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O romantismo acaba mal porque é aquilo que só pode acabar mal, aquilo

que só pode começar.
O romantismo é ausência de obras, “afirmação sem duração”, “liberdade
sem realização”. faz brilhar a poesia, em vez de como obra, como pura
consciência no instante.
“A menos que, precisamente, uma das tarefas do romantismo tenha sido
introduzir um modo absolutamente novo de realização e mesmo uma
verdadeira conversão da escrita: o poder, para a obra, de ser tudo, mas sem
conteúdo ou com conteúdos quase indiferentes e, assim, de afirmar a um só
tempo o absoluto e o fragmentário, uma totalidade, mas numa forma que,
sendo todas as formas, isto é, não sendo, no limite, nenhuma, não realiza o
todo, mas o significa suspendendo-o, ou até mesmo quebrando-o”. p. 104.
“Do mesmo modo, Don Quixote é o livro romântico por excelência, na
medida em que o romance se reflete nele e nele se volta sem cessar contra
si próprio, numa mobilidade ágil, fantástica, irônica e radiante, a da
consciência em que a plenitude se dá como vazia e apreende o vazio como
infinito excesso do caos”. p. 105.
Literatura: “o conjunto de formas de expressão, isto é, também de forças de
dissolução”
“Decerto que, antes dos românticos, não faltaram os manifestos literários,
mas trata-se dessa vez de um acontecimento bem diferente. De um lado, a
arte e a literatura não tem mais nada a fazer a não ser manifestar-se, isto é,
indicar-se, de acordo com o modo obscuro que lhes é próprio: manifestar-se,
anunciar-se, numa palavra, comunicar-se, eis o ato inesgotável que constitui
e institui o ser da literatura” p. 107.
“as principais questões do romantismo em alguns fragmentos de Novalis:
“que escrever é fazer obra de fala, mas que essa obra, mas que essa obra é
não obrar; que falar poeticamente é tornar possível uma fala não transitiva,
que não tem por tarefa dizer as coisas (desaparecer naquilo que ela
significa, mas sim (se) dizer deixando (se) dizer sem no entanto fazer de si
própria o novo objeto dessa linguagem sem objeto [...]” p. 109.
Novalis descobrirá que a única forma de realizar o romance seria deixando-o
inacabado e que a única forma de acabá-lo seria inventando uma arte nova:
a do fragmento (p. 111).
O fragmento aparece como substituto da comunicação dialogada, servindo
para tornar a comunicação absoluta e apontando para a possibilidade de
escrever em comum: uma fala plural.
“Na verdade, e em particular em Friedrich Schlegel, o fragmento antes
parece com frequência um meio de abandonar-se com complacência a si
próprio do que a tentativa de elaborar um modo de escrever mais rigoroso.
Escrever fragmentariamente é então simplesmente acolher sua própria
desordem, fechar-se sobre seu próprio eu num isolamento satisfeito e assim
recusar a abertura que representa a exigência fragmentária, a qual não
exclui mas sim ultrapassa a totalidade”. p. 111-112.

“Não deixa porém de ser verdade que. para além de Nietzsche. começando a tornar manifesta a si própria graças à declaração romântica. antes de remetêla a Nietzsche e. a literatura irá daí em diante levar dentro de si essa questão – a descontinuidade ou a diferença como forma –. e em particular o do Athenaeum não só pressentiu como já claramente propôs. ao futuro”. . p. questão e tarefa que o romantismo alemão. 112.