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APOSTILA PREPARATÓRIA PARA CONCURSOS

E VESTIBULARES:

HISTÓRIA DO
1
PARANÁ
PROFESSOR: Thiago Veronezzi2

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Ressaltando que a apostila NÃO é de cunho integralmente autoral; tal material foi
confeccionado com base em um aglomerado de partes e frases (de modo que os materiais
consultados foram se complementando a fim de aumentar a qualidade da apostila) das
referências e bibliografia citadas ao fim do conteúdo.
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E-mail: tchveronezzi_@hotmail.com / thiago.veronezzi@grupointegrado.br
Facebook: Thiago Veronezzi (https://www.facebook.com/thiagoo.veronezzi).
Currículo Lattes: Thiago Chaves Veronezzi (http://lattes.cnpq.br/1976252968129472).
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SUMÁRIO

AS POPULAÇÕES NATIVAS..................................................................................................03

A PRESENÇA EUROPEIA NO TERRITÓRIO PARANAENSE........................................07

OCUPAÇÃO E POVOAMENTO DO PARANÁ....................................................................17

COLÔNIAS MILITARES NO PARANÁ................................................................................31

UMA EXPERIÊNCIA ANARQUISTA NO PARANÁ: COLÔNIA CECÍLIA...................34

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA PARANAENSE......................................................................36

ASPECTOS DA ECONOMIA DO PARANÁ.........................................................................42

ESCRAVIDÃO........................................................................................................................... 55

IMIGRAÇÃO............................................................................................................................. 59

MOVIMENTOS MILITARES E REVOLUCIONÁRIOS.....................................................63

A CONSTRUÇÃO DA INFRAESTRUTURA.........................................................................74

OS TRÊS PARANÁS.................................................................................................................78

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................................83

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AS
POPULAÇÕES
NATIVAS

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AS POPULAÇÕES NATIVAS PARANAENSES

Os territórios hoje denominados de Paraná3 vêm sendo continuamente habitados
por diferentes populações humanas há cerca de 8.000 anos atrás, de acordo com os
vestígios materiais mais antigos encontrados pelos arqueólogos. Todavia, se
considerarmos a cronologia dos territórios vizinhos que foram ocupados em épocas
anteriores, é provável que ainda possam ser obtidas datas que poderão atestar a presença
humana em períodos mais recuados, podendo alcançar até 11 ou 12.000 antes do
presente.
No Paraná duas grandes nações nativas habitavam essa região primitivamente:
os tapuias ou Jês (composto por Kaingángs e Botocudos ou Xokléngs) e os tupisguaranis (composto por Guaranis e Xetás).
Os grupos em que classificamos os nativos paranaenses são: os de floresta
tropical, que já utilizavam peças de cerâmica, redes, navegação fluvial e práticas de
agricultura como os tupis-guaranis; existem também tribos na classificação marginal,
que desconhecem a rede, tendo sua sobrevivência através da caça e da pesca com
apenas uma cerâmica e uma agricultura muito rudimentar, já nesse exemplo se encaixa
os tapuias ou Jês. Portanto, os únicos elementos em comum eram: o arco e a flecha, a
lança e a esteira.
Os principais vestígios arqueológicos deixados pelos índios são os sambaquis,
que são montes de ostras e conchas, misturados com ossos de animais, sobretudo
marinhos, formados artificialmente pela mão do homem ao longo de vários anos na
costa, em lagos ou em rios litorâneos. Os sambaquis são mais conhecidos como
ostreiras. São muito numerosos, só no litoral são mais de 200.
Com relação à distribuição geográfica, as populações nativas paranaenses
estiveram distribuídas da seguinte forma: os tupis-guaranis e suas tribos estiveram
no noroeste, oeste e no litoral do estado; já os tapuias ocupavam o norte e o centro
do estado.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS POPULAÇÕES NATIVAS PARANAENS ES :

O nome do Estado vem do nome indígena do rio homônimo em tupi: pa’ra = “mar” mais “nã”
= “semelhante, parecido”. Paraná é, enfim, “semelhante ao mar, rio grande, parecido com o
mar”.
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A respeito desses povos. utilizandose do arado para cultivar as áreas que eram desmatadas pelas queimadas. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). povos agricultores. algodão. 5 . também chamados Botocudos. 02) As técnicas agrícolas utilizadas pelos índios que habitavam o litoral paranaense visavam à preservação da natureza. plantando milho. tinham como objetivo a catequese dos índios. 04) Os Kaingang praticavam uma agricultura mais complexa que as tribos do litoral. os Xetá. os pesquisadores recorrem a procedimentos e a técnicas próprias da Arqueologia. entre outros produtos. QUESTÃO 03: (UEM-2011) Sobre grupos indígenas e os contatos estabelecidos com o colonizador europeu na região que veio a se constituir no atual Estado do Paraná. Sobre esses habitantes. já no século XV. cujo consumo é bastante disseminado na região Sul do Brasil. cultivando mandioca. predominavam. vários povos indígenas. 02) A erva-mate. 01) Entre os povos que habitavam a região. viviam. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). que predominavam no litoral. com a utilização de um arado de madeira que os tupis desconheciam. algodão e fumo. 16) Os Xokleng. os caingangues. no território do atual Estado do Paraná. 08) Os tupis-guaranis produziam objetos em cerâmica. 01) Os tupis-guaranis praticavam a agricultura. mandioca. já era utilizada pelos índios. os Tupinambá e os Aymoré. 02) Os Guarani praticavam a agricultura. milho. e os tapuias ou jês. no início do século XVII. 16) Para estudar as populações indígenas que viveram no Paraná. QUESTÃO 02: (UEM-2010) Quando os primeiros europeus chegaram à América. 04) A agricultura praticada pelos tapuias era bastante desenvolvida. teciam redes a partir do algodão que cultivavam e produziam farinha de mandioca. assim como no restante do Brasil. Isso pode ser observado pela sedentarização e fixação dessa população na região. eram os grupos mais numerosos na região onde atualmente se localiza o município de Maringá. podem ser citados os Guarani e os Kaingang. 08) Os jesuítas espanhóis que se fixaram na atual região Norte do Estado do Paraná. assinale a(s) alternativa(s) correta(s).EXERCÍCIOS QUESTÃO 01: (UEM-2009) Os índios que habitavam as terras hoje pertencentes ao estado do Paraná eram divididos em dois grandes grupos: os tupis-guaranis. 01) No litoral do atual Estado do Paraná.

ocorreram o desenvolvimento e os ataques dos paulistas às reduções jesuíticas do Guairá. 6 . encontrados no litoral.04) No Paraná. entre 1580 e 1640. empenhados na conversão dos nativos ao cristianismo. 16) Durante o período da União Ibérica. um dos vestígios arqueológicos deixados pelos indígenas são os sambaquis. missionários jesuítas penetram no território que se constituiria no Estado do Paraná. 08) A partir da segunda metade do século XVI.

A PRESENÇA EUROPEIA NO TERRITÓRIO PARANAENSE 7 .

8 . lenha e alimentos. foi um acordo celebrado entre o Reino de Portugal e o recém-formado Reino da Espanha para dividir as terras “descobertas e por descobrir” por ambas as Coroas fora da Europa. por meio dos Guaranis. com os primeiros navegantes que aportaram ou passaram pelo litoral paranaense.O PARANÁ ESPANHOL No final do século XV. das enormes riquezas existentes a oeste de seus territórios. Esses desterrados e/ou náufragos. Quando os primeiros europeus começaram a desembarcar no litoral sul do Brasil para abastecerem seus navios com água. O reino de Portugal apenas começou a colonização de suas possessões americanas por volta das três décadas após o achamento das terras por Cabral em 1500. prepararam expedições para irem até as terras onde existiam ouro e prata em abundância. em conjunto com os índios. ficou sob a jurisdição espanhola. o que seria mais tarde o estado do Paraná. quando Espanha e Portugal celebraram o Tratado de Tordesilhas4 que dividia as terras descobertas entre as duas coroas cristãs. TERRITÓRIO SOB O DOMÍNIO ESPANHOL TERRITÓRIO SOB O DOMÍNIO PORTUGUÊS Os contatos dos europeus com os nativos habitantes da região ocorreram no início do século XVI. a maior parte das terras brasileiras. e pelas primeiras expedições portuguesas e espanholas que percorreram o interior do Paraná rumo ao Império Inca. Começou então o processo de desvendamento e conquista dos territórios indígenas do interior. inclusive o Paraná. Já a coroa espanhola passou a organizar expedições por volta de 1515 à procura de uma passagem interoceânica no estuário da Prata. 4 Assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de Junho de 1494. aqui deixavam desterrados ou náufragos que tomaram conhecimento.

sua expedição foi atacada por índios Payaguás.). A atual capital do Paraguai foi o centro da colônia espanhola no sul da América. então governador do Paraguai5 . próximo a São Vicente. partindo do litoral. percorreu duas vezes o interior do Paraná. no território do Peru. Aleixo ficou sabendo das terras mais a oeste que emanavam ouro. Melgarejo teve um destacado papel entre os conquistadores espanhóis no interior do Paraná. onde saia do oceano Atlântico. Aleixo até conseguiu alguma prata. Como exemplo. em 1553-1554. para reconhecimento da região. o famoso Álvar Nuñes Cabeza de Vaca que fora enviado pela coroa espanhola por volta de 1541. porque 5 Os espanhóis começaram a conquista da região fundando Buenos Aires em 1536 e Assunção em 1537. quando voltava ao Paraguai. Ademais. sendo guiados por índios guaranis. e chegava até o Pacífico. seguindo o mesmo roteiro de Cabeza de Vaca. Em 1554 é fundado na foz do Rio Ivaí com o Rio Paraná. CAMINHO DE PEABIRU: Foram comuns expedições espanholas adentrando o território paranaense. Aleixo Garcia.Numa dessas expedições foi encontrado o Caminho de Peabiru (este caminho já era utilizado pelos indígenas. mas. O espanhol juntou cerca de dois mil índios e se lançou em direção ao Império Inca pelo que seria conhecido como Caminho de Peabiru. um espanhol naufragado. em Santa Catarina. Ruy Dias Melgarejo. desde Ontiveros até São Vicente. o primeiro povoamento paranaense. 9 . por Domingos Martínez de Irala. Percorrendo basicamente o mesmo caminho de Aleixo Garcia do planalto curitibano a região de foz do Iguaçu. e regressou em 1555. Percorreu por via terrestre com sua expedição que contava com cerca de quatrocentos homens e quarenta cavalos. provocando a morte de Aleixo Garcia e boa parte de seus homens. chegou ao litoral da capitania de Sant’ana e logo fez contato amistoso com os índios da região. Logo. a Vila de Ontiveros.

Além disso. Tal condição fez surgir núcleos de revolta de índios guerreiros na região Del Guairá e diversas manifestações de negação à submissão das ordens espanholas.conduziu a fundação de Ciudad Real Del Guairá (1557) e de Villa Rica do Espiritu Santu (1576) 6 . eles deveriam ensinar os nativos a garantirem um ofício (era comum a situação de mestre e aprendiz durante muito tempo na Europa). Com o objetivo de proteger o indígena. os jesuítas entraram em choque com os espanhóis de Vila Rica e Ciudad Real. criando-se pela Carta Régia de 1608 a Província Del Guairá7 . que deu terras. O trabalho em troca da “civilização” era conhecido como encomienda. 6 O povoado de Ontiveros foi transferido em 1537 por Ruy Dias Melgarejo para a foz do rio Piquiri. construiu casas e igrejas. a oeste. Contudo. habitantes de Ciudad de Guairá e de Villa Rica começaram a escravizar os milhares de índios existentes na região. 7 Guairá do tupi-guarani significa: gua+i+rá = “água que cai” (catarata) ou guaí-ra = “gente+abundância” (local populoso). Em 1588. e os conquistadores passaram a veicular os elementos básicos de sua cultura por intermédio dos padres jesuítas. cujos habitantes desejavam escravizar os nativos. a leste. um novo método de catequese. o mesmo Melgarejo fundaria na confluência dos rios Corumbataí e Ivaí. Juan Saloni e Thomas Fields percorreram a região do Guairá visando conhecer o potencial humano para futuros trabalhos missionários. ao rio Iguaçu. ao sul. 10 . Estado e Igreja estavam unidos. Devido às dificuldades de submissão dos índios. Era o início das atividades religiosas no Guairá. ao rio Paranapanema. sociais e políticas que seriam uteis alguns anos depois. Os colonos espanhóis. qual seja o das reduções. até o rio Tibagi. Ali seriam estabelecidas as Reduções Jesuíticas do Guairá. os padres jesuítas tiveram o apoio da administração colonial. porém. no Guairá. em 1576. durou pouco tempo. Reduções Jesuíticas no Guairá Os jesuítas aplicaram. Na prática esse sistema colocava o nativo na condição de escravo. os nativos não receberiam isso de bom grado. a exemplo do que já ocorria na costa do Brasil desde 1549. Mais tarde. bem como reconheceram uma série de peculiaridades culturais. chegando. Informaram aos seus superiores a existência de milhares de índios Guarani na região. Isso. Administração espanhola em suas possessões: os adelantados e a encomienda A coroa espanhola delegava autoridade a algumas pessoas providas de condições e bens para ocuparem e colonizarem as terras nativas. ao rio Paraná. a Villa Rica Del Espírito Santo (próximo da atual cidade de Fênix). foi sugerido ao rei que a pacificação e a conversão fossem confiadas aos jesuítas espanhóis . mudando o nome de Ontiveros para Ciudad Del Guayrá (hoje Cidade de Guaíra). De acordo com as ordens da coroa de Castela. ao norte. ficava a cargo desses conquistadores a responsabilidade de catequização da população nativa. os padres Manuel Ortega. No início do seu trabalho. A sugestão foi aceita. abrangendo justamente as terras do ocidente do Paraná. eles pagariam taxas ou serviços a esses conquistadores. O principal trabalho dos escravos era a coleta e beneficiamento de erva-mate nos ervais nativos da região. esses conquistadores eram conhecidos como adelantados.

Exerciam. tentavam inculcar os valores da sociedade invasora junto às populações indígenas existentes na região. Porém. Os padres jesuítas. Com isso a procura de escravo índio aumentou. que foram levados para as fazendas do planalto e para outras praças. Paranapanema. ele e seu irmão. entre 1580 e 1640. que estava em guerra com a Espanha. Ressalta-se que desde a fundação de São Vicente. Piquiri. Iguaçu. em São Paulo. nunca deixaram de ter a supremacia. Os primeiros ataques às reduções Del Guairá foram realizados pelas bandeiras chefiadas por Manoel Preto. Adaptaram os chefes indígenas aos cargos existentes numa vila espanhola. O ataque rendeu cerca de três mil cativos. uma ação paternal sobre o indígena aldeado. quatorze Reduções nos vales dos rios Paraná.000 – foi ímã que atraiu os bandeirantes. Sebastião Preto. em sua pregação religiosa. A grande quantidade de índios aldeados pelos jesuítas no Paraná – mais de 100. os jesuítas não quebrariam a hierarquia dos índios nas reduções. portanto. (período em que o rei da Espanha foi também rei de Portugal) em virtude da Holanda. Contrariando os interesses dos encomenderos espanhóis e dos padres da Companhia de Jesus. De um lado. Os padres da Companhia de Jesus fundaram. e Tibagi. 8 As incursões para aprisionar índios se intensificaram durante o domínio espanhol. prepararam uma expedição que deixou São Paulo praticamente despovoada de homens.Sabiamente. Ivaí. os portugueses chegaram à região em busca do seu butim: escravos indígenas para o trabalho nas fazendas paulistas. vieram os paulistas com a intenção de buscar seu butim. existiam os choques entre os índios Guarani e dos encomenderos espanhóis que os exploravam no trabalho semiescravo da coleta da erva-mate. 11 . eles já preavam os Guaranis do litoral e das encostas das serras paranaenses. junto com os índios. ter dificultado a vinda de escravos africanos. No limiar dos seiscentos. metais preciosos e outras riquezas8 . REDUÇÕES JESUÍTICAS E EXPEDIÇÕES DOS BANDEIRANTES : As primeiras décadas do século XVII foram marcadas por uma intensificação das ações dos europeus no Guairá. Em 1623.

EXERCÍCIOS QUESTÃO 01: (UEM-2012) Sobre a colonização europeia da região compreendida entre os rios Paraná. no século XVIII. povoada por indígenas. 02) O estabelecimento dos portugueses na região ocorreu com a expulsão dos espanhóis no início do século XVIII. Martin Afonso de Souza recebeu a Capitania de São Vicente. A ocupação do Paraná pelos portugueses. juntamente com a caça ao índio. quando. no século XVI. as reduções Del Guairá foram arrasadas e reduzidas às cinzas. os jesuítas transferiram-se para o Tape. com a fundação de vilas.No ano de 1628. o ouro. que em nossos dias fazem parte do Estado do Paraná. Os irmãos Souza não demonstraram interesse na ocupação do litoral paranaense e após a morte desses dois donatários. e Mato Grosso. QUESTÃO 02: 12 . teve inicialmente. com o apoio dos bandeirantes paulistas. Paranapanema. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). Esperando escapar dos paulistas. centrada em Paranaguá e Curitiba. Paranaguá atingiu um grande desenvolvimento econômico. levando-os como prisioneiros para São Paulo. 04) As reduções que foram organizadas pelos jesuítas para a catequese dos índios entravam em conflito com os interesses dos adelantados espanhóis. As consequências desse contexto foram: fracasso das reduções. O PARANÁ PORTUGUÊS Em 1534. os espanhóis iniciaram a colonização europeia daquela região. 01) No início da segunda metade do século XVI. Os bandeirantes igualmente arrasaram a nova missão. que objetivava o estabelecimento das fronteiras entre terras portuguesas e espanholas no sul do Brasil e abandono de demasiados territórios paranaenses por muitos anos. que utilizavam a mão de obra indígena por meio das encomiendas. em razão da extração do ouro. incorporação do território paranaense às possessões portuguesas pelo Tratado de Madrid em 1750 (foi um acordo entre Portugal e Espanha. como imã. Pero Lopes de Souza recebeu a Capitania de Santa Ana. no atual Rio Grande do Sul. 16) Essa região era. surgiu uma disputa entre seus herdeiros. aprisionaram 1500 Guaranis. 08) Entre os principais povoados que foram fundados na região. com o predomínio de grupos tupiguarani. e em 1543. os jesuítas portugueses fundaram as missões do Guairá. Tibagi e Iguaçu.

organizado na década de 1850 para os Kaingang.(UEM-2012) Sobre a criação dos aldeamentos indígenas no Paraná. 02) O surgimento da povoação de Palmas. criada na década de 1890. o governador do Paraguai. criada na década de 1860. determinou que fossem fundadas vilas na região do Guairá. 08) A Colônia Militar de Foz de Iguaçu. atualmente. Paranapanema. a Coroa portuguesa criou a povoação de Atalaia. no atual Estado do Paraná. serviu de apoio estratégico na Guerra do Paraguai. subordinados ao padroado português. na década de 1810. contou com a presença de índios Guaranis. Paranapanema. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). os europeus realizaram expedições e iniciaram a ocupação de regiões do atual Estado do Paraná. estiveram no atual território paranaense com o objetivo de catequizar os índios carijós. A esse respeito. Tigabi e Iguaçu. os Campos Gerais. fazem parte do território do Estado do Paraná. os jesuítas fundaram reduções. jesuítas. foram ocupadas no século XVI pelos tropeiros que conduziam os animais para as regiões de mineração no CentroOeste. na região do Guairá. com o objetivo de catequizar os índios que habitavam a região. 01) As terras da região central do Estado do Paraná. foi motivada pela tentativa. 08) As fronteiras da Província do Guairá. 13 . subordinado ao rei da Espanha. ao longo do século XIX. 04) O aldeamento de São Jerônimo. 16) A Colônia Militar de Umuarama. 02) No início do século XVI. em nossos dias. contou desde seu início com os índios da etnia Xokleng. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 04) Na segunda metade do século XVI. QUESTÃO 03: (UEM-2011) Ao longo dos séculos XVI e XVII. constituem o Estado do Paraná. 01) Quando do início da ocupação dos Campos de Guarapuava. teve início na segunda metade do século XVI. 16) A fundação de Missões ou Reduções jesuíticas. atraindo os índios Kaingang. 01) A presença de colonizadores espanhóis no território compreendido entre os rios Paraná. na região compreendida entre os rios Paraná. pertencente à Espanha naquele período. 02) Na segunda metade do século XVI. contou com a presença de índios da etnia Xetá. com a fundação de vilas na região do Guairá. na década de 1820. QUESTÃO 04: (UEM-2010) Sobre a ocupação europeia dos territórios que. correspondem à totalidade dos territórios que. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). Tibagi e Iguaçu.

08) Diferentemente de outros Estados brasileiros. que foram integradas pacificamente à sociedade. 02) A atividade econômica praticada pelo tropeirismo foi responsável pela criação de vilas que mais tarde se tornariam importantes cidades paranaenses. a ocupação europeia do Norte do Paraná foi marcada pelo respeito às populações nativas.04) A presença europeia na Baía de Paranaguá remonta ao século XVI. Tal migração se reflete na cultura regional. 16) Ao contrário do ocorrido em outras regiões do Estado. um “vazio demográfico”. 08) Os territórios que compreendiam as reduções jesuíticas do Guairá foram incorporados ao Brasil por tratados de limites assinados entre Portugal e Espanha. 04) Com a expulsão dos jesuítas espanhóis. a chamada “frente sulista”. Contudo. Devido a esse fato. cuja ocupação remonta aos finais do século XIX e originou uma população de cultura genuinamente europeia. 08) No final da década de cinquenta. tal ocupação não foi uniforme e contínua. A esse respeito. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). em razão da história de sua ocupação. primeira vila fundada do Paraná. 16) A região de Curitiba foi ocupada pelos europeus no século XVI. pois não havia habitantes naquela região. 04) A região do “Paraná tradicional” teve sua ocupação iniciada com a descoberta de ouro nos primeiros séculos da colonização. com as primeiras descobertas de ouro na região. o Estado do Paraná é um dos poucos estados brasileiros em que não ocorreu escravidão. 14 . QUESTÃO 06: (UEM-2009) Sobre a ocupação europeia do território que hoje pertence ao estado do Paraná. em razão da imigração polonesa. QUESTÃO 05: (UEM-2010) A ocupação e conquista dos territórios do Estado do Paraná por populações de origens europeias completou-se na década de sessenta do século passado. deu-se a imediata ocupação do interior do Estado e o abandono das atividades da extração do ouro no litoral. o território paranaense jamais sofreu a interferência das Expedições Bandeirantes. 01) Paranaguá. que ocupou parte do Sudoeste e do Oeste paranaense. ocorreu um deslocamento populacional oriundo do Rio Grande do Sul. 01) A região de ocupação mais antiga é o chamado Norte Pioneiro. nos territórios do Norte do Paraná. tinha como principal atividade o escoamento de produtos agrícolas para a metrópole. predominava. 02) Antes da chegada dos europeus. Sendo assim. podemos dividir o Estado em três áreas histórico-culturais distintas. assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

migrantes. Paraná e Piquiri. foram introduzidas novas culturas agrícolas no Norte do Estado. 08) No século XVIII. 01) Na segunda metade do século XVI.16) Entre os séculos XVI e XVII. 01) A ocupação dos Campos Gerais. 04) Os jesuítas foram expulsos da região pelos ataques dos bandeirantes paulistas. 267). 08) A partir da década de 1930. a partir do século XVIII. sobretudo paulistas e mineiros. não restando mais terras a serem ocupadas e colonizadas. a imigração de poloneses e de alemães não influenciaram a cultura paranaense. QUESTÃO 09: (UEM-2013) Assinale o que for correto sobre a atuação e a expansão do movimento dos bandeirantes sobre o território onde hoje se situa o estado do Paraná. 15 . o Paraná pode ser considerado um Estado territorialmente ocupado. Ruy Christovam. 16) A partir da década de 1950. compreendida entre os rios Paranapanema. passaram a ocupar a região Norte do Paraná. parte do atual estado do Paraná esteve sob domínio do governo espanhol. “A partir da década de 1960. 7ª. 16) O Paraguai foi o ponto de partida dos colonizadores espanhóis que ocuparam a região descrita no enunciado. edição. QUESTÃO 07: (UEM-2009) Leia o trecho a seguir e assinale o que for correto. QUESTÃO 08: (UEM-2009) Sobre a colonização europeia da região do atual Estado do Paraná. História do Paraná. 02) Os jesuítas espanhóis organizaram na região as missões ou reduções. Cessaram então de existir frentes pioneiras. com o objetivo de catequizar índios. esse território foi incorporado ao Brasil pelos tratados de limites de Madrid e de Santo Ildelfonso. os colonizadores espanhóis fundaram na região as vilas Ciudad Real de Guairá e Vila Rica do Espírito Santo. os imigrantes vindos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina foram responsáveis pela ocupação da maior parte do Sudoeste e de parte do Oeste do Estado. deveu-se à introdução da cultura do café na região. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 02) Diferentemente do que ocorreu no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. 04) A partir do final do século XIX. 1995. com a fixação de imigrantes japoneses. Completava-se historicamente o período de ocupação territorial” (WACHOWICZ. p.

os sobreviventes das missões jesuíticas fugiram em direção ao sul e fundaram novas missões. 02) O movimento das bandeiras também tinha como um dos seus objetivos criar e explorar novas colônias de povoamento no território onde hoje se situa o estado do Paraná. como o ouro. os bandeirantes almejavam explorar riquezas naturais. e capturar índios. pois tinha como finalidade catequizar e converter tribos indígenas paranaenses que ainda não haviam estabelecido contato com a civilização. 08) Foi uma ação organizada e colocada em prática pelo exército colonial brasileiro e com a colaboração de padres jesuítas com o objetivo de integrar essa região ao restante do país. 04) Em razão dos ataques dos bandeirantes. 16 .01) Na região de Guairá. 16) Tratava-se de um movimento pacífico.

OCUPAÇÃO E POVOAMENTO DO PARANÁ 17 .

foram construídas as primeiras habitações no continente. individuais. um náufrago alemão. No entanto. temos a primeira sesmaria do território paranaense adquirida por Diogo de Unhate. Na sua primeira fase de ocupação. ela perdeu o status de capitania e foi integrada à capitania de São Paulo como a 5ª Comarca de Paranaguá e Curitiba. por um povoamento que teve orientação nas diversas fases econômicas pelas quais percorreu (mineração. As primeiras povoações foram erguidas na Ilha de Cotinga devido ao medo de um ataque dos índios carijós. nos primeiros momentos um planejamento efetivo. tropeirismo. dando origem ao primeiro povoado.O Estado do Paraná é caracterizado. Em 1641. É preciso enfatizar que o processo de ocupação econômica do território paranaense seguiu direcionamentos distintos. com a 18 . foi erigido o pelourinho (símbolo de posse por El Rei). café e soja). devido às buscas pelo ouro há uma maior ocupação e povoamento do território paranaense. Paranaguá. em 1797. a penetração foi realizada por iniciativas isoladas. Neste momento. em 1660. a Vila de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá é fundada. Em 1646. não houve. Antonina também surgiu em função da presença de faiscadores de ouro na região. erva-mate. As possibilidades de gerar riquezas com o garimpo de ouro nos riachos da serra e do planalto aumentaram a importância da região na época. mas a partir de 1711. Gabriel de Lara encontra minas de ouro na região de Serra Negra. já em 1578 havia uma pequena capela denominada Nossa Senhora do Rosário. por meio de incursões e fluxos não muito definidos. segundo alguns relatos. Gabriel de Lara funda uma povoação na Ilha de Cotinga. em 1617. Antonina e Morretes também surgiram da cata ao ouro: ANTONINA Como as outras vilas do litoral. ela foi elevada à vila. Ademais. sendo escasso o povoamento. Na sequência. Foi se efetivando uma povoação. a região do litoral do Paraná já era conhecida e habitada pelo homem branco por volta de 1555. em 1614. Excetuando a ocupação ocidental pelos espanhóis. no qual parcelas do território foram sendo ocupadas segundo as motivações de exploração econômica do momento. a começar pelos Campos de Curitiba. Adiante. Essas fases resultaram num processo de povoamento irregular. no tempo e no espaço. com a construção da capela de Nossa Senhora do Pilar da Graciosa. na região de Paranaguá. Em 1648. PARANAGUÁ Segundo relatos do livro de Hans Staden. Somente muito mais tarde. em 1714. a fundação da povoação só aconteceu no século XVIII. Ela existiu até 1709. madeira. com a diminuição das atividades do faiscamento do ouro. seria criada a Capitania de Paranaguá. Após a pacificação dos carijós. A Capitania de Paranaguá tinha jurisdição sobre os planaltos. historicamente.

Paranaguá e dos estabelecidos nos campos de Curitiba no início do século XVIII. A cidade conhecia um novo crescimento e progresso desenvolvendo atividades agrícolas e a industrialização. quando foi descoberto ouro em Minas Gerais e se criou uma forte demanda por animais cavalares e muares criados em abundancia nos campos do sul do Brasil e Uruguai. ficando num local onde havia o encontro entre os mineradores e os criadores de gado. Já em 1853. em 1769. outro fator é o crescente número de pessoas que chegam à região devido às informações da descoberta de ouro em Paranaguá. começaram a serem povoados por fazendeiros de São Paulo. primeiro filho do Rei Dom João VI e Dona Carlota Joaquina. Durante o início do século XIX. local de passagem dos faiscadores de ouro que subiam a serra. Foi fundado o povoado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba. situados no segundo planalto paranaense. em 1654. a vila passa a se chamar Curitiba. Em 1693. Curitiba já possuía 5. foi escolhida para sua capital. Antonio. já com o nome de Curitiba. a população teve permissão para erguer a capela de Nossa Senhora do Porto e Menino Deus dos três Morretes. o povoado é elevado à vila. em 1842. e apenas no século seguinte. Anos depois. Morretes foi fundada por determinações do Ouvidor Rafael Pires Pardinho. Possuía pouco mais de 200 casas. em 1841. o povoado já era então chamado de Nossa Senhora dos Pinhais de Curitiba. com a construção do pelourinho. a pequena vila foi incorporada a Paranaguá. Curitiba promove uma colonização através dos imigrantes europeus com foco em italianos e poloneses. em 1668. Com o início das atividades do 19 . CURITIBA (Primeiro planalto) O povoamento de Curitiba está relacionado com dois fatores principais: um deles era encontrar o Caminho do Peabiru e dominar o interior. Santos. Borda do Campo e o Arraial Grande. Essa demanda e essa possibilidade de negócios fizeram com que as famílias abastadas de São Paulo requeressem sesmarias na região e para ali enviassem parentes ou capatazes para estabelecimentos de fazendas de criar gado. ela foi desmembrada de Antonina e eleva a Município. E em 1701. Chegam formando os “arraias de mineradores”.819 habitantes. como o Arraial Queimado. CAMPOS GERAIS (Segundo planalto) Os Campos Gerais. Por volta de 1870 foram fundados 35 núcleos coloniais de terras de mata em torno dos campos de Curitiba. Já como província. Logo em seguida. em 1721. e era elevada a categoria de cidade. MORRETES Situada às margens do rio Nhundiaquara. No ano seguinte.denominação Antonina em homenagem ao Príncipe D. Mas com o início da exploração e do comércio da erva-mate com apoio da extração de madeiras nobres temos um novo impulso de crescimento e já em meados do século XIX. era criada a província do Paraná.

caracterizou-se também por ser uma sociedade sustentada pelo trabalho escravo. Chegam aos Campos de Guarapuava em 17/06/1810 e fundam o Forte Atalaia. o ano de 1810 foi marcado pela chegada aos campos de Guarapuava de uma enorme expedição com mais de trezentas pessoas. eram senhores dos territórios a oeste da estrada do Viamão. abrindo espaço para as fazendas de criação. No inicio do século XIX. muar e cavalar. “civilizados” e seus territórios deveriam ceder lugar a prósperas fazendas de gado. que no início eram locais de pouso e repouso dos tropeiros. 20 . o Império tomou uma resolução: os índios deveriam ser combatidos. e muitas outras. Castro. no dizer das autoridades infestados de selvagens. Assim ocorreu a ocupação dos vastos campos naturais do segundo planalto do Paraná: enormes sesmarias em torno da rota Sorocaba – Vacaria. pois ali estivera com o capitão Paulo Chaves em 1774. em São Paulo. O príncipe-regente propunha então guerra contra os índios. que matavam cruelmente todos os fazendeiros e proprietários estabelecidos nesses campos. como Ponta Grossa. a corte reagia indignada aos desassossegos que imperava nos territórios do sul do Brasil. Dessa forma. A Carta Régia de novembro de 1808 relata ataques generalizados por todo o sul do Império. Diogo Pinto era um militar disciplinado. Essas povoações. e atacavam constantemente fazendas. Com a chegada de Dom João VI ao Brasil. Guarapuava e nos campos das cabeceiras do rio Uruguai. A sociedade estabelecida nos Campos Gerais se caracterizou por ser uma sociedade constituída de famílias patriarcais que ia além da família nuclear: ela abrigava em seu seio agregados e homens pobres livres protegidos por grandes proprietários. principalmente nos Campos Gerais de Curitiba. vilas e viajantes nas suas imediações. com gado e outros instrumentos necessários. dos índios e dos predadores. O objetivo da expedição era ocupar esses campos. a população tinha que colaborar com gente. Desde a expulsão de Afonso Botelho e suas tropas dos Koran-bang-rê. CAMPOS DE GUARAPUAVA E PALMAS GUARAPUAVA No século XIX. e vende-los em Sorocaba. em 1772. O governador da província de São Paulo convocou Diogo Pinto de Azevedo para organizar a ocupação dos territórios dos Kaingang e mantê-los afastados das fazendas de gado. e ainda caracterizou-se como uma sociedade assentada na grande propriedade. o qual seria destruído em 1825 devido aos embates entre brancos e indígenas. Além disso. Foi criado um imposto só para cobrir as despesas da expedição. das quais cerca de duzentas eram soldados. experiente e conhecedor dos campos da Guarapuava. duro.tropeirismo. mesmo que esse trabalho requeresse que eles andassem armados para protegerem a si mesmos e o gado de seu senhor. catequizados. faziam incursões cada vez mais ao ocidente. encorajados. nas grandes sesmarias de criação de gado bovino. passaram a aglutinar pequenos artesãos e comerciantes e logo se transformaram em vilas e cidades. os Kaingang. que consistia em comprar animais nos campos de Vacaria. começaram a surgir povoações ao longo dessa rota. no Rio Grande do Sul.

O Norte do Paraná. de 22/04/1871.De acordo com instruções recebidas. fundou uma colônia militar. sobre a qual pairava a 21 . visando à abertura de uma estrada que comunicasse os Campos Gerais paranaenses com a Província de Mato Grosso. próxima da Província de Mato Grosso. foi criada a Vila de Guarapuava a qual foi elevada a cidade pela Lei nº 217. Em 28/02/1855. devido a sua localização estratégica. Paranapanema. ao sul de Guarapuava. de 22/03/1849. aonde chegaram vinte anos depois. num de seus trechos navegáveis: o Porto de Jataí. definido pelos rios Itararé.  Norte Novíssimo: região que se desdobra da linha traçada entre as cidades de Terra Rica e Terra Boa. localizada à margem direita do rio Tibagi. os fazendeiros de Guarapuava tinham conquistado os Krei-bang-rê (Campos de Palmas) e ali instalado trinta e sete fazendas com mais de trinta mil cabeças de gado. Ivaí e Piquiri. até o curso do Rio Paraná. Pela Lei nº 21. Paraná. o norte paranaense permaneceu incógnito até a década de 1930. Conhecido no mundo inteiro há aproximadamente 30 anos.  Norte Novo: a área desta região vai até as barrancas do Rio Ivaí e tem como limite. a oeste a linha traçada entre as cidades de Terra Rica e Terra Boa. segundo a época e a origem das respectivas colonizações:  Norte Velho: área que compreende a região do Rio Itararé até à margem direita do Rio Tibagi. Essa colônia militar. em meados do século XIX. ultrapassando o Rio Ivaí e abarcando toda a margem direita do Rio Piquiri. fundando a vila de Palmas. apesar de seu grande isolamento continuou. Foi então. o comandante deveria fundar a povoação definitiva a ser a freguesia e futura cidade de Guarapuava. predominava uma colonização espontânea que acompanhou o percurso futuro da ferrovia São Paulo-Paraná. Colônia de Jataí O Barão de Antonina. foi dividido em três áreas. No início. os brancos começaram a se movimentar em direção aos campos de Palmas. NORTE DO PARANÁ A região Norte do estado do Paraná constituiu-se historicamente na principal região agrícola paranaense. PALMAS Passados cinco anos da ocupação dos campos guarapuavanos entre os rios Coutinho e Jordão. Em 1839. Palmas foi elevada à freguesia (divisão eclesiástica) e em 13/04/1877. pela Lei nº 484 foi elevada a Vila com o nome de “Vila do Senhor Bom Jesus dos Campos de Palmas”. em 1855. abrangendo uma superfície de aproximadamente 100 mil quilômetros quadrados. erigida a colônia.

a sociedade do Norte Pioneiro nasceu com características patriarcais e principalmente latifundiárias. juntamente com os dois aldeamentos indígenas. estabelecia-se na região. a numerosa família patriarcal do Major Tomás Pereira da Silva. de modo geral. NORTE PIONEIRO A sociedade que surgiu no Norte Pioneiro a partir do século XIX apresentava. as mesmas características da paulista e mineira dos tempos coloniais: patriarcal. Nem toda a população aí estabelecida no século XIX estava ligada aos latifundiários. a grande produção de suínos no Norte Pioneiro atraiu a atenção dos grandes frigoríficos brasileiros. Siqueira Campos etc. ali vieram estabelecer-se. No local. e deu origem. Com estes sintomas. Neste sentido. a família mineira dos Alcântara. juntamente com a família Calixto. Grande número de seus povoadores provinham da Província de Minas Gerais. A notícia da fertilidade das terras logo de espalhou e apesar das dificuldades existentes inúmeras famílias. composta de 200 indivíduos. Mesmo os grandes proprietários tinham dificuldades de conseguir numerários. A porta de entrada para o povoamento do nordeste do Estado foi Ourinhos. já ali estabelecida. no nordeste do Estado. Praticamente não havia comunicação com o restante do território paranaense . Os produtores não tinham condições de escoar sua produção. Minas Gerais. tanto na região como em todo o país. aproximadamente. à atual cidade de Jacarezinho. nunca se desenvolveu. no entanto. Pequenos sitiantes e/ou posseiros também conseguiram estabelecer-se na região. Embora a instituição da escravatura não se apresentasse dominante. em seguida. deslocava-se de Itajuba. Por ali entrou a maioria dos colonizadores. porém isolada. No começo do século os porcadeiros que atravessavam o Itararé tinham um grande serviço. do final do século XIX. Os pequenos ofereciam seus produtos aos grandes proprietários. dava fortes sinais de desagregação. A cultura do café. Paulo. novas povoações como Ribeirão Claro. feijão e fumo. Em 1888. escravocrata e latifundiária. fundaram-se dois aldeamentos indígenas: o de São Pedro de Alcântara e de São Jerônimo. Antonio da Platina. mineiras e paulistas. S. como atesta o antigo nome de Siqueira Campos: Colônia Mineira. Surgem. Estabeleceu-se às margens do rio das Cinzas e iniciou o cultivo das terras. Ainda sob a direção do Barão de Antonina. veio a família do fluminense Antonio Calixto. Apesar da sua localização estratégica.ameaça de invasão por parte do Paraguai. alimentos e escravos. Por volta de 1886. com grande comitiva. localizada no Estado de S. a colônia militar de Jataí não se desenvolveu satisfatoriamente. o primeiro núcleo de povoamento no norte do Estado. que achou ótimas. Carlópolis. A maioria da população poderia ser considerada pobre. A firma paulista de Francisco Matarazo 22 . Trouxe todos os instrumentos agrários necessários. Foi. existe hoje o município de Tomazina. Plantavam algodão. Famílias Colonizadoras Em 1867. arroz.

Concessões de terras a empresas de colonização privada foram responsáveis pelo “loteamento” da boa parte no norte paranaense. Foi escolhido o local que seria a sede das atividades da Companhia. O baixo preço dos lotes e as facilidades de pagamento permitiram que um número muito grande de colonos oriundos principalmente de São Paulo e também Minas Gerais (e em menor número do Nordeste brasileiro) viessem para a região entre as décadas de 1930 e 1950 com vistas à produção de café. bem como o centro da colonização. vai ser construída a estrada de ferro “São Paulo – Paraná” ligando Ourinhos a Cambará. e ainda a alta fertilidade das terras da região. em homenagem a Londres. A “Paraná Plantation” desdobrou-se em duas companhias: a “Companhia de Terras Norte do Paraná” 9 e a “Companhia Ferroviária São Paulo – Paraná” 10 . Depois de Mitsugi Ohara. Esse fracionamento das terras foi um dos maiores responsáveis pelo êxito da implantação da cultura cafeeira.resolveu instalar-se na região com um grande frigorífico. No dia 27 de março de 1930. Mas ainda não estava colonizado. além de outros fatores como a capitalização dos colonos de São Paulo e que procuraram novas áreas para ter produção própria. Matarazo instalou o frigorífico em Jaguariaiva. o imigrante japonês Mitsugi Ohara adquiriu da Companhia de Terras do Norte do Paraná. A expansão das frentes cafeeiras. o primeiro lote de terras vendida pela empresa na região do norte paranaense. Os compradores acorreram em grande número.000 alqueires. NORTE NOVO A derrubada das imensas matas primitivas a partir de 1935 a oeste do Rio Tibagi com a expansão da cafeicultura ilustra o período em que um Estado em dificuldade faz dessas terras públicas um alvo de um dos maiores investimentos imobiliários privados que se tem notícia. até o local do loteamento. atraindo capital estrangeiro para ocupar as terras. foram os fatores que facilitaram à Companhia de Melhoramentos. como Santos. como São Paulo. a “Paraná – Plantation”. 23 . 9 Tinha como finalidade lotear e revender em pequenas propriedades os 12. Colonização Particular . já se registrava a venda de 3. estava definitivamente ligado o Norte do Paraná aos centros consumidores . 10 Teria a função de continuar os trilhos de Cambará.643 km². Londrina em 1935. contidas nas áreas tradicionais pelo Acordo de Taubaté. de terras devolutas adquiridas do governo do Estado. atraídos pelos preços e pela propaganda da Companhia. Apucarana em 1937 e finalmente Maringá. A estrada de ferro sempre acompanhou a penetração do loteamento da Companhia. Em 1931.Companhia de Terras do Norte do Paraná Possuía uma companhia inglesa. milhares de colonos entraram na região. Com essa estrada de ferro. a rapidez da colonização da região. Atingiu Jataizinho em 1931. vastos cafezais na região de Cambará. nem conhecido. Recebeu o nome de Londrina. Para transportar sua produção. e exportadores.

o governo do Estado resolveu lotear as terras que ainda lhe pertenciam. Sua população. 10% de catarinenses. Com pleno desenvolvimento da cafeicultura. Além da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. foi a estrada de ferro incorporada à Rede Viação Paraná Santa Catarina. 20% de mineiros. que mais tarde se transformaria na cidade de Londrina. uma série de armazéns e unidades de beneficiamento consolida essa rede de escoamento da produção cafeeira construída. para populações vindas do sul do país. mas não foi possível um acordo com o governo do Estado. As cidades iam sendo traçadas para abastecerem as frentes cafeeiras. 10% de nordestinos. 24 . NORTE NOVÍSSIMO A colonização oficial da região de Umuarama. e da colonização oficial. 10% de paranaenses. O Porto de Paranaguá. e hoje é conhecida pelo nome de “Companhia Melhoramentos Norte do Paraná”. bem traçadas geometricamente. Aplicou então a Companhia seu capital em investimentos industriais no Paraná e em São Paulo. no Noroeste do Estado. Era desejo da Companhia de Terras adquirir novas áreas devolutas para estender ainda mais sua colonização.Durante a segunda Guerra Mundial. 5% de estrangeiros e outros. A estrutura montada na colonização dirigida permitia que se formasse no norte paranaense um impressionante arranjo territorial em que núcleos urbanos bem próximos uns aos outros. por onde entraram ¾ da população que ali chegou. mas especificamente no bairro Cafeeiros. subindo para o norte por rodovia. Possuem aspecto de cidades modernas. tornando a região um grande centro de atração das migrações internas no Brasil. e a Companhia de Terras Norte do Paraná vendida a capitalistas paulistas. Como tais inversões estavam fora do único objetivo da Companhia. estavam interligados por estradas e ferrovias que davam acesso à região. e de aparência agradável. dezenas de imobiliárias particulares operaram e ainda estão operando com loteamentos menores. As principais “portas” de entrada desses migrantes no norte do Estado foram:     Ourinhos. As estradas paulistas que terminam do Paranapanema. estava assim constituída: 45% de paulistas. como foi o caso do patrimônio de Três Bocas. O sudoeste do Estado. Todas as cidades fundadas pela Companhia foram planejadas antecipadamente. de maneira geral. Migração para o norte paranaense A grande maioria da população do Norte do Paraná provém de outros Estados. qual seja a colonização. iniciou-se por onde hoje se encontra o município de Cruzeiro do oeste. acarretaram a mudança de nome em 1951. Colonização Oficial Entusiasmado com o êxito da Companhia de Terras Norte do Paraná.

construindo a sua moradia. Em suas propagandas para atrair compradores é possível visualizar a expectativa de que Cruzeiro do Oeste se transformaria numa grande cidade. a frente pioneira avançava para oeste por iniciativas particulares ou oficiais. Terras e Colonização. provando ser a região já conhecida anteriormente a vinda desse grupo. sem nenhum controle pelo Brasil.Em 1946 um grupo de engenheiros e técnicos do governo estadual se dirigiu à região com o objetivo de fazer um levantamento topográfico da área e de um famoso picadão que por aqui existia. que oferecia terras boas e fartas. O processo de ocupação da Região Oeste do Paraná possui vários momentos significativos para a História do Paraná. Partindo de núcleos mais antigos como Guarapuava e Palmas. é possível perceber que o grande atrativo ainda era o café. A Companhia Sul Brasileira de Terras e Colonização foi encarregada de ampliar a cidade de Cruzeiro do Oeste. geralmente eslavos. órgão instalado em Cruzeiro do Oeste e ligado ao Departamento de Geografia. criação de pequenos animais. extraiam do Oeste do Paraná grande quantidade de erva-mate. depararam-se com um emaranhado de picadas na mata. nas matas de araucárias. 25 . o governo do Estado. que se deslocavam e ainda se deslocam das colônias do leste. O que se verificou na ocupação da maior parte do oeste foi um vasto assalto às terras devolutas do estado ou a grandes glebas particulares por caboclos luso-brasileiros ou por descendentes de europeus. os argentinos. ou seja. em 1954. Nativamente. alguns posseiros e grileiros. OESTE PARANAENSE A parte ocidental do Estado do Paraná foi aquela que concluiu o processo de ocupação mais recentemente. Havia a preocupação e interesses em expandir o povoamento até o Rio Paraná. Os municípios de Umuarama e Perobal foram colonizados pela Companhia de Melhoramentos Norte do Paraná que teve participação também na colonização de Cruzeiro do Oeste e áreas rurais de outros municípios da região. hoje conhecido com estrada Boiadeira. Devido ao grande interesse pela região. passaram a ser vendidas e não mais doadas aos interessados. Ao chegarem. a região era habitada por milhares de índios. Enquanto o Governo do Paraná tomava medidas a respeito da exportação de erva-mate pelos portos marítimos. o interessado deveria estabelecer-se no lote. a colonização era esparsa e frequentemente nômade e de exploração ao longo das bacias hidrográficas. Após a criação do município. A titulação da terra era dada após a sua ocupação efetiva. utilizando trabalho escravo. iniciou a entrega de lotes urbanos a quem tivesse interesse em estabelecerse no município. por intermédio da 5ª Inspetoria. para evitar invasão de terras. com os seus “obrageros” e. Entre 1881 a 1930 a Região foi explorada pelos obrageros e finalmente a partir de 1946 aconteceu a ocupação efetiva com a colonização da Industrial Madeira Colonizadora Rio Paraná S/A (MARIPA). Apesar de a propaganda ser direcionada à área urbana. atraindo aventureiros e colonizadores. que ocorreu de modo não muito organizado como no caso do Norte. plantações. Inicialmente. as terras sob a administração da prefeitura.

A Argentina e o Brasil disputaram a região. principalmente com o plantio de soja. cerca de 10. que foi muito disputada. com o capital fluindo de São Paulo para o Paraná facilmente. quando começou a decadência dos obrageros. com sede em Porto Alegre e escritório em Toledo. principalmente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. o que se pode afirmar categoricamente é que toda a penetração populacional foi movida fundamentalmente pela atividade economia. os dois países escolheram.000 lotes. posseiros. a CITLA. Foram vendidos cerca de 10. o Presidente dos EUA deu ganho de causa do Brasil. A região Oeste do Paraná não possuía um atrativo empresariam tal qual ocorreu com o café no norte paranaense. extraindo mate e madeira. com mão-de-obra paraguaia. Assim deduz-se que essa fixação de núcleos populacionais em determinadas áreas só foi possível sustentada por um atividade econômica permanente. Entre 1950 e 1970 foi o auge da colonização. decidir o problema. principalmente. a região estava quase isolada da Capital do Estado. Em 1928. para os argentinos. A ocupação foi rápida. No período de 1946 a 1949 a MARIPA só extraia madeira principalmente o cedro.000 pessoas. era uma região fértil e rica. Felizmente. Pelo exposto. quando alguns empresários do Rio Grande do Sul.Em 1930. atuavam no Oeste do Paraná. essa terrível realidade foi denunciada e após a vitoriosa Revolução de 1930 os obrageros foram eliminados do Oeste do Paraná. como árbitro. apesar da existência de solos férteis e abundância de madeira. Os Estados do Paraná e Santa Catarina também entraram em conflito na área. SUDOESTE PARANAENSE A ocupação do Sudoeste do Paraná teve algumas particularidades em relação ao Oeste e ao Norte. após um acordo entre os dois Estados. com tamanhos entre 10 e 25 hectares. O Sudoeste do Paraná. que era exportada para o mercado platino. o Governo do Paraná e. então. Essa desavença pela posse das terras envolveu também a Cia. Somente em 1916. é que a menor parte das terras em litigio passou a pertencer ao Paraná. obedeceu a ritmos determinados 26 . com a passagem da Coluna Prestes na região de Foz do Iguaçu. Para decidir a referida disputa. continuou a pendência entre os Estados do Paraná e Santa Catarina. no que diz respeito à ocupação populacional. Chegavam diariamente 50. o Presidente dos EUA para. 100 e até 200 pessoas. compraram 250. causando conflitos jurídicos. Portanto. em 05 de fevereiro de 1895. Finalmente. Essa situação do Oeste do Estado começou a mudar a parti de 1946. políticos e sociais.000 hectares e organizaram a Industrial Madeireira Colonizadora do Rio Paraná S/A (MARIPA). ARGENTINA X BRASIL: durante muitos anos a Argentina e o Brasil disputaram a rica região do Sudoeste do Paraná. Há também a mescla da pequena propriedade com as grandes extensões de terras voltadas para o mercado externo. PARANÁ X SANTA CATARINA: resolvido o problema com a Argentina. a respeito da região em estudo. De Estradas de Ferro São Paulo – Rio Grande. A ocupação. na região predominava a pequena propriedade. o Governo Federal. em 1889.

em 1989. 08) O quinto e a capitação foram impostos instituídos pela Coroa portuguesa para tributar as atividades mineradoras. as missões que foram destruídas pelas tropas portuguesas no episódio conhecido como “Guerra Guaranítica”. formou uma coluna militar que travou combates com tropas leais ao governo na região de Foz do Iguaçu. 27 . formado por militares que lutavam por mudanças no país. 02) A progressiva atividade dos mineradores levou-os a fundar a cidade de Ponta Grossa. a região de Paranaguá foi percorrida por bandeirantes e por aventureiros que buscavam metais preciosos. Em suma. bem como a área de origem desses movimentos. controlando a entrada e a saída de pessoas na região. a ocupação avançou sob a forma “frentes” que definiram e caracterizaram os espaços regionais de acordo com o momento histórico e a atividade econômica predominante. 02) Nos anos de 1920. explorava-se uma grande quantidade de metais preciosos. foi instalada. A segmentação da ocupação. 04) Após a descoberta de ouro na região da Baia de Paranaguá. 08) Em razão da importância estratégica da região. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). nas cataratas do Iguaçu. 04) O abandono da região pelo governo brasileiro persistiu até a República Velha. poloneses e eslavos. o movimento tenentista. isto é. em Foz do Iguaçu. inclusive no Paraná. italianos. 16) A região de Curitiba foi colonizada por imigrantes alemães. levou a capital paranaense a desenvolver características de uma metrópole europeia na América. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01: (UEM-2013) Sobre a colonização da região litorânea do atual estado do Paraná. no final do século XIX. como visto. QUESTÃO 02: (UEM-2013) Sobre a história da Região Oeste paranaense. 01) Os jesuítas espanhóis instalaram. a partir da segunda metade do século XVI.pela motivação da própria atividade econômica em questão. na década de 1620. 01) Entre a segunda metade do século XVI e as primeiras décadas do século XVII. concretizou-se nas chamadas “frentes pioneiras”. onde. aliado à inexistência de escravidão no Paraná. nas várias regiões do Paraná. ao mesmo tempo em que capturavam o indígena. como forma de inibir o contrabando. Esse fato. uma colônia militar brasileira. a administração portuguesa instituiu o “Distrito Aurífero de Paranaguá”. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). Paraná e Piquiri. nos anos de 1680. o território compreendido entre os rios Iguaçu. Tal fato tornou possível que o Paraguai anexasse uma faixa de terras entre os rios Iguaçu e Paraná que somente foi retomada pelo Brasil pelo Tratado de Itaipu.

16) Durante o século XIX, essa região não recebeu grande atenção do Estado brasileiro. Esse
fato possibilitou que os argentinos chegassem até o oeste paranaense atraídos pela erva-mate,
que era contrabandeada para a Argentina.

QUESTÃO 03:
(UEM-2013) “O Norte paranaense é uma região grande, com muitos municípios de clima
quente e terras férteis, onde se cultivam vários tipos de produtos agrícolas. No início da década
de 1920, o Norte paranaense atraiu migrantes de várias regiões do Brasil, principalmente de
Minas Gerais, São Paulo e do Nordeste. Também vieram para o Norte paranaense imigrantes de
países como Inglaterra, Alemanha, Itália e Japão.” (ROLLENBERG, Graziella. Norte. In:
História Paraná. São Paulo: Editora Ática, 2009, p. 107). Baseando-se no trecho citado, assinale
a(s) alternativa(s) correta(s).
01) Os imigrantes que chegaram à região antes da década de 1920 praticavam uma agricultura
de subsistência.
02) Devido ao clima quente, os imigrantes alemães não se fixaram no Norte paranaense e se
deslocaram para as regiões mais frias dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
04) A presença dos ingleses na colonização da região Norte paranaense se deu, sobretudo, pela
criação de companhias de colonização.
08) A partir da década de 1930, o cultivo da lavoura do café impulsionou o surgimento de
cidades na região Norte paranaense.
16) Diferentemente dos imigrantes, os migrantes cultivavam suas terras em pequenas
propriedades voltadas para o mercado local e o regional.
QUESTÃO 04:
(UEM-2011) Leia o texto e assinale a(s) alternativa(s) correta(s). “Ainda na época imperial, a
Província do Paraná interessava-se em ligar o litoral e a capital com esses novos núcleos
populacionais do Norte Pioneiro. Rodovias e ferrovias foram planejadas, mas por motivos
econômicos não passaram das intenções. Enquanto isso, no Estado de São Paulo, os trilhos da
Estrada de Ferro Sorocabana avançavam por etapas em direção a Ourinhos, localizada na
margem direita do Paranapanema”. (WACHOWICZ, Ruy C.. História do Paraná. Curitiba:
Editora Gráfica Vicentina, 1995, p.249.)
01) A margem direita do Rio Paranapanema, a que se refere o texto, faz parte do território
paranaense.
02) Os núcleos populacionais a que se refere o texto tornaram-se as cidades Foz do Iguaçu e
Maringá.
04) A ausência de estradas que ligassem a região norte do Estado do Paraná a Curitiba conduziu
a um isolamento da região.
08) A construção da Estrada de Ferro Sorocabana significou o coroamento dos esforços do
governo paulista para anexar ao Estado de São Paulo parte dos territórios norte-paranaenses.

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16) A situação descrita no texto permite-nos afirmar que a Estrada de Ferro Sorocabana
constituiu naquele momento, um dos principais meios de escoamento da produção agrícola
norte-paranaense.

QUESTÃO 05:
(UEM-2009) Maringá, situada em uma região do estado do Paraná conhecida como Norte
Novo, tem uma história profundamente ligada à cafeicultura. A esse respeito, assinale a(s)
alternativa(s) correta(s).
01) Empresas particulares, principalmente dos setores imobiliários, tiveram grande participação
na exploração e na colonização dessa região.
02) Além do trabalho assalariado, a mão de obra escrava também foi empregada em grande
escala pelos grandes plantadores de café do Norte do Paraná.
04) O desenvolvimento da cafeicultura não contribuiu para o desenvolvimento de indústrias
nessa região, que permanece como uma região exclusivamente agrícola até os dias de hoje.
08) A “corrida do café” é um termo usado para denominar o avanço da cafeicultura paulista
sobre o Norte paranaense na década de 1930.
16) A falta de investimento em ferrovias para o escoamento da produção cafeeira foi um fator
decisivo para o declínio do produto na região.

QUESTÃO 06:
(UEM-2013) Sobre a ocupação e o povoamento do território do atual estado do Paraná, assinale
o que for correto.
01) Até a chegada dos primeiros colonizadores de origem europeia, nos anos de 1950, a região
Norte do Estado do Paraná apresentada um ‘vazio demográfico”.
02) Na segunda metade do século XIX, as colônias de imigrantes criadas no território
paranaense fracassaram em razão, dentre outros aspectos, do distanciamento dos centros
urbanos e da falta de estradas, de escolas, de médicos e de apoio do governo para a produção
agrícola.
04) Ao conquistar sua autonomia política em relação à província de São Paulo, em 1853, o
Paraná integrou-se oficialmente ao programa do governo brasileiro de incentivo à imigração
europeia.
08) O Paranismo foi um movimento de deslocamento territorial, que praticava o mercantilismo
em diversas partes do território paranaense.
16) Excetuando a contribuição da colonização japonesa no Norte do Paraná, outros imigrantes
vindo da Europa não contribuíram para o desenvolvimento tecnológico da agricultura
paranaense.

QUESTÃO 07:
(UEM-2012) A colonização dos territórios paranaenses ocorreu em momentos diversos e a
partir de diferentes interesses e necessidades. Em razão disso, pode-se dividir a ocupação do
29

Estado do Paraná em três áreas histórico-culturais distintas. A esse respeito, assinale a(s)
alternativa(s) correta(s).
01) As três áreas histórico-culturais distintas são: a frente lusitana, no Paraná litorâneo; a frente
paulista, na região central, e a frente catarinense, na região noroeste.
02) A área histórico-cultural mais antiga abarca, desde o século XVI, a região das reduções
jesuíticas do Guairá, que se vinculava ao litoral pelo Caminho de Viamão.
04) A área histórico-cultural que corresponde ao Norte do Paraná teve a sua colonização
iniciada no século XIX, com a chegada à região de migrantes mineiros.
08) A colonização do sudoeste e de parte do oeste do Paraná é a mais recente; foi iniciada no
século XX por gaúchos e catarinenses.
16) O início da colonização da área histórico-cultural do sudeste do Paraná foi obra da expansão
da economia do café, vinda de São Paulo.

30

COLÔNIAS
MILITARES
NO
PARANÁ
31

502 de 1859. ela passou ao domínio civil em 1890 e hoje é a cidade de Jataizinho. 32 . Torna-se pioneiro no desenvolvimento agropastoril no norte do Paraná. em 1882. tendo como principal objetivo defender a fronteira e evitar a ocupação da região litigiosa pelos argentinos. Facilitar as ligações das províncias do Paraná e Mato Grosso. Jataí. 11 Colônia Militar de Chapecó. Colônia Militar de Jataí A Colônia Militar de Jataí foi autorizada pelo Decreto Imperial nº 751 em 1851 e instalada em 1855. mais tarde postos militares . pertencia ao Paraná. No período republicano. que existiam nas margens do Tibagi. 2. do Paraguai. preventivo. primeiramente. de possível ataque. Ladislau Herculano de Freitas. denominadas de Colônia Militar de Chapecó11 e Colônia Militar do Chopim. várias colônias militares são criadas. No Paraná foi criado no período colonial. assim como “domesticar” os índios selvagens da região. foi fundada a Colônia Militar de Foz do Iguaçu. com o objetivo de defesa nacional e no 2º Reinado. 3. Dr. Colônia Militar de Chopim O Decreto nº 2. o Forte Atalaia em Guarapuava. principalmente no Pará e Mato Grosso. no ano de 1855 e duas entre os rios Iguaçu e Chapecó. no ano de 1882. incentivou-se a construção de colônias estratégicas em várias regiões. Em todo o território brasileiro foram criadas estas colônias. fortins e feitorias. Foi instalada nas margens do Rio Tibagi. Durante o 1º Reinado. Garantir a segurança das colônias indígenas de São Jerônimo e São Pedro de Alcântara. recomendava a extinção da colônia. 5. Em 1890 o presidente do Estado. Contribuir para a miscigenação étnica. no ano de 1889.COLÔNIAS MILITARES DO PARANÁ Para garantir a conquista do novo continente e realizar comércios. Portanto. Servir de posto militar avançado. 4. onde existiu no início do século XVII a Redução Jesuítica de São José. via fluvial. No período provincial (1853-1889) são três as Colônias Militares criadas no Paraná: uma no norte. por Diogo Pinto de Azevedo. Ela tinha várias finalidades: 1. em 1810. autorizou as Colônias Militares de Chopim e Chapecó. Portugal organizou.

Muitos foram para a Colônia Militar de Foz do Iguaçu. merece destaque: abuso do consumo de bebida alcoólica. alemães. Começaram a extrair erva-mate. 23 anos depois da sua autorização. o ministro da guerra. criavam suínos. produziam milho. a Colônia Militar não teve o sucesso esperado. principalmente entre os solteiros. Existiam também índios. austríacos. Os militares eram a maioria do nordeste do Brasil e os colonos eram do sul. Em seguida houve decadência. nomeou uma comissão que tinha como principal atividade fundar uma Colônia Militar em Foz do Iguaçu.A Colônia Militar de Chopim só foi instalada em 1882. franceses e italianos) e africanos. mandioca. bovinos. Ela passou ao domínio civil em 1909. cana-de-açúcar. Colônia Militar de Foz do Iguaçu A região de Foz do Iguaçu até o fim do século era ocupada. Ela foi um estabelecimento agrícola e militar. em 1888. A região era conhecida pelos nomes de Xango ou Campos de Xango. feijão. constantes cheias dos rios. Objetivando contribuir para povoar a região por brasileiros. cavalos. A existência e o funcionamento das colônias militares no Brasil e no Paraná revelam o peso dos militares na nossa história e foram postos avançados na consolidação do atual território brasileiro. causando brigas. a falta de pessoal qualificado. 33 . desordens e indisciplina. do governo chefiado por João Alfredo. imigrantes europeus (poloneses. Apesar de tudo ela contribuiu para garantir a região para o Brasil e para o Paraná. dificuldade no sistema de comunicação e transporte. o atraso no repasse de verba do governo. Tomás José Coelho de Almeida. principalmente por Paraguaios e Argentinos. batata. A população da colônia era eclética. Foi extinta em 1912. Possivelmente por ter sido instalada no processo de transição política. No local havia um aldeamento indígena. arroz. além de verduras e frutas. Em 1950 a sede tinha apenas 458 habitantes. Entre os principais problemas existentes na colônia.

UMA EXPERIÊNCIA ANARQUISTA NO PARANÁ: COLÔNIA CECÍLIA 34 .

Do ponto de vista quantitativo. pode-se resumir em: “Anarquia nas relações sociais. a 40 km de Ponta Grossa. a colônia passou por inúmeras crises . porém. tendo contribuído para a deflagração da primeira greve de ferroviários. O próprio Rossi deixa a Colônia tentando estabelecer-se em Curitiba. A colônia ocupou uma área de 200 hectares da Colônia Santa Bárbara. Pela sua qualidade. quando os últimos moradores da colônia venderam os ativos para pagar os débitos existentes e custear as despesas até Curitiba. Alguns de tornaram empresários. Em outubro de 1891 a colônia possuía menos de 30 pessoas. Durante os quatro anos de existência. indo morar e trabalhar em outras localidades. não se adaptaram aos princípios anarquistas e saíram do local. Durou apenas quatro anos: de abril de 1890 até abril de 1894. Em abril de 1894 a colônia estava dissolvida. e também filósofo. propriedade coletiva dos capitais. Giovani Rossi era médico veterinário. sociólogo e político. Sobre o líder dessa experiência. distribuição gratuita dos produtos no ajuste econômico. exerceram importante influência no movimento operário.COLÔNIA CECÍLIA No início da República. negação de Deus nas religiões”. Por pregar seus princípios anarquistas esteve preso na Itália em 1878. 35 . Muitas chegaram à colônia. a Colônia Cecília teve pouca importância na história do Paraná. o Estado do Paraná viveu uma significativa experiência anarquista. O ano de 1893 marca o início da grande debandada. amor e nada mais que amor na família. distrito do Município de Palmeiras. Sobre o seu socialismo. A experiência anarquista da Colônia Cecília serviu de roteiro para várias atividades artísticas. Trata-se da Colônia Cecília. os poucos anarquistas que se espalharam pelo Paraná.

AUTONOMIA POLÍTICA DO PARANÁ 36 .

pois o Juiz de Fora Antonio Azevedo Melo e Carvalho – que visitava o Paraná – não atendeu ao pedido de Bento Viana – capitão da Guarda de Regimento de Milícia de Paranaguá – para que nomeasse um governo independente de São Paulo. assim como o crescimento da produção e comercialização da erva-mate. de Guarapuava. 12 Em 1811 a Câmara de Paranaguá formulou uma representação ao Príncipe Regente D. junto à corte no Rio de Janeiro. com pretensões de ser Capitão-Mor. de habitantes de Paranaguá e Curitiba. Em 1770. A ignorância e o despotismo dos comandantes militares da Comarca. 5. que se pode considerar. forçado. as Câmaras de Vereadores de Paranaguá. quando seus filhos. Pela falta de moeda na Comarca. pois os impostos iam para São Paulo e não retornavam para atender as necessidades da população. a emancipação da Comarca. e também para as guerras do sul. A emancipação da província do Paraná A luta pela emancipação política do Paraná teve seus antecedentes em 1811 12 . onde afirma: “Senhor. esta Comarca de Paranaguá. A segunda tentativa ocorreu em 1821. do Tibagi. 4. O fornecimento.PERÍODO PROVINCIAL – 1853 a 1889 Entre 1660 a 1770. Confisco de Cereais. mas fracassou. tentou... Mesmo com um desfecho desfavorável. Essa tentativa também fracassou. gado e cavalgadura para fins militares. a região paranaense foi elevada a status de capitania. Frequentemente.”. passando a se chamar 5ª Comarca de Paranaguá e Curitiba. A falta de justiça considerando ser difícil impetrar recursos para as autoridades de São Paulo. por não ter um governo que observe e veja tudo de mais perto. 3. o desejo de autonomia permanecia. com os trabalhos dos tropeiros curitibanos no comércio de gado. quando os defensores da emancipação retomaram o movimento. com a restauração da Capitania de São Paulo. recrutados a força. ficando suas famílias na miséria. Morretes. está pouco povoada e na maior indulgencia e miséria. que era em Paranaguá. ela foi extinta e incorporada por esta como comarca. desertavam. Com a expansão da pecuária nos Campos Gerais. sendo dilatada a sua extensão (não menos que o reino de Portugal). 2. 37 . criou-se uma infraestrutura que permitia sonhar com a autonomia política da 5ª Comarca de Paranaguá e Curitiba. Antonina. organizando a “Conjura Separatista”. Curitiba e Castro solicitavam autonomia ao governo Imperial Brasileiro. Lapa. denominada Capitania de Paranaguá. 6. a sede da comarca. Cobrança de impostos de guerra e de dotes para a Princesa. Punham a ferro os pais. 7. Entre as razões que justificavam o movimento pela emancipação estavam: 1. foi transferida para Curitiba. quando Pedro Joaquim Correia de Sá. como soldados para os desbravamentos dos sertões do Iguaçu. João. Em 1812.

3. entre outros fatores: 13 1. A instalação oficial foi realizada em 19 de Dezembro de 1853. São Paulo e Minas Gerais. tendo Curitiba como capital15 . otimizando a saúde pública. 4. Dessa forma. os liberais da 5ª Comarca em Curitiba. Todavia. e conter com sua presença os desmandos de forma enérgica. das classes dominantes da região. 3.Em 1835. retomou-se. Sua posição central. 14 Em 29/04/1843. em 1843. as cidades de Paranaguá. para a criação da Província do Paraná. A vida política da província paranaense de 1853 a 1889 O artigo 1º da Lei nº 704 estabelece: “A Comarca de Curitiba na Província de São Paulo fica elevada a categoria de Província com a denominação de Província do Paraná. que tinha inclusive. interesse em enfraquecer São Paulo. contudo. Para aprovação foi decisivo o apoio da bancada da Bahia. cooptados pelo Barão de Antonina. revoltados com a política “conservadora” do governo central. Duque de Caxias. 38 . a emancipação da Comarca. e os liberais do Rio de Janeiro. da cúpula do Partido Conservador. o Deputado Carneiro de Campos apresentou projeto para criação da Província do Paraná. organizados na “Revolução Farroupilha”. quando tomou posse o primeiro presidente Zacarias de Goés e Vasconcelos. Entre idas e vindas. além de Curitiba. Estar no planalto. 5. conseguiu aprovação em 2 de Agosto de 1853. Para cuidar de forma velada o cumprimento da lei. O Governo Imperial negociou com os liberais curitibanos. se uniram com os farrapos e organizaram uma única frente revolucionária. Os liberais do Rio Grande do Sul entraram em luta contra o Império. Pesou. A luta parlamentar durou 10 anos. O município de Guarapuava nesta época possuía limites internacionais pouco explorados. O governo do império conseguiu assim o apoio dos liberais 5ª Comarca para vencer os revolucionários. 2. por intermédio de João da Silva Machado e o Chefe das forças legalistas. Referia-se a sangrento caso ocorrido em São José dos Pinhais. mineiros e fluminenses. O clima favorável. Castro e Guarapuava. A opção por Curitiba se deveu aos seguintes fatores: 1. A bancada de São Paulo colocava sempre obstáculo. elevando a Quinta Comarca de São Paulo à categoria de Província do Paraná. Era uma luta pela hegemonia na vida política brasileira. também. 4. Por ter população superior às demais. 15 Apresentavam-se como candidatas. A sua extensão e seus limites serão os mesmos da referida comarca”. houve um fator favorável e decisivo para a autonomia do Paraná . dos baianos. em 1852. O apoio O apoio O apoio O apoio do Imperador. 13 A Revolução Farroupilha (1835-1845) e a Revolução Liberal em Sorocaba em 1842 foram importantes na conquista da independência política do Paraná. não aderiram ao movimento. o projeto de emancipação da 5ª Comarca na Assembleia Geral Legislativa no Rio de Janeiro 14 . 2.

17 A maioria dos Presidentes nomeados pelo Imperador era do Rio de Janeiro e Bahia. O Presidente Adolfo Lamenha Lins incentivou a imigração criando colônias ao redor de Curitiba. alargando a esfera do ensino público. no dia 19 de Dezembro de 1853. Paranapanema e Iguaçu. Mato Grosso. 2. instalar colônias de imigrantes europeus para aumentar a população e colônias militares para promover a defesa da população dos ataques dos índios. de modo geral. O Presidente Pádua Fleury. organizar a instrução pública. Joaquim de Almeida Farias Sobrinho (1886) e Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá (1889). Portugal. quarenta e um presidentes em exercício e seis períodos de vice-presidência e retorno presidencial. Tibagi. sabemos que a nomeação para a presidência das províncias do Brasil era utilizada pelo imperador Pedro II para acomodar as forças políticas que o apoiavam. 4. As justificativas para a nomeação dos presidentes e dos vice-presidentes oriundos de outras províncias era que o Paraná tinha uma pequena projeção política e econômica no Império. mas outros vieram de São Paulo. as finanças da Província e implantar a catequese e a civilização dos índios. cinquenta e três períodos de governos. nomeados diretamente pelo imperador D. teve início o trabalho mais importante: estruturar o novo poder político administrativo de acordo com a legislação em vigor. 3. construir e melhorar estradas. inclusive. a escola normal. executar os atos fundamentais e necessários à organização e funcionamento da nova Província. Zacarias de Góes e Vasconcellos. Evolução política do Paraná Província (1853-1889) Com a conquista da emancipação política do Paraná e a posse do primeiro Presidente. trabalho realizado pelos irmãos engenheiros José Keller e Francisco Kelller. um Deputado para Assembléia Geral e uma Assembleia Provincial com 20 membros. De 1853 a 1870. Piauí e. Pernambuco. Dos 36 anos tumultuados por falta de continuidade administrativa alguns aspectos merecem destaque: 1. os governantes vieram de outras províncias. E não possuiria elementos com “boa formação políticoadministrativa” para o cargo majoritário na Província. vinte e sete presidências16 . Pedro II 17 . foi a de desenvolver e organizar a cidade de Curitiba como sua capital. um nascido em Coimbra. Carlos de Carvalho incentivou a educação. cumprindo as instruções que recebeu do Governo Imperial. Os presidentes eram escolhidos entre aqueles que pertenciam ao partido político dominante. Zacarias de Góes e Vasconcellos conseguiu. iniciou a exploração dos Rios Ivaí. criando o ensino noturno.A Província do Paraná teve ao longo de 1853 a 1889. 16 Somente três foram paranaenses: João José Pedrosa (1880). 39 . No entanto. o imperador fez algumas nomeações de homens procedentes da Província para ocupar o cargo de presidente e vice-presidente. nomeado pelo Imperador e o povo adquiriu o direito de eleger um Senador. A preocupação dos presidentes e vice-presidentes. o Paraná passou a ter um Presidente. No período subsequente (1870 a 1889). Com a criação da Província. Minas Gerais.

Entre 1854 a 1889 a Assembleia Legislativa Provincial teve 16 legislaturas. o Paraná possuía a seguinte estrutura: 1. com três Comarcas. pelo povo.5. Guaratuba. eram poucos os eleitores. Morretes. Começou com 20 membros e terminou com 24. bem ou mal.000 habitantes. Jaguariaiva e Tibagi. Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre os diferentes processos políticos que antecederam esse fato. Seis freguesias: Campo Largo. cuidou da urbanização de Curitiba. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01: (UEM-2013) No dia 15 de novembro de 1889. Palmeiras. os religiosos 8e os detentores de renda liquida anual inferior a 200 mil réis. com a Proclamação da República brasileira. só o Poder Legislativo era eleito. Estavam excluídos do direito de votos menores de 21 anos. um deputado federal e uma Assembléia Provincial com vinte membros. comandante da Guarnição Militar do Exército e representante do Marechal Deodoro da Fonseca. indicados pelo Imperador. * O último presidente da Província foi Jesuíno Marcondes. Castro e Guarapuava. de acordo com a Lei em vigor. A organização da província A Lei nº2. de 26 de Agosto de 1854. Rio Negro. os escravos. 40 . Alfredo D’ Escragnolle Taunay. A Lei nº4 que reestabeleceu o imposto denominado dos animais no registro de Rio Negro. apenas 135. a eleição era indireta.000 para 250. No momento da Emancipação Política. Duas cidades: Paranaguá e Curitiba. do poder Judiciário. o Paraná passou à categoria de Estado. São José dos Pinhais. Além disso. Considerando que os Juízes de Direito. A Lei nº 9 tratou da construção da Estrada da Graciosa ligando Antonina a Capital. são também. 2. 3. Lapa. Ponta Grossa. cerca de 70% da receita pública. Os cidadãos ativos escolhem em assembleia paroquial os eleitores da Província os quais elegem os parlamentares. em termos de recursos orçamentários. que entregou o cargo ao General Francisco Cardoso Junior. Para escolha dos seus representantes ao Poder Legislativo. Sete Vilas: Antonina. as mulheres. cria o embrião do Poder Judiciário. O Poder Legislativo Com a autonomia o povo paranaense adquiriu o poder de eleger um senador. que representava. uma no litoral e duas no Planalto. considerando que a população da Província no mesmo período cresceu de 62.

pois a autonomia do território não era preocupação da elite política local. 04) Devido à sua localização estratégica. que lutava contra o governo monárquico. 16) Pelo Tratado de Tordesilhas. Paranaguá foi escolhida como a primeira capital da Província do Paraná.01) Um dos fatores que favoreceu a criação do Estado foi o apoio que o governo provincial deu à Revolução Farroupilha. parte do atual território do estado do Paraná fez parte da Coroa Espanhola. 08) Tanto a Província como o Estado foram criados por estratégias políticas do governo central. 41 . 02) A Província do Paraná foi criada a partir do desmembramento da Província de São Paulo.

ASPECTOS DA ECONOMIA DO PARANÁ 42 .

no Paraná.MINERAÇÃO O interesse português em colonizar o Brasil está em parte relacionado ao interesse de encontrar reservas de ouro. Em 1703. também foi encontrado ouro de aluvião. ou seja. boa parte dos habitantes que não foi para as Minas Gerais passou a desenvolver atividades de pecuária nos Campos Gerais. o ouro legal era aceito somente em barras com o selo da casa real de Bragança. virou apenas história. encontrou ouro no Rio Tibagi. Na região de São José dos Pinhais e Bocaiúva do Sul. surgiu uma grande demanda de alimentação. Mais tarde. o tropeirismo. de cunho particular. Tratava-se de um monopólio real. 2º . no Rio Capivari e seus afluentes. Por outro lado. Salvador Jorge Velho e João Araújo. em 1641. os paulistas. garimpado. Com o aumento da produção do gado para abastecer a região mineira. Para a história. Em 1668. a região dos Campos Gerais sofreu uma mudança positiva. descobriram e começaram a explorar. os curitibanos já vendiam gado em São Paulo. A presença do ouro foi importante para o desenvolvimento e povoação da Região. Colônia do Sacramento e até a Bahia. A mineração que não passava de débil acessório. Esse imposto consistia em 4 ½ oitavas de ouro por trabalhador escravo nas minas. os moradores dos Campos Gerais tiveram grande desenvolvimento e teve inicio uma nova atividade econômica. na região de Paranaguá. Em 1661. à produção de mandioca. principalmente. Segundo regimento real. a quantidade que chegava a metrópole do metal precioso estava diminuindo cada vez mais. o preço subiu. Neste cenário. Com a redução aurífera. Era de interesse do estado português. ouro aluvial. Devido ao contrabando e a diminuição da extração de ouro na colônia. principalmente a partir de 1731. Os fazendeiros dos Campos Gerais do Paraná passaram a abastecer a região das Minas Gerais com a carne.A família 43 . a administração portuguesa instalou uma Casa de Fundição em Paranaguá. Pela determinação da Coroa. Paranaguá tornou-se o maior empório de farinha do sul do país. Aos poucos se formou uma cultura conhecida como cultura curitibana que se assentava em quatro elementos: 1º . devidamente enumerado. TROPEIRISMO Com a crise da mineração no Paraná. próximo de Curitiba. a exploração do ouro não seguia a mesma autoridade das capitanias e seus donatários. por volta de 1650. ela aparece como o 1º ciclo econômico do Estado. abastecendo Santos. os moradores de Paranaguá e do litoral passaram. Gabriel de Lara encontrou minas de ouro na região de Serra Negra. Rio de Janeiro. A criação de gado constituía de fato a principal atividade da população. como também para os agricultores e comerciantes paranaenses. começando por Curitiba. a corte portuguesa instituiu o chamado “Imposto da capitação” (ressaltando que também existia o imposto denominado de quinto) para os exploradores das minas. com a abertura da estrada do Viamão. Pedroso Leme. Neste contexto. Essas oitavas equivaliam a cerca de 17g de ouro por cabeça de escravo. Os Campos gerais se encheram de fazendas de gado.A fazenda de criação de gado. Com a grande migração interna para Minas Gerais e Goiás em busca de ouro.

onde o caminho tropeiro era iniciado.A escravidão como elemento de trabalho. principalmente no transporte de ouro de Minas gerais para o litoral. ERVA-MATE Durante mais de cem anos – de 1820 a 1930 – a erva-mate foi absoluta na economia e em toda a vida paranaense. Existiram também. Lá. As características dos tropeiros Fora comuns expedições espanholas adentrando o território paranaense durante o século XVII e XVIII. O seu nome está associado à cidade de Viamão no Rio Grande do Sul. utilizando botas. principalmente Sorocaba. social. tropas de cargas. mulas e éguas. no Paraná. iam para as províncias de Minas Gerais. os muares eram comercializados e levados a Minas gerais. Essa estrada. conhecida. em detrimento da criação. como Estrada do Muar. 4º . A história do tropeirismo está intimamente ligada ao papel desempenhado pelo muar.patriarcal como elemento social. Os tropeiros faziam parte das zonas rurais e das pequenas cidades aqui na região sul. passando a ser conhecido como Caminho da Viamão em 1731. Quando da ocupação dos Campos de Guarapuava e Palmas. foram necessárias tropas para o transporte de sal para o gado que lá se criava. Os tropeiros encaminhavam rebanhos de gado para o interior de São Paulo. por ser mais econômica.A região dos campos espaço geográfico. Posteriormente. Aos poucos o comércio de mulas superou o de bois. Com a ampliação do comércio de gado. novas tropas de carga foram necessárias para o transporte da erva-mate. os animais. com isso aconteceu a ampliação da economia monetária e o fim da autossuficiência das fazendas. da erva-mate no Paraná. As estâncias e fazendas de gado dos Campos Gerais do Paraná abasteceram os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro a partir do século XVII. A mula foi utilizada como principal meio de transporte durante muito tempo. juntamente com as mercadorias. substituiu a Estrada de Viamão na passagem das tropas. Já na província de São Paulo. inicialmente no transporte de mercadorias entre Paranaguá e Curitiba. até o advento da ferrovia. decidiu-se ligá-los à terra das missões. Era a principal riqueza produzida. chapéus e ponchos. que dava mais lucro. na maioria das vezes vestidos como gaúchos da época. O caminho percorrido pelos tropeiros no transporte do gado e muares era conhecido como a Estrada da Mata até meados do século XVIII. Aos poucos a cidade passou a predominar sobre o campo. do café para o porto de Santos. passava por Curitiba e seguia para a cidade de Sorocaba em São Paulo. 44 . Com o desenvolvimento da indústria ervateira. 3º . após a conquista dos Campos de Guarapuava e Palmas. política e cultural girava em torno da erva-mate. As tropas não eram só de bois. Objetivando facilitar o comércio de muar. Toda a vida econômica. Goiás e Mato Grosso. as fazendas do Paraná sofreram transformações e muitos fazendeiros passaram a priorizar a invernagem. ou Estrada de Palmas. Goiás e Mato Grosso. também. mas de cavalos.

Tal fato deve-se as técnicas inadequadas empregadas na transformação da erva em produto apto a à comercialização. penetrando no Mato Grosso. reconhecendo o incrível valor de negociação da erva. a princípio os jesuítas até julgaram que a erva teria poderes sobrenaturais malignos e chegaram. o Paraná conquistou os mercados argentinos e uruguaios. iniciando uma política de isolamento do país na comunidade sul-americana. a proibirem entre os índios. sendo que já era utilizada pelos índios antes mesmo da ocupação europeia. na maioria das vezes. a erva-mate ressurgiu como produto de exportação paranaense. devido ao boicote promovido pela Argentina e Uruguai ao mate paraguaio. por um curto período de tempo. muitas vezes a erva-mate foi utilizada como moeda de troca. proibiu a exportação de erva-mate para os mercados consumidores de Buenos Aires e Montevidéu. Os problemas causados se davam devido a maneira pouco adequada em se transportar à mercadoria (a região não dispunha de estradas) e devido a concorrência do Paraguai. eram focos de produção de diversos gêneros agrícolas e inclusive criação de gado. Mas. a população de Paranaguá e Curitiba não aproveitaram a oportunidade. a 5ª Comarca transforma o mate em seu principal produto de comércio. de “erva do diabo”. os espanhóis se sujeitaram ao seu cultivo. transportada pela Estrada da Graciosa. a partir de 1820. A autorização de livre comércio foi uma tentativa da Coroa portuguesa em terminar com o marasmo econômico da região sul. As reduções jesuíticas. Os índios já eram consumidores da bebida quando os europeus chegaram à América. 45 . Sendo assim. Dentre os gêneros agrícolas produzidos. inclusive. quando o ditador paraguaio. o seu uso. Considerando que na época se vivia sob o auspício do mercantilismo. Na colônia espanhola. tal autorização era significativa. se destaca a figura de Francisco Alzagaray. na época o maior produtor de mate. por voltar de 1826. Somente anos depois. Neste período. o Paraná adquire notável importância. posteriormente. em 1813. Entretanto. A erva era. é notório que os jesuítas tenham dado sequência ao cultivo da planta. quando a população do sul do Brasil foi autorizada a comercializarem livremente com regiões consumidoras. mesmo tendo recebido uma oportunidade excelente de ampliar os horizontes econômicos. desde o século XVII. Todavia. As primeiras incursões comerciais realizadas com a erva-mate foram realizadas a partir de 1772. Gaspar Francia. Assim. Tal medida política paraguaia levou com que os países consumidores buscassem o mate em outras regiões produtoras. encontrava-se a erva-mate. Tal fato fez da erva-mate o principal produto de exportação até a Primeira Guerra Mundial. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. responsável pelo abastecimento dos países vizinhos como Uruguai e Argentina. responsável pela introdução de novas técnicas de produção e beneficiamento da erva-mate no Paraná.Os ervais se estendiam pelo planalto paranaense até o Rio Paraná. Na verdade. Neste contexto. Chamavam-na. O auge da produção de mate foi alcançado durante o período da Guerra do Paraguai. principalmente de Guaíra para baixo.

o pinheiro produz um fruto extraordinário: o pinhão. sendo a época em que os animais mais engordam.MADEIRA Desde o início da colonização do Brasil pelos portugueses já se fazia o uso da araucária. Todavia. os indígenas intensificavam a caça. O grande estímulo para a exportação do pinheiro paranaense surgiu com a Primeira Guerra Mundial. principalmente o café no norte do Estado e para a produção de madeira. No final do século XIX. São Paulo. a utilização do pinheiro era pequena. com Antonio Rebouças. pois as aves e os animais estavam mais gordos por causa do pinhão. O pinheiro foi outro elemento natural que estruturou a cultura curitibana. que era feita pelos portos de Paranaguá. Na época de desfolhar das pinhas. popularmente conhecida como Pinheiro do Paraná. com a sua madeira constroem-se casas. A exportação do pinho. e da São Paulo-Rio Grande. começou verdadeiramente. O próprio calendário da vida do índio e do bandeirante estava em função do ciclo de frutificação do pinhão. mas também a fauna silvestre têm no pinhão um bom alimento. Quando as pinhas se desfazem e os frutos maduros caem. Várias serrarias se multiplicavam no Estado. As maiores excursões eram feitas nessa época. cascas e galhos faz-se fogo. Porém. pois tinham alimento garantido. de maio a julho. A ampliação da economia da madeira se deu a partir de 1934 com a ocupação do Norte. esse ciclo teve seu desenvolvimento retardado devido à concorrência da madeira importada. Com o sapé. a industrialização do pinheiro. Eram tantas as casas de madeira que muitas de nossas cidades eram apelidadas de “cidades de pau”. a construção da ferrovia Curitiba-Paranaguá (1885). 46 . Além do mais. com a serragem são feitos aglomerados. um ponto é desfavorável em relação a tal atividade econômica: ela não se integrava a vida regional. O extrativismo da madeira se desenvolveu após a abertura de estradas como a da Graciosa (1873). nos seus primórdios. os conservadores de estradas empilhadores de madeira. o carroceiro. com o nó produz-se carvão. Antonina e Foz do Iguaçu. Infelizmente a grande maioria dessa riqueza e beleza foi destruída pelo fogo para dar origem a outras plantações. não só o homem. acontecia no tempo do fruto do pinheiro. além de devastarem a região sem contribuir em demasiado para fixação duradoura da população. entretanto. rapidamente ultrapassou a erva-mate como principal fonte de arrecadação do Estado. os maquinistas. cola e papel. e no Brasil. Oeste e Sudoeste do Estado. A extração da madeira paranaense se deu na mesma época que o ciclo do mate. os serradores. etc. Passou-se do giro lento da roda d’água do velho engenho para a rotação rápida da máquina a vapor. sendo a preferência por outras madeiras. o pinheiro de Riga. Os grandes mercados eram a Argentina e a Inglaterra. por volta de 1850 já existia uma pequena exploração de madeira de lei no litoral. Em torno do pinheiro organizaram-se em torno delas novos grupos de trabalhadores: os boiadeiros. pois estas eram nômades. onde várias serrarias se instalaram ao longo das ferrovias. A própria safra dos porcos.

Essas cooperativas atuaram como elementos de difusão da 47 . quando os gove rnos de São Paulo. mesmo porque sua população era formada principalmente por paulistas e mineiros. Em face ao momento crítico. mas na segunda metade do século XX a expansão cafeeira de São Paulo penetrou no Paraná. comandante da colônia. pelo Vale do Itararé. surgem várias cooperativas de cafeicultoras no norte do Paraná como tentativa de amenizar os efeitos sobre os produtores. na Colônia Militar de Jataí. e a saturação do mercado internacional de café exigem dos poderes governamentais políticas visando reduzir as safras pelos programas de erradicação dos pés de café. segundo um estudo do professor Francisco Magalhães Filho. onde não haviam restrições. Os primeiros passos da cafeicultura no Paraná foram dados em meados do século XIX. o rendimento do cafezal atingiu o mais elevado índice do mundo. na orla da grande floresta desabitada que ocupava a região norte. como uma de suas metas. a diversificação de culturas nas áreas liberadas com a erradicação do café. Essa produção não chegou a ter significado econômico. a grande maioria formada por pequenos proprietários que adquiriram seus lotes junto às companhias colonizadoras. provenientes de regiões cafeeiras. A transferência para o Paraná. em seu relatório de 1886 afirmou que. no futuro as terras da região não teriam competidores na produção de café. celebraram acordo coibindo aumento de produção cafeeira. O café mudou o Paraná. e o número de propriedades agrícolas aumentou de 90. Tais iniciativas já vinham desde 1961 quando o governo brasileiro cria o Grupo Executivo de Racionalização da Agricultura (GERCA). Em 10 anos. ainda segundo aquele estudo. O problema da “superprodução”. Desde o início de sua colonização. assinado em 25 de fevereiro de 1906. encontrando aí as melhores terras do mundo para o seu plantio. Considerando a sua itinerância como aconteceu nos Vales do Paraíba e Tiete.CAFÉ Depois de dominar no Vale do Paraíba e penetrar em S. o café passou ao Paraná. foi a saída encontrada por muitos fazendeiros paulistas e mineiros. de ótima qualidade. quando se começou a plantar café em algumas colônias fundadas. A produção da região. Em 1875 já se plantava café. sendo 40 só no Norte do Paraná A grande expansão ocorreu com o desbravamento da região. Minas Gerais e Rio de Janeiro. Se o café a partir de 1850 exerceu importante papel na vida brasileira. de 1950 a 1960 a população dobrou. o mesmo aconteceu no Paraná a partir de 1930. a região norte esteve sob a influência da economia paulista. Paulo. Na famosa terra roxa do norte do Paraná. onde forneceu o capital suficiente para possibilitar a industrialização daquele Estado. Só no ano de 1960 foram criados 57 municípios. começou a expandir-se após o Convênio de Taubaté. O tenente Antônio Vasconcelos de Menezes. por iniciativa ou com apoio do governo imperial. apoiado no Programa de Racionalização da Cafeicultura que previa.000. no entanto. o café do norte do Paraná perdeu aos poucos sua importância. levando ao surgimento de várias fazendas e de alguns núcleos urbanos como Santo Antonio da Platina.000 para mais de 270. surgido a partir da colonização feita pela antiga Companhia de Terras Norte do Paraná.

No sudoeste e oeste do Estado. Além disso. resultando numa superprodução desses produtos. SOJA Foi a partir de 1950. intensificou em algumas regiões (como noroeste. 48 .modernização agropecuária.922 ha. A soja ainda não figurava como cultivo comercial para essas regiões. em1954. No norte. que encontraram no Estado seu principal aliado. Até então. Pelo desconhecimento do potencial agronômico e comercial que a soja representava. em 1956. O desenvolvimento ocorreu paralelamente com as demais regiões do Estado. que a soja possuía mercado externo garantido e preços compensadores. estimulando e “provocando” a introdução de lavouras chamadas modernas. principalmente. os cafeicultores buscassem na soja a alternativa que os frustrara dois anos antes com o plantio de outros grãos. Foi esse período em que as lavouras “modernas” (principalmente soja e trigo) desenvolvem-se decisivamente em substituição ao café. milho. hortelã e soja. Mas no caso da soja. o plantio da oleaginosa no PR passou de 43 ha. sobretudo a soja. arroz. oeste e sudoeste do PR. para 1. já então. Ao contrário. A sua estrutura organizacional e relacionamento direto com os produtores facilitaram o papel das mesmas. que teve início uma diversificação da agricultura paranaense com o plantio em escala comercial de algodão. a cultura desenvolveu-se com a migração de colonos vindos do RS. com finalidade de agilizar o processo. colocou a disposição dos agricultores uma série de subsídios oficiais. que passou a ser substituída pelas “lavouras modernas”. O total da produção não passava de 60 toneladas. feijão. Sua produção era irrisória e as poucas e pequenas lavouras de soja existentes na região destinavam-se ao consumo doméstico .alimentação de suínos. que destruiu os cafezais no norte e noroeste do Estado. A crise na cafeicultura instala-se reforçada real e simbolicamente pelas constantes geadas que iam destruindo os cafezais (com destaque para o ano de 1975). o milho e o feijão. com início em meados dos anos 50. oeste e sudoeste) a criação de bovinos e suínos. em 1955 e para. noroeste. A partir desse momento a soja passa a ser o produto de maior dinamismo na década de 1970. principalmente em pequenas explorações familiares para uso na alimentação de suínos e havia bom conhecimento sobre as tecnologias de sua produção. No norte. para a cafeicultura a política oficial foi de completo desestímulo. O primeiro impulso para atingir tal objetivo veio com a primeira grande geada de 1953. principalmente. os agricultores foram estimulados a plantar cereais entre as fileiras de café queimado. onde a soja já era cultivada há mais tempo. Sabia-se. amendoim. rami. Para tanto. a cultura era uma quase curiosidade. E foi essa a orientação das políticas públicas do governo brasileiro: desestimular a continuidade da cafeicultura (que encontra reforço nas geadas). cana-de-açúcar. Em função disso. a expansão dessa cultura foi extraordinária a partir da introdução da mecanização e adoção das novas tecnologias. Isso fez com que na segunda grande geada de 1955. fumo.253 ha. que se perdeu por falta de transporte e de mercado. 5. essa expansão coincide com o declínio e crise da lavoura cafeeira. ainda predominava a Mata Atlântica em meados dos anos 50 e as culturas predominantes nas áreas conquistadas da floresta eram o café.

um processo de produção totalmente mecanizado desde o plantio até a colheita. para carear a riqueza oriunda do café para o Paraná e não mais para São Paulo. fósforo. No processo de modernização na área rural e da agroindústria. no início da década de 70. no Paraná o seu plantio disparou quando. O sucesso da soja em substituição ao café no Norte do Paraná se deve à condição de essa cultura possuir: inovações pré-adquiridas como: sementes selecionadas. erva-mate. As primeiras indústrias foram de erva-mate. a soja ganhou destaque econômico apenas na segunda metade do século XIX e. A criação da Cidade Industrial de Curitiba e a Instalação da Refinaria de Petróleo da Petrobrás em Araucária foram um marco rumo à industrialização.5 milhões de toneladas na média dos anos 90. que impulsionaram o seu cultivo: o das indústrias processadoras e exportadoras do produto e do Estado que teve incluído um produto de grande aceitação na pauta de suas exportações. com serrarias e indústria de móveis.15 milhões na média dos anos 80 e para 6. madeira e café. As medidas tomadas na melhoria tecnológica permitiram um crescimento na frente externa. também. alicerçou-se em alguns produtos básicos: ouro. a CODEPAR (Companhia de Desenvolvimento Econômico) e a FDE (Fundo de Desenvolvimento do Paraná). e muito. 49 . principalmente de frango. sabão. as cooperativas exerceram papel significativo. para 150 mil na média dos anos 60. desde o início de sua ocupação pelos europeus. com investimentos em infraestrutura. Alguns aspectos do desenvolvimento econômico do Paraná merecem destaque: 1. ocorreu uma revolução no crescimento tecnológico. O Paraná tornou-se.5 milhões na média dos anos 70. vela. gado. com a criação do PLADEP (Plano de Desenvolvimento do Estado do Paraná). massas alimentícias e cerâmica.Apesar de ser milenar. para 4. Durante e após a Primeira Guerra Mundial. A construção da rodovia e ferrovia ligando o norte do Paraná ao porto de Paranaguá contribuiu. grande produtor e exportador de energia elétrica. A partir de mais ou menos 1960 a economia paranaense começou a tomar novos rumos. madeira. A produção do Estado passou de 8 mil toneladas na média dos anos 1960 e 1961. 3. teve crescimento a utilização do pinheiro. Com o esgotamento da fronteira física rural em 1970 exaurindo-se a possibilidade do crescimento extensivo da produção agrícola. O crescimento da produção a partir desse período foi explosivo. 2. ocasionando a destruição das matas nativas. ocorreu a maior alta nos preços internacionais. merecendo destaque a criação da COPEL. para 3. A construção de rodovias para Oeste e Sudoeste foi importante para a integração estadual. A agricultura passou a ser modernizada e surgiu a agroindústria do café. soja e carne. INDUSTRIALIZAÇÃO O desenvolvimento econômico do Paraná. a capacidade de aliar interesses.

Mas. deveria demarcar as terras. O texto. era impreciso ao determinar os limites entre os territórios da margem direita ao Rio Paraná. três montadoras – Renault. área hoje coberta pelo lago da usina. A Guerra do Paraguai (1865-1870) reabriu a polêmica em torno da fronteira na região das Sete Quedas. em vez de medir forças. oeste e sudoeste – de uma agricultura dinâmica. inclusive. cuja foz não se sabia ao certo se estava acima ou abaixo das Sete Quedas. primeira descrição minuciosa da fronteira. então. porém num contexto diferente da época em que possuíram um papel decisivo nos intuitos da constituição da autonomia economia estadual. Tratados subsequentes buscaram esclarecer a questão. fruto da pequena propriedade e do cooperativismo. Porém. é importante salientar que a produção industrial paranaense continua fortemente voltada para o setor agrícola. e pelo cume da Serra de Maracaju. houve sempre a presença das atividades de uma ou outra fase ao mesmo tempo. É preciso deixar claro que essas fases da economia paranaense não se sucederam uma suprimindo a outra. Os dois países disputavam a posse de terras na região do Salto de Sete Quedas. Audi e Chrysler – firmaram um acordo para instalar fábricas no Paraná. 6. os dois governos fizeram uma sábia opção: unir forças. Pode-se concluir que três fatores influenciaram no processo de mudança na economia paranaense: investimentos na infraestrutura. O PARANÁ PRODUTIVO A partir de 1995. O esgotamento de uma atividade. o Paraná tornou-se um pólo automotivo. inclusive com o crescimento das empresas produtoras de autopeças. os territórios deveriam dividir-se pelo Rio Paraná. Na realidade. criação de instrumentos institucionais e a constituição no Paraná Moderno – norte. Em 1997. A descoberta do potencial hidrelétrico do Rio Paraná colocou Brasil e Paraguai novamente em rota de colisão. porém.4. Conforme o Tratado da Paz (1872). A indústria do turismo começa a prosperar no Paraná. Espanha e Portugal assinaram o Tratado da Permuta. Um rio. até o Salto. atualmente. ainda que nunca por completo. dar-se-ia. A disputa das Sete Quedas recrudesceu nos anos 1960. sem obter êxito. A Usina de Itaipu A construção da Itaipu Binacional solucionou um impasse diplomático envolvendo Brasil e Paraguai. o Paraná atraiu grandes investimentos. Pode-se notar. 50 . 5. Em 1750. a atividade ervateira e madeireira ainda presentes em certas regiões do Paraná. como um processo de declínio da produção. Pela posição geográfica privilegiada em relação ao MERCOSUL e em virtude de alterações positivas na infraestrutura. mas de modo em que a crise de uma elevasse a participação da outra.

entre Brasil. A declaração conjunta manifestava a disposição de estudar o aproveitamento dos recursos hidráulicos pertencentes em condomínio aos dois países. Para a construção da Usina. no trecho do Rio Paraná “desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do Rio Iguaçu”. é formada a entidade binacional Itaipu. Juracy Magalhães. chegava ao fim de uma complexa e exigente obra diplomática. Em maio de 1974. a economia paranaense passou por importantes transformações. Antes. é correto afirmar: 01) A falta de incentivo do governo federal a uma alternativa para a cultura cafeeira reduziu e empobreceu a agricultura paranaense. em 1972. Este acordo estabeleceu os níveis do rio e as variações permitidas para os diferentes empreendimentos hidrelétricos na bacia comum aos três países. Intensifica-se a exploração de fontes de energia renováveis como forma de assegurar um vigoroso desenvolvimento para o Brasil e Paraguai. O documento determinou regras para o aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná desde as Sete Quedas até a foz do Rio da Prata. e do Paraguai. Os argentinos temiam que a usina prejudicasse seus direitos e interesses sobre as águas do Rio Paraná. assinada em 22 de junho de 1966 pelos ministros das Relações Exteriores do Brasil. A usina praticamente dobrou a capacidade do Brasil de gerar energia. em 19 de outubro de 1979. Antes da conclusão da usina. iniciada em 1974. Sobre tais transformações. os paraguaios dispunham de apenas uma hidrelétrica de pequeno porte. a partir da década de 1960. Paraguai e Argentina. Icaray. Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu. que pudessem ser utilizados pelos milhares de trabalhadores durante os anos da obra. Sapena Pastor. estruturada como “empresa internacional”. refeitórios. nos finais da década de 1960. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01: (UEM-2009) Com o esgotamento do ciclo cafeeiro. 02) A cultura da soja teve um impacto direto sobre a urbanização e a industrialização de diversas cidades paranaenses. Os brasileiros consolidam a opção pela energia produzida por meio do aproveitamento da força dos rios. coincide com a eclosão da crise mundial provocada pelo aumento do petróleo.O resultado das intensas negociações foi a Ata do Iguaçu. instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do Rio Paraná pelos dois países. A Itaipu Binacional foi a única grande obra a atravessar a fase mais aguda da crise econômica brasileira no final dos anos 1970 mantendo o status de prioridade absoluta. 51 . Em 26 de abril de 1973. A Itaipu Binacional é um marco para o setor elétrico dos dois países. para gerenciar a construção da usina. A solução veio com a assinatura do Acordo Tripartite. A questão chegou a ser tema de uma Assembleia Geral das Nações Unidas. O entendimento de Brasil e Paraguai para a construção da Itaipu Binacional estremeceu as relação dos dois países com a Argentina. O ano da assinatura do Tratado de Itaipu. era necessário construir uma infraestrutura gigantesca que envolvesse escritórios. 1973.

SEED. a presença de capital norte-americano na economia paranaense pode ser percebida por meio da empresa Brazil Railway Companny. 42). 01) A adaptação e cultivo do mate em todo o território paranaense foi um dos fatores que contribuíram para que o Estado fosse o maior exportador brasileiro desse produto naquela época. a metalurgia e a indústria madeireira desenvolveram-se como suporte à indústria do mate. 04) A industrialização em larga escala. 08) Com a proclamação da República. 08) O termo platino. 01) Na segunda década do século passado. deve ser atribuída. sendo que até mesmo navios estrangeiros ali atracavam para fazer comércio e transportar o mate para os mercados platinos. 04) Desde o início. a partir da década de cinquenta. principalmente do italiano. a partir dos anos 60. que finalizou a ligação da ferrovia entre Paraná. a principal foi a adoção de uma agricultura de subsistência. utilizada nas transações comerciais do mate. 2001. a partir do final da década de 1850. QUESTÃO 03: (UEM-2010) No século XX. 16) A metropolização das cidades do Norte paranaense contribuiu para aumentar os problemas de meio ambiente. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). provocou a decadência do cultivo e da exportação da erva-mate. o Estado do Paraná sofreu importantes transformações econômicas e sociais. São Paulo. 16) A decadência da economia do mate no Paraná. entre outros fatores. 08) Ainda que tenha progredido nos últimos anos. a Hidrelétrica de Itaipu foi construída exclusivamente com capital nacional. a falta de tecnologia no campo não permite que a produção agrícola paranaense concorra no mercado internacional. de educação e de segurança pública. QUESTÃO 02: (UEM-2009) Leia a citação a seguir e assinale o que for correto: “Durante o segundo decênio do século XIX. principal produto do Paraná. Curitiba. A respeito dessas transformações. 02) Iniciada na década de 70. Carlos Roberto. tiveram início os movimentos sociais que pretendiam desmembrar o Paraná do Estado de São Paulo. refere-se à moeda argentina (Plata).04) Dentre as grandes transformações ocorridas na economia. p. na citação. O movimento do Porto Paranaguá assumiu maiores proporções. Santa Catarina e Rio Grande Sul. 52 . a exportação do mate já era considerada como o principal elemento do comércio exterior paranaense. 02) Naquele contexto. Ainda nessa época o mate alcançara 44% do total da exportação do Paraná" (ANTUNES DOS SANTOS. a indústria do mate paranaense empregou unicamente a mão de obra do imigrante. Vida Material e econômica. à concorrência do mate produzido no Paraguai e no Rio Grande do Sul.

desenvolveram-se núcleos urbanos no atual litoral paranaense. a pecuária. Ao longo do percurso dessa atividade. 16) O avanço do cultivo do café. 02) A busca pelo ouro em todo Brasil Colônia motivou o surgimento. 02) O início da efetiva ocupação das terras que pertenciam a Portugal deu-se a partir do povoamento do litoral. encontravam-se no extremo oeste do atual estado. 01) As primeiras vilas fundadas. de povoados. ainda no século XVI. originaram-se as cidades de Castro. 01) A dinâmica da atividade madeireira. 04) A dinâmica da pecuária no Brasil Colônia propiciou a origem de vários povoados na região Oeste do atual Estado do Paraná. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) Desde sua implantação até sua decadência. foi responsável pelo surgimento de várias cidades no chamado Norte Pioneiro. no século XVII. que nasceram de aldeias indígenas fundadas pelos jesuítas. no século XIX. na atual região Norte do Estado. e visaram a marcar a presença portuguesa nos limites do Tratado de Tordesilhas. no século XVI. 08) Desde o início da colonização. sem a intervenção dos governantes. na transição do século XIX para o XX. ganhando importância a fundação de Paranaguá. 53 . QUESTÃO 04: (UEM-2011) Sobre o processo de urbanização das diversas regiões que compõem o atual Estado do Paraná. sendo responsável por alavancar o processo de urbanização dos campos de Guarapuava. a cafeicultura paranaense resultou da iniciativa direta e exclusiva dos produtores. A esse respeito. 16) Nas primeiras décadas do século XVI.16) Na década de oitenta. a erva-mate foi o mais importante produto de exportação paranaense. econômicos e sociais da implantação da cafeicultura paranaense a partir do século XIX. na primeira metade do século XX. no século XVIII. caracterizada pelo tropeirismo. QUESTÃO 04: (UEM-2011) A ocupação urbana do que veio a ser o Estado do Paraná se deu em um longo período de constituição de vilas que vieram a se transformar em cidades. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). Lapa e Ponta Grossa. houve intenso êxodo rural relacionado principalmente com a atividade da agroindústria ligada à produção de soja e trigo. 08) A erva-mate possibilitou o surgimento de novos núcleos urbanos. articulou-se uma importante área econômica na região dos Campos Gerais. deu origem a novos núcleos urbanos. 04) No século XVIII. QUESTÃO 05: (UEM-2012) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre os aspectos políticos.

02) Várias cidades paranaenses. 54 . no século XVIII. era utilizado pelos tropeiros principalmente para levar o gado criado no Sul do Brasil até as províncias de São Paulo e de Minas Gerais e ligava Viamão. como Ponta Grossa. onde a descoberta de ouro atraiu um grande número de imigrantes. 1995. História do Paraná. têm suas origens ligadas ao tropeirismo. os meios de locomoção e as vias de penetração eram completamente precários e insuficientes. pela disponibilidade de terras férteis e pela demanda do mercado mundial. 16) No território do atual estado do Paraná. assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre os caminhos e o tropeirismo. 08) A cafeicultura viabilizou a intensa ocupação da Região Norte do Paraná e contribuiu para o fortalecimento político dessa região. Ruy Cristovam. no início do século XIX. relaciona-se à maior necessidade de abastecimento da região das Minas Gerais. pois surgiram em locais utilizados pelos tropeiros para descanso e alimentação. era seu cultivo juntamente com as lavouras de soja e trigo. devido às precárias condições” (WACHOWICZ. em parte. no interior do atual Estado de São Paulo. até Sorocaba. QUESTÃO 06: (UEM-2013) “Nos primeiros séculos da história brasileira. 97).02) O sucesso do cultivo do café explica-se. 04) A prática da monocultura do café foi a principal responsável pela crise do produto a partir dos anos 1950. os caminhos foram abertos pelos portugueses ao longo da colonização para superar os obstáculos naturais. e chegar até o interior do Brasil. Curitiba: Vicentina. como a Serra do Mar e a Mata Atlântica. 08) A intensificação da utilização do caminho dos tropeiros (também chamado de estrada da mata ou de caminho de Viamão). p. no atual estado do Rio Grande do Sul. 16) Uma característica da produção do café paranaense. no século XVIII. 01) Segundo o texto citado. 04) Um dos mais importantes caminhos do Sul do Brasil. Castro e Lapa. os primeiros caminhos originaram-se com os índios e posteriormente foram utilizados pelos bandeirantes e pelos tropeiros. A partir do fragmento acima. As únicas vias existentes eram os chamados caminhos por onde só podiam transitar tropas de muares.

A ESCRAVIDÃO NO PARANÁ 55 .

no artesanato e principalmente em serviços domésticos. o preço do escravo teve aumento significativo: em 1740.000 cabeças de gado e 40 escravos. tanto nas minas como na pecuária e na exploração da erva-mate utilizou-se a mão-de-obra escrava. Na pecuária exigiu-se pouca mão-de-obra. e também dos padres jesuítas através das reduções. tendo repercussão internacional o ocorrido. No Paraná. que era feito inicialmente no lombo do escravo. O porto de Paranaguá tornou-se. Como consequência.000 como escravos para vender no mercado. no litoral e “Ultimatum” em Curitiba. como a “Sociedade Redenção Paranaguense”. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01: 56 . ocorreu o fenômeno mais significativo da escravidão no Paraná: o “Combate de Cormorant”. No Paraná Espanhol os encomenderos vindos de Assunção para subjugar os índios enfrentaram a resistência deles. Algumas particularidades da escravidão no Paraná merecem destaque: a convivência. os religiosos também possuíam escravos: o Convento do Carmo. em 1790 já valia 60 bois. A lei “Bill Aberdeen” permitia que a marinha inglesa perseguisse navios negreiros brasileiros. partindo de Paranaguá e Curitiba. Alguns dados da escravidão no Paraná revelam que nas cidades do planalto predominava o escravo índio e no litoral o africano. O ouro encontrado era de aluvião e durou pouco. de Itu (SP). as quais compravam a alforria e facilitavam a fuga de escravos. por ser um trabalho nômade. no transporte do produto para o litoral. tanto na pecuária como na produção de erva-mate. também. o centro de contrabando de escravos para o Brasil.ESCRAVIDÃO NO PARANÁ O sistema da escravidão existiu no Paraná tanto com os índios como com os africanos. na agricultura. comandados pelo cacique Guairacá. possuía nos Campos Gerais 5 fazendas com 4. na pecuária. No ano 1867 o imposto sobre a venda de escravos igualou o imposto sobre os animais. também foram criadas sociedades antiescravistas . levando mais de 60. Na economia ervateira o escravo era utilizado principalmente no engenho de soque que foi substituído pelo engenho hidráulico e a vapor em também. Em junho de 1850 o navio inglês Cormorant entrou na baia de Paranaguá para aprisionar navios brasileiros carregados de escravos. dominante. quando os bandeirantes paulistas invadiram a região a caça de índios. Diante disso alguns moradores de Paranaguá revoltados com a violação de nossas águas dirigiram-se para o forte da Ilha do Mel e convenceram o comandante e abrir fogo contra o navio inglês que retornava da baia. mesmo na nossa costa marítima. Na ocupação do Paraná Português. o escravo trabalha nas mais variadas atividades. do trabalho escravo com o trabalho livre. Uma das consequências foi a exportação de escravos deste Estado para fazendeiros de café em São Paulo. um combate entre a fortaleza e o navio. Travou-se. porém. que não foi. A proibição pelo Governo Imperial do tráfico de escravos a partir de 1831 ocasionou reflexos no Paraná. Isso durou até 1628. assim. o valor de um escravo equivalia a 15 bois.

os escravos constituíram a base da mão de obra utilizada na pecuária. 01) A escravidão foi introduzida no Paraná. um estímulo à emigração européia.) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s). Curitiba: Editora dos Professores. nariz chato. 08) Embora na época do anúncio a escravidão ainda persistisse no Brasil. 16) A palavra “alvíssaras” significa. o escravo de nome Marcelino.] receberá a quantia [. cara cheia. em 1866. o desembarque de escravos africanos nos portos brasileiros era considerado ilegal. Citado por WACHOWICZ. côr fula. QUESTÃO 02: (UEM-2010) Sobre a escravidão no território que atualmente faz parte do Estado do Paraná. da cidade de Ponta Grossa. 02) Nos chamados Campos Gerais. Ruy Christovam.. com a mineração na região do litoral. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). a região que atualmente faz parte do Estado do Paraná não teve escravidão indígena. 02) O texto mostra que a mão de obra escrava predominou na colonização da região Norte do Estado do Paraná. caracterizou-se pelo emprego do trabalho escravo tanto indígena quanto negro.] de 100$000. na década de 1860. 04) O texto mostra que. História do Paraná. no século XVII. o movimento abolicionista tinha grande apoio popular no Paraná.” (Anúncio no jornal “O Dezenove de Dezembro”. ocorreu. 57 . 16) Ao contrário de São Paulo.108. 01) Ao mostrar o grande número de escravos que fugia em Ponta Grossa. no Paraná.(UEM-2009) Leia o texto a seguir: “Fugiu no dia 17 de novembro do anno pp. quem o levar à dita cidade acima e entregar a seu senhor [. assinale a(s) alternativa(s) correta(s): 01) a presença de escravos africanos nos territórios do atual Estado do Paraná remonta à década de quarenta do século XVI. 08) A partir de meados do século XIX.. 1968. época do anúncio acima. idade de 14 annos mais ou menos. no contexto do anúncio. o texto explica o porquê de não ter existido escravidão na região dos Campos Gerais. ocorreu um crescimento da escravidão no Paraná.. natural de Minas. recompensa. como uma alternativa ao trabalho escravo. 02) A mineração de ouro nos Campos Gerais. após a Guerra do Paraguai. com o início da produção de cana-de-açúcar. em razão da intensa ação dos jesuítas. e tem um pé mais grosso do que o outro. como destroncado. 04) Ao contrário do que ocorria no restante do Brasil. de alvissaras.. p.. QUESTÃO 03: (UEM-2012) Sobre a escravidão no atual território paranaense.

os escravos negros foram utilizados na pecuária nos Campos Gerais. 58 . as autoridades determinaram a libertação dos escravos em seu território. foi muito utilizado para o contrabando de escravos no Brasil.04) no século XVIII. em 1853. 08) Quando da criação da Província do Paraná. 16) Após a proibição do tráfico negreiro. após a decadência da mineração no litoral. no século XIX. o porto de Paranaguá.

IMIGRAÇÃO NO PARANÁ 59 .

a necessidade de mão-de-obra e de ocupação do interior do estado do Paraná. Novas colônias surgiram. Guaraqueçaba e Assungui. o governo paranaense resolveu criar uma colônia agrícola e trazer imigrantes. Adolfo Lamenha Lins assumiu o governo do Paraná. enquanto os italianos eram reimigrantes. Considerado o sucesso da imigração aliado aos subsídios agrícolas federais concedidos à Província vizinha de Santa Catarina. Aos poucos nacionais e estrangeiros se fundiram numa vida comum. Carlos Perret Gentil. fornecimento de sementes. Na década de 1880. Tomando medidas como a construção de estradas. novos redutos populacionais e novos 60 . que fracassou por falta de infraestrutura. Tendo em vista a diminuição da quantidade de negros escravos. Após o curto período em que Lins esteve no poder no Paraná. Em 1847. a política de imigração do Estado perdeu seu rumo e muitos imigrantes. Lins implantou um novo processo de ocupação imigrante da região dos Campos Gerais que foi de tremendo sucesso. pois o governo paranaense não construiu sequer estradas para que a produção de grãos fosse escoada. Por interferência de João da Silva Machado – futuro Barão de Antonina – vieram as primeiras 46 famílias de imigrantes alemães para a capela da Mata em 1829. a perspectiva governamental de embranquecer o país e mesmo afastar a ameaça indígena das cidades já consolidadas. poloneses e italianos foram os grupos predominantes. presidente da província. A produção agrícola no Paraná retomou sua normalidade. com imigrantes franceses. conhecidos por sua resistência e tecnologia. o Paraná retomaria o Linismo com Alfredo Taunay. Essa política eficiente de atração de imigrantes ficou conhecida como Linismo.IMIGRAÇÃO NO PARANÁ Foi somente a partir do século XIX que o governo brasileiro interessou-se pela imigração não portuguesa para o Brasil. formando o embrião da futura cidade de Rio Negro. Foi criada então a colônia agrícola de Assungui. As primeiras tentativas neste sentido foram às colônias de Rio Negro. o mesmo barão atraiu para as margens do rio Ivaí. entre 1829 e 1833 o Paraná recebeu suas primeiras levas de imigrantes. Em 1852. sendo que os poloneses eram de origem. basicamente de transporte de erva-mate do interior para o litoral com Carroções Eslavos. fundou na entrada da baía de Paranaguá a colônia de Superagui composta por suíços e alemães. apenas 1800 se fixaram no Estado. em pleno sertão paranaense. Estes imigrantes abandonaram a produção agrícola e passaram a oferecer serviços. Mais uma vez. João Maurício Faivre que fundou a Colônia Teresa. proximidade com centros mais populosos. Ao sul de Curitiba se estabeleceram imigrantes alemães. dos 20 mil imigrantes que eram esperados. sem auxílio do governo. sem estrutura e percebendo que haviam sido enganados por falsas propagandas. foram direcionados para terras de péssima qualidade. dentre outras. especialmente russos e alemães. construção de escolas e/ou capelas. Muitos imigrantes voltaram aos seus países de origem ou migraram para Curitiba. Observando os erros cometidos na Colônia de Assungui. sendo puxados por dois ou três cavalos. acontecendo a “caboclização” ou “acaboclamento”. Teresa Cristina. Nessa nova leva de imigrantes. Em 1875.

Para isso foram estabelecidas colônias militares de Chapecó e Chopim. especialmente na região norte do estado do Paraná.municípios. O caminho que liga o Rio Grande do Sul ao sudoeste do Paraná recebeu o nome de Caminho das Missões e tornou-se uma rota alternativa para o caminho de Viamão. 08) A imigração japonesa não foi significativa no Estado do Paraná. como benefícios da imigração para o Paraná:     Aumento da diversidade de serviços como: artesãos. 02) A exploração da erva-mate no extremo-oeste do Paraná. atraiu para a região uma mão de obra indígena guarani vinda do Paraguai. Desde meados do século XIX. ocupando os núcleos de Uraí. Assaí e Londrina. tanto diretamente do exterior como vindos de outros estados brasileiros. os desafios da guerra mesmo longe de seus países de origem. Isso ocorreu porque quando o Brasil declarou guerra à potencias do Eixo. passou a ser imperativo que o Paraná garantisse a ocupação dos territórios nas proximidades do país vizinho. em 1882. Contudo. em razão da hostilidade dos índios que habitavam a região. Muitos japoneses passaram a trabalhar o cultivo do café. franceses. Mais recentemente. consideradas algumas rusgas territoriais com a Argentina. Durante o século XX. marceneiros. observou-se um predomínio do imigrante japonês. dentre outros. com incremento de ferramentas e gêneros alimentícios. após a Primeira Guerra Mundial. apenas um pequeno número de imigrantes europeus se estabeleceu nos Campos Gerais. os imigrantes japoneses enfrentaram. 01) No Período Imperial. 04) Os imigrantes estabelecidos no Estado do Paraná chegaram. assim como alemães e italianos. também imigraram para o Paraná. gaúchos subiam ao sudoeste paranaense atraídos pelas noticias da qualidade da terra para a criação de gado. Introdução de tecnologia industrial. a instalação do elemento estrangeiro foi feita de maneira mais organizada do que em tempos anteriores. Melhoria do parque agrícola. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01: (UEM-2011) Sobre os movimentos populacionais no território que compõe o atual Estado do Paraná. como holandeses. suíços. Ao longo do século XX. nas primeiras décadas do século XX. ferreiros. sendo sua influencia de menos escala que os grupos citados acima. Podemos citar. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). escolas de língua japonesa foram fechadas. e o idioma pátrio foi proibido sob pena de prisão. Autonomia econômica para a região. Outros grupos étnicos menores. 61 . etc. quando comparada à estabelecida em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

16) A imposição do português como língua oficial contribuiu para o aniquilamento da identidade dos estrangeiros que aqui chegavam. no qual se destacou a presença de paulistas. sendo responsável por um processo migratório para a região.16) A ocupação do norte do Paraná está em grande parte vinculada à expansão do cultivo do café. 62 . assinale a(s) alternativa(s) corretas(s). 04) Uma das mais importantes contribuições trazidas pelos imigrantes foi a introdução de novas tecnologias no campo. QUESTÃO 02: (UEM-2012) Sobre a contribuição da imigração nos séculos XIX e XX para a formação da sociedade paranaense. foi favorecido por meio da iniciativa privada. 02) O estabelecimento dos primeiros imigrantes alemães na Região do Rio Negro. em substituição às técnicas ainda rudimentares. no início de século XIX. mineiros e nordestinos. ela foi incentivada pelos plantadores de café. os violentos conflitos entre imigrantes judeus e japoneses exigiram a intervenção militar do exército brasileiro no Estado do Paraná. 01) Desde o início. pois eles desejavam utilizá-la como mão-de-obra barata em suas lavouras. 08) Na década de 1960.

MOVIMENTOS MILITARES E REVOLUCIONÁRIOS 63 .

pregava abertamente suas ideias federalistas. separatistas. comando por Gumercindo Saraiva. A 7 de fevereiro recebeu um ferimento mortal. O movimento federalista tinha força no estado gaúcho. parlamentaristas. que invadiu o estado do Paraná no início de 1894. Com a capitulação das forças governistas. Revolução Federalista no estado do Paraná Os federalistas tomaram Santa Catarina e reunidos em São Francisco. A última resistência foi na cidade da Lapa. entraria no Estado por Rio Negro. A eficiente e pertinaz oferecida por Carneiro irritava o adversário. para combater o movimento federalista. nunca obteve resposta. em Tijuca. o Almirante Custódio de Melo e os Generais Gumercindo Saraiva e Pirragibe. O cerco da Lapa Os invasores esperavam toma-la em menos de 72 horas levaram 29 dias. Tendo pedido auxilio a Curitiba. Grande também foi a decepção dos federalistas ao descobrirem que o Partido Republicano vencera as eleições. o coronel Antonio Gomes Carneiro impôs forte resistência aos maragatos. Em 1893 teve início no Rio Grande do Sul a Revolução Federalista. de 14 de janeiro a 11 de fevereiro de 1894. Era um grupo heterogêneo que tinha como meta afastar do poder o Marechal Floriano Peixoto. atacaria por São José dos Pinhais. atacaria por Paranaguá. no dia 19 de janeiro. e dois dias depois 64 . com seus correligionários estava acampado no Uruguai. um latifundiário gaúcho. pois era espalhada a informação de que eles “não passavam de legiões de bandidos que traziam o saque e a depredação. sendo o Rio Grande do Sul um destes estados. devido ao seu governo demasiadamente centralizador. por isso a expectativa para as eleições ao governo do Estado era grande. comandada por Custódio de Melo. por três caminhos:    a esquadra. Foi esse conglomerado de ideologias sem comando unificado. Foi um movimento político e militar repleto de contradições. desorganizado. Floriano Peixoto aproximou-se de Júlio de Castilhos. e o Segundo Corpo. Assim sendo. A entrada dos federalistas no Paraná causou temor. as tropas de Gumercindo também seguem para Curitiba. o Primeiro Corpo. Silveira Martins. a desonra e a morte”. Tomava lugar a Revolução Federalista. Na cidade da Lapa. federalistas. que apertou ainda mais o cerco. Silveira Martins que. monarquistas. Fazia parte da revolução uma gama enorme de ideologias: anarquistas.A REVOLUÇÃO FEDERALISTA A centralização política exercida pela República encontrava forte resistência em vários estados brasileiros. no ano de 1894. resolveu invadir o Rio Grande do Sul. então governador do estado. Dia 14 de janeiro a esquadra toma Paranaguá sem resistência e dia 20 os federalistas chegaram a Curitiba. decidem a invasão do Paraná.

Coluna Paulista Os revolucionários permaneceram no Paraná por mais de sete meses. com o objetivo de afastar da cidade a agitação. criaram uma Comissão Especial de Empréstimos de Guerra para arrecadar os 1. porém. em meio á consternação total. foram as tropas do governo. torna-se importante destacarmos que os maragatos foram os revoltosos. As duas colunas se juntaram em Foz do Iguaçu. O governador resolveu. os federalistas. Para evitar o saque de Curitiba e outras cidades do Paraná. sendo considerado como um dos mais violentos de que se conhece na história militar brasileira. A resistência exercida na Lapa deu ao governo federal tempo suficiente para organizar uma contraofensiva efetiva e eliminar a ameaça dos maragatos18 . comandados por Izidoro Dias Lopes e Luiz Carlos Prestes. principalmente no Oeste e Sudoeste do Estado. 65 . que estava na chefia do Governo do Paraná. os empresários. Com ajuda dos EUA. viveu momentos dramáticos e heroicos. no dia 18 de janeiro abandona Curitiba sem oferecer resistência aos invasores. Vicente Machado. a Coluna Gaúcha atingiu por Barracão. transferir a sede do governo do Estado para Castro. invasão e exaltação dos ânimos. 18 Com relação à Revolução Federalista. e os pica-paus. Não chegava nenhum auxílio. A morte de Gumercindo Saraiva terminou por abalar de vez a estrutura dos revoltosos. Os curitibanos pagam o imposto. chefiados pelo Barão de Serro Azul. O período foi marcado por lutas ininterruptas. A Coluna Paulista atingiu o Paraná por Guaíra. muitos chefes federalistas foram abandonando a frente de batalha e voltando para suas terras no Rio Grande do Sul mas foram seguidos pelos legalistas. e cruzando o Rio Paraná no dia 30 de abril de 1925. o território do Paraná. temporariamente. as tropas florianistas. A fome e a falta de munição instalaram-se entre os sitiados. Foi um período de combates seguidos entre as tropas do Governo Federal e os revolucionários. o que os federalistas não esperavam é que Floriano Peixoto preparava um contra-ataque. A COLUNA PRESTES NO PARANÁ Durante mais de 7 meses. A Ocupação de Curitiba A ocupação de Curitiba pelas tropas federalistas durou de 20 de janeiro até 26 de abril de 1894. A continuação da resistência seria completamente inútil. continuaram a epopeia da Coluna Prestes ou Coluna Invicta. equipamentos e soldados foram enviados para o sul para criar condições de resistência contra os maragatos. As contradições no próprio comando dos federalistas refletem-se na nomeação dos governantes do Paraná. de 14 de setembro de 1924 a 30 de abril de 1925. rodeado por aqueles que comandavam.veio a falecer. Em apenas 100 dias tiveram 4 governadores.000 contos de reis que os invasores exigiam. Com o moral abatido.

A retomada de Guaíra era problemática e as forças governistas avançavam constantemente. para avaliarem a gravidade da situação. fica por conta do confronto armado entre os pelados e os peludos. compreendia o Contestado o território limitado pelos rios: do Peixe. organizaram três frentes: uma em Ponta grossa. outra vinda do Rio Grande do Sul. até suas nascentes. e uma terceira frente em Campo Mourão. seguia então pelo divisor de águas da Escarpa Geral até as nascentes do Rio Canoinhas. para enfrentar os revolucionários. sempre combatendo. após a autonomia política paranaense. de cunho político. no dia 30 de abril de 1924 todos estavam no Paraguai. objetivando encurralar os revolucionários no Rio Paraná. Negro e Preto. sob o comando de Luiz Carlos Prestes. Serra dos Medeiros. sob a liderança do General Izidoro Dias Lopes. Diante disso. inexistia um acordo de fronteiras entre o Paraná e Santa Catarina. Em março de 1925 as tropas governistas atacam Catanduvas. Foram dias de combates ininterruptos. chefiadas pelo Coronel Fermino Paim Filho e Claudino Nunes Pereira. Com isso todas as tropas recuaram. Uruguai. seria a disputa fronteiriça e jurídica sobre as terras do Contestado19 entre Paraná e Santa Catarina. Santo Antônio. passando por Belarmino. Coluna Sulista As tropas revolucionárias sulinas. pelo Rio Piquiri. Juarez e Paulo Kruger abriram uma picada até Porto Mendes. mas a luta continuou. Prestes. GUERRA DO CONTESTADO Podemos dividir. local do comando geral. Os governistas. 66 . Catanduvas. Sendo assim. de cunho social. travando batalhas sucessivas com as tropas legalistas. entraram no Paraná por Barracão. afluente do Iguaçu e daí pelo divisor de águas da Escarpa do Espigão. Iguaçu. Em abril de 1925 aconteceu em Foz do Iguaçu uma grande reunião dos paulistas e sulistas. Permaneceram no Sudoeste por quase 2 meses.As forças paulistas conquistaram boa parte do Oeste do Paraná. o segundo. rumo a Mato Grosso e ao início de outra etapa da grande marcha da coluna Prestes. até as nascentes do rio do Peixe. a fim de atravessar o Rio Paraná. Benjamim e Foz do Iguaçu. a Guerra do Contestado em dois momentos: o primeiro. de modo didático. em fevereiro de 1925. O objetivo era o Rio de Janeiro. 19 Excluindo-se a parte já ocupada por Santa Catarina. Peperi-Guaçu. rumo a Porto Mendes e Porto Artaza. nos territórios que iam de Guaíra. Disputa fronteiriça entre Paraná e Santa Catarina Em 1853.

O clima fiou tenso na região. Negro e Iguaçu. A população da região contestada resolveu criar um Estado separado. Questão social do Contestado A região do Contestado começou a sentir os efeitos da construção da estrada de ferro São Paulo – Rio Grande do Sul que se iniciou em 1908. Os políticos catarinenses eram muito bem relacionados. Santa Catarina apresentou no Supremo Tribunal Federal uma ação judicial. até 189120 . quando a legislação sobre as terras passou a ser mais incrementada. A principal preocupação. As disputas políticas acabaram acirrando os ânimos entre os dois estados. no final do século XIX estava sendo construída no Brasil a ferrovia que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul e o caminho desta passava exatamente na região contestada entre os dois estados. principalmente próximo aos trilhos da estrada de ferro. reivindicando a fronteira com o Paraná pelos rios Peperi-Guaçu. Portanto. possuindo grande apelo na esfera federal. A partir daí. a Brazil Railway Company22 . Santa Catarina decidiu negociar novamente a fim de se chegar a uma solução que atendesse aos interesses de ambos os estados. Entrementes.Deste modo. até 1901. O governo do Estado assumiu o compromisso de apoiar a luta pela criação do Estado das Missões. o chamado Estado das Missões. sobretudo do governo federal. 21 Pertinente recordarmos da Questão de Palmas. 20 A Constituição de 1891 definiu que as fronteiras deveriam ser definidas politicamente e não juridicamente. O problema fronteiriço entre os dois estados vizinhos continuou a ser debatido por vezes nos parlamentos dos respectivos estados. o que levou ao acirramento da questão entre os dois estados. Todavia. Neste ano. em agrupamentos menores. a disputa por definições fronteiriças entre Brasil e Argentina. levando a possibilidade de uma conflagração armada na região. 22 A Brazil Railway Company demarcou até 1914 só no Paraná. na qual o Paraná cederia o contestado norte tendo linha divisória os rios Iguaçu e Uruguai. sendo então uma competência das Assembleias Legislativas. 67 . o que valorizava ainda mais a terra e trouxe à tona velhos atritos entre paranaenses e catarinenses. A ideia era a de proclamar a emancipação e. era a chamada Linha Wenceslau Braz. apesar de que a vontade política do governo federal fosse tendenciosamente favorável aos catarinenses. É importante observar que na região contestada por Paraná e Santa Catarina haviam núcleos urbanos já instalados há algum tempo. a decisão não foi aceita pelos paranaenses. o Paraná tratou de ocupar a região do Contestado. Dessa forma. unirem-se ao Paraná. Tamanha influência acabou resultando em ganho de causa a favor dos catarinenses. gente que vivia nas matas. talvez futuramente. a lei que vigorava sobre a posse era a mesma do século XVI – uti possidetis. bem como havia um grande grupo de caboclos. sobretudo com relações às posses do sul do país e de Mato Grosso. As populações dos núcleos urbanos identificavam-se mais com o Paraná. se chegou a um acordo. Para dar cabo de tal projeto foi contratada uma empresa norte-americana. 6 bilhões de metros quadrados de terra. devido ao fato de estarem temerosos de ficarem com um território limitado ao litoral e Serra do Mar. isto é. Foi então que o presidente da República Wenceslau Braz interveio na disputa a fim de evitar um conflito bélico na região. e até uma bandeira foi confeccionada. era a de garantir a região do Contestado sob o domínio brasileiro21 .

um guia que chefiasse uma revolta. Os chamados “monges” foram. torna-se importante a figura mítica do “monge”. A companhia receberia 15 quilômetros de cada margem da ferrovia. ingênua que era dominada por crenças fetichistas. vivendo seus habitantes na marginalidade. Assim. O primeiro foi João Maria d’Agostini. A tensão política e social aumentava e o furor e os desmandos da polícia catarinense e paranaense atemorizavam as populações sertanejas. visto que nos dias de D. Com relação ao cenário anterior à construção da ferrovia. a companhia recebeu extensas glebas de terras que iam desde o vale do rio Ivaí até o rio Uruguai. não era possível que um homem tão bom e santo pudesse desaparecer. Os caboclos atribuíam-lhe milagres e passaram a chama-lo de “São João Maria”. Os monges Os estados sulinos eram percorridos desde os meados do século XIX até 1912. Morreu. Faltava a estas populações qualquer tipo de assistência governamental e espiritual. não foi difícil surgir a figura de um líder que passasse a conduzir o povo oprimido23 a uma revolta. Estavam sós. a imigrantes europeus que ali se fixavam. a preços acessíveis. nada cabendo aos primeiros. três. agregados. Para conseguir tal objetivo. Sua densa população cabocla vivia no mais completo abandono. os quais viviam à mingua. Dos três monges existentes. não tinham ninguém que pudesse ser por eles. Dentro desse contexto. Para poder explorar as terras. Morreu não se sabe como. dominava economicamente a região a propriedade latifundiária. que era ocupada por posseiros. a companhia acabou por montar uma guarda particular a fim de realizar a “limpeza” nas terras. que agrupava em torno de si um grande número de tropeiros. ao que parece. em 1906. Com a valorização que as terras receberam. assim. na cabeça um barrete de pele de onça. possuíam barba crescida e cerrada. se fez necessário desocupar a área. um bordão na mão e um terço pendurado no pescoço. Pedro II não eram incomodados. Conheceu pessoalmente a João Maria d’Agostini e ouvia suas pregações. ingênuos. nem quando. O sofrimento desses grupos marginalizados era tão grande que chegaram a acreditar que fosse coisa da República. na pessoa de Anastás Marcaf. Para eles. Nesse cenário. 68 . sandálias feitas de couro cru. e o contrato de concessão estipulou que os serviços seriam pagos com terras da região. muitos grandes proprietários de terras também resolveram tomar posse dias terras antes ocupadas pelos posseiros. na realidade. E ele apareceu na figura do terceiro “monge” 23 Revoltava e indignava ainda os sertanejos o fato de o governo federal vender extensas regiões em lotes. foreiros e desocupados. ligadas a devoções católicas. Era necessário um líder. por figuras exóticas que a população dos nossos sertões chamava de “monges”. surgiu o segundo “monge”. Viviam mais na floresta. Intitulava-se João Maria de Jesus. os caboclos.O Brasil não tinha condições de pagar a construção dessa ferrovia. Neste ambiente de expectativa. foi o que mais influencia deixou e o que mais se perpetrou na lembrança da população sertaneja. dormiam em grutas. nos sertões de Santa Catarina. Alguns defendiam a volta do Império.

Contudo. Ao longo do conflito. apesar da morte de seu “monge guerreiro”. os fanáticos abandonaram o território de Irani e voltaram para a região de Campos Novos. este elemento. pica-paus e garruchas. Contudo. a luta perdeu toda a sua característica religiosa e o fanatismo. Tornou-se chefe e guia. Deste modo. superou qualquer misticismo. mais de dez batalhas ocorreram. em uma dessas expedições o “monge” José Maria é morto a tiros. Porém. Aproveitou-se. de um chefe de fanáticos24 . pois seguiam “cegamente” as orientações de José Maria. o que enfraqueceu os caboclos. Este foi o “monge guerreiro”. Os combatentes do Contestado adotaram o sistema de guerrilha como estratégia de combate. Sem o seu líder. Para as autoridades paranaenses. arvorando-se em “monge”. os injustiçados. convenceu José Maria a transpor o rio do Peixe. Aliciou ao seu redor os descontentes. não o conseguindo. mas resistir”. sua ordem era clara: “não atacar. O desfecho O governo federal resolveu intervir com mais força para resolver o problema. os desempregados. Porém. defendendo os desprotegidos matutos. O pretexto para a guerra surgiu a partir do momento que o monge negou-se a atender a um doente da família do Coronel Albuquerque. da tensão político-social existente no Contestado. Após diversas investidas dos pelados. O número de adeptos aumentou rapidamente. Miguel Lucena. facões. armando-os com espadas. os revoltosos ficaram conhecidos como pelados e as tropas governistas como peludos. A política catarinense procurou dispersar os sertanejos. nome de tão gratas recordações aos sertanejos. na realidade. grande proprietário dos sertões catarinenses e presidente da Assembleia Legislativa. Sua reivindicação básica era a solução do problema de terras. Organizou na região uma resistência contra as investidas policiais. aliado ao banditismo. chamando-se José Maria de Agostinho e dizendo irmão do falecido monge. a vitória dos fanáticos em Irani armou-os com apreciável material bélico e apreendido. e deu-lhes instrução militar. os bandidos e os facínoras. A política paranaense tratou-os como usurpadores. os objetivos foram se perdendo entre os caboclos e bandidos foram se juntando ao grupo. desertor da polícia paranaense. os desajustados. Os seguidores do ‘monge” passaram a ser chamados pelas autoridades governistas de “fanáticos”. ao longo do tempo de guerra. os perseguidos. 25 Na Guerra do Contestado. Surgiu nos sertões dos Campos Novos. Criou os chamados “quadros santos” que eram reduto de resistência. A cada vitória sertaneja mais equipamento era conseguido. entrando desta forma em território paranaense. 24 69 . Pelados x Peludos25 Os fanáticos instalaram-se nos campos de Irani (atualmente território catarinense). José Maria não passava de um invasor catarinense.que era. As lideranças do movimento começaram a dispersar-se. com diplomacia.

Contudo. se reúnem e organizam a Liga Camponesa. nem explorados. foram cercados em Santa Maria e bombardeados com intensidade. REVOLTA DE PORECATU Outra importante e violenta luta aconteceu na Região de Porecatu entre os anos de 1947 e 1952. parecia-lhes um regime de paz. em 1941. Os conflitos 70 . firmou-se entre os sertanejos a ideia de uma monarquia sul-brasileira. Com o estrangulamento lento do cerco. também se articulam. tivessem aproveitado a força que esses caboclos representavam. todas estas ideias monárquicas e separatistas desmoronaram em 1915. que compreenderia os Estados do Paraná. teriam garantido para seu lado a posse de todo o Contestado. destacando-se a ação do capital Potiguara. Ideias políticas do movimento Quando pelados e peludos iniciaram a guerra em Irani. com jagunços e com apoio da política. As ideias monárquicas de José Maria iriam encontrar nos sertanejos um campo propício. começaram a se organizar. os fanáticos. envolvendo muitas pessoas e empresas. Ocupação da região O processo de ocupação da terra na região é muito confuso. Deste modo. A monarquia. porém as negociações não obtinham sucesso. passando. Por outro lado. com a queda de seu último reduto: Santa Maria. Assim.Sucederam-se rápidas vitórias das tropas legalistas. Aos poucos a organização e a luta pela legalização da terra vai ganhando intensidade. A república parecia-lhes um regime de terror. vindos de São Paulo. Rio Grande do Sul e o Uruguai. os fanáticos não tinham ideia políticas claras. jagunços e a Polícia do Paraná e aconteceu nos territórios entre os rios Pirapó. inclusive. Em 1944. se localizaram na região como posseiros. Santa Catarina. Deste modo. Neste sentido. durante o qual não havia sido atacados. Se as autoridades. Com o desenvolvimento da luta. ainda expulsava-os de suas terras. concentraram-se os jagunços em Santa Maria. não satisfeita. já enfraquecidos. Foi uma luta de posseiros contra grileiros. mesmo com relação ao Contestado. tanto de Santa Catarina quanto do Paraná. Tibagi e Paranapanema. que impedia suas rezas em comum. centenas de colonos. dispersava-os à bala e. abolida recentemente. considerando as terras devolutas. em agosto de 1916 os caboclos depuseram as armas. grileiros. A região possuía mais de 1000 posseiros que desde 1942 tentavam legalizar as terras junto às autoridades. a cultivar café.

Foram efetuadas apenas 23 prisões. Jaguapitã e Arapongas. Estavam dividas em três grupos. retiraram-se para São Paulo. sob a chefia do Major do Corpo de Engenharia Plínio Tourinho. a luta legal e conseguir solidariedade nas cidades. os posseiros passaram a atuar em três frentes de luta: a luta armada. onde instalaram o comando da Revolução e seu Estado Maior. entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. teve papel destacado nesses movimentos. O Governo do Estado declarou de utilidade pública as terras litigiosas de Porecatu. não é o que pensou a maioria dos posseiros que saíram vitoriosos. A direção do PCB avaliou o movimento armado como um erro e um fracasso. Porém. Em 1951 começou uma grande ofensiva do Governo para debelar a resistência dos posseiros. Muitos posseiros abandonaram a luta. os posseiros passaram a ter o apoio do Partido Comunista Brasileiro. No dia 05 de outubro de 1930. em Guaraci. pois cerca de 2000 posseiros da região receberam títulos de propriedade de terra. o Governo aplicou. alguns se entregaram e outros fugiram. Para o grande e definitivo ataque contra os posseiros foram mobilizados dois batalhões da Polícia Militar e 15 agentes do DOPS. 71 . Para qualquer emergência. Cada grupo era formado por cerca de 8 pessoas.O primeiro conflito aconteceu em 1947. Eles incendiaram casas. chegaram a Ponta Grossa no dia 25 de outubro. A luta armada tinha a participação de poucas pessoas. acompanhado de seus auxiliares. aguardando a grande batalha do Itararé. fundamentando-se no preceito constitucional do interesse social. Campo Mourão e Paranavaí. Não houve a referida batalha porque o presidente Washington Luiz foi deposto no RJ e com isso a primeira sede do Governo de Getúlio Vargas foi Ponta Grossa. quando jagunços e polícia tentam expulsar os posseiros. a desapropriação de terra com base no interesse social. Ele teve seu coroamento na Revolução de 1930. O Paraná. Várias pessoas foram presas. vindos do sul. abateram animais e até cometeram estupros contra filhas e mulheres de posseiros. pela primeira vez no Brasil. estavam em Londrina uma esquadrilha de aviões da FAB e existiam tropas da polícia paulista na fronteira dos dois Estados. A REVOLUÇÃO DE 30 NO PARANÁ O movimento tenentista de 1922 (18 do Forte de Copacabana) e de 1924 (Coluna Prestes) foi um grito de alerta contra as oligarquias. Os revolucionários. a Revolução rebentou em Curitiba. Dia 21 de Junho de 1951 um comboio de 12 veículos e centenas de soldados iniciam os ataques ocupando a Vila Progresso e aos poucos toda a região. Os fatos revelam que a posição do Paraná foi decisiva na vitoriosa Revolução de 1930. Depois desse conflito. com adesão do 15º BC. onde se entrincheiraram as forças governistas. Foi esse banditismo que serviu de estopim para a resistência armada dos posseiros. A Força Pública Militar. do 9º RAM e do 6º Grupo de Artilharia Montada. Outro fato que merece reflexão: para ajudar a solucionar o problema da posse. o Corpo de Bombeiro e a Guarda Cívica. pela sua posição geográfica. entre 5 e 50 alqueires nos municípios de Centenário. Com o agravamento da luta.

Clotario Portugal. a economia paranaense mudou de rumo. Manoel Ribas foi afastado do Governo. Todavia. que ficou menos de um ano no poder. com os tenentes e com a oligarquia local nunca foi muito amistosa. Foi o começo do fim da exuberante e singular floresta de dois andares (o pinheiro e a erva-mate) e o início da ocupação do norte do Estado. em 1946. que precisava de aparelhamento para o embarque. perdida para São Paulo devido à Política do Café com Leite. o governo de Ribas funcionou sem nenhum planejamento para o futuro. Getúlio Vargas nomeou Manoel Ribas. arrebatando boa parte do território paranaense. porém. No lugar de Tourinho. não permitiu perseguições políticas e garantiu uma estabilidade e continuidade administrativa. foi lesivo ao Paraná. Durante seu governo de 13 anos. ficando distante de seus conflitos. Com a multiplicação das serrarias e a derrubada do pinheiro. também. o real objetivo de Vargas era subtrair vastas extensões de terras do Estado do Paraná e Santa Catarina. Criou o Território do Iguaçu. Tal medida beneficiaria os gaúchos a fim de que voltassem a liderar a política brasileira. se destacando neste processo o deputado paranaense Bento Munhoz da Rocha Neto. 27 A Assembleia Legislativa foi fechada por Getúlio Vargas em 16 de março de 1937. com a cultura cafeeira. Vargas decide passar a iniciativa nacionalizadora para o âmbito federal. Deixou. porém. Ribas. os ervais perdiam a proteção natural. era mais uma administração “feijão com arroz”. uma das maiores do Brasil. Apesar de enérgico. Protegeu o Porto de Santos em detrimento do Porto de Paranaguá. No dia 05 de dezembro de 1945. Isso favoreceu o desenvolvimento do Estado. assumiu o governo. Com a morte de Manoel Ribas. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01: (UEM-2011) Sobre a revolução federalista no Paraná. Presidente do Tribunal de Justiça. Moisés Lupion se considera herdeiro e continuador de sua obra e assume a liderança política do Paraná. para tanto pretendia criar o Território do Iguaçu26 . 72 . Sua relação. principalmente de erva-mate e madeira. A fim de beneficiar o grupo gaúcho ligado a sua pessoa. Porém. o esplendor da indústria madeireira e o início da cultura cafeeira. 26 A Constituinte de 1946 dissolveu o Território do Iguaçu. Um dos grandes méritos do Governo de Manoel Ribas foi conduzir o Estado com equilíbrio econômico-financeiro. O Governo Federal. de atender as necessidades da Universidade do Paraná. assim. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). Como não existia vice-governador e nem Assembleia Legislativa27 . sendo eleito governador e começando. e só voltou a funcionar após a abertura democrática de 1946. Desenvolveu uma gestão austera e deixou o Paraná em bom estado para o governo sucessor. nova fase na História do Paraná.O PARANÁ NO PERÍODO GETULISTA (1930-1945) O primeiro interventor do Paraná foi o General Mário Tourinho. Ocorreu o declínio da cultura do mate. No setor industrial o Governo se empenhou para a instalação da indústria de papel em Monte Alegre.

que tentavam manter-se nas terras devolutas. 02) Os conflitos do contestado relacionam-se à disputa pela posse de terras na região. a Revolução Federalista se estendeu a territórios do Paraguai e da Argentina. QUESTÃO 03: (UEM-2013) Sobre a Revolução Federalista. 08) A guerra do contestado relaciona-se às disputas de limites territoriais entre o Estado do Paraná e Estado de Santa Catarina. ocorreram grandes atrocidades por parte das tropas envolvidas. isto é. havia um grupo que pretendia criar uma nova nação. 04) A Revolução Federalista chegou ao fim com a vitória dos pica-paus. 01) Entre os maragatos. os federalistas. 16) No Paraná. em que é narrada a dura vida dos sertanejos brasileiros. 73 . 16) Em razão de seu caráter regional. Curitiba. 08) A resistência dos florianistas. 04) O monge Antonio Conselheiro liderou as lutas dos camponeses da região contra as tropas do Governo Federal e do Estado do Paraná. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). inclusive a capital. 04) O Paraná se constituiu em uma região central da luta armada. isto é.01) A revolução federalista. estendeu-se para os estados de São Paulo e de Minas Gerais. 02) Durante a revolução federalista. com a vitória dos maragatos sobre os florianistas. formada pelo Sul do Brasil e o Uruguai. as tropas federalistas chegaram a ocupar parte do território paranaense. 16) Como resultado da guerra do contestado. Santa Catarina e Rio Grande do Sul pelo governo federal. depois de envolver o Paraná. ao impedir o avanço dos maragatos em direção a Santa Catarina. ocorrida entre 1893 e 1895. fazendo que seus habitantes vivessem na marginalidade. sob o comando do Gomes Carneiro. 08) Um dos motivadores da Revolução Federalista foi o abandono da região da fronteira entre Paraná. QUESTÃO 02: (UEM-2011) Sobre a guerra do contestado. e aos interesses da Brazil Railway Company. e a sua relação com a história do Paraná. assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 02) Em seu avanço em direção a São Paulo. os territórios que formavam o Estado do Iguaçu foram incorporados ao Estado de Santa Catarina. na Lapa. dos legalistas. 01) A guerra do contestado inspirou Euclides da Cunha na elaboração do livro Os sertões. apoiados por forças militares fiéis ao governo federal. freou o avanço da Revolução Federalista no Estado. entre fazendeiros e posseiros. foram travadas as últimas batalhas da revolução federalista.

A CONSTRUÇÃO DA INFRA ESTRUTURA 74 .

quedas e corredeiras. principalmente em busca de ouro e prata. Na construção dessa estrada. Para a carga e descarga de seus navios eles possuíam 14 portos no percurso do Rio Paraná. A Estrada da Graciosa é hoje importante ponto turístico do Estado. de via de acesso às fabulosas minas de prata de Potosí. inclusive. o que dificulta a navegação. considerável potencial hidrográfico. O porto seco de Foz do Iguaçu é ponto estratégico para quem pretende comércio com o MERCOSUL. Estrada da Graciosa: quando da Emancipação Política do Paraná em 1853. São predominantemente rio de planalto. pois apresentam cachoeiras. Ivaí. Para que isso ocorresse tornou-se necessário a criação de condições para a locomoção de pessoas e cargas em todo o Estado. madeira. O transporte fluvial é quase nulo atualmente. açúcar e produtos frigoríficos. principalmente. três portos: Paranaguá. rodoviário. O Caminho de Peabiru possuía vários ramais que passavam pelos Campos Gerais do Paraná e foram utilizados pelos primeiros portugueses e espanhóis que penetraram o território. Três principais caminhos foram utilizados: Graciosa. então. Com relação a uma análise histórica. Atualmente. O porto de Paranaguá é o segundo do Brasil em importância. As mais importantes bacias são as do Tibagi. SISTEMA RODOVIÁRIO: CAMINHOS E ESTRADAS Os índios já percorriam o atual território do Paraná há muito tempo. 75 . o Rio Paraná. foi aproveitado pelos “obrageros” argentinos no transporte de ervamate e madeira. Paranapanema. na Bolívia. OS RIOS E O SETOR HIDROVIÁRIO A conjunção de fatores físicos e naturais propicia ao Paraná uma significativa rede hidrográfica. Resolveu-se. ferroviário ou aéreo.Todo o território do Paraná foi ocupado e hoje está interligado. Essa exploração durou de 1881 a 1930. o Paraná possui. sendo o mais importante o Caminho de Peabiru. uma boa experiência que durou 71 anos no Rio Iguaçu. não existia ainda uma estrada que permitisse um transito regular entre o litoral e o planalto. Possuem. Antonina e Foz do Iguaçu. por isso. que eles extraiam ilegalmente no Oeste do Paraná. Ele serviu. Piquiri e Iguaçu. Tivemos. surgiu o problema da ligação entre litoral e o primeiro planalto. a qual foi concluída em 1872. transpondo a Serra do Mar. abrir uma rodovia. teve papel destacado o engenheiro Antônio Rebouças. seja fluvial. No início da ocupação do Paraná pelos portugueses. principalmente. utilizando vários caminhos. principalmente entre Guaíra e Foz do Iguaçu. sendo utilizado boa parte do Caminho da Graciosa. Itupava e Arraial. O Porto de Antonina foi reativado para exportar. para facilitar a exportação de seus produtos. porém.

só estavam concluídos 599 km. Em 1910. Rodovia ParanaguáCuritiba. Ela é parte da estrada que vai até Foz do Iguaçu. partindo de Santa Maria. Lauro Muller. D. existindo um sistema que ultrapassa 140. em fevereiro de 1885 a primeira locomotiva saiu de Paranaguá rumo a Curitiba. Atualmente esse sistema gira em torno do Anel de Integração. porém. Teixeira Soares fundou a Compagnie Chemins de Fer Sud. Pedro II determinou que em Paranaguá fosse o local de início da obra da Estrada de Ferro que ia transpor a Serra do Mar até Curitiba. interligando as cidades polos do Estado. empresa que adquiriu o controle acionário da CEFSPRG. todo o Estado do Paraná está cortado por rodovias. concedendo ao engenheiro João Teixeira Soares. que 15 anos depois. com 640 km. SISTEMA FERROVIÁRIO ESTRADA DE FERRO PARANAGUÁ-CURITIBA: em 1875. Essa ferrovia desviou a produção de café do norte do Paraná para Santos com sérios prejuízos para a receita do Estado do Paraná. com 3. que fundou a Brazil Railway Company. que foi concluída em 1905 e de Ponta Grossa a Itararé que só foi concluída em 1908.000 asfaltados e que estão interligados a malha ferroviária federal.403 km. com capital belga e francês.000 km em nosso Estado. O tráfico regular começou a operar em 1885. que passou a administrar a referida estrada até 1997. que exerceu papel decisivo na ligação planalto-litoral. foi criada a Rede Ferroviária Federal. Apenas quatro anos depois foi autorizada a transferência de todos os direitos para uma empresa estrangeira. a Compagnia Generale de Chemins de Ferr Brasiliens. isto é. foi a BR 277. a estrada chega até o rio Uruguai. sendo um importante corredor de exportação. cortando a região do Contestado e em 1910 o primeiro trem trafegou nos 1. Atualmente. o Governo Federal escampou a estrada. e que contribuiu para o desenvolvimento das praias. porém. A concessão dava um prazo de 5 anos para a construção de todo o trecho. dos quais cerca de 13. Novo ritmo foi imposto nas diversas frentes. Em 1894 a concessão do trecho de Itararé ao Rio Uruguai foi transferida para a Companhia de Estradas de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul. ESTRADA DE FERRO SÃO PAULO-RIO GRANDE DO SUL: em 1889. o Ministro de Viação e Obras Públicas.000 km. Em 1890 a empresa inicia a construção. o direito para a construção de uma estrada de ferro de Itararé a Santa Maria da Boca do Monte. 76 . instituindo a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina e em 1957. ESTRADA DO CAFÉ: em 1886 foi inaugurada a estrada de ferro de Jundiaí a Santos para transportar o café até o Porto. o Governo emitiu um decreto.A rodovia. Acontece. promoveu a vinda ao Brasil do empreendedor norte-americano Percival Farquhar. em 1905. que começou a obra em duas frentes: de Ponta Grossa a União da Vitória. Em 1942. para a qual transferiu a concessão. quando foi privatizada. Quest Bresiliens. Tendo em vista o atraso. Finalmente.

Por incrível que possa parecer. com capital inicial do Governo federal. Alves & Cia recebeu do Governo do Paraná a concessão para a construção da estrada de ferro de Guarapuava ao Rio Paraná. Essa estrada foi inaugurada em 1917. FERROVIA DA PRODUÇÃO: em 1980 o Brasil assinou com o Paraguai o Tratado de Interconexão Ferroviária entre os dois países estabelecendo a construção da ferrovia da soja ou da produção.000 associados. do Governo Estadual e de 27 entidades da região. No Lugar há um museu em Marechal Cândido Rondon. Era uma estrada particular. sendo a mais importante a COTRIGUAÇU que possui cerca de 40. PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA FERROVIÁRIO: toda a malha ferroviária do sul do Brasil foi privatizada em 1997. ligando o alto ao baixo do Rio Paraná. Atualmente ela não existe mais. Em 1913 a multinacional Mate Laranjeira se apoderou dessa concessão. Aproveitaram para construir uma estrada de ferro para atender seus interesses. 77 . A Estrada de Ferro paraná Oeste (FERROESTE) foi constituída em 1988. a firma Ismarch.ESTRADA DE FERRO GUAÍRA-PORTO MENDES: em 1907. durante 11 anos ela não permitiu a passagem de outras pessoas. inclusive brasileiros.

OS TRÊS PARANÁS 78 .

sírio-libaneses. A primeira área corresponde ao que chamamos de Paraná Tradicional. podemos dividir a ocupação do Estado em três áreas histórico-culturais. esta área recebeu influência de numerosas correntes imigratórias: alemães. Com as anexações desses novos territórios à vida econômica. comprovou-se a decadência dessa tradicional elite campeira. Neste período. Ao contrário do que comumente se aceita. teve início a ocupação dos Campos Gerais. ingleses. os Campos Gerais detinham a hegemonia na ainda pacata sociedade paranaense. Do ponto de vista político. se por um lado a oligarquia campeira perdia influencia real. o poder político no Paraná foi exercido de forma oligárquica. No final do século XVIII e parte do XIX. essas populações dos Campos Gerais recebiam forte influência paulista e rio-grandense. Foi esta sociedade. o início da colonização do norte não foi obra da expansão da economia do café. A segunda área cultural do Estado corresponde ao Norte do Paraná. que promoveu na primeira parte do século XIX a ocupação dos Campos de Guarapuava e Palmas. No século XVIII. franceses. Até o advento da república. através do caminho Sorocaba-Viamão. As fazendas de criatório perderam sua importância. ao mesmo tempo em que cresceu a importância de Curitiba como centro administrativo e econômico. tendo por base o latifúndio e a estrutura patriarcal das principais famílias criadoras de gado dos Campos Gerais. quase exclusivamente. O chamado norte velho ou norte pioneiro é mais antigo 79 . ucranianos. com a descoberta do primeiro ouro encontrado pelos portugueses no Brasil. etc.A partir da década de 1960. o Paraná pode ser considerado um Estado territorialmente ocupado. a elite campeira foi obrigada a aceitar alianças com famílias importantes de outras regiões do Estado. holandeses. do criatório. isto é. Este Paraná iniciou sua história no século XVI. austríacos. O criatório e o tropeirismo promoveram uma recuperação econômica da região que seria futuramente o Paraná. Em consequência das fases históricas que condicionaram a colonização do território paranaense. estas levas de imigrantes reforçaram a pronúncia já encontrada na região e promoveram uma substancial transformação na sociedade. passaram a controlar politicamente a região. Todavia. por outro conseguia manter seu poder elegendo a partir da República e os presidentes do Estado. o poder político. com o surgimento do caminho das tropas Sorocaba-Viamão. predominou no território paranaense a economia das fazendas. No período republicano. o controle político-ideológico emanava dos latifúndios dos Campos Gerais e exercia-se através da Assembleia Provincial e dos cargos administrativos da máquina burocrática. Estes passaram a ser eleitos e não mais nomeados pelo poder central. No século XIX. para manter-se no poder. Foram os luso-paranaenses proprietários de terras que. No início do período republicano. o metal foi excessivamente escasso. é do Paraná Tradicional que até pouco tempo emanava. Mas. italianos. desde a emancipação política do Paraná em 1853. poloneses. o domínio público da província emanava desses grandes fazendeiros dos Campos Gerais. que tinha como suas bases em Paranaguá (litoral). No século XIX. Embora os presidentes de província fossem nomeados pelo governo imperial do Rio de Janeiro. Curitiba (primeiro planalto) e Campos Gerais.

foram seu primeiro incentivo econômico. Toledo. As camadas hegemônicas que governavam o Paraná. a oligarquia dirigente nunca de preocupou em desenvolver com os componentes dessa frente uma política séria de assimilação e integração ao todo paranaense. Com a entrada de mais de um milhão de migrantes no Norte do Paraná. Santo Antônio do Sudoeste. por seu turno. os nortistas não se manifestaram de início muita intenção de exercer os direitos políticos advindos do peso demográfico que o norte passou a representar no conjunto do Estado. houve uma séria ameaça à hegemonia política exercida no Estado pela elite do Paraná Tradicional. os nortistas não manifestaram de início muita intenção de exercer os direitos políticos advindos do peso demográfico que o norte passou a representar no 80 . As populações no Paraná Tradicional passaram a considerar os nortistas como adventícios que vieram a apoderar das riquezas do Estado. Marechal Cândido Rondon. Os migrantes oriundos desta frente de colonização fundaram e se estabeleceram em importantes núcleos no sudoeste e oeste do Estado: Francisco Beltrão. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 (UEM-2010) Leia o Texto abaixo e assinale a(s) alternativa(s) correta(s): “Com a entrada de mais de um milhão de migrantes no Norte do Paraná. atribuindo-lhes epítetos pejorativos. a tradicional oligarquia paranaense continuava a governar sozinha o Paraná e se mantinha no poder deforma incontestável. Tal qual ocorreu no norte do Estado. Após os mineiros. ocupando a maior parte do sudoeste e parte do oeste paranaense. Para alegria dessa elite. japoneses. Fazendeiros mineiros. a partir de meados da década de 60. Os nortistas. proprietários de latifúndios decadentes. Era o conflito natural entre os tradicionais do sul e os pés vermelhos do norte. etc.do que se possa conceber à primeira vista. Santa Helena. não viam com bons olhos a presença dessas populações que alguns de seus expoentes chegavam a chamar de adventícias. Numericamente. etc. avaliavam as gentes do sul como possuidoras de pouca iniciativa. sem se interessarem por suas tradições. A este deslocamento populacional chamamos de frente sulista. Uma nova frente pioneira penetrou em território paranaense. donos de terras ditas cansadas. a frente sulista foi de menor intensidade do que a nortista. italianos. Em consequência dessa atitude. penetraram também os paulistas. Os pés vermelhos teimavam em permanecer afastados dos problemas políticos e administrativos do Estado e continuavam vibrando e se interessando mais pelos problemas de suas respectivas regiões de origem. Dois Vizinhos. Entretanto. O início da sua colonização data da década de 1840. A agricultura de subsistência e a exploração da imensa floresta subtropical. iniciou-se uma presença maior do norte na política e administração paranaense. O café tornou-se economicamente viável apenas nos últimos anos do século XIX e início do XX. A terceira área histórico-cultural originou-se após meados da década de 1950. Chegava ao Paraná estimulada pelos problemas com mão-de-obra agrícola no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. lançaram-se também ao tropeirismo. os próprios paranaenses. Medianeira. As elites do Paraná Tradicional nunca de preocuparam a fundo com o Norte do Paraná ou mesmo com o sudoeste e o oeste. sírio-libaneses. sobretudo no início do século. houve uma séria ameaça à hegemonia política exercida no Estado pela elite.

Ruy Christovam.. Inicialmente poucos se interessavam pelos problemas político-administrativos do Paraná. iniciou-se uma presença maior do norte na política e administração paranaense. 272). 7ª. sobretudo no início do século XX. GABARITO 81 . “As elites do Paraná tradicional nunca se preocuparam a fundo com o Norte do Paraná ou mesmo com o sudoeste e o oeste. a partir dos anos sessenta. por parte dos migrantes que ocupara as terras do Norte do Paraná. a Região Norte assumiu e manteve a hegemonia política no Estado. 04) O termo “Paraná tradicional” refere-se à Região Oeste do Estado. quando comparada ao “Paraná tradicional”. 08) O texto relaciona a grande separação entre a capital e o Norte do Estado. R. História do Paraná. 04) Em razão do desinteresse explicitado no texto e do preconceito da “elite tradicional”. Ficavam como que de costas para a capital e de frente para os problemas dos seus estados de origem. referida no texto.]. ed. resultado da expansão das áreas cultivadas com café.” (WACHOWICZ. QUESTÃO 02: (UEM-2012) Leia o texto e assinale a(s) alternativa(s) correta(s). ao movimento pela criação do Estado do Paraná do Norte. em razão de concentrar a maioria da população do Estado do Paraná. 08) Segundo o texto. EPAN. Curitiba: Vicentina. em grande medida. permitiu que a “elite do Paraná tradicional” mantivesse sua hegemonia política do Estado.. a partir de meados da década de 60. C.). As camadas hegemônicas que governavam o Paraná. Entretanto. a produção de café continua sendo o setor mais importante da economia da região Norte do Estado do Paraná. teve como base econômica a cafeicultura e ocorreu mais recentemente. 01) Segundo o texto.” (WACHOWICZ. em nossos dias. Este comportamento de distanciamento dos problemas paranaenses ocorria nos mais diversos assuntos: do futebol à economia. notadamente São Paulo e Minas Gerais. p. 16) Apesar das recentes mudanças. o desinteresse pelas questões regionais. o Paraná nunca elegeu políticos da região Norte do Estado para representa-lo. 1995. História do Paraná. 01) Segundo o texto. 02) A ocupação da região Norte do Paraná foi. não viam com bons olhos a presença dessas populações que alguns de seus expoentes chegavam a chamar de adventícias. não há uma participação de representantes do interior do Estado no cenário político estadual. 02) A colonização do Norte do Paraná. 16) O texto mostra a existência de disputas políticas regionais que contrapõem políticos do “Paraná Tradicional” ao “Norte do Paraná”. p. com exceção do Norte paranaense. Curitiba: Vicentina. ocupada por migrantes catarinenses e gaúchos que mantiveram suas tradições a partir da fundação dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs).conjunto do Estado. Perceberam que poderiam perder a liderança absoluta que exerciam no Estado [. nos dias atuais. 1995. 270.

AS POPULAÇÕES NATIVAS: QUESTÃO 01: 01-02-08-16 QUESTÃO 02: 01-02-08 QUESTÃO 03: 04-08-16 A PRESENÇA EUROPEIA NO TERRITÓRIO PARANAENSE: QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO 01: 01-16 02: 01-04 03: 02-04 04: 01-02-04-08 05: 04-08 06: 02-16 07: 08-16 08: 01-02-04-16 09: 01-04 OCUPAÇÃO E POVOAMENTO DO PARANÁ: QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO 01: 01-08 02: 02-08-16 03: 04-08 04: 16 05: 01-08 06: 02-04 07: 04-08 EMANCIPAÇÃO POLÍTICA PARANAENSE: QUESTÃO 01: 02-16 ASPECTOS DA ECONOMIA DO PARANÁ: QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO QUESTÃO 01: 02-16 02: 02 03: 01-16 04: 02-04-16 05: 02-08 06: 02-04-08-16 ESCRAVIDÃO: QUESTÃO 01: 08-16 QUESTÃO 02: 01-02-08 QUESTÃO 03: 04-16 IMIGRAÇÃO: QUESTÃO 01: 02-04-16 QUESTÃO 02: 02-04 82 .

. 2003. Maringá: EDUEM. 2005.. ANTONIO. LAZIER. MOTA. ZEVIANI. História do Paraná. História do Paraná. 83 . Apostila do Nobel Sistema de Ensino. História do Paraná: ocupação humana e relações interculturais. José. Paraná: terra de todas as gentes e de muita história.MOVIMENTOS MILITARES E REVOLUCIONÁRIOS: QUESTÃO 01: 02-08 QUESTÃO 02: 02-08 QUESTÃO 03: 01-02-04 OS TRÊS PARANÁS: QUESTÃO 01: 01-02 QUESTÃO 02: 02-16 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS História do Paraná. T. R. Apostila do Integral Curso e Colégio. Hermógenes. Apostila do Curso e Colégio Imagem. U. Hermógenes Lazier: Francisco Beltrão. História do Paraná. L.

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