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Cristianismo e o Estado - O cristianismo tem tido grande variedade de relações com o

Estado. No Império Romano, a partir do tempo de Constantino (m. 337) a Igreja foi se
tornando cada vez mais privilegiada. e, finalmente, passou a dominar. Depois disso, começou
a perseguir o paganismo e a HERESIA. O Decreto Gelasiano (papa Gelásio, m. 496)
proclamava a supremacia da Igreja sobre o Estado. Concepções ,dessa natureza, durante a
Idade Média, provocaram muitos conflitos entre papas e príncipes. Idealmente, cria-se que a
cristandade (o mundo cristão) ocidental, fosse governada por Deus através do Santo
Imperador Romano e outros príncipes nos assuntos seculares, e através do PAPADO e da
IGREJA nos assuntos espirituais. Alguns papas e imperadores, entretanto, aspiraram ao
domínio total de ambos os lados da existência humana. "Teocracia" foi a palavra empregada
para descrever as pretensões da Igreja nesse sentido, e "cesaropapismo", para descrever o
controle da Igreja e da teologia exercido por imperadores orientais. A REFORMA iniciou
tipicamente as "igrejas oficiais" no PROTESTANTISMO. Isso significava uma só Igreja,
sustentada pelo Estado, para todos os cidadãos (cf. TOLERÂNCIA). "Erastianismo" é o termo
que se aplica para completar o controle, pelo Estado, da jurisdição da Igreja em tais igrejas.
Na França católica (CATOLICISMO ROMANO), o "galicanismo" sujeitou largamente a
Igreja à monarquia. Em Genebra, o CALVINISMO aproximou-se da teocracia. A partir do
início do século XIX tem-se registrado uma tendência geral para a "desoficialização" ou, pelo
menos, para reduzir os privilégios das igrejas oficiais. Muitos Estados se tornaram
religiosamente neutros. Mas mesmo não-oficializado, o cristianismo atua como fonte de
identidade nacional.

Cristianismo e pecado - Para os cristãos, o pecado é, essencialmente, a desobediência à


vontade de Deus. A falência moral resulta de uma condição pecaminosa. Todos os homens se
encontram em estado de pecado ("pecado original") em razão da "queda" de Adão. Na
mitologia cristã Adão foi o primeiro homem que perdeu sua natureza superior por haver
desobedecido a Deus e, em conseqüência disso, "decaiu" da graça (SALVAÇÃO). A narrativa
da queda tem sido contestada à luz da ciência e da história, mas a crença básica na propensão
do homem para o pecado se mantém como a frustração dos planos de Deus em relação a ele.
Isso agora se apóia na referência à história e à observação contemporânea. À luz dessa
concepção da natureza do homem desenvolveu-se a doutrina cristã da salvação, juntamente
com recursos, como os SACRAMENTOS, em especial, a PENITÊNCIA. Os debates em
torno do pecado original e seus efeitos sobre o livre-arbítrio acarretaram inúmeras
controvérsias (como, por exemplo, o AUGUSTINISMO; o JANSENISMO; o
PELAGIANISMO). O PROTESTANTIS~O primitivo adotou uma concepção mais pessimista
do que a concepção geral CATOLICISMO ROMANO (exceto no tocante ao jansenismo). A
partir do século XVIII muitos protestantes desenvolveram opiniões mais otimistas (ou talvez
menos teológicas) acerca da capacidade moral humana. A experiência do século XX tendeu a
reviver o pessimismo anterior. No catolicismo romano (e, às vezes, no protestantismo), a
TEOLOGIA MORAL tem se caracterizado por distinções altamente desenvolvidas entre
pecados como ajuda da orientação espiritual ("casuística"). Os pecados "mortais", flagrantes,
deliberados e astutos, acarretam a perda graça e a danação. Os pecados "veniais", menos
graves, não acarretam a perda de toda a graça. Acredita-se que ambas as formas de pecado
perdoadas por Deus se o pecador se revelar mente arrependido e decidido a levar uma nova
("contrição").

Cristianismo e sexo - O ensino cristão tradicional diferencia nitidamente os sexos e seus


papéis. As mulheres, subordinadas aos homens, comumente excluídas do MINISTÉRIO
(MUL NO CRISTIANISMO PRIMITIVO), incorrem na suspeita de alguns ascetas de serem
fontes de tentação. Ao mesmo tempo, o lugar da VIRGEM MARIA e das SANTAS é
conspícuo na devoção católica (CATOLICISMO ROMANO). A sexualidade associava-se
intimamente ao PECADO (em especial de acordo com Santo Agostinho (AUGUSTINISMO),
e considerava-se o CASAMENTO um remédio para ela. A busca da santidade no
MONAQUISMO envolvia um voto de castidade (abstenção da atividade sexual e do
casamento), e a virgindade era assaz valorizada. O homossexualismo, aborto e a prevenção da
gravidez, bem como a fornicação (relações sexuais entre pessoas não-casadas) e o adultério
(relações sexuais entre pessoas casadas com outros parceiros) têm sido vistos como pecados
graves, com que o catolicismo romano e algumas seitas do PROTESTANTISMO sempre se
mostraram muito severos. Há pouco tempo, contudo, alguns cristãos passaram a enxergar a
sexualidade de maneira muito mais positiva, considerando-a boa quando usada corretamente.
A prevenção artificial da gravidez é bastante praticada, até por católicos romanos (apesar da
condenação pelo PAPADO, em 1968). Alguns cristãos também aceitam a legitimidade do
aborto e do homossexualismo. O reconhecimento dos direitos das mulheres e o seu papel na
Igreja desenvolveram-se sob a influência feminista.

Cristianismo na África - O cristianismo romano no norte da África foi destruído, em grande


parte, pelas invasões islâmicas. Os principais sobreviventes são as igrejas Monofisitas
Cópticas Egito e da Etiópia (CRISTOLOGIA). Em outras partes da África, o cristianismo foi
instaurado, em grande parte, pelas MISSÕES subseqüentes. Na África ocidental, exceto o
CATOLICISMO ROMANO português no século XVI, a maior parte do trabalho se fez no
século XIX, primeiro através do PROTESTANTISMO e, em seguida, dos católicos romanos.
As áreas de atividades das duas igrejas correspondiam, em regra geral, à religião das
potências européias comerciantes e coloniais rivais. O mesmo se pode dizer da África
oriental, após a exploração levada a cabo por David Livingstone (1813-73). No sul da África,
a colonização holandesa produziu desde o século XVII, a Igreja Reformada (CALVINISMO)
local, assim como missões. A política do apartheid (teologicamente apoiada pela Igreja
Reformada local) provocou muita tensão com as igrejas missionárias. Versões locais de
igrejas européias de origem missionária lograram a independência desde a década de 1950.
Na África oriental, grupos de cristãos converteram-se espontaneamente à IGREJA
ORTODOXA. Existem, outrossim numerosas igrejas Africanas Independentes, de tipo
messiânico (PENTECOSTALISMO), de mistura com a religião africana tradicional (NOVOS
MOVIMENTOS RELIGIOSOS NA ÁFRICA).

Cristianismo na América Latina - A América Sul, a América Central e partes da América do


Norte foram colonizadas pelos espanhóis e portugueses no século XVI. A conversão ao
catolicismo romano, muitas vezes forçada e acompanhada de escravidão, fazia parte da
política oficial. O trabalho missionário era em grande parte incumbência das ordens
religiosas, principalmente frades e jesuítas (MONAQUISMO). Bartolomé de las Casas (1474-
1566) defendeu os direitos dos índios, e os jesuítas, no Paraguai, protegeram convertidos da
exploração em aldeias dirigidas paternalisticamente (Reducciones). As colônias conquistaram
a independência da Europa durante o século XIX, e o anticlericalismo republicano resultava,
por vezes, na desoficialização e perseguição da Igreja (como no México). Apesar disso, a
influência da Igreja permanece forte, e sua inclinação para apoiar regimes conservadores tem-
lhe valido a hostilidade de movimentos revolucionários. Entretanto, a TEOLOGIA DA
LIBERTAÇÃO e a reforma social radical se desenvolveram, sobretudo no seio do clero mais
moço, influenciado pelos europeus. No nível popular o CATOLICISMO ROMANO
incorporou amiúde, sincreticamente, crenças religiosas pré-cristãs em festas e devoções à
VIRGEM MARIA (NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS DOS ÍNDIOS
AMERICANOS). Nos últimos tempos, o PROTESTANTISMO evangélico, alguns cultos
cristãos e o PENTECOSTALISMO vêm crescendo.

Cristianismo na Ásia - Uns poucos monofisitas nestorianos (CRISTOLOGIA) chegaram à


índia e à China nos primeiros séculos. O monofisismo teve, outrora, igrejas substanciais na
Ásia ocidental, mas a competição com outros cristãos minou-as em relação ao islamismo,
ficando o cristianismo permanentemente enfraquecido nessa região. Uma penetração
substancial da índia, da China e do Japão (CRISTIANISMO NO JAPÃO), operou-se através
das MISSÕES católico-romanas (CATOLICISMO ROMANO) de frades e jesuítas
(MONAQUISMO) desde o século XVI, dizimadas por perseguições um século depois. Novo
trabalho nessa área foi realizado pelas missões protestantes e pelo renovado esforço católico-
romano no século XIX. Esses esforços foram mais bem-sucedidos nos mares do Sul, menos
seguros na China e pouco numerosos no Japão. As culturas indígenas e as religiões principais
(BUDISMO; HINDUÍSMO; ISLAMISMO) revelaram-se, de um modo geral, resistentes ao
cristianismo na Ásia, exceto, porventura, nas Filipinas e no Vietnam. O nacionalismo também
desfavoreceu a imagem do cristianismo, apresentando-o como religião ocidental estrangeira.

Cristianismo na Australásia - O cristianismo na Austrália nasceu com as igrejas britânicas e,


mais tarde, européias, condicionadas pela experiência colonial. Claro está que alguns
anglicanos levaram consigo idéias sobre a "oficialização" da Igreja, que falharam em face da
competição de outros templos. O dinheiro do povo, não raro ao alcance dos interessados para
a construção de igrejas e escolas, por volta da década de 1870 foi substituído pelo auto-
sustento. As igrejas tornaram-se independentes da Europa em diferentes ocasiões, e do
ANGLICANISMO em 1962. O CATOLICISMO ROMANO, vigorosamente irlandês e
operário, sofreu a princípio a influência do sentimento anti-britânico, tendo-se envolvido na
fundação do Partido Trabalhista Australiano. As diferenças sociais entre as igrejas estão, hoje
em dia, muito reduzidas. O trabalho missionário australiano é feito sobretudo em Papua, Nova
Guiné; as missões da Nova Zelândia chegaram com a colonização no século XIX, em que
predominaram o anglicanismo e, de modo substancial, o PRESBITERIANISMO e o
METODISMO. OS maoris indígenas acabaram se tornando oficialmente cristãos, mas alguns
aderiram a cultos carismáticos. (NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS NA ÁSIA E NO
PACÍFICO; RELIGIÃO MELANÉSIA; RELIGIÕES NO PACÍFICO; RELIGIÕES
FILIPINAS) .

Cristianismo na China - Os primeiros nestorianos (século VII) (CRISTOLOGIA) e as


missões medievais ocidentais que foram à China deixaram de existir no século XIV. O jesuíta
Matteo Ricci (1552-1610) encetou uma tradição (condenada no século XVIII) de adaptar o
cristianismo às cerimônias e à linguagem religiosa chinesas. A influência política européia
facilitou o seu reinício no século XIX. A identificação do cristianismo com essa influência
agravou a tradicional xenofobia dos chineses e a sua antipatia intelectual pelo cristianismo,
demonstradas na Revolta dos Boxers (1900). O movimento T'aiP'ing (década de 1850) incluiu
um pouco do SINCRETISMO cristão. Importante aspecto da política missionária foi um
sistema cristão superior de educação. O advento do Estado comunista (1949) acarretou a
exclusão dos missionários, e tanto a necessidade quanto a política do governo induziram as
igrejas a se auto-sustentar. A Revolução Cultural (1966) trouxe a perseguição, mas os atuais
(1981) relatórios sugerem menor intolerância religiosa. O cristianismo, contudo, nunca foi
mais que uma influência minoritária na China.

Cristianismo na Europa - Depois da queda do Império Romano ocidental e durante a Idade


Média, o cristianismo tornou-se uma religião predominantemente européia. A cisão provocada
pela REFORMA na Igreja ocidental deixou o norte da Europa dominado pelo
PROTESTANTISMO, o sul, pelo CATOLICISMO ROMANO, e o leste, pela IGREJA
ORTODOXA. Estabeleceram-se relações íntimas com o ESTADO. OS conflitos e impérios
europeus (espanhol, francês, britânico) refletiram-se na expansão de suas marcas de
cristianismo deixadas no resto do mundo. A teologia cristã, o CULTO e a ORGANIZAÇÃO
DA IGREJA ainda estão vigorosamente marcados pela fase européia da história do mundo. O
cristianismo de influência européia estendeu-se aos Estados Unidos, e lá se modificou e se
expandiu pelo resto do mundo. (Cf. também CRISTIANISMO NO MUNDO COMUNISTA.)
Cristianismo na Grã-Bretanha - Após a queda do Império Romano, o cristianismo céltico e
a Igreja anglo-saxã seguiram rumos diferentes. Durante a REFORMA, igrejas oficiais
separadas desenvolveram-se como a Igreja da Inglaterra e a Igreja da Escócia
(PRESBITERIANISMO). A Igreja Anglicana (ANGLICANISMO) separou-se do Estado na
Irlanda, de predominância católica romana (1869), e no País de Gales, vigorosamente não-
conformista (1920). A TOLERÂNCIA religiosa (1689) permitiu o desenvolvimento de grupos
substanciais de dissidentes (também conhecidos como não-conformistas e membros de igrejas
livres do controle do Estado) (BATISTAS; CONGREGACIONALISMO; METODISMO;
Presbiterianos; QUACRES), que representaram importante papel na vida inglesa. O
CATOLICISMO ROMANO aumentou consideravelmente a partir do século XIX, sobretudo
através da imigração irlandesa.

Cristianismo na Índia - Assevera a tradição que o APÓSTOLO Tomé chegou à índia, e ali
sobrevivem diversas igrejas de origem nestoriana do século IV EC (CRISTOLOGIA). São os
católicos malabarenses, os católicos malankarese, os ortodoxos sírios, as igrejas Jacobitas e
Nestorianas (Mellusian) e a Igreja de Mar Thoma. O cristianismo ocidental veio com os
portugueses e, sobretudo, com os jesuítas (MONAQUISMO) São Francisco Xavier (1506-52)
e Roberto de Nobili (1577-1656). De Nobili exerceu influência sobre os indianos de CASTA
elevada, agindo como guru hindu. Embora a Companhia Inglesa das índias Orientais fosse
hostil às MISSÕES, o BA TISTA William Carey (1761-1834) desembarcou em 1793. Em
1813 a influência da Seita Clapham (MOVIMENTO REAVIVALISTA) abriu as portas da
índia para o PROTESTANTISMO, Alexander Duff (1806-78) fundou missões educativas para
as castas mais elevadas e, no fim do século XIX, conquanto todas as religiões fossem
toleradas pelo governo, as missões protestantes americanas e européias eram numerosas.
Ocorriam conversões em massa entre as castas mais pobres. A independência política (1947)
apressou a independência das igrejas locais. O cristianismo na índia, embora mais bem-
sucedido do que no Paquistão, representa apenas 3 por cento da população. A ocidentalização
da índia, contudo, provavelmente ajudou a torná-lo mais influente do que na CHINA. A Igreja
do Sul da índia (1947) incorpora o ANGLICANISMO, o CONGREGACIONALISMO, o
METODISMO e o PRESBITERIANISMO. A Igreja do Norte da índia (1970) também inclui
BATISTAS.

Cristianismo na Rússia - O cristianismo chegou à Rússia sob a influência bizantina,


patrocinado por São Vladimir (956-1015) em Kíev. No período medieval o MONAQUISMO
espalhou-se rapidamente, e a Igreja alcançou a AUTOCEFALIA no século XV. Moscou
substituiu Kíev como o centro principal; tornou-se um "patriarcado" (1589), considerando-se
a "terceira Roma". A reforma litúrgica do patriarca, Nikon (1605-81) provocou o cisma dos
VELHOS CRENTES. Com o passar do tempo, surgiram várias outras seitas (algumas
dualistas (DUALISMO», como, por exemplo, a dos Khlysts, a dos Skoptsi, a dos Dukhobors,
a dos Molokons, a dos Judaizantes. Pedro, o Grande (1676-1725), subordinou a Igreja a um
"Santo Sínodo", mas o patriarcado foi restaurado em 1917. O maior número de membros do
cristianismo russo pertence à IGREJA ORTODOXA. O CATOLICISMO ROMANO e a
presença de igrejas Uniatas na Rússia derivaram, em larga escala, da incorporação da Polônia
e da Lituânia ao Império Russo, e sempre se suspeitou que fossem alienígenas. O
LUTERANISMO russo é sobretudo de origem alemã, mas os BATISTAS fizeram convertidos
russos. Desde a revolução comunista de 1917 o Estado permitiu, teoricamente, a observância
religiosa, mas têm sido aplicadas a propaganda ateísta e a perseguição física, com maior ou
menor intensidade, de acordo com a situação política (cf. CRISTIANISMO NO MUNDO
COMUNISTA).

Cristianismo nas Antilhas - A primitiva influência cristã fez-se sentir através da colonização
e das missões espanholas para os escravos. Desde 1760, o METODISMO tem tido
considerável bom êxito; foi seguido, no século XIX, pelos BATISTAS e pelo
ANGLICANISMO. O CATOLICISMO ROMANO mostrou-se ativo sobretudo nas antigas
colônias francesas e espanholas. A hostilidade dos donos de escravos estorvou algumas
missões até depois da emancipação (1833). O MOVIMENTO REAVIVALISTA evangélico
atraiu os índios ocidentais, que também criaram muitas seitas pentecostalistas
(PENTECOSTALISMO) próprias, amiúde transmitidas por imigrantes na Inglaterra desde
1945 (principalmente RASTAFARIANOS; veja também NOVOS MOVIMENTOS
RELIGIOSOS AFRO-AMERICANOS).

Cristianismo no Canadá - O cristianismo canadense reflete suas origens coloniais. A


colonização francesa do século XVII levou missões jesuítas aos índios, hostis ao galicanismo
(ESTADO), ao JANSENISMO e ao PROTESTANTISMO. A conquista do Canadá pela Grã-
Bretanha (1763) trouxe consigo várias formas de protestantismo. A primitiva oficialização do
ANGLICANISMO e de terras da Igreja cessou à proporção que cresceram outras seitas. A
Igreja Unida do Canadá (925) incorporou o METODISMO, o CONGREGAOONALISMO e
o PRESBITERIANISMO. O CATOLICISMO ROMANO continua forte nas províncias
francesas, como parte de sua identidade cultural.

Cristianismo no Japão - São Francisco Xavier chegou a Kagoshima em 1549, e se fez um


sem número de conversões ao catolicismo antes que os missionários fossem repentinamente
obrigados a deixar o país em 1587. As perseguições começaram em 1597, e a política de
exclusão quase conseguiu eliminar o cristianismo, ficando a exceção por conta dos grupos
"ocultos" da ilha Kyushu. Os primeiros protestantes (PROTESTANTISMO) chegaram em
1859, poucos anos depois que o país voltou a abrir-se aos contatos ocidentais efetuados pelo
comodoro Perry. As denominações cristãs tradicionais, representadas, notabilizaram-se por
sustentar muitas escolas, universidades e hospitais. Pouco antes da Segunda Guerra Mundial,
a fim de centralizar o controle, o governo obrigou mais de trinta seitas a se unir numa
organização chamada Nihon Kirisuto Kyodan (Igreja Unida de Cristo no Japão), que ainda
existe, embora muitas seitas e grupos não pertençam a ela. Os cristãos no Japão, que tendem a
provir das classes cultas, representam menos de 1 por cento da população.

Cristianismo no mundo comunista - Sustenta a ideologia marxista que a religião se


enfraquecerá quando a sua base econômica for destruída. Na Europa oriental, entretanto, os
Estados comunistas enfrentam igrejas (principalmente o CATOLICISMO ROMANO polonês
e as IGREJAS ORTODOXAS da Bulgária e da Romênia) que têm sido fontes capitais de
identidade nacional e cultural. A ortodoxia romena ainda opera quase como uma Igreja oficial.
Daí o fato de a atividade religiosa ser, de modo geral, permitida por lei (em teoria),
concedendo-se às vezes subsídios estatais onde foram confiscadas as doações. (A Albânia,
excepcionalmente, proíbe totalmente a religião.) Na prática, todavia, tem havido muita
doutrinação e perseguição comunistas, sobretudo nas décadas de 50 e 60 e os cristãos sofrem
inúmeras limitações. As reações dos eclesiásticos. têm variado sobremaneira. Alguns resistem
abertamente; outros, passivos, se conformam; e outros ainda apóiam a política do Estado,
embora critiquem seus erros. Presumir que apenas a primeira reação é "verdadeiramente
cristã" seria simplificar em demasia. Tais reações (e políticas estatais) são condicionadas, em
parte, por um passado em que as igrejas, não raro, eram baluartes de privilégios
conservadores. Tampouco o declínio religioso se deve tão-só à perseguição. A rápida
industrialização e urbanização produziram efeitos semelhantes à estes no Ocidente. (Cf.
também CRISTIANISMO NA CHINA E NA RÚSSIA.)

Cristianismo nos Estados Unidos - O cristianismo norte-americano deve suas características


especiais a diversas tradições oriundas da Europa, porém modificadas pelo desenvolvimento
em condições coloniais, republicanas e, não raro, fronteiriças. O PURITANISMO calvinista
do tipo congregacionalista (CONGREGACIONALISMO) marcou as primeiras colônias da
Nova Inglaterra (incluindo os Pais Peregrinos). Verificaram-se muitas mudanças subseqüentes
no PROTESTANTISMO, que foi muito influenciado pelos Grandes Despertares
(MOVIMENTO REAVIVALISTA) e pelo Iluminismo. O século XIX acrescentou levas
maciças de imigrantes irlandeses e europeus, que trouxeram o CATOLICISMO ROMANO e
uma variedade de IGREJAS ORTODOXAS étnicas. Conduzido pelo PRESBITERIANISMO,
pelo CONGREGACIONALISMO, pelo METODISMO e pelos BATISTAS, o protestantismo
também se multiplicou, juntamente com SEITAS e cultos numerosos (amiúde milenaristas
(MILENARISM)). A Guerra Civil (1861-5) cindiu muitas igrejas em versões nortistas e
sulistas, sob a influência da questão da escravidão. Desenvolveram-se grandes versões negras
de inúmeras igrejas, particularmente entre batistas e metodistas, como, por exemplo, a
Convenção Batista Nacional e a Igreja Africana Metodista Episcopal de Sião. Há também
vários grupos pentecostalistas (PENTECOSTALISMO) negros (por exemplo, a Igreja de
Deus em Cristo) e diversos cultos negros, como a Missão de Paz do Pai Divino.
A teologia estendeu-se desde o "fundamentalismo" e conservantismo social extremos
até o exagerado PROTESTANTISMO LIBERAL e o Evangelho Social (movimento que,
originário dos Estados Unidos no fim do século XIX, enfatizou a aplicação social do
cristianismo como a construção do reino de Deus na terra). O conceito europeu de Igreja-
Estado morreu com a era colonial, mas o otimismo e o sentido de "destino manifesto" dos
Estados Unidos foram coloridos pela religião. A despeito da neutralidade oficial do Estado, a
religião nesses termos tem sido parte do "estilo americano de vida" e meio de identidade
nacional. Esse ethos provocou tensão em algumas igrejas dogmáticas e tradicionalistas, como
na controvérsia "americanista" da Igreja Católica Romana do século XIX (que tentou adaptar
o catolicismo romano aos ideais americanos de democracia e minimizar as diferenças entre
ele e o protestantismo).
(Veja também ÍNDIOS NORTE-AMERICANOS; FILHOS DE DEUS;
MOVIMENTO DE JESUS; IGREJA NATIVA AMERICANA; NOVOS MOVIMENTOS
RELIGIOSOS NAS SOCIEDADES PRIMITIVAS; TEMPLO DO POVO;, IGREJA DA
UNIFICAÇÃO; CAMINHO INTERNA- . CIONAL.)

Cristianismo primitivo - O cristianismo é a religião que reconhece JESUS CRISTO como


seu fundador. Todas as variedades de cristianismo proclamam a sua autoridade de um jeito ou
de outro. O cristianismo primitivo baseava-se nos seus ensinamentos e, sobretudo, em sua
morte e ressurreição, nas quais, segundo se acreditava, Deus agira decisivamente para a
salvação do mundo, e o reino de Deus, anunciado por Jesus Cristo, havia sido instaurado. O
cristianismo organizou-se primeiro em JERUSALÉM (IGREJA) e foi, a princípio, um
movimento dentro do JUDAÍSMO; depois de vinte anos, porém, estava arraigado entre os
gentios (ANTÍOCO; PAULO) e principiou a espalhar-se depressa pelo mundo mediterrâneo.
O cristianismo judeu, entretanto, continuou a predominar até a dispersão da Igreja de
Jerusalém, pouco antes da destruição da cidade em 70 EC; depois disso, sua influência
diminuiu rapidamente.
Quando o cristianismo gentio se apartou do judaísmo, suas igrejas deixaram de ser
collegia licita (associações permitidas) aos olhos da lei romana. Foi portanto, repetidas vezes,
alvo de tentativas de supressão. Depois do grande incêndio de Roma em 64 EC, Nero viu nos
cristãos da capital bodes expiatórios convenientes contra os quais poderia ser dirigida a cólera
popular. Mas o cristianismo continuou a difundir-se, não só para cima, socialmente
(introduzindo-se na família imperial por volta do ano 96 EC), mas também para fora
(alcançando a Inglaterra por volta do fim do século 11). A atração que ele exercia devia-se,
em parte, ao EVANGELHO cristão, que assegurava aos crentes a imortalidade, o perdão, a
libertação do poder dos demônios (DEMONLOGIA), a significância pessoal aos olhos de
Deus e, em parte, o calor da fraternidade cristã: em que se obliterou a discriminação em
função da riqueza, da classe, da raça ou do sexo. Em 313, o seu direito de existir foi, afinal,
confirmado pelo edito da tolerância de Milão, promulgado por Constantino. Em 381 EC,
Teodósio fez dele a religião do Império Romano (BATISMO; EUCARISTIA; MINISTÉRIO;
CULTO BÍBLICO).

Cristianismo primitivo em Alexandria - O primeiro cristão alexandrino conhecido foi


Apollos, judeu, de nascimento, hábil na interpretação messiânica das escrituras hebréias, que
visitou Éfeso e Corinto por volta do ano 52 EC. Alguns supõem que tenha sido ele o autor da
Epístola aos Hebreus. Poucos decênios depois, outro cristão alexandrino escreveu a Epístola
de Barnabé. Só existe um registro continuado da Igreja de Alexandria depois do ano 180 EC.
No início do século II o cristianismo alexandrino sofreu a influência do GNOSTICISMO.

Cristianismo primitivo em Antioquia - Existia um agrupamento judeu substancial em


Antioquia, à margem do Orontes, desde a sua fundação em 300 AEC. Após a morte de
Estêvão (33 EC), houve dispersão de cristãos helenísticos da Judéia; muitos foram para
Antioquia e ali difundiram sua mensagem, primeiro entre os judeus e, em seguida, entre os
pagãos de língua grega. Muitos abraçaram o CRISTIANISMO. Antioquia tornou-se, desse
modo, a sede da primeira IGREJA de gentios e o centro a partir do qual foram evangelizados,
nas décadas seguintes, a Cilícia, Chipre e a Ásia Menor central.

Cristianismo primitivo em Corinto - Corinto, restabelecida como colônia romana em 44


AEC, foi evangelizada pela primeira vez por PAULO (c. 50 EC), que passou ali dezoito
meses e construiu uma IGREJA grande e bem-dotada, ainda que inconstante. A maioria dos
problemas inerentes à cristianização dos pagãos evidenciou-se em Corinto e é tratada nas
Epístolas de Paulo aos coríntios. Novos problemas surgiram (c. 96 EC), quando as lutas
internas na Igreja coríntia provocaram uma admoestação de Clemente, secretário da Igreja
romana para os negócios estrangeiros.

Cristianismo primitivo em Éfeso - Ainda que o cristianismo tivesse chegado a Éfeso antes
de PAULO ir morar lá, a ele e aos seus companheiros se deve a completa evangelização da
cidade e das suas adjacências. Mas na tradição cristã de Éfeso o nome de mais destaque é o de
João, "o discípulo do Senhor", que, segundo se afirma, ali se instalou depois de velho e é
comemorado pela basílica em ruínas de São João no morro Ayasoluk (corruptela de "hagios
theólogos", "o teólogo santo").

Cristianismo primitivo em Jerusalém - Apesar de Jesus ter feito inúmeros DIscíPULOS na


Galiléia, a primeira IGREJA cristã surgiu em Jerusalém, sete semanas após a sua morte.
Atingiu rapidamente alguns milhares de fiéis e passou a reunir-se em vários grupos, alguns
chefiados pelos APÓSTOLOS, outros pelos parentes de Jesus, sobretudo Tiago, filho de
Alfeu. Outros grupos, que compreendiam helenistas, renunciaram à ordem do TEMPLO e,
obrigados a deixar Jerusalém, promoveram o progresso cristão nas províncias vizinhas. A
Igreja de Jerusalém foi se tornando cada vez mais conservadora. Desmoralizada pela
execução de Tiago em 62 EC, deixou a cidade antes do cerco romano, oito anos mais tarde.

Cristianismo primitivo em Roma - O cristianismo romano originou-se, aparentemente, da


vasta comunidade judaica da cidade. Os distúrbios causados pela introdução do cristianismo
levaram à expulsão dos judeus de Roma no tempo de Cláudio, em 49 EC. Cinco ou seis anos
depois, entretanto, eles estavam de volta. Em 57 EC a carta de Paulo aos cristãos romanos
indica que a maior parte da IGREJA da capital, embora fundada em base judaica, se
compunha de membros gentios. PAULO passou dois anos em Roma, em regime de prisão
domiciliar, entre 60 e 62. Pedro visitou a cidade um ou dois anos depois. Em 65 a Igreja de
Roma sobreviveu a um ataque homicida de Nero. Uma geração mais tarde, como o mostra a
primeira carta de Clemente, adquiria uma posição de liderança moral entre as igrejas gentias.

Cristianismo sírio e ortodoxia oriental - O CRISTIANISMO logo se tornou a religião de


muitos sírios e egípcios. Antioquia e Alexandria (veja CRISTIANISMO nessas cidades)
converteram-se em centros cristãos importantes. A Armênia foi oficialmente cristã até
Tiridates 111 (r. 298-330 EC).
Teodósio I fez do cristianismo a religião oficial do Império Romano em 391 EC. A
ortodoxia e a HERESIA passaram a ser questões políticas. Os CONCÍLIOS DA IGREJA
definiram os limites da CRISTOLOGIA ortodoxa e do conformismo imposto pelo Estado. A
dissensão expressava diferenças não só teológicas como também étnicas. A Igreja Síria
Oriental, sob o domínio persa, declarou sua AUTOCEFALIA em 424 EC. Essa Igreja, a Igreja
Assíria ou Caldaica, rejeitou os decretos de Éfeso (431 EC) num sínodo em 484 EC e tornou-
se oficialmente nestoriana. Seus missionários penetraram a Ásia central, a índia e a China
antes que o violento ataque de Tamerlão (1360-1405 EC) as tivesse reduzido a sombra.
Os decretos de Calcedônia (451 EC) foram rejeitados pela Igreja Armênia, por muitos
sírios ocidentais e pela maioria dos cristãos coptos do Egito. Os cristãos leais ao concílio
vieram a ser conhecidos pelo nome de melquitas, realistas, ao passo que os seus adversários
eram denominados monofisitas, visto que professavam sua crença na plena divindade e na
plena humanidade de Cristo, como o fizera São Cirilo (? 444 EC), confessando "a natureza
Una do Logos Encarnado". Jacob Baradeu fundou uma hierarquia monofisita síria,
centralizada em Antioquia, em COMUNHÃO com o papa copto de Alexandria. Os
monofisitas sírios são conhecidos como jacobitas.
Os coptos fundaram as igrejas da Etiópia e da Núbia. Os cristãos sírios ortodoxos do
sul da Índia também se juntaram, mais tarde, à família monofisita de igrejas.
Sob a influência monotelítica, os cristãos sírios do Líbano formaram a Igreja Maronita
separada no século VIII. Uniram-se a Roma durante as Cruzadas.
A difusão do ISLAMISMO colocou a Igreja Ortodoxa Oriental do Oriente Médio sob
o domínio árabe. Os estudiosos sírios trouxeram para os árabes o saber grego. Coptos e sírios
criaram uma nova literatura cristã em língua árabe. As Cruzadas perturbaram essa relação e
estimularam movimentos dirigidos para Roma, especialmente entre armênios e maronitas. As
invasões mongóis dizimaram as igrejas sírias. O domínio turco conferiu a todas as igrejas
orientais ortodoxas um lugar reconhecido, ainda que subordinado, na sociedade, mas pouco
fez para incitálas à vida espiritual ou intelectual. Quando o império turco desmoronou, os
movimentos nacionalistas provocaram trágicas chacinas de armênios e nestorianos.
A atividade missionária católica romana criou os equivalentes uniatas (unidos a Roma)
de todas as igrejas ortodoxas orientais. Existe também uma Igreja Mesquita Uniata. Há pouco
tempo, os cristãos orientais participaram ativamente do MOVIMENTO ECUMÊNICO e
conquistaram o reconhecimento, em especial dos teólogos das IGREJAS ORTODOXAS
calcedônias, professando a fé cristã em sua plenitude.
É muito difícil determinar o número certo de adeptos dessas igrejas; calcula-se, porém,
que eles totalizam, provavelmente, 18 milhões de ortodoxos e 4,5 milhões de uniatas.

Cristologia - Ensinamento relativo à pessoa de JESUS CRISTO (cf. DEUS; TRINDADE).


Como os cristãos crêem por tradição que Cristo é, ao mesmo tempo, humano e divino, o
Problema tem consistido em defender a idéia de "naturezas" distintas: a plenamente divina e a
plenamente humana, numa personalidade singular e unificada. As explicações muito deveram
ao pensamento grego. Teólogos primitivos viam em Cristo a Palavra (Logos) eterna de Deus
tomando forma (Encarnação) humana. Em resposta aos arianos, que o viam como uma
espécie de ser subordinado, entre Deus e o homem (ARIANISMO; HERESIA MEDIEVAL
CRISTÃ), o CONCÍLIO de Nicéia (325 EC) definiu-o como "da mesma substância do Pai"
(homoousion). Nos séculos IV e V proliferaram as teorias, e muitas opiniões foram
condenadas como heréticas. Os apolinaristas enfatizaram a divindade de Cristo mas lhe
supuseram a humanidade meramente física. Os nestorianos sustentaram a humanidade de
Cristo, tão distinta da sua divindade que sugeria uma personalidade dividida. Os eutiquianos
pensavam ter havido duas naturezas antes da Encarnação e uma natureza "mista" depois dela.
O Concílio de Calcedônia (451) definiu os limites da ortodoxia: "Jesus Cristo...
verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem... com uma alma e um corpo racionais; da
mesma substância do Pai pelo que respeita à sua divindade, e... da mesma substância nossa
pelo que respeita à sua humanidade... reconhecido em duas naturezas, sem confusão... sem
separação". As comunidades dissidentes continuaram, incluindo os nestorianos. Os
monofisitas ensinavam que só existia uma natureza (divina) depois da Encarnação. Os
monotelitas ensinavam que apenas uma vontade existia em Cristo. O PROTESTANTISMO
primitivo permaneceu "ortodoxo", com exceção do UNITARISMO e, mais tarde, do
DEÍSMO. Do século XIX em diante, mutáveis filosofias e concepções da natureza humana
geraram novas especulações. De um modo geral (à diferença da Igreja primitiva), embora a
humanidade de Cristo tenha sido prontamente aceita, sua divindade tem encontrado maiores
dificuldades. As teorias Kenosis vêem Cristo como se se "despisse" dos "atributos" divinos
(CONCEITO CRISTÃO DE DEUS) para se tornar homem. A definição calcedoniense foi
amplamente criticada, mas ainda não substituída.

Crítica da Bíblia - Utilização em documentos bíblicos dos métodos críticos aplicáveis à


literatura em geral. Inclui: (1) crítica do texto: averiguação, tanto quanto possível, da relação
original e avaliação das várias interpretações nos milhares de manuscritos de todo o Novo
Testamento ou de parte dele; (2) crítica da fonte: investigação das fontes literárias por trás dos
documentos preservados; (3) crítica da tradição: exame das fases da transmissão oral do
material em nossos documentos, antes de ter sido escrito; (4) crítica da forma: estudo das
"formas" ou moldes em que a tradição foi afeiçoada enquanto estava sendo transmitida; (5)
crítica histórica: pesquisa do cenário histórico dos documentos existentes e de suas fontes; e
(6) crítica da redação: análise da contribuição dos autores que receberam a tradição por
completo e a incorporaram nas obras.

Cruzadas - Expedições militares européias que tinham por finalidade reconquistar os lugares
santos cristãos na Palestina, em poder do Islã. A primeira Cruzada (1095 EC) capturou
Jerusalém e fundou Estados cristãos, que caíram por volta de 1291 apesar de novas
expedições. Os motivos dos cruzados não eram apenas religiosos; incluíam desejo de terras e
comércio. A quarta Cruzada (1202-4) foi desviada para capturar Constantinopla da IGREJA
ORTODOXA. Outras atacaram hereges (por exemplo, os albigenses - HERESIA MEDIEVAL
CRISTÃ) e não-cristãos na Europa. As Cruzadas também produziram “ordens” militares
(MONAQUISMO), tais como a dos hospitalários (c. Século XI) e a dos templários (fundada
em 1118 EC).