VIAGENS ULTRAMARINAS

Monarcas, vassalos e governo a distância.

Ronald Raminelli

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.............................................167 6 Fragmentos do império...............................................252 ii ...........48 3 Viagens Filosóficas.................................................................................................Sumário Introdução...................204 7 Metrópoles e Colônias..................85 4 Ilustração e patronagem........................1 2 Inventário das conquistas.......................................124 5 Naturalistas em apuros.. iii 1 A escrita e a espada em busca de mercê............................................................

cresceu a importância dos domínios americanos no âmbito imperial e. Por longos séculos. por certo. e como a lealdade monárquica viabilizou um governo a distância. momento de debilidade do poder monárquico. a cidade perdeu sua capacidade de promover a unidade entre as províncias. De Lisboa partiam. paulatinamente. Em princípio. Os primeiros. este livro pretende analisar a formação da elite coimbrã. seria inviável o controle das conquistas por parte do soberano. Essas reflexões fornecem subsídios para melhor entender os vínculos do Brasil no império colonial. Sem a contribuição dos moradores das possessões ultramarinas. durante tantos séculos. os vassalos do rei ampliavam as conquistas e recebiam como recompensas títulos de cavaleiros de Ordens Militares. reuniam honras e privilégios que os aproximavam. Lisboa mantivera-se como centro das decisões. seus moradores tiveram seus feitos mais valorizados. ocupou cargos de destaque na administração. os vassalos em busca de terras e mercês. O ouro. tinham seus feitos reconhecidos e recompensados. do monarca e da burocracia metropolitana. os laços entre o rei e essa elite exerceram um papel ainda mais decisivo para manter união entre os territórios apartados. rumo às conquistas. mas no momento em que o rei se radicava na colônia. o açúcar e o tabaco viabilizavam estudos na Universidade de Coimbra e o surgimento de uma elite ilustrada luso-brasileira que. quando a Corte portuguesa estabeleceu-se no Rio de Janeiro. aos poucos. uma nova configuração política surgia no império colonial português. O evento. Se antes a centralidade das possessões ultramarinas estava no reino. Depois de 1808. terras e cargos na administração local. esse livro pretende estudar como os vassalos do rei contribuíram para manter esse vasto império. Desde o início da expansão marítima.INTRODUÇÃO Em 1808. Mas os serviços dedicados à iii . A trama entre o centro e as periferias baseava-se na negociação entre os súditos e o monarca. Ao avançar do século XVIII. a partir da transferência da Corte. particularmente a trajetória de colonos que se formaram em filosofia na Universidade de Coimbra ou exerceram o ofício de naturalista no mundo colonial. recorrendo à espada. consequentemente. que enfrentavam as adversidades dos novos territórios com a intenção de alargar os horizontes dos reais domínios. contrariava a secular atração exercida pela antiga capital que reunia os principais agentes da administração e os lucros do comércio. De fato. ela se deslocou para o Brasil. ao prestar serviços no ultramar.

Descreviam também os povos. uma elite composta de bacharéis em matemática. Inicialmente. seus costumes e sua capacidade de gerar produtos coloniais para fomentar o comércio do reino. então. No século XVIII. Formava-se. posteriormente. assumiu a tarefa de instruir profissionais que teriam a nobre tarefa de reunir informações cientificamente capazes de promover reformas. asiáticas e africanas para informar ao rei sobre seus domínios. período marcado por rumores iv . lavouras e a disposição de súditos em obedecer a suas leis. como os guerreiros. aos poucos. manufatura e comércio. No último quartel do século XVIII. rendia regalias a naturalistas e matemáticos. ingressarem na magistratura ou em cargos de prestígio na administração metropolitana ou colonial. atribuíam a seus guerreiros. em parte. por conseguinte. terras distantes. Essas informações. Assim. sob a forma de cartas. ao mesmo tempo. comerciantes e proprietários de terras foram enviados à universidade com a intenção de receber formação e. mas. o centro promotor da modernização da agricultura. a escrita tornou-se. os mecanismos de remuneração pouco se modificaram. A Universidade de Coimbra era. quando a ciência se tornou instrumento necessário para medir terras. portanto. pois lhe informava sobre acontecimentos. e o rei ainda concedia aos vassalos as mesmas distinções que. ativar os vínculos entre as colônias e a metrópole. que deveria percorrer o ultramar e. que percorria as conquistas americanas. por uma elite proveniente da América portuguesa. dirigiam-se ao soberano radicado em Lisboa. Essa tendência tornou-se ainda mais nítida nos anos de 1790. aperfeiçoar as lavouras e as minas. Filhos de militares. os vassalos percorriam os novos territórios e produziam inventários da natureza e de suas produções. Assim como a espada. então. as viagens eram conduzidas. portanto. O Estado. as viagens. eles poderiam dispor de terras. por bacharéis luso-brasileiros. produzir mapas. Os serviços prestados por esses homens de ciência também resultavam em privilégios. em viagens filosóficas. tornaram-se instrumentos indispensáveis para reunir conhecimento capaz de viabilizar o governo do ultramar. O conhecimento sobre o ultramar rendia aos moradores das conquistas a possibilidade de também alcançar privilégios. títulos de cavaleiros e cargos de prestígio.monarquia não se restringiam à arte da guerra. a capacidade de informar ao monarca sobre as suas conquistas. outrora. centro do império. esses vassalos perderam. em grande parte. um importante serviço dedicado ao rei. relatórios e tratados. minas. delimitar os limites do império e introduzir técnicas responsáveis por modernizar as atividades produtivas. era mecanismo destinado a manter o vasto império colonial. filosofia e leis. A ciência.

esses bacharéis da Universidade de Coimbra assumiram cargos importantes na burocracia do império luso-brasileiro. sobretudo em relação aos tributos. Academia da Marinha e Academia das Ciências de Lisboa. Museu de História Natural. Ao recorrer à trajetória de alguns bacharéis. Mesa de Consciência e Ordens. o funcionamento da patronagem régia que. nos Tribunais da Relação. empregaram seus conhecimentos adquiridos em Coimbra para fortalecer a economia e incentivar a unidade das províncias imperiais. sobretudo. Pretendiam conservar a figura do rei e os v . responsável por defender a unidade entre as provinciais. os homens de ciência tornavam-se burocratas. bacharéis e doutores. pois. Por meio de acúmulo de informações. o livro pretende analisar os estritos vínculos entre o monarca e a elite ilustrada luso-brasileira. entender. como José Bonifácio Andrada e Silva. e abandonavam a carreira de naturalista. eles estavam capacitados a ocupar lugares de honra na administração. A sacrossanta unidade do império tornou-se ameaçada com a insatisfação manifestada por mineiros e baianos. a formação universitária e os serviços prestados ao monarca originaram uma elite que teve participação decisiva na nossa independência. Na nova conjuntura. mas descartavam qualquer reforma capaz de ameaçar a sociedade de ordens. No entanto. a denominada elite coimbrã declarou-se a favor da independência. a antiga estrutura sócio-econômica. José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho e José da Silva Lisboa. como na Universidade de Coimbra. ao invés de lutar por um projeto separatista. posição mais evidente nos escritos de Hipólito da Costa e José Bonifácio. Quando a família real transferiu-se para o Rio de Janeiro. decisão tomada pelas Cortes do Porto em 1821. senhores de prestígio. Essa estratégia. ao receber as mencionadas distinções.de sedição. fomentou a produção de conhecimento sobre o mundo colonial. A estratégia de neutralizar a possível rebeldia da elite ilustrada luso-brasileira era inseri-la em altos cargos da magistratura. Junta de Comércio. Em busca de cargos de prestígio e enfrentando conjuntura desfavorável. esses vínculos consolidaram a idéia de império e a constituição de uma facção da elite. Por muito tempo. Por dispor de títulos e cargos. por quase três séculos. produziu entraves ao desenvolvimento científico em Portugal. Os bacharéis de Coimbra planejavam intervenções na economia para torná-la competitiva. fenômeno evidente nos primeiros anos do século XIX. por certo. os naturalistas deixaram de produzir conhecimento e provocaram o esvaziamento dos museus e academias. em posição de destaque nas instituições do reino. a elite ilustrada apostou na união entre Portugal e Brasil e somente depois da tentativa de re-colonizar o Brasil.

por consolidar a autonomia política comandada pelo príncipe D. Sem conhecer as potencialidades da América portuguesa. Inicialmente. segundo os princípios da ciência setecentista. enfrentavam levantes indígenas. Para tornar seus serviços relevantes ao monarca. aos poucos. formando um corpo de funcionários capaz de conduzir o governo a distância. o monarca castelhano não remuneraria seus feitos. tema do segundo capítulo. Depois de 1640. os vassalos deixaram de produzir os inventários e trataram de descrever somente seus feitos militares nas guerras em Pernambuco. assim. Essa equipe também atuou. os primeiros conquistadores descreviam as grandezas e estranhezas das terras brasílicas. a monarquia tornou-se patrona da ciência. Gabriel Soares de Sousa e Bento Maciel Parente enviaram aos Felipes a relação de seus serviços e os inventários da natureza e das comunidades indígenas. Pedro. por defender a união com Portugal e. Bahia e Angola. as riquezas brasílicas eram indispensáveis para engrandecer os feitos dos vassalos. Se antes. a primeira fase da produção de conhecimento sobre o mundo colonial. posteriormente. embora sua lógica fosse invertida. conquistou um espaço de destaque no conjunto das conquistas lusitanas. percorriam rios e desbravam os sertões em busca de índios e metais preciosos. durante o governo pombalino. negros e escravos. inicialmente. Para valorizar as demandas.privilégios nobiliárquicos por temerem os dissabores de uma ruptura capaz de conduzir a revoltas comandadas pelas elites locais ou por mulatos. com a Restauração e as guerras contra os neerlandeses. na segunda metade do seiscentos. a monarquia contratou professores italianos e alemães para ensinar e participar das expedições no interior da América. A partir de então. anos depois. a produção de conhecimento seria retomada. na elaboração da reforma da Universidade de vi . quando os vassalos escreviam notícias ao rei para informá-lo sobre suas conquistas. sobretudo no período filipino. Terminava. No primeiro capítulo busquei explorar a origem do sistema de patronagem e o mecanismo de controle a distância sobre as redes que compunham o império colonial português entre os séculos XVI e XVII. a importância do Atlântico português tornou os serviços militares de seus moradores indispensáveis para manutenção do equilíbrio político e econômico de Portugal. tal como varreu a colônia francesa em São Domingos e fragmentou a América espanhola. No entanto. os vassalos lutavam contra invasores europeus. a América portuguesa. Não partia dos vassalos a iniciativa de enviar notícias ao soberano. Pressionado por questões de limites e ocupação do sertão americano. Essa configuração explica o nascimento de uma elite conservadora e responsável. Nos primeiros tempos.

tema do terceiro capítulo. museus e academias. Angola e Cabo Verde. As viagens dirigiam-se ao Pará. mas a Secretaria de Estado da Marinha e Negócios Ultramarinos exigia dos demarcadores o avanço da história natural. Embora as primeiras remessas de espécies chegassem à Secretaria de Estado e ao Museu de História Natural a partir dos anos de 1770. inseriu-se paulatinamente na burocracia. formados em Coimbra. recebeu privilégios pelos serviços prestados e abandonou o ofício de naturalista. o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira percorreu as capitanias do Pará. Ao invés de seguir os passos dos afamados naturalistas. as remessas ficaram intocadas e os escritos permaneceram em manuscritos e impróprios à publicação. Ferreira. Rio Negro e Mato Grosso. Em princípio. lavouras e comunidades indígenas. Moçambique. animais e minerais dos mais distantes rincões das conquistas. somente com as viagens filosóficas o conhecimento da história natural se firmaria como relevante e conduzido segundo os princípios científicos. Ao retomar a Lisboa. paulatinamente. ao retornar do Pará. Se a geografia permitia a delimitação das fronteiras. As primeiras expedições avançaram sobre o além-mar. dezenas de memórias e desenhos à Secretaria de Estado. Embora ele mantivesse vínculos com a Universidade de Coimbra e com a vii . conhecimento indispensável para promover o estreitamento de laços entre as partes do império. sobretudo depois de criado o Museu de História Natural que reuniria coleções de plantas. Goa. seus estudos não tiveram continuidade. o esvaziamento da Universidade. das pesquisas ao conceder-lhe inúmeros cargos e títulos honoríficos. sob comando de naturalistas. tema do quarto capítulo. os Tratados de Madri (1750) e Santo Ildefonso (1777) incentivaram a produção de conhecimento geográfico. em 1783. A fragilidade científica era recorrente em quase todos os estudos produzidos no ultramar.Coimbra e criação de cursos de filosofia e matemática. particularmente depois dos anos 1790. A carreira de Alexandre Rodrigues Ferreira forneceu-me elementos irrefutáveis da mencionada debilidade científica. Durante nove anos. a história natural reunia notícias de plantas. o que indicava a debilidade das instituições científicas da metrópole. Esses planos não pretendiam intervir apenas na América portuguesa. A patronagem régia também promoveu a ascensão social de José Bonifácio de Andrada e Silva e o afastou. responsáveis pela efetiva ocupação dos limites e fomento do comércio colonial. A partir da farta documentação produzida pela Viagem Filosófica ao Pará. percebe-se os sentidos conflitantes dos empreendimentos. mas nas possessões africanas e asiáticas. enviou remessas.

estavam vetados esses cargos. fossem filósofos ou magistrados. As suspeitas sobre a lealdade dos juizes-naturalistas. estavam francamente debilitadas e decadentes. Rio de Janeiro e Bahia. escreviam memórias econômica e. Os filósofos foram presos. os homens de ciência não mais percebiam as instituições científicas como espaço de prestígio e migraram para as altas esferas da burocracia estatal. envolveram-se. mas os primeiros eram egressos da faculdade de filosofia enquanto os segundos atuavam como magistrados que tiveram. um nítido favorecimento dos juizes-naturalistas. A partir da trajetória dos juizes de fora Baltazar da Silva Lisboa e Joaquim de Amorim Castro. remetiam espécies raras ao Museu de História Natural. porém. ao longo do setecentos. Para tanto. De todo modo. formação filosófica. havia. em rumores de sedição e inconfidências nas capitanias de Minas Gerais. nos anos de 1790. no início do século XIX. O único filósofo a exercer somente o ofício de naturalista era Alexandre Rodrigues Ferreira. os naturalistas enfrentaram investigações e processos que resultaram em sentenças nitidamente distintas. os demais deveriam atuar em inúmeras outras atividades para sobreviver. segundo suas próprias palavras. como Álvares Maciel e Bettencourt Acioli. não resultaram em prejuízos para suas carreiras na magistratura. Aos filósofos. Anos depois seriam condecorados com títulos de cavaleiro e lugares de desembargador da Relação do Porto e Rio de Janeiro. De todo modo. Em apuros. O quinto capítulo explorou as distintas trajetórias de filósofos e juizesnaturalistas.Academia das Ciências de Lisboa. porém. Ambos atuavam como naturalistas. pleiteavam ascensão na carreira de magistrado. em seguida. embora incompleta. na Universidade. por parte da administração. matemáticos e naturalistas reuniram conhecimento indispensável para tornar menos abstrata a idéia de império. essas instituições. sendo o primeiro castigado com degredo em Angola. onde faleceu anos depois. A ciência era um meio de servir ao soberano e acumular prestígio. De fato. coleções e memórias conduziram a Lisboa os fragmentos do império colonial e viii . os naturalistas. De fato. Andrada e Silva se ressentia do ostracismo e da impossibilidade de participar da alta administração no Rio de Janeiro. À época. antes mesmo do período napoleônico. percebe-se que a história natural era parte de uma estratégia para reunir honra e se aproximar do secretário de Estado e do soberano. o curso filosofia natural era cada vez menos procurado pelos estudantes devido às falta de apoio por parte do Estado. Mas essa estratégia somente era viável para os naturalistas bacharéis em leis. Como bem salientou José Bonifácio. Mapas.

Carlos Julião. Alexandre Rodrigues Ferreira criou uma taxonomia muito original. na coleção. os debates e as publicações giravam em torno da agricultura e da modernização dos demais processos produtivos. artefatos dos negros de Benguela e Angola. o secretário de Estado D. embora os acontecimentos tramassem em favor do enfraquecimento da centralidade de Lisboa e da figura do monarca. capaz de avaliar a “civilidade” dos grupos. Para escrever memórias e formar a coleção. As viagens ultramarinas ainda viabilizaram a composição de memórias econômicas sobre as relações entre metrópole e colônias. Na Academia das Ciências de Lisboa. Valendo-se desses testemunhos. baseada na capacidade técnica dos tapuias. Rodrigo de Sousa Coutinho traçava planos para harmonizar os pleitos e fortalecer a sacrossanta unidade. então.viabilizaram uma política responsável por fomentar a interdependência entre as províncias. No sexto capítulo. Leandro Joaquim. produziram imagens dedicadas a retratar a diversidade de povos nas mais diferentes províncias do ultramar. Ferreira inspirou-se nos trabalhos do escocês William Robertson e do naturalista francês Buffon. Ao analisar a lista de produtos industriais. Ele não se preocupava apenas com os tapuias. porém. O controle sobre a natureza era indício crucial para o naturalista. suas investidas não se resumiam a perceber como as plantas se transformavam em artefatos entre os índios da América. remessas e na intrigante coleção de produtos industriais. Estavam. Se antes. evidencia-se a preocupação de Ferreira com a evolução técnicas das raças. pois incluiu. o que demonstra a existência do diálogo do naturalista com importantes pensadores do século das luzes. as autoridades metropolitanas consideraram pertinente identificar suas características visuais para tornar mais concreto o domínio monárquico sob terras e povos. razão talvez para permanecerem desconhecidas suas análises sobre o progresso das técnicas. os dois últimos riscadores da Viagem Filosófica ao Pará. As reflexões de Ferreira sobre os povos e os planos de redigir a “História da Indústria Americana” não tiveram. chinesa e africana. nesse período. desenhos. tema do sétimo capítulo. Os ix . essas nações foram fartamente descritas na correspondência e nas memórias. Entre 1780 e 1800. A intensa produção de inventários era uma estratégia de aperfeiçoar o governo a distância e criar uma identidade imperial. Suas reflexões foram registradas nas memórias. José Joaquim Codina e Joaquim José Freire. dos indianos e chineses de Macau. repercussão em Portugal. presentes testemunhos materiais das três raças: americana. em Macau. No entanto. analisei os inventários visuais dos povos das conquistas. Ao comandar a Viagem Filosófica. Goa e América portuguesa.

com os pólos invertidos. a relação metrópole e colônias sofreu uma nítida transformação. Rodrigo de Sousa Coutinho. sobretudo os magistrados. x . Depois de 1808. A partir desses inventários. a elite lusobrasileira juntou esforços para assegurar a harmonia entre as províncias como planejara o bispo Azeredo Coutinho e D. povos e produtos industriais tornaram mais palpável a idéia de império. Rodrigo de Sousa Coutinho e a elite lusobrasileira investigaram as conexões comerciais entre o Brasil e a metrópole. suas reflexões antecedem e preparam a abertura dos portos e a elevação do Brasil a reino unido a Portugal. os ensinamentos agrícolas. a produção de manufaturas. ocupou postos na burocracia e buscou fortalecer a monarquia. embora esses testemunhos ainda valorizassem a circulação de plantas. Pedro. A elite coimbrã. entre o tráfico de escravos nas conquistas africanas e as lavouras de cana e tabaco na América. As transações comerciais eram quase sinônimo de vínculos imperiais. Preparam. José da Silva Lisboa e José Bonifácio de Andrada e Silva foram os principais defensores do reino unido e da monarquia dual. No momento que o Rio de Janeiro era o centro do império. D.inventários da natureza. Ao concentrar seus esforços nos vínculos entre o reino e a América portuguesa. a cartografia e os povos. a independência política capitaneada pelo príncipe D. aos poucos. assim.