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Estudo Bíblico sobre a Certeza da Salvação – Exposição sobre 1 João
1. Introdução
Em nossos dias é muito comum ver pessoas que vivem uma vida religiosa, vão à igreja, participam de um coral e das reuniões de jovens ou de grupos de estudo bíblico, etc., achando que por isso são cristãs. Outras fizeram uma vez “uma decisão por Cristo”, achando que o fato de ter levantado a mão em um encontro evangelístico faz com que tenham garantido a sua salvação. Também podemos encontrar pessoas que em uma pregação se quebrantaram chorando e confessam os seus pecados crendo no Senhor Jesus como seu salvador, achando que por isso são cristãs, mesmo depois de voltar a uma vida longe dos caminhos do Senhor, ou talvez mesmo que nunca tenham abandonado suas vidas antigas. Mas será que este tipo de pessoas são verdadeiros cristãos? Em meio de tantas pessoas que vivem um cristianismo frio, ou mundano, como podemos saber se, de fato, a nossa conversão foi verdadeira? Temos alguma vez caído em algum pecado ou lutado contra um pecado que nos levou a nos perguntar se de fato somos verdadeiros cristãos? Diante deste questionamento existem dois tipos de pessoas: i) as que nunca se preocuparam por examinar a sua vida para ver se de fato são verdadeiros cristãos e ii) as que têm essa preocupação, mas não sabem como responder às dúvidas que os assediam em relação a sinceridade da sua fé no Senhor Jesus Cristo. Examinar as nossas vidas e ver se vivemos um cristianismo verdadeiro é correto e sadio. Podemos ver hoje pessoas que chegam a pastores com um pesar no seu coração pelos pecados que estão cometendo e, porém, estes lhes respondem que não se preocupem, que se fizeram uma confissão de fé elas são salvas. Mas não é isto o que encontramos nas Escrituras. Nas cartas do apóstolo Paulo se pode ver que ele tinha uma preocupação pelos crentes, para que estes avaliassem a sua vida diante do Senhor. A seguir são destacadas alguns textos nos quais Paulo exorta aos irmãos sobre este assunto: 1.Coríntios capítulo 11.27-32: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” No caso da participação da ceia, Paulo enfatiza que temos que nos avaliar para ver se realmente somos dignos de participar da lembrança da morte e ressurreição de Cristo para nossa salvação. Considerando os problemas que os Coríntios estavam passando nesta igreja, vemos que Paulo estava exortando que somente aqueles que viviam uma vida verdadeiramente cristã eram participantes do corpo de Cristo. 2.Coríntios, capítulo 13.5: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.” Neste texto Paulo está exortando que eles se examinassem a si mesmos para ver se de fato eram verdadeiros cristãos, visto o tipo de problemas que eles estavam passando na sua vida cristã.

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  Efésios, capítulo 4.17-21: “Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus.” No caso dos Efésios, podemos ver na carta que Paulo fala a pessoas que eram consideradas como verdadeiros cristãos, eleitos do Senhor (veja em Efésios capítulo 1.1: uma carta destinada “aos santos e fieis”). Contudo, no cap. 4.17-21 o apóstolo deixa aberta a possibilidade de que eles não sejam cristãos se não estiverem vivendo como tais. Podemos ver nos textos anteriormente citados que Paulo sempre deixava essa questão para que cada pessoa se avaliasse a si mesma através dos seus frutos. Também o Senhor Jesus disse no sermão do monte que haverá muitos no dia final que se apresentarão como cristãos, mas que ele não os conheceu, mesmo quando eles proclamavam o Seu nome e, inclusive, faziam milagres no nome de Cristo: Mateus capítulo 7. 21-23: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” Por esta razão, precisamos avaliar as nossas vidas diante do Senhor, pois as Escrituras nos exortam a fazer isso. Mas a questão é: como avaliar se realmente somos cristãos? Como saber se temos a certeza da salvação para nossas vidas? Será que a certeza da salvação é algo que devemos apenas sentir no coração? Não nos deveríamos confiar desta maneira, pois em Jeremias 17.9 diz que “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”. Ou será que podemos ter certeza pelo que outras pessoas falam de nós? Cuidado com isto!, pois o Senhor Deus disse para Samuel ao escolher para si como rei a David (1.Samuel 16.7): “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.”. Quer dizer que as aparências enganam, mesmo quando possam servir como um teste inicial das nossas vidas. Então como sabermos se de fato somos cristãos? A resposta correta é: avaliando as nossas vidas com a Palavra de Deus. E na Palavra de Deus achamos vários critérios de avaliação na primeira carta de João.

2. Análises da primeira epístola do apóstolo João 
2.1.Objetivo da Carta  A primeira carta do apóstolo João foi escrita a pessoas consideradas cristãs, como podemos ver nos seguintes textos: 1. João 2.12-14: Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome. Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno. Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai.

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  Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno. 1. João 2.20: “E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.” João estava escrevendo a cristãos que viviam num contexto onde muitas falsas doutrinas estavam sendo ensinadas sobre a natureza de Cristo e sobre a nossa natureza pecaminosa, de maneira tal que se chegava a negar a humanidade de Cristo, além de se negar que temos pecados dos quais precisamos nos arrepender (1.Jo.2.18-19; 2.25-26). Desta maneira, estes cristãos começaram a duvidar inclusive da sua própria salvação. Para dissipar dúvidas e deixar claro quem é um verdadeiro cristão, João escreveu esta carta. Isto João manifesta nos seguintes textos: 1. João 1.4: “Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.” 1. João 5.13: “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus.” Neste último texto vemos o objetivo da carta de João: dar certeza da salvação para aqueles que creram em Cristo. Diferente do objetivo do Evangelho de João, que ele tinha escrito para que as pessoas “creiam” que Jesus é o Messias (Ev. de João, cap.22.31).

3. Análise dos pontos destacados em 1 João sobre a certeza da salvação 
A seguir serão destacadas todas as evidências da salvação na vida de um cristão que João destaca na sua carta. Os pontos seguem a ordem expositiva da carta. 3.1. Evidência 1: Andar na Luz e não nas Trevas  “Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.”(1. João 1.5-7) O primeiro ponto que o apóstolo João destaca na sua carta é que quem tem comunhão com Deus anda na luz e não nas trevas. O que quer dizer andar na luz? Ou também podemos nos perguntar o que quer dizer andar nas trevas? O próprio João nos fala da Luz no seu Evangelho. Vejam João 1.113: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.Ele estava no princípio com Deus.Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.” Aqui João está falando do próprio Senhor Jesus, Ele é a Luz do mundo, como Ele disse em João 8.12: “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não

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  andará em trevas, mas terá a luz da vida”. Neste texto está a nossa resposta: andar “na” Luz significa “andar com Cristo”, caminhar junto a Ele, isto é andar como ele andou nos caminhos do Pai, na vontade do Pai. Quando somos chamados das trevas para sua maravilhosa Luz (1.Pe.2.9), que é Cristo, somos iluminados, nossa mente se abre ao entendimentos das coisas de Deus, começamos a ter discernimento sobre as coisas que agradam a Deus. O contrário a isto são as trevas. Alguém já esteve num quarto totalmente obscuro? O que acontece é que não vemos para onde andamos, estamos perdidos. Isso acontece na vida espiritual quando não estamos na Luz, é dizer caminhando com Cristo, fazendo a vontade de Deus. Por outro lado, este primeiro teste elimina a possibilidade de existência do que alguns denominam de “cristãos carnais”, é dizer pessoas que aceitaram a Cristo e vivem uma vida mundana, uma vida que nunca amadureceu. Simplesmente estas pessoas não andam na Luz. Notem que João não disse “estar” na Luz, mas “andar” na Luz. Isto da conotação de algo contínuo, algo que se segue dia após dia. Um cristão verdadeiro não está simplesmente na luz um dia e depois não, ele anda na Luz e a Luz é Cristo na sua vida. 3.2. Evidência 2: Ter consciência do pecado  “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” (1. João 1.8) O segundo ponto que João destaca é o reconhecimento da nossa situação diante de Deus. Não apenas quando nos convertemos, mas sempre. O cristão é alguém que tem consciência da sua situação diante de Deus. Ele reconhece que não merece a sua salvação, pois a mesma foi dada por graça, quando ele ainda estava morto nos pecados (Efésios 2.1-10). Alguém que não é de Cristo não tem sensibilidade para com o pecado (ver Romanos 1.21-32). A salvação não vem sem antes um arrependimento, o homem precisa se arrepender da sua vida e reconhecer que é pecador, para que Deus o salve. Se estudamos o livro de Atos dos apostoles veremos que sempre era pregado o Evangelho como arrependimento e fé em Cristo como o Salvador e Messias (ver Atos 2.38; 3.19; 3.26; 5.31). Mas tem outras pessoas que usam este texto de João para se justificar dizendo que não podemos parar de pecar. Que pecamos o tempo todo. Isto também não é bíblico. Vejam como prossegue João mais adiante: “Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu. Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como ele é justo. Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deu”. (1.João 3.6-9) “Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniqüidade é pecado, e há pecado que não é para morte. Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”. (1.João 5.16-17)

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  Devemos prestar bem atenção nestes textos porque podemos entender errado. Por um lado João diz que devemos confessar os nossos pecados diante dele e, por outro, que quem é de Cristo não pratica pecado. O que João está falando é da “pratica do pecado” como uma forma de vida. Isto tem a ver com o ponto anterior que tratamos: o andar nas trevas. Temos vários exemplos na Bíblia, sobre servos de Deus, homens justos que caíram em pecado (o mais claro exemplo é o do rei Davi). Mas a diferença é que o pecado os constrangia e os levava ao arrependimento. Eles não viviam uma vida continuamente em pecado. Eles procuravam ser santificados. Isto é o que diferencia um cristão de um mundano: Nós às vezes caímos em pecados, mas não permanecemos no pecado, pois somos filhos da luz. O cristão é aquele que luta contra seus pecados, mesmo que caia, ele se levanta de novo e segue lutando. Nele se vê um esforço para superar seus pecados, ele busca a ajuda do Senhor porque quer vencer o mundo, ele quer fazer a vontade do Pai, como veremos no seguinte ponto. 3.3. Evidência 3: Guardar os seus mandamentos e andar como Cristo andou  “Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.” (1. João 2.3-6).
 

Anteriormente vimos que o cristão anda na luz, portanto ele não anda nas trevas, o que quer dizer que ele também não anda na prática de pecados e, como conclusão, ele quer realizar a vontade de Deus. Assim sendo, o crente, anda na luz e não comete pecados porque faz a vontade do Pai, que é cumprir os seus mandamentos. Para um verdadeiro cristão cumprir os mandamentos de Deus não é um peso, mas uma alegria, como diz em 1.João 5.2-3: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus manda-mentos; e os seus mandamentos não são pesados”. Seus mandamentos não são um peso para nós. Um cristão não busca cumprir os mandamentos para ser salvo. Ele é salvo pela graça de Deus e cumpre os mandamentos de Deus com alegria para agradar a seu Salvador, a sua alegria está na lei do Senhor, como disse o salmista no Salmo 119.97: “Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia”. Mas o salmista reconhece nesse salmo que ele teve que ser humilhado para aprender a amar os estatutos do Senhor (Sl.119.67 e 71): “Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra.[...] Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos.” O cristão é quebrantado quando o Senhor o convence do pecado através da sua Palavra, e ele aprende que somente na Palavra do Senhor há vida, por isso sua alegria está na Palavra do Senhor, onde está escrita a vontade de Deus. Fazer a vontade do Senhor é um fruto, uma manifestação da obra de Salvação que o Espírito Santo fez nas nossas vidas. Mas o nosso problema atual nas igrejas é o relativismo das Escrituras, que também significa relativizar a vontade de Deus. É muito comum hoje em dia escutar pessoas que não acreditam em todas as Escrituras. Isto se vê no pensamento liberal dos que acham que “não é bem assim como está escrito na Bíblia”. Lamentavelmente essas pessoas distorcem a Palavra do Senhor para sua própria condenação (como está escrito em 2.Pedro 3.16), pois quando não levam a sério o que está escrito na Bíblia não estão fazendo a vontade de Deus, que está escrita nela. E como disse João no

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  texto lido: quem não faz a vontade de Deus e não anda como Cristo andou (isto é fazendo a vontade do Pai), não é do Senhor. 3.4. Evidência 4: Amar aos nossos irmãos  “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo. Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos”. (1.João 2.911) Vemos que neste ponto João destaca o amor entre irmãos como uma evidência da salvação na vida de um cristão. É interessante a expressão “até agora” que ele usa, pois isto significa: aquele que odeia a seu irmão, nunca foi da luz, ainda está nas trevas, ainda precisa ser salvo pela graça. João é bem determinante com este assunto, vejam os seguintes textos: 1.João 3.13-15: “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” 1.João 3.17: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?”. O texto indica que o amor ao irmão se manifesta na prática, com nossas atitudes quando ele está passando necessidade. 1.João 4.7-8: “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” Aqui podemos ver que a nossa própria capacidade de amar provêm de Deus, sem Deus não temos capacidade de amar verdadeiramente aos nossos irmãos. 1.João 4.12: “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor”. Vemos aqui que o amor de Deus se manifesta no amor entre os irmãos. O amor entre irmãos é um assunto que se apresenta também em várias das cartas do apóstolo Paulo, nas quais se observa que em muitos casos existiam conflitos entre irmãos nas igrejas. Mas aqui a Palavra do Senhor é determinante dizendo que não podemos odiar aos nossos irmãos. Mas o Senhor Jesus foi muito mais longe ainda, dizendo que se somos filhos de Deus devemos ainda amar aos nossos inimigos:

Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5.38-48)

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  3.5.  Evidência 5: Não amar as coisas do mundo – Uma vida em santificação  “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. (1.João 2.15) Aqui temos a quinta evidência que o apóstolo João coloca na sua carta. Um verdadeiro cristão não ama o mundo nem as coisas que estão no mundo. Isto não quer dizer que não amemos aqueles que estão perdidos, mas o amor que temos que ter para com eles é um amor de compaixão pela situação deles com o Senhor. Contudo, nós não devemos amar eles no sentido de nos identificar com eles e querer compartilhar as coisas deles. O cristão evita as coisas do mundo, evita programas de TV mundanos, evita músicas mundanas, evita estar em lugares que se identifiquem com o mundo, inclusive não deveria querer copiar as atitudes do mundo. Quer dizer que um cristão evita todo tipo de coisas ou pessoas que fazem apelo às coisas pecaminosas. Paulo exorta em 2.Coríntios cap.6.147.1, dizendo que: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.” Paulo faz o contraste entre compartilhar as coisas do mundo e a vida em santidade, no aperfeiçoamento da santidade, é dizer a santificação. Isto também João destaca mais adiante na sua carta, quando diz em 1.João 3.3: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro”. A santificação é uma separação do crente da vida mundana, ele se separa das coisas do mundo para ser purificado e se aproximar cada vez mais a Deus. Não que ele não esteja com Deus, mas ele se aproxima à “imagem de Cristo”, ele se torna cada vez mais semelhante a Cristo em pureza. Vejam Romanos 8 .28-29: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” Deus nos chamou para sermos conforme à imagem de seu Filho, pois ele quer ser glorificado em nós e a vida de Cristo, seu caráter, é o exemplo supremo de glorificação do Pai. Se somos como Cristo, com certeza glorificaremos o Pai. E para alcançar este propósito ele nos santifica, nos separa do mundo e nos aproxima cada vez mais a Ele. A santificação não é uma escolha do crente, ela faz parte dos frutos da salvação, como diz em Hebreus 12.14: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”.

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  3.6.Evidência 6: Crer que Jesus Cristo é o Messias, o filho de Deus  “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai”. (1.João.22-23) O sexto ponto para nós é bastante evidente: ninguém pode ser cristão se não crê que Jesus é o Cristo, isto é: o Messias. Isto também implica em que todo aquele que não crê que Cristo é ao mesmo tempo homem e Deus, também não pode se denominar cristão, pois isto é o ensinamento fundamental da teologia cristã: que o Filho, sendo Deus, se fez carne para nos salvar. “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo”. (1.João 4.1-3) “Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus”. (1.Jo.4.15) “Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho”. (1.João 5.10) Uma das mais profundas expressões acerca da natureza de Cristo encontramos em Colossenses 1.15-20: “Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.” Um verdadeiro cristão crê nisto. Um verdadeiro cristão não permite que exista na sua vida nenhum outro mediador entre ele e Deus. Um verdadeiro cristão não adora a mais ninguém que não seja Cristo, pois ele tem a primazia em tudo. Como diz em Atos 4.12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” 3.7. Evidência 7: Um coração em paz com Deus pela presença do Espírito Santo  “E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranqüilizaremos o nosso coração; pois, se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas. Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus” (1.João 3.19-20) “No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor”. (1.João 4.18)
 

Agora sim, depois de tantos outros critérios bíblicos para avaliar se somos crentes, também temos o critério da paz em nosso coração para com Deus. Mas vejam que é apenas mais um critério e não o único, como muitas pessoas acreditam enganando-se a si mesmo. Um cristão tem no seu coração a

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  segurança que é dada pelo próprio Espírito Santo, testemunhando que essa pessoa é do Senhor, como diz em Romanos 8.14-16: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” Observem que a segurança neste caso não vem do simples fato de sentirmos paz no coração, mas porque essa paz se manifesta através do Espírito Santo, por sermos guiados por ele, como diz no texto de Romanos que acabamos de ler. João também afirma em 1.João 4.13: “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito”. Um verdadeiro cristão é alguém que tem o Espírito Santo na sua vida e é guiado por Ele, isto nos leva a uma paz para com Deus, porque sabemos que somos guiados por ele. Seguir o Espírito Santo nos leva a uma vida cheia do fruto do Espírito, que é descrito em Gálatas cap.5.16-26 e em Romanos cap.12 e que se sintetiza em amar a Deus por sobre todas as coisas a nosso próximo como a nós mesmos (Mateus 22.37-40).

4. Conclusões 
Assim sendo, vimos quais os pontos que João apresenta como aspectos que se manifestam na vida de uma pessoa que verdadeiramente conhece o Senhor. Resta agora a cada um de nós nos examinarmos e ver se estamos andando nos caminhos do Senhor. Por esta razão, precisamos nos perguntar a nós mesmos em oração diante do Senhor, com muita sinceridade, como estamos diante dEle. Pergunte-se a si mesmo: 1) Você anda na Luz e não nas trevas? Você anda com Cristo no seu dia a dia? Você está ligado com as coisas espirituais e se preocupa com viver de maneira que agrade ao Senhor? 2) Você tem consciência sobre os pecados que comete? Quando você peca, você se arrepende e se reconcilia com Deus manifestando uma mudança de atitude e uma luta contra esses pecados? 3) Você guarda os mandamentos do Senhor? Você leva toda a Bíblia a sério, acreditando em todo no que nela está escrito e cumprindo no que nela diz? 4) Você ama e respeita seus irmãos? Como está a sua comunhão com as outras pessoas na igreja? 5) Você sente rejeição às coisas do mundo ou gosta delas e tem sede pelas coisas mundanas? 6) Você crê que Jesus é Deus, que foi enviado para se fazer homem e morrer por você? Ou você acha que ele foi apenas um bom mestre e que deu ensinamentos de moral? 7) Seu coração está em paz com Deus? Essa paz provêm dos frutos que o Espírito Santo está fazendo na sua vida? Para quem não consegue responder a estes pontos na sua vida, avalie-se, pense em si mesmo e busque ajuda no Senhor. Confesse diante dEle os seus pecados e se arrependa, buscando a salvação nele ainda hoje, que ainda há tempo. Por outro lado, se você entende através das Escrituras que de fato, você é um cristão, lembre daqueles que não estão firmes, que estão caídos e os ajude. Veja que com isto finaliza João quando ele fala aos que estão no Senhor: “Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue”. (1. João.5.16) Que Deus nos ajude a todos para sermos tidos como dignos de estar diante dele quando Jesus Cristo voltar a buscar aos seus! Amém. Base Bíblica para a Vida Cristã

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