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Equipes de Nossa Senhora

Equipes Notre-Dame • Teams of Our Lady • Equipos de Nuestra Señora
Equipas de Nossa Senhora • Ehegruppen E. N. D.

A Espiritualidade

Conjugal
e os compromissos nas
Equipes de Nossa Senhora

Equipe Responsável Internacional
Setembro 2006

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A Equipe Responsável Internacional não autoriza nenhum
grupo de casais, que não seja admitido no Movimento,
a intitular-se "EQUIPES DE NOSSA SENHORA".

Este documento é de uso interno do
Movimento das Equipes de Nossa Senhora

Responsabilidade:
Equipe da Super-Região Brasil
R. Luis Coelho, 308 • 5º andar • cj 53
cep 01309-902 • São Paulo - SP
Fone: (0xx11) 3256.1212 • Fax: (0xx11) 3257.3599
www.ens.org.br • secretariado@ens.org.br
Tradução
Monique e Gérard Duchêne
Revisão de Texto
Armélia e Hermínio Dalbosco
Imagem de Capa
Esta imagem ilustra a capa do livro do Pe. Henri Caffarel:
“Recebe em tua casa Maria tua esposa” sobre o casamento de José e Maria
(Editora Feu Nouveau, 1983)

Edição e Produção:
Nova Bandeira Produções Editoriais Ltda.
R. Turiassu, 390 - 11º andar, cj. 115
São Paulo - SP • Fone: (11) 3677.3388
www.novabandeira.com.br
novabandeira@novabandeira.com.br
Projeto Gráfico e Diagramação:
Alessandra Carignani

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APRESENTAÇÃO
Com o vigor renovado em Lourdes, nos dirigimos aos casais
e conselheiros espirituais da Super-Região Brasil para apresentar-lhes o tema de 2007: “A espiritualidade conjugal e os compromissos nas Equipes de Nossa Senhora”.
Este tema abre-nos uma perspectiva nova, pois é o primeiro
do ciclo 2006 / 2012. Estará centrado na prioridade de reflexão
lançada em Lourdes: “ENS, comunidades de casais, reflexos do
amor de Cristo”, que nos acompanhará nos próximos seis anos.
O tema tem um papel relevante na metodologia das Equipes
e, por conseqüência, nas nossas vidas. Ele ajuda-nos a reforçar
e aprofundar o conhecimento da fé (Cf Guia das ENS, p. 30),
interpela-nos, faz confrontar os conteúdos de reflexão com a
vida conjugal e nos impulsiona a mudanças de atitudes alicerçadas na Palavra de Deus e na oração. Assim, a cada mês, o
tema revigora o dinamismo espiritual que nos leva a acolher,
com generosidade, o convite apostólico para sermos santos
em todas as circunstâncias da vida.
Retomaremos a reflexão sobre o carisma do Movimento,
buscando ampliar a compreensão da espiritualidade conjugal
na sua relação com o Matrimônio e com os meios colocados à
disposição pelas ENS (orientações de vida, pontos concretos
de esforço, reunião de equipe...). Essa busca nos conduzirá pelos caminhos da interioridade e enfatizará a importância da
dimensão comunitária da vida espiritual, fonte de abertura aos
outros e fonte de vida para a Igreja e para o mundo.
Assim, o tema “A espiritualidade conjugal e os compromissos
nas ENS” nos permitirá identificar com mais clareza os impulsos
iniciais do Movimento e redescobrir a força original da mensagem evangélica do Pe. Caffarel. Em particular, diante da nova
prioridade de reflexão, que destaca as ENS como comunidade
de Igreja, comunidade a serviço e comunidade acolhedora
dos casais de hoje, poderemos responder a um anseio que o Pe.
Caffarel expressou quando deixou a direção espiritual do Movi-

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mento: “é necessário descobrirmos a vontade de Deus a respeito
do Movimento e de sua missão, na fidelidade à graça das origens e
na inteligência das necessidades dos tempos”.
Que Maria, Mãe de Deus e padroeira das ENS, interceda por
nós e nos guie para a intimidade de Cristo.
Equipe da Super-Região

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................................ uma comunidade......... ........ 07 Contexto deste Tema de Estudos ...........SUMÁRIO Introdução ..................................... 19 Terceiro capítulo A espiritualidade conjugal e o Sacramento do Matrimônio Um sistema de valores.. 45 Sexto capítulo A espiritualidade conjugal e as orientações de vida Progredir no amor de Deus ................................................. objetivo das Equipes de Nossa Senhora ........ 27 Quarto capítulo A espiritualidade conjugal e os pontos concretos de esforço ........ 13:39 ......................p65 5 13/12/06................................. 79 EC_1-80........................................................ 08 Primeiro capítulo O chamado para viver a espiritualidade conjugal................. 53 Sétimo capítulo A espiritualidade conjugal e as orientações de vida Progredir no amor para o futuro .......... 61 Oitavo capítulo A espiritualidade conjugal e a santidade............................................................................. 11 Segundo capítulo A espiritualidade conjugal e o Sacramento do Matrimônio O Sacramento ........................................................................................................................................ 70 Bibliografia ................................................ 33 Quinto capítulo A espiritualidade conjugal e a reunião de equipe ...... um itinerário espiritual .......................................................

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em segundo lugar. estudando primeiro o sacramento e depois a maneira pela qual ele é vivido na realidade do mundo. mas será que compreendemos plenamente a amplitude dessa noção e a sua atualidade no mundo de hoje? Para aprofundar a nossa compreensão. Ao aprofundarmos a nossa compreensão da espiritualidade conjugal. enquanto os capítulos 6 e 7 desenvolvem a orientação de nossa vida no amor de Deus e a progressão futura do nosso amor. propomos este tema de estudos para apoiar a vivência con- 7 EC_1-80. são consideradas como um dom de Deus a todos os casais que delas fazem parte. 13:39 .p65 7 13/12/06. propomo-lhes o seguinte tema de estudos: “A Espiritualidade conjugal e os Compromissos nas Equipes de Nossa Senhora” A expressão “espiritualidade conjugal” foi utilizada desde os primórdios do nosso Movimento. Os capítulos 2 e 3 são dedicados ao Sacramento do Matrimônio.” Guia das Equipes de Nossa Senhora A fim de prosseguirmos juntos a nossa caminhada nas Equipes. situar os seus fundamentos. O último capítulo nos apresenta Jesus como modelo e inicia novas reflexões sobre o nosso progresso pessoal e em casal rumo à santidade. A pertinência dos métodos das Equipes de Nossa Senhora é examinada nos capítulos 4 e 5.INTRODUÇÃO “As Equipes de Nossa Senhora. estruturamos este tema de forma a estudar em primeiro lugar a vocação da espiritualidade conjugal e os objetivos das Equipes de Nossa Senhora e. movimento de ‘espiritualidade conjugal’. procurando compreender de maneira mais completa o carisma do nosso Movimento.

a expressão era nova e só recentemente entrou na terminologia habitual da Igreja. a um diálogo em profundidade e incluem perguntas que nos levam a progredir na reflexão sobre o assunto. ou para o casal.creta das novas Orientações do Movimento em nosso dia-a-dia. é importante dedicar tempo suficiente à reflexão e à discussão de cada capítulo de maneira aprofundada e interiorizada. contudo. A troca de idéias sobre essas perguntas dar-nos-ão pistas para a nossa regra de vida. eles se abrem. “Espiritualidade conjugal” é a expressão empregada pelo Padre Caffarel e pelos primeiros membros das Equipes para definir o objetivo do Movimento. Inclui as palestras apre- 8 EC_1-80. será distribuído aos Casais Responsáveis Provinciais. foi editado um CD em apoio a este tema e às Orientações do Movimento. Este CD. Contexto deste Tema de Estudos Este tema de estudos foi concebido para desenvolver as Orientações das Equipes de Nossa Senhora para o período 20062012 e apresentado aos membros do Movimento em setembro 2006. Está associado a este tema um ponto concreto de esforço para ajudar-nos a progredir mais em nosso engajamento pessoal e conjugal: Trata-se neste ano de acentuarmos particularmente a ORAÇÃO CONJUGAL. Há perguntas para a reunião da equipe. em Lourdes. 13:39 . de grande interesse. Naqueles primeiros anos. É por esta razão que os capítulos são curtos. Devido à natureza deste tema. O objetivo deste documento é oferecer um tema que permita aos membros das Equipes no mundo inteiro compreender melhor o que significa a espiritualidade conjugal e como ela pode ser plenamente vivida.p65 8 13/12/06. Para os casais que quiserem aprofundar mais a sua formação. principal suporte da nossa espiritualidade conjugal. perguntas que podem ser utilizadas em nosso Dever de Sentarse e perguntas para cada um isoladamente.

com todo o amor de “buscadores de Deus” que. da Escritura e de autores espirituais. acompanhado de alusões a conferências feitas em encontros das Equipes e a textos da Igreja. Cada capítulo contém referências a algumas dessas exposições. A segunda parte consiste num trecho da Escritura destinado à meditação antes e durante a reunião da equipe. a maioria das quais feita por casais equipistas. Incentivamos todos vocês a enfrentar as dificuldades que possam surgir e a tentar aprofundar a sua reflexão pessoalmente. A terceira parte inclui perguntas para a reunião da equipe. em casal e em equipe.sentadas nos Colegiados e outros encontros do Movimento de 2001 a 2003. Que Deus abençoe todos aqueles que procuram encontrá-Lo. Essas conferências foram todas redigidas especialmente para as Equipes de Nossa Senhora e nos transmitem uma rica experiência no conhecimento da espiritualidade conjugal. A quarta e a quinta parte incluem pontos a discutir por ocasião do dever de sentar-se e sugestões para mudanças de comportamento que poderão ser objeto de uma “regra de vida”. Cada capítulo está estruturado em cinco partes: A primeira parte apresenta o essencial do teor do capítulo. 9 EC_1-80. progredindo assim em sua pesquisa. formam uma união “na qual a inteligência e o coração têm sede de conhecer e de encontrar a Deus”. Não nos esqueçamos de que os temas de estudo nos devem sempre levar a aprofundar o assunto proposto. 13:39 . Com toda a nossa amizade. como dizia o Padre Caffarel.p65 9 13/12/06. aconselhamos àqueles que desejam aprofundar a sua compreensão do capítulo em estudo a procurar ouvi-las e estudá-las.

13:39 .Pode haver diversidade de enfoques conforme as culturas. Esse amor sem falhas garante a dignidade da expressão física e afetiva ou psíquica..1-2) EC_1-80. mas trata-se de um amor eminentemente humano. específica da amizade conjugal. que envolve o bem da pessoa humana inteira.p65 10 13/12/06. ao ultrapassar a inclinação erótica. os sentimentos e os gestos de ternura favorecem o dom recíproco pelo qual os esposos se enriquecem ambos na alegria e na gratidão (cf.. GS 49.

• Pensamos que a Palavra de Deus nos chama a Lhe responder com todas as nossas capacidades? • Podemos partilhar sobre o que. no fundo dos nossos corações. 13:39 . Junho de 1950. Para aprofundar o assunto. O que significa? Que consciência temos dela em nossa vida de casados? De que modo as diversas expressões e a prática da nossa espiritualidade pessoal enriquecem ambos os cônjuges no casamento? O Padre Caffarel afirmava que os leigos devem “definir claramente os meios e os métodos que constituem a espiritualidade do cristão casado”1. 2. precisamos nos fazer algumas perguntas.Primeiro capítulo O CHAMADO PARA VIVER A ESPIRITUALIDADE CONJUGAL. “Carta às Equipes”. Ele definia a espiritualidade como sendo “uma ciência cujo objeto é a vida cristã. “Aos casais responsáveis de equipe”. há mais de sessenta anos. exprimimos a nossa espiritualidade de diversas maneiras. devido à iniciativa de alguns casais que encontraram o Padre Caffarel e lhe pediram que os ajudasse a desenvolver a sua vida espiritual no contexto do seu matrimônio. 1952.p65 11 13/12/06. Tentaremos neste capítulo adquirir uma melhor compreensão da espiritualidade do matrimônio. OBJETIVO DAS EQUIPES DE NOSSA SENHORA Introducão As Equipes de Nossa Senhora começaram. Deus nos chama a fazer? 1. assim como os meios que a levam a desabrochar plenamente”2. e depois discuti-las em casal e na equipe. Individualmente. O objetivo atual do Movimento das Equipes não mudou: é desenvolver a espiritualidade do casal. 11 EC_1-80.

Para eles. Dois “buscadores”. de família e de Igreja doméstica. pelo dom de nós mesmos. Apaixonados por Deus. a nos curar mutuamente. mas podem se conjugar. precisamos aprender a sofrer. a aceitar a nossa fraqueza.”4 Compreender o Amor Para responder a tal chamado. em casal. Esse projeto deveria comportar um itinerário. É a grande descoberta da espiritualidade conjugal: os dois amores. a quem Deus interessa mais que tudo. 1988. podemos também 3. como no-lo mostrou o Padre Caffarel em Roma. 143-144. o amor conjugal e o amor a Deus não se excluem. 13:39 . pessoas casadas que somos. 12 EC_1-80. textos apresentados por Jean e Annick Allemand. cuja inteligência e cujo coração estão ávidos de conhecer. 2. a fim de realizar o nosso plano para esta vida e para a vida futura. “A segunda inspiração”. ainda que a pessoa conserve sempre algo de irredutível e de incomunicável. a aprofundar o projeto de vivermos plenamente a nossa vida de casal. conforme a admirável expressão dos Salmos. e todas as exigências da vida cristã podem ser vividas em casal. assim como sobre a nossa espiritualidade como casal. mas sim de um caminho a percorrer juntos. “As Equipes de Nossa Senhora”. A partilha das nossas reflexões nos faz crescer. um programa ao qual possamos fazer referência de vez em quando.p65 12 13/12/06. em 1970: “Vosso casal dará testemunho de Deus de maneira mais explícita se ele for a união de dois “buscadores de Deus”. Para quem Deus é a grande realidade. 4. devemos aprender a nos perdoar e.É importante que tenhamos uma partilha em casal sobre as nossas espiritualidades pessoais.3. de encontrar a Deus. ”3 Como foi dito na “Segunda Inspiração”: “Os cristãos casados são chamados à santidade. p. como casal. ERI. “Quando nos amamos verdadeiramente. impacientes de estarem unidos a Ele. Isso nos levará. não se trata de um simples chamado individual.

na nossa família. obsequioso. são tão importantes um quanto o outro. Na prática “O amor romântico e o amor fruto de uma escolha.p65 13 13/12/06. nos fez um dom inesgotável que nos acompanha por toda a nossa vida. como orações ou práticas ascéticas. carícias. Perdoar nem sempre é fácil. É ainda mais importante que os cônjuges tomem consciência de que o amor que escolheram é paciente.por vezes sofrer. Descobrimos que. no dia do nosso casamento. Ele nos leva a descobrir que a espiritualidade não se reduz a algumas ações. 13:39 . porque perdoar implica também em aceitar as nossas imperfeições. Tó e Zé Moura Soares –Colegiado de Dickinson – julho de 2001 13 EC_1-80. terão feito essa experiência. não se trata de “fugir do mundo.”5 Muitos dentre nós. É vital que o casal respeite o seu lado humano mostrando-se romântico e dizendo “Eu te amo” de todas as formas – palavras. mas que ela nos leva a servir a Deus onde vivemos. e o Padre Caffarel bem o entendia quando dizia: para casais que desejam crescer na vida espiritual. comprometido. etc. mas de aprender. Cada um de nós certamente teve essa experiência ao longo da vida… Aprendemos a nos colocar a serviço um do outro. pro5. a escutar e a dar. mas é sempre necessário. casados há muitos anos. a entender os silêncios encabulados. beijos. Ao longo desses anos todos… treinamos um ao outro. Jamais nos esqueçamos de que o Senhor nos confiou um ao outro e. rosas vermelhas. ele cura as nossas feridas. a compreender que o outro nos pode dizer “sim” ainda que as palavras nos dizem “não”. mútua e pacientemente. no nosso trabalho e na sociedade. Aprendemos que aquele que ama mais e melhor é aquele que nos pode ensinar o perdão. abraços. jantares especiais. desejado. a servir a Deus na totalidade de sua vida e em todas as dimensões do mundo”. e esse sofrimento nos traz fragilidades e inseguranças. seguindo o exemplo de Cristo. quando o outro nos perdoa gratuitamente.

falando do Concílio Vaticano II em Dickinson. Cada um deve se ver e ver o outro como um dom providencial de Deus. para que a espiritualidade do casal não seja idealizada. Em tudo isso. precisa. está pronto a desculpar.p65 14 13/12/06.”7 O que a Igreja diz hoje O Padre Fleischmann. ela renascerá à esperança. ou no dia em que estão no sétimo céu. não leva em conta o estado de espírito em que se encontram no dia em que tudo parece ir mal. então. 1 Cor 13). devemos tomar consciência do pecado e do perdão de Deus. é confiante. mas trata-se de um amor eminentemente humano. sem dúvida. 14 EC_1-80. (cf. de cuja presença e solicitude ela não quer duvidar. é preciso descobrir que somos pecadores. 13:39 . 332-333. abrindo-se ao perdão. etc.. por amor ao outro. fonte das nossas desavenças.. esforçar-se muito por mudar-se a si próprio a fim de ser para o outro um dom melhor”6. pp. Devem considerar-se a si próprios e ao seu cônjuge como parceiros ativos no casamento. ao consentir na cruel descoberta (a de serem pecadores). não se vangloria. Nos momentos difíceis ou de incompatibilidade. Pat e Marguerite Goggin: “Espiritualidade conjugal – Uma perspectiva antropológica”. 7. Os fracassos do amor nos fazem entender que é o próprio amor que precisa ser salvo. em 2001.penso ao perdão. Cada um deve se dar conta de que. A esse respeito dizia o Padre Caffarel: “Se. a sua comunidade conjugal tornar-se por fim uma comunidade penitente dentro da grande comunidade penitente da Igreja e recorrer ao seu Senhor. alguém que deve ser honrado e querido. Cada um oferece e recebe dons preciosos. esse grande Sacramento”. se não pode mudar o outro e deve aceitá-lo tal como é. Pode haver diversidade de enfoques conforme as culturas. que envolve o bem da pessoa huma6. diz: “No centro da perspectiva do Concílio há formulações muito claras sobre as qualidades do amor humano consagrado por um sacramento especial. Henri Caffarel: “O Matrimônio.

Mons. 2003.p65 15 13/12/06. os sentimentos e os gestos de ternura favorecem o dom recíproco pelo qual os esposos se enriquecem ambos na alegria e na gratidão (cf. ”10 • Ajudamo-nos. crescemos na espiritualidade conjugal.1-2)”8. ao ultrapassar a inclinação erótica. casais. a esposa deve amar o seu marido como a Igreja ama Cristo. Ao ajudarmos o outro a crescer em sua espiritualidade. Gallagher S. M. como casal. Dickinson. Roma. Percebemos que devemos nos esforçar por viver no mundo de hoje como cristãos. Jesus presente conosco “Para nós.J. GS 49. o mental e o espiritual. sobre a qual precisamos refletir e que podemos saborear. Julho de 2001 9. Jan e Peter RALTON. 13:39 . sendo que os Pontos Concretos de Esforço nos ajudaram a compreendê-la. É por este equilíbrio que.na inteira. Esse amor sem falhas garante a dignidade da expressão física e afetiva ou psíquica. passa da teoria à prática. por sua vez. 15 EC_1-80. como pessoa. É uma experiência que devemos levar em conta. 10. específica da amizade conjugal. o emocional. é importante dar-nos conta de que. Colegiado de Melbourne . julho de 2002: “O casal contemplando o rosto humano de Cristo”.”9 Ajudar um ao outro ao longo dos dias  “Precisamos ajudar o nosso cônjuge a encontrar o justo equilíbrio entre o físico. precisamos nos deixar guiar por Jesus e por seu Espírito Santo. a não esquecer de reservar um tempo especial para que a nossa vida conjugal fique aberta à relação com Deus por Jesus Cristo? 8. o ensinamento da Igreja. em casal. “A espiritualidade do casal”. crescemos espiritualmente e. Fr. Fleischmann: “O casal no povo de Deus segundo o Concílio Vaticano II”. P. juntos. ao dizer-nos que o marido deve amar a sua esposa como Cristo amou a Igreja e que. para progredir. e John e Elaine Cogavin.

não guarda rancor. a esperança e o amor. Esta resposta requer um tempo de reflexão e de silêncio. Não se alegra com a injustiça. quando vier a perfeição o que é limitado desaparecerá.Reflexão bíblica para a reunião de equipe Meditemos o ensinamento de São Paulo aos Coríntios (1 Cor 13. Quanto às profecias. estas três coisas. Agora vemos em espelho e de maneira confusa. 16 EC_1-80. A maior delas. Quanto à ciência. Quando eu era criança. mas. não é invejoso. Tudo desculpa. conhecerei como sou conhecido. é o amor.p65 16 13/12/06. Nada faz de inconveniente. porém. Pois o nosso conhecimento é limitado e limitada é a nossa profecia. para podermos estar à escuta do Espírito que nos guia. 13:39 . falava como criança. Depois que me tornei homem. permanecem a fé. “O amor jamais passará. Agora o meu conhecimento é limitado. levando a uma troca de idéias aprofundada na reunião da equipe: • Consideramos o “amor que escolhemos” como sendo a pedra angular do nosso casamento? De que maneira ele nos ajuda a nos modificarmos a nós mesmos para que sejamos um dom mais autêntico para o outro? • Como podemos favorecer o dom de si recíproco que permite aos casais enriquecer-se um ao outro? • Que modificações podemos trazer ao nosso relacionamento para que o nosso amor mútuo se aproxime mais do amor de Cristo por sua Igreja? • Esse crescimento leva tempo. cessarão. fiz desaparecer o que era próprio da criança. tudo suporta. não procura o seu próprio interesse. Mas. depois. é uma “resposta progressiva a Deus”. desaparecerão. mas. não se incha de orgulho. 4-13). não se ostenta. tudo crê. “O amor é paciente. também desaparecerá. depois. portanto. veremos face a face. mas se regozija com a verdade. Agora. tudo espera.” Perguntas para o estudo e a reflexão durante o mês. Quanto às línguas. raciocinava como criança. o amor é prestativo. não se irrita.

a buscar. através dos anos. 17 EC_1-80. reflitamos sobre isso individualmente. é prestativo”. nos ajudamos reciprocamente a dedicar o tempo necessário à escuta das sugestões do Espírito? Dever de Sentar-se Pergunta para a preparação pessoal e a troca de idéias em casal durante o Dever de Sentar-se mensal: A espiritualidade conjugal precisa apoiar-se em pessoas que progridem na sua própria espiritualidade. ao longo do seu caminho a dois. a nossa experiência dessa paciência e dessa caridade que ajudaram a aprofundar o nosso relacionamento? Logo após a reunião. a fim de praticar esses valores de maneira mais consciente durante o mês.p65 17 13/12/06. com o auxílio da nossa Regra de Vida. e depois partilhemos na intimidade do casal. • Como construímos juntos essa concepção da nossa relação conjugal? Quais os primeiros passos a dar? Mudança de comportamento  Enfoques concretos para ajudar-nos. enquanto avançam juntos. em casal. com os seus próprios métodos. • Se admitimos com São Paulo que “o amor é paciente. individualmente e em casal. em casal. mudanças de comportamento.• Como. 13:39 . com Jesus. como tem sido.

13:39 . que dá a vida e o amor aos seres humanos e que atrai tudo a Deus por esse amor. está muito próximo do amor pelo qual Deus se revela. EC_1-80.p65 18 13/12/06. O amor pessoal que se manifesta no casamento é salvífico porque. o amor entre duas pessoas pode leválas a alcançar o outro no nível mais profundo do seu ser.Como é o amor de Deus que sustenta a Criação. na sua origem.

um itinerário espiritual. parece-nos preferível tentar compreender que o matrimônio é ao mesmo tempo: 1. Ele sublinhava a importância de construir uma comunidade. uma comunidade 4.p65 19 13/12/06.”11 Dispomos de muitos estudos a respeito do nosso sacramento e somos muito bem orientados pelo Direito Canônico da Igreja (cânones 1055-1140) e pelo Catecismo da Igreja Católica (n°s 1601-1666). a Igreja. Ele mesmo. Por conseguinte.O Sacramento Em maio de 2004. João Paulo II. maio de 2004. 19 EC_1-80. os valores fundamentais nas relações humanas.Segundo Capítulo A ESPIRITUALIDADE CONJUGAL E O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO Primeira parte . 11. é fundamental que o casamento cristão seja compreendido no seu inteiro sentido e seja apresentado ao mesmo tempo como uma instituição natural e como uma realidade sacramental. um sacramento 2. o Papa João Paulo II. ao falar da importância e do caráter sagrado do matrimônio a um grupo de bispos americanos. para atender ao pedido do Papa e para compreender o sacramento em sua plenitude. dizia: “A vida da família é santificada pela união do homem e da mulher na instituição sacramental do matrimônio. Contudo. Mensagem aos bispos de San Antonio e Oklahoma City. um sistema de valores 3. Jesus passou a sua vida terrena a ensinar-nos e a praticar. A relação do marido com a sua mulher no casamento é comparada ao amor de Jesus por sua esposa. 13:39 .

o Seu Corpo. o Espírito da Verdade. 20 EC_1-80. Tomando como modelo Jesus. desenvolveremos o sentido do sacramento como sistema de valores e como comunidade. o que Deus uniu o homem não separe.26-27) Jesus nos deu a Eucaristia para estar sempre conosco. é importante viver o nosso casamento como um sacramento. para que possamos viver no seu Espírito a vida da Igreja. amor e graça que une Cristo a Seu povo – a Igreja. Neste segundo capítulo. De modo que já não são dois. que vos enviarei de junto do Pai. Num nível mais profundo. Num primeiro nível.p65 20 13/12/06. e também a sua espiritualidade. “Quando vier o Paráclito. examinaremos juntos o Sacramento do Matrimônio. São Paulo retoma constantemente o tema do casamento e da relação entre marido e mulher como aliança de amor. ele dará testemunho de mim. Ele criou as condições para que o Espírito esteja conosco. e os dois serão uma só carne. Por sua morte. O Sacramento do Matrimônio “Desde o princípio da criação Ele os fez homem e mulher. Portanto. 6-9) Para nós. casais. sua Ressurreição e sua ascensão ao céu. o casamento sacramental entre cristãos celebra e proclama a íntima comunhão de vida e amor entre o homem e a mulher. a sua natureza e a sua realização.e nos mostrou que a sua relação estreita com o Pai e o Espírito é “uma comunhão de amor”. E vós também dareis testemunho. 13:39 . para que possamos dedicar duas ou mais reuniões a aprofundar o tema com os membros da nossa equipe. a comunhão de vida e amor entre o homem e a mulher torna explícita e manifesta a íntima comunhão de vida.” (Mc 10. propomo-nos estudar este importante assunto em dois capítulos. mas uma só carne. a Igreja e a comunidade. que vem do Pai. Por isso o homem deixará o seu pai e a sua mãe. porque estais comigo desde o começo.” (Jo 15. No capítulo terceiro.

” Contudo. os três bens essenciais do casamento eram: a fidelidade. Contudo. e até as Bodas de Caná.A aceitação da fecundidade (C.p65 21 13/12/06. de abertura de um ao outro e ao desenvolvimento da comunidade. 21 EC_1-80. 1644-1652). a posição do teólogo escocês Duns Scot – segundo a qual o homem e a mulher são eles próprios os ministros do sacramento – foi largamente aceita e continua a sêlo hoje na cristandade ocidental. Por volta do ano 1300. 13:39 . a família. a unidade básica para a comunidade humana e para a continuidade e transmissão das heranças na sociedade. a partir do Gênesis. Atualmente. a descendência e o sacramento.. essa realidade acentua mais a importância do relacionamento mútuo e a maneira pela qual nos amamos e vivemos o nosso dia-a-dia. Isso está claro em toda a Escritura. o casamento tem sido uma relação institucional e. Hoje em dia. enquanto a procriação foi considerada a finalidade primeira do casamento não se deu maior importância ao relacionamento pessoal entre marido e mulher. quando Cristo realizou o seu primeiro milagre.História Desde os tempos mais remotos.A unidade e a indissolubilidade do casamento . Para ele. num casal engajado numa amizade fiel. viriam a tornar-se os fundamentos do sacramento.I. posteriormente. fala-se também da graça do sacramento que os esposos se deram um ao outro como sendo uma relação de amor na presença do Espírito Santo.A fidelidade do amor conjugal . o Catecismo da Igreja Católica formula os três bens ou condições do amor conjugal da seguinte forma: . A partir de 1939. No contexto atual. foi no século V que Santo Agostinho enunciou os elementos e as obrigações que. Santo Tomás de Aquino ensina no século XIII que “a forma do matrimônio consiste na união inseparável dos espíritos. fala-se de fidelidade.C.

p65 22 13/12/06. mas sim o casal como tal. ”12 Em 1967. essa dimensão comunitária se estende à família (ao perpetuar a raça humana).o Padre Caffarel e os primeiros casais das Equipes começaram a falar de espiritualidade conjugal. A Eucaristia tem simultaneamente uma dimensão individual e outra comunitária. 4. a Penitência e a Unção dos Enfermos. “Deus é amor.” (cf. 16) Em cada ato de amor. em 1962. embora tenham importante dimensão comunitária. consagra. única em seu gênero. a sua dimensão principal é comunitária. falava do casamento da seguinte maneira: “Este sacramento tem a caracterísitica de o seu sujeito não ser o indivíduo como nos demais sacramentos. I Jo. março de 1962 22 EC_1-80. Deus é o parceiro invisível que leva o casamento à plenitude do amor. e os que vivem no amor vivem em Deus. pois assegura a continuidade da Igreja. Quanto à Ordem. 13:39 . O Padre Caffarel. santifica essa pequena sociedade. Com efeito. Karl Rahner assim descreve o relacionamento no casamento: “Como é o amor de Deus que sustenta a Criação. de nível semelhante ao da procriação. E foi somente nos últimos cinqüenta anos que o relacionamento do casal começou a ser aceito como sendo também uma finalidade primeira.” Dentre os sete sacramentos. constituída pelo homem e pela mulher casados. o Batismo. tornamos mais real a presença de Deus. Padre Caffarel. tem uma dimensão comunitária e não individual. dirigem-se prioritariamente ao indivíduo. que 12. ele funda. porque só pode ser recebido por um casal. que constitui uma comunidade. O Matrimônio como comunidade A vida de semelhante comunidade de amor é freqüentemente descrita como “a edificação de uma pequena Igreja” ou “Igreja doméstica. Carta Mensal das ENS. embora aplicada a um indivíduo. a Confirmação. por sua vez. à sociedade e à Igreja. O Matrimônio.

Isso significa que o Senhor se torna presente por sua graça de uma forma nova e mais profunda no próprio momento da troca das promessas. por aliança irrevogável. cada vez que se voltarem para os que estão em torno deles... 13:39 .p65 23 13/12/06. à geração e educação da prole. está muito próximo do amor pelo qual Deus se revela – o mais íntimo mistério e a vida da pessoa humana. cada vez que se unirem. se amem com fidelidade perpétua..] O consentimento matrimonial é o ato da vontade pela qual o homem e a mulher. Karl Rahner 1967. dando-se mutuamente. “[. conforme expresso no Código de Direito Canônico: “A aliança matrimonial. porém.” (Cânones 1055 – 1057) Promessa mútua e dom da pessoa O sacramento é pois uma promessa recíproca e a realização desse compromisso durante toda a vida.dá a vida e o amor aos seres humanos e que atrai tudo a Deus por esse amor. Isso.. na sua origem. 13. O Casamento como sacramento – ensaio. 23 EC_1-80. O amor pessoal que se manifesta no casamento é salvífico porque. n° 48).”13 Em resumo. da mesma forma como Ele amou a sua Igreja e por ela se entregou. entre os batizados. Rahner nos diz: Onde está o amor. e foi elevada. à dignidade de sacramento [. implica também em que o Cristo continuará a estar presente de uma maneira singular toda vez que o esposo ou a esposa mantiverem essas promessas mútuas. se entregam e se recebem mutuamente para constituir o matrimônio.” (Gaudium et Spes.] o Salvador e Esposo da Igreja vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do matrimônio. é ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges. cada vez que se ajudarem um ao outro. o amor entre duas pessoas pode levá-las a alcançar o outro no nível mais profundo do seu ser. Permanece daí por diante com eles a fim de que. pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão da vida toda. Deus aí está! O ministério que os esposos exercem mutuamente pode ser melhor exercido. Conforme o ensinamento do Vaticano II. que se perdoarem um ao outro.

é a expressão de um ato de amor tão grande que permitiu aos esposos uma doação total. ou então de facilidade.p65 24 13/12/06. ao dirigir-se às Equipes em 2003.Através da sua sexualidade. Caso a pessoa se reservasse a possibilidade de decidir de outra maneira no futuro. a sexualidade e o ato sexual adquirem a dimensão desejada pelo Criador: a intimidade da relação.” Reflexão bíblica para a reunião da equipe “Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo. Quando aprofundamos a qualidade da nossa relação e desenvolvemos uma verdadeira intimidade. estejam as mulheres em tudo sujeitas aos seus maridos. o que gera um ambiente de amor. como Cristo amou a 24 EC_1-80. é comum a sexualidade revestir-se de um caráter opressivo. As mulheres estejam sujeitas aos seus maridos. Como a Igreja está sujeita a Cristo. colocar limites no tempo: essa é a própria característica do relacionamento amoroso. dizia: “Esta união (entre o homem e a mulher) não é anônima no casamento. com a presença do Espírito Santo. de abertura. E vós. os esposos dão vida um ao outro e ao seu relacionamento. exclusiva e definitiva. 13:39 . maridos. de dom da vida de um ao outro e a todo o gênero humano. Nos nossos dias. Entender desta maneira a nossa sexualidade deveria nos encher de gratidão com relação ao nosso cônjuge e a Deus por essa maravilhosa experiência benfazeja. em Roma. […] E é por ser o casamento um dom pessoal no qual a pessoa inteira se compromete de maneira exclusiva ( o que é expresso pelos atos próprios dessa união entre o homem e a mulher) que a dimensão temporal está presente. amai as vossas mulheres. Monsenhor Lafitte. atinge seu cume na comunhão – dar e receber numa unidade completa –. como poderíamos ainda falar de fidelidade? O compromisso de fidelidade não pode. como ao Senhor. no plano antropológico. no qual é reconhecida e honrada a dignidade da pessoa do cônjuge com o qual nos comprometemos. como Cristo é a cabeça da Igreja e o salvador do Corpo. porque o homem é a cabeça da mulher. que nos faz desabrochar e é fonte de reconciliação.

pois ninguém jamais quis mal à sua própria carne. são um para o outro ministros do sacramento do matrimônio? Como recebem dele a graça na sua rotina cotidiana? Dever de Sentar-se Pergunta para a preparação pessoal e a troca de idéias em casal durante o DDS mensal “Como cada um dos sete sacramentos. também os maridos devem amar as suas mulheres.p65 25 13/12/06. para apresentar a si mesmo a Igreja. 21-33) Perguntas para o estudo e a reflexão durante o mês. levando a troca de idéias aprofundadas na reunião da equipe: • Na qualidade de casais.” Reflitamos sobre por que isso é importante e qual a nossa resposta como casal. sem mancha nem ruga. 13:39 . mas santa e irrepreensível. (Ef. como também faz Cristo com a Igreja. ou coisa semelhante. mas de um modo próprio. uma comunhão a dois. a fim de purificá-la com o banho de água e santificá-la pela Palavra. como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher amase a si mesmo. tipicamente cristã.Igreja e se entregou por ela. também o matrimônio é um símbolo real do acontecimento da salvação. antes alimenta-a e dela cuida. 25 EC_1-80. a dois como casal. Por isso deixará o homem o seu pai e a sua mãe e se ligará à sua mulher. • De que maneira vocês. 5. quando estamos conscientes da verdadeira presença de Cristo em nós? O que desencadeia em nós esta consciência? Como a percepção dessa presença muda o nosso comportamento? • “Comprometer-se por toda a vida é pertinente e necessário ao caráter sagrado do casamento. Em resumo. gloriosa. a tal ponto que o efeito primeiro e imediato do matrimônio (res et sacramentum) não é a graça sacramental propriamente. ‘Os esposos participam dele enquanto esposos. individualmente e em casal. cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo e a mulher respeite o seu marido. porque somos membros do seu Corpo. É grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e a sua Igreja. mas o vínculo conjugal cristão. e serão ambos uma só carne. Assim.

E o conteúdo da participação na vida de Cristo é também específico: o amor conjugal comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa – chamado do corpo e do instinto. a buscar. fazer uma reflexão conjunta íntima sobre a visão de eternidade para o casal contida nessa frase do Apóstolo.” (I Cor 13. individualmente e em casal. aspiração do espírito e da vontade –. mas eleva-as a ponto de as tornar a expressão dos valores propriamente cristãos. n. para além da união numa só carne. 22/11/ 1981. com o nosso cônjuge. trata-se de características normais do amor conjugal natural. Deus aí estᔠ.8) • Pouco depois da reunião da equipe. ele exige a indissolubilidade e a fidelidade da doação recíproca definitiva e abre-se à fecundidade (cf.porque representa o mistério da Encarnação de Cristo e o seu mistério de aliança. 13:39 . podemos refletir pessoalmente sobre essa palavra. força do sentimento e da afetividade. não conduz senão a um só coração e a uma só alma. Perguntas: • “Onde está o amor. para fortalecer o nosso compromisso à fidelidade? Mudança em nosso comportamento Enfoques concretos para ajudar-nos.p65 26 13/12/06. criado pelo nosso casamento. Numa palavra. pessoalmente e em casal. com o auxílio da nossa Regra de Vida. São Paulo escreve aos Coríntios: “O amor jamais passará. 9). • Que resoluções podemos tomar para que a nossa oração conjugal seja um verdadeiro encontro desse “Ser novo”. porém com um significado novo que não só as purifica e as consolida.” (João Paulo II . aquela que. com o Senhor? 26 EC_1-80.Familiaris consortio.Em que circunstâncias vocês tiveram a experiência de uma intimidade no amor em que Deus estava presente em vocês como casal? • Quais os valores que convém desenvolver. mudanças de comportamento. Encíclica Humanæ vitæ. e depois. n° 13). o amor conjugal dirige-se a uma unidade profundamente pessoal.

• Uma comunidade com um objetivo comum. uma comunidade. Não nos é fácil viver conforme este modelo. Neste capítulo. perdão.p65 27 13/12/06. “Eis que estou convosco todos os dias. • Um itinerário espiritual no qual o casal. poderemos melhor perceber que Jesus caminha conosco.Terceiro capítulo A ESPIRITUALIDADE CONJUGAL E O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO Segunda parte – Um sistema de valores. estudamos a natureza. a Igreja” é o nosso modelo cristão de casamento. fidelidade. educação. até a consumação dos séculos. Se. a essência e a realização do sacramento do matrimônio. perdão. uma bênção e uma experiência vivida que conduzem à santidade (à plenitude). um itinerário espiritual No capítulo precedente. 27 EC_1-80. cultivarmos juntos esses valores ao construirmos o nosso casal. Compromisso para toda a vida. contudo. cura. acolhimento do outro. compromisso para toda a vida. Um conjunto de valores derivados de uma visão comum partilhada Os valores que Jesus nos ensinou são valores humanos fundamentais: fidelidade. cura.” (Mt 28. vamos considerar o sacramento como um guia. reportando-nos ao ensinamento de Jesus: • Um conjunto de valores derivados de uma visão comum partilhada. Propomos estudar estes pontos. realiza a sua alegria de viver. com o auxílio do Espírito Santo. 20) Esta promessa de Jesus à “sua Esposa. 13:39 .

Reconhecer que esses laços provêm de Deus: são dons de Deus. amizade. na casa’ (X. comunicação. a vida toda é sacramental. Se considerarmos as relações no seio da Trindade como sendo de uma comunidade. nos propõe o mesmo modelo: a Igreja. 13:39 . Podemos até dizer que o casal entra aos poucos no sacramento. a tornar-nos. o respeito mútuo e até as crises e as reconciliações. a formação das crianças. o Filho Salvador e o Espírito Animador. n. o acolhimento. pela ação do Espírito Santo. 4). ‘No casamento. comunidade à imagem da Trindade.– Melbourne 2002.” Uma Comunidade com um objetivo comum Para nos tornarmos uma comunidade. Lacroix). mas também na cama. 28 EC_1-80. A sede do sacramento não está somente no altar. objetivo comum: esses são apenas alguns dos valores esssenciais. Ao dar-nos este modelo de unidade. * Gomez-Senent –O casal progride rumo à santidade. é preciso partilhar os nossos objetivos. no seu Evangelho. uma comunidade (cf. veremos três Pessoas divinas com missões nitidamente distintas: o Pai Criador. a Igreja nos convida. os abraços sensuais. Amparo e Carlos Gomez-Senent desenvolveram a reflexão sobre esses valores no Colégio Internacional de Melbourne. na mesa. São João. Precisamos reconhecer juntos que somos responsáveis um pelo outro.p65 28 13/12/06. Elas são para nós um modelo por causa de seu objetivo comum: levar toda a humanidade a participar do Reino de Deus. Lumen gentium.educação. como casal casado. Todos os atos que dele fazem parte são sacramentais: as refeições em comum. assim como o estado de espírito que nos une. ao citar Xavier Lacroix*: “O casal cristão começa a se formar assim que recebe o sacramento do matrimônio e continua a sua formação à medida que responde a Deus.

Pelo sacramento do matrimônio. o nosso rosto. uma maior sensibilidade e uma atitude de hospitalidade. Lila e Carlos Cobelas – Bogotá. o nosso coração a essa criatura. somos convidados a discernir a beleza de um rosto. E. A intimidade da relação suscita um amor. que se torna assim para nós um mensageiro de Deus.] Contudo. agosto 2004. precisamos estar conscientes de sermos humanos e portanto sujeitos às fraquezas humanas que criam obstáculos ao espírito comunitário. somos chamados a confiar a nossa própria liberdade. a consciência de uma pertença.p65 29 13/12/06. Somos chamados constantemente a olhar o rosto do nosso cônjuge que confiou a sua liberdade ao íntimo do nosso coração.” 15 Se a comunidade existe dessa forma. em troca.“Somos mais que um homem e uma mulher que se amam. assim como do nosso sacramento e dos valores necessários para vi14. Jean Vanier – Comunidade e Crescimento 16. 13:39 . uma maneira de viver e de aprender juntos que evoluem para uma nova abertura. ser-nos-á difícil partilhar plenamente esse amor com outros se não aprendermos a ouvir o grito silencioso daquele ou daquela que não sente que está partilhando toda a nossa vida.. 15.”14 “Três elementos essenciais de uma vida comunitária fazem parte também da vida em família: a relação interpessoal. [. o casal procurará realizar o seu objetivo comum. Isso foi muito bem desenvolvido por Joseph e Emmanuella Lee: “A despeito da nossa fraqueza humana. Joseph e Emmanuella Lee – O Casal Cristão chamado a viver a Aliança Conjugal – Melbourne 2002. o próprio Deus torna-se presente entre nós e a nossa união participa do mistério da Trindade. 16 Espiritualidade Ao nos tornarmos mais conscientes um do outro. À medida que o Espírito nos conduz e nos faz desejar este estado de coisas. mesmo quando este rosto está desfigurado. 29 EC_1-80.. a orientação da vida rumo a um objetivo comum e um testemunho comum.”.

pela graça do Espírito Santo. Ao aprofundar-se.p65 30 13/12/06. Esse comportamento de dom de si sustenta e alimenta o outro. embora permanecendo fiéis à nossa visão comum. o Reino de Deus se torne uma realidade na Terra. o Filho e o Espírito Santo estão em relação de comunhão. O nosso amor incondicional pelo outro faz com que. 30 EC_1-80. do coração e da alma. em casal e em comunidade. Dessa maneira. escola de virtudes humanas e de caridade crist㠔17.ver plenamente a nossa vida conjugal. abertura e hospitalidade. Da mesma forma que o Pai. o casal torna-se cada vez mais consciente do seu sacramento do matrimônio e da sua vivência. a “Igreja doméstica” (Ecclesiola) é vivida no nosso amor mútuo e no amor de Jesus pela sua Igreja. “O lar cristão é o lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. Esta atitude. n. do espírito. Um outro enfoque é desenvolvido pelo Padre Fleishmann 17. tanto biológica como espiritualmente. A nossa fé se aprofunda e cresce individualmente. Ao caminharmos juntos. criatividade e sensibilidade. Catecismo da Igreja Católica. comunidade de graça e de oração. o nosso amor conjugal nos faz cooperar com Deus na criação da vida e da sociedade e nos torna co-geradores de uma comunidade espiritual e humana. abrimo -nos num espírito de hospitalidade. exprimimos a nossa mútua ação de graças através de uma intimidade sexual. gerador de novas vidas. nos ajuda a nos comportar com um ânimo novo que favorece o desabrochar de cada uma das nossas pessoas e nos conduz mutuamente a uma plena realização do corpo. 13:39 . Tornamo-nos sensíveis às mudanças e ao crescimento das nossas personalidades. ao mesmo tempo emocionante e desabrochante. de uma maneira muito humana. começamos a desenvolver uma atitude de intimidade. permitindo que Deus esteja realmente presente em nossa vida diária. Graças a esse desabrochar. 1666. Por isso é com razão chamado de ‘Igreja doméstica’.

é um elemento essencial da construção da Igreja. ce grand Sacrement.” Jo 17. 315 (O Matrimônio. elevada.18 O sacramento do matrimônio.. que se faz sacramento. [. a ponto de a união física do homem e da mulher tornar-se parte integrante do sacramento.p65 31 13/12/06. no qual a presença ativa de Cristo está tão profundamente implicada. santificada. já começa a viver a Igreja. Toda a vida conjugal não somente é curada..] Onde vive um casal cristão. 22-23 Perguntas para o estudo e a reflexão durante o mês. é ‘o casamento total. levando a troca de idéias aprofundadas na reunião da equipe • Por que os valores humanos ensinados por Jesus são importantes para vivermos plenamente o nosso sacramento do matrimônio? • Quais os benefícios que o nosso casal obteve desses valores? • De que maneira vivemos em casal a construção do Corpo de Cristo em nossa comunidade? Que contribuição demos a ela? 18.na sua conferência “A herança do Padre Henri Caffarel”: “Com efeito.] Pelo sacramento do matrimônio. para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim. em sua inteira realidade jurídica. como nós somos um: Eu neles e tu em mim. carnal. espiritual.. p. mas é tornada santificante’. os casais tornam-se participantes da construção do Corpo de Cristo no próprio coração da sociedade humana em que estão inseridos. pelo sacramento do matrimônio. esse grande Sacramento) 31 EC_1-80. 13:39 ..” Reflexão bíblica para a reunião da equipe “Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um. [. Le Mariage.

mudanças de comportamento • Se quisermos. a dois com o nosso cônjuge. individualmente e em casal. 32 EC_1-80. essas três coisas. viver a nossa vida conjugal com esse sentido de comunidade. no espírito de hospitalidade? Mudança em nosso comportamento Enfoques concretos para ajudar-nos.” (1 Cor 13. poderemos refletir individualmente sobre esses pontos. 13) Como. procurar pôr essas virtudes em prática de forma mais consciente. e ainda no decorrer do mês. a buscar.Dever de Sentar-se Pergunta para a preparação pessoal e a troca de idéias em casal durante o DDS mensal: São Paulo escreve aos Coríntios: “Agora. em particular no que diz respeito à oração conjugal? Pouco depois da reunião da equipe. em nosso casamento. podemos ajudar-nos um ao outro: • a progredir em nossa fé em Deus e no nosso caminhar juntos rumo a Ele? • a progredir numa atitude positiva em relação à vida e na esperança quanto ao nosso crescimento e o nosso futuro? • a progredir em nossa relação mútua e. com o auxílio do Espírito Santo. 13:39 .p65 32 13/12/06. caridade. com o auxílio da nossa Regra de Vida. quais as atitudes e comportamentos necessários para vivê-la plenamente. e depois. portanto permanecem fé. em conseqüência. esperança.

A utilização que eles fazem dos P. A decisão de utilizarmos os P. Têm por objetivo criar em nós uma atitude de abertura para o encontro com o Senhor. William James – Princípios de Psicologia.C. implica em adotar esse tipo de comportamento. Zaqueu. A Bíblia está repleta de exemplos de conversão após um encontro com o Senhor: Maria Madalena.. pois nos impulsionam sem cessar a progredir em nossa marcha.E. A maior descoberta da nossa geração é que os seres humanos podem mudar os aspectos exteriores de sua vida ao mudarem as suas atitudes interiores de espírito.E. somente o homem é capaz de mudar o seu modo de vida.C. São pontos de referência para progredirmos na nossa caminhada de fé. é por isso que na partilha sobre os P. A tendência fundamental de pessoas eficazes é levar uma vida pró-ativa.Quarto capítulo A ESPIRITUALIDADE CONJUGAL E OS PONTOS CONCRETOS DE ESFORÇO Introdução Os Pontos Concretos de Esforço são uma característica essencial do nosso Movimento.C. nos ajuda a melhor nos aproximar do que Cristo espera de nós. Ajudam-nos constantemente a despertar os nossos comportamentos interiores e nos levam a uma nova maneira de viver. Pedem-nos um esforço exigente.C.E. 13:39 . a Samaritana.C.E..” 19 Uma maneira prática de abordar os P. “De todas as criaturas da Terra.p65 33 13/12/06. são um desafio para toda a vida. Uma vida pró-ativa signifi19. 33 EC_1-80. somos encorajados pelos esforços dos demais.E. Somente o homem é arquiteto do seu destino. Os P.

O comportamento de pessoas pró-ativas é o resultado da sua própria escolha. que o nosso comportamento decorre das nossas decisões e NÃO dos nossos condicionamentos.” Para que possamos nos transformar dessa forma. Tendo isto bem presente. fundamentada em seus valores.C. Não se trata de queimar etapas e de forçar o ritmo. de uma vontade independente e do exercício da nossa imaginação. Se nos dermos o trabalho de considerar os nossos valores e de tomar consciência deles. podemos atingir uma nova consciência do que realmente somos.E. é preciso nos comprometer. com um coração sincero transformará verdadeiramente a nossa vida. Somos nós que devemos tomar a iniciativa e a responsabilidade de adotar um novo modo de vida ou mudar aquele que temos hoje. isto sim. Esse compromisso deve ser o resultado de uma tomada de consciência pessoal. Lemos na “Segunda Inspiração”: “O Senhor nos toma no ponto em que estamos. O antropólogo Ashley Montagu disse: “Para mudar o meu modo de vida. procuro agir como se fosse a pessoa que quero ser. 13:39 .ca que somos responsáveis por nossa vida. Ao prestarmos atenção ao que fazemos nas horas que passamos acordados. trata-se.” Praticar cada dia os P. de querer progredir a partir da situação em que cada um se encontra. a qualidade das nossas atitudes será influenciada por eles e essas atitudes marcarão o nosso comportamento na vida. Nossa imaginação fará com que possamos ir em espírito além da nossa realidade presente. livres da pressão de pessoas ou coisas que nos poderiam influenciar. A nossa vontade independente nos permite tomar as nossas próprias decisões.p65 34 13/12/06. consideremos agora os Pontos Concretos de Esforço: • Escuta da Palavra de Deus • Meditação Diária • Oração Conjugal • Dever de Sentar-se • Regra de Vida • Retiro Anual 34 EC_1-80.

” (Catecismo da Igreja Católica.1. Ouvindo a sua Palavra e meditando-a. descobriremos que a nossa vida se orienta de outra maneira para responder ao apelo que Ele nos faz para vivê-la plenamente. 2.” A Palavra de Deus nos motiva diariamente. Por exemplo: “João/Maria – Não tenhas medo. a nós pessoalmente. entra no teu quarto. fechando a tua porta. entenderemos melhor que a Palavra de Deus se dirige pessoalmente a nós. Deus fala conosco porque quer estabelecer um relacionamento conosco e ser melhor conhecido por nós.” (cf. Ao escutarmos com atenção em nosso coração a sua Palavra. A Oração Pessoal “Quando orares. eis que estou contigo até a consumação dos séculos. inserirmos no texto o nosso próprio nome. A oração acompanha toda a história da salvação como um apelo recíproco entre Deus e o homem.. e ora ao teu Pai que está lá.6) “Deus chama incessantemente cada pessoa ao misterioso encontro com Ele. o teu servo escuta”? Todos nós fazemos amizades e relacionamentos ao dialogar com outros e ao nos revelar a eles cada vez mais. Escuta da Palavra de Deus Deus nos fala pelas Escrituras Que lugar damos à palavra de Deus em nossa vida quotidiana? Ela efetivamente nos atinge e nos influencia? As passagens da Bíblia que lemos nos impressionam e nos provocam? Podemos rezar como Samuel: “Fala. no tempo e no espaço em que nos encontramos. Mt 28.” (Mt 6. Se. no segredo. e também à nossa vida de casal. 20). Isso nos pode mostrar de forma mais realista que Deus nos fala diretamente onde estivermos.. Senhor.p65 35 13/12/06. Ele me confiou uma tarefa que não confiou a mais ninguém. 13:39 . começamos a melhor conhecer a pessoa de Jesus. O Cardeal John-Henry Newman orava: “Deus me criou para prestar um serviço específico. ao ler a Bíblia. n°. 2591) 35 EC_1-80.

Sois vós. sede dóceis. Ele está aí. 36 EC_1-80. e a encontrareis – reencontrareis a Cristo” 21 20. Essa vereda secreta – e estreita – ninguém pode levar-vos a ela. comungar com o seu Ato eterno. serão vãs as palavras da nossa oração. Adorar em silêncio a Trindade viva.p65 36 13/12/06. As Escrituras nos dizem que é o coração que ora. Se o nosso coração estiver longe de Deus. pensamentos profundos serão despertados em nós. [. que deveis descobri-la. a única que nos permite encontrar pessoalmente a Cristo. conosco.. 21. O Padre Caffarel nos aconselha: “Sede conscientes – não digo da presença de Deus – mas de Deus presente. ao nosso local de trabalho. cada um de vós. Aderir. o Padre Caffarel fez um apelo em favor da oração pessoal: “Contentar-se em estar na multidão que cerca Cristo sem buscar um contacto pessoal com ele. Precisaríamos pensar na grande. vos ama”20. poder falar com o Deus do Universo? Deus nos deu o direito de nos colocarmos em sua presença quando quisermos: podemos chamá-lo à nossa cabeceira. própria a cada um. Oferecer-se e abrir-se à sua vida jorrante. Tentemos observar como reagimos quando ouvimos Deus nos revelar o seu amor por nós.. O coração é o centro de nossa vida. e Ele está aí.] seria mostrar muita indiferença [. o ponto do encontro. o Deus Vivo. Ele vive.Será que percebemos que maravilha é ser amigo de Deus? Será que já refletimos sobre o que quer dizer estar na sua presença.]” Ele também escreve: “Só resta calar-se e estar atento. sede perseverantes. vos vê. sede puros. Fleischmann – “A herança do Padre Caffarel” – Roma 2003. ele acrescenta: “É preciso que cada um entre nessa vereda secreta. Ele vos aguarda. Mons. 13:39 . sede orantes. Na Carta Mensal de maio de 1954 que precedeu a Peregrinação das Equipes a Lourdes por ocasião de Pentecostes. de experiência interior.” Mais longe. Se tomarmos o tempo de responder ao amor de alguém.. Sede humildes. tenra e humilde solicitude da sua amizade e a ela responder. “Cartas sobre a Oração” –Setembro 1964. Não se trata de sensação espiritual. trata-se de fé: crer na sua Presença..

Carlo e Maria Carla Volpini – O Casal no Evangelho – Roma . 13:39 . Cada um deve encontrar a maneira ou as maneiras que facilitem o seu encontro íntimo com Deus nosso Criador...]” 22 3. outros ainda meditam uma frase da Bíblia. outros praticam a Lectio Divina. são sensíveis um ao outro e repartem a sua experiência de Deus. 37 EC_1-80. “A nossa união conjugal inclui a partilha do sofrimento porque a Cruz sela a união de Cristo com a humanidade”.p65 37 13/12/06. Essa partilha enriquecerá o seu relacionamento e os ajudará a aprofundar o seu compromisso com a oração pessoal e a oração conjugal. Após um tempo de oração interior pessoal. Nos tempos difíceis. Oremos como podemos – e não como pensamos dever fazê-lo! São Paulo pergunta: “Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor 3. a Ele confiamos as nossas tristezas e as nossas inquietudes. Algumas vezes. um dos cônjuges tem o dom de orar e ora pelos dois. 2003. A Oração Conjugal “Nada estabelece laços mais íntimos do que procurar Deus juntos”. entram na mais profunda das partilhas.Há muitas formas de oração pessoal: alguns podem simplesmente recolher-se em silêncio e repousar na presença do Senhor.16). com Ele conseguimos olhar para o amanhã [. o casal encontrará proveito em partilhar sobre a maneira diferente pela qual cada um percebe Deus que lhe fala. Ao ouvirem-se rezar. tornam as suas almas mutuamente transparentes. a oração conjugal dará a força necessária para preservar o casamento. Essa oração pressupõe o esforço de reservar um tempo para rezarem juntos. Quando os esposos oram juntos. (Pe. 22. Caffarel). ou repetem uma mantra. Colocamos n’Ele as nossas esperanças. “A vida de equipe nos ensina que o sentido da oração é verdadeiramente abandonar-se nos braços do Pai.

2003.” 23 Cada um de nós. 4. Outros procuram ir à missa juntos todos os dias. 38 EC_1-80. contudo. dizeime se ele passou perto de vós!” (São João da Cruz) Viajando.“[…] Orar é dizer: “Senhor. de vez em quando. irmão e amigo na partilha de cada dia. nós Te procuramos. estamos aqui. de nos olharmos de frente e de nos perguntarmos: “Em que pé estamos no nosso progresso espiritual?” 23. A oração da manhã e da noite são oportunidades para rezarmos juntos. nos afastamos do destino que escolhemos. estou aqui. marido e mulher. É assim que o Padre Caffarel sugeria que abordássemos esse P. O Dever de Sentar-se “Deixai a praia. 13:39 . podem ser experimentadas para que a nossa oração permaneça fresca e viva. Carlo e Maria Carla Volpini – O Casal no Evangelho – Roma . mediante o diálogo. conscientes da Sua presença ao nosso lado. mestre nos dias de perturbação e diante dos limites da nossa compreensão. a proximidade de Deus com o nosso casal nos levará talvez a rezarmos juntos. Também o filósofo Sêneca aconselhava: “Não há ventos propícios para aquele que não sabe para onde vai”. avançai para o alto mar”.C.p65 38 13/12/06. Temos necessidade de nos voltarmos um para o outro. Todos nós.E. louvando a Deus ou mantendo-se em silêncio. O Dever de Sentar-se nos dá a oportunidade de reconsiderar. ou junto a um rio. Novas maneiras de rezar. podemos rezar juntos o terço. “Ó vales e matas. nós Te queremos junto de nós como companheiro de viagem e guia para o nosso caminho. Encontrar-nos-emos. tem a nossa maneira de rezar juntos. plantados pelas mãos do Bem-amado. casais equipistas. Nesses momentos. no alto de uma montanha. ou ainda sentados sob um céu estrelado. ou na cozinha ao raiar do dia. talvez algum dia. ou no trânsito. o projeto de vida que traçamos e tomar decisões para nos reorientar na boa direção.

sabendo que Deus está ao nosso lado. É bom fixar um dia e uma hora para o nosso DDS.p65 39 13/12/06...” 24 Esse tempo passado juntos deveria ser para nós a oportunidade de abordar qualquer assunto que nos diga respeito como casal ou família..O DDS (Dever de Sentar-se) é a hora de passarmos um momento juntos. colocando-nos no seu lugar. Pensamos talvez que dialogamos em profundidade porque falamos muito. Deveríamos tentar assegurar-nos de ter o tempo e o sossego necessários para podermos estar totalmente abertos e honestos um para com o outro. O desejo de entrar em comunhão com o outro e de acolher o que tem a nos dizer está no âmago desse momento de escuta. É um tempo propício para perceber que somos totalmente donos de nossa vida e reconsiderar os nossos ideais iniciais: em que pé está o nosso relacionamento com Deus. com a nossa família? Precisamos cultivar a nossa capacidade de escutar e de compreender o outro. “A escuta está no âmago da vida conjugal.. 24. isto é. como no tempo do nosso namoro. 39 EC_1-80. começar com uma oração ou com um momento de silêncio para tomar consciência da presença do Espírito em nós e ao nosso lado. Um simples gesto simbólico pode nos ajudar. em profundidade. é inútil falar do estado matrimonial se não aprendemos a nos comunicar autenticamente. 13:39 . Aprender a dialogar é aprender a apreciar as diferenças. como acender uma vela. ‘a estar em união’. entre nós dois. É um hábito saudável anotar as decisões tomadas durante um DDS para nos lembrarmos de vez em quando do resultado do que partilhamos. Carlo e Maria Carla Volpini – O Casal no Evangelho – Roma. 2003.. Esse diálogo consiste em conceder o tempo necessário para escutar as nossas necessidades mais íntimas e tentar exprimir a força de um amor que cresce a despeito das dificuldades ou da rotina diária que por vezes torna tudo insosso.. O DDS traz-nos de volta àquela profundidade de alma em que somente existe um diálogo baseado principalmente na escuta.

Precisamos ter uma idéia clara do nosso projeto e afastar os obstáculos que pesam sobre nós. Temos todos consciência de algumas fraquezas que nos impedem de progredir rumo a uma vida mais conforme à vontade de Deus. centrada e orientada para Deus. É por isso que precisamos nos aplicar a seguir uma Regra de Vida até que ela se torne um hábito. O mesmo se dá com a nossa rota espiritual. Precisamos traçar um plano para caminhar nessa direção. A progressão da nossa vida espiritual não é linear: é preciso constantemente recomeçar. retiramos os obstáculos que atrasam o nosso progresso.p65 40 13/12/06. É preciso que tenha uma idéia clara do caminho que vai seguir. é preciso dedicar um tempo suficiente para considerar honestamente como vivemos a nossa vida. Podemos introduzir em nossa vida atitudes ou hábitos que nos tornem mais parecidos com Cristo. Para podermos estabelecer uma Regra de Vida. Deveria ser uma escolha pessoal e livre com a qual nos comprometemos. a um lugar deserto e descansai um pouco. sozinhos. Um alpinista que quer atingir o cume não pode vagar à toa pela montanha. O Retiro Anual “Vinde vós. precisa e anotada por escrito.” (Irmão Roger. estabelecemos outra e. A Regra de Vida “Uma Regra de Vida tem um valor prático porque nos ajuda a manter uma vida equilibrada. de Taizé). aos poucos. Uma vez identificado um desses pontos sensíveis da nossa vida.” (Mc 6. 31) 40 EC_1-80. a nossa Regra de Vida é a decisão que tomamos para abordar e resolver o problema. 13:39 . Talvez estejamos também conscientes de certas fraquezas de nossa vida quotidiana e de que mudar a nossa atitude ou o nosso comportamento seria bom para nós e para os que nos cercam. A Regra de Vida deveria ser simples.5. Então. 6.

que eu procuro..Vivemos num mundo de constantes atividades repletas de exigências. esgotada. um casal lê os versículos dos Salmos. em casal. Em muitos casos. É como um oásis no deserto onde podemos beber a água fresca do Espírito e participar de um banquete de ricas iguarias que alimentam a nossa alma. É especialmente proveitoso fazer um retiro a dois.” Salmo 62 (61) “O Senhor é a minha rocha.. Para enxergarmos este mundo de maneira mais objetiva.. “Minha carne te deseja com ardor. deixando após cada leitura um longo tempo de silêncio para que as suas palavras penetrem no coração de cada um.Nele me abrigo. O nosso retiro conjunto nos dá a oportunidade de nos aproximarmos ao mesmo tempo de Deus e um do outro durante dois ou três dias sem interrupção... um de cada vez. o Retiro também nos ajuda a adquirir uma melhor compreensão de alguns aspectos de nossa fé e da arte de desenvolver o nosso relacionamento de casal. O nosso Retiro Anual é a oportunidade para nos retirarmos num local tranqüilo e lá passar dois ou três dias refletindo sobre algum aspecto da nossa vida espiritual.. sem água. Depois de alguns minutos. precisamos afastar-nos de vez em quando da nossa rotina diária. 41 EC_1-80..” Salmo 27 (26) “Só em Deus a minha alma repousa. Senhor. será possível partilhar a experiência. dele vem a minha salvação. Reflexão bíblica para a reunião da equipe O Casal Responsável conduz a equipe a um exercício de sensibilização para ajudar cada um a entrar num silêncio profundo e atingir um verdadeiro encontro com o Senhor.p65 41 13/12/06. 13:39 . porque.. ao voltar para casa.. …É tua face. como terra seca.” Salmo 63 (62) “Uma coisa peço ao Senhor e a procuro: é habitar na casa do Senhor.

” Salmo 55 (54) “Não retires de mim teu santo espírito.… Senhor.” Salmo 51 (50) “Para as águas tranqüilas me conduz e restaura minhas forças. 42 EC_1-80. Devolve-me o júbilo da tua salvação. ilumina minha treva. individualmente e em casal. com o auxílio da nossa Regra de Vida.” Salmo18 (17) “Descarrega o teu fardo no Senhor e ele cuidará de ti. meu Deus.p65 42 13/12/06. mudanças de comportamento. levando a troca de idéias aprofundadas na reunião da equipe: • Qual a principal maneira pela qual a oração pessoal nos ajuda em nossa caminhada de vida? • Qual o método de oração nos parece ser o mais eficaz para termos mais íntima consciência da presença de Deus na oração? • De que maneira a nossa oração conjugal nos leva a um relacionamento mais profundo em nosso casamento? • Como temos sido encorajados (motivados) pela Escuta da Palavra de Deus a desempenhar a missão para qual fomos criados? Dever de Sentar-se Pergunta para a preparação pessoal e a troca de idéias em casal durante o DDS mensal: • Podemos recordar um Dever de Sentar-se que tenha sido realmente profundo e tido um efeito em nossa vida conjugal? Podemos contar um ao outro como isso aconteceu e como poderíamos repetir a experiência mais freqüentemente? Mudança em nosso comportamento Enfoques concretos para ajudar-nos. tu és a minha lâmpada.” Salmo 23 (22) Perguntas para o estudo e a reflexão durante o mês. 13:39 . a buscar.

13:39 . de que maneira? 43 EC_1-80. com ternura.” (Cf.• “O amor não se irrita.5).p65 43 13/12/06. trocar idéias sobre os nossos comportamentos sem provocar nem sentir rancor? A nossa oração conjugal nos ajuda a desenvolver esse clima de caridade? Concretamente. Como podemos. 1 Cor 13.

. o diálogo sobre as mais profundas realidades e a partilha do nosso crescimento espiritual. como em Caná. 13:39 . a escuta interiorizada.Ao participarmos da nossa reunião de equipe. EC_1-80. assimilamos os grandes valores humanos que Jesus nos ensinou a repartir: a sensibilidade às necessidades dos outros.p65 44 13/12/06.. como na casa de Lázaro.

visando favorecer a comunicação. a produtividade e a qualidade. Uma estrutura semelhante também se desenvolve quando se busca a coesão dos indivíduos num grupo que tem em vista desempenhos excepcionais. Eles se reuniam regularmente e. falavam cada um por sua vez e todos escutavam. sinceridade. como uma orquestra clássica. 45 EC_1-80. o que se revela aos poucos é: coesão. quando a diversidade e as diferenças entre as pessoas permitem que se associem na realização de metas comuns. ou ainda a tripulação de um barco de corrida que almeja a medalha de ouro olímpica. de auxílio mútuo. um conjunto de jazz. confidencialidade. de humildade. e nela se encontram vários elementos essenciais: • Objetivo comum • Compreensão dos objetivos-chave • Consciência de uma interdependência necessária À medida que esse grupo progride num espírito de abertura. o dinamismo e a criatividade de uma reunião de equipe? Os índios da América.Quinto capítulo A ESPIRITUALIDADE CONJUGAL E A REUNIÃO DE EQUIPE Introdução Vocês já refletiram alguma vez sobre o valor. importantes organizações investiram muito dinheiro para tentar criar estruturas baseadas no conceito de equipe. Na Índia. 13:39 .p65 45 13/12/06. confiança. os maoris da Nova Zelândia e muitos outros povos recorriam a uma estrutura de equipe para tratar das questões da sua comunidade e da sua formação. sentados em roda. no Ashram praticavase o mesmo tipo de relação comunitária para a realização dos objetivos comuns. Nos últimos anos. criatividade e força. Isso é freqüentemente apresentado como sendo uma estrutura de formação. de partilha.

tendo-o abençoado.p65 46 13/12/06. Jesus tomou um pão e. abençoouo. Ao comermos juntos a nossa refeição. Então seus olhos se abriram e O reconheceram. Não se trata apenas da reunião em si. 26). 12).Quando olhamos para a nossa reunião de equipe. O tempo de oração nos ajuda a partilhar sobre a Escritura. auxiliamonos mutuamente a compreendê-los. O nosso objetivo comum é fazer crescer a nossa espiritualidade de casal. como lemos na Escritura: “Enquanto comiam. vivemos uma forma de vida social que Ele praticou muito durante a sua vida terrena. a explo- 46 EC_1-80. ajudamo-nos a progredir no caminho da santidade e contribuímos para a vinda do Reino. Partilhando a nossa refeição.” (Lc 24. À beira do Lago de Tiberíades: “Disse-lhes Jesus: “Vinde comer”” (Jo 21. 13:39 . tomou o pão. uma vez à mesa com eles. individualmente ou em casal. a reconhecer a sua importância. A reunião mensal Ao participarmos regularmente da reunião mensal. os lugares onde encontramos Jesus no dia-a-dia no nosso relacionamento de casal. e também de aprender e praticar o caminho que Jesus nos ensinou.. o que ajuda cada um de nós a progredir na santidade e na realização pessoal e conjugal. partiu-o e distribui-o aos discípulos” (Mt 26. podemos descobrir nela uma estrutura de formação. nas nossas famílias. 30-31). podemos também partilhar tudo aquilo que constitui a nossa vida. “E.. mas sim de uma estrutura que pressupõe a participação de cada um. aplicando durante o mês o que nela se aprendeu. depois partiu-o e distribui-o a eles. para preparar a reunião e continuar a sua formação. na sociedade. Dessa forma. temos a oportunidade de partilhar sobre esse objetivo comum. Pela partilha dos Pontos Concretos de Esforço.

A participação Ao participarmos da nossa reunião de equipe. Ao prepararmos a nossa co-participação.” (At 4. bem como a forma de vivê-lo. a escuta 47 EC_1-80. Da mesma forma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuia. com abertura e sinceridade. em casal. como em Caná.p65 47 13/12/06. da solidariedade. 13:39 . Também aprendemos juntos a linguagem da espiritualidade. “A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma. podemos estudar e refletir pessoalmente sobre esses diversos aspectos e. etc. e a tomar plena consciência do papel que nos cabe. o que é propiciado pelo clima desenvolvido quando da reunião de equipe. a nossa partilha espiritual. exercemos plenamente o nosso papel de cristãos dispostos a repartir tudo isso com os outros membros da equipe. o tema de estudos e a meditação da Palavra de Deus. mas tudo entre eles era comum. que nos ajudará a fazer uma partilha mais profunda e a ter uma participação mais intensa na reunião de equipe. assimilamos os grandes valores humanos que Jesus nos ensinou a repartir: a sensibilidade às necessidades dos outros. e ao prepararmos a nossa contribuição à refeição. A preparação Durante o mês. praticamos os Pontos Concretos de Esforço e partilhamos sobre eles.rar por meio das nossas reflexões e da nossa oração em comum o significado do plano de Deus para a salvação. ao prepararmos a reunião. do nosso relacionamento. Este estudo nos ajuda a progredir no campo específico que estudamos. apoiamo-nos mutuamente para melhor entender que eles constituem etapas importantes do nosso caminho rumo à santidade. iniciamos um novo percurso. Quando escolhemos juntos um novo tema de estudos. seja ele o da fé. dialogar intimamente. Cada um de nós traz à reunião as suas descobertas e o fruto dos diálogos efetuados durante o mês. 32).

48 EC_1-80. constatamos que algo de maravilhoso aconteceu e prossegue.* A prática No decorrer do mês. Os nossos encontros mensais de equipe foram um fator essencial para ajudar Joe a não ser somente um veterinário nas vinte quatro horas do dia e a preservar Lois de se deixar absorver por seus numerosos compromissos pessoais. Narra a obra em que se empenharam juntos. O testemunho que leremos a seguir é de um casal americano extraordinário. “Retorno” e as Equipes de Nossa Senhora sempre nos guiaram em nossa caminhada.. pelo caminho que Jesus nos indicou. nós nos orientamos cada vez mais para Deus. a “Arca da Amizade”. Progredimos na consciência e na prática dos valores que esse ambiente formativo nos trouxe. em virtude da experiência vivida em equipe e da nosssa prática dos pontos concretos de esforço. e adquirimos cada vez mais consciência do Espírito que nos guia. “Marriage-Encounter”. com a ajuda da sua equipe: a criação de um lar especial para o seu filho autista. Movimentos da Igreja Católica tais como Estudos Bíblicos. Isso nos ajudou a doravante exercer um só ministério. o de vivermos juntos a espiritualidade conjugal”. Joe e Lois. Movimento Familiar Cristão. a nossa reunião é o nosso alimento. À medida que vivemos isso. do nosso dever de sentar-se. como na casa de Lázaro. a nossa atitude muda e começamos pouco a pouco a nos * A alegria da Ressureição – Jackie e Ralph Tygielski – Colégio de Melbourne 2002. da nossa regra de vida. “Contemplando a nossa vida. e também do apoio recebido de casais celebrando o seu casamento. o diálogo sobre as mais profundas realidades e a partilha do nosso crescimento espiritual.. A primeira idéia da “Arca da Amizade” e a sua realização foram fruto da nossa oração. Fazemos continuamente a experiência do Espírito Santo em nosso casamento e na vida de cada um de nós.interiorizada. 13:39 . Cada dia. “Cursillos de Cristandad”.p65 48 13/12/06.

de intimidade. mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão pelas casas. a presença intensa do Ressuscitado.comportar de maneira diferente em relação a nós mesmos. vivo. como na noite da Páscoa na Câmara Alta de Jerusa- 49 EC_1-80. E o senhor acrescentava cada dia ao seu número os que seriam salvos. 13:39 . constituíram a primeira equipe e permitiram que esse modelo se difundisse hoje no mundo inteiro. ao nosso cônjuge. Seria bom que refletíssemos sobre a importância e a grande contribuição dos ensinamentos que nos traz a reunião de equipe e sobre a sua necessidade na sociedade global de hoje. 46-47) O Concílio Vaticano II também fala da “Igreja doméstica”. ouvir o que disse o Padre Caffarel quando deixou a sua função de Conselheiro Espiritual do Movimento. à nossa equipe. mas freqüentemente provoca a longo prazo feridas.” (At 2. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. rupturas e solidão. mas sim matéria para reflexão. Vivemos hoje num mundo materialista que pede que tudo esteja “pronto para o uso”. com a ajuda do Espírito Santo. de hospitalidade. à Igreja e à nossa paróquia. Talvez não seja surpreendente.p65 49 13/12/06. de aprofundamento. Para remediar esse estado de coisas. no meio desses casais reunidos num cômodo do apartamento. Ele está aí. com o seu mal e o seu bem. tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. respondeu: “Encontra-se aí. com pressa de ajudá-lo a tornar-se como Ele o quer. precisamos muito de estabilidade. em 1973. amando cada um tal como é. É grande a nossa gratidão para com o Padre Caffarel e os primeiros casais que. Além de tudo isso ser plenamente justificável no mundo atual. “uso” esse que pode dar satisfações imediatas. cabe recordar que esse era também o quadro existente na Igreja primitiva: “Dia após dia. à nossa família. atento a todos. unânimes. e também à sociedade. Ao ser perguntado sobre o que considerava o aspecto mais importante da vida em equipe.

isto é o meu corpo’. que é derramado por muitos para a remissão dos pecados. E a reunião se desenrola. o sangue da Aliança. no meio dos casais. A esses homens e a essas mulheres que. dizendo: “Recebam o Espírito Santo”.lém. Porque uma reunião de equipe que não for antes de mais nada um esforço em comum para encontrar Jesus. partiu-o e. a sua ardente e doce compaixão por essas multidões que são ‘como ovelhas sem pastor’. disse: ‘Tomai e comei. quando repentinamente apareceu a esses outros equipistas – os apóstolos. 13:39 . não deixa de insuflar o seu Espírito. não o que sempre acontece. esse Espírito comunica a dupla paixão de Cristo: a sua impaciência pela glória do Pai. Ele soprou sobre eles. chegam muitas vezes esgotados. 26-29) Perguntas para o estudo e a reflexão durante o mês. é algo diferente de uma reunião de Equipe de Nossa Senhora. sobrecarregados pelas preocupações. Depois.”** Reflexão bíblica para a reunião de equipe “Enquanto comiam. pois isto é o meu sangue. levando a troca de idéias aprofundadas na reunião da equipe • Damos. durante o mês. conscientes de que será um encontro com Jesus? ** Carta Mensal das Equipes de Nossa Senhora – Março/abril 1973 50 EC_1-80. animada pelo Espírito. após um penoso dia de trabalho. Jesus Cristo. E eles se tornaram homens novos. tomou um cálice e. tendo-o abençoado.p65 50 13/12/06. Jesus tomou um pão e. deu-lhos dizendo: ‘Bebei dele todos. distribuindo-o aos discípulos. Eu vos digo: desde agora não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino de meu Pai”. Acabo de descrever. uma prioridade à preparação da nossa reunião de equipe. (Mt 26. dando graças. E aqueles que se abrem a esse Sopro – e aprendemos pouco a pouco a nos abrir a Ele – tornam-se os homens desse Sopro. mas sim o que deveria acontecer.

• Enquanto repartimos juntos a nossa refeição. Como pode a nossa Oração Conjugal antes do Dever de Sentar-se constituir um meio eficiente de progresso? O que fazemos para isso? 51 EC_1-80. Isso nos poderá ajudar a prestar mais atenção aos outros PCEs. Permitir-nos-á também adquirir maior consciência do auxílio que podemos prestar um ao outro para responder ao nosso ideal durante o mês. individualmente e em casal.p65 51 13/12/06. estamos realmente conscientes de que Jesus está conosco? • De que maneira compreendemos que a equipe é um lugar de formação? Dever de Sentar-se Pergunta para a preparação pessoal e a troca de idéias em casal durante o DDS mensal: • Ao crescermos em santidade graças aos esforços em equipe. com o auxílio da nossa Regra de Vida. a buscar. tentemos fazer o nosso Dever de Sentar-se logo após a reunião. que passos concretos podemos dar para viver mais intensamente uma verdadeira vida cristã? Mudança em nosso comportamento Enfoques concretos para ajudar-nos. Para preparar a nossa reunião mensal. 13:39 . mudanças de comportamento.

Como sabem, a qualidade da
união entre dois seres é medida
por aquilo que eles repartem;
daí vocês percebem o que é a
verdadeira vida da Igreja na
Eucaristia. É a vida de Cristo
que vocês devem, antes de
mais nada, repartir entre vocês.

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Sexto capítulo

ESPIRITUALIDADE CONJUGAL
E ORIENTAÇÃO DE VIDA
Primeira parte: Progredir no amor de Deus
Introdução
O verbo “orientar” significa “virar-nos numa determinada
direção” ou então “ir para”.
Como orientamos as nossas vidas para Deus?
Onde podemos encontrar um guia para escolher a nossa
direção?
O que nos dá força e determinação para conservar as nossas prioridades?
Que modelos temos para desempenhar o nosso papel?
A estrutura das Equipes de Nossa Senhora, ou seja, a nossa
equipe de base, a reunião da equipe, os Pontos Concretos de
Esforço, tudo isso deveria ter um impacto importante em nossas vidas a fim de nos orientar para a santidade e para Deus. Se
pertencer às Equipes nos ajuda a nos orientarmos para o Senhor, o que aprendemos dessa orientação para aprofundar a
nossa fé? Ajuda-nos ela, individualmente e como casal, a desenvolver uma relação mais pessoal e mais íntima com Deus?
Leva-nos essa relação mais pessoal com Deus a mudar as nossas atitudes e os nossos comportamentos? Tem ela um impacto
sobre a maneira pela qual vivemos a nossa vida?
Essa orientação deveria nos ajudar a desenvolver a nossa
relação com Deus – a descobrir que Deus está próximo de
nós, que Ele nos ama, que Ele se evidencia na beleza da criação em torno de nós, no bebê recém-nascido, em cada uma
das nossas respirações, na natureza do cosmos e na sua
imensidão, e também, em todas as leis da natureza que funcionam tão maravilhosamente. Ele é o Deus da eternidade que
sempre estará presente.

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O exemplo de Jesus
Jesus, o Filho de Deus, veio para o meio de nós assumindo
uma dimensão humana para nos indicar um caminho na selva
da vida. Ele veio nos mostrar o caminho para reencontrar a
casa do Pai e nos ensinar como viver a nossa vida. Na sua humanidade, viveu os seus primeiros trinta anos no seio de uma
família. Durante esse período, aprendia a formar a sua personalidade humana, aprendia e vivia os valores que Deus Pai, por
intermédio do Espírito Santo e dos profetas procurara comunicar no decorrer da história. Esse mesmo Jesus, quando do seu
ministério público, ensinou-nos como viver esses valores para
que cada um de nós pudesse chegar à vida eterna, sem deixar
de viver plenamente a sua vida terrestre.
“Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância.”
(Jo 10,10)
A vida pública de Jesus começou quando, humildemente,
Ele quis ser batizado por João Batista e quando, respondendo à
intercessão de sua mãe, fez o seu primeiro milagre, em Caná, na
Galiléia; por fim, caminhou rumo ao dom total de Si mesmo para
cada um de nós na Cruz do Calvário. Durante a sua vida pública,
Jesus nos ensinou a vivermos plenamente como pessoas humanas, com os valores e o amor necessários para viver numa comunidade de amor, em meio a uma nova realidade espiritual e social abrangendo todas as pessoas, através do amor, da misericórdia e da justiça de Deus e reunindo-as numa só família.
Ele realizou tudo isso pelos seus ensinamentos, pelo exemplo da sua própria vida, pelos seus milagres e pela sua capacidade de escutar os seus irmãos humanos, conhecê-los e curá-los.
E como se isso não bastasse, após a sua crucifixão, foi sepultado,
ressuscitou dos mortos e subiu junto ao Pai, que nos enviou o
Espírito Santo.
“Rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito, para que convosco
permaneça para sempre.” (Jo 14,16)

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O Espírito Santo
O Espírito Santo está agora em cada um de nós – Ele é o
Defensor que Jesus pediu ao Pai que nos enviasse. É o Espírito
Santo que veio sobre Jesus quando foi batizado no Jordão. É
o mesmo Espírito Santo que desceu sobre os discípulos reunidos com os Apóstolos no Cenáculo e lhes deu a força para
evangelizar o mundo, viver e ensinar, curar e constituir uma
comunidade como Jesus lhes mostrara. É o mesmo Espírito
Santo que vem em cada um de nós quando do nosso Batismo
e nos confere os seus dons específicos por ocasião da nossa
Confirmação. Os sacramentos, os dons e a promessa do Espírito permanecem sempre conosco; permitem que cada um de
nós possa cumprir a missão de Jesus, fazer crescer comunidades de amor durante a nossa vida e instaurar o Reino de Deus
na terra como já está no céu.
Quando reservamos o tempo necessário para o silêncio, para
estarmos atentos à sua presença, o mesmo Espírito Santo espera pacientemente o momento adequado para nos falar, nos
guiar e nos sustentar, para que possamos viver plenamente a
nossa vida. Jesus nos prometeu: “Não vos deixarei órfãos; Eu
virei a vós.” (Jo 14,18).
Deus Trindade não se contentou em apontar-nos o caminho; Ele continua a mostrá-lo pela presença do Espírito Santo,
e por meio da sagrada e inspirada Escritura e da tradição da
nossa Igreja docente.
Os sacramentos
Também somos especialmente guiados e sustentados pela
graça e força que recebemos por meio dos sacramentos, que
nos habilitam a continuar a nossa tarefa neste mundo.
O Batismo e a Confirmação nos dão a graça e os dons
para sermos discípulos de Jesus.
O Sacramento dos Enfermos nos prepara para aceitarmos a nossa fraqueza e os nossos sofrimentos com o amparo de

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recordá-lo. lamentálas. Fazer a experiência do perdão de Deus para os nossos pecados deveria aumentar a nossa capacidade de perdoar os outros. “fonte do casamento 25. tornou-se presente num momento só. que é e que vem. Celebrá-lo. que nos dão a força e a inspiração para perdoar outrem. o sacramento nos traz a paz interior que decorre do perdão. morte na Cruz na Sexta-Feira Santa. ato único que resume tudo o que Ele é e tudo o que Ele fez por amor por nós. “Pela Eucaristia. Ressureição no Domingo de Páscoa).”26 No seu discurso às Equipes. 13:39 . Quando nos aproximamos desse sacramento.p65 56 13/12/06. Requer grandes esforços e uma boa dose de generosidade. A graça do perdão nos é concedida. Andres e Sylvia MERIZALDE – Chamados à Reconciliação – SuperRegião Hispano-América. ela nos permite sermos ouvidos. pela misericórdia de Deus. recebemos. Não acontece espontaneamente e leva tempo. o perdão das ofensas cometidas contra Ele. em janeiro de 2003. o Filho e o Espírito Santo.Jesus e para nos reunirmos numa eterna comunhão com o Pai. Pelo Sacramento do Matrimônio – como dissemos no segundo capítulo – Cristo entra na vida dos cristãos casados e permanece para sempre com eles. o Papa João Paulo II estabeleceu uma estreita ligação entre a vida e o compromisso dos casais e a sua participação na Eucaristia: “Mistério de aliança e de comunhão. reconhecermos as nossas fraquezas. Ele é aquele que era. Cristo irrompe hoje em nossa vida. é portanto manifestar aos olhos do mundo a nossa fé na presença de Deus no âmago da nossa vida. o que aconteceu em momentos sucessivos (instituição da Eucaristia na Quinta-Feira Santa. compreensão e amor”25. 56 EC_1-80. o compromisso dos casais os convida a procurar a sua força na Eucaristia. O Sacramento da Reconciliação nos é sempre acessível. Bernard e Élisabeth GÉRARD – O casal chamado à Eucaristia – SuperRegião França-Luxemburgo-Suiça. 26. De uma forma que lhe é peculiar. Aí encontramos o necessário para construir comunidades de paz. “Perdoar supõe uma decisão baseada na reflexão e no diálogo.

temos certeza que o nosso desafio passa a ser viver cada vez mais como Jesus no-lo pediu e segundo o exemplo que Ele mesmo nos deu. vem e segueme. n.” Receber diariamente ou semanalmente o Corpo e o Sangue de Cristo – que nos foi deixado na Última Ceia – isso sem dúvida nos há de fortificar para que nos tornemos mais semelhantes a Ele e para que possamos viver de forma mais plena os seus valores e o seu exemplo. Tudo isso nos sendo acessível. o Mestre e o Senhor. como eu em vós.21) Jesus. 13:39 . Depois. Ele que não tinha onde repousar a cabeça. 57 EC_1-80. para o diálogo e para a comunhão dos corações.” 27 Sobre a Eucaristia dizia o Padre Caffarel. podemos: aprofundar a nossa relação com Deus Pai.p65 57 13/12/06. 57. vai. com Jesus e com o Espírito Santo.cristão” e modelo para o seu amor […]. vos lavei os pés. também 27. à prática efetiva dos sacramentos. A ascese crist㠕 • • • A partir da formação que recebemos das Equipes. “Se. É a vida de Cristo que vocês devem. compreender melhor o valor dos sacramentos e a graça que eles trazem à nossa vida. repartir entre vocês. vende os teus bens e dá aos pobres. daí vocês percebem o que é a verdadeira vida da Igreja na Eucaristia. disse também: “Permanecei em mim. chegar. Disse Jesus: “Se queres ser perfeito. e terás um tesouro nos céus. e receber. portanto eu. por meio dessa tomada de consciência. antes de mais nada. as graças e bênçãos que Jesus nos quer dar por intermédio deles.4).” (Jo 15. em 1963: “Como sabem. Familiaris consortio. a qualidade da união entre dois seres é medida por aquilo que eles repartem. pela nossa participação.” (Mt 19.

. aí estará também o vosso coração. Pois onde está o vosso tesouro.. Modelos cristãos Temos muitos modelos a imitar. São Vicente de Paulo. a mim o fizestes. [..” (Mt 25.. 58 EC_1-80.deveis lavar-vos os pés uns aos outros. é a Ele que o fazemos! Quando Jesus nos pede que não tenhamos medo – que nos desliguemos dos nossos bens terrestres “Vendei vossos bens e dai esmola. Santa Teresa de Ávila.” (Jo 6. Outros também. pessoas que sofreram grandes mudanças para orientar-se rumo a uma vida cristã autêntica: Santo Agostinho. na sua própria vizinhança. Tudo isso para responder a Jesus: “Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses irmãos mais pequeninos.] Este pão é o que desce do céu. 13:39 . Quem comer deste pão viverá eternamente. em terras longínquas.. o Cardeal Newman. A nossa relação com Deus é função da nossa relação com os outros e da nossa resposta às suas necessidades. o Papa João Paulo II. Dei-vos o exemplo para que.p65 58 13/12/06. Quando Ele nos diz que o que fazemos a outrem. um tesouro inesgotável nos céus. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.” (Jo 13.o que significa isso para mim / para nós.33-34). […]. “Eu sou o pão da vida.” (Lc 13. também vós o façais. Santo Inácio de Loyola. como eu vos fiz.40). Fazei bolsas que não fiquem velhas. os milhares de missionários leigos que abandonaram o conforto de suas casas e os seus bens terrestres para entregar-se aos pobres e aos excluídos. a Madre Teresa de Calcutá.... em outros.. 48-51). hoje? Quando Jesus nos pede que vendamos os nossos bens. em alguns casos.14-15). Orientar-se para Jesus Orientar-se nos passos de Jesus .

”28 Reflexão bíblica para a reunião da equipe Bem-aventurados os pobres em espírito. como a Simão o Cireneu.p65 59 13/12/06. Bem-aventurados os que promovem a paz. Bem-aventurados os mansos. porque alcançarão misericórdia. porque serão saciados.estrofe 3. 13:39 . porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça. levando a troca de idéias aprofundadas na reunião da equipe: • Podemos dar exemplos de circunstâncias em que sentimos a presença do Espírito Santo operando em nós ou nos acontecimentos da nossa vida? 28. atarefado e materialista. Bem-aventurados os aflitos. A Cruz: Árvore maldita. Bem-aventurados os puros de coração. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça. no qual nós mesmos e muitos em torno de nós se encontram marginalizados ou excluídos. é preciso estar pronto a fazer o dom de si. Árvore em flor . Árvore de vida. Bem-aventurados os misericordiosos. É preciso parar de procurar as opções mais fáceis.” (Mt 5. 59 EC_1-80. porque serão consolados. porque verão a Deus.3-10) Perguntas para o estudo e a reflexão durante o mês. que se nos tornaram familiares com o nome de Bem-aventuranças? Quando resolvemos seguir Jesus. porque serão chamados filhos de Deus. não deveríamos pôr em prática as palavras de Jesus na Montanha. porque deles é o Reino dos Céus. porque deles é o Reino dos Céus. Cardeal Godfried Danneels (Bélgica).No mundo atual. obrigado a seguir Jesus. a alegria de tê-Lo seguido. “Aos homens e às mulheres não é dado escolher a sua Cruz: ela lhes é imposta. mais tarde. mas que provou.

com o auxílio da nossa Regra de Vida. • De qual Bem-aventurança estou / estamos mais próximos e da qual mais afastados? Como podemos ajudar-nos mutuamente a progredir? • Será a nossa oração conjugal uma escolha de vida essencial para o nosso casal? Como torná-la ainda mais vital? 60 EC_1-80. tornar-nos mais sensíveis às necessidades dos nossos irmãos? • Estamos prontos a doar-nos para seguir a Cristo? Dever de Sentar-se Perguntas para a preparação pessoal e a troca de idéias em casal durante o DDS mensal: • Como a nossa escolha de vida.p65 60 13/12/06. de forma prática e concreta.• De que maneira os métodos do nosso Movimento nos ajudam a compreender de forma mais íntima e pessoal o nosso itinerário na fé? • Como podemos. nos ajudou a definir a nossa atitude em relação aos marginalizados e excluídos? • Que passos concretos poderíamos doravante dar juntos. em casal. mudanças de comportamento. para responder de forma prática a essa pergunta? Mudança em nosso comportamento Enfoques concretos para ajudar-nos. a buscar. como indivíduo ou como casal. individualmente e em casal. 13:39 .

como a Igreja. em casal.” 29 “Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom”. 61 EC_1-80. Preocupar-se com a educação humana e cristã dos nossos filhos “A família.Sétimo capítulo A ESPIRITUALIDADE CONJUGAL E AS ORIENTAÇÕES DE VIDA Segunda parte: Progredir no amor em prol do futuro Desenvolvemos no capítulo 6 algumas idéias a respeito da maneira pela qual podemos e devemos escolher juntos. numa sociedade egoísta. cuidados e educados conforme os valores da vida cristã. co-criadores com Ele das gerações futuras. Paulo VI – Evangelii Nuntiandi. vamos considerar alguns campos em que podemos progredir no amor e trabalhar em prol do futuro dos nossos filhos. sem atitudes inatas. abertos a todos. estão completamente livres. Essa pesada responsabilidade deve ser exercida com amor e muito cuidado. enquanto casais. contudo. Quando os nossos filhos nascem. repleta de falsos valores. (Gn 1. de individualismo e de espírito de compe29. fora o pecado original. da sociedade e da Igreja. pecado imanente. 31) Deus nos fez. nascem num mundo indiferente. Confiou-nos os nossos filhos – criados à sua imagem. tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia. sem reservas. cheios de confiança e amor. 13:39 .p65 61 13/12/06. Neste capítulo. Nos recém-nascidos não há. puros e sem manchas – para serem amados. nº 71. como orientar para Deus as nossas vidas. muitas vezes.

para que possam viver a sua vida em plenitude. 13:39 .tição. Comunicar de maneira diferente Na qualidade de pais. Precisam criar o hábito da oração para construir a sua fé. Mons. onde o dinheiro é a medida de tudo. mas “pela fé no Cristo Jesus e pelo Batismo. 62 EC_1-80. Deus nos deu uma vontade livre. tanto na vida privada como na vida pública. Jo 3. O mundo no qual vivemos atualmente coloca-nos diante de exigências materiais. deixados sem resposta. precisamos “dispor-nos” a mudar os nossos comportamentos. O nosso papel de pais é mostrar-lhes outro caminho. da injustiça social e do grande enfraquecimento dos critérios de moral. Para viver de outra maneira – à imitação de Cristo – a nossa “boa vontade” não basta. Os jovens questionam esse desequilíbrio da sociedade e. da água e do Espírito (cf. Os cristãos são reconhecidos pelo amor que têm uns pelos outros: “Vede como se amam!” 30. Tornamo-nos assim filhos de Deus. de condição livre: O Espírito vos tornará livres ”30. Tornamo-nos membros do Povo de Deus. A graça recebida no Batismo nos dá a força necessária para opor-nos a esse tipo de mundo. tendem inconscientemente a aceitar e seguir a corrente. Podemos facilitar isso pela Oração Familiar.p65 62 13/12/06. estabelecer e alimentar a sua relação com Deus. esse nascimento do alto. e ao dialogar com eles a respeito de questões de fé e de justiça. não pelo nascimento. como podemos transmitir aos nossos filhos as virtudes que tornarão o mundo um ambiente melhor para todos? Os jovens precisam fazer a experiência dos valores cristãos nas relações interpessoais. de um pensamento liberal. Devemos tratar os nossos filhos como seres de valor infinito em virtude de sua dignidade de filhos e filhas de Deus. 3-5). Fleischmann – Olhares de Fé sobre a Igreja – Melbourne 2002.

“Se o Cristo lhes for apresentado com seu verdadeiro rosto. a paz. . Devemos. Para os nossos jovens. em famíla. de uma comunidade na qual se reserva um tempo de silêncio e de oração à margem do burburinho do mundo.Isso exigirá inevitavelmente “sacrificar a sua vida pelos outros”. colocando-se ao seu serviço. os jovens reconhecem-no como resposta convincente e conseguem acolher sua mensagem. que levantam a voz contra a injustiça e cumprem dessa maneira a missão de Cristo. Devemos compreender que. que reagem de modo humano às necessidades humanas.p65 63 13/12/06. de uma comunidade na qual se partilha a escuta da palavra para nela encontrar uma orientação para a vida. Pre31. é preciso que ela exprima um sentido de comunidade em que juntos se procure amar e servir a Deus. cada vez que tentamos promover a justiça. ainda que exigente […]”31 Para que a Eucaristia tenha um significado em sua jovem vida. encontramos resistência por parte de outras pessoas que procuram proteger os seus interesses pessoais. João Paulo II – Novo Millenio Ineunte. 63 EC_1-80. de uma comunidade na qual sustenta-se mutuamente nos momentos difíceis. E isso – devemos reconhecê-lo – nos leva a carregar a cruz. Deveríamos ser homens e mulheres que se esforçam por aliviar os sofrimentos da humanidade. sustentar-nos uns aos outros para viver esse ideal. somos o Corpo de Cristo. na qual todos se esforçam juntos por discernir a vontade de Deus sobre a sua vida. a morada do Espírito Santo. Se os nossos jovens se sentirem membros de uma verdadeira comunidade. a verdade e o amor. freqüentemente idealistas e que querem modificar o mundo.perceberão então que são membros de uma autêntica comunidade cristã. tudo isso faz sentido. Enquanto comunidade. 13:39 . Jesus viveu isso de perto e por isso foi condenado. nº 9. É preciso viver isso no amor pelos que mais sofrem na nossa comunidade.

é dizer a cada instante aos outros: ‘entrem’. a coragem para avançar com segurança e confiança. vivemos uma comunhão e Deus está presente. em vez de desperdiçar os nossos esforços em setores fora do nosso alcance. agir no nosso círculo de influência.cisamos começar por iniciativas modestas. Se uma comunidade fecha as portas. onde nos é possível promover mudanças. da nossa acolhida e da nossa abertura para com eles.” (Ap 3. 20). e ele comigo. entrarei em sua casa e cearei com ele. Será isso fruto do carisma das Equipes ou simplesmente um modo de agir autenticamente cristão? É preciso praticar essa abertura com todos aqueles que encontramos.p65 64 13/12/06. na nossa vizinhança. O forasteiro é aquele que é diferente. Jesus nos disse: “Era forasteiro e me recolhestes. Muitos nos dizem ser essa uma das experiências maravilhosas da pertença às Equipes. 35). Deus vivo e cheio de amor revela-se nos corações vivos e repletos de amor. se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta. 64 EC_1-80. é sinal de que também os corações se fecham. sentem-se muito próximos uns dos outros.” “Eis que estou à porta e bato. Quando resolvemos acolher o forasteiro. Descobrirão assim o amor de Deus através do nosso amor.” (Mt 25. é escutá-los com atenção. assim como aos nossos filhos. No seu livro Comunidade e Crescimento. que darão certo e mostrarão a diferença. os casais das Equipes de Nossa Senhora sentem-se à vontade quando se encontram. O acolhimento é uma atitude: é a abertura constante do coração. descobrimos um amigo. é dar-lhes um lugar no grupo. após alguns dias juntos. Jean Vanier escreve que “o acolhimento é um dos sinais de que uma comunidade está viva. Praticar a hospitalidade e ser um casal acolhedor No mundo inteiro. com a ajuda do Espírito Santo. Isso nos dará. Ademais. 13:39 .

Entendemos por ‘Igreja’ a comunidade dos homens e mulheres que professam que ‘Jesus Cristo é o Senhor’ e que se engajam ativamente a seu serviço. outros a trabalhar para a libertação dos de32. Somente um pequeno número de nós está visivelmente integrado no Povo de Deus – isto é. Formamos um só corpo em Cristo. Alguns sentem-se chamados a acudir os pobres. “É específico dos leigos. 13:39 . deveríamos ser levados a nos interrogar e a discernir os dons que Deus nos concedeu em vista da construção do Reino. em que casais rezam juntos e juntos escutam a Palavra.p65 65 13/12/06. Cada um de nós é responsável por parte dessa construção. procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus.. 65 EC_1-80. Lumen gentium. 13-16). 5-6) Alguns dentre vocês talvez se sintam vocacionados a promover a dignidade da pessoa e a defender os seus direitos. tendo. por sua própria vocação. Como membros das Equipes.Testemunho concreto do nosso amor de Cristo por um ou vários engajamentos na sociedade A nossa missão de ‘Povo de Deus’ é ser ‘ sal da terra e luz do mundo’ (Mt 5.. por um engajamento de toda a sua vida na Igreja de Cristo – são os sacerdotes. porém. Por conseguinte.. devemos reconhecer a amplitude da nossa missão e a ela dedicar uma parte do nosso tempo. nº 31. 4) “.” (Rm 12.. O Concílio Vaticano II mostrou-nos que a missão da Igreja é ao mesmo tempo religiosa e temporal. outros ainda a reagir contra as discriminações ou a desempenhar tarefas administrativas. mas o Espírito é o mesmo. os desempregados. os religiosos e as religiosas. espiritual e social. Somos todos responsáveis por fazer advir o Reino de Deus. sendo membros uns dos outros. outros.”32 “Há diversidade de dons. a promover a justiça na sociedade. dons diferentes. enquanto Povo de Deus.” (1 Co 12.

Como pensamos cumprir esta missão? Pertencemos todos a comunidades paroquiais.] Amemos a Deus.p65 66 13/12/06. 13:39 . São Vicente de Paulo. outros querem ajudar casais em dificuldade (divórcio ou separação). Nossa atitude deve ser interrogar-nos juntos sobre a maneira de cumprir essa missão. outros ainda procuram socorrer os sem-teto.pendentes de drogas ou de álcool. especialmente quando um dos “mais pequenos” na nossa sociedade vem a nós precisando de ajuda. Jean Vanier – Comunidade e Crescimento. [. etc. assim como disposições e orações desse tipo – se bem que em si excelentes e desejáveis – são contudo suspeitos se não se exprimem mediante atos concretos de amor que tenham efeitos reais. “Muitas vezes. por sua natureza. Concílio Vaticano II. as manifestações de afeto para com Deus. “Devemos evoluir da noção de ‘a comunidade para mim’ até a noção de ‘eu para a comunidade’. uma vocação ao apostolado..” 33 Testemunho concreto do nosso amor de Cristo por um ou mais engajamentos na Igreja  “Existe na Igreja diversidade de serviços. mas unidade de missão”34 Nossa vocação eclesial é. nas quais sacerdotes e paroquianos precisam enfrentar juntos esse desafio da missão. 35. Essa colaboração deve ser vista não como uma partilha de poder. 34. os sentimentos generosos para com todos. o desejo de permanecer em sua presença. mas pela força dos nossos braços e pelo suor da nossa fronte. 66 EC_1-80. Todo cristão tem por obrigação levar a mensagem da salvação e fazer com que seja compreendida e partilhada por todos os povos da terra. Devemos tomar consciência de nossas atitudes. É es33. Decreto Apostolicam Actuositatem.” 35 Em muitos países diminui o número de sacerdotes.. sem deixar de cuidar das necessidades do povo de Deus. mas de encargos. Meditações. nº 2.

nos co36. Precisa. apresentar a cinco ou seis novos casais e um sacerdote os métodos das Equipes de Nossa Senhora. Rm 12. Não esqueçamos. 4-8). Ele os encoraja a manter entre eles a unidade do Corpo único de Cristo. temos muito a oferecer. Ef 4. membros das Equipes de Nossa Senhora. “Entre os deveres fundamentais da família cristã estabelece-se o dever eclesial: colocar-se ao serviço da edificação do Reino de Deus na história. Nós. alguns de forma modesta e discreta. a nossa experiência pode ajudar-nos a preparar as crianças para a recepção dos sacramentos e a organizar liturgias para elas. nº 49. O tema da parábola dos trabalhadores enviados à vinha (Mt 20. hoje. 11-13). ”36 Antigamente. assim. de uma missão mais voltada para as pessoas. estar engajado no serviço da Igreja significava geralmente participar de comitês para a manutenção da igreja. ou de sua administração financeira. São Paulo afirma que esse espírito de colaboração deve estar no âmago da construção de uma comunidade cristã (cf. outros de maneira mais pública e visível. particularmente no campo da preparação ao matrimônio e do aconselhamento conjugal.p65 67 13/12/06. os casais. mediante a participação na vida e na missão da Igreja. que. as famílias. Na Carta aos Efésios. o verdadeiro campo da nossa competência na Igreja é a promoção da espiritualidade conjugal. há muitas outras maneiras de colaborar no trabalho das nossas paróquias: na liturgia. o crescimento espiritual que resultaria para os cônjuges. Enquanto pais. Devemos estar todos engajados. Familiaris consortio.sencial para a vida da Igreja que os leigos se engajem nas suas paróquias. hoje. 67 EC_1-80. 13:39 . tendo criado filhos. contudo. não é permitido a ninguém ficar sem fazer nada. Além do que dissemos acima. estamos habilitados a dar cursos a pais sobre como educar os filhos. Escrevendo aos Romanos. a Igreja e a sociedade seria enorme. 1-16) é esse: não deve haver pessoas ociosas. ele fala de “um só Corpo” (cf. Muitos dentre nós. Se cada equipe existente no mundo pudesse fundar uma nova equipe entre os seus conhecidos e.

Somos os instrumentos de Deus: somos na terra os únicos olhos. porém. aquele que preside. exortando. com alegria. Pois assim como num só corpo temos muitos membros. quem o do ensino. devemos procurar cumpri-lo da melhor forma possível. mas uma justa estima. Coloquemo-los à sua disposição e dediquemo-nos à tarefa que nos é pedida. Isso pode ajudar os sacerdotes ou grupos paroquiais a pedir-nos um serviço para o qual os nossos dons serão preciosos para a comunidade. Reflexão bíblica para a reunião da equipe “Exorto-vos. a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus.. quem o da exortação. que o exerça segundo a proporção da nossa fé. Em virtude da graça que me foi concedida. agradável e perfeito. seja ela qual for. ditada pela sabedoria. nos cursos de Batismo e de Crisma. Lembremo-nos sempre de que o Espírito Santo opera por nosso intermédio. no catecismo. Seja qual for o serviço que nos for pedido. nós somos muitos e formamos um só corpo em Cristo.p65 68 13/12/06. mas transformai-vos. na Pastoral da Saúde. sendo membros uns dos outros. com diligência. a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva. Aquele que distribui seus bens. ensinando. E não vos conformeis com este mundo. segundo a graça que nos foi dada.rais e na música. e os membros não têm todos a mesma função. Pode ser útil informá-los de nossas competências particulares – não como nos vangloriando. aquele que tem o dom do serviço. O que importa é oferecer o nosso serviço aos nossos sacerdotes. 13:39 . na promoção humana. mãos e pés de que Ele dispõe. a lista não tem fim. eu peço a cada um de vós que não tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que convém. que o faça com simplicidade. ouvidos. 68 EC_1-80.. de acordo com a medida da fé que Deus dispensou a cada um. renovando a vossa mente. no Ministério da Comunhão. portanto. o exerça servindo. Tendo. pela misericórdia de Deus. dons diferentes. aquele que exerce misericórdia. mas com toda a humildade e reconhecimento a Deus pelos dons que dele recebemos. na Leitura da Palavra. de modo análogo. santa e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. irmãos. aquele que tem o dom da profecia. o que é bom.

Examinem com toda a sinceridade como cada um utiliza esses dons para fazer progredir o Reino de Deus na terra. perseverando na tribulação. 69 EC_1-80.” São Paulo aos Romanos 12. Sede diligentes. tendo em vista construir uma comunidade à qual todos sintam que pertencem e nela são amados. da nossa comunidade? Dever de Sentar-se Pergunta para a preparação pessoal e a troca de idéias em casal durante o DDS mensal: • Façam uma partilha entre vocês dois sobre os dons que vêem um no outro. 13:39 . tomando parte nas necessidades dos santos. mudanças de comportamento. levando a troca de idéias aprofundadas na reunião da equipe • Como transmitir às nossas crianças e aos nossos jovens as virtudes que farão do mundo um lugar melhor para todos? • Façam uma troca de idéias sobre como estabelecer um novo relacionamento com aqueles que talvez estejam marginalizados no trabalho. • Como exercemos os dons que recebemos. Mudança em nosso comportamento Enfoques concretos para ajudar-nos.p65 69 13/12/06. com amor fraterno. do nosso movimento. buscando proporcionar a hospitalidade. 1-13 Perguntas para o estudo e a reflexão durante o mês. ou como deveríamos exercê-los para participar da vida da nossa paróquia. individualmente e em casal. na paróquia. com o auxílio da nossa Regra de Vida. cada um considerando o outro como mais digno de estima. a buscar. sem preguiça. na nossa vizinhança. servindo ao Senhor. tendo carinho uns para com os outros. detestando o mal e apegados ao bem. fervorosos de espírito. alegrando-vos na esperança.Que vosso amor seja sem hipocrisia. assíduos na oração.

• Tentem conceber uma iniciativa que. seja qual for a idade de nossos filhos ou netos? 70 EC_1-80. Tentem também delinear um projeto de atividade de sua família voltada para fora. • A oração em famíia. vejam que outra iniciativa poderia ser tomada. 13:39 .p65 70 13/12/06. parece-nos ser uma prática à qual damos o devido lugar? Como podemos valorizá-la ou revalorizá-la. complemento da oração conjugal. tomada em família. possa trazer algo de bom para outra pessoa ou para a comunidade. Se ela der certo. no nosso lar.

o Profeta Miquéias aponta o caminho para a santidade: “O que Yahweh exige de ti: nada mais do que praticar o direito. 8). com 37.” (Rm 12. pela misericórdia de Deus. gostar do amor e caminhar humildemente com o teu Deus” (Mq 6. irmãos.Oitavo capítulo ESPIRITUALIDADE CONJUGAL E SANTIDADE Introdução Em 15 de dezembro de 1949. p. p. 81. o Padre Caffarel. 24. Nancy Cajado Moncau – Equipes de Nossa Senhora no Brasil.p65 71 13/12/06. 71 EC_1-80. cf. XII. 13:39 . São Paulo nos exorta à santidade: “Exorto-vos. a que ofereçais vossos corpos como hóstias vivas. portanto. Um autor espiritual antigo38 explica a santidade dizendonos que se contemplarmos Cristo para além das palavras. escreveu com muita clareza: “O objetivo essencial das Equipes de Nosssa Senhora é ajudar os casais a buscar a santidade . 1) No Antigo Testamento. individualmente e em casal. nem menos” Para concluir o nosso tema de estudos. Na Epístola aos Romanos. William de Saint-Thierry. santas e agradáveis a Deus. em sua primeira carta a Pedro Moncau37. 38. monge cisterciense do séc.nem mais. a crescer na santidade. e Jean Allemand – Henri Caffarel – Um Homem Arrebatado por Deus. reflitamos sobre como a estrutura das Equipes de Nossa Senhora nos pode ajudar. que procurara informar-se sobre o Movimento que logo depois iria implantar no Brasil. A santidade Consideremos em primeiro lugar a palavra “santidade”.

mas podem conjugar-se. Ele utiliza uma palavra grega – intraduzível em qualquer língua moderna 39. Esta é a grande descoberta da espiritualidade conjugal: os dois amores. 6). a Verdade e a Vida”? (Jo 14. quase sem o perceber. ainda que a pessoa sempre conserve algo de irredutível e de incomunicável. vendo nele um caminho extraordinário. mas de um caminho a ser percorrido em casal. como concebemos uma imitação do Cristo. para uma maneira de viver segundo o espírito de Cristo. a santidade consiste em construir-se a si próprio e um ao outro como criaturas de Deus.o nosso coração. ou em casal. percorrido apenas por algum ‘gênio’ de santidade. e todas as exigências da vida cristã podem ser vividas em casal. Enfoque prático No seu livro Como um pão rompido.”39 Ao procurar definir a espiritualidade. nº 31. 13:39 . Novo Millennio ineunte. portanto. Peter van Breemen tenta traçar a imagem da plenitude da pessoa de Jesus como um modelo a ser seguido individualmente. acabamos por tornar-nos como Ele.3): “Os cristãos casados são chamados à santidade. o amor conjugal e o amor a Deus. não se trata apenas de um chamamento individual. perguntamo-nos: “Será uma maneira de viver segundo o espírito de Jesus? Será a santidade? Será a plena realização espiritual e humana?”40 “Para nós. o Papa João Paulo II nos diz: “Esse ideal de perfeição não deve ser objeto de equívoco. Ao raiar do novo milênio.” Se. a nossa espiritualidade conjugal é um caminho para a santidade. Para eles.” 41 Como está escrito na “Segunda Inspiração” (2. não se excluem. Gomez-Senent – O Casal rumo à Santidade – Melbourne 2002 72 EC_1-80. que se apresenta a nós como “o Caminho. 40. John e Elaine Cogavin – A Espiritualidade do Casal – Roma 2003 41. para a plena realização espiritual e humana.p65 72 13/12/06.

Jesus é uma pessoa com o coração em paz. as Bem-aventuranças refletem a sua mentalidade e a sua maneira de viver. essa mesma plenitude está ao alcance de cada um de nós se decidirmos seguir Jesus. 22). e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11. paz. autodomínio” (Gl 5. escutar a sua Palavra para termos consciência da Criação. 29). Mary McAleese – Presidente da República da Irlanda – Reconciled Being (Um Ser Reconciliado).p65 73 13/12/06. é no silêncio que a flor desabrocha. a sua humildade ao descer do Monte das Oliveiras montado num jumento. • A plenitude espiritual e humana de Jesus. Para conseguir isso em nosso mundo atarefado. benignidade. como Ele. “A relva cresce verde e luxuriante no silêncio. fruto do amor do Pai. bondade. 73 EC_1-80. alegria. O próprio Jesus estava sempre a procurar um local sossegado onde pudesse permanecer em silêncio. Essa palavra grega intraduzível. as árvores crescem em majestade no silêncio. devemos. Pela graça de Deus. antes de mais nada. • “…aprendei de mim. 13:39 . crescer em santidade e modelarnos em Jesus. estar em paz. É no silêncio que encontramos essa paz interior e tomamos consciência da presença de Deus. que descreve simultaneamente as virtudes e os valores de Jesus.”42 42. é prautes. devemos.– que descreve muito bem as virtudes de Jesus e a sua plenitude espiritual e humana. porque sou manso e humilde de coração. fidelidade. Ela evoca: • O retrato que Jesus faz de si mesmo nas oito Bem-aventuranças (Mt 5. mansidão. Ele refazia as suas forças ao ficar algum tempo em silêncio com seu Pai. e sermos guiados pelo Espírito Santo. • Um coração em paz. • Os nove frutos do Espírito: “…amor. Nós também precisamos de um tempo de silêncio. longanimidade. 3-10). Se a santidade consiste em viver segundo o espírito e o coração de Jesus. assim como a dos que nele crêem. Precisamos de um coração apaziguado.

.] A Esperança age em nós como um ‘motor’ que nos impele ao amor. enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista. ao serviço dos nossos irmãos. assim como a imitá-lo em sua maneira de viver. 74 EC_1-80.” (Lc 4. se a vivermos com plena confiança em Deus. como era o seu costume. Tudo isso nos sustenta. o que pressupõe termos a esperança cristã.” 43 43.Outra maneira de entender o sentido da palavra prautes é seguir o preceito de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. à sinagoga de Nazaré. foi. É difícil dar uma definição.p65 74 13/12/06. Definiu então a sua própria missão ao ler as palavras de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim. “A esperança cristã está fundamentada na promessa que Cristo nos dirigiu a todos: ‘…aquele que crê tem a vida eterna’ (Jo 6.. Andres e Sylvia Merizalde – A Esperança – Houston 2001. 13:39 . 47). [. nos anima e nos mantém afastados do pecado para nos dedicarmos ao serviço dos outros. para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor. procuraremos ser parecidos com Jesus. a fonte e a meta dessa Esperança. mas o termo pode ser ilustrado por nossa vida. porque ele me ungiu para evangelizar os pobres. […] Enquanto conservarmos em nós uma esperança viva. 18-19) “Prautes” ‘Prautes’ é mais que uma virtude: é a soma de todas as virtudes de Cristo. 12) Jesus também nos mostrou como entender o seu sentido quando. num dia de Sábado.” (Jo 15. Isso nos levará a escutar freqüentemente a sua Palavra e o seu ensinamento.

Nossa meditação da Palavra nos ajuda a conhecer a pessoa de Jesus e nos apresenta os desafios da vida cristã. num clima de amor. Nossa vocação Para ajudar-nos a atingir o principal objetivo do nosso Movi- 75 EC_1-80. Nossa co-participação e a troca de idéias sobre um tema de estudos ajudam a nossa formação no que diz respeito à fé. sem dúvida. O objetivo dos nossos Pontos Concretos de Esforço é ajudar os casais a crescer na vida cristã ao tomarem medidas concretas para atingir esse objetivo. cada um no seu caminho. A participação na reunião mensal e o respeito às suas regras ajudam a guiar a nossa vida. É o que devemos ser para corresponder plenamente aos compromissos do nosso Batismo. e ao partilharem essas medidas. Será. Jesus nos indicou a direção a seguir e recebemos a força do Espírito Santo.• • • • Voltando à estrutura do Movimento: A nossa reunião de equipe é um local de formação para a atenção. As Equipes de Nossa Senhora “As nossas Equipes devem ser ao mesmo tempo um movimento de iniciação e um movimento de perfeição. ao se ampararem uns aos outros. assim criada “uma raça eleita. um sacerdócio real.. mas sim como um trampolim para a plenitude da vida cristã. 13:39 .” (Henri Caffarel – Vocação e Itinerário das Equipes de Nossa Senhora . o diálogo. o povo de sua particular propriedade” (1 Pd 2. ao relacionamento fraterno. pela interação com os outros membros da Equipe e o Conselheiro Espiritual. conforme os nossos dons pessoais. Devemos considerar a Carta Fundadora das Equipes não com um entrave.. só depende da nossa vontade resolver viver dessa forma. à sensibilidade social. o encontro com Jesus.Roma – maio de 1959).p65 75 13/12/06. 9). uma nação santa. Ela deveria nos levar a cumprir a vontade de Deus de várias maneiras.

] Esses movimentos reúnem 44.3.c): “O casamento está ao serviço da santidade.. Operários.. Com efeito. Somente surgirão de famílias profundamente cristãs. Entendam-me: homens e mulheres entregues totalmente a Cristo. artistas e cientistas que sejam santos. L’Anneau d’Or nº 87-88 76 EC_1-80.conferência do Pe.. somente serão formados e amparados por esses movimentos de perfeição dos quais falamos. Santos. Não devemos esperar que surjam de uma geração espontânea. 13:39 . este caminho ainda é novo e. ao falar de uma renovação qualitativa da Igreja: “Em compensação.” O Papa João Paulo II.mento – a procura da santidade – talvez possamos nos orientar pelos seguintes textos: A Segunda Inspiração (4. Na Igreja. É sem dúvida esta a vocação mais específica das ENS: não só chamar os leigos à santidade. importa na hora atual que a santidade de Cristo esteja presente em todos os setores da vida moderna: o nosso mundo tem imperiosa necessidade de santos leigos. movidos pelo Espírito. leva-me a pensar que movimentos de perfeição para leigos casados correspondem a uma necessidade urgente da Igreja. Caffarel na Peregrinação de maio 1949 a Roma44: “Outro motivo. os novos movimentos são orientados para a renovação da pessoa humana [. missionários e talvez mártires. ainda mais fundamental. chamar as pessoas casadas à santidade. políticos que sejam santos. habitados pela caridade.. camponeses. no mundo. dirigentes de empresa que sejam santos. é quase revolucionário.” Vocação e Itinerário das Equipes de Nossa Senhora .p65 76 13/12/06. mas afirmar que a sexualidade humana pode ser um caminho para a santidade.

p65 77 13/12/06.principalmente leigos casados. se nós trabalhamos e lutamos. como podemos . 77 EC_1-80. 13:39 . João-Paulo II – Entrai na Esperança. A pouco serve o exercício corporal. é porque colocamos a nossa esperança no Deus vivo. 250-251. Perguntas para o estudo e a reflexão durante o mês. Exercita-te na piedade. Salvador de todos os homens. ao passo que a piedade é proveitosa a tudo. coisas de pessoas caducas.ajudar o nosso cônjuge a progredir na santidade? .progredir na santidade juntos.” (1 Tm 4.progredir individualmente na santidade? . Pois. pois contém a promessa da vida presente e futura. as fábulas ímpias. pp. inseridos na vida profissional. levando a troca de idéias aprofundadas na reunião da equipe: • No nosso mundo repleto de ocupações. sobretudo dos que têm fé. de que modo pode a combinação de todos os PCE das Equipes levar-nos à santidade e à mudança de perspectiva sobre a vida? Dever de Sentar-se Pergunta para a preparação pessoal e a troca de idéias em casal durante o DDS mensal: 45.” 45 E. voltando à nossa Carta Fundadora – base do nosso Movimento: “Alguns desses últimos (casais) fundaram as Equipes de Nossa Senhora: Ambicionam levar até o fim o compromisso do seu Batismo. em casal? • Na sua opinião.” Reflexão bíblica para a reunião da equipe “Rejeita. 7-11). O ideal da renovação do mundo em Cristo decorre em linha reta do compromisso fundamental do Batismo. Fiel é esta palavra digna de toda aceitação. porém.

21). para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor. mudanças de comportamento. ser manso e humilde de coração exige muita força de caráter. Jesus disse: “Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura” (Lc 4.• Depois de ler as palavras de Isaías em Lc 4. 13:39 . 29).p65 78 13/12/06. Como podemos nos ajudar em casal a viver essa missão e a cumprir os compromissos do nosso Batismo? Mudança em nosso comportamento Enfoques concretos para ajudar-nos. a buscar. 18-19: O Espírito do Senhor está sobre mim. Como nos temos ajudado até agora a progredir nessas virtudes? • Podemos. porque ele me ungiu para evangelizar os pobres. logo após a reunião da equipe. muita determinação e ajuda. com o auxílio da nossa Regra de Vida. • Em nossa sociedade de consumo atual. individualmente e em casal. refletir individualmente sobre essa questão. Jesus nos pede: “Aprendei de mim. na intimidade do casal. enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista. porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11. trocar idéias sobre ela e tentar praticar essas virtudes durante o mês? Como pode a oração conjugal ajudar-nos a realizar o programa desenvolvido pelas Bem-aventuranças e a melhor seguir o caminho a que Cristo nos chama quando no Evangelho nos diz: “Vem e segue-me”? 78 EC_1-80. e depois.

Marcos Bach. 1961. J. Henri Caffarel. Louis Evely. 2006. Vozes. Uma só carne: a aventura mística do casal. 22. Matrimônio: para que serve este Sacramento? Vozes. O amor conjuga: fundamento do casal humano. 13:39 . resposta de Deus. 14. O Amor e a Graça. Flávio Cavalca de Castro. A evolução do amor conjugal. 1978. EC_1-80. 16. São Paulo..p65 79 13/12/06. Hildo Conte. 2005. J. 2001. Sílvio Botero. Nova Bandeira. Vozes. Vozes. Sentido espiritual da Sexualidade. 9. A vida de casal na Bíblia. Falando de espiritualidade conjugal. Reinventar o matrimônio. 1993. E. Filoteo Faros. Vozes. Vozes. 8. A vida do amor: o sentido espiritual do eros. A Natureza do Eros. 1998. Ed.Bibiografia em português Documento da Igreja: 1. Schillebeeckx. Paulus. Almir Guimarães. A missão do casal cristão. Maria Aparecida N. Equipes de Nossa Senhora. Inventar o amor: a terapia da ternura. 17. 3. Cidade Nova. 10. Santuário. Livros: 2. 19. Textos compilados por Jean e Annick Allemand. 13. Jean Allemand. Henri Caffarel. Henri Caffarel. Santuário. 2001. Vozes. Esther Brito Moreira de Azevedo e Luiz Marcello Moreira de Azevedo. Flamboyant. 1996. 1985. 18. Marcos Bach. 12. 1987.. um homem arrebatado por Deus. 2003. João Paulo II. Santuário. Santuário. Ivo Storniolo. Nas encruzilhadas do amor. 2003. 4. Fehr e Igar Fehr. Ed. Paulus. Santuário. Vozes. 1999. Esther Brito Moreira de Azevedo e Luiz Marcello Moreira de Azevedo.. Xavier Lacroix. Homem e Mulher. Angel González Nuñez. 7. O Casamento Sete Respostas. 1995. O casamento. 11. 2001. O mistério do amor humano: o mais belo cântico de Salomão. O matrimônio: realidade terrestre e Mistério da Salvação. 1980. Pietro Balestra. 5. Michel Laroche. Na força do Amor. 15. Paulus. 2003. 20. Ed. 1990. 1969. 21. Henri Caffarel. 1994. Lisboa. 1985. A espiritualidade do casal: temas de um retiro espiritual.. Loyola. 6.

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