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UNESP

Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho”

Faculdade de Ciências
Laboratório de Físico-Química I
Docente: Antonio Carlos Dias Ângelo

EQUILÍBRO
Fabio J. Tasca Aguiar
Isidro Calim
Lucas Enchelmaier
Vinicius Vieira

BAURU
2016

I – INTRODUÇÃO
Na química estudamos reações que não resultam de uma conversão
completa de reagentes em produtos, pois todas elas podem alcançar um
equilíbrio, mesmo que isso não seja evidente. Estando em equilíbrio a razão
entre a concentração de reagentes e produtos é constante, ou seja, a
velocidade da reação direta é igual a velocidade da reação inversa e não se
observa mais modificações macroscópicas no sistema. Diz-se que o equilíbrio
químico é dinâmico, porque as reações direta e inversa continuam a ocorrer,
com velocidades iguais, porem opostas.
As concentrações das substancias em equilíbrio, numa determinada
temperatura, guardam entre si uma relação definida que é expressa pela
equação genérica da constante de equilíbrio, K.

aA (aq) + bB(aq)

cC (aq) + c=dD (aq)

K=
A concentração no equilíbrio químico, ou seja, a posição do equilíbrio é
independente da forma como este equilíbrio foi alcançado, porém, esta posição
é alterada pela aplicação de forças externas, que podem ser mudanças de
temperatura, de pressão (se houve reagentes ou produtos gasosos), de volume
ou na concentração total de um reagente ou produto. O primeiro princípio de Lê
Chatelier estabelece que a posição do equilíbrio sempre mudará na direção
que minimize a ação de uma força externa aplicada ao sistema. O que quer
dizer que se houver aumento da temperatura de um sistema, provoca-se a
reação química que contribui para resfriar o sistema (consumindo energia
térmica), ou se houver um aumento proposital de um dado reagente ou
produto, o equilíbrio favorecerá a reação de consumo desta substancia em
excesso até que seja retomado um novo equilíbrio. Entretanto, ressalta-se que
o excesso de reagente ou produto adicionado ao sistema, nunca é
completamente consumido, para que a constante de equilíbrio (k) permaneça

constante. Assim, quando um componente é removido do sistema em
equilíbrio, ocorrerá um deslocamento para repor este componente, sendo que
esta reposição nunca é total para que K permaneça constante.
A constante de equilíbrio, também chamada de Ke, é obtida pela
divisão da velocidade da reação inversa pela velocidade da reação direta.
Ke= k [Ag+][Cl-] = [Ag+][Cl-]
Fatores capazes de deslocar o equilíbrio:


Concentração
Temperatura
Pressão
Observação: O catalisador não desloca um equilíbrio químico, pois

aumenta igual e simultaneamente ambas as velocidades v1 e v2, porém faz
que o equilíbrio seja atingido mais rapidamente.
- Influência da concentração no equilíbrio químico:
O aumento da concentração de uma substância presente no equilíbrio
faz que o equilíbrio se desloque no sentido de consumir a substância
adicionada, isto é, o equilíbrio se desloca para o lado contrário ao aumento. Já
a diminuição de uma substância presente no equilíbrio faz que o equilíbrio se
desloque no sentido de repor a substância retirada, isto é, o equilíbrio se
desloca para o mesmo lado da diminuição. Observações:
Substância

sólida

não

desloca

um

equilíbrio

químico,

pois

a

concentração de um sólido em termos de velocidade é considerada constante,
porque a reação se dá na superfície do sólido.
Substância líquida em excesso não desloca o equilíbrio químico quando
alterada a sua concentração, pois a concentração de um líquido em excesso
em termos de velocidade é considerada constante, porque o líquido em
excesso não é fator limitante da reação.
Pulverizando uma substância sólida, o equilíbrio desloca-se para o lado
contrário a pulverização, pois aumenta a superfície de contato, aumenta o
número de colisões efetivas e, consequentemente, aumenta a velocidade da
reação.

Alterando-se a concentração de uma substância presente no equilíbrio, o
equilíbrio desloca-se, porém sua constante de equilíbrio permanece inalterada
(a constante permanece constante).
- Influência da temperatura no equilíbrio químico.
A temperatura favorece tanto a velocidade da reação endotérmica
quanto a velocidade da reação exotérmica, porém favorece muito mais a
velocidade da reação endotérmica. Assim, ao aumentarmos a temperatura de
um sistema em equilíbrio, o equilíbrio desloca-se no sentido da reação
endotérmica porque é a reação mais favorecida com o aumento da
temperatura. Já a diminuição da temperatura de um sistema em equilíbrio faz
que o equilíbrio se desloque no sentido da reação exotérmica, porque é a
reação menos prejudicada com a diminuição da temperatura.
- Influência da pressão no equilíbrio químico.
Todos os equilíbrios químicos são afetados em alguma extensão pela
pressão exercida no sistema, porém na maioria dos casos a constante de
equilíbrio varia muito pouco com a pressão. Quando gases estão envolvidos na
reação em equilíbrio, o efeito da pressão se torna mais significativo.
O equilíbrio responde a alterações na pressão, principalmente nas
reações na fase gasosa. De acordo com o princípio de Le Chatelier, um
equilíbrio na fase gasosa responde a um aumento na pressão fazendo com que
a reação se desloque no sentido em que diminua este aumento na pressão.

II – OBJETIVO
Experimento 1 – Determinar Tensão Superficial
Experimento 2 – Determinar Volume Molar Parcial (Aparente)
Experimento 3 – Determinação Pka do Azul de Bromotimol
III – EXPERIMENTAL
- Procedimento Experimento 1

Preencheu-se uma pipeta volumétrica de 5ml com H 2O deionizada e mediuse o número de gotas. Em seguida, repetiu-se o procedimento mais 2 vezes e
anotou-se os resultados. Repetiu-se o procedimento com etanol. Repetiu-se o
procedimento com solução de NaCl 1%, 2,5%, 5%, 10%, 15% e 20% em
massa. Repetiu-se o procedimento com soluções de detergente nas
concentrações 0,1%, 0,2%, 0,3%, 0,6%, 1,2%, 2,4%, e 4,8% em massa.

- Procedimento Experimento 2
Calibrou-se 2 picnômetros com H2O deionizada à temperatura ambiente.
Preparou-se soluções que continham 0,05; 0,10; 0,15; 0,20; 0,25; 0,30; 0,35;
0,40; 0,5 e 1mol de etanol em 2,5 mols de água (pesados). Determinou-se a
densidade à 25°C e repetiu-se mais 2 vezes. Repetiu-se todo o procedimento
com NaCl.
- Procedimento Experimento 3
Preparou-se 50,00 ml de soluções 0,1M de KH 2PO4 e Na2HPO4. Em béquers
preparou-se as soluções com 1ml de indicador e 5,0 mL KH 2PO4; 10,0 ml de
KH2PO4 e 0,5 ml de Na2HPO4; 5,0 ml de KH2PO4 e 1,0 ml de Na2HPO4; 10,0 ml
de KH2PO4 e 5,0 ml de Na2HPO4; 5,0 ml de KH2PO4 e 5,0 ml de Na2HPO4; 5,0
ml de KH2PO4 e 10,0 ml de Na2HPO4; 1,0 ml de KH 2PO4 e 5,0 ml de Na 2HPO4;
1,0 ml de KH2PO4 e 10,0 ml de Na2HPO4; 0,5 ml de KH2PO4 e 10,0 ml de
Na2HPO4 e 5,0 ml de Na2HPO4. Para a 1ª solução, mediu-se o pH e registrouse o colorímetro entre 400nm e 700nm (a cada 10nm). Para as demais
soluções, mediu-se a absorbância em λmáx.
IV – RESULTADOS E DISCUSSÕES
Experimento 1

Tabela 1 - Número de gotas soluções

Água
Etanol
Absoluto
NaCl 1%
NaCl 2,5%
NaCl 5%
NaCl 10%
NaCl 15%
NaCl 20%
Detergente
0,1%
Detergente
0,2%
Detergente
0,3%
Detergente
0,6%
Detergente
1,2%
Detergente
2,4%
Detergente
4,8%


Medição
(N° de
gotas)
76


Medição
(N° de
gotas)
76


Medição
(N° de
gotas)
77

219
66
80
76
78
78
91

230
69
79
77
78
79
93

216
71
77
76
79
78
90

82

82

82

99

96

96

102

101

103

127

130

130

170

164

163

177

179

172

185

179

179

Observou-se que quando aumentava a concentração das soluções, aumentava
o número de gotas.

Tabela 2 - Tensão Etanol Absoluto

Água
Etanol
Absoluto
NaCl 1%
NaCl 2,5%
NaCl 5%
NaCl 10%
NaCl 15%
NaCl 20%
Detergente
0,1%
Detergente
0,2%
Detergente
0,3%
Detergente
0,6%
Detergente
1,2%
Detergente
2,4%
Detergente
4,8%




Medição
Medição
Medição
Tensão
Média
Densida
Tensão
Tensão
Superfici
em
de
Superficia Superficia
al (Ϫl)
dinas/cm
l (Ϫl) em
l (Ϫl) em
em
dinas/cm dinas/cm
dinas/cm
1,0
71,97
0,79
1,0053
1,0160
1,0340
1,0707
1,1085
1,1478

19,7
83,31
69,47
74,42
75,08
77,73
68,99

18,8
79,69
70,34
73,45
75,08
76,75
67,51

20,0
77,45
72,17
73,45
74,13
77,73
69,76

19,50
80,15
70,66
73,77
74,76
77,40
68,75

1,0

66,7

66,7

66,7

66,70

1,0

55,25

56,98

56,98

56,40

1,0

53,62

54,16

53,1

53,63

1,0

43,07

42,07

42,07

42,40

1,0

32,17

33,35

33,57

33,03

1,0

30,9

30,57

31,8

31,09

1,0

29,57

30,56

30,56

30,23

Observou-se que a tensão superficial do NaCl foi maior quando aumentou a
concentração de NaCl. Enquanto que a tensão superficial do detergente
diminuiu quando aumentou a concentração de detergente.
Dados consultados em literatura:
Tensão superficial da água: 71,97 dinas/cm
Densidade etanol absoluto: 0,79 g/cm³
Densidade detergente: 1,0 g/cm³
Densidade NaCl: 2,16 g/cm³

Experimento 2
Tabela 3 - Dados calibração picnômetros

Massa
(g)
Picnômetr
o1
28,0162
Picnômetr
o2
27,6623

Massa Picnômetro +
H2O (g)

Diferença
(g)

Volume
(ml)

57,3374

29,3212

29,41

57,8603

30,1980

30,29

Tabela 4 - Dados massa picnômetro 01 + etanol

Mol de
etanol
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35
0,40
0,50
1,00

Massa picnômetro + etanol



Medição Medição Medição
Massa (g)
(g)
(g)
(g)
2,3035
57,0747
57,0663
57,0687
4,6070
56,8478
56,8292
56,8371
6,9105
56,6651
56,6782
56,6947
9,2140
56,4854
56,4751
56,4902
11,5175
56,3308
56,3221
56,3201
13,8210
56,1955
56,2075
56,2206
16,1245
56,0356
56,0457
56,0289
18,4280
55,8173
55,942
55,9191
23,0350
55,5381
55,636
55,6878
46,0700
54,1742
54,4631
54,5891

Tabela 5 - Dados massa etanol

Mol de
etanol
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35
0,40

Massa 1ª
Medição (g)
29,0585
28,8316
28,6489
28,4692
28,3146
28,1793
28,0194
27,8011

Massa 2ª
Medição (g)
29,0501
28,813
28,662
28,4589
28,3059
28,1913
28,0295
27,9258

Massa 3ª
Medição (g)
29,0525
28,8209
28,6785
28,474
28,3039
28,2044
28,0127
27,9029

0,50
1,00

27,5279
26,1580

27,6198
26,4469

27,6716
26,5729

Tabela 6 - Dados densidade etanol

Mol de
etanol
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35
0,40
0,50
1,00

Densidade 1ª
Medição
(g/cm³)
0,9880
0,9803
0,9741
0,9680
0,9628
0,9582
0,9527
0,9453
0,9358
0,8894

Densidade 2ª
Medição
(g/cm³)
0,9878
0,9797
0,9746
0,9677
0,9625
0,9586
0,9531
0,9495
0,9391
0,8992

Densidade 3ª
Medição
(g/cm³)
0,9878
0,9800
0,9751
0,9682
0,9624
0,9590
0,9525
0,9488
0,9409
0,9035

Média
Densidad
e (g/cm³)
0,9879
0,9800
0,9746
0,9680
0,9626
0,9586
0,9528
0,9479
0,9386
0,8974

Tabela 7 - Dados Volume Molar Parcial (Aparente)

Mol de
etanol
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35
0,40
0,50
1,00

Molalid
ade
1,11
2,22
3,33
4,44
5,56
6,67
7,78
8,89
11,11
22,22

φV
57,67
56,20
55,10
55,04
54,85
54,53
54,72
54,78
54,97
56,48

Tabela 8 - Dados massa picnômetro 02 + NaCl

Mol de
NaCl
0,05
0,10

Massa picnômetro


Medição Medição
Massa (g)
(g)
(g)
2,922
59,1695
59,3356
5,844
60,3487
60,3365

+ NaCl

Medição
(g)
59,3181
60,4008

0,15
0,20
0,25
0,30
0,35

8,766
11,688
14,61
17,532
20,454

61,5533
62,4675
63,6312
63,9509
64,2460

61,6420
62,4647
63,6228
63,9900
64,1028

61,6067
62,4962
63,6101
63,9505
64,0795

Tabela 9 - Dados massa NaCl

Mol de
NaCl
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35

Massa 1ª
Medição (g)
31,5072
32,6864
33,8910
34,8052
35,9689
36,2886
36,5837

Massa 2ª
Medição (g)
31,6733
32,6742
33,9797
34,8024
35,9605
36,3277
36,4405

Massa 3ª
Medição (g)
31,6558
32,7385
33,9444
34,8339
35,9478
36,2882
36,4172

Tabela 10 - Dados densidade NaCl

Mol de
NaCl
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35

Densidade Densidade Densidade
1ª Medição 2ª Medição 3ª Medição
(g/cm³)
(g/cm³)
(g/cm³)
1,0402
1,0457
1,0451
1,0791
1,0787
1,0808
1,1189
1,1218
1,1206
1,1491
1,1490
1,1500
1,1875
1,1872
1,1868
1,1980
1,1993
1,1980
1,2078
1,2030
1,2023

Tabela 10 - Dados Volume Molar Parcial (Aparente)

Mol de
NaCl
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35

Molalid
ade
1,11
2,22
3,33
4,44
5,56
6,67
7,78

φV
18,01
20,74
19,86
21,65
20,90
24,00
26,76

Gráfico φV x 1/m para o etanol

Média
Densidade
(g/cm³)
1,0437
1,0795
1,1204
1,1494
1,1872
1,1984
1,2044

Gráfico φV x 1/m para o NaCl

Dados consultados em literatura:
Massa Molecular etanol: 46,07 g/mol
Massa Molecular NaCl: 58,44 g/mol
Massa Molecular H2O: 18,02 g/mol
Densidade H2O: 0,9970 g/cm³
Experimento 3

Tabela 11 - Dados Medição

máx.

λ
400
410
420
430
440
450
460
470
480
490
500
510
520
530
540
550
560
570
580
590
600
610
620
630
640
650
660
670
680
690
700

A
(nm)
1,421
1,595
1,708
1,774
1,743
1,770
1,649
1,204
1,074
0,832
0,331
0,126
0
0
0
0
0
0
0,030
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0

Através da medição no colorímetro, registrou-se a absorbância máxima em
430nm.

Tabela 12 - Dados Absorbância

pH
4,64
5,79
6,00

Absorbância
(nm)
1,774
1,323
0,784

5,74
7,09
7,04
7,56
7,70
7,98
8,91

1,117
0,711
0,554
0,790
0,340
0,404
0,218

Gráfico Absorbância máxima

Gráfico Absorbância x pH

V – CONCLUSÃO
No experimento 1, foi possível concluir que quanto maior a concentração de
NaCl, maior será sua tensão superficial, isso ocorre pelo fato das forças
atuantes serem de caráter eletrostático, a interação das moléculas na interface
líquido-ar aumentará, pois as forças iônicas são “semelhantes” com as ligações

de hidrogênio. Com isso haverá um aumento na força, conseqüentemente a
tensão superficial tenderá a aumentar. Já no caso no detergente, occore o
inverso, quanto maior a concentração de detergente, menor sera a tensão, isso
acontece pelo fato de os detergentes serem substâncias tensoativas, isto é,
diminuem a tensão superficial a capacidade que as moléculas de água tem de
se manter unidas fortemente.
Já no segundo experimento, foi possível observar que quanto maior a
concetração de NaCl, maior era a densidade, e que quanto maior a
concentração de etanol, menor era a densidade.
Por fim, no último experimento, observou-se que quando maior o ph da solução
(mais básico) menor era a absorbância de luz, devido a utilização do azul de
bromotimol como indicador, que se tornava cada vez mais escuro com a adição
de base.

VI – REFERÊNCIAS
ATKINS, P.W.; JONES, Loretta. Princípios de química: questionando a vida
moderna e o meio ambiente. 3.ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.
ATKINS, Peter W. Físico-Química: fundamentos. 1 ed. LTC, 2003