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ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA VARA EMPRESARIAL DA COMARCA DA CAPITAL - RJ

COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO
DO RIO DE JANEIRO, órgão vinculado à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro
(CNPJ n. 30.449862/0001-67), sem personalidade jurídica própria, especialmente constituída
para defesa dos direitos e interesses dos consumidores, estabelecida à Rua da Alfândega, n.
08, Centro, Rio de Janeiro-RJ, vem, por seus procuradores, propor a presente:
AÇÃO COLETIVA DE CONSUMO
COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA
Em face de CREFISA S.A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS, inscrita no CNPJ
sob o n.º 60.779.196/0001-96, estabelecida à Rua Canadá, nº. 387, Jardim América, São
Paulo–SP, CEP: 01436-900, com fundamento nos artigos 6º, I, IV, e V, 14, 37, caput, § 2º, 39,
IV, V, 42, parágrafo único, todos da Lei 8.078/90, 421 e 422, ambos do Código Civil de 2002, e
nos termos que se seguem:
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COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

DOS FATOS
A ré é instituição financeira que fornece crédito aos consumidores, especialmente aos
consumidores menos favorecidos economicamente.
Recentemente, a ré, através de publicidade veiculada nos principais veículos de comunicação,
especialmente a televisão nos horários de maior procura, passou a oferecer crédito aos
consumidores-servidores públicos, consumidores-pensionistas e consumidores-aposentados.
Estes consumidores alvo da publicidade, em razão da legislação atualmente em vigor, podem
solicitar a instituições financeiras autorizadas, empréstimos cujas remunerações são
descontadas em benefício, pensão ou salário, são os chamados “empréstimos consignados”.
Por trazer maior segurança de pagamento, pois é o órgão responsável pelo pagamento da
pensão, benefício ou vencimento quem o efetua diretamente (repassando ao benefício, pensão
ou salário) às instituições financeiras autorizadas, os juros remuneratórios que são cobrados
possuem taxas consideradas baixas para os padrões nacionais.
Todavia, a legislação atualmente em vigor não permite que os descontos feitos na pensão,
benefício ou vencimento, a título de empréstimos consignados, somados, ultrapassem a
margem de 30% do valor da pensão, vencimento ou benefício (docs. 1 e 2).
Na publicidade mencionada a ré informa que não faz empréstimo consignado (nem poderia,
visto que não autorizada para isso), por isso não está obrigada a observar o limite de 30% sobre
a remuneração recebida pelos consumidores alvo, levando a crer que o servidor, aposentado ou
o pensionista pode obter crédito mesmo já possuindo empréstimos consignados cujas parcelas
mensais, somadas, comprometem 30% da pensão, vencimento ou benefício.
Informa, ainda, que fornece crédito mesmo estando o consumidor alvo negativado em cadastros
de proteção ao crédito.
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está embaraçado e não pode se embaraçar ainda mais. ou seja. benefício ou vencimento considerada essencial para subsistência mínima do consumidor (conforme o “espírito” das leis que regulam os empréstimos consignados). Contudo. aposentados ou funcionários públicos. benefício ou vencimento do consumidor que excede 30% compromete a parte da pensão. Vale acrescentar que. A adequação da tutela destes consumidores pode ser encontrada naquilo que é compreendido pelo consumidor no momento em que é submetido à publicidade. a duas porque o comprometimento da pensão. por 3 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . o crédito fornecido pela ré não pode agravar ainda mais a situação financeira do consumidor.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Ocorre que. Por isso. em regra. chegando a 18. benefício ou vencimento é capaz de criar embaraços ao mínimo necessário para subsistência do consumidor.5% ao mês) (doc. ainda. a três porque quem encontra-se negativado. deve ser vedada a publicidade contestada. se observada à luz da boa-fé. mas também aqueles que dependem dos pensionistas. e não torná-lo ainda mais endividado. a forma como a ré está procedendo é capaz de levar o consumidor a se comportar de maneira a prejudicar ele próprio: a uma porque é notório o fato de que os juros remuneratórios cobrados pela ré estão entre os maiores do mercado (acima de 10% ao mês. sofrer pressão das pessoas que deles dependem para se manterem ao ter acesso à publicidade contestada. especialmente sob a pressão de uma estratégia de marketing. leva a crer que o objetivo anunciado pela ré é o de ajudar o consumidor. tendo em vista que o comprometimento acima de 30% da pensão. os pensionistas podem. Estes consumidores não podem ficar sem uma tutela adequada. a publicidade contestada. consumidores-alvos da publicidade contestada podem ter celebrado contratos de fornecimento de crédito com a ré. 3). o que significa dizer que a publicidade não incita apenas os personagens acima mencionados a se comportarem de forma prejudicial aos seus próprios interesses. Com efeito. com um crédito que possui um custo excessivamente elevado.

benefício ou pensão comprometida em 30%. ainda. é estéril. e.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO isso. Portanto. que deverá garantir o mínimo necessário para a subsistência do consumidor. tendo em vista o notório posicionamento do STF em relação à questão (entendese que se o capital se destina à aquisição de bem para uso próprio de seu tomador há 4 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . seu custo deverá ser equivalente ao que o consumidor poderia obter caso não tivesse com a margem para consignação em seu contracheque. obterem lucro superior ou lucro que as instituições financeiras autorizadas a oferecerem empréstimos consignados obtêm. e/ou no adiamento da cobrança das parcelas até que o consumidor reúna condições financeiras suficientes para pagar a quantia emprestada acrescida dos juros remuneratórios. para os pensionistas. burlarem leis que visam garantir aos servidores públicos. Pensar diferente significa autorizar instituições financeiras a incitarem consumidores a se comportarem de maneira prejudicial a seus próprios interesses. A discussão acerca da inaplicabilidade do CDC a estes contratos. servidores públicos e aposentados os juros não poderão ser superiores aos da média dos juros cobrados nos contratos de fornecimento de crédito consignado. Além dos juros remuneratórios deve ser reconhecido que o consumidor tem o direito de exigir a facilitação do pagamento da quantia emprestada acrescida dos juros remuneratórios. ou seja. pode consistir no valor da parcela mensal. no caso. quando houver margem suficiente no contracheque ou folha de pagamento. hoje. DO DIREITO Incidência do CDC Os contratos de fornecimento de crédito oferecidos por instituições financeiras são inegavelmente de consumo. A facilitação. enquanto estiver suspensa a cobrança das parcelas o saldo devedor só poderá sofrer acréscimos a título de correção monetária. sendo que. pensionistas e aposentados o mínimo necessário para subsistência.

. § 2º. como se pode perceber. do patrimônio histórico e 5 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . que deve ser preenchido na construção do caso concreto’. se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança. cor. do meio ambiente. estão os valores da dignidade da pessoa humana. ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”. O dispositivo acima transcrito. desrespeite valores ambientais. que “é proibida toda publicidade enganosa ou abusiva”. da tutela enérgica da saúde.) No CDC. à segurança e à sensibilidade do consumidor. algumas modalidades de publicidade abusiva. que inegavelmente estão “carregados” com valores constitucionais ligados à pessoa humana. Entre eles. privacidade. a publicidade discriminatória de qualquer natureza. explore o medo ou a superstição. apenas a questão das taxas de juros remuneratórios estaria. do repúdio à violência e a qualquer comportamento discriminatório de origem. da intimidade. Em todas elas observa-se ofensa a valores da sociedade: o respeito à criança. logo. é constituído por conceitos jurídicos indeterminados. nomeadamente. abstratamente falando.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO destinação final para o capital. Da abusividade da publicidade contestada Dispõe o artigo 37. “O artigo 37. ao meio ambiente. elenca. dentre outras. da solidariedade. do trabalho. em lista exemplificativa. sexo. do CDC. A abusividade da publicidade contestada reside na sua capacidade de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. O parágrafo 2º do dispositivo acrescenta que “é abusiva.. raça. idade. ressaltamos antes. da proteção ampla à criança. os valores constitucionais básicos da vida republicana. honra e imagem das pessoas. da valorização da família. ao adolescente e ao idoso. e os elementos do caso concreto. aos deficientes de informação (conceito que não se confunde com deficiência mental). fora do alcance do CDC). Leva em conta. do pluralismo político. a que incite à violência. a abusividade foi tratada pelo legislador como ‘conceito jurídico indeterminado. (. a verificação da abusividade de uma publicidade deverá considerar os parâmetros indicados no dispositivo transcrito.

limitam em 30% do salário. que a publicidade seja capaz de resultar em um mal. IV. junto com o artigo 649.º 6. Código brasileiro de defesa do consumidor comentado pelos autores do anteprojeto. de 17 de dezembro de 2003. por isso deve permanecer intocado para fins de pagamentos de dívidas oriundas de contratos de fornecimento de crédito. Tais normas vêm sendo aplicadas pela jurisprudência. São Paulo: Forense Universitária. 6 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . benefício ou vencimento o valor disponível para pagamentos de empréstimos consignados. 479) cabe verificar se a publicidade contestada estimula o uso perigoso do crédito por parte dos consumidores alvo da publicidade contestada. basta que haja perigo de dano.º 10. do CPC.820. Basta que haja perigo. por analogia. pp. Antônio Herman de Vasconcellos. São Paulo: Saraiva. Luiz Antônio. a todos. e o Decreto n. a abusividade da publicidade independe da intenção do fornecedor e da ocorrência efetiva de danos. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. Luiz Antônio. alias. à luz dos princípios da dignidade da pessoa humana e do mínimo existencial. que exista a possibilidade de ocorrer o dano. pensionistas e servidores públicos federais (aplicável extensivamente aos servidores estaduais e municipais). uma violação ou ofensa. O fundamento reside no fato de que a parte da pensão. ou seja. A abusividade. (BENJAMIN. (RIZZATO NUNES. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. p. benefício ou vencimento indisponível (no caso 70%) é. 339/341) Vale esclarecer que. A Lei n. pensão. deve ser avaliada sempre tendo em vista a potencialidade do anúncio em causar um mal”. 478) Considerando que “o anúncio não pode” “estimular o uso perigoso do produto ou serviço” (RIZZATO NUNES. que tratam dos empréstimos consignados para os aposentados. independentemente da classe a qual pertencem.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO cultural”. “Aqui também é importante frisar que para a caracterização da natureza abusiva de um anúncio não é necessário que ocorra de fato um dano ao consumidor concreto ou uma ofensa concreta. 2009. de 29 de fevereiro de 2008.386. 2009. p. São Paulo: Saraiva. o meio mínimo de subsistência da pessoa.

traduzindo-se no meio de subsistência do trabalhador e de sua família. Decisão em consonância com a jurisprudência predominante nesta Corte. 20ª Câmara Cível. LIMITAÇÃO DOS DESCONTOS ATÉ 30% DO VENCIMENTO LÍQUIDO. por ter caráter alimentar. o desconto poderá ser efetivado em até 30% do vencimento da recorrente. Consoante já pacificado no âmbito de nossa jurisprudência. DANO MORAL CONFIGURADO. adstrito ao juízo discricionário do magistrado da causa. AÇÃO INDENIZATÓRIA C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER. NEGATIVA DE SEGUIMENTO DA APELAÇÃO CÍVEL. Agostinho Teixeira de Almeida Filho) PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO QUE NÃO SE REVELA TERATOLÓGICA. Dano moral não configurado porque os descontos decorreram de dívida regularmente contraída e ainda não quitada. EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS COM DESCONTO DAS PRESTAÇÕES EM FOLHA DE PAGAMENTO.2008. Rel. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA JURISDICIONAL. a teor do qual: “a retenção de valores em conta-corrente oriunda de empréstimo bancário ou de utilização de cartão de crédito não pode ultrapassar o percentual de 30% do salário do correntista”. Agravo Interno 0014693-06. Réu que não apresenta o contrato firmado pelas partes. ilegal.19. 0031731-04. In casu. A limitação dos descontos desta natureza funda-se na prevalência do princípio da dignidade da pessoa humana e da intangibilidade do salário. teratológica ou contrária à prova dos autos. PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO (TJRJ.º 15 desta Corte. CONTRÁRIA À LEI OU À PROVA DOS AUTOS. Conduta abusiva.0001. CAPUT. Incidência do Enunciado n. bem como que o salário traduz verba alimentar e deve ser preservado um mínimo de recursos que possibilitem a vida da devedora. PRECEDENTES DO TJRJ.0204. haja vista que a remuneração. 18ª Câmara Cível. Des.º 59 DESTE TRIBUNAL.19. ENTENDIMENTO CONSAGRADO PELA SÚMULA N. que tem natureza alimentar. Alegação de “venda casada”. DEFERIMENTO. Não cabe ao segundo grau a revisão da decisão interlocutória que aprecia a concessão de antecipação de tutela. RECURSO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO NA FORMA DO ARTIGO 557.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO AGRAVO INTERNO. salvo se exorbitante. Des. ENUNCIADO N. Jorge Luiz Habib) Apelação cível. não se vislumbra qualquer pecha capaz de infirmar a validade da decisão interlocutória 7 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . Ap.º 59 deste Tribunal. Contratos de empréstimo e de seguro de vida.8. PRINCÍPIOS DA DIGNIDADE HUMANA E DO MÍNIMO EXISTENCIAL.º 15 APROVADO NOS ENCONTROS DE DESEMBARGADORES DESTE TRIBUNAL. Cív.2008. LIMITAÇÃO A 30% DO SALÁRIO.8. não pode a instituição financeira valer-se da conduta de apropriar-se integralmente do vencimento de seu cliente como forma de compensar-se da dívida gerada por contrato de empréstimo inadimplido. Ação indenizatória. Recurso provido em parte (TJRJ. DESCONTOS DIRETOS EM CONTA CORRENTE PARA AMORTIZAÇÃO DA DÍVIDA. DO CPC”. A outorga ou não da medida constitui ato de officium judicis. é imune a constrições dessa espécie. Desconto da totalidade dos rendimentos da devedora para quitação das parcelas. CONTRATO DE MÚTUO. Entendimento amparado na Súmula n. Considerando o princípio da dignidade da pessoa humana. estando assim ementada: “APELAÇÃO CÍVEL. Rel.

MODALIDADE CHEQUE ESPECIAL. Renegociação de dívida.8.00 (cinco mil reais). 0098516-09.º 15. 19ª Câmara Cível. Apelação Cível. Recurso manifestamente improcedente. a mitigação da limitação prevista na legislação mencionada anteriormente e nem da sua aplicação analógica a todos os casos. 557 do Código de Processo Civil (TJRJ. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CELEBRADO COM INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. O salário é objeto de proteção constitucional e somente pode ser retido pelo credor nos casos e limites legalmente previstos para empréstimos consignados. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU DEFERINDO O PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA PARA DETERMINAR QUE O BANCO-RÉU SE LIMITE A DESCONTAR O PERCENTUAL DE 30% REFERENTE AO SALÁRIO DO AUTOR.2007. Contrato de empréstimo com débito em conta corrente. Conduta irregular do réu que enseja o dever de indenizar.0000. Ap. acima do limite razoável. Cláudio Brandão). do Aviso 55/09. DESCONTO AUTOMÁTICO PARA AMORTIZAR O DÉBITO. pensão.2011. Descontos automáticos nos vencimentos. Des.8. 16ª Câmara Cível.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO agravada. Parcelas descontadas superior ao limite máximo consignável de 30% dos vencimentos do servidor. ABSORÇÃO DE QUASE TODO O SALÁRIO DA CORRENTISTA. BEM COMO AUTORIZOU QUE O RÉU EFETUASSE O DESCONTO AUTOMÁTICO EM SUA CONTA CORRENTE. segundo a jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.000. Des. AFRONTA AOS PRINCÍPIOS DO MÍNIMO 8 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. Impossibilidade.Cív. IMPROCEDÊNCIA QUANTO AO PEDIDO DE DANO MORAL. Patamar que se mostra adequado e razoável. Enunciado n. pelo que os descontos foram feitos na forma pactuada. com fulcro no art. Trata-se de típica relação de consumo.19. na medida em que compromete a própria sobrevivência da parte apelada. Lindolpho Morais Marinho) A ciência do consumidor de que a remuneração pelo crédito fornecido irá comprometer a parte indisponível do seu salário. Apelo do réu sustentando que o contrato autoriza o débito para cumprimento de obrigação.19. Sentença que limita os descontos a 30% do salário. APELAÇÃO CÍVEL. Desprovimento do recurso (TJRJ.0001. benefício ou vencimento não autoriza. viola o princípio da dignidade da pessoa humana. Rel. Indenização a título de dano moral fixada em R$ 5. ao qual se nega seguimento. Rel. ENTRETANTO NÃO SE APRESENTA LÍCITO E RAZOÁVEL QUE A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SE APROPRIE DE TODO O SALÁRIO DE SEU CLIENTE EM DETRIMENTO DE SUA SUBSISTÊNCIA. Agravo de Instrumento 0003306-89. NÃO SE PODE IGNORAR QUE O AUTOR UTILIZOU DO LIMITE DE CRÉDITO FORNECIDO PELO AGRAVANTE.

Disposição contratual que deve acatar limites moderados para os referidos descontos. do art. DEVE. Des.19. na forma do artigo 2º. Sentença que julgou parcialmente procedente o pedido da Autora para limitar em 30% de seus ganhos líquidos o valor dos descontos referentes a empréstimos contratados. 0261911-46. Civil e Consumidor.8.2008. Não caracterização do dano moral. 0387283-68. Conta-corrente. SUAS CONSEQUENCIAS. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO para afastar a condenação ao pagamento de indenização por danos morais (TJRJ. da Lei n. constando do extrato saque em caixa eletrônico. 9 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . Correta a decisão do Juízo a quo ao limitar os descontos em 30% dos ganhos líquidos da Autora. O DANO MORAL DEVE SE APROXIMAR DE UMA COMPENSAÇÃO CAPAZ DE AMENIZAR O CONSTRANGIMENTO EXPERIMENTADO. do Código de Processo Civil (TJRJ.0001. como desacerto de sua vida familiar e financeira. Ausência de abusividade.19. Apelo do Réu pela improcedência dos pedidos. inciso I. Aplicação analógica do art. Ap. Rel. sustentando que a Autora tinha conhecimento das cláusulas contratuais e a inexistência de danos morais. n. 18ª Câmara Cível. Marília de Castro Neves).Cív. da Lei 10.2009.386/08. Revisão de cláusulas do contrato só possível por circunstâncias objetivas e não por problemas meramente subjetivos da tomadora do empréstimo.8. 45 e seu parágrafo único. 10ª Câmara Cível. eis que a conta corrente continuou a ser movimentada pela Autora.º 8. Capitalização de juros contratada. Cláusulas.Cív. Segunda Seção do STJ. DSCONTO DE PARCELA EM VALOR SUPERIOR A 30% DOS VENCIMENTOS. estabelecendo em hipóteses semelhantes a dos autos que o desconto para pagamento de dívidas com o Banco seja limitado ao percentual de 30% do salário. recurso manifestamente improcedente a que se nega seguimento na forma do caput. do Dec. Leila Albuquerque).2009. 5ª Câmara Cível. 557. A jurisprudência do nosso Tribunal tem se manifestado no sentido de equiparar a situação da Apelada à de pessoas que se valem de empréstimo consignado em folha. 012713308.820/2003. Rel. PORTANTO.º 6. § 2º. Precedente da e. Des. Rel. PROVIMENTO AO RECURSO (TJRJ. Desconto para amortização da dívida. PUNITIVO E PEDAGÓGICO. CONDIÇÃO SOCIAL DA VÍTIMA E INFRATOR.19. Sentença que nesse sentido apontou incensurável. AÇÃO DECLARATÓRIA COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.Cív. Revisão. Crédito pessoal tomado por correntista com débito em conta e prestações fixas. Ap. Ap.0001. Retenção automática de valores incidentes sobre o vencimento da Autora que não pode ultrapassar trinta por cento (30%) do valor líquido depositado a título de salário.0001. Antônio Saldanha Palheiro). condenando o Réu ao pagamento de indenização por danos morais. SER FIXADO TOMANDO-SE EM CONTA A GRAVIDADE DO FATO. Des. Precedentes desta Corte. pré conhecidas e aceitas.112/90 e arts. EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. ALÉM DE INCORPORAR O CARÁTER REPARATÓRIO. 8º e 9º.8.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO EXISTENCIAL E DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. APELAÇÃO CÍVEL.

Lindolpho Morais Marinho). assume categoria privilegiadíssima. Sentença de procedência parcial. Subtração do direito do devedor de dispor livremente de seus vencimentos. em detrimento do crédito contratado que. Dano moral. Ap. Des. Recurso ao qual se nega seguimento (TJRJ. Ação indenizatória. Hipótese que não se confunde com desconto em folha de pagamento de empréstimo garantido por margem salarial consignável. Ainda que expressamente ajustada. INEXISTÊNCIA. EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS REALIZADOS PELO AUTOR JUNTO AO BANCO RÉU. DANO MORAL. SALVO SE DA INFRAÇÃO ADVÉM CIRCUNSTÂNCIA QUE ATENTA CONTRA A DIGNIDADE DA PARTE”. Apelações. depois de negado seguimento 10 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . dano qualquer – não lhe resultara qualquer comprovada repercussão. Desconto em conta em que são depositados os vencimentos do autor. Razoável e proporcional o valor fixado em primeiro grau – R$ 5. além dos aborrecimentos que fazem parte da vida de relação. Inadimplência admitida. PRINCÍPIOS DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DO MÍNIMO EXISTENCIAL. Irrelevância de cláusula contratual autorizadora. não seria uma instituição privada que poderia fazê-lo – Art. CONTRATO BANCÁRIO. Astreinte. concedendolhe empréstimos acima de suas possibilidade. É verdade que o fato caracteriza falha na prestação dos serviços prestados ao consumidor. Recurso do autor parcialmente provido.0001. com fundamento em cláusula contratual autorizadora. Se nem mesmo ao Judiciário é lícito penhorar salários. em conseqüência. in re ipsa. com precedência mesmo sobre a própria manutenção física do devedor e de seus dependentes. só por si. mas daí a recolher-se lesão a direito da personalidade do autor vai distância invencível. Termo a quo de restituição do indébito.00 (cinco mil reais) por descumprimento. a retenção de parte do salário do correntista com o propósito de honrar débitos deste em decorrência de empréstimo contratado. LIMITAÇÃO DOS DESCONTOS DE ATÉ 30% DOS CRÉDITOS DA CONTA CORRENTE. Responsabilidade do Banco por não avaliar o limite de endividamento do correntista. autorizados pela correntista. CPC. POR CARACTERIZAR MERO ABORRECIMENTO.000. o desconto poderá ser efetivado em até 30% dos créditos da conta corrente.2010. a pretexto de quitação de débitos referentes a empréstimo contratado. bem como que o salário traduz verba alimentar e deve ser preservado um mínimo de recursos que possibilitem a vida do devedor. Considerando o princípio da dignidade da pessoa humana. 0212552-59. constitui prática abusiva. nesse passo. Impenhorabilidade. de parte substancial dos vencimentos de empregado público junto a si depositados pelo respectivo órgão pagador. Pequeno reparo no julgado de piso. 649. Descontos em folha de pagamento relativos a dívidas por empréstimos.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CIVIL. tanto mais quanto do episódio – de que não se recolhe. Retenção pelo banco-credor. EM PRINCÍPIO. o dever de indenizar – Súmula 75 do TJRJ: “O SIMPLES DESCUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL OU CONTRATUAL. Rel. gerar o dano e.8.19.Cív. NÃO CONFIGURA DANO MORAL. E falha na prestação dos serviços sem repercussões no plano da honra subjetiva e/ou objetiva do consumidor não pode. que encontra amparo em legislação específica. em ordem mesmo a privilegiar certas e emergenciais despesas. 16ª Câmara Cível. IV.

pois obtém a prestação com o melhor preço. ser vedada. aguarda a liberação da margem ou renegocia as dívidas cujos pagamentos estão em curso através de descontos em folha. os juros remuneratórios que são cobrados nas operações de empréstimos consignados são bastante reduzidos. que é plenamente possível. crédito este com custo significativamente mais elevado do que empréstimos consignados. Ap. o consumidor age com prudência. como as do marketing. Da adequação dos juros remuneratórios cobrados pela ré aos juros remuneratórios cobrados nas operações de empréstimos consignados O consumidor aposentado. Conclui-se. 0007239-61. pensionista ou funcionário público oferece segurança para as instituições financeiras. que a publicidade que induz o consumidor que já possui sua margem consignável comprometida em 30% a obter crédito para ser remunerado pela parte indisponível de seu salário. Procedendo dessa forma. leva o consumidor a se comportar de forma a reduzir o mínimo existencial para remunerar crédito fornecido por instituição financeira. portanto. Em síntese: a publicidade contestada induz o consumidor a se comportar de forma a ele prejudicial. Por isso.Cív. pensão.0210. assim como qualquer publicidade no mesmo sentido. 2ª Câmara Cível. conforme a experiência comum demonstra.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ao do réu (TJRJ. o consumidor livre de pressões. pois a adoção do comportamento sugerido na publicidade poderá resultar em comprometimento do mínimo necessário para subsistência.19. tendo em vista a remota chance de perda da renda mensal. Maurício Caldas Lopes). Deve. e mais o fato de o órgão pagador remunerar diretamente o fornecedor do crédito. Des.8. Por óbvio. benefício ou provento.2007. Estando com sua margem consignável totalmente comprometida. portanto. benefício ou pensão. e havendo o desejo de obtenção de crédito. Rel. pois haverá a necessidade de primeiro ajustar a forma de pagamento do empréstimo cujo pagamento 11 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . a obtenção do novo crédito não se dará de forma fácil e rápida.

539) E sendo a publicidade contestada um ato ilícito a ré é responsável por todos os danos que do ato advir. crédito fácil e rápido. 38. Na prática. em interpretação analógica para a disciplina da publicidade abusiva”. Cláudia Lima. segundo sua publicidade. 37 e como esclarece o art. para ajudar o consumidor que está precisando de (mais) dinheiro. Porém. acaba retirando do consumidor a capacidade de reflexão.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO está em curso. a noção de que há negócios desta natureza mais vantajosos. (MARQUES. p. na publicidade contestada. São Paulo: RT. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. por isso que é abusiva a publicidade. deve ser obrigada a adotar ou deixar de adotar condutas para evitar ou minimizar a ocorrência de danos. fornecer o novo crédito de acordo com a parte da margem consignável liberada. Sendo abusiva. 2006. a prudência pode não estar presente no momento de celebrar o contrato de fornecimento de crédito. acaba sendo prejudicial ao consumidor: a remuneração exigida é extremamente custosa e capaz de criar embaraços à própria subsistência do consumidor. que inegavelmente são capazes de convencer aqueles que a elas são submetidos. CDC). depois. aliadas a natural atração que os empréstimos exercem sobre uma grande parcela da população. visto que a prevenção é direito básico dos consumidores (artigo 6º. “Fazer veicular uma publicidade caracterizada como abusiva constitui um ilícito civil e o responsável civilmente é aquele fornecedor que se ‘utiliza’ da publicidade abusiva (ou enganosa) para promover os seus produtos ou os seus serviços. Esta rapidez e facilidade anunciadas. a publicidade. Tratando-se de ação coletiva de consumo não se pode pedir a condenação na prática ou na abstenção de prática de atos para cada situação individualizada de consumidores alvo da publicidade que tenha celebrado contrato de fornecimento de crédito com 12 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . estando o consumidor pressionado por estratégias de marketing. Promete-se. Além disso. VI. destinado. não há como não classificar a prática como um ato ilícito. o empréstimo concedido pela ré. mais seguros. pois. como esclarecia o vetado § 4º do art. independentemente de estar a margem consignável do consumidor comprometida com o pagamento de outros empréstimos. de forma a liberar parte da margem consignável. para.

Considerando (i) a ilicitude da prática de comprometer a parte indisponível do vencimento.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO a ré. e merece ter. enquanto a ré aguarda a liberação da margem consignável do consumidor e o pagamento integral do débito de acordo a parte da margem liberada. ser ilícito. Por isso. Quanto à forma de pagamento a jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro responde de forma bastante satisfatória: o credor-instituição financeira que não avalia o limite de endividamento do consumidor. pensão ou benefício do consumidor-alvo da publicidade contestada. especialmente pelos riscos decorrentes de ato que sabe. 13 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . mais de 30% do vencimento. pensão ou vencimento do consumidor mantenha-se intocada. a questão pode ter. somando-se aos outros pagamentos de empréstimos. benefício ou pensão do consumidor. que deverão se adequar ao “espaço liberado” da margem consignável. benefício ou pensão do consumidor. a prevenção comum a todos os consumidores envolvidos está ligada ao preço do contrato e à forma de remunerar a (duvidosa) vantagem oferecida pelo contrato. não poderá a ré obter qualquer tipo de vantagem que possa advir da proteção que goza o vencimento. Em tese. caso já haja espaço. ou deveria saber. Em decorrência deste pacificado entendimento a ré deverá aguardar a liberação da margem consignável do consumidor para poder efetuar descontos ou cobranças. remunerar-se nos limites do espaço já existente. ou. Com efeito. Porém. pois é necessário que a condenação na sentença seja genérica. não poderá acrescer ao débito oriundo do contrato de fornecimento de crédito qualquer acréscimo que não seja correção monetária. uma condenação genérica que seja capaz de efetivamente prevenir a ocorrência de danos que advenham da onerosidade excessiva e/ou do comprometimento do mínimo necessário à subsistência do consumidor. não pode efetuar descontos ou cobrar valores que torne comprometido. concedendo-lhe empréstimos acima de suas possibilidades. (iii) e a proibição ao enriquecimento sem causa. poderia ser requerida a condenação da ré na obrigação de praticar ou deixar de praticar atos para que a parte indisponível do benefício. (ii) a regra de que quem responde pelos riscos do negócio é o “dono do negócio”.

(.. “Note-se que. 371) Em um passado não muito distante já se entendeu – não de forma pacífica – que existia a figura dos “juros abusivos” nos contratos de fornecimento de crédito por parte de instituições financeiras. tendo em vista que não há como precisar o que vem a ser vantagem manifestamente excessiva de forma genérica.. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. por força do (considerado não auto-aplicável) parágrafo 3º do artigo 192 da Constituição Federal de 1988. p. basta a exigência. ou melhor. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. Aliás. para que a prática seja considerada abusiva. 14 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . É necessário. 2005. 371) A expressão “vantagem manifestamente excessiva” constitui conceito jurídico indeterminado. e não apenas a sua concretização. (BENJAMIN. e que estes eram definidos como os juros cujas taxas excediam a 12% ao ano. 2005. os dois termos não são apenas próximos. “Mas o que vem a ser a vantagem excessiva? O critério para o seu julgamento é o mesmo da vantagem exagerada (art. Antônio Herman de Vasconcellos. Rio de Janeiro: Forense Universitária.)”. (BENJAMIN. mas também em relação à mera exigência. do CDC.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Com relação à equiparação dos juros remuneratórios do crédito oferecido pela ré aos juros remuneratórios do crédito oferecido pelas instituições financeiras autorizadas a oferecerem empréstimos consignados deve-se fazer uma análise com base nos princípios da boa-fé objetiva e da proibição ao enriquecimento ilícito. o Código mostra aversão não apenas à vantagem excessiva concretizada. 51. proceder ao exame do caso concreto. p. V. nesse ponto. Antônio Herman de Vasconcellos. 1% ao mês. portanto. São sinônimos”. dispõe ser vedado ao fornecedor exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva. § 1º). Rio de Janeiro: Forense Universitária. O artigo 39.

a jurisprudência pacificou o entendimento de que 70% do salário. que as instituições financeiras não eram obrigadas a observarem os limites do dispositivo legal e que somente o Banco Central poderia limitar as taxas de juros do setor enquanto lei complementar não fosse editada. pois há situações. em sua publicidade. funcionário público. pelo contrário. Com esta “declaração” a figura dos “juros abusivos” foi considerada extinta nos contratos de fornecimento de crédito por instituições financeiras. anuncia que fornece crédito para ajudar o consumidor que está com sua margem consignável totalmente comprometida e/ou com seu nome inscrito nos cadastros de proteção ao crédito. segundo os economistas. aposentado. benefício ou vencimento é remota. declarando. visto que a hipótese de perda da pensão. Contudo. A fixação das taxas de juros remuneratórios está. a segurança é quase que total. 15 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . quanto menor ambos mais barato o crédito. intimamente ligada a dois fatores: os juros fixados pelo Banco Central (Taxa Selic) e o risco de inadimplência. como a tratada na presente. portanto. não importa a qualidade da pessoa (pensionista. assim não deve ser considerado. fornecer crédito com juros remuneratórios elevados e descontar a remuneração pelo crédito (composta do crédito mais os juros remuneratórios) da parte indisponível do vencimento. Contudo. exigir destes consumidores remuneração superior a que eles obteriam caso não tivessem sido submetidos à pressão da publicidade contestada. No caso dos consumidores pensionistas. Acrescente-se que a ré. Conforme visto. benefício ou pensão. aposentados ou funcionários públicos.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO O STF espancou qualquer dúvida sobre a aplicação do parágrafo 3º do artigo 192 da CF 1988. conforme visto. Por outro lado. pensão ou benefício não significa ajudar o consumidor. Quanto maior ambos mais caro seria o crédito. Nada justifica. em que a figura dos “juros abusivos” pode estar presente. em síntese apertadíssima.

seja como fonte de novos deveres (Nebenpflichten). pp. agindo com lealdade. (Contratos no Código de Defesa do Consumidor.). seus direitos. embaraça a subsistência do consumidor. dos direitos subjetivos e 3) na concreção e interpretação do contrato. sem abuso. reduzindo a liberdade de atuaçãodos parceiros contratuais ao definir algumas condutas e cláusulas como abusivas. antes lícito. respeitando seus interesses legítimos. 181/182). deveres de conduta anexos aos deveres de prestação contratual. “boa fé objetiva significa. seja controlando a transferência dos riscos profissionais e libertando o devedor em face da não razoabilidade de outra 16 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . suas expectativas razoáveis.Kontrollfunktion). benefício ou pensão – e o custo do crédito demonstram que a ré não visa ajudar o consumidor. configura o mínimo existencial. A segunda função é uma função limitadora (Schranken-bzw. os chamados deveres anexos. ao impor riscos profissionais novos e agora indisponíveis por contrato. sem causar lesão ou desvantagem excessiva. uma atuação refletindo. São Paulo 2002. seja como fonte de responsabilidade por ato lícito (Vertrauenshaftung). como o dever de informar. A primeira função é uma função criadora (pflichtenbegrundende Funfktion). pensando no outro. cooperando para atingir o bom fim das obrigações: o cumprimento do objetivo contratual e a realização dos interesses das partes”. que não esteja ligado ao atendimento de necessidades existenciais. Revista dos Tribunais. qualquer comprometimento nesta parte do vencimento. fonte de deveres de proteção e proibição de certos comportamentos considerados abstratamente lícitos. 1) como fonte de deveres especiais de conduta durante o vínculo contratual. o princípio da boa-fé objetiva na formação e na execução das obrigações possui muitas funções na nova teoria contratual.. A forma como a ré se propõe a cobrar a contrapartida pelo fornecimento do crédito – através de cobranças na parte indisponível do vencimento.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO trabalhador comum etc. O princípio da boa-fé objetiva possui três funções: interpretação da relação obrigacional. ed. uma atuação refletida. respeitando-o. e 2) como causa limitadora do exercício. de cuidado e de cooperação. hoje abusivo. Segundo Cláudia Lima Marques.. “Efetivamente. no parceiro contratual. benefício ou pensão. sem obstrução.

O novo regime das relações contratuais. de informação. criação de novas normas de conduta (função integrativa) e limitação dos direitos subjetivos (função de controle contra o abuso de direito). deveres de cooperação. em face das peculiaridades próprias de cada relação obrigacional. Paulo de Tarso Vieira. A terceira é a função interpretadora. (SANSEVERINO.(.g. CC 2002). de sigilo. 2002. orientando a sua exigibilidade (pretensão) ou o seu exercício coativo (ação)”.. passando pela sua execução. São Paulo: RT. p. sob pena de uma atuação antijurídica. gera expectativa em outrem na 17 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . Evita-se. até a fase posterior ao adimplemento da obrigação: interpretação das regras pactuadas (função interpretativa). o qual permite uma visão total e real do contrato sob exame. na expressão de Waldírio Bulgarelli. o dever de ater-se aos limites traçados pela boa-fé. o princípio máximo das relações contratuais. de cuidado).. pp.g. Boa-fé é cooperação e respeito. além daqueles que nascem diretamente da vontade das partes. por força de um comportamento contundente. a base do tráfico jurídico. 59) Dentro de sua função de proibição de comportamentos considerados abstratamente lícitos a boa-fé rotula como ilícito o comportamento contraditório (artigo 187.. A proteção da boa-fé e da confiança despertada formam. surgem os deveres secundários ou acidentais da prestação e. limita o exercício de direitos subjetivos. assim. A boa-fé objetiva e a função social do contrato são. os deveres acessórios ligam-se diretamente ao correto processamento da relação obrigacional (v. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. 2002. tutelada em todas as relações sociais. Não é dado à parte que. Enquanto os deveres secundários vinculam-se ao correto cumprimento dos deveres principais (v. (MARQUES.. de novos deveres. ´como salvaguardas das injunções do jogo do poder negocial´”. 180/181) “Na relação obrigacional a boa-fé exerce múltiplas funções. Cláudia Lima. é conduta esperada e leal. ao exercer o seu direito. dever de conservação da coisa até a tradição). estabelecendo para o credor. deveres laterais ou acessórios de conduta. Ao lado dos deveres primários de prestação.) A função integrativa da boa-fé permite a identificação concreta. São Paulo: Saraiva. a base de todas as vinculações jurídicas. (. segundo Couto e Silva. desde a fase anterior à formação do vínculo. até mesmo.) Na sua função de controle. Responsabilidade civil no código do consumidor e a defesa do fornecedor. o abuso de direito em todas as fases da relação jurídica obrigacional. pois a melhor linha de interpretação de um contrato ou de uma relação de consumo deve ser a do princípio da boa-fé.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO conduta (pflichenbefreinde Vertrauensubstande).

no sentido de que o crédito oferecido pela ré se destina a ajudar o consumidor aposentado. Passa.). meramente potencial converter-se-á em dano efetivo. a forma de cobrar a remuneração pelo fornecimento do crédito e o seu preço devem ser compatíveis com a forma de cobrança e o preço dos empréstimos consignados. Anderson. (. pensionista ou servidor público. 2005. pp. ainda que este novo proceder não seja vedado expressamente no texto legal. que a sanção primordial à conduta contraditória é a inadmissão ou impedimento do exercício da situação jurídica subjetiva em violação à boa-fé e à legítima confiança. A proibição de comportamento contraditório: tutela da confiança e venire contra factum proprium. Rio de Janeiro: Renovar.. a conduta contraditória será praticada e o dano que era.. a remuneração pelo capital emprestado (que engloba o capital propriamente dito e os juros remuneratórios) não pode ser extraída da parte indisponível da pensão. e não pode o saldo devedor relativo ao crédito concedido sofrer qualquer tipo de acréscimo que não seja correção monetária. (SCHREIBER. os juros remuneratórios não podem ser superiores aos cobrados pelas instituições financeiras autorizadas a oferecerem empréstimos consignados em folha. Da restituição de valores pagos indevidamente Para que a publicidade contestada não possa ser considerada enganosa. o que é anunciado na publicidade contestada. então. (. comportar-se de maneira contrária. de fato.. até então. benefício ou vencimento. Qualquer valor cobrado a título de remuneração pelo crédito emprestado que exceda o valor que deveria ser cobrado conforme as regras acima apresentadas é classificado como indevidamente 18 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO .. benefício ou pensão.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO continuidade do comportamento. 157/158) Para cumprir. a vítima da incoerência a ter direito à reparação do dano sofrido.) Quando o impedimento não puder ocorrer ou for ineficiente. razão pela qual se pode falar em uma segunda conseqüência ou efeito do nemo potest venire contra factum proprium”. portanto. “Pode-se dizer.

o parágrafo é uma exceção à regra que está no caput. Ainda que não tenha ocorrido qualquer ameaça. acrescido de correção monetária e juros legais. Nesse parágrafo único temos uma cláusula geral de responsabilidade até mais abrangente do que a do caput”. (CAVALIERI FILHO. Em um parágrafo não se introduz uma nova disciplina. salvo hipótese de engano justificável”. a rigor.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO cobrado. este parágrafo deveria ser um artigo. dada a relevância que ele tem. tendo em vista que o direito previsto no parágrafo único do artigo 42 do CDC. uma circunstância decorrente do caput. Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil de 2002: convergências e assimetrias. Caso o consumidor o venha a pagar estará configurada a situação de cobrança e pagamento indevidos. Segundo o parágrafo único do artigo 42 do CDC “o consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito. Coordenadores Roberto Augusto Castellanos Pfeiffer. cujo objetivo é proteger o consumidor das artimanhas dos fornecedores não afetos a um comportamento conforme a boa-fé objetiva. p. haverá o direito à restituição em dobro do valor pago em excesso. como normalmente ocorre com dispositivos que assim estão estruturados (com caput e parágrafos). ou uma peculiaridade. Sergio. regras estas que convergem com a idéia que a ré transmite na publicidade contestada. Da antecipação de tutela 19 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . constrangimento. Normalmente. por valor igual ao dobro do que pagou em excesso. Comentando o parágrafo único do artigo 927 do Código Civil de 2002. São Paulo: RT. Adalberto Pasqualotto. não está condicionado à ocorrência das hipóteses previstas no caput do dispositivo. 2005. 209) O pagamento indevido em questão decorre da diferença entre o que foi pago e o que teria sido pago caso a ré tivesse obedecido as regras acima mencionadas. como se fez aqui. Sergio Cavallieri Filho apresenta entendimento semelhante: “Diria inicialmente que.

a medida. no sentido de obrigar a ré a não veicular em qualquer veículo de comunicação em massa a publicidade contestada. O ideal é impedir o quanto antes condutas que possam colocar consumidores em situações que comprometam suas respectivas subsistências. por isso é ilícita. o acolhimento da noção de dano in reverso não injusto é de extrema importância para a questão. ou seja. a causar um dano que pode ser irreversível ou de dificílima solução. Não é difícil compreender que o comprometimento de parte da parte indisponível do vencimento. benefício ou pensão e o outro recebimento. Note-se que. pelo menos não injustos. se assim não fosse. é medida possível e que se mostra urgente. tendo em vista que.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO A concessão de medida antecipatória. tendo em vista que o direito à subsistência mínima é existencial (o direito à subsistência mínima necessária. se sobrepõe ao direito da outra parte de não sofrer redução econômica). E é abusiva justamente porque incita o consumidor a se comportar de maneira prejudicar a sua própria subsistência. Ressalte-se que. por ser existencial. se sobrepõe ao direito da outra parte de não sofrer redução econômica). e de vetá-la de utilizar qualquer publicidade que incite o consumidor a adquirir crédito cuja forma de pagamento importa em comprometer parte da parte indisponível do vencimento. pode impedir. por ser existencial. a compra de medicamentos. a gama de situações que 20 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . tendo em vista que a publicidade é abusiva e pode levar o consumidor a comprometer a sua própria subsistência (neste caso. Conforme demonstrado a publicidade contestada é abusiva. benefício ou pensão do consumidor alvo da publicidade contestada. justamente por se tratar do mínimo existencial. caso deferida. alimentos suficientes para o período entre um recebimento de vencimento. considerada pela jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro como o mínimo existencial. o direito à subsistência mínima necessária. não será capaz de causar danos irreversíveis à ré. e cujo preço seja superior aos dos empréstimos oferecidos por instituições financeiras autorizadas a oferecer empréstimos consignados. benefício ou pensão.

p. não é uma qualificação que possa ser tida como descontada de inútil e repetitiva do caráter já de per si ilícito do ato que o gera. no dizer de Alpa et alii. Sálvio – coord. A doutrina já se manifestou sobre a contradição existente nas expressões “prova inequívoca” e “que convença da verossimilhança da alegação”. Judith. concluindo 21 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . “sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO reclamam antecipação dos efeitos da tutela seria radicalmente comprometida. é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia. citado o réu”. é uma expressão que sublinha a extrema relevância que tem. O dispositivo supramencionado cuida da concessão de tutela liminar para garantir a total satisfação do direito do consumidor nos casos em que a espera pelo provimento final da demanda interfere de forma negativa. (MARTINS-COSTA. O artigo 273 do CPC exige. a situação subjetiva prejudicada”. tomo II: do inadimplemento das obrigações. Pelo contrário. de verdadeira antecipação de tutela. 2009. e que “haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação”. Comentários ao Novo Código Civil. Rio de Janeiro: Forense. para o Direito civil. pois é normal que medidas tais causem danos na parte “prejudicada” pela medida. logo. Trata-se. volume V. FIGUEREDO TEIXEIRA. para que seja concedida a antecipação parcial ou total da tutela pretendida. que trata do assunto de forma geral. 170) Dispõe o parágrafo 3º do artigo 84 do CDC que. deve o dispositivo ora em comento ser interpretado em harmonia com o artigo 273 do Código de Processo Civil. que exista prova inequívoca que convença o juiz sobre a verossimilhança das alegações do autor. portanto. “Essa noção normativa justifica a adjetivação do dano juridicamente tutelado como dano injusto. contidas no artigo 273 do CPC. o que. A antecipação da tutela não será concedida caso exista “perigo” de irreversibilidade do provimento antecipado.

portador de maior segurança do que a mera verossimilhança”. para que a antecipação de tutela possa ser concedida é necessário que: haja prova (ou mesmo indícios) demonstrando que há probabilidade de as alegações do autor da demanda ser verdadeiras. em qualquer veículo de comunicação de massa. A dar peso ao sentido literal do texto. a publicidade que vem sendo atualmente 22 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . “O artigo 273 condiciona a antecipação da tutela à existência de prova inequívoca suficiente para que o juiz se convença da verossimilhança da alegação. ed. Aproximadas as duas locuções formalmente contraditórias contidas no artigo 273 do Código de Processo Civil (prova inequívoca e convencer-se da verossimilhança). para que possa ser concedida a antecipação da tutela. 2ª edição.143) Portanto. contestar a presente. 02) a condenação da ré na obrigação de não veicular. não poderia significar mais do que imbuir-se do sentimento de que a realidade fática pode ser como a descreve o autor. Convencer-se da verossimilhança. São Paulo 1995. cujo real significado é parecer ser verdadeiro o alegado. A reforma do Código de Processo Civil. ao contrário. DOS PEDIDOS Por todo o exposto. Presentes estão os pressupostos e requisitos para a concessão da medida liminar. havendo uma prova inequívoca haverá certeza. e o fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. e não simples verossimilhança. pp. querendo.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO que. Malheiros. logo. infundindo no espírito do juiz o sentimento de certeza e não mera verossimilhança. (DINAMARCO. Cândido Rangel. seria difícil interpretá-lo satisfatoriamente porque prova inequívoca é prova tão robusta que não permite equívocos ou dúvidas. chega-se ao conceito de probabilidade. por ser abusiva. requer: 01) A citação da ré via mandado próprio para. a melhor interpretação para o dispositivo é haver probabilidade da existência do direito alegado.

pensionistas e funcionários públicos que estejam inscritos em cadastros de proteção ao crédito e/ou com 30% de seus vencimentos. caso o consumidor aposentado. em média. caso seja deferida. 03) a antecipação de tutela em relação ao pedido 2. os descontos ou as cobranças. benefício ou pensão. que deverão. e qualquer publicidade que incite aposentados.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO veiculada que oferece crédito a aposentados. enquanto aguardar a liberação da margem consignável do consumidor aposentado. qualquer acréscimo que não seja correção monetária. se adequar ao “espaço liberado” da margem consignável. 06) seja a ré obrigada a não cobrar dos consumidores aposentados. e. a fixação de multa diária para assegurar o cumprimento da medida. pensionista ou servidor público tenha com ela celebrado contrato de fornecimento de crédito. 04) seja a ré obrigada a. pensões ou benefícios comprometidos com o pagamento de empréstimos consignados. pensionistas e funcionários públicos a adquirirem crédito cuja forma de pagamento importa em comprometer parte da parte indisponível do salário. caso o consumidor aposentado. para instituições financeiras autorizadas a oferecer crédito consignado. aguardar a liberação da margem consignável do consumidor aposentado. 05) seja a ré obrigada a. pensionista ou servidor público tenha com ela celebrado contrato de fornecimento de crédito. pensionista ou servidor público e o pagamento integral do débito de acordo a parte da margem liberada. pensionista ou servidor público para poder efetuar descontos ou cobranças. 23 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . a não acrescer ao débito oriundo do contrato de fornecimento de crédito. pensionistas ou servidores públicos juros remuneratórios (preço do crédito fornecido) superiores ao que estes pagariam.

a efetiva proteção de direitos lesados. pensionistas ou servidores públicos que com ela tiverem celebrado contrato de fornecimento de crédito. assim. os valores pagos acima do permitido pelos pedidos acima que tenham sido deferidos.110. aos consumidores aposentados. em dois jornais de grande circulação desta Capital. 10) a condenação da ré no pagamento dos ônus sucumbenciais.00 (trinta e um mil e cento e dez reais). na forma do artigo 42. parágrafo único. oportunizando.460 24 COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . 09) a intimação do Ministério Público. em tamanho mínimo de 20 cm x 20 cm. Protesta por todos os meios de prova admitidos. primeira parte.ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 07) seja a ré condenada a restituir. sem exclusão do domingo. 08) a condenação da ré na obrigação de publicar. PAULO GIRÃO BARROSO OAB/RJ 107. às suas custas. para que os consumidores dela tomem ciência. em quatro dias intercalados. Rio de Janeiro.255 ADRIANA MONTANO LACAZ OAB/RJ 78. a parte dispositiva de eventual procedência. 28 de fevereiro de 2011. Dá-se à causa o valor de R$ 31.