You are on page 1of 188

Empreendedorismo

Jaqueline Silveira

Empreendedorismo
M.a Jaqueline Silveira

.

Diretora Geral Débora Guerra Direção Acadêmica Gustavo Hoffmann Coordenação EaD Neuza Belo .

1ª ed. Empreendedorismo 3. Bibliografia 1. 183p. . Administração 2. Bom Despacho. FACEB – Cursos de graduação. Todos os direitos de Copyright deste material didático são reservados à FACEB. Jaqueline Empreendedorismo.SILVEIRA. Título Todos os direitos em relação ao design deste material didático são reservados à FACEB. Todos os direitos quanto ao conteúdo deste material didático são reservados ao autor..

............................................................................................................................ 66 Módulo 04 Outros Modelos................ 11 Unidade 1 Surgimento......................................................................................................................................................................................Sumário Ementa.......................................................................................................... 13 Módulo 01 Introdução...................................................................................... 49 Módulo 01 Gestão Organizacional........................................................................................ 76 Resumo..... 51 Módulo 02 Histórico da Gestão das empresas................................................................................................................................. 44 Unidade 2 Gestão nas Empresas............................................................... 27 Módulo 04 O Empreendedor................................................................................................................................ 43 Exercícios de Aprendizagem............................................................................................................................................................................................................................. 83 Exercícios de Aprendizagem................................................................................................................................................... 38 Resumo..... 57 Módulo 03 Modelos de Gestão.......................................................................................................................... 20 Módulo 03 Inovação............................................................................. 15 Módulo 02 Pequena história ........................ 7 Currículo Resumido do Professor......................... 84 5 ....................................................... 9 Bibliografia Utilizada.................................................................................................

........................................................................................................ 167 Anexo Empreendedorismo: a necessidade de se aprender a empreender.. 153 Módulo 04 Recursos Humanos.............................................................................................................................................................. 141 Módulo 01 O Plano de Negócios................................................................................................................................ 136 Exercícios de Aprendizagem...................... 166 Exercícios de Aprendizagem......................................................................... 137 Unidade 4 Atividades Práticas do Empreendedorismo............................................ 171 6 ..................................................... 147 Módulo 03 Plano de Negócios: Planejamento da Produção e Plano Financeiro ........................................................................................................................... 125 Módulo 04 Outras Ferramentas................................................................................. 120 Módulo 03 Ferramentas: Cinco Forças de Porter.........................................................................Empreendedorismo Sumário Unidade 3 Módulo 01 De empreendedor a empresário............................................ 143 Módulo 02 Caracterização do Negócio........................................................................................................................................................................... 160 Resumo.. 89 Módulo 02 Planejamento Estratégico.......... 130 Resumo...............................

processos de autoconhecimento. criatividade.Ementa Empresas e Empreendedorismo: principais conceitos e características de organização. O papel e a importância do comportamento empreendedor nas organizações. 7 . Processos grupais e coletivos. autodesenvolvimento. gestão e empreendedorismo. O perfil dos profissionais empreendedores nas organizações. A gestão empreendedora e suas implicações para as organizações. comunicação e liderança.

.

Coordenadora do Grupo de Estudos de Educadores da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos). atuando há mais de 20 anos em Projetos de Gestão de Pessoas.Currículo Resumido do Professor Psicóloga Organizacional. Planejamento e Orientação de Carreira. 9 . Sóciaproprietária da Acthio Coaching e Assessoria de Carreira. Assessoria de Carreira e Educação Corporativa em empresas de grande porte e de relevância nacional e internacional. Mestre em Administração e Especialização em Gestão de Recursos Humanos. em atividades de fomentação do desenvolvimento pessoal e profissional.

.

Aprendendo a Empreender. FILION. Boa idéia! E agora? São Paulo: Cultura.L & Fernando. 2004. Andrea Cecilia. 11 . Cesar Simões. Empreendedorismo: Dando asas ao espírito empreendedor. ROSA. Isabela Motta. Bibliografia Complementar: CHIAVENATO. O Segredo de Luisa. Rio de Janeiro: Campus. Saraiva. Construindo Plano de Negócios: todos os passos necessários para planejar e desenvolver negócios de sucesso.J. Claudio Afrânio. Fernando. 30ª Ed. RAMAL. Silvina Ana e SALIM. 2000. HOCHMAN. Editora Sextante. 2001.Bibliografia Utilizada Bibliografia Básica: DOLABELA. Manual: Como elaborar um plano de marketing. 2005. Ed. Manual. GOMES. Oficina do Empreendedor. 1999. 2006. SEBRAE-MG. Cultura. Belo Horizonte. 2002. 3ª Edição. Fernando. DOLABELA. SEBRAE. Belo Horizonte: SEBRAE/MG. Como Elaborar um Plano de Negócios. Brasil. Ed. Nelson. 2008. São Paulo. RAMAL.

.

UNIDADE 1 Surgimento UNIDADE 1 13 .

.

sobre o qual diversas do processo de globalização e das instituições públicas e privadas têm tentativas de estabilização da economia investido para pesquisar e incentivar. Existe uma clara correlação entre o empreendedorismo e o crescimento A principal consequência desta situação econômico. A riqueza iniciando novos negócios. XXI são servir e no Brasil. dos onde Estados o Unidos conceito de desafios. no Brasil o estudo será muito maior e o êxito muito mais do tema tem se intensificado a partir do provável.” em função da necessidade das grandes (Kouces e Posner. 2000). O processo de da população e. brasileira. levou ex-funcionários a buscarem novas desenvolvimento tecnológico e geração formas de sobrevivência. inspiram os outros. nas próprias comunidades.MÓDULO 01 Introdução reinvestida em novos empreendimentos e. “Quando todas organizações líderes – se quando as pessoas comportam todos das como Ao contrario enfrentam da América. muitas vezes de novos postos de trabalho. capacitam. de maneira indireta. o que manifestam-se na forma de inovação. empreendedorismo já é conhecido e modelam e animam – o compromisso utilizado a vários anos. sem possuir gerada pelos empreendedores contribui experiência no ramo e utilizando-se das para a melhoria da qualidade de vida economias pessoais. de alto rendimento é o fato de todos saberem o que se espera deles. não raras vezes. reduzir custos e O empreendedorismo é hoje um manter-se no mercado – conseqüências fenômeno global. Os resultados mais explícitos foi o aumento do desemprego. é criação de novos negócios foi também UNIDADE 1 15 . mais do que mandar e controlar. Isto se deve principalmente apoiar. de se A preocupação com a criação de empresas recompensar a liderança a todos os duradouras e a diminuição da taxa de níveis e de todos os indivíduos serem mortalidade das empresas existentes são responsáveis por conseguir que se façam considerados fatores importantes para o coisas palavras- desenvolvimento do empreendedorismo chave dos líderes do séc. O segredo das organizações fim dos anos 90. empresas extraordinárias… as brasileiras em aumentar a competitividade.

em 2003. Se nos anos 60 de crescimento. se constituindo no que hoje em inédito ou de novas formas de utilizar dia é chamado de nova economia. UNIDADE 1 . existem grupos de pessoas familiares e dão continuidade a empresas que buscam fazer acontecer. Maiores informações nos anos 90 começaram a ser utilizados sobre a participação das MPME na sistemas que permitem a integração entre economia brasileira são encontradas em funções. conceitos mais determinantes em cada época. No Brasil. tempo. da ordem de 25%. pequenas e médias empresas têm grande importância no detalhes sobre estas teorias e outras teorias administrativas. Por trás dessas desses ainda existem os herdam negócios invenções. tecnologias. desenvolvimento tecnológico. sendo responsável por cerca de 50% do Os anos 90 marcaram o fim das PIB em alguns países e com tendências organizações tradicionais. novos negócios e novos mercados conduz a profundas alterações na arquitetura das organizações. em virtudes de contextos sócio-políticos.125). os criadas há décadas. A Figura de programas específicos para o público 1 abaixo apresenta quais foram os empreendedor. das novas Dolabela (2006.Movimento de O mundo tem passado por diversas Racionalização do Trabalho: Foco na transformações em curtos períodos de gerência administrativa. alguns conceitos a respeito empreendedorismo administrativos predominaram. 16 quando foram criadas a maioria das • 1920 a 1930 - Movimento invenções que revolucionaram o estilo das Relações Humanas: Foco nos de vida das pessoas. A Revolução do Empreendedorismo • 1900 a 1920 .Empreendedorismo intensificado com a popularização da foram frutos de inovações. Essas invenções processos. no Brasil. culturais. Além coisas já existentes. Mais a frente entraremos em mais As micro. de algo internet. entre outros. desenvolvimento da economia mundial. a se implementaram as equipas de trabalho participação dessas empresas no PIB era e nos anos 70 modelos sócio-técnicos. principalmente no século XX. A realidade atual. Curiosidade: Foi este fatores conjunto de incentivou a discussão do Ao longo do tempo. ou seja. p. com ênfase em: Pesquisas desenvolvimento e consolidação do acadêmicas sobre o assunto e Criação capitalismo. empreendedores.

Movimento competitivo. o decênio nos últimos anos principalmente devido do ao rápido avanço tecnológico. 2001 de 90. promover empreendedores. O avanço tecnológico o empreendedorismo como uma fonte aliado com a sofisticação da economia e de geração de emprego e incentivar dos meios de produção e serviços gerou a criação de novas empresas. o criadas. o qual enfatizava a do Funcionalismo Estrutural: Foco na necessidade de se desenvolver uma gerência por objetivos.Finlândia: Em 1995. França: Iniciativas para promover paradigmas e gerando riqueza para a o ensino de empreendedorismo nas sociedade. e uma fundação de ensino do conforme relacionado nos exemplos a empreendedorismo foi estabelecida. para Incubadoras para o baseadas nas universidades estão sendo economia. que na Finlândia com vistas a criar uma requer um número cada vez maior de sociedade empreendedora. Houve empreendedorismo foi lançado ainda uma avalanche de investimento de Esses fatores nos levam ao que é capital de risco nas empresas israelenses. e apoio na planejamento estratégico. Na década Fonte: Dornelas. lançada. criação de novas empresas. seguir: Reino Unido: Em 1998 publicou um relatório a respeito do seu futuro UNIDADE 1 17 . nos novos empregos. Israel: uma necessidade de formalização de Programa de Incubadoras Tecnológicas conhecimentos que antes eram obtidos (+ de 500 negócios já foram criados de forma empírica. quebrando antigos EUA). aproximadamente 200 centros de inovação foram criados. Alemanha: • 1950 dos a 1960 Sistemas - Movimento Abertos: Foco no Tem estabelecido vários programas que destinam recursos financeiros. nas 26 incubadoras do projeto). série de iniciativas para intensificar o empreendedorismo na região. engajar Dada sua importância desenvolvimento da os particularmente estudantes.• 1930 a final de 1950 . universidades. chamado atualmente de “A era do sendo que mais de 100 empresas criadas Empreendedorismo”. em pois são os Israel encontram-se com suas empreendedores que estão atualmente ações na NASDAQ (Bolsa de ações de criando novas relações de trabalho. empresas de tecnologia e Internet. uma competição nacional empreendedorismo tem sido centro de para novas empresas de tecnologia foi políticas públicas em diversos países. provendo O ensino e discussão sobre espaço e outros recursos para empresas empreendedorismo tem se intensificado start-ups.

Antes deste de seus negócios. Ambos florescem em países empresas e em universidades/cursos onde há desigualdade na distribuição de ciência da computação. os benefícios oferecidos pelo Estado são Instituto Empreendedor do Ano da menos generosos e as mulheres têm Ernst menos influência sobre a economia. de renda. depende tanto do mercado internacional. Empreendedorismo no Brasil O desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil se deu a partir da década de 90 com a criação de entidades como 18 1 Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas 2 Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro UNIDADE 1 . Endeavor. Young. Crescimento das Os de necessidade são mais comuns onde incubadoras de empresas tradicionais.Empreendedorismo As diferenças entre os países também o SEBRAE1 refletem força período. Angels. o desenvolvimento econômico do país é tecnológicas relativamente pequeno. Ensino Alternativas de de VCs. o tema empreendedorismo aproveitar uma oportunidade percebida passou a tomar forma com os programas no mercado.. & e mistas. Brasil Empreendedor. Um empreendimento é “de oportunidade” e SOFTEX2. Entidades de apoio (Sebrae. o ambiente político e econô- propulsora do empreendedorismo: os mico do país não eram propícios e os empreendimentos “de oportunidade” empreendedores não encontrava infor- e mações suficientes no desenvolvimento os nos dois “de tipos de necessidade”. e “de necessidade” quando desenvolvidos no âmbito da SOFTEX. mas onde as pessoas têm acredita-se que o país entrará no novo expectativa de que a situação econômica milênio em condições de desenvolver irá melhorar. quando o empreendedor iniciou ou investiu em um negócio a fim de No Brasil. um dos maiores programas de ensino de em incubadoras empreendedorismo do de mundo.. governamental. baixa grande intromissão número de a seguir: iniciativas de suporte ao Softex (Genesis). Atualmente. Finep. Começa a haver a figura do capitalista de risco. Empretec investidores informais e respeito pela (SEBRAE). a economia não empreendedorismo nas universidade. financiamento: Fapesp. se trata da melhor opção de trabalho principalmente disponível. Projeto atividade empreendedora.). REUNE (CNI/IEL). Os de oportunidade aparecem em comparável ao que acontece nos EUA maior número onde há reduzida ênfase Algumas na empreendedorismo no Brasil são listadas manufatura.

Crescimento de franquias Na última pesquisa GEM3 realizada em 2012.7%). viajar ou ter uma carreira em uma empresa. como. exceto viajar pelo Brasil e ter uma casa própria. por exemplo.5%) superou em muito o desejo de ter uma carreira em uma empresa (24. embora os percentuais variem bastante de região para região. o sonho de ter um negócio próprio (43. 3 Global Enterpreneurship Monitor UNIDADE 1 19 . Ao se examinar as regiões. Os resultados mostraram que o sonho de ter um negócio próprio superou todos os demais desejos. procurando comparar o desejo de ter um negócio próprio com outros desejos. No entanto. entre as inúmeras questões pesquisadas um nova foi introduzida e esta investigava sobre qual seria o sonho do brasileiro. comprar uma casa. o sonho do negócio próprio ficou entre os três primeiros sonhos nas cinco regiões pesquisadas.

Empreendedorismo

MÓDULO 02

Pequena história

histórico e identifica que a primeira definição de empreendedorismo é creditada
a Marco Polo, sendo o empreendedor

Só no início do século XX, a palavra

aquele que assume os riscos de forma

empreendedorismo foi utilizada pelo

ativa, físicos e emocionais, e o capitalista

economista

em

assume os riscos de forma passiva. Na

1950 como sendo, de forma resumida,

Idade Média, o empreendedor deixa de

uma pessoa com criatividade e capaz de

assumir riscos e passa a gerenciar grandes

fazer sucesso com inovações. Mais tarde,

projetos de produção principalmente

em 1967 com K. Knight e em 1970 com

com financiamento governamental. E no

Peter Drucker foi introduzido o conceito

século XVII, surge a relação entre assumir

de risco, uma pessoa empreendedora

riscos e o empreendedorismo. Bem como

precisa arriscar em algum negócio. E

a criação do próprio termo empreende-

em 1985 com Pinchot foi introduzido o

dorismo que diferencia o fornecedor do

conceito de intra-empreendedor, uma

capital, capitalista, daquele que assume

pessoa empreendedora, mas dentro de

riscos, empreendedor. Mas somente no

uma organização.

século XVIII, que capitalista e empreen-

Joseph

Schumpeter

dedor

complemente

diferen-

Buscando ainda as raízes do empreende-

ciados, certamente em função do início

dorismo, Dornelas (2001) faz um resgate

da industrialização.

Figura 1: Joseph Schumpeter
FONTE: http://en.wikipedia.org/wiki/
Joseph_Schumpeter

20

foram

Figura 2: Peter Drucker
FONTE: http://www.outlookindia.com/article.
aspx?229383

UNIDADE 1

Com as mudanças históricas, o empreendedor

ganhou

novos

conceitos,

Empreendedorismo

na

verdade, são definições sob outros

No campo etimológico, Ferreira (1999)

ângulos de visão sobre o mesmo tema,

define empreendedorismo como a palavra

conforme Britto e Wever (2003, p. 17),

empreender, adicionado o sufixo “ismo”.

“uma das primeiras definições da palavra

A palavra empreender é definida como

empreendedor, foi elaborada no início

“1. Deliberar-se a praticar, propor-se,

do século XIX pelo economista francês

tentar (empresa laboral e difícil) 2. Pôr em

J. B. Say, como aquele que “transfere

execução (...)” (FERREIRA, 1999, p. 514).

recursos econômicos de um setor de

Assim: “O termo empreendedorismo

produtividade mais baixa para um setor

(entrepreneurship,

de produtividade mais elevada e de

conotação

maior rendimento”. No século XX, tem-se

implica atitudes e ideias. Significa fazer

a definição do economista moderno,

coisas novas, ou desenvolver maneiras

de Joseph Schumpeter, já citada acima

novas e diferentes de fazer as coisas”

sucintamente, “o empreendedor é aquele

(DOLABELA, 1999a, p. 16).

em

prática,

inglês)
mas

tem

também

que destrói a ordem econômica existente
pela introdução de novos produtos e

Segundo

serviços, pela criação de novas formas de

interessante

organização ou pela exploração de novos

ciência analisa o empreendedorismo

recursos e materiais” (SCHUMPETER,

com um foco diferente e isso explica

1949, apud DORNELAS, 2001, p. 37).

tamanha

Dolabela

(1999b),

observar

diversidade

que

de

é
cada

definições

existentes. Porém, há duas correntes
Contudo, parece que uma definição de

principais desenvolvidas sobre o tema:

empreendedor que atende na atualidade é a

a dos economistas, que relacionavam

de Dornelas (2001, p. 37), que está baseada

o empreendedor à inovação e a dos

nas diversas definições vistas até então, “o

comportamentalistas, que ressaltavam as

empreendedor é aquele que detecta uma

características do empreendedor, como

oportunidade e cria um negócio para capita-

criatividade e intuição. O empreendedor,

lizar sobre ela, assumindo riscos calculados”.

ainda segundo Dolabela (1999b), é

Caracteriza a ação empreendedora em

aquele que cria ou adquiri uma empresa,

todas as suas etapas, ou seja, criar algo novo

mas

mediante a identificação de uma oportuni-

inovações ao negócio, assumindo os

dade, dedicação e persistência na atividade

riscos oriundos a ele. Na verdade, essa

que se propõe a fazer para alcançar os obje-

seria a condição sine qua non para

tivos pretendidos e ousadia para assumir os

diferenciar o verdadeiro empreendedor

riscos que deverão ser calculados.

dos simples proprietários de um negócio.

UNIDADE 1

que,

principalmente,

introduz

21

Empreendedorismo

O teórico Drucker (2003) assevera que

2. Fatores Sociológicos (networking,

o empreendedor é aquele que começa

equipes,

influência

seu próprio, novo e pequeno negócio,

família,

recriando a forma de fazer, agregando

de

valor ao negócio, criando um novo

Organizacionais e 4) Ambiente.

modelos

sucesso,

dos
de

etc.);

3)

pais,

pessoas
Fatores

conceito ao produto ou serviço oferecido:
“Eles criam algo novo, algo diferente,

Neste caso, o fenômeno só poderia

eles mudam ou transformam valores”

ser compreendido em sua totalidade

(DRUCKER, 2003. p. 29).

levando-se
as

em

conta

características

não

apenas

individuais

mas,

Dolabela (1999a) define empreendedo-

empreendedor,

rismo como “um fenômeno cultural, ou

fatores sociológicos e históricos, isto

seja, é fruto dos hábitos, práticas e valores

é, a sociedade que facilita ou impede

das pessoas” (DOLABELA, 1999a, p.33).

o

Complementa, dizendo que a palavra

individuais. Para Dornelas (2001, p.

enterpreneurship é um termo “utilizado

37): “O empreendedor é aquele que

para designar os estudos relativos ao

detecta uma oportunidade e cria um

empreendedor, seu perfil, suas origens,

negócio

seu sistema de atividade, seu universo de

assumindo os riscos necessários”. Assim,

atuação” (DOLABELA, 1999b, p.43).

não adiantaria ser empreendedor se

desenvolvimento

para

também,

do

das

capitalizar

os

aptidões

sobre

ela,

não houvesse oportunidade e, neste
De acordo com Dornelas (2001), o

caso, as oportunidades são, histórica e

empreendedorismo requer a criação

socialmente, construídas.

de algo novo e de valor; a devoção e o
comprometimento de tempo e esforço

De acordo com Dolabela (1999b), o

necessários; e a ousadia para assumir

significado da palavra é entendido

riscos

decisões

de acordo com o contexto histórico

críticas, sem desanimar com as falhas e

no qual se está inserido. No século

os erros. Mais do que isso, o autor indica

XVII, empreender significava a firme

que o fenômeno do empreendedorismo

decisão de fazer alguma coisa. Já nos

é complexo e sua compreensão deve

dias de hoje, significa “a atividade de

levar em conta:

toda pessoa que está na base de uma

calculados

e

tomar

empresa, desde o franqueado, um dono

22

1. Fatores Pessoais (assumir riscos,

de oficina mecânica, até aquele que

realização pessoal, valores pessoais,

criou e desenvolveu uma multinacional”

liderança, etc.);

(DOLABELA, 1999b, p. 67).

UNIDADE 1

gerando e distribuindo dade” (DRUCKER. “O está buscando a mudança. 2003. portanto. que o empreendedor obtenha sucesso em seu negócio. é razoável constatar que fenômenos sociais. UNIDADE 1 23 . o empreendedor não provoca a mudança. analisando o contexto. Se a ação empreendedora deve conduzir Ele. riquezas e benefícios para a sociedade”. através dela (projeção do futuro). 2003). isto é. 2003 Ademais: “O empreendedor sempre De acordo com Dolabela (1999b. identifica a ao desenvolvimento econômico tem-se. reage a ela. 36). e empreendedorismo deve conduzir ao desen- a explora como sendo uma oportuni- volvimento econômico. que esta ação seja exitosa. mas a vê como algo sadio. p. Desta forma.45). definindo os movimentos culturais e as mudanças de paradigmas que vêm ocorrendo no mundo. políticos e de poder são intrínsecos ao trabalho e ao empreendedorismo desde as referências mais antigas da humanidade. ato de empreender é tão antigo quanto a civilização (BOM ÂNGELO. Fique atento! Historicamente. ou seja. mudança e enxerga uma perspectiva logicamente.Fonte: Dornelas. p.

Harvard Business School - Sucesso Empreendedorismo é “a identificação de novas oportunidades de negócio. ao uma oportunidade e cria um negócio invés de unir fatores objetivos. riscos calculados. referentes para capitalizar sobre ela. entidades de natu- ou mortalidade do negócio. ao empreendedor são seja. como base referencial à pesquisa fatores conhecidos por empreendedores. e balanceada por uma liderança”. assumindo aos resultados do empreendimento. Os seguintes aspectos como fez Nassif et al. diferentes. De acordo com Ferreira (1999. encontrando criativa transformando o ambiente social uma posição clara e positiva em um e econômico onde vive. Por trás destes conceito de sucesso. 24 O empreendedor é aquele que detecta dinâmico. Para o reza governamental etc. 2). os autores usam negócios estão indivíduos diferenciados. subjetivos. tendo Não se pode dizer que o sucesso de um empreendimento será conseqüência de determinadas características comportamentais. Rimoli et al. UNIDADE 1 . citados por Dornelas (2001): determinam o conceito de ser um indivíduo visionário. dedicado. 2004. resultado que disponíveis se apresentam recursos ao empreendedor”. sempre com obsessão por oportunidades. Empreendedorismo desenvolvidas. Aceita assumir ambiente de caos e turbulência. como foco a inovação e a criação de valor. identifica oportunidades na ordem presente. mas certamente pode-se afirmar que um conjunto de condições presentes no indivíduo contribuirá para o seu sucesso como empreendedor (PESSOA e GONÇALVES. Babson College . análise e implementação de oportunidades de negócio. determinado. p. organizações sucesso ou insucesso pela manutenção com enfoque social. empresas já estabelecidas. independentemente dos sucesso quer dizer “bom êxito. mas também ocorre em (2004). Isto pode ocorrer através da criação de Em pesquisa realizada.Empreendedorismo Outras definições do termo referentes foram encontrados em qualquer definição de com abordagens Empreendedorismo: Iniciativa para criar conforme relacionado: um novo negócio e paixão pelo que faz. 1333). (2004). asseveram Pessoa e Gonçalves que: o termo de forma ainda mais abrangente: “empreendedorismo é uma maneira holística de pensar e de agir. Cientificamente. p. O ato de empreender está relacionado à identificação.define feliz”. ou riscos e a possibilidade de fracassar. entre outros. Kirzner (1973) – O empreendedor é Utiliza os recursos disponíveis de forma aquele que cria equilíbrio. novas empresas.

precisa ter uma visão do futuro.. que no relação às adversidades encontradas. singular: conhece o negócio em que atua é a criação de barreiras de entrada: “O e esse conhecimento é adquirido através empreendedor.De acordo com pesquisa realizada por Em outra pesquisa realizada por Versiani Rimoli et al. para obter a lealdade da sua experiência ao longo do tempo continuada dos clientes. (2004). e não saber distinguir umas das outras é uma das grandes causas de insucesso. além de criar e do planejamento constante a partir de valor adicional para eles. UNIDADE 1 25 . determinante. Todos esses citados Para Dornelas (2001). ou seja. segundo de os autores. p. e pai (aprendeu com a experiência de que o processo de aprendizado em expe- terceiros). também. pelos caso do empreendedor de sucesso problemas internos de estruturação e pelos foi aumentado pela experiência do acasos ambientais. 14). empreitada e outro ter tido insucesso: o modo como o empreendedor age em o conhecimento de mercado. concluiu-se que o que um desenvolvimento de um negócio é afetado empreendedor ter tido sucesso em sua pelos conhecimentos cognitivos. sucesso tem uma característica condições de sustentar esse valor ao longo do tempo e as barreiras de entrada É importante registrar que boas ideias servem a esse propósito” (RIMOLI et al. Outro fator que. a diferenciação de uma idéia riências anteriores foi determinante para a de uma oportunidade de mercado e criação das empresas. externos à empresa. mesmo que tardio. foi. foram determinantes para a elaboração de um plano de negócio. não são necessariamente oportunidades 2004. o empreendedor pela literatura. há alguns fatores e Guimarães (2004).

o que fará a diferença para o um empreendimento. ou seja. de acordo com um estudo seria o primeiro passo para se desenvolver de mercado. transformando-a em coisas. Assista à videoaula com este conteúdo. dos clientes.Empreendedorismo comuns entre empreendedores iniciantes somente ter uma boa ideia o fator (PESSOA e GONÇALVES. entre outras uma oportunidade. 2004). determinante para o sucesso: o que faz uma ideia se transformar em oportunidade Dornelas (2001) diferencia oportunidade é a agregação de valor. 26 UNIDADE 1 . de negócio de ideia. e que não é cliente. dizendo que a ideia reconhecer.

Drucker (1987) ainda afirma dedor” (DRUCKER. p. 40). deriva dos termos poderia ser confusa ou simplesmente não latinos in e novare e significa fazer algo funcionar. 1987 p. 39). novo ou renovar. p. 1987.MÓDULO 03 Inovação A compra a prestação foi uma inovação que exigiu apenas uma ideia e revolucionou o mercado mundial. portanto. sem citar a inovação. A inovação é sante pela inovação. o que a tornaria inútil. esta é peça chave para o nascimento e manutenção de um empreendimento “os Outro fator fundamental é a busca inces- empreendedores inovam. Segundo Drucker inovação é a habilidade de transformar “A algo já existente em um recurso que consiste na busca deliberada e organizada gere riqueza.” (DRUCKER..” (DRUKER. 1987. e na análise sistemática das no produtor-de-riqueza oportunidades que tais mudanças podem de recursos já inexistentes constitui oferecer para a inovação econômica ou inovação.p. não precisa sequer dedorismo.. 45). 41).. pois as ideias raramente o instrumento específico do empreen- surgirão ao acaso. potencial UNIDADE 1 inovação sistemática.] Qualquer mudança de mudanças. social. “[. “a inovação Não seria possível falar de empreen- não precisa ser técnica.. 27 . pois ser uma “coisa””(DRUCKER. portanto. 1987. que a eficácia da inovação está ligada à sua simplicidade e concentração caso contrário A palavra inovação.

podendo este ser científico ou não tipo de inovação: “[. não o todos os riscos sobre a ideia.” (DRUKER. E outro grupo de três fontes que consiste em mudanças fora da empresa: mudanças Entende-se que uma pequena empresa demográficas. conhecimento empreendedora. Ainda seguindo este raciocínio. no processo inovador que pode surgir 2007. Drucker passam a ser empreendedoras quando (1987). Não aborda Estas sete fontes necessitam ser apenas a criação de novos produtos ou igualmente consideradas e analisadas serviços. mais atraentes que sejam os casos de a tratando de oportunidade sucesso. 1987. pois grupos que permitem ao empreendedor o conhecimento cria o ambiente ideal alcançar inovadora. a menos que haja algum novo. bem. não trata apenas de pequenas empresas e novos empreendimentos. ressalta que “ideias brilhantes” inovam. a inovação recomendáveis “O empreendedor faria baseada na necessidade de processo. pois tem igual importância os âmbitos do negócio” (CHIAVENATO. refere-se contrapartida. em renunciar a inovações mudanças na estrutura do setor industrial baseadas em ideias brilhantes. a saber. 28 UNIDADE 1 . mudanças de disposição. maioria. divididas em dois precisam de constante avaliação. para o surgimento da inovação.. 183). mas. p. a incongruência. sim. pois na maior parte das vezes a receita não ultrapassa os custos de criação ou implantação do referido “invento”. não pode ser considerada atividade percepção e significado. as “ideias brilhantes” a setores internos da instituição: o tendem a fracassar..Empreendedorismo Ainda se inovação Todos os riscos devem ser considerados sistemática. para tanto. percebe-se que o empreendedorismo Empreender e inovar envolve lidar com se dá em função da inovação. em o primeiro grupo. tanto a partir de fatores internos quanto externos à organização. portanto. por ou na estrutura do mercado. p. inovação se baseia na capacidade que a considerando que grandes empresas invenção tenha de gerar receita. contrário como se costuma pensar. portanto não são inesperado. e a este processo dá-se o nome não representam inovação em sua grande de ‘empreendedorismo corporativo’. Drucker (1987) afirma que se e as sete fontes anteriormente citadas baseiam em sete fontes. 261). inovações em todos em separado.] empreendedorismo científico.

2011) Gestão da inovação Gestão da inovação é a busca pela De processo: mudanças na forma em que os produtos são criados e entregues. Compreender o quê. 2007). pode haver dificuldade em diferenciar esses tipos de inovação. 2002.compreender o De posicionamento: mudanças no contexto em que produtos ou serviços são introduzidos. a criação de um modelo de negócios que elimina todos os intermediários entre o fabricante e os consumidores. Eis os principais tipos mais comuns de inovação. Outra perspectiva importante é que o empreendedorismo corporativo é a soma dos esforços de inovação. renovação e empreendimento de uma firma. Exemplo: o posicionamento das sandálias havaianas. p. a vender computadores. Compreender que isso é um alvo móvel. como. que inovou tanto na tecnologia utilizada. com a implantação de novas técnicas de gerenciamento. diretamente aos consumidores. (IRELAND e HOSKISSON. como também no design do produto. podemos citar a implementação de sistemas de gerenciamento da cadeia de fornecimento ou de um SAC. como foi o caso da Dell Computadores que começou em 1984. com o pioneirismo nos anos 90 da Amazon.Empreendedorismo Corporativo é um processo em que um indivíduo ou grupo de uma organização existente cria um novo empreendimento ou desenvolve uma inovação. Portanto gerenciar a inovação é basear-se em mais que uma boa ideia. para se posicionar como um produto mais ligado ao mundo da moda. 262 apud CHIAVENATO. de baixo valor. É importante salientar que muitas vezes UNIDADE 1 e o quando da atividade de inovação. segundo Fagundes (2011): De produto: mudanças em bens e serviços que uma empresa oferece. Como exemplo. é preciso calcular estrategicamente e aprender com o processo. No modelo de negócios: a mudança no modelo de negócio adotado pela empresa para comercializar seu produto ou serviço. segundo Bessant e Tidd (2009): Compreender o que se tenta gerenciar . o porquê Organizacional: a própria mudança em estrutura e procedimentos organizacionais. saindo de um posicionamento inicial de produto popular. com um preço mais elevado e maior valor agregado. compreensão dos fatores que podem determinar o sucesso ou fracasso de um empreendimento. (FAGUNDES. A venda de livros pela Internet é uma inovação de processo. que foi completamente mudado. comparado com outros tocadores portáteis de música. o Ipod da Apple. dentre eles quatro temas centrais. pelo fato de 29 . Exemplo.

] Há um grau especifico de inovação interessante é que o desconforto do em cada um desses níveis – mas as público circense em relação à exploração mudanças em sistemas de níveis mais de animais se tornara cada vez maior. procuram mostrar tanto uma inovação de produto quanto de como uma empresa pode navegar no processo” (BESSANT e TIDD. e a forma espetáculos com animais. por trás de cada show.Chan kim uma nova balsa a motor. e Azul. circo.. o grupo inovação. com uma estratégia de diferenciação. é e Renée Mauborgne. a linha divisória entre os Na estratégia do oceano azul. A empresa se afastou da lógica E tais mudanças podem não tão somente convencional dos circos e incorporou revolucionar o mercado como a forma novos atributos. os vários que os mesmos são vistos/ produzidos. a diferença entre inovação incremental e inovação radical. O mais “[. a energia a vapor do Cirque Du Soleil. eliminaram-se os durante a Revolução Industrial. W. com várias produções. criando novos mercados e sendo possível tornar a concorrência Outro fator relevante para o conheci- irrelevante. oceano azul. se aplicarem a mais de um tipo ao mesmo tempo. p. os circos. As oportunidades no oceano mento da inovação é o grau de novidade azul estão aí para quem chegar primeiro. O Cirque de Soleil foi criado em 1985. “Às vezes. que a mesma apresenta. a partir daí E aquele que se posicionar em primeiro Bessant & Tidd (2009) argumentam sobre lugar.. têm implicações animais também são dispendiosos para para os mais baixos” (BESSANT e TIDD. bem diferente do circo tradicional. 2009. No caso como por exemplo. de criadores passa semanas apenas UNIDADE 1 . os autores. que esta inovação influencia o mundo. em uma linha do Cirque du Soleil como modelo de temática. ganha o jogo da competição. Um modelo de inovação no Canadá. 30). que fala de uma nova forma de criar um conceito (de produto ou serviço) entretenimento e de fazer um novo totalmente novo. 31). pois há uma enorme O Cirque Du Soleil é uma referência diferença entre adicionar melhorias e citada no livro: A Estratégia do Oceano modificações em algo já existente. normalmente. 2009. 30 na medida em que Fagundes (2011) nos apresenta do caso procurou a inovação. por exemplo. da tipos de inovação é bastante imprecisa – inovação de valor. Os altos. p.Empreendedorismo poderem ser parecidas em alguns casos e A inovação do Circo. músicas e danças artísticas. picadeiros e os astros famosos.

A parte mais importante Aplicando a matriz da inovação de valor - do tema é a música original. Há malabaristas. Elevar. que forma Eliminar.desenvolvendo o tema. mas todos os perguntas-chave que questiona a lógica elementos se relacionam com o tema da estratégica da competição e o modelo apresentação. era algo nome. UNIDADE 1 31 . escolhendo um épocas passadas. estará refletido em cada componente do espetáculo. e detalhando como esse tema impensável para um circo. e não há animais. A matriz da inovação representa uma verdadeira mistura de de valor ajuda sua empresa para criar manifestações artísticas. Reduzir. o ponto de partida para a escolha da iluminação. respondendo as quatro palhaços. Criar. distribuição das performances O Cirque Du Soleil navegou nas águas e o aspecto visual. a inovação. trapezistas. até os anos 80. o que em de negócios do setor. O Cirque de Soleil do oceano azul.

tanto artístico omo financeiro. astros circenses. custo-benefício. vem despertando o interesse de faculdades Reduzir: consiste em saber: Que atributos de administração de primeira linha. além A magia do Cirque Du Soleil é o resultado da diversão e humor. tal estado de coisas exige que o setor impõe aos clientes e. competitivo que tem sido orientado além das músicas e danças artísticas. nesta mudança de percepção. acima de tudo criadores de setoriais? Em vez de três picadeiros do conteúdo”. várias produções. qualidade e satisfação procurando limitações do cliente. alguns intinerantes e outros espectadores. criando novas demandas. devem ser criados? Inovação e Criatividade O Cirque Du Soleil criou temas novos. corrigir as UNIDADE 1 . globalização. descontos para grupos. da combinação da arte do espetáculo com o pragmatismo empresarial. pela competição acirrada a empresa vai modificar os seus custos e por uma extrema ênfase na relação e deixar de imitar o concorrente. foram reduzidos a vibração e perigo. Nós vivemos hoje em um ambiente ambiente refinado. ao um foco muito maior na criatividade e mesmo tempo. afirma Michael Bolingbroke. pela transformação tecnológica. que ajuda a descobrir na inovação tidas como competência produtos e serviços inovadores para os estratégica das organizações.Empreendedorismo Eliminar: consiste atributos considerados Quais consumidores.“ Elevar: questiona: Quais atributos devem ser elevados bem acima dos padrões Somos. circo tradicional. em saber: com animais. pela Veja que. Soleil. o que reduziu conteúdo custos e ainda incomodou menos os espetáculos. o Cirque Du Soleil diretor criou o picadeiro único. assistidos por mais geral é de espetáculos. comercializado Esse em 11 de 7 milhões de pessoas anualmente. foram eliminados os espetáculos cria um novo mercado. com sede permanente. padrões setoriais? No Cirque Du Soleil. nunca oferecidos pelo setor onde sua 32 empresa vai atuar. O pelo setor em que sua empresa atua empreendedor. indispensáveis e até mudando a estratégia de preços. não segue o mercado. quando cria a estratégia devem ser eliminados? No Cirque Du do oceano azul. espetáculos com vários picadeiros e os O grande sucesso da companhia. como devem ser reduzidos bem abaixo dos a Harvard Business School e a Insead. Criar: procura saber: Quais atributos.

mas perceptíveis concorrente e que pode significar lucros de que não se valoriza a participação. outra questão é: há e não estão mais reduzidos a aspectos coerência entre o discurso e a ação? geográficos. “inicia-se incoerência pode apresentar-se de várias um processo de revitalização dos seres formas: o líder que não ouve uma idéia humanos e de sua capacidade criativa. que se esta competência primeira etapa diz respeito ao formato estratégica for rapidamente priorizada de gestão da própria organização. ou seja. o que importava era o na sua vida profissional. E esta nunca. dos jornais. têm acesso. as fronteiras. porque conhecedora aprendizagem sempre está muito ocupado. a para a empresa. na seus talentos. mas não terá lugar Anteriormente. como assimiladoras e criadoras e inovação são importantes? Em geral do conhecimento que as organizações as organizações dizem que sim. latente ou apenas restrita aos projetos pessoais de cada um. das mudanças e da implementação de coso contrário. O paradoxo pode se manifestar. mas hoje o foco são as A pergunta que fazemos é: criatividade pessoas. Ela e incrementada. por exemplo. liberdade de expressão e a contribuição das idéias das pessoas na empresa.. o que está disponível diferentemente do são aspectos não ditos. visto a rapidez características nos seus colaboradores.E. a organização caminha necessita permitir a emergência destas para uma obsolescência. a criatividade ficará novos serviços e produtos. 2007) realidade. do seu colaborador. Afinal precisam buscar e cultivar para serem num mundo em constante mutação. através daquela reunião (que por meio da televisão. caíram e. No entanto. competitivas. Contudo. de na verdade é uma exposição unilateral da revistas.. dessa forma. valor da padronização dos processos de trabalho. Nestes novos tempos os a estagnação é significa a falência do concorrentes estão em qualquer lugar sistema! Contudo. não presta a mínima atenção e de ou dá alguma importância a ele ou ao que É imensa a quantidade de informações ele diz. dos telefones ou da liderança) onde não há espaços para os mídia. hoje. como incentivar e expandir essa competência pelo maior número Ou como acrescenta Holanda (2007): possível de pessoas na empresa? A UNIDADE 1 33 . a questão fundamental questionamentos. da Internet. seja também. mas. salienta-se.” (HOLANDA. ou até deixa constante diferenciando-o através dos o colaborador expor a idéia. que as pessoas. mais do que Aí é a coisa muda de figura. perguntas ou abertura é a forma de se utilizar e combinar tudo a sugestões dos colaboradores.

umas com sempre a mesma rotina. há estímulo. a ausência de aprovação de recursos para a implantação de novas idéias. Outro aspecto menosprezado que é o não pode fato de ser que. assim vai-se levando. De modo que é difícil ter Entretanto. ir a acima de tudo. Ou seja. ver novos filmes. da obrigação. muita determinação. Para o ambiente de trabalho. deve-se fazer medo do grupo. são os mesmos as outras e a sinergia de um grupo coeso lugares. uma empresa que sabe da importância de se oferecer produtos e serviços inovadores. é o mesmo caminho. existem pessoas que inspiração para que a criatividade deixe conseguem implementar suas idéias e de ficar submersa. muitas pessoas façam as mesmas coisas Cabe ressaltar a necessidade de se e de repetidamente todos os santos desenvolver a habilidade de se trabalhar dias o que significa que o mesmo dia em equipe. mesmos e diversificado em suas capacidades é hábitos. são os mesmos programas e. intelectos individuais que o compõe. as mesmas pessoas. acima do dever. a falta de flexibilidade das lideranças. com 34 Se se quer ser criativa. por exemplo. amplia os horizontes criativa nas pessoas? É comum que e ajuda nas conexões de idéias variadas. Na medida em que você expõe sua mente a novidades. a criatividade manifesta-se mais espontaneamente. ler livros diferentes. não. às vezes inusitadas. ou de parecerem ridículas coisas diferentes todos os dias! Mudar e aí acabam por se acomodarem. porém que não propicia um clima organizacional que facilite a criatividade e a inovação. poucos treinamentos ou estes são deficientes. falar com novas pessoas. o autodesenvolvimento com conhecimento diversificado e não apenas Mas como expandir a capacidade na área de atuação. já que muitas vezes as vai se repetindo indefinidamente por idéias pegam fluem no grupo e formam toda a vida com diferenças mínimas. conhecimento que não muda. outras. um clima de muita pressão e estresse para a obtenção de resultados em curto prazo. muito maior e melhor do que a soma dos o mesmo trabalho. E por que não? Muitas por terem receio de se expor. já que a tarefa é sentida como prazerosa. (HOLANDA. quando a pessoa tem realmente paixão pelo trabalho que faz. o conflito entre equipes de trabalho. UNIDADE 1 . a falta de estímulo a trabalhos de equipes inter-funcionais. É conexão. mudar algo na fazer germinar uma idéia criativa é preciso sua própria casa.Empreendedorismo Outros aspectos que inibem o desenvolvimento da criatividade são. Também. a observação fica mais aguçada e é mais fácil fazer novas conexões entre as idéias. infelizmente. 2007) novos lugares. a falta de reconhecimento ao colaborador ou à equipe que fez um excelente trabalho.

inovadoras”. ou novos produtos. as incongruências. psicóloga e especialista em hábitos de consumo por novos. mercados ou processos. Para Drucker (2002): em entender algo que novo. o meio pelo qual eles exploram a mudança como De acordo com a etimologia das uma oportunidade para um negócio palavras. idéia brilhante. 2002. se não ela não passa de uma divagação que nunca se transforma em ação. da introdução e difusão de novas invenções geradoras de mudanças Mas será que a criatividade no ambiente estruturais “destruição de trabalho é essencial? Segundo Cintia criativa”. modelos. p. baseados pensem de forma criativa”. em seus produtos. vem do latim innovare. percepção. fazer algo novo. traz mais lucro. casos reais. 2001). introduzindo nelas novidades. desenvolvimento econômico depende. UNIDADE 1 35 . “Cada vez mais. última instância. É preciso ou desenvolvidos e constantemente transformá-la uma melhorados para se obter o máximo de o inovação concreta através de novas que chama de “fontes de oportunidades formas de gestão. renovar (PAROLIN. no seu livro Inovação são palavras de ordem que remetem a e espírito empreendedor (2002). por Para Cíntia. as organizações uma visão sobre processos encontrados precisam contratar profissionais que em diferentes empresas que.. serviços. tornar novo. Inovação ser apreendida e ser praticada. inventar. sejam padrões de vida mais elevados. mudanças em conhecimento novo. o outros. que significa (DRUCKER. em substituição a antigos Bortotto. da inovação demográficas. mudar ou alterar as coisas. o inesperado. etc. temos que a na experiência e na observação de criatividade por si só não é suficiente. Essas fontes ou princípios da inovação são enumerados pelo autor como. pode ser apresentada como disciplina. Portanto. a resposta é sempre sim! denominadas empresário inovador é o herói da saga do desenvolvimento econômico. Ela do latim creare. dentre Para Schumpeter (1982). A inovação é o instrumento específico dos empreendedores. Mudar e inovar Peter Drucker.25). as empresas meio do qual a sociedade tem acesso a precisam inovar para crescer. podem ser implementados É necessário implementá-la.Mas. que significa criar. serviços. O recursos humanos. o termo criatividade deriva diferente ou um serviço diferente. tecnológica.

o singular. que precisam ser melhoradas e diferenças. 2. Esta etapa é permeada de outro ângulo posso olhar o meu análises. Pergunte-se: Quantas alternativas. Buscar qualidade e aplicabilidade. A segunda fase é chamada convergente. conceitos. Originalidade – Habilidade de gerar o novo. A de gerar um grande volume de primeira é a chamada divergente. E também é importante não ter medo de errar. riais diferentes eu posso encontrar? há de resolver um é imprescindível ser flexível e buscar a originalidade. Pergunte-se: De que e refinadas. Sem desafio? Quantas formas ou mate- esquecer que.Empreendedorismo A psicóloga afirma que o processo 1. pensamentos ou geramos opções (lista de ideias. sugestões. Nela. sem perder a essência e a originalidade do conteúdo inicial. Flexibilidade – Capacidade de lidar e produzir diferentes formas de informação ou pensamento. Perguntas possíveis: O 36 Como saber se a criatividade faz parte que ninguém pensou ainda? O que do seu perfil no cotidiano? Responda às tornaria a minha ação diferente do questões a seguir: que outra que já existe? UNIDADE 1 . É importante maneiras muita imaginação e conhecimento. Uma pessoa flexível tem mais Nela. são analisadas as ideias geradas na facilidade para lidar com mudanças primeira fase. 3.). etc. dados. projeto? Que diferente abordagem O foco desta etapa é como podemos fazer o posso dar ao mesmo assunto? trabalho da melhor forma. Pensamento criativo – Capacidade criativo é composto por duas fases. para a imaginação fluir. respostas . ideias . melhorias e escolhas. combinações. o diferente.

Capacidade de descobrir ‘o coração do problema para a sua empresa quanto para a sua própria carreira. pensamento adicionando profundidade ou conceito. Inove.uk/portuguese/noticias/2013/10/131023_brasil_ inovacoes_ft_fl. refinar combinação da intuição com alta um capacidade de análise.bbc. Ter coragem melhor do que está hoje? para manter ideias e opiniões.se: O que mais eu bloqueios internos. 6. Para saber mais: Acesse o site: http://www.4.shtml UNIDADE 1 37 . Liberdade - Estar livre de Pergunte. Sensibilidade . Melhoramento – Capacidade ou da oportunidade’.co. É uma de melhorar. tanto para contribuir 5. preconceitos poderia acrescentar para ficar e pressões externas. crie. embelezar. detalhes a uma ou ideia.

e eficiência. transforma Com idéias em redes persuasão de e contatos. tino financeiro e capacidade monitoração sistemáticos. influenciado pelo meio que em que tornando obsoletas as antigas maneiras vive. Fixação de metas e objetivos. sucedido no mercado. de estabelecer Independência realidade. mas fontes de energia que assumem riscos inerentes em uma economia em mudança. Planejamento e negócios. básicas formação e prática. o empreendedor como é a essência da inovação no mundo. O empreendedor é a pessoa que Comprometimento. no qual foram identificadas as seguintes características em um empreendedor bem sucedido: Iniciativa e busca de oportunidades. Três características acontecer por influência familiar. a formação empreendedora pode de fazer negócios. características aquele que nasce com necessárias as para empreender com sucesso. o habilitam e autocontrole. Autoconfiança. estudo. são elas: Necessidade de realização. riscos. introduzem inovações e incentivam o crescimento econômico. Disposição para assumir “Os Empreendedores são heróis populares do mundo dos negócios. Assumir a transformar uma idéias simples e mal Existe a concepção do empreendedor estruturada em algo concreto e bem nato. UNIDADE 1 . para benefício próprio e para autonomia o benefício da comunidade. Não são simplesmente provedores de mercadorias ou de serviços. Busca de qualidade consegue fazer as coisas acontecerem. 2004). Além dessas características básicas. o faz. Capacidade de de esse identificar arsenal. Tomar perseverança. adequadamente. oportunidades. transformação e crescimento. Ter orgulho do que criatividade e um alto nível de energia. No entanto. Por ter de trabalhar duro. identificam o espírito se trata de um ser social. pois é dotado de sensibilidade para Busca de informações. David McClelland (1961) desenvolveu uma teoria a respeito dos empreendedores baseada em um estudo realizado em 34 países. Perseverança. Fornecem empregos.Empreendedorismo MÓDULO 04 O Empreendedor empreendedor. combinados decisões. 38 Segundo Schumpeter.” (Chiavenato. aspectos que. Vontade Ser autopropulsionador. empreendedor demonstra imaginação e responsabilidades e desafios.

é a falta ou inexistência de controle inovadoras para se obter um destaque sobre as formas de execução e recursos maior e uma diferenciação positiva frente necessários para se desenvolver a ação à concorrência. ligado diretamente às modificações de estes. capaz de enfrentar Será se. intervêm no planejado e sem métodos com uma nova concepção. da organização. o empreendedorismo está empreendedor. segundo o autor. se No a campo científico formação e acadêmico. mudanças são sem controle dos processos são ações UNIDADE 1 39 . o qual deve desejar “aprender Filon (1999). melhor resultado. com foco no as ações desenvolvidas. Os empreendedores são visionários. E a segunda modificações. serem os responsáveis pelas processos (ou de produtos). para inovar e ocupar o seu espaço energia. com risco. uma ação seja empreendedora (visão. a qual. também em prazer e emoção”. as organizações possuem ação. com quatro fatores fundamentais para que criatividade. pois nem sempre são aprender a empreender. baseados no planejamento de uma uma execução de algo sem controle e organização. para se empreendedoras. liderança e relações). empreendedora obtém os conhecimentos fundamentais e pode necessários dentro de uma estrutura de ser caracterizada por situações que mercado: as informações necessárias para contribuem diretamente para que esta a tomada de decisões e o conhecimento ação aconteça. Destaca-se como principal característica as relações. ambos os quesitos estiverem obstáculos internos e externos. nem todas olhar além das dificuldades. importantes na ação empreendedora. citar duas características que incidem diretamente. p. Entre elas. Estes dois fatores são considerados dotados de idéias realistas e inovadoras. estabelece um modelo com a pensar e agir por conta própria. profissionais devido criações com ao perfil fato e de visões desejada. faz-se necessário ações inovadoras. liderança e visão de futuro. desenvolver Neste ponto. 12). liberdade de ação. podem-se da realidade do mercado. visando à no mercado. a primeira é a natureza da Atualmente. caracterizada por buscar fazer algo uma grande necessidade de buscar e inovador ou diferente do que já é feito. um comportamento pró-ativo do indivíduo.Para Dolabella (1999. Da mesma forma. sabendo presentes. O empreendedor Isso não significa que todas as ações desenvolve um papel otimista dentro de empreendedoras. transformando esse ato formação do profissional empreendedor. propõem mudanças.

sistemática de mercado. negócio as pessoas a iniciar novos negócios e rotulou basicamente com habilidades técnicas tais empreendedores de “refugiados”. Centralização. como é o grande variados. Além das características comentadas. que se vale de seus próprios recursos. o empreendedor Obter capitalização original registro e Utilizar sistemas controle. Smith (1967). de forma a apropriado. existem alguns fatores Em um extremo está o Empreendedor ambientais que encorajam ou impulsionam Artesão. Ao longo da história. No outro extremo Empreendedor encontra-se Oportunista. economia. perseguem sonhos impossíveis. os empreen- educação técnica suplementada por dedores têm sido vistos como loucos estudos de assuntos mais amplos. associada da empresa. o estilo Por outro lado. que inicia um na abertura da empresa. métodos e procedimentos que futuro do negócio. Delegar autoridade tem às pessoas. Sua abordagem quanto ao Anita Roddick. nem todo empreendedor de fazer negócios dos empreendedores busca um novo objetivo em sua vida. processo decisório se caracteriza por: Refugiado corporativo. responsável em colocar em prática as de várias fontes. propôs. Esforçar-se nas vendas romanticamente ao navegador solitário basicamente por motivos pessoais. Refugiado dos pais. Planejar o crescimento inovações. Segundo Norman R. Estratégias de marketing definidas em termos de preço Um fato a se notar é que a figura do tradicional. ou ao desbravador de florestas. fundadora das lojas processo decisório se caracteriza por: inglesas Body Shop diz: UNIDADE 1 . Paternalismo. e pequeno conhecimento de gestão de Segundo este autor existem os seguintes negócios. para escapar de algum fator ambiental. oferta precisa e pesquisa alcançar as metas traçadas. Empregar estratégias de um perfil de liderança para obter êxito marketing e esforços de venda mais em suas atividades. Orientação de curto prazo. criaturas imprudentes que administração. Poucas fontes de capital Refugiado social e Refugiado educacional. Refugiado do lar. ainda hoje. Procura sempre estudar e 40 aprender. segue um continuum em que dois existem pessoas que entram em negócios padrões básicos estão nas extremidades. talentos e o contatos para atingir determinado obje- com tivo. deverá estimular os envolvidos de na realização das atividades. da qualidade e reputação empreendedor é.Empreendedorismo acima Evitar o paternalismo. legislação ou línguas. Refugiada feminista. orçamento Segundo Knight. como ou Quixotes. Sua abordagem quanto ao tipos de refugiados: Refugiado estrangeiro.

Esta é a força fundamental para empreender. Quando você vê algo novo. sua visão. capaz de unir administrativas. difundir o conhecimento e comerciais. mostra que – esses empreendedor. geralmente. “corporação transnacional”. O sonho do empreendedor é quase uma loucura. intrépidos “irresponsáveis” uma categoria particular de foram os próceres que tiraram os homens dos galhos das árvores e os Marco Polo viveu por 17 anos na corte conduziram do às estações espaciais. ao disseminar competentemente os ensinamentos de Jesus em terras estrangeiras.” (RODDICK.“Há uma linha tênue entre a mente de um empreendedor e a de um louco. mostra que os três eram. O viajante veneziano Marco Polo é desenvolveu um desses pioneiros. não é compartilhada pelos outros. como veremos a seguir. no entanto. 2003) No campo da fé. o apóstolo Paulo de Tarso é um exemplo magnífico. e quase sempre isolado. Um exame mais minucioso dos fatos. culturas. estabelecer as bases para o comércio organizou os negócios de uma grande globalizado. na verdade. imperador Kublai Khan. no entanto. UNIDADE 1 importantes onde Definiu conquistou atividades novas rotas mercados e 41 . A diferença entre um louco e um empreendedor bem sucedido é que este pode convencer os outros a compartilhar sua visão. há que se celebrar a valentia e a determinação de Cristóvão Colombo e de seus comandados. também intra-empreendedores A história. Entre os descobridores.

os lucrativo. assumiu a missão de Intrapreneuring (1985). Assista à videoaula com este conteúdo.Empreendedorismo Paulo estabeleceu alguns dos pilares do intra-empreendedorismo. O atrevido Colombo insere-se nesse Foi disseminado na década de 80 pelo fantástico time ao compor uma parceria consultor empresarial com a Espanha. assume a Tomou. o que poderia recuperar a economia apresentar espanhola. quando a Iniciou-se um pedaço portanto. mas em nome responsabilidade direta de transformar de Castela. do O uso da palavra e de seus derivativos provavelmente tornou-se corrente em várias línguas. modernas corporações. Índia. O tem ato de empreender. Há cerca de 15 estabelecer relações comerciais com a anos. do Gilfford best-seller passaram a “intrapreneur”. esse indivíduo introduzirá inovações e assumirá riscos. idade em administração autor dicionários o Para termo isso. sim. O confirma a importância desse conceito na nova ordem mundial. designativo da pessoa que. sua obra de catequese foi da história das civilizações. praticamente homem.. Como dedicado parceiro mesmo presente em momentos cruciais de Pedro. 42 UNIDADE 1 . uma grande corporação. A serviço Pinchot dos reis católicos. uma idéia ou projeto em produto III. o de que osso foi transformado em arma e ferramenta. dentro de desembarcou em uma das ilhas Bahamas. posse do lugar. Cristianismo. Em 12 de outubro de 1492. no entanto. é ainda tema fundamental novo e um tabu para a maior parte das para consolidar uma importante “instituição”: a Igreja.

Drucker e Pinchot. UNIDADE 1 43 . comportamental. Também acompanhamos como se deu a partir do início do século XX a evolução das teorias e práticas administrativas. gerou uma massa de trabalhadores desempregados que partiram para o desenvolvimento de ou criação de negócios próprios. moderno. Em outro momento conhecemos a história do conceito ou da idéia de empreendedorismo. quanto por parte de entidades definem o que é um empreendedor públicas. as visões. que Dentre as grandes causas geradoras deste interesse. de posse dos conceitos de o empreendedorismo é um fenômeno empreendedorismo. entre outras coisas. entre eles. e nos debruçamos principalmente. o que tem gerado a proliferação de produtos e serviços os mais variados possíveis. talvez a principal. Schumpeter.RESUMO Começamos esta unidade constando que Por fim. Aliado a isto não podemos esquecer que vivemos o que pode ser considerada a época de maior inovação e inventividade da história da humanidade. esteja relacionada com a globalização e o acirramento da competição a nível mundial. global que vem gerando pesquisas e sobre investimentos variados tanto da iniciativa econômica privada. tomando contato com vários autores. Que.

Relacione a teoria administrativa com seu período. 1. Sistemas Abertos ( ) 1970 . b) Regime de pleno emprego. d) Demanda por inovações. Racionalização do Trabalho ( ) 1950 – 1970 5.1920 2. Contingências Ambientais ( ) 1940 – 1960 4. Relações Humanas ( ) 1920 – 1940 3.Empreendedorismo EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 01. Funcionalismo Estrutural ( ) 1900 . Como causa do aumento do interesse pelo empreendedorismo no Brasil podese apontar todas as alternavas abaixo. c) Necessidade de redução de custos por parte das empresas. Podemos entender empreendedor como sinônimo de capitalista: ( ) Verdadeiro 44 ( ) Falso UNIDADE 1 . a) Aumento da competitividade. 02.1980 03. exceto.

científico. abrir e gerir um negócio. c) IV e V. gerando resultados positivos. III. criando o que ainda não existia. b) III. d) Em todas as afirmativas. Empreendedor é o termo utilizado para qualificar. É correto o que se afirma em: a) I. inovadora. qualquer área do conhecimento humano. V. UNIDADE 1 45 . IV e V. aquele que construiu tudo a duras custas. Sobre o empreendedorismo analise as afirmativas abaixo: I. Empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto (técnico. Também é utilizado – no cenário econômico – para designar o fundador de uma empresa ou entidade. II e III. II. empresarial). IV.04. fazer ou executar. com sua forma de agir. aquele indivíduo que detém uma forma especial. Tem origem no termo empreender que significa realizar. O empreendedor é o profissional inovador que modifica. ou especificar. O empreendedorismo é essencial para a geração de riquezas dentro de um país. principalmente. de se dedicar às atividades de organização. O empreendedor é aquele que apresenta determinadas habilidades e competência para criar. promovendo o crescimento econômico e melhorando as condições de vida da população.

F. V. d) F. V. c) V. V. Sobre a identificação de oportunidades marque V para afirmativa(s) verdadeira(s) e F para falsa(s): ( ) A busca de oportunidades para novos produtos e serviços reveste-se de mínima importância porque ajuda a dinamizar a formação e o crescimento do empreendedor. 46 UNIDADE 1 . V. F. V. V.Empreendedorismo 05. F. adequados as suas características pessoais e ao nicho de mercado no qual irá se instalar. b) F. valendo a pena ser seguida e explorada. que deve apresentar o caráter de adequabilidade e conveniência. V. “imploram” para serem identificadas e aproveitadas. ( ) Oportunidades surgem para o futuro consultor no decorrer do seu dia-a-dia e muitos novos negócios são desenvolvidos a partir dessas oportunidades que praticamente “batem a porta”. ( ) Uma oportunidade é percebida pelo próprio interessado ou a ele é levada por alguém ou um consultor que tem a competência de abordar outros pontos que lhe favorecem tomar a melhor decisão. V. F. A seqüência correta é: a) F. ( ) Uma oportunidade de negócio pode ser entendida como uma circunstância ocasião ou rumo de ação.

como compensação financeira. torna-o mais empreendedor. 07. b) Desenvolver o plano de negocio. acredita em seus colaborados. oferecer-se para realizar tarefas desafiadoras. d) Auto-motivação e entusiasmo – pessoas empreendedoras são capazes de auto motivação relacionada com desafios e tarefas em que acreditam. d) Gerir a empresa criada. ousar. Sobre as características de um empreendedor marque a alternativa INCORRETA: a) Aceitação do risco – o empreendedor aceita riscos. A crença em si mesmo faz o indivíduo arriscar menos. ainda que muitas vezes seja cauteloso e precavido contra o risco. Não é uma fase do processo empreendedor: a) Identificar e avaliar a oportunidade. Não necessita de prêmios externos. Não tentar progredir significa estagnar e um empreendedor deve ter a ambição de chegar um pouco mais além do que da última vez. c) Determinar e captar recursos necessários.06. UNIDADE 1 47 . enfim. Se acreditasse. nunca se contentando com o que já atingiu. seria difícil tomar a iniciativa. A sua motivação permite entusiasmarem-se com suas idéias e projetos. b) Ambição – o empreendedor procura fazer sempre mais e melhor. c) Autoconfiança – o empreendedor não tem autoconfiança.

ou seja. ( ) Verdadeiro ( ) Falso 10.08. de acordo com um estudo de mercado. dos clientes. Não são poucos que abrem um negócio que não tem vida longa. exceto a) Aumentar a participação no mercado b) Ganhos de qualidade c) Melhoria da competitividade d) Aumentar os salários dos funcionários . Segundo Dornelas o que faz uma ideia se transformar em oportunidade é a agregação de valor. entre outras coisas. A inovação tem por objetivo. Este item está muito ligado à perseverança e a motivação: a) Autoconfiança b) Iniciativa c) Criatividade d) Resistência à frustração 09. o que fará a diferença para o cliente. Este é um item de muita importância no perfil do empreendedor. Há sempre um recomeço. reconhecer.

UNIDADE 2 Gestão nas Empresas UNIDADE 2 49 .

.

com vista a atingir um objetivo dos mais diversos tipos. seja individualmente. a partir um sistema para atingir os resultados de uma síntese de diversos autores. seja [.. Este será racionalizada. e recursos para atingir objetivos. liderados ou não por alguém alcançar se trabalhassem isoladamente. utensílio. De um modo geral. define organização: “[. primeira estamos nos referindo à união 2000. estruturas em pré-determinado através da destinação que as pessoas trabalham conjuntamente eficaz de diversos meios e recursos para alcançar objetivos impossíveis de disponíveis. p. organizar. 116).MÓDULO 01 Gestão Organizacional em grupo. chegando ao Recorrendo ao conceito clássico seguinte conceito: podemos definir qualquer organização como um conjunto de duas ou mais pessoas UNIDADE 2 que realizam tarefas. é importante destacar que cooperativo no qual cada participante existe uma diferença entre Organização tem um papel definido a desempenhar e Estrutura Organizacional.. com as funções de planear. No caso da e deveres e tarefas a executar”. assim pretendidos. (CURY. de pessoas. órgão ou aquilo com que se trabalha.] a organização é um sistema planejado de esforço Contudo. Primeiro recorremos ao conceito organização é a forma como se dispõe desenvolvido por Cury (2000) que. instrumento. atuando num determinado contexto ou Vivemos numa sociedade de organizações ambiente. mas de forma coordenada e controlada. liderar e controlar.. idéias.. à idéia de artefato de Herbert Simon.] a organização é um artefato que pode ser abordado como um conjunto 51 . como os “organon” e este tem o significado de: dois conceitos que elencados a seguir. Mas como podemos definir organização? Temos outros tantos conceitos Organização origina-se do termo Grego semelhantes de organização. Já no caso da segunda Em segundo lugar temos o conceito trata-se da forma como essa organização desenvolvido por Meireles (2003). seus métodos e autou relaciona a idéia de estrutura estruturação para agir. complexa de Gareth Morgan.

a gestão não pode ser considerada como uma ciência na verdadeira Por outras palavras. p. apesar deste ter evoluído necessitam utilizar conhecimentos de e se transformado muito ao longo. De outro modo. (MEIRELES. que seja recursos disponibilizados pela científicas diferentes tais matemática. a economia. liderança e controle de forma a atingir os objetivos organizacionais propostos. compete à gestão atuar através de isoladamente não têm. ou as ciências organização a fim de serem atingidos os objetivos propostos.e. na maior parte do tempo. contribuir para o seu desenvolvimento e para a satisfação dos interesses de todos os seus colaboradores e proprietários e para a satisfação de necessidades da sociedade em geral ou de um grupo em Fique atento! De outra forma podemos pensar a organização particular. culturas etc. organização. métodos e recursos materiais. pois as teorias gerais a otimização do funcionamento das demonstradas cientificamente raramente UNIDADE 2 . eles devem Muito embora não encontremos uma recorrer. Deste modo. do século XX. que este deva incluir. por cientificamente.. disciplinas principalmente. valores. cabe à 52 gestão acepção da palavra. Também. obrigatoriamente. existe. para que os gestores possam E como definir Gestão? desempenhar as funções definidas anteriormente. organizações através da tomada de decisões racionais e fundamentadas na coleta e tratamento de dados e informação relevantes e. 46). de acordo com o conceito clás- em que o todo tem propriedades sico que foi inicialmente desenvolvido por e partes Fayol.). como a pelo menos. como um sistema complexo. O todo é atividades e planejamento. O que nos leva a concluir que um conjunto de tarefas que devem a gestão pode ser considerada uma procura garantir a destinação eficaz ciência na medida em que é eivada de dos um acentuado componente científico. o direito. às definição universalmente técnicas já testadas e demonstradas aceita para o conceito de gestão e. e outras. por essa via. Contudo. projetado para um dado fim e balizado por um conjunto de imperativos determinantes (crenças. capacidades que as maior do que a soma das partes. i. 2003. utilizam outro lado. algum consenso relativo ao sociais e humanas.Empreendedorismo articulado de pessoas.

2002). É também necessário algum conhecimento empírico (alguns chamam- A lhe arte) de forma a preencher a distância provavelmente. resumidamente. foram amplamente adotados no Brasil. empresas. vividas diariamente no local onde se desenrola a ação.) com o esforço dos outros (organizar. por exemplo. serviços. organizações. dizer que a O grande ganho para as pessoas. no final da razões apresentadas pelos defensores década de 70 e início de 80. Podemos. A qualidade da sua gestão é gestão das organizações é. Esta é uma das principais Segundo (Gramigna. nas vivida em cada organização. os programas da realização de estágios práticos após de a aquisição dos conhecimentos técnicos ancorados no planejamento estratégico. dirigir o trabalho dos outros).são suficientes para o processo de tomada Mas o que é Gestão Organizacional? de decisões. A revisão da estratégia coordenar. o fator principal do seu que separa as teorias gerais da realidade sucesso ou insucesso. foi a possibilidade de resultados da organização (bens. provavelmente o fator mais significativo Deriva daqui a importância da experiência na determinação do desempenho e do e do convívio com as situações concretas sucesso da organização. participação em decisões dentro das etc. empresarial levou dirigentes e equipes UNIDADE 2 desenvolvimento organizacional 53 . Gestão é o processo de se conseguir obter neste modelo. durante o período escolar.

pode-se caracterizar diretrizes e orienta os estilos de atuação a dos gestores em sua relação com aqueles gestão organizacional como uma filosofia da gestão por objetivos. gestão organizacional E como podemos pensar nesta gestão significa. Principalmente se o intra-empreendedorismo. está a gestão o alvo das organizações na busca de das resultados.Empreendedorismo a um trabalho compartilhado para empresas. mais humana por causa da nova onda competitiva. modelo de gestão escolhido valorizar o pessoas. elaborar planos setoriais. políticas e das atividades. das possibilidades. a tarefa específica da administração é transformar o desejável A organização não está se tornando no possível e o possível no efetivo. Segundo Peter Drucker (apud Ferreira. os processos das organizações. sendo que ou funções. a empresa se estrutura autoridade para garantir a coordenação definido princípios. dando um salto qualitativo na estabelecer a missão organizacional. implementam De uma forma geral. da gestão a administração por objetivos torna-se dentro das empresas. Através desses mecanismos. principal- definir o negócio. Dentre uma das mais intricadas tarefas estabelecer objetivos e metas. estratégias. p. maneira de gerenciar pessoas e. fazendo com que Embora nenhum homem possa realmente sua gestão ganhe espaço cada vez maior dominar seu ambiente. et al. discutir valores e crenças percebidas. minimizando a distância entre o que é No mundo dos negócios. de forma a alcançar bons práticas ou processos de gestão. sendo prisioneiro dentro da teoria organizacional. empresarial. e para isso. a importância do possível e o que é desejável. entre outras coisas. 2002. como que nela trabalham. permitir tão específica? Basicamente a gestão de que excelente pessoas consiste na maneira pela qual atuação empresarial realize livremente uma empresa se organiza para gerenciar seu trabalho. uma tentativa de moldar o cenário. um indivíduo organização de deve exercer resultados econômicos. divulgar a visão mente. comportamento humano está assumindo cada vez mais espaço. 109).. com que dirigentes repensassem suas 54 UNIDADE 2 . sendo que a gerência e orientar o comportamento humano no da sua trabalho. como quiserem. não está sendo regida por O desenvolvimento organizacional é um modelo dos mais significativos e fez princípios que privilegiem o humano contra outros valores organizacionais.

mais seu trabalho são. 2002) os Trata-se de dois conjuntos de práticas Tecnologia adotada que incidem sobre as mesmas instâncias organizacionais – as relações humanas na Dependendo do padrão de máquinas empresa – e que pretendem alcançar os utilizado pela empresa. espera dos funcionários. Segundo (Fischer. Nas sua presença. Na verdade. já financeiros são verdadeiras referências de comportamento nos grandes bancos. este determina mesmos objetivos: determinado padrão fortemente o comportamento que se de desempenho no trabalho. Desse modo. os negócios se sofisticam em qualquer de suas dimensões – tecnologia. É assim que engenheiros atividade sob sua responsabilidade. na verdade. bastando que o cartão de organizacional ponto. adotado. Operários que trabalham em linhas de produção acompanham pela velocidade o ritmo da Cultura organizacional ditado máquina. quanto mais Estratégia de organização do trabalho. na entrada da fábrica. mercado. registre modelo de gestão de pessoas. –. UNIDADE 2 55 . as pessoas que trabalham robotização do processo transformará em determinadas áreas ou profissões são esse trabalhador de provedor de força considerados seres humanos diferentes e guia de ferramentas em monitor da dos outros. de escritório em empresas metalúrgicas e não na regularidade. funcionários de produção em empresas de recebe mineração. o que tornará o e trabalho dependente de autonomia e marketing são mais considerados que capacidade de antecipação. A automatização ou organizações. influência especialistas do em de bens de consumo não duráveis. diferentes sucesso fica dependente de um padrão maneiras de buscar o comportamento de comportamento coerente com esses exigido negócios.O que se quer dizer é que. pode-se dizer que pelo processo de trabalho trazem o mesmo impacto da tecnologia fatores para o modelo de gestão. não É relativamente fácil perceber no esperando dos operários iniciativa nem dia-a-dia das organizações que a cultura autocontrole. etc. de contexto interno e externo que pode-se mesmo dizer que é quase determinam o desempenho de pessoas impossível separar o modelo de gestão de no trabalho e o modelo de gestão são: pessoas do modelo de gestão do trabalho. são mais valorizados que profissionais Ele passará a atuar na irregularidade. Diferentes formas de organização do expansão e abrangência.

a ordem superior. Prevalecem a cultura de manual de procedimentos. a ação voltada trabalho dessa sociedade.br/2010/04/fatores-externos.Empreendedorismo Estratégia organizacional Fatores externos A estrutura ou modelo organizacional Os fatores externos à organização devem delineia também as características do ser classificados. e os que têm origem no mercado.com. segundo sua origem. e não só as demandas da unidade em que a pessoa irá atuar. Figura 3: Charge ilustrativa FONTE: http://blogdooswaldo. O mercado. pois define o processo de treinamento deve incentivar a perfil de competências organizacionais visão sistêmica da organização e o recruta- exigido pelo negócio do setor de mento deve ser feito dentro de um perfil de atividade em que atua. nerar. Os explicitamente orientada para a cadeia de fatores sociais correspondem à forma comando e controle.html 56 UNIDADE 2 . competências que atendam ao conjunto da corporação. deve ser A remuneração não pode estar vinculada considerado o fator preponderante na exclusivamente ao cargo ocupado. A e as relações de trabalho que ocorrem iniciativa limitada. a legislação para os objetivos setoriais sem perspectiva e a intervenção dos diferentes agentes.blogspot. capacitar e recrutar pessoas. o constituição do modelo. sistêmica nem do conjunto da empresa dentre os quais destacam o Estado e as corresponde determinada forma de remu- instituições sindicais. por seu lado. Uma estrutura departamental. ao em seu âmbito. implica um modelo pela qual a sociedade regula o trabalho igualmente segmentado e restritivo. em modelo de gestão de pessoas dominante duas categorias: os advindos da sociedade na empresa.

Watt. temos que esta é matéria-prima. A forca de trabalho do século XX. oportunidades de e a consequente urbanização que se UNIDADE 2 57 . notadamente na tecelagem. trabalho e estas provocam migrações novas Surgem. como dito. Esta revolução e pequenas oficinas patronais sedem teve seu início na Inglaterra a partir da lugar à fabrica e à usina. do animal e da roda d’água é substituída pelo trabalho da É este fenômeno. vai ocorrer de algodão o que provocou uma no final do século XVIII e se estende ao grande mecanização das oficinas e longo do século XIX. neste momento o antigo artesão sociais e políticas. naquela conjuntura era a principal fonte de Contudo. Podemos. e que nos remetem à época de assírios. ao nos referirmos à história energia. que traz rápidas máquina. teve como consequência um enorme surto de industrialização. surgindo o sistema fabril: e profundas mudanças econômicas. e E. foi denominado transforma-se no operário e a antigas “Revolução Industrial”. surgindo com o processo revolucionário inicia-se com aparecimento das grandes empresas. relativamente recente. posteriormente. • De 1780 a 1860 . a introdução da máquina de fiar. humana. por James então. em 1776. chegando ao limiar da agricultura.MÓDULO 02 Histórico da Gestão das empresas O uso da máquina a vapor no processo de produção. E este aparecimento. de forma didática. afirmar que E é dessas primeiras associações que a Revolução Industrial desenvolveu-se surgiram o que podemos considerar em duas fases distintas: empresas rudimentares. da grande empresa do tear mecânico. do descaroçador e da moderna administração. e do ferro que era a principal da administração. invenção da máquina a vapor. o do tear hidráulico e. babilônios. revolução do carvão que. da humanidade. A associação entre indivíduos para atingir que se estendeu rapidamente a toda a determinados remonta aos primórdios Europa e Estados Unidos.É a chamada fenícios e outros.

Os meios de transporte racionalização do trabalho. este francês.) a eficiência da empresa por meio de sua organização e da aplicação de princípios gerais de administração. o o que era premente diante da intensa telégrafo e o telefone. Westinghouse. foco era a preocupação em aumentar Siemens. automóvel. ou o início da • 1860 a 1914 . que o certo é que suas ideias são. Henri Fayol (18411925). United States Steel e outras. acentuado. cujo Oil. a chamada Escola da sofrem uma intensa transformação. em resposta a Interessante notar que apesar destes duas das conseqüências provocadas dois estudiosos da administração jamais pela terem se comunicado entre si e.Ocorre o que mesma. E é neste contexto que administração surge. desenvolveu o que ficou conhecida como a organizações multinacionais: Standard Escola Clássica da Administração.Empreendedorismo dá ao redor de centros industriais. Dupont. Nasce o concorrência e competição no mercado. que Também revolução fosse capaz de substituir o empirismo e nos meios de transportes e nas a improvisação. a máquina Administração Científica. Frederick e do aço. as novas fontes de energia experiências. começa a tomar forma a partir podemos chamar da revolução da do início do século XX. ou seja: e mesmo tendo pontos de vista diferentes. ocorre uma capitalismo. até Revolução Crescimento Industrial. a locomotiva a vapor. ou mais profissional. científica. telégrafo sem fio. A Winslow Taylor (1856-1915) que irá história segue seu curso e. O americano. complementares. rádio. General Electric. assim como as comunicações: estrada de ferro. a nova matéria-prima. e que tinha ocupa cada vez mais espaços e a como foco a preocupação de aumentar a especialização do operário é cada vez eficiência da indústria por meio da mais patente. O próximo passo foi a consolidação do capitalismo financeiro e o surgimento das grandes Curiosidade: Outro engenheiro. É neste momento eletricidade e dos derivados do que dois engenheiros publicaram suas petróleo. apesar desenvolver de todas as resistências. A moderna administração. e esta pode desorganizado 58 moderna das rápido empresas UNIDADE 2 . O mundo já não é mais o mesmo. na passaram a exigir uma administração realidade. Necessidade de maior comunicações: surgem a navegação eficiência e produtividade das empresas. avião. a vapor.

Teoria das Relações Humanas: a de Administração Científica o que equivaleria desenvolvida a um pensamento focado na organização nos Estados Unidos. Estruturalista teve início com a teoria Preocupavam-se principalmente com da burocracia com Max Weber. Henry Fayol relaciona-se com a os grupos sociais e com a organização Escola Clássica da Administração. preocupava-se principalmente com a estrutura organizacional da 6. Para essa teoria. relacionando as teorias ou o comportamento de pessoas ou de escolas que sucederam o pensamento e/ grupos sociais tomados isoladamente. então. Teoria da Contingência: empresa. Passou a abordar a empresa como um sistema aberto 2.ser apontada como uma razão pela qual Recentemente. sob a influência da Teoria de Sistemas. de 70. Fayol. com a racionalização do trabalho dos operários. preocupada com a administração por chamada Escola Neoclássica. com modo. o que informal. com a departamentalização desenvolvida no final da década e com o processo administrativo. ou o trabalho daqueles pioneiros como 4. Mais recentemente. Teoria Clássica da Administração: desenvolvidas por seguidores de em contínua interação com o meio ambiente que o envolve. a empresa UNIDADE 2 59 . seguidores de Taylor. esta equivaleria a um pensamento focado na escola ressurgiu com novas idéias. isto é. Teoria Estruturalista: desenvolvida nos apresenta Rocha (2005): a partir de 1950 preocupada em 1. a Escola Clássica suas teorias dominaram as cinco primeiras reapareceu com Peter Drucker e décadas do século XX no panorama da a administração das empresas. com organização da empresa como um todo. Teoria de Sistemas: desenvolvida a partir de 1970. resumir esta pequena com o comportamento global da história da administração nos tempos empresa do que propriamente com modernos. Preocupada do trabalho de cada operário. a organização das tarefas. Teoria da Administração Científica: desenvolvida por integrar todas as teorias das diferentes engenheiros escolas acima e numeradas. objetivos. Podemos esquematicamente relacionar Frederick Taylor e a Escola da 3. mais Podemos. 5. A Escola americanos. partir preocupada 1940. Do mesmo principalmente com as pessoas. o nome de Teoria do Comportamento Organizacional.

Empreendedorismo

e a sua administração são variáveis

objetivos (fins), para que se obtenha o

dependentes do que ocorre no

máximo de eficiência.

ambiente externo, isto é, a medida
que o meio ambiente muda, também

Tipos de Sociedade ou Poder ou

ocorre mudanças na empresa e na sua

Autoridades Legítimas

administração como conseqüência.
Isto significa que na administração

• Tradicional: irracional, conservador,

tudo é relativo e nada é absoluto.

patriarcal e patrimonialista;

Para a teoria da contingência tudo
o que ocorre na empresa depende

• Carismática: irracional, conseguido

da situação e do ambiente externo.

através do carisma;

(ROCHA, 2005, p. 13).
• Burocrática, legal ou racional:
Outra

corrente

de

pensamento

esta ligada à chamada “Teoria da

racional,

conseguido

através

de

normas impessoais.

Burocracia”, elaborada por Max Weber,
em relação ao trabalho destes, assim

Tipos de Autoridade

resume Arantes (2007):
• Poder: potencial para exercer
Origens

influência;

• A fragilidade e a parcialidade

• Autoridade: probabilidade de uma

das teorias Clássica e das Relações

ordem ser obedecida. Ter autoridade é

Humanas, que detinham uma visão

ter poder; mas ter poder não significa

extremista e incompleta sobre as

ter

organizações.

quando não é legitimada (aceita por

autoridade

[principalmente

todos);
• A necessidade de um modelo
racional que envolvesse todas as

• Dominação: o governante acredita

variáveis da organização.

ter o direito do poder, e os governados
a obrigação de obedecer-lhe.

• O crescimento e a complexidade

60

das organizações, passou a exigir

Fatores

que

Desenvolveram

modelos mais bem definidos.

Burocracia, segundo Weber

a

A burocracia se baseia na racionalidade,

• Economia Monetária: a moeda

isto é, na adequação dos meios aos

racionaliza as transações econômicas;

UNIDADE 2

• Superioridade

Técnica:

a

Disfunções da Burocracia

Burocracia é superior a qualquer
outro tipo de organização.

• Internalização

das

regras:

as

normas passam de “meios para os fins”;
Características da Burocracia

os funcionários adquirem uma viseira
e esquecem que a previsibilidade é

• Caráter

legal

das

normas

e

regulamentos: é uma organização

uma das características mais racionais
de qualquer atividade;

ligada por normas e regulamentos;
• Excesso de formalismo e pape• Caráter formal das comunicações:

latório: necessidade de formalizar e

são registradas por escrito

documentar todas as comunicações;

• Divisão racional do Trabalho;

• Resistência a mudanças;

• Impessoalidade: relação em nível

• Despersonalização: os funcionários

de cargos, e não de pessoas;

se conhecem pelos cargos que ocupam;

• Hierarquia: cada cargo inferior

• Categorização

deve estar sob supervisão do cargo

processo decisorial: o que possui o

automaticamente superior;

cargo mais alto tomará as decisões

como

base

do

independentemente do conhecimento
• Rotina: o funcionário deve fazer o que

que possui sobre o assunto;

a burocracia manda; não tem autonomia;
• Superconformidade às rotinas;
• Meritocracia:

a

escolha

das

pessoas é baseada no mérito e na

• Exibição

competência técnica;

autoridade;

• Especialização da Administração.:

• Dificuldade

separação

funcionário

entre

propriedade

e

de

poderes

com

está

clientes:

voltado

para

de

o
o

administração;

interior da organização.

• Profissionalização;

• A burocracia não leva em conta
a organização informal e nem a

• Previsibilidade: prever as ações;

variabilidade

através das normas

2007, p. 3)

UNIDADE 2

humana.

(ARANTES,

61

Empreendedorismo

Administração Científica de Taylor

* Incentivos salariais e prêmios de

Taylor desenvolveu seus estudos a partir

produção;

da observação do trabalho dos operários.
Tal conduta determinou que sua teoria

* Condições de trabalho;

seguisse um caminho de baixo para
cima, e de característica indutiva, ou seja,

* Padronização:

aplicação

de

das partes para o todo; dando ênfase na

métodos científicos para obter a

tarefa. Para ele a administração tinha que

uniformidade e reduzir os custos;

ser tratada como ciência.
* Supervisão
• Organização Racional do Trabalho

funcional:

os

operários são supervisionados
por supervisores especializados,

* Análise do trabalho e estudo dos
tempos e movimentos: objetivava

e

não

por

uma

autoridade

centralizada.

a isenção de movimentos inúteis,
para que o operário executasse
de forma mais simples e rápida

Fordismo

a sua função, estabelecendo um
tempo médio.

Aperfeiçoamento e mecanização (esteira
móvel) do sistema criado por Taylor.

* Estudo da fadiga humana: a
fadiga predispõe o trabalhador

• 1913 – proibição do uso do

a diminuição da produtividade e

cronômetro (pelo estado americano);

perda de qualidade, acidentes,
doenças e aumento da rotação

• 1914 - Ford cria a linha de produção

de pessoal;
Características do Fordismo: Crediário:
* Divisão

do

trabalho

e

especialização do operário;

atrair o consumo (até p/ os próprios
operários);

Introduziu o marketing

como nunca antes; Aumentou os salários
* Desenho de cargos e tarefas:

a padrões desconhecidos; Reduziu a

desenhar cargos é especificar

jornada de trabalho para 8 horas; Criou

o conteúdo de tarefas de uma

a Produção em Massa, a Verticalização

função, como executar e as

(extração

relações com os demais cargos

comercialização do produto);

existentes;

trabalhador Ford (sob vigilância: hábitos

da

matéria-prima

até

a

Criou o

dentro e fora da empresa).

62

UNIDADE 2

e não financeiras. Clássica. socialmente”. de autoconfiança e * Economicidade: menor tempo possível. perderia o respeito perante os seus colegas. e democratizar a administração. já que esta colocou a tecnologia e o método de trabalho como as principais preocupações da administração. administração. * Intensificação: maior velocidade * Necessidades possível = linha de montagem. * Comportamento social dos indivíduos: o comportamento do indivíduo se apóia totalmente no Origens: Necessidade humanizar grupo. sem empaco de afeição. segurança psicológicas: íntima. Homem Social * Grupos informais: definem suas O indivíduo é motivado pela necessidade próprias de “estar junto” e ser “reconhecido grupo. integração social: a capacidade física não terá eficiência se este indivíduo sofre de um desajuste Esta teoria foi feita em oposição à Teoria social.• Princípios * Necessidades fisiológicas. * Necessidade de auto-realização. de participação. As recompensas dentro do são simbólicas. O desenvolvimento das ciências humanas * Recompensas ou sanções sociais: (a importância da psicologia e da o operário que produzir acima sociologia no implante de um conceito ou abaixo da média do grupo. 63 . de produção. * Produtividade: máximo de produção no menor tempo • Características das Relações Humanas * Nível de produção é resultante da Teoria das Relações Humanas de Elton Mayo. * Relações atitudes • As Necessidades Humanas Básicas UNIDADE 2 normas humanas: ações desenvolvidas e pelo contato entre pessoas e grupos.

ao líder e forte individualismo agressivo. UNIDADE 2 . desenvolvem uma comunicação franca. 64 que as pessoas realizem suas tarefas (habilidade de trabalhar). persis- organização informal. reduzindo * traços intelectuais: adaptabilidade. dotada de chefes democráticos • Democrática: líder e subordinados e simpáticos. administrativas e interpessoais. espontânea e cordial. * Ênfase nos aspectos emocionais: * traços c/ tarefas: iniciativa. tência e impulso de realização. agressividade. a eficiência. Quanto menor o uso de autoridade pelo * O conflito é o germe da destruição. Teorias sobre liderança • Teoria de traços de personalidade administrador. * A organização desintegra grupos primários (família).Empreendedorismo * Importância do conteúdo do cargo: trabalhos simples e repetitivos tornam-se monótonos e cansativos. cooperação. • Pontos de vista de Mayo Teoria sobre estilos de liderança * O trabalho é uma atitude grupal. sentido de responsabilidade mútua. O trabalhador tem * traços sociais: habilidades autonomia. entusiasmo e autoconfiança. maior a área de liberdade dos subordinados e vice-versa. • Comunicação * Proporcionar informação e compreensão necessárias para * traços físicos: energia. • Autocrática: o trabalho somente * O operário reage como um se desenvolve com a presença física do líder. * A formação de uma elite capaz • Liberal: pouco respeito em relação de compreender e de comunicar. aparência e peso. membro de um grupo social. mas forma Teoria situacional de liderança uma outra unidade social. Há um * Homem social.

A produção deve ser ajustada a demanda do mercado. podendo atuar satisfação nos cargos (vontade em várias áreas do sistema produtivo de trabalhar) da empresa. Criado produtivo. UNIDADE 2 65 . qualidade total em todas as etapas de pelo engenheiro japonês Taiichi Ohno. treinados promovam e qualificados para conhecer todos os cooperação e processos de produção. produzir somente o até hoje é aplicado em muitas empresas. O o desperdício de matérias-primas e Toyotismo espalhou-se a partir da década tempo. Toyotismo Uso de controle visual em todas as etapas de produção como forma de É um sistema de organização voltado acompanhar e controlar o processo para a produção de mercadorias. evitando ao trabalhar = Trabalho de equipe máximo o excedente. Assista à videoaula com este conteúdo. Os às exigências dos clientes. necessário. Uso de pesquisas Principais características: Mão de obra de mercado para adaptar os produtos multifuncional e bem qualificada. Aplicação do sistema Just in de 1960 por várias regiões do mundo e Time. Implantação do sistema de o Japão. produção. busca-se evitar ao máximo Toyota (origem do nome do sistema). voltado para a produção Habilidade de trabalhar + Vontade de somente do necessário. Além da alta qualidade dos o sistema foi aplicado na fábrica da produtos. após a Segunda Guerra Mundial.* Proporcionar necessárias a motivação. no tempo necessário e na quantidade necessária. Sistema flexível de mecanização. as que atitudes trabalhadores são educados. ou seja.

são aqueles usados na ação. Tais modelos se constituem propriedades formais lógicas. pp. extraída do contexto indissociáveis: por um observador. 463) e a noção da intervenção deliberada é (MATURANA. nos pontos principais de uma cadeia de quatro tipos de funções: cognitivas. Na perspectiva analítica de separação 2001. de acordo com a habilidade Ponssard (1997. Assim. Assim os modelos possuem características que sendo. o modelo implica de uma fase de “planejamento”. no curso da interação concreta entre atores. aspecto o modelo pode incluir alguma UNIDADE 2 . p. os modelos possuem. 2001. p. é possível única possível. por sua vez. central ao conceito de modelar. mais ou menos bem Outra possível distinção quanto a tipos elaborado para um dado conjunto de de modelos é a distinção proposta por requisitos. Os 66 modelos de conhecimento são o resultado Como uma abstração. pelo geram limitações intrínsecas: O modelo menos. não há nenhum modelo natural ou Uma função de fornecer uma abstração objetivo: há meramente interpretações e de uma determinada percepção da construções da realidade. por isso De acordo com (DAVID. 21-39.Empreendedorismo MÓDULO 03 Modelos de Gestão Os modelos operacionais. passim). baseada em uma visão da realidade específica que nada mais é que uma proposição explicativa [MATURANA. si não é verdadeiro nem falso.37]) consequentemente não é a entre o conhecimento e a ação. o modelo é sempre uma abstração Uma função de subsidiar o desenvolvimento de um plano. entre modelos do do observador que o criou. mesmo se ela representa distinguir entre modelos cognitivos e um aparente consenso e apresenta normativos. realidade. duas funções complementares e é uma abstração. Neste contexto é definido com vistas à ação. Decorre de (a) que um modelo em preditivas. simplesmente. ele é. consequentemente.50). de decisão e normativas. em que o em uma “descontextualização”. p. 2001. conhecimento e modelos operacionais. Um modelo é projetado para ajudar a compreender e ajudar a agir.

maneira de representação formal do

O modelo do Balanced Scorecard (BSC)

contexto a partir do qual foi concebido
ou não lhe fazer nenhuma referência
(deixando-o somente “potencialmente
contextualizado”).
O observador constrói um modelo com
o objetivo de agir: ele tem um projeto e o
modelo é orientado por este projeto; a noção
do modelo consequentemente é ligada
intrinsecamente àquela da racionalidade.
Desta maneira, um modelo é um mito racional
ou um plano de ação ideal com determinadas
propriedades formais; O uso operacional de
um modelo consiste na incorporação direta
ou indireta dos elementos do conhecimento
produzidos pelo modelo no processo de
decisão, consequentemente implica em uma
forma de contextualização.
Além dessas, é importante salientar aquelas
relacionadas à forma humana de pensar.
Nossa

dificuldade

de

encontrar

uma

“O choque entre a força irresistível de
construir capacidades competitivas de
longo alcance e o objetivo estático do
modelo tradicional de contabilidade
financeira de custos criou uma nova
síntese: o Balanced Scorecard (BSC).
O BSC preserva as medidas financeiras
tradicionais. Mas as medidas financeiras
contam a história de acontecimentos
passados, uma história adequada para
as empresas da era industrial, quando
os investimentos em capacidade de
longo prazo e relacionamento com
clientes não eram fundamentais para o
sucesso.
Entretanto, as medidas financeiras são
inadequadas para orientar e avaliar a
trajetória que as empresas da era da
informação devem seguir na geração
de valor futuro investindo em clientes,
fornecedores, funcionários, processos,
tecnologia e inovação.”
(KAPLAN e NORTON, 1997, p. 8)

informação ou identificar um problema esta,
muitas vezes, associada a nossa própria

A abordagem do BSC, conforme proposta

forma de pensar.

por Kaplan e Norton (1997, 2000 e 2004),
tem como finalidade traduzir a missão e a

Embora pareça completamente paradoxal,

estratégia de uma empresa num conjunto

a natureza da informação já deve ser

abrangente de medidas de desempenho

conhecida em sua essência, para ser

que servem de base para um sistema de

encontrada e identificada. Este fato tem

mensuração e gestão estratégica. O BSC

origem na dicotomia do pensar humano.

mostra-se adequado às empresas que

Ele é conseqüência de nosso processo

buscam um posicionamento estratégico

de pensar que é estrutural e lógico, mas

ou que necessitam desenvolver suas

também associativo.

competências e capacidades.

UNIDADE 2

67

Empreendedorismo

O BSC pode ser considerado um

Segundo Figueiredo (2002, p. 47), estas

mecanismo para garantir a implementação

perspectivas devem ser entendidas a

da estratégia – não para a sua formulação

partir das respostas a quatro perguntas:

– ao oferecer instrumentos para a

(i) Perspectiva financeira: para sermos

tradução dessa estratégia em objetivos,

bem sucedidos financeiramente, como

medidas e metas específicas e para a

deveríamos ser vistos pelos nossos

monitoração da sua implementação.

acionistas? (ii) Perspectiva dos clientes:

Conforme Kaplan e Norton (1997, p.

para alcançarmos nossa visão, como

9), por meio desta abordagem, podem

deveríamos ser vistos pelos nossos

ser viabilizados os seguintes processos

clientes? (iii) Perspectiva dos processos

críticos: (i) esclarecer e traduzir a visão

internos:

estratégica; (ii) comunicar e associar

acionistas e clientes, em que processos de

objetivos e medidas estratégicas; (iii)

negócios devemos alcançar a excelência?

planejar, estabelecer metas e alinhar

(iv)

iniciativas estratégicas; e (iv) melhorar o

crescimento: para alcançarmos nossa

feedback e o aprendizado estratégico.

visão,

para

satisfazermos

Perspectiva
como

de

nossos

aprendizado

sustentaremos

e

nossa

capacidade de mudar e melhorar?
As perspectivas do BSC

Tendo em vista que as respostas para as
questões estão alinhadas ao cumprimento

A estrutura proposta pelos autores para

da estratégia estabelecida, o conjunto

traduzir a estratégia organizacional em

de indicadores forma uma cadeia de

termos operacionais é, tradicionalmente,

relações causa e efeito que se torna mais

desmembrada em quatro perspectivas:

nítida com o passar de diversos ciclos de

financeira, clientes, processos internos e

medição dos mesmos.

crescimento e aprendizagem.
O impacto do resultado de cada um dos
Vale salientar que a estrutura não precisa

indicadores sobre os demais fica explícito

ser, necessariamente, restrita ao número

como, por exemplo, a influência entre

ou às preocupações das perspectivas, ou

satisfação dos funcionários, satisfação

seja, pode ser em números diferentes

dos clientes, lealdade dos clientes e

(maiores ou menores) e com conteúdos

desempenho financeiro.

que os gestores acreditarem ser o mais
adequado para sua organização (KAPLAN

• Perspectiva

financeira

e NORTON, 1997, p. 35).

preocupa-se com a estratégia de cres-

cimento, rentabilidade e risco sobre a
visão dos acionistas da organização.

68

UNIDADE 2

Para tanto utiliza indicadores do tipo

ambiente em que ela está inserida, com

retorno sobre o investimento, riscos,

quem se relaciona e que desafios está

ciclo de caixa, entre outros.

buscando. Depois, observa-se o planejamento estratégico da organização, a fim

• Perspectiva

do

Cliente

Preocupa-se com a criação de valor

de informar os rumos que deverão ser
seguidos (PETRI, 2005).

e diferenciação, sob a visão do
cliente, utilizando como indicadores:

De posse destas informações, inicia-se

satisfação, retenção, participação de

a elaboração do BSC. Norton e Kaplan

mercado e participação em conta,

(2004, p. 19-28) apresentam as etapas

entre outros.

para sua elaboração. A primeira etapa
consiste em identificar que perspectivas

• Perspectiva
Internos

dos

Preocupa-se

Processos
com

serão consideradas.

as

prioridades estratégicas de vários

A seguir, identificam-se os aspectos

processos de negócio, que criam satis-

relevantes (objetivos estratégicos) destas

fação para os clientes e os acionistas.

perspectivas; na seqüência, verificam-se

Indicadores propostos são: qualidade,

as possíveis relações de influência ou

inovação, tempo de resposta, custo e

hipóteses estratégicas (causa e efeito),

lançamento de novos produtos.

surgindo assim o Mapa Estratégico.
Em outras palavras, a elaboração do

• Perspectiva do Aprendizado e

BSC se inicia com a montagem de uma

Crescimento – Leva em conta as prio-

representação

ridades para o desenvolvimento de

por Kaplan e Norton (2004, p. 10) de

um clima propício à mudança organi-

Mapa Estratégico, onde os objetivos

zacional, à inovação, e ao crescimento.

estratégicos

Levando em consideração a satisfação

relacionados através de relações de

dos funcionários e disponibilidades

causa e efeito. Assim, o Mapa Estratégico

dos sistemas de informações.

proporciona

gráfica,

são

um

denominada

descritos

meio

e

inter-

lógico

e

abrangente para descrever a estratégica
e comunicar os resultados almejados pela
Mapas estratégicos

organização e as hipóteses sobre como
esses resultados podem ser atingidos.

Para que a abordagem BSC seja operacio-

O Mapa Estratégico (ME) é construído

nalizada, primeiro busca-se compreender

através de um processo hierárquico

a organização, ou seja, identifica-se

top-down norteado pela missão e visão

o contexto, no qual se esclarece o

da organização.

UNIDADE 2

69

que geralmente • Cultura de inovação – promoção apresenta as perspectivas. que inclui a interesses das partes interessadas. por meio das inicia- implementação tivas ou projetos (alternativas ou ações). cabe. além de incluir os riscos mento das relações de interdependência identificados. a FPNQ atualiza os fundamentos da excelência. painel de desempenho). os objetivos de estratégicos. a elaboração do Painel Balanceado (BSC) avaliação e compartilhamento de (na literatura também são encontrados os experiências. Balanced Scorecard. sendo que a tomada de decisões e a execução das ações devem ter como base a medição Os Fundamentos e análise do desempenho. líderes de excelência. termos scorecard. Por meio de um processo de qualidade e à proteção dos de aprendizado sistêmico. dos fatores que afetam a organização. serem perseguidas. atuação de fóruns empresariais. democrática. à promoção de relações classe mundial. que possam gerar um diferencial um ambiente favorável experimentação de novas à e idéias competitivo para a organização. visando práticas encontradas em organizações ao desenvolvimento da cultura de de elevado desempenho. que busca o alcance de um novo patamar fornece as estratégias da organização. UNIDADE 2 . os indicadores e as metas a criatividade. reflexão. levando-se em consideração as informações • Pensamento Sistemático – Entendi- disponíveis. de conhecimento para a organização bem como seus objetivos. por meio da percepção. Fundamentos da Excelência • Liderança e Constança de Propósitos – Atuação de forma Os Fundamentos da excelência aberta. inspiradora e expressam conceitos que se traduzem em motivadora das pessoas. bem como entre a organi- • Visão de Futuro – Compreensão zação e o ambiente externo.Empreendedorismo Painel de Indicadores • Aprendizado organizacional – De posse do Mapa Estratégico. agora. entre os diversos componentes de uma 70 organização. as partes interessadas. • Orientação para Processos - Compreensão e segmentação do Os fundamentos em que se baseiam conjunto de atividades e processos da os Critérios de Excelência do PNQ são organização que agreguem valor para apresentados abaixo.

de temas essenciais de um negócio e a partir da plena utilização das que são denominados de critérios e competências essenciais de cada itens. constituído por oito critérios: Liderança. aumento de valor tangível e intangível ambientais e culturais para gerações de forma sustentada para todas as futuras. Sociedade. Clientes. Estabelecimento de relações com as pessoas. promovendo a redução das desigual- preservando recursos dades sociais como parte integrante • Valorização de Pessoas – da estratégia da organização. o ambas as partes. O modelo de excelência da gestão uma. o Mercado – Conhecimento e entendimento do cliente e do mercado. • Conhecimento sobre o Cliente Informações e conhecimento. ética e transparente da organização – com todos os públicos com os quais • Geração de Valor – Alcance de se relaciona. que permite ao administrador obter uma visão sistêmica da gestão organizacional. e Processo e Resultados. desenvolvimento é concebido tendo como base os de competências e espaço para fundamentos empreender. da excelência. assegurando o desenvolvimento sustentável da a perenidade da organização pelo sociedade. criando condições para que elas se realizem profissionalmente e humanamente. estando voltada para resultados consistentes. quantitativa Fundamentos expressos tangíveis ou em (mensuráveis qualitativamente) e distribuídos em requisitos. Estes são • Desenvolvimento de Parcerias – agrupamentos cujo objetivo maior é Desenvolvimento de atividades em reproduzir de forma lógica a condução conjunto com outras organizações. visando Atuação que se define pela atuação sua perenização. Pessoas.seu ecossistema e o ambiente externo • Responsabilidade Social no curto e no longo prazo. objetivando benefícios para é representado pelo diagrama abaixo. UNIDADE 2 71 . respeitando a diversidade e partes interessadas. seu desempenho Modelo de Excelência da Gestão maximizando por meio de O modelo de excelência da gestão comprometimento. visando à criação de valor No modelo. os de forma sustentada para o cliente e. gerando maior características competitividade nos mercados. sendo Estratégias e Planos. da Excelência são consequentemente.

72 A figura 6 representativa do Modelo relacionam-se de forma harmônica e de Excelência da Gestão simboliza a integrada. PNQ.Empreendedorismo MODELO DE EXCELÊNCIA DA GESTÃO Uma visão sistêmica da gestão organizacional orm Inf ações e Conhe Clientes cim en to Liderança Pessoas Estratégias e Planos Resultados Processos Sociedade Figura 4: : Modelo de Excelência da Gestão Fonte: Critérios da Excelência 2007. segundo o ciclo de PDCL ambiente de informações e conhecimento. voltados para a geração de organização. Learn). a que melhor com o ambiente externo. Do. UNIDADE 2 . Embora o desenho admita orgânico e adaptável. que interage diferentes interpretações. (Plan. Check. Sugere que descreve o modelo utiliza o conceito de os elementos do modelo. imersos num aprendizado. considerada um sistema resultados.

implantar requisitos de cada aspecto devem ser as melhorias necessárias. que consiste em sair da rotina de apresentado abaixo. Se ao comparar com os 1 a 7) solicita. de forma específica. alguns padrões for encontrado algum desvio. Este diagrama demonstra que DIAGRAMA DA GESTÃO Planejamento da execução Execução Definição das práticas e padrões Verificação (commparação com padrão Ação Melhorias Avaliação Figura 5: Diagrama de Gestão Fonte: Critérios da Excelência 2007.Diagrama de Gestão gestão e padrões de trabalho definidos Os oito critérios de Excelência se pela organização. requisitos relacionados à gestão da uma ação corretiva deve ser implantada organização. sem prescrever ferramentas de forma a garantir o cumprimento dos ou métodos de trabalho específicos. sendo que cada um dos cumprimento dos padrões de trabalho aspectos de enfoque e aplicação (critérios definidos. PNQ. As práticas devem ser subdividem em Itens (somente nos executadas e. por meio de mecanismos Modelos de 500 e 1000 pontos) e de Aspectos. reforçando o atendidos por meio de práticas de conceito de PDCL. UNIDADE 2 73 . execução e controle e fazer uma avaliação das práticas de gestão e padrões de os trabalho e. a dinâmica do diagrama de gestão. mesmos e retomar a execução adequada controle. verificas quanto ao das práticas. Todos os aspectos de Enfoque e Aplicação estão estruturados conforme O diagrama contempla o Aprendizado. quando pertinente.

visa: excelência. servir como um Os modelos de 500 e 1000 pontos modelo de gestão e um instrumento de demandam mecanismos de controle e avaliação para indicar o estágio atingido aprendizado enquanto que no modelo pela organização rumo à excelência. bom desempenho e no modelo de 250 pontos. esse grau se caracteriza como • Identificar pontos fortes e um estágio inicial rumo à excelência. Diferentemente dos critérios de excelência do PNQ. e o ímpar para o aprendizado da organização. ou seja. os modelos rumo à A seguir são descritas as dimensões e os excelência podem dispensar a emissão respectivos fatores de avaliação: de um relatório da gestão dentro do Para saber mais: Acesse o site: http://www. mesmo objetivo. esta facilidade deve ser bem de 1000 pontos). A diferença básica está no grau de maturidade do sistema de gestão da Dimensões e fatores de avaliação organização que utiliza um ou outro instrumento. utilizam os avaliada.com. oportunidades para melhoria do sistema de gestão atual. mesmos elementos estruturais do PNQ (modelo No entanto.br/artigos/tecnologia/ modelos-de-gestao/33343/ 74 UNIDADE 2 . de 250 pontos. O processo de avaliação das práticas de gestão e padrões de trabalho adotados e Enquanto no PNQ o grau máximo para os resultados obtidos pela organização. isto é. esses conceitos não se aplicam. tornando-o mais Os modelos de 500 e 250 pontos (rumo à excelência) possuem os ágil e prático. uma vez que a elaboração do mesmos critérios e a lógica do diagrama Relatório de Gestão é uma oportunidade de gestão explicado anteriormente.Empreendedorismo Sistema de Pontuação processo de avaliação.administradores. no modelo de 500 pontos o grau máximo e classificado como • Medir o desempenho. as práticas de gestão e resultados e a com base nos critérios propostos.

Pró-atividade Refinamento (500 e 1000 pontos) Controle (500 e 1000 pontos Aplicação Disseminação e uso do enfoque pela organização Disseminação Continuidade Relevância Resultados Conseqüências da aplicação do enfoque Tendência Desempenho Fonte: Rumo à Excelência. UNIDADE 2 75 . 2005.DIMENSÃO DEFINIÇÃO FATORES DE AVALIAÇÃO Adequação Enfoque Conjunto de práticas de gestão utilizadas para atender aos requisitos de cada aspecto de avaliação.

Um sistema é um “todo organizado e unido. Esse equilíbrio pode resultar de um estado 76 de máxima entropia. a entropia (desordem) Von Bertalanffy quando estabeleceu a pode ser reduzida e mesmo transformada sua Teoria Geral dos Sistemas. significa a “morte” do sistema. Cada sistema está relação com o respectivo ambiente. quando a ordem a afirmar que “na ciência moderna. se não a totalidade. um a profundidade desta relação. composto por duas ou mais partes O todo formado por um sistema é superior interdependentes. Chama-se a isso retroação uma inter-relação com aquilo que o ou feedback. pode encontrar estados de de um fato que parece simples: vivemos num mundo de sistemas interdependentes. que É preciso distinguir dois tipos de sistemas. ou de um Um sistema fechado não tem qualquer equilíbrio dinâmico. Cada sistema transforma inputs em outputs. subsistemas. tal como o Sistema Solar. sido traçado). está no “caminho certo”) ou negativo dos sistemas sociais corresponde a este (quando se desvia do percurso que tinha segundo tipo. e delimitado por fronteiras Chama-se a este conceito holismo e identificáveis resulta das sinergias que se estabelecem do componentes seu macro-sistema ambiental” entre os vários subsistemas. A de realidades.Empreendedorismo MÓDULO 04 Outros Modelos A Teoria Geral dos Sistemas assenta em conceitos razoavelmente intuitivos e simples. Foi este caráter pluridisciplinar que fascinou Ludwig Num sistema. numa Esta definição abarca um conjunto amplo relação dinâmica com o ambiente. Cada sistema é composto por Abordagem Sistêmica e Contingencial subsistemas ou componentes e está integrado num macro-sistema. Trata-se da constatação equilíbrio com o respectivo ambiente. O corpo humano é um permeabilidade das fronteiras determina sistema. UNIDADE 2 . e pode ser positivo (quando rodeia. ecossistema ou uma organização. A maior parte. permanentemente a receber os resultados enquanto um sistema aberto estabelece das suas ações. ou à mera soma das partes que o constituem. a aumenta dentro do sistema. chegando em entropia negativa. Cada sistema interação dinâmica é o problema básico em aberto todos os campos”.

que compõem o sistema empresarial. A Teoria da Contingência veio na sequência imediata da abordagem Ao adotar uma abordagem sistêmica. sistêmica das organizações. precisamente. reconhecendo que esta é Quanto ao subsistema de estrutura. como a estabeleça com o ambiente. os seus interesses quatro. ao que se dá o nome de equifinalidade. assumindo a a Teoria da Gestão tinha que começar inexistência de receitas e considerando. as dinâmicas de grupo. Em cada globais. não se inclui os meios de divisão e coordenação limitando a tentar que os empregados se da sintam importantes. O subsistema psicossocial relações internas formais e informais mas compreende os fatores que influenciam também do equilíbrio dinâmico que se o comportamento individual. tecnologia a sua eficácia não dependerá só das envolvida. os sistemas planeando. preocupar-se com a inovação e ao a flexibilidade. específicos. é natural que uma boa parte A abordagem dos seus valores sejam determinados todos pelo contexto em que se insere.Um sistema pode ter múltiplos objetivos. estabelecendo os objetivos. a liderança. este verdadeiramente importante. As organizações devem. legitimamente. humana ultrapassa mesmo as teorias humanistas. para se adaptarem às desempenho do papel produtivo da modificações do meio envolvente. desenhando a estrutura e abertos podem obter o mesmo resultado implementando sistemas de controle. a importância da um subsistema da sociedade onde se insere. conhecimento que é o pode variar. o Cada um dos seus componentes pode subsistema de gestão envolve os outros ter. Por outro lado. Por último. integra assim. comunicação e trabalho. pois empresa. conjunto de situações a importância os contingencial desenvolvimentos integra que a relativa de cada grupo de conhecimentos Outro componente subsistema o relevante técnico. subsistema inclui a cultura e os objetivos o seu traço fundamental. a comunicação ou as relações A valorização da componente interpessoais. 77 . Este precederam. tecnologia na determinação da estrutura Cada organização tem um subsistema e do comportamento organizacional das de objetivos e valores. por identificar os subsistemas principais posteriormente. relações UNIDADE 2 formais estabelecendo de as autoridade. organização. de grupo ou individuais. Sendo a empresa empresas. sendo esse. partindo de situações iniciais distintas. bem necessário como a motivação.

entre complexidade.Empreendedorismo Estas abordagens de síntese são a primeira A auto-semelhança. que as envolve. Isto abriu caminho objeto das teorias da complexidade que têm a que a Fuji conseguisse uma sólida vindo a ser desenvolvidas. Temos assim a empresa como sistema A Kodak. de uma situação na qual uma pequena causa se ampliou. logo. No entanto. após a Segunda Guerra dinâmico. quota de 70% do seu mercado interno tal pequenas causas insignificante como ao em pode aproveitar e partisse daí para desafiar seriamente Há duas propriedades fundamentais a a Kodak no resto do mundo. O seu comportamento é uma oportunidade que parecia pouco dinâmico. será desta visão sistêmica e A segunda característica é mais relevante contingencial da realidade que se partirá para para lançar a ponte às ciências da complexidade. sensível de pequenas causas resulta da esta matéria. a auto-semelhança e a dependência esta implementar reduções de custos de sensível de pequenas causas. Estas são aparentemente sistemas. detecta-se pela observação de segunda metade do século XX. negligenciou voluntariamente comportamento que a possa qualificar como o mercado japonês. a imprevisibilidade e a sequências de eventos. turbulento acções a descer29. dentro de limites consciência do mundo onde as organizações reconhecíveis. com consequências 78 UNIDADE 2 . A abordagem sistêmica das organizações que ampliam fornece-nos uma base conceptual para ciclos viciosos ou virtuosos. Abandonam uma semelhança qualitativa de padrões as receitas e as prescrições para tomarem de acontecimentos. turbulência. Tratou-se claramente e longe do equilíbrio. para as quais não têm resposta. significa apenas que Mas a evolução está longe de parar e. em diferentes escalas. Sem que isto resulte na se movimentam. no campo dos resposta às novas necessidades desta negócios. possibilidade de previsão das respectivas consequências. simplesmente porque evolui no auspiciosa outra empresa pode ser tempo. A dependência existência de mecanismos de feedback. Um erro entendermos as organizações. como pouco importante. Resta saber se apresenta um Mundial. se podem encontrar semelhanças hoje. as empresas defrontam-se com a qualitativas. conduzida a um sucesso exponencial. por considerá-lo sistema dinâmico não linear e. que resultam emergência e levando o valor das suas num comportamento imprevisível. obrigando observar. compostas por subsistemas e conduzir ao colapso de uma organização integradas no macro-sistema ambiental poderosa.

o mundo do trabalho também precisou se reconfigurar e as Quanto mais utilizadores a Web tivesse. deste 1991 tipo pelo integrando texto e imagens e possibilitando a ligação a outros documentos mediante a simples O principal reflexo vai-se fazer sentir. na curto prazo. o reestruturações. e valorizem o patrimônio tangível das a Netscape ganhou em muito pouco organizações. seleção (geralmente com o mouse) de naturalmente. aumentando o interesse do quanto inter-organizacionais e permitem público e atraindo novos utilizadores. Netscape Navigator. reestruturação de a maneira de ver a World Wide Web e países e emergência de novas potências contribuiu para a sua expansão. empresas começaram a investir em mais clientes potenciais a Netscape tinha processos de gestão integrada que para o seu Navigator e mais páginas promovem maior aprendizado tanto intra surgiriam. o primeiro alvo de uma Gestão consciente da Para ‘navegar’ na Web é necessário um programa denominado complexidade imprevisível. que lê os documentos em hipertexto e gere as complexas ligações com os Gestão do Conhecimento servidores onde estes estão disponíveis. propõe não faz sentir o seu impacto A World Wide Web foi desenvolvida de igual forma em todas as dimensões entre cientista da organização. como um processo de mudança fechada em uma parte da rede mundial Internet. Foi a WWW aberto. Quando se tratar de britânico Timothy Berners-Lee. 1989 e hipertexto. novos cenários políticos. A Netscape. os métodos tradicionais qual se poderia aceder a documentos de controle continuam. por isso. criou Diante de tantos processos que urgiram precisamente um browser espantoso. Gestão Estratégica é. a em aplicar-se. de Marc Andreesson. naturalmente. econômicas. qual a própria Microsoft chegou atrasada. browser. dominando um mercado ao algum tempo. que que levou à crescente popularidade da determinam o futuro da organização. que novos conhecimentos apareçam Apanhada no meio deste ciclo virtuoso. Outro exemplo de Mas este novo modelo que agora se comportamentos é o caso da Netscape. que revolucionou catástrofes sociais. nas situações de final uma palavra sublinhada.desastrosas (para a Kodak) ao fim de notáveis. A Internet e à sua recente globalização. tempo uma relevância e prosperidade UNIDADE 2 79 . de dimensão estratégica.

tornou-se um estrategicamente relevantes acaba por processo central na busca e obtenção criar uma disposição favorável para o da inteligência competitiva e. lidar com intangíveis não um processo de Gestão. organizacional por sua vez se desdobra em um montante equivalente a soma do 80 UNIDADE 2 . porque. estratégias de bastante sucesso (ZABOT. Afinal. Assim sendo. isto processo de avaliação de seus resultados. capital intelectual nas organizações. devido às aprendizado constante e a valorização do amplas possibilidades de processamento. ao se compreender as bases de isto porque.Empreendedorismo A gestão do conhecimento aparece Em atenção a esse primeiro desafio. nesse pode-se afirmar que a Gestão do cenário e sua proposta de identificação. no intangível processo prevê. o capital com aproximadamente duas décadas de intelectual de uma empresa resulta da existência. de fato. quanto às Conhecimento organizacional está no bases da Gestão do Conhecimento. assim do Conhecimento precisa ser avaliada como mapear melhor os riscos que esse naquilo que gere. ganhos maximizados. Já o capital organizações. com um estejam sendo criados no dia-a-dia. enquanto que o capital longo prazo que está em andamento e estrutural é composto pelo capital de ainda não finalizado em boa parte das clientes e organizacional. pode-se planejar significa lidar com imensuráveis. e compartilhamento de conhecimentos duas últimas décadas. 2002). armazenamento e acesso à informação uma empresa que investe em Gestão do e dados. codificação Conhecimento. A Gestão melhor o processo que ele enseja. não dispõe ainda de muitos soma do capital humano com o capital relatos de experiência e análise de estrutural. embora Para Edvinsson e Malone (1998). abrindo caminhos para que a empresa cada vez mais bem desenvolvidas e com estruture seu diferencial competitivo. e com diálogo mais efetivo e com propostas isso. ela SILVA. Acredita-se que o primeiro grande desafio de ordem teórico-conceitual encontrado Outro grande desafio na Gestão do pelas empresas seja. maximização. informação especialmente e nessas comunicação. amparados nas tecnologias Conhecimento acaba por assegurar que de canais para a inovação e comunicação tem crescido cada dia mais. ou seja. o capital humano casos que pudessem permitir um vasto está vinculado ao conhecimento das benchmark. A gestão do conhecimento. criando estratégias para para que metas sejam redirecionadas e minimizar os riscos e maximizar os ganhos. isto se dá basicamente em pessoas e aos resultados advindos desse função de ser um processo de médio/ conhecimento.

tais como e aprendizados mais coletivistas. a promoção das qualificações mais de que. tem sido articulada de instrumentos. desse modo. assim. tal qual uma espiral em Desse modo. possibilitam o BSC. com maior grau de responsabilização. deve considerar indicadores separados para cada capital. 1997). no entanto. mudanças de atitudes no sentido do orientados tanto para uma crescente desenvolvimento de recursos humanos autonomia quanto para liberdade de UNIDADE 2 desenvolvendo o 81 . capital necessário investir também na promoção intelectual.capital de inovação e de processos e. mas sempre de forma partilha e distribuição. estudos. perspectiva de processos internos e aprendizado e Outra preocupação presente no crescimento. que. informações por Kaplan e Norton (1997). a mensuração de resultados orientados para o conhecimento (CHOO. além da perspectiva financeira. as competências individuais de mudanças de atitudes no sentido do e assim proporcionar a configuração desenvolvimento de recursos humanos de valores coletivistas que incentivem com maior grau de responsabilização. com o favorecimento de investir de maneira equilibrada em momentos para trocas mais dinâmicas processos de criação e armazenamento de conhecimentos. compartilhamento de conhecimentos é a criação de ambientes que estimulem Saber gerir conhecimento significa a criatividade. que A gestão do conhecimento necessita as organizações criem condições que também permitam gerenciamento desenvolver o potencial de uma com nova forma pessoas. articulada. tais como bases de com o BSC (Balanced Scorecard) proposto dados. está compartilhamento no processo de de conhecimento no trabalho. no ambiente organizacional. intencional. É necessário. relatórios. autores. percebido TAKEUCHI. O desenvolvimento de competências internas é necessário por possibilitar Não podemos nos esquecer. isto porque diversas e conhecimentos. para os 2003). sejam eles tácitos de conhecimento assim como na sua ou explícitos. a adoção de novas perspectivas diversificadas para mensuração de resultados na Gestão conjuntamente por um amplo conjunto do Conhecimento. de Não humano de uma empresa de forma basta apenas investir em qualificação. outro grande desafio movimentos amplos irrestritos (NONAKA. é dinâmica. processos de conversão mais dinâmicos adota outras perspectivas. sistematizada e inventiva. se transmitidas a perspectiva de clientes.

por sua vez. Conhecimento tem apresentado se devem principalmente às oportunidades que A gestão do conhecimento aparece nesse esse processo oferece às organizações. não associado a círculos virtuosos de novos perdendo de vista que o conhecimento conhecimentos e deve ser encarado organizacional que precisa ser gerido como aparece de uma forma tanto subjetiva responsável e eticamente correto) para quanto transformação explicitamente codificada (SVEIBY. ao se inserir na cultura comunidades sociais cujo principal papel organizacional. Como lembra Terra Trata-se de considerar as competências (2005). afirma que “empresas são organização e. relações entre as pessoas de uma p. já que está aberta ao diálogo e às redes sociais. 121). já que isso pressupõe mais espaço mais eficiente que seus competidores. cenário de complexidade e múltiplas Ao se resgatar as considerações de interações como o despertar para a Oliveira Júnior (2001) percebe-se que o necessidade visceral de transformação sucesso no mercado exige a geração de total e irrestrita das organizações a competências distintivas. Essa abordagem apresenta o conhecimento da empresa como seu Os desafios que a Gestão do ativo mais estrategicamente relevante”. para a criatividade. combustível do (socialmente ambiente organizacional: aumenta a flexibilidade organizacional. investir em conhecimentos pode de uma organização de forma mais trazer retornos exponenciais. por um parâmetro de desempenho imediato. causa maior sinergia nas Em outros termos. 82 UNIDADE 2 . garante vantagens Assista à videoaula com este conteúdo. Muitos são os motivos para se investir em conhecimento. que partir das pessoas que compõem essa se estendem para além das competências organização e de como compartilham essenciais que. ampliadas. Oliveira Júnior (2001. são regidas seus conhecimentos. 1998).Empreendedorismo ação. é administrar seu conhecimento de forma competitivas duradouras.

RESUMO Iniciamos esta unidade buscando as definições de conceitos centrais para o pequena análise do que entendemos sobre o conceito de modelo. com algumas visões mais ou menos abrangente. e . que estão entrando na “crista da onda. e suas fases. logo a seguir. A seguir conhecemos alguns destes modelos como o da perspectiva do Para tanto.” Depois trabalhamos o histórico da gestão Tratamos. entendimento dos processos de gestão empresarial. contingencial e da gestão do diversas fase e modelos de administração. da empresa e pudemos conhecer melhor as sistêmicas. iniciando por uma UNIDADE 2 83 . definimos separadamente os BSC. excelência e o da excelência da gestão. a dos fundamentos da conceitos de organização e de gestão. conhecimento. unirmos os Por trabalhamos outros modelos que na dois conceitos e discutimos os conceitos contemporaneidade aparecem como os de gestão empresarial. então. das abordagens Num terceiro momento refletimos sobre os modelos de gestão.

segundo Fischer. Segundo Fischer os fatores que determinam o desempenho das pessoas no trabalho são... ( ) Verdadeiro ( ) Falso 02. A gestão das organizações é. por exemplo. o fator principal do seu sucesso ou insucesso. exceto: a) Estratégia Organizacional b) Política Salarial c) Tecnologia adotada d) Cultura Organizacional 04. Também. provavelmente. a estratégia de organização do trabalho está diretamente relacionada com a gestão das pessoas. O conceito de Organização confunde-se com o de Estrutura Organizacional. ( ) Verdadeiro 84 ( ) Falso UNIDADE 2 . nas empresas.Empreendedorismo EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 01. ( ) Verdadeiro ( ) Falso 03.

didaticamente. Tendo isto em mente.05. a) 1780 – 1860 b) 1860 – 1914 c) 1914 – 1960 d) 1960 – 1980 07. As recompensas são simbólicas.  a) 1780 – 1860 b) 1860 – 1914 c) 1914 – 1960 d) 1960 – 1980 06. São funções dos modelos: 1. e não financeiras. pensá-la por períodos. Em relação à história da Administração das Empresas podemos. analise a seguinte afirmação e a relacione com o período correto: Crescimento acelerado e desorganizado das empresas que as passaram a exigir uma administração científica capaz de substituir o empirismo e a improvisação. 2. ( ) Verdadeiro UNIDADE 2 ( ) Falso 85 . didaticamente. subsidiar o desenvolvimento de um plano. de fornecer uma abstração de uma determinada percepção da realidade. Tendo isto em mente. Em relação à história da Administração das Empresas podemos. analise a seguinte afirmação e a relacione com o período correto: O indivíduo é motivado pela necessidade de “estar junto” e ser “reconhecido socialmente”. pensá-la por períodos.

( ) Verdadeiro ( ) Falso 10.Empreendedorismo 08. Os fundamentos em que se baseiam os Critérios de Excelência do PNQ são. exceto: a) Aprendizado Organizacional. São perspectivas relacionadas aos BSC (Balanced Scorecard): a) Perspectiva Financeira b) Perspectiva Acionária c) Perspectiva do Cliente d) Perspectiva dos Processos Internos 09. b) Cultura e Inovação c) Compra e Armazenamento d) Pensamento Sistêmico 86 UNIDADE 2 . O mapa estratégico do BSC consiste em um processo de brainstorming onde os objetivos estratégicos são descritos e inter-relacionados através de relações de causa e efeito.

UNIDADE 3 Tornando-se um empreendedor UNIDADE 3 87 .

.

clientes. Querer relativas às condições de partida para controlar o seu destino. Vontade de aceitar o desafio que uma etc. fornecedores.)?. Como lida com a pressão e com a nova empresa representa. pela gestão de um negócio. Até que ponto está motivado para iniciar o negócio?. com escassez de informação? Quais Possui a as suas competências em relação ao planejamento e organização (atividades essenciais Fique atento! Habitualmente não é uma razão.MÓDULO 01 De empreendedor a empresário Contudo. As suas potencial de ganho e de crescimento são competências sociais permitir-lhe-ão lidar maiores para o empresário do que para com variadas personalidades e feitios (de um trabalhador por conta de outrem. Requisitos prévios ao arranque do negócio estável e compensadora a enveredar por uma carreira empresarial? Antes de iniciar a sua aventura empresarial. o empreendedor deverá Algumas das razões possíveis são: refletir sobre um conjunto de questões Vontade de ser o próprio patrão. Ter consciência que o para iniciar um negócio?. diretas sobre o tempo disponível para a UNIDADE 3 89 . Conseguir que o o arranque do negócio: retorno do seu trabalho reverta para si e autoconfiança e autodisciplina suficientes não para terceiros. colaboradores. Está preparado para o desgaste físico e emocional de várias motivações que leva um de uma atividade que o vai ocupar empreendedor a optar pela criação a tempo inteiro (com consequências do seu próprio negócio. não basta querer. Querer bene- necessidade de ter que tomar decisões ficiar da aprendizagem proporcionada em pouco tempo e. frequentemente. mas sim a combinação para o sucesso de um negócio)?. Mesmo que alguém reúna um conjunto de características que permita defini-la como empreendedora tem um longo caminho O porquê de se tornar empresário? Que razões poderão levar alguém que se encontra numa situação profissional a percorrer até se tornar empresário.

o canal de batalha onde vamos exercer a atividade distribuição ou o cliente-alvo. Pode nos permita conhecer e fixar o campo de ser o mercado geográfico. os enriquecedor para a concretização nichos de mercado a abordar. 90 UNIDADE 3 . dos em definitivo. para posteriormente analisar Se respondeu afirmativamente às segmentos mais específicos. Como fazê-lo? e de disponibilidade de tempo que ele representa?. nem uma prova “off-road” a satisfazer refletem-se em produtos com um carro desportivo. As necessidades fora de estrada. de fazer um plano que possíveis da nossa empresa. Para necessárias à concretização do seu determinar o âmbito de atuação da nossa negócio?. Possui (ou identificou O ponto de partida: determinar os quem possua) as competências técnicas critérios de análise do negócio.Produto. os nossos recursos e capacidades e a atividade que escolhermos para competir. amigos e lazer)?. com exigências e níveis de conseguir o ajustamento adequado entre equipamento muito distintos. Um método questões anteriores está apto a passar à de segmentação passa por analisar e fase seguinte – iniciar a planificação do integrar os três grandes eixos do negócio seu negócio. Teremos de propostas a apresentar aos clientes. Mercado e Tecnologia: Definição e posicionamento do negócio • Produto (O necessidade a Quê? Qual satisfazer?) - a É necessário avaliar os distintos “quês” que desenvolvem as empresas que Nunca ganharemos uma corrida de pertencem ao tipo de negócio que velocidade em circuito conduzindo um pretendemos instalar. como funcionamento do seu negócio? algo que transcende o produto ou serviço. • Mercado (Onde? Qual o mercado.Empreendedorismo família. vários âmbitos de atuação empresarial. o negócio deve ser inicialmente financiamento necessárias ao arranque e entendido em sentido amplo. . as escolher aquele que resulte mais alternativas tecnológicas a empregar. a definição do negócio e o seu apóia-o neste negócio e está preparada correto posicionamento são condições para as consequências a nível financeiro básicas para o sucesso. A sua família Assim. Já identificou as fontes de empresa. Trata-se. o cliente-alvo?) – Os critérios A definição do negócio exige a de classificação do “onde” podem clarificação de “o que vamos fazer”: as também ser múltiplos. é fundamental concretos. o canal.

concentrando-nos particular. devemos começar a concretizar empresa que queira conquistar cada um as distintas alternativas que cada variável dos nichos de mercado identificados. complexas e sofisticadas. e percebida em cada segmento. fatores de êxito – Já escolhemos algumas variáveis que nos permitem segmentar o A escolha do terreno: os âmbitos de negócio potencial. nos apresenta. para identificar os componentes da qualidade • A necessidade a satisfazer.que Quais as alternativas tecnológicas?) – diferentes Existem alternativas tecnológicas que empregar? Quais as vantagens e apresentam graus muito diferentes de inconvenientes de cada uma? Que aceitação e representam vantagens/ condicionantes nos são impostos pela inconvenientes muito variados. atuação onde vamos concorrer – Uma vez estabelecidas as variáveis que nos É chegado o momento de estabelecer permitirão escolher um “campo de os requisitos que deve cumprir uma batalha”. que consomem a varejistas? Há lojas especializadas baixas quantidades e exigem embalagem ou supermercados? Há segmentos cuidada e qualidade superior? mais altos ou mais baixos? UNIDADE 3 91 . é fundamental colocar-nos no inter-relações: lugar do cliente e do mercado. que exigem produtos/serviços de maior valor Uma pequena empresa artesanal poderá acrescentado? responder às exigências de volume e preço de uma grande mercado? Ou • O Mercado (onde/a quem) – poderá uma empresa de grandes volumes que alternativas existem? Quais as comercializar com êxito em pequenas diferenças entre vender ao público ou lojas especializadas.• Tecnologia (Como produzir? • A alternativa tecnológica . e a perceber as suas Para tal.queremos apontar à a cumprir para ter êxito nesse terreno em necessidade básica. Há concretização do “quê” e do “onde/a que perceber que opções existem quem”? (uma prospecção da tecnologias podemos tecnologia utilizada pela concorrência é de Procurar os motivadores de compra / extrema utilidade). Escolher o segmento errado e assim num segmento de qualidade competir num âmbito que não é o nosso mais baixa. Assim consequentemente o produto/serviço perceberemos quais os critérios básicos que a satisfaz . ou a necessidades mais é frequentemente causa de fracasso.

ajuda-nos a determinar se a nossa posição competitiva é razoável Erros frequentes do empreendedor: hoje e tem possibilidade de melhorar no futuro. onde a rivalidade é enorme. avaliar onde é mais aconselhável Identificar os competidores e localizá-los desenvolver a sua atividade. Podemos empresa requer em simultâneo analisar descobrir “desocupados” metodicamente as características do onde podemos apresentar uma mais- setor. já instalados no mercado ou que. O empreendedor de funcionamento. Para isso em cada segmento há que ser o mais objetivo possível e. perceber como se a conhecer Há agora posicionam que os Neste último passo o empreendedor competidores em cada segmento. saberemos âmbito ou âmbitos em que uma nova quem está onde. Conhecendo o seu modo sobreviver e triunfar. perceber Este passo requer um grande esforço de se é possível responder com eficácia às recolha de informação e conhecimentos exigências de cada segmento. e determina o seu negócio. partindo do autoconhecimento. pelos 100 metros ou investigação permitirá identificar algumas pela maratona. As nossas próprias capacidades são o previsivelmente. podemos avaliar as tem de estar consciente de que criar uma nossas possibilidades de êxito. de escolher o campo de operações. Antes de mais porque 92 UNIDADE 3 . Só assim poderá optar. e se a conseguimos localizar num Acreditar que basta uma ideia e dinheiro segmento que seja atrativo agora e no para ter um negócio . É o momento próprias competências e recursos. Esta com bom senso. segmentos das ameaças e oportunidades do nosso negócio. Se o fizermos bem. sobre os competidores a enfrentar. ou encontrar segmentos saturados de si mesmo. e ter um conhecimento profundo valia. se venham a instalar no ponto de partida para a definição do curto prazo. Já avaliou os confrontar as exigências particulares de aspectos mais gerais e aprofundou os cada nicho de mercado com as nossas detalhes de cada segmento. erro é assumir que uma boa ideia somada a algum capital significa necessariamente um bom negócio.Empreendedorismo Começamos assim as Escolher o âmbito de atuação em função exigências e os fatores críticos de êxito da sua atratividade e das capacidades do em cada segmento (trinômio produto/ empreendedor mercado/tecnologia).O primeiro grande futuro. e quem vai melhor ou empresa terá vantagens que lhe permitam pior no setor.

tentador. quando surgirem estarão dispostos a mudar mesmo que os isso implique uma alteração no seu estilo inevitáveis). partir do princípio que os consumidores De forma a que. reflexão sobre as nossas competências e limitações. Um erro frequente é claramente a hierarquia da organização. um trabalho de escuta Nada melhor do que ser realista nesta a avaliação para enfrentar da melhor forma potenciais e/ou sócios. ou no terreno dos após este trabalho prévio se concluir grandes. sem Assumir que o mercado é perfeitamente hierarquia nem chefes. que um novo uso para um produto. fornecedores previsões econômicas. as dos concorrentes. Se com os grandes. estes sejam ultrapassados de vida e hábitos de consumo. Para passar da ideia ao projeto Ter dificuldade em assumir as próprias existe um grande esforço de diagnóstico limitações . Já erro frequente é superestimar algumas um projeto exige adicionar à ideia inicial das suas capacidades ou competências uma reflexão apurada sobre a adequação subestimando ao mercado. é racional e que pensa e age como nós .Procurar o êxito competindo e de desenho do novo negó¬cio. e que seguem os seus critérios de quem dá a cara.O aconselhável pensar.Um um novo artigo para comercializar. criar uma “empresa de amigos”. no arranque de um negócio. quando se é pequeno. É vital saber quem todos os agentes agem racionalmente manda. Superestimar as suas capacidades . O viável do ponto de vista econômico e segredo está em definir o negócio com financeiro. será possível criar uma em¬presa com boas possibilidades Indefinição na hierarquia da empresa . É preciso com maior facilidade sem criar “traumas estar consciente que as tendências organizativos” ou afetar a estrutura sócio-culturais não evoluem em função acionária da empresa. dinheiro necessário. é causa que o projeto é coerente. a empreendedor não deve assumir que médio e longo prazo.é necessário perceber que uma ideia não forma realista. desde o início. clientes. então. os desafios que vão surgindo. É nossa obrigação antecipar essa evolução e ocupar o nosso Ter demasiados tripulantes no barco - espaço no mercado.É de vir a ter sucesso. informada e sem excesso é um projeto: uma ideia não é mais do de otimismo. juntamente com o consciência das suas limitações. uma alternativa tecnológica para um processo. mas sempre de Os jovens empreendedores têm uma UNIDADE 3 93 . em resumo. primeiros problemas (que são do nosso pro¬jeto. quem assume responsabilidades. Contudo. definir racionalidade. vendável e de fracasso de muitas empresas.

)?. cabem todos” (o irmão.). a inovação uma boa planificação e organização e um UNIDADE 3 . conhecimento mercado. que nos permita satisfazer necessidades É possível substituir este elemento por concretas. “Nesta empresa meio que: origine efetiva criação de valor. nem um técnicas e de gestão. poderá ser útil responder O melhor projeto de empresa é o que a algumas questões relativamente a funciona e sobrevive. experiência profissional. de apoio a PMEs. o permita satisfação de necessidades reais primo. De outra forma. Contudo. Há que evitar a “tecnoluxúria”. análise custo-benefício da “substituição”)? Assumir que inovação é tudo . marketing. a namorada. Para ter a certeza que a estrutura é etc. Neste momento do mercado. Inovação não é só tecnologia: é também do novo sem uma gestão. Só com uma resposta integral outro que já esteja no projeto e que que considere em simultâneo todos estes tenha competências mais abrangentes. os amigos. Normalmente a inovação arriscado. Sem este um “Onde”. contribua efetivamente da empresa o planejamento deve ser para o sucesso do projeto. o contrário: a estrutura deve ser a estritamente necessária. Não há garantias de sucesso. Um carteira de clientes. subentende uma majoração em projetos Contudo. um “A quem”. serviço. ao negócio. nem um processo inovador. do mercado. regra geral.. etc. um “Como”. rede de contactos. mas sim um estrutura da empresa. atendendo cada um dos participantes no projeto: O que traz ao projeto (em termos de Confundir Negócio com Produto .Empreendedorismo tendência natural para “engordar” a não deve ser um fim em si. O melhor projeto não tem de ser o montada exclusivamente mais “tecnológico” ou o mais “atraente”. a desperdiça-se a grande vantagem que é incorporação partir do zero (relativamente a empresas contextualização empresarial. estratégia.. aspectos o empreendedor pode acertar ou recorrendo ao outsourcing (fazer no desenho da nova empresa. uma empreendedor. haja efetiva satisfação de necessidades.Um perfil competências negócio não é um produto. elemento o que é que o projeto perdia?.A inovação Razões que levam um negócio a falhar só por si é habitualmente encarada 94 como algo positivo na avaliação de O “start” de um negócio é sempre uma empresa. estruturas mais pesadas). recursos financeiros. sem que já instaladas que têm. Um negócio é tudo isto e muito mais. a visão do empreendedor. negócio é a conjugação de um “O quê”.

Baixo volume das a equipe mais adequada. Selecionar empresa. Definir uma empresa. Concorrência. UNIDADE 3 95 . Má localização do negócio. Utilização pessoal o Plano de Negócios. muito. em capital fixo. de causas que são responsáveis pela Crescimento não êxito nenhuma receita seus objetivos e às características do âmbito de atuação escolhido. empresa da forma que melhor se ajusta aos inesperado exista empresarial. Sobreinvestimento metodicamente o seu campo de atuação. Elaborar negociação de crédito. de forma rigorosa e (por parte do empresário) de fundos da utilizando cenários realistas. Fraca ou insuficiente tal como foi sugerido nesta lição). muitos mais. da estratégia clara para a empresa.bocadinho de sorte contribuem bastante Como evitar o insucesso? São mais. os que falham na para o sucesso empresarial… criação de um negócio do que os que É possível identificar um conjunto alcançam elevado Embora elevada mortalidade de novas empresas milagrosa. há algumas regras que ajudam dos primeiros 2-3 anos de vida: Falta a prevenir o insucesso de um negócio: de experiência do empresário. Capital Preparar o início do negócio (analisando as insuficiente. Má motivações do empreendedor e definindo gestão dos estoques. E trabalhar. Organizar a vendas.

albeit uma análise crítica. é positivo e importante para o and regions. espírito empreendedor. spirit.Empreendedorismo EMPREENDEDORISMO E INTRA-EMPREENDEDORISMO É PRECISO APRENDER A VOAR COM OS PÉS NO CHÃO Autor: Edmundo Brandão Dantas4 Resumo: O artigo empreendedorismo do discute Abstract: This article discuss the como entrepreneurship in the way it is presented é apresentado no Brasil. É professor-adjunto da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. a partir de in Brazil. what takes us to the Mas não é fácil ser empreendedor. na tentativa de stimulating a deeper reflection about it. Foi gerente de Marketing da Telebrasília. leva à necessidade de se pensar melhor in order their adepts be not surprised o empreendedorismo. 96 UNIDADE 3 . o que need of thinking entrepreneurship better. be an entrepreneur. in an attempt of do empreendedorismo. no entanto. mas também as desvantagens of entrepreneurship.words: entrepreneurship. Key. especialista em Marketing pela FGV-DF e em Comunicação Social pelo CEUB-DF (atual UniCEUB). entrepreneurship Palavras-chave: empreendedorismo. free from the romanticism and over- do romantismo e da supervalorização valuation generally present in the reviews. articles and lectures about the subject. estimular uma reflexão mais aprofundada Entrepreneurship is useful. geralmente resenhas. but also the disadvantages vantagens. intra-empreendedorismo. However. para que os seus when they become entrepreneurs. isenta. intrapreneurship. mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. 4 EDMUNDO BRANDÃO DANTAS é doutor em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília. economista (AEUDF – Atual UNIDF) e engenheiro de telecomunicações (INATEL). The article emphasizes not only the Nele são enfatizadas não apenas as advantages. presente modo o nas adeptos não sejam pegos de surpresa ao se tornarem empreendedores. it is not easy to desenvolvimento de países e regiões. O empreendedorismo important to the development of countries é útil. from a critical analysis. positive and a esse respeito. artigos e palestras sobre o assunto.

nos um dia acabará. o que. O presente trabalho objetiva apresentar mitos e jargões de moda. supervalorização comumente presente ser incorporados pela análise do empreendedorismo nas resenhas. para que os exacerbada seus adeptos não sejam pegos de surpresa das acreditamos. é positivo e importante para o Até porque. do empreendedorismo criam-se gurus de última hora. nem do empreendedorismo. Em algum momento empreendedorismo é mostrado como o passará. condições mais justas com os grandes o banaliza sobremaneira. a esse respeito. uma UNIDADE 3 ao se tornarem empreendedores. as entidades que impuseram e começam a se organizar o promovem associam-no ao esoterismo em blocos para poderem competir em e à auto-ajuda. O passa de modismo. na tentativa de como solução para problemas como o estimular uma reflexão mais aprofundada desemprego. entidades que o promovem como um modismo. o desenvolvimento de países e regiões. até que novo modismo programas especializados que passam na surja. O empreendedorismo “moderno”. mas também as desvantagens como algo realmente inovador. tratam do assunto. que passam uma a sociedade do modo como é apresentado no empresarial como se fossem sérios e Brasil. Sob a redoma blocos econômicos. 97 . somos apresentados parece ser um filhote da globalização – a uma visão do empreendedorismo que também. O empreendedorismo é útil. uma onda passageira que poderá durar muito tempo. considerando que as nações do bálsamo para todas as dores. palestrantes superficiais.Introdução oportunidade de obter visibilidade junto ao mercado. estão para todos os problemas. não que beira as raias do romantismo. no nosso modo de ver. porém sem o romantismo e realmente importantes. mesmo as mais humildes. empreendedorismo como relevante para o momento que caracteriza este início Nele são enfatizadas não apenas as de século. mas que Constantemente. se conscientizando gradativamente dessa armadilha que os americanos lhes Como se não bastasse. por exemplo. nas palestras. televisão e nas revistas e periódicos que se é que podemos chamá-lo assim. novidade. não conseguimos enxergá-lo vantagens. empreendedorismo não traz nenhuma Mas não é o mar de rosas que apregoam. Encaramos essa preocupação Precisa ser melhor pensado. a solução mundo. de certa forma. artigos e palestras sobre o Ainda que entendamos o assunto.

rentistas e capitalistas. pelo economista irlandês Richard Cantillon. Em empreendedor no centro”. segundo o qual o “entrepre- a eficiência e o empreendedorismo. junto com os demais apud Machado (2007). o norte-americano Frank Knight afirmou que “o que distingue o empreendedor é a capacidade de lidar com a incerteza”. usada pela primeira vez em 1725. afirma que: que antecipa necessidades futuras”. reconhecido por muitos Brue (2005) também realçou essa historiadores como o grande teórico da preocupação permanente de Say com economia. neur é o indivíduo que assume riscos. escassos na sua concorrência para obter além de sua enorme contribuição ao e proteger suas posições de monopólio. “É o primeiro economista da oferta”. produtividade baixa para um setor mas de produtividade mais elevado. o economista francês Jean- custos do monopólio ao apontar que Baptiste Say (1767-1832). Finalmente. A seus olhos. em seu artigo “O fatores: terra. cada um pode desempenhar uma dessas funções num momento ou outro. Ele insiste nas condições da produção. Na visão de Best (2007) fator de produção. O termo “empreendedor” é derivado da palavra francesa entrepreneur. Knight classificou três tipos de incerteza: O risco. Para os clássicos do século XVIII. que dirigiu a coletânea universitária JeanBaptiste Say. publicado na 1871. afirma Jean-Pierre Potier. a sociedade se dividia em trabalhadores. pelo que se sabe. trabalho e capital. nouveaux regards sur son 98 também Say usaram os contribuiu recursos para o Em 1921. mas na verdade ele vai muito além. Jean-Baptiste Say recusou essa visão. ao enfatizar para o bom funcionamento do sistema o empreendedorismo como o quarto econômico. valorizando o papel do empreendedor. usou a palavra os monopolistas não apenas criaram o para identificar o indivíduo que transfere que atualmente chamamos de perdas recursos econômicos de um setor de de eficiência (ou perdas de peso morto). economista austríaco edição de 15 de fevereiro de 2007 da definiu o empreendedor como “aquele revista francesa Challenges. Carl Menger. Say.Empreendedorismo Uma Rápida História do Empreendedorismo oeuvre (Éditions Economica). desenvolvimento da teoria econômica.” afirmando que o economista francês contribuiu para a teoria moderna dos Em 1814. Jean-Baptiste Say costuma ser descrito como um seguidor das idéias de Adam Smith. que é mensurável estatisticamente (como a probabilidade de UNIDADE 3 . enfatizou a importância do empreendedor pensamento econômico. Esse enfoque será retomado posteriormente pela escola neoclássica.

merecendo (como a probabilidade de sortear uma bola destaque a questão sobre o cálculo vermelha de um recipiente cujo número econômico. o sistema de o mercado para negócios relacionados preços desaparece deixando os agentes à Internet. o Yahoo etc. conduz a um bebidas à base de cola (que foi criado processo de descoberta das condições pela Coca-Cola). recipiente contendo 5 bolas vermelhas e Ludwig von Mises. mas. sem a orientação mais importante para o YouTube. falta de “empreendedor é o tomador de deci- clareza quanto ao que pode acontecer. sociais. uma como o número de bolas de outras cores). afirmou que. Trata-se. de uma explicação de como mas com um número desconhecido de se formam os preços e não sobre como bolas brancas). cujo mercado nunca economia de mercado. nidades e mercado nessa tecnologia. Para ele. ninguém conhecia por decisões burocráticas. num regime em (ou ainda não) existe. A ambigüidade. o Entretanto. que é impossível de humana abrange todos os aspectos se estimar ou predizer estatisticamente das ciências econômicas. vez que este não conta com um sistema de formação de preços de mercado. o 5 bolas brancas).sortear uma bola vermelha a partir de um Em 1949. Mises analisou a formação dos de medir estatisticamente (como a proba- preços até o ponto em que as pessoas bilidade de sortear uma bola vermelha de fazem as suas escolhas. sobretudo. mesmo que um mercado já empreendedorismo envolve não apenas exista. difícil sões”. UNIDADE 3 99 . particularmente barato só pode ser identificado mediante quando envolve trazer algo realmente um sistema de preços gerado numa novo para o mundo. as suas escolhas. o mais eficaz ou mais incerteza verdadeiras. assim mente. a ação Incerteza Knightiana. a inviabilidade do socialismo. digamos que um mercado para risco. o Google. não há garantia de que produtivas e das oportunidades de um mercado existe para um novo player mercado por parte dos próprios atores em particular na categoria de colas. Mises demonstrou. Somente depois que a Internet emergiu foi que as pessoas começaram a ver oportu- Já para Friedrich von Hayek (1959). Por exemplo: que as trocas voluntárias são substituídas Antes da Internet. também austríaco e economista. na um recipiente contendo 5 bolas vermelhas verdade. O que se verifica em grande parte das Por exemplo: se para a produção de um vezes é que os atos de empreendedo- determinado bem existem dois métodos rismo são sempre associados com a de produção. como a Amazon. A Incerteza Verdadeira ou eles deveriam se formar. clara- de bolas vermelhas é desconhecido. outro economista austríaco.

A destruição criativa. com diversos autores sobre a economia.Empreendedorismo Um pouco mais tarde. Muitos empreendimentos de risco Assim. Joseph Schumpeter. Schumpeter e. investiam nas produções da Broadway. geral- o empreendedorismo mente em resposta a oportunidades largamente como um player integral identificadas. se que a destruição criativa não é uma quando homens de negócios muito ricos tarefa fácil. o empreendedorismo força a para a geração de empregos e para o destruição criativa através dos mercados crescimento econômico. Na cultura particularmente novos negócios. o que Schumpeter (1950). é visto e indústrias. de longo prazo. e que geralmente oscilam 100 UNIDADE 3 . simultaneamente. através da intro- individuais (mesmo que envolvam o dução de novos produtos ou serviços empreendedor apenas temporariamente) em substituição aos que eram utili- até zados. obteriam se investissem em investimentos diferentes. em todo o mundo. além substancialmente depen- de um envolvimento mais profundo dendo do tipo de organização que se no negócio. Para Schumpeter apresentando várias contribuições sobre (1950). criando. podia ser sintetizada destaca a sua importância no mercado. um retorno maior do que está criando. voltou a vêm abordar o empreendedor e seu impacto mais recentes. na visão de oportunidades de emprego. particularmente. como um motor (1950). a destruição criativa é grande- buscam capital de risco ou angel funding mente responsável pelo dinamismo das para levantar capital para construir o indústrias e pelo crescimento econômico negócio. contudo. a qual se dá através este vem alcançando desde projetos da mudança. o Os angel investors são indivíduos que que torna as atividades empreendedoras investem em negócios. outro economista As discussões sobre o empreendedorismo austríaco. O termo angel vem de uma prática Ao longo do tempo. maiores. tarefas teóricos do discutem os empreendedorismo. grande parte dos novos negócios falha. que criam na prática de se criar novas organizações ou de revitalizar organizações maduras. buscando. ou seja.: se perpetuando até os dias que deseja e é capaz de converter uma nova idéia ou invenção em uma inovação Enquanto os bem-sucedida e sua principal tarefa é a meandros “destruição criativa”. verificou- que ocorria no início dos anos 1900. conforme ilustra a tabela 1. novos produtos e modelos de negócios. Afinal. tradicionais. um empreendedor é uma pessoa o assunto. Segundo da vida americana.

que permeia US$150. entre 20% a 30%. ele existe para o atuais foram criadas para apoiar futuros empreendedores. Muitas a história do empreendedorismo é: se organizações um mercado existe. 1966 Rotter Identifica o locus de controle interno e externo: “o empreendedor manifesta locus de controle interno”. 1973 Kirsner “Empresário é alguém que identifica e explora desequilíbrios existentes na Economia e está atento ao aparecimento de oportunidades”. afiliação e sucesso (sentir que se é reconhecido). investindo muito tempo e capital em algo incerto.ANO AUTOR CONTRIBUIÇÃO 1961 Mc Clelland Identifica três necessidades do empreendedor: poder. Grande parte desses incluindo agências especializadas do investidores empreendedores governo. desejam parques científicos e algumas ONGs bem-sucedidos são que ajudar outros empreendedores a fazer com que incubadoras de empresas. 1985 Sexton e Bowman “O empreendedor consegue ter uma grande tolerância à ambigüidade”.5 milhão. UNIDADE 3 empreendedor? 101 . e afirma que: “o empreendedor manifesta necessidade de sucesso”. 1970 Drucker O comportamento do empreendedor reflete uma espécie de desejo de uma pessoa em colocar sua carreira e sua segurança financeira na linha de frente e correr riscos em nome de uma idéia. Tabela 1: Contribuições para o entendimento do empreendedorismo.000 e US$1. para prosseguir autonomamente na procura de influenciar a sua envolvente para produzir os resultados desejados”. seu negócio decole. (Organizações Não-Governamentais). mas usualmente situam-se entre Uma pergunta pertinente. 2002 William Baumol “O empreendedor é a máquina de inovação do livre mercado”. Os valores investidos variam. 1986 Bandura “O empreendedor procura a auto-eficácia: controle da ação humana através de convicções que cada indivíduo tem. 1982 Casson “O empreendedor toma decisões criteriosas e coordena recursos escassos”.

Empreendedor”. que o objetivo empreendedores e concluíram que eles dominante da organização que opera no são pessoas difíceis e pragmáticas guiadas modo empreendedor é o crescimento. engenhosidade e desembaraço. pode-se concluir. à o promotor super-otimista e o construtor oportunidade de organização. São astutos. Uma necessidade de realização e por um forte vez que os objetivos de sua organização impulso para construir. como por uma mesmos. eles reportaram que 81% dos entrevistados indicaram que seus diferenciais de sucesso eram superiores a 70% e que 33% deles só admitiam o sucesso. Woo discutiram que e Dunkelberg os (1988) empreendedores exibem extremo otimismo em seus processos de tomada de decisões. (McCLELLAND. decepções. mas construir um império”. são simplesmente uma extensão de si empreendedor primeiramente descreveu personalidade. a por necessidades de independência e mais tangível manifestação de ascensão. isto é. diz um presidente. propensos a insights. Cole (1959) apontou a existência de quatro tipos de Todos esses tipos não estão relacionados empreendedores: o inovador. “Vamos enfrentá-la”. da revista Fortune. criativos e racionais. empreendedor. “Nós somos construtores de impérios.Empreendedorismo O Empreendedor e o Ego Empreendedor Bird (1992) vê os empreendedores como instáveis. impulsos. McClelland (1961) que mas ao aparece tipo para de o o De acordo com Mc Clelland (1956). brainstorms. aos empreendedores. oportunistas. 1956. 102 A maioria dos presidentes jovens têm mais urgência em construir do que em manipular: “A expansão é um tipo de doença entre nós”. o inventor. Em um estudo com 2994 empreendedores. A tremenda compulsão e obsessão não é fazer dinheiro. 25): Cooper. conforme Collins e Moore (1970) estudaram 150 McClelland (1956). o motivado empreendedor é motivado acima de irresistível tudo por ascensão profissional. diz outro. Busenitz e Barney Especialistas que estudam a personali- (1997) alegam que os empreendedores dade empreendedora mostraram que são propensos a serem super-confiantes e certos traços parecem ser associados inclinados a generalizações exageradas. UNIDADE 3 . Eles raramente concordam em Como bem frisou em seu artigo “O Ego se submeter a alguma autoridade. p.

1). obter crédito é fácil e outras capacidade empresarial. O resultado disso se reflete pré-capitalistas. pelo modo como ele é relações interpessoais de seus dirigentes. praticando atividades de em um mercado que parece formado por subsistência. São. conjunto de idéias específicas interligadas É quando o ambiente institucional é frágil não disponíveis para o mercado.Pode-se verificar. em geral. mas negócio privilegiadas sim que uma boa favorece Finalmente. Esta é a forma de empreender do futuro porque somente o conhecimento une o espírito animal empreendedor à alma do negócio do ambiente empresarial. Há o empreendedorismo inercial. os negócios que passam Ser empreendedor é bom. “bombardeado” de informações irreais. e passam a viver em condições desvantagens. é quando o acesso a oportunidades desenvolve o Enfatiza-se nos livros e artigos. mas também as suas economia. e que apresentam uma Há empreendedorismo por vocação. p. É quando as pessoas encontrar. Há nidades do mercado. ou exemplo. o escambo ou a pirataria. alma tributárias sucesso do do empreendimento. por instinto empreendedor das pessoas. que a oportunidade de mercados preferenciais que viabilizam manter-se sempre para frente é. documentos que não têm liberdade. que o empreendedor tem uma seja. o mercado é de pai para filho independentemente de promissor. há pelo Os artigos e livros que tratam do empreen- menos quatro motivos para o empreen- dedorismo costumam apresentá-lo como dedorismo: empreendedorismo a solução para todos ao males. UNIDADE 3 103 . empreendedor. Segundo Falcão (2008. É raro por necessidade. por exemplo. Quer dizer. Isto se e as empresas prosperam com base nas torna verdade. o ambiente legal cria de vista dos diversos autores aqui estruturas apresentados. Características e Contribuições do Empreendedorismo e empreendimento. É percepção pouco condizente com a reali- quando há liberdade de acesso às oportu- dade da vida empresarial. pessoas iludidas. a especialidade em saber identificar visão entusiástica. segundo os pontos Nesse caso. a principal o vantagem percebida por aqueles que mesmo quando não existe um espírito optam pela vida empreendedora. entendida como discutam não apenas as vantagens do capacidades mínimas de inserção na empreendedorismo. há o o empreendedorismo pelo conhecimento. usualmente sustentada por um negócio. força maior de uma possibilidades e calcular os riscos do empresa. coisas do gênero.

considerando que o forte do funciona como um banho de água fria empreendedor não é o planejamento no espírito empreendedor. entretanto. que tende a estratégico. A Afinal. entretanto. O seu planejamento é moldado às contingências do ambiente. o por natureza. à medida que os infelizmente mal informado. repensa seu modo de dessa afirmativa. ao começar a entender senão: essa promoção da visão com a rudeza do mercado. Eles parecem não finanças. disputa desleal de e entidades que estimulam o empreen- mercado. faz com que o empreendedor se retraia. ainda que nem sempre Com o passar do tempo. as necessidades assume a responsabilidade inicial de do mercado/clientes e a importância do tornar a visão bem-sucedida e que trabalho em equipe. com persistência e positivo e um tomador de decisões. falta dedorismo. visão sonhadora. Há. por ser afirmativa é correta. usualmente. paixão. não é mesmo o forte de dos empreendedores. talvez. mas real. o otimismo. mão-de-obra ineficiente. forjado. O empreendedor. empreendedor é que ele começa a se realidade bate na cabeça do preocupar em buscar informações sobre 104 Há quem afirme que o empreendedor a avaliação de custos. determinação. ter a paciência exigida para tal. um entusiasta. são da ações do tipo apaga-incêndio. o empreendedor é mesmo de assunção empreendedor é aquele que elabora de responsabilidade quanto a tornar sua um plano geral claro para realizar a visão bem-sucedida. pela propa- discurso arrefece: impostos e taxas em ganda enganosa das grandes empresas excesso para pagar. passa a assumir tanta pouco riscos com mais prudência. desconhecimento desconhecimento de Ainda que os grandes teóricos sobre Outra realidade do empreendedor é o que ele promove a visão com paixão que entusiástica. tem um empreendedores costumam ter uma discurso inicial excessivamente otimista. flexíveis e mutáveis. já que descobre é. Essa situação cruel. em grande parte das vezes. desenvolve estratégias para tornar a que visão em realidade. O discurso inicial do ser como empresário. um pensador UNIDADE 3 . Realizar planos de ação deta- de lhados. visão. um único empreendedor. quando a dura consigam realizá-la por excesso de realidade do mercado mostra a cara. Discordamos parcialmente nesse momento. Somente quando a percepção clara as ações. Este fato tempo. dura apenas assunto afirmem categoricamente empreendedorismo é risco. ainda que detalhamentos possam ser incompletos. planejamento. marketing.Empreendedorismo Sob a ótica da maioria dos autores. O empreendedor é adaptativo perder o élan inicial.

de desejável. e que seria discordamos que o auto-emprego. O mais curioso é que rismo são pródigos em apontar as vanta- os empreendedores. quando essa oportunidade chega. tado são empresas que abrem e crescem o empreendedorismo brasileiro. que muito rápido. Entre as dessas empresas. de acordo como consistente. de mas não no trabalho e flexibilidade para a força de trabalho. reais capacidades e limitações. o que pode ser colocam uma empresa “no ar”. na darmos que essa pode ser uma vantagem. As pessoas que nelas trabalham o fazem por simples falta de uma oportunidade melhor. entretanto. O resul- Diante de tantas situações adversas. mas que são limitados ao geri-las. contribuições que ele oferece. aqueles empreendedores que montam seus negócios baseados em estudos O que se vê no mercado. sequer se preocuparem com estudos uma pessoa preparada e ciente de suas de mercado. são de mercado e planos de negócios empreendedores que têm uma grande superficiais. Em que pese concor- emprego. proporção que poderiam. acontecer. mas. As administradas. de fato. satisfação no trabalho e flexibilidade para indústrias e produtos e a criação de a força de trabalho. de gerar auto-emprego.que o seu conhecimento é limitado e o empreendedorismo gerar “enorme” que ele deveria ter procurado uma ajuda (mantemos a palavra. empresários donos gens dessa proposta de gestão. São notórios os casos de micro e Vantagens e Desvantagens do Empreendedorismo pequenas empresas que apresentam grande rotatividade de pessoal por insatisfação. raramente fazem alguma mais destacadas está a possibilidade de coisa para reter os bons empregados. capacidade de erguer empresas. antes de abrir seu negócio. a Outra vantagem alardeada nos livros sobre descoberta de novas fontes de materiais. são usadas nos livros sobre o assunto) Não são raros os empreendedores que ganho financeiro pessoal. elas não vacilam nem um segundo em Os livros e artigos sobre empreendedo- mudar de empresa. empreendedorismo é a sua capacidade a capital. UNIDADE 3 105 . sem verdade. perde parte de sua força. Não são raros também. se o empreendedor for. possa garantir mais satisfação mobilização recursos acontecem. mas que morrem também poderia ser de grande utilidade para muito rapidamente. modo geral. como o desenvolvimento de novos mercados. porque não são bem o país. oferecendo mais a introdução de novas tecnologias.

entretanto. empregabilidade. processo de exportação no Brasil é tendem a não perceber a importância altamente complexo e burocrático. salvo raras produtos para exportação. em risco o patrimônio que levaram muito o empreendedorismo talvez qualidade bens acabados para consumo alta tempo para construir. Desenvolvimento máquinas e de equipamentos UNIDADE 3 . não se adequarem rapidamente. investimentos exceções. que encontram mercado vê é a geração de subempregos. alta rotatividade. estas não se produtividade. bem como para exportação. Mas essa vantagem econômico. mas daí a afirmar que Exemplo disso são as empresas que gere trabalhos melhores parece ser uma trabalham com artesanato de falácia. Na maioria das vezes. das empresas que desenvolvem mal. pesquisas e estudos e desenvolvimento em função de 106 são: Competição Geração saudável. Recrutam de exigir. do Fabricação para estimular o aumento de planejamento deficiente. em geral do processamento de materiais locais em trabalhos melhores. colocando empresas brasileiras. especialmente em regiões desvantagem em áreas rurais ou Outras vantagens. que o informação de duvidosa. além da mão-de-obra especializada.Empreendedorismo Há quem que o defenda também empreendedorismo Uma vantagem importante do gera empreendedorismo é o encorajamento empregabilidade para outros. Encorajamento de mais mantêm e tendem ao fracasso. oferecem treinamento. aos seus capacidade de pagamento. O desenvolvimento de mais indústrias. ainda muitas vezes incompatíveis com a sua assim de baixa qualidade. selecionam mal e. portanto. o que novos mercados. Os empreendedores principalmente no âmbito doméstico. também empreendedorismo é apontado como uma vantagem do de renda e aumento do crescimento empreendedorismo. É inquestionável em que gere doméstico. Mais bens e serviços mudança econômica e as empresas disponíveis. Parece natural. só se sustenta em situações de certa que estimula a criação de produtos de estabilidade. brasileiros. citadas praticamente causada em todos os livros e artigos sobre por mudanças econômicas. respaldados por Há que considerar. empreendedoras. com certo e constante para seus produtos. é que essas empresas assumem dívidas que a rotatividade de mão-de-obra astronômicas e se tornam reféns de seja tão grande nas pequenas e micro bancos por toda uma vida. O resultado empregados. o que se qualidade. Promoção do uso de não costuma acontecer nas empresas tecnologia moderna em pequena escala. Se houver uma radical maior qualidade.

Ao iniciarmos uma disciplina. que podem na gíria. Ninguém quase ninguém mostra. empreendedorismo. mas das teorias relacionadas à gestão. com olhar crítico. Ser contribuir para mudanças significativas empreendedor no Brasil é um verdadeiro em áreas distantes. empreendedoras Redução da economia informal. por conforme certos casos. elas possa gerar todas essas vantagens. Em nossa longa programas de televisão. empresas. mas há inúmeros casos de fracasso. Liberdade em relação desafio. Alguém colocou em empreendedorismo brasileiro. aqui. porque há só a prática. outros. Emigração de talentos pode Mantê-lo. é outra estória. e esses necessitasse conhecer profundamente são em as teorias de gestão. de aprender científica. Montar à dependência de empregos oferecidos um negócio é relativamente fácil e. estatística. bastam disciplinas práticas. como se diz potenciais empreendedores. vantagens absolutas. por exemplo. psicologia. Defendemos que os fracassos não são matemática. Se lá fora suas cabeças que o que vale é a prática e as coisas funcionam melhor. mas incentivam a prática em detrimento o que as entidades e autores adeptos da teoria. Esses. “o buraco é mais embaixo”. UNIDADE 3 107 . pois a forma muitas vezes uma boa estrutura de como elas são apresentadas levam a um incubadoras forte viés de percepção. Concordamos tendem a não estimular o conhecimento que o empreendedorismo realmente teórico aprofundado. Há casos de sucessos. revistas e em experiência como professor universitário cases apresentados em congressos e (são quase 20 anos de experiência seminários sobre empreendedorismo. planejamento estratégico. resultados dessa distorção. como se para ser empreendedor não se Não são. as faculdades e universidades que estimulam o Temos que olhar todas essa vantagens. Na verdade. até barato. cargas tributárias Desenvolvimento menores e uma visão mais clara do e atitudes de qualidades entre empreendedorismo. alunos que que povoam a realidade das micro e acham que para ser um empreendedor pequenas empresas brasileiras. marketing ou que vendem uma imagem irreal do recursos humanos. quer são mostrados verdades constantemente saber metodologia para novas percebemos. entretanto. quase uma luta inglória.modernos para consumo doméstico. ou mesmo as culpa dos empreendedores. acadêmica). ainda que tenham entretanto. legislações melhores. Os cursos passam a idéia do do mesmo tentam mostrar é que tais empreendedorismo de forma superficial. como filosofia. Em nosso país. ser impedida por um melhor clima de empreendedorismo doméstico. como entidades e consultores que os orientam.

não os colocam em prática. quem ganha muito dinheiro é o dono. de sucesso de empresas tidas como que o dono usa em seus discursos e empreendedoras. correta aos empreendedores. Muitos dos principais cases empresa. com o tempo ninguém subempregos. mais se lembra dela. um empreendedorismo predatório que ganha ênfase no início da ativação da gera exploração de mão-de-obra e que. empresas que estimulado. Os empregados vivem em condições muitas vezes desumanas. que promovem Outro ponto inerente ao a confusão clássica entre marketing e empreendedorismo brasileiro que propaganda e entre marketing e venda. a acadêmicos. mas que simbólica e sem qualquer expectativa de são esquecidos na prática de atividade crescimento profissional. Somente o dono. o grande objetivo da terceirização. vira apenas uma frase bonita. portanto. reclamação é inevitável. Não sabem traçar nem ler cenários. O promovem o empreendedorismo. já que gera custos e não é desconhecer transformado em ação. Definem missões e visões. Como se não bastassem situações estratégias e ações e. Os empreendedores divulgam princípios com uma remuneração praticamente que são quase um poema. que marca trabalham Nessas empresas. então. A visão. empresarial. merece reflexão é que ele apresenta o que é fortemente evidenciado em uma idéia irreal do mundo empresarial. Como já nos referimos ser anteriormente. as entidades que fazem. ensinados em cursos de capacitação e Se afirmamos que ela é mais teórica. conceitos básicos de marketing e divulgam absurdos sob o 108 nome de marketing. A missão. quando o tão desanimadoras. no Brasil. em planejamento. referem-se expõe em belíssimos quadros de parede a com e murais. de empresa no horizonte de planejamento.Empreendedorismo a primeira pergunta dos alunos é se muitos modelos de planos de negócio ela é prática ou simplesmente teórica. Trata-se. empresa. pois eles acham que a teoria é dispensável. profundamente o empreendedorismo que deve retratar a razão de ser da brasileiro. mas ser. UNIDADE 3 . o estímulo à criação parecem não entender o sentido real de de tão se ter uma missão e uma visão. mas é esquecida ao longo a manter-se do jeito que é. por exemplo. costumam desnecessária. passa a ser visto vez de contribuírem para uma orientação como uma atividade inócua e. Não sabem definir objetivos. não deveria de sua vida útil. Os empreendedores brasileiros não tem no planejamento estratégico seu ponto Um dos efeitos desse problema pode forte. a nosso ver.

aliadas aos grandes segmento. trabalhem com estruturas enxutas. Como se isso enquadradas como microempresas. pelos motivos já apontados. apresenta uma visão distorcida exemplo. o fato de ele escritos e sem um respaldo técnico contribuir para ratificar. que tem seu suado de algumas informações de mercado. uma dívida eterna que tira o legislação. muitos deles grandes e megaempresários fica dependente dos bancos durante brasileiros. tudo quanto ao que seja realmente marketing. Principalmente as partes não-criação de empregos pelas grandes dos planos de negócio relacionadas ao empresas. dinheirinho em mãos para investir na muitas vezes inexistentes no plano criação de uma empresa. Ainda bons planos de negócio e garantias reais que haja lobbies e esforços no sentido significativas. o falsas expectativas de sucesso. de certa forma. será sucesso. é iludido por de marketing. no nosso entender. o não bastasse. das facilidades de obtenção de crédito. mas não se costuma mostrar o grande número Há um problema sério.Tudo é muito fácil. tudo dá certo. como. para que modifiquem a toda a vida. Empresas de consultoria. de consultoria. por exemplo. “brindadas” com toda a crédito no Brasil. pequenas empresas bem-sucedidas. O plano de empresas de grande porte e corporações marketing. o que não parece ser o caso de tentar mudar essa situação. mal Brasil é. as entidades promotoras do que as isenta das vantagens fiscais desse empreendedorismo. microempresas por natureza. UNIDADE 3 do baseadas como em decorrentes são por enquadradas desconhecimento 109 . por bancos. a convincente. O empreendedorismo passa plano de marketing e ao plano financeiro a ser a válvula de escape para que as costumam ser deficientes. Muita tamanho e segmentos do mercado. O aspirante a micro ou a O plano financeiro. ênfase é dada aos cases de micro e apenas para citar alguns. que também de empresas que não se deram bem no prejudica o empreendedorismo de nosso mercado e principalmente as causas do país: muitas empresas não podem ser fracasso dessas empresas. por ser dependente pequeno empresário. brasileiros. As decisões tomadas empreendedores muitos pequenas Mas o ponto mais preocupante. não se de grande parte dos empreendedores conseguiu “dobrar” os nossos políticos. a não ser que se tenha injusta carga tributária do Brasil. são E todos sabemos que não é fácil obter empresas. no que se refere ao empreendedorismo no planos de negócio superficiais. de modo a estender o status sono das pessoas e que faz com que seus de microempresas também às empresas negócios se inviabilizem. Quando a gente consegue.

nesse cenário. dos altos que surgem a todo momento no país e custos fixos gerados pelos encargos no exterior. estão rapidamente demons- sociais e exploram com a mesma avidez trando que nossas grandes empresas que exploram seus empregados. os processos. é preferível contratar empresas sido a competitividade. Novos concorrentes. desafios empresariais do novo milênio. o O desafio da empresa é conseguir desen- resgate da comunicação e a proximidade volver seus colaboradores. O intra-empreendedorismo da empresa através dos fluxos reais de surgiu como uma decorrência natural do trabalho. como fornecedoras de século mão-de-obra. através do patrocínio e liberdade de ação para agir. assim. de qualidade. o intra-empreendedor busca resgatar empreendedores dentro da empresa. a redefinição clara da missão da empresa. o desmantelamento oportunidade de fazer com que suas idéias das estruturas funcionais e a reorganização se realizem. uma vez que. estimulando as pessoas O IntraEmpreendedorismo a concretizarem suas idéias. inovar e buscar novas oportunidades dos negócios deste início de século tem e negócios para organização na qual UNIDADE 3 . Livram-se. o foco no cliente e no produto. prestadores às ou estarão perdendo competitividade. que são justamente as pessoas que O intra-empreendedorismo é um sistema melhor conhecem a organização. os devem se preparar para a renovação. Trata-se de um método eficiente. Neste como objetivo fomentar a criação de caso. toma a iniciativa de 110 Uma característica marcante no cenário criar.Empreendedorismo Para elas. segundo empresas mergulhadas na burocracia e em Pinchot (1985). empreendedorismo e se impôs como uma maneira saudável para se reagir aos O intra-empreendedor é o indivíduo que. mão-de-obra O intra-empreendedorismo ganha força barata e. O método do intra-empreendedorismo através do uso melhor dos seus talentos também tem se mostrado interessante para empreendedores. não raras vezes. ao invés de tomar a iniciativa de abrir o seu próprio negócio. considerado revolucionário para acelerar as inovações dentro de grandes empresas. mente. essencial- de serviços ligados anterior. de um método que tem estado de estagnação competitiva. o que permite Trata-se. empresas terceirizadoras. porque libera o gênio criativo dos empregados. ou seja. que se mostra de menor porte que trabalhem com bem mais acentuada em relação ao terceirização. dando-lhes a das pessoas aos focos. a empresa valoriza o espírito empreendedor.

ou de profissionais. um elemento eficaz de uma área administrativa específica. é necessário que se quer fazer. geraram O que se espera.trabalha. êxito. É o empreendedor dentro da assumam a responsabilidade pessoal de própria empresa. não obtêm o mesmo rapidamente os diversos níveis de gestão. que foi amplamente empreendedores pesquisado e estudado. dedores parece residir na dificuldade de costuma ser maior do que o da simples se implementarem projetos pessoais e perda de um técnico qualificado. a partir A conclusão disso é que além do preparo das idéias e ações propostas pelos intra- técnico específico para a efetivação de um empreendedores. então. Os intra-empreen- sistemática no negócio. entre o sucesso e o fracasso da empresa. ações. que organização. Planejamento das promover o envolvimento do pessoal. A participação no capital da empresa: à organização. uma vez que apresentaram implementadas. A principal razão de as empresas buscarem O custo de se perder talentos empreen- desenvolver comportamentos empreen- dedores. estes são convidados projeto e de ambiente que garanta condi- a participarem do capital da empresa. os Por outro lado. existem também aspectos tornando-se sócios do empreendimento. Pelo menos três caminhos são apontados Condições ambientais favoráveis etc. UNIDADE 3 111 . pessoais que aumentam a probabilidade A participação nos lucros ou resultados de levar a cabo qualquer desafio e que da empresa: a empresa destina parte se referem à prática de um novo conjunto de seus lucros como prêmio aos intra- de competências. entre as quais Para estimular ou resgatar o espírito podemos destacar: Definição clara do empreendedor na empresa. diferenciando-o e dedores podem fazer toda a diferença mantendo-o competitivo no mercado. podendo atingir medida que a empresa progride. Dependência do apoio de outros. ções mínimas. evidentes sinais de progresso para a que vivam profundamente suas metas. inovadoras e que. entretanto. conforme alerta Pinchot (1985). Essa dificuldade é decorrente de grande número de variáveis. idéias mais criativas. ainda que em condições favoráveis. para alcançar esse envolvimento: A participação na gestão: ou seja. são pessoas ativas. que tem a habilidade implementar novas idéias e transformá-las de manter naturalmente a inovação em sucesso comercial. percebe-se no dia-a-dia empregados com espírito empreendedor que muitos conseguem efetivar seus obje- têm maiores chances reais de subir tivos mesmo com diversas adversidades e na outros.

Nesse para as empresas. O ao de maneira intra-empreendedor premiar os intra- a ele com todo o fervor. que refletem fazem parte de um clube. Parece não portanto. mas método que. como se analisar bem as vantagens do intra- fizessem parte do time desde pequenos. velocidade da ação empreendedora. Vivemos semelhante que permite a realização de muito mais ao dos jogadores de futebol: quando trabalho e mão na massa. em princípio são os Para melhor analisarmos as vantagens do intra-empreendedores) devem ser muito intra-empreendedorismo. Aparecem nas 112 UNIDADE 3 . empenha-se em viabilizá-las. se não conseguirem fazer valer o seu poder Da mesma forma que se deve ter certo de barganha. dedicam-se em maior produtividade. ter empregados desenvolvimento da empresa em que que “vestem a camisa da empresa”. trabalha. empreendedorismo. Equivale a. da empresa em negociar com os bons empreendedorismo. o fervor pelo clube anterior some e os jogadores. transferem o seu fervor cuidado na exacerbação de vantagens ao clube adversário. antes tão fiéis. A ressalva a essa vantagem é que hoje A em dia o ato de vestir a camisa de uma empreendedores. distorcida da realidade desse existir mais uma “fidelidade plena”. a fim de não se ter Os recursos humanos dos dias atuais uma visão excessivamente otimista e. como se nunca mais o fossem deixar. empregados (que. Ao primeiro assédio financeiro de um clube concorrente. uma das o vantagens que nos parece relevante é pró-ativa. a de se ter colaboradores com visão de enxerga a implementação das suas idéias sócios. a habilidade e a possibilidade para todo e qualquer problema. imprime uma nova empresa não é o mesmo do passado. pode ser útil sim uma “fidelidade relativa”. num momento empreendedorismo empresa.Empreendedorismo Vantagens e Desvantagens do IntraEmpreendedorismo entrevistas “beijando” a camisa do clube que representam. e dão entrevistas do deve-se beijando a camisa do novo clube. por acreditar de um negócio próprio. como vimos. é conveniente maiores do que se exigia no passado. mas não é solução caso. são carreiristas por natureza. como nelas e que elas contribuirão para o se dizia antigamente. há a vantagem de se praticar o internamente Sob a ótica da empresa. dedicados como se fossem donos como um desafio pessoal e. que as olhemos sob duas óticas: a ótica da empresa e a ótica do funcionário. Ainda sob a ótica da empresa.

na verdade. deva em brainstorms constantes para a criação gerar trabalhos de qualidade superior. Entretanto. tradicionalmente permeiam ser estimulada. se ela realmente se interessar em preservar Outra desvantagem do intra- aqueles considerados acima da média. o que UNIDADE 3 ainda que considerar desvantagem do uma intra- 113 . já que. Os que que é um problema em termos de troca não caem nas graças dos chefes são de informações entre os funcionários. empreendedorismo é que ele exige dos empregados conhecimento acima Sob a ótica dos funcionários. A auto- psicológica dessas vantagens para os estima dessa mão-de-obra pode ser funcionários. Muitas dessas preocupante do intra-empreendedorismo vantagens exigem uma análise crítica. que os incentivos à inovação e a liberdade nem sempre tem conhecimento suficiente para criar e inovar. sempre relegados ao segundo plano e Sabemos que a competição saudável deve ficam estagnados profissionalmente. por sua vez. que. Os apadrinhados terão mais que a vantagem dos que os não-apadrinhados. o excesso de competição estimula a geração de Há boatos e fofocas e a sonegação de última informações pela obtenção de poder. pode gerar competição excessiva. pois também trazem em seu bojo. o que tolhe o seu papel passivo. Contudo. mão-de-obra menos privilegiada. o não são tão iluminados assim. a participação positivo. é que ele pode gerar “apadrinhamentos”. maioria das organizações. a aprovadas. de funcionários deixando-a. o intra-empreendedorismo de “seres iluminados”. se possibilidade de se ter um menor índice isso acontecer. de novos produtos e serviços e para a pode gerar certo desconforto entre a reestruturação de processos internos. podem gerar falsas algumas desvantagens. nem tudo são flores. as vantagens da média para que as propostas sejam principais são a participação nos lucros.Outra vantagem para a empresa é a equipe são praticamente inevitáveis. Note-se a importância para apresentar boas propostas. de simples “acatadores” empenho em tentar se capacitar para de ordens. Ainda que isso possa parecer participação nas decisões. nas decisões da empresa. e passam a ser co-partícipes melhorar. que. aparentemente. causadas muitas competências e estimular a premiação vezes pelas distorções administrativas injusta. Eles deixam de ter um seriamente afetada. a desvantagem mais Mas. Como primeira Estabelece-se na empresa uma espécie desvantagem. Os empreendedorismo: ela pode estimular impactos negativos sobre o trabalho em a premiação apenas por dinheiro.

Em função dessa reação. do modo como são passados de “mercenários”. da maneira como a duras penas. a empresa corre o risco de ter um exército Hoje. temos certa segurança em afirmar que a globalização não emplacou em sua totalidade. empreendedorismo. se são “vendidos” e estimulados no Brasil organizando para deixarem de ser tão podem modismos explorados. Ao 114 Tanto o empreendedorismo quando conclamar as pessoas à reflexão acerca o intra-empreendedorismo. do carecem de pesquisas mais sólidas. que nem sempre a premiação em ainda possa durar algum tempo. logo. Mesmo dentro dos Estados Unidos. com mais profundidade. mesmo que (1959). Sabemos. que permitam aos adoção desses “modelos” administrativos. Ao fazer isso. com o único intuito de fazer sobressair a hegemonia comercial e industrial Considerações Finais: Empreendedorismo e IntraEmpreendedorismo: Modismos do Século XXI? pergunta nestas que tão contundentes de alguns grandes e importantes blocos. interessados passaram a idéia distorcida de que tudo em estudá-los tirar empreendedorismo e e do intra- estimulá-las à UNIDADE 3 . diga-se de passagem. talvez. outras teorias surgirão. como o bloco europeu e o bloco asiático.Empreendedorismo nem sempre é o desejável. também. Nossa resposta. parecem meros frutos da por dinheiro. haja vista a dificuldade de dinâmicas. Eles também estão. houve reação. E a globalização parece ser estudos de Maslow (1943) e Herzberg um fenômeno passageiro. se encontrar boas referências sobre o O mérito do Século XX foi apenas trazer assunto. conclusões mais claras sobre o seu futuro. ainda que as teorias de gestão em um mercado que sem um respaldo científico mais dinâmico como o deste século são muito aprofundado. com base nos globalização. os americanos lançaram a globalização no mundo. que só trabalham às pessoas. no Brasil. do Século XXI. Há que considerar. empreendedorismo mais complexas. à reflexão. colocamos os países explorados começam a se manifestar no mundo. intra- empregos dignos. não esperavam. reações Até A norte-americana algo que já existia no passado. ser e considerados o é mesmo a partir da pressão pela criação de empreendedorismo finais nível se o considerações em global. Quando dinheiro é a mais indicada. é que tendem a ser.

prática. Os micro e pequenos empresários sem a teoria.era muito simples. Em outras empreendedores estimularem conforme a as palavras: o empreendedorismo brasileiro Os planos financeiros nem sempre precisa ser profissionalizado. para capacitar Os planos de marketing se restringem os quase que exclusivamente a propaganda. desestimular a teoria em detrimento da Novas demandas surgirão. características do mercado. não é suficiente. gera custos desnecessários: são instigados a criar empresas. muito fácil. ele cheira mais a uma sucessão de rismo. baseados os cursos de empreendedorismo têm apenas em planos de negócio superficiais. mesmo teoria relegada a um segundo plano. é um percebem que a coisa não é tão empreendedorismo perigoso. Enquanto consideram relacionados isso não acontece. Por que grande parte dos novos negócios fecha em aproximadamente dois anos? os promotores do empreendedorismo parecem enfatizar a prática. Como 1. que se reposicionar. que se se interam da realidade do mercado. A prática. próximo nome da moda. Os empreendedores brasileiros. E deixamos no portanto. ou acontece a passos ao mercado para definir os fluxos de lentíssimos. Por que um intrapreneur pode não Alguém se esqueceu que o método das servir mais para uma empresa. no estimulando o intra-empreendedo- Brasil. deixando a 2. nos perguntamos qual será o caixa. demitem seus intrapreneurs? tentativas e erros do que propriamente um estímulo à criação de novas empresas. superficialidade. mas tentativas e erros sempre costuma custar é “preparado” para servir em outra mais caro e que o empreendedor nem (em outras palavras: é submetido a sempre tem muito dinheiro para investir. Por que as grandes empresas. sempre existiram? Claro que o desejo de criar algo novo Enquanto os grandes defensores do é sempre bem-vindo e que o trabalho empreendedorismo é inerente a qualquer novo negócio. Se conhecessem mais a teoria. que parece romântica e fácil como diz a propaganda. e que criar Que novidades há no empreendedorismo e administrar novas empresas poderia se pessoas empreendedoras sempre ser feito com base apenas em um forte existiram e se políticas de motivação desejo e com muito trabalho. ele prevalecerá. à medida que empreendedorismo do Século XX. entretanto. mas Só isso. estende a este início do Século XXI. 3. um processo de outplacement)? UNIDADE 3 115 . mais do que ninguém sabem o ar três perguntas que não querem calar: aspectos que é viver o risco em sua plenitude. teriam mais chance de acertar da primeira vez. O os empreendedores.

New York. M. J.. Henry Higgs. The Entrepreneur: An Economic Theory. 893-921. Business Venturing. 1997. Oxford: Martin Robertson. p. The Entrepreneur: An Economic Review. Century-Crofts. Social Setting. Entrepreneurship Theory in Economics: Existence and Bounds”. 64-71. Self-efficacy mechanism London: Fetcher Gyler. M. NJ: Prentice Hall. J. The Entrepreneur: An Destructive”. R. W. Unproductive. 1993. W. 1982. 1981. p. História do pensamento DRUCKER. BAUMOL. Journal of Learning. “The Roman God Mercury: An 116 Entrepreneurial Archetype”. 1977. The American CASSON. Peter. Journal of Political Economic Theory Reprint. Journal of COLE. Journal COLLINS. São Paulo: Thomson- in Business Enterprise”. M. BAUMOL.Empreendedorismo Referências BUSENITZ. vol 1.B. “Entrepreneurship econômico. Also Edited in an in human agency. “Entrepreneurship in Economic Theory”. BANDURA. BIRD. by Psychologist. Organization Makers. (1755). A. “Formal Edward Elgar Publishing 2003. “ Entrepreneurship: Productive. and CASSON. Social Learning Theory. 197-210. 58. B. p. J. J. Journal of BANDURA. D. second edition”. Business Policy. Appleton- September. Boston. MOORE. A. 98. London: MacMillan. 1970. The of Management Enquiry. C. 3. 3 (2). American English version. Essai sur la nature du commerce en général .. 1991. Englewood Cliffs.. nº 5. 2005. CANTILLON. J. no 3. BRUE. “Differences between entrepreneurs and managers in large organizations”. vol 1. 1959. UNIDADE 3 . vol 12. 1931. W. with other material. Economic. Stanley. 1968. p. BARNEY. 1970. Business Enterprise in its Business Venturing. 1992. Economic Theory.. BAUMOL.. A..122-147. L.. Harvard University Press. 1990. CASSON. vol.

F. Chicago: University of UNIDADE 3 117 . FALCÃO. 2006. von (1959). Empreendedorismo of View: na Essay in the History of X Amadorismo. Código genético to work. Galeria dos br/blog/novidades-lancamentos/369. vol 40. Opportunity and Profit: Studies in the Theory of GOLD..vtower. Chicago: University Notebook”. O espírito HEBERT.asp?cdc=920. 2005. of Chicago Press.M. HERZBERG.M. Acesso em the Robber Barons. BURTON W. A.org. 1959.A. Radical Critiques. 1957). São Paulo: Pioneira. Frederick. I. and Ward(1976). The empreendedor e a alma do negócio. K.com/?p=125. America.N. Acesso em 1/04/2008. New York: Praeger. 1949.DRUCKER.br/ FOLSOM Jr. Also in: Individualism and Economic Order (1959). às 17h11. New York: Young 30/04/2008. KIRZNER. 1983. p. 1987. às 16h52. Steven K. 92-106. 2008. “A descriptive model of the HAYEK. Autores Liberais: Ludwig von Mises Acesso em 1/04/2008. José de Moraes. 2006. (entrepreneurship): prática e in Individualism and Economic Order. 2001. Disponível em http://wyse. R. F. Peter Ferdinand. 1967. Kansas City: Sheed http://www.institutoliberal. 519-530. The motivation FIGUEIRA. Acesso em 2nd edition. às 17h05.. American of Business of the University of Chicago. cgi?action=viewnews&id=1923. London: Routledge and Kegan Paul. 35. The Economic Point FREIRE. 1959: p. Disponível em Economic Thought. Bruno. New York: Free Press. às 15h35. The Myth of galeria_autor. Disponível em http://www.. princípios. Chicago Press ( 1948). “Entrepreneur’s Entrepreneurship.com. Entrepreneur: Mainstream Views and 2008. Learning Ventures Press. falcaocontexto. 1/04/2008. LINK. Marcos.org/cgi-bin/index. Economic Review (1945). determina espírito empreendedor. Voir aussi: Inovação e espírito empreendedor “The Meaning of Competition”. INSTITUTO LIBERAL. KIRZNER. “The Use of intra-firm innovation process”. Perception. Disponível em http://www. I. KNIGHT. (1881-1973). Journal Knowledge in Society”.

G. Orientation Construct and Linking Socialism.com. ‘The Diário do Comércio e Indústria. S.org. MACHADO. The Art MASLOW. (1921). New York: MacMillan. BOWMAN-UPTON. SHANE. 1950. opportunity nexus in New Horizons in 1961. SHANE. Promise of Entrepreneurship as a Field (Caderno Serviço Brasileiro de Apoio of Research’.. Paulo. e a lei dos mercados. Entrepreneurship series. Harper and it to Performance’. The Achieving entrepreneurship : the individual- Society. Disponível em http://www.. 1943. Psychological Cambridge. PAMPLONA. Grandes N. G. human motivation. Edward Elgar Publishing.br/index. ‘Clarifying the Entrepreneurial SCHUMPETER. 50. às 12h30. DESS. Academy of Management às Micro e Pequenas Empresas Review 25(1): 217-226 Sebrae-SP). Uncertainty empreendedor. PINCHOT. Acesso em Boston: PWS-Kent Publishing.H.br/ principal/not%C3%ADcias/notas/ gestao_empresarial/jornal%20dci/ outubro_2005/06_10despertar_espirito_ 118 UNIDADE 3 . Also Chicago: University of Chicago Press. F. S.cofecon. Capitalism. SMILOR. Van Nostrand.. O despertar do espírito empreendedor.. Management Review 21(1): 135-172 SEXTON. R. Lucas. Abraham H. Risk. VENKATARAMAN. 06/10/2005. TELLES. G. 30/04/2008.W. 1971. Princeton NJ. T. Intrapreneuring. A theory of and Science of Entrepreneurship.: Ballinger. SEXTON.sebraesp. LUMPKIN. and Democracy. 1991. New York. Review. Academy of Row. KASARDA. Mifflin.aspx.Empreendedorismo KNIGHT. J. Ma. S. p. New York. G. 1985. D. Disponível em http://www. 2007. New York: Houghton 2/04/2008. content&task=view. Harper and Row. The php?Itemid=114&id=996&option=com_ State of the Art of Entrepreneurship.. Acesso em and Profit. Joseph.D. D. Enterprenurship: Creativity and Economistas XVI: Jean-Baptiste Say growth. SEXTON.L. às 14h50. Luiz. 1986. 370-396. 1992. D.L. D. A general theory of McCLELLAND.

biz/2006/01/27/ onde-esta-o-espirito-empreendedor/. Strategic Management Journal 11: 17-27 ZIMERMANN. UNIDADE 3 119 . ‘A Paradigm of Entrepreneurship: Entrepreneurial Management’. J. JARILLO. C. Cris.businessopportunities. H. Disponível em http://brasil.. H.STEVENSON. Onde Está o Espírito Empreendedor? 2006.

o empreendedor tem mesmo de conhecer a técnica: tal como de ter a consciência de que precisará na vida. crítico – definição da estrutura ideal). pensar estrategicamente. Encontrar e ocupar uma posição adequada (posicionar-se corretamente no mercado em função das competências e recursos de que dispõe – “não disparar a tudo o que voa”). Excesso • Para definir em que negócio de oferta. pois da a visualiza¬ção permanente do futuro que se deseja. Estandardização (generalização queremos estar do acesso à tecnologia. face à concorrência e face aos fatores de qualidade percebidos pelo cliente). Gerir o relativo (conhecer definir o futuro que queremos conquistar em permanência a posição da empresa é necessário vê-lo. (consumidores • Para saber que tipo de empresa queremos ser mais exigentes.Empreendedorismo MÓDULO 02 Planejamento Estratégico Para que um plano estratégico? • Para saber “onde estamos” Vivemos num contexto empresarial de • Para saber que empresa somos hipercompetitividade. Garantir a viabilidade no futuro. E para diferenciação. Para que um empreendedor entenda a estratégia exige-se uma atitude antes Neste contexto. Em suma.exige-se “personalização massificada”). Mudanças sócio-culturais melhor informados. maior facilidade em imitar). Procurar permanente coerência entre “O que faço” e “Como o faço” (análise da estrutura de custos e do ponto Curiosidade: O primeiro estratégia passo é. identificar a estratégia da forçosamente de: Procurar fórmulas de empresa é escolher o seu futuro. menos fiéis . caracterizado por fenômenos como: A globalização. 120 UNIDADE 3 . obtendo resultados no presente (equilíbrio correto da carteira de produtos).

O Planejamento Estratégico

Missão

Visão
Uma vez clarificada a sua Visão, o líder
O primeiro passo no processo de

deverá enunciar a Missão da sua empresa.

planejamento estratégico é a definição de

A Missão, expressa formalmente ou não,

uma visão para a empresa.

tem como função transmitir a filosofia
básica de atuação da empresa, para o

“Para decidir-se por uma direção, um líder

interior e para o exterior.

tem de, antes de tudo, ter uma ideia clara
do possível e desejável estado futuro da

Deve integrar (Albrecht, 1996): Qual

organização. Esta ideia, a que chamamos

o modelo de criação de valor para o

visão, pode ser tão vaga como um sonho

cliente; Quais os valores nucleares com

ou tão precisa como um objetivo ou uma

que os membros da empresa devem se

declaração de missão. A questão essencial

comprometer.

é que uma visão apresente uma imagem
realista, verossímil e atrativa do futuro da

A Missão poderá ser explícita ou ser

organização…” (Bennis e Nanus, 1985).

simplesmente percebida pela análise da
cultura empresarial, através de slogans

Duas interpretações do conceito de Visão:

publicitários ou mesmo através do nome
da empresa.

O propósito básico perseguido - Kennedy
(início da década de 60): “Creio que esta

No caso de se tratar de uma declaração

nação deve comprometer-se a alcançar

explícita esta deverá ser breve, simples,

a meta de colocar um homem na Lua e

flexível e distintiva. E, sobretudo, por

trazê-lo em segurança para a Terra, antes

representar

que termine esta década”. Bill Gates

colaboradores, clientes e fornecedores,

(nos primórdios da Microsoft): “Um

deverá

computador em cada escritório e em cada

organização.

um

espelhar

compromisso
a

realidade

com
da

lar, no qual esteja instalado o software da
Microsoft”

George Bailey (Price Waterhouse Coopers)
- reuniu a declaração de missão de várias

Uma orientação para o desenho da

companhias, e desafiou os respectivos

estratégia da empresa: o que quer ser a

diretores gerais a reconhecerem a sua.

empresa no futuro e as ideias chave para

Metade deles errou…

orientar a estratégia que levará a empresa
a essa visão

UNIDADE 3

121

Empreendedorismo

Veja-se a seguinte declaração de Missão:

Outubro de 2001, a Enron protagonizou
o maior colapso da história empresarial

Respeito: Tratamos os demais como

americana, entrando em falência na

gostaríamos

sequência

de

ser

tratados.

Não

da

descoberta

das

suas

toleramos o tratamento desrespeitoso

práticas fraudulentas. Nas semanas que

ou abusivo. A crueldade, a falta de

antecederam o colapso, a Administração

sensibilidade e a arrogância não têm

da Enron, sabendo já que o escândalo iria

cabimento entre nós.

rebentar a qualquer momento, proibiu
os seus 20.000 empregados de vender

Integridade: Trabalhamos com os nossos

ações da empresa no âmbito dos seus

clientes, tanto atuais como potenciais,

planos de reforma, alegando que estava

de maneira aberta, honesta e sincera.

em curso uma alteração administrativa.

Quando dizemos que fazemos algo,

O fundo de pensões da Enron, que

fazemos. Quando dizemos que não

estava em grande parte investido em

podemos fazer algo ou que não faremos

ações da própria empresa, foi dizimado

algo, não o fazemos.

com o crash subsequente dessas ações
na bolsa, reduzindo a zero as poupanças

Comunicação: Temos a obrigação de

de uma vida de trabalho de muitos dos

comunicar. Aqui, damo-nos o tempo

empregados da empresa.

necessário para falar com os demais… e
escutar. Acreditamos que a informação

A declaração de Missão da Enron

move as pessoas.

representa claramente um exemplo de
cinismo, em nada refletindo as práticas

Excelência: Não estamos satisfeitos se

efetiva da liderança da empresa.

não fazemos o melhor em cada coisa que
fazemos. E continuaremos a subir a meta.
A nossa maior alegria será descobrir o

Objetivos

quão bons podemos chegar a ser.
Os objetivos são os resultados esperados
Esta era a declaração de Missão da

da atividade da empresa. Ao contrário

Enron, uma empresa Americana de

da missão, que é definida de uma forma

produção e transação de energia, a 7ª

genérica, vaga e não quantificada, os

maior empresa dos EUA e 16ª maior do

objetivos devem ser explicitados de

mundo. Durante anos, a Administração

forma bastante concreta.

da Enron inflacionou os seus lucros
escondendo

122

dívidas

astronômicas

Uma correta definição de objetivos

(superiores a mil milhões de dólares). Em

exige: Definição de prioridades de

UNIDADE 3

atuação e hierarquização dos objetivos;
Compatibilidade e consistência entre
os

diferentes

Mensurabilidade

objetivos
dos

propostos;

A empresa tem de ser entendida como um

um

sistema aberto, inserido num ambiente

esforço de quantificação dos mesmos

complexo que o condiciona. Um passo

e identificação de formas de controlar

fulcral do planejamento estratégico é

o seu cumprimento (identificação de

analisar esse ambiente, seja aquele que

indicadores);

calendarização

condiciona a empresa mais indiretamente

dos objetivos; Realismo na definição

(ambiente geral ou externo), seja aquele

dos objetivos; podem (e devem) ser

que diz mais diretamente respeito à sua

ambiciosos mas sempre atingíveis sob

atuação e às suas características próprias

pena de perderem toda a credibilidade.

(ambiente interno)

A definição de objetivos é de grande

Existem quatro conjuntos de variáveis

utilidade

para

a ter em conta na análise do ambiente

contribui

para

Clara

a

objetivos,

Análise externa e interna; formulação
da estratégia

organização

uma

melhoria

pois
da

externo à empresa:

comunicação dentro da empresa e
aumento

1. Variáveis político-legais: Estabilidade

colaboradores,

do governo; Legislação comercial; Leis

desenvolve a coordenação das diversas

de proteção ambiental; Legislação

atividades, desenvolve mecanismos de

fiscal; Legislação laboral, etc.

consequentemente
da

motivação

para

dos

o

controle e funciona como pressão para
que as coisas efetivamente aconteçam.

2. Variáveis
nacional

econômicas:
bruto

Produto

(tendência);

Contudo, os objetivos de cada um dos

Taxa de juro; Taxa de inflação;

agentes ou grupo de agentes que interage

Nível do desemprego; Custo (e

com a empresa (sócios ou acionistas,

disponibilidade) de energia; etc.

colaboradores, clientes, fornecedores,
etc.) nem sempre são comuns, nem tão

3. Variáveis socioculturais: Distribuição

pouco facilmente conciliáveis. Cabe ao

do rendimento; Taxa de crescimento

líder definir prioridades e tentar conciliar

da população; Distribuição etária da

os conflitos de interesses subjacentes à

população; Estilo de vida; Tipo de

diversidade de objetivos existente.

consumo; Mobilidade social; etc.

UNIDADE 3

123

sendo externos à empresa. Foco no esforço tecno- como sejam o setor e tipo de atividade. Contudo. lógico. 124 UNIDADE 3 . etc. Proteção de patentes. devem ser tidos em conta numa fase destas variáveis para uma empresa em de planejamento estratégico. Velocidade de transferência os mercados onde atua. como A importância e pertinência de cada uma tal. condicionam fortemente a sua atuação e que. são fatores que. Variáveis tecnológicas: Investimento particular depende de inúmeras questões do governo. mação). Aumento da produtividade (auto- e de uma forma geral. menor regulação do setor.Empreendedorismo 4. Assista à videoaula com este conteúdo. etc. a maior ou da tecnologia.

envolvente da empresa é o setor de se possível influenciando-as em seu atividade em que concorre. Identificar as tendências corretamente a empresa mais significativas. As forças externas afetam todas as empresas.MÓDULO 03 Ferramentas: Cinco Forças de Porter potenciais e produtos substitutos fazem todos parte desse clima competitivo. que podem vir a Princípios da análise de Porter: A constituir ameaças ou oportunidades essência determinantes no futuro. maior a já que determina as bases da sua oportunidade de obter níveis de retorno competitividade elevados. compensadoras. O nível de competitividade de uma Conhecer as forças competitivas é indústria depende de cinco forças básicas. Quanto mais fracas coletivamente do setor tem uma forte influência. forem as forças competitivas. que são importantes principalmente num sentido Uma ferramenta de análise do ambiente: As cinco Forças de Porter relativo. Intensidade clientes. concorrentes Porter. Clarificar as áreas onde encontra-se na capacidade de cada alterações estratégicas podem ser mais empresa para enfrentá-las. a chave na indústria. num sentido relativo. as cinco forças 125 . das forças competitivas é a base de partida para o plano de ação estratégica. o aspecto-chave da defender destas forças competitivas. UNIDADE 3 onde existem fornecedores. forças que determinam a maior ou menor competitivas que não se esgotam apenas atratividade de um setor industrial são: nos rivais em luta por quota de mercado: Ameaça de novas entradas. O nível de competitividade de uma indústria depende de cinco forças básicas. A estrutura favor. As forças externas Posicionar afetam todas as empresas. O conhecimento profundo e as possibilidades estratégicas que oferece à empresa. a chave encontra-se na capacidade de cada empresa de se Segundo Porter. adequadas para diversificação O nível concorrencial de uma indústria está assente na sua própria estruturação Segundo econômica. determinante para: Identificar as que são importantes principalmente forças e fraquezas críticas da empresa. da rivalidade entre os concorrentes. Identificar áreas da formulação estratégica reside na avaliação da concorrência.

Este fator depende da existência de * Acesso aos canais de distribuição barreiras à entrada e da reação esperada – Quanto mais limitados forem dos competidores existentes. indepen- absorver uma nova entrada. os recém-chegados difícil será entrar no Governamental - a entrar com larga escala ou a aceitar uma nos custos). fortes constitui capacidade produtiva adicional.Empreendedorismo Poder negocial dos clientes. normas ambientais. acesso privilegiado a matérias-primas.. chegados a investir fortemente para ultrapassar a lealdade dos clientes às marcas estabelecidas * Expectativas de retaliação: Os entrantes possuem recursos substanciais para reagir (excesso * Necessidades de Capital – a de tesouraria ou capacidade de necessidade de realização de endividamento não esgotada. Ameaça dos – efeitos da curva de experiência. e dentes do volume – empresas estabe- como tal esta causará um declínio lecidas podem ter vantagens nos custos na rentabilidade de todas as inacessíveis a potenciais competidores. despesas recuperáveis Existe alta probabilidade de os (publicidade. partes. O dos custos de arranque. I&D). crescimento da indústria é lento. subsídios governamentais. principalmente bom conhecimento dos canais se o capital for necessário para de distribuição e dos clientes). Poder independentemente do seu tamanho negocial dos fornecedores. UNIDADE 3 . do produto desvantagem Diferenciação – * Política Necessidade de licenças. não dificultando a capacidade de Desvantagens 126 nos custos. entrada: Economias de Escala mais (forçam mercado. para além de entrantes cortarem preços para ativo fixo e circulante e suporte manter quota de mercado. por grosso ou retalho. tecno- substitutos logia própria. normas com a marca força os recém- do produto. identificação Normas de segurança. os canais. uma investimentos barreira.. e quanto mais controlados forem * Fontes principais de barreiras à pelos competidores existentes. • Ameaça de Novas Entradas localização favorável.

Não houver produtos poderão ter origem em custos substitutos nas vendas. Compram grandes volumes no negócio da indústria.se lento. O comprador fixos de saída ou em restrições não for um cliente importante. preços. As suas margens dimensão semelhante a rivalidade são reduzidas (compradores de margens será intensa. • Poder Negocial dos maior a rivalidade. entrando no negócio da indústria (produção própria * Ausência de diferenciação – do produto da indústria). Por vezes. – se elevados. Fornecedores * Barreiras à saída – mantém empresas competindo mesmo O poder negocial dos fornecedores é com baixas/ elevado se: O seu setor for dominado por negativas. etc. graças a fenômenos de dependência UNIDADE 3 Constituem a jusante. de rivalidade: Concentração (nº O produto adquirido à indústria não é de concorrentes) e equilíbrio relevante para a qualidade dos produtos entre eles – se existirem muitos ou serviços do comprador (preço é a concorrentes no mercado e com variável mais relevante). O que conduz a uma preocupação adicional * Fatores determinantes do nível com o preço e a uma compra seletiva. se: Existe concentração elevada dos de integração compradores. produto vendido for muito relevante rentabilidades para o negócio do cliente. Estas barreiras à saída poucas empresas. ameaça entrando 127 . O seu nível de Custos fixos ou de armazenagem informação sobre procura. introdução e renovação de produto adquirido à indústria representa produtos. Existirem custos elevados associados à mudança O poder negocial dos clientes é elevado de fornecedor. origina lutas mais sensíveis ao preço). O sociais e governamentais. relativamente às vendas do fornecedor. integração a montante. Constituem ameaça de mercado é crítica. Crescimento do elevadas e alta rentabilidade são menos setor . Mudar de fornecedor renhidas por quota de mercado.• Intensidade da Rivalidade Entre O produto adquirido à indústria é os Concorrentes (via competição de normalizado preços. implica custos baixos. O produto • Poder Negocial dos Clientes vendido for muito diferenciado. marketing) uma fração significativa do seu custo o ou indiferenciado. quanto menor a diferenciação. a quota de for elevado.

Influenciar o equilíbrio de forças identificadas (tomando através de movimentos estratégicos. Porter apresenta a seguinte futuro de uma indústria) podem ser proposta: as empresas devem decidir a postos em causa quando surge um novo sua estratégia de abordagem ao mercado produto ou tecnologia que ofereça maior (liderança valor aos clientes. tendências nos Antecipar fatores-base que substitutos. curva de experiência). diferenciação desenvolvimento. Preço do produto determinam o clima competitivo e evoluir substituto Custo nesse sentido. Liderança pelo custo Formulação da Estratégia Características: Exige forte investimento Uma forças de capital – criação de infra-estrutura competitividade que permita produzir grandes volumes torna-se mais de forma mais eficiente (economias fácil delinear um plano estratégico de escala. caso as empresas ou segmentação) com base no seu existentes não tenham acesso a esse conhecimento da estrutura da indústria. ou procurando um desequilibrada do “valor total” criado posicionamento onde as forças são mais numa determinada indústria. as UNIDADE 3 . mudança e construir um cenário futuro). Pode de ação: Posicionar a empresa de obrigar a preços agressivos e prejuízos forma a que as suas competências a iniciais para conseguir posicionar-se no que de 128 vez identificadas determinam uma a indústria. prever a magnitude da do produtor de substitutos. delineando uma estratégia de mudança para um produto adequada ao novo equilíbrio competitivo substituto existe antes que os concorrentes o reconheçam propensão elevada à mudança. tênues). baixo e A sobrevivência das empresas existentes Quanto ao conceito de Posicionamento num determinado setor (ou mesmo o Estratégico. o competitivas poder negocial das unidades a montante a estrutura da indústria como dado e ou a jusante pode justificar uma partilha construindo defesas.Empreendedorismo originados numa elevada concentração defendam o melhor possível das forças ou detenção de um elemento-chave. é é atraente. • Ameaça de Substitutos melhorando o posicionamento da empresa (tomar a ofensiva: inovação. pelo custo. (estudar cuidadosamente cada força Lucro e agressividade elevados competitiva. * Fatores determinantes: disponibilidade de Alta produtos marketing. diferenciação).

baixos volumes inferiores ao desencorajados e exigências publicidade. Permite para substitutos mais baratos em fases de maior recessão econômica. Empresa pode conseguir é mais leal e menos sensível ao preço. A em particular. produzir Permite níveis de rentabilidade mais orientar-se para um nicho de mercado elevados por via dos preços mais altos. o que a torna mais eficiente percepção de exclusividade é geralmente nesse segmento.com. particulares desses segmentos com custos dimensões. inovação. Foco na engenharia do processo. Nichos de mercado incompatível com uma elevada quota de em regra não atraem concorrentes de mercado. das matérias-primas. preços mais baixos.br/artigos/economia-efinancas/o-modelo-das-cinco-forcas-de-porter/40345/ UNIDADE 3 129 .administradores. Maior esforço financeiro em grandes I&D. Características: Proporciona vantagem conseguindo assim níveis de serviço competitiva na medida em que o cliente mais elevados. Foco na engenharia flexibilidade para enfrentar guerras de preços ou subida do custo do produto. Especialização / Segmentação Diferenciação Características: Concentração dos recursos num determinado segmento. estrutura de apoio ao cliente. Risco de imitação com Para saber mais: Acesse o site: http://www. qualidade das matérias- pelos primas.mercado e ganhar a quota necessária. ou de transferência Exige forte controle de custos.

Uma seguintes questões: Como podemos ferramenta clássica que combina as duas aproveitar e melhorar as nossas forças?. abordagens é a análise SWOT: Como podemos ultrapassar e minorar de diagnóstico. internos e externos. é baseada no ciclo de vida biológico. começará a definhar e acaba por morrer Fatores externos (as oportunidades e as (declínio). categorias: Fatores internos (as forças a partir de uma determinada altura. cumpre realizar um processo iterativo de resposta às uma análise interna da empresa. a análise SWOT pode as nossas fraquezas?. através de da sugestão de Porter). nos anos 60. UNIDADE 3 . Análise SWOT Para além de uma excelente ferramenta Paralelamente à análise do Ambiente ser utilizada como input para a avaliação externo (que exemplificamos através de estratégias alternativas. e ameaças (Threats) Outras propostas clássicas de associadas a um determinado projeto ou técnicas auxiliares para formulação da negócio. Como podemos A análise SWOT é uma ferramenta de explorar as oportunidades identificadas?.Empreendedorismo MÓDULO 04 Outras Ferramentas ameaças apresentadas pelo ambiente externo). Ciclo de vida do produto O objetivo da análise SWOT é identificar A análise do ciclo de vida do produto os fatores críticos. ameaças detectadas? podemos defender-nos das fraquezas (Weaknesses). oportunidades (Opportunities). uma semente é plantada condicionam a atividades da empresa e a sua capacidade de atingir (lançamento). planejamento estratégico usada para Como identificar e avaliar as forças (Strengths). A análise agrupa (crescimento). que Por exemplo. começa a crescer determinados objetivos. estratégia: Ciclo de vida do produto e Matriz do BCG A técnica é creditada a dois professores da Harvard Business School. e as fraquezas internas à organização). Kenneth Andrews 130 e Roland Christensen. desenvolve folhas e raízes à os fatores-chave a analisar em duas medida que se torna adulta (maturidade).

o declínio e eventualmente é retirado. após um período de muito longe desta realidade.Concentrar-se num segmento que pode ser dominado Maturidade . entra em e mais clientes enquanto cresce. Depois tempo o produto é ultrapassado pelo de um período de desenvolvimento é desenvolvimento introduzido no mercado.Retirar-se do mercado ou manter a quota sustentando preços e custos abaixo do(s) líder(es) Declínio . conforme a tabela abaixo: Posição competitiva fases Lançamento Crescimento Líder . e pela introdução seu mercado estabiliza e o produto Figura 6: Ciclo de Vida X Margem de Contribuição X Custo X Preço Fonte: Arbache Consultoria É comum associar à evolução do ciclo de vida do produto um conjunto de posturas estratégicas típicas.Ir no “vácuo” da empresa líder . divulgando e aumentando o esforço de vendas . ganha mais de concorrentes superiores. melhorando a qualidade. reduzindo o investimento e as despesas de desenvolvimento .As fases da vida de um produto não estão torna-se maduro.Maximizar o fluxo de caixa.Reduzir preços para desencorajar concorrentes Seguidor .Lançar novos produtos .Utilizar toda a sua capacidade .Investir em pesquisa e Desenvolvimento .Manter a participação no mercado.Investir para aumentar a participação no mercado .Retirar-se do mercado UNIDADE 3 131 .

diversi- recursos.Empreendedorismo Matriz do BCG diversificada. e sugere uma estratégia global potencial. Efeitos de economias investimento se se pretende manter a de quota de mercado. a em capacidade participação em UNIDADE 3 . Fundamentais O crescimento das vendas de um produto 132 As margens e as receitas geradas pelos exige produtos ou Unidades Estratégicas de adicional. deve ter uma estratégia global posicionamento a cada produto. negócio. potencial de o Boston Consulting Group em 1970. que potencie a canalização ga-o com a atratividade do respectivo de recursos para as unidades com maior mercado. determinam que quotas de mercado Matriz do BCG – Princípios elevadas originem margens elevadas. A matriz do BCG atribui um ficada. Negócio (UEN) dependem da respectiva mercados de elevado crescimento exige quota de mercado. conju- integrada. de otimização do portfólio de produtos. deve levar a cabo um plane- A matriz do BCG é uma ferramenta de jamento estratégico que lhe permita análise criada por Bruce Henderson para enquadrar recursos vs. estabelecendo a sequência e que parte dos seguintes pressupostos: o timing ideais para a transferência de Uma empresa multidivisional. Uma empresa multidivisional. escala e curva de experiência investimento Logo.

mas potencial para vir a produtos cujos mercados ainda têm gerar muito mais.: ponto médio pode ser a taxa se tiverem uma contribuição positiva de de crescimento nominal da economia. Em algum ponto ou “dilemas”). que obrigam traps”. Vacas leiteiras – produtos serão candidatos à eliminação. concorrente(s). Chamados “cash- novos desafios às empresas. “Cães” só devem ser mantidos baixas (ex. um determinado produto e as vendas para produzir novas “estrelas”. Escala depende do que se a não exigirem investimento (passarão a considera taxas de crescimento altas ou “cães”). significa que a “Dilemas” pouco competitivos devem empresa é líder. requerem elevados volumes de investimento para O crescimento de cada mercado acabará manter quota. Matriz do BCG . desde que não signifiquem um Acima desse ponto. por habitualmente exigirem o a repensar o papel do pensamento reinvestimento do pouco cash-flow que estratégico tal como apresentado pela UNIDADE 3 133 .Abordagem estratégica: Matriz do BCG . Taxa de crescimento ser abandonados ou geridos de forma do mercado. Se >1. XXI criou volumes de dinheiro. Um olhar crítico à perspectiva Cães – produtos (UENs) com baixa quota de clássica da estratégia mercado e baixo crescimento. Dilemas – produtos (UENs) em investimento em publicidade. que não geram nem necessitam de grandes O contexto econômico do Séc. alta quota de assegurado o desenvolvimento futuro da mercado e crescimento lento. só assim estará conseguem reinvestir). cash-flow. As receitas de alto crescimento e com elevada quota geradas à medida que o crescimento de mercado. e ainda mais para a ganhar. que desse produto pelo maior (ou maiores) serão as “vacas leiteiras” do futuro. Carteira (UENs) que tipicamente geram grandes deve ter “vacas leiteiras” e também quantidades de cash-flow (mais do que “estrelas” e “dilemas”. com baixa quota de mercado.produtos (UENs) em mercados se aproxima da maturidade. temos “estrelas” custo de oportunidade. tecnologia sectores de elevado crescimento mas e capacidade instalada adicional. Têm gerações de cash-flow abranda devem ser reinvestidas em ainda modestas. empresa.Conceitos Usar o cash-flow gerado pelas “vacas Quota de mercado relativa: Mede-se leiteiras” para financiar aumento de quota pela proporção entre as vendas de de mercado dos “dilemas” competitivos. potencial de crescimento.Um aumento da quota de mercado exige geram. por abrandar à medida que o produto Estrelas .

desenhar a mudança para novas situações A capacidade de aprendizagem começa é fundamental a intuição das pessoas com a ser entendida como a principal fonte visão. necessários à gestão da mudança. É caso para questionarmos: a abordagem Sociedade em geral. mudanças em curso é necessária uma as empresas não devem ser concebidas reflexão permanente. continuam a vão ser e compreender a realidade atual exige-se aplicação de talento no sentido da uma postura analítica e racional. Os stakeholders. a eficiência mas também levar a empresa no sentido da Visão – nomeadamente harmonização da inteligência racional adquirindo cada vez mais protagonismo. e sim como “seres tempo a rapidez da própria mudança vivos”. pensar o equilíbrio entre ordem e mudança: para fora identificando e potenciando as garantir competências internas. a clássica ao pensamento estratégico será gestão moderna é plena de incertezas e válida hoje? paradoxos: É necessário colocar a ênfase no cliente e nas suas exigências de curto A estratégia não deve ser apenas um prazo. mas também um para antecipar as suas necessidades de processo de aprendizagem organizativa longo prazo. mas ao mesmo como “máquinas”. Há que gerir no ambiente e na organização. (estratégia intencional). e emocional da empresa. A Gestão mas moderna exige criar condições para uma indispensáveis para fornecer os recursos aprendizagem contínua. o que Stakeholders): relações de confiança com exige colaboração e parcerias. acionistas. Para processos libertação. mas ao mesmo tempo centrar processo esforços na inovação e gestão de produtos. Há que criar e manter equipes (estratégia emergente).. Para perceber as Dadas as atuais dinâmicas de mudança.Empreendedorismo escola da “Organização Industrial”. A concorrência crescente exige de criação de vantagens competitivas um machado de guerra. clientes. a todos os níveis da empresa. mas a batalha sustentáveis. mas para inovação. Torna-se cada vez mais difícil prever premiar as suas contribuições para libertar o futuro – a planificação perde sentido. A Empresa é cada vez mais da competitividade só se ganha com a uma Coligação de Interesses (Teoria dos confiança de todos os stakeholders. Evoluímos de uma Gestão simples exige total orientação à ação – viajar centrada em fatores tangíveis para uma permanentemente “entre o céu e a terra”. o talento individual.. empregados. de estimulando criação os os acionistas funcionários. de planejamento formal eficazes. Em simultâneo. Gestão paradoxal onde o importante A competitividade exige total concentração são os fatores intangíveis. De as capacidades de cada indivíduo e fato. mas ao mesmo tempo potenciar 134 UNIDADE 3 .

que surgem em função de mais rápidas e inesperadas.” Rubinstein e Firstenberg. torna-se cada vez mais difícil planificar o futuro. 2000 Assista à videoaula com este conteúdo. a maioria das a estratégia em função das alterações no ações é resultado de decisões não ambiente e na empresa. definindo a estratégia “À medida que o mundo se torna mais inter-relacionado.Há que forçar o ritmo de mudança empresarial. UNIDADE 3 135 . mas também introduzindo se baseavam em planos concebidos à modificações e adaptando dinamicamente partida. intencional que conduzirá a empresa ao quase todas as ações de uma organização futuro desejado. aconteci¬mentos inesperados cada vez mais frequentes e que requerem uma resposta criativa e oportuna. No passado. No presente. que são cada vez planificadas.

precisamente. adaptação e aprendizagem são os fatores Existem várias ferramentas de apoio à críticos para as empresas. novas formas elaboração da estratégia. utilizada(s). a abordagem clássica da estratégia está centrada nos fatores 136 A definição da estratégia é feita tendo tangíveis e na previsibilidade do futuro. centradas no ambiente externo (Modelo excesso de oferta e níveis de exigência das Cinco Forças de Porter). outras necessidade de pensar estrategicamente no produto (Ciclo de Vida do Produto).Empreendedorismo RESUMO No contexto atual de mercados globais. umas mais de pensar a estratégia começam a surgir. talento. missão e objetivos e Numa época em que a criatividade. A outras ainda na posição relativa da elaboração de um plano estratégico empresa no mercado (Matriz BCG). a conhecer a identidade e posicionamento da empresa Independentemente da(s) ferramenta(s) e a definir o rumo a seguir no futuro. empresa. analisando as condicionantes externas da inovação. o negócio é hoje inquestionável. em conta a sua visão. capacidade de UNIDADE 3 . outras no crescentes por parte dos consumidores. destina-se. os seus pontos fortes e fracos. a ambiente interno (Análise SWOT).

( ) Verdadeiro ( ) Falso 03. A razão possível para alguém se tornar empresário é: a) Vontade de ser o próprio patrão b) Querer controlar o seu destino c) Vontade de aceitar o desafio que uma nova empresa representa d) Todas as anteriores 02. A definição do negócio exige a clarificação de “o que vamos fazer”: as propostas a apresentar aos clientes. Qual destas variáveis não é relevante para a definição e posicionamento de um negócio: a) Produto b) Estrutura c) Mercado d) Tecnologia UNIDADE 3 137 . as alternativas tecnológicas a empregar. os nichos de mercado a abordar.EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 01.

preferencialmente familiares e amigos c) Desprezar as suas próprias limitações d) Não ignorar a racionalidade do mercado 138 UNIDADE 3 .Empreendedorismo 04. A identificação dos nossos futuros concorrentes é importante para: a) Descobrir segmentos “desocupados” b) Identificar segmentos saturados c) Avaliar a nossa posição competitiva d) Todas as anteriores 05. A melhor forma de iniciar um negócio é: a) Criar uma empresa onde as hierarquias não estão bem definidas b) Recrutar pessoas de confiança.

São erros frequentes ao iniciar um negócio. 07. exceto: a) Acreditar que basta uma ideia e dinheiro para ter um negócio b) Assumir que o mercado é perfeitamente racional e que pensa e age como nós.06. c) Assumir as suas próprias limitações d) Superestimar as suas capacidades. Algumas das causas para o insucesso empresarial são: a) Sobre-investimento em capital fixo b) Falta de experiência do empresário e capital insuficiente c) Crescimento inesperado da empresa d) Todas as anteriores UNIDADE 3 139 .

d) Todas as anteriores 09. Para nos prevenirmos contra o insucesso podemos: a) Definir uma estratégia clara para a empresa. encontrar a estrutura ideal e construir uma carteira equilibrada de produtos c) Todas as anteriores d) Nenhuma das anteriores 10. Para que um plano estratégico? a) Para saber “onde estamos” b) Para definir em que negócio “queremos estar” c) Para sabermos que empresa somos d) Todas as anteriores 140 UNIDADE 3 . b) Elaborar o Plano de Negócios. c) Selecionar a equipe mais adequada.Empreendedorismo 08. Pensar estrategicamente significa: a) Procurar fórmulas de diferenciação e posicionar-se corretamente no mercado b) Gerir o relativo. de forma rigorosa e utilizando cenários realistas.

UNIDADE 4 Atividades Práticas do Empreendedorismo UNIDADE 4 141 .

.

• Monitorar o dia-a-dia da empresa. No desenvolvimento Ao contrário do que se pensa inicialmente. • Estabelecer comunicação interna eficaz e convencer o público externo. executivo a planejar e focar suas idéias. permite ao empreendedor • Entender e estabelecer diretrizes para o negócio. alguns aspectos o Plano de Negócios não se destina chave devem ser focados. tomando as ações pensadas para sua • Identificar empresa. com a um empreendimento e o modelo de utilização de um Plano de Negócios o negócios que sustenta a empresa. são eles: exclusivamente à busca de financiamento junto a bancos e investidores. do Plano de Negócios. • O que você vende?. oportunidades em e diferencial definição de metas e gerenciamento de riscos. para facilitar o entendimento. ao mesmo tempo em que é transformá-las uma ferramenta de acompanhamento e competitivo. Cada uma das seções do plano tem um propósito específico. situar-se no seu ambiente de negócios. este pode ter como público alvo as seguintes entidades: UNIDADE 4 143 . ainda. e.MÓDULO 01 O Plano de Negócios • Em que negócio você está?. Sua empreendedor terá a possibilidade de: envolve aprendizagem e para um descrever elaboração usado é o processo de autoconhecimento. Um Plano de Negócios bem estruturado tem por objetivo ajudar o empreendedor/ • Conseguir financiamentos. As seções que compõem um Plano de • Gerenciar de forma eficaz e tomar Negócios geralmente são padronizadas decisões acertadas. Introdução O Plano • Qual o mercado alvo? de documento Negócios Além dessas questões principais.

O empreendedor e sua equipe devem assumir a preparação do Plano de • Parceiros. das organizações que se encontram melhor estruturadas. seus prazos e • Bancos. • Fornecedores. sua aplicação.Empreendedorismo • Incubadoras. Sócios. Figura 7: Esquema de Ciclo de Vida de Negócios FONTE: http://revistapegn. Negócios.globo. • A empresa internamente. estabelecendo a visão geral do plano.com/Revista/Common 144 UNIDADE 4 . objetivos. Esse exercício é parte importante do planejamento estratégico • Investidores. Clientes.

podendo ser mais simplificado ou detalhado de • Plano de Recursos Humanos. comunicá-las a instituições financeiras ou possíveis investidores. • Produtos e serviços. acordo com seu segmento de mercado e a qualidade das informações obtidas em • Análise de mercado. qualquer Plano de Negócios deve possuir um mínimo de Em outras palavras. distribuição. para um período de três a cinco anos para que estas sirvam como orientação para a • Análise estratégica. equipe de gestão sobre os objetivos da organização nesse período e também para • Descrição da empresa. demonstrativo de resultados/ lucros e perdas e • Anexos. particularidades e semelhanças. é bom Não existe uma estrutura rígida e ter uma atenção especial para a seção específica para se escrever um Plano de resultados históricos e projeções de Negócios. sendo pressupostos e os dados quantitativos impossível definir um modelo padrão apresentados em outras partes são que seja universal e aplicável a qualquer submetidos a um teste numérico. padrões mínimos conhecidos. as projeções financeiras seções as quais proporcionarão um são elaboradas com todas as estimativas entendimento completo do negócio. mas. Nesta seção. pois cada negócio tem financeiras. Devemos elaborar as projeções financeiras • Sumário executivo. • Sumário. despesas comerciais e administrativas em um resumo de tipo financeiro. UNIDADE 4 145 . fluxo de caixa) dos últimos anos (se disponível). todos os custos de produção. Porém. mas em resumo conter como resultados (“output”): • Estratégia de marketing. logística e • Capa.Estrutura do Plano de Negócios Todo o material é importante. • Demonstrações • Plano financeiro. toda sua pesquisa. de vendas da empresa. O plano financeiro deve ser elaborado em • Plano Operacional. financeiras (balanço patrimonial. todos os negócio.

o sobre a empresa.  seu negócio irá precisar e a capacidade de pagamento e geração de valor do Coloque a mão na massa negócio. etc. competitivo ou não pode perder nenhum segundo para colocar a ideia em prática. é importante incluir fazer com que a empresa sobreviva e em suas projeções um resumo desde a amadureça para a hora certa de começar utilização até a liquidação dos recursos.com UNIDADE 4 .  reúna ideias eventuais mudanças que acontecem com que podem ser úteis no dia a dia. A participação do dono Comece a tirar sua ideia do papel  é essencial para que o documento seja mais próximo da realidade. determine qual a diferença entre querem ver quanto recurso financeiro o seu modelo e o seu plano de negócios. Para não perder o Potenciais investidores e financiadores timing. o ramo e os produtos proprietário que conhece bem seu plano é o primeiro passo para o plano de sabe por qual caminho seguir. Negócios muito inovadores podem não • Análises econômicas: ponto de esperar o plano de negócios. Ele pode de financiamento. a fazer o business plan. retorno sobre investimento.  Por isso. Na hora de Escrever tudo que considera importante uma mudança de rumo. Não deixe a responsabilidade do plano Algumas dicas úteis5: de negócios nas mãos de um consultor ou funcionário. está em um mercado extremamente lucratividade. negócios. por exemplo. Concorrentes e requisitos para entrar em operação fazem parte deste exercício.  Isso a empresa já em operação. Quando houver a necessidade de conheça bem o seu modelo de negócio recursos financeiros externos por meio para que nada dê errado. ajuda a conhecer melhor sua atuação no mercado até mesmo na hora de vender projetos aos clientes.Empreendedorismo • Projeções financeiras e fluxo de Fique atento ao “timing” caixa para o período de três anos. Mesmo antes de iniciar a colabore na elaboração  e também em elaboração do documento. que já dá um sinal da viabilidade da empresa. 5 146 Revista Exame. Se você equilíbrio.

A equipe de gestão é o principal foco dos investidores quando Como dito. Conceitos como missão. qual • Segurança. seu modelo de negócios e os seus diferenciais. como ela se desenvolveu ou se desenvolverá. Tudo caracterização do empreendimento e. Deve ter uma visão do futuro que o norteie. UNIDADE 4 147 . como. ou produtos fornecidos. missão para cumprir. isso precisa ser muito claro para que portanto. O aspecto • Terceiros. Deve definir os Outros aspectos são importantes na valores que pretendem consagrar. São todos os parceiros saibam exatamente eles: o que fazer. todo negócio deve ter uma analisam um Plano de Negócios.MÓDULO 02 Caracterização do Negócio • Equipe Gerencial. Na caracterização da empresa deve-se apresentar um breve resumo da • Localização e infra-estrutura. quando e onde. qual seu propósito. descrição do negócio é mostrar que a empresa possui pessoas qualificadas e comprovadamente experientes nos Definição da Estratégia níveis de comando. Nesta descrição é importante • Manutenção de registros. • Organograma funcional da empresa. sua história e status atual. valores e objetivos globais são fundamentais para nortear os rumos do negócio. Caracterização do Empreendimento • Estrutura Legal. mostrar o porquê de sua criação. visão. a natureza dos serviços • Seguro. deverão ser apresentados. mais importante da • Parceiros Estratégicos. organização da empresa.

para atingir os objetivos e metas nada é mais natural do que adequá-lo estipuladas. o passo próximo passo é a sua implementação. tem início o processo de conduzir esses aspectos em direção ao ação alcance dos objetivos estabelecidos. os objetivos globais e quais os caminhos escolhidos para alcançá-los. Fique atento! Por fim. uma vez que todas as do ambiente externo. seguindo um processo básico. e ajustá-lo continuamente às mudanças que acontecem interna e externamente durante sua consecução. internas quanto externas. Uma vez definida a missão. pelas pessoas que tocam o Implementar uma estratégia é tão importante e O termo estratégia é muito utilizado fundamental quanto formulá-la. Todo planejamento e quais as melhores alternativas. os valores. visão. a visão. mas sempre de como tudo vai funcionar. comunicar a maneira subjetiva. entrar em um novo mercado. A racionalidade decorre internas e as oportunidades externas da escolha dos meios certos para atingir e neutralizar as fraquezas internas e as determinados fins. tanto resultados desejados. Os meios escolhidos ameaças externas. Trata-se de esgueirar são racionais se eles conduzem aos entre as vantagens e as restrições. A maior pelos empreendedores para definir como parte dos desafios estratégicos decorre agir numa negociação. seguinte é definir a estratégia para ou seja. temos a Avaliação da Estratégia Uma análise estratégica da que consiste em acompanhar os resultados empresa deve incluir um da estratégia empresarial e promover os misto de racionalidade e subjetividade. empreendimento.Empreendedorismo Quando todos esses conceitos são bem Em virtude das forças e fraquezas da definidos e estabelecidos. Implementar parceria. procura-se o melhor decisões e ações são regidas e orientadas caminho para alcançar os objetivos globais para o alcance de determinados fins que para aproveitar ao máximo as forças se tem em vista. o negócio se empresa e de oportunidades e ameaças torna mais racional. significa explicar a todos os parceiros lançar um novo produto. fechar uma de sua implementação. missão. os Definida a estratégia empresarial. que pode ajudar o empreendedor a entender ajustes e as correções necessários para adequá-la às mudanças que acontecem melhor a situação atual de seu negócio no meio do caminho. o valores e objetivos globais. não processual. 148 UNIDADE 4 . ou é feito antes dos eventos ocorrerem e meios.

pesquisas já prontas. mercado de sua empresa. pois só assim conseguirá melhor o mercado específico onde estará estabelecer uma estratégia de marketing entrando. Estas informações podem ser vencedora. UNIDADE 4 onde seu de forma objetiva. no momento de gráficos. com o intuito de para sua empresa dentro desse setor. As fontes Para tanto. tendências do setor. mercado. Você deve sempre procurando se diferenciar da procurar mostrar o que está acontecendo concorrência. pois toda a estratégia macro do setor. e também a mais Outra ação importante é a análise difícil de se fazer. novos ingressantes no As Fontes secundárias podem incluem mercado. muitos uma das mais importantes seções do plano de negócios. outros. banco de dados entre realizar a análise de mercado. de preferência de múltipla escolha e que 149 . dados dispersos. 143) sugere primárias. O empreendedor deve saber coletar É importante que a empresa conheça informações e selecionar as informações muito bem o mercado onde atua ou que serão lhe serão úteis para conhecer pretende atuar. conforme abaixo: para se conhecer as tendências de mercado e preferências do consumidor. agregando maior valor aos com o setor e quais são as perspectivas seus produtos/serviços. com poucas questões. considere fatores como a concorrência direta e indireta. conquistar seus clientes continuamente. segmentação do • Fontes primárias. • Efetuar A análise de mercado é considerada por comparações com os competidores. As pesquisas primárias devem ser feitas • Descrever o setor negócio está inserido. tabelas. principais a análise do mercado.Um dos passos fundamentais do plano de • Analisar os negócios e da estratégia a ser adotada é competidores. que podem ser providas por instituições ou empresas. produtos/serviços substitutos. você deve partir para de negócio depende de como a empresa uma análise particular do segmento de abordará consumidor. • Identificar as tendências são as chamadas pesquisas de mercado. p. tendências de consumo. os fornecedores etc. consideradas mais eficazes um roteiro composto. Dornelas (2005. obtidas por duas fontes: ser mercado É importante que o empreendedor • Fontes secundárias. ambientais ao redor do negócio.

Isso permite completamente para o mercado e para intensificar esforços e definir o foco da o cliente. ou seja. atuando sobre • Geografia (onde os consumidores o composto de marketing. mercadologia. necessidades e desejos comuns. o marketing está voltado como ele está segmentado. ou os 4P’s seguintes aspectos: (quatro pés). está-se definindo um grupo traduzida por alguns autores como de pessoas com características similares. Essas os grupos de consumidores para o seu estratégias geralmente se referem ao produto ou serviço. os estilos de vida meios e métodos que a empresa deverá e onde vivem. mais sobre a questão do Marketing. as promoções e os canais de venda que serão utilizados e. Tente identificar os composto de marketing. como o produto Gostaríamos de dar umas palavrinhas a chegará ao cliente. Produto.Empreendedorismo consigam atingir o objetivo definido pelo marketing corresponde empreendedor. Sua função é fazer com que os pesquisa. de forma moram?) a obter melhor resultado sobre seus competidores. O composto de marketing (marketing 150 A palavra marketing vem do inglês mix) é formado pelos 4 P’s. Preço. o empreendedor colocação deve saber com quais clientes em mercado consumidor. market. Conhecendo os As estratégias de marketing são os hábitos de consumo. que serão o foco das vendas. fica mais fácil segmentar utilizar para atingir seus objetivos. Antes de partir para a atividades da empresa que visam a pesquisa de mercado. que significa mercado. • A personalidade (como eles agem?) qual será sua política de preços. pois depende de como o produto será posicionado no mercado. produtos/serviços da empresa cheguem da melhor forma possível ao consumidor Quando se define um segmento de final. O UNIDADE 4 . quais sejam. de a todas produtos/serviços as no potencial a pesquisa deve ser feita. Praça e Promoção. A empresa pode adotar estratégias específicas. qual será o seu mercado-alvo e Assim. A palavra marketing tem sido mercado. • Perfil (como eles são?) A projeção de vendas está diretamente • Estilo de vida (como vivem e o que ligada à estratégia de marketing fazem?) estabelecida. ainda.

participação em feiras • Estrutura de canal – processo pelo etc.Pensando no produto é importante ter Três fatores devem ser considerados no em que as características do produto/ plano de promoção de propaganda/ serviço interferem diretamente nos canais comunicação da empresa: o pessoal de distribuição que podem e devem ser envolvido. loucura. consumo duráveis. os bens de maior A propaganda pode ser feita por meio valor agregado. venda ao consumidor final. mala direta. e a escolha dos veículos adequados. internet. quantidade e periodicidade da rápido possível. Bens de consumo quantidade de pessoas e suas qualificações imediato geralmente são disponibilizados vão depender dos canais de distribuição ao que foram escolhidos. busdoor. alcança o propaganda são fundamentais para que a maior número de consumidores o mais empresa otimize o capital investido. A adotados pela empresa. produto extra. etc. distribuição de panfletos e básicos. desconto no preço. como é o caso de bens de são a televisão. como distribuição de produtos e serviços. obtêm grandes acesso a cada segmento entre outros. UNIDADE 4 151 . escolha de cada um depende do público que se deseja atingir. questão da propaganda. bens de capital de pequeno porte brindes. resume-se em oferecer uma dois ou mais canais diferentes de vantagem adicional ao cliente. com baixos custos. Dentre as estratégias de distribuição displays em pontos de venda. a distribuição a pode ser direta ou indireta. Pode-se ainda mesclar vários canais de distribuição par um mesmo tipo de Os veículos de comunicação mais usados produto. jornais. utilizam venda direta por de diversos veículos de comunicação. o rádio. economize. grátis. A meio de equipes de vendas. porém ainda mantendo o controle. campanha serão: ganhe. guias setoriais. Fazer propaganda geralmente custa qual se utiliza intermediários para a caro. pechincha. imperdível. mas não menos importante a outras similares. citam-se: anúncios em listas telefônicas. As promoções de vendas também ajudam também ajudam a estimular a venda de • Canal múltiplo – quando existem produtos. a propaganda e as promoções. brinde. As palavras mais utilizadas na de mercado para aumentar o negócio. patrocínios a eventos. consumidor via varejistas ou distribuidores e atacadistas. Já os bens de capital de grande porte. aproveite e Por fim. insumos industriais outdoors.

152 UNIDADE 4 . motivado a comprar o produto. • Seleção de Assista à videoaula com este conteúdo. leva o consumidor a mensagens do produto/serviço serão comprar por meio do contato pessoal. fazendo o consumidor comprar e explicando como um produto/serviço • Propaganda pode satisfazer as necessidades do campanha comprador.Empreendedorismo Outro fator importante é a seleção transmitidas ao consumidor e que da mídia que tem por finalidade criar fazem com que o consumidor seja consciência a respeito do produto. Dentre as estratégias de comunicar as qualidades do produto/ promoção citam-se: serviço para o consumidor potencial. de – Criação publicidade da para mídia – escolha • Vendas – no processo de tomada dos canais por meio dos quais as de decisão.

redução consumo. A atividade de concorrência e participação desejada. sobretudo. recursos tecnológicos e equipamentos. em que quali- do processo de fabricação. em de mercado. excelência e a veloz taxa de mudanças são fatos incontestáveis. • Mensuração do mercado. De fato. basicamente. dade. qualidade do seguintes pontos: produto e. mais especificamente na manufatura. a participação de razão do acirramento competitivo e da mercado desejada e as características globalização dos mercados. pelas novas condições necessá- Como nessa modalidade de produção rias e diferenciais das empresas. considerando. graus de padronização e similaridades no processo. mediante a agregação de mão-de-obra. participação de tivas nesse ambiente é a manufatura. velocidade de desenvolvimento de novos produtos. com mercado desejada e perspectivas de o aumento de produtividade.MÓDULO 03 Plano de Negócios: Planejamento da Produção e Plano Financeiro • Produção seriada – a empresa industrial produz para estoques e vendas de maneira contínua em função de características do produto. a demanda esperada As condições de mercado atuais. eficiência. sugerem que o grande diferencial estratégico da empresa concentra-se na área de operações. flexibilidade. torna-se crítico monitorar os de tempos de fabricação. do volume estimado de vendas. UNIDADE 4 153 . quem planeja-se e operacionaliza-se em função viabiliza e propicia condições competi- da demanda esperada. transformação pode dar-se basicamente de três formas operacionais: • Níveis de atividade econômica e setorial. em produtos acabados. A • Dimensionamento da produção e atividade industrial tem como objetivo dos recursos disponíveis em função primordial a transformação de materiais.

não são mediante encomenda padronizados e possuem particularidades técnicas e operacionais próprias. processo de produção por encomenda. por vezes. mas existe um fator diferencial administração da produção que toma que se refere ao projeto e à necessidade por base um plano de vendas. a avaliação dos seguintes aspectos é com características próprias e peculiares. ser fabricado é diferente dos demais. tecnicamente. produz apenas linhas específicas. e o processo de para atender ao pedido. sequer há experiência anterior como • Método de fabricação. bem Neste tipo de produção são válidos como o dimensionamento de recursos os pontos de controle da produção necessários. o que torna o processo ainda mais arriscado. Como cada política de estoques e administração de produto uma materiais e um projeto de produto. tecnicamente. imprescindível: elaborado atende a um ponto de controle vital passa a ser o projeto que originará o produto. que inviabilizam uma produção Planejamento da produção contínua ou formação de estoques. e cada produto a um planejamento de produção completo. Trata-se • Projeto do produto. parâmetro de produção e custos. Em • Dimensionamento de recursos. partes ou exclusivo da encomenda. uma específica do comprador. duas situações ocorrem: 154 • Cronograma de recursos. • Revisões freqüentes de orçamento • Produção híbrida – a empresa de vendas.Empreendedorismo • Política de estoques praticada e • Cliente que não especifica ideal. industrial. pois. por organização do processo produtivo ou especificidades do Produção por encomenda – a empresa produto ou linha de produtos. • Escoamento da produção e • Cliente que especifica políticas de distribuição. ou o processo de produção seriada. para demanda específica. utiliza industrial. de uma atividade crucial. projeto ou design determinados produtos. é definido pela função da seriada. O planejamento da produção. Os produtos produção por encomenda. UNIDADE 4 . Para demanda específica.

recursos no mercado. assim. o primeiro A decisão de distribuir dividendos real atendimento ao mercado dá-se na relaciona-se ao resultado global das fábrica. Essas decisões. justificar os UNIDADE 4 são feitos de dividendos. resume-se a três decisões: Investir. uma vez que é conseqüência do fluxo de caixa esperado como retorno • O controle dos pedidos a cumprir ao acionista. garantindo Controle da produção a liquidez da empresa. assim. Como visto anteriormente. devem-se liquidez. operações da empresa e sua situação de os recursos e todos os fatores. o que. deve ser Tradicionalmente a função financeira detalhado mensalmente. Demonstração do Resultado do Exercício • O controle dos custos. Esses valor da empresa e. os • O controle da produção e do fluxo principais demonstrativos a serem produtivo. abrange o estudo de projetos tem como único objetivo aumentar o e de sua viabilidade econômica. aliadas aos controles. prática. dividendos ou reinvestimentos. justificar os investimentos e o retorno. No que se refere ao Plano de Negócios. todos projetados com um horizonte mínimo de três Plano Financeiro anos. reflete-se no valor considerar: da empresa. a fim de possibilitar a viabilização do investimento. afinal.• Avaliação de ajustes na permanentes e capital de giro. apresentados são: Balanço Patrimonial. 155 . de financiar refere-se à estrutura que a empresa utilizará para captação de • Programa de produção. próprios ou de terceiros. usualmente na forma de na produção. Essas decisões. tem como único objetivo aumentar o valor da empresa e. financiar e distribuir dividendos. e Demonstração do Fluxo de caixa. Uma vez planejados a produção. financiar e A decisão investir. A decisão programação. sendo que o usual é normalmente um período de cinco anos. Curiosidade: Tradicionalmente a função financeira resume-se a três decisões: Investir. No caso do fluxo de caixa. aliadas aos controles. forma investimentos de distribuir em ativos investimentos e o retorno.

para se chegar ao lucro bruto. representarem os gastos necessários para que as receitas sejam alcançadas. ou a parcela de bruto as despesas operacionais. ou o equilíbrio entre origens da empresa que cuida dos recursos e financeiros. Como O ativo da empresa representa as uma empresa pode obter receita ou ter aplicações de recursos que se dividem despesa que não são provenientes de em suas operações. é representado pela Rentabilidade e Liquidez. preocupando-se com dois seguinte equação: aspectos importantes: aplicações. Tendo esses dois objetivos classificação ordenada e resumida das em mente. É constituído por custos dos produtos vendidos (comércio). Balanço Patrimonial abatimentos e devoluções concedidas. Na realidade. o empreendedor pode tocar receitas e das despesas da empresa em tranquilamente suas finanças. é convenção separá-las circulantes. Demonstração do Resultado do estes são os dois objetivos principais das Exercício finanças: o melhor retorno possível do investimento e a sua rápida conversão A Demonstração do Resultado é uma em dinheiro. O passivo Em é uma obrigação. dos serviços prestados (serviços). representa as origens de recursos. Essa financiamento obtido de terceiros. assim como 156 das atividades operacionais. determinado período.Empreendedorismo Gerenciando as finanças o patrimônio líquido. duas colunas. O balanço patrimonial reflete a posição financeira da empresa em um Desta receita líquida. UNIDADE 4 . Portanto. de longo prazo e permanentes. deduzem-se os determinado momento. O ativo corresponde a todos os bens e direitos de uma empresa. O denominação de patrimônio líquido corresponde seguida. O passivo. a do ativo e a do passivo e dos produtos fabricados (indústria). resultando na receita líquida. Isso significa que gerenciar ATIVO=PASSIVO+PATRIMÔNIOLÍQUIDO as finanças é tentar fazer com que os recursos financeiros sejam lucrativos e líquidos ao mesmo tempo. ou patrimônio líquido. subtraem-se do lucro aos recursos dos proprietários aplicados na despesas operacionais se dá pelo fato de empresa. Da receita total obtida devem ser subtraídos os impostos. o Balanço O gerenciamento financeiro é a área Patrimonial.

gastos Assim. ciclo financeiro é o prazo decorrente entre incorporados ao o pagamento dos recursos adquiridos Fluxo de Caixa e o recebimento das vendas. No caso. processamento e venda. visando a obter a receita necessária dias. comprando. final a soma dos lucros ou prejuízos que. pagos antes do recebimento das vendas. impostos etc. importantes e necessidade a conceituação. dias = 27 dias Assim. contabilizando-se no ciclos: ciclo econômico e ciclo financeiro. O próprio balanço. em número de dias. no período decorrido entre a Capital de Giro aquisição dos recursos. Pode-se observar que. cálculo de do ciclo financiamento planejamento das ações que serão tomadas no dia-a-dia e no futuro da empresa. Trata-se de antes dos recebimentos. o prazo médio e vendas é 30 dias melhores formas de venda do produto/ e o prazo médio de pagamentos é de 28 serviço. se não forem distribuídos aos sócios. o ciclo O fluxo de caixa é a principal ferramenta financeiro é igual ao ciclo econômico de mais o prazo médio das vendas menos o planejamento financeiro do empreendedor. gerando-se uma ferramenta estratégica que auxilia o uma empreendedor no gerenciamento e no permanente de capital de giro. o ciclo completo de operação deve ser financiado pela empresa. dar financeiro média da empresa. está Se a empresa não possui uma estrutura UNIDADE 4 157 . O ciclo econômico é o prazo decorrente serão patrimônio entre a aquisição dos recursos e a venda líquido. por exemplo. pagando e recebendo. os recursos adquiridos são Uma empresa. uma vez que. se o ciclo econômico é de 25 com pessoal.Finalmente. e definir as dias.. vendendo. As principais preocupações prazo médio das aquisições. é calculado o valor do operacionalmente envolvida em dois imposto de renda. alterando por conseqüência o do produto. uma vez descontos ou eliminar estoques para que os pagamentos usualmente ocorrem fazer caixa. credores. mercadoria ou serviço. produzindo. ao analisar o fluxo de caixa de sua São empresa. o empresário poderá saber se entendimento é viável vender os produtos a prazo. devem estar em honrar os compromissos com os fornecedores. o ciclo financeiro é igual a: para que a empresa não fique com o caixa negativo e não precise recorrer a Ciclo Financeiro = 25 dias + 30 dias – 28 empréstimos bancários continuamente.

estoque é renovado em determinado período. torna-se uma importante ferramenta gerencial. pois possibilita ao pelos credores da empresa e o total empresário saber em que momento de recursos que são fornecidos pelos sem empreendimento começa a obter credores e pelos proprietários. circulante – passivo circulante Liquidez corrente = ativo circulante/ Índices financeiros passivo circulante Os índices financeiros indicam como está Liquidez seca = (ativo circulante – a situação financeira da empresa.Empreendedorismo de capital próprio e de financiamento • Liquidez – mostra se a empresa é adequadas para suportar o “giro” de capaz de saldar suas dívidas. É o ponto no qual a receita proveniente das vendas equivale à • Endividamento – demonstra soma dos custos fixos e variáveis. Existem quatro grupos básicos de indicadores: 158 UNIDADE 4 . assim. muito provavelmente • Atividade – o giro do estoque experimentando demonstra a velocidade em que o crises e liquidez constantes. deverá recorrer a empréstimos de curto prazo. e a estoques)/passivo circulante capacidade de honrar seus compromissos no prazo. 27 dias. 1 – (custo variável/receita total) Para obter o PE em quantidade de Liquidez produtos. prejuízo. • Lucratividade – mostra o quanto a empresa é atrativa do ponto de vista PE = ________custo fixo________ do investidor. são os índices utilizados para justificar os investimentos. O giro do ativo permite Ponto de Equilíbrio medir a eficiência com que a empresa é capaz de usar seus ativos para gerar No ponto de equilíbrio não á lucro nem vendas. basta dividir o resultado anterior pelo preço de venda unitário do Capital circulante líquido (CCL) = ativo produto. É de quando do total de ativos e financiado grande utilidade. lucro e.

Atividade Giro do estoque = custo das mercadorias/ estoques Giro do ativo total = Vendas/ativo total Endividamento Participação de terceiros = passivo total/ ativo total Relação exigível/patrimônio líquido = exigível/patrimônio líquido Lucratividade Margem bruta = lucro bruto/vendas Margem operacional = lucro operacional/ vendas ROI = Lucro líquido/ativo total UNIDADE 4 159 .

na realidade. Daí sua importância vital para o sucesso do As empresas estão envolvidas em um negócio. pessoais. Segundo Chiavenato (2002). inteligência. E isso • Liderança. com sua individualidade. as é. Embora a empresa seja dotada de máquinas. Toda organização consiste em uma principalmente combinação administrada de tecnologia e porque cada pessoa UNIDADE 4 . na realidade.Empreendedorismo MÓDULO 04 Recursos Humanos é única. para instalações. prédios. emoção e ação para • Remuneração. O conceito de cargo está uma totalidade. são necessárias as de outros recursos físicos. Como toda Hoje as pessoas não mais trabalham empresa é constituída de pessoas. ao contrário. equipamentos. ser ativados para que se consigam operar e proporcionar resultados. São as pessoas que proporcionam a excelência. é feito pelas pessoas. seguintes ações: esses elementos concretos sozinhos não a fazem funcionar nem atingir seus • Escolha da equipe. um sistema social. a qualidade. suas habilidades etc. vida. tecnologia e uma porção construir uma equipe. nanceiros que a empresa reúne precisam • Treinamento. ela sozinhas e isoladas. sua personalidade. a produtividade A empresa como um sistema sociotécnico e a competitividade da empresa. sua história e suas experiências. alguns autores salientam sendo a existência de um sistema sociotécnico: substituído pelo de equipe. São elas que garantem a • Avaliação de Desempenho. assim como seus objetivos São as pessoas que fazem o negócio. Ao empresas bem-sucedidas estão juntando analisar o trabalho empresarial como as pessoas. processo de transformação de recursos em produtos/serviços. objetivos. a empresa. Gerenciar equipes é uma das tarefas 160 mais importantes para o empreendedor. São elas que dão • Motivação. Todos os recursos físicos e fi- • Desenho das atividades. dinâmica do negócio.

subsistema social e técnico.pessoas. que a preocupação e resistência das Esse é o papel do Sistema Gerencial: pessoas com relação à mudanças sejam Proporcionar um elo estreito entre o totalmente substituídas por cooperação. cada sistema auxilia o outro e alavanca seus • Motivação para contribuir. Administração participativa O empreendedor deve fazer com que sua equipe não fique limitada ou Assim. 161 . que cada tarefa seja um evento grupal. o sistema sociotécnico é constituído de dois sistemas principais: confinada em cargos isolados e superespecializados. com tarefas repetitivas e monótonas. quando das pessoas. um trabalho de equipe e de cooperação • Subsistema social. que é denominado aspectos fundamentais: e desejo de mudar. resultados provocando uma influência recíproca e positiva. A integração interesse desses dois subsistemas provoca um Administração participativa exige três efeito multiplicador. deve fazer com • Subsistema técnico. Esses dois subsistemas precisam ser devidamente integrados e coordenados para O empreendedor precisa fazer com que funcionem em constante interação. A sinergia ou efeito sinergético. Ao contrário. • Envolvimento mental e emocional Em outros adequadamente termos. de tal forma que ambos os lados estão intimamente inter-relacionados. UNIDADE 4 • Aceitação da responsabilidade. integrados. entre as pessoas envolvidas.

nas pessoas. Mas é preciso saber conduzi-las e resultados. baseada • Autoridade. emporwerment à sua equipe: 162 UNIDADE 4 . e estimula-las por meio de liderança a auto-avaliação do desempenho. a autonomia. a responsabilidade por metas incríveis. a liberdade. Liderança e motivação tanto.Empreendedorismo A administração participativa. • Competências. o empreendedor precisa utilizar constituem as bases da administração quatro alanvancadores para proporcionar participativa das pessoas. processo democrático (democracia do consenso). Ela representa • Informação. tem sido apontada como a alavanca para o progresso. além de uma evolução do • Recompensas. Emporwerment Liderança e motivação Emporwerment significa a participação. Para e motivação. o envolvimento das pessoas na gestão do negócio. a As pessoas são capazes de realizar feitos delegação.

a estabilidade situação atual e os objetivos pretendidos. as necessidades dire- dedor influencia o comportamento dos cionam o comportamento daqueles que subordinados para direcioná-lo rumo aos procuram satisfazer carências pessoais. o líder dá ordens e espera o seu vestir-se. As necessidades humanas podem ser 5. Uma vez que pela extrema liberalidade com relação essas necessidades atingem um certo grau às pessoas: o líder apenas sugere e de satisfação garantida. Os subordinados têm plenas condições de participar ativamente das decisões a respeito do seu trabalho. A segunda caracteriza-se necessidades cotidianas.2 Motivação A motivação diz respeito à dinâmica do comportamento das pessoas. mas dentro da panorâmica traçada pelo líder. Assim. a democrática. dormir.1 Liderança representadas em uma hierarquia que lembra uma pirâmide. das pessoas. objetivos que se pretende atingir. emocional etc. Quando este nível esta delineia as alternativas e discute com a relativamente sob controle. a liberal e a democrática. Motivar significa estimular as pessoas a fazer algo ou a se comportar rumo a determinada direção. na qual o líder expõe a segurança no trabalho. as necessidades não tem qualquer ascendência sobre as de segurança afloram no comportamento pessoas. satisfazer as suas passam a se preocupar com a proteção O ideal é a terceira opção. primeira caracteriza-se pela condução coercitiva e impositiva das pessoas: As pessoas precisam comer. A motivação está intimamente UNIDADE 4 163 . A mais emergentes. cumprimento.A liderança é um tipo de influência relacionada com as necessidades pessoal por meio da qual o empreen- pessoais. 5. As necessidades Existem três tipos de liderança: a que estão na base da pirâmide são as autocrática. Nesse instante as pessoas enfim. a liderança contra o perigo (real ou potencial). emergem equipe os melhores cursos de ação.

Cabe ao empreendedor com pessoas.Empreendedorismo as necessidades sociais: a busca por Cada pessoa tende a desenvolver um amizades. interação entre a técnica e a busca e estão crescentemente apoiada na UNIDADE 4 . a autoconfiança. reconhecimento alheio. contato as demais. a maneira como cada Na sociedade do conhecimento. é dada primazia ao Capital Humano. descobrir e localizar em cada pessoa as necessidades que lhe são mais Quando essas estão satisfeitas. com mais satisfeitas. emerge a necessidade de ênfase na dimensão humana (se bem auto-realização: a necessidade de realizar que todo o potencial individual para crescer. finalmente. onde pessoa se vê e se avalia. o autoconceito. relacionamento tipo de necessidade prioritária sobre humano. amor. dimensão técnica). o objetivo é construir empresas mais 164 E. quando todas as demais inteligentes. É precisamente esta criar. surgem as necessidades de estima: a auto-apreciação. centros de aprendizagem necessidades relativamente e de atuação espontânea. afeto. gerar conquistar. importantes e levá-las à satisfação por meio do trabalho.

2. Criatividade Assista à videoaula com este conteúdo.aprofundamento do talento individual a 3. Inovação Nesta “era do cérebro” tenta-se potenciar fatores intangíveis como: A Direção assume hoje uma dimensão Técnico-Humana: dá-se uma ênfase forte 1. 4. Diversidade à liderança sem. UNIDADE 4 165 . obviamente. Intuição base da competitividade organizacional. descurar a gestão.

Por fim. concluímos nossos trabalhos fazendo mais uma pequena reflexão sobre a gestão dos Recursos Humanos. A seguir. co mercado. dos clientes. etc.Empreendedorismo RESUMO Nesta unidade focamos inicialmente o Plano de Negócios enquanto modelo que poderá ajudar o empreendedor a planejar e focar sua ideias. refletimos sobre a caracterização do negocio e discutimos os aspectos estratégicos do mesmo. Vimos aspectos importantes destas estratégias relacionadas às implementações de ideias. No terceiro módulo trabalhamos com as questões relacionadas com o planejamento da produção e com o plano financeiro. Vimos sua estrutura e alguns de seus elementos constituintes. 166 UNIDADE 4 . perfil da concorrência.

( ) Verdadeiro ( ) Falso 02. sua aplicação. Em relação às dicas para a elaboração do plano de negócios nos deparamos com a seguinte afirmação: “Não adianta ter o plano de negócios como um engessamento da empresa. O empreendedor e sua equipe devem assumir a preparação do Plano de Negócios. seus prazos e objetivos. estabelecendo a visão geral do plano. Tudo que está lá pode e até deve mudar com o tempo.” Isto se refere a qual aspecto da elaboração? a) Coloque a mão na massa b) Tenha uma cultura de planejamento c) Comece a tirar sua ideia do papel  d) Prepare-se para vender sua idéia UNIDADE 4 167 . mas não é adequado para o acompanhamento e definição de metas e gerenciamento de riscos. Um Plano de Negócios bem estruturado tem por objetivo ajudar o empreendedor/ executivo a planejar e focar suas idéias.EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 01. ( ) Verdadeiro ( ) Falso 03. tomando as ações pensadas para sua empresa.

os valores e os objetivos do empreendimento nós passamos a refletir sobre: a) Contratação de pessoal b) Estratégia empresarial c) Fluxo de caixa  d) Gestão de estoques 06. Seguindo os passos da pergunta anterior.Empreendedorismo 04. Porque é importante na descrição do negócio mostrar que a empresa possui pessoas qualificadas e comprovadamente experientes nos níveis de comando? a) Ter foco em Gestão de Pessoas b) Estabelecer a confiança do mercado c) Transmitir confiança à possíveis investidores  d) Estabelecer uma hierarquia funcional 05. definida(o) a(o)_______________ passamos para: a) Treinamento do pessoal contratado b) Implementação da estratégia c) Negociações com agentes financeiros d) Desenvolvimento de fornecedores 168 UNIDADE 4 . Definidas a visão. a missão.

Para um planejamento de produção completo. a avaliação dos seguintes aspectos é imprescindível. Em um processo de definição do nicho de mercado que pretendemos atuar. ( ) Verdadeiro UNIDADE 4 ( ) Falso 169 . O empreendedor deve saber coletar informações e selecionar as informações que lhe serão úteis para conhecer melhor o mercado específico onde estará entrando. exceto: a) Cronograma de recursos b) Método de fabricação c) Programa de produção d) O controle dos custos 10.07. podemos segmentar os grupos de consumidores por? a) Perfil b) Estilo de vida c) Geografia d) Todas anteriores 09. Tradicionalmente a função financeira resume-se a duas decisões: Investir e distribuir dividendos. ( ) Verdadeiro ( ) Falso 08.

.

Niciane Estevão Castro e Priscila Amorim Barbosa (Graduandos de Administração Faculdade Novo Milênio) e Daniele Jannotti S. A ascensão se difundir uma cultura empreendedora e do empreendedorismo vem paralela- salienta a distinção entre empreendedor mente ao processo de privatização das e administrador. Villena (Mestre em Administração e Professora da Faculdade Novo Milênio) Resumo: Este artigo apresenta o Introdução empreededorismo como a criação de algo novo a partir da identificação de uma a O persistência e a ousadia aparecem como é atitudes imprescindíveis neste processo conhecer.ANEXO Empreendedorismo: a necessidade de se aprender a empreender Autoria: Ailton Carlos da Silveira. Giovanni Gonçalves. não estando absorto da grandes estatais e abertura do mercado correlação existente entre eles. Essa subjetivi- Os riscos. interno para concorrência externa. Jardel Javarini Boneli. naturalmente presentes no dade pode ser devido as diferentes empreender. ANEXOS 171 . mas não conseguem definir para se obter os objetivos pretendidos. sobre o assunto ou por se tratar de o oportunidade. seu crescimento e gere possibilidade de Planejamento. abordando quando Brasil. contextualiza-se na conjuntura conceito muito uma de empreendedorismo subjetivo. empreendedores que ajudem o país no Empreendedor. empreendedorismo dedicação. realmente o que seja. onde o tema se popularizou a e de que forma surge a necessidade de partir da década de 90. novidade. a Ainda. deverão ser previstos e concepções ainda não consolidadas calculados. todos parecem principalmente no econômica brasileira. Administrador. trabalho. renda e maiores investimentos. Daí a grande importância de desenvolver Palavras-chaves: Empreendedorismo.

físicos e emocionais. empreendedorismo. empreendedor ganhou novos conceitos. que capitalista conceito antigo que assumiu diversas e empreendedor foram complemente vertentes ao longo do tempo. em 1985 com Pinchot foi introduzido o seu histórico. ângulos de visão sobre o mesmo tema. uma pessoa com criatividade e capaz de na verdade. e o capitalista assume os riscos de forma passiva. cuja origem da palavra com financiamento governamental. Só diferenciados. fornecedor do capital. empreendedorismo estar cada é empreendedor deixa de assumir empreendedorismo foi utilizada pelo economista 172 Joseph Schumpeter em Com as mudanças históricas. daquele internet. e começa algo de novo. empreendedor e o administrador. De acordo com o dicionário eletrônico o Wikipédia. certamente em função do no início do século XX. características de um conceito de intra-empreendedor. é um somente no século XVIII. E vem do verbo francês “entrepreneur” no século XVII. nesse artigo propôs-se precisa arriscar em algum negócio. Knight e em 1970 com conforme Britto e Wever (2003. 17). a fim de destacar a importância de assumir Buscando ainda as raízes do ambos os papéis. p. E apresentar o que é o empreendedorismo. em 1967 com K. surge a relação entre que significa aquele que assume riscos assumir riscos e o empreendedorismo. são definições sob outros fazer sucesso com inovações. Dornelas (2001) faz um resgate histórico e identifica que a primeira definição de empreendedorismo 1 Empreendedorismo é creditada a Marco Polo. foi elaborada no início ANEXOS . a palavra início da industrialização. Peter Drucker foi introduzido o conceito “uma das primeiras definições da palavra de risco.Empreendedorismo Por isso. sendo o empreendedor Histórico e Definição aquele que assume os riscos de forma ativa. Mais tarde. revista. livros e aparentar ser um termo que assume riscos. empreendedor. Apesar do Bem como a criação do próprio termo empreendedorismo vez empreendedorismo que diferencia o mais em evidência nos artigos. de forma resumida. uma pessoa empreendedora empreendedor. o riscos e passa a gerenciar grandes movimento de mudança causado pelo projetos de produção principalmente empreendedor. uma empreendedor. o 1950 como sendo. Na Idade Média. Mas “novo” para os profissionais. mas dentro de bem como apontar as similaridades e diferenças entre o uma organização. capitalista. pessoa empreendedora.

parece que uma definição de Para Dolabella (1999. 12). B. 2001. um negócio para capitalizar sobre ela. No século XX. o qual deve desejar “aprender até então. estudo. pela introdução de novos produtos e como serviços. caracterizada por fazer ANEXOS algo já inovador ou é buscar diferente do que feito.do século XIX pelo economista francês J. com que detecta uma oportunidade e cria criatividade. acontecer por influência familiar. citar duas características que incidem formação e acadêmico. ou seja. pela criação de novas formas de influenciado pelo meio que em que organização ou pela exploração de novos vive. p. Contudo. a primeira é a natureza da ação. “o empreendedor é aquele características que destrói a ordem econômica existente empreender com sucesso. Caracteriza no mercado. apud DORNELAS. como aquele que “transfere recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor 2 Formação e Características do Empreendedor de produtividade mais elevada e de maior rendimento””. a formação empreendedora pode recursos e materiais” (SCHUMPETER. Existe a concepção do empreendedor de Joseph Schumpeter. 37). No campo científico dedicação e persistência na atividade a que se propõe a fazer para alcançar ser caracterizada por situações que os objetivos pretendidos e ousadia contribuem diretamente para que esta para assumir os riscos que deverão ser ação aconteça. transformando esse ato a ação empreendedora em todas as suas também em prazer e emoção”. o empreendedorismo está ligado 173 . p. empreendedora pode diretamente. pró-ativo do etapas. tem-se a definição do economista moderno. Neste ponto. para se empreendedor que atende na atualidade aprender a empreender. podem-se calculados. Entre elas. que está um baseada nas diversas definições vistas indivíduo. criar algo novo mediante a identificação de uma oportunidade. faz-se necessário é de Dornelas (2001. sucintamente. Say. formação e prática. para inovar e ocupar o seu espaço assumindo riscos calculados”.“o empreendedor é aquele a pensar e agir por conta própria. aquele se que nasce com necessárias trata de um comportamento as para ser social. já citada acima nato. liderança e visão de futuro. 37). 1949. No entanto. p.

quatro fatores fundamentais para que métodos e procedimentos que propôs. segundo o autor. mudanças são as ações desenvolvidas. Estes dois fatores são considerados baseados no planejamento de uma importantes na ação empreendedora. se obtém os conhecimentos fundamentais e necessários dentro de uma estrutura de mercado: as informações necessárias para 3 O Empreendedorismo No Brasil a tomada de decisões e o conhecimento da realidade do mercado. como é o grande responsável Filon (1999). Da mesma forma. capaz de enfrentar de empreendedoras. deverá estimular os envolvidos na reali- energia. a qual. de forma a alcançar formação do profissional empreendedor. estabelece um modelo com em colocar em prática as inovações. visando à zação das atividades.Empreendedorismo diretamente às modificações de serem os responsáveis pelas modifica- processos (ou de produtos). ambos os quesitos estiverem olhar além das dificuldades. sabendo Será se. as organizações possuem Brasil somente a partir da década 1990. E a segunda ções. pois nem sempre são tadas. desenvolve um papel otimista dentro Isso não significa que todas as ações da organização. sem controle dos processos são ações Além das características acima comen- empreendedoras. intervêm no planejado e uma execução de algo sem controle e propõem mudanças. o empreendedor tem um perfil ações inovadoras. nem todas melhor resultado. criações e visões inovadoras para é a falta ou inexistência de controle se obter um destaque maior e uma dife- sobre as formas de execução e recursos renciação positiva frente à concorrência. Destaca-se como principal característica as relações. de liderança para obter êxito em suas atividades. necessários para se desenvolver a ação desejada. liderança e relações). SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às profissionais com ANEXOS . devido ao fato de estes. liberdade de ação. O empreendedor sem métodos com uma nova concepção. organização. dotados de idéias realistas e inovadoras. uma grande necessidade de buscar e com a abertura da economia que desenvolver perfil propiciou a criação de entidades como empreendedor. Segundo Dornelas (2001). com foco no presentes. com risco. uma ação seja empreendedora (visão. obstáculos internos e externos. Os empreendedores são visionários. as metas traçadas. o empreendedorismo ganhou força no 174 Atualmente.

dirigido à A SOFTEX foi criada para ampliar o capacitação de mais de 1 milhão mercado das empresas de software de empreendedores em todo país através e destinando recursos financeiros ANEXOS da exportação e incentivar a 175 . Ações voltadas à o Desafio SEBRAE. empreendedor. 2. administrar uma Empreendedor do SEBRAE. popularizar propício do país. deve-se (business plan) que até então eram igno- salientar que muitos visionários atuaram rados pelos empresários. Este órgão está de certa forma. marketing. para isso foram (Sociedade Brasileira para Exportação desenvolvidos projetos para a capaci- de Software). a geração de novas empresas de implantando a cultura empreendedora software (start-ups). ambiente político e econômico nada através de seus programas. estimulando o ensino solucionando pequenos problemas do da disciplina em universidades e negócio. (2001. Dornelas desenvolvimento da economia do país. p. não significa que no país termos como plano de negócios não existiram empreendedores. Porém. Os programas SOFTEX e GENESIS (Geração de Novas Empresas de Software. deram tudo de si. que apóiam e ativi- de empreendedorismo ao promover em parceria com outros países. mesmo sem conhecerem formalmente Apesar do pouco tempo. E ainda empresa virtual. pequenos empresários com finalidade de informar 1. um dos maiores programas de ensino de o célebre industrial Francisco Matarazzo. empreendedorismo e potencializa o país e tantos outros que contribuíram para o perante o mundo nesse milênio. de uma empresa. organização e outros apresenta ações que visam desenvolver conteúdos da área empresarial. uma competição entre do acadêmicos de várias nacionalidades. nas universidades brasileiras. o Brasil finanças. programas EMPRETEC e Jovem que têm como tarefa. bem como acompanhar dades através de consultorias seu andamento. 25 e 26) cita alguns exemplos: O SEBRAE é amplamente difundido entre os brasileiros. o programa Brasil Empreendedor. em software. Antes desse momento o tação em gestão e tecnologia dos empre- termo empreendedor era praticamente sários de informática. a exemplo. Informação e dar suporte necessário para a abertura Serviço). capacitação como os do Governo Federal.Micro e Pequenas Empresas) e SOFTEX produção nacional. em função do nacionais. Além de alavancar desconhecido e a criação de pequenas o desenvolvimento empresas era limitada. essa de entidade tecnologias conseguiu em um cenário obscuro.

totalizando mais de 1.100 Santa Catarina. governamentais. WEVER. No entanto. apontou os (empresas baseadas em Internet). Finalmente. empreendedores das ponto. 3. da CNI (Confederação apesar dos percalços são fundamentais Nacional de para a economia do país. 2003. presente em mais de iniciativa privada e de entidades não- duzentas instituições brasileiras. motivando Monitor Global do Empreendedorismo. o Instituto e-cobra. dora: a cada 100 adultos. empresas no Brasil. de apoio aos e London School of Business. Inglaterra. palestras e até prêmios aos melhores planos de negócios de empresas Start-ups • O Brasil possui um nível relativa- de Internet. que geram Engenheiro Empreendedor.200 empregos diretos. seguintes resultados para o Brasil em com 2001 (BRITTO. tante. que mais de 5. com programa empresas incubadoras. valorizem a capacidade difusão das Indústrias). mas não menos impor- quinto lugar do mundo. colocando-o em 5. 14. Essas iniciativas são de suma importância Destaca-se também o programa para os empreendedores brasileiros que REUNE. p. o surgimento de entidades com organizado pela Babson College. No entanto. empreendedora dos brasileiros e 4. desenvolvidos por mente alto de atividade empreende- jovens empreendedores. Empreendimentos de Tecnologias Entidades Promotoras de Avançadas) mostram que em 2000.20 e 21): cursos. do empreendedorismo é necessário que ações governamentais nas escolas de ensino superior resgatem o avanço proveniente da do país. para e o ensino capacita alunos de graduação em engenharia de todo o país. EUA. É o caso de Internet.Empreendedorismo a esses empreendedores. o enorme crescimento do 41% deles estão envolvidos por movimento de incubadoras de necessidade e não por oportunidade. Dados da 176 ANEXOS . totali- ANPROTEC (Associação Nacional zando um investimento de oito de bilhões de reais.2 são empreendedores. Diversos cursos programas havia mais de 135 incubadoras de sendo criados nas universidades empresas no país. sem considerar brasileiras do as incubadoras de empresas de empreendedorismo. A recente explosão do movi- solucionem os problemas apontados mento de criação de empresas no relatório Global Monitor (GEM) - de Internet no país.com e realizado em 29 países.

• As mulheres bastante brasileiras são empreendedoras: a localizada do capital de investimento e dos programas de treinamento. • A intervenção mão-de-obra disponibilidade capital • O ambiente político e econô- no Brasil se ampliou. que programas de brasileiros de financiamento existentes não são bem divulgados. completamente instável é extremamente os complicado. Contudo. do capital de risco e o papel do Angel é perfeitamente comum o financia- (“anjo”. as políticas aqui existentes giram • A falta de tradição e o difícil acesso em torno de subsídios e tarifas. Mas muitos mico tem aumentado o nível de risco e empreendedores ainda incerteza sobre a estabilidade e o cres- percebem o capital como algo difícil cimento. jovens adultos. motivando levam de dez a trinta anos para serem o estabelecimento de cenários otimistas liquidados. • Infra-estrutura precária e pouca disponibilidade de • A governamental qualificada têm impedido a prolife- possui duas facetas: tem diminuído. As diferenças regionais de cultura e infra-estrutura também exigem uma abordagem ANEXOS • Não há proteção legal dos direitos 177 . produção é de 38%. políticas aos investimentos continuam a ser protecionistas são nocivas à economia. devemos ressaltar ainda.investidor pessoa física) também mento de imóveis. com planos que estão se tornando realidade. urbanos. ração de programas de incubação mas ainda se manifesta como um de novos negócios fora os centros fardo burocrático. Nos países desenvolvidos. devido à conjuntura econômica exportações. principais impedimentos à atividade pois agindo desta forma. o país pode ser empreendedora. no Brasil não existem políticas industriais concretas. a maior entre os 29 países participantes do levantamento. • Existe uma necessidade de aprimoramento no sistema educacional • O tamanho do país e suas diver- como um todo o que estimulará sidades regionais exigem programas a cultura empreendedora entre os descentralizados. o brasileiro não tem vítima de políticas intervencionistas por o hábito de fazer planos para o longo parte de outros países. urgente de estimar as práticas de investimentos. a consolidação do país. o que dificulta as prazo. Para piorar. Existe uma necessidade para os próximos anos. Sobreviver em uma economia e custoso de se obter.

Ou seja. organizar. análise das oportunidades. o empreendedor custos para registros de patentes no direciona as atividades para o aspecto país e fora dele e parcos mecanismos estratégico das organizações. percebe-se que o início da ser comparadas em cinco dimensões difusão do empreendedorismo no Brasil. enquanto de As o administrador limita e coordena as universidades ainda estão isoladas da atividades diárias. “as diferenças entre os domínios transferência intelectual. controle que saíram das grandes estatais após o dos recursos e estrutura gerencial”. 4 Empreendedor X Administrador Uma das grandes diferenças entre o empreendedor e as pessoas que trabalham em organizações é que o empreendedor define o objeto que vai determinar seu próprio futuro (Filion. A partir disso. acima citados. distintas nasce por conveniência do governo e estratégia. 178 ANEXOS . (2001). tecnológica. empreendedor e administrativo podem Portanto. o Conforme detalhado no quadro abaixo: de negócio: orientação governo se propõe a fornecer subsídios. apesar das similaridades nas funções empreendedoras e administradoras. 1999). para que os trabalhadores tivessem a possibilidade de contribuir para o desenvolvimento e a geração de emprego no Brasil. processo de privatização.Empreendedorismo de propriedade altos Por essa característica. sobrevivência de muitos trabalhadores comprometimento dos recursos. conceituadas desde a abordagem clássica pelos atos de planejar. dirigir e controlar existe o diferencial visionário característico dos empreendedores. Segundo Dornelas comunidade de empreendedores.

Formal. 34 e 35) ANEXOS 179 . status Uso mínimo e recompensa Risco de dos recursos obsolescência. falta Em estágios de controle exato. Estrutura gerencial respeito à hierarquia. risco. pressão por mais Redução dos riscos pessoais.Domínio Empreendor Domínio Administrativo Dimensões-chave Pressões nessa direção Pressões nessa direção do negócio Mudanças Rápidas: •Tecnológicas Dirigido pela •Valores sociais percepção de •Regras políticas oportunidades Orientação estratégica Dirigido pelos recursos atuais sob controle Critérios de medição de desempenho. com base em um orçamento. de longa negociação da duração estratégia. Necessidade de Coordenação das áreas-chave de definição clara difícil controle. sistemas de recompensa. Fonte: Dornelas (2001. eficiência. Reconhecimento de Orientações para ação. cada estágio Comprometimento dos recursos tomada passo a passo. periódicos necessidade de com mínima aproveitar mais utilização em oportunidades. medição emprego dos da eficiência. de autoridade e desafio de Informal. recursos inércia e alto custo das mudanças. 1986). com curta gerenciamento de duração Análise das Revolucionário várias alternativas. p. Tabela 2: Comparação dos domínos empreendedores e administrativos(adaptado de Hisrich. existentes ou necessidade de aluguel dos flexibilidade. inércia funcionários dos conceitos de serem administrativos. independentes. cultura organizacional. com legitimar o controle com muito da propriedade. necessários estrutura da empresa. Falta de previsibilidade das Decisão necessidades. sistemas e ciclos de planejamento. recursos extras Controle dos recursos Habilidade no financeira. Poder. redução oportunidades do risco. Revolucionário decisões rápidas. relacionamento desejo dos pessoal. responsabilidade. utilização de sistemas de alocação de capital e de planejamento formal.

paradoxo pois. porém isso nem sempre contínuas. de acordo com o quadro. se planejar é uma regras e procedimentos. A palavra das funções básicas do administrador. 180 ANEXOS . E ainda. depende da posição características serem similares existe que o sujeito ocupa numa empresa. Porém. p. isso seria principalmente seria ofensivo para o segundo. É importante lembrar que a para tomar as melhores decisões” difusão da necessidade de empreender é muito recente. considera-se o planejamento empreendedor privilegia as pessoas com visão de futuro um dos principais como fonte de obtenção de resultado. “o empreendedor estaria sendo Na na encontra-se uma um administrador que incorpora as várias completo.Empreendedorismo Conforme se percebe a partir da tabela. do um abismo entre gerentes tradicionais e ideal de vida. melhor que o outro. 37) considera isso um para definir administrador seria planejamento e controle. não se pode fazer um empreendedor está sempre com uma comparação direta entre um gerente foco em futuro e o administrador. tabela comparação 3 abordagem clássica. o Para finalizar. diferenciais entre o empreendedor e o ao contrário o administrador privilegia administrador. Dados os dois quadros. no presente. tradicional e um administrador. afinal o ideal é que pois o ambiente sob o qual administra todo administrador seja empreendedor muda e exige mudanças rápidas e e vice-versa. do planejamento para seu administradores. A tabela gerente anterior tradicional mostra cabia que ao gerenciar os recursos disponíveis enquanto que ao empreendedor os recursos e cabe utilizá-los multiplicar de forma surpreendente em favor próprio. abordagens entre as características existentes sem se restringir a apenas de um empreendedor e de um gerente uma delas e interage com seu ambiente tradicional. da sociedade e do país. visto que o impossível escolher um destes perfis como administrador não deve ser tradicional. estratégia define bem o empreendedor apontadas e Dornelas (2001. portanto apesar de algumas se faz necessário. patrimônio entre outras motivações.

como secretária. ANEXOS 181 . poder etc.Temas Gerentes Tradicionais Empreendedores Motivação principal Promoção e outras recompensas tradicionais da corporação. ganhar dinheiro Referência de tempo Curto prazo. mensais etc. Independência. e com horizonte de planejamento anual Sobreviver e atingir cinco a dez anos de crescimento do negócio Atividade Delega e supervisiona Envolve-se diretamente Status Preocupa-se com o status e como é visto na empresa Não se preocupa com o status Como vê o risco Com cautela Assume riscos calculados Falhas e erros Tenta evitar erros e surpresas Aprende com erros e falhas Decisões Geralmente concorda com seus superiores Segue seus sonhos para tomar decisões A quem serve Aos outros (superiores) A si próprio e a seus clientes Membros da família Histórico familiar trabalharam em grandes empresas Membros da família possuem pequenas empresas ou já criaram algum negócio Relacionamento com outras pessoas As transações e acordos são a base do relacionamento A hierarquia é a base do relacionamento Tabela 3: Comparação entre gerentes tradicionais e empreendedores (Hisrich. 1998) Fonte: Dornelas (2001. gerenciando orçamentos semanais. status. p. 36). oportunidade para criar algo novo.

Luis Jacques. São Paulo: Cultura Editores também a possibilidade de desenvolver Associados. é ela que faz com que empreendedorismo não teve grande todo o conjunto se movimente dando variação no tempo. Fernando. empreendedor é o diferencial numa 182 organização. Senai. Francisco. impactos e administradores. ou seja. como as engrenagens do motor Conclui-se que. engenharia. Portanto. 1999. Empreendedorismo: empreendedoras. Existem DOLABELA. Revista USP – Revista da Administração. às rodas a força e assumindo todos os uma confusão entre empreendedores riscos previamente calculados. mesmo que isso seja desejável. Para e o empreendedor não. Rio escolas de administração. Empreendedores brasileiros: vivendo e visto que o empreendedor precisa ter aprendendo com grandes nomes. nem realizado sempre um mecânico e diferencial empreendedor é administrador é empreendedor e vice- que.Empreendedorismo 5 Conclusão que fazendo uma analogia a uma peça automotiva pode representar uma peça que une. Empreendedores ao empreendedorismo. este ANEXOS . 1999. economia. Senac. José características Carlos Assis. em nem todos os uma organização empreendedores. A diferença entre o diferencial percebeu-se o conceito bibliográfico que. e muitas transformando idéias em negócios. dependendo BRITTO. normalmente. de às rodas. DORNELAS. Luiz. porém a partir do que serão causados pelo caminho a ser levantamento tomado. Diferencial São Paulo. dentre outras possuem na grade curricular uma disciplina voltada FILION. Existe. porém existe de Luísa. 2001. WEVER. 2003. E de outro profissionais serão Referências lado. o mecânico tem um lugar específico versa. por isso o Sebrae. da atividade isso nem é desejável. de Janeiro: Elsevier. e Proprietários de Pequenos Negócios. diversas para enriquecer sua equipe e garantir diferentes olhares. mesmo assim um administrador possuir ou desenvolver continua ser uma peça importante para o características empreendedoras pode sucesso de uma organização. ter uma visão de futuro que lhe permita planejar o presente. O segredo empreendedores natos. ser útil para olhar mais longe. Rio ao lado pessoas com características de Janeiro: Campus.

Disponível em http://pt. 2006. Acesso em 10 de julho de 2007. Lições do pioneirismo no Brasil. 4. Jacques.MARCOVITCH. Enciclopédia eletrônica.20-28.org.wikipedia. ANEXOS 183 . WIKIPÉDIA. V. p. HSM Management. 57. n. Jul/ Ago.

.

.

com.facebeducacao.www.br .