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Professor Me.

Danilo Stocco de Souza
Professor Me. Rubem Almeida Mariano

INSTITUIÇÕES PÚBLICAS,
CONTROLE SOCIAL E
MINISTÉRIO PÚBLICO

PÓS-GRADUAÇÃO NÚCLEO ESPECÍFICO
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

MARINGÁ-PR
2012

Reitor: Wilson de Matos Silva
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Canova Vasconcelos

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR


CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação

a distância:

C397 Instituições públicas, controle social e Ministério Público/

Danilo Stocco de Souza, Rubem Almeida Mariano. Maringá -

PR, 2012.
96 p.

“Pós-Graduação Núcleo Específico Administração Pública-
EaD”.



1. Gestão pública. 2. Administração societal. 3. Controle so

cial. 4 .EaD. I. Título.

CDD - 22 ed.351
CIP - NBR 12899 - AACR/2
“As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir dos sites PHOTOS.COM e SHUTTERSTOCK.COM”.

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CONTROLE SOCIAL E
MINISTÉRIO PÚBLICO
Professor Me. Danilo Stocco de Souza
Professor Me. Rubem Almeida Mariano

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conhecimento de qualidade. qualidade da gestão acadêmica e administrativa. a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e. o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância. a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. incentivando a educação continuada. informação. bem-estar e satisfação da comunidade interna.APRESENTAÇÃO DO REITOR Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. compromisso social de inclusão. Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelos nossos fará grande diferença no futuro. formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –. por fim. novas habilidades para liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Com essa visão. o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-extensão com as demandas institucionais e sociais. como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 5 . consolidação da extensão universitária. aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa. Professor Wilson de Matos Silva Reitor INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho. A busca por tecnologia. o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente. Diante disso. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento.

dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que. você construa e amplie a sua rede de conhecimentos. participar ativamente dos fóruns. possibilitamos que. possamos interagir e. mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas. 25). enfim. responder às atividades de autoestudo. 1996. “ensinar não é transferir conhecimento. Portanto. pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e. você procure interagir com os textos. Todas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender o seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação. você terá à sua disposição todas as condições para se fazer um competente profissional e. independente da distância geográfica que você esteja. assim.CESUMAR 6 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. atividades de estudo. assim. superar os desafios na construção de conhecimentos. Tenho a certeza de que no Núcleo de Educação a Distância do Cesumar. Desta forma. ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados. têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competências necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa. Essa interatividade será vivenciada especialmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVA – no qual disponibilizamos. efetivamente.Caro(a) aluno(a). lhe estendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencie a oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de uma comunidade mais universal e igualitária. recomendo que durante a realização de seu curso. fazer-se presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento. Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem! Professora Gislene Miotto Catolino Raymundo Coordenadora Pedagógica do NEAD. determinadas pelo Ministério da Educação (MEC). p. disponibilizadas para o seu processo de formação. além do material produzido em linguagem dialógica. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . assim. por meio de um modelo pedagógico interativo. colaborar efetivamente para o desenvolvimento da realidade social em que está inserido. todas as atividades de ensino. Assim sendo. Neste sentido. buscando atender essas necessidades. aulas sobre os conteúdos abordados. um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas para a sua aprendizagem. fazer anotações.

abordaremos a temática relacionada à administração societal. analisando os regimes democráticos e suas participações. oriundos da globalização. E por fim identificaremos as possibilidades de ações inseridas no processo de trabalho do gestor Na unidade II. abordaremos a evolução do Estado moderno e suas implicações na gestão pública. discutindo os modelos gerencial e societal e suas novas competências gerenciais. Na unidade III. burocrática e gerencial). visualizando seus espaços de atuação. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 7 . verificando como ocorre essa nova gestão. Controle Social e Ministério Público. dispondo aos educandos conhecimentos referentes à questão da participação da sociedade organizada nas esferas públicas de gestão e as diversas multidimensões da ação profissional. além da democracia representativa abordaremos os conselhos das políticas públicas. portanto. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS.Na unidade I. abordaremos a temática “relação do poder público e da sociedade organizada”. atuo como professor do Centro Universitário de Maringá . Desenvolveremos uma visão crítica sobre a ação profissional dentro da esfera pública. Danilo Stocco de Souza Professor Me. suas características gerais e seus mecanismos de gerenciamentos. sensibilizando-o para o aprofundamento de estudos e práticas na área. analisando a reestruturação do estado e modelos de administração pública (administração patrimonialista. atribuindo novas atitudes e ações no desenvolvimento acadêmico e para a atuação profissional.APRESENTAÇÃO Livro: INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. orçamento participativo. Rubem Almeida Mariano Caro(a) Acadêmico(a). Sou o professor Danilo Stocco de Souza.CESUMAR e sou Assistente Social da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Astorga. a fim de contribuir na aquisição de competências necessárias ao processo decisório buscando solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações sobre o objeto de estudo. Verificaremos. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO Professor Me. Contextualizaremos o processo de transformação. possuo graduação em Serviço Social pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana. da crise do estado e da gestão pública. administração gerencial e administração pública societal. e com muito prazer que apresento a você o livro da disciplina de Instituições Públicas. do curso de pós-graduação em Administração Pública. controle social sobre a gestão pública e as possibilidades para o exercício do controle social no Brasil. Atualmente. as relações do poder público e da sociedade organizada. desenvolvendo reflexões sobre o conteúdo abordado. especialização em Políticas Pública e Gestão Social e em Gestão de Pessoas e sou mestre em Ciências Sociais.

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CRISE DO ESTADO E DA GESTÃO PÚBLICA.  23 REESTRUTURAÇÃO DO ESTADO E MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIALISTA.SUMÁRIO UNIDADE I GESTÃO PÚBLICA A NOVA GESTÃO PÚBLICA 14 CONTEXTO DE TRANSFORMAÇÃO: GLOBALIZAÇÃO. BUROCRÁTICA E GERENCIAL) 25 UNIDADE II ADMINISTRAÇÃO SOCIETAL E ADMINISTRAÇÃO GERENCIAL ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA SOCIETAL 36 DISCUSSÃO E ANÁLISE DOS MODELOS GERENCIAL E SOCIETAL 38 AS NOVAS COMPETÊNCIAS GERENCIAIS  40 UNIDADE III RELAÇÃO DO PODER PÚBLICO E A SOCIEDADE ORGANIZADA REGIMES DEMOCRÁTICOS E PARTICIPAÇÃO 66 A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA 69 A QUESTÃO DA PARTICIPAÇÃO 71 CONSELHOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS 75 ORÇAMENTO PARTICIPATIVO 76 CONTROLE SOCIAL 76 CONTROLES SOBRE A GESTÃO PÚBLICA 81 POSSIBILIDADES PARA O EXERCÍCIO DO CONTROLE SOCIAL NO BRASIL 83 .

CONCLUSÃO 90 REFERÊNCIAS 91 .

Danilo Stocco de Souza Professor Me. • Desenvolver visão crítica sobre a ação profissional dentro da esfera pública. crise do Estado e da gestão pública • Reestruturação do Estado e modelos de administração pública (administração patrimonialista. burocrática e gerencial) . apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • A nova gestão pública • Contexto de transformação: globalização. Plano de Estudo A seguir.UNIDADE I GESTÃO PÚBLICA Professor Me. Rubem Almeida Mariano Objetivos de Aprendizagem • Conhecer a evolução sobre o Estado moderno e as implicações da gestão pública. • Identificar possibilidades de ações inseridas no processo de trabalho do gestor.

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algumas de suas mais importantes facetas. inserindo-se numa linha de pensamento crítico. preliminarmente. com todas suas implicações teóricas e paradigmáticas. definir nosso problema ou. Para além de outras possibilidades. criando normas. ante uma realidade geral notoriamente distante do ideário sustentado. ao menos. o discurso que defende novos paradigmas de qualidade no setor público.INTRODUÇÃO Um setor público que trabalhe com eficiência. realmente. eficazmente e qualificado é o que almejamos. Na abordagem dos conteúdos presentes encontram-se recortes de trabalhos de: Ana Paula Paes de Paula. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. a nova gestão pública. nossa reflexão. Com este embasamento. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 13 . mas também qual o substrato básico do qual ela não pode abrir mão e quais as principais dificuldades que temos pela frente. suas potencialidades e dificuldades. a sociedade civil organizada e os cidadãos individualmente. Necessitamos focar não apenas o que é. permitindo e incentivando a participação da sociedade civil nos assuntos que dizem respeito à formulação e ao controle da execução das políticas públicas e da gestão. Djair Picchiai entre outros teóricos na área. Estruturamos nossa reflexão sobre os novos rumos da gestão pública brasileira. Pedro Gabril Kenne da Silva. Trata-se de uma abordagem que se insere numa linha crítica. é uma proposta de diagnóstico geral dos rumos da nova gestão pública no Brasil. Fernando Otávio de Freitas Peregrino. passaram a dispor de mecanismos importantes para acompanhar e exercer a fiscalização das ações dos governos. neste espaço. agilidade. Como alcançá-lo? Como aclarar os caminhos? Devemos. O problema reside nos obstáculos que encontramos para atingir esse objetivo. na qual foram organizados segundo uma linha lógica e metodológica para o desenvolvimento do tema. qual seja. também nos referiremos sobre redemocratização do Brasil. culminando na chamada Nova Gestão Pública. na qual almejamos. Com a combinação desses. as instituições públicas e os controles sociais presentes na sociedade hoje. propondo interrogantes concretas em torno ao discurso objeto de crescente adesão no meio acadêmico e político. marcada pela promulgação da Constituição Federal de 1988.

a burocratização é causa e efeito de um sistema político e econômico cada vez mais complexo.] o que é distintivo sobre o Estado moderno são o caráter e a extensão de sua intervenção. o destino dos indivíduos é regulado e controlado por agências governamentais em um grau nunca visto [. chamado também de sociedade. diferentes visões do papel do Estado correspondem a diferentes papéis da burocracia. Com efeito. quando predominava o Estado absolutista a burocracia 14 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS.COM A NOVA GESTÃO PÚBLICA Conceito de Estado Moderno Antes de entrar no tema da unidade. Com o seu poder busca monopolizar as regras que devem ser seguidas por todos (OUTHWAITE. p.. No seu entender. judiciário e executivo e o aparato legal e normativo. Max Weber considerava a expansão da administração burocrática como um produto natural da evolução da sociedade moderna. Ele está inserido em um determinado território. Bendix (1969) recupera algumas ideias de Weber afirmando que este pensador admitia que a burocracia deixara de ser uma aliada para ser uma inimiga do capitalismo. do nascimento à morte. Assim. Para Ham e Hill (1993). O Estado é profundamente influente na vida dos cidadãos e das sociedades em geral. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . BOTTOMORE. 39). discutir o papel do Estado é também discutir o sistema burocrático que rege seu funcionamento.Fonte: PHOTOS. Segundo Ham e Hill (1993.. o Estado Moderno é constituído de vários organismos e estruturas. tais como os poderes legislativo. é conveniente recuperar alguns conceitos sobre o Estado. para estes autores. 1993). Na Era Moderna.

Além disso. 1993). sem que houvesse qualquer interferência externa. como a do economista britânico John Maynard Keynes. as ideias de Keynes não foram aceitas por todos. é necessário que haja maior flexibilidade e liberdade de ação. o ideal do Estado do Bem-Estar Social passou a ser uma ferramenta que os países capitalistas utilizaram para diluir os conflitos sociais e apresentar uma alternativa ao modelo soviético vigente e concorrente. a Austríaca. à margem das formalidades exigidas pela racionalidade legal (SCHWARTZMAN. Além de não ter sido prevista. MILLS. deveriam ser ampliados os gastos públicos na promoção do desenvolvimento econômico. 2004). CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 15 . 2005). A burocracia moderna prima pelo atendimento a requisitos racionais e legais e. 2006). deixando ao mercado o papel de criar e distribuir as riquezas (DE PAULA. A partir de então. que atribuía ao Estado o papel de “vigia noturno” ou de um mero guardião da propriedade privada e de um interventor na economia (OUTHWAITE. 1993). Essa visão burocrática do Estado contraria o pensamento econômico liberal preconizado por Adam Smith. Sua política econômica alternativa. 2005). HILL. ela foi considerada por muitos analistas como o colapso do modelo liberal. Diversas outras escolas e teorias emergiriam questionando o modelo do Estado do Bem-Estar Social.foi essencial para o funcionamento da empresa mercantil. Apesar disso. podendo chegar a inibir o lucro privado (GERTH. A grande crise de 1929 marcou um momento de inflexão no liberalismo. à formalidade e à separação entre a dimensão do que é público e do que é privado. Weber considerava ainda que a burocracia permitia que o Estado tivesse poder para se autogerenciar. 2004). que ocorreu a expansão do capitalismo industrial-monopolista marcando territorialmente o aumento do poderio econômico de algumas nações sobre outras. Para atingir essa meta. a teoria da Escolha Pública. foram sendo criadas novas teorias econômicas. eficácia e efetividade. Foi neste contexto em que predominava o Estado liberal. estava posicionada na direção oposta ao Estado liberal. BOTTOMORE. com isso. na geração de empregos e no acesso da população aos serviços sociais (REZENDE. a Escola de Virgínia e a Agency Theory (DE PAULA. o modelo keynesiano passou a ser mais questionado diante da baixa capacidade dos Estados nacionais em atender às demandas sociais com eficiência. o cumprimento dos contratos e fornecer serviços de utilidade pública. Segundo essa mesma lógica. a burocracia está submetida a um conjunto de leis estáveis que dão às suas ações um elevado grau de previsibilidade. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. a de Mont Pelerin Society. Para ele. O sistema que se opõe à racionalidade legal é o da racionalidade substantiva por meio do qual a burocracia busca alcançar seus fins. chamada de “Estado do Bem-Estar Social”. entre elas a de Chicago. Na década de 1970. as funções econômicas do Estado seriam garantir a ordem interna. Atualmente. no início do século XX. a burocracia é vista como uma fonte de subsistência para uma pequena burguesia no aparelho do Estado. 1948). colocando-se assim à margem dos controles dos segmentos dominantes da sociedade capitalista (HAM. Tal conceito é muito oportuno para que possamos começar a refletir sobre a lógica do controle que domina a administração pública burocrática versus a lógica de resultado enfatizada pelo modelo de administração gerencial (REZENDE.

2003). pois se organizavam em torno de objetivos e mantinham contratos de gestão com os respectivos ministérios. Suas propostas visavam reduzir a máquina pública. foi sendo formulada a alternativa de um modelo calcado na ideia de um Estado mínimo. Assim começou a ser construída uma nova reforma gerencial do Estado capaz de fortalecer sua eficiência na implementação de políticas públicas e de afastar sua presença das atividades econômicas: base do novo padrão da economia capitalista globalizada (DINIZ. e chegaram a ameaçar o equilíbrio fiscal de alguns governos (REZENDE. Muitos autores consideram que o modelo britânico foi um precursor da NPM. a reforma britânica não parece ter atingido os objetivos propostos. 2002). 3) terceirizou os serviços públicos. ao menos no que tange à redução dos gastos públicos.NPM) foi construído nesse contexto social e ideológico. sendo o produto de iniciativas de reformas administrativas desenvolvidas no Reino Unido. A literatura acadêmica contemporânea revelou que a construção desse conceito também está associada às pressões externas por serviços públicos melhores com custos mais baixos (GUIMARÃES. entre elas a redução do tamanho do Estado. Mais tarde. Ou seja. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância .As falhas do Estado tornaram-se ainda mais evidentes durante o processo inflacionário. como foi o caso da América Latina. o Banco Mundial (BIRD) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para países em desenvolvimento. o número de funcionários e o custeio. 4) regulamentou as atividades terceirizadas. Austrália e Nova Zelândia (DE PAULA. na verdade eles permaneceram em torno de 40 a 45% (FERLIE et al. em 1994. 1999). o modelo britânico incluía iniciativas de avaliação de desempenho dos servidores. inspirando reformas em outros países e continentes. A crise do modelo soviético dos anos 80 ajudou a construir a hegemonia dessa concepção no mundo inteiro. 2005). Neste caso. Fundamentos teóricos O conceito da Nova Administração Pública (New Public Management . Um dos programas britânicos mais destacados à época foi o das agências “Next steps”. Além disso. Estados Unidos. A Nova Administração Pública no Reino Unido assumiu as seguintes características: 1) descentralizou o Estado. um conjunto de dez medidas recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Sua origem remonta ao final da década de 70. Banco Mundial) por meio do Consenso de Washington (1989). 2) privatizou empresas estatais. simbolizado pela derrubada do muro de Berlim. ela recebeu apoio da alta burocracia dos organismos multilaterais (FMI. Isso não significa que o Estado britânico tenha reduzido seus gastos. Aos poucos. o modelo do Estado intervencionista passou a ser mais sistematicamente criticado. separando as atividades de planejamento das de execução. 5) e utilizou ferramentas gerenciais oriundas do setor privado 16 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. 2004). 2005). o Banco Mundial preconiza a adoção de mecanismos de gestão do setor privado pela administração pública e o envolvimento da comunidade na prestação de serviços públicos (DE PAULA. muitas práticas e ideias foram prescritas e impulsionadas pelo chamado – Consenso de Washington (1989). Além disso. O fato é que tal fenômeno se espalhou largamente no mundo. Com a crise do modelo soviético de dominação e o fim da Guerra Fria. apoiado na lógica do mercado e com menos intervenção estatal na economia. Esse programa propunha a descentralização de atividades do Estado mediante a criação de organismos denominados de Agências Executivas do Estado que se assemelham às OS.

recuperando o que disse Simon Schwartzman (2006. por causa de suas origens próprias. Apesar de existirem muitas semelhanças entre os diferentes processos de implantação do modelo NPM.(DE PAULA. 2005). China e Índia] se modernizaram por caminhos distintos do experimentado pelas sociedades europeias. foi promovida a descentralização do Estado e a transferência de atividades econômicas para a iniciativa privada. Pereira-Matias (2008. Além disso. eficácia e efetividade na administração pública. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 17 . despesa pública elevada na economia. professor da Havard School of Government. Ela despreza valores importantes da atividade pública. A pergunta que se coloca é se estes tipos de caminhos alternativos para a modernidade permitem produzir formas de organização política e social bem-sucedidas. Neste caso. Pelo contrário. p. Moore. Na Nova Zelândia também foram realizadas reformas tanto econômicas quanto administrativas. Na Austrália. Tais instrumentos legais concediam aos órgãos públicos a responsabilidade pelo planejamento. Uma das críticas mais severas à NPM veio de H. pois não leva em conta que os valores sociais nem sempre coincidem com a satisfação do consumidor e que o cidadão não é apenas consumidor. 2): As sociedades não europeias [América Latina. tais como a diferença entre a dimensão constitucional e os mecanismos de mercado: o papel do governo em resolver conflitos e definir metas nacionais. Moore (1999) afirma que a NPM é limitada. Assim. a NPM foi institucionalizada por meio do National Performance Review (1993). Como se verifica. o governo e seu monopólio de uso da força e o governo como investidor no futuro do país. tendo como base parâmetros da empresa privada. Neste caso. A reforma na Nova Zelândia foi promulgada por meio do State Sector Act (1988) e do Public Finance Act (1989). que foi promulgado em consonância com o Government Performance and Results Act (1993). pois é focada apenas na eficiência. de forma comparável ao que podemos presumir tenha ocorrido na tradição europeia. p. quando então foram criadas as Perfomance-Based Organizations (PBOs). crescente nível de insatisfação dos cidadãos com a qualidade dos serviços prestados pela administração pública. Porém. Suas motivações também se assemelham às identificadas no Reino Unido. são problemas inerentes a quase todos os países. a reforma da Nova Zelândia privilegiou a introdução da accountability. estabeleciam os critérios para medir a qualidade dos serviços prestados (DE PAULA. ele foi denominado Service Reform Act. pela previsão de recursos utilizados e pelos indicadores de aferição de metas e perfomance. a responsabilidade das decisões passou a ser dos administradores. baixo nível de eficiência. 2004). foi criado modelo semelhante. Moore (1999) considera a NPM um modelo simplista. Em seu livro. muito semelhantes ao que mais tarde veio a se chamar de OS no Brasil (REZENDE. Esse modelo voltava-se para combater algumas das deficiências reconhecidas do serviço público (De PAULA. 2008). INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. e foram estabelecidos contratos de trabalho no setor público. Nos Estados Unidos da América. cabe enfatizar as singularidades regionais. Por seu intermédio. 65) analisa esse fenômeno da seguinte forma: Existe uma tendência de que os problemas que muitos países possuem são comuns aos demais. 2005). as iniciativas para resolver o problema do funcionamento do Estado não se limitaram a um país. para os quais se poderão encontrar soluções semelhantes.

cultura. a busca da excelência dos serviços públicos e a substituição do foco no cliente pelo foco no usuário. a busca de flexibilidade. ritos e símbolos presentes no modo das pessoas que integram uma organização. é inegável que o Estado incrementou o processo de modernização de suas estruturas. a partir de 1930. NPM/Modelo 2. uma organização estruturada com funções definidas. o Brasil começou a deixar de ser agrário para ser um país industrial. os quais tinham salários pré-definidos e escalonados. Nela. como veremos. 26).ele representa papéis sociais e políticos na sociedade.culturais e econômicos – que interferiram no processo de organização da Nova Administração Pública. o Estado brasileiro era um verdadeiro mercado de troca de votos por cargos públicos. Seguiu a premissa inversa do modelo anterior. o Estado brasileiro apenas esboçou alguns esforços de implantar sua burocracia como Max Weber a compreendia. Provocou muitas contestações. p. alguns autores insistem em identificar e valorizar os fatores específicos . (1999) realizaram um esforço de sistematização das experiências que se acumulavam em espaços territoriais e culturais diferentes e produziram distintos modelos de NPM. NPM/Modelo 3. um expressivo exemplo de suas ideias. Até 1930. chamado de “Em busca da excelência”. Até então. O governo de Margareth Thatcher representou bem esse modelo. Rejeita a abordagem racional do primeiro modelo e dá ênfase a valores. a prevalência do controle financeiro e o monitoramento do desempenho. desenvolveu o incremento da terceirização e. incluindo até modelos organizacionais híbridos. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . a saber: NPM/Modelo 1. 2005). finalmente. privilegiando a administração pública inovadora. apesar de reconhecerem muitas semelhanças entre os diferentes modelos e experiências (DE PAULA. por exemplo. 1999. editado em 1992. Estas diferenças permitem que sejam constituídas distintas formas de organização pública. uma combinação de clientelismo e patrimonialismo (RESENDE. Em resumo. a separação entre um pequeno núcleo estratégico e uma grande periferia operacional. sistematizados em quatro tipos. em que traços do modelo burocrático e do modelo gerencial convivem em um mesmo espaço organizacional (FERLIE 1999). pois tentou realizar uma cópia do setor privado no setor público espelhando conceitos toscos de eficiência. 2004). estão presentes traços de sua evolução que nos remetem a origens remotas. Representa a fusão das ideias de gestão dos setores público e privado. com deveres e direitos estabelecidos para os funcionários. com autoridade e hierarquia. adotando o sistema comando controle.. era uma combinação da racionalidade do Modelo/NPM 1 e correntes de pensamento que valorizam mais as relações humanas. a prioridade para pequenas unidades a grandes estruturas. Assim. tais como qualidade total. HAM. denominado de “Downsing e descentralização”. NPM/Modelo 4. regulamentos e decisões. A literatura acadêmica instituiu tradicionalmente que. ou seja. Apesar de muitos indícios industrializantes serem verificados antes desta data. Conhecida corrente dos anos 80. chamado de “Orientação para o Serviço Público”. tendo 18 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. ou seja. e tem nos autores Osborne e Gaebler do famoso título “Reinventando o governo”. formalização de seus atos. relativa estabilidade e pensões (HILL. A gestão pública brasileira: história e singularidades Para melhor compreender as reformas recentes da administração pública brasileira é necessário fazer o resgate de seu processo histórico de construção. 1993). denominado também de “Impulso para a eficiência”. pois privilegiou a descentralização. Este modelo também negava o papel dos mercados na definição dos serviços públicos e dava prioridade à participação e à responsabilidade como preocupações legítimas do setor público (FERLIE et al. FERLIE et al. os modelos e as experiências da NPM expressam diferenças significativas.

pode ser verificado na execução do Plano de Metas de JK – realizado por grupos executivos (COSTA. ou seja. autarquias. empresa pública. Durante o Estado Novo (1937-1945) foi criado o “Departamento Administrativo do Serviço Público” . Um dos exemplos neste sentido foi a criação de 56 agências estatais até o ano de 1945. Enquanto as fundações. sociedades de economia mista e fundações (COSTA. Por seu intermédio foi editada a denominada “Lei Orgânica da Administração Pública Federal”.constituída de empresas. 2008). descentralização. alguns serviços públicos tornaram-se ainda mais descentralizados por meio de instrumentos de delegação de competências. englobando empresas públicas.DASP (1938): um marco na reforma empreendida por Vargas. Em 1967. empresas públicas e sociedades de economia mista tinham como objetivo dar maior agilidade e flexibilidade às ações do governo e melhor atender às demandas da sociedade e do Estado. alguns autores assinalam que durante este período (1930/1954) foram dados alguns passos importantes no sentido da descentralização da execução dos serviços públicos. a administração direta permanecia submetida aos marcos do modelo burocrático. institutos e grupos especiais ad hoc. remunerando-os de acordo com o mercado. coordenação. Entre 1952 e 1962. Ele é tido como um marco na história recente da administração pública brasileira. de fixação de esferas de responsabilidade e de prestação de contas das autoridades. Parte deste desenvolvimento dizia respeito ao processo de substituição de importações e a implantação dos primeiros grandes complexos industriais. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Outro. o Decreto-Lei 200/67 criava um modelo híbrido (burocrático e gerencial). a era Vargas construiu um modelo weberiano de centralização e profissionalização da burocracia. A reforma empreendida pelo Governo Vargas visava dotar o Estado de instrumentos que facilitassem sua performance gerencial. Aparentemente.sujeita a regras rígidas e controles . Ela consistia de cinco princípios fundamentais que passaram a demarcar o Estado brasileiro. Este período foi marcado pela divisão entre a administração direta . 2008). a saber: planejamento. 2004). começando pela gestão dos recursos humanos e orçamentários. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 19 . O DASP acumularia as funções de planejar e gerenciar os recursos humanos e as compras governamentais (REZENDE. delegação de competência e controle. foi promulgado o Decreto-Lei 200.e a administração indireta ou descentralizada . Os órgãos da administração indireta passaram a gozar de maior autonomia gerencial.em vista capacitá-lo a exercer um papel de motor do desenvolvimento. por meio da concessão de crédito público. formal e legal. 2008). sociedade de economia mista e fundação pública. incentivos fiscais e eliminação das barreiras alfandegárias (COSTA. Assim. A expansão do Estado obrigou também a implantação de sistemas de controle visando dar conta da herança do patrimonialismo e do clientelismo predominantes desde o período anterior. 2008). Esse órgão foi responsável pela formulação e implantação da reforma administrativa. Porém. Um dos exemplos neste sentido foi a capacidade que passaram a ter de recrutar quadros sem concurso. Este instrumento jurídico definia o enquadramento das autarquias. com capacidade proposta de intervir na vida social e econômica do país (COSTA.

Portanto. a Constituição de 1988 parece limitar ainda mais o cumprimento da função executiva dos órgãos da administração indireta. negociação e debate entre diversos segmentos da elite política e social. Este instrumento visa valorizar o mérito e a transparência. ao mesmo tempo. com a criação do DASP (1938). o incremento dos mecanismos de controle e a redução do formalismo e do incentivo à descentralização. fruto. A Constituição de 1988 diminuiu a distância entre a administração direta e indireta e. E é justamente esse movimento de combinação do modelo burocrático com o modelo gerencial no interior da administração pública. 2001). o chamado “Regime Jurídico Único” (Lei 8112/. pois fortalece a lógica do controle em detrimento da lógica dos resultados.Com o fim do regime militar e a institucionalização da democracia. as dificuldades para sua implementação esbarraram no forte aparato burocrático (ABRUCIO.90). Um dos exemplos nesse sentido foi a institucionalização de um único regime de trabalho para todos os servidores. a História da administração pública brasileira pode ser caracterizada por movimentos de centralização e descentralização. como o fortalecimento do Ministério Público. que foram acompanhados pelo fortalecimento da administração direta. além de percorrer uma trajetória marcada por modelos híbridos em sua natureza. duas delas deixaram marcas profundas: uma foi instituída durante o Estado Novo. tudo indica. O Governo Collor (1990/1992) empreendeu uma reforma que visava retirar o Estado da cena econômica e a racionalizar sua ação. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . ou seja. 2008). Embora a Constituição de 1988 tenha produzido algumas medidas modernizadoras do ponto de vista político. pelo convívio de modelos burocráticos incompletos e modelos gerenciais. vê-se que a história da administração pública brasileira foi marcada por diferentes e sucessivas reformas. o Decreto-Lei 200/67. a institucionalização das reformas administrativas mais profundas no Brasil ocorreu exatamente em dois momentos de organização autoritária do poder político nacional (DINIZ. Observando essa trajetória. as iniciativas no campo da administração pública continuaram mesclando iniciativas burocráticas com medidas de cunho gerencial. Porém. e a outra promulgada durante o regime militar: chamada de a “Lei Orgânica da Administração Pública Federal”. como já visto. Para tanto. Assim. não contribuíram para o desenvolvimento da capacidade do Estado em empreendê-las sob a democracia. mas parece não ter se mostrado eficaz do ponto de vista gerencial em todos os campos da administração em que foi aplicado (ABRUCIO. de reformas que padeceram da falta de planejamento e de meios eficazes que dessem conta de sua implementação (COSTA. 2007). portanto híbridos. 2007). Dessa forma. com o incremento da profissionalização da burocracia mediante a criação da “Escola Nacional de Administração Pública – ENAP” em 1986. dada a escassez de experiências que ajudassem na 20 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. reduziu a flexibilidade dos órgãos da administração indireta. até então considerada o setor mais dinâmico da administração pública no Brasil. essas reformas. 2007). Assim. Assim. realizou cortes abruptos de pessoal e construiu uma campanha difamatória e desagregadora do serviço público (ABRUCIO. ao não emergirem em ambientes democráticos que exigem planejamento.

burocrático e formalista. 1998). (3) flexibilizar as normas e simplificar os procedimentos. Essa distinção é fundamental para que possamos entender o surgimento e a natureza das OS. de capacidade de implementação de políticas públicas. aumentar o investimento em infraestrutura básica e fiscalizar o gasto público (DE PAULA. formulação. o PDRAE (1995) defendia o ajuste fiscal. (5) aprofundar a profissionalização dos funcionários. dito de outro modo. A reforma preconizada no PDRAE (1995) tinha como objetivos: (1) redefinir os objetivos da administração pública que passaria a estar voltada para o cidadão-cliente. A Reforma proposta no PDRAE (1995) Em 1995. Como mencionamos acima. estão os bens sob controle direto do Estado. De Paula (2008. Com isso. sustentação política para governar. reservando-se a exercer o papel de regulador ou promotor destes serviços e políticas. a criação de novos instrumentos de política social e a reforma do aparelho do Estado. a tradição brasileira foi realizar reformas administrativas em contextos autoritários. Muitas destas ideias já haviam sido formuladas anteriormente. embora não sejam do Estado. Do ponto de vista administrativo. implementação e avaliação de políticas públicas. 2007). ou seja. esperava-se que o Estado aumentasse sua “governança” e tivesse a capacidade de implementar de forma eficiente políticas públicas (COSTA. a questão não era de “governabilidade”. dividido em nove capítulos ao longo de 49 páginas. 1995). acabar com as restrições ao capital externo. este Plano tinha como estratégias o abandono de políticas protecionistas e a liberação da economia para importação de bens de consumo e capitais.implementação de novos modelos (ABRUCIO. Naquela situação. p. O princípio básico era o Estado reduzir seu papel de executor de políticas públicas e de prestador de serviços. a reforma econômica orientada para o mercado que aumentasse a capacidade de competição internacional do País. o país tinha. Banco Mundial e Banco Interamericano. abrir o País às instituições financeiras internacionais. Esses bens podem ser representados por entidades sem fins lucrativos dedicadas a prestar serviços à sociedade. pouca experiência em conduzir reformas em um regime democrático (ARBUCIO. sua implantação encontrou um Estado profundamente centralizado. a reforma da previdência. reestruturar o sistema previdenciário. Uma das características básicas do PDRAE (1995) está associada à forma em que classifica propriedade pública: estatal e não estatal. mas sim de “governança”. desregulamentar a economia. 2005). estão os bens que. No segundo. reduzir a presença do Estado. portanto. Do ponto de vista político. contendo restrições constitucionais à descentralização e aos mecanismos gerenciais. Em sintonia com os princípios da Nova Administração Pública. 2008). que por meio do Consenso de Washington prescreviam para os países endividados: realizar o ajuste estrutural do déficit público. (4) instituir um novo desenho das estruturas descentralizadas. devido aos problemas de ineficiência da administração pública (MARE. servem ao interesse público. foi promulgado o “Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado” (PDRAE. O PDRAE (1995) seguiu as recomendações do FMI. tais como fundações e sociedades de interesse público e beneficente. (2) aperfeiçoar as funções e instrumentos de coordenação. Do ponto de vista econômico. 126). CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 21 . mas não tinham sido implementadas. especificou assim essa INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. 2007). No primeiro caso.

educação e assistência social) e científico que seriam prestados tanto pela iniciativa privada. que define o funcionamento da OS. o PDRAE (1995) propôs as denominadas “Agências Executivas”. sejam elas “Agências Executivas” ou “Agências Reguladoras” e. manutenção entre outras. necessárias ao funcionamento do aparelho do Estado. seriam submetidas à licitação e contratadas com terceiros. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . finalmente. pesquisa científica. sendo realizadas pelas secretarias formuladoras de políticas públicas. III – a remuneração de pessoas. desenvolvimento tecnológico. Em seu artigo 1º. em si. (2) as atividades não exclusivas do Estado: serviços de caráter competitivo e atividades auxiliares ou de apoio. Estas atividades pertencem ao domínio do núcleo estratégico do Estado. eximir organizações como as OS das regras rígidas do controle burocrático. denominada. Esses contratos. à lei dispor sobre: I – o prazo de duração do contrato. passaram a 22 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Mas o suporte jurídico mais importante para sustentar as reformas pretendidas pelo PDRAE (1995) foi a promulgação da Emenda Constitucional Nº 19. Em 1998 foi promulgada a Lei 9637/98. o fomento e a formulação de políticas públicas. direitos e obrigações e responsabilidades dos dirigentes. mediante o ato do Presidente da República. proteção e preservação do meio ambiente. consta que as Organizações Sociais são: “pessoas jurídicas de direito privado. 2007). sem fins lucrativos. Uma segunda característica merece destaque. transporte. Já as atividades auxiliares ou de apoio. Para as autarquias e fundações responsáveis por atividades exclusivas do Estado. Tal modelo foi instituído na Lei 9649/98. como limpeza. a regulação. Assim. trazida do ambiente empresarial. serviços técnicos. o segundo criava as “Agências Autônomas”. de 4 de junho de 1998. as agências executivas e as agências reguladoras. conforme prescrevia a NPM. cultura e saúde”. mas que aqui foi introduzida pelo ex-ministro Bresser Pereira (ABRUCIO. do Artigo 37º da CF (1988) da seguinte maneira: a autonomia gerencial. II – os controles e critérios de avaliação e desempenho. Trata-se da ideia de implantar uma administração baseada em resultados.divisão: (1) atividades exclusivas do Estado: a legislação. por Lima (2000) como a “Reforma Administrativa” que revisou o parágrafo 8º. No âmbito das atividades de caráter competitivo estão os serviços sociais (saúde. denominados de “Contratos de Gestão”. a fiscalização. Para viabilizar essa visão. orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato (grifos nossos) a ser firmado entre seus administradores e o poder público. que no seu Artigo 51º autoriza o Poder Executivo. o terceiro visava a implantar as “Organizações Sociais” (OS) que deveriam estar voltadas para a descentralização das atividades e serviços públicos não exclusivos do Estado. vigilância. que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade. abria-se a possibilidade de. cujas atividades sejam dirigidas ao ensino. o PDRAE (1995) propôs que fossem realizados três “Projetos Básicos”: o primeiro visava oferecer basicamente o suporte técnico à implantação dos dois outros. quanto pelas organizações sociais que integrariam o setor público não estatal. por meio de um contrato. composto pela Presidência da República e os ministérios (Poder Executivo). a qualificar como Agência Executiva a autarquia ou fundação que tenha um “plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento e ter celebrado contrato de gestão com o respectivo Ministério Supervisor”.

mediante sua atuação direta na prestação de atividades econômicas. nos países desenvolvidos. A nova visão do Estado reconhecia seu papel complementar nos âmbitos econômico e social. induzindo a um processo descentralizante. podemos considerar que a partir da Emenda 19 ficou institucionalizada na própria constituição a convivência de princípios da administração pública burocrática com um dos princípios básicos da administração gerencial. seja para limitá-la e permitir sua compatibilização com o interesse coletivo. Isso significava. impessoalidade. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. alheio à área social e ao domínio econômico. O modelo de Estado modesto começa a decair após a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa.ser o principal instrumento para viabilizar a nova parceria entre o Estado e as organizações privadas que seguiram o modelo das OS. ou ainda. por interposta pessoa. e os Estados Comunistas do bloco soviético. além do disciplinamento da ordem econômica. os quais ficavam ao sabor das próprias forças sociais. na expressão de Bresser Pereira. que utiliza parâmetros burocráticos e modernizantes também pode ser observada na Emenda Constitucional 19/98. Surgiram. em especial na Europa. Com efeito. a própria estrutura do Estado intervencionista. 1988). creditício e de infraestrutura. à defesa nacional. voltada para conformá-lo ao papel de um verdadeiro demiurgo social. moralidade e publicidade” (CF. seja para estimulá-la por meio da concessão de apoio financeiro. Isso porque o mercado livre e a inexistência de uma política social levaram as economias capitalistas à insuficiência de demanda agregada. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 23 . ruindo definitivamente na década de 30 do século passado. Ao longo do século XVIII. caracterizado pela adoção de uma postura de mero guardião da ordem e segurança nacional. tornou-o incapaz de desenvolver a contento todas as atividades que tinha assumido. arrecadação e diplomacia. como havia sido identificada nas experiências de reformas administrativas durante o século XX. como a “legalidade. o Estado Desenvolvimentista e protecionista nos países em desenvolvimento do chamado Terceiro Mundo. A dimensão híbrida. Era o Estado mínimo. a assunção da prestação de serviços sociais fundamentais. tanto no que se referia à prestação de serviços públicos. de cunho intervencionista. quanto no tocante à realização. pôde-se notar a estruturação do Estado liberal. ensejando uma crise generalizada que abriu espaço para a emergência do Estado Socialburocrático. reduzindo sua atuação ao pequeno núcleo estratégico. nessa nova realidade. CONTEXTO DE TRANSFORMAÇÃO: GLOBALIZAÇÃO. Aos poucos. sobretudo. o Estado do Bem-Estar Social (Welfare State). de atividades econômicas. correspondente. Nela existem referências ao critério gerencial da “eficiência” colocado ao lado dos princípios tradicionais do modelo burocrático. CRISE DO ESTADO E DA GESTÃO PÚBLICA. para o Estado intervencionista.

à tutela e vigilância da entidade criadora. distribuindo-se atividades segundo uma subordinação hierárquica. essa onda descentralizante não conseguiu superar os problemas do Estado intervencionista. 24 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. de modo a aliviar as pressões sobre as empresas nacionais e facilitar sua concorrência frente ao mercado internacional. sobrecarrega o Estado com tarefas dispensáveis e que são melhores desempenhadas pela iniciativa privada. em aparente contradição. ensejou uma queda ainda maior em seu grau de eficiência na prestação de serviços sociais e regulação econômica. leva o Estado intervencionista a se esgotar. com a consequente integração das economias e dos mercados. exigiu do Estado maior eficiência na realização das tarefas públicas. A globalização impôs uma dupla pressão sobre os Estados: por um lado cresceu o desafio estatal em proteger os seus cidadãos. pela aceleração do desenvolvimento tecnológico e pela redução dos custos de transportes e comunicações. mudança essa capitaneada. O segundo.]. Fonte: PHOTOS. correspondente à globalização. e contribuindo para o colapso do mesmo. implicava a técnica de transferência de atribuições a outro ente administrativo integrante da burocracia estatal.. verificou-se. por meio das sociedades de economia mista e de institutos como as concessões. Pelo contrário. da mesma forma que se verificou uma crescente tendência à associação do Estado com o capital privado. a partir da segunda metade do século XX. de outro. privilegiado pela economia neoliberal. sobretudo. fatos que conduziram a uma nova dinâmica do capitalismo internacional. nesse último caso. uma profunda alteração no sistema econômico mundial. rompimento de barreiras e acirramento da competição. as entidades da administração indireta (autarquias e empresas públicas).Todo esse processo se efetivava graças aos métodos administrativos da desconcentração e da descentralização. o Estado hipertrofiado e super desenvolvido.. No primeiro. é favorável aos mais fortes e capazes e induz ao aumento da concentração de renda. Nas palavras de Roberto Ribeiro Bazilli: Esse gigantismo.COM Paralelamente. concedia-se autonomia de gestão a unidades formadas nos limites de uma determinada pessoa jurídica. dotado de personalidade própria e de capacidade de se autogovernar. permissões e autorizações de serviços públicos. dado que a lógica do mercado. Contrariamente ao esperado. a eficiência diminui bem como acarreta a insuficiência de recursos [. ao agigantamento do Estado. e sujeito. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . apenas. dificulta a adequada realização das atividades essenciais do Estado. Nasceram.

que o Estado assumia a responsabilidade pela defesa dos direitos sociais e crescia em dimensão. transformou-se em obstáculo ao crescimento econômico e social. e crise do modelo burocrático de gestão pública. na década de 80. temos as instituições fundamentais da democracia. que no início do século passado foi apontado como fator de desenvolvimento. sendo público. A explicitação dos direitos públicos ao patrimônio que é de todos é um passo que está hoje sendo dado em todo o mundo. A denúncia da “privatização” do Estado pela esquerda corresponde à denúncia da direita de que o Estado e a sociedade estão sendo vítimas da prática generalizada do rent seeking. foi se percebendo que os custos dessa defesa podiam ser mais altos que os benefícios do controle. da busca de rendas ou vantagens extramercados para grupos determinados por meio do controle do Estado. Por isso. Na medida. enquanto patrimônio que. BUROCRÁTICA E GERENCIAL) Reestruturação do Estado A reforma do aparelho do Estado tornou-se imperativa nos anos 90 por uma segunda razão. é de todos e para todos. Tal fato conduziu. exatamente como uma forma de defender a coisa pública contra o patrimonialismo. a um movimento geral de reformas do Estado. REESTRUTURAÇÃO DO ESTADO E MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIALISTA. crise do modo estatizante de intervenção do Estado. principalmente no nível local. o Estado Intervencionista. e toda a crise estrutural descrita acabou por demandar imediatas alterações no seu modelo. Não apenas ela se constituiu em uma resposta à crise generalizada do Estado. mas também está sendo caracterizada como uma forma de defender o Estado enquanto res publica. Ainda no plano democrático. as práticas burocráticas vêm sendo substituídas por um novo tipo de administração: a administração gerencial. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 25 . mas também os “direitos públicos” à participação igualitária na coisa pública. a prática cada vez mais frequente da participação e controle direto da administração pública pelos cidadãos. a administração pública burocrática surgiu no século passado conjuntamente com o Estado liberal. enquanto coisa pública. neste século. No nível político. é uma nova forma de defender a coisa pública. tornando-o incapaz de realizar as políticas públicas. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. por meio das quais se defendem não apenas os direitos individuais e sociais dos cidadãos. No plano administrativo. A defesa da coisa pública vem sendo realizada nas democracias modernas em dois níveis distintos: o nível político e o administrativo. a crise do Estado acabou por se configurar em três diferentes vertentes: crise fiscal. As eleições livres e a liberdade de pensamento e de imprensa são formas de defender o cidadão e a coisa pública. caracterizada pela crescente perda de crédito por parte do Estado e pela poupança negativa.Nesse novo contexto de economia globalizada. marcado pelos altos custos e baixa qualidade dos serviços púbicos. Assim. intensa competição e reorganização da produção em escala mundial. porém. o que significa o esgotamento do Welfare State e dos países comunistas.

Trocase cidadania por relações de favor pessoal. qualquer uma delas seja inteiramente abandonada. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . o mau uso do dinheiro público e a miséria social.A reforma do aparelho do Estado não pode ser concebida fora da perspectiva de redefinição do papel do Estado e. a ética. Nas palavras de Wilson Granjeiro “A res publica não é diferenciada da res principis”. a impunidade. Desta maneira. Herança da época feudal. a seu tempo. mas faz”. Um dos efeitos do patrimonialismo é que a corrupção e o nepotismo são inerentes a esse tipo de Administração. os valores morais. ou seja. O poder que emana do povo passa a ser utilizado pelo governante para seu interesse. Recebem benesses aqui e ali. E quando se fala em bens públicos.evoluiu por meio de três modelos básicos: a administração pública patrimonialista. pois não há dúvida de que ainda somos vítimas do patrimonialismo. partindo-se de uma perspectiva histórica. na verdade. E aí vicejam a subserviência. Na visão patrimonialista. mas do próprio exercício do poder. a burocrática e a gerencial. pôde comprometer a finalidade básica do Estado de defender a coisa pública e possamos agir sobre novas deficiências que se apresentem nos dias de hoje. uma continuidade do modelo de administração utilizado pelas monarquias até o aparecimento da burocracia. cuja expressão mais típica é o “rouba. pois as atividades públicas deixam de estar comprometidas com a melhor relação custo benefício para a sociedade. Essas três formas se sucedem no tempo. verificamos que a administração pública . Dessa forma. o engodo. sendo. o governante é um senhor – como no tempo da colônia – que tudo pode e o Estado é como se fosse sua propriedade particular. Outros efeitos decorrem do fato de o patrimonialismo comprometer a finalidade básica do Estado de defender a coisa pública. Aí morrem os direitos. O Patrimonialismo é a apropriação privada dos bens públicos. no patrimonialismo a administração pública atende aos interesses da classe dominante. o banditismo político. os cidadãos não têm direitos de fato. portanto. em lugar de exigir os serviços e benefícios que são devidos à sociedade pelo poder público. no entanto. Consequentemente. sem que. praga resistente em todo o país. que ficou famoso com Adhemar 26 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. representando mero instrumento de usurpação de poder. Assim como os autores mencionados defendem. o bem comum. não podemos achar que superamos esta triste fase da administração pública. A Administração Patrimonialista propiciava uma confusão entre os cargos públicos e o próprio grau de parentesco e afinidades entre os nobres e outros participantes do governo. pressupõe o reconhecimento prévio das modificações observadas em suas atribuições ao longo do tempo. a justiça. desloca-se o foco de atenção da sociedade para as questões que privilegiam a vontade de poucos. Administração Pública Patrimonialista A importância de se estudar o patrimonialismo reside na necessidade de se compreender sua origem e seus efeitos maléficos na Administração Pública do passado para que possamos entender como. a “coisa pública” não é diferenciada da “coisa do governante”.cujos princípios e características não devem ser confundidos com os da administração das empresas privadas . não se trata apenas de bens materiais.

O grande empenho para a implantação da Administração Pública Burocrática se deve à tentativa de controlar o conteúdo da ação governamental. Na burocrática. • a ideia de carreira. a ineficiência. Em consequência. Os controles administrativos visando evitar a corrupção e o nepotismo são sempre a priori.a garantia do poder do Estado . Esta Administração Pública Burocrática. seu defeito. perdendo a noção de sua missão básica. nas compras e no atendimento a demandas. na época do Estado Liberal. o controle . depois foi reciclado por Paulo Maluf. para contratar pessoal. para comprar bens e serviços. • a impessoalidade.de Barros em São Paulo. Parte-se de uma desconfiança prévia nos administradores públicos e nos cidadãos que a eles dirigem demandas. o Estado volta-se para si mesmo. por exemplo. a Administração Pública burocrática surge. em síntese. Por isso são sempre necessários controles rígidos dos processos como. o poder racional-legal. regulando os procedimentos e controlando os insumos. mas sim com a maneira de se evitar a corrupção e o nepotismo. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 27 . Administrar o bem de todos “res publica” para o interesse de poucos deixa de ser aceitável. A tentativa de controlar tudo na administração pública e de ditar o modo como as coisas deviam ser feitas. não se preocupando com a ineficiência promovida. A administração pública burocrática se concentra no processo legalmente definido. por exemplo. mas tem representantes em todos os estados brasileiros.transforma-se na própria razão de ser do funcionário. A qualidade fundamental da administração pública burocrática é a efetividade no controle dos abusos. pois era preciso fazer algo contra a confusão entre os bens públicos e os privados e contra o nepotismo e a corrupção que eram componentes que estavam sempre presentes na Administração Patrimonialista. Neste contexto. que é servir à sociedade. surgiu na perspectiva de substituir a força do poder exercido por regimes autoritários. na admissão de pessoal. em definir procedimentos para todas as atividades. o controle vem em primeiro plano. Administração Pública Burocrática A evolução da sociedade. A consequência é o surgimento de um modelo de administração pública que pudesse eliminar estas “disfunções administrativas”. baseado na razão e na lei. fez com que se passasse a ignorar resultados. a incapacidade de voltar-se para o INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. que veio designar um método de organização racional e eficiente. • formalismo. Constituem princípios orientadores do seu desenvolvimento: • a profissionalização. Por outro lado. para evitar que os políticos agissem contra os interesses coletivos da comunidade. em conjunto com o capitalismo e a democracia. • a hierarquia funcional. da democracia e do próprio Estado acarretaram a insatisfação popular com a forma patrimonialista de administração. a autorreferência.

sobretudo quanto à forma de organizar-se o aparato estatal e quanto à política de pessoal. identificando. desburocratiza-se e descentraliza-se a administração (lançando-se mão. 28 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. e a ascensão dos controles de produtividade. O Estado limitava-se a manter a ordem e administrar a justiça. não se revelou determinante na época do surgimento da administração pública burocrática porque os serviços do Estado eram muito reduzidos. podem ser citadas: a transferência de funções do poder central para entes intermediários e locais. uma vez que esse novo modelo tem muitos de seus princípios fundamentais derivados do anterior. entretanto. se no sistema anterior a avaliação dos servidores integrantes da burocracia estatal privilegiava critérios como assiduidade. Nesse sentido. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . na administração gerencial o foco deixa de ser a própria administração pública para tornarse a satisfação do cidadão. do controle a posteriori de resultados. além da valorização do servidor. Paralela a essa nova visão de interesse público. típicos da administração burocrática.serviço aos cidadãos vistos como clientes. Destarte. é mais voltada para si mesma. A Administração Gerencial A Administração Pública Gerencial constitui. Em busca da maior eficiência administrativa e melhor gestão da coisa pública. com frequência. Este defeito. profissionalismo e impessoalidade. o aumento da autonomia de entidades da administração indireta. burocrática. enquanto a administração tradicional. o interesse público com os interesses do próprio Estado e direcionando os recursos públicos para o atendimento das necessidades da própria burocracia e do aparato estatal. no novo sistema esse tipo de conduta é inaceitável. no interesse desse cidadão-usuário. no entanto. flexibiliza-se o modo de administrar e de implementar as políticas públicas. sistema de carreiras. a garantir os contratos e a propriedade. a maior eficiência e qualidade dos serviços públicos. Entre essas providências. disciplina e tempo de serviço. sob a ótica do cidadão-cliente. Com efeito. de instituições como as agências executivas e celebração de contratos de gestão). a administração gerencial relaciona sua atuação ao interesse da coletividade. As semelhanças. e não apenas verificar o cumprimento da legislação em vigor. economicidade e eficiência. são tomadas diversas medidas. Assim. a capacitação dos dirigentes e a criação de carreiras específicas para os altos gestores. tais como a admissão segundo rígidos critérios de mérito. vale dizer. está a derrocada do sistema de controles formais e legais. o fortalecimento de técnicas de coordenação de serviços e atividades entre as diferentes esferas políticas (como consórcios intergovernamentais. reduz-se o formalismo. avaliação de desempenho. um rompimento com o sistema burocrático tradicional. ou cidadãousuário. em detrimento do efetivo atendimento das necessidades sociais. visando a criar condições objetivas para o desenvolvimento dos responsáveis em pôr em prática a reforma planejada. não vão muito além disso. Cabe ao Estado assegurar. de certa forma. negá-lo in totum. porém. sem. por exemplo. acordos-programas e convênios).

para controlar as unidades descentralizadas. e) distinção entre dois tipos de unidades descentralizadas: as agências executivas. entidades privadas e públicas não estatais. e as unidades des-centralizadas. o princípio da competição administrativa. citado por Marcos Alonso Nunes. a forma mais duradoura de se atingir eficiência no serviço público é instituir um mecanismo para estimular a prestação dos mesmos. foi realizada nesta unidade uma revisão bibliográfica para conhecer as reformas administrativas ocorridas em outros países e seus modelos gerenciais que inspiraram a reforma brasileira como. Tecidas essas considerações. e os serviços sociais e científicos de caráter competitivo. e levaria em conta não o sistema de preços. entre o modelo burocrático e o modelo gerencial. e valorização de seu trabalho técnico e político de participar. CONSIDERAÇÕES FINAIS Contudo. que passam a ser licitadas competitivamente no mercado.21) são as principais características do modelo de administração gerencial: a) orientação do Estado para o cidadão usuário ou cidadão-cliente. (2) do contrato de gestão em que os indicadores de desempenho sejam claramente definidos e os resultados medidos. educação. f) transferência para o setor público não estatal dos serviços sociais e científicos competitivos. Essa competição envolveria entidades estatais. atingimento de metas e outros indicadores do desempenho institucional. organizada em carreiras ou “corpos” de Estado. que realizam atividades exclusivas do Estado. por exemplo. de caráter centralizado. da formulação das políticas públicas. aumento de qualidade. pesquisa. em que o poder do Estado não está envolvido. da Nova Zelândia e dos EUA. por definição monopolistas. concluindo com a Constituição Federal de 1988. é possível relacionar aquelas que. g) adoção cumulativa. e verificou que esta oscilou entre reformas descentralizadoras e centralizadoras. executoras dessas políticas. b) ênfase no controle dos resultados. h) terceirização das atividades auxiliares ou de apoio. juntamente com os políticos e a sociedade. dos mecanismos (1) de controle social direto. d) separação entre as secretarias formuladoras de políticas públicas. nesse último ponto. para garantir a melhor prestação dos serviços públicos. a exemplo dos serviços de saúde. Segundo esse princípio. relativo à maior participação dos agentes privados e/ou da sociedade civil na prestação dos serviços públicos. O modelo gerencial consagra ainda. passam a ser compartilhadas com a sociedade civil. p. algumas das atividades estatais (de cunho não monopolista e caráter competitivo. segundo Bresser Pereira (2004. c) fortalecimento e aumento da autonomia da burocracia estatal.Em conformidade com todas essas mudanças. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 29 . Essa Constituição padronizou normas para INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. e (3) da formação de quase mercados em que ocorre a competição administrativa. como ocorre no mercado privado. realizou-se uma reflexão sobre a história da administração pública brasileira. limpeza urbana entre outros). por meio de contratos de gestão (ao invés de controle de procedimentos). as reformas da Inglaterra. Além disso. mas a redução de custos operacionais. sobretudo a partir de 1930.

Suíça. embora ainda desconhecido por muitas pessoas. Esta é a diferença porque no Brasil as coisas ainda são emperradas. sobretudo do mundo europeu. Alemanha são exemplos de qualidade e efi ciência na administração pública. porém poucos são aqueles que estão preparados. ATIVIDADE DE AUTOESTUDO ESTUDO DE TEXTO: leia o texto a seguir e responda o que for solicitado Gestão Pública comentada Wilson José Prado Muitas pessoas querem ingressar na vida pública. <http://www.br>. O trabalho também realizou uma revisão bibliográfica para conhecer as especificidades das unidades de ciência e tecnologia no Brasil. <http://www. Finlândia. tornando-a progressivamente mais rígida e burocrática. <http://www.enap. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . há muita corrupção.youtube.br>. Unidades essas inseridas em um contexto mundial no qual a tecnologia se torna cada vez determinante na produção de bens e serviços e na relação entre países e regiões. Em vários países. Acesse os links: <http://www. despreparo.administradores. Irlanda. vamos retornar ao Brasil.sobreadministracao. que é onde 30 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS.com.gov. Porém.com/watch?v=lylXU8tG-zM&feature=related>. Controle Social Entenda como você pode fi scalizar as ações da administração pública. Esse controle social. monitorando e controlando suas ações.todos os entes públicos da administração. passa por uma escola preparatória de pelo menos dois anos. é considerado um complemento indispensável ao controle institucional. falta de agilidade na implantação das políticas públicas. antes de ingressar na atividade. Os gestores perse-guem metas assim como na administração privada. A Constituição Federal de 1988 estabelece dispositivos para que a população acompanhe a administração pública fi scalizando.com>. o gestor público. desleixo.

A efi ciência é o que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições com presteza. Diferente da área privada em que tudo pode ser feito. aquele que determina que os atos da Administração Pública devam estar inteiramente conformados aos padrões éticos dominantes na sociedade. desde que não se infrinja a lei. Com efeito. A cartilha primeira para quem está ou quer ingressar na área. o princípio da moralidade. a exemplo do que faz entre o legal e o ilegal. Passemos. conhecimento do que os administradores estão fazendo. as realizações administrativo-governamentais não sejam propriamente do funcionário ou da autoridade. Assim. Não qualifi ca normas. são eles: o princípio da legalidade. devam ser sempre imputados ao ente ou órgão em nome do qual se realiza.estamos e se faz importante trabalhar para melhorar a qualidade nas nossas instituições públicas a partir da conscientização do próprio cidadão. Rege-se. O Princípio da Moralidade. o princípio da efi ciência. ou por ela delegados. então. usamos a palavra LIMPE para lembrar os cinco princípios. a abordar cada princípio. o justo e o injusto.com. a forma adequada de se dar a publicidade aos atos da Administração Pública. a padrões éticos de conduta que orientem e balizem sua realização. Caberá à lei indicar. qualifi ca atividades. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. 5.php?option=com_content&task=view&id=11644&It emid=70>. o princípio da publicidade e o princípio da efi ciência. em cada caso. e principalmente boas práticas das pessoas que militam na administração pública. que vamos abordar mais a frente. Numa ideia muito geral. Entende-se por princípio da moralidade. Dentro dos limites constitucionalmente estabelecidos. e ainda destinados genericamente à coletividade. cobrar benefícios. O Princípio da Publicidade indica que o Administrador Público deve agir com a maior transparência possível. Caberá ao agente público distinguir o honesto do desonesto. é obrigatória a divulgação dos atos da Administração Pública. seria de Sólon a afi rmação de que um “homem desmoralizado não poderá governar”. Ao administrador público não bastará cumprir os estritos termos da lei. efi ciência signifi ca fazer acontecer com racionalidade. O Princípio da Efi ciência não é um conceito jurídico.gazetadotriangulo. a fi m de que os administrados. na verdade. Quando estudamos em direito administrativo. criando mecanismos de controle social e os chamados controles internos e externos. segundo informam os estudiosos. perfeição e rendimento funcional. pois. Acesso em: 10 dez. Assim. o princípio da legalidade vem defi nido no art. sem privilégios ou restrições. Ou seja: o administrador público só pode atuar naquilo que a lei permite. mas exclusivamente da entidade pública que a efetiva. orienta a atividade administrativa no sentido de conseguir os melhores resultados com os meios escassos de que se dispõe e a menor custo. mas econômico. A nova Carta Magna trouxe importantes mudanças. ou seja. diante dos administrados.br/site/index. o princípio da impessoalidade. exigindo mais dos gestores. O balizamento da melhoria da administração pública no Brasil tem como parâmetro a CF de 1988. adequados à moralidade administrativa. a coletividade tenha. o oportuno e o inoportuno. Tem-se por necessário que seus atos estejam. Presentes no artigo 37 da CF estão os princípios básicos da Administração Pública. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 31 .º da Constituição Federal quando nele se faz declarar que: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. o que implica medir os custos que a satisfação das necessidades públicas importam em relação ao grau de utilidade alcançado. pela regra de consecução do maior benefício com o menor custo possível. Princípio da Impessoalidade: pode ser defi nido como aquele que determina que os atos realizados pela Administração Pública. o conveniente e o inconveniente. O Princípio da Legalidade refere-se como um dos sustentáculos da concepção do Estado de Direito e do próprio regime jurídico-administrativo. pois. Como exemplos de violação a este Princípio podemos mencionar a realização de publicidade ou propaganda da pessoa do administrador com verbas públicas ou ainda a edição de atos normativos com o objetivo de conseguir benefícios pessoais. de um lado. a toda hora. Disponível: <http://www. 2010. vislumbrando cobrar seus direitos. a nosso ver. com o objetivo de permitir seu conhecimento e controle pelos órgãos estatais competentes e por toda a sociedade. o princípio da impessoalidade busca assegurar que.

2006. 32 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Jean Carlos Sestrem CHIAVENATO. É promessa não cumprida.1) Argumente. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . relacionando o conteúdo desenvolvido e o texto “Administração Pública Gerencial: ações transparentes voltadas aos cidadãos” dentro da perspectiva de uma nova gestão pública – possibilidades e avanços. – SãoPaulo: Annablume: Fapesp. Na administração pública aonde se espera o resultado político. Rio de Janeiro: Elisevier. Administração Pública no Brasil: crises e mudanças de paradigmas. KEINERT. É nada mesmo que tudo. Tânia Margarete Mezzomo. Idalberto. Administração Geral e Pública. 2007. ed. 2. obra sem alma é obra não feita.

Plano de Estudo A seguir.UNIDADE II ADMINISTRAÇÃO SOCIETAL E ADMINISTRAÇÃO GERENCIAL Professor Me. Danilo Stocco de Souza Professor Me. Rubem Almeida Mariano Objetivos de Aprendizagem • Visualizar os espaços de atuação na administração pública societal e os mecanismos de gerenciamento. • Sensibilizar para o aprofundamento de estudos e práticas na área. apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Administração pública societal • Discussão e análise dos modelos gerencial e societal • As novas competências gerenciais . • Conhecer características gerais e desenvolver reflexões sobre a temática.

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então.INTRODUÇÃO De acordo com Paula (2005). mais voltado para o interesse público e mais eficiente na coordenação da economia e dos serviços públicos. com o objetivo de aprofundar seus conhecimentos na teoria e na prática administrativa. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 35 . por exemplo. Emerge. Na presente unidade visualizaremos os espaços de atuação na administração pública societal e gerencial. a importância do formato e da dinâmica institucionais que possibilitem a transformação das relações entre Estado e sociedade. buscando reformar o Estado e construir um modelo de gestão pública capaz de torná-lo mais aberto às necessidades dos cidadãos brasileiros. identificando seus mecanismos de gerencia¬mento. em uma visão deliberativa e participativa da democracia. os brasileiros estiveram engajados no processo de redemocratização do país. Iniciada com a reforma operada em 1967 pelo Decreto-Lei 200.A administração pública societal busca um novo modelo de desenvolvimento baseado. que constitui um marco na tentativa de superação da rigidez burocrática. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Já a administração gerencial trata-se de um modelo de administração em que se privilegia a descentralização. a autonomia do Estado quanto à forma de aplicar a lei ao caso concreto e a desburocratização de toda a estrutura administrativa. identificamos dois projetos políticos em desenvolvimento e disputa que são a linha da administração societal e a linha de administração gerencial. suas características e reflexões. Ao analisar esse contexto histórico. podendo ser considerada como um primeiro momento da administração gerencial no Brasil. nas últimas décadas.

quando diferentes forças políticas ofereciam suas propostas para formular um novo referencial das relações entre Estado e sociedade. a repressão política e a opressão da mulher. que alcançou o seu auge na década de 1960. Uma concepção começou a se tornar predominante no âmbito desse campo. esses Centros Populares também passaram a ser denominados organizações não governamentais (ONGs). criando instrumentos para possibilitar um maior controle social sobre as ações estatais e desmonopolizando a formulação e a implementação das ações públicas. por exemplo. Segundo Gohn (1995). 2000). A partir da década de 1980. abastecimento de água. espaços criados por militantes políticos para facilitar sua atuação nas CEBs e nas bases comunitárias em atividades como as de assessores. surgiram as primeiras experiências que tentaram romper com a forma centralizada e autoritária de exercício do poder público. constituíam-se os primeiros Centros Populares. momento da elaboração da Constituinte. educadores e organizadores da mobilização popular. O tema da inserção da participação popular na gestão pública é o cerne dessa mobilização (Grupo de Estudos sobre a Construção Democrática. Nesse contexto. alguns grupos também protagonizaram mobilizações pelos direitos de cidadania como. contribuindo para a formação de lideranças populares. quando a sociedade se organizou pelas reformas no país. cada qual fundamentada na sua visão de como deveria ser a construção da democracia no Brasil. como transporte. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . Esse ambiente estimulou a articulação de alguns grupos em torno de questões que afetavam substancialmente a qualidade de vida individual e coletiva. Emergiram então demandas por bens de uso coletivo. saúde e creche. Paralelamente. no qual transitavam os movimentos populares e sociais. Ferreira (1991) aponta que na esteira desses movimentos. habitação. De acordo com Doimo (1995).ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA SOCIETAL A origem da vertente da qual deriva a administração pública societal está ligada à tradição mobilizatória brasileira. Após o golpe de 1964. o movimento sindical. 1999). as pastorais sociais. o desemprego. consolidava-se o campo movimentalista. essas mobilizações retornaram na década de 1970. os grupos de estudos do Evangelho e os encontros de jovens. e as ONGs. e atingiu seu ápice em meados da década de 1980. multiplicaram- 36 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Promovendo os clubes de mães. inspirada pelos ideais da teologia da libertação e da educação popular. período no qual a Igreja Católica catalisou a discussão de problemas coletivos nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). os partidos políticos de esquerda e centroesquerda. originando reivindicações populares junto ao poder público. no início da década de 1980. Apesar de sua heterogeneidade. pois questionava o Estado como protagonista da gestão pública. bem como a ideia de público como sinônimo de estatal (MEZZOMO KEINERT. as CEBs se consolidaram como um espaço alternativo para a mobilização política ao estimular a participação popular no debate das dificuldades cotidianas. saneamento básico. os movimentos que protestavam contra o custo de vida. o campo movimentalista se centrava na reivindicação da cidadania e no fortalecimento do papel da sociedade civil na condução da vida política do país. a saber: a implementação de um projeto político que procura ampliar a participação dos atores sociais na definição da agenda política.

Nesse ponto. como os Fóruns Temáticos. Essas experiências foram construídas principalmente nos governos das Frentes Populares. estimulando o debate e a reflexão das experiências com a articulação entre o governo e a sociedade civil. Ampliava-se. Nesse processo. são reprodutíveis em outras regiões e administrações. NOGUEIRA. sendo constituída por milhares de organizações. De um modo geral. a esfera pública não estatal não depende necessariamente do suporte da representação política tradicional. É importante adicionar a construção de canais de participação. que abrigavam diferentes experiências de participação social. divulgar e premiar iniciativas inovadoras de gestão pública. regionais. durante a década de 1990 foi implementada a reforma gerencial do Estado brasileiro. os Conselhos Gestores de Políticas Públicas e o Orçamento Participativo. ampliam e consolidam a articulação entre a sociedade civil e o Estado. De acordo com a seção anterior. locais. 1999. Essa visão alternativa tenta ir além dos problemas administrativos e gerenciais. as políticas e ações governamentais conferem identidade aos envolvidos. que possui como objetivo identificar. 1998). nacionais e internacionais que mediam a ação política direta dos cidadãos. GENRO. alteram o cotidiano da cidade e interferem na compreensão política de sua cidadania. isso se manifesta na defesa da esfera pública não estatal. Segundo Genro (1997). promovido pela FGV-EAESP desde 1996.se pelo país governos com propostas inovadoras de gestão pública. que começavam a ganhar maior importância no cenário político. que se opunham ao projeto gerencial de reforma do Estado. Esse conceito de esfera pública não estatal envolve a elaboração de novos formatos institucionais que possibilitem a cogestão e a participação dos cidadãos nas decisões públicas. 1999). ao longo dos anos 1990 essas experiências alternativas se manifestaram de forma fragmentada. voltados à discussão de questões variadas relacionadas com o interesse público. No entanto. que está intimamente relacionada com a criação de espaços públicos de negociação e espaços deliberativos. que rearticula o Estado e a sociedade. pois considera a reforma um projeto político e de desenvolvimento nacional. No pensamento de alguns desses intelectuais (e. pois também estava em curso um novo paradigma reformista: o estado-novíssimo-movimento-social. não havia no cenário político uma visão unívoca de reforma. que passou a atuar nos governos municipais e estaduais por meio dos conselhos de gestão tripartite. obtêm impacto na qualidade de vida dos beneficiários. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 37 . 2000). e enfatizam o desenvolvimento autossustentável. 2000. tais como as examinadas pelo programa Gestão Pública e Cidadania (SPINK. combinando a democracia representativa e a participativa (SOUZA SANTOS. Essa orientação passou a ser defendida por intelectuais de esquerda e por algumas lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT). 1997.g. demandando uma amarração a um projeto político mais abrangente para o Estado INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. comissões de planejamento e outras formas específicas de representação (JACOBI. a inserção do campo movimentalista. os projetos premiados introduzem mudanças qualitativas ou quantitativas em relação às práticas anteriores. se destaca a ação dos governos locais por meio de experiências alternativas de gestão pública. De acordo com a nossa análise. assim. 2000).

Até o momento. partidos de esquerda e centro-esquerda. discutindo seus limites e seus pontos positivos. se observa uma continuidade em relação às práticas gerencialistas. No entanto. a ênfase é na dimensão sociopolítica. A vertente societal. Isso reacendeu a esperança de implementar um projeto que se diferenciasse pela sua tentativa de promover e difundir as virtudes políticas do campo movimentalista. Na realidade. a ênfase recai principalmente nas dimensões econômico-financeira e institucional-administrativa. o PT e o candidato Luiz Inácio Lula da Silva tiveram êxito nas eleições presidenciais de 2002. DISCUSSÃO E ANÁLISE DOS MODELOS GERENCIAL E SOCIETAL Examinando esses modelos. listá-los como fizemos para a vertente gerencial. por sua vez. a estrutura do aparelho de Estado e o paradigma de gestão. mas não havia uma representação política presente no poder central para implementá-la. e a questão da profissionalização dos servidores públicos para o desempenho de suas funções. bem como setores do empresariado nacional. nem apresenta o mesmo consenso da vertente gerencial em relação aos objetivos e características de seu projeto político. mas nas próximas seções faremos uma tentativa de abordagem comparativa entre os dois modelos aqui apresentados. b) uma proposta de reorganização para o aparelho de Estado. e a expectativa de que esta nova abordagem de gestão pública se tornasse a marca do governo federal não se concretizou. pois a aliança política que o sustenta se encontra em processo de consolidação. envolvendo questões de natureza fiscal. que está imbricada com o projeto político do ajuste estrutural e do gerencialismo. Na vertente societal. Emergia assim a noção de administração pública societal.e a sociedade. Após sucessivas derrotas. A vertente gerencial. identificamos três dimensões fundamentais para a construção de uma gestão pública democrática: 1) a dimensão econômico-financeira. 2) a dimensão institucional-administrativa. tributária e monetária. baseia-se nas recomendações dessas correntes para reorganizar o aparelho do Estado e reestruturar a sua gestão. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . este ainda é um projeto em construção. levando ao poder uma coalizão que agrega setores populares. 38 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. enfatiza principalmente a participação social e procura estruturar um projeto político que repense o modelo de desenvolvimento brasileiro. que abrange os problemas de organização e articulação dos órgãos que compõem o aparato estatal. O exame da literatura demonstrou que na vertente gerencial. envolvendo os direitos dos cidadãos e sua participação na gestão. como as dificuldades de planejamento. direção e controle das ações estatais. reformulando as relações entre o Estado e a sociedade no que se refere aos direitos de cidadania (WAINWRIGHT. 1998). focalizando as questões administrativas. a vertente societal não é monopólio de um partido ou força política. que se relaciona com os problemas do âmbito das finanças públicas e investimentos estatais. Não arriscaremos. c) uma visão de gestão pública alternativa ao gerencialismo. portanto. 3) a dimensão sociopolítica. que compreende problemas situados no âmago das relações entre o Estado e a sociedade. que contemplasse os seguintes elementos: a) um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil que enfrentasse a crise do nacional desenvolvimentismo.

e que a vertente gerencial lida com a dimensão sociopolítica predominantemente no âmbito do discurso. Tentaremos evidenciar essa constatação por meio de análise comparativa dos modelos apresentados.O fato de cada uma das vertentes ocuparem um dos extremos do debate reflete a clássica dicotomia entre a política e a administração que circunda a gestão pública. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 39 . As demais variáveis são a organização administrativa do aparelho do Estado. que discutimos na primeira parte do artigo. Para isso. a análise realizada revelou que a vertente societal não tem propostas completamente acabadas para as dimensões econômicofinanceira e institucional-administrativa. a abertura das instituições políticas à participação social e o modelo de gestão. O Quadro 1 sintetiza a análise comparativa realizada para cada uma das variáveis. Quadro 1 – Variáveis observadas na comparação dos modelos. A primeira variável é a origem dos modelos. Além disso. identificamos algumas variáveis cruciais para a compreensão do funcionamento e intenções políticas de cada uma das vertentes. A segunda e a terceira variáveis são o projeto político e as dimensões estruturais enfatizadas na gestão que apresentamos nos parágrafos anteriores.

Este texto concentra-se em uma das competências individuais.AS NOVAS COMPETÊNCIAS GERENCIAIS No campo da gestão pública. produtor. que destaca as competências gerenciais nos papéis de diretor. (2003). dos processos internos e das metas racionais. o modelo apresenta grande amplitude de competências. o modelo proposto por Quinn et al. no que diz respeito à utilização dos recursos humanos. o conceito de competências tem merecido grande atenção e despertado o interesse intelectual. relatórios técnicos etc. de equipes e as organizacionais. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . facilitador. Esse fato também pode ser percebido em sua aplicação no universo corporativo. subdividir-se em: universais. ao mesmo tempo em que mantém coerência na definição dos papéis gerenciais e modelos de gestão. e. coordenador. a saber: as competências individuais. livros. No setor público. A literatura oferece dentre outros. monitor. como demonstram várias publicações. na constante busca das empresas em compreender o papel do gestor e sua maior competitividade no mercado. 40 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. As competências individuais podem.COM O mapeamento e o desenvolvimento das competências gerenciais são importantes para obter melhores resultados e maior competitividade no mercado. relacionadas a uma competência técnica. Classificaremos cada um dos papéis conforme suas características. no objetivo de melhorar a eficácia gerencial e a relação custo/benefício dos recursos aplicados. com ampla esfera de aplicação e proatividade. que é a competência gerencial. dos sistemas abertos. também. no âmbito da administração pública. Ao definir 24 competências gerenciais. mentor. artigos em revistas técnicas e científicas. descrevendo-os com base nos modelos das relações humanas. e específicas de uma profissão ou setor. Há pelo menos três focos de estudo sobre as competências. Faremos também uma comparação dessas descrições com as desenhadas no modelo de competências gerenciais proposto por Quinn. inovador e negociador. Fonte: PHOTOS. conceituando-as e classificando-as em papéis gerenciais. esse tipo de mapeamento e desenvolvimento trará melhorias na relação custo/benefício.

os modelos nos auxiliam a comunicar ideias e compreender melhor os fenômenos mais complexos do mundo real. O modelo de competências gerenciais desenvolvido por Quinn baseia-se em quatro modelos gerenciais divididos em oito papéis. assim como o conhecimento das características dos modelos a serem utilizados. A Figura 1 permite-nos conhecer os oito papéis e as competências requeridas para o desempenho de cada um deles. tão somente. chefes etc. técnico e humano transforma-se em competências gerenciais graças aos gestores. As competências gerenciais estão ligadas aos gestores (diretores. Esses papéis desdobramse em competências gerenciais. O conhecimento conceitual.). é insuficiente para uma boa gestão de pessoas. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. por meio das pessoas. O envolvimento dos profissionais com a organização e o empenho desta em valorizar as pessoas são fundamentais para criar uma cultura positiva e proativa de desenvolvimento organizacional. assim como no cumprimento de seus papéis organizacionais. Pertencem aos gestores no exercício eficaz e eficiente de suas atribuições. gerentes. Ter competências gerenciais significa transformar conhecimentos. pois isso requer estudo profundo do contexto interno e externo da organização. contribuindo para a formação das competências organizacionais. Os gestores passam boa parte do tempo liderando pessoas e tomando decisões. e identificar aquele que melhor se aplica à empresa não é tarefa simples. Os modelos utilizados em gestão estão em constante evolução.Mas sabemos que mapear e desenvolver competências. habilidades e atitudes em resultados. Os modelos gerenciais Representações de uma realidade. O Quadro 2 mostra as características de cada um desses modelos gerenciais. As competências gerenciais são elementos constitutivos da estratégia organizacional e devem estar a ela alinhadas. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 41 .

Quadro 2 – Características dos quatro modelos gerenciais

Fonte: Quinn et al., 2003, p. 11.

Figura 1 – Divisão dos Papéis nos Quatro Modelos
Fonte: Quinn et al., 2003, p. 17.

Os papéis de diretor e produtor pertencem ao modelo das metas racionais. Como diretores, os gerentes
devem explicitar expectativas por meio de processos, tais como planejamento e delimitação de metas. Já
os produtores são orientados para tarefas, mantêm o foco no trabalho e exibem alto grau de interesse,

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INSTITUIÇÕES PÚBLICAS, CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância

motivação, energia e ímpeto pessoal. O modelo de metas racionais tem como objetivos a produtividade e
o lucro. A função do gerente é tornar-se um diretor que decide e um produtor pragmático.
O modelo dos processos internos engloba os papéis de monitor e coordenador. Como monitores, os
gerentes devem saber o que se passa em sua unidade, determinar se as pessoas estão cumprindo as regras
e averiguar se o setor está fazendo sua parte. O papel de monitor requer cuidado com detalhes, controle
e análise. Como coordenadores, espera-se que os gerentes deem sustentação à estrutura e ao fluxo do
sistema. As características comportamentais do coordenador incluem a organização, a coordenação dos
esforços da equipe, o enfrentamento de crises e a logística. O modelo de processos internos destaca a
burocracia profissional, na qual os critérios de eficácia são a estabilidade e a continuidade, baseando-se
na premissa de que a rotinização promove a estabilidade. A função do gerente é tornar-se um monitor
tecnicamente competente e um coordenador confiável.
No modelo das relações humanas estão os papéis de facilitador e de mentor. Os facilitadores fomentam
os esforços coletivos, promovem a coesão e o trabalho em equipe e administram conflitos pessoais. Os
mentores dedicam-se ao desenvolvimento das pessoas mediante a orientação cuidadosa e a empatia;
nesse papel, o gerente contribui para aprimorar competências e planeja o desenvolvimento individual dos
empregados. O modelo das relações humanas tem como ênfase o compromisso, a coesão e a moral.
A premissa é que o envolvimento resulta em compromisso; os valores centrais são a participação, a
resolução de conflitos e a construção do consenso. A função do gerente é tornar-se um mentor empático
e um facilitador centrado em processos.
Os papéis de inovador e negociador pertencem ao modelo dos sistemas abertos. Os inovadores
costumam ser visionários; nesse papel, o gerente é encarregado de facilitar a adaptação e a mudança,
identificar tendências significativas e tolerar as incertezas e os riscos. Os negociadores preocupam-se com
a sustentação da legitimidade exterior e a obtenção de recursos externos; devem ter astúcia política, poder
e capacidade de persuadir e influenciar. O modelo de sistemas abertos aparece devido à necessidade
de compreender e administrar um mundo em rápida transformação e no qual o conhecimento é intenso.
Vivendo em ambientes altamente imprevisíveis, os gerentes dispõem de pouco tempo para dedicar-se à
organização e ao planejamento, sendo forçados a tomar decisões rápidas, e tendo como critério básico de
eficácia organizacional a adaptabilidade e o apoio externo. Os processos fundamentais são a adaptação
política, a resolução criativa de problemas, a inovação e o gerenciamento da mudança. O gerente deve
tornar-se um inovador criativo e um negociador que usa o seu poder de influenciar, na organização.
Os papéis gerenciais
As pesquisas de Quinn mostram que o fato de o indivíduo compreender e apreciar cada um dos quatro
modelos sugere que ele aprendeu algo no âmbito organizacional e aprofundou sua complexidade cognitiva
no tocante à liderança gerencial.
Segundo o autor, no papel de diretor o esperado é que o gerente (1) explicite as expectativas organizacionais
por meio de processos, (2) defina problemas e selecione alternativas, (3) gere regras e (4) dê instruções.
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No papel de produtor, o gerente deve (1) orientar-se para a tarefa, (2) manter o foco no trabalho e (3)
exibir alto grau de interesse, motivação, energia e ímpeto pessoal.
Como monitor, o gerente deve (1) saber o que se passa em sua unidade, a fim de (2) determinar se
as pessoas estão cumprindo as regras e (3) averiguar se o setor está fazendo sua parte. Em síntese, o
monitor é um analista.
No papel de coordenador, o gerente deve (1) dar sustentação e estrutura ao fluxo do sistema. Nesse
papel, o profissional deve ser digno de confiança e crédito.
Como facilitador, o gerente deve (1) fomentar esforços coletivos, (2) promover a coesão e o trabalho em
equipe e (3) administrar conflitos interpessoais. É de suma importância o uso de técnicas que ajudem a
solucionar conflitos e que favoreçam a colaboração e a participação nos problemas do grupo.
No papel do mentor, o gerente deve (1) dedicar-se ao desenvolvimento das pessoas, mediante orientação
cuidadosa e empatia. Esse profissional é solícito, atencioso, afável, aberto e justo, escutando reivindicações,
transmitindo apreciação e distribuindo elogios e reconhecimento.
Os papéis de inovador e negociador refletem os valores dos sistemas abertos. Como inovador, o gerente
é encarregado de (1) facilitar a adaptação e a mudança, devendo, para tanto, (2) atentar para o ambiente
em transformação, (3) identificar tendências significativas e (4) conceitualizar e projetar mudanças
necessárias. Espera-se, ainda, desse tipo de gerente que seja sonhador e criativo, capaz de enxergar
longe, vislumbrar inovações e apresentá-las de forma convidativa e convincente.
Ao ordenar o estudo sobre os oito papéis de liderança, Quinn observa que os gerentes talvez precisem
adquirir diferentes competências para galgar novos patamares na organização. Assim, para tornar-se
um gerente capaz, é preciso não só que seja hábil para desempenhar os oito papéis mencionados, mas
também que tenha condições de mesclar e equilibrar os diferentes papéis.
As competências gerenciais

Fonte: PHOTOS.COM

Cada um dos oito papéis de liderança do quadro de valores concorrentes (Figura 1) compreende três
competências específicas e intrínsecas que, assim como os valores, ao mesmo tempo complementam
aquelas com que fazem fronteira e contrastam com aquelas às quais se opõem.

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status. Em relação à compreensão dos outros. extroversão. fazem parte das ações para uma comunicação eficaz. elucidar expectativas e incrementar o desempenho. a chave está em expandir continuamente nossa própria conscientização de tudo aquilo que menos desejamos saber a nosso próprio respeito. que busca o aprimoramento das competências e habilidades dos empregados. rever a mensagem em seu íntimo antes de dizê-la. O líder deve escutar. inseguro ou inativo. É encarada como uma ferramenta para facilitar o aprimoramento dos empregados.O papel do mentor: o mentor desempenha o papel de conselheiro. fatos. analisar o clima. segundas intenções. que enfoca o quanto as pessoas são de boa índole e confiam nos outros. ideias e significados. c) Desenvolvimento dos empregados: O desenvolvimento dos empregados dá-se por duas abordagens. agradabilidade. relacionada àquilo a que prestamos atenção em nossa coleta de dados. guia de confiança ou orientador. apoiar as solicitações legítimas e expressar apreciação e reconhecimento. sensível. o gerente seja prestativo. Integridade. coordenar e motivar as pessoas. saber qual é o seu objetivo. segurança e autoaceitação reforçam a capacidade de praticar a empatia (principal competência para ajudar os outros a crescer). não é fácil ser um bom comunicador. e conscienciosidade. que visa a dar aos empregados o feedback acerca de seu desempenho. acessível. b) Comunicação eficaz: Comunicação é a troca de informações. A empatia implica colocarmo-nos de fato no lugar do outro e procurar enxergar honestamente o mundo. Espera-se que. que se refere ao grau de proatividade do sujeito. O processo pode ser utilizado para informar. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Esclarecer quem é o receptor. referindo-se ao grau de sociabilidade. atencioso. Alguns empecilhos à comunicação interpessoal efetiva. associada ao grau de organização e persistência de cada um. autoridade e prestação de contas. referentes à capacidade dos envolvidos de enviar e receber mensagens são: a falta de articulação. no entanto. comunicar-se usando palavras e expressões com que seu interlocutor esteja familiarizado. Envolve três elementos essenciais: responsabilidade. oferecendo-lhes oportunidades para assumirem mais responsabilidades. quanto basear-se no indicador de tipos de Myers-Briggs (introversão/extroversão. Deve também demonstrar alto grau de autoconsciência e considerar a influência exercida por seus atos sobre os de seus subordinados. quando a pessoa tende a preocupar-se muito e com frequência sente-se ansioso. e pensamento/sentimento. a primeira é a delegação. na busca de novas experiências. hostilidade e diferentes estilos de comunicação. loquacidade e gregarismo manifesto nas interações com os outros. A segunda é a avaliação de desempenho. sensação/intuição. a partir de seu ponto de vista. neste papel. o uso que damos às informações). As competências desse papel são: a) Compreensão de si mesmo e dos outros: A autocompreensão pode tanto basear-se no modelo dos cinco fatores (grau de neurose. receptividade a novas experiências. grau com cada um tende a buscar ideias que auxiliem na tomada de decisões dentro e fora de si. receptivo e justo. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 45 .

O papel de facilitador: concentra-se no relacionamento entre o líder gerencial e seu grupo de trabalho. Assim. no papel de facilitador. cria coesão e moral e administra os atritos interpessoais. Nessa função. pois desvia a atenção das 46 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. As principais habilidades do facilitador exigem que equilibrem as necessidades individuais com as da coletividade. As competências desse papel são: a) Construção de equipes O líder gerencial. senso de prestação mútua de contas. definir claramente o que se espera de cada componente do grupo. Nesses quadrantes. membros do grupo com papéis e responsabilidades claros e interdependentes. O facilitador tem como responsabilidade esclarecer o papel de cada um dos subordinados. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância .COM Os papéis de mentor e facilitador pertencem ao modelo de relações humanas. as metas almejadas são o comprometimento e o moral. Em um papel de manutenção de grupo (ou orientados para o processo). Grupos e equipes de trabalho possuem peculiaridades como: compromisso com uma meta ou propósito em comum. entender que é aceitável que não saibam tudo e descobrir o que os empregados e a organização esperam deles. ao mesmo tempo congregando essas individualidades únicas na construção do time. livrando-se de ambiguidade ou conflitos de papéis. estrutura de comunicação que fomenta o compartilhamento de informações. é função do gerente ajudar cada um a desenvolver suas próprias habilidades. os líderes precisam aprender como compartilhar seu poder. deve direcionar esforços para ajudar um grupo de pessoas a transformar-se em uma equipe de trabalho.Fonte: PHOTOS. os comportamentos giram em torno DO QUE a equipe deve alcançar (missão). Da mesma forma. o gerente fomenta o esforço coletivo. Os papéis de tarefa e manutenção do grupo são indispensáveis para o bom funcionamento das equipes. os comportamentos concentramse em COMO o time realizará tarefa (incentivo e feedback) Já o papel egocêntrico não é consistente com os comportamentos descritos nas quatro características das equipes. como foco o desenvolvimento tanto dos indivíduos quanto do grupo ou equipe. tendo. de modo a criar um clima positivo no grupo de trabalho. portanto. Em um papel-tarefa.

O conflito de relacionamento tende a produzir maus resultados. e o conflito de tarefa pode acarretar decisões efetivas. e nelas verificase uma adequada contribuição de todos os participantes. c) Administração de conflitos Cada tipo de atrito pode ter consequências positivas ou negativas. Os líderes devem certificar-se de que todos envolvidos compreenderam as intervenções dos demais e sentem que seus pontos de vista foram ouvidos.necessidades coletivas para as individuais. O desafio para nossas concepções e ideias pelo questionamento. O papel de monitor: para manter uma equipe de alta performance. Ao analisar o processo coletivo. garantindo oportunidade de participação efetiva de todos. além disso. quais são suas partes críticas. trazendo resultado para a organização. é possível avaliar como esse influencia o todo da organização. onde estão suas etapas limitadoras ou que podem ser melhoradas. cabe aos líderes gerenciais decidirem o que deve ser considerado ao envolver os funcionários. Essas etapas do processo e os processos em si devem ser avaliados de forma objetiva e com constante feedback. As competências desse papel são: a) Monitoramento do desempenho individual Como monitorar o desempenho individual dos funcionários? Que informações utilizar? O funcionário deve ser monitorado no seu modo de atuar. Os funcionários sentem-se mais motivados e desenvolvem um senso mais aprofundado de compromisso organizacional. O bom gerenciamento de uma reunião é a capacidade de manter o foco. b) Gerenciamento do desempenho e processos coletivos (administrar processos essenciais) O que são processos essenciais? São aqueles processos que agregam valor ao produto ou serviço da organização. faz com que confiemos nos companheiros de trabalho. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 47 . INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. principalmente em ordem econômica. Porém. realizar o trabalho solicitado. o monitoramento do atuação individual e coletiva é muito importante. Os processos decisórios diferem com relação à quantidade de autoridade concentrada nas mãos do patrão e na dose de liberdade concedida aos empregados. em vez da aceitação incondicional. que não são relevantes para as tarefas ou processos do conjunto. há ocasiões em que essa participação é inviável ou inapropriada. As boas reuniões cumprem o propósito a que se destinavam. b) Uso da tomada participativa de decisões As técnicas de gestão participativa partem do pressuposto de que os funcionários devam ter a oportunidade de contribuir para decisões que afetam suas vidas. As organizações que adotam essa abordagem têm vantagem competitiva.

Durante a estruturação desse tipo de grupo. vários modelos de reestruturação do trabalho foram propostos. e o monitoramento de projetos. ao gerar as estruturas organizacionais. ou seja. no qual os fins almejados são a estabilidade e o controle. • Foco em grupos de trabalho autogerenciados: são considerados na atualidade forças cada vez mais populares e presentes no mundo empresarial. deve-se 48 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. definição dos recursos de trabalho. capazes de influenciar os resultados pessoais e profissionais. nem que todo o trabalho precise ser estruturado em uma rotina. mensuração e documentação. A partir dos critérios acima. Nesse quadrante. que inclui monitoramento dos progressos. análise de impacto e as adaptações. b) Planejamento do trabalho Existem duas principais vertentes na reestruturação do trabalho: • Foco no cargo individual: modelo baseado em cinco características ou dimensões essenciais (leque de competência. e os meios presumidos para atingi-los estão relacionados a rotinização. O modelo parte do pressuposto de que. identidade da tarefa. mas sim que é de sua responsabilidade cuidar de que as pessoas certas estejam no lugar certo na hora certa.c) Administração de informações por meio do pensamento crítico Para facilitar a exposição e a análise das ideias. O papel de coordenador: tem seu foco primário na eficiência do fluxo de trabalho. Potencial Motivacional do trabalho = valor percebido do trabalho X responsabilidade percebida pelos resultados do trabalho X conhecimentos dos resultados concretos do trabalho. definição dos pré-requisitos do trabalho. a preocupação é manter o fluxo de trabalho e informações sem sobressaltos. o gerente pode empenhar-se em mantê-las em equilíbrio. estas precisam ser apresentadas pelos membros da equipe com clareza. mas como você lida com elas. a fim de cumprir a função correta. Não importa como vêm essas informações. devem conter o máximo de informações (de forma crítica e objetiva) e deve haver uma linha de raciocínio lógico. As competências desse papel são: a) Gerenciamento de projetos Estão inclusas as competências e o planejamento de projetos. definição de volume de trabalho. que promoveriam três estados psicológicos críticos (valor percebido do trabalho. tais como regras. não implicando necessariamente que o gerente tome todas as decisões referentes ao planejamento e ao fluxo de trabalho. responsabilidade percebida pelos resultados do trabalho e conhecimentos dos resultados concretos do trabalho). É preciso selecionar quais informações devem ser lidas e por quem. Espera-se que os líderes gerenciais monitorem a situação que os cerca e façam uso de ferramentas analíticas para controlar os processos. como: ampliação de tarefas. políticas e procedimentos. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . definindo prioridades. relevância da tarefa. rotação de tarefas e enriquecimento de tarefas. Os papéis de monitor e coordenador fazem parte do modelo dos processos internos. autonomia e feedback). comparação entre as previsões e a realidade.

tático e pessoal. O líder ajuda os demais a enxergar o que tem a sua frente. orgulhar-se da empresa. fornecimento à célula multifuncional de informações relevantes e sempre atualizadas. tanto internas como externas. se os membros do grupo devem ser treinados para desempenhar todas as funções a ele atribuídas. tais como regras. e tem por diretrizes básicas: esclarecimento de metas e a declaração de missão. políticas e procedimentos. cliente. Assim. no qual os fins almejados são a estabilidade e o controle e os meios presumidos para atingi-los estão relacionados à rotinização. manutenção da equipe e de seus membros pela responsabilidade do desempenho coletivo. ou seja. a partir do seu foco. ou espera-se que cada um contribua com competências e responsabilidades exclusivas. e conhecer e acreditar pessoalmente na visão. c) Gerenciamento multifuncional Trata-se do gerenciamento das equipes de trabalho acima citadas. estabelecer metas. que são mais apreciadas. para desenvolver e comunicar a visão de maneira eficaz. existem certos temas como: mudança. As competências desse papel são: a) Desenvolvimento e comunicação de uma visão: Pode-se dizer que visão é condição sine qua non para liderança. Espera-se que os líderes gerenciais monitorem a situação que os cerca e façam uso de ferramentas analíticas para controlar os processos. seja qual for o motivo. esclarecimento de expectativas dentro e entre as equipes e estimulação dos membros da equipe a mudarem de papel. Para aumentar a eficácia da visão. ao gerar as estruturas organizacionais. Os papéis de monitor e coordenador fazem parte do modelo dos processos internos. criação de uma massa crítica de liderança. capaz de conquistar todos os subordinados. mercado. produto. treinamento dos envolvidos no trabalho em equipe e gerenciamento de processos. a partir de muitos aspectos. apresentando-a assim de uma forma tão concreta que as pessoas possam visualizar-se dentro dela. manutenção da equipe multifuncional com o menor tamanho possível dentro de uma representação funcional crítica.determinar a quantidade de treinamento multifuncional a ser aplicada. objetivos e colocar o foco nas pessoas. aceitar a necessidade da mudança é fundamental. estruturar e desenvolver uma visão que apele para um objetivo comum. ter satisfação com o emprego. lealdade. a preocupação é manter o fluxo de trabalho e informações sem sobressaltos. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. ambiente. mensuração e documentação. os líderes devem identificar. reflete a essência da definição de liderança. granjeando a adesão da equipe. O modelo parte do pressuposto de que. O papel de diretor: o papel do diretor. de modo a poderem demonstrar de modo genuíno. compreender os valores da organização. Nesse quadrante. o gerente pode empenhar-se em mantê-las em equilíbrio. mas não reproduzidas por todos os outros. comprometimento. O líder tem de ter influência. que suas palavras refletem suas convicções pessoais. comunicar tal visão nos âmbitos estratégico. motivação. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 49 .

A definição de metas ocorre em todos os níveis da organização. o futuro da empresa. Não existe planejamento perfeito. engajamento total e imersão na atividade. todos possuem vantagens e desvantagens relativas. hipersensibilidade e consciência da atividade durante seu desenrolar e capacidade de desfrutar da experiência imediata. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . As verticais são dotadas de vários níveis hierárquicos. Sugere-se o “modelo em estrela” como um quadro de referências para a estruturação das organizações. contrato de empregabilidade: desenvolver as competências e aplicá-las de maneira que ajudem a empresa a vencer e a comportar-se de acordo com 50 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. em tempo real. Em geral. No âmbito organizacional. É importante mencionar que as organizações podem ser denominadas como verticais ou horizontais. o primeiro é o sistema de recompensa na nova economia. divisão e matriz. processos. A visão e a estratégia determinam os critérios para escolher entre os prós e contras de cada um. tende a girar em torno da visão. a divisão das atividades entre os funcionários é denominada de departamentalização. com ênfase primária na implementação e execução de decisões tomadas conforme a visão estratégica ou planejamento direcional. metas e objetivos específicos. Nos patamares mais elevados de liderança gerencial. entretanto. de maneira geral. O papel de produtor: na esfera das metas racionais. b) Fomento a um ambiente de trabalho produtivo Existem dois aspectos críticos do fomento a um ambiente de trabalho produtivo. O foco é estratégico e direcional. o estabelecimento de objetivos tende a ser mais tático. e o segundo é como motivar os outros. enquanto as horizontais são aquelas com menos camadas. variam conforme o nível hierárquico em que se dão. c) Planejamento e organização O planejamento e a organização são movidos pela visão e estratégia articuladas. ou seja. estratégias e alocações genéricas de recursos. envolvendo a decisão mais básica e fundamental da organização: a escolha de missões. O conjunto dessas escolhas estratégico-visionárias é que vai moldar.b) Estabelecimento de metas e objetivos: O passo lógico seguinte ao desenvolvimento e à comunicação de uma visão é formular planos organizacionais. com vistas à consecução da referida visão. As competências desse papel são: a) Trabalho produtivo Existem quatro práticas úteis. O modelo identifica cinco categorias ou elementos a considerar no processo de planejamento: estratégia. as primeiras tendem a mostrarem-se menos eficientes que as segundas. Hoje. e ela ocorre por função. recompensas e pessoas. o complemento para o papel de diretor é o papel de produtor. estrutura. indissociáveis da consecução do desempenho ideal: definição de metas. Nos escalões inferiores da gerência e supervisão. as organizações baseiam o contrato psicológico com seus funcionários no reconhecimento da importância e do valor do capital humano.

cuja importância e influência dependem muito do contexto particular e dos indivíduos específicos envolvidos. só dá certo se as pessoas enxergarem seus benefícios aplicados. Para fomentar um ambiente de trabalho produtivo. a confiança e os objetivos podem perder-se principalmente em estratégias ineficazes. as metas devem ser claras e explicadas desde o início. além dos prejuízos para as organizações. será proporcionado um ambiente de trabalho desafiador. As causas do estresse são variadas. c) Administração do tempo e do estresse / Equilíbrio de demandas concorrentes A questão do estresse (e de sua administração) vem crescendo em importância para as organizações e seus gerentes. O poder pessoal depende das impressões pessoais que causamos nos demais. O negociador deve ser capaz de influenciar ou controlar. voltado para seu desenvolvimento e recompensas proporcionais à sua contribuição. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Algumas estratégias ajudam a administrar o estresse. O papel de negociador: o negociador apresenta e negocia ideias com eficácia. deve ter capacidade de influenciar supervisores e subordinados. o estresse pode prejudicar a capacidade e a disposição dos funcionários para cumprir suas atribuições. um processo de resolução de divergências mediante cuidadoso compartilhamento de pontos de vista. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 51 . sendo a primeira delas esclarecer os valores. Em um diálogo. o poder do especialista baseia-se na perícia técnica em determinado campo ou área e o poder de relacionamento ou capital social dá-se devido a pessoas e informações a que temos acesso. nas organizações ideais. podendo ser por situações de vida ou mesmo por características de personalidade. na medida em que reduz suas habilidades cognitivas. capacidade de relacionar-se com os colegas. A primeira condição é o objetivo mútuo. As competências desse papel são: a) Construção e manutenção da base do poder O poder costuma ser definido como a capacidade de mobilizar pessoas e recursos para conseguir que as coisas sejam feitas. Assim. Em relação à administração do tempo. é preciso atentar para todo o universo de potenciais fatores do ambiente de trabalho.os novos valores essenciais. criar sistemas de apoio pessoal e fazer pausas para ajudar a restaurar energias. com técnicas diferentes para os três casos. pois esses têm visões diferentes. nível de energia e motivação. Além de afetar a saúde física. também podemos utilizar estratégias. como planejar e estabelecer prioridades regularmente e analisar de que forma estamos gastando o tempo. posteriormente prestar atenção na saúde física. b) Negociação de acordos e compromissos O papel mais importante nesse ponto é o diálogo. utilizar técnicas de relaxamento.

o acesso aos dados e o polimento do apresentador. uma sequência. que atua em um mundo dinâmico e volátil. promover avanços tecnológicos. incrementar os serviços prestados para os clientes e responder às pressões do público. Em muitos casos. As competências desse papel são: a) Convívio com a mudança Configura-se na aceitação pessoal e no convívio com a mudança. 52 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. não necessariamente elas são inesperadas ou impostas. audiência: compreender o modo de conduzir a apresentação de um ponto a outro. crescimento e sobrevivência das organizações. recursos: ajudam na preparação da apresentação um bom suporte. • Motivação de tarefas: refere-se à existência de um ambiente organizacional de fomento à criatividade dos empregados. É necessária uma mudança de atitude com relação à mudança e um esforço consciente no sentido de eliminar a resistência psicológica a ela. aumentar nossa eficiência. competir por dinheiro e recursos. cumprir regulamentações governamentais. c) Gerenciamento da mudança Para atingir metas e objetivos é preciso mudar. Embora empreendamos estas alterações e adaptações em reação a transformações sociais. A criatividade requer que se saiba como trabalhar com outras pessoas criativas e empregar técnicas que maximizem a probabilidade de produzirem soluções não convencionais. enxugar custos. indispensáveis para o funcionamento. Seu foco está na capacidade de adaptação e resposta ao ambiente externo. • Habilidades criativas: são aquelas que permitem aos indivíduos associar conceitos até então independentes e a conceber novas maneiras de pensar. A mudança hoje é inevitável em todos os aspectos da vida organizacional. O papel de inovador: o papel de inovador é um dos mais instigantes. definido e não partir do pressuposto de que o público tem de tomar consciência do mesmo. b) Pensamento criativo A criatividade é uma maneira de pensar que envolve a geração de novas ideias e soluções. Existem três dimensões da criatividade: • Habilidades referentes ao domínio: são aquelas associadas aos conhecimentos básicos e especializados indispensáveis ao pensamento criativo. Objetivo: deve ser sempre claro. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância .c) Apresentação de ideias Uma apresentação eficaz deve pautar-se em alguns pontos. decidimos promovê-las a fim de cumprir de modo mais efetivo a missão da organização. ao contrário. Esse modelo encara a mudança como uma oportunidade desafiadora de crescimento e desenvolvimento positivos tanto para a organização quanto para seus funcionários. mas menos compreendidos dos oitos papéis de liderança. a transformação e a inovação são desejáveis.

COM Competências – outros conceitos encontrados na literatura O termo competência tem origem no fim da Idade Média. DUTRA. caracterizada por flexibilidade.Há cinco tipos de mudanças que têm grandes chances de provocar a resistência dos funcionários. uma vez que esses acreditam que tais mudanças afetarão seus comportamentos profissionais habituais.. Inicialmente restrito à linguagem jurídica. Finalmente.. • No Renascimento. competência é a capacidade de as pessoas gerarem resultados para a organização (ZARAFIAN. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 53 . Podemos definir competência como as características demonstráveis de um indivíduo que incluem conhecimentos. tribunal ou indivíduo era “competente” para realizar um dado julgamento. mudanças associadas a perdas econômicas ou de status. Um conjunto de INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Era considerada a “capacidade de apreciar e julgar certas questões ou realizar determinados atos”. 2001. 2002. Foi utilizado para designar alguém capaz de pronunciar-se sobre certos assuntos (BRANDÃO. • No senso comum significa: “designar pessoas qualificadas para realizar algo”. • Na literatura. o conceito passou a ter maior abrangência e a englobar os conhecimentos. que contribuem para a formação de um conceito mais dinâmico. LE BORTEF. tinha o seguinte entendimento: “[. habilidades e comportamentos ligados diretamente à performance. 2003. as habilidades e as experiências voltadas para o exercício de uma função na empresa.] A capacidade de realizar determinado trabalho”. Fonte: PHOTOS. a saber: a) o entendimento que não se restringe somente às fronteiras do ambiente de trabalho. b) a evolução do mundo do trabalho. transitoriedade e transversalidade. mudanças que envolvam riscos e mudanças que acarretem ruptura das relações sociais. São elas: mudanças que afetem as demandas de conhecimento e competência. FLEURY. 2004). significava que determinada corte. GUIMARÃES. mudanças sugeridas por outros. 2001). incertezas.

habilidade ou força para determinada tarefa. Para alguns autores. As competências são um conjunto de aprendizagens sociais e comunicacionais. Competência como performance superior na realização de uma tarefa. McClelland a diferencia de: • habilidade: demonstração de um talento particular na prática. É a capacidade de a pessoa assumir iniciativas. É pensada como um conjunto de conhecimentos. É um saber agir responsável. Acredita-se que as melhores performances estão fundamentadas na inteligência e na personalidade do indivíduo. p. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . aptidão. • ser responsável e reconhecido por isso. No dicionário inglês Webster (1981). • aptidão: talento natural de uma pessoa. a saber: • ser capaz de compreender e dominar novas situações de trabalho. mas torna-se o 54 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. mas de competências. diz: capacidade para resolver qualquer assunto. performance superior. McClelland (1973) coloca competência como uma característica subjacente a uma pessoa relacionada a uma tarefa. O trabalho não é mais o conjunto de tarefas associadas descritivamente ao cargo. 2001). como tal reconhecido pelos outros. ir além das atividades prescritas (ZARIFIAN.capacidades humanas que justificam uma alta performance. e Spencer (1993). e que pode ser melhorada por meio de treinamento e desenvolvimento”. capacidade legal para julgar um pleito. por sua vez. skills e atitudes relacionados que afetam a maior parte de um job. que credencia a pessoa a exercer determinado trabalho. Parry (1996. que possa ser medida contra parâmetros bem aceitos. que se relacionam como performance do job. • conhecimento: aquilo que as pessoas precisam saber para desempenhar determinada tarefa. Seus principais expoentes são McClelland (1973). integrar e transferir recursos e habilidades em um contexto profissional determinado. habilidades e atitudes (isto é. Boyatzis (1982) e Spencer Jr. Richard Boyatzis (1982) identificou competências gerenciais como um conjunto de características e traços que definem uma performance superior. Por ser competência uma característica relacionada à performance superior na realização de uma tarefa ou em determinada situação.23) resume o conceito de competências como “um cluster de conhecimentos. Entende competência como um estoque de qualificações. competência é o conjunto de qualificações que permite à pessoa uma performance superior em um trabalho ou situação. julgamento. idoneidade. encontramos a seguinte definição: qualidade ou estado de ser funcionalmente adequado ou deter suficiente conhecimento. As organizações deverão competir não apenas por meio de produtos. É preciso ir além do conceito de qualificação. a maioria de origem norte-americana. que pode vir a ser aprimorado. O dicionário Aurélio (1975). Implica saber como mobilizar. o conjunto de capacidades humanas) que justificam a obtenção de uma alta performance.

Ninguém produz uma coisa voltando-se para si mesmo. A competência é característica subjacente a uma pessoa casualmente relacionada com uma performance superior na realização de determinada tarefa ou situação. Os conhecimentos e o know-how não adquirem status de competência a não ser que sejam comunicados e utilizados. não programada. mas sim às realizações da pessoa em determinado contexto. Competência é a inteligência prática de situações e apoia-se nos conhecimentos adquiridos e os transforma com tanto mais força quanto maior for a complexidade das situações. Zarifian (2001) enfoca três mutações no mundo do trabalho. aquilo que ela produz ou realiza. • técnicas: conhecer especificamente o trabalho a ser realizado. A competência não pode estar contida nas pré-condições da tarefa. a pessoa precisa mobilizar recursos para resolver as novas situações de trabalho.prolongamento direto da competência que o indivíduo mobiliza em face de uma situação profissional cada vez mais mutável e complexa. mas também ao cliente interno. Zarifian (2001) associa competência não a um conjunto de qualificações que credencia a pessoa a exercer determinado trabalho. não só direcionada ao cliente externo. • sociais: saber ser. a saber: 1. 3. significa entrar em acordo sobre os objetivos organizacionais. As competências são sempre contextualizadas. mas sim destinando-a aos outros. ou seja. A rede de conhecimento em que se insere o indivíduo é fundamental para que a comunicação seja eficiente e gere competência. A competência individual encontra limites. Diferencia as seguintes competências: • sobre processos: conhecer o processo de trabalho. incluindo atitudes que sustentam os comportamentos das pessoas. mas não sua negação. no nível dos saberes alcançados pela sociedade. e a pessoa precisa sempre mobilizar recursos para resolver as novas relações de trabalho. responsabilidade e comunicação. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 55 . Noção de serviço: cada vez mais essa noção precisa estar presente em todas as áreas e situações. • sobre a organização: saber organizar os fluxos de trabalho. partilhar normas sobre sua gestão. • de serviço: aliar a competência técnica à pergunta “que impacto este produto ou serviço terá sobre o consumidor final?”. Três são os domínios dessas competências: autonomia. Noção de evento: aquilo que ocorre de forma imprevista. É de iniciativa e de responsabilidade do indivíduo sobre situações profissionais com as quais se defronta. Isso significa que a competência não pode estar contida nas pré-condições de tarefa. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Comunicação: implica conhecer o outro e a si mesmo. ou pela profissão do indivíduo em uma época determinada. 2.

CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . • ética: discernimento entre o bem e o mal. integrar. competência é definida como cruzamento de três eixos formados pelas pessoas: sua biografia (socialização). articular a tomada de decisão e colocar em ação. 56 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Temos aqui uma ligação entre estratégia e competências. pela aprendizagem e pela formação e a jusante pelo sistema de avaliações. Maria Tereza Leme Fleury (2004. direito à vida. • social: uso do consenso. crenças. as competências devem atender a três requisitos: 1. habilidades que agregam valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. criativa ou metacompetência). (competência analítica. Para Prahalad e Hamel (1990). Competência como produto de uma combinação de recursos. e não uma única habilidade e tecnologias isoladas que permitem a uma empresa oferecer determinado benefício. nutridas e montante. as competências do indivíduo. 2.Para Le Boterf. Vandrell e Miranda (FLEURY. ou seja. recursos. entre o belo e o feio. a outras culturas. 3. Segundo Joel de Souza Dutra (2004). A competência de um indivíduo não é um estado. Ser difícil de imitar. sua formação educacional e sua experiência profissional. competência organizacional é o patrimônio de conhecimento que confere vantagens competitivas à organização e competência individual é a capacidade de a pessoa agregar valor ao patrimônio de conhecimentos da organização. • estética: capacidade de distinguir entre o que há de bom e de ruim. da capacidade de ensinar e aprender com os outros. 2003) classificam seis tipos de competências necessárias. Competência é o conjunto de aprendizagens sociais e comunicacionais. a saber: • intelectual: processos cognitivos internos necessários para simbolizar e representar ideias. conceitos etc. que implica em mobilizar. p. misturar e integrar recursos em produtos e serviços. como: “um saber agir responsável e reconhecido. 24) define competências. • interativa: capacidade de participar como membros de um grupo de referência. religiões. não se reduz a um conhecimento ou know-how específico. Prover acesso a diferentes mercados. no exercício de aceitação da liderança. • prática: saber fazer. competência é um conjunto de habilidades e tecnologias. Oferecer reais benefícios aos consumidores. Core Competences (competências essenciais): capacidade de combinar. amor e educação. no plano de valores. imagens. transferir conhecimentos. Para adquirir papel-chave. segundo Boterf (2003) é saber mobilizar e aplicar esses recursos em que reside a riqueza profissional.

b) core competence (nível de organização). CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 57 . d) jargão organizacional: compete a determinada área ou a determinada pessoa. buscando equilibrar duas realidades: a) a dinâmica e a complexidade do mundo real. b) jargão empresarial: competência representada como a entrega de um resultado esperado. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. c) jargão jurídico: competência no sentido de alçada desse poder. Diferentes instâncias de compreensão: a) do indivíduo (nível de pessoa). A competição como uma disputa dinâmica entre competências. c) países (sistemas educacionais e formação de competências).Quadro 3 – Conceitos encontrados na literatura A competência pode ser definida de acordo com o seu uso: a) jargão popular: competência como sinônimo de capacidade de entrega.

ao serem reconhecidas e integradas pelo indivíduo em sua memória. Elas funcionam como sistemas abertos. Competências essenciais são os quesitos que o cliente e o mercado veem como diferenciais em uma empresa e a tornam competitiva no cenário analisado. se esse conhecimento ou potencial não se transformar em ações. Diz respeito a um sentimento ou à predisposição de uma pessoa. c) clientes e empresa. organizados a partir de uma lógica estratégica de realização de resultados. cognitivas e holísticas. • motoras ou manipulativas – exigem coordenação neuromuscular. sistêmicas. As competências são dinâmicas. a não ser que sejam comunicados e utilizados.b) as capacidades cognitivas limitadas do homem diante do mundo. pois sua alavancagem e a construção de novas competências exigem interação entre: a) as pessoas e equipes dentro da organização. 2) Habilidade: está relacionada à aplicação produtiva do conhecimento. com ativos tangíveis e intangíveis. b) empresas e fornecedores externos. Não existe competência desligada da ação. As competências são cognitivas. Os conhecimentos e o know-how não adquirem status de competência. ao trabalho ou a situações. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . As habilidades podem ser: • intelectuais – “processos mentais” em uma organização. algo relacionado à lembrança de conceitos. Há diferentes formas e padrões de construção de competências e de atividades de alavancagem. à capacidade de utilizar conhecimentos em sua memória em uma ação. causam impacto sobre seu julgamento ou comportamento. As tipologias das competências podem ser: 58 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. As competências são percebidas como multidimensionais: dinâmicas. São três os elementos complementares e interdependentes do conceito de competência. 3) Atitude: a atitude refere-se a aspectos sociais e afetivos relacionados ao trabalho. Refere-se ao saber que a pessoa acumulou ao longo da vida. cujo resultado é mensurável e compatível com os objetivos da organização. Não se considera competência o conhecimento do indivíduo ou o potencial de desempenho. d) organizações competitivas e organizações cooperativas. e é por meio delas que a organização adquire vantagem competitiva e agrega valor ao cliente. ideias ou fenômenos. a saber: 1) Conhecimento: o conhecimento corresponde a informações que. que determina sua conduta em relação aos outros. São características estratégicas e difíceis de serem imitadas pela concorrência.

As competências são sempre contextualizadas. Competências individuais: Tornam o indivíduo “único”: • Flexibilidade. • saber modificar recursos: criar sinergia e mobilizar recursos e competências. decidir. identificando oportunidades e alternativas. Elas são a base das “competências organizacionais”. sendo por isso reconhecido. competência individual encontra limites. assumir riscos. b) Profissionais. responsabilidade. Segundo Fleury (2004): • saber agir: saber o que fazer e por que faz. saber se desenvolver. • saber se engajar e se comprometer: saber empreender. “rompe paradigmas”. escolher. Como afirmamos anteriormente. 2. responsabilização e comunicação. comprometer-se. trabalhar. no nível dos saberes alcançados pela sociedade.1. São adquiridas ao longo do tempo pela organização mediante a composição de diversas competências individuais. • serviços: que impacto esse produto terá sobre o consumidor. adaptação a novas ideias. • saber aprender: trabalhar o conhecimento e a experiência. Ruas (2000) coloca os recursos das competências e os desdobramentos possíveis: INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. processos internos e uma cultura organizacional. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 59 . Podemos assim classificar competências: a) Da empresa: • processo: conhecer o processo de trabalho. • ter visão estratégica: conhecer e entender o negócio da organização. • saber assumir responsabilidade: ser responsável assumindo os riscos e as consequências das suas ações. • Saber agir. • Iniciativa. conhecimentos. mas não a sua negação. rever modelos mentais. ou pela profissão do indivíduo em uma época determinada. Competências organizacionais: São as capacidades especiais que uma organização tem no intuito de atingir seus objetivos estratégicos. seu ambiente. Saber julgar. se engajar. foco no futuro. • técnicas: conhecer especificamente o trabalho a ser realizado. • autonomia: autonomia. integrar conhecimentos díspares e complexos. assumir riscos. capacidade de transformar ideias em produtos etc. ter visão estratégica. saber aprender. • Mobilizar recursos. transmitir informações. • saber comunicar: compreender.

aquilo que a pessoa realmente entrega à organização. • Competências distintas: reconhecidas pelos clientes como diferenciais em relação aos competidores. ou seja. • Competências de suporte: atividades que servem de alicerce para outras atividades da organização. nos deparamos que embora a vertente societal priorize a dimensão sociopolítica da gestão. e propõem as seguintes: • Competências essenciais: fundamentais para a sobrevivência da organização e centrais em sua estratégia. procedimentos e normas associados a suas atividades. mas que estão presentes nas atividades profissionais (conhecimentos tácitos). b) conhecimentos gerais e teóricos: saber compreender e analisar as situações em que atua e tratá-las sistematicamente (método).: a) experiência profissional associada: saber colocar em ação os conhecimentos adequados à situação. a fim de poder atuar de maneira adequada. Para compreender o conceito de competência. científicos etc. Saber fazer – habilidades – capacidade de decidir rapidamente. dar feedback etc.1. ela também faz suas incursões no domínio da dimensão institucionaladministrativa na medida em que elabora novos arranjos institucionais e de gestão.: a) atributos profissionais: saber perceber e apropriar aspectos que não são explicitados nas normas. • Competências de unidades de negócio: pequeno número de atividades-chave (entre três e seis) esperadas pela organização das unidades de negócio. Segundo Dutra (2004). o que não garante que a organização se beneficie deles. as pessoas possuem determinado conjunto de conhecimentos habilidades e atitudes. (2002) afirmam não existir recursos e competências. Por exemplo: a construção e o trabalho eficientes em equipes podem ter grande influência na velocidade e na qualidade de muitas atividades dentro da organização. disposição para aprender etc. 2. Saber ser – atitudes. 3.: a) conhecimento do ambiente: conhecer os elementos do ambiente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Contudo. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . conferem à organização vantagens competitivas. Mills et al. procedimentos e métodos. c) conhecimentos operacionais: conhecer os métodos. ao estudarmos essa unidade. é necessário incorporar a noção de entrega. daí a importância de criar categorias distintivas. Saber – conhecimentos técnicos. assumir riscos. b) atributos pessoais: atributos que permitem agir. comprometer-se e relacionar-se de forma adequada em sua atividade. No que se refere à 60 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. • Capacidade dinâmica: condição da organização de adaptar continuamente suas competências às exigências do ambiente.

<http://www.gov.gestaopublicainterativa. contribuiu-se para o avanço da discussão sobre a administração pública gerencial e societal. ou seja. há dimensões de análise que não foi possível completar.br>.reformadagestaopublica. As abordagens gerencial na perspectiva das competências foram aqui analisadas como construções paradigmáticas. mas uma vez que esta se encontra incrustada em um processo dialético ainda em curso. Os estudiosos de administração são unânimes em afi rmarem que na visão patrimonialista. A Administração Pública Patrimonialista da época feudal atendia aos interesses da classe dominante. e estão.org. resultam do contexto histórico e das opções políticas coletivas.org. pois constrói sua estrutura com base no princípio da desconfi ança prévia nos administradores públicos e nos cidadãos que dirigem demandas à administração. portanto.gespublica.dimensão econômico-financeira. trata-se de superar o paradigma econômico na condução da gestão pública.br>. Com esta reflexão. a saber: Administração Patrimonialista.br>. <http://www. o governante é um senhor que tudo podia e o Estado é como se fosse sua propriedade particular. Acesse os links: <http://www. o poder que emana do povo era utilizado pelo governante para seu interesse.com. <http://www. Administração Burocrática e Administração Gerencial.bresserpereira. A Administração Pública Burocrática é clássica e acredita na racionalidade organizacional e que essa só é alcançada quando há o excesso de controles administrativos. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. ATIVIDADE DE AUTOESTUDO ESTUDO DE TEXTO: leia o texto a seguir e responda o que for solicitado Administração Pública Gerencial: ações transparentes voltadas aos cidadãos Ed Thomas O processo histórico da Administração Pública exercida no Brasil é caracterizado por três modelos. Acessados em: 11/11/2010. sujeitas às influências exercidas pelos atores sociais e pelas instituições envolvidas. de modo que nosso esforço na elaboração teórica deste modelo de gestão está circundado por diversos limites. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 61 .br>. A visão é de gestão centrada no controle interno e faz com que o Estado volte para si mesmo e perca o foco de sua missão básica: a de servir a sociedade.

É nesse contexto organizacional que estaremos votando nos próximos meses o Orçamento Público do Estado de São Paulo para 2010 e quando aprovado tornar-se-á a Lei Orçamentária Anual. 2004. PEREIRA.com. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . Democracia e Administração Pública. Atuamos em um Estado dotado de um núcleo estratégico.2 bilhões. Acesso em: 10 out. 2005. SPINK.). que formula e controla a implementação de políticas públicas com maior participação dos agentes privados e ou das organizações da sociedade civil. totalizava em R$ 118. Luiz Carlos Bresser. Rio de Janeiro: Editora FGV. Rio de Janeiro: Editora FGV. faça com que o Estado cumpra sua função precípua de possibilitar a “prosperidade pública” em um Estado transparente. em que nossas ações se voltam para o cidadão. 62 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. A expansão dos investimentos ajuda a manter o emprego e estimula a atividade econômica. efi cazes e com otimização. e força por cooperação. A Lei Orçamentária de 2009 foi aprovada em 18 de dezembro de 2008 pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Marcelo Douglas de Figueredo. por isso o Orçamento de 2010 deverá continuar assegurando recursos para manter esse investimento ascendente. Peter Drucker TORRES. Peter (Org.jusbrasil. consequentemente. o que signifi cou um aumento de 44% desses recursos em relação ao executado no ano de 2008.6 bilhões em investimentos. Extraído de: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. para que a realização dos serviços públicos atenda a demanda dos cidadãos e. Disponível em: <http://www. um instrumento utilizado para a gestão dos negócios públicos que acompanha a evolução do Estado. Estado. A Constituição Federal de 1988 reforça a concepção que associa planejamento e orçamento como elos de um mesmo sistema e permite um controle gerencial de ações previamente traçadas. 1) A questão que nos desafi a é: há possibilidade de desenvolver competências que estejam voltadas para uma prática pública e societal? Gerenciamento é substituir músculos por pensamentos. vivemos e trabalhamos por uma Administração Pública Gerencial. 2010. folclore e superstição por conhecimento.br/noticias/1896802/opiniao-administracao-publica-gerencial-acoes-transparentes-voltadas-aos-cidadaos>. organizadas em um plano de trabalho coerente com as necessidades da sociedade e que devem receber a aprovação da instância legislativa. Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial.Hoje. com um volume total de R$ 20. com o objetivo de buscar resultados efi cientes.

UNIDADE III RELAÇÃO DO PODER PÚBLICO E A SOCIEDADE ORGANIZADA Professor Me. Rubem Almeida Mariano Objetivo de Aprendizagem • Dispor aos educandos conhecimentos referentes à questão da participação da sociedade organizada nas esferas públicas de gestão e as diversas multidimensões da ação profissional. Plano de Estudo A seguir. atribuindo novas atitudes e ações no desenvolvimento acadêmico e para a atuação profissional. a fim de contribuir na aquisição de competências necessárias ao processo decisório buscando solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações sobre o objeto de estudo. Danilo Stocco de Souza Professor Me. apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Regimes democráticos e participação • A democracia representativa • A questão da participação • Conselhos de políticas públicas • Orçamento participativo • Controle social • Controles sobre a gestão pública • Possibilidades para o exercício do controle social no Brasil .

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INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Para Pires (2001). Hoje. incorporando novas tecnologias e evoluindo em termos de participação e volume orçamentário. 269). Nesta unidade. Verificaremos a importância dos regimes democráticos para a participação da população nas tomadas de decisões políticas e econômicas. verificaremos a participação da sociedade organizada diante das esferas públicas de gestão e as diversas multidimensões da ação profissional. em que a população é chamada a compartilhar a responsabilidade de governar e responde com proposições legítimas e atuação categórica.INTRODUÇÃO Os ventos democráticos que começaram a soprar no Brasil no final dos anos setenta e início dos oitenta. trouxeram consigo um ímpeto participacionista bastante amplo. o orçamento Participativo é o resultado de uma evolução da maturidade democrática no Brasil. originado de setores sociais mobilizados e de grupos políticos que se consolidaram no bojo da luta contra a ditadura militar (PIRES. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 65 . a fim de contribuir na aquisição de competências necessárias ao processo decisório buscando solucionar com pertinên¬cia e eficácia uma série de situações sobre o objeto de estudo. tendo se consolidado e crescido. p. atribuindo novas atitudes e ações no desenvolvimento acadêmico e para a atuação profissional. o método democrático consiste no arranjo institucional necessário para chegar a decisões políticas no qual algumas pessoas alcançam o poder de decidir por meio de uma competição destinada a obter o voto popular. Segundo Schumpeter (1947. 2001). o Orçamento Participativo é adotado em centenas de cidades brasileiras.

O papel dos partidos de oposição é fundamental no controle dos atos dos agentes políticos no exercício do poder. os que montaram a conceituação clássica de democracia nunca viveram num regime democrático. há que se considerar a limitação da participação e da força dos cidadãos frente às organizações políticas e governamentais. segundo Rousseau (2001). Conforme declara o autor. que nada mais são do que comissários que governam o Estado. Se considerarmos a democracia em sua definição clássica de “governo do povo pelo e para o povo” teremos que nos reportar à Grécia antiga e veremos que quem participava não era efetivamente a maior parte das pessoas que compunham o povo. como aprovação das leis básicas e escolha dos mandatários. ao considerar os políticos e funcionários públicos como agentes e o povo como principal. 141). conforme afirma o próprio Rousseau (2001. sempre escassos. entre essas não estavam os escravos.REGIMES DEMOCRÁTICOS E PARTICIPAÇÃO A definição de democracia ou regimes democráticos vem sendo apresentada sob diversos ângulos ao longo do tempo. que será abordada adiante neste trabalho. Schattschneider. procurando respostas a questões relevantes. p. nunca existiu verdadeira democracia nem jamais existirá”. segundo o qual. aparecem como condições indispensáveis à democracia a igualdade de participação. como a função e forma de atuação do povo e como acontece a dinâmica do regime democrático. as mulheres e os pobres. utiliza fundamentos da chamada “teoria da agência” ou a “perspectiva agente/principal”. A questão da democracia em sistemas econômicos regidos pelo capitalismo. que sejam assegurados os interesses gerais do povo. O problema reside na dificuldade para estabelecer uma organização político-administrativa tal. os dois grandes mecanismos existentes pelos quais os recursos são distribuídos 66 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Assim. No entanto. Embora indispensável para a manutenção da democracia. Nesse sentido. segundo Schattschneider (1961. O encaminhamento do autor para questão é no sentido de que há que se estabelecerem as funções de cada ator no processo: o povo seria como o dono de um grande empreendimento que precisa controlar seus agentes para definirem e executarem suas políticas preferenciais. é abordada por Przeworski (1995). No Contrato Social. bem como o acompanhamento permanente das atividades dos governantes. assim entendida como o exercício da vontade geral da comunidade. por isso é importante a competição política entre partidos de orientações ideológicas diferentes. no qual líderes e organizações competidoras definem as alternativas de políticas públicas de tal forma que os cidadãos possam participar no processo de tomada de decisão”. embora não mencione. Schattschneider (1961. a soberania popular. “rigorosamente falando. O equilíbrio de forças nesse sistema político competitivo mencionado por Schattschneider é fundamental para a manutenção dos regimes democráticos. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . e a participação direta dos cidadãos nas decisões fundamentais. p. Monta uma série de fundamentos teóricos para chegar à definição. “Democracia é um sistema político competitivo. 71). 130) comenta sobre a dificuldade para estabelecer um conceito moderno de democracia. p. nos quais o cerne da competição política gira em torno da distribuição de recursos.

p. Assim. a ponto de Schattschneider (1961. ainda. Além de se poder expressar preferências e ter-se as preferências consideradas pelo governo. Como o mercado busca sempre a melhor relação entre custo e benefício para suas operações e em regimes democráticos. p. 7). tem-se amplos direitos de participação política. É notável. ilegalidades e quebra dos princípios da administração pública por alguns agentes públicos. a criação de uma série crescente de deveres do sistema Estado-mercado para INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Robert Dahl cunhou o termo poliarquia para definir as democracias modernas. O autor afirma que na prática não há democracia plena. A salutar contenda entre os postulantes ao governo faz com que esses assumam compromissos públicos frente à sociedade na busca da preferência dos eleitores. Se o Estado é o instrumento regulador. seu papel é fundamental para manutenção da democracia e para a busca da distribuição justa e perfeita da riqueza produzida pela sociedade. explica-se porque a contenda política pelo comando do Governo do Estado é tão acirrada e compreende-se porque é tão importante para a sociedade que haja o equilíbrio entre competidores que postulam o comando do Governo. Esses compromissos são explicitados nas plataformas das campanhas eleitorais em documentos tornados públicos. A segunda se refere à possibilidade de controle sobre o poder do Estado e do mercado. sendo que para isso ocorrer são necessárias garantias constitucionais de livre organização e expressão. a medida da intervenção na economia é sempre um ponto nevrálgico e foco de tensão permanente entre Estado e mercado (PRZEWOSKI. de solidariedade e de ascendência sobre as demais esferas construindo inclusive. exprimirem e terem consideradas suas preferências na conduta do governo. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 67 . instituições sólidas que garantem a estabilidade democrática e a manutenção da ordem. o empresário tem liberdade para empreender ou retirar-se do sistema produtivo. eleições livres e instituições sólidas para garantir eleições e manifestações de preferência (DAHL. tendo o Estado o papel regulador do funcionamento dos sistemas político. 1995. 277). Pela definição de Dahl. mas uma aproximação que ocorre quando os cidadãos têm oportunidade de formularem. sem a qual os cidadãos não poderiam denunciar os desmandos. gradualmente.para uso da sociedade são o Estado e o mercado. Temos. 141) ressaltar que “democracia é um sistema político no qual o povo escolhe entre as alternativas criadas por líderes e organizações políticas competidoras”. p. pelo uso das potencialidades do sistema legal moderno e. 27). A primeira constatação diz respeito à diferenciação entre a sociedade civil e as estruturas sistêmicas de Estado e mercado. Para abordar esse tema devemos iniciar rememorando as três constatações associadas ao conceito de sociedade civil expostas por Avritzer (1994. p. ainda. direitos políticos de votar e ser votado para cargos públicos. igualmente. uma série de limitações de ações do sistema sobre a sociedade. a liberdade de expressão. embora se saiba que este patamar de perfeição estaria no campo da utopia. tendo a sociedade um sentido de permanência. como forma de tentar convencer os eleitores de que os planos ali contidos serão efetivamente realizados. econômico e social. 1997. no Brasil vive-se num regime poliárquico. como tem ocorrido nos últimos anos cada vez com maior intensidade. Cabe aqui uma reflexão sobre a soberania da sociedade em relação ao sistema Estado-mercado.

fundações. traz o conceito de sociedade civil. Completam os fatos importantes em relação ao surgimento e fortalecimento da sociedade civil e dos regimes democráticos. o surgimento dos “movimentos sociais” e as lutas de classes (COHEN. religião. promoveu a expansão do conhecimento pela disseminação de universidades. E a terceira. 128). e com foco no lema “liberdade. o desenvolvimento urbano e a sociedade capitalista. igualdade. p. 1992). São as organizações da sociedade civil: sindicatos. respectivamente. Gradualmente. Qualquer interferência de uma esfera noutra gera conflito. ARATO. e têm a função de interagir com as instituições do sistema Estado-mercado. assim. A Revolução Industrial centrada na Inglaterra introduziu a divisão do trabalho social. que é a possibilidade de todos os cidadãos participarem politicamente. o que. centrada nos Estados Unidos da América. associações. três grandes revoluções podem ser citadas como marcos definidores: a Revolução Democrática. confederações. a Revolução Educacional. gradativamente. expressão. 1992. vem a favorecer os aspectos de igualdade de oportunidades aos cidadãos para ocuparem posições não só no sistema político. A Revolução Democrática teve seu centro na Revolução Francesa. p. direitos políticos: igualdade de direito à participação no governo. de modo a serem criadas e mantidas arenas de debates democráticos. Como exemplos pontuais e recentes podem ser citados a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Código de defesa do Consumidor. a possibilidade de acesso ao conhecimento a todas as camadas da população. movimentos entre outras. nem do mercado. portanto participação popular na gestão pública gera uma espécie de conflito. que obrigam. a função da democracia é proporcionar à sociedade esse poder alternativo ao poder econômico (SCHATTSCHNEIDER. Por outro lado. que não fazem parte nem das estruturas do Estado. as democracias foram se consolidando e a partir de meados do século passado se acentuaram no mundo democrático as ideias de soberania da sociedade civil. os dois subsistemas. Nesse sentido. 121). Iniciam citando a tese de Habermas sobre a existência de dois sistemas diferenciados 68 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Cabe destacar os três componentes da Revolução Democrática. associação entre outros. a Revolução Industrial e a Revolução Educacional. que implica reconhecer a existência de organizações personalizadas. criando. onde as instituições governamentais sejam respeitadas e atuantes. Arato e Cohen (1994) montam a “definição moderna de sociedade civil” utilizando-se de extensa argumentação. fóruns. ou soberania do cidadão sobre o Estado e o mercado. ARATO. só poderá acontecer em regimes democráticos efetivos e sólidos. Estado e mercado. votar e ser votado. desenvolvendo todo um sistema de organização social e grupos de interesse. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . 1961. em tese. sem pressões ou retaliações aos cidadãos. federações. Na história recente das nações ocidentais no que concerne aos fatos que deram origem ao desenvolvimento da sociedade civil. de liberdade de expressão e o desenvolvimento do espírito de solidariedade e coletividade com igualdade de direitos. mas também no sistema econômico. Por último. há que se ter em mente o dualismo de forças que se estabelece entre o poder político e o poder econômico. em especial moradia. que abrangem os aspectos dos direitos civis: propriedade.com a sociedade. fraternidade” desencadeou o processo que resultou no cerne da democracia moderna. educação e trabalho (COHEN. saúde. e direitos sociais: direito de todos a um adequado padrão de vida. no papel de mediadoras entre os cidadãos e estas instituições.

p. que pressupunha a transferência total do poder para os mandatários.COM A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA A definição de representação requer cuidados. a dimensão do mundo da vida materializada em instituições por meio das quais os indivíduos interagem. Fonte: PHOTOS. 1994. a mensagem dos autores vai no sentido de que pelo fortalecimento das instituições da sociedade civil esta poderá influenciar. 178). em obra específica sobre o conceito de representação. mas usuário de linguagem para conformar seu comportamento e suas relações. jurídicos ou outros similares. integração social e privacidade – diferenciados das esferas da economia – propriedade. solidariedade e identidades. segundo os autores. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 69 . Autores e leitores precisam ter presente o significado dos termos no contexto. o ser humano sendo não somente um ser racional e político. Mesmo um termo clássico como “representação” pode ser atualizado ou redefinido. e exercem um conjunto de direitos – reprodução cultural. língua. podendo se referir à representação artística por um ator. O mundo da vida. Vale ressaltar uma diferenciação exposta pelos autores entre sociedade civil e o sistema Estado-mercado: “Instituições que podem ser coordenadas comunicativamente aparecem enquanto forma de sociedade civil. ao passo que aquelas guiadas pelo dinheiro ou pelo poder [mercado e Estado] aparecem no nível institucional do sistema” (ARATO. como de resto qualquer palavra-chave que se utilize para centrar linhas de argumentação. família. Sociedade civil seria. o Estado e o mercado. monitorar e exercer o controle social sobre o Estado e a economia. por exemplo.em relação ao mundo da vida. transitando desde o conceito formulado por Hobbes. dependendo do espaço no qual se está transitando. COHEN. até uma visão INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. reproduzem e compartilham tradições. cultura. contrato de trabalho – e do Estado – direitos políticos. ou mesmo uma representação legal na qual um procurador representa os interesses de outra pessoa em atos comerciais. aborda o largo espectro do termo e sua prática ao longo do tempo. tradições e grupos sociais. depende do entendimento das palavras para que a boa comunicação se estabeleça. conferindo a esses autonomia para agirem discricionariamente. então. Em conclusão. é composto por pressupostos e componentes estruturais complexos englobando. A autora citada. No dizer de Pitkin (1972). personalidade.

p. 112) como sendo “a liberdade que cada homem possui de usar o seu próprio poder. para agir em nome de todos os seus componentes. da maneira que quiser. 139). autonomia para agirem no exercício do mandato. No capítulo XVI do Leviatã. o governo representativo moderno surgiu.. Pitkin dedica um capítulo da obra citada. Hobbes considera pessoa natural aquela que fala e age em seu nome individual. o ser humano abre mão em favor do Estado do “direito de natureza”. 3) A opinião pública sobre assuntos políticos pode se manifestar independentemente do controle do governo – refere-se à liberdade de expressão de opinião pública. exclusivamente para refletir sobre os conceitos de representação e Estado expostos por Hobbes. com a finalidade de promover a paz e a ordem. com a revolução democrática no final do século XVIII e permitiu viabilizar o regime democrático nas sociedades modernas. A República seria como depositária do direito transferido por cada uma das pessoas que a compõe. quatro. ou ESTADO (em latim CIVITAS). pelo cumprimento dos acordos e contratos sociais. ou seja. p. e. que não é senão um homem artificial. 11). Mesmo que se registre as formulações de Hobbes sobre representação política e as discussões sobre esse tema na Inglaterra do século XVII. e o fazem por “comissão ou licença daquele a quem pertence o direito” (HOBBES. ausência de vinculação dos representantes eleitos com os eleitores. e pessoa artificial ou fictícia aquela que age ou fala em nome de outrem. 151). p. 15).] aquele grande LEVIATÃ a que se chama REPÚBLICA. definido por Hobbes (2003. dos quais. nasceram nessa época e até recentemente não haviam sido questionados: 1) Os representantes são eleitos pelos governados – se refere à forma de escolha dos representantes. ou da República. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . Este sistema se desenvolveu sob alguns princípios. tendo aqueles. embora de maior estatura e força do que o homem natural. 7). a questão da participação. Hobbes traz os fundamentos da existência do Estado. No Leviatã. o direito ao apoio ou contestação pública dos atos dos representantes. p. independentemente de haver ou não possibilidade de controle e 70 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. 2003. p. Uma vez consentida a transferência de poder aos representantes. ou seja. o autor explora objetivamente essa dicotomia para explicar que as autoridades que promovem as ações de Estado são representantes das pessoas naturais que compõem o Estado. de fazer tudo aquilo que o seu próprio julgamento e a razão lhe indiquem como meio mais adequado a esse fim”. segundo Manin (1995. Fica fechada. 1972. os representados ficam comprometidos em aceitar que as ações dos representantes e suas consequências são realizadas em nome daqueles e que são válidas.. Esta assertiva está claramente exposta no capítulo XVIII – Dos Direitos dos Soberanos por Instituição (HOBBES. Cabe aqui refletirmos sobre quem é o Estado. na obra de Hobbes. como define e discorre no capítulo XVII. da sua vida. para cuja proteção e defesa foi projetado” (destaques como no original). consequentemente. que ocorre apenas em períodos de tempo pré-determinados por meio de eleições e por esse princípio o papel dos cidadãos como autores da delegação da representação somente se manifesta a cada nova eleição. 2) Os representantes conservam uma independência parcial diante das preferências dos eleitores – diz respeito à independência parcial dos representantes.mais moderna e diametralmente oposta que pressupõe o dever dos representantes de prestarem contas de seus atos aos representados (PITKIN. para a preservação de sua própria natureza. Nesse caso. Ao trabalhar com a dicotomia pessoa natural e pessoa artificial. Segundo Hobbes (2003. complexas e compostas por milhões de cidadãos. 2003. p. “[.

é uma tarefa bastante complexa. a larga escala com que o termo é utilizado torna seu significado impreciso. e se acentua nos dias de hoje. A QUESTÃO DA PARTICIPAÇÃO O conceito de participação política tem relação direta com os temas recém-abordados. 1995. discussão e aprovação das normas que regulam o funcionamento da sociedade.influência sobre o governo. podendo contar inclusive com o auxílio dos tribunais de contas nessa missão. 239). 17). p. O problema começa a surgir e o questionamento do sistema se faz presente. participações em audiências públicas de formulações e discussões de políticas públicas. enfocando o funcionamento dos processos nos parlamentos. quais sejam. nas três esferas de governo (União. como mencionado por Parry. entre elas as normas referentes às políticas públicas a serem executadas pelo governo do Estado. 25). sendo o Legislativo o órgão principal entre os órgãos institucionais de controle. NUNES. 4) As decisões políticas são tomadas após debate – tem o debate político como premissa às tomadas de decisões (MANIN. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 71 . p. 2006. até protestos e representações contra INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. a democracia e a representação. A possibilidade da aproximação dos cidadãos nestes processos pode ocorrer por meio dessas comissões legislativas que. Interessante abordagem sobre a questão da representação e a possibilidade de interferência direta dos representados sobre os representantes é apresentada por Anastasia e Nunes (2006. Moyser e Day (1992. A segunda se refere à fiscalização sobre as ações do Executivo como um dever constitucional. p. que são os autores (os cidadãos). Mas. isto é. o termo se presta para uma larga margem de atividades políticas que vão desde o voto na eleição. Comentando os princípios expostos por Manin Dias (2002. Os representantes são os atores que desempenham um papel em nome e autorizados por quem detém o poder de agir. são compostos por comissões permanentes e temporárias com atribuições legislativas e fiscalizatórias. bem como a análise de sua oportunidade e aplicabilidade nos regimes democráticos. 2004. passando por contatos com os membros dos legislativos pelos diversos meios de que dispomos. mesmo que haja atores constituídos para representarem esses cidadãos. Estados e Municípios). A primeira diz respeito à formulação. 24 e 25). Além disso. a definição de participação. pp. 68) refere que o terceiro princípio se constitui na chave para que se possa esperar resultados concretos da participação popular influenciando nas tomadas de decisões pelos representantes: a liberdade para expressar opinião e a força da opinião pública são instrumentos que influenciam poderosamente os mandatários. 8). os mandantes delegam aos mandatários o poder de decidir os destinos do Estado (DIAS. Os Legislativos. quando os representantes não satisfazem as expectativas dos representados. Assim. A ideia flui no sentido de que os parlamentares têm duas funções precípuas: legislar e fiscalizar. enquanto vigorar o mandato. o representante eleito tem deveres para com os representados. são os canais adequados para a promoção da articulação entre os representados e os representantes (ANASTASIA. Quando “desempacotado”. como cartas e e-mails. na visão dos autores. elaboração de orçamentos. p. p. e diz respeito à possibilidade de ação direta dos cidadãos nos assuntos políticos. apesar de aparentemente simples.

Após esse passo. levanta desde os aspectos educativos da participação até os resultados efetivos sobre a formulação e execução das políticas públicas. As lideranças de movimentos mobilizam grandes quantidades de pessoas para criarem fatos políticos que repercutem na sociedade por meio das notícias. a participação terá efeito se os políticos que detêm autoridade para finalizar os processos de formulação e execução de políticas públicas forem instados a atender aos pleitos ou pressões formuladas pelos cidadãos. exercendo assim o controle social da gestão pública. Isso ocorre tanto com associações de bairros. que reivindicam melhores condições de calçamento. Schumpeter entendia que uma vez escolhidos os representantes por meio do voto. Os líderes políticos não costumam ver com simpatia esses movimentos e reagem de diferentes maneiras dependendo dos recursos e da força 72 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. terrorismo. Essas pressões chegam de diversas maneiras e por diversos canais. no mundo ocidental. um certo tipo de arranjo institucional para chegar a uma decisão política (legislativa ou administrativa) e. 324). uma vez que o autor citado não é defensor da participação direta: “A democracia é um método político. os líderes que representam todos os indivíduos envolvidos nos movimentos. 291)”. seria não reconduzi-lo ao mandato. O autor entendia. A ideia geral sobre a importância da participação descrita por Parry. inclusive atos de sabotagem. como benéfica e legítima. de forma permanente e organizada visando a avaliar a qualidade da gestão pública e enaltecer ou punir os gestores públicos por suas ações. por meio de manifestações públicas. isto é. somente o que se poderia fazer em caso de não se estar satisfeito com o desempenho do representante. a seguir transcrito. p. em especial após a Constituição de 1988. Pretende-se aqui estudar a participação como atividade legal e regular. muito menos. 1961. (SCHUMPETER. que o eleitor tinha a prerrogativa democrática de instalar o governo. exercida por cidadãos ou organizações representativas. Isso confirma em parte o conceito de democracia exposto por Schumpeter. movimentos populares. por exemplo. Em última análise. por paradoxal que possa parecer. por isso mesmo. greves e passeatas. como. sentam para formalizarem as reivindicações junto aos políticos. e. iluminação pública. com fins pacíficos e com o objetivo de interferir na formulação e no acompanhamento da execução das políticas públicas. o poder de dissolvê-lo (SCHUMPETER.os gestores públicos. mas não de controlar suas ações durante o mandato. sem relação com as decisões que produzirá em determinadas condições históricas. Cada vez mais. p. Moyser e Day (1992. que diz respeito à representatividade das lideranças de movimentos e grupos de interesses envolvidos nas ações de participação direta. O assunto é complexo e suscita inclusive uma questão fundamental para a teoria da representação. espionagem. se boas ou más. Saudada no Brasil. a participação direta não teve sempre consenso entre os estudiosos das ciências sociais. passeatas. como por parte de sindicatos ou associações de servidores públicos ou união de associações de servidores que desejam melhores salários. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . com muita naturalidade. em especial por grupos ou entidades interessadas em políticas setoriais. e outros desse gênero. saneamento. incapaz de ser um fim em si mesmo. 6). segurança ou outros tipos de serviços públicos ou melhorias nos serviços já existentes. p. os arranjos democráticos estão proporcionando a participação direta nos assuntos de governo. 1961.

buscando o melhor benefício com o menor custo. “A razão fundamental porque umas pessoas participam. mesmo que a participação venha acompanhada de uma razão instrumental. p. A literatura registra também motivações para a participação por razões de civismo. é que os participantes consideram que suas ações lhes trarão benefícios acima dos custos envolvidos (PARRY. p. e que saíssem ganhando se. “mesmo que todos os indivíduos de um grande grupo sejam racionais e autointeressados. mesmo sabendo que se todos agirem juntos teriam mais chances de alcançar êxito. ainda assim eles não agiriam voluntariamente para promover esses interesses comuns e grupais”. Outro fator analisado por Parry. Essas pessoas pertencem. embora se afirme que a incidência é pequena. enquanto outras não. p. De alguma forma. Segundo Olson (2002.de pressão de cada movimento ou grupo. 10). podendo. Esses benefícios poderão ser até mesmo indiretos. sua teoria que analisa a racionalidade pela qual os indivíduos se comportam atuando em grupo. como grupo. 8). p. deserta do combate porque sabe que mesmo não participando aproveitará igualmente os resultados do êxito. 2). A partir de resultados visíveis e de experiências bem-sucedidas de conquistas por meio de participações. razoável percepção política e posição financeira tal que lhes possibilitam contribuir com recursos e tempo para atuar como voluntários junto a organizações da sociedade civil que se ocupam em acompanhar as políticas públicas e o comportamento dos políticos. A linha básica é no sentido de que o resultado da ação sendo aproveitado por todos os componentes do grupo. Eles invocam. esse fato não tira o efeito meritório. a classes sociais mais elevadas.DAY. a teoria instrumentalista tem relação direta com a teoria das escolhas racionais e se refere ao fato de que as pessoas ou grupos de pessoas tendem a agir no sentido de promover os interesses do grupo. as pessoas são motivadas pelas perspectivas de benefícios que suas ações irão gerar. se refere à apatia ou o pouco entusiasmo para a participação. MOYSER e DAY. preferem não participar. 7). quando o objeto da ação atende a interesses coletivos. Neste caso. 9) (tradução nossa)”. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. geralmente. como ações de um sindicato de categoria profissional reivindicando por aumento de salários. MOYSER. por exemplo. Esta abordagem é chamada por Parry. Há um fator diverso que completa a explicação desta apatia. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 73 . Moyser e Day (1992. 1992. de certa forma. a maioria dos indivíduos. Mancur Olson expõe na obra The logic of collective action. é reverem o modo de participação e de pressão para obterem os resultados desejados (PARRY. agissem para atingir seus objetivos comuns. a teoria das escolhas racionais para concluir que boa parte das pessoas avaliam o custo-benefício da participação e como entendem que terão pouca influência para produzirem resultados com suas participações. Os autores sugerem que pode haver influências impróprias por alguns desses grupos em relação aos líderes políticos. de sociopsicológica e diz respeito à predisposição e o sentimento de dever que algumas pessoas têm de participarem em ações de políticas sociais. De qualquer modo. exclusivamente com interesses de buscar melhor efetividade nos resultados das políticas públicas para a melhoria geral da sociedade. determinando assim vantagens injustas. Esclarecendo. com melhor formação intelectual. 1992. p. Moyser e Day (1992. a solução para os grupos que não têm suas vozes ouvidas e não têm respostas das autoridades.

e tem por objetivo debaterem problemas e desenvolverem ações de interesse comum. por exemplo. não só do governo. pela falta de sintonia entre os representantes e os representados. 1992. 105-111) elencam as formas de participação: 1) o voto: lembrando que não se trata apenas do voto com o objetivo de eleição de representantes a cada período de mandato. uma vez que tornam explícitos os conflitos sociais em espaços não institucionalizados. a participação no encaminhamento de projetos de lei de iniciativa popular. sobre terra. direitos humanos entre outros. um grande movimento para exigir a deposição de um Presidente da República. o despertar para os deveres e direitos políticos dos cidadãos. assim entendida a participação visando a melhorar os aspectos sociais da vizinhança (bairro. religiosos. trazendo mudanças significativas na forma das interações sociais. Grandes mudanças foram introduzidas nas formulações das políticas públicas. culturais. em importantes locais de desenvolvimento da participação.o padrão começa a mudar. pp.). 4) as associações: ou organizações da sociedade civil. independente de suas finalidades. se constituem. que podem ocorrer a qualquer momento em que os cidadãos forem chamados a participar. Seja por motivos instrumentais. citando como exemplo o Orçamento Participativo pelo qual os cidadãos participam diretamente na elaboração do 74 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. se constituem modernamente de um instrumento valioso na nova configuração da democracia. ainda. 3) os movimentos sociais: que os autores reputam como muito importantes para a democracia. MOYSER. a exemplo do que ocorreu na Inglaterra a partir dos anos 1960. por razões de civismo e interesses comunitários. ou. ou. ou voltadas para temas de direitos humanos e cidadania. DAY. 8) a gestão participativa: os autores descrevem este item como um fenômeno que vem ocorrendo nos países democráticos em função dos limites da democracia representativa. 2) as manifestações públicas: definidas como atos esporádicos com o objetivo de chamar a atenção. destacando-se os setores de habitação. isto é. sem personalidade jurídica formal. p. até mesmo. criando novos espaços de ação coletiva. transporte. a confiança no sistema ou a percepção de que se pode lutar por mudanças (PARRY. o bloqueio do trânsito de uma via para exigir ações governamentais. há um efeito secundário da participação não menos importante. ou outras formas de participação política. mobilidade urbana entre outros. sendo que. que é o efeito educativo: o desenvolvimento do associativismo. individual e secretamente. enaltecendo a formação da cidadania como consequência positiva da participação. como fins filantrópicos e assistenciais. que são entidades sem fins lucrativos com variados objetivos. geralmente institucionalizados sob a forma de termos ou protocolos. opinando sobre questões políticas mediante plebiscito ou referendo. alargando assim o campo das interações políticas em função dos temas objeto das desconformidades dos participantes. mas nos demais casos previstos na Constituição Brasileira. 5) as redes: facilitadas pelas novas tecnologias da informação e das comunicações. economia. Streck e Adams (2006. como o caso dos “cara pintadas” no governo Collor. moradia. vila etc. mas de todas as forças da sociedade para fato político emergencial como. No mesmo sentido. 7) as câmaras setoriais: são grupos técnicos instituídos como fóruns de apoio para formularem proposições e acompanharem as atividades de cada setor governamental. na visão dos autores. oportunizando aos cidadãos acompanharem e influenciarem nos planos de governo por ocasião da sua elaboração. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . 15). 6) os fóruns da sociedade civil: congregam representantes de entidades da sociedade.

proporcionando o exercício da participação que gera o aprendizado. como o plebiscito. 35). como condição para que o município integre a rede do sistema único no segmento da respectiva política pública. Conselho da Habitação. Conselho do Desenvolvimento Rural. colocando o Brasil. cumprem importante papel na nova democracia brasileira. são considerados órgãos de controle social de natureza híbrida.quando vinculados a programas governamentais específicos.sem vinculação como sistema nacional. guardando relação direta com o objeto desta dissertação. são criados em função de peculiaridades ou cultura local ou estadual. ocorrem no âmbito das três esferas de governo e têm por finalidade reunir representantes de conselhos. Educação e Assistência Social. Urbanismo. com composição plural entre Estado e sociedade civil. 2) Conselhos de Políticas . interagem na INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. em relação às respectivas áreas de políticas públicas. embora não incluídas pelos autores. p. com atribuições de discutir. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 75 . os conselhos são classificados em três grupos principais: 1) Conselhos de Programas . Direitos da Mulher etc. 9) as conferências: normalmente institucionalizadas por leis orgânicas. São exemplos os Conselhos de Cultura. os Conselhos de Políticas Públicas terão tópico específico no ponto adiante. a capacitação e a disseminação da cultura de participação política na sociedade civil. tripartite ou com outras proporcionalidades em relação ao equilíbrio de forças entre os integrantes nomeados pelo governo e por entidades da sociedade civil. Os “conselhos de políticas” têm em vista que são organismos pelos quais representantes da sociedade. bem como da sociedade civil. p. Esporte. ainda que de forma paritária.quando são criados para integrar sistema nacional de políticas sociais previstos em leis federais. formular. com formatos e composições variados. com perfil de beneficiários bem definidos. promulgada em 1988. Conforme suas finalidades e abrangências. mas com representação da sociedade civil. CONSELHOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS A Constituição Brasileira em vigor. com o governo e outros segmentos de interesses particulares. instituídos e mantidos pelo Estado. tendem a seguir as características dos Conselhos de Políticas. Por exercerem o controle social da execução das políticas públicas nas respectivas áreas de competência. para estabelecer diretrizes gerais que serão o norte para o plano de ação dos conselhos. o referendo e a iniciativa popular. por exemplo: Conselho da Alimentação Escolar. (TATAGIBA. trouxe diversos dispositivos que abriram possibilidades para a participação. segundo Avritzer (2006. Como exemplo. e 10) os conselhos: por serem instituídos e mantidos pelo governo. deliberar e controlar as políticas públicas. as ações de controle social.instrumento público que materializa os planos do governo em termos de prioridades para a execução de políticas públicas. Além das formas previstas expressamente na constituição. compostos de forma paritária. 3) Conselhos Temáticos . que indica parte de seus membros. podemos citar os Conselhos de Saúde. os conselhos de políticas públicas que são órgãos consultivos. enquadram-se aqui. no “grupo seleto de países que não tem na representação o monopólio das formas de expressão políticas institucionalizadas”. A literatura consultada define conselhos gestores de políticas públicas como sendo os conselhos instituídos pelo Estado. deliberativos ou de fiscalização. 2002. 49).

uma vez que são mantidos pelo governo (TATAGIBA. 39) dão conta de que os conselhos que mais se instituíram nos municípios brasileiros foram os de Saúde (presentes em 98% dos municípios). 79). a autora assevera que há relação direta entre o amadurecimento político da sociedade e “a competente vigilância do serviço público”. moralidade. têm o dever de prestar contas integralmente de seus atos. teoria da agência e a questão da soberania da sociedade nos países democráticos. geralmente o orçamento de investimentos de prefeituras municipais. No Orçamento Participativo. eficiência e efetividade. para definir controle social há que se estudar outros conceitos importantes para que se possa entender o seu contexto. em função da influência dos representantes do governo. Alega a autora que o termo não tem tradução justamente porque a fraca noção de cidadania não permite a percepção de que as autoridades públicas. ou police cycle. Na conclusão. em especial os conceitos de accountability. Assistência Social (93%). p. 3) remodelação do aparato governamental autoritário e centralizado para se tornar descentralizado e transparente. retira-se poder de uma elite burocrática repassando-o diretamente para a sociedade. os representantes. em certos casos. E que deve ser promovida a responsabilização de todos aqueles que por omissão ou más ações deixaram de observar as normas que regem a administração pública e seus princípios fundamentais. os motivos da dificuldade de traduzir o termo para a língua portuguesa. sua abrangência. 4) que 76 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Deve ser ressaltado que essas formas de instituições. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . Ana Maria Campos (1990) publicou um dos primeiros textos sobre o controle social no Brasil. Sob o título Accountability: quando poderemos traduzi-la para o português. p. ORÇAMENTO PARTICIPATIVO Orçamento Participativo (OP) é um mecanismo governamental de democracia participativa que permite aos cidadãos influenciar ou decidir sobre os orçamentos públicos. e relaciona algumas condições para que passe a ocorrer no Brasil o engajamento dos cidadãos no controle social: 1) superação da indigência política. por meio de processos da participação da comunidade. publicidade. amplitude. não cumprem adequadamente suas funções de fiscalização e controle social. ou mesmo pela dependência orçamentária e financeira. forma. controles institucionais. Dados de pesquisa datada de 2001 (AVRITZER. de forma contínua e transparente. 2002. entre eles os de legalidade. Sendo um elo na cadeia do ciclo político. Direitos da Criança e do Adolescente (77%) e da Educação (73%). Esses processos costumam contar com assembleias abertas e periódicas e etapas de negociação direta com o governo. a autora externa um problema que de certa forma perdura até os dias de hoje: a minguada cultura de participação política do povo brasileiro. articulações e possibilidades varia de forma importante segundo o ângulo de análise. CONTROLE SOCIAL Percorrendo a literatura sobre o tema verifica-se que a percepção sobre o que seja controle social. Com o pretexto de estudar. 2) o despertar e a organização da sociedade para o exercício do controle político do governo. 2006.formulação de políticas públicas e no controle de sua execução.

Eli Diniz afirmava que o Brasil é um País de democracia consolidada em termos de direitos e garantias individuais. quanto. Se o projeto de lei formulado pelo executivo que irá se transformar no PPA for aprovado no Legislativo. Segundo esta teoria. que estaria havendo uma privatização do Estado por grupos de interesses e redes entre empresários e agentes públicos visando a se apropriar de recursos públicos. acionam tanto os órgãos institucionais de controle – Ministério Público e Tribunal de Contas. p. devendo ocorrer de forma concomitante nas diversas fases. p. o governo só pode executar o que está expressamente autorizado pelo Legislativo nas leis orçamentárias (MILESKI.o torpor político ceda vez à mobilização política (CAMPOS. colocam-se os problemas na pauta do sistema político e acabam por gerarem decisões políticas concretas. sem contemplar as propostas de campanha. essas serão sepultadas. Acrescenta Diniz. Uma falha clássica do sistema político vigente. Nessa linha. por exemplo. em especial na formulação e na avaliação da execução das ações. Mecanismos de controle social. o autor menciona que o controle não deve se realizado apenas ao final do processo. efetivamente. de modo a produzir atualizações permanentes nas políticas públicas. p. a atuação da sociedade civil no ciclo das políticas públicas. a questão do nepotismo. p. não tem segurança de que está pagando o preço justo no contrato e se o agente está fazendo. o que deveria fazer para cumprir o contrato. p. Em 1998. no espaço público. 1998. a opinião pública. 227): “Frequentemente. portanto. 1998. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 77 . 51). 1997. a mídia e. o agente conta com este custo do controle e calcula o risco que está disposto a correr para maximizar seus interesses na relação com o agente. é a mídia e outras formas de comunicação política e social que contribuem para que seja atribuída relevância política a um problema peculiar”. 1998. mas que havia um déficit importante de mecanismos de responsabilização dos governantes nos casos de desvios de condutas e malversação de recursos públicos. 46). A forma de enfrentar esse problema. é por meio do aperfeiçoamento dos sistemas de controle. Por sua vez. organizados e atuantes. 40). p. do início da vigência da nossa Constituição. que pode ser minimizada pela atuação do controle social na fase de formulação dos orçamentos públicos. 38). 2003. 181). p. A questão da soberania e da representação é abordada por Przeworsky (2001) sob a perspectiva da teoria da agência. é de fundamental importância. 48). via de regra. Essa regra vale tanto para uma contratação de INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. aproximação com a sociedade civil e fortalecimento dos mecanismos de controle social (DINIZ. segundo a autora. Na sequência. fortalecimento dos instrumentos de controle externo. O principal. passa pelos mecanismos de accountability. Pelo princípio da legalidade. Conclui afirmando que o caminho para a modernização e o fortalecimento das democracias latino-americanas. ocorrendo o chamado policy process (COSTA. como destaca Frey (2000. diz respeito ao não cumprimento das promessas da campanha eleitoral pelos eleitos. por conseguinte. Para minimizar esta incerteza o principal pode se utilizar de mecanismos de controle. cada vez mais frequentes (DINIZ. 1990. Ações de controle social podem provocar revisões de prioridades e alterações no processo das políticas públicas. Ao movimentar a opinião pública sobre determinados temas. transparência e prestações de contas e por controles públicos sobre a atuação dos governos (DINIZ. nas relações de mercado há sempre interesses contrários entre contratante (principal) e contratado (agente). passados dez anos.

William I determinou que todos os possuidores de propriedades “apresentassem a conta de suas posses” (to rend a count of what they possessed).serviços numa oficina mecânica de automóvel ou numa relação empregado-empregador numa empresa privada. 448). não só para cobrança de impostos. por alguma regra formal ou informal de punir ou premiar A por suas atividades ou desempenho. Nas palavras de Przeworski (2001. e pressupunha a obrigação do povo prestar contas aos governantes. o termo provém de raízes anglo-normandas. o qual tem poderes de punir ou premiar o agente (tradução nossa). Conforme Bovens (2007. 49) “A fonte essencial da soberania política – exercida no processo democrático – é o ‘povo’”. bem como a mudança completa de direção dos destinatários. A questão de foco no nosso estudo é ressaltar nessa relação complexa composta por Estado-mercado-sociedade civil quem está na condição de principal. Primeiro. prestação de contas e incentivo à participação dos cidadãos. ou pelo menos não deveria ser. passados dezenove anos. em nome de B. conforme Mark Bovens (2007) em artigo denominado Analising and assessing accountability. presidentes para com seus conselhos de administrações. B tem poderes. Em defesa da ideia de que o povo é o principal numa democracia Fearon (1999. O termo estava. diretamente relacionado com a ciência da contabilidade. mas também para avaliar a estrutura do reino. utiliza a definição do consagrado termo accountability na sua argumentação: O conceito de accountability por si só não é problemático. enquanto nas relações internas dos agentes públicos os políticos estão na condição de principal em relação aos burocratas. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . Na relação governo-mercado. políticos e burocratas e entre sociedade (cidadãos) e governo. então. p. Se o termo accountability não tinha tradução para o português. Diz-se que uma pessoa A é accountable a uma outra B. O controle social é parte do processo de accountability. No jargão da teoria econômica relações envolvendo accountability são relações de agência nas quais uma parte é considerada agente que toma decisões em nome do principal. isto é. Segundo. o que de pronto se conclui ser a sociedade civil. p. O problema colocado pelo autor é sobre o modo institucional para induzir os agentes a se comportarem de forma a retribuir no melhor interesse da coletividade. como afirmava Campos (1990). como no contexto das relações entre governo e mercado. o principal é o governo como instituição de regulação e de intervenção. os conselhos para com os acionistas e os políticos eleitos para com seus eleitores. discorrendo a respeito do controle social sobre os políticos. ainda temos dificuldades para traduzi-lo. se duas condições estão presentes. somente 78 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Neste sentido. Mas essa dificuldade de tradução e de entendimento não ocorre somente nos países de língua portuguesa. p. A fim de conhecer todas as propriedades e riquezas nos novos domínios. 55). há o entendimento de que A é obrigado a agir de alguma maneira. e surgiu por ocasião da conquista da Inglaterra pelos normandos no século XI. obrigação do governo para com o povo. O termo e suas interpretações e intenções se prestam grandemente para discursos políticos. em inglês accountant. porque passa uma imagem de seriedade e credibilidade aos que se comprometem reforçar a prática da transparência. empregados são accountables para com seus empregadores. por isso a importância desse termo e seu uso recorrente quando se aborda a questão do controle social. A grande mudança de entendimento em relação ao significado original. é também de difícil compreensão e definição mesmo nos países de língua inglesa.

e um fórum. 2) possibilidade do fórum exigir explicações e justificativas da conduta dos agentes públicos e estes atenderem aos questionamentos do fórum. alemã entre outras. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 79 . o accountor. Ressaltem-se aqui três aspectos da definição. Por conseguinte. cujo principal efeito se relaciona com a prevenção à corrupção e abuso de poder. e.ocorreu nas últimas décadas do século XX. direta ou indiretamente. os quais são condições indispensáveis para que possa haver controle social: 1) accountability pressupõe uma relação entre o ator (agente público) e um fórum (sociedade diretamente ou por representantes). exercida pela sociedade. portanto. Bovens (2007. p. 3) a perspectiva do aprendizado: essa perspectiva está relacionada com o círculo virtuoso criado pela participação da sociedade nos assuntos de governo. mesmo que em direção oposta. 2) a perspectiva constitucional (accountability horizontal): diz respeito aos mecanismos e canais institucionais de accountability. esta definição é concisa porque encerra uma série de possibilidades de desdobramentos para seu entendimento. pelo qual os governantes interajam com os cidadãos aumenta a confiança no sistema e reforça a democracia. Mas vai além. Com relação à formulação de um conceito de accountability. inibindo a ação de potenciais transgressores. retrata um fenômeno anglo-americano. Um sistema bem montado. pela qual o ator tem a obrigação de explicar e justificar sua conduta. com independência e competência investigativas que permita atacar sem restrições todos os escaninhos do governo. que pode até mesmo ser político (parlamento) ou órgãos institucionais de controle. declarando até que serve como um “guarda-chuva” conceitual (transparência. responsabilidade. segundo Bovens (2007. p. porque. O termo não tem equivalente exato não só na língua portuguesa. Polícia. porque pressupõem uma relação social específica entre os agentes do Estado e a sociedade por meio dos cidadãos e suas organizações: isto sugere uma relação entre um ator. Efetivamente. regrados pela Constituição. A organização da sociedade INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. para estabelecer uma definição que não deixa de ter relação com a raiz etimológica da palavra. e. 3) possibilidade do fórum. 450). Bovens (2008) avalia as perspectivas de resultados da prática da accountability no setor público sob três perspectivas: 1) a perspectiva democrática (accountability vertical): diz respeito à possibilidade dos eleitores controlarem os representantes eleitos. o fórum pode fazer perguntas e julgar. integridade. e o ator está sujeito a consequências (BOVENS. mesmo na língua inglesa. o fórum seria composto por cidadãos diretamente ou por organizações da sociedade civil. especialmente em relação ao Poder Executivo – Controle Social. o controlador ou accountee. 450) descreve o que chama de “a mais concisa descrição que accountability poderia ter: ‘a obrigação de explicar e justificar condutas’”. vou ficar perto das raízes etimológicas e históricas e definir accountability como uma específica relação social. impor sanções aos agentes que tiverem conduta julgada inadequada. eficiência. omissões e ações de corrupção. Se estruturados adequadamente. por meio de órgãos institucionais de controle (Ministério Público. no caso já definido como accountability horizontal. mas no caso específico do controle social estamos nos referindo à accountability vertical. espanhola. previne ilegalidades. equidade. 449). erros. Accountability é uma relação entre um ator e um fórum. após explicitar toda dificuldade de entendimento sobre o termo. 2007. Tribunais de Contas). boa governança ou comportamento virtuoso). marcadamente com as reformas na administração pública ocorridas na Inglaterra – New Public Management – e nos Estados Unidos – Reinventing Government. como na francesa. p. democracia. neste exemplo. impropriedades.

delinquência e outros desvios sociais – e suas formas de repressões. que se faria pela prestação de contas com as devidas justificativas dos atos e o acompanhamento dessas prestações de contas com amplas possibilidades de contestações e sanções quando as justificativas não forem consideradas satisfatórias. Inicialmente. p. ou seja. que engloba a participação e cogestão pela sociedade em relação à autorregulação da sociedade com vistas à solução dos problemas de forma harmônica. Streck e Adams (2006. entendida 80 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Além deste fator. Este é um instrumento importante no processo para responsabilizar e punir os maus agentes públicos e reconhecer e premiar aqueles que agem buscando atender o interesse público geral.e a permanente interação desta com os mandatários criam canais de sintonia com retornos sobre os desejos da sociedade em termos de resultados da execução das políticas públicas. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . Ao buscarem uma definição para “controle social”. tendo entre outros compromissos implícitos os procedimentos para definição dos objetivos sociais de forma racional. 2006. de formulação conjunta de metas e objetivos” (STRECK. Ainda sobre a amplitude da definição de controle social. Gurza Lavalle e Castello (2008) abordam o tema do controle social enquanto exercido por meio de organizações da sociedade civil. Inicia afirmando que o desconforto por não termos a tradução exata para a palavra accountability não seria tão relevante. do compromisso dos representantes com os representados. mas não o esgota. Abstraindo-se a questão da tradução exata do termo accountability para a língua portuguesa. E avança a autora na argumentação de que o controle social pode atuar não só ex-post em relação às ações empreendidas pelas autoridades (fiscalização). Grau (2006) vai no mesmo sentido de que é mais abrangente do que a simples fiscalização dos atos das autoridades públicas. uma vez que o controle social encerra também uma visão prospectiva. que consideram sua “irmã gêmea”. os autores abordam a questão da accountability. isto é. no processo de monitoramento. como sujeitos e patrocinadores do sistema Estado-mercado. controle social não se restringe à mera fiscalização. 103) afirmam que se trata de uma expressão ambígua tal como a palavra participação. sem uso da força. Isso tende a melhorar a efetividade e eficiência do governo. ADAMS. pois o que está em questão é a legitimidade da discricionariedade dos atos dos nossos representantes. as prestações de contas das ações empreendidas e as formas de interações dos representados com os representantes. incluindo um novo termo responsiveness. 105). e criando por neologismo a palavra em português responsividade. de forma individual ou por meio de organizações da sociedade civil. controle social tem um sentido amplo. como ex-ante (participação na formulação de políticas e verificação da adoção destas pelos governos). O mais importante é o despertar da consciência cívica nos cidadãos e a percepção sobre a possibilidade de ação permanente. Segundo os autores. tomada de contas e responsabilização dos governantes. mas está relacionado à busca da justiça social pelo combate aos fatores que conduzem à injustiça: “A vigilância sobre a observação de regras e acordos faz parte desse processo. tratam de desfazer associação do termo às teorias dos desvios de conduta – drogadição. Neste sentido. p. o que se ressalta é a sua prática. Para os autores. as organizações se apresentam nas arenas políticas por meio de representantes cujas regras observadas para a obtenção da condição de representante podem ou não terem seguido preceitos democráticos.

O controle social. Procuradorias de Justiça (Ministério Público). as funções de elaborar as leis e controlar a gestão governamental. 58). p. financeira. será exercida pelo Congresso Nacional e o artigo 166 estabelece que deve haver uma comissão permanente no legislativo. O controle parlamentar sobre as ações administrativas é inerente à divisão de poderes. deve ser registrada também. Os Tribunais de Contas. Além disso. autônomos e independentes. 61. 2006. embora seja considerado regime democrático enquadrado nas características definidas por Robert Dahl para as novas poliarquias. as estruturas de controles institucionais da gestão pública. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 81 . p. têm como competência executar INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. os chamados mecanismos de controle e responsabilização horizontais – accountability horizontal. p. diz respeito à atuação dos cidadãos. Tribunais de Contas e Órgãos de Controles Internos. exercidos por órgãos públicos com competência para o exercício dessa função – Poder Judiciário. dois dispositivos da Constituição Federal são taxativos quanto a isso: o artigo 70 diz que a fiscalização contábil. 126. basicamente.como qualidade do governo que responde satisfatoriamente às preferências dos cidadãos (GRAU. LERNER. CONTROLES SOBRE A GESTÃO PÚBLICA Segundo a literatura consultada. os controles institucionais (accountability horizontal) são extremamente fracos ou inexistentes nas democracias delegativas (O’DONNELL. órgãos técnicos. atos pelos os quais o Executivo baixa normas com força de lei. com a função de operacionalizar essa atribuição de controlar as ações administrativas do governo (BRASIL – CF). tem relação direta com o consagrado sistema de freios e contrapesos do regime democrático. Outro problema que fragiliza o controle legislativo é o caso de países nos quais há uma grande concentração de poder no Executivo. Deve ser registrada aqui a importância dos partidos políticos na fiscalização. 264). operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta. já que uma oposição fraca pode facilitar conluios entre os parlamentares envolvidos mais diretamente com a fiscalização do governo e as instâncias da burocracia. Nos países com regimes democráticos. a chamada accountability vertical (O’DONNELL. podemos classificar os controles sobre a gestão pública em controles institucionais e controle social. orçamentária. em especial dos partidos de oposição. que no caso brasileiro se materializa pelas conhecidas Medidas Provisórias. As constituições estabelecem as atribuições de controle. individualmente ou por meio de organizações da sociedade civil. No caso do Brasil. de grupos de interesse que possam influenciar decisões que não sejam no melhor interesse público (GROISMAN. são compostos pelo controle parlamentar e pelos controles administrativos clássicos de cumprimentos de normas e princípios da administração pública. 61). o Poder Legislativo tem. 1994. em especial quanto ao poder normativo. a possibilidade da pressão sobre parlamentares ou sobre os partidos. sobre o qual dedicaremos o tópico seguinte. ou seja. 1998). p. por ocasião da formulação e no acompanhamento da execução das políticas públicas. Esta característica se aproxima de um novo tipo de democracia definida por O’Donnell (1994) como democracia delegativa. SCHATTSCHNEIDER. Nessa estrutura de divisão de poderes. sistema democrático no qual o maior poder é delegado ao Presidente e. 2006.

No Brasil. As principais atribuições dos órgãos de controles internos são avaliar o cumprimento das metas orçamentárias. e do ponto de vista da observância dos princípios da administração pública. 2003. p. p. São definidos como controles internos. uma forma intermediária ou administrativa. Isto não ocorre no caso dos controles sociais. a classificação defendida por Bovens (2007) quanto ao processo dos controles internos. 2006. isto é. A frase de Rousseau na introdução do Livro I de sua obra mais conhecida – O Contrato Social – é um sinal para o que estaria por vir em termos de regimes políticos. a Lei Orçamentária aprovada autoriza o governo a realizar os planos. 126). também referidos como autocontroles ou autotutela. pelo que deixaram de fazer. promover a proteção do patrimônio público e outros interesses difusos e coletivos.o controle externo da administração pública. Além disso. só recentemente. atuando também sobre as escolhas políticas de prioridades na execução orçamentária. tendo ganhado esta condição de vanguarda a partir das atribuições conferidas pela atual constituição. 254). mas não impõe a realização de tudo. entre elas e em especial. embora pouco citado como tal pela literatura científica. em razão dos planos orçamentários serem meramente autorizativos. exercendo a função fiscalizadora das ações governamentais sob os aspectos de natureza financeira. com as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (BRASIL . fiscalizar a observância dos princípios e normas da administração pública. as prioridades e discricionariedades para decidir entre o que fazer e o que não fazer fica totalmente a cargo do gestor. que provém da revolução democrática do século XVIII. 460). legitimidade e economicidade (MILESKI. salvo raras exceções. tendo por base os planos aprovados nas casas legislativas. independência e autoridade suficientes para obrigar os controlados. 2005. 2007. LERNER. que podem exercer a accountability vertical permanente. p. 2000) que estabeleceu diversas atribuições objetivas ao controle interno. possibilidades de participação e inversão da lógica da soberania do Estado sobre o povo para a soberania da sociedade: 82 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. uma vez que se trata de um processo de “accountability à sombra da hierarquia” (BOVENS. Os Tribunais de Contas passaram a exigir a presença do controle interno como condição para aprovação das contas da gestão fiscal. p. e somente aqueles. as atribuições de zelar pelo respeito dos poderes públicos em relação aos direitos sociais. O controle social sobre a gestão pública é um direito/dever dos cidadãos. pela qual os controladores não teriam força. Os Tribunais de Contas atuam sob o prisma do controle formal-legal e de regularidade contábil e financeira. Assim. sob as normas brasileiras. embora previsto constitucionalmente desde a Carta Magna de 1967. 2003. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . e as normas que regem a administração pública (GROISMAN. os mecanismos instituídos pelos próprios gestores públicos. ainda. sem possibilidade de sanção administrativa pelos controles institucionais.LRF. 159). em especial os princípios da legalidade. 98). em especial nos municípios. avaliar a eficiência e eficácia da gestão quanto aos resultados produzidos e apoiar os órgãos de controles externos (MILESKI. os governos prestam contas e são julgados pelo que fizeram e não são cobrados nem penalizados pelo que deixaram de fazer. que denomina de accountability diagonal. p. O Ministério Público é um órgão de extrema importância e atuação no controle da administração pública. em especial o princípio da legalidade. esse passou a ser instituído em todas as esferas de governo. Há que se registrar. conforme previsto no artigo 129 da Constituição Federal (SIRAQUE.

certamente. expressa em dois recursos: a exigência da prestação de contas. passam-se a analisar as chances que tem a sociedade civil brasileira de exercer o controle social à luz dos requisitos expostos. 2006. 77). controle social da administração pública. p. Bovens (2007. como os controles institucionais para garantir a conformidade com as normas e combater a corrupção. Neste contexto. a Assembleia Nacional Francesa. e as audiências públicas e exposição pública dos projetos de decisão. p. POSSIBILIDADES PARA O EXERCÍCIO DO CONTROLE SOCIAL NO BRASIL A par de todas as considerações teóricas precedentes sobre as formas de participação nos governos democráticos.. expressas em recursos judiciais que. 105). os recursos administrativos. Segundo O’Donnell (1998. p. possam obrigar as instâncias judiciais a ativar seus próprios mecanismos de controle. apesar dessa mudança de lógica de forma explícita sobre quem presta contas a quem. normativo INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. é o controle exercido pelos cidadãos na forma de reivindicações ou contestações dos atos das autoridades públicas. 313) são as seguintes as condições mínimas para habilitar a cidadania para o exercício do controle social: Poder de veto por meio de revogação de mandato e destituição de autoridades. 2001. para descrever as relações da sociedade com o governo e a soberania daquela sobre este. sob os ângulos de três ambientes fundamentais – político.. aprova a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. p. Segundo Grau (2006. Mas. p. ADAMS. 23). o conceito de controle social está intimamente relacionado ao conceito de participação. o direito de nelas votar impõe-me o dever de as aprender” (ROUSSEAU. que denomina de popular control referindo como condição essencial para o reforço do processo democrático e suas estruturas. LERNER. e. o direito de livre acesso dos cidadãos à informação pública. utilizando também o modelo “principalagent”. 463) aborda o controle social como a perspectiva democrática da accountability. 2006. tanto o controle social para exigir que o governo cumpra suas promessas e atenda as preferências dos eleitores.] reconhecimento jurídico do direito à informação sobre os atos administrativos e suas razões. na qual consta que a sociedade tem o dever de pedir contas a todo funcionário público de sua administração. individualmente ou por meio de organizações. logo após a revolução histórica que levaria ao mundo os ideais de liberdade.“apesar de ser fraca a influência de minha voz nas matérias políticas. as ações de cidadania em defesa de interesses públicos. de maturidade política e de colaboração entre governo e sociedade na busca de soluções para os conflitos do processo social. Assim. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 83 . Conforme Fernandes (2001. 83). enfoque abordado em artigo específico por Prezewoski (2001). a possibilidade de controle social efetivo ainda percorreu um longo caminho e somente começou a se consolidar no século XX (GROISMAN. paralelamente. p. ou accountability vertical. tendo como norte o bem comum e o combate à injustiça social (SRECK. 28). p. de forma livre e direta. o efeito das leis sobre a sociedade ocorrerá na razão direta da efetividade da atuação dos controles. é de fundamental importância a atuação efetiva dos controles no ciclo da gestão pública. [. igualdade e fraternidade entre os seres humanos. No mesmo século.

50). para se ter efetividade nessas questões “pouco se pode esperar sem a ação determinada e persistente dos atores domésticos – a mídia e várias organizações de accountability vertical”. tribunais de contas. é condição para a ocorrência da participação popular na gestão pública. e intensifica a necessidade de controle social. ou uma “poliarquia”. p. realimente o despertar da cidadania para a participação. p. exercitando a accountability vertical. 1997. 30) afirma que a interação dos cidadãos individual ou coletivamente organizados em ações de controle e responsabilização das autoridades públicas. p. em especial as instituições responsáveis pela chamada accountability horizontal. entendido como “regimes substancialmente popularizados e liberalizados. termo cunhado por Robert Dahl. p. O’Donnell (1998. São indispensáveis para a manutenção do regime. composta pelas agências reguladoras. mas precisam ser livres de influências e pressões. Isso. entendida como a estrutura institucional de controle e responsabilização dos gestores públicos. Diniz (1998) ressalta que sendo o Poder Executivo refratário a controles externos e tendo a alta burocracia estatal excesso de discricionariedade. 84 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. fortemente inclusivos e amplamente abertos à contestação pública” (DAHL. num círculo virtuoso. é necessário que estejam presentes os outros dois componentes das poliarquias. quanto ao ambiente político. Para assegurar dimensão republicana das poliarquias são necessárias instituições fortes. Poder Judiciário. ou seja. Primeiramente. 31). a falta de agências com autonomia e autoridade suficientes para coibir e aplicar sanções em casos de práticas ilegais. como já mencionado. vê-se que o Brasil atende. Poder Legislativo.e informacional – os quais. No entanto. Para que isso aconteça. uma vez que nossa democracia se enquadra na teoria e na prática aos requisitos postos por Dahl para caracterizar uma poliarquia e que temos instituições para o exercício da accountability horizontal nos moldes preconizados por O’Donnell e por Diniz. isto é. que pressupõem respeito absoluto à esfera privada como direito que não pode ser subtraído nem pelo Estado. No entanto. e a baixa eficácia dos órgãos institucionais de controles reforçam-se mutuamente. e o republicanismo. pelo qual as autoridades públicas tem o dever de sacrificar interesses privados em prol dos interesses públicos. pela absoluta sujeição à lei e aos princípios que norteiam a administração. no sentido de atenderem aqueles requisitos que configuram uma poliarquia. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . quanto às condições políticas para o exercício do controle social. Sobre o tema. Visto por outro ângulo. ou poliárquicos. “gera um vazio quanto às formas usuais de supervisão entre os poderes e de controle social por parte do público em geral”. 37). segundo Diniz (1998. e outros órgãos instituídos e mantidos pelo Estado para fins da gestão pública. afirma O’Donnell (1998. um regime democratizado. apenas a possibilidade do exercício da participação ampla dos cidadãos não assegura a eficácia das ações de controle social. tendo quadros profissionalizados e orçamentos próprios e suficientes para não dependerem do Executivo. conferindo condições favoráveis poderão produzir resultados que. além do regime democrático: o liberalismo. Assim. assegura que os países são democratizados.

no momento de sua realização. durante todo o exercício. por exemplo. com a disponibilização mínima dos dados referentes ao número do correspondente processo. além de publicados em meios de circulação impressa (Diário Oficial) serão disponibilizados em meio eletrônico. para consulta e apreciação pelos cidadãos e instituições da sociedade. Art. São instrumentos de transparência da gestão fiscal. entre eles os princípios da legalidade e da publicidade. e onde e como esses recursos foram empregados. a seguir transcritos. à pessoa física ou jurídica beneficiária do pagamento e. no respectivo Poder Legislativo e no órgão técnico responsável pela sua elaboração. De qualquer modo. Um conjunto de normas. acompanhamento e controle das ações do governo. é indispensável como ferramental para possibilitar a atuação dos cidadãos.Em segundo lugar. no processo de planejamento. aos quais será dada ampla divulgação. quanto aos aspectos normativos. (BRASIL – LRF. 48. 1999.] os entes da Federação disponibilizarão a qualquer pessoa física ou jurídica o acesso a informações referentes a: I – quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no decorrer da execução da despesa. em seu artigo 37. que incentivos ou pressões os agentes percebem sobre si para agirem em nome dos cidadãos (FEARON. tornam-se importantes as definições sobre que ações e desempenhos que são esperados dos agentes. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 85 . ou seja. Art. na internet. Invocando novamente a teoria da agência e a questão da accountability. trata-se da necessidade da existência de regramentos claros que definam os papéis dos atores no cenário. qualquer cidadão tem a possibilidade de acompanhar os atos dos gestores públicos como. iniciando pela Constituição. que definam o objeto do contrato entre representantes e representados. 2000). de forma individual ou coletiva. significando que para os atos dos gestores públicos terem validade e poderem surtir seus efeitos regularmente terão de estar autorizados legalmente e serem publicados. relaciona os princípios que devem nortear a Administração Pública. ao bem fornecido ou ao serviço prestado. as quais em certos casos poderão ser realizadas por órgãos de divulgação local (jornais). Essa mesma norma estabelece que o cidadão deve ser incentivado pelo governo a participar. 55). o prefeito de sua cidade e verificar quanto a Prefeitura arrecadou de recursos em cada bimestre. demonstrados nos relatórios da LRF. inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos. as prestações de contas e o respectivo parecer prévio. Assim. todos os atos relacionados com a execução orçamentária. ao procedimento licitatório realizado. A Constituição Federal. dependendo do vulto e da relevância do ato. bem como que tipos de prêmios e sanções são previstas aos representantes. 49. essas relações trazidas para o contexto político. assim como sobre a publicação dos dados referentes à dinâmica da gestão. há dispositivos constitucionais e legais que determinam aos gestores a realização de audiências públicas para ouvir a sociedade sobre a elaboração dos orçamentos. orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias. quando for o caso. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. No Brasil. ou mesmo em publicações internas. produzem dificuldades adicionais em função da multiplicidade de mandantes e mandatários. [.. p. As contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo ficarão disponíveis. ou seja. Segundo os artigos 48 e 49 da Lei de Responsabilidade Fiscal (BRASIL – LRF.. em periodicidade até mesmo mensal em certos casos. 2000). o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal. Normas infraconstitucionais regulam a forma dessas publicações. 48-A. e as versões simplificadas desses documentos. Art.

Outro dispositivo da LRF que não pode deixar de ser mencionado é o parágrafo 4º do artigo 9º. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO| Educação a Distância . CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante desta análise. A informática por meio de computadores pessoais (microcomputadores) se popularizou a partir do fim da década de 90. 2000). sobre atos de gestão praticados pelos mandatários.. o acontecimento que tornou viável o controle social sobre a gestão pública foi a inversão da soberania na relação Estado-sociedade. Tem-se hoje condições de tecnologia da informação e de comunicações que não se dispunha há bem poucos anos. 86 INSTITUIÇÕES PÚBLICAS.. Estas breves considerações sobre as condições políticas. a internet. em especial. § 4º Até o final dos meses de maio. o Poder Executivo demonstrará e avaliará o cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre. diretamente aos cidadãos. questionar. na comissão do Poder Legislativo responsável pela fiscalização e controle da gestão pública municipal: Art. Este fenômeno iniciou na Inglaterra e nos Estados Unidos. como vimos anteriormente. 9º. Resta. em audiência pública na comissão referida no § 1º do art. normativas e informacionais no Brasil. analisar como ocorre a participação nas ações de controle social e em que medida os governos dos municípios pesquisados estão facilitando ou dificultando essa participação. portanto um fenômeno recentíssimo e que está se expandindo de forma importante nos países sob regime democrático. sob pena de estar havendo desobediência à lei. setembro e fevereiro. 2) existem normas que exigem dos agentes públicos transparência e prestações de contas. criticar e solicitar esclarecimentos da administração pública. Portanto. Se a LRF. veem-se nesses exemplos que há dispositivos poderosos e suficientes. O terceiro requisito se refere aos meios disponíveis e empregados para o acesso às informações. visando a avaliar as possibilidades da participação dos cidadãos em ações de controle social sugerem que: 1) as condições oferecidas pelo regime político são favoráveis. assim como ocorreu com as redes de comunicações para transmissão de dados. Sem sair do escritório ou da residência é possível acessar. em termos de normas que possam dar suporte à participação ativa do cidadão no acompanhamento da gestão pública. essas informações deverão estar disponíveis. Esses recursos tornaram possível o acesso aos dados de um ente público para o mundo inteiro. desde a revolução democrática ocorrida no século XVIII. 166 da Constituição ou equivalente nas Casas Legislativas estaduais e municipais (BRASIL – LRF. entre elas. passível de punições. determina a publicação em meio eletrônico dos relatórios da execução orçamentária. bem como asseguram aos cidadãos o direito de controlar a administração. sobre o que foi realizado a cada quatro meses. 3) os recursos tecnológicos oferecem condições para que as informações estejam acessíveis a todos os cidadãos. analisar. pois. que diz respeito à prestação de contas pelo Chefe do Poder Executivo ou por seu representante. pode-se observar na evolução das relações dos cidadãos com os governos. na última metade do século passado.

bem como por desconhecimento e falta de iniciativa da sociedade. no entanto. por falta de interesse dos governos em divulgar as fontes de informações e incentivar a participação. a atuação de grupos de interesse.consumoresponsavel. <http://www. tem-se a criação do hábito para a participação política e a possibilidade de nascer daí movimentos de controle social com interesse geral. conclui-se que a participação da sociedade no acompanhamento dos assuntos de governo é considerada pertinente e relevante pela literatura científica. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. Como resultado positivo dessas ações. os conselhos de políticas públicas.br>. <http://www.controlepopular. mesmo que fragmentadas.br>. Destacam-se. apenas ações fragmentadas com visão parcial e visando a interesses de grupos. estes com composição mista entre indicações do governo e indicações de organizações da sociedade.com.democraciaparticipativa. Finalmente. há uma dificuldade em ocorrer o controle social da gestão pública em prol do interesse geral da coletividade.com.com>. as formas usuais de participação dos cidadãos nas interações e influências diretas nas políticas públicas. segmentos ou regiões. o estudo abordou além das definições de representação e participação. com base em tudo o que foi levantado e exposto.Não se pode abordar o tema do controle social sem analisar-se a questão da participação.participabr. Acessados em: 11/11/2010.org>. <http://www.br>. ainda que interesses lícitos. redes de políticas públicas.org. CONTROLE SOCIAL E MINISTÉRIO PÚBLICO | Educação a Distância 87 . assim. que a República Federativa do Brasil oferece as condições preconizadas para que as organizações de sociedade promovam ações de controle social. <http://www. Acesse os links: <http://www.cartamaior. entre estas.

ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
ESTUDO DE TEXTO: leia o texto a seguir e responda o que for solicitado

Democracia e Administração Pública
Creomar Lima Carvalho de Souza
O renascimento da democracia brasileira em meados dos anos de 1980 trouxe desafi os ao processo de gestão
pública. O principal deles pode-se afi rmar é: a construção de um modelo de serviço público que esteja desarraigado de vícios nada condizentes com o processo democrático.
Desta forma, acredita-se que o processo de redemocratização gerou dois resultados: 1 – o aperfeiçoamento dos
processos de seleção e ascensão nas carreiras públicas e 2 – um maior controle/interesse da sociedade sobre os
processos de administração pública. Esses elementos possibilitam a criação de um ciclo administrativo virtuoso
em termos de possíveis horizontes na relação entre o serviço público e a sociedade civil.
Sob essa análise, pode-se afi rmar que o acesso ao serviço público via concurso estabelece uma relação mais
democrática e transparente para com a sociedade. O resultado mais aparente de tal situação é a transformação
do servidor em um funcionário do Estado. Em síntese, o servidor é liberado de questões políticas que poderiam
obstaculizar o desempenho efi ciente de sua atividade.
Essa semente meritocrática acaba dando a possibilidade de que condutas desviantes sejam identifi cadas e combatidas na forma da lei. Seguindo esse ponto de vista, pode-se considerar o servidor como um cidadão investido
em cargo público. E como tal, o mesmo é um elo entre o Estado e a Sociedade que o remunera. Provendo aos
outros cidadãos serviços de qualidade e cobrando da estrutura estatal os meios para bem desempenhar suas
atividades.
O modelo de virtuosidade acima citado parece perfeito. Porém, percebe-se que existe uma difi culdade de aprofundamento da meritocracia por questões políticas a citar: o excesso de cargos em comissão na administração
pública; a existência de interesses corporativos dos próprios servidores e a persistência de uma cultura administrativa resistente a transparência em diversos setores do Estado.
Contudo, pode-se afi rmar que o amadurecimento da democracia em todos os âmbitos resultará em uma mudança de cultura em termos administrativos. E tal transformação poderá de maneira continuada alterar as estruturas
organizacionais da admi-nistração pública além de tornar mais positiva a relação custo-benefício do serviço
público para a sociedade.
Fonte: Revista Gestão Pública - setembro de 2010 - Nº 33.

1) A análise das “inovações democráticas” introduzidas, em particular a nível da gestão pública, permite
a superação de uma dicotomia, às vezes excessivamente acentuada, entre o Estado e a sociedade
organizada. Como compreender a articulação entre esses dois campos que originou a criação de arenas mistas cujo objetivo é integrar atores geralmente excluídos do campo político para a plena gestão
pública diante desta nova concepção?

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“Devemos ter fé. Não existem esforços inúteis se empregados em prol do bem comum”.
Getúlio Vargas

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CONCLUSÃO
Caro(a) aluno(a), verificamos que o processo de redemocratização brasileira se deu por dois períodos de
transição política entre um regime democrático e um ditatorial. A primeira redemocratização ocorreu em
1945, com o fim do Estado Novo (1937-45), golpe militar implementado pelo governo de Getúlio Vargas.
A segunda transição aconteceu em 1985, com o fim do Regime Militar (1964-85). Mas o marco desse
processo se deu com a promulgação da Constituição Federal em 1988.
A promulgação da Constituição Federal de 1988 foi de grande importância para a sociedade civil brasileira,
criando normas e permitindo a participação da mesma nos assuntos que dizem respeito à formulação e
ao controle da execução das políticas públicas e da gestão.
Referente à gestão verificamos a inserção de dois modelos que são o de administração societal e o de
administração gerencial, ambos tem como objetivo reformular o estado, construindo um modelo de gestão
pública, tornando-se mais aberto às necessidades dos cidadãos brasileiros.
Portanto, verificamos que com a democratização brasileira e a participação da sociedade organizada
diante das esferas públicas ouve grandes avanços na aquisição de competências necessárias ao processo
decisório buscando solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações de controle social.

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