You are on page 1of 17

Zelda, a gata.

Capítulo 1 - Chegada
Era uma vez um felino, que, quando ainda era filhote, dias após o seu
nascimento, fora misteriosamente fora abandonada, num dia de chuva fraca, deixada
numa caixa de papelão, na frente de uma casa de muro cor verde musgo, com um
chorão plantado à frente em sua larga calçada.
Miando, chamou a atenção do rapaz que morava na residência, que,
vendo aquele gatinho de olhos azuis, teve dó e levou “o pacote” à varanda de sua casa.
Pensando estar com fome, o rapaz logo deu leite ao felino, que, saindo
da caixa, bebeu aos poucos o líquido que era da sua mesma cor.
Na saída da caixa, revelou um problema: uma pata traseira mancava,
tornando o animalzinho um trípede, que, mesmo assim era dotado da agilidade natural
dos gatos. Além disso, magro, também tinha um pelo escasso, aparentando estar mal
cuidado... será que ele havia sido machucado por alguém?
Pois bem, o rapaz olhou, olhou, e gostou do gato – esse felino tinha
um jeito simpático. Um olhar celeste, não só pela cor, mas pela meiguice.
O mancebo confabulou: “Vou adotar esse gato? Como? Se nunca tive
gato? Será que meus pais vão aceitar?”.
Sua mãe, que tinha lhe dado o pires para o leite, disse que o gato
deveria ser levado a Centro de Zoonoses ou ao Abrigo dos Bichos, pois a família não
teria condições de adotar o animalzinho, na medida em que já tinha uma cadela.
A cadela, inclusive, não gostou muito do felino, vez que previa que
tomaria um certo espaço em seu território.
Todavia, o rapaz, tendo que ir trabalhar, pediu para mãe para levar o
gato para adoção noutro dia, argumentando que, naquele dia, não teria tempo.

servido alegremente pelo rapaz. continuava a maior parte do tempo na caixa em que havia chegado. disse: “Oi. e. sob responsabilidade do rapaz. ainda na varanda. e novamente não teria tempo para levar o gato à adoção. confirmando a manha que sentia pela presença do rapaz. mas este estava deitado. toma seu leite para ficar forte – você precisa de um nome. piscando o olho. se não ficaria muito na cara. e o candidato a dono ainda tinha medo de tocar o felino.Capítulo 2. Também tratou de averiguar o vaso de planta que havia na varanda. segundo sua esposa. Logo pela manhã. de sorte que apostou que se tratava de um gato. E assim foi o segundo dia. o gato. ainda não. bebeu leite. pois. mas você é macho ou fêmea?”. pensou em chamá-lo de Manhoso. tal como o terceiro. que. Quinto dia. considerando sua manha. o qual afirmara que precisava ir mais cedo ao trabalho. se acostumaram com o Manhoso. mas deixou quieto. Tentou olhar por debaixo do tronco do pequenino animal. . passando certo tempo nela deitado. No quarto. e a estratégia deu certo. tanto para se exercitar. como para beber a água da cadela da família. Este senhor foi logo ao seu trabalho. Mas. e ele já era parte da família. porém. inclusive a cadela. ensaiava passeios. naquele mesmo dia o gato iria embora. bem como denunciavam a reclamação por ter que ver seu dono sair novamente. O pai da família não gostou muito da presença do felino. A família. quase acompanhando pelo filho. aceitação da mãe e silencio pai. o gato recebeu o nome de Manhoso.Adoção O dia seguinte chegou. Era necessário esperar mais um pouco. expressada em seus miados que demandavam atenção e carícias.

a presença também. e foi levado e trancafiado no quarto de seu dono. Tinha cheiro de seu amigo. além de ficar meio mole por causa do acúmulo da água deixada de cada banho. tivesse a apenas a possibilidade fazer xixi e cocô no recipiente. Queria ração – e logo comprou-se ração de melhor qualidade. Outro problema era que o cocô era relativamente grande... matando as queridas plantas deixadas pelo pai da família. Por último. Mas. não queria mais ficar no banheiro: queria ter acesso ao quarto durante a noite. segundo a mãe do rapaz. escalava o estreito fofinho – um susto: o dono acordava. A solução era fechar a porta do banheiro1. durante a noite. era feito no jardim. mas sim sobre o tapete de borracha em formas de pés que ficava no box do chuveiro. e. durante a noite. Como aquela coisinha conseguia fazer daquele tamanho? O xixi. para tanto. permanecendo ainda a maior parte do tempo em sua manjedoura. as coisas não saíram como o planejado. durante a noite. Manhoso. O gato chegava sempre na extremidade da cama que ficava quase colado na esquina das paredes. 1 O quarto do dono era. Manhoso saiu da varanda. o gato foi trancado no banheiro do quarto. Manhoso. e aparentemente estava enjoado de leite. . por outro lado. Nesse viés. queria dormir na cama do rapaz. arregalando os olhos. Doutro lado. um suíte. mas apreciando o novo ambiente que lhe era apresentado. na verdade.Capítulo 3. seria melhor educar o gato a fazer as necessidades somente em caixa de areia.. e.Modos O gato precisava de cuidados. com o gato terminando a escalada quase em sua cabeça. até que se criasse o costume de nele sempre as deixar. para piorar. Porém. seria necessário colocálo em local fechado. Manhoso não queria fazer suas necessidades na caixinha. para que. por sua vez. e. Para se acostumar à caixa de areia. onde tivesse o recipiente das fezes.. pedia para dormir junto – o que era inadmissível.

o dono pegou o gato. Enfim – uma noite de sono perdida. Certa noite... a maioria das vezes conseguia abrir. sentou na cama. e falou: “Manhoso. dessa vez. A porta foi aberta. querendo dormir. o dono pensou: “preciso usar um método mais eficiente. Novamente o gato saiu do banheiro. supondo que não conseguisse abrir a porta. de fato. E. vá dormir”. enquanto o dono acredita que está sendo entendido Idiota! – Deve ser o que pensou o gato – eu não te entendo. o dono. O rapaz pegou o gato de novo. dava seu pequeno susto na cama do dono. Fechou a porta. e. Mas. levou umas palmadinhas no bumbum. como a ‘super nanny’3 faz?”. mesmo sendo manco de uma perna traseira. Contudo. esfregou o corpo na perna do dono. mas. miava. mais uma vez. – Quem sabe ele aprende? Pensou. Mas o Manhoso. que faz a mesma cara que qualquer animal faz quando não entende o que está sendo falado. Que tal a pedagogia do diálogo. miava. Na hora de dormir.. O dono brigava com o gato. e. do estilo sanfonada.. repetiu calmamente a operação. irritado. colocou em seu bercinho. e impor sua autoridade ao felino.. e este repetiu calmamente a operação: colocou o animal na caminha e mandou dormir. abria de novo a porta. 2 A porta era corrediça de PVC.. começou ameaçar verbalmente o animal de estimação. Noutro dia. mais uma vez. De todo modo. o dono esperou sentado na cama mais uma vez o gato fazer sua gatisse: Manhoso abriu a porta. ou melhor. O gato abriu a porta. safado. Resumo da estória: o gato levou palmadinha no bumbum e um novo aviso – a próxima palmadinha vai doer. batia na porta do banheiro2 até ela abrir. noutra noite. o dono brigava. ao ponto que deu um miado. e esperou a porta ser aberta. chorava. o rapaz pegou seu gato. de novo. e colocava ele no banheiro do quarto de volta. miava. Pois bem. Manhoso abria a porta e corria pela casa. e dessa vez disse: “Se você abrir essa porta. abria. vai levar palmadinha no bumbum!”. Fechou a porta e apenas sentou na cama esperando o gato abrir a porta. onde uma mulher ensina como educar os filhos desobedientes sem castigos físicos 3 . colocou-o na caminha de novo.Manhoso. Programa que passa na televisão.

Mas foi isso: a cama do gato ficou na varanda de novo. e o seu dono desistiu: você vai dormir lá fora. Capítulo 4. pois queria dormir com o dono.Verdade . O gato reclamou.. pois achava que gatos davam trabalho e poderiam gerar doenças quando ela ficasse grávida. o dono também era cheio de suas manhas e mimos.. Finalmente. O rapaz também aprendeu que não dá para prender o gato à noite.O dono fechou a porta de PVC. concordou com o nome dado ao gato. e desistiu-se da idéia de ensiná-lo sobre a caixinha de areia. Mas. desligou a luz. o gato queria dormir fora do banheiro. pois os animais puxam aos donos. Mas a noiva aceitou – não tinha mais jeito. tendo em vista de se tratar de animal noturno. tal como o gato. A noiva não gostou. e dormiu. A moça. Noutra noite. doutro lado. O dono também teve que apresentar o gato a sua noiva. e que era melhor deixá-lo no lado de fora mesmo.

e começou a sempre dar uma passadinha na porta da frente da casa de Zelda. Dessa forma. fez carinho. Porém. nessas conversas agradáveis de calçada. . E assim Manhoso passou e se chamar de Zelda. e olhou bem. pois a família não tinha experiência. Daí o nome de Vigilante. O carro saía ou entrava na garagem. voltasse ao normal. agora tem um gato. escolheu algo mais exótico: Zelda. a Zelda subiu numa árvore do jardim. Disse a família. O vizinho. famoso e diferente. além conhecer o vizinho. e ainda faltava confiança em mexer no animal de modo a tornar exposta sua parte de baixo. Por outro lado. e constatou: “É fêmea”. – Mas é gato mesmo? Ou será que é uma gata? – Perguntou o vizinho da frente. vigiando. uma vez por dia. muitas vezes. o gato preto queria entrar. se é fêmea. pior. fez uma profecia: que seria possível que a perna traseira. e aí. na mesma oportunidade. Zelda. ele era expulso as vassouras de casa. fugindo para seu abrigo na árvore. próximo ao muro frontal de sua residência. em busca dela. inclusive. pois. E por falar em árvore. temos que trocar o nome. O gato de rua não era bobo. Mas ninguém queria que o Vigilante entrasse. não queria adotar o gato. não soube descer. O dono. o qual tinha um bom conhecimento de felinos. ficou presa num encontro de galhos. que estava manca. em busca de oportunidades. ao invés de mudar o artigo final do nome do felino. assim como de abrigo. a ração de com o gato de rua. Nome fácil. – Puxa vida. O dono de Zelda. não havia qualquer quebradura na pata. e. pois já tinha três fêmeas. justamente na perna que mancava. Aquela casa que só tinha uma cadela. pegou o Manhoso.A novidade se espalhou pela vizinhança. aparentemente. adentrava a casa toda oportunidade que podia. considerando seu hobby de jogar vídeo game. e. que morava na árvore que ficava na calçada da casa do vizinho do lado. por sua vez. começou a compartilhar. o vizinho. Seria uma mera luxação. Ninguém sabia responder. mas não gostava do fato deste animal não ter uma alimentação adequada. conheceu um novo amigo: Vigilante – um gato preto com rajadas amareladas e olhos amarelos. atendendo bem pelo novo nome. Contudo. Seus olhos pediam comida.

a gata se soltou e não subiu mais.Socorrida pela mãe do dono. já que este estava trabalhando.Beleza O tempo passou. . segundo a bombeiro doméstica. pois. Mas foi um susto grande. o miado era terrível. Capítulo 5.

mais familiarizada. Esta escuridão era sua maior apelação: tornando seus pedidos de carinho irresistíveis – até mesmo o pai do rapaz passara a gostar e a brincar com animal. quem não o aceitaria? Além. até mesmo a profecia se cumpriu – vizinho estava certo: a gata não mais mancava. ficando o céu azul em seus olhos. Mas quando ele está cuidado e belo. Por fim. tirando o “cocozinho” espalhado pelo quintal e jardim. o azul quase desaparecia pela dilatação da pupila. do mais. ficando a escuridão da noite. O pêlo se tornou consistente. ela já era linda e perfeita. Zelda. Ao ponto que a mãe do rapaz temia que ela fosse furtada. Zelda se tornou bela. carinho. Mas agora isso se tornara opinião unânime na família e na vizinhança. e gostava de brincar. O que era só uma gata branca dos olhos azuis. tinha uma personalidade bela: era meiga. Para o rapaz que a adotou. subia no colo do dono e de seus familiares. tal como as patas. Capítulo 6 . Muito bela. Até o rabo ficou peludinho. manhosa. acostumou pegá-la no colo. tornando-se uma bola. Mudou de aparência.O que amor. De noite. era o inverso. recebendo os carinhos de todos. De dia. ela até que não dava trabalho. e a apertar aquele felino peludo. além disso. sua pupila diminui a tal modo que parecia que não as tinha. branquinho. A família. Zela era linda e perfeita. Até a noiva começou a gostar da gatinha.Night . agora era uma belezura. Era relativamente fácil e divertido cuidar dela. Seus olhos azuis eram convidativos. quase um boneco de pelúcia. magra e de pelo ralo. A gata branca. e comida de qualidade não fazem? A gata não mudou só de nome. Ela também convencionou dizer que ninguém quer um animal quando ele está maltrapilho. A cadela da família nem mais se importava com sua presença. por sua vez. já que a canina recebia mais atenção e carinho da família que a própria gata. porém de cor cinza.

era tão bonitinho ver que. Mas Vigilante também não era macho. o gato era de rua. . de tanto brincar e conversar com Zelda. mas também não tinha mais jeito. e talvez a velha estratégia não daria certo. Vigilante passa cada vez mais tempo na casa de Zelda. Zelda enfiava a patinha por debaixo portão para tocar o amigo. Quando parou a chuva. brincaram e brincaram juntos. A cadela não gostou – tinha antipatia pelo felino preto. e Vigilante ficou. como frisado. E choveu durante muito tempo. Ademais. Por outro lado. brigando. e era necessário levá-las ao veterinário para aplicar vacina contra raiva e remédio para vermes. se escondendo. Brincaram. pensou em adotá-la também. A família.. Dessa forma Vigilante fora adotado.. Mas. deixou também. Zelda e Night são irmãs. E era mais bonito ainda ver o amigo fazendo a mesma coisa para tocar Zelda. e. contra quem até mesmo já tinha latido e avançado. e dono resolveu que o gato de rua poderia permanecer enquanto chovesse. quando Vigilante ficava do lado de fora do portão. A noiva também não aprovou a ideia. mais um felino não seria fácil. Porém. Agora. mexer. começou a chover intensamente e constantemente. muitos dias.. correndo. sua adoção oficial tornava necessário um novo nome. Pulando. Negra como a noite. e a irmã mais velha não era de papo. Os gatos aproveitaram.Vigilante. o dono. em seu coração. e estariam juntas para sempre. Vigilante foi nomeada Night. bem. e. de tanto entrar. Aos poucos.. não queria mandar Vigilante embora. comendo juntos. certamente não seria tão simples domesticálo. Em certa época do ano. Mas também o gato queria brincar. meio irresignada. ter gatos demanda responsabilidades. e da pena que o dono desta sentia por ver que o abrigo da chuva e do frio de era apenas uma árvore. E fez mais ou menos a mesma coisa: deixou o tempo passar.

lhe encravou as unhas de modo a rasgar a pele de sua mão esquerda.E havia uma veterinária confiável próximo da casa do rapaz. . ganhou a confiança do animal. Logo pela manhã. caminhando na região. por sua vez. A vacina. os pais do dono perguntaram as pessoas que moravam próximo da clínica veterinária se não teriam avistado um gato preto com rajadas amareladas. Colocar as gatas no carro era o mais complicado. a gata fugiu. Quando esta entrou no carro. de modo que abrisse a boca. Mas. colocá-la dentro do veículo. mas que um remédio (de via oral) para vermes poderia ser aplicado. uma gata que fugiu e precisava ser encontrada. mas o rapaz teve muito receio de pegar mais uma vez em sua felina aloprada. e foi até a casa do rapaz para avisá-lo. era muito próximo a residência de seu dono. de assustada. antes mesmo de adentrar à clínica. precisaria ser aplicada mais 4 vezes se a gata não fosse encontrada em 10 dias. a médica disse que tinham acabado as vacinas. o qual. O rapaz. A noite. e fez o miado mais feio do mundo. por medo e estresse. que. por sorte. Ela foi entregue no colo da doutora. sendo que levou suas gatas até o estabelecimento. entrou num buraco. inclusive. com cara de perdido. perdeu quase um dia inteiro para poder ser vacinado no posto de saúde. o medo da Night era muito maior. Se fosse encontrada. Seu dono. E agora o dono tinha dois problemas: uma mão sangrando. buscou o carro e comida.. foi ao local indicado. apertando as bochechas da felina. que. e a fujona estaria nas redondezas da clínica veterinária. encontrando a coitada. para. arranhado por ex-gata de rua que nunca tinha sido vacinado. escondeu-se na parte de traz. Restava agora encontrar Night. E ao chegar ao solo. e. depois de deixar Zelda em casa. a qual aplicou o medicamento. Deu certo. calmamente. na vez da Night. enquanto o sangue escorria. Primeiro foi a Zelda. para engolir o remédio. com esta.. acompanhado de sua mãe. Um homem viu a Night em local muito próximo a clínica. seria apenas mais uma vacina. quando pega pelo dono no carro. pegando-a rapidamente com mãos. ao chegar na clínica. Contudo. pois os animais aparentam ter uma capacidade pressentir que alguma coisa não muito agradável poderia acontecer: ninguém gosta de tomar injeção.

Isso não aconteceu. O dono. sua mãe e sua noiva acompanharam no veículo até o CCZ. esta reclamou do incômodo. de modo que foi colocada no chão. e.Chegando em casa. mas logo foi pega pelo dono. Night. e numa demonstração de coragem e agilidade do pai da família. Ambas as gatas criaram uma aversão a idéia de entrar no carro. pois ela poderia morder e arranhar. Mais uma vez. No caminho. fugindo de tudo e de todos. Night aproveitou para sair do mesmo. e. já manifestavam o desejo de cruzar. foi posta num saco de feira com vários furinhos. Para piorar. colocava suas garras para fora. com medo. O CCZ. Era necessário castrar as gatas que. dentro do saco. além do dono das gastas. Para o transporte. não seria fácil. ficaram aliviados. começou-se pelo mais fácil: Zelda foi pega no colo pelo dono. se um gato fugisse. a contra gosto. voltaram a brincar. Naturalmente. pelo qual passara seu corpo ao chegar ao estacionamento do CCZ. para que pudesse ser entregue e colocada no cambão. e torcer para que a felina entrasse na caixa. que. o reencontro das irmãs – ambas felizes. contudo. a família não teria condições de cuidar dos prováveis muitos gatinhos que viriam. na hora em que o carro foi aberto para devolver o cambão. consegui abrir um pequeno buraco. Agora é a vez do desafio: colocar Night no cambão. tornando necessário tomar certos cuidados. e a felina. ao verem o retorno da desgarrada. Porém. nas pernas da moça. enquanto isso. Mas o serviço não estava terminado. e colocada no cambão. era respondido com carreiras entre . Zelda foi pega no colo. Por sua vez. A primeira coisa que se tentou foi colocar o cambão dentro do carro. Night. Zelda quase fugiu. e. Também se alegraram os pais do dono. principalmente com a felina cor da noite. seria responsabilidade do dono correr atrás. é local aberto e arborizado. quis arranhá-lo. pedindo para ela entrasse no carro novamente. Pegá-la era perigoso. O procedimento poderia ser feito de graça no centro de zoonoses da cidade. que estava dirigindo. Zelda aprontou: queria porque queria subir ao colo da noiva.

saíram de cada um de seus respectivos cambões. Capítulo 7 . e esperar as gatas saírem. elas também foram vacinadas contra a raiva.Família A vida caminha. Não dava para acreditar. O servidor que lançou a rede. com cara de sonolência – e ficaram o percurso inteiro bem quietas. um deles. Elas. foram colocadas na mesma caminha no quarto do dono – ambas dormiram quase abraçadas. e estes foram devolvidos. junto ao dono. ao chegarem em casa. onde colocou calmamente a pequena fera. O dono agradeceu aos prestativos funcionários. Colocá-las no carro de volta não difícil: bastou colocar o cambão onde elas estavam no carro.pequenos prédios do CCZ. abrir a pequena prisão. mas gatos pulam. pois a cirurgia parecia ter afetado ambas – mas esta teve um benefício adicional. pois a felina era muito ágil. Apesar de tudo. portando uma rede de captura. Os familiares sentiram dó das felinas. a recuperação até que foi rápida. No caminho para casa. inclusive. e foi para casa esperando pelo novo dia para buscar as gatas já castradas e medicadas. De toda forma. levou o animal segurado pela parte de trás do pescoço até uma jaula. As pequenas estavam tontinhas. e ambas estavam saudáveis. ambas estavam visivelmente dopadas e sensíveis. . Os servidores do CCZ ajudaram na perseguição. Night foi encurralada e pega pela a rede.

e. cama. na sala. para tentar avistavar alguma coisa.. retirou algumas telhas. Zelda e Night. felizes viviam a brincar. que. pois tinham medo que algo acontecesse aos animais enquanto não estivessem sob seus cuidados. e. subiu ao telhado. as gatas apreciavam também saltar obstáculos. Do muro da casa. O mas bonitinho era ver Zelda ir brincar com um matinho. a família constatou que as gatas amam caçar tudo que tinha movimento: bastava remexer um cadarço de sapato. Ao mesmo tempo. achegavam-se ao dono e sua família. Ambas brincavam e davam patadas no inseto até ele morrer. uma eximia escaladora.. as gatas aprenderam a caçar ratos. Na verdade. de modo que ambas iam verificar o movimento e brincar. com o quais “brincavam” até matá-los. ou um fio de energia. principalmente as janelas. a alegria sempre farta. e a diversão estava garantida. onde. o carinho era constante. O dono achava nojento. . Vinha sempre um depois da outra. frequentemente traziam para casa um pequeno troféu: uma barata. Preocupado. no final. que era mais baixo. como crianças no jardim. Para tanto. Bastava uma delas estar aberta que. Ambas também aprenderam a subir no muro frontal da casa. pois as gatas dele faziam isso também. cadeira. principalmente quando passava para o outro lado da rua. Isso assustou a família. na varanda. sofá. tinha algumas ramificações cor de palha. nos quartos. e esperou a pupila dilatar. e deste. as quais a pequena mordia satisfatoriamente. Elas também se acariciavam amistosamente: era muito belo vê-las dormindo abraçadas em cima das cadeiras de plástico da varanda. Por outro lado. em todo lugar. Também ia para rua quando se abria o portão. duas patas dianteiras surgiam. aprenderam a subir no telhado e entrar no forro. Da mesma maneira. o dono foi averiguar se eram realmente elas que estavam no forro. para a rua. Além disso. de repente.Zelda e Night passaram a fazer parte daquela família. E avistou aquela bolinha de pelos brancos deitada como uma princesa em seu esconderijo secreto. quietinha. Quando faziam o passeio. com elas. mas já estava avisado pelo vizinho da frente. Night e Zelda. e compartilhavam afeto. ambas passaram ao muro do vizinho. Ambas. pela aquela mesma árvore na qual Zelda uma vez tinha ficado presa. Ah! As janelas.

todos os dias. para a Zelda. Mas gordinha também Zelda estava. já acostumada com as gatas. ela fechava os olhos como se estivesse feliz – e reclamava quando parava. não era só para obstáculos. Tudo isso. Quando o dono acariciava sua cabeça e orelhas. mas que. Mas não era só quando o dono estudava que a gata branca pulava em seu colo. a Night. Capítulo 8 . própria daqueles que estão comendo bem. precisava ser separada quando os ânimos se exaltavam. – Ou será que era a gata falando que o dono está engordando? Se perguntava o estudioso. de vez quando. mas também para o colo. e seus animais de estimação: a Zelda. empurrava as patinhas. e aproveitava para receber carinho e atenção. sua mãe e seu pai. na vida dessa família. como se estivesse a ajeitar um travesseiro. quando estava a estudar no seu notebook. composta por um rapaz.O pulo. Toda oportunidade. sempre tinha em sua companhia a branquinha. para falar a verdade. Divertido para a família era ver Zelda e Night praticarem o jiu-jitsu dos gatos – uma briga de brincadeira. Não dava para esconder que parte final de seu tronco havia uma forma arredonda. e a cadela. que sobre sua barriga. ela dava um miado de aviso. principalmente do rapaz.Partida . que.

que ela iria aparecer – mas ele mesmo chamou seu nome. No momento. Night não havia entendido. em quanto tremiam de horror. O que será que teria acontecido? A mãe levantou a hipótese de um carro tê-la atropelado. chegando o rapaz do trabalho. pediu que ligasse ao CCZ para saber o que deveriam fazer o com o corpo. já enrijecido. e. decidiu procurar do outro lado da calçada. mas. sua mãe expressou sua preocupação por não ter visto a gata branca. na medida em que ontem. O filho disse para mãe que ficasse despreocupada. enquanto buscava pela pá. esta imediatamente chorou. chorando. na casa. O rapaz informando a mãe. deixada na varanda. apenas cheirava a caixa. No corpo não havia nenhuma marca de agressão. Sua mãe. Zelda provavelmente estava no forro. e levou “o pacote” para casa. a qual não deu importância inicialmente. O rapaz fez questão que Zelda fosse enterrada no quintal. e. e observou um pequeno corpo peludo e branco dentro. ela costumava dar o ar da graça quando ele chegava do serviço. e a tarde. o dono do animal segurou o choque. e haviam muitos carros estacionados. Lá. só era visível a presença de Night. ou ser jogado em um saco preto para recolhimento do lixo. ao que informaram a possibilidade. Mas como ela teria sido atropelada. O filho disse que não sabia. sem respiração. pode ver um pouco melhor. . em pranto o porquê disso ter acontecido. passado o dia. se não havia marcas de atropelamento? Será que teria sido veneno? – Se perguntavam a família. perguntando. abrindo um pouco a caixa. que observavam o corpo parado. e o corpo estava relativamente duro. ela era muito bela. chovia levemente. chamando pelo seu nome. Era Zelda. semi fechada. mas tinha certeza que era ela: o rabo cinzento confirmava. Mas. e ela estava morta. ou de ser enterrado em algum terreno. de modo que. encontrou um caixa de papelão. Nesse meio tempo. ou acidente: ainda em sua morte. ela poderia ter saído para a rua à noite. Em sua face já havia algumas formigas.Num dia como outro qualquer. sua mãe fora ao quarto chorar. o rapaz foi procurar na rua com a mãe. Desse modo.

pai e filho. foi prestar seu consolo ao dono de Zelda. ao que ela respondeu afirmativamente. pois seus pais queriam que ele passasse em um concurso público federal. fechou o arquivo e perguntou a moça se ela gostaria de ver o local onde a gata fora enterrada. e deu o seu apoio. observando o local do enterro. estava parado. foi ao seu notebook. sentaram na rede. sendo informada de tudo. e ficaram em silêncio. prontificou-se a ajudar no enterro. Vou sentir muito a falta dela. obrigado por me permitir ter a Zelda a meu lado. observados por Night. pôs a mão aberta sobre a terra do quintal. e foram até a varanda. Como? Porquê? Depois que o pai saiu. O rapaz. Precisava estudar. gemidos. Obrigado. Obrigado. no quintal. Night. o rapaz chorou. Senhor. Porém. o corpo de Zelda foi ali colocado. tendo o rapaz chorado novamente. Ele respondeu que quando estivesse pronto. e. a única coisa que conseguia fazer era escrever sobre Zelda. Imediatamente. almejando imortalizá-la em suas palavras. suspiros. e. fez uma oração: – Deus. teve mais uma vez o apoio de Night. o pai do rapaz também chegou do serviço. Tendo escrito algumas linhas. pois não suportavam ver o corpo da gata. que embora intacto.Coração . Ambos se levantaram. achegou-se. sabendo do incidente. Feito o buraco. morto.Em meio à procura da pá. agacharam-se. de modo rápido. por nos unir. Agachou-se. Mais lágrima. levantou-se. O rapaz. mas vendo a tristeza do dono. ainda não entendia. e finalizaram o sepultamento. a qual. percebendo sua chegada. lhe mostraria. Os noivos. Capítulo 9 . A noiva perguntou ao rapaz o que ele escrevia. fechando os olhos úmidos. lançaram a terra por cima. quieto. sua noiva chegou. que ali estava.

Zelda. te apertarei no meu colo. Eu te amo. o rapaz ainda tenta dizer: – Adeus.. Ela tentava desenterrar o corpo. num dia de chuva. Sentirei tanto sua falta. você veio numa caixinha. tal como a dor de sua ausência. eu te encontrei numa caixinha.Noutro dia. Zelda. e te amei até o fim.. e no caminho. Porque? Porque.. mas foi tão bom. Sempre te ache linda. onde veio a chorar novamente. Ele disse: – Zelda. logo pela manhã. como eu vou sentir sua falta. ou te farei um carinho. Quando eu te adotei. o mancebo foi trabalhar. Passamos menos de 6 meses juntos. eu nunca vou me esquecer de você. tocarei seu pelo branco. passou no lava-rápido. . num dia de chuva. eu jamais vou me esquecer de você. Fique tranquila. eu cuidarei de Night. o rapaz foi chamado pela mãe para ver Night. Nunca mais eu verei seus olhos azuis. eu não sei dizer adeus. Estou com um vazio em meu coração. Quando você partiu. sentindo o cheiro da irmã.. Neste momento. Você sempre estará no meu coração. Diante daquela visão. não tendo terminado ainda de escrever sobre Zelda. meu Deus? Eu te amei desde o início.