Introdução

Lia Hasenclever e David Kupfer

1.1  Antecedentes e a Segunda Edição
Desde os anos 1970, o Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vem desenvolvendo uma
importante linha de pesquisa voltada para a análise da dinâmica dos diversos setores da indústria brasileira. Em 1978 foi criado
o Instituto de Economia Industrial (IEI), órgão complementar da UFRJ, responsável então pela pós-graduação em Economia
Industrial e da Tecnologia. Em 1985, com a implementação do novo currículo mínimo de Economia, a então FEA, responsável
pelo curso de graduação, incluiu entre as matérias de escolha a matéria Economia Industrial que, desde então, é ensinada por
meio de uma disciplina obrigatória e diversas disciplinas eletivas para os cursos de graduação e pós-graduação. Em 1994, a
FEA e o IEI se fundiram para dar lugar ao atual Instituto de Economia.
Entretanto, o ensino da matéria ressentia-se da ausência de um livro-texto que não somente fosse escrito em português, mas
também contivesse um escopo adequado ao tipo de trabalho que se fazia – e se faz – nas diferentes disciplinas em que a matéria
é ministrada: fornecer aos alunos uma visão abrangente da evolução dos principais instrumentos analíticos para o estudo das
empresas e dos mercados e discutir as particularidades da indústria brasileira.
O livro-texto, que ora temos o prazer de apresentar aos nossos leitores, foi preparado justamente com esse escopo para
ser utilizado nas disciplinas de Economia Industrial dos cursos de graduação de Economia, Administração, Engenharia de
Produção e outros cursos afins, bem como em cursos de especialização e MBAs em Comércio Exterior, Economia das Infraestruturas, Regulação e Defesa da Concorrência dentre outros. Ele é o resultado de um esforço coletivo dos professores da área
de Microeconomia e Economia Industrial do IE/UFRJ, que buscou reunir a experiência acumulada na casa através do ensino de
graduação e pós-graduação e da realização de diversos estudos empíricos na área.1
A presente segunda edição traz uma versão revista da primeira edição, ampliada de dois capítulos adicionais. O primeiro é um
capítulo que apresenta o paradigma fundador da Economia Industrial e que, na edição anterior, havia sido mencionado apenas
na introdução e o segundo é um capítulo que aborda a questão da política comercial, complementando a Parte VI do livro.

1.2  Filiação Teórica
Os termos Economia Industrial, oriundo da língua francesa, e Organização Industrial, oriundo da língua inglesa, são indistintamente
utilizados no Brasil para denominar a matéria Economia Industrial. É uma área de conhecimento relativamente recente que veio a
florescer somente a partir dos anos 1950, motivada principalmente pela busca de novos meios e métodos para estudar a dinâmica real
dos diversos setores industriais empreendida por diferentes autores insatisfeitos com a tradição microeconômica neoclássica.

xxi

e o consequente aumento de concorrência entre as empresas. que podemos agregar em duas correntes principais. Nesse sentido. 1. as correntes teóricas divergem radicalmente em relação aos seus métodos de análise e ao papel representado pelas empresas em sua estrutura teórica. podemos incluir a contribuição de Oliver Williamson. no entanto. Essa corrente tem uma preocupação menos normativa que a anterior. Os principais fundamentos da ação governamental na preservação da concorrência (regulação) e seus efeitos sobre a estrutura da indústria e sobre a estratégia das empresas (defesa da concorrência) são oriundos desta corrente. A segunda corrente filia-se diretamente a Joseph Schumpeter e tem como objetivo central o estudo da dinâmica da criação de riqueza das empresas. A empresa é um objeto de estudo relevante. que a construção do conceito de concorrência encerra uma grande complexidade. e posteriormente. que serão denominadas abordagem tradicional (mainstream) e abordagem alternativa (schumpeteriana/institucionalista). ao enfatizar a natureza institucional da empresa visando explicar as diferentes formas de organização interna das corporações. Sem sermos exaustivos. cujo objetivo é o estudo do funcionamento real dos mercados. O fato de a NEI – ramo mais recente da corrente tradicional. conhecida como modelo Estrutura-Conduta-Desempenho (Modelo ECD). Recentemente. competitividade – um lugar central na análise econômica contemporânea. processos. . Mercados e a Economia Industrial Relações entre empresas. Até que ponto. A rapidez e a intensidade com que as tecnologias e as formas de organização da produção industrial vêm se transformando desde meados do século XX têm atribuído à Economia Industrial e à temática a ela associada – preços. no entanto. A concorrência é o fenômeno mais característico das economias capitalistas. que ampliou e consolidou a tradição inaugurada por Ronald Coase. indústria e mercado. dos mecanismos de coordenação de suas atividades e. entretanto. Tem como principal objetivo a análise da alocação dos recursos escassos sob as hipóteses de equilíbrio e maximização dos lucros. observa-se também um interesse crescente no estudo desses temas. alguns desenvolvimentos na matematização dos modelos de empresa e de interação entre essas (teoria dos jogos) levaram os estudiosos a rebatizar essa corrente de Nova Economia Industrial (NEI). aproxima-a da corrente alternativa sem. oriunda do Modelo ECD – também dar destaque maior às estratégias empresariais. Nesse desdobramento há um aumento da importância das condutas empresariais na determinação das estruturas de mercado. Essa complexidade é o cerne da Economia Industrial. quando a matriz industrial se completa. inovação.3  Empresas. Ainda dentro da corrente alternativa. dedicar muito espaço ao debate entre as correntes. Scherer. até a identificação das variáveis básicas descritivas das estruturas dos mercados e das condutas das empresas. Desde as noções que lhe são preliminares como as de empresa.xxii   Economia Industrial A Economia Industrial abriga uma grande diversidade de linhas de pensamento. bem como ao que entendem por concorrência. custos. é propósito deste livro apresentar uma visão abrangente das duas correntes teóricas acima apresentadas visando a refletir o conhecimento acumulado sobre a matéria em ambas as perspectivas sem. a empresa deixa de ser um agente passivo para adotar estratégias discricionárias. a partir dos anos 1980. portanto. Enfim. as configurações industriais daí decorrentes e as implicações sobre o funcionamento dos mercados. levando em consideração as instituições e a história como elementos fundadores da teoria. A primeira corrente estruturou-se progressivamente a partir do trabalho de Joe S. nos anos 1990. No Brasil. mercados. mas da constituição de capacidade de inovação. é possível generalizar os princípios que explicam a dinâmica concreta de um mercado sem que seja necessário resgatar os elementos específicos da evolução histórica desse mercado é o desafio com que a disciplina se depara e a motivação das diferentes contribuições teóricas que têm surgido desde os anos 1950. M. com a abertura comercial e o fim do regime de regulação apoiado no modelo de substituição de importações. Ainda que a contribuição de Oliver Williamson tenha unidade de análise distinta da corrente schumpteriana – transação versus produção – ambas as contribuições têm interseções importantes no que diz respeito ao conceito de firma e suas fronteiras. culminando com a representação teórico-analítica proposta por F. de seus mercados? A partir da resposta a essas questões empíricas comuns. É indiscutível. instituições. podemos dizer que essas correntes partem de um conjunto de questões empíricas comuns: qual é a natureza e qual o funcionamento real das empresas. Na próxima seção iremos discutir um pouco mais essa questão para que o leitor possa compreender a evolução dos assuntos e modelos abrangidos pelo livro. a organização interna da empresa não resulta de um procedimento de minimização de custos. razão pela qual o estudo de suas estratégias se torna obrigatório para a compreensão da dinâmica dos setores industriais. convergirem. crescimento das empresas. Bain. no entanto. como é mais adequado para um livro-texto.

as condutas não importavam. a ponto de se considerar que a estrutura – representada por variáveis como grau de concentração ou de barreiras à entrada – determinava direta e inequivocamente o desempenho do mercado. É possível sofisticar um pouco essa abordagem. É sob este paradigma que a Economia Industrial (ou Organização Industrial) consolida-se como uma matéria especializada da ciência econômica. que depois passou a ser reconhecida como hipótese estruturalista básica. basicamente ligadas à determinação de preços-limite na presença de barreiras à entrada. um simples problema de maximização. O comportamento decisor é tomado como uma atitude racional que informa o processo de escolha. a inovação de processo. Do debate quanto à existência de preferência dos consumidores. Na tradição de Bain. por sua vez. segundo a qual é a estrutura que é endogenamente determinada como resultado das estratégias concorrenciais adotadas pelas empresas. estão englobadas desde as visões nas quais a estrutura de mercado é considerada um dado e condiciona univocamente o comportamento das empresas na tradição do chamado Modelo ECD até a visão virtualmente oposta. Em particular. 1. de certa . o modelo de concorrência perfeita foi alvo de severo questionamento. principalmente quanto aos elementos de conduta. A partir da década de 1950. na abordagem alternativa e também na NEI. onde os agentes não rivalizam entre si – ausência da importância do estudo das políticas de preços e outras estratégias competitivas –. baseada no atomismo. é avaliado em termos do desvio da taxa de lucro efetiva em relação à taxa ideal em eficiência alocativa – o ótimo de Pareto – o que significa de fato o desvio do preço efetivo em relação ao custo marginal de produção. Ainda dentro dessa corrente. a concorrência surge como um estado no qual prevalecem certas premissas sistêmicas que garantem o equilíbrio através da transformação de todos os agentes em tomadores de preço – na verdade. A partir das formulações pioneiras de Bain. com um menor grau de liberdade do que na abordagem alternativa. como propaganda e pesquisa e desenvolvimento. as proposições que utilizam a heurística do Modelo ECD passaram a ocupar o posto de paradigma teórico por excelência das teorias microeconômicas preocupadas com as questões práticas ligadas às empresas. Nesta tradição. a concorrência é analisada como um processo em que cada agente busca se diferenciar dos demais para reter ganhos monopólicos. Em cada mercado vigora um dado padrão de concorrência definido a partir da interação entre as características estruturais dominantes e as condutas praticadas pelas empresas que nele atuam. Esse movimento. na ampliação das variáveis incluídas no esquema analítico original. Desde a sua formulação pioneira. em particular. Para os neo-schumpeterianos – corrente alternativa –. as decisões das empresas estão subordinadas à determinação da existência de um vetor de preços que compatibilize as decisões individuais. de estruturas oligopolistas estáveis e outras questões. O aprofundamento consistiu. é justificável a adoção da hipótese de concorrência perfeita. Nesse nível de abstração. garante-se a existência desse vetor. A busca desse aprofundamento expressou-se na realização intensiva de pesquisas empíricas. Para os economistas neoclássicos – corrente tradicional –. de funções de produção com rendimentos constantes de escala. diferenciação de produtos e outras. A definição do padrão de concorrência vigente em cada mercado apresenta uma intensa controvérsia ainda não estabilizada em Economia Industrial. basicamente. ausência de rivalidade entre as empresas. em particular durante a década de 1960. foram surgindo diversas revisões das proposições neoclássicas originais. os desenvolvimentos mais recentes da NEI consideram concorrência um jogo em que as empresas disputam parcelas de um mercado e os lucros nele gerados mediante a adoção ativa ou reativa de políticas de preços. O mercado é pensado como um espaço abstrato no qual se definem preços e quantidades das mercadorias transacionadas por consumidores (demanda) e empresas (oferta). esforço de venda. levando em conta que uma empresa em vez de um ator é o resultado de comportamentos de múltiplos atores. às indústrias e aos mercados. mas simplesmente se deixam disciplinar pelo mercado. que sustenta os pilares da visão tradicional. no que toca à baixa aderência de suas premissas à realidade econômica observada. as proposições teóricas foram se aprofundando. de produto ou organizacional o principal fato gerador dessas quase-rendas. sendo. Bain na constituição da metodologia ­estrutura-conduta-desempenho como ferramenta básica de análise. e não somente à política de preços das empresas. em um dado mercado. com algumas suposições acerca das preferências dos agentes e das características das técnicas produtivas e supondo-se que os agentes são tomadores de preços. O desempenho. encara uma decisão econômica como uma escolha.1  A abordagem tradicional e suas revisões A teoria econômica neoclássica. É consensual para os estudiosos desta matéria o caráter seminal da obra de Joe S. no entanto. Nesse debate.3. mas também se diversificando.Introdução   xxiii a noção de concorrência apresenta-se como um objeto analítico que insiste em se situar além da capacidade explicativa das formulações teóricas disponíveis.

já na década de 1970. ainda mais. preços ou outras variáveis. Apesar de todas as críticas anteriormente sumarizadas. Mas certos resultados empíricos e. empiricamente. E. o paradigma ECD é ainda tanto um programa de pesquisa válido como um importante guia para a ação política. tanto o grau de concentração quanto os lucros. funções de demanda e de expectativas que mantenham sobre a conduta das empresas rivais. As condutas são firmemente baseadas em expectativas. por outro. acabaram por desfigurá-la seriamente. conduta e desempenho. pareceria mais pertinente que a unidade analítica adequada para as análises de Economia Industrial passassem a ser as grandes empresas e não mais os mercados (indústrias). na verdade. enfraquecendo o modelo diante da múltipla causalidade das relações e da necessidade de encontrar soluções simultâneas para essas relações. Duas alternativas foram buscadas: estudos de caso e soluções matemáticas (teorias dos jogos). A vertente empiricista econométrica mostrava-se esgotada. contribuiu inicialmente para ampliar a crença no poder explicativo do Modelo ECD e tornar mais abrangente o seu escopo normativo. A resposta foi a aceitação da existência de causalidades menos rígidas. essas variáveis incluiriam a própria conduta das empresas. o preço de mercado e os produtos de todas as empresas. um dado grau de concentração de uma indústria pode abrigar variadas distribuições de tamanhos das empresas. um objeto de difícil apreensão. formula-se um comportamento de equilíbrio das empresas em que estas ajustam quantidades. muitas das grandes empresas são diversificadas. sejam variáveis endogenamente determinadas e não possam guardar relações de causalidade predefinidas. De certa forma. enredada em discussões de natureza muito mais estatísticas que econômicas. a ponto desse autor. o questionamento crítico de alguns supostos fundamentais da teoria terminou por expor graves lacunas na concepção original. Com isso. passou-se a avaliar empiricamente todos os possíveis feedbacks entre as três categorias. . não há por que imaginar que todas as empresas de uma indústria concentrada partilhem igualmente esses lucros excessivos entre si. de uma corrente alternativa de análise da organização industrial baseada em teoria dos jogos. das variáveis exógenas. baseada em expectativas de ação e reação. Bertrand. tornando questionável o próprio objeto de análise do Modelo ECD. que vários de seus autores passaram a duvidar da importância da estrutura do mercado para a compreensão do seu funcionamento. o paradigma ECD havia perdido causalidade. Comparado metodologicamente com o paradigma ECD. um volume impressionante de resultados empíricos que sugerem que a estrutura de mercado está sistematicamente relacionada com o desempenho no mercado. para muitos o responsável pelo mais completo e preciso livro-texto dessa linha teórica. por um lado. as condições básicas e as condutas são as variáveis exógenas na teoria dos jogos. enfatizava a tal ponto a rivalidade concorrencial. expressa em suposições sobre as condutas das empresas. Outra lacuna do paradigma ECD era a sua incapacidade de lidar com a existência de diferenciais de lucratividade entre empresas em uma mesma indústria. de forma cooperativa ou não. principalmente. ou NEI. mas como um “behaviorista”. Mesmo que se aceite correlação positiva entre grau de concentração e lucros excessivos em uma indústria. O problema é que. Mas também é verdade que a chegada dos anos 1980 trouxe novas questões que não puderam ser tratadas pelo Modelo ECD devido à sua intensa fragmentação. Os estudos de caso eram muito particulares e pouco generalizáveis e o uso intenso da matemática se. que se expressavam em uma relação interativa entre as variáveis de estrutura. na qual as premissas do tipo ECD foram deixadas de lado.xxiv   Economia Industrial forma. sendo pertinente a questão da endogeneidade. voltou a privilegiar a conduta das empresas – e sua rivalidade – como a principal variável explicativa do funcionamento dos mercados. Nesse processo. Ambas as alternativas se mostraram infrutíferas. a noção de concorrência ver-se-ia obrigada a dar conta de variáveis muito mais complexas. desconsiderando o papel das suas características técnico-econômicas (condições básicas da oferta e da demanda e grau de concentração). as funções de demanda e as expectativas de ação e reação dos concorrentes que cada empresa apresenta. basicamente ligados aos primórdios das teorias do oligopólio (em geral. Claro está que. Fornece um conjunto estruturado de ideias e conceitos. Na teoria dos jogos. ao contrário de bem-sucedidas. ao passo que a estrutura e o desempenho são as variáveis endógenas. podendo. na visão de alguns. as tentativas de completar a teoria. A hipótese da endogeneidade constituiu o ponto de partida. A NEI. resgatando assim os modelos de Cournot. Mas o principal questionamento com que o paradigma se defrontou foi a chamada questão da endogeneidade: se cada empresa escolhe seu nível de produção (e preços) em função de suas curvas de custos. Como ademais. apoiada no instrumental da teoria dos jogos. ser introduzidas incertezas quanto ao futuro. duopólios). Nash ou outros. assumidas como as curvas de custo. Ambas dependem. Com Scherer. são conjuntamente determinados. se autoqualificar não como um estruturalista. Isso por sua vez implica que. maior rigor científico. para uma indústria em equilíbrio. sugerindo que concentração industrial e barreiras à entrada devem ser objetos de preocupação das autoridades regulatórias. certos questionamentos teóricos levaram a um processo de revisão do paradigma e à busca de diversificação das teorias de organização industrial. como é feito em jogos mais sofisticados. permitiu que soluções de oligopólio tivessem uma maior formalização e. Uma das lacunas do Modelo ECD pioneiro era a falta de importância atribuída às condutas das empresas no processo de concorrência.

entretanto. Os autores neo-schumpeterianos explicitam essas premissas de três formas: (1) a existência de assimetrias técnico-econômicas entre os agentes. As tentativas de desenvolver teorias não fundamentadas no equilíbrio por parte dos autores da corrente alternativa. em sua relativamente maior ênfase em especificidades. e (3) a existência de diversidade comportamental entre os agentes. A abordagem schumpeteriana-institucionalista parte de ideias gerais com relação ao homem. Em particular. Se concordam em substituir a noção de equilíbrio pela de trajetórias de evolução.2  A abordagem alternativa A análise neoclássica parte de uma estrutura teórica universal a respeito da escolha racional e de comportamento para uma teoria dos preços e do bem-estar econômico. Ao contrário. Não é comum na tradição schumpeteriana-institucionalista. Dessa forma. Os conceitos básicos da teoria que os autores buscam construir e que dão suporte a essas premissas são igualmente três: (1) a tecnologia é apropriável. a preocupação de descrever a (falsa) dinâmica de ajuste de natureza estática comparativa não tem sentido e é irrelevante. construir um único modelo geral fundamentado nessas ideias. ou o seu movimento em direção ao equilíbrio. A biologia evolucionária tem poucas leis e princípios gerais pelos quais a origem e o desenvolvimento da vida podem ser explicados. e também explicações específicas relevantes à espécie em consideração. essas ideias facilitam uma abordagem específica e histórica para a análise. as colocações sobre o processo de concorrência são ainda muito dispersas. as formalizações dessas relações. nem totalmente exógeno. ajudando a ligar o específico e o geral. um autor desta tradição precisa mostrar como grupos específicos de hábitos comuns estão embebidos em e são reforçados por instituições sociais específicas. (2) existe incerteza quanto aos resultados dos esforços ou decisões tecnológicas (e não só em relação a elas). como um processo dependente do tempo. O comportamento dos agentes é considerado um dado e. em física existem repetidas tentativas para formular uma teoria geral de todos os fenômenos materiais. a concorrência. denominados autores “neo-schumpeterianos” ou evolucionistas. Esses autores têm como preocupação central a lógica do processo de inovação e seus impactos sobre a atividade econômica. O resultado dessa construção teórica é a obtenção de modelos evolucionistas que se contrapõem às formulações determinísticas habituais no pensamento neoclássico. (2) a existência de variedade tecnológica. em termos das variáveis-chave e das regularidades e causalidades relevantes são ainda pouco convergentes. fazendo da busca e seleção de inovações um processo não randômico. portanto. Concretamente. tais como as incertezas. a teoria econômica schumpeteriana-institucionalista está mais próxima da biologia do que da física. existem vários níveis e tipos de análise. e excluem os problemas crônicos de informação. e (3) a despeito do anterior. Dessa forma. têm estimulado a construção de um novo paradigma microeconômico de natureza não determinística. existem paradigmas e trajetórias tecnológicas setoriais que ordenam o progresso técnico. sociológicas e antropológicas sobre o comportamento humano para entender esses hábitos e rotinas. em enfatizar o papel da mudança tecnológica na conformação das estruturas de mercado e no processo de mudança estrutural ou na atribuição de papel ativo por parte das empresas na definição da direção dessas mudanças. claramente.3. ela é indicativa de como desenvolver análises específicas de fenômenos igualmente específicos. Em contraste. Nessa estrutura teórica pressupõe-se que os agentes se comportam racionalmente e maximizam suas funções de preferências. Se há uma teoria geral. regras e sua evolução. o caminho que tem se mostrado mais profícuo é o que toma por base uma visão evolucionista do processo de concorrência. Nesse marco teórico. um programa de pesquisas muito amplo e. cumulativa. essa abordagem move-se do abstrato para o concreto. a abordagem schumpeteriana-institucionalista não presume que a sua concepção do homem como um ser que toma decisões com base nos hábitos permita uma operacionalização imediata da teoria. Nessa busca. mas que são relacionados por meio dos conceitos de hábito e de instituição. A análise da evolução de um organismo específico exige dados detalhados sobre o organismo e seu ambiente.Introdução   xxv 1. Os schumpeterianos-institucionalistas se valem das tradições de pesquisa psicológicas. De fato. Com relação a isso. A questão central enfrentada pelos modelos evolucionistas é a tentativa de tratar a inovação. Elementos adicionais são necessários. não é problematizado nas teorias e nas análises de cunho neoclássico. isso significa que a dinâmica a ser estudada não pode deixar de ser a dinâmica do processo de mudança. com o acréscimo de contribuições dos autores institucionalistas. Este é. O objetivo é tratar variáveis path-dependent e por isso a história tem que ser incorporada ao sistema teórico tanto no que diz respeito à história passada em decorrência da . neste contexto. As ideias principais dos schumpeterianos-institucionalistas estão relacionadas com instituições. e. tácita e irreversível. é possível inclusive fazer uma analogia com a abordagem utilizada na biologia. hábitos. tanto lógico quanto cronológico. focam o estágio de equilíbrio alcançado. A teoria evolucionária necessita tanto de teoria específica quanto de teoria geral. Todavia. às instituições e à natureza evolucionária dos processos econômicos para ideias e teorias específicas. a partir dela. fato que indica que ainda há um longo caminho a percorrer. relacionadas com instituições econômicas singulares ou tipos de economia.

Finalmente. diferentemente dos livros que se apresentam como uma coletânea de textos. a dinâmica industrial. Sua característica principal é a busca de homogeneidade no tratamento dos temas. sua evolução e seus limites. No Capítulo 7 iremos apresentar a noção de barreiras à entrada. Outra importante característica do livro é que existem. não pode ser reduzido a sequências lógicas de tempos. elaborado por Salop. com ênfase sobre os estudos empíricos brasileiros) e. que busca manter a unidade e a coerência do livro. na prática. no Brasil. O segundo é a forma de organização dos capítulos. principais desenvolvimentos teóricos (sem enfatizar as controvérsias sobre o tema. A seguir descreveremos o conteúdo de cada parte e de cada capítulo. de termos já consagrados na literatura inglesa. Fizemos um esforço de padronização de linguagem. mostrando a crescente interdependência entre os agentes econômicos no processo de produção industrial. seus fundamentos. por exemplo. e discutir a eficiência alocativa associada a cada um desses modelos. em vista das condições de incerteza sob as quais se dá o processo decisório. também chamada de barreiras à entrada estáticas ou exógenas: são as . o modelo de concorrência perfeita e o monopólio. O terceiro princípio. bem como um índice remissivo que ajuda o leitor a selecionar os assuntos de seu maior interesse. dificilmente as mercadorias que competem entre si são homogêneas aos olhos do consumidor. no Capítulo 4. quando for o caso. Inicia com uma apresentação da evolução do conceito de empresa – de um objeto estático e reativo para um organismo em crescimento e expansão –. e sim procurando as convergências para proporcionar ao leitor uma visão geral do tema). assim como a estrutura do mercado. O Capítulo 5 define a noção de grau de concentração e procura ensinar quais são os indicadores mais tradicionais para sua quantificação (Razões de Concentração. O Capítulo 2 visa a analisar a evolução dos conceitos de empresa. Os dois modelos locacionais mais conhecidos da literatura são abordados em versões simplificadas: a cidade linear. O primeiro é a forma de organização das partes que preservam a evolução da matéria Economia Industrial e vai agregando a contribuição das diferentes filiações teóricas sobre as questões das empresas. No Capítulo 3. ou seja. inclusive no que tange às traduções. apresenta-se o Modelo ECD. para os temas tratados em cada capítulo. Cada capítulo aborda as definições dos termos. a saber. A homogeneidade foi buscada através de três princípios. afetam decisivamente os comportamentos estratégicos das empresas. aplicações (relacionadas aos problemas. define os conceitos de mercado e indústria e termina mostrando que a unidade de análise dos estudos microeconômicos tem evoluído do atomismo – empresa – para as redes – complexo industrial –. isto é. A Parte I (Conceitos Básicos e Fundamentos) é formada de quatro capítulos que introduzem o leitor aos principais temas microeconômicos ao mesmo tempo em que procura adiantar em que medida as categorias analíticas ausentes ou insatisfatoriamente abordadas na visão tradicional darão margem a desdobramentos teóricos importantes para o estudo da Economia Industrial e para os fundamentos do Modelo ECD. apresentada neste capítulo. muitas vezes pela primeira vez. A Parte II (Análise Estrutural dos Mercados) é composta de quatro capítulos e procura sumariar as questões mais consensuais hoje sobre o Modelo ECD quando interpretado em sua primeira versão estruturalista. O primeiro capítulo tem o objetivo de apresentar ao leitor os princípios mais gerais dos modelos básicos de concorrência da teoria econômica neoclássica. examina-se a relação existente entre as estruturas de custos e o fenômeno das economias de escala e escopo. Índice de Hirschman-Herfindahl e Índice de Entropia de Theil). desenvolvido por Hotteling. é o conjunto de termos econômicos utilizados pelos diferentes colaboradores. de uma perspectiva estrutural. No mundo real. em que medida os comportamentos teóricos dos custos de longo e de curto prazos são importantes para compreender e analisar. O Capítulo 6 irá aprofundar a discussão iniciada no Capítulo 1 sobre a inconveniência de se fazer a análise do processo de concorrência mantendo-se a hipótese de homogeneidade dos produtos. leituras sugeridas. O livro é composto de sete partes e 28 capítulos. variáveis e indicadores decorrentes das proposições teóricas) e temas para discussão (envolve principalmente os resultados empíricos decorrentes das proposições teóricas e a problemática empírica resultante. dos mercados e da concorrência. indústria e mercado no âmbito da Economia Industrial. com ênfase para o campo da concorrência industrial. os consumidores não são indiferentes. 1. quando dois produtos homogêneos são oferecidos associados a duas localizações distintas. que as condições básicas de oferta e demanda.xxvi   Economia Industrial natureza cumulativa das variáveis analisadas quanto em relação ao futuro que. remissão para os encadeamentos com capítulos anteriores e posteriores.4  Estrutura e Características do Livro Este livro dedica-se a registrar o que há de mais recente no campo da análise dos fenômenos que se observam na dinâmica dos mercados das economias capitalistas. Seu grande mérito é discutir em que medida esses indicadores podem ou não captar o fenômeno da concentração com exemplos da literatura internacional e exemplos sobre a estrutura industrial brasileira. e a cidade circular.

que existe uma lógica de eficiência econômica por trás dos determinantes dos tipos de empresas e formas de organização predominantes. baseados em diferenciais absolutos ou relativos de custos entre as empresas estabelecidas e as empresas entrantes. em princípio. O Capítulo 16 aborda a ocorrência de múltiplas formas de cooperação produtiva e tecnológica entre empresas. A segunda abordagem é aquela oferecida pela teoria dos custos de transação. A principal origem dessa abordagem é o programa de pesquisa neo-schumpeteriano.Introdução   xxvii barreiras à entrada que decorrem das características técnico-econômicas dos setores e não do comportamento dos agentes. O Capítulo 9 discute como usar a teoria dos jogos como instrumento de identificação. apresentada no Capítulo anterior e que. que passa a ser considerada como uma rede de contratos. abrindo a discussão sobre a hipótese schumpeteriana de endogeneidade da mudança. A resenha dos resultados empíricos. A primeira delas é de origem tradicional. A Parte III (Interação estratégica). O Capítulo 8 encerra a Parte II apresentando para o leitor o papel da mudança e da inovação no processo concorrencial. mas procura estender o alcance do instrumental teórico da microeconomia tradicional para a análise das formas específicas de organização da empresa. A seguir. O Capítulo 14 irá apresentar o tipo específico de organização mais estilizado na literatura de Economia Industrial – a grande corporação – e as principais abordagens disponíveis na literatura para o seu estudo. Apresenta o termo “competências essenciais” e discute as diversas formas de diversificação empresarial. Dixit quanto o de P. tem por foco a análise institucional da empresa. um conceito central para o estudo do equilíbrio com interdependência estratégica. enfatizando a discussão das possíveis direções que o processo de diversificação pode tomar – analisadas em termos do grau de similaridade com as atividades originais da empresa – bem como dos condicionantes internos e externos à empresa que interferem na dinâmica do processo. contribuindo para determinar a forma pela qual são alocados os recursos na economia. Roberts. Ao acentuar a importância das estratégias empresariais na prevenção da entrada e nos processos competitivos posteriores. São destacadas três abordagens explicativas sobre a organização interna da grande empresa. Esse capítulo está centrado na elaboração de jogos não cooperativos. composta de quatro capítulos. é apresentada uma abordagem alternativa que enfatiza o papel da estrutura organizacional da empresa na mobilização dos conhecimentos necessários ao aprendizado tecnológico. é analisada mais detalhadamente a atuação das empresas nos diferentes regimes competitivos. principalmente. procurando ­discutir . Três modelos de competição imperfeita: Cournot (decisão simultânea de quantidades). Aborda-se. Dedicamos o Capítulo 10 à apresentação dos modelos de concorrência fundamentados em hipóteses de reação das empresas em oligopólios não cooperativos. identifica os principais fatores que geram barreiras à entrada e prossegue apresentando o modelo de preço-limite. Bertrand (decisão simultânea de preços) e Stackelberg (decisão sequencial de quantidades) mostram como o equilíbrio entre os agentes é buscado através das funções de reação. as “redes de empresas”. Finalmente. O Capítulo 11 trata os principais aspectos que facilitam ou prejudicam a coordenação oligopolística. Milgrom e J. a adoção de acordos tácitos ou explícitos entre as empresas visando a evitar os efeitos negativos da concorrência sobre os lucros. um tipo particular de estrutura em rede. foi aplicada ao estudo dos processos de mudança da organização interna das empresas. Discute sob que condições os custos de transação deixam de ser desprezíveis e passam a ser um elemento importante nas decisões dos agentes econômicos. essa teoria contrapõe-se àquela apresentada no Capítulo 7. A Parte IV (A Grande Empresa Contemporânea). ilustra bem o problema de explicar a intensidade da inovação com base em variáveis de estrutura tais como tamanho das empresas ou grau de concentração industrial. embora influências de ideias geradas fora da Economia Industrial – basicamente de teorias das organizações de natureza mais sociológica – também se façam presente. que tem como principal identidade o recurso à teoria dos jogos como ferramenta analítica. com destaque para o princípio do custo total e a liderança de preços. Toma como hipótese que “as instituições importam” na análise dos processos econômicos. O Capítulo 15 aborda as conexões entre diversificação e crescimento da empresa. são examinadas algumas formas de superar esses problemas por meio da adoção de regras de bolso pelos agentes. A teoria dos jogos pode ser definida. observados a partir da agenda estruturalista de pesquisa schumpeteriana. é dedicada à chamada Nova Economia Industrial (NEI). que enfoca a barreira à entrada em um ângulo eminentemente estrutural. e realiza-se uma análise comparativa dos excedentes econômicos gerados em cada regime. isto é. O capítulo apresenta os conceitos de concorrência real e potencial. que são situações nas quais características e regras do jogo não são de conhecimento comum dos jogadores. Por fim. Por último. o estudo de sua natureza como enfatizou Ronald Coase. o Capítulo 12 retoma a questão das barreiras à entrada associadas às estratégias das empresas na criação de cus­ tos irrecuperáveis (irreversibilidades) como importante ferramenta estratégica à disposição das empresas em processos de competição com rivalidade. Discute a relação entre inovação e estrutura industrial na perspectiva dos modelos tradicionais e seus avanços bem como na perspectiva evolucionista. descrição e análise de regras de jogos e de conflitos nas e entre as organizações. como conjunto de técnicas de análise de situações de interdependência estratégica. neste Capítulo. baseada na noção de preço-limite. O Capítulo 13 introduz o importante conceito de custos de transação e suas principais aplicações na análise da integração vertical e na regulação econômica. A partir de uma crítica ao postulado de Sylos-Labini são apresentados tanto os modelos de A. formada por cinco capítulos. sem contemplar jogos com informação incompleta. partindo de uma redefinição conceitual desta última.

Schumpeter na primeira metade do século XX. ao desenvolvimento de nações e à evolução das competências de agentes econômicos. Finalmente. Outro elemento de grande relevância na estratégia competitiva das empresas é a propaganda. uma visão histórica da regulação em outros países antes e depois do período de 1980. finalmente.xxviii   Economia Industrial algumas características e propriedades desses arranjos que condicionam a sua capacidade de resposta diante dos estímulos ambientais. ela pode introduzir maior qualidade e trazer também irreversibilidades ao mercado. Aqui o leitor irá encontrar uma interessante discussão sobre os princípios que devem nortear a intervenção do Estado nos mercados e sobre a institucionalidade específica da economia brasileira. principal jurisprudência disponível sobre o assunto. Essa visão contrasta com a visão exposta no Capítulo 8. esse tipo de organização se sobressai na atualidade como uma das mais importantes formas de organização. A empresa é concebida como um organismo vivo em permanente mutação que recebe influências de seu ambiente (mercado) mas. O Capítulo 20 analisa a influência da propaganda sobre o processo de concorrência. Fechando essa parte. seguida de uma discussão sobre o fenômeno do monopólio natural nas indústrias de rede. O Capítulo 25 apresenta os argumentos a favor e contra a adoção de políticas comerciais enfatizando seus efeitos para o desempenho das indústrias. formada por quatro capítulos. O Capítulo 19 apresenta um detalhamento das estratégias de inovação das empresas. com ênfase na inovação. seguida de uma descrição sobre regulação no Brasil. em contraste com a análise estática da corrente tradicional. O Capítulo 24 está organizado para permitir ao leitor identificar lógicas distintas da teoria econômica no que diz respeito ao papel do Estado: teorias que associam política industrial às falhas de mercado. A propaganda é vista na análise tradicional como instrumento tanto de informação quanto de persuasão. A Parte VI (Políticas e Regulação dos Mercados) trata da política econômica. Também compara a legislação brasileira com a legislação norte-americana. O Capítulo 21 retoma a questão institucionalista de que as instituições evoluem pari e passu com a estrutura produtiva sob a ótica financeira. É uma excelente aplicação prática do Modelo ECD e do conceito de mercado relevante para a ação antitruste. produção e difusão das inovações. e aperfeiçoada nas últimas duas décadas por autores da corrente neo-schumpeteriana. maior eficiência econômica como resultado do funcionamento dos mercados. o Capítulo 26 discute as principais razões para a adoção de uma política ambiental. notadamente as inovações que emergem incessantemente da busca de novas oportunidades lucrativas por parte das empresas em sua interação competitiva. Analisa também a relação entre política industrial e outras políticas de Estado tais como a política macroeconômica. tradicionalmente a principal aplicação da Economia Industrial. regulação de infraestruturas e de ciência e tecnologia. clusters. tecnologia e de capacitações gerencial. De fato. dedicado às políticas de regulação econômica. Já para a corrente alternativa. tem a função de permitir que o leitor possa apreender os conceitos e ao mesmo tempo acessar as fontes (estudos e estatísticas) necessárias para desenvolver estudos empíricos aplicando os principais conceitos de Economia Industrial. gerado por fatores endógenos ao sistema econômico. onde a propensão a inovar era tomada como função do padrão de concorrência existente no mercado em que a empresa estava situada. organizacional e mercadológica. mas também na regulação e defesa da concorrência. de comércio exterior. preservando ou estimulando a formação de ambientes competitivos com intenção de induzir. inicia-se apresentando o conceito do monopólio natural em duas circunstâncias distintas: monopólio natural com um produto e monopólio natural multiproduto. tal como a marca. O capítulo encerra-se com a identificação de algumas implicações normativas e de política econômica – especialmente para a política de concorrência – dessas proposições teóricas. O Capítulo 17 encerra esta Parte. Apresenta ainda as várias formas de regulação dos preços e. principal locus de acumulação e de poder econômico. entre outras redes. se possível. A principal lição que emerge de sua leitura é que o Estado não só tem um papel importante a desempenhar nas políticas de competitividade. A Parte V (Estratégias Empresariais). exercido a partir do seu controle sobre ativos específicos de capital. finalizando com o relato da experiência brasileira e da prática recente dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). a Parte VII (Guia para Análises Empíricas). ao mesmo tempo. as soluções econômicas para esses problemas ambientais e uma pesquisa sobre a legislação ambiental brasileira e sua institucionalidade. O Capítulo 27 sugere como organizar os dados . exemplificando mais uma importante forma institucional que a grande corporação pode adquirir: a Empresa Transnacional. portanto. sua organização interna e externa na aquisição. Sua principal contribuição é permitir ao leitor uma leitura sistematizada dos distintos exemplos apontados pela literatura de Economia Industrial acerca dos distritos industriais. Especial ênfase é dedicada à questão das finanças corporativas e do project finance. O Capítulo 23. composta de dois capítulos. é capaz de transformá-lo ou criar novos mercados ou indústrias a partir da introdução de inovações tecnológicas. avaliando também seus efeitos no desempenho das empresas e sobre a estrutura da indústria. arranjos cooperativos. O Capítulo 18 inaugura essa parte mostrando a concorrência na economia capitalista como um processo evolutivo e. apresenta a teoria da concorrência esboçada em suas linhas básicas por J. dinâmico. criando ativos específicos. O Capítulo 22 analisa a política de defesa da concorrência na garantia da existência de condições de competição. Procura responder de que forma as condições de financiamento e a estrutura de financiamento das empresas influenciam as decisões de investimento das mesmas.

é preciso conhecer também as institucionalidades e particularidades dos mercados estudados. São apresentados os modelos de Análise de Componentes Principais e Análise de Grupamento (Cluster Analysis).Introdução   xxix categóricos utilizando-se as tabelas de contingência e algumas medidas de associação de variáveis categóricas. ao apresentar as principais fontes de informação e suas metodologias sobre a indústria brasileira. e a análise de correlações. O Capítulo 28. Esperamos que o leitor esteja suficientemente motivado para enfrentar a dificuldade do exercício da arte da Economia Industrial. é leitura obrigatória para os interessados em realmente praticar a Economia Industrial. . Sugere ainda algumas variáveis quantitativas. para a qual não basta o conhecimento da lógica e dos instrumentos matemáticos. As duas últimas seções são dedicadas aos modelos de análise estatística multivariada.