You are on page 1of 8

REFINO DE ÓLEOS VEGETAIS UTILIZANDO LAVAGEM

ÁCIDA COM RECIRCULAÇÃO
Eduardo Rasi de Almeida Prado1
Flávio Luis Lemos1
Ivan Lara2
Eduan de Oliveira Claro2
Luiz Mario de Matos Jorge3
Resumo: O refino tradicional do óleo de soja consiste em submeter o produto às etapas de
degomagem, neutralização, branqueamento e desodorização, buscando a melhoria de sua
aparência física, odor e sabor. Cada uma destas etapas impacta consideravelmente sobre a
qualidade e custo do óleo, sendo muitas vezes fator decisivo na competitividade global.
Neste contexto, visando minimizar perdas, o trabalho teve enfoque na lavagem do óleo
neutro, processo na qual ocorre na etapa de neutralização. Nos processos tradicionais, a
neutralização dos ácidos graxos livres ocorre de forma alcalina com adição de hidróxido de
sódio, a saponificação residual desta reação deve ser removida no processo seguinte que é
a lavagem do óleo neutro. O presente estudo analisou a viabilidade da substituição do
processo de lavagem com água pelo processo de lavagem ácida com recirculação,
verificando as reduções nas perdas por arraste que ocorrem nas centrífugas de lavagem
bem como a redução no consumo de água. Primeiramente, realizou-se um balanço de
massa nas correntes de interesse. Posteriormente foram realizadas análises do teor de óleo
contido nessas linhas mediante o processo de lavagem com água e o processo proposto,
bem como a quantificação do consumo de ácido fosfórico utilizado durante os
experimentos. Através dos resultados obtidos, verificou-se que o processo de lavagem
ácida reduziu o teor de óleo presente na água residual em média de 2,5% para 0,61%, com
a recirculação, foi possível abaixar o consumo de água desmineralizada em até 55% e
reduzir o volume de carga contaminante enviada à planta de tratamento em até 44,5%.
Palavras-chave: refino de óleo de soja, neutralização, lavagem ácida, recirculação de
água.
Abstract: The traditional soybean oil refining process consists of submitting the product to
degumming stage, neutralization, bleaching and deodorization, looking for improvement in
their physic appearance, smell and flavor. This report had focused on neutralization, step
which the washing of neutral oil occurs. In general, all chemical neutralization installations
are equipped with at least one or often two washing steps. The purpose of washing the oil
is to reduce the residual soap contained after neutralization with caustic soda. This study
aimed to analyze the feasibility of replacing the current process of washing with water by
an acid washing with recirculation, verifying reductions in drag losses that occur in
washing centrifugal and there duction in water consumption. Firstly, the layout of the
facility was assessed and carried out a mass balance in the current so finterest. Later,
analysis was performed of the oil content contained in the selines by the current process
and the proposed process, as well as the consumption of phosphoric acid used during the
experiments. By the results obtained, it was found that the acid washing process with
recirculation reduced the oil content present in the residual water averaged2.5% to 0.61%.
It was also observed that with recirculation, it is possible to reduce the consumption of
demineralized water up to 55% and reduce the amount of contaminant load sent to the treat
ment plant (effluent) by 44,5% compared with the current values. It was also found that the
1

Programa de Pós-graduação em Engenharia Química da Universidade Estadual de Maringá – UEM. E-mail:
dudarasi@yahoo.com.br; flavioluislemos@yahoo.com.br
2
Engenharia Química da Universidade Estadual de Maringá – UEM. E-mail: ivanlara@hotmail.com;
eduanclaro@gmail.com
3
Engenharia Química da Universidade Estadual de Maringá – UEM. E-mail: lmmj@deq.uem.br

ENGEVISTA, V. 16, n. 3, p.384-391, Setembro 2014

384

o refino do óleo de quantidade possível do óleo neutro. a oleosa e a aquosa. como proteínas isoladas e concentradas. Roessing. o processo de lavagem comumente remove 90% dos neutralização se desenvolve entre as duas sabões (Norris. principais itens da Balança Comercial O processo básico para a Brasileira e exportou cerca de US$9. 1. Essa etapa merece atenção especial. A grande maioria dos devem ser removidos (400 a 700 ppm de óleos e gorduras destinados ao consumo sabões). neutralization. p. colocando o país na um aquecimento do óleo. farelo e óleo de uma mistura de sais alcalinos de ácidos soja. um ou dois finalidade é uma melhora na aparência. gorduras. é o triglicerídeos e consequente perda de segundo maior produtor e exportador material neutro. Este processo pode ser possível de óleo neutro (Rohr. cuja residual de sabões requerido. Os ácidos misturador. O valor comercial do óleo neutro é óleos refinados. V. como a fase pesada. que os ácidos graxos livres sejam extremamente importante para agregar neutralizados com a menos perda valor ao produto. Setembro 2014 385 . o óleo como fase leve e a solução de Como as soluções aquosas tanto de sabão em água juntamente com soda cáustica como de sabão são insolúveis. obtêm-se três produtos primários: o remanescentes. de água a uma temperatura mínima de 90°C e aquecido no trocador a placas até 1. ácidos graxos. 2011). Esta cadeia produtiva é um dos graxos (sabões). isto soja passa a ser um processo é. pré-tratamento liderança mundial nas exportações do com ácido fosfórico (85% de setor em valor (Abiove. sabões e são separados dos glicerídeos As centrífugas de lavagem separam pela diferença de peso específico. a neutralização com soda óleo degomado. em casos utilizado para o ácido/soda e vai ao raros.5 neutralização do óleo de soja consiste em bilhões em 2005. 1978). acid washing. A água de A finalidade da neutralização do lavagem abrandada (máximo 6 graus óleo bruto é a eliminação de ácidos ingleses de dureza) é dosada na linha de graxos livres em que se utilizam soluções óleo através de sistema similar ao alcalinas de soda cáustica ou. são derivados ou neutralização dos ácidos graxos. water recirculation. Os demais produtos obtidos. de carbonato de sódio. 16. once there placement of the process. as proposed. n. 2000). Dependendo do conteúdo humano é submetida ao refino. concentração) para possibilitar a Do processamento dos grãos de eliminação dos fosfatídeos soja. Assim frações isoladas dos produtos primários. neutralização se obtenha a maior Neste contexto. o óleo neutro que visam transformar os óleos brutos em possui ainda alto conteúdo de sabões que óleos comestíveis. produzindo glicerol e mundial de soja em grão.1. Keywords: soybean oil refining.acid washing process is economically viable. odor e sabor pela remoção do óleo bruto O óleo proveniente da etapa de os componentes que caracterizam tais neutralização é misturado com 5 a 10% aspectos (Mandarino. O misturador envia a mistura graxos neutralizados transformam-se em óleo/água à centrífuga (Dorsa. 3. estágios de lavagem. o farelo de soja e a cáustica diluída (16 a 20Bé) e a lecitina. separação dos sabões. é obtidos através do emprego de muito importante que no processo de tecnologias específicas (Mendes. will generate na additional profit to the plant. muito superior ao do sabão obtido com a sabões entre outros. 2000). evidencing the effectiveness of the proposed modification. pois pode O Brasil é responsável por cerca de ocorrer saponificação indesejável de 28% da produção mundial de soja. ENGEVISTA. NEUTRALIZAÇÃO E LAVAGEM a temperatura de lavagem. são necessários. sendo. sob o ponto de vista econômico. definido como um conjunto de processo Após a neutralização. INTRODUÇÃO fases. 2001).384-391. 1982). Uma insolúveis em óleo.

MATERIAIS E MÉTODOS O tanque II recebe a água utilizada no resfriamento dos selos de carvão das centrífugas e a água descartada após lavagem do óleo neutro. p. Inicialmente. água utilizada no sistema. para evitar a saturação da água com estes contaminantes. dentre as quais. Elaborou-se de lavagem na saída da centrífuga. Parte da água é descartada continuamente do tanque. três apresentam realizava-se a lavagem com a água ENGEVISTA. as matériasPara avaliar a viabilidade e primas utilizadas foram o óleo de soja e a assertividade do processo proposto. há uma renovação em cerca de 20% da água industrial utilizada. o pHmetro. Toda a água usada nos selos dos anéis das centrífugas e para lavar o óleo.1. Com quantificados os principais fluxos.384-391. 1992). de forma tal a prolongar o tempo de operação antes de saturar a água com impurezas contaminantes. Como a água é a principal matéria prima utilizada na lavagem do óleo. Em seguida.Distribuição de água na refinaria. Este tanque fornece a água que é utilizada atualmente em uma linha do processo de degomagem do óleo. A água volta ao sistema com um pH constante e controlado da ordem de 5. após prévio tratamento desta com ácido fosfórico. de conhecer as correntes de interesse.2. MATERIAIS 2. O pH neutralização e três centrífugas de utilizado foi de 4. 16.5. Através de uma bomba centrífuga. foi introduzida uma tubulação etapas analisadas. a água acidulada é bombeada aos misturadores de lavagem. Na corrente de entrada do balanço de massa para água e óleo nas tanque. na um fluxograma simplificado do processo saída do tanque e na entrada e saída do das principais linhas e realizou-se um decantador. 3. deve ser branda e livre de metais (Duff. Durante este processo.O primeiro tanque (tanque I) armazena água desmineralizada utilizada na hidratação do óleo bruto. Na saída da bomba é instalado um controlador de pH que controla a dosagem de ácido. Desta forma se vão retirando do sistema as impurezas separadas do óleo. Deste tanque. A água descarregada pela centrífuga lavadora é recolhida em um tanque de serviço. Setembro 2014 386 . resistente a ataque de ácidos.1. eram coletadas amostras em realizou-se primeiramente um estudo do condições normais de operação da água layout da refinaria de óleos. V. LAVAGEM RECIRCULAÇÃO ÁCIDA COM O processo de lavagem ácida com recirculação consiste na reutilização da água descartada na etapa da lavagem do óleo. visando à recuperação do óleo arrastado e a redução no consumo de água. no qual foram com um dosador de ácido fosfórico. 2. junto com os sabões. a partir da adição de água quente.5. Como forma realizaram-se testes na planta. foi desenvolvido um fluxograma mais detalhado da distribuição desta pela planta (Figura 1).5 . 2. controlava-se a vazão de A etapa de neutralização e lavagem ácido fosfórico dosado em função do pH conta com duas centrífugas de da água descartada pelo tanque. lavagem. como fósforo e metais pesados. água de refrigeração de selos. n. cuja finalidade é aumentar o volume de água em circulação. se restabelece o volume de água do sistema para renovar a água industrial. Figura 1. na etapa de lavagem do óleo neutro e na diluição da soda cáustica utilizada na neutralização do óleo. MÉTODOS No presente trabalho.2.

ANÁLISE DO CONSUMO DE ÁGUA . densidade da água constante para todas as Realizando o balanço de massa correntes. A cálculo para o consumo de água para partir do volume e do tempo. 16. utilizando a Figura 1. Este parâmetro foi fixado a partir soda caustica e a água para degomagem. consumo de água acontece em dois foram realizados testes de vazão. 3. como sendo 107 l/h. Realizando o balanço e massa no (2) tanque II. 1000 kg/m³. 2000): (3) Tomando a vazão total de óleo neutro como 20000 kg/h de óleo e a partir da equação (3).73 kg/h. onde as principais etapa da degomagem I e 5000 kg/h na linhas de entrada de água são o descarte degomagem II. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para o cálculo do volume de água utilizado na lavagem do óleo. sendo este ENGEVISTA. determinoudiluição da soda cáustica é feita através se a vazão de água em cada centrífuga. 2000): totalizando uma vazão de 1822 kg/h. para uma dosagem de água de 5% obtém-se que a vazão de Foi possível quantificar o consumo água utilizada é de 1145. 3. da seguinte expressão (Dorsa. degomagem II de 150 kg/h. das centrífugas de lavagem e o descarte da água de refrigeração dos selos de (1) carvão das centrífugas e o descarte para o decantador. utilizando a Figura 1. esta é descartada no tanque II. utiliza-se a seguinte expressão (Dorsa. assumiu-se a de 2. A partir do balanço de massa para o decantador é de 405. a agua para diluição de linha.acidificada.384-391. obtém-se a partir da tem-se que o tanque I ficaria responsável Equação 2 que a vazão de água de pelo fornecimento da água de diluição da diluição é de 468. o quantificar o volume de água utilizado. de água no processo e o consumo A partir de dados de consumo de esperado quando utilizado o processo de água desmineralizada da planta. tem-se que A água de selagem das centrífugas a vazão de água consumida para a é fornecida diretamente da caldeira para a degomagem I é de 600 kg/h e para a refinaria e após a refrigeração dos selos. Por meio da Equação1.1. determinou-se que o volume de água De acordo com as condições descartada para o decantador é de operacionais estabelecidas. Foi pontos do processo: na diluição da soda adotado um volume fixo de medida e cáustica e na lavagem do óleo neutro. fornecida a refinaria encontra-se em cerca Nesta etapa de cálculos.48 l/h. conhecendo a vazão mássica de agua Para o processo de degomagem. de análises do teor de gomas presente no obtém-se que a vazão de água descarta óleo. Para Na etapa da neutralização.79 l/h.00 l/h. n. a desmineralizada na entrada do tanque I e dosagem de água corresponde a 3% da as vazões mássicas da agua para lavagem vazão de óleo de soja que passa pela de óleo neutro. concentração da soda diluída é de 14. Passadas de 1 a 2 horas para estabilização do processo eram coletadas novas amostras nas novas condições de operação e analisadas em laboratório o teor de óleo arrastado.48 kg/h. V. O eram realizadas tomadas de tempo. realizado tem-se que a vazão de óleo A mesma análise foi realizada para bruto de soja é de 20000 kg/h entrando na o tanque de água II.967. a 2. sendo o valor utilizado igual a global do tanque I.770. soda cáustica e a água para hidratação do óleo bruto (degomagem I e II). é recirculação de água de lavagem por possível verificar que a vazão de água meio de um balanço de massa no sistema. Setembro 2014 387 3. p.83% Quantificando os fluxos das e utilizando-se a vazão de soda cáustica correntes de água no layout proposto.

2. V. ou seja.01 1. o valor de pH consumo específico da planta. O ponto de dosagem do ácido Com os resultados obtidos pode-se fosfórico encontrava-se na saída do prever a quantidade de óleo arrastada na tanque II e o seu consumo foi lavagem em diferentes vazões de ácido.17 verificar a influência da quantidade de 50 3. O ponto de coleta das amostras restringiu-se apenas ao descarte da centrífuga de lavagem.12 2. recebendo a água de lavagem e a água dos selos das centrífugas.19 diferentes.60 7. uma vez que a lavagem do óleo neutro é a etapa determinante do processo.41 7. n. A dosagem de ácido foi realizada através de uma bomba dosadora instalada próxima ao tanque de água.0 125 5. meio de um inversor de frequência.5% no volume total.384-391.63 processo de lavagem. Tomando esse critério consumo e gerar a curva de calibração da como determinante e analisando os dados bomba. Comparando as duas situações de processo.5 e 5. Tabela 1.0 100 4.21 l/h para 1853. Pode-se evidenciar ainda a redução no volume de efluente mandado para a estação de tratamento. 3. que passaria de 3373. as quais foram escolhidas de 125 0. (RPM) óleo tanque centrífuga Variou-se a vazão de ácido (%) II fosfórico dosada em cada ensaio a fim de 25 4.16 7.45 6. 100. Quantificação da dosagem de ácido. Teor pHpH .volume de 1218. o pH na saída do tanque II e o pH na saída da centrífuga (Tabela 2). 125 e 150 RPM.3 70 2. Setembro 2014 388 . Essa água proveniente dos selos seria responsável pela reposição da água de lavagem. determinado por meio de análises de De acordo com a literatura. 50.98 10.40 l/h.91 10.79 l/h. p. Isso representa uma redução de cerca de 55% no gasto de água desmineralizada. coletou-se uma amostra de água o determinou-se o teor de óleo arrastado.78 ácido no teor de óleo arrastado.8 150 9.48 l/h necessários para a lavagem e o restante seria descartado para o decantador.saída através do qual era possível ajustar a Frequência de saída da vazão de ácido desejada.58 Utilizaram-se seis vazões de ácido 100 0. realizaram-se análises de arraste de óleo visando obter a condição ótima de operação.0 Conhecendo-se a vazão dosada em cada uma das frequências utilizadas.35 acordo com o pH da água na entrada do 150 0. para ideal de operação do processo encontraverificar a coerência dos dados de se entre 4. Para cada frequência escolhida. Frequência Dosagem no processo do inversor (l/h) (RPM) 30 3. 3. 16.5. O ajuste da Tabela 2.40 10. uma redução de aproximadamente 44.45 11. O tanque II ficaria responsável por fornecer os 1145.4 50 3. ENGEVISTA.A vazão de entrada do tanque II permaneceria inalterada. 70 2. tem-se que a redução no consumo de água desmineralizada utilizada no processo sofreria uma redução de 2770 l/hpara aproximadamente 1250 l/h.28 7.Valores do teor de óleo e pH da velocidade da bomba era realizado por água na centrífuga de lavagem.28 7. O objetivo dessas análises foi verificar qual o volume ideal a ser dosado no processo e qual o custo proveniente da operação. Para cada uma dessas. 70. mensurouse o consumo de ácido pela diferença de volume do tanque de ácido após 60 minutos de dosagem (Tabela 1). CONSUMO FOSFÓRICO DE ÁCIDO As frequências escolhidas para os testes foram 30.

Pode-se atribuir essa diminuição nos valores ao ácido presente na água.70% 2. percebe-se a ineficiência do processo de separação e recuperação desse óleo arrastado.84% 1. Tabela 3. 3. uma vez que esse neutraliza o excesso de soda presente na neutralização.75% 0. comum volume de óleo de 28. 3. uma vez que o teor de óleo presente nessas amostras também reduziu. Uma bomba dosadora de ácido fosfórico foi instalada próxima ao tanque II e realizouse a acidificação da água circulante do sistema. Aguardava-se um tempo aproximado de 60 minutos até a estabilização do processo e coletavam-se as amostras nos mesmo pontos das amostras anteriores (saída da centrífuga.94% 0.19% 1. V. LAVAGEM RECIRCULAÇÃO ÁCIDA COM Os testes na planta possuem um caráter quantitativo.66% 4.26% 3. Os teores de óleo obtido após acidificação são apresentados na Tabela 4. Esse efeito estende-se aos demais pontos analisados. pode-se verificar o elevado teor de óleo das amostras não acidificadas em todos os pontos coletados. a entrada do decantador e a saída do decantador. tem-se que a vazão de água utilizada na lavagem do óleo neutro é de 1145 l/h.52% 1.66% 0.92 kg/l.25% 1. assumiu-se que a frequência ideal de operação para a planta é 100 RPM.89% 1.34 kg/h.72% 2. a massa de óleo descartada por arraste é de 26.51% 1.10% 2. 16. ENGEVISTA.obtidos nos testes.3. Os pontos escolhidos foram na saída de centrífuga e lavagem. entrada do decantador e saída do decantador).72% 1.70% Com a nova bateria de testes.66% 1.88% 0.79% 1. o descarte do tanque II. dando maior destaque para a saída da centrifuga. ANÁLISE ECONÔMICA Pelo balanço de massa realizado para a água na refinaria.63l/h.22% 0. Centrífuga Tanque II Entrada decantador Saída decantador 2.39% 3. p. é possível observar a significante redução nos teores de óleo arrastado na centrífuga após lavagem.384-391. n.5%. 3.55% 1.96% 1. Com a planta operando em condição usual de lavagem. Foi analisado o teor de óleo neutro arrastado na água e os resultados obtidos são apresentados na Tabela 3.32% 7. Setembro 2014 389 . saída do tanque II. O óleo arrastado na situação atual é 2.Teor de óleo nas amostras em condições normais de operação. Admitindo a densidade do óleo de soja como 0. Analisando os novos resultados.42% 0.51% 1.52% 1. Analisando os resultados na saída do decantador.5% de óleo. evidenciando as perdas e a necessidade de um processo que reduza a quantidade de óleo arrastado.20% 1. onde se obteve uma média de aproximadamente 2. minimizando a emulsificação entre as fases e facilitando a sua separação. De acordo com os valores obtidos. Uma vez que essa corrente é direcionada a estação de tratamento de efluente.45% 1.10% 1.75% 4.4. o sistema foi configurado para a realização da lavagem ácida com recirculação. coletaram-se amostras em quatro pontos distintos da planta.05% 0. uma vez que as amostras retiradas foram analisadas em laboratório para verificar a assertividade da lavagem ácida.81% 0.73% 0.01% 2.03% 1.65% 0.02% 0. não é possível realizar a recuperação desse óleo.

88% 0.20% 0.81% 0.77 3. Com a substituição do processo viabilidade econômica do projeto.65% 0.84% 0.47% 0. O valor do óleo de soja custo de pré-tratamento dessa água é de utilizado é de R$1750.61% 0.16% 0.60% 0.21 l/h enquanto que pelo do ácido fosfórico como 1.736kg/h. Óleo Ácido fosfórico Água Efluente Processo (R$/h) (R$/h) (R$/h) (R$/h) Sem lavagem ácida 46.91% 0.80 1.84 0.64/m³.17% 1.39% 0.24 Com lavagem ácida 8. segundo levantamento na Entretanto. encontra-se em torno de R$2500. verificase a viabilidade econômica do projeto.45%.35% 0.40 l/h.74% 0.21% 0.08% 0.42% 1.00% 0. O 4.38% 0.39 por hora de operação da planta.27% 0.06% 0. Admitindo a densidade é de 3373. o volume de água operação.10% 1.Tabela 4.47% 1.684kg/l. para verificar a empresa.25% 0.81% 0. lavagem e diluição de soda de óleo arrastado de 5. temprocesso de lavagem ácida.63% 0.15 l/h. CONCLUSÃO verifica-se que o projeto é A partir do estudo realizado sobre a economicamente favorável.04% 0.20% 0.00 a tonelada.16% 2.74% 0.80 -16.39% 0.35% 0.23% 0. o volume de água necessária para se quantificar também o custo com o abastecer a refinaria seria de 1250 l/h.83% 0. R$0.46 Analisando os valores obtidos. é de. efluente gerado é de 1853.84/h.80% 0. em média.69% 0. Logo o gasto financeiro para realização Fazendo um comparativo entre os da lavagem ácida seria de R$16.78 Total +37.00 por o volume total gerado pelo processo atual tonelada de ácido.30 16. O empresa.32% 0. verificar a assertividade do projeto em . deveatual. custos totais dos dois processos. ou ainda cáustica. a vazão de R$0.96/m³.74 kg/h.35% 0.75% 0. pode-se R$23.33% 0.46% 0.42% 0.25% 0. Tabela 5.84 +0.34% 0.05% 0.43% 0. 2770 l/h.0l/h.18% 0.Comparação entre os dois processos.46% 0. Pelos resultados tratamento dos efluentes gerados pela obtidos.37% 0.75% 0.38% 0. considerando que o teor de fornecida a refinaria para os processos de óleo diminuirá 0.72% 0. tem-se que para a frequência refinaria tem um custo atual de ideal e trabalho (100 RPM).15% 0.53% 0. Considerando como efluente as valor comercial do ácido fosfórico correntes descartadas para o decantador.96% 1.49% 4.97 +1.15% 0.26% 0.36% Para a nova configuração de Atualmente.43% 0.10 1.08% 0.20% 0.Teor de óleo nas amostras da água acidificada.35% 0. tem-se um volume degomagem. O ácido fosfórico utilizado.45% 0.36% 0. segundo valores obtidos na ácido fosfórico utilizado é de 4.23% 1. o volume de se que a massa utilizada é de 6. 4. pois pode substituição do atual processo de lavagem gerar um retorno de aproximadamente pelo processo de lavagem ácida. Centrífuga Tanque II Entrada decantador Saída decantador 0.

253-314. R. devido a recuperação do óleo arrastado na centrífuga. New York: John Wiley and Sons.39 por hora de operação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. l/h. Óleos e Gorduras Vegetais e seus Subprodutos Proteicos. %. V. 5. l/h. R. MENDES. A. NORRIS. 16. Densidade da soda bruta. M. In: SWARN. Bailey's industrial oil and fat products. D. F. Observou-se também. J.4: p. irá gerarpara a empresa um retorno adicional de aproximadamente R$23. Porto Alegre: UFRGS. 1982.5253 kg/l. 40. G. A.C. Utilizando-se apenas de água para a execução da etapa.Champaign: AOCS Press. ENGEVISTA. A. BIBLIOGRAFIA ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais..85-94. %. com as novas legislações ambientais e o uso consciente da água tem se tornado uma preocupação frequente no meio industrial. Dosagem de água de lavagem. MANDARINO. Com a melhoria no processo.5% na geração de efluentes. Setembro 2014 391 .. ROESSING. p. 2000. Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos.45%.5: p. C. Monografia (Curso de Engenharia de Alimentos). v. Tecnologia para produção do óleo de soja: descrição das etapas. n. 1978. o teor de óleo varia em torno de 2. kg/h. Lecitina de Soja: processo de obtenção e refino. Vazão de água de lavagem.. 2001.relação à redução do teor de óleo perdido por arraste nas centrífugas de lavagem. Essa redução é importante. equipamentos. H. a redução no consumo de água em cerca de 55%.3ª Ed. G. In: WAN. ROHR. P.2. 2ªEd. l/h. Vazão de soda cáustica. c. 2000. 6. devido à reutilização da mesma no processo. 4ª Ed.4ªEd. uma vez que no cenário atual. através do balanço de massa realizado. DORSA. Refining. NOMENCLATURA Concentração da soda diluída. Tecnologia de Processamento de Óleos e Gorduras Vegetais e Derivados. Campinas: Fundação Tropical de Pesquisas e Tecnologia. p.J. considerado 1. Vazão de óleo neutro. Refining and bleaching. 3. Londrina: Embrapa Soja. Vazão de água de diluição.. 1992. c. produtos e subprodutos.5% enquanto que com a utilização da água acidificada este teor apresentou valores próximos a 0. DUFF.384-391. Introduction to Fats and Oils Technology. assim como a redução em 44..