FABÍOLA PERES DA CRUZ

O LÚDICO COMO INSTRUMENTO IMPORTANTE NO
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA CRIANÇA E PARA
SUPERAÇÃO DO FRACASSO ESCOLAR.

GOIÂNIA
2011

FABÍOLA PERES DA CRUZ

O LÚDICO COMO INSTRUMENTO IMPORTANTE NO
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA CRIANÇA E PARA
SUPERAÇÃO DO FRACASSO ESCOLAR.

Monografia apresentada à Faculdade Ávila como parte dos
requisitos para a obtenção do título de Especialista em
Neuropedagogia e Psicanálise.

.
Professor Orientador: Gleyvison Nunes dos Santos.

Goiânia
2011

FABÍOLA PERES DA CRUZ

O LÚDICO COMO INSTRUMENTO IMPORTANTE NO
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA CRIANÇA E PARA
SUPERAÇÃO DO FRACASSO ESCOLAR.

Apresentação de TCC, na modalidade de Monografia, no Curso de PósGraduação em Neuropedagogia e Psicanálise apresentada à Faculdade Ávila.

Prof°. Orientador: Gleyvison Nunes dos Santos

____________________________
Assinatura
Conteúdo: (até 10,0) __________ (

)

Goiânia, ______/______ 2011.

que são meus maiores incentivadores. . que sempre estiveram comigo.AGRADECIMENTOS Aos meus pais. sempre ao meu lado. cuidando de mim e me acompanhando com grandes vitórias. meu irmão Cícero e irmã Hévila.

DEDICATÓRIA Dedico esta monografia aos meus familiares. professores e em especial as minhas queridas companheiras dessa trajetória Daniella. . Marcela. amigos. Taciany e Gleyci que de alguma forma contribuíram com a minha aprendizagem.

poderá fazê-lo amanhã por si só”.“O que a criança pode fazer hoje com o auxilio dos adultos. Lev Vygotsky .

A partir dessa discussão foi possível estudar a interação entre os brinquedos e a criança. destacar o lúdico como instrumento importante no desenvolvimento cognitivo da criança e para superação do fracasso escolar. . Com base nessas reflexões. se o brinquedo pode influenciar no aprendizado de uma criança. Sendo assim. e sobre a importância do brincar na escola.RESUMO Esta monografia tem por objetivo apresentar uma reflexão acerca de questões centrais no campo da educação. Palavras-chave: Lúdico. desenvolvimento cognitivo e superação do fracasso escolar. Dentre elas. busca investigar se o lúdico contribui com o desenvolvimento cognitivo e se ajuda na superação do fracasso escolar. verifica-se por que e como as crianças se desenvolvem.

..................25 2................................28 2.........................................................................................................5- Quem tá a fim de Brincar? ..............................................32 Capítulo III 3...............5.......5- Brincadeiras de Construção......................40 3.................... Metáfora e pensamento: considerações sobre a importância do jogo na aquisição do conhecimento e implicações para a educação préescolar...............3- Brincadeiras Tradicionais Infantis......29 2.....25 2.......................31 2.................2- Desde muito cedo se brinca..................................................1- Referencias literárias e teóricas..2- Ação e significado no brinquedo....................... Brinquedos e Brincadeiras.........3- Vamos Brincar de Rei-Rainha?......................49 ............ A brincadeira de faz-de-conta: lugar do simbolismo.................38 3................1- A história do brincar nos tempos.................................................48 4.......11 1...1- Lúdicos.............................................................................................A brincadeira............................4- Brincadeiras de Faz-de-conta............3- Brinquedo e desenvolvimento simbólico...................................................O faz-de-conta: ponte entre a realidade e a fantasia. da representação.................18 1.................1- A metáfora e o símbolo como chaves da natureza do homem..................................................................................19 1...................................................................................42 3.................................................... 8 Capítulo I 1................................................ do imaginário........36 3........................21 Capítulo II 2...................SUMÁRIO Introdução ....... O Lúdico e a Educação Infantil ..............................................4- Vamos Brincar de Escola?....................................4............................................................ Na Escola Infantil todo Mundo Brinca se Você Brinca........... Jogos.............2- Brinquedo Educativo........................... os brinquedos e a realidade................................20 1.............43 Capítulo IV 4.................................................... 11 1......................................39 3.......................................................

....59 .......................................................................................A conquista da dimensão simbólica do pensamento: o jogo como gênese da metáfora....51 Considerações Finais..........55 Bibliografia...........................................................................................4.................2..................................................................................

A partir do real a criança criará o imaginário. e sobre a importância do brincar na escola.INTRODUÇÃO A presente monografia tem como objetivo discutir sobre as questões centrais da educação. Segundo Froebel citado por Kishimoto (2001). a brincadeira servirá de apoio para os desejos não realizados e para a necessidade que a criança tem em agir no mundo dos adultos. autodeterminação e expressão de necessidades internas. onde o pensamento que era regido pelos objetos exteriores agora é pelas idéias. se o brinquedo pode influenciar no aprendizado de uma criança. destacar o lúdico como instrumento importante no desenvolvimento cognitivo da criança e para superação do fracasso escolar. Continuando com a idéia das mesmas autoras. por exemplo. O brincar de “escolinha” e fazer o papel do professor que está na sala de aula necessitará de uma observação do real para poder agir de um modo próximo. um pedaço de pau como uma espada. diminuindo a distancia com os adultos. o brincar possui uma interpretação mais metafórica. prazer. postulando que quando uma criança está brincando envolve atividade representativa. para o externo. . a criança agora terá a consciência dos papéis do professor e do aluno. verifica-se por que e como as crianças se desenvolvem. A criança representa o seu interno. podendo reviver isso em sua brincadeira. Sendo assim. Com base nessas reflexões. A partir dessa discussão foi possível estudar a interação entre os brinquedos e a criança. Dessa maneira. busca investigar como o lúdico pode contribuir com o desenvolvimento cognitivo e se ajuda na superação do fracasso escolar? O brincar é um dos aspectos que envolvem o desenvolvimento infantil e a teórica Bomtempo e Dias (2001) se refere a esse ato como um aprendizado na esfera cognitiva que depende das motivações internas. Dentre elas.

que é a exposição de um pensamento sob forma figurada. E utilizarei como recursos suas próprias obras realizando leituras e anotações. reflexão. influenciando os elementos do contexto cultural adquirido por meio da interação e comunicação. será abordado também que o brincar propicia a criança uma situação imaginaria. A respeito dos campos de estudos. o prazer e até o desprazer quando escolhido voluntariamente pelas crianças. e Kishimoto (2001) classifica como analogia. Nesse contexto. Nota-se que essa abordagem vai auxiliar na compreensão e na analise das principais contribuições do brincar para o desenvolvimento cognitivo da criança na perspectiva da importância do lúdico no contexto da escola. da representação. tendo como base as autoras Kishimoto e Dornelles.Também se faz importante a forma que a criança expressa. brinquedos e o lúdico. possibilitando a compreensão e a importância de . que propicia a diversão. Salientando esses estudos e buscando averiguar a importância da ludicidade para o desenvolvimento cognitivo da criança. Propondo então. fazer uma apresentação desses autores centrando minhas analises naquilo que estes podem contribuir para a reflexão da pergunta central desta pesquisa monográfica que é: O lúdico contribui com o desenvolvimento cognitivo e ajuda na superação do fracasso escolar? Este trabalho monográfico foi dividido em quatro capítulos. busca-se apurar essa temática como de grande valor para pesquisa. No primeiro capítulo “O lúdico e a Educação Infantil”. o conhecimento e aprofundamento do tema trabalhado. busca-se discutir a importância dos jogos. brincadeiras. pretendo abordar o sociocultural e psicológico. investigação e prática. O segundo capítulo “A brincadeira de faz-de-conta: lugar de simbolismo. do imaginário ” permite abordar a contribuição do lúdico nos espaços de educação infantil. onde a brincadeira aparece como semelhança entre coisas diferentes e como alegorias. buscando assim.

contribuiu para sistematizar o meu aprendizado na atuação acadêmica.recriar espaços para jogos espontâneos que possibilite o desenvolvimento cognitivo da criança. No terceiro capítulo “Na Escola Infantil todo Mundo Brinca se Você Brinca” pretende-se abordar a importância de valorizar os espaços escolares como ambientes que podem servir de lócus para o lúdico. resgatar conceitos. tendo como base. exercitar a escrita e fundamentalmente. Com base nos estudos realizados durante a construção do trabalho monográfico pretende-se compreender o significado do brincar no desenvolvimento da criança. Neste sentido o jogo simbólico constitui a gênese da metáfora. Organizar as idéias. as brincadeiras que podem ser trabalhadas com as crianças. Já o último capítulo “Metáfora e pensamento: considerações sobre a importância do jogo na aquisição do conhecimento e implicações para educação pré-escolar” possibilitará uma reflexão sobre a necessidade de valorizar o desenvolvimento da criança em seus primeiros anos de vida e considerar a aquisição do conhecimento como papel principal na construção das representações sociais. proporcionando a construção do pensamento e a aquisição do conhecimento. valeres e experiências foram etapas vencidas durante o processo de sua realização Especificamente. . É de grande importância destacar que o processo de desenvolvimento dessa discussão contribuiu significativamente para o meu desenvolvimento profissional e intelectual. levantando a questão da importância do lúdico no contexto escolar. aprender procedimentos de trabalho científico. O trabalho monográfico apresentado possui característica de documento cientifico por conter uma estrutura formal mínima definida e um conteúdo abordando um tema.

Por exemplo. existe uma diversidade de maneiras para interpretá-lo.6- Lúdicos. Explica também que o comportamento da criança durante a brincadeira pode ser visto como jogo ou não-jogo.I Capítulo O Lúdico e a Educação Infantil 1. à vontade de cada um participar livremente da partida. basquete. pipa. conforme pesquisas etnográficas. uma mesma conduta pode ser jogo ou não jogo em diferentes culturas. Jogos. Nesse sentido. é símbolo de divindade. é jogo. atirar com arco e flecha para uns. explica que os jogos. mas para certas tribos indígenas. esclarece que. A boneca é brinquedo para uma criança que brinca de “filhinha”.15). é preparo profissional. proporciona uma interação entre profissionais provocando competições esportivas. situação na qual predomina o prazer. objeto de adoração. Brinquedos e Brincadeiras Segundo Kishimoto (2001) o jogo não é uma tarefa fácil de ser definida. . de baralho. As brincadeiras infantis. futebol. Pois. em determinadas culturas essas brincadeiras podem ter significados diferentes. um tabuleiro com piões e bonecas nem sempre são usados para fins de brincadeiras. p. 2001. dependendo do significado a ela atribuído. embora recebam a mesma denominação. pois. têm suas especificidades e diferenças. (KISHIMOTO. amarelinha e quebra-cabeça são interessantes para entreter amigos nos momento de lazer. ou seja. A autora cita que os jogos de xadrez. como por exemplo. para outros. Dessa maneira.

desenvolve uma atividade lúdica. culturas diferentes. ou seja. em qualquer jogo. Assim. 2001. (KISHIMOTO. a autora cita esses três aspectos. sim. regras e objetos dizendo que os sentidos aplicados aos jogos dependem também da diversidade cultural que implica determinada sociedade. respeitar o uso cotidiano e social da linguagem. e um objeto” (KISHIMOTO. . plástico. Kishimoto refere-se ao jogo. Durante os estudos foram encontrados três níveis diferentes do jogo. p. A referida autora explica que no primeiro caso o sentido do jogo depende da linguagem de cada contexto social. 2001. as especificidades de cada jogo e essas regras permitem diferenciar os jogos e a sua utilização com a situação lúdica.16). 2001. segue as regras do jogo e. pedra ou metais. p. (KISHIMOTO. Finalmente no terceiro caso.Com base em estudos teóricos buscou-se compreender qual a diferença entre jogo e brinquedo. exemplificando que: O xadrez materializa-se no tabuleiro e nas peças que podem ser fabricadas com papelão. regras que possibilitam identificar. p. pressupondo interpretações e projeções sociais. mas a um uso cotidiano. enquanto objeto. O pião. representa o objeto empregado na brincadeira de rodar pião.16). quando alguém joga. tais como. Ela cita os critérios de Brougère e Henreot sobre o jogo. ao mesmo tempo. casca de fruta ou plástico. são as. um sistema de regras. confeccionado de madeira. No segundo caso. madeira. 16) Para facilitar a compreensão acerca dos diferenciados significados atribuídos aos jogos. relata que. A noção de jogo não nos remete à língua particular de uma ciência. o essencial não é obedecer à lógica de designação cientifica dos fenômenos e. “o resultado de um sistema lingüístico que funciona dentro de um contexto social.

índios e bandidos. a defesa da peculiaridade infantil. Os brinquedos podem incorporar. modos de pensar e agir e o imaginário do criador do objeto. A imagem de infância é reconstituída pelo adulto por meio de um duplo processo: de um lado. de tratar e educar. com seus valores. Dessa maneira. no século XVIII. ao afirmar que é a criança portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida. não existe um sistema de regras que organizam sua utilização. ela está associada a todo um contexto de valores e aspirações da sociedade. de outro. (KISHIMOTO. o brinquedo. supõe uma relação intima com a criança e uma indeterminação quanto ao uso. a criança era vista como um adulto em miniatura. também. não como copia. p. mas como ela imagina. Antigamente. (KISHIMOTO.19) . Dessa maneira. identifica a diferença existente entre brinquedo e jogo. historias de piratas. Quando o brinquedo é construído pretende-se introduzir imagens que variam de acordo com a cultura. um imaginário preexistente criado pelos desenhos animados. 2001. seriados televisivos. depende de percepções próprias do adulto. ela é carregada do passado do adulto. os brinquedos propõem um mundo imaginário da criança e do adulto. Entende-se que o brinquedo tem a finalidade de dar à criança um substituto dos objetos reais. ou seja. mundo da ficção cientifica com motores e robôs. criador do objeto lúdico. pois. se a imagem de infância reflete o contexto atual. mundo encantado dos contos de fadas. revelando um olhar negativo sobre a infância. a inocência. A infância expressa no brinquedo contém no mundo real.A partir do estudo realizado. para que possa manipulá-los e reproduzir o modo de vida. que incorporam memórias de seu tempo de criança. o brinquedo motiva expressão de aspectos da realidade.18). e. que contempla sua própria infância. 2001. pois. p. também. Com Rousseau. Assim. cada cultura possui maneiras de ver a criança.

Henriot. Fromberg e Christe. está mais . explica que há sempre uma criança em todo adulto. ao citar Bachelard. o papel de brinquedos e das brincadeiras é reconhecido como importante para o desenvolvimento e construção do conhecimento infantil.21). (KISHIMOTO. p. as regras. a memória dos tempos passados. pois. É o estimulante material para fazer fluir o imaginário infantil.A autora. mas também os sonhos. Huizinga omite os jogos de animais e analisa apenas os produzidos pelo meio social as características: o prazer. Huizinga. é sempre suporte de brincadeira. o passado. o caráter “não serio”. Caillois. As poesias também despertam o imaginário. entre outros. É a brincadeira? É a ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo. 2001. Na maioria das vezes. Kishimoto (2001) relata que Huizinga fala sobre o caráter “não serio” esclarece que a brincadeira infantil não deixa de ser séria. mas. possibilitando a imaginação criativa. brinquedo e brincadeira relacionam-se diretamente com a criança e não se confundem com o jogo. ao mergulhar na ação lúdica. de falta de brinquedos. a separação do fenômenos do cotidiano. que o devaneio sobre a infância é um retorno do adulto à infância pela memória e imaginação. Afirma que atualmente. As fantasias possibilitam as recordações de infância. ideais e vontades. conota criança que tem uma dimensão material. cita alguns teóricos como Wittgenstein. mistura-se com o presente e alimenta as fantasias. Enquanto objeto. O vocábulo “brinquedo” não pode ser reduzido à pluralidade de sentido do jogo. o caráter fictício ou representativo e suas limitações no tempo e no espaço. Pode se dizer que é lúdico em ação. a liberdade. Dessa forma. Por meio dos estudos que discutem a natureza do jogo. cultural e técnica.

controle interno: no jogo infantil.ligada ao prazer. Caillois aponta como características do jogo: a liberdade de ação do jogador. um fim em si mesmo. Entende-se que o jogo. o “efeito positivo”. a separação do jogo em limites de espaço e tempo. Predomina. atividade voluntário. como a conduta de outros parceiros. não visa a um resultado final. o ato lúdico e se contrapõe ao trabalho. de modo coercitivo. p. a “prioridade do processo de brincar”. Da mesma forma. nunca se sabem os rumos da ação do jogador. o caráter produtivo de não criar nem bens nem riquezas e suas regras. pois. Um novo elemento introduzido pelo autor é a natureza improdutiva do jogo. que caracteriza a realidade interna predominando sobre a externa. visto as alternativas de ação. (KISHIMOTO. 26) Foi realizado um estudo de Fromberg que se apresenta como características do jogo o simbolismo. explica também que: Livre escolha: o jogo infantil só pode ser jogo quando escolhido livre e espontaneamente pela criança. 2001. 24-25) Christie discute as características do jogo infantil elaborando critérios para identificar alguns traços como: a “não literalidade”. o ensino. Quando ela brinca. regrado . neste caso. trabalho ou ensino. dirigido pelo objetivo da criança. a “flexibilidade”. significação. Quando o professor utiliza um jogo educativo em sala de aula. a incerteza presente em toda conduta lúdica é outro ponto que merece destaque. p. de fatores internos. que acompanha. por ser uma ação voluntária da criança. No jogo. caracterizado pelo prazer e alegria da criança. considerado atividade séria. que dependerá. não pode criar nada. a incerteza que predomina. na maioria das vezes. a direção do professor. O que importa é o processo em si de brincar que a criança se impõe. de motivações pessoais e de estímulos externos. (KISHIMOTO. 2001. não oportuniza aos alunos liberdade e controle interno. Caso contrário. são os próprios jogadores que determinam o desenvolvimento dos acontecimentos. sempre. não está preocupada com aquisição do conhecimento ou desenvolvimento de qualquer habilidade mental ou física.

que reconstrói a sua realidade. incerteza de resultados. 2. Desta forma o jogo passa a ser percebido como uma nova percepção da infância. de motivação interna e episódio da ação lúdica. futilidade. o jogo auxilia o desenvolvimento da linguagem e da imaginação. Liberdade de ação do jogador ou caráter voluntário. 4. ajustando o ensino às necessidades infantis. essa perspectiva se fixará com o Romantismo que considera o jogo como forma de expressão. já o período do Renascimento é marcado pela “compulsão lúdica”. reflexão de segundo grau. o jogo é considerado como inútil e fútil. . passatempo. (KISHIMOTO. uso do jogo para auxiliar o ensino de conteúdos escolares e diagnosticar a personalidade. Rabelais fala sobre o jogo. representação da realidade. na educação do sábio pedagogo. Nessa obra é citado que a educação é considerada inadequado de Gagântua. o “não-sério” ou efeito positivo. três concepções estabeleciam as relações entre o jogo infantil e a educação e são apresentados pela autora: recreação. Regras (implícitas ou explicitas). Rabelais critica o jogo como futilidade e o valoriza como instrumento de educação para ensinar conteúdos. pois. é possível perceber a sua natureza.27) Antes da Revolução Romântica. 2001. p. Gagântua e Pantagruel. o jogo é notado como instrumento de ensino: matemática e outros conteúdos. Kishimoto apresenta uma síntese dos elementos em comum dessas características. Relevância do processo de brincar (o caráter improdutivo). Contextualização no tempo e no espaço. prazer (ou desprazer). pois. Na clássica obra. imaginação e 5.e episódico. gerar conversas. Para Montaigne. A autora relata que durante a Idade Média o jogo era considerado como “não-serio”. 3. ilustrar valores e práticas. Observa a importância dessa atividade. ou seja. Não-literalidade. satirizando os sofistas da época. a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. sendo um meio de expressão espontânea da criança.

A partir do século XVIII. apud. participa do conteúdo da inteligência e à semelhança da . ou seja. “Daí ter sentido a afirmação de que o jogo é uma conduta espontânea. já nos tempos do Romantismo. um ato voluntário. é um processo assimilativo. Ele acredita que é pela brincadeira e imitação que se dará o desenvolvimento natural. entendia-se que a infância era como idade do imaginário. axioma.30) Kishimoto aponta que no século XIX. ela adota o pressuposto biológico de necessidade da espécie e acrescenta a vontade e a consciência infantil em busca do prazer para justificar os processos biológicos. Kishimoto (2001) o jogo infantil desempenha papel importante. Se. de acordo com a psicologia e a pedagogia do escolanovismo. de expressão de tendências infantis. supondo existir uma aproximação entre povos primitivos e a infância. um instinto e. como coisa “não-seria”.Kishimoto (2001) esclarece que o jogo assume a imagem. assim. o sentido que cada sociedade lhe atribui. Já Claparède. a psicologia da criança recebe influência da biologia e utiliza dos estudos com animais para a infância. aparece como algo sério e destinado a educar a criança. o jogo era visto como inútil. para ela a brincadeira. Groos define o jogo como uma necessidade biológica. p. fica claro que cada contexto social constrói uma imagem de jogo conforme sua cultura. Portanto. Então. o jogo serve como treino dos instintivo herdados. ou seja. 2001. livre. se é uma atividade biológica. citado por Kishimoto. da poesia. assume significados diferentes. psicologicamente. motivador do auto-desenvolvimento e. Nesse sentido. que se expressa por meio da linguagem. firma-se a idéia de que o conhecimento da criança seria via de acesso do conhecimento da humanidade. distingue a construção de estruturas mentais da aquisição de conhecimentos. Para Gross. à semelhança dos povos dos tempos da mitologia. método natural de educação e instrumento de desenvolvimento. Piaget. era composto de povos poetas” (KISHIMOTO.

Seus paradigmas para explicitar o jogo infantil localizam-se na filosofia marxista-leninista. é construída como resultado de processos sociais. Kishimoto (2001) ao estudar a linguagem. mas inclusive as formas de pensamento do ser humano. Kishimoto apresenta alguns tipos de brinquedos e brincadeiras mais utilizados. (KISHIMOTO. toda conduta do ser humano incluindo suas brincadeiras. . o que inicia com Henriot que permite entender a diversidade de comportamentos com jogo. alguns autores conceituam jogo. apud. que concebe o mundo como resultado de processos histórico-sociais que alteram não só o modo de vida da sociedade. desenvolve e educa de forma prazerosa. Para Vygotsky (1988. p. 1982). vincula o jogo à linguagem e afirma que a criança expressa e dos significados da realidade através do jogo. A função do brinquedo educativo está em exigir um olhar para o desenvolvimento infantil e a materialização da função pedagógica. destinado a ensinar formas ou cores e nos brinquedos de tabuleiros que exigem à compreensão do número e das operações matemática.aprendizagem.7- Brinquedo Educativo: O brinquedo educativo ganha força com a expansão da educação infantil e é entendido como recurso que ensina. Segundo Kishimoto (2001). 1. 32-33) Para Bruner. Dessa forma. fatores que modificam o modo de pensar do homem. 1987. a criança demonstra o nível de seus estágios cognitivos e constrói conhecimentos. não o seu significado. Para Piaget. os processos psicológicos são construídos a partir de injunções do contexto sócio-cultural. etc. 2001. O brinquedo educativo pode ser materializado no quebra-cabeça. ao manifestar a conduta lúdica. São os sistemas produtivos geradores de novos modos de vida. mas.

da capacidade de iniciação e ação ativa e motivadora. p. Dessa maneira. tendo como finalidade a função educativa. Quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendizagem surge à dimensão educativa. p. Utilizar o jogo na educação infantil significa transportar para o campo de ensino-aprendizagem condições para maximizar a construção do conhecimento. 1. 2001. quando escolhido voluntariamente. (KISHIMOTO. Desde que mantidas as condições para a expressão do jogo. o jogo contempla varias formas de representação da criança ou suas múltiplas inteligências.37). o educador está potencializando as situações de aprendizagem. a partir das condições para a expressão do jogo o educador potencializa as situações de aprendizagem. ou seja. é possível contemplar o lúdico. tornando o brinquedo como um ato de ensinar qualquer coisa que complete o individuo em seu saber. a ação intencional da criança para brincar. A função lúdica tem como principio proporcionar a diversão. o prazer e até desprazer.36) Desse modo. contribuindo para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil. do prazer. possibilitando a situação imaginaria e a habilidade da criança. as situações lúdicas criadas pelo adulto com o objetivo de motivar tipos de aprendizagem. Proporcionando dentro da mesma situação o brincar e o educar.Quando o brinquedo educativo tem fins pedagógicos incentiva a importância desse instrumento para situações de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento infantil. a construção de representações mentais (cognição).8- Brincadeiras Tradicionais Infantis . à manipulação de objetos e o desempenho de ações sensório-motoras (físico) e as trocas nas interações (social). constituem-se uma função educativa. seus conhecimentos e sua apreensão do mundo. introduzindo as propriedades do lúdico. (KISHIMOTO. Portanto. 2001. Ao permitir a ação intencional (afetiva).

p. como da Grécia e do Oriente. empinar papagaios. desenvolver formas de convivência social e permitir o prazer de brincar. (KISHIMOTO.38). 1. 39) . em diferentes contextos. São consideradas também. garantindo dessa maneira. a presença do lúdico da situação imaginaria.As brincadeiras infantis popular possuem um caráter tradicional que assumem características conservadoras. 2001. A tradicionalidade e universalidade das brincadeiras assentam-se no fato de que povos distintos e antigos.9- Brincadeiras de Faz-de-conta A brincadeira de faz-de-conta evidencia a presença da situação imaginaria e a expressão de regras implícitas nas brincadeiras. p. brincaram de amarelinha. como parte da cultura popular. Surge com o aparecimento da representação e da linguagem quando a criança c omeça a alterar o significado dos objetos. a expressar seus sonhos e fantasias e a assumir papéis presentes no contexto social. dos eventos. Nesse sentido. mas a expressão de regras implícitas que se materializam nos temas das brincadeiras. É importante registrar que o conteúdo do imaginário provém de experiências anteriores adquiridas pelas crianças. jogar pedrinhas e até hoje as crianças o fazem quase da mesma forma. 2001. (KISHIMOTO. brincadeira tradicional tem a função de manter a cultura. essas brincadeiras que guardam as produções espirituais de um povo em certo período histórico. O faz-de-conta permite não só a entrada no imaginário. Tais brincadeiras foram transmitidas de geração em geração através de conhecimentos empíricos e permanecem na memória infantil.

Essa modalidade de brincadeira é importante para aquisição de símbolos. Dessa forma. Portanto. pois. c onsiderar as idéias presentes nas representações. . Nesse sentido. 2001. as brincadeiras simbólicas podem se transformarem em temas de brincadeiras e evoluem em complexidade conforme a imaginação e desenvolvimento da criança. 1. Permitindo assim. O jogo de construção tem uma estreita relação com o de faz de conta.10. além de manipular o desenvolvimento da criança. a partir do desenvolvimento de símbolos é possível garantir a racionalidade do ser humano. as brincadeiras de construção são importantes para enriquecer a experiência sensorial. o criador dos jogos de construção. (KISHIMOTO. como elas adquirem tais temas e como o mundo real contribui para construção. no currículo das escolas tem que ter como função também o desenvolvimento de brincadeiras que colaborem significamente com as interações sociais. p. a criança está expressando suas representações mentais.40). o manuseio de objetos e alteração significativa dos mesmos. pois. Idéias e ações adquiridas pelas crianças são influenciadas pelo contexto social que estão inseridas. estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança. quando está construindo.Brincadeiras de Construção Para Kishimoto. oportunizou a muitos fabricantes a duplicação de seus tijolinhos para a alegria da criançada que constrói cidades e bairros que estimulam a imaginação infantil. é importante. Fröebel.

como os combates simulados. Entre elas destaca inicialmente Groos.BARROS (1995) também desenvolve essa temática e apresenta as diferentes teorias que discutem a atividade lúdica. ou seja. o que se evidencia o prazer nessa ação. portanto. adquirem.) O conceito de sublimação das tendências individuais. o jogo é a livre expressão das tendências reprimidas. uma função catártica. Para a psicanálise. p. 200). Conforme o autor. as mais variadas formas de expressão. que se manifestam tão precocemente na criança. O brinquedo tem. por meio do brinquedo. mas que se mostram incompatíveis com o estagio atual de nossa civilização. os ataques de mentira. tem certa analogia com a catarse de Carr. (BARROS. A partir dos estudos de Alfred Adler aponta-se o brinquedo infantil como possibilidade. explicou o brinquedo como sendo um exercício preparatório para as atividades adultas.. Outra teoria. p. purificadora. o brinquedo tende a canalizar no sentido útil as tendências consideradas nocivas à vida coletiva. em 1896. a de Harvey Carr (1873-1954).. admite que o brinquedo tem a função de descarregar as tendências anti-sociais que são naturais nas crianças.199). que. 1995. pois seria uma atividade natural da criança. isto é. Como função catártica. Dessa maneira. Já para Claparède o jogo é um exercício para “descarregar” as tendências anti-sociais. descobre que ao introduzir o brinquedo na clinica é possível revelar as causas dos problemas apresentados pelas crianças. . 1995. expressão de uma para mandar. Melanie Klein. Os impulsos agressivos e sexuais. Sublimação é a canalização útil dos instintos perniciosos ao individuo e à sociedade. (. (in BARROS. um desejo de superioridade. Para Rabello. o brinquedo de boneca. os brinquedos de família etc. e isso explica a alegria que caracteriza os brinquedos infantis. Os psicólogos também manifestam o interesse em discutir o brinquedo. o brinquedo corresponde a uma necessidade natural. da escola psicanalítica.

apalpar os objetos. “Ela já sabe brincar disto” etc.. . seu anseio de domínio. 201). ao descreveram o progresso de suas crianças usa o advérbio já: “Ela já brinca disto ou daquilo”. (BARROS. Barros aponta que vários psicólogos como desenvolveram experiência com seus próprios filhos para discutir o desenvolvimento da atividade lúdica. Olhar a luz e as cores. (BARROS. assim como no tipo de brinquedo e nos objetos com que brinca. 1995. Durante o desenvolvimento motor. Quanto ao brinquedo experimental Barros evidencia o desenvolvimento dos movimentos da criança na suas ações com brinquedos motores. reproduzindo as atividades dos pais. uma bicicleta ou uma motocicleta ou ainda atribuir vida a objetos inanimados. 1995. Piaget atribui muitos desses “jogos de exercícios” à auto-imitação: o bebe imita a se mesmo. é comum a criança fazer de conta que está dirigindo um carro. a criança faz de conta que é grande e realiza seu ideal infantil de ser grande. O brinquedo utilizado como ficção pelas crianças durante a infância permite o desenvolvimento da imaginação. sentir a textura das roupas parecem constituir brinquedos sensoriais para crianças.p.Ao brincar. sendo assim. Tanto que. Já os brinquedos simbólicos surgem na segunda metade do segundo ano de vida e continuam até os anos pré-escolares. mental e social da criança é possível perceber que as mudanças em suas atividades lúdicas. muitas vezes repetindo o movimento casual ou reflexo que acaba de efetuar. 1995. escutar os sons e as canções de ninar.200). Por se uma compensação da inferioridade infantil é que o brinquedo de boneca atrai tanto a menina” (BARROS. p. Os pais sabem que as mudanças no brinquedo estão relacionadas com a idade. Ao discutir o desenvolvimento do brinquedo.201).

(BARROS. escolhido de acordo com sua capacidade: maior. como por exemplo. de médico. 203) Geralmente. são definidas pelo Jean Château como jogos de brinquedos de imitação. Tal escolha resultaria basicamente da influencia de nossos padrões culturais. de escolinha ou de casinha. Já na fase escolar. já é capaz de obedecer a regras e a esperarem sua vez. em que ela joga livremente.203). plantas. formam-se grupos de idade aproximada que se selecionam por sexo. pois. (BARROS 1995. areia. . As brincadeiras como a de motorista de ônibus.Quanto aos brinquedos observa que quando a criança atinge o terceiro ano de vida. Os brinquedos com regras ocorrem a partir da idade escolar a criança está apta a brincar em grupo. a criança está empenhada em um brinquedo de construção. 1995. terra são elementos imprescindíveis para esse tipo de brinquedo. o mais corajoso. a seu modo. pois meninos e meninas já não se interessam mais pelos mesmos brinquedos: os meninos agrupam-se para jogos movimentados. para brinquedos sedentários. o que sabe maior número de jogos ou dono do brinquedo. as meninas. as brincadeiras são dominadas por um líder. p. A menina. pedras. fazendo bolinhos de areia e oferecendo-os a seus amigos para provarem. nota-se que nessa idade a criança está ainda no estagio egocêntrico. de carteiro. De acordo com a observação de Piaget. o menino misturando água e areia para levantar um castelo. pois. com outras. está representando o papel de mãe. Neste período há um particular interesse pelo brinquedo de construção: a caixa de bloquinhos de madeiras. ela reproduz atividades que vivenciam ou das quais toma conhecimento através de meios de comunicação. professor ou cozinheiro. p. De acordo com a explicação da autora é possível notar que esses materiais servem para motivar a criatividade e imaginação das crianças. dessa maneira.

Em destaque a referida autora cita Goethe e Schiller que são responsáveis pela sensibilidade dada aos jogos das crianças que influenciam no comportamento do adulto favorecendo uma produção artística.1. Essas representações permitem diferentes denominações como: jogo imaginário. jogo de faz-de-conta. desde que sejam empregados para descrever o mesmo fenômeno.Referencias literárias e teóricas BOMTEMPO (2001) explica que no século XIX inicia-se a abertura para o mundo infantil. 58). professora. pai. principalmente ao vê-las imitando a mãe. índio. de simulação. jogo de papéis ou dramático. do imaginário BOMTEMPO (2001) destaca que o adulto ao ver a criança brincando de faz-de-conta sente-se atraído pelas representações que elas desenvolvem. imaginativos. 2. (BOMTEMPO. policia e outras coisas mais. Os termos simbólicos.II Capítulo A brincadeira de faz-de-conta: lugar do simbolismo. As representações são desempenhadas com clareza. de ficção ou faz-de-conta podem ser vistos como sinônimo. irmã. Quando se observa à criança encenando uma brincadeira é possível notar rapidamente que tipo de significado e objetivo que assumem dentro de um contexto. A importância dessas representações favorece o desenvolvimento cognitivo e afetivo social da criança. imaginativos. relacionado ao mundo da experiência adulto da imaginação. a tia. 2001. essa teoria influenciou os . p. fantásticos. representativos. da representação. Schiller produziu uma teoria para explicar a natureza do jogo.

pioneiros no campo da educação infantil eram particularmente sensíveis à importância do jogo na infância relacionado à pratica do ensino e educação da criança. algumas teorias e pontos de vista. BOMTEMPO (2001) cita que para Piaget a criança assimila o mundo a sua volta por meio da interação com objeto que não depende da natureza de si. ou seja. Mark Twain ao relatar as peripécias de Tom Sawyer e seus amigos que se divertiam de pirata. influenciam o desenvolvimento do jogo imaginativo. como “voar”. cair.etologistas modernos e Goethe enfatiza o contato com sua mãe para explicar a sua inspiração para contos e fantasias. Fröebel e Pestalozzi. com seus super-heróis. representam experiências concretas que envolvem um mínimo de elementos. mas ao evoluir para o estagio de jogo sociodramatico passa a obter uma representação. mas. 2001.59). passeando num triciclo ou jogando xadrez. Piaget denomina de jogo simbólico. montando um quebra-cabeça. o objeto inicialmente é insignificante. cortando roupas de papel e vestindo figuras de brinquedo ou. com seus filmes infantis da era Disney e os desenhos animados na TV. A partir disso. Isso inclui crianças concentradas na construção de uma torre de blocos o mais alto possível. 2001. p. chegase a jogos imaginativos naturais que enfatizam o elemento faz-deconta. (BOMTEMPO. brevemente. de capitão de barco e de muitos outros jogos demonstra muito bem o jogo de faz-de-conta. O cinema como a televisão. 58). Alguns teóricos e estudiosos como Freud (1976). pois. Contudo. da função que a criança lhe atribui. p. Luria (1932) e Vygotsky (1984) destacam que o jogo de fantasia permite analisar a origem dos devaneios da vida adulta. ainda. correr e pular corda. havia pouca descrição dos jogos das crianças na literatura do século XIX. Piaget (1971). Estas e outras dúzias de atividades. (BOMTEMPO. o significado . tornando-o mais elaborado e sofisticado. de imaginação e de faz-de-conta. Examinando. Como por exemplo. A opinião de alguns teóricos importantes permite o entendimento do jogo imaginativo ou de faz-de-conta.

ela está apenas dominando as dificuldades. O apogeu do jogo simbólico situa-se entre 2 e 4 anos de idade. transforma-se em coletivo com a presença de vários participantes.atribuído ao objeto permite a criança representar papéis. declinando a partir daí. objeto de jogos de exercício sensório-motor isolados. adoção de papéis. p. como brincar de medico. Levando-as a imaginar pessoas e animais que não estão presentes no momento das brincadeiras. também. pois. um pedaço de madeira. . subordinados à representação e à simulação que devem predominar na ação. Esses movimentos são. médico etc. E é possível também fazer de conta que tem uma amiga para brincar. de acordo com a ocasião. 2001. de papai. BOMTEMPO (2001) ilustra que a criança de 4 anos quando está brincando em um balanço pode imaginar como se estivesse em um avião e realizar gestos que representem os planos de vôo porque tem pouca gasolina. O adulto ao observar a criança irá perceber que quando elas brincam reproduzindo barulhos de canhão e ronco de avião está utilizando a imaginação. Por exemplo. A autora relata que Singer (1973) explica que os jogos de faz-de-conta também têm qualidade simbólica. ou seja. A referida autora destaca que o jogo simbólico se define como uma representação de um objeto. A partir desses exemplos. de mamãe etc. (BOMTEMPO. anteriormente. A maior parte dos jogos simbólicos implica movimentos de atos complexos. no contexto do jogo simbólico. Piaget explica que a criança quando está fantasiando utiliza-se da imaginação para representar “com se” realmente estivesse vivenciando e modificando a situação e quando a criança brinca. pode ser representado com um cavalo. de casinha. 60). que podem ter sido. O jogo simbólico individual pode. o jogo de faz-de-conta envolve situações que permite a imaginação da criança. a partir do significado atribuído a um objeto é possível obter variadas representações.

à medida que a criança vai se desenvolvendo. 2001. permitindo que o desejo irrealizável realizar-se no imaginário da criança. A criança na fase de amadurecimento tem por necessidade satisfazer seus desejos que na maioria não se satisfazem imediatamente. no decorrer do concreto para o abstrato não há continuidade. predomina as regras (explicitas) e a situação fica oculta. p. pois. 2.Ação e significado no brinquedo BOMTEMPO (2001) explica que para Vygotsky uma criança de 3 anos é praticamente impossível envolver-se em uma situação imaginaria. Segundo Vygotsky. mas uma descontinuidade. Nesse sentido. A partir do momento que a criança brinca é possível perceber que ela começa notar como o objeto realmente é e não como ela gostaria que fosse. O brinquedo que comporta uma situação imaginaria também comporta regra. Isso é defino por Vygotsky como brincadeira. mas a partir das brincadeiras isso pode acontecer. Não uma regra explicita. há uma modificação: primeiro predomina a situação e as regras estão ocultas (não explicitas). (BOMTEMPO.Vygotsky (1984) define o brincar como uma situação imaginaria construída pelas crianças. 61). pois. Durante a aprendizagem formal isso não é possível. quando ela vai ficando mais velha.2. a fase de maturação das crianças permite entender que o brinquedo das crianças tem uma importância singular em seu processo de amadurecimento. . De acordo com a maturidade das crianças é possível notar que a brincadeira que interessa a um bebê é diferente dos interesses de uma criança mais velha. cria um mundo ilusório. mas surge por meio da ação. É importante destacar que a brincadeira influencia nas necessidades que mudam de acordo com a idade. A partir da incapacidade da criança de esperar. o brinquedo começa perder sua força determinadora. mas uma regra que a própria criança cria. para ele a imaginação é uma atividade que não está presente conscientemente na criança.

Vygotsky. 62) Vygotsky chama atenção para a criança com menos de 3 anos que considera o brinquedo como algo muito serio. Quer dizer que. o brinquedo é essencial para contribuir com o desenvolvimento da aprendizagem. às ações da criança. (BOMTEMPO. nesse momento a criança está atribuindo um sentido. . igualmente. estas estão subordinadas aos significados dos objetos. 2. permite varias possibilidades nas relações dos pensamentos e o real. explica também que o essencial é que a criança consiga identificar o objeto real e que a partir dos gestos e significados colocados no objeto é possível perceber como funciona o imaginário da criança. quando uma criança bate com os pés no chão imagina-se cavalgando um cavalo. Quando chega a idade escolar. Por exemplo. pois. quando a criança pega a vassoura ela pode imaginar que é um cavalo. No brinquedo. permitindo um significado diferente do que tem para uma criança na fase pré-escolar. O que foi dito sobre a separação do significado dos objetos aplica-se. Por exemplo. uma ação substitui outra ação.3. pois. ela está dando mais importância ao significado que está conferindo à ação do que à própria ação. para ela o imaginário e o real caminham juntos. o brincar torna algo que irá complementar o desenvolvimento das atividades. p. ele cita a vassoura.Brinquedo e desenvolvimento simbólico Conforme BOMTEMPO (2001) os jogos simbólicos contribuem para o aparecimento do jogo de papéis. ao mesmo tempo que a criança é livre para determinar suas ações no brincar. Portanto. e a criança age de acordo com eles. 2001. assim como um objeto substitui outro objeto.

Nesse sentido. um pedaço de pau. esses objetos não substituem ou simbolizam outros objetos.64). Por exemplo. assim. Essas atividades que envolvem o uso de vários objetos não são adquiridas pela simples transferência do esquema sensório-motor. (BOMTEMPO. O jogo simbólico constitui. cujo desenvolvimento ocorre na pré-escola. Após essa idade a criança é capaz de reproduzi-los para aspectos da vida diária e substituí-los por outros objetos. Por exemplo. de forma independente. Alguns objetos são utilizados como substitutos de outros. mas também outros animais de brinquedo. de exemplo. 2001. pois. revelando no brinquedo não ó a identificação de suas atividades com os adultos. A criança passa do brinquedo cujo conteúdo básico é a reprodução das atividades dos adultos com objetos para o brinquedo cujo conteúdo das relações de adultos entre si ou com crianças. citando Vygotsky. Assim são criadas as pré-condições para o jogo de papéis propriamente dito.63). . Elas são desenvolvidas somente na relação da atividade da criança com os adultos. no 2º e 3º anos de vida.Elkonin (1971). Isso constitui a principal diferença do esquema manipulativo sensóriomotor no qual a assimilação do objeto aparece claramente na repetição de movimentos com os mais diversos brinquedos. assim como seu brinquedo reflete momentos individuais de sua própria experiência de vida. (BOMTEMPO. principalmente. ocorre uma simples reprodução de uma situação. 2001. a criança começa a reproduzir ações em suas brincadeiras. Após isso. Mais tarde. o limite de tais transferências se expande. ela alimenta não só o seu cãozinho. a novos objetos. diz que o jogo de papéis se desenvolve a partir das atividades da criança com o objeto. p. Na criança de 1 e 2 anos. adquirido no 1º ano de vida. um expressivo gesto pela fala. p. a atividade não é separada do objeto assimilado nem é. a autora cita o dar banho na boneca em uma água imaginaria ou dar de comer um alimento que não existe. a criança só será capaz de nomeá-la sozinha a partir dos 3 anos ou mais de idade. A interpretação do papel do adulto pela criança é uma forma original de simbolização. transferida pela criança a um outro objeto. Isso demonstra a separação ação/objeto durante a reprodução da situação do qual os objetos estão ausentes. A mudança no conteúdo da brincadeira da criança está intimamente relacionada com a mudança na natureza das atividades apresentadas por ela. mais do que um objeto da própria atividade.

Nessa perspectiva. em que o que não se consegue realizar podem ser realizados. Para Piaget.O faz-de-conta: ponte entre a realidade e a fantasia BOMTEMPO (2001) no livro Uma vida para seu filho. autora cita como exemplo. Como exemplos têm: a bondade. a frustração utilizase do processo de acomodação da vida real. especialmente dos pais. sabedoria. 2. com o objetivo de reduzir a tensão. elas são conscientes do poder que o adulto tem no mundo. As crianças são bastante atraídas pelas imagens do super-herói e tenta imitá-lo. Dessa maneira. destaca que por meio das fantasias imaginarias e das brincadeiras é possível que as crianças possam sobressair das pressões que sofrem na realidade do cotidiano. permite que a criança livre-se do controle dos adultos. quando a criança imagina ser um super herói. Vygotsky ressalta também que o brincar inicia pela situação imaginaria construída pela imaginação da criança.4. coragem entre outros.Para Vygotsky a fala da criança é percebida como uma propriedade antes de ser definida como um símbolo do objeto. As imagens ou palavras são importantes para dar seguimento ou controlar o comportamento. solucionar qualquer problema e ultrapassar obstáculos e etc. Dessa maneira. escrito pelo teórico Bettelheim (1988). Kostelnik e colaboradores (1986) citam algumas características dos super-heróis e heroínas. o brincar significa fase do processo de desenvolvimento cognitivo. tendo como função consolidar a experiência passada. destacado pelo domínio da assimilação e acomodação. . a linguagem e jogo simbólico são expressões mediadas por eventos internos que possibilitam a transição de coisas como objeto de ação para coisas como objetos d pensamento. podem utilizar do imaginário da fantasia para representar um personagem de ira em jogos de luta ou preencherem seus desejos de grandeza.

Na maioria das vezes a fantasia das crianças incomoda os pais. a brincadeira de super-herói possibilita uma forma especial de jogo de papéis ou sócio-dramático. leva-a a superar obstáculos da vida real. Mesmo. Kostelnik e colaboradores. pois. portanto. (LEVINZON. em que ela pode dominar os vilões ou as situações que provocariam medo ou que a fariam sentir-se vulnerável e insegura. Segundo a autora referida.5. como vestirse. Sendo que. ela tirava a colher e . cita Freud que por meio de observação percebeu que a criança que sofria de ansiedade pela separação da mãe. fazer amigos. Bettelheim (1988) explica que esse tipo de necessidade é característica da criança. enfim. a brincadeira de super-herói.Brincando. p. 66). apud. os brinquedos e a realidade Conforme BOMTEMPO (2001) o jogo simbólico permite a construção entre a fantasia e a realidade. pois. Nesse sentido. afirmam que os jogos dramáticos que aparecem nas brincadeiras de super-herói permitem o desenvolvimento da linguagem. 2001. De exemplo a autora. os adultos caracterizam como prejudicial. ao contrário do que pensam é necessário para a criança obter um sentido de domínio. a criança coloca-se num papel de poder.A brincadeira. caótico ou violento. sabendo que a representação é importante para a criança. brincava com uma colher presa ao barbante. eles não compreendem o sentido que atribuem à televisão ou busca de diversão. possibilita a autonomia nas crianças e desenvolve a cooperação. corresponder às expectativas dos padrões adultos. A brincadeira de superherói. BOMTEMPO. comer um alimento sem deixar cair. acontece na brincadeira de faz-de-conta. 1989. 2. não foi lhe dado cultivar sua própria vida interior que. ao mesmo tempo em que ajuda a criança a construir a autoconfiança. em parte.

. ele a condiciona. (BOMTEMPO. medo e perda. (BOMTEMPO. permite reconhecer e apreciar o brincar das crianças. a criança foi capaz de controlar a perda e separação. Elas procuram integrar experiências de dor. Esse tipo de brincadeira. p. Dentro de uma mesma cultura. Portanto. A transição do papel passivo para o ativo é um mecanismo de atividade lúdica. Desse modo. Os temas. quando for necessário. a agir e a imaginar. A manipulação do brinquedo leva a criança à ação e à representação. o caso da criança que vence o medo de atravessar o corredor escuro fingindo ser o fantasma que teme encontrar. que o ambiente é a condição para a brincadeira e. Quando o contexto muda. 2001. em geral. As crianças são capazes de lidar com complexas dificuldades psicológicas através do brincar. 2001. Pode-se dizer. é definida pela personificação determinada pela ansiedade ou frustração. a abertura para o simbolismo. por conseguinte. p.puxava de volta ligeiramente. A criança quando se apropria de papel de alguém que teme. O triunfo do bem sobre o mal dos heróis protegendo vitimas inocente é um tema comum na brincadeira das crianças. 67). representam o ambiente das crianças e aparecem no contexto da vida diária. crianças brincam com temas comuns: educação. relações familiares e vários papeis que representem as pessoas que integram essa cultura. BOMTEMPO (2001) cita alguns exemplos de Freud relacionados com essa linha. 68) Nesse sentido. quando a criança apropria dessa representação passa do papel passivo para o ativo a outra pessoa. permite que a criança reduza o trauma de uma experiência desagradável e se torna melhor preparado para enfrentar ao papel passivo. então. Lutam com conceitos de bom e mal. o brinquedo torna-se um pedaço de cultura colocado ao alcance da criança. pois. as brincadeiras também mudam.

p. Portanto. onde “ela restabelece seu controle interior. O brinquedo valoriza hoje o imaginário em detrimento de um realismo estreito. Alimentar e vestir bonecas com as quais se identifica funciona como uma prova de que sua mãe a ama e isso diminui o medo de ser abandonada e de ficar ao desamparo. A brincadeira aparece. 2001. (BOMTEMPO. mas sempre sobre o fundo da integração a uma cultura especifica.Manipulação. 69) Segundo BOMTEMPO (2001) realizou uma pesquisa com Marx (1993) e percebeu que crianças pequenas de 3 a 5 anos utilizam a boneca não só como instrumento de ação. assim. 68). sem lar e sem mãe. uma abertura para o dialogo com o mundo dos adultos. . permite resolver problemas no passado. Melanie Klein (apud Geets. Além disso. também de faz-de-conta. A apropriação se inscreve num contexto social: o brinquedo pode ser mediador de uma relação com outra ou com uma atividade solitária. Por meio de brincadeira e brinquedos as crianças desenvolve um canal de comunicação. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro. consumo. brincar de boneca simboliza seus afetos ambivalentes. o brinquedo introduz a criança nas operações associadas ao objeto. posse.. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. também no passado. como um meio de sair do mundo real para descobrir outros mundos. O mundo representado é mais desejável que o mundo real. introduzindo a criança num universo de sentidos e não somente de ações. 1977) afirma que brincar com bonecas revela a necessidade que a criança tem de ser consolada e tranqüilizada. 2001. é suporte de representações. sua auto-estima e desenvolve relações de confiança consigo mesma e com os outros” . para se projetar num universo inexistente.. pois. Quando a menina brinca de boneca está antecipando uma possível maternidade e tenta enfrenta as pressões emocionais do presente. p. mas. (BOMTEMPO. mas. A brincadeira da criança não está focalizada somente no presente.

em que o cotidiano toma outra aparência. mostram uma mistura de realidade e fantasia. adquirindo um novo significado. o imaginário. Portanto.O fantástico. por meio do sonho. da fantasia. da brincadeira de faz-de-conta desejos que pareciam irrealizáveis podem ser realizados. no qual os encontros da realidade e fantasia se misturam. fica zangada com seu cãozinho imaginário porque faz sujeira no tapete da mamãe ou transforma a pedra em pássaro. expressos na brincadeira da criança quando fala com um cabo de vassoura “como se” fosse um cavalo. . Isso está próximo do sonho ou do “reverso do espelho” de que nos fala Lewis Carrol.

danças. A autora destaca que alguns anos atrás as crianças se utilizavam das ruas para brincar e que os familiares sempre tinham brincadeiras do seu tempo para ensinar para elas. brincar na areia. É compreender sua cultura. acabam por permitir que apenas as apresentadoras de TV ensinem canções. TV ou vídeo game. E que hoje. e principalmente. confecções de brinquedos. avós e pais não tem tempo de brincar e ensinar brincadeiras as crianças. desejos. Não aproveitam mais os espaços nas ruas para as crianças brincarem. e não utilizam de brincadeiras infantis para desenvolvimento das crianças. subir na árvore. as necessidades que tem de . só correm e brigam. bairros é um passo importante para entendermos as diferentes concepções de sujeito/criança que estão presentes no cotidiano de cada um desses lugares. Nas escolas de educação infantil (creches e pré-escolas) também aproveitam dessa fase da tecnologia e permitem que as crianças fiquem o dia inteiro assistindo TV e vídeo. a praça em frente á escola para rolar na grama correr. considera-se que geralmente as crianças na hora do recreio. A sociedade contemporânea está permitindo apenas que as tecnologias. Em muitos momentos da infância deixa-se de ir à rua. DORNELLES (2001) ressalta que: “Abrir a sala de aula para as brincadeiras do folclore rico que temos em cada uma das diferentes regiões de nosso país. na correria do dia-a-dia os familiares como irmãos mais velhos. tomem conta desse momento da infância.III Capítulo Na Escola Infantil todo Mundo Brinca se Você Brinca DORNELLES (2001) chama atenção em seu texto para os críticos que dizem que as crianças hoje em dia não sabem mais brincar. E dessa maneira. como. tios. Entender essas concepções é possibilitar que vivam intensamente o seu modo de ser criança. cidades. pois. seus valores.

compreender a realidade que as cerca através do brinquedo”. (p.
102).

Quando o adulto entende as brincadeiras de criança possibilita que
representem os papeis que escolheram para brincar independente do sexo. O
importante é que haja interação entre as crianças do mesmo sexo, para que
ambos desfrute dos mesmos tipos de brincadeiras, como brincar de casinha,
boneca ou panelinha, jogar futebol, saltar, correr, pular e subir em árvore,
brincar de herói ou bandido, recriando os heróis que fazem parte do seu
cotidiano, de sua sociedade.

Segundo a autora recriar o mundo das crianças permite que estejam
constituindo-se como sujeitos. É preciso que educadoras (res) de crianças
pequenas, reaprendem a brincar com as crianças que convivem.

DORNELLES (2001) destaca que:
“Podemos convidar as crianças para brincarem de: pique - esconde;
paralítico ou pegador enfeitiçado. Descobrir com elas quem vai ser o
chefe na brincadeira através do: discador... – meu pai fez uma casa...
- minha mãe mandou... - uni dune... - pim poneta... - coca cola... –
Brincar com as mãos de: trem maluco... - parará-parati... - sabonete
de listra azul... - Descobrir o mágico de pular corda como: reloginho, chocolate, -um homem bateu em minha porta, - fogo-foguinhofogão... - com vai casar... - vaca amarela..., - tá pronto seu lobo?
Redescobrir parlendas como: fui no cemitério... Brincar de fita; -passa
anel; - caçador, -pular carniça; -policia-ladrão; -sapata; - cadeirinha
de dém dém; -cadeirinha de vidro; -jogar taco, -cinco marias...” (p.
102)

A autora em seu texto possibilita compreender que é interessante
recriar espaços para jogos espontâneos, pois, desse modo permite que as
crianças se divirtam com brincadeiras como: boliche, corrida de saco, corrida
com a colher e outras mais e desfrute de sua infância.

3.1-

A história do brincar nos tempos

DORNELLES (2001) realizou um estudo sobre a infância e
constatou que a criança vê o mundo pelo brinquedo e que para alguns
teóricos o brincar e o jogar documenta as relações das concepções e
representações que os adultos fazem da criança.

Por meio da história da infância é possível construir conceitos
para que possa compreender, respeitar e valorizar o jeito da criança. A
autora destaca que o jeito de lidar, organizar faz parte das varias
maneiras que sempre existiram para motivar as crianças, pois, se
observa que existe varias formas de brincar utilizando objetos e
criatividade como: a bola, roda de pena, o papagaio etc.

A infância das crianças pode ser influenciada por lendas que
acompanham o brincar e que estão muito presentes no cotidiano das
brincadeiras infantis. As culturas vindas de outros países para o Brasil
influenciam na diversidade de jogos e brincadeiras que aqui existe, por
exemplo, a autora cita o jogo da amarelinha, bolinha de gude, bola, pião
etc. Os índios também enriqueceram as brincadeiras infantis. Em cada
momento histórico e cultural tem sua característica e possibilita que
registros e as lembranças cultivem o ato do jogo e brincar que são
aspectos indissociáveis.

DORNELLES (2001) explica que:
“A criança expressa-se pelo o ato lúdico e é através desse ato que a
infância carrega consigo as brincadeiras. Elas perpetuam e renovam
a cultura infantil, desenvolvendo formas de convivência social,
modificando-se e recebendo novos conteúdos, a fim de se renovar a
cada nova geração. È pelo brincar e repetir a brincadeira que a
criança saboreia a vitória da aquisição de um novo saber fazer,
incorporando-o a cada novo brincar”. (p. 103).

Na sociedade contemporânea, os brinquedos eletrônicos estão
infiltrados no cotidiano das crianças e com isso é importante que os

educadores preocupem-se em observar de que maneira as crianças
constituem-se como crianças por meio desses novos brinquedos.

3.2-

Desde muito cedo se brinca

As brincadeiras infantis é algo que pertence à criança, por meio
desse brincar ela constrói varias maneiras para experimentar e organizar
as regras para si e para o outro. Dessa maneira, é possível criar e recriar
novas brincadeiras. O brincar permiti que criança construa uma
linguagem para entender e interagir consigo, com o outro e com o
mundo.

O jogo e a brincadeira favorecem a constituição da criança
enquanto sujeito. A autora destaca que a criança parte primeiro das
brincadeiras com seu corpo para, aos poucos, ir diferenciando os objetos
ao seu redor.

Nesse sentido DORNELLES (2001) explica que:

“Pai, mãe, irmãos, avós, vizinhos, educadores/as, ou seja, todos os
que o atendem, educam-no e cuidam dele devem utilizar todos os
momentos possíveis do cotidiano, como por exemplo, os momentos
da troca, banho, alimentação... para realizarem brincadeiras com ele.
Quando se brinca de João carpinteiro, de fazer ruídos estranhos
assoprando sua barriga, flexionando suas pernas... andando com ele
sobre nossos pés, brincando de esconder com suas cobertas...
estamos, certamente, contribuindo para que as crianças participem
de maneira mais prazerosa da vida de sua escola infantil, da vida sua
casa”. (p.104).

Nas brincadeiras com os bebês é possível utilizar materiais
confeccionados pelos professores. Esses materiais, como garrafas com
liquido coloridos, caixas de diferentes tamanhos e outros mais são feitos
por meio da reciclagem e podem ser utilizados para diversas
brincadeiras.

mas também para que continuem participando das brincadeiras. Aos poucos.. sobre o que falam e sentem. auxilia a criação de interesses comuns. permite o sugar. Oliveira (1993) apud Dornelles (. não só para que os outros possam compreendê-las. ela exercita um papel de adulto. vivenciando por ela na idade adulto-criança e esta seria também a forma de a criança poder compreendê-lo”. bater. os jogos e brincadeiras vão possibilitando às crianças a experiência de buscar coerência e lógica nas suas ações governando a si e ao outro. Portanto. Elas passam a pensar sobre suas ações nas brincadeiras. Quando elas crescem e aprendem a socializar compreende como lidar com o respeito mútuo. partilhar brinquedos. pois. Ela tem.. Dessa maneira. agarrar etc. uma função. dividir tarefas e tudo aquilo que implica uma vida coletiva. 3. Aí está o difícil e o fácil que é o brincar e o conviver com o outro”. (p..3- Vamos Brincar de Rei-Rainha? O faz de conta é uma brincadeira que permite as crianças conhecer diversos papéis sociais e vivenciar suas histórias de vida. uma razão para que se possa interagir com o outro. o pegar. . p. em cada momento da vida criança. aproxima os bebês dos materiais e contribui para o desenvolvimento deles.105). um significado diferente e especial para quem dele participa.Essa forma de brincar pode ser considerada como lúdico. e através dos sons a sua volta é possível motivar a percepção. A partir do momento que as crianças ampliam as suas experiências tornam mais exigentes com as brincadeiras. ajuda a perceber como os outros o vêem. o descobrir e conhecer tudo o que está a sua volta. DORNELLES (2001) esclarece que: “O brincar proporciona a troca de pontos de vista diferentes. 105) diz que “no brinquedo de faz de conta mais do que repetir um modelo de ação que ela observa ocorrer envolvendo um adulto e uma criança.

a criança age como num mundo imaginário (o avião que pilota na brincadeira. Explorar esse tipo de brincadeira . Geralmente o que está presente no mundo do adulto e da criança reflete nas brincadeiras e jogos. muitas vezes. Quando existem regras e normas nas brincadeiras as crianças constituem comportamentos disciplinares. Ao brincar de faz de conta. portanto. como a raiva. Também fazem parte desse mundo e dessas representações às histórias dos livros com seus reis. para nós adultos. alegria e ansiedade. vôo. com isso... Pois. pois. a criança revive no faz de conta situações talvez traumática e dolorida em sua vida. comissário. isso possibilita a construção de atitudes para além do habitual. as bonecas. Dessa maneira.) e não os elementos reais que estão presentes (o seu quarto. se não atender o que lhe é imposto no jogo está fora da brincadeira. suas ações nas brincadeiras podem superar situações difíceis de superar. medo. a situação estabelecida para que se brinque é (avião. a criança transforma objetos que. nenhuma relação com o objeto que ela tem na mão” (p. é possível partilhar os papéis que fazem parte desse jogo imaginário de outros tempos e mundos sonhados. aeromoça. passageiro. elas tentam exibir o comportamento que mais parece com o real. Ao representar situações como brincar de médico. rainhas e princesas.).. os moveis. A brincadeira do faz de conta motiva situações imaginarias que permite também a conscientização de regras e normas. as crianças tem noção dos papéis que terão que representar. por exemplo). ela serve como representação de uma realidade ausente e ajuda a criança a separar o objeto e significado. No jogo do faz de conta à criança pode manifestar as fortes emoções. nada tem a ver com o que ela leva nas mãos: uma tampa de panela passa a ser o manche do avião. DORNELLES (2001) explica que: “Numa brincadeira imaginária como o faz-de-conta.105). os carrinhos. Não há. nesse sentido.. piloto.Esta forma de brincar faz com que as crianças exercitem diversos papéis vividos por elas no cotidiano. tristeza.

canto do cabeleireiro. A rotina no ambiente escolar repetida diariamente de maneira autoritária impede que as crianças possam se desenvolver. (p. curtir uma praça para poder rolar na grama. DORNELLES (2001) destaca que: “Precisamos. Parece que tudo.4- Vamos Brincar de Escola? Segundo Dornelles (2001) a sala de educação infantil é um ambiente que proporciona varias descobertas. casa de boneca. Portanto. garagem e tantos outros”. a autora chama a atenção para a rotina de escolas que conservam atos como um apito para controlarem o recreio. contar na hora da novidade o que as crianças mais gostaram no passeio. DORNELLES (2001) diz que: “O brinquedo de faz de conta. normalmente. As crianças pequenas nesses espaços se misturam em muitos mundos e em muitas realidades. está sendo excessivamente .106). os educadores que não suportam a mobilidade e a atividade constante das crianças. assistir a um filme apenas por assistir. no pátio. contar o que aconteceu no inicio. Realidades que possibilita o agir espontâneo do corpo e das ações das crianças. a educador/a estrutura um espaço que resgate a possibilidade de se poder brincar em pequenos grupos e longe do olhar sempre vigilante do adulto. 3. curtir o que é inerente a cada um desses espaços e não apenas para chegarmos na sala e termos que desenhar o que se viu ou ouviu. também resgatar o espaço lúdico pelo lúdico. passear para curtir o que está ao nosso redor. na casa. Espaço como cantos de fantasias e trapos.permite que a criança entenda e constitui em si o que é difícil de compreender em sua vida e na do outro. jogos. em muitos casos. na escola infantil. ouvir ou contar histórias ou teatros pelo mágico que eles carregam. é garantido na sala de aula. canções etc. meio e fim da história do teatro. onde a família.

todas as crianças a percam sua essência. As indústrias consideram as crianças como ótimas consumidoras. Dessa maneira.5- Quem tá a fim de Brincar? As crianças quando iniciam as brincadeiras não perguntam para outras crianças se estão a fim de brincar. Nesse sentido. à aventura e ao poder. permite que as crianças sejam consumidores em formação. faz parte da descoberta na infância e da construção de novos sujeitos-criança”. não têm acesso às geladeiras. 108) diz que: “ não só as crianças das creches pobres estão afetadas aos apelos publicitários de consumo. influenciando assim. e a mídia tem se aproveitado disso com um forte apelo à afetividade. certamente. Hoje em dia é possível perceber que as crianças de camadas populares estão muito presas em seus quartos com a TV o tempo inteiro ligada. perdem a oportunidade de viver a infância e brincar de subir em árvores. jogar futebol e outras coisas mais. mas. dessa maneira. p.. carros e casas que lhes são oferecidos diariamente”. é possível perceber que quando é lançado um brinquedo as corporações possibilitam que a imitação das grandes marcas cheguem nas mãos dos mais desfavoridos. simplesmente começam a brincadeira. O prazer faz do brincar e esquecemos que: o olhar. jogam em seus computadores. que está inerente a cada atividade da criança. .pedagogizado. Andrade (1995) apud Dornelles (.. perdendo-se a idéia de prazer. 107). brincam com seus games. (p. A autora enfatiza que o mercado de brinquedos na sociedade contemporânea procura garantir para todas as classes. também seus pais que. tanto camada social e rica todos os tipos de brinquedos. na rua. curtir. tocar. 3. experimentar faz parte do ser criança.

viver a infância possibilita que as crianças compreendam a sua própria existência. (BARROS. é importante que os educadores/as tomem consciência da finalidade do brincar. em 1896. O brinquedo tem. explicou o brinquedo como sendo um exercício preparatório para as atividades adultas. purificadora. compreensões que só as brincadeiras com o outro podem nos proporcionar. DORNELLES (2001) chama atenção dizendo que: “Talvez seja o momento de resgatarmos o prazer do estar brincando junto. o que se evidencia o prazer nessa ação.108). novos modos de educação que garantam que o brincar faz parte da criança”.199). portanto. Conforme o autor. solidariedade. p. que. afetos. 1995. pois. Entre elas destaca inicialmente Groos. BARROS (1995) também desenvolvem essa temática e apresenta as diferentes teorias que discutem a atividade lúdica. E nesse resgate. uma função catártica. (p. mas que se mostram incompatíveis com o estagio atual de nossa civilização. buscarmos como educador/as que somos. admite que o brinquedo tem a função de descarregar as tendências anti-sociais que são naturais nas crianças. pois seria uma atividade natural da criança. Outra teoria. Já para Claparède o jogo é um exercício para “descarregar” as tendências anti-sociais.As grandes indústrias de brinquedos têm um forte domínio cultural. social. isto é. . e isso explica a alegria que caracteriza os brinquedos infantis. Portanto. Para Rabello. o brinquedo corresponde a uma necessidade natural. étnico que muitos educadores não tomaram consciência e acabam por fortalecer esse modo de pensar e induzir as crianças ao consumo. a de Harvey Carr (1873-1954).

) O conceito de sublimação das tendências individuais. Barros aponta que vários psicólogos como desenvolveram experiência com seus próprios filhos para discutir o desenvolvimento da atividade lúdica. Durante o desenvolvimento motor. Por se uma compensação da inferioridade infantil é que o brinquedo de boneca atrai tanto a menina” (BARROS. Tanto que. os brinquedos de família etc. 1995. Para a psicanálise. p.. um desejo de superioridade. a criança faz de conta que é grande e realiza seu ideal infantil de ser grande. 1995. Ao brincar. (. por meio do brinquedo. adquirem. descobre que ao introduzir o brinquedo na clinica é possível revelar as causas dos problemas apresentados pelas crianças. os ataques de mentira. Ao discutir o desenvolvimento do brinquedo. o jogo é a livre expressão das tendências reprimidas. Os impulsos agressivos e sexuais. como os combates simulados. Melanie Klein. que se manifestam tão precocemente na criança.p. seu anseio de domínio. o brinquedo de boneca. da escola psicanalítica. (BARROS. Dessa maneira. expressão de uma para mandar. tem certa analogia com a catarse de Carr. as mais variadas formas de expressão. Os pais sabem que as mudanças no brinquedo estão relacionadas com a idade. reproduzindo as atividades dos pais. Os psicólogos também manifestam o interesse em discutir o brinquedo.Como função catártica. o brinquedo tende a canalizar no sentido útil as tendências consideradas nocivas à vida coletiva. assim como no tipo de brinquedo e nos objetos com que brinca. 200).200). Sublimação é a canalização útil dos instintos perniciosos ao individuo e à sociedade. ao descreveram o progresso de suas .. A partir dos estudos de Alfred Adler aponta-se o brinquedo infantil como possibilidade. ou seja. mental e social da criança é possível perceber que as mudanças em suas atividades lúdicas.

de médico. (BARROS.. O brinquedo utilizado como ficção pelas crianças durante a infância permite o desenvolvimento da imaginação. Olhar a luz e as cores. . 1995. ela reproduz atividades que vivenciam ou das quais toma conhecimento através de meios de comunicação. (BARROS. são definidas pelo Jean Château como jogos de brinquedos de imitação. é comum a criança fazer de conta que está dirigindo um carro. sentir a textura das roupas parecem constituir brinquedos sensoriais para crianças. Já os brinquedos simbólicos surgem na segunda metade do segundo ano de vida e continuam até os anos pré-escolares. (BARROS. 1995. pedras. escutar os sons e as canções de ninar. p.201). terra são elementos imprescindíveis para esse tipo de brinquedo. 201). As brincadeiras como a de motorista de ônibus. de carteiro. “Ela já sabe brincar disto” etc. professor ou cozinheiro.203).crianças usa o advérbio já: “Ela já brinca disto ou daquilo”. areia. Neste período há um particular interesse pelo brinquedo de construção: a caixa de bloquinhos de madeiras. 1995. Quanto ao brinquedo experimental Barros evidencia o desenvolvimento dos movimentos da criança na suas ações com brinquedos motores. plantas. sendo assim. apalpar os objetos. p. Quanto aos brinquedos observa que quando a criança atinge o terceiro ano de vida. Piaget atribui muitos desses “jogos de exercícios” à auto-imitação: o bebe imita a se mesmo. uma bicicleta ou uma motocicleta ou ainda atribuir vida a objetos inanimados. muitas vezes repetindo o movimento casual ou reflexo que acaba de efetuar.

fazendo bolinhos de areia e oferecendo-os a seus amigos para provarem. pois. (BARROS 1995. nota-se que nessa idade a criança está ainda no estagio egocêntrico. a seu modo. como por exemplo.De acordo com a explicação da autora é possível notar que esses materiais servem para motivar a criatividade e imaginação das crianças. Já na fase escolar. de escolinha ou de casinha. as brincadeiras são dominadas por um líder. dessa maneira. o mais corajoso. Os brinquedos com regras ocorrem a partir da idade escolar a criança está apta a brincar em grupo. p. . está representando o papel de mãe. A menina. De acordo com a observação de Piaget. com outras. já é capaz de obedecerem regras e a esperarem sua vez. 203) Geralmente. Tal escolha resultaria basicamente da influencia de nossos padrões culturais. formam-se grupos de idade aproximada que se selecionam por sexo. para brinquedos sedentários. pois meninos e meninas já não se interessam mais pelos mesmos brinquedos: os meninos agrupam-se para jogos movimentados. o que sabe maior número de jogos ou dono do brinquedo. pois. em que ela joga livremente. as meninas. o menino misturando água e areia para levantar um castelo. a criança está empenhada em um brinquedo de construção. escolhido de acordo com sua capacidade: maior.

imaginar jogar com a realidade. Um dos caminhos para fazer frente à realidade congelada e opressiva de muitas escolas e trazer a vida à tona é a busca de uma educação politico-estética. que é uma abstração simplificada da realidade. DIAS (2001) explica que o jogo simbólico é importante para o desenvolvimento das linguagens não-verbais e a partir daí é possível trabalhar a socialização e a ideologia determinada na sociedade. É preciso resgatar o trabalho com a imaginação material. A imaginação material recupera o mundo como provocação concreta e como resistência a solicitar a intervenção ativa e modificadora do homem: do homem demiurgo. alienante e medíocre com o mundo.IV Capítulo Metáfora e pensamento: considerações sobre a importância do jogo na aquisição do conhecimento e implicações para a educação pré-escolar.46). Dessa maneira. Segundo DIAS (2001). (DIAS. pois. Conforme a autora relata a linguagem verbal bem trabalhada pode proporcionar uma transformação no pensamento dos sujeitos. . um modelo de relação passiva. particularmente direcionada para crianças pequenas. a educação no Brasil. vem enfrentando problemas financeiros. A partir das experiências adquiridas e dos conhecimentos aprofundados é importante destacar que a experiência influencia na realidade do sujeito. que tenha como cerne a visão do homem como ser simbólico. o conhecimento torna-se voltado para a questão racional distanciando do emocional e proporcionando ao sujeito apenas uma imposição autoritária. p. a autora destaca que existe descaso econômico material. que se constrói coletivamente e cuja capacidade de pensar está ligada à capacidade de sonhar. que alimenta e da vida à imaginação formal. 2001.

que se estrutura através de redes intricadas afetivas. Bachelard). conscientes e inconscientes. destacando a importância do jogo como gênese da metáfora. religião. O contexto cultural se define por meio de representações coletivas simbólicas. A partir daí. Com base em estudos teóricos (Arbid e Hesse 1987) a autora buscou discutir o objetivo da construção da linguagem e do pensamento. mito e ciência). dessa maneira. o pensamento torna-se uma realidade construída por meio da razão e mediada pelo símbolo. obreiro – tanto na ciência como na arte (Bachelard). .artesão. (DIAS. cognitivas. criador. essa tese explica que o pensamento é considerado metafórico e não linear por natureza. O desenvolvimento da criança em seus primeiros anos de vida é considerado como papel principal na construção das representações sociais. proporcionando a construção do pensamento e a aquisição do conhecimento. p. Vygotsky. 4. 2001.1. foi possível romper com a ideologia linear e positivista de linguagem e proporcionar um conhecimento e pensamento diferente que está presente nas escolas.A metáfora e o símbolo como chaves da natureza do homem DIAS (2001) apresenta uma das teses centrais defendidas por Arbid e Hesse no livro A construção da realidade. Considera-se também que o homem é um sujeito capaz de entender o mundo a partir da organização do pensamento. Neste sentido o jogo simbólico constitui a gênese da metáfora. Nessa perspectiva. 46). arte. instrumento primeiro da aquisição do conhecimento (Piaget. Essas redes são desenvolvidas a partir do contexto cultural e social. torna-se produto e alimento do pensamento humano (linguagem.

rígida e fixa da linguagem que estanca o fluxo da vida do pensamento. Propõe um modelo de linguagem como rede de significações que se constrói dentro e entre palavras. se baseia em definições importantes e utiliza esquemas nas interações com a realidade física e social. são percebidas como construções e modelos provisórios que possibilitam a transformação. a linguagem também é considerada metafórica. vista como instrumento de expressão do pensamento. Nessa perspectiva. Também abrirá o caminho para a construção de uma “plataforma para a mudança”. O mundo é composto por diversos questionamentos e diferentes interpretações. ou seja. as teorias de conhecimento. de um espaço de confronto. (DIAS. a verdade considerada como única é questionada sempre. dialogo e busca para encaminhamento de questões que dizem respeito à convivência e à sobrevivência do homem no mundo. nesse sentido. 48) A divisão do mundo é constituída por varias idéias. Nesse sentido. A formação do pensamento tem sua constituição metafórica e se desenvolve por meio de relações simbólicas culturalmente organizadas e recriadas por condições internas próprias. o pluralismo como instrumento social de critica dinâmica. fruto do confronto e da interação entre indivíduos mergulhados em dialogo com o mundo simbólico e cultural. nas ciências naturais predomina a prática e já as considerações hermenêuticas se destaca a relação teórica e o modelo de mundo. . É justamente este caráter holístico e dinâmico da linguagem. A ciência social e natural não se rompe do sentido literal e metafórico da linguagem. pois. diante do mundo possibilita múltiplas combinações que aproxima a mediação entre realidade e pensamento. 2001. A teoria da linguagem como metafórica contrapõe-se à visão positivista. sentenças e unidades holísticas maiores da linguagem. p. Pois.O pensamento do ser humano é definido como dinâmico por excelência. literalista. pois. que possibilitará segundo Hesse e Arbid.

Portanto. Hoje se faz necessário resgatar o caráter simbólico do homem. muitas vezes. p. Sendo assim. Essa resposta é construída pelo ser humano por meio de relações dialéticas com o mundo cultural. o desenvolvimento da criança pode ser realizado por meio do jogo que possibilite a constituição da imaginação em ação e a fantasia. o que distingue o homem dos animais são capacidades de imaginação. quanto à percepção consciente. já a resposta humana é mediada pelo processo de pensamento. Sendo assim. em que as crianças não têm mais espaço para viver a infância de maneira plena e enriquecedora. que se vê cada dia mais reprimida. A orgânica significa uma resposta doada a um estimulo direto e imediato. numa sociedade cuja filosofia de vida é racionalista e que. o homem quando vai lidar com uma determinada situação apropria-se de determinados símbolos para obter uma resposta. (DIAS.2. Nesse sentido. DIAS (2001) explica que para Cassirer. 50) O homem ao se confrontar com outros animais passa a viver numa realidade mais vasta e numa nova dimensão. Segundo Dias (2001) Vigotsky explica que o desenvolvimento da imaginação em ação ou brinquedo possibilita a criança construir cognitivamente uma percepção motora do comportamento e ultrapassar esferas.A conquista da dimensão simbólica do pensamento: o jogo como gênese da metáfora. a verdadeira compreensão da natureza do homem está nos símbolos. social e físico. a forma de vida cultural do homem em toda a sua riqueza e diversidade está determinada como animal racional. leva à alienação do próprio processo de criação e simbolização do sujeito. È uma diferença que possibilita reações entre orgânicas e as respostas humanas. enrijecida e massificada.4. . interpretação e a inteligência simbólica que o homem possui. 2001.

Portanto. possibilita o fazer e o imaginar individual e interfere . a criação se faz não só através de símbolos pessoais (jogo simbólico mais egocêntrico. p. dessa maneira. no papel. os próprios símbolos pessoais são alimentados pela cultura que apresenta formas materiais e espirituais coletivas. As linguagens expressivas para as crianças têm função significativa para a transformação.53) DIAS (2001) destaca que a cultura influencia o modo de ver a vida de cada um. fruto de uma elaboração única e pessoal. Toda criação é a ordenação de uma idéia. na criança a imaginação criadora.E Piaget destaca que as representações dos jogos simbólicos permitem o desenvolvimento de pensamentos. Jogo sensório-motor que se transforma em jogo simbólico. ARBID e HESSE apud DIAS. uma vez que é possível “imaginá-lo”. (DIAS. com palavras. ampliando as possibilidades de ação e compreensão do mundo. com os sons. simbolicamente estruturadas. da boca e do olho e o mundo inteiro pode estar presente dentro do pensamento. O conhecimento deixa de star preso ao aqui e agora. (CASSIER. p. expressão do dialogo entre homem e o mundo que o rodeia. 2001. historicamente construída e passadas de geração a geração. Mas. dá-se também dentro de uma espaço coletivo cultural. é impregnada de significados transmitidos. 52) A autora referida explica que as representações são formas de experiências humanas que trazem significados importantes no desenvolvimento da aprendizagem da criança. representá-lo com o gesto no ar. pois. mas também se transforma em possibilidade de comunicação entre os homens. Por outro lado. pois. são instrumentos importantes no processo de construção do pensamento e da própria linguagem verbal socializadora. Sendo assim. de um sentimento. Assim. 2001. nos materiais. estimular o imaginário possibilita a compreensão de que é um instrumento de tomada de consciência. centrado na própria pessoa). surge em forma de jogo. Por um lado. a inteligência marcada por uma passagem sensório-motora possibilita a construção da inteligência operatória mediada por signos históricos arbitrário. instrumento primeiro de pensamento no enfrentamento primeiro de pensamento no enfrentamento da realidade. este dialogo. aos limites da mão.

a arte faz parte da cultura e é um dos grandes patrimônios da humanidade. a religião. A partir do acesso da arte torna-se possível o desenvolvimento cognitivo e ampliando os conhecimentos pode-se enriquecer o espaço imaginativo e simbólico. é através das relações entre os meios físicos e sociais que a criança desenvolve seus pensamentos transformando os processos psicológicos. os mitos. a linguagem verbal (oral escrita). os jogos perdem seu sentido e traz uma discrepância entre o jogo metafórico e a aprendizagem mecanicista. 2001. Portanto. a ciência é que permite ao homem viver numa dimensão da realidade: o universo simbólico. Todos os homens deveriam ter acesso à arte.na educação. Dessa maneira. (DIAS. pois. 54) O processo de interiorização possibilita a perda do seu caráter sensorial no mundo material para transformar-se em matéria de consciência: pensamento e palavras. Pensamentos e palavras tornam a expressão como sendo genuína da práxis e permite a tomada de consciência da práxis. Na maioria das escolas as crianças recebem as regras prontas e não tomam consciência de seus significados. pois. Isso prejudica tanto as crianças como os professores também. A capacidade de simbolizar e de jogar com a realidade através da fantasia e dos próprios símbolos coletivamente estruturados. As interações nas escolas estão limitadas e os conhecimentos tradicionalmente ritualizados. permitindo a perda de significados da cognição e afetividade. Por outro lado. os pensamentos e as palavras contendo significados vazios escravizam e amarram os signos que impedem a compreensão do mundo e de si mesmo. Sendo assim. o pensar destrói o caráter de jogo instintivo. O contexto escolar torna-se prezo na cultura autoritária e desfaz da construção do . É a representação/simbolização que possibilita a interiorização do mundo. são obrigados aceitar para tronar um bom adulto. capazes de alargar e flexibilizar o pensamento racional. p.

ampliar o conceito de alfabetização presente na maioria das escolas e pré-escolas. O autoritarismo prende a criança em um jogo que a regra é a obediência ou a submissão. É necessário resgatar os direitos da criança.conhecimento significativo. trazendo a dimensão político-estetica da aquisição do conhecimento para o bojo desta discussão e a questão da metáfora como elemento construtivo da linguagem e do pensamento. para que elas tenham o direito a uma educação que permitam o processo de construção do pensamento. 55). (DIAS. do desenho e da música. então. . 2001. Faz-se necessário. p. possibilitando o desenvolvimento da linguagem expressiva do jogo.

soma-se a esse quadro uma escola na qual as iniciativas educacionais dirigidas a destas crianças derivam. e jornais. preditivo e controlado. seu desenvolvimento é determinado pela ação imaginativa a partir do real. O brinquedo fornece uma estrutura básica para as necessidades do aprendizado da criança. o brincar propicia diversão. sobretudo no desenvolvimento cognitivo da criança e no aspecto educacional. em que a imitação é um procedimento básico para se obter comportamentos desejados pelo uso de reforçadores. de experiência e de reflexão. provêm de ambientes pobres de estímulos cognitivos. um ensino diretivo. são praticamente ausentes em seu meio ambiente. programado. ou seja. quase que totalmente. Há poucos informantes alfabetizados ao seu redor. devendo o professor ser um agente de manutenção da ordem social. No sentido educacional. O brincar preenche a criança de saber. Este professor dedica-se quase sempre a preparar seus alunos para . pois. imaginação e fantasia. verbalista. Segundo Ide (1999) a maioria das crianças da escola pública. Textos escritos. e conhecimento.CONSIDERAÇÕES FINAIS Na realização deste trabalho foi válido classificar o brincar em seus contextos. como artigos de revistas. E para provar seu sentido de lúdico. E com isso. Ninguém conversa com elas nem estimula seu raciocínio. prazer. de métodos e técnicas que não aceitam a atividade assimiladora da inteligência na construção do conhecimento. pois apregoa a incorporação de valores e de conhecimentos próprios da cultura como fundamentais à formação dos jovens. principalmente aquelas que freqüentam as classes especiais para deficientes mentais leves. Ide (1999) chama atenção dizendo que: O professor é aquele preconizado pela transmissão cultural.

(IDE. é de suma importância um mediador que tenha uma nova forma de ver a criança que aprende. segundo seu nível de desenvolvimento. quando estas entram num novo sistema de relações. em reestruturar as informações anteriores. aumentando a ansiedade e a falta de motivação para participar das tarefas de aprendizagem. (p. não avaliam e nem descobrem a natureza do fracasso. categoriza. hoje. que atingem diretamente a auto-estima. Com isso. Conseqüentemente. alicerçando a vida das crianças de forma positiva. ou seja. uma criança ativa. estabelecido para o desenvolvimento social e intelectual do aluno. o professor torna-se. assim. p. assim. que o desenvolvimento intelectual não consiste em acumular informações. o fracasso escolar nas series iniciais são encaminhadas para avaliações psicológicas. Dessa forma. ordena. A educação. 93) Portanto. um profissional capaz apenas de transmitir um saber pronto.satisfazer os comportamentos sociais e acadêmicos socialmente desejáveis. O conhecimento é adquirido por um processo de natureza assimiladora e não simplesmente registradora. que. sim. acaba se tornando uma experiência sem êxito e se constituindo em uma série de aprendizagens inúteis e aborrecidas. reorganiza em pensamento e em ação efetiva. uma intervenção pedagógica adequada na solução desses problemas. o autoconceito. faz-se uma opção por métodos e técnicas que não aceitam a atividade assimiladora da inteligência na construção dos conhecimentos. Sabe-se. . não permitindo. terá a oportunidade de instigar o auto-estimulo e a superação das dificuldades cognitivas nos alunos principalmente das classes especiais para deficientes mentais leves. ao invés de se converter numa experiência bemsucedida. exclui.92) Nesse sentido. que compara. mas. reformula em hipótese. 1999.

nos períodos sensório-motor e pré-operatório. pois querem jogar bem. chegando à representação e. ficam também mais ativas mentalmente e todo comportamento derivado do brincar inclui regras que proporciona o desenvolvimento cognitivo e lúdico da criança em seu sentido mais amplo. as crianças. à lógica. acompanhando e interagindo com a criança sem tirar sua liberdade. Fala-se muito da importância do lúdico na educação infantil. estruturam seu espaço e o seu tempo. tanto cognitivos quanto emocionais. Estando mais motivadas durante o jogo. Agindo sobre os objetos. finalmente. promovendo uma construção de conhecimentos vinculada ao prazer de viver. apenas. principalmente. E o educador tem o dever de propiciar essas possibilidades. Dessa maneira. que esta pesquisa monográfica foi de grande importância para notar o papel do lúdico. social e moral. afetivo. ela percebe o outro. até mesmo competir e solucionar problemas. cabe a escola e aos educadores propiciarem as condições para que o lúdico esteja sempre . que o jogo não pode ser visto. Ide (1999) explica que para Piaget. como divertimento ou brincadeira para desgastar energia. mas também trabalha as emoções. O brincar é fundamental em todo o período da infância. cognitivo.É importante ressaltar também. mas muitos se esquecem de pensá-lo e valorizá-lo no ensino fundamental. Conclui-se então. desde pequenas. O brincar não desenvolve apenas conhecimentos. as crianças ficam mais motivadas a usar a inteligência. pois ele favorece o desenvolvimento físico. esforçam-se para superar obstáculos. alcançando assim o principal objetivo de compreender a contribuição do lúdico para o desenvolvimento cognitivo da criança e superação do fracasso escolar. desenvolvendo a noção de causalidade. portanto. enriquecendo seu contexto social. Quando a criança está brincando. propiciando os sonhos e as fantasias. aprendendo o que é partilhar e cooperar. sendo assim. o jogo é a construção do conhecimento.

. deve ser visto e compreendido como perda de tempo. e integrado no cotidiano escolar.presente. De forma alguma.

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