DIREITO CONSTITUCIONAL Conceito: é o ramo do direito público interno que disciplina a organização do Estado, define e limita a competência de seus

poderes, suas atividades e suas relações com os indivíduos, aos quais atribui e assegura direitos fundamentais de ordem pessoal e social. Do conceito, inferem-se suas metas: a) estabelecer a estrutura básica, a organização do Estado (forma do Estado e do Governo, o regime governamental, os poderes do Estado, etc). b) resguardar os direitos fundamentais da pessoa humana (não só os individuais, mas também os direitos sociais). - Direito Constitucional Positivo ou Particular: é o que tem por objeto o estudo dos princípios e normas de uma constituição concreta, de um Estado determinado; compreende a interpretação, sistematização e crítica das normas jurídico-constitucionais desse Estado, configuradas na constituição vigente, nos seus legados históricos e sua conexão com a realidade sócio-cultural. - Direito Constitucional Comparado: é o estudo teórico das normas jurídico-constitucionais positivas (não necessariamente vigentes) de vários Estados, preocupando-se em destacar as singularidades e os contrastes entre eles ou entre grupo deles. - Direito Constitucional Geral: delineia uma série de princípios, de conceitos e de instituições que se acham em vários direitos positivos ou em grupos deles para classificá-los e sistematizá-los numa visão unitária; é uma ciência, que visa generalizar os princípios teóricos do Direito Constitucional particular e, ao mesmo tempo, constatar pontos de contato e independência do Direito Constitucional Positivo dos vários Estados que adotam formas semelhantes do Governo. CONSTITUIÇÃO É um conjunto de normas, escritas ou costumeiras, que regem a organização política de um país. Objeto: estabelecer a estrutura do Estado, a organização de seus órgãos, o modo de aquisição do poder e a forma de seu exercício, limites de sua atuação, assegurar os direitos e garantias dos indivíduos, fixar o regime político e disciplinar os fins sócio-econômicos do Estado, bem como os fundamentos dos direitos econômicos, sociais e culturais. Elementos: por sua generalidade, revela em sua estrutura normativa as seguintes categorias: a) elementos orgânicos: que se contêm nas normas que regulam a estrutura do Estado e do poder; b) limitativos: que se manifestam nas normas que consubstanciam o elenco dos direitos e garantias fundamentais; limitam a ação dos poderes estatais e dão a tônica do Estado de Direito (individuais e suas garantias, de nacionalidade, políticos); c) sócio-ideológicos: consubstanciados nas normas sócioideológicas, que revelam a caráter de compromisso das constituições modernas entre o Estado individualista e o social intervencionista; d) de estabilização constitucional: consagrados nas normas destinadas a assegurar a solução dos conflitos constitucionais, a defesa da constituição, do Estado e das instituições democráticas; e) formais de aplicabilidade: são os que se acham consubstanciados nas normas que estatuem regras de aplicação das constituições, assim, o preâmbulo, o dispositivo que contém as claúsulas de promulgação e as disposições transitórias, assim, as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Podem ter sentido: a) Sentido Sociológico: Os que vêem o Direito sob esse prisma sociológico distinguem o instrumento formal, consubstanciado na Constituição, e o instrumento real, consubstanciado na efetiva detenção e exercício do poder. b) Sentido Político: A Constituição, segundo esse entender, encontra seu fundamento de validade, extrai o seu ser, de uma decisão política que a antecede. Não da forma jurídica. Em dado instante, verifica-se a manifestação de um poder (o constituinte) que decida a respeito da forma de ser do Estado, de seus alicerces, de sua estrutura básica, de sua conformação fundamental. Tudo como fruto da decisão política que é tomada em certo momento. c) Sentido Jurídico: Aí, diz que o jurista não precisa socorrer-se da Sociologia ou da Política para sustentar a Constituição. A sua sustentação encontra-se no plano jurídico. Buscará suporte para a Constituição num plano puramente jurídico. Conteúdo: é variável no espaço e no tempo, integrando a multiplicidade no “uno”das instituições econômicas, jurídicas, políticas e sociais na unidade múltipla da lei fundamental do Estado. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

São idéias básicas que devem estar presidindo toda a Constituição. 1. Igualdade: todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (Const., art. 5, I). 2. Legalidade: ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma senão em virtude da lei (Const., art. 5, II). 3. Irretroatividade: as leis não podem retroagir alcançando o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (Const., art. 5, XXXVI). 4. Ampla defesa: aos implicados em algum litígio legal é assegurada a ampla defesa. 5. Isonomia: não deve haver desigualdade entre as unidades que compõe o Estado. DIVISÃO: A nossa Constituição se divide em nove títulos: 1. DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS: O título estabelece que o Brasil é uma República Federativa e se define como estado democrático de direito. Aborda então o problema social, cujo objetivo fundamental é a redução da desigualdade social. 2. DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: O título vem dividido em cinco capítulos e especifica em que consiste o direito à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade frente ao princípio de que todos são iguais perante a lei. Em 34 itens registra os direitos do trabalhador. 3. DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: O título traça as linhas básicas da FEDERAÇÃO: UNIÃO, ESTADOS, DISTRITO FEDERAL e MUNICÍPIOS, autônomos, porém com certa dependência do PODER CENTRAL. Os Estados regem-se por Constituições Estaduais e os Municípios e o Distrito Federal, por LEI ORGÂNICA. 4. DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES: O título versa sobre os três poderes: a) PODER LEGISLATIVO: Exercido pelo Congresso Nacional composto pela Câmara dos Deputados e Senado Federal. O número de deputados é proporcional à população do Estado e o mandato é de quatro anos. O número de senadores é de três, com mandato de oito anos havendo revezamento de quatro em quatro anos; b) PODER EXECUTIVO: É exercido pelo Presidente, auxiliado pelos Ministros de Estado, pelo Conselho da República e pelo Conselho de Defesa Nacional. Seu mandato é de quatro anos e pode ser reeleito uma vez; c) PODER JUDICIÁRIO: É ele que assegura a aplicação das leis que garantem os direitos individuais. É constituído pelos: - Tribunais e Juízes dos Estados e Distrito Federal; - Tribunais e Juízes Militares; - Tribunais e Juízes do Trabalho; - Tribunais e Juízes Eleitorais; - Tribunais Regionais e Juízes Federais; - Superior Tribunal de Justiça (STJ); - Superior Tribunal Federal (STF). O mais importante é o Tribunal Eleitoral. Sua sede é em Brasília e é composto por onze Ministros. O Superior Tribunal de Justiça julga o que é conferido pelo item I do artigo 105 da Constituição. É composto de 33 Ministros. Os Tribunais Regionais Federais julgam as causas em que a União for interessada. A JUSTIÇA COMUM é composta pelo TRIBUNAIS DE JUSTIÇA e TRIBUNAIS DE ALÇADA subordinado ao primeiro. O de ALÇADA julga as causas de até certo limite estabelecido. Seus juízes são chamados de TOGADOS ou de DIREITO. A JUSTIÇA ESPECIAL abrange os Tribunais: a) Militares, que julgam os crimes militares. São o Tribunal Militar com seus juízes e o Superior Tribunal Militar; b) Eleitorais que tratam das eleições. Apresentam as Juntas Eleitorais, Tribunais Regionais e Tribunal Superior Eleitoral; c) Do Trabalho que possui as Juntas de Conciliação e Julgamento, os Tribunais Regionais do Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho com sede em Brasília e composto de 17 juízes, sendo 11 togados e 6 classistas não formados em Direito, e que temporariamente atuam, na Justiça do Trabalho, representando empregados e empregadores. 5. DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS: Trata inicialmente do “estado de defesa” que estabelece em locais determinados a ordem pública e o “estado de sítio” que toma medidas em que o estado de defesa é ineficaz. Ambos duram até 30 dias e são decretados pelo Presidente da República. As Forças Armadas são regidas por lei complementar e as forças policiais encarregadas pela segurança pública estão definidas no artigo 144. 6. DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO: Divide-se em Sistema Tributário e Finanças Públicas. Vêm especificados no Direito Tributário. 7. DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA: Refere-se às atividades econômicas, urbanas, agrícolas, fundiárias e de consumo. Ressalta a responsabilidade do Estado pelas questões sociais. Define o que seja empresa brasileira e empresa de capital nacional.

8. DA ORDEM SOCIAL: Trata da ordem social que tem por base a valorização do trabalho para atingir a justiça social. Refere-se à seguridade social, à educação, à cultura, à ciência e tecnologia, à família, à criança, ao adolescente, ao idoso, ao índio, ao desporto, ao lazer, à comunicação e ao ambiente. 9. DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS: Abrange os artigos 233 a 245 e fala do empregador rural, da criação de novos estados, da fiscalização do comércio exterior, da venda de combustíveis, do plantio de vegetais psicotrópicos e do tráfico de drogas. Além dos nove títulos referidos a Constituição apresenta o ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS que trata do plebiscito de 7/9/93 que define o sistema de governo, a revisão constitucional que deveria ter sido feita cinco anos após a promulgação da Constituição de 5/10/88, a criação do Estado de Tocantis, da extinção dos Territórios Federais, da defesa do consumidor, da política agrícola, dos ex-combatentes da II Guerra Mundial, da aposentadoria e outros. OBS: A Constituição é material quando designa as normas escritas ou costumeiras, inseridas ou não num documento escrito. A Constituição é formal, quando está sob a forma de um documento. OBS1: A Constituição é dogmática quando é elaborada por um órgão constituinte e é histórica ou costumeira quando é resultante de lenta formação histórica. OBS2: O art. 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias estabeleceu a possibilidade de revisão constitucional após 5 anos contados da promulgação da Constituição. Portanto, após 5 de outubro de 1993. CLASSIFICAÇÃO: a) Quanto à forma: escritas ou costumeiras. - escritas – são aquelas cujos dispositivos estão reunidos num instrumento. Ex: a Constituição Brasileira. - costumeiras – aquelas que vão se formando aos poucos, pela reiterada prática de certos atos. Ex: a Constituição da Inglaterra. b) Quanto à consistência: rígidas ou flexíveis. - rígidas – aquelas que só se alteram mediante processos especiais, caracterizando-se pela prevalência de seus preceitos aos das leis ordinárias. Ex: a atual Constituição Brasileira. - flexíveis – aquelas que se alteram mais facilmente, através de processo legislativo ordinário, e que se caracterizam pela inexistência de qualquer hierarquia entre a Constituição e a lei ordinária. Ex: o estatuto Albertino, Constituição do Reino da Itália. c) Quanto à origem: promulgadas ou outorgadas. - promulgadas – são as elaboradas por uma Assembléia Constituinte, eleita pelo povo especialmente para esse fim. Ex: a Constituição Brasileira de 1946. - outorgadas – são as impostas à coletividade por determinada pessoa ou determinado grupo de pessoas. Ex: a Constituição do Império, de 1824. INTERPRETAÇÃO É o processo lógico pelo qual se determina o sentido da lei.  Sentido Estrito (parte-se da lei existente): em síntese, podemos dizer que há interpretação, em sentido estrito, quando existe uma norma, prevendo o caso; recorre-se à integração, quando não existe essa norma explícita. a) Quanto às fontes: - autêntica: se emanada do próprio poder que elaborou a norma. - doutrinária: a que provém dos doutrinadores. - jurisprudencial: ministrada pelos tribunais, mercê da reiteração uniforme de seus julgamentos. b) Quanto aos meios: - gramatical: se funda nas regras da lingüística, procurando analisar o sentido das palavras e das frases pela aplicação das regras da linguagem. - lógica: visa a reconstruir o pensamento e a vontade do legislador, mediante exame da lei em seu conjunto orgânico, no sistema jurídico em geral, de molde a resultar perfeita harmonia e coerência.

- histórica: se atém às necessidades jurídicas e emergentes no instante da elaboração da lei, às circunstâncias eventuais e contingentes que provocam a expedição da norma. - sistemática: o intérprete compara a lei com a anterior que regulava a mesma matéria, confrontando-a com outros textos, de sorte a harmonizá-la com o sistema jurídico. c) Quanto aos resultados: - declarativa: quando a letra da lei corresponde precisamente ao pensamento do legislador. - extensiva: quando se afirma que a fórmula legislativa é menos ampla que a vontade do legislador. - restritiva: quando se afirma que a fórmula legislativa é mais ampla que o pensamento do legislador.  Integrativa (parte-se da inexistência da lei): o processo com o qual o magistrado recorre a critério de típica criação do Direito para o caso concreto, à falta de norma jurídica regulando a espécie. - analogia: consiste em aplicar a um caso não previsto a norma que rege caso análogo, pois fatos semelhantes exigem regras disciplinadoras semelhantes. - eqüidade: do latim aequitate, vem a ser a justiça do caso concreto. Por vezes o juiz se encontra face a um caso que a lei lhe impõe determinada decisão, quando a consciência lhe dita uma solução contrária. - princípios gerais do Direito: são enunciações normativas de valor genérico, que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico, quer para sua aplicação e integração, quer para a elaboração de novas normas. Ex: no Direito do Trabalho o princípio dominante é a proteção ao empregado. APLICABILIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL São aplicáveis todas as normas constitucionais, pois todas são dotadas de eficácia jurídica. Eficácia social se verifica na hipótese de a norma vigente, isto é, com potencialidade para regular determinadas relações, ser efetivamente aplicada a casos concretos. Eficácia jurídica, por sua vez, significa que a norma está apta a produzir efeitos na ocorrência de relações concretas; mas já produz efeitos jurídicos na medida em que a sua simples edição resulta na revogação de todas as normas anteriores que com ela conflitam. Embora não aplicada a casos concretos, é aplicável juridicamente no sentido negativo antes apontado. Isto é: retira a eficácia da normatividade anterior. É eficaz juridicamente, embora não tenha sido aplicada concretamente. Normas constitucionais quanto à sua eficácia: a) Normas constitucionais de eficácia plena: são aquelas de aplicabilidade imediata, direta, integral, independendo de legislação posterior para a sua inteira operatividade. Ex: arts. 1º e 2º da CF. b) Normas constitucionais de eficácia contida: são aquelas de aplicabilidade imediata, integral, plena, mas que podem ter reduzido seu alcance pela atividade do legislador infraconstitucional. São também chamadas normas constitucionais de eficácia redutível ou restringível. A aplicabilidade é plena, mas pode ser restringida, reduzida, nos casos e na forma que a lei estabelecer. Ex: art. 5º, XIII da CF. c) Normas constitucionais de eficácia limitada: são aquelas que dependem “da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrando-lhes a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses visados”. São divididas em normas de princípio institutivo e normas de princípio programático. As primeiras são as que dependem de lei para dar corpo a instituições, pessoas, órgão, previstos na norma constitucional. Ex: art. 18, § 3º, da CF. As últimas (programáticas) são as que estabelecem um programa constitucional a ser desenvolvido mediante legislação integrativa da vontade constituinte. Ex: art. 205. São normas dotadas de eficácia jurídica porque têm o efeito de impedir que o legislador comum edite normas em sentido oposto ao direito assegurado pelo constituinte, antes mesmo da possível legislação integrativa que lhes dê plena aplicabilidade. É interessante notar que as normas constitucionais de eficácia limitada de princípio programático trazem consigo, algumas, a idéia de instituição. Com efeito, não se pode pensar em educação senão mediante a instituição, a organização, a formação de organismos ou órgãos que realizem tais misteres. PODER CONSTITUINTE É aquele que tem por missão traçar as regras jurídicas fundamentais da nação, através da Constituição. Compete a esse poder dar um novo ordenamento jurídico-institucional ao país. É formado por representantes do povo, especialmente eleitos para editar uma nova Constituição, ou através da investidura de Poder Constituinte pleno nos deputados federais e senadores escolhidos pelo sufrágio do povo. Votada a Constituição, extingue-se o Poder Constituinte, ficando como seu remanescente o Poder Legislativo ordinário, que pode propor emendas à Constituição, segundo condições nela previstas.

O Poder Constituinte será originário (quando edita Constituição nova em substituição à anterior) ou derivado (quando se destina à revisão da Constituição, modificando parcialmente o seu texto). O primeiro é original, na medida em que pertence ao povo e à Assembléia Constituinte, o segundo é derivado, porque constituído por determinação do primeiro e pertencente ao Congresso Nacional. EMENDA À CONSTITUIÇÃO Emenda é o processo formal de mudanças das constituições rígidas, por meio de atuação de certos órgãos, mediante determinadas formalidades, estabelecidas nas próprias constituições para o exercício do poder reformador; é a modificação de certos pontos, cuja estabilidade o legislador constituinte não considerou tão grande como outros mais valiosos, se bem que submetida a obstáculos e formalidades mais difíceis que os exigidos para a alteração das leis ordinárias; é o único sistema de mudança formal da Constituição. O Congresso Nacional é quem elabora emendas à Constituição. Localizamos três litações condicionadoras: procedimental, material e circunstancial. O procedimento de elaboração de Emenda à Constituição obedece aos seguintes pressupostos: a) a iniciativa é conferida ao Presidente da República ou a um terço de deputados federais, ou a um terço de senadores e, ainda, por proposta de mais da metade das Assembléias Legislativas estaduais (art. 60); b) a proposta é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois momentos distintos (chamados turnos de votação); discutida e aprovada em um turno, volta a sê-lo em outro turno de discussão e votação (art. 60, § 2º); c) sua aprovação demanda 3/5 dos membros de cada uma das Casas do Congresso Nacional (art. 60, § 2º); d) não há sanção; há promulgação efetivada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (art. 60, § 3º). Este procedimento deve ser rigorosamente obedecido, sob pena de inconstitucionalidade em razão de desobediência à forma. Há condicionantes relativos ao conteúdo, à matéria. São explícitas as que impedem a alteração da Federação; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; os direitos e garantias individuais. Não se permite nem mesmo a deliberação sobre proposta e emenda tendente a aboli-las. “Na verdade, qualquer proposta que indiretamente, remotamente ou por conseqüência tenda a abolir a Federação é igualmente proibida, inviável e insuscetível de sequer ser posta como objeto de deliberação.” São implícitas as vedações atinentes à supressão do próprio artigo que impõe expressamente aquelas proibições. Não teria sentido emenda que suprimisse o disposto no § 4º do art. 60 da CF. Outra vedação implícita é a impediente de reforma constitucional que reduza as competências dos Estados Federados. Também se veda, implicitamente, alteração constitucional que permita a perpetuidade de mandatos, dado que a temporariedade daqueles é assento do princípio republicano. Outro é que não pode o órgão a quem se atribui a competência reformadora modificar o critério de rigidez estabelecido pelo legislador constituinte. Há também as limitações circunstanciais onde, desde 1934 estatui-se um tipo de limitação ao poder de reforma, qual seja a de que não se procederá à reforma na vigência do estado de sítio; a CF vigente veda emendas na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou estado de sítio (art. 60, § 1º). Controle de constitucionalidade da reforma constitucional: toda modificação, feita com desrespeito de procedimento especial estabelecido ou de preceito que não possa ser objeto de emenda, padecerá de vício de inconstitucionalidade formal ou material, e assim ficará sujeita ao controle de constitucionalidade pelo Judiciário, tal como se dá com as leis ordinárias. OBS: - consultar art. 60 da CF. HIERARQUIA DAS NORMAS JURÍDICAS Constituição Federal  leis complementares à Constituição Federal  leis Federais  Constituição Estadual  leis complementares à Constituição Estadual  leis Estaduais  leis Municipais. A Constituição Federal está no alto da hierarquia legislativa. Entretanto, cada uma das pessoas jurídicas de direito público interno é competente e tem legitimidade para legislar sobre determinadas matérias – as matérias de seu domínio privativo de competência. É o que ocorre, p.e., com a questão dos transportes coletivos urbanos, reservada à competência dos municípios pela Constituição Federal (art..30, V), que não pode sofrer interferência de qualquer outra lei, seja federal ou estadual. SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO Rigidez e supremacia constitucional: A rigidez decorre da maior dificuldade para sua modificação do que as demais; dela emana o princípio da supremacia da constituição, colocando-a no vértice do sistema jurídico. Supremacia da Constituição Federal: por ser rígida, toda autoridade só nela encontra fundamento e só ela confere poderes e competências governamentais; exerce, suas atribuições nos termos dela;

sendo que todas as normas que integram a ordenação jurídica nacional só serão válidas se se conformarem com as normas constitucionais federais. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Toda lei deve ser conforme aos preceitos da Constituição, se é contra, diz-se que é inconstitucional, tem um vício que a anula e deve ser declarada tal pelo poder competente, que é o Judiciário. O efeito da inconstitucionalidade é, portanto, a não aplicação da lei ao caso concreto. Formas: - Por ação: ocorre com a produção de atos legislativos ou administrativos que contrariem normas ou princípios da constituição; seu fundamento resulta da compatibilidade vertical das normas (as inferiores só valem se compatíveis com as superiores); essa incompatibilidade é que se chama de inconstitucionalidades da lei ou dos atos do Poder Público; - Por omissão: verifica-se nos casos em que não sejam praticados atos requeridos para tornar plenamente aplicáveis normas constitucionais; não realizado um direito por omissão do legislador, caracteriza-se como inconstitucional; pressuposto para a propositura de uma ação de inconstitucionalidade por omissão. Sistema de controle de constitucionalidade: se estabelece, tecnicamente, para defender a supremacia constitucional contra as inconstitucionalidades. - Controle político: entrega a verificação de inconstitucionalidade a órgãos de natureza política; Jurisdicional: é a faculdade qua as constituições outorga ao Judiciário de declarar a insconstitucionalidade de lei ou outros atos de Poder Público; Misto: realiza-se quando a constituição submete certas categorias de lei ao controle político e outras ao controle jurisdicional. Critérios e modos de exercício do controle jurisdicional: são conhecidos dois critérios de controle: Controle difuso: verifica-se quando se reconhece o seu exercício a todos os componentes do Judiciário, é aquele realizado pelo juiz incidentalmente no processo; controle concentrado: se só for deferido ao tribunal de cúpula do Judiciário; subordina-se ao princípio geral de que não há juízo sem autor, rigorosamente seguido no sistema brasileiro, como na maioria que possui controle difuso. controle misto: realiza-se quando a Constituição submete certas categorias de leis ao controle político e outras ao controle jurisdicional. Ex: Suíça.

Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: é jurisdicional introduzido com a Constituição de 1891, acolhendo o controle difuso por via de exceção ( cabe ao demandado argüir a inconstitucionalidade, apresentando sua defesa num caso concreto), perdurando até a vigente; em vista da atual constituição, temos a inconstitucionalidade por ação ou omissão; o controle é jurisdicional, combinando os critérios difuso e concentrado, este de competência do STF; portanto, temos o exercício do controle por via de exceção e por ação direta de insconstitucionalidade e ainda a ação declaratória de constitucionalidade; a ação direta de inconstitucionalidade compreende três modalidades: Interventiva, genérica e a supridora de omissão. A constituição mantém a regra segundo a qual somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a insconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. (art. 97) Efeitos da declaração de inconstitucionalidade: a declaração de insconstitucionalidade, na via indireta, não anula a lei nem a revoga; teoricamente a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade (art. 52, X). A declaração na via direta tem efeito diverso, importa suprimir a eficácia e aplicabilidade da lei ou ato; distinções a seguir: - Qual a eficácia da sentença que decide a inconstitucionalidade na via de exceção: há a simples verificação da existência ou do vício alegado; a sentença é declaratória; no entanto a lei contínua eficaz e aplicável, até que seja suspensa sua executoriedade pelo Senado; ato que não revoga nem anula a lei, apenas lhe retira a eficácia. - Qual a eficácia da sentença proferida no processo de ação direta de inconstitucionalidade genérica?: a declaração de insconstitucionalidade em tese visa precisamente atingir o efeito imediato de retirar a aplicabilidade da lei, a execução não acontece sob pena de arrostar a eficácia da coisa julgada. - Efeito da sentença proferida no processo de ação de inconstitucionalidade interventiva: visa não apenas obter a declaração de inconstitucionalidade, mas também restabelecer a ordem constitucional no Estado, ou Município, mediante a intervenção. - Efeito da declaração de inconstitucionalidade por omissão: o efeito está no art. 103, § 2º da Constituição, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em 30 dias.

AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE É uma ação que tem a característica de um meio paralisante de debates em torno de questões jurídicas fundamentais de interesse coletivo; terá como pressuposto fático a existência de decisões de constitucionalidade, em processos concretos, contrárias à posição governamental; seu exercício gera um processo constitucional contencioso, de fato, porque visa desfazer decisões proferidas entre as partes, mediante sua propositura por uma delas; tem natureza de meio de impugnação antes que de ação, com o mesmo objeto das contestações, sustentando a constitucionalidade da lei ou ato normativo. (v. art. 103, CF) Finalidade o objeto da ação declaratória de constitucionalidade: essa ação pressupõe controvérsia a respeito da constitucionalidade da lei, o que é aferido diante da existência de um grande número de ações onde a constitucionalidade da lei é impugnada, sua finalidade imediata consiste na rápida solução dessas pendências; visa solucionar isso, por via de coisa julgada vinculante, que declara ou não a constitucionalidade da lei. O objeto da ação é a verificação da constitucionalidade da lei ou ato normativo federal impugnado em processos concretos; não tem por objeto a verificação da constitucionalidade de lei ou ato estadual ou municipal, não há previsão dessa possibilidade. Legitimação e competência para a ação: segundo o art. 103,§ 4º, poderão propô-la o Presidente da República, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos Deputados e o Procurador-Geral da República, e o STF já decidiu que não cabe a intervenção do Advogado-Geral da União no processo dessa ação. A competência para processar e julgar a ação declaratória de constitucionalidade é exclusivamente do STF. Efeitos da decisão da ação declaratória de constitucionalidade: segundo a art. 102, § 2º, as decisões definitivas de mérito nessas ações, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante aos demais órgãos do Judiciário e do Executivo; terá efeito erga omnes, se estendendo a todos os feitos em andamento, paralisando-os com o desfazimento dos efeitos das decisões neles proferidas no primeiro caso ou a confirmação desses efeitos no segundo caso; o ato, dali por diante, é constitucional, sem possibilidade de qualquer outra declaração em contrário; pelo efeito vinculante à função jurisdicional dos demais órgãos do Judiciário, nenhum juízo ou Tribunal poderá conhecer de ação ou processo em que se postule uma decisão contrária à declaração emitida no processo de ação declaratória de constitucionalidade pelo STF nem produzir validamente ato normativo em sentido contrário àquela decisão. ESTADO E NAÇÃO Estado: é a pessoa jurídica formada por uma sociedade que vive num determinado território e subordinada a uma autoridade soberana. É o conjunto de poderes políticos e administrativos de uma nação. Nação: agrupamento humano cujos membros, fixados em um território, são ligados por laços históricos, culturais, econômicos e lingüísticos. FINALIDADES DO ESTADO - no plano externo – defender sua independência e o território nacional - no plano interno – manter a ordem pública, dizer o direito e distribuir justiça. - no plano social – promover o bem público. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO a) Povo: é o conjunto dos nacionais. Não se confunde com população, que exprime um conceito aritmético, de caráter quantitativo, compreendendo tanto os nacionais como ainda os estrangeiros e apátridas. b) Território: é a parte delimitada da superfície terrestre, sobre a qual vigora a ordem jurídica do Estado. Compreende o subsolo, o espaço aéreo correspondente à superfície (12 milhas marítimas – Divisão: A nossa Constituição lei 8.617, de 04.01.1993). O alto-mar é de uso comum, pois Estado algum tem jurisdição sobre ele. Ainda se consideram território nacional os navios e aviões de guerra, navios e aviões de passageiros ou carga (quando no mar territorial do Estado ou em alto-mar), sede das embaixadas e repartições diplomáticas. c) Poder soberano: É o poder que tem o Governo de efetivar a sua ordem jurídica, sem qualquer subordinação a outra ordem. FORMAS DE ESTADO

a) Estado simples ou unitário: É o formado por um todo indivisível e soberano perante o povo e também em relação aos outros estados (no sentido de País ou Nação), diante dos quais mantém a sua independência. Nele, o governo nacional assume a direção exclusiva de todos os negócios públicos. Não é divisível internamente em partes que mereçam o nome de Estado. Somente existe um Poder Executivo, um Poder Legislativo e um Poder Judiciário, todos centrais, com sede na capital. Todas as autoridades executivas ou judiciárias que existem no território são delegações do Poder Central, tiram dele sua força. É ele que as nomeia e lhes fixa as atribuições. O Poder Legislativo de um Estado Simples é único, nenhum outro órgão existindo com atribuições de fazer leis nesta ou naquela parte do território. Exemplos: França, Espanha, Itália e Portugal. b) Estado composto: Os Estados Compostos, como a própria expressão indica, são aqueles formados por dois ou mais Estados que se unem por motivos diversos. Conhecem-se duas espécies de Estados Compostos: a Federação e a Confederação. Federação – é formada pela união de várias unidades territoriais (Estados-membros), que perdem a soberania em favor da União Federal. Exemplos: Brasil, EUA, Canadá, Índia, Argentina, México, etc. Confederação – é formada por Estados soberanos, com base em tratados internacionais, tendo por objetivo defender o território e assegurar a paz interior, além de outras finalidades que podem ser pactuadas. Por resultar de tratados internacionais, têm as confederações vida passageira, já que cada Estado dela pode retirar-se a qualquer momento. Concluindo: na federação os estados-membros estão unidos não por um tratado, mas por uma Constituição, de modo que o Estado Federal é regulado pelo Direito Constitucional. Na confederação os Estados estão ligados por um tratado internacional, do domínio do Direito Internacional. FORMAS DE GOVERNO O governo, representa um dos elementos essenciais do estado. Vem a ser o conjunto de funções por meio das quais o Estado realiza os seus objetivos. 1. Antiga Legítimas – tem o bem geral como meta a ser alcançada. - monarquia: governo de um só. - aristocracia: governo de uma classe. - democracia: governo de todos, do povo. Ilegítimas – o bem da coletividade figura em plano secundário. - tirania: governo sem lei. - oligarquia: governo de uma minoria poderosa. - demagogia: governo com predomínio de facções populares. 2. Moderna Monarquia – de acordo com a limitação dos poderes do rei. - absoluta: condenada pelos povos civilizados. - limitada: plenamente aceita, a constituição delimita o poder do soberano. Ex: Inglaterra, Bélgica. República - parlamentar: o governo é exercido por um conselho de ministros chefiado pelo Primeiro-Ministro. - presidencial: o governo é exercido pelo presidente da República, auxiliado pelos ministros, escolhidos livremente por ele. - colegiada: o governo é exercido por um grupo de pessoas. DEMOCRACIA Conceito: é a forma de governo em que se reconhece que o poder emana do povo e em seu nome é exercido, repelindo o predomínio de classes ou grupos. Valores fundamentais: a liberdade, isto é; liberdade social, o direito de cada um fazer tudo o que não prejudique a liberdade dos outros; a igualdade, onde a lei deve ser a mesma para todos, quer quando protege, quer quando pune. Pressuposto e condições da democracia: - social – difusão da cultura, para que o indivíduo julgue o que lhe pareça melhor. - econômico – para que o indivíduo tenha lazer e instrução e não se preocupe só com o pão de cada dia. - informação abundante – para se evitar a doutrinação. - amplas liberdades públicas – para que haja livre participação nos assuntos de interesse do povo.

- sistema de partidos – a fim de que o povo seja orientado no que diz respeito a solução dos problemas do estado, e tenha um mecanismo que receba e transmita sua vontade. AS FORMAS DE DEMOCRACIA a) Direta: é aquela em que as decisões são tomadas diretamente pelos cidadãos em assembléias. b) Indireta: é aquela onde o povo governa por intermédio de representantes, daí ser ela conhecida como democracia representativa. c) Semidireta: trata-se de uma aproximação da democracia direta, porque o povo, embora não se governando diretamente, tem o poder de intervir, às vezes, em certas decisões. Em geral, essa participação se dá pela iniciativa popular (quando determinado número de eleitores se manifesta pela necessidade de uma certa lei, o Parlamento fica juridicamente obrigado a discuti-la e votá-la), pelo referendum (consiste em que a lei, depois de elaborada, somente se torna obrigatória quando o corpo eleitoral, expressamente convocado, a aprova) e pelo veto popular (pressupõe uma lei já feita, e que é repudiada por certo número de cidadãos.). REGIMES DE GOVERNO a) Presidencialismo – Juridicamente, o presidencialismo se caracteriza, em primeiro lugar, por ser um regime de separação de poderes (executivo, legislativo e judiciário), harmônicos e independentes. Em segundo lugar, por conferir a chefia do estado e do governo a um órgão unipessoal, a Presidência da República, certo que os chefes dos grandes departamentos da administração são meros auxiliares do Presidente, que os escolhe e demite quando bem entende. Exemplo: Brasil, EUA, etc. Características:  O chefe de Estado (o representante da nação) e o chefe de governo (chefe do Poder Executivo) confundem-se na mesma pessoa. Não é obrigatório que tenha maioria no Congresso.  O Executivo é poder completamente autônomo com relação ao Legislativo.  A duração dos mandatos é fixa.  O presidente é legitimado pela votação direta do povo.  O presidente pode vetar leis aprovadas pelo Legislativo.  Os ministros são meros auxiliares do presidente e só responsáveis perante ele. b) Parlamentarismo – Também é um regime de divisão de poderes (legislativo, executivo e judiciário), mas o executivo e legislativo são interdependentes, pois o governo depende para manter-se no poder do apoio da maioria parlamentar. Em segundo lugar, o executivo tem estrutura dualista. O rei, ou Presidente da República, é o chefe de Estado, com funções de representação, de cerimonial, enquanto o governo é exercido por um órgão coletivo, o conselho de ministros ou gabinete, à testa do qual está um chefe, o primeiro-ministro, verdadeiro chefe de governo. O Parlamento tem poderes de aprovar o Conselho ou Gabinete, ou de o desfazer se obtiver um voto de desconfiança. Exemplo: Inglaterra, Itália, França, etc. Características:  O chefe de Estado é o presidente (ou o rei, nas monarquias) e o chefe de governo é o primeiroministro.  O Poder Executivo depende da confiança do Legislativo.  A duração dos mandatos é flexível. O Legislativo pode depor o gabinete, mediante votação de moção de censura. Em contrapartida, o presidente pode dissolver o Parlamento, em casos de impasse.  O regime é essencialmente representativo. Vale menos a legitimação direta pelo povo que as composições políticas obtidas no Parlamento. c) Governo de assembléia – Caracteriza-se pela inseparabilidade dos poderes, com exceção do Judiciário. Este é independente e especializado. Todavia, as decisões sobre a elaboração das leis e sua aplicação estão concentradas nas mãos do mesmo órgão, no caso, a Assembléia. O único exemplo conhecido é o da Suíça. EVOLUÇÃO CONSTITUCIONAL DO BRASIL – CONSTITUIÇÕES DO BRASIL O Brasil teve oito Constituições. Destas, quatro foram de outorga (Constituições de 1824, 1937, 1967 e 1969). Foram impostas pelo chefe de Estado. As outras quatro (Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988) resultaram de um processo democrático, sendo votadas e promulgadas por Asembléias Constituintes. Constituição de 1824

Outorgada pelo Imperador D. Pedro I. É a primeira Constituição do Brasil. Permaneceu mais tempo em vigor. - Forma de Governo: monarquia constitucional. - Estado Unitário: sem autonomia para as províncias. - Quatro poderes: Moderador, Executivo, Legislativo e Judiciário. Constituição de 1891 Votada. 1ª Constituição do Brasil Republicano. - Forma de Governo: República Federalista. - Três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Constituição de 1934 Votada. - Mantém a Federação, mas limita a autonomia dos Estados-Membros. - Estabelece leis econômicas e sociais. Constituição de 1937 Outorgada por Getúlio Vargas. Constituição do Estado Novo. - Fortalece o poder do Executivo Federal. Os Estados-Membros são governados por interventores nomeados pelo Presidente da República. Instituiu a legislação trabalhista. Constituição de 1946 Votada. - Legaliza o pluralismo. Proclama os direitos humanos. - Restaura o federalismo: autonomia aos Estados-Membros. Constituição de 1967 Outorgada pelo Marechal Castelo Branco, embora formalmente votada pelo Congresso Nacional. - Tem em vista as exigências do Movimento Militar de 1964. - Diligencia a centralização dos poderes no Executivo Federal. - Institui as eleições indiretas para Presidente da República pelo Colégio Eleitoral. Constituição de 1969 Outorgada por três Ministros Militares, considerada uma emenda à Carta de 1967. - Promoveu uma maior centralização do poder político nas mãos do Executivo Federal. - Comprometeu o Federalismo, privilegiando a União em detrimento dos Estados-Membros e Municípios. Constituição de 1988 Votada. - Institui o Estado Democrático de Direito, limitando o poder do Estado ao cumprimento das leis que a todos subordinam. - Assegura a livre participação dos cidadãos, vida política e o pluripartidarismo. - Fortalece o federalismo, conferindo maior autonomia aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. - Afasta as instituições autoritárias legadas pelo regime militar. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS a) O Brasil é uma República: o País é dirigido por um Presidente, eleito por período certo (4 anos), com possibilidade de apenas uma reeleição. O Poder é exercido por três órgãos distintos, com funções especificadas: o Legislativo, que é incumbido de fazer as leis; o Executivo, a quem cabe a administração do País; e o Judiciário, encarregadode aplicar as leis aos casos concretos. b) O Brasil é uma Federação: temos a União que abrange todo o território nacional, os Estadosmembros, que são circunscrições regionais e os Municípios, que constituem divisões dos EstadosMembros. Devemos considerar ainda, o Distrito Federal, que é a capital da União, e que, como as demais entidades estatais, desfruta de autonomia em sentido amplo. (ver anexo 2)

c) O Brasil é um Estado Democrático de Direito: vale dizer, admite o pressuposto de que o poder emana do povo e em seu nome é exercido (art. 1º, parágrafo único, CF), refletindo as propostas democráticas de exercício do poder, no regime democrático da representatividade popular, mediante a eletividade dos governantes, e, em alguns casos, através da participação direta. (ver anexo 1) DIVISÃO ESPACIAL DO PODER ESTADO FEDERAL – CONCEITOS: Legislador Ordinário: nível constitucional Legislador Constituinte: nível infraconstitucional Centralização Administrativa: tem-se um só centro titular das prerrogativas, competências e deveres públicos de natureza administrativa. Descentralização Administrativa: têm-se vários centros senhores de tais prerrogativas, competências e deveres. Centralização Política: um único centro tem capacidade legislativa. Descentralização Política: vários núcleos têm tal capacidade. Dizemos que o Estado é unitário. Face à descentralização política temos outro Estado ? Não, a descentralização política não é suficiente para mudar a fisionomia do Estado unitário. O poder central atribui capacidade legislativa aos diferentes territórios, mas ainda é um Estado unitário, só que fortemente descentralizado. Soberania: é fenômeno ligado à idéia de “poder”, de autoridade suprema. O Estado é uma unidade jurídica. Fornece-a a soberania. Autonomia: jurídica, quando são capazes de inovar a ordem jurídica sobre aquela matéria – grau máximo de autonomia. Administrativa, o novo centro pode apenas executar o estabelecido por outro núcleo – grau mínimo de autonomia. Em síntese: a descentralização política fixada na Constituição é fator indicativo da existência de Estado Federal. O Estado Federal também provém da participação das vontades parciais na vontade geral, representada pelo Senado Federal. Câmara dos Deputados: são os representantes do povo e tem sua representação vinculada ao critério populacional, ou ao do número de eleitores. Senado Federal: cada unidade da federação elege o mesmo número de representantes. Os membros dessa casa participam do processo de elaboração das leis (decisões da federação para o todo estatal). Outra característica importantíssima é a circunstância de os Estados-membros se auto-organizarem por meio de Constituições próprias. Sobre os negócios locais há texto legal supremo no Estado (a Constituição Estadual) ao qual deve prestar obediência a legislação ordinária. Três notas são essenciais à caracterização federal: a) descentralização política fixada na Constituição (ou, então, repartição constitucional de competências); b) participação da vontade das ordens jurídicas parciais na vontade criadora da ordem jurídica nacional; e c) possibilidade de autoconstituição; existência de Constituições locais. Dois requisitos para a manutenção dos Estados: a) a rigidez constitucional. b) a existência de um órgão constitucional incumbido do controle da constitucionalidade das leis – o Poder Judiciário. A Confederação surge de convênio entre Estados soberanos que não abdicam de sua soberania. A Federação leva os Estados contratantes a abrirem mão da soberania que lhes é peculiar. Entregam seu exercício à União. Despojam-se da soberania, mas conservam a autonomia política. A Federação Brasileira Elementos tipificadores: a) descentralização política ou repartição constitucional de competências. Competências expressas e enumeradas: União. Residuais ou Remanescentes: Estados. ver arts. 21, 22, 25 § 1º, 30 ( I a IX ) da CF e arts. 153, 154 ( I e II ), 155 da CF (competências para tributos). b) participação da vontade dos Estados (ordens jurídicas parciais) na vontade nacional (ordem jurídica central) – ver arts. 45 e 46. c) possibilidade da autoconstituição – ver art. 25. Elementos mantenedores da Federação:

a) Rigidez constitucional – ver arts. 59, 60 e 61. b) A existência de um órgão constitucional incumbido do controle de constitucionalidade das leis. O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Carta Magna (art. 102). Origem da Federação Entende-se como federal o Estado em que a Constituição repartia as competências entre pessoas distintas (União e Estados ou Províncias), mantendo, estas, representantes no órgão legislativo nacional (Senado Federal). A UNIÃO A União é a pessoa jurídica de capacidade política e só cogitável em Estado do tipo federal. É fruto da união de Estados. Da aliança destes, sob o império de uma única Constituição, nasce a União – art. 1º da CF. Competências da União a) expressas e enumeradas. b) expressas, não enumeradas. c) residual. d) em comum (com Estados, Municípios e Distrito Federal). e) concorrente (com Estados e Distrito Federal). ver arts. 21, 22, 23, 24, 153 e 154 da CF. A União, por si e em nome da Federação A União age em nome próprio como em nome da Federação. Ora se manifesta por si, como pessoa jurídica de capacidade política, ora em nome do Estado Federal. Isso ocorre no plano interno como no internacional. No plano interno, revela a vontade da Federação quando edita leis nacionais e demonstra a sua vontade (da União) quando edita leis federais. No plano internacional, representa a Federação quando mantém relações com Estados estrangeiros, participa de convenções internacionais, declara guerra e faz a paz. Revela, dessa forma, a soberania nacional. Exerce-a. Não a titulariza, dado que a soberania é nota tipificadora do Estado. Intervenção Federal nos Estados A intervenção federal nos Estados é da essência do sistema federativo. Visa a manter a integridade dos princípios basilares da Constituição. De um lado, objetiva a proteção do território e da divisão territorial: é autorizada para manter a integridade nacional (art. 34, I) e para repelir invasão estrangeira ou a de um Estado em outro (art. 34, II). De outro lado, pretende paz social e moralidade administrativa bem como o adequado cuidado com as finanças do Estado: é autorizada para pôr termo a grave perturbação da ordem (art. 34, III), reorganizar as finanças do Estado se este suspender o pagamento de sua dívida fundada durante dois anos consecutivos (art. 34, V, “a”). Visa ainda a garantir a tripartição do poder no plano estadual (art. 34, IV). Em outro passo garante a observância da forma republicana, do sistema representativo e do regime democrático; dos direitos da pessoa humana; da autonomia municipal; e da prestação de contas da Administração pública; direta e indireta (art. 34, VII, “a” a “d”). Deve-se notar que a intervenção federal afasta, temporariamente, a autonomia estadual ou parcela desta. Na verdade, quando a União intervém em dado Estado, todos os Estados estão intervindo conjuntamente; a União age, no caso, em nome da Federação. Ver também arts. 34, 35 e 36 da CF. O processo da intervenção federal O Presidente da República decreta a intervenção. Mas não nos seguintes casos: a) de coação exercida contra o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judiciário; b) da execução de lei federal, ordem ou decisão judiciária. De fato, tratando-se de coação contra o Poder Legislativo ou o Poder Executivo estaduais o processo se inicia mediante sua solicitação. Se a coação for exercida contra o Poder Judiciário, mediante requisição do Supremo Tribunal Federal. Também quando se verifica descumprimento de ordem ou decisão judiciária o processo interventivo se inicia por meio de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral (se a matéria for dessa natureza), ou do Superior Tribunal de Justiça. Quando se trate de prover à execução de lei federal, o processo interventivo tem seu início mediante representação do Procurador-Geral da República ao Superior Tribunal de Justiça.

Compete ao Congresso Nacional examinar os aspectos formal e material do decreto interventivo. Examina a forma para verificar se foram preenchidos todos os requisitos procedimentais. É preliminar de conhecimento. Vencida esta, examinará o conteúdo (as razões, os motivos) para aprová-lo ou não. Um dos eventuais efeitos da intervenção é o afastamento de autoridades estaduais de seus cargos. Cessados os motivos da intervenção, deverão elas retornar a seus cargos, salvo impedimento legal (art. 36, § 4º). O impedimento a que alude o constituinte há de estar relacionado com os motivos da intervenção. Há de ser a prática de ato ou atos que ensejaram a ingerência da União nos negócios do Estado, que fizeram nascer a hipótese excepcional. Se cometeu crime comum, também estará impedido legalmente, só que o próprio Estado federado decidirá sobre ele e não eventual interventor. A intervenção não é carta branca conferida à União para que esta, por meio de seus agentes, a exercite com poderes ilimitados. Ao contrário, estarão limitados pelo decreto aprovado pelo Congresso Nacional. Não é sem razão que o constituinte determina a fixação de sua amplitude (âmbito territorial de sua abrangência), prazo (lapso temporal de sua duração) e condições de execução (limites de atuação do interventor ou, se não houver nomeação deste, daqueles que executarão o decreto). O princípio federativo recomenda estas afirmações. Bens da União art. 20, CF. art. 66, CC. OS ESTADOS FEDERADOS Um dos pressupostos da Federação é a autonomia estadual, de grau político, mediante a possibilidade de os Estados editarem suas próprias Constituições. A autonomia Estatal A necessidade de previsão constitucional para a União intervir significa a igualdade entre ela e os Estados. Fossem desiguais, existisse a subordinação dos Estados à União, não se cogitaria de autorização constitucional expressa. Essa previsão constitucional é demonstração inequívoca da autonomia estadual – ver arts. 25 ( § 1º ), 27, 28, 34, 125 e 155 da CF. Competência dos Estados O art. 25, § 1º, confere aos Estados “as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição”. Desse dispositivo se extrai a idéia de que as competências dos Estados não estão enumeradas no texto constitucional. Para identificá-las é preciso saber quais os poderes que explicitamente ou implicitamente não lhes são vedados. Em primeiro lugar fica-lhes proibido dispor sobre as competências da União (arts. 21 e 22) e as dos Municípios (art. 30). Nada podem dispor, também, a respeito das competências tributárias da União e dos Municípios. A tais competências o Estado não tem acesso. É o que dispõe implicitamente a Constituição. Explicitamente se lhes nega a possibilidade de organizar-se e reger-se por normas que vulnerem os princípios mencionados no inc. VII do art. 34. Ainda se lhes proíbe, explicitamente, criar distinções entre brasileiros ou preferências em favor de uma das pessoas de direito público interno (art. 19, III). Os Estados terão competência residual. Verifica-se que aos Estados compete, residualmente, dispor sobre matéria administrativa (seus servidores e a organização da Administração Pública local). Entre essa matéria elenca-se a financeira. Também compete aos Estados a disposição sobre os seus agentes políticos (definição de responsabilidades, etc.). Mas, ao lado das residuais, o Estado ainda é senhor de competências expressas, competências em comum, competências concorrentes e competências suplementares. São expressamente conferidas aos Estados as competências tributárias, como a do art. 145 (instituição de impostos, taxas e contribuição de melhoria) e as do art. 155 (instituição de impostos sobre transmissão causa mortis e doação de bens ou direitos, operações relativas ao ICMS e o IPVA). Em síntese, o Estado federado titulariza competências residuais, expressas, em comum, concorrente e suplementar. Em comum são as competências que o Estado titulariza juntamente com a União, o Distrito Federal e os Municípios (art. 23). São, no geral, competências de natureza programática. Concorrente é a competência do Estado exercida ao lado da União e do Distrito Federal. É competência que visa à edição de leis sobre as questões elaboradas no art. 24. Diferentemente daquelas em comum, que podem cingir-se a atos concretos da Administração. Finalmente, a competência suplementar, que decorre da concorrente. O Estado pode – em atenção, naturalmente, às suas peculiaridades locais – legislar sobre normas gerais nos claros deixados pelo

legislador federal. E, inexistindo lei federal sobre tais normas, o Estado as expedirá sem limitação, plenamente. Autoridades próprias dos Estados Os deputados compõem a Assembléia Legislativa, órgão do Poder Legislativo estadual. São representantes do povo domiciliado eleitoralmente naquele Estado. Sua função é satisfazer, nos limites da competência do Estado federado, as aspirações daquele povo. O governador e o vice-governador compõem o Poder Executivo estadual, cujo objetivo é executar, administrar, dar, o que formulou o legislativo estadual, seja o constituinte, seja o ordinário. Os magistrados, integrantes de órgãos da Justiça estadual, compõem o Poder Judiciário estadual. O órgão de cúpula do Judiciário estadual é o Tribunal de Justiça, a ele cabendo a iniciativa da lei de organização judiciária local. Nada impede, assim, que essa lei crie tribunais de alçada em função do valor ou da natureza da causa, tanto mais que a eles se refere o art. 93, III. É função do Judiciário local aplicar a lei para solucionar litígios, buscando soluções definidas, ou, ainda, validar uniões relativas ao matrimônio (como é o caso dos juízes de paz). O Poder Constituinte dos Estados A atividade do constituinte estadual é subordinada e condicionada às limitações impostas pelo constituinte nacional. Intervenção do Estado no Município Essa interferência do Estado nos negócios municipais, prevista no art. 35 da CF, destina-se a: a) manter intatos os princípios indicados na Constituição Estadual, bem como garantir o respeito à tripartição do Poder (especialmente quando alude a execução de lei ou de ordem ou decisão judiciária); b) preservar a moralidade e a lisura na aplicação do dinheiro público e na condução dos negócios públicos; c) prestigiar o ensino primário. O processo interventivo é previsto na Constituição de cada Estado, que sobre ele dispõe da forma que o constituinte estadual entender. Somente não poderá deixar de submeter o ato veiculador da intervenção à Assembléia Legislativa, uma vez que ali se encontram os representantes do povo do Estado. Há de prestar obediência, sempre, ao princípio da representação popular. Ver também art. 29 da CF. TERRITÓRIOS FEDERAIS O Território do Acre foi o primeiro do Brasil – Lei 1.181, de 24.2.1904. Foi na constituição de 1934 que o Território ganhou estatura constitucional e assim se manteve nas constituições que se seguiram. A natureza jurídica dos Territórios Federais Para responder a isso é preciso questionar sobre a concentração e desconcentração, bem como acerca de centralização, administrativas e políticas. 1. Centralização administrativa O Estado busca a satisfação do interesse público por meio do desempenho de funções administrativas, incumbindo-lhe aparelhar-se para tanto. Uma das formas de desempenho dessas atividades é a que se identifica com a maneira direta de prestar serviços, sem que a atividade se desloque para outro centro de capacidades. Há um único centro capaz de desenvolver a atividade administrativa. Esta forma direta de administrar é denominada administração centralizada. Nesta, o cumprimento da missão administrativa se verifica pela atuação de uma só pessoa. Tem-se, na verdade, um só centro, titular das prerrogativas, competências e deveres públicos de natureza administrativa. Tem-se a centralização administrativa. 2. Concentração e Desconcentração Concentração administrativa é quando toda a atividade é exercida por um só centro, onde não se opera a distribuição do poder decisório, estamos diante da centralização concentrada. Evidentemente, tal forma de administrar é, na prática, impossível de encontrar, diante da crescente complexidade dos assuntos administrativos. Tem-se, pois, um só centro que é titular das prerrogativas e competências administrativas. Mas são atribuídas funções a órgãos subordinados. Este fenômeno é a centralização desconcentrada. Fica claro, pois, que na administração desconcentrada os órgãos se manifestam em nome e por conta de um único centro de capacidades, ou seja, em nome de uma pessoa jurídica, isto é, de um centro ao qual se imputam direitos e obrigações. 3. Descentralização Descentralizar – já o dissemos – implica a retirada de competências de um centro para transferi-las a outro, passando essas competências a ser próprias do novo centro, que age em nome próprio, e não mais em nome do centro original.

A descentralização pode-se operar tanto em nível de atividade política como em nível de atividade administrativa. Examinemos tais formas. 3.1. Descentralização política Em determinado sistema jurídico várias pessoas jurídicas podem estar investidas de funções políticas, o que lhes confere capacidade política. Ser capaz, politicamente, é ter a possibilidade de estabelecer comandos sobre assuntos de sua competência. Desde que isto se verifique, encontramo-nos diante da descentralização política. Constituem expressão de descentralização política a Federação e a autonomia municipal. 3.2. Descentralização administrativa O Estado pode, ao invés de centralizar toda a atividade administrativa, descentralizá-la, criando novos centros de capacidade, novos entes sujeitos de direitos e deveres, novas pessoas, as quais haverão de atuar buscando cumprir a missão administrativa. Não há, pois, como confundir descentralização administrativa com desconcentração. Nesta não se verifica a criação de pessoas. Naquela, a personalidade é seu elemento definidor, pois o organismo criado pode manifestar a sua vontade, agindo em nome próprio e não em nome de outrem. Mas, embora dotados de personalidade própria, diferem daqueles centros dotados de capacidade política. É que a sua capacidade é meramente administrativa, ou seja, embora possuindo negócios próprios, interesses seus, não têm o poder de dizer sobre tais competências. Não podem legislar sobre aqueles interesses. Inserem-se, em conseqüência, na própria pessoa de capacidade política que os criou. Por isso que, operada a descentralização, a pessoa surgida será federal, estadual ou municipal, conforme a sua origem se deva à vontade da União, do Estado ou do Município. As pessoas assim nascidas são chamadas autarquias. 3.2.1. Autarquias São pessoas jurídicas de direito público de capacidade exclusivamente administrativa. São fruto da descentralização administrativa. Classificam-se de acordo com os seguintes critérios: a) critério da pessoa jurídica criadora da autarquia; b) critério da estrutura jurídica da autarquia; c) critério do fator demarcatório da competência da autarquia. O primeiro deles conduz à afirmação de que as autarquias serão federais, estaduais ou municipais, conforme tenham sido criadas pela União, pelos Estados ou pelos Municípios. De acordo com o segundo critério, a divisão é feita em corporações e fundações, distinção que é comum tanto ao direito privado como ao público. Ao fazer-se esta diferenciação quer-se indagar do seu substrato para se saber se se trata de agremiação de indivíduos que se reúnem para atingir dada finalidade ou se se trata de patrimônio afetado a uma finalidade. No primeiro caso encontramos a corporação; no segundo, a fundação. Na primeira hipótese, os indivíduos que a compõem são internos à pessoa; na segunda, são externos a ela. Pelo último dos critérios indicados (o do fator demarcatório da competência), as autarquias podem ser territoriais ou não-territoriais. As autarquias territoriais são aquelas que têm suas competências definidas em função de um território, e as não-territoriais têm sua competência estabelecida em função de dada matéria. Conclusões O Território não é parte integrante da Federação, porque não possui capacidade de dispor regras sobre negócios seus por meio de autoridades próprias. Não sendo pessoas dotadas de autonomia política, a existência ou não de territórios não implica na existência ou não da Federação ( ver art. 18, § 2º da CF). Não é o Território, contudo, mero órgão da União. É ser personalizado. É centro para onde convergem direitos e obrigações. Como ser personalizado que é, integra a administração descentralizada da União. É pessoa de direito público, de capacidade administrativa e de nível constitucional, ligada à União, tendo nesta a fonte de seu regime jurídico infraconstitucional. Ver também art. 33 da CF. DISTRITO FEDERAL É nesse local que são formuladas as diretrizes governamentais pertinentes à Federação. No nosso sistema, Brasília, que integra o Distrito Federal, é a Capital Federal (art. 18, § 1º). É o centro políticoadministrativo, que foi criado em 1961. Natureza jurídica do Distrito Federal O Distrito Federal é a pessoa jurídica de direito público, com capacidade legislativa, administrativa e judiciária. É hoje, tal como a União, Estados e Municípios, autônomo politicamente. Titulariza competências próprias, legisla sobre elas e as administra por meio de autoridades próprias. Com efeito, o Distrito Federal tem uma Câmara Legislativa onde estão os deputados distritais (art. 32, §§ 2º e 3º); é dirigido pelo Governador e pelo Vice-Governador (art. 32, § 2º); a ele são atribuídas as competências legislativas nomeadas aos Estados e Municípios (art. 32, § 1º).

Os tributos no Distrito Federal O art. 145 da CF autoriza o Distrito Federal a criar taxas e contribuições de melhoria, além dos impostos nela previstos. No art. 155 alude aos impostos que podem ser instituídos para o Distrito Federal: o de transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos; o de operações relativas à circulação de mercadorias e serviços e sobre propriedade de veículos automotores. Tais tributos são: a) Estaduais, quando instituídos e arrecadados no Estado e; b) Distritais, quando instituídos e arrecadados no Distrito Federal. Essa é a posição que melhor atende, no particular, ao sistema constitucional tributário. O MUNICÍPIO – REGIÕES METROPOLITANAS A autonomia municipal no Brasil, é realidade natural anterior à própria autonomia política dos Estados Federados. Autonomia municipal Autonomia política é a capacidade conferida a certos entes para: a) legislarem sobre; b) negócios seus; c) por meio de autoridades próprias. Examinemos, no caso do Município, se a Constituição lhe atribui esse suporte caracterizador. O art. 29 do Texto Magno estabelece que o Município “reger-se-á por lei orgânica...”, uma espécie de Constituição municipal, o que indica, por si, a sua autonomia, mas ainda acrescenta a previsão de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores (autoridades próprias), escolhidos em eleições diretas (art. 29, I e II), de competências próprias, tais como “legislar sobre assuntos de interesse local”, “suplementar a legislação federal e estadual no que couber” (ver art. 30 e seus incisos), o que caracteriza os negócios seus. Sobre tais negócios disporá a Câmara dos Vereadores (legislação própria). Competência dos Municípios Será de competência do município tudo o que for de seu interesse local (art. 30 da CF – é a competência suplementar). Podemos dizer que as competências dos municípios são expressas, sendo algumas enumeradas. a) os Municípios não concorrem com a União e os Estados na regulação das matérias enumeradas no art. 24 da Constituição Federal; b) os Municípios, porém, podem SUPLEMENTAR a lei federal ou estadual resultante da competência legislativa concorrente, no que couber, para o atendimento de seus interesses locais (na verdade, pode o Município, no que couber, suplementar a legislação federal ou estadual oriunda de qualquer competência, seja exclusiva, privativa, comum ou concorrente); c) o Município só poderá SUPLEMENTAR, isto é, só atuará se houver prévia legislação federal ou estadual.

Organização política e administrativa A política diz respeito aos poderes municipais: prefeito, vice-prefeito, vereadores, número de sessões, etc. A administrativa toca aos serviços públicos locais, aos servidores do município, à administração em geral. No art. 29, a Constituição refere-se à lei orgânica municipal, à sua organização política. Competência para edição das leis orgânicas municipais Para a criação de municípios, a lei era estadual. Ou federal, se se tratar de município no Território Federal. Entretanto, para a sua organização, a lei é a municipal. De igual maneira, será municipal a lei criadora dos distritos. O constituinte de 1988 deixou clara a competência para o Município auto-organizar-se. Fixou no art. 29: “O Município reger-se-á por lei orgância, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:...”. Intervenção estadual nos Municípios A intervenção de uma pessoa política em outra é, sempre, excepcional. Já dissemos que a regra é a não intervenção. Por isso que só é possível a intervenção em casos expressamente previstos no texto constitucional.

A intervenção ocorre após a manifestação do Ministério Público, e do Tribunal de Justiça, que dá provimento à representação. Tal como na intervenção federal no Estado, o chefe do Executivo estadual decreta a intervenção mas é obrigado a submeter o seu ato, com a respectiva justificação, em 24 horas, à apreciação da Assembléia Legislativa. Com a intervenção fica paralisada, momentaneamente, a autonomia municipal. Esta paralisação poderá ser em maior ou menor extensão. Tudo dependerá das limitações impostas no decreto interventivo. Se, apesar da intervenção, a Câmara Municipal não for atingida na sua atividade legiferante, a redução autonômica será menor: cinge-se à interferência no Executivo, com o afastamento de suas autoridades, podendo, então, falar-se na ocorrência da autonomia limitada. A fiscalização financeira e orçamentária art. 31 da CF As regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões A idéia de Região Metropolitana deriva da conurbação. As áreas urbanas vão-se aglomerando em torno de um Município maior, eliminando as áreas rurais e fazendo surgir, entre os Municípios, área urbana única, o que passa a exigir a integração dos serviços municipais. Não é pessoa política nem administrativa. Não é centro personalizado. Não é organismo. É orgão. Para encontrar a natureza desse órgão é preciso verificar qual a sua fonte criadora. É a lei complementar estadual, di-lo o art. 25, § 3º, da CF. É preciso, ainda, examinar sua composição: é composto por Municípios. Embora composto por Municípios, as suas decisões não obrigam àqueles, tendo em vista a autonomia muncipal. A agremiação municipal é feita pela lei complementar. A boa exegese do texto constitucional leva à convicção de que a Região Metropolitana nada mais é do que órgão de planejamento, dele derivando a execução de funções públicas de interesse comum. Tanto quanto foi dito aplica-se às aglomerações urbanas e às microrregiões, figuras criadas pela Constituição de 1988. Somente a adesão voluntária dos Municípios poderá viabilizar o seu funcionamento, o que deverá ser feito por meio de convênio ou consórcio. SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL ver arts. 145 a 162 Seção I – estão descritas as disposições gerais sobre a tributação (art. 145, § 1º). Seção II – estão os princípios constitucionais da tributação, como expressão das limitações do poder de tributos. Componentes do STN: - Tributos (impostos, taxas e contribuições de melhoria). Tributos: - toda prestação pecuniária compulsória instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa vinculada, que não constitua sanção de ato ilícito (CTN, art. 3º). Fato Gerador: - é a situação que faz nascer a obrigação de pagar a importância pecuniária correspondente. Imposto: - é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica em favor do contribuinte ou relativa a ele (arts. 153, 155 e 156 da CF). Taxas: - são tributos cuja obrigação tem por fato gerador o exercício do poder de polícia ou a utilização efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição. Contribuição de Melhoria: é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador a valorização de imóveis do contribuinte em decorrência da execução de obras públicas pela União, Estados, Distrito Federal ou Município. Empréstimo Compulsório (art. 148) – um dos requisitos de legitimidade deste empréstimo é a urgência do investimento que financiará, mas a Constituição, impede sua arrecadação imediata, ao vedar sua cobrança no mesmo exercício de sua instituição. O empréstimo para fins do art. 148, I, não está sujeito a essa limitação. Contribuições Sociais Também é de competência exclusiva da União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento das respectivas áreas. Temos aí, portanto: (a) contribuições sociais, como as da seguridade social e

previdenciária (arts. 195, I a III, e 201), as do PIS-PASEP (art. 239), as do seguro-desemprego (art. 239, § 4º), entre outras que a União poderá instituir por lei; (b) contribuições de intervenção no domínio econômico, como o chamado confisco do café etc; (c) contribuições de interesse das categorias profissionais, assim as contribuições às entidades dos profissionais liberais, as contribuições sindicais previstas no final do inc. IV do art. 8º, não, porém, a que cabe à assembléia geral para custeio do sistema confederativo da representação sindical referida no mesmo inciso que, por isso, não é instituída pela União. Essas contribuições submetem-se ao regime das normas gerais tributárias, ao princípio da reserva de lei e ao princípio da anualidade (lei prévia ao exercício em que serão cobradas). Significa dizer: não podem ser instituídas nem aumentadas senão por lei e não podem incidir senão sobre fatos geradores e exercício financeiro posteriores à sua instituição (arts. 146, III, e 150, I e III). Contudo, as contribuições da seguridade social (art. 195, I a III) não se subsumem ao disposto no art. 150, III, b, porque o art. 195, § 6º, lhes dá outro regime, prevendo que poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído. A Constituição autoriza os Estados, Distrito Federal e Municípios a instituir contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, de sistema de previdência e assistência social. São contribuições previdenciárias de competência dessas entidades. A doutrina entende que todas essas contribuições compulsórias têm natureza tributária, reputadas como tributos parafiscais, ou seja, tributos cuja arrecadação é da competência de entidades paraestatais ou autárquicas. Normas de prevenção de conflitos tributários É, pois, função da lei complementar tributária: (1) dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, Distrito Federal e Municípios; (2) regular as limitações constitucionais do poder de tributar; (3) estabelecer normas gerais de direito tributário sobre: (a) definição de tributos e de suas espécies, bem como em relação aos impostos discriminados na Constituição, aos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; (b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; (c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas (art. 146); (4) instituir outros impostos da União, desde que sejam não cumulativos e não tenham nem fato gerador nem base de cálculo idênticos aos discriminados nos arts. 153, 155 e 156; (5) definir produtos industrializados semi-elaborados a serem excluídos da não incidência do imposto de circulação de mercadorias e prestação de serviços: (a) definir seus contribuintes; (b) dispor sobre a substituição tributária; (c) disciplinar o regime de compensação do imposto; (d) fixar, para efeito de sua cobrança e definição do estabelecimento responsável, o local das operações relativas à circulação de mercadorias e das prestações de serviços; (e) excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior, serviços e outros produtos além dos semi-elaborados mencionados no art. 155, § 2º, X, a; (f) prever casos de manutenção de crédito, relativamente à remessa para outro Estado e exportação para o exterior, de serviços e mercadorias; (g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados; (7) definir serviços de qualquer natureza para efeito do imposto municipal respectivo; (8) fixar as alíquotas máximas do imposto municipal sobre serviços de qualquer natureza e excluir da incidência desse imposto exportações de serviços para o exterior; (9) em relação à repartição de receitas tributárias: (a) definir valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, para o fim de fixar a quota dos Municípios, tendo em vista as operações tributadas nos respectivos territórios, na forma prevista no art. 158, parágrafo único, I; (b) estabelecer normas sobre a entrega dos recursos de que trata o art. 159, especialmente sobre os critérios de rateio dos fundos previstos em seu inc. I, objetivando promover o equilíbrio sócio-econômico entre Estados e entre Municípios; (c) dispor sobre o acompanhamento, pelos beneficiários (Estados, Distrito Federal ou Municípios), do cáluclo das quotas e da liberação das participações previstas nos arts. 157, 158 e 159. Elementos do Sistema Tributário Nacional Distinguem-se no sistema tributário nacional os seguintes elementos fundamentais, além das disposições gerais (arts. 145 a 149): (a) as limitações constitucionais do poder de tributar (arts. 150 a 152); (b) a discriminação da competência tributária, por fontes (arts. 153 a 156); (c) as normas do federalismo cooperativo, consubstanciadas nas disposições sobre a repartição das receitas tributárias, discriminação pelo produto (arts. 157 a 162). LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR Embora a Constituição diga que cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais do poder de tributar (art. 146, II), ela própria já as estabelece mediante a enunciação de princípios constitucionais da tributação. Princípios constitucionais da tributação e sua classificação a) Princípios Gerais: - são expressos ou decorrentes. São expressos:

a.1 – princípio da reserva de lei ou da legalidade estrita, segundo o qual é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir ou aumentar tributos sem que a lei o estabeleça (art. 150, I), mas a Constituição admite a alteração, por decreto, das alíquotas dos impostos sobre importação, exportação, produtos industrializados e operações financeiras, atendidas as condições e limites estabelecidos em lei (art. 153, § 1º), o que vale dizer, ainda, respeito ao princípio da legalidade genérica; a.2 – princípio da igualdade tributária, estabelecido no art. 150, II, veda às referidas entidades tributantes instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. a.3 – princípio da personalizaçãp dos impostos e da capacidade contributiva, segundo o qual o ônus tributário deve ser distribuído na medida da capacidade econômica dos contribuintes, implica: (a) uma base impositiva que seja capaz de medir a capacidade para suportar o encargo; (b) alíquotas que igualem verdadeiramente esses ônus. a.4 – princípio da prévia definição legal do fato gerador ou princípio da irretroatividade tributária, de acordo com o qual é vedado cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado (art. 150, III, a); isso, combinado com o princípio da anualidade comentado em seguida, significa que o tributo ou seus aumentos somente incidem sobre fatos geradores que ocorrerem no exercício financeiro seguinte ao de sua instituição ou majoração; a.5 – princípio da anualidade do lançamento do tributo, segundo o qual o lançamento dos tributos está vinculado a cada exercício financeiro (1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano). a.6 – princípio da proporcionalidade razoável, regra que veda utilizar tributo com efeito de confisco. Isso, na verdade, significa que o tributo não deve subtrair mais do que uma parte razoável do patrimônio ou da renda do contribuinte. a.7 – princípio da ilimitabilidade do tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público (art. 150, V). São princípios gerais decorrentes: a.8 – princípio da universalidade, decorrente da norma do art. 19, III, significa que todo aquele que praticar o fato gerador da obrigação tributária deverá pagar o tributo respectivo, salvo casos expressos de isenção fiscal outorgada em lei. a.9 – princípio da destinação pública dos tributos ou princípio implícito, só o Estado tributa, não há tributo privado. b) Princípios especiais, constituem-se das vedações constantes dos arts. 151 e 152, que assim se discriminam: b.1 – princípio da uniformidade tributária, segundo o qual é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo território nacional ou que implique distinção ou preferência. b.2 – princípio da limitabilidade da tributação da renda das obrigações da dívida pública estadual ou municipal e dos proventos de agentes dos Estados e Municípios, contido no art. 151, III, que veda à União tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações. Com a regra de que o imposto sobre a renda há de atender os critérios da generalidade e da universalidade (art. 153, § 2º, I), praticamente seria dispensável a reafirmação do princípio ora em exame; b.3 – princípio de que o poder de isentar é ínsito ao poder de tributar, segundo o qual quem tem o poder de impor determinado tributo é que tem o poder de estabelecer isenções. b.4 – princípio da não-diferenciação tributária, de acordo com o qual é vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer a diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino (art. 152). c) Princípios específicos, referem-se a determinados impostos especificamente, e assim se apresentam: c.1 – princípio da progressividade, referido expressamente ao imposto sobre a renda (art. 153, § 2º, I) e ao imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (arts. 156, § 1º, e 182, § 4º, II). Imposto progressivo é aquele cuja alíquota aumenta à medida que aumenta o ingresso ou a base imponível. c.2 – princípio da não-cumulatividade do imposto, aplicável aos impostos sobre produtos industrializados e sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestação de serviços (arts. 153, IV, § 3º, II, e 155, II, e § 2º, I), segundo o qual será compensado o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. Na prática, isso se faz mediante um sistema de crédito, pelo qual o contribuinte se credita de todo o imposto que pagou ao adquirir os produtos (ou matéria-prima, no caso do IPI) ou mercadorias ou serviços (no caso do ICMS) em dado espaço de tempo (um mês, p.ex.) fixado em lei, ao mesmo tempo em que debita todo o imposto incidente sobre as saídas dos produtos ou mercadorias do seu estabelecimento no mesmo período, e no momento de recolher os impostos do período é feita a compensação entre o crédito e o débito, recolhendo ele a diferença a mais ou continuando com crédito para o período seguinte se o crédito or maior. Vale dizer, em cada operação o imposto incide efetivamente sobre o valor adicionado; c.3 – princípio da seletividade do imposto, aplicável obrigatoriamente ao imposto sobre produtos industrializados, nos termos do art. 153, IV, e § 3º, I, segundo o qual esse imposto será seletivo em

função da essencialidade do produto, sendo facultada a sua aplicação ao imposto sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços, em função da essencialidade desses objetos (art. 155, § 2º, III). d) Imunidades, nas hipóteses imunes de tributação, inocorre fato gerador da obrigação tributária. Nisso diferem imunidades e isenções, pois, relativamente a estas, dá-se o fato gerador da obrigação tributária, mas o contribuinte fica apenas isento do pagamento do tributo. As imunidades configuram privilégios de natureza constitucional e não podem estender-se além das hipóteses expressamente previstas na Constituição, que, em seu art. 150, VI, veda à União, Estados, Distrito Federal e Municípios instituir impostos sobre: (a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros (é a chamada imunidade recíproca); (b) templos de qualquer culto; (c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive de suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Note-se que só existe imunidade quanto aos impostos. Quando a Constituição diz “não incidirá”, quer dizer que sempre aí, haverá uma imunidade (arts. 153 e 156). DISCRIMINAÇÃO CONSTITUCIONAL DAS RENDAS TRIBUTÁRIAS Natureza e Conceito A Constituição adotou, como nas anteriores, uma discriminação exaustiva, integral e completa. Contemplou, rígida e taxativamente, as quatro entidades autônomas da Federação: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Sistema discriminatório brasileiro Aí temos os dois aspectos da discriminação das rendas: a discriminação pela fonte, pela qual a Constituição indica o tributo que a cada entidade compete instituir (arts. 153, 155 e 156), e a discriminação pelo produto, pela qual umas entidades repartem sua receita com outras, ou, vendo do outro lado, estas participam na receita daquelas (arts. 157 a 162). A discriminação pela fonte realiza-se em três planos: (a) competência exclusiva; (b) competência nominalmente comum; (c) competência residual, enquanto a discriminação pelo produto comporta as seguintes modalidades: (a) a participação em impostos de decretação de uma entidade e percepção por outras; (b) a participação em impostos de receita partilhada segundo a capacidade da entidade beneficiada; (c) participação em fundos. DISCRIMINAÇÃO DAS RENDAS POR FONTES Competência tributária da União (a) Tributos de competência exclusiva da União. (1) Impostos sobre o comércio exterior: (art. 153, I e II), que compreende o imposto sobre a importação de produtos estrangeiros e o imposto sobre a exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados. (2) Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (art. 153, III). É o imposto mais importante e mais rentável do sistema tributário nacional; na sua concepção entram toda disponibilidade econômica ou jurídica proveniente do rendimento do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, assim como todo acréscimo ao patrimônio das pessoas físicas ou jurídicas. É informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, nos termos da lei, e não incidirá, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda seja constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho. (3) Imposto sobre produtos industrializados. É um importante imposto de competência federal; é tributação da produção industrial, no sentido de que recai sobre o resultado do processo produtivo industrial, mas o é também sobre o consumo, porque só alcança o produto no momento em que sai do estabelecimento industrial ou equiparado para integrar o processo consuntivo, embora não seja o ato de consumo a situação geradora da obrigação tributária. Faculta-se ao Poder Executivo alterar suas alíquotas por decreto (art. 153, §1º). (4) Imposto sobre operações financeiras. O campo de incidência, abrange: operações de crédito, operações de câmbio, operações de seguros e operações relativas a títulos e valores mobiliários. São utilizados como instrumentos de política monetária, daí por que também está prevista a faculdade de o Poder Executivo alterar suas alíquotas. (5) Imposto sobre a propriedade territorial rural. É um dos impostos sobre o patrimônio. É de competência da União para funcionar como instrumento auxiliar da política agrária. Deles estão imunes ( porque nelas não incidirá) as pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º).

(6) Tributação de grandes fortunas. O art. 153, VII, confere um imposto novo à competência exclusiva da União: o imposto sobre grandes fortunas, que depende de definição por lei complementar. (b) Tributos de competência comum à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. Taxas. Entram no conceito de tributo comum, porque todas as entidades tributantes podem instituílas e arrecadá-las: (a) em razão do exercício do poder de política; e (b) pela utilização efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição (art. 145, II), e não podem ter base de cálculo própria de impostos. Contribuição de melhoria. Também é da competência da União instituí-la e cobrá-la em razão da valorização da propriedade imóvel decorrente de obras públicas por ela executadas (art. 145, III). (c) Tributos de competência residual. Pertine, com exclusividade, à União instituir, mediante lei complementar, outros impostos que não tenham fato gerador nem base de cálculo idênticos aos impostos expressamente discriminados na Constituição, consoante vimos antes, e não podem ser cumulativos (art. 154, I). Competência tributária dos Estados (a) Tributos de competência exclusiva dos Estados e do Distrito Federal. (1) Tributos da herança e das doações (art. 155, I). São dois os modos de transmissão da propriedade. O primeiro pela morte do titular do bem; é a transmissão causa mortis. O segundo pela liberalidade do dono do bem que o transmite a outrem gratuitamente, ato que também sofre a tributação, como forma de transmissão da propriedade móvel ou imóvel inter vivos. É garantido o direito de herança (art. 50, XXX). O imposto comporta dois tipos de progressividade: uma em relação ao monte da herança, quanto maior mais graduada a alíquota, outra em relação à distância das vocações hereditárias de modo que, quanto mais distante, mais gravosa a tributação. (2) Tributação da circulação das mercadorias. É o agora conhecido ICMS, previsto no art. 155, II, segundo o qual compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. A Constituição determina que o ICMS incida sobre: (a) a entrada de mercadoria importada do exterior, ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo fixo do estabelecimento, assim como sobre serviço prestado no exterior, cabendo ao Estado onde estiver situado o estabelecimento destinatário da mercadoria ou do serviço; resolver controvérsia que deu origem a uma jurisprudência distorcida contra o interesse dos Estados; (b) o valor total da operação, quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência dos Municípios; se o serviço for compreendido na competência municipal, o ICMS incide sobre a operação de circulação da mercadoria, e o imposto municipal sobre serviços; (c) operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País, objetos estes que só eram tributados, no regime constitucional anterior, pela União, mediante os chamados impostos únicos. Finalmente, vêm as regras de não incidência, por força do disposto no art. 155, § 2º X, sobre: (a) operações que destinem ao exterior produtos industrializados, excluídos os semi-elaborados definidos em lei complementar; (b) operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; (c) o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153, § 5º. Além de tudo isso, ainda se comete à lei complementar regular, definir, prever, fixar, excluir, dispor a respeito de situações relativas ao ICMS, que indicamos antes. (3) Tributação de veículo automotor. É o imposto que está previsto no art. 155, III, segundo o qual compete aos Estados instituir imposto sobre a propriedade de veículos automotores. (b) Tributos comuns. São as taxas e contribuições de melhoria que, podem ser cobradas pelos Estados e Distrito Federal, tal como a União e os Municípios (art. 145, II e III). Competência tributária dos Municípios (a) Compete exclusivamente aos Municípios instituir os impostos adiante nomeados. (1) Tributação da propriedade urbana. É o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (art. 156, I), que representa o gravame fiscal da propriedade imóvel, com ou sem edificação, localizada na zona urbana ou com destinação urbana. O imposto sobre a propriedade urbana poderá ser progressivo em razão do valor do imóvel, assim como poderá ter alíquota diferenciada de acordo com a localização e o imóvel, possibilitando, assim, a aplicação de política fiscal e interesse urbanístico. (2) Tributação das transmissões de bens imóveis. Temos o imposto sobre a transmissão de bens inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso (o que exclui as doações, tributadas pelos Estados), de bens imóveis (terrenos, casas, fazendas, etc.), por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia (hipoteca), bem como cessão de direitos a sua aquisição, que compete ao Município da situação do bem, mas que, no entanto, não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses

casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação e bens imóveis ou arrendamento mercantil. (3) Tributação dos serviços. Trata-se aqui do ISS, a Constituição remeteu à lei complementar, que já existe, e faz a definição mediante uma lista de serviços. À lei complementar também é que cabe fixar suas alíquotas máximas e excluir de sua incidência as exportações de serviços para o exterior. (b) Tributos comuns. São as taxas e contribuições de melhoriam que os Municípios podem instituir e cobrar do mesmo que a União e os Estados (art. 145, II e III). Discriminação das rendas pelo produto ver arts. 157, 158 e 159 da CF. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – art. 37 Princípio da Legalidade e da Finalidade O ato administrativo só é válido quando atende o seu fim legal, ou seja, o fim submetido à lei. Princípio da Impessoalidade Significa que os atos e provimentos administrativos são imputáveis não ao funcionário que os pratica mas ao órgão ou entidade administrativa em nome do qual age o funcionário. Princípio da moralidade e da probidade administrativas Pode-se estar cumprindo legalmente um ato e este estar cheio de imoralidade. Ex: promoção com o intuito de favorecer alguém. Na probidade administrativa, o funcionário deve servir à Administração com honestidade, procedendo no exercício das suas funções, sem aproveitar os poderes ou facilidades delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira favorecer. A improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e correspondente vantagem ao ímprobo ou a outrem. O ímprobo perde os direitos constitucionais (art. 37, § 4º) e isto pode ser aplicado independentemente de um processo criminal. Princípio da Publicidade Todos os atos administrativos devem ser publicados. Mas a própria Constituição admite informações “sigilosas imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado” (art. 5º, XXXIII), o que porém, há de ser excepcional, sob pena de infringir o princípio que é o da publicidade. A publicidade se faz por divulgação em jornal oficial ou edital afixado no lugar da divulgação de atos públicos. Essa publicidade atinge, assim, os atos concluídos e em formação, os processos em andamento, os pareceres dos órgãos técnicos e jurídicos, os despachos intermediários e finais, as atas de julgamentos das licitações e os contratos com quaisquer interessados, bem como os comprovantes de despesas e as prestações de contas submetidas aos órgãos competentes. Tudo isto é papel ou documento público que pode ser examinado na repartição por qualquer interessado e dele obter certidão ou fotocópia autenticada para fins constitucionais. Os pareceres só se tornam públicos após sua aprovação final pela autoridade competente. Princípio da Eficiência É um conceito econômico que orienta a atividade administrativa no sentido de conseguir os melhores resultados com os meios escassos de que se dipõe e a menor custo. Consiste na organização racional dos meios e recursos humanos, materiais e institucionais para a prestação de serviços públicos de qualidade em condições econômicas de igualdade dos consumidores. ver também Emenda Constitucional 19/98. Princípio da Licitação Pública Licitação é um procedimento administrativo destinado a provocar propostas e a escolher proponentes de contratos de execução de obras, serviços, compras ou de alienações do Poder Público. O princípio da licitação significa que essas contratações ficam sujeitas, como regra, ao procedimento de seleção de propostas mais vantajosas para a Administração Pública. Constitui um princípio instrumental de realização dos princípios da moralidade administrativa e do tratamento isonômico dos eventuais contratantes com o Poder Público. A licitação é um procedimento formalmente regulado em lei. Portanto, aos Estados, Distrito Federal e Municípios compete legislar suplementarmente sobre a matéria no que tange ao interesse peculiar de suas administrações. ver art. 37, XXI da CF. Princípio da prescritibilidade dos ilícitos administrativos

Prescrevem a apuração e a punição do ilícito, mas não o direito da Administração ao ressarcimento, à indenização, do prejuízo causado ao erário. ver art. 37, § 5º da CF. Princípio da responsabilidade civil da Administração Responsabilidade civil significa a obrigação de reparar os danos ou prejuízos de natureza patrimonial (e, às vezes, moral) que uma pessoa cause a outrem. A obrigação de indenizar é da pessoa jurídica a que pertencer o agente. O prejudicado há que mover a ação de indenização contra a Fazenda Pública respectiva ou contra a pessoa jurídica privada prestadora de serviço público, não contra o agente causador do dano. O princípio da impessoalidade vale aqui também. ver art. 37, § 6º da CF. Princípio da participação O princípio da participação do usuário na Administração Pública foi agora introduzido pela EC-19/98, com o novo enunciado do § 3º do art. 37, que vamos apenas reproduzir, porque a efetivação do princípio depende de lei. Diz o texto: “A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente: I – as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; II – o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X [ respeito à privacidade ] e XXXIII [ direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse ou de interesse coletivo ou geral ]; III – a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública”. Princípio da autonomia gerencial A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da Administração direta e indireta [ diz o § 8º do art. 37, introduzido pela EC-19/98 ] poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I – o prazo de duração do contrato; II – os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III – a remuneração do pessoal. A lei outorga aos administradores dos órgãos públicos, competências especiais. DOS SERVIDORES PÚBLICOS Agentes Administrativos Agentes públicos e administrativos Nele distinguem-se dois elementos: (a) um: subjetivo, pessoa e variável, que é a pessoa ou conjunto de pessoas que, em última análise, expressa a vontade da entidade pública (União, Estados, Distrito Federal ou Município); (b) outro: objetivo, abstrato, institucional e contínuo, que é um centro de competência ou complexo de atribuições. O órgão é, assim, uma unidade jurídica, que compreende seu titular (elemento subjetivo) e suas competências, atribuições e seus meios técnicos, informativos, coativos, etc., que caracterizam o cargo, emprego ou função. Agente público – 1) agente político e 2) agente administrativo. Os agentes administrativos, que se repartem em dois grandes grupos: (1) os servidores públicos, que compreendem quatro categorias (art. 37, I e IX): (a) servidores investidos em cargos (funcionários públicos), (b) servidores públicos investidos em empregos (empregados públicos), (c) servidores admitidos em funções públicas (servidores públicos em sentido estrito) e (d) servidores contratados por tempo determinado (prestacionistas de serviço público temporário); (2) os militares, que compreendem os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (art. 42) e os das Forças Armadas (art. 142, § 3º). Acessibilidade à função administrativa: a CF estatui que os cargos, empregos e funções são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei (art. 37, I, cf. EC-19/98). Investidura em cargo ou emprego: a exigência de aprovação prévia em concurso público implica a classificação dos candidatos e nomeação na ordem dessa classificação; não basta, pois, estar aprovado em concurso para ter direito à investidura; necessária também é que esteja classificado e na posição correspondente às vagas existentes, durante o período de validade do concurso, que é de 2 anos (37, III); independem de concurso as nomeações para cargo em comissão (37, II). Contratação de pessoal temporário: será estabelecido por lei, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX).

Sistema remuneratório dos agentes públicos: Espécies; a EC-19/98 modificou o sistema remuneratório dos agentes, com a criação do subsídio, como forma de remunerar agentes políticos e certas categorias de agentes administrativos civis e militares; é usada a expressão espécie remuneratória como gênero, que compreende: o subsídio, o vencimento, os vencimentos e a remuneração. Isonomia, paridade, vinculação e equiparação de vencimentos: isonomia é igualdade de espécies remuneratórias entre cargos de atribuições iguais ou assemelhados; paridade é um tipo especial de isonomia, é igualdade de vencimentos a cargos e atribuições iguais ou assemelhadas pertencentes a quadros de poderes diferentes; equiparação é a comparação de cargos de denominação e atribuições diversas, considerando-os iguais para fins de lhes conferirem os mesmos vencimentos; vinculação é relação de comparação vertical, vincula-se um cargo inferior, com outro superior, para efeito de retribuição, mantendo-se certa diferença, aumentando-se um, aumenta-se o outro. Vedação de acumulações remuneradas: ressalvadas as exceções expressas, não é permitido a um mesmo servidor acumular dois ou mais cargos ou funções ou empregos, seja da Administração direta ou indireta (37, XVI e XXVII). Servidor investido em mandato eletivo: o exercerá observando as seguintes regras: 1) se se tratar de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado da sua atribuição (38, I); o afastamento é automático; 2) mandato de prefeito, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado optar pela remuneração; o afastamento se verifica com a posse; 3) mandato de vereador; havendo compatibilidade de horário, exercerá ambas. Em qualquer das hipóteses, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento. SERVIDORES PÚBLICOS Aposentadoria, pensão e seus proventos: a aposentadoria dos servidores abrangidos pelo regime previdenciário de caráter contributivo (art. 40, cf. EC-20/98) se dará: por invalidez permanente, compulsoriamente aos 70 anos com provento proporcionais ao tempo de contribuição e, voluntariamente (desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições: a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher; b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição); sobre a pensão, é determinado que os benefícios da pensão por morte será igual ao valor dos proventos do falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito em atividade na data de seu falecimento, observado o disposto no § 3º do art. 40. ver o arquivo C:/Meus Documentos/Workgroup/Inss/Constituição Dispositivos.zip Efetividade e estabilidade: o art. 41, cf. a EC-19/98 diz que são estáveis após 3 anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público; cargo de provimento efetivo é aquele que deve ser preenchido de caráter definitivo; são requisitos para adquirir a estabilidade: a nomeação por concurso e o exercício efetivo após 3 anos. Vitaliciedade: é assegurada pela CF a magistrados, membros do Tribunal de Contas e membros do MP; essa garantia não impede a perda do cargo pelo vitalício em 2 hipóteses: extinção do cargo, caso em que o titular ficará em disponibilidade com vencimentos integrais; e demissão, o que só poderá ocorrer em virtude de sentença judicial. Sindicalização e greve dos servidores públicos: é expressamente proibida aos militares, cabível só aos civis; quanto à sindicalização, não há restrições (37, VI); quanto à greve, o texto constitucional estabelece que o direito de greve dos servidores será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica, o que, na prática, é quase o mesmo que recusar o direito prometido.

TRIPARTIÇÃO DO PODER Poder: trata-se do conjunto de preceitos imperativos incidentes sobre certos seres fixados em determinado território. O sentido constitucional do poder é dados pelas três seguintes acepções: a) poder enquanto revelação da soberania (art. 1º, parágrafo único, da CF); b) poder enquanto órgão do Estado (art. 2º, da CF); c) poder enquanto função (arts. 44, 76 e 92 da CF).

Equivocam-se os que utilizam a expressão “tripartição dos poderes.” É que o poder é uma unidade. Como já vimos, é atributo do Estado. A distinção é entre os órgãos desempenhantes de funções. PODER LEGISLATIVO: SUA ESTRUTURA A forma de Estado é federal. O Legislativo nacional é bicameral. São duas casas legislativas do Congresso Nacional, órgão que desempenha a função legislativa:  Câmara dos Deputados (art. 45), onde se encontram os representantes do povo brasileiro e;  Senado Federal (art. 46), onde se encontram os representantes dos Estados e do Distrito Federal. Dentre as funções do Legislativo encontra-se a de ditar normas nacionais, isto é, preceitos que obrigam a todos os que se achem no território nacional. As casas podem reunir-se separadamente ou conjuntamente. Legislatura: período de mandato do parlamentar. Sessão Legislativa: reuniões semestrais do Congresso Nacional, que se verificam de 15 de fevereiro a 30 de junho e de 1º de agosto a 15 de dezembro, tal como prescreve o art. 57. - sessão ordinária – são aquelas ocorrentes nos períodos já mencionados (art. 57). - sessão extraordinária – são as que se realizam fora daquele período (em caso de estado de sítio, estado de defesa ou intervenção federal e para o compromisso e a posse do Presidente e VicePresidente da República – pode ser feita pelo Presidente do Senado Federal). Quando a convocação baseia-se na urgência ou interesse público relevante, ela pode ser feita pelo Presidente da República ou pelos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas. Câmara dos Deputados O número total de deputados será estabelecido por lei complementar. Para candidatar-se é preciso: a) ser brasileiro nato ou naturalizado (art. 14, § 3º, I); b) ser maior de 21 anos de idade (art. 14, § 3º, VI, “c”); c) estar no exercício dos direitos políticos (art. 14, § 3º, II). Para estabelecer o número de deputados a serem eleitos por Estado, tomou-se como referência a população1, como se verifica no art. 45, § 1º, da CF. Nenhum Estado terá mais de setenta ou menos de oito deputados. A legislatura é de quatro anos. Senado Federal No Senado estão os representantes dos Estados e do Distrito Federal. A paritariedade da representação visa a manter o equilíbrio das unidades federadas por força da participação parificada de todos os Estados nas decisões nacionais. São condições para a candidatura ao Senado: a) ter nacionalidade brasileira (art. 14, § 3º, I); b) ser maior de 35 anos de idade (art. 14, § 3º, VI, “a”); c) estar no exercício dos direitos políticos (art. 14, § 3º, II). O mandato de senador é de oito anos, havendo renovação de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e por dois terços (art. 46, § § 1º e 2º, da CF). Cada senador será eleito com dois suplentes, que o substituirão segundo a ordem em que foram eleitos. As Mesas Diretoras e as Comissões Temos as seguintes Mesas dirigentes: a) da Câmara dos Deputados; b) do Senado Federal; c) do Congresso Nacional. Nas hipóteses “b”e “c”, a Mesa dirigente dos trabalhos é a do Senado. Os dirigentes das mesas não podem candidatar-se ao mesmo cargo na mesa, findo o prazo de mandato de dois anos. Podem candidatar-se a outro cargo, em eleição imediatamente subseqüente. (art. 57, § 4º). Garantias dos parlamentares Garante-se a atividade do parlamentar para garantir a instituição. Conferem-se a deputados e senadores prerrogativas com o objetivo de lhes permitir desempenho livre, de molde a assegurar a independência do Poder que integram. Daí as garantias constitucionais de inviolabilidade no exercício do mandato e imunidade processual. A inviolabilidade diz respeito à emissão de opiniões, palavras e votos. Opiniões e palavras que, ditas por qualquer pessoa, podem caracterizar atitude delituosa, mas que assim não se configuram quando pronunciados por parlamentar. Sempre, porém, quando tal pronunciamento se der no exercício do mandato. Quer dizer: o parlamentar, diante do Direito, pode agir como cidadão comum ou como titular de mandato. Agindo na primeira qualidade não é coberto pela inviolabilidade. A inviolabilidade está ligada à idéia de exercício de mandato. Opiniões, palavras e votos proferidos sem nenhuma relação com o desempenho do mandato representativo não são alcançados pela inviolabilidade.

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População equivale à soma de brasileiros, estrangeiros e apátridas.

Para viabilizar essa inviolabilidade o § 1º do art. 53 determina que, a partir da expedição do diploma até a inauguração da legislatura seguinte, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente, sem prévia licença da Casa a que pertencerem. É certo, porém, que o indeferimento do pedido de licença ou mesmo a ausência de deliberação sobre a matéria suspende a prescrição enquanto não deixar o mandato. Significa que, findo o mandato, sem reeleição, o parlamentar sujeita-se ao processo criminal. A Casa legislativa, ao tomar conhecimento do flagrante de crime inafiançável, não procede a julgamento técnico-jurídico, mas simplesmente decide sobre a prisão e sobre a oportunidade do processo-crime. Ao decidir, a Câmara estará implicitamente definindo se aquele ato concreto foi praticado como extensão ou implicação do exercício da função parlamentar, ou não. Tem-se discutido se continua inviolável o parlamentar que se licencia para exercer cargo executivo (Secretário de Estado, Ministro de Estado). Se continua, ou não, exercendo o mandato. O Supremo Tribunal Federal decidiu que o licenciado não está no exercício do mandato e, por isso, dispensa-se a licença aqui referida. Parece-nos que o art. 56 da CF responde a essa indagação ao prescrever que: não perderá o mandato o deputado ou senador investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de Território, etc. “Não perderá o mandato.” Significa: quando cessarem suas funções executivas, o parlamentar, que não perdeu o mandato, pode voltar a exercê-lo. O que demonstra que, enquanto afastado, não se encontrava no exercício do mandato. Este, sim, coberto pela imunidade. O preceito do art. 56 teve o efeito de fixar que o afastamento temporário não importa a cessação do mandato, senão que interrupção de exercício. Harmoniza-se com a prescrição da impossibilidade de exercício simultâneo de funções em Poderes diversos. PODER LEGISLATIVO: SUAS FUNÇÕES Funções típicas: produzir normas infraconstitucionais geradores de direitos e obrigações, legislar (art. 59 da CF) – à exceção das medidas provisórias e leis delegadas, produzidas pelo Presidente da República sem aprovação posterior do Legislativo. A ele compete exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do poder executivo. (art. 70). Funções atípicas: administrar e julgar. O Legislativo administra quando dispõe sobre sua organização, polícia e provimento de cargos de seus serviços. Julga quando decide a respeito dos crimes de responsabilidade do Presidente da República, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal e do Procurador-Geral da República, bem como dos Ministros de Estado nos crimes de responsabilidade conexos com aqueles praticados pelo Chefe do Executivo. A função fiscalizadora Duas competências fiscalizadoras são atribuídas ao Legislativo: uma, ampla e geral, que lhe permite indagar e questionar a respeito de todos os atos do Poder Executivo, inclusive os da administração indireta. É competência derivada da idéia segundo a qual os atos da administração devem ser acompanhados e fiscalizados pelo povo. Outra competência fiscalizadora é a prevista no art. 70 do Texto Constitucional. Cuida-se da fiscalização financeira e orçamentária. Nesse mister o Congresso Nacional é auxiliado pelo Tribunal de Contas da União. Esclareça-se que todas as unidades administrativas estão sujeitas a esse controle. Assim a do Executivo, a do Legislativo e a do Judiciário. Também deverá prestar contas qualquer pessoa, física ou jurídica, pública ou privada, que “utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos...”. É o que se extrai do parágrafo único do art. 70. Os Tribunais de Contas O controle de contas do Executivo por órgão distinto dele é da tradição do nosso direito constitucional. O controle de contas, mediante ação fiscalizadora, foi, pois, desde o nascimento do Estado brasileiro, exercido pelo Poder Legislativo. A Constituição de 1988 dispõe: Art. 71. “O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União (...)”. Tribunal de Contas: - É órgão do Legislativo e desempenha funções administrativas de controle como instrumento auxiliar daquele Poder. É órgão auxiliar do Congresso Nacional e pratica somente atos de natureza administrativa. Resulta do exposto que o Tribunal de Contas é parte componente do Poder Legislativo, na qualidade de órgão auxiliar, e os atos que pratica são de natureza administrativa. Ver arts. 70 a 75. O PROCESSO DE CRIAÇÃO DA LEI Conceito de lei

Lei é ato normativo produzido pelo Poder Legislativo segundo forma prescrita na Constituição, gerando direitos e deveres em nível imediatamente infraconstitucional. As leis de efeitos concretos, se qualificam como atos administrativos. Lei auto-executável é a que atinge o resultado desejado pelo legislador mediante dois procedimentos que se sucedem no tempo – a promulgação e o ato de execução, distinguindo-se por isso da lei que não é auto-executável, a qual exige, para exaurir-se, três etapas sucessivas – a promulgação, a regulamentação e o ato de execução. Já as leis de efeitos concretos são, como o nome indica, as que concretizam em si mesmas o objetivo do legislador, que se consumam no ato instantâneo da promulgação. As outras leis estatuem um comando impessoal e abstrato, que só mediante o ato de execução, em fase subseqüente à promulgação, pode incidir sobre o direito individual, realizando o efeito previsto e desejado pelo legislador; ao passo que a lei de efeito concreto é o próprio ato administrativo revestido da roupagem formal da lei, consubstanciando num só corpo e num só momento a norma e a sua execução, uma e outra aperfeiçoadas no mesmo e único instante da promulgação, de tal forma que, publicada a lei, nada mais resta fazer-se para a sua efetiva aplicação. FASES DO PROCESSO DE CRIAÇÃO DA LEI a) Iniciativa: é o ato que deflagra o processo de criação da lei. Podem iniciar esse processo: o Presidente da República, Deputado, Senador, Comissão da Câmara dos Deputados, Comissão do Senado Federal, Comissão do Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, os Tribunais Superiores (quando tratar-se de normas atinentes ao Judiciário) e o ProcuradorGeral da República (quando tratar-se de normas referentes ao Ministério Público Federal). Também os cidadãos (iniciativa popular). É o disposto no art. 61 da CF, que prevê a iniciativa geral. Ao lado desta, verifica-se a iniciativa reservada, à Câmara dos Deputados, Senado Federal e Tribunais sobre a criação e extinção de cargos e fixação de vencimentos. (art. 96, II, “b”). Se o projeto é de iniciativa do Presidente da República e dos Tribunais Federais, será apresentado à Câmara dos Deputados, assim como se apresentado por Deputado; se oferecido por Senador, a discussão se inicia no Senado Federal. b) Discussão: apresentado o projeto à Casa legislativa competente, passa-se à sua discussão. Esta se opera tanto nas comissões permanentes (a previsão das comissões encontra-se no art. 58) como, posteriormente, em plenário. As comissões permanentes examinarão a constitucionalidade (aspecto formal) e o conteúdo (aspecto material). Discutido o projeto nas comissões, é remetido ao plenário para final discussão e votação. Essa tramitação se opera tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Se a segunda Câmara, incumbida de apreciar o projeto (chamada revisora do Texto Constitucional), aprovar o projeto, será enviado para sanção ou promulgação; se o emendar, deverá devolvê-lo à Casa iniciadora para que aprecie a emenda; se o rejeitar, será arquivado (art. 65 e parágrafo único). A matéria constante de projeto de lei arquivado ou não sancionado somente poderá constituir objeto de novo projeto na mesma sessão legislativa (refere-se à sessão anual) mediante proposta da maioria absoluta dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. É, este, mais um caso de iniciativa conferida à maioria absoluta das Casas do Congresso Nacional: só esta pode propor projeto de lei que abrigue matéria contida em anterior projeto rejeitado ou não sancionado. OBS: - Não serão aprovadas emendas aos projetos de lei, que aumentem as despesas previstas no projeto. (art. 63, I e II). c) Votação: discutido o projeto, passa-se à votação. Tratando-se de lei ordinária, a aprovação se verifica por maioria simples. Só se instala a sessão deliberativa com a presença da maioria dos integrantes da Casa Legislativa. Esta é a maioria absoluta. Presente essa maioria, delibera-se. Aprova-se mediante voto favorável da maioria dos presentes à sessão. Trata-se da maioria simples. Exemplificadamente, sendo 100 os integrantes da Casa Legislativa, a maioria absoluta é a de 51 membros. Presentes os 51, há quorum. A maioria simples equivale a 26 membros. Alerta-se para as hipóteses dos colegiados de números ímpares. Se é de 27 membros, a maioria absoluta é de 14 membros, ou seja, o primeiro número inteiro subseqüente ao número obtido da divisão. A votação, em certos casos, há de ser feita dentro do prazo fixado pelo Presidente da República. É que o art. 64, § 1º, autoriza o Presidente da República a remeter projetos de lei solicitando sua apreciação em prazo de 90 dias, sendo 45 em cada Câmara. A inapreciação, nesse prazo, importa a inclusão do projeto na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação dos demais assuntos até que se ultime a votação (art. 64, § 2º). Não há, como se vê, aprovação por decurso de prazo. Há, isto sim, mecanismo constitucional que acaba por obrigar as Casas legislativas a aprovarem projeto remetido com solicitação de urgência. Esta norma, por caracterizar-se como “princípio” atinente ao processo legislativo, permite a conclusão segundo a qual Estados, Distrito Federal e Municípios não podem adotar o regime de aprovação de projetos por decurso de prazo. Temos, assim, que os projetos de lei podem tramitar: a) sem fixação de prazo; b) com fixação de prazo, em regime de urgência.

Assinale-se que o prazo de 90 dias pode dilatar-se para 100 dias. Se houver emenda ao projeto no Senado Federal, retorna ele à Câmara dos Deputados para sua apreciação no prazo de 10 dias. Somados com os 90 dias, fazem 100. d) Sanção ou veto: Sanção é a aquiescência do Presidente da República aos termos de um projeto de lei. A sanção pode ser expressa ou tácita. Será expressa quando o Presidente manifestar-se, concordando, no prazo de 15 dias. Tácita, quando silencia naquele prazo. A sanção também pode ser total ou parcial conforme concorde, ou não, com a totalidade do projeto. Vetar, na significação constitucional, é discordar dos termos de um projeto de lei. Para tanto, o Chefe do Executivo examina dois aspectos: constitucionalidade e interesse público. Verifica, pois, a forma e o mérito. O primeiro é prejudicial do segundo e, por isso, constitui preliminar de conhecimento do projeto. Antes de entrar no mérito, o Chefe do Executivo verifica se o projeto é consonante com a Constituição, se não a vulnera. Concluindo pela conformidade, examinará o mérito, o interesse público. Por isso, o veto há de ser, sempre, motivado, a fim de que se conheçam as razões que conduziram à discordância, se referentes à inconstitucionalidade ou à falta de interesse público ou, até, se por ambos os motivos. É o que se extrai da leitura do art. 66, § 1º, da CF. O mesmo juízo deverá ser feito para sancionar o projeto, ou seja, para aquiescer aos termos do projeto. Assim, o que Presidente da República recebe para sancionar ou vetar é um projeto de lei que ganhou forma no Poder competente: o Legislativo. Não pode impressionar o argumento da iniciativa: o Presidente pode, como visto, iniciar o procedimento de elaboração da lei, mas quem dá corpo ao projeto é o Legislativo. Acrescente-se – para reforçar – a idéia segundo a qual a manifestação constitucionalmente mais expressiva na formação da lei é a “vontade geral”, derivada dos representantes do povo – que têm assento na Câmara dos Deputados – e dos Estados – que têm assento no Senado Federal. O Presidente da República participa do projeto legislativo numa medida salutar e enriquecedora do princípio da independência e harmonia dos Poderes. Mas, indubitavelmente, o momento principal da elaboração legislativa ocorre nas Casas do Congresso Nacional, centros auscultadores da opinião pública e filtros da fermentação social. Por tudo isto, é impossível o veto aditivo ou restabelecedor, isto é, o veto que adicione algo ao projeto de lei ou restabeleça artigos, parágrafos, incisos ou alíneas suprimidos pelo Congresso Nacional. O veto parcial surgiu para impedir o que a doutrina chama de riders, de “caudas legais”, que os membros do Legislativo faziam aderir aos projetos de lei de interesse do Executivo, por meio de emendas. Subsistente apenas o veto total, o Chefe do Executivo era obrigado, muitas vezes, a sancionar o projeto de lei com emendas indesejáveis. Ocorria, com freqüência, no caso da lei orçamentária. A Constituição de 1988 dele cuida no art. 66, § 2º. Qual é, no sistema vigente, o seu alcance ? O Chefe do Executivo federal pode vetar palavras ? Há presentemente a impossibilidade do veto de palavras. e) Promulgação: Promulgar é atestar que a ordem jurídica foi inovada. A promulgação é o ato pelo qual o Executivo autentica a lei, isto é, atesta a sua existência, ordenando-lhe a aplicação e conseqüente cumprimento, por parte de terceiros, depois dessa providência. Em regra, o Presidente da República é quem promulga a lei. Entretanto, na hipótese de rejeição de veto e, também, no caso de sanção tácita, se o Presidente não promulgar a lei dentro de 48 horas, a competência passa ao Presidente do Senado Federal e, se este não promulgá-la no mesmo prazo, fá-lo-á o Vice-Presidente do Senado Federal. O que se poderia perguntar é se, passadas as 48 horas, o Presidente da República poderia promulgar o projeto de lei. Respondemos afirmativamente, pois o objetivo da prescrição do § 7º do art. 66 não é transferir a competência, mas autorizar outras autoridades a atestarem a existência da lei na omissão do Presidente. O objetivo é suprir e não impedir a manifestação do Chefe do Executivo. f) Publicação: a publicação visa a dar conhecimento a todos de que a ordem jurídica recebeu normação nova. Visa a impedir que se alegue ignorância da lei. Busca, também, marcar o momento em que o cumprimento da lei passa a ser exigido (mesmo quando a lei indique o início de sua vigência). Há de ser publicada em órgão oficial. Naquele que veicula, oficialmente, os atos do Poder Público. Nos locais onde não haja jornal oficial, considera-se publicado o ato governamental pelos meios em que rotineiramente se os veiculam no local (afixação de texto no quadro próprio da Câmara Municipal ou da Prefeitura, por exemplo). Se o texto da lei for parcialmente publicado, far-se-á nova publicação do texto integral. Mas o que foi publicado parcialmente gera direitos e deveres ? A resposta é afirmativa. É que o texto levado a conhecimento público retrata a decretação, a sanção e a promulgação anteriormente feitas. AS ESPÉCIES NORMATIVAS – art. 59 da CF Emendas à Constituição

A emenda à Constituição é, enquanto projeto, um ato infraconstitucional: só ingressando no sistema normativo é que passa a ser preceito constitucional e, daí, sim, da mesma estatura daquelas normas anteriormente postas pelo constituinte. Há as vedações de natureza circunstancial e vedações de natureza material. Com efeito, no § 4º do art. 60 encontramos a expressão: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação de Poderes e os direitos e garantias individuais”. São matérias intocáveis pelo legislador constituinte. Em outras palavras, a rigidez constitucional, nessas matérias, ocupa grau máximo. De outro lado, no § 1º, encontram-se as vedações circunstanciais. Na circunstância do estado de sítio ou na circunstância do estado de defesa ou, ainda, na intervenção federal, não se pode modificar a Constituição Federal. Em outras palavras: o legislador reformador, que tem assento no Congresso Nacional, submete-se aos ditames constitucionais; submete-se àquilo que antes positivou o legislador constituinte ordinário, aquele que criou o Estado, aquele que estabeleceu a Constituição. A emenda constitucional, por sua vez, só pode ingressar no sistema se obedecer a processo determinado, o qual vem arrolado no art. 60, I a III, e § § 2º e 3º. Evidentemente, se uma emenda constitucional trouxer modificação, p.e., do sistema tributário, vulnerando princípios, ou em desobediência à forma determinada para sua produção, não se admite sua introdução na Constituição. Se vier a introduzir-se, é passível de declaração de inconstitucionalidade. Convém notar que o texto constitucional abriga vedações explícitas e implícitas. As explícitas são aquelas já mencionadas. As implícitas são as que dizem respeito à forma de criação de norma constitucional bem como as que impedem a pura e simples supressão dos dispositivos atinentes à intocabilidade dos temas já elencados (art. 60, § 4º, da CF). Processo de criação da Emenda à Constituição Têm a iniciativa do projeto de emenda à Constituição: o Presidente da República (art. 60, II); os Deputados e Senadores, devendo a proposta, neste caso, ter assinatura de 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal (art. 60, I) ou mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, cada uma manifestando-se pela maioria relativa de seus membros (art. 60, III). A proposta de emenda é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos. Considera-se aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos membros de cada uma das Casas (art. 60, § 2º). Inexiste sanção no caso de Emendas Constitucionais. A decisão é, soberanamente, do Congresso Nacional, que exerce a representação popular e dos Estados, na reformulação da estrutura estatal. Votado e aprovado o projeto, passa-se à promulgação, efetivada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o número de ordem seqüente a anteriores emendas. Sobre a publicação o Texto Constitucional silencia. Há de entender-se, entretanto, que essa competência é do Congresso Nacional. Lei Complementar e Lei Ordinária Não há hierarquia entre a lei complementar e a lei ordinária. O fundamento de validade destes tipos estão no próprio Texto Constitucional. Lei Complementar: Complementam a Constituição, regulamentando assunto nela contido. Não se pode atribuir a qualquer espécie normativa o caráter de lei complementar. A própria Constituição estabelece os casos em que deve haver a complementação. Ex: A Lei Complementar 75/93 estabeleceu o ESTATUTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO, em obediência ao preceituado no art. 128, § 5º. Lei Ordinária: É o tipo mais freqüente e são assim denominadas para distinguirem-se das leis complementares ou delegadas. Na prática, recebem a denominação pura e simples de lei. As leis ordinárias são as leis reguladoras das relações comuns entre os homens, em sua vida cotidiana. São as leis que determinam o que é permitido e o que é proibido, em atenção às conjunturas de cada tempo, de cada lugar, de cada grupo social. Estas leis, sendo conjunturais, podem ser revogadas e substituídas por outras leis ordinárias, de acordo com as mutáveis exigências da vida. Diferença: as leis ordinárias distanciam-se das complementares no tocante ao quorum de sua aprovação. As leis complementares carecem da maioria absoluta dos votos dos membros das duas Casas do Congresso Nacional, enquanto as leis ordinárias, de acordo com o Texto Constitucional, estão sujeitas a aprovação por maioria simples, presente a maioria absoluta dos membros daquelas casas (art. 47 da CF). ver também arts. 61 a 69 da CF. Processo de criação da lei complementar e da lei ordinária Têm iniciativa dos projetos de lei complementar e de lei ordinária: o Deputado, o Senador, Comissão da Câmara dos Deputados, Comissão do Senado Federal, Comissão do Congresso Nacional, o Presidente da República, o Supremo Tribunal Federal e Tribunais Superiores, o Procurador-Geral da República e os cidadãos (iniciativa popular) (art. 61).

A discussão se opera na Câmara dos Deputados e no Senado Federal (arts. 64 e 65). A votação, visando à aprovação, no caso da lei ordinária, se dá por maioria simples (art. 47); no caso de lei complementar, por maioria absoluta (art. 69). A sanção é da competência do Presidente da República (art. 66) tanto no caso da lei complementar como da lei ordinária. A promulgação cabe ao Presidente da República. Ressalva-se a hipótese em que haja veto com sua subseqüente rejeição. Nesse caso, se a lei não for promulgada dentro de 48 horas pelo Presidente da República, o Presidente do Senado a promulgará e, se este não o fizer no prazo de 48 horas (contadas a partir do escoamento do prazo de 48 horas conferido ao Presidente da República), a promulgação competirá ao Vice-Presidente do Senado (art. 66, § 7º). O mesmo procedimento será seguido no caso de sanção tácita, se, após 48 horas, o Presidente não promulgar a lei. A publicação, tanto da lei complementar quanto da lei ordinária, caberá a quem a tenha promulgado. Peculiaridades do processo de criação da lei ordinária São eles: a) leis de tramitação sem prazo; b) leis de tramitação com prazo, em regime de urgência. Quanto aos projetos de leis de tramitação sem prazo, o processo legislativo aplicável é aquele já escrito no tópico anterior. Quanto aos projetos de lei ordinária de tramitação com prazo a iniciativa é do Presidente da República, pois é este que pode enviar ao Congresso Nacional projetos de lei fixando prazo para sua apreciação: 45 dias pela Câmara dos Deputados mais 45 dias pelo Senado Federal. Estes os termos em que se processa a discussão, sendo certo que, se houver emendas no Senado, a sua apreciação se fará no prazo de 10 dias pela Câmara dos Deputados. Esse prazo de 10 dias significa que o prazo fixado em 90 dias pode dilatar-se a 100. Esses prazos, por sua vez, não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional. Significa que se interrompem para prosseguir a contagem após o recesso. Quando há fixação de prazo a votação há de ser feita naquele período. Caso contrário, o projeto será incluído na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação quanto aos demais assuntos até que se ultime a votação. É fórmula coercitiva estabelecida para obrigar o Congresso a apreciar expressamente o projeto de lei. Leis delegadas Delegar atribuições, para o constituinte, significa retirar parcela de atribuições de um Poder para entregá-lo a outro Poder. Delegação de atribuição, segundo o Texto Constitucional, se verifica com o deslocamento de parcela de atribuição do Legislativo, por vontade deste, para outro Poder, o que se dá na delegação externa corporis. Na que autoriza o Presidente da República a editar lei. Delegação de atribuições é, efetivamente, a transferência de parte da atividade legislativa ao Presidente da República. A delegação ao Presidente da República se faz por meio de resolução do Congresso Nacional (art. 68, § 2º). Por outra parte, só é possível delegar ao Presidente da República se este solicitar. Em outras palavras: o Legislativo não pode obrigar o Presidente da República a legislar. Ainda são indelegáveis os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional (aqueles arrolados no art. 49); os de competência exclusiva da Câmara dos Deputados (arrolados no art. 51); os de competência exclusiva do Senado Federal (arrolados no art. 52) e as leis sobre organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a legislação sobre nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos, eleitoral e sobre planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamento. São indelegáveis, também, as matérias reservadas à lei complementar. Processo de criação da lei delegada Somente mediante a iniciativa solicitadora do Presidente da República é que se pode deflagrar o processo de criação da lei delegada mediante expedição de resolução autorizadora por parte do Congresso Nacional. Dependendo do estabelecido na resolução autorizadora, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício, haverá ou não apreciação do projeto pelo Congresso Nacional. Se a resolução não determinar essa apreciação, dispensa-se a sanção, passando-se à promulgação. Mesmo que a resolução determine a apreciação pelo Congresso Nacional, parece-nos dispensável a sanção, porque o conteúdo do projeto de lei delegada não se alterará, visto que se fará em votação única, vedada qualquer emenda (art. 68, § 3º). Não se veta, em conseqüência, projeto de lei delegada. É ilógico pensar-se que o Presidente vetaria aquilo que ele próprio elaborou. Medida Provisória Não é lei, porque não é ato nascido no Poder Legislativo, mas tem a força da lei, porque cria direitos e obrigações. É unipessoal.

A medida provisória pouco difere do decreto-lei previsto na Constituição anterior. E com uma agravante: o decreto-lei somente poderia versar sobre matérias determinadas: segurança nacional, criação de cargos públicos, inclusive fixação de vencimentos, finanças públicas e normas tributárias. Para as medidas provisórias não há essa limitação. Podem versar, portanto, sobre todos os temas que possam ser objeto de lei, à exceção, naturalmente, das seguintes matérias: a) aquelas entregues à lei complementar; b) as que não podem ser objeto de delegação legislativa; c) a legislação em matéria penal; d) a legislação em matéria tributária. As medidas provisórias só podem ser editadas pelo Presidente da República. Não podem adotá-las os Estados e os Municípios. É que a medida provisória é exceção ao princípio segundo o qual legislar compete ao Poder Legislativo. Sendo exceção, a sua interpretação há de ser restritiva, nunca ampliativa. Questão interessante a ser enfrentada é a seguinte: o que ocorre com a lei anterior, que cuidava de matéria que venha a ser veiculada por medida provisória ? A edição da medida provisória paralisa temporariamente a eficácia da lei que versava a mesma matéria. Se a medida provisória for aprovada, se opera a revogação. Se, entretanto, a medida provisória for rejeitada, restaura-se a eficácia da norma anterior. Isto porque, com a rejeição, o Legislativo expediu ato volitivo consistente em repudiar o conteúdo daquela medida provisória, tornando subsistente anterior vontade manifestada de que resultou a lei antes editada. O processo de criação da medida provisória A medida provisória tem a particularidade de nascer como diploma normativo pela tão-só manifestação do Chefe do Executivo. A discussão é posterior. Já em vigor, produzindo efeitos, é submetida ao Congresso Nacional, que deverá apreciá-la para aprová-la ou rejeitá-la no prazo de 30 dias a contar de sua publicação. Se o Congresso Nacional estiver em recesso, deverá ser convocado extraordinariamente no prazo de cinco dias para o exame da medida provisória. A aprovação há de ser expressa, no prazo aludido. A aprovação converte medida provisória em lei. A não-apreciação importa rejeição. Rejeitada, o Congresso Nacional deve regulamentar as relações jurídicas que dela decorram. E o instrumento para essa regulamentação é a lei. Não há, pensamos, outra forma de corporificar a regulamentação. Não há sanção, visto que não há projeto. O diploma já nasce enformado. De igual maneira, não se cogita da promulgação. Cuida-se, apenas, de publicação, ato que, na verdade, dá nascimento à medida provisória, porque veicula a vontade do Presidente da República. E a conversão da medida em lei também dispensa a sanção. Decreto legislativo Essa espécie normativa tem como conteúdo, basicamente, as matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional (art. 49). A leitura do art. 49 evidencia que, por decreto legislativo, se referendam atos do Presidente da República, aprovam-se os que dependem de sua prévia autorização, que digam respeito aos seus itneresses, que apreciem contas do Presidente da República. O processo de criação do decreto legislativo Há hipóteses em que a deflagração do processo formativo depende do Presidente da República, em outras depende da iniciativa de membro ou comissão do Congresso Nacional. A discussão se passa no Congresso Nacional. A aprovação se dá por maioria simples (art. 47). Sendo de competência exclusiva do Congresso Nacional, não há sanção. A promulgação é feita pelo Presidente do Senado Federal, que o manda publicar. Resoluções Os atos normativos veiculados por resoluções são, em regra, definidos pelos regimentos das Casas Legislativas e pelo Regimento do Congresso Nacional. O constituinte não definiu quais os atos que serão veiculados por resoluções. Uma única menção: no caso da delegação ao Presidente da República para que elabore a lei. É o art. 68, § 2º, da CF: “A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.” Processo de criação das resoluções A iniciativa cabe aos membros do Congresso Nacional, na forma estabelecida regimentalmente. A discussão das resoluções se dá no interior da Casa Legislativa que deve expedi-las. A votação levará em conta, para aprovação, manifestação favorável da maioria simples. Não há sanção, por tratar-se de matéria privativa, ora do Senado, ora do Congresso Nacional. A promulgação é efetivada pela Mesa da Casa Legislativa que a expedir ou, quando se tratar de resolução do Congresso Nacional, pela Mesa do Senado Federal.

Publica-a a Casa Legislativa de onde emanou. O PODER EXECUTIVO Funções: administrar, elaborar atos com força de lei (medidas provisórias), participar do processo legislativo (pela iniciativa, sanção, veto e promulgação das leis, bem como de deflagrador do processo de emenda à Constituição). O art. 84 da CF revela que o Presidente da República acumula as funções de: - Chefe de Estado: o representa nas suas relações internacionais. - Chefe de Governo: representa o Estado nos seus negócios internos, tanto os de natureza política, como os de natureza eminentemente administrativa. Parlamentarismo e Presidencialismo Presidencialismo: o Chefe de Estado e o Chefe de Governo é o Presidente. Parlamentarismo: o Chefe de Estado é o Presidente ou Monarca e o Chefe de Governo é o Primeiro-Ministro. Verifica-se o deslocamento de uma parcela da atividade executiva para o Legislativo, fortalecendo-se, assim; a figura do Parlamento. Decreto e Regulamento ver art. 84, IV da CF. O veículo de manifestação do Presidente da República é o decreto. Por meio desse instrumento é que o Chefe do Executivo exercita suas principais funções jurídicas. A lei inova a ordem jurídica infraconstitucional; o regulamento não altera. A lei depende da Constituição; nela encontra seu fundamento de validade. O regulamento depende da lei; nela encontra seu fundamento de validade. Regulamento se prende ao texto legal e seu objetivo é facilitar o processo de execução da lei. É o regulamento também norma abstrata e geral, mas difere da lei por não importar modificação na ordem jurídica. O regulamento, por sua vez, é ato administrativo produzido pelo Chefe do Poder Executivo (tanto no plano federal, como no estadual e municipal). Por isso vincula toda a Administração, em razão do princípio hierárquico, pois o Chefe do Executivo é o comandante supremo de todos os agentes públicos. A obrigação, para o particular, deriva, portanto, da lei. O modo de cumprir a obrigação é que deriva do regulamento. Lei: o que fazer / Regulamento: como fazer. Todas as leis são regulamentáveis ? A resposta é negativa. Só serão regulamentáveis aquelas que hajam de ser executadas pelo Poder Executivo. Tanto faz que a lei tenha determinado a regulamentação, ou não. Importa que, para sua aplicação, demande-se atividade executiva. As leis auto-executáveis inexigem regulamentação. Leis processuais, civis, penais, trabalhistas, independem de regulamentação porque se destinam diretamente aos particulares e ao órgão judiciário que, interpretando-as, irão aplicá-las. O Presidente da República poderia delegar a atribuição regulamentar ? Não as competências do art. 84, IV. Os regulamentos expedidos por autorização do art. 84, IV, são chamados de execução. São aqueles que se destinam a dar fiel cumprimento às leis. A Constituição não acolhe os regulamentos delegados. São normas com as mesmas características da lei (generalidade e abstração) editadas por força de autorização legal. Inadmite-se o regulamento delegado diante da vedação constitucional atinente à indelegabilidade de atribuições. Registre-se, finalmente, que o Congresso Nacional pode “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.”(art. 49, V). O ato de sustação é de competência exclusiva do Congresso Nacional. Mas isto não significa que o Judiciário não possa examinar essa questão. Se o Executivo insurgir-se, sustentando a conformidade do regulamento à lei, estabelece-se litígio que deve ser solucionado pelo Poder Judiciário, em atenção ao princípio da plenitude da jurisdição (art. 5º, XXXV). Nem poderia ser de outra forma. Se o maior dos litígios, que é derivado do confronto da lei com a Constituição, pode ser examinado pelo Judiciário, não teria sentido dele subtrair a apreciação da legalidade de ato do Poder Executivo (o confronto do regulamento com a lei). A exceção ao princípio da indelegabilidade gera a lei delegada, não o regulamento delegado. Mas essa delegação, escancara para o Executivo larga porta pela qual legisla inconstitucionalmente por via de regulamentos, abrigado no conforto de dispositivos nulos. O Presidente da República e os Ministros de Estado O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República auxiliado pelos Ministros de Estado.

Também auxilia o Presidente da República o Vice-Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais. Exerce também o Vice-Presidente outras atribuições que lhe forem conferidas em lei complementar. Eleição do Presidente e Vice-Presidente – A eleição é direta por sufrágio universal e secreto, eleito o candidato que obtiver maioria absoluta de votos. Se na primeira votação nenhum candidato obtiver maioria absoluta, far-se-á nova eleição, concorrendo apenas os dois candidatos mais votados na primeira. Já, agora, será eleito o candidato que obtiver a maioria simples de votos. O Presidente da República, juntamente com o Vice, é eleito para mandato de quatro anos (art. 82). Só podem candidatar-se os brasileiros natos maiores de 35 anos e no exercício dos direitos políticos (art. 12, § 3º, I, c/c art. 14, § 3º, I, II e VI, “a”). É permitida a reeleição do Presidente da República, dos Governadores de Estado e do Distrito Federal, dos Prefeitos ou de quem os haja sucedido ou substituído, por um único período subseqüente (art. 14, § 5º). O Vice-Presidente auxilia o Presidente no desempenho de suas funções e ainda tem a missão de substituí-lo, no caso de impedimento, e de sucedê-lo, no caso de vaga. Em caso de impedimento de ambos ou de vacância dos respectivos cargos sucedem-nos, pela ordem: o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do STF. Na hipótese de vacância a autoridade que estiver no exercício do cargo exercê-lo-á provisoriamente, dado que se fará eleição 90 dias depois de aberta a vaga de Vice-Presidente, para que os eleitos completem os períodos de seus antecessores. Se a vacância verificar-se nos últimos dois anos de mandato presidencial, a eleição para os cargos de Presidente e Vice será feita 30 dias após a última vaga, pelo Congresso Nacional. Os Ministros de Estado são auxiliares do Presidente da República. Compete-lhes: exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar atos e decretos assinados pelo Presidente; expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; e praticar os atos pertinentes às atribuições que lhes forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República. Sua atribuição é constitucional. Não deriva da vontade do Presidente da República. Têm funções delimitadas pelo Texto Constitucional. Por isso, serão nulos atos e decretos assinados pelo Presidente da República, na área de competência de um Ministro, que não tenham sido por ele referendados. Também lhes cabe expedir instruções para execução das leis, decretos e regulamentos. Não expedem decretos, nem os regulamentares. Expedem instruções, as quais se destinam a viabilizar a execução das leis, dos decretos e regulamentos atinentes à sua Pasta. As instruções são normas inferiores ao decreto e regulamento. Algumas se destinam a promover a execução das leis. Assemelham-se, nesse caso, aos regulamentos, tendo, porém, âmbito de validade restrito ao Ministério. Nada impede, porém, que lei, cujo conteúdo se refira à área de competência de um Ministério, seja regulamentada pelo Presidente da República. Nesta hipótese, pergunta-se: existindo regulamento daquela lei, pode o Ministro expedir instrução para sua execução ? Respondemos afirmativamente, mas ressalvamos que esta instrução limitar-se-á aos pontos deixados em claro pelo regulamento. A autorização para o Ministro expedir instruções para execução das leis (art. 87, parágrafo único, II) não pode ignorar a privatividade da competência conferida ao Presidente da República para expedir regulamentos para fiel execução das leis (art. 84, IV, segunda parte). Também não se pode deixar de levar em conta a idéia de subordinação dos Ministros ao Presidente da República, dado que são seus auxiliares. Assim, a instrução ministerial para execução das leis é permitida quando inexistir “instrução superior” (o regulamento). Se existir regulamento, o Ministro expedirá instruções nos claros deixados pelo regulamento ou, então, para execução do próprio regulamento. Só poderão ser Ministros de Estado os brasileiros maiores de 21 anos e no exercício dos direitos políticos (art. 87 da CF). Os funcionários públicos e as Forças Armadas O Chefe do Executivo desenvolve suas atividades auxiliado pelos Ministros de Estado. A competência de cada Ministério, por sua vez, é desempenhada por servidores públicos. Essa atividade pode ser desenvolvida pela via direta ou indireta, de que resultam a Administração centralizada e a descentralizada. Quando a Administração descentraliza sua atividade criam-se pessoas (centros de imputação de direitos e deveres). No desenvolvimento em forma de administração centralizada não se verifica surgimento de pessoas. Entretanto, um único agente não consegue cumprir todos os misteres administrativos. Daí por que – mesmo na administração centralizada – desconcentra-se o poder decisório

da administração, sem quebra do vínculo hierárquico. Delegacias regionais se subordinam ao Ministro, divisões estão hierarquicamente ligadas às delegacias, e, assim, diretorias, chefias de seção etc., formando uma pirâmide em cujo ápice se encontra o Presidente da República. A seção II do capítulo VII do Título III da CF traz a denominação “Dos Servidores Públicos”, uma vez que fixa as normas básicas disciplinadoras dos direitos e deveres de todos os integrantes da administração direta ou indireta. Funcionário é espécie de servidor público, que é gênero. Ao lado dos servidores públicos estão os militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios (seção III do capítulo VII do mesmo Título, art. 42) e os membros das Forças Armadas (capítulo II do Título V). Uns e outros têm como chefe supremo o Presidente da República, tal como se vê do art. 84, II e XIII. Finalmente, são órgãos de consulta do Presidente da República o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. Ao Conselho da República (ver sua composição no art. 89 da CF) compete pronunciar-se sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio, assim como sobre “as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”. A novidade (democrática) desse Conselho – que examina, como se viu, questões importantíssimas – é a participação dos líderes da maioria e da minoria (oposição) da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e, ainda, seis cidadãos brasileiros natos, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado e dois eleitos pela Câmara dos Deputados (art. 89, IV, V e VII, da CF). Ao Conselho de Defesa Nacional (ver composição no art. 91 da CF) compete, além de opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal, manifestar-se, sob consulta presidencial, a respeito de assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado Democrático. Aparentemente, as atribuições desses Conselhos se superpõem em alguns temas. De toda forma, a duplicidade de opiniões pode melhor auxiliar o Presidente a formar sua convicção em questões relevantíssimas. Crimes de Responsabilidade A Constituição alude a crimes de responsabilidade e a crimes comuns. Que são ? Comuns são os crimes definidos na lei penal e cometíveis por qualquer pessoa. São de responsabilidade aqueles capitulados no art. 85 da Constituição Federal. E praticáveis por pessoas investidas em certas funções. Quais as pessoas passíveis de responsabilização política ? São: a) o Presidente da República e o Vice-Presidente da República; b) os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, nos crimes conexos com aqueles praticados pelo Presidente da República; c) os Ministros do Supremo Tribunal Federal, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União. – ver arts. 52 e 85, I da CF. Tratemos da responsabilidade do Presidente da República. A Constituição define como tais os atos do Presidente que atentarem contra a Constituição Federal e, em seguida, exemplifica com as seguintes hipóteses: I – a existência da União; II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais dos Estados; III – o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV – a segurança interna do País; V – a probidade na administração; VI – a lei orçamentária; e VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais. Essa enumeração é exemplificativa, pois o Presidente poderá ser responsabilizado por todos os atos atentatórios à Constituição Federal. Na esfera estadual, a Constituição local disciplina os crimes de responsabilidade. As pessoas comuns não têm condições de atentar contra a existência da União, o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos Poderes constitucionais dos Estados, etc. Mas o Presidente da República, titular do pessoal civil e militar, tem, potencialmente, a possibilidade de praticar esse atentado. O parágrafo único do art. 85 estabelece que esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento. Pergunta-se: essa lei, definindo os crimes, poderá elencar outros além dos arrolados nos itens I a VII do referido artigo ? A resposta é afirmativa, uma vez que aquele elenco é exemplificativo, e desde que defina, como crimes, atos que atentem contra a Constituição Federal. Quanto às normas de processo e julgamento a serem prescritas por essa lei, serão aquelas fixadoras do procedimento na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, dado que a tramitação inaugural da responsabilização política já se encontra no Texto Constitucional. Precisamente nos seus arts. 86 e § § 1º e 2º e 52, I e seu parágrafo único. O processo de responsabilidade se inicia na Câmara dos Deputados para declarar a procedência ou improcedência da acusação. Se declarada procedente, far-se-á o julgamento pelo Senado Federal.

Fala-se em acusação. Quem pode acusar o Presidente da República pela prática de crime de responsabilidade ? Todo cidadão no gozo de seus direitos políticos é parte legítima para oferecer a acusação à Câmara dos Deputados. Somente os cidadãos, isto é, aqueles que a Constituição define como brasileiros (art. 12). E devem estar no gozo dos seus direitos políticos. Só quem deles goza pode exercê-los. A acusação da prática do crime de reponsabilidade diz respeito às prerrogativas da cidadania; do brasileiro que tem o direito de participar dos negócios políticos. Qualquer parlamentar poderá dar início ao processo de responsabilização. A Câmara dos Deputados haverá de autorizar a instauração do processo pela maioria qualificada de 2/3 de seus membros. Essa autorização significa a existência de fortes indícios da prática do delito gerador da acusação. Não é julgamento. Este se faz no Senado Federal. Para autorizar, a Câmara dos Deputados processará a acusação, instruindo o processo, que será remetido ao Senado Federal. Este julgará. O processo já virá instruído da Câmara dos Deputados. Tanto que esta, em razão da instrução probatória, em que há de assegurar-se ampla defesa, apura os fatos que levam à autorização. Instaurado o processo pelo Senado Federal, verifica-se a imediata suspensão do Presidente do exercício de suas funções. Somente a idéia de apuração pormenorizada dos fatos levaria o constituinte a determinar impedimento do Presidente. É impedimento temporário, pois o Presidente reassumirá suas funções se o Senado deixar de condená-lo. Se o Presidente da República renunciar ao seu cargo quando estiver em curso processo de responsabilização política, deverá ele prosseguir ou perde o seu objeto, devendo ser arquivado ? O art. 52, parágrafo único, fixa duas penas: a) perda do cargo; e b) inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública. A inabilitação para o exercício de função pública não decorre de perda do cargo, como à primeira leitura pode parecer. Decorre da própria responsabilização. Não é pena acessória. É, ao lado da perda do cargo, pena principal. O objetivo foi o de impedir o prosseguimento no exercício das funções (perda do cargo) e o impedimento do exercício – já agora não das funções daquele cargo de que foi afastado, mas de qualquer função pública, por um prazo determinado. Essa a conseqüência para quem descumpriu deveres constitucionalmente fixados. Assim, porque responsabilizado, o Presidente não só perde o cargo como deve afastar-se da vida pública, durante oito anos, para “corrigir-se”, e só então poder a ela retornar. A renúncia, quando já iniciado o processo de responsabilização política, tornaria inócuo o dispositivo constitucional se fosse obstáculo ao prosseguimento da ação. Basta supor a hipótese de um Chefe de Executivo que, próximo do final de seu mandato, pressentisse a inevitabilidade da condenação. Renunciaria e, meses depois, poderia voltar a exercer função pública (Ministro de Estado, Secretário de Estado, etc.), participando dos negócios públicos dos quais o processo de responsabilização visava a afastá-lo. Assim, havendo renúnica, o processo de responsabilização deve prosseguir para condenar ou absolver, afastando, ou não, sua participação da vida pública pelo prazo de oito anos. Neste tema, convém anotar que o julgamento do Senado Federal é de natureza política. É juízo de conveniência e oportunidade. Não nos parece que, tipificada a hipótese de responsabilização, o Senado haja de, necessariamente, impor penas. Pode ocorrer que o Senado Federal considere mais conveniente a manutenção do Presidente no seu cargo. Para evitar, por exemplo, a deflagração de um conflito civil; para impedir agitação interna. Para impedir desentendimentos internos, o Senado, diante da circunstância, por exemplo, de o Presidente achar-se em final de mandato, pode entender que nào deva responsabilizá-lo. Foi para permitir esse juízo de valor que o constituinte conferiu essa missão à Câmara dos Deputados (que autoriza o processo) e ao Senado Federal. Não ao Judiciário, que aplica a norma ao caso concreto, segundo a tipificação legal. A decisão condenatória tem a força própria da coisa julgada ? É irrevisável pelo Judiciário ? Responde-se da seguinte forma: o Judiciário não pode reexaminar o mérito da questão que levou o Senado a responsabilizar o Presidente. Esse juízo é feito, única e exclusivamente, pelo órgão político. Entretanto, nada impede que o Presidente da República sirva-se de mandado de segurança contra a Mesa da Câmara e do Senado Federal, para demonstrar – se for o caso – que houve irregularidade procedimental, em descumprimento ao Texto Constitucional e à lei especial referida no parágrafo único do art. 85. O Judiciário não examinará o mérito; examinará a forma procedimental. Finalmente, anote-se que nos crimes comuns o Presidente da República é julgado pelo Supremo Tribunal Federal, depois que a Câmara dos Deputados declarar procedente a acusação (art. 86). Há crimes de responsabilidade que caracterizam, também, crime comum. Daí por que o art. 52, parágrafo único, dispondo sobre a perda do cargo e a inabilitação para o exercício da função pública, prescreve que a aplicação dessas penas se verifica “sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis”. Crimes comuns, por sua vez, também podem levar à perda do cargo.

A Constituição não distingue. Tanto numa como noutra espécie de crime, a Câmara deve autorizar o processo, abrindo espaço para o Senado Federal ou o Supremo Tribunal Federal, conforme o caso, julgar o delito. Em ambas as hipóteses, autorizado e instaurado o processo (e no crime comum se verifica essa pronúncia), o Presidente ficará suspenso de suas funções (art. 86, § 1º). Não tem sentido que o Presidente da República, nos crimes comuns, fique suspenso de suas funções, por força da autorização e, mais tarde, quando o Supremo Tribunal Federal condená-lo, a elas retorne. Se houve o impedimento temporário, verificar-se-á mais tarde o impedimento definitivo. É certo que há crimes comuns cuja gravidade não deveria ensejar a perda do cargo. Suponha-se uma contravenção (excesso de velocidade). Se o Presidente vier a ser condenado por esse fato, a conseqüência inafastável é a perda do cargo. Mas, para tanto, impõe-se a manifestação da Câmara dos Deputados, cuja declaração autoriza o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. E aqui é que mais se explica a razão pela qual o constituinte determinou essa apreciação preliminar. É para que esta emita juízo político, verifique a conveniência ou incoveniência, oportunidade ou inoportunidade, para o País, de se autorizar o julgamento e eventual condenação. A sua apreciação levará em conta esses fatores e é muito provável que, no exemplo dantes formulado, a Câmara dos Deputados conclua que a infração não é tão grave ao ponto de ensejar o afastamento do Presidente da República. Fica, portanto, a critério da Câmara dos Deputados autorizar o desencadeamento de procedimento que leve à vacância do cargo de Presidente da República. De tudo fica claro que o Presidente perderá o cargo tanto em razão da prática de crime de responsabilidade como de crime comum. O que não há, no caso de perda do cargo por crime comum, é a inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública. Esta pena apenas se aplica no caso de crime de responsabilidade, como deflui do art. 52, parágrafo único, que se reporta aos itens I e II do mesmo dispositivo. PODER JUDICIÁRIO Funções: a jurisdição O Judiciário pratica atos de natureza administrativa, legislativa e jurisdicional. Por ato jurisdicional entende-se aquele capaz de produzir a coisa julgada (art. 5º, XXXVI). É função típica, prevalecente, do Poder Judiciário exercer a jurisdição. Esta, por sua vez, consiste no poder de dizer o direito (juris dicere) aplicável a uma controvérsia, deduzida processualmente em caráter definitivo e com a força institucional do Estado. A definitividade é traço marcante da jurisdição. Deriva do preceito insculpido no art. 5º, XXXV, da CF, segundo o qual “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Só ao Judiciário se confere tal competência de compelir o particular a fazer, a não fazer, a pagar, a entregar ou a não entregar. A força das instituições do Estado é colocada a seu serviço para o cumprimento de suas decisões. Assim, se o contribuinte deixou de pagar o tributo e peticionou à Administração, sem sucesso, vendo improvido o seu requerimento, não fica a Administração autorizada a sacar do patrimônio do particular tantos bens quantos bastem para a cobertura de seu crédito. Haverá de servir-se do Judiciário para atingir esse objetivo. Em síntese: a força das instituições estatais é colocada à disposição do Judiciário para fazer valer as suas decisões. A definitividade das suas decisões e a possibilidade de utilizar toda a força institucional do Estado tipificam o exercício da função primordial do Poder Judiciário: a jurisdição. Exceção a essa capacidade de “dizer o direito” é a prevista para os crimes de responsabilidade (CF, art. 52, I e II). Estrutura JUSTIÇA FEDERAL COMUM a) Justiça federal de primeiro grau de jurisdição (examinar competências e composições nos arts. 106, II, 109 e 110 da CF). b) Tribunais Regionais Federais – segundo grau de jurisdição (examinar composição e competências nos arts. 107 e 108 da CF). JUSTIÇA FEDERAL ESPECIALIZADA a) Justiça Militar (examinar arts. 122 a 124 da CF) 1. Juízes militares (instituídos por lei). 2. Tribunal Militar (instituído por lei). 3. Superior Tribunal Militar. b) Justiça Eleitoral (examinar arts. 118 a 121 da CF) 1. Juntas Eleitorais.

2. Juízes eleitoriais. 3. Tribunais Regionais Eleitorais. 4. Tribunal Superior Eleitoral. c) Justiça do Trabalho (examinar arts. 111 a 117 da CF) 1. Juízes do Trabalho. 2. Tribunais Regionais do Trabalho. 3. Tribunal Superior do Trabalho. A Justiça estadual, por sua vez, também se biparte em comum e especial: JUSTIÇA ESTADUAL (examinar art. 125 da CF) a) Justiça estadual comum (art. 125 da CF) 1. Juízos de primeiro grau de jurisdição, inclusive juizados especiais (art. 98, I), e justiça de paz (art. 98, II). 2. Tribunal de Justiça ou de Alçada (tribunais de segundo grau de jurisdição). b) Justiça estadual especializada - Justiça Militar estadual (art. 125, § 3º, da CF) – 1. Conselho de Justiça. 2. Tribunal de Justiça ou Tribunal de Justiça Militar. Este nos Estados em que o efetivo da Polícia Militar seja superior a vinte mil integrantes. - São órgãos do Judiciário também o Superior Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. Registre-se, como inovação do Texto Constitucional de 1988, a determinação feita à União, Distrito Federal, Territórios e Estados para criarem Juizados Especiais com a função de conciliar, julgar e promover a execução nas causas cíveis “de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo”. (art. 98, I). A definição dessas causas, da constituição e do funcionamento desses “Juizados Especiais” foi dada pela Lei 9.099, de 26.9.95. Escolha dos dirigentes dos Tribunais Importa saber o que se entende por administração e por jurisdição. Administrar, no caso, significa fazer atuar o aparelho burocrático que permite o desempenho de outra função: a jurisdicional. Por isso, na administração se inclui, além da regração sobre o pessoal administrativo, a aplicação de penas disciplinares a magistrados e a remoção destes. Exercer a jurisdição, por sua vez, significa: aplicar a lei a casos concretos, visando a dirimir litígios, produzindo, assim, decisões definitivas que serão cumpridas coercitivamente. Para tanto, fica a serviço do Judiciário toda a força das instituições estatais. A eleição dos dirigentes do Tribunal não é matéria de natureza administrativa, nem jurisdicional. Diz respeito ao arcabouço constitucional de um Poder. A estrutura mesma do Poder Judiciário estadual. Por isso, seu substrato é diverso: é função governativa, na medida em que tais dirigentes comandam um dos segmentos do Poder público. Como é legislativa a prática da elaboração do regimento interno. Uma e outra (a eleição de dirigentes e a formulação de normas regimentais) não são alcançadas pelo disposto no art. 93, XI, que atribui ao órgão especial competência para o exercício, tão-só, de atribuições administrativas e jurisdicionais do Tribunal Pleno. Ainda assim, não são exercitáveis, pelo órgão especial, todas as atividades administrativas. Identifiquemos, na Constituição e no que interessa aos Tribunais de Justiça, quais são as funções administrativas e, em seguida, as jurisdicionais. São administrativas: a) organizar suas secretarias e serviços auxiliares, provendo-lhes os cargos (art. 96, I, “b” e “c”); b) conceder licença e férias a seus membros e aos juízes que lhes forem imediatamente vinculados (art. 96, I, “f”); c) propor a criação de novas Varas judiciárias (art. 96, I, “d”). São jurisdicionais: a) dirimir litígios, em caráter definitivo e com a força institucional do Estado (art. 92), pois a expressão “Poder Judiciário”, nesse artigo, está usada no sentido de “função jurisdicional”; b) declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Destas funções, o “órgão especial” pode exercer aquelas administrativas. E, quanto às jurisdicionais, poderá exercitá-las todas.

A atividade consistente na escolha do dirigente do Tribunal não é administrativa, nem jurisdicional, é política, na medida em que está ligada à idéia de representação. Ademais, o presidente “preside” o Tribunal, e não apenas o órgão especial. Daí por que da eleição para os órgãos diretivos dos Tribunais todos os julgadores devem participar. Supremo Tribunal Federal O Supremo Tribunal Federal é órgão de cúpula do Poder Judiciário, tendo jurisdição em todo território nacional. O Supremo Tribunal Federal tem competência originária e recursal. A recursal em caráter ordinário e extraordinário. Compete-lhe, originariamente, processar e julgar as causas e questões arroladas no art. 102, I, “a” a “q”. Em recurso ordinário compete-lhe julgar o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão; assim também o crime político. Cabe-lhe finalmente, em recurso extraordinário – tal como prescrito no art. 102, III, “a” a “c” –, exercer a função de guardião da Constituição. Sua função é a de velar pela Constituição. Integram o Supremo Tribunal Federal onze Ministros. São nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros natos, maiores de 35 anos e com menos de 65, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Antecede a nomeação a aprovação, pelo Senado Federal, em audiência pública, do nome indicado pelo Presidente da República. A Constituição alude “a notável saber jurídico”.Haverá de ser bacharel em Direito ? Indubitavelmente, sim. Só pode notabilizar-se na área jurídica aquele que nela desempenhar atividade durante certo período. Superior Tribunal de Justiça Em relação à anterior Constituição, foi extinguido o Tribunal Federal de Recursos e criado o Superior Tribunal de Justiça e os Tribunais Regionais Federais. O STJ tem sede na Capital Federal e jurisdição em todo Território Nacional. Compõe-se de, no mínimo, 33 Ministros, nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal. É dotado de competências privativas, enumeradas de forma exaustiva no art. 105 da CF, algumas retiradas do STF e outras do extinto Tribunal Federal de Recursos. Tribunais Regionais Federais Funcionam como instância recursal às decisões proferidas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, 7 juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 30 e menos de 65 anos. Juízes Federais Funcionam como juízo de primeira instância da Justiça Federal Comum. Têm por competência o processo e o julgamento das causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho, além das demais matérias enunciadas no art. 109 da CF. Garantias da Magistratura Objetivando impedir ingerência externa e assegurar o desempenho soberano da Justiça, a Constituição estabelece certas garantias à Magistratura. São elas: a) Vitaliciedade: - garante ao juiz a permanência em seu cargo, ainda que suas decisões venham contrariar interesses dos outros Poderes de Estado. Adquirida a vitaliciedade, após dois anos de exercício do cargo, o juiz só a perderá por sentença judicial transitada em julgado. b) Inamovibilidade: - garantia de permanência no cargo, salvo por motivo de interesse público e através de decisão fundada no voto de 2/3 do tribunal a que estiver vinculado. c) Irredutibilidade de Vencimentos: traço garantidor da independência do juiz na difícil missão de julgar, o que não o libera da sujeição aos impostos gerais, inclusive o de renda e extraordinário. FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA Ministério Público

Trata-se de uma instituição que atua junto ao Poder Judiciário, para promover a execução das leis e velar pelo seu exato cumprimento. A Constituição Federal de 1988 deu ao Ministério Público plena autonomia em relação aos demais Poderes do Estado, editando constituir-se ele em “instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”. (art. 127). Sua atuação verifica-se não só na área criminal, como na civil, onde representa e defende os interesses do Estado e da sociedade. É o agente ativo da Justiça, no exercício de um mister que mais destaca sua característica de promotor dos interesses globais da sociedade. Portanto, é para a defesa da própria sociedade que nos casos criminais o Promotor de Justiça tem a função de acusar todos os que praticam crimes, já que todo crime é um atentado contra um dos valores fundamentais protegidos pela Lei. Não se imagine, contudo, que o Promotor de Justiça é obrigado a acusar mesmo contra o seu convencimento. Se ele entender, ao apurar os fatos, que a pessoa apontada como autor de um crime é inocente, pode e deve pedir a sua absolvição. E isto tanto num processo perante o Juiz de Direito como num julgamento perante o Tribunal do Júri. Condenado o réu, o Ministério Público não o abandona à sua própria sorte. Tem ele o dever de fiscalizar as condições do ambiente carcerário e o exato cumprimento da pena imposta. Na área extrapenal, é o Ministério Público quem defendo o crédito – instituição importantíssima no nosso sistema econômico-financeiro – nos processos de falência e concordata. Defende ainda a exata aplicação da Lei em todos os processos referentes ao casamento – sobre o qual se assenta a nossa organização social – desde a sua realização até os casos de nulidade, anulabilidade, separação e desfazimento através do divórcio. O Ministério Público garante os direitos do trabalhador. As matérias jurídicas relevantíssimas discutidas nos mandados de segurança – que cabe para a proteção de direito líquido e certo violado pelo Poder Público - , nos habeas corpus – onde se discute o cerceamento da liberdade de locomoção – e nas ações populares – utilizadas pelos particulares contra o mau uso do dinheiro público, contra os atos lesivos à moralidade administrativa, ao meio ambiente, e ao patrimônio histórico e cultural – recebem sempre o parecer do Ministério Público, que vela pela estrita observância da Lei. Foi reconhecendo essa vocação do Ministério Público para a defesa do interesse público que a nova Constituição estabeleceu como funções institucionais suas: (i) – promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; (ii) – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; (iii) – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; (iv) – promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; (v) – defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas; (vi) – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; (vii) – exercer o controle externo da atividade policial; (viii) – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; (ix) – exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas (art. 129). O Ministério Público brasileiro não deve ser confundido com os modelos estrangeiros, divulgados pela televisão e pelo cinema. Nem deve ser confundido com a Magistratura, eis que são carreiras distintas: o Ministério Público congregando os Promotores de Justiça, aquela congregando os Juízes de Direito. Em todas as duas se ingressa mediante concurso público de títulos e provas, mas elas são autônomas. Quem ingressa no Ministério Público percorrerá todos os degraus dessa carreira (Promotor de Justiça Substituto, Promotor de Justiça de Primeira, de Segunda e de Terceira Entrância Especial e Procurador de Justiça) e deverá se aposentar dentro dela, caso não seja levado a um dos Tribunais, cujo quinto dos cargos, por dispositivo constitucional, é preenchido por membros do Ministério Público e advogados. Advocacia Geral da União É a instituição que representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre nomeação pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de 35 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada (CF, art. 131). O ingresso nas classes iniciais das carreiras da instituição de que trata este artigo far-se-á mediante concurso público de provas e títulos. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal exercerão a representação judicial e a consultoria Jurídica das respectivas unidades federadas, organizados em carreira na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos (CF, art. 132). DAS FINANÇAS PÚBLICAS E DO SISTEMA ORÇAMENTÁRIO

Disciplina das instituições financeiras: o art. 163 declara que a lei complementar disporá sobre: finanças públicas, dívida pública externa e interna, concessão de garantias da dívida pública, emissão e resgate de títulos, fiscalização das instituições financeiras, operações de câmbio e compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União. Função do banco central: a competência da União para emitir moeda (21, VII), será exercida exclusivamente pelo banco central (164). ESTRUTURA DOS ORÇAMENTOS PÚBLICOS Instrumentos normativos do sistema orçamentário: o sistema orçamentário encontra fundamento constitucional nos arts. 165 a 169; o primeiro desses dispositivos indica os instrumentos normativos do sistema: a lei complementar de caráter financeiro, a lei do plano plurianual, a lei das diretrizes orçamentárias e a lei orçamentária. Orçamento-programa: trata-se de planejamento estrutural; á a integração do orçamento público com o econômico; garante a necessária coordenação entre a política fiscal e a política econômica. PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS Conteúdo dos orçamentos: orçamento é o processo e o conjunto integrado de documentos pelos quais se elaboram, se expressam, se aprovam, se executam e se avaliam os planos e programa de obras, serviços e encargos governamentais, com estimativa de receita e fixação das despesas de cada exercício financeiro. Formulação dos princípios orçamentários: foram elaborados pelas finanças clássicas, destinados a reforçar a utilidade do orçamento como instrumento de controle parlamentar e democrático sobre a atividade financeira do Executivo e, orientar a elaboração, aprovação e execução do orçamento; são os seguintes: princípio da exclusividade, da programação, do equilíbrio orçamentário, da anualidade, da unidade, da universalidade e da legalidade. Princípio da exclusividade: O princípio deve ser entendido hoje como meio de evitar que se incluam na lei orçamentária normas relativas a outros campos jurídicos, tais como as que modificam ou ampliam, por exemplo, o Código Civil, o Código Comercial e a legislação de pessoal. Esse é o objetivo do princípio da exclusividade, que não pode significar impedimento de inclusão de conteúdo programático. Princípio da programação: o orçamento moderno deve ter conteúdo e forma de programação, que implica, em primeiro lugar, a formulação de objetivos e o estudo das alternativas da ação futura para alcançar os fins da atividade governamental; importa, em segundo lugar, na redução dessas alternativas de um número muito amplo a um pequeno e, finalmente, na prossecução do curso da ação adotada através do programa de trabalho. ver arts. 48, II e IV, e 165, § 4º da CF. Princípio do equilíbrio orçamentário: o desequilíbrio orçamentário verifica-se: (a) quando o montante da despesa autorizada for superior à receita estimada, ocorrendo aí o déficit; (b) quando a estimativa da receita supera a despesa autorizada, caso em que se tem superavit. Ambas as formas eram e ainda são condenadas, mas a primeira é que se tinha (e se tem, ainda) como grave. A Constituição não contempla o princípio do equilíbrio orçamentário, pelo que até se pode dizer, hoje, que ele desapareceu. Princípio da anualidade: O período anual tem sido preferido pela maioria das legislações estrangeiras, e é o adotado no Brasil desde a Constituição do Império. Está consagrado na Constituição vigente quando dá destaque e conteúdo específico à lei orçamentária anual (arts. 48, II, 165, II, e § 5º, e 166). Não quer dizer que ele coincida com o ano civil. No Brasil, como se vê do art. 165, § 9º, I, cabe à lei complementar dispor sobre o exercício financeiro, que, atualmente, de acordo com a Lei 4.320/64, vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro, ano civil, portanto. Princípio da unidade: Este foi também um dos mais caros à concepção clássica do orçamento, e certamente o mais violado. A exigência de que o orçamento fosse uno, como constava do art. 73 da Constituição de 1946 assentava-se em que todas as contas orçamentárias constassem de um só documento e de uma única caixa. Consistia, pois, em apresentar o orçamento de tal forma que fosse suficiente fazer duas somas para obterem-se o total das despesas e o total das receitas e uma subtração entre os dois totais para saber se o mesmo continha um equilíbrio, um excedente de receita (superávit) ou um déficit. A evolução das tarefas estatais tornou impossível cumprir esse princípio tal como era formulado.

Princípio da universalidade: O princípio da universalidade foi sempre considerado essencial a uma boa administração orçamentária. Ele se completa com a regra do orçamento bruto, de acordo com a qual as parcelas da receita e das despesas devem figurar em bruto no orçamento, isto é, sem qualquer dedução. Realiza-se, pois, o princípio da universalidade na exigência de que todas as rendas e despesas dos Poderes, fundos , órgãos e entidades da administração direta e indireta sejam incluídas no orçamento anual geral. Princípio da legalidade: o princípio da legalidade em matéria orçamentária tem o mesmo fundamento do princípio da legalidade geral, segundo o qual a Administração se subordina aos ditames da lei. Constitui exigência constitucional expressa que leis de iniciativa do Presidente da República estabelecerão: o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais (art. 165); estes são aqueles que integram a lei orçamentária anual, a saber: o orçamento fiscal, o orçamento de investimento das empresas e o orçamento da seguridade social (art. 165, § 5º). ELABORAÇÃO DAS LEIS ORÇAMENTÁRIAS - Leis orçamentárias (art. 165) – são leis temporárias de INICIATIVA LEGISLATIVA VINCULADA, cabendo ao Presidente da República (arts. 165 e 166), tomar as providências necessárias à remessa do respectivo projeto (proposta) ao Congresso Nacional. No art. 84 (XXIII) diz que COMPETE PRIVATIVAMENTE ao Presidente da República enviar ao Congresso Nacional o Plano Plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos na Constituição. - Processo de formação das leis orçamentárias – será apreciada por uma Comissão mista permanente composta de Deputados e Senadores. As emendas aos projetos serão apreciadas na Comissão mista que sobre elas emitirá parecer, e apreciadas no plenário das duas Casas do Congresso Nacional. - Propostas de emendas ao projeto de lei do orçamento anual – somente serão aprovadas caso: (1) sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias; (2) indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, que não sejam de dotações para pessoal e seus encargos, serviço da dívida, transferências tributárias constitucionais para Estados, Distrito Federal e Municípios; (3) sejam relacionadas com a correção de erros ou omissões ou com os dispositivos do texto do mesmo projeto. Se as emendas se destinarem a modificar o projeto de lei de diretrizes orçamentárias, só poderão ser aprovadas quando compatíveis com o plano plurianual. - Emendas ao projeto de lei do plano plurianual (art. 63, I) – não será admitido o aumento de despesa prevista nos projetos de iniciativa do Presidente, ressalvado às emendas aos projetos de lei do orçamento anual e de diretrizes orçamentárias. Os projetos de leis e as propostas de emendas serão votados pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional (art. 166). - Rejeição do projeto de orçamento anual e suas conseqüências – a Constituição não admite a rejeição do projeto de lei de diretrizes orçamentárias, sob pena de a sessão legislativa ser interrompida (art. 57, § 2º). No entanto, admite rejeição do projeto de lei orçamentária anual, segundo art. 166, § 8º. A conseqüência mais séria da rejeição do projeto de lei orçamentária anual é que a Administração fica sem orçamento, pois não pode ser aprovado outro. Não é possível elaborar orçamento para o mesmo exercício financeiro. A Constituição dá a solução possível e plausível dentro da técnica do direito orçamentário: as despesas, que não podem efetivar-se senão devidamente autorizadas pelo Legislativo, terão que ser autorizadas prévia e especificadamente, caso a caso, mediante leis de abertura de créditos especiais. DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA Função da fiscalização: engloba os meios que se preordenam no sentido de impor à Administração o respeito à lei, quando sua conduta contrasta com esse dever, ao qual se adiciona o dever de boa administração, que fica também sob a vigilância dos sistemas de controle. Formas de controle: quanto à forma, o controle orçamentário dinstingue-se: a) segundo a natureza das pessoas controladas; b) segundo à natureza dos fatos controlados; c) segundo o momento de seu exercício; d) segundo a natureza dos organismos controladores; quanto aos tipos, a Constituição reconhece os seguintes (70 e 74): a) controle de legalidade dos atos; b) de legitimidade; c) de economicidade; d) de fidelidade funcional; e) de resultados, de cumprimento de programa de trabalhos e metas. O sistema de controle interno: a CF estabelece que os 3 Poderes manterão de forma integrada, o controle interno; trata-se de controle de natureza administrativa; as finalidades do controle interno estão constitucionalmente estabelecidas no art. 74; a atuação varia, admitindo-se diversas maneiras de proceder; o mais seguro é o registro contábil. O sistema de controle externo: é função do Poder Legislativo, nos respectivos âmbitos, federais, estaduais e municipais com o auxílio dos respectivos Tribunais de Contas; consiste na atuação da função

fiscalizadora do povo, através de seus representantes, sobre a administração financeira e orçamentária; é de natureza política. TRIBUNAIS DE CONTAS Organização a atribuições do Tribunal de Contas da União: é integrado por 9 Ministros, tem sede no DF, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo território nacional; lhe é conferido a exercício das competências previstas para os Tribunais judiciários (96); suas atribuições estão nos termos do art. 71. Participação popular: o § 2º, do art. 74, dispõe que, qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o TCU. Tribunais de contas estaduais e municipais: a CF não prevê diretamente sua criação; fá-lo indiretamente nos arts. 31 e 75; neste caso sem deixar dúvidas quanto à obrigatoriedade de sua instituição nos Estados (composto por 7 Conselheiros); no município a fiscalização será exercida pela Câmara e pelos sistemas de controle interno do Executivo local, na forma da lei e o controle externo será auxiliado pelos TC do Estado. É incompreensível o Texto Constitucional, quando veda a criação de TC Municipais e depois os autoriza (art. 31, § 1º e 4º). Natureza do controle externo e do Tribunal de Contas: o controle externo é feito por um órgão político que é o Congresso Nacional, seu teor político é amenizado pela participação do Tribunal de Contas, que é órgão eminentemente técnico; isso denota que o controle externo há de ser primordialmente de natureza técnica ou numérico-legal. Prestação de contas: é um princípio fundamental da ordem constitucional (34, VII, d); todos estão sujeitos à prestação e tomadas de contas pelo sistema interno, em primeiro lugar, e pelo sistema de controle externo, depois, através do Tribunal de Contas (70 e 71).

DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS I - A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS A declaração dos direitos nas constituições brasileiras: a Constituição do Império já os consignava quase integralmente, havendo, nesse aspecto, pouca inovação de fundo, salvo quanto à Constituição vigente que incorpora novidades de relevo; ela continha um título sob rubrica confusa Das Disposições Gerais, e Garantia dos Direitos Civis e Políticos dos cidadãos brasileiros, com disposições sobre a aplicação da Constituição, sua reforma, natureza de suas normas e o art. 179, com 35 incisos, dedicados aos direitos e garantias individuais especialmente. Já a Constituição de 1891 abria a Seção II do Título IV com uma Declaração de Direitos, assegurando a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança e à propriedade nos termos dos 31 parágrafos do art. 72; basicamente, contém só os chamados direitos e garantias individuais. Essa metodologia modificou-se a partir da Constituição de 1934 que abriu um título especial para a Declaração de Direitos, nela inscrevendo não só os direitos e garantias individuais, mas também os de nacionalidade e os políticos; essa constituição durou pouco mais de 3 anos, pelo que nem teve tempo de ter efetividade. A ela sucedeu a Carta de 1937, ditatorial na forma, no conteúdo e na aplicação, com integral desrespeito aos direitos do homem, especialmente os concernentes às relações políticas. A Constituição de 1946 trouxe o Título IV sobre as Declarações dos Direitos, com 2 capítulos, um sobre a nacionalidade e a cidadania e outro sobre os direitos e garantias individuais, incluindo no caput do art. 141, o direito à vida. Assim fixou o enunciado que se repetiria da Constituição de 1967 (art. 151) e sua Emenda 1/69 (art. 153), assegurando os direitos concernentes à vida, à liberdade, à segurança individual e à propriedade. A CF/88 adota técnica mais moderna; abre-se com um título sobre os princípios fundamentais, e logo introduz o Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais, matéria que nos ocupará a partir de agora. TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO HOMEM Inspiração e fundamentação dos direitos fundamentais: a doutrina francesa indica o pensamento cristão e a concepção dos direitos naturais como as principais fontes de inspiração das declarações dos direitos; fundada na insuficiente e restrita concepção das liberdades públicas, não atina com a necessidade de envolver nessa problemática também os direitos econômicos, sociais e culturais, aos quais se chama brevemente direitos sociais; outras fontes de inspiração dos direitos fundamentais são o

Manifesto Comunista e as doutrinas marxistas, a doutrina social da Igreja, a partir do Papa Leão XIII e o intervencionismo estatal. Forma das declarações de direitos: assumiram, inicialmente, a forma de proclamações solenes; depois, passaram a constituir o preâmbulo das constituições; atualmente, ainda que nos documentos internacionais assumam a forma das primeiras declarações, nos ordenamentos nacionais integram as constituições, adquirindo o caráter concreto de normas jurídicas positivas constitucionais, por isso, subjetivando-se em direito particular de cada povo, que tem conseqüência jurídica prática relevante. Conceito de direitos fundamentais: direitos fundamentais do homem constitui a expressão mais adequada a este estudo, porque, além de referir-se a princípios que resumem a concepção do mundo e informam a ideologia política de cada ordenamento jurídico, é reservada para designar, no nível do direito positivo, aquelas prerrogativas e instituições que ele concretiza em garantia de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas; no qualitativo fundamentais acha-se a indicação de que se trata de situações jurídicas sem as quais a pessoa humana não se realiza, não convive e, às vezes, nem mesmo sobrevive; fundamentais do homem no sentido de que a todos, por igual, devem ser, não apenas formalmente reconhecidos, mas concreta e materialmente efetivados; é a limitação imposta pela soberania popular aos poderes constituídos do Estado que dela dependem. Natureza e eficácia das normas sobre direitos fundamentais: a natureza desses direitos são situações jurídicas, objetivas e subjetivas, definidas no direito positivo, em prol da dignidade, igualdade e liberdade da pessoa humana; a eficácia e aplicabilidade das normas que contêm os direitos fundamentais dependem muito de seu enunciado, pois se trata de assunto que está em função do direito positivo; a CF/88 é expressa sobre o assunto, quando estatui que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais, têm aplicação imediata. Classificação dos direitos fundamentais: em síntese, com base na CF/88. podemos classificar os direitos fundamentais em 5 grupos: 1 - direitos individuais (art. 5º); 2 – direitos coletivos (art. 5º); 3 direitos sociais (arts. 6º e 193 e ss.); 4 - direitos à nacionalidade (art. 12); 5 - direitos políticos (arts. 14 a 17). Integração das categorias de direitos fundamentais: a Constituição fundamenta o entendimento de que as categorias de direitos humanos fundamentais, nela previstos, integram-se num todo harmônico, mediante influências recíprocas, até porque os direitos individuais, estão contaminados de dimensão social, de tal sorte que a previsão dos direitos sociais, entre eles, os direitos de nacionalidade e políticos, lhes quebra o formalismo e o sentido abstrato; com isso, transita-se de uma democracia de conteúdo basicamente político-formal para a democracia de conteúdo social, se não de tendência socializante; há certamente um desequilibro entre uma ordem social socializante e uma ordem econômica liberalizante. Direitos e garantias dos direitos: interessam-nos apenas as garantias dos direitos fundamentais, que distinguiremos em 2 grupos: - garantias gerais, destinadas a assegurar e existência e a efetividade (eficácia social) daqueles direitos, as quais se referem à organização da comunidade política, e que poderíamos chamar condições econômico-sociais, culturais e políticas que favorecem o exercício dos direitos fundamentais; - garantias constitucionais que consistem nas instituições, determinações e procedimentos mediante os quais a própria Constituição tutela a observância ou, em caso de inobservância, a reintegração dos direitos fundamentais; são de 2 tipos: gerais, que são instituições constitucionais que se inserem no mecanismo de freios e contrapesos dos poderes e, assim, impedem o arbítrio com o que constituem, ao mesmo tempo, técnicas de garantia e respeito aos direitos fundamentais; especiais, que são prescrições constitucionais estatuindo técnicas e mecanismos que, limitando a atuação dos órgãos estatais ou de particulares, protegem a eficácia, a aplicabilidade e a inviolabilidade dos direitos fundamentais de modo especial. O conjunto das garantias forma o sistema de proteção deles: proteção social, política e jurídica; em conjunto caracterizam-se como imposições, positivas ou negativas, aos órgãos do Poder Público, limitativas de sua conduta, para assegurar a observância ou, no caso de violação, a reintegração dos direitos fundamentais. II - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS Conceito de direito individual: são dos direitos fundamentais do homem-indivíduo, que são aqueles que reconhecem a autonomia aos particulares, garantindo a iniciativa e independência aos indivíduos diante dos demais membros da sociedade política e do próprio Estado.

Destinatários dos direitos e garantias individuais: são os brasileiros e os estrangeiros residentes no País (art. 5º); quanto aos estrangeiros não residentes, é difícil delinear sua posição, pois o artigo só menciona “brasileiros e estrangeiros residentes”. Classificação dos direitos individuais: a Constituição dá-nos um critério para a classificação dos direitos que ela anuncia no art. 5º, quando assegura a inviolabilidade do direito à vida, à igualdade, à liberdade, à segurança e à propriedade; preferimos no entanto, fazer uma distinção em 3 grupos: 1) direitos individuais expressos, aqueles explicitamente enunciados nos incisos do art. 5º; 2) direitos individuais implícitos, aqueles que estão subentendidos nas regras de garantias, como direito à identidade pessoal, certos desdobramentos do direito à vida, o direito à atuação geral (art. 5º, II); 3) direitos individuais decorrentes do regime e de tratados internacionais subscritos pelo Brasil, aqueles que não são nem explícita nem implicitamente enumerados, mas provêm ou podem vir a provir do regime adotado, como direito de resistência, entre outros de difícil caracterização a priori. Direitos coletivos: a rubrica do Capítulo I, do Título II anuncia uma especial categoria dos direitos fundamentais: os coletivos, mas nada mais diz a seu respeito; onde estão, nos incisos do art. 5º, esses direitos coletivos?; muitos desses ditos interesses coletivos sobrevivem no texto constitucional, caracterizados, na maior parte, como direitos sociais (arts, 8º e 37, VI; 9º e 37, VII; 10; 11; 225) ou caracterizados como instituto de democracia direta nos arts. 14, I, II e III, 27, § 4º, 29, XIII, e 61, § 2º, ou ainda, como instituto de fiscalização financeira, no art. 31, § 3º; apenas as liberdades de reunião e de associação, o direito de entidades associativas de representar seus filiados e os direitos de receber informação de interesse coletivo e de petição restaram subordinados à rubrica dos direitos coletivos. Deveres individuais e coletivos: os deveres que decorrem dos incisos do art. 5º, têm como destinatários mais o Poder Público e seus agentes em qualquer nível do que os indivíduos em particular; a inviolabilidade dos direitos assegurados impõe deveres a todos, mas especialmente às autoridades e detentores de poder; Ex: incisos XLIX, LXII, LXIII, LXIV, e etc.. do art. 5º. DO DIREITO À VIDA E DO DIREITO À PRIVACIDADE DIREITO À VIDA A vida como objeto do direito: a vida humana, que é o objeto do direito assegurado no art. 5º, integra-se de elementos materiais e imateriais; a vida é intimidade conosco mesmo, saber-se e dar-se conta de si mesmo, um assistir a si mesmo e um tomar posição de si mesmo; por isso é que ela constitui a fonte primária de todos os outros bens jurídicos. Direito à existência: consiste no direito de estar vivo, de lutar pelo viver, de defender à própria vida, de permanecer vivo; é o direito de não ter interrompido o processo vital senão pela morte espontânea e inevitável; tentou-se incluir na Constituição o direito a uma existência digna. Direito à integridade física: a Constituição além de garantir o respeito à integridade física e moral (art. 5º, XLIX), declara que ninguém será submetido à tortura ou tratamento desumano ou degradante (art. 5º, III); a fim de dotar essas normas de eficácia, a Constituição preordena várias garantias penais apropriadas, como o dever de comunicar, imediatamente, ao juiz competente e à família ou pessoa indicada, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre; o dever da autoridade policial informar ao preso seus direitos; o direito do preso à identificação dos responsáveis por sua prisão e interrogatório policial. Direito à integridade moral: a Constituição realçou o valor da moral individual, tornando-a um bem indenizável (art. 5º, V e X); à integridade moral do direito assume feição de direito fundamental; por isso é que o Direito Penal tutela a honra contra a calúnia, a difamação e a injúria. Pena de morte: é vedada; só é admitida no caso de guerra externa declarada, nos termos do art. 84, XIX (art. 5º, XLVII, a). Eutanásia: é vedado pela Constituição; o desinteresse do indivíduo pela própria vida não exclui esta da tutela; o Estado continua a protegê-la como valor social e este interesse superior torna inválido o consentimento do particular para que dela o privem. Aborto: a Constituição não enfrentou diretamente o tema, mas parece inadmitir o abortamento; devendo o assunto ser decidido pela legislação ordinária, especialmente a penal.

Tortura: prática expressamente condenada pelo inciso III do art. 5º, segundo o qual ninguém será submetido à tortura ou a tratamento desumano e degradante; a condenação é tão incisiva que o inciso XLIII determina que a lei considerará a prática de tortura crime inafiançável e insuscetível de graça, por ele respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-lo, se omitirem (Lei 9.455/97). DIREITO À PRIVACIDADE Conceito e conteúdo: A Constituição declara invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas (art. 5º, X); portanto, erigiu, expressamente, esses valores humanos à condição de direito individual, considerando-o um direito conexo ao da vida. Intimidade: caracteriza-se como a esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o poder legal de evitar os demais; abrangendo nesse sentido à inviolabilidade do domicílio, o sigilo de correspondência e ao segredo profissional. Vida privada: a tutela constitucional visa proteger as pessoas de 2 atentados particulares: ao segredo da vida privada e à liberdade da vida privada. Honra e imagem das pessoas: o direito à preservação da honra e da imagem, não caracteriza propriamente um direito à privacidade e menos à intimidade; a CF reputa-os valores humanos distintos; a honra, a imagem constituem, pois, objeto de um direito, independente, da personalidade. Privacidade e informática: a Constituição tutela a privacidade das pessoas, acolhendo um instituto típico e específico para a efetividade dessa tutela, que é o habeas data, que será estudado mais adiante. Violação à privacidade e indenização: essa violação, em algumas hipóteses, já constitui ilícito penal; a CF foi explícita em assegurar ao lesado, direito à indenização por dano material ou moral decorrente da violação do direito à privacidade. DIREITO DE IGUALDADE Introdução ao tema: as Constituições só tem reconhecido a igualdade no seu sentido jurídico-formal (perante a lei); a CF/88 abre o capítulo dos direitos individuais com o princípio que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza; reforça o princípio com muitas outras normas sobre a igualdade ou buscando a igualização dos desiguais pela outorga de direitos sociais substanciais. Isonomia formal e isonomia material: isonomia formal é a igualdade perante a lei; a material são as regras que proíbem distinções fundadas em certos fatores; Ex: art. 7º, XXX e XXXI; a Constituição procura aproximar os 2 tipos de isonomia, na medida em que não delimitara ao simples enunciado da igualdade perante a lei; menciona também a igualdade entre homens e mulheres e acrescenta vedações a distinção de qualquer natureza e qualquer forma de discriminação. O sentido da expressão “igualdade perante a lei”: o princípio tem como destinatários tanto o legislador como os aplicadores da lei; significa para o legislador que, ao elaborar a lei, deve reger, com iguais disposições situações idênticas, e, reciprocamente, distinguir, na repartição de encargos e benefícios, as situações que sejam entre si distintas, de sorte a quinhoá-las ou gravá-las em proporção às suas diversidades; isso é que permite, à legislação, tutelar pessoas que se achem em posição econômica inferior, buscando realizar o princípio da igualização. Igualdade de homens e mulheres: essa igualdade já se contém na norma geral da igualdade perante a lei; também contemplada em todas as normas que vedam a discriminação de sexo (arts. 3º, IV, e 7º, XXX), sendo destacada no inciso I, do art. 5º que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; só valem as discriminações feitas pela própria Constituição e sempre em favor da mulher, por exemplo, a aposentadoria da mulher com menor tempo de serviço e de idade que o homem (arts. 40, III, e 202, I a III). O princípio da igualdade jurisdicional: a igualdade jurisdicional ou igualdade perante o juiz decorre, pois, da igualdade perante a lei, como garantia constitucional indissoluvelmente ligada à democracia; apresenta-se sob 2 prismas: como interdição do juiz de fazer distinção entre situações iguais, ao aplicar a lei; como interdição ao legislador de editar leis que possibilitem tratamento desigual a situações iguais ou tratamento igual a situações desiguais por parte da Justiça.

Igualdade perante a tributação: o princípio da igualdade tributária relaciona-se com a justiça distributiva em matéria fiscal; diz respeito à repartição do ônus fiscal do modo mais justo possível; fora disso a igualdade será puramente formal. Igualdade perante a lei penal: essa igualdade deve significar que a mesma lei penal e seus sistemas de sanções hão de se aplicar a todos quanto pratiquem o fato típico nela definido como crime; devido aos fatores econômicos, as condições reais de desigualdade condicionam o tratamento desigual perante a lei penal, apesar do princípio da isonomia assegurado a todos pela Constituição (art. 5º). Igualdade “sem distinção de qualquer natureza”: além da base geral em que assenta o princípio da igualdade perante a lei, consistente no tratamento igual a situações iguais e tratamento desigual a situações desiguais, é vedado distinções de qualquer natureza; as discriminações são proibidas expressamente no art. 3º, IV, onde diz que:... promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, e quaisquer outras formas de discriminação; proíbe também, diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor, estado civil ou posse de deficiência (art. 7º, XXX e XXXI). O princípio da não discriminação e sua tutela penal: a Constituição traz 2 dispositivos que fundamentam e exigem normas penais rigorosas contra discriminações; diz-se num deles que a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais, e outro, mais específico porque destaca a forma mais comum de discriminação, estabelecendo que a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei. (art. 5º, XLI e XLII). Discriminações e inconstitucionalidade: são inconstitucionais as discriminações não autorizadas pela Constituição; há 2 formas de cometer essa inconstitucionalidade; uma consiste em outorgar benefício legítimo a pessoas ou grupos, discriminando-os favoravelmente em detrimento de outras pessoas ou grupos em igual situação; a outra forma revela-se em se impor obrigação, dever, ônus, sanção ou qualquer sacrifício a pessoas ou grupos de pessoas, discriminando-as em face de outros na mesma situação que, assim, permaneceram em condições mais favoráveis. DIREITO DE LIBERDADE O problema da Liberdade: a liberdade tem um caráter histórico, porque depende do poder do homem sobre a natureza, a sociedade, e sobre si mesmo em cada momento histórico; o conteúdo da liberdade se amplia com a evolução da humanidade; fortalece-se, à medida que a atividade humana se alarga. A liberdade opõe-se ao autoritarismo, à deformação da autoridade; não porém, à autoridade legítima; o que é válido afirmar é que a liberdade consiste na ausência de coação anormal, ilegítima e imoral; daí se conclui que toda a lei que limita a liberdade precisa ser lei normal, moral e legítima, no sentido de que seja consentida por aqueles cuja liberdade restringe; como conceito podemos dizer que liberdade consiste na possibilidade de coordenação consciente dos meios necessários à realização da felicidade pessoal. O assinalado o aspecto histórico denota que a liberdade consiste num processo dinâmico de liberação do homem de vários obstáculos que se antepõem à realização de sua personalidade: obstáculos naturais, econômicos, sociais e políticos; é hoje função do Estado promover a liberação do homem de todos esses obstáculos, e é aqui que a autoridade e liberdade se ligam. O regime democrático é uma garantia geral da realização dos direitos humanos fundamentais; quanto mais o processo de democratização avança, mais o homem se vai libertando dos obstáculos que o constrangem, mais liberdade conquista. Liberdade e liberdades: liberdades, no plural, são formas de liberdade, que aqui, em função do Direito Constitucional positivo, distingue-se em 5 grupos: 1) liberdade da pessoa física; 2) liberdade de pensamento, com todas as suas liberdades; 3) liberdade de expressão coletiva; 4) liberdade de ação profissional; 5) liberdade de conteúdo econômico. Cabe considerar aquela que constitui a liberdadematriz, que é a liberdade de ação em geral, que decorre do art. 5º, II, segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Liberdade da pessoa física: é a possibilidade jurídica que se reconhece a todas as pessoas de serem senhoras de sua própria vontade e de locomoverem-se desembaraçadamente dentro do território nacional; para nós as formas de expressão dessa liberdade se revelam apenas na liberdade de locomoção e na liberdade de circulação; mencionando também o problema da segurança, não como forma dessa liberdade em si, mas como forma de garantir a efetividade destas. Liberdade de pensamento: é o direito de exprimir, por qualquer forma, o que se pense em ciência, religião, arte, ou o que for; trata-se de liberdade de conteúdo intelectual e supõe contato com seus semelhantes; inclui as liberdades de opinião, de comunicação, de informação, religiosa, de expressão

intelectual, artística e científica e direitos conexos, de expressão cultural e de transmissão e recepção do conhecimento. Liberdade de ação profissional: confere liberdade de escolha de trabalho, de ofício e de profissão, de acordo com as propensões de cada pessoa e na medida em que a sorte e o esforço próprio possam romper as barreiras que se antepõem à maioria do povo; a liberdade anunciada no acima (art. 5º, XIII), beneficia brasileiros e estrangeiros residentes, enquanto a acessibilidade à função pública sofre restrições de nacionalidade (arts. 12 § 3º, e 37, I e II); A Constituição ressalva, quanto à escolha e exercício de ofício ou profissão, que ela fica sujeita à observância das qualificações profissionais que a lei exigir, só podendo a lei federal definir as qualificações profissionais requeridas para o exercício das profissões. ( art. 22, XVI). DIREITOS COLETIVOS Direito à informação: o direito de informar, como aspecto da liberdade de manifestação de pensamento, revela-se um direito individual, mas já contaminado no sentido coletivo, em virtude das transformações dos meios de comunicação, que especialmente se concretiza pelos meios de comunicação social ou de massa; a CF acolhe essa distinção, no capítulo da comunicação (220 a 224), preordena a liberdade de informar completada com a liberdade de manifestação do pensamento (5º, IV). Direito de representação coletiva: estabelece que as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados em juízo ou fora dele (art. 5º, XXI), legitimidade essa também reconhecida aos sindicatos em termos até mais amplos e precisos, in verbis: ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas (art. 8, III). Direito de participação: distinguiremos 2 tipos; um é a participação direta dos cidadãos no processo político e decisório (arts. 14, I e II, e 61, § 2º); só se reputa coletivo porque só pode ser exercido por um número razoável de eleitores: uma coletividade, ainda que não organizada formalmente. Outro, é a participação orgânica, às vezes resvalando para uma forma de participação corporativa, é a participação prevista no art. 10 e a representação assegurada no art. 11, as quais aparecem entre os direitos sociais. Coletivo, de natureza comunitária não-corporativa, é o direito de participação da comunidade (arts. 194, VII e 198, III). Direito dos consumidores: estabelece que o Estado proverá, na forma da lei, a defesa do consumidor (art. 5º, XXXII), conjugando isso com a consideração do art. 170, V, que eleva a defesa do consumidor à condição de princípio da ordem econômica. Liberdade de reunião: está prevista no art. 5º, XVI; a liberdade de reunião está plena e eficazmente assegurada, não mais se exige lei que determine os casos em que será necessária a comunicação prévia à autoridade, bem como a designação, por esta, do local de reunião; nem se autoriza mais a autoridade a intervir para manter a ordem, cabendo apenas um aviso à autoridade que terá o dever, de ofício, de garantir a realização da reunião. Liberdade de associação: é reconhecida e garantida pelos incisos XVII a XXI do art. 5º; há duas restrições expressas à liberdade de associar-se: veda-se associação que não seja para fins lícitos ou de caráter paramilitar; e é aí que se encontra a sindicabilidade que autoriza a dissolução por via judicial; no mais têm as associações o direito de existir, permanecer, desenvolver-se e expandir-se livremente. Regime das Liberdades Eficácia das normas constitucionais sobre as liberdades: as normas constitucionais que definem as liberdades são, via de regra, de eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata; vale dizer, não dependem de legislação nem de providência do Poder Público para serem aplicadas; algumas normas podem caracterizar-se como de eficácia contida (quando a lei restringe a plenitude desta, regulando os direitos subjetivos que delas decorrem); o exercício das liberdades não depende de normas reguladoras, porque, como foi dito, as normas constitucionais que as reconhecem são de aplicabilidade direta e imediata, sejam de eficácia plena ou eficácia contida. Sistemas de restrições das liberdades individuais: a característica de normas de eficácia contida tem extrema importância, porque é daí que vêm os sistemas de restrições das liberdades públicas; algumas normas conferidoras de liberdade e garantias individuais, mencionam uma lei limitadora (art. 5º, VI, VII, XIII, XV, XVIII); outras limitações podem provir da incidência de normas constitucionais (art. 5º, XVI e XVII); tudo isso constitui modos de restrições de liberdades que, no entanto, esbarram no princípio de

que é liberdade, o direito, que deve prevalecer, não podendo ser extirpado por via da atuação do Poder Legislativo nem do poder de polícia. DIREITO DE PROPRIEDADE Direito de Propriedade em Geral Fundamento constitucional: O regime jurídico da propriedade tem seu fundamento na Constituição; esta garante o direito de propriedade, desde que este atenda sua função social (art. 5º, XXII), sendo assim, não há como escapar ao sentido que só garante o direito de propriedade que atenda sua função social; a própria Constituição dá conseqüência a isso quando autoriza a desapropriação, como pagamento mediante título, de propriedade que não cumpra sua função social (arts. 182, § 4º, e 184); existem outras normas que interferem com a propriedade mediante provisões especiais (arts. 5º, XXIV a XXX, 170, II e III, 176, 177 e 178, 182, 183, 184,185, 186, 191 e 222). Conceito e natureza: entende-se como uma relação entre um indivíduo (sujeito ativo) e um sujeito passivo universal integrado por todas as pessoas, o qual tem o dever de respeitá-lo, abstraindo-se de violá-lo, e assim o direito de propriedade se revela como um modo de imputação jurídica de uma coisa a um sujeito. Regime jurídico da propriedade privada: em verdade, a Constituição assegura o direito de propriedade, estabelece seu regime fundamental, de tal sorte que o Direito Civil não disciplina a propriedade, mas tão-somente as relações civis e a ela referentes; assim, só valem no âmbito das relações civis as disposições que estabelecem as faculdades de usar, gozar e dispor de bens (art. 524), a plenitude da propriedade (525), etc.; vale dizer, que as normas de Direito Privado sobre a propriedade hão de ser compreendidas de conformidade com a disciplina que a Constituição lhe impõe. Propriedade e propriedades: a Constituição consagra a tese de que a propriedade não constitui uma instituição única, mas várias instituições diferenciadas, em correlação com os diversos tipos de bens e de titulares, de onde ser cabível falar não em propriedade, mas em propriedades; ela foi explícita e precisa; garante o direito de propriedade em geral (art. 5º, XXII), mas distingue claramente a propriedade urbana (182, § 2º) e a propriedade rural (arts. 5º, XXIV, e 184, 185 e 186), com seus regimes jurídicos próprios. Propriedade pública: a Constituição a reconhece: - ao incluir entre os bens da União aqueles enumerados no art. 20 e, entre os dos Estados, os indicados no art. 26; - ao autorizar desapropriação, que consiste na transferência compulsória de bens privados para o domínio público; - ao facultar a exploração direta de atividade econômica pelo Estado (art. 173) e o monopólio (art. 177), que importam apropriação pública de bens de produção. *ver também os arts. 65 a 68 do CC; e 20, XI, e 231 da CF. PROPRIEDADES ESPECIAIS Propriedade autoral: consta no art. 5º, XXVII, que contém 2 normas: a primeira confere aos autores o direito exclusivo de utilizar, publicar e reproduzir suas obras; a segunda declara que esse direito é transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; o autor é, pois, titular de direitos morais e de direitos patrimoniais sobre a obra intelectual que produzir; os direitos morais são inalienáveis e irrenunciáveis; mas, salvo os de natureza personalíssima, são transmissíveis por herança nos termos da lei; já os patrimoniais são alienáveis por ele ou por seus sucessores. Propriedade de inventos, de marcas e indústrias e de nome de empresas: seu enunciado e conteúdo denotam, quando a eficácia da norma fica dependendo de legislação ulterior: “que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como a proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País” (art. 5º, XXIX); a lei, hoje, é a de nº 9279/96, que substitui a Lei 5772/71. Propriedade-bem de família: segundo o inc. XXVI do art. 5º, a pequena propriedade rural, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; possui o interesse de proteger um patrimônio necessário à manutenção e sobrevivência da família. LIMITAÇÕES AO DIREITO DE PROPRIEDADE

Conceito: consistem nos condicionamentos que atingem os caracteres tradicionais desse direito, pelo que era tido como direito absoluto (assegura a liberdade de dispor da coisa do modo que melhor lhe aprouver), exclusivo e perpétuo (não desaparece com a vida do proprietário). Restrições: limitam, em qualquer de suas faculdades, o caráter absoluto da propriedade; existem restrições à faculdade de fruição, que condicionam o uso e a ocupação da coisa; à faculdade de modificação coisa; à alienabilidade da coisa, quando, por exemplo, se estabelece direito de preferência em favor de alguma pessoa. Servidões e utilização de propriedade alheia: são formas de limitação que lhe atinge o caráter exclusivo; constituem ônus impostos à coisa; vinculam 2 coisas: uma serviente e outra dominante; a utilização pode ser pelo Poder Público (decorrente do art. 5º, XXV) ou por particular; as servidões são indenizáveis, em princípio; outra forma são as requisições do Poder Público; a CF permite as requisições civis e militares, mas tão-só em caso de iminente perigo e em tempo de guerra (art. 22, III); são também indenizáveis. Desapropriação: é a limitação que afeta o caráter perpétuo, porque é o meio pelo qual o Poder Público determina a transferência compulsória da propriedade particular especialmente para o seu patrimônio ou de seus delegados (arts. 5º XXIV, 182 e 184). FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE Conceito: não se confunde com os sistemas de limitação da propriedade; estes dizem respeito ao exercício do direito ao proprietário; aquela à estrutura do direito mesmo, à propriedade; a função social se modifica com as mudanças na relação de produção; a norma que contém o princípio da função social incide imediatamente, é de aplicabilidade imediata; a própria jurisprudência já o reconhece; o princípio transforma a propriedade capitalista, sem socializá-la; constitui o regime jurídico da propriedade, não de limitações, obrigações e ônus que podem apoiar-se em outros títulos de intervenção, como a ordem pública ou a atividade de polícia; constitui um princípio ordenador da propriedade privada; não autoriza a suprimir por via legislativa, a instituição da propriedade privada III - DIREITOS SOCIAIS FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS Ordem social e direitos sociais: a CF/88 traz um capítulo próprio dos direitos sociais e, bem distanciado deste, um título especial sobre a ordem social, não ocorrendo uma separação radical, como se os direitos sociais não fossem algo ínsito na ordem social; o art. 6º diz que são direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança a previdência social ......, na forma desta Constituição; esta forma é dada precisamente no título da ordem social, onde trata dos mecanismos e aspectos organizacionais desses direitos. Direitos sociais e direitos econômicos: a Constituição inclui o direito dos trabalhadores como espécie de direitos sociais, e o trabalho como primado básico da ordem social (arts. 7º e 193); o direito econômico tem uma dimensão institucional, enquanto os sociais constituem forma de tutela pessoal; o direito econômico é a disciplina jurídica de atividades desenvolvidas nos mercados, visando a organizálos sob a inspiração dominante do interesse social; os sociais disciplinam situações objetivas, pessoais ou grupais de caráter concreto. Conceito de direitos sociais: são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais. Classificação dos direitos sociais: à vista do Direito positivo, e com base nos arts. 6º a 11, são agrupados em 5 classes: a) direitos sociais relativos ao trabalhador; b) relativos à seguridade, compreendendo os direitos à saúde, à previdência e assistência social; c) relativos à educação e cultura; d) relativos à família, criança, adolescente e idoso; e) relativos ao meio ambiente; há porém uma classificação dos direitos sociais do homem como produtor e como consumidor. DIREITOS SOCIAIS RELATIVOS AOS TRABALHADORES Questão de Ordem

Espécies de direitos relativos aos trabalhadores: são de duas ordens: a) os direitos em suas relações individuais de trabalho (art. 7º); b) direitos coletivos dos trabalhadores (arts. 9º a 11). Direitos dos Trabalhadores Destinatários: o art. 7º relaciona os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, mas seu parágrafo único assegura à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos indicados nos incisos IV, VI, VIII, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV. Direitos reconhecidos: são direitos dos trabalhadores os enumerados nos incisos do art. 7º, além de outros que visem à melhoria de sua condição social; temos assim direitos expressamente enumerados e direitos simplesmente previstos. Direito ao trabalho e garantia do emprego: o art. 6º define o trabalho como direito social, mas nem ele nem o art. 7º trazem norma expressa conferindo o direito ao trabalho; este ressai do conjunto de normas sobre o trabalho; no art. 1º, IV, declara que o País tem como fundamento, entre outros, os valores sociais do trabalho; o 170 estatui que a ordem econômica funda-se na valorização do trabalho; o 193 dispõe que a ordem social tem como base o primado do trabalho. A garantia de emprego significa o direito de o trabalhador conservar sua relação de emprego contra despedida arbitrária ou sem justa causa , prevendo uma indenização compensatória, caso ocorra essa hipótese (art. 7º, I). Direitos sobre as condições de trabalho: as condições dignas de trabalho constituem objetivos dos direitos dos trabalhadores; por meio delas é que eles alcançam a melhoria de sua condição social (art. 7º, caput); a Constituição não é o lugar para se estabelecerem as condições das relações de trabalho, mas ela o faz, visando proteger o trabalhador, quanto a valores mínimos e certas condições de salários (art. 7º, IV a X), e, especialmente para assegurar a isonomia material (XXX a XXXII e XXXIV), garantir o equilíbrio entre o trabalho e descanso (XIII a XV e XVII a XIX). Direitos relativos ao salário: quanto à fixação, a CF oferece várias regras e condições, tais como: salário mínimo, piso salarial, salário nunca inferior ao mínimo, décimo-terceiro salário, remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, determinação que a remuneração da hora extra seja superior no mínimo 50% a do trabalho normal, salário-família, respeito ao princípio da isonomia salarial e o adicional de insalubridade; quanto à proteção do salário, possui 2 preceitos específicos: irredutibilidade do salário (inciso VI), e a proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa (inciso X). Direitos relativos ao repouso e à inatividade do trabalhador: a Constituição assegura o repouso semanal remunerado, o gozo de férias anuais, a licença a gestante e a licença-paternidade (incisos XV e XVII a XIX). Proteção dos trabalhadores: a CF ampliou as hipóteses de proteção, a primeira na ordem do art. 7º que aparece é a do inciso XX: proteção ao mercado de trabalho da mulher; a segunda é a do inciso XXII, forma de segurança do trabalho; a terceira do inciso XXVII, prevê a proteção em face da automação, na forma da lei; a quarta é a do inciso XXVIII, que estabelece o seguro contra acidentes de trabalho; cabe observar que os dispositivos que garantem a isonomia e não discriminação (XXX a XXXII) também possuem uma dimensão protetora do trabalhador. Direitos relativos aos dependentes do trabalhador: o de maior importância social é o direito previsto no inc. XXV, do art.7º, pelo qual se assegura assistência gratuita aos filhos e dependentes do trabalhador desde o nascimento até 6 anos de idade em creches e pré-escolas. Participação nos lucros e co-gestão: diz-se que é direito dos trabalhadores a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, a participação na gestão da empresa, conforme definido em lei (art. 7º, XI); o texto fala em participação nos lucros, ou resultados; são diferentes; resultados, consistem na equação positiva ou negativa entre todos os ganhos e perdas; lucro bruto é a diferença entre a receita líquida e custos de produção dos bens e serviços da empresa; a participação na gestão da empresa só ocorrerá quando a coletividade trabalhadora da empresa, por si ou por uma comissão, um conselho, um delegado ou um representante, fazendo parte ou não dos órgãos diretivos dela, disponha de algum poder de co-decisão ou pelo menos de controle. DIREITOS COLETIVOS DOS TRABALHADORES Liberdade de associação ou sindical: são mencionados no art. 8º, 2 tipos de associação: a profissional e a sindical; a diferença é que a sindical é uma associação profissional com prerrogativas especiais, tais como: defender os direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, participar das

negociações coletivas, eleger ou designar representantes da respectiva categoria, impor contribuições; já a associação profissional não sindical se limita a fins de estudo, defesa e coordenação dos interesses econômicos e profissionais de seus associados. A Constituição contempla e assegura amplamente a liberdade sindical em todos os seus aspectos; a liberdade sindical implica efetivamente: a liberdade de fundação de sindicato, a liberdade de adesão sindical, a liberdade de atuação e a liberdade de filiação. A participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho é obrigatória, por força do art. 8º, VI. O inciso IV, do referido artigo autoriza a assembléia geral a fixar a contribuição sindical que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, independente da contribuição prevista em lei.(arts. 578 a 610 da CLT). Sobre a pluralidade ou unicidade sindical, a CF adotou a unicidade, conforme o art. 8º, II. Direito de greve: a Constituição assegurou o direito de greve, por si própria (art. 9º); não o subordinou a eventual previsão em lei; greve é o exercício de um poder de fato dos trabalhadores com o fim de realizar uma abstenção coletiva do trabalho subordinado. Direito de substituição processual: consiste no poder que a Constituição conferiu aos sindicatos de ingressar em juízo na defesa de direitos e interesses coletivos e individuais da categoria. Direito de participação laboral: é direito coletivo de natureza social (art. 10), segundo o qual é assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão. Direito de representação na empresa: está consubstanciado na art. 11, segundo o qual, nas empresas de mais de 200 empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. DIREITOS SOCIAIS DO HOMEM CONSUMIDOR Direitos Sociais Relativos à Seguridade Seguridade social: A Constituição acolheu uma concepção de seguridade social, cujos objetivos e princípios se aproximam bastante daqueles fundamentais, ao defini-la como “um conjunto de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social” (194). Direito à saúde: a CF declara ser a saúde direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos a ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação, serviços e ações que são de relevância pública (196 e 197). Direito à previdência social: funda-se no princípio do seguro social, de sorte que os benefícios e serviços se destinam a cobrir eventos de doença, invalidez, morte, velhice e reclusão, apenas do segurado e seus dependentes. (201 e 202). Direito à assistência social: constitui a face universalizante da seguridade social, porque será prestada a quem dele necessitar, independentemente de contribuição (art. 203). Direitos Sociais Relativos à Educação e à Cultura Significação constitucional: a CF/88 deu relevante importância à cultura, formando aquilo que se denomina ordem constitucional da cultura, ou constituição cultural, constituída pelo conjunto de normas que contêm referências culturais e disposições consubstanciadoras dos direitos sociais relativos à educação e à cultura. (5º, IX, 23, III a V, 24, VII a IX, 30, IX, e 205 a 2017). Objetivos e princípios informadores da educação: os objetivos estão previstos no art. 205: a) pleno desenvolvimento da pessoa; b) preparo da pessoa para o exercício da cidadania; c) qualificação da pessoa para o trabalho; os princípios estão acolhidos no art. 206: universalidade, igualdade, liberdade, pluralismo, gratuidade do ensino público, valorização dos respectivos profissionais, gestão democrática da escola e padrão de qualidade. Direito à educação: o art. 205 contém uma declaração fundamental, que combinada com o art. 6º, eleva e educação ao nível dos direitos fundamentais do homem; aí se afirma que a educação é direito de

todos, realçando-lhe o valor jurídico, com a cláusula a educação é dever do Estado e da família (art. 205 e 227). Direito à cultura: os direitos culturais são: a) direito de criação cultural; b) direito de acesso às fontes da cultura nacional; c) direito de difusão da cultura; d) liberdade de formas de expressão cultural; e) liberdade de manifestações culturais; f) direito-dever estatal de formação de patrimônio cultural e de proteção dos bens de cultura, que, assim, ficam sujeitos a um regime jurídico especial, como forma de propriedade de interesse público (215 e 216). DIREITO AMBIENTAL Direito ao lazer: a Constituição menciona o lazer apenas no art. 6º e faz ligeira referência no art. 227, e nada mais diz sobre esse direito social; como visto, ele está muito associado aos direitos dos trabalhadores relativos ao repouso. Direito ao meio ambiente: o art. 225 estatui que, todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. DIREITOS SOCIAIS DA CRIANÇA E DOS IDOSOS Proteção à maternidade e à infância: está prevista no art. 6º como espécie de direito social, mas seu conteúdo há de ser buscado em mais de um dos capítulos da ordem social, onde aparece com aspectos do direito de previdência social, de assistência social e no capítulo da família, da criança, do adolescente e do idoso (art. 227), sendo de ter cuidado para não confundir o direito individual da criança , com seu direito social, que aliás coincide, em boa parte, com o de todas as pessoas, com o direito civil e com o direito tutelar do menos (art. 227, § 3º, IV a VII, e § 4º). Direito dos idosos: além dos direitos, previdenciário (201, I) e assintenciário (203, I), o art. 230, estatui que a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando a sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida, bem como a gratuidade dos transportes coletivos urbanos e, tanto quanto possível a convivência em seu lar. IV - DIREITO DE NACIONALIDADE Conceito de Nacionalidade: segundo Pontes de Miranda, nacionalidade é o vínculo jurídico-político de Direito Público interno, que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão pessoal do Estado; no Direito Constitucional vigente, os termos nacionalidade e cidadania, ou nacional e cidadão, têm sentido distinto; nacional é o brasileiro nato ou naturalizado; cidadão qualifica o nacional no gozo dos direitos políticos e os participantes da vida do Estado. Natureza do direito de nacionalidade: os fundamentos sobre a aquisição da nacionalidade é matéria constitucional, mesmo naqueles casos em que ela é considerada em textos de lei ordinária. Nacionalidade primária e nacionalidade secundária: a primária resulta de fato natural - o nascimento -; a secundária é a que se adquire por fato voluntário, depois do nascimento. Modos de aquisição de nacionalidade: são 2 os critérios para a determinação da nacionalidade primária: a) critério de sangue, se confere a nacionalidade em função do vínculo de sangue reputando-se os nacionais ou dependentes de nacionais; b) o critério de origem territorial, pelo qual se atribui a nacionalidade a quem nasce no território do Estado de que se trata. Os modos de aquisição da nacionalidade secundária dependem da vontade: a) do indivíduo; b) do Estado. O polipátrida e o “heimatlos”: polipátrida é quem tem mais de uma nacionalidade, o que acontece quando sua situação de nascimento se vincula aos 2 critérios de determinação de nacionalidade primária; Heimatlos, consiste na situação da pessoa que, dada a circunstância de nascimento, não se vincula a nenhum daqueles critérios, que lhe determinariam uma nacionalidade; geram um conflito de nacionalidade, que pode ser positivo ou negativo. O sistema constitucional brasileiro, oferece um mecanismo adequado para solucionar os conflitos de nacionalidade negativa em que se vejam envolvidos filhos de brasileiros (art. 12, I, b e c).

DIREITO DE NACIONALIDADE BRASILEIRA Fonte constitucional do direito de nacionalidade: estão previstos no art. 12 da Constituição; só esse dispositivo diz quais são os brasileiros, distinguindo-se em 2 grupos, com conseqüências jurídicas relevantes: os brasileiros natos (art. 12, I), e os brasileiros naturalizados (art. 12, II). Os brasileiros natos: o art. 12, I, dá os critérios e pressupostos para que alguém seja considerado brasileiro nato, revelando 4 situações definidoras de nacionalidade primária no Brasil, são elas: 1) os nascidos no Brasil, quer sejam filhos de pais brasileiros ou de pais estrangeiros, a não ser que estejam em serviço oficial; 2) os nascidos no exterior, de pai ou mãe brasileiros, desde que qualquer deles esteja a serviço do Brasil; 3) os nascidos no exterior, de pai ou mãe brasileiros, desde que venham a residir no Brasil antes da maioridade e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira; 4) os nascidos no exterior, registrados em repartição brasileira competente. Os brasileiros naturalizados: o art. 12, II, prevê o processo de naturalização, só reconhecendo a naturalização expressa, aquela que depende de requerimento do naturalizando, e compreende 2 classes: a) ordinária: é a concedida ao estrangeiro residente no país, que preencha os requisitos previstos na lei de naturalização, exigida aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral (art. 12, I, a); b) extraordinária: é reconhecida aos estrangeiros, residente no Brasil há mais de 15 anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. Condição jurídica do brasileiro nato: essa condição dá algumas vantagens em relação ao naturalizado, como a possibilidade de exercer todos os direitos conferidos no ordenamento pátrio, observados os critérios para isso, mas também ficam sujeitos aos deveres impostos a todos; as distinções são só aquelas consignadas na Constituição (art. 12, § 2º). Condição jurídica do brasileiro naturalizado: as limitações aos brasileiros naturalizados são as previstas nos arts. 12, § 3º, 89, VII, 5º, LI, 222. Perda de nacionalidade brasileira: perde a nacionalidade o brasileiro que: a) tiver cancelado sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; b) adquirir outra nacionalidade (art. 12, § 4º), salvo nos casos de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; e imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente no Estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para exercício de direitos civis (redação da ECR-3/94). Reaquisição da nacionalidade brasileira: salvo se o cancelamento for feito em ação rescisória, aquele que teve a naturalização cancelada nunca poderá recuperar a nacionalidade brasileira perdida; o que a perdeu por naturalização voluntária poderá readquiri-la ,por decreto do Presidente, se estiver domiciliado no Brasil (Lei 818/49, art. 36); cumpre-se notar que a reaquisição da nacionalidade opera a partir do decreto que a conceder, não tendo efeito retroativo, apenas recupera a condição que perdera. CONDIÇÃO JURÍDICA DO ESTRANGEIRO NO BRASIL O estrangeiro: reputa-se estrangeiro no Brasil, quem tenha nascido fora do território nacional que, por qualquer forma prevista na Constituição, não adquira a nacionalidade brasileira. Especial condição jurídica dos portugueses no Brasil: a CF favorece os portugueses residentes no país, apesar desse dispositivo ser muito defeituoso e incompreensível, quando declara que aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro nato, salvo os casos previstos nesta Constituição; ora, se se ressalvam casos previstos, a constituição não tem ressalva alguma aos direitos inerentes aos brasileiros natos. Locomoção no território nacional: a liberdade de locomoção no território nacional é assegurada a qualquer pessoa (art. 5º, XV); a lei condiciona o direito de qualquer pessoa entrar no território nacional, nele permanecer ou dele sair, só ou com seus bens ( Lei 6815/80, alterada pela Lei 6964/81). Entrada: satisfazendo as condições estabelecidas na lei, obtendo o visto de entrada, conforme o caso, não o concedendo aos menores de 18 anos, nem a estrangeiros nas situações enumeradas no art. 7º da referida lei; o visto não cria direito subjetivo, mas mera expectativa de direito; Permanência: estada sem limitação de tempo, assim que obtenha o visto para fixar-se definitivamente; Saída: pode deixar o território com o visto de saída.

Aquisição e gozo dos direitos civis: o princípio é o de que a lei não distingue entre nacionais e estrangeiros quanto à aquisição e ao gozo dos direitos civis (CC, art. 3º); porém, existem limitações aos estrangeiros estabelecidas na Constituição, de sorte que podermos asseverar que eles só não gozam dos mesmos direitos assegurados aos brasileiros quando a própria Constituição autorize a distinção. Exs: arts. 190, 172, 176,§ 1º, 222, 5º, XXXI,227, § 5) Gozo dos direitos individuais e sociais: é assegurado aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, a liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, esse com restrições; quanto aos sociais, ela não assegura, mas também não restringe. Não aquisição de direitos políticos: os estrangeiro não adquirem direitos políticos (art. 14, § 2º). Asilo político: a Constituição prevê a concessão do asilo político sem restrições, considerando como um dos princípios que regem as relações internacionais do Brasil (art. 4º, X); consiste no recebimento de estrangeiros no território nacional, a seu pedido, sem os requisitos de ingresso, para evitar punição ou perseguição no seu país por delito de natureza política ou ideológica. Extradição: compete a União legislar sobre extradição (art. 22, XV), vigorando sobre ela os arts. 76 a 94 da Lei 6815/80; mas a CF traça limites à possibilidade de extradição quanto à pessoa acusada e quando à natureza do delito, vetando os crimes políticos ou de opinião por estrangeiro, e de modo absoluto os brasileiros natos; cabe ao STF processar e julgar ordinariamente a extradição solicitada por Estado estrangeiro. Expulsão: é passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranqüilidade ou moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à convivência e aos interesses nacionais, entre outros casos previstos em lei; fundamenta-se na necessidade de defesa e conservação da ordem interna ou das relações internacionais do Estado interessado. Deportação: fundamenta-se no fato de o estrangeiro entrar ou permanecer irregularmente no território nacional; decorre do não cumprimento dos requisitos. V - DIREITO DE CIDADANIA DIREITOS POLÍTICOS Conceito e abrangência: Os direitos políticos consistem na disciplina dos meios necessários ao exercício da soberania popular; a Constituição emprega a expressão direitos políticos, em seu sentido estrito, como o conjunto de regras que regula os problemas eleitorais. Modalidades de direitos políticos: o núcleo fundamental dos direitos políticos consubstancia-se no direito de votar e ser votado, possibilitando-se falar em direitos políticos ativos e passivos, sem que isso constitua divisão deles, são apenas modalidades de seu exercício ligadas à capacidade eleitoral ativa, consubstanciada nas condições do direito de votar (ativo), e à capacidade eleitoral passiva, que assenta na elegibilidade, atributo de quem preenche as condições do direito de ser votado (passivo). Aquisição de cidadania: os direitos de cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral na forma da lei; a qualidade de eleitor decorre do alistamento, que é obrigatório para os maiores de 18 anos e facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 anos e maiores de 16 e menores de 18 (art. 14, § 1º, I e II); pode-se dizer, então que a cidadania se adquire com a obtenção da qualidade de eleitor, que documentalmente se manifesta na posse do título de eleitor válido. DIREITOS POLÍTICOS POSITIVOS Conceito: consistem no conjunto de normas que asseguram o direito subjetivo de participação no processo político e nos órgãos governamentais, garantindo a participação do povo no poder de dominação política por meio das diversas modalidades de sufrágio. Instituições: as instituições fundamentais são as que configuram o direito eleitoral, tais como o direito de sufrágio e os sistemas e procedimentos eleitorais. Direito de Sufrágio

Conceito e funções do sufrágio: as palavras sufrágio e voto são empregadas comumente como sinônimas; a CF, no entanto, dá-lhes sentido diferentes, especialmente no seu art. 14, por onde se vê que sufrágio é universal e o voto é direto, secreto e tem valor igual; o sufrágio é um direito público subjetivo de natureza política, que tem o cidadão de eleger, ser eleito e de participar da organização e da atividade do poder estatal; nele consubstancia-se o consentimento do povo que legitima o exercício do poder; aí estando sua função primordial, que é a seleção e nomeação das pessoas que hão de exercer as atividades governamentais. Forma de sufrágio: o regime político condiciona as formas de sufrágio ou, por outras palavras, as formas de sufrágio denunciam, em princípio, o regime; se este é democrático, será universal (quando se outorga o direito de votar a todos os nacionais de um país, sem restrições derivadas de condições de nascimento, de fortuna e de capacidade especial). - art. 14 - ; o sufrágio restrito (quando só é conferido a indivíduos qualificados por condições econômicas ou de capacidade especiais) revela um regime elitista, autocrático ou oligárquico; o Direito Constitucional brasileiro respeita o princípio da igualdade do direito de voto, adotando-se a regra de que a cada homem vale um voto, no sentido de que cada eleitor de ambos os sexos tem direito a um voto em cada eleição e para cada tipo de mandato. Natureza do sufrágio: é um direito público subjetivo democrático, que cabe ao povo nos limites técnicos do princípio da universalidade e da igualdade de voto e de elegibilidade; fundamenta-se no princípio da soberania popular por meio de representantes. Titulares do direito de sufrágio: diz-se ativo (direito de votar) e passivo (direito de ser votado); aquele caracteriza o eleitor, o outro, o elegível; o primeiro é pressuposto do segundo, pois, ninguém tem o direito de ser votado, se não for titular do direito de votar. Capacidade eleitoral ativa: depende das seguintes condições: nacionalidade brasileira, idade mínima de 16 anos, posse de título eleitoral e não ser conscrito em serviço militar obrigatório.(art. 14) Exercício do sufrágio: o voto: o voto é o ato fundamental do exercício do direito de sufrágio, no que tange sua função eleitoral; é a sua manifestação no plano prático. Natureza do voto: a questão se oferece quanto a saber se o voto é um direito, uma função ou um dever; que é um direito já o admitimos acima; é, sim, uma função, mas função de soberania popular, na medida em que traduz o instrumento de atuação desta; nesse sentido, é aceitável a sua imposição como um dever; daí se conclui que o voto é um direito público subjetivo, uma função social e um dever, ao mesmo tempo. Caracteres do voto: eficácia, sinceridade e autenticidade são atributos que os sistemas eleitorais democráticos procuram conferir ao voto; para tanto, hão de garantir-lhe 2 caracteres básicos: personalidade e liberdade; a personalidade do voto é indispensável para a realização dos atributos da sinceridade e autenticidade, significando que o eleitor deverá estar presente e votar ele próprio, não se admitindo, os votos por correspondência ou por procuração; a liberdade de voto é fundamental para sua autenticidade e eficácia, manifestando-se não apenas pela preferência a um ou outro candidato, mas também pela faculdade de votar em branco ou de anular o voto, direito esse, garantido pelo voto secreto; o sigilo do voto é assegurado mediante as seguintes providências: 1) uso de cédulas oficiais; 2) isolamento do eleitor em cabine indevassável; 3) verificação da autenticidade da cédula oficial; 4) emprego de urna que assegure a inviolabilidade do sufrágio e seja suficientemente ampla para que não acumulem as cédulas na ordem em que forem introduzidas pelo próprio eleitor, não se admitindo que outro o faça. (art. 103, Lei 4737/65) Organização do eleitorado: o conjunto de todos aqueles detêm o direito de sufrágio forma o eleitorado; de acordo com o direito eleitoral vigente, o eleitorado está organizado segundo 3 tipos de divisão territorial, que são as circunscrições eleitorais e zonas eleitorais e, nestas, os eleitores são agrupados em seções eleitorais que não tenham mais de 400 eleitores nas capitais e de 300 nas demais localidades, nem menos de 50, salvo autorização do TRE em casos excepcionais (art. 117, Lei 4737/65). Elegibilidade e condições de elegibilidade: consiste no direito de postular a designação pelos eleitores a um mandado político no Legislativo ou no Executivo; as condições de elegibilidade e as inelegibilidades variam em razão da natureza ou tipo de mandato pleiteado; a CF arrola no art. 14, § 3º, as condições de elegibilidade, na forma da lei, isso porque algumas das condições indicadas dependem de forma estabelecida em lei; as inelegibilidades constam nos §§ 4º a 7º e 9º do mesmo artigo, além de outras que podem ser previstas em lei complementar. SISTEMAS ELEITORAIS

As eleições: a eleição não passa de um concurso de vontades juridicamente qualificadas visando operar a designação de um titular de mandato eletivo; as eleições são procedimentos técnicos para a designação de pessoas para um cargo ou para a formação de assembléias; o conjunto de técnicas e procedimentos que se empregam na realização das eleições, destinados a organizar a representação do povo no território nacional, se designa sistema eleitoral. Reeleição: significa a possibilidade que a Constituição reconhece ao titular de um mandato eletivo de pleitear sua própria eleição para um mandato sucessivo ao que está desempenhando. O sistema majoritário: por esse sistema, a representação, em dado território, cabe ao candidato ou candidatos que obtiverem a maioria dos votos; primeiramente ele se conjuga com o sistema de eleições distritais, nos quais o eleitor há de escolher entre candidatos individuais em cada partido, isto é, haverá apenas um candidato por partido; em segundo lugar pode ser simples, com maioria simples, como pode ser por maioria absoluta; o Direito Constitucional brasileiro consagra o sistema majoritário: a) por maioria absoluta, para a eleição do Presidente (77), do Governador (28) e do Prefeito (29, II); b) por maioria relativa, para a eleição de Senadores Federais. O sistema proporcional: é acolhido para a eleição dos Deputados Federais (45), se estendendo às Assembléias Legislativas e às Câmaras de Vereadores; por ele, pretende-se que a representação em determinado território, se distribua em proporção às correntes ideológicas ou de interesse integrada nos partidos políticos concorrentes; o sistema suscita os problemas de saber quem é considerado eleito e qual o número de eleitos por partido, sendo, por isso, necessário determinar: a) votos válidos: para a determinação do quociente eleitoral contam-se, como válidos, os votos dados à legenda partidária e os votos de todos os candidatos; os votos nulos e brancos não entram na contagem (77, § 2º). b) Quociente eleitoral: determina-se o quociente eleitoral , dividindo-se o número de votos válidos pelo número de lugares a preencher na Câmara dos Deputados, ou na Assembléia Legislativa estadual, ou na Câmara Municipal, conforme o caso, desprezada a fração igual ou inferior a meio, arredondando-se para 1, a fração superior a meio. c) Quociente partidário: é o número de lugares cabível a cada partido, que se obtém dividindo-se o número de votos obtidos pela legenda pelo quociente eleitoral, desprezada a fração. d) Distribuição de restos: para solucionar esse problema da distribuição dos restos ou das sobras, o direito brasileiro adotou o método da maior média, que consiste no seguinte: adiciona-se mais 1 lugar aos o que foram obtidos por cada um dos partidos; depois, toma-se o número de votos válidos atribuídos a cada partido e divide-se por aquela soma; o primeiro lugar a preencher caberá ao partido que obtiver a maior média; repita-se a mesma operação tantas vezes quantos forem os lugares restantes que devem ser preenchidos, até sua total distribuição entre os diversos partidos. (Código Eleitoral, art. 109) O sistema misto: existem 2 tipos: o alemão, denominado sistema de eleição proporcional “personalizado”, que procura combinar o princípio decisório da eleição majoritária com o modelo representativo da eleição proporcional; e o mexicano, que busca conservar o sistema eleitoral misto, mas com um aumento da representação proporcional, com predomínio do sistema de maioria. No Brasil, houve tentativa de implantar um chamado sistema misto majoritário e proporcional por distrito, na forma que a lei dispusesse; a EC 22/82 é o que previu. PROCEDIMENTO ELEITORAL Apresentação de candidatos: o procedimento eleitoral visa selecionar e designar as autoridades governamentais; portanto, há de começar pela apresentação dos candidatos ao eleitorado; a formação das candidaturas ocorre em cada partido, segundo o processo por ele estabelecido, pois a CF garantelhes autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento (17, § 1º); o registro das candidaturas é feito após a escolha, cumpre ao partido providenciar-lhes o registro consoante, cujo procedimento esta descrito nos arts. 87 a 102 do Código Eleitoral; Propaganda: é regulada pelos arts. 240 a 256 do Código Eleitoral. O escrutínio: é o modo pelo qual se recolhem e apuram os votos nas eleições; e é nesse momento que devem concretizar-se as garantias eleitorais do sigilo e da liberdade de voto (arts. 135 a 157, e 158 a 233, Código Eleitoral). O contencioso eleitoral: cabe a Justiça Eleitoral, e tem por objetivo fundamental assegurar a eficácia das normas e garantias eleitorais e, especialmente, coibir a fraude, buscando a verdade e a legitimidade eleitoral. (arts. 118 a 121). DIREITOS POLÍTICOS NEGATIVOS

Conceito: são àquelas determinações constitucionais que, de uma forma ou de outra, importem em privar o cidadão do direito de participação no processo político e nos órgãos governamentais. Conteúdo: compõe-se das regras que privam o cidadão, pela perda definitiva ou temporária, da totalidade dos direitos políticos de votar e ser votado, bem como daquelas regras que determinam restrições à elegibilidade do cidadão. Interpretação: a interpretação das normas constitucionais ou complementares relativas aos direitos políticos deve tender à maior compreensão do princípio, deve dirigir-se ao favorecimento do direito de votar e de ser votado, enquanto as regras de privação e restrição hão de entender-se nos limites mais estreitos de sua expressão verbal, segundo as boas regras de hermenêutica. PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS Modos de privação dos direitos políticos: a privação definitiva denomina-se perda dos direitos políticos; a temporária é sua suspensão; a Constituição veda a cassação de direitos políticos, e só admite a perda e suspensão nos casos indicados no art. 15. Perda dos direitos políticos: consistem na privação definitiva dos direitos políticos, com o que o indivíduo perde sua condição de eleitor e todos os direitos de cidadania nela fundados. Suspensão dos direitos políticos: consiste na sua privação temporária; só pode ocorrer por uma dessas três causas: incapacidade civil absoluta; condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; improbidade administrativa. Competência para decidir sobre a perda e suspensão de direitos políticos: decorre de decisão judicial, porque não se pode admitir a aplicação de penas restritivas de direito fundamental por via que não seja a judiciária, quando a Constituição não indique outro meio; o Poder Judiciário é o único que tem poder para dirimir a questão, em processo suscitado pelas autoridades federais em face de caso concreto. REAQUISIÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS Reaquisição dos direitos políticos perdidos: é regulada no art. 40 da Lei 818/49, que continua em vigor sobre a matéria; a regra é, quem os perdeu em razão da perda de nacionalidade brasileira, readquirida esta, ficará obrigado a novo alistamento eleitoral, reavendo, assim, seus direitos políticos; os perdidos em conseqüência da escusa de consciência (art. 40 da Lei 818/49), admite-se uma analogia à Lei 8239/91, que prevê essa reaquisição, quando diz que o inadimplente poderá a qualquer tempo, regularizar sua situação mediante cumprimento das obrigações devidas (art. 4º, § 2º). Reaquisição dos direitos políticos suspensos: não há norma expressa que preveja os casos e condições dessa reaquisição; essa circunstância, contudo, não impossibilita a recuperação desses direitos que se dará automaticamente com a cessação dos motivos que determinaram a suspensão. INELEGIBILIDADES Conceito: Inelegibilidade revela impedimento à capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado). Objeto e fundamento: têm por objeto proteger a probidade administrativa, a normalidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta (art. 14, § 9º); possuem um fundamento ético evidente, tornando-se ilegítimas quando estabelecidas com fundamento político ou para assegurarem o domínio do poder por um grupo que o venha detendo. Eficácia das normas sobre inelegibilidades: as normas contidas nos §§ 4º a 7º, do art. 14, são de eficácia plena e aplicabilidade imediata; para incidirem, independem de lei complementar referida no § 9º do mesmo artigo. Inelegibilidades absolutas e relativas: as absolutas implicam impedimento eleitoral para qualquer cargo eletivo; as relativas constituem restrições à elegibilidade para determinados mandatos em razão de situações especiais em que, no momento da eleição se encontre o cidadão; podem ser por motivos funcionais, de parentesco ou de domicílio.

Desincompatibilização: dá-se também o nome de desincompatibilização ao ato pelo qual o candidato se desvencilha da inelegibilidade a tempo de concorrer à eleição cogitada; o mesmo termo, tanto serve para designar o ato, mediante o qual o eleito sai de uma situação de incompatibilidade para o exercício do mandato, como para o candidato desembaraçar-se da inelegibilidade. DOS PARTIDOS POLÍTICOS Noção de partido político: é uma forma de agremiação de um grupo social que se propõe organizar, coordenar e instrumentar a vontade popular com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de governo. Sistemas partidários: sistema de partido, consiste no modo de organização partidária de um país; os diferentes modos de organização possibilitam o surgimento de 3 tipos de sistema: a) o de partido único, ou unipartidário; b) o de dois partidos, ou bipartidarismo; c) o de 3, 4, ou mais partidos, denominado sistema pluripartidário, ou multipartidário; neste último se inclui o sistema brasileiro nos termos do art. 17. Institucionalização jurídico-constitucional dos partidos. Controle: a ordenação constitucional e legal dos partidos traduz-se num condicionamento de sua estrutura, seu programa e suas atividades, que deu lugar a um sistema de controle, consoante se adote uma regulamentação maximalista (maior intervenção estatal) ou minimalista (menor); a Constituição vigente liberou a criação, organização e funcionamento de agremiações partidárias, numa concepção minimalista, sem controle quantitativo (embora o possibilite por lei ordinária), mas com previsão de mecanismos de controle qualitativo (ideológico), mantido o controle financeiro; o controle financeiro impõe limites à apropriação dos recursos financeiros dos partidos, que só podem buscá-los em fontes estritamente indicadas, sujeitando-se à fiscalização do Poder Público. Função dos partidos e partido de oposição: a doutrina, em geral, admite que os partidos têm por função fundamental, organizar a vontade popular e exprimi-la na busca do poder, visando à aplicação de seu programa de governo; o pluripartidarismo pressupõe maioria governante e minoria discordante; o direito da maioria pressupõe a existência do direito da minoria e da proteção desta, que é função essencial à existência dos direitos fundamentais do homem; decorrem, pois, do texto constitucional (17), a necessidade e os fundamentos de partidos de oposição. Natureza jurídica dos partidos: se segundo o § 2º, do art. 17, adquirem personalidade na forma da lei civil é porque são pessoas jurídicas de direito privado. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DE ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA Liberdade partidária: afirma-se no art. 17, nos termos seguintes: é livre a criação, fusão, incorporação e extinção dos partidos políticos, resguardados a soberania nacional¸ o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana, condicionados, no entanto, a serem de caráter nacional, a não receberem recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiro ou a subordinação a estes, a prestarem contas à Justiça Eleitoral e a terem funcionamento parlamentar de acordo com a lei. Condicionamentos à liberdade partidária: ela é condicionada a vários princípios que confluem, em essência, para seu compromisso com o regime democrático. Autonomia e democracia partidária: a idéia que sai do texto constitucional (art. 17, § 1º) é a de que os partidos hão que se organizar e funcionar em harmonia com o regime democrático e que sua estrutura interna também fica sujeita ao mesmo princípio; a autonomia é conferida na suposição de que cada partido busque, de acordo com suas concepções, realizar uma estrutura interna democrática. Disciplina e fidelidade partidária: pela CF, não são uma determinante da lei, mas uma determinante estatutária; os estatutos dos partidos estão autorizados a prever sanções para os atos de indisciplina e de infidelidade, que poderão ir de simples advertência até a exclusão; mas a Constituição não permite a perda de mandato por infidelidade partidária, até o veda. PARTIDOS E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA Partidos e elegibilidade: os partidos destinam-se a assegurar a autenticidade do sistema representativo, sendo assim, canais por onde se realiza a representação política do povo, não se

admitindo candidaturas avulsas, pois ninguém pode concorrer a eleições se não for registrado num partido (14, § 3º, V). Partidos e exercício do mandato: uma das conseqüências da função representativa dos partidos é que o exercício do mandato político, que o povo outorga a seus representantes, faz-se por intermédio deles, que, desse modo, estão de permeio entre o povo e o governo, mas não no sentido de simples intermediários entre 2 pólos opostos ou alheios entre si, mas como um instrumento por meio do qual o povo governa. Sistema partidário e sistema eleitoral: ambos formam os dois mecanismos de expressão da vontade popular na escolha dos governantes; a circunstância de ambos se voltarem para um mesmo objetivo imediato (a organização da vontade popular) revela a influência mútua entre eles, a ponto de a doutrina definir condicionamentos específicos do sistema eleitoral sobre o de partidos. VI - GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DIREITOS E SUAS GARANTIAS Garantia dos direitos: os direitos são bens e vantagens conferidos pela norma, enquanto as garantias são meios destinados a fazer valer esses direitos, são instrumentos pelos quais se asseguram o exercício e gozo daqueles bens e vantagens. Garantias constitucionais dos direitos: caracterizam-se como imposições, positivas ou negativas, especialmente aos órgãos do Poder Público, limitativas de sua conduta, para assegurar a observância ou, o caso, inobservância do direito violado. Confronto entre direitos e garantias: a lição de Ruy Barbosa: convém olhar os exemplos que estão nas páginas 414 e ss., para entender o assunto, que é muito extenso para resumir, sendo necessário olhar na íntegra. Classificação das garantias constitucionais especiais: nos termos do Direito Constitucional positivo, elas se agrupam: 1) Garantias constitucionais individuais, compreendendo: princípio da legalidade, da proteção judiciária, a estabilidade dos direitos subjetivos adquiridos, perfeitos e julgados, à segurança, e os remédios constitucionais; 2) garantias dos direitos coletivos; 3) dos direitos sociais; 4) dos direitos políticos. GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS Conceito: usaremos a expressão para exprimir os meios, instrumentos, procedimentos e instituições destinados a assegurar o respeito, a efetividade do gozo e a exigibilidade dos direitos individuais, os quais se encontram ligados a estes entre os incisos do art. 5º. Classificação: apenas agruparemos em função de seu objeto em legalidade, proteção judiciária, estabilidade dos direitos subjetivos, segurança jurídica e remédios constitucionais. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Conceito e fundamento constitucional: o princípio da legalidade sujeita-se ao império da lei, mas da lei que realize o princípio da igualdade e da justiça não pela sua generalidade, mas pela busca da igualização das condições dos socialmente desiguais; está consagrado no inciso II, do art. 5º, segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Legalidade e reserva de lei: o primeiro (genérica) significa a submissão e o respeito à lei; o segundo (legalidade específica) consiste em estatuir que a regulamentação de determinadas matérias há de fazer-se necessariamente por lei formal; tem-se a reserva legal quando uma norma constitucional atribui determinada matéria exclusivamente à lei formal, subtraindo-a, com isso. à disciplina de outras fontes, àquelas subordinadas. Legalidade e legitimidade: o princípio da legalidade de um Estado Democrático de Direito assenta numa ordem jurídica emanada de um poder legítimo, até porque, se o poder não for legítimo, o Estado não será Democrático de Direito, como proclama a Constituição (art. 1º); o princípio da legalidade fundase no princípio da legitimidade.

Legalidade e poder regulamentar: cabe ao Presidente da República o poder regulamentar para fiel execução da lei e para dispor sobre a organização e o funcionamento da administração federal, na forma da lei (art. 84, IV e VI); o princípio é o de que o poder regulamentar consiste num poder administrativo no exercício de função normativa subordinada, qualquer que seja seu objeto; significa que se trata de poder limitado; não é poder legislativo. Legalidade e atividade administrativa: Lembra Hely Lopes Meirelles que a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei; na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal, só é permitido fazer o que a lei autoriza; no art. 37, esta o princípio segundo o qual a Administração Pública obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade. Legalidade tributária: esse princípio da estrita legalidade tributária compõe-se de 2 princípios que se complementam: o da reserva legal e o da anterioridade da lei tributária (art. 150, I e III), havendo exceções, como a do art. 153, § 1º. Legalidade penal: não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem cominação legal (art. 5º, XXXIX); o princípio se contempla com outro, o que prescreve a não ultratividade da lei penal (XL). Princípios complementares do princípio da legalidade: a proteção constitucional do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada, constitui garantia de permanência e de estabilidade do princípio da legalidade, junto com o da irretroatividade das leis que o complementa. Controle de legalidade: a submissão da Administração à legalidade fica subordinada a 3 sistemas de controle: o administrativo, o legislativo e o jurisdicional. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO JUDICIÁRIA Fundamento: fundamenta-se no princípio da separação dos poderes, reconhecido pela doutrina como uma das garantias constitucionais; junta-se aí uma constelação de garantias. (art. 5º, XXXV, LIV e LV) Monopólio do judiciário do controle jurisdicional: a primeira garantia que o texto revela (art. 5º, XXXV) é a que cabe ao Judiciário o monopólio da jurisdição; a segunda consiste no direito de invocar a a atividade jurisdicional sempre que se tenha como lesado ou simplesmente ameaçado um direito, individual ou não. Direito de ação e de defesa: garante-se plenitude de defesa, assegurada no inciso LV: aos litigantes, em processo judicial e administrativo, a aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Direito ao devido processo legal: ninguém será privado de liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º, LIV); combinado com o direito de acesso à justiça (XXXV) e o contraditório e a plenitude de defesa (LV), fecha-se o ciclo das garantias processuais. ESTABILIDADE DOS DIREITOS SUBJETIVOS Segurança das relações jurídicas: a segurança jurídica consiste no conjunto de condições que tornam possível às pessoas o conhecimento antecipado e reflexivo das conseqüências diretas de seus atos e de seus fatos à luz da liberdade reconhecida; se vem lei nova, revogando aquela sob cujo império se formara o direito subjetivo, prevalece o império da lei velha, consagrado na Constituição, no art. 5º , XXXVI, a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Direito adquirido: a LICC declara que se consideram adquiridos os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem (art. 6º, § 2º); se o direito subjetivo não foi exercido, vindo a lei nova, transforma-se em direito adquirido, porque era direito exercitável e exigível à vontade de seu titular. Ato jurídico perfeito: nos termos do art. 153, § 3º (art. 5º, XXXVI) é aquele que sob regime da lei antiga se tornou apto para produzir os seus efeitos pela verificação de todos os requisitos a isso indispensável; é perfeito ainda que possa estar sujeito a termo ou condição; é aquela situação consumada ou direito consumado, direito definitivamente exercido.

Coisa julgada: a garantia, refere-se a coisa julgada material, prevalecendo hoje o conceito do CPC, denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário (art. 467); a lei não pode desfazer a coisa julgada, mas pode prever licitamente, como o fez o art. 485 do CPC, sua rescindibilidade por meio de ação rescisória. DIREITO À SEGURANÇA Segurança do Domicílio: o art. 5º, XI, consagra o direito do indivíduo ao aconchego do lar com sua família ou só, quando define a casa como o asilo inviolável do indivíduo; também o direito fundamental da privacidade, da intimidade; a proteção dirige-se basicamente contra as autoridades, visa impedir que estar invadam o lar. Segurança das comunicações pessoais: visa assegurar o sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas e telefônicas (art. 5º, XII), que são meio de comunicação interindividual, formas de manifestação do pensamento de pessoa a pessoa, que entram no conceito mais amplo de liberdade de pensamento em geral (IV). Segurança em matéria penal: visam tutelar a liberdade pessoal, figuram no art. 5º, XXXVII a XLVII, mais a hipótese do LXXV, podem ser consideradas em 2 grupos: 1) garantias jurisdicionais penais: da inexistência de juízo ou tribunal de exceção, de julgamento pelo tribunal do júri nos crimes dolosos contra a vida, do juiz competente; 2) garantias criminais preventivas: anterioridade da lei penal, irretroatividade da lei penal, de legalidade e da comunicabilidade da prisão; 3) relativas à aplicação da pena: individualização da pena, personalização da pena, proibição da prisão civil por dívida; proibição de extradição de brasileiro e de estrangeiro por crime político, proibição de determinadas penas; 4) garantias processuais penais: instrução penal contraditória, garantia do devido processo legal, garantia da ação privada; 5) garantias da presunção de inocência: LVII, LVIII e LXXV; 6) garantias da incolumidade física e moral: vedação do tratamento desumano e degradante, vedação e punição da tortura; 7) garantias penais da não discriminação: XLI e XLII; 8) garantia penal da ordem constitucional democrática: XLIV. Segurança em matéria tributária: realiza-se nas garantias consubstanciadas no art. 150: a) nenhum tributo será exigido nem aumentado senão em virtude de lei; princípio da legalidade tributária;b) de que não se instituirá tratamento desigual entre contribuintes; c) de que nenhum tributo será cobrado em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado nem no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; d) de que não haverá tributo com efeito confiscatório. REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Direito de petição: define-se como direito que pertence a uma pessoa de invocar a atenção dos poderes públicos sobre uma questão ou situação, seja para denunciar uma lesão concreta, e pedir reorientação da situação, seja para solicitar uma modificação do direito em vigor do sentido mais favorável à liberdade (art. 5º, XXXIV). Direito a certidões: está assegurado a todos, no art. 5º, XXXIV, independentemente do pagamento de taxas, a obtenção de certidões em repartições públicas para defesa de direito e esclarecimentos de situações de interesse pessoal. Habeas corpus: é um remédio destinado a tutelar o direito de liberdade de locomoção, liberdade de ir e vir, parar e ficar; tem natureza de ação constitucional penal. (art. 5º, LXVIII) Mandado de segurança individual: visa amparar direito pessoal líquido e certo; só o próprio titular desse direito tem legitimidade para impetrá-lo, que é oponível contra qualquer autoridade pública ou contra agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições públicas, com o objetivo de corrigir ato ou omissão ilegal decorrente do abuso de poder. (art. 5º, LXIX) Mandado de injunção: constitui um remédio ou ação constitucional posto à disposição de quem se considere titular de qualquer daqueles direitos, liberdades ou prerrogativas inviáveis por falta de norma regulamentadora exigida ou suposta pela Constituição; sua finalidade consiste em conferir imediata aplicabilidade à norma constitucional portadora daqueles direitos e prerrogativas, inerte em virtude de ausência de regulamentação (art. 5º, LXXI). Habeas data: remédio que tem por objeto proteger a esfera íntima dos indivíduos contra usos abusivos de registros de dados pessoais coletados por meios fraudulentos, desleais e ilícitos, introdução

nesses registros de dados sensíveis (origem racial, opinião política). etc) e conservação de dados falsos ou com fins diversos dos autorizados em lei (art. 5º, LXXII). GARANTIA DOS DIREITOS COLETIVOS, SOCIAIS E POLÍTICOS GARANTIA DOS DIREITOS COLETIVOS Mandado de segurança coletivo: instituído no art. 5º, LXX, que pode ser impetrado por partido político ou organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; o requisito do direito líquido e certo será sempre exigido quando a entidade impetra o mandado de segurança coletivo na defesa de direito subjetivo individual; quando o sindicato usá-lo na defesa do interesse coletivo de seus membros e quando os partidos impetrarem-no na defesa do interesse coletivo difuso exigem-se ao menos a ilegalidade e a lesão do interesse que o fundamenta. Mandado de injunção coletivo: pode também ser um remédio coletivo, já que pode ser impetrado por sindicato (art. 8º, III) no interesse de Direito Constitucional de categorias de trabalhadores quando a falta de norma regulamentadora desses direitos inviabilize seu exercício. Ação popular: consta no art. 5º, LXXIII, trata-se de um remédio constitucional pelo qual qualquer cidadão foca investido de legitimidade para o exercício de um poder de natureza essencialmente política, e constitui manifestação direta da soberania popular consubstanciada no art.1º, da CF; podemos a definir como instituto processual civil, outorgado a qualquer cidadão como garantia político-constitucional, para a defesa do interesse da coletividade, mediante a provocação do controle jurisdicional corretivo de atos lesivos do patrimônio público, da moralidade administrativa, do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural. GARANTIA DOS DIREITOS SOCIAIS Sindicalização e direito de greve: são os 2 instrumentos mais eficazes para a efetividade dos direitos sociais dos trabalhadores, visto que possibilita a instituição de sindicatos autônomos e livres e reconhece constitucionalmente o direito de greve (arts. 8º e 9º). Decisões judiciais normativas: a importância dos sindicatos se revela na possibilidade de celebrarem convenções coletivas de trabalho e, conseqüentemente, na legitimação que têm para suscitar dissídio coletivo de trabalho. (114, § 2º) Garantia de outros direitos sociais: fontes de recursos para a seguridade social, com aplicação obrigatória nas ações e serviços de saúde e às prestações previdenciárias e assistenciais (194 e 195); a reserva de recursos orçamentários para a educação (212); aos direitos culturais (215); ao meio ambiente (225). DIREITOS POLÍTICOS Definição do tema (remissão): são aquelas que possibilitam o livre exercício da cidadania; tais são o sigilo de voto, a igualdade de voto; inclui-se aí a determinação de que sejam gratuitos, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. Eficácia dos direitos fundamentais: a garantia das garantias consiste na eficácia e aplicabilidade imediata das normas constitucionais; os direitos, liberdades e prerrogativas consubstanciadas no título II, caracterizados como direitos fundamentais, só cumprem sua finalidade se as normas que os expressem tiverem efetividade, determinando que as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

INSTRUMENTOS ESPECIAIS PREVISTOS NA CF (REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS) São garantias constitucionais, isto é, medidas utilizadas para tornar efetivo o exercício dos direitos constitucionais. HABEAS CORPUS

(art. 5º, LXVIII) – Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade (física) de locomoção (de ir e vir), por ilegalidade ou abuso de poder praticado por autoridade. Não basta que a CF estabeleça que ninguém pode ser preso senão em flagrante delito ou por ordem de autoridade competente. Como é do conhecimento geral, há mais prisões ilegais, abusivas, do que legais. Por tal motivo, ou seja, para proteger o indivíduo contra “autoridades” que abusam de seu cargo e função, e prendem ilegal e abusivamente pessoas, a CF garante a liberdade de ir e vir com um remédio que se chama “habeas corpus”, sendo ele um pedido que se faz a um juiz noticiando-se a ele que o direito de liberdade de alguém está sofrendo constrangimento, seja porque já o prenderam ilegal e abusivamente, seja porque pretendem prendê-lo. O juiz, sabendo do fato, determinará à autoridade, que está constrangendo a liberdade daquela pessoa, que preste, urgentemente, informações do que está acontecendo e, em seguida, confirmada a ilegalidade e abusividade da prisão, determinará que a pessoa seja, imediatamente, posta em liberdade. O procedimento é emergencial, nem precisa de advogado, podendo qualquer pessoa pedir em seu próprio nome ou de outrem. Quando a pessoa estiver apenas ameaçada em seu direito de liberdade, estaremos diante do “habeas corpus preventivo” (ex: prostitutas que fazem “trottoir” nas ruas e são “molestadas” por policiais que, ilegal e abusivamente, prendem-nas – prostituição não é crime, logo não podem prendê-las). Muitas requerem “habeas corpus preventivo” e obtêm uma ordem judicial (salvo conduto) para que não sejam presas por aquele motivo, se o policial descumprir aquela ordem, cometerá crime. Não cabe “habeas corpus” para punições militares de caráter disciplinar (art. 142, § 2º). “Habeas corpus” significa “tome seu corpo”, isto é, sua liberdade. Discute-se a respeito de sua natureza jurídica, se recurso ou ação autônoma; hoje, domina o entendimento de que a impetração é verdadeira ação (são meios de provocar a atividade jurisdicional), ainda que tenha por objeto impedir coação ilegal da própria autoridade judiciária; recurso é um pedido de reexame de uma decisão, dentro de um processo; no habeas corpus, o pedido é autônomo e originário e se desenvolve em procedimento independente; a pretensão do paciente é a correção da violência à liberdade, que pode ou não decorrer de um processo, mas não se submete aos seus trâmites procedimentais. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL (art. 5º, LXIX) – Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito (subjetivo) líquido e certo (ausência de dúvida quanto à situação de fato, provada documentalmente), não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (ou atua por delegação; ex: reitores, diretores de estabelecimentos de ensino superior, concessionários e permissionários de obras ou serviços, os serventuários, os notários e oficiais de registro público). É mais um “remédio” contra abusos de autoridades. Como o “habeas corpus” é específico para a proteção da liberdade de locomoção, a CF, para os outros direitos previu o “mandado de segurança”. Tais outros direitos, porém, têm de ser líquidos (precisos em seus contornos, em seus limites, em sua quantidade) e certos (indiscutíveis, definidos e reconhecidos sem maior questionamento). Enquanto no “habeas corpus” o procedimento é emergencial, no “mandado de segurança”, embora rápido, já não é tão urgente, pois o Promotor de Justiça deve sempre ser ouvido antes da decisão. No mais é igual ao do “habeas corpus”, apenas precisando de advogado, que no “habeas corpus” não precisa. É impetrado individualmente, pelo prejudicado. Prazo para a impetração: 120 dias contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Não tem cabimento contra lei, salvo se se tratar de lei de efeito concreto. Qual o direito individual havia sido ferido, se um funcionário havia solicitado certidão sobre seu tempo de serviço, e lhe fora negada? R. Não se trata de um simples registro ou informação (“habeas data”) sobre uma pessoa; a questão, rigorosamente, envolvia o direito à obtenção de certidão, amparado no art. 5º, XXXIV, CF; o remédio contra a ilegalidade de recusa de fornecimento de certidão, ou seja, para a obtenção de certidão é o “mandado de segurança” e não o “habeas-data”. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO (art. 5º, LXX) – O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. É uma novidade constitucional, permite que pessoas jurídicas impetrem “mandado de segurança”. Os partidos políticos têm legitimidade para impetrar “mandado de segurança”, na defesa dos interesses

coletivos, que estejam sendo prejudicados por ato ilegal ou abusivo de poder de uma autoridade pública (ou agente desta). Mas não é a qualquer partido político que se reconhece essa capacidade, deverá ter representação no Congresso Nacional (pelo menos um deputado ou senador). Também os sindicatos e as associações poderão impetrar “mandado de segurança coletivo”. Só que, para ter essa capacidade, o sindicato ou a associação deverá existir e funcionar há pelo menos um ano. Normalmente o “mandado de segurança” protege o direito líquido e certo de uma pessoa, que, diretamente, é prejudicada pelo ato ilegal, ou pelo abuso de poder da autoridade. No “mandado de segurança” coletivo haverá o prejuízo de toda uma comunidade e essa coletividade poderá pôr um fim à ilegalidade ou abuso, agindo por intermédio de uma associação ou sindicato. Ex: se o Governador do Estado dá ordem a seu Secretário da Fazenda para que não pague o 13º salário aos funcionários públicos estaduais, haveria uma “enxurrada” de centenas de “mandados de segurança” para derrubar essa ordem inconstitucional. Nem o judiciário “agüentaria” julgar todos eles, com tempo e rapidez necessários; seria muito mais simples que a Associação ou Sindicato dos funcionários públicos impetre um único “mandado de segurança coletivo”, que tutelará os interesses de todos os associados. MANDADO DE INJUNÇÃO (art. 5º, LXXI) – Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Ação para obter a concretização de direitos, assegurados na Constituição mas ainda não regulamentados. O “mandado de injunção” é um remédio, que a CF nos dá, para que postulemos junto ao Judiciário, visando ao reconhecimento desse nosso direito, e que para que possamos exercitá-lo desde já, sem necessidade de esperarmos a leizinha que será criada. Quando quisermos exercitar um desses nossos direitos constitucionais e alguém se recusar a reconhecer esse nosso direito, alegando que ainda depende de lei regulamentadora, não ficaremos “chupando o dedo” à espera da boa vontade do legislativo. Impetraremos “mandado de injunção” para que o Judiciário declare esse nosso Direito e, desde já, possamos gozá-lo. São pressupostos insuperáveis ao cabimento do “mandado de injunção”: a) ser o impetrante beneficiário direto do direito, liberdade ou prerrogativa que postula em juízo”. Existe o “mandado de injunção” coletivo. Ex: para você fazer uma greve é necessário que haja o “mandado de injunção” para ver o tempo que se pode fazer a greve, se é legal ou não. HABEAS DATA (art. 5º, LXXII) – Conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público (ex: partidos, universidades); b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Ação que garante ao interessado o acesso a informações sobre a sua pessoa, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público, bem como a retificação desses dados. Se alguém tiver interesse em saber o que há registrado em seu nome, ou retificar dados lançados com erro para não nos prejudicar, em qualquer órgão público, poderá requerer e, caso seja negado, poderá impetrar “habeas-data”, obrigando o órgão público a dar a informação à pessoa ou fazer a retificação. O objeto do “habeas data” é proteger a esfera íntima dos indíviduos contra: a) usos abusivos de registros de dados pessoais coletados por meios fraudulentos, desleais ou ilícitos; b) introdução nesses registros de dados sensíveis (de origem racial, opinião política, filosófica ou religiosa, filiação partidária ou sindical, orientação sexual, etc.; c) conservação de dados falsos ou com fins diversos dos autorizados em lei. AÇÃO POPULAR (art. 5º, inc. LXXII) – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.

Como cidadãos, somos donos do patrimônio público. Os administradores públicos agem em nosso nome, quando gerenciam esses interesses. Significa que têm eles o dever de agir dentro dos parâmetros da moralidade e não causar qualquer prejuízo ao nosso patrimônio, igualmente, devem zelar pelo meio ambiente e preservar o patrimônio histórico-cultural. Quando qualquer governante tomar qualquer decisão, praticar ato que prejudique o patrimônio público (concorrência fajuta, desvio de verba, construção desnecessária e prejudicial a todos, etc.) é nosso dever de cidadão lutar para que a decisão seja anulada. Só o Judiciário terá o poder de anular esse ato administrativo. Para isso, precisaremos propor uma ação. Como qualquer cidadão (aquele que está no gozo de seus direitos políticos) pode promover essa ação denominada “ação popular”, que será cabível também quando o ato administrativo ferir o meio ambiente ou o patrimônio histórico-cultural. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - também pode ser instrumento de tutela de liberdade, mas a legitimação para propô-la, é restrita aos órgãos ou entidades referidas no art. 103, não se encontrando, portanto, à disposição de qualquer pessoa. DA ORDEM ECONÔMICA E DA ORDEM SOCIAL I - DA ORDEM ECONÔMICA PRINCÍPIOS GERAIS DA ATIVIDADE ECONÔMICA Fundamento e natureza da ordem econômica instituída: ela é fundada na valorização do trabalho humano e na iniciativa privada; consagra uma economia de mercado, de natureza capitalista; significa que a ordem econômica dá prioridade aos valores do trabalho humano sobre todos os demais valores da economia de mercado. Fim da ordem econômica: tem por fim assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os princípios indicados no art. 170, princípios estes que, em essência, consubstanciam uma ordem capitalista. CONSTITUIÇÃO ECONÔMICA E SEUS PRINCÍPIOS Idéia de Constituição econômica: a constituição econômica formal brasileira consubstancia-se na parte da Constituição Federal que contém os direitos que legitimam a atuação dos sujeitos econômicos, os conteúdo e limites desses direitos e a responsabilidade que comporta o exercício da atividade econômica. Princípios da constituição econômica formal: estão relacionados no art. 170, antes citado: da soberania nacional, da propriedade privada, da função social da propriedade, da livre concorrência, da defesa do consumidor, da defesa do meio ambiente, da redução das desigualdades regionais e sociais e da busca do pleno emprego. ATUAÇÃO ESTATAL NO DOMÍNIO ECONÔMICO Modos de atuação do Estado na economia: a CF reconhece duas formas de atuação do Estado na ordem econômica: a participação e a intervenção; fala em exploração direta da atividade econômica pelo Estado e do Estado como agente normativo e regulador da atividade econômica. Exploração estatal da atividade econômica: existem 2 formas; uma é o Monopólio; a outra, embora a Constituição não o diga, é a necessária, ou seja, quando o exigir a segurança nacional ou o interesse coletivo relevante (173); os instrumentos de participação do Estado na economia são a empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades estatais ou paraestatais, como são as subsidiárias daquelas. Monopólios: é reservado só para as hipóteses estritamente indicadas no art. 177. Intervenção no domínio econômico: a participação com base nos arts. 173 a 177, caracteriza o Estado administrador de atividades econômicas; a intervenção fundada no art. 174, o Estado aparece como agente normativo e regulador, quem compreende as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, caracterizando o Estado regulador, o promotor e o planejador da atividade econômica. Planejamento econômico: é um processo técnico instrumentado para transformar a realidade existente no sentido de objetivos previamente estabelecidos; consiste num processo de intervenção

estatal no domínio econômico, com o fim de organizar atividades econômicas para obter resultados previamente colimados; se instrumente mediante a elaboração de plano ou planos. DAS PROPRIEDADES NA ORDEM ECONÔMICA O princípio da propriedade privada: a CF inscreveu a propriedade privada e a sua função social como princípios da ordem econômica (170, II e III). Propriedade dos meios de produção e propriedade socializada: a propriedade de bens de consumo e de uso pessoal, é essencialmente vocacionada à apropriação privada, são imprescindíveis à própria existência digna das pessoas, e não constituem nunca instrumentos de opressão, pois satisfazem necessidades diretamente; bens de produção são os que se aplicam na produção de outros bens ou rendas; o sistema de apropriação privada tende a organizar-se em empresas, sujeitas ao princípio da função social. Função social da empresa e condicionamento à livre iniciativa: o princípio da função social da propriedade, ganha substancialidade precisamente quando aplicado à propriedade dos bens de produção, ou seja, na disciplina jurídica da propriedade de tais bens, implementada sob compromisso com a sua destinação; a propriedade; é a propriedade sobre a qual em maior intensidade refletem os efeitos do princípio; aos nos referirmos à função social dos bens de produção em dinamismo, estamos a aludir à função social da empresa. Propriedade de interesse público: são bens sujeitos a um regime jurídico especial e peculiar em virtude dos interesses públicos a serem tutelados, inerente à utilidade e a valores que possuem; exs: arts. 225 e 216. Propriedade do solo, do subsolo e de recursos naturais: por princípio, a propriedade do solo abrange a do subsolo em toda a profundidade útil ao seu exercício (CC, art. 526), que prevalece na Constituição; os recursos minerais, inclusive os do subsolo, e os potenciais de energia hidráulica, são expressamente incluídos entre os bens da União (20, VIII, IX e X). Política urbana e propriedade urbana: a concepção de política de desenvolvimento urbano da CF decorre da compatibilização do art. 21, XX, que dá competência a União para instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, com o 182, que estabelece que a política de desenvolvimento urbano tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes e é executada pelo Município, conforme diretrizes gerais instituídas por lei. Propriedade rural e reforma agrária: a propriedade rural, com sua natureza de bem de produção, tem como utilidade natural a produção de bens necessários à sobrevivência humana, por isso são consignadas normas que servem de base à sua peculiar disciplina jurídica (184 a 191); o regime jurídico da terra fundamenta-se na doutrina da função social da propriedade, pela qual toda riqueza produtiva tem finalidade social e econômica, e quem a detém deve fazê-la frutificar, em benefício próprio e da comunidade em que vive; a sanção para imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social é a desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, mediante pagamento da indenização em títulos da dívida agrária (84). DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Fundamento legal e objetivos do sistema financeiro nacional: será regulado em lei complementar; a Lei 4595/64 o instituiu; sua alteração depende de lei formada nos termos do art. 69; a CF estabelece que ele será estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da comunidade. Instituições do sistema financeiro: subordinam-se à sua disciplina, além das instituições financeiras, as bolsas de valores, as seguradoras, de previdência e de capitalização, assim como as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer outra forma e, ainda, as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros títulos. Funcionamento das instituições financeiras: depende de autorização (192, I); assegura-se às instituições bancárias acesso a todos os instrumentos do mercado financeiro bancário, sendo, porém, vedada a elas a participação em atividades não previstas na autorização.

Regionalização financeira: 2 dispositivos se preocupam com a questão regional; um depende de lei complementar, que deve estabelecer os critérios restritivos de transferência de poupança de regiões com renda inferior à média nacional para outras de maior desenvolvimento; o outro consta do art. 192, § 2º, segundo o qual os recursos financeiros relativos a programas e projetos de caráter regional, de responsabilidade da União, serão depositados em suas instituições regionais de crédito e por elas aplicados. Tabelamento dos juros e crime de usura: está previsto no § 3º, do art. 192 que as taxas de juros reais, nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas à concessão de crédito, não poderão passar de 12% ao ano; a cobrança acima desse limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos que a lei determinar. II - DA ORDEM SOCIAL INTRODUÇÃO À ORDEM SOCIAL Base e objetivo da ordem social: tem por base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça social. DA SEGURIDADE SOCIAL Conteúdo, princípios e financiamentos da seguridade social: compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social; rege-se pelos princípios da universalidade de cobertura e do atendimento, da igualdade, da unidade de organização e da solidariedade financeira; será financiada por toda a sociedade de forma direta ou indireta (195). Saúde: por serem de relevância pública, as ações e serviços ficam inteiramente sujeitos à regulamentação, fiscalização e controle do Poder Público, nos termos da lei; o SUS rege-se pelos princípios da descentralização, do atendimento integral e da participação da comunidade. Previdência social: será organizada sob forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória; compreende prestações de 2 tipos: benefícios e serviços; os benefícios são prestações pecuniárias aos assegurados e a qualquer pessoa que contribua na forma dos planos previdenciários, e são os seguintes: auxílios (201, I a III), seguro-desemprego (7º, II, 201, III. e 239), salário família e auxílio reclusão, pensão por morte e a aposentadoria. Assistência social: não depende de contribuição; os benefícios e serviços serão prestados a quem deles necessitar; é financiada com recursos do orçamento da seguridade social, além de outras fontes. DA ORDEM CONSTITUCIONAL DA CULTURA Educação: a Constituição declara que ela é um direito de todo e dever do Estado (205 a 214). Princípios básicos do ensino: a consecução prática de seus objetivos, consoante o art. 205 só se realizará num sistema educacional democrático, informado pelos princípios, acolhidos pela CF, que são: da igualdade, da liberdade, do pluralismo, da gratuidade, da valorização dos profissionais do ensino, da gestão democrática e do padrão de qualidade (206). Autonomia universitária: a CF firmou a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira das Universidades, que obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão (207). Ensino público: importa em que o Poder Público organize os sistemas de ensino de modo a cumprir o respectivo dever com a educação, mediante prestações estatais que garantam, no mínimo, o ensino fundamental, obrigatório e gratuito (208 a 210). Cultura e direitos culturais: a CF estatui que o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes de cultura nacional, apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

Desporto: é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um, observadas as diretrizes do art. 217. Ciência e Tecnologia: é incumbência estatal promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa a capacitação tecnológica (219). Meio ambiente: a Constituição o define ecologicamente equilibrado como direito de todos e lhe dá a natureza de bem de uso comum do povo; o art. 225, § 1º, arrola as medidas e providências que incumbem ao Poder Público tomar para assegurar a efetividade do direito reconhecido no caput do próprio artigo. DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO IDOSO A família: é afirmada como base da sociedade, tendo especial proteção do Estado; é reconhecida a união estável; o casamento é civil e gratuita a sua celebração; a paternidade responsável é sugerida; o dever de se ajudar é recíproco entre pais e filhos. Tutela da criança e do adolescente: a família tem o grave dever, juntamente com a sociedade e o Estado, de assegurar com absoluta prioridade, os direitos fundamentais da criança e do adolescente enumerados no art. 227. Tutela de idosos: vários dispositivos mencionam a velhice como objeto de direitos específicos, como o previdenciário (201, I), assistencial (203, I); o art. 230 estatui que a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas. DOS ÍNDIOS Fundamentos constitucionais dos direitos indígenas: as bases dos direitos dos índios estão estabelecida nos arts. 231 e 232. Organização social: o art. 231 reconhece a organização social, costumes, línguas, crenças e tradições dos índios, com o que reconhece a existência de minorias nacionais e institui normas de proteção de sua singularidade étnica, especialmente de suas línguas, costumes e usos. Direitos sobre as terras indígenas: são terras da União vinculadas ao cumprimento dos direitos indígenas sobre elas, reconhecidos pela Constituição, como direitos originários (231), que assim, consagra uma relação jurídica fundada no instituto do indigenato, como fonte primária e congênita da posse territorial, consubstanciada no § 2º, do mesmo artigo. Defesa dos direitos e interesses dos índios: têm natureza de direito coletivo; por isso é que a CF reconhece legitimação para defendê-los em juízo aos próprios índios; às suas comunidades e às organizações antropológicas e pró-indios, intervindo o MP em todos os atos do processo, que é de competência da Justiça Federal (109, XI e § 2º, e 232).

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