You are on page 1of 162

Prof. Ms.

Anderson Severiano Gomes
www.educanderson.com.br
anderson.educ@gmail.com
FACEBOOK: EDUCADOR ANDERSON SEVERIANO GOMES
WHATS: 98868-7637

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES – CONCURSO PROFESSORES 2016

ARROYO, Miguel.
Imagens Quebradas
Trajetórias e tempos de alunos e
mestres. Petrópolis: Vozes, 2009.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES
1 - IMAGENS PERDIDAS? IMAGENS QUEBRADAS?
ARROYO inicia abordando uma experiência escolar que presenciou, em que a
diretora de uma escola comentou: “a escola sem os alunos não é a mesma”.
“Parece uma casa sem filhos. Desabitada”.
Segundo o autor, durante décadas os alunos ficaram tão silenciosos, ou tão
silenciados, que nem pareciam estar lá. Dava até para ignorar sua presença.
Os alunos não são outros por serem indisciplinados, mas por serem outros
como sujeitos sociais, culturais, humanos, pois a infância, adolescência e
juventude que são forçados a viver são outras. Desse modo, o desencanto
docente não é com as condutas indisciplinadas dos alunos, mas sim, com a
perda das imagens que povoam nossa docência, a educação e as escolas.

suspensão de aulas. como arrogância e desafio à autoridade da direção e dos mestres. Advertência. 9 Entretanto. entregar à polícia não apenas os alunos. expulsão. porém mais chamativa. Sua rebeldia pode ser apenas um gesto de sinceridade em uma instituição onde eles esperam ser ouvidos e entendidos. a reação menos frequente. Não há como negar que jovens. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES UMA DECEPÇÃO FECUNDA? Para ARROYO. Segundo o autor. cortar o “mal” pela raiz. é condenar essas condutas. uma reação mais frequente é interpretar as condutas dos alunos como indisciplinas. adolescentes e até crianças chegam às escolas arrogantes e desafiadores. mas até as escolas situadas em comunidades “violentas”. esse é um desafio e uma arrogância que pode ocultar (ou revelar) a consciência de sua fraqueza diante de um mundo com eles tão desapiedado.

e há olhares muito diversos. e até a seu lugar de trabalho e sobrevivência. Impõe-se construir outras imagens. As formas são variadas: dias de encontro. mas. pois nem todos têm esse olhar tão distante e impreciso. raças. é isso que interessa. Desse modo. . pesquisas. oficinas. visitas a suas casas. O resultado pode ser uma aposta coletiva.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES OUTRO OLHAR SOBRE OS EDUCANDOS Conhecer melhor os alunos e as alunas em vez de condená-los passou a ser uma preocupação de muitos coletivos de escola. mapear. A estas observações de alguns docentes reagem outros. classe social. Evidente que todos são alunos de diferentes gêneros. explicitar e sistematizar essa diversidade está sendo uma preocupação de muitas escolas: vai se tornando necessário explicitar as diversas tendências pedagógicas que habitam nas escolas e que refletem a diversidade de olhares. em comum. são alunos. idades. olhar os alunos e olharmos os seus mestres com outra mirada.

como os sentimos. os ciclos. e questões como essas mereceram dias de estudo. Segundo ARROYO. pois a imagem que temos de nós educadores corresponde à imagem que temos dos educandos. toda inovação educativa tem de começar por rever nosso olhar sobre os alunos. a didática. . Se reconhecemos que os alunos não são os mesmos teremos de perguntar-nos como são. As respostas a estas questões são dos coletivos profissionais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES HUMANIZANDO NOSSO OLHAR DOCENTE Não perceber a centralidade do olhar sobre os educandos se dá porque não viemos percebendo o quanto esse olhar vinha mudando no coletivo docente. a prática pedagógica e docente adquirem seus significados da centralidade que damos ou não damos aos educandos. Inclusive o repensar de nossa autoimagem docente. A escola e seus currículos.

bondoso e dócil da infância-adolescência tão presente nas metáforas da pedagogia não aparece nos nomes e adjetivos com que identificamos os alunos. romântico. Em síntese. ARROYO sublinha que é possível mapear dois campos onde vêm havendo avanços significativos para melhor conhecer os educandos (as): o primeiro no estudo de suas trajetórias humanas. Saber mais sobre os alunos pode ser um auspicioso caminho para saber mais sobre nós mesmos. o segundo no entendimento das especificidades de seus tempos de vida. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS SABER MAIS SOBRE OS EDUCANDOS AUTORES Resulta surpreendente para todos que o olhar idealizado.

. O direito aos tempos da vida que tem como aspectos. Há maior preocupação por conhecê-los não apenas como alunos. o direito. para dar continuidade à necessidade sentida de repensar nosso olhar sobre os educandos. ou seja. somente será reconhecido na medida em que o situarmos na trajetória da construção dos direitos. mas como pessoas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES EDUCANDOS. SUJEITOS DE DIREITOS Soube que alguns coletivos escolares motivados pelo debate tinham se reunido para estudar mais atentamente o ECA nas escolas. vê-los como sujeitos de direitos.

O tempo de escola é o único tempo de viver a infância e a adolescência com dignidade (aí as lembranças serão positivas). a vivência da escola é inseparável das formas como se dá a condição de criança. na cidade. . Se é dramático abandonar a escola. mais dramático. de adolescente ou de jovem-adulto. é ter de abandoná-la para sobreviver. A questão que se coloca para os profissionais da escola pública é que responsabilidades nos cabem por tantas dificuldades de articular esses tempos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES TRAJETÓRIAS ENTRELAÇADAS Segundo o autor. Mas. na rua ou no trabalho. ainda. no campo. os tempos de escola são tão duros e conflitivos quanto as condições e possibilidades de ser criança ou adolescente na família.

inclusive às famílias. formação plena. Às escolas. a sociedade cabe o direito e o dever de formá-los. condicionam os métodos de ensino e os processos de avaliação e criam problemas de aprendizagem. Sublinha o autor que. lhes é delegada pela sociedade essa tarefa delicada da formação dos cidadãos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A FORMAÇÃO ÉTICA É TAMBÉM FUNÇÃO DA DOCÊNCIA Para ARROYO. Cada vez mais professores se lamentam dessas lacunas em sua formação. e aos professores. . logo ética também. Ir à teoria pedagógica e à história do pensamento pedagógico e docente que é pouco estudada nos cursos de formação tanto de licenciados quanto de pedagogos. entre outros profissionais. a preocupação com as condutas dos alunos vem revelando que sempre foram uma preocupação no cotidiano docente.

mas também das massas populares que ascendem à política. mas ainda não duvidamos de nossos julgamentos morais dos educandos. impondo sua moral. Hoje duvidamos dos processos tradicionais de avaliação das aprendizagens. A construção.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A FORMAÇÃO ÉTICA: UM PROCESSO PERMANENTE Para o autor. as tensões existentes nas escolas em volta das condutas dos alunos estão revelando nossas lacunas profissionais nesse campo tão delicado. Estão sendo um incentivo para melhor preparo e trato da formação ética nas escolas. falamos de processos históricos. desconstrução de valores se dá emaranhada nos sofrimentos e inquietações humanas. Assim. A procura da virtude e afirmação dos comportamentos virtuosos está atrelada à prática humana não apenas das elites. que se organizam em movimentos sociais e afirmam direitos e valores. em cada grupo social e cultural e em cada pessoa. . Se dá na trama da história como um processo permanente. de uma construção da consciência ética na humanidade.

O QUE APRENDER E EM QUE TEMPO Para ARROYO. A eficácia formadora da escola está nessa vivência inexorável do caráter instituído da cultura escolar. Viverão por horas e anos imersos na cultura escolar instituída. de simbolizar e de ordenar as mentes e os corpos. logo pensamos em um lugar e em um tempo. adaptação ou reação a esses espaços e tempos que nos formamos como profissionais da escola e como alunos . as condutas de mestres e alunos. mas não lhes será dado fugir. nem ficar à margem das vivências. Afinal. dos hábitos e do ordenamento dos espaços e tempos. Mestres e alunos podem gostar mais ou menos dos conteúdos ensinados. dos valores. dos rituais e dos símbolos. quando a sociedade pensa na escola. e será na vivência. A escola materializa modos de pensar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O QUE ENSINAR. a escola é uma instituição que podemos falar da cultura escolar.

ainda que não seja o mais educativo. Constatamos que talvez por esse rígido controle a procura de formas mais ricas e flexíveis de convívio é uma das áreas onde a criatividade e a transgressão docente é grande. . Administrar a escola como uma cadeia de produção é mais fácil. nem sempre percebido: educandos e educandas se enturmam por pares de idades e de gênero.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES REINVENTANDO CONVÍVIOS: na apresentação das observações feitas constatamos o óbvio. independentemente de série. se esse modelo rígido de enturmação é o mais fácil para controlar o trabalho docente. Os convívios são limitados quase exclusivamente à sala de aula. Sobretudo. CONVÍVIOS CONTROLADOS: Os alunos convivem quase exclusivamente com os pares das turmas organizadas no início do ano e mantidas por todo o ano letivo. Eles fazem parte da malha fina das relações humanas nas escolas. ou ainda que empobreça os processos de aprendizagem. Quando estamos atentos aos educandos aprendemos a importância humana dos convívios entre pares. da condição de repetentes ou não. de lentos ou acelerados.

aceleráveis. Mas convivemos. especiais. com agrupamentos de alunos catalogados como repetentes. . lentos. ou que docentes recém-chegados na escola “ganham” para sua iniciação. acelerados. também. o coletivo docente encontrou outra motivação forte para orientar e reorientar os agrupamentos dos alunos e dos professores: que os alunos aprendam. Convivemos nas escolas com turmas ou agrupamentos de alunos catalogados como avançados. Cada vez mais o repensar dos agrupamentos e dos convívios encontra uma grande motivação na vontade docente de que os alunos aprendam. considerados como a nata que toda professora e professor quer.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES PROPICIAR CONVÍCIOS MÚLTIPLOS ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E FLEXIBILIDADE NA ENTURMAÇÃO INTERVENÇÃO SER LIVRE E TER LIBERDADE MOMENTO COLETIVO DO CICLO DIAS DE INTERIDADES INTERCÂMBIO ENTRE TURMAS DE VÁRIAS ESCOLAS PROPICIAR APRENDIZAGENS SIGNIFICATIVAS Por fim. considerados como o entulho que apenas profissionais “comprometidos” querem. fracos.

2001. 18ª edição.PEDAGOGIA DA AUTONOMIA SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA EDUCATIVA (Paulo Freire. Editora. São Paulo) . Paz e Terra S/A.

Passemos a sintetizar cada agrupamento desses saberes. devendo esses saberes serem conteúdos obrigatórios à organização de programas de formação docente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Ao tratar da importância de uma reflexão sobre a formação docente e a prática educativa. tendo em vista a autonomia dos educandos. agrupando-os em três grandes áreas: a relação intrínseca docência-discência. Discute os saberes. Paulo Freire trata dos saberes que considera indispensáveis a essa prática para que ela seja caracterizada como crítica ou progressista. . ensino como não transferência de conhecimento e ensino como uma especificidade humana.

a sua curiosidade. os sujeitos. apesar de suas diferenças.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 1º – NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA: Na relação docente-discente.Ensinar exige rigorosidade metódica: O educador democrático deve reforçar a capacidade crítica do educando. estimulando sua capacidade de arriscar-se. 1. não se reduzem à condição de objeto. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (p. deixando de ser um professor “bancário” aquele que transfere conteúdos.25). um do outro. métodos de ensinar. Ele se esmera em trabalhar com os alunos a rigorosidade metódica com que eles devem se aproximar dos objetos do conhecimento . perceberam a possibilidade e a necessidade de trabalhar maneiras. Foi no decorrer dos tempos que os homens e mulheres. conhecimentos. socialmente aprendendo.

estimulando a capacidade criadora do educando. O pensar certo implica por parte do professor em respeitar o senso comum.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 2 . . para que ele desenvolva a “curiosidade epistemológica”. 3 .Ensinar exige pesquisa: a busca e a pesquisa fazem parte da natureza da prática docente.Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos: É preciso estabelecer relações entre os saberes curriculares fundamentais e a experiência social dos alunos. que leva ao conhecimento mais elaborado do mundo. a curiosidade ingênua. O professor pesquisa para conhecer o que ainda não conhece e comunicar ou anunciar a novidade.

Pensar certo exige que se aprofundem a compreensão e a interpretação dos fatos. é a superação da ingenuidade para a criticidade.Ensinar exige ética e estética: Na prática educativa. somos éticos. a decência e a boniteza devem estar juntas da necessária promoção da ingenuidade à criticidade. . A tecnologia só pode ser pensada a serviço dos seres humanos. por isso é criticável restringir-se a tarefa educativa em aspectos só ligados a treinamento técnico. Na condição de seres humanos. É aí que a curiosidade se torna epistemológica. com um maior rigor metodológico em relação ao objeto do conhecimento. O ensino dos conteúdos não pode acontecer de forma a ignorar a formação moral dos educandos.Ensinar exige criticidade:Uma das tarefas inerentes da prática educativa progressista é o desenvolvimento da curiosidade crítica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 4 . a procura de maior exatidão. 5 .

Ensinar exige risco. O clima favorável para se pensar certo se caracteriza pelo uso de uma argumentação segura por parte daquele que discorda de quem se opõe às suas ideias. 8 .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 6 .Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo: Pensar certo é fazer certo. é preciso ter generosidade. Implica também em rejeitar qualquer prática de discriminação. pois isso nega radicalmente a democracia. aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação: Pensar certo implica em disponibilidade para o risco. de gênero. em aceitar o novo não só porque é novo. mas também não recusar o velho só pelo critério cronológico.Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática: Na formação permanente do professor é fundamental a reflexão crítica sobre a prática. 7 . de classe. de raça. não há necessidade de ter raiva do seu oponente. .

Para isso. Nesse sentido. da solidariedade social e política que precisamos para construir uma sociedade democrática. emoções.Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural Fazem parte da questão da identidade cultural. . no seu espaço e tempo. não podemos esquecer da assunção do sujeito: assunção de nós por nós mesmos. é muito importante refletirmos sobre o caráter socializante da escola. Experiências essas ricas de significados. que necessariamente devem ser valorizadas na prática educativa progressista. cuja abordagem podem enriquecer muito o entendimento sobre o ensino e a aprendizagem. com todas as experiências informais que nela ocorrem. as dimensões individuais e de classe dos educandos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 9 . afetividades. Pensando-se na formação do professor. o elitismo autoritário de educadores que se pensam donos da verdade e do saber pronto e acabado. temos que rechaçar o treinamento pragmático.

preciso ter humildade ao perseguir a rigorosidade metódica. processo esse difícil. estou pensando certo.ENSINAR NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO Ensinar é criar as possibilidades para a própria construção do conhecimento Ao saber que ensinar não é transferir conhecimento. considerações grosseiras. porque envolve cuidado constante para eu não resvalar para análises simplistas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 2º . .

Ensinar exige consciência do inacabamento A inconclusão do ser é própria da experiência de vida humana e é consciente. de possibilidades e não de determinismo. o que diferencia os seres humanos dos outros animais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 1 . que falta aos animais. escolher. decidir. . não havendo entre eles a linguagem conceitual que é própria do ser humano. Estes estão no suporte. que lida com a problematização do futuro. vivemos num mundo histórico. romper. Isso repercute na prática educativa e formadora. Somos seres éticos. julgar. comparar. O ser humano tem a liberdade de opção. A nossa passagem pelo mundo não é pré-determinada. fazer política. capazes de intervir no mundo. que é o espaço necessário para o seu crescimento. lutar.

“.minha presença no mundo não é a de quem se adapta. Nessa inconclusão é que se insere a educação como processo permanente. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto. . nos inserimos num permanente movimento de busca. 60). em que nossa capacidade de ensinar e aprender se faz presente. Daí se pensar no educador que não tolha a liberdade do educando e sua curiosidade. Nós.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 2 ..Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado A construção da presença do ser humano no mundo se faz nas relações sociais.. mas sujeito também da história” (p. cultural e historicamente. com o mundo e com os outros. em nome da eficácia de uma memorização mecânica do ensino dos conteúdos. mas a de quem nele se insere. como seres inacabados e conscientes de nosso inacabamento. ela compreende a tensão entre o que é herdado geneticamente e o que é herdado social.

. está transgredindo a natureza humana. sua dignidade. que o trata com ironia ou aquele professor que se omite do dever de propor limites à liberdade do aluno. que desrespeita a curiosidade do educando. 4 .Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético. Quanto mais rigorosa. sua linguagem. Por exemplo. está rompendo com a decência. mais respeito devo ter pelo saber ingênuo a ser superado pelo saber produzido por meio do exercício da curiosidade epistemológica. sua identidade se forem consideradas as condições em que eles existem. o professor que faz algum tipo de discriminação. está fugindo ao seu dever de ensinar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 3 . Quem desviar do padrão ético. seu gosto estético. mais crítica é a minha prática de conhecer. suas experiências vividas e os conhecimentos com que chegam à escola.Ensinar exige bom senso Só é possível respeitar os educandos.

tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores A prática docente. recriando a realidade. estabelecendo relações. Por ser especificamente humana. ligados à sua atividade docente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 5 . sujeitandose aos riscos do novo. Preciso aprender a conviver com os diferentes. reconstruindo. envolve as diferentes emoções. política. a educação é diretiva. Exige do professor um competência geral e domínio de saberes especiais. a desenvolver a amorosidade aos educandos e ao meu trabalho 6 . Essa capacidade implica na habilidade de apreender a substantividade do objeto aprendido. se percebo que não sei sobre tudo.Ensinar exige apreensão da realidade O professor precisa conhecer as diferentes dimensões da prática educativa. usa meios. investindo-se na capacidade de aprender. apresenta em sua constituição a luta pela defesa de direitos e da dignidade dos professores. técnicas. Só posso respeitar a curiosidade do educando se apresento humildade e compreensão quanto ao papel da ignorância na busca do saber.Ensinar exige humildade. comparando. intervindo. artística e moral. . construindo. enquanto prática ética. constatando.

senão cairíamos num fatalismo imobilizante. Sem alegria e esperança no ensinar. A esperança faz parte da natureza humana. Na relação dialética entre o ser humano e o mundo. O mundo está sendo” (p.Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível Temos que considerar a História como possibilidade e não como determinação. assumindo a sua não neutralidade.Ensinar exige alegria e esperança Existe uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. “O mundo não é. 8 . Pelo fato do ser humano ser inacabado e consciente da sua inconclusão. decidindo. o educador cairia na negação do sonho de lutar por um mundo justo. sem problematizar o futuro. ele participa de um movimento constante de busca com esperança. Ela é indispensável à experiência histórica. . aquele intervém como sujeito das ações. escolhendo. é uma forma de ímpeto natural possível e necessário.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 7 . intervindo na realidade. 85).

95). em consequência. observando-o. perguntando. aproximando-se metodicamente dele. . curiosa.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 9 . O exercício da curiosidade implica na capacidade crítica do sujeito distanciar-se do objeto. Tanto professor quanto os alunos devem ter uma postura dialógica. delimitando-o. embora estejam em contínuo exercício.Ensinar exige curiosidade Pode ser dada como exemplo de prática educativa que nega o seu aspecto formador aquela que inibe ou dificulta a curiosidade do educando e. do educador. mesmo em momentos em que o professor expõe sobre o objeto. Na existência de um bom clima pedagógicodemocrático. o aluno vai aprendendo pela sua prática que a sua curiosidade e a sua liberdade possuem limites. aberta. “A curiosidade que silencia a outra se nega a si mesma também” (p. comparando. indagadora. o importante é não ter uma postura passiva frente ao conhecimento.

desafia-a sempre. levar a sério sua formação profissional. numa prática educativa que se considere progressista.ENSINAR É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA O professor. gerando uma disciplina que não minimiza a liberdade. que possibilita que se instale um clima saudável e respeitoso nas relações de ensinar e aprender.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 3º. ao lidar com as liberdades dos seus alunos. aceitando rever-se. despertando a esperança. deve expressar segurança através da firmeza de suas ações. 1.Ensinar exige segurança. da forma com que discute as próprias posições. para o “mandonismo”. instigando a dúvida. competência profissional e generosidade A autoridade do professor se assenta na sua competência profissional: ele tem que estudar. do respeito a eles. pelo contrário. A generosidade é outra qualidade necessária à ação formadora. A autoridade do professor não pode resvalar para a rigidez. nem para a omissão .

3 . fazer justiça. . avaliar. comparar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 2 . que possa atuar livremente. dialética. é contraditória. Isso expressa uma visão equivocada da História e da consciência. sem obstáculos.Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo: A prática do educador nunca é neutra. Ele expressa aos alunos sua capacidade de analisar. ser coerente ao discursar e agir. num esforço para reproduzir a ideologia dominante. Ela implica. É um erro considerar a educação só como reprodutora da ideologia dominante ou então uma força de desmascaramento da realidade. aí não cabe a neutralidade. ou para desmascará-la.Ensinar exige comprometimento A presença do professor na escola é uma presença em si política. além de ensinar conteúdos. enfim ele se mostra como ser ético.

.118).Ensinar exige liberdade e autoridade O educador democrático se depara com a dificuldade de como trabalhar para que “a necessidade do limite seja assumida eticamente pela liberdade” (p. do professor. possibilitar que a liberdade seja exercitada de modo a cada vez mais ela ir amadurecendo frente à autoridade. tendo consciência que não são donos desse futuro.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 4 . ou seja. seja dos pais. É necessário que os pais participem das discussões com os filhos sobre o seu futuro. ela é um processo. Sem os limites. A autonomia destes vai se constituindo através das várias experiências que envolvem decisões que eles vão tomando. do Estado. a liberdade se resvala para a licenciosidade e a autoridade para o autoritarismo. tenham um papel de assessores 52 dos filhos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5 . Não dá para escondermos nossa opção. Ele deve dar sua contribuição às mudanças com sua prática autêntica em prol de um mundo justo. alguma coisa fundamental a educação pode” (p 126).Ensinar exige tomada consciente de decisões AUTORES Considerando-se a educação como intervenção. democrático. coerente deve pensar que “se a educação não pode tudo. esta não existe. competente. . Um educador crítico. em função de acreditarmos na neutralidade da educação. Frente a essas direções temos que fazer opção consciente procurando ser coerentes no nosso discurso e na nossa prática. esta pode ter duas direções: aspira a mudanças radicais na sociedade ou pretende paralisar a História e manter a ordem social vigente.

Nesse sentido. Estabelece-se o diálogo. comunicando suas dúvidas e criações. . para expressar-se. com o uso dos materiais oferecidos pelo professor. tem que ser coerente com a maneira de falar com seus alunos: não de cima para baixo. Saber escutar não implica em restringir a liberdade de discordar. assim o aluno se torna sujeito da aprendizagem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 6 . impositivamente. em que o aluno é estimulado. O papel fundamental do educador democrático é aprender a falar escutando. a compreender o objeto do conhecimento e não recebê-lo passivamente.Ensinar exige saber escutar O educador que considera a educação como formação integral do ser e não como um treinamento. mas falar com escutá-los paciente e criticamente. de modo a que o educando consiga entrar no movimento interno do seu pensamento. para conseguir ir além dela à medida que vai se aproximando metodicamente de conhecimentos mais profundos. como se fosse dono de uma verdade a ser transmitida para os outros. o professor deve respeitar a leitura de mundo com que o educando chega à escola e que se expressa pela linguagem.

segundo Freire. Uma forma de resistir a esse poder. dos acontecimentos “ (p. a busca constante e não a imobilidade frente ao mundo.Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica A ideologia . que atesta.que tem a ver com o ocultamento da realidade – tem um grande poder de persuasão.Ensinar exige disponibilidade para o diálogo O professor deve sempre testemunhar aos alunos a sua segurança ao discutir um tema. de distorcer a percepção dos fatos. de um lado. das coisas. 8 . ao expor sua posição frente a decisões políticas de governantes. O discurso ideológico tem o poder de “anestesiar a mente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES 7 . como ser histórico. ao analisar um fato. é criar uma atitude sempre aberta às pessoas e aos dados da realidade e também recusar posições dogmáticas como quem se sente dono da verdade. . de confundir a curiosidade. a ignorância e de outro o caminho para conhecer. Essa confiança se funda na consciência da sua própria inconclusão. 149).

Ensinar exige querer bem aos educandos AUTORES É natural do educador expressar afetividade aos seus educandos e à sua prática educativa. A experiência pedagógica é capaz de estimular e desenvolver o gosto de querer bem e o gosto da alegria. esta faz parte do processo de conhecer o mundo: “ a alegria não chega apenas ao encontro do achado mas faz parte do processo de busca”(p. . A cognoscibilidade não exclui a afetividade. 160). assim como a seriedade docente não exclui a alegria. Isso não quer dizer que ela prescinda da seriedade da formação científica e da clareza política dos educadores sobre as mudanças sociais necessárias do país.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 9 . esta experiência perderia sentido. sem isso.

São Paulo. n. Educação e Pesquisa. Sandra Zákia. v./jun.BONAMINO. Três gerações de avaliação da educação básica no Brasil: interfaces com o currículo da/na escola. abr. SOUZA. 2. . 373388. 38. p. Alicia. 2012.

a partir dos objetivos e desenhos usuais em iniciativas implementadas no Brasil. sem atribuição de consequências diretas para as escolas e para o currículo escolar. A primeira geração consiste na avaliação diagnóstica da qualidade da educação. Discutem-se os riscos de as provas padronizadas. três gerações de avaliação da educação em larga escala. levando a um estreitamento do currículo escolar. aponta-se o potencial das avaliações de segunda e terceira gerações em propiciarem uma discussão informada sobre o currículo escolar. exacerbarem a preocupação de diretores e professores com a preparação para os testes e para as atividades por estes abordadas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Analisam-se. em termos das habilidades fundamentais de leitura e matemática que ainda não têm sido garantidas a todos os alunos. . Por outro lado. com avaliações que referenciam políticas de responsabilização envolvendo consequências fracas e fortes.

sem que os resultados da avaliação sejam devolvidos para as escolas. para consulta pública. ou utilizam-se da mídia ou de outras formas de disseminação. . De um modo geral.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Avaliações de primeira geração são aquelas cuja finalidade é acompanhar a evolução da qualidade da educação. essas avaliações divulgam seus resultados na Internet.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Avaliações de segunda geração. bem como a pressão dos pais e da comunidade sobre a escola (ZAPONI. contemplam. por sua vez. a devolução dos resultados para as escolas. VALENÇA. além da divulgação pública. 2009). Esse tipo de mecanismo de responsabilização tem como pressuposto que o conhecimento dos resultados favorece a mobilização das equipes escolares para a melhoria da educação. as consequências são simbólicas e decorrem da divulgação e da apropriação das informações sobre os resultados da escola pelos pais e pela sociedade. . sem estabelecer consequências materiais. Nesse caso.

contemplando sanções ou recompensas em decorrência dos resultados de alunos e escolas. Nesse caso. 2009).ção forte ou high stakes. incluem-se experiências de responsabilização explicitadas em normas e que envolvem mecanismos de remuneração em função de metas estabelecidas (ZAPONI.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Avaliações de terceira geração são aquelas que referenciam políticas de responsabiliza. VALENÇA. .

. (p. desde os anos 1930. Como afirma Dirce Nei Teixeira de Freitas (2007).] foram necessárias mais ou menos cinco décadas para que a avaliação (externa. [. em larga escala.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Primeira geração de políticas de avaliação em larga escala: o Saeb Embora se tenha evidência de que. havia interesse do Estado em tomar a avaliação como parte do planejamento educacional. 51) . centralizada e com foco no rendimento do aluno e no desempenho dos sistemas de ensino) viesse a ser introduzida como prática sistemática no governo da educação básica brasileira.. é no final dos anos 1980 que a avaliação passa paulatinamente a integrar políticas e práticas governamentais direcionadas à educação básica.

A justificativa para sua implementação indicava as limitações do desenho amostral do Saeb em retratar as especificidades de municípios e escolas e em induzir dirigentes públicos estaduais e municipais na formulação de políticas para a melhoria do ensino. foi idealizada para produzir informações a respeito do ensino oferecido por município e escola. foi implementada. com o objetivo de auxiliar os governantes nas decisões sobre o direcionamento de recursos técnicos e financeiros e no estabelecimento de metas e implantação de ações. 2009). que ocorre a cada dois anos. a partir de 2005. que permite agregar à perspectiva diagnóstica a noção de responsabilização (FERNANDES. . A Prova Brasil. GREMAUD.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Segunda geração de avaliação da educação: responsabilização e currículo: a Prova Brasil A fim de aumentar o conteúdo informacional da avaliação e suas consequências sobre as escolas. a Prova Brasil.

. permitem a comparação.000 escolas urbanas de 5. do Saeb. que avalia. portanto. uma amostra de 300. ela avaliou mais de 3 milhões de alunos em aproximadamente 45.000 alunos. em média. ao longo do tempo. entre as escolas que oferecem o ensino fundamental.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A introdução da Prova Brasil em 2005 e sua repetição. a devolução dos resultados para as escolas a fim de colaborar com o planejamento das ações pedagógicas (OLIVEIRA. nos sites do Inep e do MEC. 2011). a cada dois anos. Enquanto a mídia divulgava rankings de escolas. com destaque para os melhores e piores resultados. enfatizava-se. foi muito além. Em sua primeira edição.398 municípios. como novidade da Prova Brasil.

• No entanto.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • Terceira geração de avaliação da educação . • Cotejando-se as propostas em curso. há especificidades nas avaliações educacionais e no uso de seus resultados que ilustram as características das relações entre avaliações de terceira geração. . nota-se grande similaridade nos delineamentos adotados pelos sistemas de avaliação.responsabilização e currículo: • As avaliações estaduais de São Paulo e Pernambuco Vários sistemas estaduais e municipais de ensino básico vêm desenvolvendo propostas próprias de avaliação. na elaboração dos itens das provas. a matriz de referência do Saeb e da Prova Brasil. com frequência bianual. políticas de responsabilização e currículo escolar. os quais tendem a assumir.

é a importância que vêm assumindo as avaliações de segunda e terceira geração no delineamento das políticas educacionais e. . entre o currículo ensinado e o currículo avaliado. em consequência. Nessa perspectiva. como e para que ensinar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Os estudos mostram que o novo desenho introduzido pela segunda geração produz resultados que servem como indicadores capazes de fornecer informações a respeito dos componentes do currículo que estão chegando aos alunos e daqueles que não estão. por vezes recorrentes. para a compreensão das interferências da avaliação sobre o currículo escolar. a breve revisão de pesquisas sobre o tema apresentada aqui aportou contribuições. nas escolas e secretarias de educação. em conjunto. tal tipo de avaliação parece estar reforçando o alinhamento. seu potencial de direcionar o que. De fato. O que esses trabalhos evidenciam.

os riscos de as avaliações relativas a políticas de responsabilização exacerbarem a preocupação de diretores e professores em preparar seus alunos para os testes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES As pesquisas também mostram que a primeira geração de avaliação em larga escala. por um lado. Apontou. tais profissionais raramente se sentem obrigados a prestar conta dos resultados de seu trabalho ou têm motivação para inteirar-se dos resultados das avaliações e para levá-los em consideração em sua atuação educacional e pedagógica. em contrapartida. ou seja. levando a um estreitamento do currículo escolar. porque os diretores e professores veem-se menos ameaçados pela avaliação e podem assumi-la. a avaliação sem consequências. com maior liberdade. Nesse contexto. este estudo discutiu os riscos e potenciais das avaliações de segunda e terceira geração para o currículo escolar. minimiza esses problemas. Em síntese. ou não. .

bem como uma definição mais clara do que esses alunos deveriam ter aprendido ao final de cada ciclo nessas duas áreas do saber escolar. desenhos e usos dos resultados das três gerações de avaliação em larga escala a fim de propiciar uma discussão informada sobre os aspectos específicos de língua portuguesa e matemática que precisariam ser aprendidos por todos os alunos. ainda. . as implicações para a avaliação da aprendizagem quando as escolas passam a organizá-la tomando como referência o tipo de teste utilizado pela avaliação em larga escala. o desafio parece ser a compatibilização dos objetivos. o presente estudo indicou o potencial das avaliações de segunda e terceira geração para propiciar uma discussão mais informada sobre o currículo escolar. Diante disso. Por outro lado.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Indicou.

FREIRE. 18 a 38. ou cinco ideias equivocadas sobre os índios. José Ribamar Bessa. pp.org. 2010. A herança cultural indígena.pdf . Olinda.br/downloads/vna_guia_prof. Disponível em: www. In: Cineastas indígenas: um outro olhar: guia para professores e alunos. PE: Vídeo nas aldeias.videonasaldeias.

ESSA É UMA IDEIA EQUIVOCADA. O CRONISTA DE ORELLANA. CATÓLICOS. COMPARTILHANDO AS MESMAS CRENÇAS. ORA. SUA ARTE. A NOÇÃO SOBRE ESSA ENORME DIVERSIDADE PODE SER ENCONTRADA NAS CRÔNICAS DOS SÉCULOS XVI E XVII. DESCEU O RIO AMAZONAS EM 1540. TÃO DIFERENTES ENTRE ELAS COMO O PORTUGUÊS É DO ALEMÃO. QUE REDUZ CULTURAS TÃO DIFERENCIADAS A UMA ENTIDADE SUPRA-ÉTNICA. FALANDO 188 LÍNGUAS DIFERENTES.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS P R I M E I R O E Q U Í V O C O: O ÍNDIO GENÉRICO AUTORES A PRIMEIRA IDEIA QUE A MAIORIA DOS BRASILEIROS TEM SOBRE OS ÍNDIOS É A DE QUE ELES CONSTITUEM UM BLOCO ÚNICO. COM A MESMA CULTURA. A MESMA LÍNGUA. SUA CIÊNCIA. ENCONTROU POVOS QUE FALAVAM DEZENAS DE LÍNGUAS DIFERENTES. QUE SÃO DIFERENTES DE UM POVO PARA OUTRO. SUA DINÂMICA HISTÓRICA PRÓPRIA. E DE OUTRAS RELIGIÕES. CADA UM DESSES POVOS TEM SUA FORMA DE EXPRESSÃO. QUANDO FREI GASPAR CARVAJAL. . OS GUARANI MBYÁ MANTÉM FIDELIDADE À RELIGIÃO TRADICIONAL. HOJE VIVEM NO BRASIL MAIS DE 220 ETNIAS. RESISTINDO ÀS INVESTIDAS DE GRUPOS EVANGÉLICOS. SUA RELIGIÃO.

ENFIM NA SOCIEDADE BRASILEIRA. SUAS CULTURAS NÃO SÃO ATRASADAS COMO DURANTE MUITO TEMPO PENSARAM OS COLONIZADORES E COMO AINDA PENSA MUITA GENTE QUE IGNORA COMPLETAMENTE A COMPLEXIDADE DESSAS CULTURAS OU SE PAUTA EM ESTEREÓTIPOS E NO SENSOCOMUM SOBRE ELAS. NOS JORNAIS. CIÊNCIAS. OS POVOS INDÍGENAS PRODUZEM SABERES. POESIA. ARTE REFINADA. RELIGIÃO. MÚSICA. NA TELEVISÃO. LITERATURA. O RESULTADO DISSO É A DEFORMAÇÃO DA IMAGEM DO ÍNDIO NA ESCOLA.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS SE G U N D O E Q U Í V O C O: CULTURAS ATRASADAS AUTORES A SEGUNDA IDEIA EQUIVOCADA É CONSIDERAR AS CULTURAS INDÍGENAS COMO ATRASADAS E PRIMITIVAS. POR QUE NÓS NÃO TEMOS HISTÓRIA INDÍGENA? POR QUE OS PRÓPRIOS CURSOS UNIVERSITÁRIOS DE HISTÓRIA NÃO TÊM A DISCIPLINA HISTÓRIA INDÍGENA NOS SEUS CURRÍCULOS? .

INTELIGENTES E PRÁTICOS. COM O RESPEITO E A ESTIMA QUE MERECEM.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS RESUME-SE NA SEGUINTE FRASE DE POSEY: AUTORES “SE O CONHECIMENTO DO ÍNDIO FOR LEVADO A SÉRIO PELA CIÊNCIA MODERNA E INCORPORADO AOS PROGRAMAS DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. NA CONSTRUÇÃO DE UM BRASIL MODERNO. ESSA POSIÇÃO CRIA UMA “PONTE IDEOLÓGICA” ENTRE CULTURAS. OS ÍNDIOS SERÃO VALORIZADOS PELO QUE SÃO: POVOS ENGENHOSOS.” . QUE SOBREVIVERAM COM SUCESSO POR MILHARES DE ANOS NA AMAZÔNIA. QUE PODERIA PERMITIR A PARTICIPAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS.

RÁDIO.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A MESA E A CADEIRA NÃO SÃO OBJETOS “AUTÊNTICOS” DA NOSSA CULTURA. VIOLENTAS. ENTÃO. MAS O ÍNDIO. A TROCA. PASSARAM PELO MEDITERRÂNEO. ÁGUA ENCANADA – E NEM POR ISSO DEIXA DE SER BRASILEIRO. O CONCEITO QUE NOS PERMITE PENSAR E ENTENDER ESSE PROCESSO É O CONCEITO DE INTERCULTURALIDADE. ANTES DE CHEGAREM A PORTUGAL E DEPOIS AO BRASIL. ENFIM TODA PARAFERNÁLIA MODERNA QUE USAMOS – OS MILHARES DE ITENS CULTURAIS PRESENTES NO NOSSO COTIDIANO – NÃO TEM SUAS RAÍZES EM SOLO BRASILEIRO. SÃO COOPERATIVAS. MAS ENCRUZILHADAS”. RELÓGIO. ONDE FORAM PROJETADAS NO SÉCULO VII A. ÀS VEZES. A FORMA DE CONSTRUIR EM CONCRETO TAMBÉM NÃO É TÉCNICA BRASILEIRA. APARELHO DE SOM. QUANDO REALIZA A MESMA OPERAÇÃO. FECHADO ENTRE MUROS DE UMA FORTALEZA. O ESCRITOR MEXICANO OCTÁVIO PAZ ESCREVEU COM MUITA PROPRIEDADE QUE “AS CIVILIZAÇÕES NÃO SÃO FORTALEZAS. O TELEFONE NÃO É BRASILEIRO. DEIXA. . LUZ ELÉTRICA. TELEFONE.C. HISTORICAMENTE. NINGUÉM VIVE ISOLADO ABSOLUTAMENTE. CADA POVO MANTÉM CONTATO COM OUTROS POVOS. COMO CONSEQUÊNCIA DESSE CONTATO. O COMPUTADOR NÃO É BRASILEIRO. SE TRANSFORMAR. EM QUALQUER CASO. DE SER ÍNDIO? QUER DIZER. TÊM UMA HISTÓRIA QUE VEM LÁ DA MESOPOTÂMIA. SOFRENDO VÁRIAS MODIFICAÇÕES. O BRASILEIRO PODE USAR COISAS PRODUZIDAS POR OUTROS POVOS – COMPUTADOR. SE ESTABELECE O DIÁLOGO. NÓS NÃO CONCEDEMOS ÀS CULTURAS INDÍGENAS AQUILO QUE QUEREMOS PARA A NOSSA: O DIREITO DE ENTRAR EM CONTATO COM OUTRAS CULTURAS E DE. TELEVISÃO. OS POVOS SE INFLUENCIAM MUTUAMENTE. ÀS VEZES ESSAS FORMAS DE CONTATO SÃO CONFLITUOSAS. ENTÃO..

ENTÃO.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E O QUE É A INTERCULTURALIDADE? AUTORES É JUSTAMENTE O RESULTADO DA RELAÇÃO ENTRE CULTURAS. NÃO TEM TIDO MÃO DUPLA. . DE OLHAR O LEQUE DE OPÇÕES E DIZER: “NÓS QUEREMOS ISSO. OS ÍNDIOS NÃO PUDERAM TER LIBERDADE DE ESCOLHA. ISTO LHES FOI IMPOSTO A FERRO E FOGO. HISTORICAMENTE ESSA RELAÇÃO NÃO TEM SIDO SIMÉTRICA. TUDO AQUILO QUE O HOMEM PRODUZ EM QUALQUER CULTURA E EM QUALQUER PARTE DO MUNDO – NO CAMPO DA ARTE. NÃO HOUVE DIÁLOGO. DA TÉCNICA. TANTO NA AMAZÔNIA. OU SEJA. DA CIÊNCIA – TUDO O QUE ELE PRODUZ DE BELO MERECE SER USUFRUÍDO POR OUTRO HOMEM DE QUALQUER OUTRA PARTE DO PLANETA. COMO NO RESTO DO BRASIL E DA AMÉRICA. OS ÍNDIOS. ESTÃO ABERTOS PARA ESSE DIÁLOGO. O PROBLEMA É QUE HISTORICAMENTE ELES NÃO ESCOLHERAM O QUE QUERIAM TOMAR EMPRESTADO. DA TROCA QUE SE DÁ ENTRE ELAS. NÓS QUEREMOS TROCAR AQUILO”. AS RELAÇÕES FORAM ASSIMÉTRICAS EM TERMOS DE PODER. ALIÁS. HOUVE IMPOSIÇÃO.

ENTÃO. DESCONHECIDA PELA ETNOLOGIA: OS EX-ÍNDIOS. O “ÍNDIO AUTÊNTICO” É O ÍNDIO DE PAPEL DA CARTA DO CAMINHA. É LEGÍTIMO TAMBÉM PERGUNTAR-NOS SE O MESTRINHO NÃO É. . QUANDO O ÍNDIO NÃO SE ENQUADRA NESSA IMAGEM. ELE DISSE: “ESSES AÍ NÃO SÃO MAIS ÍNDIOS. ASSIM. QUE ESTÁ HOJE NO MEIO DE NÓS.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS T E R C E I R O E Q U Í V O C O: CULTURAS CONGELADAS AUTORES O TERCEIRO EQUÍVOCO É O CONGELAMENTO DAS CULTURAS INDÍGENAS. NA CABEÇA DESSAS PESSOAS. MUITA GENTE USA UM TIPO DE ROUPA QUE NÃO FOI PENSADA PARA E PELA SOCIEDADE BRASILEIRA: A ESCOLA QUE. ENFIARAM NA CABEÇA DA MAIORIA DOS BRASILEIROS UMA IMAGEM DE COMO DEVE SER O ÍNDIO: NU OU DE TANGA. POR EXEMPLO. CRIOU. NO MEIO DA FLORESTA. JÁ ESTÃO DE CALÇA E CAMISA. PARA IMPEDIR A DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS. VEM LOGO A REAÇÃO: “AH! ESTE AÍ NÃO É MAIS ÍNDIO. NÃO SÃO MAIS ÍNDIOS”. TAL COMO FOI DESCRITO POR PERO VAZ DE CAMINHA. UM EX-BRASILEIRO. DE ARCO E FLECHA. NÃO FOI INVENTADA POR NENHUM BRASILEIRO. UMA NOVA CATEGORIA. JÁ ESTÃO FALANDO PORTUGUÊS. O EX-GOVERNADOR DO AMAZONAS. ISTO ACONTECE COM TODOS NÓS. QUALQUER MUDANÇA NELA PROVOCA ESTRANHAMENTO. NÃO AQUELE ÍNDIO DE CARNE E OSSO QUE CONVIVE CONOSCO. GILBERTO MESTRINHO. JÁ ESTÁ CIVILIZADO”. E ESSA IMAGEM FOI CONGELADA. FOI TAMBÉM IMPORTADA. POR EXEMPLO. PORQUE O COTIDIANO DELE ESTÁ MARCADO POR ELEMENTOS TOMADOS EMPRESTADOS DE OUTRAS CULTURAS. JÁ ESTÃO USANDO ÓCULOS E RELÓGIOS. USOU ESSE ARGUMENTO PRECONCEITUOSO. COM ESSA LÓGICA. ALIÁS. ORA. ALIÁS.

AQUILO PELO QUAL NÓS BRIGAMOS HOJE É POR UMA INTERCULTURALIDADE. LÁ ESTAVA IDJARRURI. NÃO PODEMOS MAIS PERDER O CONTATO.BR. OU COISA SEMELHANTE. EM NOVEMBRO DO ANO PASSADO. NA UERJ. DURANTE A CONFERÊNCIA DA RIO-92. OU ENTÃO. QUE HAVIA PARTICIPADO DE VÁRIAS REUNIÕES DO PRO-ÍNDIO. UM ÍNDIO KARAJÁ. MAS ERA O ENDEREÇO NA INTERNET. A COIAB – COORDENAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA – NOS CONVIDOU PARA ASSESSORAR UMA ASSEMBLEIA DE LÍDERES INDÍGENAS LÁ EM MANAUS. DE TAL FORMA QUE CADA UMA DELAS TENHA A LIBERDADE DE DIZER: “OLHA! ISSO NÓS QUEREMOS. NA HORA DA DESPEDIDA. EU DISSE: “OLHA SÓ. ISSO NÓS NÃO QUEREMOS”. NUM TEXTO DE 1997 SOBRE A BIODIVERSIDADE. ENTENDIDA COMO UM DIÁLOGO RESPEITOSO ENTRE CULTURAS. “NÓS NÃO QUEREMOS NADA DISSO”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Q U A R T O E Q U Í V O C O: OS ÍNDIOS FAZEM PARTE DO PASSADO AUTORES O QUARTO EQUÍVOCO CONSISTE EM ACHAR QUE OS ÍNDIOS FAZEM PARTE APENAS DO PASSADO DO BRASIL. É ESSA LIBERDADE DE TRANSITAR EM OUTRAS CULTURAS QUE NÃO CONCEDEMOS AOS ÍNDIOS. COMO É QUE EU FAÇO PARA TE ENCONTRAR?” PENSAVA QUE ELE FOSSE ME DAR UM NÚMERO DE UM POSTO TELEFÔNICO PARA DEIXAR RECADO. MAS ELE DISSE: ANOTA AÍ: IDJARRURI@KARAJÁ. VISTA DO PONTO DE VISTA DE UM ÍNDIO. QUANDO CONGELAMOS SUAS CULTURAS.COM. . A GENTE PASSOU TANTOS ANOS SEM TER NOTÍCIAS. JORGE TERENA ESCREVEU QUE UMA DAS CONSEQUÊNCIAS DA AÇÃO DO COLONIZADOR.

FOI FORMADO NOS ÚLTIMOS CINCO SÉCULOS. ASSIM NO PLURAL. GÊGES. O ARUAK. FORMADAS POR POVOS DE VARIADAS FAMÍLIAS LINGUÍSTICAS COMO O TUPI. NAGÔS. ITALIANOS. KICONGOS. COM A CONTRIBUIÇÃO. OS TURCOS. OS SÍRIO-LIBANESES. REPRESENTADAS BASICAMENTE PELOS PORTUGUESES. DEPOIS. VIERAM ENRIQUECER AINDA MAIS A NOSSA CULTURA. DE TRÊS GRANDES MATRIZES: AS MATRIZES EUROPÉIAS. O QUINTO EQUÍVOCO É O BRASILEIRO NÃO CONSIDERAR A EXISTÊNCIA DO ÍNDIO NA FORMAÇÃO DE SUA IDENTIDADE. ARTISTAS KADIWEU. HÁ 500 ANOS ATRÁS NÃO EXISTIA NO PLANETA TERRA UM POVO COM O NOME DE POVO BRASILEIRO. É SE IDENTIFICAR APENAS COM O VENCEDOR – A ALEMÃES E MAIS PASSAGENS E ESTADIAS DE DEZ DIAS PARA AS SEIS ÍNDIAS. ENTRE OUTRAS. POLONESES. QUE ESTIVERAM PRESENTES NA FESTA DE INAUGURAÇÃO. HOJE. EWÉS. O KARIB. YORUBÁS. ETC. AS MIGRAÇÕES DE OUTROS POVOS COMO OS JAPONESES. DA QUAL PARTICIPARAM DIFERENTES POVOS COMO OS FON. MAS TAMBÉM PELOS ESPANHÓIS. BENGUELAS E TANTOS OUTROS. . A TENDÊNCIA DO BRASILEIRO. O TUKANO E MUITOS OUTROS. BANTOS KIMBUNDOS. AS MATRIZES INDÍGENAS. AS MATRIZES AFRICANAS. HAUSSÁ. ALEMÃES. COMO OS EUROPEUS DOMINARAM POLÍTICA E MILITARMENTE OS DEMAIS POVOS. NO ENTANTO. ESSE POVO É NOVO.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Q U I N T O E Q U Í V O C O: O BRASILEIRO NÃO É ÍNDIO AUTORES POR ÚLTIMO. O JÊ. TAMBÉM NO PLURAL.

COMEÇAR A RIR – COMO É QUE ELE VAI RIR? DO QUE É QUE ELE VAI RIR? NA HORA DE SENTIR MEDO – ELE VAI SENTIR MEDO DE QUÊ? DE ONDE SAEM SEUS FANTASMAS? COM QUEM ELE SONHA? QUANDO TIVER QUE FAZER SUAS OPÇÕES CULINÁRIAS.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O ÍNDIO. LOURO E DO OLHO AZUL. INCLUINDO AS INDÍGENAS E AS NEGRAS. . NO ENTANTO. PERMANECE VIVO DENTRO DE CADA UM DE NÓS. DE POESIA. DE ONDE É QUEM SAEM OS CRITÉRIOS DE SELEÇÃO? É AÍ QUE AFLORAM AS HERANÇAS CULTURAIS. DE MÚSICA. DE DANÇA. MESMO QUE A GENTE NÃO SAIBA DISSO. NA HORA EM QUE AQUELE DESCENDENTE DE UM ALEMÃO LÁ DE SANTA CATARINA.

12. N. PP.ORG/VOL12ISS1ARTICLES/GOMES.CURRICULOSEMFRONTEIRAS.GOMES.PDF . V. 98 – 109. JAN/ABR 2012 (ONLINE) HTTP://WWW. RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS.1. NILMA LINO. IN CURRÍCULO SEM FRONTEIRAS. EDUCAÇÃO E DESCOLONIZAÇÃO DOS CURRÍCULOS.

CADA VEZ MAIS SÃO INQUIRIDOS A MUDAR. COM A REALIDADE SOCIOCULTURAL BRASILEIRA. HISTÓRICAS E POLÍTICAS? . CURSOS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PARA AS ESCOLAS NO QUE SE REFERE AO CURRÍCULO SÃO OUTROS: ADEQUAR-SE AS AVALIAÇÕES STANDARTIZADAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS OU CONSTRUIR PROPOSTAS CRIATIVAS QUE DIALOGUEM. CULTURAIS. OS DILEMAS PARA OS FORMULADORES DE POLÍTICAS. ARTICULANDO CONHECIMENTO CIENTÍFICO E OS OUTROS CONHECIMENTOS PRODUZIDOS PELOS SUJEITOS SOCIAIS EM SUAS REALIDADES SOCIAIS. GESTORES. • ESSE PROCESSO ATINGE OS CURRÍCULOS QUE. É NESSE CONTEXTO QUE A EDUCAÇÃO PARTICIPA COMO UM CAMPO QUE ARTICULA DE MANEIRA TENSA A TEORIA E A PRÁTICA. O DEBATE SOBRE A DIVERSIDADE EPISTEMOLÓGICA DO MUNDO ENCONTRA MAIOR ESPAÇO NAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS. DE FATO.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • VIVEMOS UM MOMENTO ÍMPAR NO CAMPO DO CONHECIMENTO.

CORPOREIDADE. DEMANDAS POLÍTICAS. MAIS ENTRAM PARA O ESPAÇO ESCOLAR SUJEITOS ANTES INVISIBILIZADOS OU DESCONSIDERADOS COMO SUJEITOS DE CONHECIMENTO. QUANTO MAIS SE UNIVERSALIZA A EDUCAÇÃO BÁSICA E SE DEMOCRATIZA O ACESSO AO ENSINO SUPERIOR. TAMBÉM CONHECIDO COMO BESOURO DE MANGANGÁ. NO BRASIL. A NOSSA IGNORÂNCIA CULTURAL E EPISTÊMICA SOBRE AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS. • ELES CHEGAM COM OS SEUS CONHECIMENTOS. QUESTIONAM NOSSOS CURRÍCULOS COLONIZADOS E COLONIZADORES E EXIGEM PROPOSTAS EMANCIPATÓRIAS. MINAS GERAIS. CONDIÇÕES DE VIDA. VALORES. SOFRIMENTOS E VITÓRIAS. • EXIGE QUESTIONAMENTO DOS LUGARES DE PODER. A PEÇA NARRA A TRAJETÓRIA. EM BELO HORIZONTE.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • QUANTO MAIS SE AMPLIA O DIREITO À EDUCAÇÃO. MUDANÇAS DE REPRESENTAÇÃO E DE PRÁTICAS. É A PARTIR DA RELAÇÃO ENTRE A PEÇA TEATRAL. ELA EXIGE MUDANÇA DE PRÁTICAS E DESCOLONIZAÇÃO DOS CURRÍCULOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA E SUPERIOR EM RELAÇÃO À ÁFRICA E AOS AFRO-BRASILEIROS. DIRIGIDO POR JOÃO DAS NEVES E APRESENTADO NO 4º FAN (FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE NEGRA) NO DIA 25 DE NOVEMBRO DE 2007. NO BRASIL. . • A PARTIR DAS REFLEXÕES GERADAS POR UMA EXPERIÊNCIA SINGULAR: O MUSICAL BESOURO CORDÃO-DE-OURO. A HISTÓRIA E AS LUTAS DAQUELE QUE É CONSIDERADO UM DOS MAIS IMPORTANTES NOMES DA CAPOEIRA. • É NESSE CONTEXTO QUE SE ENCONTRA A DEMANDA CURRICULAR DE INTRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO ENSINO DE HISTÓRIA DA ÁFRICA E DAS CULTURAS AFROBRASILEIRAS NAS ESCOLAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA. A HISTÓRIA DESSE HOMEM NEGRO. QUE AS INDAGAÇÕES SOBRE O CURRÍCULO SERÃO FEITAS.

SIM. E COLONIZAÇÃO QUE DEU ORIGEM A UM PROCESSO DE HIERARQUIZAÇÃO DE CONHECIMENTOS. • PROCESSO ESSE QUE AINDA PRECISA SER ROMPIDO E SUPERADO E QUE SE DÁ EM UM CONTEXTO TENSO DE CHOQUE ENTRE PARADIGMAS NO QUAL ALGUMAS CULTURAS E FORMAS DE CONHECER O MUNDO SE TORNARAM DOMINANTES EM DETRIMENTO DE OUTRAS POR MEIO DE FORMAS EXPLÍCITAS E SIMBÓLICAS DE FORÇA E VIOLÊNCIA. POLÍTICA E ARTE. . SABERES E CULTURAS. CULTURAS E POVOS. MAS. UMA HISTÓRIA DE DOMINAÇÃO.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • UM PARADIGMA QUE NÃO SEPARA CORPOREIDADE. EXPLORAÇÃO. EMOÇÃO. UM PARADIGMA QUE COMPREENDE QUE NÃO HÁ HIERARQUIAS ENTRE CONHECIMENTOS. COGNIÇÃO.

OU O “NORTE” COLONIAL. TALVEZ POUCAS PESSOAS CONHECESSEM A HISTÓRIA DO BESOURO. POVOS E GRUPOS ÉTNICO-RACIAIS QUE ESTÃO FORA DO PARADIGMA CONSIDERADO CIVILIZADO E CULTO. NAQUELE MOMENTO.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • PROCESSOS ESSES AINDA INVISIBILIZADOS PELOS CURRÍCULOS ESCOLARES E PELA PRÓPRIA TEORIA EDUCACIONAL. . A SABER. O EIXO DO OCIDENTE. SÓ COMPREENDENDO A RADICALIDADE DESSAS QUESTÕES E DESSE CONTEXTO É QUE PODEREMOS MUDAR O REGISTRO E O PARADIGMA DE CONHECIMENTO COM OS QUAIS TRABALHAMOS NA EDUCAÇÃO. • TAL PROCESSO RESULTOU NA HEGEMONIA DE UM CONHECIMENTO EM DETRIMENTO DE OUTRO E A INSTAURAÇÃO DE UM IMAGINÁRIO QUE VÊ DE FORMA HIERARQUIZADA E INFERIOR AS CULTURAS. O QUAL GANHOU MAIOR VISIBILIDADE FORA DO CÍRCULO DA CAPOEIRA APÓS O SUCESSO DESSA PEÇA TEATRAL EXIBIDA EM VÁRIOS LUGARES DO PAÍS.

639/03. A FORÇA DAS CULTURAS CONSIDERADAS NEGADAS E SILENCIADAS NOS CURRÍCULOS TENDE A AUMENTAR CADA VEZ MAIS NOS ÚLTIMOS ANOS. NO ENTANTO. O EMPOBRECIMENTO DO CARÁTER CONTEUDISTA DOS CURRÍCULOS. • DESCOLONIZAR OS CURRÍCULOS É MAIS UM DESAFIO PARA A EDUCAÇÃO ESCOLAR. A NECESSIDADE DE FORMAR PROFESSORES E PROFESSORAS REFLEXIVOS E SOBRE AS CULTURAS NEGADAS E SILENCIADAS NOS CURRÍCULOS.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • ESSE É UM DOS PASSOS PARA UMA INOVAÇÃO CURRICULAR NA ESCOLA E PARA UMA RUPTURA EPISTEMOLÓGICA E CULTURAL. A NECESSIDADE DE DIÁLOGO ENTRE ESCOLA. MUITO JÁ DENUNCIAMOS SOBRE A RIGIDEZ DAS GRADES CURRICULARES. CURRÍCULO E REALIDADE SOCIAL. . É IMPORTANTE CONSIDERAR QUE HÁ ALGUMA MUDANÇA NO HORIZONTE. DESCOLONIZAR OS CURRÍCULOS: UM DESAFIO À LUZ DA LDB ALTERADA PELA LEI Nº 10.

ESSE PROCESSO DEVE E PRECISA ATINGIR OS CURRÍCULOS. REAÇÕES CONTRA-HEGEMÔNICAS DE PAÍSES CONSIDERADOS PERIFÉRICOS OU EM DESENVOLVIMENTO. • ESSE CONTEXTO COMPLEXO ATINGE AS ESCOLAS. EDUCAÇÃO E DESCOLONIZAÇÃO DOS CURRÍCULOS VIOLENTAS. OS SUJEITOS E SUAS PRÁTICAS. INSTANDO-OS A UM PROCESSO DE RENOVAÇÃO. O CAMPO DE PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES/AS. JUNTAMENTE ÀS FORMAS NOVAS DE EXPLORAÇÃO CAPITALISTA SURGEM MOVIMENTOS DE LUTA PELA DEMOCRACIA. MAS TAMBÉM DE FORMAS AUTÔNOMAS DE REAÇÃO. AS UNIVERSIDADES. ALGUMAS DELAS DURAS E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS. GOVERNOS POPULARES.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • OS EXCLUÍDOS ENCONTRAM FORMAS DE ARTICULAR-SE EM REDES. A TÃO FALADA GLOBALIZAÇÃO QUE QUEBRARIA AS FRONTEIRAS APROXIMANDO MERCADOS E ACIRRANDO A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA SE VÊ NÃO SOMENTE DIANTE DE UM MOVIMENTO DE UMA GLOBALIZAÇÃO CONTRA-HEGEMÔNICA. .

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES

• A COMPREENSÃO DAS FORMAS POR MEIO DAS QUAIS A CULTURA NEGRA, AS QUESTÕES DE
GÊNERO, A JUVENTUDE, AS LUTAS DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E DOS GRUPOS POPULARES
SÃO MARGINALIZADAS, TRATADAS DE MANEIRA DESCONECTADA COM A VIDA SOCIAL MAIS
AMPLA E ATÉ MESMO DISCRIMINADAS NO COTIDIANO DA ESCOLA E NOS CURRÍCULOS PODE
SER CONSIDERADO UM AVANÇO E UMA RUPTURA EPISTEMOLÓGICA NO CAMPO
EDUCACIONAL.
• NESSE CONTEXTO, A DISCRIMINAÇÃO RACIAL SE FAZ PRESENTE COMO FATOR DE
SELETIVIDADE NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR E O SILÊNCIO É UM DOS RITUAIS PEDAGÓGICOS
POR MEIO DO QUAL ELA SE EXPRESSA.
• NÃO SE PODE CONFUNDIR ESSE SILÊNCIO COM O DESCONHECIMENTO SOBRE O ASSUNTO
OU A SUA INVISIBILIDADE. É PRECISO COLOCÁ-LO NO CONTEXTO DO RACISMO AMBÍGUO
BRASILEIRO E DO MITO DA DEMOCRACIA RACIAL E SUA EXPRESSÃO NA REALIDADE SOCIAL E
ESCOLAR. O SILÊNCIO DIZ DE ALGO QUE SE SABE, MAS NÃO SE QUER FALAR OU É IMPEDIDO
DE FALAR.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES
• O ATO DE FALAR SOBRE ALGUM ASSUNTO OU TEMA NA ESCOLA NÃO É UMA VIA DE MÃO ÚNICA.
ELE IMPLICA RESPOSTAS DO “OUTRO”, INTERPRETAÇÕES DIFERENTES E CONFRONTOS DE IDEIAS.

• A INTRODUÇÃO DA LEI Nº 10.639/03 – NÃO COMO MAIS DISCIPLINAS E NOVOS CONTEÚDOS, MAS
COMO UMA MUDANÇA CULTURAL E POLÍTICA NO CAMPO CURRICULAR E EPISTEMOLÓGICO –
PODERÁ ROMPER COM O SILÊNCIO E DESVELAR ESSE E OUTROS RITUAIS PEDAGÓGICOS A FAVOR DA
DISCRIMINAÇÃO RACIAL.
• NESSE SENTIDO, A MUDANÇA ESTRUTURAL PROPOSTA POR ESSA LEGISLAÇÃO ABRE CAMINHOS PARA
A CONSTRUÇÃO DE UMA EDUCAÇÃO ANTI-RACISTA QUE ACARRETA UMA RUPTURA EPISTEMOLÓGICA
E CURRICULAR, NA MEDIDA EM QUE TORNA PÚBLICO E LEGÍTIMO O “FALAR” SOBRE A QUESTÃO
AFROBRASILEIRA E AFRICANA.
• MAS NÃO É QUALQUER TIPO DE FALA. É A FALA PAUTADA NO DIÁLOGO INTERCULTURAL. E NÃO É
QUALQUER DIÁLOGO INTERCULTURAL. É AQUELE QUE SE PROPÕE SER EMANCIPATÓRIO NO INTERIOR
DA ESCOLA, OU SEJA, QUE PRESSUPÕE E CONSIDERA A EXISTÊNCIA DE UM “OUTRO”, CONQUANTO
SUJEITO ATIVO E CONCRETO, COM QUEM SE FALA E DE QUEM SE FALA.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES
“O MAPA COGNITIVO QUE ESTAS CONSTRUÇÕES GERAM RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS,
EDUCAÇÃO E DESCOLONIZAÇÃO DOS CURRÍCULOS EXIGEM HOJE, EM CONTEXTO DE DEBATES
PÓS-COLONIAIS, UM PROCESSO DE DESCONSTRUÇÃO QUE PERMITA REVELAR AS REALIDADES
OCULTAS PELA FORÇA DE QUALQUER PROPOSTA HEGEMÔNICA”
(SANTOS, 2006; MENESES, 2007, P. 57).

• PODEMOS DIZER QUE A LEI Nº 10.639/03, APONTAM PARA A ESCOLA, O
CURRÍCULO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES/AS A NECESSIDADE DE UMA
CONSTRUÇÃO ALTERNATIVA DA HISTÓRIA DO MUNDO, E NÃO SÓ DA ÁFRICA.
• TRATA-SE DE UMA (RE)CONSTRUÇÃO HISTÓRICA ALTERNATIVA E
EMANCIPATÓRIA, QUE PROCURE CONSTRUIR UMA HISTÓRIA OUTRA QUE SE
OPONHA À PERSPECTIVA EUROCÊNTRICA DOMINANTE.

1998. 1993. 1996. GILROY. ARTICULADAS EM REDE. 1999. PERMITAM UMA VISÃO COSMOPOLITA SOBRE O MUNDO (SAID.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A AUTORA AINDA NOS DIZ QUE EM LUGAR DE GENERALIZAÇÕES E SIMPLIFICAÇÕES QUE PRETENDEM “ENCAIXAR” A ÁFRICA (E EU ACRESCENTARIA. MENESES. APPIAH. 2007). DIOUF. A QUESTÃO RACIAL NO BRASIL) NO ESQUEMA DESENVOLVIDO PARA EXPLICAR DE FORMA LINEAR O PROGRESSO CIVILIZATÓRIO DO OCIDENTE. 1993. AO MESMO TEMPO EM QUE SE PROPÕEM ALTERNATIVAS À LEITURA DA HISTÓRIA. APPADURAI. NO SENTIDO DE CONSTRUIR HISTÓRIAS CONTEXTUAIS QUE. O DESAFIO QUE SE COLOCA É DUPLO: EXPLICAR A PERSISTÊNCIA DA RELAÇÃO COLONIAL NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA MUNDIAL. .

CONFRONTO. NESSE PROCESSO. ECONÔMICAS E VISÕES DE MUNDO. A SUPERAÇÃO DA PERSPECTIVA EUROCÊNTRICA DE CONHECIMENTO E DO MUNDO TORNA-SE UM DESAFIO PARA A ESCOLA. NEGOCIAÇÕES E PRODUZ ALGO NOVO. A DESCOLONIZAÇÃO DO CURRÍCULO IMPLICA CONFLITO. OS EDUCADORES E AS EDUCADORAS. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • PORTANTO. O CURRÍCULO E A FORMAÇÃO DOCENTE. DO PODER E DO SABER. ELA SE INSERE EM OUTROS PROCESSOS DE DESCOLONIZAÇÃO MAIORES E MAIS PROFUNDOS. OU SEJA. ESTAMOS DIANTE DE CONFRONTOS ENTRE DISTINTAS EXPERIÊNCIAS HISTÓRICAS.

2006) SÃO OPERAÇÕES INTELECTUAIS NECESSÁRIAS A UM PROCESSO DE RUPTURA EPISTEMOLÓGICA E CULTURAL NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. AJUDAR-NOS A DESCOLONIZAR OS NOSSOS CURRÍCULOS NÃO SÓ NA EDUCAÇÃO BÁSICA. 2005) E COMPREENDER A RESSIGNIFICAÇÃO E POLITIZAÇÃO DO CONCEITO DE RAÇA SOCIAL NO CONTEXTO BRASILEIRO (MUNANGA E GOMES. MAS TAMBÉM NOS CURSOS SUPERIORES. PORTANTO. • ESSE PROCESSO PODERÁ. . DE MODO QUE TUDO AQUILO QUE É NÃO-EUROPEU É PERCEBIDO COMO PASSADO (QUIJANO.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • COMPREENDER A NATURALIZAÇÃO DAS DIFERENÇAS CULTURAIS ENTRE GRUPOS HUMANOS POR MEIO DE SUA CODIFICAÇÃO COM A IDEIA DE RAÇA. ENTENDER A DISTORCIDA RELOCALIZAÇÃO TEMPORAL DAS DIFERENÇAS.

1998. TRANSGRESSÃO E MUDANÇA NA EDUCAÇÃO: OS PROJETOS DE TRABALHO. PORTO ALEGRE: ARTMED. FERNANDO. TRADUÇÃO: JUSSARA HAUBERT RODRIGUES. .HERNÁNDEZ.

• As mudanças na educação propostas por Hernández pressupõem a restituição do significado da Escola como “lugar de aprender” e a valorização do professor como “educador e pesquisador do ensino”. . nos meios de aprendizagem.” • Assim reconhece o quanto será difícil para nós pensarmos em mudanças na organização do currículo. um alerta singular: “tudo o que vai ser tratado aqui é um luxo e uma sofisticação se não for produzida uma mudança prévia na Escola. logo na introdução da obra. a partir de seu contato com a realidade educacional brasileira. Refiro-me à mudança no reconhecimento social da importância do trabalho docente. diante de carências materiais tão sérias quanto as que rondam a estrutura das Escolas no Brasil e o rendimento dos professores.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • Fernando Hernández. sublinha. às condições materiais das Escolas e ao salário dos professores. do tempo das aulas.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CENTRADO NAS MATÉRIAS PROBLEMAS TRANSDISCIPLINARES Conceitos disciplinares Temas ou problemas Objetivos e metas curriculares Perguntas e pesquisas Conhecimento estandardizado Conhecimento construído Unidades centradas nas disciplinas Unidades centradas em temas Lições Estudo individual Projetos Estudo em grupo de Projetos Livros-texto Fontes diversas Centrado na Escola Centrado no mundo real O conhecimento tem sentido por si mesmo Avaliação mediante provas O conhecimento em função da pesquisa Avaliação mediante portfólios Professor especialista Professor facilitador AUTORES .

as concepções que o regem. sendo o professor o elo para ampliar o horizonte de conhecimento. as versões da realidade que representam e as representações que tratam de influir Incorporar um visão critica dos fatos Introduzir opiniões diferenciadas Colocar-se na perspectiva do relativismo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • Mudar a organização do espaço e do tempo escolar AUTORES É proposto romper a classe e a organização da escola. • A escola como geradora de cultura e não só de aprendizagem de conteúdos Questionar toda forma de pensamento único Reconhecer. no sentido de que toda a realidade responde a um interpretação .

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • Convite à transgressão • o autor nos propõe a transgressão da “divisão dos conteúdos do currículo escolar em disciplinas”. que implicará numa mudança da organização da gestão do tempo e do espaço na Escola. • Em conjunto. para a defesa de uma filosofia transdisciplinar. . as suas transgressões alertam para a necessidade da Escola atualizar-se de acordo com as necessidades do século XXI. • Seu trabalho pretende superar as intenções didáticas das experiências multidisciplinares onde um mesmo tema é tratado por diferentes professores. desamarrando-se das raízes do século XVII nas quais foi formulada.

das mudanças nos saberes disciplinares e nas vidas dos alunos. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A TRANSDICIPLINARIDADE: Há a finalidade de que se restabeleça. na educação escolar. sobretudo dos adolescentes. a apresentação dos conhecimentos vinculados as disciplinas acadêmicas e sua consideração como campos fechados e favorecidos de um currículo fragmentado. Pois. a escola baseia seu currículo mais nas disciplinas acadêmicas e na transmissão de conteúdos do que na formação da subjetividade dos estudantes. distanciado das transformações sociais.

desregulamentação da economia e do mercado Homogeneização das opções políticas Transnacionalização e transculturalização dos valores e símbolos culturais As transformações do emprego Aumento no volume de informação A primazia da tecnologia Necessidade de aprendizado contínuo AUTORES .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A TRANSDISCIPLINARIDADE COMO MARCO PARA A ORGANIZAÇÃO DE UM CURRÍCULO INTEGRADO • Uma situação social em processo de mudança Características da pós-modernidade: Sociedade da globalização.

Decidir o que aprender. o que traz de valores de respeito. Saber interpretar as opções ideológicas e de configuração do mundo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A TRANSDISCIPLINARIDADE COMO MARCO PARA A ORGANIZAÇÃO DE UM CURRÍCULO INTEGRADO Desafios que a escola deverá responder: Necessidade de selecionar e estabelecer critérios de avaliação. como e para que. Desenvolvimento das capacidades cognitivas de ordem superior : pessoais e sociais. Prestar atenção ao internacionalismo. . solidariedade e tolerância.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
A TRANSDISCIPLINARIDADE COMO MARCO PARA A
ORGANIZAÇÃO DE UM CURRÍCULO INTEGRADO

AUTORES

Transdiciplinaridade se caracteriza pela:

a) A formulação explicita de uma terminologia compartilhada por varias
disciplinas
b) Uma metodologia compartilhada que transcende os campos de
estudos
Nesse caso, a atenção é voltada para área do problema, para o tema
alvo do objeto de estudo, dando preferência à atuação colaborativa em
lugar da individual.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES
OS PROJETOS DE TRABALHO E A NECESSIDADE DE
MUDANÇA NA EDUCAÇÃO E NA FUNÇÃO DA ESCOLA

Os projetos constituem:
a) Aproximar-se da identidade dos alunos e favorecer a construção da
subjetividade
b) Revisar a organização do currículo por disciplinas

c) Levar em conta o que acontece fora da escola.
d) Levar em conta a dialogar com vários fatores de um fenômeno.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES
OS PROJETOS DE TRABALHO E A NECESSIDADE DE
MUDANÇA NA EDUCAÇÃO E NA FUNÇÃO DA ESCOLA

• Estas condições de aprendizado desenvolvem capacidades que , estas sim, são
demandas atuais das relações na sociedade e no trabalho, tais como:
• 1) autonomia: iniciativa de pesquisa;
• 2) criatividade: utilização original de recursos para a compreensão e construção;
• 3) capacidade analítica: diagnóstico de situações
• 4) capacidade de síntese: experiência em lidar com a integração de diferentes
disciplinas;

• 5) poder de decisão: pela possibilidade de exercício de escolhas.

seriam os seguintes pontos : • vão além dos limites escolares e implicam a realização de atividades práticas. como o trabalho com os centros de interesse ou os estudos do meio. ordenação e estudo de diferentes fontes de informação. • os temas selecionados são apropriados aos interesses e ao estado de desenvolvimento dos alunos. grupais e de classe em relação às diferentes habilidades e conceitos que são aprendidos. presença de convidados na sala de aula. • deve ser feito algum tipo de pesquisa.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • O que é um Projeto de trabalho? AUTORES • “os projetos” têm em comum com outras estratégias de ensino. • necessita-se trabalhar com estratégias de busca . . • implicam atividades individuais. • são realizadas experiências de primeira mão como: visitas.

que os alunos tem de segui-las  É o reflexo da busca de segurança e da ordem no trabalho profissional. de aplicar o pensamento. que junto vem uma atitude reducionista e simplificadora.  A noção de método também está marcada pela ideia de moda e novidade. Então.  A noção de método supõe também realizar uma transposição. de levar a termo uma pesquisa. os projetos de trabalho devem deixar de ser considerados métodos.  Educação escolar se fundamenta num conjunto de regras. etc. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • Por que os projetos não são “um método”? Método se entende como uma maneira concreta de proceder.  Usar a palavra método costuma-se faze-lo como limitada à prefixar e predeterminar o que vai acontecer na sala de aula.

 O docente ensina a escutar: o que os outros dizem também podemos aprender.  Onde predomina a atitude de cooperação e o professor é um aprendiz. e não um especialista.  Cada percurso é singular e é trabalhado com diferentes tipos de informação.  Um percurso que busca estabelecer conexões entre os fenômenos e que questiona de uma versão única da realidade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • Ensinar mediante projetos não é fazer projetos  Aspectos que caracterizam os projetos de trabalhos:  Percurso por um tema-problema que favorece a análise. . a interpretação e a critica.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES
• Há um diferencial que corresponde exatamente a uma determinada sequência de passos
que conferem a qualidade de um trabalho por projetos, qual seja:
• 1. parte-se de um tema ou de um problema negociado com a turma;

• 2. inicia-se um processo de pesquisa;
• 3. buscam-se e selecionam-se fontes de informação;
• 4. estabelecem-se critérios de ordenação e de interpretação das fontes;
• 5. recolhem-se novas dúvidas e perguntas;
• 6. estabelecem-se relações com outros problemas;

• 7. representa-se o processo de elaboração do conhecimento que foi conseguido;
• 8. recapitula-se (avalia-se) o que aprendeu;
• 9. conecta-se com um novo tema ou problema.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
A AVALIAÇÃO COMO PARTE DO PROCESSO DOS
PROJETOS DE TRABALHO

AUTORES

• A perspectiva de mudança e a avaliação nos projetos de trabalho
É necessário de converter a avaliação numa peça-chave do ensino e da aprendizagem
que possibilite aos docentes pronunciar-se sobre os avanços educativos dos alunos, e
esses, contar com pontos de referencia para julgar onde estão, aonde podem chegar e do
que vão necessitar para continuar aprendendo.
• O portfólio como reconstrução do processo de aprendizagem dos projetos de
trabalho
O portfólio como recurso de avaliação é baseada na ideia da natureza evolutiva do
processo de aprendizagem. Oferecendo aos alunos e professores uma oportunidade de
refletir sobre o progresso dos estudantes e sua compreensão da realidade.

MANTOAN, Mª Teresa Egler.
Inclusão Escolar
O que é? Por quê? Como fazer?
1ª ed. São Paulo: Summus, 2015.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
AUTORES

• As transformações da escola dependem de um compromisso coletivo de professores,
gestores, pais e da sociedade em geral. É difícil o dia a dia da sala de aula. É um remar contra a
maré, contra a mesmice de nossa atividade profissional.
• A ideia passa por reconstruir, tijolo por tijolo a organização do trabalho pedagógico, dos
princípios e valores da estrutura macroeducacional, às atividades e iniciativas que brotam do
cotidiano escolar.
• Precisamos ressignificar o papel da escola com professores, pais e
comunidade interessadas em instalar formas mais solidárias e plurais de convivência. São as
escolas que têm que mudar e não os alunos.
• O objetivo da autora é que sejam instituições abertas incondicionalmente a todos alunos e,
portanto, inclusivas. De um ensino participativo, solidário e acolhedor.
• A perspectiva de uma nova geração dentro de um projeto educacional inclusivo.

ampliando segundo paradigmas. inaugurando um novo cenário para as manifestações e atividades humanas a qualquer custo porque têm clareza do que estão propondo e não conseguem se esquivar ou se defender da força das concepções atualizadas. a ultrapassar as fronteiras do conhecimento. Ocorre que. quando antevêem o novo. a necessidade do novo. saibamos ou não. excluindo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Crise de paradigmas AUTORES Há. para não sucumbir à morte. pensando. propondo. à decrepitude da vida. Esses pioneiros – as sentinelas do mundo – estão sempre muito perto e não têm muitas saídas para se esquivar do ataque frontal das novidades. retificando. a emergência do novo. à degradação do tempo. os que estão de prontidão. “plugados” nessas reviravoltas e que dão os primeiros gritos de alarme. dos costumes. refazendo. a urgência de adotá-lo. aprimorando. das artes. São essas pessoas que despontam nos diferentes âmbitos das atividades humanas e que num mesmo momento começam a transgredir. estamos sempre agindo. . os mais sensíveis.

implica mudança desse atual paradigma educacional. para que se encaixe no mapa da educação escolar que estamos retraçando. . É inegável que os velhos paradigmas da modernidade estão sendo contestados e que o conhecimento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • A inclusão. está passando por uma reinterpretação. portanto. matéria-prima da educação escolar.

em nível institucional. AUTORES reducionista. sem os quais não conseguimos romper com o velho modelo escolar para produzir a reviravolta que a inclusão impõe. o criador. plena. pois. formalista. mecanicista. para se reformar a instituição. ações e sentimentos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A lógica atual é marcada por uma visão determinista. que busquemos articulação. flexibilidade. interdependência entre as partes que se conflitavam nos nossos pensamentos. livre de preconceitos e que reconhece e valoriza as diferenças. em nível pessoal. que ignora o subjetivo. mas não se pode reformar as mentes sem uma prévia reforma das instituições. Essas atitudes diferem muito das que são típicas das escolas tradicionais em que ainda atuamos e em que fomos formados para ensinar. . normais X deficientes – e. é urgente que seus planos se redefinam para uma educação voltada para a cidadania global. o afetivo. Se o que pretendemos é que a escola seja inclusiva. Essa reviravolta exige. a extinção das categorizações e das oposições excludentes iguais X diferentes. Chegamos a um impasse. própria do pensamento científico moderno. temos de reformar as mentes.

• A inclusão total e irrestrita é uma oportunidade que temos para reverter a situação da maioria de nossas escolas. mas raramente se analisa “o que” e “como” a escola ensina. evasão. são expulsos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Inclusão escolar: Por quê? AUTORES • A escola brasileira é marcada pelo fracasso e pela evasão de uma parte significativa dos seus alunos. enfim. pois repetem as suas séries várias vezes. que são marginalizados pelo insucesso. evadem e ainda são rotulados como malnascido e com hábitos que fogem ao protótipo da educação formal. por privações constantes e pela baixa auto-estima resultante da exclusão escolar e da sociedade. as quais atribuem aos alunos as deficiências que são do próprio ensino ministrado por elas . discriminação. exclusão. • Esses alunos são sobejamente conhecidos das escolas. .sempre se avalia o que o aluno aprendeu. o que ele não sabe. de modo que os alunos não sejam penalizados pela repetência. As soluções sugeridas para se reverter esse quadro parecem reprisar as mesmas medidas que o criaram.

ou seja. mudanças. desenvolvimento e aperfeiçoamento da educação escolar? Ao avaliarmos propostas de ação educacional que visam à inclusão. alunos com deficiências e todos os demais excluídos e que são as sementes da sua transformação? Essas propostas reconhecem e valorizam as diferenças como condição para que haja avanço.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A questão da identidade X diferença AUTORES Embora a inclusão seja uma prática recente e ainda incipiente nas nossas escolas. mais precisamente: as propostas e políticas educacionais que proclamam a inclusão estão realmente considerando as diferenças na escola. encontramos habitualmente. para que possamos entendê-la com maior rigor e precisão. considero-a suficiente para questionar que ética ilumina as nossas ações na direção de uma escola para todos. nas orientações dessas ações. dimensões éticas conservadoras. . Ou.

habitualmente. Elas são produzidas e não podem ser naturalizadas. “é o que o outro é” – ele é branco. Essa produção merece ser compreendida. ele é religioso. uma crise de identidade institucional. e não apenas respeitada e tolerada. A posição é oposta à conservadora. • A inclusão é produto de uma educação plural. como pensamos. ele é deficiente. já que vão diferindo. infinitamente. democrática e transgressora. que está separado de nós para ser protegido ou para nos protegermos dele. porque entende que as diferenças estão sendo constantemente feitas e refeitas. A ética. nesses espaços.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • A diferença. Em ambos os casos. somos impedidos de realizar e de conhecer a riqueza da experiência da diversidade e da inclusão. é o que está sempre no outro. que. em sua dimensão crítica e transformadora. por sua vez. . ou melhor. é que referenda nossa luta pela inclusão escolar. abala a identidade dos professores e faz com que seja ressignificada a identidade do aluno. como nos afirma Silva (2000). Ela provoca uma crise escolar.

tendo como eixo o ensino para todos • Reorganizar pedagogicamente as escolas: cooperação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nossas tarefas: AUTORES • Recriar o modelo educativo escolar. • Policompreensões da realidade. em contraposição a currículos conteudistas. a verdades prontas e acabadas. criatividade e o espírito crítico exercidos por todos. a fim de que tenha condições e estímulo para enfrentar um ensino sem exclusões e exceçoes. • Romper as fronteiras entre as disciplinas curriculares. diálogo. que se contrapõe ao consumo passivo de informações e de conhecimento sem sentido. listadas em programas. . • A descoberta. decorrente da transversalidade curricular. e a criação de ambientes polissêmicos.. • Formar. bem como um ensino que não exclui e nem só reprova. • Integração de saberes. solidariedade. aperfeiçoar e valorizar o professor. • A formação de redes de conhecimento e de significações. • Garantir aos alunos tempo e liberdade para aprender. a inventividade e a autonomia do sujeito.

como deficientes. precisamos construir uma nova ética escolar. sociais e afetivas. portanto. de pessoas. com base em características devidamente selecionadas como positivas. então. Esse processo pelo qual a educação especial tem proclamado o seu poder propõe sutilmente. elitista. a eleição arbitrária de uma identidade “normal" como um padrão de hierarquização e de avaliação de alunos. por que não. Mas se a diferença é tomada como parâmetro. Contrariar a perspectiva de uma escola que se pauta pela igualdade de oportunidades é fazer a diferença. planetária! direito à diferença . podemos inventar o que quisermos para agrupar e rotular os alunos como PNEE.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O nas escolas desconstrói. que advém de uma consciência ao mesmo tempo individual. reconhecê-la e valorizá-la. normativo. Se a igualdade é referência. social e. Temos. não fixamos mais a igualdade como norma e fazemos cair toda uma hierarquia das igualdades e diferenças que sustentam a “normalização”. o sistema atual de significação escolar excludente. com suas medidas e seus mecanismos de produção da identidade e da diferença. a pluralidade das manifestações intelectuais. de reconhecer as diferentes culturas. enfim.

as mulheres. Há. • O aluno da escola inclusiva é outro sujeito. a uma cultura global e à globalização (cpntrária à homogeneidade). permanentes. . parece contraditória à luta de grupos minoritários por uma política identitária. assim como nem tudo deve ser diferente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • Ao nos referirmos. contesta-se hoje a modernidade nessa sua aversão pela diferença. os negros. os hispânicos. essenciais. que não tem uma identidade fixada em modelos ideais. pelo reconhecimento de suas raízes (como fazem os surdos. Nem todas as diferenças necessariamente inferiorizam as pessoas. Devido a isso. pois. um sentimento de busca das raízes e de afirmação das diferenças. os deficientes. hoje. Há diferenças e há igualdades – nem tudo deve ser igual. os homossexuais).

como conclui Santos (1995): “é preciso que tenhamos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza e o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Então. .

organizador. Disponível em: http://portal.pdf 19/04/2016 .br/secad/arquivos/pdf/racismo_escola. Kabengele Munanga. [Brasília]: Ministério da Educação. 2005. Alfabetização e Diversidade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Superando o Racismo na escola.gov.mec. Secretaria de Educação Continuada.

nas relações interpessoais. É um preconceito que fica meio escondido. difícil de ser combatido devido a uma ambiguidade do racismo à brasileira. traiçoeiro. subterrâneo. Muitas vezes o preconceito é perceptível nos gestos. O racismo brasileiro é diferente do que existe no mundo. velado. disfarçado. 19/04/2016 . nas atitudes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES  Para a população negra há sempre um enfrentamento no cotidiano que consiste em manifestações sofisticadas e dissimuladas de preconceitos.  Diferente porque é difuso. nos “olhares”. é fantasma.

mobilidade social. Nosso país carrega a lembrança de ter sido um dos últimos a por fim à escravatura e o primeiro a anunciar-se como um modelo de convivência harmônica inter-racial. Desvantagens essas. saúde. 19/04/2016 . causadas por fatores de natureza histórica. moradia etc. trabalho. estrutural e cultural. é que podemos deduzir que a população negra se encontra em desvantagens em relação à população branca sobre muitos aspectos como: educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Pensando nessa ambiguidade.

19/04/2016 .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS . AUTORES  Com isso. de ingresso. não participando igualmente como a população branca na construção da economia brasileira. Por isso.  O silêncio e negação da existência do preconceito racial já dura mais de um século. a necessidade urgente de programas de ações antirracistas. para combater o racismo e atenuar seus efeitos negativos e a busca da equidade. Tem dificuldade de mobilidade social. permanência e promoção na escola etc.. este será o objeto de nossas reflexões. desde a abolição a população negra tem sido excluída de construção plena de uma cidadania.

Série do Ensino Fundamental – 11 a 17 anos 17. era de 2.4 4.5 73.6 3.6 7.4 19/04/2016 7.1 37.3 84.2% da população brasileira não completaram o Ensino Médio – 18 a 25 anos 63.3 % .1% da população brasileira ingressaram no Ensino Superior 17 a 25 anos 11. a diferença de anos de escolaridade média entre um negro e um branco. ambos com 25 anos de idade.3 anos de estudos.8 27. o que corresponde a uma elevada desigualdade dos adultos no Brasil.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • Desde os anos 1990.6% de crianças que não freqüentam a escola 7 a 13 anos 2. • DIFERENÇA ENTRE NEGROS E BRANCOS-(Ipea.2 2. 2011) Categoria Branco % Negros 5% analfabetos da população brasileira 15 a 25 anos 2.4% da população que não completaram a 4ª.

Glória Moura Buscando Caminhos nas Tradições .Petronilha Beatriz Goncalves e Silva 19/04/2016  A Geografia.Rafael Sanzio Araujo dos Anjos  Racismo.Helena Theodoro Personagens Negros: Um Breve Perfil na Literatura Infanto-Juvenil . Preconceito e Discriminação .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES SUPERANDO O RACISMO NA ESCOLA APRESENTANDO O SUMÁRIO         A Desconstrução da Discriminação no Livro Didático .Antônio Olímpio de SantÊAna O Direito à Diferença .Ana Célia da Silva História e Conceitos Básicos sobre o Racismo e seus Derivados . a África e os Negros Brasileiros .Vera Neusa Lopes .Heloisa Pires Lima Construindo a Auto-Estima da Criança Negra .Inaldete Pinheiro de Andrade As Artes e a Diversidade Étnico-Cultural na Escola Básica .Nilma Lino Gomes  Aprendizagem e Ensino das Africanidades Brasileiras .Maria José Lopes da Silva Educação e Relações Raciais: Refletindo sobre Algumas Estratégias de Atuação .

19/04/2016 . acompanhamento nas atividades escolares – melhor desempenho do na escola.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES  O sucesso de um estudante brasileiro é fortemente influenciado pelos fatores extra-acadêmicos cor/raça/etnia e gênero. etc. local de moradia. acesso a participação cultural. música. leitura.  Influência na escolaridade dos país – quanto maior a escolaridade dos pais. mais chance de sucesso – mais estímulo.  Renda familiar. lazer.

ser negro ou não. vai além da cor da pele. sentir-se pertencente a esse grupo racial. orgulhar-se de sua história.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES  Podemos deduzir que o racismo e as desigualdades sócio-culturais encontradas no sistema escolar. . qualificação inferior e baixa remuneração dos pais de jovens negros. o mero acesso à educação não assegura a competitividade entre brancos e negros em igualdade de condições.  As políticas públicas do setor educacional devem levar em consideração a situação de desigualdade entre as famílias de negros e não negros. refletem-se de diversas maneiras para a população negra. de sua cultura. é identificar-se19/04/2016 enquanto negro. para evitar contribuir para a reprodução da situação que condena a população negra à: evasão escolar. marginalização.

a qual descendem. a si mesmo (a). as características físicas. e a tudo que o pertença.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Como já citado. portanto. na construção. ou seja. é de certa forma natural que tenham aversão a esse povo. que valorize a história e cultura afro-brasileira. Daí a importância de uma educação antirracista. em estudantes negros. a educação também participa do processo de construção de ideias. é também fruto da educação que recebemos. a nossa identidade. a ideia que criamos sobre nós. se desde que nascem. de uma identidade “positiva”. de vestir e se comportar e lhes é incutida uma ideia negativa da população negra. o modo de falar. as crianças negras recebem uma educação que só valoriza a cultura do branco. Assim sendo. .

têm demonstrado omissão quanto ao dever de respeitar a diversidade racial e reconhecer com dignidade as crianças e a juventude negra” (p.. nos livros didáticos. apoiada no mito da democracia racial. Além de gerar nesses indivíduos um processo de total negação de identidade. em suas práticas pedagógicas. Muitos estudos demonstram o quanto o racismo está presente nas instituições de ensino. Para Cavalleiro (2005) “A escola e seus agentes. nas relações pessoais entre alunos/alunos e professores/alunos. possuem as mesmas possibilidades de ascensão econômica e social.. que sustenta a não existência de racismo no Brasil e que por isso. que muitas vezes chega à fase adulta com total rejeição a sua origem racial.12) essas ações têm provocado a evasão e/ou fracasso escolar de milhares de estudantes negros.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O PRECONCEITO RACIAL NA ESCOLA A escola. p. trazendo prejuízo à sua vida cotidiana “(MUNANGA. no livro didático [. 120) . os profissionais da educação em geral. 2005. é a ausência de referência positiva na vida da criança e da família. brancos e negros. evita discussões sobre o preconceito racial e relega a história e cultura afrobrasileira e africana.] que esgarça os fragmentos de identidade da criança negra.

Esse material. aquele que serve. as manifestações culturais e religiosas. quase não retrata o negro e quando isso ocorre. pátria. não sendo meros “consumidores” de ideias preconceituosas. como se eles não tivessem história. principal. etc. . negros e índios são sempre colocados no passado. caricaturada. já que nos livros. que acabam internalizando toda essa imagem negativa representada no livro didático e envergonhando-se de seu pertencimento racial. é que esse. O negro é inferiorizado de diversas maneiras. serviram. feio. Os professores devem estar atentos e preparados para fazer uma leitura crítica desse material e propor aos seus alunos que também reflitam sobre os conteúdos apresentados. cultura. frequentemente refere-se aos negros apenas remetendo-se à época da escravidão. eles contribuíram. constitui-se muitas vezes na única possibilidade de leitura dos estudantes. é feito de forma estereotipada. os artistas e escritores negros? Esses irão fazer parte de um certo “futuro”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O livro didático. fizeram. como se não existissem mais. que é submisso. é sempre representado como pobre. sujo. e muitas vezes único instrumento pedagógico utilizado pelos professores. O mais preocupante. E onde aparecem a família.

onde é solicitado que os professores (as) narrem alguma experiência que tenha marcado a sua carreira. composto por questões objetivas e uma questão subjetiva. É pertinente ressaltar que a aplicação desses questionários não teve como objetivo apontar possíveis erros nas práticas pedagógicas dos profissionais entrevistados. que também são fruto de uma educação eurocêntrica e por isso. muitas vezes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES CAMINHOS E DESCAMINHOS DE UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA A fim de identificar a existência de ações que contemplem uma educação antirracista. mas sim propor que esses. Esse questionário. . foram aplicados questionários a professores da rede pública e particular. possuem uma visão preconceituosa do negro e de suas manifestações culturais e religiosas. reflitam sobre seus métodos e a necessidade de discutir esse tema.

No seu processo de formação: Durante todo o período que esteve estudando [. Também foram destacados casos em que o professor (a) foi vítima de preconceito. nunca fui bem recebida quando fazia reclamações no Departamento. Mas hoje.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Quanto à formação. a maioria dos docentes declarou que ao longo do curso tiveram oportunidade de discutir sobre o tema. conhecendo a lei. tenham sido discussões superficiais. As notas eram sempre a menor da sala e quando questionava era acusada de não saber colar.. Infelizmente.. não admito nem sequer um olhar de discriminação. Grande parte dos profissionais que participaram da pesquisa assumiram ter presenciado atitudes racistas nas relações entre os alunos. sofri discriminação por parte dos professores e de alguns alunos. (Professora de Português) .]. embora. como destacou uma das profissionais. aproveitado para propor discussões sobre o racismo no Brasil e conscientizá-los sobre a contribuição da população negra na formação do nosso país.

as crianças vão construindo conhecimento. significados e os valores que irão guiá-las para a cidadania plena. o educador não pode cuidar das crianças de maneira uniforme: cada criança tem uma história familiar diferente e precisa ser respeitada. . onde há diversas histórias de vida. É no espaço escolar que as diferenças convivem. tanto entre as crianças como entre os educadores.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Toda criança e jovem trazem para a instituição escolar a sua marca. sentido e singularidade. Portanto. Através da relação com o outro.

educadores devem repensar as práticas. Para garantir uma escola igual para todos (direitos sociais) não basta apenas preceitos legais e formais como a Lei 10. mas é preciso que a valorização das diferenças transforme as práticas pedagógicas efetivas. os valores.639/03. afirmando sua estética e corporeidade Combater as práticas racistas e discriminatórias no interior da escola . Desconstruir as narrativas dominantes (eurocêntricas). Desnaturalizar as noções de raça/etnia como separações negativas Construir uma imagem positiva do povo negro de descendência africana.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES  Para tanto. O professor de qualquer pertencimento étnico/racial precisa: Ter uma postura ética e profissional. cultural e étnica. os currículos e os conteúdos escolares a partir da realidade social.

. cabeça erguida: sou negro” (MUNANGA. conscientemente ou não. social e cultural presente em nosso país. o que faz com que crianças e adolescentes desprezem e envergonhem-se de sua origem. em dizer. p. negros ou não. a não omissão. essa instituição deve se desprender dessa lógica de segregação racial tão enraizada em nossa sociedade. Quebrar o silêncio significa não se calar diante de situações de racismo. porém como foi destacado ao longo do texto. que a história dos negros. que sustenta a desigualdade e o preconceito racial. como responsável pela educação formal é fundamental. O preconceito racial faz-se presente na escola e precisa ser combatido.44). É necessário que as discussões sobre o racismo e as relações raciais “entrem” na escola. reforçam uma ideia negativa sobre o negro. as instituições de ensino. Por fim.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES CONSIDERAÇÕES FINAIS Construir uma identidade negra “consiste em assumir plenamente. a “quebra” do19/04/2016 silêncio. destaco a importância de um pequeno gesto na construção de uma educação antirracista. Nesse processo de formação identitária o papel da escola. fazer da escola e da sociedade em geral um lugar de respeito à diversidade racial. suas manifestações culturais e religiosas sejam tratadas com a dignidade que lhes é devida. a condição de negro. 1986. saibam da importância desse povo na formação do nosso país. com orgulho. que crianças e adolescentes.

SACRISTÁN. JOSE GIMENO (ORG). 2013. PORTO ALEGRE: PENSO. SABERES E INCERTEZAS SOBRE O CURRÍCULO. .

se orienta. Em termos modernos. evitar a arbitrariedade na escolha de o que será ensinado em cada situação. pode-se. modela e limita a autonomia dos professores. poderíamos dizer que. . em primeiro lugar. que será a seleção daquilo que será coberto pela ação de ensinar. Essa polivalência se mantém nos nossos dias. com essa invenção unificadora. em segundo lugar. enquanto.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O conceito de currículo e a utilização que fazemos dele aparecem desde os primórdios relacionados à ideia de seleção de conteúdos e de ordem na classificação dos conhecimentos que representam.

a indisciplina em aula. Dentro do contexto educacional currículo trata. o tipo de relações entre professores e alunos. pois toda instituição trabalha e defende uma cultura. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Trata-se não somente de um contexto teórico. pois ele é um componente formador da realidade do sistema de educação no qual vivemos. a desmotivação dos alunos. É um instrumento de inclusão (ou exclusão). é a expressão e a concretização do plano cultural. desde os problemas como o fracasso escolar. que além de serem preocupações e temas de conteúdo psicopedagógico. onde manifestamos nossas percepções sobre o que acreditamos ser a realidade da educação. são também de certa forma problemas que são muito relacionados ao currículo ofertado aos alunos. mas também de uma ferramenta de regulação de práticas pedagógicas. Não há como exercer nossas práticas educacionais sem ter um currículo préestabelecido. pautados no contexto histórico (passado) e nos mostrando uma visão do futuro refletindo sobre o que pretendemos que os alunos aprendam e de que maneira podemos planejar melhorias.

entre as possibilidades de conhecer. entre a sociedade de hoje e a do amanhã. pautado na reflexão da pluralidade de pensamentos e na contemplação da diversidade cultural dos sujeitos. Por todos estes apontamentos o autor faz um convite à reconstrução progressiva e interdisciplinar do currículo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Sacristán enfatiza que: Se por um lado o currículo é uma ponte entre a cultura e a sociedade exteriores às instituições de educação. . por outro ele também é uma ponte entre a cultura dos sujeitos. saber se comunicar e se expressar em contraposição ao isolamento da ignorância.

.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A obra é estruturada em seis partes: I. O que significa o currículo? Através desta pergunta se desenvolverá todo um esquema que leva a compreensão da complexidade que o currículo hoje apresenta tanto nos estudos sobre o tema quanto nos âmbitos práticos nos quais ele é projetado.

O currículo: texto em contexto – suas determinações visíveis e invisíveis. interesses. de seus conteúdos e de suas metodologias. as desigualdades entre os indivíduos e os grupos. . ideais e formas de entender sua missão em um contexto histórico e quais as influências que o mesmo sofre. que desestabilizam as formas de pensar e atuar com as quais estamos. Também existe a condição evidente da pluralidade cultural das sociedades atuais. Evidenciando a não neutralidade do currículo. além da condição intitulada sociedades da informação. exigem uma revisão das instituições educacionais. fato que se choca com a uniformidade dos currículos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES II. Neste enredo há a abordagem das representações do currículo que é um texto que representa e apresenta suas aspirações.

Muitas atividades são realizadas em torno do currículo. mas sua essência e substância é o resultado das transformações que práticas e decisões políticas. organizativas. pedagógicas e de controle (entre outras) provocam sobre ele.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES III. . Âmbitos de configuração e de tomada de decisão do currículo: as práticas em seu desenvolvimento.

o autor traz toda a contextualização da educação infantil. Assim. procurando enfatizar também a questão da inclusão. . A inserção do currículo no sistema educacional. O currículo é um fator constituinte da realidade da educação e ao mesmo tempo é instituído por ela. fundamental e média e o significado de cada etapa da educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES IV.

integrar as novas tecnologias a serviço do conhecimento.considerar à cidade (e não a escola) ambiente determinante do pensamento e o promotor da educação. . O currículo efetivo nos arremete ao que as crianças e os jovens aprendem fora do contexto escolar e isso deveria ser levado em consideração na reestruturação dos currículos.e imaginar as instituições de outra maneira. . O currículo em uma aula “sem paredes”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES V. muito mais do que os currículos escolares. sob os critérios de justiça e de democratização de saberes. . Sendo que aqui há a abordagem de três polos de discussão: .

Sendo assim. a formação dos professores especificamente voltada par o desenvolvimento do currículo e uma prática de avaliação para a melhoria do currículo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES VI. o currículo é pressuposto básico para qualquer prática pedagógica. . A melhoria do currículo: Para Sacristán a melhoria do currículo deve ser algo constante e dar suporte às pesquisas feitas com e sobre os professores a respeito do desenvolvimento do currículo como estratégia para o desenvolvimento do corpo docente.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Para ele. a ordem pelo qual o Currículo é estabelecido afeta o tempo e o ritmo de aprender: • Divisões do tempo • Delimitação e organização dos conteúdos (conteúdos apenas pelos conteúdos) • Espaço e clima social com relações horizontais / verticais Aspectos fundamentais: • Foco do ensinar para o aprender • Do que se pretende para o que se consegue • Das intenções declaradas para os fatos alcançados • Orientar-se pela experiência do aprendiz • Aulas “sem paredes” • currículo efetivo: • o que as crianças e os jovens aprendem fora do contexto escolar .

com um desenvolvimento entre esses limites. . Um dos efeitos desse regramento foi o reforço da distinção entre as disciplinas e a determinação concreta dos conteúdos que os professores deveriam cobrir. fazer de uma maneira qualquer ou fazê-la de modo variável. uma vez que este determinou a organização da totalidade do ensino por meio do estabelecimento de uma ordem sequenciada. Não é permitido fazer qualquer coisa. bem como o refinamento dos métodos de ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O fato é que o ensino. impondo uma norma para a escolarização. Dessa maneira. a aprendizagem e seus respectivos agentes e destinatários – os professores e alunos – tornaram-se mais orientados por um controle externo. o conceito de currículo delimitou as unidades ordenadas de conteúdos e períodos que tem um começo e um fim.

o quanto é satisfatória ou insatisfatória a escola. quem cumpre o que é estabelecido e quem não o faz. Também são delimitados os territórios das disciplinas e especialidades e são delimitadas as referências para a composição do currículo e orientação da prática de seu desenvolvimento. Tudo isso. é separado o que será o conteúdo do que se considera que deva estar nele inserido e quais serão os conteúdos externos e mesmo estranhos. constituirá o padrão sobre o qual se julgará o que será considerado sucesso ou fracasso. como um conjunto.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Junto com a ordenação do currículo é regulado o conteúdo (o que é ensinado e sobre o que se aprende). são distribuídos os períodos para se ensinar e aprender. o normal ou anormal. .

na especialização dos professores e. os quais. o currículo tem se mostrado uma invenção reguladora do conteúdo e das práticas envolvidas nos processos de ensino e aprendizagem. transmite e impõe regras. juntos com os efeitos que são provocados por outros elementos e agentes. a vida nos centros educacionais e as práticas pedagógicas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O currículo: Recipiente não neutro dos conteúdos Desde suas origens. ou seja. impõem suas determinações sobre os elementos estrutura . ele se comporta como um instrumento que tem a capacidade de estruturar a escolarização. na divisão do tempo. na ordem da aprendizagem. do funcionamento da instituição escolar. pois dispõe. fundamentalmente. normas e uma ordem que são determinantes. Esse instrumento e sua potencialidade se mostram por meio de seus usos e hábitos. Esse poder regulador ocorre – é exercido – sobre uma série de aspectos estruturantes.

1989. os livros didáticos e demais materiais didáticos. e. Existe uma cultura que propõe conteúdos para os currículos. dos professores. existem agentes culturais mediadores. entre a cultura mais elaborada (pelos especialistas) e a recepção do saber (pelos estudantes). há outra cultura mediadora. Há inúmeros estudos que já demonstraram tanto o poder mediador cultural dos professores quanto a especificidade cultural dos livros didáticos para propor/impor determinados conteúdos (Apple. como os professores. surge o conhecimento escolar que é transferido aos alunos. propõe-se um conhecimento peculiar expresso nos materiais didáticos. Torres. . 1991).CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Lembremo-nos que. fruto das interações entre tudo isso.

crescer e se abrir para mundos de referência mais amplos deve ser uma possibilidade para todos. . Ou seja. ainda que isso se dê de maneira distinta e em medidas desiguais. fazendo com que tenham experiências adequadas e sejam reconhecidas como cidadãos enquanto são educadas. seja lá de onde vierem. • Transformar as crianças em cidadãos solidários.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES QUE PRETENDE: • Ampliar as possibilidades e as referências vitais dos indivíduos. colaboradores e responsáveis.

sem renunciar à sua valorização também como “sua”. à valorização de cada grupo. . • Torná-los conscientes da complexidade do mundo. etc. estilo de vida.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES QUE PRETENDE: • Fomentar nas crianças posturas de tolerância durante o próprio estudo das matérias. de sua diversidade e da relatividade da própria cultura. o que implica a transformação destas. • Consolidar no aluno princípios de racionalidade na percepção do mundo. em suas relações com os demais e em suas atuações. • Capacitá-los para a tomada democrática de decisões. país. cultura.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O currículo é um campo de batalha que reflete outras lutas: corporativas. ao mesmo tempo em que defendemos a universalização da escolaridade e sua prolongação. de identidade. Ampliamos os valores e as facetas aos quais ela deveria atender (queremos uma educação integral). dúvidas e inclusive frustrações. com diferentes possibilidades. 1986. 1996). nos veremos presos a dificuldades. religiosas. 1989. econômicas. ao valorizar bastante a educação. aspirações e destinos. políticas. (Apple. culturais. Nós mesmos. Tudo isso tem feito com que sejam inseridas no sistema educacional parcelas da população com origens socioculturais distintas. Um dos motivos para a insegurança está na multiplicidade contraditória dos fins da educação. etc. .

. pode-se esperar e desejar que o sujeito desenvolva determinados processos que podem ser denominados de diferentes maneiras e valorizados desigualmente conforme sua importância.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O resgate da subjetividade e da experiência pessoal e cultural Para que esse encontro seja frutífero. sua densidade ou segundo nossas visões particulares sobre o que é desejável e possível. o conteúdo tem de ser significativo. de acordo com a orientação educativa que tivermos. relevante e desafiador. ou seja. características que têm maior probabilidade de estar presentes se o encontro também tiver sido adequadamente mediado e se for motivador. Do contato ou encontro entre o sujeito e o conteúdo.

produziu-se uma ressocialização dos acadêmicos em contato com um novo universo conceitual. esses são conceitos mais próximos do conceito de currículo que temos entre nós. pois discutir ou pesquisar o currículo supõe tocar algo visível e expresso socialmente. em consonância com uma visão menos idealista da educação. Precisamos nos apoiar em uma abordagem mais holística. complexa e estimulante. . o questionário ou programa escolar. superando as distâncias burocráticas sobre o plano de estudos. mais próxima da realidade e comprometida com ela.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Nesse panorama de nossa história recente.

c) as críticas à racionalidade moderna. conflitos e realidades que se manifestam no estudo do currículo. e) o enfrentamento entre a educação como necessidade de assimilação de cultura e uma perspectiva educacional que visa ao desenvolvimento individual. públicos e relatos ignorados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Devido ao cruzamento de dimensões. os interesses do aluno e os significados subjetivos da cultura. . Nesse debate. que começa a acompanhar o curso da configuração do que entendemos como matérias de estudo. b) a incipiente história do currículo. encontramos diversas linhas de trabalho fundamentais: a) a sociologia do currículo. as quais têm posto em evidência suas carências e a ocultação de culturas. esse é um importante campo de pesquisa. discutindo os valores implícitos nos currículos dominantes. d) o debate sobre a profissionalização do conhecimento.

2011. Diálogos na Educação de Jovens e Adultos. Leôncio et al. Belo Horizonte: Autêntica. 4ª ed.SOARES. .

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Dados do IBGE de 2013. a cada três brasileiros com idade acima de 15 anos. Ou seja. . Outro dado que tem interrogado o campo da EJA é a queda no número de matrículas que vem sendo registrada nos últimos anos. um não conseguiu concluir o nível mais elementar da educação em nosso país. cerca de 56 milhões não tem o Ensino Fundamental completo. indicam que do total de 200 milhões de brasileiros.

. • A análise desses relatos e textos remeteu-nos a seguinte questão: afinal que especificidades são essas tão citadas? A partir daí buscou-se definir e conceituar as especificidades da EJA. por meio da análise dos projetos citados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • Durante o processo de escuta aos entrevistados da pesquisa eram recorrentes as falas sobre a existência de uma especificidade na EJA e que isso indicaria a necessidade de uma formação própria para seus educadores.

p. . o currículo e a formação dos educadores sejam adequados para atender suas demandas especificas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • A diversidade dos sujeitos da EJA implica numa proposta curricular exclusivamente pensada para este sujeito visto sua heterogeneidade. De maneira que os recursos didáticos. a avaliação. 22). os tempos. os espaços. a didática. 2006. É importante partir da especificidade dos tempos da vida e dos sujeitos concretos históricos que vivenciam esses tempos para construir uma proposta curricular que atenda realmente suas necessidades (ARROYO.

” (Carlos. aluno egresso do PEZP) “... aluno egresso do PEZP) .” (João Antônio. não tinha condição..CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES • O perfil de educandos é composto. pai desempregado (. eu sou filho de uma mãe que éramos 7 irmãos e meu pai largou a minha mãe cedo e a gente tinha que optar por duas coisas: ou sobreviver ou estudar. por trabalhadores que no tiveram acesso aos estudos ou que o interromperam para trabalhar: “se a gente fosse diretamente ao estudo não tinha como sobreviver porque família humilde..) se nós não botasse comida na mesa junto com nossos pais a gente não sobrevivia. em sua maioria. não dava para estudar.

Este é o momento em que. Brandão afirma: Mais do que pela escola. mais do que como estudantes que já trabalham. são trabalhadores. A partir de então é o trabalho que determinará o destino da vida e não a escola (p. os sujeitos da EJA antes de serem estudantes. Tendo acompanhado e assessorado diversas iniciativas de educação para jovens e adultos nas décadas de 1980 e 1990. . o rapaz ou a moça se reconhece como trabalhadores que ainda estudam.121-2). um „trabalho‟ que os arranque de uma situação de „biscate‟ e os torne plenamente empregados: “fichados‟. a luta dos jovens dos bairros operários é por um „emprego‟.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • AUTORES Segundo Brandão (1985). cedo em muitos casos.

tendo em vista. . justamente. São. As propostas curriculares analisadas revelaram a importância de haver uma didática e avaliação diferenciadas. esses sujeitos com toda sua diversidade e heterogeneidade que demarcam as especificidades da modalidade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • AUTORES A Educação de Jovens e Adultos traz seus sujeitos impressos em seu nome e isto não é à toa. o real aprendizado dos estudantes na medida em que consigam relacionar o conteúdo escolar com a sua realidade de vida. É a partir deles que a EJA vem sendo pensada nos campos acadêmicos de maneira que uma proposta curricular adjacente à estas questões traga o legado da Educação Popular como pressuposto teórico em que educador e educando entrelaçam uma postura dialógica.

Sendo imprescindíveis no momento da prática na sala de aula. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • AUTORES É relevante também problematizar os recursos didáticos utilizados com o intuito de compreender. Os projetos evidenciaram que para se atingir uma educação emancipatória pressupõe uma formação crítico-reflexiva dos educadores. pois auxiliam o trabalho do professor. As pesquisas buscaram respostas para o panorama atual da EJA no Brasil. como avançar no atendimento à demanda potencial de EJA. voltada para as particularidades da EJA. de que maneira eles poderão favorecer ou dificultar o trabalho educativo. realmente.

. o que garante permanência e consequência em estudos bem fundamentados e postos para que o adulto progrida em seus estudos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Essas pesquisas se debruçaram em projetos singulares onde ficou evidente que uma proposta curricular de EJA que atente para as particularidades de seus sujeitos apresenta um trabalho educativo que atenda aos objetivos propostos.

teses.php . Disponível em: http://www. O acesso à educação escolar de imigrantes em São Paulo: a trajetória de um direito.usp.WALDMAN.br/teses/disponiveis/2/2140/tde15082013-101420/pt-br. USP. 13 a 24. 2012. Dissertação (Mestrado). Tatiana Chang. Programa de Pós Graduação da Faculdade de Direito da USP. Págs. 236 f. São Paulo.

Por um lado. enquanto as Convenções Internacionais ratificadas pelo país incluem a garantia deste direito. nacionais e estrangeiros. no que diz respeito ao acesso ao direito à educação escolar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A garantia de direitos aos imigrantes no Brasil. a Constituição Federal de 1988 reconhece o direito à educação escolar como um direito universal. mostra-se. controversa e destaca-se como um tema que deve ter seu estudo aprofundado. . o Estatuto da Criança e do Adolescente o prevê como um direito fundamental a ser garantido a todos. ainda hoje.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Em sentido contrário. impedindo o exercício deste direito fundamental por parte de imigrantes em situação irregular. línguas e e uma cidadania que se amplia no mundo atual. . bem como a compreensão de novas culturas. O trabalho traz a PERSPECTIVA DE INTEGRAÇÃO DA POPULAÇÃO IMIGRANTE por meio do ambiente escolar através de um acolhimento com a difusão de valores e costumes locais. observa-se a existência de dispositivos constantes no Estatuto do Estrangeiro de 1980 que condicionam a matrícula do estrangeiro em estabelecimento de ensino de qualquer grau ao seu registro no Brasil.

foi realizada uma análise jurisprudencial em período que compreende as três primeiras décadas de vigência do Estatuto do Estrangeiro (1980-2010) e um exame das Resoluções. Uma interpretação coerente do ordenamento jurídico nacional sugere ser inquestionável o direito à educação escolar de todos os imigrantes. diante da não recepção dos dispositivos do Estatuto do Estrangeiro pela Constituição Federal vigente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Para tanto. . Deliberações e Pareceres da Secretaria da Educação e dos Conselhos de Educação do Estado e do Município de São Paulo referentes à temática no mesmo período.

é manifesta a necessidade de aprovação de uma nova Lei de Migrações que inclua a declaração do direito à educação escolar de todos os imigrantes no Brasil a fim de preconizar uma integração completa no campo escoar e com professor compreendendo o papel da diversidade e da integração neste processo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O tema também não alcançou mobilizar os poderes que consentem com a vigência do Estatuto do Estrangeiro há três décadas. limitado. . especialmente para os imigrantes em situação irregular. Neste sentido. Corrobora com a problemática dessa controvérsia o fato de que o acesso ao judiciário a cada caso concreto de desrespeito a este direito é.

SP: Mercado de Letras. Maria Aparecida Affonso. O conhecimento na era dos transtornos: limites e possibilidades. Novas capturas. In: COLLARES.OLIVEIRA. Inês Barbosa de. Campinas. 2013. antigos diagnósticos na era dos transtornos: memórias do II seminário internacional. Mônica Cintrão França (organizadoras). Cecília Azevedo Lima. MOYSÉS. . RIBEIRO.

quais sejam: o reconhecimento da diferença como valor fundamental.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Reflete as interlocuções constituídas a partir das inúmeras atividades realizadas pelo Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade. que comporta construções de sentidos específicos. e também. como aspecto complementar e não oposto. abordagens teóricas e experiências de atuação profissional. a reafirmação do cuidado com os processos sociais e determinações na constituição de subjetividades. reafirma determinados compromissos com a atuação profissional. este conjunto de trabalhos. que complexifica e enriquece nosso processo de desenvolvimento individual e coletivo. Envolvendo profissionais . Nele encontraremos contribuições de diferentes disciplinas do conhecimento. Tdah e outros supostos transtornos. a valorização da dimensão subjetiva. todos relacionados ao II Seminário Internacional A Educação Medicalizada: dislexia. . relacionadas a trajetórias de vida.

expressão corporal. livres. competentes e habilidosos(as). reciclagem. culinária saudável. psicoterapia... . mas crianças também têm jornadas intensas: devem responder aos anseios dos(as) adultos(as) – familiares e educadores(as) – de que possam se tornar adultos(as) inteligentes. arborismo. inventivos(as). consulta médica e fonoaudiológica. E a lição de casa! Sem nos esquecermos de garantir momentos de convivência feliz entre os(as) familiares e do envolvimento familiar nos jogos educativos. comportados(as). Após a escola. experientes. o trabalho da infância continua: música.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Adultos têm jornadas intensas. organizados(as). . street dance. futebol. RPG.

. alguém possa orientar sobre o que se fazer da própria vida ou da vida daquele(a) familiar que tanto nos preocupa ou. São anos de expectativas acumuladas em relação ao aumento das possibilidades de “competitividade” no trabalho ou de oferecimento de condições de futuro mais estável para seus/suas filhos(as). São intensas expectativas depositadas sobre o atendimento psicológico. médico. fonoaudiológico. aos medicamentos. para que. que tanto medo nos desperta. aos especialistas. buscando a garantia de acesso aos atendimentos. muitas vezes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Isso gera inúmeros os processos disparados junto ao Ministério Público. enfim.

Haja vista toda a discussão feita nos campos da saúde do(a) trabalhador(a). É essencial reconhecer este processo para reestabelecermos a legitimidade das tantas pessoas que desenvolveram processos de adoecimento derivados das formas de viver – e principalmente de trabalhar presentes em nosso mundo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Primeiro ponto: Os modos de vida nos fazem adoecer! Isso já tem sido discutido há inúmeras décadas. da sociologia da vida cotidiana. . do biopoder. entre outros. por diversos campos da ciência.

estabelece o que se espera de uma pessoa. perceber e se expressar que constitui a cultura. assim como regula o que se entende por normal e saudável. basta reencontrarmos os estudos sobre estigma. minorias sociais. relações grupais. A essa discussão as Ciências Sociais e a Psicologia também nos apresentaram há muitos anos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Segundo ponto: O conjunto composto pelas formas de sentir. pensar. . o que se aceita em termos de comportamento e atitude.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Terceiro ponto: ao se estabelecer como cultura hegemônica. crenças etc. explicitamente. a que fizemos referência produz outra questão: como lidar com aqueles(as) que não respondem ao estabelecido como normal/saudável? Predominantemente. esse conjunto de valores. mais tem servido para pensar políticas de conformação à regra do que para fazer pensar e reconstruir ou abolir a própria regra. um desafio: trabalhar na perspectiva do desvio ou da diferença – parafraseando Canguilhem. a existência de pessoas – inúmeras pessoas – que não correspondem à regra. . Aqui temos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES O movimento de profissionais contra a medicalização da vida relaciona-se a um projeto de construção de modos de atuação profissional que se comprometam com a ruptura da lógica de culpabilização do sujeito por ser quem ele pode ser. Em nenhum momento se trata de diminuir o sofrimento vivido pelas pessoas que se percebem em não conformidade com aquilo que foi estabelecido como normal e/ou saudável. considerada sua específica história. . com a vida concreta que tem.

. burn out. ansiedade. transtornos. doenças.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Uma provocação sobre as formas de viver: Uma criança pode não suportar manter-se sentada durante o período de aula. Expressões concretas do impacto violento de nossas formas de viver sobre corpos e subjetividades.] uma mulher pode não conseguir mais se comprometer com o trabalho de educadora. síndromes. Desatenção. . depressão.. pois já se sente absolutamente incapaz de construir uma relação diferente na escola em que trabalha. pânico. [. um adolescente pode não conseguir se concentrar sequer cinco minutos nos estudos.

visam resgatar um valor central em nosso projeto societário. . adolescentes e jovens com a promoção de práticas subjetivantes. por meio da espetacularização das particularidades. em suas conexões com a universalidade da espécie humana.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Refletimos sobre campos científicos e compartilha tecnologias que visam à restituição do compromisso dos(as) profissionais que atendem a crianças. ao invés de aderirem à patologização das expressões do humano. Tais práticas. o reconhecimento da singularidade.

os diferentes modos de ser. pela estigmatização.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES As tentativas de padronização e homogeneização da vida avançam mais e mais. lidar com os saberes já aprendidos.. questionamentos. fantasias. reagir. sofrimentos de diferentes ordens. Busca-se silenciar e ocultar conflitos.. afetar. buscando eliminar. utopias. . As possibilidades de construir futuros diferentes ficam mais difíceis. agir... ser afetado. aprender. se expressar. As diferenças que caracterizam e enriquecem a humanidade são tornadas transtornos. questionar. sentir. sonhar. discordâncias.

cultural. transformadas em doenças. são transformadas em individuais e reapresentadas como doenças. afetiva. transtornos. A medicalização da vida de crianças e adolescentes ocorre especialmente nos campos da aprendizagem e do comportamento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES Desigualdades são escamoteadas. distúrbios. econômica. inatos à pessoa. de ordem política. As questões coletivas. Problemas políticos são tornados biológicos. social. . com a invenção das doenças do não-aprender e das doenças do não-se-comportar. que afligem milhões de pessoas.

desconfortos. o papel ainda mais perverso de ocultar violências físicas e psicológicas. conflitos. cumpre. inclusive. . transformando as vítimas em portadores de distúrbios de comportamento e de aprendizagem. abafando questionamentos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS AUTORES A medicalização tem assim cumprido o papel de controlar e submeter pessoas. sofrimentos.