ANALISTAS TRE/TRF/MPU

Disciplina: Direito Administrativo
Prof. Fabrício Bolzan
Aula nº 09

MATERIAL DE APOIO – MONITORIA

Índice
1. Artigos Correlatos
1.1. A exceção do contrato não cumprido e os contratos administrativos
1.2. A adequada análise de exequibilidade da proposta. Fator fundamental à eficácia das contratações da
administração pública efetuadas por meio de pregão eletrônico
1.3. O equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de serviço público
2. Simulados

1. ARTIGOS CORRELATOS
1.1. A EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO E OS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
Autores: Ricardo Diego Nunes Pereira, Advogado, graduado pela Universidade Federal de Sergipe - UFS, e
pós-graduando em Direito Público - Rafael Costa FortesAdvogado. Bacharel em Direito pela Universidade
Federal de Sergipe. José Luiz Melo Júnior, Advogado. Graduado pela Universidade Federal de Sergipe UFS. Pós-graduando em Direito do Estado pela Faculdade Social da Bahia.
Elaborado: Maio de 2011.

Contrato administrativo não se confunde com contratos em geral. Enquanto o primeiro vem a ser o ajuste
que a Administração Pública, agindo nessa qualidade, firma com o particular ou com outra entidade
administrativa, para a consecução de objetivos de interesse público, nas condições desejadas pela própria
Administração, o segundo é todo o acordo de vontades, firmado livremente, para criar direitos e
obrigações recíprocos.
De forma resumida, a pedra de toque que diferencia o contrato administrativo dos demais é a presença
das chamadas cláusulas exorbitantes, consubstanciadas nos seguintes elementos, que nada mais
significam que a atuação da Administração Pública como Poder Público: exigência de garantia; poder de
alteração unilateral do contrato; possibilidade de rescisão unilateral do pacto; manutenção do equilíbrio
financeiro do contrato; poder de fiscalização, acompanhamento e ocupação temporária; restrições ao uso
da cláusula exceptio non adimpleti contractus; aplicação direta de penalidades contratuais (multa de
mora, advertência, multa por inexecução, suspensão e declaração de inidoneidade).
Este trabalho analisará a restrição ao uso da cláusula exceptio non adimpleti contractus.
Como se sabe, nos contratos onerosos regidos pela álea privada, permite-se aos contratantes suspender a

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execução do que lhe cabe no contrato enquanto o outro não adimplir a sua parte, ou seja, é possível a
oposição da exceção do contrato não cumprido.
Já quanto aos contratos administrativos, em regra, não se aplica tal cláusula. Assim, não é lícito ao
particular, portanto, interromper a execução da obra ou do serviço contratado, ainda que a Administração
permaneça sem contraprestacionar essa obra ou serviço. Com isso, rendem-se homenagens ao princípio
da continuidade do serviço público, corolário da supremacia do interesse público.
Contudo, essa situação revelou-se bastante rigorosa e prejudicial ao particular contratado, motivo pelo
qual a Lei n° 8.666/1993 a atenuou substancialmente, a ponto de hoje podermos falar em relativa ou
temporária inoponibilidade da exceção ao contrato não cumprido.
Essa relativa inoponibilidade está prevista no art. 78, incisos XIV e XV, Seção V, Da Inexecução e da
Rescisão dos Contratos, na Lei de Licitações e Contratos Administrativos, in verbis:
Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato:
[...]
XIV - a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por prazo superior a 120 (cento
e vinte) dias, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, ou
ainda por repetidas suspensões que totalizem o mesmo prazo, independentemente do pagamento
obrigatório

de

indenizações

pelas

sucessivas

e

contratualmente

imprevistas

desmobilizações

e

mobilizações e outras previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o direito de optar pela
suspensão do cumprimento das obrigações assumidas até que seja normalizada a situação;
XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de
obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de
calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de
optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação; [...]
Assim, passou a ser autorizada de forma expressa a oposição dessa cláusula, quando o atraso do
pagamento pela Administração seja superior a 90 (noventa) dias (inciso XV) ou, para alguns da doutrina,
quando a Administração suspende a execução do contrato por prazo superior a 120 (cento e vinte) dias
(inciso XIV), possibilitando ao contratado a suspensão do cumprimento de suas obrigações ou mesmo a
rescisão judicial ou amigável por culpa da Administração, com indenização do particular (cf. incisos do art.
79 da Lei n° 8.666/1993).
Nesse último caso (rescisão contratual), o contratado, nos termos do art. 79, § 2º da Lei n° 8.666/1993,
terá direito a ser ressarcido dos prejuízos regularmente comprovados que houver sofrido (danos
emergentes), tendo ainda direito à devolução da garantia, pagamentos devidos pela execução do contrato
até a data da rescisão e pagamento do custo da desmobilização.
Há também uma terceira e uma quarta hipóteses apontadas pela doutrina e pela jurisprudência, quais
sejam, quando a inadimplência do poder público impeça de fato e diretamente a execução do serviço ou

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da obra e quando o contrato não tenha por objeto a execução de serviço público, pois não se aplica o
princípio da continuidade. Inclusive, a referida cláusula de exceção pode ser aplicada antes mesmo de
decorridos os 90 (noventa) dias, nas hipóteses em que se torne impossível ou extremamente oneroso
para o contratado a prestação do serviço, em virtude de ato ou omissão da Administração Pública
(CARVALHO FILHO, 2011).
Em se suspendendo a execução do serviço, o Superior Tribunal de Justiça entende que o particular não
necessita ir ao Poder Judiciário para somente após a decisão suspender o contrato, já que essa
prerrogativa estaria garantida a ele de pleno direito, obviamente com a ressalva de lhe serem impostas
sanções se não aceita em juízo posteriormente a exceção do contrato não cumprido. Cite-se a seguinte
decisão, retirada do REsp nº 910.802/RJ, de relatoria da Ministra Eliana Calmon:
ADMINISTRATIVO – CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO – FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO A
PACIENTES, ACOMPANHANTES E SERVIDORES DE HOSPITAIS PÚBLICOS – ATRASO NO PAGAMENTO POR
MAIS DE 90 DIAS – EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO – ART. 78, XV, DA LEI 8.666/93 –
SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DO CONTRATO – DESNECESSIDADE DE PROVIMENTO JUDICIAL – ANÁLISE
DE OFENSA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL: DESCABIMENTO – INFRINGÊNCIA AO ART. 535 DO CPC –
FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE – SÚMULA 284/STF – VIOLAÇÃO DOS ARTS. 126, 131, 165 E 458, II, DO
CPC: INEXISTÊNCIA. [...]
4. Com o advento da Lei 8.666/93, não tem mais sentido a discussão doutrinária sobre o cabimento ou
não da inoponibilidade da exceptio non adimpleti contractus contra a Administração, ante o teor do art.
78, XV, do referido diploma legal. Por isso, despicienda a análise da questão sob o prisma do princípio da
continuidade do serviço público. 5. Se a Administração Pública deixou de efetuar os pagamentos devidos
por mais de 90 (noventa) dias, pode o contratado, licitamente, suspender a execução do contrato, sendo
desnecessária, nessa hipótese, a tutela jurisdicional porque o art. 78, XV, da Lei 8.666/93 lhe garante tal
direito. 6. Recurso especial conhecido em parte e, nessa parte, provido. (REsp 910.802/RJ, Rel. Ministra
ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/06/2008, DJe 06/08/2008)
José dos Santos Carvalho Filho (2011), porém, é mais cauteloso quanto à autoaplicabilidade da exceção,
aduzindo que, a fim de se evitar contestações por parte da Administração, o particular deve recorrer ao
Judiciário e, por meio de uma ação cautelar, pretender uma tutela preventiva imediata, o que o livraria do
risco de arcar com as consequências do inadimplemento.
Por fim, merece registro o fato de sempre caber para a Administração Pública, no caso de inadimplemento
do particular, a arguição da exceção do contrato não cumprido em seu favor, deixando automaticamente
de cumprir suas obrigações em face do contratado, como, por exemplo, suspender os pagamentos a ele
devidos.
Conclui-se, de tudo quanto exposto retro, que a utilização da exceção do contrato não cumprido pelo
particular em face da Administração Pública, com o advento da Lei n° 8.666/1993 e com a evolução da
doutrina e jurisprudência, há de ser aceita no meio jurídico com os devidos limites legais, não se podendo
falar em inoponibilidade absoluta dessa cláusula, como ocorre no modelo francês. Ademais, quando se
tratar de serviços essenciais ou que urgem interesses maiores, deve-se observar o modo pelo qual a

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execução do contrato seja suspensa, mantendo-se um mínimo para a continuidade do serviço público
qualificado como essencial.
REFERÊNCIA
ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito Administrativo Descomplicado. 16. ed. rev. e atual.
São Paulo: Método, 2008.
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 24. ed. rev. ampl. atual. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2011.
SANTOS, Dennys Carneiro Rocha dos. Contrato administrativo e a aplicação da exceção do contrato não
cumprido. Ensine - Escolas Superiores Integradas do Nordeste / Faesne - Faculdades de Ensino
Superior

do

Nordeste,

[2009?].

Disponível

em:

<http://www.ensinefaculdades.edu.br/gerencia/seguro/modulos/artigos/uploads/artigo_publicacao.pdf>.
Acesso em: 24 maio 2011.
Fonte:
http://jus.com.br/revista/texto/19569/a-excecao-do-contrato-nao-cumprido-e-os-contratosadministrativos

1.2. A ADEQUADA ANÁLISE DE EXEQUIBILIDADE DA PROPOSTA. FATOR FUNDAMENTAL À
EFICÁCIA DAS CONTRATAÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EFETUADAS POR MEIO DE
PREGÃO ELETRÔNICO
Autor: Adriano Maia Ribeiro de Azevedo, Gestor de Finanças da Base Aérea de Natal Especialista em
Direito Administratio e Gestão Pública pela Universidade Potiguar.
Elaborado: Fevereiro de 2011.

Um fator que acaba por tornar ineficazes as contratações é a oferta, por parte dos licitantes, de propostas
inexequíveis, que frustram o intento da Administração e o interesse público.
Resumo: Hodiernamente a administração pública vem utilizando, em um volume cada vez maior, a
modalidade licitatória pregão, em sua forma eletrônica, para a aquisição de bens e serviços comuns.
Apesar das diversas vantagens decorrentes de sua utilização, um fator que acaba por tornar ineficazes as
contratações por esta importante ferramenta de gestão é a oferta, por parte dos licitantes, de propostas
inexequíveis que, em último caso, frustram o intento da Administração e o interesse público. Com vistas à
solução tempestiva de tal problema, o texto, a partir da análise legal, jurisprudencial e doutrinária, elenca
diversos procedimentos a serem adotados pelo pregoeiro, tanto na fase interna quanto na fase externa da
licitação para, assim, alcançar o resultado almejado pelo processo licitatório e satisfazer o interesse
público em questão.
Palavras-Chave: Administração pública. Licitações. Pregão eletrônico. Inexequibilidade.
Abstract: In our times the government has used, in an increasing amount, the bidding modality,

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não consegue adquirir o bem ou serviço. ocasionando também uma maior economicidade. Keywords: Public Administration. a realização de uma ampla pesquisa de preços na formação do ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. Tal análise tem o intento maior de auferir eficácia às contratações da administração pública. como também no que diz respeito à otimização da utilização dos recursos públicos. Electronic bidding. a factor which ultimately renders the hiring ineffective. como também fere o interesse público. observam-se apenas vantagens na adoção de tal modalidade licitatória. com enfoque nos critérios legais. tanto em termos de eficiência processual. Despite several advantages of its use. this paper. 1 INTRODUÇÃO Com o intuito de aprimorar as contratações públicas. from the analysis of the law. for the purchase of common goods and services. com o intuito de solicitar um "reequilíbrio econômicofinanceiro" tão logo a licitação se encerre. as quais demandaram tempo. mais tarde. lists several procedures to be adopted by the crier. o pregão eletrônico. uma maior publicidade e competitividade às contratações efetuadas pela administração pública para a aquisição de bens e serviços comuns. that in the latter case. tomada de preços e concorrência). 09 . consequentemente. torna-se um problema para a Administração que. Biddings.electronic bidding. No presente trabalho discorreremos acerca do poder-dever de que é munido o pregoeiro para efetuar uma análise aprofundada acerca da admissibilidade da proposta ofertada. Tal prática não só prejudica as licitantes responsáveis. Intending the timely solution of this problem. em meio às inovações e mudanças decorrentes da reforma do aparelho do estado. aliada às inovações da tecnologia da informação. Tais fatores exercem influência direta na oferta de preços mais baixos que os ofertados nas demais modalidades (convite. O pregão eletrônico trouxe. sem quaisquer dúvidas. de postura séria. após todas as etapas do processo licitatório. surgiu. porém. in this important management tool. Observaremos que a atenção na realização de alguns procedimentos do processo licitatório. a modalidade de licitação conhecida por pregão e. recursos humanos e materiais. pelo valor ofertado. notamos que vem se tornando corriqueira a prática de os licitantes efetuarem lances irresponsáveis. to achieve the desired result by the bidding process and to satisfy the public interest. jurisprudenciais e doutrinários que dão sustentação a um correto exame de exequibilidade das propostas supostamente inexequíveis. pois tem a intenção de ferir a isonomia do processo aquisitivo e. ao interesse público. Em um primeiro momento. Unenforceability. both in the internal and external phases of the bidding. após uma mais detalhada análise prática e operacional dos processos licitatórios realizados por pregão. muitas vezes inexequíveis. por meio da seleção da proposta mais vantajosa à Administração e. nas condições estabelecidas no edital do certame. is the offer of unenforceable proposals by the bidders. pouco depois. frustrates the intent of the Administration and the public interest. of the jurisprudence and of the doctrine. tais como a descrição correta e detalhada do objeto.

sem burocracia e sempre em busca da qualidade. tem estreita relação com os objetivos propostos para a própria licitação pública. por meio do exercício de suas competências de forma imparcial. a qual estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos. orientador de toda a administração pública e presente no caput do artigo 37 de nossa Lei Maior desde a reforma administrativa implementada pela EC nº 19/98. 09 . de maneira a evitarem-se desperdícios e garantir-se maior rentabilidade social. publicidade e eficiência e. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. legais e doutrinários acerca do processo licitatório e da modalidade pregão. realização de obras. mas. também ao seguinte: [.. compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes. No atual ordenamento jurídico. conforme a seguir exposto: Art. participativa. 2 A LICITAÇÃO. (grifo nosso) Depreende-se do conceito acima que o princípio da eficiência aplicado ao processo licitatório não se traduz apenas em alcançar o menor preço. transparente. da Constituição Federal.] XXI – ressalvados os casos especificados na legislação. 37.. acima de tudo. neutra. nos termos da lei. do Distrito Federal e dos Municípios. (grifo nosso) O princípio da eficiência. mantidas as condições efetivas da proposta. será de fundamental importância para o alcance do objetivo maior supra descrito. faz-se necessário explicitar alguns aspectos históricos. serviços. do Art. foi editada a Lei 8. Antes de adentrarmos na análise do problema em questão. o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. e que em seu artigo 3º explicita o desiderato do processo licitatório: ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. Conforme bem definido por Alexandre de Moraes: Princípio da eficiênciaé o que impõe à administração pública direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum. etc.666/93. serviços. utilizar os recursos de maneira a maximizar a sua rentabilidade social. primando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para melhor utilização possível dos recursos públicos.valor de referência. aliar a economicidade à qualidade do que se pretende adquirir ou contratar. a exigência de licitação decorre de determinação expressa no inciso XXI. A MODALIDADE PREGÃO E SUA FORMA ELETRÔNICA A licitação pública é o processo utilizado por toda a administração pública para efetuar a grande maioria [01] das contratações para a aquisição de bens. ou seja. o estabelecimento de critérios objetivos para a suspeição de inexequibilidade da proposta e a correta análise da exequibilidade. eficaz. dos Estados. com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento. moralidade. Para regulamentar o dispositivo constitucional supramencionado. obedecerá aos princípios de legalidade. as obras. 37. impessoalidade.

com ferramentas que oferecessem um maior dinamismo às atividades desenvolvidas pelo governo. já que licitantes de todo o Brasil podem participar de certames realizados em qualquer ponto do território nacional. da vinculação ao instrumento convocatório.666/93 dispõe acerca de apenas três modalidades de licitação: o convite.Art. o que se reflete em uma variação também crescente da documentação necessária à habilitação das licitantes. a internet. a modalidade licitatória denominada pregão. por intermédio da Lei 9. em 16 de junho de 1997. a ser aplicada exclusivamente no âmbito da Agência Nacional de Telecomunicações. a modalidade pregão é disciplinada pela Lei 10. a qual foi regulamentada para esse propósito pelo Decreto nº 3. da publicidade. e sua forma eletrônica é regulamentada ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n.697. aqui traduzida na expressão "proposta mais vantajosa". Com a evolução na área da tecnologia da informação. o Presidente da República expediu a Medida Provisória nº 2. da igualdade. fica clara a preocupação do legislador com a eficiência do processo seletivo. em 21 de dezembro de 2000. (grifo nosso) Mais uma vez. A segunda metade da década de 90 foi marcada por reformas e inovações administrativas que buscaram romper com o modelo burocrático de gestão da administração pública. da impessoalidade.520/02. mas aquela que alia esse aspecto à capacidade de o fornecedor honrar todos os compromissos e exigências do edital. 09 .472/97. a tomada de preços e a concorrência. Almejava-se um modelo de administração gerencial. de 08 de agosto de 2000. do prazo para a publicidade do certame e dos veículos de comunicação utilizados para esse mesmo fim. A Lei 8. da moralidade. e a possibilidade de o licitante efetuar lances para baixar o preço de sua proposta. cujo enfoque maior seria nos resultados. Três características diferem o pregão das demais modalidades licitatórias: a utilização apenas para a aquisição de bens e serviços comuns habilitação dos licitantes [03] [02] . estendendo a aplicação da nova modalidade à União. Nos dias atuais. 3º A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade. Após a aferição de excelentes resultados com a utilização dessa modalidade pela ANATEL. de 04 de maio de 2000. Tal proposta deve ser entendida não simplesmente como aquela que oferta o menor preço.026.555. principalmente no que tange às comunicações efetuadas no âmbito da rede mundial de computadores. bastando apenas estarem conectados à internet. É nesse contexto que surge. O pregão eletrônico traz como principal vantagem a ampliação da competitividade. da probidade administrativa. Dispostas aqui em ordem crescente de estimativa de dispêndio de recursos para a Administração. o Presidente da República instituiu o pregão eletrônico no âmbito do governo federal por meio do Decreto nº 3. a antecipação do julgamento das propostas em relação à . do julgamento objetivo e dos que lhe são correlatos.

A ausência de adimplemento à prestação conduzirá à resolução do contrato. Neste sentido. gerando. como se segue. possa ser utilizado apenas para licitações do tipo menor preço. defendemos a ideia de que. a inexequibilidade deve ser arcada pelo licitante. que deverá executar a prestação nos exatos termos de sua oferta." (NIEBUHR. comprometendo a imagem do agente administrativo e do ente público encarregado da aquisição. cuja condição sine qua non é a exequibilidade da proposta. especial atenção deve ser dada à fase de aceitabilidade das propostas. a não identificação de tais propostas na fase de aceitabilidade ocasiona danos irreparáveis à eficácia do processo licitatório. porquanto gera ao seu autor mais ônus do que vantagens. 09 . (JUSTEN FILHO. a realização de uma obra ou qualquer outro. O inadimplemento de tal contrato ocasionaria solução de continuidade no fornecimento de itens para confecção da merenda. Desse modo. numa "armadilha" para a Administração: o licitante vence o certame. sem a realização concreta do resultado almejado. um problema social de falta de alimentação. o ente não se depare com um problema processual e operacional do qual poderia ter se esquivado caso houvesse dado especial atenção à fase do processo que ora abordamos. o objetivo de uma licitação é selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração. 2005. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. não obstante o pregão.182) Não há o que se discutir no que diz respeito à aplicação de penalidades aos licitantes que não adimplirem o contrato estabelecido. Tomemos por exemplo uma licitação para a aquisição de gêneros alimentícios a serem entregues no decorrer do ano escolar para fornecimento de merenda aos alunos da rede pública de ensino. p. assim se expressa Marçal Justen Filho: A licitação destina-se – especialmente no caso do pregão – a selecionar a proposta que acarrete o menor desembolso possível para os cofres públicos. fracassa na execução do objeto. e não raro intenta. no entanto.pelo Decreto nº 5. Ou seja. 2009. p. 195). mais do que um problema processual administrativo. a prestação de um serviço. Logo. após o processo. "A proposta inexequível é aquela que não se reveste de condições de ser cumprida. não há que se falar em satisfação do interesse público. assim. Ao ver do autor. Desse modo.450/05. com o sancionamento adequado. para uma maior eficácia do objetivo da contratação pública. há algumas situações em que esse inadimplemento gera situações muito gravosas às atividades de um ente público. a opinião de Carlos Pinto Coelho Motta: A proposta inexeqüível constitui-se. fazse necessário o exame rigoroso das condições de exequibilidade da proposta para que. como se diz. No que tange à inexequibilidade da proposta no pregão. não há sentido em desclassificar proposta sob fundamento de ser muito reduzida. seja ele a aquisição de um produto. 3 A INEXEQUIBILIDADE COMO ÓBICE À EFICÁCIA DO PREGÃO ELETRÔNICO Como já visto anteriormente. presencial ou eletrônico. O resultado que se espera de uma licitação é a execução de seu objeto. Consoante esse posicionamento temos. junto ao órgão contratante. já que uma proposta aparentemente vantajosa e adequada ao interesse público da economicidade pode não ser exequível.

que implicam rescisão de contratos. impõe-se à Administração prejuízo. p..as propostas que não atendam às exigências do ato convocatório da licitação.. amarga desvantagem. que dispõe sobre as normas gerais de licitações e contratos.Plenário. atentando especialmente para a legalidade dos procedimentos a serem abordados. 414) Na mesma linha é também o entendimento de Joel de Menezes Niebhur: Se a proposta for inexeqüível. A desclassificação de propostas em razão de preço tem por objetivo evitar que a administração contrate bens ou serviços por preços excessivos. 10. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. não tece comentários detalhados acerca dos critérios a serem utilizados para a aferição da exequibilidade das propostas.Plenário) Após abordagem detalhada acerca da importância da análise de exequibilidade das propostas vencedoras da fase de lances de um pregão eletrônico e dos principais prejuízos impostos à Administração decorrentes da não detecção de propostas inexequíveis. 195) Análogo é também o posicionamento do Tribunal de Contas da União.] 9. (MOTTA. 4 PROCEDIMENTOS E CRITÉRIOS PARA ADEQUADA ANÁLISE DE EXEQUIBILIDADE A Lei 8. p. obras com problemas estruturais e objetos imprestáveis. 09 .666/93: Art. baseadas nos mais engenhosos motivos. a rigor. (Acórdão TCU 697/2006 . desvantajosos em relação à contratação direta no mercado. reparações e novos procedimentos licitatórios. abordaremos os critérios que devem ser utilizados para a realização de um adequado exame. não há nenhum estabelecimento legal de critérios para realização da análise em pauta. variando desde serviços mal feitos. 2005. 48. (NIEBUHR. Serão desclassificadas: I . além de vantajosas para a administração. sem condições de ser executada. Eis a razão de todos os cuidados legais na delimitação da proposta inexeqüível. entendo que a compreensão deve ser sempre no sentido de que a busca é pela satisfação do interesse público em condições que. Reproduz-se abaixo excerto do voto condutor do Acórdão TCU nº 697/2006 .666/93. 2005. contemplem preços que possam ser suportados pelo contratado sem o comprometimento da regular prestação contratada. No que se refere à inexequibilidade. Vejamos o que dispõe o Art. com exceção das licitações do tipo menor preço para obras e serviços de engenharia. ou inexequíveis/irrisórios. em vez de vantagem.reivindicações de revisão de preços. As conseqüências que advêm da admissão de propostas inexeqüíveis são desastrosas para a Administração. 48 da Lei 8. proferido pelo eminente Ministro Ubiratan Aguiar: [. Conforme abaixo disposto. que comprometam a satisfação do objeto almejado com consequências danosas à administração.

assim considerados aqueles que não venham a ter demonstrada sua viabilidade através de documentação que comprove que os custos dos insumos são coerentes com os de mercado e que os coeficientes de produtividade são compatíveis com a execução do objeto do contrato. o qual não se aplica diretamente nas contratações por meio de pregão eletrônico.520/02. já que.1 FASE INTERNA A fase interna da licitação é o período em que são realizados pela Administração os procedimentos preparatórios à disputa propriamente dita. que disciplina a modalidade pregão. assim como o que deve ser observado para a correta utilização de cada um deles. Para tanto. instrumento convocatório que trará as regras que vincularão a Administração e as empresas licitantes no decorrer do processo licitatório. a legislação é muito vaga. no caso de licitações de menor preço para obras e serviços de engenharia. § 1º Para os efeitos do disposto no inciso II deste artigo consideram-se manifestamente inexeqüíveis. O principal aspecto deste momento é a confecção do edital. abordaremos separadamente os critérios da fase interna e da fase externa do processo licitatório. conforme anteriormente exposto. (grifo nosso) Ressalta-se que os critérios de aceitação das propostas têm de necessariamente ser definidos na fase preparatória. 3º A fase preparatória do pregão observará o seguinte: I . inclusive com fixação dos prazos para fornecimento. Adiante. devendo estes necessariamente estarem definidos de forma objetiva no edital do certame. dando margem para que o pregoeiro estabeleça os critérios. ou b) valor orçado pela administração. as exigências de habilitação. sob pena de frustrar a isonomia do certame em virtude do estabelecimento ulterior de ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. 4. 09 . consoante se depreende do texto do inciso II do artigo supra transcrito. as sanções por inadimplemento e as cláusulas do contrato.II .propostas com valor global superior ao limite estabelecido ou com preços manifestamente inexeqüíveis. Percebe-se que. estudaremos os principais critérios que devem ser utilizados para a concretização do intento do dispositivo legal em estudo. as propostas cujos valores sejam inferiores a 70% (setenta por cento) do menor dos seguintes valores: a) média aritmética dos valores das propostas superiores a 50% (cinqüenta por cento) do valor orçado pela administração. A Lei 10. esta modalidade é utilizada apenas para a contratação de bens e serviços comuns. condições estas necessariamente especificadas no ato convocatório da licitação. os critérios de aceitação das propostas.a autoridade competente justificará a necessidade de contratação e definirá o objeto do certame. traz em seu artigo 3º o disciplinamento da fase interna e assim se pronuncia: Art. com exceção do critério adotado no § 1º. Destarte. atenção especial deve ser dispensada com o intento de munir o edital de critérios objetivos que privilegiem a isonomia e a impessoalidade da disputa.

uma correta análise de aceitabilidade da proposta ofertada. 4. o pregoeiro deve se abster de incluir no instrumento convocatório especificações que por excessivas.450/05 assim dispõe acerca do valor estimado: Art. limitem a competição.1 Descrição correta e detalhada do objeto Apesar de aparentemente ser um aspecto simples e lógico. faz-se necessário que sua apuração seja realizada de maneira a condizer com a realidade.1. será observado o seguinte: I . de modo a ajustar-se aos ganhos de economia de escala no que tange aos custos logísticos envolvidos. deveres do contratado e do ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. irrelevantes ou desnecessárias. suficiente e clara. estratégia de suprimento. inviabilize.2 Ampla pesquisa de preços para correta apuração do valor de referência O valor de mercado é o principal parâmetro para a aferição de uma possível inexequibilidade.critérios subjetivos. em segundo momento. Importante atentar para o aspecto que a pesquisa de preços deverá levar em consideração também a quantidade de itens ou serviços que se pretende contratar. evitando-se descrições genéricas que podem fazer com que a qualidade do mesmo possa variar em uma margem tal que impossibilite a determinação de um valor de mercado e. em decorrência da ausência de parâmetros confiáveis. Desse modo. por excessivas. valor estimado em planilhas de acordo com o preço de mercado. por vezes a Administração se obriga a adquirir produtos e serviços de qualidade inferior à pretendida por não haver descrito de forma correta o objeto da licitação.] § 2º O termo de referência é o documento que deverá conter elementos capazes de propiciar avaliação do custo pela administração diante de orçamento detalhado.1. irrelevantes ou desnecessárias. A seguir..elaboração de termo de referência pelo órgão requisitante. [. Assim. com indicação do objeto de forma precisa. 3º. vedadas especificações que. critério de aceitação do objeto. na forma eletrônica. O Decreto 5. do Art. importante elemento para a eficácia do processo licitatório e satisfação do interesse público é a descrição detalhada do objeto que se pretende contratar. mas que não chegue ao ponto de inviabilizar a disputa. 4. 09 . trataremos de alguns procedimentos que devem ser realizados durante essa fase preparatória com o fim de dotar o instrumento convocatório dos dispositivos necessários a uma correta análise de viabilidade das ofertas na fase externa da licitação. definição dos métodos. limitem ou frustrem a competição ou sua realização. Importante ressaltar que o detalhamento deve conter as especificações técnicas que deem sustentação ao padrão mínimo de qualidade necessário. conforme preceitua o inciso II. Desta monta. da Lei 10. se for o caso.520/02.. cronograma físicofinanceiro. 9º Na fase preparatória do pregão.

Porém.5.00/garrafa). isso não significa necessariamente que a proposta vencedora mostra-se inexeqüível e que os preços ofertados são irrisórios. etc.gov..br. como se pode ver.30/litro).comprasnet.5. prazo de execução e sanções.A que: [. embora o objeto tenha sido adjudicado a um valor 85. não merece prosperar a irregularidade suscitada pela representante atinente à aceitação e habilitação de proposta supostamente inexequível. procedimentos de fiscalização e gerenciamento do contrato. faz-se necessário que a pesquisa seja realizada de forma ampla. à Termoaçu S. os quais podem ser consultados.30/unidade) e resma papel A4 (R$ 30. segue trecho de Acórdão do TCU que exprime a necessidade da mesma com vistas ao subsídio do julgamento das propostas: 1. ante a ausência de parâmetros confiáveis para a verificação da adequabilidade dos preços. por outro lado.1. (grifo nosso) (Acórdão TCU 6349/2009 – Segunda Câmara) Para a confecção da planilha de valores de referência. encontrando-se em patamares superiores aos de mercado. Ocorre que. periodicidade. água 300 ml (R$ 4. por isso. de forma clara.2.contratante.15% menor que o estimado. Assim. caneta marca texto (R$ 8. (grifo nosso) Quanto à necessidade da pesquisa de preços de mercado.50/copo). 09 . 20.] 1. Segue abaixo outro excerto de Acórdão do TCU consoante o discutido neste tópico: ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. A inobservância de tais aspectos pode ocasionar distorções no preço apurado e inviabilizar uma análise correta da exequibilidade da proposta. com pelo menos três fontes distintas. levando em consideração as condições em que a entrega dos bens ou prestação de serviços será realizada.. como bem observou a unidade técnica. realize e deixe demonstrado no processo licitatório pesquisa de preços de mercado para subsidiar o julgamento das propostas. (grifo nosso) (Acórdão TCU 2071/2009 – Primeira Câmara) Importante atentar para o fato de que a mera realização da pesquisa não é garantia de adequação dos valores apurados. no portal de compras do Governo Federal. via internet. uma fonte de pesquisa acessível e adequada são os valores praticados nos registros de preços em vigor com a administração pública. de forma a evidenciar o seguimento ao princípio constitucional da economicidade.5. suco de fruta industrializado (R$ 8. concisa e objetiva. além dos próprios fornecedores. também não há qualquer garantia de que se alcançou a melhor proposta para a administração pública. Segue excerto do voto condutor de Acórdão do TCU que corrobora este entendimento: 19. Determinação: 1.00/unidade).1. por intermédio do sítio www. pelos preços estimados para os seguintes itens: água 500 ml (R$ 6. por exemplo. tais como quantidade. Em verdade. há sim indicativos de que os preços originais de referência foram mal definidos.

imaginemos que a empresa X possui um estoque de feijão acima de sua capacidade de vendas. 8. Por esse motivo é que este tópico trata de critérios objetivos para a suspeição de inexequibilidade. 9º do Decreto 5. das propostas que estariam munidas de provável inexequibilidade. há situações em que o preço é apenas um componente de uma matriz diversificada em um processo de tomada de decisão. pois. por critérios distintos dos presentes no edital. 09 . de forma a evitar a formulação de orçamento em dessintonia com as condições do mercado.. em virtude das inúmeras variáveis que envolvem o mercado. o qual adquiriu em virtude de uma negociação anterior frustrada na qual tinha a expectativa de venda de grande volume. dando oportunidade para que as empresas que tenham ofertado propostas supostamente inexequíveis possam informar a sua ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. Tal procedimento é também determinado pelo TCU. adote medidas para aprimorar o processo de elaboração da estimativa do custo do objeto licitado. a desclassificação sumária de uma proposta iria de encontro aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.450/2005.2. (Acórdão TCU 964/2010 – Primeira Câmara) 4. conforme se pode inferir do excerto de Acórdão abaixo transcrito: 9. não há na legislação corrente a previsão de critérios objetivos para que se rotule de forma imediata uma proposta como inexequível.3 Estabelecimento de critérios objetivos para suspeição de inexequibilidade Conforme já exposto. II da 8. conforme estabelecido no art. por meio dos quais os licitantes que se sentirem prejudicados com uma decisão desta ordem. podem comprovar a condição de exequibilidade da proposta ofertada. e não da inexequibilidade propriamente dita. Para se livrar de tal estoque. com exceção das licitações para a contratação de obras e serviços de engenharia. quaisquer que sejam os critérios adotados.9. (grifo nosso) (Acórdão TCU 2586/2007 – Primeira Câmara) Importante atentar para o fato de que. o estabelecimento de critérios que primem pela isonomia e impessoalidade do processo licitatório.. tomada pela Administração. de 23 de dezembro de 1997.TRT/PE que: [.666/1993 e nos moldes previstos pela IN/Mare n. isso porque. de modo a não haver margem para escolhas subjetivas do agente administrativo. da Lei n. 18.1. 48. 7º. recomendar ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região que: 9.2. Busca-se. Tal entendimento coaduna-se com o estabelecido no inciso II do Art. determinar ao Tribunal Regional do Trabalho da 6a Região . estabeleça critérios objetivos para a aferição de preços inexeqüíveis no instrumento convocatório. nas licitações para a contratação de serviços.666/1993 e no art.2.] 9. observando o disposto no art.2. Por esse motivo é que a análise da inexequibilidade deve ser feita caso a caso.2. oferta o produto à metade do valor de mercado visando a um prejuízo menor que o perecimento do mesmo em seu depósito.1. Por exemplo. inciso II. 48. Em verdade. § 2º. que estabelece que as condições de aferição da viabilidade devem necessariamente estar especificadas no ato convocatório da licitação. deve-se dar a oportunidade à empresa licitante para que ela possa comprovar a exequibilidade de sua proposta.

o qual deverá ser estabelecido no edital.666/93. Daí a grande importância da ampla pesquisa de preços para a aferição do valor estimado da contratação. para a aquisição de gêneros alimentícios: 9. abaixo transcrito: Art. Um bom critério a ser utilizado é a variação percentual relativa ao valor estimado fruto da pesquisa de preços.666/93. a planilha de composição de custos e formação de preços. o nome da repartição interessada e de seu setor.. da Lei 8. (grifo nosso) O entendimento jurisprudencial do Tribunal de Contas da União é que essa vedação à utilização de ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. Em caso de não cumprimento do prazo supramencionado a proposta será desclassificada. e indicará. Vejamos critério adotado no pregão eletrônico 050/2010. contudo.450/05.520/02 e no Art. a qual pode ser superada em decorrência da demonstração de viabilidade da proposta pela licitante decorrente dos dados inseridos na planilha de custos e formação de preços e de outros fatores que concorram para tal. 48. o local. do Art. (grifo nosso) Percebe-se que no caso em tela foi utilizada como faixa de suspeição de inexequibilidade os valores que não ultrapassaram 70% do valor estimado para a contratação. 48 da Lei 8. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual. conforme ANEXO II. exprimindo apenas uma presunção relativa de inexequibilidade. critérios estatísticos ou faixas de variação em relação a preços de referência.planilha de custos e formação de preços. ou ainda relatar outros fatores que tenham influência na definição da proposta ofertada.] X – o critério de aceitabilidade dos preços unitário e global. o qual deverá fazer parte do termo de referência do pregão eletrônico. e uma amostra do produto cotado (na quantidade mínima que atenda a todas as exigências do edital). o regime de execução e o tipo da licitação. conforme estabelece o inciso X. em até 72 (setenta e duas) horas do final da fase de lances. no inciso XI do Art. para análise da viabilidade das propostas cujos lances finais sejam de valor inferior a 70% (setenta por cento) do valor de referência. Mas quais seriam as propostas supostamente inexequíveis? Conforme comentamos no tópico anterior. 25 do Decreto 5. juntamente com a documentação que será exigida para a comprovação da exequibilidade das propostas que ingressarem na faixa de suspeição de inexequibilidade. fins de verificação pelo pregoeiro da exeqüibilidade da proposta apresentada e da conformidade das especificações do item cotado com as requeridas no certame. conforme o caso.3. dia e hora para recebimento da documentação e proposta. Importante salientar que o estabelecimento de preço mínimo em uma licitação. a licitante deverá apresentar. 40. ressalvado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. o principal parâmetro utilizado para a análise de exequibilidade é o valor de mercado. a modalidade. e vedados a fixação de preços mínimos. permitida a fixação de preços máximos. 09 .. assim como a fixação de uma faixa de variação em relação ao preço de referência são vedados.Consoante disposto no inciso II do Art. bem como para o início da abertura dos envelopes. 40. o seguinte: [. obrigatoriamente. de modo semelhante ao estabelecido para as licitações de obras e serviços de engenharia. a menção de que será regida por esta Lei. 4º da Lei 10. da Base Aérea de Natal.2.

para demonstrar a viabilidade da proposta ofertada.] ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. uma vez que constitui mais um instrumento para verificação da exequibilidade do preço. da Lei n° 8. da Lei 9. Os atos administrativos deverão ser motivados. Como visto. atendendo satisfatoriamente o interesse da administração. 48. (grifo nosso) (Acórdão TCU 964/2010 – Primeira Câmara) Portanto.666/1993.784/99. pelo pregoeiro. inciso II.. mas. esse dispositivo conduz a uma presunção relativa de inexequibilidade de preços. conforme se infere do excerto do voto condutor do Acórdão TCU 964/2010. para definir quais seriam consideradas inexequíveis. em que se discutia a possibilidade de a Administração valer-se dos critérios do art. com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos.666/1993 em certame destinado à contratação de empresa especializada na prestação de serviços de apoio. ou seja.] no contexto da definição de critério para aferir inexequibilidade de preço. esta Corte deliberou pela validade de utilização geral dos mencionados critérios. no momento de análise de viabilidade das propostas. 09 . rigorosa análise deve ser procedida pelo pregoeiro de modo a subsidiar-se de dados e informações para fundamentação de sua decisão. do Art. julgo que não há prejuízo à transparência e à lisura do certame valer-se dessa fórmula definida no art. 50. não há problema em se definir critérios estatísticos para a presunção relativa de inexequibilidade. qualquer decisão no sentido de limitar direitos. O que fere a transparência e a lisura do certame é impossibilitar a licitante de comprovar a exequibilidade do valor ofertado.] 15. Após a entrega da documentação exigida no edital. caso em que se enquadra a desclassificação de proposta em um processo licitatório. Isso porque sempre haverá a possibilidade de o licitante comprovar sua capacidade de bem executar os preços propostos. acessórios e complementares em atividades de Administração. e reafirmou que desses parâmetros não decorre a formulação de um juízo de presunção absoluta de inexequibilidade.critérios estatísticos e preços mínimos em relação ao preço de referência é relativa à utilização desses critérios para a desclassificação sumária da proposta. o qual faz referência a trecho do Acórdão 697/2006 daquele tribunal. da Lei nº 8. § 1º. assim como a Administração adotar critérios subjetivos. que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal: Art. com o objetivo de atender as necessidades de desempenho das atribuições do Ministério das Cidades: "11. Contudo. no caso em pauta. de presunção relativa. a juízo da administração.. limitem ou afetem direitos ou interesses.. Segue transcrição dos inciso I e III. assim como outras julgadas cabíveis pela licitante. como parâmetro para presunção relativa da inexequibilidade tal critério pode ser utilizado.. antes. Lembra-se aqui que. 48. ainda que para outras contratações de menor preço que não as relativas a serviços e obras de engenharia. § 1°. [." [.. quando: I – neguem. deve ser motivada pelo agente administrativo. 50.. Recursos Humanos e Recursos Financeiros. como forma de presunção absoluta de inexequibilidade. Na verdade. [. elidida pelo licitante ou pela própria administração.

fundamente a inexequibilidade das propostas de preços pelas quais venham a ser desclassificadas com base em parâmetros objetivos de julgamento. da suficiência do valor ofertado para cobertura dos custos relativos ao fornecimento do objeto.1. Ainda que haja quem defenda que seja procedida uma análise prévia na fase de julgamento das propostas. o licitante não ser obrigado a emitir lance inferior ao primeiro colocado. É nessa fase. possibilitando-o. da Lei 10. inciso II. (grifo nosso) (Acórdão TCU 5540/2009 – Primeira Câmara) 4. julgamos ser mais adequada a realização de tal procedimento apenas na fase de aceitabilidade das propostas. 09 .5. Ao tempo em que a dissociação entre o valor oferecido e o constante do orçamento produz presunção ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. portanto. 44 e 48. caberá à licitante comprovar a exequibilidade de sua proposta. Segue excerto de Acórdão do TCU que corrobora tal entendimento. ao perceber proposta manifestamente inexequível classificada em primeiro lugar. 4º. nos termos dos arts. ao passo que a não comprovação.2 FASE EXTERNA A fase externa do pregão se inicia com a publicação edital. a vencedora era desclassificada.1. 8. antes da fase de lances. Tal possibilidade corrigiu distorção do pregão presencial. no pregão eletrônico. Defendemos tal posicionamento em virtude de. em que o lance ofertado deveria ser necessariamente inferior ao anterior e empresas agiam conjuntamente para burlar a disputa.III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública. Determinações: 1. da Lei n. de modo que uma delas emitia lance inexequível para que as demais não mais efetuassem lances e. por planilha de custos e/ou outros demonstrativos cabíveis. ao Comando da 8ª Região Militar e 8ª Divisão de Exército que. a qual detinha preço superior ao que deveria ser alcançado caso a fase de lances tivesse continuado normalmente. implica na desclassificação da proposta por inexequibilidade da mesma. incisos X e XI. em que são postos em prática todos os procedimentos anteriormente delineados.666/1993. Especial atenção deve ser dada ao momento de realização da análise da exequibilidade. de modo a oferecer maior celeridade e economia processual. Outro ponto de destaque nessa fase é a utilização das ferramentas e critérios adotados na fase interna para a inversão do ônus da prova de exequibilidade. na fase de habilitação. e no art. passando o item à empresa classificada em segundo lugar. continuar a disputa pela segunda colocação.520/2002. sem que haja prejuízo no preço auferido pela Administração.1. A partir do enquadramento da proposta na faixa de presunção relativa de inexequibilidade delimitada no edital. momento em que as licitantes têm o primeiro contato com as regras do processo licitatório. em futuros procedimentos licitatórios: 1. 15. O excerto do Acórdão do TCU abaixo transcrito corrobora a necessidade de motivação na situação acima tratada: 1.5.5.

Para tanto.100/2008-Plenário. coaduna-se fielmente com o interesse público almejado.705/2008Plenário e 1. busca-se a comprovação da exequibilidade da proposta ofertada. objetivamente. vimos que importante ferramenta a ser utilizada já no início do processo licitatório é a descrição correta e detalhada do objeto. o que. ou seja. 141/2008-Plenário. Essencial é também a delimitação. invertendo-se o ônus da prova para a licitante.relativa de inexequibilidade. por meio do estabelecimento de uma faixa de suspeição de inexequibilidade. obriga a Administração a exigir comprovação. a comprovação da exequibilidade de sua oferta. já que será o principal parâmetro na aferição da exequibilidade das mesmas. No pregão. se o lance vencedor do pregão apresentar-se como significativamente mais reduzido do que o valor orçado. (grifo nosso) (Acórdão TCU 1092/2010 – Segunda Câmara) 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do abordado. 09 . 17. caberá ao pregoeiro exigir do licitante. verificar quais propostas têm uma maior probabilidade de serem inexequíveis. a comprovação da exequibilidade da oferta deve ser feita documentalmente.079/2009-2ª Câmara. Outro aspecto de extrema importância é a realização de ampla pesquisa de preços para a correta apuração do valor de referência do objeto (bem ou serviço) que se pretende adquirir ou contratar. certamente macularia o princípio da isonomia. de modo a delimitar o padrão de qualidade mínimo necessário ao bem ou à prestação de serviços. 1. 16. dos critérios que possibilitem. Tal procedimento visa a excluir a possibilidade de o pregoeiro estabelecer critérios subjetivos no decorrer do processo. pois proporciona ao pregoeiro uma maior segurança na seleção da proposta detentora de maior vantagem à administração pública. inviabilizar a possibilidade de concorrência. por meio de planilhas de custos e demonstrativos que evidenciem que o valor ofertado é suficiente para cobrir as despesas de execução dos serviços. percebemos que uma correta e adequada análise da exequibilidade das propostas em um pregão eletrônico é de fundamental importância para o alcance da eficácia da contratação. 18. Assim. Destaco que o entendimento acima coaduna-se com a jurisprudência consolidada desta Corte de Contas no sentido de que não cabe à Comissão de Licitação ou ao Pregoeiro declarar a inexequibilidade da proposta da licitante. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. a qual deverá ser realizada por meio do preenchimento de planilhas de custos e da apresentação de outros documentos que comprovem a viabilidade da oferta. destaca-se. sem. por parte do licitante. 2. contudo.616/2008-Plenário. independentemente da intenção do agente administrativo. devendo facultar aos participantes do certame a possibilidade de comprovarem a exequibilidade de suas ofertas (ex vi dos Acórdãos nº 2. da viabilidade da execução do objeto nas condições por ele ofertadas. 1. 559/2009-1ª Câmara. além de guardar consonância com o princípio da economicidade. no instrumento convocatório. 1679/2008-Plenário.093/2009-Plenário. aquela que. A adequação do valor apurado com o valor praticado no mercado é fundamental para que se possa subsidiar o julgamento das propostas. antes do encerramento da etapa de competição. A partir daí. dentre outros).

__________. __________. Lei 10. Edital do Pregão Eletrônico para Registro de Preços 50/BANT/2010. Natal-RN. __________. Tribunal de Contas da União. __________. e diminuem consideravelmente os problemas enfrentados pela administração pública em decorrência da oferta de propostas inexequíveis em pregões eletrônicos. 28 de agosto de 2007.666/93. 10 de maio de 2006. Tribunal de Contas da União. Medida Provisória 2. Acórdão TCU 5540/2009 – Primeira Câmara. Brasília-DF. 05 de maio de 2009.789/99. Base Aérea de Natal. Publicada no Diário Oficial da União em 17 de julho de 1997. __________. Publicada no Diário Oficial da União em 24 de fevereiro de 1999. Acórdão TCU 2586/2007 – Primeira Câmara. a munir o processo licitatório de mecanismos que garantam a isonomia e a eficiência. Publicada no Diário Oficial da União em 05 de maio de 2000. Constituição (1988). __________. Comando da Aeronáutica. Constituição da República Federativa do Brasil. __________.026/2000. de modo a oferecer à Administração e consequentemente à sociedade como um todo.Como observado. Brasília-DF. Relator: ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. 26 de outubro de 2010. __________. prioritariamente. primados da administração pública essenciais a uma gestão proba e profícua. Publicado no Diário Oficial da União em 22 de dezembro de 2000. produtos e serviços que prezem pela economicidade. Decreto 3. Tribunal de Contas da União. __________. Brasília-DF. Promulgada em 05 de outubro de 1988. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei 9.472/97. Publicada no Diário Oficial da União em 18 de julho de 2002 e retificado em 30 de julho de 2002. Publicada no Diário Oficial da União em 22 de junho de 1993. tais procedimentos encontram respaldo legal. Relator: Ministro Marcos Bemquerer.555/00.450/05. Tribunal de Contas da União. Publicado no Diário Oficial da União em 1º de junho de 2005.697/00. Acórdão TCU 697/2006 – Plenário. Relator: Ministro Ubiratan Aguiar. __________. __________. Decreto 3. __________. Lei 9. Ministério da Defesa. Decreto 5. Publicado no Diário Oficial da União em 09 de agosto de 2000. 09 . mas que detenham também os caracteres qualitativos necessários à satisfação do interesse público em sua plenitude. Importante destacar que as ações aqui propostas visam. doutrinário e jurisprudencial.520/02. Lei 8. __________. Relator: Ministro Augusto Nardes. Acórdão TCU 2071/2009 – Primeira Câmara.

2. JUSTEN FILHO. Comentários à Lei de Licitações e Contratos administrativos. Fonte: http://jus. __________. Comentários à Legislação do Pregão Comum e Eletrônico. 2008. aqueles cujo padrão de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital. MOTTA. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Maria Sylvia Zanella. 24 de novembro de 2009. Direito Administrativo. Acórdão TCU 6349/2009 – Segunda Câmara. Brasília-DF. DI PIETRO. 2005. para o desenvolvimento de pesquisa e estudos junto aos contratos de concessão ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. 2010. 2010.520. por meio de especificações usuais de mercado. Tribunal de Contas da União. desde 2006. 29 de setembro de 2009. Manual de Direito Administrativo. Brasília-DF. __________. da Lei 10. a abertura dos envelopes contendo as propostas só é realizada após habilitação das licitantes. consideram-se bens e serviços comuns.3. 3. __________.br/revista/texto/19200/a-adequada-analise-de-exequibilidade-da-proposta 1. 11ª Ed. Nas demais modalidades licitatórias previstas na Lei 8. 5ª Ed. 3ª Ed. Apesar de a regra ser a realização da licitação. 02 de março de 2010. Acórdão TCU 1092/2010 – Segunda Câmara. Relator: Ministro Benjamin Zymler. do artigo 1º. 16 de março de 2010.666. São Paulo: Atlas.Ministro Marcos Bemquerer. São Paulo: Dialética.Universidade Positivo em 2003. Conforme disposto no parágrafo único. Tribunal de Contas da União. Tribunal de Contas da União. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná em dezembro de 2002. Relator: Ministro Weder de Oliveira. Carlos Pinto Coelho. José dos Santos.666/93) para a dispensa (Art. Joel de Menezes. Marçal. CARVALHO FILHO. 25) do processo licitatório. 14ª Ed. __________. 23ª Ed. O EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO DE CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO Autor: Gustavo Pedron da Silveira. Contratado. São Paulo: Dialética. 24) ou a inexigibilidade (Art. Pós-graduado em DIREITO SOCIETÁRIO pela UP . 23ª Ed. Belo Horizonte: Del Rey. há situações em que há previsibilidade legal (Lei 8. Relator: Ministro André Luís de Carvalho. Curitiba: Zênite. Brasília-DF. 2009. Eficácia nas Licitações e Contratos.com. Pregão Presencial e Eletrônico. 2010. NIEBUHR. Notas 1. Brasília-DF. 09 . Acórdão TCU 964/2010 – Primeira Câmara.

Deve-se restaurar a situação originária. objetiva um lucro. e. o direito ao equilibro encontra respaldo na Lei nº 8. Pós-graduando em DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSO TRIBUTÁRIO pela UP . de 13 de fevereiro de 1995. concessão de serviço público é a delegação de sua prestação. de molde que o particular não arque com encargos mais onerosos e perceba a remuneração originária prevista.dentre outros dispositivos legais. compreende a regra da manutenção da equação econômico-financeira originalmente estabelecida. O objeto do presente estudo é a discussão do equilíbrio econômico-financeiro nos contratos de concessão de serviços públicos. que o regime jurídico dos contratos da Administração. Tem previsão na Lei de Licitações e Contratos Administrativos.987. nos valemos das palavras da doutrina: Segundo Carlos Ari Sundfeld [02] : "Pode-se afirmar. 37. de acordo com a equivalência estipulada pelas partes no contrato. no brasil. por parte da Administração. à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho. feita pelo poder concedente.987/95 .666/93. que decorrem dos interesses contrapostos da Administração e do Particular. mediante licitação. cabendo ao contratado o direito a uma remuneração sempre compatível com aquela equação. de fatos imprevisíveis ou da oscilação dos preços da economia. o equilíbrio econômico-financeiro é deveras importante diante do fato que estes contratos . Elaborado: Fevereiro de 2011 Nos termos da Lei nº 8. quanto às Concessões Públicas. por sua conta e risco e por prazo determinado." O direito à manutenção das cláusulas econômicas e financeiras tem raiz constitucional. na modalidade de concorrência. típicos dos contratos administrativos . então. XXI [04] da Carta Magna. com a parcialidade ou a totalidade do financiamento obtido perante instituições que ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. destina-se ao atendimento das necessidades públicas. 09 .normalmente utilizados para empreendimentos que demandam investimentos de grande monta.Universidade Positivo em 2010. no art. No caso das concessões públicas. e a Administração o dever de rever o preço quando em decorrência de ato estatal (produzido ou não a vista da relação contratual). ele não mais permita a retribuição da prestação assumida pela particular. mas." Já para Marçal Justen Filho [03] : "Significa que a Administração tem o dever de ampliar a remuneração devida ao particular proporcionalmente à majoração dos encargos verificada.e ações judiciais do Programa de Concessão Rodoviária do Paraná. Lei n° 8. por parte do contratado.assim conceituado nas palavras de Hely Lopes Meirelles [01] : "O contrato administrativo. através da remuneração consubstanciada nas cláusulas econômicas e financeiras" Para elucidar o que seja equilíbrio econômico-financeiro do contrato administrativo.

37. o direito a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão é a garantia do particular que contrapõe o direito da Administração de alterar unilateralmente o contrato administrativo. 3º e 4º do mesmo artigo. que veicula regras gerais sobre licitação e contratos. é denominado 'equilíbrio econômico-financeiro do contrato administrativo'. Deveras o art. 38/143-4. 5º. no art.) obras. ao estabelecerem. no art. §§ 1º e 2º.1995. verbis: "6. Desde logo..1993. XI e XIV. II. 58. com os decorrentes reajustes e revisões. A legislação brasileira. . § 1º. proclama a intangibilidade do equilíbrio econômicofinanceiro original do contrato. A nível infraconstitucional. Lei 8.. e 65.. o equilíbrio econômico-financeiro também se encontra enfatizado pelo direito positivo. § 1º. após a apresentação da proposta. Dado que as partes se obrigarão em face daquelas condições efetivas. mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes. que a Lei de Concessões. v. estabeleceu uma correspondência entre as obrigações de pagamento e as condições efetivas da proposta.987. O versículo em apreço. que: 'Ressalvados os impostos sobre a renda. a Lei 8. uma vez que presidiram a oferta e se substanciaram em sua real compostura. os pagamentos devidos ao contratado haverão de correlacionar-se às bases do negócio. § 7º. de 21.2. respectivamente. dependem da correta manutenção deste equilíbrio para a total segurança da financiabilidade do projeto de concessão. dessarte. no art. Basta referir as disposições que se estampam no art. assim como em seu § 5º. o poder concedente deverá restabelecê-lo. d. Principalmente. o que equivale a dizer que terão que ser reequilibrados se houver supervenientes desconcertos. com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento mantidas as condições efetivas da proposta (. Assim. É certo. a fim de manter-se o equilíbrio econômico e financeiro'. 40. XXI.. consagra sua incolumidade em numerosas passagens.exigem garantias provenientes das receitas (tarifas públicas cobradas dos usuários) -.6. Veja-se a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello. tais pagamentos. a começar da Constituição. serviços. Com efeito. O mesmo intuito de preservação do equilíbrio estipulado de início reaparece estampadamente nos §§ 2º. também encarece a proteção a equação econômico-financeira e exige-lhe a persistência ao longo da relação instaurada. compras e alienações serão contratados. de 13. c. como consta de sua dicção. É. que: 'Os contratos poderão estabelecer mecanismos de revisão das tarifas. in Revista Trimestral de Direito Público. da Lei Magna dispõe que '(. 57.666. para atenderem à previsão constitucional. além disto. implicará a revisão da tarifa para mais ou para menos. 7º. 7. alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais. a criação. seu art. 9º estatui que a tarifa do serviço concedido 'será preservada pelas regras de revisão'. no próprio texto constitucional que se assenta o resguardo daquilo que. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. necessitam resguardar a correlação estratificada sobre as condições efetivas em vista das quais se assentaram as partes.)'. em direito administrativo. quando comprovado seu impacto. no art. 09 . conforme o caso' e que: 'Em havendo alteração unilateral do contrato que afete o seu inicial equilíbrio econômico-financeiro.

decorre da subsunção do pedido à qualificação do fato superveniente. O desequilíbrio é sempre econômico-financeiro. O art. que a legislação de concessão de serviços públicos. 65 da Lei de Licitações) e mediante o afastamento de excludentes previstas contratualmente. pois. não basta que ocorra o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. inobjetavelmente. os critérios e as normas gerais da legislação própria sobre licitações e contratos e conterá. Em outras palavras: é necessário que o desequilíbrio seja qualificado pelo ordenamento jurídico. 23. como o declara seu art. mas não suficiente para caracterizar o desequilíbrio jurídico. mas pode decorrer do risco do negócio. imprevisível e agravador da condição do particular de forma retardadora ou impeditiva da execução do ajustado (aliena "d". O desequilíbrio econômico-financeiro é condição necessária. inclui as relativas. especialmente: (. 18 ." ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. 18 da mesma lei dispõe que: 'O edital de licitação será elaborado pelo poder concedente. tanto como a de contratos administrativos em geral. do art. É necessário que ele resulte de um desses três fatos.concomitantemente à alteração'. no que couber." Por tudo isto o tema é constante nas demandas envolvendo os contratos administrativos e se tornam mais complexos na discussão de contrato de concessão de serviço público. Tudo isto está a revelar. entre as cláusulas categorizadas como essenciais ao contrato de concessão. hipótese em que a concessionária não tem direito à revisão contratual. quanto dos reajustes. 124 da referida lei). O autor Antônio Carlos Cintra do Amaral.. para restabelecer a equação econômico-financeira inicial. tanto pelo instituto da revisão. II. assim discorreu sobre as premissas para o pedido de reequilibro da equação econômico-financeira dos contratos de concessão: "Assim.e os princípios gerais destes se aplicam às licitações para concessão de serviços públicos. 09 .666/93 se aplica às concessões de serviço público (conforme texto expresso do art. Premissas para o pedido de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro: A Lei n° 8. a decidida orientação legislativa de assegurar o equilíbrio econômico-financeiro do contrato administrativo.666/93 [05] . 1. A imposição da revisão dos contratos. diante da grande engenharia econômico-financeira envolvidas nesses tipos contratuais.) VIII . em seu inciso IV. observados. em artigo científico que tratou do tema "O REEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DOS CONTRATOS DE CONCESSÃO DE RODOVIAS" [06] .os critérios de reajuste e revisão das tarifas'. É inquestionável. 'ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas'. O art. conforme prescreve o art.consagram insistentemente a garantia do equilíbrio econômico-financeiro. Ele pode existir sem que daí decorra um dever do contratante de recompor a equação inicial do contrato. 65 da Lei nº 8.. e um correspondente direito do contratado a essa recomposição.

se sujeite a certa álea. integralmente bem-sucedido. Ed. Por isto que a construção doutrinária se dirige no sentido de que o particular deve suportar a álea ordinária de sua atividade. ART. uma proteção total que lhe dá o concedente contra qualquer espécie de insucesso econômico ou diminuição de suas perspectivas de lucro. no caso de fontes alternativas de receita.o preço do petróleo e de seus derivados subiu vertiginosamente. 2º da Lei nº 8.666/93 ("Regulamenta o art. uma vez que o concessionário exerce um serviço estatal. na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis.. p. a certo risco. e efetivamente não previu. lembra o seguinte acerca do risco do empreendimento pelo particular concessionário: "Cumpre esclarecer que a garantia econômica do concessionário na concessão de serviço público não é.) Os riscos que o concessionário deve suportar sozinho abrangem. Malheiros. ser. in Curso de Direito Administrativo. 65 da Lei 8. Assim. da Constituição Federal. 1. A regra geral é de que a concessionária do serviço público tem ciência dos riscos envolvidos no desenvolvimento do seu projeto e verificou a capacidade de gerir estes riscos. objetivando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato. Com efeito. ineficiência ou imperícia. 09 . nos termos da lei. DA LEI DE LICITAÇÕES. II. bem como. nos seguintes casos: II . por outro lado.Nos termos da legislação aplicável.art. LICITAÇÃO.ADMINISTRATIVO." Neste mesmo sentido cita-se a jurisprudência: DTZ4817571 . Dispõe o art. "d". O jurista Celso Antônio Bandeira de Melo. Pode. os que advenham de uma frustrada expectativa no que concerne aos proveitos extraíveis de tais negócios.por acordo das partes: d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da Administração para a justa remuneração da obra.no mês seguinte ao da apresentação da proposta para a concorrência pública . além dos prejuízos que lhe resultem por atuar canhestramente. com as devidas justificativas. e que a variação representou quebra do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. 37. como outro empreendedor. risco e perigos. é natural que. contudo. ou previsíveis porém de conseqüências incalculáveis. REVISÃO CONTRATUAL. A autora alega que. 65.. 15ª edição. à moda de qualquer empreendimento comercial ou industrial. retardadores ou impeditivos da ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. 65.. portanto. serviço. ensejador da revisão tarifária. 676 e 680. inciso XXI. coisa que não podia prever. (. que deve formular a proposta considerando todos os fatos conhecidos e previsíveis . aqueloutros derivados de eventual estimativa inexata quanto à captação ou manutenção da clientela de possíveis usuários. A autora não tem razão. ou fornecimento. EFEITOS. institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências"): Art. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados. a partir de agosto de 2002 . a concessão é um serviço por conta e risco do particular. cabe ao particular provar a existência do fato que se qualifica como superveniente. imprevisível e agravador da sua situação.987/95 [07] . . parcialmente bem-sucedido ou mal sucedido em suas expectativas legítimas de sucesso econômico. mas por sua conta..

Sabia da variação quando assinou o contrato. extraordinárias. e nada tem de imprevisível. o preço do petróleo poderia cair (como hoje de fato está em baixa). "dificultando sobremaneira sua execução. são relevantes os argumentos da ré na contestação: "(. devem ultrapassar a normalidade. Ainda assim. No caso concreto. como contrapartida. porém condizentes com os praticados no mercado e. 09 . como bem argumentou a ré na resposta. 225).execução do ajustado. causando um desequilíbrio muito grande no contrato (cf. Nesse ponto. não pode a autora buscar o reequilíbrio (. p. aquiescendo em executá-lo também nos moldes propostos (como efetuado). Maria Sylvia Di Pietro. assinou o contrato administrativo em 27 de novembro do mesmo ano. A autora relata que a elevação do valor dos derivados do petróleo teve início em agosto de 2002. não se verificaram na espécie os pressupostos da teoria da imprevisão. ser excepcionais. daí o aumento do custo da contratada para executar os serviços. a sucessão de fatos no tempo e a prova documental dos autos são suficientes para demonstrá-lo.. Estava. II.. supondo que o preço do petróleo (e derivados) permaneceria estável. além de serem supervenientes à celebração do contrato... porém mal calculado. d. Não é lícito à contratada (autora) transferir o risco do contrato. O contrato... portanto.666/93. estar-se-ia beneficiando a autora em detrimento das demais licitantes que. o que acabou acontecendo. ciente da variação dos insumos que seriam aplicados na execução da obra contratada. Quanto à teoria da imprevisão invocada pela autora (cf. Já o risco da Administração era contratar por preço maior do que o preço que poderia ser obtido na data da execução da obra. não logrando vencer o certame por tal motivo" (fl. Arriscou na formulação da proposta com intuito de vencer a concorrência. segundo Odete Medauar. apresentaram propostas com valores superiores aos daquela. O risco da licitante-contratada era estimar uma proposta fundada em preço abaixo do mercado ou no limite do preço de custo real e. Ora. pois a teoria da ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. é desnecessário provar que a empresa conhecia esses fatos. Deveria. o artigo 65. ou circunstância imprevisível. como mencionou a autora na réplica. no caso dos autos não há sequer falar na imprevisão contratual. sim. Sob ótica diversa. Tais circunstâncias imprevistas. agindo acauteladamente. trazendo déficit ao contratado". meses depois da data que indica como marco para o "desequilíbrio" do mercado. Por outro lado. Direito administrativo. Não se aplica à espécie. em caso de força maior. talvez por terem incluído nessas uma margem de segurança para fazer frente aos fatos alegados pela autora. A teoria. para a contratante (ré). d. II. A projeção revelou-se incorreta. Atlas.).. ensejando a sua nulidade acaso a INFRAERO assim o procedesse (. foi uma projeção totalmente equivocada da autora. não socorre a requerente. 2004. portanto.. art. se vêm a modificar profundamente sua economia. 264). p. Revista dos Tribunais. terminaram por não apresentar proposta em valor mais atraente.) quando os fatos (. tem o contratado (o particular) o direito de rever suas condições. não houve surpresa. procurar apurar responsabilidades pelo equívoco. da Lei 8.) se optou em firmar o contrato (ato jurídico perfeito) revalidando a sua proposta comercial. continha certa dose de risco: a fluidez do preço do petróleo é notória. Finalmente.). significa o seguinte: circunstâncias que não poderiam ser previstas no momento da celebração do contrato. depararse com preço maior no momento da execução da obra. e teve sucesso. ou ainda. a fim de preservar a continuação do contrato e o equilíbrio econômicofinanceiro da avença (Direito administrativo moderno. o acolhimento do pleito da autora acarretaria alteração na ordem de classificação das propostas da licitação. 65. o que resultaria em incremento financeiro para a licitante.. por sua própria natureza. 2007. o que não ocorre na situação concreta." Realmente.. Caso tal revisão fosse permitida. já conhecido. ou fato extraordinário capaz de alterar a base objetiva do contrato. da Lei de Licitações).) já se faziam presentes em anterioridade ao próprio pacto (. 262). para superar as dificuldades. configurando álea econômica extraordinária e extracontratual. O que houve. caso fortuito ou fato do príncipe.

DJ 02. a aplicação da teoria da imprevisão.. 60/774.) (TRF4ª R. dos autos. evitando que este interfira diretamente nos contrato s celebrados. para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. pela sua. a álea extraordinária é integrada por eventos de ocorrência possível. em todas as oportunidades em que se manifestou sobre a tormentosa questão. ao votar no RE n. Todos os autores acima referidos admitem sob os mais variados fundamentos doutrinários.2010) Estas são as premissas e os requisitos a serem preenchidos pelo particular. contudo. pois se o futuro trouxesse um agravamento excessivo da prestação de uma das partes. se ocorreu alteração profunda inteiramente imprevisível das circunstâncias existentes ao tempo da celebração do negócio. 1. mas improvável. é de todo estranho aos princípios de justiça a aplicação da teoria da imprevisão. elaborada pelos pós-glosadores. por isso. os quais nunca ocorreriam por sua própria definição. que deve ser aplicada com cautela pelo magistrado. e a elas não imputáveis. imprevistos e imprevisíveis pelas partes. A distinção entre ordinariedade e extraordinariedade do risco reside na plausibilidade da verificação futura de um certo evento.. estabelecendo profunda desproporção com a prestação da outra parte. 96/667. integraria a álea ordinária. Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz . (. 66/561. que esposa a idéia de que todos os contrato s dependentes de prestações futuras incluíam cláusula tácita de resolução.Pagamento total prévio. Logo." (in RTJ 68/95. 57/44. Portanto.. Neste sentido a doutrina de Marçal Justen Filho: "Mas se deve admitir que a distinção entre ordinariedade e extraordinariedade se relaciona com a previsibilidade e a probabilidade da ocorrência dos eventos.Rel. 100/140. substituindo a vontade das partes. somente totalmente a a álea equação econômica econômica extraordinária estabelecida e pelos contraentes justifica a revisão do contrato com base na cláusula rebus sic stantibus. com reflete o aresto relatado pelo eminente e saudoso Ministro ALIOMAR BALEEIRO. .443-RJ. 51/187. 109/153. seria injusto manter-se a convenção. Tal idéia se inspirava num princípio de eqüidade. 61/682. Fórmula dessa ordem tornaria inútil a distinção entre álea ordinária e extraordinária: todo evento possível seria previsível e. No mesmo sentido RTJ: 35/597. a plausibilidade é uma avaliação relativa. No caso concreto. livremente pactuada. . refletindo sobre a economia ou a execução do contrato . que não se verificam no caso extracontratual.. 71. integrariam a álea extraordinária apenas os eventos impossíveis. Outro não é o entendimento adotado pela jurisprudência uniforme da Suprema Corte. verbis: "Rebus sic stantibus . Ora. É evidente que não se pode estabelecer como critério diferencial a mera possibilidade do evento. 110/328 e 117/323). 09 . A cláusula rebus sic stantibus tem sido admitida como implícita somente em contrato s com pagamentos periódicos sucessivos de ambas as partes ao longo de prazo dilatado.AC 200871000116820 . mas apenas em circunstâncias excepcionais. 55/92. que ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n..imprevisão consiste no reconhecimento de que eventos novos. 63/ 551. 46/133. já que haveria indevido enriquecimento de um e conseqüente empobrecimento do outro (.). Trata-se da aplicação da cláusula rebus sic stantibus. cuja cultura jurídica é por todos reconhecida. 44/341..06. Decorrem efetivamente da demonstração de um conhecimento plausível e anterior à proposta comercial. desequilibrando ou seja. autorizam a sua revisão.3ª T. se as condições vigentes se alterassem profundamente.

400. A doutrina é clara e pacífica em apontar quais são os pressupostos de apuração destes prejuízos para fins de indenização: "As perdas e os danos são avaliados pelo efetivo prejuízo causado pelo descumprimento.’’ Mutatis mutandis. Importante pontuar que cabe ao particular provar seu prejuízo real para o pleito de obter indenização visando a alegada recomposição do equilíbrio econômico-financeiro e não hipotético. A causa poderá existir. Anote-se que a extraordinariedade do evento pode-se afirmar tanto sob um prisma qualitativo como quantitativo. sem causa.. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. tem-se a questão da quantificação do alegado agravamento da situação do particular – outro requisito da Lei de Licitações.ed. Por uma diminuição econômica no patrimônio do credor. in Direito Civil: Teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos – 4. eqüitativamente. Parágrafo único. Fls. mas. poderá o juiz reduzir. Quando se alude a anomalia do evento. particularmente em sede de contratos administrativos. 09 ." (In Teoria Geral das Concessões de Serviço Público. a indenização. 201 e seguintes: Deve ser entendido como sem causa o ato jurídico desprovido de razão albergada pela ordem jurídica. 2004. injusto. 944. São estas as premissas para impor a Administração o dever de recompor o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão. produzindo a alteração da relação original entre encargos e vantagens. – São Paulo: Atlas. o privilégio da Administração e o princípio da prevalência do interesse público também não podem servir de óbice à aplicação da teoria do enriquecimento indevido. 2003. faz-se referência a um evento que se diferencia dos padrões de previsibilidade por sua configuração qualitativa ou quantitativa." A apuração da exata extensão do dano se faz necessária para evitar o enriquecimento indevido. sendo injusta. Tudo isto em cumprimento ao Código Civil: "Art. É uma questão de grau de intensidade. O dano é efetivo e não hipotético. repetimos a doutrina de Sílvio de Salvo Venosa. São Paulo: Dialética. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano. sem grifos no original) Por outro lado. que favoreça indevidamente uma das partes da relação. p. No campo do direito administrativo. A indenização mede-se pela extensão do dano. . estará configurado o locupletamento indevido.comporta diversa intensidade. Verifica-se a álea extraordinária quando um evento anômalo e implausível se consuma depois de formalizada a avença..

destaca-se a necessidade de avaliação prévia acerca de questões prejudiciais ao pedido de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro. por evento anterior a formulação do último termo aditivo contratual. ao analisar pedido de recomposição de equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. impõe-se o exame da causa de pedir . caso a caso.039113-6/PR (disponível no site da Justiça Federal do Paraná). ou policitação. Questões prejudiciais ao pedido de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato: Conforme exposto alhures. a existência de riscos assumido expressamente no contrato pelo concessionário. e não em sua revisão para adequá-lo à superveniência de álea. Mostra-se importante a análise.2. o que não se concebe. é necessário analisar se ocorreu efetivamente desequilíbrio econômico-financeiro.invocada pela parte autora frente aos contratos administrativos e à lei. é da teoria geral do direito que o ato ou negócio jurídico somente vincula as partes a partir da formalização do Termo Aditivo. cabendo discussões futuras somente sobre eventos ocorridos em períodos supervenientes. Ademais." (. Isto porque já existem teses no sentido de que os termos aditivos devem ser entendidos como eventos que retomam a íntegra do equilíbrio. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n.análise dos fatos jurídicos que ensejariam a revisão pretendida em cotejo com o direito . como obliquamente se pretende. como: a existência de Termo Aditivo prévio que já tenha levado à conta do equilíbrio o período ou o evento em discussão.. que. Ele poderia ser o oposto: o paradigma para fins de re-equilíbrio em caso de superveniência de fatos onerosos. Em outras palavras.proposta. Além do preenchimento dos requisitos acima expostos. própria para o evento em discussão. 09 . O deferimento do pedido implicaria em modificação do pactuado no Termo Aditivo.) A pretensão de obter verbas relativas a perspectivas anteriores à formalização do contrato administrativo implicaria na noção de que o Termo Aditivo assinado desequilibrou a relação jurídica.70..00. bem como a análise da existência de cobertura de seguro. e em relação a qual dos contratos administrativos assinados ao longo da concessão. ou negociação qualquer poder vinculante. assim dispôs sobre o caso: "antes de definir qual dos dois critérios será utilizado para revisão do contrato. não são todos os eventos que ensejam a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. não tendo a fase prévia . da hipótese de preexistência de termos aditivos que reequilibraram o contrato previamente. Neste sentido cita-se sentença no processo nº 2004. mas jamais a fonte do desequilíbrio.

pois. o projeto torna-se inviável. A impressão é de que esta "liberdade" de imposições. no que se insere a implementação de bacias de contenção. muito menos a título de resgate de posições contratuais. Se excessivas.) O equilíbrio econômico-financeiro da relação jurídica se estabelece.. razão pela ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. de 5 de junho de 1991) .. há "espaço" para estas previsões quando a viabilidade econômico-financeira do projeto. motivo pelo qual a realidade que o antecede não pode ser invocada para modificar o que foi estabelecido.5/PR (disponível no site da Justiça Federal do Paraná)." Os riscos previsíveis são analisados pelos particulares e devem compor a proposta licitatória.010824. seja porque já conhecia a autora (ou deveria conhecer) a existência de manancial .666/93 [08] . E neste sentido tem o Administrador. quando da contratação. conforme expressamente advertido nos anexos acima. 3º da Lei nº 8. 09 ..Área de Proteção Ambiental do Passaúna (criada pelo Decreto Estadual nº 458. Segue abaixo trecho da sentença da Ação Judicial nº 2007.70. exigiu-se garantias pela imposição de contratação de seguros contra riscos de danos patrimoniais. de responsabilidade civil e de lucros cessantes. além de caução para garantia da plena e total execução contratual. está diretamente vinculada ao planejamento administrativo e o estudo de viabilidade econômicofinanceira da concessão – ainda na fase interna desta espécie – que revela a possibilidade do projeto de concessão atrair a iniciativa provada.no trecho concedido. que deveria ter previsto. quando de sua proposta comercial. ainda torna-se atrativa a participação de particulares no certame. os contratos administrativos. não se pode considerar a construção das bacias de contenção como álea extraordinária. buscam garantir a melhor proposta. Mas não podem afastar a segurança para a Administração. tratando-se de risco pela concessionária assumido. as despesas específicas relativas à prevenção de acidentes com cargas perigosas na área que corta o manancial do Rio Passaúna. Nos contratos de concessão já analisados por este autor verificou-se a existência da assunção de riscos de tráfego (variação para mais e para menos daquele projetado inicialmente) e dos riscos de custos ambientais. Em outras palavras.)" Por outro lado. dentre eles o de concessão. a autonomia de prever as condições editalícias de participação do particular no certame.(. por óbvio. Por outro lado. mesmo com as imposições de garantias. por meio de procedimento licitatório que assegure a isonomia e a competição – art. O negócio realizado tem força constitutiva de direito (constituiu o direito à exploração da malha rodoviária na região de Jacarezinho a partir do momento em que realizados os investimentos -exatamente o que ocorreu). principalmente no caso dos contratos de concessão. (.00. respeitados os princípios constitucionais e a legalidade. Dessume-se. dentre elas os riscos que requeira sejam assumidos pelo particular e as garantias que este deve oferecer para a concessão. que discutiu a assunção dos riscos ambientais por empresa concessionária no Estado do Paraná: "Nesse trajeto.. seja porque inerente às atividades por ela desenvolvidas a implementação das medidas mitigadoras.

Estas análises terão como base a Proposta Comercial e os critérios ali estabelecidos. O tema envolve diversas análises e dependem. as receitas (sentido amplo) e a rentabilidade esperada pelo particular contidas na Proposta Comercial e o cenário contratual do momento analisado. 65. a análise demanda discussão que oferece opiniões diversas. de informações referente a técnica envolvida na concessão em discussão (como aquelas vinculadas a discussão de critérios de engenharia. na prática. A análise pode parecer simples: comparação entre as despesas (sentido amplo). no Acórdão n° 393/2002 – TCU-Plenário: "O fluxo de caixa é o instrumento que permite. Ora.666/93 [09] reiterou os parâmetros fixados na Constituição para aferição do equilíbrio contratual. Transcrevo trecho do Voto do MinistroRelator Walton Alencar Rodrigues. 09 . cabe a prova de que tais eventos levaram ao desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Métodos de apuração do equilíbrio econômico-financeiro do contrato: Juntamente com a prova dos eventos indicados como álea extraordinária.qual os eventos dele decorrentes podem não ensejar a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. §1º e art. assim se delimita a intangibilidade da equação econômico-financeira do contrato de concessão: "Intangível não é o contrato de concessão . ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. a qualquer instante. Nesse sentido já se pronunciou o Tribunal de Contas da União.mas sua equação econômico-financeira inicial. Da mesma forma prescreveu a [10] Lei 8. Cabe ressaltar que a Taxa Interna de Retorno – TIR é extraída diretamente da proposta vencedora da licitante e expressa a rentabilidade que o investidor espera do empreendimento. Em termos matemáticos. Mais explicitamente: intangível é o retorno esperado pela concessionária quando formulou sua proposta. d). em que necessitam-se de medições do que foi aplicados nos serviços e obras). normalmente. 9°. ou seja. pois a Lei nº 8. ao prever a vinculação do contrato à proposta (art. Contudo. Segundo artigo científico do professor Antônio Carlos Cintra do Amaral [11] . a taxa que iguala o fluxo de entradas de caixa com as saídas. as quais analisaremos no presente estudo. verificar se a taxa interna de retorno original está sendo mantida.987/95 no seu art. a TIR é a taxa de juros que reduz a zero o valor presente líquido do fluxo de caixa. 54. II.espécie de contrato administrativo . Assim também é o caso dos eventos cobertos pelos seguros impostos pelo contrato de concessão. num dado momento. seus custos devem (ou deveriam) compor a proposta comercial e assim a tarifa do usuário. razão pela qual nos parece improcedente qualquer pleito de desequilíbrio por evento coberto por seguro. 3. se previstos contratualmente a necessidade da contratação do seguro.

" Na mesma linha. O contraste entre as taxas internas de retorno (TIR) dos dois fluxos de caixa (Proposta Comercial e com a consideração dos eventos) permite a aferição do desequilíbrio econômico-financeiro do Contrato." Nos autos nº 2005. o TCU determinou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que: "9.00.00004071-1/PR a perita nomeada [13] entende o contrario. que a avaliação do equilíbrio econômico-financeiro do Contrato em análise deve ser realizada comparando-se as previsões firmadas entre as partes na Proposta Comercial do Contrato de Concessão (e em seus Termos Aditivos) com os efeitos dos eventos extraordinários ocorridos no período sobre estas previsões.039113-6/PR (disponível no site da Justiça Federal do Paraná) o perito nomeado [12] . que representaria a rentabilidade esperada pelo particular na formalização da equação econômica.2.. Nos processos judiciais sobre os quais obteve acesso este autor é possível a observância de algumas ponderações que direcionam o entendimento da matéria. os eventos ocorridos no período que se qualificarem para a revisão do equilíbrio econômico-financeiro devem ser valorados tomando-se como base os parâmetros de tráfego.a adoção da "Taxa Interna de Retorno – TIR" não é a única forma de medir o equilíbrio econômico financeiro. quanto da concessionária. portanto.1. entende que a Taxa Interna de Retorno seria o parâmetro do equilíbrio econômico– financeiro do contrato: "Entende-se. na opinião desse autor. a Taxa Interna de Retorno da proposta comercial... ao afirmar que: ".Assim. 09 . custos e outras condições pertinentes determinados no acordo entre as partes. Ao apreciar contrato de concessão entre a União e a Concessionária Rio-Teresópolis S. na forma prevista na lei e no contrato.) O procedimento adequado para a aferição do desequilíbrio financeiro não se limita ao cálculo das variações nas receitas da Concessão em função dos eventos.70. Ou seja.". Significa comparar o fluxo de caixa do empreendimento (Fluxo de Caixa do Projeto) definido na Proposta Comercial com o fluxo de caixa do empreendimento que incorpora os efeitos dos eventos referidos (Fluxo de Caixa do Projeto com Eventos). (CRT). do qual foi Relator o Ministro Marcos Vinicios Vilaça.70. incluídos estes em bases anuais. (. uma vez que o cenário se altera constantemente e de acordo com o tripé ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. – adote providências no sentido de estabelecer a Taxa Interna de Retorno – TIR obtida do caixa não-alavancado como indicador do equilíbrio econômico-financeiro do contrato PG-156/95-00. e sua modificação dá ensejo à revisão contratual.. firmado entre o extinto DNER e a Concessionária Rio-Teresópolis. seria o balizador da verificação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. o Acórdão 988/2004 – Plenário.A. Ou seja. pode-se dizer que a manutenção da taxa interna de retorno é garantia tanto do Poder Público. Nos autos judiciais nº 2004.

As receitas e despesas são componentes operacionais do projeto. há uma taxa de juros potencial que viabiliza a aplicação do investimento.A Manager's Guide to Economical Decision Making" da American Telephone & Telegraph Company . Como é descrito no livro "Engineering Economy . para a análise de projeto de longa duração. uma característica do projeto associado a um cronograma físico. Considerando as oportunidades de negócios que existem no mercado. é uma referência para o investidor e pode ter diferentes valores. o projeto será considerado viável. dependendo do perfil de fontes de recursos.(Concessionária. Uma variação muito grande mostra que. É.. a taxa é chamada interna porque tem como base unicamente os dados do projeto. sem nenhuma influência externa. (. a TIR do projeto é uma informação importante na tomada de decisão sobre a realização do investimento. Governo e Usuário) a TIR atende interesses sob a ótica de apenas um dos componentes. mostra situações bastante distintas entre os anos de 1997 e 2007.) Os três componentes econômicos essenciais de um empreendimento. Pelo exposto. então o projeto está entre os potenciais empreendimentos a serem realizados pelo empreendedor. na realidade. 09 . Portanto. a variação da TA dos investidores. situa-se em torno de 9%. Trazendo cada um dos componentes do fluxo de caixa para o presente teremos o valor presente do fluxo de caixa. em 1997 o projeto seria atraente com uma TIR de 20% enquanto que em 2007 uma TIR de 9% já torna o projeto atraente. Se a TIR de um projeto for maior que a TA. com uma determinada distribuição temporal. Ela representa o percentual de retorno que o projeto oferece em contrapartida ao investimento realizado. utilizar uma TIR imutável como única referência é temerário e pode levar a conclusões precipitadas. A taxa que iguala este somatório a zero é denominada taxa interna de retorno (TIR). em 1997. é fundamental analisar a essência do negócio que é o equilíbrio econômico do ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. Isto mostra. A TA. portanto.McGraw-Hill Book Company. as expectativas de juros de financiamento e outros fatores específicos da empresa. uma vez que a TA acompanha alterações do cenário econômico. O comparativo de cenário apresentado nas considerações iniciais. ou seja. A distribuição financeira temporal destes componentes é o que se denomina fluxo de caixa do projeto ou do empreendimento. A TIR. Como a TA é fortemente influenciada pela variação do mercado financeiro. despesas e receitas ocorrem ao longo da existência do mesmo. situava-se em torno de 18% a 20% e para 2007.. investimentos. Essa taxa é a taxa de atratividade (TA). A comparação entre a TIR e TA é um dos fatores para tomada de decisão. Para o empreendedor. diferentemente da TIR. análise do cenário e sua tendência é fundamental para sua determinação. quais sejam.

que proporcionaram perdas e ganhos financeiros. Adicionalmente.70." Neste laudo pericial a perita concluiu: "Analisando estas métricas.. juros e depreciação). .. e não para sua manutenção.a rentabilidade sobre o capital realizado (lucro líquido do exercício sobre o capital realizado).a rentabilidade do capital próprio (lucro líquido do exercício sobre o patrimônio líquido). que mostra a capacidade do projeto gerar recursos. e nem das cláusulas que remetem à revisão tarifária .o EBITDA (resultado operacional antes dos impostos.. sob a ótica do resultado empresarial não há indicativo de desequilíbrio econômico. as medidas tomadas pelas partes e decisões judiciais proferidas foram suficientes para obter a TIR original do contrato. não obstante todas as atitudes tomadas.não seria demais comentar que a solução por adotada pela perícia . CLAUDIA CRISTINA CRISTOFANI. o entendimento também foi contrário a adoção da TIR como único elemento balizador do equilíbrio econômico-financeiro: "Porém. Ademais.empreendimento como um todo. ou seja. bem como bons resultados de lucro sobre o patrimônio e lucro sobre o capital realizado. sob o ponto de vista jurídico. reajustamento e revisão (ausência de previsão contratual).039113-6/PR cujo Laudo Pericial foi supra citado (disponível no site da Justiça Federal do Paraná). Isto vale dizer que a análise deve verificar se o empreendimento resulta na relação benefício/custo favorável para as partes envolvidas no empreendimento. Dra.) O emprego da Taxa Interna de Retorno não foi previsto contratualmente . constitui estimativa de retorno do empreendimento utilizado. .. Assim. 09 . observa-se crescente capacidade de geração de recursos.não sendo o único meio de avaliar o equilíbrio-econômico do contrato. (." Na sentença nos autos judiciais nº 2004. não se percebe uma inviabilidade financeira.não é pacífica..a TIR não consta da fórmula paramétrica. Para o empreendedor o projeto deve trazer resultados econômicos atraentes. tais como: . Alguns indicadores podem ajudar a avaliação do resultado. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. mesmo sob o aspecto da TIR.a decisão será revisada pela instância superior .00. sendo instrumento para verificação da viabilidade de um investimento.utilização da Taxa Interna de Retorno e formulação de seu cálculo desprezando-se a redução de custos da concessionária e focandose somente nas supostas perdas decorrentes dos eventos descritos . . pelo princípio da eventualidade . de lavra da Juíza Federal.

é admissível ao poder concedente rever o nível de tarifa e fixar menor taxa de rendimento.) Segundo a autora Claudia De Rosa Peano. No contrato de concessão a receita de equilíbrio é objetivamente expressa pela equação: receita de equilíbrio = custos operacionais eficientes + remuneração do capital prudentemente investido Este modelo permite repassar para o consumidor ganhos de eficiência conquistados pela concessionária. a cada período.Reportando-me às críticas doutrinárias que recaem sobre o uso de Taxa de Retorno para mensuração do equilíbrio econômico-financeiro de concessões de longo prazo.nomeadamente se tivermos em conta que não compõe a fórmula de reajuste ou cláusula revisional. como resultado da combinação de política tarifária com manutenção de serviço adequado. ao longo do tempo.br/ccivil_03/revista/Rev_03/tarifa%20transportes%20a%E9reos. se a TIR acaba por não retornar. cumprisse precisamente a expectativa de retorno estimada década(s) antes.gov. Se isso acontece. tal circunstância isolada não induz automaticamente à conclusão de que houve desequilíbrio ou onerosidade excessiva. aí o governo poderá assumir parte dos encargos do negócio porque a sua manutenção. artigo Tarifa de Transportes Aéreos: Uma Abordagem Jurídica do Equilíbrio Econômico dos Contratos de Permissão – acessado em 08/10/2010 em: http://www. (.. A experiência de mudança na taxa de retorno do capital é inerente ao contrato de concessão. O que o contrato garante é um retorno em linha abaixo da qual é impossível a continuidade do serviço com qualidade mínima aceitável. Mas a ineficiência tolerada não pode ser confundida com ineficiência gerencial" (Antonio Fonseca.planalto. 09 . Num período de adversidade econômica. . parece mais afeita à legislação a seguinte solução: Expressão Jurídico-Econômica da Receita de Equilíbrio O equilíbrio econômico-financeiro do contrato de regulação ou concessão difere do contrato de construção de um prédio público ou prestação de um serviço contratado pelo Estado. na tese Regulação Tarifária do Setor de Distribuição de Energia Elétrica no Brasil: Uma Análise da Metodologia de Revisão Tarifária Adotada pela ANEEL. mesmo com alguma ineficiência. Na circunstância.. a adoção da taxa de retorno como esquema de regulação relaciona de forma direta o preço e o custo efetivo do serviço ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. A manutenção do equilíbrio financeiro do contrato é um conceito bifacial de direito público e privado que não garante um nível perpétuo de rendimento do capital investido pela concessionária.. A variação da TIR é natural. Assim. e não comprova prejuízo ou desequilíbrio . passa a ser do interesse da sociedade consumidora. as partes jamais pretenderam que o projeto..htm). ou seja. exatamente o pretendido por uma das partes contratantes no início do projeto. cabe ao concessionário adequar os seus custos à nova configuração tarifária.

tanto jurídicos quanto econômicos. em havendo menos saídas de caixa. induzindo à dependência do Poder Concedente com relação às informações de custo fornecidas pelas empresas (assimetria de informação). custos e ativos da empresa anualmente.pdf Sim. Assim. tão somente através da redução da tarifa. Acrescenta a autora que adoção do critério da Taxa de Retorno para fins de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro gera. Novamente a título de ilustração. em conseqüência.br/biblioteca/producao/2005/Teses/Tese_Claudia. a fim de verificar se a taxa de retorno está de acordo com o estabelecido. O laudo pericial. E como a remuneração já está fixada (e é alta) o contrato será novamente equilibrado. desvincula ambos os elementos. maior vulnerabilidade a ineficiências e sobre-investimento (efeito "Averch-Johnson"). procedida pelo laudo pericial. ao rejeitar os dados contábeis. deve ser mantida a justa e reflexiva correlação entre as obrigações assumidas por uma das partes e a remuneração por ela percebida".usp. as seguintes expressões: "uma vez celebrado o contrato. e projetando-se a redução de gastos que as concessionárias admitem nos mencionados balanços. Significa que os encargos correspondem (equivalem. a eliminação dos ganhos oriundos da redução de custos para cálculo da Taxa de Retorno.." (Sérgio Guimarães Hardy. pois "o regulador deve monitorar as receitas. a decorrência natural é a redução da tarifa. A expressão equilíbrio esclarece que o conjunto dos encargos é a contrapartida do conjunto das retribuições. aumentará. artigo citado).. É muito comum haver discussão em relação à soma de ativos a serem incluídos na base de remuneração e nos custos prudentes" (p. não parece isenta de questionamentos. por sua vez. Marçal Justen Filho não deixa de utilizar a mesma fórmula: "a expressão indica uma espécie de 'relação' entre encargos e retribuições geradas para as partes. A menção à equação econômico-financeira do contrato administrativo utiliza. "equivalência entre os encargos suportados por uma das partes e a remuneração paga pela outra". transcrevo o ponto de vista do economista Sérgio Guimarães Hardy sobre os pedágios no Paraná: ". no discurso jurídico a idéia de reequilíbrio econômico-financeiro também não está divorciada da vinculação entre custos efetivos e remuneração percebida. Modicidade tarifária ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n.. Isto porque. De outra banda. no mais das vezes. de molde a caracterizar uma equação"..se os valores de balanço forem levados ao fluxo de caixa mês a mês. sem dúvida. a taxa de remuneração. "manutenção da relação entre encargos e remuneração percebida". www. 09 . 25/26). são iguais) às retribuições.prestado. preço e custo efetivo. 6.iee.

Antítese do lucro arbitrário ou excessivo. mais uma margem ou taxa de retorno suficiente a remunerar ou premiar razoavelmente o capital investido. A modicidade deve corresponder a custos pertinentes. Se o contrato não prever. a "modicidade das tarifas" e a condição de eficiência segundo a Lei das Concessões. com riscos calculados e fiscalizados pelo poder concedente. sob pena de se estimular a ineficiência do prestador. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. 09 . Trata-se de um corolário do princípio da economicidade que visa criar as condições para que a rentabilidade empresarial seja possível." Isso descredencia qualquer incorporação de custos passados." poderá ser revista para mais ou para menos. entre outras condições.A solução da perícia. segurança. a concessão ou permissão é um contrato de intervenção. nos termos da lei. visto que esta. a receita de equilíbrio como produto da tarifa módica proporciona a cobertura dos custos atuais e específicos do serviço. generalidade. num dado momento e no exercício do seu poder/dever de fiscalizar o contrato." O concessionário ou permissionário não tem direito adquirido ao valor real da tarifa. como determinado pela Lei 8. ademais. O serviço adequado é o que satisfaz. A tarifa. não se subordinando à "legislação específica anterior. continuidade. Explicando melhor: O regime do contrato de concessão de serviço público funda-se numa política tarifária vinculada à manutenção do serviço adequado.diz Luís de Moncada -. antes de ser jurisdicizado era como é um conceito econômico que não mudou com a Constituição de 1988. enquanto elemento de uma política pública. atualidade. § 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade. minimizando os custos de produção. receita de equilíbrio e eficiência. eficiência. nas normas pertinentes e no respectivo contrato. Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários. a eficiência é um princípio pelo qual -. ao contrário do contrato administrativo para construção de um hospital público pelo Estado. Isso é possível porque. é por natureza um conceito de preço módico e ao mesmo tempo função de serviço adequado. assim. Por isso a revisão tarifária por si pode significar intervenção "com o fim de assegurar a adequação na prestação do serviço" e. incorridos anteriormente à revisão de tarifa. A ornar a ordem econômica. cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. parece não ter levado em conta a figura do usuário. 6. de modo a poder responder na maior escala possível às necessidades que se propõe satisfazer.987/95: Art. que encontra na lei explicitação sem par. restabelecer a modicidade da tarifa. A variação para menos decorrente do contrato poderá ser realizada pela autoridade reguladora que representa o poder concedente. conforme estabelecido nesta Lei. mas decorrendo do regime legal. Isso impede ajuste automático de tarifas para acudir a qualquer aumento de custo incorrido. "a fim de manter o equilíbrio econômico-financeiro. Esse preceito constitucional bastante em si."fica a empresa obrigada a acomodar a sua gestão econômica a um aproveitamento racional dos meios humanos e materiais de que dispõe. o presidente da República poderá fazê-lo por decreto.

www. no art.br/ccivil_03/revista/Rev_03/tarifa%20transportes%20a%E9reos. tem-se buscado interpretar a questão do critério de apuração do equilíbrio econômico do contrato sob a ótica da Lei Especial. 09 . Normalmente utiliza-se como medida o ROE (retorno sobre o patrimônio) a fim de estabelecer o desempenho da empresa. o princípio da modicidade tarifária indica que eventuais ganhos oriundos de redução de despesas incorridas. sendo que o percentual de partilha varia de acordo com a distância em relação ao intervalo proposto. 175. isto é. ao que parece. A lei disporá sobre: ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. no caso específico dos contratos de concessão. Quer-se dizer: silenciando o contrato quanto ao critério de preservação do equilíbrio econômicofinanceiro. 175. bem como. Podem ser progressivos ou regressivos (p.htm Segundo Claudia De Rosa Peano (obra citada).planalto. 37. Abonar a metodologia que a sentença incorporou é perder o escopo da tarifa módica pela abstração da eficiência dos custos operacionais e pelo alheamento da prudência no investimento" (Antonio Fonseca.gov. como ocorre nos setores das telecomunicações e de eletricidade. a perícia judicial não trilhou ao adotar a TIR depurada da redução dos custos previstos inicialmente. É o caso. Contudo. Parágrafo único. atribuindo à tarifa sua elevação. Daí a tarifa poderá variar para mais ou para menos. ao invés de somente apropriados unilateralmente pela concessionária: Mecanismos de compartilhamento de ganhos: ajustam as tarifas quando a taxa de retorno permanece dentro de um determinado intervalo durante um período histórico recente. abre-se a possibilidade de adoção de solução técnica externa para sua mensuração.que inclui a premissa da modicidade tarifária. tal solução não poderá afrontar o princípio da modicidade tarifária e deverá preservar minimamente o mecanismo de compartilhamento de redução de custos com os usuários solução que. sempre através de licitação. 21). a perícia não foi fiel a esses conceitos. Tarifa de Transportes Aéreos: Uma Abordagem Jurídica do Equilíbrio Econômico dos Contratos de Permissão). principalmente do limite imposto pelo serviço adequado . na forma da lei. No caso em apreço." Conforme leitura do Laudo Pericial e Sentença Judicial acima descritas. determina a competência da lei ordinária em prescrever regras do contrato administrativo de concessão: "Art. da diminuição da tarifa em resposta a uma economia de escala. A Constituição Federal exige o pressuposto da eficiência dos serviços públicos em seu art. redução dos custos fixos com aumento da produção.A modicidade de tarifa permite ainda que o preço regulado seja objeto de uma estratégia da competição. devem ser rateados com os usuários. diretamente ou sob regime de concessão ou permissão. por exemplo. Incumbe ao Poder Público. a partir de determinado patamar (preservando os ganhos de eficiência). a prestação de serviços públicos.

fiscalização e rescisão da concessão ou permissão. RDA 65. Pags. (.I . generalidade. dentre outras condições. Não há como se exigir um sem exigir o outro. nem remuneração insuficiente..a obrigação de manter serviço adequado. mesmo que seus valores absolutos possam ser considerados elevados.. segurança. continuidade.. o serviço eficiente e com modicidade tarifária. cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação.) Portanto. dentre outras qualidades. bem como as condições de caducidade. Não é instrumento de asfixia ou de depauperamento dos capitais investidos. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. O conceito é defendido pela doutrina especializada. a adequação deste serviço. in O Equilíbrio Financeiro no Contrato de Concessão. a modicidade da tarifa corresponderá à idéia de menor tarifa em face do custo e do menor custo em face da adequação do serviço" (In." E nestes termos.03. conforme estabelecido nesta Lei.987/95 elegeu como norte do serviço público concedido e direito dos usuários.. ou nula". Caio Tácito. Marçal. eficiência. nas normas pertinentes e no respectivo contrato. 1997.. sobre a tarifa pública: "é meio de vitalizar o interesse público na continuidade e desenvolvimento de um serviço adequado. senão vejamos: "Art. São Paulo: Dialética. a Lei nº 8. III . atualidade. pressupõe a modicidade e a eficiência. Deve ser o termômetro do justo equilíbrio entre os interesses contraditórios do público e da empresa capitalista: nem lucros excessivos.os direitos dos usuários. § 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade.)" Assim a Constituição Federal exige serviço adequado e a legislação infra-constitucional prescreve serviço adequado como. que.o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos. Ambos possuem a mesma qualidade de serviço adequado. IV . Justem Filho. 124 e 128) Ainda. II . senão vejamos: "Será módica a tarifa quando seu valor for o menor possível. 09 . (. Concessões de Serviços Públicos. 6o Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários.política tarifária.

09 . se houvessem outros elementos que demonstrassem que o particular estaria obtendo outros ganhos com o aumento de sua eficiência. Por outro lado. portanto. este processo compreende considerar a transferência de riscos efetuada pelo poder concedente à concessionária e vice-versa. citam-se os posicionamentos abaixo. sobressaem-se dois elementos que foram levados em consideração para a definição dos procedimentos metodológicos mais adequados para a avaliação do equilíbrio econômico do Contrato. Novamente citando a perícia judicial dos autos judiciais nº 2004. Vale dizer: não caberia a declaração de desequilíbrio pela simples apuração da TIR inferior a proposta.70. Para avaliar a existência de um desequilíbrio na equação econômico-financeira do Contrato de Concessão. da leitura do outro Laudo Pericial analisado e da Sentença Judicial acima descritas. compreende-se que a Taxa Interna de Retorno TIR. Com relação a controvérsia entre as opiniões acima. não é admissível que a Concessionária reclame revisão contratual em virtude da ocorrência de eventos relacionados a riscos por ela assumidos. por si só. Deste modo. não pode ser transferido aos usuários por meio de revisões tarifárias.039113-6/PR (disponível no site da Justiça Federal do Paraná) o perito nomeado [14] entende que as variações nos custos da concessionária não poderiam ser levados a esta conta de equilíbrio contratual. compreende-se que a Taxa Interna de Retorno não seria a única forma de apurar o equilíbrio de uma equação econômico-financeira. Por outro lado. de forma a demonstrar todas as faces da discussão proposta. do exame do Contrato de Concessão e da legislação que disciplina as concessões rodoviárias. O segundo é que não existe previsão explícita nos instrumentos analisados de ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. não é admissível. seria a balizadora do equilíbrio contratual. muito se discute sobre a chamada Taxa Interna de Retorno – TIR como balizadora da análise do equilíbrio econômico-financeiro do contrato e a utilização dos ganhos de produtividade e gestão do Contrato de Concessão com os usuários na análise da equação contratual. Assim discorreu o Sr. sob a ótica econômica. Perito sobre a matéria: "A avaliação do desequilíbrio econômico significa comparar os encargos e remunerações previstos com as condições que efetivamente se materializaram ao longo do período de vigência do contrato. Conforme da doutrina e Laudo Pericial acima transcritos.00. Uma vez transferidos os riscos entre as partes. é necessário separar risco e incerteza através da análise das obrigações originalmente pactuadas e de como foram estabelecidos os riscos assumidos por cada parte.E neste sentido. que a parte que se liberou do risco transferido à Concessionária (usuários dos serviços e poder concedente) seja beneficiada pela incorporação de eventos relacionados a estes riscos. Nesta linha. O primeiro é que a possibilidade de flutuação da demanda (ou seja. o risco de tráfego) é um risco assumido exclusivamente pela Concessionária e. sendo que os requisitos da Lei Especial relacionados à exigência de serviço adequado evidenciariam a necessidade de se levar a conta de apuração do desse equilíbrio os ganhos de produtividade e gestão do Contrato de Concessão.

ao determinar que "Sempre que forem atendidas as condições do contrato. Este.. Mesmo que fosse efetuada essa reforma constitucional e legal. da Lei 8. concluímos que a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato é um direito constitucional do particular nas contratações administrativas. que determina sejam "mantidas as condições efetivas da proposta" (grifei).. Este direito. a seguir. Ter-se-ia. A adoção desse método implicaria incluir os riscos assumidos pela Concessionária na avaliação do equilíbrio do Contrato. considera-se mantido seu equilíbrio econômico-financeiro" diz o óbvio.aplicável às concessões de serviço público de acordo com o art. entre os conceitos econômico e jurídico de desequilíbrio do contrato. postula a aferição do equilíbrio contratual a partir da substituição dos fluxos de receitas. o que não é coerente com o espírito de divisão de riscos propostos pelo Contrato de Concessão e pelos outros dispositivos que regulam a Concessão. que fala em "inicial equilíbrio econômico-financeiro do contrato" (grifei) e o art. custos e investimentos previstos na Proposta Comercial por dados oriundos de balancetes contábeis e demonstrativos financeiros da Concessionária ara o período já decorrido da Concessão.666/93 ." 4. inciso XXXVI. para adotar-se o "modelo dinâmico". sobretudo o § 4° do art. a que aludi acima.que dispõe sobre o restabelecimento da "relação que as partes pactuaram inicialmente" (grifei). no caso dos Contratos de Concessão. (. que alterar o art. 124 da mesma lei . 10.compartilhamento de ganhos de produtividade e gestão do contrato de Concessão com os usuários. esse autor construiu seu raciocínio caracterizando a adoção do critério da TIR como um "modelo estático" e a adoção da inclusão dos ganhos de produtividade como um "modelo dinâmico". o que ressalta a distinção. custos e aferição do equilíbrio contratual a partir da substituição dos fluxos de receitas. está regulamentado tanto pela Lei 8. Isso seria proibido pelo art. alínea "d". que determina seja respeitado "o ato jurídico perfeito". Conclusão: Assim. inciso II. ou seja. E novamente citando artigo científico do professor Antônio Carlos Cintra do Amaral [15] . 9°. 09 . Em síntese: o "modelo dinâmico" não encontra respaldo no Direito brasileiro. nomeado pelos réus como "aproximação com a realidade". seria necessário alterar o iniciso XXI do art.666/93 quanto pela Lei 8. da Constituição. que a lei adota o "modelo estático" de equilíbrio. assim como dispositivos da Lei 8. 65. 37 da Constituição da República. e assim asseverou: "Respondo à questão proposta pelo autor dizendo que.) Isso significa rejeitar o procedimento de avaliação do equilíbrio econômico-financeiro do Contrato proposto pelo Governo do Estado do Paraná e pelo DER/PR.987/95 e deve observar o preenchimento dos requisitos daquela (excluídas os riscos ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. ainda assim o "modelo dinâmico" não poderia ser adotado unilateralmente para os contratos em andamento. 5°. Este procedimento. A simples comparação das receitas tarifárias (que incluem risco de tráfego) e custos de investimentos e de operação (que incluem riscos de gestão) efetivamente observados com os previstos na Proposta Comercial do Contrato de Concessão (ou dos Termos Aditivos) implicaria a transferência destes riscos aos usuários.987/95.

9ª ed.pr. também. p. retardadores ou impeditivos da execução do ajustado. Notas 1. 199. ao seguinte: (.. ainda. 5. Licitações e Contratos Administrativos. objetivando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato. caso fortuito ou fato do príncipe. sendo que a lei não prescreve método ou fórmula expressa para esta apuração. com as devidas justificativas. nos seguintes casos: (. São Paulo: Malheiros. 3. disponível para consulta no site da Justiça Federal do Paraná (www.) II . P. mantidas as condições efetivas da proposta. com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento. Art. ou previsíveis porém de conseqüências incalculáveis.. as obras.. cabendo a verificação nos contratos pactuados e a cada operador do direito a correta análise de todos estes preceitos legais na conclusão do entendimento. ARI SUNDFELD.expressamente assumidos e a execução das garantias exigidas). serviços. Art. compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes. 2000.br): MEIRELLES. 499/500. nos termos da lei.. 2002.por acordo das partes: (. 2ª ed. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. Carlos. JUSTEN FILHO. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. Comentários ‘a Lei de Licitações e Contratos Administrativos.) XXI . impessoalidade. 65. o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. serviço ou fornecimento.. Todos estes critérios devem ser observados na análise do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. 2.) d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração da obra.70. 1995. 239. São Paulo: Dialética. Marçal.00.043362-0/PR. moralidade. São Paulo: Malheiros.gov.ressalvados os casos especificados na legislação. Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro.jf. dos Estados. em caso de força maior. publicidade e eficiência e. Citação na APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2003. ou. 4. 37. P. 25ª ed. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados. na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. 09 .

e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade. n° 107. da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP). da igualdade. à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização. da moralidade. (Redação dada pela Medida Provisória nº 495. 9º. Ano XXIX. 2º Para os fins do disposto nesta Lei. do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. A tarifa não será subordinada à legislação específica anterior e somente nos casos expressamente previstos em lei.. II. in Artigo publicado na Revista dos Advogados. sua cobrança poderá ser condicionada à existência de serviço público alternativo e gratuito para o usuário. dezembro de 2009. em conformidade com os termos da licitação e da proposta a que se vinculam. A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei. por sua conta e risco e por prazo determinado. supletivamente. feita pelo poder concedente. § 1º. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n.) II . Art. (Redação dada pela Lei nº 8. Art.com.br/comentarios/169. da impessoalidade. considera-se: (. op.configurando álea econômica extraordinária e extracontratual. conservação.celc. obrigações e responsabilidades das partes. delegada pelo poder concedente. na modalidade de concorrência. de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado. III . Art. Art. 3º A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia. Os contratos administrativos de que trata esta Lei regulam-se pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público. de 2010) 9. aplicando-se-lhes. Antônio Carlos Cintra do Amaral. no edital e no contrato. mediante licitação. de 1994) 6. "d". expressas em cláusulas que definam os direitos. 8. a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional. mediante licitação. na modalidade de concorrência. os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado. consultado em 08/11/2010 no endereço eletrônico: http://www. 54.concessão de serviço público: a delegação de sua prestação. por sua conta e risco. § 1º Os contratos devem estabelecer com clareza e precisão as condições para sua execução. ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público. reforma. total ou parcial. 10. cit. Art.concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção..html 7. 65. à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho. da publicidade.883. da vinculação ao instrumento convocatório. 09 . da probidade administrativa.

br/revista/texto/18544/o-equilibrio-economico-financeiro-do-contrato-deconcessao-de-servico-publico 2.665.celc. inclusive prevendo a possibilidade de aplicação de sanções administrativas como multa.§ 2º. 14. dezembro de 2009. 13. Antônio Carlos Cintra do Amaral.1. d) presença de cláusulas exorbitantes. d) da comutatividade do contrato administrativo.br/comentarios/169. em função da preservação da continuidade do serviço público. independentemente da recomposição do equilíbrio econômico-financeiro. 11. 09 .Analise a seguinte característica concernente ao contrato administrativo: "prerrogativa especial conferida à Administração Pública na relação do contrato administrativo em virtude de sua posição de supremacia em relação à parte contratada". e) da consensualidade do contrato administrativo. da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP). a fim de manter-se o equilíbrio econômico-financeiro. a criação. 15. Art. conforme o caso.html Fonte: http://jus. 3.html 12. Ano XXIX. alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais. concomitantemente à alteração. c) possibilidade de alteração do objeto. b) da cláusula exorbitante. Sempre que forem atendidas as condições do contrato.celc. Trata-se: a) do direito ao equilíbrio econômico-financeiro do contrato administrativo.br/comentarios/169. Antônio Carlos Cintra do Amaral. da empresa Tendências Consultoria Integrada. advertência e impedimento de contratar com a Administração. implicará a revisão da tarifa.com. in Artigo publicado na Revista dos Advogados. § 4º Em havendo alteração unilateral do contrato que afete o seu inicial equilíbrio econômicofinanceiro. após a apresentação da proposta. Gilvânia Hluszka Henk. in Artigo publicado na Revista dos Advogados. n° 107. para mais ou para menos. Ano XXIX. consultado em 08/11/2010 no endereço eletrônico: http://www. da empresa Tendências Consultoria Integrada. Os contratos administrativos submetem-se a um regime jurídico diferenciado. vedando-se aditamentos quantitativos ou qualitativos. inscrita no CRA Pr. Ressalvados os impostos sobre a renda. exigindo o acordo entre as partes para a formalização da avença. quando comprovado seu impacto. o poder concedente deverá restabelecê-lo.com.2. ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n.com. o que impede a previsão de subcontratação ou cessão do objeto. § 3º. consultado em 08/11/2010 no endereço eletrônico: http://www. c) da exigência legal de formalização por escrito e com requisitos especiais do contrato administrativo. 10. unilateralmente pela Administração. b) impossibilidade de rescisão por iniciativa do contratado ou por consenso. da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP). 2. Mailson da Nóbrega. Mailson da Nóbrega. e) vinculação ao instrumento convocatório. considera-se mantido seu equilíbrio econômico-financeiro. Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas. n° 107. dezembro de 2009. que inclui a: a) natureza intuitu personae.

GABARITO: 2. continuidade.3. 2. 2. d) revogação. eficiência.3. b) representar um número suficiente de obras e equipamentos para a prestação do serviço público. Quando um concessionário de serviço público descumpre condições necessárias à manutenção do contrato e seus efeitos. 09 . 2.2. d) agilizar o atendimento dos usuários. Toda permissão de serviço público pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários.666/93. dos equipamentos e das instalações e a sua conservação. a) O atraso injustificado no início da obra. serviço ou fornecimento. b) A subcontratação total ou parcial do seu objeto.4. conforme estabelecido nas normas pertinentes e no respectivo contrato. generalidade. c) O cumprimento irregular de cláusulas contratuais. 2.Dentre os motivos constituídos para a rescisão do contrato administrativo. Nos termos da norma regedora das concessões e permissões de serviços públicos. serviço adequado se caracteriza por: a) compreender a modernidade das técnicas. prestando todas as informações necessárias à utilização adequada dos serviços permitidos.5. d) A decretação de falência ou a instauração de insolvência civil. e) invalidação. assinale a alternativa que não se harmoniza com os dispositivos da Lei Federal n. e) garantir a adequação dos meios aos fins necessários à prestação dos serviços públicos permitidos. bem como a melhoria e a expansão do serviço.5.1. projetos e prazos. cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. c) anulação. a Administração Pública deve se valer da: a) caducidade. b) encampação. especificações. c) satisfazer as condições de regularidade.2. 8. D B B A C ANALISTAS TRE/TRF/MPU – Direito Administrativo – Fabrício Bolzan – Aula n. atualidade. 2. segurança. bem como a necessária prestação de contas à sociedade. e ainda. 2.4.