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“Muitas coisas que nós precisamos podem esperar. A criança não pode.

Agora é o tempo em que seus ossos estão sendo formados; seu sangue está sendo feito; sua mente está sendo desenvolvida. Para ela nós não podemos dizer amanhã. Seu nome é hoje”. (Gabriela Mistral – 1889-956)

RESUMO

A presente monografia tem como objetivos as amostras dos atuais paradigmas referentes aos propósitos de quem se habilita no processo adotivo, tendo como base a cidade de Campo Grande-MS, de onde foi realizada uma pesquisa de campo relacionada aos conceitos e preconceitos sobre a adoção. Mostrará o que ocorre na prática, quanto ao processo adotivo, as causas dos referidos propósitos e a conseqüência da sua manutenção para a população de mais de oitenta mil crianças e adolescentes nos abrigos existentes em nosso país. Ainda possui a finalidade de difundir o tema, que pelo fator relevância, merece outros estudos e discussões, principalmente no tocante ao valor legislativo, por meio do então Projeto de Lei Nacional de Adoção, procurando mostrar que quem faz a diferença somos nós, através da participação, não só por meio da adoção, mas também por outras formas de melhorar a situação das crianças em abrigos, quer seja por meio de família acolhedora ou apadrinhamento, entre tantas outras.

Palavras-chave: Adoção, Paradigmas, Processo de adoção, Família acolhedora, Apadrinhamento.

ABSTRACT

The present monograph has as objective the samples of the current referring paradigms to the intentions of who if it qualifies in the adoptive process, having as base the city of Campo Grande-MS, of where a research of field was carried through related to the concepts and preconceptions on the adoption. It will show what it occurs in the practical one, how much to the adoptive process, the causes of the related intentions and the consequence of its maintenance for the population of more than eighty a thousand children and adolescents in the existing shelters in our country. Still it possess the purpose to mainly spread out the subject, that for the factor relevance, deserves other studies and quarrels, in regards to the legislative value, by means of then the Project of National Law of Adoption, looking for to show that who makes the difference is we, through the participation, not only by means of the adoption, but also for other forms to improve the situation of the children in shelters, wants either by means of welcomer family or sponsorship, between as much others. Key-words: Adoption, Paradigms, Process of adoption, Welcomer family, Sponsorship.

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 Gráfico 2 Gráfico 3 Gráfico 4 Gráfico 5 Gráfico 6 Gráfico 7 Gráfico 8 Gráfico 9 Gráfico 10 Gráfico 11 Gráfico 12 Gráfico 13 Gráfico 14 Gráfico 15 Gráfico 16 Gráfico 17 Gráfico 18 Gráfico 19 Gráfico 20

Representação gráfica referente aos entrevistados segundo a faixa etária................................................................................... Representação gráfica dos entrevistados referente a cor de pele ............................................................................................. Representação gráfica referente qual a sua religião .................. Representação gráfica dos entrevistados relativa ao sexo ........ Representação gráfica referente a escolaridade ........................ Representação gráfica referente qual a sua profissão ............... Representação gráfica referente a renda familiar ...................... Representação gráfica referente qual o seu estado civil ............ Representação gráfica referente se possui filhos naturais ......... Representação gráfica referente se possui filhos adotivos ........ Representação gráfica referente sua opinião sobre adoção de crianças....................................................................................... Representação gráfica referente a idade para adoção de uma criança......................................................................................... Representação gráfica referente a adoção de crianças abrigadas .................................................................................... Representação gráfica referente a pessoas com filhos naturais a adotarem uma criança ............................................................. Representação gráfica referente à adoção de criança de cor diferente....................................................................................... Representação gráfica referente se adotaria uma criança com necessidades especiais .............................................................. Representação gráfica referente a estrangeiros adotarem crianças que não conseguem ser adotadas no Brasil ................ Representação gráfica referente a criança sofrer preconceito ou ser tratada diferente ............................................................... Representação gráfica referente a adoção para casais que não podem ter filhos .......................................................................... Representação gráfica referente a traumas acarretados pelo 7 6 7 5 7 4 7 0 7 0 7 0 7 1 7 1 7 2 7 2 7 3 7 3 6 9

abandono..................................................................................... Gráfico 21 Gráfico 22 Gráfico 23 Gráfico 24 Gráfico 25 Gráfico 26 Gráfico 27 Gráfico 28 Gráfico 29 Gráfico 30 Gráfico 31 Gráfico 32 Gráfico 33 Gráfico 34 Gráfico 35 Gráfico 36 Representação gráfica referente participação do governo através de controle de natalidade ou planejamento familiar ...... Representação gráfica referente a adoção direto na 7 7 7 8 7 8 7 9 7 9 8 0 8 1 8 1 8 2 8 3 maternidade ou com mãe natural ............................................... Representação gráfica referente a escolha da criança que deseja.......................................................................................... Representação gráfica referente a adoção sem que a criança saiba ........................................................................................... Representação gráfica referente aos pais verdadeiros quererem os filhos de volta.......................................................... Representação gráfica referente ao conhecimento da história familiar ........................................................................................ Representação gráfica referente a família biológica saber da adoção......................................................................................... Representação gráfica referente adoção de crianças cujos pais fossem marginais ........................................................................ Representação gráfica referente a adoção para o resto da vida. Representação gráfica referente a adoção fazer com que mulheres venham a engravidar.................................................. Representação gráfica referente a valores religiosos que levam as pessoas a adotarem uma criança........................................... Representação gráfica referente saúde e física e mental dos pais.............................................................................................. Representação gráfica referente se é motivo suficiente para um casal adotar depois da morte de um filho natural.................. Representação gráfica referente a problemas com crianças adotadas...................................................................................... Representação gráfica referente a casal com filho natural gostar de criança adotada........................................................... Representação gráfica referente a devolução de crianças adotadas ao juizado quando tiver problema de desobediência ou rebeldia................................................................................... Gráfico 37 Representação gráfica referente a características de 7 6

personalidade e comportamento de seus pais naturais.............. Gráfico 38 Gráfico 39 Gráfico 40 Gráfico 41 Gráfico 42 Gráfico 43 Gráfico 44 Gráfico 45 Representação gráfica referente a crianças órfãs e abandonadas em abrigos têm suas necessidades atendidas..... Representação gráfica referente a adoção de crianças para ajuda nos serviços domésticos.................................................... Representação gráfica referente a incentivo de adoção pelo governo........................................................................................ Representação gráfica referente a incentivos dados pelo governo para adoção de crianças............................................... Representação gráfica referente aos abrigos estarem lotados... Representação gráfica referente a divulgação de informações sobre a adoção pelos grupos de apoio........................................ Representação gráfica referente a burocracia para adoção com apoio do juizado........................................................................... Representação gráfica referente a participação em reuniões ou palestras com grupos de apoio....................................................

8 4 8 4 8 5 8 6 8 6 8 7 8 7 8 8 8 9 8 9 9 0

9

0 9 1 9 2 9 2 9 3 9 3 9 4 9 4 9 5 9 5

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................. 1 EVOLUÇÃO DOS PROPÓSITOS DA ADOÇÃO NA HISTÓRIA.................. 1.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS POSSÍVEIS CAUSAS DOS PROPÓSITOS DA ADOÇÃO...................................................................... 1.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE A PERMANÊNCIA DOS PROPÓSITOS E SUAS CONSEQÜÊNCIAS.......................................................................... 2 ALGUNS EXEMPLOS QUE PROVOCAM MUDANÇAS NOS VELHOS PARADIGMAS............................................................................................ 2.1 A ADOÇÃO SOB NOVOS PROPÓSITOS: CONSIDERAÇÕES..... 2.1.1 Objetivos do Projeto Padrinho............................................................. 2.1.2 Formas de apadrinhamento ................................................................. 2.2 ADOÇÃO INTERNACIONAL E ADOÇÃO POR HOMOSSEXUAIS E SUAS RELEVÂNCIAS NO SURGIMENTO DE NOVOS PARADIGMAS... 2.2.1 Adoção internacional............................................................................ 2.2.1.1 Requisitos para a adoção internacional................................................ 2.2.2. Adoção por homossexuais.................................................................. 2.3 A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO DOS GRUPOS DE APOIO

14 17 22 29

35 37 38 39 40 42 45

BREVES 36

À ADOÇÃO NO INÍCIO DO PROCESSO ADOTIVO E EM SEU 49

MOMENTO POSTERIOR...................................................................... 51 3 AS PROPOSTAS DE MUDANÇAS NA LEGISLAÇÃO E SUAS CRÍTICAS. 3.1 AS PROPOSTAS DE MUDANÇAS LEGISLATIVAS.................................. 68 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS...................... 4.1 MÉTODO.................................................................................................... 4.2 DISCUSSÃO ACERCA DESSA PESQUISA CO-RELACIONADA À 69 OUTRAS JÁ REALIZADAS...................................................................... 97 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................... 101 REFERÊNCIAS.................................................................................................. 105 APÊNDICES....................................................................................................... 68 55

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por escopo uma maior conscientização do leitor, quanto aos velhos e ainda atuais paradigmas junto aos propósitos da adoção, mormente os desejos dos adotantes ao se cadastrarem no processo de habilitação à adoção.

Sabemos que o homem é bastante resistente às mudanças. Que por receio, prefere aceitar o que lhe é imposto, ao invés de buscar novas saídas, ou de aceitar o novo como alternativa ao velho modo de ser e agir.

Diante de uma sociedade cujos valores estão bastante deteriorados, pelo modelo consumista ou pelo descrédito na pessoa do outro, a esperança de um futuro melhor irá depender da maior e melhor aceitação de novos modelos, que venham trazer novos valores que se sobreponham aos que não mais conseguem alcançar seus objetivos, os quais, estão intimamente ligados ao trato dado às crianças e adolescentes que se encontram em situação de abrigamento, por não possuírem uma família que os possam acolher e dar-lhes a devida proteção, carinho e amor.

Sabemos

que

tal

situação,

ocorre

principalmente

por

razões

econômicas e estas, acabam em desencadear outras, tais como o abandono ou até mesmo a violência. Esta última será motivo de verdadeiro penar, fazendo com que uma criança fique abrigada por mais de dois anos até poder ser colocada em um lar substituto caso não possa ser reintegrada à família de origem.

Outro ponto a ressaltar, é que a adoção por si só não irá resolver os problemas do enorme quantitativo de crianças e adolescente em situação de abrigo. Poderá ser, sim, uma das saídas, caso se mostre infrutíferos outros modelos tais como a guarda provisória deferida a alguém próximo da família ou a inserção em programas de auxilio no caso de ser o fator financeiro o determinante ao abrigamento.

A legislação vigente é considerada suficiente no que tange à adoção. O problema é ser colocado em prática a tempo de não causar tantas feridas em quem não possuem culpa alguma. Não pode ser uma letra morta, quando leva tão nobre missão, qual seja a de resgatar a dignidade para crianças e adolescentes, vítimas de uma sociedade carregada de preconceitos.

Outras propostas de mudanças legislativas serão abordadas e nortearão o presente trabalho.

Uma pesquisa de campo possibilitará entender e direcionar aos estudos futuros quanto aos preconceitos existentes em nossa sociedade.

Diante de verdadeira afronta ao direito de conviver em família, e neste caso há que se falar em família mesmo, não em simples lar, como preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente, vemos a necessidade de melhor formação dos pretensos adotantes para receber em sua família uma criança que passou por abandono, ou abrigamento. O papel da sociedade é muito importante, e assim será evidenciada a sua função na hora de participar de grupos de apoio à adoção.

Grupos, formados por pessoas intimamente ligadas ao processo adotivo, quer seja pela situação profissional que ocupam, quer seja pelo fato de vivenciarem a adoção como um todo.

Não se pode mais atender somente aos interesses do adotante, que não pode gerar; que perdeu um ente querido; e que quer escolher o sexo do filho ou outras particularidades. É tempo de novos valores, de novos paradigmas, que o instituto da adoção quer trazer. Onde o desprendimento de valores relacionados à opinião alheia fará com que se entenda o dinamismo existente na troca de amor entre adotante e adotado, como única mostra de novos paradigmas nos propósitos da adoção.

EVOLUÇÃO DOS PROPÓSITOS DA ADOÇÃO NA HISTÓRIA

As mudanças ocorridas nas sociedades são tão grandes ao longo dos tempos que muita das vezes, imperceptivelmente deixamos de viver o presente para adentrarmos na seara do que irá acontecer no nosso futuro.

Com relação à evolução do instituto da adoção, relata Siqueira

A concepção é o marco indelével do que chamamos de adoção, eis que por este fenômeno que a engenharia biológica desenvolve é que a partícula da inspiração divina dá início à gestação de um ser, adotado pela própria mãe, porque todos são filhos do Criador. A mais eloqüente prova desse fato está no nascimento de Jesus, que independeu da relação sexual entre a Virgem Maria e São José, fruto do Divino Espírito Santo, para mostrar ao mundo que não há necessidade do casamento, do congresso carnal e de todas as convenções do homem para que se conceba um pequenino como filho1.

1

SIQUEIRA, Libórni. Adoção: Doutrina e Jurisprudência. Rio de Janeiro: Folha Carioca, 2004, p.30.

Dessa forma, utilizando esse exemplo para o ser humano, podemos ver que seus paradigmas caem por terra quando se deseja ter como seu, um filho que por outra pessoa foi concebida.

Mostra, ainda, que, um ser por obra do divino no exemplo em questão, e em todos os outros casos diferentes, necessita da proteção da família para dar os seus primeiros passos e se preparar para a vida que lhe espera.

Nos tempos antigos, nas civilizações gregas e romanas, os propósitos da adoção tinham significados bem diferentes do atual, que como relata Fustel de Coulanges apud Granato, se acreditava que os vivos eram protegidos pelos mortos, e estes dependiam dos ritos fúnebres dos vivos, daí haver o procedimento da prática de adoção para dar continuidade à família, nos casos em que não se tinha filhos e dessa forma poder atender o bem estar do adotante sem a menor preocupação com os laços afetivos.2

Tanto é que seria possível o retorno ao lar biológico, desde que deixasse uma prole sua na família que o adotara.3

Preleciona Granato, em sua obra, que para os hindus, o adotando deveria ser do sexo masculino e pertencer à mesma classe social do adotante, porém em concorrência com filho legítimo somente herdaria a sexta parte4.

Citando as leis de Manu, testemunha Siqueira:

As leis de Manu (livro IX, n° 169) determinavam que a adoção somente seria possível entre um homem e um rapaz da mesma

2

GRANATO, Eunice Ferreira Rodrigues. Adoção doutrina e prática. Curitiba: Ed.Juruá, 2006, p. 31-32. 3 Idem., 2006. p. 32. 4 Idem., 2006. p. 36.

classe, exigindo-se que este fosse dotado de todas as qualidades apreciadas num filho.5

Em Roma, o adotado poderia, além de participar da perpetuação do culto doméstico, preencher a finalidade política, sendo transformado em patrício se viesse de família plebéia, deixando de atender somente aos interesses do adotante. Todavia, somente o homem podia adotar e somente no baixo império, a mulher recebeu autorização para adotar, nos casos de ter filhos mortos em guerra.

Na Idade Média, com a influência do cristianismo, a adoção perdia seu valor, tendo em vista não atender aos interesses dos senhores feudais e, portanto, era pouco praticada, até porque os bens eram transmitidos pelos laços de sangue. E assim, já na idade moderna, temos que os direitos ao adotado deveriam ser estabelecidos através de contrato tal como estipulava o projeto do Código Prussiano, onde deveria existir vantagens para o adotado.6

A aquisição do pátrio poder (poder familiar), era o principal efeito da adoção no direito romano, ao contrário do direito português que dependia da determinação do Príncipe através de lei especial para haver sucessão, e não somente figurar como título de filiação com serventia de pedir alimentos, na lição de Granato.7

Liborni Siqueira, em sua doutrina, lembra que nos tempos modernos, na era de Napoleão, sua esposa, a Imperatriz Josefina, considerada estéril por sua situação biológica, sensibilizou o imperador a ponto em que resolvesse incluir no Código Civil francês a adoção, possibilitando que Eugene de Brauharnais fosse adotado pela família imperial. 8

5 6

SIQUEIRA, Libórni. Adoção: Doutrina e Jurisprudência, 2004, p. 32. Ibid, 2006, p. 40. 7 Ibid., 2006, p. 41. 8 Ibid., 2004, p.36.

Outro fato mostra a preocupação da França no que tange à adoção:

Aos 7 de Dezembro de 1805, um decreto napoleônico fez renascer o procedimento da adoção pública e isto em conseqüência dos filhos de militares mortos na Batalha de Austerlitz, chamando-os de "pupilos da Nação", seguindo-se então a Lei 17 de Julho de 1927, que deu maior abrangência, fazendo a França adotar órfãos cujos pais morreram durante a Grande Guerra no período de 1914 a 1918.9

O Código Napoleônico serviu de base para a maioria das legislações européias, assim como em outras leis.

Fora desse contexto, as leis inglesas, que não previam a adoção em seu bojo, e cuja sociedade, os laços de sangue eram bastante valorizados, principalmente nos momentos de sucessão hereditária, exerceram forte influência na legislação americana e somente após a remoção das restrições às pessoas adotadas, através do surgimento de um novo estatuto, o cenário começou a mudar. E somente após a primeira grande guerra, com o grande número de órfãos e abandonados a adoção é encarada sob um foco mais social, visando os interesses da criança através de gestos humanitários e relacionados à afeição. Todavia, mais tarde, influenciada pelas teorias psicológicas, segundo Cole e Donley, citados por Weber10, o interesse recaiu sobre as crianças pequenas, devido ao desenvolvimento inicial pobre ser causa para déficit de inteligência.

Nas palavras de Weber, temos que os norte-americanos são os que mais recorrem à adoção atualmente, sendo de aproximadamente 140.000 por ano e que 1/3 dos adotantes têm filhos biológicos por ocasião da adoção.11

9

Ibid., 2004, p. 37 WEBWE, Lídia Natalia Dobrianskyj. Laços de Ternura. Curitiba: Juruá, 2005, p. 70. 11 Id., 2005, p. 70.
10

No Brasil, com relação à legislação sobre adoção, aduz Siqueira: “Todos descuraram da adoção, pois, embora tentassem legislar sobre o assunto, não o fizeram com a necessária e indispensável profundidade que merecia”.12

Prossegue de forma distinta, relembrando que no Código de 1916, sob forte influência do direito romano, do direito canônico, das Ordenações Afonsinas, Manuelinas e Filipinas, a definição do autor da legislação civil, Clóvis Bevilácqua, sobre a adoção seria a de um ato civil pelo qual alguém aceita um estranho na qualidade de filho. Apesar disso, tal definição não figurava no Código. Essa conceituação, sem desmerecer o ilustre autor do Código Civil parecia não atender aos avanços sociais e aos anseios dos direitos do menor. Ter uma pessoa na qualidade de outrem dá a idéia de substituição. Principalmente àquela proveniente da perda. Dessa forma, não garante os direitos necessários à colocação em lar substituto de um modo pleno, mas somente como um preenchimento de algum vazio pré-existente. 13

Assim, ainda hoje, no Brasil, temos que as crenças se perpetuam e por estar a religião intimamente ligada à vida social, influenciando na elaboração da legislação, os mitos e preconceitos do passado permanecem, de uma forma ou de outra. Todavia, os avanços sociais, principalmente na elaboração do nosso Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no bojo dos seus 17 anos de criação, criado no clímax da orientação mundial de defesa dos direitos humanos do cidadão, ainda não alcançou seu ponto maior e nem irá resolver o problema da falta de recursos materiais que resulta no abandono de crianças em nosso país, e que representa grande parte das crianças institucionalizadas. Mas, em defesa dos interesses da criança, quer o ECA resgatar também os interesses daqueles que se encontram sob novos propósitos da adoção, sejam eles bebês recém-nascidos ou não, de pele clara ou escura, em pleno gozo de saúde ou não, integrante de grupos de irmãos ou não, mas sobretudo àqueles sem chance de serem criados por sua família de origem.

12 13

Ibid., 2004, p. 39. Ibid., 2004. p. 39-40.

Do contrário, em um modelo, onde há muito tempo as metas são alcançadas de tal sorte a satisfazer os desejos próprios, onde os valores são deturpados e onde tais valores não são atualizados para poder acompanhar as mudanças que ocorrem, quer seja no que tange à dinâmica social, quer seja no seu acompanhamento através da legislação, temos que a adoção não conseguirá, por si só, resolver de forma carinhosa e isolada, os problemas enfrentados por essa parcela da sociedade. Parcela esta, que desprotegida e confinada nos abrigos de nossa cidade, assim como em todo o canto do território nacional, com pouquíssimas chances de ter garantido o seu direito de conviver em uma família.

1.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS POSSÍVEIS CAUSAS DOS PROPÓSITOS DA ADOÇÃO
Após ter presenciado algumas das reuniões estabelecidas aos pretendentes à adoção, verificamos que elementos diferenciados procuram ofuscar os valores magnos de quem busca a Vara da Infância de Campo GrandeMS para se candidatar ao processo de habilitação à adoção, assim como ocorre em todo o país. Os propósitos dos pretendentes, muita das vezes por falta de estudo apropriado, ou por excesso de informação negativa através da mídia ou do tão conhecido "boca-a-boca" faz com que se acredite que o importante é fazer as coisas parecerem reais. Essa é a grande busca.

Por isso, vemos a necessidade de se ter um trabalho simultâneo de conscientização sobre a importância da adoção pelos profissionais que acompanham tal processo.

Weber ao demonstrar a desmistificação sobre a associação genérica e errônea entre adoção e fracasso, diz ser um fator importante o diálogo, desde sempre, principalmente no tocante às dificuldades encontradas por alguns pais

adotivos no relacionamento com seu filho, provenientes de revelações tardias de sua condição de adotivo ou feitas de maneira não adequada por terceiros e não pelos próprios pais. Alguns comportamentos apresentados como negativos nos relacionamentos de pais e filhos adotivos estão presentes, da mesma forma, nos relacionamentos de pais e filhos biológicos, tais como desobediência, rebeldia, maus hábitos. Então, uma pergunta paira no tempo: existe uma relação perfeita?14

Certamente que a perfeição na relação será conquistada através de muito amor e isso deve ser deixado bem claro, tanto aos pais e filhos adotivos, quanto aos biológicos. O importante é estreitar ou fortalecer os vínculos. Daí a importância da clareza nas relações como um todo. Todavia, o momento certo para se revelar ao filho que ele é adotivo é uma questão bastante polêmica. Porém, pesquisas realizadas apontam que não existe momento certo, mas sim oportunidades de não omitir e dessa forma fortalecer ainda mais os laços do coração.

Desta forma, é mais que importante, então, o trabalho preventivo com esses candidatos a serem pais adotivos ou biológicos no que diz respeito aos cuidados com o relacionamento com suas perdas existentes. Perdas, tais como, a solidão, a esterilidade, falecimento ou mera escolha de sexo do filho.

E nesse pensamento, descrito por Weber, registramos situações ocorridas em uma das reuniões mensais realizadas pela equipe de profissionais tais como: "[...] quero adotar para satisfazer a um sonho de infância; [...] gostaria de ter um menino, já que somente tive menina; [...] meus filhos já são crescidos e preciso de uma companhia;[...] quero adotar, pois, já tentei de todos os modos e não consigo engravidar; [...] preciso deixar minha aposentadoria para alguém que não seja o governo; [...] tenho uma criança que mora comigo e queria oficializar a situação; [...] uma conhecida, que já tem outros cinco filhos está grávida e vai me

14

Ibid., 2005, p. 112.

dar a criança para adotar quando nascer." Como estas, tantas outras respostas que não convém relacionar.15

Porém, quase que em sua totalidade, os propósitos são os mesmos: crianças de zero a dois anos, branca, sexo feminino, que não seja portador de deficiência e não esteja em grupos de irmãos.

Todavia, essas pessoas corajosas deram o primeiro passo para a mudança nos paradigmas. Procuraram o local certo e onde a garantia dos direitos da criança serão respeitados, posto que somente na Vara da Infância será possível ocorrer o instituto da adoção de forma plena e segura, com maior preparação, buscando evitar os problemas relacionados à devolução (rejeição) ou ver tirada a criança de uma família na qual já havia se vinculado por situação de precariedade legal. 16

Exemplificando situações ocorridas na Vara da Infância em Campo Grande, relata Rocha

Menina L., 12 anos, entregue aos guardiões pelo avô materno, aos cinco meses de idade. Quando ela tinha um ano e meio, a mãe biológica tentou reavê-la, mas os guardiões não quiseram devolvê-la nem permitiram que a mãe visitasse a filha. L. cresceu sem conhecer a mãe nem os familiares biológicos. O guardião obteve a guarda judicial de L. A guardiã faleceu e o guardião casou pela segunda vez. Sua companheira passou a maltratar L., com 3 anos e meio, depois que nasceu o filho biológico, alegando que L. não era sua filha. Nova separação e o guardião se juntou a uma terceira mulher, L. chamava-os de pai e mãe. Quando ela tinha 8 anos, o guardião lhe contou a sua origem. O convívio entre L. e a terceira esposa do guardião ficou insustentável, esta a xinga, L. se sente rejeitada e fugiu várias vezes, passou a pernoitar em casa de vários familiares, até que os guardiões compareceram ao Juizado para devolvê-la, não
15 16

Ibid., 2005,p. 43. Prática freqüente e merecedora de estudo, assim conceituada por Maria Isabel de Matos Rocha (2000): Temos dado este nome esdrúxulo a crianças que são rejeitadas por uma família, quer seja a sua própria, quer seja a adotiva (por adoção legal ou adoção à brasileira), quer seja o chamado “filho de criação”, quer seja a criança que foi acolhida sob guarda (de fato ou de direito).

aceitando qualquer tipo de orientação ou apoio psicológico para tentar conservar a menina em sua casa. Nunca foi pedida a adoção, e agora o guardião não deseja mais adotar L.: (“Minha esposa tem ódio dela, porque ela inventou muita mentira, calúnia. Ela tentou mudar a menina, mas não teve jeito, inclusive houve problemas no relacionamento com os filhos dela. Toda vez que ela foge, vem com hábitos diferentes”).17

Mostra, ainda, que as oportunidades podem parecer impossíveis para os padrões nossos, mas que em outras sociedades os valores já ultrapassaram as barreiras ainda intransponíveis por nós, como no exemplo abaixo:

E.P., menino com 7 anos, sua “mãe” S. relata que “ganhou” o menino e o registrou em seu nome. Denúncias de maus tratos, feitas pela creche ao SOS Criança e Conselho Tutelar, mãe relata que bateu de cinto em E. P. porque é muito danado e não obedece a ninguém. Proibiu-o de ver TV porque aprende tudo nos programas que assiste. A família rejeita E. P. Outra filha adotiva foi vítima de estupro supostamente pelo marido de S., esta separou-se dele. S. faz tratamento psicológico. O garoto é hiperativo e agressivo, bate nos colegas, não obedece aos professores. S., para controlá-lo, passou a ameaçá-lo de que iria entregá-lo ao Juiz se não se portasse direito. S. viajou para outro Estado em busca da mãe biológica de E. P., para devolvê-lo, mas não a achou. Depois de várias tentativas de orientação e apoio psicológico, abrigamento, novo retorno à mãe, S. finalmente entregou o garoto ao Juizado, alegando perda de autoridade sobre ele. Deu consentimento para adoção, justificando que seria melhor abrir mão do filho numa idade em que ele ainda podia ser adotado. E. P, muito inteligente, passou por um estágio de convivência com um casal estrangeiro, que não consumou a adoção, alegando como dificuldade a rebeldia do garoto. Numa segunda tentativa, nova família estrangeira compareceu, com experiência de já terem um filho adolescente adotado no Brasil. Os meninos deram-se muito bem e E. P. foi adotado e mora na Europa. Os relatórios do país de destino informam que aprendeu a língua rapidamente e tem boas notas na escola.18

Nem sempre é possível encontrar essa "mercadoria" tão desejada pela maioria dos pretendentes. Até porque, nossa sociedade possui uma enorme mistura de raças, sendo que a maioria das crianças abrigadas está acima dos três
17 18

Idem, 2000. Idem, 2000

anos, é de cor escura e fazem parte de grupos de irmãos, que, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, não podem ser separados.

Um dos mitos apontados para não adotar crianças maiores de três anos é a possibilidade de não se conseguir criar vínculos com a família substituta.

Todavia, com relação a este assunto dirá Maldonado,

O essencial é confiar na capacidade de amor e de acolhimento, que é o verdadeiro “cimento" do vínculo. Assim, é possível transmitir à criança que ser filho adotivo é ter sido escolhido para ser amado, é ser "filho do coração", embora não tenha podido ser " filho da barriga".19

Continuando, em seus estudos relacionados com os vínculos que podem e devem ser estreitados assim:

O grande desafio é ajudar a criança a sentir-se uma pessoa boa, querida e valorizada, mesmo tendo sofrido as conseqüências do abandono ou passado pela questão da rejeição e da doação em sua família original. Em outras palavras, mostrar à criança (por palavras, gestos, ações, atitudes) que pode ser querida por muita gente, embora não tenha sido possível ficar com a família biológica. Para isso, é essencial que os pais adotivos estejam seguros de que podem ser pais bons e amorosos mesmo não tendo tido a possibilidade de gerar essa criança.20

A questão da saúde é fundamental no preenchimento do cadastro para a maioria dos pretendentes. Ninguém quer um filho com "defeitos". Todavia, as ocorrências que venham a surgir após a concretização da adoção, que não puderam ser diagnosticadas, principalmente para os recém nascidos, são bastante factíveis.

19

MALDONADO, Maria Tereza. Os Caminhos do coração: pais e filhos adotivos. 5. ed. – São Paulo: Saraiva, 2001, p. 53. 20 Idem, 2001, p. 55.

Continuando o entendimento, vemos que a incerteza embutida no "mistério das origens" ou das experiências passadas das crianças adotadas assusta muitas pessoas que estão pensando em adotar. Mas a vida traz surpresas e incertezas até mesmo com os filhos biológicos.

Vencendo os limites humanos, por meio de grande amadurecimento, alguns desafios são transpostos e através de uma maior capacidade de amar será possível quebrar tais barreiras. Dessa forma, as fileiras das crianças não adotáveis diminuiria e a sensibilidade da família adotiva falaria mais alto para que uma vida pudesse ter amparo, carinho, assistência e o devido tratamento. Ainda enfrentando as causas dos paradigmas existentes, temos que o maior receio é revelar para toda a sociedade de uma forma bem visível que o seu filho não é seu. Que é adotivo. E mais que isso, que não se parece com os pais. Dessa forma, a caracterização das escolhas nos cadastros de pretendentes à adoção revela que mais da metade não desejam adotar crianças de cor diferente das suas. E como a concentração de rendas em nosso país está nas mãos da raça branca, mesmo que não seja este o fator predominante, ainda assim, é quem possibilita adotar ou não. Dessa forma, sempre veremos o desencontro entre as duas "filas" criadas, ou seja, persistirá uma fila que procura por crianças brancas e outra, em maior quantidade, de crianças não brancas, que desejam ter uma família.

Weber, em seus estudos mostra que a realidade felizmente não condiz com o pensamento de quem quer adotar

[...] a cor da pele dos adotantes e adotados não foi determinante para o sucesso ou fracasso da adoção. Embora a grande maioria dos pais e dos filhos envolvidos em famílias adotivas multirraciais tenha sentido algumas vezes, ou freqüentemente, discriminação racial por parte de outras pessoas, traz experiências intrafamiliares positivas, como relata uma mãe adotiva (branca) de uma menina negra: "a cor da pele não tem a menor importância; importante é a capacidade de amar de cada um".21

21

Ibid., 2005, p.119.

Ainda com relação à manutenção dos paradigmas, temos que um dos entraves apresentados é o fator tempo. Nunca se pode dizer qual o momento adequado para se fazer algo, seja ele certo ou errado. Nesse entendimento, percebemos o quão importante é a maturidade quando o assunto é adoção.

Gabriela Mistral, apud Weber, dirá:

Muitas coisas que nós precisamos podem esperar. A criança não pode. Agora é o tempo em que seus ossos estão sendo formados; seu sangue está sendo feito; sua mente está sendo desenvolvida. Para ela nós não podemos dizer amanhã. Seu nome é hoje.22

Assim, se pudermos comparar as perdas sofridas pelas crianças que se encontram institucionalizadas, com as possibilidades reais de mudanças no pensamento de quem deseja adotar, verificaríamos que: a cada dia que passa, o desencontro aumenta, no sentido de que tais perdas influenciariam ainda mais no momento da escolha do filho(a), tendo em vista se acreditar na dificuldade de se criar vínculos por causa do tempo de institucionalização.

Weber nos relembra a importância de cada um fazer sua parte através da seguinte história de autoria anônima:

Era uma vez um escritor que morava em uma tranqüila praia, junto de uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele caminhava à beira do mar para se inspirar, e à tarde ficava em casa escrevendo. Certo dia, caminhando na praia, ele viu um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto, ele reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia para, uma por uma, jogá-las novamente de volta ao oceano. "Por que esta fazendo isso?", perguntou o escritor. "Você não vê!", explicou o jovem, "A maré está baixa e o sol está brilhando. Elas irão secar e morrer se ficarem aqui na areia". O escritor espantou-se. "Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao
22

Breve resumo da conferência “Abandon et adoption: regards sur l’Amérique Latine”, apresentada no Congresso “Le bébé face à l’abandon, le bébé face à l’adoption” realizado em 23 e 24 de janeiro de 1998 em Paris. Disponível em: http://www.nac.ufpr.br/lidia/artigos/chamedefilho.htm - Acesso em 26/02/2008.

oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma". O jovem pegou mais uma estrela na praia, jogou de volta ao oceano e olhou para o escritor. "Para essa eu fiz a diferença". Naquela noite o escritor não conseguiu dormir, nem sequer conseguiu escrever. Pela manhã, voltou à praia, uniu-se ao jovem e juntos começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano. Sejamos, portanto, mais um dos que querem fazer do mundo um lugar melhor. Sejamos a diferença!23

Talvez seja essa a grande oportunidade que nos é apresentada nos tempos atuais, mesmo que saibamos da impossibilidade de se resolver o problema das crianças abandonadas e institucionalizadas através da adoção. Todavia, para uma dessas crianças, o problema será resolvido.

1.2

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PERMANÊNCIA PROPÓSITOS E SUAS CONSEQÜÊNCIAS

DOS

Ao persistir os propósitos atuais, temos que a finalidade da adoção, que é proporcionar um lar para a criança que não o possui, ficará cada vez mais difícil de ser alcançada, e a cultura da adoção terá sua difusão prejudicada, tendo em vista que no país sua principal busca ainda é para solucionar um outro problema, no caso, a infertilidade.

Podemos destacar, os preconceitos ainda permanentes como sendo o medo de adotar crianças maiores por causa da dificuldade na educação, pelo fato dessas crianças trazerem consigo hábitos adquiridos nas instituições que passaram, também por causa da condição de entendimento em saber que são adotadas e dessa forma ficar mais difícil a omissão de tal fato.

Para o caso de adoção nacional inter-raciais, temos que o medo em revelar a condição de pais adotivos possui, para estes, um caráter de suma
23

WEBER, Resumo da conferência apresentada pela autora no Congrès Mondial Enfants-Victimes (novembro 1999), em Bruxelas e de pesquisas que serão apresentadas no XXVII International Congres of Psychology, (julho 2000), Estocolmo. Disponível em: http://lidiaw.sites.uol.com.br/filhosdeninguem.htm - Acesso em 26/02/2008.

importância e por conseqüência, os propósitos se destinam a tentar ao máximo igualar as características pessoais aos da criança, com o objetivo de imitar a natureza. Seria essa a justificativa plausível, mas não aceitável. Em contrapartida, as adoções internacionais realizadas por países desenvolvidos, possuem caráter assistencial e dessa forma a discriminação social não é tão levada em conta, como mostra a preferência por enfrentamento para casos de maiores dificuldades.

Uma situação ocorrida recentemente na cidade de Jundiaí em São Paulo, onde o Juiz de direito Luiz Beethoven Giffoni Ferreira 24 é acusado de cometer irregularidades em processo de destituição do Poder Familiar e em processos de Adoção Internacional está deixando a população bastante confusa. Se por um lado a celeridade nos processos de adoção busca resolver a situação das crianças nos abrigos, por outro lado a destituição do Poder Familiar é questionada. Se a preocupação dos envolvidos no processo está relacionada com a perda deste poder de forma rápida, a possibilidade de se colocar em família substituta crianças consideradas inadotáveis pelos pretendentes nacionais, em famílias estrangeiras, nos mostra que se o judiciário resolver trabalhar para resolver o problema dos menores abrigados, os responsáveis legais por estes irão começar a se mover de tal forma que vislumbramos o quanto despreparados estamos no que tange à adoção.

Se um magistrado resolve o problema de crianças portadora do vírus HIV, ou de uma menina de 17 anos, ou de um menino de 12 anos, como se defende o próprio acusado, e concede a adoção desses à famílias internacionais por não ter famílias cadastradas em nosso território que os queiram adotar, ele é visto de forma irregular. Todavia, alega o juiz que as famílias estrangeiras que adotaram, estavam cadastradas pela Comissão Estadual Judiciária de Adoções Internacionais de acordo com a mais estrita legalidade e em seu tempo de serviço comandando o Anexo da Infância e Juventude da 2ª Vara Cível de Jundiaí, autorizou mais adoções nacionais que internacionais.

24

Disponível em http://www.terra.com.br/istoe/politica/152143.htm - Acesso em 26/02/2008.

A questão a ser observada é a de que a preparação da sociedade brasileira para a adoção está intimamente ligada ao tempo do processo adotivo e às dificuldades de se conseguir resguardar os direitos do menor que está nos abrigos, colocando-os em família substituta. Os preconceitos ainda são grandes e infelizmente o tempo para esses menores não suporta a permanência dos mesmos. Todavia, algumas mudanças ocorrem, mesmo que lentamente e dessa forma está possibilitando o surgimento de novos paradigmas. O reconhecimento da possibilidade de adoção por casais

homossexuais mostra que algumas barreiras foram quebradas, como relatado recentemente na cidade de Catanduva.25

Porém, tal possibilidade se torna uma gota dentro de um enorme oceano de discriminações e preconceitos e a busca pelas mudanças são necessárias cada vez mais.

As concorrências da adoção legal: a adoção à brasileira, a circulação de criança, assim como os próprios paradigmas tendem a ser mantidos caso os valores sociais não se modifiquem.

Fonseca, citando Sznick, relata que a adoção à brasileira é muito comum e que ninguém duvida disso. Em seguida afirma que essa prática é no mínimo dez vezes mais comum do que a adoção que passa pelos trâmites legais. Daí a necessidade da adequação e do acompanhamento da legislação às práticas sociais.26

Então, as perguntas que ficam são:

25

Caso da menina Theodora, de cinco anos, adotada por Vasco Pedro da Gama Filho e Junior de Carvalho, na cidade de Catanduva, cuja certidão de nascimento figura dois nomes de pais: dois homens. Com isso a mudança nos hábitos dos tribunais brasileiros, fugindo da frieza da legislação e adotando medidas vinculadas à finalidade da mesma. Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,AA1361499-5605,00.html – Acesso em 26/02/2008. 26 FONSECA, Cláudia. Caminhos da adoção. São Paulo: Cortez, 2002, p.129.

[...] Por que, por exemplo, uma criança não poderia ser adotada por um grupo, uma linhagem? Por uma mulher e sua mãe? Por dois irmãos? E, mais importante, por que uma criança deveria assumir a identidade de sua nova família, com a exclusão de sua família biológica? Desde o Estatuto da Criança e do Adolescente, a legislação começa a desprender-se do modelo conjugal, permitindo, por exemplo, que solteiros (viúvos ou separados) adotem crianças. Há que se perguntar, no entanto, se ela leva em consideração de forma sistemática a importância da rede familiar na realidade brasileira.27

E, de relevância extrema, vemos na pergunta em tela, a situação da exclusão da identidade da família biológica pela adoção, nos casos da adoção internacional, quando envolve a parte financeira, configurando a prática do tráfico de crianças.

Nesse sentido, prossegue Fonseca,

Apesar de a maioria destas histórias ser, sem dúvida, criação de uma opinião pública ávida por assuntos comoventes, é inegável que as autoridades brasileiras descobriram redes especializadas no comércio da adoção internacional. Nas inúmeras maternidades e hospitais orientados para uma clientela pobre, podemos facilmente imaginar abusos – indo de pressões indevidas exercidas sobre a nova mãe até “roubo” de nenês. Algumas mulheres sentem-se tão confusas diante das burocracias legais que nem saberiam onde começar seu protesto.28

Todavia, o risco é compensado quando comparamos os resultados e os propósitos da adoção internacional, que anda a passos largos com relação à adoção nacional.

Afirma Fonseca que os motivos para se acreditar nas adoções internacionais são vários. Situação apresentada pela autora é a de que nos países de primeiro mundo o número de crianças abandonadas aos cuidados do Estado tem diminuído consideravelmente e a solução por eles encontrada é: importar crianças.29

27 28

Idem, 2002, p.129. Idem, 2002, p.137. 29 Idem, 2002, p. 138-39

Assim, revela que o exemplo da França, onde o número de crianças adotadas e de origem estrangeira há mais de dez anos ultrapassa os de origem francesa. Assim, temos que considerar a diversidade de valores sociais. Até porque, grande parte das crianças adotadas possuem idade igual ou superior a seis anos, contrapondo à média dos adotados de origem francesa que está na faixa de três anos. Coadunando no pensamento de que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não quer transformar a adoção em um mero projeto social, Weber vê a necessidade de encontrarmos um modo de apressar a justiça que caminha a passos lentos, salientando que devemos lutar contra a miséria e o abandono. A adoção internacional tornou-se uma exceção, ou seja, uma criança somente poderá ser adotada por um estrangeiro se não conseguir ser adotada no Brasil. Este fato traz um novo impulso para um trabalho de conscientização da população. Os desafios que devemos enfrentar atualmente é não deixar as crianças envelhecerem nas instituições e conscientizar os brasileiros sobre as adoções necessárias: crianças mais velhas, de cor e com necessidades especiais. O trabalho principal é pedagógico, de conscientização da população e técnico, de preparação de profissionais que selecionem e preparem pessoas dispostas a acolher uma criança ou um adolescente. É um trabalho gigantesco e a longo prazo, mas que já começou.30

Importante ressaltar, que os problemas relacionados à adoção estão intimamente ligados ao sucesso ou não da criação dos vínculos, na preparação do processo de habilitação, durante e depois da prolatação da sentença dada pelo juiz da Vara da Infância. Dessa forma, temos que a desigualdade social irá contribuir naturalmente para manter as atuais situações que se referem aos propósitos atuais, cujas raízes são bastante antigas, sempre que não puder ser inibida de forma a possibilitar que uma criança tenha uma família para viver e não em sentido contrário.

30

Op. cit., 2005, p. 124.

No dizer de Eduardo Cambi,

A adoção é cercada pela exposição de sentimentos íntimos das partes envolvidas, os quais devem ser examinados sob a tutela da vida privada, dando-lhes o direito de manterem certas informações sigilosas, com a finalidade de evitar comentários desairosos que possam vir a prejudicar o desenvolvimento pessoal e familiar.31

Tal conceito poderia servir de amparo, para a permanência dos propósitos atuais relacionados à adoção em nosso país e para explicar porque não pode constar no registro da criança se ela é filha adotiva, conforme prevê o parágrafo 3º do artigo 47 da Lei nº 8.069/1990. Todavia, tais propósitos deixam de ter amparo, no dizer do eminente professor, cujas palavras são: “A adoção é um ato de puro amor, inspirado na solidariedade, que permite o desenvolvimento pessoal e promove a dignidade humana.”32

E, corroborando com essa idéia, vemos que se fosse possível a adoção legal sem a criação de vínculos, estaríamos prejudicando a criança em todos os aspectos. Em contrapartida, em nosso cotidiano, nas formações dos lares atuais, constatamos a figura da paternidade sócio-afetiva, formando vínculos sem a necessidade patrimonialista na qual a paternidade estava nítida em nossa legislação antes da Constituição Federal (CF) de 1988. E esta, remodelando nosso direito de família, possibilita dentro dos ideais de solidariedade, igualdade e liberdade uma real paridade familiar.

Assim, as mudanças ocorridas no campo jurídico passam a levar em conta os laços afetivos e em nosso Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 43, “A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos.”33

31

CAMBI, Eduardo. A adoção no contexto do conflito entre os direitos fundamentais à privacidade e à liberdade de expressão da imprensa. In: Adoção: aspectos jurídicos e metajurídicos. LEITE, Eduardo de Oliveira; HIRSCHFELD, Adriana Kruchin et al. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 66. 32 Idem, 2005, p. 66 33 BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente/ Secretaria Especial dos Direitos Humanos; Ministério da Educação, Assessoria de Comunicação Social. Brasília: MEC, ACS, 2005.

Verificamos que a adoção deverá ser deferida nos casos em que houver vantagens para o adotando com fundamento legítimo, independentemente de qual modalidade de adoção, seja ela nacional ou internacional, por casal, homem solteiro ou mulher solteira, com ou sem patrimônio visível, sem diferenças de cor, idade, ou opção sexual.

2 ALGUNS EXEMPLOS QUE PROVOCAM MUDANÇAS NOS VELHOS PARADIGMAS

A adoção é um instituto do direito de família, mormente o direito que protege a criança e o adolescente. Sendo assim, diante da prática atual sobre a colocação em família substituta, temos que os dados estatísticos apresentam menos que a metade dos atos que ocorrem na realidade. Grandes são os casos de circulação de crianças, sem a devida garantia para os dois lados envolvidos: adotantes e adotados. E a adoção à brasileira, que é o ato de registrar filho alheio como se seu fosse, continua sendo encarada como sendo uma situação normal, ou seja, uma coisa permitida, mesmo podendo ser anulada legalmente por caracterizar uma modalidade de fraude.

No entanto, se esperarmos que a legislação vá mudar o modo de agir e pensar da sociedade, teremos sérios problemas em codificar todos os atos praticados pela mesma. Assim, não bastará leis, nem processo ágil relacionado à adoção o bastante para diminuir a população abrigada. As mudanças devem começar de dentro pra fora, ou seja, do modo de pensar, do agir e do relacionarse e não chegando ao extremo, como ocorreu no ano de 2004, por determinação do juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, Siro Darlan, quando foram suspensos os cadastros dos casais que estipulavam sexo e raça no processo de adoção naquela cidade.34
34

Disponível em http://www.maternidadeinclusiva.kit.net/html/2004/dez/adocao/1501.htm, Acesso em 26/02/08 11:00h. Tatiana Thé

Vale lembrar, que a criação dos vínculos é quem determinará o sucesso ou não da adoção, em uma sociedade extremamente ligada ao rigor da letra da lei. Contudo, os valores, tão extintos nos dias de hoje, ou mesmo tão deturpados, supririam a falta da positivação.

2.1

A ADOÇÃO SOB CONSIDERAÇÕES

NOVOS

PROPÓSITOS:

BREVES

A adoção sob novos propósitos, é um dos tipos mais utilizados por aquelas pessoas que se sentem preocupadas com os futuros jovens que têm suas vidas distorcidas pela sociedade.

Pessoas estas, cujos valores não estão presos ao que a lei prevê, ou seja, não esperam, e não fazem esperar. E nesse caso, o tempo, senhor da vida e da preparação desta, é o fator mais importante para quem não possui uma família que lhe proporcione um futuro melhor.

Dessa forma, para que seja mudado o modo de pensar da sociedade com relação aos preconceitos quanto a idade, cor, presença de necessidades especiais, por exemplo, é que vemos a necessidade de uma nova via de acesso de crianças abrigadas e enjeitadas pela forma de adoção hoje existente, poderem ser inseridas em um lar substituto.

Assim, o apadrinhamento é uma forma da participação dessas pessoas na vida de uma criança ou adolescente. Há a cooperação com alimentação, vestuário, educação e saúde, por parte daqueles que realizam esse tipo de adoção. Pode-se colaborar de maneira afetiva, visitando e demonstrando seu interesse no desenvolvimento físico-mental e social destas.

De acordo com Champenois-Laroche o apadrinhamento, “Num primeiro instante, poder-se-ia dizer que se trata, antes de tudo, de responder às necessidades afetivas de uma criança, momentaneamente sem pais, e isto, sem fazer julgamentos sobre o que a levou a se encontrar nessa situação”35.

O Projeto Padrinho, vem ao encontro das necessidades enfrentadas para que pessoas imbuídas da realização de uma adoção, possam melhor conhecer o que é a adoção. Esse projeto foi lançado em 26 de junho de 2000 por iniciativa da 1ª Vara da Infância e Juventude de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

De uma forma geral, o objetivo do projeto é conseguir a ajuda de pessoas, os chamados “padrinhos”, para atender às necessidades de crianças com problemas de subsistência e, dessa forma, permitir que elas possam continuar vivendo com suas famílias. É importante ressaltar que o projeto é emergencial, vive da ajuda de voluntários e dos padrinhos, o que não dispensa nem substitui o atendimento completo dos direitos da criança e do adolescente pelo Poder Público. Portanto, crianças e adolescentes que não podem ficar com as suas famílias são recebidas em casa pelas famílias acolhedoras, que as sustentam e dispensam-lhes todos os cuidados no decurso do processo, durante um certo tempo. Essa ajuda vem dos padrinhos, que auxiliam segundo a sua vontade e conforme seus recursos, tempo, capacidade e disponibilidade profissional.

São quatro os tipos de padrinho: padrinho doador de bens materiais (ajuda financeira e bens materiais), prestador de serviços, padrinho afetivo e família acolhedora.

2.1.1 Objetivos do Projeto Padrinho
35

CHAMPENOIS-LAROCHE, Françoise. Eu não te amarei como aos outros: o dia-a-dia da adoção; tradução de Lizete Cicolella. Porto Alegre: Sulina, 2006, p. 95.

Com a participação de todos, conseguir apoio financeiro e afetivo para as crianças e famílias em risco, através de:
• • • • •

Apadrinhamento afetivo; Atividades de esporte e lazer; Prestação de serviço; Ajuda material à criança e/ou à família; Família acolhedora.

2.1.2 Formas de apadrinhamento

Afetivo: passeiam com as crianças e adolescentes nos finais de semana.

Financeiro: auxilia com uma quantia que puder por mês.

Acolhedora: acolhem, sustentam e dão todos os cuidados no decurso do processo.

Prestador de serviço: padrinhos profissionais que beneficiam várias crianças ao mesmo tempo, tais como: Pediatras, dentistas, terapeutas, pedagogos infantis, psicólogos e educadores.

Com relação ao Projeto Padrinho, uma iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, salientamos que este, concorreu com 214 trabalhos de 22 Estados do país, conquistando o primeiro lugar em sua categoria “Poder

Judiciário”, do concurso “Mude um Destino”, com apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

O Projeto Padrinho foi avaliado a partir das iniciativas das equipes profissionais que atuam na área e que buscam manter a criança e adolescente na família quando surgem dificuldades no convívio, priorizando a manutenção dos vínculos estabelecidos; ações desenvolvidas como alternativa à medida de abrigamento; e o trabalho realizado junto às famílias no sentido de ajudá-las a se reorganizarem para um possível retorno.

A idealização do Projeto Padrinho foi da Juíza Drª. Maria Isabel de Matos Rocha, na administração de Rêmolo Letteriello, (administração do Desembargador Rômulo Letteriello, então Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul), e teve continuidade nas gestões posteriores, tendo sua expansão para outras comarcas como: Aquidauana, Corumbá, Rio Brilhante, Amambaí e Dourados (Intranet Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, 2007).

2.2 ADOÇÃO INTERNACIONAL E ADOÇÃO POR HOMOSSEXUAIS E SUAS RELEVÂNCIAS NO SURGIMENTO DE NOVOS PARADIGMAS
Nossa sociedade já não possui como padrão de família a tríplice formação anterior, qual seja, pai, mãe e filhos.

É muito comum, nos depararmos com casais separados, divorciados, ou até mesmo haver situações em que o registro da criança não consta o nome do pai. Seguindo esse raciocínio, temos uma considerada parcela de constituição familiar, onde a figura paterna ou materna se funde na pessoa de um só dos cônjuges ou do detentor da guarda do menor nas situações aceitas como normais

por nossa sociedade. O Estatuto da Criança e do Adolescente, conforme artigo 42, em seu caput está previsto a adoção independentemente de estado civil. Em momento algum traz em seu bojo a opção sexual do adotante. No entanto, ainda paira mais um resquício de preconceito no que tange à adoção por homossexuais.

Além disso, a mesma sociedade, ao persistir com tais paradigmas, acaba enviando para outros países, crianças que poderiam ser adotadas, não fossem as exigências culturais existentes. Não é o caso, que ocorre nas adoções internacionais, cujos habilitados para adoção, possuem valores culturais mais ricos e sem tantas preferências na hora de compor uma família substituta, que irá proporcionar garantias e direitos aos que nada mais esperavam por parte do país onde foram gerados.

2.2.1 Adoção internacional

Esta adoção tem sido uma preocupação dos juristas, em nível internacional, que tentam ordenar as diferentes leis nacionais para prevenir os abusos e garantir os direitos das crianças adotivas, sendo que os principais movimentos são: Convenção de Haia de 1965, Convenção de Estrasburgo de 1967 e recentemente Convenção de La Paz de 1984.

Como salienta Sznick,:

A adoção internacional, ou seja, à procura de crianças brasileiras por estrangeiros vem crescendo muito nos últimos anos. Ao lado dos direitos, várias intermediações, quer individuais quer até de pessoas jurídicas, através de agências de intermediações; como, especialmente por parte dos adotantes, há os bens intencionados nos que fazem a intermediação; em regra, muitos não só são mal intencionados (visando lucro e vantagens pessoais com a adoção), mas até formando verdadeiras quadrilhas para o

cometimento de crimes- já que os lucros são grandes e em moeda estrangeira - como seqüestro de recém-nascido na maioria das vezes, nas próprias maternidades, ou então, em locais públicos; outros crimes ainda são praticados como o estelionato enganando as mães com possíveis internações ou , ainda, quando escondendo que as crianças são destinadas ao exterior; falsificação de documentos, especialmente do menor.36

Assim, para que haja aceitação de uma adoção internacional, necessita-se de habilitação no país de domicilio, onde deverão estes, dirigirem-se à autoridade central do país de usa residência para obter autorização conforme arts. 14 e 15 do Decreto 3087/99 da Convenção de Haia, sendo necessário que em seu passaporte tenha o visto especial para adoção, concedido pelo consulado brasileiro de seu país de domicílio.

J. Foyer e C. Labrousse, citados por Wilson Donizetti Liberati definem a adoção internacional como:

Aquela que faz incidir o Direito Internacional Privado seja, em razão do elemento de estraneidade que se apresenta no momento da constituição do vínculo (nacionalidade estrangeira de uma das partes, domicílio ou residência de uma das partes no exterior), seja em razão dos efeitos extraterritoriais a produzir.37

Portanto, é uma realidade que envolve a circulação de crianças em uma escala internacional. Como preleciona Tarcisio José Martins Costa, Adoção Internacional:

É uma instituição jurídica de proteção e integração familiar de crianças e adolescentes abandonados ou afastados de sua família de origem, pela qual se estabelece, independentemente do fato natural da procriação, um vínculo de paternidade e filiação entre pessoas radicadas em distintos Estados: a pessoa do adotante com residência habitual em um país e a pessoa do adotado com residência habitual em outro.38
36 37

SZNICK, Valdir. Adoção. 2. ed. São Paulo: Leud, 1993, p. 443-44. LIBERATI, Wilson Donizetti. Adoção Internacional. São Paulo: Malheiros, 1995, p. 31. 38 COSTA, Tarcisio José Martins. Adoção transnacional: um estudo sócio jurídico e comparativo da legislação atual. Belo Horizonte: Del Rey, 1995, p. 58.

Sendo assim, à adoção internacional é aquela que diz respeito à criança ou ao adolescente, em território nacional que está sob a guarda do Estado ou de terceiro domiciliado no território brasileiro.

No que diz respeito a esse tipo de adoção, Paiva esclarece que: “[...], as crianças e os adolescentes passam por acompanhamento psicológico e social com os técnicos judiciários antes de serem apresentados a um pretendente estrangeiro”.39

Para adotar uma criança, a pessoa tem que estar habilitada, conforme a lei de seu país, com documentação escrita pela autoridade competente de seu domicilio. Além de ter que passar por exames psicossociais em órgão credenciado, apresentando ainda vantagens para o adotando, através de motivos legítimos fundamentados.

2.2.1.1 Requisitos para a adoção internacional

I - Comprovar, mediante documento expedido pela autoridade competente do respectivo domicílio, estar devidamente habilitado à adoção, segundo as leis do seu país (art. 51, § 1°. do ECA); II - Apresentar estudo psicossocial elaborado por agência especializada e credenciada no país de origem (art.51, § 1°do ECA);

Art. 51. Cuidando-se de pedido de adoção formulado por estrangeiro residente ou domiciliado fora do País, observar-se-á disposto no art.31. § 1º O candidato deverá comprovar, mediante documento expedido pela autoridade competente do respectivo domicilio,
39

PAIVA, Leila Dutra de. Adoção: significados e possibilidades. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004, p. 76.

estar devidamente habilitado à adoção, consoante as leis do seu País, bem como apresentar estudo psicossocial elaborado por agência especializada e credenciada no País de origem.

III - Juntar aos autos os documentos em língua estrangeira, devidamente autenticados pela autoridade consular, observados os tratados e convenções internacionais, e acompanhados da respectiva tradução, por tradutor público juramentado (art. 51, § 3° do ECA; art. 157, CPC);

Art. 51. ... § 3º Os documentos em língua estrangeira serão juntados aos autos, devidamente autenticados pela autoridade consular, observados os tratados e convenções internacionais e acompanhados da respectiva tradução, por tradutor público juramentado. Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado.

IV - A autoridade judiciária poderá determinar, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, a apresentação do texto pertinente à legislação estrangeira, acompanhada de prova da respectiva vigência (art. 51, § 2° do ECA).

Art. 51 ... § 2º A autoridade judiciária, de oficio ou a requerimento do Ministério Público, poderá determinar a apresentação do texto pertinente à legislação estrangeira, acompanhado de prova da respectiva vigência.

Por causa das denúncias ser deferida a adoção internacional.

muitas

vezes ocorridas de tráfico

internacional de crianças, o Estatuto nos deu alguns requisitos básicos para então

Enquanto não transitar em julgado a sentença, não será permitida a saída do adotando do território nacional.

Deve-se pedir a alteração do prenome do adotado, para que ele tenha um nome que seja usado no país em que irá viver, tendo como finalidade integrar essa criança na nova família. Mas a alteração do prenome pode ser feita quando houver: erro de grafia e quando o prenome é suscetível de expor a pessoa ao ridículo.

Diante do exposto, mediante a avaliação dos referidos requisitos em caráter prático, verificamos que o tempo necessário para possibilitar a existência de vínculos não é o suficiente, quando, e principalmente quando, o processo de adoção internacional se torna célere. Tal acontecimento irá ocasionar a prolatação da sentença e seu trânsito em julgado sem que seja dada uma precisão às garantias do direito da criança, e dessa forma, abrirá espaço para o verdadeiro tráfico de menores, e que nestes casos, são praticados com a vênia de nossa legislação.

De acordo com Nigel Cantweel,

As Autoridades Centrais têm a responsabilidade última de vigiar todos os aspectos de uma adoção internacional desde o momento em que é formulado o pedido: aprovar os pais candidatos à adoção, assegurar-se de que a adoção constitui mesmo a melhor solução para a criança e que ela pode ser adotada; assegurar-se de que os pais adotivos e a criança são mutuamente convenientes, velar para que todos os procedimentos sejam respeitados e para que sejam reunidas as condições para a transferência material da criança para o país de acolhimento. Podem, igualmente, cooperar nos casos em que uma adoção venha falhar.40

As funções atribuídas a outras autoridades públicas e entidades credenciadas poderão atuar se estiverem autorizadas por seus respectivos
40

CANTWEEL, Nigel. A Convenção de Haia sobre a adoção internacional. Boletim: Terre dês Hommes, n. 65, 1994, p. 36.

países, sendo que não poderão ter objetivos lucrativos, e seus membros serem pessoas qualificadas por sua idoneidade moral, submetidas à vigilância de autoridades competentes para sua composição, seu funcionamento e sua gestão financeira.

2.2.2. Adoção por homossexuais

Se a pessoa apresenta todos os requisitos pedidos pela lei, cumpre com seus deveres, não há o que se pensar em negar o pedido de adoção, pelo simples fato de ela ser homossexual.

A homossexualidade, de acordo com Silva Júnior se caracteriza como: “Atração ou predominância de desejos por pessoas do mesmo sexo biológico”. 41 A homossexualidade ela pode ser tanto masculina como feminina.

Não existe em nosso ordenamento jurídico, nada proibindo, ou até mesmo permitindo a adoção por homossexuais.

Conforme José Luiz Mônaco da Silva, do Ministério Público do Estado de São Paulo, em sua obra, assim se manifestou:

A nosso ver, o homossexual pode, sim, adotar uma criança ou um adolescente (e pode, também, assumir sua guarda ou tutela). Mas o deferimento do pedido de colocação em família substituta dependerá, precipuamente, do comportamento dele frente à sua comunidade, isto é, ficará na dependência de o juiz apurar a conduta social do requerente em casa, no trabalho, na escola, no clube, enfim, no meio social onde vive. A autoridade judiciária não poderá deferir de plano a adoção requerida sem antes detectar a existência dos requisitos objetivos previstos no estatuto. O que impedirá, pois, o acolhimento do pedido de colocação em família substituta será, na verdade, o comportamento desajustado do
41

SILVA JÚNIOR, Enézio de Deus. União Homossexual: do preconceito ao reconhecimento jurídico. Revista Jurídica, Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus: Editus, ano III, anual, 2001.

homossexual, jamais a sua homossexualidade. Assim, se ele cuidar e educar a criança dentro dos padrões aceitos pela sociedade brasileira, a sua homossexualidade não poderá servir de pretexto para o juiz indeferir a adoção (e tampouco a guarda ou a tutela pleiteada).42

A adoção realizada por homossexuais, não pode ser prejudicada, mas deve-se levar em conta o caráter de formação e o discernimento para realizar atos ou negócios jurídicos na sociedade.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE caracteriza a família, como:

[...] o conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica ou normas de convivência, residentes na mesma unidade familiar, ou pessoa que mora só em uma unidade domiciliar. Entende-se por dependência doméstica a relação estabelecida entre a pessoa de referência e os empregados domésticos e os agregados da família e, por normas de convivência, as regras estabelecidas para o convívio de pessoas que moram juntas, sem estar ligadas por laços de parentesco ou dependência doméstica. Consideram-se, como famílias conviventes, as constituídas de, no mínimo, duas pessoas cada uma que residam na mesma unidade domiciliar.43

Quando houver qualquer oposição por causa da sexualidade da adotante, esta deverá ser repelida quando o adotado é maior de idade, podendo recair em pena, sendo caracterizado preconceito.

A este dado, Fernandes entende que:

Tais parcerias representam, sim, uniões estáveis; só não são, é claro, as uniões estáveis entre homem e mulher de que trata a Constituição naquele dispositivo. Mas todo regramento sobre as uniões estáveis heterossexuais pode ser estendido às parcerias homossexuais, dada a identidade das situações, ou seja, estão
42

SILVA, José Luiz Mónaco da. A família substituta no Estatuto da criança e do adolescente. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 116-117. 43 Disponível em: http//:www.crpsp.org.br/a_acerv/jornal_crp/128/frames/fr_genero.htm. Acesso em 14/04/2008.

presentes, tanto em uma quanto em outra, os requisitos de uma vida em comum, como respeito, afeto, solidariedade, assistência mútua e tanto outros. E se num resíduo de excesso formalístico, estando convencido do pedido, o juiz não se sentir à vontade para proclamar que ali existe uma 'união estável', que declare, então, que a situação configura uma entidade familiar, uma relação inequívoca, uma união homossexual, em que os efeitos, praticamente, serão os mesmos, atendendo-se, sobretudo o fundamento constitucional que rejeita o preconceito em razão de sexo - ou orientação sexual, como preferimos (CF, artigo 3°, IV).44

Alguns autores entendem que, sendo o requerente homossexual, a adoção não pode ser deferida.

Arnaldo Marmitt, em seu livro Adoção, escreveu um capítulo denominado Adoção por pessoas contra-indicadas onde diz que "se de um lado não há impedimento contra o impotente, não vale o mesmo quanto aos travestis, aos homossexuais, às lésbicas, às sádicas, etc., sem condições morais suficientes. A inconveniência e a proibição condiz mais com o aspecto moral, natural e educativo".45

Outros posicionamentos a serem registrados: Da relação homossexual pode resultar satisfação afetiva e sexual, sem relevância, no entanto, para o Poder Público, porque dali não são gerados filhos. Isso porque, se filhos houver, receberão tutela do Direito de Família, mas a relação da qual se originaram será formada entre uma das partes e um terceiro, e não aquela homossexual, por razões fisiológicas. Nem poderá ter por mãe homossexual do sexo masculino a criança adotada, em face do necessário estabelecimento de ‘papéis’ para a formação psíquica da criança, como largamente é tratado o tema pela psicologia.46

44

FERNANDES, Taisa Ribeiro. Uniões homossexuais e seus efeitos jurídicos. São Paulo: Método, 2004, p. 68. 45 MARMITT, Arnaldo. Adoção. Rio de Janeiro: Aide, 1993, p.112-113. 46 CARVALHO, Selma Drummond. Casais homossexuais: questões polêmicas em matérias civis, previdenciárias e constitucionais. Revista Jurídica Consulex, ano IV, n.° 47, 30 de novembro de 2000.

Muito embora não haja nenhum impedimento legal, entendemos que essa adoção não deveria ser possível, pois o adotado teria um referencial desvirtuado do papel de pai e de mãe, além de problemas sociais de convivência em razão do preconceito, condenação e represália por parte de terceiros, acarretando um risco ao bem-estar psicológico do adotado que não se pode ignorar.47

De modo geral, verifica-se que os juristas reconhecem a inexistência de vedação legal para a adoção por homossexuais, justificando seu posicionamento contrário em questões relacionadas à moral e o que julgam ser melhor para o desenvolvimento psicológico do adotando.

Outros autores manifestam-se favorável à adoção por homossexuais, pelas razões a seguir descritas, a começar por João Baptista Villela,

Por fim, para favorecer a pretensão do casamento homossexual intervém a adoção [...]. Se o que se pede para o bom desenvolvimento da criança, pode-se argumentar, é uma base convivencial estável, por que não reconhecê-la na união proposta para toda a vida entre pessoas do mesmo sexo?48

Nosso

ordenamento

jurídico

não

enfrenta

a

questão

da

homossexualidade. Vale dizer, não há nenhuma regra legal no Código Civil ou no Estatuto da Criança e do Adolescente que permita ou proíba a colocação do menor em lar substituto cujo titular seja homossexual. [...] A nosso ver, [então] o homossexual pode, sim, adotar uma criança ou um adolescente.49

No tocante à possibilidade jurídica de adoção de filho por casal homossexual, entendemos não haver impedimento no Estatuto da Criança e do
47

BRITO, Fernanda de Almeida. União afetiva entre homossexuais e seus aspectos jurídicos. São Paulo: LTr, 2000. p. 55. 48 VILLELA, João Baptista apud PEREIRA, Rodrigo da Cunha. União de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas. Revista da Faculdade de Direito da UFPR. Vol. 31. Porto Alegre: Síntese, 1999, p. 153. 49 Op. cit., 1995, p.116.

Adolescente (ECA – Lei n.° 8.069/90, de 13.7.90), visto que a capacidade de adoção nada tem a ver com a sexualidade do adotante que preenche os requisitos dos arts. 39 e seguintes daquele Estatuto, especialmente o seu art. 42, dispondo que ‘Podem adotar os maiores de vinte e um anos, independentemente do estado civil’.50

Assim, se por um lado os juristas que se posicionam contra a possibilidade de adoção por homossexuais utiliza como fundamento unicamente questões de fundo moral e alegações de que o desenvolvimento da criança pode ser afetado, aqueles que defendem a colocação em família substituta pelos que têm orientação sexual diversa da convencional agarram-se à ausência de proibitivo legal para tanto.

2.3 A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO DOS GRUPOS DE APOIO À ADOÇÃO NO INÍCIO DO PROCESSO ADOTIVO E EM SEU MOMENTO POSTERIOR
Os Grupos de Apoio à Adoção realizam estudos e constituem-se um fenômeno interessante e importante para a realização de adoções em nosso país. Assevera Weber

Considero-o um fenômeno interessante pela maneira franca e aberta como a rede tem sido constituída. São sociedades realmente sem fins lucrativos, cujos membros (geralmente a grande maioria é composta de pais adotivos) trabalham voluntariamente para divulgar a adoção, prevenir o abandono, preparar adotantes e acompanhar pais adotivos, encaminhar crianças para a adoção e, de maneira ampla, conscientizar a população sobre a adoção, especialmente sobre as adoções necessárias, quer dizer, de crianças mais velhas, crianças de cor diferente da dos adotantes e crianças com necessidades especiais.51

50 51

OLIVEIRA, Basílio de. Concubinato: novos rumos. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, s.d., p. 318 WEBER, Lídia Natália Dobrianskyj. Laços de Ternura: pesquisas e histórias de adoção. 3. ed. 2ª tir. Curitiba: Juruá, 2005, p. 80.

Esses grupos de informações realizam trocas de experiências que tem alcance regional e nacional, como campanhas educativas e divulgação de seus trabalhos, com o objetivo de verem mais crianças serem adotadas, e mais tabus serem quebrados em nossa sociedade.

Como preleciona Granato “As pessoas que trabalham com a adoção, juízes, promotores de justiça, assistente sociais, psicólogos, necessitam da colaboração da sociedade em que estão inseridas, para que possam atingir o objetivo de adoções bem-sucedidas”.52

A colaboração aos Grupos de Apoio, muitas vezes é realizada pelo Centro de Capacitação e Incentivo à Formação (CECIF), onde profissionais, voluntários e organizações desenvolvem apoio a familiares que estão à procura de um adotante ou aquelas que já o fizeram, para realizar instrução e manutenção de experiências com outros casais.

52

GRANATO, Eunice Ferreira Rodrigues. Adoção doutrina e prática. Curitiba: Juruá, 2006, p. 146.

3 A LEGISLAÇÃO E SUAS CRÍTICAS

Neste capítulo serão evidenciadas as mudanças e propostas na Lei de Adoção, que se encontra em tramitação junto ao Congresso Nacional, bem como críticas à legislação vigente.

Com a Constituição Federal de 1988 e com a Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), o sistema de adoção passou a proporcionar garantia dos direitos do adotado, principalmente dando continuidade à família. Diferentemente do que era preconizado na Lei 6.697/79 (Código de Menores), onde somente nos casos de irregularidades haveria substituição familiar, agora, mesmo que não haja irregularidade alguma, mas tão somente pelo manifesto de vontade do detentor do poder familiar, poderá o menor ser encaminhado para adoção. É um avanço enorme em nossa legislação, posto que esse direito era possível no revogado Código de 1916, mas sem a totalidade dos direitos inerentes à filiação.

É certo que a legislação não aponta caminhos diferenciados com relação à adoção, por ser filho não biológico. Se assim o fizesse, estaríamos diante de uma brutal inconstitucionalidade, já que o legislador constituinte pretendeu extinguir qualquer tipo de discriminação, conforme estatui o § 6º do artigo 227.53

Bastaria essa parte, somente, para discorrermos sobre direitos e garantias referentes à adoção. Direitos, estes, que deveriam ser defendidos pelos adotandos em prol dos adotados, os quais, através da investidura da pessoa
53

Constituição Federal de 1988, artigo 227, § 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.

paterna, independentemente de ser-lhe conferida através da lei, de maneira substituta, contra todos, possui o poder de defesa, tendo em vista o caráter personalíssimo de tal direito, ou seja, o poder familiar.

Poder este, que muita das vezes acaba atrapalhando a possibilidade de uma criança crescer em uma família, seja por negligência, ou pela infeliz permanência com quem não possui moralmente tal direito. Dessa forma, pelo fato do não exercido e por vários fatores que não cabem ser defendidos por hora, ou até mesmo por não ser destituído, este poder familiar é quem irá determinar o menor ou maior tempo de abrigamento de uma criança; e sua impossibilidade de ser feliz recebendo a paternagem ou maternagem necessária à sua formação.

Aliados ao entrave legal, principalmente pela existência do poder familiar por parte da família biológica, existe ainda em nossa sociedade uma enorme carga de preconceitos em se tratando de composição familiar por adoção.

De acordo com a última pesquisa realizada54, a maioria das crianças e adolescentes que hoje está em abrigos são meninos (58,5%), afro-descendentes (63,6%) e têm entre sete e 15 anos (61,3%). Contrariando o senso comum de que a maioria das crianças nos abrigos é órfã, a pesquisa mostrou que mais de 80% das crianças e adolescentes abrigados têm família, sendo que 58% delas mantêm vínculo com seus familiares, ou seja, ainda existe a figura do poder familiar. Segundo a coordenadora da pesquisa55: “as condições atuais das crianças e adolescentes abrigadas torna-se um círculo vicioso: pobreza, demora e o abandono".

54

IPEA/DISOC. Levantamento Nacional de Abrigos da Rede SAC. Relatório de Pesquisa número 1. Brasília, outubro de 2003 (não publicado). Disponível em: http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/livros/direitoconvivenciafamiliar_/capit1.pdf - Acesso em 14/04/2008. 55 SILVA, Enid Rocha Andrade da - Técnica de Desenvolvimento da Diretoria de Estudos Sociais do IPEA - Coordenadora da Pesquisa sobre o levantamento nacional de abrigos para crianças e adolescentes, 2008.

A busca por um filho por meio da adoção esbarra em requisitos até mesmo ultrajantes. A definição de querer um filho de cor branca, com idade até dois anos, do sexo feminino, que não seja portador de deficiência, dificulta cada vez mais a diminuição populacional dos abrigos.

Sendo assim, com base no princípio da igualdade, exposto na Constituição de 1988, em seu artigo 5º Caput, dentre os direitos e garantias fundamentais, temos que ocorre um verdadeiro desatino e afronta a tal dispositivo, quando se previa um tratamento desigual aos desiguais. Até porque, quem não está enquadrado nos requisitos ditos anteriormente, não possuem chances e dessa maneira são deixados nos abrigos.

Não vislumbramos tal tratamento àqueles que a própria sociedade considera como desigual e os exclui ou dificulta sua inclusão no processo adotivo. Logo, a necessidade de uma reflexão e melhor divulgação acerca do assunto com possíveis adequações na legislação vigente, tendo em vista que o tempo para as crianças e adolescentes abrigados é o fator mais importante.

Inoportuno neste momento em que vivemos, com mais de oitenta mil crianças em abrigos, seria fazer comparativos acerca do que mudou na legislação anterior ou o que será acrescentado em legislação posterior através de novos projetos legislativos. O mais importante neste momento, é colocar em prática o teor total da lei, sem se ater somente ao que nela está escrito. Todavia, tal vontade não é possível, pois existe uma premente necessidade social em ter positivado normas relacionadas à adoção, para que seus paradigmas sejam mudados, tendo em vista não haver mudança por si só.

Atualmente, quase alcançando a sua maioridade, no mês de outubro desse ano, a Lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente, ainda continua abandonada, em abrigos intelectuais, que a impedem de ser colocada em prática. Na verdade, tal diploma passa a ser relegado, e assim, de ter vida, de cumprir a

sua missão no meio legal, sem que seu bojo central, qual seja a proteção à criança e ao adolescente seja respeitada conforme aduz seu primeiro artigo56.

Entretanto, o principal objetivo da adoção é dar um lar às crianças desamparadas, tirando o menor abandonado das ruas e o colocando em uma família, onde terá amor, educação, proteção, dentre outros direitos.

Não é o que ocorre, no entanto, quando somente se verifica a circulação de crianças, ou seja, a má-circulação, pois, ainda estaria resolvendo somente aos interesses dos adotantes, principalmente quando se observa a tentativa de burlar a legislação e de modo a dar um “jeitinho”, se consegue registrar a criança como se filho fosse57, adentrando na esfera criminal.

Todavia, tal situação não entra nos registros de pesquisas realizadas e mesmo que venha trazer benefícios ao menor, ainda assim é um crime e em muitos casos, praticados com a permissividade dos pais biológicos. Tais práticas ocasionam a devolução de crianças como salienta Rocha58. Dessa forma, as garantias estariam maculadas e poderiam a qualquer momento perder efeito.

Importante também, que se faça um alerta para os casos da guarda fática, que ocorre quando a criança já está sob proteção da família adotante, com a autorização da mãe biológica, e a Justiça não tem praticamente nada a fazer, limitando-se a homologar tal decisão. Assim, em se tratando de adoção, temos que lembrar dos casos referenciados, em que o menor não está em situação de abandono ou abrigamento. O futuro do menor está determinado pelos pais biológicos, quando decidem a quem entregar seu filho.

56

BRASIL. ECA. Lei 8.069/90 - Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. 57 Adoção à Brasileira – Conduta tipificada como crime (Art. 242 do Código Penal) 58 ROCHA, Maria Isabel de Matos. Disponível em http://www.amc.org.br/novo_site/esmesc/arquivos/Reflexoessobreaadocaoabrasileiraguardadefato oudedireitomalsucedidas.doc Acesso em 14-04-2008.

Nesse entendimento, vale ressaltar que a sentença judicial é indispensável, conforme artigo 39 da Lei 8.069/90, onde é vedado adoção por procuração, conforme a legislação anterior, para que não venha ocorrer qualquer dano futuro ao menor, no sentido de proteção.

3.1 AS PROPOSTAS DE MUDANÇAS LEGISLATIVAS

Atualmente, um projeto de unificação da legislação quanto à adoção tramita no Congresso Nacional. Trata-se do Projeto de Lei Nacional de Adoção, de autoria do deputado João Matos do PMDB/PR, PL N°1.756/2003.

Como vemos, tal projeto é do ano de 2003, e ainda não foi votado. No entanto, quem poderia aproveitar seu conteúdo, no caso as crianças abrigadas, também esperam pelo mesmo tempo. Algumas já não possuem chances de serem adotadas, outras já até alcançaram a maioridade. Todavia, divergências acirradas no meio jurídico e de parlamentares eclodem a cada instante. Uns apontam defeitos, outros elencam as melhorias que seriam alcançadas. E o tempo passa. Para os que estão fora e dentro dos abrigos. Os prejudicados são sempre os mesmos.

Até o instante atual, se questiona a necessidade de haver uma Lei de Adoção Nacional. Será que tal medida não é uma forma de mais uma vez postergar a atuação do governo diante da sociedade? Atuação esta, através de programas que possam resgatar a dignidade da pessoa humana e que realmente seja de interesse da criança? Interesse este, que deveria ser o de conviver com sua família de origem, com um mínimo possível de condições, e sem a necessidade de viver em abrigos por mais de dez anos, como vem ocorrendo.

É o que dirá Fávero,

Na contramão do ECA - que dispõe que a falta ou a carência de recursos materiais não deve motivar a destituição do poder familiar, e que quando constatada essa situação, a família deverá ser incluída em programas oficiais de auxílio - revela-se a realidade de parte das ações que tramitam na Justiça da Infância e da Juventude - JIJ. Pesquisa sobre motivos da entrega, do abandono ou da retirada da criança de sua família, em processos de destituição do poder familiar, em São Paulo (Fávero, 2001), revela que: 47,3% foram originados por carência socioeconômica; das mães e pais que perderam o poder familiar, 23,4% e 12,8%, respectivamente, não auferiam nenhuma renda; 19,5% das mães e 12,7% dos pais estavam desempregados. Os dados comprovam a situação de vulnerabilidade social das famílias, indistintamente e independentemente do motivo do rompimento do vínculo, mesmo quando relacionados à violência doméstica e negligência (5,0% e 9,5%). A condição de classe social condicionou a impossibilidade da convivência familiar em muitas das situações, ainda que possa ter se ocultado ou se revelado de forma particularizada, despolitizada, por vezes traduzida na incapacidade individual de cuidar dos filhos. A efetivação da mudança que propõe o ECA depende do contínuo investimento público, por meio de políticas de redistribuição de renda, de trabalho, de educação, de saúde, e de um movimento permanente que vise mudar mentalidades. Se não houver uma radical mobilização social que enfrente essa bárbara realidade, o sistema de Justiça da Infância e da Juventude, e as organizações sociais afins, serão cada vez mais chamados a agir prioritariamente no mero controle das violentas seqüelas decorrentes das desigualdades sociais, dando margem, ainda, à proposição de legislações e ações direcionadas tão somente a este fim. Assim, pode-se fortalecer ações pontuais e ineficazes para garantir direitos, arriscando importantes conquistas das lutas sociais59.

A pergunta que não quer calar é: será que na verdade não estaríamos beneficiando mais uma vez aos adotantes, tendo em vista a possibilidade de se burlar o cadastro de adoção pelo fato de se possibilitar a escolha, por parte dos genitores, daqueles que passariam a substituí-los na função da paternagem e maternagem? 60

59

FÁVERO, Eunice Teresinha. Questão Social e Convivência Familiar. Disponível em : http://www.assistentesocial.com.br/cadespecial14.pdf - Acesso em 07/04/2008. 60 Projeto de Lei Nacional de Adoção (PL) 1.756/03, Art. 1° §2°, Art 8° Caput, Art 41, § 1°.

No entanto, com essa possibilidade, um grande passo quanto aos preconceitos existentes na hora de adotar poderia ser mudado. Principalmente quanto à política de adoção, defendida por Motta,61 como sendo a política de adoção fechada como aquela em que “os pais biológicos e os adotivos nunca conhecerão uns aos outros” e a política de adoção aberta, que surge como uma nova proposta, como aquela em que o vínculo da criança com a família biológica seria mantido, de alguma forma, com o objetivo de minimizar e melhor trabalhar alguns dos dilemas vividos pelos atores sociais envolvidos na adoção: o anonimato dos pais biológicos e o segredo sobre as origens para o filho adotivo.

Tal modalidade de adoção já foi comentada, mas merece ser discutida pela sociedade, para que problemas futuros relacionados aos direitos da criança em saber sua origem pudesse ser facilitado, já em sua fase de formação. Dessa forma, o seu crescimento seria pautado em verdades, criando valores morais e éticos acerca de sua família.

Exemplo bonito de se ver, acontece com a exposição no tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, dos resultados das pesquisas envolvendo os segredos da adoção com o direito à informação por parte do filho adotado. Outra mostra, revela a relação da mãe biológica e seu consentimento para a adoção. Os dados mostram que a maioria das famílias biológicas conhecem as famílias adotantes, e dessa forma interagem, mostrando que a adoção não é um bicho de sete cabeças, e que vai muito além de uma sentença judicial, que mostra os verdadeiros limites de um amor ao próximo, e que neste caso se traduz na felicidade do adotando, que só sai ganhando. Vale lembrar, que o fato de entregar um filho em adoção, não está ligado somente ao abandono, mas faz parte de um conjunto de problemas sociais, onde o maior é a pobreza62.

61

MOTTA, Maria Antonieta Pisano. Mães Abandonadas: a entrega de um filho em adoção. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2005, p. 28. 62 Vara da Infância e da Juventude expõe resultados de pesquisas no TJ/MS – Disponível em: http://www.oabms.org.br/noticias/lernoticia.php?noti_id=706 – Acesso em 14/04/2008.

Para Bernardi,

Outra preocupação é que o projeto propõe a adoção como um "direito da criança", subvertendo o "princípio constitucional do direito da criança e do adolescente à convivência familiar dentro do seio de sua família biológica, dando clara preferência à convivência em família substituta por adoção. 63

Daí seu posicionamento, onde defende a participação da sociedade na discussão acerca do assunto, assim como dos profissionais que atuam na área, ao contrário do que houve, onde somente uma frente parlamentar atuou, sem uma discussão prévia.

Contrapondo esse pensamento, o autor do projeto, deputado João Matos diz que a lei deixa claro que aos poucos, essa mentalidade de querer bebê, menina, branca de olhos claros está sendo deixada de lado e permite aumentar a quantidade e a qualidade das adoções. Completa dizendo que a adoção é um direito inalienável da criança, tendo em vista que antes, era vista apenas como solução para o casal que não podia ter filhos.64

Dentre as novidades da Lei Nacional de Adoção está a licençapaternidade, de 60 dias, para homens solteiros ou viúvos que adotarem uma criança, conforme o artigo 71 do PL 1.756/03. Vale ressaltar que somente as mães adotivas possuem tal direito. O projeto permite ainda adoção de maiores de 18 anos nos artigos 22, a 24, hoje não prevista em lei.

No caso da perda do poder familiar, limita o processo a no máximo um ano de duração, procurando imitar o tempo de uma gestação, lembrando que hoje

63

BERNARDI, Dayse Cesar Franco. Presidente da Associação dos Assistentes Sociais e Psicólogos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (AASPTJ-SP) 64 Disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/04/01/camara_pode_votar_lei_para_agilizar_adocao_de _criancas_1251512.html. Acesso em 07/04/2008.

o prazo médio para se ocorrer uma destituição do poder familiar chega a quatro anos, e em alguns casos muito mais que isso.

Ainda por intermédio da tramitação do PL 1.756/03 no congresso, o Conselho nacional de Justiça resolveu dar início ao cadastro nacional sobre adoção. Assim, haverá uma maior flexibilidade para os habilitados, sem ficarem restritos na comarca onde realizaram o cadastro, podendo ser facilmente detectada a duplicidade de cadastro em toda a federação, o que ocorre nos dias de hoje.

Com o objetivo de agilizar a adoção de crianças em todo o país, o mesmo órgão, resolveu através da Recomendação n° 02, através da então presidente em exercício, Ministra Ellen Gracie Northfleet, que os Tribunais de Justiça implantem uma equipe interprofissional em todas as comarcas do Estado, de acordo com o que prevêem os arts. 150 e 151 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90).65

Tal medida irá auxiliar o magistrado na formação de sua decisão, quando optar em deferir o abrigamento ou a disponibilidade para o cadastro de adoção, a perda do poder familiar, a guarda ou a tutela do menor. Além disso, possibilitará maior agilidade nos processos existentes ou que ainda não existam, modificando o quadro atual nos abrigos, onde apenas metade das crianças (54,6%) constava em processos nas varas da infância, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no ano de 2005.66

65

Recomendação n° 02 - Brasília, 25 de abril de 2006. – Disponível em: http://www.cnj.gov.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=190 – Acesso em 14/04/2008. 66 Vínculo familiar e tempo de abrigamento das crianças e dos adolescentes nas instituições pesquisadas. Pesquisa - IPEA/2005. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/livros/direitoconvivenciafamiliar_/capit2.pdf Acesso em 14/04/2008.

Outra novidade é a possibilidade de facilitação quanto a adoção de portadores de necessidades especiais. Além do subsídio estipulado, ainda prevê o projeto:

Art. 68. O regulamento do imposto de renda assegurará aos contribuintes que adotarem, a partir da vigência desta Lei, crianças com necessidades especiais, portadores de enfermidade grave, física ou mental ou da síndrome da deficiência imunológica, ou mesmo grupo de irmãos, com três ou mais integrantes, ou em faixa etária superior aos 10 (dez) anos, o direito à dedução em dobro aos valores estabelecidos por dependente.

Interessante neste caso citado é a figura da criança partícipe de grupo de irmãos ou com idade acima dos dez anos. Mostra-nos que em muitos dos casos, a necessidade especial é imposta pela própria sociedade, com relação aos preconceitos.

Contrariamente a esses paradigmas, temos o posicionamento da sociedade internacional, na situação da adoção internacional. Ela tem interesse em crianças mais velhas e adolescentes, não fazem referências à cor da pele, procuram muitas vezes grupos de irmãos e até mesmo crianças com doenças incuráveis. Diferentemente da sociedade brasileira, onde os casais brasileiros, em média, querem só uma criança com no máximo um ano e perfil saudável, como relata o supervisor de Adoção da Vara da Infância do Distrito Federal, Walter Gomes de Souza67.

No Projeto de Lei 1.756/03, a adoção internacional, isto é, a realizada por famílias estrangeiras poderá ser feita apenas quando forem esgotadas todas as possibilidades de inclusão do menor em famílias brasileiras,

Art.13. A Autoridade Judiciária somente poderá dar início ao processo de adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro ou aqui domiciliado, após ter: a) [...]
67

Disponível em: http://www.al.es.gov.br/trabalho.cfm?ParId_noticia=8559 .Acesso em 14/04/2008.

b) esgotadas as possibilidades de colocação da criança ou adolescente em família domiciliada no Brasil;

Ainda assim, deverá ser cumprido um estágio de convivência entre o menor e a família adotante, em prazo a ser determinado pelo juiz. Esse período, que na atual legislação é fixado em pelo menos 15 dias, foi ampliado para no mínimo 30 dias,
Art. 9º. A adoção será precedida de Estágio de Convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo que a Autoridade Judiciária fixar, observadas as peculiaridades do caso. § 1º [...]. § 2º Em caso de adoção por pretendente domiciliado no exterior, o Estágio de Convivência, cumprido no território nacional, será de no mínimo quinze dias para criança de até dois anos de idade e, de no mínimo trinta dias, quando se tratar de adotando acima de dois anos de idade (Grifo nosso).

Continuando, sobre adoção internacional, temos que a aceitação do cadastro de pretendentes estrangeiros tratado pelo pretenso substitutivo legal não foi bem aceito. Pelo exposto, temos,

Art. 10. Para os fins e efeitos desta Lei, considera-se internacional a adoção sempre que ocorrerem as circunstâncias previstas no artigo 2o da Convenção de 29 de maio de 1993, relativa à proteção de crianças e sobre a cooperação em matéria de adoção internacional, aprovada pelo Decreto Legislativo n.º 1, de 14 de janeiro de 1999 e promulgada pelo Decreto n.º 3.087, de 21 de junho de 1999. § 1º Será permitida a adoção internacional para pretendentes oriundos de países que ainda não ratificaram a Convenção mencionada no caput deste artigo, desde que não haja candidato interessado domiciliado no Brasil ou em outro país que tenha ratificado o aludido instrumento multilateral, que haja acordo de reciprocidade celebrado com o país de origem do adotante e que sejam cumpridos os demais requisitos estabelecidos nesta Lei.

Dessa forma, posicionamentos contrários alegam haver um verdadeiro retrocesso legislativo em se tratando de direitos humanos. Acreditam que houve um verdadeiro equivoco com a permissão da adoção internacional por

pretendentes oriundos de países que ainda não ratificaram a Convenção de Haia, como por exemplo, a posição do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), em seu parecer no ano de 2004.68

Segundo a relatora do Projeto de Lei Nacional de Adoção, Deputada Teté Bezerra (PMDB-MT), o acompanhamento dos filhos adotivos é sempre dificultado nos países que não são signatários da Convenção Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, de 1993.69 Continuando sobre o assunto, a parlamentar defende que o documento estabelece normas para a adoção internacional.

Quanto à adoção por casais homossexuais, não há que se falar dessa modalidade de forma simples. Tal modalidade ainda não encontra previsão legal, em nosso ordenamento. Mas segundo a relatora, há um grande problema de a lei não tratar da adoção por casais homossexuais. Em caso de separação, é injusta a situação daquele que não adotou legalmente a criança, embora tenha exercido o papel de pai ou mãe.70

Todavia, é importante lembrar a possibilidade de se adotar não sendo casado, independentemente da opção sexual. O pretendente na hora de ser avaliado, no processo de habilitação, não poderá ser desclassificado por parte do magistrado responsável pelo fator orientação sexual, pois o contrário caracterizaria uma afronta à Constituição Federal de 1988, que abomina todo e qualquer tipo de discriminação.

Um dos pontos mais controversos do projeto proposto está no que tange à fixação de prazos para a permanência de crianças e adolescentes em abrigos e para que o Ministério Público ou "guardião" entrem com ações de perda
68

Disponível em: http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/conselho/conanda/legis/link11/introduca o_view/ - Acesso em 13/04/2008. 69 Disponível em: http://www.gaasp.net/Templates/noticias.html# - Acesso em 14/04/2008. 70 Idem.

do poder familiar. O tempo para que a família possa recuperar as condições financeiras e psicológicas para criar seus filhos e retirá-los dos abrigos é variável e, em alguns casos, pode até ser longo, mas deve ser respeitado, adverte o promotor do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Infância e da Juventude de Minas Gerais (CAO-IJ), Márcio Rogério de Oliveira.71

Outro ponto polêmico seria o fato de existir uma previsão legal sobre programas de auxílio à família, no Estatuto da Criança e Adolescente, onde se lê:

Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do pátrio poder. Parágrafo único. Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio (Grifo nosso).

No entanto, o Projeto de Lei Nacional de Adoção, podendo trazer alguma definição quanto aos programas de auxílio às famílias, não o faz, mesmo que o resultado do Levantamento Nacional de Abrigos divulgado pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA), em 2004, tenha revelado que em 24,2% dos casos de crianças e adolescentes abrigadas, a causa apresentada para a situação é a pobreza da família.

Família essa, que segundo o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), na figura do seu presidente, juntamente com o Conselho Nacional da Assistência Social (CNAS), deveria ser inserida em um programa de auxílio. Nesse sentido, foi elaborado o Plano Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, cujos objetivos gerais são:

71

Disponível em: http://www.oficinadeimagens.org.br/? item=NOTICIA&acao=CONSULTA&codNoticia=84 Acesso em 14/04/2008.

1) Ampliar, articular e integrar as diversas políticas, programas, projetos, serviços e ações de apoio sócio-familiar para a promoção, proteção e defesa do direito de crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária; 2) Difundir uma cultura de promoção, proteção e defesa do direito à convivência familiar e comunitária, em suas mais variadas formas, extensiva a todas as crianças e adolescentes, com ênfase no fortalecimento ou resgate de vínculos com suas famílias de origem; 3) Proporcionar, por meio de apoio psicossocial adequado, a manutenção da criança ou adolescente em seu ambiente familiar e comunitário, considerando os recursos e potencialidades da família natural, da família extensa e da rede social de apoio; 4) Fomentar a implementação de Programas de Famílias Acolhedoras, como alternativa de acolhimento a crianças e adolescentes que necessitam ser temporariamente afastados da família de origem, atendendo aos princípios de excepcionalidade e de provisoriedade, estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como assegurando parâmetros técnicos de qualidade no atendimento e acompanhamento às famílias acolhedoras, às famílias de origem, às crianças e aos adolescentes; 5) Assegurar que o Acolhimento Institucional seja efetivamente utilizado como medida de caráter excepcional e provisório, proporcionando atendimento individualizado, de qualidade e em pequenos grupos, bem como proceder ao reordenamento institucional das entidades para que sejam adequadas aos princípios, diretrizes e procedimentos estabelecidos no ECA; 6) Fomentar a implementação de programas para promoção da autonomia do adolescente e/ou jovem egressos de programas de acolhimento, desenvolvendo parâmetros para a sua organização, monitoramento e avaliação; 7) Aprimorar os procedimentos de adoção nacional e internacional, visando: a) estimular, no País, as adoções de crianças e adolescentes que, por circunstâncias diversas, têm sido preteridos pelos adotantes – crianças maiores e adolescentes, com deficiência, com necessidades específicas de saúde, afrodescendentes ou pertencentes a minorias étnicas, dentre outros; b) investir para que todos os processos de adoção no País ocorram em consonância com os

procedimentos legais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente; e c) garantir que a adoção internacional ocorra somente quando esgotadas todas as tentativas de adoção em território nacional, sendo, nestes casos, priorizados os países que ratificaram a Convenção de Haia; 8) Assegurar estratégias e ações que favoreçam os mecanismos de controle social e a mobilização da opinião pública na perspectiva da implementação do Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária; 9) Aprimorar e integrar mecanismos para o co-financiamento, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, das ações previstas no Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, tendo como referência a absoluta prioridade definida no artigo 227 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 4° do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Vale ressaltar, que a adoção não é o objetivo primeiro no que se refere ao direito à convivência familiar. Além do que, quando não for mais viável a permanência com a família biológica, o contato com a comunidade é fundamental, pois esta é um referencial importante para a construção da identidade cultural, psicológica e social da criança e do adolescente. Nesse sentido, os programas de acolhimento familiar são boas alternativas, mas não têm recebido a devida atenção do poder público.

Atualmente, foi aprovado por unanimidade, Projeto n° 6.279/07, apresentado pela vereadora Maria Emília Sulzer à Câmara Municipal de Campo Grande, que autoriza o Poder Executivo a conceder subsídios financeiros a famílias protetoras. De acordo com o Projeto, podem ser candidatos à condição de família acolhedora, as famílias que tenham condições psicológicas, morais e afetivas de acolher provisoriamente, sob a forma de guarda, crianças e adolescentes que se encontrem abrigadas ou prestes a serem encaminhadas para serviços de abrigo em instituições públicas ou privadas do Município, por determinação dos órgãos/autoridades competentes.

Deverá ser observado os seguintes critérios no que se refere ao cadastramento das famílias acolhedoras quanto as prioridades, de acordo com o Projeto: 1) crianças / adolescentes que já tenham irmãos com uma família protetora; 2) crianças / adolescentes que apresentem dificuldades de adaptação em abrigos, apontadas a partir de relatórios dos abrigos ou fugas freqüentes; 3) crianças / adolescentes doentes, necessitadas de atendimento / cuidados médicos especiais ou com deficiências físicas ou mentais; 4) crianças / adolescentes em idade escolar, ou que em virtude da idade ou outra característica especial tenham prevista maior dificuldade de serem adotadas, por escaparem do padrão de preferência das pessoas cadastradas para adotar; 5) crianças / adolescentes que estejam há mais tempo em instituições.

A grande dificuldade será a decisão do poder público em arbitrar o quantum necessário, de acordo com que prevê o Art. 6º do Projeto, onde: As famílias protetoras farão jus a subsídio financeiro mensal correspondente ao valor unitário do custo de manutenção de uma criança e adolescente, atendido em regime de abrigo, valor a ser fixado pelo poder executivo.

Todavia, vale ressaltar que tal procedimento não há que ser fator determinante para que se promova a convivência da criança ou adolescente em um lar. Muito menos, o valor do subsídio deve servir de incentivo de valoração econômica às famílias candidatas ao acolhimento.

No dizer de Freire,72 há um consenso comum, que a adoção não é matéria de exclusividade jurídica, mas sim, um recurso, um instrumento, de manifestações de alta profundidade, quer seja no campo ético ou social.

72

FREIRE, Fernando. Família – Ter ou não ter? 1° Seminário sobre Adoção e Família Substituta do Rio de Janeiro, 1996, p. 4.

Portanto, a avaliação técnica dos órgãos competentes deverá ser revestida de critérios que possibilitem o verdadeiro amparo à criança ou adolescente, conseguindo ir muito além do que defende o Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 34, quando trata de subsídio somente para órfão ou abandonado. Deverá ter um alcance maior, possibilitando o melhor para o menor em todos os aspectos, e verdadeiramente não poderá ficar adstrito ao entendimento do magistrado somente.

4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS EM PESQUISA

É sabido que o assunto adoção não desperta tanto interesse por parte da sociedade como um todo, sobretudo nos meios de comunicação. Explicar esse fato é um desperdício de tempo e não nos cabe no presente trabalho. Assim, resta-nos o apoio das escassas pesquisas realizadas e das informações passadas por setores ou órgãos que vivem a adoção no seu dia-a-dia para adentrarmos no assunto ora em questão, que é o da modificação nos paradigmas existentes com relação à adoção.

Aproveitando o ensejo, por falar de quem vive a adoção ou deveria viver, seja pela ocupação profissional que ocupa, seja pela própria experiência familiar, temos que admitir que raras são as informações fornecidas e necessárias para divulgar o tema. Diante do exposto, estamos diante de um ponto marcante: idealizar a necessidade de uma pesquisa que pudesse solucionar algumas dúvidas e criar outras, com certeza.

4.1 MÉTODO

Sujeitos: foram sujeitos da pesquisa 380 (trezentos e oitenta) pessoas de ambos os sexos, maiores de 18 anos, com diferentes padrões profissionais, religiosos, culturais e, estado civil. Parte dessa pesquisa foi feita diretamente, através de entrevista e outra parte recebeu o questionário para que o devolvesse posteriormente. Apesar de ser um questionário que poderia ser respondido de maneira anônima, muitos se dispuseram a se identificar.

Material: o questionário da pesquisa foi elaborado com 48 questões, sendo que sua base era o material utilizado na pesquisa da população de Curitiba73, que apresentava 42 questões. Dessa forma, foi acrescido mais uma questão aberta, totalizando três questões abertas e 45 fechadas. Das questões fechadas, 13 delas estavam relacionadas aos dados do pesquisado e o restante, 32 relacionados ao tema da adoção.

Procedimento: algumas das pessoas, sujeitos da pesquisa, mostraramse interessados em responder ao questionário de imediato e assim o fizeram. Outras levaram consigo e devolveram posteriormente.

4.2 DISCUSSÃO ACERCA DESSA PESQUISA CO-RELACIONADA ÀS OUTRAS JÁ REALIZADAS
Conforme os gráficos de 1 a 4 temos que a maioria dos entrevistados (78%) estão na faixa de idade entre 21 e 50 anos (Gráfico 1), ou seja, a parcela da população com maior potencial produtivo e adotivo, e que na sua maioria (56%) de cor branca seguida de (33%) de pardos ou considerados mulatos (Gráfico 2), com predominância de católicos (56%) (Gráfico 3), e com maior predominância do sexo feminino (62%) (Gráfico 4).

Gráfico 1 – Representação gráfica referente aos entrevistados segundo a faixa etária

73

WEBER, Lídia Natalia Dobrianskyj. Aspectos Psicológicos da Adoção. 2. ed. (ano 2003), 3ª tir. Curitiba: Juruá, 2005, p. 99.

6,84% 16,84%

3,42%

11,58%

Até 20 anos 21 a 30 anos 31 a 40 anos 41 a 50 anos 51 a 60 anos Mais de 61 anos

25,79%

35,53%

Gráfico 2 - Representação gráfica dos entrevistados referente a cor de pele
2,89%
Branca Negra Parda ou Mulata

33,42%

7,63%

56,05%

Amarela

Gráfico 3 – Representação gráfica referente qual a sua religião
14,21% 8,16%
Católica Protestante Espírita Outra

21,84%

55,79%

Gráfico 4 – Representação gráfica dos entrevistados referente ao sexo

37,89%
Masculino Feminino

62,11%

De acordo com os gráficos 5 e 6, temos que a maioria possui o ensino médio (49%), sendo que apenas 6%, possuem nível compreendido da 1ª a 4ª série ou ensino fundamental; 29% possuem curso superior ou estão cursando. Dentre estes, relacionados à ocupação profissional, temos que 41% atuam em profissões de nível primário e secundário; apenas 9% em profissões de nível superior. Ainda restam os que não necessitam de escolaridade com 12% e desempregados 15%.

Gráfico 5 – Representação gráfica referente a escolaridade
16,05% 13,16% 6,58%

14,74%

49,47% Ensino Fundamental (1ª a 4ª) Ensino Médio Superior Completo Ensino Fundamental (5ª a 8ª) Superior Incompleto

Gráfico 6 – Representação gráfica referente qual a sua profissão 11,84% 7,11% 12,89%

15,26% 10,26%

28,95% 4,21% 9,47% Profissão de nível primário Profissão de nível secundário Profissão de nível superior Aposentado Do lar Desempregado Profissão que não necessita de escolaridade alguma Outra

Com relação à renda familiar, nos revela a pesquisa que 76% têm renda até 5 salários mínimos; 29% com renda entre 5 e 10 salários mínimos e uma mínima parcela (4%) com renda entre 10 e 15 salários mínimos, conforme Gráfico 7.

Gráfico 7 – Representação gráfica referente a renda familiar
3,89% 0% até 5 salários mínimos entre 5 a 10 salários mínimos entre 10 a 15 salarios mínimos acima de 15 salários mínimos

20,26%

76,05%

Os gráficos de 8 a 10 revelam que dentre os entrevistados, a predominância é de casados (44%); seguidos de solteiros (26%) e que boa parte não possui filhos (28%), principalmente os solteiros (Gráfico 8), mas que a maioria (43%) com a quantidade de 1 a 3 filhos (Gráfico 9). No entanto, dentre os

entrevistados, três somente possuía filho adotivo, com menos que 1% do total (Gráfico 10).

Gráfico 8 – Representação gráfica referente qual o seu estado civil
3,16% 6,58% 2,63% 42,63%

Solteiro(a) Casado(a) Separado(a) Viúvo(a) Outros
45%

Gráfico 9 – Representação gráfica referente se possui filhos naturais
4,47% 12,89% 40% 1,05% 0% 0,53%

25,53% 15,53% nenhum 1 2 3 4 5 6 mais de 6

Gráfico 10 – Representação gráfica referente se possui filhos adotivos

0% 0,79%

0%

0%

0%

0% 0%

nenhum 1 2 3 4 5 6 mais de 6

99,21%

O Gráfico 11, relacionado à motivação, quanto a adoção, nos mostra que apesar de tudo, existem pessoas com vontade de adotar. As dificuldades financeiras estão dentre as que mais impedem tal situação, conforme relata a questão subjetiva com relação a opinião dos entrevistados. Para resolver esse problema, de cunho econômico, na maioria dos casos, existe um projeto de lei para ser sancionado pelo poder executivo da cidade, onde haverá um subsídio financeiro para famílias que acolherem, provisoriamente, sob a forma de guarda, crianças e adolescentes que se encontrem abrigadas ou prestes a serem encaminhadas para serviços de abrigo em instituições públicas ou privadas do Município, por determinação dos órgãos/autoridades competentes.

Dessa forma, temos a maioria que estaria disposta a adotar, (66%) sendo que desse percentual, 44% adotaria indiferentemente de sexo da criança; o restante, 18% não desejam adotar e 15% não sabem se adotariam.

Gráfico 11 – Representação gráfica referente sua opinião sobre adoção de crianças

15,26%

15%

7,89%
sim, uma menina sim, um menino sim, qualquer sexo não

18,16% 43,68%

não sei

Perguntados sobre qual seria a idade ideal para se adotar aos entrevistados, conforme Gráfico 12, estes, disseram que não importaria a idade para se adotar (44%); ainda responderam 42%, que a idade ideal estaria entre 0 e 2 anos, e para 12% seria ideal a idade entre 3 e 6 anos e para 2% dos entrevistados a idade poderia ser até 6 anos. No entanto, apesar das respostas, tristemente podemos constatar que a procura ainda continua sendo para crianças de 0 a 2 anos, em detrimento das mais velhas. De acordo com levantamento estatístico da 1ª Vara da Infância de Campo Grande, havia no ano de 2003 um total de 156 (cento e cinqüenta e seis) crianças abrigadas, das quais 28 (vinte e oito) estariam aptas a serem adotadas. No entanto, apenas 3 (três), com idade menor que 7 (sete) anos.

Gráfico 12 – Representação gráfica referente a idade para adoção de uma criança

21,58% 44,47%

2,37%

3,95% 1,32% 3,95% 2,37% até 1 ano até 4 anos mais de 6 anos

12,37%

7,63% até 2 anos até 5 anos qualquer idade

até 6 meses até 3 anos até 6 anos

Uma pesquisa realizada no ano de 2002 pelo Centro de Capacitação e Incentivo à Formação (CECIF), com 30 grupos de apoio em todo o Brasil, mostrou que 71% dos candidatos chegavam aos grupos com o desejo de adotar uma criança na faixa de zero a dois anos, 25% queiram crianças entre dois e cinco anos e apenas 4% cogitava a idéia de adotar crianças acima de cinco anos74.

O interessante, é que após participarem dos grupos de apoio, dos 71% que chegaram querendo crianças de zero a dois anos, houve uma redução e 65% continuaram com a decisão. Das 25% que queriam crianças de entre dois e cinco, somente continuaram com a idéia 15%, e houve um aumento dos participantes que aceitaram adotar crianças acima de cinco anos. De 4% iniciais, subiu para 20% os que assim os que cogitaram crianças maiores.

Com relação a ter receio de adotar crianças que ficaram muito tempo em abrigo, responderam que não tinham receio (50%); mas um percentual de

74

Disponível em: http://www.tj.sc.gov.br/resenha/maio/resenha02.htm - Acesso em: 14/04/2008

27% respondeu que teriam medo e ficaram na dúvida ou não souberam responder (23%) dos entrevistados (Gráfico 13).

Gráfico 13 – Representação gráfica referente a adoção de crianças abrigadas
35,26% 11,58% 15,53% concordo em partes não sei - estou em dúvidas 14,74% 22,89% discordo em partes discordo totalmente concordo totalmente

Ante a pergunta sobre quem tem filhos naturais não precisar adotar, 72% não concordaram. Sendo que 22% concordaram e somente 6% não souberam responder ou ficaram na dúvida, (Gráfico 14). Gráfico 14 – Representação gráfica referente a pessoas com filhos naturais a adotarem uma criança
11,32% 10,79% 5,53%
concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas

15,26% 57,11%

discordo em partes discordo totalmente

Sobre a cor da criança, ser diferente da do adotante, 82% disseram ser indiferente a esse detalhe e somente 12% não aceitariam adotar crianças de cor diferente da sua. Sobre a adoção de crianças especiais, 56% não se opuseram a esta modalidade de adoção e 26% não aceitaram, sendo que 18% nada

disseram. No entanto, sabemos que essa questão não se aplica à realidade na adoção nacional. Esses valores ainda permanecem enraizados na maioria dos pretendentes habilitados para adoção. Somente na adoção internacional se verifica um desprendimento com relação a essa questão (Gráfico 15).

Gráfico 15 – Representação gráfica referente a adoção de criança de cor diferente
7,89% 4,47% 5,53% 6,05%
concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes

76,05%
discordo totalmente

Se a capacidade de desprendimento dos entrevistados fosse motivo de habilitação para se adotar uma criança, temos que o fato de ser o adotando portador de necessidades especiais, não seria possível tal adoção. Dentre os entrevistados, 56%, a maioria, disseram não concordarem com essa assertiva, contrariando o que ocorre na prática, na hora de serem habilitados para a escolha das características dos adotantes. Concordaram com a assertiva inicial 25% dos entrevistados e não souberam ou não quiseram responder 19% dos pesquisados.

Gráfico 16 – Representação gráfica referente se adotaria uma criança com necessidades especiais

39,47%

12,11% 13,42%

concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes 18,68%

16,32%

discordo totalmente

Perguntados se casais estrangeiros deveriam adotar as crianças que não foram adotadas nacionalmente, seguindo o que preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente, a maioria, (62%) foi de parecer favorável e 27% se mostraram contra, sendo que 11% não souberam opinar ou ficaram em dúvida.

Gráfico 17 – Representação gráfica referente a estrangeiros adotarem crianças que não conseguem ser adotadas no Brasil
10,79% 20,79% 8,95% 18,16% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes discordo totalmente 41,32%

Sabendo que o grande medo em adotar uma criança e assumir isso perante a sociedade, é o preconceito que a criança irá sofrer perante aos outros. Por isso diante da pergunta, a grande maioria se mostrou resistente em admitir tal fato e dos entrevistados, 73% se manifestou dessa forma, sendo que 22% concordaram que as crianças seriam tratadas diferentemente por não serem filhos biológicos e 5% não souberam responder.

Gráfico 18 – Representação gráfica referente a criança sofrer preconceito ou ser tratada diferente
6,58% concordo totalmente 15,53% 5,26% não sei - estou em dúvidas 14,21% discordo em partes discordo totalmente concordo em partes

58,42%

Quanto à infertilidade, sendo a adoção um modo de dar filhos aos casais que não conseguiram ter por qualquer motivo, 53% responderam de maneira afirmativa, sendo que 22% não souberam opinar e 25 % concordaram que adoção não está restrita para quem não pode gerar biologicamente seus filhos, mas para todos que assim o desejarem e estiverem habilitados.

Gráfico 19 – Representação gráfica referente a adoção para casais que não podem ter filhos
concordo totalmente 5,79% 19,21% concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes discordo totalmente

22,11%

11,05%

41,84%

Sobre a recuperação dos traumas acarretados pelo abandono, maustratos e outro tipo de violência por parte da criança adotada, 61% responderam que seria possível a recuperação, sendo que 19% acharam ser muito difícil tal

recuperação; e apenas 8% concordaram com a permanência dos traumas após a adoção 11% não souberam opinar ou ficaram em dúvida.

Gráfico 20 – Representação gráfica referente a traumas acarretados pelo abandono
concordo totalmente 44,21% 8,42% 19,47% concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes discordo totalmente

11,05% 16,84%

Se a participação do governo, através de um controle de natalidade ou planejamento familiar pudesse resolver parte do problema das crianças abandonadas e nas ruas, concordaram com a idéia 47%, com parte dela foram a favor 24% e se mostraram desfavoráveis (23%) sendo que o governo não deveria se meter nesse assunto. Não souberam opinar ou ficaram em dúvida, 6% dos entrevistados.

Gráfico 21 – Representação gráfica referente participação do governo através de controle de natalidade ou planejamento familiar

concordo totalmente

6,32% 24,21%

5,79%

16,58%
concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes

47,11%

discordo totalmente

No caso da demora do processo adotivo apesar de ser a forma mais garantidora dos direitos da criança, ainda permanece a preferência em adotar diretamente da mãe natural - adoção à brasileira – foram favoráveis a esse tipo de adoção uma considerável maioria (64%) e, se mostraram desfavoráveis a essa prática 25%. Isso comprova o que ocorre na prática atual com relação à adoção: não se pode precisar quantas crianças são adotadas sem a participação das Varas da Infância e Adolescência.

Gráfico 22 – Representação gráfica referente a adoção direto na maternidade ou com mãe natural
9,21% concordo totalmente 15,53% concordo em partes não sei - estou em dúvidas 26,84% discordo em partes 37,11% discordo totalmente

11,32%

Quanto à possibilidade de ir até ao local onde está a criança a ser adotada, para poder escolher qual delas adotar, concordaram com a idéia 42%,

sendo que 24% tenderam em parte a concordar. Não opinaram cerca de 8% e discordaram que para se adotar tem que ter o direito de escolha 26% dos entrevistados. Nesse caso, o que se observa é a tendência de cada vez mais se excluir as crianças que não estão dentro dos padrões dos pretendentes, caso fosse aberta a ida aos abrigos para os habilitados no processo de adoção.

Gráfico 23 – Representação gráfica referente a escolha da criança que deseja
7,89% concordo totalmente 7,11% concordo em partes não sei - estou em dúvidas 18,68% 42,63% discordo em partes discordo totalmente

23,68%

No que se refere ao direito da criança saber se é filho biológico ou adotivo, é provado que quanto mais se esconde, mais difícil será o relacionamento. Daí a necessidade de ser dito aos poucos, à medida que for questionado pela criança, para que se aumente a própria confiança familiar. Quanto aos entrevistados, 59% concordam em que em nada irá influenciar na aparição de futuros problemas, o fato de ser verdadeiro e contar que é um filho do coração e não biológico. Entretanto, 9% não opinaram ou não tinham idéia sobre o assunto e 32% ainda mantiveram convicções favoráveis à manutenção da omissão quanto à vida pregressa do adotado.

Gráfico 24 – Representação gráfica referente a adoção sem que a criança saiba

concordo totalmente 46,58% 14,74% 17,63% concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes 11,84% 9,21% discordo totalmente

Verdadeiramente os meios de comunicação tentam manter a sua missão de informar à população dos seus direitos. No entanto, a falta de boa informação leva a crer que existe uma falha. Poderá ser referente ao que ainda subsiste, ou seja, aos paradigmas velhos e, portanto, à falta de conhecimento que leva muitos candidatos a acharem que após ter adotado uma criança, os pais biológicos terão direito a reavê-las. Provavelmente o raciocínio seria viável se a tal adoção não passasse pelos moldes legais e, portanto sem garantia para o adotado e para a família adotante. Dessa forma, mais do que nunca se faz necessária a participação da Vara de Infância e da Juventude como mediador desse processo garantidor.

Com relação à entrevista sobre este assunto, uma notável maioria ainda pensa desse jeito (67%), e temem que a criança possa voltar para os pais biológicos. Entretanto, 7% não deram sua opinião e apenas 25% mostraram saber os seus direitos, e se manifestaram de forma contrária, afirmando que não teriam medo, pois na adoção com o apoio do judiciário, nada teriam a temer, pois antes de ser disponibilizada para a adoção, já haveria o processo de destituição do poder familiar conforme prevê a legislação.

Gráfico 25 – Representação gráfica referente aos pais verdadeiros quererem os filhos de volta

concordo totalmente 7,11% 5,53% 20,00% concordo em partes não sei - estou em dúvidas 26,05% discordo em partes 41,32% discordo totalmente

Manifestada a possibilidade de se conhecer o histórico familiar da criança, direito esse previsto pela legislação, 70% afirmaram ser favoráveis a essa especulação. Não deram importância ao fato 34% dos entrevistados, tendo em vista que não se pode saber se haverá ou não herança genética com relação à conduta de um filho, mormente ele ter sido gerado por alguém que não tenha bons antecedentes. Nesse caso apoiaram-se na máxima de que é o meio que corrompe e instrui, para o bem ou para o mal e nesse caso realmente é indiferente o histórico familiar para determinar a posterior conduta de alguém, seja ele um filho gerado biologicamente ou que tenha sido incluído em família substituta. Gráfico 26 – Representação gráfica referente ao conhecimento da história familiar
27,89% 6,58% 5,26% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas 25,00% 35,26% discordo em partes discordo totalmente

Quanto ao fato da adoção na legislação brasileira ser considerada fechada, ou seja, não é permitido à família substituída saber quem adotou, para a

própria garantia de quem está adotando, 49% afirmaram não haver problemas. No entanto, 41% concordam que se houver tal possibilidade haverá problemas. No entanto, isso não quer dizer que a criança, futuramente não possa saber qual família a gerou. Dentre os entrevistados, 9% não opinaram ou não souberam responder.

Gráfico 27 – Representação gráfica referente a família biológica saber da adoção
30,53% 11,32% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas 8,68% 21,32% 28,16% discordo totalmente discordo em partes

Perguntados se seria um obstáculo em prosseguir na adoção se a origem da criança fosse de pais biológicos que se drogavam, se prostituíam ou tivessem cometido algum crime, disseram ser problema uma pequena parcela, ou seja, 25%, e não opinaram ou não souberam responder cerca de 9%. Foram categóricos em afirmar, (65%) que essa preocupação não os incomodava.

Gráfico 28 – Representação gráfica referente adoção de crianças cujos pais fossem marginais

54,21%

concordo totalmente 14,74% concordo em partes não sei - estou em dúvidas

11,05%

9,47%

10,53%

discordo em partes discordo totalmente

Se a adoção seria uma atitude momentânea ou eterna, 90% responderam que não havia mais como retornar após ser deferida a adoção. Sendo de parecer contrário, concordaram que havia como se arrepender 7% dos pesquisados e não souberam ou tiveram dúvida 3%.

Gráfico 29 – Representação gráfica referente a adoção para o resto da vida
3,16% 6,84% 2,63% 4,47%
concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes

82,89%

discordo totalmente

O fato de ter adotado uma criança, pode fazer com que algumas mulheres venham a engravidar. Isso não significa que a adoção seria a saída para tal objetivo, e uma decisão dessa importância não deve servir para tal intento. Responderam que a adoção seria um bom motivo para se tentar ter filhos naturais 43% dos que responderam ao questionário, sendo que 42% discordaram. Ficaram sem responder aproximadamente 15%.

Gráfico 30 – Representação gráfica referente a adoção fazer com que mulheres venham a engravidar
5,79% 14,47%

36,32% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes discordo totalmente

22,63%

20,79%

Sobre o que leva alguém a adotar uma criança, de acordo com os valores morais inerentes aos adotantes, e valores estes relacionados a sua religiosidade tais como caridade, amor ao próximo, sensação de pena, responderam que não se deve ater a tais valores 34% dos entrevistados. Porém, a maioria, cerca de 60% concordam que são esses valores que levam à adoção. Não souberam responder ou ficaram em dúvida 6% dos questionados.

Gráfico 31 – Representação gráfica referente a valores religiosos que levam as pessoas a adotarem uma criança
26,32% 7,37% 6,05% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas 33,42% 26,84% discordo em partes discordo totalmente

A capacidade física e mental dos genitores das crianças é muito importante para se detectar uma possível hereditariedade. Dessa forma, existe um medo por parte dos adotantes na hora de aumentar sua família por meio da

adoção. Dentre os entrevistados, 54% disseram que o medo existe, mas não tem grande influência. Contrariamente, 37% acharam de suma importância saber sobre a origem da criança. Não souberam ou não quiseram responder 9% dos pesquisados.

Gráfico 32 – Representação gráfica referente saúde e física e mental dos pais
42,11% 10,79% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas 11,84% 26,58% 8,68% discordo em partes discordo totalmente

A perda de um ente querido causa um vazio muito grande para a família. Nesse sentido, muitos pretendentes à adoção estão buscando preencher esse vazio. Se o falecimento de um filho biológico é motivo para se adotar uma criança, disseram que sim, 26% dos entrevistados. Dentre os pesquisados, 56% afirmaram que tal motivo não deveria ser fator determinante na hora de se adotar uma criança. Cerca de 7% não souberam ou não quiseram responder.

Gráfico 33 – Representação gráfica referente se é motivo suficiente para um casal adotar depois da morte de um filho natural

46,58% 10,00% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes 25,79% 10,79% 6,84% discordo totalmente

Diante do surgimento de problemas por motivo de ser filho adotivo, dentre os entrevistados, 76% não coadunaram com tal pensamento, e 15% foram a favor. Não quiseram ou não souberam responder 9% dos pesquisados.

Gráfico 34 – Representação gráfica referente a problemas com crianças adotadas

63,42%

concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes discordo totalmente

12,63% 9,21% 11,84% 2,89%

Em uma família, com mais de um filho, haverá uma maior ou menor afinidade com um deles. As explicações poderão ser várias. Mas, quanto ao fato de um desses filhos, não ter sido gerado biologicamente, tais causas não deveriam ter como fator determinante este fato como parâmetro de criação de laços afetivos e muito menos como justificativa. Diante do exposto, e corroborado pela opinião de 77% dos entrevistados, podemos verificar que essa não é a causa de se dar mais ou menos atenção a um dos filhos, em detrimento do outro. Ainda assim, 14% disseram que o fato de ter sido gerado seria um fator determinante na

predileção do afeto. Não quiseram ou não souberam opinar, cerca de 9% dos pesquisados.

Gráfico 35 – Representação gráfica referente a casal com filho natural gostar de criança adotada
5,79% 8,42% 9,21% concordo totalmente 8,16% concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes 68,42% discordo totalmente

Quanto ao fator desobediência ou rebeldia foi perguntado se deveriam, ou não serem devolvidas ao Juizado as crianças que apresentarem esses problemas. Responderam que sim 8%. Não souberam responder ou não quiseram opinar, 6% dos pesquisados e não concordaram com a devolução a grande maioria, que perfizeram um total de 86% dos questionados.

Gráfico 36 – Representação gráfica referente a devolução de crianças adotadas ao juizado quando tiver problema de desobediência ou rebeldia
4,74% 2,89% concordo totalmente 6,05% 5,26% concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes 81,05% discordo totalmente

Sobre o mito de que o sangue fala mais alto, principalmente quando os atos praticados são negativos, 73% dos pesquisados responderam negativamente a essa assertiva.

Os

fatores

genéticos

quanto

ao

comportamento

poderão

ser

modificados com a inserção em nova família, com uma boa educação. Isso fará com que seja criada uma personalidade, que em nada tem a ver com a dos pais biológicos. Mesmo assim, 16 % deram opinião de que o fator sanguíneo seria mais forte que o da educação, e 11% não souberam ou não quiseram responder.

Gráfico 37 – Representação gráfica referente a características de personalidade e comportamento de seus pais naturais
concordo totalmente 11,05% 11,05% 4,74% 12,11% concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes 61,05% discordo totalmente

Sobre a afirmação de que as crianças órfãs ou abandonadas que estão em abrigos terem suas necessidades atendidas, 31% responderam que sim, não se manifestaram nem positiva ou negativamente cerca de 11% e responderam que tais necessidades não eram atendidas satisfatoriamente, 58% dos pesquisados.

Gráfico 38 – Representação gráfica referente a crianças órfãs e abandonadas em abrigos têm suas necessidades atendidas
41,58% 8,95% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas 15,79% 11,32% 22,37% discordo em partes discordo totalmente

A adoção tardia não é muito praticada na sociedade brasileira. No entanto, perguntados se a adoção de crianças com mais de 10 (dez) anos serviria para ajudar nos serviços domésticos, 9% dos pesquisados responderam que sim, 7% não souberam ou não quiseram responder e 84%, a maioria, responderam que tal situação era descabida, e discordaram com tal afirmativa.

Gráfico 39 – Representação gráfica referente a adoção de crianças para ajuda nos serviços domésticos
3,16% 5,53% 6,58% 2,89% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes 81,84% discordo totalmente

Quanto à possibilidade de haver um incentivo do Governo, no sentido de fazer uma campanha em prol das crianças em situação de abandono nos abrigos, que ainda não foram destituídas do poder familiar, mas que estariam em vias de acontecer, 64% foram favoráveis, 17% não souberam ou não quiseram responder, e 19% não concordaram com o questionamento.

Gráfico 40 – Representação gráfica referente a incentivo de adoção pelo governo
concordo totalmente 13,42% concordo em partes não sei - estou em dúvidas 21,32% 42,63% discordo totalmente discordo em partes

17,11%

5,53%

Sobre a concessão de um auxílio para quem adotar uma criança, dentre os pesquisados, 59% responderam que eram favoráveis, 10% não souberam ou não quiseram opinar, e 31% não concordaram com tal medida.

Gráfico 41 – Representação gráfica referente a incentivos dados pelo governo para adoção de crianças
26,32% 5,00% 10,00% concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes 28,95% 29,74% discordo totalmente concordo totalmente

Questionados quanto ao grande número de crianças abrigadas, com idade acima de 4 anos, portadoras de necessidades especiais, afrodescendentes, que fazem parte de grupos de irmãos, e que estariam fora das pretensões adotivas, responderam que nada tinham a ver com isso, 28% dos

entrevistados, 18% não souberam ou não quiseram opinar, e mais da metade (54%), concordaram que fazem parte do problema.

Gráfico 42 – Representação gráfica referente aos abrigos estarem lotados
38,42% 13,42% concordo totalmente concordo em partes não sei - estou em dúvidas 15,26% 17,63% 15,26% discordo em partes discordo totalmente

Perguntados se um grupo de apoio à adoção, juntamente com a sociedade, através da divulgação das informações no que tange à adoção, poderia ajudar a melhorar o quadro da população dos abrigos, responderam que sim 83% dos questionados, 10% não souberam ou não quiseram responder, e 7% discordaram.

Gráfico 43 – Representação gráfica referente a divulgação de informações sobre a adoção pelos grupos de apoio
16,58% 9,74% 2,11%
concordo totalmente

5,00%

concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes

66,32%

discordo totalmente

Sobre a garantia do sucesso da adoção, 77% responderam que o apoio do Juizado era fundamental, ainda que burocrático. Não quiseram opinar apenas 13% e preferiram burlar a legislação 10 % dos questionados.

Gráfico 44 – Representação gráfica referente a burocracia para adoção com apoio do juizado
12,89% 21,32%
concordo totalmente

4,74%

5,79%

concordo em partes não sei - estou em dúvidas discordo em partes

55,26%

discordo totalmente

Quanto à participação em reuniões de grupo de apoio à adoção, 41% responderam que nunca participaram, mas conheciam o trabalho. Apenas 4% já haviam participado. Dos questionados, 24% não conheciam o trabalho de um grupo de apoio à adoção, sendo que 25% responderam que desejariam conhecer o trabalho, e 6% não tinham interesse no assunto.

Gráfico 45 – Representação gráfica referente a participação em reuniões ou palestras com grupos de apoio
24,47% 24,47% nunca participei 6,05% já participei desconheço o trabalho desse grupo 3,95% 41,05% gostaria de conhecer o trabalho não tenho interesse

Embora a pesquisa tenha sido elaborada com dedicação, e realizada com muita dificuldade, não pela disponibilidade do pesquisador, mas sim pelo interesse dos pesquisados, este tema não foi totalmente esgotado.

O fato de possuir co-relação com o anonimato, talvez tenha influenciado o seu resultado. Exemplo disso é o fato das adoções de portadores de necessidades especiais, ser praticamente nula, apesar do resultado, 56% dos entrevistados dizerem não seria esse o problema em adotar.

Outro fator que merece destaque é o fato dos entrevistados responderem que a idade não seria um dos fatores de problema quanto à adoção, o que não ocorre na prática, na hora de preencher o cadastro de habilitação. Esses dados merecem ser destacados por que é nesse ponto que a figura do grupo de apoio à adoção irá modificar tais preconceitos.

Todavia, apesar de saber que o resultado da pesquisa em muito difere do que ocorre na prática, temos que o objetivo proposto foi alcançado e o resultado poderá servir de estudos para futuros acadêmicos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com este trabalho, de assunto ainda não esgotado, espera-se buscar novas saídas para diminuir a população dos abrigos. Principalmente àquela que ainda mantêm vínculo com seus familiares, para que não se perca parte de suas vidas, na fase mais importante, qual seja o da própria formação.

Uma das intenções da presente obra, foi mostrar os propósitos atuais dos pretendentes que estão nas filas de espera à adoção, em contraste com a situação das crianças e adolescentes que se encontram “disponíveis” a receber uma família substituta. Ainda diante desse paradoxo social, não era a intenção, explorar somente a colocação em família substituta através da adoção. Até porque esta medida não irá resolver de uma forma isolada os problemas existentes nos abrigos, os abandonos entre pais e filhos, o descaso do poder executivo e outros existentes em nossa sociedade.

No discorrer do assunto, buscou-se a conscientização da sociedade e dos indivíduos pretensos adotantes, bem como o comprometimento dos profissionais da área de atuação no processo adotivo; além de mostrar as possíveis adequações à legislação contribuindo para amenizar o problema da adoção dos que se encontram sob novos propósitos para a adoção.

Foi mostrado que a atuação do governo, sob a forma de incentivos fiscais para a modalidade de adoção sob novos propósitos, sem prejuízo dos existentes por força de lei, contribuiria para desenraizar velhos preconceitos que se ancoram no problema da situação econômica. Motivo real de grande parte dos oitenta mil casos de abrigamento nos dia de hoje.

Quando estudamos um assunto de forma minuciosa, acreditamos saber tudo ao seu respeito. No entanto, me vejo sabendo cada vez menos à medida que pesquiso e estudo sobre o Instituto da Adoção. Na verdade, não podemos deixar de relatar que ao longo do tempo o Instituto da Adoção conseguiu relevantes modificações, e ainda possui muito que nos mostrar, tamanha sua complexidade.

Quanto mais buscamos explicação para entender os propósitos dos pretendentes à adoção, concluímos que pouco foi modificado na mentalidade dos mesmos. A adoção ainda é encarada como sendo uma forma de atender aos pretendentes, ainda que a lei diga o contrário, como o artigo Art. 43. do Estatuto da Criança e do Adolescente aduz: “A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos”. Isso quando ela for deferida. Até que isso ocorra, as vantagens ainda ficam do lado de cá, ou seja, dos que desejam ter um filho.

De acordo com a pesquisa realizada quanto aos conceitos e preconceitos sobre a adoção, vimos que o resultado da mesma não coaduna com o que ocorre na prática. Talvez no receio de verem sua opinião reconhecida, os entrevistados tenham respondido de forma a agradar. É provável que o medo de assumir seus preconceitos e serem taxados de alguma forma negativa tenha levado a tal situação. Acreditamos que a realidade da pesquisa é essa mesma, assim como seria em todo território nacional, onde estamos acostumados à falta de ética na hora de assumir posicionamentos que envolvam o nosso cotidiano e a nossa vida. Talvez esse pensamento, possa responder a grande divergência que ocorre entre a fila dos pretendentes à adoção, com a fila das crianças e adolescentes que estão legalmente disponíveis para a adoção. Em contrapartida, o resultado da pesquisa mostra o quão bom seria para os adotandos, se na fila dos adotantes estivesse a população entrevistada.

É preciso que se mude a mentalidade social. É preciso que os habilitados na adoção nacional, aprendam com os habilitados na adoção

internacional que adotar uma criança é tê-la como filho, sem distinção de idade, cor ou dificuldade. Não é um objeto de propriedade, nem tampouco uma cópia para se ter as mesmas características dos pais substitutos.

Quando falamos que a adoção, por si só, não resolverá o problema das crianças abrigadas, não estamos mentindo. No entanto, pode ser que uma adoção não resolva o problema de todas as crianças, mas com certeza, resolverá o de uma delas.

Daí a necessidade de agilizar essa colocação em família substituta, seja pela adoção, pela guarda provisória, ou por família acolhedora.

Quanto aos programas assistenciais de responsabilidade do governo, estes devem ser estendidos à família biológica antes que ocorra o abandono das crianças nas ruas, nas instituições ou pela ocorrência da perda do poder familiar. O que não se aceita é a permanência por longos períodos de uma criança em um abrigo.

Quanto à legislação existente ser ou não suficiente, sabemos que o que falta é a responsabilidade na aplicação da mesma. Mas, qualquer legislação está sujeita de ser eivada de brechas, e, portanto, não devemos nos ater somente ao que está previsto na letra morta da mesma.

Todavia, ainda assim, se for para melhorar o quadro atual, e beneficiar ao menor, que seja sancionado o projeto de Lei de Adoção Nacional. Quem sabe, a sociedade que não está acostumada às mudanças, tenha nesta Lei um amparo para dar início a novos rumos e ritmos acerca da adoção; assunto que será tratado no Encontro Nacional dos Grupos de apoio à Adoção em Recife do dia 29 a 31 de maio de 2008.

Assim, talvez se construa uma realidade possível para as crianças e adolescentes em situação de abandono, em abrigamentos necessários, ou que não possuem o amparo de uma família.

O que falta é a informação adequada. E essa é a proposta apresentada como veículo de modificação nos parâmetros atuais. Será através da desmistificação, do esclarecimento, do acompanhamento antes e após a adoção propriamente dita, que se conseguirá mudar essa linha de pensamento. Daí, a razão de ser de um grupo de apoio à adoção, cuja finalidade não é a de se aumentar o quantitativo de colocações em famílias substitutas por meio de adoções. Seu objetivo seria o de dar apoio, às mães que entregam um filho em adoção, às famílias que perderam o poder familiar e, principalmente aos pais adotivos que estarão dando início à preparação ao mútuo acolhimento, possibilitando a formação ou aumento familiar.

REFERÊNCIAS

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APÊNDICES

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA E DIREITO QUESTIONÁRIO DA PESQUISA: CONCEITOS E PRECONCEITOS NA ADOÇÃO

Campo Grande, _____de ____________________________ de 2007.

Prezado Senhor(a): Esta pesquisa tem o objetivo de identificar as idéias sobre adoção de crianças com uma parcela da população de Campo Grande. Informo-vos que tal pesquisa está utilizando quase que na sua totalidade o questionário da pesquisa feita com a população de Curitiba pela professora Lídia Natália D. Weber. Este questionário é anônimo, isto é, não precisamos saber o seu nome e a análise será feita em grupo, e não individualmente, sempre de acordo com a ética que envolve o trabalho de pesquisa. 1. Qual a sua idade? a. ( ) até 20 anos b. ( ) entre 21 e 30 anos c. ( ) entre 31 e 40 anos b. d. ( ) entre 41 e 50 anos e. ( ) entre 51 e 60 anos f. ( ) mais de 61 anos 2. Qual o seu sexo? a. ( ) masculino b. ( ) feminino c. ( ) parda ou mulata d. ( )

3. Qual a sua cor de pele? a. ( ) branca b. ( ) negra amarela

4. Qual a sua religião? a. ( ) católica b. ( ) protestante. Qual ? _______________________ c. ( ) espírita d. ( ) outra. Qual?________________ 5. Qual o seu nível de escolaridade? a. ( ) primário 1ª a 4ª série b. ( ) primário / fundamental 5ª a 8ª série c. ( ) médio / secundário ( 2° grau ) d. ( ) superior incompleto. Qual curso?_______________________

e. ( ) superior completo. Qual curso?_____________________ 6. Qual a sua profissão ou seu trabalho? a. ( ) profissão de nível primário. Qual _____________________ b. ( ) profissão de nível secundário. Qual ?________________ c. ( ) profissão de nível superior .Qual _______________________ d. ( ) aposentado(a) e. ( ) do lar f. ( ) desempregado g. ( ) outra profissão que não necessita de escolaridade alguma h. ( ) outra. Qual? ____________________________________ 7. Qual a sua renda familiar ou pessoal caso more sozinho (a)? a. ( ) até 5 salários mínimos = R$ 1.750,00 b. ( ) ente 5 e 10 salários mínimos = R$ 3. 500,00 c. ( ) entre 10 e 15 salários mínimos = R$ 5.250,00 d. ( ) acima de 15 salários mínimos 8. Qual o seu estado civil? a. ( ) solteiro(a) b. ( ) casado(a) Há quanto tempo? ________________ c. ( ) separado(a) Há quanto tempo? ________________ d. ( ) viúvo(a) Há quanto tempo? ____________________________________ e. ( ) outro. Qual? ______________________________ 9. Você possui filhos naturais? a. ( ) nenhum b. ( ) 1c. ( ) 2 d. ( ) 3e. ( ) 4f. ( ) 5 g. ( ) 6h. ( ) mais de 6 10. Você possui filhos adotivos? a. ( ) nenhum b. ( ) 1c. ( ) 2 d. ( ) 3e. ( ) 4f. ( ) 5 g. ( ) 6h. ( ) mais de 6 11. Qual a sua opinião sobre adoção de crianças? _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 12. Você adotaria uma criança? a. ( ) sim, adotaria uma menina b. ( ) sim, adotaria um menino c. ( ) sim, adotaria indiferente do sexo da criança d. ( ) não adotaria e. ( ) não sei se adotaria uma criança PORQUE? _________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 13. Até que idade você acha possível adotar uma criança? a. ( ) até seis meses b. ( ) até 1 ano c. ( ) até 2 anos d. ( ) até 3 anos

e. ( ) até 4 anos f. ( ) até 5anos g. ( ) até 6 anos h. ( ) com mais de 6 anos i. ( ) com qualquer idade é possível adotar A seguir, você lerá várias afirmações comuns sobre crianças e adoção; gostaríamos de saber o quanto você concorda ou discorda de tais afirmações e é muito importante para esta pesquisa que você seja absolutamente sincero. Marque com um “X” no item que mais se aproximar de sua opinião pessoal sobre o assunto e, se você não tem certeza ou não tem opinião formada sobre algum assunto, escolha a alternativa “não sei – estou em dúvida”. 14. Eu teria medo de adotar uma criança que viveu muito tempo em orfanatos. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 15. Acredito que quem já possui filhos naturais não precisa adotar uma criança. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 16. Eu não adotaria uma criança de cor diferente da minha. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 17. Eu não adotaria uma criança portadora de necessidades especiais, seja qual for a sua deficiência. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 18. Acho que os casais estrangeiros devem adotar as crianças que não conseguem ser adotadas aqui no brasil. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 19. Penso que uma criança adotada sempre vai sofrer preconceitos e ser tratada diferente pelos outros. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente

20. Acredito que a adoção deve servir para que casais que não possam ter filhos realizem sua vontade de serem pais. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 21. Crianças que foram abandonadas sofreram maus-tratos, e tiveram má alimentação, mesmo tendo acompanhamento médico e psicológico após terem sido adotadas, nunca conseguirão se recuperar de suas dificuldades físicas e emocionais. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 22. Penso que o governo deveria realizar um controle de natalidade ou planejamento familiar (para reduzir o número de filhos por mulher), pois isso resolveria o problema de crianças na rua e crianças abandonadas. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 23. Acredito que as pessoas que pensam em adotar uma criança preferem adotar direto na maternidade ou com a mãe natural, pois pelo juizado demora muito. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 24. Penso que as pessoas que querem adotar uma criança deveriam poder escolher a criança que desejam. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 25. Creio que quando a criança não sabe que é adotada ocorre menos problemas. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 26. Se eu adotasse uma criança, teria medo de que os pais verdadeiros pudessem querê-la de volta. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 27. Acho que para se adotar uma criança é importante conhecer a história dela e de sua família antes da adoção.

a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 28. Não vejo como um problema a família biológica da criança saber que estou adotando-a. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 29. Eu não adotaria uma criança cujos pais fossem marginais (assassinos, ladrões, prostitutas) por causa das características de personalidade herdadas. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 30. Acredito que a adoção é uma atitude para o resto da vida. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 31. Sabe-se que algumas mulheres só conseguem engravidar depois de terem adotado uma criança, portanto, a adoção é um bom motivo para se tentar ter filhos naturais. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 32. Acredito que são os valores religiosos (caridade, pena, amor ao próximo) que levam as pessoas a adotar uma criança. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 33. Se eu pensasse em adotar uma criança, meu maior medo seria não conhecer a saúde física e mental dos pais da criança, pois pode haver doenças sérias de família. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 34. Penso que a morte de um filho natural é motivo suficiente para um casal adotar uma criança. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 35. Acredito que crianças adotadas, cedo ou tarde, trazem problemas.

a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 36. Penso que um casal que já tem filhos naturais nunca vai gostar de uma criança adotada da mesma maneira como gosta de seus filhos verdadeiros. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 37. Penso que crianças adotadas devem ser devolvidas ao juizado (ao orfanato ou aos pais verdadeiros) quando surgirem problemas como desobediência ou rebeldia. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 38. Acredito que as crianças têm características de personalidade e comportamento que vêm de seus pais naturais e não mudarão nunca com uma nova família, pois a “ voz do sangue” é mais forte do que a educação. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 39. Acho que uma criança órfã ou abandonada que está num abrigo recebe todos os cuidados de que necessita. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 40. Seria interessante adotar crianças com mais de 10 anos de idade para que pudessem ajudar nos serviços domésticos ou arranjar um trabalho. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 41. Penso que o governo deveria fazer uma campanha para incentivar a adoção de crianças que estão em situação de abandono nos abrigos, mas não foram destituídas do poder familiar. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 42. Acredito que o governo deveria conceder uma bolsa de auxílio, assim como o benefício de prestação continuada (como é feito para quem possui filhos portadores de necessidades especiais) ou incentivos fiscais (tal como dedução no imposto de renda em dobro) para quem adotar uma criança.

a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 43. Creio que eu não tenho nada a ver com a situação do abandono de crianças e do fato dos abrigos estarem cheios de crianças afrodescendentes, com deficiências, com idade superior aos 4 anos, que fazem parte de grupos de irmãos etc. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 44. Penso que os grupos de apoio à adoção podem ajudar a divulgar informações sobre adoção, processo adotivo, candidatos e disponibilidade de crianças para adoção se houver um apoio também da sociedade nessa tarefa. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 45. Acredito que apesar de mais burocrática, a adoção com o apoio do juizado é mais garantido que a adoção ao “modo brasileiro” (onde se registra como seu filho de outrem). a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 46. Com relação a participação em reuniões ou palestras com grupos de apoio à adoção, penso que : a. ( ) nunca participei b. ( ) já participei c. ( ) desconheço o trabalho desse grupo d. ( ) gostaria de conhecer o trabalho e. ( ) não tenho interesse 47. Manifesto meu interesse em receber mais informações a respeito da adoção, como ajudar, ou como participar em outros programas que possibilitem a diminuição do quantitativo de crianças em abrigos. a. ( ) concordo totalmente b. ( ) concordo em partes c. ( ) não sei – estou em dúvida d. ( ) discordo em partes e. ( ) discordo totalmente 48. Caso queira, escreva o que conhece ou gostaria de conhecer com relação à adoção. _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________

_________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 49. Caso queira e deseja se identificar, informe abaixo. NOME____________________________________________________________ ENDEREÇO_______________________________________________________ TELEFONE DE CONTATO_________________CEL.______________________ E-MAIL_______________________________

APÊNDICE B - TABELAS
Tabela 1 – Distribuição dos entrevistados segundo faixa etária
Nº ENTREVISTADOS até 20 anos 21 a 30 anos 31 a 40 anos 41 a 50anos 51 a 60 anos mais de 61 anos Total 44 135 98 64 26 13 380 % 11,58 35,53 25,79 16,84 6,84 3,42 100

Tabela 2 – Distribuição dos entrevistados relativo ao sexo
Masculino Feminino Total Nº ENTREVISTADOS 144 236 380 % 37,89 62,11 100

Tabela 3 – Distribuição dos entrevistados referente a cor de pele
Branca Negra Parda ou mulata amarela Total Nº ENTREVISTADOS 213 29 127 11 380 % 56,05 7,63 33,42 2,89 100

Tabela 4 – Distribuição dos entrevistados
Católica Protestante Espírita Outra Total Nº ENTREVISTADOS 212 83 31 54 380 % 55,79 21,84 8,16 14,21 100

Tabela 5 – Distribuição dos entrevistados
Ensino Fundamental (1ª a 4ª) Ensino Fundamental (5ª a 8ª) Ensino Médio Superior incompleto Superior completo Total Nº ENTREVISTADOS 25 56 188 50 61 380 % 6,58 14,74 49,47 13,16 16,05 100

Tabela 6 – Distribuição dos entrevistados
Profissão de nível primário Profissão de nível secundário Profissão de nível superior Aposentado Do lar Desempregado Profissão que não necessita escolaridade alguma Outra Total Nº ENTREVISTADOS 49 110 36 16 39 58 45 27 380 % 12,89 28,95 9,47 4,21 10,26 15,26 11,84 7,11 100

de

Tabela 7 – Distribuição dos entrevistados
até 5 salários mínimos entre 5 a 10 salários mínimos Entre 10 e 15 salários mínimos Acima de 15 salários mínimos Total Nº ENTREVISTADOS 289 77 14 0 380 % 76,05 20,26 3,89 0 100

Tabela 8 – Distribuição dos entrevistados
Solteiro(a) Casado(a) Separado(a) Viúvo(a) Outros Total Nº ENTREVISTADOS 162 171 25 12 10 380 % 42,63 45 6,58 3,16 2,63 100

Tabela 9 – Distribuição dos entrevistados
Nenhum 1 2 3 Nº ENTREVISTADOS 152 59 97 49 % 40,00 15,53 25,53 12,89

4 5 6 Mais de 6 Total

17 4 0 2

4,47 1,05 0,00 0,53

Tabela 10 – Distribuição dos entrevistados
Nenhum 1 2 3 4 5 6 Mais de 6 Total 11 não Nº ENTREVISTADOS 377 3 0 0 0 0 0 0 % 99,21 0,79 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

Tabela 12 – Distribuição dos entrevistados
Sim, adotaria uma menina Sim, adotaria um menino Sim, adotaria indiferente do sexo da criança Não adotaria Não sei se adotaria uma criança Porque? Total Nº ENTREVISTADOS 57 30 166 69 58 % 15,00 7,89 43,68 18,16 15,26

Tabela 13 – Distribuição dos entrevistados
Até seis meses Até 1 ano Até 2 anos Até 3 anos Até 4 anos Até 5 anos Até 6 anos Com mais de 6 anos Com qualquer idade é possível adotar Total Nº ENTREVISTADOS 82 47 29 15 9 5 15 9 169 % 21,58 12,37 7,63 3,95 2,37 1,32 3,95 2,37 44,47

Tabela 14 – Distribuição dos entrevistados

Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total

Nº ENTREVISTADOS 44 59 87 56 134

% 11,58 15,53 22,89 14,74 35,26

Tabela 15 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 43 41 21 58 217 % 11,32 10,79 5,53 15,26 57,11

Tabela 16 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 30 17 21 23 289 % 7,89 4,47 5,53 6,05 76,05

Tabela 17 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 46 51 71 62 150 % 12,11 13,42 18,68 16,32 39,47

Tabela 18 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 157 79 41 34 69 % 41,32 20,79 10,79 8,95 18,16

Tabela 19 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 25 59 20 54 222 % 6,58 15,53 5,26 14,21 58,42

Tabela 20 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 159 42 84 22 73 % 41,84 11,05 22,11 5,79 19,21

Tabela 21 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 32 74 42 64 168 % 8,42 19,47 11,05 16,84 44,21

Tabela 22 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 179 92 24 22 63 % 47,11 24,21 6,32 5,79 16,58

Tabela 23 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 141 102 43 35 59 % 37,11 26,84 11,32 9,21 15,53

Tabela 24 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 162 90 30 27 71 % 42,63 23,68 7,89 7,11 18,68

Tabela 25 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 56 67 35 45 177 % 14,74 17,63 9,21 11,84 46,58

Tabela 26 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 157 99 27 21 76 % 41,32 26,05 7,11 5,53 20,00

Tabela 27 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 134 95 20 25 106 % 35,26 25,00 5,26 6,58 27,89

Tabela 28 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 107 81 33 43 116 % 28,16 21,32 8,68 11,32 30,53

Tabela 29 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 56 40 36 42 206 % 14,74 10,53 9,47 11,05 54,21

Tabela 30 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 315 26 12 10 17 % 82,89 6,84 3,16 2,63 4,47

Tabela 31 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 79 86 55 22 138 % 20,79 22,63 14,47 5,79 36,32

Tabela 32 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 102 127 23 28 100 % 26,84 33,42 6,05 7,37 26,32

Tabela 33 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 41 101 33 45 160 % 10,79 26,58 8,68 11,84 42,11

Tabela 34 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 38 98 26 41 177 % 10,00 25,79 6,84 10,79 46,58

Tabela 35 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 11 45 35 48 241 % 2,89 11,84 9,21 12,63 63,42

Tabela 36 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 22 32 35 31 260 % 5,79 8,42 9,21 8,16 68,42

Tabela 37 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 11 18 23 20 308 % 2,89 4,74 6,05 5,26 81,05

Tabela 38 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 18 42 42 46 232 % 4,74 11,05 11,05 12,11 61,05

Tabela 39 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 34 85 43 60 158 % 8,95 22,37 11,32 15,79 41,58

Tabela 40 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 12 21 25 11 311 % 3,16 5,53 6,58 2,89 81,84

Tabela 41 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 162 81 65 21 51 % 42,63 21,32 17,11 5,53 13,42

Tabela 42 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 113 110 38 19 100 % 29,74 28,95 10,00 5,00 26,32

Tabela 43 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 51 58 67 58 146 % 13,42 15,26 17,63 15,26 38,42

Tabela 44 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 252 63 37 8 19 % 66,32 16,58 9,74 2,11 5,00

Tabela 45 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 210 81 49 18 22 % 55,26 21,32 12,89 4,74 5,79

Tabela 46 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 156 15 93 93 23 % 41,05 3,95 24,47 24,47 6,05

Tabela 47 – Distribuição dos entrevistados
Concordo totalmente Concordo em partes Não sei – estou em dúvida Discordo em partes Discordo totalmente Total Nº ENTREVISTADOS 174 69 96 7 34 % 45,79 18,16 25,26 1,84 8,95