1.

Pedagogia dos Multiletramentos:

Diversidade cultural e de

linguagens na escola
Roxane ROJO
Por que abordar a diversidade cultural e a diversidade de linguagens na
escola? Há lugar na escola para o plurilinguismo, para a multissemiose e
para uma abordagem pluralista das culturas? Por que propor uma
Pedagogia dos Multiletramentos?
A necessidade de uma Pedagogia dos Multiletramentos foi, em 1996,
afirmada pela primeira vez em um manifesto resultante de um colóquio do
Grupo de Nova Londres (doravante, GNL), um grupo de pesquisadores 1
dos letramentos que, reunidos na cidade de Nova Londres (daí o nome do
grupo), em Connecticut (USA), após uma semana de discussões, publicou
um manifesto em seu favor intitulado A pedagogy of multiliteracies –
Designing social futures.
Neste manifesto, o grupo afirmava a necessidade de que a escola tomasse
a seu cargo (daí a proposta de uma “pedagogia”) os novos letramentos
emergentes em sociedade contemporânea, em grande parte – mas não
somente – devidos às novas TICs2, e de que levasse em conta e incluísse
nos currículos a grande variedade de culturas presentes já nas salas de
aula de um mundo globalizado e caracterizada pela intolerância na
convivência com a diversidade cultural, com a alteridade, com o outro.
Uma pergunta típica que o grupo se fazia já há quinze anos atrás era, por
exemplo,
o que é uma educação apropriada para mulheres, para
indígenas, para imigrantes que não falam a língua nacional, para
falantes dos dialetos não-padrão? O que é apropriado para todos
no contexto de fatores de diversidade local e conectividade
global cada vez mais críticos? (GRUPO DE NOVA LONDRES,
2006[2000/1996], p. 10)

Neste sentido, o Grupo é pioneiro: em sua grande maioria originários de
países em que o conflito cultural se apresenta escancaradamente em
termos de lutas entre gangues, massacres de rua, perseguições e
intolerância, apontavam para o fato de que o não tratamento dessas
1

2

Dentre eles, Courtney Cazden, Bill Cope, Mary Kalantzis, Norman Fairclough, Jim Gee,
Gunther Kress, Allan e Carmen Luke, Sara Michaels e Martin Nakata.
Tecnologias da Informação e da Comunicação.

questões em sala de aula contribuía para o aumento da violência social e para a falta de futuro da juventude 3. acesso em . hipermídiaticos. que não faz senão apontar para a multiplicidade e variedade das práticas letradas. por grupos para-militares constituídos para esse fim. hoje.adital. que acarretavam novos letramentos. talvez a mais imediata. é que grande parte dos corpos estendidos pelo chão [no Brasil] pertencem a pessoas entre os 15 e 25 anos. Acrescente-se a isso o fato de boa quantidade deles ter sido executada pelos próprios comparsas nas disputas pelo mercado clandestino do narcotráfico ou. o conceito de multiletramentos – é bom enfatizar – aponta para dois tipos específicos e importantes de multiplicidade presentes em nossas sociedades. valorizadas ou não. Uma dessas conclusões. quinze anos depois. No que se refere à multiplicidade de culturas. principalmente urbanas.asp?lang=PT&cod=57621. O que caracteriza os multiletramentos? Diferentemente do conceito de letramentos (múltiplos). de caráter multimodal ou 4 multissemiótico . como assinala García-Canclini (2008[1989]. p. Gonçalves (2011.com. ou seja. Ou seja. 302-309). os estudiosos tiram conclusões que o olho humano não é capaz de enxergar. mais grave ainda.”❡). como um conjunto de textos híbridos de diferentes letramentos (vernaculares e dominantes). Para abranger esses dois “multi” – a multiculturalidade característica das sociedades globalizadas e a multimodalidade dos textos por meio dos quais esta se comunica e informa. são adolescentes e jovens. 07/09/2011). s/p) comenta: “mas as estatísticas costumam ter uma visão mais aguçada do que o olhar nu. 1. ou se envolvido contato com o crime e a droga. de diferentes campos (ditos “popular/de 3 Pode parecer muito diferente no Brasil. o grupo cunhou um termo ou conceito novo: multiletramentos.. nas sociedades em geral. (Cf. na contemporaneidade: a multiplicidade cultural das populações e a multiplicidade semiótica de constituição dos textos por meio dos quais ela se informa e se comunica. pois. 4 Diríamos.. o Grupo também apontava para o fato de que essa juventude – nossos alunos – contava já há quinze anos com outras e novas ferramentas de acesso à comunicação e à informação e de agência social. o que hoje vemos à nossa volta são produções culturais letradas em efetiva circulação social. E não podemos esquecer que uma porcentagem nada desprezível jamais havia passado pela policia.br/site/noticia.” No nosso caso. multiplicar e comparar. Além disso. mas não é tão diferente assim: tomando como mote a canção de João Bosco De frente pro crime (“tá lá o corpo estendido no chão. também a falta de futuro é radical. é preciso notar que. http://www. ao somar.

dobrados. gostava de música. . schotisch [xote]. ao mesmo tempo. vinha. Anacleto de Medeiros (1866-1907) era negro. mas era “bem educado”. Já o menino Heitor nasceu de família branca e de classe média em 5 de março de 1887.massa/erudito”). Raul e Noêmia 5 Ver http://pt. suas composições passaram a ser mais populares. entretanto. Vamos exemplificar com um episódio. Como diz a Wikipédia5. já eles. Nessa época já dominava quase todos os instrumentos de sopro e tinha especial preferência pelo saxofone. desde sempre. seu bairro natal. Nem mesmo supõe o pensamento com base em pares antitéticos de culturas cujo segundo termo pareado escapava a este mecanicismo dicotômico – cultura erudita/popular. começou na música tocando flautim da Banda do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro. Em seguida. já pelo menos desde o início do século XX (senão desde sempre). acesso em 07/09/2011. tão cara à escola da modernidade. filho do Professor Raul Villa-Lobos e Noêmia Umbelina Santos Monteiro Villa-Lobos.org/wiki/Anacleto_de_Medeiros. principalmente polcas. Vivemos. a erudição ao populacho. e começou a compor algumas peças sacras. Portanto. Essa visão desessencializada de cultura(s) já não permite escrevê-la com maiúscula – A Cultura –. época em que organizou a Sociedade Recreio Musical Paquetaense. Formou-se no Conservatório em 1886.wikipedia. que se caracterizam por um processo de escolha pessoal e política e de hibridização de produções de diferentes “coleções”. Aos 18 anos. na Rua Ipiranga. era negro e pobre. Anacleto foi. da década de 1920. digamos assim. fronteiriços. no Rio de Janeiro. central/marginal. iniciando aí sua função de organizador de conjuntos musicais. matriculou-se no Imperial Conservatório de Música. Fundou. híbridos. canônica/de massa – também esses tão caros ao currículo tradicional que se propõe a ”ensinar” ou apresentar o cânone ao consumidor massivo. que gosto de usar em aula para questionar valores e apreciações sobre culturas. marchas e valsas. bem sucedido nos estudos: como muitos brasileiros que escapam a sua sina de falta de futuro. pois não supõe simplesmente a divisão entre culto/inculto ou civilização/barbárie. do populacho. em sociedades de híbridos impuros. Nascido em Paquetá (RJ) de escrava alforriada. o Clube Musical Gutemberg. foi trabalhar como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional e. em Paquetá. o central aos marginais. entre os operários da tipografia.

11). embora passe o tempo todo quase totalmente desapercebida ou propositadamente ignorada. . essa mistura de culturas. canônica/de massa – já não se 6 Ver.] A composição mais conhecida e executada desta série é o Choros nº 10 para coro e orquestra. sabe-se lá porque. mas Anacleto não seria sequer mencionado7. Hibridismos. p.com/watch?v=EzRrHGFvTVU. o pio de um pássaro. A ponto de. o guincho da roda do bonde. Segundo Grieco (2009. é claro. raças e cores não constitui constatação tão nova. pagodeiros. fugiu de casa. ter incluído a canção – o que mais tarde lhe valeria acusação de plágio –. Raul teve que adaptar uma viola. Devido à grande complexidade e à abrangência dos temas regionais utilizados pelo compositor. o maestro Heitor Villa-Lobos compôs uma série de 16 composições dedicadas ao Choro. cena do filme Villa-Lobos: Uma vida de paixão. Heitor. Fronteiras. esses pares antitéticos – cultura erudita/popular. Professor. central/marginal. ele mesmo um folhetinista? Como bem mostra García-Canclini (2008[1989]). em sua peça Choros nº 10. esta série é considerada por muitos como a sua obra mais significativa (ênfase adicionada). a respeito. por exemplo. de outra forma o menino Heitor não conseguiria colocar os dedos nas cordas. formatada para canto coral.tiveram oito filhos. em http://www. inclusive o musical. sertanejos – incluem em suas leituras “canônicas” de José de Alencar. mostrando a riqueza musical do gênero e fazendo-o presente na música erudita. Um dia. um xote). funcionário da Biblioteca Nacional. 7 Aliás. estilo. de Zelito Viana. Ficou fascinado com a música que nunca mais lhe saiu da cabeça 6. Em suas andanças. Lá aprenderíamos sobre o Choros nº 10. funkeiros. Raul. na meninice. acesso em 07/09/2011) que diz que: “Na década de 1920.wikipedia. Heitor aprendeu com o pai a tocar clarineta e “era obrigado a discernir o gênero. também não é mencionado no verbete sobre Choro – certamente feito por um “erudito” – da Wikipédia (http://pt. que inclui o tema "Rasga o Coração" de Catulo da Paixão Cearense.org/wiki/Choro. caráter e origem das obras como declarar com presteza o nome da nota dos sons ou ruídos que surgiam incidentalmente. a queda de um objeto metal”. Se pensarmos bem. também era músico (violoncelista). como.. Quais serão os Iaiá/Rasga o coração que nosso alunos – rappers.” Não só Anacleto (o compositor) não é mencionado. No caso brasileiro.youtube. topou com o Grupo de Chorões de Anacleto que executava o choro Iaiá ou Rasga o Coração (na verdade. acesso em 07/09/2011. No aprendizado do violoncelo. [. como a autoria é atribuída a Catulo da Paixão Cearense: vejam como o letramento “da letra” é mais valorizado que quaisquer outros. em nossas salas de aula.. nos anos 1920. quem sobreviveria na escola? Villa-Lobos.

variedades. “Anime (Animê. Nesta perspectiva. O anime faz muito sucesso no Japão e em vários países do mundo. No entanto. Para o autor. a produção cultural atual se caracteriza por um processo de desterritorialização.” . diferirão dos dele fatalmente. Novas estéticas (novas. isto é. para mim. p. línguas. é claro) também emergem. aventura. incluíndo o Brasil. baseia-se nos letramentos críticos que comentaremos adiante. ficção. citado) entre novos interpretantes (os remixers. relativo aos Anime9. mitologia. comportamento. de outras e novas mídias. No Japão. são requeridas uma nova ética e novas estéticas. romance. retirarei o próximo exemplo. trata-se de descolecionar os “monumentos” patrimoniais escolares. muitos animes passaram a ser produzidos em computadores. linguagens.sustentam mais há muito.. tecnologias. “essa apropriação múltipla de patrimônios culturais abre possibilidades originais de experimentação e de comunicação. carece de critérios de análise crítica. de apreciação de valor estético. pela introdução de novos e outros gêneros de discurso – ditos por Canclini “impuros” –. e cada vez mais 8. de descoleção e de hibridação que permite que cada pessoa possa fazer “sua própria coleção”. sobretudo a partir das novas tecnologias. para tal. terror. Uma nova ética que já não se baseia tanto na propriedade (de direitos de autor. com usos democratizadores” (GARCÍA-CANCLINI. etc). com critérios próprios. Uma nova ética que.. Os híbridos. seja na recepção. 8 9 Vejam-se os remixes e mashups no espaço digital. O anime é tradicionalmente desenhado a mão. anime se refere a animação em geral. 308). mashupers). Minha “coleção” pode não ser (e certamente não será) “a coleção” do outro que está ao lado – ou na “carteira” à minha frente. seja na produção ou design. As animações são elaboradas para o cinema. Outra importante característica dos animes atuais é a ocorrência de elementos tecnológicos nos enredos das histórias. meus critérios de “gosto”. 2008[1989]. com o desenvolvimento dos recursos tecnológicos de animação. mas no diálogo (chancelado. Para García-Canclini. Delas. Porém. nem aqui nem acolá. televisão e revistas em quadrinhos. as mestiçagens. Os temas abordados nos animes são bem variados (dramas. Isso me acontece a cada aula que dou para o primeiro ano (17-18 anos). Anime) é um termo que define os desenhos animados de origem japonesa e também os elementos relacionados a estes desenhos. de rendimentos que se dissolveram na navegação livre da WEB). principalmente a partir da década de 1990. psicologia. Assim. as misturas reinam soberanas.

stopmotions. 11 Este microlevantamento confirma os dados disponíveis sobre culturas da juventude no Brasil. a sincronia com o rock. boquiaberta. 10 Obrigada. mashups. c) se sabiam fazer ou tinham por hábito fazer. surpreendida pelo fato de que mais da metade da turma era apreciadora. :0 Ou seja. aprendi muito. Turma da LP104A/1º-2011. 12 http://www. b) se sim ou não. acesso em 07/09/2011. videoclips.youtube. Com critérios refinados de análise estética (do ponto de vista desta estética. Todos me responderam às questões (aliás. até onde entendi) de produção. as transições.com/o_que_e/anime. No caso do anime em questão – Colouring – AMV12 –. portanto. eles me responderam que a escolha das imagens para compor o anime. Eu.A imagem é de um anime que utilizei em aula para discutir com meus alunos de primeiro ano de Letras10 sobre os novos textos envolvidos nos multiletramentos e seus critérios estéticos. conhecia e fazia ou tentava produzir Animes. Quando perguntei porque. é claro). Apresentei a eles uma série de textos digitais de diversas ordens (animações. a referenciação solidária à da letra eram muito bem feitas e que os efeitos de coloração e transição também. acesso em 07/09/2011). Creio que a (http://www.htm. tentava aprender. De todas as estéticas.com/watch?v=Leu1sBh-cYM. eles elogiaram meu “bom gosto” ao escolher (eu – é claro – tinha escolhido o que me parecia menos feio e barulhento). . disseram que era excelente. remixes. é a que mais está fora de minha “coleção”: não gosto de rock e não tenho critérios de apreciação sobre a produção gráfica e o traço de design japonês. pelo que pude aprender com vocês. Mas o mais importante do que aprendi foi que podia bem ser que os critérios pelos quais eu gostava da minha “coleção” e não gostava da deles podiam ser tão estranhos a eles quanto os critérios deles eram estranhos a mim! Não escolho aqui o Anime à toa.suapesquisa. Nesta aula. fanclips etc. eles tinham critérios estéticos que diziam respeito ao processo (difícil. machinemas. d) se podiam me ensinar a fazer. é claro. Pelo menos 15 alunos pertenciam a comunidades de Anime 11. animes. sobre todos os gêneros) e muito bem. Fui.) e pedi a eles que me dissessem: a) se gostavam. porque e a partir de quais critérios (éticos e/ou estéticos – predominaram os estéticos). como produtores.

. Thomas Mann ou Machado! E levá-los a consumi-los. as imagens e o arranjo de diagramação impregnam e fazem significar os textos contemporâneos – quase tanto ou mais que os escritos ou a letra.129/experimenteabril/default.asp.essas alturas você já está entendendo a que tipo de trocas entre “coleções culturais” estou me referindo. seja nos impressos. analógicas digitais (se é que sejam ou ainda existem). não é de hoje.. E isso. Revista facsímile Capricho. a respeito. como cortar as imagens de vídeo-fonte de animação adequadas a este ritmo e a esta referenciação. eles tinham critérios (estéticos) muito específicos para avaliar este produto e que exigiam o domínio de uma série de multiletramentos: qual era o ritmo e a referenciação da letra da cançãoguia do anime. por que aprecio o novo romance francês. impressas. 14 Como se pode notar nos textos aqui Tela de matéria do Jornal Nacional – TV Globo sobre malha ferroviária brasileira ( http://amantesdaferrovia. modos ou semioses nos textos em circulação. 13 Ver. digitais ou não. Pelo (pouco) que pude entender. Quem dera eu pudesse explicar a eles. 14 http://187. como consumidora acrítica.45. acesso em 07/09/2011.br/video/mater ia-especial-do-jornal . como produtores. uma série de (multi)letramentos que não domino – mas que posso entender – e que são responsáveis pelo efeito de sentido do anime que. Enfim. eu consumo. esta é bastante evidente em meus exemplos anteriores e nos textos em circulação social.206. acesso em 07/09/2011. No que se refere à multiplicidade de linguagens. como reconstruir a trama ou referenciação (no ritmo) de maneira adequada na montagem do novo vídeo ou anime 13.ru/index. como tratá-las em photoshopping de maneira adequada e que permitissem novos efeitos de sentido.com.php?go=Files&in=view&id=1500. seja nas mídias audiovisuais. http://amvnews. com a mesma clareza. Maio-2011.. acesso em 07/09/2011) reproduzidos.

diagramação (ocupação do espaço da página) e imagens estáticas (fotos. além de animação. 1998). 1998) porque as opções de significados de cada mídia multiplicam-se entre si em uma explosão combinatória. falando de mídias e não de modos. diagramas e fotos (antigas). O que realmente precisamos ensinar. o que se torna muito prático quando a velocidade e a capacidade de armazenamento podem acomodar estes significados densos de informação topológica. em 1998.É o que tem sido chamado de multimodalidade ou multissemiose dos textos contemporâneos. s/p). textos que são compostos de muitas linguagens (ou modos. acesso em 07/09/2011.php?pid=S010318132010000200009&script=sci_arttext. tratamento da imagem – photoshopping). BOLTER. Devem sim ser tratadas como 'objetos' inteiros. No exemplo impresso (Revista Capricho de Maio/2011. 1991. do entrevistador e dos entrevistados) e na modalidade ou modo escrito (a data.scielo. que exigem multiletramentos. e compreender antes que possamos ensinar. No exemplo da reportagem televisiva sobre malha ferroviária do Jornal Nacional. . ele antevê: A próxima geração de ambientes de aprendizagem interativos adiciona [aos hipertextos] imagens visuais e sons e vídeos. Como diz Lemke (2010[199815]. como o mapa acima. o texto pode ou não pode formar a espinha organizadora de um trabalho multimidiático. A importância dos letramentos multimidiáticos correspondentes 15 Disponível em: http://www.br/scielo. temos a semiose verbal em áudio (modalidade ou modo falado da língua das falas do narrador. em multimídia as possibilidades de significação não são meramente aditivas. Mesmo assim. por exemplo) e as imagens em vídeo (imagem em movimento filmadas ou digitalizadas). Ou seja. do âncora. como objetos podem se tornar nós para hipertextos e. Neste mesmo texto. a hipermídia nasce (ver LANDOW e DELANY. temos linguagem (ou semiose) verbal na modalidade ou modo escrito. ou semioses) e que exigem capacidades e práticas de compreensão e produção de cada uma delas (multiletramentos) para fazer significar. […] Estas mídias mais topológicas não podem ser indexadas e referenciadas por seu conteúdo interno (o que a figura mostra. escritas. é como vários letramentos e tradições culturais combinam estas modalidades semióticas diferentes para construir significados que são mais do que a soma do que cada parte poderia significar separadamente. facsímile). ilustrações. então. por exemplo). Note que Lemke está já. 1994a. Tenho chamado isto de “significado multiplicador” (LEMKE. além de outras imagens (estáticas) incorporadas na edição de vídeo. linguagens ou semioses.

mas ainda é importante notar que não é apenas o uso da hipermídia que as novas tecnologias tornam mais fácil. lápis. talvez apenas a motivação crescente para alguns alunos gerada pela novidade. adiciona música e voz e produz trabalhos muito além do que qualquer editora ou estúdio de cinema poderia fazer até alguns anos atrás (s/p). tratamento da imagem. caneta. combinados com textos e imagens paradas. constrói objetos e ambientes tridimensionais. ou encontrar interpretações alternativas que eles não mencionaram (ou com a qual concordam ou até mesmo consideram moral ou científico). LANDOW 1992. ele é facilmente pesquisável. Mas tão logo os textos online se tornem digitais (em oposição a imagens em bitmap da página). e o hipertexto nasce (NELSON 1974. Ainda citando Lemke (2010[1998 ]. Nos estudos disponíveis. mas pouco muda em relação à natureza da aprendizagem. somos agentes livres que podem encontrar mais sobre um assunto que os autores sintetizaram. edição e diagramação. mas a sua autoria. ferramentas. um dos mais destacados funcionamentos desses novos textos que requerem novos letramentos é o seu caráter não multimas hiper-: hipertextos. não surpreendentemente. . giz e lousa) e impressa (tipografia. qualquer um edita um áudio ou um vídeo em casa. A primeira geração das tecnologias de aprendizagem interativas foi. imprensa) – de áudio. hipermídias. […] Agora. Temos agora que aprender a realizar formas mais complexas de julgamento e ganhamos muita prática fazendo isso. 16 Como diria Chartier (1994). s/p). E como ficam nisto tudo os letramentos? Ficam multiletramentos: é preciso novas ferramentas – além das da escrita manual (papel. nessas e em outras. cada vez mais novas. vídeo. uma simples transposição do modelo de educação do livro texto para uma nova mídia de demonstração. dos protocolos de leitura de autores e de editores. As árvores podem estar agradecidas. Ao invés de sermos prisioneiros de autores de livros texto e de suas prioridades. São requeridas novas práticas – de produção. o texto é simultaneamente um banco de dados. São necessários novos e multiletramentos. E se pode [o texto] ser pesquisável. Podemos aprender como se tivéssemos acesso a todos estes textos e como se tivéssemos um especialista que pudesse nos indicar a maioria das referências entre tais textos. Podemos mudar o assunto para adequá-lo ao nosso juízo de relevância para nossos próprios interesses e planos e podemos retornar mais tarde para um desenvolvimento padrão baseado no livro texto. pode ser indexado e estabelecer referência com outros textos. produz animações de boa qualidade. BOLTER 1991 e 1998).já foi discutida. Hoje. Agora. de análise crítica como receptor. pena. a aprendizagem muda. escopos e sequência16.

mas precisamos compreender o quão estreita e restritiva foi. O desafio fica colocado pelas nossas práticas escolares de leitura/escrita que já eram restritas e insuficientes mesmo para a “era do impresso”. telefones celulares. Eles passaram a vida inteira cercados e usando computadores. apesar de todas estas mudanças nos textos contemporâneos.000 horas de sua vida lendo. tocadores de música digitais. voz em áudio.br/nucleotec/documentos/Texto_1_Nativos_Digitais_Imigrantes_Dig itais. para Lemke – e concordo com ele –. e-mail. mas acima de 10. eles são colaborativos. multimodais e hipermidiáticos que colocam desafios aos leitores. 17 Prenski (2001) caracteriza os usuários das tecnologias digitais como “nativos” e “migrantes”.sp.No entanto.gov. música. Se assim fosse. Enquanto que nós outros – as gerações anteriores – de certa forma “migramos” para esta realidade e a ela tivemos de nos adaptar.pdf. nossa tradição de educação letrada para que possamos ver o quanto a mais do que estamos dando hoje os estudantes precisarão no futuro. . câmeras de vídeo. em especial as relações de propriedade (das máquinas. gráficos e tabelas etc.000 horas assistindo à televisão). efeitos sonoros. mais que isso. vídeo games. nossas crianças e jovens nativos17 não teriam tanta facilidade e prazer na navegação. Como funcionam então os multiletramentos? Em qualquer dos sentidos da palavra “multiletramentos” – no sentido da diversidade cultural de produção e circulação dos textos ou no sentido da diversidade de linguagens que os constituem –. (http:// depiraju. os telefones celulares e as mensagens instantâneas são partes integrais de suas vidas”. ressaltando o fato de que “os alunos de hoje – do maternal à faculdade – representam as primeiras gerações que cresceram com esta nova tecnologia. o autor insiste que. a Internet. as habilidades de autoria multimidiática e análise crítica multimidiática correspondem. no passado. eles fraturam e transgridem as relações de poder estabelecidas. de forma aproximada. Ou seja. e todos os outros brinquedos e ferramentas da era digital. quanto menos imagens fotográficas de arquivos. das ideias. 2. acesso em 09/09/2011).edunet. não são as características dos “novos” textos multissemióticos. das ferramentas. os “novos” letramentos não são assim tão “novos”. mestiços (de linguagens. a habilidades tradicionais de produção textual e de leitura crítica. vídeoclips. ou representações mais especializadas (fórmulas matemáticas. animação. um aluno graduado atual passou menos de 5. Nós não ensinamos os alunos a integrar nem mesmo desenhos e diagramas à sua escrita. os estudos são recorrentes em apontar para eles algumas características consideradas importantes: eles são interativos. eles são híbridos. Em média. Segundo ele.).000 horas jogando vídeo games (sem contar as 20. Os jogos de computadores. dos textos (verbais ou não)). fronteiriços.

Sem nossas ações. o cinema. centralizada pelos interesses do capital e das classes dominantes e que colocava o receptor no lugar de consumidor dos produtos culturais. Vamos definir cada um desses termos? Uma das principais características dos novos (hiper)textos e (multi)letramentos é que eles são interativos. Por sua própria constituição e funcionamento. TV) ao invés de às elites (imprensa. síncronas e assíncronas.).modos. o rádio e a TV pré-digitais). mídias e culturas). nas redes sociais. Se as mídias anteriores eram destinadas à distribuição controlada da informação/comunicação – aliás. em programas colaborativos nas nuvens). . o melhor lugar para eles existirem é “nas nuvens” e a melhor maneira de se apresentarem é na estrutura ou formato de redes (hipertextos. Diferentemente das mídias anteriores (impressa e analógicas como a fotografia. com ou sem comentários de outros. na postagem de nossas idéias e textos. a mídia digital e a digitalização (multi)mídia que a mesma veio a provocar mudou muito o panorama.18). a respeito. das redes sociais etc. ela é interativa. 18 Ver Santaella (2007). no diálogo entre os textos em rede (hipertextos). a interface e as ferramentas não funcionam. textos/discursos etc. outros usuários. por sua própria natureza “tradutora” de outras linguagens à linguagem dos dígitos binários e por sua concepção fundante em rede (WEB). cada vez mais. a ponto de se falar. ferramentas. embora muitos migrados ainda a usem apenas como tal. permitir a interação também com outros humanos (em trocas eletrônicas de mensagens. das ferramentas. em vários níveis (da interface. nossas ações puderam. a mídia digital. no sentido de que depende de nossas ações enquanto humanos usuários (e não receptores ou espectadores) – seu nível de agência é muito maior. Assim sendo. permite que o usuário (ou o leitor/produtor de textos humano) interaja em vários níveis e com vários interagentes (interface. a imprensa se desenvolveu em grande parte com este fim –. no caso das mídias que foram destinadas às massas (rádio. dos espaços em rede dos hipertextos e das ferramentas. previstas mas com alto nível de abertura de previsões. É por isso que o computador não é uma mera máquina de escrever. hipermídias). Nessa mídia. cinema) na constituição de uma “indústria cultural” típica da modernidade.

em especial aquelas de controle unidirecional da comunicação e da informação (da produção cultural. portanto) e da propriedade dos “bens culturais imateriais” (ideias. elegeu. a usássemos mais do que para a mera interação. a colaboração. em 2009. discursos. sonoridades). textos. mais que a simples interação. Todas essas ferramentas mais recentes permitem (e exigem. O conceito de Web 2. já prevista nas próprias características da mídia digital e da Web. que.0 é a mudança para uma internet como plataforma. o blog (em sua concepção inicial e o Twitter ou o Tumblr.0. tem a seguinte definição na Wikipédia: Web 2. mas principalmente entre o Word/Office e o Google Docs. Não é preciso me alongar sobre a intensa luta que tem sido travada a respeito do (não-)controle da Internet e de seus textos 19. o PowerPoint e o Prezi.0 tenta recobrir os efeitos desta mudança. imagens. o Orkut (em sua concepção inicial) e o Facebook. um deputado europeu.Essa característica interativa fundante da própria concepção da mídia digital permitiu que. faz com que o computador (e o celular e a TV) cada vez mais se distanciem de uma máquina de reprodução e se aproximem de máquinas de produção colaborativa: é o que faz a diferença entre o email e os chats. Entre outras. a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas. a lógica interativo-colaborativa das novas ferramentas dos (multi)letramentos no mínimo dilui e no máximo permite fraturar ou subverter/transgredir as relações de poder pré-estabelecidas. Ora.se/) . evidentemente. (http://www. (http://pt.org/wiki/Web_2. para serem interessantes). em aliança com a Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde. acesso em 09/09/2011) Essa mudança de concepção e de atuação.wikipedia. e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. cada vez mais. com 7% dos votos da Europa Unificada. para a produção colaborativa. aproveitando a inteligência coletiva. Criado por Tim O’Reilly. 19 A ponto de existir um Partido Pirata Sueco (PP).piratpartiet.

. dentre outros. a estrutura em rede e o formato/funcionamento hipertextual e hipermidiático facilitam as apropriações e remissões e funcionam (nos remixes. do Prezi. E claro: para permitir a colaboração. designs não unidirecionais. computação ou colaboração nas nuvens é “um conjunto visível de bits e bytes que se encontram em suspensão na atmosfera da Web” e que. vídeos. nas nuvens. E onde estão as nuvens? Não faríamos uma pergunta dessas a respeito das nuvens naturais. que se encontram em suspensão na atmosfera.wikipedia. do YouTube.” (http://pt. vídeos. aparecem para nós como textos. o 20 Curiosamente. músicas. por meio da produção cada vez mais intensa de híbridos polifônicos. embora ela dependa da ampliação. a interação e a apropriação dos ditos “bens imateriais” da cultura. o ideal é que tudo funcione nas nuvens. faríamos? “Nuvem é um conjunto visível de partículas diminutas de gelo (Fonte: http://pt. acessados. acesso em 09/09/2011). nada é de ninguém – tudo é nosso. ferramentas. acesso em 09/09/2011) ou água em seu estado líquido ou ainda de ambos ao mesmo tempo (mistas). mas colaborativos e interativos dilui (e no limite fratura e transgride) a própria idéia de propriedade das ideias: posso passar a me apropriar do que é visto como um “fratrimônio” da humanidade e não mais como um “patrimônio”. controlados e autorais. acesso e democratização das bandas de transmissão (mais ou menos o que aconteceu com o telefone. O melhor da computação nas nuvens é que. trabalhos colaborativos20. Vygotsky também usava a metáfora da nuvem de (gotas de) chuva para explicar o funcionamento dos significados nos discursos. Evidentemente. Esta é a lógica do GoogleDocs.A possibilidade de criação de textos. nos mashups).org/wiki/Computa%C3%A7%C3%A3o_e m_nuvem#cite_note-0 .org/wiki/Nuvem.wikipedia. pois. após terem se condensado ou liquefeito em virtude de fenômenos atmosféricos. Do mesmo modo. imagens.

Por que uma “pedagogia dos multiletramentos”? Bem.” O autor ainda afirma que hoje. ele chama de “paradigma da aprendizagem interativa” (hoje. os nossos alunos (as crianças e jovens do maternal à faculdade. a filmagem e a fotografia. a pesquisa. posso investigar porque e como este modo de se expressar por escrito funciona. posso usá-lo para a comunicação. tecnologias e ferramentas. Para Lemke. 3. como diz Prenski) já lidam visivelmente com muito mais fluência do que nós migrados com os novos dispositivos. por que incluir na escola algo que em muitos níveis os nativos já sabem? Por que uma “pedagogia dos multiletramentos”? Para disciplinar seus usos? Ao contrário: antes de nos perguntarmos como disciplinar os usos dos multiletramentos. sem ter de comprar os softwares ou mesmo de pagar provedor. a navegação.” O segundo. Ao invés de proibir o celular em sala de aula. com Lemke (2010[1998]. acredito. ferramentas e serviços. não foi?). o paradigma curricular está falhando desastrosamente nos . em um ritmo confortável e em tempo para usarem o que aprenderam. Posso acessar de qualquer lugar/dispositivo (meu ou não). ele denomina “paradigma de aprendizagem curricular: aquele que assume que alguém decidirá o que você precisa saber e planejará para que você aprenda tudo em uma ordem fixa e em um cronograma fixo. s/d). ela passa a dispensar a propriedade inclusive das máquinas.rádio e a televisão. como já disse antes.” Ao invés de impedir/disciplinar o uso do internetês na Internet (e for a dela). eu diria. que eles aprendem na ordem que lhes cabe. que “precisamos pensar um pouco em como as novas tecnologias da informação podem transformar nossos hábitos institucionais de ensinar e aprender. creio. há “dois paradigmas de aprendizagem e educação em disputa em nossa sociedade hoje e as novas tecnologias vão. mas se. mudar o equilíbrio entre eles significativamente (LEMKE 1994b)”. O primeiro. colaborativa): “assume-se que as pessoas determinam o que elas precisam saber baseando-se em suas participações em atividades em que essas necessidades surgem e em consulta a especialistas conhecedores.

2010[1998]. Muitos sabem que não estão preparados para o programa de aprendizagem anual. estamos no domínio das atitudes e valores. 21 Que acha que as “novas tecnologias da informação tornarão possível aos alunos aprender o que querem. às linguagens e suas combinações e às práticas letradas em suas variedades (e. E este é outro espaço de atuação escolar: transformar o “consumidor acrítico” – se é que este de fato existe – em analista crítico. é claro. Queremos pessoas que sabem as coisas que querem saber e pessoas que sabem coisas que são úteis em práticas fora das escolas. sou intransigente – para mim. que tenham flexibilidade e consigam colaborar com urbanidade. E. que também se aplicam às línguas (e suas variedades). letramentos críticos. que tenham autonomia e saibam buscar como e o que aprender. do necessário e do desejável. s/p) Vivemos em um mundo em que se espera (empregadores. são necessários critérios analíticos que requerem uma metalinguagem (um conjunto de conceitos) e extraposição. professores. Qualquer um que tenha gasto tempo em uma escola urbana.” 22 Alguns diriam: são requeridas várias éticas e várias estéticas. constituir critérios críticos de apreciação variados dos produtos culturais locais e globais. (LEMKE. sem as escolas. Mas além disso não há consenso social geral sobre o conteúdo da educação para além do que poderia ser aprendido nos oito ou nove primeiros anos de escola e não há base de pesquisa empírica para decidir o que cada cidadão poderia de fato achar útil saber depois de deixar a escola. Queremos pessoas que sejam pelo menos um pouco críticas e céticas quanto à informação e aos pontos de vista e tenham alguma ideia de como julgar suas convicções.Estados Unidos. s/p) Como disse antes – e nisso discordo de Lemke 21 – são requeridas uma ética e várias estéticas22 e aí se encontra um trabalho que a escola pode tomar para si: discutindo criticamente as “éticas” ou costumes locais. para tanto. constituir uma ética plural e democrática. Isso envolve. mas nisso. dirigentes) que as pessoas saibam guiar suas próprias aprendizagens na direção do possível. cidadãos. A maioria dos alunos realmente não vê utilidade naquilo que se quer que eles aprendam. . 2010[1998]. da forma como querem. justifica-se uma área de línguas/linguagens nas escolas). quando querem. (LEMKE. mesmo nas melhores. discutindo criticamente as diferentes “estéticas”. pode lhes dizer que as coisas vão pior do que os testes padrão e as estatísticas podem revelar. Aqui. há que se pensar o bom e o justo coletivo. logo.

4. para que tal ensino-aprendizagem pudesse ser levado a efeito:  prática situada. não basta a esta “pedagogia”: a questão é alfabetismos funcionais para quê (e em favor de quem). Como fazer uma “pedagogia” dos multiletramentos? Em 1996[2000/2006]. . Por tudo o que já discutimos. os discursos e significações.  instrução aberta. 35). como vimos. aos textos. seja na recepção ou na produção (“redesigns”). para que isso seja possível. é necessário que eles sejam analistas críticos (“critical analyser”). Esses princípios se encontravam então configurados no diagrama23. ou seja. capazes de transformar. tratava-se de formar um usuário funcional que tivesse competência (“saber técnica fazer”) nas ferramentas/textos/práticas letradas requeridas. O Grupo apresentava então alguns movimentos “pedagógicos” correspondentes a estas metas. Mas este patamar. às línguas/linguagens). claramente. o trabalho da escola sobre estes alfabetismos estaria voltado às possibilidades práticas de que estes alunos se transformem em criadores de significações (“meaning maker”) e. garantir os “alfabetismos” necessários às práticas de multiletramentos (às ferramentas. o GNL propõe alguns princípios sobre como encaminhar uma “pedagogia” dos multiletramentos.  enquadramento crítico e 23 GNL (2000/2006[1996]. Resumidamente. p.

acesso . 24 “Business lobbyists argue that students should cover specific content and achieve certain learning outcomes. conceitualizar.23 Neste caso. os autores julgaram necessário retroceder em suas propostas e substituíram esses quatro “gestos didáticos” pelos já tradicionais “experimentar. Cope & Kalatzis (2009). acho esta proposta didática muito interessante e condizente com os princípios de pluralidade cultural e de diversidade de linguagens envolvidos no conceito de multiletramentos. writing and maths. começado há mais tempo (a proposta paulofreireana. em 09/09/2011). 35).html. 2 3 GNL (2000/2006[1996]. Felizmente. de outros espaços culturais (públicos. de trabalho. por exemplo. como instância última. Tudo isso se dá a partir.org/BusinessManagedDemocracy/education/curricula/return. por exemplo). não nos vemos constrangidos a tanto. no caso do Brasil. de imersão em práticas que fazem parte das culturas do alunado e nos gêneros e designs disponíveis para essas práticas. Neste momento é que se dá a introdução do que chamamos critérios de análise crítica. em confronto com o forte movimento reacionário presente nos Estados Unidos e Europa Unificada denominado “Back to Basics” 24. analisar e aplicar” 25. prática transformada. Rather than tailor the curriculum to the interests and talents of the children. mais recentemente. no projeto didático. portanto. talvez por termos. a produção de uma prática transformada. such as basic proficiency in reading. p.” (http://herinst. Tudo isso visando. Infelizmente. de uma metalinguagem e dos conceitos requeridos pela tarefa analítica e crítica dos diferentes modos de significação e das diferentes “coleções culturais” e seus valores. de outras esferas e contextos). colocando-as em relação com outras. ou seja. de um enquadramento dos letramentos críticos que buscam interpretar os contextos sociais e culturais de circulação e produção desses designs e enunciados. Sobre essas se exerceria então uma instrução aberta. prática situada tem um significado particular bem específico que remete a uma abordagem inicial. ou seja. neste caso. the aim of the standardised testing movement is to define core knowledge and coerce schools to teach it. seja de recepção ou de produção/distribuição (redesign). uma análise sistemática e consciente dessas práticas vivenciadas e desses gêneros e designs familiares ao alunado e de seus processos de produção e de recepção. 25 Ver. De minha parte.

B. 1994. desejado por uma grande parcela dos professores) a adoção de uma didática desse tipo. Pedagogies: An International Journal.adital. GNL. In: COPE. V. o que mudar (ou não) nos currículos e referenciais. new learning. ‘Multiliteracies’: New literacies. acesso em 07/09/2011. Pe.) Multiliteracies: Literacy learning and the design of social futures. como desejável (e. London/NY: Routledge. London/NY: Routledge. M. KALANTZIS. 4(3). B. GONÇALVES. 2008[1989]. N. do espaço e da divisão disciplinar escolar. acesso em 28/07/2011. (Eds. (Eds. pp. Mas estes gigantescos desafios parecem bem pequenos se de fato tivermos a adesão dos professores e alunos a essas ideias. autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XVI e XVIII. nas expectativas de aprendizagem ou descritores de “desempenho”. na organização do tempo.br/site/noticia. é não só perfeitamente possível. M. A pedagogy of multiliteracies – Designing social futures.Creio que hoje. KALANTZIS. _____. Brasília: Universidade de Brasília. 2006[2000/1996]. Culturas híbridas – Estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo: EDUSP. não estão no embate com a reação. J. GARCÍA-CANCLINI. mas em como implementar uma proposta assim: o que fazer quanto à formação/remuneração/avaliação de professores. R. nos materiais e equipamentos disponíveis nas escolas e salas de aula. Sinto uma grande adesão dos docentes aos princípios que subjazem a este tipo de concepção de educação. 164-195.com. 2006[2000]. Nossos desafios. na seriação. A. Referências Bibliográficas CHARTIER. COPE. Massacre da juventude.com/kalantzisandcope/research-and-writing/. . A ordem dos livros: leitores.asp?lang=PT&cod=57621. portanto. 2009. de certa forma. no Brasil. Disponível em: http://newlearningonline.) Multiliteracies: Literacy learning and the design of social futures. Disponível em http://www.

49. Campinas: DLA/IEL/UNICAMP. DF: Fundação Alexandre Gusmão. acesso em 09/09/2011. Vol.2. vol. PRENSKI. D. Letramento metamidiático: transformando significados e mídias. acesso em 09/09/2011.gov. 2010[1998].GRIECO. 1994a. Digital natives. 2007. Linguagens liquidas na era da mobilidade. Multiplying meaning: Literacy in a multimedia world. ______. Arlington VA: ERIC Documents Service. Roteiro de Villa-Lobos.sp. M. 2009. 5.umich. No. SANTAELLA. Brasília.pdf.scielo. acesso em 07/09/2011. digital immigrants. L.php?pid=S010318132010000200009&script=sci_arttext. October 2001.br/nucleotec/documentos/Texto_1_Nativos_Digitais_ Imigrantes_Digitais. 9. Revista Trabalhos em Linguística Aplicada. [Paper presented at the National Reading Conference. L. São Paulo: Paulus. Charleston SC (December 1993)].br/scielo. Tradução disponível em: http:// depiraju. J. LEMKE. Disponível em: http://www-personal.edunet. MCB University Press.edu/~jaylemke/. On the Horizon. . Disponível em: http://www. July/Dec. no.