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1 – Introdução

Do conjunto de leis, direitos e políticas que, a partir da Constituição Federal de
1988, compõem a nova institucionalidade da proteção ao idoso no Brasil, a
Assistência Social destaca-se como importante fonte de melhoria das condições
de vida e de cidadania desse estrato populacional em irreversível crescimento.
Isso porque, com a Constituição vigente, promulgada em 1988, a Assistência
Social também ganhou nova institucionalidade, que a fez pautar-se pelo
paradigma da cidadania ampliada e a funcionar como política pública
concretizadora de direitos sociais básicos particularmente de crianças, idosos,
portadores de deficiência, famílias e pessoas social e economicamente
vulneráveis
ASPECTOS

GERAIS

Com vistas a melhor situar a questão da saúde do idoso no Brasil, em termos das
políticas públicas para o setor, deve se ressaltar que este corte social é tratado no
conjunto das medidas relacionadas aos programas de desenvolvimento social,
lembrando ainda que, conforme SOUZA (1998), as políticas sociais devem estar
voltadas a resgatar a dívida com os excluídos do processo de desenvolvimento.
Voltando a SOUZA (1998), no Brasil a responsabilidade pelo desenvolvimento
social é competência de todas as esferas de governo bem como da própria
sociedade, responsabilidade esta constante na Constituição Federal, promulgada
em outubro de 1988, e desdobrada em leis complementares e ordinárias.

O problema da seguridade social advém do grande aumento da população
aposentada em relação à mão-de-obra ativa, ou seja, à redução proporcional do
número de pessoas que financiam os aposentados. Em países onde a expectativa
de sobrevida é maior a situação se torna mais grave, como na União Européia,
onde a proporção é de quatro trabalhadores para um aposentado segundo
PIÑERA

(1998).

com um sentimento ético e consciência de cidadania. Outro aspecto relevante em relação às políticas públicas de saúde e ao aumento da expectativa de vida da população é que os gastos com saúde per capita tornam-se cada vez maiores com o passar do tempo. Ainda neste escopo.A questão da saúde é tão ou mais importante. em geral estão mais sujeitas a acidentes e. a reboque das decisões tomadas durante a realização por parte da Organização das Nações Unidas da I Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento. deve ser viabilizado tanto pela esfera governamental. ou seja. em razão do déficit ou falência das suas percepções sensoriais e do desgaste físico natural da velhice. em 1982. entretanto. por fim. definiu e consolidou a Política Nacional do Idoso. É importante ressaltar que o acesso do idoso aos direitos especiais que lhe são destinados em lei é expressão da sua cidadania e. cita que ser cidadão é ter consciência de seus direitos e deveres civis e políticos. Política Nacional do Idoso A percepção destas questões colocou em foco discussões no âmbito de toda a sociedade que. conforme sabemos. segundo PASSARELLI (1997). o Governo Federal. através da Lei nº 8. A Lei 8842 de 04 de janeiro de 19942 que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso é resultado das proposições da sociedade e dos movimentos sociais no período histórico recente. inclusive quando comparada no âmbito internacional. os meios preventivos e terapêuticos disponíveis são insuficientes para o fiel cumprimento do proposto na lei. na medida em que a performance desta área implica numa alteração da quantidade de mão de obra disponível para a produção de bens e serviços. às doenças crônicas e degenerativas. como tal.842 de 04 de janeiro de 1994. Em seus artigos encontraremos os dispositivos . quanto pela sociedade civil. levou a que fossem inseridas na Constituição Federais de 1988 as preocupações formais com a proteção à terceira idade. DUARTE (1998). legislação avançada. participando das decisões que interferem na vida de cada um. no seu dia-a-dia esbarra no déficit estrutural do nosso sistema de saúde. que. As pessoas da terceira idade.

V . defendendo sua dignidade. Artigo 3° . integração e participação efetiva na sociedade. na .Considera-se idoso. bem-estar e o direito à vida. garantindo sua participação na comunidade. a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania. na aplicação desta Lei. sociais.garantidores de direitos.viabilização de formas alternativas de participação. Artigo 2º . Diretrizes da Política Nacional do Idoso Destacamos a seguir as diretrizes da Política Nacional do Idoso e que podem causar maiores questionamentos para as autoridades quando se discute os direitos e aplicação das verbas públicas: Constituem diretrizes da política nacional do idoso: I .A política nacional do idoso reger-se-á pelos seguintes princípios: I . criando condições para promover sua autonomia.o idoso deve ser o principal agente e o destinatário das transformações a serem efetivadas através desta política. II . que proporcionem sua integração às demais gerações. a pessoa maior de sessenta anos de idade. ocupação e convívio do idoso. particularmente. II .participação do idoso. através de suas organizações representativas.o idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza. III . as contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral.o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral.a família. os princípios e as diretrizes da política com vistas a assegurar uma vida digna à esta população. para todos os efeitos desta lei. IV . regionais e.A política Nacional do Idoso tem por objetivo assegurar os direitos sociais do idoso.as diferenças econômicas. devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos. conforme veremos destacadamente em seus três primeiros artigos e no capítulo sobre as diretrizes: Artigo 1º .

VI . programas e projetos em cada nível de governo.priorização do atendimento ao idoso em órgãos públicos e privados prestadores de serviços.priorização do atendimento ao idoso através de suas próprias famílias. o conceito de política pública tem íntima ligação com o de cidadania. planos. V . pensada como o conjunto das liberdades individuais expressas pelos direitos civis (Neri. Política pública é a expressão atualmente utilizada nos meios oficiais e nas ciências sociais para substituir o que até a década de setenta era chamado planejamento estatal (BORGES. implementação e avaliação das políticas.estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de caráter educativo sobre os aspectos biopsicossociais do envelhecimento. VIII . VII . como o direito a ter direitos. dos serviços oferecidos. 2002). programas e projetos a serem desenvolvidos. 2005). à exceção dos idosos que não possuam condições que garantam sua própria sobrevivência.descentralização político-administrativa. Nos Estados democráticos modernos.implementação de sistema de informações que permita a divulgação da política. Serviços e benefícios assistenciais .apoio a estudos e pesquisas sobre as questões relativas ao envelhecimento. dos planos. Políticas públicas e direitos no contexto democráticoO termo política diz respeito a um conjunto de objetivos que informam determinado programa de ação governamental e condicionam sua execução. em detrimento do atendimento asilar.formulação. IV . A concretização da cidadania ocorre através do espaço político. quando desabrigados e sem família. IX .capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de serviços. III .

e não de 67 como prevê a LOAS que não possuam meios para prover sua subsistência e nem de tê-la provida por sua família. isto é. implantação de um Centro de Referência da Assistência Social (Casa das Famílias). Este beneficio em dinheiro é pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). regulamentado pela LOAS e endossado. que não requer contribuição de seus destinatários. e co-financiamento da atividade. a seguir. integração e participação do idoso na sociedade e fortalecer seus vínculos familiares. programas e projetos executados por governos de Estados. explicitar-se-á. aos idosos. tal como indicado na LOAS. as ações de nível federal de abrangência nacional Benefício de Prestação Continuada: trata-se de benefício não contributivo. informando o número de beneficiários por modalidade de atendimento. Seu objetivo é contribuir para a promoção da autonomia. por meio de ofício. solicitação à Secretaria Estadual de Assistência Social. com recursos transferidos do Fundo Nacional de Assistência Social. a partir de 65 anos . os Municípios terão de comprovar: implantação de Conselho e Fundo de Assistência Social.Como os Estados e Municípios. bem como o Distrito Federal. com alterações. pelo Estatuto do Idoso (Lei nº 10. de inclusão do Município no critério de partilha do Serviço de Ação Continuada (SAC). têm autonomia para definirem e colocarem em prática ações que julgarem procedentes. Entretanto. . tendo em vista o atendimento de pessoas idosas pobres. e seu recebimento é feito com cartão magnético. é assegurada um provento mensal de 1 (um) salário mínimo (art. previsto na Constituição Federal vigente. Para fazer jus a esse apoio financeiro. a partir dos 60 anos de idade. bem como a existência de Plano devidamente aprovado pelo Conselho. consta que. Proteção social básica e especial à pessoa idosa: constitui apoio financeiro federal a serviços. Nessa alteração.33). de 01 de outubro de 2003).741. alocação de recursos do tesouro municipal nos seu respectivo Fundo de Assistência Social. Outra alteração digna de nota é que o benefício concedido a qualquer membro da família não será computado para fins de cálculo da renda familiar definidora da linha de pobreza estabelecida para o acesso ao benefício. bem como por entidades sociais. ele não é vitalício. podendo ser suspenso sempre que as condições que lhe deram motivo forem superadas. Municípios e Distrito Federal.

Mitos na Berlinda endereço eletrônico- http:/www. p.br/Dia %20Mundial/99envelhecimento. BNDES. com vistas ao acolhimento.org. Ministério da Saúde. 1999. n.htm. socialização e estímulo à participação social das família e seus membros 1. Organização Pan-Americana de Saúde OPAS/OMS. Brasília. 4. Conferência realizada na Escola de Enfermagem Anna Nery. Diário Oficial da União. _____________. Malandros e Heróis.J. Diário Oficial da União. Internação Institucional do Idoso: Assistência à Saúde em Geriatria no Setor Público. dezembro 1999.6. _____________.Outra proteção social básica desenvolvida pela política de Assistência Social que indiretamente beneficia os idosos é o Programa de Atenção Integral à Família (PAIF). Rio de Janeiro: 1994 .R. 5. BARBOSA. Petrópolis: Vozes. Revista do BNDES. Tese de Doutorado em Saúde Pública. realizado nos Municípios. Para uma sociologia do dilema brasileiro. _____________. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 1991.3-228. 4. em unidades locais de Assistência Social. Brasília.denominadas Casa das Famílias.opas. 1997.842 de 04 de janeiro de 1994. RELATIVIZANDO: Uma Introdução à Antropologia Social.12. 6. Carnavais.S. DA MATTA R. ENSP Fundação Oswaldo Cruz. Atenção ao Idoso: Um Problema de Saúde Pública e de Enfermagem. site da internet consultado no dia 19 de novembro de 1999. DUARTE. Igualdade e Meritocracia. Lei 8.6. ed. 8. Rio de Janeiro: Rocco. Constituição da República Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988. 1984. 3. 9. 2. BRASIL. L. 7. ed. Estabelece a criação do Conselho Nacional do Idoso. convivência. M. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. v. _____________.