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15:38 | Quarta-feira, 21 de Mai de 2008

As costas largas dos docentes

A educação em Portugal anda animada. E as notícias que vão caindo nestes dias são, por isso,
animadoras. Merecem comentários desapaixonados.

Um menino de 5 anos é atropelado, à porta de casa, em Ourém, quando corria sozinho atrás de
uma bola. Não sabemos se os seus pais gostam de bola. Ou do filho. A criança está em estado
grave. Grave parece ser um dos qualificativos do estado da Educação portuguesa.

Uma menina de oito anos foi encontrada pela PSP, no Oeiras Parque, juntamente com a mãe
que estava alcoolizada. Não aparece na escola desde que a progenitora abandonou o lar
conjugal por, segundo a PSP, ter encontrado o "marido com outra na cama". A criança anda em
bolandas. A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, de Oeiras, anda a leste. Ou a
precisar de uma comissão de protecção de adultos que a tutele.

Dois polícias da "Escola Segura" foram agredidos à porta da escola Sophia de Mello Breiner
Andersen, também em Oeiras. Três jovens de 18 e 19 anos fizeram o serviço e fugiram.
Começa a ser necessário criar um novo programa no Ministério da Administração Interna:
"Polícia Segura". Para garantir a segurança dos agentes da "Escola Segura".

Uma caloira, de 18 anos, foi violada no Gatódromo de Braga por um colega mais velho, durante
a festa académica da Universidade do Minho. O problema é que, nas festas académicas, se
fazem muitas festas. Se o Gatódromo fosse apenas utilizado por gatos não haveria problema.
Os gatos não se queixam de violações. Apenas miam.

Cinco alunos de uma turma do 6º ano de uma escola em Alvor, Portimão, com idades na casa
dos 12 anos, foram castigados depois de uma cena de apalpões ocorrida no vestiário masculino
daquele estabelecimento de ensino. A aluna entrara no vestiário dos rapazes a convite de um
deles. O vestiário sempre é um sítio mais recatado do que Gatódromo. Se estes alunos
entrarem na universidade do Minho já levam formação específica. Mas não devem conseguir.
Se chegarem ao 9º ano é uma sorte.

O rol de acontecimentos educativos referenciados pela imprensa, só no mês de Maio, é vasto.


É impossível transcrevê-los num post. Estranhamento não vi, em nenhum deles, notícias de
professores que costumam ser os responsáveis por todos os males da Educação.

Minto. Uma professora da escola Básica Arquitecto Ribeiro Telles, em Lisboa, foi agredida pelos
pais de um aluno de 11 anos. O pai irrompeu pela sala de aula chamando à docente "filha da
..." e "vaca", atirando-lhe um dossier à cabeça. A mãe coadjuvou na investida e deu uns
abanões à professora. A PSP chamada a intervir foi rápida. E, 19 dias depois, já o Ministério
Público tinha feito despacho de acusação contra os encarregados da educação. Coisa rara.

Se as coças nos professores, cada vez mais frequentes, pudessem contribuir para melhorar a
Educação e a Justiça, poderia ser um caminho. Não creio. A classe docente é maioritariamente
feminina. Mas tem as costas largas. Talvez por isso, não deixa ver os outros agentes da
comunidade educativa (pais, encarregados de educação, governantes, magistraturas, etc.),
tanto ou mais responsáveis pelo verdadeiro estado da Educação - o estado a que a coisa
chegou.

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