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caderno técnico 02

por Paulo Telles

degomagem
O importante processo para a remoção de fosfatídeos presentes nos óleos vegetais.

A

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degomagem é o processo para
remoção de fosfatídeos presentes nos
óleos vegetais e que podem interferir
nos processos subsequentes. Além disto,
em alguns casos, as gomas removidas neste
processo podem ser aproveitadas devido ao
seu valor econômico.
A degomagem pode ser considerada
como o primeiro passo no processo de refino
de óleos vegetais, porém nem sempre é um
processo a parte, visto que os fosfatídeos
podem ser retirados de forma eficaz em
outras etapas do processo.
As etapas de processamento de óleos
vegetais (degomagem, neutralização,
branqueamento, desacidificação/
desodorização, etc.) são definidas em função
da composição de cada óleo, principalmente
os teores de fosfatídeos (muitas vezes
expresso como fósforo “P”) e ácidos graxos
livres (AGL). A combinação de fatores como
composição do óleo, qualidade do produto
final, perdas e custos de processo, custo
de investimento e utilização e valor dos
subprodutos gerados é que vai definir a
necessidade ou não da etapa dedicada de
degomagem do óleo.
Existem situações específicas onde alguns
processadores (como é o caso nos EUA e
Canadá com óleos de soja e canola) preferem
refinar o óleo bruto não degomado.
O fato é que hoje, os principais motivos
para a degomagem são: para atender o
mercado existente de comercialização de
óleo degomado, para produção de um óleo
degomado adequado para armazenagem ou
transporte, para preparar o óleo para o refino
físico ou para produzir lecitina. Refinarias
operando de forma independente das plantas
de extração consideram como vantajoso o
Revista Óleos & Gorduras

Teor de
fosfatídeos

Como
fosforo
(P)

Teor de
Ácidos Graxos
Livres (AGL)

%

Ppm

%

Coco

0.025-0.05

10-20

0.5-5.0

Palma

0.04-0.1

15-40

1.5-5.0

Girassol

0.8-1.8

300-700

0.5-2.0

Milho

0.7-2.0

300-800

1.0-4.0

Canola

0.5-2.3

200-900

0.5-1.5

Algodão

1.0-2.5

400-1000

1.0-10

Soja

1.0-3.0

400-1200

0.3-0.8

Óleo

processamento de óleo degomado já que o
menor teor de fosfatídeos do óleo representa
uma redução na carga de subprodutos gerados
no refino.
Existem diversos processos para
degomagem dos óleos vegetais, cada um deles
com características e aplicações especificas
dependendo do tipo de óleo a ser tratado e
objetivos a se alcançar.
Os óleos de girassol, canola e soja, que
apresentam o maior teor de fosfatídeos são
os que normalmente passam pelo processo
dedicado de degomagem principalmente para
atender o mercado de óleos degomados e, além
disto, as gomas oriundas do óleo de soja são as
mais utilizadas para produção de lecitina.
Os óleos com baixo teor de fosfatídeos como
os óleos de coco e palma normalmente são dego-

O ácido e os fosfatídeos precipitados são removidos na subsequente operação de branqueamento. Uma quantidade calculada de água (correspondente a quantidade de fosfatídeos) é dosada e misturada ao óleo a temperatura de processo que segue para um tanque de hidratação com agitação suave. o teor de fosfatídeos não hidratáveis é maior do que normalmente se encontra em óleos oriundos de sementes de boa qualidade. quando as sementes são seriamente danificadas. os finos no óleo vindo da extração deverão estar dentro das quantidades máximas especificadas para remoção por centrifugação junto com as gomas. A presença de quantidades significativas de NHP geralmente indica uma má qualidade do óleo. 20-30 Degomagem especial com lavagem 15-20 Degomagem especial com sílica <5 Super/Uni Degumming (*) 5-15 TOP Degumming (*) 5-10 Degomagem enzimática PLA 5-20 Degomagem enzimática PLC 50-100 • Nãohidratáveis (reagidos com um acido para então serem removidos) – Phosphatiticacid (PA) – Phosphatidyletholamine (PE) • Fosfatídeos não hidratáveis contem sais de cálcio e magnésio A Figura 1 ilustra um processo típico de degomagem integrado com o processo de produção de lecitina. A fase leve (óleo) segue para o secador a vácuo para remoção de umidade. Durante o período de retenção no tanque de hidratação (geralmente em torno de 20-30 minutos). o óleo bruto é primeiramente filtrado (ou clarificado por centrifugação) para remover partículas finas de farelo e outras impurezas insolúveis. ou seja.seforemmisturadas com óleo degomado (*) patentes Westfalia Faixas de teor de fosforo no óleo degomado para diferentes tipos de processo de degomagem.Este processo envolve a dosagem de ácido. Processos de degomagem e lecitina Revista Óleos & Gorduras 39 . acrescentando energia à farinha.mados “a seco”. existem quantidades significativas de fosfatídeos não hidratáveis (NHP em inglês) que não podem ser efetivamente removidos sem tratamentos especiais. Para óleo de soja proveniente de sementes de boa qualidade. as gomas aglomeram-se e começam a se separar da fase óleo. as gomas são simplesmente secadas a partir de uma umidade inicial entre 35 e 50 % e são utilizadas ou como umproduto em estado físico “plástico”e com alto teor de Insolúveis em Acetona (AI em inglês). estes fosfatídeos residuais são removidos do óleo na etapa de branqueamento do processo de refino físico destes óleos. um estagio. Tipos de fosfatídeos • Hidratáveis (removidos por água) – Phosphatidylcholine (PC) – Phosphatodylinositol (PI) Processos de Degomagem Degomagem com agua Teor de fósforo no óleo degomado / ppm 100-200 Degomagem acida 20-50 Degomagem especial. Se o processo for somente de degomagem (sem a produção da lecitina). No entanto. Quando vendidas como lecitina de grau não comestível. A degomagem tradicional com água é eficaz somente para remoção de fosfatídeos hidratáveis. é resfriado e finalmente transferido para o armazenamento. aproximadamente 90% dos fosfatídeos são geralmente hidratáveis. as gomas podem voltar para o farelo através do DT. No entanto. Figura 1. ou como um produto mais fluido. aqueles que possuem mais afinidade para permanecer na fase de água do que na fase do óleo. Quando não utilizadas para produção de lecitina. geralmente fosfórico ou cítrico seguido de breve retenção em temperatura alta e agitação intensa ou retenção longa em temperatura baixa e agitação menos vigorosa. Se a lecitina é produzida para fins comestíveis. A mistura então segue a separadora centrifuga onde as fases leve (óleo) e pesada (gomas) serão separadas.

Muitos tratamentos ácidos e outros processos ganharam aceitação na produção de óleo degomado com baixo teor de fósforo. é geralmente eficaz na remoção de compostos com fosfatídeos. novos Figura 2. Degomagem Total. Enquanto os fundamentos do processo de degomagem permanecem os mesmos por vários anos. que serão separadas do óleo por centrifugação. seguido pela hidratação com água como descrito acima.caderno técnico 02 40 ou com ácidos graxos destilados. as enzimas PLA permitem a degomagem “total” do óleo.Aqualidade destes óleos é geralmente aceitável como matéria-prima para o refino físico. Os processos de degomagem enzimática requerem o uso de diferentes tipos de enzimas em função do objetivo do processo. com o apelo de aumento de rendimento em óleo e a possibilidade de remoção de fosfatídeos para um nível tal que possibilite o envio do óleo degomado para as etapas de branqueamento e desodorização no caso de óleos comestíveis ou diretamente para a desacidificação para utilização do óleo como matéria prima de uma planta de biodiesel. Sistema “MultiPure” de degomagem/neutralização Crown Revista Óleos & Gorduras sistemas estão ganhando atenção mais recentemente. tempo de retenção e condições de agitação. porem não atinge a degomagem total (P<5ppm). Enquanto sistemas de superdegomagem apresentam vantagens tanto em termos de reduções de custo de investimento e de operação.. O óleo degomado pode seguir para a etapa de lavagem ou tratamento com sílica ou diretamente para a próxima etapa do processo ou para armazenagem. Os processos de absorção por sílica também são eficazes na precipitação destes fosfatídeos. porem com um aumento na acidez do óleo degomado. Paulo Telles Gerente de aplicações Crown Iron Works Co. que continuara crescendo em resposta às pressões ambientais e a busca de melhores índices de desempenho das plantas de processamento de óleos vegetais. PLA2 e PLC) sobre os fosfatídeos. tema que será tratado em outra oportunidade. A utilização destes sistemas de pré-tratamento podem produzir um óleo degomado que quando branqueado adequadamente terão níveis de conteúdo de fosforo menores do que 3ppmapesar de que estes processos normalmente não são tão flexíveis como os processos tradicionais de refino alcalino. Durante a reação do óleo com as enzimas. o processo TOP. A lecitina resultante do sistema utilizando ácido é geralmente de cor mais escura e geralmente considerada inadequada para fins comestíveis. As enzimas PLC reduzem o teor de fosfatídeos no óleo degomado para valores baixos sem aumento de acidez do óleo (há uma conversão dos fosfatídeos em diglicerídeos). Estas liso-gomas não são utilizadas para produção de lecitina e devem ser descartadas. o magnésio. Gomas úmidas do sistema de degomagem com ácido devem ser neutralizadas antes da introdução no farelo. Os processos enzimáticos exigem o uso de misturadores de alta forca de cisalhamento com grande potencia instalada e tempos de reação do óleo com as enzimas entre 2 a 6 horas. o impacto sobre as gomas deve ser considerado. e os sais de ferro de ácido fosfatídico têm mais afinidade pela fase do óleo do que pela fase de água e devem ser removidos do óleo por um processo especial. incluindo a Super Degomagem da Unilever. Degomagem é uma parte integrante da operação de refino físico. Figura 3 Ação de diferentes enzimas (PLA1. Um dos sistemas que tem sido foco de atenção é a degomagem enzimática. há a formação de liso-gomas diluídas em agua. Estes processos. dependendo do tipo de enzima utilizada. O pré-tratamento do óleo com ácido fosfórico. USA . e outros. ácido cítrico ou outro agente a temperatura apropriada. concentram-se no fato de que o cálcio.