A figura abaixo foi retirada de um anúncio veiculado no site de uma empresa de

ônibus.

Disponível em: http://aws.viacaoouroeprata.com.br. Acesso em 14 abr. 2015.
Observa-se que a empresa consegue prever o horário de chegada do veículo
em um certo destino a partir do horário em que ele partiu de uma determinada
cidade. Esta previsão baseia-se em uma grandeza física que é determinante
neste tipo de cálculo para percursos terrestres, supondo não haver imprevistos
que possam atrasar o andamento normal da viagem.
Tal grandeza é a
A taxa média de consumo de combustível.
B potência útil fornecida pelo motor do veículo.
C velocidade instantânea registrada no velocímetro.
D energia cinética associada ao movimento do ônibus.
E velocidade média com que se costuma fazer a viagem.
A. ERRADA. taxa média de consumo de combustível. O aluno tem
conhecimento de que a taxa média de consumo de combustível fornece, com
boa aproximação, a autonomia (distância que se percorre utilizando-se todo o
combustível do tanque, sem reposição) do veículo. Porém confunde km/l
(unidade de consumo médio de combustível) com km/h, de onde vem a
confusão relativa ao tempo de viagem previsto.
B. ERRADA. potência útil fornecida pelo motor do veículo. O aluno atribui a
potência do veículo ao tempo de viagem pois entende que se o percurso fosse
feito com um veículo de maior potência o tempo gasto poderia ser menor. Não
entende que o item não se trata de uma comparação entre tempos, mas sim de
um tempo baseado num comportamento cinemático constante.
C. ERRADA. velocidade instantânea registrada no velocímetro. O aluno
compreende que o fato se deve ao comportamento da velocidade do veículo.
Porém, conclui, erroneamente que a velocidade em questão é a registrada no
velocímetro ( que é a instantânea), ao invés de considerar a velocidade média.

D. ERRADA. energia cinética associada ao movimento do ônibus. O aluno
entende, erroneamente, que como o tempo depende de como o veículo se
movimenta, ele deve depender da energia associada ao movimento, que é a
energia cinética. Não entende que isso seria relativamente útil num caso cuja
abordagem fosse da conversão de uma energia em outra, o que não é o caso
do item.
E. CERTA. velocidade média com que se costuma fazer a viagem. O aluno
entendeu, corretamente, que o tempo será determinado pelo comportamento
médio da velocidade do veículo ao longo do percurso.
Solução
Vamos, inicialmente, dar um exemplo de como é calculada a velocidade média
escalar VM de um móvel. Suponha que a distância entre duas cidades seja de
400 km e que o motorista leve 5 h para percorrer este trecho. Logo:

Mas o que este resultado nos diz?
Sabe-se que é praticamente impossível que um ônibus de viagem, num
percurso de 400 km, mantenha o módulo de sua velocidade constante e igual a
80 km/h. É óbvio que o ônibus sofrerá alterações no valor de velocidade (para
arrancar, nas ultrapassagens, etc.). Logo, esse valor nos diz que se fosse
possível percorrer o trecho de 400 km com uma velocidade constante de
80 km/h, gastar-se-ia o mesmo tempo que se gasta com as variações de
velocidade próprias do percurso. Como as empresas estabelecem regras de
percurso para seus motoristas (como a velocidade máxima a ser atingida, os
procedimentos de ultrapassagem e segurança em geral, etc.), podemos supor
que o comportamento da variação de velocidade seguirá um padrão. Este
padrão equivale a se trafegar com um suposto valor constante de velocidade
do qual resultará um mesmo tempo de viagem em ambos os casos.

Ao revisor
- Classifiquei o item como sendo área1, habilidade 2. Estou meio em dúvida,
pois também entendi que ele possa pertencer à área 5, habilidade 17. O que
acha?
- Só para garantir: não acredito que um aluno não saiba o que seja um
velocímetro! Por isso, a ausência de sua definição, tudo bem?
- Não abordei, expressamente, o caráter escalar da velocidade média em
questão. Pela minha experiência, vejo que os professores não costumam fazer

esta distinção entre a Vmédia escalar e a vetorial. Até pensei em abordar esta
distinção no item, mas creio que iria confundir a maioria dos alunos, que
poderiam errar não por uma questão de competência, mas de conteúdo.