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Faculdade de Ciências Geofísica

I PARTE

1 - CONCEITOS BÁSICOS DE GEOLOGIA ESTRUTURAL


AS DIVISÕES DA GEOTECTONICA

O termo geotectónica compõe-se de duas palavras de origem grega, geo =, “ Terra” e Tektonike, “
formação”, “ construção”. Esta ciência subdivide-se em número de ramos, na medida em que pesquisa
determinados problemas geológicos, próprios de cada especialidade.

Assim, a Geologia Estrutural ocupa-se com o estudo da forma, da atitude e do modo de ocorrência das
rochas.

Na crosta. As rochas apresentam-se ao observador sob as mas variadas formas e configurações. Ora
manifestam-se, por exemplo, como massa tabulares, levemente onduladas ou muitas vezes fortemente
deformadas e fracturadas, como é o caso das rochas sedimentares e meta – sedimentares, ora sob forma de
corpos cónicos, cilíndricos ou de cúpulas, como acontece com as rochas ígneas.

Assim, a Geologia Estrutural é a ciência que estuda a forma e a geometria externa e interna dos corpos
rochosos, isto é a sua estrutura.

A Tectónica por outro lado, investiga a morfologia e a associação das estruturas de tipos similares,
classificando-as ou agrupando-as em zonas ou regiões, procurando obter uma visão integrada das
estruturas maiores e suas relações especiais entre si.

A Geotectónica, englobando as disciplinas anteriores é a ciência da estrutura e deformação da crosta


terrestre, ocupando-se dos movimentos e processos deformatórios originando no interior do globo,
buscando definir as leis que presidem o seu desenvolvimento.

A parte da geotectónica que se ocupa com estudo da distribuição das estruturas através de zona ou
segmentos crustais, investigando-lhes a história evolutiva denomina-se Geotectónica Regional.

A Geotectónica Geral. Consagra-se à pesquisa de feições e fenómenos tectónicos regionais e globais,


preocupando-se, portanto, com problemas latos como regularidade na distribuição especial das estruturas,
em todas escalas, movimentos tectónicos resultantes actividade dinâmica do interior do globo causada por
processos mecânicos e físico - mecânicos.

A Geotectónica Geral possui ainda as seguintes subdivisões: a geodinâmica investiga a dinâmica da


crosta ou globo terrestre, isto é, a física dos movimentos tectónicos e suas transmutações; a geotectónica
Histórica empenha-se em deslindar a história dos movimentos tectónicos e suas variações. Finalmente a
Geotectónica Teórica, integrando os dados e as interpretações dos ramos anteriores e laboratoriais para
explicação dos fenómenos constatados.

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1- Geologia Estrutural
Estuda a atitude a geometria e a anatomia
Dos corpos rochosos

2- Tectónica
Investiga a morfologia e a associação
Especial das estruturas.

3- Geotectónica Regional
Geotectónica Pesquisa a distribuição regional e
A história estrutural de zonas deformadas.

1- Geodinâmica
É a dinâmica dos movimentos
4- Geotectónica Geral crustais
2- Geotectónica Histórica
É a história dos movimentos
Tectónicos da crosta
3- Geotectónica teórica
Elabora teorias para explicação
Dos fenómenos geotectónicos

1.1 - INTER RELAÇÃO DA GEOTECTÓNICA E GEOLOGIA ESTRUTURAL COM OUTRAS


CIÊNCIAS GEOLÓGICAS

A inter relação de geotectónica e da Geologia Estrutural com os diversos ramos das Geociências e outras
áreas afins não é simples de se determinar, em virtude de ser, na maior parte muito íntima e em certos
caos não haver limites bem precisos.

O geólogo estrutural deve capacitar-se a identificar de imediato, no campo ainda que em carácter
preliminar as rochas envolvidas na estrutura objecto da petrografia (Petrologia) e determinação das rochas
é investigar-lhe a génese isto é se são magmáticas, sedimentares ou metamórficas: esta disciplina pesquisa
ainda os efeitos provocados pelo magmatismo e os tipos de metamorfismo, nas estruturas.

Geologia Estrutural, por objectivo a análise da deformação em grande parte de camadas sedimentares, ou
seus equivalentes metamorfoseados em intensidades, diversas, vincula-se estritamente à Estratigrafia.
Desta maneira, o estudo tectónico de uma determinada região depende estreitamente de estratigrafia.

A Geomorfologia liga-se à geologia estrutural e Tectónica de um modo biunívoco. Muitas vezes através
dos princípios estabelecidos pela primeira, consegue-se esclarecer determinadas estruturas e movimentos
custais. Por seu turno, a geologia Estrutural auxilia o Geomorfologo a investigar o modelado da crosta
terrestre que depende, além do clima e litologia, da estrutura.

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A geologia aplicada Fornece recursos valiosos para o tectonicista interpretar feições estruturais ocultas.
Através da Geofísica, especialmente sismologia, paleomagnetismo e distribuição de fluxo calórico, tem
sido viável à Geotectónica investigar o interior do globo.

Conexões valiosas têm se firmado nas últimas décadas entre Geoquímica e Geotectónica. Vários
experimentos demonstram que os processos mecânicos deformativos das rochas têm possibilidade de se
relatarem a trocas geoquímicas dos elementos da crosta, o que relaciona também, a geotectónica à Física
– Química. A Geotectónica vale-se, igualmente da Geoeconomia que se liga intimamente à geoquímica,
em especial no estudo de regiões Pré – câmbricos afossilíferos, quando é necessário determinar a
sequência estratigráfica de áreas geralmente de deformação e metamorfismo intenso

A Geologia Económica e a investigação dos depósitos minerais dependem fundamentalmente, em


primeiro lugar da Geologia estrutural tendo em vista o controle estrutural dos depósitos minerais sua
forma e os processos deformativos que o atingiram.

A geologia estrutural e a geotectónica vêm estreitando cada vez mais seus laços com algumas áreas de
estudo da Física. Destaca-se os temas relativos às deformações elásticas e plásticas, objecto da reologia, a
investigação do comportamento mecânico de rochas e determinação de suas constantes elásticas.

A geologia de engenharia oferece muitos dados à geotectónica, através de experimentos próprio da


mecânica das rochas e resistência dos materiais; ambas estudam a distribuição das tensões nas rochas.

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2 - COMPORTAMENTO FÍSICO DOS MATERIAIS ROCHOSO

2.1 - INTRODUÇÃO

As massas rochosas são submetidas a várias forças no interior da crosta terrestre. Mesmo em região que
não mostra, actualmente evidência de terramotos sendo relativamente estáveis, como acontece com a
Angola, Brasil, etc. O fato mencionado pode ser constatado facilmente pela observação no terreno, onde
rochas anteriormente soterradas a grandes profundidades hoje afloradas, encontrando-se enérgica e
intensamente dobradas, mostrando terem sido deformadas através dos tempos geológicos. Mais
desconcertante ainda é que embora actualmente dobradas, essas rochas se mostram tenazes, frágeis,
quebradiças e até mesmo friáveis. Essas relações nos impelem a concluir que à época do dobramento, as
rochas deveriam possuir um comportamento físico muito diferente do actual, isto é encontrarem-se em
um estado plástico, pois só assim possuiriam a flexibilidade necessária para se dobrar sem rompimento.

A perturbação dos materiais rochosos da crosta em massas verdadeiramente espantosas deve ter ocorrido,
de maneira mais ou menos parecida com a deformação de materiais mais comummente conhecidos, como
por exemplo, os metais e as argilas passíveis de serem moldados em formas desejáveis.

Apenas nos últimos anos é que tem ocorrido em vários países um maior entrelaçamento entre aquelas
disciplinas com as de carácter geológico motivado de um lado, pelos problemas de construções de
estradas, pontes, barragens, usinas nucleares, etc. E de outro lado, pela necessidade de quantificar, tanto
quanto possível, os parâmetros dos fenómenos tectónicos. Assim, embora ainda de maneira restrita, cada
vez mais se formam equipes de geólogos, tectonicistas, físicos experimentais engenheiros geotécnicos
para estudos desses problemas, seja no campo aplicado seja no de ciências pura.

2.2 - ANALISANDO AS MASSAS ROCHOSAS

As rochas ocorrem na natureza sob enorme variedade, cada uma possuindo uma faixa de composição
mineralógica e texturas típica, constituindo, pois, massas rochosas heterogéneas com estruturas próprias,
espessuras variáveis, exibindo deformações que aconteceram sob condições físicas determinadas.

Assim, pode-se inicialmente investigar a estrutura de cada cristal compositivo de uma determinada rocha,
avaliando-se e medindo-se o modo como ele se deforma sob os esforços de distensão (ou tracção),
compressão torção etc. Dentro de uma gama variável de temperatura, pressão tempo e na presença de
fluidos diversos com propriedades estabelecidas bem definidas.

2.3 - OS MÉTODOS DE ABORDAGEM DO PROBLEMA

2.3.1 - O método dinâmico


Investiga a natureza e os tipos de tensões aplicados nas rochas durante a deformação que experimentaram,
a fim de se identificar os Mecanismos de fracturamento, falhamentos, dobramento, fluxão, cisalhamento
etc, e interpreta-los valendo-se do conceito de campo de esforços (stress field) ao qual a massa rochosa
em questão foi submetida.

2.3.2 - O método cinemático


Este método é efectuado através da analise da trama (fabric) rochosa, estabelecendo-se suas relações
geométricas e da simetria em função de um plano de movimento que agiu durante o fenómeno
deformativo.

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2.3.3 - O método analítico do diagrama tensão – deformação
Fundamenta-se nos princípios já largamente empregados em ensaios teóricos de engenharia de materiais,
como por exemplo, na deformação de metais (chapas, placas e barras etc.) agregados cerâmicos.

2.3.4 - Modelos reduzidos


Constroem-se modelos, em escala. Das estruturas e das deformações que se pretendem estudar,
reproduzindo-se de maneira o mais fiel possível, a fim de se descobrir as tensões regionais envolvidas e
como os blocos crustais em jogo são capazes de produzir as estruturas maiores. Entretanto, o fato de nos
modelos reduzidos não se usarem rochas para os ensaios torna-os muito distanciados dos fenómenos
tectónicos reais, embora sejam úteis por fornecer ideias esquemáticas

2.4 – FORÇA

Força é uma quantidade vectorial definida, que


tende a causar ou produzir uma mudança no
movimento, ou alterar as dimensões ou a forma
de um corpo.

A representação é feita por uma seta cujo


comprimento em relação a uma escala
preestabelecida, indica a magnitude (ou
tamanho) da força, a linha denotando sua
direcção e a ponta de seta, respectivamente o
sentido e o ponto de aplicação da força. Figura
1.2.1
Figura 2.1 – força vector F com magnitude,
direcção e sentido.

2.4.10 – Valores direccionais e sentidos.

Figura 2.2 – representação de alinhamentos, direcção e sentido.


A direcção de um vector é a orientação (ângulo) em relação ao norte deste mesmo vector, e a leitura é
feita num plano horizontal no sentido normal dos ponteiros dos relógios. E o seu sentido é dada pela
posição ou quadrante que este vector ocupa na rosa-dos-ventos.

Quantidades como volume e área, que para serem definidas necessitam somente da magnitude, são ditas
escalares. Por outro lado, as que para se caracterizarem envolvem tanto magnitude quanto direcção e
sentido no espaço são denominadas de grandezas vectoriais, tais como força e velocidade.
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Figura 2.3 Representação de vectores. Os vector A, B e C são matematicamente iguais, diferindo do


vector D.

2.4.1 - Adição combinação e resolução de Forças

Assim como na aritmética e na álgebra existem as operações de adição subtracção etc. lidando-se com
apenas números o mesmo ocorre no cálculo vectorial. Dessa forma, duas força são considera iguais se os
seus vectores possuírem a mesma magnitude e o mesmo sentido. Na figura 2.1, os vectores A, B e C são
todos iguais, ao passo que o vector D é desigual.

Um vector qualquer pode ser deslocado no espaço à vontade e manter-se constante desde que seu
comprimento e sua direcção não mudem. No caso de vectores de forças, porém, como na figura 2.1
Aplicadas em um corpo, as forças não serão equivalentes, pois possuem pontos de aplicação e linhas de
acção diferentes.

2.4.2 - Soma vectorial


A soma de dois vectores realiza-se como na figura 2.4b. Sejam A e B dois vectores de força. Transporta-
se graficamente ambos os vectores como mostrado em (b), de maneira que o ponto inicial de B se
justaponha ao ponto final de A. A soma vectorial é C. definido como o vector que une o inicio de A ao
final de B. A simbologia para a soma vectorial assim se representa: C = A + B.

A soma vectorial das forças supracitadas pode ser também efectuada como na figura 2.4c, com o ponto
inicial de A no término de B, o que não altera a magnitude e o sentido de C, que permanece
matematicamente igual (método do triangulo). Portanto, a adição de vectores é uma operação comutativa
como a soma algébrica: A+B=B+C

Figura 2.4 Soma vectorial. O vector C é a soma dos vectores A e B, ou seja, C=A+B=B+A

O vector – soma C é designado de resultante e os vectores A e B são os componentes. A magnitude e o


sentido da resultante C podem ser obtidos tanto graficamente, como nas figuras, como pela trigonometria.
Assim, pela Fig.2.4c temos:

C² = A² + 2ABcosө.

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O ângulo α entre B e C é obtido pela relação Senα = senө
A C

Figura 2.5 soma vectorial pelo método de paralelogramo

Na figura 2.5 ilustra-se outro processo para obtenção da soma das forças A e B, sendo a força C resultante
a diagonal paralelogramo de forças. (Método do paralelogramo) Quando dois vectores de força são
paralelos, a magnitude do vector-soma C é igual a somas das magnitudes
A e B são anti paralelos a soma vectorial é igual à diferença entre as magnitudes de A e B (Figura 2. 6B).
Para se adicionar um número n de vector, deve-se primeiro somar dois dos n vectores achando o vector –
soma e, adicionando este a um terceiro e assim por diante.

(A) (B)

Figura 2.6 Soma vectorial de: (A) vectores paralelos e mesmo sentido; (B) paralelos mas de sentidos
opostos, isto é, anti paralelos.

A Figura 2.7 Exibe três forças F1, F2, e F3 das quais se deseja a resultante. Constróis se um par de eixos
rectangulares, coincidindo por conveniência, um dos eixos (no caso x) com uma das forças, o que é
sempre possível. Resolve-se então, cada uma das forças segundo as componentes em relação a X e Y que
são as coordenadas rectangulares dos vectores e que são dadas em pares, o primeiro par pertence ao ponto
de origem e o segundo a extremidade. (X0,Y0) e (X1,Y1).

As componentes de X à direita são positivas e à esquerda, negativas. Do mesmo modo, as componentes


de Y acima de 0 são positivas e as abaixo, negativas. Pela construção, a força F2 não precisa ser
resolvida. As componentes de F, ambas positivas são:

F1X = F1 cós θ e F1Y = F1 sem ө

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Figura 2.7 obtenção da resultante R das forças F1, F2 e F3 em (A); por meio de resolução rectangular em
(B). as componentes rectangulares de R em (C) têm as magnitudes: Rx = ∑Fx e Ry = ∑Fy

(B) As forças Fx e Fy são componentes de F, segundo os eixos cartesianos x e y.

2.4.3 - Subtracção vectorial


O processo de subtrair vectorialmente uma força de outra equivale a somar vectorialmente o negativo do
vector a ser subtraídos: o negativo de um dado vector é o vector de mesma grandeza mas de sentido
oposto ao primeiro. Se A e B são duas forças:
A – B = A + (- B).

O processo gráfico é ilustrado na Fig. 2.8. Em (B) o vector resultante de A é – B ou a diferença vectorial
A – B é determinada pelo método do paralelogramo; em (C) tem-se o método triangular.

Figura 2.8 Processo de subtracção vectorial. B método do paralelogramo; (C) método triangular.

2.5 - RESOLUÇÃO TRIDIMENSIONAL

O método descrito anteriormente possui limitações, pois trata de composição e resolução de forças no
plano. Para resolver problemas no espaço, deve-se considerar eixos mutuamente perpendiculares, de
modo que uma das forças componentes passe pelo ponto de origem (Figura 2.9). Assim, tal força pode ser
decomposta em três componentes segundo x, y e z. Fx = F. cosα Fy = F cosδ. Fz = F. cosβ.

Figura. 2.9 Resolução Segundo três eixos cartesianos x, y e z de uma força R em três componentes não –
coplanares, Fx, Fy e F².

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2.5.1 - Forças Superficiais e corporais

Duas forças iguais e opostas, agindo em um objecto, imperfeitamente rígido, possuem o efeito de encurtar
tal objecto ou distendê-lo, conforme tais forças possuam sentidos convergentes ou divergentes. Quando a
soma vectorial das forças é zero, elas se encontram em equilíbrio; isto não quer dizer que não existe força
actuando e, sim, que elas agem, porém equilíbrio não produzindo movi memento na partícula material.

Forças superficiais (surface forces) são as que exercem acção na superfície do corpo, em contacto com o
mesmo.
A gravidade, por ser globalmente penetrativo, isto é capaz de exercer uma solicitação simultânea, idêntica
e constante, e em cada partícula elementar de qualquer corpo, constitui uma das forças corporais mais
importantes quanto aos fenómenos geológicos, tendo seu papel sido reconhecido nos últimos anos como
um dos mais relevantes na deformação crustal, como nos ajustamentos isostáticos, em vários tipos de
falhas e dobras, fenómenos descritos colectivamente como tectónica de gravidade ou gravitacional.

2.6 - CONCEITO DE TENSÃO (“stress”)

Um corpo, ao ser solicitado por uma força externa, manifesta uma reacção oposta, através, de forças
internas, tendentes a manter ou restaurar sua forma original, dizendo-se que ele se encontra em um estado
de tensão (stress) ocorrendo um equilíbrio entre as acções internas e as reacções entre suas partículas
infinitesimais contíguas. A tensão é a força por unidade da área que tende a deformar um corpo em uma
direcção dada.

NADAI (1950) demonstrou que existem três eixos de tensões principais semelhante aos deduzidos para o
elemento cúbico, quando as tensões actuam sobre um tetraedro elementar. Via de regra, as tensões,
segundo essas trás direcções, são de magnitude diferentes tendo a seguinte notação:

σ 1: direcção de tensão máxima


σ 2:direcção de tensão intermédia
σ 3:direcção de tensão mínima

Na Fig.2.15 representam-se os estados a ensaios de compressão e tracção, segundo HANIN (1957), in


SPENCER, 1969

σ > σ² = σ³ = Pc – Pp σ³ < σ = σ² = Pc – Pp
σ = ∆ σ + Pc – Pp σ³ = Pc - Pp - ∆σ
σ σ² σ³ = Tensões principais efectivas máxima, intermediaria e mínima
Pc – Pp = Pressão confinante efectiva

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2.7 - CONCEITO DE DEFORMAÇÃO (“ STRAIN”)

O termo deformação (strain) se refere as variações nas dimensões lineares relativas ou na forma de um
corpo, em seu volume, ou ambos, sob a acção da tensão é pois um conceito baseado em relações
geométricas. Para cada tipo de tensão sucede-se um tipo correspondente de deformação.

Como medir a deformação? Através de um elemento geométrico básico, como, por exemplo, em
referência à variação do comprimento de um segmente de uma linha em um corpo pré – e pós –
deformação ou então, pela variação de um ângulo entre duas linhas, antes e pós o fenómeno, que neste
último caso é designado de deformação por cisalhamento (ver adiante). Considerando-se, por exemplo,
uma barra prismática (Fig.2.17)

Figura. 2.18 Os tipos de elipsóides de deformação em (B), (C), (A) a estrela original; A, B e C são os
eixos máximo de deformação.

2.8 - PRESSÃO CONFINANTE E LITOSTATICA

Um corpo imerso em um fluido é submetido a uma pressão que é exercida igualmente em todos os seus
pontos designada pressão hidrostática. Uma partícula de rocha encerrada a grandes profundidades na
crosta, em virtude da carga de rochas que lhe cercam, experimenta uma pressão semelhante a hidrostática,
embora não idêntica, posto que a densidade das rochas é superior à dos líquidos e que existem litologias
de densidades diferentes até a profundidade considerada. Essa tipa de pressão é denominada pressão
litostática, representando o estado padrão das rochas na crosta.

FLEXÃO

A flexão é uma curvatura ou arqueamento imposta a um corpo por


Solicitação de forças verticais (por exemplo, binários oposto coplanares), perpendiculares ao eixo ou a
superfície desse ( Fif. 2.25 ).

Fig. 2.25 Diversas modalidades de flexão: ( A ) barra engastada em uma de suas extremidades; ( B )
barra apoiada em seus extremos, sendo solicitada para baixo em seu ponto médio; ( C ) barra apoiada nos
extremos, sendo solicitada por uma força vertical para cima: 8 D ) barra apoiada no extremo esquerdo,

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flexionado- se se pela aplicação de duas forças desiguais, uma ascendente, na extremidade direita, e outra
para baixo, em seu ponto médio.

TORÇÃO

Resulta da aplicação de dois binários opostos, situados em planos paralelos, as extremidades de uma peça
prismática ou cilíndrico. Assim se uma barra ou placa for girada em sentidos opostos, ela estará sujeita à
torção (Fig. 2.24)

Figura. 2.24 Torção de uma barra prismática de borracha mostrando a deformação de quadrados
desenhados na superfície do corpo.

TIPOS DE DEFORMAÇÃO

DEFORMAÇÕES HOMOGENEAS E HETEROGENEAS


Quando a deformação experimentada por um corpo é do mesmo tipo, magnitude e direcção, em suas
partículas infinitesimais, o fenómeno é designado de deformação homogénea ou afim (affine strain).
Neste tipo, uma figura (ou corpo) com dada orientação e inicialmente regular do ponto de vista
geométrico deforma-se em outra, mas mantendo a orientação e as relações geométricas regulares e
similares Fig.2.28ª ). Em outras palavras, linhas rectas permanecem rectas, e paralelas mantém-se como
tal; um quadrado transforma-se em um losango e um círculo, em elipse. Se por outro lado a deformação
não é similar em todos os elementos geométrico, ela é heterogénea ou não- afim (nonaffine ).

DEFORMAÇÃO TRANSLACIONAL (PURA) E ROTACIONAL (OU SIMPLES)


Quando um corpo deforma-se de modo homogéneo de maneira que os eixos principais de deformação não
mudem sua posição no espaço durante o fenómeno, só simplesmente variando seu comprimento a
deformação e transnacional ou não- rotacional ( ir rotacional ) sendo denominada de deformação pura
( purestrain ).
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DEFORMAÇÃO PROVISÓRIA E PERMANENTE


Vários tipos de materiais geológicos e metálicos, submetidos a testes para estudo da deformação
progressiva, exibem correspondentes estágios distintos de deformação, se as forças que solicitam o corpo
forem suprimidas, ele recuperará sua forma e volume iniciais. A deformação é pois provisória e, por ser
proporcional à tensão.

FRATURAS

Quando um corpo de prova, geralmente com a forma de um cilindro ou de um prisma quadrático, é


submetido à tensão compressivo, após um determinado valor das forças aplicadas, ele perde sua coesão
interna rompendo – se.

INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA SOBRE A DEFORMAÇÃO

O papel da temperatura nos fenómenos de formativos pode ser inferido das estruturas geológicas naturais
e também ser comprovado em laboratório através de ensaios. Em quase todos os agregados poli
cristalinos, o efeito da temperatura sob pressão confinante elevada e constante é: a) inibir o fraturamento;
b) Reduzir o limite de escoamento
c) Acentuar a ductilidade.
Quando maior a temperatura, maior será a capacidade de o material se deformar antes do ponto de
ruptura, mais fácil se torna a deformação.

INFLUÊNCIA DE FLUIDOS NA DEFORMAÇÃO

Nos ensaios correntes de laboratório, os materiais são submetidos as tensões a seco, o que na realidade é
um caso particular das deformações tectónicas, uma vez que a maioria das rochas contém uma fase
dispersa, geralmente aquosa, seja ocupando os poros e vazios, inúmeros experimentos têm comprovado
que a água pode alterar as propriedades mecânicas, das rochas e não só quanto maior seu conteúdo em
água, maior sua deformabilidades, sucedendo também variações em sai propriedades.

Outros fluidos presentes nas rochas incluem o petróleo e o gás, que encontram, de modo geral, sob
pressões elevadas em algumas vezes alcançando até 95% do valor da pressão litostática e em outras
ultrapassando – a.

INFLUENCIA DA ANISOTROPIA E HETEROGENEIDADE DOS CORPOS ROCHOSOS NA


SUA DEFORMAÇÃO

As rochas em geral não são isotrópicas, isto é suas propriedades não se mantêm uniformes em todas as
direcções, seja em função de heterogeneidade composicionais, seja estruturais. Feições estruturais, como
superfície de acamamento, de filiação, clivagem, juntas etc. introduzem nas rochas uma anisotropia. Os
ensaios permitem demonstrar que a resistência de rochas anisotrópicas de pende da orientação das tensões
aplicadas em referencia às superfícies de descontinuidade que as rochas possuem

INFLUENCIA DO TEMPO NA DEFORMAÇÃO


Um dos grandes problemas do estudo da mecânica das rochas é que o investigador não tem condição de
incluir, adequadamente, nos testes o factor tempo. Uma vez que aqueles tomam somente alguns minutos
ou dias, ao passo que nos processos geológicos os fenómenos deformativos podem consumir milhões de
anos para evoluir. Na resistência dos materiais, essa deformação permanente do tempo, e observável em
muitos materiais de construção, denomina-se fluência (creep).

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3 – ESTRUTURAS SEDIMENTARES PRIMÁRIAS

3.1 - Introdução

A estrutura é o modo como as partes compositivas de uma rocha ou de uma determinada porção da crusta
se nos apresenta, sendo assim uma das feições maiores de uma dada massa rochosa. Estruturas
sedimentares são feições maiores que ocorrem nos sedimentos ou são compostas por elas, as quais
apresentam uma forma ou arranjo interno definido e característico. A grande maioria das estruturas
sedimentares se forma pela própria deposição antes de serem recobertas por rochas mais recentes ou,
então se desenvolvem nelas sem o concurso de deformação tectónica.

As estruturas sedimentares são de grande importância para geólogo de petróleo. Pois podem formar
armadilhas ou alçapões (traps) onde se acumulam grandes jazidas de óleo. São, também, de alta
relatividade para o geólogo económico, pois podem fornecer sobre a localização de possíveis depósitos
minerais, e provem informação sobre o meio e o modo de transporte e as condições de energia no
momento da deposição.

Os principais agentes de transportes são os glaciares, a água, o vento e a força de gravidade. As condições
de energia incluem profundidade das águas, velocidade do fluxo, turbulência, velocidade de vento, etc. e
assim os sedimentos podem ser transportados de três maneiras diferentes que pode ser: flutuação, arraste
e ou saltação.

Sedimentos são partículas soltas ou moveis e que são classificadas segundo a sua natureza em clasticos,
químicos e bioquímicos ou biogénicos. E os clasticos ainda podem ser classificados segundo o seu
tamanho em milímetros.

Conglomerados tamanho dos sedimentos maiores de 2 mm


Areias tamanho dos sedimentos entre 2 á 1/16 mm
Siltes tamanho dos sedimentos entre 1/16 á 1/256 mm
Argilas tamanho dos sedimentos menores de 1/256 mm

Existem numerosas estruturas e texturas deposicionais, para os objectivos desta disciplina seleccionamos
o seguinte:

3.2 - ESTRATIFICAÇÃO
Uma das feições mais característica das rochas sedimentares e de mais fácil de observação é a
estratificação ou acamamento. Um estrato ou camada é um corpo tabular de rocha que se encontra em
posição essencialmente paralela à superfície na qual foi formado, ele é uma entidade física mensurável
(figura 3.1). Cada estrato ou camada mostra-se, via de regra, bem homogénea podendo ser diferenciado
do outro estrato por variações na composição, na coloração, no tamanho das partículas, na cimentação, na
dureza, no tipo de estruturas, etc. distinguem-se vários tipos de estratificação (estruturas).

Figura 3.1 – Representação de um conjunto de estratos ou camadas.

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3.2.1 - ESTRATIFICAÇÃO HOMOGÉNEA
Estratificações sem nenhuma estrutura interna visível são homogéneas. A litologia é a mesma entre a base
e o topo. Isto pode ser o resultado de uma intensa bioturbação que misturou os sedimentos e destruiu
todas as laminações iniciais. Pode acontecer nos sedimentos finos como grosseiros, nos casos de
sedimentação rápida, turbiditica, depositados em massa não tem estruturação interna.
3.2.2 - ESTRATIFICAÇÃO HORIZONTAL
Este modo de estratificação paralelo é comummente desenvolvido nos sedimentos grosseiros, seixos e
areias, fluviais, onde ele indica uma alta energia de transporte. Nos sedimentos mais finos o termo de
laminação horizontal é mais usado. Desenvolve-se em meios diferentes:

Estes depósitos são desenvolvidos nas praias cujo declive é muito leve, Nas areias da praia submetidas as
acções das ondas numa fase tidal. Nos depósitos eólicos entre as rides, Nos turbiditos etc.

3.2.3 - ESTRATIFICAÇÃO FINAMENTE LAMINADA


Estes depósitos também chamados Ritmites são compostos por alternâncias de cuja mineralogia, textura e
cor varia. A espessura das lâminas não ultrapassa 3 – 4mm. Esta estrutura resulta de variações mais ou
menos regular no transporte, ou na produção biológica das tocas ritmos biológicos ligados as estações, ou
no fluxo (figura 3.2)

Detrítico anual no caso da fonte de gelos explica esta sedimentação rítmica. Nos lagos periglaciares estes
depósitos são chamados varsas. Desenvolvem-se também nas áreas interditais, depósitos tidais com
intercalações finais de areias finos e vasas orgânicas.

Nos lagos e mares restringidos (Maré Adriático, mar preto, Lago Tanganika) onde laminas calciticas ou
siliciosas alternam com leitos finos detríticos.

Figura 3.2 – Tipos de estratificação horizontal e finamente laminados

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3.2.2 - ESTRATIFICAÇÃO GRADACIONAL (diadática)


Estratos com uma estratificação gradacional vertical mostram uma gradação no tamanho dos grãos
constituintes, dos mais grosseiros em baixo até os mais finos no topo (figura 3.3). Este tipo de
estratificação pode verificar-se a todas as escalas. PETTIJOHN (1955) demonstrou que dois tipos de
processos sedimentares são responsáveis desta estrutura.

- Diminuição gradual da competência e velocidade de uma corrente fluvial, ou de turbidez ou tidal.


- Sedimentação de uma suspensão heterometrica onde as partículas mais longe e pesadas depositam-se
mais rapidamente.

São depósitos comuns nos turbidites, podem acontecer nos sedimentos pouco profundos, deltaicos, nas
séries tidais, onde a estratificação gradacional inversa pode ocorrer, Mais fina na base, mais grosseira no
topo.

Estas estruturas são importantes para o estudo de fenómenos de transgressão (sequencia Normal ou
positiva) e regressão marinha (sequencia inversa ou negativa). Também se reconhecem as chamadas
Bi-sequências, são sucessões de sequências positivas e negativas ou o inverso que ilustram um ciclo
sedimentar, onde os depósitos são organizados simetricamente.

Figura 3.3 – Estratificação gradacional: A) sequencia normal; B) sequencia inversa; C) Bi –


sequência.

3.2.3 - ESTRATIFICAÇÃO ENTRECRUZADA.


É o modo de estratificação mais comum, encontrado nos sedimentos de varias idades e de varias partes do
mundo, nos depósitos detríticos arenosos, Podemos distinguir as formas de estratificações entrecruzadas
variadas. Figura 3.4

Figura 3.4 – tipos de estruturas cruzadas: A) com base tabular; B) com base encurvada.

Uma camada com estratificação cruzada pode ser definida como um leito, ou uma unidade sedimentar
onde existem laminas internas incluídas em relação ao plano principal de sedimentação topo ou base da
camada considerada. Estas lâminas representam planos sucessivos de sedimentação oblíquos. Este estrato
é separado das outras por um plano que representa uma superfície de erosão que corta as lâminas
procedentes.

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Este tipo de estrato pode aparecer nas praias, ângulos feitos pelas estratificações entrecruzada, com o
plano horizontal são fracos, Nos depósitos aluviais, varias estruturas coexistem. A migração lateral de
grandes rides de correntes sob repostadas provoca a formação de estruturas cruzadas. Nos canais aluviais,
nos canais tidais, nos micros deltas, nas barras de areia, nas dunas de praias ou desérticas, etc.… a
estratificação cruzada e características.

Este modo de estratificação indica sempre a acção multidireccional de uma corrente (de água ou de vento,
de ondas ou de rios etc.) pode ser utilizado para reconstituir as paleocorrentes segundo um estudo
estatístico das orientações dos planos oblíquos de estratificação. Pode se utilizado como critério de
polaridade das camadas.

3.2.4 - ESTRUCTURAS DE CARGA: (“LOAD STRUCTURES”)


Aparecem como protuberâncias de tamanho e formas variadas, formadas por movimentos diferenciais
entre duas camadas de densidade diferentes e mais ou menos compreensíveis. Muitas vezes são o
resultado da sedimentação de areia, num leito vasoso hidroplastico. Figura 3.5
O desequilíbrio criado pela sedimentação de areia, provoca movimentos verticais, a areia tem a tendência
a arrombar-se na varsa, e esta ultima tem a tendência a elevar-se na areia. Estas estruturas não são
características de um ambiente dado. A diferença de densidade, e o carácter hidroplastico das camadas,
são únicos parâmetros necessários as suas realizações. São comuns nos turbiditos; existem nos ambientes
intertidais onde camadas de areias e de vasa são sobrepostas.

Figura 3.5 – Exemplo de desenvolvimento de estruturas de carga

3.2.5 - ESTRUTURAS DE DESLIZAMENTO: (SLUMP STRUTCTURES)


São formadas no momento de sedimentação de depósitos num declive. Resultam de movimentos laterais
das camadas, Aida não litificação no plano de declive sobre a acção da gravidade. O que provoca
deformações sinsedimentares, como estruturas convolutas, falhas curvadas, bolas de deslizamento etc.
Figura 3.6

Permitem deduzir a existência de um paleodeclive. São assim comuns nos depósitos turbiditos,
particularmente no talude continental ou leques submarinos profundos.

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Figura 3.6 – Estruturas de deslizamento: A) secção paralela ao declive; B) secção normal ao declive

3.2.6 - FENDAS DE DISSECAÇÃO (Mud Crack)


Mud crack são formadas nos sedimentos vasosos e argilosos no meio intertidal ou aluvial, ou lacustre nos
períodos secos onde a evaporação de água provoca a formação de estruturas poligonais típicas
perfeitamente conservadas nas séries antigas. Figura 3.7

Figura 3.7 – fendas de dissecação

3.2.7 - MARCAS DE ONDAS


São ondulações nos sedimentos e produzidos em materiais granulares incoesos, em geral areia onde grãos
se mostram soltos e livres para se movimentar em correntes de ar, sob acção do vento ou agitação da água
sob o efeito das ondas. Figura 3.8

Figura 3.8 – estruturas de marcas de ondas

3.2.8 - PSEUDO ACAMAMENTO


É o efeito que a primeira vista lembra a estratificação, mas que não resiste a uma inspecção mais
cuidadosa. A Figura 3.9. monstra pseudo camadas cruzado na direcção das setas pequenas produzido
pela super – posição de camadas com marcas de onda de correntes. O sentido da corrente é dada pelas
setas maiores as partículas grosseiras concentradas nas calhas das ondulações, estão representados em
pontilhados.

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Figura 3.9 – pseudos camadas

3.2.8 – DELTAS
Corpos alargados de sedimentos em forma de cones depositados na confluência do rio com águas
extensas como Mares, Lagos, etc. São conhecidos de Delta. O nome é devido a semelhança que estes
corpos têm com a 4ª letra do alfabeto Grego quando vistas em planta.

Figura 3.10 – ilustração esquemática do Aparelho Deltáico de tipo Gilbert.

3.2.9 – RECIFES DE CORAIS


Recife ou bio – herma é uma massa de rochas sedimentar de origem orgânica (Calcário) que na época de
sua formação situava-se acima da superfície de posição circundante, formando uma elevação distinta. É
uma elevação constituída dos restos calcários de associações, de colónias de corais, briozoarios, algas,
esponjas, crinóides, animais e plantas que proliferam em mares rasos sob condições espaciais de
temperatura, salinidade, limpidez da água etc. No topo do recife, especialmente na borda voltada para o
mar, estão os organismos vivos, cujos esqueletos tornam-se parte da massa calcária do recife.

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O tamanho dos recifes varia entre o de pequenas massas de alguns metros de diâmetro até depósitos de
1500 km de 20º a 30º não são raros nas encostas abruptas. Existem quatro tipos principais recife.
(Pettijohn 1957; e Hills, 1972):

3.2.9.1 - RECIFE DE FRANJA: Consiste em uma plataforma de coral com uma largura de 500m ou
mais, construída na borda de uma massa de terra e se encontra em continuidade com a costa, como se
observa na ocasião da maré baixa. Quando o recife exibe um flanco para o mar aberto, o lado de
barlavento tem comummente uma faixa protectora formada de argilas (Figura. 3.11).

Figura 3.11 – Recife de franja

3.2.9.2 - RECIFE DE BARREIRO: Forma-se a grandes distâncias da costa, da ordem de vários


quilómetros, constituindo um quebra-mar ou barreira protegendo uma laguna interior, não profundo
relativamente chato (Figura. 3.12). Entre o recife de barreira e a terra firme, a região é de mar raso, com
ondas reduzidas, ao passo que do lado oposto o mar é aberto e o flanco do recife, muito íngreme. Como
magnifico exemplo termos Great Ree, que forma uma grande barreira na costa nordeste da Austrália,
consistindo na maior parte estrutura de coral do mundo (Maxwell, 1968). A maior parte dos recifes de
barreiras, constitui-se de estruturas coralinas que envolvem ilhas oceânicas sob a forma de um ou mais
anéis.

Figura 3.13 Recife de Barreira

3.2.9.3 - ATOL: È um recife mais ou menos circular, envolvendo uma laguna, as vezes com forma de
uma pequena ilha (figura 3.14). Como exemplo brasileiro, temos o Atol das Rocas.

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Figura 3.14 – Morfologia e processo de formação de um Atol

3.2.9.4 - RECIFE TABULARES; São pequenos recifes de forma tabular não contendo lagoa.

3.2.10 - DUNAS
Dunas são elevações de areia que podem ser grandes ou pequenas formadas pelos ventos que vêm do
mar. As dunas sofrem migrações, os ventos carregam a areia fina até que as dunas venham a ser
estabilizadas por vegetação pioneira. As dunas são formadas de uma crista e dois flancos, um flanco
com inclinação mais suave que fica na direcção contrária ao vento, e outra mais abrupta que fica na
direcção do vento. As dunas podem apresentar estratificação gradacional, entre cruzada e ou plano
paralelo a superfície de deposição. Pode-se encontrar Dunas nos desertos e nas praias.

Figura 3.15 – representação de uma Duna

4 – ESTRUTURAS ATECTÓNICAS

4.1 - INTRODUÇÃO

As estruturas atectónicas ou adiastróficos são estruturas que se desenvolvem nas rochas, especialmente
nas sedimentares, sem o concurso da tectónica ou Diastrofismos; isto é, não são causadas pelas
deformações que afectam os níveis profundos da crusta e não envolvem propagação das forças internas da
terra através do substrato rochoso o qual eles se apoiam.

As estruturas atectónicas restringem-se a pequenas áreas, mostrando-se localizadas e são formadas por
movimentos causados fundamentalmente pela acção da força da gravidade sobre massas rochosas
destituídas de suporte ou apoio. Manifestam-se via de regra, por meio de dobras e pequenas falhas ditas
atectónicas, aparecendo especialmente nos sedimentos. Tais estruturas formam-se nos sedimentos durante
sua própria deposição antes de serem cobertos por camadas mais jovens ou, ainda, desenvolvem-se nos
sedimentos após sua formação, mas sem a intervenção do tectonismo.

4.2 - COMPACTAÇÃO E DIAGÊNESE DOS SEDIMENTOS

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Os sedimentos são geralmente incoesos ao serem depositados e somente mais tarde endurecem tornando-
se mais densos. Argilas e vasas argilosas transformam-se em folhelhos e argilitos, areias tornam-se
arenitos.

Denomina-se litificação o complexo processo de transformação de um sedimento não consolidado em


uma rocha consolidada ou endurecida. A diagênese é o conjunto de fenómenos físicos e químicos que
ocorrem durante a litificação, incluindo a compactação, cimentação, recristalização e substituição
(BARBOSA. 1962; E SEGONZAC. 1968).

Esta consolidação conduz geralmente a uma diminuição da porosidade e no aumento da densidade, mas
não requer, necessariamente uma mudança de volume. A porosidade inicial de areias incoerentes depende
principalmente do arranjo, tamanho, forma e grau de uniformidade dos grãos. Sua porosidade final é a
medida da quantidade de cimento adicional.

4.3 - COMPACTAÇÃO POR GRAVIDADE

A eficiência da compactação por gravidade depende principalmente da facilidade com que a água
intersticial congénita pode escapar. Por exemplo, uma argila ao ser depositado apresenta todos os
interstícios interligados. A cobertura posterior desta por até mesmo uma pequena espessura de sedimento
rompera o equilíbrio da água intersticial, uma parte da qual fluirá em direcção a um local de menor
pressão, o que acarretará a diminuição do volume da rocha.

Quando a porosidade for reduzida de mais da metade, as partículas entram em contacto umas com as
outras e inicia-se o aparecimento da verdadeira coesão. O processo predominante desta fase á a
deformação mecânica.

Para a migração do petróleo, é interessante recordar que a compactação por gravidade dos sedimentos em
geossinclinal ou bacia pode sobrepujar a pressão hidrostática e fazer com que a água congénita migre
lateralmente.

4.4 - COMPACTAÇÃO DIFERENCIAL


Quando os sedimentos se acumulam em uma superfície que apresentam relevo acentuado ou se houver
mudança lateral no carácter dos sedimentos, pode ocorrer sua compactação diferencial. Originando
estruturas geológicas de grande importância.

São as denominadas paleocolinas (buried hills), isto é elevação ou colinas constituída de uma rocha mais
antiga, que resistindo à erosão, foi recoberta posteriormente por sedimentos mais recentes (GEIKE.1953;
RUSSEL.1955; HAL.1815; MEHL.1920; POWERS.1931; HUDSON, 1955; E BILLINGS.1972). Os
estratos sedimentares, pelo efeito do mergulho original e compactação, amoldam-se à elevação, formando
um anticlinal amplo, atectónico. Assim suponhamos Figura. 4.1

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Figura 4.1 – Compactação diferencial sobre uma paleocolina assimétrica

Que se estejam depositando argilas em torno de uma elevação submersa constituída de rochas coerente,
cujo topo se situe algumas dezenas de metros acima do plano de deposição.

A acção de ondas e correntes criará um perfil de equilíbrio deposicional quase horizontal, passando pelo
seu topo, uma camada – chave acumulada acima e após as camadas anteriores terá o comportamento de
uma formação quase horizontal.

O fenómeno também formado nas camadas, acima deste horizonte – chave, apresenta uma ordem de
grandeza progressivamente menor. A sedimentação adicional aumentará a intensidade do dobramento e
do fechamento acima da paleocolina (figura 4.1). Falhas importantes podem também se desenvolver
(CARVER.1968).

4.5 - FORMAÇÃO DE DOBRAS POR COMPACTAÇÃO DIFERENCIAL


Factores de importância neste aspecto são: a presença de um corpo rígido circundado ou recoberto por
folhelho ou rochas passíveis de sofrer compactação por pressão, e o acumulo, por acima destes, de
sedimentos em quantidade suficiente para exercer a compactação. O corpo rígido mantém-se imutável,
por exemplo, no caso de rochas graníticas, ou então sofre uma compactação menor que os sedimentos
depositados ao seu redor. Aquele pode ser uma paleocolina, um recife calcário ou dolomítico, ou uma
lente de arenito.

Suponhamos uma elevação de calcário ou de granito que esteja sendo soterrada por uma quantidade
crescente de sedimentos, e que esta elevação tenha 30 m de altura. Suponhamos, ainda, que um estrato
que tenha continuidade até ao topo da elevação sofre uma compactação de 30% como resultado do peso
dos sedimentos sobrejacentes. O resultado é uma estrutura semelhante a um anticlinal com um
fechamento de 10 m na camada que chega até ao topo da elevação. A dobra pouco a pouco se atenua no
sentido vertical e geralmente se torna imperceptível a cerca de 1,5 km acima de paleocolina.

4.6 - PALEOCOLINAS E AS ARMADILHAS DE PETRÓLEO E GÁS


Acumulações de petróleo ou gás podem ocorrer em arenitos depositados em seus flancos e que
desaparecem sem alcançar seu topo. Tais arenitos geralmente apresentam mergulho quaquaversal, ficando
este tipo de armadilha mista localizado na região onde desaparecem mergulho acima contra o flanco da
paleocolina.

Muitos campos de petróleo e gás ocorrem em estruturas deste tipo. Estes anticlinais referem, de maneira
atenuada, a topografia das paleocolinas subjacentes. (figura 4.2)

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Figura 4.2 – estrutura em paleocolina causada por compactação diferencial. Secção generalizada
através do campo petrolífero de Kansas-Elbing e do Domo de Burns. Observe as relações dos
anticlinais primários, paleocolinas, dobras de compactação e os campos de óleo (segundo THOMAS
E RUSSEL.1955)

Figura 4.3 – estrutura em paleocolina. Perfil do campo petrolífero de Hurghada, Egipto, ilustrando
a crista soterrada e o anticlinal sobrejacente (segundo HUME e LALICKER.1921, 1949)

4.7 - OUTRAS ESTRUTURAS NÃO – DIASTRÓFICAS


O arrasto causado por gelo em movimento pode também originar estruturas que se assemelham ás
formadas por tectonismo. Rochas incompetentes situadas a baixo e na parte frontal de geleiras ou icebergs
sofrem brechação, falhamentos e dobramento pelo arrasto do gelo em movimento. Plano de cavalgamento
encurvados, bem como dobras complexas indicadoras de alta plasticidade, geleiras e também em tilitos
estratificados, depositados por geleiras em retrocesso (figura 4.4) segundo SLATER.1927;
SHALLINOR.1947; TEICHMULLER.1955 e KUPSCH.1962)

4.8 - TECTÒNICA GRAVITICIONAL


Nos últimos anos têm avultado em importância as evidências e as polémicas concernentes à origem, por
deslizamento gravitacional, de grandes estruturas dobradas, falhadas e intensamente deformadas, à escala
de formação de cadeia de montanhas, como certas categorias de nappes existentes nos Alpes, Himalaias,
de tectónica gravitacional (em inglês, gravity tectonics; em francês, tectonique decoulement: e em
alemão, filiesstektonik), Estabelecimento por Harmann (1930) (Figura 4.5)

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Figura 4.5 – diferencia entre: A) massas deslizadas. B) Massas falhadas. O ângulo de inclinação está
enfatizado pelas setas negras.

As estruturas de colapso por gravidade servem para demonstrar a importância da gravidade no


desenvolvimento de estruturas complexas, em grande escala, pelo fluxo plástico de rochas nas elevações,
encosta abaixo, em direcção a depressões (figura 4.5).

Mencionam-se, ainda, em relação ao colapso provocado por gravidade, as estruturas desenvolvidas pelo
solapamento de penhascos, por deslizamentos de terra, reptação e desmoronamentos em minas
(SHARPE, 1938).

Figura 4.5 – Tipos de evidências indicando deslizamento e reptação de terra (soil creep)

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5 – DOBRAS E DOBRAMENTO
GEOMETRIA, DESCRIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO.

5.1 – INTRODUÇÃO

As dobras são ondulações ou convexidades e concavidades existentes em corpos rochosos originalmente


planos. Tais estruturas são melhor exibidas em rochas sedimentares. Mas podem ocorrer em rochas como
vulcânicas, ígneas, e seus equivalentes metamórficos.

Figura 5.1 Dobras

5.2 – ATITUDE OU COORDENADAS GEOLÓGICAS DE CAMADAS.

A posição de uma camada no terreno (fig. 5.2) é definida através de duas medidas (Feitas com a bússola)
que constituem as coordenadas geológicas (ou atitude ou parâmetros geológicos) da camada, que se
compõem de dois elementos, a direcção (em inglês, strike; em francês, direction) e o mergulho (em Inglês
dip, em francês, pendage).

Figura 5.2 – A) Afloramento ilustrando, em pontilhado, sua direcção, enquanto a seta indica o
mergulho.
B) No bloco diagrama mostra-se geometricamente as relações entre a direcção a o mergulho
(ângulo α).
C) Modo de traçar no mapa, em referência ao norte, o símbolo de direcção e de mergulho de
camada.

A direcção de uma camada é a orientação em relação ao norte de uma linha resultante de intersecção da
superfície ou plano da camada com um plano horizontal imaginário. A direcção define-se, também, como
a orientação segundo o norte de uma linha horizontal contida na superfície ou no plano da camada.

O mergulho de uma camada é o ângulo diedro entre da camada e um plano horizontal. Mede-se o
mergulho com o Clinómetro da bússola em um plano vertical imaginário perpendicular à direcção da
camada.

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Para Figurar em mapas geológicos a atitude de camadas inclinadas, usa-se os símbolos, como mostram as
Figura. 5.2.1A, semelhante ao sinal usado em geometria para indicar a perpendicularidade ( ┴ ). A linha
maior representa a direcção da camada, sendo traçada paralela à mesma no mapa em relação ao N (norte)
do mapa. A linha menor indica o sentido do mergulho, sendo perpendicular à direcção. O número
disposto entre as duas linhas é o valor angular do mergulho em graus, devendo ser colocado sempre no
ângulo direito em duas rectas. Para o caso de camadas horizontais e verticais usam-se os símbolos
mostrados nas Figuras. 5.2.1B e 5.2.1C.

Figura 5.2.1 Blocos diagramas e mapas ilustrando o uso dos símbolos de coordenadas geológicas
para camadas: A) camadas inclinadas; B) camadas verticais; C) camadas horizontais

5.3 – TERMINOLOGIA GERAL

A parte da dobra, onde a superfície dobradas é


sensivelmente plana entre curvaturas opostas, é
designada flanco ou aba da dobra. Os flancos
são, assim, os lados da dobra; (Figura. 5.3.1). Do
ponto de vista geral, há dois tipos de dobras; os
antiformes e os sinformes (BAILY, 1939)

Um antiforme é uma dobra que converge ou que


se fecha para cima, sendo desconhecidas as
relações estratigráficas de suas rochas (Figura. 5. Figura 5.3.1 dobras mostrando flancos e
3.1). Sinforme é uma dobra que converge ou se fechamento. As dobras a, c, e são antiformes;
fecha para baixo, sendo desconhecidas as b, d, f, são sinformes
relações estratigráficas de suas rochas (Figura.
5.3.1).
Quando se conhecem as idades relativas das rochas dobradas, podem as dobras ser classificadas, ainda,
em duas categorias gerais. Os anticlinais e os sinclinais.

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Figura 5.3.2 – classificação de dobras quando se conhece a sucessão estratigráfica, no caso,


fundamentando-se em um conglomerado basal. A) Anticlinal antifórmico; B) sinclinal sinfórmico;
C) Anticlinal sinfórmico; D) Sinclinal antifórmico.

Define-se um anticlinal como uma dobra que se fecha para cima, possuindo as rochas mais antigas no seu
núcleo, isto é no centro da curvatura (figura. 5.3.2A). È, assim, um antiforme, de cujas rochas se conhece
a estratigrafia, estando ela na sua sequência estratigráfica normal. Sinclinal é uma dobra que se fecha para
baixo, tendo as litologias mais novas no seu núcleo. È, assim, um Sinforme, de cujas rochas se conhece a
estratigrafia, estando elas na sua sequência estratigráfica normal (Figura.5.3.2B). Para usar de exactidão,
as expressões anticlninal antifórmico e sinclinal sinformico são aconselháveis (figuras. 5.3.1A e 5.3.2B).

5.4 – ELEMENTOS GEOMETRICOS DE UMA SUPERFÍCIE DOBRADA.

Para se analisar as dobras, torna-se necessário observa-las em três dimensões, necessitando – se conhecer
seus elementos geométricos. Cujas medidas efectuadas com bússola são essenciais para a compreensão da
geologia regional e a analise dos esforços que provocaram o dobramento.

Charneira de dobra ou linha de charneira (em inglês, fold hinge, hinge line; em francês, charniere); É a
linha que une os pontos de curvatura máxima de superfície dobrada simples (Figura. 5.5ª). Cada flanco,
em geral, é comum a duas dobras, estendendo-se da charneira de uma dobra até a charneira da que lhe é
contígua.

Em alguma parte da dobra, entre duas linhas de charneiras sucessivas e, portanto, entre duas curvaturas de
sentidos opostos, é possível definir uma linha imaginária que separe ambas as curvaturas, é a linha de
inflexão (inflection line), que é considerada o limite de uma única dobra na superfície (Figura. 5. 5A).

Superfície axial (axial surface). Uma dobra não estará completamente definida se não se caracterizar sua
superfície axial que é a superfície contendo as linhas de charneira de todas as superfícies dobradas
sucessivas, isto é, das camadas litológicas sucessivas (Figura. 5.4.1)

Figura 5.4.1 – ilustração dos elementos geométricos das dobras. A) Dobra horizontal; B) Dobra
com caimento; C) dobra mostrando a linha de inflexão.

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A superfície bissectora (em inglês, bissecting superface; em francês, surface bissertrice) de uma dobra é
aquela superfície que bissecta o ângulo entre os flancos da dobra (ângulo interflanquial; em inglês,
interlimb angle) de maneira mais simétrica possível (Figuras.5.4.2A e 5.4.2B).
Superfície envoltório (enveloping surfaces Hoep – Pener, 1958 e turner e weiss, 1963) é as duas
superfícies suaves que, na escala do afloramento podem ser traçados tangencialmente as charneiras de
dobras (Figuras.5.4.2C e 5.4.2D).

Superfície mediana (median surface): é uma terceira superfície planar que se pode traçar através de todas
as linhas de inflexão de uma superfície dobrada. (Figuras.5.4.2C e 5.4.2D).

Superfície axial, em geral, bissecta o ângulo interflanquial das dobras, quando essas são efectivamente
planares (Figura 5.4.2.A). Sendo, pois concordante com a superfície bissectora. No entanto, em muitas
dobras, a superfície axial pode se afastar notavelmente da superfície bissectora (Fig.5.4.2.B). A atitude de
ambas e o seu ângulo de divergência permitem medir o grau de assimetria da dobra.

Figura 5.4.2 – Ilustração das Superfícies das dobras e suas relações; SA – Superfície axial; SB –
Superfície bissectora; SE – Superfície envoltório; SM – Superfície mediana; PA – Plano axial. A e
C) Dobras simétricas; B e D) Dobras assimétricas.

A crista de uma dobra anticlinal é a linha que une os pontos mais elevados da mesma camada em um
número infinito de secções transversais da dobra. Como uma dobra pode ser formada de varias camadas,
cada uma destas possui sua crista individual. A superfície ou o plano de crista é a superfície ou plano
imaginário que une as cristas sucessivas de uma dobra (Figura. 5.7)

A quilha de uma dobra (trugh) é a linha situada na porção mais baixa da dobra, isto é, a linha que une os
pontos mais baixo da dobra da mesma camada em um número infinito de secções transversais desta
camada. A superfície ou plano de quilha (também, imaginário) é a superfície ou plano que une todas as
quilhas da dobra em apreço.

Todavia, em casos especiais, como na geologia do petróleo e na económica a diferença é importante, pois
a acumulação de óleo e gás em estruturas dobradas condiciona-se antes pela superfície de crista do que
pelo eixo e superfície axial. Em muitos campos petrolíferos do mundo, controlados por dobras, a maior
parte exibe coincidência das superfícies axial e da crista.

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5.5 – COMPRIMENTO DE ONDA E AMPLITUDE

As dimensões de dobra cuja forma se repete periodicamente podem ser caracterizadas em função de
comprimento de onda a amplitude, quando a superfície mediana situa-se na metade da distância entre as
duas envoltórias. O comprimento de onda é o comprimento da unidade periódica, representando-se por ω
(ómega). A amplitude é a meta de normal entre as duas envoltórias, simboliza-se por A (Figura 5.5.1). As
vezes, A define-se como sendo a medida tomada em relação a outros elementos geométricos da dobra,
como a moral ou a paralela à superfície axial a (Aa).

Figura 5.5.1 – Amplitude (A) e comprimento de onda (ω) de uma superfície dobrada (segundo
Ramsay)

5.6 – COMPETÊNCIA E INCOMPETÊNCIA

A morfologia e as atitudes relativas assumidas por camadas sucessivas em sequências dobradas são
extremamente variadas sendo condicionadas pelas características físicas das rochas envolvidas e pela
mecânica do dobramento.

Examinando-se a Figura 5.6 verificam-se dois tipos de padrões de dobramento em uma mesma sequencia
deformada constituída por calcário, silexitos, ardósias e quartzos. Constata-se que todas as rochas,
excepto as ardósias, retiveram mais ou menos sua espessura estratigráfica durante a deformação,
dobrando-se em maior amplitude e fracturando-se.

A camada de ardósia, por outro lado, exibe grande variação de espessura, mostrando-se comprimida entre
a camada de quartzo e silexito e totalmente plissada em dobras minúsculas. Tal fato demonstra que os
tipos de rochas comportaram-se diferentemente perante os esforços de dobramento, o quartzito, o silexito
e o calcário, deformando-se mais rigidamente e a ardósia actuando mais plasticamente, acomodando-se
passivamente em qualquer forma condicionada pelas forças tectónicas.

Diz-se que rochas do primeiro tipo, como quartzito, silexitos e calcários, são competentes, isto é, reagem
de maneira rígida perante os esforços deformantes, por outro lado, são denominadas incompetentes as
litologias que se comportam plasticamente perante tais esforços dobrando-se mais intensamente e
respondendo de modo passivo: Competência e incompetência são termos, portanto, puramente relativos e
denotam maior ou menor rigidez, mobilidade ou plasticidade conforme se pode julgar ou analisar por
meio das formas assumidas pelas unidades rochosas em uma dada região tectonizada.

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Figura 5.7 Afloramento dobrado mostrando relações entre dobramento, camadas competentes e
incompetentes. Observe as ardósias incompetentes exibem um dobramento de pequena amplitude,
ao passo que as demais rochas por serem competentes, mostram-no com amplitude maior

5.8 – TERMINOLOGIA E CLASSIFICAÇÃO DE DOBRAS

A terminologia e a classificação das dobras são de natureza intuitiva e baseadas na observação de varias
gerações de geólogos. Como é comum nas ciências naturais, e a geologia nelas se enquadra, o rigor e a
precisão matemática dos conceitos e definições, embora usados, devem ser aplicados em função da
necessidade prática de observação, pois a geologia é, antes de tudo, uma ciência de observação. Tal é o
caso das dobras e de outras estruturas que serão estudadas posteriormente no decorrer do curso.

A classificação mais simplificada das dobras baseia-se na: 1) simetria; 2) morfologia em secção
transversais (bidimensionais); 3) postura ou atitude da superfície axial e do eixo; 4) relações entre as
superfícies dobradas sucessivas (Feuty, 1964; e Donath e Parker, 1964.)

5.8.1 – Classificação baseada na simetria

Esta classificação fundamenta-se nas relações da dobra com as suas superfícies; axial, bissectora e
envoltório: Quanto à simetria, as dobras podem ser simétricas e assimétricas, podendo ser discernidas
com base na forma da superfície dobrada.

Dobras simétricas são as que, sendo planares, possuem o perfil bilateralmente simétrico em relação à
superfície axial, nestas, portanto, as superfícies axial e bissectora coincidem. Caso contrário, são
classificadas de assimétricas. Ver o tema – 5.4, Figura 5.4.2

5.8.2 – Classificação de dobras baseada na atitude de seus elementos geométricos

Esta classificação fundamenta-se na atitude da superfície axial e da charneira (eixo), sendo aplicada pelo
que foi visto somente a dobras cilíndricas ou planas. Nas dobras acilíndricas, a atitude é expressa somente
em função das atitudes medidas em cada um de seus segmentos planos ou cilíndricos.

1. Atitude dos eixos das dobras cilíndricas planas e não-planas:

Dobra horizontal: eixo horizontal ou sub-horizontal; Dobra com caimento: eixo inclinado obliquamente
em relação a horizontal; Dobra vertical: eixo vertical.

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Figura 5.8.1 – classificação das dobras segundo a Atitude dos eixos

1.1 Outras dobras classificadas com base na atitude do eixo são.

Domo (dome): é uma flexão ou ampla dobra, convexa para cima, na qual as camadas mergulham em
todos os sentidos, de maneira mais ou menos igual, a partir de seu centro.

Uma bacia estrutural (strutural basin) é uma flexão ou ampla dobra côncava para cima, na qual as
camadas, em qualquer ponto, mergulham de maneira mais ou menos igual no sentido de um centro
comum

Em planta, um domo expressa-se como uma área soerguida arredondada ou irregular e a bacia, como uma
zona deprimida de forma análoga.

Figura 5.8.2 – representação esquemática de um Domo e de uma Bacia

5.8.3 – CLASSIFICAÇÃO DAS DOBRAS BASEADAS NO ESTILO

Esta classificação, também geométrica, baseia-se na forma geral ou estilo observados em secções
transversais, normais a charneira das dobras. Como a orientação das dobras (pano, eixo etc.) e a simetria
são independentes, as diversas classes de dobras podem ser descritas através da combinação da
terminologia aplicada a cada caso.

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Diz-se que uma dobra é isoclinal (do grego, igualmente inclinada) quando seus flancos são
essencialmente paralelo, isto é mergulham no mesmo sentido e com ângulos iguais (em inglês, isoclnal
fold; em francês, plis isoclinal). Figura A

Dobra em leque (em inglês, fan fold; em francês, plis en aventail): É aquela em que ambos os flancos
mostram-se invertidos. No antiforme em leque os dois flancos mergulham um no sentido do outro. No
Sinforme em leque ambos os flancos mergulham em sentido opostos. Figura B

Terraço estrutural (em inglês, strutural terrace; em francês, terrace strutura ); É uma feição que ocorre
em áreas onde camadas mergulhantes adquirem localmente uma postura horizontal. Figura C

Monoclinal ou flexão monoclinal (em inglês, enmonoclinal flexure; em francês, flexure monoclinal); É
essencialmente uma flexão em forma de degrau que afecta camadas originalmente horizontais e paralelas
ou levemente inclinadas: Consiste na mudança no valor do mergulho que, de suave, passa a relativamente
mais forte e novamente suave, enquanto sua direcção permanente, praticamente mesma. Essencial, o
monoclinal constitui a ligação entre dois blocos de rocha com acamamento horizontal que foram
deslocados em relação a um ao outro, sem fracturar. Morfológica e estruturalmente, o monoclinal é
análogo a uma falha normal. Figura D

Homoclinal (em inglês, homocline; em francês homoclinal): É uma estrutura formada por rochas que
mergulham no mesmo sentido, com o mesmo valor angular e com uniformidade razoável. Considerando-
se grandes áreas, em geral, muitos homoclinais nada mais são que flancos de grandes dobras. Contudo o
termo é muito aplicável a estruturas dentro do limite de pequenas áreas de mapeamento. Figura E

Dobra em caixa (em inglês, box fold; em francês, pils coffré): É aquela na qual o topo amplo e chato de
um antiforme ou o fundo amplo e chato de um Sinforme são adjacentes ou bordejados em ambos os lados
por superfícies axiais com mergulhados, opostos. São comuns no norte da arménia e nas montanhas da
jura (Alpes). Figura F

Dobra em Cúspide ou cuspidatas (cuspate folds): são aquelas cujos flancos encurvam-se suavemente em
arcos, mas se fecham na zona axial formando cúspide. Figura G

Dobras “ en chevron” (en francês, chevron, telha): São dobras angulares repetidos, simétricas e com
flancos de igual comprimento. Recebem, também, o nome de dobra em concertina ou sanfona

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Figura 5.8.3. A – Dobras isoclinal; B – Dobra em leque; C – Terraço estrutural; D – monoclinal; E
– Homoclinal; F – Dobra em caixa; G – Dobra em cúspide.

5.8.6 – CLASSIFICAÇÃO REGIOGIONAL DE DOBRAS SISTEMA DE DOBRAS

Um anticlinórios é um anticlinal complexo, composto de grandes dimensões em geral consistindo de


vários anticlinais subsidiários, tanto ao longo da crista quanto em seus flancos.

Um sinclinório é um sinclinal complexo, composto por numerosos sinclinais subsidiários. Essas


estruturas possuem expressão em mapas e aerofotos em forma de ovais alongadas e relacionam-se em
geral com cinturões dobrados (Figura 5.8.6).

Figura 5.8.6 – A) Anticlinório; B) Sinclinório

Via de regra, por concorrerem em cadeias de montanhas, os anticlinórios correspondem, geralmente, à


porção mediana da cadeia estruturalmente elevada, ao passo que os sinclinórios relatam-se as áreas
estruturalmente deprimidas. Tais casos são exemplificados pelos Apalaches, Pirinéus etc.

No anticlinório, as superfícies axiais das dobras subsidiárias convergem para baixo, enquanto nos
sinclinórios elas convergem para cima: Por outro lado, ambas as estruturas possuem seus eixos com
culminação e caimento ao longo de sua direcção. No anticlinório, as porções terminais são as que
possuem maior valor de caimento, ao passo que nos sinclinórios suas extremidades exibem culminações
axiais.

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6 – JUNTAS OU DIÁCLASE

6.1 – INTRODUÇÃO

Juntas ou diáclase são planos ou superfícies de fracturas que dividem as rochas e ao longo dos quais não
ocorreu deslocamento das paredes rochosas paralelamente aos planos de fractura; ou, se este
deslocamento ocorreu, ele foi mínimo e não visível. Entretanto, movimentos no sentido perpendicular ao
plano de junta podem ter ocorrido, surgindo uma fractura aberta, o que é comum. Se algum movimento
significativo e visível ocorreu segundo o plano de participação, Ter-se-á uma falha. As paredes, os planos
ou as superfícies de uma junta são as superfícies dos dois blocos adjacentes cortados pela junta situados
frente a frente.

Os planos de junta são determinados através de sua direcção e de seu mergulho, definidos da mesma
maneira como o foram para uma camada.

Em relação à dimensão, as juntas apresentam-na muito variável. Algumas possuem apenas alguns metros
de extensão segundo a direcção, ao passo que outras podem ser seguidas no campo por centenas de
metros segundo a direcção e igualmente no sentido de seu mergulho. As juntas ocorrem sempre em
associações geralmente irregulares e nunca isoladas. O espessamento entre esses planos seja inferior a
2cm, elas receberão o nome de clivagem de fractura. Os blocos situados entre junta adjacentes, isto é,
blocos rochosos limitados por juntas, são designados bloco de juntas.

O termo junta advém do Jargão dos operários de pedreiras e dos mineiros das jazidas de carvão da
Inglaterra, que no século passado acreditavam que as rochas mostravam-se juntadas ao longo das
fracturas, tal como os tijolos são disposto em parede.

6.2 – CLASSIFICAÇÃO DE JUNTAS

As juntas podem ser classificadas do ponto de vista puramente geométrico, e portanto descritivo, ou do
ponto de visto genético, preocupando-se com sua origem. As juntas possuem relevante papel nos estudos
de geologia estrutural regional e sua análise estatísticas assumem grande importância pratica na geologia
aplicada à construção de estradas, túneis e barragens (Fox, 1959; e Price, 1970).

6.2.1 – CLASSIFICAÇÃO GEOMETRICA

Esta classificação baseia-se na atitude das juntas em relação ao acamamento ou a outras estruturas que
elas interceptam.

As juntas classificam-se, geometricamente, em sistemáticas e assistematicamente (Klly, 1959; e Hodgson,


1961). As sistemáticas ocorrem formando conjuntos definidos, em planta, como juntas ou ordem de
juntas. Se dispõe, em planta, como junta paralelas ou sub paralelas, podendo não apresentar tal
paralelismo em uma secção vertical. As superfícies das juntas sistemáticas podem ser planares,
curviplanares ou, então, suaves: são, via de regra, ortogonais às superfícies superior e inferior das
unidades litológicas, onde ocorrem, interceptando, ademais, outras juntas. Por outro lado, as juntas
assistemáticas são geralmente curvilíneas em planta: terminam via de regra, contra os planos de
acamamento e não interceptam outras juntas. Dois ou mais conjuntos de juntas, ou qualquer grupo de
junta, dispostos segundo um arranjo característico, constituem um sistema de juntas.
6.2.1.1 – Classificação de juntas em relação ao acamamento

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Juntas direccionais: São as que exibem direcção paralela ou sub paralela à direcção de acamamento das
rochas sedimentares (Fig, 6.1), juntas de mergulho: São aquelas cuja direcção é perpendicular à direcção
de acamamento, de xistosidade ou filiação: As juntas de acamamento: São as que possuem a atitude
paralela à atitude do acamamento das rochas sedimentares. Sua direcção e seu mergulho são, pois, iguais
à direcção e ao mergulho de acamamento das rochas encaixantes (Billing, 1972; e Badgley, 1965).

Figura 6.1 – bloco diagrama ilustrando os


tipos geométricos de juntas em relação ao
acamamento da rocha encaixante (traço negro
grosso). Traços irregulares: juntas
assistemáticas; as demais juntas são
sistemáticas. (1) Juntas horizontais. (2) e (3)
juntas de acamamento. (4) (DEHI) e (AFJL):
juntas direccionais. (5) e (EFIJ) juntas de
mergulho. (MNOP) e (DCGH): juntas
diagonais

6.2.1.2 – Classificação de juntas em relação à estrutura regional

Juntas longitudinais: Possuem direcção paralela


à orientação de eixos de dobras regionais e
possuem, via de regar, mergulho elevado. Juntas
transversais: Possuem direcção grosseiramente
perpendicular aos eixos de dobramento
regionais, mostrando, geralmente, mergulhos
também elevados. Em muitos locais tem sido
constatado que tais juntas usualmente terminam
bruscamente frente a juntas sistemáticas. Juntas
diagonais: Via de regra, interceptam os eixos de
dobra, (Fig, 6.2)

Figura 6.2 – Relações de juntas com os eixos


de dobramento regionais. (α): junta Junta transversal. Na figura, a junta
longitudinal. (β) e (y): Juntas diagonais. ( δ) : longitudinal(α) coincide com o plano axial da
dobra .

6.2.2 – CLASSIFICAÇÃO GENETICA DE JUNTAS

Uma vez relacionadas as juntas, geométrica e descritivamente, as estruturas regionais, imediatamente o


geólogo é tentado a pesquisar como tais juntas podem ter se originado e quais os esforços que as geraram.
No entanto, em muitos casos, é difícil ou mesmo impossível descobrir as suas géneses.

O geólogo procura relacionar juntas, fracturas e falhas aos eixos principais do elipsóide de deformação e
de tensão. Todavia, raramente é possível reconhecer-se a posição dos eixos principais do elipsóide de
tensão. Observando-se a natureza de fracturas e juntas no campo, bem como sua atitude e os ângulos, que
os vários conjuntos e sistemas, que se cortam, fazem entre si, é possível inferir-se a posição do elipsóide
de tensão. Isto é viável comparando-se as evidências de campo com os resultados de inúmeras
experiências de laboratório sobre a deformação de rochas submetidas a condições de tensão variadas.

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Reconhecem-se, deste modo, as juntas definidas a seguir. Juntas de tracção oriundo do decréscimo de
volume são as mais simples e conhecidas. Dentre elas, citam-se as juntas de resfriamento, que se formam
em derrames de lavas e em chaminés vulcânicas, e as juntas de direcção, que se instalam em sedimentos
que secam progressivamente.

Se as rochas, que experimentam o fenómeno,


possuem uma homogeneidade relativamente
perfeita e se o resfriamento ou secamente se
processa uniformemente, os pontos de
resfriamento ou secamente distribuem-se,
também, de modo mais ou menos uniforme nas
rochas. As distâncias entre esses pontos são,
portanto, iguais e as tensões trativas que se
instalam são também idênticas. Em casos ideias,
formam-se então juntas hexagonais, perfeitas
(Fig.6. 3). Em planta, têm-se contornos
Figura, 6.3 Diagrama ideal de juntas
hexagonais, quando consideradas
colunares hexagonais em uma rocha intrusiva
tridimensionalmente. Entretanto, condições
(hachurado e branco) e suas relações de
ideias, como as descritas, raramente ocorrem
contanto abc com a rocha encaixante
(pontilhado) (segundo LAHEE, 1952).

Figura, 6.3.1 Exemplos de juntas de resfriamento, que se formam em derrames de lavas e em


chaminés vulcânicas

Em virtude quer da heterogeneidade das rochas, quer da não uniformidade do processo de resfriamento ou
secamento. Assim, em vez de hexágonos, desenvolvem-se polígonos de vários lados. Tal tipo de junta de
tracção é conhecido como junta colunar, sendo observada extensivamente em derrames basálticos como
os do Brasil (Basalto Serra Geral) e outras rochas vulcânicas. As rachaduras solar as fendas de dissecação
(mud cracks) que se verificam em camadas de argila ou lama, sejam antigas ou recentes, explicam-se pelo
mesmo processo. O encolhimento estabelece-se pela perda de água, através de sua evaporação de lama
molhada.

Juntas plumosas: (feather joints, pumose joints) exemplos geológicos, constata-se que as
são geradas por tracção. Têm sido observadas, diminutas juntas plumosas, associadas as juntas
também, em corpos de provas submetidos à maiores rectilíneas, exibem seus ramos se
tracção em laboratórios (Nadai, 1950). Em entrelaçando nas paredes opostas das juntas
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rectilíneas (Figs, 6.4). Para detalhes, ver Roberts, Figura 6.4 – juntas plumosas (traços
1961: Spencer, 1969; Bankwitz, 1965,1966. horizontais curvo duplos) relacionados à falha
associada. A elipse mostra a orientação do
elipsóide de deformação. Os traços finos
paralelos à falha são juntas de cisalhamento e
os horizontais são de distensão, subsidiárias.

Juntas de extensão: São as juntas perpendiculares e paralelos aos eixos de dobramentos. Originam-se
devido ao estiramento que ocorre nas rochas paralelamente aos eixos das dobras. Descritivamente, são o
mesmo que juntas transversais. A génese é similar a fracturas que se desenvolvem paralelamente aos
lados de corpos de prova submetidos a compressão. (fig. 6.5)

Juntas de cisalhamento: Mostram-se fechadas quando não atacadas pela meteorização. Muitas vezes
relacionam-se as falhas regionais, quando então podem exibir grande extensão ao longo de sua direcção.
(fig. 6.5)

Figura 6.5 – representação das juntas de extensão e de cisalhamento. (a) Mostrando a posição de
máximo stress compressivo.

Juntas de relaxamento ou alívio: São as que se formam paralelamente aos planos axiais de dobras. São
geradas de modo semelhante as fractura que se instalam perpendicularmente ao eixo de compressão, em
corpos de prova, quando se remove a carga compressiva (Fig, 2.39).

Quando dois conjuntos de juntas se intersectam com um ângulo elevado formando um sistema conjugado,
simetricamente dispostos em relação dos eixos principais de deformação, elas são consideradas fracturas
de cisalhamento. Considere-se a dobra Fig, 6.2 interceptada pelos conjuntos de juntas verticais β e y, com
direcções, respectivamente, para NNE e NNW. A atitude de dobra e de seu plano axial α indica que os
esforços compressivo que originaram o dobramento foram exercidos segundo uma direcção E – W.

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Figura 6.6 – diagrama esquemático mostrando as estruturas menores de uma face de junta e a
respectiva nomenclatura (segundo BANKWITZ, 1966)

Com direcção N—S exibem forte mergulho, respectivamente, para leste e para oeste. Tais juntas podem
ser consideradas, analogamente, como um sistema de fracturas de cisalhamento, oriundo de um esforço
tectónico compressivo exercido segundo E—W, fundamentando- ZXAse em trabalhos experimentais
( Bucher, 1921: Grffith, 1924; Price, 1959, 1970; e Glo,Braykh e tal 1966).

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7. FALHAS. DEFINIÇÃO, DESCRIÇÃO e CLASSIFICAÇÃO

7.1 Introdução

Falhas são fracturas ou cisalhamentos nas rochas ao longo das quais teve lugar o movimento. Portanto o
aspecto essencial para a existência de falhas é a ocorrência de movimento diferencial entre os blocos,
paralelo a superfície de fracturas. Este movimento se chama deslocamento. De modo geral, o falhamento
pode resultar de compressão, distensão ou torção. As origens destes movimentos são forças tectónicas na
crusta terrestre, as quais provocam roturas na litosfera, as forças tectónicas têm sua origem
principalmente no movimento dos continentes.

As falhas podem atingir dimensões diversas, o deslocamento total variando de milímetros a vários
quilómetros, sendo conhecidas falhas de dimensões continentais.

7.2 Elementos geométricos das falhas

A atitude ou postura de uma falha é a atitude ou mina subterrânea, referindo-se aos desvios da
a postura do plano, designando plano de falha, ao vertical, importante para o caso dos poços de
longo da qual se deu o deslocamento dos blocos, mina (mine shafts) fig 7.1
sendo medido de maneiras idêntica como para o
caso da atitude de uma camada, ou junta. A
atitude consta da direcção que é a orientação de
uma linha horizontal situado no plano de falha,
referida ao norte, e do mergulho, que é o ângulo
diedro formado pelo plano de falha e um plano
horizontal qualquer, sendo, portanto medido num
plano vertical que intercepta o plano de falha
ortogonalmente.

O hade é o complemento do ângulo de mergulho.


Isto é o ângulo entre o plano de falha e um plano
vertical, perpendicular ao plano de falha e
paralelo a direcção deste.

Embora seja um termo de pouco uso na geologia Figura 7.1 Elementos geométrico de uma
estrutural de campo, é usado em geologia de falha

Se o plano de falha não é vertical, o bloco rochoso acima do plano é denominado Teto (em inglês,
handing-wall; em francês, Toit) e o situado abaixo dela designa-se Muro (em inglês, foot-wall; em
francês, mur). As superfícies adjacentes de dois corpos rochosos deslocados por falha chamam-se paredes
de falha. Um estrangulamento é um grande fragmento de rocha ou fatia separado de um bloco e
aprisionado entre as paredes de falha a intercessão de plano de falha com a superfície terrestre denomina-
se traço de falha, linha de falha ou afloramento de falha, A linha de falha, no terreno ou como é
apresentado em mapas pode ser rectilínea ou sinuosa

7.3 O movimento diferencial ao longo das falhas


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Movimento de translação e rotacionais.

Os movimentos das falhas podem ser translacionais ou rotacionais, o movimento translacional ou


movimento de linha recta caracteriza-se pelo facto de que todas as linhas rectas situadas nos lados opostos
da falha e fora da zona deslocada, e que eram paralelos antes do falhamento, mantêm esse paralelismo
após o deslocamento. No movimento rotacional, as linhas rectas situados nos blocos opostos da falha, e
que eram paralelos antes do falhamento, não conservam tal paralelismo após o deslocamento fig. 7.2. O
movimento translacional pode ter deslocamento vertical, horizontal ou obliquo. Normalmente se trata de
deslocamentos verticais ou horizontais.

Na natureza, entretanto, via de regra todas as falhas possuem os dois movimentos combinados; mas, se o
movimento rotacional é muito pequeno, eles podem ser desprezados, considerando-se nesses casos o
movimento como sendo apenas translacional.

Figura 7.2 – tipos de movimentos ao longo do plano de falha. A e B de translação e C e D de


rotação.

7.4 Terminologia dos componentes geométricos do deslocamento

O rejeito de uma falha (em Inglês, Slip; em francês, rejet) é o deslocamento relativo de pontos
previamente adjacentes nos lados opostos da falha, sendo medido no plano de falha.

ab = rejeito total;
ac = db = rejeito de mergulho;
ad = bc = rejeito direccional;
ae, rejeito horizontal;
af, rejeito vertical;
cf, rejeito horizontal de mergulho;
θ, É o caimento do rejeito total (ab)
Figura 7.3 elementos geométricos do ρ, É o ângulo da obliquidade (rake) do rejeito
deslocamento: total (ab)

7.5 Classificação das falhas

As falhas podem ser classificadas tanto do ponto de vista geométrico quanto do genético ambos sendo
úteis. No trabalho de campo deve-se buscar descreve-las do ponto de vista geométrico, da maneira mais
exacta possível, com todos os detalhes e atributos, usando-se todas as classes geométrico que serão
estudadas, pois conhecendo-se com exactidão sua geometria, torna-se mais fácil interpretar a mecânica do
falhamento e, consequentemente, sua génese. Deve-se, entretanto, salientar que muitas vezes no campo
não é suficiente para classificar uma determinada falha geometricamente, com segurança.

7.5.1 Classificação geométrica das falhas

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Classificação das falhas baseadas no movimento aparente na vertical
Entre o grupo das falhas com o deslocamento dos blocos na vertical se podem distinguir falhas normais e
falhas inversas (ver figura 7.4). Falhas normais são aquelas em que o tecto baixou aparentemente em
relação ao muro, e são productos de forças extensivas, enquanto que as falhas inversas são aquelas cujo
tecto aparentemente subiu em relação ao muro, são productos de forças de compressão.

Figura 7.4 falha normal e falha inversa

No conjunto de falha normal – falha inversa se pode usar "antitética" e "homotética". A palavra antitética
indica que a falha e os estratos se inclinam para as direcções opostas. Homotética significa, que os
estratos e a falha têm a mesma direcção de inclinação. Figura 7.5

Figura 7.5 – variantes de falhas antitética e nomotética


Falhas com deslocamento horizontal
Existem principalmente dois tipos de falhas com deslocamento horizontal: Falhas com sentido do
movimento sinistral (contrário ao ponteiro do relógio) e falhas com sentido de deslocamento destral
(sentido do ponteiro do relógio).

Figura 7.5 – Falhas com deslocamento horizontal

Classificação baseada no valor angular do mergulho do plano de falha

Esta classificação é simples. Chama-se falhas de alto ângulo aquelas cujo mergulho é maior que 54º e
falhas de baixo ângulo as que têm mergulho inferior a 45º .
7.6 Classificação genética das falhas

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Esta classificação trata dos aspectos mecânicos que deram origem as falhas, o que de modo geral não é
fácil. Por isso no estágio actual dos conhecimentos, as classificações genéticas mais adequadas são as que
se alicerçam nos movimentos relativos e absolutos

Falha de empurrão
São aquelas nas quais o tecto subiu realmente em relação ao muro (conjunto de falhas inversas), possuem
movimento com rejeito de mergulho inverso. Tais falhas indicam encurtamento crustal, implicando forças
de compressão (figura 7.6)

Figura 7.6 – Ilustração de falhas de empurrão

Falhas de gravidade
Nestes, o tecto descem em relação aos muros, quer dizer são falhas normais, estas falhas relacionam-se a
distensões da crusta terrestre. Estas falhas originam estruturas em Horst e Graben (Fossa tectónica e pilar
tectónico) (figura 7.7)

Horst ou pilar tectónico mostra um movimento para cima no seu interior, quer dizer o sector central está
construída por rochas mais antigas que o sector lateral.

Graben: o conjunto de duas falhas normais paralelas com inclinação oposta num ambiente tectónico
expansiva se chama graben ou fossa tectónica. Quer dizer o sector central se move relativamente abaixo a
respeito dos flancos. No interior de uma fossa tectónica afloram geralmente rochas mais jovens que as de
fora do sistema. o tamanho de um graben pode ser centímetros até grabens grandes ao redor de 300 km.

Morfologicamente um graben pode parecer como vale, um horst pode formar morfologicamente
elevações

Figura 7.7 Falhas de gravidade Graben Horst


Falhas de rejeito direccional
São designados também falhas transcorrentes e falhas de rasgamento e nelas o movimento dominante é
horizontal, são também designadas de sinistras e destras a nomenclatura depende da posição do
observador, se o bloco de cima se desloca para direita em relação ao observador a falha é destra e se o
deslocamento for para a esquerda a falha será sinistra (figura 7.8). Os termos lateral direita e lateral
esquerda devem ser usados somente para descrever a separação, ao passo que os adjectivos destra e
sinistra, para indicar o sentido relativo do rejeito direccional

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(figura 7.8) Falhas de rejeito direccional

7.7 Dobra falha


Diferentes rochas se comportam diferentemente quando estão sob tensão, se espera que algumas rochas
quando sujeitas à mesmas tensões fracturarão, enquanto outros dobrarão. Quando tais rochas
contrastantes se encontram na mesma área, como rochas flexíveis, e frágeis, as frágeis podem falhar e as
flexíveis podem dobrar, ou dobra em cima da falta, como se vê na figura 7.9 A

Figura 7.9 – A; Relação Entre Dobramento e Falhamento, B; Evolução de uma dobra falha

Também até mesmo rochas flexíveis possam fracturar eventualmente sob tensão alta, rochas podem dobre
até um certo ponto e fracturar para formar uma falha, quando excede o seu limite de plasticidade.
Originando o que se chama de dobra falha, ver Figura 7.9 B

Roseta de diaclasas
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Objetivo:

Una roseta de diaclasas es un diagrama sencillo para visualizar las direcciones de los rumbos generales
de estructuras tabulares (diques, vetas) y de planos tectónicos (diaclasas, fallas). En este tipo de diagrama
no hay información sobre el manteo o la dirección de inclinación. En conclusión se puede describir este
diagrama como un histograma redondo. Significa los rangos de rumbo se ubican al margen del circulo
desde arriba (Norte o 0º) hacia abajo (Sur o 180º) en sentido de reloj. La cantidad de los datos a respeto
de un rango se encuentra en el eje desde el centro (como 0%) hacia al margen (como 100%). Solamente
es necesario calcular la mitad de los rangos (el medio circulo) porque el rumbo es un elemento
bidireccional y automáticamente cubre el rango opuesto es decir el rango de diferencia de 180º (lado
opuesto) se marca igualmente.

Procedimiento para confeccionar una roseta:

Para confeccionar una roseta se necesita una base de datos tectónicos (alrededor de 200 datos). Además
existen programas computacionales que calculan este tipo de diagrama automáticamente. Pero sería mejor
siempre verificar los resultados porque existen varios tipos diferentes de este tipo de diagramas. Además
existen tres tipos de notaciones para datos tectónicos. Lo mejor sería para verificar que tipos de datos
espera el computador y que tipo de roseta va a confeccionar. Para eliminar errores graves se recomienda
la confección de una roseta gráficamente y comparar los resultados.

Confección grafica:

1. Sí, existe una base de datos de circulo completo (Dirección de inclinación / manteo) es necesario para
transformar los datos al rumbo. Principalmente entones se restan o suman 90º de la dirección de
inclinación y el resultado sería el manteo. Mucho más fácil funciona eso con una tabla para transferir los
datos (Tabla 1).

2. La tabla para traspasar los datos hacia el rumbo permite un traspaso sin calcular. Se traspasan los datos
tectónicos por rangos no por cada dato.

Los dos primeros columnas (Dir1 y Dir2) pertenecen a datos de la dirección de inclinación, la tercera
columna indica el rumbo correspondiente. Significa que dos rangos de una dirección de inclinación
tienen como resultado el mismos rango de rumbo.
Ejemplo: 65/31 como dirección de inclinación pertenece al rango 60-69 (columna Dir1) entonces esta
adentro del rango 150-159 como Rumbo. 242/74 como dirección de inclinación se ubica como dirección
bajo columna Dir2 y pertenece entonces al rango de rumbo (igual como el dato anterior) 150-159.
Significa los dos planos (65/31 y 242/74) tienen un rumbo casi igual, solamente se inclinan a lados
opuestos. Pero para la roseta solamente el rumbo tiene valor por eso pertenecen al mismo rango.

3. Conteo de la cantidad de los datos:

Se busca para todos los datos de la base de datos su rango correspondiente y marca este rango con una
línea en la columna "cant." Al final se cuenta las líneas de un rango.

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Ejemplo:

4. Rango mayor = 100 % : Se define el rango de mayor cantidad de datos tectónicos como 100 %.

5. Se calcula la porcentaje de los otros rangos a base de la cantidad de rango mayor (100 %).

6. Se rellena los segmentos del diagrama con los valores del rumbo correspondientes. Significa el rango
de 100% se rellenan desde el centro hacia el margen. Eso mismo se hacen con el segmento opuesto. Un
rango qué solamente corresponde con 40 % de datos se rellenan desde el centro hacia la línea de 40 %. (y
el sector opuesto).

Rosas de diaclasas computacionales:

Mucho más fácil es realizar la rosa de diaclasa con un programa computacional. Por supuesto con todas
las preocupaciones y es muy recomendable verificar los resultados. Por la gran cantidad de tipos de rosas
hay que siempre mencionar en el texto descriptivo el tipo de la rosa y la cantidad de datos usados. Como
la rosa es un diagrama de las estructuras verticales o semi-verticales sería mejor eliminar todos los
elementos de un rumbo menor de 20º. Nunca hay que usar elementos con un valor de manteo menor de
10º. La razón es que planos casi horizontales marcan una gran variedad en el rumbo - una pequeña
irregularidad cambia fuertemente el rumbo. Por eso las estructuras casi horizontales "ensucian" el
diagrama. La mayoría de las programas tienen filtros propios para excluir estos datos no deseados. Sí no
es así hay que eliminarlo manual.
En situaciones no tan complejos es relativamente fácil para comprobar los resultados: En la rosa de
diaclasa (del rumbo) los elementos tectónicos siempre aparecen perpendicular a los polos
correspondientes de la red de Schmidt.

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