UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO

FACULDADE DE ENGENHARIA E ARQUITETURA

MÁQUINAS AGRICOLA
APOSTILA SOLOS
Prof. Engº Carlos Emilio Soder
Carazinho
2010

Engº Carlos Emilio Soder

Máquinas Agrícolas

1. TIPOS DE SOLOS
A superfície terrestre encontra-se exposta, desde o início dos tempos, à
influência de diversos fatores destrutivos. Grandes mudanças de temperatura, ventos,
água e outros fatores produzem a decomposição das rochas. Todo solo tem sua origem,
imediata ou remota, nesta decomposição.
Quando o solo, produto do processo de decomposição, permanece no próprio
local onde se deu o fenômeno, ele se chama residual. Quando, depois de decomposto, é
carregado pela água das enxurradas ou rios, pelo vento, pela gravidade – ou por vários
deste fatores simultaneamente – ele é dito transportado. Existem ainda outros tipos de
solos, entre os quais aqueles que contém elementos de decomposição orgânica que se
misturam ao solo transportado.
Na Engenharia Civil, como a grande maioria das obras apóiam-se sobre a crosta
terrestre, os materiais que formam esta última podem ser ditos materiais de construção,
além de que estes materiais podem ser utilizados nas próprias obras, como materiais de
empréstimo.
Resumindo, o material “solo” é um material de construção natural, produzido
pela natureza ao longo dos tempos, e que se apresenta sob diversas formas. Sob um
ponto de vista puramente técnico, aplica-se o termo solo a materiais da crosta terrestre
que servem de suporte, são arrimados, escavados ou perfurados e utilizados nas obras de
Engenharia Civil. Tais materiais, por sua vez, reagem sob as fundações e atuam sobre os
arrimos e coberturas, deformam-se e resistem a esforços nos aterros e taludes,
influenciando as obras segundo suas propriedades e comportamento.

Classificação / Propriedade dos Solos
Este texto, que não tem a pretensão de esgotar o assunto, considerará somente as
características mais pertinentes ao seu objetivo final: facilitar a correta especificação do
tipo de compactador de solos a se utilizar, nos casos mais genéricos desta matéria. Estes
tópicos são exaustivamente abordados nos livros de Mecânica dos Solos.

I – Índices Físicos

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• Porosidade: Relação do volume de vazios pelo volume total da massa de solo
analisada;

• Índice de Vazios: Relação do volume de vazios pelo volume sólidos da massa de
solo analisada;
• Grau de Saturação: Relação do volume de água pelo volume de vazios da massa
de solo analisada;
• Umidade Natural: Relação do peso da água pelo peso do material sólido da
massa de solo analisada;
• Peso Específico: É a relação entre o peso de um determinado fragmento pelo seu
volume.

II – Forma das Partículas
A parte sólida de um solo é constituída por partículas e grãos que tem as
seguintes formas:
• Esferoidais: possuem dimensões aproximadas em todas as direções e poderão, de
acordo com a intensidade do transporte sofrido, serem angulosas ou esféricas.
Ex.: solos arenosos ou pedregulhos;
• Lamelares ou placóides: nos solos de constituição granulométrica mais fina,
onde as partículas apresentam-se com estas formas, há predomínio de duas das
dimensões sobre a terceira;
• Fibrosas: ocorrem nos solos de origem orgânica, onde uma das dimensões
predomina sobre as outras duas.
A forma das partículas influi em algumas características dos solos como, por exemplo, a
porosidade.

III – Tamanho das Partículas
O comportamento dos solos está ligado, entre outras características, ao tamanho
das partículas que os compõem
De acordo com a granulometria, os solos são classificados nos seguintes tipos,
de acordo com o tamanho decrescente dos grãos:

Pedregulhos ou cascalho

Areias (grossas, médias ou finas)

Siltes
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simultaneamente. que no estado seco não se aderem uma à outra (somente se apóiam entre si). A capacidade para suportar cargas dos solos não coesivos depende da resistência ao deslocamento. isto é. quase farináceos. entre as partículas. Os espaços vazios entre as partículas são muito pequenos. II – Solos Coesivos Individualmente os grãos destes tipos de solos são muito finos. entre os grãos. entre as partículas individuais. constituído na sua totalidade de uma única granulometria. de silte. os tamanhos dos diferentes grãos. uma vez que tenha conseguido penetrar no solo. à movimentação. Tipos de Solos quanto a sua forma I – Solos Não Coesivos (Granulares) Como solos não coesivos compreendem-se os solos compostos de pedras. são altamente permeáveis. por simples observação. é fácil reconhecer. pedregulhos. em estado seco. de argila. Exemplo: areia argilosa é um solo predominantemente arenoso com certa percentagem de argila. Assim. de cascalho. 3 . espaços vazios relativamente grandes e intercomunicados entre si. a água também encontra dificuldade para ser extraída do interior do mesmo. de partículas grandes (grossas). aumenta-se a resistência ao deslocamento entre as partículas e. absorvendo-a muito lentamente. cascalhos e areias. individualmente soltas.Engº Carlos Emilio Soder • Argilas Máquinas Agrícolas Na natureza. Ao se aumentar os pontos. individualmente. Estas misturas. o comum é o solo apresentar certa percentagem de areia. ou superfície de contato. por meio da quantidade de grãos por unidade de volume (COMPACTAÇÃO). compostas por muitas partículas. raramente um solo é do tipo “puro”. os solos são classificados de acordo com a seguinte nomenclatura: o elemento predominante é expresso por um substantivo e os demais por um adjetivo. Entretanto. Devido à sua estrutura estes solos apresentam resistência à penetração de água. ou seja. Isto se deve ao fato de existirem. Dessa maneira. melhora a transmissão de força entre os mesmos. Em um solo não coesivo. etc. se aderem firmemente um a outro e não podem ser reconhecidos a olho nu.

Em função do tipo de rocha. em relação às partículas grossas. A estrutura e as características dos solos. Tipos comuns de solos e modos de os melhorar 4 .Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Ao receber água. O Quadro 1 descreve os tipos de solos geralmente encontrados em África. formaram-se diferentes solos ao longo dos séculos. os melhoramentos possíveis e alguns dos aspectos da sua valorização. Seu comportamento está diretamente relacionado à percentagem de partículas finas existentes. TIPOS COMUNS DE SOLOS Alguns solos são mais férteis do que outros. As bacias dos rios e os solos de origem vulcânica são férteis de forma natural. Estas partículas tendem a agrupar-se. ou estão ainda em vias de formação. assim como a sua capacidade de assegurar o crescimento das plantas. individualmente. ao se comparar solos com igual grau de compactação. Tipos de Solo pela sua formação Os solos são formados a partir da decomposição das camadas rochosas. ainda que estes últimos apresentem menor granulaometria. tendem a tornar-se plásticos (surge a “lama”). Apresentam maior grau de estabilidade quando secos. III – Solos Mistos Como já foi dito. de grãos finos (coesivos) com outros de maior granulometria. Devido às forças adesivas naturais (coesão) existentes entre as pequenas partículas que compõem estes tipos de solo. na natureza a maioria dos solos está composta por uma mistura de partícula de diferentes tamanhos. É importantíssimo se dizer que solos mistos compostos de partículas redondas e/ou lisas são muito mais suscetíveis à compactação que aqueles compostos por partículas com arestas vivas ou angulares. Entretanto. dificultando uma redistribuição natural entre elas. as suas características. ou seja. aqueles que possuem partículas angulares e/ou de arestas vivas (alto grau de rugosidade) possuem maior capacidade de carga que aqueles compostos por partículas de textura lisa. é que a compactação por vibração não é a ideal nesta situação. variam segundo as dimensões das partículas de solo e a composição de matérias orgânicas e minerais. Alguns solos podem ser ácidos.

utilizando-o para a produção alimentar e para outras actividades não alimentares. em proteger o solo das hortas. mas também por práticas de cultivo incorrectas. · Manter a fertilidade do solo.Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder Tipo de solo Características Métodos de melhoramento Arenoso · Estrutura · Fertilidade pobre · Juntar regularmente pobre orgânicas · Não retém a água · · e Utilizar Juntar solo matérias fertilizantes adubo verde das térmitas · Praticar o mínimo de lavoura Limoso · Estrutura pobre · Juntar matéria orgânica grosseiras (Lamacento) Argiloso · Endurece secando · · Retém demasiada água Juntar matérias orgânicas. levando-as para longe. aplicando periodicamente fertilizante e composto A EROSÃO DO SOLO A primeira etapa na conservação do solo consiste em impedir a sua perda devida à erosão. A erosão do solo é causada principalmente pelo vento e pela água. composto e gesso* Subsolo ácido · A camada de subsolo é · Cultivar plantas com raízes pouco tóxica para algumas profundas plantas (legumes) · Aplicar calcário em pó (depois dos resultados da análise do solo) e estrume Areno-limoso · Mistura de sedimento e argila areia. o que resulta num rendimento fraco das culturas da horta. Quando o solo está descoberto ou quando a vegetação é pobre. a 5 . A camada arável é particularmente vulnerável à erosão se não for protegida por plantas ou por folhagem seca de protecção ou por outras medidas. O desafio consiste. Depois da perda da camada arável. A chuva e o vento arrancam as partículas do solo. pois. o solo é geralmente menos produtivo.

A situação agora é diferente. pelo impacto da chuva.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas água da chuva escorre. 6 . Nas zonas tropicais húmidas. A erosão do solo é um problema em regiões com pouca vegetação. assim como nas regiões que sofrem chuvas sazonais. A erosão eólica é um problema comum nas regiões secas e semi-áridas. Erosão hídrica Há três formas correntes de erosão hídrica • Erosão por camadas: uma camada fina superior do solo é removida da camada mãe. contendo pouca matéria orgânica. em vez de penetrar no solo. As ravinas são a marca de uma forte erosão. Um solo em declive e um solo leve. A erosão faz-se ao longo destes canais. desde que se começaram a limpar vastas extensões de terra para fins agrícolas. particularmente nas zonas áridas e semi-áridas de África. As chuvas fortes associadas a uma má gestão do solo nas áreas cultivadas são agora as causas comuns da erosão do solo nas regiões húmidas. os materiais soltos do solo (por exemplo a erva) acumulam-se entre finas linhas de areia depois de uma chuva torrencial. Esta erosão afecta toda a horta ou todo o campo. levando consigo a frágil camada arável. porque uma vegetação natural variada cobria o solo permanentemente. • Erosão em sulcos: ou regueiras: as águas correm em pequenas depressões à superfície da terra e cavam pequenos canais no solo. Erosão eólica A erosão eólica produz-se sobretudo em solos leves e em terras desnudadas. Com a erosão por camadas. são ambos propensos à erosão. Uma vez erosionado o solo está definitivamente perdido. a erosão não era considerada um problema quando a terra estava no seu estado natural. Os ventos violentos causam grandes danos. • Erosão em ravinas: uma ravina forma-se ao longo de uma depressão natural à superfície do solo ou em declives. A ravina avança ao longo da encosta na direcção oposta à do escoamento da água.

O ENRIQUECIMENTO DO SOLO Um dos principais objectivos a alcançar no desenvolvimento de uma horta é tornar o solo fértil e bem estruturado. Se o solo tiver uma fertilidade natural ou estrutura fracas. o cálcio e o fósforo. A matéria orgânica (por exemplo. Enriquecer o solo com matéria orgânica é particularmente importante nos primeiros anos do desenvolvimento da horta. À medida que as matérias orgânicas se decompõem. devem ser tomadas algumas medidas. as plantas necessitam de nutrientes que estão presentes nas matéria orgânica. tais como as folhas e o estrume. a fim de melhorar a sua produtividade e a sua capacidade de retenção de água. medicamentos. devem-se ponderar os efeitos benéficos de certas árvores e plantas.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Contrariamente à água. Lavrar no sentido da subida ou da descida de uma encosta pode também favorecer a erosão do solo. o vento pode arrancar tanto o solo dos terrenos planos como dos terrenos de encosta. Também pode transportar as partículas de solo através da atmosfera e depositá-las muito longe. de modo a que uma grande variedade de culturas úteis possa crescer e ter uma boa produção. e conservação dos solos". assim como os sais minerais e os oligo-elementos. sombra ou matéria orgânica. soltos. que só causa erosão em encostas. constituem alimento para as plantas. como o azoto. Para impedir a perda de solo da horta. Para crescer. É dada informação de como fazer curvas de nível na Rubrica Tecnológica de Horticultura 7 " A luta contra a erosão. Os solos vulneráveis à erosão do vento são secos. Elas incluem: • limpar apenas a terra a cultivar • plantar segundo as curvas de nível e utilizar canais cobertos de erva • instalar quebra ventos e terraços aplainados • lavrar ao longo das curvas de nível • plantar culturas de cobertura e usar folhagem seca de protecção para cobrir o solo Quando se limpa a terra para a cultivar. graças à decomposição das suas folhas. Convém deixar algumas árvores. leves. com pouca ou nenhuma cobertura vegetal. visto que estas podem fornecer alimentos. Também melhoram a estrutura do solo ao amolecerem a argila pesada e ao ligarem o solo arenoso. tem de ser continuamente «alimentado» com matérias orgânicas. os 7 .

o estrume animal. tais como o composto. onde se vai decompor. A aplicação de matérias orgânicas. em que se cultivam em conjunto árvores e plantas com diferentes tempos de maturação. CONSERVAÇÃO DO SOLO A LONGO PRAZO A maneira ideal de proteger e alimentar o solo consiste em aplicar regularmente matérias orgânicas ou composto. favorecendo o crescimento de outras plantas.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas restos de plantas e de animais) podem ser recolhidas e enterradas no solo. As leguminosas. As raízes das leguminosas contêm bactérias que fixam o azoto. cultivar leguminosas em associação ou em rotação com outras culturas ajuda a manter ou a melhorar o conteúdo do solo em azoto. e manter uma cobertura vegetal. que poderá ser aplicado no solo para o tornar mais fértil. porque fornecem permanentemente elementos nutritivos às culturas da horta. Também se pode utilizar a matéria orgânica para fazer composto. 8 . o amendoim e o feijão. permite proteger o solo e reciclar os elementos nutritivos. o adubo verde e o solo das térmitas. As plantas saudáveis dão melhores rendimentos e estão melhor protegidas contra os insectos e contra as doenças. melhora a estrutura do solo e adiciona-lhe nutrientes. O sistema da cultura em diferentes níveis. tal como o feijão-nhemba. são particularmente úteis. Assim.

arenoso. é chamado um silte-argiloso.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas 2. CLASSIFICAÇÃO DO SOLO Classificação de solo consiste em dividir solos em grupos. Estes sistemas de classificação estão baseados no tamanho das partículas de solo. silte e areia que constituem o solo. Os lados do triângulo são eixos. um solo que contém predominantemente argila. se um solo está composto de 40% de areia. 35% de silte e 25% de argila. Por exemplo. Um solo é nomeado em função de seus componentes principais. Há diferentes sistemas de classificação de solo. Com base no tamanho das partículas o solo é chamado de: pedregulho. É mostrado com o ponto A na Figura 2. Um método conveniente de nomear as misturadas de solos é o Sistema de Administração de Estradas Públicas dos EUA. e argiloso. Assim. cada um representando porcentagens de argila. A Figura 1 ilustra os diferentes sistemas de classificação de solo. Classificação de solo torna isto possível para descrever uma solo por suas propriedades.Classificação do solo através de tamanho 9 . cada um com propriedades distintas. como mostrado na Figura 2. siltoso. Figura 1 . Solos naturais geralmente consistem em misturas de várias classificações. mas também contém algum silte seria chamado argilo-siltoso. São dados nomes especiais a várias combinações como mostrado pelas áreas dentro do triângulo. Alguns foram estabelecidos pelo Departamento Norte-Americano de Agricultura.

.........(1) onde: V v = volume de poros . ou: e = V v / V s .....(2) onde: Vs = volume de sólidos......... V = volume total Índice de poros (e) é a relação entre o volume de poros e o volume de sólidos em uma amostra de solo.. 10 .......Classificação de solo do Sistema Público de Administração de Estradas (EUA) Propriedades Físicas dos Solos Porosidade (η) é uma medida da quantia relativa de volumes sólidos no solo........ ....... É a relação do volume de poros (Vv) para o volume total (V) da amostra de solo (Figura 3)...Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Figura 2 . ou: η = V v / V....

...(6) 11 ....Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Figura 3 ................ 100 ............ Para solos: γ = W / V . ou: S r = (V w / V v) .........(5) A densidade aparente seca (γ d) é o peso de sólidos dividido pelo volume total....................... expresso como uma porcentagem..........(4) Onde: Vw = volume de água........ Ws = peso de sólidos O grau de saturação (S r ) é a porcentagem de espaços porosos que é ocupado por água...... ou: w = W w / W s . ou: γ d = W s / V ..Frações do volume do solo O conteúdo de água do solo (w) é a relação do peso de água (Ww ) para o peso dos sólidos (W s )..(3) onde: Ww = peso de água . A densidade (γ ) é definida como o peso dividido pelo volume........

26 cc Va = V .54. O valor médio é 2.26 / 1.49 Ws Ws + Ww = 165 g ou Ws + 0.49 = 110.6 = 42.. Solução: Primeiro ache os pesos e volumes de todas as frações da amostra de solo....74 / 2. o grau de saturação...65 g/cc para areia e silte e 2.74 = 54. Ela geralmente fica entre 2. ache o índice de poros. onde: Va = volume de ar Va = 100 .8 g/cc.59 .0 = 54..6.Vs . em média. e a densidade aparente seca..6 e 2.74 g Ww = 165 .. é um pouco constante... como computado acima.26 = 3..Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Finalmente.59 cc Vw = Ww / γw = 54.15 cc Agora ache as relações exigidas do peso e volume.49 Ws = 165 g Ws = 165 / 1. W = Ww / Ws = 0.42. a densidade das partículas sólidas no solo (γs) é expressa como segue: γ s = W s / V s . a porosidade.49 ou Ww = 0.(7) A densidade dos sólidos nos solos.110.. Se é assumida a gravidade específica dos sólidos como sendo 2.. Exemplo 1: Uma amostra de 100 cc de solo pesa 165 g e seu conteúdo de água é de 49%.Vw.. 12 ...75 g/cc para argila.26 g Vs = Ws / γs = 110.

a resistência ao cisalhamento é uma função da tensão normal no plano de ruptura. A curva C é para um solo que é bem compactado mas não cimentado inteiramente. Um aumento na tensão normal causaria um aumento em cisalhamento máximo. Para as curvas A e C este ponto é definido claramente mas para a curva que B o rompimento não é característico. Solo solto pode não mostrar nenhum ponto definido e a tensão pode aumentar exponencialmente com a força alcançando um pouco de valor de máximo como mostrado pela curva B. e = Vv / Vs = (Vw + Va) / Vs = (54.95 % Densidade seca. um diagrama forçatensão pode se parecer como uma das curvas na Figura 4.26 / 57. Então.15) / 42.Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder Relação de poros. que depende da condição de solo.35 Porosidade. 13 . As curvas mostradas na Figura 4 são para uma determinada tensão normal na amostra. A força do solo se refere ao valor da tensão de cisalhamento em um plano dentro da amostra de solo onde o rompimento da amostra aconteceu ou por ruptura ou por quebra. como mostrado pela curva A. 100 = (54. γ d = Ws / V = 110. Se a tensão normal é mudada o diagrama mudará e por conseguinte o valor da tensão de cisalhamento máximo também mudará.26 + 3.41) . S r = (Vw / Vv) .74 / 100 = 1.59 = 1.57 Grau de saturação.107 g/cc PROPRIEDADES MECÂNICAS DO SOLO Resistência ao Cisalhamento.15) / 100 = 0. η = Vv / V = (54. Se um espécime de solo é sujeito a tensão de cisalhamento. 100 = 0.26 + 3. Um solo altamente cimentado resultará em um ponto bem definido.

......(8) Coulomb. e C: denso. respectivamente... em 1776.. A força de cisalhamento como definida através da equação 9 representa a tensão de cisalhamento máxima que pode ser sustentada em qualquer plano.... As quantidades c e φ freqüentemente são propriedades dos materiais chamadas de coesão e ângulo de fricção interna..... com um interceptação no eixo da tensão de cisalhamento (τ) igual a c e uma rampa igual a tang φ.... tang φ . em um determinado material.Diagramas força-tensão para solos em três condições: A: cimentado.(9) O critério de Coulomb é mostrado como uma linha direta na Figura 5.. Ele plotou os valores máximos da tensão de cisalhamento no rompimento.. B: solto... como mostrado abaixo: s = f (σ) ..... a níveis variados de tensão normal... A teoria do rompimento de Mohr-Coulomb diz que o rompimento em um material acontece se a tensão de cisalhamento em qualquer plano iguala a resistência ao cisalhamento do material. contra a tensão normal correspondente no plano de rompimento e sugeriu a seguinte relação linear: s = c + σ ....Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder Figura 4 .... conduziu experiências para determinar a tensão de cisalhamento máxima que potênciaia ser aplicada em um plano...... Além disso. dentro de uma amostra de solo.. a tensão de cisalhamento (s) ao longo de qualquer plano está uma função da tensão normal (σ) no plano. 14 ..

As amostras são tracionadas em uma taxa lenta para permitir mudanças de volume ao longo do tempo. Uma tensão normal é aplicada por um conjunto de pesos e a tensão de cisalhamento é aumentada até a ruptura ocorrer. O teste de cisalhamento direto usa um aparato como ilustrado na Figura 6. Se a força de cisalhamento é plotada contra a tensão normal. necessários na equação 9 para definir o modo de rompimento do solo.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Figura 5 . nós obtemos a linha sólida na Figura 7. A caixa consiste em duas partes iguais onde se introduz a amostra de solo a ser testada. Uma curva de tensão-deformação é obtida através de plotagem da tensão de cisalhamento contra o deslocamento de cisalhamento. Testes de cisalhamento direto e o teste triaxial são os dois métodos usados para determinar a resistência ao cisalhamento. O teste de cisalhamento direto. 15 .Modelo de rompimento do solo Determinação da Resistência ao Cisalhamento. O propósito destes testes é determinar o valor de c e φ.

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Figura 6 – Teste de cisalhamento direto

Figura 7 – Resultado típico de um teste de cisalhamento direto

FRICÇÃO.
Há três tipos de parâmetros em problemas que envolvem dinâmica de solo.
Estes são fricção metal-solo (µ'), fricção solo-solo (µ) e fricção interna do solo (tg φ).
Fricção interna do solo foi discutida acima em referência a resistência de cisalhamento.
Para determinar fricção solo-solo e fricção de solo-metal, nós fazemos uso do conceito
de coeficiente de fricção de Coulomb.
µ ou µ’ = F / N = tg ψ
onde:
F = força de fricção tangente à superfície de contato
N = força normal para a superfície de contato
ψ = ângulo de fricção
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Um aparato para medir fricção solo-metal é mostrado na Figura 8. Deve ser

mostrado que há uma diferença entre a fricção solo-solo e o ângulo de fricção interno.
Em fenômeno de fricção de solo-solo, a solo move-se como um corpo rígido contra
outra superfície de solo. Por outro lado, a fricção interna de solo entra em jogo quando
solo rompe sob cisalhamento. Então, se nós continuamos aplicando uma carga de
cisalhamento em um teste de cisalhamento depois do rompimento que nós medimos,
comportamento seguinte será de fricção solo-solo.

Figura 8 – Medição da fricção solo-metal.

ADESÃO.
Adesão é definida como a força de atração entre dois corpos distintos. No caso
de solos, adesão está devido ao filme de umidade entre as partículas de solo e a
superfície de contato no solo. A força de adesão é devida à tensão de superfície da água
e por conseguinte depende do valor de tensão de superfície e conteúdo de umidade no
solo. Em aplicações de mecânica é virtualmente impossível diferenciar entre fricção e
adesão. Um coeficiente aparente de fricção freqüentemente é usado para usar tanto
fricção e adesão. A Figura 9 mostra o efeito do conteúdo de umidade no coeficiente
aparente de fricção. Pode ser visto que inicialmente em baixo conteúdo de umidade, a
fricção é devido a pura ação de deslizamento. Com aumentos no conteúdo de umidade,
aumentam os valores de fricção devido a adesão. Quando o conteúdo de umidade é
aumentado até mesmo mais adiante, a fricção reduz devido ao efeito lubrificante criado
pelo filme de umidade. O modelo seguinte foi proposto para incluir adesão:

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F = a . C + N . tg ψ

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Onde:
C = adesão
a = área da superfície

Figura 9 - Efeito do conteúdo de umidade do solo no coeficiente aparente de fricção

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A compactação é causada em grande parte pelo tráfego da maquinaria agrícola. O solo é um material poroso Um determinado volume de solo é uma combinação em uma parte sólida: partículas minerais e substâncias orgânicas e um espaço poroso: que pode ser ocupado pela fração líquida: água ou solução da fração gasosa: composta pelo ar do solo. Também altera a capacidade de infiltração da água. oxigênio. e sua distribuição no perfil do solo. que contém principalmente nitrogênio. Na atualidade existem alternativas técnicas para prevenir ou reduzir os efeitos da compactação e o impacto que tem sobre a produção. quer dizer. Este fenômeno tem implicância direta no desenvolvimento dos cultivos afetando principalmente o abastecimento de água e nutrientes por parte da planta. (Figuras l e 2) 19 . pelo pisoteio animal e pelas operações de preparo do solo. vapor de água e pequenas quantidades de outros gases. A redução da taxa de infiltração de água aumenta as perdas por deslizamento e erosão. ou através da resistência do solo.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas 3. dióxido de carbono. a habilidade que apresenta para resistir a penetração ou deslocamento de um corpo. Sua magnitude geralmente é expressada como um incremento da densidade aparente que é a relação existente entre a massa de solo e o volume que ocupa esta massa. na aeração e na. COMPACTAÇÃO DO SOLO A compactação é o aumento da densidade como resultado de cargas ou pressões aplicadas ao solo. transferência de calor e movimento de nutrientes.

Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Figura 1: Composição ideal de um solo Figura 2: Ilustração esquemática das fases sólida. 20 . líquida e gasosa. presentes na estrutura de um solo não compactado. Um equilíbrio ideal entre as três fases é fundamental para o crescimento dos cultivos.

e transferência de calor no solo. quer sejam genéticas (naturais) ou induzidas. sem impedimentos para a exploração do maior volume possível de solo. 21 . para uma entrada correta e circulação de água e ar. é denominado estrutura. Um solo possui uma estrutura estável quando pode conservar ordenamento de sólidos e o espaço poroso ante a incidência de agentes externos: ação da água ou perturbações mecânicas como forças impostas por implementos. principalmente do sistema de raízes. A forma como essas partículas se agrupam ou se juntam formando um agregado. mas sim pode modificar parcial ou totalmente a estrutura. Em função do manejo que se adote. que determinam a textura do solo.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas A proporção das três frações minerares do solo são: areia. Isto implica: a) condições de superfície com boa estabilidade de agregados. Um solo em boas condições de funcionamento para o desenvolvimento de plantas deveria apresentar uma estrutura estável capaz de permitir ao vegetal a expressão de seu potencial de crescimento. limo (silte) e argila. dificilmente será capaz de produzir mudanças importantes na textura do solo. rodados das máquinas agrícolas ou pisoteio de animais. incidindo sobre o desenvolvimento das plantas de forma positiva ou negativa. c) ausência de limitações para o desenvolvimento de raízes na profundidade do solo. b) boa capacidade de armazenamento de água e livre movimento da solução (água + nutrientes) desde o solo até a raiz. Quer dizer aquele a forma estrutural descreve o ordenamento heterogêneo da parte sólida e do espaço poroso de um solo.

Induzida c) Pisoteio de animais. b) Contração natural no processo de umedecimento – secagem do solo.Natural a) Compressão natural das partículas minerais durante os processos de formação dos solos. enquanto que naqueles com conteúdos menores de umidade o processo é denominado compactação. d) Pressões geradas pela passagem dos rodados de máquinas e de implementos agrícolas. 22 . a água é expelida entre as partículas e se produz uma mudança na posição delas por rolamento ou deslocamento. 2 . e) Ação da água em plantios irrigados por aspersão ou inundação. e então os efeitos dependerão da tomada de decisão quanto ao uso da terra e das técnicas de manejo adotadas. d e e. recuperar a estrutura de sua forma por processos naturais. Compressão e compactação Se entende por compressão a redução de volume do solo (densidade maior). Em solos saturados de água. a compressão é conhecida como consolidação. O homem pode agir sobre os fatores c. Em um processo de compactação se expulsa o ar do espaço poroso. Causas principais da compactação do solo 1 . com a matriz do solo (elasticidade. O grau de deformação está principalmente relacionado com a magnitude da força de compressão aplicada. resistência) e com o conteúdo de água que está presente. A restauração natural é possível no momento que diminuem ou eliminem as perturbações externas.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas De acordo com as características intrínsecas. É gerado assim um aumento de contato na superfície entre partículas e uma redução de volume original (a densidade aumenta). os solos podem em maior ou menor percentagem.

52 g/cm3 (Rusell. (Figura 3) Figura 3: Efeitos da compactação sobre a porosidade. para duas densidades aparentes: 1.compactado. A . Como forças de compressão aumentam. Em outras palavras.Engº Carlos Emilio Soder Efeitos da compactação sobre as propriedades do solo Máquinas Agrícolas O impacto principal das forças de compressão sobre o solo. 1977) 23 .24 e 1. Distribuição de tamanho de poros em um solo franco arenoso. como pode ser visto no exemplo do Quadro 1. especialmente os poros de grande tamanho. B . um incremento na densidade do solo implica numa redução do espaço poroso. De mesma importância são as variações que se produzem na distribuição do tamanho de poros. é a mudança que acontece na sua porosidade e que se entende como uma relação existente entre o volume de poros e o volume de solo total.não compactado. os poros maiores se colapsam. Quadro 1.

O tamanho de poros também afeta a capacidade de armazenamento e o movimento de água no solo. Hipoteticamente.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Dada a relação direta que tem com crescimento de raízes. é importante considerar o volume total ocupado por poros que superam esses 0.2 e 30 mícrons (poros capilares). Em condição geral pode se dizer que a máxima quantidade de água que pode reter um solo diminui com o aumento de sua compactação.1 mm de diâmetro. desde que na maioria dos cultivos excedem a 0. (Figura 4) 24 .06 mm de diâmetro. embora dependa da textura do solo e do incremento de sua densidade. disponível para o uso do cultivo está compreendida em um volume de poros de diâmetros entre 0. pode ser considerado que a capacidade de armazenamento de água do solo.

Pode assumir-se uns 10% como valor crítico de capacidade de aeração (ou porosidade de ar) abaixo da qual a troca gasosa com a atmosfera pode limitar as atividades biológicas. A compactação do solo.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Como o volume de água que flui por um tubo por unidade de tempo é proporcional a quarta potência de seu raio (Princípio de Pouseville). o volume do fluxo diminui 16 vezes. Este conceito também explica por que a compactação do solo afeta a velocidade de infiltração e o movimento de água e de nutrientes para as raízes das plantas. Outro aspecto diretamente relacionado com a porosidade e distribuição do tamanho de poros justamente é a capacidade de aeração do solo. 25 . causas uma redução no tamanho dos poros e causa uma grande diminuição do volume de água que os atravessa. quando a seção do tubo diminui pela metade.

Em um ensaio levado a cabo na Universidade de Iowa o milho semeado sobre as rodas de um trator teve 10% menos de emergência e uma redução de 11% no rendimento. Em cultivos já emergidos podem existir problemas de pobre reabastecimento de água ou troca gasosa.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas EFEITOS DA COMPACTAÇÃO SOBRE OS VEGETAIS Sobre a emergência de plântulas A emergência é afetada pelo grau de compactação ou resistência do solo que está sobre a semente. É assumido que uma resistência de 20 kg/cm2 é crítica para o crescimento de raízes dos cultivos principais. 26 . quanto a capacidade para cruzar uma capa endurecida. redução dos rendimentos pelas reduções de stand de plantas. Porém do ponto de vista da extensão radical e o rendimento dos cultivos. deveria ser dada atenção as mínimas resistências exercidas pelo solo que podem alterar o desenvolvimento radical e com isto a provisão de água e nutrientes. por uma maior resistência do mesmo à penetração. em plântulas de cevada. muitas vezes. A Figura 5 mostra como. comparado com o semeado em áreas não compactadas. com relativamente baixas pressões. Diferenças existem entre espécies vegetais: monocotiledoneas e dicotiledoneas. o crescimento de raízes é seriamente afetado. ou pelo contrário um excesso de umidade na superfície por períodos prolongados podem causar o desenvolvimento de doenças Sobre o desenvolvimento de raízes A velocidade de crescimento das raízes está limitada com o aumento da densidade do solo. causando. mais que a medida da máxima pressão que podem exercer as raízes .

27 . mas também por sua uniformidade de desenvolvimento e pela sensibilidade para eventuais ataques de patógenos. B = raízes mal formadas. Figura 6: As condições em que se encontra o sistema radical das espécies cultivadas é influenciada fortemente através da compactação.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas A compactação do solo além de limitar o desenvolvimento e crescimento de raízes faz com que aquelas que penetraram sofram deformações e estrangulamentos. A = raiz saudável. curvamentos ou outras anomalias morfológicas que alteram o sistema de condução das mesmas desde a parte aérea (Figura 6). não apenas pela quantidade de raízes.

Isto também aconteceu com as colhedoras e em geral com todos os implementos. como o tipo de solo.5 kg/cm2) sobre um solo de textura e estrutura mediana. água. Um pneu convencional com moderada pressão de ter inflado (1 – 1. Em geral é considerado que as perdas de rendimento causadas por compactação do solo podem superar 10-20%. Estudos realizados em milho na Universidade de Purdue demonstraram que sobre um rendimento médio de 5. o tacos podem causar pontos de pressão específica 2 a 5 vezes superiores a esta pressão média.5%) devido a compactação. exerce uma pressão média semelhante a pressão de inflado. demonstrou que havia uma redução de 26% no rendimento do cultivo de feijão. A agricultura moderna dirigiu para o emprego de tratores de maior peso e tamanho. Porém a relação entre a compactação do solo e os rendimentos não é sempre direta. devido a compactação causada pelo rodado do trator. Por isso é fundamental a correta distribuição de peso sobre o solo. nutrientes e oxigênio. Também. qualquer seja sua função. Mas na maioria dos casos o fenômeno de compactação atenta direta ou indiretamente contra as exigências mencionadas. A causa principal de compactação é a pressão exercida ao solo pelos pneus do trator e pontos de apoio dos implementos agrícolas. Em outro ensaio o rendimento de milho diminuiu 875 kg/ha depois de 4 anos de compactação. Independente do nível de compactação a planta pode responder satisfatoriamente cobrindo suas necessidades de água. Outro ensaio realizado durante três anos na Universidade do Colorado. O tráfego de maquinaria agrícola constitui a causa principal de compactação dos solos. porque interagem uma série de fatores. 28 .250 kg/ha havia uma diminuição de 760 kg/ha (14. ar e nutrientes em forma combinada nos diferentes estádios de crescimentos de plantas.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas RELAÇÃO DA COMPACTAÇÃO DO SOLO COM OS RENDIMENTOS Baseado nos conceitos enunciados é deduzido que solo compactado é menos produtivo.

Com respeito ao número de passadas. A área de contato depende do diâmetro e da seção do pneu . Pelo contrário. a segunda e as passagens sucessivas de uma roda sobre uma mesma área produzem uma compactação inferior àquela causada pela primeira. e para mesmo tamanho de pneu. mais eles se comportarão como uma roda rígida que se funde no solo até criar uma superfície de contato ampla e suficientemente larga para sustentar a carga. a velocidade de avanço e o número de impactos no transcurso incidem diretamente no nível de compactação.) . a deformação se concentra sobre a carcaça do pneu. solo e pneu são mutuamente deformados para dar lugar a superfície de contato sobre a qual é distribuída a carga. da flexibilidade da carcaça e da pressão de inflado. Diminuindo a pressão. têm uma importância enorme sobre a compactação. Então. como as suas dimensões. os parâmetros construtivos dos pneus. A patinagem. A velocidade de avanço influe sobre o contato das rodas que podem ser até uns 20% superior em baixas velocidades. Embora algumas vezes seja imperceptível. Ensaios levados a cabo com velocidades de l para 12 km/h mostram cerca de 50% a mais de compactação para as baixas velocidades. É caso de solos muito soltos ou com umidade alta e falta de aderência no período da colheita (lavouras de arroz. A patinagem aumenta a compactação devido ao esforço de corte adicional próximo da superfície. em um solo duro. por ex. O aumento de densidade aparente acontece com patinagem entre 10 e 30% e diminui com valores maiores que 30%.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Quanto mais rígida é a carcaça. 29 . tipo de carcaça (comum ou radial) e a flexibilidade. Porém. além da pressão de inflado. maior será o aumento da área de contato e menor a pressão média exercida sobre o solo. também na área de contato entre a lagarta e o solo existe uma distribuição desuniforme de pressão que se concentra principalmente sobre as rodinhas da lagarta. ou a pressão de inflado de um pneu ou quanto mais suave é o solo. As lagarta são muito úteis para distribuir a carga em uma superfície ampla. quanto maior a flexibilidade da carcaça. quando a capacidade do solo é baixa.

A pressão de contato no solo incide na compactação superficial. A combinação destas causas. Influem sobre a compactação do subsolo o peso total dos equipamentos. etc. o arado de disco. (Ver Figura 7) Figura 7: Piso de arado que impede a drenagem normal da água e o desenvolvimento de raízes dos cultivos 30 . Todas as causas analisadas até agora se referem principalmente a compactação da camada cultivável. enquanto a carga total afeta a compactação subsuperficial. o corte horizontal de alguns implementos.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas A pressão de contato do solo e a carga total são os dois principais fatores para considerar a capacidade potencial de compactação de uma certa maquinaria. O subsolo geralmente é menos suscetível a compactação. juntamente com uma taxa alta de umidade e um baixo teor de matéria orgânica favorece a formação de uma camada compactada denominada piso de arado que impede a drenagem normal da água e o desenvolvimento de raízes dos cultivos.

A forma direta de eliminar capas compactadas com uma mínima alteração de superfície é através do emprego de preparos verticais profundos. do custo de produção. a única solução é reduzir o peso das máquinas ou a distribuição. Estas podem ser de tipo direto: tendem a restabelecer as condições ótimas. paraplow ou paratill. Numerosos estudos demonstram que diminui a compactação em profundidade. por consequência. O pneumático duplo permite reduzir a pressão de inflado para um mesmo peso. A energia necessária para deformar o solo deve agregarse a energia necessária para vencer a maior resistência ao avanço. Quando não é possível reduzir o número de passadas. A distribuição de peso do trator sobre áreas de contato maiores é levada a cabo com uso de pneus duplos. em profundidade e em intensidade. (Figura 8) 31 . com aumento da energia usada e.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Outras conseqüências são de natureza energética. maiores serão os trabalhos de descompactação necessários. Como técnicas de prevenção estão os sistemas de transferência de baixa pressão específica ao solo. mas aumenta em largura resultando em uma superfície compactada maior. SOLUÇÕES DIRETAS E INDIRETAS O conhecimento das causas e dos efeitos do fenômeno da compactação do solo é a base para decidir sobre soluções para adotar. ou de tipo preventivo: com o propósito de evitar a compactação. ou de maior diâmetro e largura. de forma que isto permite diminuir a pressão específica no solo. radial. limitar seus efeitos ou confiná-la a uma área prefixada. com o uso de subsoladores. Tudo isso causa um aumento do consumo de combustível e quanto maior é a compactação.

permitem pressões de inflado muito baixas. é a redução do tráfego de veículos e uma distribuição correta e uniforme dos resíduos de colheita. é somente devida pela acumulação da carga total. Isto especialmente reduz a compactação das capas superficiais e profundidade das propagações em solos muito macios como aqueles bem preparados para o plantio.8 kg/cm2 para evitar a compactação elevada dos estratos superficiais dos solos trabalhados. Relativo a pressão de inflado. enquanto que a compactação dos estratos mais fundos (mais que 30-50 cm). além de aumentar a área de contato. Com respeito ao peso por eixo. aumentando a superfície de contato em 15-20%. Os pneus de grande diâmetro permitem aumentar a largura da área de contato. ou o efeito negativo dela. No primeiro caso é necessário ter implementos combinados que permitem levar a cabo um número maior de trabalhos em um único transcurso e organizar atividades de forma que tanto quanto possíveis. A compactação dos estratos superficiais é causada pela pressão específica (correlacionada com a pressão de inflado). Os radiais se deformam. até mesmo inferiores a 0. Os pneus largos. .4 kg/cm2. certas operações você realize fora da 32 . Outros métodos preventivos para limitar a compactação. enquanto que nos primeiros centímetros de solo compacta o dobro da área. independentemente da extensão da superfície em que ela se distribuí. o limite de máximo para não causar problemas de compactação severa em solos secos está em 5 toneladas/eixo. numerosos estudos coincidem estabelecendo o limite de máximo de 0. Claro que é impossível dar a estes valores uma validez geral para todos os tipos e condições de solo.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Figura 8: Os pneus duplos só diminuem a compactação em profundidade.

para começar a trabalhar o solo mais cedo. Mas trabalhar nestas condições pode fazer com que o solo fique duro como asfalto. Muitos fazendeiros compram agora tratores de l50 CV para trabalhar a mesma superfície em que tratores de l00 CV eram empregados 10 anos atrás. A tração extra destes tratores lhes oferece possibilidade de se deslocarem em lavouras com excesso e umidade. Claro que se você realiza algumas operações (colheita) com terra úmida. A COMPACTAÇÃO ESTÁ RELACIONADA COM O AUMENTO DO TAMANHO E PESO DOS TRATORES Os problemas de compactação foram crescendo nos últimos anos. A espera pelo momento oportuno para o preparo reduz a patinagem das rodas. o tempo perdido por bloqueios de lama e a compactação do solo. Anos atrás a compactação existia nos níveis superficiais do solo e podia ser resolvida com uma aração. evitando o tráfego de tratores e graneleiros dentro do campo. Nestes casos é necessário adiar o preparo um par de dias para deixar aquele solo seco bastante. Em muitos casos está abaixo da profundidade do arado.Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder lavoura (por exemplo: a descarga de uma colhedora deveria ser feita nas cabeceiras). É um círculo maligno no qual são usados tratores maiores para quebrar a compactação gerada por uso de tratores grandes no passado. 9) 33 . Nas lavouras onde é feito semeadura direta. provavelmente se apresente durante os primeiros anos um estrato de precompactação que permite o tráfego de máquinas e implementos sem maiores danos. Outros usam tratores com tração dianteira assistida ou com tração nas quatro rodas. será formada uma capa endurecida que é muito prejudicial para a semeadura direta. (Fig. Com o uso de grandes equipamentos foi alcançando níveis cada vez mais profundos.

mas duplicando a área de solo compactado. o nível de compactação pode ser o mesmo com 4 e com 2 lonas (comparados 34 .Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Figura 9: Efeito do peso e da umidade do solo sobre a compactação Os pneus duplos não reduzem a compactação. Inclusive. só permitem distribuir o peso em uma área maior que melhora sua flutuação.

são sintomas de compactação superficial. sendo bastante difundidas as medições de densidade aparente e sistemas mecânicos (penetrômetros). Se é absolutamente imprescindível entrar na lavoura. Verificação da PRESENÇA de CAMADAS compactadas O melhor indicativo para descobrir a presença de camadas compactadas que limitam o desenvolvimento da cultura é a própria cultura. Em plantas recém emergidas a estrangulação e danos nos tecidos do colo. Porém. onde a pessoa pode observar o crescimento de raízes em detalhes. A presença de engrosamento. Então. Planejar as descargas e localizar os caminhões nas estradas para evitar o tráfego pesado dentro da lavoura. Para isto se aconselha levar a cabo uma quantidade de amostras a uma profundidade de até 50 cm. Figura 10: Os penetrômetros são usados para determinar compactação através da dureza do solo e da resistência para penetração. especialmente se a pessoa trabalha em solo úmido ou sempre na mesma profundidade. é preferível colocar pneus de alta flutuação. não é aconselhável usar os pneus duplos para começar a trabalhar antes em solos úmidos. estrangulação e a tendência de crescimento horizontal de raízes são bons indicadores da presença de capas endurecidas. O implemento de discos é um exemplo.Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder em peso). para diagnosticar limitações com antecedência ao cultivo. O manejo dos equipamentos de preparo também tem influências no nível de compactação. O canto dos discos exerce uma pressão enorme e podem causar uma compactação funda e podem formar um piso de arado debaixo da profundidade de trabalho. 35 . é necessário o uso de outros métodos. Quando você realiza a colheita com solo úmido é recomendado carregar o graneleiro das colhedoras de grãos até a metade para evitar compactação. Observe que aquela parte que está atrás da extremidade dos fios dos discos está sempre polida.

onde participam diretamente dos trabalhos de preparo de solo. Não se chega numa loja pedindo pneu para o trator X. isto é. mantendo-o no seu interior. ao nos referirmos ao “pneu” estaremos referindo-nos ao pneu propriamente dito. elástica e impermeável ao ar (característica que lhe é conferida pela adição de enxofre). localizada no interior do pneu. para fazer uso correto da pressão de inflação e ter os cuidados necessários na manutenção. São denominados pneus agrícolas aqueles que tem como local de emprego essencialmente o campo. apresentarem grande superfície de contato com o solo e serem mais macios. PNEUS AGRÍCOLAS A última parte de ligação do motor do trator agrícola com o solo é o rodado. cultivo e colheita de produtos agrícolas. Para começar. plantio. tanto em condições estáticas como dinâmicas. que forma o invólucro externo e a câmara de ar. Para atender a essas exigências o pneu tem que apresentar determinadas características de resistência de carcaça. Os pneus montados num trator têm a função de suportar o peso que sobre ele incide. É necessário dar.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas 4. pelo menos. 36 . de aderência ao solo e de autolimpeza. Os pneus são constituídos por duas partes distintas: o pneu propriamente dito. Para o usuário a identificação de um pneu agrícola é importante quando da aquisição de um pneu novo. Uma parte considerável do desempenho do trator depende dele. Neste texto. com sua nomenclatura. O único contato com o exterior é feito por uma válvula que permite a introdução de ar. as medidas de largura do pneu e de diâmetro do aro para que se compre o pneu adequado. É necessário conhecer bem os pneus. Estes pneus distinguem-se dos utilizados nos transportes rodoviários por terem pressões mais baixas. A câmara de ar é um tubo fechado. constituído de borracha muito fina. é preciso familiarizar-se com a linguagem do pneu. porque o trator admite mais de uma medida de pneu. e de garantir a transmissão das forças motrizes ou frenantes do trator ao terreno e vice-versa.

. na banda de rodagem. .20. .X é a marca do fabricante para pneus radiais. 37 . .Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder Querendo ser mais criterioso.230 é o ângulo das garras.32 é o diâmetro do aro em polegadas. Basta dar uma olhada no flanco. é bom acrescentar as demais informações copiadas do pneu antigo. b) MICHELIN 650/75 R 32 X M28 . . Assim como as pessoas possuem RG. . . . .10 PR indica a resistência ou capacidade de carga/lonas (PR é a abreviação da expressão Ply Rating . que as identificam.8-38 R-1 10 PR SAT 230 .38 é o diâmetro do aro em polegadas.Michelin é a marca do fabricante.M28 caracteriza o modelo da banda de rodagem.SAT é a abreviação da expressão Super All Traction (uma designação dada pelo fabricante que caracteriza o modelo da banda de rodagem). e lá está. .R-1 indica ser um pneu de tração regular de uso geral.75 é a relação percentual entre a altura e a largura da secção do pneu. A correta identificação do pneu também é importante para a calibração.650 é a largura do pneu em milímetros. .R é pneu de construção radial.o traço (-) indica ser um pneu de construção diagonal. . A consulta às tabelas de calibração requer o conhecimento das medidas principais associadas à capacidade de lonas e ao peso sobre a roda do trator. os pneus agrícolas têm seus números e letras de identificação. cada uma com seu significado. . ou lateral de um pneu. . CPF. para a seleção da pressão correta. por exemplo: a) FIRESTONE 20.8 é a largura do pneu em polegadas.capacidade de carga).Firestone é a marca do fabricante.R-1 indica ser um pneu de tração regular de uso geral.

Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Fonte: Manual técnico pneus para agricultura . suporta o peso total da máquina e resiste a todas as solicitações a que o pneu é submetido. mostrados no corte de um pneu traseiro. sendo que o desenho da banda de rodagem varia de acordo com o tipo de serviço para o qual foi desenvolvido. • Banda de rodagem É a parte do pneu que entra diretamente em contato com o solo. você poderá conhecer melhor esses pneus. Nos exemplos acima observa-se a utilização de alguns termos referentes às partes constituintes dos pneus. CONSTITUIÇÃO DOS PNEUS AGRÍCOLAS O pneu agrícola é constituído de vários elementos básicos. proporcionar 38 . abaixo.Pirelli. todas são desenvolvidas para resistir ao desgaste. Contudo. É ela que retém o ar sob pressão. que veremos a seguir. Compreendendo a função de cada parte. cujo trabalho é altamente especializado. • Carcaça ou corpo de lonas É formada por lonas emborrachadas constituídas de cordonéis resistentes que estão dispostos de talão a talão.

resistência. impedindo-o de ter movimentos independentes. tração e resistência ao desgaste e cortes. • Flanco É a porção do pneu entre os ombros e os talões. É na banda de rodagem que se encontram as garras dos pneus de tração. Seu composto de borracha é particularmente resistente ao desgaste e a cortes. Contém as principais propriedades exigidas do pneu: estabilidade direcional. Normalmente são utilizados os seguintes códigos: 39 . São constituídos internamente de frisos (fios de aço de grande resistência. O composto especial de borracha dos flancos proporciona alto grau de flexibilidade e funciona como uma capa de proteção que resiste às condições climáticas. Ela também protege a carcaça contra roçamentos e cortes. Nos flancos são encontradas as inscrições que identificam os pneus. fabricante. causadoras de rachaduras ou quebras. etc. finalidade de uso. para aumentar a vida do pneu no campo.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas tração e proteger a carcaça do pneu contra avarias. Têm por finalidade manter o pneu acoplado ao aro. cobertos com cobre e isolados com borracha e tecido). • Ombros São os limites da banda de rodagem • Talões Os talões seguram os pneus na roda. Inscrições codificadas nos flancos As inscrições encontradas nos flancos identificam os pneus nas suas medidas. onde as lonas são ancoradas.

Surgiu assim a nova largura nominal.4 polegadas. foram introduzidos aros mais largos que proporcionaram ao pneu uma maior largura de secção. Com o passar do tempo.implemento tração d) medidas 18.industrial tipo Lug c) Implementos agrícolas I1 . Nos novos projetos utiliza-se apenas a marcação simples.Engº Carlos Emilio Soder a) Pneus dianteiros de tratores F1 . que no exemplo citado é de 18. sendo que neste caso o pneu apresentava uma largura nominal da secção de apenas 15 polegadas.4/15) para facilitar a identificação da medida do pneu. e esta foi acrescentada na frente da medida antiga do pneu. porque era montado na época em aros muito estreitos.rodagem normal R2 . Manteve-se.cana e arroz R3 .4/15-34 18. Isto possibilita que os pneus agrícolas fiquem sujeitos a operações e manutenções inadequadas. 40 .Utility Button tread I3 .diâmetro do aro No passado as medidas de pneus agrícolas de tração eram compostas por apenas dois conjuntos de números como por exemplo 15-34.múltiplas barras Máquinas Agrícolas b) Pneus traseiros de tratores (de tração) R1 . o que causa gastos desnecessários para o proprietário.corresponde a largura da seção do pneu no aro recomendado 15 . MANUTENÇÃO Operando em velocidades baixas e relativamente sobre superfícies fofas. a dupla marcação (18.implementos agrícolas I2 . entretanto.uma barra F2 . porém.largura da seção montado em um aro mais estreito 34 .duas ou três barras F3 .industrial e areia R4 .4 . muitos dos pneus agrícolas permanecem em serviço mais tempo do que os pneus de caminhão ou de passeio.

precisam ser montados adequadamente e. A pressão adequada é o fator mais importante para o melhor desempenho dos pneus para trator e implementos agrícolas. Os manuais dos fabricantes orientam quanto a estes fatores. Pneus sob diferentes taxas de inflação Fonte: Manual para pneus agrícolas .Firestone 41 . o operador pode ter dentre as muitas vantagens. antes de tudo. Veja o que acontece aos pneus em diferentes níveis de inflação nas figuras abaixo. Pneus.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Usando razoável cuidado e seguindo regras simples de manutenção. a longa vida útil para a qual todos os pneus são feitos. inflados à pressão correta.

Isto impede o flexionamento e a conformação da banda de rodagem às irregularidades do terrenos. determinando perda de velocidade. cujo valor ideal em porcentagem depende do tipo de terreno onde o trator desenvolve seu trabalho. ocorre quando o deslizamento dos pneus traseiros se situa entre os seguintes valores: 42 .Engº Carlos Emilio Soder Excesso de pressão Máquinas Agrícolas O excesso de pressão tem a capacidade de endurecer o pneu. Por outro lado. quando passar sobre um objeto ponteagudo. a lastração excessiva aumenta a compactação do solo e a resistência ao rolamento. Quando a pressão de ar é excessiva pode ocorrer o estouro do pneu quando. ou como se diz tecnicamente lastrando-as. Os pneus com lastração insuficiente patinam facilmente. incrementando-se o peso sobre as rodas motrizes. resultando em estouro. Baixa pressão A pressão insatisfatória causa aumento de flexão do pneu e tensão em algumas de suas partes. A força é suficiente para quebrar os cordonéis esticados. Os cordonéis da carcaça podem ser comprimidos contra o aro ou esticados além de sua resistência. que a máxima eficiência de tração é obtida quando ocorre um determinado deslizamento dos pneus no solo. por exemplo. desgaste rápido da banda de rodagem e consumo excessivo de combustível. entra em contato com uma pedra. do que por qualquer outro motivo. causando derrapagens e o rápido desgaste. PATINAGEM E LASTRAÇÃO A eficiência de tração do trator pode ser aumentada. o máximo aproveitamento da força disponível nas rodas de tração em função do tipo de solo. sem superar os limites máximos de carga e pressão especificados para cada pneu. A maioria dos pneus são retirados de serviço prematuramente. Com o rompimento interno dos cordonéis a câmara de ar fica danificada. criando maiores solicitações tanto nos pneus como nos componentes mecânicos do trator. Pesquisas realizadas demonstraram. mais por falta de pressão. entretanto. Assim. nos tratores 4 x 2.

arenosos ou lamacentos Marcas no solo pouco definidas indicam deslizamento excessivo. conforme as figuras abaixo.5 a 7% para superfícies asfaltadas ou de concreto Máquinas Agrícolas .Engº Carlos Emilio Soder .7 a 12% para terrenos duro .13 a 18% para terrenos soltos. indicam deslizamento muito reduzido. Deve-se aumentar a lastração.Pirelli. Marcas no solo claramente definidas.10 a 15% para terrenos firmes porém macios . Fonte: Manual técnico pneus para agricultura . A lastração e o deslizamento estarão corretos quando no centro houverem sinais de deslizamentos e as marcas nas bordas externas estiverem bem definidas. 43 . Neste caso deve-se diminuir a lastração.

iniciar as operações com o trator tracionando o implemento.0 . sobre o terreno a ser trabalhado. . Exemplo: . e .5 .10.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas A medição do deslizamento pode ser feita de forma prática no campo. fazer uma marca no terreno. b) lastração metálica (contrapesos) 44 . utilizando-se o trator sem e com implementos. fazer um traço radial no flanco de um dos pneus traseiros.5 .Número de voltas do pneu na condição normal de trabalho (com implemento) . ¼. d) com o implemento abaixado ou engatado e não no trecho anterior.11.Número de voltas do pneu sem o implemento . após completadas dez voltas do pneu.baixo custo.Percentual de deslizamento = 1.1. O enchimento dos pneus das rodas motrizes com água apresenta as seguintes vantagens: . b) com o implemento levantado ou desengatado colocar o trator em movimento. para definir o percentual de deslizamento. c) quando o traço de giz tocar o solo na perpendicular. fazer outra marca no terreno.possibilidade de graduar à vontade a lastração.Diferença de voltas . f) multiplicar a diferença encontrada por 100 e dividir por 10. da seguinte forma: a) com um giz.5 x 100 / 10 = 15% A lastração ou lastreamento pode ser efetuada através dos seguintes métodos: a) lastração com água A maneira mais simples de aumentar o peso das rodas de tração é através de introdução de água dentro dos pneus. e) estimar a última volta em forma de fração (1/4. Contar o número de voltas do pneu na distância entre as suas marcas feitas no terreno. etc) e subtrair do número de voltas dadas anteriormente. Da mesma forma.rápida e fácil realização.

.Desaparafusar a parte móvel da válvula deixando sair a água. é recomendável colocar lastros metálicos na parte frontal do trator.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Algumas fábricas de tratores fornecem lastros metálicos.Desaparafusar a parte móvel da válvula. fazendo-a girar até a válvula atingir a posição vertical mais baixa. o enchimento corresponderá a aproximadamente 75%. Enchimento com água Para realizar a lastração com água.Destacar.Levantar a roda do veículo. de modo que a válvula regule a quantidade de água introduzida). mover o pneu até outra posição. a lastração aumenta inutilmente o consumo de combustível e o desgaste do trator.Parafusar novamente a parte móvel sobre o corpo da válvula e efetuar o enchimento com ar. tanto a água como os lastros metálicos. Esvaziamento da água Para o esvaziamento. portanto. Por outro lado. é desaconselhável a colocação de pesos sobre a plataforma traseira do trator. de temos em tempos. Eles devem ser empregados somente em trabalhos pesados e retirados quando o trator é utilizado em trabalhos normais. por causar sobrecarga nos semi-eixos e rolamentos. (Nesse ponto. 45 . Quando a dianteira do trator se torna muito leve em serviço e sujeita a oscilações. . facilmente aplicáveis sobre as rodas. até atingir a pressão recomendada. Durante os trabalhos leves.Levantar a roda do veículo. girá-la até que a válvula tenha alcançado a posição vertical mais elevada. . retirar a água e os lastros metálicos quando o trator não estiver em trabalho agrícola. . . Recomenda-se.Suspender o enchimento quando a água começar a sair pela válvula. raramente são retirados do pneu. Na prática.Introduzir água no pneu com um tubo de borracha aplicado sobre o corpo da válvula. . Para diminuir este valor. o tubo da válvula para permitir que o ar contido no pneu saia livremente. devemos proceder da seguinte maneira: . deve-se: .

Aumento de tração – a maior superfície de contato com o solo aumenta a tração. .Remover a armação interna da parte móvel.Encher o pneu com ar na pressão recomendada. menor desgaste da banda de rodagem. deixando sair a água residual. . compensa por: . . 46 . que é recomendável principalmente para trabalhos a serem desenvolvidos em terrenos arenosos e inconsistentes. após parafusar a parte móvel no corpo da válvula. Fonte: Manual técnico pneus para agricultura . No início fica mais caro mas. A utilização de rodas duplas nos tratores agrícolas proporcionam maior tração. um rodar mais confortável e economia de combustível.Retirar o tubinho de borracha e parafusar a parte móvel completa. segundo os fabricantes.Pirelli.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas . para determinados tipos de trabalhos podem ser equipados com rodagem dupla. encher o pneu de ar. RODAS DUPLAS Os tratores modernos de elevada potência. em seguida.Aplicar um tubinho de borracha de comprimento conveniente (pescador) no suporte da parte móvel introduzindo-o na câmara de ar e.

Rodas duplas proporcionam melhor rodar. . 47 . é necessário efetuar limpezas periódicas. mas reduzem-na ao mínimo. A lastração com água. durante os trabalhos e manobras do trator.Compactação do solo – com o peso do trator distribuído pelo dobro da área. Rodas duplas não eliminam a derrapagem. deve ser feita somente nos pneus internos. para que eventuais pedras não provoquem avarias nos flancos. barato e seguro. mas reduz o desgaste da banda de rodagem. Maior tração e menor derrapagem fazem com que o operador rode mais rápido com menor resistência. mas rodas duplas reduzem a vibração e o resultado pode ser a redução dos custos com manutenção. pois criam baixo centro de gravidade.Combustível – ainda com referência a testes feitos por fabricantes. Não é apenas o tempo que as rodas duplas reduzem. a compactação do solo é idealmente reduzida em 50%. Atenção !!! Quando da utilização de rodagem dupla. Os valores de carga e pressões para uso em rodas duplas são diferentes daqueles apresentados para montagem simples .Desgaste da rodagem – redução da derrrapagem não só reduz o tempo de preparo da terra. . retirando o material que fica retido e acumulado entre os pneus. reduzem o tempo de trabalho. para evitar esforços excessivos nas pontas de eixos. . . o consumo de combustível foi reduzido a 25%. elas proporcionam maior estabilidade.Eficiência de operação – um ponto liga ao outro: baixo índice de derrapagem. durante o trabalho.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas . . Talvez não haja muita preocupação com o conforto do operador (o que constitui-se em um erro).Segurança – se um pneu for avariado no campo. baixa resistência ao rodar. quando necessária. o conjunto de rodas duplas será suficiente para proporcionar um deslocamento até a área onde o serviço é rápido. marcha rápida.

Se os pneus operam em superfícies duras. a pressão deve ser aumentada até o máximo permissível. este deve ser coberto. além do trator. A pressão de inflação reduzida menos 10 libras da recomendada.. pois estes geram ozônio. RECOMENDAÇÕES GERAIS . embora possa ocorrer algum desgaste na parte central das barras. lastros metálicos e de água. para que os pneus não suportem todo o peso. etc. qualquer dispositivo de transferência de carga. implementos. Os tratores devem ser movimentados ocasionalmente.Engº Carlos Emilio Soder ESTOCAGEM DE PNEUS MONTADOS Máquinas Agrícolas Os pneus não devem ser estocados montados. devem ser observadas as orientações seguintes: . . pois seu diâmetro externo e largura de secção foram calculados para oferecer o desempenho ideal em serviço. somente as barras entram em contato com o solo.Cuidados especiais devem ser tomados para que os pneus não fiquem em contato com água. Se for absolutamente necessário operar pneus agrícolas em solos duros por períodos prolongados.Os pneus deve ser montados somente em aros de largura admitida. 48 .A capacidade do pneu deve ser compatível com o peso que lhe será imposto. . Também deve ser evitada a luz do sol. deve-se erguê-lo. como também aumentar a pressão dos pneus à máxima recomendada. nem fiquem perto de motores elétricos.Em geral deve-se sempre empregar no trator pneus de medida igual a de equipamento original. Deve ser considerado como peso. quando isto se fizer necessário. Todavia. .Quando o veículo ficar parado muito tempo. A pressão de inflação deve ser ajustada à recomendada após o transporte ou após o período de estocagem. danificando a borracha rapidamente. Se não for possível suspender o veículo. para evitar que apenas uma seção do pneu permaneça sob deflexão. e isto aumenta a torção e o atrito. .Os pneus agrícolas são desenhados para serem usados em terrenos macios que se amoldam a toda superfície da banda de rodagem e não apenas sobre as barras. óleo ou graxa. O veículo deve ser totalmente coberto e os pneus protegidos por um impermeável opaco. Isto reduzirá as torções e o desgaste lateral das barras.

Ano 4.Após o uso do trator na pulverização de produtos químicos.As restevas das culturas. .Pneus não devem ficar estacionados sobre óleo ou graxa. 78) 49 . . I. podem rasgar ou danificar a carcaça. . BIBLIOGRAFIA CORRÊA.Quando for trabalhar em terrenos com grande quantidade de pedras ou tocos. sem manter espaço devido.Freadas bruscas ou girar sobre uma roda traseira causa rápido desgaste nas barras.implementos laminados montados ou juntos ao trator. Revista UnespRural. recomenda-se usar pneus com maior capacidade de lonas.Saídas rápidas do trator podem desgastar a borracha das barras desnecessariamente.No trabalho do campo. F. 1980. (Série Didáctica – Ciências Aplicadas. os pneus devem ser lavados. . Portugal. . pois estes entumecem e desagregam a borracha.Impactos podem causar a quebra de cordonéis. .Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas . nº 18. desigualando-as. M. . as saídas lentas e graduais diminuem o custo dos pneus e economizam combustível.Lâminas afiadas . p. Manual para pneus agrícolas.A montagem de pneus em aros muito estreitos ou largos ocasionará um apoio imperfeito dos talões reduzindo a vida útil do pneu e prejudicando o bom desempenho do trator.A. 22 p. Manual técnico pneus para agricultura. podem tornar-se tão rígidos que penetram no pneu. . SANTOS. tais como pequenos caules. FIRESTONE. Vila Real: UTAD. . PIRELLI. . ou reforçado com lonas de aço.Baixa pressão ou excesso de carga podem causar rachaduras laterais. 1996. 66p. Equipamentos Rurais: O pneumático na agricultura. Estes danos podem ser diminuídos ajustando-se a bitola dos pneus. 21. Conheça o pneu agrícola que você usa.

até 10 a 14 N/cm2 (l5 a 20 lbf/in. Um aumento do conteúdo de umidade de 9.2) para solos de argilas pesadas. paralela à linha de trabalho. nesta seção é apresentada só a força de tração que age nas ferramentas de preparo e as exigências de potência.2) para solos arenosos. Tipo de solo e condição são. O teor de umidade do solo é um fator importante com respeito a tração e qualidade de trabalho. Solos siltosos podem ter tração de 2 a 5 N/cm2 (3 a 7 lbf/in. A definição de qualidade de trabalho depende do tipo de ferramenta de preparo. Porém. Arados de Aivecas A força de tração é definida como uma componente da tração do trator agindo no arado. Então. A tração específica é a tração dividida pela área transversal do sulco. DESEMPENHO DE IMPLEMENTOS DE PREPARO O desempenho de ferramentas de preparo é determinado pela força de tração e exigências de potência e a qualidade de trabalho. Valores da tração específica variam de 1. Para um arado é o grau de inversão de solo e pulverização.83.2) e tração de 4 a 8 N/cm2 (6 a 12 lbf/in. nenhum método universalmente aceito foi desenvolvido para quantificar a qualidade de trabalho. Outros fatores de solo pertinentes incluem o grau de compactação e o tipo ou ausência de cobertura.7% pode reduzir a tração específica em um solo franco-arenoso de 15 a 35%.1 a 11. Um solo seco requer potência excessiva e também acelera o desgaste das extremidades cortantes. 50 . sem dúvida.2) seria típico para solos argilosos.Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder 5. são discutidas. os fatores mais importantes que contribuem para variações na tração específica. O tração pode aumentar 15 a 35% quando a densidade aparente de um solo franco-arenoso muda de 1.68 para 1. enquanto para uma grade é o nível de separação do torrão de solo. Os efeitos de solo e parâmetros de ferramenta bem como também as condições operacionais na força de tração e exigências de potência.4 a 2 N/cm2 (2 a 3 lbf/in.

2 + 0. 51 . exigências de potência.83 km/h) Ds = tração a velocidade S (nas mesmas unidades de Dr) S = velocidade (km/h) Uma vez a tração específica esteja determinada.045 S2 Onde: S = velocidade (km/h).0073 S2 Onde: Dr = tração na velocidade de referência (4.039 S2 Siltoso : Tração específica (N/cm2) = 2. tração específica. a habilidade para manter uma uniforme profundidade torna-se um critério de desempenho importante. Assim. Implementos de discos O desempenho de implementos de disco é medido em termos de tração. Hendrick (1988) desenvolveu equações para a tração por unidade de área da seção transversal de uma fatia de sulco para um disco de 66 cm de diâmetro.4 + 0. 220 de ângulo de ataque e 450 de ângulo de disco. Tração específica em N/cm2 é determinada pelas equações seguintes: Argiloso: Tração específica (N/cm2) = 5.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Os dados para arados de aivecas podem ser razoavelmente bem representados pela relação: D s / D r = 0.83 + 0. ARADOS DE DISCO. A exigência de potência pode ser então determinada multiplicando a tração total pela velocidade de implemento. e profundidade. o valor da tração total pode ser calculado multiplicando a tração específica pela área transversal total do arado. a profundidade de penetração de implementos de disco é determinada pelo peso do implemento e da condição de solo. Ao contrário do arado de aivecas.

Estes dados são mostrados nas Figuras 12 e 13.8 M Os pesos típicos para grades de disco variam de 160 a 210 kg/m de largura para grades em tandem. Durante o preparo. montadas. com discos de 41 a 51 cm de diâmetro. Para grades de arrasto. Em operação de preparo secundário em semelhante condições o aumento de tração foi de 0. Em profundidade de 60 mm o aumento foi de 78%. Eles descobriram que durante a operação de preparo primária. A Figura 10 mostra três típica hastes usadas por montar as ponteiras de um cultivador. Sucção é definida como a força vertical que o solo exerce na ponteira do cultivador. a massa é 390 a 890 kg/m com discos de 56 a 81 cm de diâmetro. cultivadores.3 kN/m a 18.7 M Arenoso (N) = 7.50 de ângulo para 2.50. Para grades de disco a tração é uma função da massa M (kg) para qualquer velocidade como segue: Argiloso (N) = 14. O ângulo com que a ponteira faz com a horizontal é conhecido como ângulo de ataque.7 kN/m.7 M Siltoso (N) = 11. Gullacher e Coates (l980) estudaram o efeito de um cultivador nas forças de preparo. Estes resultados foram obtidos a uma profundidade de 40 mm e a uma velocidade de 8 km/h. Eles mediram a tração e forças de sucção.Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder GRADES DE DISCO. Isto representa um aumento de cerca de 2% por mudança de grau no ângulo de ataque. A Figura 11 mostra a geometria e dimensão da ponteira usada no estudo. Um ângulo de ataque positivo é definido quando a ponta da ponteira é mais baixa que sua parte traseira.7 kN/m a 2. forças de solo nas ponteiras aumentam e fazem a ponteira mudar de lugar como mostrado na Figura 10.8 kN/m para 1. um aumento de 106%. 52 . com rodas. o tração por unidade de largura aumentou 31% de 1.

Figura 13 – Variação na tração específica com ponteiras de cultivador usadas em preparo secundário em solo siltoso. ⇒ Arados de aivecas: • Melhor revolvimento da camada do solo. 53 .Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Figura 10 –Típicas hastes de cultivadores e seu movimento no solo. • Melhor inversão da leiva. Figura 11 – Especificações da ponteira usada nos testes Figura 12 – Variação na tração específica com ponteiras de cultivador usadas para preparo primário em solo siltoso.

3 – Suporte para estacionamento.Relha. Constituição do arado de aiveca: 1 . 5 – Roda guia.Suporte. 3 . reunir todos os componentes da aiveca. • Não deve ser utilizado em locais com pedras. 9 – Mancal. • Elemento cortante (disco) rotativo. absorver as forças laterais. elevar e inverter a fatia de solo cortado pela relha. conectar ao chassis os componentes da aiveca. 3 2 ⇒ Arados de discos: • Ideal para abertura de novas áreas. 4 1 4 . 6 – Coluna. 9 54 . • Menos susceptível a impactos. 2 – Torre. 5 . 4 – Barra transversal.Rasto. dar estabilidade. 5 2 .Aiveca. cortar o solo e iniciar o levantamento da seção cortada.Coluna. Constituição do arado de aiveca: 1 – Chassi. 7 – Limpador.Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder • Maior adaptação a baixas velocidades (por este motivo é que praticamente todos os arados de tração animal são de aivecas). tocos e raízes. 8 – Disco.

• diâmetro dos discos. maior afiação menor penetração. • montada (B) (ligado no sistema de levante hidraúlico). maior ângulo menor penetração. • peso dos discos. (A) (C) (B) b – Quanto a forma de acoplamento: • arrasto (C) (tracionado pela barra de tração). Classificação dos arados: a – Quanto a forma de acionamento: • Tração animal (A). maior peso menor penetração. • reversível. • terceiro ponto (braço superior). 55 . maior velocidade menor penetração. • afiação dos discos.Máquinas Agrícolas Engº Carlos Emilio Soder Fatores que afetam a penetração do arado de disco: • ângulo vertical. • velocidade de trabalho. • semi-montada (montada nos braços inferiores do sistema de levante hidraúlico). maior diâmetro menor penetração. c – Quanto a movimentação do órgão ativo: • fixo. • Tração mecânica (B) e (C).

• Água nos pneus. f = folga (10 . • 3o passo.B = L + l + 2f . ⇒ Regulagens dos tratores agrícolas para operação de aração: Bitola: . L = largura de corte do arado.B=L+l (discos) (aivecas) Onde: B = bitola.15cm). • 2o passo.Engº Carlos Emilio Soder d – Quanto ao número de órgãos ativos: Máquinas Agrícolas • monocorpo. Lastros: • Frontais (pesos dianteiros). • Contrapeso nas rodas. Solos duros Solos médios Solos leves 56 . Acoplamento do arado: • 1o passo. engate do braço inferior direito (ajuste na manivela niveladora). engate do braço superior (3o ponto). engate do braço inferior esquerdo. l = largura do pneu. • corpos múltiplos.

Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas ⇒ Regulagens dos arados: Alinhamento do centro de resistência (centralização) • A distância dos braços inferiores até as rodas traseiras devem ser iguais (usar as correntes estabilizadoras) ou seja centralizar o corpo do arado em relação ao trator fazendo com que a resultante das forças resistentes (CR) se posicione sobre a linha de tração (LT). • Longitudinal (A). 57 . Nivelamento do arado: O nivelamento longitudinal e transversal do corpo do arado faz com que todos os discos cortem à mesma profundidade. regulagem no 3o ponto.

⇒ Regulagens dos ângulos (para os arados de discos) • Ângulo horizontal (abertura) • Maior largura de corte (principalmente para primeiro disco) • 420 – 600 (argilosos. • Ângulo vertical (inclinação) • Maior angulo menor profundidade de corte • 150 – 250 (argilosos.Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas •Transversal (B). médios e arenosos). manivela niveladora (feito no sulco ou coloca-se um calço na roda traseira que vai no sulco). médios e arenosos) Observação: • A largura de corte também pode ser regulada pela posição da barra transversal (tanto para discos quanto para aivecas). regulagem no braço direito. 58 . • A profundidade de corte também pode ser regulada pela alavanca de profundidade do sistema de levante hidráulico do trator tanto para disco quanto para aivecas).

Regulagens da roda-guia: • Ângulo vertical e horizontal. tem a função de absorver os empuxos laterais (maior estabilidade). • Menor pressão maior profundidade (afunda o arado). • Maior pressão menor profundidade (levanta arado).Engº Carlos Emilio Soder Máquinas Agrícolas Roda-guia. • Pressão da mola (afeta a profundidade). 59 .