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Sócrates condenado a pagar 10


mil euros por ofender "bom
nome" de jornalista do
PÚBLICO
22.05.2008, Ricardo Dias Felner

Advogado do primeiro-ministro diz que, "em


princípio, irá recorrer da decisão". Caso envolve
notícia sobre subsídio
à Deco e reacção insultuosa

O Tribunal da Relação de Lisboa condenou José


Sócrates a pagar uma indemnização de 10.000 euros ao
jornalista do PÚBLICO José António Cerejo. Em causa
está uma carta do primeiro-ministro, editada no
PÚBLICO em 2001, em que era posto em causa o bom
nome do jornalista.

José António Cerejo foi autor de um conjunto de


artigos, publicados em 2001, sobre o financiamento
estatal da sede da Deco. O trabalho revelava a
participação de Sócrates, então ministro adjunto de
António Guterres, no processo de concessão de um
subsídio de um milhão de euros à associação de defesa
do consumidor.
Na sequência dessa investigação, sete dias depois,
surgiria na edição do PÚBLICO uma carta de Sócrates
com o título "José António Cerejo: delírio, fantasia e
falsidades", em que o jornalista era acusado de ser
"incompetente", "leviano" e de servir "propósitos
estranhos à actividade jornalística". O texto daria lugar
a uma acção judicial de José António Cerejo contra José
Sócrates, na qual foi requerida uma indemnização de
25.000 euros.
Na decisão agora tomada pelos juízes da Relação de
Lisboa, sustentou-se que José Sócrates fez imputações
"objectivamente ofensivas" da "consideração e bom
nome" do jornalista e que os artigos sobre a Deco
haviam sido pertinentes.
"Não podem considerar-se [os artigos] ofensivos, nem
que tenham violado quer o direito de liberdade de
imprensa, quer o de livre expressão", lê-se no acórdão.
"Com efeito, em causa está acto político e sua
apreciação", acrescenta. "Trata-se, como referiram as
testemunhas ouvidas, de atribuição de subsídio, quanto
à sua natureza nunca antes atribuído (para compra de
instalações) e de montante também nunca atribuído a
uma associação de consumidores".
Com o argumento de que "os factos constantes no corpo
dos artigos são, no essencial, verdadeiros", a Relação
acabaria também por negar provimento às queixas de
Sócrates de que ele é que havia sido afectado na sua
honra e bom nome.
Contactado pelo PÚBLICO, o advogado de José
Sócrates, Proença de Carvalho, considerou o acórdão
"muito injusto", afirmando: "Em princípio, irei recorrer
desta decisão." Fonte próxima de Sócrates garantiu à
Lusa que este vai recorrer.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia,
por sua vez, mostrou-se satisfeito com a decisão,
considerando que nunca ofensas a jornalistas, por
personalidades da política, foram tão "violentas e
dirigidas" como no caso da carta de Sócrates.

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Caderno P2

Financiamento da sede da Deco


foi inédito
22.05.2008
Caderno Principal
Foi a primeira vez que o Governo subsidiou as
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instalações da sede de uma associação de defesa dos
DESTAQUE
consumidores e que tal financiamento atingiu os
PORTUGAL valores, em causa, 1.000.000 euros.
O próprio Tribunal da Relação acabou por admitir
como verdadeiros estes factos, constantes dos textos
publicados por José António Cerejo em 2001. Mas do
trabalho de quatro páginas, que motivou a reacção
"ofensiva" de Sócrates, ressaltaram outras situações
duvidosas. Então ministro adjunto do
primeiro-ministro António Guterres, José Sócrates
iniciou os procedimentos com vista à concessão do
subsídio à Deco, antes de ele ser legalmente possível.
Segundo responsáveis contactados na altura, a compra
ou arrendamento de sedes de associações de
consumidores não era passível de financiamento do
Estado. Essa proposta seria contudo viabilizada por um
diploma aprovado um mês depois pelo próprio
Sócrates, que já contemplava essa hipótese. O
primeiro-ministro recusou qualquer relação entre estas
duas iniciativas.
Os textos do PÚBLICO evidenciavam ainda que as
restantes associações do sector desconheciam a
atribuição do subsídio, desaprovando o privilégio, e
que este não fora publicamente divulgado.

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