? bhcp=1%20 . Arquivo capturado em: 14 de dezembro de 2006.
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idem 16

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RODRIGUES, Catarina. Blogs e a fragmentação do espaço público.Universidade da Beira Interior.2006. Portugal. Disponível na Internet via www.URL: www.labcom.ubi.pt . Arquivo capturado em: 19 de novembro de 2006.

RICHARDSON, Will. Metablognition, Weblogg-Ed, March 31,2004. Disponível na Internet via www.URL: http://www.weblogg-ed.com/2004/04/27. Arquivo capturado em: 23 de outubro de 2006. Tradução da autora para “great value in therms of developing all sorts of critical thinking skills, writing skills and information literacy among other things”

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informações sobre o desenvolvimento de projetos desenvolvidos por disciplinas individualmente ou de maneira interdisciplinar. O blog também é usado para publicar as produções escritas dos alunos de maneira colaborativa. Um aspecto que favorece o uso do blog é o fato de ser atrativo, pois além de ser mais interessante do que usar o caderno convencional, os alunos já estão desejosos de utilizar as tecnologias relacionadas à Informática. “Ao contrário do que possa parecer, não é difícil convencer os alunos a escrever em weblogs, uma vez que a maior parte deles está motivada para a utilização das novas tecnologias e da internet.Aliás, que melhor instrumento de promoção da Internet junto dos mais novos pode haver do que este que permite que eles próprios criem um espaço a que podem chamar seu dentro da Web? Mais do que espectadores do fenômenos da comunicação global, os alunos podem, com os weblogs, tornar-se também actores nesse palco fascinante.”19 A interatividade também é um fator atrativo. Primeiro porque é um trabalho que pode atravessar os muros escolares e ser lido por outras pessoas pertencentes ou não à comunidade escolar e também porque incentiva o relacionamento interpessoal, segundo comentário de Mireille Guay, educador do colégio St-Joseph: “ A comunicação possível no weblog é também uma incrível ferramenta para o desenvolvimento de nossa comunidade de educandos. Os estudantes podem se conhecer melhor visitando e lendo blogs de outros estudantes. Eles descobrem, de uma forma não ameaçadora, suas semelhanças e
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diferenças. O aluno que normalmente fala muito alto na sala de aula e o que pe muito tímido têm o mesmo espaço para divulgar sua opinião. Isso coloca os estudantes em uma situação de igualdade”.20 Essa “situação de igualdade” dá voz aos mais tímidos que, muitas vezes deixam de participar em sala de aula para não terem que se expor ou mesmo porque têm dificuldade de disputar o turno com os companheiros mais agitados. A interatividade não é, no entanto, um conceito referente aos ambientes computacionais, mas é um termo que tem sua origem anterior à década de 70. Vygostsky defendia as possibilidades de interação pela linguagem. “E, por considerar-se a escrita e a leitura como forma de desenvolvimento da linguagem, o uso de blogs na educação, mediada por professores, adultos mais experientes podem contribuir para o acessos aos bens culturais preconizados por Vygostsky” .21 A interatividade proporcionada pelos blogs favorece os processos de afirmação de identidades, que podem ser individuais ou coletivas. Por ler e conhecer os blogs particulares de outras pessoas, pode-se haver um processo de identificação ou de estranhamento. Sob esse aspecto, a identidade se afirma pelas próprias diferenças, não se esquecendo que a definição do “eu” está ligada ao referencial “outros”. Por observar as diferenças é que estabelecemos o nosso conjunto de valores. Há
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Elisabete Barbosa e António Granado. Weblogs Diário de Bordo.In: RODRIGUES, Catarina. Blogs e a fragmentação do espaço público.p 64. Universidade da Beira Interior.2006. Portugal. Disponível na Internet via www.URL: www.labcom.ubi.pt . Arquivo capturado em: 19 de novembro de 2006.

DOWNES, Stephen. Educacional Blogging. EDUCAUSE Review, v. 39, n.5, p.14-26, set/out / 2004. Disponível na Internet via www.URL: www.educause.edu/pub/er/erm04/erm0450.asp? bhcp=1%20 . Arquivo capturado em: 14 de dezembro de 2006.Tradução livre da autora para: “The conversation possible on the weblog is also an amazing tool to develop our community of learners. The students get to know each other better by visiting and reading blogs from other students. They discover, in a nonthreatening way, their similarities and differences. The student who usually talks very loud in the classroom and the student who is very timid have the same writing space to voice their opinion. It puts the students in a situation of equity.”
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FRANCO, Maria de Fátima. Blog Educacional: ambiente de interação e escrita colaborativa. Disponível na Internet via www.URL: www.apostilando.com.br. Arquivo capturado em: 23 de outubro de 2006.

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“(...) a possibilidade de com os blogs se criarem comunidades, que partilham interesses, discutem questões, lançam o debate ou simplesmente comunicam.”22. Esse aspecto na Educação é muito importante pois conduz o aluno à reflexão em relação à sociedade, os grupos e suas particularidades, percebendo que nem sempre o diferente é ruim, mas apenas tem um ponto de vista diferente. Essa percepção oferece ao aluno uma visão de mundo mais abrangente, devendo ter reflexos no modo de agir que pode tornar-se mais respeitoso em relação ao próximo e menos preconceituoso. Perceber que, muitas vezes, um jovem de um país distante e diferente pode ter idéias e ideais bastante semelhantes aos de nossos jovens e assim descobrir que os seres humanos às vezes podem ser muito parecidos e que as divisões geográficas são convenções. O educador parece estar sempre preocupado em fazer seu aluno escrever, expor suas idéias e isso é importante. Primeiro porque favorece o desenvolvimento da escrita, habilidade essencial no processo ensino-aprendizagem. Quando um aluno faz uma postagem, procura esmerar-se ao máximo na construção de seu texto, pois sabe que poderá ser lido e comentado por outras pessoas. E como foi colocado anteriormente, o blog está ligado à questão de identidade e ninguém quer passar uma imagem ruim através de sua escrita, não se esquecendo que essa vai ser construída pelo que ali é registrado. Ainda que existam fotos, a identidade é edificada pelas palavras. De acordo com o depoimento de Rosalie Brochu, estudante do colégio St Joseph: “O impacto do blog no meu dia-a-dia é que eu escrevo mais e crio textos mais extensos que nos anos anteriores. Eu também presto mais atenção quando escrevo em meu blog

(especialmente quanto à ortografia) desde que soube que alguém pode ler minhas postagens”23 No entanto, há uma questão importante no que se refere ao processo de escrita. Geralmente um bom escritor é primeiro um bom leitor. Então, talvez seja interessante o educador percorrer o caminho inverso. Por que não ler textos diversos de gêneros vários? Ken Smith, um professor de Inglês da Indiana University reflete sobre as postagens de má qualidade, que podem ser provenientes da defasagem em relação ao conhecimento de outros gêneros. 6. Incentivo ao debate e ao senso crítico Mesmo que a intenção do professor que utiliza o blog como ferramenta pedagógica seja a de desenvolver o hábito da escrita, não poderá se esquecer de oferecer ao seu aluno a oportunidade de escrever um texto com um conteúdo real e não apenas futilidades. Para tanto, é importante que o trabalho com os blogs estabeleça um vínculo com a sala de aula convencional. As postagens podem ser sínteses de debates sobre variados temas, de diferentes disciplinas, no qual o aluno poderá falar sobre o consenso geral do grupo, ou mesmo expor uma opinião discordante. E esse tipo de trabalho pode ser ainda mais desafiador, na medida em que o debate não finalizará na sala de aula, mas os comentários darão continuidade à discussão on-line. Discordar pode ser muito desafiador, pois para tecer um comentário que rebata a idéia da postagem, o comentador precisará pesquisar, buscar argumentos que sustentem sua opinião.Esse movimento é bastante eficaz na formação do senso crítico, habilidade que a escola tem buscado desenvolver em seus alunos.

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RODRIGUES, Catarina. Blogs e a fragmentação do espaço público.Universidade da Beira Interior.2006. Portugal. Disponível na Internet via www.URL: www.labcom.ubi.pt . Arquivo capturado em: 19 de novembro de 2006.

DOWNES, Stephen. Educacional Blogging. EDUCAUSE Review, v. 39, n.5, p.14-26,set/out / 2004 Disponível na Internet via www.URL: www.educause.edu/pub/er/erm04/erm0450.asp? bhcp=1%20 . Arquivo capturado em: 14de dezembro de 2006. Tradução livre da autora para:” The impact of the blogs on my day to day is that I write a lot more and a lot longer than the previous years. I also pay more attention when I write in my blog (specially my spelling) since I know anybody can read my posts”.

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7. Papel social e exercício da cidadania A partir do estudo do blog e das possibilidades que oferece, é possível dizer que é um recurso que favorece a expressão individual e coletiva, a exposição e o partilhar de idéias, abrindo espaço para que o cidadão comum exponha sua opinião, exercendo de alguma maneira o direito de livre expressão. O brasileiro que, em geral, procurava se abster de assuntos voltados à política, hoje já esboça um novo perfil, mais crítico. Não crítico no sentido de falar mal deste ou daquele político, mas de posicionar-se diante dos fatos que o cercam, levantando polêmicas, discutindo opiniões e idéias. E para que essa mudança ocorrer, os blogs e a Web de uma forma geral, desempenham um papel fundamental. Ensinar ao aluno como usar esse recurso de maneira eficaz é uma forma de oferecer-lhes acesso a uma importante ferramenta de comunicação social, que é o blog. 8. Como e por que surgiu o projeto Blogando em Português Quem nunca ficou enfadado em ter que escrever algo só para a professora ler? Na maioria das vezes, uma redação é uma produção do aluno que somente o professor lê, faz suas observações e algumas vezes, até pede para essas redações sejam lidas. Mas as salas são numerosas e nem sempre todas as redações devidamente valorizadas. Outra questão é a correção ortográfica e gramatical. Como o professor é o único leitor, a ele cabe fazer as correções e observações. Também ignorar as dificuldades ou erros que o aluno apresenta não é um procedimento honesto por parte do educador, mas a melhor correção é aquela que o aluno faz quando percebe seus próprios erros. Como o desejado era desenvolver um trabalho intenso de produção textual, que ultrapassasse os limites do caderno, foi concebido o projeto Blogando em Português, que veio conferir as redações um valor maior, de criação textual comunicativa. O blog é um tipo de site que permite a publicação de texto

na Internet. O Letra & Cia 24 nasceu justamente como um espaço virtual para a publicação das produções escritas dos alunos da E.E. Leonice de Aquino Oliveira. Com essa modalidade de publicação, os textos ficam expostos para que colegas de outras séries ou quaisquer outros interessados leiam e comentem. Essa dinâmica desperta nos alunos um maior interesse em escrever, pois não estão escrevendo apenas para a professora, mas no mínimo, para toda a comunidade escolar com a vantagem de suas produções ficarem a salvo das depredações que podem acontecer nos painéis. Esse trabalho também favorece um processo muito eficiente na criação textual, mas pouco utilizado, que é o de se reescrever o próprio texto, como detalhado no desenvolvimento metodológico. 9. Desenvolvimento metodológico Para incentivar a escrita, usa-se a leitura de um conto, história ou obra completa. Após leituras dirigidas, pede-se aos alunos que recontem o que ouviram e leram com suas próprias palavras. Esse tipo de atividade favorece a fixação da estrutura narrativa. Pede-se aos alunos que leiam livros à sua escolha e façam um resumo ou resenha da história. Ora lhes é solicitado que identifiquem problemas de seu bairro e procurem soluções para eles, já tentando desenvolver a estrutura dissertativa. As propostas são diferentes, e os textos criados também. O próximo passo é receber as redações dos alunos e fazer observações no que diz respeito à estrutura textual, à coesão e à coerência, sem interferir em outros possíveis defeitos do texto como: palavras escritas incorretamente, falhas na concordância ou pontuação. Os alunos fazem as alterações estruturais necessárias e em seguida, vão à sala de informática e começam a digitar os textos que criaram no Word, editor de textos da Microsoft Office. Logo, os alunos começam perceber os grifos vermelhos e verdes surgindo sob as palavras e frases que escrevem. É-lhes explicado que os grifos vermelhos são possíveis defeitos ortográficos e os verdes,
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http://www.letraecia.blogspot.com - Blog criado por Deborah A.T. Martini Cesar para a postagem dos textos do projeto Blogando em Português.

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gramaticais. Esclarece-lhes que as sinalizações e correções propostas pelo computador nem sempre são perfeitas. Muitas das correções sugeridas pelo computador são absurdas e ele jamais corrige uma palavra escrita corretamente , mesmo que esta esteja totalmente fora do contexto. Para discernir se as correções são ou não pertinentes, devem usar o dicionário, conversar com um colega ao lado ou consultar o professor.

Apesar da metodologia ser simples, ela demanda bastante trabalho e atenção por parte do professor, mesmo que pareça tentadora a idéia de que o aluno vá conseguir corrigir tudo sozinho, sem a intervenção do educador. Mas desenvolver no aluno esse mecanismo requer do professor interferências, sugestões, ajuda no manejo do computador e dos softwares, acompanhamento dentro e fora da escola. No caso da E.E.Leonice de Aquino Oliveira em Embu Guaçu –SP, escola na qual foi aplicado o projeto, a sala de informática foi implantada em abril de 2006, e os alunos, em sua grande maioria, ainda não possuem computadores e nem nunca fizeram cursos de informática, nem de digitação. Juntamente com o trabalho específico da Língua Portuguesa, foi iniciada uma “alfabetização” em informática. A grande vantagem do processo é justamente mostrar aos alunos onde precisam melhorar. Há aqueles que chegam ao ciclo II com uma imensa defasagem na língua escrita. Muitos até conseguem desenvolver o texto sob o aspecto estrutural, mas com dificuldades ortográficas e gramaticais inconcebíveis para seu nível de escolaridade. É comum os educadores se sentirem constrangidos em assinalar os “erros” da redação do aluno, mas é ainda pior deixá-los passar como se não fossem vistos. Quando o aluno vê a minhoquinha (grifo do editor de textos) entende que há algo que precisa ser corrigido e vai atrás da solução, pesquisando, perguntando. Alguns levam várias aulas para publicar seu texto, seja pela lentidão na digitação, seja pela quantidade de correções que precisam fazer. 10. Avaliando o processo Pode-se notar que alguns alunos já estão ganhando certa autonomia no processo de autocorreção. Às vezes, quando escrevem alguma palavra incorretamente ou falham em alguma concordância, especialmente se já fizeram o erro anteriormente, já anunciam em voz alta “Ah, já sei, esqueci do s de plural de tal palavra”, ou “esqueci de colocar um s da palavra passarinho. Escrevi pasarinho” e ri. Parece pouco, mas para mim, é um grande salto que promete grandes crescimentos.

Com o texto pronto e salvo na pasta da turma, parte-se para o próximo passo, que é postar o texto no blog Letra & Cia, alojado no site www.blogger.com e criado para publicar os textos dos alunos.
Já na página própria para criar postagem, os alunos abrem os documentos criados no Word, copiam e colam no espaço reservado no blog. Antes de publicarem suas postagens, solicita-se que busquem na Internet uma figura que sirva como ilustração para seus textos. Achando a figura, devem postá-la junto com o texto e em seguida publicar sua produção. Quando finalizam a postagem, visualizam o blog e podem ver seu texto publicado e ler também as postagens criadas pelos colegas.E para criar um vínculo de confiança, a próxima etapa é oferecer acesso a todos os alunos, que se tornam co-participantes da produção desse blog. Os alunos recebem convites para a participação do blog, permitindo que façam postagens de onde quer que estejam, diante de um computador com acesso à Internet, sem que precisem que lhes seja dada a senha pessoal de administradora.Essa senha permite sejam filtrados os comentários que desmereçam os trabalhos postados.

O aluno é observado e orientado em todo processo de produção até a publicação do texto, que e, se for necessário, pede-se aos alunos que façam a correção dos possíveis defeitos que tenham restado após o processo de autocorreção. Para fazer essas alterações usa-se o mecanismo EDITAR do próprio blog, que possibilita fazer as alterações necessárias.

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O trabalho parece lento. Há mais textos sendo trabalhados nos computadores que publicados no blog. Se alguém achar que essa idéia pode ocupar menos tempo do professor que a correção convencional, vai ver que é um processo que requer muita atenção e disposição por parte do educador, que tem que se ocupar da turma que está na informática e ainda controlar a outra parte, que fica na sala de aula convencional, também empenhados na escrita e reescrita dos textos, aguardando seu momento de digitar e postar. O laboratório da escola conta com apenas dez computadores e as classes, em geral, têm uma média de 40 alunos. A pouca quantidade de computadores exige uma programação rigorosa para que todos possam participar. Também se pode contar com a valiosa ajuda dos alunos monitores, que auxiliam os colegas na utilização das máquinas. Esses alunos monitores voluntários trabalham nos períodos em que não estão estudando, permitindo que o restante da classe seja assessorado dentro da sala de aula, melhorando seus rascunhos que em outra aula serão digitados e postados. Uma das dificuldades encontradas reside justamente na pequena quantidade de computadores. Os alunos mais lentos na digitação, por vezes, não conseguem concluir seus textos, nem posta-los no tempo que lhes foi reservado. Quando esses alunos retornam à sala de informática, muitas vezes já não querem trabalhar no texto iniciado, pois já produziram outros que consideram melhores. Esse fator, no entanto, não pode ser considerado prejudicial, pois o exercício almejado, o da autocorreção, está de fato acontecendo. E se alguém perguntar: Com tanto trabalho esse projeto vale a pena? A resposta é sim! Porque mesmo sendo um processo trabalhoso, é emocionante acompanhar o aluno em todo o processo de criação textual e ver a satisfação deles no momento de fazer a postagem e visualiza-la depois. Parece um parto,no qual se vê nascer o bebê, depois de tanto esforço. Talvez com uma clientela com melhores condições financeiras, o trabalho do

professor pode ser reduzido à metade, uma vez que muitos alunos podem ter mais acesso e intimidade com computadores que esses alunos, iniciantes nessa tecnologia. E a nota? Como ainda não há permissão de abolir o sistema numérico que dá o “valor” do trabalho, é sempre possível atribuir uma nota melhor ao trabalho do aluno, já todo bonitinho e revisado. Mas, o mais importante nesse trabalho é a rapidez de resposta nos processos avaliativos. Se um problema é identificado no texto produzido, ele é corrigido de imediato, diferente do professor assinalá-lo e dizer: “Da próxima vez que você escrever essa palavra ou fizer tal construção, não erre mais, combinado?”

Figura 1: Alunos da 8ª série A da E.E. Leonice de Aquino Oliveira desenvolvendo suas produções textuais em sala de aula.

11. De olho no bairro De Olho no Bairro foi um projeto desenvolvido no ano letivo de 2006 bastante interessante. Primeiramente porque exigia dos alunos um trabalho de observação e pesquisa. Cada um deveria circular pelas ruas de seu bairro identificando problemas que carecessem de uma solução urgente. Eles deveriam também colher depoimentos de outros moradores para depois produzirem um texto do gênero dissertativo. Os resultados foram muito satisfatórios, principalmente porque os alunos conseguiram desenvolver textos bastante próximos do gênero solicitado, apesar de estarem na 7ª série, etapa em que ainda é dada ênfase ao gênero narrativo. A culminância do projeto foi a publicação de textos nos blogs. Ao ler as produções, foram significativas as queixas dos alunos e os que moravam no mesmo bairro apresentavam problemas comuns, mostrando que os problemas realmente incomodam população. Para o próximo ano, pretende-se criar um projeto em

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que a escola interaja com o poder público no sentido de, além de identificar os problemas, buscar solução para os tais.

12.2 Poluição sonora: um problema que poderia ser evitado A poluição sonora tem sido um dos maiores problemas que meu bairro enfrenta há muito tempo, e alguns moradores vem sofrendo com essa situação, pois muitos vizinhos próximos de nós, ouvem música alta muito tarde,chutam bola no meu portão,falam muito alto,gritam muito,atrapalhando nas horas livres para descansar e praticar suas atividades de finais de semana como por exemplo descansar,assistir filmes relaxar,etc Vem sendo difícil controlar esse problema, já que ao tentarmos conversar e entrar em algum acordo, sempre acaba em brigas e discussões, por isso nós moradores procuramos não se revoltar e lidar com essa situação. A solução mais adequada é, por exemplo, haver uma reunião para uma conversa entre todos, novas idéias,acordos,respeitar os horários estabelecidos para qualquer tipo de som alto ou quaisquer manifestações, e assim entrarmos na sociedade com respeito e trabalho em equipe, procurando melhorar o convívio entre nós vizinhos. Núria Vieira Alves 7ªA 12.3 Jardim Boa Vista

Figura 2: Alunos da 5ª série A da E.E. Leonice de Aquino Oliveira na sala de informática para a postagem dos textos.

12. Algumas postagens Algumas redações de alunos postadas no blog Letra e Cia, criadas para o projeto De Olho no meu bairro. 12.1 Problemas do nosso bairro No bairro do jardim São Paulo os moradores estão reclamando com a falta de tampa nos bueiros.Esse problema é muito perigoso para os moradores, principalmente para as crianças pequenas que podem cair e se machucar. Já ocorreu caso de crianças caírem dentro do bueiro chegando até a quebrarem as pernas e braços.Os moradores já comunicaram esse fato à prefeitura que nunca solucionou o problema.E com a falta de tampa nesses bueiros chegam até a aparecer animais indesejáveis como baratas, ratos e até mesmo cobras. Alguns moradores já colocaram portas e madeiras em cima desse buraco. Mas nada solucionou este problema.Essas pessoas já estão revoltadas, pois, a prefeitura ignora o problema.Na nossa opinião os moradores devem se juntar e irem falar diretamente com o prefeito.Pois se eles não tomarem uma boa atitude o problema continuará para sempre. Vanessa Ariel Abe e José Luciano Martinho Rodrigues 7ª A

O problema que está tendo no bairro é o lixo nas ruas, ocasionado pela falta de educação ambiental de uma parte da população que joga lixo nos terrenos vazios provocando a proliferação de ratos, baratas, entre outros insetos. O bairro também sente a falta de ação da prefeitura com referência a iluminação de algumas ruas, escadas para pedestre e conserto na pavimentação das ruas.Para resolver o problema: A formação de uma consciência ecológica na população através de campanhas, de um efetivo combate às pragas urbanas e a formação de comissões representantes do bairro para cobrar dos órgãos públicos o direito que a população tem, visto que paga seus impostos. A colocação de caçambas para recolhimento de materiais de construção, poda de árvores e outros entulhos em geral.

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Os jovens e as crianças carecem de espaço para brincadeiras e atividades esportivas. Raphael Martini Silva 7ª A 12.4 Problemas no meu bairro No bairro em que eu moro, que seria o Boa vista, há vários problemas um deles são terrenos baldios em que os moradores jogam lixo isso atrai muitos ratos,cobras e etc. Na minha opinião esses terrenos poderiam ser alguma coisa de lazer, por exemplo: Uma quadra de futebol ou de basquete ou de vôlei para as crianças poderem se divertir um pouco. Outro problema seria o rio que há perto de minha casa onde os moradores que vivem perto dele jogam todos os esgotos que há em casa no rio. Henrique Soares Lopes 7ºA 13. Conclusão O uso do blog como ferramenta auxiliar no processo de ensino pode trazer vida ao aprendizado, pelas características positivas que apresenta como a interatividade, incentivo ao trabalho em grupo e ao pensamento crítico, dentre outras destacadas neste estudo. No entanto não pode ser encarado como uma maquiagem para um processo tradicional de ensino, ou como um simples momento de lazer para a garotada. Como qualquer outra ferramenta, não pode prescindir de um projeto mais abrangente, comum objetivo claro. “A utilização da tecnologia, como vimos, não pode ser aplicada ao ambiente educacional sem critérios adequados, exigindo uma visão mais crítica dos pressupostos pedagógicos que orientem sua aplicação”25 Não basta que o professor seja um bom usuário da informática e suas linguagens, mas se faz necessário que saiba fazer a transposição didática de maneira eficaz utilizando esse recurso. De modo que, as dificuldades no uso
25

da informática como ferramenta de aprendizado não reside apenas na falta de equipamentos, mas na carência de cursos de formação continuada que preparem os educadores para sua utilização pedagógica. Desta maneira, o mero uso das tecnologias da informática não garantem que mudanças significativas ocorram na educação brasileira. Faz-se necessária uma reformulação das visões pedagógicas, levando em conta as exigências da cibercultura. De acordo com Bianchini(2003): ”(...) a tecnologia, sozinha, não resolve os problemas educacionais como um todo, mas pode ser uma importante aliada na busca de qualidade, na luta contínua que deseja aumentar oportunidades e resgatar as possibilidades concretas de universalidade e educação de qualidade para todos.”26 Portanto, uma escola que busca qualidade , deve atualizar seu projeto pedagógico, procurando adequar-se às necessidades dos educandos e da comunidade que está inserida, a fim de que o uso das tecnologias da informática não seja apenas a cobertura para um bolo velho, mas que estas estejam integradas a um trabalho pedagógico de vanguarda, que valorize os processos que incentivem o exercício do pensamento crítico. Sob essas condições, o uso do blog para fins didáticos desempenhará importantes papéis, seja como suporte para a publicação de textos escritos, debates ou para o exercício da cidadania no sentido de posicionar-se ante os fatos, buscando soluções para os problemas.

BIANCHINI, David. Educação: solução tecnologia? In: Estudo , Pensamento e Criação. São Paulo: Puc, 2005.pp 272-273.

26

Idem nota 25.

19

RESUMO
Este artigo aborda o conceito de projeto dentro de um paradigma em construção, que é a cibercultura e o papel social que a escola desempenha nesse podem contexto, ou não da observando favorecer os o aspectos da prática pedagógica que desenvolvimento informática

Portuguese

for

the

development

and

improving of writing.

Key words: informatics, education, cyber culture, blog, project and writing.

educativa. O uso do blog para fins pedagógicos é o ponto principal deste artigo,com foco para seu uso na disciplina de Português para o desenvolvimento e aperfeiçoamento das produções textuais. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Palavras-chaves: redação. informática, BARROS, Moreno Albuquerque de. Ferramentas informacionais para educação e alfabetização: considerações acerca do uso dos blogs como tecnologia educacional. Disponível em: http://www.bsf.tehospedo.com.br/ojs/include/getdoc. php?id=16&article=5&mode=pdf

educação, cibercultura, blog, projeto,

ABSTRACT
BULL, Glen Bull, BULL Gina, KADJER,Sara. This article discuss the concept of Learning em: http://www.iste.org/inhouse/publications/ll/31/1/index. cfm?Section=LL_31_1 & leading Technology. Iste project in a building paradigm, which is the cyber culture and the social rule that school performs in this context, observing the aspects of pedagogical practice that can help or not the DAVIS, Anne. What are the possibilities for weblogs in education? Disponível em: 20 development of educative informatics. Educative blogging is the main theme of this article, focusing its use in publications.Vol. 31. Setembro, 2003 .Disponível

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