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Freud (1916) define pulsão como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental

e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam no corpo -


dentro do organismo - e alcança a mente, como uma medida da exigência feita à mente
no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo.

Freud fala que não existe um caminho natural para a sexualidade humana. Não há uma
maneira única de satisfazer o desejo, o que confere ao humano a sina de estar sempre
insatisfeito frente a este . É em nome desses desvios que Freud fala em pulsão sexual
(trieb) e não em instinto (instinkt), que é um padrão de comportamento,
hereditariamente fixado e que possui um objeto especifico, enquanto a Trieb não
implica nem comportamento pré-formado, nem objeto especifico.

Resumo

O termo pulsão é um dos mais polêmicos na obra Freudiana. A extensa gama de


significados e conotações do termo em alemão aumenta a polêmica. Há séculos, era
empregado na linguagem corrente, bem como nas linguagens comercial, religiosa,
científica, e filosófica.

A pulsão (trieb) pode tanto assumir a forma de um “instinto” quanto de um


“querer”, enquanto base não-volitiva e categórica. Situa-se, pois, anteriormente a
ambos. É algo genérico e impessoal, maior que o sujeito isolado, algo atemporal. A
pulsão simplesmente existe; tal qual o “impulso de respirar”, ele é a “base do próprio
querer”, a base a partir da qual se gera a necessidade, a ânsia, a vontade, o querer e o
desejo. Não é de imediato percebido como torturante ou desagradável, torna-se
torturante se não o realizarmos - por exemplo, não respirar, não comer.

À pulsão é um processo dinâmico, que impulsiona o organismo em direção a uma meta,


o equilíbrio do estado de tensão na fonte pulsional. O termo pulsão só aparece na obra
Freudiana em 1905, mas desde o projeto de 1895, Freud j&aac
ute; coloca a idéia de excitações externas e internas, às quais deveriam ser
descarregadas assim que abalassem o princípio de constância. Nós poderíamos fugir das
excitações externas, mas não das internas e nisso se basearia a “mola pulsional” dos
mecanismos psíquicos.

E “As pulsões e seus destinos” Freud logo na primeira página diz: “A teoria das pulsões
e, por assim dizer, nossa mitologia”, ressalta tanto que apesar de uma teoria científica
emergir a partir de uma série de fatos empíricos, ela implica um conjunto de conceitos
que não são retirados dessas observações mas que lhes são impostos a partir de um lugar
teórico, não são noções descritivas, mas construtos teóricos.

A pulsão em Freud nunca se dá por si mesma ( nem a nível consciente, nem a nível
inconsciente), ela só é conhecida pelos seus representantes: a idéia e o afeto. Pulsão, diz
Freud, é “um conceito situado na fronteira entre o psíquico e o somático”, ou ainda o
representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a
mente. É importante não confundir a pulsão enquanto representante dos estímulos
internos com os representantes psíquicos da pulsão, lembrando que a pulsão nunca pode
tornar-se objeto da consciência e que mesmo no inconsciente ela é sempre representada
por uma idéia ou por um afeto.

É um conceito entre o psíquico e o somático, no sentido em que diz respeito a um


“representante”, uma delegação do somático ao psiquismo: a pulsão tem sua fonte em
fenômenos somáticos, mas tem um destino basicamente psíquico, ela é um estímulo
para o psíquico. A pulsão é algo de fora que impulsiona o trabalho no aparelho psíquico,
sem ser regida pelos mesmos princípios destes, senão através de seus representantes.
Freud aponta, assim, o fato da pulsão , antes de ser um limítrofes, ser um articulador
destes dois conceitos.

O conceito de pulsão tem por referenciais, a fonte, um processo somático que ocorre
num órgão ou parte do corpo, a pressão, a quantidade de força que ele representa, a
finalidade, que é sempre a satisfação; e o objeto, a coisa através da qual a pulsão atinge
sua finalidade.