You are on page 1of 17

“Mas já que estamos nas covas do mar...

"
Leia, atentamente, o seguinte excerto do Sermão de Santo António, de Pe. António Vieira, para, depois,
responder às instruções formuladas com frases completas e contextualizadas:
“Mas já que estamos nas covas do mar, antes que saiamos dela, temos lá o irmão polvo, contra o qual têm
suas queixas, e grandes, não menos que S. Basílio e Santo Ambrósio. O polvo com aquele seu capelo na
cabeça parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso
nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou
desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja latina e grega que
o dito polvo é o maior traidor do mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das
mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As cores que no camaleão são gala, no polvo são
malícia; as figuras, que em Proteu(1) são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se
verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo; e se está em alguma pedra, como mais
ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que outro peixe,
inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador que está de emboscada dentro do seu próprio
engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais, porque nem
fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas
com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas
com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a
si, tira a vista aos outros e a primeira traição e roubo que faz é a luz, para que
não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é
menos traidor!”
(…) Vejo, Peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossos mares, me estais
respondendo e convindo, que também nelas há falsidades, enganos, fingimentos, embustes, ciladas e muito
maiores e mais perniciosas traições. (…) Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais
puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento ou engano. E
sabei também que, para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser português, não era
necessário ser santo.
I
1. Localize este excerto no sermão, justificando a resposta segundo o seu esquema global de construção.
2. O orador focaliza, no primeiro parágrafo, um peixe em particular, sendo este assumido como assunto e como
recetor do sermão.
2.1. Delimite, no excerto, o momento em que este peixe é tomado como assunto.
2.2. Aponte as marcas linguísticas que evidenciam a presença deste como recetor do discurso.
2.3. Refira, exemplificando, os tipos de sensações utilizados para a caracterização dos peixes.
2.4. Identifique a tese defendida pelo orador nesse parágrafo.
2.5. Justifique a intencionalidade do orador ao referir-se à “hipocrisia tão santa” desse peixe.
2.6. Indique um sinónimo da palavra sublinhada no excerto, reescrevendo a frase com as alterações que
considerar necessárias.
3. Refira duas figuras de estilo utilizadas neste excerto do sermão, explicando a respetiva expressividade.
4. Atente no último parágrafo do excerto.
4.1. Identifique os referentes das palavras destacadas a negrito.
4.2. Demonstre a expressividade de estruturas comparativas presentes neste parágrafo.
4.3. Explicite o valor lógico do articulador/conector apresentado no segmento seguinte:
“… ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura…”
5. Explique a estratégia do sermão proferido por Pe. António Vieira ao dirigir-se aos peixes.

Pois se peixes mortos. Aqueles dois peixes companheiros dos cinco pães do Deserto. quanto mais. e multiplicásseis: e para que o Senhor vos confirme essa bênção. e dos poderosos: mas o peixe.5). lembrai-vos de não falar aos pobres com o seu remédio. e multiplicai. que sustentam a pobres. e os animais terrestes de fazer esplêndidos. que sustenta a fome dos pobres de Cristo. mas os que só de vós se mantêm na terra. são os que têm mais seguros os lugares do Céu. Referência ao milagre da multiplicação dos pães. 2. e todas as santas famílias. e não ao Inferno. são muito contados. cuja fecundidade entre todos é própria do Espírito Santo: Spiritus Dominifae-cundabat aquas (5). Enfim sois criaturas daquele elemento. e vós gloriai-vos de ser companheiros do jejum. Porque cuidais que as multiplica o Criador em número tão inumerável? Porque são sustento de pobres. as duas vezes que comeu com seus Discípulos depois de ressuscitado. tendes seguros os vossos aumentos. e aumenta. e mais delicado peixe. e o Inferno se não fez para vós. Deitou-vos Deus a bênção. que no sustento dos pobres. Signos do zodíaco. e vós gloriai-vos de ser companheiros do jejum. e custosos os banquetes dos ricos. multiplicam tanto. Tradução: O espírito do Senhor fecundava as águas (Génesis. 1. 4. e os animais terrestes de fazer esplêndidos. Mas ainda que o Céu. Entendei. Situa o excerto acima transcrito na estrutura externa e interna da obra a que pertence. com vos dar as graças do muito que ajudais a ir ao Céu. 3. e mais grosseira carne. Vós sois os que sustentais as Cartuxas (1). os que se sustentam de vós. que proibindo Deus no jejum a peor. Tomai o exemplo nas irmãs sardinhas. Padre António Vieira. Os Solhos (6). acabo. e da abstinência dos justos. e Deus vos confirme a sua bênção. e custosos os banquetes dos ricos. Interpreta a frase: «Prezem-se as aves. 7. 2. o mesmo Cristo o multiplica. Prezem-se as aves. e melhor o farão os vivos. 1. que professam mais rigorosa austeridade: vós os que a todos os verdadeiros Cristãos ajudais a levar a penitência das Quaresmas: vós aqueles com que o mesmo Cristo festejou a sua Páscoa. e os Salmões. Crescei peixes. e simpatia com a virtude. e os Buçacos (2). E posto que na semana só dous se chamam vossos (3) nenhum dia vos é vedado. Um só lugar vos deram os Astrólogos entre os Signos celestres (4). que crescêsseis. I Responde ao questionário de modo estruturado e conciso. crescei. multiplicaram tanto. Tendes todos quantos sois tanto parentesco. A sexta-feira e o sábado. concede o melhor. 5.» . Nome de serra portuguesa onde se encontrava o mosteiro da Ordem de Santa Cruz. Sermão de Santo António aos Peixes Notas: 1. O mesmo que solhas. 6. irmãos peixes. dias de abstinência em que não se podia comer carne. Nome dado aos mosteiros dos religiosos de São Bruno. que deram de comer a cinco mil homens(7).Sermão de Santo António aos Peixes I Lê atentamente o excerto retirado do Sermão de Santo António aos Peixes. e da abstinência dos justos. e dou fim a vossos louvores. porque servem à mesa dos Reis.

sujeito nulo subentendido.. b) Na frase «A Maria e o João são irmãos siameses. «Na escola». 3. «A Maria e o João».. 2. sujeito nulo indeterminado. 3. 2. «a amiga da sua irmã». Completa as afirmações que se seguem com a hipótese correta. e) Na frase «Eles entraram no cinema pela porta principal. sujeito composto. 3. 2. complemento direto. apresenta o motivo pelo qual existem sardinhas em maior número do que solhos e salmões. o predicado é. aposto. sujeito simples. De acordo com a argumentação do autor.». o sujeito classifica-se como. 4..». d) Na frase «Na escola. a) Na frase «Chegámos agora a casa. 3... «são irmãos». 4. «são». 4.». 2. 4. cuja fecundidade entre todos é própria do Espírito Santo» e esclarece o seu valor expressivo.3. o constituinte sublinhado desempenha a função sintática de 1. «a amiga». 1. c) Na frase «Queres um sumo. «encontraram a amiga da sua irmã». vocativo.».. o complemento direto é. Identifica a figura de estilo presente em «daquele elemento. Paulo?». 1. «são irmãos siameses». sujeito simples.. 1. III Funcionamento da língua 1.1 Aprecia criticamente a lógica deste raciocínio. . 4. eles encontraram a amiga da sua irmã. 4. o constituinte sublinhado desempenha a função sintética de..

o modificador do grupo verbal é. 2. 4. g) Na frase «Os meus amigos chegaram de Paris ontem. predicativo do complemento direto. predicativo do sujeito. . 1. complemento indireto. 3. complemento oblíquo. 2. 4. «chegaram de Paris ontem». 3. 4. o constituinte sublinhado desempenha a função sintética de. 3. 3. «ontem». complemento direto. .1. 2.. 2. complemento direto. h) Na frase «Eles permaneceram tranquilos. «de Paris».. complemento direto. complemento indireto. o constituinte destacado tem a função sintética de. predicativo do complemento direto.». «de Paris ontem». 1. complemento oblíquo. f) Na frase «Eles achavam-no ingénuo.»..». 1... modificador do grupo verbal. predicativo do sujeito. 4..

sujeito nulo expletivo. sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra. A B a) O sujeito da frase «Fala-se na entrada no mercado de carros mais ecológicos. 7.». Ou é porque o sal não salga.predicativo do sujeito.. porque quer que façam na terra o que faz o sal. e os ouvintes. o constituintesublinhado desempenha a função sintática de. 2.». f) O sujeito da frase «Há quadros muito interessantes neste museu. e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem. e os pregadores se pregam a si e não a Cristo [2]. V. qual será. havendo tantos nela que têm ofício de sal. e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina. que fazer o que dizem. complemento oblíquo. h) Na frase «A Susana.. complemento indireto. e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra. teve uma nota excelente. Mateus. 4.» classifica-se como. Sermão de Santo António aos Peixes «Vos estis sal terrae» [1] S. 6. a não querem receber. a melhor aluna da turma. Faz corresponder cada afirmação da coluna A à hipótese da coluna B que a completa... modificador apositivo do nome. o constituintesublinhado desempenha a função sintática de. sujeito nulo indeterminado.. 5. diz Cristo. sendo verdadeira a doutrina que lhes dão. g) Na frase «Eles entraram na casa amarela. predicado. o constituinte sublinhado desempenha a função sintática de… 3. modificador restritivo do nome. 3. Ou é porque o sal não salga. ou porque a terra se não deixa salgar.». ou porque a terra se não deixa salgar.. falando com os pregadores... b) Na frase «Naquela noite. d) Na frase «Ele encaixou a peça no puzzle. 9. Senhor nosso.. Analisa sintaticamente a frase: Nevou cá na semana passada.» classifica-se como. ou porque a terra se não deixa salgar. mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa. 1. O efeito do sal é impedir a corrupção. chegámos cansadíssimos a casa. o constituinte sublinhado desempenha a função sintática de.». em vez de servir a Cristo. o constituinte sublinhado desempenha a função sintática de.». Não é tudo isto verdade? Ainda mal! . 8. 13 I Vós. modificador do grupo verbal. ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes. Ou é porque o sal não salga... o constituinte sublinhado desempenha a função sintática de.... servem a seus apetites.2.». e) Na frase «Eles deram-nos informações muito úteis. ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga. c) Na frase «A casa parecia muito sossegada.

os pequenos.1. mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português Santo António [4]. é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos. como Cristo aconselha em outro lugar? Mas António com os pés descalços não podia fazer esta protestação. que se lhe há-de fazer? Este ponto não resolveu Cristo. António pregava e eles ouviam. Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga. 4. I A. Senhor nosso.Suposto. os grandes. estão na origem da corrupção da terra. se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça [3] que o pregador que ensina e faz o que deve. B. vai-se ao mar. assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés. 2. mas o zelo da glória divina. 1. pois. estes remetem.1.» Quem se atrevera a dizer tal cousa. Assinala como verdadeiras ou falsas as seguintes afirmações sobre o Padre António Vieira. não se rendeu a semelhantes partidos. Deixa as praças. mas teve a proteção do Papa. que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga. e a mais galharda e gloriosa resolução que nenhum santo tomou. que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar. e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo. começam a concorrer os peixes. o que se lhe há-de fazer. metaforicamente. Indica o motivo que levou Santo António a pregar aos peixes. in quo salietur? Ad nihilum valet ultra. e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens. mas não desistiu da doutrina. E à terra que se não deixa salgar. 1. não só não fazia fruto o santo. o que com a palavra ou com a vida prega o contrário. Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? Sacudiria o pó dos sapatos. Pois que fez? Mudou somente o púlpito e o auditório. Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit. Foi perseguido pela Inquisição. «Se o sal perder a substância e a virtude. que hoje celebramos. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a prudência ou a covardia humana. e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora da água. 1. 1. Refere os motivos que. que nela eram muitos. 2. Aponta o elemento gramatical (referindo a respetiva classe) que sustenta a enunciação dessas duas possibilidades. 3. Oh maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra! Começam a ferver as ondas. nisi ut mittatur foras et conculcetur ab hominibus. que ardia naquele peito. António Vieira era um padre dominicano. 3. Corrige as falsas. Transcreve aquilo que constitui o conceito predicável. 2. e como erros de entendimento são dificultosos de arrancar. e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham que sacudir.2. os maiores. vai-se às praias. no Evangelho. A sua vida decorreu sempre entre Portugal e o Brasil. mas chegou o povo a se levantar contra ele e faltou pouco para que lhe não tirassem a vida. Explica o valor da utilização das interrogações retóricas. Estabelece a correspondência entre os elementos linguísticos que constituem o conceito predicável e aquilo para que. deixa a terra. . Lê atentamente o excerto retirado da primeira parte do Sermão de Santo António aos Peixes. Explica em que consiste. segundo o orador. Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino [5]. ouçam-me os peixes. contra os hereges.

6. Os seus sermões eram muito concorridos. cibernauta • flexissegurança • expocasa • você • previsão c. corrige as falsas. GNR • ETAR . 5. .4. a. Tanto o Pedro como o Telmo trabalham como bombeiros. e. f. Com a idade foi perdendo a visão. II 1. 7. d. b. doping • blogue • stress • ecografia • sanduíche d. ribombar • charlatão • cacarejo • catrapum • ronronar f. Identifica o intruso em cada alínea. RTP • DVD • GPS • IVA • PC b. Indica se as afirmações abaixo são verdadeiras (V) ou falsas (F) e. Assinala a alínea em que o termo sublinhado não exerce a função sintética de sujeito. o qual seria português e unificaria o mundo. João IV teve muito apreço por ele. c. 10. A composição resulta da junção de um ou mais afixos a uma forma de base. Numa palavra derivada existe uma única forma de base. A parassíntese é um dos processos de composição. 2. a. Acreditava nas profecias do Bandarra e interpretou-as como sendo o anúncio da ressurreição de D. 8. A parassíntese consiste na adição simultânea de um prefixo e de um sufixo a uma forma de base. Lutou pela liberdade dos índios apenas na sua juventude. O rei D. A sua vida decorreu ao longo de poucas décadas do século XVIII. considerando o processo de formação das palavras de cada série. de seguida. 9.PALOP • OVNI • ONU e. otorrino • To • realeza • pneu • manif 3. Na composição associam-se duas ou mais formas de base. Uma das suas obras importantes foi escrita em latim. A derivação e a composição são processos regulares de formação de palavras. João IV (entretanto falecido). que voltaria para erguer o Quinto Império. a.

que se comem uns aos outros. e como se hão-de comer. (. Discordo completamente de ti. Com o Tiago. Grande escândalo é este. peixes. mas como os grandes comem os pequenos. Os dois assaltantes são um trio perigosíssimo.. e eu. Comem-no os herdeiros. e o dos defuntos e ausentes. que pregava aos homens.. os telespectadores correram atrás do treinador. nós fazemos exames médicos anualmente. come-o o Médico. bastara um grande para muitos pequenos. e. não bastam cem pequenos. Vós virais os olhos para os matos e para o Sertão? Para cá. cantando. Eu e a minha prima mais velha passamos férias em Moledo. é que vos comeis uns aos outros. Olhai. (complemento indireto) b. enfim. d vós. d. o levam a enterrar. As frases seguintes constituem textos coesos. era menos mal. para cá. 4. Se fora pelo contrário. já que não seja de emenda. Um jovem foi assassinado ontem à noite. Mais logo. não: não é isso o que vos digo.. pelo que vos toca. vede vós todo aquele andar. para a Cidade é que haveis de olhar. (complemento direto) e. Vede vós todo aquele bulir. quero que o vejais nos homens. nem mil.) Santo Agostinho. O Vítor telefonou-me às duas da manhã. peixes. mas a circunstância o faz ainda maior. comem-no os credores. mas sem coerência. que o curou ou ajudou a morrer. comem-no os oficiais dos órfãos. Indica a alínea em que o pronome pessoal destacado não exerce a função indicada.) Nestas palavras. com suas más e perversas cobiças. c. quantas . Um a um.) Os homens. come-o o sangrador que lhe tirou o sangue. vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. d. Explica a razão da incoerência em cada caso: a. que vos vades. Morreu algum deles. para que vejais quão feio e abominável é. Carlota. Antes.. prepara o discurso de abertura do festival. e. O Rui olhava-a enternecido. ouvi também agora as vossas repreensões. comem-no os legatários. come-o o que lhe abre a cova. b. vocês querem aparecer lá em casa? (sujeito) c. importa. (complemento oblíquo) 5.. mostrou-lho nos peixes. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: (.. o que lhe tange os sinos. Se os pequenos comeram os grandes. Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros? Muito maior açougue é o de cá. senão que os grandes comem os pequenos. Não.b. Furiosos. A primeira cousa que me desedifica.. Servir-vos-ão de confusão.) (. Cardoso lhe manifestaram coletivamente o seu apreço c. lá do mar para a terra. vede vós aquele concorrer às praças e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer. (. todos os doentes do Dr. O seu estado inspira cuidados. que de má vontade lhe dá para a mortalha o lençol mais velho da casa. peixes. Não só vos comeis uns aos outros. a. para encarecer a fealdade deste escândalo. vêm a ser como os peixes. porém. (complemento direto) d. assim como ouvistes os vossos louvores. que advirtais muitas outras tantas cousas.. e já o tem comido toda a terra. e os que. que prego aos peixes. muito mais se comem os brancos. Pedi-lhe o livro emprestado por dois dias. ainda o pobre defunto o não comeu a terra.. para um só grande. comem-no os testamenteiros. Todos os anos. come-o a mesma mulher. Cantar e dançar era o seu passatempo favorito. os amigos raramente barafustam.

não tendo nem fazendo ofício em que os não carreguem. não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um. assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos. calando os nomes de todos os animais.. senão que os engolem e os devoram: Qui devorant. os que menos podem e os que menos avultam na República. e para as frutas.Selecciona.)Parece-vos bem isto.) E de que modo os devoram e comem? (.Faz a análise sintática da seguinte oração: “Santo Agostinho (. um exemplo de cada um dos seguintes recursos: -apóstrofe . que se deixam levar destas vaidades.“São o pão quotidiano dos grandes.são as mesmas palavras. Entre todos os animais do Mundo. senão que devoram e engolem os povos inteiros. diferentes meses do ano..1. e para o peixe. Vindo pois. Oh grande louvor verdadeiramente para os peixes e grande afronta e confusão para os homens! Os .” Explica esta passagem.2. 1.1. Sermão de Santo António Começando pois. e assim como o pão se come com tudo. 3. mostrou-lho nos peixes(. A vós criou primeiro que as aves do ar. senão como pão. Porque os grandes que tem o mando das Cidades e das Províncias. chamados.) 1.“Vós virais os olhos para os matos e para o Sertão? Para cá. pelos vossos louvores. às vossas virtudes. os primeiros nomeados foram os peixes: Ut praesit piscibus maris et volatilibus caeli.. assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos. ó peixes. estes são os comidos. em que os não comam.. Domino. ou poucos a poucos. em que os não multem.) Padre António Viera. para cá..Neste excerto. 5. é que para a carne .) não como os outros comeres. que sempre e continuadamente se come: e isto é o que padecem os pequenos. que a atitude do Padre António Vieira é oposta àquela que teve Santo Agostinho. universaeque terrae. porém o pão é comer d todos os dias. senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam.. Diz Deus que comem os homens não só o seu povo. vós fostes as primeiras que Deus criou. E não só diz que os comem de qualquer modo. e não para o púlpito.) mostrou-lho nos peixes”.1.“Santo Agostinho.Identifica a razão que está na origem da primeira repreensão que lhes é dirigida. e é também para os lugares em que tem lugar a adulação. peixes? (. 3.. Ao homem deu Deus a monarquia e o domínio de todos os animais dos três elementos.Assinala as razões que presidiram a essa ordem do pregador. no excerto. dias de peixe.Classifica a oração sublinhada. cete et omnia quae moventur in aquis. estas e outras excelências de vossa geração e grandeza vos pudera dizer.enumeração II 1. há dias de carne. que são os mais pequenos. Vieira vai censurar os peixes pelos seus “vícios”. cronista da criação. 1. 2. 4. São o pão quotidiano dos grandes.2. porque a plebe e os plebeus. (.metáfora .. a primeira que se me oferece aos olhos hoje. que são as que só podem dar o verdadeiro louvor. irmãos peixes. Sermão de Santo António I 1. Estes e outros louvores. é aquela obediência com que. em que os não defraudem. E os três músicos da fornalha da Babilónia o cantaram também como singular entre todos: Benedicite...” 3. quietação e atenção com que ouvistes a palavra de Deus da boca de seu servo António. para encarecer a fealdade deste escândalo. A diferença que há entre o pão e os outros comeres.. a vós primeiro que aos animais da terra e a vós primeiro que ao mesmo homem.Refere a ordem que Vieira dá aos peixes no excerto anterior. e assim como o pão se come com tudo. só a ela nomeou pelo seu: Creavit Deus cete grandia.Demonstra. Que comparação têm em número as espécies das aves e as dos animais terrestres com as dos peixes? Que comparação na grandeza o elefante com a baleia? Por isso Moisés. irmãos. e aquela ordem. e nas provisões em que o honrou com estes poderes. acudistes todos pela honra de vosso Criador e Senhor. que pregava aos homens. mas isto é lá para os homens. para a Cidade é que haveis de olhar. traguem e devorem (. bem vos pudera eu dizer que entre todas as criaturas viventes e sensitivas. et bestiis. os peixes são os mais e os peixes os maiores. por palavras tuas..

e visse na terra os homens tão furiosos e obstinados e no mar os peixes tão quietos e tão devotos. que havia de dizer? Poderia cuidar que os peixes irracionais se tinham convertido em homens. contra os hereges. e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens. embarcado em um navio. e como erros de entendimento são dificultosos de arrancar. Classifique as formas verbais da frase. ouçam-me os peixes. que se deixam levar destas vaidades». 3. e os homens lançam ao mar os ministros da salvação?! Vede. quando se levantou aquela grande tempestade. Oh maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra! Começam a ferver as ondas. mas o zelo da glória divina. Enumere os louvores que o Padre António Vieira faz aos peixes. Pois que fez? Mudou somente o púlpito e o auditório. e no mesmo tempo os peixes em inumerável concurso acudindo à sua voz. se pudessem. 7. Texto Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino. não se rendeu a semelhantes partidos. porque lhes não queria falar à vontade e condescender com seus erros. para que lá pregasse e salvasse aqueles homens. vai-se ao mar. Que pretende o Padre António Vieira ao louvar as virtudes dos peixes? 6. Quem olhasse neste passo para o mar e para a terra. porque lhes repreendia seus vícios. e os peixes o uso sem a razão. 2. Sermão de Santo António I 1. e como o trataram os homens. escutando com silêncio e com sinais de admiração e assenso (como se tiveram entendimento) o que não entendiam. Atente na seguinte frase: «Vede. que ardia naquele peito. começam a concorrer os peixes.1. Se a Igreja quer que preguemos de Santo António sobre o Evangelho. não só não fazia fruto o santo.homens perseguindo a António. peixes. Ia Jonas. os grandes. pregador do mesmo Deus. como o trataram os peixes? Os homens lançaram-no ao mar a ser comido dos peixes. por este respeito e devoção que tivestes aos pregadores da palavra de Deus. e o peixe que o comeu. Explique por que razão esta parte do sermão é considerada uma alegoria. Vos estis sal terrae: É muito bom texto para os outros santos doutores. os maiores. Os homens tiveram entranhas para deitar Jonas ao mar. 7. e os homens não em peixes. e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham que sacudir. Refira alguns processos de que o autor se serve para tentar convencer os seus ouvintes. Muito louvor mereceis. e o peixe recolheu nas entranhas a Jonas. atentos e suspensos às suas palavras. como Cristo aconselha em outro lugar? Mas António com os pés descalços não podia fazer esta protestação. quanto melhores sois que os homens». deixa a terra. que nela eram muitos. e não aos peixes. Aos homens deu Deus uso de razão. António pregava e eles ouviam. Comente o significado da seguinte expressão: «Isto é lá para os homens. 7. Explique a formação da palavra vanglória. e não vos venha vanglória. dê-nos outro. Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? Sacudiria o pó dos sapatos. mas neste caso os homens tinham a razão sem o uso. peixes. quanto melhores sois que os homens. peixes. 5. e não vos venha vanglória. os pequenos. Os outros santos . Sermão de Santo António aos Peixes. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a prudência ou a covardia humana. mas chegou o povo a se levantar contra ele e faltou pouco para que lhe não tirassem a vida. mas em feras. e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora da água. vai-se às praias. querendo-o lançar da terra e ainda do Mundo. e tanto mais quanto não foi só esta a vez em que assim o fizestes. É possível que os peixes ajudam à salvação dos homens. mas não desistiu da doutrina. para o levar vivo à terra. Deixa as praças.2. levouo às praias de Nínive. Segundo o autor. mas para Santo António vem-lhe muito curto. que diferenças há entre os homens e os peixes? 4. Padre António Vieira.

Pedro. com que se enriquece o mar. às duas obrigações de sal. é melhor pregar como eles. até que acabam miseravelmente. era de algum navio. 6. Padre António Vieira. e noutras. com que mistério manda logo o Senhor. e não da terra: Vos estis sal terrae. nas penas dela. e que seja ele o que morra primeiro. 5. Quanto mais que o são da minha doutrina. Oh que boa doutrina era esta para a terra. Sermão de Santo António aos Peixes Tenho acabado.» 6.doutores da Igreja foram sal da terra. e de pouco peso. que fosse pescar. que se tire da boca deste peixe. O excerto que acabou de ler pertence ao Sermão de Santo António aos Peixes escrito pelo Padre António Vieira. bem sabeis que se perdem. Só resta fazer-vos ~ua advertência muito necessária. e se a terra tem tomado o sal. de manhã e de tarde. E quis mostrar o Senhor. não se pôs a vós. Pedro. muito verdadeira. Esta pena de excomunhão. que quando os animais cometem materialmente o que é proibido por esta Lei. também eles encorrem. nem têm contratos com os homens. e dos outros podia fazer o dinheiro. como vos prometi. 6. Justifique o título do sermão. ou seus sucessores fulminam contra os homens. que nesta mesma riqueza tendes um grande perigo. Atente na seguinte frase: «Mudou somente o púlpito e o auditório. que é força segui-la em tudo. Muitas vezes vos tenho pregado nesta igreja. que era de ~ua só moeda de prata. os vossos louvores. 4. que os demais? Ora estai atentos. e satisfeito. e o mesmo Sumo Pontífice não pode absolver. donde lhes possa vir dinheiro: logo a moeda. se eu não pregara para o mar! Para os homens não há mais miserável morte. e malditos. E posto que os homens encorrem a morte eterna. também os peixes por seu modo as encorrem. e cheios de baixios. se materialmente. que advirtais. e no mesmo ponto começam a definhar. muito sólida. que é gravíssima. ficam excomungados. Explique a presença no texto da seguinte expressão: «Vos estis sal terrae» (Vós sois o sal da terra). sempre com doutrina muito clara. mas tem mostrado Deus por muitas vezes. vós o sabeis e eu por vós o sinto. com que pagar o tributo. Mandou Cristo a S. e a terra se empobrece. e com o mesmo dinheiro. como tenho dito. Classifique morfologicamente as palavras púlpito. que morrer com alheio atravessado na garganta. Os peixes não batem moeda2 no fundo do mar. . Padre António Vieira. Santo António foi sal da terra e foi sal do mar. nas festas dos santos. com que pagar certo tributo. por seu modo. porque todos os que se aproveitam dos bens dos naufragantes. que tomasse acharia ~ua moeda. não e doutrina. Pedro. e dão à costa muitos navios. Sermão de Santo António aos Peixes. Se Pedro havia de tomar mais peixe que este. eles contudo apressam a sua temporal3. mas não desistiu da doutrina. Este é o assunto que eu tinha para tomar hoje. O fruto que tenho colhido desta doutrina. como este caso. senão aos homens. e que na boca do primeiro peixe. Retire do texto exemplos de dois recursos de estilo e comente o seu valor expressivo. de dia e de noite. e repreensões. Sermão de Santo António I 1.3. que as penas. Reescreva a frase. 3. ou se tem tomado dele. que pregar deles. que engoliram. qualquer que ele seja tem tido nesta terra uma fortuna tão parecida à de Santo António em Arimino. Exponha as intenções do autor ao escrever este sermão. atravessado na garganta. suposto que ele era o primeiro do preço dele. 6. que fizera naufrágio naqueles mares. posto que do mar. Explique o processo de formação da palavra somente. para os que viveis nestes mares. se não abstêm dos bens dos naufragantes. porque é pecado de que o mesmo S. que tomam os bens dos naufragantes. morrendo primeiro que os outros. colocando as formas verbais no pretérito mais-que-perfeito. 2. Como eles são tão esparcelados1. Importa pois. e a que mais necessária e importante é a esta terra para emenda e reforma dos vícios que a corrompem. Mas há muitos dias que tenho metido no pensamento que. que S. de que não são capazes os peixes. que este peixe tinha engolido.1. Irmãos Peixes. Refira alguns processos de que o Padre António Vieira se serve para tentar convencer os seus ouvintes.2.

Padre António Vieira. Situa o texto na estrutura externa e interna da obra. Refere a tese em que assenta a argumentação do orador.1 Com que intenção Vieira recorre a este exemplo? 5. Sermão de Santo António I 1. e os pregadores se pregam a si e não a Cristo. neste excerto. Uma é louvar o bem.. e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem. Não é tudo isto verdade? Ainda mal! (. 2. que tomasse. se eu não pregara para o mar!» (l.) Vos estis sal terrae. o vosso sermão em dois pontos: no primeiro louvar-vos-ei as vossas virtudes. que fazer o que dizem. 5. ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes. 3. Ou é porque o sal não salga. diz o Santo. irmãos peixes. e que repreender nos peixes.1 Explicita o seu valor expressivo. e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra. havendo tantos nela que têm ofício de sal. no segundo repreender-vos-ei os vossos vícios. 3. Vos estis sal terrae é a expressão bíblica que introduz este sermão.1 Em que consiste? 4. ou porque a terra se não deixa salgar. Através deste excerto. porque também nos peixes tem seu lugar. filho do mar como vós. que experimentá-las depois de mortos. reprehendereque possumus pisces. Senhor nosso.Notas: 1 mares perigosos para a navegação 2 não cunham moedas 3 morte I 1. Ou é porque o sal não salga. E onde há bons e maus. ou porque a terra se não deixa salgar. mostra que o sermão é alegórico. Estas mesmas propriedades tinham as pregações do vosso pregador Santo António. servem a seus apetites. sendo verdadeira a doutrina que lhes dão. em vez de servir a Cristo. qual será. que fosse pescar. peixes. «Mandou Cristo a S. e que na boca do primeiro peixe. para que procedamos com clareza. como também as devem ter as de todos os pregadores. E desta maneira satisfaremos às obrigações do sal. diz que os pescadores «recolheram os peixes bons e lançaram fora os maus»: Elegerunt bonos in vasa. que melhor vos está ouvi-las vivos.» Quando Cristo comparou a sua Igreja à rede de pescar. Sermão de Santo António aos Peixes Vós.. porque quer que façam na terra o que faz o sal. acharia ua moeda» (l. O efeito do sal é impedir a corrupção. a não querem receber. 9). Nem cuideis que isto pertence só aos homens. sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra. Porque são os pregadores o sal da terra? . Suposto isto. senão também que imitar e louvar. mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa. tem duas propriedades. Contextualiza histórico-social e politicamente este sermão. falando com os pregadores. Sagenae missae in mare. malos autem foras miserunt. as quais em vós mesmos se experimentam: conservar o são e preservá-lo para que se não corrompa. 4. O pregador afirma que só lhe falta fazer uma advertência. Identifica o recurso estilístico presente na frase «Oh que boa doutrina era esta para a Terra. dividirei. e os ouvintes. ou porque a terra se não deixa salgar. Assim o diz o grande Doutor da Igreja S. há que louvar e que repreender. Haveis de saber. et quae prosequenda sunt imitatione: «Não só há que notar. ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga. 6. Ou é porque o sal não salga. diz Cristo. 17). sed sunt in illis. Basílio: Non carpere solum. e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina. que o sal. Pedro. outra repreender o mal: louvar o bem para o conservar e repreender o mal para preservar dele. 7.

qual é a tua maldade. tira a vista aos outros. Mas já que estamos nas covas do mar. temos lá o irmão polvo. tão claro e tão cristalino como o da água. diáfana e transparente. é a luz. que o dito polvo é o maior traidor do mar. 3. pois Judas em tua comparação já é menos traidor! Oh que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro. 2. Podemos encontrar estas duas propriedades nos pregadores? Justifique. e a primeira traição e roubo que faz. E sabei também que para haver tudo isto em cada um de nós. o Padre António Vieira. no polvo são verdade e artifício. contra o qual têm suas queixas. Padre António Vieira. com aqueles seus raios estendidos. peixes. vosso pregador. e fá-lo prisioneiro. faz-se verde. tão fingido. faz-se da cor da mesma pedra. Comente a seguinte afirmação: «No Sermão de Santo António aos Peixes. lança-lhe os braços de repente. O sal tem duas Propriedades. Mas ponde os olhos em António. que no camaleão são gala. mas outros o prenderam. Sermão de Santo António I 1. no polvo são malícia. a mesma mansidão. As cores. embustes. se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão dissimulado. que «nas nuvens do ar até a água é escura»: Tenebrosa aqua in nubibus aeris. as figuras. senão do mesmo céu! Lá disse o Profeta por encarecimento. e o salteador. se está no lodo. como mais ordinariamente costuma estar. constrói várias alegorias. porque não fez tanto. não menos que S. Quais são as causas desta corrupção? 3. mas com lanternas diante. e muito mais do que dizeis. Se está nos limos. inocente da traição. parece a mesma brandura. Explique por palavras suas o significado das expressões «aparência tão modesta» e «hipocrisia tão santa». Com grande confusão. parece um monge. vai passando desacautelado. e não à água. E sobre o mesmo sujeito que defendeis. O polvo. que em Proteu são fábula. tão astuto. traçou a traição às escuras. escurecendo-se a si. vos confesso tudo. Basílio e Santo Ambrósio. testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja latina e grega. Vê. E que neste mesmo elemento se crie. que também nelas há falsidades. Judas é verdade que foi traidor. Judas com os braços fez o sinal. tão enganoso e tão conhecidamente traidor! Vejo. mas executou-a muito às claras. ciladas e muito maiores e mais perniciosas traições. Diz o autor que a terra está corrupta. O polvo com aquele seu capelo na cabeça. a qual em seu próprio elemento é sempre clara. onde nunca houve dolo. eu também a calo. fingimento ou engano. fingimentos. que está de emboscada dentro do seu próprio engano. Situe o excerto que acabou de ler no estrutura interna do sermão de Santo António aos Peixes. E disse nomeadamente nas nuvens do ar. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Sermão de Santo António aos Peixes. para que não distinga as cores. e grandes. 6. e vereis nele o mais puro exemplar da candura. o polvo é o que abraça e mais o que prende. E debaixo desta aparência tão modesta. . descrevendo os hábitos predominantes de algumas espécies marinhas. Explicite as razões que levaram o Padre António Vieira a dar especial destaque ao polvo neste sermão. e o polvo dos próprios braços faz as cordas. não era necessário ser santo. bastava antigamente ser português. Identifique duas figuras de estilo e comente o seu valor expressivo. para atribuir a escuridade ao outro elemento. 5. que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossas mares. antes que saiamos delas. parece uma estrela. em que nada se pode ocultar. Judas abraçou a Cristo. com aquele não ter osso nem espinha. Indique-as. porém. faz-se pardo: e se está em alguma pedra. se está na areia. me estais respondendo e convindo. encobrir nem dissimular. faz-se branco. da sinceridade e da verdade. Fizera mais Judas? Não fizera mais. através das quais castiga duramente certos tipos de pecadores: ou porque não têm as virtudes dos peixes ou então porque possuem os seus defeitos. peixe aleivoso e vil. também podereis aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. enganos. mas pois vós a calais.2. Que motivos levam o autor a pregar aos peixes? 4.» 7. E daqui que sucede? Sucede que outro peixe. pois não o posso negar. ou desta hipocrisia tão santa. espelho natural não só da terra.

2.1. Os outros santos doutores da Igreja foram sal da terra. vai-se às praias. O autor refere-se no último parágrafo a «António. e como erros de entendimento são dificultosos de arrancar. António pregava e eles ouviam. Se a Igreja quer que preguemos de Santo António sobre o Evangelho. que pregar deles. mas não desistiu da doutrina. os pequenos. vós o sabeis e eu por vós o sinto. bastava antigamente ser português». 6. 4. 5. Atente na seguinte frase: «Mudou somente o púlpito e o auditório. 6. Diga de que António se trata e qual a sua importância para este sermão. 2. O fruto que tenho colhido desta doutrina. mas chegou o povo a se levantar contra ele e faltou pouco para que lhe não tirassem a vida. Explique a formação da palavra antigamente. e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham que sacudir. Mas há muitos dias que tenho metido no pensamento que. deixa a terra.4. não e doutrina. 7. dê-nos outro. Muitas vezes vos tenho pregado nesta igreja. contra os hereges. Pois que fez? Mudou somente o púlpito e o auditório.1. nas festas dos santos. e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora da água. Explique a presença no texto da seguinte expressão: «Vos estis sal terrae» (Vós sois o sal da terra). Este é o assunto que eu tinha para tomar hoje. Exponha as intenções do autor ao escrever este sermão. vai-se ao mar. Atente na seguinte frase: «E sabei também que para haver tudo isto em cada um de nós. Sermão de Santo António I 1. Oh maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra! Começam a ferver as ondas. começam a concorrer os peixes. é melhor pregar como eles. de dia e de noite. ----------------------------------------------------------------------------------Sermão de Santo António Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino. e noutras. Retire do texto exemplos de dois recursos de estilo e comente o seu valor expressivo. ou se tem tomado dele. mas para Santo António vem-lhe muito curto. e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens. Justifique o título do sermão. mas não desistiu da doutrina. 3. Vos estis sal terrae: É muito bom texto para os outros santos doutores. não só não fazia fruto o santo. que é força segui-la em tudo. e a que mais necessária e importante é a esta terra para emenda e reforma dos vícios que a corrompem. 7. . Quanto mais que o são da minha doutrina. muito verdadeira. Divida e classifique as orações da frase. e se a terra tem tomado o sal. os grandes. Refira alguns processos de que o Padre António Vieira se serve para tentar convencer os seus ouvintes. como Cristo aconselha em outro lugar? Mas António com os pés descalços não podia fazer esta protestação. ouçam-me os peixes. de manhã e de tarde. qualquer que ele seja tem tido nesta terra uma fortuna tão parecida à de Santo António em Arimino. não se rendeu a semelhantes partidos. os maiores. O excerto que acabou de ler pertence ao Sermão de Santo António aos Peixes escrito pelo Padre António Vieira. Diga de que forma o Padre António Vieira distingue o polvo do camaleão. Deixa as praças. mas o zelo da glória divina. muito sólida.» 6. que ardia naquele peito. que nela eram muitos. A quem se quererá referir o autor ao falar do polvo? Justifique a sua resposta. Padre António Vieira. 5. vosso pregador». Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? Sacudiria o pó dos sapatos. sempre com doutrina muito clara. 7. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a prudência ou a covardia humana. Classifique morfologicamente as palavras púlpito. Santo António foi sal da terra e foi sal do mar.

que está de emboscada dentro do seu próprio engano. se está no lodo. fingimentos. onde nunca houve dolo. se está na areia. E disse nomeadamente nas nuvens do ar. lança-lhe os braços de repente. não menos que S. mas pois vós a calais. e não à água. porém. a qual em seu próprio elemento é sempre clara. mas com lanternas diante. tira a vista aos outros. qual é a tua maldade. peixe aleivoso e vil. peixes. parece a mesma brandura. Judas é verdade que foi traidor. Basílio e Santo Ambrósio. temos lá o irmão polvo. fingimento ou engano. partindo da sugestão do seguinte excerto do Sermão de Santo António aos Peixes: «Quem quer mais do que lhe convém. mas outros o prenderam. tão fingido. no polvo são verdade e artifício. Judas abraçou a Cristo. faz-se da cor da mesma pedra. enganos. vos confesso tudo. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. Vê. ciladas e muito maiores e mais perniciosas traições. também podereis aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria. parece um monge. E daqui que sucede? Sucede que outro peixe. vosso pregador. faz-se verde. Fizera mais Judas? Não fizera mais. eu também a calo. traçou a traição às escuras. E debaixo desta aparência tão modesta. em que nada se pode ocultar. a mesma mansidão. me estais respondendo e convindo. contra o qual têm suas queixas. espelho natural não só da terra.8. pois Judas em tua comparação já é menos traidor! Oh que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro. senão do mesmo céu! Lá disse o Profeta por encarecimento. que o dito polvo é o maior traidor do mar. é a luz. embustes. E sobre o mesmo sujeito que defendeis. as figuras. tão enganoso e tão conhecidamente traidor! Vejo. o polvo é o que abraça e mais o que prende. para que não distinga as cores. perde o que quer. e o que tem». porque não fez tanto. que também nelas há falsidades. faz-se branco. antes que saiamos delas. tão astuto. O polvo. com aqueles seus raios estendidos. e fá-lo prisioneiro. Explique o processo de formação da palavra somente. Reescreva a frase. da sinceridade e da verdade. não era necessário ser santo. II Crie um texto argumentativo. testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja latina e grega. que «nas nuvens do ar até a água é escura»: Tenebrosa aqua in nubibus aeris. vai passando desacautelado. e o salteador. e vereis nele o mais puro exemplar da candura. inocente da traição. tão claro e tão cristalino como o da água. E que neste mesmo elemento se crie.6. Sermão de Santo António I . O polvo com aquele seu capelo na cabeça. com aquele não ter osso nem espinha. e muito mais do que dizeis.2. mas executou-a muito às claras.07 Sermão de Santo António Mas já que estamos nas covas do mar. Publicada por Helena Maria à(s) 06:20 Etiquetas: António Vieira. escurecendo-se a si. Mas ponde os olhos em António. Com grande confusão. parece uma estrela. colocando as formas verbais no pretérito mais-que-perfeito. que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossas mares. encobrir nem dissimular. faz-se pardo: e se está em alguma pedra. e o polvo dos próprios braços faz as cordas. para atribuir a escuridade ao outro elemento. que no camaleão são gala. E sabei também que para haver tudo isto em cada um de nós. As cores. pois não o posso negar.3. 6. e a primeira traição e roubo que faz. Padre António Vieira. bastava antigamente ser português. no polvo são malícia. Se está nos limos. Sermão de Santo António aos Peixes 4. Judas com os braços fez o sinal. como mais ordinariamente costuma estar. diáfana e transparente. se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão dissimulado. e grandes. ou desta hipocrisia tão santa. que em Proteu são fábula.

E onde há bons e maus. 7. E desta maneira satisfaremos às obrigações do sal. Explique por palavras suas o significado das expressões «aparência tão modesta» e «hipocrisia tão santa». ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes. servem a seus apetites. o vosso sermão em dois pontos: no primeiro louvar-vos-ei as vossas virtudes.07 Sermão de Santo António Vós. Explicite as razões que levaram o Padre António Vieira a dar especial destaque ao polvo neste sermão. diz Cristo. como também as devem ter as de todos os pregadores. e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem.. e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina. ou porque a terra se não deixa salgar.6. e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra. com este sermão. falando com os pregadores. 7. 4. Não é tudo isto verdade? Ainda mal! (. sed sunt in illis. diz o Santo. ou porque a terra se não deixa salgar. Explique a formação da palavra antigamente. Sermão de Santo António aos Peixes 20. 3. sendo verdadeira a doutrina que lhes dão. denunciar os vícios dos homens e levá-los a reflectir sobre a necessidade de mudança de atitudes. ou porque a terra se não deixa salgar. Suposto isto. mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa. outra repreender o mal: louvar o bem para o conservar e repreender o mal para preservar dele. malos autem foras miserunt. Uma é louvar o bem. II O Padre António Vieira procurou. A quem se quererá referir o autor ao falar do polvo? Justifique a sua resposta. a não querem receber. Divida e classifique as orações da frase.) Vos estis sal terrae. que fazer o que dizem. porque quer que façam na terra o que faz o sal. senão também que imitar e louvar. diz que os pescadores «recolheram os peixes bons e lançaram fora os maus»: Elegerunt bonos in vasa. porque também nos peixes tem seu lugar. O autor refere-se no último parágrafo a «António. Atente na seguinte frase: «E sabei também que para haver tudo isto em cada um de nós. para que procedamos com clareza.2. Publicada por Helena Maria à(s) 06:27 Etiquetas: António Vieira.1. Sagenae missae in mare. peixes. Ou é porque o sal não salga. sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra. Diga de que forma o Padre António Vieira distingue o polvo do camaleão. bastava antigamente ser português». Nem cuideis que isto pertence só aos homens.» Quando Cristo comparou a sua Igreja à rede de pescar. Ou é porque o sal não salga. filho do mar como vós. 2. et quae prosequenda sunt imitatione: «Não só há que notar. no segundo repreender-vos-ei os vossos vícios. e os pregadores se pregam a si e não a Cristo. as quais em vós mesmos se experimentam: conservar o são e preservá-lo para que se não corrompa. e que repreender nos peixes.1. 6. havendo tantos nela que têm ofício de sal. dividirei. vosso pregador». e os ouvintes. há que louvar e que repreender. que experimentá-las depois de mortos. ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga. Assim o diz o grande Doutor da Igreja S. Numa composição com o máximo de quinze linhas. reprehendereque possumus pisces. Situe o excerto que acabou de ler no estrutura interna do sermão de Santo António aos Peixes. irmãos peixes. 5. que o sal. 7.. em vez de servir a Cristo. Basílio: Non carpere solum. Diga de que António se trata e qual a sua importância para este sermão. O efeito do sal é impedir a corrupção. Estas mesmas propriedades tinham as pregações do vosso pregador Santo António. reflicta nos vícios da sociedade actual e sugira formas de os corrigir. Haveis de saber. tem duas propriedades. Senhor nosso. qual será. que melhor vos está ouvi-las vivos. Ou é porque o sal não salga. .

O sal tem duas Propriedades. 5.» 7.Padre António Vieira. Identifique duas figuras de estilo e comente o seu valor expressivo. Indique-as. Quais são as causas desta corrupção? 3. II O Sermão de Santo António aos Peixes constitui um texto argumentativo. . descrevendo os hábitos predominantes de algumas espécies marinhas. Porque são os pregadores o sal da terra? 2. Comente a seguinte afirmação: «No Sermão de Santo António aos Peixes. 6. constrói várias alegorias. através das quais castiga duramente certos tipos de pecadores: ou porque não têm as virtudes dos peixes ou então porque possuem os seus defeitos. Enuncie as características deste género de texto. Podemos encontrar estas duas propriedades nos pregadores? Justifique. Sermão de Santo António I 1. Vos estis sal terrae é a expressão bíblica que introduz este sermão. o Padre António Vieira. Que motivos levam o autor a pregar aos peixes? 4. Diz o autor que a terra está corrupta.