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Recuperação de áreas degradadas: a função das técnicas de
nucleação.

Marina Bazzo de Espindola1
Ademir Reis2
Eliziane Carla Scariot3
Deisy Regina Três4

Introdução
Diferentes modelos de restauração adotados ao longo dos tempos foram
concebidos a partir de algumas visões e concepções distintas dos processos
ecológicos. Inicialmente

desenvolveu-se modelos que tinham como base a

experiência obtida em plantações agrícolas e na silvicultura. Estes modelos se
baseavam na idéia de produção. Uma criança interrogada sobre como deveria ser
uma floresta, expressou com clareza esta concepção: “Uma floresta (aqui uma
restauração) deve ser limpa, organizada e sem mato” (Quadro, 1996). Estes
processos de recuperação refletiam a “imagem e semelhança” dos plantios
comerciais e visavam proteger as árvores plantadas no sentido de que crescessem o
suficiente para formar uma nova floresta da forma como foi plantada. Isto significava
não permitir o processo de “mato-competição”. A visão dendrológica foi reforçada
pela incorporação da fase arbórea, pulando todas as demais fases iniciais da
sucessão. Foi dada importância a estrutura da floresta em detrimento dos processos
dinâmicos naturais. Um modelo posterior avançou para uma visão de conservação,
primando por valorizar a diversidade vegetal. A diversidade foi vista como uma meta
a ser alcançada em curto prazo através da introdução de um maior número possível
de espécies e ainda de distintos grupos ecológicos, de forma a criar uma plantação
de árvores que se perpetuassem no tempo.

1

Doutoranda ........
Professor Titular da UFSC, e-mail: areis@ccb.ufsc.br
3
Mestranda em Recursos Genéticos Vegetais, UFSC, e-mail: ecs@yahoo.com.br
4
Doutoranda em Recursos Genéticos Vegetais, UFSC, e-mail: três_deisy@yahoo.com.br
2

2

Uma nova tendência prima por modelos de conservação da biodiversidade
para a conservação da biofuncionalidade e resgate de interações entre organismos
do sistema (ZAMORRA, 2004). Esta visão é contraria aos modelos determinísticos e
controladores, e prima em refazer processos naturais da sucessão, aumentando a
resiliência e direcionando a comunidade para a sua integração com a paisagem que
a rodeia, refletindo seus processos estocásticos e sua atual capacidade de campo.
Dentro deste contexto o desenvolvimento do processo de nucleação como
observado na natureza por Yarranton e Morrison (1974).visa gerar pequenos
núcleos e aguardar que os grandes espaços desocupados entre estes sejam
lentamente ocupados por uma diversidade compatível com o conjunto de aptidões
bióticas e abióticas da área em questão. Por isso a restauração, com defendida por
Reis et al. (2003) representa um conjunto mínimo de interferências locais que
objetivem uma sucessão de caráter alogênico, integrando a área degradada com
suas vizinhanças.
Esta nova tendência também defende e corrobora com a idéia da sucessão
estocástica que considera que os sistemas naturais resultam de uma variedade de
fluxos entendidos como uma soma de processos e contextos. Os processos referemse às dinâmicas e mecanismos do sistema, enquanto que o contexto refere-se à
influência espacial no sistema (Parker & Pickett, 1999).
As ações que visam a restauração ecológica devem levar em consideração a
permissão dos fenômenos eventuais e a estocasticidade no processo sucessional
peculiar da área em questão, dentro da paisagem onde a mesma está inserida.
A teoria da nucleação proposta por Yarranton e Morrison (1974), ratificada por
Franks (2003) orienta e constitui a base do novo paradigma da restauração
ecológica uma vez que incorpora os princípios anteriormente citados. Reis et al.
(2003), simularam os mecanismos ecológicos descritos por estes autores instituindo
as técnicas nucleadoras de restauração. Estas visam formar microhabitats em
núcleos propícios para a abertura de uma série de “eventualidades” para a
regeneração natural, como a chegada de espécies vegetais de todas as formas de
vida e formação de uma rede de interações entre os organismos. O objetivo da
aplicação destas técnicas é o de promover “gatilhos ecológicos” (Bechara, 2006)
para a formação de uma diversidade de rotas alternativas sucessionais (Fiedler et
al. 1997).

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A restauração através da nucleação é caracterizada pela implantação de
diversas técnicas nucleadoras que possuem diversos efeitos funcionais e
particularidades que, em conjunto, produzem uma variedade de fluxos naturais sobre
o ambiente degradado, mantendo processos-chave e contribuindo para resgatar a
complexidade de condições dos sistemas naturais.
Este trabalho objetiva discutir as funções das técnicas nucleadoras propostas
por Reis et al. (2003) ao longo do processo de restauração, buscando responder
como estas atuam ao longo do gradiente temporal.

Atuação das técnicas nucleadoras
As técnicas nucleadoras propostas por Reis et al. (2003) e complementadas
por Bechara (2003) estão caracterizadas na Figura 1 e a proposta é que as mesmas,
para exercerem sua função, ocupem uma parte pequena da área a ser restaurada,
não mais do que 5%. Todo o restante deve estar sob a influência dos núcleos, mas,
principalmente, sujeita as condições naturais de sucessão secundária, resultante de
um conjunto de variáveis típicas da paisagem onde se insere a área a ser
restaurada.

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Buscando-se aprimorar e tornar mais efetiva a restauração ecológica de áreas
ciliares degradadas no Norte do estado de Santa Catarina, cujo histórico de uso e
ocupação do solo baseou-se no intenso cultivo de Pinus inclusive em áreas ciliares,
Tres et al. (2006 no prelo congresso) sugerem a implantação de módulos de
restauração. O módulo é um conjunto de técnicas nucleadoras implantado nas áreas
ciliares a restaurar, destinado em sua menor extensão, à aplicação das técnicas e
em sua maior extensão à regeneração natural. A proposta dos autores é a
construção de módulos de 2500m2, onde 5,92% desta área é destinada à
implantação das seguintes técnicas: duas transposições de galharia (18m2), dois
tipos de poleiros artificiais (30m2), um poleiro de pinus anelado (seco) e dois poleiros
de torre de cipó (vivo), 20 transposições de solo (20m2), 16 grupos de Anderson
(agrupamentos de mudas nativas com funções nucleadoras - 80m2) (Figura 2).
A maior extensão da área a restaurar deve ser destinada a regeneração
natural que será desencadeada e facilitada pelas técnicas nucleadoras.
Além do critério de distribuição espacial, cada técnica deverá ser
implementada na área degradada em um gradiente de tempo diferente ou em uma
ordem cronológica distinta de acordo com as funções desempenhadas por cada
uma. Isto leva em consideração principalmente, as condições físicas (temperatura,
luminosidade, vento, umidade e condições edáficas) e biológicas (seres vivos) ou o
grau de deficiência destes elementos na área a restaurar.
Transposição de solo
A transposição de solo visa resgatar a micro, a meso e a macro fauna/flora do
solo (sementes, propágulos, microorganismos, fungos, bactérias, minhocas, algas,
etc) pela transposição de porções superficiais de 1m2 de solo das áreas naturais
conservadas dos remanescentes de vegetação mais próximos às áreas a serem
restauradas (Reis et al. 2003). A função básica desta técnica é a introdução de
espécies herbáceo-arbustivas pioneiras que se desenvolvem e proliferam-se em
núcleos, atraindo a fauna consumidora (herbívoros, polinizadores e dispersores de
sementes), bem como preparando o ambiente para as seres subseqüentes já que
estas espécies entram em senescência precocemente e cumprem seu papel de
facilitadoras. Os núcleos formados geram aglomerados de vegetação densa que se

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destacam na paisagem com os primeiros núcleos de abrigo para a fauna e produção
das primeiras sementes na área em questão.
Vieira (2004) transpondo 16 m2 de solos de restinga arbórea para uma área
onde foi retirado um talhão pinus de mais ou menos 30 anos, obteve a introdução de
472 plântulas, referentes a 58 espécies e 29 famílias botânicas. Dentre as espécies
introduzidas, as formas de vida ficaram assim distribuídas: 45% herbáceas, 22%
arbóreas, 16% arbustivas e 5% lianas.
Basso et al. (2006) demonstraram a eficiência desta técnica em áreas ciliares.
A transposição de terra proveniente de bracatingais avançados na sucessão foi
capaz de introduzir em áreas ciliares a espécie Mimosa scabrella (Bracatinga). Aos
seis meses de implantação 88% das transposições apresentavam plântulas de
bracaatinga, com média de 125 (± 45) indivíduos/agrupamento. Aos dois anos de
avaliação todas as 44 touceiras formadas mantiveram-se vivas com média de 43
(±10,01) indivíduos, com altura média de 2,95(±1,1)m com um raio de 2,22 (± 0,62)
m de diâmetro de cobertura do solo, onde o estrato gramináceo foi substituído por
uma camada de serapilheira proveniente, principalmente, da queda dos pequenos
folíolos de bracatinga.
A técnica de transposição pode ser utilizada visando a introdução das
espécies que conhecidamente formam banco de sementes permanente e
apresentam comportamento agrupado na natureza como as pioneiras.
Nos dois trabalhos citados acima, o primeiro objetivo foi introduzir espécies
pioneiras para representar o primeiro impacto positivo sobre a área, buscando
interligá-las com as áreas vizinhas através da introdução de insetos herbívoros e
polinizadores e posteriormente, aves insetívoras e dispersoras de sementes.
Uma das grandes vantagens desta técnica consiste na heterogeneidade do
material genético introduzido, desde que haja a preocupação de representar, nas
amostras de solos, todos os fragmentos vizinhos da área a ser restaurada. Para isto,
torna-se pertinente que, no diagnóstico a ser realizado antes da aplicação das ações
restauradoras, como sugere Três (2006), sejam levantadas todas os fragmentos da
paisagem que se pretende conectar com a área a ser restaurada.

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Poleiros artificiais
Uma outra técnica a ser aplicada logo após ou concomitantemente a
transposição do solo é a técnica dos poleiros artificiais (vivos e/ou secos). Esta
técnica vem ganhando espaço nas restaurações e resultados significativos foram
obtidos por Espíndola, 2005; Bechara, 2006; Tres, 2006. Os poleiros secos são
estruturas que imitam galhos secos de plantas e atuam como estrutura de repouso,
forrageamento e caça para aves (Reis et al., 2003). (Figura 1C e D). Os poleiros
vivos são estruturas que apresentam atrativos alimentícios ou de abrigo para os
animais que os utilizam. Eles imitam árvores vivas para atrair animais com
comportamento distinto e que não utilizam os poleiros secos (Figura 1B). Dentro
desse grupo, destacam-se os morcegos, que procuram locais de abrigo para
completarem a alimentação dos frutos colhidos em árvores distantes. Aves
frugívoras também são atraídas por poleiros vivos quando estes fornecem fonte de
alimento.
A implantação desta técnica nos estádios iniciais de restauração se justifica
por contribuir com um intenso aporte de chuva de sementes por meio da avifauna.
Reis et al. (2003), sugerem a implantação de poleiros artificiais como estratégia para
incrementar a chuva de sementes da área a restaurar, considerando sua utilização
essencial para implementação da grande biodiversidade para a área em
restauração. Os poleiros vivos “torres de cipós” (Figura 1) contribuem não somente
com a atração direta de dispersores, como também com a formação de uma barreira
efetiva

contra

ventos

fortes

e

criação

de

um

microclima

favorável

ao

desenvolvimento de espécies esciófitas (REIS et al., 2003).
Além disso, a alta concentração de propágulos sob os poleiros gera um
ambiente

muito atrativo aos consumidores, assim como descrito pela teoria de

saciação do predador de Janzen (1970). De acordo com esta teoria, os
consumidores podem eventualmente realizar a dispersão secundária das sementes
depositadas sobre os poleiros pela avifauna, para áreas mais distantes, além de
trazerem mais sementes através de suas fezes. As sementes oriundas dos poleiros
representam uma fonte de propágulos para o enriquecimento da comunidade em
processo de restauração, como também uma fonte de alimento para dispersores
secundários e outros consumidores, contribuindo para a permanência desses
animais no local. Esse processo possibilita a formação de uma nova cadeia trófica e

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aumenta a diversidade funcional da área, promovendo a reconstrução da
comunidade

em

todos

os

seus

elementos

(produtores,

consumidores

e

decompositores).
No entanto, a principal ação dos poleiros, consiste no seu papel de tranpolins
ecológicos, formando corredores virtuais entre os fragmentos vizinhos da área a ser
restaurada.
É necessário frisar que, devido a concentração de sementes sob estes
poleiros, estes são locais onde raramente ocorrerá recrutamento de plântulas, uma
vez que representam locais de alta predação e de dispersão secundária das
sementes aí depositadas. A utilização de materiais facilmente perecíveis, como
varas de bambu ou de madeira tornam estes poleiros dinâmicos no espaço e no
tempo. Normalmente, quando confeccionados de bambu, cumprem sua função, no
máximo, no período de um ano. Sua queda representa uma modificação na
paisagem e sugerem recolocação de outros em novos locais.
Os experimentos tem mostrado que atuam, no sentido de atrair a fauna da
vizinhança, quando estão distribuídos esparsamente, não ultrapassando 4 poleiros
por hectare.
Quando da utilização de poleiros vivos (torres de cipó), normalmente, mesmo
depois da queda dos poleiros, as lianas utilizadas formam um núcleo sobre o solo ou
sobre alguma espécie vizinha que já tenha se desenvolvido e desta forma sua
função é mais permanente. A utilização de Mucuna urens (L.)Medikus em ambiente
de restinga (Espindola 2005), caracterizou inicialmente uma ambiente propício para
a nidificação de um casal de bentivis e posteriormente pela formação de grandes
emaranhados de lianas sobre os restos do poleiro caído.
A ação dos poleiros é maior na fase inicial da restauração uma vez que
naturalmente formar-se-ão poleiros naturais na área, através de outras técnicas de
nucleação.
No caso específico da restauração de áreas ciliares em meio a plantações de
pinus recomenda-se a formação poleiros através do anelamento de algumas árvores
antes da retirada dos talhões. Estas plantas podem atuar como poleiros por um
período bem maior, cerca de 5 anos. Também no caso da re-infestação de plantas
de pinus sobre estas áreas ciliares, alguns indivíduos são deixados para formar
poleiros mais tardios, evitando-se que estas plantas atinjam a fase reprodutiva e o
restante das plantas cortadas são amontoadas para formar abrigos para a fauna.

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Abrigos para a fauna
Um do

s requisitos básicos para a restauração é a presença, dentro de

uma comunidade em formação, da presença de abrigos para a fauna. Uma área
descampada representa uma grande exposição dos animais aos seus predadores o
que implica numa quase completa ausência destes em áreas degradadas. Esta
técnica consiste no acúmulo de galhos, tocos, resíduos florestais ou amontoados de
pedras, dispostos em leiras distribuídas na forma de núcleos ou aglomerados ao
longo da área a restaurar (Figura 1A). Estes núcleos atuam como refúgios artificiais
para a fauna, devido a criação de um microclima adequado. Secundariamente, estes
abrigos também podem atuar como poleiros para predadores. No caso de montes de
galharia ou resíduos vegetais, há uma tendência de serem colonizados por Térmitas
(cupins), larvas de coleópteros e outros insetos que colonizam a madeira da galharia
(Reis et al., 2003). Estas funções possibilitam e facilitam a chegada de propágulos
(sementes) na área a restaurar devido a atração de animais predadores onívoros
que buscam abrigo, local para refúgio, alimentação, ou repouso. Outra importante
função desta técnica refere-se a deposição de matéria orgânica gerada pela
decomposição do material (galharia) que enriquece o solo e cria condições
adequadas à germinação e crescimento de sementes de espécies mais adaptadas
aos ambientes sombreados e úmidos (Reis et al., 2003).

Introdução de mudas
A introdução de espécies através do plantio de mudas é uma forma efetiva de
ampliar o processo de nucleação. A importância desta técnica está na seleção de
espécies de forma a formar pequenos núcleos de espécies com forte poder de
nucleação.
Para que cumpra a função de nucleação o adensamento destas mudas
favorecem a formação de grupos que se destacam na paisagem em restauração.
Para isso, temos optado pela formação dos chamados “grupos de Anderson”, onde
3, 5 ou 13 mudas, plantadas num espaçamento de 0,5 metros de distância, de forma
homogênea ou heterogênea. Este pequeno grupo tende a favorecer as mudas
centrais para o crescimento em altura e as laterais para o desenvolvimento de
ramificações. O conjunto se comporta como se fosse um único indivíduo. Como
recomendamos a introdução de no máximo 300 mudas/ha estes grupos necessitam

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receber os cuidados culturais como capina, adubação até que o mesmo tenha
formado um núcleo sombreado capaz de propiciar o desenvolvimento de espécies
mais esciófilas.
As espécies introduzidas também devem caracterizar um núcleo da espécie
com significativa variabilidade genética capaz de formar uma população mínima
viável, garantindo que no futuro, suas filhas possam nuclear a espécie na paisagem.
Neste sentido, as espécies selecionadas devem apresentar potencialidade de
interações a médio e longo prazo, deixando para as outras técnicas o suprimento
das espécies mais pioneiras. Por exemplo, em áreas ciliares do Sul do Brasil, dentro
da Floresta Ombrófila Mista, priorizamos a introdução de três espécies chaves: 1.
Araucaria angustifolia (Pinheiro-brasileiro) espécie que marca a fitofisionomia
desta tipologia vegetacional e apresenta uma forte interação com a fauna através de
seus frutos, por outro lado, apresenta também um grande potencial econômico,
podendo mais tarde ocorrer de forma controlada a exploração de suas sementes por
populações marginalizadas; 2. Syagrus romanzzofianum (Coqueiro, gerivá) esta
palmeira ocorre em todas as tipologias vegetacionais do Sul do Brasil, notadamente
nas áreas com solos rasos de topos de morros e ciliares. Sua interação com a fauna
é acentuada na polinização (produtora de pólen), frutificação (seus frutos são
apreciados pela fauna) e imbricações das folhas (abrigo para a fauna). Como é uma
árvore muito longeva, sua introdução garante que mesmo várias décadas após seu
plantio continuará com sua função de nucleação; 3.Ocotea poroso (Imbuia) esta é
uma das árvores que sofreu intensa exploração madeireira e suas populações
encontram-se fragmentadas o que levou a ser considerada como uma espécie em
extinção. Apesar de seu crescimento muito lento, sua introdução é um compromisso
ético para garantir sua preservação. Para esta espécie projeta-se a formação de
pomares de sementes com alta variabilidade para

garantir sua variabilidade

genética.

Módulos de restauração
Para facilitar a operacionalidade de aplicação das técnicas de nucleação
idealizou-se a formação de módulos de restauração. Este ocupam ¼ de hectare e
objetivam tornar a matriz mais permeável e conseqüentemente, aumentar a

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conectividade dos remanescentes naturais desta paisagem com o decorrer do
tempo, uma vez que, constituirá fontes de propágulos artificiais.
Estes módulos também promovem eventualidades e imprevisibilidades, dando
oportunidades para que os fluxos naturais encontrem espaço para se expressar e
ampliar as possibilidades de restabelecer uma série de processos e contextos do
sistema como um todo. Nesta proposta para as áreas ciliares, as técnicas somadas,
ocupam um pequeno espaço (5,92%), servindo como “gatilhos ecológicos” para o
início do processo sucessional secundário. A tendência é de que nos demais
espaços, (75%) seja estabelecida uma complexa rede de interações entre os
organismos e uma variedade sucessional, as quais poderão convergir para múltiplos
pontos de equilíbrio no espaço e no tempo, fruto da abertura da eventualidade.

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