You are on page 1of 83

Mancais, Rolamentos

,
Elementos de
transmissão,
Lubrificação e
Alinhamento de
Máquinas

Mancais, rolamentos, elementos de transmissão, lubrificação e alinhamento de máquinas

Esta Apostila de Mancais, rolamentos, elementos de transmissão, lubrificação e alinhamento de máquinas foi especialmente elaborada pelo Professor Luís Francisco Casteletti.

Professor Casteletti é formado Técnico em Mecânica (SENAI 1992), Técnico em Segurança no Trabalho (FAEC 2000), Licenciatura Plena em Pedagogia (CLAREIANOS 2007) e Pós Graduado em gestão Educacional (CLARETIANOS 2008).

Atua como Professor de Cursos de Qualificação Profissional desde 1998 nas Escolas
SENAI e como Professor de Cursos Técnicos desde 2002, nos Colégios POLITEC e Dom Bosco,
ambos em Americana – SP.

REVISÃO 2012

Prof. Casteletti

2

Mancais, rolamentos, elementos de transmissão, lubrificação e alinhamento de máquinas

Sumário
Mancais de rolamentos e de deslizamentos

04

Rolamentos

11

Procedimentos para montagem e desmontagem de rolamentos

17

Elementos de transmissão

23

Polias e Correias

28

Correntes

36

Engrenagens

43

Acoplamentos

55

Elementos de vedação

62

Lubrificação

69

Alinhamento de máquinas

76

Referência Bibliográfica

83

Prof. Casteletti

3

Mancais, rolamentos, elementos de transmissão, lubrificação e alinhamento de máquinas

Mancais
Introdução
O carro de boi foi um meio de transporte típico em certas regiões brasileiras. Hoje é pouco utilizado.
O carro de boi é uma construção simples, feita de madeira, e consta de carroceria, eixo e
rodas. O eixo é fixado à carroceria por meio de dois pedaços de madeira que servem de guia
para o eixo.

Nas extremidades do eixo são encaixadas as rodas; assim, elas movimentam o carro e
servem de apoio para o eixo.
Os dois pedaços de madeira e as rodas que apoiam o eixo constituem os mancais do
carro de boi.
O mancal pode ser definido como suporte ou guia em que se apoia o eixo.
No ponto de contato entre a superfície do eixo e a superfície do mancal, ocorre atrito.
Dependendo da solicitação de esforços, os mancais podem ser de deslizamento ou de
rolamento.

parte inferior de um carro de boi

Prof. Casteletti

4

o mancal de rolamento é o mais adequado. como o bronze e ligas de metais leves. em geral. As buchas são. lubrificação e alinhamento de máquinas Mancais de deslizamento Geralmente. elementos de transmissão. Prof. Esses mancais são usados em máquinas pesadas ou em equipamentos de baixa rotação. os mancais de deslizamento são constituídos de uma bucha fixada num suporte. permitindo-lhes uma melhor rotação. São feitas de materiais macios. corpos cilíndricos ocos que envolvem os eixos.Mancais. porque a baixa velocidade evita superaquecimento dos componentes expostos ao atrito. O uso de buchas e de lubrificantes permite reduzir esse atrito e melhorar a rotação do eixo. Os rolamentos são classificados em função dos seus elementos rolantes. Casteletti 5 . rolamentos. Mancais de rolamento Quando necessitar de mancal com maior velocidade e menos atrito.

rolamento de esfera rolamento de rolo rolamento de agulha Os eixos das máquinas. ao máximo. Os rolamentos limitam.Mancais. utilizamos um outro elemento de máquina. as perdas de energia em conseqüência do atrito. funcionam assentados em apoios. entre os quais são colocados elementos rolantes como esferas. a seguir. um fenômeno chamado atrito de escorregamento. rolamentos. elementos de transmissão. Quando é necessário reduzir ainda mais o atrito de escorregamento. geralmente. entre a superfície do eixo e a superfície do furo. lubrificação e alinhamento de máquinas Veja os principais tipos. chamado rolamento. enquanto que o anel interno é fixado diretamente ao eixo. São geralmente constituídos de dois anéis concêntricos. Os rolamentos de esfera compõem-se de: O anel externo é fixado no mancal. roletes e agulhas. Casteletti 6 . Prof. Quando um eixo gira dentro de um furo produz-se.

Os valores do diâmetro D e da largura L aumentam progressivamente em função dos aumentos das cargas. R: raio de arredondamento. elementos de transmissão. a partir do diâmetro do eixo em que o rolamento é utilizado. Casteletti 7 . As séries leves são usadas para cargas pequenas. isto é. a normalização dos rolamentos é feita a partir do diâmetro interno d. L: largura. Ao examinar um catálogo de rolamentos. média e pesada. você encontrará informações sobre as seguintes características: Características dos rolamentos: D: diâmetro externo. rolamentos. Podem ser radiais. d: diâmetro interno. Os rolamentos classificam-se de acordo com as forças que eles suportam. lubrificação e alinhamento de máquinas As dimensões e características dos rolamentos são indicadas nas diferentes normas técnicas e nos catálogos de fabricantes. axiais e mistos. ou uma norma específica.Mancais. Prof. Para cada diâmetro são definidas três séries de rolamentos: leve. Para cargas maiores. são usadas as séries média ou pesada. Em geral.

Conforme a solicitação. Prof. Impedem o deslocamento no sentido axial. elementos de transmissão. os rolamentos podem ser: a) De esferas . isto é. compressores. Apropriados para rotações mais elevadas.não suportam cargas axiais e impedem o deslocamento no sentido transversal ao eixo • Axiais . motores elétricos. máquinas. longitudinal ao eixo. apresentam uma infinidade de tipos para aplicação específica como: máquinas agrícolas.Mancais. rolamentos. • Mistas .os corpos rolantes são esferas. ferramentas. construção naval etc.suportam tanto carga radial como axial. lubrificação e alinhamento de máquinas • Radiais . Impedem o deslocamento tanto no sentido transversal quanto no axial.não podem ser submetidos a cargas radiais. Casteletti 8 . Quanto aos elementos rolantes.

Casteletti 9 . lubrificação e alinhamento de máquinas b) De rolos .os corpos rolantes são de pequeno diâmetro e grande comprimento. rolamentos.os corpos rolantes são formados de cilindros. Esses rolamentos suportam cargas maiores e devem ser usados em velocidades menores. c) De agulhas . onde a carga não é constante e o espaço radial é limitado. São recomendados para mecanismos oscilantes. Prof. elementos de transmissão. rolos cônicos ou barriletes.Mancais.

rolamentos. do eixo. • Não suporta cargas tão elevadas como os man- • Pequeno aumento da folga durante a vida útil. • Baixa exigência de lubrificação.Mancais. • a largura (L). cais de deslizamento. elementos de transmissão. lubrificação e alinhamento de máquinas Vantagens e desvantagens dos rolamentos Vantagens Desvantagens • Menor atrito e aquecimento. • Tolerância pequena para carcaça e alojamento • Não há desgaste do eixo. • Maiores custos de fabricação. • tipo de solicitação. • Maior sensibilidade aos choques. • diâmetro externo (D). Prof. Tipos e seleção Os rolamentos são selecionados conforme: • as medidas do eixo. consulta-se o catálogo do fabricante para identificar o rolamento desejado. • tipo de carga. • Ocupa maior espaço radial. • diâmetro interno (d). Com essas informações. • Intercambialidade internacional. • no de rotação. Casteletti 10 .

autocompensador de uma carreira de rolos. elementos de transmissão. axial autocompensador de rolos. lubrificação e alinhamento de máquinas Rolamentos Tipos e finalidades Os rolamentos podem ser de diversos tipos: fixo de uma carreira de esferas. autocompensador de esferas.Mancais. de contato angular de uma carreira de esferas. Suporta cargas radiais e pequenas cargas axiais e é apropriado para rotações mais elevadas. de rolos cônicos. Rolamento fixo de uma carreira de esferas É o mais comum dos rolamentos. rolamentos. autocompensador de duas carreiras de rolos. de rolo cilíndrico. o que lhe confere a propriedade de ajustagem angular. ou seja. de compensar possíveis desalinhamentos ou flexões do eixo. Rolamento autocompensador de esferas É um rolamento de duas carreiras de esferas com pista esférica no anel externo. Sua capacidade de ajustagem angular é limitada. Rolamento de contato angular de uma carreira de esferas Admite cargas axiais somente em um sentido e deve sempre ser montado contra outro rolamento que possa receber a carga axial no sentido contrário. Prof. axial de esfera. É necessário um perfeito alinhamento entre o eixo e os furos da caixa. Casteletti 11 . de agulha e com proteção.

observar. limpos. é necessário ter certeza de que alguns desses rolamentos estejam disponíveis para troca. ou que não são muito solicitados. devem ser guardados em local onde a temperatura ambiente seja constante (21ºC). Casteletti 12 . Na rotina de verificação são usados os seguintes procedimentos: ouvir. Confira se os rolamentos estão em sua embalagem original. lubrificação e alinhamento de máquinas Rolamentos – manutenção e comcervação Introdução Para evitar paradas longas na produção. Prof. De preferência. se sua parada pode causar problemas. elementos de transmissão. rolamentos. O que verificar durante o funcionamento Nos rolamentos montados em máquinas deve-se verificar. Os rolamentos que não apresentam aplicações muito críticas.Mancais. antes de embalados. Para isso. é aconselhável conhecer com antecedência que rolamentos são utilizados nas máquinas e as ferramentas especiais para sua montagem e desmontagem. não precisam de atenção especial. regularmente. devido a problemas de rolamentos. protegidos com óleo ou graxa e com papel parafinado. Os rolamentos são cobertos por um protetor contra oxidação. sentir. Rolamentos com placa de proteção não deverão ser guardados por mais de 2 anos.

Atualmente. existe o analisador de vibração que permite identificar a folga e a intensidade da vibração do rolamento. que pode durar de um a dois dias. Na troca de graxa. Se ela estiver mais alta que o normal. vindos de uma fonte externa. Mas é preciso lembrar que logo após a lubrificação é normal ocorrer um aumento da temperatura. Pela observação. existe um termômetro industrial para medir temperatura. Geralmente. lubrificação e alinhamento de máquinas Para ouvir o funcionamento do rolamento usa-se um bastão de madeira. é preciso limpar a engraxadeira antes de colocar graxa nova. rolamentos. tornando-o mais escuro. verifica-se a temperatura. Quando o sistema de lubrificação for automático deve-se verificar. folga. sujeiras mudam a cor do lubrificante. Com a mão. Casteletti 13 . sobrecarga. algo está errado: falta ou excesso de lubrificação. fadiga. Se o ruído for uniforme mas apresentar um som metálico. seu funcionamento. elementos de transmissão. Atualmente. Coloca-se o ouvido junto à outra extremidade do objeto. As tamProf. regularmente. pode-se verificar se há vazamento de lubrificante através dos vedadores ou de bujões. Lubrificantes Com graxa A lubrificação deve seguir as especificações do fabricante da máquina ou equipamento. é preciso trocar os vedadores e o óleo.Mancais. uma chave de fenda ou objetos similares o mais próximo possível do rolamento. é necessário lubrificar o rolamento. Nesse caso. sujeira. pressão ou calor nos retentores. Se o ruído for suave é porque o rolamento está em bom estado.

deve-se retirar toda a graxa e lavar todos os componentes. acima de 130ºC. elementos de transmissão. uma vez por semana. rolamentos. lubrificação e alinhamento de máquinas pas devem ser retiradas para limpeza. 50ºC e sem contaminação. Manutenção na máquina parada Comece a operação de inspeção. ou a critério do fabricante. Verificar se o respiro está limpo. Observe se existem impurezas. acima de 100ºC. Limpe as partes externas e anote a seqüência de retirada dos componentes e as posições da máquina. Verifique todos os componentes do conjunto. Com óleo Olhar o nível do óleo e completá-lo quando for necessário. o óleo velho deve ser completamente drenado e todo o conjunto lavado com o óleo novo. no máximo. Na lubrificação em banho. geralmente se faz a troca a cada ano quando a temperatura atinge. acima de 120ºC. Casteletti 14 . Sempre que for trocar o óleo. Tenha cuidado ao remover os vedadores. uma vez por mês. deixando a área de trabalho o mais limpa e seca possível. Verifique o lubrificante.Mancais. quatro vezes ao ano. para não forçá-los muito. Estude o desenho da máquina antes de trocar o rolamento. Se as caixas dos rolamentos tiverem engraxadeiras. Prof.

Monte cuidadosamente os vedadores e as tampas. evitando desmontá-lo. lave o rolamento montado no conjunto. depois da retirada dos vedadores e das tampas. Prof. Use um pincel molhado com querosene e seque com um pano bem limpo. Não lave rolamentos blindados com duas placas de proteção. Casteletti 15 . plástico ou algum material similar. Proteja o conjunto com papel parafinado. com atenção. Evite o uso de estopa. seco e sem fiapos. rolamentos. Representações de rolamentos nos desenhos técnicos Os rolamentos podem ser apresentados de duas maneiras nos desenhos técnicos: simplificada e simbólica. Observe. deve-se relubrificar de acordo com as especificações do fabricante da máquina. elementos de transmissão. Quando for possível. Se os rolamentos estão em perfeitas condições de uso.Mancais. cada tipo de representação. lubrificação e alinhamento de máquinas Assegure-se de que não haverá penetração de sujeira e umidade.

Rolamento de rolo com uma carreira de rolos. Casteletti vista frontal – representação simbólica 16 .Mancais. Rolamento autocompensador de esferas. Rolamento autocompensador de rolos. Quando for necessário. vista frontal – representação simplificada Prof. rolamentos. lubrificação e alinhamento de máquinas Representação Tipos de rolamento Simplificada Simbólica Rolamento fixo com uma carreir de esferas. Rolamento de rolos cônicos. Rolamento de contato angular com uma carreira de esferas. a vista frontal do rolamento também pode ser desenhada em representação simplificada ou simbólica. elementos de transmissão. Rolamento axial simples. Observe novamente as representações simbólicas dos rolamentos e repare que a mesma representação simbólica pode ser indicativa de tipos diferentes de rolamentos.

é importante que o anel externo seja girado durante a desmontagem. ou uma outra ferramenta similar. As garras é que deverão ser giradas com a mão ou com o auxílio de uma alavanca. pois há riscos de danificar o rolamento e o eixo. As garras desta ferramenta deverão ficar apoiadas diretamente na face do anel interno. Casteletti 17 . O punção deverá ser aplicado na face do anel interno. conforme figura abaixo.Mancais. Esse cuidado garantirá que os esforços se distribuam pelas pistas. o parafuso deverá ser travado ou permanecer seguro por uma chave. marcar o lado do rolamento que está para cima e o lado que está de frente e. Desmontagem de rolamento com interferência no eixo A desmontagem de rolamento com interferência no eixo é feita com um saca-polias. pode-se usar um punção de ferro ou de metal relativamente mole. ou seja. Na falta de um saca-polias. selecionar as ferramentas adequadas. Quando não for possível alcançar a face do anel interno. o saca-polias deverá ser aplicado na face do anel externo. com ponta arredondada. principalmente. evitando que os corpos rolantes (esferas ou roletes) as marquem. lubrificação e alinhamento de máquinas Procedimentos para desmontagem e montagem de rolamentos Antes de iniciar a desmontagem de um rolamento recomenda-se. marcar a posição relativa de montagem. Prof. rolamentos. Entretanto. receber golpes diretos do martelo. Vejamos como se faz para desmontar rolamentos com interferência no eixo. em hipótese alguma. O rolamento não deverá. Na operação. como primeiro passo. com interferência na caixa e montados sobre buchas. elementos de transmissão. Esse método exige bastante cuidado.

Caso haja ressaltos entre os rolamentos. com ponta arredondada. ele poderá ser desmontado com o auxílio de um pedaço de tubo metálico com faces planas e livres de rebarbas. ou ferramenta similar. elementos de transmissão. O desalinhamento permite o uso de um saca-polias no anel externo. Uma das extremidades do tubo é apoiada no anel externo. enquanto a extremidade livre recebe golpes de martelo. Os golpes deverão ser dados ao longo de toda a extremidade livre do tubo. rolamentos. Os esforços deverão ser aplicados sempre no anel externo.Mancais. Casteletti 18 . O conjunto do anel interno de um rolamento autocompensador de rolos ou de esferas pode ser desalinhado. Prof. lubrificação e alinhamento de máquinas Desmontagem de rolamento com interferência na caixa Quando o rolamento possui ajuste com interferência na caixa. deve-se usar um punção de ferro ou de metal relativamente mole. como em uma roda.

elementos de transmissão. passa a não necessitar de uma usinagem precisa. Prof. lubrificação e alinhamento de máquinas Desmontagem de rolamentos montados sobre buchas Os rolamentos autocompensadores de rolos ou esferas são geralmente montados com buchas de fixação . A orelha da arruela de trava. Casteletti 19 . Quando a face da porca estiver inacessível. uma vez que o assento do eixo. da esquerda para a direita. rolamento e bucha de fixação. ou quando não existir um espaço entre o anel interno e o encosto do eixo. com o uso dessas buchas. a ferramenta deverá ser aplicada na face do anel interno do rolamento. arruela de trava. dobrada no rasgo da porca de fixação. rolamentos. A seguir. A ilustração mostra. e a porca deverá ser solta com algumas voltas. o rolamento deverá ser solto da bucha de fixação por meio da martelagem no tubo metálico.Mancais. A desmontagem de rolamentos montados sobre buchas de fixação deve ser iniciada após se marcar a posição da bucha sobre o eixo. os seguintes elementos: porca de fixação. conforme explicado anteriormente. deve ser endireitada.Essas buchas apresentam a vantagem de facilitar a montagem e a desmontagem dos rolamentos.

em caso de substituição . A aplicação desses princípios permite montar. lubrificação e alinhamento de máquinas Montagem de rolamentos A montagem de rolamentos deve pautar-se nos seguintes princípios: • escolher o método correto de montagem.da sua embalagem original somente na hora da montagem. • inspecionar cuidadosamente os componentes que posicionarão os rolamentos. • limpar o local da montagem que deverá estar seco. • verificar os retentores e trocar aqueles que estão danificados. Prof. A embalagem apresenta um protetor antiferruginoso. • verificar a precisão de forma e dimensões dos assentos do eixo e da caixa. • selecionar as ferramentas adequadas que deverão estar em perfeitas condições de uso. elementos de transmissão. os rolamentos com interferência no eixo e com interferência na caixa. • remover as rebarbas e efetuar a limpeza do eixo e encostos. • observar as regras de limpeza do rolamento. Casteletti 20 . rolamentos. corretamente. • retirar o rolamento novo .Mancais. Montagem de rolamentos com interferência no eixo A montagem de rolamentos com interferência no eixo segue os seguintes passos: • Lubrificar o assento do rolamento.

Os golpes não devem ser aplicados diretamente no rolamento e sim no tubo metálico adaptado ao anel interno. • Usar prensas mecânicas ou hidráulicas para montar rolamentos pequenos e médios. rolamentos. Prof. • Aquecer os rolamentos grandes em banho de óleo numa temperatura entre 100°C e 120° C e colocá-los rapidamente no eixo antes de es friarem. Casteletti 21 . • Usar as roscas internas ou externas. lubrificação e alinhamento de máquinas • Posicionar o rolamento sobre o eixo com o auxílio de um martelo. para a montagem.Mancais. porventura existentes no eixo. elementos de transmissão.

• Utilizar uma prensa hidráulica ou mecânica. convém salientar que há aços que sofrem modificações estruturais permanentes quando resfriados. são os mesmos recomendados para a montagem de rolamentos com interferência no eixo: • Usar um pedaço de tubo metálico contra a face do anel externo após a lubrificação das partes a serem montadas.Mancais. A contração do eixo facilitará a colocação dos rolamentos. contudo. O aquecimento remove o lubrificante e o rolamento sofrerá danos. lubrificação e alinhamento de máquinas Se o rolamento for do tipo que apresenta lubrificação permanente. Casteletti 22 . Para rolamentos que apresentam lubrificação permanente. basicamente. • Aquecer a caixa para a montagem de rolamentos grandes Prof. • Cuidar para que o rolamento não fique desalinhado em relação à caixa. elementos de transmissão. ele não deverá ser aquecido conforme descrito anteriormente. rolamentos. recomenda-se esfriar o eixo onde eles serão acoplados. Montagem de rolamentos com interferência na caixa Os passos para a montagem de rolamentos com interferência na caixa.

lubrificação e alinhamento de máquinas Elementos de transmissão Introdução Um motorista viajava numa estrada e não viu a luz vermelha que. apareceu no painel. Esse problema pode lhe dar idéia da importância da correia como elemento de transmissão de movimento. O mecânico identificou o problema. Por isso. também. o carro parou. a polia condutora transmite energia e movimento à polia conduzida. roscas. • por atrito. Na figura abaixo. engrenagens. que nada entendia de carro. elementos de transmissão.Mancais. Como o motorista não tinha uma correia de reserva. A correia do alternador estava arrebentada. você vai estudar alguns elementos de máquina para transmissão: correia. O motorista. foi necessário rebocar o carro. encontrou um mecânico. variar as rotações entre dois eixos. Casteletti 23 . Por sorte. correntes. Prof. rolamentos. • por correias. Os sistemas de transmissão podem. Nesse caso. de repente. percebeu que algo de grave acontecera. Com esses elementos são montados sistemas de transmissão que transferem potência e movimento a um outro sistema. rodas de atrito. Empurrou o carro para o acostamento. Mais alguns metros. As maneiras de variar a rotação de um eixo podem ser: • por engrenagens. colocou o triângulo como sinal de aviso e saiu à procura de socorro. cabos de aço. o sistema de rotação é chamado variador.

Entretanto. Seja qual for o tipo de variador. lubrificação e alinhamento de máquinas Abaixo. temos a ilustração de um variador por engrenagens acionado por um motor elétrico. Modos de transmissão A transmissão de força e movimento pode ser pela forma e por atrito.Mancais. eixos-árvore entalhados e eixos-árvore estriados. não possibilita transmissão de grandes esforços quanto os transmitidos pela forma. Os principais elementos de transmissão por atrito são os elementos anelares e arruelas estreladas. sua função está ligada a eixos. principalmente com os elementos chavetados. Casteletti 24 . elementos chavetados eixos-árvore entalhados eixos-árvore estriados A transmissão por atrito possibilita uma boa centralização das peças ligadas aos eixos. Prof. A transmissão pela forma é assim chamada porque a forma dos elementos transmissores é adequada para encaixamento desses elementos entre si. rolamentos. elementos de transmissão. Essa maneira de transmissão é a mais usada.

a seguir. de chaveta ou de parafuso. As polias são cilíndricas. rolamentos. Cada um desses elementos será estudado mais profundamente nas aulas seguintes. arruelas estreladas As arruelas estreladas possibilitam grande rigor de movimento axial (dos eixos) e radial (dos raios). lubrificação e alinhamento de máquinas elementos anelares Esses elementos constituem-se de dois anéis cônicos apertados entre si e que atuam ao mesmo tempo sobre o eixo e o cubo. Os eixos já foram descritos.Mancais. Podem ser fixadas aos eixos por meio de pressão. uma breve descrição dos principais elementos de máquina de transmissão: correias. Descrição de alguns elementos de transmissão Apresentamos. elementos de transmissão. Prof. As correias podem ser contínuas ou com emendas. As arruelas são apertadas por meio de parafusos que forçam a arruela contra o eixo e o cubo ao mesmo tempo. roscas. correntes. Casteletti 25 . Correias São elementos de máquina que transmitem movimento de rotação entre eixos por intermédio das polias. rodas de atrito. fabricadas em diversos materiais. cabos de aço e acoplamento. engrenagens.

Prof. constituídos de uma série de anéis ou elos. elementos de transmissão. Casteletti 26 . lubrificação e alinhamento de máquinas Correntes São elementos de transmissão. as engrenagens são elementos de máquina usados na transmissão entre eixos.Mancais. engrenagens cilíndricas de dentes retos Rodas de atrito São elementos de máquinas que transmitem movimento por atrito entre dois eixos paralelos ou que se cruzam. corrente de elos corrente de buchas Engrenagens Também conhecidas como rodas dentadas. Existem vários tipos de engrenagem. Existem vários tipos de corrente e cada tipo tem uma aplicação específica. geralmente metálicos. rolamentos.

rolamentos. Inicialmente. em forma de hélice (helicoidal). lubrificação e alinhamento de máquinas Roscas São saliências de perfil constante. Prof. o arame é enrolado de modo a formar pernas. rosca que transforma movimento giratório rosca que transforma movimento em movimento longitudinal longitudinal em movimento giratório Cabos de aço São elementos de máquinas feitos de arame trefilado a frio. Existem roscas de transporte ou movimento que transformam o movimento giratório num movimento longitudinal. principalmente quando são freqüentes as montagens e desmontagens. As saliências são denominadas filetes.Mancais. elementos de transmissão. chamado núcleo ou alma. cabos Acoplamento É um conjunto mecânico que transmite movimento entre duas peças. externa ou internamente. ao redor de uma superfície cilíndrica ou cônica. normalmente. Casteletti 27 . Depois as pernas são enroladas em espirais em torno de um elemento central. em tornos e prensas. As roscas se movimentam de modo uniforme. Essas roscas são usadas.

Mancais, rolamentos, elementos de transmissão, lubrificação e alinhamento de máquinas

Polias e correias
Introdução
Às vezes, pequenos problemas de uma empresa podem ser resolvidos com soluções
imediatas, principalmente quando os recursos estão próximos de nós, sem exigir grandes
investimentos. Por exemplo: com a simples troca de alguns componentes de uma máquina, onde se pretende melhorar o rendimento do sistema de transmissão, conseguiremos
resolver o problema de atrito, desgaste e perda de energia. Esses componentes - as polias e as correias, que são o assunto da aula de hoje.

Polias
As polias são peças cilíndricas, movimentadas pela rotação do eixo do motor e pelas correias.

Uma polia é constituída de uma coroa ou face, na qual se enrola a correia. A face é ligada
a um cubo de roda mediante disco ou braços.
Tipos de polia
Os tipos de polia são determinados pela forma da superfície na qual a correia se assenta.
Elas podem ser planas ou trapezoidais. As polias planas podem apresentar dois formatos na sua superfície de contato. Essa superfície pode ser plana ou abaulada.

Prof. Casteletti

28

Mancais, rolamentos, elementos de transmissão, lubrificação e alinhamento de máquinas

A polia plana conserva melhor as correias, e a polia com superfície abaulada guia melhor as
correias. As polias apresentam braços a partir de 200 mm de diâmetro. Abaixo desse valor, a
coroa é ligada ao cubo por meio de discos.

A polia trapezoidal recebe esse nome porque a superfície na qual a correia se assenta
apresenta a forma de trapézio. As polias trapezoidais devem ser providas de canaletes
(ou canais) e são dimensionadas de acordo com o perfil padrão da correia a ser utilizada.

Prof. Casteletti

29

Mancais, rolamentos, elementos de transmissão, lubrificação e alinhamento de máquinas

Dimensões normais das polias de múltiplos canais
Perfil padrão
da correia

Diâmetro externo
da polia
75 a 170

34º

acima de 170

38º

de 130 a 240

34º

acima de 240

38º

de 200 a 350

34º

acima de 350

38º

de 300 a 450

34º

acima de 450

38º

de 485 a 630

34º

acima de 630

38º

A

B

C

D

E

Ângulo
do canal

medidas em milímetros
T

S

W

Y

Z

H

K

U=R

X

9,50

15

13

3

2

13

5

1,0

5

11,5

19

17

3

2

17

6,5

1,0

6,25

22,5

4

3

22

9,5

1,5

8,25

32

6

4,5

28

12,5

1,5

11

38,5

8

6

33

16

1,5

13

15,25 25,5

22

36,5

27,25 44,5

Essas dimensões são obtidas a partir de consultas em tabelas. Vamos ver um exemplo
que pode explicar como consultar tabela.
Imaginemos que se vai executar um projeto de fabricação de polia, cujo diâmetro é de 250
mm, perfil padrão da correia C e ângulo do canal de 34º. Como determinar as demais dimensões da polia?
Com os dados conhecidos, consultamos a tabela e vamos encontrar essas dimensões:
Perfil padrão da correia: C

Diâmetro externo da polia: 250 mm

Ângulo do canal: 34º

T: 15,25 mm

S: 25,5 mm

W: 22,5 mm

Y: 4 mm

Z: 3 mm

H: 22 mm

K: 9,5 mm

U = R: 1,5 mm

X: 8,25 mm

Além das polias para correias planas e trapezoidais, existem as polias para cabos de aço,
para correntes, polias (ou rodas) de atrito, polias para correias redondas e para correias
dentadas. Algumas vezes, as palavras roda e polia são utilizadas como sinônimos.

Prof. Casteletti

30

Mancais, rolamentos, elementos de transmissão, lubrificação e alinhamento de máquinas

No quadro da próxima página, observe, com atenção, alguns exemplos de polias e, ao
lado, a forma como são representadas em desenho técnico.

Material das polias
Os materiais que se empregam para a construção das polias são ferro fundido (o mais
utilizado), aços, ligas leves e materiais sintéticos. A superfície da polia não deve apresentar porosidade, pois, do contrário, a correia irá se desgastar rapidamente.

Prof. Casteletti

31

rolamentos. Existem vários perfis padronizados de correias trapezoidais. • permite o uso de polias bem próximas. Casteletti 32 . elementos de transmissão. • elimina os ruídos e os choques. para casos em que não se pode ter nenhum deslizamento. Prof. lubrificação e alinhamento de máquinas Correias As correias mais usadas são planas e as trapezoidais.Mancais. Outra correia utilizada é a correia dentada. típicos das correias emendadas (planas). É feita de borracha revestida de lona e é formada no seu interior por cordonéis vulcanizados para suportar as forças de tração. A correia em “V” ou trapezoidal é inteiriça. fabricada com seção transversal em forma de trapézio. O emprego da correia trapezoidal ou em “V” é preferível ao da correia plana porque: • praticamente não apresenta deslizamento. como no comando de válvulas do automóvel.

temos: • sentido direto de rotação . • sentido de rotação inverso . pêlo de camelo. Assim. elementos de transmissão. materiais fibrosos e sintéticos (à base de algodão.a correia fica reta e as polias têm o mesmo sentido de rotação. • transmissão de rotação entre eixos não paralelos. rolamentos. lubrificação e alinhamento de máquinas Material das correias Os materiais empregados para fabricação das correias são couro. perlon e náilon) e material combinado (couro e sintéticos). a polia que transmite movimento e força é chamada polia motora ou condutora. A polia que recebe movimento e força é a polia movida ou conduzida. A maneira como a correia é colocada determina o sentido de rotação das polias. Casteletti 33 .Mancais. viscose.a correia fica cruzada e o sentido de rotação das polias inverte-se. Prof. Transmissão Na transmissão por polias e correias.

Casteletti n1 D2 = =i n2 D1 34 . utiliza-se o esticador de correia. para que o funcionamento seja perfeito. elementos de transmissão. A velocidade tangencial (V) é a mesma para as duas polias. Costumamos usar a letra i para representar a relação de transmissão. Para estabelecer esses limites precisamos estudar as relações de transmissão. temos: V1 = V2 → π · D1 · n1 = π · D2 · n2 ∴ D1 · n1 = D2 · n2 ou Prof. e é calculada pela fórmula: V =π ·D ·n Como as duas velocidades são iguais. Ela é a relação entre o número de voltas das polias (n) numa unidade de tempo e os seus diâmetros.Mancais. rolamentos. é necessário obedecer alguns limites em relação ao diâmetro das polias e o número de voltas pela unidade de tempo. lubrificação e alinhamento de máquinas Para ajustar as correias nas polias. mantendo tensão correta. Relação de transmissão Na transmissão por polias e correias. Já vimos que a forma da polia varia em função do tipo de correia.

lubrificação e alinhamento de máquinas Portanto i = Onde: n1 D2 = n2 D1 D1 = diâmetro da polia menor D2 = diâmetro da polia maior n1 = número de rotações por minuto (rpm) da polia menor n2 = número de rotações por minuto (rpm) da polia maior Na transmissão por correia plana. Faça os exercícios. Depois confira suas respostas com as apresentadas no gabarito. a seguir. Prof. rolamentos. e na transmissão por correia trapezoidal esse valor não deve ser maior do que 10 (dez). Teste sua aprendizagem. Casteletti 35 .Mancais. elementos de transmissão. a relação de transmissão (i) não deve ser maior do que 6 (seis).

e à manutenção corretiva e preventiva dos órgãos de sustentação e transferência de carga pesada. Tomadas as providências e resolvidos os problemas. elementos de transmissão. lubrificação e alinhamento de máquinas Correntes Introdução Os problemas de uma empresa da área de transporte e cargas fez com que o encarregado do setor tomasse algumas decisões referentes à substituição de equipamentos. O rendimento da transmissão de força e de movimento vai depender diretamente da posição das engrenagens e do sentido da rotação. rolamentos. Os eixos de sustentação das engrenagens ficam perpendiculares ao plano. Conceito As correntes transmitem força e movimento que fazem com que a rotação do eixo ocorra nos sentidos horário e anti-horário. que são o assunto que vamos estudar nesta aula: correntes.Mancais. elaborou-se um relatório que dava ênfase aos componentes substituídos. como componentes do sistema de movimentação das esteiras transportadoras. Casteletti 36 . Prof. as engrenagens devem estar num mesmo plano. Para isso.

Mancais. Casteletti 37 . A junção desses elementos gera uma pequena oscilação durante o movimento. rolamentos. lubrificação e alinhamento de máquinas disposições favoráveis e desfavoráveis para transmissões por corrente com duas engrenagens. Prof. Os eixos das engrenagens são horizontais. Transmissão A transmissão ocorre por meio do acoplamento dos elos da corrente com os dentes da engrenagem. elementos de transmissão.

Mancais. Casteletti 38 .devido à velocidade tangencial. transmissão de corrente com amortecedor de oscilações através de guias de borracha • Grandes distâncias . guias para diminuir a “barriga” devido a grande distância entre eixos Prof. Veja alguns casos. elementos de transmissão. ocorre intensa oscilação que pode ser reduzida por amortecedores especiais. a velocidade de transmissão. rolamentos. conseqüentemente. Esse problema pode ser reduzido por meio de apoios ou guias. a corrente fica “com barriga”. lubrificação e alinhamento de máquinas Algumas situações determinam a utilização de dispositivos especiais para reduzir essa oscilação. aumentando. • Grandes choques periódicos .quando é grande a distância entre os eixos de transmissão.

as correntes de rolo são constituídas de pinos. elementos de transmissão.tala interna e externa.rolo. Tipos de corrente Correntes de rolo simples. Prof. lubrificação e alinhamento de máquinas • Grandes folgas . 2 . talas externa e interna. bucha remachada na tala interna.pino. corrente simples de rolos 1 . 4 .usa-se um dispositivo chamado esticador ou tensor quando existe uma folga excessiva na corrente.bucha remachada na tala interna 2.Mancais. rolamentos. O esticador ajuda a melhorar o contato das engrenagens com a corrente. 3 . com rotação livre sobre a bucha 3. Os rolos ficam sobre as buchas. Casteletti 39 . dupla e tripla Fabricadas em aço temperado.

Por isso.Mancais. o que confere mais resistência a esse tipo de corrente do que à corrente de rolo. por exemplo. elementos de transmissão. Corrente de bucha Essa corrente não tem rolo. os pinos e as buchas são feitos com diâmetros maiores. na movimentação de rolos para esteiras transportadoras. Essas correntes são utilizadas em casos em que é necessária a aplicação de grandes esforços para baixa velocidade como. a corrente de bucha se desgasta mais rapidamente e provoca mais ruído. conforme o caso. lubrificação e alinhamento de máquinas corrente dupla e tripla de rolos O fechamento das correntes de rolo pode ser feito por cupilhas ou travas elásticas. Prof. Entretanto. Casteletti 40 . rolamentos.

corrente de articulação desmontável corrente com pino de aço Correntes Gall e de aço redondo Utilizadas para o transporte de carga. Casteletti 41 . em cima. são próprias para velocidade baixa e grande capacidade de carga. com pequena velocidade tangencial. Assim. colocadas uma ao lado da outra. Seus elos são fundidos na forma de corrente e os pinos são feitos de aço. elementos de transmissão. Corrente de articulação desmontável Esse tipo de corrente é usado em veículos para trabalho pesado. é possível construir correntes bem largas e resistentes. Corrente de dente com guia interna e articulações basculantes. à esquerda. lubrificação e alinhamento de máquinas Corrente de dentes Nessa corrente. Prof.Mancais. rolamentos. Os dois pinos articulados hachurados estão fixos à torção no grupo de talas no meio da figura. e os dois pinos pontilhados fixos à torção no grupo de talas ao lado. cada pino possui várias talas. como em máquinas agrícolas.

lubrificação e alinhamento de máquinas Dimensão das correntes A dimensão das correntes e engrenagens são indicadas nas Normas DIN. rolos etc.Mancais. eixos. rolamentos. Prof. Casteletti 42 . elementos de transmissão. Essas normas especificam a resistência dos materiais de que é feito cada um dos elementos: talas. buchas.

sabe o que é engrenagem? Se você sabe. Alguns dentes da engrenagem se quebraram. lubrificação e alinhamento de máquinas Engrenagens Introdução Um pasteleiro fazia massa de pastel numa máquina manual. elementos de transmissão. o pasteleiro levou a máquina a uma oficina. rolamentos. Vamos lá? Engrenagens Engrenagens são rodas com dentes padronizados que servem para transmitir movimento e força entre dois eixos. Observe as partes de uma engrenagem: Prof. Se não sabe. terá oportunidade de rever seus conhecimentos nesta aula. ficou preocupado e intrigado. você não consegue movimentar a máquina para esticar a massa. vai passar a conhecê-la. que nada entendia de mecânica.Mancais. quando ela quebrou. O dono da oficina examinou a máquina e percebeu o que houve. – Engrenagem? – disse o pasteleiro – Mas o que é engrenagem? – É a peça mais importante. o que seria essa tal engrenagem? E você. Sem perder tempo. Casteletti 43 . O pasteleiro. Sem engrenagem. – Problema na engrenagem. Muitas vezes. as engrenagens são usadas para variar o número de rotações e o sentido da rotação de um eixo para o outro. Afinal.

As rodas se engrenam quando os dentes de uma engrenagem se encaixam nos vãos dos dentes da outra engrenagem. rolamentos. cubo e furo central corpo em forma de disco com cubo e furo central corpo com braços cubo e furo central Os dentes são um dos elementos mais importantes das engrenagens. elementos de transmissão. Observe. Para você conhecer alguns desses tipos. as partes principais do dente de engrenagem. Casteletti 44 . Prof. no detalhe. corpo em forma de disco com furo central corpo com 4 furos. lubrificação e alinhamento de máquinas Existem diferentes tipos de corpos de engrenagem. observe as ilustrações. Para produzir o movimento de rotação as rodas devem estar engrenadas.Mancais.

ferro fundido. rolamentos. lubrificação e alinhamento de máquinas As engrenagens trabalham em conjunto. Nesta aula você vai estudar os tipos mais comuns. a engrenagem maior chama-se coroa e a menor chama-se pinhão. Tipos de engrenagem Existem vários tipos de engrenagem. que são escolhidos de acordo com sua função.Mancais. Engrenagens cilíndricas Engrenagens cilíndricas têm a forma de cilindro e podem ter dentes retos ou helicoidais (inclinados). náilon. cromo-níquel. Quando um par de engrenagens tem rodas de tamanhos diferentes. bronze fosforoso. Os materiais mais usados na fabricação de engrenagens são: aço-liga fundido. alumínio. Observe duas engrenagens cilíndricas com dentes retos: Veja a representação de uma engrenagem com dentes helicoidais: Prof. Casteletti 45 . As engrenagens de um mesmo conjunto podem ter tamanhos diferentes. elementos de transmissão.

As engrenagens cônicas podem ter dentes retos ou helicoidais. Elas funcionam mais suavemente que as engrenagens cilíndricas com dentes retos e. Prof. As engrenagens cilíndricas servem para transmitir rotação entre eixos paralelos. Já os dentes retos são paralelos entre si e paralelos ao eixo da engrenagem. elementos de transmissão. lubrificação e alinhamento de máquinas Os dentes helicoidais são paralelos entre si mas oblíquos em relação ao eixo da engrenagem. Casteletti 46 .Mancais. rolamentos. como mostram os exemplos. As engrenagens cilíndricas com dentes helicoidais transmitem também rotação entre eixos reversos (não paralelos). Engrenagens cônicas Engrenagens cônicas são aquelas que têm forma de tronco de cone. por isso. o ruído é menor.

você ficará conhecendo apenas as engrenagens cônicas de dentes retos. Observe no desenho como os eixos das duas engrenagens se encontram no ponto A. lubrificação e alinhamento de máquinas Nesta aula. rolamentos. Você já aprendeu que as engrenagens de tamanho diferentes têm nomes especiais. quando prolongados. engrenagem cônica de dentes retos As engrenagens cônicas transmitem rotação entre eixos concorrentes. Prof. nas linhas de chamada. resolva o próximo exercício. Verificando o entendimento A ilustração mostra duas engrenagens cônicas de dentes retos. Observe alguns exemplos de emprego de engrenagens cônicas com dentes retos. Casteletti 47 . qual é a coroa e qual é o pinhão. Então. elementos de transmissão.Mancais. Escreva. Eixos concorrentes são aqueles que vão se encontrar em um mesmo ponto.

a engrenagem para rosca sem-fim merece atenção especial. lubrificação e alinhamento de máquinas A coroa é a engrenagem com maior número de dentes e que transmite a força motora. Engrenagens helicoidais Nas engrenagens helicoidais. Casteletti 48 . rolamentos. Entre as engrenagens helicoidais. os dentes são oblíquos em relação ao eixo. Essa engrenagem é usada quando se deseja uma redução de velocidade na transmissão do movimento. elementos de transmissão.Veja a resposta correta. Prof.Mancais.

lubrificação e alinhamento de máquinas Repare que os dentes da engrenagem helicoidal para rosca sem-fim são côncavos. menos elevados no meio do que nas bordas. Cremalheira Cremalheira é uma barra provida de dentes. Repare que no engrenamento por coroa e rosca sem-fim. o parafuso sem-fim é o pinhão e a engrenagem é a coroa. pode-se transformar movimento de rotação em movimento retilíneo e vice-versa. Casteletti 49 . No engrenamento da rosca sem-fim com a engrenagem helicoidal. Veja um exemplo do emprego de coroa para rosca sem-fim. elementos de transmissão. Côncavos porque são dentes curvos. Com esse sistema.Mancais. ou seja. rolamentos. Prof. destinada a engrenar uma roda dentada. a transmissão de movimento e força se dá entre eixos não coplanares.

Prof. Para identificar a relação entre o passo normal (Pn). e a hélice apresenta um ângulo de inclinação (β). elementos de transmissão.Mancais. rolamentos. Casteletti 50 . o passo circular (Pc) e o ângulo de inclinação da hélice (β). lubrificação e alinhamento de máquinas Características e cálculos de engrenagem com dentes helicoidais Esta engrenagem tem passo normal (Pn) e passo circular (Pc). conforme segue. você deve proceder da seguinte forma: retire um triângulo retângulo da última ilustração.

Mf ou Dp = Mf . Pc Logo. temos: cosβ = Pn (C) Pc Como Pn = Mn . Z cosβ O diâmetro externo (De) é calculado somando o diâmetro primitivo a dois módulos normais. π (A) e Pc = Mf . π π Simplificando. π temos DP = Z . Pc π Como Pc = Mf . o diâmetro primitivo é dado por Dp = Cp π Como Cp = Z . π Mn Mf O diâmetro primitivo (Dp) da engrenagem helicoidal é calculado pela divisão do comprimento da circunferência primitiva por π (3. 14). Assim. Assim.Mancais. π Mf . elementos de transmissão. Casteletti 51 . cosβ ou Mf = Mn cosβ Mn . temos: cosβ = Assim. Z Como Mf = Mn cosβ podemos escrever Dp = Mn . temos: cosβ = Simplificando. Mn Prof. rolamentos. Pc podemos escrever DP = Z . lubrificação e alinhamento de máquinas Neste triângulo. Mn = Mf . O comprimento da circunferência primitiva (Cp) é igual ao número de dentes (Z) multiplicado pelo passo circular (Pc). π (B) substituindo as fórmulas A e B em C. De = Dp + 2 . Mf . temos: Dp = Z . Cp = Z .

2Mn + De2 . Ele mediu o diâmetro externo das duas engrenagens (De1 e De2) e a distância entre os seus centros (d). elementos de transmissão.2Mn Substituindo Dp em d = temos: Dp1 + Dp2 2 (De1 . rolamentos.2Mn 2d = De1 + De2 . Os valores de De1 (diâmetro externo da engrenagem 1). Depois contou o número de dentes (Z1 e Z2) das duas engrenagens.2d Mn = De1 + De2 . temos: 2d = De1 . Com esses dados vamos calcular o módulo normal (Mn) da engrenagem quebrada.Mn) 2 Isolando o módulo normal Mn.2Mn) + (De2 .4Mn 4Mn = De1 + De2 . Casteletti 52 . lubrificação e alinhamento de máquinas Agora que já vimos algumas fórmulas da engrenagem helicoidal. De2 (diâmetro externo da engrenagem 2) e d (distância entre os centros) podem ser medidos. Prof. O módulo normal (Mn) pode ser deduzido das fórmulas a seguir: d= Dp1 + Dp2 e De = Dp + 2Mn 2 Como De = Dp + 2Mn temos Dp = De . podemos auxiliar o mecânico da oficina de manutenção.2d (D) 4 Com essa fórmula podemos calcular o módulo normal.Mancais.

26 + 206.75 . Mn = 2. temos cosβ = Mn .160.54 .76 cos β = 0.Mancais. podemos calcular o diâmetro primitivo (Dp1) e o ângulo de inclinação da hélice (β). Z (já conhecida) cosβ Isolando cos β. elementos de transmissão.320.75 Dp1 = 125.76 cos β = 77 119.75 Conhecendo o módulo normal (Mn) e o número de dentes Z = 28 da engrenagem quebrada e o diâmetro externo (De1 = 125. De2 e d na fórmula (D).26 .8 4 Mn = 11 4 Mn = 2.26 mm).26 mm De2 = 206.2.64295. Casteletti 53 . Vimos que De = Dp + 2Mn Isolando Dp. Prof. 28 119.75.2 . da engrenagem quebrada. De1 = 125.2Mn Substituindo os valores De1 = 125.4 4 Mn = 331.5 Dp1 = 119.8 . temos Dp = De .4 mm Substituindo os valores de De1. lubrificação e alinhamento de máquinas Assim.76mm O ângulo da inclinação da hélice (β) pode ser encontrado a partir da fórmula Dp = Mn .26 mm.54 mm d = 160.5. temos: Dp1 = 125. temos cos β = 2.26 . 2. rolamentos. Z Dp Substituindo os valores na fórmula. temos: Mn = 125.

17 . usa-se b = 1. a seguir. Veja. Cálculo da altura do pé do dente (b) A altura do pé do dente (b) depende do ângulo de pressão (θ) da engrenagem. fazendo os exercícios a seguir. Mn Prof. usa-se a fórmula b = 1. Mn Para θ = 20º. Para θ = 14º30' e 15º. Casteletti 54 . o ângulo de inclinação da hélice da engrenagem tem 50º. rolamentos.Mancais. Os ângulos de pressão mais comuns usados na construção de engrenagens são: 14º30'. temos β = 50º. 15º e 20º. a localização do ângulo de pressão θ. Tente você também. Portanto.25 . elementos de transmissão. lubrificação e alinhamento de máquinas Procurando na tabela o ângulo correspondente a este valor.

empregado na transmissão de movimento de rotação entre duas árvores ou eixo-árvores. percebeu um estranho ruído na roda. Classificação Os acoplamentos podem ser fixos. elementos de transmissão. alinhando as árvores de forma precisa. porém. Ao analisar o problema. Casteletti 55 .Mancais. Conceito Acoplamento é um conjunto mecânico. Você sabe o que é junta homocinética? Vamos estudá-la nesta aula. Prof. lubrificação e alinhamento de máquinas Acoplamento Introdução Uma pessoa. Preocupada. Acoplamentos fixos Os acoplamentos fixos servem para unir árvores de tal maneira que funcionem como se fossem uma única peça. procurou um mecânico. Antes. vejamos algumas noções de acoplamento. e que precisaria substituí-la. elásticos e móveis. o mecânico concluiu que o defeito estava na junta homocinéti- ca. rolamentos. Vamos conhecer alguns tipos de acoplamentos fixos. Por motivo de segurança. ao girar o volante de seu automóvel. constituído de elementos de máquina. os acoplamentos devem ser construídos de modo que não apresentem nenhuma saliência.

como. Casteletti 56 . Acoplamento com luva de compressão ou de aperto Esse tipo de luva facilita a manutenção de máquinas e equipamentos. podendo ser montado e removido sem problemas de alinhamento.Mancais. elementos de transmissão. Prof. com a vantagem de não interferir no posicionamento das árvores. rolamentos. Acoplamento de discos ou pratos Empregado na transmissão de grandes potências em casos especiais. e é próprio para a transmissão de grande potência em baixa velocidade. por exemplo. As superfícies de contato nesse tipo de acoplamento podem ser lisas ou dentadas. lubrificação e alinhamento de máquinas Acoplamento rígido com flanges parafusadas Esse tipo de acoplamento é utilizado quando se pretende conectar árvores. nas árvores de turbinas.

e permitem o funcionamento do conjunto com desalinhamento paralelo.Mancais. Os acoplamentos elásticos são construídos em forma articulada. rolamentos. Permitem a compensação de até 6 graus de ângulo de torção e deslocamento angular axial. Esse acoplamento permite o jogo longitudinal de eixos. Prof. Casteletti 57 . elástica ou articulada e elástica. elementos de transmissão. angular e axial entre as árvores. lubrificação e alinhamento de máquinas Acoplamentos elásticos Esses elementos tornam mais suave a transmissão do movimento em árvores que tenham movimentos bruscos. Veja a seguir os principais tipos de acoplamentos elásticos. Acoplamento elástico de pinos Os elementos transmissores são pinos de aço com mangas de borracha. Acoplamento perflex Os discos de acoplamento são unidos perifericamente por uma ligação de borracha apertada por anéis de pressão.

Apesar de esse acoplamento ser flexível. Acoplamento elástico de fita de aço Consiste de dois cubos providos de flanges ranhuradas. as árvores devem estar bem alinhadas no ato de sua instalação para que não provoquem vibrações excessivas em serviço. Prof. nos quais está montada uma grade elástica que liga os cubos.Mancais. encaixam-se nas aberturas do contradisco e transmitem o movimento de rotação. constituídas por tocos de borracha. Acoplamento de dentes arqueados Os dentes possuem a forma ligeiramente curvada no sentido axial. Casteletti 58 . o que permite até 3 graus de desalinhamento angular. elementos de transmissão. lubrificação e alinhamento de máquinas Acoplamento elástico de garras As garras. Todo o espaço entre os cabos e as tampas é preenchido com graxa. rolamentos. O conjunto está alojado em duas tampas providas de junta de encosto e de retentor elástico junto ao cubo. O anel dentado (peça transmissora do movimento) possui duas carreiras de dentes que são separadas por uma saliência central.

Prof. A maioria dos automóveis é equipada com esse tipo de junta. A ilustração anterior é a de junta homocinética usada em veículos. Casteletti 59 . elementos de transmissão. e a rotação é transmitida por meio do encaixe das garras ou de dentes. Acoplamentos móveis São empregados para permitir o jogo longitudinal das árvores. isto é. lubrificação e alinhamento de máquinas Junta universal homocinética Esse tipo de junta é usado para transmitir movimento entre árvores que precisam sofrer variação angular. esses acoplamentos são usados em aventais e caixas de engrenagens de máquinas-ferramenta convencionais. Os acoplamentos móveis podem ser: de garras ou dentes. durante sua atividade. rolamentos. Essa junta é constituída de esferas de aço que se alojam em calhas. Esses acoplamentos transmitem força e movimento somente quando acionados. obedecem a um comando.Mancais. Geralmente.

• Evitar a colocação dos flanges por meio de golpes: usar prensas ou dispositivos adequados. elementos de transmissão. • Certificar-se de que todos os elementos de ligação estejam bem instalados antes de aplicar a carga. rolamentos. sempre que possível. Prof.Mancais. pois durante o serviço ocorrerão os desalinhamentos a serem compensados. lubrificação e alinhamento de máquinas acoplamento de garras ativado acoplamento de garras desativado acoplamento de dentes ativado Montagem de acoplamentos Os principais cuidados a tomar durante a montagem dos acoplamentos são: • Colocar os flanges a quente. Casteletti 60 . • O alinhamento das árvores deve ser o melhor possível mesmo que sejam usados acoplamentos elásticos. • Fazer a verificação da folga entre flanges e do alinhamento e concentricidade do flange com a árvore.

elementos de transmissão.Mancais. − consistência . algumas características de lubrificantes para acoplamentos flexíveis são importantes para uso geral: − ponto de gota .150ºC ou acima. rolamentos. Prof. No entanto. Casteletti 61 . O melhor procedimento é o recomendado pelo fabricante do acoplamento ou pelo manual da máquina. − não deve corroer aço ou deteriorar o neopreme (material das guarnições). lubrificação e alinhamento de máquinas Lubrificação de acoplamentos Os acoplamentos que requerem lubrificação.NLGI nº2 com valor de penetração entre 250 e 300. − deve possuir qualidades lubrificantes equivalentes às dos óleos minerais bem refinados de alta qualidade. − baixo valor de separação do óleo e alta resistência à separação por centrifugação. geralmente não necessitam cuidados especiais.

vedadores de botijões de gás. Casteletti 62 . .Como o senhor tem certeza de que agora a panela não vai apresentar mais problemas? . Tipos de junção Nas ilustrações a seguir. lubrificação e alinhamento de máquinas Elementos de vedação Introdução Uma senhora foi devolver ao vendedor uma panela de pressão que tinha comprado há poucas semanas. surpreso. e deslizantes. examinou a panela. como acoplamentos. Na mecânica em geral. reservatório de estocagem. garrafas térmicas etc. quando o movimento é de rotação. a panela ficou bem vedada e o cozimento dos alimentos.Fique tranqüila.disse-lhe o vendedor . rolamentos. mais rápido. queria o dinheiro de volta. É fácil imaginar que a vedação é um fator importante tanto na indústria quanto nos produtos comerciais. a compradora verificou que o vendedor tinha razão. Trocou a borracha por uma nova e explicou à compradora o que havia ocorrido. geralmente. interpelou o vendedor: . Esses elementos. As junções cujas peças apresentam movimento relativo se subdividem em girantes.) e evitam que esse ambiente seja poluído por agentes externos. Reclamando que a panela não prestava. O vendedor.o problema era apenas na vedação porque a borracha estava com defeito. Com a borracha nova. fixas e móveis. talvez por engano do fabricante. Com o tempo. em diferentes aplicações. junções móveis em movimento de rotação e de translação. localizam-se entre duas peças fixas ou em duas peças em movimento relativo. A mulher. elementos de transmissão. você vai observar vários tipos de junções. a borracha de vedação estava com defeito. Prof. desconfiada. depósito etc.Mancais. Percebeu que. salienta-se a importância dos elementos de vedação que serão estudados nesta aula. Conceito Elementos de vedação são peças que impedem a saída de fluido de um ambiente fechado (tubulação. tais como tampa de garrafas. quando o movimento é de translação.

Mancais. tampas de coroa das garrafas de bebidas gaseificadas e tampas de fecho das garrafas térmicas. Prof. lubrificação e alinhamento de máquinas No dia-a-dia podemos observar muitos exemplos de vedação: garrafas fechadas com rolha de cortiça. Casteletti 63 . elementos de transmissão. rolamentos.

Vedação em faca. a vedação torna-se mais difícil. Tipos de vedação direta para junções fixas Vedação em ogiva. ou seja. rolamentos. • pressão . para baixas pressões . lubrificação e alinhamento de máquinas Nem sempre a vedação é tão simples como nos exemplos vistos. Existem situações em que a vedação exige procedimentos específicos e certos cuidados.no caso de se trabalhar em ambiente com temperatura muito elevada. tanto maior será a possibilidade de escapamento. Prof. os elementos de vedação de máquinas devem ser adequados a esses aspectos para que se evitem riscos de escapamento e até de acidentes. • estado físico .a vedação se efetua em uma superfície tronco-cônica com esfera. Casteletti 64 .os fluidos líquidos são mais fáceis de serem vedados do que os fluidos em estado gasoso. elementos de transmissão.Mancais. Classificação Os elementos de vedação classificam-se em dois grupos: de junções fixas e de junções móveis. Vedação para junções fixas As vedações nas junções fixas podem ser feitas de maneira direta ou por elementos intermediários. para médias pressões – efetuada mediante a aproximação de uma coroa circular a um plano. a vedação torna-se mais difícil. • acabamento das peças . a vedação requer atenção aos seguintes aspectos: • temperatura . Muitas vezes.quanto mais elevada for a pressão do fluido. Portanto.uma boa vedação requer bom acabamento das superfícies a serem vedadas.

as guarnições impedem passagem ou vazamento de fluidos.Mancais. geralmente planas. lubrificação e alinhamento de máquinas Vedação cônica. Guarnições são peças flexíveis colocadas entre duas superfícies rígidas. representações. A vedação com elementos intermediários (guarnições) tem a vantagem de ser feita com mais facilidade do que a vedação direta. Vedação de junções fixas com elementos intermediários Nesse tipo de vedação são usadas guarnições. Basta uma simples pressão para moldar a guarnição entre as superfícies a serem vedadas. cortiça ou amianto. revestidos etc. O quadro a seguir apresenta uma descrição de guarnições para junções fixas: suas formas. rolamentos. toroidais. As guarnições podem ser feitas de borracha. Prof. Desta forma. Casteletti 65 . perfilados. materiais de fabricação e campos de empre- go. e podem ter formatos variados: chatos. elementos de transmissão. para altas pressões – é o melhor tipo de vedação e se efetua entre duas superfícies cônicas que têm geratrizes coincidentes. cobre.

elementos de transmissão. térmicas e revestidas criotécnicas. 66 . rolamentos. ferrosas Borracha sintética Boa resistência aos óleos minerais. máquinas pulverizadoras de inseticidas. nos casos de canalização de gás. Perfiladas Toroidais ocas Ligas Fe-C inox INCONEL Alicações químicas.Mancais. para irrigação com líquidos orgânicos (guarnições para juntas VICTAULIC frequentemente em tubulações enterradas). borracha-tela embaixo de cabeças de tampas a Ligas Fe-C inox. Casteletti Construções mecânicas. aplicações nucleares e aeroespaciais. papelão Vedação de água. Vedação de águas brancas e ou negras. ligas não parafuso para carga/descarga de óleo. bom comportamento em temperaturas externas. especialmente em emprego na agricultura. em de chapa metálica ou de particular para vedações de soluções aciduladas. sucos de frutas. lubrificação e alinhamento de máquinas Perfilalldas Chatas Ilustração Materiais Campo de emprego Borracha. teflon Revestidas Vedações de fluidos e gases nas aplicações aeronáuticas e navais. ou vedação prensado. máquinas de produção de óleos comestíveis. cremes. Toroidais Ligas Fe-C inox Para vedação em altas pressões. xaropes. Válvulas para indústrias químicas. vapor saturado ou superaquecido. Onde se requerem frequentes Matéria plástica revestida desmontagens e montagens. Metal e elastômero Elastômero e teflon lubriflon  Borracha sintética natural Borracha telada Prof. ar e gases secos.

É utilizada para fluidos gasosos. elementos de transmissão. triangular ou quadrada para anéis OR. As guarnições para junções fixas de forma toroidal são chamadas anéis toroidais. Podem ser colocadas em cavidades de secção retangular. Também são conhecidas como anéis O Ring (OR). Nas figuras abaixo são apresentadas as cotas das redes retangular. Casteletti 67 . formada por dois anéis. triangular ou quadrada. rolamentos. O externo é de metal e o interno é de material elástico. As dimensões dessas cavidades dependem do diâmetro da secção da guarnição. lubrificação e alinhamento de máquinas Veja alguns exemplos de aplicações de guarnições para junções fixas. Prof. Têm secção circular. Essas guarnições têm empregos especiais. A ampliação mostra como a pressão deforma o anel elástico. denominada arruela Dowty.Mancais. Abaixo está a ilustração de guarnição para junção fixa. aumentando a vedação.

confira suas respostas com as apresentadas no gabarito. Depois. rolamentos. Casteletti 68 . Os anéis OR são empregados em junções fixas e móveis. você vai ver um exemplo de como eles agem em junções fixas. elementos de transmissão. anel OR em posição de equilíbrio anel OR em posição de pressão da direita aplicação do anel OR para vedar a tampa de um recipiente pressão Teste sua aprendizagem. Faça os exercícios a seguir. Ainda com referência aos anéis toroidais (O Ring).Mancais. lubrificação e alinhamento de máquinas Os valores em função do diâmetro da guarnição são encontrados em tabelas fornecidas pelos fabricantes. Prof.

rolamentos. lubrificação e alinhamento de máquinas Lubrificação Introdução Lubrificantes são substâncias que.Mancais. períodos de lubrificação. corrosão. conseqüentemente. esse assunto lubrificação consta de cinco aulas. por isso. porém. Prof. a espessura ideal da película lubrificante deve ser H = h1 + h2 + h Todos os fluidos são. diminuem a resistência ao movimento. O óleo era muito viscoso e. O atrito causa vários problemas: aumento da temperatura. desgaste das superfícies. gerava maior atrito que provocava super-aquecimento da máquina. formação de sujeiras. procedimentos anteriores e posteriores à lubrificação. Por esses motivos. Esse problema evidencia a necessidade de bom conhecimento de lubrificação em seus vários aspectos: tipo e quantidade de óleo. um dos funcionários descobriu que o colega encarregado da lubrificação estava usando óleo inadequado. elementos de transmissão. Conceitos básicos No deslocamento de duas peças entre si ocorre atrito. pois elas sempre apresentam pequenas saliências ou reentrâncias. mesmo que as superfícies dessas peças estejam bem polidas. protege a máquina da ferrugem e aumenta a vida útil das peças. enquadram-se melhor nessa classificação as substâncias que possuem as seguintes características: • capacidade de manter separadas as superfícies durante o movimento. Uma das máquinas da oficina estava aquecendo demais. liberação de partículas e. de certa forma. Para evitar esses problemas usam-se o lubrificantes que reduzem o atrito e formam uma superfície que conduz calor. neste caso. Depois de a examinarem. lubrificantes. colocadas entre superfícies. Casteletti 69 .

Prof.Mancais. utilizam-se principalmente óleos e graxas minerais.). lubrifica-se. misturas de óleos minerais com orgânicos. Em bombas e laminadores. também. Os óleos minerais podem ser classificados como segue. Atrito misto A espessura do lubrificante é mais consistente que no caso anterior. pastosos (graxas) ou sólidos (grafita. não impedindo um contato intermitente entre as superfícies metálicas. óleos sintéticos e lubrificantes grafíticos. a lubrificação hidrodinâmica em que a resistência ao movimento depende da viscosidade do lubrificante. Obtém-se. a espessura de lubrificante é superior à altura da aspereza superficial: uma película de lubrificante separa completamente as superfícies metálicas. • capacidade de manter limpas as superfícies lubrificadas. com água. então. óleos obtidos do óleo cru com destilação. Na lubrificação de máquinas. Atrito limite A espessura do lubrificante é muito fina e menor que a altura da parte áspera das peças. do carvão. misto e fluido. como os óleos e graxas de origem orgânica. permanece inferior à aspereza superficial. Segundo a fabricação: • produtos de destilação. em menor escala. Tipos de lubrificantes Os lubrificantes podem ser líquidos (óleos). Atrito fluido Nesse caso. Em casos especiais. Casteletti 70 . de pedra lignita e do xisto betuminoso. rolamentos. Características principais dos lubrificantes Óleos minerais São baratos e oxidam pouco. O atrito pode ser classificado em três grupos: limite. parafina etc. lubrificação e alinhamento de máquinas • estabilidade nas mudanças de temperatura e não atacar as superfícies metálicas. Podem ser de origem orgânica (animal ou vegetal) e de origem mineral (produtos extraídos do petróleo). são usados outros lubrificantes. elementos de transmissão. São obtidos principalmente do petróleo e.

ou que receberam outro tratamento posterior. graxas minerais puras. As graxas minerais podem ser classificadas como segue Segundo a aplicação: • graxas para máquinas. • fluidez grossa-óleo para câmbios. Possuem elevada capacidade de lubrificação. Segundo a aplicação: • óleos de caixas de engrenagens. lubrificação e alinhamento de máquinas • produtos refinados. são usadas nos casos em que se necessita de uma elevada capacidade de lubrificação (óleo para Prof. que são os destilados submetidos à purificação química e física. são usados somente em casos especiais. Por isso. elementos de transmissão. • média fluidez-óleo para máquinas. no entanto. Óleos orgânicos São óleos como de oliva. comportamento a frio. como: • propriedade lubrificante. aos metais. No entanto. à água. Segundo as propriedades como: • comportamento térmico. são caros e envelhecem rapidamente (tornam-se resinosos e espessos). resistência ao envelhecimento. Misturas de óleos minerais e orgânicos Essas misturas são utilizadas com vantagem nos cilindros a vapor e nos eixos dos cilindros laminadores devido à sua capacidade emulsora na água. ao oxigênio. óleos para turbinas e corte. as graxas são compostas à base de sódio ou de potássio. rolamentos e mancais em trabalho a quente. resistência a pressões. Segundo a viscosidade (mais utilizada): • baixa fluidez . veículos. Graxas minerais Quando comparadas aos óleos minerais. como a vaselina. Segundo outras propriedades. conhecem-se também.óleo para fusos. à água e à cor. consistência (baixa ou alta). de sebo. Casteletti 71 . formados pelos resíduos da destilação. Normalmente. a quente e em pressões elevadas. resistência ao calor.Mancais. Além disso. distinguem-se pela maior consistência plástica. • óleos residuais. rolamentos. de rícino.

como em redutores de parafusos sem-fim e em engrenagens cônicas rebaixadas. As tabelas. São chamados sintéticos porque resultam de síntese química. silicones e compostos de ésteres de poliglicol. a seguir. à poeira (máquinas escavadeiras) e ao aquecimento (laminadoras). Dessa forma. encurta-se o tempo de amaciamento. Lubrificantes sintéticos Esses lubrificantes suportam as mais diversas condições de serviço. Existe. Prof. Escolha do lubrificante A graxa é o lubrificante mais adequado para lubrificação de elementos de máquina expostos aos agentes atmosféricos. motores de combustão interna etc. permitem escolha criteriosa de graxas e óleos lubrificantes. Classificam-se em cinco grupos: ésteres de ácidos dibásicos. A graxa é também usada para vedação de bombas. elementos de transmissão. no caso de movimentos lentos ou de temperaturas elevadas de até 300ºC. Casteletti 72 . A grafita é também usada como aditivo de óleo ou graxa. Já o óleo é o lubrificante mais indicado para lubrificar máquinas com mecanismos rápidos ou delicados. ainda. de organofosfatos e de silicones. tornando-as mais absorventes. máquinas a vapor. compressores ou máquinas que funcionam em baixa rotação. lubrificação e alinhamento de máquinas alta pressão). a lubrificação a seco com grafita. rolamentos. Lubrificantes grafíticos Nesses lubrificantes utiliza-se grafita nas superfícies de deslizamento.Mancais. lisas e resistentes ao engripamento.

elementos de transmissão. rolamentos.1 Prof.Mancais. o teor de água é mais elevado Graxa para veículos 60 6 Para eixos de carroças e de carrinhos de transporte Graxa para carrinhos de transporte 45 6 Graxa para cabos de aço 50 6 Graxa para cabos de cânhamo 60 6 Graxa para engrenagens 45 6 Graxa para laminadores a frio 50 6 Graxa para laminadores de carvão prensado 80 6 Graxa para laminadores a quente >18º acima do ponto de amolecimento 0. ponto de gotejamento 35ºC Graxa para rolamentos a) em baixa rotação b) em alta rotação 120 60 1 2 Graxa para mancais a quente 120 1 Adição de corantes não eleva o poder lubrificante Graxa para redutores 75 4 Adição de corantes não eleva o poder lubrificante Graxa para máquinas (graxa "Stauffer") 75 4 Para graxas de emulsão. lubrificação e alinhamento de máquinas Tabela 1 . Casteletti Ponto de amolecimento não abaixo de 60º 73 .Graxas lubrificantes Uso Ponto de Teor de gotejamento água Observações acima de ºC abaixo de % Rolamentos muito leves e pequenos podem ser lubrificados com vaselina.

10. máquinas de costura etc.8.....4 3.. rolamentos.12 50 50 50 50 para válvulas ºE = 4... óleos mais viscosos (semelhantes aos óleos para cilindros) Máquinas de refrigeração a) NH3 e CO2 como agentes frigoríficos b) SO2 c) Hidrocarbonetos e seus derivados. elementos de transmissão.12 6. instrumentos de medição. p.8 50 inverno 160 >3 50 175 175 >4 >6 50 50 240 270 2.5...10 4. de rolos.12 50 para comportas hidráulicas.5. Mancais a) eixos com velocidades elevadas 140 1. transmissões para lubrificação por anel. para os cubos das pás móveis. C4H8 160 160 160 >4.5 >10 >10 20 20 20 Grupo A   líquidos a 25º C Grupo B  em movimento Grupo C   Eixos a) para estradas de ferro federais da Alemanha b) para outras finalidades Compressores a) compressores a êmbolo b) compressores de alta pressão c) compressores de paletas Redutores a) transmissões por engrenagens e redutores com parafusos sem-fim..4 50 b) eixos sob cargas normais 160 4. lubrificação e alinhamento de máquinas Tabela 2 .5... nãoemulsionáveis Turbinas hidráulicas 160 2.7 3. em automóveis b) para outras transmissões por engrenagens e em redutores com parafuso sem-fim Motores estacionários e de veículos Motores para automóveis Motores com carburador e motores diesel Motores diesel estacionários: n > 600 rpm Motores a gás a) máquinas pequenas b) máquinas grandes • de quatro tempos • de dois tempos Máquinas a vapor a) vapor saturado b) vapor superaquecido Prof.Óleos lubrificantes Uso Ponto de fulgor ºC Viscosidade até ºE ºC Observações Para a mecânica fina 125 1.....8 20 para máquinas de escritório.Mancais. rolamentos de esfera..10 >6 6. bonde e carrinhos de transporte 175 200 200 175 4. para registros de gaveta ºE = 6..12...7. ex. por gotejamento.8 >4 >4 50 50 50 50 óleo de verão para vagões de trem normais e pequenos. não utilizável para gases oxidantes 175 >12 50 175 >4 50 não para redutores de turbinas a vapor 200 >8 50 verão 185 4.5 50 motores elétricos...5 50 c) eixos sob cargas leves 170 >7. de óleo de inverno...4...7 50 óleos resistentes ao envelhecimento. óleos menos viscosos.3.5.. Casteletti para cilindros somente refinados 100 para cilindros 100 74 .9 Turbinas a vapor 165 180 2.. e forçada para máquinas com velocidades baixas 160 140 140 140 8.

30. 90. • para óleos de transmissão . utilizando como critério a viscosidade. 1.SAE . 140. existem duas faixas de viscosidade: • para óleos de motor . com a diferença que a ISO classifica óleos lubrificantes industriais. A SAE classifica os óleos lubrificantes para motores de combustão e caixas de engrenagens (caixa de marcha e diferencial). O grau 000 corresponde às graxas de menor consistência (semi-fluidas) e o grau 6. desenvolvidas pela SAE (Sociedade dos Engenheiros de Automóveis) e pelo NLGI (Instituto Nacional de Graxa Lubrificante Estados Unidos). Prof. 250. A NLGI classifica as graxas segundo sua consistência. nos seguintes graus: • NLGI: 000. 50. Faça os exercícios a seguir.Mancais. os óleos lubrificantes para automóveis. confira suas respostas com as apresentadas no gabarito. elementos de transmissão. 10W.SAE .5W. 00. Teste sua aprendizagem.80. lubrificação e alinhamento de máquinas Classificação dos lubrificantes Há duas normas de classificação dos lubrificantes. Depois. rolamentos. enquanto a SAE. Casteletti 75 . 40. às de maior consistência (mais pastosas). 5 e 6. 3. 4. 0. 2. Segundo essa classificação. sem levar em conta as outras propriedades assim como a ISO. 20W.

uma fresadora universal e uma mandriladora. A importância do alinhamento geométrico reside no fato de que deve haver harmonia entre os diversos conjuntos mecânicos existentes nas máquinas. Importância do alinhamento geométrico As máquinas e os equipamentos em geral precisam estar alinhados geometricamente e nivelados para poderem operar de forma adequada e com o máximo de eficiência. Caso contrário. As ilustrações a seguir mostram algumas máquinas alinhadas geometricamente. Prof. elementos de transmissão.A. Como se faz o nivelamento de uma máquina? O que é alinhamento geométrico? Nesta aula você terá respostas para as duas perguntas. lubrificação e alinhamento de máquinas Alinhamento geométrico e nivelamento de máquinas e equipamentos A indústria mecânica Kybrobó S. para que o todo funcione de modo eficaz.Mancais. adquiriu três máquinas-ferramenta para ampliar seu setor de produção: um torno CNC. Observe a harmonia entre os eixos de trabalho que os conjuntos mecânicos executam. e que executam movimentos relativos entre si. rolamentos. ocorrerá comprometimento dos elementos em termos de exatidão e durabilidade. Casteletti 76 . Elas foram colocadas em locais apropriados e o pessoal da manutenção foi convocado para fazer o nivelamento e verificar o alinhamento geométrico de cada uma das máquinas recém-chegadas. O alinhamento geométrico pode ser compreendido como sendo a relação existente entre os planos geométricos de todos os elementos constituintes de uma máquina.

O centro de gravidade dessas máquinas é mais estável. O centro de gravidade é o local onde está o ponto de equilíbrio do peso de todo o conjunto. o alinhamento geométrico fica prejudicado. Casteletti 77 . Prof. Resumindo. resistências indesejáveis etc. mostramos uma máquina cujo centro de gravidade está deslocado por causa da não simetria na distribuição de massa da mesa na direção x. os elementos relacionados entre si devem ser nivelados e alinhados geometricamente nos planos horizontais e verticais. o que lhes garante maior rigidez. garantindo o alinhamento geométrico desejado. Nessas condições. É um projeto de engenharia bem executado que garante o perfeito alinhamento da máquina. quebras. e esses planos devem ser nivelados e alinhados entre si. surgirão desgastes de conjuntos e estruturas. e o dimensionamento do seu curso de trabalho. Hoje em dia. lubrificação e alinhamento de máquinas Peso dos componentes das máquinas e equipamentos Quando uma máquina ou equipamento é projetado. Na ilustração abaixo. conseqüentemente. as máquinas modernas apresentam configurações arrojadas e se deslocam sobre bases mais estáveis e robustas. Observe na figura abaixo que na direção x a mesa se mantém perfeitamente alinhada. dois fatores importantes são levados em consideração: o centro de gravidade da máquina. mais peso desse lado. rolamentos. elementos de transmissão. ou centro de massa. A mesa do lado direito da figura possui mais massa e. peças mal executadas. pois a condição de apoio do sistema não satisfaz as necessidades. Se uma máquina ou equipamento tiver algum problema com seu centro de gravidade e erros no dimensionamento de seu curso.Mancais. apesar do lado direito ser maior que o esquerdo.

• autocolimador óptico-visual. Esse avanço tecnológico permite um melhor dimensionamento do peso dessas máquinas e uma localização mais racional para nervuras e reforços estruturais. elementos de transmissão. O somatório desses fatores. sempre foram um problema de difícil solução para os projetistas. • nível de bolha. • régua padrão calibrada. As bases das máquinas foram e ainda são construídas. como o barramento. A dificuldade reside no comportamento que essas partes estruturais exibem quando estão em trabalho. • efeitos de agentes externos como a temperatura que causa dilatações. por exemplo. embora em menor número. • vibrações de componentes como árvores e rolamentos. fugindo de todas as condições consideradas nos cálculos. Aspectos técnicos do alinhamento geométrico As partes estruturais das máquinas. rolamentos. • autocolimador a laser. Exemplos • relógio comparador. • esforços atuantes de outros componentes em trabalho. • autocolimador fotoelétrico. Muitas máquinas modernas apresentam suas bases na forma de conjuntos soldados de aço em vez de ferro fundido. • bases calibradas para suporte de instrumentos. Esses instrumentos variam em complexidade e exatidão.Mancais. • acessórios de verificação. Os fatores que contribuem para esse comportamento aleatório são os seguintes: • surgimento de esforços durante a usinagem de peças. atuando nas máquinas. • vibrações do corte. em blocos compactos de ferro fundido. • nível eletrônico. • teodolito. Casteletti 78 . • relógio com apalpador de precisão. Prof. lubrificação e alinhamento de máquinas Instrumentos utilizados no alinhamento geométrico Há vários instrumentos que são utilizados no alinhamento geométrico de máquinas e equipamentos. principalmente a temperatura. pode provocar torções no conjunto e causar deslocamentos de difícil controle. • nível de bolha quadrangular.

usinadas no próprio corpo da base de muitas máquinas. • eixos movimentando-se apoiados em mancais.Mancais. moldagem e cura das resinas. com a evolução das máquinas que desenvolvem elevadas velocidades de corte. A inconveniência do calor em máquinas Como já foi discutido em aulas anteriores. Outra inovação no campo da fabricação de máquinas é a utilização de resinas como elemento de revestimento de superfícies. As superfícies que recebem resinas passam por uma preparação prévia para que a aderência seja perfeita. As guias lineares rolamentadas permitem uma regulagem da pré-carga dos elementos rolantes. Uma máquina com guias de deslizamento feitas no próprio corpo da base pode trazer problemas. em geral diamantadas. rolamentos. elementos de transmissão. as guias precisarão sofrer uma nova usinagem para corrigir as imperfeições. O ajuste dimensional e o alinhamento prévio dos conjuntos envolvidos são realizados com dispositivos e instrumentos adequados antes do preenchimento. os demais componentes da máquina deverão ser ajustados de acordo com as novas dimensões das guias e toda a máquina deverá ser alinhada segundo as novas condições. é cada vez mais freqüente a presença de guias lineares rolamentadas padronizadas e de fácil montagem. Tais guias são retificadas para que o alinhamento atenda às especificações normalizadas. lubrificação e alinhamento de máquinas As guias de deslizamento eram e ainda são. possuem uma elevada dureza e reduzem grandemente o atrito entre as superfícies em contato. Uma possível adição extra de calor na máquina poderá ter sua origem no meio ambiente em que ela está instalada. as máquinas em operação geram uma certa quantidade de calor. Prof. • engrenagens em movimento. alinhamento. Por exemplo. Esse calor é proveniente das forças de atrito que surgem entre elementos mecânicos que estão em contato e realizam movimentos relativos entre si. Na atualidade. a base da máquina deverá ser retirada. • polias e correias. Casteletti 79 . quando necessário. reposição e manutenção. As correções posteriores. são efetuadas por meio de rasqueteamento. Se ocorrerem desvios. o calor pode ser gerado pelo atrito entre: • ferramentas de corte e peças em usinagem. em muitos casos. Essas resinas. • pinhão e cremalheira.

outros cuidados precisam ser observados em seu transporte. Aprovada. rolamentos. influirá na geometria dos conjuntos mecânicos. inevitavelmente. todos os cuidados com ajustes e montagens são tomados. É uma necessidade quando se pensa em qualidade e eficiência. lubrificação e alinhamento de máquinas Todo esse aumento de temperatura se transmite a todos os elementos da máquina. uma vez que a máquina sofrerá movimentação. movimentação e transporte de máquinas e equipamentos Quando uma máquina é fabricada conforme projeto específico. A figura a seguir mostra a amarração de um torno que está sendo elevado. Os elementos de amarração devem estar bem dimensionados para o peso da máquina. No caso de caminhões. a Prof. Uma amarração bem executada. Elevação. considerando o centro de gravidade da máquina. O encaminhamento da máquina para o depósito ou para o cliente envolve medidas de proteção contra a ação de agentes ambientais normais (chuva e poeira) e contra quedas. tanto na horizontal quanto na vertical. e seus componentes móveis bem travados para não sofrerem movimentos e choques com outros conjuntos durante seu transporte. devem-se observar os locais próprios de amarração. Para se elevar uma máquina. evitará a ocorrência de acidentes. Além do controle da temperatura. Além da elevação da máquina por meio de amarras. navios e aviões. controla-se a umidade do ar. elementos de transmissão. a máquina deverá sair do setor de fabricação e ser encaminhada para um depósito ou diretamente para o cliente que a comprou. Máquinas e equipamentos com exatidão dimensional são fabricados e operam normalmente em condições ambientais controladas. e isso. vagões de trens. Casteletti 80 .Mancais.

elementos de transmissão. Como nivelar? O nivelamento de uma máquina ou equipamento segue procedimentos e parâmetros normalizados e deve ser feito inicialmente no sentido longitudinal e. Casteletti 81 . posteriormente.Mancais. uma máquina ou equipamento bem nivelados trabalham sem esforços adicionais. lubrificação e alinhamento de máquinas máquina deverá estar bem embalada. todo cuidado deve ser tomado para que a máquina não caia. garante-se a preservação do alinhamento geométrico original da máquina. no sentido transversal. Os instrumentos mais comuns para se efetuar o nivelamento de máquinas e equipamentos são os seguintes: nível de bolha de base plana. o transporte de uma máquina exige técnica e habilidade das pessoas envolvidas nessa importante operação. rolamentos. Resumindo. Nivelamento de máquinas e equipamentos O bom nivelamento das máquinas e equipamentos é outro importante fator a ser considerado em termos de alinhamento geométrico e de trabalho eficiente. De fato. Prof. As figuras a seguir mostram como são esses instrumentos. assentada e amarrada para não se deslocar. Na hora do descarregamento. e qualidade de produto. e operam segundo o previsto. nível de bolha quadrangular e nível eletrônico. Se todos os cuidados forem tomados.

Após o nivelamento da máquina. • instabilidade da fundação onde a máquina encontra-se assentada. Eliminando-se esses fatores interferentes. o nivelamento adequado poderá ser obtido. volta-se a nivelar. elementos de transmissão. lubrificação e alinhamento de máquinas Havendo necessidade de efetuar acertos. o que é muito comum. deve-se efetuar o aperto dos parafusos de fixação. Estando o equipamento nivelado. Após esse período. rolamentos. Prof. trabalha-se acionando os niveladores da base.Mancais. Casteletti 82 . sem desapertar totalmente os parafusos. • tensões internas do próprio material utilizado na fabricação da máquina. uma análise dos fatores interferentes deverá ser realizada. Constatadas alterações. • presença de forças desbalanceadas provocadas pelo assentamento irregular dos elementos de fixação. porém. volta-se a conferir o nivelamento para checar se ocorreu alteração do nivelamento anterior. Esses fatores interferentes poderão ser: • uma torção da própria estrutura da máquina causada por transporte inadequado. se necessário. o nivelamento deverá ser conferido novamente para novos ajustes. Ao se atingir novamente as condições desejadas. é conveniente colocá-la para funcionar em vazio durante um certo período. Esse procedimento deverá ser repetido até que se atinja o nivelamento correto com o aperto final dos parafusos de fixação. Após essa operação. Pode ocorrer que uma determinada máquina não permita que se obtenha um nivelamento de acordo com as especificações. Nesse caso. confere-se o aperto final.

Mancais. lubrificação e alinhamento de máquinas Referência Bibliográfica Apostila de Elementos de Máquinas – TELECURSO Profissionalizante 2000 – Editora Globo – São Paulo. Prof. rolamentos. Casteletti 83 . elementos de transmissão.