You are on page 1of 1

EDIÇÃO IMPRESSA 1 of 2

Serviços para Assinantes Loja Login ******** OK Esqueceu-se da password? Registe-se

Caderno Principal Pesquisa nos últimos 7 dias 18 Mai 2008
Caderno P2

12

Professora agredida por mãe de
aluno poderá ser obrigada a
demitir-se de funções
Caderno Principal
18.05.2008, Sara Dias Oliveira
PRIMEIRA PÁGINA
A professora de Educação Musical da EB 2,3 de Maceda,
DESTAQUE
Ovar, a quem foi instaurado um processo disciplinar
PORTUGAL
depois de ter sido agredida pela mãe de um aluno,
poderá ser exonerada ou forçada a demitir-se. Este
primeiro processo interno, em que se acusava a docente
de ter agredido a encarregada de educação na presença
da então presidente do conselho executivo, situação na
altura desmentida pela professora, foi arquivado pela
Inspecção-Geral de Educação há cerca de um ano.
O PÚBLICO sabe que o estabelecimento de ensino
instaurou, entretanto, mais dois processos disciplinares
contra a mesma docente, Brites Marques, por faltas
injustificadas e por considerar que há agravantes na sua
conduta.
Os processos estão em curso e há, inclusive, uma
proposta de acusação que prevê como sanção a
exoneração ou demissão da professora de 46 anos e 24
de carreira - a quem foi retirada a coordenação do 2.º
ciclo. Brites Marques é acusada de não ter justificado
perto de 20 faltas.
Stresse pós-traumático
Segundo o PÚBLICO apurou, a maioria dessas ausências
prende-se com acções de formação do conhecimento da
própria escola e da Direcção Regional de Educação do
Centro. Helena Caldeira, presidente do conselho
executivo da EB 2,3 de Maceda, que, na altura dos
factos, não exercia esta função, não comentou o assunto.
Contactada pelo PÚBLICO, Brites Marques não quis
prestar declarações. Mas, há um ano, a docente contava
o que lhe tinha sucedido a 15 de Novembro de 2006 e
que a levou a apresentar baixa médica por stresse
pós-traumático. "A mãe agarrou-me o cabelo, fiquei com
o couro cabeludo a doer-me muito tempo, deu-me
pontapés, ferrou-me nos braços", relatava.
Tudo aconteceu numa reunião solicitada pela mãe do
aluno, mais de um mês após o filho, de dez anos, ter sido
levado ao director de turma por ter batido nas mãos da
professora e estar a rabiscar a mesa da sala de aula.
Brites Marques acabaria por dar entrada com uma
taquicardia no Hospital de Ovar, fez provas periciais e
apresentou queixa por agressão.
A encarregada de educação fez precisamente o mesmo.
As queixas deram origem a um processo único, cujo
início do julgamento esteve marcado para a última
terça-feira. A audiência foi adiada e ainda não foi
agendada nova data.
O presidente da associação de pais da EB 2,3 de Maceda,
Joaquim Cunha, desconhece a instauração dos processos
disciplinares.
"Só tenho conhecimento de que a docente está ao
serviço", refere. E acrescenta: "Até à altura da agressão
da docente, a minha convicção e a da associação de pais
era a de que a professora Brites era uma excelente
profissional. Só lamentamos que outros professores não
sejam como ela", afirma o presidente da associação de
pais.
Um mês depois da agressão, a estrutura representativa
dos pais escrevia ao conselho executivo a pedir que fosse
"retirado de imediato àquela mãe o estatuto de
representante dos encarregados de educação da turma
do filho".
A associação de pais lamenta ainda "a atitude do
conselho directivo da escola de Maceda, pela falta de
tomada de posição". Joaquim Cunha revela que continua
sem saber se esse estatuto foi retirado à encarregada de
educação.

Achou este artigo interessante? Sim

MUNDO

CENTRAIS

LOCAL

CLASSIFICADOS

http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20080518%26page%3D12%26c%3DA