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Estudo Bíblico sobre a Certeza da Salvação – Exposição sobre 1 João

1. Introdução
Em nossos dias é muito comum ver pessoas que vivem uma vida religiosa, vão à igreja, participam
de um coral e das reuniões de jovens ou de grupos de estudo bíblico, etc., achando que por isso são
cristãs. Outras fizeram uma vez “uma decisão por Cristo”, achando que o fato de ter levantado a
mão em um encontro evangelístico faz com que tenham garantido a sua salvação. Também
podemos encontrar pessoas que em uma pregação se quebrantaram chorando e confessam os seus
pecados crendo no Senhor Jesus como seu salvador, achando que por isso são cristãs, mesmo depois
de voltar a uma vida longe dos caminhos do Senhor, ou talvez mesmo que nunca tenham
abandonado suas vidas antigas. Mas será que este tipo de pessoas são verdadeiros cristãos?

Em meio de tantas pessoas que vivem um cristianismo frio, ou mundano, como podemos saber se,
de fato, a nossa conversão foi verdadeira? Temos alguma vez caído em algum pecado ou lutado
contra um pecado que nos levou a nos perguntar se de fato somos verdadeiros cristãos? Diante deste
questionamento existem dois tipos de pessoas: i) as que nunca se preocuparam por examinar a sua
vida para ver se de fato são verdadeiros cristãos e ii) as que têm essa preocupação, mas não sabem
como responder às dúvidas que os assediam em relação a sinceridade da sua fé no Senhor Jesus
Cristo.

Examinar as nossas vidas e ver se vivemos um cristianismo verdadeiro é correto e sadio. Podemos
ver hoje pessoas que chegam a pastores com um pesar no seu coração pelos pecados que estão
cometendo e, porém, estes lhes respondem que não se preocupem, que se fizeram uma confissão de
fé elas são salvas. Mas não é isto o que encontramos nas Escrituras. Nas cartas do apóstolo Paulo se
pode ver que ele tinha uma preocupação pelos crentes, para que estes avaliassem a sua vida diante
do Senhor. A seguir são destacadas alguns textos nos quais Paulo exorta aos irmãos sobre este
assunto:

1.Coríntios capítulo 11.27-32: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor,
indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e,
assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe
juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.
Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos
disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.”
No caso da participação da ceia, Paulo enfatiza que temos que nos avaliar para ver se realmente
somos dignos de participar da lembrança da morte e ressurreição de Cristo para nossa salvação.
Considerando os problemas que os Coríntios estavam passando nesta igreja, vemos que Paulo
estava exortando que somente aqueles que viviam uma vida verdadeiramente cristã eram
participantes do corpo de Cristo.

2.Coríntios, capítulo 13.5: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós
mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.”
Neste texto Paulo está exortando que eles se examinassem a si mesmos para ver se de fato eram
verdadeiros cristãos, visto o tipo de problemas que eles estavam passando na sua vida cristã.
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Efésios, capítulo 4.17-21: “Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como
também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de
entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu
coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez,
cometerem toda sorte de impureza. Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o
tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus.”
No caso dos Efésios, podemos ver na carta que Paulo fala a pessoas que eram consideradas como
verdadeiros cristãos, eleitos do Senhor (veja em Efésios capítulo 1.1: uma carta destinada “aos
santos e fieis”). Contudo, no cap. 4.17-21 o apóstolo deixa aberta a possibilidade de que eles não
sejam cristãos se não estiverem vivendo como tais.
Podemos ver nos textos anteriormente citados que Paulo sempre deixava essa questão para que cada
pessoa se avaliasse a si mesma através dos seus frutos. Também o Senhor Jesus disse no sermão do
monte que haverá muitos no dia final que se apresentarão como cristãos, mas que ele não os
conheceu, mesmo quando eles proclamavam o Seu nome e, inclusive, faziam milagres no nome de
Cristo:
Mateus capítulo 7. 21-23: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas
aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me:
Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos
demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos
conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.”

Por esta razão, precisamos avaliar as nossas vidas diante do Senhor, pois as Escrituras nos exortam
a fazer isso. Mas a questão é: como avaliar se realmente somos cristãos? Como saber se temos a
certeza da salvação para nossas vidas? Será que a certeza da salvação é algo que devemos apenas
sentir no coração? Não nos deveríamos confiar desta maneira, pois em Jeremias 17.9 diz que
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o
conhecerá?”. Ou será que podemos ter certeza pelo que outras pessoas falam de nós? Cuidado com
isto!, pois o Senhor Deus disse para Samuel ao escolher para si como rei a David (1.Samuel 16.7):
“Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR
não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.”. Quer dizer que
as aparências enganam, mesmo quando possam servir como um teste inicial das nossas vidas. Então
como sabermos se de fato somos cristãos? A resposta correta é: avaliando as nossas vidas com a
Palavra de Deus. E na Palavra de Deus achamos vários critérios de avaliação na primeira carta de
João.

2. Análises da primeira epístola do apóstolo João 
2.1.Objetivo da Carta 
A primeira carta do apóstolo João foi escrita a pessoas consideradas cristãs, como podemos ver nos
seguintes textos:

1. João 2.12-14: Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do
seu nome. Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu
vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno. Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai.
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Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi,
porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.

1. João 2.20: “E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.”

João estava escrevendo a cristãos que viviam num contexto onde muitas falsas doutrinas estavam
sendo ensinadas sobre a natureza de Cristo e sobre a nossa natureza pecaminosa, de maneira tal que
se chegava a negar a humanidade de Cristo, além de se negar que temos pecados dos quais
precisamos nos arrepender (1.Jo.2.18-19; 2.25-26). Desta maneira, estes cristãos começaram a
duvidar inclusive da sua própria salvação. Para dissipar dúvidas e deixar claro quem é um
verdadeiro cristão, João escreveu esta carta. Isto João manifesta nos seguintes textos:

1. João 1.4: “Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.”

1. João 5.13: “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que
credes em o nome do Filho de Deus.”

Neste último texto vemos o objetivo da carta de João: dar certeza da salvação para aqueles que
creram em Cristo. Diferente do objetivo do Evangelho de João, que ele tinha escrito para que as
pessoas “creiam” que Jesus é o Messias (Ev. de João, cap.22.31).

3. Análise dos pontos destacados em 1 João sobre a certeza da salvação 
A seguir serão destacadas todas as evidências da salvação na vida de um cristão que João destaca na
sua carta. Os pontos seguem a ordem expositiva da carta.

3.1. Evidência 1: Andar na Luz e não nas Trevas 
“Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não
há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas,
mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos
comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.”(1. João
1.5-7)

O primeiro ponto que o apóstolo João destaca na sua carta é que quem tem comunhão com Deus
anda na luz e não nas trevas. O que quer dizer andar na luz? Ou também podemos nos perguntar o
que quer dizer andar nas trevas? O próprio João nos fala da Luz no seu Evangelho. Vejam João 1.1-
13:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.Ele estava no princípio
com Deus.Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a
compreenderam.
Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.Este veio para testemunho, para que
testificasse da luz, para que todos cressem por ele.Não era ele a luz, mas para que testificasse da
luz.Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.Estava no mundo, e
o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.”

Aqui João está falando do próprio Senhor Jesus, Ele é a Luz do mundo, como Ele disse em João
8.12: “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não
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andará em trevas, mas terá a luz da vida”. Neste texto está a nossa resposta: andar “na” Luz
significa “andar com Cristo”, caminhar junto a Ele, isto é andar como ele andou nos caminhos do
Pai, na vontade do Pai. Quando somos chamados das trevas para sua maravilhosa Luz (1.Pe.2.9),
que é Cristo, somos iluminados, nossa mente se abre ao entendimentos das coisas de Deus,
começamos a ter discernimento sobre as coisas que agradam a Deus. O contrário a isto são as
trevas. Alguém já esteve num quarto totalmente obscuro? O que acontece é que não vemos para
onde andamos, estamos perdidos. Isso acontece na vida espiritual quando não estamos na Luz, é
dizer caminhando com Cristo, fazendo a vontade de Deus.
Por outro lado, este primeiro teste elimina a possibilidade de existência do que alguns denominam
de “cristãos carnais”, é dizer pessoas que aceitaram a Cristo e vivem uma vida mundana, uma vida
que nunca amadureceu. Simplesmente estas pessoas não andam na Luz. Notem que João não disse
“estar” na Luz, mas “andar” na Luz. Isto da conotação de algo contínuo, algo que se segue dia após
dia. Um cristão verdadeiro não está simplesmente na luz um dia e depois não, ele anda na Luz e a
Luz é Cristo na sua vida.

3.2. Evidência 2: Ter consciência do pecado 
“Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está
em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos
purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a
sua palavra não está em nós.” (1. João 1.8)

O segundo ponto que João destaca é o reconhecimento da nossa situação diante de Deus. Não
apenas quando nos convertemos, mas sempre. O cristão é alguém que tem consciência da sua
situação diante de Deus. Ele reconhece que não merece a sua salvação, pois a mesma foi dada por
graça, quando ele ainda estava morto nos pecados (Efésios 2.1-10). Alguém que não é de Cristo não
tem sensibilidade para com o pecado (ver Romanos 1.21-32). A salvação não vem sem antes um
arrependimento, o homem precisa se arrepender da sua vida e reconhecer que é pecador, para que
Deus o salve. Se estudamos o livro de Atos dos apostoles veremos que sempre era pregado o
Evangelho como arrependimento e fé em Cristo como o Salvador e Messias (ver Atos 2.38; 3.19;
3.26; 5.31).

Mas tem outras pessoas que usam este texto de João para se justificar dizendo que não podemos
parar de pecar. Que pecamos o tempo todo. Isto também não é bíblico. Vejam como prossegue João
mais adiante:

“Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu. Filhinhos,
ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como ele é justo. Quem comete o pecado é
do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para
desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua
semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deu”. (1.João 3.6-9)

“Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles
que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a
iniqüidade é pecado, e há pecado que não é para morte. Sabemos que todo aquele que é nascido de
Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”.
(1.João 5.16-17)
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Devemos prestar bem atenção nestes textos porque podemos entender errado. Por um lado João diz
que devemos confessar os nossos pecados diante dele e, por outro, que quem é de Cristo não pratica
pecado. O que João está falando é da “pratica do pecado” como uma forma de vida. Isto tem a ver
com o ponto anterior que tratamos: o andar nas trevas. Temos vários exemplos na Bíblia, sobre
servos de Deus, homens justos que caíram em pecado (o mais claro exemplo é o do rei Davi). Mas a
diferença é que o pecado os constrangia e os levava ao arrependimento. Eles não viviam uma vida
continuamente em pecado. Eles procuravam ser santificados. Isto é o que diferencia um cristão de
um mundano: Nós às vezes caímos em pecados, mas não permanecemos no pecado, pois somos
filhos da luz. O cristão é aquele que luta contra seus pecados, mesmo que caia, ele se levanta de
novo e segue lutando. Nele se vê um esforço para superar seus pecados, ele busca a ajuda do Senhor
porque quer vencer o mundo, ele quer fazer a vontade do Pai, como veremos no seguinte ponto.

3.3. Evidência 3: Guardar os seus mandamentos e andar como Cristo andou 
 
“Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que
diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade.
Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor
de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também
andar assim como ele andou.” (1. João 2.3-6).

Anteriormente vimos que o cristão anda na luz, portanto ele não anda nas trevas, o que quer dizer
que ele também não anda na prática de pecados e, como conclusão, ele quer realizar a vontade de
Deus. Assim sendo, o crente, anda na luz e não comete pecados porque faz a vontade do Pai, que é
cumprir os seus mandamentos. Para um verdadeiro cristão cumprir os mandamentos de Deus não é
um peso, mas uma alegria, como diz em 1.João 5.2-3:
“Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus
mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus manda-mentos; e os seus
mandamentos não são pesados”.
Seus mandamentos não são um peso para nós. Um cristão não busca cumprir os mandamentos para
ser salvo. Ele é salvo pela graça de Deus e cumpre os mandamentos de Deus com alegria para
agradar a seu Salvador, a sua alegria está na lei do Senhor, como disse o salmista no Salmo 119.97:
“Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia”. Mas o salmista reconhece nesse
salmo que ele teve que ser humilhado para aprender a amar os estatutos do Senhor (Sl.119.67 e 71):
“Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra.[...] Foi-me bom
ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos.” O cristão é quebrantado quando o Senhor
o convence do pecado através da sua Palavra, e ele aprende que somente na Palavra do Senhor há
vida, por isso sua alegria está na Palavra do Senhor, onde está escrita a vontade de Deus. Fazer a
vontade do Senhor é um fruto, uma manifestação da obra de Salvação que o Espírito Santo fez nas
nossas vidas.

Mas o nosso problema atual nas igrejas é o relativismo das Escrituras, que também significa
relativizar a vontade de Deus. É muito comum hoje em dia escutar pessoas que não acreditam em
todas as Escrituras. Isto se vê no pensamento liberal dos que acham que “não é bem assim como
está escrito na Bíblia”. Lamentavelmente essas pessoas distorcem a Palavra do Senhor para sua
própria condenação (como está escrito em 2.Pedro 3.16), pois quando não levam a sério o que está
escrito na Bíblia não estão fazendo a vontade de Deus, que está escrita nela. E como disse João no
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texto lido: quem não faz a vontade de Deus e não anda como Cristo andou (isto é fazendo a vontade
do Pai), não é do Senhor.

3.4. Evidência 4: Amar aos nossos irmãos 
“Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. Aquele que ama a
seu irmão está na luz, e nele não há escândalo. Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e
anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos”. (1.João 2.9-
11)

Vemos que neste ponto João destaca o amor entre irmãos como uma evidência da salvação na vida
de um cristão. É interessante a expressão “até agora” que ele usa, pois isto significa: aquele que
odeia a seu irmão, nunca foi da luz, ainda está nas trevas, ainda precisa ser salvo pela graça. João é
bem determinante com este assunto, vejam os seguintes textos:

1.João 3.13-15: “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que
passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece
na morte. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a
vida eterna permanecendo nele.”

1.João 3.17: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as
suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?”. O texto indica que o amor ao irmão se
manifesta na prática, com nossas atitudes quando ele está passando necessidade.

1.João 4.7-8: “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama
é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é
amor.” Aqui podemos ver que a nossa própria capacidade de amar provêm de Deus, sem Deus não
temos capacidade de amar verdadeiramente aos nossos irmãos.

1.João 4.12: “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em
nós é perfeito o seu amor”. Vemos aqui que o amor de Deus se manifesta no amor entre os irmãos.

O amor entre irmãos é um assunto que se apresenta também em várias das cartas do apóstolo Paulo,
nas quais se observa que em muitos casos existiam conflitos entre irmãos nas igrejas. Mas aqui a
Palavra do Senhor é determinante dizendo que não podemos odiar aos nossos irmãos. Mas o Senhor
Jesus foi muito mais longe ainda, dizendo que se somos filhos de Deus devemos ainda amar aos
nossos inimigos:


Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a
vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos
maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o
seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os
que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes
unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede
vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5.38-48)
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3.5.  Evidência 5: Não amar as coisas do mundo – Uma vida em santificação 
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está
nele”. (1.João 2.15)

Aqui temos a quinta evidência que o apóstolo João coloca na sua carta. Um verdadeiro cristão não
ama o mundo nem as coisas que estão no mundo. Isto não quer dizer que não amemos aqueles que
estão perdidos, mas o amor que temos que ter para com eles é um amor de compaixão pela situação
deles com o Senhor. Contudo, nós não devemos amar eles no sentido de nos identificar com eles e
querer compartilhar as coisas deles. O cristão evita as coisas do mundo, evita programas de TV
mundanos, evita músicas mundanas, evita estar em lugares que se identifiquem com o mundo,
inclusive não deveria querer copiar as atitudes do mundo. Quer dizer que um cristão evita todo tipo
de coisas ou pessoas que fazem apelo às coisas pecaminosas. Paulo exorta em 2.Coríntios cap.6.14-
7.1, dizendo que:

“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre
a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o
Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os
ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei
entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu
vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.
Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do
espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.”

Paulo faz o contraste entre compartilhar as coisas do mundo e a vida em santidade, no


aperfeiçoamento da santidade, é dizer a santificação. Isto também João destaca mais adiante na sua
carta, quando diz em 1.João 3.3: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança,
assim como ele é puro”. A santificação é uma separação do crente da vida mundana, ele se separa
das coisas do mundo para ser purificado e se aproximar cada vez mais a Deus. Não que ele não
esteja com Deus, mas ele se aproxima à “imagem de Cristo”, ele se torna cada vez mais semelhante
a Cristo em pureza. Vejam Romanos 8 .28-29:

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os
predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos.”

Deus nos chamou para sermos conforme à imagem de seu Filho, pois ele quer ser glorificado em
nós e a vida de Cristo, seu caráter, é o exemplo supremo de glorificação do Pai. Se somos como
Cristo, com certeza glorificaremos o Pai. E para alcançar este propósito ele nos santifica, nos separa
do mundo e nos aproxima cada vez mais a Ele. A santificação não é uma escolha do crente, ela faz
parte dos frutos da salvação, como diz em Hebreus 12.14: “Segui a paz com todos e a santificação,
sem a qual ninguém verá o Senhor”.
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3.6.Evidência 6: Crer que Jesus Cristo é o Messias, o filho de Deus 
“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega
o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem
igualmente o Pai”. (1.João.22-23)

O sexto ponto para nós é bastante evidente: ninguém pode ser cristão se não crê que Jesus é o
Cristo, isto é: o Messias. Isto também implica em que todo aquele que não crê que Cristo é ao
mesmo tempo homem e Deus, também não pode se denominar cristão, pois isto é o ensinamento
fundamental da teologia cristã: que o Filho, sendo Deus, se fez carne para nos salvar.
“Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus,
porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus:
todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não
confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do
qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo”. (1.João 4.1-3)
“Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus”.
(1.Jo.4.15)
“Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz
mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho”. (1.João 5.10)

Uma das mais profundas expressões acerca da natureza de Cristo encontramos em Colossenses
1.15-20:
“Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas
todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias,
quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as
coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de
entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse
toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse
consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.”

Um verdadeiro cristão crê nisto. Um verdadeiro cristão não permite que exista na sua vida nenhum
outro mediador entre ele e Deus. Um verdadeiro cristão não adora a mais ninguém que não seja
Cristo, pois ele tem a primazia em tudo. Como diz em Atos 4.12: “E não há salvação em nenhum
outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual
importa que sejamos salvos.”

3.7. Evidência 7: Um coração em paz com Deus pela presença do Espírito Santo 
“E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranqüilizaremos o nosso
coração; pois, se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e
conhece todas as coisas. Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus”
(1.João 3.19-20)
“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz
tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor”. (1.João 4.18)
 
Agora sim, depois de tantos outros critérios bíblicos para avaliar se somos crentes, também temos o
critério da paz em nosso coração para com Deus. Mas vejam que é apenas mais um critério e não o
único, como muitas pessoas acreditam enganando-se a si mesmo. Um cristão tem no seu coração a
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segurança que é dada pelo próprio Espírito Santo, testemunhando que essa pessoa é do Senhor,
como diz em Romanos 8.14-16:
“Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o
espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção,
baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos
filhos de Deus.”

Observem que a segurança neste caso não vem do simples fato de sentirmos paz no coração, mas
porque essa paz se manifesta através do Espírito Santo, por sermos guiados por ele, como diz no
texto de Romanos que acabamos de ler. João também afirma em 1.João 4.13: “Nisto conhecemos
que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito”. Um verdadeiro cristão é
alguém que tem o Espírito Santo na sua vida e é guiado por Ele, isto nos leva a uma paz para com
Deus, porque sabemos que somos guiados por ele. Seguir o Espírito Santo nos leva a uma vida
cheia do fruto do Espírito, que é descrito em Gálatas cap.5.16-26 e em Romanos cap.12 e que se
sintetiza em amar a Deus por sobre todas as coisas a nosso próximo como a nós mesmos (Mateus
22.37-40).

4. Conclusões 
Assim sendo, vimos quais os pontos que João apresenta como aspectos que se manifestam na vida
de uma pessoa que verdadeiramente conhece o Senhor. Resta agora a cada um de nós nos
examinarmos e ver se estamos andando nos caminhos do Senhor. Por esta razão, precisamos nos
perguntar a nós mesmos em oração diante do Senhor, com muita sinceridade, como estamos diante
dEle. Pergunte-se a si mesmo:
1) Você anda na Luz e não nas trevas? Você anda com Cristo no seu dia a dia? Você está ligado
com as coisas espirituais e se preocupa com viver de maneira que agrade ao Senhor?
2) Você tem consciência sobre os pecados que comete? Quando você peca, você se arrepende e se
reconcilia com Deus manifestando uma mudança de atitude e uma luta contra esses pecados?
3) Você guarda os mandamentos do Senhor? Você leva toda a Bíblia a sério, acreditando em todo
no que nela está escrito e cumprindo no que nela diz?
4) Você ama e respeita seus irmãos? Como está a sua comunhão com as outras pessoas na igreja?
5) Você sente rejeição às coisas do mundo ou gosta delas e tem sede pelas coisas mundanas?
6) Você crê que Jesus é Deus, que foi enviado para se fazer homem e morrer por você? Ou você
acha que ele foi apenas um bom mestre e que deu ensinamentos de moral?
7) Seu coração está em paz com Deus? Essa paz provêm dos frutos que o Espírito Santo está
fazendo na sua vida?
Para quem não consegue responder a estes pontos na sua vida, avalie-se, pense em si mesmo e
busque ajuda no Senhor. Confesse diante dEle os seus pecados e se arrependa, buscando a salvação
nele ainda hoje, que ainda há tempo. Por outro lado, se você entende através das Escrituras que de
fato, você é um cristão, lembre daqueles que não estão firmes, que estão caídos e os ajude. Veja que
com isto finaliza João quando ele fala aos que estão no Senhor: “Se alguém vir a seu irmão cometer
pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado
para morte, e por esse não digo que rogue”. (1. João.5.16)
Que Deus nos ajude a todos para sermos tidos como dignos de estar diante dele quando Jesus Cristo
voltar a buscar aos seus! Amém.
Base Bíblica para a Vida Cristã