Lobão ainda canta; e fala sobre isso.

“Na minha cabeça, minha
história musical se inicia com esse disco. O resto foi ensaio”
[foto lobão]
O ano era 1999, e Lobão vivia o que muitos poderiam considerar o pior momento da sua
carreira. De membro fundador da Blitz no início da década de 80 e hitmaker nacional,
emplacando “Me Chama”, “Essa Noite, Não” e tantas outras, Lobão vivia uma era de
vendas minguando e poucos sucessos. Depois de sair da RCA Victor, gravadora em que
lançou seus CDs mais populares, ele se aventurou na Virgin e na Universal para soltar,
respectivamente, os discos Nostalgia da Modernidade (1995) e Noite (1998), ambos que,
apesar da recepção positiva da crítica, passaram longe de ter boas vendas. No fim das
contas, o músico se viu sem qualquer apoio das grandes gravadoras e partiu para o registro
de seu 9º disco solo de estúdio, agora totalmente independente - na seu próprio selo, o
Universo Paralelo - e de uma forma que, mesmo não sendo completamente inédita, era
bastante inovadora para um artista como ele. Em setembro daquele ano, Lobão lançava o
A Vida é Doce<<https://youtu.be/t-2CiepJgOk nas bancas, acompanhado de uma revista
relacionada ao álbum e com uma sonoridade moderna e surpreendente, misturando o trip
hop com sons acústicos e o estilo clássico do cantor. A ~mídia especializada~, encabeçada
pela revista Bizz, acompanhou todo o processo do álbum e não dispensou elogios depois
do lançamento. Algum tempo depois, estimou-se que as vendas da revista/CD tenham
chegado a 100 mil cópias, número inimaginável para a música independente nacional de
então (e de hoje). E Lobão aproveitou a boa recepção e a divulgação intensa na mídia
(mesmo que as músicas não tenham chegado com força às rádios) para se posicionar a
favor da arte independente e tentar mostrar uma outra realidade possível, em um momento
que marcou a música brasileira. Alguns anos depois, Lobão ainda apresentaria a revista
OutraCoisa, com formato semelhante, em que foram lançados discos como “Enxugando
Gelo”, de Bnegão & Os Seletores de Frequência, e “Nadadenovo”, do Mombojó.
Mesmo que haja quem questione a “qualidade artística” da produção do músico e duvide de
sua relevância para a formação dos cânones da cultura musical brasileira, é inegável a
importância de Lobão no mínimo como um dos grandes agitadores do que veio a ser o
rock independente nacional do século XXI. E isso é maior do que o fato de que, nos 17
anos seguintes ao lançamento de A Vida é Doce, Lobão muito mais falou que compôs.
Falou de música, de economia criativa, de si
mesmo<<http://oglobo.globo.com/cultura/na-autobiografia-lobao-50-anos-mil-musiconarra-sua-incrivel-saga-familiar-musical-2919328, de todas as coisas que você pode
imaginar<<https://youtu.be/pV0Asbtyhn4. E, claro, falou e segue falando muito sobre
política e sobre o espírito do tempo brasileiro, se declarando abertamente de direita desde
meados de 2010 e militando com força na linha liberal. Desde 1999, foram só dois discos de
inéditas, Canções dentro da noite escura (2005) e o recém-lançado O Rigor e a
Misericórdia<<http://www.saraiva.com.br/catalog/product/view/id/3752308 (2016), tema
da conversa que tivemos com o cantor por e-mail. E Lobão não mede palavras para falar
sobre o novo álbum: “Há uma linguagem nova, fresca e desafiadora em O Rigor e a
Misericórdia que, mesmo se eu juntasse todos os meus trabalhos juntos, não atingiriam
nem um décimo de sua potência.”, comenta, ao evocarmos o teor revolucionário da
sonoridade de A Vida é Doce em comparação com O Rigor, um trabalho que dialoga com o

html. na conversa com o folk. o progressivo e a música acústica ou na sua mixagem cristalina. como conta no livro: “Estava possuído de um desejo intenso de abraçar meu pai e de uma tremenda vontade de cantar a música inteira sem fraquejar.com/?uri=spotify%3Aalbum %3A15S4UCrGu36rKG1lUKkeCo" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe> Aliás. beijava o teclado. expressa seus pensamentos sobre episódios recentes da mídia. destacando e comentando o episódio do lançamento d’O Manifesto. manifesto e livro de acompanhamento para o novo disco. como a com o jornalista gaúcho Juremir Machado da Silva<<https://www. no meio das gravações do disco. trêmulo de exaustão. Uma alegria descomunal tomou conta de mim. em que ele sentiu uma conexão emocional extrema com as memórias de seu pai. com muita pressa. e de ter feito tudo sozinho e em casa. com várias referências aos seus dois best-sellers.rock setentista seja nos seus timbres. de fácil entendimento para qualquer leitor.br/mercado/2014/12/1556973-apesar-demanifestantes-barrados-lobao-e-liberado-para-votacao-de-manobra-fiscal. Junto com o disco. <iframe src="https://embed. 50 Anos a Mil e Manifesto do Nada na Terra do Nunca. em algo como uma pequena continuação de sua biografia. Em Busca se divide entre biografia. Lobão também faz uma mini biografia dos seus últimos seis anos. O texto é emocionado e carregado com detalhes do processo. “Ação Fantasmagórica à Distância”.com. foi a primeira a ser registrada e nasceu num momento mágico para o músico. minhas mãos. Lobão nos revelou por email vários detalhes do disco que aconteceram posteriormente ao fim de Em Busca e algumas de suas opiniões mais fortes sobre o próprio trabalho. sua ida a Brasília em dezembro de 2014. e as histórias de muitas faixas surpreendem. às vezes no registro dos sons e escolha de instrumentos. desde as letras . e alguma partes visivelmente feitas para “iniciados”. logo depois das votações da Lei de Diretrizes Orçamentárias<<http://www1. arte e política e conta fatos da sua vida que ocorreram nos últimos seis anos. livro em que documenta a composição e as primeiras gravações de O Rigor. beijava meus braços.folha.facebook.spotify. sempre com uma visão pessoal de Lobão.Reflexões De Um Ermitão Urbano<<http://www. comentando ter escrito tudo em três semanas. pois o que queria mesmo era música: “eu escrevia um parágrafo.shtml e também algumas de suas rusgas públicas. às vezes nos acordes e nas harmonias escolhidas e escritas. O livro conta praticamente tudo que envolveu a composição das faixas. Se o coração de O Rigor e a Misericórdia está exposto no livro. o artista segue a tradição de falar bastante com Em Busca do Rigor e da Misericórdia . respirei fundo e finalmente consegui. Lobão também fala de política. Apesar de já produzir o que veio a ser o novo álbum desde 2013.com.br/em-busca-do-rigor-e-da-misericordia-reflexoesde-um-ermitao-urbano-9202951. Outro destaque é “Alguma Coisa Qualquer”. “Era para ser um apêndice da futura edição do 50 Anos a Mil. Claro. Eu beijava a viola caipira. parava e suspirava com meus olhos compridos de melancolia a observar meus instrumentos abandonados ao meu lado”. foi exatamente com seu primeiro livro em mente que Lobão começou a escrever o Em Busca.saraiva. por exemplo. às vezes focando nas letras. Só percebi que se tratava de um evento com natureza própria quando já estava em seu final“. 50 Anos a Mil.com/Lobaooficial/posts/459798117436863. meus cotovelos”. conta. mesclando discursos mais abrangentes. Após dezenas de tentativas. composta originalmente na década de 90 para a interpretação de Cássia Eller e que tem uma história emocionante contada pelo músico.uol.

há a impressão de estarmos ouvindo um arranjo de cordas. e também comenta não ter orgulho da tentativa de soar moderno na sonoridade. “pois ela é postiça. mas que o resultado que saiu em CD não o agrada por suas mixagem e masterização “péssimas”. Desde que chegou a placa de áudio nova que comprei com a ajuda dos apoiadores do crowdfunding. parecem ter surgido em momentos de inspiração espontânea.” Sobre a mixagem e masterização do álbum. esses últimos com presença marcante através de diversos timbres. muitas vezes. nas apresentações ao vivo. o cantor se aventurou no baixo. guardo esse momento como a maior conquista que já empreendi. Por ser isso.com. o histórico álbum que é descrito no início do texto. Lobão revela que ter discutido muito com o produtor do disco e que. num clima semelhante ao rock progressivo. mas que o próprio artista classifica como tendo um “timbre absolutamente próprio”. “Aprendi muito com ele nesse processo e continuo aprendendo.” Nesse mergulho solitário dentro do seu próprio mundo sonoro. teclados e guitarras uma fusão muito mais criativa e possante do que as tentativas kitsch da sonoridade trip-hop de A Vida É Doce”. É nesse ponto que evocamos a comparação com A Vida é Doce. “O disco foi todo feito com esforço. com baterias. amigo do músico. O músico revela que a frustração com o próprio trabalho foi uma constante em sua carreira. Lobão diz ter um profundo amor pelo repertório do disco de 1999. baterias. violões seresta.” Como já deu para perceber. Não é por acaso que. na viola caipira e nos teclados. mas com a ajuda de Diovainne Moreira. Lobão não mede palavras para expressar seu carinho por O Rigor. baixo. a partir do livro. <iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube. Lobão confirma: “O fato do disco novo soar virtuoso é porque você ouve realmente os instrumentos que. “Creio que o conceito de misturar violas caipiras.kickante. com uma queda para os anos 70. detalhes que pode corrigir com o tempo. “O Rigor e a Misericórdia é o primeiro trabalho que realizo e não sofro de ressaca moral ao ouvi-lo completo. Lobão traz em O Rigor e a Misericórdia um disco diverso e com ideias surpreendentes até para quem é fã antigo do cantor. os instrumentais e as gravações. Tive que respirar fundo e refazer tudo e isso me custou mais um mês e meio pra regravar o que realmente precisava: guitarras.br/campanhas/participe-do-novo-cd-dolobao em maio de 2015 para finalizar de vez o disco. Foi com essa ajuda que o músico conseguiu um equipamento de qualidade para regravar o álbum praticamente por inteiro. algo inédito na minha vida. Quando perguntado sobre o fator “caótico” das composições. foco e intenção em concebê-lo. É uma sensação maravilhosa você se ouvir e finamente exclamar: ‘isso sou eu até o osso. executam com perfeição as minhas intenções de autor”. Lobão revela que também foram feitas na sua casa. Quando comentamos sobre isso. afetada”. O Rigor é um trabalho de rock. desde então. isso é tudo o que queria dizer da forma exata como queria me exprimir’. me frustrei muito ao ouvir o resultado final”. “como sempre. Passei 10 anos me qualificando para . completa. e que O Rigor e a Misericórdia também foi diferente nesse ponto. “99% do álbum foi todo refeito depois do livro ser escrito. responsável por instalar a placa de som e. desta feita. sobre quantas músicas. o artista nega esse fator como definidor do que é O Rigor. instrumentos que fizeram parte da formação de Lobão.com/embed/76Um_67QWLk" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> Ainda falando sobre A Vida é Doce. teclados e todas as vozes. o artista lançou um crowdfunding no site Kickante<<http://www. Uma figura rara e providencial. pois a diferença de som era brutal.até as composições. Além da bateria e guitarra.

Foi como pegar uma caravela sem manual de instruções e me lançar ao mar desconhecido. “Detesto música de protesto. Se fiz. sua obra-prima. O conceito traz um viés muito forte de um pensamento de plenitude artística. Os Últimos Farrapos da Liberdade e A Posse dos Impostores. claro. gravá-lo. Em certo ponto do livro. acústico/elétrico. tocá-lo e arranjá-lo.com/embed/Rl_hoZHnxfI" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> A partir desse ponto. minha história musical se inicia com esse disco. É de uma cafonice aterrorizante. violão. de um artista realmente orgulhoso de seu trabalho. Na verdade. devolveria a poesia como misericórdia. O Rigor traz A Marcha Dos Infames. morte/eternidade. Quando descobri o texto do Olavo. e que a gravação em português para a canção provavelmente estará na edição.” Após isso. O espírito. ou debruçado no piano a queimar a mufa dia e noite. em resposta ao rigor. Mas a resposta é negativa. e ele é um conceito de um dos grandes gurus e amigos de Lobão desde a sua “guinada à direita”: Olavo de Carvalho. foi por pura necessidade. achei perfeito o título para um conceito que se desenvolveria com vida própria e identidade própria no universo do disco. Lobão ainda revela: “confesso que senti estar fazendo algo muito especial apenas no final do disco. algo inevitável quando se está falando com Lobão. Lobão também explica a origem do título “O Rigor e a Misericórdia”. Porém. “É mais simples: eu precisava de um título que representasse a forte dualidade que habita seu repertório. de uma arte ideal. como delicadeza/fúria. Eu faço música para minha felicidade e liberdade interiores.” <iframe width="560" height="315" src="https://www. E por isso a parcimônia em compor esse tipo de canção. às vezes pequenas inspirações surgem no meio do trabalho duro. explana. as palavras e o tratamento para O Rigor e a Misericórdia são de luxo. escuridão/luz. Lobão revela que está planejando um lançamento em vinil duplo com extras para O Rigor. A solidão é minha companheira e minhas . O resto foi ensaio. para se aproximar cada vez mais de uma sabedoria. nas suas próprias palavras. Quando perguntamos se. nossas perguntas rumaram para a política e sua relação com a música. faixa divulgada como poema em português há algum tempo. não deixando de falar que. Mal sabia ligar o Pro Tools. guitarra ou viola caipira no colo. se ele titulava O Rigor assim por considerá-lo seu melhor trabalho. Como Lobão transparece em toda a entrevista. se sente começando de novo. o “rigor” e a “misericórdia” seriam a relação do homem com o conhecimento e a poesia.” Falando sobre A Solidão em Sermos Nós. No início. E assim perguntamos para o artista. O ser humano traria o seu rigor para com o espírito através do estudo e da pesquisa.youtube. Isso sim foi o que me tomou tempo”. então. depois de O Rigor. “Pela primeira vez em toda a minha carreira eu termino um disco com a sensação de que a brincadeira acabou de começar.compô-lo. ele sente vontade de continuar fazendo música. a reposta é positiva e chega até em tom de celebração. Em uma explicação muito simplificada.” E o resultado de todos esses fatos é um Lobão renovado. faixas com um forte teor político e até de militância. na minha cabeça. um artista que. características que Lobão declara detestar na música como um todo. não tinha a menor noção do que estava fazendo. mas que ganha versão em espanhol no disco com “O Que Es la Soledad en Sermos Nosotros”. ele define com força: “fiz o disco com o mesmo empenho e disciplina de um aluno que é obrigado a fazer uma redação no colégio: sentar-se diante do papel em branco.

Lobão não foge muito desse viés apocalíptico. nas perguntas relacionadas a política. . que Lobão tanto abomina. comentamos sobre propostas como Transfusão Noise Records. pois o coronelato de “sábios”. mas as parabeniza desde já. Minha sensação é que tudo me indica um Brasil podendo se evaporar do mapa. cruel. direitista e a favor da ditadura militar”. “Em outras palavras: foi o momento em que a classe artística e os intelectuais começaram a mamar grana do poder e ditar normas de comportamento”. em um coronelato que se estende a toda produção intelectual e que sempre teve uma presença dominante do pensamento esteticista inclinado à esquerda. declara. os ataques de Lobão à esquerda no livro são pesados. Apesar de contar no livro que sua aproximação aos pensamentos de direita veio. alguns que os mais sensíveis podem considerar até ofensivos. até mesmo torturadores e demais integrantes do regime. “Não é de graça que a atual produção musical do país é a mais inexpressiva e desimportante de toda a história da música popular brasileira”. Minha sensação é de que estamos em pleno colapso civilizacional. etc. Perguntamos se ele acha que é mais perseguido hoje do que em outros tempos. tentando atingir com força também os artistas e intelectuais que expressam pensamentos ligados ao socialismo. se estilhaçar por inteiro a qualquer instante. em parte.” E o argumento do músico é de que isso simplesmente não faz bem ao país. Não temos mais espaço para pensar em mainstream. antes de conversarmos sobre a caçada “inclemente e contínua” à sua pessoa que Lobão vê na mídia e na sociedade. o Brasil não permitiria uma personalidade como ele ter “algum tipo de sossego ou sequer algum respeito”. Lobão amplia a explicação sobre esse “totalitarismo cultural” comentando que vivemos “numa civilização patrimonialista. “O meu objetivo em registrar O Rigor na história foi poder devolver a miséria que nos é imposta por viver num país tão colapsado em sua civilização. com um disco de uma beleza inexplicável. comenta. da reação negativa que os militantes de esquerda tiveram com um discurso em que criticara a Comissão da Verdade e defendera anistia para todos os envolvidos em crimes durante a ditadura. Nesse ponto.” Assim como no conteúdo de certas músicas. mas sim como liberal e defensor do Estado mínimo.” Ainda falando sobre a cena cultural brasileira. principalmente a universitária. Em Busca não deixa de ser um show de aforismos. rádios. entre as páginas 121 e 122. com uma produção cultural tão feia e mesquinha. Tenho a sensação que nunca produzimos tanta porcaria. quase indecente. E. pois se identifica com suas ideias. Geração Perdida de Minas Gerais e Quintavant. é bom lembrar que o artista jamais se disse a favor da ditadura.expectativas externas são zero”. Lobão chama a expressão “guinada à direita” de “souvenir e brinde desse totalitarismo cultural de que estou falando. formaria uma rede de cooptação ideológica sedimentada com o modernismo e que controla o pensamento nacional (de forma totalitária) desde o Estado Novo. Sem exageros. comenta sobre a mesma frase citada acima. e o cantor nega: “não consigo imaginar que em algum momento da minha carreira minha exposição tenha sido mais amena. com o novo álbum como exemplo. comenta. selos e movimentos que representam certa independência ao mercado e também ao governo. e sua resposta para os ataques da mídia e da sociedade viria em suas obras. “Existo dentro desses mesmos cânones. gravadoras. O artista revela não conhecer essas propostas. Quem não se alinha aos sábios e coronéis é reacionário.” Para Lobão. E quase todo comentário político é acompanhado de comparações e sacadinhas com estereótipos da esquerda atual. “Estamos vivendo o apogeu de um perverso totalitarismo cultural. pode crer”. intelectuais.

E esse é um sintoma perceptível não só na direita. de opinião. A esquerda vê todos os males na parte liberal do mundo. principalmente quando às expressa em público. já que busca a transmissão justamente do desprezo. e a direita se aproxima de uma caça às bruxas digna de Estados autoritários. Seja através de suas ideias políticas ou de seu rock ‘n’ roll que gosta de definir como “belo e potente”. E o mais interessante é que essas expressões de Lobão podem ser vistas. em que toda a comunicação. e não o diálogo. em que o simples diálogo é quantificado e qualificado constantemente. redução dramática de impostos. Liberdade de expressão.com/embed/IRV-ixnPgBE" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> Lobão também comenta isso durante a entrevista. diz que não há um liberalismo real . Gilberto Gil e Caetano Veloso. quando a ideologia ainda carrega muitos seguidores no mundo inteiro. a dialética. suas expressões se aproximam muito mais ao marketing do que às trocas de conhecimento. É uma visão bastante fechada. fim do assistencialismo. é inevitável afirmar que O Rigor e a Misericórdia e o livro que o acompanha mantém o artista com uma relevância impressionante. expressando algo como uma fórmula de Estado mínimo que consideraria próxima ao seu ideal de formato político. como o transparecimento de uma cultura muito atual. quase negando um pluralismo de ideias que é natural a qualquer democracia.<iframe width="560" height="315" src="https://www. também. que pedimos para que os mais apaixonados por ideais políticos ignorem. incremento do empreendedorismo. falando sobre política. produção de riqueza ao invés de distribuição de riqueza. o artista demonstra um desprezo por qualquer ideia de esquerda.youtube. já que Lobão vem tentando nas últimas semanas abrir um diálogo com Chico Buarque. É uma aproximação ao fanatismo. Para além desse tour de force de pensamentos sobre Lobão expressos no último parágrafo. livre iniciativa. fim da doutrinação nas escolas. Lobão talvez tropece em como encara todo o jogo da conversa ideológica. “Privatização inclemente. A todo o momento. enquanto a direita considera tudo um capitalismo de Estado. se torna marketing . mesmo a pessoal.visões hipócritas. . Mas vale salientar que essa é uma impressão causada pelo livro. Lobão merece respeito. mas ainda se entrega a um teor conspiratório e que parece não ter força de diálogo com parcelas mais de centro da sociedade. O artista se expressa como se as ideias de esquerda fossem falidas já em sua base.” Mas. Quando perguntamos sobre os partidos brasileiros menores ligados ao socialismo. já que a esquerda passa a negar uma de suas bases teóricas. sua resposta é direta: “São ainda piores! A esquerda é o corrimão do ressentido”. Lobão responde bem às perguntas mais complexas. seja no livro ou na entrevista.e isso se expressa com força nas redes sociais. o disco e a entrevista. Ao contrário das próprias ideias de “rigor” e “misericórdia”. mesmo que você acha absurdo o que ele diz. Acima de tudo.