ESCOLA SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO, MARKETING E

COMUNICAÇÃO – ESAMC – SANTOS
CURSO DE DIREITO

A SUCESSÃO TRABALHISTA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL DIANTE DA NOVA
LEI DE FALÊNCIA

Bárbara Santos1
Flávio Faitanini2
Vivian Lopes3
Sinval Moraes4

RESUMO

A partir de uma pesquisa exploratória com delineamento bibliográfico e ex-post
facto, esse trabalho visa apresentar a possibilidade ou não da sucessão trabalhista
nos casos de recuperação judicial de empresas. A abordagem se dá por uma
análise conceitual dos institutos da recuperação judicial, bem como da sucessão
trabalhista, para em seguida apresentar esta discussão em um caso concreto,
envolvendo as empresas Varig e Gol, julgado pela nossa Suprema Corte.

1

Bacharelanda em Direito na ESAMC – Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação
Santos(SP). 2015. E-mail: barbara.basantos@gmail.com. Orientador: Sinval Moraes.
2
Bacharelando em Direito na ESAMC – Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação
Santos(SP). 2015. E-mail: flavio.faitanini@gmail.com. Orientador: Sinval Moraes.
3
Bacharelanda em Direito na ESAMC – Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação
Santos(SP). 2015. E-mail: vivianftnlopes@gmail.com. Orientador: Sinval Moraes.
4
Orientador e Professor de Direito Empresarial na ESAMC – Escola Superior de Administração, Marketing
Comunicação – Santos (SP). 2015. E-mail: sinval.moraes@esamc.br.




e

º 11. No tocante à recuperação judicial. trouxe à tona grande discussão doutrinária sobre a possibilidade ou não de ocorrência da sucessão trabalhista na recuperação judicial.º 11.Palavras-chave: Recuperação Judicial. inclusive da empresa ou de suas filiais. Inicialmente. Sucessão Trabalhista. diferentemente da norma prevista no artigo 141. em seu artigo 141. parágrafo único da referida lei. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. de 9 de fevereiro de 2005.101/2005. inclusive as de natureza tributária. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL . ao longo desse estudo iremos discorrer sobre a recuperação judicial e a sucessão trabalhista para melhor entendimento de tais institutos. o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. que regula a recuperação judicial. Gol. 1. 2. II da mesma lei. o legislador não foi emblemático. INTRODUÇÃO A Lei n. limitandose a dispor. Em se tratando de falência. cumpre destacar que a norma contida no artigo 60. Assim. não veda de maneira expressa a sucessão trabalhista. II. Varig. inclusive as de natureza tributária. no artigo 60. é expressa ao dispor que na alienação conjunta ou separada de ativos. parágrafo único da Lei n.101. a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. reportando-se o legislador tão somente à vedação das obrigações de natureza tributária na recuperação judicial. a lei. que o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor.

(e) não ter sido condenado ou não ter. se o foi. que se faz comparando pelo menos dois demonstrativos dessa espécie. c) volume do ativo e passivo: o volume do ativo e passivo da sociedade que explora a empresa a recuperar é importante elemento da análise financeira de balanço. (c) não ter. em virtude de alguns fatores como: “a) importância social.º 11.Conforme dispõe o artigo 47 da Lei n. b) mão de obra e tecnologia empregadas. e) porte econômico: quanto menor o porte da empresa. menos importância social terá. há menos de cinco anos. NEGRÃO.”6 5 COELHO. estejam declaradas extintas. a recuperação judicial tem como finalidade possibilitar que a sociedade empresária ou o empresário individual possa superar crise econômico-financeira. Ricardo. 2010. no sentido de que é necessário que seja importante para a economia local. Ulhoa ressalta que a recuperação judicial tem como principal intuito evitar que crise instalada na empresa ocasione a sua falência. Neste sentido. São Paulo: Saraiva. por ser mais fácil sua substituição. 2010. conforme: “(a) o exercício regular de atividade empresarial há mais de dois anos. há menos de oito anos. 4 ed. Curso de Direito Comercial: Volume III. buscando assim. como administrador ou sócio controlador. proteger a função social e estimular a atividade econômica. Aspectos objetivos da lei de recuperação de empresas e de falência: Lei 11. o devedor em crise econômico-financeira que pretende utilizar-se de um dos instrumentos de recuperação em juízo deverá observar os pressupostos contidos no artigo 48 do dispositivo legal supracitado. (d) não ter. d) idade da empresa: empresas muito jovens só devem ter acesso à recuperação judicial se o potencial econômico e a importância social que apresentam forem realmente significativos. Saraiva. regional ou nacional que aquela empresa se reorganize e volte a funcionar com regularidade. as responsabilidades daí decorrentes. todos os demais são comuns às três modalidades de recuperação em juízo. de 9 de fevereiro de 2005. 6 . São Paulo. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na LF. O doutrinador ainda destaca que a análise de viabilidade da recuperação deve ser realizada pelo Judiciário.101. obtido concessão de recuperação judicial. À exceção dos alinhados sob c e d. bem como preservar os postos de trabalho e garantir os interesses dos credores.”5 De acordo com Ricardo Negrão. que não se aplicam à recuperação extrajudicial. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção V do Capítulo III. (b) não ser falido e. por sentença transitada em julgado.101/2005. Fábio Ulhoa.

. observada a legislação pertinente a cada caso. XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. Lei n. como disposto abaixo: “Art. fusão ou transformação de sociedade. compensação de horários e redução da jornada. XIV – administração compartilhada. II – cisão. XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza. em pagamento dos créditos. III – alteração do controle societário.º 11. VIII – redução salarial. V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar. 2015. X – constituição de sociedade de credores. Constituem meios de recuperação judicial. adotada pelo Código Civil de 2002. classificando-os em seis categorias distintas:8 7 BRASIL. incorporação. VI – aumento de capital social.htm>.br/ccivil_03/_ato20042006/2005/lei/l11101. XIII – usufruto da empresa. IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo. trouxe um rol exemplificativo de medidas que possibilitam a recuperação judicial da empresa em crise.”7 Negrão analisa os meios de recuperação judicial através da Teoria da Empresa.gov. XV – emissão de valores mobiliários. Disponível em: < http://www. VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento. XI – venda parcial dos bens. Acesso em: 07 nov.planalto.101. aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural. respeitados os direitos dos sócios. dentre outros: I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas. de 9 de fevereiro de 2005. Regula a recuperação judicial. inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados. a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial. os ativos do devedor. IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos. nos termos da legislação vigente. mediante acordo ou convenção coletiva. constituição de subsidiária integral. com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro. ou cessão de cotas ou ações. sem prejuízo do disposto em legislação específica.O artigo 50 do referido diploma legal. 50.

50. XIV). mediante acordo ou convenção coletiva. art. a venda parcial de bens.São Paulo. . nos termos do art. Aspectos objetivos da lei de recuperação de empresas e de falência: Lei 11. 50. tendo em vista a alteração da forma. III).São Paulo: Saraiva: 2010. dirigentes. art. 50. com ou sem constituição de garantia. através da possibilidade de redução salarial. vencidos nos três meses anteriores ao pedido de recuperação judicial. funcionários e operários. Negrão afirma que essas alterações provocam considerável mudança na empresa. XX da LF. no valor de até cinco salários mínimos. estrutura ou capital da sociedade empresária. o doutrinador ressalta também. atingem diretamente as relações entre empresário. 50. a sua falência. A constituição de sociedade de credores (art. 9 COELHO.9 8 NEGRÃO. 23 ed.101. VIII. são instrumentos financeiros. interessada em pleitear o benefício da recuperação em juízo. a dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo. c) com preponderante influência sobre o perfil subjetivo da empresa: decorre da cisão. 50. com usufruto da empresa (art. compensação de horários e redução da jornada. 50. quais. diretamente sobre o sujeito da atividade econômica. Ricardo. I da LF. (LF. que se os créditos vencidos. 50. evitando. Ulhoa observa que os termos do artigo 50. f) com preponderante influência sobre o perfil corporativo ou institucional da empresa: Negrão observa que a as medidas previstas no art. b) meramente remissório: é a equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza. e) com preponderante influência sobre o perfil funcional ou negocial da empresa: ocorre com a substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos (art. fusão ou transformação de sociedade. incorporação. Saraiva: 2011. V). administrativos e jurídicos que possibilitam aos administradores da sociedade empresária. Manual de Direito Comercial: direito de empresa. art.“a) dilatório ou misto: decorre da concessão de prazo e condições especiais para das obrigações vencidas ou vincendas. o plano deve prever o pagamento em até trinta dias (LF. X). colaboradores. E que se o crédito for de natureza exclusivamente salarial. analisar com o advogado e demais profissionais. 50. II). forem derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho. a dilatação do prazo para pagamento não poderá exceder a um ano. vez que refletem. 50. 54. 4 ed. possam mostrar-se eficazes para que empresa consiga superar a crise e reerga a atividade econômica. parágrafo único). constituição de subsidiária integral (art. Fábio Ulhoa. Alteração do contrato societário (art. decorre quando há a cessão de cotas ou ações. conforme dispõe o art. entre os meios indicados.” Não obstante. . assim. XIII) ou com a administração compartilhada (art. V). . de 9 de fevereiro de 2005. 50. d) com preponderante influência sobre o perfil objetivo da empresa: também denominado de aspecto patrimonial. com a concessão aos credores de direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar (art. 54). o aumento do capital social. o trespasse ou arrendamento de estabelecimento empresarial. a emissão de valores mobiliários e a constituição de sociedade para adjudicar os ativos do devedor.

por sua vez. Sucessão trabalhista: a renovação interpretativa da velha lei em vista de novos fatos.br/bdtrt3/bitstream/handle/11103/3733/mauricio_godinho_sucessao_trabalhista.) Art. ainda. na forma abaixo expressa: "Art. uma vez que.. Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados.pdf?sequence=1>. a sucessão trabalhista consiste no "instituto juslaborativo em virtude do qual se opera. é regulada pelos artigos 10 e 448.. A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. 10. no art. uma completa transmissão de créditos e assunção de dívidas trabalhistas entre alienante e adquirente envolvidos.Atendidas as disposições dos artigos 51 e 52 da LF. e após a publicação da relação de credores sem manifestação contrária. cujo plano não tenha sofrido objeção de credor ou quando observado o disposto no § 1° do mencionado artigo. Cumpre observar que houve evidente omissão legislativa no artigo 60. Acesso em: 10 nov. Maurício Godinho. no contexto da transferência de titularidade de empresa ou estabelecimento. no tocante à vedação da sucessão trabalhista na recuperação judicial. envolve a alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor. 58. A lei disciplina.trt3. Disponível em: <http://as1. também conhecida por sucessão de empregadores ou alteração subjetiva do contrato. os casos em que a recuperação judicial aprovada. parágrafo único. 448. o juiz concederá a recuperação judicial do devedor. DA SUCESSÃO TRABALHISTA A sucessão trabalhista. 60. surgindo assim. (.jus. no que se referem ao pedido e deferimento da recuperação judicial. 3. 55 da LF). conforme dita o art. discussões doutrinárias e jurisprudenciais quanto à possibilidade ou não de sua ocorrência no processo de recuperação judicial. 2015. em 30 (trinta) dias (art. da Consolidação das Leis do Trabalho. esta não foi disposta de forma explícita. bem como cumpridas outras exigências que a lei determina." Nas palavras de Maurício Godinho Delgado. .”10 10 DELGADO.

o juiz ordenará a sua realização. agências etc. II e sua omissão no artigo 60 da referida lei. tais como filiais. DA SUCESSÃO TRABALHISTA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E SUAS VÁRIAS INTERPRETAÇÕES Entendida como polêmica a questão trazida pela Nova Lei de Falências e Recuperação Judicial quanto à vedação trabalhista contida de forma expressa no artigo 141. à transferência do controle da sociedade ou do conjunto desta. que é transferida como um todo ou a transferência de um ou alguns de seus estabelecimentos específicos. (. a teor: "Art. O segundo requisito é a continuidade da prestação laborativa pelo obreiro ao novo titular.. dois são os requisitos essenciais: que uma unidade econômico-jurídica seja transferida de um para outro titular. que haja continuidade da prestação de serviços pelo obreiro. inclusive as de natureza tributária. Parágrafo único. Ensina Godinho que restará caracterizada a sucessão ainda que a transferência interempresarial não tenha afetado. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. 141. observado o disposto no artigo 142 desta lei. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. se faz necessária a transferência de uma fração empresarial significativa que traduza seu aspecto de unidade econômico-jurídica. observada a ordem de preferência do art.. inclusive as de natureza tributária. 141 desta Lei. sub-rogam-se no produto da realização do ativo.Para que exista a sucessão trabalhista. Nesse sentido. promovida sob qualquer das modalidades que trata esse artigo: I – Todos os credores. o contrato empregatício. 4. 60. observado o disposto no art. O primeiro requisito diz respeito. significativamente. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver a alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor. inclusive da empresa ou de suas filiais. 83 desta Lei. mas desde que se verifique a continuidade da prestação laborativa para o novo titular. II – O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. Na alienação conjunta ou separada de ativos." .) Art. a princípio.

2005. Ademais. já que estas prestam grande auxílio à economia ao distribuir bens e serviços. na medida em que possíveis interessados na aquisição da filial ou de unidade produtiva isolada temeriam o peso dos débitos do empresário ou sociedade empresária recuperanda anteriores à transferência. 12 MAMEDE."11 Assim. 11 BEZERRA FILHO. não proibindo. 2006. qual seja. São Paulo. Se assim não fosse. ainda assim não incidirão sobre o objeto da alienação. São Paulo: RT. pois a expectativa de suceder os débitos gera medo em acabar na mesma situação pela sucedida.Em diapasão. Atlas. gerando empregos. 3ª edição. uma inovação em sede de sucessão trabalhista. De pronto reconhecemos que a inexistência da sucessão trabalhista no direito falimentar visa facilitar a alienação do estabelecimento para possíveis credores. Falência e Recuperação de Empresas. essa transferência seria no mínimo improvável." 12 A alienação busca garantir a própria continuidade ou recuperação do empreendimento. a doutrina se divide no sentido de que. isenta o adquirente dos bens das chamadas sucessões trabalhistas ou tributárias. entretanto. de modo intrinsecamente ligada ao princípio da continuidade da relação de emprego. Compartilha deste entendimento Gladston Mamede: "Facilmente se percebe que. de modo a garantir a continuidade do emprego. no contexto de uma empresa que está em crise econômico-financeira. Gladston. caracterizada pela continuidade da empresa. não haveria interessados em adquirir os bens da sociedade em recuperação. Manoel Justino. "este dispositivo. o que nos leva a um princípio conhecido na seara trabalhista: a proteção do hipossuficiente através da continuidade da empresa. Feita tais considerações. uma vez que os encargos trabalhistas e tributários não serão sucedidos pelo arrematante. que os antigos empregados sejam contratados pelo adquirente. de forma específica. Manoel Justino Bezerra Filho explica que. trata-se de uma afronta ao que dispõe os artigos 10 e 448 da CLT. Ed. há o entendimento de que os artigos referenciados impedem somente que o arrematante assuma com as obrigações do antigo empregador. Mesmo que haja dívidas de natureza tributária ou trabalhista. Nova Lei de Recuperação e Falências Comentada. . de um lado. a insolvência. e de outro. a própria legislação falimentar visa conservar aquelas empresas consideradas como economicamente viáveis.

clientes através de sistemas de milhagens e etc. o qual foi aprovado. da solidariedade. CASO VARIG X GOL Em 2005. da função social da propriedade. dentre tantos outros que nos remetem à preservação de direitos sociais fundamentais do trabalhador. tal como expresso no dispositivo objeto de estudo. teve seu controle acionário transferido para a empresa Volo do Brasil S/A. pois em hermenêutica. A sucessão trabalhista. aeronaves. pode ser caracterizada ainda que se refira à fração do respectivo empreendimento. a Varig Logística S/A. compreendida na alienação de filiais ou unidades produtivas isoladas. 5. A partir de uma análise à luz da principiologia. durante o processo de recuperação judicial. Alguns meses depois. II e trata das hipóteses de falência e não de recuperação. uma vez que a atividade econômica a ser operada será a mesma de antes. como explicado anteriormente.Há ainda de se comentar o entendimento veiculado na doutrina e jurisprudência no sentido de que. Após a transferência do controle acionário e aquisição de todos os ativos. pois a única vedação expressa está no artigo 141. em seu parágrafo único. Nesse sentido ainda podemos elencar os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana. a . o princípio do in dubio pro operario autoriza que seja aplicada a interpretação mais favorável ao empregado. empresa do grupo Varig. de modo. não podemos falar em uma interpretação extensiva do preceito com a finalidade de justificar a vedação à sucessão trabalhista. da justiça social. e por força dos artigos 10 e 448 da CLT. da valorização social do trabalho. não se pode atribuir uma interpretação extensiva a norma jurídica de caráter restritivo. a que mais atenda aos seus anseios. o artigo 60. no caso em questão. a garantia de manutenção e satisfação dos direitos e créditos trabalhistas pendentes. não poderá afetar os direitos adquiridos e os contratos de trabalhos dos empregados vinculados a esta fração empresarial. não exclui a sucessão trabalhista. Nesse sentido. a Varig Logística S/A. o grupo econômico da Varig ingressou com um pedido de recuperação judicial. ocorrendo tão somente a mudança da titularidade desta unidade.

Acesso em: 10 nov.Volo do Brasil S/A. Leonardo P. ou R$ 660 milhões. o que desencadeou diversas demandas de ex-empregados da Varig. e GTI S. Em 28 de março 2007 a empresa Gol anunciou publicamente a compra da nova Varig S/A . Meirelles. esse grupo econômico fora incorporado pela empresa área Gol. Gol Transportes Aéreos S. pelo valor de US$ 320 milhões.A. 2015.Viação Aérea Rio Grandense. Nesse sentido. postulando.meirellesquintella.A. composto por Gol Linhas Aéreas Inteligentes S. Disponível em: <http://www. ENTENDIMENTO DO STF ACERCA DA SUCESSÃO TRABALHISTA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL De antemão. o qual adquiriu toda a atividade econômica da “Varig”.A. em seu entendimento. O Tribunal Superior do Trabalho por sua vez. uma vez que.A. Em resumo.A – suas sucessoras – e hoje é realizado pelo ‘Grupo GOL’. o TST tem decidido pela ausência de responsabilidade no caso de aquisição por leilão em processo de recuperação judicial. .br/comunica/artigos/art013_29012009.A. além do pagamento de verbas contratuais devidas. porém em sentido contrário ao Supremo Tribunal Federal. explica o Dr.pdf>. que se manifestou pelo reconhecimento da sucessão trabalhista.A da responsabilidade solidária por débitos trabalhistas da Varig. o reconhecimento da sucessão da Varig pela Gol. se faz interessante mencionar decisão anterior proferida pela 15ª Turma do TRT-SP. 13 QUINTELLA. a Lei nº 11."13 6. em decisão da 7ª Turma.A e a Gol S. Sucessão trabalhista: o caso Varig. que sucedeu a Varig S/A. Leonardo P. Posteriormente.. e VRG Linhas Aéreas S. passaram a formar um grupo econômico denominado Nova Varig. mesmo diante do reconhecimento de grupo econômico preexistente. que visa proteção do trabalhador e de seus direitos trabalhistas. a VRG Linhas Aéreas S/A..101/2005 não altera as disposições contidas na lei específica trabalhista. em consonância com a Suprema Corte. absolveu as empresas VRG Linhas Aéreas S. tendo como relatora desembargadora Silvana Abramo Margherito Ariano. Volo do Brasil S.com. Meirelles Quintella: "Tudo o que era praticado pela Varig S/A – Viação Aérea Rio Grandense passou a ser desempenhado pelas empresas Varig Logística S.

pois se fosse lucrativo adquirir empresas em colapso. Ao longo desse estudo foram mencionados princípios. a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal foi recebida com entusiasmo por advogados atuantes na área de recuperação de empresas e assim caiu por terra todas as dúvidas e questionamentos acerca do tema. e em consonância. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em vista de toda anterior discussão acerca da aplicabilidade ou não da sucessão trabalhista no processo de recuperação judicial.934-2. REFERÊNCIAS .101/2005. e ao impor a obrigatoriedade do ônus decorrente. acerca da defesa do obreiro.º 11. 7.934-2. o que encerra a discussão quanto à inexistência de sucessão trabalhista quando o processo de recuperação judicial envolver alienação de filiais ou de unidades produtivas isoladas.Diante do STF. ao afirmar que a lei é coerente com a necessidade de preservação da empresa. ADIN 3. o ministro Cezar Peluso salienta que a função da lei é justamente essa. o caso da Varig x Gol foi citado por diversas vezes durante o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade. inclusive de ordem constitucional. Com pesar das normas trabalhistas. o legislador não estaria atingindo os fins colimados do diploma legal. definiu que não há sucessão de débitos trabalhistas nos casos de compras de ativos isolados de empresas em recuperação judicial. que decidiu acerca da constitucionalidade dos arts. parágrafo único e 141. mas diante da manifestação da nossa Suprema Corte não há que se questionar a constitucionalidade do artigo 60. vale ressaltar o entendimento do ministro relator. II da Nova Lei de Falência. Ricardo Lewandowski. seja na seara tributária ou trabalhista. nos termos do caput do art. ela seria inútil. a Nova Lei de Falências foi instituída com o fito de facilitar a permanência de empresas tidas como viáveis no mercado. Em análise ao julgado da ADIN 3. 60. 60 do referido diploma. caput e parágrafo único da Lei n.

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