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POESIAS

Fala: parece que mente. se o que quero dizer-te é que te amo? Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto. tenho sentidos. cala. Se pudesse ouvir o olhar. Sabe bem olhar p'ra ela. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de dizer. . Nasci para te querer. Amei-te e por te amar Só a ti eu não via… Eras o céu e o mar. Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é. e voou E hoje é já outro dia.. O que deixou alegria Só porque foi. Por isso eu não te via… Presença em mim tão calma. Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo. E beijar-te até morrer. além de que te amo. inteiramente! Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender. És só do teu tamanho.. Porque o vejo... Eu não sei senão amar-te. Ah.. Não se sabe revelar. e amo-a por isso Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama. Creio Que o meu modo de olhar.. O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Não sei o que eras. quando se revela. Mas porque a amo. Eu amo tudo o que foi Tudo o que já não é A dor que já me não dói A antiga e errônea fé O ontem que a dor deixou..Poesias de Amor O amor... Eras a noite e o dia… Só quando te perdi É que eu te conheci… Quando te tinha diante Do meu olhar submerso Não eras minha amante… Eras o Universo… Agora que te não tenho. Ó quem me dera beijar-te. Amo como ama o amor. E se um olhar lhe bastasse P'ra saber que a estão a amar! Mas quem sente muito.. Que queres que te diga.. Só quando meu ser te perdeu Vi que não eras eu. Que eu a não sentia. mas se ela adivinhasse. Fica só... Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar. Estavas-me longe na alma. Eu não tenho filosofia. e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos). nem o que é amar. Creio no mundo como num malmequer. Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala.. Cala: parece esquecer. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.

sem o poder ver. porém. No amor diferente do sexual. Não é o caso da literatura.em suma. é a nós mesmos . Já não me importo Já não me importo Até com o que amo ou creio amar. Sou um navio que chegou a um porto E cujo movimento é ali estar. fora Do Lugar e da Hora… Hoje eu busco-te e choro Por te poder achar Não sequer te memoro Como te tive a amar… Nem foste um sonho meu… Porque te choro eu? Não sei… Perdi-te. A primeira. Amamos. Em que és […] fictício. Foges e tudo é igual A si-próprio e é tão triste O que vejo que existe. Escrever é esquecer. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. Fito a gente Que me rodeia e sempre rodeou. Essa simula a vida. as artes visuais animam. O poeta é um fingidor. contudo. Sei que é sem ar De olhar a valer. pois que ninguém fala em verso. e és hoje Real no […] real… Como a hora que foge. tão-somente. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega. É a um conceito nosso . a ideia que fazemos de alguém. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa.que amamos. . as segundas. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.Meu sentir meu anseio Meu jeito de pensar… Eras minha alma. Com um olhar Que. não se afastam da vida umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais. Cheguei da festa Como fui para lá ou ainda irei Indiferente A quem sou ou suponho que mal sou. Em que tempo parado Foste o (…) cilício Que quando em fé fechado Não sentia e hoje sinto Que acordo e não me minto… Nunca amamos ninguém. Isso é verdade em toda a escala do amor. afasta-se da vida por fazer dela um sono. outras porque vivem da mesma vida humana. Nada me resta Do que quis ou achei. E só me não cansa O que a brisa me traz De súbita mudança No que nada me faz. A música embala.