13º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo

Como se ensina ética profissional?
Pedagogias, metodologias e tecnologias adotadas por professores de jornalismo no Brasil

Rogério Christofoletti (UFSC)

Esta comunicação científica...

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Resultados parciais da pesquisa “Ensino de Deontologia nos cursos superiores de Jornalismo no Brasil: pedagogias, metodologias e tecnologias", financiada pelo CNPq com recursos do Edital Universal 2008 Projeto aprovado pelo CA de Educação! Outros produtos (artigos e comunicações) abordam outros aspectos do mesmo problema. Disponíveis em outras fontes. Pesquisa concluída, mas com novas questões pendentes

As motivações da pesquisa

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O ensino de jornalismo é pouco estudado e ainda insuficientemente discutido no Brasil Ensino de ética jornalística menos ainda Importância da dimensão ético-profissional na formação dos novos jornalistas Ineditismo na abordagem no país Tentativa de abrangência e representatividade na amostra + enfoque nos professores Motivações pessoais: campo de pesquisa e docência nos últimos onze anos Objetivo: mapeamento da área, compreensão das dinâmicas e incentivo às discussões pedagógicas

Ensino de ética em outras áreas

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Engenharias: a disciplina é “relativamente nova no Brasil” e não tem tradição ou conteúdos uniformes e consagrados (Sebenello, 2001) Contabilidade: “escassa literatura” (Sá, 2007) Direito: “pouquíssimos” operadores do Direito se interessam pela matéria e isso se dá, na maioria das vezes, em que esses profissionais têm de enfrentar uma questão ética (Santoro, 2006) Enfermagem: o ensino da ética contribui para uma “ética alienada” (Germano, 1993) Medicina: a necessidade de reforma do código (!), da disciplina e a orientação para se inspirar nos velhos mestres (D'Ávila, 2002)

Ensino de ética no Jornalismo
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Presença e preocupação históricas Bibliografia em expansão Ausência de publicações específicas Ainda pouca discussão em fóruns Pouca articulação/diálogo nacional Rara interlocução internacional O paradoxo: o ensino de ética profissional ao mesmo tempo em que é fundamental nas formações, é pouco estudado ou discutido

As questões desta pesquisa

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É possível ensinar ética jornalística nos cursos? Como são preparados novos repórteres e editores quando o assunto é ética? Os professores da área estão plenamente capacitados para a tarefa? Que recursos subsidiam suas práticas? Como os conteúdos deontológicos aparecem nos currículos? Como os cursos oferecem esses saberes?

Procedimentos metodológicos

Revisão bibliográfica. Um dado: bibliografia cresce, mas historicizando e analisando casos e condutas éticas. Não há discussão sobre o ensino da deontologia jornalística Definição da amostra: 100 cursos mais antigos de Jornalismo no Brasil = cursos de 1947 a 1999. Abrangência geográfica (19 UF), regime (pub x part), tipo institucional (U + F + CU) Análise documental de currículos, ementas e projetos pedagógicos: presença da ética na formação Identificação de professores das disciplinas, convite à pesquisa e aplicação de questionário eletrônico: os dados a serem explicitados...

O questionário aplicado...

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Elaborado e hospedado no GoogleDocs 18 questões, sendo 15 de múltipla escolha e três discursivas Disponível para preenchimento por quatro semanas, entre maio e junho de 2009 35 professores responderam O questionário

Disciplinas e os professores
• Título da disciplina: grande dispersão • 56% “Legislação e Ética em Jornalismo” e “Ética e Legislação em Jornalismo” • Na maioria dos casos, conteúdos de deontologia e direito oferecidos juntos • Os professores não vêem problema nisso: 62% acham que devem ser dados juntos. Divergem na proporção: apenas 32% apontam predomínio de ética e deontologia, contrariando trabalhos de especialistas: Cheida (2007), Gentilli (2001), Christofoletti (2007; 2009), Karam (1997), que defendem disciplinas mais específicas.

Quem são os docentes da área?
• 66% têm formação na área: Comunicação ou Jornalismo • 14% têm graduações em Direito ou Filosofia • 3% são formados em Teologia ou Letras • São experientes: 51% leciona a disciplina há mais de cinco anos

Ética na formação de jornalistas
• Para 70% dos docentes, a disciplina é “muito relevante” para a formação dos novos profissionais e para 15%, é a mais relevante do curso • Mercado e academia se chocam? Para 42%, a disciplina, sua presença no currículo e sua ementa “ressaltam aspectos mais acadêmicos e teóricos na formação dos novos jornalistas” • Para 33%, a matéria “aproxima mercado e academia” • Para 15%, “contrapõe mercado e academia” • Segundo 9%, “salienta um caráter mais mercadológico e profissional na formação dos novos jornalistas” • Quantidade da oferta no curso. “suficiente e em boa dose” (68%); “insuficiente” (32%)

Livros e limites das áreas...
• 47% dos entrevistados, ela é “suficiente para a disciplina”; para 32%, parcialmente; e 21% consideram a bibliografia deficiente. • 82% dos docentes vêem “distinções significativas” entre Deontologia e Direito, apesar da mescla das áreas nas disciplinas • Outras unidades de ensino? Docentes queixaram-se mais da carga horária que tem à disposição do que das ementas das matérias. • Nas respostas abertas: há tempo insuficiente para incluir novos tópicos de ensino e mesmo para aprofundar os já existentes nos planos de aula. • Fator tempo impede + flexibilidade e + mobilidade

Que competências desenvolver?
• • • • • • • • • • • • • • • • • Criticidade e Distanciamento Maior capacidade de julgamento Postura proativa, socialmente responsável Capacidade para refletir sobre o fazer jornalístico, com tomadas de decisão seguras Discernimento entre interesse público de restritos a grupos Superação do jornalismo factualista, visando a um reflexivo sobre a realidade Capacidade de avaliação do cotidiano da profissão Capacidade de tomar decisões sobre essas situações Capacidade de refletir sobre as consequências das atitudes Ser competente profissionalmente sem ferir a ética. Percepção de que a defesa da ética é uma causa política Consciência reflexiva para realizar questionamentos éticos Capacidade para antecipar situações de potenciais conflitos Consciência de cidadania Sensibilidade social e Sensibilidade ambiental Engajamento nas organizações da profissão Domínio de conceitos jurídicos fundamentais ao jornalismo

Ainda sobre as competências
• Os docentes têm noções claras de competências e habilidades. Se não conceitualmente, na prática de sua docência • As competências e habilidades desenvolvidas nas disciplinas deontológicas contribuem não apenas para a formação técnica dos jornalistas, mas para aspectos que também se refletem nos relacionamentos entre profissionais, seus pares, seus públicos e outros atores sociais

Dinâmicas usadas em sala...
• • • • • • • “Leituras e discussões teóricas”: 86% “Estudos de casos”: 77% “Aulas expositivas”: 74% “Debates e julgamentos”: 51% “Ensino baseado em problemas”: 49% “teatro, dramatização e vivências”: 11% Outros: 20%

• Docentes recorrem a muitas estratégias, tentando dinamizar as aulas, não se acomodando • Essa heterogeneidade é reforçada pela filiação pedagógica dos respondentes...

Correntes pedagógicas...
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Respostas abertas...

Pedagogia Renovada Pedagogia Libertadora Construtivismo Marxismo Pós-Estuturalismo Sócio-Interacionismo Pedagogia Teórico-prática Intelectopedagogia Ecopedagogia Egopedagogia Método Syllabus Não sei me encaixar pedagogicamente...

Como o docente se avalia?
• 62% “preparado tanto nos conteúdos quanto pedagogicamente” • 29% “gostaria de ter uma capacitação pedagógica” • 6% “inseguros quanto aos conteúdos mas não pedagogicamente” • 1% “totalmente inseguro” • 30% fragilizados num aspecto estratégico do processo de ensino-aprendizagem: o professor domina o conteúdo, mas não se sente plenamente capaz de ministrá-lo. • O dado coloca em cheque o preparo docente...

E as principais dificuldades?
• 47% afirmou não ter dificuldades = menos que a metade, contraria o dado anterior (62% dominando conteúdo e didática na disciplina) • 21% sentem “necessidade de uma didática própria para essas aulas” • 15% dizem que a “bibliografia é escassa ou inacessível” • 15% queixam-se dos poucos materiais de apoio à disciplina • 12% afirmam desconhecer “literatura específica sobre ensino de ética que pudesse auxiliar” • para 9%, “a natureza da disciplina restringe o ensino a abordagens muito escolásticas e convencionais” • para 1%, “os temas são áridos e complexos demais, o que dificulta explorações mais aprofundadas” • 15%: Outras dificuldades

Tecnologias aplicadas
• Para 97%, é possível ensinar ética jornalística com recursos tecnológicos. 3% “nunca pensaram nisso”. • Tecnologia é um fator importante para a disciplina? “Mais ou menos”(45%); “Sim”(42%) e “Não” (13%) • Quais recursos são usados? • “filmes em vídeo”: 82% • “apresentações multimídia”: 65% • “blogs ou sites específicos”: 53% • “retroprojetores”: 32% • “ambientes virtuais de aprendizagem”: 21% • “lousa digital”: 6% • “chats e fóruns”: 6% • “sites de relacionamento”: 3% • 6% afirmaram não usar nenhum daqueles recursos.

Tecnologia e ensino de ética
• Os professores não chegam a ser resistentes ao uso de recursos e até lançam mão a variados tipos • Os professores admitem que a tecnologia possa auxiliar, mas ela não parece ser condição determinante para uma formação efetiva e eficaz nesta dimensão. • Tecnologia não é problema; é possibilidade

Considerações...
• Tecnologia não é problema, mas pedagogia parece ser • Não há um método/modelo de ensino de ética jornalística • Tradição de ensino em consolidação ainda • Professores amadurecendo pedagogicamente • Docentes chegando às escolas sem aulas de didática (problema crônico na pós-graduação) • Poucos fóruns de discussão e troca de experiências • Processo histórico: em franco desenvolvimento e evolução de processos e profissionais

Mais informações
Rogério Christofoletti
Departamento de Jornalismo – UFSC

rogerio.christofoletti@uol.com.br http://twitter.com/christofoletti http://monitorando.wordpress.com

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