Universidade de São Paulo

Escola de Engenharia de Lorena

MAYARA RIGOLDI LEANDRO

Estudos das propriedades mecânicas dos aços H13 e “H13
modificado“ aplicados em matrizes de extrusão de alumínio

Lorena – SP
2009

MAYARA RIGOLDI LEANDRO

Estudos das propriedades mecânicas dos aços H13 e “H13
modificado” aplicados em matrizes de extrusão de alumínio

Trabalho de Graduação apresentado à
Escola

de

Engenharia

de

Lorena

da

Universidade de São Paulo para obtenção
do título de Engenheiro de Materiais.

Orientador: Prof. Dr. Miguel Justino Ribeiro
Barboza

Co-Orientador: Prof. Dr. César Alves da
Silva Leandro

Lorena – SP
2009

AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE
TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA
FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.

Ficha Catalográfica
Elaborada pela Biblioteca Especializada em Engenharia de Materiais
USP/EEL
Leandro, Mayara Rigoldi
Estudos das propriedades mecânicas dos aços H13 e “H13
modificado” aplicados em matrizes de extrusão de alumínio. /Mayara
Rigoldi Leandro ; orientador Miguel Justino Ribeiro Barboza .--Lorena,
2009.
83 f.: il.
Trabalho apresentado como requisito parcial para
obtenção do grau de Engenheiro de Materiais – Escola de
Engenharia de Lorena - Universidade de São Paulo.
1. Aço ferramenta
2. Propriedades mecânicas
Tratamento térmico I. Título.

3.

CDU 620.193

César e Meire. pelo amor. .Dedico esse trabalho aos meus queridos pais. paciência. carinho. Ao meu grande ídolo vovô Professor Mestre Thiago Alves da Silva Leandro que me inspira para seguir na área de exatas. me inspira a crescer como profissional e como pessoa. sempre me comovendo com uma palavra doce e um carinho imenso nos olhos. Ao meu querido professor Doutor Miguel Justino que acredita no meu potencial. compreensão que tanto me deram para a conclusão da graduação.

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Ao Prof. À escola ETEC – João Gomes de Araujo que usinou o entalhe dos corpos de prova de impacto. À escola de Engenharia de Lorena pela minha formação em engenharia. Débora. João Carlos Batista. Letícia e Larissa que sem eles eu não teria tantas lembranças memoráveis nos 5 anos de graduação. . Ao Antônio Donizeti de Souza. Raoni Cabral. Shirley Meire Rigoldi Leandro. Bruno. Prof. Dr. ele nunca sabe onde cessa a sua influência” (Henry Adams) Ao meu pai e Herói da minha vida. À TecTTerm pela realização dos tratamentos térmicos. Miguel Justino Ribeiro Barboza pela colaboração e dedicação a minha formação como engenheira e ao meu trabalho de final de curso. A minha mãe. que teve paciência e carinho compreendendo a minha ausência. César Alves da Silva Leandro. que me educou com tanto esforço e batalha na jornada dupla de mãe de família e profissional excepcional. Aos meus amigos. Valmes Rocha Corrêa. Viviane. João Bosco. À Gerdau Pindamonhangaba pela análise da composição química. Dr. Noda e toda equipe do Maurício Godoy da Confab Tubos de Pindamonhangaba que proporcionou a realização dos ensaios mecânicos de impacto e utilização do MEV e Microscópio óptico para o desenvolvimento desse trabalho. Genilson Mota. E todos aqueles que de alguma forma direta ou indiretamente estiveram envolvidos com meu trabalho de conclusão de curso ou completaram meu 5 anos de faculdade com a respectiva presença. o Engenheiro e Prof.AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus. Ana. “O professor se liga à eternidade. Ao meu namorado. Isabel. o qual com grande amor me guiou para a formação de engenharia e com muito amor e carinho sempre esteve ao meu lado.

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a inteligência. alunos fascinantes “Você é tão livre quanto o tamanho do seu conhecimento” César Alves da Silva Leandro “Sem sonhos.” Augusto Cury . meu ardente desejo é que você NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS” Augusty Cury – Nunca desista dos seus sonhos . Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.Filhos brilhantes. Seja um sonhador. Os fracassos se transformam em golpes fatais. Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-las. se você tiver grandes sonhos. Seja um debatedor de idéias. Os frágeis usam a força. tenha medo de não vivê-la. nem caminhos sem acidentes. Seus medos produzirão coragem. Mas. pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas. Por isso. Seus desafios produzirão oportunidades.“Não tenha medo da vida.. As pedras do caminho se tornam montanhas. mas una seus sonhos com disciplina. os fortes. as perdas se tornam insuportáveis.. Lute pelo que você ama. Seus erros produzirão crescimento. Não há céu sem tempestade.

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Não se observou diferenças nos limites de resistência entre os aços. 2009. No ensaio Charpy os aços resfriados em água apresentam maior energia absorvida. Os aços tratados termicamente apresentaram maiores valores de dureza quando comparados aos aços na condição inicial. propriedades mecânicas.Estes foram temperados com resfriamento em água e ar e revenidos pela empresa TecTTerm e submetidos a ensaios mecânicos. R. Em princípio. Estudos das propriedades mecânicas dos aços H13 e “H13 modificado” aplicados em matrizes de extrusão de alumínio. Os aços testados são 2340 (AISI H11). Universidade de São Paulo. Neste trabalho foram avaliados três tipos de aços ferramenta com aplicação em matrizes comparando suas propriedades mecânicas. porém foi observada uma leve tendência de limite de resistência maior no aço 2367. Palavras Chaves: aço ferramenta.RESUMO Leandro. . os fatores que fundamentalmente possibilitam o atendimento das exigências de qualidade dos aços ferramenta envolvem a composição química e o tratamento térmico. Lorena. 2344 (AISI H13) e 2367 (entre H11 e H13) da empresa Schmolz-Bickenbach. Aços para aplicações em ferramentas estão sujeitos às mais rigorosas solicitações entre as aplicações. M. tratamento térmico. 83 f. 2009. classificado pela norma NADCA #207 2006 de grade C tipo 2367 & Modificado. Monografia (Trabalho de Graduação em Engenharia de Materiais) – Escola de Engenharia de Lorena.

83 f. Studies of mechanical properties of H13 and “H13 steel modified” applied in extrusion dies of aluminum. In Charpy. Lorena. Heat treated samples showed higher hardness values when compared to samples initial condition. This study evaluated mechanical properties of three types of tool steel used in arrays. but 2367 steel had the higher absorbed energy. There was no difference within the limits of resistance of the steel. The grades 2340 (AISI H11). mechanical properties. steels quenched in water have higher absorbed energy. however it is possible to notice a slight trend of higher strength in 2340 steel. classified by the NADCA standard # 207 2006 grid E type H11 & Modified. 2009. Universidade de São Paulo. heat treatment. Tool steels are required for critical applications. 2344 (AISI H13) and 2367 (between H11 and H13) were acquired from the company Schmolz-Bickenbach. R. . Monograph (Undergraduate Work in Materials Engineering) – Escola de Engenharia de Lorena. M.ABSTRACT Leandro. Those steels were quenched in water and air by TecTTerm and mechanically tested. Keywords: tool steel. Factors that make it possible to meet the quality requirements of tool steels involve chemical composition and heat treatment. 2009.

.... 51 Figura 14 ............................Figura esquemática de uma extrusora direta ............ Narazaki......Efeito do aumento de dureza em relação aos elementos de liga na ferrita (Chiaverini..................................Tendência geral de distribuição dos elementos nos aços (Pedraza.... 52 Figura 15 ...... 48 Figura 9 .............Ilustração do estado de tensão para os estágios da têmpera (Costa e Silva & Mei...............Efeito do teor de C nas temperaturas Mi e Mf (Costa e Silva & Mei....... & Jarvis.......... 1996) ............Diagrama TTT para o aço 2340 (schmolz-bickenbach....... 2006) ........................ 33 Figura 3 .... 1989) .............. Narazaki..................... 59 .........................Amostras do aço 2340 .......................... 1996) ....... 54 Figura 18 ....................... b) ferrita.............................. 46 Figura 8 .... 2002) ............................................ 2006) ........Temperatura e taxa de resfriamento (Costa e Silva & Mei...........................LISTA DE FIGURAS Figura 1 .......... 1996) .. Blackwood.... & Jarvis................ (Chiaverini. Blackwood......Elementos de liga e o efeito no campo austenítico (Chiaverini..................... Coutinho.................................................. 32 Figura 2 ............. 35 Figura 4 . 2002) .... 41 Figura 5 . c) martensita (Totten......................................................................................................................................................................................Expansão da estrutura cristalina com o teor de carbono (Totten................................... 45 Figura 7 .. 1996) .... 53 Figura 17 ........Foto de uma matriz ................. 53 Figura 16 ..............................Representação esquemática de uma curva Transformação-TempoTemperatura para um aço eutetóide.Efeito do cromo e do carbono na temperatura Mi (Chiaverini....Estrutura cristalina a) austenita..............Efeito do manganês do carbono na temperatura Mi (Chiaverini.. & Silva...Diagrama TTT para um aço hipoeutetóide (Chiaverini. 2009) .............. 2009) ......................................................................... 49 Figura 11 ..... 2009) ...Ciclo de têmpera e revenimento (Costa e Silva & Mei....................... 57 Figura 20 ........... 2006) ...... 1996) ............Variação da dureza martensítica com relação ao %C (Costa e Silva & Mei.................. 2006) ....................Diagrama TTT para o aço 2344 (schmolz-bickenbach............ 48 Figura 10 . 55 Figura 19 .. 2006) . 41 Figura 6 ............... 50 Figura 12 .. 50 Figura 13 .. 1996) ...............Diagrama TTT para o aço 2367 (schmolz-bickenbach..

........................ 67 Figura 26 – Microestrutura obtida em MEV do aço 2340 ar com 500X ....Microestrutura obtida em MEV do aço 2367 ar com 500X .................................. 60 Figura 22 .................................................................................................................Amostras do aço 2367 ...........Resultados de impacto sem entalhe e com entalhe em V.................................................Microestrutura obtida em MEV do aço 2344 ar com 500X ......Região da fratura do 2344 água o qual foi realizado EDS...................Gráfico tensão x deformação para os aços resfriados ao ar .......Microestrutura obtida em microscópio óptico do aço 2344 água com 500X ......................... 2007) ...................................... 67 Figura 27 .............. 70 Figura 32 ....................................................................... (Mesquita & Barbosa....................................... 79 Figura 38 ............................... 68 Figura 29 ............. 60 Figura 23 ................................ 69 Figura 30 .... 75 Figura 34 ...................................... 79 Figura 37 ............................................................................ 77 Figura 35 – Diagrama referente ao EDS de inclusão no aço 2367 resfriado em água ........................................ .......Microestrutura obtida em microscópio óptico do aço 2367 água com 500X ..Gráfico tensão x deformação para os aços resfriados em água...............................................................................Microestrutura obtida em MEV do aço 2340 água com 500X ....... 61 Figura 24 ...................................................Amostras do aço 2344 ............................................................ 80 ................Desenho do corpo-de-prova de impacto em mm...................... 61 Figura 25 ..Esquema de microestrutura de aço ferramenta H13 com aumento de 500X segundo norma NADCA #207 2006 .Diagrama referente ao EDS da região 2 no aço 2344 resfriado em água ........................................ 69 Figura 31 ..... 68 Figura 28 ....................................Figura 21 .................. 80 Figura 39 .................................................................. 77 Figura 36 ......................................................... 73 Figura 33 ..................................................Diagrama referente ao EDS da região 1 no aço 2344 resfriado em água ...Imagem da inclusão no 2367 água........................Desenho do corpo-de-prova de tração em mm.

.................................................Cálculo da área seção transversal do corpo-de-prova de tração ...................................... 42 Tabela VIII ................................. 1996) ....Solubilidade de elementos de liga no ferro alfa à temp.Elementos encontrados nos pontos 1 ..Diâmetro interno da seção transversal dos corpos-de-prova de tração .................Tensão de escoamento e tensão de resistência para 2367 resfriados em água e ar .............................. composição química e aplicações (Chiaverini.......... .............Classificação AISI dos aços ferramentas (Costa e Silva & Mei............................................ 28 Tabela II ................................... 37 Tabela V .....................................................................................Resultados das microdurezas obtidos para os aços 2367................................................... 39 Tabela VII ........ 1996) .......................................... 74 TTabela XVI .. 74 Tabela XVII ...................... 72 Tabela XIII .......... 70 Tabela XI .LISTA DE TABELA Tabela I .................Sistema SAE e AISI de classificação dos aços (Silva & Della Coletta....... 38 Tabela VI .............. ............ 65 Tabela X ............Elementos de liga e suas formas dissolvidos na ferrita (Chiaverini....... Coutinho......................................... 1989) ............................................... 2340 e 2344 após tratamentos térmicos................................... 2006) ....................................... ambiente (Pedraza................Cálculo da área seção transversal do corpo-de-prova de tração ..............Média e desvio padrão dos corpos-de-prova temperados ao ar .. 30 Tabela III ....................Composição química conforme norma NADCA #207 2006 ........................................ 73 Tabela XV .............................. 47 Tabela IX ................Aços para trabalho a quente............... 2340 e 2344............ 77 .................. 75 Tabela XVIII ............................................... 37 Tabela IV ......Média e desvio padrão dos corpos-de-prova temperados a água ........................... 71 Tabela XII ............................. 2006) ....Composição química dos aços estudados......... 1996) .............................. 72 Tabela XIV ...........Resultado das microdurezas obtidas para os aços 2367........................... & Silva........... 76 Tabela XIX ..Habilidade dos elementos de liga em aços ferramentas (Costa e Silva & Mei........ 1989) ...........Efeito do tamanho de grão austenítico sobre algumas características dos aços (Chiaverini.......Tensão de escoamento e tensão de resistência para 2367 resfriados ao ar ...

.............. 80 .....Tabela XX ..........................................Elementos encontrados nos pontos 1 e 2 ........................... 78 Tabela XXI ......Resultados da energia de Impacto ........

LISTA DE SIGLAS AISI American Iron and Steel Institute SAE Society of Automotive Engineers ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NADCA North American Die Casting Association DIN Instituto Alemão de Normalização TTT Temperatura-Tempo-Transformação CFC Cúbica de face centrada CCC Cúbica de corpo centrado TCC Tetragonal de corpo centrado ASTM American Society for Testing and Materials MEV Microscopia eletrônica de varredura EDS Espectroscopia de energia dispersiva MO Microscopia óptica .

LISTA DE SÍMBOLOS σ Tensão °C Celsius HV Dureza vickers HC Dureza rockwell J Joule gf Grama-força ε Deformação .

................................................................................ 59 3................................................3 Soluções Sólidas............1 Aços ......1..... 37 2................................................. 31 2........................................................................................................... 29 2.2 Revenimento .........................2 Efeito dos elementos de liga sobre a ferrita .................................................6..........4 Aços Ferramenta...................................................................... 34 2.........6...... 26 2.............3 Composições Químicas ..... 51 2..............1 Classificação ........................................... 40 2.................. 44 2....................................................................................2 Revenimento .................2.....................................................1 Materiais ................................................................ 56 3 Materiais e Métodos .........................8....................................................................2......SUMÁRIO 1 Introdução ......................5 Aços para trabalho a quente ......................................................6 Processamento dos aços para trabalho à quente .................................................................... 43 2.......................... 36 2.......7.................................1...............................................2 Propriedade Mecânica dos Aços ....................8 Transformação de fase durante aquecimento e resfriamento .........................................................................................................................................................1 Diagrama TTT (Transformação-Tempo-Temperatura) ...................2. 44 2..... 43 2.................................... 44 2..............................................................................................3 Efeito dos elementos de liga na formação da austenita e na sua transformação .....................7 Tratamentos Térmicos .........1 Transformação do Aço.............8.................................................................................... 26 2.............. 61 3........................... 27 2.............1 Têmpera ......... 30 2.......... 59 3......................... 62 .....................................2 Confecção dos corpos-de-prova ......................................................................... 51 2... 33 2......2 Aços – Ligas.. 21 2 Revisão da Literatura .........................................................................................................................1 Elementos de Liga .........................................................................

........................................................................ 63 3..........................................................3 Ensaio de Tração ..................1 2367............................................................. 81 6 Referencias ................................................................................................................................6 Ensaios de Impacto ........................................................................1 Microscopia eletrônica de varredura e EDS (Espectroscopia de energia dispersiva) ..........3...................................3 Caracterização Metalográfica ........................................................6.................................................4 Tratamentos Térmicos ............................................................. 63 3..........2 Microdureza................................................................................................ 62 3................................................6 Caracterização Metalográfica ......................................................................................... 65 4.....................5.........2 Tratamento Térmico ..... 63 3...............4 Microdureza ...............................6............................................... 72 4...... 2344 e 2340 temperado ao ar ........... 2344 e 2340 temperado em água ............. 67 4....................................1 Ensaio Charpy ..........5..........................................5............. 65 4.. 82 .................. 74 4.. 70 4............2 2367............ 62 3......................5 Caracterizações Mecânicas.......................................... 78 5 Conclusão .... 64 4 Resultados e Discussão ......................................2 Microscopia Óptica .........................5......................5........................... 72 4......................................................................................1 Composição Química ............................................................................... 63 3.......................5 Propriedades obtidas no ensaio de tração ..... 65 4....... 62 3..................................................

O aço pode ser classificado quanto ao teor de carbono. com porcentagens entre 0. que também é uma liga de ferro e carbono. Dentre os sistemas de classificação química. A classificação mais comum é de acordo com a composição química. quando esta característica é exigida. em construção. etc. em que AB se refere a elementos de liga adicionados intencionalmente. provenientes da sucata. alguns prejudiciais. o SAE é o mais utilizado e adota a notação ABXX.21 1 Introdução Aço é uma liga metálica formada essencialmente por ferro e carbono. pelo teor de carbono entre 2. Muitos aços ligas são igualmente especificados pela sua endurecibilidade.11% e 6.11%. ferramentas. e XX ao percentual em peso de carbono multiplicado por cem. e são denominados “aços ferramenta para trabalho a quente”. Nesse caso. Entretanto. do mineral ou do combustível empregados no processo de fabricação. O aço atualmente é a mais importante liga metálica. emprega-se o sufixo “H” (hardenability) para distingui-los dos tipos correspondentes que não apresentam exigências de endurecibilidade (Chiaverini. Além dos componentes principais indicados.008 e 2. Outros são adicionados intencionalmente para melhorar algumas características como a sua resistência à tração. composição química. sendo empregado de forma intensiva em numerosas aplicações tais como máquinas. 1996). Distingue-se do ferro fundido. a sua utilização está condicionada a determinadas . como o enxofre e o fósforo. o aço incorpora outros elementos químicos. quanto à constituição microestrutural e quanto à sua aplicação. ductilidade e dureza.67%.

.22 aplicações devido a vantagens técnicas que oferecem outros materiais como o alumínio. porém ele pode ser fragilizado por um tratamento térmico que lhe imponha um grão grosseiro (Universidade do Porto). A obtenção de características requer a introdução de elementos em teores mais elevados. químicas e mecânicas. ou seja. os princípios fundamentais dos tratamentos térmicos permanecem porque. Geralmente esse aumento da resistência é adquirido pela adição de um ou vários elementos de liga em teores respectivamente baixos. A introdução de outros elementos de liga nos aços carbono é feita quando se deseja melhorias nas propriedades físicas. da sua história térmica e mecânica. um aço de baixo carbono é presumivelmente dúctil. a transformação da austenita e as estruturas resultantes são as mesmas que ocorrem nos aços-carbono. além de resultarem carbonetos mais complexos. por sua maior leveza e por sua maior resistência a corrosão. ainda que a presença de novos elementos de liga obrigue a um ajuste nas temperaturas dos tratamentos. produzindo alterações mais profundas na ferrita. A composição química define as potencialidades "inatas" da liga: por exemplo. para facilitar muitas vezes a formação de carbonetos especiais. Neste caso. não ultrapassando na sua soma o valor de 5%. estes fatores (composição e história termomecânica) impõem uma dada microestrutura ao material. os tratamentos térmicos devem ser modificados. Nessas condições. As propriedades de uma liga metálica são função da respectiva composição química e do processamento a que a mesma foi sujeita. a qual será responsável pelas propriedades finais do mesmo.

Há muitos séculos descobriu-se que com as operações de aquecimento e resfriamento poderia-se modificar as propriedades mecânicas de um aço. O processo de aquecer e resfriar um aço. Esses tratamentos térmicos nos quais a peça é aquecida juntamente com produtos químicos e posteriormente resfriada são por exemplo: cementação e nitretação e a nitrocarbonetação (Silva & Della Coletta. V. 2 . Existem duas classes de tratamentos térmicos: 1 . 1989). Ta. Nb e Ti. Muitos carbonetos são cementitas com elementos de liga dissolvidos. W. Os que apresentam menor tendência do que o ferro para combinar-se com o carbono são: Si. 1996). que podem ser simples ou complexos. tais como: têmpera. visando modificar as sua propriedades. o manganês é o mais fraco. Al. denomina-se tratamento térmico. Ni. revenimento e recozimento. Cu. modificam as propriedades de toda a massa do aço. Mais tarde. Para se obter eficiência nos tratamentos térmicos é preciso partir de uma fase austenítica homogênea.Os tratamentos que modificam as propriedades somente numa fina camada superficial da peça. Mo. A tendência geral nesse sentido se manifesta mais ou menos na seguinte ordem de intensidade crescente: Mn. quando os elementos de liga .23 Dos elementos que se consideram em definitivo como formadores de carbonetos.Os tratamentos que por simples aquecimento e resfriamento. dependendo dos elementos de adição. descobriu-se também que a taxa de resfriamento e a quantidade de carbono influíam decisivamente nessas modificações. Co e talvez o Zr (Chiaverini. Nos aços ocorre a formação de carbonetos. Cr.

Para um dado tempo. transformando-se a austenita em uma fase metaestável. é necessário um tempo longo a temperaturas convencionais para se obter uma austenita homogênea. entre outras. Com a dissolução dos carbonetos. A têmpera de um aço compreende o aquecimento a uma temperatura em que a sua estrutura se torne austenítica. . favorecendo assim após têmpera uma estrutura mais resistente. a martensita (Leandro. O carbono do aço “H13 modificado” é mais baixo que do aço H13 normal e o percentual de elementos de liga é maior. mas os carbonetos especiais requerem muito tempo ou uma temperatura efetivamente alta. ocorre a formação de carbonetos complexos. A dissolução de carbonetos vai depender do tempo e da temperatura escolhida para a austenitização. Com base nessas informações. seguindo-se um resfriamento a uma velocidade tal que não permita a ocorrência da reação austenita para ferrita e cementita.24 aumentam muito em solução na cementita. Aços ferramenta para trabalho a quente destinam-se a fabricação de ferramentas utilizadas no trabalho a quente de aços. resultando em um balanço de composição química melhor. neste trabalho será realizado um estudo da influência da taxa de resfriamento nas propriedades mecânicas dos aços H13 e “H13 modificado“ aplicado em matrizes de extrusão de alumínio. 1998). Nos aços comerciais e especialmente nos aços ligados. A cementita dissolve rapidamente. ligas não ferrosas. quanto mais elevada a temperatura mais homogênea será a austenita resultante. A diminuição do carbono melhora a tenacidade e o aumento dos elementos de liga ajuda na melhor resistência ao desgaste. o carbono volta a se solubilizar na austenita.

boa tenacidade. que nesses aços está entre 0.60%. apesar de serem aquecidas pelo material que está a ser processado. formando carbonetos que contribuem para a obtenção das propriedades requeridas nos aços.30 e 0. V e W ligam-se ao carbono. Com tratamentos térmicos adequados essas qualidades podem ser melhoradas (Universidade de Coimbra). Mo. boa condutividade térmica e elevada resistência à fadiga. Essas características conferem às ferramentas a capacidade de resistir às solicitações mecânicas a que estão sujeitas. grande resistência à abrasão em temperaturas elevadas. Os elementos Cr.25 As suas principais características envolvem elevada resistência mecânica à quente. .

oxigênio. 1989). estanho e alumínio.008 a 2% e podem conter concentrações apreciáveis de outros elementos de liga e impurezas.1 a 1. resultantes dos processos de fabricação.26 2 Revisão da Literatura 2.25%C.5%C. caracterizados como ligas ferro-carbono contendo até 2% em peso de carbono. O fósforo e o enxofre são provenientes da matéria-prima e o manganês e o silício são utilizados no processo de fabricação e caracterizam-se como desoxidantes (Pedraza. É usual reunir os aços em três grupos principais. → Os aços ligados caracterizados como ligas ferro-carbono contendo outros elementos adicionais intencionalmente ou apresentando os elementos residuais em teores acima dos que são considerados normais. As microestruturas consistem em ferrita e perlita e apresentam baixa resistência mecânica porém com ductilidade e tenacidade excepcionais.1 Aços Os aços são ligas à base de ferro-carbono com teor de soluto entre 0. Coutinho. . Os teores máximos para cada impureza dependem da aplicação do aço. podendo-se observar ainda a presença de outros elementos como nitrogênio. A maioria dos aços carbono de maior aplicação contém de 0. contendo até cerca de 0. Consideram-se usualmente dois tipos fundamentais de aços: → Os aços carbono. além de certos elementos residuais. enxofre. As principais impurezas encontradas são: fósforo. manganês e o silício. não respondem a tratamentos térmicos com objetivo de formar martensita e o aumento da resistência é dado com trabalho a frio. & Silva. segundo o teor de carbono: → Aços doces.

como aços-carbono e aços-liga. são usados para ferramentas e matrizes contendo cromo. com teores superiores a 0. São usados na condição endurecida e revenida. chapas finas. c. como os aços laminados a quente ou aços laminados a frio. a adição de cromo. Esses elementos de liga combinam-se com o carbono dando origem a compostos à base de carbono. os aços também podem ser classificados em grupos: a.27 → Aços meio duros. Processo de acabamento. como barras. tendo como propriedade a resistência ao desgaste e a abrasão e. → Aços duros. níquel e molibdênio melhoram a capacidade de serem tratadas termicamente dando origem a uma variedade de combinações resistência-ductilidade.1. como aço carbono de baixo. . São freqüentemente utilizados na condição revenida com a microestrutura característica e denominada de martensita revenida. são resistentes e menos dúcteis entre os aços carbonos. tiras. têmpera e depois revenimento para melhorar as suas propriedades mecânicas.5%C. chapas grossas.50%. tungstênio e molibdênio. Com base na sua composição. podem ser tratados termicamente por austenitização. Há divisões desses grupos. b. Os aços ligas são classificados de acordo com o principal ou os principais elementos de liga. médio e alto carbono. Possuem baixa endurecibilidade. no entanto. 2. Forma do produto acabado. com teor de carbono entre 0.1 Classificação Dada a grande variedade de tipos de aços. vanádio. tubos ou perfis estruturais.25 e 0.

28

Dos sistemas de classificação dos aços os mais aceitos são: “American Iron
and Steel Institute -AISI” e da “Society of Automotive Engineers - SAE” (Chiaverini,
1996). Nesses sistemas, a classificação é designada por quatro algarismos, dos
quais os dois últimos correspondem ao teor de carbono, conforme Tabela I abaixo:
Tabela I - Sistema SAE e AISI de classificação dos aços (Silva & Della Coletta, 1989)

Designação
SAE
AISI
10XX
11XX
13XX
23XX
25XX
31XX
33XX
303XX
40XX
41XX

C 10XX
C 11XX
13XX
23XX
25XX
31XX
E 33XX
40XX
41XX

43XX

43XX

46XX
47XX

46XX
47XX

48XX
50XX
51XX
501XX
511XX
521XX
514XX
515XX
61XX

48XX
50XX
51XX
E511XX
E521XX
61XX

86XX

86XX

87XX

87XX

92XX

92XX

93XX

93XX

98XX

98XX

950
XXBXX
XXLXX

XXBXX
CXXLXX

Tipos de Aço
Aços-carbono comuns
Aços de usinagem (ou corte) fácil, com alto S
Aços manganês com 1,75% de Mn
Aços-níquel com 3,5% de Ni
Aços-níquel com 5% de Ni
Aços-níquel-cromo com 1,25% de Ni e 0,65% de Cr
Aços-níquel-cromo com 3,5% de Ni e 1,57% de Cr
Aços resistentes à corrosão e ao calor ao Ni-Cr
Aços-molibdênio com 0,25% de de Mo
Aços-cromo-molibdênio com 0,5% ou 0,95% Cr e 0,12%, 02% ou 0,25%
de Mo
Aços-níquel-cromo-molibdênio com 1,82% de Ni, 0,5% ou 0,8% de Cr e
0,25% de Mo
Aços-níquel -molibdênio com 1,57% ou 1,82%de Ni, 0,2% ou 0,25 de Mo
Aços-níquel-cromo-molibdênio com 1,05% de Ni, 0,45% de Cr e 0,20% de
Mo
Aços-níquel -molibdênio com 3,5% de Ni, e 0,25% de Mo
Aços-cromo com 0,27%, 0,4% ou 0,5% de Cr
Aços-cromo com 0,8-1,05% de Cr
Aços de baixo cromo para rolamentos, com 0,5% de Cr
Aços de médio cromo para rolamentos, com 1,02% de Cr
Aços de alto cromo para rolamentos, com 1,45% de Cr
Aços resistentes à corrosão e ao calor ao Cr
Aços resistentes à corrosão e ao calor ao Cr
Aços-cromo-vanádio com 0,8% ou 0,95% de Cr e 0,1% ou 0,15% de V
(mín)
Aços-níquel-cromo-molibdênio com 0,55% de Ni, 0,5% ou 0,65% de Cr e
0,2% de Mo
Aços-níquel-cromo-molibdênio com 0,55% de Ni, 0,5% de Cr e 0,25% de
Mo
Aços-silício-manganês com 0,65%, 0,82%, 0,85% ou 0,87% de Mn, 1,40
ou 2% de Si e 0%, 0,17%, 0,32% ou 0,65% de Cr
Aços-níquel-cromo-molibdênio com 3,25% de Ni, 1,2% de Cr e 0,12% de
Mo
Aços-níquel-cromo-molibdênio com 1,0% de Ni, 0,8% de Cr e 0,25% de
Mo
Aços de baixo teor de em liga e alta resistência
Aços-boro com 0,0005% de B mín
Aços-chumbo com 0,15-0,35% de Pb

Por outro lado, os dois primeiros algarismos diferenciam os vários tipos de aços
entre si, pela presença ou somente de carbono como principal elemento de liga,

29

além das impurezas e outros elementos de liga. Assim, quando os dois primeiros
números são:

10: aços simplesmente ao carbono;

11: aços de fácil usinagem com alto teor de enxofre;

40: aços ao molibdênio;

etc.

A norma DIN 17100 classifica os “aços para construção em geral”, por
exemplo, em função do limite de resistência a tração. Entretanto a norma DIN 17200
classifica de acordo com a composição química.
2.1.2 Propriedade Mecânica dos Aços
As propriedades mecânicas dos aços ao carbono são afetadas por:
a.

Composição Química:

Em aços que o elemento predominante é o carbono, o aumento do teor deste
elemento melhora as propriedades relativas à resistência mecânica (limite de
escoamento, limite da resistência a tração e dureza) e reduz a ductilidade e a
tenacidade (alongamento, estriccção e resistência ao choque).
b.

Microestrutura:

É afetada pelo estado ou condição de fabricação do aço, tamanho de grão
austenítico (Tabela II), velocidade de resfriamento e inicialmente pela composição
química. Os constituintes presentes são ferrita e perlita, perlita e cementita ou
somente perlita (Chiaverini, 1996).

30

Tabela II - Efeito do tamanho de grão austenítico sobre algumas características dos aços (Chiaverini, 1996)

Propriedade

Tendência nos aços temperados
Aços de Austenita Fina
Aços de Austenita
(mais fina do que n° 5; de
Grosseira (n° 5 e acima)
5 a 8)

Endurecimento
Endurecimento
Mais profundo
Menos profundo
Tenacidade à mesma dureza
Menos Tenazes
Mais Tenazes
Empenamento
Maior
Menor
Fissuras de têmpera
Mais frequentes
Geralmente Ausentes
Fissuras de retificação
Mais susceptíveis
Menos Susceptíveis
Tensões residuais
Maiores
Menores
Austenita retida
Mais
Menos
NOS AÇOS RECOZIDOS E NORMALIZADOS
Usinabilidade
(Desbaste) melhor
(Desbaste) inferior
(Acabamento fino)
(Acabamento fino)
Usinabilidade (casos
especiais)
Inferior
Melhor
Endurecibilidade

Trabalhabilidade (casos
especiais)

Superior

Inferior

2.2 Aços – Ligas
A introdução de elementos de liga nos aços é feita quando se deseja um ou
diversos dos seguintes efeitos:
a) Aumentar a dureza e a resistência mecânica;
b) Conferir resistência uniforme em toda a peça;
c) Resistência a Corrosão;
d) Resistência ao calor;
e) Resistência ao desgaste;
f) Aumentar a capacidade de corte;
g) Melhorar as propriedades elétricas e magnéticas.
Os dois primeiros itens são alcançados porque os elementos de liga aumentam
a resistência da ferrita e formam ainda outros carbonetos, além da cementita,
contribuindo para a melhora da resistência do aço.
Geralmente esse aumento da resistência é conseguido pela adição de um ou
vários elementos de liga em teores respectivamente baixos, não ultrapassando o

31

valor de 5%. Nessas condições, os princípios fundamentais dos tratamentos
térmicos permanecem porque, ainda que a presença de novos elementos de liga
obrigue a um ajuste nas temperaturas dos tratamentos, a transformação da
austenita e as estruturas resultantes são as mesmas que ocorrem nos açoscarbono.
A obtenção de características referentes aos itens c a g requer a introdução de
elementos em teores mais elevados, produzindo alterações mais profundas na
ferrita, além de resultarem carbonetos mais complexos. Neste caso, os tratamentos
térmicos devem ser modificados, para facilitar muitas vezes a formação de
carbonetos especiais.
Dos elementos que se consideram em definitivo como formadores de
carbonetos, o manganês é o mais fraco. A tendência geral nesse sentido se
manifesta mais ou menos na seguinte ordem de intensidade crescente: Mn, Cr, Mo,
W, Ta, V, Nb e Ti. Os que apresentam menor tendência do que o ferro para
combinar-se com o carbono são: Si, Al, Cu, Ni, Co e o Zr (Chiaverini, 1996).

2.2.1 Elementos de Liga

Os elementos de liga modificam as propriedades do aço através das mudanças
induzidas na microestrutura. Cada elemento de liga se apresenta de uma maneira,
seja em solução sólida com o ferro ou se dissolver na cementita, formar um
composto intermetálico com o ferro, ou ainda apresentar na composição de óxidos
ou inclusões. Em geral, cada elemento mostra uma preferência por um constituinte
determinado e o problema que se coloca é prever as tendências de cada um dos
elementos utilizados.

1989). MnS. alumínio. como o níquel. cobre. Coutinho. Outros. & Silva. TiO2. Al2O3. Ti e N contribuem na formação de inclusões não-metálicas (MnO. & Silva.Tendência geral de distribuição dos elementos nos aços (Pedraza. Si. Figura 1 . SiO2. Coutinho. o silício. como cromo. Alguns elementos como. 1989) Observa-se que certos elementos. Mn. são freqüentemente encontrados em solução sólida. Fe4N) (Pedraza. .32 A Figura 1 mostra a tendência geral de distribuição dos elementos dos aços. Al. molibdênio. tungstênio se apresentam como carbonetos e em menor grau em solução sólida.

2 Efeito dos elementos de liga sobre a ferrita A Figura 2 apresenta o efeito sobre os valores de dureza para diferentes elementos de liga dissolvidos na ferrita. somente uma pequena quantidade é aceita pela cementita.33 2. a exemplo do aumento de resistência devido a outras mudanças estruturais. Em geral. O aumento de dureza varia com o teor do elemento adicionado.Efeito do aumento de dureza em relação aos elementos de liga na ferrita (Chiaverini. esse aumento de resistência não influi na queda da ductilidade. Inclusões não metálicas de grande dimensão são indesejáveis. Figura 2 . através da presença do sulfato de manganês na forma de tiras alongadas e pequenas. forma e dispersão. 1996) Um dos constituintes básicos dos aços esfriados lentamente é o carboneto. O maior interesse nas inclusões não metálicas é de melhorar a usinabilidade dos aços recozidos. No entanto. dispersões muito finas podem ser benéficas ou maléficas. Estas . A influência nas propriedades é dada pela quantidade.2. Dos elementos formadores de carbonetos.

Em geral. são homogêneas ao longo do diâmetro. Inclusões não metálicas. Inclusões de sulfeto alongadas podem dividir a barra ao meio durante a laminação a quente prejudicando o rendimento (Chiaverini. em aços ao chumbo ressulfurados para melhor o rendimento durante a laminação a quente.34 inclusões podem se tornar esféricas dependendo do teor de oxigênio dos aços. 2.2. que não dissolvem na austenita como nitreto de alumínio. . 1996). evitam o crescimento de grão.3 Efeito dos elementos de liga na formação da austenita e na sua transformação O aquecimento do aço até a temperatura de austenitização mantém em solução os elementos de liga que estavam solubilizados na ferrita. porém os elementos de liga que estão dissolvidos aumentam a temperatura de crescimento de grão. alterando as propriedades da austenita tornando-a mais dura e resistente à deformação. principalmente.

abaixa a temperatura do eutetóide. como se vê. com exceção do manganês. cromo. em teores crescentes. molibdênio e silício sobre o campo austenítico. Verifica-se que o manganês.Elementos de liga e o efeito no campo austenítico (Chiaverini.35 Figura 3 . 1996) A Figura 3 mostra a ação dos elementos manganês. um teor adequado de manganês poderá produzir uma estrutura inteiramente perlítica somente com cerca de 0. Todos eles. além de diminuir o seu teor de carbono. quanto à influência sobre o teor de carbono do eutetóide. a tendência é idêntica ao do manganês. contraem o campo . O cromo. molibdênio e silício comportam-se de modo contrário ao manganês no que se refere à influência sobre a temperatura do eutetóide.3% de carbono.

Valores elevados de solubilidade podem ser encontrados. mais tenaz do que a estrutura semelhante num aço-carbono comum (Chiaverini. no caso das principais ligas binárias de ferro (Pedraza. Cu. à temperatura ambiente. Mn. As soluções sólidas do ferro com os demais elementos são do tipo substitucional.36 austenítico. enquanto em outros casos a solubilidade pode ser restrita (Ti. N. o átomo de soluto pode se localizar intersticialmente ou substitucionalmente na rede do solvente. Co. Cr. 2. apenas os solutos de pequeno raio atômico podem se dissolver intersticialmente como: H. é evidente que se puder obter uma estrutura resistente. tendendo a tornar o aço quase que inteiramente ferritico. A Tabela III mostra a solubilidade máxima de alguns elementos no ferroα. V). As solubilidades de um dado elemento são diferentes em cada uma das estruturas alotrópicas do ferro e. S). O. & Silva. de produzirem uma estrutura eutetóide apresentando um baixo teor de carbono é muito importante. Coutinho. onde átomos do soluto ocupam o lugar de átomos de ferro na estrutura cristalina. C e S. o Cr. essa estrutura será também mais mole e menos frágil. Essa propriedade de certos elementos de liga. dependem do teor de cada um dos elementos presentes.3 Soluções Sólidas Em uma solução sólida. o Mo. Devido ao tamanho dos sítios disponíveis. A liga eutetóide é de grande resistência mecânica. P. . 1996). 1989). o Si. como no caso de ligas com metais de transição vizinhos ao ferro (Ni. mediante introdução de elementos de liga num aço com menor teor de carbono. o Ni. além disso. ou seja. o Ti. como Mn. como a dureza e a fragilidade crescem com a porcentagem de Fe3C. etc. inteiramente perlítica.

%) Al 25 Nb 5 Co Cr Cu Mn Mo 20 9 0. A Tabela IV abaixo mostra a habilidade de cada elemento de liga: Tabela IV . desde o lingotamento. Amb. Cr *O vanádio fornece profundidade de endurecimento se austenitizado a temperatura suficientemente elevada para dissolver o carbeto de vanádio.8 30 7 5 2. Cr. 2006) Características Elementos de Liga Dureza a quente W. Co (com W ou Mol). . vanádio. silício. V. Em principio. Mn Resistência ao desgaste V. (at.7 10 2 Ni Si Ti V W 10 1. fundamentalmente. Mo. ambiente (Pedraza. Mn Tenacidade pelo refino de grão V. esta preocupação é compreensível quando se considera os requisitos que eles devem preencher e os tipos e condições de serviços a que se destinam (Chiaverini. Mn.Solubilidade de elementos de liga no ferro alfa à temp. Cr.4 Aços Ferramenta Estes aços que exigem maiores cuidados sob o ponto de vista de fabricação. Cr. 1996). Mo. manganês. Si. W. transformação mecânica até o tratamento térmico final. Cr. Amb. possibilitam o atendimento das exigências de qualidade dos aços considerados: composição química e tratamento térmico. molibdênio e cobalto.37 Tabela III . Mo.Habilidade dos elementos de liga em aços ferramentas (Costa e Silva & Mei. Os principais elementos de liga presentes nos aços ferramentas são: carbono. & Silva. dois são os fatores que. Mn Profundidade de endurecimento Mn. Aços para aplicações em ferramentas estão entre os aços sujeitos às mais rigorosas solicitações entre todas as aplicações. Mo.%) Elemento Solubilidade no Fe-α à Temp. Coutinho. V* Empenamento Mínimo Mo (com Cr). (at. Ni. Sob o ponto de vista de aplicação. 1989) Elemento Solubilidade no Fe-α à Temp. cromo. tungstênio. W.

Classificá-los por meio de composição química.Classificação AISI dos aços ferramentas (Costa e Silva & Mei. como no caso da classificação SAE/ABNT para aços destinados à construção mecânica não é viável.38 É importante dividir as numerosas composições de aços ferramentas em um número restrito de grupos ou famílias. uma vez que as variações de composição química são extremamente amplas. Um critério de aceitação. essa classificação não foi imposta. será utilizada o NADCA #207 2006 que trata de um acordo com firmas membros do NADCA que são os maiores fornecedores e/ou empresas de tratamento térmico para indústrias de fabricação de matrizes. 2006). alto cromo Aços para Trabalho a Quente: H1 – H19 .Ao cromo H20 – H39 – Ao tungstênio H40 – H59 – Ao molibdênio Aços Rápidos: T – Ao tungstênio M – Ao molibdênio Neste trabalho. uma classificação que combine composição química. temperáveis em ar D – Aço alto carbono. Entretanto. Além dos aços especificados segundo a AISI (conforme Tabela V). há obviamente outras diversas especificações: DIN (Alemanha). características de emprego e tipo de tratamento térmico pode parecer pouco lógica. visando a facilitar sua comparação e seleção. 2006) W – Aços temperáveis em água S – Aços resistentes ao choque Aços para Fins Especiais: L – Tipo baixa liga F – Tipo carbono-tungstênio P – Aços pra moldes Aços para Trabalho a Frio: O – Aços temperáveis em óleo A – Aços média liga. uma restrita especificação e um plano de certificação está sendo desenvolvido tanto para a qualidade do material como para a qualidade dos . BS (Inglaterra) e EN (União Européia) (Costa e Silva & Mei. decorreu do consenso entre produtores e usuários de ferramentas. Em princípio. Tabela V .

005.55 5. forma.75 2.42 0.Composição química conforme norma NADCA #207 2006 NADCA GRADE Material Categoria C (%) Mn (%) P (%) S (%) Si (%) Cr (%) Mo (%) V (%) A Tipo H13 Premium Tipo H13 Superior Tipo 2367 & Modificado Tipo H11 / 2343 Type H11 Modified 0.370.100.015 max 0. melhorias nos níveis de limpeza.003 max 0.42 0. temperatura de austenitização.100.43 0.005. Este critério de aceitação e especificação não é intencionado para todas as aplicações de fabricação.20 0. assim reduzindo o risco de empenamento e trincas durante o tratamento térmico conferindo uma maior vida.20 0.005.50 0.705.300.00 0.200.300.75 1.370.801.025 max 0.60 1. uma variedade comercial verificada nas matrizes especiais é listada nessa especificação.40 0.005 max 0.30 5. eles são aplicados para um alto volume de produção ou requer uma performance crítica.320.42 0.60 0.801.80 B C D E Deve-se notar que o desempenho de matrizes é uma complexa combinação de muitos fatores incluindo tamanho de matriz.60 0.003.801. Esses aços vão responder mais uniformemente e previsivelmente no tratamento térmico.801.025 max 0.201.50 0.320. Ao especificar aços para matrizes com essas especificações. Outros fatores como resistência do revenido.30 1.70 1.320.100.400.200.801.201.50 5.20 0.50 4.39 tratamentos térmicos de aços especiais para matrizes.10 0.102. Tabela VI .60 0. e capacidade de resistência a fratura são certificadas.20 0.003 max 0. liga.020 max 0.50 0.70 0. tenacidade ao impacto e dureza.200.020 max 0. uma redução micro e macro na formação de estrutura bandeada pela Iaminação. conforme a Tabela VI abaixo.100.003 max 0. composição.003 max 0.70 0. tração à quente e resistência à fadiga também afetam o desempenho da matriz e deve ser considerada a especificação do grau ou da liga . produção. Para aplicações de um alto nível de qualidade de materiais e tratamento térmico.50 4.101.705.

sendo a principal característica a alta tenacidade. conforme Figura 4 e Figura 5. e. c. extrusão de alumínio a quente etc). Em geral. As aplicações típicas são: ° Moldes para fundição sob pressão de metais não ferrosos (AL. Tais matrizes suportam altas pressões. b. Resistência a erosão. ° Facas para corte a quente. f. tamanho e forma. as propriedades mais importantes são: a. Mg). Resistência a deformação no tratamento térmico. ° Peças estruturais de Ultra-Alta Resistência. H13. a dureza deve ser selecionada baseada no tipo de aço. ° Matrizes e punções para trabalho a quente (forjamento. os mais usados e comerciais são os aços H11. . Série H – Aços para trabalho a quente Da série H. Resistência a trincas a quente. Usinabilidade. Finalmente.40 do aço e parâmetros de tratamento térmico. Zn. d. 2. H12. Resistência à deformação na temperatura de uso.5 Aços para trabalho a quente Podem-se utilizar aços de baixa liga para matrizes de forjamento a quente. ° Moldes para plásticos. Para este trabalho a aplicação são matrizes de extrusão de alumínio. Resistência ao impacto.

2714 e 1. Segue a Tabela VII com aços para trabalho a quente. 1.Nr. 1.Foto de uma matriz Figura 5 . 2006).Nr. O W.2362. ligados ao níquel.Nr. Os Aços da norma DIN (W. . 1. são particularmente indicados para matrizes de martelos de queda e aplicações em que gravações profundas são necessárias (Costa e Silva & Mei. 1.2721).2365. respectivas composições químicas e aplicações.2365 é semelhante ao H10.2344.Figura esquemática de uma extrusora direta Entre os aços da norma DIN equivalentes à série H. estão os W. 1.41 Figura 4 . porém com teores de molibdênio e Vanádio mais altos.

matrizes de prensas para forjamento e estampagem a quentes e facas para trabalho a quente. composição química e aplicações (Chiaverini.Aços para trabalho a quente.30 - Matrizes para trabalho até 550°C. Buchas.30 AISI H13 0.80 0. Componentes estruturais para mísseis e uso aeronáutico.10 0. 1. Matrizes.Nr.30 1. matrizes e punções para furação de chapas. bigornas para martelos de forjamento. especialmente quando for necessário resfriar as matrizes durante o uso.40 5.65 Especialmente indicado para matrizes para forjamento de martelos e matrizes com gravações profundas. sua ótima resistência ao choque torna estes aços preferíveis em grande parte das aplicações.25 W=1.50 0.35 W=8.30 2.90 - AISI H20 0.10 Ni=1. Moldes para fundição sob pressão de não ferrosos.Nr. pistões e camisas para prensas de extrusão.2714 0.4 0. Além do desgaste. fixadores de rebites a quente. Uma das aplicações mais importantes dos aços para trabalho à quente é em matrizes para forjamento.25 1. Apesar de sua elevada dureza à quente ser algo inferior dos aços mais ligados da família H.40 5. W. As ferramentas empregadas nestas operações são expostas a grade variações de temperatura (no forjamento de peças de aço. pistões e camisas para prensas de extrusão. fadiga e fadiga térmica são importantes mecanismos de falha destas ferramentas. .05 0.35 3. moldes para fundição sob pressão de ligas leves. matrizes de prensas para forjamento e estampagem a quentes e facas para trabalho a quente Buchas.25 1. ficam em contato com partes a 1000°C sendo resfriadas ime diatamente e lubrificadas).00 2. componentes para prensas de extrusão a quente de não-metálicos. Ferramentas para prensas de extrusão de tubos e tarugos Punções e matrizes para prensas de extrusão e forjamento a quente.45 0.2365 0.40 5.2721 0.42 Tabela VII .65 - 0. Mandris para fabricação de Molas. 1.30 0.25 Matrizes de forjamento de gravuras rasas.52 1.55 - AISI H11 0.55 1. Ni=3. 1996) Composição Química Aplicações %C % Cr % Mo %V Outros AISI H10 W. 1.Nr. A característica notável dos aços H11 e H13 é a tenacidade.50 W.40 - AISI H12 0.

estes aços adquirem alta dureza se temperados ao ar. Uma das causas importantes destas alterações parece ser o efeito do silício sobre a precipitação de carbonetos no revenimento (Costa e Silva & Mei.30% gera expressivo aumento da tenacidade e da resistência a fadiga a quente destes aços.2714 e W.Nr. . Assim. devendo ser evitadas. Estudos recentes têm mostrado que a redução do teor deste elemento para níveis em torno de 0. Recomenda-se o aquecimento em forno a vácuo ou banho de sal. promovendo significativa melhoria de rendimento nas matrizes de forjamento. 2006).6 Processamento dos aços para trabalho à quente 2. usa-se quase que unicamente a têmpera em óleo (Costa e Silva & Mei. contudo.43 Os aços H11 e H13 possuem teores de silício elevados.1 Têmpera Os aços da série H podem ser temperados ao ar para pequenas dimensões.Nr. Carbonetação ou descarbonetação têm grande efeito na resistência à fadiga térmica da superfície das ferramentas. 1. Para aços W. Os resultados indicam que a redução da fragilidade desses materiais em temperaturas em torno de 550°C assegura tenacidade mais alta mesmo para temperaturas de revenimento elevadas. a precipitação de carbonetos em contornos de grão fragiliza a vida útil em termos de resistênca de impacto e fadiga térmica.2721. Para dimensões de matrizes. 2. por exemplo. da ordem de 1%.6. 1. 2006). são normalmente temperados em óleo ou nos fornos de tratamento térmico à vácuo ou banho de sais com resfriamento com nitrogênio ou no próprio sal.

etc. . homogeneidade e limpeza interna requerida. mas não tem controle sobre o tratamento térmico. Revenimentos múltiplos são recomendados para garantir a tenacidade e estabilidade da estrutura. Os aços ferramenta são possivelmente os aços de tratamento térmico mais crítico. 2006). 2. pelo esfriamento rápido de um aço eutetóide até uma temperatura abaixo de 727°C. variações pequenas de parâmetros podem resultar em microestruturas diferentes e em desempenho inadequado. portanto. ou seja. tamanhos de grãos. Essas características são influenciadas pela temperatura e tempo de austenitização.44 2. O fabricante do aço é responsável pela produção e obtenção de peças de aço com a composição química.7 Tratamentos Térmicos 2. porém para condições extremas de choque é reduzido para 40-44HC.7.1 Diagrama TTT (Transformação-Tempo-Temperatura) Os fenômenos que ocorrem quando o aço é esfriado a diferentes velocidades de esfriamento são melhor compreendidos pelo estudo da transformação isotérmica da austenita em perlita.6. O comportamento desses aços na têmpera e revenimento dependerão da quantidade de carbonetos dissolvidos. em diversas temperaturas abaixo de 727°C. variações no ciclo de têmpera podem alterar a distribuição da dureza no estado revenido. Tratamento térmico incorreto é a mais importante causa individual de falha precoce de ferramentas (Costa e Silva & Mei.2 Revenimento Os aços da série H são geralmente revenidos para 44-50HC. etapa essencial para a obtenção de melhores propriedades.

Os eixos verticais e horizontais representam respectivamente a temperatura e o logaritmo do tempo. tanto em relação ao tempo como em relação à temperatura está apresentada na Figura 6. Uma curva tracejada representa um estado de 50% de transformação da austenita (Chiaverini. (Chiaverini. para o aço eutetóide revela o seguinte: .Representação esquemática de uma curva Transformação-Tempo-Temperatura para um aço eutetóide. Duas curvas contínuas são plotadas. 1996).45 mantendo-se essa temperatura constante até que toda a transformação da austenita se processe. Uma maneira mais conveniente de representar a dependência dessa transformação. 1996) O exame dessas curvas. Figura 6 . uma representa o tempo necessário para o inicio da transformação e a outra a conclusão.

nota-se nelas. representa a linha à temperatura de 727°C. na parte superior do diagrama. Essa linha indica a separação inicial da ferrita quando o aço entra. c. A linha horizontal. A Figura 7 é a curva para um aço hipoeutetóide e nela pode ser verificado também o aparecimento de outra linha indicada por Fi. em primeiro lugar. a qual representa a temperatura crítica inferior. na zona crítica (Chiaverini. Os aços que não são eutetóides apresentam curvas em C diferentes. Figura 7 . b.46 a. A linha em forma de C marcada I define o tempo necessário para que a transformação da austenita em perlita se inicie. mais uma linha horizontal – A. 1996). durante o esfriamento lento.Diagrama TTT para um aço hipoeutetóide (Chiaverini. A linha também em forma de C marcada F define o tempo necessário para que a transformação da austenita se conclua. 1996) .

Porém. ainda que muito rápido. o nióbio e o vanádio O cromo tem tendência moderada para formar . deslocam as curvas de início e de fim de transformação para a direita. tanto mais difícil de se obter por esfriamento a estrutura unicamente martensítica. ou sejam. Isso ocorre porque praticamente todos os elementos de ligas dissolvem na austenita. isto é. além do carbono. quando o aço se encontra a temperaturas em que é constituído unicamente de austenita.47 Quanto menor o teor de carbono. Tabela VIII . Isso pode ser notado na Figura 6 acima pelo deslocamento da curva TTT para a esquerda. 1996) Os que apresentam tendência mais forte de formação de carbonetos são o titânio. retardam a transformação. os seus elementos de liga se encontram inteiramente dissolvidos no ferro gama.Elementos de liga e suas formas dissolvidos na ferrita (Chiaverini. O que ocorre também é que alguns elementos tendem a ficar dissolvidos no ferro sob a forma alotrópica alfa e há outros elementos que tendem a formar carbonetos da mesma maneira que o ferro. os elementos de liga nos aços afetam grandemente a posição das curvas isotérmicas. conforme Tabela VIII. Todos os elementos de liga que são adicionados aos aços. com exceção do cobalto.

do cromo e do carbono sobre a temperatura Mi de inicio de formação da martensita. consiste na maior facilidade de obter a estrutura martensítica. As Figuras 8 e 9 permitem observar os efeitos do manganês. Dependendo dos elementos de liga presentes. pode-se obter quase que somente martensita. 1996) . a maior parte dissolve na ferrita. do carbono.Efeito do manganês do carbono na temperatura Mi (Chiaverini. Evidenciam-se mais uma vez a ação que os elementos de liga podem exercer sobre as temperaturas de reação martensítica. 1996) Figura 9 . Figura 8 . A conseqüência mais importante do descolamento da curva TTT para a direita é o retardamento nas transformações.Efeito do cromo e do carbono na temperatura Mi (Chiaverini. a ponto de evitar sua formação total. mesmo com esfriamento lento.48 carbonetos e o manganês apresenta tendência fraca. abaixando-as consideravelmente.

devido a tensões internas causadas pela distorção da rede cristalina do aço.49 Dos elementos que podem estar presentes no aço. 11 e 12. conforme especificação técnica. Figura 10 . manganês. os que tem maior influência são: carbono. Para este trabalho. como molibdênio. cromo e níquel (Chiaverini. molibdênio e tungstênio. as curvas TTT para os aços 2367. sendo a maior distancia pa ra elementos de grande influência no sentindo de diminuir a temperatura de Mi. 1996). 2009) . níquel.Diagrama TTT para o aço 2367 (schmolz-bickenbach. 2340 e 2344 são respectivamente Figuras 10. cromo. Os elementos de liga exercem influência na dureza da martensita. A distância entre Mi e Mf varia de 160°C a 245°C.

Diagrama TTT para o aço 2340 (schmolz-bickenbach. 2009) . 2009) Figura 12 .Diagrama TTT para o aço 2344 (schmolz-bickenbach.50 Figura 11 .

c) martensita (Totten. Isso resulta em uma expansão volumétrica na temperatura de inicio da formação da martensita MS.8. 2002) . ou CFC) para a cúbica de corpo centrado (CCC). ele sofre uma alteração na estrutura cristalina.51 2. é formada. Em taxas de resfriamento rápido. & Jarvis. a estrutura de ferrita. Narazaki. com estrutura tetragonal de corpo centrado (TCC). 2002). Blackwood. Como mostrado na Figura 14 (Totten. b) ferrita.8 Transformação de fase durante aquecimento e resfriamento 2.1 Transformação do Aço Quando o aço é lentamente resfriado. a formação de ferrita é suprimida. Narazaki. Ilustrações destas estruturas cristalinas são fornecidas na Figura 13. e a martensita. Blackwood. uma vez que se transforma de uma estrutura austenita (cúbica de face centrada. Figura 13 .Estrutura cristalina a) austenita. & Jarvis.

Expansão da estrutura cristalina com o teor de carbono (Totten. . Narazaki. & Jarvis. os aços carbono para têmpera apresentam um teor de carbono maior que 0. 2002) A estrutura que permite desenvolver uma combinação entre resistência e tenacidade é a martensita revenida. Em vista disso. A têmpera consiste em resfriar o aço. assim obtendo uma estrutura metaestável martensítica (Totten. Narazaki. Blackwood.52 Figura 14 . Deve-se ainda observar que aumentando o teor de carbono do aço.3%. Blackwood. pois abaixo disso o efeito endurecedor provocado pela têmpera seria muito pequeno. diminui-se a temperatura de inicio e fim da formação da martensita (Figura 15) e também a dureza martensítica aumenta com o teor de carbono (Figura 16). a uma velocidade suficientemente rápida para evitar as transformações perlíticas e bainíticas. após austenitização. & Jarvis. 2002).

pois o filme de vapor atua como isolante térmico. os meios mais comuns são: água.Variação da dureza martensítica com relação ao %C (Costa e Silva & Mei. A taxa de resfriamento é baixa. 2006) Figura 16 .Efeito do teor de C nas temperaturas Mi e Mf (Costa e Silva & Mei. óleo e ar. com diferentes capacidades de extração de calor. 2006) Para controle da taxa de resfriamento. A adição de .53 Figura 15 . A têmpera em meio líquido ocorre em três estágios (Figura 17): a. Formação de um filme contínuo de vapor sobre a peça. utilizam-se diversos meios de têmpera.

A presença desses gradientes de temperatura faz surgir tensões internas associadas à: . Se todos os fatores se mantiverem constantes. 2006) A severidade com que ocorre o resfriamento da peça na têmpera faz surgir gradientes acentuados entre o centro e a superfície da peça.Temperatura e taxa de resfriamento (Costa e Silva & Mei. Figura 17 .54 sais pode suprir esse estágio. O controle é feito pela capacidade calorífera do meio. interrompendo a formação de bolhas de vapor. c. O resfriamento ocorre por condução e convecção. A temperatura da peça fica abaixo do ponto de ebulição do meio de têmpera. Este estágio não é observado quando o meio de resfriamento é não volátil como um banho de sal fundido. 2006). meio e agitação. É importante nesse estágio um meio de agitação para evitar que bolhas fiquem presas num mesmo local causando pontos de resfriamento heterogêneos. O filme de vapor rompe e a taxa de resfriamento aumenta com nucleação de bolhas de vapor sobre a superfície da peça. a taxa de resfriamento diminuirá com o aumento de viscosidade do meio (Costa e Silva & Mei. b. pelas condições interfaciais peça.

Ilustração do estado de tensão para os estágios da têmpera (Costa e Silva & Mei. para tempos mais longos. O estágio mais importante de têmpera em relação às tensões é o terceiro. Dependendo da magnitude dessas tensões podem ocorrer empeno da peça. Isto é conseguido com: ° Elementos de liga dissolvidos na austenita. trincas e tensões residuais.55 ° Contração do aço durante o resfriamento. deve-se retardar a formação de perlita. ° Expansão associada com a transformação martensítica. acentuando as tensões na peça. ou seja. pois é nele que ocorrerá a transformação martensítica. ferrita. conforme Figura 18 abaixo: Figura 18 . bainita e cementita. ° Mudanças bruscas de secção e outros concentradores de tensão. 2006) Para aumentar a temperabilidade do aço. deslocando-se a curva TTT para a direita. .

bainita e cementita).2 Revenimento A martensita como temperada é extremamente frágil e dura. Este tratamento consiste em aquecer a peça uniformemente até uma temperatura abaixo da temperatura de austenitização. mantendo o aço nessa temperatura por um tempo suficiente para homogeneização da temperatura e obtenção das propriedades desejadas. ferrita.8. e não apresentam emprego prático. deve-se logo após a têmpera.56 ° Granulação grosseira na austenita para diminuir área de nucleação dos compostos difusionais (perlita. proceder com o revenimento. 2006). conforme Figura 19. ferrita. bainita e cementita) (Costa e Silva & Mei. exceto quando apresentam extremamente baixo teor de carbono. para diminuir área de nucleação dos compostos difusionais (perlita. com ausência de inclusões e precipitados. Para atingir valores adequados de resistência mecânica e tenacidade. ° Homogeneidade da austenita. 2. . peças nesse alto tensionamento interno podem trincar.

O abaixamento do teor de carbono dissolvido na austenita retida (pela precipitação de carbonetos) aumenta sua temperatura Mi e ela . revenidos duas vezes. Nos primeiros minutos a queda da dureza é acentuada. como os aços-ferramentas. o aquecimento facilita a difusão dos átomos de carbono que se encontrava nos interstícios precipitando-se como carbonetos. O revenimento atua como alivio de tensão da têmpera. Durante este revenimento ocorrem : alivio de tensões. depois de duas horas de revenimento a perda da dureza não é mais expressiva. porém. em geral. O primeiro revenimento deve se iniciar com a peça ainda morna (60 a 90°C). essa precipitação diminui dureza.57 Figura 19 . que em certos aços pode chegar a 30% da estrutura temperada). Sendo a martensita uma estrutura metaestável. Aços de alta têmperabilidade. 2006) As mudanças nas propriedades dos aços dependem do tempo e da temperatura de revenimento.Ciclo de têmpera e revenimento (Costa e Silva & Mei. revenimento de martensita e precipitação de carbonetos na austenita retida (austenita não transformada durante a têmpera. são.

. Este tratamento de duplo revenimento é muito eficiente na estabilização dimensional de ferramentas. O segundo revenimento tem a função de revenir esta nova martensita.58 tempera durante o resfriamento do primeiro revenimento. 2006). . que podem ser revenidos até mais de duas vezes (Costa e Silva & Mei. formando mais martensita. calibres. etc.

É um aço para uso geral.Amostras do aço 2340 O aço 2367 de nome comercial de Thyrotherm 2367. o que proporciona uma melhor manutenção da dureza a quente além de uma alta temperabilidade comparada aos aços H11 e H13 comuns. As amostras dos aços ferramentas 2340. tais como ferramentas de extrusão e moldes de injeção para processamento de metais leves. particularmente para aplicações sujeitas à altas tensões. O aço 2340 com nome comercial de Thyrotherm E 38 K. são mostradas nas Figuras 20 a 22 na forma de barras cilíndricas de diâmetro 18.1 Materiais Os materiais utilizados nesse trabalho foram adquiridos da empresa SchmolzBickenbach. 2009) Figura 20 . boa tenacidade e boa condutividade térmica.00 mm de comprimento e 625 mm2 de seção transversal.50 mm e comprimento de 700. (Schmolz-Bickenbach. 2367 e 2344. com um teor mais alto de Mo (molibdênio).00 mm e barras retangulares de 500.59 3 Materiais e Métodos 3.00 e 500. é próprio para trabalho a quente e similar ao H11 porém.0 e 20. As aplicações . apresenta alta resistência à alta temperatura.

pinças para trefilação e ferramental para fundição de cobre e bronze. Tem boa condutividade térmica e pode ser usado também em aplicações a frio onde se requeira alta tenacidade. matrizes para forjamento a quente.60 típicas incluem ferramental para extrusão. resistência mecânica à quente e à fadiga térmica. As aplicações típicas são insertos. 2009) Figura 22 . moldes para extrusão. (Schmolz-Bickenbach.Amostras do aço 2344 . matrizes de forjamento a quente. aço tradicional para trabalho a quente com uma boa combinação de resistência ao desgaste e alta tenacidade. núcleos e cavidades para moldes. 2009) Figura 21 . cavidades para moldes de plásticos e componentes que requeiram alta tenacidade com excelente polibilidade.Amostras do aço 2367 O aço 2344 de nome comercial de Thyrotherm 2344 (AISI H13). laminas para corte a quente. punções e mandris. (Schmolz-Bickenbach.

Figura 24 . foram usinadas no laboratório do Departamento de Materiais da EEL-USP em 30 corpos-de-prova de impacto. as Figuras 23 e 24 mostram as dimensões as quais os corpos de prova foram usinados: Figura 23 . sendo 6 corpos de prova de cada tipo de aço para dois tipos de tratamento térmico. Todos os corpos de prova foram retirados no mesmo sentido da laminação e do centro das barras para garantir confiabilidade na comparação dos resultados.2 Confecção dos corpos-de-prova Seguindo norma NADCA #207-2006.Desenho do corpo-de-prova de impacto em mm. sendo 10 corpos-de-prova de cada tipo de aço para dois tipos de tratamento térmico e 18 corpos-de-prova para testes de tração.61 3.Desenho do corpo-de-prova de tração em mm. . Abaixo.

para atingir uma dureza entre 4252 HRC. Posteriormente foram enviado para a Confab Tubos em Pindamonhangaba .1 Ensaio Charpy Depois de temperados e revenidos as amostras para os testes de impacto foram encaminhados para a ETEC – João Gomes de Araujo em Pindamonhangaba – SP para a realização do entalhe em V de 45° de ab ertura e 2 mm de profundidade conforme ASTM A 370-05. Os corpos-de-prova foram encaminhados para a empresa TecTTerm situada em Pindamonhangaba-SP para a realização dos tratamentos térmicos de têmpera e revenimento. ou seja. segundo norma NADCA #207-2006. A realização do ensaio foi no equipamento marca Wolpert modelo D6700.4 Tratamentos Térmicos Depois de usinadas.3 Composições Químicas Uma amostra de cada material foi recolhida para análise da composição química na Gerdau Pindamonhangaba utilizando o equipamento marca thermo elétron modelo modelo ARL-9800 XP.5 Caracterizações Mecânicas 3. 5 corpos de prova de impacto e 3 de tração foram separados para resfriamento ao ar e 5 corpos de prova de impacto e 3 de tração de cada aço foram separados para resfriamento a água.SP para a realização dos ensaios de impacto.5. 3. .62 3. os corpos-de-prova foram identificados e separados para dois tipos de resfriamento diferentes. 3.

12-F21 (faixa de calibração de 50%) e velocidade de ensaio de 0.5. 3. 320.63 3.3 Ensaio de Tração Os ensaios de tração a temperatura ambiente foram realizadas com objetivo de se estimar as propriedades mecânicas tais como: limite de escoamento. Os ensaios foram conduzidos na máquina servohidraulica MTS modelo 810. 3. As amostras foram lixadas com lixas 220. .23M de 250 kN.5 mm/min.6. 400 e 600 e atacadas com Nital 5% conforme NADCA #207-2006.2 Microdureza O ensaio de microdureza foi realizado nas amostras antes e depois do tratamento térmico na USP-EEL em Lorena . As condições para a realização dos ensaios foram de 300 gf e tempo 30 s. Para a verificação conforme a norma NADCA #207 2006 foi utilizado uma tabela de conversão de dureza para a obtenção da dureza rockwell.SP em um equipamento Micromet 2004 Buehler modelo 1600-4988. limite de ruptura e deformação na ruptura.6 Caracterização Metalográfica 3.5. Utilizou-se o extensômetro 634.1 Microscopia eletrônica de varredura e EDS (Espectroscopia de energia dispersiva) Para uma melhor análise da microestrutura dos aços foi realizada a caracterização microestrutural por microscopia eletrônica de varredura.

EDS acoplado. no equipamento marca JEOL modelo JSM 6360 com um detector de espectroscopia de energia dispersiva . .64 Foram obtidas imagens de 500x de aumento fornecidas pela Confab Tubos de Pindamonhangaba.2 Microscopia Óptica Foi realizada a microscopia óptica no equipamento Leitz Epivert na Confab Tubos de Pindamonhangaba nas amostras dos aços 2367 e 2344 resfriadas em água. 3.6.

2° .24 1.61 1.21 V (%) 0. 2340 – Grade E Tipo H11 Modificado e 2344 .54 0.04 Cr (%) 4.Grade C Tipo 2367 & Modificado. Assim. Os ciclos de tratamentos térmicos foram embasados em função da norma NADCA #207 2006 e nas curvas TTT apresentados nas Figuras 8.76 4.37 0.65 4 Resultados e Discussão 4.1° revenimento a 560°C por 1 hora.Grade B Tipo H13 – Superior.64 0.885 Mo (%) 2.2 Tratamento Térmico Após a confecção dos corpos-de-prova de impacto e antes da usinagem do entalhe em V.52 0.37 0. 3° .48 0.34 0.32 1.2° revenimento a 595°C por 1 hora.48 Si (%) 0.84 4.Composição química dos aços estudados Aço 2367 2340 2344 C (%) 0.37 Mn (%) 0. 9 e 10: → Para o aço 2340: 1° . 4. os mesmos foram submetidos a um tratamento térmico de têmpera com resfriamento em água e ao ar.1 Composição Química A análise da composição química realizada na Gerdau Pindamonhangaba apresentou os seguintes resultados mostrados na tabela IX: Tabela IX .Têmpera na faixa de 1030°C e resfriamento ao a r ou água. segundo a nomenclatura NADCA #207 2006 tem-se: 2367 .93 Comparando os resultados obtidos com a Tabela VI. a composição dos aços estudados estão compatíveis com os teores apresentados. .

2° .66 → Para o aço 2344: 1° . . 3° .2° revenimento a 595°C. → Para o aço 2367: 1° .3° revenimento a 610°C.Têmpera na faixa de 1030°C e resfriamento ao a r ou água. 4° .1° revenimento a 560°C por 1 hora.2° revenimento a 595°C por 1 hora. 2° . 5° . por 1 hora.1° revenimento a 560°C por 1 hora.Têmpera na faixa de 1030°C e resfriamento ao a r ou água. por 1 hora. 3° . por 1 hora.4° revenimento a 630°C.

Figura 25 .Microestrutura obtida em MEV do aço 2340 água com 500X Figura 26 – Microestrutura obtida em MEV do aço 2340 ar com 500X .3 Caracterização Metalográfica As Figuras 25 e 26 apresentam as micrografias referentes ao aço 2340 após resfriamento em água e ao ar. a martensita revenida fina. nas microestruturas.67 4. Observa-se.

68 As Figuras 27 e 28 apresentam as micrografias referentes ao aço 2344 após resfriamento em água e ao ar. nas microestruturas martensita revenida fina.Microestrutura obtida em MEV do aço 2344 ar com 500X . também. Observa-se.Microestrutura obtida em microscópio óptico do aço 2344 água com 500X Figura 28 . Figura 27 .

69 As Figuras 29 e 30 apresentam as micrografias referentes ao aço 2367 após resfriamento em água e ao ar.Microestrutura obtida em microscópio óptico do aço 2367 água com 500X . Figura 29 .Microestrutura obtida em MEV do aço 2367 ar com 500X Figura 30 . Observa-se nas microestruturas martensita revenida fina.

Esquema de microestrutura de aço ferramenta H13 com aumento de 500X segundo norma NADCA #207 2006 A) Amostra devidamente lixada. pouco tempo de ataque 4. D) Amostra mal atacada.4 Microdureza A microdureza antes do tratamento térmico apresentou os seguintes resultados para cada um dos aços apresentados na Tabela X: Tabela X . muito tempo de ataque. Figura 31 . 2340 e 2344.Resultado das microdurezas obtido para os aços 2367. C) Amostra “queimada”. Material 2367 2340 2344 Dureza [HV] 332±28 295±19 230±17 Dureza [HRC] 34 29 18 . B) Arranhões de polimento. polida e atacada.70 Todas as microestruturas estão conforme norma NADCA #207 2006 apresentando martensita e a possível presença de bainita.

Os valores de dureza tiveram aumento de 2. com relação ao material recebido. 2340 e 2344 após tratamentos térmicos. Isto se deve ao maior teor de silício e vanádio no aço 2344 que são respectivamente um desoxidante e um formador de carboneto. os aços 2344 e 2367 apresentaram maior dureza após resfriamento ao ar.Resultados das microdurezas obtidos para os aços 2367. . Estes valores estão adequados para as aplicações conforme a norma NADCA #207 2006. Após têmpera.58 vezes. apresentou os seguintes resultados conforme Tabela XI: Tabela XI .71 A microdureza. após tratamento térmico. respectivamente.29 vezes e 1. Material 2367 2340 2344 Resfriamento Dureza [HV] Água 504±15 Ar 523±14 Água 500±17 Ar 509±24 Água 494±16 Ar 527±18 Dureza [HRC] 48 49 48 49 48 49 Observa-se que o resfriamento ao ar proporcionou uma maior dureza para todos os aços em função das microestruturas observadas nas Figuras 25 a 30. e ao maior teor de molibdênio no aço 2367 o que aumenta a sua temperabilidade.

99 6. Tabela XIII . sendo r o raio inicial da amostra.00 5.72 4.92 5.90 6.98 5.90 6.95 5.02 5.96 5.96 5.07 5.04 6.98 5.95 5.95 5.00 5.01 6.91 6.01 5.99 5.37 28.99 5.01 6. σ= .05 6.71 28.05 5.95 Área 2 (mm ) 28.96 5.98 5.98 6.88 5.1 2367.96 2344_AR_01 2344_AR_02 2344_AR_03 5.98 6.05 6.5 Propriedades obtidas no ensaio de tração Antes da realização dos ensaios de tração foram medidas os diâmetros internos de cada corpo-de-prova.95 6.Cálculo da área seção transversal do corpo-de-prova de tração MATERIAL MÉDIA (mm) 2367_AGUA_01 2367_AGUA_02 2367_AGUA_03 2344_AGUA_01 2344_AGUA_02 2344_AGUA_03 2340_AGUA_01 2340_AGUA_02 2340_AGUA_03 6.04 5.99 5. A Tabela XII apresenta as medidas encontradas e os respectivos valores médios utilizados para o cálculo de limites de escoamento e resistência.5.97 2340_AGUA_01 2340_AGUA_02 2340_AGUA_03 6.96 5.03 5.89 6.03 6.98 5.03 2344_AGUA_01 2344_AGUA_01 2344_AGUA_01 6.01 6. F a força e A a área da seção transversal.97 6. Tabela XII . 2344 e 2340 temperado em água A Tabela XIII apresenta o cálculo das médias dos diâmetros dos corpos-deprova e a área conforme a fórmula: Área=πr2.98 5.98 5.03 6.96 6.01 5.97 6.98 5.95 5.02 6. O limite de escoamento é A calculado usando o critério de 0.97 6.06 6.94 2367_AR_01 2367_AR_02 2367_AR_03 6.89 27.98 5.94 5.0 5.00 5.27 28.2% ou ε=0.96 5.97 5.81 A tensão exercida durante o ensaio é calculada pela expressão: F Sendo.94 5.96 4.01 5.09 27.02 6.08 5.90 5.05 5.02 5.05 6.94 5.00 6.94 5.Diâmetro interno da seção transversal dos corpos-de-prova de tração DIÂMETRO (mm) MATERIAL MÉDIA (mm) MATERIAL DIÂMETRO (mm) MÉDIA (mm) 2367_AGUA_01 2367_AGUA_02 2367_AGUA_03 6.37 27.09 27.00 5.06 6.99 28.002.95 2340_AR_01 2340_AR_02 2340_AR_03 5.97 5.92 5.03 6.97 5.

47 45.03 (MPa) 1586.88 1510.06 1546.85 47.95 43.50 1459.59 48. resistência e redução em área para cada corpo de prova dos aços 2367.44 1470.22 1608.66 41.57 1623. Figura 32 .10 1432. O limite de resistência foi determinado com base na força máxima atingida durante o ensaio.34 43.93 1510.54 O valor médio e o desvio padrão foram determinados pelas expressões (1) e (2): .96 1547.23 1613.48 1460.Gráfico tensão x deformação para os aços resfriados em água A Tabela XIV mostra as respectivas tensões de escoamento.73 . As Figuras 32 apresentam a curva tensão x deformação para os aços 2367. 2344 e 2340 resfriados em água e a Tabela XV apresenta as médias e os desvios padrão. Tabela XIV .30 31. 2344 e 2340 resfriados em água.91 1450.44 1515.52 Redução em Área (%) 0.66 1606.Tensão de escoamento e tensão de resistência para 2367 resfriados em água e ar Material 2367_AGUA_01 2367_AGUA_02 2367_AGUA_03 2344_AGUA_01 2344_AGUA_02 2344_AGUA_03 2340_AGUA_01 2340_AGUA_02 2340_AGUA_03 (MPa) 1454.88 48.18 1623.10 1548.

97 5.96 Área 2 (mm ) 28.96 5.89 27.002.74 (1) (2) Tabela XV .03 6. O limite de resistência foi determinado com base na força máxima atingida durante o ensaio. 4.56 28.66% e foi desconsiderado para a comparação com os aços 2344 e 2340. σ= .28 1547±1 1610±4 Média da Redução em Área (%) 23±1 43±10 46±2 O corpo de prova 1 do aço 2367 resfriado em água teve uma redução em área de 0.98 5.18 27.89 A tensão exercida durante o ensaio é calculada pela expressão: F Sendo.09 27.Média e desvio padrão dos corpos-de-prova temperados a água Média Material 2367 AGUA 2344 AGUA 2340 AGUA (MPa) 1513±4 Média (MPa) 1448±14 1480±27 1624±0.56 28.99 5. O limite de escoamento é A calculado usando o critério de 0.71 28.94 5.5.99 27.03 6.2 2367. .03 5.56 28. F a força e A a área da seção transversal. TTabela XVI . sendo r o raio inicial da amostra.Cálculo da área seção transversal do corpo-de-prova de tração Material MÉDIA (mm) 2367_AR_01 2367_AR_02 2367_AR_03 2344_AR_01 2344_AR_02 2344_AR_03 2340_AR_01 2340_AR_02 2340_AR_03 6.2% ou ε=0. 2344 e 2340 temperado ao ar A Tabela XVI apresenta o cálculo das médias dos diâmetros dos corpos de prova e a área conforme a fórmula: Área=πr2.

resistência e redução em área para cada corpo de prova dos aços 2367.Tensão de escoamento e tensão de resistência para 2367 resfriados ao ar Corpo de Prova 2367_AR_01 2367_AR_02 2367_AR_03 2344_AR_01 2344_AR_02 2344_AR_03 2340_AR_01 2340_AR_02 2340_AR_03 (MPa) 1576.81 1672.46 1731. Tabela XVII .79 29.83 1735.44 1528.95 1640.46 1567.15 (MPa) 1678.36 1510.30 32.24 1640.47 1633.67 1569.26 41. Figura 33 . 2344 e 2340 resfriados ao ar e a Tabela XVIII apresenta as médias e os desvios padrão.70 31.35 37.52 1579.30 1624.42 38.19 1665.39 Redução em Área (%) 26.Gráfico tensão x deformação para os aços resfriados ao ar A Tabela XVII mostra as respectivas tensões de escoamento.64 1729. 2344 e 2340 resfriados ao ar.07 34.89 1688.15 1624.75 As Figuras 33 apresentam a curva tensão x deformação para os aços 2367.01 38.83 .

foi realizado uma análise via EDS no material. Porém.Média e desvio padrão dos corpos-de-prova temperados ao ar Material 2367 AR 2344 AR 2340 AR Média (MPa) 1575±6 1536±30 1635±9 Média (MPa) 1672±6 1649±35 1732±3 Média da Redução em Área (%) 29±3 38±0. e maior redução em área. o aço 2340 resfriado ao ar apresentou valores de limite de escoamento e limite de resistência superiores ao 2367. respectivamente.76 O valor médio e o desvio padrão foram determinados pelas expressões (1) e (2).4 38±3 Com base nos resultados obtidos das Tabelas XV e XVIII. Tabela XVIII . Para resfriamentos mais bruscos. Com objetivo de compreender a redução da deformação total no corpo-deprova 1 do aço 2367 resfriado em água. O aço 2367 apresentou maior valor de limite de escoamento e limite de resistência após resfriamento em água. . observa-se que o resfriamento em água oferece uma redução no limite de escoamento e no limite de resistência. As Figuras 34 e 35 e a Tabela XIX apresentam uma inclusão metálica (ponto 1) e o resultado da análise por EDS. em água. existe a possibilidade da nucleação de trincas internas em função de tensões residuais oriundas da têmpera.

77 Figura 34 .73 Identificou-se.Imagem da inclusão no 2367 água Figura 35 – Diagrama referente ao EDS de inclusão no aço 2367 resfriado em água Tabela XIX . oxigênio. A redução está em torno de 63.33 Fe (%) 15. com base na Tabela XIX. magnésio. o elemento carbono. cálcio e ferro na composição da inclusão que pode ser responsável pela queda de ductilidade do corpo-de-prova 1 do aço 2367. alumínio.23 O (%) 18.20 Mg (%) 1.71 Al (%) 49.68 Ca (%) 8. .Elementos encontrados nos pontos 1 Ponto 1 C (%) 3.43%.

(Mesquita & Barbosa.2±0.64%) presentes na composição química deste aço.78 4. observou-se que independentemente do aço.Resultados da energia de Impacto Material CP1 (J) CP2 (J) CP3 (J) CP4 (J) CP5 (J) Média (J) 2340 ar 2340 água 2344 ar 2344 água 2367 ar 2367 água 15 14 20 2 16 20 10 16 12 3 16 14 5 14 19 2 16 22 8 16 16 2 18 18 12 15 12 2 18 19 10±3.00 15±0. Este fato pode estar associado ao menor teor do elemento vanádio (0.52%) e ao maior percentual em peso de Mn (0.40 2.96 16±3. 2007) . as amostras resfriadas em água apresentaram uma maior absorção de energia charpy.30 Com base nos resultados da Tabela XXI e para efeito comparativo entre os aços.45 17±1.15 19±3. conforme Figura 36. Os maiores valores de tenacidade estão relacionados com o aço 2367 resfriado em água (19J) e ao ar (17J).6 Ensaios de Impacto Os resultados obtidos nos ensaios de impacto são apresentados na Tabela XX: Tabela XX . Os resultados estão compatíveis com a aplicação requerida. referente aos estudos de Mesquita e Barbosa.

As Figuras 37. Figura 37 . 2007) Para uma melhor analise e verificação do resultado de impacto do aço 2344. devido ao surgimento de uma mancha negra na região fraturada próxima à região do entalhe. (Mesquita & Barbosa.Resultados de impacto sem entalhe e com entalhe em V.79 Figura 36 . 38.Região da fratura do 2344 água o qual foi realizado EDS . tratado em água foi realizada uma análise por EDS.45J. os diagramas e os elementos obtidos pela técnica de EDS. o qual absorveu 2. 39 e a Tabela XXI apresentam a superfície de fratura.2±0.

Elementos encontrados nos pontos 1 e 2 Ponto 1 2 C (%) 3.03 Cr (%) 3.78 Cl (%) 3.85 Na (%) 7.Diagrama referente ao EDS da região 2 no aço 2344 resfriado em água Tabela XXI .80 Figura 38 .08 0.00 5.05 Mn (%) 0.16 0.43 - Si (%) 0.16 - V (%) 1. verificou-se a presença de uma microtrinca na região do entalhe após o tratamento térmico de têmpera em água.42 Com essa análise.77 89.08 Fe (%) 70.Diagrama referente ao EDS da região 1 no aço 2344 resfriado em água Figura 39 . devido a usinagem do entalhe ter sido efetuada antes do tratamento térmico. Este fato contribuiu para a contaminação pelo banho de sais da têmpera à base de cloro e sódio. fragilizando o material e justificando a baixa energia absorvida no ensaio de impacto.74 0. .

81 5 Conclusão 5. outros estudos são necessários para a verificação de bainitia e carbonetos. para uma aplicação que requer maior resistência à deformação. 5. Assim.2) Os valores de microdureza e dureza obtidas para os aços 2367. para aplicações em que a tenacidade seja a principal característica.3) O maiores valores de limite de escoamento (1635 MPa) e de resistência (1732 MPa) foram obtidos para o aço 2340 após tratamento de têmpera seguido de resfriamento ao ar.4) Os testes de impacto revelaram que a maior energia de impacto foi determinada para o aço 2367 após resfriamento em água. 5. 5. o aço 2367 resfriado em água seria o mais adequado. o mais adequado seria a utilização do aço 2340 resfriado ao ar. no entanto. .1) As microestruturas apresentadas são constituídas por martensita revenida. 2340 e 2344 resfriados em água e ao ar atendem à norma NADCA #207 2006. Porém.

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