JCABarata.

Notas para um Curso de F´ısica-Matem´
atica.

Cap´ıtulo 4
Recorda¸co
˜es de C´
alculo Vetorial em Trˆ
es
Dimens˜
oes

N
4.1

Cap´ıtulo 4

c. Mostre que vale a identidade
εijk εlmn = δil δjm δkn + δim δjn δkl + δin δjl δkm − δil δjn δkm − δin δjm δkl − δim δjl δkn ,

(4.5)

para todos i, j e k e para todos l, m e n, ou seja,

Alguns Operadores Diferenciais de Interesse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226
Teoremas Cl´
assicos sobre Integrais de Volume e de Superf´ıcie . . . . . . . . . . . . . . . . 230
O Laplaciano em Sistemas de Coordenadas Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232


δil
εijk εlmn = det  δjl
δkl

este cap´ıtulo listamos, em parte na forma de exerc´ıcios, alguns resultados importantes sobre c´alculo vetorial em
trˆes dimens˜oes. As identidades aqui listadas s˜ao u
´ teis em diversas ´areas da F´ısica, como no Eletromagnetismo e
na Mecˆanica dos Fluidos. Todos os resultados que aqui apresentamos podem ser formulados com mais elegˆancia
e generalizados a mais dimens˜oes na teoria das formas diferenciais. Vide e.g., [195].

δim
δjm
δkm


δin
δjn  .
δkn

(4.6)

Sugest˜ao para o item c. Siga os seguintes passos: 1. Constate que o lado direito de (4.5) reduz-se a (4.4) quando
(l, m, n) = (1, 2, 3). 2. Constate que o lado direito de (4.5) n˜ao se altera por permuta¸c˜oes c´ıclicas de (l, m, n).
Constate que o lado direito de (4.5) ´e nulo se e somente se pelo menos dois dos ´ındices (l, m, n) s˜ao iguais. 3. Constate
que o lado direito de (4.5) troca de sinal se quaisquer dois dos ´ındices (l, m, n) s˜ao permutados. 4. Conclua dos passos
anteriores a validade de (4.5).
A identidade (4.5) ´e muito ´util e implica as identidades (4.7) e (4.8), abaixo, cuja utilidade poder´a ser constatada nos
exerc´ıcios posteriores.

Alguns Operadores Diferenciais de Interesse

d. Mostre que vale a identidade
3
X

• Os s´ımbolos de Kr¨
onecker e de Levi-Civita

εijk εlmk = δil δjm − δim δjl .

(4.7)

3 X
3
X

(4.8)

k=1

1

O chamado s´ımbolo de Kr¨
onecker (ou delta de Kr¨onecker) em trˆes dimens˜oes, denotado por δij , com i, j ∈ {1, 2, 3},
´e definido por 

1, se i = j ,
(4.1)
δij :=
0, se i 6= j .
O chamado s´ımbolo de Levi-Civita2 (ou
{1, 2, 3}, ´e definido por

 1,
−1,
εijk :=

0,

227/2117

Sugest˜ao para o item b. Siga os seguintes passos: 1. Mostre que o lado direito n˜ao se altera por permuta¸c˜oes c´ıclicas
dos ´ındices i, j e k. 2. Mostre que o lado direito anula-se se pelo menos dois dos ´ındices s˜ao iguais. 3. Mostre que o
lado direito vale 1 quando (i, j, k) = (1, 2, 3) e −1 quando (i, j, k) = (1, 3, 2). 4. Conclua dos passos anteriores
que (4.4) ´e verdadeira comparando com a defini¸c˜ao (4.2).

Conte´
udo
4.1
4.2
4.3

Vers˜
ao de 9 de mar¸co de 2015.

Sugest˜ao: use (4.5).
e. Mostre que vale a identidade
εijk εljk = 2δil .

j=1 k=1

tensor de Levi-Civita) em trˆes dimens˜oes, denotado por εijk , com i, j, k ∈
Sugest˜ao: use (4.7).
f. Mostre que vale a identidade

se (i, j, k) = (1, 2, 3), (2, 3, 1) ou (3, 1, 2) ,
se (i, j, k) = (1, 3, 2), (3, 2, 1) ou (2, 1, 3) ,
de outra forma.

3 X
3 X
3
X

(4.2)

εijk εijk = 6 .

(4.9)

i=1 j=1 k=1

Note as seguintes propriedades: 1. (simetria) o s´ımbolo de Kr¨onecker n˜ao se altera se os ´ındices forem permutados,
ou seja, δij = δji ; 2. εijk ´e nulo se e somente se pelo menos dois dos ´ındices s˜ao iguais; 3. (anti-simetria) εijk troca de
sinal se quaisquer dois dos ´ındices forem permutados; 4. (ciclicidade) εijk n˜ao se altera se os ´ındices forem permutados
ciclicamente, ou seja, εijk = εjki = εkij .
No que segue apresentamos algumas identidades u
´ teis envolvendo o s´ımbolo de Kr¨onecker e o s´ımbolo de Levi-Civita.
E. 4.1 Exerc´ıcio. Este Exerc´ıcio cont´em uma s´erie de identidades muito empregadas.

Sugest˜ao: use (4.8).
g. Mostre que vale a identidade
3 
X

εijk εklm + εimk εkjl + εilk εkmj 

= 0.

(4.10)

A identidade (4.10) ´e denominada identidade de Jacobi3 para os s´ımbolos de Levi-Civita.

6

k=1

Sugest˜ao: use (4.7).

a. Mostre que se M ´e uma matriz 3 × 3, valem
3
X

δij Mjk = Mik e

j=1

3
X

Mij δjk = Mik .

j=1

Em particular, vale

3
X

E. 4.2 Exerc´ıcio. Se S ´e uma matriz 3 × 3 sim´etrica, ou seja, satisfaz Sij = Sji para todos i, j ∈ {1, 2, 3}, mostre que
δij δjk = δik .

(4.3)

3 X
3
X

j=1

εijk Sjk = 0

j=1 k=1

b. Mostre que, para todos i, j e k, vale
εijk = δi1 δj2 δk3 + δi2 δj3 δk1 + δi3 δj1 δk2 − δi1 δj3 δk2 − δi3 δj2 δk1 − δi2 δj1 δk3 .

(4.4)

para todo i ∈ {1, 2, 3}. Sugest˜ao: conven¸ca-se que

3 X
3
X

j=1 k=1

1 Leopold

anti-simetria do s´ımbolo de Levi-Civita.

Kr¨
onecker (1823–1891).
2 Tullio Levi-Civita (1873–1941).

3 Carl

226

Gustav Jacob Jacobi (1804–1851).

εijk Sjk =

3 X
3
X

j=1 k=1

εikj Skj e em seguida use a simetria de S e a

6

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atica.

Vers˜
ao de 9 de mar¸co de 2015.

Cap´ıtulo 4

228/2117

• O produto escalar e o produto vetorial

x, yˆ, zˆ) seja
Sejam x
ˆ, yˆ e zˆ trˆes versores ortogonais dois a dois no espa¸co tridimensional (R3 ) tais que a tripla (ˆ
positivamente orientada. Cada vetor ~v do espa¸co tridimensional pode ser escrito na forma ~v = v 1 x
ˆ + v2 yˆ + v3 zˆ, os

umeros vi , i = 1, 2, 3, sendo as componentes de ~v na base {ˆ
x, yˆ, zˆ}.
O chamado produto escalar de dois vetores quaisquer ~a e ~b, denotado por ~a · ~b, ´e definido por
~a · ~b :=

3
X

ai b i =

i=1

3 X
3
X

ai bj δij .

3 X
3  

X
~a × ~b :=
εijk aj bk ,

i ∈ {1, 2, 3} . 

(4.13)  

    

  

~a × ~b · ~c × d~ = ~a · ~c ~b · d~ − ~a · d~ ~b · ~c ,

• Gradiente, divergente, rotacional e Laplaciano

3 X
3
3
X
X
∂vj
∂vi
=
δij .
∂x
∂xi
i
i=1 j=1
i=1

3
X

vi


.
∂xi  

~ ~u denota o campo vetorial cuja j-´esima componente ´e
enquanto que se ~u ´e um campo vetorial, ~v · ∇
3  


X

~ ~u
:=
uj ,
~v · ∇
vi
∂xi
j
i=1

3
3
3  

X
X
X
∂u2
∂u3
∂u1
~ ~u :=
x
ˆ+
yˆ +
zˆ .
vi
vi
~v · ∇
vi
∂x
∂x
∂xi
i
i
i=1
i=1
i=1

(4.15)

E. 4.4 Exerc´ıcio. Demonstre as seguintes identidades:
~
~ + ψ ∇φ
~ ,
∇(φψ)
= φ∇ψ

(4.16)      

   

~ ~a · ~b
~ × ~b + ~b × ∇
~ × ~a + ~a · ∇
~ ~b + ~b · ∇
~ ~a ,

= ~a × ∇
~ ,
∇ · (φ~a) = φ∇ · ~a + ~a · ∇φ

6

Com as conven¸c˜oes de acima denotamos o vetor posi¸c˜ao no espa¸co tridimensional R3 em coordenadas Cartesianas5
por ~x = x1 x
ˆ + x2 yˆ + x3 zˆ. Para um campo vetorial ~v = v1 x
ˆ + v2 yˆ + v3 zˆ, onde as coordenadas vi ≡ vi (x1 , x2 , x3 ) s˜ao
fun¸co˜es diferenci´aveis das coordenadas Cartesianas x1 , x2 e x2 , definimos o divergente de ~v, denotado por ∇ · ~v, por
∇ · ~v :=


vk .
∂xj

ou seja,

~ Sugest˜ao: use (4.7).
v´alida para quaisquer vetores ~a, ~b, ~c e d. 

Mostre que ~a · ~b × ~c = ~0 se e somente se ~a, ~b e ~c forem linearmente dependentes.

εijk

j=1 k=1

i=1

(4.14)

v´alida para quaisquer vetores ~a, ~b e ~c. Sugest˜ao: use (4.14) ou (4.7), ou use diretamente (4.10).

Gustav Jacob Jacobi (1804–1851).
Descartes (1596–1650).

3 X
3
X

3   


X
∂φ
~
~
vi
~v · ∇φ
=
= ~v · ∇φ
,
∂x
i
i=1

4

5 Ren´
e

:=  

~ φ coincide com o produto escalar de ~v com o gradiente de φ:
Assim, se φ ´e um campo escalar, ~v · ∇

v´alida para quaisquer vetores ~a, ~b e ~c. Sugest˜ao: use (4.7).

4 Carl

i

~ :=
~v · ∇

(4.12)

v´alidas para quaisquer vetores ~a, ~b e ~c. Sugest˜ao: use a ciclicidade do s´ımbolo de Levi-Civita.

d. Demonstre a identidade 

~ o operador diferencial
Para um campo vetorial ~v = v1 x
ˆ + v2 yˆ + v3 zˆ denotamos por ~v · ∇

a. Demonstre as igualdades

c. Demonstre a identidade de Jacobi para o produto vetorial:      

~a × ~b × ~c + ~b × ~c × ~a + ~c × ~a × ~b = ~0 ,

229/2117

∂φ
∂φ
~ := ∂φ x
ˆ+
yˆ +
zˆ .
∇φ
∂x1
∂x2
∂x3

´teis sobre o produto vetorial.
E. 4.3 Exerc´ıcio. Este Exerc´ıcio cont´em algumas identidades u      

~a × ~b × ~c = ~a · ~c ~b − ~a · ~b ~c ,

Cap´ıtulo 4

Para um campo escalar φ ≡ φ(x1 , x2 , x3 ), suposto uma fun¸ca˜o diferenci´avel das coordenadas Cartesianas x1 , x2 e x2 ,
~ como sendo o campo vetorial dado por
definimos o gradiente de φ, denotado por ∇φ,

(4.11)

´ importante notar as propriedades ~a · ~b = ~b · ~a e ~a × ~b = −~b × ~a, v´alidas para quaisquer vetores ~a e ~b.
E

b. Demonstre a identidade

~ × ~v

j=1 k=1      

~a · ~b × ~c = ~b · ~c × ~a = ~c · ~a × ~b ,

Vers˜
ao de 9 de mar¸co de 2015.

~ × ~v, como sendo o campo vetorial cuja i-´esima componente ´e dada por
Definimos o rotacional de ~v, denotado por ∇

i=1 j=1

O chamado produto vetorial de dois vetores quaisquer ~a e ~b, denotado por ~a × ~b, ´e definido como sendo o vetor cuja
i-´esima componente na base {ˆ
x, yˆ, zˆ}, (~a × ~b)i , ´e dada por

i

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atica. 

(4.17)
(4.18)
(4.19) 

 
~ × (φ~a) = φ ∇
~ × ~a + ∇φ
~

× ~a ,

(4.20)      

~ × ~a − ~a · ∇
~ × ~b ,
∇ · ~a × ~b
= ~b · ∇

(4.21)  

~ × ~a × ~b

=        

~b · ∇
~ ~a − ~a · ∇
~ ~b + ∇ · ~b ~a − ∇ · ~a ~b .

(4.22)

Acima φ e ψ s˜ao campos escalares e ~a e ~b s˜ao campos vetoriais, todos diferenci´aveis.    

~ × ~b + ~b × ∇
~ × ~a usando (4.7). Para (4.22), use (4.7).
Sugest˜
oes: use a regra de Leibniz. Para (4.18) calcule ~a × ∇

6

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Vers˜
ao de 9 de mar¸co de 2015.

Cap´ıtulo 4

E. 4.5 Exerc´ıcio. Mostre que se ~a ´e um campo vetorial duas vezes diferenci´avel vale  

~ × ~a = 0 .
∇· ∇
Mostre que se φ ´e um campo escalar duas vezes diferenci´avel vale 

~ × ∇φ
~

= 0.

230/2117

(4.23)

(4.24)

6

Se φ ´e um campo escalar duas vezes diferenci´avel, o chamado Laplaciano6 de φ, denotado por ∆φ, por ∆2 φ ou por
∇2 φ, ´e definido como sendo o campo escalar dado por 

~
∆φ := ∇ · ∇φ
.
(4.25)
Assim, tem-se em coordenadas Cartesianas
∆φ =

3
X
∂2φ
i=1

∂x2i

(4.26)

.

Se ~v = v1 x
ˆ + v2 yˆ + v3 zˆ ´e um campo vetorial duas vezes diferenci´avel, define-se Laplaciano de ~v, denotado por ∆~v, como
sendo o campo vetorial cuja i-´esima componente em coordenadas Cartesianas ´e 

∆~v 

i

:= ∆vi =

3
X
j=1

2

∂ vi
.
∂x2j

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Teorema 4.2 (Teorema de Stokes) 8 Se ~v ´e um campo vetorial diferenci´
avel definido em uma superf´ıcie compacta,
avel e orient´
avel ∂S, ent˜ao
conexa, orientada e retific´
avel S ⊂ R3 , limitada por uma curva fechada, retific´
Z 
I 

~
~
∇ × ~v · d~σ =
~v · dℓ ,
S

A demonstra¸ca˜o desse resultado cl´assico pode ser encontrada em qualquer bom livro de C´alculo de fun¸co˜es de v´arias
vari´
aveis.
Teorema 4.3 (Identidades de Green) 9 Sejam f e g fun¸c˜
oes definidas em um volume compacto e conexo V ⊂ R3 ,
limitado por uma superf´ıcie fechada, retific´
avel e orient´avel ∂V , ambas as fun¸co
˜es sendo duas vezes diferenci´
aveis no
0
interior V de V e diferenci´
aveis em V . Ent˜
ao, valem as seguintes identidades:

V

Segunda identidade de Green:
Z

Sugest˜ao: use (4.7).

4.2

Terceira identidade de Green:

6

No que segue, listamos alguns teoremas cl´assicos importantes envolvendo integrais de volume e de superf´ıcie de campos
em R3 .
Teorema 4.1 (Teorema de Gauss) 7 Se ~v ´e um campo vetorial diferenci´
avel definido em um volume compacto e
avel e orient´
avel ∂V , ent˜
ao
conexo V ⊂ R3 , limitado por uma superf´ıcie fechada, retific´
Z
{
3
∇ · ~v d x =
~v · d~σ ,
V

Laplace (1749–1827).
7 Johann Carl Friedrich Gauss (1777–1855).

{

∂V

Z

∆f d3 x =
V

{

{

~ · d~σ .
f ∇g

(4.29) 

~ − g ∇f
~
f ∇g
· d~σ .

(4.30)

∂V

~ · d~σ .
∇f

∂V

(4.31)

2

(4.28)

Teoremas Cl´
assicos sobre Integrais de Volume e de Superf´ıcie

6 Pierre-Simon

(f ∆g − g∆f ) d3 x =

V

Sugest˜ao: use a defini¸c˜ao (4.25) e as identidades (4.17) e (4.19) ou use (4.26) e a regra de Leibniz.
b. Mostre que se ~a ´e um campo vetorial duas vezes diferenci´avel, vale  

~ × ∇
~ × ~a = ∇
~ (∇ · ~a) − ∆~a .

∂S

onde d~σ(~x) := n
ˆ (~x)dσ(~x), n
ˆ (~x) sendo um vetor unit´ario normal a S em ~x ∈ S, direcionado no sentido positivo de S e
d~ℓ(~x) = tˆ(~x)dℓ, tˆ(~x) sendo um vetor tangente a ∂S em ~x ∈ ∂S orientado no sentido positivo de ∂S e dℓ ´e a medida de
comprimento de ∂S.
2

Z h 
  i
~
~
f ∆g + ∇f
· ∇g
d3 x =

(4.27)

231/2117

A demonstra¸ca˜o desse resultado cl´assico pode ser encontrada em qualquer bom livro de C´alculo de fun¸co˜es de v´arias
vari´
aveis.

Primeira identidade de Green:







3
3
3
X
X
X
∂ 2 v1 
∂ 2 v2 
∂ 2 v3 



∆~v =
x
ˆ+
yˆ +
zˆ .
∂x2j
∂x2j
∂x2j
j=1
j=1
j=1

Cap´ıtulo 4

onde d~σ(~x) := n
ˆ (~x)dσ(~x), n
ˆ (~x) sendo um vetor unit´
ario normal a ∂V em ~x ∈ ∂V , direcionado no sentido do exterior de
2
V e dσ(~x) sendo a medida de ´area de ∂V .

Assim,

E. 4.6 Exerc´ıcio. a. Mostre que se φ e ψ s˜ao dois campos escalares duas vezes diferenci´aveis, vale 
  

~
~
∆(φψ) = (∆φ)ψ + 2 ∇φ
· ∇ψ
+ φ(∆ψ) .

Vers˜
ao de 9 de mar¸co de 2015.

~
Prova. 
Aexpress˜ao (4.29) 
 segue 
imediatamente do Teorema de Gauss, Teorema 4.1, p´agina 230, para ~v = f ∇g, pois
~
~
~ , como facilmente se constata por (4.19). A express˜ao (4.30) segue imediatamente do
∇ · f ∇g
= f ∆g + ∇f
· ∇g  

~ − g∇f
~ , pois ∇ · f ∇g
~ − g ∇f
~
Teorema de Gauss para ~v = f ∇g
= f ∆g − g∆f, como facilmente se constata por (4.19).
~ .
A express˜ao (4.31) segue imediatamente do Teorema de Gauss para ~v = ∇f
As identidades de Green s˜ao amplamente empregadas no estudo das equa¸co˜es de Poisson e Laplace.
Teorema 4.4 (Teorema do gradiente) Se φ ´e um campo escalar diferenci´
avel definido em um volume compacto e
avel e orient´
avel ∂V , ent˜
ao
conexo V ⊂ R3 , limitado por uma superf´ıcie fechada, retific´
Z
{
~ x) d 3 x =
φ(~x) d~σ ,
∇φ(~
V

∂V

onde d~σ(~x) := n
ˆ (~x)dσ(~x), n
ˆ (~x) sendo um vetor unit´
ario normal a ∂V em ~x ∈ ∂V , direcionado no sentido do exterior de
V e dσ(~x) sendo a medida de ´area de ∂V .
2

∂V

8 George
9 George

Gabriel Stokes (1819–1903).
Green (1793–1841).

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atica.

Cap´ıtulo 4

Vers˜
ao de 9 de mar¸co de 2015.

232/2117

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atica.

n

Teorema 4.5 (Teorema do rotacional) Se ~v ´e um campo escalar diferenci´
avel definido em um volume compacto e
avel e orient´
avel ∂V , ent˜
ao
conexo V ⊂ R3 , limitado por uma superf´ıcie fechada, retific´
Z   

{
{
3
~
~v(~x) × n
ˆ (~x) dσ ,
~v(~x) × d~σ =
∇ × ~v (~x) d x =
∂V

∂V

onde d~σ(~x) := n
ˆ (~x)dσ(~x), n
ˆ (~x) sendo um vetor unit´
ario normal a ∂V em ~x ∈ ∂V , direcionado no sentido do exterior de
2
V e dσ(~x) sendo a medida de ´area de ∂V .
Prova. A demonstra¸ca˜o pode ser feita componente acomponente.
Para a componente 1, definimos o campo vetorial 

~ × ~v = ∇ · w.
w
~ = 0ˆ
x + v3 yˆ − v2 zˆ. Com isso, ´e f´acil constatar que ∇
~ Assim, usando o Teorema de Gauss, Teorema
1
4.1, p´agina 230, temos que
Z 
Z 

{
{
Gauss
~ × ~v (~x) d3 x =
w(~
~ x) · d~σ =
(~v(~x) × d~σ)1 ,

(∇ · w)
~ (~x) d3 x =
V

1

V

∂V

∂V

como facilmente se constata. Para as demais componentes a prova ´e an´aloga.

n

XX ∂
1
∆f = p
det(g) j=1 k=1 ∂y j

O Laplaciano em Sistemas de Coordenadas Gerais

Nesta se¸ca˜o apresentaremos uma identidade que permite, no espa¸co Rn , expressar o Laplaciano de uma fun¸ca˜o escalar em
qualquer sistema de coordenadas10 , ao menos localmente. Isso ´e particularmente u
´ til em duas e trˆes dimens˜oes espaciais,
pois h´a muitos problemas em F´ısica (vide Cap´ıtulo 20, p´agina 877) nos quais coordenadas polares, esf´ericas, cil´ındricas
ou outras se prestam melhor ao tratamento do que coordenadas Cartesianas, permitindo, por exemplo, explorar melhor
as simetrias geom´etricas que se apresentam.

No que segue, denotaremos por (x1 , . . . , xn ) um sistema de coordenadas Cartesianas em Rn e por (y 1 , . . . , y n ) um
segundo sistema de coordenadas, n˜ao-necessariamente Cartesianas, em R n . Suporemos que as fun¸c˜oes xk (y 1 , . . . , y n ),
k = 1, . . . , n, sejam definidas em algum aberto conexo Ω ⊂ Rn e sejam ao menos duas vezes diferenci´aveis.
Definimos a matriz Jacobiana11 , denotada por J ≡ J(y 1 , . . . , yn ), como sendo a matriz como sendo a matriz n × n
definida em Ω cujos elementos ab s˜ao dados por
Jab (y 1 , . . . , y n ) :=

∂xb 1
(y , . . . , y n ) ,
∂ya

a, b = 1, . . . , n .

Definimos o tensor m´etrico, ou matriz m´etrica, g ≡ g(y 1 , . . . , y n ) como sendo a matriz n × n definida em Ω dada por
g := JJ T e, assim, para seus elementos de matriz gab ≡ gab (y 1 , . . . , y n ), temos
gab :=

n
X
∂xc ∂xc
,
a ∂y b
∂y
c=1

~ = p 1
∇·A
det(g)

j=1 

∂ p
det(g)Aj ,
∂y j

(4.32)

~ no sistema (y 1 , . . . , y n ).
onde Aj ´e a j-´esima componente de A
10 Naturalmente,

(4.33)

Observe-se
que as express˜oes (4.32) e (4.33) s´o s˜ao v´alidas nos pontos em que det(g) 6= 0 e observe-se tamb´em
p
que det(g) = det(J) (por que?). Assim, (4.32) e (4.33) n˜ao est˜ao definidas nos pontos em que a transforma¸ca˜o de
coordenadas (x1 , . . . , xn ) → (y 1 , . . . , y n ) for singular (ou seja, quando det(J) se anula).
A demonstra¸c˜ao das rela¸c˜oes (4.32) e (4.33) ´e apresentada na Se¸c˜ao 34.2.4, p´agina 1621, e faz uso de no¸c˜oes de
Geometria Riemanniana. H´a tamb´em uma elegante maneira de obter essas express˜oes fazendo uso de formas diferenciais.
Vide para tal [195] ou qualquer outro bom livro sobre Geometria Diferencial.
Vamos agora tratar de exemplos simples de aplica¸ca˜o de (4.33). Algumas das express˜oes que obteremos ser˜ao usadas
neste texto, notadamente no Cap´ıtulo 20, p´agina 877.
• Coordenadas polares em duas dimens˜
oes

Em R2 , al´em das coordenadas Cartesianas usuais (x1 , x2 ) ≡ (x, y), podemos definir tamb´em coordenadas polares
(y 1 , y 2 ) ≡ (ρ, ϕ), com 0 ≤ ρ < ∞ e −π < ϕ ≤ π e tem-se
y = ρ sen ϕ .

´ elementar constatar que a matriz Jacobiana ´e dada nesse caso por
E


cos ϕ
sen ϕ


J =
−ρ sen ϕ ρ cos ϕ

.

Note-se que det(J) = ρ e, portanto, Ω = R2 \ {0} ´e a regi˜ao onde a transforma¸c˜ao de coordenadas (x, y) → (ρ, ϕ) ´e

ao-singular. A matriz m´etrica g e sua inversa g −1 s˜ao dadas por




1 0
1 0
−1
 ,



g =
e
g
=
0 ρ12
0 ρ2
(verifique!) sendo que

p
det(g) = ρ. De posse dessas informa¸c˜oes ´e elementar obter de (4.33) a express˜ao  

1 ∂
∂f
1 ∂2f
∆f =
,
ρ
+ 2
ρ ∂ρ
∂ρ
ρ ∂ϕ2

(4.34)

que fornece o Laplaciano de f em duas dimens˜oes em coordenadas polares, express˜ao essa v´alida para ρ > 0.
• Coordenadas esf´
ericas em trˆ
es dimens˜
oes

Em R3 , al´em das coordenadas Cartesianas usuais (x1 , x2 , x3 ) ≡ (x, y, z), podemos definir tamb´em coordenadas
esf´ericas (y 1 , y 2 , y 3 ) ≡ (r, θ, ϕ), com 0 ≤ r < ∞, 0 ≤ θ ≤ π e −π < ϕ ≤ π e tem-se

a, b = 1, . . . , n .

~ : Rn → Rn ´e um campo vetorial, ent˜
~ pode ser expresso nas coordenadas (y 1 , . . . , y n ) por
Se A
ao o divergente de A
n
X  

p 
∂f
det(g) g −1 jk k ,
∂y

sendo g −1 a matriz inversa da matriz g.

x = ρ cos ϕ ,

4.3

233/2117

Se f : Rn → R ´e um campo escalar, ent˜ao seu Laplaciano pode ser expresso nas coordenadas (y 1 , . . . , y n ) por

Prova. Basta aplicar o Teorema de Gauss para o campo ~v(~x) = α
~ φ(~x), α
~ sendo um vetor constante arbitr´ario.

V

Cap´ıtulo 4

Vers˜
ao de 9 de mar¸co de 2015.

o leitor mais avan¸cado sabe que certas condi¸co
˜es tem de ser supostas sobre o sistema de coordenadas e que tipicamente
garantam a n˜
ao-singularidade e um grau suficiente de diferenciabilidade.
11 Carl Gustav Jacob Jacobi (1804–1851).

x = r sen θ cos ϕ ,

y = r sen θ sen ϕ ,

z = r cos θ .

A matriz Jacobiana J pode ser facilmente calculada e obt´em-se


sen θ cos ϕ
sen θ sen ϕ
cos θ





J = 
 r cos θ cos ϕ r cos θ sen ϕ −r sen θ 


−r sen θ sen ϕ r sen θ cos ϕ
0

.

JCABarata. Notas para um Curso de F´ısica-Matem´
atica.

Vers˜
ao de 9 de mar¸co de 2015.

Cap´ıtulo 4

234/2117

´ f´acil constatar que det J = r 2 sen θ e, portanto, a transforma¸c˜ao de coordenadas (x, y, z) → (r, θ, ϕ) ´e n˜ao-singular
E
na regi˜ao Ω = R3 \ Z, onde Z ´e o eixo “z”: Z = {(x, y, z) ∈ R3 , x = y = 0}. A matriz m´etrica g e sua inversa g −1 s˜ao
dadas por




1 0
0
1 0
0








1
2
 ,

0
0
g = 
e
g −1 = 

0 r

0 r2




1
0 0 r2 ( sen
0 0 r 2 ( sen θ)2
2
θ)
p
(verifique!) e tem-se det(g) = r2 sen θ. Com (4.33) obt´em-se para o operador Laplaciano em trˆes dimens˜oes em
coordenadas esf´ericas a express˜ao 
    

∂2f
1 ∂
∂f
1
∂f
1 ∂
,
(4.35)
r2
+
sen θ
+
∆f = 2
r ∂r
∂r
sen θ ∂θ
∂θ
( sen θ)2 ∂ϕ2
que tamb´em pode ser escrita como
∆f = 

1 ∂2

1
rf + 2
r ∂r 2
r sen θ ∂θ 

sen θ

∂f
∂θ 

+

∂2f
1
.
r2 ( sen θ)2 ∂ϕ2

(4.36)