EUTANÁSIA

MATANDO OS DOENTES, OS DEFICIENTES
E OS IDOSOS EM NOME DA COMPAIXÃO

Perspectiva do Futuro Próximo Baseada em Fatos Passados e Recentes

Julio Severo
Dedico esta obra à minha mãe Regina, que cultivou em mim o amor à leitura desde cedo e sempre me apoiou em meus projetos diante de Deus. Os direitos autorais dos desenhos utilizados neste livro pertencem ao cartunista americano Chuck Asay, que bondosamente me deu permissão para usá-los.

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INTRODUÇÃO
Eutanásia é um termo pouco conhecido e compreendido  no Brasil, mas  é uma prática bem real em alguns países  ricos. Depois de ler e estudar livros, artigos e documentos  de   países   que   já   estão   enfrentando   a   questão,   coletei   as  informações   que   achei   mais   relevantes   para   os   leitores  brasileiros. Dei sempre preferência às informações que são  menos   acessíveis   ao   público.   Durante   dois   anos   passei  muitas horas  diárias estudando  e pesquisando  o assunto  em   livros   e   na   Internet.   Além   disso,   tive   contato   pessoal  com especialistas americanos no assunto, como o Dr. Jack  Willke e o Dr. Brian Clowes. Há   tantos   estudos,   pesquisas   e   relatos   pessoais  registrados neste livro que o leitor terá condições de fazer  sua própria avaliação. Procurei cobrir o assunto de forma  breve,   mas   bem   analisada.   Com   as   informações   aqui  disponíveis, não será difícil compreender o que de fato está  acontecendo no Hemisfério Norte. Vamos ver então o motivo  por   que   a   eutanásia   está   se   tornando   uma   questão   tão  importante. A   diminuição   da   população   jovem   e   a   crescente  longevidade   dos   idosos   têm   sido   características   do  progresso   econômico   e   tecnológico   dos   países   avançados.  Hoje,   em   todos   esses   países,   os   idosos   são   a   parte   da  população que mais cresce. Treze por cento da população  dos EUA têm 65 anos (em 1900 eram só 4% e em 1950 só  8%).   Em   2040   haverá   um   idoso   para   cada   americano.   A  Europa e o Japão estão enfrentando um maior aumento da  população idosa. Atualmente, os idosos representam mais  de 16% da população da Europa e Japão, e esse número  poderá ultrapassar os 30% antes de 2040. Os cientistas sociais calculam que em 2050 a população  idosa   com   mais   de   80   anos   na   Alemanha,   Japão   e   Itália 
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estará em número igual ou superior ao da população com  menos de 20 anos, uma transformação social nunca antes  vista   em   toda   a   História   da   humanidade.   Ainda   mais  problemático  é o fato de que a classe trabalhadora ficará  cada   vez   menor   em   todo   o   mundo   industrializado   nos  próximos anos. Nas próximas cinco décadas, as projeções  mostram que a população trabalhadora da Alemanha cairá  para 43%, a da França para 25%, a do Japão para 36% e a  da Itália para 47%. Em todos os países desenvolvidos, as populações idosas  imporão   pressões   imensas   no   orçamento   público.   Muitos  países   europeus   enfrentam   a   possibilidade   de   um   futuro  com   uma   economia   decadente   e   padrões   de   vida   mais  baixos.   Nos   Estados   Unidos,   por   exemplo,   as   projeções  indicam   que   em   breve   o   sistema   de   seguridade   social  começará a pagar mais aposentadorias do que arrecada dos  trabalhadores em contribuições para a previdência social.  De acordo com uma estimativa recente, os gastos em saúde  em 2030 poderão consumir aproximadamente um terço de  toda a produção econômica dos EUA.   Isso não é saudável  para a economia de nenhum país. O debate sobre a questão da eutanásia está avançando  exatamente no meio desse contexto social complicado. Os  gastos   públicos   vão   aumentar   nos   próximos   anos,  principalmente   nas   despesas   com   os   idosos   e   outras  pessoas   vulneráveis,   como   os   deficientes   e   os   doentes.   E  então,   o   que   realmente   acontecerá?   A   questão   do   aborto  pode dar uma importante pista para entendermos o futuro.  O   aborto   está   hoje   legalizado   nos   países   ricos,   porque   a  única   solução   que   viram   para   alguns   problemas  econômicos e sociais foi a eliminação de bebês indesejados.  Matar, nesse caso, se tornou uma medida médica e legal  para resolver problemas pessoais e sociais.
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1Global

Aging Initiative (Center for Strategic and International Studies: Washington DC: junho de 2000), p. 16.

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A   vida   é   um   processo   que   não   pára:   começa   na  concepção e continua até a morte natural. O processo de  desvalorização da vida  humana, quando começa, também  vai até o fim. Geralmente, esse processo começa trazendo a  aceitação   social   e   legal   do   aborto,   e   termina   trazendo   a  aceitação  social  e  legal  da  eutanásia.  Uma  sociedade  que  assume o direito de eliminar bebês na barriga de suas mães  —   porque   eles   são   indesejados,   imperfeitos   ou  simplesmente   inconvenientes   —   achará   difícil  eventualmente não justificar a eliminação de outros seres  humanos,   principalmente   os   idosos,   os   doentes   e   os  deficientes. Não é de estranhar então que a eutanásia esteja  avançando   exatamente   nos   países   ricos,   onde   há   anos   o  aborto   se   tornou   uma   prática   protegida   por   lei.   Se   a   lei  permite a eliminação da vida antes do nascimento, por que  não   permiti­la   também,   pelas   mesmas   razões,   depois   do  nascimento? Joseph Fletcher, que é um pastor liberal, escreveu:
É   ridículo   aprovarmos   eticamente   a   eliminação   da   vida  subumana no útero que permitimos nos abortos terapêuticos por  motivos   de   misericórdia   e   compaixão,   mas   não   aprovarmos   a  eliminação da vida subumana das pessoas que estão morrendo.  Se temos a obrigação moral de eliminar uma gravidez quando o  exame   pré­natal   revela   um   feto   muito   deficiente,   então   temos  também   a   obrigação   moral   de   eliminar   o   sofrimento   de   um  paciente quando um exame cerebral revela que o paciente tem  câncer avançado.
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Num artigo no jornal Atlantic Monthly, o Dr. Fletcher chegou a defender o direito de os pais escolherem a eutanásia para um filho que nasce com a síndrome de Down. Contudo, todo esse assunto envolvendo a eliminação de  doentes e idosos é relativamente estranho nos países menos 
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Dr. C. Everett Koop & Dr. Francis A. Schaeffer, Whatever Happened to the Human Race? (Crossway Books: Westchester-EUA, 1983), p. 60. 3 Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996).

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avançados.   Ainda   que   tenham   graves   problemas   em   seu  sistema de saúde e ocorram muitas mortes por negligência  e falta de recursos, esses países não estão preparados para  aceitar a eutanásia. O Brasil, por exemplo, é bem menos  aberto   à   idéia   de   apressar   a   morte   dos   idosos   do   que   a  Europa   e   os   EUA   porque   não   temos   uma   sociedade   que  valoriza   o   aborto   legal,   embora   instituições   americanas  estejam financiando grupos brasileiros que promovem sua  legalização. A realidade é que, onde não há leis permitindo  matar bebês na barriga de suas mães, dificilmente haverá  apoio   para   a   idéia   de   apressar   a   morte   de   pessoas  deficientes,   doentes   crônicas   ou   idosas.   Além   disso,   de  modo   geral,   países   como   o   Brasil   sempre   tiveram  dificuldade de aceitar leis ou costumes sociais a favor da  eutanásia. Ao que tudo indica, só  a elite brasileira é que  procura   se   igualar   aos   liberais   radicais   americanos   e  europeus   em   questões   importantes   como   aborto,   diretos  homossexuais, eutanásia e liberação sexual das crianças. Este   livro   irá   ajudar   você   a   entender   o   que   está  ocorrendo principalmente na Europa, pois tudo o que afeta  um país, pode também afetar outros. E o mais importante é  que aqueles que aprendem com os erros do passado ou com  os erros dos outros poderão evitá­los.

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ENTENDENDO A QUESTÃO
Se   um   repórter   parasse   dez   pessoas   na   rua   e  perguntasse o que é eutanásia, provavelmente ele receberia  dez respostas diferentes. As respostas poderiam incluir “boa  morte” ou até mesmo algum tipo de comida chinesa! Há   muitas   pessoas   que   não   têm   idéia   alguma   do   que  significa eutanásia,  embora seja  umas das  questões mais  polêmicas da nossa época. E para confundir o público, os  defensores da  eutanásia estão  conseguindo de  modo bem  inteligente atrair o apoio dos meios de comunicação. Para  os noticiários de TV, jornais e revistas, eutanásia nada mais  é do que oferecer compaixão a quem está sofrendo. No entanto, por trás dessa compaixão está a realidade: a  eutanásia, na prática, significa uma ação ou falta de ação  com o objetivo de acabar com o sofrimento e com a pessoa  que está sofrendo. É importante que se compreenda que o objetivo dessa  nova   tendência   não   é   só   eliminar   o   sofrimento   físico   e  psicológico de um doente. O pretexto que está sendo cada  vez   mais   usado   para   justificar   essa   tendência   é   a  necessidade de eliminar a carga emocional e financeira que  os membros da família e a sociedade em geral sofrem por  causa de um doente. Eutanásia não  quer dizer  deixar o  doente renunciar  a  tratamentos   médicos   dolorosos   ou   aos   atuais   meios  tecnológicos   da   medicina   para   atacar   as   doenças.   Apesar  disso,   os   que   defendem   a   eutanásia   quase   sempre   fazem  referências a essas situações. Quando eles dizem que tudo  o que querem é que os idosos, os deficientes e os doentes  crônicos tenham a liberdade e o direito de escolherem o que  quiserem,   eles   estão   apenas   tentando   fazer   com   que   o  suicídio  seja  visto  como  uma  opção  natural  para  escapar  dos problemas. 
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A História de Michael Michael Martin tem 41 anos, é casado e pai de família.  Ele sorri de gratidão quando seus parentes entram no seu  quarto. Ele ri das piadas e reage às pessoas que estão a sua  volta.  Em   15   de   janeiro   de   1987,   Michael   sofreu   danos  cerebrais   num   acidente   de   carro.   Mary,   a   esposa   de  Michael,   quer   que   a   sonda   de   alimentação   seja   removida  para livrá­lo dessa situação. Por isso, ela levou o problema  para os tribunais. O caso merece atenção porque ela está  solicitando   judicialmente   a   morte   de   um   marido  mentalmente incompetente, mas que tem consciência e não  é doente terminal. Mary Martin afirma que ela apenas quer honrar o que  ela diz ser o desejo de seu marido antes do acidente: poder  morrer com dignidade. Antes de recorrer aos tribunais para  ganhar   o   direito   de   “deixar”   seu   marido   morrer,   ela  consultou a Sociedade Hemlock, um grupo que promove a  eutanásia. Os tribunais têm de decidir se ele tem ou não o  direito de receber alimento e água para continuar vivendo.  No entanto, a mãe e a irmã de Michael estão fazendo tudo  para salvá­lo. O irmão e a irmã de Mary, George e Sue, se uniram à  mãe e à irmã de Michael para salvá­lo. Eles disseram que a  decisão   de   “deixar”   Michael   morrer   é   o   mesmo   tipo   de  decisão   que   Salomão   teve   de   tomar   em   1   Reis   3:16­28.  Salomão   conseguiu   descobrir   quem   era   a   mãe   verdadeira  da criança porque ela demonstrou tanto amor pela criança  que   ela   preferiu   dá­la   em   vez   de   vê­la   morrer.   Eles  disseram:   “Recorrer   a   tratamentos   que   só   adiam   ou  prolongam   a   vida   de   alguém   que   já   está   morrendo   seria  além  do necessário. Não seria ético prolongar a morte de  Michael. Mas o que estão querendo é remover a sonda de  alimentação dele, e isso causará sua morte”.

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Michael não tem problema de depressão, frustração nem  ira.   Ele   sempre   demonstra   um   espírito   de   cooperação   e  jamais tentou arrancar sua sonda.  Entretanto, Mary quer que ele “morra com dignidade”.  “Contudo”,   perguntam   George   e   Sue,   “haveria   alguma  dignidade   no   fato   de   Michael   morrer   de   fome   e   sede,  sozinho   no   seu   quarto,   sentindo   falta   de   cuidados   e  consciente de como esse tipo de morte é horrível? O valor  da vida de Michael é absoluto. Sua vida não perde o sentido  só   porque   ele   não   pode   estar   em   casa   ou   ser   produtivo.  Quando   a  hora  chegar,   ele   merece   morrer   do   jeito   certo,  cercado de amor e de cuidados.”
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Figura 1: — E aí? Será que ela está morta mesmo? — Não sei por que é que temos de ficar esperando. — Será que não podemos fazer algo para apressar as coisas?

4O

caso de Michael apareceu na edição de verão de 1995 da revista Living, publicada por Lutherans for Life, EUA.

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Mas   nem   sempre   uma   pessoa   no   estado   físico   de  Michael   tem   o   apoio   dos   familiares.   Muitas   vezes,   os  parentes não aparecem ou simplesmente não existem. Em  tal   situação   de   abandono,   muitas   pessoas,   mesmo   sem  terem nenhum tipo de doença, prefeririam morrer. Só  mesmo   os  familiares   é  que   têm  condições   de  lutar  por quem está sob a ameaça da eutanásia. Veja o caso de  um menino inglês:
Parentes de um menino deficiente estão cumprindo pena de prisão depois de salvá-lo. Eles impediram os médicos de lhe dar diamorfina para lhe apressar a morte. Raymond Davies, Julie Hodgson e Diane Wild, tio e tias do menino David Glass, foram presos no começo de 2000 por discussão com a equipe médica em outubro de 1998. David estava com infecção no peito, entrou em coma e começou a ficar sem respiração. Os parentes ajudaram a manter a respiração dele e sua mãe, Carol Glass, removeu a diamorfina. Os médicos reconheceram que a remoção da diamorfina salvou a vida do menino. Contudo, a família foi informada de que tudo o que foi feito era somente para ajudá-lo a morrer sem sofrer… Carol Glass agora sente profundo ressentimento das instituições legais e médicas que, em vez de ajudarem os mais fracos, tentaram acabar com a vida de seu filho e depois castigaram cruelmente sua família.
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O que mais vem depois… A ameaça da eutanásia pode parecer estar longe agora,  principalmente   para   nós   que   vivemos   no   Brasil,   pois   os  casos noticiados até o momento envolvem apenas doentes  estrangeiros em circunstâncias raras. Mas esses exemplos  isolados   são   de   importância   crucial,   pois   os   grupos   pró­ eutanásia os usarão para estabelecer maior abertura para  novos princípios sociais. Os   grupos   pró­aborto,   velhos   aliados   da   causa   da  eutanásia,   sempre   agiram   dessa   maneira.   Em   seus 
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John Smeaton, Prison After Saving Their Boy’s Life, artigo publicado no jornal britânico Pro-Life Times, setembro de 2000.

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argumentos a favor da legalização do aborto, eles usam os  casos   raros   e   excepcionais   para   ganhar   a   simpatia   do  público e dos legisladores. Foi assim que eles conseguiram  tornar   o   aborto   legal   nos   EUA   e   na   Europa:   se  concentrando   na   questão   das   mulheres   que   engravidam  como conseqüência de estupro ou incesto. Hoje mais de 1  milhão de crianças são abortadas anualmente só nos EUA,  e   a   maioria   absoluta   desses   abortos   não   tem   nada   a   ver  com estupro, com incesto ou com defeitos congênitos, etc.  Tem a ver simplesmente com os desejos da mãe. De   modo   semelhante,   o   movimento   pró­eutanásia   não  está tentando persuadir a população a apoiar a morte de  todos   os   mais   idosos   e   dos   doentes   que   dependem   da  medicina para sobreviver. Se eles ousassem começar suas  atividades desse jeito, ninguém lhes daria atenção. O ponto  inicial   de   suas   estratégias   é   sempre   usar   os   casos   raros  para criar um clima de aceitação para suas idéias. Evangélicos pró-eutanásia O movimento pró­eutanásia quer convencer as pessoas  de  que  chega  um  momento  em  que  o  doente  precisa  dos  médicos para ajudá­lo a morrer. É assim que muitos estão  sendo enganados e levados a aceitar essa prática como um  tratamento médico. Na Suíça, o Pr. Rolf Sigg confessa que matou mais de  300   pessoas   que,   assim   ele   alega,   estavam   sofrendo   de  maneira   insuportável.   O   Pr.   Sigg   fundou   a   organização  Saída,   em   1982,   cuja   missão   é   “preparar”   os   doentes  terminais   para   seu   fim   e   lhes   dar   uma   dosagem   fatal   de  drogas.   Nos   EUA,   alguns   pastores   e   livros   evangélicos  apóiam   a   posição   de   que   o   suicídio   pode   ser   uma   forma  aceitável   e   compassiva   de   “ajudar”   alguém   a   morrer  depressa. Até mesmo algumas denominações protestantes 
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6Dr.

Paul Marx, Special Report (HLI: Front Royal-EUA, junho de 1999), p. 6.

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estão se abrindo cada vez mais para esse tipo de raciocínio.   Veja   o   seguinte   caso   publicado   num   livro   protestante  americano:
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Alfred era um índio americano, nascido e criado numa reserva tribal. Quando se tornou adulto, ele foi viver numa cidade grande e se tornou um membro ativo de uma igreja na vizinhança onde morava. Depois de algum tempo, seus amigos começaram a notar que ele estava freqüentemente doente, até que um dia o encontraram desmaiado no chão de sua casa. Ao ser internado e recobrar a consciência, ele estava tão perturbado que tentou arrancar as sondas do próprio corpo. Sua doença era grave, mas havia possibilidade médica de tratá-la. Seus amigos disseram que Alfred havia recentemente falado de seus sonhos com a morte, e eles estavam apoiando sua decisão de não querer viver mais. Ele acabou arrancando todos as sondas e, como a equipe médica não quis intervir, ele morreu.8

Acerca do caso de Alfred, o Pr. Bruce Hilton expressou a  seguinte queixa:
É triste que nenhum dos amigos de Alfred parecia estar em posição de ajudá-lo a achar curandeiros indígenas. É triste também que o hospital não conseguiu arranjar um jeito de trazer um curandeiro ou feiticeiro que Alfred pudesse aceitar…9

Todos   os   fatos   indicam   que   o   homem   era   solitário   e  espiritualmente   necessitado.   Evidentemente,   sua   igreja  cristã (qualquer que fosse) não preencheu sua necessidade  mais   profunda   de   conhecer   Jesus.   Pelo   contrário,   ele  parecia ainda estar aberto às práticas de feitiçaria indígena  de seu passado.  O Pr. Hilton achava que a presença de um curandeiro  ou   feiticeiro   poderia   tranqüilizar   o   índio,   tirar   da   cabeça 
7Sally

B. Geis & Donald E. Messer, How Shall We Die? Helping Christians Debate Assisted Suicide (Abingdon Press: Nashville-EUA, 1997), p. 25. 8Sally B. Geis & Donald E. Messer, How Shall We Die? Helping Christians Debate Assisted Suicide (Abingdon Press: Nashville-EUA, 1997), pp. 53,54. 9Sally B. Geis & Donald E. Messer, How Shall We Die? Helping Christians Debate Assisted Suicide (Abingdon Press: Nashville-EUA, 1997), p. 62.

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dele a disposição de se matar e até dar­lhe esperança de  cura. O estranho é que, sendo evangélico, ele apoiasse tal  idéia,   mesmo   sabendo   pela   Bíblia   que   Jesus   é   o  incomparável   Médico.   Jesus   nunca   ajudou   ninguém   a  cometer suicídio. Ele não só curava os doentes mais graves,  mas também até ressuscitava os mortos! A   Bíblia   diz   que   Jesus   não   mudou   nada   (cf.   Hebreus  13.8).   Sem   dúvida   alguma,   ele   deseja,   através   de   seus  servos, visitar os doentes e os aflitos. Se algum cristão fiel  tivesse   tido   a   oportunidade   de   visitar   e   orar   por   aquele  índio,   haveria   um   final   diferente.   Haveria   bênção,   não  maldição. (Cf. Tiago 5.14­16) O   fato   mais   importante   por   trás   do   suicídio   de   Alfred  não foi sua doença em si, mas sua  falta de esperança. Ele  estava   deprimido,   e   a   depressão   pode   levar   qualquer  pessoa,   doente   ou   saudável,   ao   suicídio.   Além   disso,   a  abertura   de   Alfred   ao   ocultismo   indígena   demonstra   que  provavelmente ele estava sendo oprimido por demônios de  doença, depressão e morte A tragédia maior é que os cristãos liberais ao seu redor  não   puderam   oferecer   nenhuma   esperança   para   ele.   A  característica mais fascinante entre os liberais, evangélicos  ou   católicos,   é   que   eles   estão   dispostos   a   aceitar   as  tendências   “culturais”   sem   questionar   (tais   como   a  eutanásia, o aborto, o homossexualismo, a bruxaria, etc.), e  ao   mesmo   tempo   questionam   o   poder   de   Jesus   de   curar  sobrenaturalmente hoje e os dons de cura e milagres que  ele deu à sua igreja. O colunista social Cal Thomas escreveu: “É de grande  importância   cultural   quando   a   Igreja   Cristã   perde   seu  poder   moral   e   se   torna   prisioneira   —   em   vez   de   líder   e  libertadora   —   das   tendências   culturais”.   Os   cristãos   são  chamados para liderar as tendências culturais positivas e  libertar a sociedade das influências negativas. Quando não 
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10Citado

in: Living (Lutherans for Life: Benton-EUA, inverno de 1995), p. 15.

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conseguem   preencher   essa   função,   eles   acabam   sendo  arrastados pelas tendências negativas.

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O QUE É EUTANÁSIA?
A palavra grega “eutanásia” literalmente significa “morte  bonita” ou “morte feliz”. E quem é que poderia ser contra o  desejo de morrer bem e feliz? O   Dr.   J.   C.   Willke,   em   seu   livro  Assisted   Suicide   &   Euthanasia, diz: “As palavras são importantes. É comum,  quando   abordam   esse   assunto,   as   pessoas   procurarem   o  significado da palavra eutanásia e saber que sua tradução é  ‘boa   morte’.   Mas   precisamos   ignorar   e   rejeitar   essa  tradução,   pois   não   tem   nada   a   ver   com   o   que   está  acontecendo   em   nossos   dias.   A   eutanásia   hoje   ocorre  quando o médico mata o paciente”. No   uso   moderno,   eutanásia   quer   dizer   causar  diretamente   uma   morte   sem   dor   a   fim   de   acabar   com   o  sofrimento   de   vitimas   de   doenças   incuráveis   ou  desgastantes. Em outras palavras, é matar sob a alegação  de   um   sentimento   de   compaixão.   A   eutanásia,   como   o  aborto legal, é um método em que matar representa uma  solução.
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O que não é eutanásia Permitir   que   uma   pessoa   morra   quando   o   curso   da  doença é irreversível e a morte é obviamente iminente por  questão de horas ou dias não é eutanásia. Os pacientes têm  a liberdade de recusar tratamentos médicos que não lhes  trarão cura nem alívio para o sofrimento. Quando o doente  não está em condições de falar por si mesmo, a família tem  o   direito   de   recusar   tratamentos   caros   que   não   terão  nenhum benefício para impedir o andamento da doença. Quando   um   paciente   está   realmente   morrendo,   os  médicos podem e devem usar o bom senso para avaliar a 
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C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 1.

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situação. Se os tratamentos não estão trazendo nenhuma  cura   e   só   estão   ajudando   a   adiar   a   morte   inevitável,   os  médicos podem descontinuar os tratamentos para permitir  que o doente tenha uma morte natural. Nenhuma dessas  ações é eutanásia. Mas eles têm a responsabilidade de dar  conforto   para   o   paciente   e   permitir   que   ele   tenha   uma  morte pacifica. O que é eutanásia Eutanásia é a ação deliberada de causar ou apressar a  morte   do   doente.   Essa   ação   pode   ocorrer   das   seguintes  maneiras:   • Decisão médica de administrar uma injeção letal  no doente, com ou sem consentimento.  • Decisão médica de não dar a assistência médica  básica ou o tratamento médico padrão. Por exemplo,  não   dar   a   uma   criança   deficiente   a   mesma  assistência que é dada a uma criança normal.   • Decisão médica de dar ao doente uma droga ou  outro   meio   que   o   ajude   a   cometer   suicídio.   Nessa  situação específica, quem realiza o ato letal não é o  médico,   mas   o   próprio   paciente.   O   médico   apenas  fornece os meios. Há uma diferença O ponto mais difícil nos debates sobre a eutanásia é que  a grande maioria das pessoas não sabe a diferença entre  assistência   e   tratamento.   Como   muitas   vezes   não   se  entende até onde a medicina deve intervir ou não na vida de  um   doente,   é   importante   compreender   a   diferença   entre  assistência e tratamento.  

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O que é assistência? A assistência supre as necessidades básicas de todas as  pessoas, doentes ou saudáveis: nutrição, hidratação (água),  calor   humano,   abrigo   e   apoio   emocional   e   espiritual.   O  alimento   e   a   água   são   necessidades   básicas   de   todos   os  seres humanos, não tratamento, e sua retirada provoca ou  apressa a morte. Isso é inaceitável na ética médica, já que a  medicina tem a missão clara de destruir a doença, não o  doente.   O   alvo   é   sempre   dar   assistência   para   o   doente,  nunca matá­lo. Enquanto o paciente está em condições de  receber nutrição, essa necessidade tem de ser plenamente  suprida.   A   retirada   da   nutrição   só   é   possível   quando   o  doente está perto da morte e seu corpo não consegue mais  metabolizar   o   alimento.   Nessas   circunstâncias,   a  alimentação pode ser inútil e sobrecarregar excessivamente  o   organismo   do   doente.   Em   todos   os   outros   casos,   a  assistência jamais deve ser negada. Há pacientes que não têm condições de receber alimento pela boca normalmente. Dar comida e água para eles através de uma sonda de alimentação é considerado assistência normal. A ética médica tradicional estipula que as sondas de alimentação sejam usadas quando há necessidade, a não ser que o paciente esteja prestes a morrer ou não esteja em condições de metabolizar o alimento devido à sua doença (como câncer metastático pervarsivo) ou haja uma patologia (por exemplo, aderências no estômago) que torne impossível ou perigoso introduzir uma sonda. Sondas de alimentação são simples e eficientes para fornecer alimentação e água, e não incomodam, não causam dor nem custam caro. Remover a sonda ou não aceitá-la para dar alimentação e água quando é necessário com certeza provocará a morte do paciente. Nesse caso, ele morrerá não de sua doença, mas de desidratação e fome. É uma morte extremamente desumana.
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Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996).

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É muito difícil cuidar de alguém que está morrendo de desidratação e fome. A pessoa tem convulsões, a pele e as mucosas secam, causando feridas que apodrecem e sangram. O aparelho respiratório seca, causando grossas secreções que tapam os pulmões e provocam uma respiração angustiosa. Todos os órgãos acabam ficando fracos e a morte vem então, depois de um agonizante período de 5 a 21 dias. A escritora Eileen Doyle disse:
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Matar-se de fome é a mesma coisa que colocar uma arma na própria cabeça. A causa da morte é a intenção de acabar com a própria vida. Qualquer argumento que permita a remoção das sondas de alimentação poderia ser também aplicado para a recusa de alimento e água para pessoas em condições de ingeri-las.
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Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996). Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996).

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Figura 2: A História do Bom Samaritano, Versão Moderna

— Deus do céu! — Qual é o problema dela, doutor? — Muitas coisas! — De que ela precisa para permanecer viva? — No mínimo, ela precisa desse alimento e água! — Agora ela pode ir em paz!

Por que tantos doentes são alimentados por sonda e não pela boca? A alimentação por sonda diminui o tempo necessário para as enfermeiras alimentarem o paciente pela boca, economizando tempo e reduzindo os custos. O que é tratamento? O   alvo   do   tratamento   médico   é   curar   ou   controlar   os  problemas   crônicos   ou   agudos   de   saúde.   Na   maior   parte  das situações os médicos usam o tratamento padrão, e em  situações mais sérias eles têm de aplicar tratamentos mais  fortes. O tratamento padrão envolve o uso de medicamentos  e  cirurgias  para  aliviar  os  problemas  de  saúde  ou  outros  problemas provocados por acidentes ou doenças. Quando o 
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tratamento se torna medicamente inútil ou quase não traz  benefício,   o   caso   deve   ser   avaliado   levando­se   em  consideração os melhores interesses do paciente. Nos casos  terminais, o tratamento mais útil é trazer conforto ou aliviar  as dores do paciente. É uma opção saudável, no caso de alguém que já está morrendo, a remoção de tratamentos muito fortes que só causam dor e prolongam desnecessariamente um tempo bem curto de vida. Morte natural significa permitir que o paciente morra em conforto e paz. Observe que se os mesmos tratamentos fossem removidos de uma pessoa que tem grande chance de viver por mais tempo, tal ação seria eutanásia. Exemplos desse tipo são os milhares de recém-nascidos que morrem anualmente nos EUA porque os médicos não permitem que eles recebam alimento e água. Se não fosse por esse ato médico, esses bebês poderiam viver anos.
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Quem deve decidir? Quando um doente está impossibilitado de falar por si  mesmo,   a   família   tem   a   responsabilidade   de   tomar   as  decisões   no   lugar   dele.   A   questão   mais   importante   não   é  avaliar o que é melhor para nós ou se valerá a pena deixá­lo  viver   de   uma   maneira   considerada   improdutiva   pelos  padrões de um mundo que não teme nem obedece a Deus.  Precisamos decidir o que é melhor para a pessoa que está  doente. Nessa   situação,   o   cristão   tem   a   responsabilidade   de  buscar a vontade e a presença de Deus em tudo o que faz,  pois a decisão de dar ou não a vida pertence somente a ele  (cf.   Deuteronômio   32.39).   Portanto,   a   base   de   qualquer  decisão   é   se   determinado   tratamento   trará   benefício   ou  sobrecarregará a vida de um paciente, não se a vida de um  paciente é inútil ou difícil de suportar.
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Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. © 2000 Human Life International.

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Como muitas outras pessoas que estudam muito para  aprender,   Christine   Skiffington   está   se   esforçando   e  avançando muito em seu estudo da língua francesa. Não há  nada de raro nisso, exceto que seis anos antes  ela estava  em   coma,   depois   de   sofrer   hemorragia   cerebral.   Ela   não  mostrou absolutamente nenhum sinal de consciência e não  conseguia   se   comunicar.   Ninguém   esperava   que   ela   se  recuperasse e os médicos queriam remover o alimento e os  líquidos   dela,   a   fim   de   lhe   apressar   a   morte,   mas   seu  marido   não   deu   consentimento.   Os   médicos   ainda   não  conseguem explicar como Christine, que tem 61 anos, saiu  do coma. Ela teve uma recuperação total e já está tirando  carteira de motorista. Esse caso mostra que as pessoas que  trabalham na medicina não são infalíveis e que há sempre a  possibilidade   de   uma   recuperação.   Mas   a   questão   mais  importante não é essa. O ponto chave é que ninguém deve  ajudar a empurrar outro ser humano para a morte. Como  ser humano, Christine Skiffington tinha o direito à vida —  mesmo que ela não se recuperasse totalmente.
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O APERTO DA MÃO DA ESPOSA Lorraine   Lane   tinha   42   anos   quando   desmaiou   ao   ir   para  casa   depois   do   trabalho.   Os   médicos   diagnosticaram   que   um  derrame a tinha deixado com danos cerebrais graves. O marido  Neil   queria   honrar   o   pacto   de   “direito   de   morrer”   que   o   casal  tinha  feito   antes  do  derrame.  Depois  de  um  ano,  ele  ficou  tão  desesperado   para   livrar   a  esposa   do   “inferno   em  vida”   que   ele  lutou para ganhar uma ordem judicial que obrigaria os médicos  a remover a alimentação e líquidos dela. Mas o Sr. Lane mudou  de idéia depois que sua esposa apertou a mão dele quando ele  estava  na cama  ao  lado  dela.  Ele  disse:  “Eu  não  poderia  viver  com   o   pensamento   de   que   Lorraine   estava   consciente   do   que  estava   acontecendo   e   consciente   de   que   ela   estava   sendo  praticamente   abandonada   para   morrer   de   fome”.   (Daily   Mail  [Inglaterra], 18 de julho de 2000)

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Pro-Life Times, novembro de 2000, pp. 1,2.

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A questão da dor Se não fosse pela existência da dor, provavelmente não  haveria   nenhum   movimento   pró­eutanásia   no   mundo.   Na  Holanda, o espectro de sofrer dores agonizantes e a solução  misericordiosa   da   eutanásia   são   os   grandes   responsáveis  pela   aceitação   da   morte   deliberada   de   pacientes   em  hospitais. Quando pensam em eutanásia, muitas pessoas  pensam em fuga do sofrimento. O Dr. Jack Willke diz:
A questão central é que é possível controlar a dor. É possível aliviar as dores dos pacientes em todos os casos, com a exceção de uma fração muito pequena de situações. A chave de tudo é o médico. Se ele não sabe controlar a dor e não pode, ou não quer, tomar o tempo para aprender, então a “solução simples” do médico é matar o paciente quando ele não puder matar a dor.17

Vivemos numa época em que a medicina se desenvolveu  a tal ponto que já é possível aliviar o sofrimento de pessoas  que estão sofrendo as dores mais intensas. Anestesistas e  outros especialistas afirmam que a medicina hoje pode dar  adequado   alívio   paliativo   em   99%   dos   casos.   Mas   muitos  pacientes   são   impedidos   de   obter   o   alívio   de   suas   dores  porque alguns médicos acham que eles ficarão viciados aos  medicamentos   analgésicos   e   porque   também   muitos  profissionais   médicos   não   receberam   um   treinamento  adequado na área de controle de dores e sintomas. Kathleen Foley é responsável pela área de alívio às dores  no   Centro   de   Câncer   Memorial   Sloan­Kettering   em   Nova  Iorque. Ela declarou:
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Vemos freqüentemente pacientes encaminhados para nossa Clínica que, por causa de dores incontroláveis, pedem que os médicos os ajudem a se matar. Mas é comum vermos tais idéias e pedidos desaparecerem quando eles recebem um tratamento
17J.

C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 90. 18Teresa R. Wagner, To Care or To Kill (Family Reserch Council: Washington, D.C., 1999), p. 5.

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que lhes traz alívio de suas dores e outros sintomas, usando uma combinação de métodos farmacológicos, neurocirúrgicos, anestésicos e psicológicos. 19

Um escritor fala Se a medicina hoje tem tantos recursos disponíveis para  aliviar o sofrimento físico dos doentes sem matá­los, então  por que os médicos não os usam? O escritor Wesley Smith recentemente escreveu um livro chamado Cultura da Morte, onde ele mostra o que está acontecendo com a medicina nos Estados Unidos. Em entrevista ao noticiário eletrônico WorldNetDaily, ele explica que a maioria das pessoas não sabe que um pequeno mas influente grupo de filósofos e autoridades da área de saúde está trabalhando intensamente para transformar as leis e o sistema de saúde. Ele afirma que, sob a incitação de especialistas em bioética, a indústria da saúde está abandonando sua prática tradicional de não fazer mal aos pacientes e está agora adotando um sistema completamente utilitário que legitimaria a discriminação contra — e em alguns casos até o assassinato de — as pessoas mais fracas e mais indefesas da sociedade. A seguir os melhores trechos da entrevista:
Pergunta: Como é que a classe médica está mudando? Resposta: O que está acontecendo é que há um movimento ideológico chamado o “movimento de bioética”, que está nos afastando da medicina cujo juramento profissional é “não fazer mal” (e a maioria das pessoas querem que seus médicos sigam essa medicina) e está nos levando para uma medicina baseada na tão chamada “qualidade de vida”. P: Uma das coisas assustadoras que você menciona em seu livro é toda essa conversa sobre “direito de morrer”… não queremos ficar presos a máquinas de suporte de vida; temos o direito de morrer. Mas você escreve que a tendência mais

19Teresa

R. Wagner, To Care or To Kill (Family Reserch Council: Washington, D.C., 1999), p. 10.

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recente não é só o “direito” de morrer, mas um “dever de morrer”. R: Sim. O movimento de bioética está nos levando em direção ao dever de morrer. O motivo por que logo de início já falo sobre filosofia é porque é a filosofia que fortalece as próprias políticas e planos que descreverei daqui a pouco. Você e eu pensaríamos, assim creio eu, que o fato de nós sermos seres humanos é algo exclusivo e especial no mundo. Mas de acordo com a ideologia da bioética, a coisa não é bem assim, pois somos mera vida biológica. Não há nada especial no fato de sermos seres humanos. Portanto, os especialistas em bioética — não todos, mas os que mais chamam a atenção no movimento — decidiram que temos de distinguir o que é que torna a vida humana — ou qualquer outro tipo de vida — especial. E eles chegaram a uma conclusão, que é realmente prejudicial e discriminatória. A questão deles não é se o fato de você ser humano é importante, mas se você é uma “pessoa”. Assim, para eles há alguns humanos que são pessoas, e todas as pessoas têm o que você e eu chamamos de direitos humanos. Mas as nãopessoas humanas não têm direitos humanos. P: E quem é que está decidindo classificar certas pessoas assim? R: Os especialistas em bioética estão criando essas decisões, e estão ensinando isso nas universidades mais importantes. P: Quem lhes deu o direito de decidir o que é certo e errado? R: É uma boa pergunta. Quem foi que decidiu que os filósofos — pois é principalmente isso que eles são — devem decidir nossa ética médica e nossas políticas de saúde pública? Mas se der uma olhada na comissão presidencial de bioética, adivinhe quem é que está ocupando essas posições? Dê uma olhada na maioria das posições de bioética nas universidades. Ali estão pessoas como Peter Singer, da Universidade de Princeton. P: Esse cara é louco. R: Peter Singer exemplifica o movimento sobre o qual estou falando… Ele é um australiano, o que chamam de “filósofo moral”. Mas no caso dele, esse termo é contraditório. Ele é conhecido principalmente por duas coisas. Primeira, ele é o criador do moderno movimento dos direitos dos animais. Na década de 70 ele escreveu um livro chamado “A Liberação dos Animais”, e o livro oferece a suposição de que os seres humanos e os animais têm igual e inerente valor moral.

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Portanto, não se pode usar animais em pesquisa de animais e coisas desse tipo… Ele também não gosta que as pessoas os comam. Segunda, ele é o mais famoso defensor mundial da legalização do assassinato de recém-nascidos. Ora, não estou falando sobre aborto. Singer e seu guia espiritual, Joseph Fletcher, poderiam chamar aborto. Aliás, eles chamam “aborto pós-nascimento”. P: Se os pais deles praticassem o que eles agora ensinam… R: No passado Peter Singer disse que os pais deveriam ter 28 dias para decidir ficar com seus filhos recém-nascidos ou matálos. Agora ele expandiu esse prazo para um ano. Essa atitude é baseada em sua idéia de que a criança recém-nascida não é uma pessoa. Conforme crê Peter Singer, o recém-nascido não é um ser consciente… Outros especialistas em bioética discutem o assunto de modo diferente. Alguns acreditam que… uma pessoa é um ser que pode fazer decisões morais e dar prestações de contas moralmente, por exemplo, num crime. Mas a conclusão a que isso leva é à atitude de decidir quais seres humanos são melhores do que os outros. P: Estou completamente aturdido com o fato de que as pessoas poderiam chegar a desperdiçar um minuto escutando esse imbecil do Singer. R: Ele tem menos tato do que outros. Mas ele não pertence a uma minoria isolada. Ele exemplifica o movimento. Ele é o presidente da Associação Bioética Mundial. Talvez esse não seja o nome exato da organização, mas ele está na segunda universidade mais prestigiosa nos EUA e uma das mais conceituadas no mundo. Ele é um dos mais respeitados especialistas em bioética em posição de autoridade… P: Devíamos simplesmente não dar nenhuma atenção aos esquerdistas radicais como Singer. Por que não fazemos isso? Que tipo de impacto esses especialistas em bioética podem ter em mim e em você? R: Eles são os indivíduos que estão criando leis. Se você for a um tribunal para resolver uma questão de bioética, adivinhe que é que dá testemunho no tribunal? Os especialistas em bioética! Quando o ex-presidente Clinton estava decidindo o que fazer acerca da pesquisa de células-troncos [retiradas de bebês], adivinhe que é que fez essas decisões com base nas recomendações dos especialistas de bioética? A pessoa que preside a comissão de bioética do presidente é o presidente da

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Universidade de Princeton, responsável pela presença de Peter Singer na universidade. P: Então eles são uma panelinha. R: É uma panelinha de elite. Eles estão nas universidades mais importantes: Harvard, Yale, Georgetown. A Universidade de Georgetown publica a Revista de Ética do Instituto Kennedy, que é uma das principais revistas para os especialistas em bioética no mundo inteiro. P: Então esses caras ensinam os estudantes de hoje que estão se preparando para ser os médicos de amanhã? R: Sim. Todos os médicos que se formam passam por um treinamento de bioética. E o motivo por que escrevi o livro “Cultura da Morte” é que a maioria das pessoas não concorda com a bioética. A [atual] ética médica e os valores de saúde pública não refletem… nossa convicção de que toda vida humana é sagrada e tem os mesmos direitos. Como disse Thomas Jefferson: “Afirmamos que essas verdades são evidentes para todos, que todas as pessoas são criadas iguais”. Os especialistas em bioética rejeitam essa idéia porque de acordo com a bioética a pessoa tem de provar merecer o direito de ser considerada uma “pessoa”. Se não acredita em mim, permita-me lhe ler algo de um especialista em bioética chamado John Harris. O artigo dele saiu publicado na Revista de Ética do Instituto Kennedy. É sobre isso basicamente que estamos falando. Então gostaria de levar você para as conseqüências, para onde esse tipo de pensamento conduz. O que quero dizer é que as pessoas entre nós que são mais vulneráveis, as mais fracas — são literalmente empurradas para a morte. Veja aqui o que Harris diz sobre o direito de ser uma pessoa: “Muitos, ainda que não todos, dos problemas da ética de assistência de saúde pressupõem que temos uma opinião sobre os tipos de seres que têm algo que poderíamos considerar como de valor moral máximo”. Ora, você e eu diríamos que todos os seres humanos têm valor, certo?… Veja o que mais ele diz: “Ou se isso parece apocalíptico demais, então com certeza precisamos identificar os tipos de indivíduos que têm o valor moral mais elevado”. Mas os especialistas em bioética estão dizendo isso, e as pessoas parecem pensar que tudo o que eles dizem está certo só porque eles são das universidades mais conhecidas… Dê uma olhada no modo como o jornal The New York Times e outros membros dos principais meios de comunicação fazem reportagem sobre
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Peter Singer. Eles fizeram pouco caso de suas declarações de que precisamos ganhar o direito de matar bebês e as tacharam como fora de contexto. Eles o exaltam como um homem com idéias novas e grandes. P: Parece que há um grupo de acadêmicos arrogantes e pretensiosos que está agora ditando o modo como a medicina será praticada. R: É porque esse país está sofrendo de uma horrível doença chamada “especialitis”. Achamos que as únicas pessoas que sabem tudo são os “especialistas”, e as pessoas de certo modo pararam de acreditar que seus próprios valores podem ser importantes e podem desempenhar uma parte nessas questões. Quando dizem que alguns de nós não são pessoas, então o que podemos fazer com as pessoas que não são consideradas “pessoas”? Será que poderemos tirar proveito delas como se fossem recursos naturais? P: Isso é o que esses palhaços diriam. Aliás, basicamente eles vêem as não-pessoas como campo para o cultivo de órgãos e partes do corpo que podem e devem ser colhidos para serem usados sempre que as pessoas de maior valor moral precisem desses órgãos. R: E aí está o ponto mais importante. Tom Beechum — um importante bioético que escreveu um dos principais livros escolares de bioética “Os Princípios da Ética Biomédica” — diz: “O fato de que muitos seres humanos não são pessoas ou são menos do que pessoas plenas… os torna moralmente iguais ou inferiores a alguns seres não humanos [animais]. Se dá para defender essa conclusão, precisaremos repensar nossa opinião tradicional de que esses seres humanos infelizes não podem ser tratados do mesmo modo que tratamos semelhantes seres não humanos. Por exemplo, eles poderiam ser usados como matéria humana para pesquisas e fontes de órgãos”. P: Por favor conte-nos o caso, registrado em seu livro, de Christopher e seu pai. R: Christopher Campbell era um jovem de 17 anos que sofreu um acidente de carro. Ele ficou inconsciente por três semanas. De repente ele começou a ter uma febre alta e horrível, e seu pai John diz ao médico: “Trate a febre do meu filho. Ele está com 40 graus de temperatura, e está subindo para 41”. O médico respondeu ao pai: “De que vai adiantar? Seu filho não está consciente. Sua vida já terminou”. E quando o pai

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continuou a insistir, o médico chegou ao ponto de rir na cara dele. P: Como você ficou sabendo desse caso? R: Esse pai desesperado me ligou porque eu havia escrito um livro anterior, Forced Exit (Morte Forçada), sobre a eutanásia. Ele me sondou e disse: “Ei, o que posso fazer?” Então lhe dei algumas dicas, e adivinhe o que aconteceu? Ele conseguiu tratamento para seu filho… ele saiu do coma, está aprendendo a andar e é hoje um conselheiro para adolescentes em situação de risco. P: E pode-se definir esses adolescentes em risco como qualquer infeliz que teve de ser tratado pelo homem que era o médico de Campbell. R: Agora esse jovem está levando uma vida bem produtiva, e está trabalhando muito para se recuperar fisicamente, pois ele teve ferimentos bem graves na cabeça. Mas esse jovem estaria morto hoje porque o médico não se importava o bastante com sua vida para reduzir uma febre. P: Lamentavelmente, o caso dele não é incomum. Diga-nos da senhora de 90 anos cujo médico não queria lhe dar antibióticos. R: Uma mulher me telefonou para dizer: “Minha mãe tem 92 anos. Ela está com uma infecção terrível, e o médico não quer lhe dar antibióticos”. Então fiz a pergunta óbvia: “Por que?” Ela respondeu: “O médico me disse: ‘De todo jeito sua mãe vai morrer de infecção. Bem que poderia ser essa.’” P: Conte-nos o caso do bebê Ryan do Estado de Washington. R: O bebê Ryan nasceu prematuramente com problema nos rins. Ele precisava de diálise de rins. O pai era um imigrante vietnamita e, como não é de surpreender, ele não era visto como uma pessoa de influência. Como sabemos, não se faz essas coisas para um presidente. Inicialmente, se faz esse tipo de coisa para gente que não pode revidar. Mas esse pai revidou. Os médicos lhe disseram: “Chegou a hora de seu bebê morrer. Muito embora você não queira, estamos removendo dele a diálise de rins”. O pai conseguiu um advogado e obteve um mandado judicial. P: Explique o que aconteceu com o pai. R: Pelo fato de que o pai obteve o mandado, os médicos o entregaram às autoridades públicas, afirmando que o pai, não os médicos, estava prejudicando a criança impedindo-a de morrer.

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P: E o que aconteceu? R: Apareceu um médico diferente que tomou conta do caso. Ele colocou o bebê num hospital diferente, e ele ficou melhor. A verdade é que após várias semanas o bebê não mais precisou de diálise de rins. A criança acabou morrendo aos 4 anos, porém por razões que nada tinham a ver com os rins. Aliás, ele teve uma infância bem feliz. Se tivessem deixado os médicos imporem seus valores e moralidade no bebê, ele teria morrido com a idade de duas semanas. P: No seu livro há alguns casos horríveis de pacientes que foram forçados a morrer porque removeram a água deles. R: Há mesmo. E é uma situação terrível — principalmente se o paciente está consciente. A desidratação mata em 14 dias, porém é um problema que dá para resolver facilmente. Antes era a família que decidia remover a água e o alimento. Mas agora a história é diferente. Há um caso na Califórnia envolvendo Robert Wendland. Robert consegue andar de cadeira de rodas pelos corredores do hospital. Ele consegue escrever a letra “R”. Ele consegue dizer sim ou não com a ajuda de botões. Ele sofreu um horrível acidente de carro e é hoje um deficiente físico cognitivo. Estão agora decidindo diante da Suprema Corte dos EUA se podem remover a água dele para ele morrer, o que levará 14 dias. A Corte de Apelos disse que os médicos têm o direito de remover a água dele…
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Wesley Smith, em entrevista ao noticiário eletrônico WorldNetDaily de 11 de fevereiro de 2001 (www.wnd.com). O texto foi traduzido e adaptado por mim e alguns trechos importantes foram destacados em negrito por mim.

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A HISTÓRIA DA EUTANÁSIA MODERNA
Se o homem perder a vontade de respeitar algum aspecto da vida, ele perderá a vontade de respeitar a vida por completo. Dr. Albert Schweitzer.
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A maioria das pessoas que apóia a idéia da “eutanásia  voluntária” acha que o que se quer fazer é apenas acabar  com   as   dores   insuportáveis   de   alguém   que   já   está  morrendo.   Aliás,   algumas   organizações   de   eutanásia  parecem   ter   sido   fundadas   com   esse   objetivo.   Mas   se  desejamos   entender   o   moderno   movimento   pró­eutanásia,  suas   origens   e   conseqüências,   precisamos   conhecer   um  pouco de seu nascimento.  O   movimento   pró­eutanásia   surgiu   na   Inglaterra,   por  volta de 1900, com base nas teorias de Charles Darwin de  que os fracos devem morrer e de que só os mais fortes são  dignos de viver. Darwin cria que o ser humano é apenas um  animal evoluído que veio do macaco. A teoria da evolução  foi   o   fator   mais   importante   por   trás   das   campanhas  inglesas   que   mostravam   que,   para   muitas   pessoas,   não  valia   a   pena   continuar   vivendo   ou   que   suas   vidas   eram  apenas   uma   carga   para   si   mesmas   e   para   os   familiares.  Muitos   ingleses   que   apoiaram   a   eutanásia   no   começo  acreditavam   que   o   objetivo   era   acabar   com   o   sofrimento  inútil. Mas logo ficou claro que o objetivo era acabar com as  pessoas inúteis. As raízes do nazismo Então em 1922 na Alemanha, muito antes de o nazismo  começar seu avanço, o jurista Karl Binding e o psiquiatra  Alfred Hoche escreveram Legalizando a Destruição da Vida  
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Veja o capítulo 106 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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Sem   Valor.   Esse   livro   tentava   provar   que   o   sustento   das  pessoas inúteis causava despesas pesadas para o governo e  para   as   famílias   e   recomendava   a   eutanásia   para   os  deficientes físicos e mentais. Nessa   época   respeitados   homens   da   classe   médica,  jurídica e psiquiátrica começaram a aceitar a idéia de que a  eutanásia era uma opção compassiva de eliminar os que, de  acordo   com   a   ética   deles,   tinham   uma   vida   que   não  produzia nada. Eles foram influenciados por opiniões que  diziam que uma morte apressada seria de grande benefício  para pacientes em certas categorias. Os médicos alemães,  que   eram   considerados   os   mais   avançados   do   mundo,  começaram  a   promover  a   noção  de   que  o   médico  deveria  ajudar   seus   pacientes   a   morrer.   A   elite   da   classe   médica  defendia  sterbehilfe,   que   em   alemão   significa   “ajuda   para  morrer”, para os doentes incuráveis e isso era considerado  wohltat, um ato misericordioso.
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O começo da eutanásia nazista Ao  mesmo   tempo,  as   leis  alemãs   passaram  a   permitir  uma   prática   que   decisivamente   conduz   à   eutanásia:   o  aborto   médico.   Sob   a   ditadura   nazista,   a   Alemanha   foi   o  primeiro país europeu a legalizar o aborto. A nível mundial,  a Rússia comunista foi o primeiro e a Alemanha o segundo.  O Código Penal Alemão de 1933 diz:
O médico pode interromper a gravidez quando ela ameaça a vida ou a saúde da mãe e ele pode matar um bebê (na barriga da mãe) que tem probabilidade de apresentar defeitos hereditários e transmissíveis.23

O primeiro caso de prática da eutanásia na Alemanha  foi o de um recém­nascido cego e deformado. O próprio pai  pediu que seu filho deficiente fosse morto, pois ele achava 
22J.

C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 6. 23Dr. & Mrs. J. C. Willke, Abortion: Questions & Answers (Hayes Publishing Company, Inc.: Cincinnati-EUA, 1990), p. 193.

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que   uma   vida   com   graves   deficiências   físicas   não   tinha  sentido.   A   triste   condição   física   do   bebê   foi   amplamente  divulgada   pela   imprensa.   E   muitos,   aproveitando   a  oportunidade, fizeram campanhas para ganhar o apoio do  público para a eutanásia. Em resposta a essas campanhas,  Adolf Hitler autorizou um médico a dar uma injeção letal no  bebê. Esse caso passou a ser usado, com a colaboração de  alguns pediatras, para matar todos os recém­nascidos que  tinham algum defeito. Logo os doentes mentais de todas as  idades foram colocados na categoria de pessoas com vida  inútil,   e   assim   275   mil   pacientes   alemães   com   doenças  mentais acabaram sendo cruelmente mortos.  Em   1935,   o   Dr.   Arthur   Guett,   Ministro   da   Saúde   no  governo nazista, disse:
Temos de acabar com o conceito enganoso de “amor ao próximo”, principalmente com relação às pessoas inferiores e aos que não têm uma vida social normal. É o supremo dever do governo dar vida e meios de sobreviver somente para os que são saudáveis…24

Por   longo   tempo,   as   execuções   foram   mantidas   em  segredo   do   povo   por   um   sofisticado   sistema   de  acobertamento.   Tudo   ocorria   de   forma   rotineira   e  profissional: os especialistas em psiquiatria aprovavam os  que deveriam ser sentenciados à morte e o governo cuidava  do   resto.   Basta   mencionar   que   a   única   coisa   que   o   povo  sabia   era   que   os   pacientes   eram   transportados   para   a  Fundação   de   Caridade   para   a   Assistência   Institucional,   e  não   mais   voltavam.   Na   verdade,   eles   eram   levados   para  câmaras de gás. A primeira câmara desse tipo foi projetada  por   professores   de   psiquiatria   de   12   importantes  universidades alemãs.   Os pacientes eram mortos com gás 
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24Citado

em Dr. Paul Marx, And Now… Euthanasia (Human Life International: Washington, D.C., EUA, 1985), p. 70. 25Dr. & Mrs. J. C. Willke, Abortion: Questions & Answers (Hayes Publishing Company, Inc.: Cincinnati-EUA, 1990), p. 229.

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ou   injeção   letal   na   presença   de   especialistas   médicos,  enfermeiras e psiquiatras. O programa de eutanásia havia se tornado tão normal  que os especialistas não viam mal algum em participar. O  Prof.   Julius   Hallervordern,   famoso   neuropatologista   (tão  conhecido   que   determinada   doença   do   cérebro   leva   seu  nome:   a   doença   de   Hallervordern­Spatz)   solicitou   ao  escritório   central   do   programa   o   envio   de   cérebros   de  vítimas   de   eutanásia   para   seus   estudos   microscópicos.  Enquanto   as   vitimas   ainda   estavam   vivas,   ele   dava  instruções sobre como os cérebros deveriam ser removidos,  preservados e mandados para ele. Ao todo ele obteve das  instituições   psiquiátricas   de   eutanásia   mais   de   600  cérebros de adultos e crianças. As   autoridades   afirmavam   manter   o   programa   de  eutanásia   por   puras   motivações   humanitárias   e   sociais.  Inicialmente   só   os   alemães   tinham   o   “privilégio”   de   pedir  ajuda   médica   para   morrer,   porque   o   governo   alemão   não  queria   conceder   esse   ato   de   “compaixão”   para   os   judeus,  que   eram   desprezados.   É   importante   observar   que   os  médicos   alemães   eram   convidados,   não   forçados,   a  participar   desse   programa.   Os   médicos   jamais   recebiam  ordens   de   matar   pacientes   psiquiátricos   e   crianças  deficientes.   Eles   recebiam  autoridade  para   fazer   isso,   e  cumpriam   sua   tarefa   sem   protesto,   muitas   vezes   por  iniciativa   própria.   Sua   classe   e   literatura   os   havia  condicionado a ver tudo como normal. Em   setembro   de   1939,   entrou   em   vigor   a   Ordem   de  Eutanásia de Hitler para toda a sociedade alemã:
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26Os

especialistas envolvidos no programa de eutanásia eram tão importantes e famosos que até hoje seus nomes são mencionados na literatura psiquiátrica, médica e jurídica internacional. Ver J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 37. 27J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 47. 28J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), pp. 8,9.

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A autoridade dos médicos é aumentada para incluir a responsabilidade de aplicar uma morte misericordiosa às pessoas que não têm cura.29

E em 1940 uma lei foi proposta que dizia:
Qualquer paciente que esteja sofrendo de uma doença incurável que leve à forte debilitação de si mesmo ou de outros pode, mediante pedido explícito e com a permissão de um médico especificamente nomeado, receber ajuda para morrer (sterbehilfe) de um médico.30

Pouco tempo depois foram considerados inúteis não só  os   doentes,   os   “indesejados   sociais”   e   os   opositores  políticos, mas também pessoas de outras raças e religiões.  E   assim   começou   o   Holocausto   de   6   milhões   de   judeus,  com suas tristes conseqüências até hoje. Logo que a 2 Guerra Mundial terminou, o programa de  eutanásia legal da Alemanha nazista se tornou conhecido  no mundo inteiro. Foram reveladas tantas atrocidades que  os   grupos   pró­eutanásia   no   resto   do   mundo   foram  obrigados a parar suas campanhas e atividades.  A História se repete… Contudo, anos depois, quando muitos dos horrores do  nazismo   foram   esquecidos,   esses   grupos   voltaram   a  trabalhar, com novas estratégias, para defender e legalizar  o que eles chamam de “o direito de morrer”. Em 1972, o Dr.  Philip   Handler,   presidente   da   Academia   Nacional   de  Ciências dos EUA, declarou que já era hora de o governo  elaborar   uma   política   nacional   para   eliminar   os   recém­ nascidos defeituosos . Em 1973, os EUA legalizaram o aborto, cuja prática hoje  é permitida, por qualquer mãe americana que quiser, até o  momento   do   nascimento   da   criança.   Anualmente,   são 
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29Dr.

& Mrs. J. C. Willke, Abortion: Questions & Answers (Hayes Publishing Company, Inc.: Cincinnati-EUA, 1990), p. 193. 30J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 10. 31Dr. Paul Marx, And Now… Euthanasia (HLI: Washington DC, 1985), p. 71.

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realizados   mais   de   1   milhão   de   abortos   nos   hospitais   e  clínicas   americanas.   No   mesmo   ano   em   que   o   aborto   foi  legalizado, um famoso pediatra revelou que 14% das mortes  de   recém­nascidos   no   Hospital   Yale­New   Haven   eram  causadas deliberadamente. Em   1977,   a   maioria   dos   cirurgiões   pediátricos,  respondendo   a   uma   pesquisa,   disseram   que   não   fariam  nada para salvar a vida de uma criança deficiente. E em  1982,   num   caso   noticiado   amplamente   pela   imprensa  americana,   um   hospital   de   Bloomington   permitiu  deliberadamente,   com   a   aprovação   dos   pais,   médicos   e  juizes, que um menino recém­nascido com a síndrome de  Down não recebesse alimento nem água. O bebê, que nasceu em 9 de abril de 1982, tinha dois  problemas físicos: a síndrome de Down e um esôfago mal  formado que impedia o alimento de chegar até o estômago.  Embora não fosse possível corrigir medicamente o primeiro  problema,   poderia­se   resolver   facilmente   o   segundo   com  uma   cirurgia   de   baixo   risco   que   ligaria   o   esôfago   ao  estômago. Mas os pais não deram permissão para o bebê  ser operado nem permitiram que ele recebesse alimentação  intravenosa. Dezenas de casais se ofereceram para adotar e  ajudar a criança, porém os pais rejeitaram essa assistência.  No   berço   do   bebê   foi   colocado   um   aviso   para   as  enfermeiras: “Não o alimente”. Dois dias depois os ácidos de  seu   estômago   começaram   a   lhe   corroer   os   pulmões   e   a  criança começou a cuspir sangue. Quando as enfermeiras  ameaçaram abandonar o hospital em protesto contra essa  situação, o bebê foi transferido. Levou seis dias para ele dar  o último suspiro, e ele chorou incontrolavelmente durante  seus   últimos   quatro   dias   de   vida.   A   pediatra   Dr.ª   Anne  Bannon diz o que aconteceu:
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O corpinho fino e encolhido do bebê Doe estava deitado passivamente nos lençóis do hospital. Extremamente
32John

Whitehead, Arresting Abortion (Crossway Books: Westchester-EUA, 1985), p. 4.

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desidratado e com a pele seca e cianótica, ele respirava de modo fraco e irregular. De sua boca seca demais para fechar estava escorrendo sangue…33

Na mesma época em que os médicos estavam deixando  o bebê Doe morrer de fome, em Maryland um veterinário foi  multado em 3.000 dólares por deixar um cachorro morrer  de fome. Sua licença foi suspensa por seis dias.   Um   bebê   não   deveria   merecer   mais   valor   do   que   um  cachorro? Margaret Mead declara:
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A   sociedade   está   sempre   tentando   transformar   os   médicos  em assassinos — matando a criança deficiente no nascimento,  deixando comprimidos de dormir ao lado da cama do paciente de  câncer…  É   o   dever   da   sociedade   proteger   os   médicos   de   tais  pedidos.
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A idéia de que há tipos de vida que não são dignas de  viver é a grande responsável pela propagação da moderna  eutanásia, principalmente o ato de matar de fome e sede  pacientes de hospitais. O menino com a síndrome de Down,  por exemplo, teve de morrer porque os pais, o pediatra e o  juiz   achavam   que   ele   precisava   preencher   as   mínimas  condições   necessárias   de   qualidade   de   vida   para   ter   o  direito de continuar existindo.  No passado, a permissão legal de matar um bebê cego e  deformado abriu o caminho para a eutanásia se tornar uma  prática comum na Alemanha nazista. Hoje nos EUA e em  outros   países   avançados   os   cientistas   médicos   usam   em  suas   experiências   bebês   que   nascem   vivos   de   abortos  legais.   Esses   bebês   não   são   considerados   nem   tratados 
33William

Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 36. 34 Senador Jeremiah Denton, em discurso sobre a Resolução 101 do Senado americano. Congressional Record, 97th Congress, 2nd Session, Volume 128, Nº 66, maio de 26, 1982, pp. S6143-S6145. Citado no capítulo 110 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. © 2000 Human Life International. 35 Citado no capítulo 112 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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como   seres   humanos.   E   agora   há   os   casos   de   recém­ nascidos deficientes que são deliberadamente assassinados.  Tudo   como   conseqüência   direta   da   legalização   do   aborto.  Essa indiferença para com a vida humana está começando  a inclinar os países desenvolvidos a ver com bons olhos o  ato   médico   de   apressar   a   morte   de   doentes   em   coma   ou  depressão.  O   Dr.   Franklin   E.   Payne   Jr,   médico   particular   e  professor universitário na área da medicina, diz
O aborto se tornou o procedimento cirúrgico mais comum nos Estados Unidos. A aceitação do aborto foi a primeira mudança importante na ética médica que levou às crueldades da Alemanha nazista. Mais tarde, “apelos em favor da eutanásia começaram a aparecer mais freqüentemente nos artigos e livros escritos por médicos”.36

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Franklin E. Payne Jr, Biblical/Ethical Medics (Mott Media Inc: Milford, EUA, 1985), p. 3.

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Figura 3: — O próximo!

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No Canadá, o mesmo médico pioneiro na legalização do aborto agora luta para legalizar a eutanásia. Ativistas homossexuais também entraram nessa luta. O Dr. Brian Clowes, autor da famosa Pro-Life Activist’s Encyclopedia nos EUA, diz: “A eutanásia segue o aborto tão certamente quanto a noite segue o dia”.    Seria de estranhar o fato de que todos 
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os líderes pró­eutanásia nos EUA e na Europa trabalharam  ativamente   para   a   legalização   do   aborto   em   seus   países?  Nick   Thimmesch   escreveu   na   revista  Newsweek  que   os  mesmos   indivíduos   que   lutaram   para   legalizar   o   aborto  agora   fazem   campanhas   para   permitir   a   eliminação   de  pessoas adultas. Ele disse: “Incomoda­me o fato de que os  eugenicistas   na   Alemanha   organizaram   a   destruição   em  massa   de   pacientes   mentais,   e   nos   Estados   Unidos   os  indivíduos a favor do aborto agora também trabalham em  organizações que promovem a eutanásia”.  O médico que hoje aceita matar uma criança inocente  na barriga da mãe, amanhã aceitará matar adultos idosos  ou doentes. 
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Morgentaler To Campaign For Euthanasia, Lifesite Daily News, 26 de janeiro de 1998, Toronto, Canadá. 38 House Of Commons Debates Euthanasia, Lifesite Daily News, 5 de fevereiro de 1998, Toronto, Canadá. 39 Citado no capítulo 106 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International. 40 Citado no capítulo 110 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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COMO OS ADEPTOS DA EUTANÁSIA AGEM
Os nazistas queriam eliminar os indivíduos inúteis da  sociedade, mas havia um problema: a Alemanha tinha uma  forte   e   antiga   tradição   evangélica   luterana   de   tratamento  compassivo para com os idosos, os enfermos e os doentes  mentais. A fim de mudarem o modo como o povo via essa  questão, os nazistas contrataram os melhores especialistas  da indústria do cinema na Alemanha.  Tudo   foi   feito   com   o   máximo   que   os   recursos  cinematográficos   permitiam   na   época:   efeitos   sonoros   e  visuais, e uma voz de narrador profissional. O objetivo era  simples.   Convencer   o   público   de   que   os   seres   humanos  pertencem ao mundo natural, onde até mesmo os animais  fracos   e   doentes   são   mortos   para   dar   espaço   para   os  animais   mais   fortes.   Os   filmes   nazistas   fascinaram  multidões de alemães mostrando um quadro frio e triste da  vida “vegetativa” e improdutiva de pacientes em instituições  de   doenças   mentais.   Num   dos   filmes,   um   especialista  explica   que   o   governo   tinha   gastos   enormes   para   manter  esses   deficientes   vivos,   enquanto   outras   áreas   do   país  estavam desesperadamente precisando de recursos. Assim,  o público era levado a concluir que o melhor que podemos  fazer   pelos   fracos   é   deixar   a   natureza   seguir   seu   curso,  trazendo doenças e morte para eles. Nas   escolas   alemãs,   os   livros   de   matemática  apresentavam, em termos exagerados, as despesas médicas  dos   doentes   crônicos.   Os   estudantes   eram   ensinados   a  calcular os custos que esses doentes davam para o país e  descobrir propósitos mais produtivos em que esse dinheiro  poderia   ser   investido   com   maior   eficiência.   Os   jornais   se  referiam aos doentes crônicos como indivíduos inúteis que  só   serviam   para   comer.   Foi   assim   que   Hitler   conseguiu  fazer com que a Alemanha aceitasse sem remorsos a morte 
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de   275   mil   pacientes   alemães,   antes   de   começar   a  assassinar em massa a população judaica.
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A História realmente mudou? Contudo,   será   que   a   história   mudou?   Nas   escolas  americanas de hoje alguns pais já estão percebendo como a  educação   pública   quer   preparar   os   alunos   para   aceitar  novas   maneiras   de   tratar   a   vida   humana.   O   Sr.   Larry  Johnson   conta   como   sua   filha   foi   obrigada   na   escola   a  assistir, com outros estudantes, a um filme “educacional”  com o tema “Quem Deve Decidir Quem Tem o Direito de  Viver?”   O   filme   mostrava   um   bote   salva­vidas   prestes   a  afundar, porque havia pessoas demais. Para que o bote não  afunde e a fim de que algumas pessoas possam sobreviver,  alguém   terá   de   ser   atirado   ao   mar.   Os   alunos   têm   de  escolher   quem   terá   de   ser   sacrificado:   o   médico,   o  deficiente, o jovem, o idoso ou o advogado. O   bote   salva­vidas   representa   nosso   planeta,   que   os  especialistas acham que tem habitantes demais e poucos  recursos. A solução é eliminar as pessoas improdutivas que  só consomem esses poucos recursos.  É desse jeito que a  eutanásia   e   o   aborto   legal   estão   sendo   sutilmente  ensinados às crianças como meios de salvar nosso planeta  do excesso de velhos e bebês. Essas idéias contam hoje com ampla aceitação no meio  das   elites   sociais   e   têm   o   apoio   financeiro   de   grandes  organizações. Os grupos pró­eutanásia mais visíveis são a  Federação   Internacional   de   Planejamento   Familiar   e   a  Sociedade   Hemlock.   Derek   Humphrey,   co­fundador   da  Hemlock, expressa um ponto de vista comum: “A liberdade  individual exige que todos as pessoas tenham o direito de  controlar   o   próprio   destino…   Essa   é   a   liberdade   civil 
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41Arne

Christenson, First Abortion, Then Euthanasia in New Wine (Mobile-EUA, março de 1986), p. 36. 42Child Abuse in the Classroom, editado por Phyllis Schlafly (Crossway Books: Westchester-EUA, 1985), p. 63.

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máxima…   Se   não   pudermos   morrer   por   nossa   própria  escolha, então não somos um povo livre…” A morte não é  mais uma inevitabilidade ou tragédia. Agora querem que a  tragédia se transforme em direito civil.  A   estratégia   do   movimento   pró­eutanásia   é   fazer,  através de propagandas, com que as pessoas se acostumem  com o assunto da eutanásia. Essa estratégia também tem  sido usada em outras questões sociais como o aborto, os  direitos homossexuais e a liberação sexual das crianças. Os  que   estão   interessados   em   promover   essas   práticas   têm  primeiramente   de   bombardear   constantemente   o   público  com   seus   termos   peculiares,   e   assim   as   pessoas   se  acostumam. E o que acontece então? No Canadá, uma médica aplicou uma injeção letal num  paciente com câncer terminal. A enfermeira a denunciou,  ela   foi   julgada   e   acabou   sendo   apenas   repreendida   pelo  juiz.   Alguém   é   morto,   mas   ninguém   é   condenado.   Nem  mesmo a imprensa tentou desaprovar tal ato. Que tipo de  mensagem essa atitude transmite para o público? Um estudo cientifico mostra que os casos de morte de  pacientes   com   ajuda   de   médicos   que   recebem   muita  publicidade acabam estimulando outros a imitarem. Nesse  estudo,   um   médico   aplicou   uma   injeção   letal   numa  paciente   com   leucemia.   Depois   que   esse   caso   foi  extensivamente   noticiado   pelos   meios   de   comunicação,  houve   um   grande   aumento   no   número   de   pacientes   de  leucemia   que   “morreram”.   Outro   caso   envolvia   uma  paciente em coma cujos médicos removeram os aparelhos  de sustentação da vida. Logo depois da notícia dessa morte,  houve um aumento de quase 60% de pacientes em coma  “morrendo”. Os sociólogos há muito tempo têm observado  que   as   pessoas   gostam   de   copiar   os   outros,   e   o   exemplo 
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Euthanasia: The Myth of Mercy Killing, POLICY CONCERNS (Concerned Women for America: Washington DC, 1997), p. 1. 44 Andrew Coyne, Murder Most Inappropriate, National Post Online (Southam Inc.: Canadá, 2 de abril de 1999).

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público   de   certas   condutas   leva   a   atos   semelhantes.   É   o  efeito imitação. Num  mundo   em  que   os  seres   humanos  não   temem  a  Deus e não respeitam a vida humana desde o momento da  concepção, não é de admirar que alguns queiram acreditar  na mentira de que existe o direito de morrer ou o direito de  decidir quem tem de morrer. E toda essa confusão começou  por   causa   da   legalização   do   aborto   nos   países   chamados  “avançados” — avançados materialmente, mas moralmente  deficientes. Um ativista pró­eutanásia comentou o seguinte caso:
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Um aidético em estado terminal da doença ligou para nós aqui na Sociedade Hemlock do Norte do Texas. Ele estava sofrendo muito… ele acabou revelando em nossa conversa por telefone que ele cria que provavelmente iria para o inferno, e isso o estava deixando angustiado… Mencionei para ele uma pesquisa recente que mostra que quase 50% dos americanos crêem na existência do inferno, mas que só 4% acham que acabarão indo para lá. Com a ajuda da biblioteca local, consegui uma cópia dessa pesquisa para mandar para ele, juntamente com uma tabela de dosagem de drogas [para cometer suicídio]. Esta deve ser a primeira vez que a Sociedade Hemlock ajudou alguém a experimentar uma “dupla libertação”: libertação de uma intolerável doença terminal e de uma intolerável crença teológica.46

“Não os mate. Convença-os a se matar!” Por razões óbvias, os ativistas pró­eutanásia não podem  dizer que estão reivindicando o direito de matar os doentes,  os deficientes e os idosos. Pelo contrário, eles lutam para  convencer  a  todos  de  que  os  doentes,  os  deficientes  e  os  idosos   precisam   ganhar   o   direito   legal   de   morrer.   A  estratégia deles é: “Não os mate. Convença­os a se matar!” 

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Adrian Humphreys, Doctors Fall Prey to Assisted Suicide ‘Copycat Effect’, Sudy Suggests. Fallout from Two Deaths, National Post Online (Southam Inc.: Canadá, 21 de maio de 1999). 46Citado in: Living (Lutherans for Life: Benton-EUA, verão de 1995), p. 13.

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Não  é sem motivo, pois, que a propaganda pró­eutanásia  frise slogans como o direito de morrer com dignidade.  Quem é que não é a favor de uma morte com dignidade?  Mas esses slogans adquirem um sentido diferente quando  são usados pelos liberais ou quando são interpretados por  juizes   sem   princípios   morais.   O   direito   de   morrer   pode  parecer   um   termo   maravilhoso   —   até   percebermos   que  legalmente significa que podemos nos matar ou que alguém  pode nos matar, mesmo que não queiramos morrer. A   verdade   é   que   ninguém   precisa   de   um   direito   para  morrer,   pois   a   morte   é   inevitável.   Todos,   sem   exceção,  acabarão   morrendo.   Mas   o   movimento   pró­eutanásia,  buscando   uma   intervenção   humana   mais   direta   no  processo   da   morte,   procura   manipular   nossas   emoções   e  mentes para que  aceitemos o ato de matar ou apressar a   morte de certas pessoas. Então por que eles escondem suas  verdadeiras intenções? Porque percebem que o público não  está   preparado   para   aceitar   tudo   o   que   eles   querem.   Por  isso, eles são obrigados a usar só termos que apelam para  os nossos sentimentos. O   escritor   cristão   C.   S.   Lewis   inventou   o   termo  “verbicídio” para denotar o assassinato de uma palavra. É  isso   o   que   os   defensores   da   eutanásia   têm   feito   com   a  linguagem da “compaixão” e “misericórdia”. Eles encobrem  o   homicídio   deliberado   que   alguns   médicos   estão  cometendo.   Eles   o   encobrem   com   frases   positivas   como:  alívio   da   dor,   preservar   a   qualidade   de   vida,   morte   com  dignidade,   eutanásia   voluntária,   o   direito   de   morrer.   Na  questão do aborto, eles defendem a “interrupção voluntária  da gravidez”. Pode­se dizer que enquanto de um lado o diabo oferece  suicídio sob  o rótulo  de “morte  com dignidade”,  do outro  lado o  Senhor Jesus  nos oferece  a oportunidade  de viver  uma vida em abundância e com dignidade até a morte, e 
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Euthanasia: The Myth of Mercy Killing, POLICY CONCERNS (Concerned Women for America: Washington DC, 1997), p. 2.

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muito   mais   depois!   Jesus   disse:   “O   [diabo]   só   vem   para  roubar,   matar   e   destruir;   mas   eu   vim   para   [as   pessoas]  tenham vida e vida completa”. (João 10.10 BLH) Além disso, a Bíblia diz que o diabo é mentiroso (João  8.44). Sendo mentiroso, ele traz morte com o pretexto de  promover vida, compaixão, etc. Sua especialidade é o uso  de palavras inteligentes para propósitos ocultos. Mas seus  alvos são diretos. Na 3ª Conferência sobre Eutanásia, o Dr. Marvin Kohl disse: “Em alguns casos, principalmente em certos casos de eutanásia, a moralidade exige o assassinato dos inocentes”.
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O Dr. Morte O mais popular defensor da eutanásia nos EUA é o Dr.  Jack Kevorkian, mais conhecido como Dr. Morte. Ninguém  tem feito mais para legalizar a eutanásia nos EUA do que  ele.   E   ele   sempre   fez   tudo   alegando   que   estava   apenas  ajudando doentes terminais a escapar de algum sofrimento  físico insuportável. Entretanto,   numa   análise   realizada   de   69   suicídios  cometidos   sob   a   supervisão   do   Dr.   Morte,   chegou­se   à  conclusão de que 75 por cento desses pacientes não eram  doentes terminais quando o Dr. Morte os ajudou a morrer.  Além   disso,   em   cinco   casos   a   autópsia   não   conseguiu  confirmar nenhuma doença física. Muitos desses pacientes  que   cometeram   suicídio   eram   mulheres   divorciadas   ou  pessoas que nunca casaram. A autópsia revelou que só 17,  entre os 69 pacientes, eram doentes terminais, com uma  probabilidade de viver menos de seis meses.
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Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996). Study Finds Trends in Kevorkian Deaths, notícia online da Reuter de 6 de dezembro de 2000.

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Figura 4: HOJE: O Dr. Morte inventa a máquina de suicídio

AMANHÃ: — Não estou me sentindo bem hoje, querida! — Quer que eu ligue para o médico? — Não estou tão doente assim!!

Palavras que desvalorizam É   claro   que,   sendo   seguidores   daquele   que   veio   para  matar,   roubar   e   destruir,   os   defensores   da   eutanásia  tomam muito cuidado. Em público, eles só dizem o que as  pessoas gostam de ouvir. Como não tem nada de bonito em  suas práticas, o movimento pró­eutanásia sabe que precisa  escolher muito bem seus slogans. O diabo mais feio pode se  esconder   por   trás   da   aparência   do   anjo   mais   lindo!   O  objetivo é nos convencer da falta de sentido de continuar  vivendo doente sem desfrutar os prazeres da vida. É fazer­ nos ver com verdadeira repugnância o estado de doença e  fraqueza dos deficientes e idosos. Eles se referem ao estado  dos doentes nos piores termos possíveis.

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Contudo,   existe   uma   ligação   muito   íntima   entre   as  palavras   empregadas   para   designar   negativamente   as  pessoas vulneráveis de hoje e do passado. Quando os que  defendem o aborto e a eutanásia comparam suas vítimas  aos   animais,   eles   estão   apenas   repetindo   o   mesmo  vocabulário   de   desprezo   que   os   opressores   nazistas   e  comunistas do passado empregavam contra suas vítimas.

Figura 5: EUTANÁSIA — Humm! — Eutanásia parece coisa de nazista! Use um termo mais suave! MORTE COM DIGNIDADE — Humm! — Não sei… “morte” parece brusco demais! Use um termo mais obscuro! DESCONTINUAÇÃO DE UNIDADES DE CARBONO HOMO SAPIENS BIOLOGICAMENTE RESISTENTES

  Os defensores da eutanásia costumam frisar motivações  humanitárias (livrar o doente da agonia prolongada de uma  morte dolorosa) para sustentar suas propostas. Mas, de vez  em   quando,   eles   não   conseguem   esconder   suas   reais  motivações   e   empregam   designações   que   descrevem   os  pacientes   crônicos   dependentes   como   “parasitas”.   Um 
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eticista   escreveu   que   “o   único   modo   eficiente   de   garantir  que muitos pacientes biologicamente resistentes realmente  morram é não lhes dando nutrição”.  Sua maneira de falar  mostra   o   paciente   como   alguma   espécie   que   teima   em  respirar   e   ficar   agarrada   à   vida   com   a   ajuda   de  equipamentos médicos.  O   Dr.   William   Brennan   revela   a   atitude   que   já   está  tomando conta dos que cuidam de doentes crônicos:
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Uma enfermeira que estava colocando um homem em coma numa cadeira disse: “Este parasita está me esgotando”. Quando um paciente idoso com grave debilitação é colocado no setor de emergência, é comum o pessoal do hospital dizer: “Aí está um parasita de verdade”.51

Muitos   na   classe   médica   que   não   têm   consciência   do  valor   absoluto   da   vida   como   presente   de   Deus  simplesmente preferem ver os vulneráveis doentes crônicos  como   “vegetais”   ou   indivíduos   em   “persistente   estado  vegetativo”. O filósofo John Lachs afirma: “Não consigo me  convencer   de   que   os   vegetais   inconscientes   nos   hospitais  sejam de algum modo seres humanos”.   Pessoas em grave  estado   de   saúde   são   consideradas   parasitas   e   vegetais  porque o uso desses nomes nos permite desprezá­las com  mais   facilidade   e   não   vê­las   como   criaturas   humanas.  Assim   fica   mais   fácil   aprovar   medidas   “médicas”   para  eliminá­las. Veja as designações empregadas contra as pessoas mais  fracas:
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50William

Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 101. 51William Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 102. 52William Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 102.

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“Nenhum criança recém-nascida deve ser declarada humana até passar certos testes”. (Dr. Francis Crick, 1978)53 “Vejo os pacientes como objetos de trabalho”. (Declaração de uma enfermeira que cuidava de idosos, 1977)
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“Há um monte de lixo [pacientes] esta manhã”. (Declaração de um médico do setor de emergência, 1979)
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“Os seres humanos recém-nascidos não são pessoas”. (Filósofo Michael Tooley, 1983)
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“A maioria dos defeitos de nascença só são descobertos depois do nascimento. Se uma criança não fosse declarada viva até três dias após o nascimento, o médico poderia permitir que a criança morresse se os pais assim decidissem e evitar muita infelicidade e sofrimento. Creio que essa é a única atitude racional e compassiva que se deve ter”. (Dr. James Watson, eticista americano, 1973) 57 O Dr. Robert Williams, da Faculdade Médica do Estado de Washington, afirmou que os bebês não deveriam ser considerados pessoas no primeiro ano de vida. 58 O Profº John Lachs, da Universidade Vanderbilt, disse que alguns recém-nascidos deficientes só têm aparência humana. Ele aconselhou que se pode matá-los como animais. 59 “Um recém-nascido é apenas um organismo com um potencial para adquirir qualidades humanas…” (Dr. Milton Heifitz, chefe de neurocirurgia, Centro Médico de Los Angeles, em testemunho diante do Congresso americano em 23 de março de 1976) 60

53William

Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 6. 54William Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 7. 55William Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 7. 56William Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 7. 57 Citado no capítulo 109 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International. 58 Journal of the American Medical Association, 11 de agosto de 1969. Citado em Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996). 59 New England Journal of Medicine, Vol. 294, no. 15. Citado em Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996). 60 Citado no capítulo 110 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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“Há pouca evidência de que acabar com a vida de um bebê nos primeiros meses depois de sua extração do útero poderia ser vista como assassinato… Pareceria mais ‘desumano’ matar um chimpanzé do que um bebê recém-nascido, já que o chimpanzé tem maior capacidade mental. Não se pode considerar assassinato a destruição de uma forma de vida que tem menos capacidade mental que um macaco” (Winston L. Duke, físico nuclear, 1972) 61 “Se os médicos conseguirem fixar na mente das pessoas que é um crime trazer crianças doentes ao mundo, então as leis eugênicas… que são vistas agora como intromissões sinistras na liberdade das pessoas viriam a ser aceitas com naturalidade” (Declaração do Dr. H. Pall na Alemanha pré-nazista de 1921). 62

Os nazistas também agiam assim Entretanto,   a   maneira   como   os   atuais   defensores   da  eutanásia   vêem   os   doentes   não   é   novidade.   Em   1936   a  palavra   “vegetal”   apareceu   numa   propaganda   nazista  promovendo   a   eutanásia   para   uma   mulher   que   sofria   de  esclerose   múltipla.   Na   propaganda   havia   a   pergunta:   “Se  fosse aleijado, você ia querer vegetar para sempre?” Essas   pequenas   atitudes   de   desprezo   médico   e   social  contra as pessoas vulneráveis acabaram levando ao ato de  desprezo máximo: a aceitação legal da morte desses seres  humanos   infelizes.   E   uma   atrocidade   foi   conduzindo   a  atrocidades   maiores.   O   Dr.   Leo   Alexander,   especialista  médico americano, participou como membro do Tribunal de  Crimes de Guerra em Nurembergue, Alemanha, em 1949. A  missão   desse   tribunal   internacional   era   investigar   e  condenar as atrocidades dos nazistas. O Dr. Leo disse:
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Ficou claro para todos nós que os crimes de grandes proporções que estávamos investigando tinham começado com pequenas proporções. No início houve apenas uma mudança na atitude dos médicos. Eles começaram a aceitar a idéia do movimento pró-eutanásia de que há tipos de vida que não são dignas de viver. No começo os médicos
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Citado no capítulo 110 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International. 62 Journal of the American Medical Association, agosto de 1972. Citado em Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996). 63William Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 103.

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colocaram nessa categoria apenas os doentes crônicos e graves. Mas aos poucos essa categoria foi ampliada para incluir os que não produziam nada na sociedade, os que tinham alguma ideologia indesejada, os que pertenciam a raças indesejadas e, no final, todos os que não eram alemães.
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William L. Shirer entrevistou um juiz nazista condenado  à   morte   no   Tribunal   de   Nurembergue.   O   juiz   começou   a  chorar   e   disse:   “Como   foi   que   tudo   isso   chegou   a   esse  ponto?”   O   Sr.   Shirer   respondeu:   “Chegou   a   esse   ponto   a  primeira vez em que o senhor autorizou a morte de uma  vida inocente”. Telford   Taylor,   principal   advogado   de   acusação   em  Nurembergue, descreveu os importantes médicos que foram  julgados e condenados por assassinato:
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[Esses médicos]… são acusados de assassinato, torturas e outras atrocidades cometidas no nome da ciência médica… Eles não fizeram isso por sede de sangue ou por dinheiro.… Eles não são homens ignorantes. A maioria deles são médicos treinados e alguns deles são famosos cientistas. As idéias pervertidas e os conceitos distorcidos que causaram essas selvagerias não morreram. Não se pode destruí-los pela força das armas. Para que possamos impedir esse câncer de se espalhar no meio da humanidade, temos de arrancar essas idéias e conceitos pelas raízes, desmascarando-os completamente.
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A condenação desses criminosos foi aprovada por toda a  classe   médica   mundial   e   fez   com   que   todos   tomassem  medidas   para   garantir   que   os   atos   dos   médicos   nazistas  nunca mais fossem repetidos. Como um passo importante,  eles reafirmaram o princípio ético básico de sua profissão: o  médico não deve matar seus pacientes. Em   junho   de   1947,   a   Associação   Médica   Mundial  declarou sua posição com relação aos crimes dos médicos  nazistas:
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64William

Brennan, Dehumanizing the Vulnerable (Loyola University Press: ChicagoEUA, 1995), p. 71. 65J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 2. 66J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), pp. 13,14. 67J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 5.

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As provas apresentadas nos julgamentos dos médicos criminosos de guerra chocaram a classe médica. Esses julgamentos mostraram que os médicos culpados desses crimes contra a humanidade não tinham a consciência moral e profissional que se espera dos membros da honrosa profissão médica. Eles abandonaram a ética médica tradicional que sustenta o valor e a santidade de todo ser humano individual. A Comissão de Crimes de Guerra classificou da seguinte forma os crimes que os médicos cometeram: • Experimentos sem consentimento em pessoas, com a autorização de autoridades elevadas com o pretexto de realizar pesquisas científicas… • Experiências sem consentimento realizadas médicas… • por autoridades

Seleção e assassinato deliberado de prisioneiros…

• Assassinato deliberado de pacientes enfermos ou doentes mentais e de crianças em hospitais… Pelo que foi dito acima, é evidente que os médicos realizaram experimentos desumanos… para pesquisas de doenças. No curso dos experimentos e na aplicação de suas descobertas, eles deliberadamente mataram pessoas… Eles usaram mal seu conhecimento médico e prostituíram as pesquisas científicas. Eles desprezaram a santidade e a importância da vida humana…
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No   entanto,   é   triste   ver   que   depois   de   todas   essas  medidas   e   esforços   para   proteger   a   dignidade   da   vida  humana,   cientistas   americanos   e   europeus   de   hoje   não  sentem a menor compaixão em suas experiências com seres  humanos vivos, principalmente bebês que nascem vivos de  abortos legais. O Dr. Brian Clowes escreve: “Bebês viáveis  que são abortados depois de seis meses de gestação são, é  claro, os mais valiosos para pesquisa porque são os mais  desenvolvidos.   Num   experimento,   vários   bebês   viáveis   de  mais   de   6   meses   de   gestação   foram   removidos   vivos   do  útero por aborto de histeretomia…”   E imaginar que tudo 
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68War

Crimes and Medicine, reproduzido com a permissão da Associação Médica Britânica e distribuído por The Medical Education Trust, Inglaterra, s.d. 69Dr. Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 240.

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isso   ocorreu   como   conseqüência   direta   da   legalização   do  aborto! As raízes sempre produzem árvores, sejam boas ou  más. Crimes de grandes proporções não nascem do nada. É  por isso que é preciso sempre cortar o mal pela raiz, bem  no seu começo. Vale a pena lembrar que bem antes de o  nazismo   dominar   a   Alemanha   e   legalizar   a   eutanásia,  muitos médicos alemães já alertavam que ajudar doentes  em situação grave a ter uma morte mais apressada seria  apenas   o   primeiro   passo   para   a   classe   médica   passar   a  aceitar uma ética que valoriza a morte como solução para  certos   pacientes.   Em   1914,   o   médico   alemão   M.   Beer  escreveu   o   livro  Ein   Schoner   Tod:   Ein   Wort   zur   Euthanasiefrage  (Uma Morte Bela: Uma Palavra de Alerta  sobre a Questão da Eutanásia). O Dr. M. Beer avisou que  ajudar os pacientes a morrer seria só o primeiro passo para  algo pior:
A aceitação de leis que permitem uma morte misericordiosa voluntária para os casos de doentes incuráveis… diminuirá o respeito pela santidade da vida humana, e quem é que vai garantir que essas leis não serão ampliadas para incluir outros casos?
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Tendências atuais que desvalorizam a vida humana

70J.

C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 7.

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Parece que em cada geração há uma tendência diferente  para   desvalorizar   a   vida   humana.   Em   nossa   época,   por  exemplo, há um movimento que promove na ONU a  Carta   da   Terra,   um   tipo   de   documento   constitucional  internacional cujo propósito é preservar o meio ambiente e  respeitar   todas   as   formas   de   vida.   O   documento  Earth   Charter Status Report faz referência não só ao valor da vida  humana,   mas   também   ao   “valor   intrínseco   de   todas   as  outras formas de vida”.   Isto é, todos têm o mesmo valor:  homens, animais, plantas, etc. Colocar os seres humanos,  criados conforme a imagem de Deus, no mesmo nível das  outras   criaturas   sem   espírito   é   abrir   as   portas   para   a  desvalorização da vida humana. Não   é   de   estranhar,   pois,   que   o   documento  Carta   da   Terra  recomende   “que   todas   as   pessoas   tenham   acesso   a  uma assistência de saúde que promova a saúde sexual e a  reprodução   responsável”.   O   documento  Green   Agenda  (Agenda   Verde),   do   movimento   ecológico,   define  basicamente essa assistência de saúde como “planejamento  familiar   acessível   para   homens   e   mulheres,   inclusive…  educação sexual, anticoncepcionais e aborto legal”.   Saúde  sexual ou reprodutiva é um jargão muito usado pela ONU e  pelas   entidades   de   planejamento   familiar.   Significa,   entre  outras   coisas,   a   prestação   de   planejamento   familiar,  anticoncepcionais e aborto legal, inclusive aos adolescentes.  A  Carta   da   Terra  também   menciona   a   necessidade   da  “igualdade de gênero”, um termo que abrange não só o sexo  masculino e feminino, mas também o homossexualismo.
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Earth Charter Status Report (Earth Charter International: San José, Costa Rica, 2000), p. 86. 72 Earth Charter Status Report (Earth Charter International: San José, Costa Rica, 2000), p. 66. 73 Green Agenda, Principles and Policy Proposals on Environment and Development by the Greens in the European Parliament on the Occasion of the United Nations Conference on Environment and Development (UNCED) in Rio de Janeiro in June 1992 (publicado em abril de 1992), p. 14. 74 Earth Charter Status Report (Earth Charter International: San José, Costa Rica, 2000), p. 66.

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Fazem parte desse movimento em defesa da ecologia a  entidade   budista   Soka   Gakkai,   o   Instituto   Paulo   Freire,  Mikhail Gorbachev, o ex­frei Leonardo Boff e uma variedade  de outros socialistas.   Sua missão também  é promover o  respeito às religiões dos índios  (que é uma maneira sutil e  encoberta de protegê­los do evangelismo cristão e impedi­ los de serem libertos de sua idolatria demoníaca). Os índios  adoram o planeta Terra como um ser espiritual vivo, sem  saberem realmente que sua adoração é dirigida a espíritos  de   escuridão.   Em   vez   de   permitir   que   os   índios   sejam  libertos  de  sua  idolatria,  os  ambientalistas  querem  que  a  escuridão espiritual deles influencie a sociedade. O  Earth   Charter Status Report contém um hino de louvor à Terra  e  menciona   um   encontro   para   a   educação   ecológica   onde  crianças   de   escolas   públicas   ofereceram   hinos   hindus,  cristãos e muçulmanos de adoração à Terra.   O   que   pensam   realmente   os   ecologistas?   Vamos   dar  uma   olhada   num   ambientalista   bem   conhecido.   O   maior  defensor dos direitos dos animais hoje é o Professor Peter  Singer, que é tão radical que nem come carne. Ele disse:  “Matar um recém­nascido deficiente não é a mesma coisa  que   matar   uma   pessoa.   Muitas   vezes   não   é,   de   forma  alguma,   errado”.   Ao   observarmos   a   diferença   que   ele   faz  entre   recém­nascido   e   pessoa,   dá   para   perceber   que   na  opinião   dele   a   criança   indefesa   e   inocente   não   é   uma  pessoa.   Já   na   opinião   de   Troy   McClure,   defensor   dos  direitos   dos   deficientes   físicos,   o   Professor   Singer   é   “o  homem mais perigoso do mundo hoje”.
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Earth Charter Status Report (Earth Charter International: San José, Costa Rica, 2000). 76 Earth Charter Status Report (Earth Charter International: San José, Costa Rica, 2000), p. 40. 77 Earth Charter Status Report (Earth Charter International: San José, Costa Rica, 2000), p. 41. 78 Earth Charter Status Report (Earth Charter International: San José, Costa Rica, 2000), p. 19. 79 C.H. “Max” Freedman, The Greatest of Two Evils, Celebrate Life (American Life League: Stafford-EUA, março/abril de 2000), p.26.

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Assim,   para   “salvar”   a   Terra,   ecologistas   como   o   Sr.  Singer   estão   dispostos   a   promover   até   o   aborto   legal   e   o  assassinato   de   crianças   recém­nascidas!   Que   dificuldade  alguém assim teria para apoiar a eutanásia? Para eles, o  mais importante é defender o meio ambiente e a vida dos  animais.   Eles   realmente   chegam   ver   o   crescimento   da  população humana como um câncer destruindo tudo. Contradições difíceis de entender Há um paradoxo que muitos consideram irracional e até  bizarro nas atitudes sociais de hoje com relação ao valor da  vida   humana.   Os   mesmos   países   ricos   que   são   contra   a  pena   capital   para   os   criminosos   culpados   de   assassinato  são,   inexplicavelmente,   a   favor   dessa   mesma   pena   para  bebês   inocentes   que   se   encontram   na   barriga   de   suas  mães. E agora lutam para estender essa pena aos doentes,  aos   deficientes   e   aos   idosos.   Querem   livrar   os   culpados  dessa pena, sob a alegação de que é um meio cruel de a  sociedade castigar indivíduos perigosos.  Ao mesmo tempo,  não   querem   livrar   os   idosos,   sob   a   alegação   de   que   a  eutanásia   é   um   meio   “misericordioso”   de   livrá­los   do  sofrimento. Querem, além disso, que as autoridades civis se  envolvam nessa área, quando a Bíblia deixa bem claro que  o papel do governo e das leis civis não é castigar os bons,  mas os maus.
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Dr. C. Everett Koop, The Right to Live, The Right to Die (Life Cycle Books: TorontoCanadá, 1980), p. 38.

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“Porque as autoridades civis não são terror para [as  pessoas de] boa conduta, mas para [os de] má conduta.  Você   não   quer   ter   medo   daquele   que   está   em  autoridade? Então faça o que é certo e você receberá a  aprovação   e   o   elogio   dele.  Pois   ele   é   o   servo   de   Deus  para o seu bem. Mas se você errar, [tenha medo dele e]  receie, pois ele não veste e leva a espada inutilmente.  Ele  é  o  servo  de  Deus  para  executar  Sua  ira  (castigo,  vingança)   sobre   o   malfeitor”.   (Romanos   13:3­4   Bíblia  Ampliada em inglês) A espada era usada como um instrumento para castigar  e   matar.   Embora   a   Palavra   de   Deus   esclareça   que   as  autoridades   têm   permissão   de   Deus   para   usar   a   espada  contra os criminosos, não há nenhum apoio na Bíblia ao  uso da espada contra os inocentes, nem para a prática do  aborto nem da eutanásia. Isso é contrário aos princípios de  Deus. Na Europa, onde a execução de criminosos assassinos  foi há muito tempo abolida, a execução de bebês na barriga  de   suas   mães   é   legalmente   mantida   como   um   direito  sagrado das mulheres. Nos EUA, os mesmos líderes sociais  e   meios   de   comunicação   que   lutam   para   salvar   da   pena  capital   o   pequeno   número   de   indivíduos   condenados   por  assassinatos brutais também lutam incansavelmente para  proteger   a   execução   brutal   dos   mais   que   1   milhão   de  crianças que são legalmente abortadas todos os anos! Isso  sem mencionar que nada é feito contra a crescente prática  de assassinar bebês recém­nascidos nos hospitais.

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Na França mais da metade dos médicos que cuidam de  recém­nascidos   afirmou,   numa   pesquisa,   que  freqüentemente   administram   drogas   para   acabar   com   a  vida   de   recém­nascidos   que   têm   algum   problema   médico  incurável.   Parece   que   salvar   a   vida   dos   culpados   é   a  preocupação mais importante dos ativistas sociais de hoje.  As mesmas sociedades que, por motivo de compaixão, se opõem à pena de morte para assassinos desumanos agora a estão aplicando, por motivo de “compaixão”, em bebês indefesos. Tudo indica que os idosos serão os próximos na fila. A   tendência   de   combater   a   pena   de   morte   para   os  culpados   e   defendê­la   para   os   inocentes   é   não   só   um  mistério, mas talvez também o maior desafio e contradição  da nossa geração. E é estranho também que cientistas que  estão tão ansiosos para encontrar vida em outras planetas  não   sintam   o   mínimo   remorso   de   fazer   experiências   em  bebês   vivos.   Estão   com   tanta   vontade   de   descobrir   e  preservar formas de “vidas” que não conhecem quando não  se   preocupam   em   preservar   e   proteger   a   vida   mais  importante que já conhecem.
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Pro-Life E-News, 22 de junho de 2000, Canadá.

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A EUTANÁSIA NA HOLANDA
Victor Hugo, autor de A História de um Crime, disse: — O mal que se comete por uma boa causa continua sendo mal.  Então lhe perguntaram: — Até mesmo quando faz sucesso?  Respondeu ele: — Principalmente quando faz sucesso.
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A questão da eutanásia está agora sendo debatida em  muitos países avançados, mas é só na sociedade holandesa  que podemos encontrar exemplos de ampla aceitação para  a prática de injetar em doentes drogas que causam a morte. O   que   em   breve   a   eutanásia   significará   para   a   classe  médica   e   para   a   sociedade?   Atualmente,   a   Holanda   é   o  único   país   em   que   podemos   achar   respostas   para   essas  perguntas. A eutanásia foi legalizada na Holanda no ano 2000. Mas  mesmo   quando   não   era   legal,   os   hospitais   a   praticavam,  com a devida discrição. Durante muitos anos, a prática da  eutanásia   foi   amplamente   utilizada   enquanto   o   sistema  legal   do   país   fazia   de   conta   que   não   via   os   médicos   que  insistiam em que seus pacientes estavam melhores mortos  do   que   vivos.   Se   antes   esses   médicos   tinham   poucas  preocupações   com   a   justiça,   hoje   eles   têm   muito   menos,  pois   a   Holanda   se   tornou   o   primeiro   país   do   mundo   a  aprovar   leis   que   vêem   o   assassinato   de   pacientes   como  tratamento médico legítimo. O que realmente está ocorrendo na Holanda? É o que  vamos ver a seguir, com a ajuda de informações oficiais de  documentos governamentais. Em 1990, o governo holandês  criou   uma   comissão   especial   para   realizar   uma   pesquisa  nacional a fim de apurar oficialmente a extensão da prática  da eutanásia. Os resultados só saíram em 10 de setembro 

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Veja o capítulo 106 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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de 1991, e logo ficou claro que esse relatório final continha  as mais valiosas informações sobre a eutanásia.   Embora   os   membros   dessa   comissão   fossem  pesquisadores  a  favor  da  eutanásia,  suas  conclusões  não  conseguiram   esconder   o   impacto   real   dessa   prática.   A  definição   usada   no   relatório   é   que   eutanásia   significa  deliberadamente causar a morte de uma pessoa por ação  ou   omissão,   com   ou   sem   seu   pedido,   sob   a   alegação   de  livrá­la   do   sofrimento   de   uma   doença   ou   de   uma   vida  imperfeita. Sob essa definição, os holandeses mortos pela eutanásia  chegam a um número de mais que 25 mil por ano, o que  corresponde a 20% de todas as mortes. O relatório indica,  porém,   que   esse   cálculo   não   leva   em   consideração   a  eliminação   deliberada   da   vida   de   recém­nascidos  deficientes,   crianças   doentes,   pacientes   psiquiátricos   e  aidéticos. Dos 25 mil casos de eutanásia, 13 mil foram provocados  passivamente, isto é, os médicos não deram aos pacientes  tratamentos para lhes salvar a vida. Os outros 12 mil casos  foram   provocados   ativamente,   isto   é,   os   pacientes   foram  mortos porque receberam drogas que lhes causaram parada  cardio­respiratória.   Pelo menos 1.000 casos de eutanásia  ocorrem   anualmente   sem   um   pedido   formal   do   paciente.  Não   é   de   admirar   que   outro   estudo   mostrasse   que  aproximadamente   60   por   cento   dos   idosos   em   asilos  tenham medo de sofrer uma eutanásia “involuntária”. De acordo com as informações publicadas no relatório,  em   1990   morreram   14.691   pessoas   de   eutanásia  involuntária.   Eutanásia   involuntária   quer   dizer   o   ato   de  apressar a morte de pacientes que não desejam ser mortos.  Isso   significa   que   os   médicos   tomaram   a   decisão   de 
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83Dr.

Richard Fenigsen, A Gentle Man Speaks of Fear, Population Research Institute Review (PRI: Baltimore-EUA, março-abril de 1994), p. 8. 84Idem. 85 Susan Martinuk, Dutch take bold step back into dark ages with euthanasia, The Province (Canadá). Pro-Life E-News, 6 de dezembro de 2000.

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abreviar   a   vida   deles.   Em   45%   dos   casos   ocorridos   em  hospitais,   a   eutanásia   foi   praticada   não   só   sem   o  conhecimento  dos   pacientes,  mas   também  dos   familiares.  Desse número, 8.750 pacientes morreram porque lhes foi  removido,   sem   seu   conhecimento,   todo   tratamento   para  lhes prolongar a vida e 5.941 morreram porque receberam,  sem   saberem   nem   consentirem,   injeções   letais   na   veia.  Além disso, 1.400 pessoas que sofreram a eutanásia ativa e  involuntária estavam  em perfeitas  condições mentais.  Em  8% dos casos, os médicos realizaram esse tipo de eutanásia  mesmo sabendo que a medicina tinha alternativas para os  pacientes. Os  motivos que  os médicos  mencionaram para  tirar a vida de seus pacientes sem o conhecimento deles foi  “baixa   qualidade   de   vida”,   “nenhuma   esperança   de  melhoria” e “os familiares não agüentavam mais”. Casos reais O que acontece na Holanda é que quando uma pessoa é  internada num hospital, um médico avaliará sua qualidade  de   vida   e   então   conforme   sua   decisão   pessoal   (sem  perguntar nada ao doente) lhe dará uma injeção que o fará  parar de respirar e fará com que seu coração pare de bater.  O   relatório   dessa   comissão   do   governo   é   o   primeiro  reconhecimento   oficial   de   que   a   eutanásia   involuntária   é  praticada na Holanda. Veja um exemplo:
Quatro enfermeiras de um hospital de Amsterdã confessaram ter matado muitos pacientes inconscientes injetando-lhes doses fatais de insulina, sem o consentimento ou o conhecimento deles. Os funcionários do hospital apoiaram totalmente as enfermeiras e perdoaram os assassinatos devido às motivações “humanitárias” delas…
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Em   vez   de   ficarem   chocados   com   o   que   está  acontecendo em seu país, a população holandesa em geral  está   agora   questionando   se   os   doentes   mentais   têm   o 
86Dr.

Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 134.

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direito de viver e 90% dos estudantes de economia apóiam a  eutanásia compulsória como meio de controlar os custos. Hoje   todos   os   estudantes   de   medicina   recebem  treinamento formal para colocar a eutanásia em prática, e a  Real   Sociedade   Holandesa   de   Farmacologia   distribui   um  “manual”   de   eutanásia   para   todos   os   médicos.   Esse  “manual” contém receitas de venenos indetectáveis que os  médicos podem colocar na comida ou injetar de tal maneira  que seja impossível detectá­los durante uma autópsia. Os  diretores   de   hospital   orientam   os   médicos   a   dar   injeções  letais nos pacientes idosos cujas despesas são altas. Isso é  feito sem o conhecimento e o consentimento do doente e da  sua   família.   Parece   não   haver   muita   preocupação   para  eliminar   as   dores   do   paciente,   apenas   sua   vida.  Peer Neeleman, especialista holandês em  anestesia,   diz:  “Muitos hospitais nem mesmo têm um serviço de combate à  dor. As faculdades médicas mal ensinam como combater a  dor   e   outros   sintomas,   enquanto   os   futuros   médicos   são  ensinados a praticar a eutanásia”. Em novembro de 1999, num encontro em Brasília, o Dr.  Jack Willke contou um caso real que ele conheceu em sua  visita à Holanda:
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Um médico clínico geral deu entrada no hospital a uma senhora com câncer e completou o diagnóstico na sexta-feira da semana em que ela foi internada. O câncer havia se espalhado e provavelmente não havia cura, mas a paciente não estava se sentindo mal e tinha ainda condições de levar uma vida independente. Ela havia sido informada de que seu caso seria avaliado na segunda-feira, quando então decidiriam o melhor tratamento para ela. O médico que estava cuidando dela saiu de folga no fim de semana. Na segunda-feira de manhã, voltando ao hospital, ele fez seu trabalho de rotina de visitar os quartos dos pacientes e quando ele parou para ver a senhora com câncer, ele encontrou outro paciente na cama dela. Ele chamou o
87Rita

Maker, Euthanasia: Killing ou Caring? (Life Cycle Books: Toronto-Canadá, 1991), p. 10. 88Dr. Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 132. 89 Pieter Huurman & Laurel T. Hughes, The Shocking Practice of Euthanasia in Holland, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 8-12 de dezembro de 1998).

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médico residente e perguntou para onde haviam mudado sua paciente, porém foi informado de que haviam aplicado a eutanásia nela um dia antes. “Mas ela não era doente terminal”, disse ele. O outro respondeu: “Sim, sei disso, mas não havia cura para ela e, de qualquer modo, estávamos precisando da cama que ela estava ocupando”.
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Na cidade de Roterdã, um amigo médico do Dr. Willke  tinha sob seus cuidados um idoso com uma séria doença. A  esposa cuidava dele em casa e ele não tinha problemas de  dor. Ele pegou bronquite e, enquanto o médico estava fora,  a esposa do paciente teve de chamar um médico do hospital  para examiná­lo. O médico veio, examinou­o, deu­lhe uma  injeção  e  uma  hora  depois  o  paciente  estava  morto,  para  total   consternação   da   viúva   e   do   médico   pessoal,   pois   o  doente não queria ser morto. Outro caso envolvia um senhor muito rico que vivia só  com a esposa numa cidadezinha holandesa. Ele não estava  doente, mas precisava de certos cuidados. Em certa manhã,  o pastor o visitou às 9h. O médico veio às 10h, deu­lhe uma  injeção e o matou. O carro da funerária chegou às 11h para  remover o corpo. A viúva e os filhos rapidamente dividiram  o dinheiro e as propriedades e se mudaram para a França.  Nenhuma pessoa da cidadezinha acredita que o senhor rico  havia   pedido   ajuda   para   ser   morto.   Contudo,   embora   a  viúva e o médico afirmem que ele queria morrer, a única  testemunha que poderia falar a verdade está morta. Em   seu   livro  Tough   Faith,   Janet   &   Craig   Parshall  contam outro caso:
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Uma   mulher   de   50   anos,   ex­assistente   social,   estava   com  depressão.   Ela   tinha   saúde,   mas   pediu   para   ser   morta   dois  meses depois que seu filho morreu de câncer. Ela tinha também  sofrido maus­tratos de seu marido. Ela estava regularmente se  tratando   com   um   psiquiatra.   Dois   meses   depois   durante   o 
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caso real também encontra-se registrado no livro do Dr. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 86. 91J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 95.

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tratamento, ela pediu que o psiquiatra a ajudasse a morrer… seu  pedido foi atendido.
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Idéias nazistas: antes e depois Quando os soldados de Hitler invadiram a Holanda em  1940, os médicos holandeses receberam aviso de que eles  seriam   obrigados   a   participar   do   programa   de   eutanásia  para eliminar os gastos das crianças deficientes, os doentes  crônicos   e   incuráveis,   etc.,   nos   hospitais   e   instituições  mentais. A maioria deles se recusou a colaborar com esse  programa,   e   alguns   foram   presos   e   ameaçados   de   morte.  Mas todos os médicos se uniram e o programa foi fechado. O   aborto   e   a   eutanásia   eram   questões   repugnantes   para  eles. Parece que o fator mais importante que deu sucesso à  resistência dos médicos e da população holandesa em geral  aos nazistas foi que naquela época o povo holandês, que na  maior parte era evangélico, tinha alicerces éticos sólidos na  Palavra de Deus. Entretanto,   hoje   a   história   é   diferente.   Embora   ainda  sejam   em   grande   parte   evangélicos,   os   holandeses   agora  não vão à igreja nem colocam a Palavra de Deus acima de  tudo   em   suas   vidas.   Pode­se   dizer   que   quando   um   povo  perde o respeito e a obediência aos mandamentos de Deus,  então   perde­se   o   respeito   pelo   valor   da   vida   humana.   O  resultado?   Os   médicos   holandeses   estão   matando  deficientes,   recém­nascidos,   pacientes   em   coma   e   até  mesmo pessoas deprimidas (mas completamente saudáveis)  sem que haja nenhum tipo de intervenção da polícia ou dos  tribunais para castigar os responsáveis. O mais estranho é que quando os nazistas os forçaram,  eles não quiseram. Agora que não há nazistas para forçá­ los,   eles   é   que   querem…   No   começo,   os   especialistas 
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Janet & Craig Parshall, Tough Faith (Harvest House Publishers: Eugene, EUA, 1999), p. 213. 93J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), pp. 86,87. 94Special Report (HLI: Front Royal-EUA, novembro de 1998), p. 4.

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holandeses   afirmavam   que   a   eutanásia   só   era   justificável  em caso de doença terminal. Hoje, até mesmo pessoas sem  nenhuma   doença   física   são   vítimas   da   eutanásia.   Um  adolescente   deprimido,   por   exemplo,   se   matou   com   as  drogas   letais   que   um   psiquiatra   lhe   forneceu.   Em   outro  caso, um médico prescreveu uma dose letal de medicação  para   uma   viúva   que   estava   seriamente   deprimida   por   ter  perdido   o   marido   e   os   filhos,   e   ela   se   matou.   O   caso   foi  parar no Supremo Tribunal da Holanda, mas ninguém foi  punido. Embora   a   sociedade   holandesa   seja   vista   como   uma  sociedade avançada sem abusos dos direitos humanos, os  holandeses foram condicionados a ver de modo negligente e  despreocupado   a   questão   da   eutanásia.   O   Dr.   Hank  Jochemsen,   famoso   eticista   médico   holandês,   disse:   “A  justiça não percebe nem enxerga a maioria dos casos em  que   os   médicos   intencionalmente   abreviam   a   vida   dos  pacientes, por ato ou por omissão”. O que a eutanásia legal  fez   na   Holanda   não   foi   simplesmente   dar   aos   doentes  terminais   a   liberdade   de   se   matar,   mas   aumentar  vastamente o poder dos médicos sobre a vida e a morte de  seus   pacientes   terminais   ou   não.   As   próprias   leis   que  foram   criadas   para   proteger   o   direito   à   vida   dos   seres  humanos   agora   são   sutilmente   usadas   para   a   eliminação  das pessoas que são consideradas indignas de viver. E no  nome   da   compaixão,   médicos   treinados   para   curar   e  prolongar a vida estão abreviando e até matando as vidas  que eles deveriam proteger. Matar o paciente como meio de  cura   está   se   tornando   um   procedimento   médico   aceitável  em alguns países chamados avançados. O que aconteceu com muitos médicos holandeses é que,  ao aplicarem a eutanásia num paciente, eles liberaram uma 
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J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 93. 96J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 91.

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incontrolável   força   invisível   que   inevitavelmente   leva   à  morte de suas próprias consciências e integridade ética e  moral: o pecado. O pecado sempre produz morte, de todos  os tipos e em todas as áreas, para aqueles que o praticam  (cf. Romanos 6.23a). E o ato de matar, que está incluído  nos Dez Mandamentos, é um dos piores pecados (cf. Êxodo  20.13).   Um   médico   ou   enfermeira   que   tolera   a   eutanásia  terá   dificuldade   de   lutar   para   salvar   a   vida   de   todos   os  pacientes necessitados sob sua responsabilidade. Depois de tantos anos de convivência com a eutanásia, a sociedade holandesa agora tende a aceitar o que no passado seria impensável: eutanásia para crianças. Todos os anos são registrados pelo menos 50 casos de recém-nascidos deficientes que ficam, deliberadamente, sem tratamento médico. A maioria dos médicos que trabalham nessa área está chamando essa prática de um modo compassivo de acabar com a vida desses bebês. A mentalidade pró-eutanásia é tão forte que um defensor dos direitos humanos afirmou que ele não tinha liberdade de falar contra a eutanásia mesmo numa universidade fundada por evangélicos. Como membro da Igreja Cristã Reformada, ele disse: “Esta é uma universidade nominalmente cristã, mas os meus colegas são bem contrários às minhas idéias… A idéia de que essas crianças [deficientes] são um peso é imposta a nós por opiniões que valorizam o desenvolvimento pessoal e o direito de escolher. Os pais ficam apavorados [com a perspectiva de gastar sua vida em favor de um filho deficiente] e eles procurarão um médico que lhes dê uma ‘saída’”. Pais holandeses fiéis a Deus, que têm filhos deficientes, não os estão colocando em instituições, onde suas vidas correm perigo. Eles os estão criando com o valor que Deus lhes dá. Esses pais são um exemplo de luz e esperança no meio da escuridão moral de seu país.
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Mindy Belz, Dutch Treat, revista World (23 de maio de 1998).

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De todos os países na Europa, é incrível que seja justamente na Holanda que a prática da eutanásia tenha sido aceita a tal ponto que a classe médica, o governo, as igrejas e o povo mal lastimem o que está acontecendo. A Holanda foi o único país a tomar uma posição contra o programa nazista de eutanásia, quando todos os médicos holandeses entregaram suas licenças em protesto. Agora são os médicos holandeses que estão fazendo as próprias coisas que eles tanto abominaram na 2 Guerra Mundial. O que aconteceu? A eliminação de vidas está ocorrendo hoje em grande escala na Holanda, onde a eutanásia e o suicídio com assistência médica são praticados pelos médicos. Embora as normas médicas e legais estabeleçam que o paciente é que tem de escolher a morte, mais de 40 por cento dos médicos holandeses aplicam a eutanásia em pacientes que não desejam morrer. O que está acontecendo na Holanda mostra que não é possível permitir o assassinato e o suicídio só em determinadas circunstâncias. O mal, quando é liberado, tende a se descontrolar, principalmente quando ocorre na privacidade do médico com o paciente. A Holanda moderna se orgulha de suas idéias liberais. Se a Holanda não existisse, os liberais teriam de inventála. Esse país tem sido visto como um modelo por sua aceitação das drogas, da prostituição, do homossexualismo e do suicídio com ajuda médica. O governo holandês até financiou o barco do aborto, cuja missão é navegar em águas internacionais, perto de países em desenvolvimento, para oferecer aborto.
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Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996). Leon R. Kass, “Dehumanization Triumphant”, artigo publicado na revista First Things, agosto/setembro de 1996. 100 Fonte: Pro-Life Infonet de 26 de junho de 2001

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Nem todo holandês é a favor… O motivo real dos ataques cometidos contra a vida humana e contra a moralidade e a decência na Holanda é que muitas igrejas cristãs holandesas se tornaram secularizadas e indiferentes. De modo geral, a população cristã holandesa não mostra interesse em assumir uma posição cristã clara e forte a favor da vida humana. O Dr. Bert Dorenbos, presidente da organização Clamor pela Vida, crê que fortes pregações de reavivamento e muita oração são o único meio de resgatar sua nação. O que está acontecendo na Holanda é um aviso e sinal para o mundo. Para que a Holanda possa se libertar da eutanásia e suas maldições, as igrejas evangélicas, até agora mudas em sua responsabilidade de dar um bom testemunho para a sociedade, terão de abrir o coração para o Espírito Santo e a boca por Cristo. Mas   nem   todos   os   holandeses   concordam   com   a  eutanásia. Herman van der Kolk, advogado holandês, comenta:
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A   eutanásia   e   o   suicídio   são   meios   de   terminar   a   vida  humana sem levar em consideração que a vida humana na terra  é só parte da vida total, pois toda vida humana tem um destino  eterno.   A   vida   na   terra   é   uma   preparação   para   a   eternidade.  Ninguém   pode   decidir   quando   é   que   deve   ocorrer   o   momento  adequado para a transição, nem a própria pessoa nem ninguém  mais. Só Deus pode decidir o momento adequado. Embora seja  errado   dar   um   fim   numa   vida,   ajudar   alguém   a   morrer   é  igualmente errado pois rouba a decisão das mãos de Deus.
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Para o médico que não crê em Deus e na vida eterna,  tudo não passa de ilusão. Um médico holandês disse que  quando   a   dose   não   é   suficiente   para   matar,   o   paciente  geralmente   tem   alucinações   com   o   inferno.   Médicos holandeses que praticam a eutanásia são orientados a
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Pro-Life E-News. 5 de dezembro de 2000. Herman van der Kolk, Update on the Slippery Slope on Euthanasia since 1997 (Juristen Vereniging Pro Vita: Driebergen-Rijsenburg, Holanda, 1998).

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buscar aconselhamento antes e depois de matar seus pacientes. Eles buscam essa ajuda de psicólogos cuja especialidade é tratar médicos que regularmente praticam a eutanásia em pessoas. A descrença em Deus não os livra de problemas com a própria consciência. O Dr. Karel F. Gunning é presidente da Federação Mundial dos Médicos que Respeitam a Vida Humana, cuja sede fica na cidade de Roterdã, Holanda. Ele diz:
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É claro, precisamos ajudar os pacientes que estão morrendo, mas temos de ajudar a acabar com o sofrimento, não com a vida. Se aceitarmos o assassinato de um paciente como solução num caso específico, encontraremos centenas de outros casos em que o assassinato também poderá ser considerado como solução aceitável… a partir do momento em que o médico tiver permissão de matar o primeiro paciente, será uma questão de pouco tempo antes que ele mate o segundo ou terceiro.
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O médico holandês I. van der Sluis disse:
A vida não é uma qualidade. A morte não é um direito. E esperar que a eutanásia permaneça voluntária não é ser realista. Os médicos que praticam a eutanásia nos matarão com nosso consentimento se tiverem permissão para fazer isso. E nos matarão sem consentimento se não conseguirem permissão. A eutanásia não é um direito. É a abolição de todos os direitos.
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Herbert Hendin, um médico americano que escreveu o  livro  Seduced by Death  (Seduzido pela Morte) observa que 
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Pieter Huurman & Laurel T. Hughes, The Shocking Practice of Euthanasia in Holland, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 8-12 de dezembro de 1998). 104 Veja o capítulo 109 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International. 105 Karel F. Gunning, Human Rights and Euthanasiain the Netherlands, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 8-12 de dezembro de 1998). 106 Veja o capítulo 109 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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“a  Holanda  avançou  de  suicídio  assistido  para  eutanásia;  de   eutanásia   para   os   doentes   terminais   para   eutanásia  para os doentes crônicos; de eutanásia para doentes físicos  para   eutanásia   para   pessoas   depressivas;   e   de   eutanásia  voluntária   para   eutanásia   involuntária”.   O   Dr.   Hendin  afirma   que   toda   restrição   legal   contra   a   eutanásia   é  quebrada impunemente. E a crescente aprovação entre os  médicos   holandeses   de   matar   crianças   está   estimulando  uma   ação   política   para   legalizar   mais   a   eutanásia,   e   o  partido   socialista,   que   ocupa   o   ministério   da   saúde,   está  propondo   que   as   crianças   de   mais   de   12   anos   tenham   o  direito de pedir eutanásia. 
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Eutanásia para o mundo inteiro? A questão da eutanásia na Holanda é um problema que  ameaça   se   expandir   para   toda   a   Europa   e   o   mundo.   A  cidade   de   Haia,   na   Holanda,   é   hoje   a   sede   da   Corte  Criminal   Internacional   (CCI),   cuja   função   é   julgar   tudo   o  que a ONU interpreta como violação dos direitos humanos.  É   uma   ironia   bizarra   que   um   tribunal   internacional  se localize num país com o mais agressivo programa de genocídio contra os idosos e deficientes. Nenhuma outra nação “democrática” permite a eutanásia e o suicídio com assistência médica na medida em que a Holanda aceita. E essa prática está se tornando tão comum que os médicos holandeses testemunham publicamente que participam de casos em que crianças deficientes são mortas. É possível entender a despreocupação da CCI com a eutanásia holandesa como um dos sinais mais claros de que há uma tendência cada vez maior a favor da eutanásia nos países ricos. No Canadá, por exemplo, há casos em que enfermeiras perderam o emprego porque
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Mindy Belz, Dutch Treat, revista World (23 de maio de 1998). Lifesite Daily News. 16 de julho, 1998, Toronto, Canadá.

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escolheram não participar de procedimentos de aborto ou atos de eutanásia. Pouco antes do estabelecimento da CCI, Concerned Women for America, organização evangélica presidida por Beverly LaHaye , avisou:
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A ONU planeja estabelecer um tribunal criminal mundial com implicações de longo alcance para os cidadãos… Pela primeira vez, um tribunal da ONU terá autoridade e poder para julgar indivíduos de países membros da ONU. O tribunal internacional terá jurisdição sobre casos de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade. Embora essa meta pareça logicamente aceitável, recentes conferências mundiais da ONU revelam que as definições que a ONU emprega são sempre vagas e muitas vezes enganadoras. Por exemplo, muitos grupos estão trabalhando para definir o aborto e a conduta homossexual como “direitos humanos fundamentais”. De acordo com essa definição, a Corte Criminal Internacional poderá condenar indivíduos por cometer “crimes contra a humanidade”. Portanto, dá para imaginar que uma pessoa que proteste contra o aborto legal ou um pastor que fale contra a homossexualidade poderá ser julgado por “crimes contra a humanidade”, por “intolerância” e por “violações dos direitos humanos fundamentais”.
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As   feministas   e   outros   grupos   radicais   estão   lutando  para   que   a   CCI   coloque   a   oposição   ao   aborto   legal   como  violação   dos   direitos   humanos.   Como   esse   tribunal   tem  jurisdição sobre todas as pessoas dos países que assinaram  seu   documento   de   compromisso,   inclusive   o   Brasil,   há   o  perigo de que, se for aprovada uma lei protegendo o aborto  legal,   os   cristãos   e   outras   pessoas   que   defendem   a   vida  humana desde a concepção até a morte natural poderiam  perder   sua   proteção   legal   e   serem   levados   a   julgamento  internacional.   Ativistas   gays   holandeses   tentaram 
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Conscience Legislation Presented, LifeSite Daily News. 11 de fevereiro de 1999. Toronto, Canadá. 110 Ela é co-autora de O Ato Conjugal, um dos livros mais vendidos da Editora Betânia. 111 The United Nations, Sovereignity, Concerned Women for America (www.cwfa.org), 15 de abril de 1998, Washingtton DC.

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recentemente levar o papa a esse tribunal, apenas porque  ele   reconheceu   corretamente   que   o   homossexualismo   é  pecado.   Não   se   sabe   com   certeza   de   que   maneira   a   CCI  usará sua autoridade futuramente. Os frutos da medicina socializada A   profissão   médica   de   hoje   se   preocupa   mais   com   a  questão   econômica   do   que   os   médicos   do   passado.   A  disponibilidade do suicídio com ajuda médica é mais rápida  e   barata   do   que   qualquer   outra   forma   de   tratamento  médico. Por isso, os pacientes holandeses pobres ou cujos  tratamentos são muitos caros são pressionados a “escolher”  o   suicídio   com   ajuda   médica   ou   então   são   simplesmente  “despachados” para a eternidade sem aviso prévio. Ser idoso e doente na Holanda é uma experiência de dar medo, pois os idosos sabem que são oficialmente “descartáveis”. Eles são descartáveis porque a motivação principal do sistema de saúde holandês não é a assistência de saúde em si, mas a redução dos custos. Esse é o legado mais desumano da ameaça chamada medicina socializada. Pare para pensar na situação delicada de um idoso holandês de 60 anos que simplesmente não pode deixar de buscar assistência médica num hospital. Ele está bem ciente dos seguintes fatos: Todo médico holandês recebe treinamento formal em eutanásia nas faculdades de medicina. O custo exato de cada tipo de tratamento para todas as doenças ou ferimentos comuns é conhecido de antemão e registrado para fácil referência e análise em cada caso individual. Portanto, com base nas informações desses registros, o médico clínico geral já tem a orientação do hospital para aplicar, sem consentimento, injeções letais em pacientes idosos cujo tratamento é considerado “caro demais”.
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Veja o capítulo 109 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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O número de asilos para doentes e velhos na Holanda diminuiu mais que 80 por cento nos últimos 20 anos, e a expectativa de vida dos poucos idosos que permanecem em tais asilos está se tornando cada vez mais curta. A eutanásia involuntária é administrada até mesmo em pacientes que não estão em fase terminal. A eutanásia involuntária também é administrada para vítimas de acidente e pessoas com reumatismo, diabetes, AIDS e bronquite.
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Problema tipo exportação? Contudo, se tudo isso está ocorrendo nos países ricos, por que os países em desenvolvimento deveriam se preocupar? Porque a Europa e os EUA costumam sempre exportar suas idéias e soluções para os outros países. Pode-se dizer que a eutanásia é um problema tipo exportação, pois sendo um país economicamente avançado, a Holanda tem sido vista como modelo para o mundo imitar. Maurice De Wachter, diretor do Instituto de Bioética em Maastricht, declarou de forma preocupante que “A Holanda é o que eu chamaria de um experimento de ética médica que servirá de precedente… Há uma prática crescendo [na Holanda] em que os médicos se sentem à vontade ajudando os pacientes a morrer — em outras palavras, eles se sentem à vontade matando os pacientes”.
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Veja o capítulo 109 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International. 114 John Henley, Associated Press. "Dutch Euthanasia Rule Stirs Ethical Conflicts." The Oregonian, 11 de fevereiro de 1993, pág. A9. Citado no capítulo 112 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. © 2000 Human Life International.

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Figura 6: — Desligue o aparelho de respirar, doutor! Esse homem assinou um documento que declara que ele não quer ser mantido vivo por meios artificiais! — Tudo bem! — Ele ainda está respirando! — Remova-lhe a alimentação. Ele morrerá de fome em duas semanas! — Ué? O que você está fazendo com o travesseiro, doutor? — Matar de falta de oxigênio é um ato mais misericordioso do que matar de falta de alimento, não acha? — Boa idéia, doutor!

Em 1990, houve o encontro da Federação Mundial das  Sociedades do Direito de Morrer, na cidade de Maastricht,  Holanda. Representantes de grupos a favor do “direito de  morrer” da Colômbia, Espanha, Israel, Índia, África do Sul,  Suécia, França, Bélgica Canadá, EUA e Japão se reuniram  para aprender com os mestres holandeses a arte de praticar  a eutanásia. A   Federação   Mundial   das   Sociedades   do   Direito   de  Morrer tem como alvo espalhar a mensagem pró­eutanásia 
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Rita Maker, Euthanasia: Killing ou Caring? (Life Cycle Books: Toronto-Canadá, 1991), p. 8.

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no mundo inteiro. Essa mensagem parece estar produzindo  efeito nos médicos. Veja essa reportagem:
INGLATERRA: A POLÊMICA SOBRE OS DOENTES ABANDONADOS PARA MORRER Recentemente foi publicado na imprensa inglesa um debate sobre as pessoas idosas nos hospitais cujo boletim médico estava marcado com a instrução de não ressuscitar em caso de crise. O que parece é que agora a idéia de abandonar pessoas à morte não se limita aos idosos. Conforme informou o jornal Telegraph (30 de maio de 2000), há a mesma atitude com os deficientes, até mesmo os jovens. As crianças e os jovens com problemas sérios de saúde internados são marcados com a instrução de que os médicos não devem ressuscitá-los se eles tiverem uma crise. A desculpa é que a qualidade de vida deles seria tão limitada que não vale a pena, de acordo com a opinião de algumas autoridades hospitalares, mantê-los com vida. Essa situação recebeu a atenção dos meios de comunicação no caso do menino David Hargadon. Ele não podia andar nem falar e os médicos tentaram convencer seus pais a lhes dar permissão para deixar de dar assistência médica ao menino, com o objetivo de deixá-lo morrer. Conforme sua mãe comentou, os médicos os criticaram muito por insistirem na continuidade do tratamento médico de seu filho. Com apenas um ano de idade, David havia pego pneumonia e embora estivesse internado num hospital os médicos queriam negar-lhe o tratamento com antibióticos. A mãe não aceitou isso e David sobreviveu. Um ano depois o menino ficou novamente doente e os médicos voltaram a dar a opinião de que deveriam deixá-lo morrer. Sua mãe não cedeu a essas sugestões e os médicos tiveram de curar o menino. Casualmente David morreu com a idade de doze anos, porém sua mãe afirmou que ele gozou muitos anos de vida, apesar de que o desejo dos médicos era deixá-lo morrer. Referindo-se a esse caso, Richard Kramer, líder de uma campanha de caridade em favor de doentes mentais, disse que estava preocupado. Kramer observou que parece que a opinião dos médicos é que os doentes com dificuldades para aprender não são dignos do mesmo respeito que as outras pessoas. Kramer declarou que é difícil avaliar a dimensão do problema, porém expressou a preocupação de que alguns médicos
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poderiam tomar esse tipo de decisão sem consultar os pais ou a família.
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Em   1999   a   polícia   de   Londres,   Inglaterra,   investigou  mais de 60 casos de aposentados idosos que morreram por  falta de água e alimento em hospitais. Num dos casos, uma  mulher   de   80   anos   foi   para   o   hospital   bem   de   saúde   e  alegre,   mas   com   um   problema   de   dor   no   joelho.   Ela   foi  colocada   em   sedativos   e   ficou   sem   alimento   até   morrer.   Em   1997,   em   Copenhagem,   Dinamarca,   a   polícia   acusou  uma enfermeira e um médico de assassinato. Eles mataram  22 pessoas num asilo para idosos. Apesar   de   que   a   Europa,   principalmente   a   Holanda,  esteja   caminhando   para   um   futuro   mais   aberto   para   a  eutanásia,   vale   a   pena   lembrar   aqui   a   recomendação   da  Assembléia Parlamentar  do Conselho  da Europa  sobre os  direitos   dos   doentes   e   dos   que   estão   morrendo.   A  recomendação, que foi adotada em 1976, diz:
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O   médico   deve   fazer   todo   tipo   de   esforço   para   aliviar   o  sofrimento e ele não tem nenhum direito, mesmo em casos que  lhe   parecem   desesperadores,   de   apressar   intencionalmente   o  curso natural da morte.
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Boletim eletrônico n.º 47, Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família (9 de maio de 2000). 117 Involuntary Euthanasia Rampant In England, Lifesite Daily News, 6 de dezembro de 1999, Toronto, Canadá. 118 Lifesite Daily News, 23 de outubro, 1997, Toronto, Canadá. 119 Matthijs de Blois, Euthanasia and the Right to Life (Dutch Lawyers Association Pro Vita: Odijk, Holanda, 1998).

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QUEM SUSTENTARÁ OS IDOSOS ?
Recentemente a CNN noticiou:
ESTOCOLMO — O lendário campeão sueco de tênis Bjorn Borg pediu aos europeus que “produzissem” mais bebês a fim de garantir que existam pessoas suficientes no futuro para financiar as pensões dos aposentados do continente. O jornal Dagens Industri publicou na sexta-feira passada um anúncio em inglês em que Borg aparece rodeado de parteiras. “Temos um problema delicado no mundo ocidental: não estão nascendo bebês suficientes”, diz o tenista no jornal. “Se não acontecer nada drástico imediatamente não haverá ninguém capaz de trabalhar para garantir nossas pensões…”
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Muitos especialistas que alertavam o mundo sobre uma possível explosão demográfica agora se encontram sem explicações convincentes para suas alegações. Ninguém sabe como é que os países ricos conseguirão sair das dificuldades que foram criadas por décadas de campanhas que diziam aos casais que trazer mais seres humanos ao mundo equivaleria a trazer mais problemas. Agora o problema é justamente o contrário. A principal preocupação das próximas décadas será um tamanho de população economicamente ativa bem abaixo do normal nas regiões ricas do mundo. Conforme mostra a ONU, a maioria das nações industrializadas terá de abrir suas portas para milhões e milhões de trabalhadores dos países menos ricos para preencher as necessidades econômicas de populações ricas envelhecidas.
ONU DIVULGA ADVERTÊNCIA DE QUE EM FUTURO PRÓXIMO A POPULAÇÃO DE VÁRIOS PAÍSES RICOS ESTARÁ ABAIXO DO NÍVEL NORMAL

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http://cnn.com.br/2001/curiosidades/03/12/bjorn/index.html

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Nova Iorque, 31 de março de 2000 — Indo contra décadas de advertências sobre taxas de fertilidade altas e explosão demográfica, a ONU publicou recentemente um relatório de um problema novo: declínio de população. O Secretariado da Divisão de População da ONU diz em seu relatório Replacement Migration que em muitos países a única esperança de manter os atuais níveis de populações trabalhadoras é abrir as portas para os imigrantes em números que muitos podem achar alarmantes. O estudo examinou dados demográficos de oito países: França, Alemanha, Itália, Japão, República da Coréia, a Federação Russa, o Reino Unido e os Estados Unidos. O relatório reflete decisões políticas feitas por governos durante meio século para diminuir a taxa de fertilidade de seus cidadãos. O resultado é que muitos países estão experimentando um fenômeno novo chamado "fertilidade abaixo do nível de substituição", que significa que os casais não mais estão tendo bebês suficientes para substituir os atuais trabalhadores. A ONU informou que 61 nações estão agora com uma fertilidade bem baixa e o nível populacional de outros países também já está se aproximando dessa situação crítica. As conseqüências a longo prazo da baixa fertilidade são o envelhecimento elevado da população e eventual declínio da população jovem. Além disso, esses países enfrentam o problema da diminuição no número total de trabalhadores entre 15 e 65 anos. O estudo prediz que o número necessário de imigrantes para equilibrar a diminuição da população é elevado. Os níveis de imigrantes necessários terão de ser muito grandes para compensar as populações dos países ricos que estão envelhecendo e diminuindo. O Japão, por exemplo, precisará receber 10 milhões de imigrantes por ano para compensar o esvaziamento dos cidadãos em idade ativa de trabalho. A União Européia precisará de 13 milhões por ano. O relatório afirma que os líderes políticos terão nas próximas décadas de lutar com muitas questões críticas por causa de dois fatores: envelhecimento da população e resistência a imigração em massa. Já se considera a possibilidade de que as leis estabeleçam que os trabalhadores se aposentem com mais idade. Haverá também mudanças nos benefícios médicos e previdenciários, e os trabalhadores ativos terão de pagar mais para o sustento financeiro dos aposentados.
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A   única   solução   que   a   ONU   consegue   indicar   para   a  grande perda de população jovem nos países ricos é receber  mais imigrantes dos países em desenvolvimento. Mas talvez  nem   isso   baste.   O   Sr.   Paul   Hewitt,   diretor   do   projeto  Iniciativa do Envelhecimento Global do Centro de Estudos  Estratégicos e Internacionais em Washington, me explicou:  “Soube   recentemente   que   17   por   cento   da   população   da  Suíça nasceu no exterior. Mas o que é significativo é que 
121 Conforme informações divulgadas pelo C-FAM, um instituto de defesa da família e dos

direitos humanos que monitora as atividades na ONU. Nova Iorque, 31 de março de 2000.

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nada disso será suficiente para resgatar dramaticamente o  sistema de aposentadoria dos idosos”.
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O futuro dos EUA e da Europa No   curso   dos   próximos   25   anos,   informa   o   boletim  americano Population Research Institute Review, a estrutura  de idade da população mundial continuará a mudar e os  idosos serão uma parte cada vez maior da população total  do   mundo.   As   projeções   oficiais   das   Nações   Unidas  indicam   que   na   Europa   e   América   do   Norte   a   população  idosa de mais de 65 anos crescerá e chegará a um total de  1   bilhão   e   300   mil   pessoas   no   ano   2025,   enquanto   a  população   de   0   a   14   está   diminuindo   sem   parar.   O  envelhecimento da população e a diminuição no número de  nascimentos e de jovens nos países desenvolvidos são um  dos   problemas   mais   dramáticos   que   o   século   21   terá   de  enfrentar. Só na Alemanha há hoje quase 400 mil cidadãos  com   mais   de   90   anos   de   idade.   Em   2030   os   idosos   do  Japão,   Alemanha   e   Itália   poderão   passar   dos   40%   da  população geral. Os   países   da   Europa   já   estão   sentindo   os   profundos  efeitos   demográficos   por   causa   do   baixo   índice   de  natalidade:   Há   um   número   cada   vez   menor   de   jovens   na  força   de   trabalho.   O   resultado   é   que   haverá   menos  trabalhadores   ativos   para   sustentar   mais   aposentados.  Essa   situação   criará   grande   pressão   nos   sistemas   de  seguridade   social   e   planos   de   aposentadoria.   Causará  também um enorme aumento nos custos de assistência à 
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Comunicação pessoal do Sr. Paul Hewitt para Julio Severo através de email, em 7 de julho de 2000. 123Population Research Institute Review (PRI: Front Royal-EUA, agosto-setembro de 1999), p. 4. 124Drª Nafis Sadik, Making a Difference: Twenty-five Years of UNFPA Experience (Fundo de População das Nações Unidas: Nova Iorque-EUA, 1994), p. 48, 49. 125Situação da População Mundial (Fundo de População das Nações Unidas: Nova Iorque-EUA, 1998), p. 11.

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saúde. Não é sem razão, pois, que os países europeus estão  sofrendo forte pressão para aceitar a eutanásia.   Conforme as projeções da ONU, a Europa será a região  do   mundo   mais   atingida   pelo   envelhecimento.   No   ano   de  2050,   haverá   quase   três   pessoas   acima   de   65   anos   para  cada   jovem   de   menos   de   15   anos.   Um   em   cada   três  europeus   terá   mais   de   60   anos.   As   outras   regiões   mais  atingidas pelo envelhecimento serão a América do Norte, a  Oceania, a Ásia e a América Latina, nessa ordem.   O Prof.  Michel Schooyans, da Universidade de Louvain na Bélgica,  acha que essa situação “causará migrações incontroláveis,  o   colapso   dos   sistemas   de   previdência   social   e   educação,  conflitos entre as gerações mais jovens e as mais velhas…” A   situação   européia   é   tão   crítica   que   o   Presidente   da  França,   Jacques   Chirac,   exclamou:   “A   Europa   está  desaparecendo…   Logo   nossos   países   estarão   vazios”.   O  perigo   maior   é   que   esse   esvaziamento   da   população  européia abrirá espaço e oportunidades para as multidões  de   muçulmanos   ansiosos   para   habitar   o   continente  europeu.   Por   séculos   os   muçulmanos   tentaram   invadir   e  dominar a Europa, sem sucesso. Contudo, hoje enquanto  os europeus estão brincando de sexo, as famílias imigrantes  muçulmanas estão multiplicando seus bebês aos milhares e  educando­os fielmente na sua religião. Já que até os casais  evangélicos   europeus   não   mais   desejam   se   multiplicar   e  criar   uma   geração   para   Jesus,   as   famílias   muçulmanas  querem aproveitar e encher o território europeu com seus  próprios jovens para avançar o islamismo.
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Dr. Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 300. Research Institute Review (PRI: Front Royal-EUA, agosto-setembro de 1999), p. 4. 128Michel Schooyans, We Have Met the Enemy and He Is Us in Celebrate Life (American Life League: Stafford-EUA, 1999), p. 13. 129George Grant, Grand Illusion: The Legacy of Planned Parenthood (Adroit Press; Franklin-EUA, 1992), p. 39.
127Population

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Mark Steyn escreveu no jornal Chicago Sun­Times de 27  de fevereiro de 2005:
“Os problemas da Europa — seus programas sociais que já estão fora das possibilidades econômicas, sua demografia que já está no leito de morte, sua dependência de números de imigrantes que nenhuma nação estável já conseguiu absorver com sucesso — foram todos criados pela própria Europa. As projeções de alguns especialistas indicam que 40 por cento da população da União Européia será muçulmana no ano 2025. O que já é realidade é que semanalmente mais pessoas freqüentam as orações de sexta nas mesquitas do que os cultos de domingo nas igrejas cristãs”.
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Problemas econômicos na área da saúde   Ao comentar a situação européia, um jornal britânico  escreveu em 1993:
A História mostra que a diminuição da população jovem é um fenômeno que pode colocar a economia em crise e até destruí-la. Essa diminuição põe uma pesada carga sobre os jovens, que terão de sustentar um número cada vez maior de velhos. Essa situação, em vez de abrir espaço para a prosperidade, tende a fazer com que as sociedades sejam destruídas, por causa da diminuição da compra e venda de produtos e serviços e da diminuição das oportunidades.
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Será   que   uma   população   jovem   cada   vez   menor  conseguirá   continuar   pagando   as   despesas   médicas   dos  idosos?   Hoje   debate­se   a   questão   da   necessidade   de  controlar os gastos na assistência hospitalar aos idosos, e  esse   debate   só   tende   a   aumentar,   pois   vários   problemas  econômicos   graves   ameaçam   em   futuro   próximo  sobrecarregar completamente o sistema de saúde pública. A   preocupação   maior   é   o   fato   de   que   as   despesas  geralmente   aumentam   nos   últimos   meses   de   vida   de   um  idoso.   Alguns   países   já   estão   colocando   limites   de   idade  para certos tratamentos. Quando consideram a questão da  prestação   de   serviços   de   saúde,   os   especialistas   médicos  agora vêem os fatores econômicos como mais importantes  do que as necessidades das pessoas. As elevadas despesas 
130 131Eamonn

http://www.suntimes.com/output/steyn/cst-edt-steyn27.html Keane, Population and Development (HLI: Australia, 1994), p. 34

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que   alguns   pacientes   dão   estão   levando   muitos   políticos,  hospitais   e   médicos   a   verem   a   eutanásia   como   uma  alternativa   fácil   e   barata   para   resolver   problemas  econômicos.  Na Suíça, o departamento de saúde de Zurique autorizou oficialmente suicídios com assistência médica nos asilos para idosos. No entanto, por motivos óbvios, o governo não mencionou a questão dos gastos dos idosos, mas preferiu se limitar a afirmar que a medida foi tomada para “valorizar o direito de autodeterminação” dos idosos. Um ativista pró­eutanásia declarou:
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A maioria dos estudantes de economia, principalmente economia na área médica, concorda que é urgente e absoluta a necessidade de conter os gastos médicos. A questão que nos divide é de que modo deveremos fazer isso. O primeiro passo é admitir a cruel necessidade de racionar a assistência médica. O segundo é limitar a assistência médica… Como é que decidiremos quem deverá receber os escassos recursos médicos?… O que deveremos mais considerar, obviamente, é a idade.
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As   sociedades   de   hoje   que   por   motivos   econômicos  apóiam   a   limitação   de   nascimentos   terão   no   futuro   de  apoiar,  pelos   mesmos  motivos,   a  limitação   no  número   de  doentes,   deficientes   e   idosos   e   outras   pessoas   que   dão  despesas pesadas para o governo. Mais velhos, menos jovens Em   vários   países   avançados,   as   autoridades   estão  começando a se preocupar com o fato de que hoje há mais  mortes do que nascimentos e mais idosos do que crianças.  Uma das conseqüências mais sérias do envelhecimento da  população é o risco de o sentimento de solidariedade entre  as   gerações   sofrer   danos.   Essa   perda   de   solidariedade  poderia fazer com que as gerações brigassem para ver quem  é que ficará com os recursos econômicos ou em quem esses 
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Pro-Life E-News, 21 de agosto de 2000. Willard Gaylin. Citado no capítulo 106 de: Dr.Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. © 2000 Human Life International.

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recursos   serão   investidos:   nos   mais   jovens   ou   nos   mais  velhos.   É   exatamente   por   causa   da   preocupação   com   os  fatores   econômicos   que   a   eutanásia   está   ganhando   a  simpatia dos europeus e americanos materialistas. Não   há   dúvida   de   que   os   idosos   serão   os   candidatos  mais fortes à eutanásia futuramente. Desde que começou a  apoiar   leis   de   aborto,   os   EUA   e   a   Europa   aprenderam   a  conviver com o desrespeito ao valor da vida humana. E esse  desrespeito poderá se estender a qualquer grupo de pessoas  que não se encaixar nos padrões da sociedade ou que for  um   peso   grande   demais   para   o   estilo   de   vida   egoísta,  consumista e materialista das pessoas de hoje. Por   causa   de   fatores   econômicos,   os   pais   que  escolheram ter menos filhos para ter mais bens materiais  poderão algum dia não só ter menos pessoas para sustentá­ los,   mas   também   enfrentar   seus   filhos   igualmente  materialistas   que,   por   causa   de   fatores   econômicos  semelhantes, apoiarão a eutanásia para ajudar a sociedade  a ter menos “velhos inúteis que só dão despesas”. O   envelhecimento   da   população   vem   sendo  acompanhado pela destruição do sistema de apoio familiar  tradicional   que   sustentava   em   casa   as   crianças,   os  dependentes   e   os   idosos.   Nos   países   desenvolvidos,   a  valorização   de   bens   materiais   é   mais   alta   do   que   uma  estrutura familiar tradicional onde a maior riqueza são os  filhos e a própria unidade da família. O Instituto de Pesquisa de População nos EUA, em seu  boletim de janeiro de 2000, alerta:
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Neste ano, pela primeira vez na História, haverá nos países  industrializados mais pessoas com 60 anos do que crianças com  a idade de até 14 anos. O crescimento da população idosa levará  os velhos a dependerem mais de um número cada vez menor de  jovens trabalhadores para sustentá­los… Com a queda mundial  nas taxas de natalidade, o número de trabalhadores diminuirá. 
134Situação

da População Mundial (Fundo de População das Nações Unidas: Nova Iorque-EUA, 1998), p. 4.

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O mesmo boletim dá a informação de que nos Estados  Unidos   a   população   economicamente   ativa   está  diminuindo:   “No   começo   de   novembro   de   1999,   Alan  Greenspan, Presidente do Federal Reserve, apresentou um  relatório   declarando   que   a   diminuição   no   número   de  trabalhadores   estava   ameaçando   a   competitividade   de  mercado e a produtividade americana”. Uma das soluções  que   ele   apontou   para   resolver   esse   grave   problema   é  permitir a entrada de mais imigrantes nos EUA.
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As conseqüências econômicas da diminuição da população jovem  virão em seguida. Conforme diz o economista Peter Drucker, são  necessários   trabalhadores   para   garantir   a   prosperidade   e   a  estabilidade econômica de qualquer país. Em muitas nações por  todo   o   mundo,   será   difícil,   ou   até   mesmo   impossível,   uma  população   trabalhadora   cada   vez   menor  sustentar   um  número  cada vez maior de aposentados.  
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Por que há menos trabalhadores jovens? Há muitos fatores que estão contribuindo para o baixo  número   de   nascimentos   hoje.   As   pessoas   estão   casando  menos   e   os   que   querem   se   casar   preferem   entrar   no  matrimônio   mais   tarde,   em   grande   parte   para   continuar  estudando mais tempo. Enquanto no passado recente, e até  nos tempos bíblicos, o casamento ocorria geralmente antes  dos 18 anos para a mulher, hoje é bem depois dos 20 anos.  Embora   se   casem   mais   tarde,   os   jovens   estão   tendo  experiências   sexuais   cada   vez   mais   cedo.   Há   também   o  crescimento   no   número   de   divórcios.   E   as   famílias   que  sobrevivem   à   onda   de   divórcios   e   separações   estão   tendo  menos   e   menos   filhos.   O   que   mais   tem   desanimado   as  famílias   de   hoje   de   querer   mais   que   dois   filhos   são   as  responsabilidades   profissionais   do   pai   e   da   mãe   que  trabalham fora. Talvez a mudança mais profunda a atingir 
135Population

Research Institute Review (PRI: Baltimore-EUA, janeiro-fevereiro de 2000), p. 10. 136Population Research Institute Review (PRI: Baltimore-EUA, janeiro-fevereiro de 2000), p. 8.

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as famílias seja o relacionamento entre o casal e o trabalho  profissional   fora   do   lar   nas   décadas   recentes.   Essa  mudança   reflete   a   participação   das   esposas   e   mães   no  mercado de trabalho.  A   proporção   de   mulheres   casadas   que   trabalham   fora  aumentou   em   todos   os   países   industrializados.   Na  Austrália, por exemplo, a percentagem de mulheres casadas  no mercado de trabalho fora do lar pulou de 29 por cento  em   1966   para   53   por   cento   em   1998.   Metade   das   mães  australianas   com   filhos   de   menos   de   4   anos   de   idade  trabalham fora agora. No Reino Unido, em 60 por cento dos  casais   com   filhos   as   mães   trabalham   fora.   Nos   Estados  Unidos,   a   participação   no   mercado   de   trabalho   das  mulheres   casadas   com   filhos   de   menos   de   6   anos  aumentou de 18 por cento em 1960 para 59 por cento em  1993.  Mulheres casadas que trabalham fora costumam ter  um   ou   dois   filhos,   ou   às   vezes   nenhum.   Isso   bem   pode  explicar a diminuição no número de nascimentos. A   eutanásia,   felizmente,   não   é   realidade   entre   nós.  Apesar de não ser economicamente tão avançado quanto as  nações   européias,   o   Brasil   não   está   enfrentando   a   difícil  situação   de   envelhecimento   da   população   e   escassez   de  jovens que a Europa já está começando a sofrer. Esse é o  motivo mais importante para a ausência da eutanásia em  nosso  país.  Mas  o  índice  de  natalidade  está   caindo  entre  nós, graças aos investimentos em massa que os EUA e a  Europa fazem para reduzir a população jovem dos países  menos   desenvolvidos.   Milhões   de   dólares   são   gastos   para  financiar   a   expansão   dos   programas   de   planejamento  familiar, educação sexual e aborto legal no Brasil. Se essa  situação continuar, futuramente o Brasil também terá de se  preocupar   com   questões   como   envelhecimento   da  população, escassez de jovens e… eutanásia.
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137

Kevim & Margaret Andrews, Rebuilding a Culture of Marriage, The Family in America (The Howard Center: Rockford, EUA, outubro de 1998), p. 3.

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Família: previdência natural O   dever   dos   filhos   é   retornar   seu   amor   e   assistência  quando seus pais precisarem depender da ajuda de outros  por   causa   da   idade,   pobreza   ou   doença.   Há   o   exemplo  bíblico do Rei Davi, que manteve os pais consigo e cuidou  deles em sua velhice. O   Dr.   Allan   Carlson,   presidente   do   Howard   Center   e  líder evangélico pró­família, diz:
Nos séculos antes da existência da aposentadoria pública, os  incentivos   econômicos   dentro   da   família   uniam   fortemente   as  gerações. Os adultos em seus anos produtivos sustentavam seus  pais na velhice deles, pois essa era uma obrigação que o sistema  cultural  impunha. Ao mesmo tempo, esses adultos tinham um  forte incentivo para gerar e criar filhos, para garantir a própria  segurança   e   assistência   no   futuro.   Em   resumo,   a   família  tradicional   incentivava  o   nascimento   de   filhos.   Contudo,   sob   o  regime de seguro social cujo foco é a aposentadoria dos idosos,  os   incentivos   mudaram.   Comumente,   agora   os   benefícios   são  pagos   assim:   através   de   impostos,   a   renda   é   transferida   dos  atuais   trabalhadores   para   os   atuais   aposentados.   Por   causa  disso, os laços de segurança econômica entre três gerações da  família foram cortados. Hoje, ainda que um indivíduo não tenha  nenhum filho, ele conseguirá melhorar seu padrão de vida sem  interferência   e   sem   sofrer   conseqüências   no   futuro,   pois   os  impostos   já   são   compulsoriamente   descontados   da   renda   e   da  folha de pagamento. Aliás, a reação lógica então se torna: “Filhos  custam   muito   dinheiro   e   tempo   e   fazem   muito   barulho.   Que  outra   pessoa   tenha   os   filhos   que   me   sustentarão   na   minha  velhice”.
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O   conceito   de   previdência   social,   com   seu   sistema   de  aposentadoria,   tem   uma   existência   relativamente   recente.  Nasceu   há   poucas   décadas   e   não   tem   probabilidade   de  durar   muitos   anos.   Por   séculos   o   que   existia   era   a  “previdência   natural”:   Os   filhos   cuidavam   dos   pais   na  velhice   e   quanto   mais   filhos   e   filhas   um   homem   tinha, 
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Dr. Allan Carlson, The Family, Public Policy & Democracy, The Family in America (The Howard Center: Rockford, EUA, agosto de 1998), p. 4.

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melhor “assistência” ele teria na velhice. Se os filhos eram  cristãos   fiéis   a   Jesus,   os   pais   tinham   o   conforto   e   a  segurança de passar seus últimos dias no acolhimento da  própria   família   em   vez   de   ficarem   abandonados   e  deprimidos em algum asilo ou instituição de caridade. Um   dos   Dez   Mandamentos,   por   exemplo,   ordena   o  respeito   aos   pais.   E   Jesus   explica   que   uma   maneira   de  respeitar os pais é dedicar uma parte de nossos recursos  para   ajudá­los.   Respeitar,   nesse   sentido,   seria   também  acolhê­los,   uma   prática   que   as   famílias   evangélicas   do  passado   nunca   deixaram   de   lado.   E   Jesus   fortemente  repreendeu   os   religiosos   de   sua   época   que   não   queriam  praticar tal respeito. Ele disse que não devemos evitar essa  responsabilidade nem mesmo com a desculpa de servir  a  Deus (cf. Mateus 15:3­6). Hoje   não   precisamos   mais   “honrar”   nossos   pais,   pois  pensamos que o governo já faz isso através da previdência  social.   Mas   até   quando   o   governo   terá   condições   de  sustentar   os   idosos?   Os   governos   europeus   já   estão  enfrentando sérias dificuldades nessa área, porém mesmo  que   as   famílias   européias   escolhessem   cuidar   de   seus  parentes idosos, por quanto tempo seria possível sustentá­ los? Enquanto   a   família   européia   de   um   século   atrás   era  constituída normalmente de um casal com uma média de  seis filhos, a família européia de hoje é composta somente  por uma ou duas crianças. Assim, se um casal europeu de  hoje fosse precisar dos filhos para ajudá­los na velhice, eles  só teriam um ou dois… Esse é um dos motivos por que os  europeus acham mais fácil colocar os idosos em asilos. A Bíblia diz: “Mas, se alguma mulher cristã tem viúvas  na sua família, deve cuidar delas…” (1 Timóteo 5:16a BLH)  Tanto   o   homem   quanto   a   mulher   devem   honrar   os   pais,  mas   o   significado   óbvio   dessa   passagem   é   que   Deus  entregou   principalmente   às   mulheres   cristãs   a 

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responsabilidade de tomar conta dos parentes dependentes.  Mas   o   papel   da   mulher   hoje   tem   sido   tão   radicalmente  mudado pelas idéias feministas que as esposas têm tantas  responsabilidades  fora do lar  que não lhes sobra tempo, e  muitas vezes nem interesse, para desempenhar plenamente  o importante chamado do lar que Deus lhes deu. O livro  De Volta Ao Lar, escrito pela ex­feminista Mary  Pride, revela o motivo por que as famílias não mais são a  principal fonte de assistência aos parentes dependentes:
Mas as pessoas esperam cada vez mais que o governo desempenhe essa responsabilidade. O demógrafo Joseph McFalls, da Universidade de Temple, comenta: “As famílias estão renunciando a algumas de suas funções e as estão entregando ao governo. As famílias costumavam ser responsáveis pela educação dos filhos e pela assistência aos idosos. Mas agora é o governo que faz as duas coisas”.

O Dr. Allan Carlson diz:
Até mesmo o movimento de mulheres casadas entrando no mercado de trabalho em décadas recentes tem uma ligação especial com governos preocupados principalmente com programas sociais. Os dados mais claros vêm da Dinamarca, e mostram que o número de donas de casa nesse país diminuiu em 579 mil mulheres, entre 1960 e 1981. Nesse período, o número de empregados no setor público aumentou para 532 mil. Ao mesmo tempo, dois terços da expansão da força de trabalho na Dinamarca ocorreram em apenas três áreas: creches e assistência aos idosos (25%); hospitais (12%); e as escolas (27%). Ajunte todos esses dados, e o que dá para ver é mulheres deixando as tarefas de criar os filhos e cuidar dos idosos no lar, a fim de trabalharem para o governo nos mesmos tipos de empregos. Contudo, há uma diferença: elas fazem esse trabalho com menos eficiência, pois as crianças e idosos de quem elas agora cuidam não são parentes delas e elas não têm nenhum interesse verdadeiro neles. Além disso, elas recebem seus salários dos fundos obtidos mediante a cobrança de mais impostos…
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Dr. Allan Carlson, The Family, Public Policy & Democracy, The Family in America (The Howard Center: Rockford, EUA, agosto de 1998), p. 5.

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Esposas que trabalham, geralmente, preferem ter o menor número possível de filhos. Essa preferência está colaborando para trazer um futuro onde haverá menos trabalhadores jovens para sustentar os aposentados. Hoje os especialistas em questões demográficas acham que está para vir uma situação de ameaça, onde haverá muitos recursos, mas um número insuficiente de pessoas para organizar e alimentar a maioria dos idosos. Já que a mentalidade pró-eutanásia está se espalhando em vários países, principalmente na Holanda, há razões para nos preocuparmos que slogans tais como “morrer com dignidade” e “morte com compaixão” serão defendidos normalmente como uma solução para resolver o complicado problema de sustentar uma população de aposentados grande demais.

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CONTROLE DA MORTALIDADE ?
Está ocorrendo um acontecimento sobre o qual é difícil falar, mas sobre o qual é impossível permanecer de boca fechada. Edmund Burke, estadista inglês
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Anos   atrás,   um   seriado   de   TV   apresentava   uma  perspectiva   interessante   de   como   seria   a   sociedade   do  futuro. O filme mostrava o drama de um jovem e uma moça  para   escapar   de   uma   sociedade   onde   todas   as   áreas   da  existência   humana   eram   controladas.   Não   havia  desemprego   nem   miséria,   pois   todos   os   cidadãos  desfrutavam o bem­estar que o sistema lhes proporcionava.  Os   homens   e   as   mulheres   podiam   uns   se   entregar   aos  outros   para   prazer,   alegria   e   diversão,   sem   se   preocupar  com   as   responsabilidades   de   um   lar,   crianças   e   idosos,  porque o sistema tomava conta de tudo. Essa   sociedade   tinha   a   liberdade   de   viver   uma   vida  sexual totalmente livre da gravidez, pois a contracepção era  perfeita. Além disso, havia um setor especial encarregado  de   criar   um   número   planejado   de   bebês,   que   eram  concebidos   em   laboratório.   A   única   participação   das  pessoas   na   criação   da   vida   era   a   doação   dos  espermatozóides   e   dos   óvulos   para   fecundação.   A  fecundação, gestação, nascimento e criação estavam sob a  responsabilidade   dos   especialistas   autorizados   pelo  sistema. Na vida particular dos cidadãos, o sexo só existia  para o prazer. As pessoas tinham sido educadas a aceitar a procriação  como   uma   das   áreas   de   planejamento   social   do   sistema.  Com   relação   aos   idosos,   o   sistema   havia   cegado 
140

Citado no capítulo 112 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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completamente   as   pessoas   à   realidade   da   morte.   Quando  começava a mostrar os primeiros sinais de envelhecimento,  por   exemplo,   um   homem   era   condicionado   a   ansiar   pela  passagem   de   um   ritual   que   a   sociedade   aceitava   sem  questionar. Nesse ritual, todos se reuniam para celebrar, enquanto  o homem entrava num círculo esotérico e desaparecia sob  efeitos especiais. Esse desaparecimento era visto como uma  experiência que marcava a passagem do homem para um  nível de realização pessoal. A verdade é que todos os que  alegremente entravam no misterioso círculo esotérico nunca  mais   voltavam.   O   ato   de   lançar   a   própria   vida   para   o  desconhecido   havia   se   tornado   motivo   de   celebração…   e  todos esperavam algum dia entrar nesse desconhecido. Mas  o   que   eles   não   percebiam   é   que   essa   experiência   era   a  morte. Por trás de tudo, a morte planejada era apenas um  instrumento do sistema para controlar os gastos e o bem­ estar social. Nessa sociedade futura, a liberdade de viver uma vida  sexual sem filhos, sem casamento e sem velhice era vista  como direito e privilégio. Todas as pessoas eram planejadas,  da concepção à morte. A vida da população era totalmente  controlada,   do   começo   ao   fim,   sem   que   ninguém   parasse  para questionar que tudo o que eles haviam aprendido a ver  como direitos e privilégios era, na verdade, a vontade das  autoridades que governavam por trás daquele sistema. Até que ponto esse sistema está longe da realidade? Será que as tendências atuais poderiam, de alguma maneira, levar a sociedade a um sistema desse tipo? O editorial de uma revista médica comentou:
…o que prevalecerá no final é a nova ética de valor relativo,  em vez de valor absoluto…  pois  o ser humano  busca alcançar  sua qualidade de vida desejada… Não se sabe ainda exatamente  qual   o   papel   que   a   medicina   desempenhará   quando   essas  mudanças ocorrerem. Mas é certeza que a medicina se envolverá 

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profundamente. O papel da medicina com relação à mudança nas  atitudes para com o aborto pode bem ser uma amostra do que  está   para   ocorrer…   Podemos   antecipar   que   os   papéis   da  medicina mudarão mais à medida que os problemas do controle  da   natalidade   e   seleção   de   nascimentos   se   estenderem  inevitavelmente à seleção da morte e  controle da mortalidade  à  nível de sociedade e de cada pessoa… 
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Nascimentos planejados, mortes planejadas Margaret Sanger disse:
Meu propósito não é depreciar os esforços dos socialistas cujo alvo é criar uma nova sociedade, mas em vez disso frisar o que me parece a maior e mais negligenciada verdade de nossa época: Todos os esforços para criar um novo mundo e uma nova civilização só terão sucesso quando a educação sexual for incorporada como parte integral das políticas mundiais e a importância fundamental do controle da natalidade for reconhecida nos programas de ajuda financeira às nações necessitadas.
142

141

4.
142

Franklin E. Payne Jr, Biblical/Ethical Medics (Mott Media Inc: Milford, EUA, 1985), p. Margaret Sanger, The Pivot of Civilization (Brentano: Nova Iorque-EUA, 1922).

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Figura 7: PESSOAS…

…COMO OS FANÁTICOS DA EXPLOSÃO POPULACIONAL AS VÊEM! — Mais bocas para alimentar! 92

…COMO DEUS AS VÊ! — Cabeças para pensar! — Corações para amar! — Mãos para trabalhar!

Um   dos   fatos   mais   marcantes   do   século   XX   foi   que,  graças   ao   controle   da   natalidade,   pela   primeira   vez   se  tornou   possível   controlar   eficientemente   a   fertilidade  humana.   Assim,   tendo   acesso   aos   modernos   meios  contraceptivos,   os   casais   passaram   a   ter   menos   filhos   e,  como resultado direto, houve uma diminuição gradativa no  tamanho   da   população,   principalmente   entre   os   mais  jovens. Embora a população jovem do Brasil esteja também  começando a diminuir devido a esse fator, essa tendência é  mais acentuada na Europa e EUA, onde as famílias têm em  média 1 ou 2 filhos.  Muitos analistas consideram a situação atual dos países  industrializados   preocupante.   Enquanto   nesses   países   a  população jovem está diminuindo devido ao uso em massa  do   planejamento   familiar   e   do   aborto   legal,   a   população  idosa   está   aumentando   num   ritmo   sem   precedentes.   A  conseqüência   é   que   o   número   de   aposentados   está  crescendo   e   o   número   de   trabalhadores   ativos,   que  sustentam todo o sistema de previdência social, está cada  vez   menor.   Assim,   agora   até   mesmo   a   rica   Europa   se  encontra na difícil situação de gastar quase metade do seu  PIB na previdência social.
143

Continua a aumentar o número de evidências de que anos de políticas de controle populacional estão cobrando seu preço. Líderes políticos da Europa acreditam que seus sistemas de previdência social já estão começando a se desmoronar.
144

BAIXA FERTILIDADE AMEAÇA APOSENTADORIA DOS IDOSOS NA UNIÃO EUROPÉIA

SISTEMAS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DA EUROPA PRONTOS PARA SE DESMORONAR
143Population

Research Institute Review (PRI: Baltimore-EUA, janeiro-fevereiro de 1994), p. 4. 144 Nova Iorque, 4 de maio de 2000. Fonte: C-Fam.

93

O presidente da Comissão Européia, o italiano Romano Prodi, recentemente advertiu os governos que por volta do ano 2025 quase um terço da população européia estará recebendo aposentadoria. Prodi também advertiu que quase todas as aposentadorias vão ser cobertas à custa dos governos, isto é, à custa dos europeus que pagam impostos.
145

Para   aliviar   o   problema   da   crescente   diminuição   da  população   economicamente   ativa,   países   como   Austrália,  Japão,   França,   Nova   Zelândia,   Reino   Unido   e   Estados  Unidos estão estudando medidas para aumentar a idade de  aposentadoria. De acordo com o Fundo de População das  Nações   Unidas,   em   breve   o   Canadá   e   a   Finlândia   só  poderão   dar   aposentadoria   para   os   que   têm   mais   de   70  anos. No Japão, a idade atingirá o ponto mais elevado: 74  anos. França, Alemanha, Portugal, Espanha, Reino Unido e  Estados Unidos estão entre os países que precisarão elevar  a idade mínima de aposentadoria para 67 anos ou mais. Contudo,   até   mesmo   essas   medidas   poderiam   não  resolver   totalmente   o   problema.   De   acordo   com   o   Banco  Mundial,   os   sistemas   de   aposentadoria,   financiados   por  contribuições   deduzidas   dos   salários,   não   conseguirão  funcionar   por   muito   tempo.   Existe   uma   incerteza  considerável com relação ao futuro desses sistemas. O Prof. Michel Schooyans, da Universidade de Louvain,  na Bélgica, comenta:
146 147

Além disso, alguns confiáveis especialistas na elaboração de políticas governamentais têm levantado a questão das despesas das pessoas idosas nas sociedades desenvolvidas. Explicando de outra maneira, a questão é se manter os idosos vivos é útil para a sociedade ou se os “imperativos econômicos” recomendam recorrer à eutanásia.
148

145

Nova Iorque, 4 de maio de 2000. Fonte: C-Fam. da População Mundial (Fundo de População das Nações Unidas: Nova Iorque-EUA, 1998), p. 45. 147Idem, p. 46. 148Michel Schooyans, The Totalitarian Trend of Liberalism (Central Bureau: St. LouisEUA, 1995), p. 16.
146Situação

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Embora já tenha provado as amargas conseqüências da  eutanásia nazista no passado, a Alemanha corre o risco de  considerá­la   novamente,   ainda   que   de   forma   mais  atualizada e discreta, pois a previdência social alemã não  terá   condições   de   sustentar   por   muito   tempo   uma  população   idosa   que   não   pára   de   crescer.   A   taxa   de  natalidade alemã hoje é menos de 2 filhos por família. Essa  taxa,   uma   das   mais   baixas   no   mundo,   equivale   a   um  gradual suicídio demográfico. O   sociólogo   Dr.   Paul   Marx   revela   que   um   dos  responsáveis pelo baixo número de nascimentos na nação  alemã   são   os   400   mil   abortos   cirúrgicos   realizados  legalmente todos os anos e os incontáveis milhões de micro­ abortos causados pela “pílula antibebê” (assim os alemães  chamam   a   pílula   anticoncepcional).   Os   serviços   de   saúde  dão a pílula gratuitamente para meninas de 12 a 20 anos.
149

Crescimento do Islamismo na Alemanha Com seus 82 milhões de habitantes e com mais mortes  do   que   nascimentos,   a   Alemanha   depende   totalmente   da  imigração estrangeira para sobreviver no futuro. Há hoje 8  milhões   de   estrangeiros,   principalmente   muçulmanos,  vivendo   na   Alemanha.   Berlim   é   agora   a   segunda   maior  cidade   muçulmana   do   mundo   e   45%   da   cidade   de  Mannheim é muçulmana. Os   milionários   muçulmanos   estão   comprando  importantes companhias alemãs e o resultado é que 14%  da   Daimler­Benz   pertencem   ao   Kuwait,   49%   da   Krupp  pertencem ao Irã e 25% da Hoechst AG pertencem a um  consórcio de países muçulmanos produtores de petróleo. Há   mais   de   2   mil   mesquitas   e   casas   de   orações   para  muçulmanos   e   o   islamismo   não   só   está   crescendo,   mas 
150 151

149Dr.

Paul Marx, Special Report (HLI: Front Royal-EUA, junho de 1999), p. 4. p. 5. 151Abd al-Masih, Is An Islamic World Empire Imminent? (Light of Life: Villach-Austria, 1994), p. 40, 41.
150Idem,

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também   é   uma   das   três   religiões   com   maior   número   de  membros em toda a Alemanha.   Antigo berço da Reforma  protestante, a Alemanha está se tornando agora o berço de  uma   multiplicação   muçulmana   na   Europa   sem  precedentes. Algum dia os alemães se tornarão uma minoria dentro  de   seu   próprio   país,   uma   minoria   constituída   em   grande  parte   por   uma   multidão   de   idosos   economicamente  inativos. Tudo porque as famílias de hoje se recusam a criar  uma nova geração. De   acordo   com   os   cálculos   do   conhecido   demógrafo   e  historiador Pierre Chaunu, evangélico francês, a Alemanha  está com o índice de natalidade tão baixo que corre o risco  de chegar ao fim do século XXI com apenas 12 milhões de  habitantes   de   sangue   alemão,   um   número   que   é   bem  inferior   aos   16   milhões   de   habitantes   da   cidade   de   São  Paulo.  O Dr. Chaunu escreveu em 1985:
152 153

Desde 1964 (o ano em que a maioria dos países europeus começou a crescer economicamente), chegamos a um processo de colapso reprodutivo jamais visto antes na História… A população européia está morrendo rapidamente. A Alemanha pode ser considerada um país morto, pois sua situação é irreversível (1 filho por mulher alemã, enquanto uma média de 2 filhos por mulher é necessário para substituir uma geração). Como é que podemos explicar essa implosão e destruição demográfica? É óbvio que a maior parte da culpa pode ser atribuída à revolução contraceptiva que começou em 1960.
154

Graças   à   contracepção   e   ao   aborto   legal,   a   Alemanha  não   terá   futuro,   só   velhos.   A   solução   para   sustentá­los,  através   da   previdência   social,   seria   o   governo   aceitar  anualmente milhões de imigrantes jovens dos países menos  desenvolvidos   ou   então   aceitar   o   controle   da   mortalidade  para resolver o problema da sobrecarga econômica. Utilizando   os   mesmos   argumentos   dos   grupos   pró­ aborto   legal,   os   grupos   pró­eutanásia   espalhados   pela 
152Dr.

Paul Marx, Special Report (HLI: Front Royal-EUA, maio de 1999), p. 2. Chaunu, Die Verhütete Zukunft. Citado em Dr. Paul Marx, Confessions of a Prolife Missionary (HLI: Gaithersburg-EUA, 1988), p. 156. 154Citado in Dr. Paul Marx, Faithful for Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 224.
153Pierre

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Alemanha   já   estão   oferecendo   suas   respostas  “compassivas” a esse problema. Assim, a mesma “ética” que  é usada para não permitir a “entrada” no mundo de bebês  indesejados é usada para permitir a “saída” deste mundo de  pessoas   que   não   mais   lhe   são   úteis.   Enfim,   a   tecnologia  “médica”   dominando   a   vida   humana   do   começo   ao   fim,  controlando quem deve nascer e quem deve morrer. Embora a Alemanha seja hoje líder absoluto na Europa  e   um   dos   países   mais   importantes   do   mundo,   seu  desenvolvimento econômico é forte à custa de fatores que a  levarão ao colapso. Em 1995 houve 20 mil mais mortes do  que   nascimentos   na   Alemanha.   Poucos   nascimentos   hoje  significam  menos   trabalhadores  e   menos  desenvolvimento  amanhã. O médico alemão Dr. Alfred Häussler disse:
A pior característica desse trágico desenvolvimento é que ninguém percebe e pára para analisar as causas desse desenvolvimento, pois ninguém quer mudar seu estilo de vida. E até mesmo a Igreja Cristã e, acima de tudo, o governo não estão preocupados.
155

As famílias muçulmanas preferem mais filhos a fim de  expandir sua religião, enquanto os casais cristãos — mais  preocupados com as coisas materiais do que com as coisas  eternas — têm famílias cada vez menores. Infelizmente, nos  países   ricos   de   maioria   cristã   a   sociedade   vive   para  satisfazer os próprios prazeres e vê os idosos, os bebês e os  deficientes como insuportáveis cargas financeiras. No   livro  World   Muslim   Population   Growth,   de   Abd   al­ Masih,   há   a   seguinte   informação:   “O   islamismo   está   se  expandindo hoje em todos os aspectos da vida e começou  uma   campanha   mundial   em   todos   os   continentes.   No  entanto,   o   crescimento   dessa   religião   não   se   baseia  principalmente   em   atividades   missionárias,   trabalhos  sociais   ou   guerras   santas,   mas   no  aumento   natural  
156

155Medizin

und Ideologie, junho de 1998, p. 3. Citado em Dr. Paul Marx, Special Report, outubro de 1998, p. 2. 156Don Feder, Pagan America (Huntington House Publishers: Lafayette-EUA, 1993), p. 39.

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mediante   uma   elevada   taxa   de   natalidade”   (o   destaque   é  meu).   Por   causa   de   suas   famílias   que   não   param   de  aumentar,   no   mundo   inteiro   o   islamismo   está   crescendo  mais depressa do que todas as outras religiões.   Abd   al­Masih,   ex­muçulmano   e   agora   missionário  evangélico,   só   vê   uma   maneira   de   os   cristãos   da   Europa  enfrentarem o avanço do islamismo em seus países:
157 158

Encorajar os cristãos a praticar de maneira positiva o planejamento familiar: Devemos incentivar as famílias cristãs a ter mais filhos. É errado crer que as famílias crentes devem ser as primeiras a praticar o controle da natalidade. Pelo contrário, as famílias evangélicas precisam nos dar filhos nascidos de novo, crentes dispostos a servir onde for necessário, a fim de preencher as necessidades cada vez maiores que o Reino de Jesus tem de servos fiéis.
159

O   Sr.   Abd   tem   razão.   Não   faz   sentido   as   famílias  evangélicas serem as primeiras a praticar o planejamento  familiar   de   modo   negativo,   enquanto   as   famílias  muçulmanas   estão   aumentando   como   rebanhos.   O  conselho   dele   revela   uma   das   melhores   estratégias  missionárias para enfrentar não só o avanço muçulmano,  mas também enfrentar um futuro onde os governos terão  menos   condições   de   manter   a   previdência   social   e   onde  muitos idosos serão obrigados a depender mais dos filhos  para a sobrevivência.  Os muçulmanos que imigraram para os países ricos estão usando os recursos desses países para sustentar suas famílias numerosas. As famílias cristãs não deveriam ser mais inteligentes do que eles? As origens do controle de nascimentos A   partir   do   século   XX,   apesar   de   sua   forte   tradição  cristã,   os   EUA   e   a   Europa   adotaram   a   visão   da   família  pequena, porém os países muçulmanos continuaram tendo 
157Pubicado 158Abd

por Light of Life, Austria, 1990, p.3. al-Masih, Is An Islamic World Empire Imminent? (Light of Life: Villach-Austria, 1994), p. 63. 159Abd al-Masih, The Main Challenges for Committed Christians in Serving Muslims (Light of Life: Villach Austria, 1996), p. 74.

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famílias   grandes.   Embora   Deus   queira   que   os   justos   se  multipliquem (cf. Salmo 107.38,41), a vontade dele é que os  maus   não   deixem   descendentes   (cf.   Salmo   37.28b,38).  Embora ele queira que as famílias cristãs sejam grandes (cf.  Salmo 107.38,41), o desejo dele é que as famílias dos maus  encontrem   a   salvação   em   Jesus   ou   então   diminuam  completamente (cf. Salmo 37.38). Entretanto,   o   que   está   acontecendo   é   justamente   o  contrário. Os muçulmanos estão praticando o planejamento  de   maneira   bem   positiva,   enchendo   assim   o   mundo   com  seus descendentes e ameaçando ocupar o espaço vazio que  as nações “cristãs” estão querendo deixar para eles. Tudo  isso   porque   os   cristãos,   com   sua   prática   negativa   de  planejamento   familiar,   estão   deixando   como   herança  descendentes   insuficientes   para   habitar   a   Europa  futuramente.   Uma   muçulmana   na   Europa   declarou:  “Quanto   mais   filhos   tivermos,   melhor.   Quando   houver  suficientes muçulmanos no mundo, então teremos a vitória  mundial”. As primeiras propagandas no século XX a promover a  aceitação do controle da natalidade também tinham como  alvo   legalizar   a   eutanásia.   De   acordo   com   o   líder  presbiteriano George Grant, foi Margaret Sanger, feminista  americana   adepta   da   teosofia   e   do   espiritismo,   quem  inventou o termo “controle da natalidade” e fundou a maior  organização mundial especializada nessa área, a Federação  Internacional de Planejamento Familiar. Sanger   não   só   esteve   por   trás   da   invenção   da   pílula  anticoncepcional,   mas   também   por   trás   das   primeiras  campanhas   para   convencer   os   governos   a   fornecer   o  planejamento   familiar   através   de   seus   serviços   de   saúde.  Ela cria que a aceitação do planejamento familiar acabaria  levando à realização de um de seus maiores sonhos para a  total liberação das mulheres: a legalização do aborto. Para 
160

160Dr.

Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 132.

Special Report (HLI: Front Royal-EUA, novembro de 1998), p. 291.

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ela e seus amigos socialistas, o aborto deliberado nada mais  era   do   que   uma   prática   de   controle   da   natalidade   para  libertar   as   mulheres   de   uma   vida   dedicada   à   família.  Coincidência   ou   não,   o   aborto   é   legal   e   amplamente  praticado hoje justamente nos países avançados que mais  usam   os   métodos   de   planejamento   familiar   e   onde   as  mulheres são mais liberadas!   O   livro  Grand   Illusions,   best­seller   evangélico   nos  Estados Unidos, mostra que Sanger “apoiava abertamente  os   programas   de   eutanásia,   contracepção,   esterilização,  aborto   e   assassinato   de   recém­nascidos   da   Alemanha  nazista.  Ela disse:
161 162

As riquezas individuais e nacionais estão sendo tiradas do desenvolvimento e progresso da civilização, porque estamos pagando o sustento de uma classe de pessoas que não pára de se multiplicar, pessoas que jamais deveriam ter nascido.
163

Sanger queria destruir o Cristianismo e levar as pessoas  a entrar numa “Nova Era”.   Em seu primeiro jornal,  The   Woman   Rebel  (A   Mulher   Rebelde),   ela   confessou:   “O  controle da natalidade atrai os radicais mais avançados do  socialismo   porque   sua   prática   mina   a   autoridade   das  igrejas cristãs. Algum dia espero ver a humanidade livre da  tirania do Cristianismo…”  A Enciclopédia Britânica define controle   da   natalidade  assim: “A limitação voluntária da reprodução humana, usando tais meios como a contracepção, a abstinência sexual, a esterilização
164 165

161Veja

dois livros escritos pelo Rev. George Grant: Killer Angel: a biography of planned parenthood’s founder Margaret Sanger [Anjo Assassino: a biografia de Margaret Sanger, a fundadora do planejamento familiar], publicado em 1995 por Ars Vitae Press & The Reformer Library; e Grand Illusions: The Legacy of Planned Parenthood [Grandes Ilusões: O Legado do Planejamento Familiar, publicado em 1992 por Adroit Press.] 162P. 61. 163Elasah Drogin, Margaret Sanger: Father of Modern Society (CUL Publications: New Hope-EUA, 1989), p. 52. 164George Grant, Grand Illusion: The Legacy of Planned Parenthood (Adroit Press; Franklin-EUA, 1992), pp. 64. 165George Grant, Grand Illusion: The Legacy of Planned Parenthood (Adroit Press; Franklin-EUA, 1992), pp. 64, 65.

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cirúrgica e o aborto provocado. O termo foi inventado em 1914-15 pela feminista americana Margaret Sanger”. Em seu livro  The Pivot of Civilization, Sanger fez vários  elogios a Annie Besant, famosa teósofa do século XIX, que  pregava   que   a   causa   dos   problemas   sociais   da   fome   e  desemprego   eram   as   famílias   numerosas.   De   acordo   com  Sanger, Besant foi pioneira nas campanhas para educar os  casais a ter menos filhos. Em seu empenho de disseminar informações sobre o planejamento familiar, ela se inspirou no trabalho teosófico de Besant. Hoje   as   maiores   organizações   internacionais   de  planejamento   familiar   tentam   educar   as   pessoas   a   ver   o  aborto   e   a   eutanásia   como   “direitos”.   Nos   países   ricos,   o  termo  direitos  é   constantemente   invocado   em   favor   da  mulher grávida que não quer ter seu bebê e em favor de  quem deseja ajuda médica para cometer suicídio, enquanto  o   direito   fundamental   à   vida   dos   inocentes   envolvidos   é  constantemente   quebrado.   Como   disse   um   conhecido  cristão:   “A   escolha   em   favor   da   vida   não   é   questão   de  escolha   pessoal,   mas   uma   necessidade   fundamental   de  uma sociedade justa e moralmente íntegra”.
166

A realidade da ligação entre aborto e eutanásia Por mais estranho que possa parecer, a verdade é que o  aborto   e   a   eutanásia   são   questões   bem   ligadas.   O   Dr.  Joseph Fletcher, pastor evangélico liberal, comenta:
Na ética médica a questão é: O que significa pertencer à raça humana? Essa questão surge no começo e no fim da vida. Quando é que podemos considerar que um ser humano nasce e morre? Suspeito que não haja respostas. Os problemas do aborto e da eutanásia, de modo direto ou indireto, colocam em risco a ética da iniciativa médica, pois esses problemas são eticamente os mesmos e estão totalmente ligados.
167

166

Veja o livro: Margaret Sanger, The Pivot of Civilization (Brentano: Nova Iorque-EUA, 1922). 167Dr. Paul Marx, The Death Peddlers (Saint John’s University: Collgeville-EUA, 1971), p. 168.

101

Em   toda   a   Europa   e   Estados   Unidos   o   aborto   já   foi  legalizado   e   agora   o   envelhecimento   de   suas   populações  está   sendo   acompanhado   por   um   crescente   interesse   no  assunto da eutanásia. Há um fato quase assustador nessas  duas   práticas   sociais.   A   prática   de   controlar   quem   deve  nascer inevitavelmente levará à prática de controlar quem  deve   continuar   vivo   entre   os   idosos,   os   deficientes   e   os  doentes.
168

Figura 8: — Ahh! Estou exausta! Estou cuidando de uma pessoa que não consegue fazer absolutamente nada por si! — O tempo todo tenho de trocar suas roupas de cama! Ela não pode andar nem falar! Ainda por cima, ela ainda tem ataques de irritação… — Ela vai morrer? — Sim, acho que um dia ela acabará morrendo… — O Dr. Morte está certo! A sociedade tem de tomar algumas decisões difíceis com relação a esses idosos doentes! — Idosos? Eu estava falando de minha neta de 3 meses!

Jacques   Attali,   ex­presidente   do   Banco   Europeu,  declarou: 
168A

exceção é Malta, hoje o único país europeu cujas leis ainda protegem plenamente os bebês na barriga de suas mãe. Cf. Dr. Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 299.

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Logo que passa da idade dos 60-65 anos, o ser humano já não tem capacidade de viver uma vida produtiva e então custa muito dinheiro para a sociedade… Aliás, do ponto de vista da sociedade, é preferível que a “máquina” humana pare de repente, em vez de ir se deteriorando aos poucos… A eutanásia se tornará um dos instrumentos essenciais das sociedades futuras. De acordo com o modo socialista de raciocinar, a questão deve ser resolvida da seguinte forma: As pessoas devem ter liberdade, até mesmo a liberdade fundamental de cometer suicídio. Portanto, na sociedade socialista o direito ao suicídio, direta ou indiretamente, é um valor absoluto.
169

Concordando com essa maneira de pensar, John Hardwaig, professor de ética médica e filosofia social na Universidade Estadual do Leste do Tennessee, EUA, declarou:
No futuro, as pessoas poderão ter a responsabilidade de terminar a própria vida [mesmo] que não tiverem uma doença terminal… Elas poderão ter o dever de morrer até mesmo quando prefeririam viver.
170

Outro especialista médico, o Dr. Robert H. Williams, declarou numa revista médica:
Nossos planos para impedir o crescimento da população da terra devem incluir a prática da eutanásia… Portanto, já que devemos limitar o índice de aumento da população, devemos também considerar bem a qualidade e a quantidade de pessoas que são geradas… Sem dúvida não receberemos apoio de todas as religiões, e seria melhor não forçá-las a aceitar nossas idéias, a menos que a posição dessas religiões afete a sociedade de modo negativo. Parece que a tentativa de realizar mudanças importantes que permitam a eutanásia só será uma decisão prudente depois que tivermos feito importantes progressos em mudar as leis e as políticas sociais sobre essa questão.
171

169Population

4.

Research Institute Review (PRI: Baltimore-EUA, março-abril de 1992), p.

170

"Is There a Duty to Die?" Hastings Center Report, March/April 1997. Citado em Dr. Brian Clowes, Pro-Life Library CD-Rom. © 2000 Human Life International. 171 Robert H. Williams, M.D. "Numbers, Types and Duration of Human Lives." Northwest Medicine, July 1970, pages 493 to 496. Citado no capítulo 112 de: Dr. Brian

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Não   há   dúvida   que   a   humanidade   está   caminhando  para uma sociedade futura onde tudo será controlado: não  só   os   nascimentos,   mas   também   as   mortes   deverão   ser  “planejadas”,   de   acordo   com   as   futuras   políticas   de  planejamento   familiar   e   eutanásia.   Aliás,   nos   países  desenvolvidos,   o   aborto   e   a   eutanásia   são   muitas   vezes  vistos como direitos agora. O documento To Care or To Kill?,  do Family Research Council de Washington DC, diz:
Não se deixe enganar: Apesar do incessante clamor sobre direitos, estamos realmente vivendo numa cultura de abandono. Nessa cultura, a aceitação do suicídio com ajuda médica e da eutanásia é quase inevitável. O alicerce de tudo isso, é claro, foi a legalização do aborto. O aborto legal ensinou (e continua a ensinar) a sociedade a abandonar as mães, e as mães a abandonar seus filhos. O divórcio (maridos e esposas deixando ou abandonando uns aos outros) envia a mesma mensagem. O compromisso de cuidar de outras pessoas… não mais existe. As pessoas de hoje simplesmente não toleram aqueles que elas não querem.
172

Direitos   especiais   estão   sendo   inventados   com   o  propósito de levar a sociedade a se sentir na obrigação de  limitar   quem   merece   nascer   e   quem   merece   permanecer  vivo entre os idosos, os deficientes e os doentes, a fim de  que os recursos sociais sejam preservados. Por que os idosos estão tão expostos à eutanásia hoje? Porque   as   famílias   perderam   a   visão   de   suas  responsabilidades,   principalmente   com   relação   às   futuras  gerações (as crianças) e as gerações anteriores (os parentes  idosos). Vale a pena repetir aqui a perspectiva do livro  De  Volta Ao Lar:

Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. © 2000 Human Life International. 172 Teresa R. Wagner, To Care or To Kill? A Primer on the Moral, Policy, and Legal Issues of “Assisted Suicide”, Euthanasia and Death on Demand (Family Research Council: Washington, DC (EUA), 1999), pp. 5,6.

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O demógrafo Joseph McFalls, da Universidade de Temple, comenta: “As famílias estão renunciando a algumas de suas funções e as estão entregando ao governo. As famílias costumavam ser responsáveis pela educação dos filhos e pela assistência aos idosos. Mas agora é o governo que faz as duas coisas”. Ele usa esse argumento para demonstrar que no futuro o governo poderá intervir na área da reprodução. Na China, por exemplo, desde a década de 70 o programa de planejamento familiar do governo inclui esterilização e aborto, à força, para todos os casais que já têm um filho. A política oficial do governo comunista chinês proíbe as famílias de terem mais que um bebê e pune até com torturas os “infratores”. Por isso, muitos evangélicos chineses estão abandonando seu país, não só por causa da perseguição religiosa, mas também por causa da política de controle da natalidade. Em outros países do terceiro mundo, há governos usando todos os tipos de medidas para forçar os casais a utilizar o controle da natalidade, com o apoio da Federação Internacional de Planejamento Familiar. Já na Holanda o governo é “indiferente” à rotineira prática da eutanásia nos hospitais. (Eutanásia é o ato de matar um doente, ou “ajudá-lo” a morrer, sob a alegação de lhe aliviar as dores e o sofrimento.) Os médicos holandeses estão aplicando a eutanásia principalmente em pacientes idosos. Isso mostra claramente o que acaba acontecendo quando a família renuncia às três responsabilidades que Deus lhe deu: o papel de mãe, a educação das crianças e a assistência aos idosos.

Se não tomarmos uma posição bíblica agora, achando que o problema não é nosso, perderemos a oportunidade de viver profeticamente nesta geração e, principalmente, perderemos a oportunidade de criar uma geração profética para Jesus. O fato é que, mais cedo ou mais tarde, os problemas que já estão aparecendo no horizonte dos países ricos poderão se estender a outras nações. Veja a seguinte notícia divulgada pela CNN:
BRASIL: CAI NÚMERO DE JOVENS E AUMENTA O DE IDOSOS, DIZ IBGE

RIO DE JANEIRO (CNN) — O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira, uma análise denominada de “Tábua da Vida”, em que analisou a expectativa de vida da população. O resultado, com base em dados dos últimos 50 anos, é de que os jovens já não são maioria e que os velhos são, cada vez mais, um número maior entre os habitantes do Brasil. Em 1940, segundo o IBGE, 42 por cento da população eram de jovens de até 15 anos. Em 1999, esta faixa etária diminuiu para 30 por cento. Já os velhos, a faixa acima de 60 anos, passaram de quatro para oito por cento. Uma projeção para daqui a 20 anos 105

revelou que esta tendência se manterá, ficando a população de jovens em apenas 24 por cento e a de idosos, em 12 por cento… O processo de transformação demográfica que vem levando a um gradual envelhecimento da população tem, como uma das causas principais, o declínio acentuado da fecundidade nas últimas décadas. A queda da fecundidade fez com que a média de filhos por mulher, no país, caísse de 6,2 em 1950 para 2,3 em 1999…
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173

http://www.cnnbrasil.com/2000/brasil/12/01/ibge/index.html

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SUICÍDIO: A PORTA PARA ESCAPAR DE UMA VIDA CHEIA DE PROBLEMAS?
  O Dr. James Dobson, psicólogo de fama internacional,  diz:
…o aborto legal está trazendo como conseqüência a diminuição no número de jovens. Isso criará problemas enormes para nós daqui a alguns anos. À medida que um grande número de pessoas for chegando aos 50, 60 e 70 anos nos próximos anos, experimentaremos uma crise grave no fornecimento da assistência à saúde. Haverá menos trabalhadores jovens para sustentar essa multidão de gente se aposentando, sobrecarregando assim a geração mais jovem com uma pesada carga financeira.
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O Dr. Dobson mencionou como o Dr. C. Everett Koop,  ex­Ministro da Saúde dos EUA, vê essa situação:
Considere a pressão que se acumulará sobre um homem de 40 anos que tem uma filha de 20 anos na faculdade e uma mãe de 60 anos com câncer. O homem será responsável por todas as contas médicas de sua mãe. Se a mãe precisar de quimioterapia e várias cirurgias durante o avanço de sua doença, ele perderá a casa própria e sua filha terá de sair da faculdade. Mas sua mãe não deixou de dar atenção a esse fato. Ela já se sente uma carga para sua família, porém sua doença agora ameaça levar a família à falência. Contudo, há uma solução! Se, num gesto de honra, ela sair da vida um pouco mais cedo, ela poderá proteger o bem-estar daqueles que ela ama. É desse modo que muitos na geração mais idosa sofrerão uma pressão irresistível para aceitar o suicídio com a ajuda de médicos.
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174Adaptado

1990), p. 81. 175Idem.

de: Dr. James Dobson, Children At Risk (Word Publishing: Dallas-EUA,

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Figura 9: Estou muito doente, mas estou disposta a gastar até o último centavo de minha fortuna para melhorar. Como meu único herdeiro e conselheiro, você tem alguma sugestão, querido? — Eu recomendaria o Dr. Morte, vovó!

Nos EUA, o Estado do Oregon foi o primeiro a legalizar a  eutanásia.   Ali,   os   pobres   e   os   vulneráveis   têm   acesso   à  assistência médica para cometer suicídio, mas ao mesmo  tempo   não   têm   acesso   a   muitos   outros   serviços   médicos  necessários.   O   Plano   de   Saúde   do   Oregon   dá   cobertura  total   ao   suicídio   com   assistência   médica,   mas   não   dá  cobertura adequada para o alívio de dores, etc. Em vez de  ganharem   mais   opções   durante   uma   fraqueza   física,   os  pobres descobrem que têm opções mais limitadas, porque  cuidar de sua saúde, nessas circunstâncias, custaria muito  para a família e para o governo. Eles acabam sentindo, e  com razão, que a vida deles é uma carga para os familiares. 

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Eles procuram então sair do caminho dos outros da forma  mais barata. Um   fator   bastante   revelador   sobre   o   Oregon   é   que   as  pesquisas   religiosas   mostram   que   esse   é   o   Estado  americano   em   que   a   população   vai   menos   à   igreja.   Na  opinião   dos   defensores   da   eutanásia,   é   muito   difícil   uma  pessoa que não crê em Deus aceitar a idéia de que a vida é  sagrada.  Mas o problema maior hoje não é exatamente um  ateísmo declarado, porém um humanismo bem camuflado.  Humanismo é a idéia de que o próprio ser humano pode  tomar suas decisões, até mesmo decisões de vida ou morte,  sem ter de consultar ou se submeter a Deus. Ele pode até  crer   vagamente   em   Deus,   mas   obedece   principalmente   a  seus desejos e vontades humanas. Em que os humanistas acreditam? É o que vamos ver a  seguir   nos   seguintes   trechos   extraídos   diretamente   do  documento Manifesto Humanista:
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Manifesto Humanista II:
• Os humanistas crêem que o deísmo tradicional, principalmente fé num Deus que as pessoas acham que as ama e cuida delas, um Deus que as ouve e entende suas orações, é algo fora de moda que não pode ser provado. • Promessas de salvação eterna ou medo de um inferno eterno são ilusões prejudiciais que apenas distraem nossa atenção das coisas importantes do presente, da nossa auto-realização… • Para aumentar a liberdade e a dignidade humana, os indivíduos têm o direito de experimentar plena liberdade civil em todas as sociedades. Isso inclui reconhecer que os indivíduos têm o direito de morrer com dignidade e o direito à eutanásia e ao suicídio.
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• O direito ao controle da natalidade, ao aborto e ao divórcio devem ser reconhecidos.
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HLI Reports (HLI: Front Royal-EUA, fevereiro de 2000), p. 16. Sedlak, Parent Power!! (Publicado pelo autor: Nova Iorque, 1992), p. 95,96,98. 178Idem, p. 97.
177James

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Os humanistas acham que cada pessoa tem o direito de  decidir   moralmente   o   que   é   certo   e   errado   para   si,   sem  nenhuma interferência, até mesmo em questões de vida ou  morte.   Assim,   o   controle   da   natalidade,   o   aborto   e   a  eutanásia   se   tornam   direitos.   Embora   Deus   tenha   a  sabedoria  e  a  autoridade  de  decidir  aspectos  importantes  da vida melhor do que limitados seres humanos, eles não  vêem   razão   por   que   as   pessoas   não   podem   decidir  livremente   nessas   áreas.   Eles   também   não   reconhecem   o  valor   bíblico   e   social   de   um   casamento   que   dura   até   a  morte dos cônjuges. Aliás, eles não vêem nada de errado  em   casais   se   divorciando,   casais   vivendo   juntos   sem   se  casar,   mulheres   fazendo   aborto   e   homossexuais   “se  casando”… A noção de que cada pessoa tem a liberdade pessoal de  decidir   seus   próprios   valores   morais   é   um   conceito  basicamente   socialista   e   é   evidente   na   maior   parte   das  tentativas   de   legalizar   certas   práticas   como   se   fossem  “direitos”:   aborto,   homossexualismo,   pornografia,  eutanásia, drogas… Para a mente humanista ou socialista,  não   há   dificuldade   de   aprovar   o   suicídio   para   os   idosos  doentes,  pois   não  faria   sentido  o   governo  gastar   dinheiro  com   pessoas   que   nunca   poderão   contribuir  economicamente para a sociedade. Nova Era Embora os humanistas (que afirmam não crer em Deus)  pareçam   ser   a   principal   força   por   trás   das   propagandas  pró­eutanásia,   há   muitos   “religiosos”   envolvidos,  principalmente os seguidores da Nova Era. De acordo com a  jurista americana  Constance Cumbey,  os ecologistas  e os  adeptos da Nova Era, para acabar com o que eles chamam  de   explosão   demográfica,   defendem   o   aborto   legal,   o  “controle da mortalidade” e a limitação forçada do tamanho 

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das   famílias   através   do   controle   da   natalidade.   A   Dr.ª  Constance   mostra   como   eles   entendem   o   “controle   da  mortalidade”:
179

  Os

adeptos da Nova Era apóiam as medidas legais e médicas para aplicar a eutanásia, matar os pacientes de fome e retirar dos doentes os aparelhos que os mantêm vivos.
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Um aspecto desumano e cruel da sociedade moderna é que o meio ambiente se tornou mais importante do que as próprias pessoas que foram criadas para dominar e usar a natureza. Isso tudo é conseqüência das idéias da Nova Era. Há mais preocupação com os derramamentos de petróleo, que ameaçam matar peixes, do que com a eutanásia, que ameaça matar seres humanos vulneráveis. Há mais preocupação com um ovo de águia do que com um bebê que sofre ameaça do aborto legal. Para “salvar” o que chamam de animais em extinção, alguns ecologistas estão dispostos a extinguir seres humanos inocentes. Randall Baer, que foi um dos líderes mais destacados da  Nova Era e hoje viaja extensivamente desmascarando esse  movimento, diz:
Pelo fato de justificar vários tipos de assassinato, a filosofia da Nova Era abre as portas para o fanatismo nazista. Com base na filosofia da reencarnação e karma, a Nova Era consegue facilmente justificar o aborto, a eutanásia, a esterilização racial e até mesmo assassinatos. Essa filosofia diz que a alma é imortal. Portanto, a morte realmente não existe. O que acontece é que a alma passa por uma reciclagem antes de entrar num corpo em cada reencarnação. Metade da população mundial hoje acredita nessa filosofia. No infame livro Out on a Limb, de Shirley MacLaine, o mestre dela, David, analisa o caso dos ônibus que sofreram um terrível acidente numa estrada nas montanhas do Peru e o possível sentido desses desastres. Ele responde: “Não há morte de verdade. Por isso, não há nenhuma vítima”. De acordo com essa filosofia, o sofrimento é uma ilusão, a morte é uma ilusão e as vítimas são uma ilusão. De acordo
179Constance

Cumbey, The Hidden Dangers of the Rainbow (Huntington House, Inc.: Lafayette-EUA, 1983), p. 56,190. 180Idem, p. 119.

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com essa definição, seja qual for a situação pela qual as pessoas passem, tudo é bom para elas. Com relação ao aborto, por exemplo, a Nova Era dá várias desculpas para justificar esse ato de matar inocentes… Entre outras, essas desculpas incluem: • Depois do aborto, a alma da criança poderá, através da reencarnação, ser reciclada e colocada no corpo de outro feto algum tempo mais tarde… O que é mais perigoso e pervertido na Nova Era é que sua filosofia dá desculpas totalmente lógicas para matar os inocentes e cometer todos os tipos de injustiça… A lógica dessa filosofia é que, por ser imortal e nunca morrer, a alma simplesmente fica se reencarnando…
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A Bíblia mostra bem claramente que depois da morte as  pessoas terão de prestar contas a Deus: “Cada pessoa tem  de   morrer   uma   vez   só   e   depois   ser   julgada   por   Deus”.  (Hebreus   9.27   BLH)   Isso   deveria   ser   suficiente   para  desanimar   qualquer   pecador   de   querer   apressar   para   si  mesmo ou para outros a ida para a eternidade. Contudo, os  ensinos   da   Nova   Era   livram   seus   seguidores   desse   grave  incomodo   na   consciência:   “O   seguidor   da   Nova   Era…  antecipando mais reencarnações, tem menos dificuldade de  aceitar   a   eutanásia   ativa   quando   uma   existência   terrena  específica se torna incomoda demais…” O moderno movimento Nova Era, que hoje possui uma  vasta   rede   de   organizações,   começou   em   1875   com   a  fundação da Sociedade Teosófica da Sra. Helena Petrovna  Blavatsky. Seus seguidores criam na teoria da evolução e  em   espíritos   guias.   “Antes de morrer em 1891, a Sra. Blavatsky escolheu sua discípula britânica Annie Besant como sua sucessora. Besant, que havia sido uma cristã devota antes de se encontrar com Blavatsky, se tornou uma espírita dedicada depois. James Webb escreve: ‘A Sra. Besant passou por uma transformação
182

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181Randall

N. Baer, Inside the New Age Nightmare (Huntington House, Inc.: LafayetteEUA, 1989), pp. 166,167. 182 The Howard Center/The Religion & Society Report/October 1990 Vol. 7, No.10. 183 Constance Cumbey, The Hidden Dangers of the Rainbow (Huntington House, Inc: Lafayette-EUA, 1983), p. 44

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extraordinária. Antes ela era esposa de um pastor anglicano, depois virou uma propagandista de controle da natalidade e teosofia… Arthur Nethercot, que escreveu a biografia dela, disse que o modo rápido como a Sra. Blavatsky dominou a Sra. Besant indica algum elemento de lesbianismo no relacionamento’”. De acordo com a Enciclopédia Britânica, Besant se destacava por seu trabalho socialista. O famoso escritor inglês Gilbert K. Chesterton comentou: “A Sra. Besant, num artigo interessante, anunciou que havia só uma religião no mundo, que todas as religiões eram somente versões ou deturpações dela e que ela estava bem preparada para dizer qual era. De acordo com a Sra. Besant, essa Igreja universal era simplesmente o eu”.   O pensamento de Besant, uma das  pioneiras   da   Nova   Era,   revela   um   tipo   de   humanismo  religioso. Enquanto os humanistas afirmam que Deus não  existe, os adeptos da Nova Era acreditam que o  eu, isto é,  nós   mesmos   somos   Deus!   Tanto   o   humanismo   quanto   a  Nova   Era   acabam   levando   ao   mesmo   fim:   o   ser   humano  passa   a   ser   o   centro   de   tudo.   Assim   sendo,   ele   tem  autoridade própria para controlar e decidir tudo. Besant elogiava todas as religiões, como se todas fossem iguais. Assim ela elogiou Maomé: “É impossível para alguém que estuda a vida e o caráter do grande Profeta da Arábia, que sabe como ele ensinou e como ele viveu, não sentir reverência por esse Profeta poderoso, um dos grandes mensageiros do Supremo”. Besant escolheu trabalhar especialmente na Índia para daí promover a Nova Era para o mundo. Foi também na Índia, em 1953, que Margaret Sanger escolheu lançar a Federação Internacional de Planejamento Familiar, cuja diretoria incluía pessoas com fortes ligações com o
184 185 186

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Lively/Abrams, Homosexuality in the Nazi Party. Lively Communications, Inc., Box 5271, Salem, OR 97304. 185 Gilbert K. Chesterton, Ortodoxy (Dod, Mead & Company: Nova Iorque-EUA, 1908). 186 Annie Besant, The Life And Teachings of Muhammad, Madras, 1932, p. 4.

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trabalho de Besant. Por que a escolha da Índia? Conforme a Sra. Blavatsky escreveu: “Os cristãos e os cientistas têm de ser obrigados a respeitar seus superiores da Índia”. Na verdade, ela muito respeitava o profundo espiritismo da religião hindu. Margaret Sanger nunca deixou de elogiar o trabalho teosófico de Besant. Ela disse:
187 188

Quando foi julgada na Inglaterra em 1877 por publicar informações sobre contraceptivos, a Sra. Annie Besant disse sem rodeios: “Não tenho dúvida alguma de que se permitíssemos que a natureza agisse entre os seres humanos do mesmo modo como age no mundo animal, haveria resultados melhores. Entre os animais selvagens, os mais fracos ficam em situação difícil e os doentes perdem na corrida da vida. Os animais velhos, quando ficam fracos ou doentes, são mortos. Se as pessoas exigissem leis permitindo que os doentes morressem sem a ajuda da medicina ou da ciência, se os fracos fossem eliminados, se os velhos e inúteis fossem mortos, se deixássemos morrer de fome os incapazes de obter alimento para si mesmos, se tudo isso fosse feito, a luta pela existência entre as pessoas seria tão real quanto é entre os animais selvagens e sem dúvida alguma como conseqüência produziria uma raça mais elevada de seres humanos. Mas estamos dispostos a fazer isso ou a permitir que isso seja feito?”
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Eutanásia como suicídio A maneira de pensar de Besant conduz diretamente à  eutanásia, ainda que os ativistas da eutanásia de hoje não  sejam   tão   ousados   quanto   ela   a   ponto   de   expor   tão  claramente   suas   idéias.   Eles   preferem   se   expressar   de  modo mais camuflado. Eles usam o seguinte argumento:

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Veja: Katharine O'Keefe, American Eugenics Society 1922-1994 (Copyright February 3, 1993 by Katharine O'Keefe). 188 Constance Cumbey, The Hidden Dangers of the Rainbow (Huntington House, Inc: Lafayette-EUA, 1983), p. 44 189 Margaret Sanger, Woman and the New Race (Brentano: Nova Iorque-EUA, 1920).

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Os indivíduos têm direito de cometer suicídio. Portanto, já que são autônomos e governam a sim mesmos, eles têm direito à assistência médica para se matar.
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Se   realmente   cressem   em   plena   autonomia,   os  defensores da eutanásia apoiariam a assistência de suicídio  para todos, até mesmo para pessoas totalmente saudáveis.  Mas   o   que   a   realidade   mostra   é   que   eles   apóiam   (pelo  menos   publicamente)   o   suicídio   assistido   apenas   para   os  doentes terminais, os deficientes ou dependentes. A   defesa   de   um   direito   de   morrer   para   os   fracos   e  dependentes, mas não para os jovens e saudáveis, reflete a  prontidão   dos   defensores   da   eutanásia   para   abandonar  aqueles   que   estão   em   necessidade   (não   respeito   pela  autonomia) e ignora o grito de socorro que um pedido de  suicídio representa. A   pergunta   mais   importante   que   devemos   fazer   com  relação à eutanásia é: Quem é dono do nosso corpo? Somos  nós? “Será que vocês não sabem que o corpo é o templo do  Espírito   Santo,   que   vive   em   vocês   e   foi   dado   por   Deus?  Vocês   não   pertencem   a   vocês   mesmos,   pois   Deus   os  comprou e pagou o preço. Portanto, usem os seus corpos  para a glória dele”. (1 Coríntios 6.19­20 BLH) Agostinho,   grande   líder   cristão   do   quarto   século,  escreveu:
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Os cristãos não têm autoridade de cometer suicídio em circunstância alguma. É importante observarmos que em nenhuma parte da Bíblia Sagrada há mandamento ou permissão para cometer suicídio com a finalidade de garantir a imortalidade ou para evitar ou escapar de algum mal. Aliás, temos de compreender que o mandamento “Não matarás” (Êxodo 20.13) proíbe matar a nós mesmos…
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A   Bíblia   menciona   vários   casos   de   suicídio,   sem   fazer  nenhum   comentário   direto.   A   posição   cristã   contra   o 
190Teresa

R. Wagner, To Care or To Kill (Family Reserch Council: Washington, D.C., 1999), p. 11. 191Teresa R. Wagner, To Care or To Kill (Family Reserch Council: Washington, D.C., 1999), p. 11. 192Dr. Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 122.

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suicídio   tem   origem   não   nesses   incidentes,   mas   no  ensinamento bíblico geral de que quem dá a vida é Deus. O  indivíduo que comete suicídio, então, está assassinando a  vida que Deus lhe deu. Todos   os   suicídios   que   a   Bíblia   registra   são   casos   de  indivíduos   que   de   alguma   forma   se   afastaram   de   Deus:  Abimeleque   (Juízes   9.50­55),   Saul   (1   Samuel   31.1­6;   1  Crônicas 10.1­14), Aquitofel (2 Samuel 17.23), Zimri (1 Reis  16.15­20) e Judas (Mateus 27.5; Atos 1.18). Não é possível  incluir aqui o caso de Sansão, pois o plano principal dele  não   era   tirar   a   própria   vida,   mas   matar   seus   inimigos,  ainda que isso significasse morrer junto com eles. Tudo   indica   que   Abimeleque,   Saul,   Aquitofel,   Zimri   e  Judas cometeram suicídio para escapar do sofrimento e, no  final,  foram   para  um   lugar  de   sofrimento  muito   maior:  o  inferno. Compromisso com Deus diminui risco de suicídio e morte O suicídio é uma decisão que, depois de cumprida, não  deixa   espaço   algum   para   volta   e   arrependimento.   É  importante lembrar que, por maior que sejam os problemas  pessoais, por maior que seja o sofrimento físico, enquanto a  pessoa   está   viva   ela   pode   clamar   a   Deus   e   receber   uma  resposta.   Deus   promete   que   quando   o   chamarmos   com  sinceridade   e   persistência,   ele   nos   responderá   e   estará  conosco   nas   horas   de   aflição   (cf.   Salmo   91.15).   Ele   quer  trazer a cura miraculosa de que precisamos, mas ainda que  não   consigamos   tomar   posse   dela   aqui,   Jesus   promete  estar com seus seguidores fiéis até o fim, até mesmo nos  piores sofrimentos (cf. Mateus 28:20). É melhor se entregar  a ele em fé, do que se entregar às idéias de suicídio. Até   mesmo   estudos   seculares   mostram   que   a   pessoa  que se apega a Deus tem maior proteção emocional contra  pensamentos de suicídio. O Dr. Paul Vitz diz:

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O compromisso religioso reduz a probabilidade de suicídio.  Um   estudo   de   grande   escala   (Comstock   &   Partridge,   1972)  constatou que aqueles que não freqüentavam uma igreja tinham  uma inclinação ao suicídio dez vezes maior do que aqueles que  freqüentavam. Doze estudos mais recentes têm demonstrado que  um   compromisso   religioso   reduz   muito   a   tendência  comportamental   de   ver   o   suicídio   como   uma   saída   dos  problemas.   Os   que   tinham   um   compromisso   religioso  experimentaram   menos   impulsos   suicidas   (Minear   &   Brush,  1980­81;   Paykel   e   outros,   1974)   e   atitudes   mais   críticas   para  com o suicídio (Bascue e outros, 1983; Hoelter, 1979). Além do  mais, a nível nacional nos EUA as taxas de suicídio estão ligadas  a   uma   redução   na   freqüência   à   igreja   (Martin,   1984;   Stack,  1983a: Stark e outros, 1983). Esse único fator é um indicador  mais   eficaz   para   indicar   taxas   de   suicídio   do   que   fatores   tais  como desemprego (Stack, 1983a). 
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Uma pesquisa americana afirma:
Não   só   é   verdade   que   a   família   que   ora   unida   permanece  unida, mas a família, ou pessoa, que ora vive mais — ponto final.  Ouvir o Evangelho na igreja pode significar boas notícias, de um  modo   diferente,   para   quem   freqüenta   uma   igreja:   um   novo  estudo   constatou   que   quem   vai   a   igreja   tem   menos   risco   de  morrer. Escrevendo no boletim Demography, Robert A. Hummer,  Richard   G.   Rogers,   Charles   B.   Nam   e   Christopher   G.   Ellison  observam   que   uma   longa   linha   de   estudos   associa   a   vida  religiosa   à   saúde   mental   e   física.   Tal   caso   é   realidade   mesmo  quando   se   leva   em   consideração   fatores   como   diferenças   de  comportamento entre quem vai e não vai a igreja (por exemplo,  quem   vai   a   igreja   tem   menos   inclinação   de   se   envolver   com  drogas,   álcool   ou   em   conduta   sexual   de   alto   risco).   Um   dos  estudos   observou   a   ligação   ente   a   mortalidade   e   os   feriados  religiosos:   os   idosos   têm   menos   chance   de   morrer   quando   se  aproxima a data de seus mais importantes feriados religiosos. O  estudo   em   questão   usou   dados   do   arquivo  National   Health   Institute Survey and the Multiple Cause of Death para examinar a 
193

Paul Vitz, A Preferential Option for the Family: Political and Religious Responses, Family in America (The Howard Center for Family, Religion & Society: Rockford, IL, EUA, junho de 1998), p. 4.

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conexão   entre   freqüência   a   uma   igreja   e   mortalidade   numa  amostra de 21.204 adultos.
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194

“Go to Church, Live Longer”, pesquisa publicada em Family in America (The Howard Center for Family, Religion & Society: Rockford, IL, EUA, agosto de 1999), p. 1 (encarte new research).

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DEPRESSÃO: A ORIGEM DO DESEJO DE MORRER
Emil   Brunner   disse:   “O   que   o   oxigênio   é   para   os  pulmões, a esperança é para o sentido da vida”.  A falta de  esperança ou sentido na vida quase sempre acaba levando  à depressão. Esse problema sério atinge até mesmo jovens  que não têm deficiência física. O   maior   causador   da   depressão   em   muitos   casos   é   o  sentimento de solidão. Esse sentimento pode estar presente  de   diferentes   maneiras   em   pessoas   de   todas   as   idades.  Nenhuma criança ou adulto é imune a seus ataques. Pesquisas revelam que a solidão é o maior problema que  os   adolescentes   de   hoje   enfrentam.   Em   seu   livro  Lonely,  But Never Alone (Solitário, Mas Nunca Sozinho), Nicky Cruz  concluiu:
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Embora alguns suicídios sejam provocados por drogas, a maioria dos suicídios e tentativas de suicídio tem como origem a infelicidade, o medo ou a solidão. Os que recorrem ao suicídio sentem-se sós no mundo.
196

O especialista em ética Paul Ramsey diz: “Se o ferrão da  morte   é   o   pecado,   o   ferrão   de   quem   está   morrendo   é   a  solidão. O abandono sufoca mais do que a própria morte, e  dá   mais   medo”.     As   mudanças   nas   atuais   estruturas  sociais   estão   deixando   as   pessoas   mais   vulneráveis   à  solidão. Há   um   século,   a   maioria   absoluta   dos   lares   era  normalmente composta de muitas crianças e jovens, e os  avós. Havia muita companhia. O centro da vida espiritual e  social era o lar. Como não havia ainda o moderno sistema 
197

195Citado

por Billy Graham. Revista Decision (Billy Graham Evangelistic Association: Minneapolis-EUA, 1990), p. 1. 196J. Oswald Sanders, Facing Loneliness (Discovery House Publishers: Grand RapidsEUA, 1988), pp. 35,36. 197 Beth Spring & Ed Larson, Euthanasia, Spiritual, Medical & Legal Issues in Terminal Health Care (Multnomah Press: Portland, Oregon (EUA), 1988), p. 173.

119

de   previdência   social,   os   idosos   eram   sustentados   pelos  filhos e conviviam com os netos. As crianças nasciam na  própria casa, e os amigos e os parentes ficavam ao redor da  mãe grávida. O   lar   era   o   lugar   em   que   os   parentes   deficientes  recebiam carinho e assistência material e espiritual. O lar  também era o lugar em que os parentes doentes ou idosos  morriam no aconchego da família, não no ambiente frio e  indiferente dos agitados hospitais. Por causa dessa união  familiar, a grande maioria das pessoas não estava aberta a  aceitar o suicídio como solução para o sofrimento. A força  da família prevalecia contra as más idéias e influências. Em   seu   livro  When   Is   Right   To   Die?  (Quando   é   Certo  Morrer?),   Joni   Eareckson   Tada,   que   ficou   paralítica   do  pescoço para baixo por causa de um grave acidente, diz:
Jamais foi a intenção do nosso Criador que carregássemos sozinhos uma carga de sofrimento. Esse é o propósito de as pessoas viverem espiritualmente unidas — Deus deliberadamente planejou as pessoas para precisarem umas das outras. Se queremos que nossas necessidades mais íntimas sejam supridas, temos de nos unir com pessoas de esperança e fé.
198

Joni reconhece que temos necessidade de companhia de  pessoas   de   fé   e   esperança.   No   passado   recente,   a   maior  parte dos lares cristãos supria bem tal necessidade e era  um   lugar   onde   crianças,   jovens,   adultos   e   idosos   riam   e  choravam   juntos,   trabalhavam   e   brincavam   juntos.   Mas  agora   as   pressões   são   tantas   que   os   lares   têm   menos  espaço para crianças e mais espaço para o materialismo. As  tendências   sociais   estão   tornando   os   lares   um   lugar  tumultuado   onde   é   difícil   encontrar   companhia.   Essa  mudança   carrega   dentro   de   si   não   só   as   sementes   da  desolação, mas também têm causado distanciamento entre  as pessoas dentro da própria família, o que é um solo fértil  para a solidão.
198Citado

in: Living (Lutherans for Life: Benton-EUA, inverno de 1995), p. 13.

120

Considere, por exemplo, a solidão que existe na vida das  famílias chinesas, onde os casais só têm autorização de ter  um único filho, que passará grande parte de sua infância  não   no   lar,   mas   em   instituições   estatais   de   educação.  Mesmo que a criança pudesse permanecer mais em casa,  não   haveria   ninguém   para   cuidar   dela,   pois   as   leis   e  costumes   atuais   chineses,   seguindo   fielmente   as   idéias  socialistas,   estabelecem   que   tanto   o   marido   quanto   a  esposa   têm   a   obrigação   de   sair   para   trabalhar   fora   no  mercado de trabalho. A política de planejamento familiar do governo socialista  da   China   só   permite   um   filho   por   casal,   e   toda   gravidez  extra   é   sentenciada   a   um   aborto   médico   forçado   pelas  autoridades. As conseqüências futuras? A população idosa  terá,   de   modo   geral,   só   um   filho   vivo   para   ajudá­los.   O  futuro   da   China   será   dominado   por   multidões   de   idosos  solitários. Dificuldades para as famílias de hoje Além   disso,   o   congestionado   modo   de   vida   nos  conjuntos   habitacionais   populares   desencoraja   o  desenvolvimento   de   relacionamentos   calorosos   e  duradouros   com   outras   famílias   no   conjunto.   O   estilo   de  vida   das   pessoas   que   vivem   em   apartamentos   também  impede   a   formação   desses   relacionamentos   íntimos   tão  essenciais para o desenvolvimento saudável de uma família  que está crescendo. Nesse   tipo   de   estrutura   social,   o   idoso   acaba  inevitavelmente sendo colocado num asilo. Os homens e as  mulheres   que   vivem   confinados   em   asilos   são   solitários  porque estão separados dos amigos e familiares. Na Europa  e EUA, o padrão agora é o idoso fora ou distante da família.  Uma das conseqüências é que os idosos estão recorrendo às  drogas.   O   noticiário   da   CNN   de   14   de   janeiro   de   2001  revela:  
121

Aumenta o número de idosos alcoólatras e dependentes de drogas nos EUA. Um estudo realizado pelo governo norte-americano revelou que 17 por cento das pessoas com idade acima de 60 anos nos Estados Unidos são dependentes de álcool e de drogas que exigem prescrição médica.
199

Além da solidão, outra questão séria é que uma população idosa tende a enfrentar mais doenças crônicas e necessitar de mais assistência. As despesas com a saúde também são elevadas na velhice. Agora que os especialistas estão acordando para a realidade de que o governo não poderá sustentar por muito tempo os idosos, seria o momento ideal de a família voltar a assumir sua responsabilidade tradicional para com os parentes dependentes. Nenhuma instituição governamental ou particular consegue se igualar à assistência de carinho e atenção que só uma família saudável pode oferecer. Mas as famílias estão diminuindo, em grande parte devido ao sucesso das práticas negativas de planejamento familiar. E em muitos casos o divórcio está destruindo os lares. A família enfrenta grandes dificuldades para desempenhar seu papel tradicional de cuidado de crianças e idosos. Uma das dificuldades é que as famílias estão sofrendo importantes mudanças. De acordo com a tendência de hoje, as esposas jamais devem depender do marido, nem os idosos depender dos filhos adultos, nem as crianças pequenas depender dos pais. Em vez disso, os cidadãos são condicionados a depender do governo. Para as esposas, o governo dá condiçóes para trabalhar fora. Para as crianças, creches. Para os idosos, asilos. Assim, a família se torna até certo ponto descartável. Mas o governo não tem conseguido preencher as funções espirituais e emocionais que a família foi divinamente projetada para preencher, principalmente quando está unida a Deus.
199

http://cnn.com.br/2001/saude/01/12/dependencia/index.html

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Por que as pessoas querem a eutanásia A   desestabilização   da   família   é   o   principal   motivo   do  aumento   dos   casos   de   depressão   nos   idosos,   doentes   e  deficientes   nos   países   ricos.   E,   na   maioria   dos   casos,   a  depressão é a responsável pelos desejos e atos de suicídio.  É um fato bem conhecido que muitas tentativas de suicídio  são uma forma que um indivíduo encontrou de expressar  sua necessidade de socorro.   O termo “depressão” tem dois significados relacionados.  Uma   pessoa   saudável   normal   sofre   mudanças   de  temperamento e fica deprimida às vezes, mas esse não é o  tipo   de   depressão   que   os   psiquiatras   discutem   e   tratam.  Diz­se   que   uma   pessoa   está   deprimida   quando   a  profundidade ou duração da depressão vai além do que as  pessoas saudáveis experimentam. Os psiquiatras definem a  depressão   como   uma   desordem   mental   caracterizada   por  prolongados   sentimentos   de   desespero   e   rejeição,   muitas  vezes acompanhados de cansaço, dores de cabeça e outros  sintomas físicos. De acordo com a CNN, a Organização Mundial de Saúde prevê depressão como segunda maior causa de morte em 20 anos. A depressão será a segunda maior causa de morte e incapacidade no mundo, principalmente nos países industrializados, até 2020, e os distúrbios mentais e neurológicos, como Alzheimer e epilepsia, que já afetam 400 milhões de pessoas, deverão aumentar nos próximos 20 anos, alertou a Organização Mundial de Saúde. Assim,   enquanto   por   motivos   econômicos   e  demográficos   alguns   políticos,   filósofos   e   médicos   estarão  justificando   a   eutanásia   como   solução,   fatores   como   a  depressão   poderão   dar   aos   doentes   e   aos   idosos     a  disposição necessária para aceitá­la.
200 201

200J.

C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 103,104. 201 http://cnn.com.br/2001/saude/01/09/depressao/index.html

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Os   defensores   da   eutanásia   promovem   o   chamado  “direito   de   morrer”   como   uma   forma   melhor   e   mais  aceitável   de   cometer   suicídio.   A   depressão,   grave   doença  crônica e opressão espiritual tornam o suicídio uma opção  para quem se encontra doente e desgostoso com a própria  existência.   Mas,   já   que   o   termo   suicídio   parece   pesado   e  desagradável,   o   direito   de   morrer   passou   a   ser   utilizado  como uma palavra substituta, embora tenha basicamente o  mesmo significado e as mesmas conseqüências. Eutanásia, medicina e a Palavra de Deus Contudo,   quando   examinamos   essa   questão   com   a  ajuda do Espírito Santo e sua Palavra escrita, podemos ver  bem   claramente   que   a   autoridade   de   dar   ou   tirar   a   vida  pertence   somente   a   Deus.   A   autoridade   dele   também  abrange os doentes, os deficientes, os recém­nascidos com  graves problemas de saúde, etc. (cf. Êxodo 4.11). Não só a Bíblia, mas também os homens mais íntegros  da medicina sempre reconheceram que não compete ao ser  humano   julgar   o   valor   de   uma   vida   inocente,  principalmente   nas   situações   envolvendo   vulnerabilidade  física,   emocional   e   espiritual.   Para   esses   homens,   a  preservação   da   vida   e   da   saúde   sempre   foi   a   meta   mais  importante da medicina. Hipócrates, considerado o pai da  medicina, disse:
Não darei a ninguém nenhum medicamento mortal, mesmo que me peçam, nem darei conselhos nesse sentido. Da mesma forma, não darei a uma mulher nada que produza aborto.
202

Essa declaração também  é conhecida como juramento  de   Hipócrates,   que   os   estudantes   de   medicina   sempre  fizeram. Esse antigo juramento coloca o médico na posição  de protetor, não destruidor, da vida. A Associação Médica  Mundial   é   clara   com   relação   às   responsabilidades   dos 
202Dr.

& Mrs. J. C. Willke, Abortion: Questions & Answers (Hayes Publishing Company, Inc.: Cincinnati-EUA, 1990), p. 189.

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médicos   e   recomendou   que   os   profissionais   da   medicina  façam o seguinte juramento:
Comprometo-me solenemente a consagrar minha vida para servir a humanidade… Exercerei minha profissão com consciência e dignidade. Minha principal consideração será a saúde do meu paciente… Manterei o máximo respeito pela vida humana, desde o momento da concepção.
203

A Associação Médica Americana declarou, em 1997, que  a depressão clínica é a maior evidência de que o doente terá  desejo de cometer suicídio e mostrou que a grande maioria  dos   que   se   matam   não   escolheu   o   suicídio   por   causa   de  algum problema de dor física intratável. Só 4% dos suicidas  são doentes terminais, e geralmente eles estão sofrendo de  alguma doença mental tratável.  O   problema   de   dor   insuportável   não   é   o   fator  responsável   pela   esmagadora   atitude   pró­suicídio   nos  países   avançados.   A   Associação   Médica   Americana   diz:  “Não há nenhuma prova de que um número crescente de  doentes   esteja   morrendo   com   dores   intensas.   Pelo  contrário,   os   meios   potenciais   para   controlar   a   dor  progrediram   recentemente…   As   dores   da   maioria   dos  doentes   terminais   podem   ser   controladas   durante   o  processo   em   que   o   paciente   está   morrendo   sem   que   se  precise recorrer a doses pesadas de sedativos e anestesia.  Para   um   número   bem   pequeno   de   pacientes,   pode   ser  necessário   fazer   o   doente   dormir   mediante   sedativos   em  seus últimos dias de vida a fim de impedi­lo de sofrer dores  intensas… Considerando o fato de que há hoje mais e mais  meios de controlar as dores, não é de surpreender que as  reivindicações de suicídio mediante assistência médica não  estejam   vindo   principalmente   de   doentes   que   estão  buscando   alívio   de   dores   físicas…   Os   sintomas   de 

203Dr.

& Mrs. J. C. Willke, Abortion: Questions & Answers (Hayes Publishing Company, Inc.: Cincinnati-EUA, 1990), p. 190,191.

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intolerável dor física não são o motivo por que a maioria  dos pacientes pede a eutanásia”. A principal causa da depressão em pacientes terminais são as dores que não foram controladas ou foram mal controladas. As pessoas conseguem agüentar razoavelmente até certo ponto quando acreditam que a dor será eliminada, mas se o paciente perde a esperança de que a dor será controlada e crê que a dor nunca acabará, ele pode acabar em séria depressão. É uma situação infeliz, principalmente porque os atuais recursos da medicina permitem controlar as dores físicas. O   desespero   leva   o   doente   depressivo   a   recorrer   a  qualquer   meio   que   o   livre   do   sofrimento,   inclusive   uma  morte deliberada. O movimento pró­eutanásia se aproveita  dos   casos   mais   tristes   de   pessoas   doentes   para   atacar   o  respeito tradicional pela santidade da vida humana e para  defender o “direito de morrer” para elas. Não há dúvida que  muitos   doentes   depressivos   não   desprezariam   a  oportunidade de receber o direito de morrer. Uma pessoa  desesperada, doente ou saudável, é capaz de fazer qualquer  coisa para fugir do sofrimento.
204 205

As limitações da medicina Há muitos recursos modernos para controlar as dores  físicas,   porém   precisamos   entender   e   reconhecer   que   há  também   necessidades  espirituais  e   que   o   ser   humano,  tendo   ou   não   um   diploma   de   médico,   não   tem   todas   as  respostas e soluções para o sofrimento dos outros ou até de  si mesmo. Só Deus tem essas respostas. Ele tem soluções  adequadas   para   todas   as   nossas   necessidades,   físicas   ou  não. Apesar de que a medicina oferece muitos recursos, não  devemos fazer como Asa, que “confiou nos médicos” (cf. 2 
204J.

C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 109,110. 205 Robert L. Sassone, How To Protect Your Loved Ones From Pain (American Life League: Stafford, EUA, 1996), capitulo 2.

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Crônicas 16:12b). Só Deus consegue intervir plenamente na  área   do   sofrimento   humano.   Só   ele   merece   nossa   total  confiança. E é preciso considerar também o fato de que há  médicos   que   recorrem   ao   espiritismo   em   favor   de   seu  trabalho   e   pacientes.   Conheço   médicos   que   colocam  debaixo da cama de seus pacientes hospitalizados objetos  de contato para a atuação de espíritos na vida do paciente  que   está   sobre   a   cama.   Ainda   que   o   médico   tenha   boas  intenções,   sem   perceber   o   paciente   assim   acaba   sendo  envolvido   por   forças   da   escuridão   que   inspiram  pensamentos   de   suicídio   e   morte.   A   revista  Physician  de  novembro/dezembro   de   2000   traz   alguns   artigos  interessantes   e   úteis   sobre   a   influência   da   Nova   Era   e  espiritismo   em   muitos   tratamentos   médicos   ou   nos  próprios médicos. Mas, mesmo sem envolvimento espírita, os médicos não  são   perfeitos.   Às   vezes   em   sua   limitação,   eles   chegam  realmente a se contradizer. Janet e Graig Parshal, em seu  livro Tough Faith, apresentam uma cronologia das posições  que a medicina tem assumido, por exemplo, na questão do  consumo do sal e a hipertensão: Em   1950,   os   médicos   diziam   que   o   sal   causa   a  hipertensão. Em   1960,   eles   diziam   que   o   sal   não   causa   a  hipertensão. Em 1970, eles diziam que o sal causa a hipertensão. Em 1980, eles diziam que, na realidade, o sal alivia a  hipertensão. Em 1998, a revista oficial da Associação Americana de  Medicina avaliou 114 estudos nessa questão e concluiu que  o   sal   não   afeta   a   hipertensão   de   nenhum   modo.   Se   às  vezes   há   contradições   assim,   o   que   poderia   ocorrer   em  situações   mais   sérias   envolvendo   a   própria   vida   de   um  paciente?   A   medicina   não   é   perfeita.   O   que   os   médicos 
206

206

Janet & Graig Parshal, Tough Faith (Harvest House Publishers: Eugene-EUA, 1999), p. 21.

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aceitam   hoje   como   solução   poderá   ser   amplamente  condenado por médicos de amanhã. O   Dr.   Payne,   que   trabalha   como   médico   há   anos,  afirma:
Outro problema com a ciência médica é sua natureza, que  está   sempre   mudando.   É   comum   os   estudantes   de   medicina  aprenderem que 50 por cento do que lhes ensinam será obsoleto  dentro   de   cinco   anos.   Já   que   o   treinamento   que   eles   recebem  para alcançar esse conhecimento requer mais cinco ou dez anos  depois   da   sua   formação   universitária,   é   evidente   que   seu  trabalho   médico   de   tempo   integral   após   a   formação   não   lhes  permitirá ter o tempo necessário para permanecerem em dia com  todas as novidades.
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A quem recorrer? Idealmente, os médicos deveriam fazer o possível para  trazer   alívio   para   o   doente   no   sofrimento,   sem   nunca  perderem   de   vista   que   as   decisões   de   vida   ou   morte,   o  socorro   e   o   alívio   mais   importantes   estão   nas   mãos   de  Deus. É ele quem pode ministrar a cura mais importante,  para   o   espírito,   alma   e   corpo.   Por   isso,   tanto   pacientes  quanto médicos precisam reconhecer a necessidade de se  colocar   debaixo   da   autoridade   daquele   que   tem   total  controle sobre a vida e a morte. A   Bíblia   é   bem   clara   que   o   Senhor   é   quem   guarda,  preserva,   protege   e   cuida   da   nossa   vida:   “O   Senhor   te  guardará de todo o mal; ele  guardará a tua vida”. (Salmo  121:7)   O   prazer   e   alegria   de   Deus   é   criar,   não   matar,  socorrer,   não   destruir.   Especificamente   com   relação   à  depressão, Deus “é socorro bem presente na angústia” (cf.  Salmo   46:1).   Nos   momento   de   maior   tristeza   e   falta   de  esperança, ele está de braços aberto para nos ajudar. Basta  que o chamemos, pois ele promete responder. Ele promete 
207

40.

Franklin E. Payne Jr, Biblical/Ethical Medics (Mott Media Inc: Milford, EUA, 1985), p.

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nos   visitar   e   estar   conosco   nas   horas   de   aflição.   Ele  promete também nos livrar e dar honra (cf. Salmo 91:15).  Quase   todos   os   que   tentam   ou   chegam   mesmo   a  cometer suicídio sofrem de depressão. O suicídio não é um  fenômeno  que  não  foi  estudado.  Especialistas  na  área  de  suicídio estão de acordo em que a principal causa para as  idéias   de   suicídio   são   as   doenças   mentais,   embora   os  cristãos   tenham   a   noção   correta   de   que   muitas   vezes   a  origem   desses   pensamentos   é   demoníaca.   Mas,  independentemente da posição cristã, estudos indicam que  95 por cento de todos os que tentam ou cometem suicídio  sofrem   de   alguma   desordem   mental   diagnosticável.   O  pedido de  morte deles  na maioria  das vezes  representa o  clamor de alguém pedindo socorro. Os   doentes   (inclusive   os   que   sofrem   de   doenças  terminais)  ou  as  pessoas  saudáveis  pedem  a  morte  como  uma   maneira   de   expressar   seu   pedido   de   ajuda.   É   a  depressão   que   os   estimula   a   desejar   a   morte,   não   uma  doença mortal. E a depressão pode ser tratada. Tragicamente,   a   depressão   muitas   vezes   não   é  diagnosticada nos pacientes, apesar de que o diagnóstico e  o   tratamento   geralmente   eliminam   o   desejo   de   morrer.   A  resposta correta para as pessoas que pedem ajuda para se  matar com ajuda médica é o diagnóstico e o tratamento da  depressão que está estimulando o desejo de morrer. Não   se   deve   supor   que   a   depressão   se   limita   só   às  pessoas   que   não   conhecem   Jesus.   Joni   Eareckson   Tada,  que   dirige   um   ministério   evangélico   para   deficientes,  registrou uma experiência que teve:
Hoje de manhã eu tive muita dificuldade de sair da cama. Minha paralisia estava me deixando com raiva. Balancei a cabeça e resmunguei de ódio: “Meu corpo é só sofrimento. Eu o odeio!” Mas minha atitude foi horrível, porque o inimigo tem profundo ódio do meu corpo e tudo o que eu estava fazendo era concordar com ele. Ele se enche de alegria quando critico meu corpo. E ele gostaria de levar você a fazer a mesma coisa. Quer você esteja se aproximando das

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dores finais de uma doença terminal, quer você esteja em depressão profunda, o diabo sente prazer quando nos ouve falando mal do nosso corpo. Por que? Porque nosso corpo, mesmo estando coberto de rugas ou gordura, e apesar dos danos sofridos com doenças ou a velhice, foi feito conforme a imagem de Deus. Nosso coração, mente, mãos e pés estão marcados com o toque das mãos do Criador. Não é de estranhar, nem um pouco, que o diabo queira que nós matemos nosso corpo. Eu recitava a conhecida e antiga verdade de que “Deus tem um plano para nosso corpo de carne e sangue”. É por isso que o diabo considera o meu corpo uma ameaça. Ele entende que quando entrego a Deus meu corpo (embora esteja paralítico), meus pés e mãos se tornam armas poderosas contra as forças da escuridão. A sociedade não são as autoridades que se reúnem para inventar tendências políticas e culturais. A sociedade somos nós. Nossas ações e decisões são importantes. O que fazemos ou não afeta todos os que estão ao nosso redor.
208

Na   Bíblia   vemos   exemplos   de   homens   de   Deus   que  tiveram   de   vencer   a   depressão   em   suas   circumstâncias  particulares.   Elias   foi   um   deles.   Depois   de   derrotar   os  seguidores do deus Baal e ver a manifestação da glória de  Deus, ele ficou muito alegre e realmente achava que todos,  inclusive o Rei Acabe e sua esposa Jezebel, o apoiariam no  seu   desejo   de   conduzir   o   povo   de   Israel   de   volta   aos  caminhos de Deus. Mas não foi o que aconteceu…
“O rei Acabe contou à sua esposa Jezabel tudo o que Elias havia feito e como havia matado à espada todos os profetas do deus Baal. Aí ela mandou um mensageiro a Elias com o seguinte recado: -Que os deuses me matem, se até amanhã a esta hora eu não fizer com você o mesmo que você fez com os profetas! Elias ficou com medo e, para salvar a vida, fugiu com o seu ajudante para a cidade de Berseba, que ficava na região de Judá. Deixou ali o seu ajudante e foi para o deserto, andando um dia inteiro. Aí parou, sentou-se na sombra de uma árvore e teve vontade de morrer. Então orou assim: -Já chega, ó Deus Eterno! Acaba agora com a minha vida! Eu sou um fracasso, como foram os meus antepassados. Elias se deitou debaixo da árvore e caiu no sono. De repente, um anjo tocou nele e disse: -Levante-se e coma. Elias olhou em volta e viu perto da sua cabeça um pão assado nas pedras e uma jarra de água. Ele comeu,
208Citado

in: Living (Lutherans for Life: Benton-EUA, verão de 1995), p. 12.

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e bebeu, e dormiu de novo. O anjo do Deus Eterno voltou e tocou nele pela segunda vez, dizendo: -Levante-se e coma; se não, você não agüentará a viagem. Elias se levantou, comeu e bebeu, e a comida lhe deu força bastante para andar quarenta dias e quarenta noites até o Sinai, o monte sagrado. Ali ele entrou numa caverna para passar a noite, e de repente o Deus Eterno lhe perguntou: -O que você está fazendo aqui, Elias? Ele respondeu: -Ó Eterno, Deus Todo-Poderoso, eu sempre tenho servido a ti e só a ti. Mas o povo de Israel quebrou a sua aliança contigo, derrubou os teus altares e matou todos os teus profetas. Eu sou o único que sobrou, e eles estão querendo me matar! O Deus Eterno disse: -Saia e vá ficar diante de mim no alto do monte. Então o Eterno passou por ali e mandou um vento muito forte, que rachou os morros e quebrou as rochas em pedaços. Mas o Eterno não estava no vento. Quando o vento parou de soprar, veio um terremoto; porém o Eterno não estava no terremoto. Depois do terremoto veio um fogo, mas o Eterno não estava no fogo. E depois do fogo veio uma voz calma e suave. Quando Elias ouviu a voz, cobriu o rosto com a capa. Então saiu e ficou na entrada da caverna. E uma voz lhe disse: -O que você está fazendo aqui, Elias? Ele respondeu: -Ó Eterno, Deus TodoPoderoso, eu sempre tenho servido a ti e só a ti. Mas o povo de Israel quebrou a sua aliança contigo, derrubou os teus altares e matou todos os teus profetas. Eu sou o único que sobrou, e eles estão querendo me matar! Então o Deus Eterno disse: -Volte para o deserto que fica perto de Damasco. Chegando lá, entre na cidade e unja Hazael como rei da Síria. Unja Jeú, filho de Ninsi, como rei de Israel e unja Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, como profeta, para ficar em lugar de você. As pessoas que não forem mortas por Hazael serão mortas por Jeú, e todos os que escaparem de Jeú serão mortos por Eliseu. Mas eu deixarei sete mil pessoas vivas em Israel, isto é, todos aqueles que não adoraram o deus Baal e não beijaram a sua imagem”. (1 Reis 19:1-18 BLH)

Embora   tenha   ficado   tão   deprimido   que   quisesse  morrer, Elias abriu espaço em sua vida para o Deus que em  tudo intervém. E ele recebeu um socorro, animo e chamado  especial na visitação sobrenatural que Deus lhe fez. Tempo  de depressão, lembremo­nos, é tempo de abrir a vida para a  visitação sobrenatural de Deus.

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O QUE É A MORTE ?
As  questões  do  começo  e  do  fim  da  vida  humana  são  agora muito difíceis de responder. Havia um tempo em que  os médicos sabiam como responder a essas questões. Mas  isso   foi   bem   antes   de   se   descobrir   que   tanto   o   começo  quanto o fim da vida podiam ser explorados através de uso  de   órgãos   de   bebês   abortados   ou   de   pacientes   adultos  cerebralmente mortos, mas com o coração ainda batendo. Para aliviar o peso de nossa consciência e livrar­nos de  nossas preocupações com relação à retirada de órgãos de  seres humanos ainda vivos, criou­se a definição de morte  cerebral. O conceito de morte foi redefinido a fim de atender  a outros propósitos. Agora existe uma nova idéia de fim da  vida: morte com o coração batendo.  A primeira mudança importante que ocorreu foi quando  alguns   especialistas   médicos,   atendendo   a   propósitos  ideológicos e comerciais, redefiniram o começo da vida. Se  antes toda a classe médica sabia que a concepção ocorre no  momento em que o espermatozóide se une ao óvulo, hoje o  novo   conceito   diz   que   a   concepção   acontece   bem  depois  dessa união: só quando o óvulo já fertilizado se implanta na  parede do útero. Essa redefinição do começo da vida teve  como   objetivo   acalmar   os   casais   que   usam   a   pílula  “anticoncepcional”   e   outros   métodos   hormonais.   Esses  métodos não só impedem o espermatozóide de se unir ao  óvulo, mas também têm a função de impedir a implantação  do   ser   humano   já   concebido.   Mas,   de   acordo   com   a  mudança de sentido que a palavra  concepção  sofreu, essa  última função é hoje considerada efeito “anticoncepcional”  normal.  
209

209Veja

o capítulo “Old Lies and New Labels: When Contraception Is Abortion” do livro Blessed Are the Barren, escritos por Robert Marshall e Charles Donovan (Ignatius Press: San Francisco-EUA, 1991).

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No   entanto,   as   mudanças   não   param   por   aí.   Agora  alguns   na   classe   médica   consideram   o   começo   da   vida  apenas   após   o   parto.   Assim   fica   mais   fácil   fazer  experiências com quem ainda não nasceu ou retirar­lhes os  órgãos ou simplesmente matá­los. Nos   EUA,   onde   o   aborto   legal   é   feito   por   milhões   de  mulheres, há um procedimento em que os médicos tiram,  quase na hora do parto, o corpo inteiro do bebê do útero,  menos   a   cabeça.   Então   enfiam   um   tubo   na   cabeça   da  criança e sugam­lhe o cérebro, para que ela nasça morta.  Isso   é   considerado   aborto   de   nascimento   parcial   e   é  legalmente   permitido,   porque   “muitos   cientistas   médicos  dizem   não   saber   se   a   vida   começa   antes   ou   depois   do  nascimento”. O bebê pode nascer e continuar vivbendo ou ser morto,  conforme o médico quiser, já que a medicina americana não  considera como pessoas os seres humanos que ainda não  saíram   da   barriga   de   suas   mães.   E   toda   essa   confusão  começou   porque   resolveram   mudar   completamente   o  conceito do que é a concepção de um bebê, a fim de que  não   tivéssemos   nenhuma   preocupação   com   os   seres  humanos que a pílula estava impedindo de se implantar no  útero.   Aliás,   muitas   mulheres   estão   tendo   micro­abortos  sem nem mesmo saberem.  Agora   a   mesma   confusão   envolvendo   as   questões   do  começo da vida atingiram também as questões do fim da  vida.  Morte cerebral e doação de órgãos4 O Dr. Koop diz:
A chegada da era do transplante de órgãos trouxe outros problemas  para a prática da medicina, especificamente com relação à questão ética e  moral   da   prolongação   da   vida   e   de   seu   extermínio.   …a   questão   da 

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eliminação   de  uma  vida   para   possibilitar   um  transplante   de  órgão   para  outra pessoa…
210

Wesley Smith, em entrevista ao noticiário eletrônico WorldNetDaily, disse:
Estão debatendo a questão da redefinição da morte a fim de que sejam declarados mortos os que estão permanentemente inconscientes. Estão debatendo isso bem seriamente nos meio mais elevados da área médica de transplante de órgãos.
211

O Dr. Cícero Galli Coimbra, do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo, diz:
Nas últimas décadas, o grande aumento no número de transplantes, decorrente dos avanços da medicina, e a conseqüente busca por doadores de órgãos, deu maior importância à questão do diagnóstico de morte cerebral. No entanto, apesar de toda a experiência dos profissionais de saúde e de toda a tecnologia incorporada à medicina ao longo do tempo, o diagnóstico de morte cerebral ainda envolve muitos pontos polêmicos. Já foram propostos vários critérios para esse diagnóstico, mas ainda são grandes os debates entre os especialistas quanto à sua validade e ao seu uso prático. Nos últimos anos, a retirada para transplantes de órgãos de pacientes recém-declarados mortos acirrou ainda mais a polêmica em torno do tema. Cerca de 10 mil brasileiros jovens sofrem, todos os anos, traumatismo craniano grave, que evolui para a chamada morte cerebral. Esses jovens compõem a quase totalidade dos doadores de órgãos no país, e a maioria, ao tempo do acidente, está na fase mais produtiva de sua vida, após ter investido por longo período em educação e formação profissional. Sua morte súbita e prematura semeia dor,
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210

C. Everett Koop, The Right of Live, The Right of Die (Life Cycle Books: Ontário, Canadá, 1980), p. 128. 211 Wesley Smith, em entrevista ao notícia eletrônico WorldNetDaily de 11 de fevereiro de 2001 (www.wnd.com) 212 Cícero Galli Coimbra, Ciência Hoje, Vol. 27, Nº 161, p. 33. 213 Cícero Galli Coimbra, Ciência Hoje, Vol. 27, Nº 161, p. 31.

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desolação e muitas vezes desamparo entre seus familiares, com conseqüências sociais irreparáveis ao longo de décadas. No entanto, grande parte dessas perdas poderia ser evitada. Um tratamento relativamente simples e não-invasivo, a hipotermia (resfriamento do corpo de 37°C para 33°C por apenas 12 a 24 horas), pode recuperar até 70% dos pacientes nessa situação, a ponto de retomarem a vida normal. O uso da hipotermia também evitaria um dos testes empregados hoje no diagnóstico de morte cerebral (ou morte encefálica): o chamado ‚teste da apnéia, ou seja, o desligamento do respirador mecânico por até 10 minutos. O pior é que, nesses pacientes recuperáveis, a aplicação do  teste   da   apnéia   pode   reduzir   drasticamente   a   circulação  sangüínea cerebral, tornando a lesão só então irreversível. Não é  exagero dizer que o teste da apnéia induz a morte (que deveria  apenas diagnosticar) nessa parcela de pacientes em coma e com  reflexos   cefálicos   ausentes,   tornando   inúteis   os   exames  confirmatórios feitos em seguida.
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As primeiras tentativas de transplantes de órgãos foram  feitas   na   década   de   1950.   Na   época,   os   órgãos   eram  removidos depois que o coração do doador tinha parado de  bater, mas a maior parte dos transplantes não tinha êxito.  Em entrevista ao periódico  HLI Reports, o Dr. Paul Byrne  disse:
Hoje os órgãos são tirados enquanto o coração está batendo e enquanto a circulação e a pressão do sangue estão normais. O doador não está morto antes da retirada do coração batendo ou do fígado. Há uma ficção legalizada para se determinar a morte: “morte cerebral”.
216

Embora   muitos   cristãos   sintam   que   o   transplante   do  coração e do fígado não seja algo eticamente certo, devido  ao fato de que esses órgãos só podem ser transplantados  quando   são   removidos   de   pessoas   vivas,   o   Dr.   Byrne   diz  que há órgãos que podemos doar com segurança:

214 215

Cícero Galli Coimbra, Ciência Hoje, Vol. 27, Nº 161, p. 27. Cícero Galli Coimbra, Ciência Hoje, Vol. 27, Nº 161, p. 28. 216HLI Reports (HLI: Front Royal-EUA, 1998), p. 8.

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Só os tecidos (tais como as córneas, as válvulas do coração, os ossos e a pele) são úteis para transplante depois da morte. Num gesto de solidariedade, uma pessoa pode dar um órgão quando há um par (por exemplo, doar um dos dois rins para alguém que está em necessidade desesperadora). A retirada do órgão não deve causar morte ou mutilação que debilite o doador.
217

Uma   pergunta   que   precisamos   fazer   como   cristãos   é:  Será   que   a   alma   não   está   mais   presente   num   corpo  considerado   “morto”   pelo   atual   critério   médico   de   morte  cerebral, mas cujo coração ainda bate? Essa   é   uma   questão   importante   porque   o   sistema   de  valores atual não reconhece que a dignidade do ser humano  vem   do   fato   de   que   ele   foi   criado   conforme   a   imagem   de  Deus.   Um   exemplo   é   a   lei   de   “doação”   compulsória   de  órgãos   no   Brasil,   que   durou   até   o   ano   2000.   Essa   lei  tornava   obrigatoriamente   todo   brasileiro   “doador”  involuntário, a menos que o cidadão pudesse registrar em  cartório sua vontade de proteger seu corpo contra esse tipo  de ataque à sua integridade física. Quando era diretor executivo da Associação Evangélica  Brasileira,   o   Pr.   Luciano   Vergara   disse   que   essa   lei   era  “uma invasão da individualidade pelo Estado, em nome do  altruísmo”.   Havendo   “morte   cerebral”,   o   governo   não   se  preocuparia   com   o   valor   da   alma   eterna,   mas   permitiria,  conforme diz o Prof. Michel Schooyans, a “canibalização dos  corpos   para   selvagemente   remover   e   transplantar   órgãos  sem o consentimento das vítimas”.  A maioria absoluta dos  cidadãos brasileiros optou por não aceitar tal intromissão  em   suas   vidas.   Embora   o   governo   esteja   agora   tentando  usar   estratégias   menos   autoritárias   para   obter   fontes   de  órgãos, não é possível ter muita esperança nessa área, pois  até   em   países   muito   mais   avançados   do   que   o   Brasil   a 
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217Idem. 218Luciano

Vergara, Doação de órgãos: livre arbítrio em jogo, Revista VINDE de março de 1997, p. 44. 219Michel Schooyans, The Totalitarian Trend of Liberalism (Central Bureau: St. LouisEUA, 1995), p. 18.

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doação   de   órgãos   se   transformou   em   comércio   lucrativo.  Vejamos o caso dos EUA:
MORTOS SÃO USADOS PARA PRODUTOS Famílias são informadas que doar os órgãos de um amado é um presente de vida, mas o jornal Orange County Register descobriu que o material retirado dos mortos está sendo processado e transformado em produtos médicos que geram centenas de milhões de dólares para as companhias americanas, apesar da existência de leis que impedem a obtenção de lucro com partes de corpo”. A Lei de Transplante Nacional de Órgãos de 1984 proibiu lucros com a venda de tecidos, mas as companhias e os bancos de tecidos sem fins lucrativos têm permissão de cobrar taxas razoáveis para manipular e processar os órgãos. A lei não define o que é uma cobrança razoável. “A lei nunca foi testada em tribunal. Ninguém nunca decidiu o que está sendo vendido e o que não está”, disse Jeanne Mowe, diretora executiva do Associação Americana de Bancos de Tecidos. Os bancos de tecidos sem fins lucrativos podem, de um único cadáver, obter órgãos úteis para até 100 pacientes. Os órgãos são então vendidos para companhias que fazem produtos usados por médicos e dentistas, e os bancos e negócios têm parte nos rendimentos. As famílias do morto, que são incentivadas a fazer a doação, geralmente são informadas sobre os órgãos vitais, tais como corações ou rins, mas a maior parte dos produtos derivados do morto não tem nada a ver com o propósito de salvar vidas: A pele do cadáver pode ser usada para cirurgias cosméticas, tais como ampliação dos lábios e alisamento de rugas. Um só corpo pode dar material no valor de mais de 34.000 dólares para os bancos de tecidos sem fins lucrativos, incluindo pele, tendões, válvulas do coração, veias e córneas que então são fornecidas para médicos e hospitais por mais de 110.000 dólares. Quando os ossos são removidos do mesmo corpo, um cadáver pode valer 220.000 dólares. Embora se possa argumentar que pessoas estejam ganhando aumento de vida com as doações, o dinheiro obviamente é uma parte grande do negócio: As duas maiores companhias de tecido comerciais tiveram um lucro de 142.3 milhões em vendas no ano passado e cada uma paga a seu diretor um salário anual de mais de 460.000 dólares, conforme mostra o relatório. Os outros quatro maiores bancos de tecidos sem fins lucrativos vão ter um lucro de 261 milhões em vendas este ano. [17 de abril de 2000 — Associated Press]
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VÍTIMAS DE QUEIMADURAS NA FILA À ESPERA DE DOADORES Vítimas de queimadura que estão esperando doações de pele que potencialmente podem salvar suas vidas freqüentemente se acham na fila atrás de pessoas que estão aguardando cirurgias cosméticas. As leis federais asseguram que rins, corações e outros órgãos internos vão para pacientes em necessidade maior, mas as leis não abrangem a pele. A
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LifeWire – 25 de abril, 2000. Boletim distribuído por Lutherans for Life.

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maior parte da pele doada é usada para procedimentos que podem esperar, tais como apagar os vincos de riso no rosto, aumentar os órgãos sexuais ou sustentar bexigas, o Orange County Register informou num exame dos lucros feitos de órgãos doados. Dos 139 centros de queimadura nos EUA, 11 têm seus próprios bancos de pele. Outros centros de queimadura são obrigados a pagar qualquer preço que os bancos estejam cobrando. A companhia LifeCell Corp., de New Jersey, tem 20 bancos de tecidos que regularmente fornecem pele, que a companhia usa para produzir AlloDerm, um produto originalmente desenvolvido para ajudar a reconstruir a pele das vítimas de queimadura. LifeCell agora calcula que os rendimentos anuais potenciais com o AlloDerm em cirurgias reconstrutivas e cosméticas cheguem a 200 milhões, 10 vezes mais do que a companhia poderia ganhar ajudando vítimas de queimadura. Enquanto isso, os hospitais que estão tentando localiza peles para salvar a vida de uma vítima de queimadura estão tendo dificuldades cada vez maiores em achar tecidos de pele para seus pacientes, pois mais e mais bancos de tecidos estão usando os tecidos para propósitos mais lucrativos. [18 de abril de 2000 — Associated Press]
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Série de reportagens investigativas: O jornal Orange County Register publicou um exame minucioso do negócio de doação de órgãos. Os repórteres notam: “O que descobrimos pode surpreender ou perturbar você. Descobrimos partes de corpos doados indo parar em linhas de montagem onde os tecidos humanos sãos transformados em produtos lucrativos. Em outros casos, corpos são enviados para laboratórios e testados de maneiras que você nunca poderia imaginar. Em tudo isso há um tema comum: bancos de tecidos sem fins lucrativos e instituições de pesquisa não explicam para as famílias como os corpos vão ser usados”.
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LifeWire – 25 de abril, 2000. Boletim distribuído por Lutherans for Life. “The Body Brokers”, Orange County Register, 16 a 20 de abril de 2000. Http://www. Ocregister.com/health/body/index.shtml)

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Figura 10: — Sei que é um momento difícil para a senhora. Mas pelo menos você pode se consolar com o fato de que os órgãos de seu filho anencefálico [sem cérebro] servirão para o bem de outros! — [burp] Falou e disse!

Escândalo de comércio de órgãos em vários países Vejamos   agora   o   caso   da   Inglaterra,   que   é   outro   país  avançado: 
HOSPITAL BRITÂNICO CONFESSA A RETIRADA DE MAIS ÓRGÃOS Um hospital que retirou órgãos de corpos de crianças sem consentimento confessou que não disse a história toda aos pais logo que o escândalo se tornou conhecido. Pais de crianças que morreram no Hospital de Crianças Alder Hey em Liverpool foram informados no outono passado que órgãos, incluindo corações e cérebros, haviam sido removidos para pesquisa. Mas agora eles foram informados que vários outros órgãos e tecidos foram removidos, sem seu consentimento, e o Hospital pediu desculpas pela angústia adicional causada. Uma investigação foi iniciada pelo Dr. Liam Donaldson, para apurar o que foi que aconteceu no Alder Hey, onde estão armazenados os corações de 2.000 crianças.

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Michael, o filho de quatro meses de Jan Robinson, morreu no Hospital Alder Hey há 10 anos de doença congênita do coração. Ela foi informada em outubro passado que o coração, o cérebro, o fígado, os pulmões, o rim, o baço e o intestino de seu filho tinham sido removidos. Mas funcionários do hospital agora disseram a ela que a traquéia, o esôfago, o diafragma, o estômago, a bexiga e a parte de conexão, inclusive músculo e osso, também foram removidos. Outro pai foi informado que a língua e os testículos de seu filho foram removidos. A diretora do Hospital Alder Hey, Judith Greensmith, disse que o problema todo não foi revelado no começo a fim de proteger os pais de mais angústias. Mas ela confessou que essa política de procedimento tinha sido um erro e pediu desculpas aos pais. “Mas agora decidimos que os pais devem saber a verdade”.
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Notícia divulgada no Canadá: 
PESQUISADORES QUEREM EXPERIMENTOS EM SERES HUMANOS COM MORTE CEREBRAL

GLASGOW, Escócia, 27 de julho de 2000 (LSN.ca) — O diretor da empresa escocesa que clonou a ovelha Dolly quer experiências genéticas em pacientes com morte cerebral. O jornal Daily Record da Escócia informou ontem que o Dr. Ron James, para conferir se são seguros, gostaria de ver órgãos de porco geneticamente modificados transplantados em pacientes. Sua empresa, a PPL Therapeutics, já clonou porquinhos e acredita que órgãos de porcos poderiam ser transplantados para humanos dentro de quatro anos. O Dr. James reconheceu que haveria oposição do público geral a tal idéia… Essa proposta com certeza intensificará a controvérsia em torno da questão da morte cerebral. Como o Parlamento Canadense buscou maneiras de aumentar a doação de órgãos no Canadá, uma comissão parlamentar foi informada de que os doadores de transplante de coração devem estar vivos. A Dra. Ruth Oliver, uma psiquiatra de Vancouver que foi declarada clinicalmente morta em 1977 no Hospital Geral Kingston depois de sofrer hemorragia interna no cérebro, disse à comissão que ela é “um testemunho vivo de que as pessoas sobrevivem”. O Dr. John Yun, um oncologista de Richmond, B.C., testificou para a comissão que a coleta de órgãos é o ímpeto atrás da teoria de morte cerebral aceita pela classe médica desde 1968. Dez anos atrás o Dr. Yun
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Fonte: Pro-Life E-News. Informação distribuída por Dave’s Digest de 15 de maio de 2000.

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trabalhou numa unidade de UTI mantendo pacientes cerebralmente mortos em sistemas de suporte de vida para transplantar os órgãos deles. O Dr. Yun agora acredita que essa atividade era errada. “Não devemos pular para a conclusão de que uma definição duvidosa de morte — a hipótese médica de morte cerebral — é realmente morte”, disse ele.
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Notícia da República Tcheca: 
Uma invetigação no maior centro de transplantes em atividade no mundo, localizado na República Tcheca, revelou que pelo menos 49 pacientes foram declarados mortos prematuramente, a fim de que seus órgãos pudessem ser removidos. Num dos casos, relata o jornal London Telegraph, uma vítima de 18 anos de acidente de carro foi declarada “cerebralmente morta” e “foi levada para a sala de operações, onde ele começou a respirar e tossir antes que os cirurgiões começassem a remover os órgãos dele. As provas indicam que o mercado de órgãos humanos está prosperando.
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Questões importantes sobre a doação de órgãos Acerca da questão da doação de órgãos,  a   Dr.ª   Karen  Poehailos, médica americana, comenta: 
Com relação à doação de órgãos vitais que existe hoje, órgãos  como o coração, os pulmões, o fígado e o pâncreas devem ser  retirados   de   um   doador   com   um   coração   batendo.   Após   a  cessação da circulação, esses órgãos perdem rapidamente sua  viabilidade   para   transplante,   e   não   é   possível   retirá­los   com  rapidez   suficiente   do   doador   para   que   sejam   úteis.   Será   que  podemos chamar de morta uma pessoa que está com o coração  batendo?   Isso   traz   a   questão   da   “morte   cerebral”   —   que   é  definida   como   o   estado   em   que   o   cérebro   perdeu  irreversivelmente   todas   as   suas   funções.   A   determinação   de  morte cerebral é o meio estabelecido por lei para permitir que o 
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LifeSite Daily News, Toronto, Canadá, 27 de julho de 2000. Notícia divulgada online. Pro-Life E-News, 7 de junho de 1999. Para ler o artigo completo: http://www.telegraph.co.uk/et? ac=000271261842766&rtmo=kJeN1Cop&atmo=99999999

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médico torne uma pessoa candidata a uma doação de órgão.  Infelizmente, isso não é tão simples como parece. Primeiro, a classe médica não chegou a um acordo com relação  ao critério exato que se deve usar para definir “morte cerebral”.  Os   testes   para   determinar   a   morte   cerebral   avaliam   certas  funções   das   diferentes   partes   do   cérebro   (os   reflexos,   a  capacidade   de   respirar   espontaneamente,   etc.).   Os   médicos  podem   também   incluir   um   eletroencefalograma   (EEG)   —   um  teste   para   avaliar   a   atividade   elétrica   no   cérebro.   Algumas  instituições   médicas   exigem   um   EEG   para   determinar   uma  morte cerebral, outras não. Algumas exigem um teste de fluxo  de   sangue   para   o   cérebro,   outras   não.   Além   disso,   não   é  necessário que o cérebro inteiro esteja morto para que o médico  declare   cerebralmente   morto   um   paciente   que   tem   reflexos  autônomos que controlam a temperatura e a taxa de batimento  cardíaco. Portanto, se algumas partes do cérebro ainda estão  funcionando,   duvido   que   a   morte   cerebral,   conforme   a  definição que agora há, realmente exista. Conheço o caso de um menino que sofreu um grave acidente.  No   exame   inicial,   que   incluiu   um   EEG,   os   médicos  determinaram   que   o   cérebro   dele   estava   morto.   No   exame  seguinte, que foi realizado seis a oito horas depois, seu exame  ainda   estava   coerente   com   esse   diagnóstico,   mas   agora   seu  EEG   mostra   alguma   atividade.   Ele   acabou   sobrevivendo,  embora gravemente ferido. Se ele estivesse num hospital  que  não   exigisse   um   EEG,   baseados   nos   exames   clínicos   os  médicos   teriam   removido   os   órgãos   dele.   É   trágico   que   ele  esteja vivo hoje em péssimas condições físicas e não pôde ter  uma recuperação mais plena, mas quem somos nós para dizer  que a vida dele não tem valor? 
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Uma holandesa, que recebeu um transplante de coração, expressou muito sentimento de culpa com a morte da outra pessoa. O coração de um homem deu-lhe condições de permanecer viva. “Mas e se o homem ainda

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Revista Celebrate Life, edição de março-abril de 2000 (American Life League: Stafford-EUA), p. 13.

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estava vivo quando lhe removeram os órgãos?”   É uma  pergunta difícil de responder. Mas mesmo excluindo a possibilidade de que o doador realmente estava vivo, é preciso saber que um transplante não é uma solução perfeita. Helen van Tilburg, da cidade de Utrecht, na Holanda, recebeu um novo rim de transplante. Mas ela terá de fazer outro transplante porque seu corpo rejeitou o novo órgão. Ela comenta: “O período após o transplante não é um paraíso. Depois da operação, a gente tem tomar comprimidos constantemente para impedir o corpo de repelir o novo órgão. Aliás, a gente suprime o sistema de defesa do próprio corpo. Isso não é bom. Além disso, os medicamentos causam ainda outros efeitos colaterais indesejáveis”. “Um ser humano é mais do que seu corpo”, diz o cardiologista van Lommel. Ele indica as experiências do psicólogo Bosnak, que em seu trabalho trata pessoas que adquirem uma estrutura de caráter totalmente diferente, depois de receberem o coração ou outros órgãos vitais de alguém. Um exemplo semelhante encontra-se no livro Heart and Soul — The Prodigious Consequences of a Heart Transplant (Coração e Alma — As Conseqüências Assombrosas de um Transplante de Coração) escrito por Claire Sylvia. Ela recebeu um novo coração quando tinha 48 anos. Depois da operação, coisas estranhas começaram a acontecer. Em seus sonhos ela via um jovem. Ela tem uma forte sensação de que o órgão veio dele. De repente ela passou a ter desejo de frango e cerveja, que ela nunca antes apreciava. O livro provoca questões sobre a relação entre espírito, alma e corpo.
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Algemeen Dagblad, Aspects of Euthanasia, Suicide, Organ Donation, Gender Selection and Abortion, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 812 de dezembro de 1998). 228 Algemeen Dagblad, Aspects of Euthanasia, Suicide, Organ Donation, Gender Selection and Abortion, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 812 de dezembro de 1998).

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Sylvia está convencida de que quando os órgãos vitais de um corpo são transplantados para outro corpo, tais coisas como desejos, sentimentos e talvez até memórias e sonhos também sejam transplantados. É interessante notar que a Bíblia diz que do coração procedem as saídas da vida (cf. Provérbios 4:23). É, porém, a questão da morte cerebral que mais causa confusão. Van Lommel diz: “O que realmente é a morte? Ainda que um médico declare alguém morto, os cabelos e unhas dessa pessoa continuam crescendo… O que os outros chamam de morte cerebral, eu chamo de começo do processo da morte. Será que deveríamos interromper esse processo?” É um fato impressionante que a grande maioria das enfermeiras holandeses que têm um trabalho muito envolvido com as operações de doações de órgãos evite assinar documentos doando seus próprios órgãos.   Durante   as   incisões   que   os   médicos   fazem   nos   pacientes  cerebralmente   mortos   durante   a   remoção   dos   órgãos,   as  enfermeiras   não   se   sentem   bem   com   algumas   reações  físicas   dos   pacientes.  De acordo com dois médicos britânicos, doadores de órgãos considerados cerebralmente mortos podem sentir dor enquanto os órgãos estão sendo removidos. As palavras “vida” e “morte” não têm mais sentido sólido. O termo “morte”, pela tradição e pela lógica, significava a total e irreversível cessação da respiração e circulação. Mas alguns grupos médicos criaram uma nova definição de morte com o puro propósito de atender suas próprias conveniências. Eles querem que seres humanos
 
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Algemeen Dagblad, Aspects of Euthanasia, Suicide, Organ Donation, Gender Selection and Abortion, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 812 de dezembro de 1998). 230 Algemeen Dagblad, Aspects of Euthanasia, Suicide, Organ Donation, Gender Selection and Abortion, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 812 de dezembro de 1998). 231 Pro-Life E-News, 21 de agosto de 2000.

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que estão respirando e que têm batidas cardíacas possam ser mantidos vivos com o único objetivo de lhes saquear órgãos. A nova definição, geralmente chamada “morte cerebral”,  é   a   irreversível   cessação   de   todas   as   funções   do   cérebro  inteiro.   Alguns   médicos   raciocinam   da   seguinte   maneira:  “Bebês que nascem sem cérebro são considerados mortos.  Portanto,   não   há   motivo   algum   para   considerar   os  pacientes   em   coma   como   melhores   do   que   esses   bebês  anencefálicos”. De   acordo   com   o   Dr.   Brian   Clowes,   há   propostas   de  trabalhar mais a questão da morte cerebral, pois um corpo  sustentado   por   sistemas   artificiais   de   suporte   de   vida  poderia   ser   usado   para   pesquisas   com   drogas,  desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas, treinamento  para   cirurgiões   iniciantes   e   como   depósitos   de   sangue   e  órgãos. Tais experiências não seriam difíceis de ocorrer, já  que muitos bebês que nascem vivos dos abortos legais nos  EUA   são   usados   em   laboratórios   em   experimentos   de  diversos tipos.  Kathleen Stein escreveu na revista Omni: “Com os grandes avanços na tecnologia de suporte de vida e transplante de órgãos, os mortos hoje têm realmente muita ‘proteína’ para nos oferecer — na forma de órgãos e partes do corpo. Somos os canibais modernos”. É por esse e outros motivos que médicos e cientistas de diversos países assinaram recentemente um documento que alerta quanto aos perigos do moderno conceito de morte cerebral:
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MOVIMENTO CONTESTA USO DO CRITÉRIO DA MORTE CEREBRAL

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Veja o capítulo 110 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International. Veja também o Capítulo 10: “Fetal Experimentation and Tissue Transplantation”, Dr. Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997). 233 Veja o capítulo 110 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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Condenação de procedimento usado em transplantes tem apoio de 19 países
José Mitchell — Jornal do Brasil — 12/12/2000

PORTO ALEGRE — Uma declaração internacional contra a adoção da morte cerebral como justificativa para retirada de órgãos vitais destinados a transplante, assinada por 117 cientistas, médicos, psiquiatras e advogados de 19 países, começou a ser divulgada ontem pela internet, denunciando que “pessoas condenadas à morte pela chamada morte encefálica não estão certamente mortas, mas ao contrário, estão certamente vivas”. O documento, que será divulgado esta semana pelos órgãos de imprensa, deverá ter fortes reflexos inclusive no Brasil, um dos países que mais realizam transplantes no mundo, e reaviva a polêmica sobre a morte cerebral. Segundo um dos signatários da declaração, o neurologista Cícero Galli Coimbra, da Escola Paulista de Medicina, os critérios adotados para determinar se há morte cerebral não têm base científica. Coimbra considera “homicida” o teste da apnéia, que consiste na retirada dos aparelhos em pacientes mantidos vivos por meio de respiração artificial. Esse é um dos meios utilizados no Brasil para determinar se ocorreu ou não morte cerebral… Mandamento — Segundo cientistas, entretanto, a morte cerebral detectada pelos atuais critérios não é garantia de que isso efetivamente ocorra. O documento, assinado entre outros pelo presidente da Federação Mundial dos Médicos que Respeitam a Vida, o holandês Karel Gunning, e especialistas como os médicos ingleses David Evans e David Hill e o médico japonês Yoshio Watanabe, afirma que a adesão… à proibição imposta por Deus na lei natural moral “impedem os transplantes de órgãos vitais únicos como ato que causa a morte do doador e viola o quinto mandamento: não matarás”. Médicos como… Paul Byrne, dizem que os parâmetros para a constatação da morte cerebral “não são consenso” na comunidade científica. Eles ressaltam que já surgiram mais de 30 protocolos sobre a definição e testes relativos à morte cerebral, só na primeira década após o primeiro transplante, em 1968, acrescentando que, desde então, os transplantes cresceram “de forma permissiva”. O documento… acrescenta ainda que nem as exigências científicas têm sido rigorosamente aplicadas para comprovação da morte cerebral, enquanto cresce o número de cientistas que questionam o uso desse critério como comprovação do fim da vida.

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Uma alma eterna As pessoas no mundo ao nosso redor vivem de acordo  com   o   seguinte   ditado:   “Comamos   e   bebamos   porque  amanhã   morreremos”.   (2   Coríntios   15.32   BLH)   Assim,   se  alguém não mais consegue aproveitar os prazeres da vida  terrena,   a   sociedade   acha   que   não   há   motivo   para  continuar vivendo. Aliás, a sociedade realmente acha que  esse tipo de existência é morte. Mas o que é a morte, afinal?  A Bíblia diz que “o corpo sem o espírito está morto”. Outra   versão   bíblica   moderna   diz:   “Um   corpo   que   não  respira está morto”.  A Palavra de Deus diz que enquanto o  ser   humano   respira,   com   a   ajuda   de   meios   artificiais   ou  não, há um espírito presente que pode, mesmo no último  instante, ser alcançado por Deus. Milhares de pessoas morrem diariamente sem conhecer  Jesus como Salvador. Os últimos momentos de uma alma  perdida podem ser uma experiência mais dolorosa do que  qualquer   sofrimento   físico.   Um   rapaz,   no   leito   de   morte,  agonizou  espiritualmente  durante   dias   antes   de   morrer.  Horrorizado, ele dizia que se sentia escorregando e caindo  numa   escuridão   sem   fim.   Ele   pedia   socorro   e   sua   mãe  católica me contou chorando que ela não sabia o que fazer  para atender as súplicas do filho.  Se esse rapaz já não estivesse morto, eu ou algum outro  cristão   poderia   visitá­lo   e   orar   com   fé,   de   modo   que   o  Espírito Santo tivesse a oportunidade de tocá­lo de alguma  maneira. Mesmo nas situações mais difíceis, onde o doente  não fala, não ouve e não reage aos estímulos externos, o  Espírito Santo tem o poder de mostrar a glória de Deus a  ele, contanto que haja um cristão intercessor orando com fé  (cf. Marcos 9.23 e Tiago 5.16).
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234Tiago 235Tiago

2.26 BLH. 2.26 God’s Word. Copyright 1995 by God’s Word to the Nations Bible Society. Usado com permissão.

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Podemos   dizer   que   enquanto   há   vida,   há   sempre   a  esperança de recorrer a Deus e ser tocado por ele. Ele pode  intervir, até mesmo quando o coração pára de bater. Mas  ele   sempre   pode   se   manifestar   mais   intensamente   nas  outras situações. De   acordo   com   a   Bíblia,   morrer   é  partir   para   a   eternidade.   A   morte   ocorre   quando   o   espírito   da   pessoa  deixa o corpo e parte para o Céu ou para o inferno. Esse é  um aspecto da questão em que nenhum especialista tem a  palavra final.  A decisão  final por  direito deve  ser deixada  com Deus. Nos   casos   envolvendo   “morte   cerebral”   ou   coma,   tudo  indica que o espírito continua presente, embora a maioria  das   autoridades   médicas   não   reconheça   a   autoridade   da  Bíblia   nessa   questão.   Mas   mesmo   desconsiderando   a  ignorância   bíblica   dos   médicos,   eles   realmente   não  entendem   plenamente   o   que   é   a   morte.   O   Dr.   C.   Everett  Koop,   uma   das   maiores   autoridades   médicas   dos   EUA,  observou:   “…em   termos   médicos,   deve­se   declarar   que  embora   a   morte   pareça   iminente   para   um   médico   e   ele  saiba  que  é  impossível  evitá­la  com  todos  os  recursos  da  medicina que estão à sua disposição, não dá para predizer  com   exatidão   o   tempo   da   morte.   Quanto   mais   cedo   um  médico tenta predizer uma morte, menos precisas são suas  predições”. A verdade é que a ciência médica, sendo finita em sua  sabedoria, muitas vezes calcula mal. O jornal Daily Mail de  18 de julho de 2000, da Inglaterra, relata: “Quase metade  dos   pacientes   considerados   em   ‘estado   vegetativo’   em  conseqüência de danos cerebrais foram diagnosticados de  maneira   errada,   de   acordo   com   um   alarmante   estudo  científico. As descobertas… indicam que muitos pacientes  que   são   diagnosticados   como   em   persistente   estado  vegetativo   podem   na   realidade   estar   conscientes   do   que 
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C. Everett Koop, The Right of Live, The Right of Die (Life Cycle Books: Ontário, Canadá, 1980), p. 110.

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ocorre ao seu redor…” Assim  é fácil perceber que mesmo  com   toda   a   tecnologia   moderna   ainda   não   é   possível  entender tudo sobre uma pessoa logo antes da morte ou se  ela   está   mesmo   morrendo.   Há   alguns   anos,   uma  propaganda pró­eutanásia mencionava um homem que, de  acordo   com   os   médicos,   só   tinha   duas   semanas   de   vida.  Depois de quatro anos, o homem ainda estava vivo.   E há  também outros casos interessantes:
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Pesquisadores médicos têm realizado muitos estudos abrangentes para apurar quantas pessoas no chamado “coma irreversível” realmente saíram do coma. Um estudo envolvendo 84 pessoas, consideradas em “persistente estado vegetativo” pelos médicos, mostrou que 41% delas recobraram a consciência dentro de seis meses e 58% recobraram a consciência dentro de três anos. Um segundo estudo, envolvendo 26 crianças que ficaram em coma por mais de três meses, constatou que 20 delas acabaram recobrando a consciência… Num caso dramático, os médicos atestaram não só o coma, mas também a “morte cerebral” de Harold Cybulski, um avô de 79 anos que vive em Barry’s Bay, Canadá. O hospital só estava aguardando a família dar o último “adeus” para desligar os aparelhos que o mantinham vivo. Mas quando seu neto de dois anos de idade correu para dentro do quarto e gritou “Vovô”, o Sr. Cybulski acordou, sentouse e pegou o netinho no colo! Seis meses depois, ele estava levando uma vida completamente normal, inclusive dirigindo o novo carro que ele vinha querendo comprar antes de entrar em coma. Os médicos de Cybulski não conseguiram dar “nenhuma explicação” pela sua recuperação instantânea.
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O testemunho do Sr. Cybulski apareceu originalmente  numa publicação presbiteriana americana. Provavelmente,  alguém estava orando por ele ou ele mesmo era um homem  de   muita   oração.   Os   milagres   de   Deus   jamais   acontecem  por acaso. Em outro caso fora do comum, a CNN noticiou  em 21 de dezembro de 2000:
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Feder, Pagan America (Huntington House Publishers: Lafayette-EUA, 1993), p. 175. 238 Dr. Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 113.

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MULHER QUE ACORDOU DE UM COMA DE 16 ANOS AINDA SE RECUPERA LENTAMENTE

COCHITI PUEBLO, Novo México (EUA) — Há um ano, exatamente em  21 de dezembro de 1999, Patrícia White Bull acordava, após passar 16  anos em coma profundo, sentando na cama pedindo que a enfermeira  parasse   de   arrumar   os   lençóis.   Desde   então,   Patricia   vem   se  recuperando…

Esposa de pastor sai do coma Os   médicos   nem   sempre   conseguem   predizer   com  precisão qual será o resultado final de uma doença. Em 29  de março de 1986, Jacqueline Cole, uma mulher de meia  idade esposa de um pastor presbiteriano, sofreu um forte  derrame.   A   filha   dela,   que   estava   com   ela   quando   tudo  aconteceu, recorda: “Ela levantou o braço num momento e  disse: ‘Christina, estou tendo um derrame. Consigo usar o  braço,   mas   não   consigo   senti­lo.’   Então   ela   disse:   ‘Não  quero viver como alguém diferente do que eu era.’” Depois  disso ela desmaiou, entrou em coma e passou a viver com  um aparelho de respirar e uma sonda de alimentação. Quarenta   e   dois   dias   depois,   o   marido   de   Jaqueline  pediu ao juiz John C. Byrnes autorização para desligar o  aparelho de respirar. “Tem de ser feito”, ele testificou, “pois  creio que ela não desejaria continuar a existir neste estado  atual.   Mesmo   que   tivesse   uma   mínima   chance   de  recuperação,   creio   que   ela   não   desejaria   viver   uma  existência que não fosse a vida de qualidade, plena e rica  que ela sempre teve.” O médico então descreveu a condição  de Jaqueline como “virtualmente sem esperança, e que as  chances   de   ela   ter   uma   recuperação   neurológica  razoavelmente  satisfatória  eram  provavelmente  uma  em  1  milhão”. Mesmo que tal recuperação ocorresse, acrescentou  o médico, “eu suspeitaria fortemente que ela ficaria com os  dois   lados   paralizados,   que   ela   teria   dificuldades   de 
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movimentar   ambos   os   braços   ou   pernas   e   que   ela  continuaria a precisar de assistência total”. No   entanto,   depois   de   ouvir   esses   argumentos,   o   Juiz  Byrnes hesitou. O juiz indicou que havia a necessidade de  mais   testemunhos   de   médicos   com   relação   ao   estado   de  saúde de Jaqueline… O marido dela foi orientado a voltar  mais   tarde,   com   melhores   argumentos.   Mas   ele   jamais  retornou. Seis dias depois, o marido dela recordou num programa  de TV: “Eu estava no quarto com um amigo nosso, que veio  principalmente para ver a Jaqueline pela última vez… Ele a  chamou pelo nome, e ela abriu os olhos”. Ela havia saído do  coma.   Em   seis   meses,   ela   se   recuperou   quase  completamente, com a exceção do uso das pernas e alguma  perda de memória de curto período. Ela até se lembrou de  momentos durante o seu estado de coma. “Era como nadar  numa   superfície   e   eu   podia   ouvir   parcialmente   o   que  falavam.   Lembro­me   principalmente   do   meu   marido.   Ele  aparecia e depois ia afundando. Isso é tudo o que lembro”.  Graças à hesitação do Juiz Byrnes, ela teve chance de viver  novamente.
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Outros casos surpreendentes Teisa Franklin, uma menininha de quase dois anos de idade, engoliu uma quantidade imensa de drogas antidepressivas em 4 de fevereiro de 1988 e entrou em coma profundo. Depois de um exame, os médicdos no Hospital Mercy declararam o cérebro dela clinicamente morto e afirmaram que ela seria uma boa candidata para a doação de órgãos. No entanto, só 18 horas depois de entrar em coma, ela começou a se recuperar e, em 11 de fevereiro, só uma semana após o incidente quase fatal, ela foi liberada do hospital.
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Beth Spring & Ed Larson, Euthanasia, Spiritual, Medical & Legal Issues in Terminal Health Care (Multnomah Press: Portland, Oregon (EUA), 1988), pp. 78-79. 240 Veja o capitulo 106 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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Os bebês gemeos Scott e Jeff Mueller nasceram em 1981 tendo uma mesma perna e intestino grosso. Eles estavam completamente desenvolvidos da cintura para cima. A médica de serviço, Petra Warren, decidiu que eles não eram dignos de viver e colocou o seguinte aviso no berço: Não os alimente. Várias enfermeiras desobedeceram a essa ordem e alimentaram os gemeos dando-lhes água com açucar. Isso salvou a vida deles. Uma operação cirúrgica, relizada no Hopital Memorial Infantil de Chicago, conseguiu com sucesso separá-los no ano seguinte. Scott morreu de problemas cardiacos em 1984, mas Jeff está indo bem e vive uma vida normal. Carrie Coons, de 86 anos, do Estado de Nova Iorque, foi declarada em “estado vegetativo absolutamente irreversível” pelos médicos depois de sofrer derrame e hemorragia cerebral em novembro de 1988. Por quase cinco meses, ela não falou nem mostrou sinal algum de atenção. A irmã dela de 88 anos e vários médicos e advogados pediram que os juizes permitissem a remoção da sonda de alimentação dela. O médico dela, o Dr. Michael Wolff, especialista na medicina geriátrica de fama nacional nos EUA, declarou que não havia nenhuma esperança para a situação dela e que não havia nenhuma chance de recuperação. Os juizes deram permissão para deixar de alimentá-la, para que ela pudesse morrer. Contudo, dois dias depois da permissão concedida, ela despertou e começou a comer e a falar. O neurologista Ronald Cranford, conselheiro da Casa Branca em questões de eutanásia, declarou: “É um caso dramático. Mostra que nessa questão nós basicamente jamais estamos lidando com certezas”. Em seu livro  Biblical/Medical Ethics, o Dr. Franklin E.  Payne Jr. conta um caso:
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Veja o capítulo 106 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International. 242 Veja o capítulo 106 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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Em   dezembro   de   1979,   “Mack”,   um   policial   em   serviço,   levou  três   tiros.   As   complicações   desses   ferimentos   incluíam   aspiração  (seus   pulmões   inalaram   o   conteúdo   de   seu   estômago)   e   parada  cardíaca. Esses eventos causaram graves danos cerebrais e durante  sete  meses,  Mack   não  reagiu   a  estímulos.   Os  médicos   não deram  nenhuma   esperança   para   a   recuperação   da   consciência   dele.   Na  época, com o consentimento dos médicos e da família, o aparelho de  respiração   foi   desligado,   e   pararam   de   lhe   dar   medicamentos  anticonvulsão   e   antibióticos.   A   surpresa   foi   que   Mack   conseguiu  respirar  sem   a ajuda  de  equipamentos.  Em   outubro  de  1981,   um  médico… rotineiramente disse: “Respire fundo”. Para o espanto do  médico,   Mack   fez   isso!   Ele   pôde   também   abrir   e   fechar   os   olhos.  Então ele passou a receber reabilitação mais intensiva. Hoje, ele tem  95%   de   sua   capacidade   intelectual   que   tinha   antes   da   tragédia,  embora não possa usar os braços e as pernas. O médico de Mack  concluiu  que a recuperação dele foi “a maior surpresa  que já tive  como   um   neurologista…   virtualmente   tudo   na   literatura   médica  indica   que  pacientes   em  estado  vegetativo  entre  três   e seis  meses  depois   de   danos   isquêmicos   (sem   oxigênio)   no   cerébro   têm   um  prognóstico essencialmente sem esperança.
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Há cinco anos, John Kerkhoffs, de Limburg, Holanda, entrou em coma depois de uma operação. “O cerébro do seu marido está morto”, disse o neurocirurgião à esposa Marga Kerkhoffs. O médico tentou ajudá-la a entender que mesmo que John se recuperasse do coma — que era uma chance bem remota — ele levaria uma vida vegetativa. Em resumo, na opinião do médico, já era praticamente o fim da vida de John. Os médicos procuraram convencer Marga e seus dois filhos a doar os órgãos saudáveis de John. A família estava sofrendo muita pressão e confusão num momento emocionalmente difícil. O pai ainda parecia muito vivo. Nenhum parente de John sentia que ele estava morrendo. Eles sabiam que a situação era séria. Mas morto? A esposa Marga não aceitou a pressão para a doação de órgãos. Ela disse: “Se John morrer, vamos deixá-lo morrer em seu próprio
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Franklin E. Payne Jr, Biblical/Ethical Medics (Mott Media Inc: Milford, EUA, 1985), p. 203.

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tempo”. Ele passou uma semana de coma e experimentou dias medonhos, mas sobreviveu. Quando saiu do coma, John Kerkhoffs contou: “Acho que sonhei que eu havia sido raptado. De certo modo, lutei para salvar minha vida. Era como se eu sentisse uma ameaça enorme contra a minha vida. Mas eu não podia fazer nada. Em certo momento, [acordei e] vi-me deitado, conectado a todos os tipos de equipamentos médicos”. Em cada um dos casos citados e em dezenas de outros que não são publicados anualmente, médicos condenam a uma morte dolorosa pessoas que eles têm certeza de que não se recuperarão. O fato é que, em pelo menos 50 por cento desses casos, os pacientes se recuperaram, parcial ou completamente. É óbvio, então, que ao lidar com pacientes considerados em “estado vegetativo”, não há certezas médicas. É evidente que a principal motivação dos hospitais e médicos é economizar os recursos financeiros e controlar os gastos, não cuidar o melhor possível de uma vida humana. É realmente irônico ou trágico que as sociedades consideradas desenvolvidas gastarão literalmente milhões em campanhas para defender animais em extinção ou investirão em campanhas contra a execução legal de perigosos criminosos, mas não mostrarão a mesma preocupação na defesa de pacientes cujo único crime é serem considerados como indivíduos com uma vida indigna de viver. Enquanto médicos que não temem a Deus consideram apenas o lado físico do ser humano, o médico cristão sabe que, na perspectiva de Deus, o espírito é o mais importante. Jesus disse: “A vida é espiritual…” (João 6:63a) Quem não entende que nossa vida é
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Algemeen Dagblad, Aspects of Euthanasia, Suicide, Organ Donation, Gender Selection and Abortion, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 812 de dezembro de 1998). 245 God’s Word. Copyright 1995 by God’s Word to the Nations Bible Society. Usado com permissão.

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fundamentalmente espiritual, com um destino eterno para o Céu ou para o inferno, realmente não conseguirá entender as questões mais importantes sobre a morte e a vida. Vida após a morte A Palavra de Deus diz que há uma eternidade depois da  morte, e há até experiências humanas que comprovam tal  realidade.   Anos   atrás   tive   contato   com   Gerald   Laney.   Ele  fazia   parte   da   gangue   de   motoqueiros  Ghost   Riders   (Motoqueiros   Fantasmas)  nos   EUA   e   sua   tarefa   era   fazer  cobranças. Na noite de 11 de outubro de 1980, ele recebeu  ordens de dar um susto num homem de negócios da cidade  de Kingsport, no Tennessee, e cobrar a dívida de drogas que  ele estava devendo para a gangue. Gerald ficou escondido  atrás de algumas plantas no jardim da casa do homem e  quando   ele   saiu   do   carro,   Gerald   se   mostrou   a   ele.   O  homem abriu fogo e acertou quatro tiros. Gerald também  abriu fogo e matou o homem na hora.   Ao ser levado gravemente ferido para o hospital, Gerald  foi   declarado   morto   pelos   médicos.   Enquanto   seu   corpo  estava morto, Gerald conta a estranha experiência que ele  teve:
Lembro-me de começar a flutuar logo que saí do meu corpo, que estava deitado na cama do hospital. Flutuei para cima, atravessei o teto do hospital e fui em direção ao espaço. Passei por milhões de estrelas e perguntava para mim mesmo o que estava acontecendo. Depois disso fui parar num lugar tão escuro que eu não conseguia ver a própria mão diante do rosto. Então comecei a cair cada vez mais rápido, até ver o brilho de chamas. A medida que eu ia chegando perto, esse brilho ia ficando maior e mais quente, e estava soltando um cheiro horrível, como de carne queimando. Ouvi milhares de gritos e pessoas chorando de dor. Então percebi que eu estava indo para o inferno. Costumava rir e dizer que o inferno não existia, embora meu pai me ensinasse que minha alma viveria para sempre com Deus no Céu ou com Satanás no inferno em tormento eterno.

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Aí estava eu, um jovem de apenas 28 anos de vida, me aproximando das chamas do inferno. Sabia que se eu chegasse ali, não haveria mais volta. Implorei o perdão de Deus e pedi-lhe uma chance para falar para as outras pessoas o que vi e que Deus é real. Depois disso, acordei do coma e os médicos me disseram que eu tinha muita sorte de estar vivo.
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Por causa dos graves ferimentos a bala, Gerald estava  aleijado e não conseguia andar. Ele se sentia um vegetal.  Além de tudo, ele acabou sendo condenado por assassinato  e enviado para o Corredor da Morte, onde presos perigosos  aguardam a aplicação da pena de morte. Sua perna, que fora ferida a bala, começou a doer e a  apodrecer. Os médicos do hospital da prisão recomendaram  amputação.  Gerald   começou  a   se  sentir   como  uma   carga  para   sua   família   e,   vendo   que   a   situação   só   ficaria   pior,  tomou a decisão de cometer suicídio. Ele tentou se enforcar  e cortar as veias, mas se lembrou do que Deus havia lhe  mostrado sobre o inferno. Ele dobrou os joelhos e pediu que Deus lhe mostrasse  seu amor e operasse um milagre em sua vida, dando­lhe  saúde e força. Ele orou a noite inteira e a manhã seguinte.  À tarde, ele começou a sentir de volta a perna. Dois dias  depois,   os   ferimentos   e   problemas   desapareceram  completamente. Hoje Gerald sabe que está vivo para dar testemunho do  que Deus fez em sua vida. Ele sabe o que  é realmente a  morte   e   que   devemos   nos   preparar   antes   de   entrar   na  eternidade. Decisões de vida ou morte diante da eternidade Em sua existência natural, o homem acha a morte um  mistério.   Hoje,   graças   aos   avanços   da   medicina,   a  experiência   da   morte   pode   ser   manipulada   conforme   os  desejos   de   cada   pessoa.   Vivemos   num   mundo   que   só 
246Adaptado

do folheto State of Tennessee says: This is Gerald Laney’s Future. Gerald says: Jesus is the answer, s.d. Adaptado também da fita The Enforcer, cuja gravação contém o testemunho completo de Gerald.

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valoriza os prazeres da vida e que nos ensina a nos libertar  do   sofrimento   a   todo   custo.   Embora   seja   considerado  absurdo um jovem rico, bonito e saudável tirar a própria  vida,   porém   parece   ser   mais   fácil   aceitar   o   fato   de   um  deficiente   cometer   suicídio.   Só   porque   o   progresso   da  medicina   nos   permite   hoje   manipular   a   vida   humana   de  todas   as   maneiras   possíveis,   as   pessoas   acham   que   o  sofrimento e a privação de uma vida de prazeres lhes dá o  direito   de   usar   os   recursos   da   medicina   para   escolher   a  morte.  Idealmente,   os   recursos   da   medicina   deveriam   ser  usados  para  aliviar  a  dor  do  paciente  que  está   morrendo  sem privá­lo da consciência de si mesmo. Quando a morte  se   aproxima,   as   pessoas   devem   estar   em   condições   de  satisfazer   suas   obrigações   morais   e   familiares   e,  principalmente,   precisam   da   oportunidade   de   estar   em  plena   consciência   a   fim   de   se   prepararem   para   ter   um  encontro com o Salvador Jesus Cristo. Afinal, a entrada na  eternidade é um assunto muito sério. Em outros casos, são  os parentes e amigos que têm a responsabilidade de clamar  a   Deus   em   favor   de   alguém   inconsciente   que   está  morrendo. A   eutanásia   torna­se   mais   grave   quando   médicos   e  legisladores usam sua autoridade para decidir quem deve  viver   e   quem   deve   morrer,   principalmente   em   casos  envolvendo remoção de órgãos. O ser humano encontra­se  assim não só na posição de conhecedor do bem e do mal,  mas também na posição de poder fazer o bem ou o mal (cf.  Gênesis 3.5). Embora as pessoas possam decidir o que quiserem, com  ou sem a ajuda da tecnologia, só Deus tem a autoridade  para determinar o que deve ou não ser feito nas questões  vitais.   Não   se   colocar   debaixo   dessa   autoridade,   ou   não  reconhecê­la plenamente na Palavra de Deus, é se colocar  no lugar do próprio Deus. Quando o ser humano pensa que  também   pode   exercer   tal   autoridade,   de   acordo   com   sua 
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maneira   de   pensar,   ele   acaba   inevitavelmente   usando­a  para a morte. Só Deus tem plena autoridade sobre a vida e  a morte, e ninguém pode usá­la sem sua direta permissão.  “Saibam todos que eu, somente eu, sou Deus; não há outro  deus além de mim. Eu mato e eu faço viver; eu firo e eu  curo.   Ninguém   pode   me   impedir   de   fazer   o   que   quero”.  (Deuteronômio 32.39 BLH) Talvez   o   mais   importante   é   que   em   cada   situação   de  vida ou morte Deus pode e quer intervir, desde que o nome  de Jesus seja invocado em oração e sinceridade de espírito.  A   pessoa   que,   em   nome   da   “compaixão”,   intervém   para  ajudar alguém a morrer mais depressa a fim de livrá­lo do  sofrimento está tirando de Deus a oportunidade de agir. Até  mesmo   no   momento   da   morte,   Jesus   pode   salvar   (Lucas  23.42­43).   Sem   mencionar   que   para   curar   uma   pessoa,  Deus não precisa remover os órgãos de outro ser humano  com o coração batendo. Deus não precisa matar para curar!  E   a   cura   de   Jesus   está   sempre   disponível   para   quem   a  busca.  

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OS CRISTÃOS E A EUTANÁSIA

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Embora   possa   parecer   que   a   tecnologia   moderna   até  certo ponto criou o dilema da eutanásia, a verdade é que  muitas   civilizações   antigas   praticavam   tanto   a   eutanásia  ativa   quanto   a   passiva,   principalmente   nos   doentes,   nos  recém­nascidos   defeituosos   e   nos   idosos.   As   filosofias   da  Grécia e de Roma idealizavam o suicídio como uma forma  nobre   de   morrer.   Até   mesmo   o   assassinato   não   era  condenado em todas as sociedades antigas, e muitas vezes  os   doentes   eram   abandonados   para   morrer   ou   para   se  virarem   sozinhos.   Aliás,   na   época   do   Novo   Testamento   a  sociedade   romana   normalmente   valorizava   o   ser   humano  somente conforme sua posição social, nacionalidade, etc. Em   contraste,   quando   esteve   no   mundo   Jesus   Cristo  demonstrou, de muitas maneiras, um padrão de vida bem  diferente   dos   valores   sociais   da   época.   Ele   vivia   em  obediência   à   Palavra   de   Deus,   que   ensina   que   o   ser  humano foi criado conforme a imagem de Deus. A Palavra  de Deus também contém leis que condenam o assassinato  (Gênesis   1.26;   9.6;   Êxodo   20.13).   Jesus   confirmou   a  validade dos ensinos do Antigo Testamento sobre a questão  do   assassinato   e   ainda   levou   esse   princípio   mais   adiante  (Mateus 5.21­22). Ele não só se opunha ao diabo que mata,  mas   também   destruia   suas   obras   que   matam.   Os  Evangelhos mostram Jesus curando, até mesmo das piores  doenças,   muitos   homens   e   mulheres   das   mais   baixas  condições sociais. Ao descrever o Dia do Juizo, a Bíblia diz que o Rei Jesus  dirá para as pessoas que vivem conforme Deus acha certo:
247Muitas

das informações deste capítulo foram adaptadas dos capítulos 5 e 6 de: Beth Spring & Ed Larson, Euthanasia, Spiritual, Medical & Legal Issues in Terminal Health Care (Multnomah Press: Portland, Oregon (EUA), 1988). Notas adicionais neste capítulo referem-se a outras obras que inclui para uma compreensão melhor.

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“Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham  e   recebam   o   Reino   que,   desde   a   criação   do   mundo,   foi  preparado pelo meu Pai. Pois eu estava com fome, e vocês me  deram   comida;   estava   com   sede,   e   me   deram   água.   Era  estrangeiro,   e   me   receberam   nas   suas   casas.   Estava   sem  roupa,   e   me   vestiram;   estava   doente,   e   cuidaram   de   mim.  Estava na prisão, e foram me visitar”. (Mateus 25.34­36 BLH)

Essas   pessoas   de   bom   coração,   sem   entender   o   que  Jesus queria dizer, perguntam:
“Senhor,   quando   foi   que   o   vimos   com   fome   e   lhe   demos  comida ou com sede e lhe demos água? Quando foi que vimos o  senhor como estrangeiro e o recebemos nas nossas casas ou  sem roupa e o vestimos? Quando foi que vimos o senhor doente  ou na prisão e fomos visitá­lo?” (Mateus 25.37­39 BLH)

Essa revelação é importante para quem quer agradar a  Deus. Em resposta, Jesus mostra o que acontece quando  obedecemos a essa revelação: “Eu afirmo que, quando vocês  fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, de fato foi a  mim que fizeram”. (Mateus 25.40 BLH) Os cristãos do passado e a eutanásia Jesus   fez   essa   revelação   importante   para   cristãos   que  viviam numa época em que a sociedade romana aceitava a  eutanásia e o aborto. Nos primeiros três séculos depois da  morte   e   ressurreição   do   Senhor   Jesus,   os   cristãos  praticavam   esse   ensino   sem   hesitação.   Os   primeiros  cristãos não seguiam os valores “éticos” das sociedades em  que   viviam.   Eles   seguiam   os   valores   éticos   do   Reino   de  Deus. Henry Sigerist, respeitado historiador de medicina da  Universidade Johns Hopkins, descreve a transformação que  o Cristianismo produziu então: 
Para os gregos do quinto século antes de Cristo e para [as  gerações] que vieram depois, a saúde era  considerada o bem  mais   elevado…   O   homem   doente,   o   aleijado   ou   o   fraco   só 
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poderiam   esperar   consideração   da   sociedade   enquanto   seu  estado   de   saúde   tivesse   condições   de   melhorar.   A   melhor  maneira de proceder para com os fracos era destruí­los, o que  era feito com frequência… Coube ao Cristianismo a responsabilidade de introduzir a  mudança   mais   revolucionária   e   decisiva   na   atitude   da  sociedade para com os doentes. O Cristianismo veio ao mundo  como uma religião de cura… O [Evangelho] tinha como alvo os  pobres,   os   doentes   e   os   aflitos   e   lhes   prometia   cura   e  restauração,   tanto   espiritual   quanto   física.   O   próprio   Cristo  não havia realizado curas? 

Essa   nova   atitude   inspirou   os   ensinamentos   e  atividades   do   Cristianismo   no   Império   Romano.   Os  primeiros   líderes   cristãos,   inclusive   Policarpo   (70­160),  Justino Mártir (100­165), Tertuliano (160­220) e Jerônimo  (345­419), incentivavam os cristãos a cuidar dos doentes. A  partir de então, os cristãos se tornaram conhecidos por sua  disposição   de   tratar   de   pessoas   doentes,   inclusive   de  vítimas de pestes, que eram abandonadas pela sociedade.  Os historiadores Darrel W. Amundsen e Gary B. Ferngren  observam:   “Os   primeiros   hospitais   vieram   a   existir,   no  quarto século, por causa da preocupação dos cristãos com  todas   as   pessoas,   principalmente   os   mais   necessitados,  pois o ser humano tem a imagem de Deus”. A Bíblia ensina que o ser humano foi criado conforme a  imagem   de   Deus   e   que   Jesus   morreu   para   salvar   toda   a  humanidade. Esse ensino inspirou os primeiros cristãos a  ter   um   grande   respeito   pelo   valor   e   dignidade   da   vida  humana. Eles não só cuidavam dos doentes, mas também  denunciavam   práticas   sociais   romanas   como   aborto,  assassinato   de   recém­nascidos,   eutanásia   e   suicídio.   “A  verdade   é   que   nós,   cristãos,   não   temos   permissão   de  destruir o que foi concebido na barriga de uma mulher, pois  o   homicídio   é   proibido”,   assim   escreveu   Tertuliano   no  segundo século.

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Além   do   aborto,   que   era   muito   praticado,   a   sociedade  romana também achava normal matar crianças indesejadas  ou   abandoná­las   a   morrer   expostas   ao   sol,   chuva,   noite,  etc.   Amundsen   e   Ferngren   comentam:   “Depois   de   sua  legalização no quarto século, o Cristianismo aos poucos foi  introduzindo   importantes   mudanças   no   clima   moral   do  mundo   romano.   Começando   com   Constantino,   os  sucessivos   imperadores   cristãos   aprovaram   leis   com   o  objetivo   de   proteger   os   recém­nascidos.   Contudo,   a  influência   mais   importante   não   veio   das   leis   do   Império,  mas dos Concílios da Igreja, que condenaram o aborto, o  assassinato   de   recém­nascidos   e   o   abandono   deles   para  morrer”. Os   primeiros   líderes   cristãos,   de   Justino   Mártir   a  Agostinho   de   Hipona   (354­430)   assumiram   um  posicionamento   igualmente   forte   contra   a   eutanásia. Agostinho afirmou: “Os cristãos não têm autoridade de cometer suicídio em circunstância alguma. É importante observarmos que em nenhuma parte da Bíblia Sagrada há mandamento ou permissão para cometer suicídio com a finalidade de garantir a imortalidade ou para evitar ou escapar de algum mal. Aliás, temos de compreender que o mandamento ‘Não matarás’ (Êxodo 20.13) proíbe matar a nós mesmos”. É evidente que Agostinho estava se referindo também à eutanásia. Por exemplo, para refutar a idéia social de que o suicídio é um meio normal de acabar com as dores e aflições do corpo, Agostinho citou passagens bíblicas sobre nossa responsabilidade de aguardar o céu com paciência (Romanos 8.24-25), e afirmou: “aguardamos ‘com paciência’, precisamente porque estamos cercados pelos males que a paciência deve tolerar até que cheguemos aonde… não mais haverá nada para tolerar”. Poucos sabem que Agostinho enfrentou uma seita cristã no Norte da África que apoiava a idéia do suicídio como uma forma de martírio voluntário. Essa seita via o
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suicídio como uma maneira de entrar mais rápido na presença de Deus. Essas idéias não são totalmente rejeitadas hoje. Muitos cristãos espiritualmente mal orientados nos EUA e na Europa cedem à tentação de permitir que a eutanásia seja aplicada num membro da família, sob a alegação de que o apressamento da morte os fará ficar com Deus mais rapidamente. Alguns, para não enfrentar a realidade do que estão fazendo, até citam passagens de Paulo: “A vida para mim é Cristo, e a morte é lucro”.
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Os cristãos do passado e o sofrimento Os filósofos da época viam o sofrimento como um mal a ser evitado a todo custo, e não é sem razão que ninguém achava anormal um doente grave cometer suicídio para fugir do sofrimento. Mas Agostinho era fiel à idéia bíblica de que a vida aqui na terra representa somente uma fase até chegarmos à eternidade, onde viveremos para sempre com Deus ou sem ele. Como usar o suicídio como solução para fugir do sofrimento humano e depois evitar na eternidade o Deus que tem autoridade de decidir o destino de nossa vida? No caso do cristão, Jesus várias vezes avisou seus seguidores de que eles sofreriam perseguição (Mateus 5.10-12; Marcos 10.28-31; João 15.20). As cartas dos apóstolos indicavam o sofrimento físico como um meio de teste, cujo resultado final seria maturidade espiritual e capacidade de resistir melhor aos ataques do diabo (Romanos 5.1-5; Hebreus 12.7-11; Tiago 1.2-8; 5.10-11; 1 Pedro 4.12-13). Em sua carta à igreja da cidade de Corinto, Paulo descreveu seu próprio sofrimento: “O sofrimento que suportamos foi tão grande e tão duro, que já não tínhamos esperança de escapar de lá com vida.
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Brian P. Johnston, Combatting Euthanasia’s Thin Edge Assisted Suicide. documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 8-12 de dezembro de 1998). O Sr. Johnston é diretor do Conselho Pró-Vida da Califórnia, que faz parte do National Right to Life Committee dos EUA.

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Nós nos sentíamos como condenados à morte. Mas isso aconteceu para nos ensinar a confiar não em nós mesmos e sim em Deus, que ressuscita os mortos”. (1 Coríntios 1.8-9 BLH) Paulo não se desesperava ao ponto de acolher a idéia do suicídio, porque “ainda que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia. E essa pequena e passageira aflição que sentimos vai nos trazer uma enorme e eterna glória, muito maior do que o sofrimento. Porque nós não fixamos a nossa atenção nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. O que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser visto dura para sempre”. (2 Coríntios 4.16-17 BLH) O Império Romano se desmoronou logo após a morte de Agostinho em 430, e a Europa entrou na Idade Média. Nesse período, que durou aproximadamente mil anos, houve muitas guerras e o sistema social e econômico ruiu, piorando assim as condições de saúde e sobrevivência das populações. De 541 a 767, dezesseis pestes bubônicas varreram a Europa. Em meio aos graves sofrimentos humanos, os cristãos se apoiavam na Palavra de Deus para enfrentar seus sofrimentos individuais. Bede, líder cristão inglês desse período, escreveu vários relatos de doenças e sofrimento. Alguns relatos apresentavam pessoas dedicadas a Deus sendo sobrenaturalmente curadas por Deus, outros descreviam pessoas morrendo rapidamente ou sofrendo anos antes de morrer — mas todos entregavam o controle de suas vidas a Deus: “Por isso os que sofrem porque esta é a vontade de Deus devem, por meio das suas boas ações, confiar completamente no Criador, que sempre cumpre as suas promessas”. (1 Pedro 4.19 BLH) Para encorajar e cultivar a fidelidade a Deus no meio das circunstâncias difíceis, Bede usou o exemplo do Bispo Benedito, que sofreu uma prolongada doença terminal: “Durante três anos, Benedito aos poucos foi ficando tão
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paralisado que da cintura para baixo estava tudo sem vida”. Apesar do longo tempo de sofrimento que sua doença lhe causou, Benedito sempre procurava “se ocupar louvando a Deus e ensinando os irmãos”. Doenças fatais dolorosas como a doença que fez o Bispo Benedito sofrer tantos anos de agonias eram comuns durante a Idade Média, por causa da falta de medicamentos e tranqüilizantes eficientes. Apesar disso, nenhum cristão procurava apressar a própria morte a fim de escapar das dores de uma doença terminal. Eles preferiam se entregar totalmente aos cuidados de Deus. Basicamente, o pensamento depois da Reforma era esse também. Os cristãos se entregavam sempre a Jesus, não às doenças. A eutanásia e as igrejas de hoje Enquanto hoje muitas igrejas americanas e européias se encontram mergulhadas em idéias e práticas fora dos princípios bíblicos e até apóiam a morte para as pessoas mais oprimidas e indefesas, muitas igrejas nos países menos ricos estão vivendo uma realidade diferente: muitos milagres estão ocorrendo através da visitação do Espírito Santo. Essas igrejas são instrumento de salvação, perdão, restauração, cura e libertação e é isso mesmo que as pessoas oprimidas recebem quando lá vão. O Evangelho é inimigo da doença, não do doente, e apresenta um Jesus vivo que mata a doença, não o doente. Talvez os cristãos de países como o Brasil precisem lembrar aos cristãos dos países ricos o motivo por que Jesus veio ao mundo: destruir as obras do diabo, não destruir as pessoas que são oprimidas por ele. O fato é que as igrejas que se abrem para um forte contato com Deus, principalmente na área da cura espiritual, física e emocional, conseguem verdadeiramente abençoar a vida das pessoas. Mas igrejas que não têm esse tipo de abertura correm o risco

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de acabar se abrindo para outros tipos de “solução” para o problema do sofrimento humano. Enquanto as igrejas cristãs dos países ricos estão ocupadas tentando descobrir se o casamento homossexual e o aborto são opções bíblicas, igrejas de países pobres, com toda sua simplicidade, estão cheias de testemunhos de salvação, cura e libertação, pelo simples fato de que as congregações são encorajadas a buscar a Deus com fé e se abrir para a visitação do Espírito Santo. É fácil ver que uma fé verdadeira não tem espaço para a perspectiva do mundo que tolera a eutanásia. Muitas vezes missionários americanos e europeus voltam para seus países de origem e contam o que Deus faz no campo missionário, grandes bênçãos e milagres que raramente eles vêem na própria pátria. Geralmente, embora reconheçam que há o momento de “partir para Jesus”, cristãos mais simples e fiéis a Deus sabem que a melhor maneira de encarar o sofrimento é buscando a Deus com todas as forças e tomando posse das promessas da Palavra de Deus. A característica mais marcante de muitos cristãos em países pobres, principalmente onde há muita perseguição, é forte confiança no poder de Deus para restaurar a saúde e à vezes desconfiança dos médicos. Esse tipo de desconfiança é saudável num aspecto: mantém o cristão afastado dos problemas e dilemas do aborto e eutanásia que atingem os médicos. Ainda que ocorram muitos milagres entre os cristãos de países menos desenvolvidos, a abertura ao poder sobrenatural do Espírito Santo não está limitada a eles. Cristãos de diferentes denominações, às vezes das igrejas mais tradicionais nos países ricos, experimentam visitações incríveis de Deus. Mas essas visitações têm sido muito mais freqüentes nos países onde há mais perseguição ao Evangelho. A verdade é que os cristãos fiéis à Palavra de Deus têm dificuldade de ver a morte como um meio de fugir do
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sofrimento. Eles vêem a morte como o “último inimigo”, não como uma amiga. A morte é conseqüência do pecado e o cristão deve resisti-la, não abraçá-la. O pastor presbiteriano Paul Fowler escreve com relação ao aborto: “Os temas da vida e da morte aparecem em toda a Bíblia como alvos totalmente contrários. Deus é o Criador da vida. A morte é a perda da vida que Deus criou”. Quem tem o direito de tirar a vida inocente? Ainda que não tivesse promessa alguma na Palavra de Deus para nos ajudar no sofrimento, ainda assim o cristão fiel respeitaria e honraria o que Deus diz: “Não mate”. (Êxodo 20:13 BLH) “Maldito seja aquele que matar outro… à traição!… Maldito aquele que receber dinheiro para matar uma pessoa inocente!…” (Deuteronômio 27:24,25 BLH) “Ele [o homem perverso] se esconde… e mata pessoas inocentes”. (Salmo 10:8 BLH) “Existem sete coisas que o Deus Eterno detesta e que não pode tolerar: …mãos que matam gente inocente…” (Provérbios 6:16-18 BLH) Além do testemunho da Palavra de Deus, há também o testemunho de cristãos sinceros. O Rev. G. Campbell Morgan (1863-1945) comentou sobre o mandamento de não matar. Ele diz:
Deus é soberano sobre a vida de cada pessoa. Esse é o alicerce mais importante da estrutura social. A Palavra de Deus mostra claramente que a vida humana é sagrada. Deus a criou de maneira misteriosa e magnífica em seu começo e possibilidade, completamente além do controle da compreensão dos seres humanos…
QUEM TEM O DIREITO DE TERMINAR A VIDA?

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A revelação que Deus fez ao homem prova que ele tem um propósito para toda pessoa e para a raça humana… Terminar uma só vida é colocar a inteligência e sabedoria do homem acima da sabedoria de Deus. As questões da morte são tão imensas que não há pecado contra a humanidade e contra Deus que seja tão grave quanto o pecado de tirar a vida. Esse breve mandamento declara a primeira lei fundamental acerca da vida humana, tão clara e vital que exige atenção máxima. A vida é um presente que Deus deu… Esse mandamento, pois, com palavras muito simples, mas de maneira severa, envolve a vida de cada ser humano com uma gloriosa Lei. Dá somente a Deus o direito de terminar a vida que ele deu.249

Perguntaram ao evangelista Billy Graham: “Por que tantas pessoas são contra a idéia de ajudar no suicídio de uma pessoa que tem uma doença crônica e está sem esperança de recuperação? Parece uma boa opção, e eu mesmo não ia querer continuar vivendo se estivesse nessa situação”. Graham, então com 81 anos de idade, respondeu: “O motivo principal é que foi Deus quem nos deu a vida, e só Ele tem o direito de tirá-la. A vida é um presente sagrado de Deus. Não estamos aqui simplesmente por acaso. Foi Deus quem nos colocou aqui. Assim como Ele nos colocou aqui, só Ele tem a autoridade de nos levar embora, e quando tomamos essa autoridade em nossas mãos, violentamos Seus propósitos cheios de sabedoria. Não se deve destruir a vida arbitrariamente”.
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Agostinho disse:
Nenhuma pessoa deve infligir em si mesma morte voluntária,  pois isso seria fugir dos sofrimentos do tempo presente para se  atirar   nos   sofrimentos   da   eternidade…  Nenhuma   pessoa   deve  acabar com a própria vida a fim de obter uma vida melhor depois 
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“Who has the right to end life?”, artigo publicado na revista Decision (Billy Graham Evangelistic Association: Winnipeg, Canadá, junho de 2000 [edição canadense]), p. 34. 250 Lifesite Daily News, 7 de setembro de 1999, Toronto, Canadá.

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da morte, pois quem se mata não terá uma vida melhor depois  de morrer.
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Paganismo nas igrejas O motivo por que muitas igrejas cristãs dos países ricos estão se fechando para os mandamentos de Deus e se abrindo para idéias a favor do aborto, eutanásia e homossexualismo é a volta do paganismo. Quando pensamos na palavra pagão, o que surge na mente? Imaginamos pessoas da antiguidade que adoravam árvores? Essa noção está fora de moda. Conforme diz o Dr. Robert George, da Universidade de Princeton, o termo “pagão” agora se aplica melhor aos americanos e europeus ricos bem estudados de hoje — inclusive muitos que vão à igreja. A definição de paganismo de George foi apresentada num encontro recente do Toward Tradition, um grupo que reúne judeus ortodoxos e cristãos conservadores. Ele disse que o paganismo não está confinado ao passado, onde povos primitivos ofereciam sacrifícios ao sol. Para ele, a tentação de adorar falsos deuses é permanente e constante. A essência do paganismo é a idolatria — a adoração de deuses falsos no lugar do único Deus verdadeiro. Mas, lamentavelmente, muitos cristãos modernos caem em práticas pagãs e nem mesmo percebem, e alguns até freqüentam igrejas que realmente as promovem. Como sabemos que os europeus e americanos se paganizaram? George diz que há um teste a prova de falhas: “Os deuses falsos exigem o sangue dos inocentes. Quando há o assassinato de pessoas inocentes e justas… não é o Deus de Israel que se está adorando”. Mas os deuses falsos dos pagãos modernos são ainda mais
251

St. Augustine, The City of God. Taken from "The Early Church Fathers and Other Works" originally published by Wm. B. Eerdmans Pub. Co. in English in Edinburgh, Scotland, beginning in 1867. (LNPF I/II, Schaff).

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sanguinários. “Hoje”, George diz, “as crianças antes do nascimento, na hora do nascimento e os recém-nascidos defeituosos são… sacrificados aos deuses falsos da escolha, autonomia e liberação. Eles são sacrificados em altares de aço inoxidável, por sacerdotes em roupas cirúrgicas”. E os defensores da eutanásia e do suicídio com ajuda médica são seus irmãos na fé. Em contraste, George observa, os cristãos fiéis… adoram o Senhor da vida — o Deus que dá a todos os seres humanos (por mais humildes e pobres que sejam) — uma dignidade sublime”. É por esse motivo que “a vida de toda pessoa inocente é… de, maneira igual, inviolável sob a lei moral”. Os pagãos modernos — inclusive a maioria dos cristãos e judeus secularizados — escondem sua ideologia pagã num disfarce de honestidade e boas ações. Eles falam de compaixão, até mesmo quando desculpam seu apoio ao aborto legal e à eutanásia. Na verdade, o que eles estão adorando não é o Deus de compaixão, mas os falsos deuses que trazem morte. É fato histórico que toda civilização que sacrifica crianças aos deuses se condena à destruição. A Bíblia descreve como até grandes impérios desabaram porque derramaram sangue inocente. Alguns anos atrás, um americano visitou uma senhora cristã na Índia e perguntou o que ele poderia fazer para ajudá-la. Ela respondeu: “Volte para os Estados Unidos e ajude a deter a matança dos bebês inocentes. Apresse-se, enquanto há tempo, ou o seu país sofrerá o juízo de Deus”. É importante que saibamos discernir o que está acontecendo nos EUA e Europa, pois devido a ensinos e práticas antibíblicas muitas igrejas americanas e européias apóiam os sacrifícios pagãos sem sentir peso na consciência.
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Todo esse texto sobre paganismo moderno foi adaptado da mensagem Innocent Blood: The Demand of Paganism, BreakPoint with Charles Colson,Commentary #001208 - 12/08/2000.

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Igreja e sociedade É importante também compreender que nenhuma sociedade fica parada. Todas as sociedades costumam mudar de direção. Ou avançam para mais perto dos padrões que estão de acordo com os princípios estabelecidos por Deus, ou se afastam deles. Em Mateus 5, o Senhor Jesus nos deu a missão de ser o sal da terra e a luz do mundo. É a responsabilidade de todos os cristãos influenciarem a sociedade com os princípios de Deus. Se não fizermos isso, a sociedade se afastará mais e mais dos padrões de Deus. Se deixarmos de influenciar a sociedade, há o risco de que as igrejas cristãs sejam influenciadas pelo mundo. O mundo dará o exemplo e a direção e as igrejas seguirão o mundo e seus padrões. A outra possibilidade é que ainda que permaneçam firmes, se as igrejas deixarem de influenciar a sociedade, a sociedade aos poucos vai se afastar das igrejas. Então o mundo achará as igrejas mais estranhas em seus valores e costumes. Esse distanciamento deixará as igrejas tão isoladas socialmente quanto uma ilha solitária no meio do oceano Pacífico. Quando isso chega a acontecer, o que ocorre em seguida é que os cristãos acabam sendo chamados de extremistas, fundamentalistas ou radicais quando tentam defender valores importantes. Tal é o que vem ocorrendo com relação ao aborto, homossexualismo, eutanásia, etc. Uma das questões mais importantes que devemos considerar é de que maneira o assassinato de pessoas inocentes, através do aborto legal e da eutanásia, pode afetar negativamente a sociedade. Deus diz: “Portanto, não profanem com crimes de sangue a terra onde vocês
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Dr. Albertus van Eeden, Abortion and Euthanasia in South Africa, documento apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 8-12 de dezembro de 1998).

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vivem, pois os assassinatos profanam o país. E a única maneira de se fazer a cerimônia de purificação da terra onde alguém foi morto é pela morte do assassino”. (Números 35:33 BLH) Nessa passagem, Deus indica que se a sociedade não tomar medidas sérias contra o assassinato de pessoas inocentes, o derramamento desse sangue poderá abrir brechas espirituais para os demônios espalharem maldições e morte pela sociedade. O Bispo Robson Rodovalho diz: “Ondas de homicídios, acidentes de trânsito, estupros, desempregos e outras tragédias semelhantes são ondas que têm origem em ações demoníacas”. A Igreja de Jesus Cristo conhece realidades espirituais e terrenas que precisa transmitir e aplicar na sociedade. Mas de que modo os cristãos, como igreja e indivíduos, podem realmente fazer uma diferença na sociedade em questões como o aborto e a eutanásia? Intercedendo pelas pessoas envolvidas e confrontando as forças espirituais, as leis e as tendências sociais que as favorecem. O Bispo Robson afirma: “Quando há realmente esse ministério de intercessão e confrontação, haverá evangelização. É aí que o poder do Evangelho precisa moldar, transformar e fazer a diferença da cultura”.
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Robson Rodovalho, Quebrando as Maldições Hereditárias (Editora Koinonia: Brasília, 1992), p. 83. 255 Robson Rodovalho, Quebrando as Maldições Hereditárias (Editora Koinonia: Brasília, 1992), p. 91.

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A IMIGRAÇÃO COMO SOLUÇÃO?
Os países ricos estão com uma população jovem cada  vez   mais   reduzida   e   com   uma   população   idosa   que,   por  causa dos avanços tecnológicos na área da saúde, vive mais  e   mais   anos   recebendo   aposentadoria   e   sobrecarregando  financeiramente os serviços de saúde. Esses países só vêem  duas   opções   para   tentar   deter   os   problemas   econômicos  que   já   estão   aparecendo   no   horizonte:   incentivar   as  mulheres   a   ter   famílias   maiores   ou   incentivar   em   grande  escala a entrada de imigrantes em seus países. Sem essas  opções, a única perspectiva seria a aceitação compulsória  da eutanásia para todos os idosos a partir de determinada  idade,   a   fim   de   impedi­los   de   esgotar   os   recursos  econômicos nacionais.  Numa reunião sobre imigração em 1 de agosto de 1999, Antonio Fazio, o presidente do Banco da Itália, frisou a importância de aumentar a índice de natalidade e imigração para garantir o desenvolvimento econômico e social. Um importante documento mostra:
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Os   rápidos   avanços   na   área   da   tecnologia   médica,  juntamente com as crescentes expectações sociais com relação  à assistência e à cura, garantem que os gastos de assistência  de   saúde   para   os   grupos   de   todas   as   idades   continuarão   a  crescer mais rápido do que a economia na maioria dos países  desenvolvidos. Essa tendência de custos é de maneira especial  explosiva porque os idosos consomem entre três e cinco vezes  mais   serviços   de   saúde   per   capita   do   que   as   pessoas   mais  jovens.
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Em   face   desses   problemas,   os   governos   teriam   de  aumentar   a   idade   de   aposentadoria   e   fazer   com   que   os 
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(Immigrants are Positive Resource for Country, Zenit News Service, notícia divulgada na internet pela 1999, American Life League, Inc,) 257Documento Global Aging: The Challenge of the New Millenium (Center for Strategic and International Studies: Washington DC: 1999), p. 10.

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trabalhadores   trabalhem   mais   horas.   Mas   ao   que   tudo  indica, nem isso seria suficiente para resolver plenamente a  sobrecarga   de   uma   população   idosa   grande   demais.   A  Europa, por esse motivo, é forçada a receber 4 milhões de  imigrantes   anualmente   para   compensar   a   diminuição   da  população   trabalhadora   jovem.   Além   disso,   os   europeus  jovens   terão   de   trabalhar   mais   horas   para   sustentar   a  previdência social e os idosos, com as medidas sociais que  serão  tomadas,  terão  de  trabalhar  mais  anos  e  esperar  a  aposentadoria   mais   tarde   na   vida.   O   próprio   conceito   de  idoso   terá   de   ser   modificado   para   que   se   alcance   essa  meta.
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Quem quer mais bebês? Ainda   que   as   esposas   americanas   e   européias  começassem agora a ter famílias numerosas, os resultados  só começariam a aparecer daqui a uns 25 anos. Essa seria  uma   solução   de   longo   prazo,   mas   nos   EUA   e   Europa   as  famílias são materialistas demais para verem a chegada de  mais crianças no lar como um investimento para o futuro  do país. Aparentemente, no mundo materialista de hoje, só  o cristão fiel a Deus conseguiria ver uma família numerosa  como bênção (cf. Salmo 127:3­5). Apesar dos importantes  incentivos   financeiros   do   governo   da   Alemanha,   França   e  Japão para os casais que tiverem mais filhos, muito poucas  famílias estão aproveitando a oportunidade. A grande maioria das esposas nesses países trabalha fora e não quer trocar um estilo de vida profissional e materialista por uma vida dedicada ao lar e aos filhos. Essa mudança de comportamento foi provocada por vários fatores. A Europa e os EUA sofreram décadas de campanhas desanimando os casais de querer famílias grandes. Ainda que Annie Besant tenha sido a principal
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Global Aging: The Challenge of the New Millenium (Center for Strategic and International Studies: Washington DC: 1999), p. 17. 259Documento Global Aging: The Challenge of the New Millenium (Center for Strategic and International Studies: Washington DC: 1999), p. 23.

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responsável pelo lançamento desse tipo de propaganda no século XIX, foi só Margaret Sanger quem conseguiu aplicar com êxito as idéias de planejamento familiar de Besant. As duas, em seu radicalismo, jogavam sobre as famílias numerosas a culpa de todos os males sociais, desde a criminalidade até a fome. Com o tempo, até muitos casais evangélicos passaram a acreditar mais nas teorias delas do que nas promessas de Deus nos Salmos 127 e 128. Hoje a Europa e os EUA exportam e financiam essas campanhas no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Imigração em massa: uma necessidade crescente A   revista  Veja  de   1   de   agosto   de   2001   alerta:   “As  economias da Europa, dos Estados Unidos e até do Japão  precisam dos pobres, dos deserdados e dos aventureiros do  Terceiro   Mundo…   Não   se   trata   de   humanitarismo.   As  razões são puramente econômicas. Sua lógica é simples. Os  imigrantes, por mais pobres que sejam, geram riquezas nos  lugares que os acolhem.” Embora a aceitação da imigração em massa não agrade  a   muitos   americanos   e   europeus,   eles   são,   devido   às  circunstâncias,   obrigados   a   aceitá­la,   para   o   bem   da  própria economia de seus países. Isso traz uma perspectiva  interessante para eles e para nós. Mais do que nunca, eles  vão   precisar   de   nós   para   ajudá­los.   Pode­se   dizer   que   o  futuro   deles   não   mais   pertence   aos   descendentes  insuficientes que eles estão deixando, mas a todos nós, do  Brasil   e   de   outros   países   em   desenvolvimento,   que  estivermos   dispostos   a   emigrar   para   seus   países.   A  imigração   é   agora   vista   como   uma   necessidade  indispensável   para   a   sobrevivência   econômica   das   nações  ricas. Um documento das Nações Unidas declara:
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 As projeções das Nações Unidas indicam que nos próximos  50   anos   as   populações   de   virtualmente   todos   os   países   da 
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Artigo A Solução que Vem de Fora, p. 80.

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Europa   e   Japão   enfrentarão   declínio   da   população   jovem   e  aumento da população idosa. Esses novos desafios… exigirão  novas e mais abrangentes avaliações… com relação à migração  internacional.
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Diante dessas tendências na estrutura da população, o  documento   propõe   migração   de   substituição   para   oito  países   com   baixa   fertilidade   (França,   Alemanha,   Itália,  Japão, República da Coréia, Federação Russa, Reino Unido  e   Estados   Unidos)   e   duas   regiões   (Europa   e   União  Européia).   O   documento   diz:   “Migração   de   substituição  refere­se à migração internacional que um país precisa para  compensar a diminuição da população jovem e o aumento  da   população   idosa   causados   por   baixas   taxas   de  natalidade e mortalidade”. Essa informação  oficial da  ONU nos  ajuda a  entender  que, quer aceitem ou não sua realidade, os EUA e a Europa  precisarão mais cedo ou mais tarde abrir suas portas para  milhões de imigrantes — apenas para manter seu elevado  padrão econômico. Nesse debate, não se coloca a questão  do papel econômico do imigrante para livrar os idosos da  eutanásia, porque a preocupação principal dos países ricos  parece   ser   proteger   seu   próprio   materialismo,   não   a   vida  humana. A questão da imigração traz oportunidades importantes  para   os   países   ricos   e   para   nós   no   Brasil.   O   jornalista  americano Matt Marshall, num artigo publicado na revista  alemã  Deutschland, conta o caso de um brasileiro que se  aventurou como imigrante e alcançou muito mais do que  queria:
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Migration: Is it a Solution to Declining and Ageing Populations? (Department of Economic and Social Affairs/Population Division/ United Nations: New York-USA, 20 de março de 2000). 262Replacement Migration: Is it a Solution to Declining and Ageing Populations? (Department of Economic and Social Affairs/Population Division/ United Nations: New York-USA, 20 de março de 2000).

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Romildo Wildgrube veio à Alemanha em 1992 em busca de  trabalho.   Encontrou   emprego   no   Ministério   federal   dos  Transportes, mas bem cedo o trabalho ficou monótono. A sua  verdadeira paixão era o computador, diante do qual passava as  noites,   ampliando   seus   conhecimentos   em   alta   tecnologia.  Desiludido  com a falta  de perspectiva profissional,  Wildgrube  foi   para   os   EUA   em   1996.   Enquanto   ainda   estudava   inglês,  encontrou   uma   colocação   numa   empresa   de   computação   no  Vale   do   Silício,   onde   ganhava   8   dólares   por   hora.   Após   seis  meses,   assumiu   outro   emprego   em   computação   e   passou   a  ganhar 25 dólares por hora. Em 1999, ele estava dirigindo o  departamento   de   suporte   de   computador   de   uma   jovem  empresa de Internet, ganhando um salário de mais de 100.000  dólares   por   ano   e,   em   pouco   tempo,   já   possuía   milhares   de  ações   de   diversas   empresas.   O   valor   dessas   empresas   subiu  para   mais   do   dobro   do   seu   salário   anual.   Ele   comprou   uma  casa na baía de São Francisco. Para ele, o “o sonho” americano  tornou­se   realidade.   Mas   Wildgrube   fez   mais   —   ele   criou  empregos nos EUA. Contribuindo para cobrir a necessidade de  especialistas   em   computação   de   empresas   americanas,   ele  ajudou   outra   empresa   de   computação   a   conquistar   e   firmar  sua   posição   no   mercado   on­line   internacional.   A   empresa  Double­Click  experimentou   um   crescimento   enorme   e   se  expandiu logo depois para outros países. Para preencher suas  necessidades empresariais, a empresa teve de contratar  mais  empregados para a área de marketing e vendas, na maior parte  americanos   formados   em  áreas   acadêmicas   mais   leves,   como  literatura,   economia   ou   administração   de   empresa.   Sem   a  afluência   de   estrangeiros   com   as   respectivas   experiências  técnicas, essa empresa não teria conseguido essa expansão e  sucesso — e os americanos não teriam conseguido emprego. Os  americanos   não   estavam   em   condições   de   assumir   esses  empregos   devido   à   falta   de   formação   específica.   E   como   a  revolução   da   Internet   começava   a   explodir,   não   havia   tempo  suficiente   disponível   para   esperar   até   que   jovens   americanos  tivessem   concluído   a   devida   formação   nas   escolas.   Hoje,  Wildgrube trabalha em outra empresa, onde a maioria de seus  colegas de trabalho é russa. Ele e seus companheiros também  ajudaram essa empresa a dar uma boa arrancada no mercado,  o que teve como resultado  a  contratação   de mais pessoas — 

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por   exemplo,   Sean   Murphy,   de   25   anos,   um   americano   que  trabalha no setor de publicidade da empresa.
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A   necessidade   de   mais   trabalhadores   nos   países  avançados   está   abrindo   as   portas   de   oportunidades   para  brasileiros com iniciativa como Romildo Wildgrube. Romildo  teve a possibilidade de emigrar e, em vez de tirar o emprego  de americanos, ele acabou contribuindo para a criação de  mais   empregos   para   eles.   O   jornalista   Marshall   avalia   o  desempenho e a iniciativa de Romildo: “Contribuindo para a  implantação de  empresas no  setor das  novas tecnologias,  ele   também   contribuiu   para   que   surjam   novos   empregos,  que algum dia serão ocupados por jovens americanos”. As leis americanas permitem que empresas americanas  tragam   todos   os   anos   em   torno   de   115.000   especialistas  estrangeiros   para   trabalhar   nos   EUA   por   um   limitado  período de tempo, embora o número de vagas de trabalho  ultrapasse 300.000. Na   Alemanha,   o   país   mais   forte   da   Europa   hoje,   a  situação não é diferente. O jornalista Marshall comenta:
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Na   Alemanha   existem   atualmente   75.000   vagas   de  empregos sem cidadãos alemães treinados para preenchê­las.  Segundo   uma   estimativa,   essa   escassez   de   trabalhadores  subirá, em poucos anos, a 500.000 vagas. Além disso, há ainda  outro   problema:   nas   próximas   três   décadas   o   número   de  alemães com mais de 60 anos aumentará 50%, ao passo que o  número   de   alemães   entre   20   e   60   anos   provavelmente  diminuirá   50%,   causando   assim   uma   sobrecarga   enorme   no  sistema de aposentadoria e bem­estar social da Alemanha. Se  esse   espaço   vago   não   for   preenchido   com   imigrantes,   a  Alemanha   terá   de   optar   por   uma   sociedade   envelhecida,   por  uma economia de crescimento lento e nível elevado de preços.  Um   relatório   publicado   recentemente   pelas   Nações   Unidas  afirma   que   a   Alemanha   precisa   anualmente   de   500.000 
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Matt Marshall, Green Card Initiative (Societäts-Verlag: Frankfurt, Alemanha, junho/julho de 2000), pp. 9,10. 264 Matt Marshall, Green Card Initiative (Societäts-Verlag: Frankfurt, Alemanha, junho/julho de 2000), p. 10.

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imigrantes, se quiser manter estável o nível demográfico de sua  população. Estima­se que nos próximos 50 anos a população  alemã diminuirá entre 20 e 60 milhões de pessoas. E como no  futuro também vai ser preciso varrer as ruas, dirigir os ônibus  do transporte coletivo e executar as atividades administrativas  do governo, temos de fazer uma pergunta: como é que sobrará  pessoas   para   trabalhar   para   as   empresas   voltadas   para   a  inovação?
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O jornal inglês  Telegraph  de 21 de julho de 2000 diz:  “Sob a ameaça de uma população que está diminuindo, a  Alemanha   terá   de   importar   milhões   de   trabalhadores  migrantes para manter sua posição como a maior potência  econômica   da   Europa”.   O   governo   da   Alemanha   tem  tomado medidas para permitir a entrada anual de centenas  de  milhares  de  trabalhadores  estrangeiros.  Se  as  famílias  alemãs tivessem tido mais filhos, haveria hoje perspectiva  de trabalhadores suficientes para sustentar a economia e  preencher os milhares de vagas de empregos que existem.  Mas   ainda   que   os   casais   alemães   se   dispusessem   a   ter  famílias grandes agora, levaria anos até a nova “safra” estar  pronta para o mercado de trabalho. Então, a solução mais  imediata   para   impedir   o   colapso   da   economia   são   os  imigrantes. Até   nos   EUA,   com   todo   o   seu   avanço   tecnológico,   há  hoje   mais   de   300.000   de   vagas   de   empregos   no   setor   de  tecnologia   que   os   próprios   americanos   não   estão  conseguindo   preencher.   Parece   não   haver   trabalhadores  suficientes   para   essas   funções.   Por   isso,   empresas  americanas   estão   lutando   na   justiça   a   fim   de   que   a   lei  permita   a   distribuição   anual   de   centenas   de   milhares   de  vistos   especiais   para   que   especialistas   de   outros   países  possam se instalar definitivamente nos EUA.
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Matt Marshall, Green Card Initiative (Societäts-Verlag: Frankfurt, Alemanha, junho/julho de 2000), p. 10. 266 James Drake & Julius Strauss, Shrinking population threatens German economy: www.telegraph.co.uk

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Trabalhadores imigrantes oferecem muitos benefícios A   necessidade   mais   urgente   no   momento   é   de  trabalhadores bem qualificados. Mas à medida que o tempo  vai   passando,   a   necessidade   de   jovens   trabalhadores  aumenta   dramaticamente.   Até   mesmo   setores   menos  especializados do mercado de trabalho nos EUA e Europa  enfrentarão   escassez   de   todos   os   tipos   de   trabalhadores,  pois pessoas terão de ser contratadas para construir casas  e prédios e outros serviços, como encanadores, eletricistas,  etc.   A   probabilidade   quase   certa   é   que   essa   necessidade  abrirá   espaço   para   milhões   de   jovens   que   imigram   em  busca   de   melhores   empregos.   Um   efeito   positivo   para   o  imigrante   é   que   geralmente   sua   renda   aumenta   com   um  emprego   numa   nação   avançada.   Uma   vantagem   para   os  países   desenvolvidos   é   que   geralmente   os   imigrantes   são  jovens   e   contribuem   positivamente   para   sustentar   o  sistema de aposentadoria dos idosos. De acordo com o Dr. Julian Simon, economista americano de fama internacional, a imigração de pessoas de países pobres traz muitos benefícios para os países ricos: maior produtividade, padrão de vida mais elevado e um abrandamento da pesada sobrecarga social causada por crescentes proporções de dependentes idosos. E é claro que os imigrantes também se beneficiam. Até mesmo os países de origem se beneficiam com as transferências de dinheiro que os imigrantes mandam para suas famílias, e os laços de amizade entre os dois países melhoram. Em seu livro The Ultimate Resource (O Recurso Máximo), o Dr. Simon mostra que os imigrantes pagam muito mais impostos do que os custos dos serviços de assistência social e educação escolar que eles usam.
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Matt Marshall, Green Card Initiative (Societäts-Verlag: Frankfurt, Alemanha, junho/julho de 2000), p. 11. 268 Julian L. Simon, The Ultimate Resource, People, Materials, and Environment (College of Business and Management, University of Maryland: College Park, EUA, s.d.). Dr. Brian Clowes, Pro-Life Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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Aliás, em média a família imigrante usa menos os serviços de assistência social e paga mais impostos do que em média paga a família natural do país. O motivo é que os imigrantes não são velhos, cansados e sem experiência. Geralmente, eles estão no auge da idade de trabalhar. O Dr. Simon consegue provar que os imigrantes acabam de diversas maneiras contribuindo positivamente para a economia do país. Havia   época   em   que   o   interesse   principal   dos   países  ricos nos países pobres era as matérias­primas: indústrias  americanas e européias buscavam ouro, prata, etc. A partir  de hoje, essas indústrias estarão atrás de outro artigo de  valor:   jovens   trabalhadores.   Grandes   empresas   estão  pressionando os governos da Europa e EUA para facilitar a  entrada legal de trabalhadores estrangeiros em seus países. Milhões   de   imigrantes   trabalhando   nos   países   ricos  poderiam   ajudar   a   evitar   o   colapso   da   economia   e   a  sobrecarga   do   sistema   de   aposentadoria.   Em   parte   a  sobrecarga   econômica   está   encorajando   a   aceitação   da  eutanásia,   mas   o   maior   culpado   é   a   ausência   de   valores  morais. O colapso da economia é previsto para um futuro  não longe, porém o colapso da família e dos valores morais  já é uma realidade inegável nos países ricos. Diversas tendências hoje indicam que a aceitação legal  ou social da eutanásia para os idosos em grande escala fará  parte do futuro dos países ricos. É claro que os imigrantes  poderão representar uma solução parcial ou ampla para o  complicado   problema   da   falta   de   jovens   para   sustentar   o  sistema de previdência e saúde pública, que são o principal  apoio ao idoso. Mas é difícil analisar neste momento se a  presença deles conseguirá afetar de alguma maneira como  os   europeus   e   americanos   vêem   a   questão   da   eutanásia,  aborto, etc.
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Julian L. Simon, The Ultimate Resource, People, Materials, and Environment (College of Business and Management, University of Maryland: College Park, EUA, s.d.). Dr. Brian Clowes, Pro-Life Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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Imigração missionária profética O   imigrante   temente   a   Deus   poderá   desempenhar   um  papel importante em futuro bem próximo. Deus realmente  poderá   levantar   “missionários”   brasileiros   para   emigrar  para os EUA e Europa. Deus lhes dará uma visão, unção e  caráter   profético   que   lhes   permitirá   dar   um   testemunho  forte que defenda os bebês contra o aborto, as crianças e  jovens contra o ativismo gay e os idosos e doentes contra a  eutanásia.   Sem   mencionar   que   eles   evitarão   a  contaminação   dos   valores   sociais   modernos   que   estão  enfraquecendo os cristãos dos países ricos. Precisamos pois  aproveitar   essa   oportunidade,   pois   até   os   ativistas  homossexuais   dos   EUA   estão   lutando   para   que   gays   de  países pobres possam imigrar para os EUA.  Deus já está levantando brasileiros para o evangelismo  internacional. Há  hoje missionários brasileiros em muitos  países   necessitados   e   fechados   para   os   missionários   dos  países   ricos.   Brasileiros   estão   sendo   levantados   para  evangelizar   muçulmanos,   budistas,   animistas,   etc.   Essa  tendência está de acordo com a observação e discernimento  de David Wilkerson, em seu livro profético Set the Trumpet  to Thy Mouth. Ele diz:
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Deus   não   precisa   dos   EUA   para   evangelizar   o   mundo.  Falhamos   nessa   missão.   Nosso   país   gasta   mais   dinheiro  anualmente   em   comida   de   cachorro   do   que   em   missões…  Um  grande exército de testemunhas de todas as nações divulgará o  Evangelho   para   todo   o   mundo.   É   a   colheita   final   do   Senhor.  Agora   mesmo   o   Espírito   de   Deus   está   levantando   um   grande  número de testemunhas na China. A América do Sul e a África  serão   totalmente   evangelizadas   por   testemunhas   poderosas   de  seus próprios países. O México e a América do Sul estão abertos  ao Evangelho, e Deus está levantando jovens evangelistas. Eles  não   precisarão   de   juntas   missionárias,   ordenação,   grande 
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Veja o capítulo 117 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. ProLife Library CD-Rom. ©2000 Human Life International.

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quantia de dinheiro e equipamentos pomposos. Eles viverão com  muito   pouco   dinheiro,   como   viviam   os   primeiros   cristãos.   Em  curto   tempo,   eles   cobrirão   a   terra   com   o   Evangelho.   E   eles  indicarão o juízo ardente de Deus sobre a despreocupada, rica e  moderna Babilônia como sinal de que o fim está perto.
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David   Wilkerson   diz:   “Creio   que   a   Babilônia   moderna  são os Estados Unidos, inclusive sua sociedade corrupta e  seu sistema eclesiástico adúltero”.    Essa perspectiva não  está longe da realidade, pois os EUA têm há muito tempo se  empenhado,   através   de   meios   diplomáticos,   financeiros   e  políticos, na luta para legalizar o aborto em todos os países,  inclusive no Brasil. Hoje o aborto, amanhã a eutanásia. O  Rev. Wilkerson realmente acha que Deus usará cristãos dos  países   menos   desenvolvidos   para   repreender   os   erros   da  moderna Babilônia. E já que Deus está levantando tantos  brasileiros   para   o   evangelismo   internacional,   o   que   o  impediria de levantar profetas também?
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O chamado de Deus para a imigração Deus   algumas   vezes   chama   seus   servos   para   uma  imigração profética. Veja o caso de Abraão: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai­te da tua terra, da  tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu  te   mostrarei.   Eu   farei   de   ti   uma   grande   nação;  abençoar­te­ei,   e   engrandecerei   o   teu   nome;   e   tu,   sê  uma   bênção.   Abençoarei   aos   que   te   abençoarem,   e  amaldiçoarei   àquele   que   te   amaldiçoar;   e   em   ti   serão  benditas todas as famílias da terra. Partiu, pois Abrão,  como   o   Senhor   lhe   ordenara,   e   Ló   foi   com   ele.   Tinha  Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Abrão  levou consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu 
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David Wilkerson, Set the Trumpet to Thy Mouth (World Challenge, Inc: Lindale, EUA, 1985), p. 26. 272 David Wilkerson, Set the Trumpet to Thy Mouth (World Challenge, Inc: Lindale, EUA, 1985), p. 3.

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irmão,   e   todos   os   bens   que   haviam   adquirido,   e   as  almas que lhes acresceram em Harã; e saíram a fim de  irem à terra de Canaã; e à  terra de Canaã  chegaram.  Passou  Abrão  pela  terra  até  o  lugar  de  Siquém,  até  o  carvalho de Moré. Nesse tempo estavam os cananeus na  terra. Apareceu, porém, o Senhor a Abrão, e disse: À tua  semente   darei   esta   terra.   Abrão,   pois,   edificou   ali   um  altar ao Senhor, que lhe aparecera”. (Gênesis 12:1­7) Vários   Salmos   nos   convidam   a   louvar   o   Senhor   em  outras   nações.   Tal   convite   é   também   um   chamado   para  servirmos   a   ele   em   outros   países.   A   melhor   maneira   de  louvá­lo   é   viver   uma   vida   de   testemunho   cristão   que  realmente glorifique e honre o nome de Jesus. “Pelo que,  ó Senhor, te louvarei entre as nações, e  entoarei louvores ao teu nome”. (Salmo 18:49) “Louvar­te­ei,   Senhor,   entre   os   povos;   cantar­te­ei  louvores entre as nações”. (Salmo 57:9) “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos  os povos as suas maravilhas… Dizei entre as nações: O  Senhor   reina;   ele   firmou   o   mundo,   de   modo   que   não  pode   ser   abalado.   Ele   julgará   os   povos   com   retidão.”  (Salmo 96:3,10) “Louvar­te­ei   entre   os   povos,   Senhor,   cantar­te­ei  louvores entre as nações”. (Salmo 108:3) Houve   época   em   que   Deus   abençoou   grandemente  países como o Brasil através da atividade de missionários  americanos e europeus. Agora Deus poderá inverter tudo.  Para que tenham sucesso em seu trabalho, os imigrantes  “missionários” aos países ricos precisam entender um dos  motivos por que a Europa e os EUA estão na situação em  que estão.

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A população desses países permite que o governo e as  leis do ser humano tenham na vida deles um controle que  só Deus deveria ter. Eles permitem que suas vidas sejam  controladas do nascimento até a morte. Antes, quando as  coisas   ficavam   difíceis,   muitos   deles   recorriam   a   Deus.  Hoje, eles recorrem ao governo. Se precisavam de emprego,  recorriam   a   Deus.   Agora,   eles   procuram   o   governo.   Eles  foram   condicionados   a   deixar   que   o   governo   e   as  instituições tomem total controle de suas vidas. Até muitos  cristãos acham  que agora  é o  governo que  tem de  suprir  solução para tudo e para todos. Em resumo, os habitantes dos países ricos aprenderam a depender mais do governo do que de Deus para suprir suas necessidades mais básicas. E é justamente a preocupação com a preservação dos recursos sociais que está predispondo esses governos a aceitar o aborto e a eutanásia. Ameaça no horizonte Agora, eles estão na situação em que estão, com uma  perspectiva de futuro econômico incerto e com o sombrio  espectro da eutanásia. Mas, apesar de tudo, a Europa e os  EUA não parecem estar com vontade de receber milhões de  imigrantes   que,   com   certeza,   poderão   mudar  consideravelmente   o   próprio   destino   étnico,   cultural   e  religioso das nações ricas. Isso já aconteceu na Turquia e  Norte   da   África,   regiões   que   no   passado   eram  predominantemente  cristãs,   e  hoje   são  muçulmanas.   Isso  não poderia acontecer na Europa e EUA, se pelos menos os  cristãos buscassem mais a Deus e estivessem dispostos a  receber mais as bênçãos de Deus. (Cf. Salmo 127:5 BLH)
A organização evangélica Concerned Women for America, presidida por Beverly LaHaye , traz um importante alerta:
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Temendo uma população muito reduzida, as Nações Unidas editaram um relatório convidando mais imigrantes a entrar nas
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A Dra. LaHaye é co-autora de O Ato Conjugal, um dos livros mais vendidos da Editora Betânia.

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nações industrializadas para compensar a diminuição da população jovem e o crescimento da população idosa. Já que as nações em desenvolvimento são alvo dos programas de planejamento familiar [dos países ricos], e considerando que suas populações jovens também começarão a diminuir, quem é que sobrará para emigrar?
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Depois de vermos tudo o que esses programas estão fazendo para as nações ricas, essa se torna uma questão importante para nós cristãos. Será que vamos deixar que esses programas roubem de nós as bênçãos de Deus? Pelo contrário, deveríamos deixar que os muçulmanos e outros que não querem saber de Deus se utilizem desses programas.

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Catherina Hurlburt, It Started in America: How U.S. tax dollars hurt Peruvian women, 11 de maio, 2000. Citada na seção Life de Concerned Women for America (www.cwfa.org), uma organização, evangélica presidida pela Drª Beverly LaHaye.

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A QUESTÃO DOS DOENTES CRÔNICOS
O Dr. C. Everett Koop diz:
Geralmente, os defensores da eutanásia mostram o paciente  que   está   morrendo   como   alguém   que   está   sofrendo   dores  intensas por causa de um câncer. Eles dizem que não se pode  fazer   nada   medicamente   por   ele,   a   não   ser   acabar   com   sua  existência horrível. [Mas] estamos vivendo na época da moderna  farmacologia,   e  temos   a  capacidade  de  controlar   as  dores   com  sedativos   e   tranqüilizantes…   Está   provado   que   quando   o  paciente terminal recebe apoio físico, emocional e espiritual, há  um efeito e ele fica livre das dores.
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De   acordo   com   o   livro  To   Care   or   To   Kill?,   em   geral  define­se   doente   terminal   como   a   pessoa   que   tem   uma  doença que provavelmente causará sua morte dentro de 6  meses.  O doente crônico, por outro lado, pode ser alguém  que tem uma doença grave, mas não terminal. No entanto,  a diferença entre doente crônico ou terminal pode significar  bem   pouco   para   os   promotores   da   eutanásia.   Uma   vez  tendo   cometido   o   pecado   de   apressar   deliberadamente   a  morte de um paciente terminal, a consciência amortecida  do médico pouco o incomodará se ele apressar a morte de  outros   pacientes,   crônicos   ou   terminais,   doentes   ou  saudáveis. O comportamento indiferente de muitos médicos  da Holanda é prova desse fato. O   problema   fundamental   por   trás   da   eutanásia   é   a  ausência   de   Deus   na   vida   dos   médicos   e   na   vida   dos  pacientes,   sem   mencionar   políticos   e   membros   da   elite  social. Quando um médico sem Deus vê um doente grave  sem   Deus,   ele   só   enxerga   uma   coisa:   falta   de   esperança. 
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C. Everett Koop, The Right of Live, The Right of Die (Life Cycle Books: Ontário, Canadá, 1980), p. 120. 276Teresa R. Wagner, To Care or To Kill (Family Reserch Council: Washington, D.C., 1999), p. 3.

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Mas   mesmo   que   não   tema   a   Deus,   às   vezes   o   médico   é  capaz de perceber que a fé em Deus faz uma diferença na  vida do paciente. Fé em Deus: principal fator de saúde e vida mais longa A revista médica americana  Physician,   em sua edição  de   novembro/dezembro   de   1999   (pp.   20­22),   apresenta  resultados   de   várias   pesquisas   de   autoridades   médicas  seculares. Essas pesquisas descobriram que a fé em Deus é  o fator mais importante para a cura ou o bem­estar de um  doente, por mais grave que seja a sua condição. Vejamos  algumas de suas descobertas:
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• Cirurgia do coração: Um estudo na Faculdade Médica de Dartmouth constatou que os pacientes idosos com problemas de coração tinham 14 vezes mais chances de sobreviver depois de uma cirurgia do coração quando eles tinham conforto e força em sua fé em Deus. • Transplantes do coração: A Universidade de Pittsburgh realizou um estudo de pacientes que fizeram transplantes de coração. Esse estudo constatou que os pacientes que criam fortemente em Deus e que participavam de atividades religiosas mostraram maior melhoria física depois de 1 ano. • Câncer: Para descobrir como suprir de maneira melhor as necessidades de pacientes cancerosos, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Michigan entrevistou 108 mulheres que estavam passando por tratamentos durante várias fases de câncer ginecológico. O que ajuda essas mulheres a lidar com o câncer? Uns 93% dessas pacientes de câncer disseram que sua fé as ajudou a manter sua esperança. Uns 75% disseram que a igreja tinha um lugar importante em suas vidas, 41% comentaram que sua fé em Deus sustentou seu senso de valor pessoal. Quase metade — 49% — sentiu que se tornaram mais abertas a Deus depois que o câncer apareceu. • Depressão: A depressão é um problema que atinge muitas vezes os pacientes mais velhos que são hospitalizados. Embora os casos mais sérios de depressão ocorram só em 1% dos adultos mais velhos que vivem normalmente, esse número eleva-se a mais que 10% entre os idosos hospitalizados. A depressão, na maior parte, é conseqüência do stress do sofrimento, da deficiência física e da perda de controle que os idosos hospitalizados sentem durante uma doença. Além de
277Physician

é publicada pela organização evangélica Focus on the Family e distribuida gratuitamente aos médicos profissionais. Seu e-mail é: <physician@macmail.fotf.org>

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prejudicar a qualidade de vida, a depressão parece adiar a recuperação da doença, prolongar a estadia no hospital e potencialmente aumentar mais problemas clínicos — até mesmo a morte. Pesquisadores da Universidade de Duke decidiram investigar se um compromisso com Deus poderia ajudar os pacientes a se recuperarem mais depressa da depressão. Entre outras medidas, eles incluíram perguntas sobre freqüência a uma igreja, atividades como oração ou estudo da Bíblia, etc. Esse estudo acompanhou, por quase 1 ano durante o curso de sua depressão, 87 idosos deprimidos hospitalizados com doenças médicas. Os resultados? Os que tinham mais apego à fé em Deus apresentaram um índice de 70% de melhoria nos sintomas, conforme observaram os pesquisadores.

Esses   estudos   recentes   investigaram   quais   fatores  psicossociais   contribuem   para   o   paciente   viver   mais,   e   o  fator   que   mais   sobressaiu   e   mereceu   atenção   foi   o  compromisso   com   Deus.   Obviamente,   algumas   pessoas  com uma fé forte morrem cedo. Mas quando examinamos  estatisticamente   um   grande   número   de   pessoas,   o  compromisso   religioso,   mesmo   que   seja   apenas   uma  freqüência   aos   cultos,   permanece   um   fator   relevante   de  proteção à saúde e a uma vida mais longa.
• Menos perigo de morte prematura: Num estudo que acompanhou várias pessoas num período de 28 anos, os que freqüentavam cultos semanais tinham 25% menos probabilidade de morrer do que os que freqüentavam menos vezes. Além disso, esse estudo, que envolveu 5.286 pessoas em Alameda County, Califórnia, constatou que quando começavam a freqüentar uma igreja, as pessoas também faziam escolhas mais saudáveis para seu modo de viver, se tornando mais dispostas a parar de fumar, a se relacionar melhor com outras pessoas e a permanecer unidas no casamento. Essa mudança de conduta devido à motivação religiosa parece ter contribuído como proteção contra uma morte prematura. • Vida mais longa: Foi realizado um estudo com 2.025 residentes em Marin County, Califórnia. Esse estudo acompanhou durante cinco anos pessoas com mais de 55 anos. O que os pesquisadores descobriram foi que os idosos que freqüentavam cultos tinham o menor índice de mortes e que o maior índice de mortes estava entre os que não freqüentavam cultos.

Os   dados   dessas   pesquisas   revelam   que   os   pacientes  precisam não só de assistência médica para o corpo, mas  também de ajuda para o espírito. O Dr. Paul Vitz diz:
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Todos   os   estudos   que   Larson   (1985)   e   Levin   e   Vanderpool  (1987)   examinaram  confirmaram  que  os  que  têm  compromisso  religioso   vivem   mais   do   que   os   que   não   têm.   Esse   efeito   é  particularmente forte nos homens. 
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Esses   estudos   mostram   que   os   médicos   não   estão  conseguindo   deixar   de   ver   que   a   fé   em   Deus   é   o   fator  decisivo   para   o   bem­estar   do   doente.   O   outro   lado   da  questão   é   que,   infelizmente,   quando   se   abrem   para   a  realidade   espiritual,   alguns   médicos   passam   a   recorrer   a  práticas espíritas e tentam assim influenciar seus pacientes  que de nada suspeitam.  Testemunho de um canadense Mark   Pickup,   um   homem   saudável   de   30   anos   que  trabalhava para o governo do Canadá, um dia acordou de  manhã   e   não   conseguiu   se   levantar.   Ele   se   sentiu  totalmente   paralisado   da   cintura   para   baixo,   não   tendo  forças   para   dar   um   único   passo.   Os   médicos  diagnosticaram   esclerose   múltipla   —   uma   doença  degenerativa e debilitante, sem cura. Da noite para o dia,  Mark entrou no mundo dos deficientes. Os   primeiros   anos   de   doença   foram   difíceis.   Além   da  paralisia,   ele   foi   perdendo   a   visão,   a   fala,   a   audição,   a  memória   e   o   uso   do   braço   direito.   Ele   estava   vivendo  constantemente cansado. Sua esposa tinha de ajudá­lo a se  vestir e levá­lo para passear de cadeira de rodas. Talvez   pior   que   os   sintomas   físicos   era   sua   angústia  emocional. Mark sempre havia crido no valor de toda vida  humana desde a concepção até a morte natural. Mas agora  suas   deficiências   pessoais   estavam   testando   suas  convicções   num   nível   mais   profundo.   Ele   começou   a  questionar:  Será   que   vale   a   pena   viver?   Eu   ainda   tenho  
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Paul Vitz, A Preferential Option for the Family: Political and Religious Responses, Family in America (The Howard Center for Family, Religion & Society: Rockford, IL, EUA, junho de 1998), p. 4.

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valor?   Será   que   sou   bem­vindo   na   sociedade?  Ele   diz:  “Minha tristeza era tão profunda que eu já não sabia o que  pensar.   Estou   contente   que   ninguém   atendeu   os   meus  pedidos   de   morrer.   Tremo   só   de   pensar   no   que   teria  acontecido se a eutanásia estivesse legalizada”. Mark   explica   que   as   pessoas   precisam   de   tempo   para  sentir   a   própria   dor,   chorar   e   desabafar   sem   serem  empurradas   para   a   eutanásia.   Após   um   período   de  ajustamento, a maioria redescobre a alegria de viver. Mark  atribui sua cura emocional à sua esposa: “Ela me valorizava  quando   eu   mesmo   não   me   valorizava”.   Ele   teve   a  oportunidade   de   falar   no   Senado   canadense,   que   estava  estudando   a   possibilidade   de   legalizar   a   eutanásia   no  Canadá.   Ele   concluiu   seu   discurso   dizendo:   “Peço   que  resistamos   à   escuridão   de   hoje   de   entreter   idéias   de  eutanásia e suicídio com ajuda médica como soluções. Não  deve   haver   lugar   para   a   eutanásia   nas   sociedades  civilizadas…   Vamos   parar   toda   essa   conversa   de   matar   e  vamos dedicar nossas vidas a ajudar uns aos outros…” Mesmo em sua situação onde muitas vezes ele tem de  ficar confinado à cama, ele comenta: “Minha tristeza não é  tanto pelas funções físicas que perdi, mas por uma cultura  que questiona a santidade de toda vida humana”. Não importa o que a sociedade diga sobre os doentes,  Mark sabe que ele tem valor aos olhos de Deus. Ele fala  com   convicção:   “Não   sou   menos   ser   humano   após   todos  esses anos de deficiência degenerativa. Meu valor como ser  humano permanece intacto porque trago em mim a imagem  de Deus. Nenhuma deficiência, nenhuma fraqueza mental,  nenhuma   deformidade,   nenhuma   doença   incurável   e  nenhuma velhice tirará essa imagem de mim…” Mark fez 45 anos em 1999 e no meio de sua deficiência  ele   diz:   “Estou   feliz   de   estar   vivo”.   Recentemente,   ele  celebrou,   com   sua   esposa   e   dois   filhos   adolescentes,   25  anos de casamento. Ele crê: “Dê uma vida com dignidade 

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para   alguém   e,   quando   chegar   a   hora   de   morrer,   ele  morrerá com dignidade também”.   Mark não recebeu cura  para o seu problema, mas isso não se tornou razão para ele  desprezar a vida que Deus lhe deu. É interessante que um dos argumentos mais fortes dos  defensores   da   eutanásia   tem   a   ver   exatamente   com   a  questão da qualidade de vida. Eles dizem:
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A qualidade de vida para alguns é tão baixa que eles precisam ter a opção legal de se matar.
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A resposta, é claro, é melhorar a qualidade de vida das  pessoas   em   situação   de   fraqueza,   não   incentivá­las   ao  suicídio.
Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que, desde a criação do mundo, foi preparado pelo meu Pai. Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede, e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam nas suas casas. Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim. Estava na prisão, e foram me visitar”. — Então os bons perguntarão: “Senhor, quando foi que o vimos com fome e lhe demos comida ou com sede e lhe demos água? Quando foi que vimos o senhor como estrangeiro e o recebemos nas nossas casas ou sem roupa e o vestimos? Quando foi que vimos o senhor doente ou na prisão e fomos visitá-lo?” — Aí o Rei responderá: “Eu afirmo que, quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, de fato foi a mim que fizeram”. (Mateus 25.34-40 BLH)

Afirmando uma suposta compaixão, muitos defendem a  eutanásia   a   fim   de   dar   uma   morte   mais   apressada   aos  doentes, deficientes e idosos. Esse tipo de compaixão mata  as   pessoas   para   livrá­las   do   sofrimento.   No   entanto,   a  compaixão   de   Jesus   age   de   outro   modo.   Ela   age   sempre  matando o sofrimento. Ela sempre age a favor das pessoas  que sofrem. 
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caso de Mark Pickup foi assunto do artigo Living With Dignity, o qual apareceu na revista Celebrate Life (ALL: Stafford-EUA, 1999), pp. 26-28. 280Teresa R. Wagner, To Care or To Kill (Family Reserch Council: Washington, D.C., 1999), p. 11.

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A compaixão de Jesus nos dá esperança e nos anima a  confiar   nas   promessas   da   Palavra   de   Deus.   Precisamos  cultivar a atitude de clamar a Jesus e de esperar, desejar e  ansiar   sua   resposta.   Quando   esperamos   nele,   estamos  colocando em prática a nossa fé: “A fé é a certeza de que  vamos receber as coisas que esperamos…” (Hebreus 11.1a)  Sem   a   esperança,   nossa   fé   não   consegue   sobreviver.   O  profeta Jeremias diz: “Mas a esperança volta quando penso  no seguinte: O amor do Deus Eterno não se acaba, e a sua  bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos  todas   as   manhãs;   e   como   é   grande   a   fidelidade   do   Deus  Eterno!” (Lamentações 3.21­23). Nos Evangelhos, Jesus atua poderosamente destruindo  as   obras   do   diabo:   febre   (Mateus   8.14­15),   lepra   (Mateus  8.2­4),   morte   (Mateus   9.18­19;   João   11.1­44),   surdez  (Marcos   7.32­35),   cegueira   (Mateus   20.30­34),   possessão  demoníaca   (ou,   em   termos   mais   modernos,   graves  problemas   psicológicos:   Mateus   8.28­32),   graves  deficiências   físicas   (Lucas   13.10­13;   Mateus   21.14),  invalidez   (João   5.2­9),   etc.   Quando   nos   lembramos   da  compaixão   que   Jesus   demonstra   para   com   as   pessoas  oprimidas   pelas   obras   do   diabo,   ganhamos   esperança.  Podemos   colocar   nossa   fé   na   promessa   de   Deus.   Se   ele  disse   que   seu   amor   e   sua   bondade   são   novos   todas   as  manhãs, ele é fiel. Nos Evangelhos Jesus cura por causa de  seu amor e bondade. E se crermos realmente que esse amor  e   bondade   estão   disponíveis   para   nós   todas   as   manhãs,  então ele estará mais do que disposto a fazer por nós o que  ele   mais   tem   prazer   em   realizar:   demonstrar   seu   amor   e  destruir as obras do diabo. Todas   as   manhãs   quando   acordamos,   a   presença   de  Jesus quer nos inundar com seu amor e bondade. É por  isso   que   a   Palavra   de   Deus   nos   incentiva   a   nos  aproximarmos de Deus. Quando nos aproximamos dele, ele 

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pode se aproximar de nós, trazendo consigo seu estoque de  bênçãos (Tiago 4.8). Médicos estão descobrindo que pacientes cerebralmente mortos podem ter uma alma viva Cada vez mais, médicos estão vendo que a vida humana  não   se   limita   somente   à   esfera   física.   Se   fossemos  realmente   só   corpo   físico,   então   seríamos   obrigados   a  concordar com os médicos que não vêem nada de errado  em   remover   o   coração   batendo   de   um   paciente  cerebralmente   morto   e   transplantá­lo   para   outro   ser  humano. Embora não conheçam a Jesus, alguns médicos  estão percebendo a realidade espiritual da vida humana. O  artigo a seguir, publicado no jornal  Daily News, mostra o  que os médicos estão descobrindo:
Cientista Diz que a Mente Continua Depois que o Cérebro Morre
29 de junho de 2001 Sarah Tippit LOS ANGELES (Reuters) — Um cientista britânico, que estuda pacientes vítimas de ataque cardíaco, diz que está descobrindo evidência que sugere que a consciência continua depois que o cérebro parou de funcionar e o paciente está clinicamente morto. A pesquisa, apresentada na semana passada no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), ressuscita o debate sobre a possibilidade de haver vida após a morte e sobre a possibilidade de existir algo como uma alma humana. Em entrevista à agência de notícias Reuters, o Dr. Sam Parnia disse: “Os estudos são muito importantes, pois temos um grupo de pessoas sem nenhuma função cerebral… Embora o cérebro delas não mostrasse nenhuma função, ao mesmo tempo verifica-se que elas tinham lúcidas e bem estruturadas atividades mentais com formação de memória e raciocínio.” O Dr. Sam Parnia é um dos dois médicos do

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Hospital Geral Southampton, na Inglaterra, que vêm estudando as chamadas experiências de quase-morte (EQM). “Precisamos fazer estudos em escalas muito maiores, mas a possibilidade está realmente aí” que sugere que a consciência, ou a alma, fica pensando e raciocinando mesmo se o coração da pessoa parou, mesmo se sua respiração parou e até mesmo se a atividade de seu cérebro é zero, disse Parnia. Ele disse que ele e seus colegas conduziram um estudo inicial de duração de um ano. Os resultados desse estudo apareceram na edição de fevereiro [2001] da revista Resuscitation. O estudo foi tão promissor que os médicos estabeleceram uma instituição para financiar mais pesquisas e continuar coletando dados. Durante o estudo inicial, disse Parnia, 63 pacientes vítimas de ataque do coração haviam sido considerados clinicamente mortos, mas reviveram depois. Esses pacientes foram entrevistados uma semana depois de suas experiências. Desses, 56 disseram que não se lembravam de nada da época em que estavam inconscientes e sete relataram ter memórias. Desses, quatro foram classificados como casos de EQM, pois eles relataram memórias lúcidas em que eles pensavam, raciocinavam, se moviam e se comunicavam com outros depois que os médicos já haviam decidido que o cérebro deles não estava funcionando. SENSAÇÕES DE PAZ Entre outras coisas, os pacientes relataram que se lembravam de sentir paz, alegria e harmonia. Para alguns, o tempo passou rápido, os sentidos aumentaram e eles perderam a consciência do próprio corpo. Os pacientes também relataram ver uma luz brilhante, entrar em outra esfera e se comunicar com parentes mortos. Um, que se considerava um católico desviado e pagão, relatou ter tido um encontro forte com um ser sobrenatural. Experiências de quase morte são relatadas há séculos, mas no estudo de Parnia nenhum paciente recebeu baixos níveis

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de oxigênio, que alguns céticos acreditam pode contribuir para provocar o fenômeno da quase morte. Quando o cérebro não recebe oxigênio, as pessoas ficam totalmente confusas, têm convulsões e geralmente não têm memória alguma, disse Parnia. Nesses casos, há graves danos ao cérebro, porém memória perfeita. Os céticos sugerem que a memória dos pacientes ocorreu nos momentos em que eles estavam deixando ou retornando à consciência. Mas Parnia disse que quando o cérebro sofre um traumatismo devido a um ataque ou acidente de carro o paciente geralmente não se lembra dos momentos logo antes ou depois de perder a consciência. Pelo contrário, há um lapso de memória de horas ou dias. “Converse com eles. Eles lhe dirão algo assim: ‘Só me lembro de ver o carro e a próxima coisa que sabia é que eu estava no hospital’”, disse ele. “Nos casos de parada cardíaca, os danos ao cérebro são tão graves que fazem o cérebro parar completamente. Portanto, acho que uma pessoa nessa situação sofreria profunda perda de memória antes e depois do incidente.” Desde o experimento inicial, Parnia e seus colegas encontraram mais de 3.500 pessoas que estavam com memória lúcida enquanto estavam, de forma inegável, clinicamente mortas. Muitos pacientes, disse ele, não queriam revelar para outros suas experiências com medo de que seriam considerados loucos. A HISTÓRIA DE UM MENININHO Um paciente tinha dois anos e meio quando sofreu um ataque e seu coração parou. Seus pais contactaram Parnia depois que o menino “fez um desenho de si mesmo como se ele estivesse fora do corpo olhando para seu corpo de cima. O menino disse: ‘Quando a gente morre, vê uma luz brilhante…’ Ele ainda nem tinha 3 anos quando teve a experiência,” disse Parnia. “O que seus pais repararam foi que depois que havia sido liberado do hospital, seis meses depois do incidente, ele ficava desenhando a mesma cena”.

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O funcionamento do cérebro que esses pacientes experimentaram enquanto estavam inconscientes não tinha a capacidade de ter atividade mental lúcida ou formar memórias permanentes, disse Parnia — apontando para o fato de que ninguém compreende totalmente como o cérebro gera pensamentos. O cérebro em si é composto de células, como todos os órgãos do corpo, e realmente não tem a capacidade de produzir os fenômenos subjetivos de pensamentos que as pessoas têm, disse ele. Ele especulou que a consciência humana pode funcionar de modo independente do cérebro, usando a matéria cinzenta como mecanismo para manifestar os pensamentos, tal como um aparelho de TV traduz ondas no ar e as transforma em imagens e sons… “Quando têm experiências, essas pessoas dizem: ‘Tive uma dor intensa no peito e de repente eu estava sendo levado para um canto do meu quarto. Então comecei a me sentir feliz e bem. Olhava para baixo e percebia que eu estava vendo meu corpo e os médicos todos em volta de mim tentando me salvar e eu não queria voltar,’” [disse Parnia]. “O ponto mais importante é que eles descrevem que vêem o próprio corpo no quarto. Ninguém jamais diz: ‘Tive uma dor e em seguida minha alma me deixou.’”
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Os doentes terminais Embora casos de câncer terminal pareçam a arma preferida dos liberais para avançar a legalização da eutanásia, pesquisas indicam que nos EUA diminuiu dramaticamente o apoio dos oncologistas [médicos especializados no tratamento de tumores] à eutanásia e ao suicídio com ajuda médica. Os oncologistas treinados em assistência para doentes no final da vida são menos inclinados a apoiar ambas as opções. O que se vê agora claramente é a necessidade de dar aos médicos mais
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http://dailynews.att.net/cgi-bin/news? e=pri&dt=010629&cat=science&st=sciencelifeconsciousnessdc.html

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educação para ajudá-los a cuidar dos doentes que estão morrendo.
Alexandria, VA — Resultados de uma pesquisa envolvendo 3.299 membros da Sociedade Americana de Oncologia Clinica (SAOC) indicam nos anos recentes diminuiu dramaticamente, entre os oncologistas dos EUA, o apoio à eutanásia e ao suicídio com ajuda médica para doentes de câncer terminal. A pesquisa, patrocinada pela SAOC, também descobriu que os oncologistas que haviam sido treinados em assistência a doentes terminais têm menos probabilidade de apoiar ou aplicar a eutanásia ou o suicídio com ajuda médica. Os resultados da pesquisa, publicados na edição de 3 de outubro de Annals of Internal Medicine (Vol. 133, No. 7), frisam que os médicos precisam ser treinados nos métodos de fornecer assistência paliativa e tratamentos de controle de dores de alta qualidade para pacientes que estão morrendo, afirma o diretor da pesquisa, o Dr. Ezekiel J. Emanuel, chefe do Departamento de Bioética Clinica dos Institutos Nacionais de Saúde. Ele diz: “A assistência paliativa nos últimos dias do doente precisa ser formalmente ensinada e incluída nos programas de treinamento e na contínua educação dos médicos. Os médicos que recebem melhor treinamento na assistência a doentes terminais parecem ter menos probabilidade de realizar a eutanásia ou o suicídio com ajuda médica”. A pesquisa, conduzida em 1998, é a maior a avaliar as atitudes e práticas dos médicos acerca da eutanásia e do suicídio com ajuda médica. Quando compararam esses resultados com uma pesquisa semelhante conduzida em 1994 pelo Dr. Emanuel, os pesquisadores descobriram que caiu em quase 70% — de 23% em 1994 para menos de 7% em 1998 — o apoio dos oncologistas à eutanásia para doentes cancerosos que estão morrendo com dores insuportáveis. Nos mesmos quatro anos, caiu em 50% — de 45% para 22% — o apoio dos oncologistas ao suicídio com ajuda médica, no caso de um doente terminal de câncer com dores contínuas. O declínio geral no apoio à eutanásia e ao suicídio com ajuda médica pode refletir que os oncologistas estão com uma capacidade melhor de fornecer assistência conveniente para seus pacientes que estão morrendo, diz o Dr. Emanuel. Aliás,
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os oncologistas que disseram que estavam em condições de dar a seus pacientes toda a assistência necessária tinham bem menos probabilidade de aplicar a eutanásia, em comparação com os médicos que relataram barreiras administrativas, fiscais ou outros problemas para fornecer assistência. “A SAOC acredita que os médicos têm a obrigação de conversar com seus pacientes terminais e suas famílias sobre as opções que eles têm para receber assistência paliativa e os tipos de tratamento sintomáticos que serão fornecidos…” disse o Dr. Charles M. Balch, vice-presidente executivo da SAOC. Mais de 70% dos pacientes mortos [nos EUA] pela eutanásia e pelo suicídio com ajuda médica têm câncer. Como conseqüência, os oncologistas têm mais probabilidade de lidar diretamente com a questão da eutanásia e o suicídio com ajuda médica do que os outros médicos. Dos oncologistas entrevistados em 1998, quase 16% disseram que estariam dispostos a ajudar os pacientes a cometer suicídio e 2% estariam dispostos a aplicar a eutanásia nos pacientes. Os menos prováveis a apoiar a eutanásia ou o suicídio com ajuda médica eram os que tinham tempo suficiente para conversar com seus pacientes sobre a assistência para doentes no fim da vida e os que eram religiosos. Aproximadamente dois terços dos oncologistas entrevistados também disseram que eles relutariam em aumentar a dosagem de morfina para um paciente de câncer morrendo com dores insuportáveis. Essa relutância para aliviar as dores dos pacientes parece refletir os temores de alguns médicos de que o aumenta da dosagem de morfina pode também aumentar o risco de um paciente sofrer dificuldade para respirar e pode levá-lo à morte. Isso poderia acabar sendo interpretado como eutanásia. “Infelizmente, igualar com a eutanásia o aumento da morfina com o propósito de aliviar as dores parece resultar em tratamento de dores inadequados para pacientes. Isso é preocupante”, disse o Dr. Emanuel. “Os médicos têm de ser conscientizados acerca da aceitação legal e ética do aumento de narcóticos com o objetivo de diminuir as dores, até mesmo quando há o risco de morte”. “Esses resultados de estudos frisam que os médicos precisam receber educação e treinamento nas mais

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eficientes técnicas de assistência paliativa e controle de dores”, disse o pesquisador Dr. Robert J. Mayer, vice-diretor de Assuntos Acadêmicos, no Instituto do Câncer Dana-Farber. Ele é também professor de medicina na Faculdade de Medicina de Harvard e já foi presidente da SAOC. Sob a liderança dele é que o estudo foi iniciado. Ele disse: “Os médicos que são mais bem informados sobre as questões de doentes terminais sentem menos necessidade de usar a eutanásia e o suicídio com ajuda médica”… Eutanásia é quando o médico administra uma conhecida dose letal de medicação para intencionalmente acabar com a vida de alguém que está sofrendo de uma doença incurável, tal como o câncer. O suicídio com ajuda médica é quando um médico fornece informações e/ou uma prescrição sabendo que o paciente as usará para cometer suicídio.
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De acordo com esse estudo, a maioria dos oncologistas  americanos   está   descobrindo   que   é   melhor   cuidar   dos  doentes terminais e aliviar­lhes as dores do que matá­los.  Na   época   do   Novo   Testamento,   os   judeus   e   os   cristãos  usavam   a  Septuaginta,   uma   tradução   grega   do   Antigo  Testamento. Há uma passagem na Septuaginta que diz: “… aquele   que   não   usa   seus   esforços   para   se   curar   é   irmão  daquele   que   comete   suicídio”.   (Provérbios   18.9b   Bíblia  Ampliada   em   inglês.)   Mesmo   quando   o   ser   humano   não  consegue remover uma doença crônica ou terminal, deve­se  pelo   menos   ajudar   a   “curar”   as   dores   intensas   de   um  doente terminal. Em Provérbios 18.9b Deus dá uma resposta clara aos que acham que nós temos a obrigação moral de negligenciar nosso corpo a fim de deixar a natureza seguir seu curso. Os defensores da eutanásia pensam que na doença, na deficiência ou mesmo na depressão não devemos impedir a “vontade” da natureza. Minha amiga Jean Heise diz:

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Publicado na Internet pela Sociedade Americana de Oncologia Clinica. Para mais infomações, entre em contato com Carrie Bittman:

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Quando a medicina não consegue mais dar nenhum benefício para alguém que amamos, então nossa responsabilidade é dar conforto e suprir as necessidades básicas dessa pessoa. Essas necessidades são calor humano, limpeza, comida e água, e apoio emocional e espiritual.
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Água e alimento podem não parecer importantes. Mas  Deus testa nossa própria dedicação a ele com o simples ato  de dar água e alimento a quem precisa (cf. Mateus 25:34­ 46). Uma   notícia   da   CNN   revela   os   benefícios   de  acompanharmos   e   ajudarmos   um   familiar   que   está  morrendo.
CUIDAR DE FAMILIAR DOENTE TORNA MORTE MAIS SUPORTÁVEL 27 de junho, 2001 CHICAGO -- As pessoas que cuidaram de seus cônjuges durante o período terminal da doença apresentaram melhor reação à morte do que as que se mantiveram afastadas, de acordo com estudo publicado no Journal of the American Medical Association. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh acompanhou 129 pessoas, com idades de 66 anos a 96 anos, moradoras de quatro comunidades dos Estados Unidos, que tinham perdido recentemente o companheiro. Alguns tomaram conta dos doentes e estavam sob estresse e tensão, outros cuidaram dos pacientes mas não sob tensão e outros não se envolveram na assistência ao doente. O estudo revelou que aqueles que estiveram sob tensão não sofreram perda de peso ou aumento no uso de drogas antidepressivas quando o ente querido morreu, mas os que não tomaram conta sofreram. Esse último grupo apresentou um aumento significativo na depressão após a morte, tiveram aumento de uso de medicamentos, principalmente antidepressivos, e
283Revista

Living (outono de 1996), publicada por Lutherans for Life, EUA, p. 14.

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também apresentaram perda de peso. As pessoas que se envolveram pouco nos cuidados ao paciente antes da morte ficaram entre os dois grupos extremos, disse Richard Schulz, co-autor do estudo. "Embora quem dá assistência fica deprimido depois da morte do cônjuge, de muitos modos a morte pode na verdade trazer alívio para alguns em relação às tarefas mais árduas dos cuidados," disse. "A morte também traz um fim ao sofrimento do companheiro e permite que o sobrevivente retome a rotina normal." Ao mesmo tempo, os companheiros que tiveram um papel limitado ou nenhuma participação nos cuidados podem achar a morte mais dura porque era menos esperada, disse Schulz. "No geral, esses dados sustentam a hipótese de que a morte de um cônjuge, entre pessoas estressadas pelos cuidados dispensados ao falecido, significa a redução no fardo e assim deixa-a mais leve para a recuperação.
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A realidade da morte Precisamos   compreender   que   morrer   pode   ser   uma  experiência muitas  vezes difícil,  especialmente para  quem  não   conhece   Jesus.   Mas   todos   teremos   de   enfrentar   a  morte,   de   uma   forma   ou   de   outra,   vendo   pais,   maridos,  esposas,   filhos   ou   netos   partirem   para   a   eternidade,   sem  mencionar que nós mesmos teremos nossa própria partida.  Nossa   responsabilidade,   se   possível,   é   ajudar   nossos  parentes   e   amigos   a   terem   uma   partida   tão   agradável   e  pacífica   quanto   possível.   Será   que   isso   é   fácil?   Não.   Mas  pode ser feito, e cabe a cada um de nós tentar. O   Dr.   Koop,   cirurgião   com   anos   de   experiência   de  operações em crianças, comenta:
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http://cnn.com.br/2001/saude/06/27/cuidados/index.html

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Suponham   que   sua   filha   de   dois   anos   tivesse   um  neuroblastoma,   o   tumor   mais   comum   entre   as   crianças.   Eu   a  operei, dei­lhe terapia de radiação e por dois anos ela recebeu  quimioterapia.   Ela   se   saiu   tão   bem   no   começo   que   dava   para  duvidar que  o diagnóstico pudesse ser câncer. Mas agora você  está vendo seu estado piorando, e sabemos que temos de chegar  a uma decisão. Não podemos operar, ela não tem mais condições  de continuar recebendo radiação e eu recomendo que paremos a  quimioterapia. Por que? Porque se continuarmos a quimioterapia, ela viverá  apenas   três   meses.   Ela   sofrerá   fortes   dores,   que   podemos  controlar, porém ela será como um zumbi e provavelmente ficará  cega e surda. Se pararmos a quimioterapia, ela viverá um mês e  meio   apenas,   mas   não   sofrerá   as   dores   ou   não   ficará   cega   e  surda. Na minha opinião, parar o tratamento é um bom remédio  para essa paciente, para sua família e para a sociedade.
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John   Wimber   tem   anos   de   experiência   com   doentes,  mas num nível de ministração pastoral. Ele diz:
Freqüentemente   recebo   ligações   telefônicas   de   pessoas   me  pedindo para ir orar por um amigo íntimo ou membro da família  que está morrendo. Depois de ouvir os detalhes da situação da  pessoa, pergunto a Deus: “Este é o tempo escolhido para essa  pessoa morrer?” Se é a hora de a pessoa morrer, devemos liberá­ la   para   Deus.   Oro   desse   modo   porque   ainda   estamos  aguardando a plena redenção de nossos corpos.
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A Bíblia ensina que há um “tempo determinado para as  pessoas   morrerem”   (Eclesiastes   3.2).   Esse   tempo   varia  muito. Em muitos casos, um idoso adoece e morre, mas em  outros,   quem   morre   é   um   bebê   ou   uma   criancinha.   Não  entendemos por que isso acontece. Tudo o que sabemos é  que o pecado trouxe a morte para o mundo que Deus criou.  Contudo,   Cristo   veio   para   conquistar   a   morte.   Foi   isso   o 
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Citado em: Beth Spring & Ed Larson, Euthanasia, Spiritual, Medical & Legal Issues in Terminal Health Care (Multnomah Press: Portland, Oregon (EUA), 1988), p. 101. 286Adaptado de: John Wimber, Power Healing (Harper & Row Publishers: Nova IorqueEUA, 1987), p. 161,162.

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que  a  morte  de  Jesus  fez  por  nós  na  Cruz:  a  derrota  do  poder da morte em nossas vidas. Paulo escreve: “O último  inimigo que será vencido é a morte” (1 Coríntios 15.26. Veja  também Romanos 5.12 e Hebreus 2.14). Aqueles que se entregaram totalmente a Jesus, embora  sofram problemas físicos que não conseguem vencer agora,  têm   uma   certeza:   depois   da   morte   física,   virá   a   cura  integral: “Enquanto vivemos nesta barraca, que é o nosso  corpo, gememos aflitos. Não é que queremos ser despidos  do nosso corpo terreno; o que desejamos é ser vestidos com  o corpo celeste para que a vida faça desaparecer o que é  mortal.   É   Deus   quem   nos   tem   preparado   para   essa  mudança e nos deu o seu Espírito como garantia de tudo o  que   ele   tem   para   nos   dar.   Assim   estamos   sempre   muito  animados. Sabemos que, enquanto vivemos na casa deste  corpo, estamos longe do lar do Senhor. Porque vivemos pela  fé   e   não   pelo   que   vemos.   Estamos   muito   animados   e  gostaríamos de deixar de viver neste corpo para irmos viver  com o Senhor” (2 Coríntios 5:4­8). John Wimber diz:
Há vários anos recebi uma ligação de um pai desnorteado.  Ele estava soluçando e mal conseguia conversar. “Minha filhinha  está aqui no hospital,” ele disse, “e o corpo está todo envolvido  com   sondas   e   máquinas.   Os   médicos   disseram   que   ela   não  passará desta noite. Por favor, venha aqui”. Respondi que iria ao  hospital.   Depois   de   desligar   o   telefone,   orei:   “Senhor,   tu   estás  chamando este bebê para ti neste tempo?” Senti que o Senhor  estava   dizendo   não.   Entrei   no   hospital   sabendo   que   sou   um  representante de Cristo, um mensageiro que tinha um presente  para essa menininha. Quando entrei no quarto do bebê, senti a  morte,  então   disse   quase   silenciosamente:   “Morte,   saia  daqui”.  Ela foi embora e a atmosfera do quarto todo mudou, como se um  peso   tivesse   sido   removido.   Então   fui   e   comecei   a   orar   pela  menina. Depois de apenas alguns minutos eu já sabia que ela  seria   curada,   e   o   pai   sentiu   o   mesmo.   Já   dava   para   ver  esperança   nos   olhos   dele.   “Ela   vai   ficar   bem,”   ele   disse.   “Sei 

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disso”.   Dentro   de   alguns   minutos   ela   melhorou   muito.   Vários  dias depois ela recebeu alta e estava completamente curada…
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Em 1 Coríntios 11.17­34 Paulo escreve para a igreja da  cidade   de   Corinto   sobre   o   juízo   que   eles   tinham   trazido  sobre   si   mesmos   porque   usaram   mal   a   Ceia   do   Senhor.  Eles   eram   culpados   do   pecado   da   teimosia   e   da   falta   de  arrependimento quando se aproximavam de Deus na Ceia.  As conseqüências? “É por isso mesmo que muitos de vocês  estão   doentes   e   fracos,   e   alguns   já   morreram”   (versículo  30). Eles ficaram doentes e muitos morreram, porque não  queriam obedecer à Palavra de Deus. O caso de Ananias e  Safira, que se encontra em Atos 5.1­10, é outra ilustração  de   como   se   poderia   evitar   a   morte   pela   obediência   e   fé.  Embora esses cristãos não tivessem a coragem de cometer  suicídio   com   as   próprias   mãos,   através   da   desobediência  eles   estavam   trazendo   doenças   sérias   para   suas   vidas.  Alguns deles estavam partindo para a eternidade antes do  tempo. Podemos evitar o destino dos cristãos de Corinto e de  Ananias e Safira tomando posse da vitória de Cristo pela fé  e   tomando   posse   da   proteção   do   Pai   ficando   longe   do  pecado:   “Sabemos   que   os   filhos   de   Deus   não   continuam  pecando, porque o Filho de Deus os guarda, e o diabo não  pode tocar neles” (1 João 5.18). Como ministrar aos doentes terminais Há casos em que Deus diz: “Chegou o tempo certo de  partir para Jesus”. O Espírito Santo mesmo pode alertar os  servos de Deus sobre sua partida, conforme a Palavra de  Deus   nos   mostra   no   caso   de   Moisés   (cf.   Deuteronômio  31:2,14)   e   de   Simeão   (cf.   Lucas   2:25­29).   Ainda   que   o  cristão   saiba   que   terá   de   partir,   sua   atitude,   como   bom  soldado de Jesus, é se entregar para seu comandante, não 
287Adaptado

de: John Wimber, Power Healing (Harper & Row Publishers: Nova IorqueEUA, 1987), p. 162. O contexto também foi adaptado da excelente obra de Wimber.

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para   as   doenças.   Embora   tenha   de   partir,   ele   encara   a  morte e a doença como seus inimigos até o fim. Os soldados  que   morrem   em   batalha   recebem   medalhas   de   seu  comandante.   Normalmente,   um   cristão   mais   maduro   tem  tal atitude. Em   outras   situações,   envolvendo   cristãos   com   outras  atitudes   e   experiências,   incentivá­los   a   olhar   só   para   a  cura, e não para Aquele que cura, pode trazer sofrimento  desnecessário   e   lhes   desviar   a   atenção   de   sua  responsabilidade   de   confiar   completamente   em   Jesus   em  sua   partida.   Afinal,   embora   devamos   desejá­la   muito,   a  saúde física e mental é inútil, a menos que tenhamos um  relacionamento pessoal com Jesus e vivamos para ele.  Alguns anos atrás ministrei para uma enfermeira doente  terminal de câncer de mama. Ela tinha uns 30 anos e seu  estado era bem doloroso. Ela aceitou Jesus como Salvador  em plena doença e ia às nossas reuniões mesmo com dores.  Lembro­me   de   que   alguns   familiares   tentavam   trazer  curandeiros espíritas para rezar por ela, e ela não se abria  para   esse   tipo   de   cura.   Pastores   de   outras   igrejas   a  visitavam, alguns até prometendo cura no nome de Jesus e  forçando­a   a   declarar   que   ela   já   estava   curada.   Mas   seu  estado estava piorando. Eu   a   visitava   quase   que   diariamente,   encontrando­a  sempre   em   dores.   Nessas   visitas,   dediquei­me  especialmente   a   ler   vários   capítulos   dos   Evangelhos   para  ela   e   via   sempre   sua   face   resplandecer.   A   Palavra   tem  poder, e esse poder é revelado de modo especial quando o  Espírito Santo é convidado a se mover e lhe damos espaço  livre para agir. Jesus disse para os religiosos de sua época:  “Como estão enganados! Vocês não conhecem as Escrituras  Sagradas nem o poder de Deus”. (Mateus 22:29 BLH) Eu   visitava   aquela   enfermeira   em   dores,   convidava   o  Espírito Santo a encher seu quarto com sua presença e lia  vários   capítulos   dos   Evangelhos   para   alimentá­la  espiritualmente.   Geralmente,   logo   depois   as   dores 
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diminuíam bastante. Era maravilhoso ver em ação o poder  da   Palavra   e   do   Espírito.   Embora   Deus   já   tivesse   me  revelado   que   ele   iria   levá­la,   eu   apenas   orava   para   que  Jesus a visitasse poderosamente e a aconselhava a olhar só  para Jesus, e não para a cura. Ficar atrás do Médico dos  médicos é muito melhor do que ficar atrás apenas de uma  cura passageira. Eu orava para que Deus lhe preparasse o  coração para estar sempre com Jesus. Não contei a ela o  que eu já sabia, mas orava e aguardava, pois Jesus é um  Deus de maravilhas e surpresas agradáveis. Eu sabia que,  se ele assim permitisse, o rumo daquela situação poderia  ser alterado (cf. Isaías 38). Ela morreu em menos de três meses, e a visão de Jesus  a levando nos braços se confirmou. É importante lembrar  que, embora já soubesse dessa partida, continuei vendo e  encorajei­a a ver as doenças e a morte como inimigos de  Deus. Ela lutou como um soldado e viu várias respostas e  bênçãos,   a   maior   das   quais   é   estar   com   seu   Salvador   e  Senhor eternamente. A   maior   necessidade   do   doente   terminal   é   saber   com  segurança   o   que   Jesus   fez   por   nós   na   Cruz.   Mediante   a  morte   de   Jesus   na   Cruz,   Deus   aceita   os   homens   e   as  mulheres,   apesar   de   seus   pecados   e   limitações.   As  limitações não são pecado: nenhum de nós é Deus. Muitas  pessoas acham que se viverem como devem, suas vidas não  terão nenhuma limitação. Mas quando chegar o tempo de  morrerem, aí então elas se lembrarão de que são fracas. John Wimber diz:
Muitos cristãos acham difícil aceitar suas limitações, porque  passaram a vida inteira servindo os outros, mas nunca tiveram a  experiência de outros os servirem. Essas pessoas têm dificuldade  de aceitar ajuda de outros porque jamais compreenderam nem  aceitaram que “é pela graça de Deus que vocês são salvos por  meio   da   fé.   Isso   não   vem   de   vocês,   mas   é   presente   dado   por  Deus.   A   salvação   não   é   o   resultado   dos   esforços   de   vocês  mesmos, e por isso ninguém deve se orgulhar” (Efésios 2.8­10). 
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Isto é, eles não entenderam nem creram completamente que a  expiação fornece vida eterna mediante a fidelidade de Deus; eles  têm se esforçado muito para manter a graça de Deus. A doença  terminal   testa   severamente   a   fé   deles,   e   eles   recebem   grande  ajuda quando percebem que eles são justificados por causa da  fidelidade de Deus, não por causa das obras deles. Os   descrentes   em   nossa   sociedade   também   acham   difícil  aceitar   o   fato   de   que   eles   terão   de   morrer.   Eles   foram   criados  nesta   moderna   sociedade   tecnológica   na   qual   raramente   se  menciona a morte, e freqüentemente eles não reconhecem que  morrerão. O único modo como eles poderão aprender a lidar com  suas limitações e a culpa de seus pecados é por meio da cura do  espírito   deles.   Essa   cura   vem   quando   eles   se   arrependem   e  colocam sua fé em Cristo. Podemos   oferecer   muito   conforto   e   ânimo   para   os   doentes  terminais. Uma chave para oferecer conforto e ânimo é que nós  mesmos   estamos   livres   de   preocupações   com   a   morte.  Ganhamos essa liberdade quando somos justificados diante de  Deus.   Ficar   cara   a   cara   com   uma   pessoa   com   uma   doença  terminal   não   é   fácil,   pois   isso   nos   faz   lembrar   de  nossas  limitações.   Só   conseguiremos   ajudar   os   outros   a   enfrentar   a  morte quando nós mesmos pudermos enfrentá­la. Samuel   Southard,   professor   de   teologia   pastoral   no  Seminário Teológico Fuller, dá aulas de como ministrar aos que  estão   morrendo.   Ele   diz   que   a   oração   —   tanto   em   favor   do  conselheiro   quanto   em  favor   do   doente   terminal   —   é   “um   dos  maiores recursos espirituais que Deus deu a seus filhos; é um  poderoso remédio para a alma”. A oração deve começar antes da  visita ao doente terminal. “A oração não deve ser o último ato na  visitação; deve ser um ato de adoração antes de visitarmos”. Se  não   orarmos   antes   da   visita,   levaremos   junto   tensões,  preocupações   e   hostilidade   que   tenhamos   pego   de   outras  atividades.   Nesse   aspecto   específico,   nossa   oração   protege   o  paciente.   A   oração   também   nos   faz   lembrar   que   o   Espírito   de  Deus vai adiante de nós e que ele, não nós, é o Consolador. A   oração   eficaz   em   favor   do   doente   terminal   começa   com  nossa   disposição   de   sermos   bons   ouvintes   (Provérbios   20.5).  Southard   menciona   como   é   importante   escutar   a   uma   pessoa  doente:   “A   atitude   de   oração   que   é   a   mais   importante   para   a  pessoa   doente   poderia   ser   chamada   de   ouvir   com   atenção,  compreensão, simpatia e comunhão de espírito”. Só conseguimos 
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orar   eficazmente   quando   entendemos   o   significado   mais  profundo das palavras do doente terminal. Em conclusão, o Espírito Santo falará a nós, nos revelando o  que   está   no   coração   da   pessoa   e   nos   dará   a   sabedoria   para  sabermos   orar   especificamente.   “Quando   ficamos   escutando,  podemos   ouvir   o   que   o   Espírito   de   Deus   disse   a   essa   pessoa  doente e o que o Espírito diria a essa pessoa através de nós. A  oração   que   oramos  a  pedido   da  pessoa  doente  não   será  então  vazia; falará às reais necessidades do seu coração”. O ministério aos doentes terminais sempre leva ao ministério  aos   amigos   e   parentes   enlutados.   Eles   também   precisam   ser  curados da experiência traumática de perder um amado. Sentir  tristeza   sem   sentimento   de   culpa   é   uma   parte   importante   da  nossa   adaptação   à   perda   de   um   amado.   Às   vezes   a   pessoa  enlutada sofre culpa por causa de erros ou negligência em seu  relacionamento passado com a pessoa que morreu, e podemos  lhes   oferecer   o   perdão   de   Cristo   para   seus   pecados.  Freqüentemente ela acha  difícil  aceitar  a perda ou enfrentar  o  futuro. Cada pessoa é diferente. Talvez o melhor conselho seja  sermos ouvintes bons e compassivos.
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288Adaptado

de: John Wimber, Power Healing (Harper & Row Publishers: Nova IorqueEUA, 1987), p. 164-165.

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A MELHOR MANEIRA DE PARTIR
A maioria dos cristãos acha que ao chegar aos 70 anos é  tempo   de   se   aposentar   e   aguardar   a   morte,   exatamente  como   faz   o   mundo.   Milhões   de   homens   e   mulheres  terminam   seus   dias   enterrando   seus   talentos,   sem   ver  propósito   para   a   existência   na   velhice.   Eles   acham   que  velhice é sinônimo de enterrar as esperanças e propósitos  do Espírito Santo. Às   vezes,   os   maiores   exemplos   de   fé   e   intervenção   de  Deus   começam   exatamente   onde   a   mente   humana   acha  que é o fim de tudo. Quando recebeu de Deus a visão de  um   bebê   que   seria   grandemente   usado   para   realizar   os  propósitos   de   Deus,   Abraão   estava,   em   termos   de  probabilidade humana, na pior situação possível: ele estava  com   70   anos,   no   fim   da   existência,   sem   filho   algum   e  frustrado. Sem mencionar o fato de que ele estava casado  com uma mulher que, além de ser estéril, já tinha passado  da   idade   biológica   de   conceber   um   filho.   Sua   fé   só  conquistou o  cumprimento da  promessa de  Deus quando  ele tinha 100 anos. Foi com essa idade avançada que ele  recebeu de Deus um bebê de presente. O que o mundo chama de fim da vida não significa o fim  do propósito de Deus, pois o propósito de Deus para cada  um de nós dura enquanto estamos vivos neste mundo, seja  qual   for   a   idade   em   que   estejamos.   Com   a   idade   de   100  anos, Moisés liderou o povo de Israel em seu destino à terra  de Canaã. No fim da vida, o Rei Davi fez planos detalhados  para a construção de um grande e magnífico templo para  Deus. Embora   o   padrão   normal   do   mundo   seja   trabalhar   e  depois se aposentar, o padrão do Reino de Deus é servirmos  a ele de acordo com o propósito específico que ele nos deu.  Esse serviço a Deus prossegue até nossa partida. Não existe 
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aposentadoria   nem   limite   de   idade   para   o   chamado   que  Deus nos dá. Corrie ten Boom era uma mulher holandesa que passou  anos   num   campo   de   concentração   nazista.   Ela   foi  condenada   àquele   lugar   de   sofrimento   porque   escondia  judeus em sua casa. Ao sair dali, com quase 60 anos, ela  achava que a vida já não tinha mais nada para lhe oferecer  e que só lhe restava esperar o Senhor levá­la para o Céu.  No entanto, logo depois ela embarcou numa longa carreira  missionária internacional, viajando para vários países pela  fé   e   dando   testemunho   de   Jesus   pelo   poder   do   Espírito  Santo.   Aos   80   anos,   ela   escreveu   um   livro   contando   as  maravilhas que o Senhor realizou em sua vida. Ela morreu  em   1984,   com   mais   de   90   anos,   trabalhando  incansavelmente   para   Jesus.   Depois   que   cumprimos   o  chamado de Deus, ele nos leva. O que Deus tem para nós na velhice? Lembrando­se de  suas experiências no campo de concentração, Corrie conta  como Deus falou com ela prometendo usá­la na velhice:
Deus tem planos, não problemas, para nossas vidas. Antes de morrer no campo de concentração de Ravensbruck, minha irmã Betsie disse para mim: “Corrie, sua vida inteira foi um treinamento para o trabalho que você está fazendo aqui na prisão, e para o trabalho que você fará depois”. A vida de um cristão é um treino para um serviço mais elevado… Todos os dias centenas de mulheres morriam e seus corpos eram lançados nos fornos. Betsie tinha se tornado tão fraca que ambas sabíamos que não faltava muito para ela morrer… Certa noite, Betsie me acordou: “Você está acordada, Corrie?” Sua voz fraca soava tão distante… “Sim, você me acordou”. “Eu tinha que acordar, eu preciso lhe contar o que Deus falou para mim… Deus me mostrou que depois da guerra nós devemos dar aos alemães aquilo que eles estão tentando tirar de nós agora: nosso amor por Jesus. Corrie, há tanta amargura. Nós precisamos dizer a eles que o Espírito Santo encherá seus corações com o amor de Deus. Viajaremos pelo mundo inteiro levando o Evangelho para todos — para os nossos amigos e para os nossos inimigos”. Corrie então pergunta: “Para o mundo inteiro? Mas isso vai custar muito dinheiro”. “Sim, mas Deus proverá”, Betsie falou. “Nós não devemos fazer nada a não ser levar o Evangelho. Ele tomará conta de nós. Afinal de contas, Ele possui gado em mil montanhas. Se precisarmos de dinheiro só precisaremos pedir que o Pai venda

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algumas vacas”. Eu estava começando a aprender a visão. “Que privilégio”, falei suavemente, “viajar pelo mundo e ser usada pelo Senhor Jesus”.
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Mais   tarde,   já   fora   do   campo   de   concentração   e  embarcando   na   realidade   missionária   que   Deus   havia  revelado à sua irmã, Corrie conta como ela teve um forte  encontro   com   o   Espírito   Santo   quando   machucou  gravemente o quadril e teve de passar semanas internada  num hospital. Ela diz:
Eu era uma paciente que não tinha muita paciência. Eu tinha apenas cinco dias antes de ir para uma conferência de estudantes na Alemanha e à medida que os dias passavam, eu percebia que o meu quadril não estava cicatrizando suficientemente depressa para eu poder realizar a conferência. Tornei-me, pois, irritadiça. — Não há um cristão em toda esta cidade que possa orar para eu ser curada? — perguntei. Meus amigos mandaram chamar certo pastor da cidade que praticava a imposição de mãos nos doentes para curá-los. Naquela mesma tarde ele veio ao meu quarto. De pé ao lado de minha cama ele disse: — Há algum pecado na sua vida que não foi confessado? Que pergunta mais estranha, pensei. Eu sabia que ele tinha concordado em vir orar para curar-me. Mas será que fazia parte do trabalho dele tornar-se tão pessoal a respeito de meus pecados e atitudes? No entanto, eu não tinha que olhar muito longe. Minha impaciência e a atitude exigente que eu tinha demonstrado em relação à minha enfermeira tinham sido erradas, muito erradas. Pedi a ela que viesse ao quarto e arrependi-me de meu pecado, pedindo a ela e a Deus que me perdoassem. Satisfeito, esse homem tranqüilo se aproximou e colocou as mãos sobre minha cabeça. Fazia só um ano que minha irmã Nollie tinha morrido. Desde então meu coração estava quebrantado pela tristeza. Eu tinha a sensação de ter sido abandonada e sabia que a insegurança que eu tinha experimentado havia contribuído para que estivesse ali naquela cama, em vez de estar na Alemanha com os estudantes. Entretanto, enquanto esse alto e simpático homem colocava as mãos sobre mim e orava, eu senti uma grande corrente de poder fluindo
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Adaptado de: Corrie ten Boom, Andarilha para o Senhor (Editora Vida: 1976), pp. 11,46-49.

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através de mim. Que grande alegria. A tristeza me deixou e eu queria cantar como Davi: “Tu mudaste o meu choro em dança alegre; tiraste a minha roupa de luto e me vestiste com roupas de festa”. (Salmo 30.11 BLH) Senti a presença do Senhor Jesus à minha volta e senti Seu amor fluindo dentro de mim e sobre mim como se eu tivesse sido mergulhada no oceano da graça de Deus. Minha alegria se tornou tão intensa que finalmente orei: “Chega, Senhor. Chega”. Parecia que meu coração queria estourar, tão grande era a alegria. Eu sabia que isto era aquela maravilhosa experiência prometida por Jesus: o batismo no Espírito Santo. Olhei para o homem que tinha orado por mim e perguntei: — Posso andar agora? Ele respondeu: — Eu não sei. Tudo o que sei é que a senhora pediu uma xícara e Deus lhe deu um oceano. Dez dias mais tarde eu estava a caminho da Alemanha, atrasada, porém cheia de uma alegria transbordante. Só depois que eu cheguei é que percebi a razão por que Deus escolheu aquele exato momento para me encher com Seu Santo Espírito. Pois foi na Alemanha, pela primeira vez, que me encontrei face a face com muitas pessoas que estavam oprimidas ou controladas por demônios. Se eu tivesse ido apenas com meu poder eu teria fracassado. Agora, indo com o poder do Espírito Santo, Deus pôde realizar muitas libertações através de mim quando eu ordenava que os demônios saíssem das pessoas em nome do Senhor Jesus Cristo. Jesus avisou especificamente seus seguidores para que não tentassem ministrar sem Seu nome, sem Seu poder. Como eu descobri por experiência própria, tentar fazer o trabalho do Senhor com suas próprias forças é o mais confuso, cansativo e tedioso de todos os trabalhos. Mas quando estamos cheios do Espírito Santo, então o ministério de Jesus se derrama em nós. Foi o começo de uma nova bênção espiritual que cada dia me traz mais para perto do Senhor Jesus. Agora, seja ao andar na luz brilhantes de Sua presença ou me abrigando `sombra do Deus Onipotente, eu sei que Ele não está somente comigo, mas também em mim.

Em   vários   trechos   de   seu   livro,   ela   expõe   sua   fé   em  Deus:

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“…maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”. (1 João 4.4)
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…louvado seja Deus! Eu posso ser uma vencedora quando estou sob o poder do sangue do Cordeiro.
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Durante todos esses anos em que tenho sido uma “andarilha para o Senhor”, eu tenho tido medo muitas vezes. Mas nesses momentos estendi a mão para o alto e toquei nas vestes de Jesus. Ele nunca deixou de me acolher. Entretanto, ainda anseio pelo tempo em que terei uma mansão no céu. Aqui na terra foi com a idade de setenta e sete anos que pela primeira vez encontrei um lugar para eu morar: um belo apartamento na cidade de Baarn, na Holanda. Apesar de eu estar lá raramente (pois eu pretendo continuar viajando até morrer em meu posto)… Mesmo com esse “lar” aqui na terra, eu anseio acima de tudo por minha mansão celestial.
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Enquanto o amor de Deus, o fruto do Espírito Santo, era derramado em meu coração, lancei-me novamente em minhas viagens — uma andarilha para o Senhor. Que grande alegria foi experimentar o amor de Deus, que me deu rios de água para o sedento mundo da África, América e Europa Oriental. É claro que pode ser da vontade de Deus que algumas pessoas de idade se aposentem de seu trabalho. Em grande agradecimento ao Senhor, eles podem gozar suas pensões. Mas, para mim, o caminho da obediência era continuar a viajar mais do que antes. Jesus nos alerta em Mateus 24.12 que o amor da maioria das pessoas esfria por causa do aumento do pecado. É muito fácil pertencer à “maioria”. Mas os portões do arrependimento estão sempre abertos. Aleluia!
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O   programa   de   eutanásia   da   Holanda   tem   sido   visto  como um modelo para os países industrializados que estão  vendo   suas   populações   idosas   aumentarem   como   nunca  antes. Mas a vida de uma idosa holandesa dedicada a Deus  permanece   um   exemplo   do   que   Deus   pode   fazer   com  alguém   que   a   sociedade   julga   não   ter   mais   valor.   O 
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Adaptado 76-78. 291 Adaptado 292 Adaptado 122. 293 Adaptado 189.

de: Corrie ten Boom, Andarilha para o Senhor (Editora Vida: 1976), pp. de: Corrie ten Boom, Andarilha para o Senhor (Editora Vida: 1976), p. 94. de: Corrie ten Boom, Andarilha para o Senhor (Editora Vida: 1976), p. de: Corrie ten Boom, Andarilha para o Senhor (Editora Vida: 1976), p.

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testemunho   cheio   fé   de   Corrie   encontra­se   em   seu   livro  Refúgio Secreto  (Editora Betânia) e no famoso filme com o  mesmo título. A   experiência   de   vida   de   Corrie   é   um   exemplo   das  oportunidades que Deus dá para todo cristão de fé. Deus  está   disposto   a   usar   cada   um   de   nós,   mesmo   quando   o  mundo olha para nós e vê velhice e fim. “O Deus Eterno diz:  ‘Os meus pensamentos não são como os seus pensamentos,  e   eu   não   ajo   como   vocês.   Assim   como   o   céu   está   muito  acima da terra, assim os meus pensamentos e as minhas  ações estão muito acima dos seus…’” (Isaías 55.8­9 BLH)  Deus   usou   a   idosa   Corrie   e   contrariou   toda   a   sabedoria  humana que diz que a velhice é o fim de tudo. “Deus tem  mostrado   que   a   sabedoria   deste   mundo   é   loucura!”   (1  Coríntios 1.20b BLH) A Bíblia diz que na velhice as pessoas  fiéis a Deus “ainda produzirão frutos; estarão sempre fortes  e   cheias   de   vida,   dispostas   a   anunciar   que   o   Eterno   é  justo”. (Salmo 92.13­15 BLH) Tragicamente,   há   milhões   que   vivem   uma   existência  sem   propósito   de   Deus.   Essas   pessoas   nascem,   crescem,  trabalham e se casam, vivendo uma vida basicamente sem  rumo certo. E acabam morrendo sem cumprir tudo o que  poderiam produzir para a glória de Deus. Tudo o que elas  são   morre   com   elas,   porque   elas   não   conseguem  desenvolver ou transmitir para outros tudo o que Deus lhes  deu. Elas vivem e morrem para si mesmas. Deus   nos   dá   um   potencial   muito   grande:   dons  espirituais,   talentos,   capacidades,   criatividade,   idéias,  aspirações   e   sonhos.   Nossa   responsabilidade   é   ativar,  liberar   e   maximizar   o   potencial   para   abençoar   o   maior  número possível de pessoas. Quando  buscamos  a  Deus  com  todo  o  coração,  nos   o  encontramos com ele e seu poder e recebemos dele direção  sobrenatural para nossas vidas. Há cristãos que conhecem  nitidamente   e   vivem   o   propósito   de   Deus   aqui   na   terra. 

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Diante deles, a morte não prevalece. O que prevalece  é o  projeto de Deus. E se somos fiéis a Jesus, ele só nos leva  quando esse projeto é finalizado. Além disso, o soldado de Jesus jamais se entrega à morte.  Ele se entrega somente àquele que morreu e ressuscitou  por ele. Ele sabe que tem de partir para Jesus, mas parte  como um soldado que, mesmo compreendendo que vai  morrer, luta contra seu inimigo até o fim. O mundo, em seu  sofrimento e angústia, trata muitas vezes a morte como  amiga, mas a Palavra de Deus nos ensina a tratá­la da  maneira correta, como inimiga. E sempre há medalhas e  honras para os guerreiros que morrem lutando  corajosamente contra o inimigo. No Reino de Deus não será  diferente.
Copyright 2001 Julio Severo. Proibida a reprodução deste artigo sem a autorização expressa de seu autor. Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia. Email: juliosevero@hotmail.com

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