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XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade

Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual

“Vínculos” (detalhe) - Omar Ortiz - 2010

Realização

Associação Brasileira de Psicomotricidade

12 a 15 de setembro de 2013
Campus da UERJ, Rio de Janeiro, RJ

ANAIS DO XII CONGRESSO BRASILEIRO DE
PSICOMOTRICIDADE

Apoio

Trabalhos Científicos/Temas Livres - Setembro 2013 - pag. 1-144

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XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual

Artigos dos conferencistas e
palestrantes convidados

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Trabalhos Científicos/Temas Livres - Setembro 3013 - pag. 1-144

Trabalhos Científicos

Índice Trabalhos Científicos
Conférence de Abertura .............................................................................................................................................................. 5
Anne Gatecel
O recém-nascido, seus pais e a equipe de saúde: contribuições da Psicomotricidade para a construção de
vínculos na Unidade Intensiva Neonatal ................................................................................................................................... 8
Eleonora Filgueiras, Anna Paula Freitas
Vínculos primários e desenvolvimento psicomotor – A importância dos vínculos afetivos no desenvolvimento Infantil .... 11
Dulce Martins
O outro primordial e o recobrimento do real: Da função ao funcionamento da função psicomotora .................................... 13
Nivaldo Torres
Psicomotricidade sistêmica. A construção de homens em evolução ..................................................................................... 17
Rosa M.Prista
A formação em psicomotricidade relacional: Um percurso de desenvolvimento pessoal e profissional ............................. 20
Maria Isabel Bellaguarda Batista, José Leopoldo Vieira, Anne Lapierre
Informe preliminar para el estudio de la relación entre las alteraciones del lenguaje y la organización psicomotriz .......... 23
Leticia González
Corpos em devir: Imanência e animismo ................................................................................................................................ 25
Nelson Job
O corpo deslizando pelas trilhas da atualidade ....................................................................................................................... 27
Luiz Gustavo Vasconcellos
A relação psicomotora em clínica – O vínculo com os pais do cliente .................................................................................... 29
Suzana Veloso Cabral
Violência e sintomas contemporâneos ................................................................................................................................... 33
Leila Maggio Teixeira de Mello
Psicomotricidade e educação: A aprendizagem na lama ........................................................................................................ 35
Katia de Souza e Almeida Bizzo
Educação psicomotora: Vínculo, estimulação e estrutura ...................................................................................................... 38
Ricardo Carlos Santos Alves
A psicomotricidade e sua real inserção no processo educativo ............................................................................................. 41
Ana Maria Garcia de Mello
Ergopsicomotricidade e os vínculos no trabalho: contribuições do campo crítico ................................................................. 42
Daniel Vieira da Silva
Ergomotricidade: Dialógica entre ergonomia e psicomotricidade formando vínculos no posto de trabalho ........................ 46
Olga Oliveira Passos Ribeiro
Ergopsicomotricidade: vínculos no trabalho47
Cacilda Gonçalves Velasco
A pluralidade dos vínculos em psicomotricidade: multi, inter e transdisciplinaridade ........................................................... 51
Dayse Campos de Sousa
Formação em Ramain-Thiers a Sociopsicomotricidade ........................................................................................................ 56
Solange Thiers, Elaine Thiers

Trabalhos Científicos/Temas Livres - Setembro 2013 - pag. 1-144

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............ dança e psicomotricidade na prevenção à violência nas escolas públicas no estado do Rio de Janeiro ....................................................... 73 Mabel Botelli................ 99 Leticia González Coreoterapia: prática psicomotora com a dança ......................................... Michelle Sales Belchior Epistemologias das intensidades da teoria para uma prática em psicomotricidade .......................................................................................................................................................................................................................................... 96 Érica Silva Fróis Dalla.................XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Índice Trabalhos Científicos Formação em transpsicomotricidade educacional e clínica . 78 Amelia Gonzalez A Oficina de Psicomotricidade da UERJ "Um show de talentos e de vidas na terceira idade" apresenta: a velha e a nova velhice ...................................................................................... 75 Eloiza da Silva Gomes de Oliveira....... 93 Vera Lucia de Mattos A educação psicomotora em favor da construção da imagem corporal infantil: Discutindo sobre ações preventivas ao Bullying ... Cláudia Maria de Lima Graça.......................... 65 Raimundo Severo Junior Corpo......................... constroem a subjetividade e as várias formas das representações .............................................. 90 Érica Silva Fróis Dalla O Método "Growing Up" – onde vínculos................................................................................................................ 87 Genivaldo Macário de Castro Vínculos sensoriais e a práxis lúdica: do jogo psicomotor ao jogo eletrônico ......formando ............................ Adriana Abijaodi Vieira Formación en relajación terapéutica ........... Vania Belli Os vínculos e o enredamento necessário na formação profissional em psicomotricidade .................................................................................................................................................................................................................... Marcia Souto Maior Mourão Sá De mochila nas costas .......................Psicomotricidade com base no pensamento complexo e transdisciplinar ................. através do brincar e da arte................. 101 Eline Maria Fernandes Rennó Do ato ao gesto gráfico: entendendo e praticando ......................................... 69 Simone M.............................Setembro 3013 .......................................... 57 Martha Lovisaro.......................... F........................... 62 Jocian Machado Bueno Dança e psicomotricidade: a poética do movimento na relação entre corpo......... Marcus Vinícius Machado de Almeida Imagens do corpo: a adolescência abordada pela história oral ........................................ Mariana Vasconcelos Gontijo............................................................................................................................................... Gomes Corporeidade e criação coletiva em dança ...................... Eduardo Costa Agathon – Curso de formação em psicomotricidade – O cuidar na relação formador ........................................................ 79 Cristie de Moraes Campello Psicomotricidade: epistemologia e vínculos79 Cláudia Santos Jardim........................................pag....................... 60 Etelvina Maria França Soares..................................... cognição e subjetividade .............................................. 103 Marília Laurentino de Souza Betencourt 4 Trabalhos Científicos/Temas Livres .......................................... 84 Marcelo Antunes Como se articulam e desarticulam as dobradiças dos vínculos que se instauram no corpo lúdico e na arte? ....................... Ruth Machado Barbosa.................. 1-144 .....................

Pour accueillir un enfant comme Sajan avec des stagiaires. piloté par Jean Mermoz lors de la première traversée de l'Atlantique sud (passant par Rio Le 17 janvier 1933 et Buenos Aires) dans les deux sens . Pas de langage. je dois rencontrer Sajan. je vais reprendre ma casquette de clinicienne et vous livre une observation. René Couzinet. J'ai d'autant plus de plaisir à être parmi vous que le Brésil a été une terre d'asile pour mon grand Oncle. le diagnostic tombe "grave trouble oppositionnel avec hyperactivité". cela nécessite quel appareil de formation (référentiel de formation). premier lieu de formation des psychomotriciens dans le monde. j'avais offert à Martha mon dernier ouvrage " Psychosomatique relationnelle et psychomotricité " et nous avons parlé ensemble des travaux du Pr Sami Ali qui est venu au Brésil Plusieurs fois. dans un même mouvement impulsif. C'est un service de pédopsychiatrie d'un grand Hôpital parisien qui nous l'adresse. Bonjour à tous. J'arrête là le temps d'observation et ramène Sajan auprès de ses parents. Pour pouvoir se dégager d'un diagnostic qui ne fait pas sens pour nous. Ce jour là. 3 ans . à l'imaginaire autour d'un scénario qui se déroule dans le temps et dans l'espace. Sajan accepte facilement que ses parents quittent la salle .pag. des séances pour Sajan et ses parents avec une psychologue comportementaliste et des séances de psychomotricité au CMPP où je travaille. quelles sont les principales opérations constitutives de cette activité : Prise de connaissance du dossier Accueil de l'enfant et de sa famille Réalisation d'un entretien clinique Recueil de données anamnestiques Réalisation d'observations psychomotrice. de la rééducation. il vide une seconde planche de jeux. d'adaptation et de réaction importantes. de la réadaptation ou de la psychothérapie (référentiel activités). avec ses parents j'ai parcouru les notes du pédopsychiatre. il s'agit de lister toutes les activités menées par un psychomotricien qu'il soit dans le registre de la prévention. Encadrement et formation des étudiants Pour ne retenir que la première. écologique (espace. je suis amenée à rencontrer l'enfant et sa famille quand une évaluation psychomotrice a été prescrite. Je ne m'attarderai pas sur le diagnostic posé par le service de pédopsychiatrie mais "trouble oppositionnel grave avec hyperactivité" est une dénomination qui ne dit rien des réelles perturbations psychopathologiques graves de cet enfant. Analyser. réalisation d'entretiens et d'évaluation visant au diagnostic psychomoteur 2. Je le prends. Le projet de soin va être de recevoir Sajan d'abord sur 2 temps courts d'un ¼ d'heure dans la semaine pour construire une alliance thérapeutique dans un premier temps en présence de la mère. c'est à mon sens une très bonne indication pour des séances de psychomotricité. Trabalhos Científicos/Temas Livres . Dans un premier temps.Setembro 2013 . situations relationnelles) Pour mener à bien cette activité. d'observation. il a pu nous montrer combien il était difficile de rentrer en relation avec nous. Après une observation de 4 semaines en Hôpital de jour. Je voudrais tout d'abord remercier chaleureusement Martha Lovisaro et toute son équipe de m'avoir invitée à participer à votre congrès national des psychomotriciens du Brésil. Ces travaux de réingénierie sont menés à la demande de Direction Générale de l'Offre de Soins (Ministère de la Santé) et ont pour objectif . Je travaille avec 2 stagiaires de 3ème année. Recueil de données. l'arrête et reformule mon désaccord. créateur d'avion et notamment de l'Arc en Ciel. Enfin pour acquérir chacune de compétences. nous nous sommes posé la question qu'est ce que cela suppose comme compétences pour mener à bien cette activité (référentiel compétences). temps. Il n'était bien sur pas nécessaire de poursuivre le temps d'observation avec Sajan. de construire : Un référentiel métier (activités) Un référentiel compétences Un référentiel formation. Je lui signifie mon désaccord et lui propose un jeu d'échange de ballons. dans le même moment il se précipite au fond de la salle et vide tout une planche de jeux et jouets. Au-delà de ma fonction de clinicienne. Conduire une relation 3. La prescription est la suivante: Ritaline + Risperdal. Martha a pris connaissance de mon intérêt pour le thème de l'imaginaire et c'est donc avec plaisir que je viens partager mes questionnements à ce sujet lors de ces journées avec vous. Je ne vais pas vous faire le récit de cette aventure clinique car ce n'est pas mon propos mais l'un des axes majeurs de notre travail a été de pouvoir créer en lui une" capacité de jouer avec". au-delà de délivrer un grade pour rentrer dans le système européen de formation universitaire LMD . des savoir faire et un savoir être. Nous sommes là dans le thème de vos journées: comment faire accéder un enfant enfermé dans des mouvements impulsifs (pour ne pas dire hyperactivité) au jeu.Trabalhos Científicos Conférence de Abertura Autor: Anne Vachez-Gatecel Instituto de Formação em Psicomotricidade Pitié-Salpêtrière da Universidade Pierre et Marie-Curie em Paris. cela nécessite quelles compétences chez le psychomotricien (je n'en retiens ici que 3): 1. 1-144 Après un court entretien d'investigation avec Sajan et ses parents. Sans réponse de sa part. une réponse dans l'agi… Pour autant. Mettre en œuvre un projet de soins en psychomotricité à visée psychothérapique Ce type d'intervention très courte nécessite des capacités d'écoute. puis pendant un an il sera suivi 2x par semaine. de l'éducation. Pour ouvrir ces journées. Pour éclairer mon propos. Vous m'avez fait l'honneur d'ouvrir ces journées et j'espère réussir avec succès cette mission fort délicate. il me semblait important d'insister sur la formation universitaire des psychomotriciens et surtout dans un moment où en France nous sommes en plein travaux de réingénierie. la mère peut quitter la salle sans qu'une agitation motrice apparaisse chez Sajan. Après une première rencontre avec un pédopsychiatre. j'assure depuis plus de 3 ans la direction de l'Institut de Formation en Psychomotricité de la Pitié-Salpêtrière à l'Université Pierre et Marie Curie. 5 . Depuis 2 ans il continue à venir 1x par semaine. Les études sont particulières car elles doivent conjuguer systématiquement tout ce qui concerne le corps et la corporéité dans son développement normal et pathologique à ce qu'on nomme communément la psyché ou bien l'esprit dans son rapport non seulement à soi-même mais aussi à autrui. cela nécessite quel appareil de formation? Former des étudiants au métier de psychomotricien implique de transmettre des savoirs. Au bout de 3 semaines. Je travaille dans un Centre Médico-Psycho-Pédagogique recevant des enfants de 0 à 18ans. Sa seule réponse est de tenter de me mordre. c'est-à-dire en construction d'un nouveau programme de formation qui nous permettra soit d'obtenir le grade de Licence soit celui de Master. il a trouvé refuge ici de 1940 à 1946 et a inventé l'un des premiers hydroglisseur. C'est donc chargée d'émotions que je viens pour la 1ère fois dans votre grand et beau pays qui nous fait tant rêver de France ! Lors de notre rencontre à Buenos Aires en octobre dernier. évaluer la situation clinique et élaborer un diagnostic psychomoteur 2. il nous faut avoir des repères psychopathologiques et donc une formation qui puisse nous aider à penser notre clinique. Arrêtons-nous quelques instants sur ce court fragment de moins de 5mn : dans quel type d'activité j'ai été sollicitée ? Je vais en retenir 2 essentiellement : 1. Pour chaque activité.

le mime. la clinique s'appuie non seulement sur la sémiologie psychomotrice mais aussi sur la problématique de la sensorimotricité. Ces références incontournables sont les suivantes : L'équipement et les grandes fonctions du corps et du cerveau en liaison avec les neurosciences. s'engager et se situer dans la relation duelle ou de groupe. contemporaine et de contact. l'histoire du sujet. • Pathologie médicale: acquérir un vocabulaire et une connaissance médicale générale qui doit permettre de mieux appréhender les principales pathologies liées à son exercice futur. • Pédagogie: Connaitre les fondements du système scolaire et de la pédagogie et réfléchir autour de la place et du rôle du psychomotricien dans la cadre scolaire. cognitifs et symboliques ainsi que les différentes capacités à jouer chez l'enfant et chez l'adulte. les disciplines enseignées ainsi que les compétences à acquérir par modules sont les suivantes : • Anatomie et anatomie fonctionnelle : acquérir les bases de l'anatomie générale et fonctionnelle afin d'établir des liens nécessaires entre les différentes physiologies articulaires. Libre à chacun de se faire son propre cheminement de pensée comme cela doit être dans tout enseignement universitaire. Savoir rédiger une observation psychomotrice: anamnèse. Depuis quelques années. permettant de développer la mise en jeu du corps alliée à la dimension symbolique du langage dans la rencontre avec autrui. • Psychomotricité: Aborder les grands concepts psychomoteurs. le fonctionnement musculaire et les données posturales et toniques. les étudiants doivent accomplir des stages de formation professionnelle où ils découvrent les différentes pathologies. 1-144 . Cette transmission des savoirs comporte l'étude des différents champs dont se soutient la psychomotricité qui est et qui doit rester une clinique supportée par une praxis au même titre que la médecine. Notre devoir consiste à enseigner aussi bien l'histoire de la constitution de la psychomotricité. bilan. l'escalade. de symbolisation et de création de façon qu'elle devienne médiateur thérapeutique. acquérir des bases des neurosciences concernant 6 Il va de soi que ces notions sont enseignées dans un esprit de complémentarité et non de rivalité. Parallèlement à leur formation universitaire. repérer et identifier les signes cliniques psychomoteurs spécifiques à chaque pathologie. de la douleur. les émotions. • Santé publique: sensibiliser les étudiants aux méthodes et aux problèmes de santé publique. à savoir: • Conscience corporelle: S'impliquer corporellement. car l'Histoire nous a montré et nous montre encore qu'il faut se méfier des théories unitaires) mais des théories venant d'autres disciplines. • Expressivité du corps: Acquérir une aptitude à utiliser son expressivité personnelle comme outil de communication. les savoirfaire et le savoir-être s'élabore progressivement au cours de la formation. les danses primitive. les équipes de direction des instituts de formation s'attachent à harmoniser et à actualiser cet enseignement lors de rencontres régulières dans une éthique partagée. Observer. les affects et la dimension symboligène du langage. de la perception du corps et des désorientations temporo-spatiales. Si traditionnellement elle s'inscrit dans le champ de la pédopsychiatrie. Identifier et comprendre les conditions de changement individuellement. les perceptions et le sentiment de soi. Le tissage entre les savoirs. • Jeu dramatique et travail du " jouer avec ": Observer et repérer le développement des jeux moteurs. en particulier les violences faites au corps et ce qu'il en résulte. les arts du cirque. clinique et psychopathologique. un travail spécifique de réflexion et d'élaboration a été mis en place ayant pour thème la violence. La philosophie qui nous permet de nous interroger sur la problématique de la corporéité dans une conception unitaire de l'homme. • Toucher thérapeutique et enveloppements: Proposer le toucher thérapeutique comme vecteur du passage de la pure sensation à la représentation mentale qui ouvre à l'activité psychique. auxquelles chacun a la liberté de se référer. • Techniques issues du sport adapté: Maitriser les éléments fondateurs de la technique utilisée et permettre sa mise en perspective face à un projet thérapeutique personnalisé. organisée. telles que l'eau.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Les enseignements se déclinent selon trois axes séparés pour des raisons didactiques. son évolution et ses avatars ainsi que les connaissances les plus récentes dans les domaines des neurosciences et des sciences humaines. les différents systèmes d'investigation Trabalhos Científicos/Temas Livres . jouée et représentée dans un espace-temps à la fois symbolique et réel. Solliciter à travers l'enveloppement l'expérience d'un contenant global qu'assure tant le dispositif que l'équipe soignante lorsque fait défaut l'investissement fondamental de la peau et des premières ébauches du Moi. • Psychiatrie: Identifier et repérer les diverses notions de la pathologie en psychiatrie del'enfant. en groupe et en institution. les premières notions d'étayage psychomoteur en regard de la pathologie. adolescent. Savoir identifier et comprendre les causes de déséquilibre psychique (enfant. projet et médiations utilisées. La transmission des savoir-faire Les étudiants parallèlement à leur formation théorique reçoivent une formation clinique qui se veut autant que possible éclectique. Un enseignement théorico-clinique leur est dispensé par des psychomotriciens professionnels. le cheval. • Neuropédiatrie: Raisonner à partir de l'analyse de la réalité sensorimotrice.pag. aujourd'hui elle s'adresse à tous les âges de la vie et à toutes les pathologies comme en médecine. de l'adolescent et de l'adulte en lien avec la psychomotricité. L'accent est mis sur les techniques utilisées en psychomotricité en fonction des âges et des pathologies. • Neuro-anatomie: Intégrer la connaissance tridimensionnelle du Système nerveux central. • Physiologie: Apporter les informations fondamentales sur la biologie du corps humain. par l'intermédiaire de la psychanalyse. l'étude des comportements humains. • Médiations spécifiques: S'initier aux techniques de médiation corporelle thérapeutique. en particulier du mouvement et développer les principaux dysfonctionnements. progresser dans une conscience de soi et une disponibilité corporelle. Pour répondre à la problématique de notre société contemporaine. Le processus psycho-dynamique auquel se rattache. Dans cette perspective. Si les troubles se repèrent objectivement au moyen des examens psychomoteurs. NOTIONS DE PHILOSOPHIE DU CORPS ET DE SOCIOLOGIE GROUPALE ET INSTITUTIONNELLE. • Neuropsychologie: Apprendre certaines pathologies neurologiques et leur résonnance sur le vécu des patients afin d'affiner leur prise en charge. Les techniques sont abordées aussi bien de façon individuelle que groupale. adulte et personne âgée). LA TRANSMISSION DES SAVOIRS Il n'y a pas de théorie psychomotrice unitaire et globale (c'est tant mieux. sensorielle et neurosensorielle en fonction des étapes du développement pour mieux favoriser les activités cognitives et l'éveil psychique à tous les âges grâce aux ressources de la plasticité cérébrale. la psychologie. • Psychologie: Acquérir des connaissances globales des principaux fondements théoriques de la psychologie développementale. • Relaxations thérapeutiques: intégrer les grands principes des méthodes fondamentales des relaxations thérapeutiques et être capable de reproduire ce savoir-faire en situation clinique. A partir d'un imaginaire structuré.Setembro 3013 . l'intersubjectivité. élaborer une fiction où des personnages racontent une histoire inventée de façon collective ou individuelle qui sera ensuite construite. les arts martiaux.

Bien entendu. la formation des psychomotriciens regroupe les savoirs issus de la biologie.pag.Donald D. les enseignements dogmatiques et les certitudes universelles. Celui-ci se forme et se développe au moyen de la relation à la médiation corporelle comme l'ont montré en leur temps : . l'étudiant utilise un objet singulier : son propre corps comme médiateur de la relation à l'autre. c'est la mise en sens et le travail de représentation qui permettent de penser le corps et sa relation . consultant/expert.Spécialité Education thérapeutique: coordinateur dans les réseaux de soins. au terme de leurs études. nous voudrions que les étudiants. Enfin. ils tissent les liens entre théorie.Henri Wallon: qui a insisté sur l'importance du corps dans la naissance des émotions .Spécialité Didactique professionnelle: développement des pratiques. Dans ce cadre. Damasio: qui pose le concept d'émotion comme central en pathologie Dans leur formation pratique les étudiants expérimentent également les limites du rapport corps à corps. C'est ainsi que se construit progressivement l'identité psychocorporelle du psychomotricien.Trabalhos Científicos et les différentes médiations utilisées. Au niveau des savoir-faire elle intègre les données de la sémiologie et des évaluations qualitatives et quantitatives des différentes pathologies en lien avec la clinique psychomotrice.Julian de Ajuriaguerra: qui a nommé la relation psychocorporelle qui s'établit entre deux êtres le dialogue tonico-émotionnel .René Roussillon: qui à partir du concept d'objet malléable de Milner développe le concept d'objeu .Jean Bergès: qui a insisté sur le nouage entre corps et langage Et plus près de nous des auteurs comme: . de la psychanalyse et de la philosophie. . Les étudiants synthétisent leurs expériences de stagiaire dans des groupes de parole. singulière dans son vécu. C'est à ce point précis que s'inscrit une éthique du corps en psychomotricité car il s'agit bien là d'un impératif catégorique au sens kantien du terme : poser les limites et les interdits corporels afin de conduire les patients vers une symbolisation nécessaire dans le respect de soi-même et d'autrui. C'est ce paradoxe que nous défendons à travers les enseignements dispensés car il oblige les étudiants avec leurs professeurs à s'interroger constamment sur la pertinence et la vérité relative des savoirs. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . ce travail de représentation est lié à la capacité à imaginer.Spécialité Gérontologique: coordinateur dans les réseaux de soins. les sensations et les affects et le savoir-faire avec son corps dans la relation thérapeutique. consultant/expert .Setembro 2013 . somme toute. expert auprès d'associations de malades .Antonio R. A travers cet enseignement.André Bullinger: qui à travers la sensorimotricité développe les concepts de flux sensoriel et d'équilibre sensoritonique . Ils mettent à l'épreuve non seulement leurs capacités relationnelles et créatives mais aussi leur disponibilité psychocorporelle. LA TRANSMISSION DU SAVOIR-ÊTRE L'enseignement repose sur une éthique générale du soin en psychomotricité qui doit conférer au sujet défaillant une capacité corporelle relationnelle satisfaisante ou du moins suffisante pour recréer un équilibre psychocorporel acceptable.Spécialité Handicap neurologique chez l'adulte : coordinateur dans les réseaux de soins. Cette distanciation s'éprouve dans tout le travail d'expressivité du corps et de relaxation que l'étudiant expérimente dans sa formation corporelle personnelle. Ce qui peut paraître surprenant et soulève une interrogation fondamentale : comment peut-on. clinique et pratique psychomotrice. de l'anatomie fonctionnelle à la représentation symbolique. de holding et de handling . En résumé. ce qui évite. transmission des savoirs . Plurielle dans ses apprentissages. L'identité professionnelle du psychomotricien est plurielle et singulière à la fois.Bernard Golse: qui articule les données actuelles des neurosciences avec la psychopathologie du corps LA RECHERCHE • DU d'Initiation à la recherche clinique en psychomotricité • Master RIM : . les apprentissages des techniques de soin à médiation corporelle conduisent les étudiants à s'interroger sur leur propre corporéité. mesurent à quel point la psychomotricité est de la " psyché " en mouvement dans leur corps. Dans cette perspective. à la fois être pris dans la relation à l'autre et être l'agent de cette relation? C'est dans ce travail d'élaboration que réside une distanciation entre son propre corps comprenant les perceptions. des neurosciences.Spécialité Recherche clinique .Winnicott: qui a développé les concepts d'espace transitionnel. 1-144 7 .

Neste estágio primordial do desenvolvimento o que o bebê vê. já que grande parte desses ruídos provém de aparelhos de monitoração. INTRODUÇÃO Os grandes avanços e sofisticação tecnológica ocorridos no campo da Neonatologia nas últimas décadas vêm permitindo a sobrevivência de bebês antes considerados inviáveis: muitos por serem portadores de doenças. A luz forte e contínua também pode levar o recém-nascido a fechar os olhos numa atitude de autoproteção contra o estímulo excessivo. sua família e a equipe de saúde.. a separação entre a mãe e o bebê acontece de forma repentina e precoce. o que interfere na interação pais-bebê. e outros tantos devido ao nascimento pré-termo. 1-144 . É o acolhimento oferecido pelo ambiente. malformações ou síndromes.) nos descreve o processo de identificação pelo qual. Com esta capacidade o bebê (. ruídos e procedimentos que os pais não compreendem. Quando há necessidade de internação hospitalar logo após o nascimento.) ser mudado de posição [pego no colo. (Dutra. de suma importância para o crescimento e desenvolvimento do bebê (Moreira et al. Trabalhos Científicos/Temas Livres . seus pais e a equipe de saúde: contribuições da Psicomotricidade para a construção de vínculos na Unidade Intensiva Neonatal Autores: Eleonora Filgueiras..XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual O recém-nascido. Apesar de a internação em UTI Neonatal ser vital para recémnascidos prematuros ou bebês adoecidos e/ou portadores de malformações ou síndromes. pois dizem respeito a uma relação que é sempre única com cada filho ou filha. esses bebês vêm ao mundo como os novos pacientes. se tudo estiver transcursando normalmente. os fundamentos da capacidade que o bebê tem de sentir-se real. Palavras-chave: Psicomotricidade. não envolvem um conhecimento técnico. sem intercorrências. Estas. ou] deixado a sós (. Especificamente no caso desses últimos a possibilidade de sobrevivência torna-se cada vez maior em idades gestacionais e com pesos cada vez menores.. p. a mãe se envolve com ele de tal forma que. retardando o desenvolvimento normal deste. fundamenta o desenvolvimento (Winnicott.) pode continuar a desenvolver os processos de maturação que ele ou ela herdaram" (p. 2003: 62). Dessa forma buscamos a aproximação desses dois campos. é a si mesmo. São cuidados que envolvem uma sensibilidade especial e que. Tais profissionais.) ". ao mesmo tempo. que fornece as bases do desenvolvimento emocional. A psicomotricidade..cit. especialmente quando o bebê não pode ir ao colo e as interações pelo olhar assumem função de continente (Braga & Morsch. aconchegos e de um pronto atendimento às demandas do bebê e. sons. O excesso de ruídos pode acarretar o estresse fisiológico do bebê – com o aumento das frequências cardíaca e respiratória. O sentido do nascimento como celebração da vida se perde entre um sem número de sofisticados aparelhos em um espaço físico com muitas especificações. pode acabar por limitar as relações estabelecidas entre esses profissionais. tornando imperativas as constantes buscas para o aprimoramento de seus cuidados. quando o bebê nasce. ao mesmo tempo. Winnicott (op. promover o bem estar do recém8 nascido por meio de embalos. por mais informações que os pais tenham adquirido sobre como cuidar de um bebê.) tudo aquilo que nessa ocasião uma mãe é e faz" (op cit. e também. relativamente novos um para o outro: a Psicomotricidade e o cuidado intensivo neonatal. os bebês internados e seus familiares.. A imensa quantidade de ruídos produzidos no ambiente da UTI Neonatal também pode ser considerada como originária da necessidade de vigilância e de manter a estabilidade dos parâmetros clínicos e fisiológicos dos pacientes. Na UTI Neonatal o que impera é a gravidade. ela pode se configurar como um fator de risco a mais para o bom desenvolvimento psicomotor da criança.pag. por sua essência interdisciplinar. UTI Neonatal. a mãe passa durante os nove meses de gestação e nas primeiras semanas após o parto. p. A partir de referenciais teóricos articulados com experiência prática. circulação de ar e odores. conscientes de que a sobrevivência e saúde de seu bebê dependem desse complexo e estranho aparato. o que é de fundamental importância para a sobrevivência e saúde dos pacientes. filtram e selecionam os estímulos ambientais como luzes. Vínculos. no entanto. que abrange "(.. por exemplo. A necessidade de vigilância constante dos pacientes gerou nas UTIs o uso das luzes permanentemente acesas. Nas palavras de Winnicott (op cit. seus pais e a equipe de saúde.. por ser uma área que se ocupa do desenvolvimento humano. permitindo que o bebê tenha vivências de integração. Isso ocorre porque este ambiente expõe o neonato a uma sobrecarga de estimulação constante e. o bebê desenvolva uma percepção de si. podendo se configurar como um entrave na continuidade do vinculo que vinha sendo tecido entre eles durante a gestação.. Tais momentos promovem uma vivência de integração. podem acarretar no recém-nascido alterações em seu ciclo sonovigília. as de "(.5). aos poucos. 2. nos momentos de troca de olhares com a mãe. promove uma privação de estímulos que seriam adequados. entretanto. Enquanto o feto se desenvolve. 1999). com necessidades e demandas muito específicas. 2003).. pois o olhar é um canal importante de comunicação nãoverbal. que nesse momento é a própria mãe.Setembro 3013 . procuramos apontar algumas contribuições da Psicomotricidade para o estabelecimento e fortalecimento dos vínculos entre recém-nascidos. o referido autor inaugura o conceito de holding. As equipes de saúde que compõem as unidades intensivas poderiam assumir o papel de agente facilitador da formação de vínculos e estreitamento dos laços entre os recém-nascidos internados e seus pais. A despeito da diminuição das taxas de mortalidade desses recém-nascidos as taxas de morbidade vêm sendo um desafio inquietante para os profissionais que se ocupam da saúde do neonato. Isso promove no bebê uma sensação de continuidade que. possuem uma formação e uma prática em que a precisão técnica e a eficácia são priorizadas. que fornece ao bebê os alicerces de seu desenvolvimento emocional. Anna Paula Freitas Resumo Este artigo trata da importância dos vínculos primordiais para o desenvolvimento psicomotor do bebê e discute os atravessamentos que a edificação e continuidade de tais vínculos podem sofrer quando há necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. como unidade separada do outro.)" (Winnicott. Tal interferência pode repercutir no estreitamento dos laços e formação do vínculo pais-bebê. Para descrever o tipo de acolhimento fornecido pela mãe durante esta fase. op cit.. a urgência e a competência técnica. As repetidas experiências nesse sentido têm o efeito de promover o que o autor chama de "ambiente de facilitação". mas por outro lado. desde as mais óbvias como a fome. Assim. que são próprias do bebê. mas aceitam. privilegiando as vias não verbais de expressão e interação. através de seus cuidados. 2006). até as mais sutis como.. que fornece apoio para que. por sua vez. os pais buscam. Winnicott (1978) fala da função de espelho que o olhar da mãe assume nas interações com seu bebê.. O AMBIENTE E SEUS ESTÍMULOS . o que prejudica a qualidade e quantidade de sono profundo. pode trazer contribuições importantes para facilitar a constituição e fortalecimento do vinculo entre os bebês internados.4).REPERCUSSÕES NO RECÉM-NASCIDO Em um nascimento a termo. ela é dotada de uma capacidade especializada de compreensão das suas necessidades. 1.5).

A relação dos pais com as equipes de saúde não é simples. eu só pude lhe dar a morte" (p. 2003). evitando interferências. 5. apneias. 2006). nos momentos de dor ou desconforto a presença dos pais é de grande importância para os bebês (idem). Os pais podem experimentar uma grande culpabilidade pela situação que estão vivendo.). acreditando-se responsáveis pelos problemas que seu filho ou filha está passando (Mathelin. Este sentimento é respaldado pelo fato de que ela tem diante de si um bebê que precisa ser cuidado por outros. o que pode deixá-los confusos e inibidos para fazer perguntas (Lamy Filho. por não estar dando a atenção que seu bebê precisa. configurando-se. Trata-se de um ambiente de trabalho que figura entre os mais sobrecarregados e agressivos dentro do espaço hospitalar (Junqueira et al. a tecnologia e o conhecimento disponível nessa área em constante evolução fornecem o respaldo necessário para a execução de seu trabalho. 2002). para a aproximação e vinculação com seu bebê. 2006. Em outras situações. aumento da pressão intracraniana – e a alterações comportamentais como: dificuldades de sono devido à interrupção constante. as histórias de amor. (Mathelin. 3. como quando o bebê está em condições de sugar. sem que eu tivesse que cuidar dele. quais são as categorias de cada profissional. interferindo nas interações. através de seus recursos internos e com o apoio das pessoas entorno. em entraves para a instauração de vínculos dos profissionais tanto com os bebês. 2003. de atenção e. é o de incapacidade para cuidar de um bebê que ela acredita ter sido incapaz de gestar adequadamente (levar a gravidez ao termo ou gerar uma criança saudável ou normal). Cabe salientar que existe o reconhecimento dos membros das equipes sobre a importância de se oferecer aos recém-nascidos cuidados mais continentes. susto.26). um conhecimento – quer do ponto de vista cientifico. Além disso. pois muitas vezes temem que uma mudança na forma de abordar o recém-nascido possa interferir na precisão e eficácia dos procedimentos técnicos (idem). podendo chegar a uma crise tônico-emocional (Lamego & Maciel. 1-144 expressamente que os pais aguardem do lado de fora ou que não entrem. ao mesmo tempo em que se encontram diante daquilo que pode haver de mais humano: o nascimento. Moreira et. muito embora algumas estratégias venham sendo traçadas e desenvolvidas em diversas UTIs no sentido de se favorecer e valorizar a sua presença neste momento tão delicado. em meio aos jalecos brancos. assim. Consideramos que a Psicomotricidade possui algumas características que a fazem se configurar como um apropriado instrumento para auxiliar nos cuidados com o recém-nascido internado. é a dimensão da profilaxia. a esperança. com os bebês em suas incubadoras e com um ambiente repleto de profissionais que utilizam uma linguagem pouco familiar para eles (Braga & Morsch.. expressamente ou não. o que pode ocorrer. as histórias e costumes das famílias. eles lhe deram a vida. Tais características podem tornar difícil a produção de abordagens mais acolhedoras e continentes (Junqueira et al. Os pais. Paradoxalmente. ou podem.. em especial com a mãe. Dessa forma. em maior ou menor grau. 2003). Essa dificuldade se acentua quando se trata de procedimentos invasivos ou dolorosos. pela vigilância e pelo constante confronto com o sofrimento. op cit. OS PAIS DO BEBÊ Ao entrarem na UTI Neonatal os pais se deparam com aparelhos e ruídos característicos.) mostram como esse sentimento pode chegar ao extremo. O psicomotricista tem ao longo de sua formação – além de todo o corpo 9 . 2003). o sofrimento. que promove no bebê a sensação de unidade e continuidade. 1999). que é a principal via de comunicação do bebê e a abordagem integradora. diante desse quadro. eu não devia me aproximar dele. em que pode ser difícil para a equipe dar atenção aos pais e ao bebê ao mesmo tempo.pag. Se ela passa algum tempo ausente. ela diz: "Na unidade. mesmo que não sejam expressos abertamente. choro e a atitude defensiva de fechar-se para o ambiente. Por um lado.. durante a gestação. desestimular sua presença em determinados horários. no entanto. Dentre estas características destacamos a capacidade de envolvimento e comunicação pela via corporal. consequentemente de aprendizagem. Os profissionais em geral possuem. o fazer profissional dessas pessoas as coloca diante de tecnologias e aparelhagens de ponta e exige delas a precisão técnica característica de uma máquina. Os manuseios podem chegar a "mais de 100 vezes em 24 horas no período crítico" (Gianini et al.. al. especialmente nos prematuros.Setembro 2013 . a dor e a possibilidade da morte. 2006). quer por suas experiências pessoais – sobre as necessidades dos bebês de receberem este tipo de atenção. podem sentir que suas contribuições no cuidado com seu filho são dispensáveis ou secundários (Braga & Morsch. em maior ou menor grau. pois os profissionais podem se sentir inibidos ou constrangidos (Junqueira et al. p. Outro sentimento comum de ocorrer com os pais. mas sentemse impedidos de os oferecerem. Nesses momentos e em momentos em que o ambiente está agitado e há muito trabalho a ser feito. A EQUIPE Os profissionais de uma UTI Neonatal têm seu dia-a-dia permeado pela urgência. há uma tendência de os profissionais a criticarem. As palavras de uma mãe na ocasião da alta de seu bebê depois de três meses de internação citadas por Mathelin (op cit. É fundamental que a equipe de saúde saiba acolher esses momentos. não verbal. muitas mães e pais conseguem ultrapassar as barreiras que a hospitalização impõe e encontrar caminhos. ora rejeitar a gravidez) são comuns. contribuindo para sua qualidade de vida durante a hospitalização e protegendo seu desenvolvimento após a alta. 1999). quanto com os pais. os profissionais podem pedir Trabalhos Científicos/Temas Livres .. tanto por razões muito concretas como ter que cuidar de outros filhos ou por razões subjetivas de não estar suportando uma aproximação naquele momento (Braga & Morsch. 2003). distúrbios do sono. a vida e a morte.19). Muitas vezes tais procedimentos são dolorosos e/ou invasivos e os recursos (fisiológicos e cognitivos) para lidar com a dor e o sofrimento ainda não se encontram suficientemente desenvolvidos nos recém-nascidos. Trata-se de quadros psicomotores adversos ao bem estar e futuro desenvolvimento do bebê. Assim pode ocorrer de estes pais atribuírem a situação que o bebê está passando a tais sentimentos. A necessidade de uma grande quantidade de manuseio para a execução de procedimentos e cuidados é outra fonte importante de estresse fisiológico para o recém-nascido internado em UTI. O PAPEL DA PSICOMOTRICIDADE A dimensão do papel da Psicomotricidade no âmbito da UTI neonatal conforme compreendemos..Trabalhos Científicos diminuição da saturação de oxigênio. (Gianini et al. 4. a profusão de sentimentos. É importante salientar. Após a alta pode haver repercussões em seu desenvolvimento. A hiperestimulação sensorial constante e maciça anteriormente descrita pode desencadear quadros de agitação psicomotora e estados tônico-emocionais desfavoráveis. que a despeito da profusão de sentimentos que a internação de um bebê pode gerar. podem ter dificuldades para distinguir. as ambivalências afetivas. simplesmente. Essas situações evidenciam o quão conflitante é a entrada e permanência dos pais em uma UTI Neonatal. Ao mesmo tempo em que os profissionais têm consciência da importância da presença dos pais. a entrada da mãe é supervalorizada. Os desafios envolvidos no trabalho intensivo neonatal colocam constantemente os profissionais em confronto com seus próprios limites.. esta pode se tornar um incômodo em momentos como a realização de procedimentos. comprometendo gravemente o vinculo mãe-bebê. Situações que acarretem a impossibilidade ou a restrição de vivências sensóriomotoras e que impliquem na qualidade das relações iniciais entre pais e bebês podem configurar-se como riscos para o futuro desenvolvimento psicomotor da criança. tais como perdas auditivas (idem). por outro lado cada bebê se apresenta de forma única não sendo possível garantir de antemão como será sua evolução. Sentimentos ambivalentes (de ora desejar. 2006).

podemos apontar três focos de atuação do psicomotricista na UTI neonatal: os bebês. In: Quando a Vida Começa Diferente: o bebê e sua família na uti neonatal. O diferencial que a Psicomotricidade traz é o olhar sensibilizado para a leitura e compreensão das necessidades individuais de cada bebê na aplicação e uso das referidas abordagens. dilemas e práticas. S. Deslandes. Morsch. REFERÊNCIAS Aucouturrier. A. 2002). Denise Streit (Orgs). Rio de Janeiro: Companhia de Freud. N. N. Mousinho. apontando para um trabalho conjunto e visando a oferecer um cuidado diferenciado aos bebês internados. 2. Y.2. já que esta se configura como uma área fortemente impregnada pelo modelo positivista (Gomes & Deslandes. e. C. apenas oferecendo um ambiente/atmosfera que permita aos pais interagirem espontaneamente com seus bebês.vivências corporais que o permitem "reapropriar-se de uma dimensão sensório-motora e emocional. Thompsom. A atuação do psicomotricista nesse campo também pode abranger a conscientização da equipe para a necessidade do uso de algumas ações conhecias para diminuir os efeitos da hiperestimulação ambiental no desenvolvimento dos recém-nascidos. Morch. Rio de Janeiro: Fiocruz. Gianini. A. Braga. já que privilegia o corpo como canal de expressão (idem). Isso pode ser feito mediando a leitura dos sinais de interação emitidos pelo recém-nascido.. Textos Selecionados: da Pediatria à Psicanálise. Béziers. Bebês Hospitalizados: uma Reflexão sobre o Corpo. posicionando-o no leito. In: Revista Latino-Americana de Enfermagem. Maria Elizaneth Lopes. Bomfim. Morsch D. Os Primeiros Dias na UTI. (Orgs). Rio de Janeiro: Fiocruz. In: Deslandes. A interdisciplinaridade não se configura como um ataque às especializações. Nina de Almeida. o que pode se desdobrar em uma forma de cuidado diferenciado e. proporcionando oportunidades de sucção não nutritiva (Tamez E Silva. M. D. As ações descritas acima são estratégias de manejo que não são específicas da Psicomotricidade. A interdisciplinaridade. Trata-se de uma formação vivenciada que desenvolve no profissional a capacidade de situar-se na comunicação com o outro por vias não verbais. o que favorece o trabalho em interface com profissionais de saúde de outras categorias. Lamy Filho. Nina de Almeida. _______________________. M-M. P. A segmentação do saber característica das especializações. Humanização dos Cuidados em Saúde: conceitos. Atenção Humanizada ao Recém-nascido. tendo sido atravessada por múltiplas influências e diversas disciplinas. 2. como uma necessidade no âmbito da saúde. S. C. ao mesmo tempo em que traz grades avanços em tratamentos e curas. Rio de Janeiro: Fiocruz. oferecendo colo quando possível.. cada vez mais. F. Trata-se de um trabalho de construção conjunta. fraldas e cueiros que ajudem a manter o recém-nascido em posições confortáveis servindo de apoio continente e de sustentação (Moreira et al. Quando a Vida Começa Diferente: o bebê e sua família na uti neonatal. 1986: 45).. 1-144 . 2003. In: Moreira. em que "os grupos musculares do corpo estão colocados em posições favoráveis à coordenação motora [dessa forma] o bebê se acalma graças à tonicidade equilibrada de seus músculos" (Béziers. 1994). n. 1994 pp. O Sorriso da Gioconda: clínica psicanalítica com bebês prematuros. São Paulo: Lovise. em última instância. por exemplo (idem). S. In: DUTRA.J. Lamego. Rita. valorizando junto aos pais as potências e competências dos bebês. N. 1999. auxiliandoos na descoberta dos caminhos para o contato com seus filhos.. Melo. W. In: Quando a Vida Começa Diferente: o bebê e sua família na uti neonatal. D. Darrault. desde seus primeiros dias até os atuais. S. D.. Rio de Janeiro: Francisco Alves. A Prática Psicomotora: Reeducação e Terapia. São Paulo: Summus. M. Renata (Orgs. Rio de Janeiro: Fiocruz. 1920).. N. A atuação junto aos bebês consiste em favorecer sua organização corporal. Porto Alegre: Artes Médicas. que acaba por vincular a todos os envolvidos. W. Os bebês e suas mães. 1994. portanto podem e devem ser aprendidas e utilizadas por todos os que lidam com o bebê. 2002. A. M. R. Braga. A Equipe da UTI Neonatal. M. Psicomotricidade e Interdisciplinaridade: uma Experiência em Saúde Pública. que não pertence à ordem da linguagem. ____________. do desenvolvimento do recém-nascido internado em unidades intensivas. __________________. Outra característica que ressalta a importância da Psicomotricidade no âmbito o cuidado intensivo neonatal é o fato e que. ed. Carlos Alberto de Mattos. 2006.. J. 2003. D. F. Carlos Alberto de Mattos. B. pois como vimos anteriormente. A. A. Envolve também a instrumentalização da equipe para a incorporação de estratégias e recursos visando a uma abordagem mais integradora. tais como: o agrupamento de cuidados e a filtragem dos estímulos luminosos e sonoros. N. Rio de Janeiro: Revinter. Mathelin.. R. seus pais e a equipe de saúde. Rio de Janeiro: Revinter. Thompsom. Em nossa experiência percebemos que a dinâmica de troca interdisciplinar demanda reformulações constantes dos conhecimentos e práticas estabelecidos (Lamego & Maciel. 2002. Adauto (Org. & Silva. podendo trazer como benefícios adicionais a diminuição do estresse do profissional e a facilitação das interações entre pais e bebês. Hunsinger.) Psicomotricidade Clínica.. Rita. M. Enfermagem na UTI Neonatal: assistência ao recém-nascido de alto risco. Tudo isso requer o estabelecimento com a equipe de uma relação interdisciplinar. Este posicionamento facilita também o contato com o próprio corpo. M. Morsch.. S. Braga. Quando a Vida Começa Diferente: o bebê e sua família na uti neonatal.. Mousinho. Lamego. Oferecendo toque continente firme e contínuo em uma ou duas partes do corpo como cabeça e bacia. que é fundamental para fornecer as bases estruturantes do desenvolvimento da criança. Um Nascimento diferente. São Paulo: Martins Fontes. no sentido tradicional. Moreira. A partir deste olhar profilático e interdisciplinar. a Psicomotricidade se configura como uma ciência de fronteira. Empinet. mas como uma proposta de ampliação do olhar do profissional de saúde apontando para uma visão mais integrada. 2. Assim. Tamez. In: Moreira. sempre que possível em posições que promovam o enrolamento do tronco. L. F. Assim.. D. inclusive durante a realização de procedimentos. é identificada. 1999. T. São Paulo: Lovise. a Psicomotricidade possui um caráter essencialmente interdisciplinar. de importância inestimável para pacientes que sofrem e seus familiares. D. xxx 10 Trabalhos Científicos/Temas Livres .. Moreira. Maria Elizabeth Lopes. utilizando rolinhos. Rio de Janeiro: Fiocruz. 1986. que se propaga. v. In: Tames. Raquel Nascimento. 2003. I. Dessa forma é instaurado um ambiente mais tranquilo e acolhedor. M E. Gomes. Braga.. Maria Elizaneth Lopes. por seu turno. Suely Ferreira (Org. No trabalho com os pais. E. A.L.). 2002. Denise Streit (Orgs).) Psicomotricidade Clínica. Renata (Orgs. acarreta o risco de se perder de vista o caráter holístico do adoecer e do sofrimento dos mesmos pacientes. Dutra. Conhecendo uma UTI Neonatal. Junto à equipe de saúde o trabalho do psicomotricista envolve a sensibilização para a compreensão dos estados tônico-emocionais do bebê e de suas expressões não verbais de dor e sofrimento físico e psíquico. Braga. Medicina Neonatal. Junqueira. possibilitando toda a equipe se aproprie dos conhecimentos e do olhar da Psicomotricidade em seu fazer profissional diário. T. esses bebês já recebem uma grande quantidade de manipulações. De A. 2003." (Aucouturrier et al.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual teórico e práticas de atendimentos . Braga. & Maciel. Controle da Dor e Sedação no Recém-Nascido.pag. Interdisciplinaridade na Saúde Pública: um campo em construção.. C.). Ribeirão Preto. & Deslandes. 1994. ed. se repercutir no futuro desenvolvimento psicomotor desses bebês. 2006. Moreira. M. D. F. Morsch. In: Ferreira. jul. Medicina Neonatal. De A. Nina de Almeida. In: Ferreira. 2006. P. Morch.Setembro 3013 . entendemos que o papel do psicomotricista não consiste em ser um estimulador. O Bebê e a Coordenação Motora: os gestos apropriados para lidar com a criança. mais ou menos esquecida. Denise Streit (Orgs). Winnicott. C. S. Morsch. entendemos que o olhar diferenciado do psicomotricista pode servir como contribuição para facilitar a formação do vínculo ou reforçar os laços entre pais e bebês. Tais abordagens de organização corporal também se configuram como intervenções não farmacológicas visando a diminuir a duração e intensidade da dor (idem).. 2003). O. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. O. 2002). S. o Espaço e o Tempo. L. Rodrigues. 1978. muitas vezes. Os Desafios da Humanização em uma UTI Neonatal Cirúrgica.

psicanalista inglês e teórico das relações objetais. Psicomotricidade. Hoje. A prática transpsicomotora no CRESCENDO . porém nem tudo pode ser estendido totalmente para a virtualidade. É através de interações e retrointerações que a nossa teia pessoal vai sendo tecida. a mãe) é fundamental ao estabelecimento.. a fragilidade dos vínculos afeta profundamente a constituição do sujeito e da sua personalidade. inserido num contexto social e universal. os sentimentos. descreveu o desenvolvimento emocional primitivo em termos da jornada da dependência à independência. do entrelaçamento. que nos compõe e nos religa a tudo e a todos. das realidades reais e virtuais. e no encontro das corporeidades o desenvolvimento humano vai se constituindo de forma plena. Sobre o brincar. Erikson (1980). numa dinâmica de total aceitação mútua na intimidade do brincar. afeto e fortalecimento desses vínculos primários para um desenvolvimento pleno. pois. é na fase de dependência absoluta que a mãe desenvolve o que chamou de preocupação materna primária (Winnicott. Na infância a fragilidade dos vínculos é muito preocupante. No Crescendo . do corpo a corpo. Palavras-chave: Vínculos.pag. de um senso de confiança básica e o surgimento gradativo de um senso de identidade que ocorre pela interação do sujeito com seu meio ambiente. sólidos. principalmente quando focalizamos os vínculos primários percebemos a necessidade de solidez. que precisa ser ouvida nos seus apelos não-verbais e atendida nas suas reais necessidades de acolhimento. do face a face. conscientes da corporeidade como condição humana. O comportamento do principal provedor de cuidados (comumente. constituindo. Este estado especial da mãe faz com que ela seja capaz de compreender o bebê por meio de uma surpreendente capacidade de identificação. somar esforços para decifração do contemporâneo. então.Setembro 2013 . ao longo do desenvolvimento. Winnicott. 2. várias teorias. bebês e crianças. 1956). Infância. entrelaçamento de corpos e afetos. pois afeta profundamente a constituição do sujeito e da sua personalidade. descrevendo as relações do bebê com sua mãe ou cuidador desde o nascimento . que podem ser deletados facilmente. assim como cada recémnascido é um ser altamente individualizado. VÍNCULOS PRIMÁRIOS . mas também entre os seres humanos de uma maneira geral. figuras estruturantes e de referência são fundamentais para o desenvolvimento psicomotor. INTRODUÇÃO O objetivo deste artigo é refletir sobre os vínculos primários e o desenvolvimento psicomotor. é necessária a existência de uma relação de afeto e de apego como fator primário para um adequado desenvolvimento. A mãe. email ou celular ).se com ele em uma unidade. no livro "Amar e Brincar" conclui que as consciências individual e social da criança surgem mediante suas interações corporais com as mães. "Complexus". vincular.Centro Integrado de Desenvolvimento Infantil trabalhamos desde o casal-grávido. A Psicomotricidade tal como a entendemos. o ser humano que sua história de interações com sua mãe e os outros seres que a rodeiam permitir. na capacidade dos adultos em compreender as complexas necessidades da criança "Acompanhando" e servindo de referência às suas iniciativas.VIDA INTRAUTERINA E INTERAÇÕES INICIAIS MÃE-BEBÊ 1. diante deste tema tão importante e visceral trago um alerta do pensador Zygmunt Bauman (2004) que em sua obra "Amor Líquido" fala sobre a fragilidade dos laços humanos resultante deste líquido mundo moderno que não valoriza o que é sólido e durável e dá mais importância a cultura da satisfação instantânea.. auxilia-o a se integrar. dependência relativa e autonomia relativa. ampliando as ações. Demonstrou como as experiências fetais desempenham papel importante e impactam sobre o futuro desenvolvimento do indivíduo. pela criança. A origem da palavra "Vinculum" que significa laço. Portanto. do pele a pele. descreveram a importância das primeiras relações para o desenvolvimento. Acreditamos que a história de vida de uma criança se inicia na gravidez e durante a gestação. essencialmente. a formação de vínculos de confiança. uma criança necessariamente chegará a ser. As relações psicoafetivas. propondo três categorias: dependência absoluta. complexificando as idéias na proposição do Pensamento Complexo. nó. em 1963. dependendo de como sua corporeidade se transforme nessas interações". busca a compreensão da subjetividade manifesta nos corpos em movimento em suas interações e um dos canais possíveis da expressão pela ação psicomotora é o brincar em seu potencial interativo e de vinculação. Winnicott( 1963).é aquilo que é tecido junto. gerando níveis de insegurança que aumentam a cada dia. Para ele. a criança passa a revelar um vínculo que é facilmente observado e que evidencia a formação de uma relação afetiva com as principais figuras deste ambiente. é também a origem da palavra vinile que virou "brinco" e originou o verbo brincar. desse modo. mas também o da mãe o é pelo comportamento do bebê. Esta liquidez não ocorre apenas nas relações amorosas e vínculos familiares. formulando. Trabalhos Científicos/Temas Livres . onde o sujeito é visto na sua singularidade e multiplicidade. buscando fortalecer os vínculos afetivos que contribuem significativamente para o desabrochar das potencialidades. é a partir da qualidade da relação. É preciso conviver com o real e o virtual na Modernidade. do olhar/escuta do outro que se constroem subjetividades. tendo como suporte as pesquisas e estudos que revelam a importância das relações psicoafetivas na primeira infância. da multidimensionalidade do ser e da necessidade de religação dos saberes para entender a complexidade dos fenômenos humanos. Religar é unir.Psicomotricidade com base no Pensamento Complexo e Transdisciplinar busco nesse artigo. Os vínculos estão cada vez mais flexíveis e fluídos. com o respaldo de pesquisadores contemporâneos. 1-144 Alessandra Piontelli (1945) através de sua pesquisa observacional descobriu que cada feto. juntar. Spitz (1945). Morin (2000) nos fala de um olhar poliocular para as questões humanas. que é conjugado nos encontros psicomotores. consistência.Centro Integrado de Desenvolvimento Infantil corrobora a importância dos vínculos primários para o desenvolvimento psicomotor harmonioso. pensamentos e emoções. cabe tanto a mãe como ao bebê a tarefa de vinculação em que não apenas o comportamento do bebê é moldado pelo comportamento da mãe. A infância saudável se sustenta.Trabalhos Científicos Vínculos primários e desenvolvimento psicomotor A importância dos vínculos afetivos no desenvolvimento infantil Autor: Dulce Martins Instituição: Crescendo Resumo A partir do olhar da Transpsicomotricidade . relacionamentos em "rede" (pela internet através de bate-papo. Vários autores como Bowlby (1969). neste mesmo livro nos fala: ". e os recém11 . atilho. vão acompanhar a tríade mãe/pai/bebê. Maturana (2004). onde a abrangência nasce da complementaridade. Crescendo. trazer reflexões e tecer a trama complexa entre os conceitos de Vínculos Primários e Desenvolvimento Psicomotor. destacou a influência das emoções maternas durante a gravidez e a extraordinária continuidade comportamental e psicológica entre a vida pré-natal e a pós-natal. Na prática psicomotora a questão dos vínculos é de essencial importância. Gerda Verden-Zoller (2004). Desde a vida intrauterina os vínculos afetivos iniciais precisam ser reais. em seu desenvolvimento.

objetos e outras pessoas estranhas ao núcleo inicial. acaricia o filho. sua organização psicofisiológica. 1975). A atitude emocional da mãe orienta o bebê. toca. conferindo qualidade de vida à sua experiência e servindo como organizador da sua vida psíquica. de sentir. seus diálogos tônicos com seus familiares. Durante a idade escolar e a adolescência. fala do diálogo tônico emocional. é neste diálogo corporal. da retórica vazia e manter o auto-respeito. 1-144 . Humberto Maturana (2004). portanto. nas primeiras fases do desenvolvimento emocional do bebê. e não no controle e na exigência. única. por ampliação. sua auto-imagem. da obediência deslumbrada.identidade O corpo é mensageiro de idéias e o bebê nos fala das suas necessidades através dele. social e cognitivo de crianças. Conflitos se instalam nesse processo e são de origem ambiental . transportá-la – a criança sente que é acolhida no seu corpo – faz com que ela exista se sinta unificada – sensação de se pertencer – de ter um corpo. Ela ocorre por reformulação. a integralidade de seus encontros e desencontros. Pelo asseguramento repetido de que suas necessidades físicas e emocionais serão satisfeitas. profundas mudanças nas anteriores. vai se formando através de transformações vividas tanto no biológico.quando resultantes dos desencontros entre as ações da criança e o ambiente exterior. crises que afetam a conduta da criança.de fora para dentro .. um papel vital é desempenhado pelo meio ambiente. expressar-se. em seu percurso de desenvolvimento. Assim. intervir e estabelecer um diálogo corporal estruturante que permita que o sujeito seja visto em si mesmo na sua singularidade. Buscar junto às crianças a superação da alienação.. suas linguagens verbal e não verbal. É contra a natureza tratar a criança de forma fragmentária. Quando a mãe olha. numa dinâmica de total aceitação mútua na intimidade do brincar. comunica um estado emocional e uma afetividade que sensibilizam sensorialmente o bebê ". A atitude atenta dos pais às necessidades da crianca expressadas pela via do corpo determina a maneira de pegá-la. É uma criança que sente prazer em dar e receber. como postula Ainsworth et al. pela base segura formada com seu cuidador. nem culpa. apresentavam a síndrome por ele denominada hospitalismo. O afetivo. psíquico. constitui a base da sua subjetividade . numa intimidade corporal baseada na total confiança e aceitação mútuas. elas trazem em si mesmas as marcas dos conflitos. relacional) que compõem o sujeito. para esta questão na teoria de Winnicott (1971). cognitivo. que irão constituir o arcabouço do qual irá erigir-se toda a evolução do sujeito e a formação da sua personalidade. Buscamos Trabalhos Científicos/Temas Livres . é uma criança feliz de viver que afirma seus desejos sem mêdo. No caminho que traça para a explicação da gênese da pessoa. que é o fundamento do respeito pelos outros e pelo mundo. num envelopamento psíquico. para desbravar e experimentar o mundo. o cognitivo se relacionam entre si profundamente. A criança. é preciso decodificar. sustentá-la. resignificando tanto a nível corporal. retrocessos e reviravoltas. emocional e principalmente relacional o que pode estar impedindo um desenvolvimento pleno. Spitz (1945) observou que os bebês que eram alimentados e vestidos. e dão como resultado a pessoa individual. crianças que tiveram um vínculo afetivo bem estabelecido na primeira infância eram mais bem aceitas pelos colegas e tinham maior facilidade em construir relacionamentos afetivos com mais profundidade. reconhece e enfatiza o papel da emoção e afetividade no desenvolvimento humano que se 12 dá inicialmente numa direção interpessoal. Atuando na terapêutica Transpsicomotora no Crescendo Centro Integrado de Desenvolvimento Infantil. nem eram segurados no colo ou embalados. o autor refere que. antes de tudo dar-lhe a possibilidade de existir. ou seja. As etapas do desenvolvimento são descontínua. corporal e social da criança surge mediante sua interações corporais com as mães. também.Setembro 3013 . cognitivo. e seus familiares. dúvidas. As pesquisas evidenciam a sua importância e contribuem para a compreensão da gênese do processo de desenvolvimento. (1978). crianças. social e cognitivo saudável da criança ao longo de toda a sua vida. em descobrir e conhecer. habilidade social e funcionamento cognitivo superiores. A passagem dos estágios de desenvolvimento não se dá linearmente. A consciência individual. As relações psicomotoras do bebê constroem suas possibilidades de interação social. Favorecer um desenvolvimento harmonioso da criança é. numa proposta. E se essas dificuldades forem o suficientemente severas. de agir. o bebê começa a desenvolver um sentimento de confiança básica e apego que o conduz à construção da independência. dos objetos e do mundo que a rodeia. então. tem-se a idéia de um importante fator no bom prognóstico do desenvolvimento afetivo. motor. René Spitz descreveu. dos movimentos dialéticos. por possibilitar identificações que poderão influenciar seu desenvolvimento a posteriori. sujeito na relação social e posteriormente intrapessoal. com bebês. condições as mais favoráveis para comunicar-se. Quando as circunstâncias ambientais não são favoráveis ou por qualquer outra razão o desenvolvimento continua a ser distorcido. o resultado da ausência dos pais e do afeto como fator determinante no desenvolvimento. É fundamental o reasseguramento afetivo para que a criança entre em contato com as suas potencialidades e seja reconhecida. é oferecer-lhe. nos fala que a relação maternoinfantil tem que ser vivida no brincar e no amar. Na sucessão de suas idades é um único e mesmo ser em contínua metamorfose (Wallon. O desenvolvimento de apego seguro. dentre outros fatores. Esses conflitos são propulsores ou estimuladores do desenvolvimento psicomotor.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual nascidos apresentam capacidade de responder às interações já nos primeiros minutos. como no meio social. 3. espaços. Conjuntos funcionais atuam como unidade organizadora do processo de desenvolvimento. São estas relações psicoafetivas." (Aucouturier. na relação com o outro. como sendo a base das primeiras relações emocionais. pudemos presenciar e observar empiricamente as dificuldades relacionais que acontecem no processo de desenvolvimento psicomotor e os diversos vínculos que a criança tem que estabelecer ao longo do seu crescimento. A teoria de Wallon que está centrada no caráter afetivo e social do desenvolvimento humano nos fala que é através do diálogo tônico emocional que o sujeito se constitui. O bebê precisa de holding (Winnicott.pertencentes ao próprio crescimento humano . que na relação estruturante com o outro se constitui num continente afetivo. um déficit contínuo pode se estabelecer na capacidade desse bebê de construir relacionamentos humanos afetivos e a formar as estruturas e funções básicas da personalidade que dependem da organização interna das experiências humanas. 1981). que age a partir da interface Saúde/Educação. Wallon entrelaça o biológico e o social e atribui profunda vinculação entre afetividade e movimento. criar e pensar. que se viabiliza a harmonia corporal necessária para concepção de um desenvolvimento pleno. Diferentes teorias têm fundamentado as pesquisas sobre a relação mãe-bebê. Wallon (1981). das rupturas ou cortes vivenciados. mas não recebiam afeto. Encontramos respaldo. que é uma experiência física e vivência simbólica ao mesmo tempo. A partir das primeiras experiências psicomotoras que a criança vai construindo pouco a pouco o seu modo pessoal de ser. a criança pode usar sua curiosidade. emocional. DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR E O DESABROCHAR DAS POTENCIALIDADES A construção saudável da Unidade Psicomotora que é representada pela integração dinâmica dos sistemas (afetivo.pag. de reagir diante dos outros. psicomotor. de tornar-se uma pessoa única. Esses "conflitos" . o motor. dificuldades no estabelecimento desse vínculo afetivo podem ocorrer. Uma criança desenvolvida é uma criança de acolhida e de abertura em busca de demandas junto às pessoas de seu meio. a cada momento. fala. instalandose no momento da passagem de uma etapa a outra. 1996) O tema das relações iniciais mãe-bebê tem sido investigado intensamente. Estudos longitudinais têm mostrado que crianças cujos vínculos afetivos foram bem estabelecidos tendem a ter uma adaptabilidade emocional.provocam em cada etapa. sendo reconhecidas em virtude da relevância do vínculo materno-infantil para o desenvolvimento emocional. trocas tônicoafetivas nas relações iniciais mãe-bebê.

seja ele real ou virtual. mas a presença. As marcas sócio-culturais vão modelando e condicionando condutas. REFERÊNCIAS Ainsworth. artes plásticas e literatura as crianças criam. (2004) . Rio de Janeiro. gerando capacidades. Winnicott.Do Feto a Criança . Quanto mais a criança for motivada a viver experiências novas e apropriadas para sua faixa etária. entendemos ser necessário oferecer vivências lúdicas e expressivas que possibilitem o aflorar de competências essenciais na criança. está em constante transformação através das retroalimentações que o meio proporciona e das vinculações que ocorrem ao longo da sua existência. Winnicott. Bauman. MD. fortalecendo a unidade corpo mente.O desenvolvimento do apego: uma família em formação.Setembro 2013 . quanto seus pais. Bowlby. Essas atividades constituem um fator de equilíbrio na vida das pessoas visando o desenvolvimento integrado do ser humano. MC. político. São as possibilidades de nos vincularmos que nos auxiliam em todos os momentos de nossas vidas. H. que é social. Apego e perda (2002). relacionais. Imago. Piontelli. Winnicott D. J (1969). xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres .pag. Amar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano . o carinho. Nova Jersey. cognitivos.Zahar. R (1945) . Artes Médicas. (1971). Estamos ligados a tudo e a todos que nos cercam. cultivando a tolerância e o respeito pelas diferenças. Lisboa: Edições 70.SP . Preocupação materna primária (1978).Hospitalism: an inquiry into the genesis of psychiatric conditions in early childhood (1):53-75. E (1980). A (1945) . o abraço. Marcas constituídas na intersubjetividade e somente transformáveis no encontro com outros. (2000). Winnicott. G. São Paulo. H (1981). Tomando como foco a saúde mental e considerando de forma transdisciplinar os aspectos psicológicos. RJ . Londres. Waters. além de se divertirem. A evolução psicológica da criança. poderá também ser estendido para a virtualidade? Hoje as crianças já vivenciam a ausência das figuras paternas devido aos apelos do dia-a-dia. Acreditamos que não há singularidade sem intersubjetividade. E. Mímeo Marbourg. A identidade de cada sujeito é fruto da qualidade dos vínculos que se constituem em cada encontro e desencontro. Aucouturier. (1996) . São Paulo: Martins Fontes. que repercussões essa falta do outro no campo real poderá representar? O que hoje costumamos chamar de vínculo afetivo entre duas pessoas reais. Martins Fontes. em diferentes faixas etárias.Um Estudo Observacional e Psicanalítico. Wallon. solidários em prol de um mundo melhor. Acompanhamos pais e bebês no fortalecimento dos vínculos afetivos. precisamos nos adequar as evoluções tecnológicas sem deixar de lado a constituição emocional do individuo que acontece a partir da presença-ausência do outro. & Verden-Zöller. O ciclo vital completo . mas também limitações em cada sujeito. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre. Os Sete Saberes Necessários A Educação Do Futuro.Amor Líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. o beijo. por meio de diversas atividades envolvendo ação/movimento. através de vivências múltiplas possibilitando o desabrochar das potencialidades. é preciso cultivar a afetividade nas relações que nos tornam mais humanos. Maturana. Imago. psíquico. interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. (1963). Os bebês e suas mães. Spitz. Blehar. B. sensoriais e perceptivos do desenvolvimento infantil. tecnológico e ao mesmo tempo único. tanto maior e melhor será seu desenvolvimento. Imago. música.(1988) . Z. ( 1956). o aconchego de quem amamos precisa ser real . motores. 1-144 13 . Concluímos que a dialógica sobre os vínculos reais e virtuais no Mundo Moderno deve continuar. No Crescendo. Morin. Porto Alegre. biológico.Palas Athena. D. 1993. A multidimensionalidade do ser. a partir do vínculo presente no brincar e no jogo intersubjetivo. Porto Alegre. D. Artes Médicas.Trabalhos Científicos favorecer a interação pais-bebês através de intervenções lúdicas. Sp Cortez/Unesco. D. Brazelton. S. um conceito de maturação. Psychoanal Study Child. Rio de Janeiro. No Crescendo já presenciamos evoluções de quadros psicopatológicos com a libertação de sintomas e reunificação psicomotora. (2004) -.J. Artmed. ecológico. E & Wall.A Psicomotricidade. do corre-corre. das demandas da modernidade. R. um sistema de atitudes. O brincar e a realidade. É preciso buscar a harmonização das relações. Patterns of attachment: a psychological study of the strange aum Associates Publishers Hillsdale. afetivo. (1978). visando beneficiar tanto o bebê. TB .(1993). de práticas. Erikson. permitindo que o desenvolvimento possa ser estimulado através de estratégias que dêem conta das dificuldades que se apresentam no dia-dia.

e. p. constituindo um sujeito desejante e. ao contrário. dos sistemas representantes do corpo e seu funcionamento. conservando um acesso virtual à unidade originária. principalmente. por outro. tome consciência de si. os hábitos. Palavras-chave: Vínculo primário. que tem como tema central. onde o corpo materno deve realmente prover as necessidades de dois seres. 1. 9-10). onde os espaços para brincar e as brincadeiras estão cada vez mais limitados e limitantes. e induz a mãe a responder intuitivamente a essa demanda. a que organiza e lhe confere suas particularidades (Jerusalinsky. sobretudo nos momentos de dor física ou psíquica. Ali. nada no seu sistema genético-neurológico lhe define o objeto capaz de acalmar o seu mal-estar. p. nos tempos atuais. Este movimento entre dependência da unidade corporal e a busca por diferenciar-se do corpo da mãe.EnProvence-1985. entre outros. desde então. íntegra. Acrescenta ainda o mesmo autor que à diferença das outras espécies. por meios de processos de internalização . nessa parcialidade. Tomemos emprestado de Jerusalinsky(2004) a sua análise comparativa entre o ser humano e o animal. leva o bebê a conservar um duplo desejo de ser ela mesma e de ser o outro. fazendo um paralelo entre o ser humano e o animal. coordenações. mãe dedicada. No livro Corpo e História . hábitos. recriar a ilusão da unidade corporal e mental com a mãe-seio e. representando-se e agindo através de ações sobre os objetos e seus semelhantes. pela especificidade de nossa cultura virtual contemporânea. para articular-se como representante. articular a posição de objeto (objektrepräsentanaz). onde as necessidades dessa ordem estão completamente indefinidas. requer a interferência do semelhante que. no imaginário. A lenta "dessomatização" da psique é acompanhada. 2004. p. a alienação do sujeito a respeito dele. p.incorporação. 14 e somente poderá operar uma tentativa de solução através do outro ser humano titular. uma ação basta e é eficaz para evitar seus efeitos. dando alívio e sono ao seu bebê. a imagem interna da mãe nutriz. Joyce McDougall (2000) trabalha a relação entre a mãe e o seu bebê. que nos interessa de forma muito particular neste estudo: Um corpo para dois: este fantasma primordial em todo ser humano pretende ser um com a mãe-universo da primeira infância. como uma unidade indivisível. mas é significante (Jerusalinsky. no Real. quando lidamos com conceitos tais como evolução do tônus muscular. constitui-se como idealizado. Quando se trata de um mal-estar oriundo de estímulos externos. leigos ou profissionais. por uma dupla infantil: de um lado. INTRODUÇÃO Começo este artigo perguntando-me: como irei responder à questão proposta para discussão na mesa-redonda. o fonatório. 2000. segundo Joyce Mcdougall (2000). sempre como um fragmentário. a sua prolongação imaginária no recém-nascido vai reger o seu funcionamento psicossomático. maturação neurológica. não se vinculando sua evolução estritamente através do aparato biológico. E é esta dimensão. que abordaremos o desenvolvimento psicomotor. hoje em dia. paralelamente. o bebê procurará. a criança não tem escapatória. 2. aparece o significante (Jerusalinsky. se bem que passam em seu circuito por órgãos específicos.IV Encontro Psicanalítico D´Aix. No caso do animal. a dupla ilusão de estar munida de uma identidade separada. 9). dizendo que o ser humano é um carente instintivo. dos outros e de seu corpo. então. Acrescenta que este mecanismo faz com que. P. Desde que o inconsciente materno não ponha obstáculos a esse desejo.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual O outro primordial e o recobrimento do real: da função ao funcionamento da função psicomotora Autor: Nivaldo Torres Instituição: Facho . Trabalhos Científicos/Temas Livres . precisamente porque o que se desenvolve são as funções e não o sujeito.Faculdade de Ciências Humanas de Olinda Resumo O presente artigo discute a questão do desenvolvimento psicomotor. os "vínculos primários e desenvolvimento psicomotor"? Jerusalinsky (2004) diz que. quelle). adaptação. É nesta dimensão. pois. faça uso do discurso. a partir de sua dimensão mental. nem como satisfazê-las. O que define para este objeto seu campo de alteridade é. É na parcialidade própria da pulsão que o objeto adquire um contorno que o define. provocadas pelo seu desejo de autonomia corporal e psíquica (Joyce Mcdougall. identificação -. direcionar sua força (drang). inefável. É por isso que o objeto humano é constituído pelo Outro. como nos ensina Jerusalinsky (2004). a criança construirá. 23-24). 25). mas sim como quem vem a trabalhar esse malestar do bebê na delimitação de uma fonte (corporal. como tal. reflexos e esquema de ações. por esta razão. bem como. uma especificidade oriunda entre o corpo (dimensão biológica) e a pulsão (representação mental). Em seu lugar. condição para que o corpo possa apropriar-se da linguagem. Tudo aquilo que ameaça destruir a ilusão de indiferenciação entre o corpo próprio e o corpo materno o impulsa a procurar o ambiente intrauterino perdido. é de conhecimento de todos. ele enuncia que o objeto e a ação correspondentes à satisfação da necessidade estão pré-inscritos por transmissão hereditária em seu sistema nervoso. Segundo a mesma autora. quando se trata de estímulos internos. psique e desenvolvimento psicomotor. sem recursos biológicos suficientes para definir nem com que. não se apresenta como imago recíproca a uma tal preestabelecida. A questão dos "vínculos primários e desenvolvimento psicomotor". que a criança tem carência de uma cultura lúdica. o perceptivo. para representá-lo. surgem os representantes específicos que vão se organizando como sistemas: o motor. no caso do ser humano. este mecanismo dáse. é que no desenvolvimento aparecem sempre recortes. o que é psíquico se distinga pouco a pouco do que é somático. linguagem. não recortam nenhuma fonte corporal tensionada para nenhum fim ou definem qualquer objeto que lhe possa vincular. Este objeto. com todos os meios possíveis. Pretende-se com este artigo. Outro fato relevante. 26). propriamente psíquica. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Tomaremos inicialmente as concepções de Jerusalinsky (2004) onde ele. Por isso. a adaptação. será a partir dessa matriz psicossomática que se desenvolverá na psique infantil uma diferenciação progressiva entre o corpo próprio e a primeira representação do mundo exterior. posto como não sendo da ordem da natureza. Esses sistemas representantes do corpo e seu funcionamento em relação ao meio circundante (unwelt é a palavra utilizada por Freud). como impossível. afirma que o indivíduo da espécie humana é um deficiente instintivo e. o bebê humano fica exposto as suas necessidades. 1-144 . em relação a um fim (zieivorstellung). capaz de conter as suas tempestades afetivas. portanto. explicar os mecanismos primitivos e sutis do vínculo primário. para dela diferenciar o seu corpo e o seu ser. o papel do semelhante não é puramente imaginário. portanto. introjeção. por meio do ritmo de seu corpo e da conservação do contato corporal (Joyce Mcdougall. individuação. que é o seio materno. fale em nome próprio. como funcionamento da função. 2004. 2004. diferenciando-se. já que no ser humano. Mas esta. dependência-independência. Se seu protótipo biológico origina-se na vida intrauterina. ficando o campo instintivo reduzido aos ritmos biológicos e.Setembro 3013 . lutará. integração do ego.pag. reveste-se de importância. 2000. Porém. apontado pelo mesmo autor. falar de desenvolvimento infantil é um problema porque nos deparamos com um caos. castrações sucessivas. como no caso das outras espécies animais. É precisamente tal insuficiência que deixa espaço para uma dimensão psíquica: a pulsão como representante do biológico (Triebrepräsentanz).

tendo sido alcançada.pag. encontra no próximo um suporte. que o processo primário vivido por um bebê. em que não há possibilidade de representação mental. Essa denominação se deve ao fato de a palavra "despersonalização" ser o termo já consagrado. Pulsão. não se apresenta como imago recíproca a uma tal preestabelecida. aproxima-se do conceito de falha congelada e das agonias impensáveis descritas por Winnicott. pois todo sistema de substituição se apoia sobre aquilo. vivida na relação mãe e bebê. e não tem como estabelecer-se. o imaginário. esse semelhante. A fonte da pulsão é um processo excitatório num órgão. Outro. assim posto. Vivências entre a mãe e bebê seriam guardadas no corpo antes de o cérebro começar a funcionar. mas não é do corpo (anímico e físico). de dentro da unidade bebê-mãe. a psique e o soma do bebê chegarão a operar como uma unidade. 1-144 Pesemos agora no mecanismo que esse próximo. que é produzido por excitações isoladas vindas de fora. já que.Trabalhos Científicos Em Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade (1905) no tópico (5). por uma dupla infantil: de um lado. Trata-se de uma conquista que pode ou não . O que distingue as pulsões entre si e as dota de propriedades específicas é sua relação com suas fontes somáticas e seus alvos. podemos entender que a pulsão nasce no corpo. Outra questão observada pela mesma autora é que essa parceria psicossomática. a coisa (das Ding) é o que sobra e resta à articulação simbólica dos juízos primários e secundários. É preciso.Setembro 2013 . P. é dividido em duas partes. cujo alcance psicológico e filosófico está ainda por ser devidamente apreciado. e que. P. 131). segundo esses estudos. desde então. Chegando nesse ponto.ser alcançada e que. separado ou externo a ele. não segue o rumo do desenvolvimento cronológico. É com a subjetividade que o alojamento da psique no corpo acontece. que é um ultrapassamento da identificação primária. ocorre dentro da unidade fusional mãe-bebê. Segundo Elsa Oliveira (2003) a coesão psicossomática é uma realização. devendo apenas ser considerada como uma medida da exigência de trabalho feita à vida anímica. pois o indivíduo era muito imaturo para registrá-la (falha). p. com todos os meios possíveis. o vizinho. ou parte deste. Segundo Maria Cristina Vecino Vidal (1995) em O Outro Primordial no Projeto Freudiano. mensch. só se dá na relação com o outro. recriar a ilusão da unidade corporal e mental com a mãe-seio. uma das quais dá a impressão de ser uma estrutura constante que persiste como Coisa. a não ser que haja a participação ativa de um ser humano que segure o bebê e cuide dele. Simbólico e Real. para os vários estados clínicos em que o paciente se queixa de não ter relação com o próprio corpo ou de sentir que seu corpo. em si mesma. O tempo em que o Outro irá fazer essa operação significante no bebê é um "tempo" não cronológico. ele é uma instância que sustenta e responde à dependência: o bebê necessita totalmente de um outro que ainda não é outro. torna-se desejo do desejo da mãe. diz que não parece aconselhável recusar os estudos atuais da neurociência. é necessário reunir soma . afirma o mesmo autor. Encontra-se. é um dos conceitos da delimitação entre o anímico e o físico. como afirma Elsa Oliveira (2003). no caso do ser humano. próximo. irá conduzir suas ações na tarefa de alojar uma psique no corpo de um bebê? Elsa Oliveira (2003) diz que. de início. no interior da relação mãebebê e que a constituição do eu. contudo. Essa memória retida no corpo. apenas o representante psíquico de uma fonte endossomática de estimulação que flui continuamente. publicado na Revista Letra freudiana. É a partir do próximo que Freud articula a função do Outro nas dimensões nomeadas a partir de Lacan: Imaginário. "das Ding" que organiza o idêntico e o semelhante. ela não possui qualidade alguma. Acrescenta que mesmo o "eu". A primeira apreensão da realidade pelo sujeito é através do que Freud denomina Nebenmensch = neben. nos permitindo explicar que para haver o desenvolvimento psicomotor. o si-mesmo do bebê. concomitantemente à constituição da realidade intrapsíquica e da realidade externa. que indicam comprovação em laboratório. de maneira a moldar a personalidade e a saúde mental futuras. Freud diz que por"pulsão" podemos entender. inassimilável que permanece imutável: a Coisa (Das Ding). mas essa condição não impediu de deixar traços mnésicos (Anna Melgaço. o semelhante. embutida a ideia. 3. que para articular-se como representante. Por seu turno. convém perguntamos. estando no solo da simbolização. soma e psique estão indiferenciados. homem. Importante perceber como diz Elsa Oliveira (2003) citando Winnicott. numa linguagem Lacaniana. só se dá na relação com o outro. Seria o homem próximo. como nos diz Jerusalinsky. enquanto que a outra porção pode ser compreendida no início da atividade da memória. de que as experiências dos primeiros meses de vida entre mãe e bebê influenciam o padrão de conexões cerebrais. A experiência endossomática. mesmo na saúde. para dela diferenciar o seu corpo e o seu ser. 130). Não se pode ter como evidente que. de que a realidade do si-mesmo e a realidade do mundo são constituídas ao longo do processo de amadurecimento. sobre quais os efeitos que estes vão produzir no 15 . dentro da unidade mãe-bebê. lutará. A constituição do eu. 2003. onde acontecimentos vivenciados num dado momento desencadeiam lembranças de uma qualidade emocional importante que provocam sensações inexplicáveis. produz através de uma ação desejante em direção ao bebê. concomitantemente à constituição da realidade intrapsíquica e da realidade externa. portanto. de que esses cientistas falam. pois este é carente instintivo. em todos os casos. 2008. no interior da relação mãe-bebê. o conceito winnicttiano de "ambiente" inicial deve ser entendido segundo os seus aspectos essenciais: ele não é externo nem interno. o si-mesmo do bebê emerge. podemos elencar os conceitos já trabalhados. entendemos que o Outro (função materna).psique. como uma identidade separado do não-eu. e por outro. não está garantida nem pode ser dada como certa. é um resto que está fora e cujo destino é ser substituída no aparelho psíquico. aqui. que supre o estímulo orgânico. seja a realidade do si-mesmo e a realidade do mundo são constituídas ao longo do processo de amadurecimento. Esta condição. no entanto. as estrutura cerebrais essenciais para a formação da memória consciente não funcionam durante os dois primeiros anos de vida. corpo e psique ainda não se reuniram e só se constituirão como uma unidade se tudo correr bem no processo de amadurecimento. Diz ainda que se trata de uma memória emocional. produz como resultado a pulsão como representante psíquico. deixa um espaço à dimensão psíquica: a pulsão como representante do biológico. O primeiro. na psiquiatria de adultos. A hipótese mais simples e mais indicada sobre a natureza da pulsão seria que. para diferenciá-la do "estímulo". é um ultrapassamento da identificação primária que ocorre dentro da unidade fusional (Elsa Oliveira. o bebê procurará. mas sim como quem vem a trabalhar esse mal-estar do bebê na delimitação de uma fonte corporal. VÍNCULOS PRIMÁRIOS E DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR Anna Lucia Melgaço Leal Silva (2008) em "Um lento desmame Quando a preposição substitui o hífen". reunindo-o nos braços e no olhar. e seu alvo imediato. Joyce Mcdougall (2000) diz que a lenta "dessomatização" da psique é acompanhada. sendo representado pelo significante. a princípio. Segundo a mesma autora. O conceito freudiano de pulsão. Procuramos demonstrar que o desenvolvimento na espécie humana não é da ordem da natureza. esse Outro. 14). Winnicott usa também o termo "personalização". O "eu". quer dizer. tomado por uma falta. reduzida a uma informação sobre o próprio corpo do sujeito (Vecino Vidal. Freud reconhece no complexo do semelhante uma parte muda. consistem na supressão desse estímulo orgânico. para a tarefa de alojamento da psique no corpo. como uma identidade separado do não-eu. pode ser perdida. Trabalhos Científicos/Temas Livres . que por sua vez. Desta forma. para que a motricidade possa advir em sua plenitude. em função de dois segmentos: os vínculos primários entre mãe e bebê e as implicações para o desenvolvimento psicomotor. que a tarefa do alojamento da psique no corpo só faz sentido se aceitarmos a ideia de que. O ser humano. Afirma ainda que. requer a interferência do semelhante que. sobretudo nos momentos de dor física ou psíquica. compreender. não lhe pertence. emerge necessariamente. Pulsões Parciais e Zonas Erógenas. 1995. instaurando aí a primeira instância do psiquismo. Com Freud. nos esclarece porque os vínculos primários entre mãe e bebê podem ter como resultante o desenvolvimento psicomotor e a formação do psiquismo (anímico). necessariamente. bem no início.

Acesso em: 04 ago. estaremos sempre envolvidos em fraturas entre função e funcionamento da função onde os sujeitos dizem de forma nomeável ou inominável. Melgaço. o tônus é tomado e atravessado pela linguagem. Sigmund.Provence. no ser humano em função da carência instintiva. onde pode aparecer lesão orgânica e lesão fantasmática.o que Bergès. a função existe. P. Mcdougall et al. oferece-se sim referido a outro lugar: o lugar desde onde esse semelhante procura incessantemente recobrir o que no Real permanece sempre aberto. Chamo a atenção para o fato de que se há uma lesão orgânica. Num primeiro tempo.por seu turno. Jerusalinsky (2004) concebe. todas ordenadas em torno do falo [ simbólico ] presente-ausente. nos diz o autor acima citado. [o filho] tem a experiência do que falta a ela: o falo. no fenômeno psicomotor. São Paulo . Maria Cristina Vecino.RJ: IMAGO. REFLEXÕES A TÍTULO DE CONCLUSÃO Como vimos anteriormente. 2003. 2008. Taya Soledade (1995) diz que os problemas do desenvolvimento . não opera uma imagem sobre ele. 63 p..RJ: Editora Vozes.). que "diz" ao tocar e ao ser tocado (diálogo tônico que se inscreve num sujeito desde seu nascimento a partir do desejo do Outro que. Na relação primordial com a mãe. Alfredo. é desejo do desejo. xxx 16 Trabalhos Científicos/Temas Livres . uma das características que torna o ser humano singular é o fato de constituir-se no campo do Outro. distúrbios que se relacionam com o mecanismo de regulação prazer/desprazer.bebê". incluindo-se aí o desenvolvimento psicomotor? Jerusalinsky (2004) assegura que a organização do tônus muscular não depende somente das sinergias e automatismo neurofisiológicos.pag. vem através do significante. A Clínica Psicomotora: o corpo na linguagem.Ba: Corpo e Letra. colocando não só a sua constituição subjetiva. serem acompanhadas de lesões fantasmáticas. 1996. se preferirem. recobrindo o Real de seu corpo.podem ser agrupados em duas categorias: aqueles que surgem em decorrência de uma patologia orgânica (um defeito no equipamento) e aqueles que a autora chama de "sistema de relação mãe . portanto. Esteban. as coisas são completamente indefinidas. Rio de Janeiro . Soledade. 1-144 . a criança quer ser o falo para satisfazê-la. 1995. P. A questão se desloca. na posição materna. em atividade de sedução.318 p. Em outros casos. 2013. W. sobre a sua dor. Rio de Janeiro . por exemplo. Psicanálise e Desenvolvimento Infantil. em função de sua castração. Não há lesão. os distúrbios psicomotores .XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual desenvolvimento da criança. Em ambos os casos. Taya. a mãe. Levin. devido a sua carência instintiva. 2000. Corpo e História: IV Encontro Psicanalítico D`AIX . 1997.Sp: Casa do Psicólogo Livraria e Editora Ltda. José. Porto Alegre . assujeitar-se a ser a falta dela. O Outro primordial (mãe). Voyer e outros assinalaram como decisiva a intervenção do Outro na possibilidade de uma efetiva maturação harmônica do tônus muscular. mas sim um discurso e a dimensão na qual o semelhante não se oferece tão somente como imagem especular. Freud. moldando-se nas relações vividas com o Outro. diferentemente dos outros animais. Elsa Oliveira. chamará de lesão fantasmática. como A.. quanto seu desenvolvimento maturativo. 1969. em função do desejo. ficando o seu desenvolvimento à espera de uma relação/ação significante. Winnicott: Seminários Cariocas. desde e antes de sua concepção. [. as outras duas instâncias serão o Real e o Simbólico.escolaletrafreudiana. 272 p. convocado pela falta. dentro de um dinamismo. contudo. ou por aquele que cumpra essa função). onde estão presentes a função e funcionamento da função. confirma a hipótese de que. o ser humano é permeável ao significante e acrescenta que Freud demonstrou que a permeabilidade à variação infinita dos representantes de objeto no ser humano reside na ausência de inscrição instintiva prévia do objeto. Lapierre e B.ou. que a organização do tônus muscular não depende somente das sinergias e automatismo neurofisiológicos. Brincando de Verdade: uma reflexão sobre a realidade infantil. P.Setembro 3013 . Vidal. Disponível em: <www. a criança está em relação com o desejo da mãe. Como se dá o vínculo primário entre mãe e bebê? Nasio (1997) em "A criança é o falo imaginário do desejo da mãe" diz: Com base no princípio da ação significante da relação mãe/ bebê. 4. J. em contraponto a uma lesão orgânica. O Outro Primordial no Projeto Freudiano. 40). Jerusalinsky. então. 3ª ed. herança que vem da relação com Outro. REFERÊNCIAS Dias. Petrópolis . 2ª ed São Paulo . tecendo a estrutura neurótica de um sujeito desejante. Salvador . se nesse sistema não há uma boa regulação prazer/desprazer. Segundo Jerusalinsky (2004).RS: artes e ofícios. para que a dimensão psíquica seja assegurada. 2004.RJ: Revinter. Aucouturier. em estreita relação com o significante. O Outro primordial. mas sim do tipo de tratamento que o Outro na posição materna outorgue aos estímulos internos que assediam as crianças. 341 p. Nesse caso. é encarado por sua mãe. Esta operação permite que a criança receba a primeira instância do psiquismo que Lacan denominou de imaginário. Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Winnicott. independentemente da existência de uma lesão orgânica (Taya. outorgue aos estímulos internos que assediam as crianças. Entre um organismo que pulsa como nos indica Taya (1995) há um mecanismo de regulação polarizado pelo prazer/desprazer mediado pelo vínculo primário estabelecido entre mãe e bebê. mas sim do tipo de tratamento que o Outro. nomear-se no outro (bebê). Colaboradores.br>. Nahman (Org. 344 p. numa primeira instância.SP: Editora Imago. Nasio chega a uma conclusão importante: se o desejo da mãe é o falo. Esteban Levin (2000).16). 1985. O mesmo autor diz ainda que destacados psicomotricistas.] Eis que ele se empenha em satisfazer [ nela ] esse desejo impossível de preencher numa dialética de engano. lhes dá a garantia de ser desejo do desejo da mãe. O objeto desse desejo é o falo. Anna. objeto metonímico essencialmente na medida em que vai circular por toda parte onde haja significado: é na mãe que a questão do falo se coloca e que a criança tem de localizá-la (Nasio. podemos observar os efeitos tanto no sistema quanto no funcionamento. Por outro lado. Este lugar doado pela mãe à criança. Acrescentamos que poderá haver situações em que observaremos lesões orgânicas sem. Outeiral. Armony.com. Uma vez instalado o Imaginário. a saber: o objeto. poderemos ter lesões fantasmáticas sem lesões orgânicas. e que não têm qualquer relação com o comprometimento do equipamento orgânico. na maioria das vezes o sistema de relação mãe-bebê sofrerá efeitos. A Teoria do Amadurecimento de D. para a forma o qual no equipamento funciona .

Aplicado ao ser humano podemos afirmar que a todo instante estamos evolutivamente modificando nosso mundo interno e externo. Apesar do rótulo eu só conseguia ver crianças inteligentes. sentimento. Lapem – Universidade Castelo Branco Resumo O artigo apresenta a metodologia Psicomotricidade Sistêmica pontuando eixos epistemológicos. Esta noção foi chave para buscar aprofundamento de estudos. Ao captar a interdependência o olhar egóico volta-se para o outro. possuímos quatro funções psíquicas: pensamento. Pelo contrário aprendi a ter prazer em unir. por meio de asas.. vivenciada e construída com toda a unidade somatopsíquica dos alunos. Tinha algo provocador. o tempo lento é solicitado. reconhecendo a interdependência de todos os sistemas.pag. Pontua reflexões sobre a formação do psicomotricista. intuição e sensação.INTRODUÇÃO O objetivo deste artigo é esclarecer sobre a constituição da Psicomotricidade Sistêmica ao longo dos anos de atividade profissional. pois rompia com estudos cartesianos nos quais o psiquismo era algo a parte do corpo. Palavras-chave: Psicomotricidade Sistêmica . Apresenta a evolução de grupos de estudos à formação da pós-graduação em Psicomotricidade Sistêmica. auditivas e táteis.lento. Foi no momento que aprendi a trabalhar em mim os dois movimentos: rápido . 2. Está registrado na memória corporal de qualquer ser humano as imagens que nos constituem.Visão sistêmica 1 . Este processo de costurar e de criar novas configurações visuais. encontrando-se em mudança permanente. Neste aspecto o conceito de auto-organização é introduzido e a preocupação em conhecer estes caminhos internos me levaram a aprofundar estudos na Psicologia Analítica e a introduzir o conceito de inconsciente coletivo pois queria compreender a reorganização do sujeito sob bases filogenéticas e ontogenéticas. a transformar. conceitos principais. a concentração. pois sempre foi colocada em segundo plano neste mundo de fragmentações. a prioridade do Ter é cotidiana. Mas todo este movimento tinha que ter transformação. passaram a fazer parte de Trabalhos Científicos/Temas Livres . psicológico e social os fenômenos são cíclicos e estão em contínuo processo de transformação. Entretanto é esta função que permite a síntese e a compreensão dos fatos de forma mais ampla e autêntica. O OLHAR SISTÊMICO De acordo com o pensamento oriental. cientista. teorias que norteiam seus estudos e sua aplicabilidade. Na busca de encontrar caminhos para provocar mudanças no trabalho desenvolvido encontrei a Psicomotricidade Relacional. Fritjof Capra.Neurociência . o corpo da águia se mantém no ar. (Capra F. ambientalista. em tirar ideias do papel e vê-las bailando na minha frente como fazia com minhas brincadeiras de infância.Prista Instituição: Centro de Estudos da Criança. construir as bases epistemológicas da motricidade com Manuel Sérgio. A construção de homens em evolução Autor: Rosa M. " Teia da Vida" .Trabalhos Científicos Psicomotricidade sistêmica. éticas e estéticas. "O Ponto de Mutação". em criar elos. mas algo foi construído para que elas não mostrassem sua aprendizagem. A contribuição do estudo da Filosofia Oriental permitiu construir na prática o processo de reorganização em substituição ao de condução. para fazer exercícios preestabelecidos com os alunos. Na época a Psicomotricidade era diferente de tudo o que conhecia. seja do mundo físico. É por esta razão que os orientais trabalham estes aspectos. educador e ativista austríaco escreveu "O Tao da Física".. O símbolo do TAO foi iluminador nos ano 80. para o mundo e 17 . pois sua concepção informava que em todos os aspectos da natureza. em conectar. a subdivisão da natureza em objetos separados não tem justificativa. (Prista. estudar com La Pierre. 2000) Vivemos em um mundo onde a dicotomia dos fenômenos. Nesta busca de compreender dimensões mais profundas despertadas através do movimento intencional do Homem foi preciso buscar Carl Jung e seus estudos nesta direção. Nunca mais abandonei o olhar em síntese. pois ao estar entre este grupo de pesquisadores vi.Setembro 2013 .REFLEXÕES INICIAIS Se. tinha que provocar prazer. A função psíquica intuição precisa ser despertada. que pude introduzir um outro teórico que irá dar o nome a metodologia que represento. a atenção dirigida. Esta singela caracterização muito me agradou pois é visível que meu movimento aparentemente sempre intenso é expressão de meu ser e traduz um histórico de vida voltado a mudar. que facilitam a integração ou a fragmentação. algo que buscava unir as diferentes dimensões do Homem. Em 1983 a Psicomotricidade Sistêmica foi definida como a "ciência da relação". A Psicomotricidade Sistêmica busca este resgate sendo uma prática totalizadora! 3-MUDANDO PARADIGMAS. mas em 1999 é ampliado para: "um caminho científico de aplicabilidade no estudo da relação humana promovendo o desenvolvimento do ser humano com qualidade e harmonia ao mobilizar o recurso interno do sujeito na relação com o mundo. aprender com educadores espanhóis. Não gostava das orientações que recebia de meus superiores para usar caderno de caligrafia. pois quando a comunicação entre consciente e inconsciente é travada o psiquismo tende a unilateralidade de suas funções mostrando rigidez nas expressões verbais e não verbais. porque também não poderá o homem. doutor em Física. portugueses. o olhar individual. 2011). e os objetos têm todos um caráter fluído. "As Conexões Ocultas". Ao estudar os povos primitivos percebe algo muito arcaico que vai chamar de inconsciente coletivo. Para Jung somos um todo mas as relações humanas acabam provocando divisões importantes e empobrecedoras. reflexão e fundamentalmente provocar avanços independente da área onde estivesse atuando. Tenho prazer em construir. toquei em práticas humanas.. Vivenciar com Françoise Desobeau a descoberta de minha corporeidade. Movimento forte porque significado pelos adultos a minha volta me fez aprender a empreender. franceses. rumo às alturas? (Leonardo Da Vinci) A construção da Psicomotricidade Sistêmica foi definida por uma aluna como: " a inquietude de uma educadora". dentre outros livros que abordam temas relacionados à ecologia e sustentabilidade. 1-144 todas as modalidades de intervenções psicomotoras da Psicomotricidade Sistêmica. Por ser uma função que não passa pela análise dos sentidos sempre foi negligenciada como algo não sério. mexicanos e panamenhos do Movimento Internacional da Pedagogia Freinet me permitiram acreditar numa educação verdadeira. dominar o vento e elevar-se no espaço como um vencedor. Creio que a Psicomotricidade Sistêmica começou a se sistematizar nos anos 70 quando como educadora da Rede Municipal do Rio de Janeiro recebia um número assustador de crianças que apresentavam dificuldades na aprendizagem. A incapacidade de transformação é sinal patológico. se os grandes veleiros cruzam os mares. Sabem que ao focar toda a unidade corporal estabelecem conexões com feedbacks cada vez mais construtivos. tinha que ter contextualização. A vivência da Pedagogia Freinet fechou um ciclo de buscas. Conhecer Martha Lovisaro como coordenadora da pós-graduação. graças às suas asas. Movimento de um ser que conheceu a dor para reconhecer a felicidade. a fazer diferente.. mas para praticar a Psicomotricidade é condição desenvolver um olhar diferenciado e esta construção só pode ocorrer na vivência pessoal de nosso próprio movimento de reorganização da autoimagem. escutei. Para Jung. Para que ela surja. austríacos. o foco.

Este hábito está impregnado em cada ser humano. a educação os fragmenta e depois tentamos integrálo. a partir das relações afetivas significativas que estimulam a criança a olhar. Temos assistido um movimento sobre os sintomas e perde-se a busca da etiologia e da compreensão de processo. autotranscendência. (Manuel Sergio.pag. Estes vários aspectos marcam a complexidade humana. procurando encontrar e produzir o que. psicomotora." A energia revela o dinamismo humano. Estas redes se formam a partir da ação infantil sobre o mundo (paradigma da ação de Piaget). a humanização dos adultos. mas em corporeidade onde deve estar implícito um sujeito intencionalizado.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual iniciamos um processo de teia onde cada ato individual repercute no todo e vice-versa. Para a dinamização saudável do cérebro é preciso aprender a parar. corpo comunitário. que cria. construir juntos. a imitar. de toda a natureza "desde o mundo subatômico. não há salvadores. de foco e concentração. é processo criativo de um ser que as práxias lúdicas. descontruindo caminhos cartesianos e propondo abertura para novas modalidades de aprendizagem sempre a partir da mudança interna de cada um. A visão da Psicomotricidade Sistêmica é a de um Homem que ao se lançar no mundo de forma espontânea coloque em foco a riqueza de seu interior em diálogo com o mundo sócio-cultural que 18 constitua sonhos e uma "existência liberta e libertadora que adquira a expressão do inédito do absoluto".). corpo administrativo. A globalização ao transformar o planeta numa aldeia global tem descentralizado o ser humano de si próprio.fazendo uma coisa mecanicamente enquanto pensamos a respeito de uma outra coisa. 1-144 . onde a mente é convidada a liderar a escravidão do corpo. A motricidade supõe uma visão sistêmica do Homem como apresentado por Capra. pois em sua prática mostrava como era importante revisitar o que já foi estudado para fortalecer as redes neuronais da memória. Tratar o corpo nesta dimensão implica em inserir o Homem na complexidade como bem marca Morin (2005)." (id). além do corpo funcional. constrói uma relação com o mundo. outra coisa é falar com o corpo. Nas palavras de Manuel Sérgio (2005) podemos definir motricidade como: "a energia para o movimento centrífugo e centrípeto da personalização. a partir dos entrelaçamentos com sua sociedade e sua cultura (paradigma do entrelaçamento cultural de Vygotsky). todo ele. é um sujeito que busca de forma infinita o outro para a construção de sonhos compartilhados. ou seja. um ser práxico. como. e deles carente. pressupõe um homem em busca de unidade e realização e portanto um ser axiotrópico (que persegue. Na formação de psicomotricistas sistêmicos há um movimento de revolução. a energia para o movimento intencional da superação ou da transcendência. a criar e a estabilizar estados tônicos (paradigma da afetividade de Wallon). que é. O homem nasce inteiro. residem profundas alterações cerebrais. lhe permite unidade e realização. Na atual vertente cartesiana o aluno tem sido visto como um corpo e uma mente dissociados. porque aberto ao mundo. O segundo fenômeno dinâmico é a autoorganização – autorrenovação. Para a compreensão desta riqueza é preciso entrelaçar. ritmo e mudança. psiquiatras e psicólogos aos poucos há um rompimento e sugere que a leitura profissional principalmente médica passa a olhar o ser humano de forma cartesiana. neurologistas. A motricidade é estatuto ontológico. corpo docente. olhar para fora. como a formação de redes neuronais que permitem os estados de alerta. Esta complexidade de fatores deve ser desenvolvida segundo os escritos de Celéstin Freinet. pressupõe a existência de um ser aberto ao mundo e aos outros. 5. (Prista. processo adaptativo que depende do processo evolutivo cerebral e do acolhimento de uma família estável e duradoura. Nesta corrida incessante onde pouco é saboreado. agonísticas. "Complexo é o que é tecido em conjunto". 4. Estar atento é estar presente com a vida. relacional e a fundamental dimensão do vivido que é a única capaz de garantir a unidade do sujeito. Neste entrelaçamento reside a corporeidade. na complexidade.. A primeira já sinalizada é o conceito de complementaridade das tendências autoafirmativas e integrativas. Assim terá uma profundidade interna capaz de escolhas e de criar meios de concretização de um projeto existencial que torne o Homem um ser em evolução. a prática dialogal e à cultura. homeostase e adaptação. a elaborar e a concentrar. que realiza valores. O terceiro é o processo de autotransformação e autotranscendência. em cada auto-imagem e em muitas outras imagens em contato relacional. Então.MOVIMENTOS DO HOMEM X HOMEM EM MOVIMENTO. existem pessoas que nas relações se constroem e desconstroem. A CONTRIBUIÇÃO DA MOTRICIDADE HUMANA E. como Bohr e Heisenberg o têm evidenciado. a consciência ecológica passam a ser desenvolvidas através de técnicas simples mas profundas.A busca pelo potencial humano. 2005) Autoconceito. como autor responsável dos seus atos. Sinaliza duas frentes importantes e que vamos uni-las a construção de aprendizagem dos alunos em formação sistêmica. etc. fisiológico e anatômico. Apesar dos estudos da Psicomotricidade terem nutrido médicos. portanto.A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS. cura. aliás. agente e causa da cultura). Devemos também sinalizar que corpo é atividade motora em todos os aspectos. Há um corte neste momento de um olhar mais aprofundado em bases originais do psiquismo e isto se refere à motricidade infantil. impulsionando sua unidade corporal de forma efetiva. onde profissionais atuam chega-se a dimensão psicológica. de evolução humana. Em vários encontros em Portugal e no Brasil foi possível pensar a motricidade de uma forma que me agrada e que permite executar uma prática coerente a grandeza humana. disponíveis e amorosos com os atos humanos. Caso contrário estamos cobrando demais de determinadas áreas em detrimento de outras e os prejuízos a nível corporal são imensos.Setembro 3013 . Uma coisa é falar do corpo. pela relação cérebro-alma é intensificado. aos outros e à transcendência. um fenômeno presente nos processos de aprendizagem que impulsiona o desenvolvimento e. ou seja. logo nenhum problema mais pode ser compreendido sem a rede de relações (família. Nesta vertente paradigmática não cabe mais pensar em corpo. A TEORIA PRATICADA E A PRÁTICA TEORIZADA O trabalho metodológico se amplia e uma prática imersa na complexidade é estabelecida. A possibilidade do exercício destes paradigmas permite o entrelaçamento com o sistema límbico (centro das emoções) com as áreas do lobo frontal (centro das funções complexas do cérebro) o que leva a formação de novos entrelaçamentos cerebrais e refinamento do comportamento humano. (Manuel Sérgio. 2011) As neurociências explicam a atenção. Não há culpados. O movimento sistêmico busca mediar ações onde o aluno ultrapasse necessidades e constitua desejos. Como explicar uma experiência significativa onde sensações e emoções são indissociáveis? Onde pensamento exige maior abertura de linguagem? Como falar da multiplicidade de mensagens tônicoemocionais e gestuais simultâneas que exalamos a cada instante? Trabalhos Científicos/Temas Livres . de transformação que permite aos discentes um encontro com o fantástico mundo de suas possibilidades. Isto gera um movimento contraditório. Manuel Sérgio Vieira e Cunha que se tornaria meu orientador temático de doutoramento. Um ser humano satisfeito consigo.. um processo evolutivo com predisposição a interioridade. olhar o outro. Os livros da vida – técnicas pedagógicas – individuais e coletivos são um convite à possibilidade de sair da posição de leitor para a de autor. Esta orientação prática nada mais é do que a aplicabilidade das teorias de Carl Rogers e Carl Jung que em seus estudos marcam o sentido presente do fazer. a sentir. Na minha busca de atingir esta compreensão conheci o Dr. Entretanto com o passar dos anos espera-se que possamos (re)configurar a percepção dos fatos nos tornando mais abertos. construir em si e permitir o outro se diferenciar.mas de elementos interligados. simbólicas e produtivas traduzem a vontade e as condições de o Homem realizar como sujeito. Mesmo os que sugerem atenção à família e a escola acabam definindo o que cada grupo deve fazer detonando uma postura autoritária e minimizante da subjetividade. de ampliação. 2005). pois só assim podemos chegar a compreender a teia que se desenvolve em torno de uma pessoa no contexto sócio-cultural. na vida. Entretanto a nossa volta cada vez mais nos exigem fazer várias coisas ao mesmo tempo e acumulamos muitos anos vivendo sem atenção .

trabalhos sociais – pois a Psicomotricidade Sistêmica nunca se preocupou em fechar-se em si. Mas nestes anos de formação encontramos os profissionais em todas as áreas – empresas. 6. A formação em Psicomotricidade Sistêmica interliga a vivência. Isto é condição para que qualquer ser humano se manifeste pela linguagem oral. No caminhar da constituição da Psicomotricidade Sistêmica o olhar sobre a psiconeuroimunologia foi sentida. Manuel Sergio (2005) . Jung. 4. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . Qualquer situação atípica deve ser encaminhada a um Psicomotricista que é o especialista em avaliar o diálogo tônico estabelecido pelo bebê com o mundo. A família necessita desde o início de um acompanhamento em terapia familiar sistêmica em função do estresse provocado por ações de um filho que não responde ao mundo da forma esperada. São Paulo. Abaixo segue o primeiro relatório científico apresentado recentemente em congresso da sociedade psicanalítica. Todos os seres humanos possuem a capacidade de se reorganizar. 8. hospitais. basicamente guiados por necessidades.subjetivos em dialógica com o sociocultural. ( 2011). o pai. Rio de Janeiro. Hoje a formação tornou-se uma pós-graduação de dois anos com um conteúdo aprofundado entre aulas teóricas e práticas tentando diminuir o fosso que se cria ao formalizar um espaço de experimentação.1999) A Psicomotricidade Sistêmica tornou-se um espaço de formação nos anos 90. É preciso não radicalizar qualquer causa sobre o autismo. Sonhos e Reflexões. à teoria e à pesquisa e em 2013 o CEC – Centro de Estudos da Criança. O desafio de alfabetizar autistas. 14. 13. C. (2000) . Não basta compreender a nível paradigmático o olhar amplo e flexível exigido pelos novos paradigmas. All Print. é preciso compreender como estas sensações. (1999) -Memórias. 10. Esta compreensão coloca em evidência a total interdependência dos sistemas e nos posiciona que o binômio saúdedoença pode ter outro olhar como os sábios médicos orientais já anunciavam. Com a chancela de uma faculdade do sul do país a parceria se efetiva para o ano de 2014. 3. São Paulo. É condição de sucesso que a mãe. Cabe ao pediatra que acompanha o autismo um olhar sobre o desenvolvimento humano. assustador e enriquecedor. tem sido um desafio prazeroso. estas emoções partilham sua energia nos sistemas de nosso corpo. A partir de um movimento intencional.O Tao da Física. nascendo assim o desejo. 11. É preciso compreender o desenvolvimento infantil para agir com o autista delimitando espaços. mas esta busca leva a modificação muscular.Nova Fronteira. Procure comunicar-se mesmo que pareça que ele não está prestando atenção. pelo contrário. Não há até o momento qualquer ação pesquisada cientificamente que mostre a origem do distúrbio. F. mas nem mesmo percebemos que as certezas só podem surgir através das dúvidas e os resultados somente através das experiências.Trabalhos Científicos Neste campo estamos construindo documentos científicos que permitam ampliar a constituição de metodologias no campo da Psicomotricidade. O autista aprende a ler e a escrever dependendo das condições descritas nos itens 8 e 9.Motricidade Humana: conhecimento interdisciplinar. O que mostra que há componentes. escolas. o corpo é a minha história ontogenética que tem por base a filogenética. pois foi alvo de estudos de doutorado. fulcro de experimentações científicas. Foi buscando compreender a relação entre serotonina e entre as catecolaminas que foi possível dar mais um status à belíssima prática da Psicomotricidade – a modificação bioquímica quando em atividade vivencial. 5. limites e comportamentos. 12. pois normalmente pensamos por eles provocando a não significação de suas tentativas de comunicação. Pessoas autistas costumam não focar o olhar. resultados e não experiências. na busca de não esclerosar e de não interromper o fluxo natural da constituição científica se coloca como um campo aberto a novas e complexas contribuições. pessoas . Esta pesquisa sintetiza um pouco toda a construção da autora na área de Psicomotricidade. 1-144 19 . R. 2. CUIDADO com as interpretações do que eles necessitam. (Jung.M. 9. Para um autista falar é preciso ter a falta de algo. A alimentação sem glúten e lactose é um caminho muito significativo para a evolução da criança. 6-CAMINHOS DE FORMAÇÃO Queremos ter certezas e não dúvidas. O autista não fala porque as pessoas a sua volta tentam significar os seus pedidos e normalmente atendem ao solicitado. São Paulo Prista. o corpo é nossa existência. estamos trabalhando em uma linha de pesquisa que é a Escola De Autistas . Avalie se o pedido deve ser atendido ou não. Entretanto a forma como os adultos à volta manifestam suas atitudes contribuem diretamente para que as competências do autista aflorem ou não. OLHE PROFUNDAMENTE PARA ELAS e de ênfase ao que é dito de forma compreensiva. o corpo fala. os avós e outros membros tenham a mesma atitude no cotidiano da criança. All Print .pag.Cultrix. REFERÊNCIAS Capra. Procure compreender o que o autista deseja através das manifestações corporais dele. A oferta do SIM e do NÃO é condição de sucesso no surgimento das competências da criança. Transformar necessidades em desejos implica em tornar sujeitos ditos como objetos estáticos e rígidos em pessoas flexíveis e construtoras. Formamos vários alunos em estudos interdisciplinares antes de sistematizar a formação que percorreu mais de vinte anos. neuronal e hoje podemos afirmar a nível bioquímico. Toda criança autista está atenta ao mundo e aprende. O autista pensa. o ser humano aciona suas estruturas mais profundas na busca de cumprir seu estatuto ontológico e filogenético.proposta de aprendizagem e desenvolvimento vem mostrando que a profundidade de estudos almejada se constitui em uma prática diferenciada e uma prática respeitosa à complexidade humana. 7. creches.As Formações Brasileiras em Psicomotricidade. Há modalidades diferenciadas de aprender em cada criança autista. Como falar da gestalt corporal quando nossas mensagens verbais e não verbais são tão contraditórias? O corpo tem memória. jamais produzido pelo orientador.Setembro 2013 . 1.

mas a possibilidade de. motora. desde cedo. originalmente concebida por André Lapierre e atualizada por seus seguidores. formar em Psicomotricidade Relacional implica em desenvolver um modo de ser e atuar na vida. direta. por meio da observação e decodificação dos comportamentos corporais. Define um método que propõe colocar o corpo em contato com o corpo do outro para buscar a sintonia que possibilite o diálogo tônico. nas diversas situações que o sujeito revela e. portanto. ser possível evidenciar estratégias habitualmente colocadas em ação pelo sujeito em sua vida relacional. José Leopoldo Vieira. no qual a construção do conhecimento acontece por meio do diálogo constante entre teoria. 1-144 . se utiliza do jogo simbólico e da comunicação tônica como recursos para desencadear o aperfeiçoamento dos potenciais: cognitivo. Palavras-chave: Formação. complementam-se. Corroborando com esta ideia. seria possível voltar às origens desses comportamentos.Setembro 3013 . desde o primeiro desejo ate? a autonomia. especialmente. ressalta-se que Psicomotricidade é. a significação da relação ali estabelecida para intervir. 2013). 2010). Psicomotricidade Relacional. Destacam-se os pressupostos teórico-metodológicos do método cujo fio condutor é a implicação corporal ativa. sobretudo. fazendo. Ibrahim Danyalgil. Leopoldo Vieira. É sob este viés que a Psicomotricidade 20 Relacional centra sua proposta na formação do psicomotricista relacional. em contato com seu lócus de trabalho. ao mesmo tempo. Esta configura-se como encontro corporal simbólico que conduz a uma relação transferencial e contra-transferencial que deve ser o mais consciente e controlada possível. facilitando processos de aprendizagem de si e do outro. Danyalgil (1998). Assim. 2002). explorando. A implicação pessoal torna esse percurso difícil embora desafiante. 1984). 2001). Este pensamento seria enfatizado posteriormente pelos psicomotricistas relacionais contemporâneos como um importante fundamento da base teórica da Psicomotricidade Relacional (Vieira. Neste sentido. Assim tudo aquilo que não está bem integrado no plano teórico pode ser revisto na formação pessoal que "abre ao Psicomotricista Relacional em formação a possibilidade de estar. entre outros. um termo empregado para designar uma concepção de movimento organizado e integrado em função das experiências vividas pelo sujeito. das imagens projetadas sobre o psicomotricista e/ou sobre os outros participantes do grupo. integrar e assimilar conceitos básicos da obra de André Lapierre e seus seguidores através dos processos de formacão: pessoal. criando e recriando possibilidades de ser. exige leitura e decodificação do simbolismo contido no ato vivido pelo corpo sujeito por meio de jogos simbólicos espontâneos levando em consideração os pressupostos teóricos do referido método. a integração entre o corpo orgânico e o corpo afetivo-relacional marcam a história da Psicomotricidade e conduzem André Lapierre ao método de intervenção da Psicomotricidade Relacional (Batista. Ainda quando em parceria com Bernard Aucouturier. A partir dessas evidências. cuja ação é resultante de sua individualidade. Lapierre (2002) afirma que a Psicomotricidade tem como fio condutor a dinâmica da história evolutiva do homem e possui como essência interventiva a interação dialética entre movimento e psiquismo. Isabel Bellaguarda Batista. Nessa perspectiva. destaca-se que a Psicomotricidade Relacional se diferencia de outras vertentes da Psicomotricidade por ser um método que considera o corpo sujeito sob a ótica da evolução do "fantasma Trabalhos Científicos/Temas Livres . corpo. Hoje. na intervenção do psicomotricista relacional não é a relação corporal em si mesma que está em jogo. formação pessoal e prática profissional. O processo de formação é tanto mais eficaz quanto mais as suas diversas fases de aprendizagem assumirem o caráter de acontecimentos vividos. Reitera-se aqui a premissa de que esse método funda-se na concepção de desenvolvimento e evolução da personalidade preconizada por Andre? Lapierre e atualizada por seus seguidores Anne Lapierre. ao mesmo tempo em que reforça o senso de identidade pessoal e sua autonomia. Batista & Danyalgil. Trata-se de um método que coloca o corpo como eixo central e como elemento fundamental para compreensão do comportamento humano. motor e social do homem. Enfatiza a compreensão de todas as formas de comunicação e vínculo. Ressaltava que esta falta segue fielmente a evolução filogenética do homem no plano de suas comunicações individuais e sociais (Lapierre & Aucouturier. psiquismo INTRODUÇÃO Para tratarmos da formação em Psicomotricidade Relacional. faz-se importante compreender o vínculo com a Psicomotricidade na medida em que esta defende que o psiquismo e a motricidade são dois componentes complementares. linguagem e socialização (Vieira et al. da comunicação não verbal e do jogo simbólico espontâneo vivido sistematicamente.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual A formação em psicomotricidade relacional: Um percurso de desenvolvimento pessoal e profissional Autores: Maria Isabel Bellaguarda Batista. a linguagem não verbal. O profissional necessita desenvolver a capacidade de apreender. Desse modo. O futuro profissional vivencia a aprendizagem na prática. confere ao corpo do profissional status de importante instrumento uma vez que se disponibiliza às projeções do outro possibilitando ressignificações necessárias à sua evolução e bem estar. A qualidade dessa formação está subordinada à vivência efetiva das várias fases de aprendizagem. 2005). Ressalta-se com isso a importância da compreensão de que a palavra "relacional" adicionada ao termo Psicomotricidade tem um significado específico. A unidade corpo-mente. André e Anne Lapierre.. André Lapierre já afirmava que a evolução ontogenética do ser humano delineia-se a partir da falta no corpo decorrente do desejo fusional inicial entre mãe e filho. Sobretudo em suas intervenções.pag. e os conceitos que a fundamentam. Sob esta perspectiva. Entendendo que não constituem consequência linear um do outro. Em todas as suas produções e apresentações André Lapierre destacou o papel do inconsciente e suas interferências psíquicas sobre as diversas formas de relações humanas. 1997). É essencial se facilitar a liberação do prazer de colocar o corpo em movimento considerando a necessidade de jogar com dinamismo liberando e desculpabilizando o contato e a agressividade necessários à afirmação do desejo e identidade pessoal e coletiva. encara-se o corpo e a motricidade como componentes essenciais da estrutura psicológica do "Eu" na medida em que é na ação que o indivíduo toma consciência de si próprio e do mundo (Vieira et al. Considera-se que nessa tríade os conhecimentos interpenetram-se. o que permite a esse profissional chegar ao momento de atuação com uma bagagem privilegiada de conhecimentos práticos" (Moraes. e. teórica e profissional. se voltaria às relações parentais originais para poder ressignificá-las (Lapierre. Esta proposta favorece a partilha do conhecimento e a troca de saberes por meio do diálogo tônico. ao longo de todo o percurso de formação do Ser Psicomotricista Relacional. (Vieira E Batista. Anne Lapierre Instituição: CIAR Resumo Este artigo objetiva discutir a formação profissional em Psicomotricidade Relacional. Insistiu em enfatizar que. se revela nas teias de sua vida (Vieira & Batista. emocional. Considera-se importante destacar que quando abordamos o Método da Psicomotricidade Relacional significa que seguimos os desenvolvimentos que se deram a partir de seus criadores. 2005). isto é. a formação do psicomotricista relacional se dá por meio de um percurso vivido no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu (especialização) e fundamenta-se em um modelo de educação mais empírico. ressalta que. solidários e dialéticos da mesma unidade sistêmica. com sentido diferenciado do senso comum. 2005). de modo a valorizar os aspectos socioafetivos e relacionais. corpo no corpo. estabelecem conexões permitindo que cada espaço formativo seja significado mutuamente.

• a tomar consciência de sua própria relação fantasmática com o mundo. refere a uma implicação corporal. Estes objetos não apenas funcionam como mediadores para a relação com o outro. Lapierre (2002) ressalta que. os formadores conduzem o psicomotricista relacional: • a tornar-se (. Esses autores sublinham também o fato de ser preciso reconhecer que o sofrimento do corpo traduz frequentemente outro tipo de sofrimento e que a atitude morfológica é apenas o reflexo. de acordo com este método podemos dizer que em sua intervenção enfatiza-se a importância dos conhecimentos teóricos e técnicos do ato motor e do psiquismo. "mergulhado nas brumas de nossos sentimentos. Neste percurso formativo considera-se que. Batista. reavivado por nossa memória. Entretanto destacamos que.43). psíquicas. submetido ao julgamento do outro. profissional e teórico-científico. ativa e motora do psicomotricista relacional" (Lapierre. O próprio Lapierre afirma que foram todas as experiências vivenciadas anteriormente por ele que o levaram a essa nova terminologia. atenuar ou ultrapassar suas resistências tônicas de modo a ficar corporalmente disponível capaz de se adaptar às necessidades tônicas e ser local de ressonância do desejo do outro. Vieira et al (2005). Batista. 2006). sobretudo. a expressão da atitude psíquica do ser humano diante da vida. isto é. Tal premissa se justifica à medida que é necessário ao psicomotricista relacional não somente compreender o que vive o outro. De acordo com esta proposta. 63). interiorizado e percebido através da imagem familiar que já temos dele". que se adquire a experiência do saber vivido pelo corpo. Importante lembrar que André Lapierre adicionou o adjetivo "relacional" ao termo Psicomotricidade para diferenciar suas concepções e sua prática em relação a outras técnicas que também têm o nome de Psicomotricidade e que são diferentes por suas propostas de intervenção e de concepção do desenvolvimento humano (Vieira et al. sendo necessária e fundamental a experiência pessoal da comunicação corporal e não verbal. emoções. para esta abordagem. 2010. integrar e assimilar conceitos básicos da obra de André Lapierre e seus seguidores. corpo no corpo. Para ressaltar esta particularidade.. como psicomotricista relacional. o poder e o saber dos clientes e de outros profissionais.) consciente das induções de sua problemática corporal pessoal na sua relação com o outro. privilegiando a comunicação tônica em seus aspectos psíquico-sócio-emocionais.Curitiba . compõem uma trilogia harmônica e estabelecem uma conexão que permite que cada espaço da formação seja significado. ao considerar especialmente que a parceria complementar e interdisciplinar com profissionais da saúde e da educação facilita processos de evolução no atendimento ao cliente (idem). Por meio desse tripé. p. Este conjunto de procedimentos são utilizados como recurso para desencadear o aperfeiçoamento dos potenciais cognitivo. p. 42). entre outros conduzem a uma relação transferencial e contra-transferencial que deve ser o mais consciente possível e controlada (idem)". simbólicos e fantasmáticos. A qualidade dessas vivências.FACEL . teórica e prática profissional. proibições e defesas e desenvolver um conhecimento e um controle mínimo sobre os seus registros corporais. O corpo do psicomotricista relacional torna-se um importante instrumento neste tipo de intervenção por se disponibilizar às projeções do outro e possibilitar ressignificações necessárias ao seu bem estar. ou não. 2010. das experiências em um nível sutil de percepção e ressignificação das faltas primárias. para a escolha de estratégias relacionais saudáveis. Sob esta perspectiva. A Formação Pessoal implica por em discussão a comunicação tônica. Anne Lapierre volta a destacar que "frequentemente as pessoas não levam em consideração que o adjetivo "relacional". Interessa salientar. sem que esse último se torne o local de ressonância de seu próprio desejo. e completa dizendo que colocou ênfase sobre a relação com o outro e seus conteúdos projetivos. materiais que se expressam e manifestam a partir e por meio do movimento que é processo que permite o devir do sujeito dia a dia. complementares a nossa prática (idem). complementam-se.Setembro 2013 . dos gestos do tônus. Este processo permite evidenciar limites pessoais na comunicação corporal. Para Nasio (2009. reforçando que o encontro com o outro é também um encontro consigo mesmo. bem como das possibilidades de intervenção corporal. Neste percurso formativo. com o espaço. em convênio com a Faculdade de Administração. conduzido por formadores. com um mínimo de 600h/ aula de carga horária. descortinar projeções inconscientes e aumentar a capacidade de compreensão dos pedidos e respostas corporais. exige-se a capacidade de apreender. por sua vez. Essas relações iniciais do sujeito serão de fundamental importância e contribuirão. Em relação à especificidade da formação pessoal do método da Psicomotricidade Relacional. as vivências pessoais facilitam um processo de conquista de autoria dentro de um continuum individual em que cada um vive a sua trajetória de modo único (Vieira. a leitura e a decodificação simbólica da linguagem do corpo no ato vivido na relação com o outro. P. o Trabalhos Científicos/Temas Livres .. dentro dos limites pessoais. 1984). em que a qualidade do olhar. mentais. e de suas possíveis relações. Em palestra proferida em 2013. Danyalgil. 21 . 2008). motor e social do profissional. sentimentos e intuições (Vieira. Com efeito. A possibilidade de ser psicomotricista relacional e a autorização para sê-lo se faz ao longo do percurso de formação. além da possibilidade de conexão e utilização de certos conceitos teóricos. Danyalgil. consideram que a vivência afetiva que está ligada ao corpo é o componente fundamental da personalidade. do exercício de escuta tônico-emocional. Ele ainda afirma que o percebemos como fantasia. 2005). também revela o verdadeiro limite do saber e poder profissionais. da receptividade. De acordo com Batlle (2001) o corpo é todo ele protagonismo. mas encontrar sua própria autenticidade. um corpo contenedor e produto daquilo que somos e que temos. 1984. Nesta perspectiva se utiliza do jogo simbólico e de objetos clássicos da Psicomotricidade Relacional. considerando que somente a vivência pessoal possibilita o reconhecimento e o controle das projeções e das contratransferências (Guerra. conhecimentos precisam ser vividos ao nível do corpo e integrados a? personalidade. enfatizamos que esta trilogia compõe a base que fundamenta o curso de Pós-Graduação Lato-Sensu. portanto. representados por figuras masculinas e femininas que fortalecem a identidade pessoal e validam a identidade profissional. tomar consciência de suas pulsões. Em continuidade a esta ideia a autora afirma ainda que "esta relação entre o psicomotricista relacional e a criança é um encontro corporal simbólico.pag. ao longo da vida o ser humano se desenvolverá conforme for encontrando. elucidado por Lapierre e Aucouturier (1984) como a vivência relacional mais primitiva pelo sujeito. emocionais. a observação. que é no espaço da formação pessoal especifica do método da Psicomotricidade Relacional. mas sim como o imaginamos. P. 2006). na intervenção psicomotora relacional. no que diz respeito à progressiva separação do corpo do outro pelo bebê. sobretudo do seus limites para aprender a trabalhar com suas capacidades reais e serem capaz de dar contenção ao que desperta no outro. 42). com os objetos (Lapierre E Aucouturier. ao longo da vida (Lapierre & Aucouturier. Este processo além de levar ao aperfeiçoamento da intervenção relacional. 2013). nosso corpo nunca é percebido tal como é. a ampliação do espaço fusional vivido pela díade mãe-bebê.CIAR e pelo Ícone Desenvolvimento Psicomotor. Formação Especializada em Psicomotri-cidade Relacional.PR. mutuamente (Guerra. interpenetram-se. 1-144 conhecimento teórico não tem utilidade se não tiver sido vivido no nível do corpo e integrado à personalidade do próprio psicomotricista relacional. o que possibilita ao profissional não ofuscar. • a buscar. pela via dos processos de formação pessoal. caracterizando o que é chamado de Psicomotricidade Relacional. capaz de produções muito diversas: orgânicas. Acrescentamos a esta afirmativa que a implicação corporal deve ser direta. Essa formação pessoal associada à prática profissional supervisionada norteia a intervenção corporal do psicomotricista relacional ao se basear na ressonância entre a sua forma particular de ser e de atuar. a vivência da autonomia e a forma de se compartilhar. além de ativa e motora. realizado pelo Centro Internacional de Análise Relacional .Trabalhos Científicos de fusão". em suas relações com outros seres humanos. os eixos formação pessoal. substituições simbólicas que o leve a reviver periodicamente essa falta primária da fusão do seu corpo no corpo do outro. Ciências Educação e Letras . mas fundamentalmente neste tipo de intervenção. estão carregados de um simbolismo afetivo ligado ao psiquismo e que deve ser decodificado considerando que irá permear e dar indícios sobre o que poderá favorecer a comunicação tônica. emocional. são vividas pelo corpo sujeito de modo mais ou menos saudável (Batista.

ciar.A Atividade Motora é Essencial para Aprender. estando um no lugar do profissional e o outro no lugar do cliente (Vieira. In: PRISTA. Por esta razão. Batista. Danyalgil. se ver. Lapierre. além disso. e.Curitiba. ainda. Lapierre.Centro Internacional de Análise Relacional . Para atuar como didata. (1997). Destaca-se a obrigatoriedade do cumprimento das diretrizes do código de ética do 22 Psicomotricista Relacional. P105-110. percurso vivido de forma única e singular por todo ser humano. com os objetos. MIB.br/>. Jl. Fantasmas Corporais e Pra?tica Psicomotora. Para tanto. (2010). feito de matéria perecível e de sentimentos frágeis.Graduação Lato Sensu em Psicomotricidade Relacional. em forças criadoras e produtivas para aperfeiçoamento da intervenção profissional e da construção do conhecimento. Vieira. AEL. a nutrição afetiva.. O reconhecimento é um processo contínuo que acontece nos seminários. ver. Por isso a necessidade permanente de um espaço para se falar sobre o lugar do psicomotricista relacional. Formação em Psicomotricidade no Brasil.162) "a Psicomotricidade Relacional é uma verdadeira formação para a relação não verbal e para seu conteúdo simbólico". pouco a pouco. VII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. do que vive e do que sente. do espaço. em declarações públicas documentadas e datadas respectivamente nos dias 26 de julho de 2006 e 2 de setembro de 2011(Esses documentos na íntegra estão disponibilizados no site do CIAR: www. REFERÊNCIAS Batista. por intermédio do olhar do outro e do intercontrole. Para finalizar. o que é de fundamental importância principalmente porque "(. entidade única.). ajustando a aprendizagem adquirida no plano teórico ao saber vivido corporalmente. Trabalhos Científicos/Temas Livres . com a devida aprovação e comprovação de instituições e profissionais publicamente idôneas e reconhecidas por André e Anne Lapierre. Jl. p. significa um convite e um desafio à experiência de aprender na partilha da experiência. P. (2013).com. para se tomar consciência de que aquele que intervém também é alvo da intervenção do outro. com o outro. o que. Mib. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de PósGraduação Lato Sensu em Psicomotricidade Relacional do CIAR/FACEL. que é a supervisão. para. Aucouturier. Lapierre e Aucouturier (1984. a necessidade de afinar a sensibilidade para comunicarse por meio deste e a importância de fazer leituras do simbolismo dos objetos. mantendo-se fiel ao marco conceitual proposto por André e Anne Lapierre. Vieira. Disponível em: <http://www. é condição sine qua non o seu comprometimento com supervisões periódicas de seu trabalho. Moraes.Faculdade de Artes do Paraná -Brasil e CIAR . (2006). Vieira. encontrar o sentido no diálogo tônico. acima de tudo. que apesar do investimento na formação pessoal. Mib. destinada a orientar. Curitiba: CIAR. O corpo-sujeito é colocado no centro das formulações e das reformulações teóricas e se faz progressi-vamente mais presente na prática.Setembro 3013 . (2008). sendo necessária a publicação anual da lista de psicomotricistas relacionais atualizados com este processo. ter curiosidade. p. destaca-se de modo especial o ponto considerado fundamental para a formação do profissional Psicomotricista Relacional. A Influência do Estágio Supervisionado na Construção do Próprio Modelo. A Formação Teórica é fundamental para que o psicomotricista relacional possa comunicar sua prática e os resultados desta. A exigência da colocação do corpo do psicomotricista relacional na relação. A Comunicação em Psicomotricidade Relacional: Convergência entre emoção e motricidade. ser visto. Batista. de acordo com as diretrizes do código de ética do psicomotricista relacional. A formação do profissional. (1997).com. a partir deste lugar. busca garantir padrões éticos cada vez mais elevados no exercício das suas atividades. Batista. Fortaleza . Acesso em 15 de outubro de 2008. (1984). Esse processo nem sempre é fácil e prazeroso. chegará a dominar alguns conceitos teóricos básicos e a técnica. 2010. 46). entre seus objetivos. RM (org. Projeto para Secretaria Desenvolvimento e Ação Social do Município de Fortaleza Coletânea de textos .Ciar Fortaleza. transformam questões insuficientemente elaboradas na formação. Reitera-se que por se tratar de uma prática em que a intervenção exige que o profissional esteja diretamente implicado na situação. RRA. nas reuniões científicas e nos grupos de supervisão. o profissional em suas relações com o espaço. se faz destacar. pensar sobre o vivido e colocar em linguagem o que vive.4) ressaltam que os Estágios Supervisionados permitem evidenciar os fantasmas corporais próprios ao adulto. Trata-se de uma proposta de formação em grupo no qual se insere a formação individual estimulando e fortalecendo a afirmação do perfil pessoal do profissional. a sensação de plenitude e segurança ontológica necessárias para elaborar positivamente o reencontro com a falta primária vivida pela separação dos corpos mãe e bebê. A Formação Profissional enfoca a prática profissional supervisionada por meio dos Estágios Supervisionados e tem por finalidade sensibilizar a escuta corporal no trabalho para que o profissional desenvolva a capacidade de decodificar as mensagens tônicas do outro. Batista. com muito investimento. que é a proposta original de André Lapierre de desenvolver possibilidades e múltiplas estratégias que o habilitem e viabilizem por meio do encontro corpo no corpo. (2013). mas nunca inteiramente seus sentimentos. Neste percurso salientamos a importância de se facilitar a liberação do prazer de colocar o corpo em movimento considerando para tanto a necessidade de jogar com todo dinamismo buscando liberar e desculpabilizar a agressividade necessária à afirmação do desejo e da identidade pessoal e coletiva. Jl. MIB. Vieira. Batista. Esta separação marca o início concreto do processo de individualização. Volume 8 (3). exige-se nesta formação que o formando se disponha a dar inicio a um percurso de conhecimento de si e reconhecimento de suas competências.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Ressalta-se. e que este é distinto da formação do psicomotricista relacional didata. Revista Iberoamericana de Psicomotricidade e Técnicas Corporais. Jl. Guerra. por parte dos psicomotricistas relacionais didatas e dos formados por estes. Palestra proferida no I Congresso Internacional de Psicomotricidade Relacional. Psicomotricidade Relacional e Aprendizagem . Nela é possível rever constantemente a atuação da prática relacional. (2002). é da ordem do inominável.pag. fiscalizar e disciplinar o exercício da Psicomotricidade Relacional e zelar pela fiel observância dos princípios desta prática profissional. a exigência de um processo de Formação Pessoal mais profundo.Ciar Fortaleza. (2005). Aos profissionais não citados no referido documento ficou aberta a possibilidade de atualização da sua prática profissional. a teoria e o método da Psicomotricidade Relacional na interface com as outras ciências. Curso Introdutório à Psicomotricidade Relacional. Neste espaço o profissional pode se escutar. Importante ainda.CE. pois ele permanece com o saber e ser inacabados. Consoante Lapierre & Lapierre (2002. pelo viés de um discurso consistente sustentado na teoria e na prática desta teoria. com os outros e consigo. MIB. a prática do psicomotricista relacional necessita de um lugar de interlocução. o psicomotricista relacional permanece humano. Lapierre. Constituição da identidade profissional do psicomotricista relacional. Portanto. MIB. 43). São Paulo: All Print Editora.br). I. A. MIB. Psicomotricidade Relacional: a Teoria de uma Pra?tica.ciar. (1998). Da Psicomotricidade à Análise Corporal da Relação. Danyalgil. São Paulo: Manole Ltda. I. trabalhando com a formação de outros psicomotricistas relacionais. A. 2010. Lapierre. B. considera-se que o Psicomotricista Relacional somente pode se intitular como tal. com os quais esse último vai encontrar a criança. Curitiba: Ed. (2010). (2005). A. Jl. 1-144 . do tempo e dos dizeres corporais inaugura o espaço formativo da supervisão. (2001). Danyalgil.) a atitude da criança frente ao corpo do adulto nos aparece frequentemente como uma reação aos fantasmas que ele projeta sobre ela". se faz necessário uma formação complementar (Vieira. Não existe psicomotricista relacional perfeitamente formado. Curitiba: Filosofart/ CIAR. da UFPR e CIAR. Apostila de Estagio I do Curso de Pós Graduação Lato Sensu Formação Especializada em Psicomotricidade Relacional. tanto no plano pessoal quanto no plano grupal. A Associação Brasileira de Psicomotricidade Relacional . Batista. com o tempo. Doi:15770788 Danyalgil. realizado pela FAP . A participação nestas atividades institucionais. Talvez. Batista.ABPR. Vieira. Brasil. muitas vezes. desejo de saber e sede de conhecimento. A. Batista. Apostila de Estágio III: A Relevância da Supervisão e dos Estágios Supervisionados do Curso de Pós . Este profissional necessita conhecer a ciência da Psicomotricidade. Coletânea de Textos .. P. mas. caso o profissional deseje trabalhar com adultos.

dientes. el descubrimiento paulatino de la “norma íntima” que porta el discurso psicomotor ¿puede ser una experiencia científica o es una experiencia con el lenguaje? El objetivo de este trabajo es poner en evidencia y en interrelación la teoría y práctica de la psicomotricidad con algunas experiencias clínicas realizadas en el campo de las alteraciones del lenguaje. 1990. aun así era posible encontrar gestos conservados que evidenciaban un estado de tensión concomitante. El tratamiento psicomotor que el niño realizó incluyó al finalizar la sesión un espacio de relajación terapéutica. voz sin jerarquización ni direccionalidad en la puesta en funcionamiento. En el espacio amplio cuando entraba la motricidad en juego y especialmente con los objetos se observaba una notable ausencia de libertad posturo-motriz. ¿Cuál es el carácter de la acción de la relajación terapéutica en psicomotricidad que hace posible encontrarnos con dichos efectos? ¿Cómo pensar la función clínica cumplida por el campo tónico postural. una “norma íntima”? La interrogación sobre esta lógica. labios. República Oriental del Uruguay. sin proyección espacial como conservada dentro de la cavidad bucal. sus posibilidades de organizar y la eficacia de la acción aumentaban. Si bien el joven se movía con torpeza. Buenos Aires. toscamente. cuando por diversos motivos. tanto en el campo del decir como de la ejecución se fue perdiendo. dicho a medias entre él y el que escuchaba. Cuando realizaba acciones que implicaban a la coordinación visomotriz se presentaban notables sincinecias orofaciales y un gran control sobre las praxias y el objeto. Tornu INTRODUCCIÓN ¿”Hay en la naturaleza un saber ya inscripto” 2 que toda experiencia científica trata de conquistar? ¿Hay un saber ya inscripto en la naturaleza de lo psicomotor que establece la eficacia de la práctica? ¿La práctica psicomotriz porta una lógica. Buenos Aires. eran un hacer a medias. Asociación Argentina de Psicomotricidad. Manantial.Setembro 2013 . Las manos hipotónicas poco precisas. El lenguaje era prácticamente ininteligible.”3 La primera observación surge del trabajo que realizan con su propia relajación quienes se forman para terapeutas en relajación: para llevar a cabo la experiencia con la relajación. el contacto. Pensábamos que por un lado se trataba de establecer una voz respecto de una boca. el campo tónico-postural del lado del relajando y del lado del relajador la transmisión de la técnica a través del lenguaje. que se conserva. labios. Entonces el niño buscaba un apoyo concreto en la pared. El silencio y el interés del niño en la escena eran llamativos. se ausenta. la voz del relajador es perdida. 2 Jaques Alain Miller. que se confunde. Trabalhos Científicos/Temas Livres . 1997. 1-144 23 . la voz y las palabras (intermediando en la transferencia) en la construcción del pensamiento y del lenguaje? Una tercera observación es referente a un niño de 5 años que consultaba por un tratamiento psicomotor. voz que acompaña. como por ejemplo cuando jugaba a la pelota pegaba su cuerpo a la pared. jugaba con las diversas funciones de su boca. Vamos a plantearlo desde una perspectiva práctica: tres observaciones clínicas realizadas y una cuarta observación que comenta Bergés en el artículo “El cuerpo desde la neurofisiología al psicoanálisis. Ya que padecía trastornos tónicos posturales: tensión y dolor. la voz con una sonoridad laríngea era grave. es decir. homogénea. Dicha observación nos da pie para interesarnos por la relación entre el campo tónico postural y la voz. convoca o es extraña. la motricidad y la mirada se suspenden (por requerimiento de la técnica) y queda. sonido. la puesta en juego de su lenguaje era también otro rasgo que lo particularizaba. guiada por el funcionamiento postural. por lo tanto pobre gestualidad e importantes paratonías. sobre la organización tónico-postural tanto cuando se hace presente como cuando se ausenta? La segunda observación es respecto de un paciente de 18 años que consultó por un tratamiento en relajación terapéutica. Lo dicho a medias produce también lo entendido a medias. hablaba con un lenguaje pobre. ausencia de la voz del otro: presentación de imágenes. la paratonía fue cediendo y amplió notablemente sus posibilidades de pensamiento y de reflexión. 1988. sin habilidad.Trabalhos Científicos Informe preliminar para el estudio de la relación entre las alteraciones del lenguaje y la organización psicomotriz1 Autor: Leticia González Universidade Nacional de Tres de Febrero Psicomotricidade do Serviço de Pediatria do Hospital General de Agudos E. lengua. dada una referencia. “Seminario IV”. Las praxias formaban parte de su decir a medias. Lógicas de la vida amorosa. pérdida. la organización postural y las imágenes? ¿Que función cumple la voz del otro materno. distendido. Vamos a relatar una escena emergente de dicho espacio de relajación terapéutica: el niño en posición decúbito dorsal. Le resultaba difícil establecer un proyecto de acción. dado a ver en la gestualidad orofacial.pag. presencia del campo tónico-postural: voz y palabras para el cuerpo. entre otras variables intermediando en la transferencia. ¡Que interesante secuencia!. una pequeña ayuda. Los relajandos relatan que una vez que acceden a cierta resolución de la tensión en el campo tónico-postural cobra relevancia la voz del relajador. particularmente interrogar la función que cumple en los primeros momentos de vida del infans. El niño contaba con el esfuerzo de audición y con el pensamiento del otro para facilitar la comprensión de su lenguaje y adjudicar eficacia a su acción. El niño se presentaba con un notable estado de tensión en la zona orofacial y consecuentemente con pobreza gestual. los relajandos se encuentran con imágenes. calmado y con la mirada prendida. ¿Qué vinculación hay entre los síntomas tónicos posturales y los desórdenes en la articulación y enunciación del lenguaje? El joven trabajó durante un año en relajación terapéutica y dicho “sublenguaje”. Pensábamos que esto se presentaba porque la motricidad de la periferia. que se gana o se pierde para el cuerpo en el encuentro con el estado de relajación. de escuchar una voz y ubicar una boca como así también frente a la ubicación y resolución del campo Notas de rodapé 1 Fragmento del trabajo presentado en el Congreso dePsicomotricidad y Estimulación Temprana. que dio lugar al seminario “Con la traba en la lengua”. Tanto el lenguaje como la acción psicomotriz se hacían presentes intermediando un otro. Las praxias orofaciales parecían juntarse en el momento de la emisión: lengua. particularmente en su inicio. que se evita. ¿imitando quizás?. En muchas ocasiones. en Jornadas de estudio con Jean Bergés y Marika Bounes Bergés. evidenciando una notable ausencia de libertad posturo-motriz. quedaba a expensas del escaso dinamismo que brinda un eje axial pobremente legalizado por la estructura de representación. sin expansión. mientras que sus labios se movían. fija e interesada en los movimientos que la boca del terapeuta iba haciendo al decir las consignas de la técnica. 3 Jean Bergés. ¿Cuál es el arreglo entre la voz del otro materno.

5 Jaques Lacan. vol. Buenos Aires. “Cuando dejo en su cuna a un niño que acaba de nacer. sino que estaría del lado de los efectos de la función del otro. Marika. Jean. Año 1. da oído respondiendo a un campo sonoro. por la experiencia en el funcionamiento ligada a un otro. Buenos Aires. Bergés. Barcelona. los cuatro conceptos fundamentales del psicoanálisis. 1987. del lugar del niño parlante.O. Rettard du Lenguaje et affectivitté. del niño comunicante” 6 ¿Qué aporta la psicomotricidad a la reflexión sobre la cualidad. número 5. González. que conversa? ¿Es posible especificar aquel funcionamiento psicomotor que da cuenta de que el niño porta un lugar comunicante? ¿El lugar del niño parlante. El recién nacido pone en juego en relación con otro. Jean. “Tiempo de olvido. y emito un sonido repetido. las manos. una aproximación al cuerpo”. es una función. no por la cualidades específicas del retraso o por la enunciación sintomatológica de las dificultades. La relajación terapéutica en la infancia. la audición. a partir de lo cual sería posible pensar la captura del cuerpo y de la audición (como función) por la forma sonora. “El arte de escuchar casi equivale al bien decir. Jean. 1996. 1993. Nueva visión. es un funcionamiento? ¿Qué función desempeña el cuerpo en el nombrar al mundo? Se trata de situar el interrogante en lo que no se ve de la función en su funcionamiento. nº 108. Editoras. ¿cabe dirigir la pregunta hacia el cuerpo? ¿Investigar sobre los aportes que la práctica psicomotriz y la relajación terapéutica pueden hacer al campo del lenguaje? Bergés dice: “no se trata de parar en la constatación del retraso. 129. 17. número 2. Paidós.nº 108. actos de transferencia del otro. Elite Ediciones. Buenos Aires. Pierre. 1995. Rettard du Lenguaje et affectivitté. como nos ha enseñado Jean Bergés.Setembro 3013 . junio de 1978. da cuenta de la expectativa. de la espera.P. “El cuerpo del niño sordo profundo y el acceso al sentido”. “La función estructurante del placer”.L. en Crónicas clínicas en relajación terapéutica y psicomotricidad. la audición y la visión. Masson. Bergés. Jean. De modo análogo respecto de los síntomas del lenguaje. 1979. Leticia. informe de la intervención del Dr. De este modo a través de la técnica y en transferencia. González. son aquello del sujeto como sujeto.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual tónico-postural se hacía presente la emergencia del escuchar. la ayuda y la respuesta que una madre da a esta espera. Bergés. a la captura humanizante que ejerce sobre el cuerpo del infans. Buenos Aires. A los tres meses esta anticipación ya no se produce más. trabajo presentado en las jornadas de trabajo de A. la boca. en Crónicas clínicas en relajación terapéutica y psicomotricidad. Buenos Aires.. Bergés y está referida a los recién nacidos.pag. las praxias orales. xxx Notas de rodapé 4 Jean Bergés. Desde esta perspectiva respecto de los síntomas en el cuerpo. Quiero destacar que este atributo con el cual cuenta el cuerpo del recién nacido. 1-144 . las movilizaciones. 24 Trabalhos Científicos/Temas Livres . del niño que nombra a las cosas. seminario 11. sino darle el sentido. Clase 10. es una estructura. vol.”5 Para que lo terapéutico suceda en el cuerpo del sujeto. por la imitación. de algún modo fue borrada. esclarecerlo. Bergés. podemos decir que el niño tiene tres meses para que se le conteste. Reeducatión Orthophonique. la mirada. Bergés. es la mirada que es llevada hacia la dirección”. “El cuerpo desde la neurofisiología alpsicoanálisis”. Tanto el lenguaje como el cuerpo no son complementos o atributos. 1979. “Postura y comunicación”. Jean. Jean. señalando la manera particularizada de la acción del deseo del otro sobre el cuerpo del niño: producir efectos de funcionamiento. Aragón y L. en Cuadernos de Psicomotricidad y Educación Especial. el niño gira la cabeza hacia el lado del sonido y si interrumpo esta repetición del sonido. texto de la conferencia pronunciada en el Palazzo Comunale Recanati. la jerarquización del funcionamiento y las relaciones entre: el campo tónico-postural. Bergés. BIBLIOGRAFÍA Benoit. que tiene sólo unas horas. por la expectativa no es solo relativa a las palabras sino que también al gesto. de la acción orofacial tomada por la copia. 1988. Reeducatión Orthophonique. uno por el lado de la mirada y otro por el lado de las palabras. el sujeto construye e implica al cuerpo y sus funciones en una estrategia de funcionamiento con la cual es posible tramitar la naturaleza de la presencia y ausencia del cuerpo en el campo del lenguaje. Bergés. la postura y la mirada del otro. sino también ser soporte de la singularidad de la transferencia que cada paciente establece con la intervención. 6 Jean Bergés. […] Lo que supone la anticipación viso-auditiva es una forma de representación que tiene algo que ver con la audición. inédito.M. Asociación Argentina de Psicomotricidad. Editoras Raquel Aragón y Leticia González. De manera tal que un modo de profundizar en la investigación sobre lógica que subyace al diagnóstico y terapéutica de los trastornos psicomotores sería interrogarnos por los efectos del lenguaje en el funcionamiento del cuerpo. en Jornadas de estudio con Jean Bergés y Marika Bounes Bergés. ¿Qué función cumple el campo tónico-postural respecto de la organización y eficacia de las praxias orofaciales necesarias al lenguaje y en relación al funcionamiento de los órganos comprometidos en ella? ¿Cómo pensar las funciones. el campo postural. esta competencia a anticipar marcada por la espera. o sea una especie de condensación de la representación de cosas y de la representación de palabras. Análogamente. Jean. 1983. material inédito.”4 El infans. p. 1988. el lenguaje. En estas circunstancias la función audio-perceptiva posibilita la instalación de una respuesta a una forma sonora. escuchar al cuerpo y en relación a los síntomas en el lenguaje interrogar al cuerpo en su lugar de soporte material y simbólico de la comunicación con el otro.C puede acceder a su lugar de sujeto?”. del mirar. no sólo es preciso transmitir la técnica. las praxias manuales? Una última observación. 17. “¿El niño I. nos interesa considerarlo no únicamente como una respuesta refleja. Son lo que se incorpora del otro. que la consigna el Dr. Para Bergés. Esto reparte nuestras tareas. “Seminario IV”. Esta anticipación viso-auditiva plantea la realidad de la anticipación. 1996 Bergés. que el terapeuta suponga apropiada. 1990. Buenos Aires. es preciso atender al lenguaje.R. Bounes de Bergés. que es aquél que no habla. Crónicas médicas de un psicoanalista. El Seminario. sino esforzándose en la apreciación de la cualidad. sobre el lugar del niño que habla.

É relevante salientar que vida. imanente. platonistas e paracelsistas o mundo era encarado como estando vivo em todos os níveis. O animismo é o conceito mais bem guardado do pensamento. Outro autor que mantém essas influências é o "herético" Giordano Bruno (2008): "Ainda que nem todos os corpos compostos sejam animais. apesar do termo não aparecer explicitamente. Substituindo forma por informação. ou seja. este mundo é um deus. movimento. Debus (2002) nos lembra que no século XVI. que raciocina". na transdução (transformação de energia. diz: "tudo o que mostramos até agora é absolutamente geral e se aplica tanto aos homens quanto aos outros indivíduos. evoluem. em ressonância interna com ordens diferentes. 2000). justamente chamada A Natureza e a Origem da Mente. a filosofia e a ciência. então. 2003. para os vivos. Outros. são. Torna-se relevante entender as singularidades do animismo e suas consequências para a biologia. Bergson cria o conceito de impulso vital. 1979). sobretudo. que. Seu contemporâneo. também pode ser considerado animista. Vamos agora tornar o animismo "mais vivo" no pensamento. 111). não faz sentido a divisão entre orgânico e pós-orgânico. 2002). mas não o assumem. Animismo. o camuflam. não dualistas. mais uma vez. mas antes a variável de uma função. baseado no pneuma dos estóicos (Dobbs. mas há peixes por toda parte" (Deleuze. fazendo-o horrorizar-se com "certos traços de sua condição animal". estamos equivalendo aqui mente e vida. desdobrando em toda uma nova compreensão do corpo. Nesse artigo vamos delinear o preço a se pagar por possuir um corpo. bem a gosto da sociologia monadológica de Gabriel Tarde (2003). ainda que em graus variados. p. emergem algumas características que tendem a passar por despercebidas. e conclama a uma nova aliança." Assim é definido o animismo? em uma crítica a nossa sociedade "desanimista"? por Viveiros de Castro (2002). Um grande tratado filosófico entre devir e vida é A Evolução Criadora. Ele ainda diz que a consciência é voltada para os inanimados e a intuição. planetas. simultaneamente. Tais questões atravessavam a obra alquímica de Isaac Newton: seu animismo era. O físico Erwin Schrödinger (1977). de forma não dualista. Jacques Monod (1971). há. Se qualquer corpo é anímico. no sentido qie consciência é dobra (maior complexidade) da mente. ou. se bem que não relevando todos de um tipo de atividade. A partir de atravessamentos múltiplos do animismo com as antigas tradições. Leibniz não dizia de uma universalidade. O animismo está longe de ser um privilégio de sociedades indígenas. mas processual. crescem e se reproduzem (Hutin. células. Imanência Quando conceituamos o corpo à luz da imanência. em que o vegetal. e humanos. que consegue alimento sem se mover. Para o egípcio Plotino (2002): "Pelo poder da Alma. acreditando em uma mente única. passíveis de percepção. de fato. problematiza a separação entre o natural e o artificial pela ciência moderna. que batiza o livro de 25 . O desanimismo de nossa sociedade é relativamente recente. Para Michel J. É uma visão da vida antiaristotélica e que. o animismo sendo uma sociedade de relações cósmicas. articula vida com. Um grande elã carrega todos os seres e todas as coisas". além de afirmar que a individuação já evidencia. Sendo assim. atribuído a Hermes Trismegisto. todos animados". um ponto de vista que pode ser assumido por qualquer espécie. no pensamento hermético. em que não há separação de consciência e mundo. o alimento etc.pag. compreenderemos a magnitude do que é esse corpo do qual conceituamos. é a operação da Vida? Não é o Movimento? Herm: E o que é imóvel no Mundo? Nada. por causa das múltiplas disposições da matéria e do objeto das ideias". relacionando pedras e cristais. para os aristotélicos. "O animismo pode ser definido como uma ontologia que postula o caráter social das relações entre séries humana e não humana: o intervalo entre natureza e sociedade é ele próprio social. O antropólogo. então. tudo se revivifica em nós. Segundo ele. Simondon afirma que não nos é possível conhecer a inviduação. se destaca o animismo. invertendo a tradição biológica." Esta ideia vai estar muito presente no Hermetismo. mas apenas individuar. mas de uma ubiquidade do vivente. mas dominando-a quando necessário. sociedade essa que pode ser composta por átomos. que considerá-los a todos animados. Leibniz (2000). abelhas e colmeias. continua: "A humanidade não constitui uma constante autônoma. Monod propõe uma ética do conhecimento que permitiria ao homem assumir essa sua herança com a natureza. afasta o ali e agarra o aqui" e "Como eu sei a forma de tudo surgir? Pelo aqui". como citamos anteriomente. "nem tudo é peixe. Dentre essas características. A partir de uma articulação entre Lamarck e Darwin e indo além. não transcendente. no entanto. Para termos mais consistência nas relações entre devir e vida. em outras palavras. não olhos. A relevância de se conceituar corpo pré e pós-orgânico se perdem à luz da imanência. Hermes: Tat: O que. relacionando acaso e necessidade nos processos biológicos. O primeiro problema que se anuncia é a questão do jargão "corpo pós-orgânico". os quais. Mas foi dito "consciência" e não vida. Tal concepção faz parte do que foi entendido como o Princípio do Mentalismo no Hermetismo. em Trabalhos Científicos/Temas Livres .Trabalhos Científicos Corpos em devir: Imanência e animismo Autor: Nelson Job Instituição: HCTE/UFRJ O corpo em uma imanência apresenta características singulares. Ele – que também leva em conta Lamarck articulado com o darwinismo – chega a colocar que concorda com os escritos hindus Upanixades. (A função ela mesma não é senão o que costuma chamar de 'realidade')". Corpo. Spinoza (2008). isto é. Ele escrevia que o interior da matéria era "substância imaterial. Em seu texto "A Percepção da Mudança" manifesta-se o animismo de Bergson (2006): "Tudo se anima a nossa volta. mas que vivem. de Henri Bergson (2005). 1-144 que tudo é mente e a matéria seria força mental coagulada. White (2006) os estoicos apreendem o cosmos como um ser vivente e o fogo que o anima é imanente ao próprio cosmos. Muitos o utilizam. entretanto. munido de seu perspectivismo. acredita que nos processos biológicos há comportamento quântico e diz que a vida é uma contrariedade à entropia do universo. Como algo pode ser consciente e não ter vida? Entendemos que não possa. Isso porque imanência envolve necessariamente animismo. sendo um precursor do protopampsiquismo. devido à Alma. No famoso texto "Pymander". é imanente à vida. o múltiplo e diversificado sistema celeste é uma unidade. temos o seguinte diálogo entre Tat e seu pai. Um dos desdobramentos do Hermetismo foi a Alquimia: os alquimistas acreditavam que os metais não eram substâncias inanimadas. em seu clássico O que é vida?. afirmava que as mônadas são enteléquias. um "princípio de animismo". dizendo que tal aliança constrange o homem. por exemplo: energia elétrica em sonora). na segunda Ética. é relacionada com movimento. do sistema nervoso. num sistema em um processo em que o indivíduo é uma etapa (os herméticos diriam: coágulo) e não um fim em si. o indivíduo em estado pré-individual engendra forças compondo uma individuação nem a priori e nem a posteriori. O Taoismo. ó Filho (Westcott. afirmando que a vida é um fluxo incessante. do que se define por si... ou seja. por sua vez.Setembro 2013 . o indivíduo e o seu meio. mas podemos notar nos textos de Laozi (2007): "O Homem Santo sendo entranhas. pois seu funcionamento é da ordem da organização. bem como os outros astros. vamos recorrer à filosofia de Gilbert Simondon (2007). países. e que é muito importante que a humanidade desenvolva mais a intuição. e o Sol é um deus por ser dotado de alma. Sim. necessário ao animal que precisa se deslocar e sentir os obstáculos. Propõe o fim da velha aliança animista entre homem e natureza. entre outras influências. não precisa.

como prefere Bruno Latour (1994). Deleuze e Guattari (1992) vão propor um audacioso conceito de vida inorgânica: "nem todo organismo é cerebrado. engendra a continuidade da vida. gás muito volátil e geralmente muito instável. a simultaneidade das partículas elementares. Assim como Spinoza considera que o mental se torna mais e mais complexo em organismos de complexidade proporcional. a vida) de desdobrar. qual é a diferença? Como pode se estabelecer um critério consistente do que é e do que não é vivo? Cada porção de chamado não vivente pode. eliminando a taxonomia e incluindo as relações de força na biologia. a questão do mental ontológico no universo ganha novos passos. entre outros fatos. pois a autorregulação de florestas. quando se imanentiza natureza e cultura. inclusive a de vivente e não vivente. a floresta retorna ao equilíbrio. Sheldrake é totalmente adepto à Hipótese Gaia forte de Lovelock. dá alguma consistência para a teoria de campos morfogenéticos. no sentido que eles colocam: "Se tudo é vivo. dado o animismo. O conceito de Corpo sem Órgãos é uma potência neoanimista. ou uma vida inorgânica das coisas". Ele ainda cria o conceito de íntegron. para elas. Poderíamos dizer que. O filósofo afirma que o nosso "chauvinismo orgânico" subestima os processos de auto-organização de outras esferas chegando a dizer que o planeta Terra é um exemplo de Corpo sem Órgãos no sentido que ele é um coágulo de plasma cósmico (Delanda-1997). o íntegron se organiza com íntegrons de ordens superiores. Essa versão animista de Gaia nos agrada. caso contrário. Cabe. por que o dinamismo quântico não é considerado vivo? São critérios arbitrários dualistas que impedem o pensamento (logo. Tal estabilidade do metano. pois a matéria bruta e os seres vivos são compostos pelos mesmos elementos. se isso acontece ontologicamente. Os íntegrons chegam a compor hierarquias que constituem o Estado e os códigos culturais. mas. O golpe mais forte na hegemonia darwiniana foi dado por Eva Jablonka e Marion Lamb (2010). mas. baseado em sua teoria especulativa de campos morfogenéticos ("a influência de semelhante sobre o semelhante através do espaço e do tempo") aplicada à natureza como um todo relacional e dinâmico. que nos fazem pensar que a questão da MQ torna a consciência presente em todo fenômeno quântico. ao contrário. como já advogava os Estoicos. Através da epigenética (características estáveis dos organismos que não envolvem mudança no DNA). "uma sequência de interação entre partes". porque o organismo é um desvio da vida" (Deleuze e Guattarri. que realiza processos de auto-organização para a manutenção da vida. ele é mais complexo devido aos avanços filosófico-científicos ao longo dos séculos. as consequências para o pensamento e para a ontologia são drásticas e necessárias. mas há em toda parte forças que constituem microcérebros. mas a bactéria. O conceito de máquina abstrata de ambos é utilizado por Manuel Delanda (1991) afirmando que o conceito borra a distinção de vida orgânica e inorgânica. nos lembra que Geoffroy Saint-Hillaire concebia a natureza não como agindo em planos diferentes para. no nível quântico da matéria. Trabalhos Científicos/Temas Livres . algumas informações adquiridas são herdadas. O paleontólogo neodarwinista Stephen Jay Gould (2001) retira a ideia de progresso no evolucionismo dizendo que a complexidade dos seres vivos é alcançada aleatoriamente e não teleologicamente. Ora. 2011) não nos surpreende. permite a continuidade da vida na Terra. em outras palavras. acontece também epistemologicamente. por exemplo. O físico Roger Penrose e o médico Stuart Hameroff (2011). visto que problematizamos as dualidades aqui e. e as relações são movimentos. em suas relações. semelhante ao que sugere Gabriel Tarde em sua sociologia monadológica. Ora. o animismo é um deles. a qualquer momento. sem idolatria. 26 Já Gregory Bateson (1987) afirma que mente é relação. se acreditamos que somos organismos superiores. níveis de metano nos seriam fatais. não há sentido em separar radicalmente entre os corpos orgânicos e não-orgânicos. O desafio do conceituar o corpo é promover as articulações entre saberes para intuir as potências cada vez mais amplas desses corpos. então o cosmos é inconstante movimento vital. visto que ambos possuem vida. e nem toda vida é orgânica. não é porque tudo é orgânico e organizado. além de mudanças evolutivas poderem resultar tanto de instrução como de seleção. invertebrados e vertebrados. incluindo os unicelulares. a característica de o planeta Terra ter um nível muito mais estável do gás metano em sua atmosfera. pois a natureza-cultura. a partir da questão do íntegron. sendo assim. mas o telescópio. se o não vivente gerou o vivente. envolve a utilização de ventos e trovões para gerar incêndios que dizimam parte da vegetação que alimenta uma praga qualquer. Essa Gaia vista de fora envolve um conceito fraco. se de um lado não precisamos alocar a imanência da vida a partir de um universo anterior. A recente discussão que problematiza se a NASA descobriu vida na Terra baseada em arsênico (Quillfeldt. afirmando que o universo anterior ao nosso gerou a vida e que a vida passou para nosso atual universo em seu Big Bang gerado a partir do universo anterior. tendo tudo isso que discutimos aqui em vista. não é consciente. emergência de vida em todo e qualquer movimento. ganhador do Nobel junto com Monod (2001). 1-144 . sabemos que há um dinamismo impensável para o nível macro. o que propomos aqui seria um "neoanimismo". concluímos que. por exemplo. ao pensar o seu modelo de consciência quântica em relação a um protopampsiquismo ao estilo de Whitehead. Bateson é outro autor que também se alia a algumas ideias de Lamarck. oriundo da Mecânica Quântica. Assim como o xamã é um "diplomata cósmico". geral. Desdobrando a partir da obra de Prigogine e Stengers. o aumento de complexidade do animismo se estende na história "epistemontologicamente". como no Deus imanente e poeta de Whitehead (1978). de outro possuímos uma teoria cosmológica que apreende o universo enquanto engendrado com vida! Com isso. comparado a outros planetas. porque ela sobrevive dentro de vulcões e até na Lua! A ciência incide mais intensamente neste tema com o advento da Hipótese Gaia.Setembro 3013 . que seria mais ampla do que os genes –.pag. Então. Lynn Margulis (1998) diz que. além de afirmar que o ser vivo mais adaptado não é o homem. a corporeidade é um estatuto de potências cósmicas. somos um conjunto de relações de seres vivos maiores com outros menores. Desenvolvendo essa idéia. engendrando uma cadeia e permitindo que elementos inorgânicos devidamente organizados gerem orgânicos: "os seres vivos se formam pela reunião espontânea dos componentes". Em uma ontologia da imanência em que o ser é devir. e movimento – logo devir – é vida. em que o mito grego faz bem mais sentido: o planeta Terra é um ser vivo. não se reproduz). mas em seu aspecto de definição metabólica (dinâmica de fluxo de energia) da vida. Claro que a questão é "empurrada" para o universo anterior. mas acredito que o animismo com o qual lidamos aqui não é contraditório ao antigo animismo. pois todo o planeta é simbiose. Já o seu colega James Lovelock (1991) acredita em uma Gaia "forte". mas em um plano único. onde eles afirmavam que a tal nova aliança é a junção de natureza e cultura em processo imanente em devir. O fenômeno do emaranhamento quântico. questionar essa busca infrutífera pelo "ponto zero" da vida. Lovelock analisou. François Jacob (2001). ventos e trovões se animizam neste processo. vai legitimar esse mental ontológico do universo a partir da cosmologia cíclica de conformidade de Penrose. por exemplo. Se em tudo possuem relações. A Hipótese Gaia "fraca" de Margulis é que a biosfera. Porém. faz parte de um agenciamento de consciência com o observador. Mais audacioso é o polêmico Rupert Sheldrake (1991) que propõe trocar o humanismo pelo animismo. As autoras concordam com a Hipótese Gaia. pois. se Monod "decreta" o fim do animismo antigo. no entanto. as potencialidades do corpo são infinitas. 1997). Poderíamos pensar assim também. ou Coletivo. como é presumível. Eliminando a praga. não através da reprodução (porque Gaia. para elas. temos delírios de grandeza. Jacob acrescenta que a termodinâmica de Helmholtz aproximou a biologia da física e da química. gerar o dinamismo necessário para compor a alcunha de vivo. cujos limites impostos ao corpo são de ordem das convenções morais que "decretam" limites ontológicos. Diante de todo esse percurso.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Prigogine e Stengers (1984). as autoras recuperam aspectos do lamarckismo (sempre articulado a Darwin) – incluindo também a transmissão de informação através do comportamento e a troca de símbolos como sistemas de hereditariedade. Espécie de mônada aplicada à biologia. no tocante a quaisquer corpos imanentes. com sua imanência transtorna as dualidades.

Ilya e Stengers. São Paulo. Simondon. 1-144 27 .com/2007/10/03/translation-simondon-and-thephysico-biological-genesis-of-the-individual/ acessado 09/08/2013 Quillfeldt. Swerve Editions. 5. São Paulo.Ensaios de antropologia simétrica.pag. Giordano (2008) Tratado da Magia. Hedra. Benedictus de (2008) Ética. Latour. 1 ed. 1a ed.DNA. São Paulo. 1a ed. Isabelle (1984) A nova aliança . William Wynn (org) (2003) Coletânea Hermética.capitalismo e esquizofrenia vol. Editora Vozes. Editora 34. Deleuze. Rio de Janeiro. (2011) "Controvérsias em torno das bactérias arsênicas" in: Scientific American Brasil 105. Cultrix. Ed. Jacques (1971) O Acaso e a Necessidade. Polar Editorial. New York. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres .a biografia de nossa Terra viva. 1a ed. Companhia das Letras. Continuum. Brad (org. Ed. Bergson. Campus. Brasília. Ed. 1a ed. Petrópolis. Rupert (1991) O Renascimento da Natureza. 1a ed. Eduardo (2002) A Inconstância da Alma Selvagem e outros ensaios de antropologia. Record. Editora 34 Letras. Gilles e Guattari. Eva e Lamb. ________________(1997) Mil Platôs . São Paulo. Manuel (1991) War in the age of Intelligent Machines. Ed. 2006.Setembro 2013 . 1a ed. Prigogine. Ed Graal.pp. Jorge A. São Paulo. Ed. Editora UnB. ________________ (2006) O Pensamento e o Movente. Margulis. 1 ed. São Paulo. 1a ed. Delanda. 1a ed. São Paulo. Henri (2005) A Evolução Criadora. _________________ (2004) Intensive Science and Virtual Philosophy. ano 9. 1a ed. Westcott. François (2001) A Lógica da Vida . London. Erwin (1977) O que é Vida? 1a ed. Hutin. Editora Unesp. James (1991) As eras de Gaia . (2010) Evolução em quatro dimensões . Campinas. Rio de Janeiro. Félix (1992) O que é a filosofia? 1a ed. Gregory (1987) Natureza e espírito. Ed. Gottfried Wilhelm (2000) Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano" 1a ed. Marion J. Gilbert. 2a ed. 1a d. São Paulo: Cosac & Naify Edições. Bruno (1994) Jamais fomos modernos . comportamento e a história da vida. São Paulo. São Paulo. Jacob. ed. Bruno. Deleuze. White. São Paulo. Lisboa. 1a ed. Papirus Editora. 1a ed. Serge (1979) A Tradição Alquímica. 1a ed. The Free Press. 1a ed. Jablonka. 2 ed.São Paulo. São Paulo. 4a ed. Duetto. 34. Rio de Janeiro. Lynn (1998)O Planeta Simbiótico. Whitehead.wordpress. "Filosofia natural estóica (Física e Cosmologia)" in: Inwood. Tarde. Nova Cultural. Gabriel (2003) Monadologia e Sociologia. Pensamento. Penrose. Alfred North (1978) Process and Reality (corrected edition). Ed. New York. 1a ed. Swerv. Ed.a idéia de evolução de Platão a Darwin. Rocco. Viveiros De Castro.) (2006) Os Estóicos. Autêntica. 1 ed. Madras. Martins Fontes. Editora Unesp. Gilles (2000) A Dobra . Plotino (2002) Tratado das Enéadas. New York. Publicações Dom Quixote. Spinoza. 1a ed. Odysseus. The Physico-Biological Genesis of the Individual in:http:// fractalontology.metamorfose na ciência. Martins Fontes.uma história da hereditariedade. Martins Fontes. São Paulo. Stephen Jay (2001) Lance de dados . São Paulo. Schrodinger. São Paulo. Ed. Lovelock. 64-69. Rio de Janeiro. REFERÊNCIAS Bateson. São Paulo.Trabalhos Científicos Leibniz. Vozes. Petrópolis. 1a ed. 1a ed. Roger (1997) O grande o pequeno e a mente humana. Gould. 1a ed. 1a ed. _________________ (1997) A Thousand Years of Nonlinear History. Laozi (2007) Dao De Jing [Tao Te King]. Sheldrake. Michael J. Monod. São Paulo. Ed. 3a ed.Leibniz e o Barroco.

.. ao menos assim..todos estes problemas são falsos!" Precisamos "respirar". famílias rachadas.observo a necessidade de evitarmos pensar e agir no mundo como ele já não é mais. luz demais cega. Em primeiro plano. impotências enlouquecedoras. administrando a pressa de encontrar direções e respostas alentadoras. isto é coisa do passado. podemos perceber que cada momento tem um sentido e valor diferenciados. isolamentos sufocantes.A Arte do Motor) Um aporia se instala nestes diagnósticos.pag.quem espera sempre alcança (e como cansa!) e por aí vamos. É necessário inventarmos um novo CORPO. físicas e afetivas? Então passageiro.. são produtos de uma ansiedade veloz de querer certificar-me do deslocamento do 'lugar" e da função do Corpo na atualidade. compre seu bilhete. etc. Repetimos todos juntos em uníssono e bom som: A VIDA VAI MELHORAR!!!! Será isto a constatação do seu duplo?A confirmação do contraponto? Mas o que propor ao Mundo como diferença ao invés de ficar esperando que ele nos apresente alguma idéiaesperança?? Está na hora de Nietzsche entrar em cena: "Não é possível o equilíbrio. mas adorável amigo.contaminado pelo pessimismo muito bem conduzido por nossas inteligências é tarefa árdua que parece beirar o impossível. recuperar ou encontrar o otimismo da vontade. mas hoje ampliado pelas insistentes pesquisas teóricas e práticas que realizamos no âmbito da Psicomotricidade. aí vão algumas coletadas dos últimos anúncios da atualidade: @"O futuro é um tempo que deve ser adiado" @"Toda ação tem um preço" @"Somos filhos involuntários de nós mesmos" @"Hoje podemos demais e não sabemos se queremos tudo que podemos" @"O desejo foi destituído de uma possível função questionadora e quase se transforma em dever" @"O poder atropela o querer pela primeira vez na história" @"Estamos arriscando um outro Nós" @"A questão hoje não é mais da identidade ou da verdade. nem a unidade absoluta. atenção. Já não é novidade e a tecnologia nos certifica cada vez mais. lCorporeidade historicamente percebida pelo universo sensorial. jovens drogados. continua sendo uma alternativa imediata para suportarmos. rosticidade petrificada expressando nosso abandono na ânsia vazia de sentido para esta inevitável "Gestão da Catástrofe" mascarada de hedonismo a qualquer preço. julgamentos. as velocidades se alteram. não ligue não..Até quando ficaremos procurando próteses químicas.. ou melhor rivalizarmos verdadeiramente com este mundo contemporâneo-mundo virtual – sem medo de perdas. e como em todo caminho ao passarmos pelas encruzilhadas. mas da ação e da conduta" Acreditando no conceito de Velocidade como algo dinâmico e em constante variação constatamos que estes anúncios. desperdícios.temos como resultado angústias incuráveis. às vezes parece que estamos parados mas é a tal da neurose de repetição. VelozCidade. Justiça.. bondade.Setembro 3013 .rondando o abismo... OS: Os anúncios foram extraídos do livro Do sexual ao virtual de Fernanda Bruno. Nesta perspectiva a atualidade das propostas de Nietzsche. espaço escasso. Guatarri com seu notável humor nos orienta.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual O corpo deslizando pelas trilhas da atualidade Autor: Luiz Gustavo Vasconcellos Psicomotricista "O Presente-vivo caro aos filósofos não é nada mais do que um cinema-vivo" (Paul Virillo . o dia hoje já é DIFERENTE. ainda mais quando nos vemos como indivíduos que ao menos momentaneamente experimentamos este entusiasmo. que tem gente demais na Terra. dizendo que a receita contra a angústia é o entusiasmo-paixões alegres como diria Espinosa. ética .. Neste momento estamos repletos de conclusões. 1-144 . Estamos cansados de saber que cada um tem seu tempo. pague o preço que achar justo e logicamente couber no seu orçamento e Boa Viagem! Ah! não esqueça que dependendo da resistência.. xxx 28 Trabalhos Científicos/Temas Livres . Observamos as falências da subjetividade por excesso de compreensão e entendimentos globalizados. precisamos estar com os sentidos aguçados.

Nessa idade seu único olho que tinha pequeno resíduo visual (15 graus de perda de visão). sendo que sorrir e chorar são as que mais dependem do estilo de resposta materna. que vão sustentar o comportamento de apego.Setembro 2013 .Trabalhos Científicos A relação psicomotora em clínica – O vínculo com os pais do cliente Autor: Suzana Veloso Cabral Resumo Este trabalho apresenta considerações sobre a teoria dos vínculos criados com os pais de pacientes atendidos na clínica em Terapia Psicomotora e a apresentação de estudos de caso esclarecedores dos pontos apontados. Esse cliente ficou praticamente hospitalizado no primeiro ano de vida com várias cirurgias de coração e de correção de más formações genéticas. do holding que lhe fornece e da apresentação de objetos para que o filho se constitua como sujeito.Desde o início há vínculos que partem da vivência corporal. num encontro com os pais e o psicomotricista que trabalha em meu consultório. foi largando as terapias. a linguagem e sua melodia no contato com a mãe. para a possibilidade de criar um espaço transicional mãe/bebê. Palavras-chave:Clínica daTerapia Psicomotora. cheiro e. num circuito mais longo do desejo. 1. quais são as dificuldades que revelam o sofrimento dos filhos. chorar. Ele me reconheceu como a terapeuta antiga e tentou pular em meu colo. decidimos pela retomada do tratamento com a ajuda dele. no sentido de um corpo a corpo direto. sem nenhuma atividade além de ir e vir ou deitar-se na cama no quarto das empregadas que fazem suas tarefas diárias. Teve uma vida acompanhada com terapias (terapia psicomotora. até 11-12 anos. eminentemente corporais. com almofadas. assustado. dizendo que era assim que os dois se relacionavam quando ela chegava do trabalho em casa e que ela também costumava por a camisola e deitar-se com ele na cama com carinhos e conversas ao "pé do ouvido". no caso de crianças e adolescentes. que o inseriram no convívio social. além do vínculo com o paciente. Com o contato e a fala de compreensão de seu susto ele conseguiu se tranqüilizar e me soltar sem maiores complicações. A contrapartida por parte da mãe é a capacidade de manejo (handling) de seu bebê. Esse retorno revelou um rapaz sem nenhuma ação com os objetos. no que seria a entrevista inicial com os pais. colocá-lo no "colo do pufe". Vínculo com os pais dos paciente. A ação de um casal terapeuta também visa um melhor atendimento para o rapaz acolhendo-o. mantendo apenas a musicoterapia e a escola especializada durante vários anos. junto com a mãe. As manipulações masturbatórias com as almofadas. têm permitido que ele exerça alguma ação. desde que estivesse num ambiente próximo e protegido. Quando atendemos na clínica da Terapia Psicomotora. preenchido pelo brincar e fantasiar e que se tornará o simbólico. é ela que nos diz que o jogo da vida é jogado a partir de cartas marcadas com os desejos dos pais. observado no primeiro ano de vida. A seguir. pois são da ordem "linguageira" (sigo aqui Dolto com esse neologismo). agarrar-se a. rolo e almofadas. Alguns conseguem lidar bem com a escuta profissional e com as intervenções feitas. em casos como este. "Esse prazer você pode ter em casa. com 25 anos. puxando com força meus cabelos. para que não ocorresse mais o risco de machucados na cena terapêutica.pag. fazendo com que eu caísse ao chão e ele. para Bowlby. Fantasmas dos pais. com 25 anos. freqüentou a escola. 2. foi um dos mal entendidos a serem escutados para compreender a relação familiar. seu pai chegou para o atendimento e o acolheu afetivamente. necessária para que seu filho lhe seja "confiado". como nos diz Dolto. tornou-se também cego por um descolamento de retina e a família. ou na bolona. Os momentos de aconchego com a terapeuta feminina têm sido des-erotizados para levar a uma distância do corpo a corpo a que ele está acostumado de modo estereotipado com a figura materna. INTRODUÇÃO Os Vínculos. Trabalhos Científicos/Temas Livres . Sua história é trágica. Aí ele passa literalmente os dias no vazio. provocam reações recíprocas da mãe. Sua chegada ao consultório em 2013. com a fusão com sua mãe. pois ela é evidente para qualquer observador. têm sido interditadas. por vários motivos além da perda visual. mas outros são invadidos pelo imaginário e há dificuldade em estabelecer a relação de confiança com o psicomotricista. seguir. como problemas de infecção de ouvido e do trato respiratório. como chutar a bolona e fazê-la picar com ajuda. bastante erotizado. Dolto (1984) nos mostra que se evolui de um circuito curto do desejo. E. musicoterapia. constituem-se num conjunto de respostas primitivas que criam laços entre a mãe e o bebe: sugar. no sentido psicanalítico. bola grande. é uma intervenção através da mediação do objeto na relação corporal. sobretudo. fisioterapia e terapia ocupacional) e escolaridade especializada. que falava com ele sem parar. como faz em casa. como também quais são seus próprios sentimentos diante dos sintomas daqueles. que só deambulava de um lado ao outro da sala conduzido pela mãe. A entrevista com os pais foi remarcada para outra data. Logo depois. caiu por cima. temos também que lidar com os laços que os pais criam com o profissional que atende seu filho. Marlon Sbampato. depois de 14 anos. citado por Lebovici (1980). Os pais. 29 . trancado sozinho em uma sala. sorrir. durante suas crises de agressividade e os pais decidiram por bem deixá-lo só em casa. sem repetir o que ocorre em casa. mesmo leigo. Já Winnicott (1997 e 2006) salienta que a criança precisa de realizar tres tarefas distintas: fazer contato com a realidade. sentir que vive em seu corpo e integrar sua personalidade. Tais reações. aqui descobre novas coisas!" Também a introdução do bambolê em que ele pode entrar ou capturar o outro dentro dele foi aceita com alegria e risadas. vivem conflitos maiores do que os existentes em famílias de crianças com simples atrasos evolutivos ou problemas neuróticos do desenvolvimento. O primeiro contato é decisivo para a escuta dos pais não só para compreender o que eles sentem. quando a família descobriu que ele era frequentemente preso. Enquanto a mãe marcava o retorno e o pai se dedicava a conter o filho carinhosamente. Aí. O primeiro voltou ao consultório. em que a ferida narcísica é grande e não passa despercebida. Rasgar papel de revistas ou enrolar-se em papelão também tornam-se atividades possíveis. Até uns tres anos atrás. PAIS INVADIDOS PELO MUNDO FANTASMÁTICO Nos últimos meses estou atendendo dois clientes com deficiência visual. além de levar em conta a precariedade de seu contato (não vê. tendo tido uma involução de um quadro de CHARGE que já era terrível na primeira infância quando foi atendido em Terapia Psicomotora por dois anos. para que o diagnóstico e possível tratamento psicomotor venha a ocorrer. 1-144 equoterapia. De fato ele fica fusionado com a mãe e o pais é afetivo. Os pais vivenciam seus fantasmas desde o primeiro momento da busca de ajuda para seus filhos. O suporte afetivo do terapeuta masculino para sua deambulação e a intervenção e apresentação de objetos "mamãezados". É necessário salientar que se deve estabelecer um vínculo de confiança com os pais. tem um atraso cognitivo e dificuldades de equilíbrio). mediado pelo olhar. que são mediadores para a relação com a terapeuta mulher. além disso. pouco escuta. por exemplo. do segurar e manipular seu bebê. com a criança para aceder a um circuito mais longo. mas pouco presente.

perto das férias escolares. sem acesso ao simbólico. A entrevista com os pais foi remarcada e ficou clara a dificuldade de entrosamento do casal e o modo de lidar com o filho "anulando-o" como sujeito. A mãe revelava estopim curto e desgaste na cena alimentar. o que permite ter notícias da criança e seus pais.. pois sua cegueira e falta de estímulos sem praticamente nenhum atendimento terapêutico adequado começava a caracterizar um quadro de autismo secundário. que tem como hobby cozinhar. O contato seguinte. criando laços com ele. como se estabelecerá a consulta. Eles se inserem no simbólico e podem escutar e olhar o filho com olhos que o estimulam a crescer. e de entrevistas de acompanhamento que serão necessárias. passou a escutar a palavra do pai nas suas relações. depois veria um filme ou iria brincar lá fora. com pouca aceitação de comida de sal inclusive da sopinha. sendo que há uma demanda de se deixar de lado as regras de atendimento. o que reforçava sua postura autistica. além de ter dado a palavra final: "Chega de não comer mais o que te oferecemos! Você vai experimentar e ver que é gostoso!" Foi muito interessante o momento em que os pais deviam fazer o treino da higiene com a criança. era seletiva e repetitiva com alimentos. Os pais e a criança moram junto com o avô e a avó materna e eles gerenciam um negócio de vendas. o que deve ocorrer em meados de julho. Além do atendimento à criança foi crucial a periodicidade de entrevistas de acompanhamento com os pais. dependente do tio avô paterno. mas via que há manipulação do filho em relação à comida e não entendia o porque. na sala de espera. já que "ter que cuidar de um filho como o deles é muito difícil". passando pelo relaciona30 mento extra-sala com eles. a seu modo. da criança junto com os pais.Setembro 3013 . retornando para a cidade natal dos pais. de um dos pais em relação ao outro. então. Eles o colocaram no chão. que se mostra disfarçada como uma defesa onipotente: querem decidir. e escolhi ter uma breve interação com o menino acolhendo-o como sujeito.. fonoterapia e escola inclusiva. deixando-o. ficou em aberto. A mãe. De todo modo parecia que o menino tinha o controle da situação. dentro das regras de atendimento. sobretudo de acordo com a gravidade dos casos. estabelecendo uma rotina adequada em casa. pois o pai ficou na cidade com o filho mais velho de dois anos. O parto foi problemático e a criança. como chegar no horário marcado. Eles tentam estabelecer a sua lei "louca".. Ele teve problemas desde o parto. O segundo caso mostra que também os pais precisam ser acolhidos em suas dificuldades. mesmo apresentando evidente atraso de linguagem. chegava a cuspir o que não queria e já vomitou quando havia pedaços maiores da comida que rejeitou. para tratamento com vários especialistas. ficou na UTI por vários meses e teve um descolamento de retina. além de lesões características de sofrimento neuromotor. interferia. Ela assumiu o papel de vítima. A criança no diagnóstico recusava comer. mas ainda não conseguiu lidar com a terapia psicomotora do filho.pag. Ela reconheceu ser primordial a necessidade de se separar da fusão com ele. A escolha de citar esses dois primeiros contatos com os pais e relatar um pouco do prosseguimento dos casos foi para ilustrar como os pais chegam muito presos ao real da dor de seu filho e de seu próprio sofrimento e não conseguem estabelecer relações dentro da ordem do terceiro. cuja família veio para Belo Horizonte. tentou fantasmaticamente. tem inventado novos pratos para atrair o apetite do filho. se comesse. onde se rompeu a bolsa antes da época gestacional se completar. muito inteligente. O pai. levando a mãe a se sentir desautorizada. Os percalços da evolução de terapia vão seguir a trilha do primeiro encontro com os pais. ao lado da mesa. Aproveitei e cantei uma cantiga sobre um avião. no chão. nesses casos extremos. revelava uma precária integração da imagem corporal e certa dispersão em seus jogos. além dos do paciente. a mãe chegou só com o filho. Comer. O pai era mais calmo e quando a mãe perdia a paciência e falava mais forte com o filho. Seu filho primogênito continua a Terapia Psicomotora com meu colega de consultório. A postura terapêutica deve ser de acolhimento. médica. um menino com distúrbios alimentares e outro com dificuldades sérias de limites e crises de choro e birra diante de qualquer obstáculo vivenciado. Eles estavam com receio que a criança se recusasse também a aprender a usar o sanitário. escutando um brinquedo sonoro. sem o marido. pois a mãe.. aliada a grande ansiedade e sentimentos de desvalorização. prematura. Em entrevista em que elaboramos os temores deles e argumentamos ser mais fácil lidar com algo que devia "sair" do filho em vez de "entrar" como o alimento. viera para o consultório para não perder a hora (ela chegou vinte minutos atrasada. Ele esteve em terapia psicomotora durante mais ou menos um ano. A mãe fez um movimento de procurar uma psicoterapia para si e leva o menino para terapia ocupacional. ao mesmo tempo. Houve duas faltas seguidas às entrevistas. Na terapia ele se afirmou agressivamente. Refleti com os pais que não seria possível fazer a entrevista. introjetar. Ela insiste em vir só com ele para o consultório. e. O pai tentava contornar a situação nos momentos em que o filho começava a chorar e prometia que. já não é mais problema.) O caso está em suspenso. Trata-se de um casal imaturo que não consegue nem prover o sustento adequado da família. PAIS QUE TRABALHAM SUAS ANSIEDADES Outros dois casais mostram a disponibilidade de escutar sua própria vida fantasmática para melhor compreender seus filhos e ajudá-los a crescer. e ele pode experimentar novos pratos. pois o filho ficaria quietinho. reproduzindo a ausência do pai na maternidade. na terceira. alegando que fora buscar o marido no centro da cidade e que se perdera e. sem relações inter-humanas. Tratavamno como "um objeto" que se carrega daqui para ali. 3. os pais conseguiram que o filho tivesse sucesso! Na entrevista seguinte comemoraram: "o encontro esclarecedor com a psicóloga poderia valer até uns mil reais". "Tão importante que foi"! Nos últimos meses o casal se preparou para a chegada de uma filhinha e o menino trabalhou sua aceitação da irmãzinha. a mãe teve que ir para a capital para o filho nascer. pois a família morava no interior. Trabalhos Científicos/Temas Livres . com mais paciência. e introjetou os limites para não se sentir invadido pela fusão com a figura materna e. Os pais chegaram ao consultório com a criança. alegando que não haveria problema de se fazer a entrevista.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual O outro paciente é um menino de cinco anos. A queixa que levou ao diagnostico do primeiro apareceu desde um ano e meio de idade. podem ocorrer.e os dois se desentendiam. pois a mãe não consegue realmente trazer o filho para o tratamento. Ficam invadidos pelo imaginário e se misturam com o filho. e passou a agir no mundo da realidade. Na escuta do pai surgiu a suspeita que ele tivesse uma possível TDAH. Havia sinais de ansiedade em suas fabulações nas estórias e também em suas cenas lúdicas. O menino. desorganizada. quando ela telefonou em cima da hora dizendo da impossibilidade de comparecer e. em jogos corporais e simbólicos. que nasceu em abril. mas também de limites para que a relação de transferência possa se estabelecer em algum momento. em outro estado. diante da criança. A mãe foi completamente sozinha na ambulância. como não havia UTI neonatal na cidade. de quinze em quinze dias. Ter que revelar sua fragilidade e estabelecer o vinculo de confiança com o terapeuta é muito mais difícil quando a ordem simbólica é invadida pelos fantasmas dos pais.não é assim que se faz . repetir a chegada do filho desde o nascimento. antes de ter alta da terapia. as posturas de vitimização e de acusações de culpa. achava que era culpada pela recusa. como o caso de duas crianças. e ele me disse a palavra: avião! Ele viera para Belo Horizonte num vôo que lhe causara tanta impressão que ele começou a falar uma das suas primeiras palavras compreensíveis. 1-144 . mesmo tendo sido combinado que era uma consulta só para eles. Atentou para o mundo fantasmático que a ligava ao filho. Seu tio materno lhe deu um apelido de "Kadafinho" por se mostrar tirano com os pais. conseguiu se conscientizar de suas ansiedades frente ao corpo biológico do filho. não percebendo a realidade manifesta de modo adequado. Além disso. e não objeto. com temor de sua desnutrição.

4. Trabalhamos a necessidade de organizar suas atividades na loja e foi estabelecido um quadro de atividades nas quais ele poderia se outorgar um prêmio . . xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . quando os pais tiverem condições de abordar suas fantasias e angustia de modo mais claro.que ele se atribui feliz. Françoise. Os bebês e suas mães . Mostra-se. De todo modo. Donald W. São Paulo: Martins Fontes. Já a criança. para fornecer os dados sobre ela. na terapia. pontuada por depressão e choro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Ed. W. chegando a verbalizar que "chora porque não gosta de ficar sozinho". para que possamos decodificar os simbolismos que marcam a historia desejante de seu filho e. revelou ser esclarecedora. repetia sua desorganização. está evoluindo bem.Trabalhos Científicos a ajuda e suporte psicológico têm permitido a compreensão de suas dificuldades. não poderia fazer tarefas como enviar e-mails para clientes à meia noite. em sua terapia. Eles até brincam que o melhor tratamento seria constituído por várias primeiras sessões. Nesse primeiro momento o saber que não se sabe do inconsciente revela-se. Paris: Seuil. viabilizar o início do atendimento da criança. 1997. também. 1980. e o acolhimento de seus fantasmas. CONCLUSÃO A escolha de discutir esses casos para ilustrar a importância da relação de confiança entre pais e psicomotricista. O conhecimento da criança pela psicanálise. Michel.3ª. Ela também conseguiu falar de suas ansiedades. vivendo na casa deles."estrelinha" . Nessa primeira sessão surgem elementos que revelam o núcleo da problemática que será trabalhado mais tarde. como vir sozinho à entrevista. D. 1-144 31 . Atualmente alguns psicanalistas franceses consideram a primeira sessão um momento privilegiado de escuta. Winnicott. Winnicott. além de acatar os limites de tempo e de organização da sala antes de sair da sessão. 2006. Na Terapia Psicomotora da criança ou do paciente especial o vínculo terapêutico é duplo: com o cliente e seus pais! REFERÊNCIAS Dolto. originários da infância com sua figura materna e com maior vinculo afetivo com seu pai. L'image inconsciente du corps. quando tem sucesso em alguma tarefa que se propôs fazer e. trazer o filho junto quando o combinado seria só o casal. que se estabelecem desde o primeiro momento de diagnóstico. 1984. e descobriu que. Lebovici. ou em atos. Era difícil arrumar seus materiais de trabalho dentro do limitado espaço do quarto destinado à família e ela buscava fazer a parte administrativa da loja deles sem muita rotina. Ele está em processo de "cura" desde o inicio desse ano e deverá prosseguir seu atendimento e os pais.Setembro 2013 . Já a mãe que se perdia em conflitos. assim. mas as dificuldades financeiras aumentaram e só a criança continua seu tratamento no momento. compreender o que significa a função dos pais nos leva a criar com eles um vinculo de confiança e ajuda mutua. porque não dera conta de se organizar durante o dia. deveriam continuar com encontros quinzenais. ou mesmo deixar a criança no chão. mesmo trabalhando em casa. também. A família e o desenvolvimento individual. de lado. em algo dito do qual os próprios sujeitos não se dão conta.pag.São Paulo: Martins Fontes. menos impersistente e disperso em seus jogos e tem escolhido uma atividade muito significativa de integração: a montagem de quebra-cabeças. por todo esse ano. Serge e Soulé. sobretudo em atividades perceptivo-motoras e de organização do esquema corporal e do espaço gráfico e é bastante ansioso e dependente. quando consegue seguir uma rotina de momentos disponíveis para o filho. Ele revela certo atraso psicomotor.

Garcia Rosa (2008. a urgência de sua ligação com o outro. que o introduz no campo da linguagem. ele perde um pedaço de si. e o outro é o limite. temores. serão importantes na Trabalhos Científicos/Temas Livres . deve ser buscada através da filiação a um grupo. que funcionava como "modelos de identidade". pois é um espaço potencial que possibilita ao grupo trocar experiências. é efeito de representações e identificações. que destaca que todo indivíduo possui capacidade de uma ligação em grupo. do desamparo e da violência. violência. importante em sua vida. o exclui. Palavras-chave: Psicomotricidade. Ao mesmo em tempo ela inclui o Outro. ele próprio é a projeção na superfície. havendo uma discordância entre corpo e imagem. As mães traziam como temática a preocupação com o futuro dos seus filhos. Para Winnicott (1995) a criança nasce indefesa. O grupo tinha a característica de ser aberto e heterogêneo e seu objetivo era de propiciar a expressão das emoções. O amor materno funda a personalidade e as necessidades do bebê são satisfeitas. ordenando suas manifestações pulsionais. Fuks (2003) afirma que o próximo é a única potência capaz de prestar socorro. escrito por Freud em 1895 antes mesmo da fundação da psicanálise. 1-144 . A perda imaginária é a separação do bebê de sua mãe (cordão umbilical). ou seja. O próximo é um desconhecido. em que designou o complexo do próximo. O bebê ainda não é um sujeito. sob os efeitos da criminalidade. 32 Faremos um retorno a Freud no sentido de pensar na importância do outro primordial na constituição do sujeito e no registro psíquico do desamparo. que percebe de maneira desorganizada os diferentes estímulos provenientes do exterior.194) ressalta que "essa passagem do exterior para o interior se faz de modo fantasmático. O eu é o grande reservatório da libido. fica prejudicado a função de continência e é sentida como mortífera. interfere no desenvolvimento do psiquismo. como também uma oposição entre eles. a fragilização das fronteiras psíquicas. e a satisfação dessa necessidade. promovendo a saúde e instrumentos para a transformação da vida psíquicacorporal-social. verificou-se que para superar as dificuldades vividas em situações limite. Os processos identificatórios e transferenciais são vivenciados e facilitam a gestalt e o crescimento do grupo. a psicomotricidade surge como um recurso a ser utilizado enquanto prevenção e tratamento. o que remete ao imaginário (. esse ser incompleto fendido precisará de limites corporais. devido ao fato de ser o primeiro objeto hostil. é um ser desintegrado. A cultura erotiza a criança. interdita. para que as condições inatas alcancem um desenvolvimento ótimo. Segundo Green (1988) uma maternagem suficientemente ruim termo usado pelo autor que significa mãe ausente ou invasiva. faz com que esse Outro se torne a pessoa fundamental. depois. Os moradores que participavam do grupo na sua maioria mulheres tinham muita dificuldade em descrever seus males. subjetividade. Destacaremos a importância do trabalho de grupo na comunidade. As excitações internas vão sendo nomeadas pelo Outro. desejos e corpos transtornados frente à precariedade da transmissão subjetiva recebida de suas famílias. nas pessoas vítimas de violência. alimenta. A retaliação física era a tônica das relações e consequentemente a insegurança crescia frente à ameaça da integridade física. Mediante o trabalho com o grupo. fantasmas. paralelamente à satisfação da necessidade. como muitas outras espalhadas pelo Brasil. vivências de morte e de desamparo. ele é um ser de necessidade que precisa de cuidados essenciais para a sua sobrevivência.) é nesse nível que vão ser fixados os primeiros significantes. seus discursos eram distanciados. que passarão a ser os primeiros representantes da pulsão.. este por sua vez forma uma totalidade psicológica. evidenciando sentimentos de menos valia. havia medo em suas falas. sua vida psíquica.. O alimento que é dado pela mãe. marcando o bebê como ser falante. com recursos simbólicos limitados. Na expressão do movimento seus corpos se mantinham rígidos. das pulsões agressivas e eróticas. p. No início do trabalho o discurso era fragmentado e distanciado devido a experiências de violência e abandono. no qual descreve o primeiro laço social que o bebê estabelece com seu próximo (Nenmench). Os adolescentes possuíam como eu ideal os líderes das gangues. Os moradores que participavam do grupo na sua maioria mulheres tinham dificuldades avassaladoras.. A comunidade vive. A proliferação dos bandos armados ligados à economia da droga aumenta ainda mais essa oposição.pag. pois rivaliza com ela dando origem à agressividade que faz parte da estrutura narcísica. como também é a matriz do desprazer. Algumas pessoas apresentavam tendências a dissociações e medo. O enquadre oferece ao grupo dois aspectos importantes: um é continente no qual as pessoas poderão expressar seus desejos. que se produz no prazer de sugar. sendo aquele que acolhe e responde afetivamente ao desconforto do bebê. que vivia sob a violência do tráfico de drogas onde o medo e a insegurança regiam as relações sociais. sendo fundamental a existência que do afeto. pois algumas delas tinham perdido seus filhos para o tráfico. Começaremos pelo "Projeto de uma psicologia científica". As necessidades do bebê serão atendidas pela mãe que é um ser de linguagem. O bebê introjeta os objetos que são fontes de prazer e irá expelir o que cause desprazer.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Violência e sintomas contemporâneos Autor: Leila Maggio Teixeira de Mello Resumo Este artigo foi construído a partir da minha experiência de trabalho em uma comunidade no Rio de janeiro. Começaremos a falar de Bion (1991) um dos precursores do trabalho de grupo. A pulsão ilimitada será constrangida pelas zonas erógenas e se transformará em pulsão parcial que se ligará a uma zona erógena. passando de um objeto a outro. Nós como psicomotricistas ampliamos nosso olhar para a afirmação da subjetividade e da diferença. e encontrando-se perdidos na busca por um rumo para suas vidas. tendo como consequência. Os encontros eram realizados na comunidade duas vezes por semana com 1h 30min de duração. levando em conta o contexto no qual o trabalho é realizado. A libido apresenta uma característica de mobilidade. A sua dependência e o seu desamparo. O setting psicomotor é um importante fator terapêutico. tão necessário para a estruturação do ego. O bebê nasce também com uma tendência para o desenvolvimento e a tarefa da mãe é oferecer um suporte adequado. a fim de diminuir a força das pulsões sexuais. O seio será o primeiro objeto da pulsão. é o primeiro objeto de satisfação e que oferece prazer absoluto. oferecendo a função de continência das necessidades e angústias decorrentes de situações extremas. A vida mental do grupo é essencial para a vida integral do indivíduo. à medida que o investimento passa a incidir nas representações de objeto transforma a libido narcísica em objetal. Esses cuidados serão feitos através da palavrasignificante: o bebê recebe alimento do Outro. Winnicot (1995) nos diz que quando esse objeto primordial falha. A psicanálise nos diz que através das marcas libidinais que o bebê recebe do seu próximo. situado numa relação de proximidade. Pode a psicomotricidade oferecer um espaço de continente para a reconstrução dos vínculos e prevenção de doenças. Freud afirma que o eu é corporal. A imagem de si vista no outro marca a vertente mortífera.Setembro 3013 . As condições sociais experimentadas por seus habitantes favorecem não só uma separação entre favela e asfalto.

é importante. 33 . A valorização narcísica do indivíduo criando novos modos de alienação voltados para o consumo imediato. Pela psicomotricidade promovemos a autonomia do grupo no sentido de reparar as próprias relações intergrupais de aproximação e afastamento dos vínculos nas relações afetivas e sociais. gerando um abismo entre o modo de como se apresentam as coisas e a realidade vivida. R. Tal como outros sistemas. faz-nos pensar como todos esses traumas brutais que as pessoas são acometidas fazem parte da etiologia dos sofrimentos e consequentemente geram patologias. Segundo Solange Thiers (2001). O setting psicomotor possibilitou a percepção da importância de cada um na mudança do espaço de convivência. Nas atividades de reconstrução da maternagem o grupo vivenciou as relações do eu corporal com o meio externo despertando sensações e ampliando a autoconsciência. permitiu a expressão de suas angústias e desejos. sensações de peso de corpo. p. olfativas. ritmo intenso. ludicidade. Desenvolvemos a função de auto-observação. importância do quantificável e do poder" Segundo o autor. p. Estes são estados emocionais. quanto da interferência da violência vivida no seu cotidiano. ampliando a consciência de si. primeiro se compreende. objetos para uma só utilização. um aumento dos processos obstrutivos e uma diminuição de cooperação grupal. juntamente com as marcas das representações sociais. da conscientização da ação. Quando banalizamos a violência passamos a ser participantes e não meros espectadores. especialmente de poder reconhecer no espelho dos outros. Observamos com isso. isso satisfaz seu narcisismo. leva à ação consciente.558) "A psicomotricidade trabalha com formas simbólicas vinculando a experiência vivida à representação e ao simbolismo. Trabalhos Científicos/Temas Livres . Segundo Bion (1975) a ação terapêutica em grupo se processa através da possibilidade de cada um se mirar. portanto da alternância dessa interioridade energética. em uma relação de vínculos com a história de vida de cada um. e do ter para o aparecer. tanto seus aspectos familiares. ampliaram a consciência do seu papel para o crescimento e autonomia.pag. com suas experiências primitivas. reparando o olhar de si próprio. representando um movimento de oposição para a realização da tarefa do grupo. O grupo tem a função de espelho. que emergem em um grupo a fim de evitar a frustração. reconhece aquilo que está esquecido em si mesmo. A relação entre pais e filhos. (incapacidade de sair de si para interagir com o outro) despertam o aparecimento de sentimentos invejosos. por medo de retaliação. Segundo Bauman (2001. inerente ao aprendizado pela experiência. mesmo que não venha a se aniquilar e desaparecer por inteiro. o mundo inteiro. o tráfico na comunidade possui sua lógica própria e as pessoas se veem obrigadas a terem que aceitar seus ditames. sofre um processo de degradação. Segundo o autor dentre os vários níveis das atividades cognitivas onde se conhece o texto. o processo de evolução do movimento do corpo. As atividades corporais eram baseadas no momento grupal. aplicase os conceitos analisa e depois se faz a síntese. pois ele é a expressão do ser. Ao longo do trabalho o grupo através de vivências corporais. com isto a singularidade vai sofrendo modificações. táteis ou visuais. promovendo a compreensão da situação externa e interna."O que vemos é um modo de produção de bens materiais fundada em alguns princípios de divisão de trabalho. de equilíbrio. por enganos narcísicos. O acesso a possibilidade de trabalhar essas questões no grupo. descartável e impessoal. mobilização dissociada de segmentos. a psicomotricidade possibilita que o grupo chegue a elementos de reflexão. em uma posição de inferioridade e exclusão. a liberdade de ir. estando seguros e confiantes. que no momento da verbalização. num apelo individualista crescente. não oferecemos nada pronto. (2006). visando somente à quantidade. pois o trabalho fez emergir na relação vivenciada. No trabalho de grupo vimos um corpo que sofre que sinaliza a dor. O simbolismo vivido através do corpo pôde ser explicado através da ligação com o psiquismo. Bion nos oferece a visão de aspectos comuns aos grupos. aprendendo a lidar melhor com os problemas vivenciados. tanto emoções boas quanto más. Observamos um deslizamento do ser para ter. 1-144 podendo sofrer um apagamento. A dificuldade de reconhecimento da lei é o preço que pagamos pela condição humana. sem saber o que fazer e como prosseguir. um convite à reflexão. despertando o sentir. perde a vitalidade. para que eles encontrem seus próprios caminhos em situações complexas. Na atualidade vemos o tamponamento do desamparo através do consumismo que pode estar ligado à apropriação do consumismo quanto a valorização da imagem e do espetáculo. a negação da subjetividade. a violência para com o próximo. Algumas pessoas revelam sentimentos de rejeição e de exclusão. porque a experiência favorece a relação e esta alarga a percepção de si e dos outros. ele esclerosa-se. sucesso. favorecendo um espaço cada vez menor para a reflexão interna. sentindo níveis de tônus diferentes.ismo. A realidade de opressão social na qual as famílias estão inseridas influenciam diretamente o desenvolvimento das crianças e a subjetividade. da incompetência. troca e diálogos. Nos primeiros encontros. respeitando seu espaço e o do outro. Debord (1967). pôde fortalecer as relações de confiança.Setembro 2013 . envolve o vínculo do casal com o meio em que vivem. que agem de forma harmônica. Percebemos que a manifestação da violência é inerente à condição humana e fruto da civilização. pois o ato ganha espaço quando pode ser a expressão do Ser no mundo. que é um processo de alternância de atenção. inclusive os outros seres humanos". reconhecendo o outro como uma pessoa separada de si mesmo. assim como a arte. As famílias vivenciam altos níveis de opressão.Trabalhos Científicos constituição do sujeito. ser reconhecida pelo outro. este modelo de produção se amplia para outras áreas tais como saúde e educação. A sociedade convoca para as relações de interação e trocas que trazem inserção pela imagem. Hulsman. A vida das pessoas da comunidade é marcada por uma combinação de fatores.186) "O não reconhecimento da alteridade é enriquecido pela precariedade das condições econômicas e sociais que faz com que os sujeitos percebam o mundo como contêiner cheio de objetos descartáveis. Segundo Bauman (2001). querem estar livre do medo do erro. Observar-se-á que na lógica capitalista da sociedade de consumo há um tom frio.vir é tolhida pelos ditames de quem tem a "força. sentindo-se marginalizadas. no qual implica esforço. diminuindo as barreiras. Da mesma forma. Quando um grupo institucionalizase a serviço do poder e do culto ao narcisismo de seus membros e desvia-se de seus objetivos originais. de apoio ao solo. A libido represada e a postura narcísica. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho da psicomotricidade numa perspectiva fenomenológica valoriza a linguagem e os processos corporais. o poder" sentem-se impotentes. aspectos seus que estão negados em si próprios. como também uma menor consideração pelos direitos alheios. Podemos pensar na relação consumidor/mercadoria se dá pela exaltação da imagem. o grupo evidenciou uma menor disponibilidade às interações afetivas.L. propiciou no grupo um resgate de princípios éticos evitando os processos de adoecimento e facilitando novas formas de inclusão e convivência. (1997). O corpo é concebido como uma globalidade. tem a base psicanalítica e as teorias de grupo como suportes para a tradução". dor e contato com a realidade. Segundo Thiers (2002. com segmentos.e. O movimento corporal pela experiência vivida. As pessoas vivenciaram o processo (compreender). por ex: a compra de um carro pode significar poder. Tudo isto ajudou a promover a passagem de um estado de narcisismo para um estado de social . promovendo junto um espaço seguro. Querer ir atrás de sensações prazeirosas. colocando o sujeito entre parênteses. Segundo Carneiro. os sujeitos tentando escapar da agonia chamada insegurança. Tudo isso influencia sua maneira de atuação no mundo. o ter e o aparecer ocupam o lugar do ser. que prejudicou no início. o desenvolvimento do grupo. O mercado ocupa todo o espaço político influenciando e ditando toda uma forma de viver. denominados de pressupostos básicos. e. respeitando o enquadre e os vínculos vividos.

O estranho. 1980. Rio de Janeiro: Imago. O Aprender com a experiência Rio de Janeiro: Imago. Projeto para uma Psicologia Científica (1895). Privação e delinquência. Sobre o Narcisismo: uma introdução (1914). 1994 A experiência de psicomotricidade diferenciada no grupo possibilitou a expressão do sentir. M. 22. São Paulo: Martins Fontes. Retorno do Exílio: o corpo entre a psicanálise e a ciência. Além do Princípio do Prazer (1920) In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. (1930 (1929)) In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. 17. 1980 _______. 1980.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual _______. _______. A sociedade do espetáculo.21. 1980 xxx 34 Trabalhos Científicos/Temas Livres . J. 2001. Rio de janeiro: Imago. Freud e a Cultura. _______. In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. A criança e seu mundo. D.1. v. W. reconhecendo o desamparo e percebendo a importância da solidariedade como parte integrante na construção do ser. Mahler. Imago. Narcisismo de vida. Rio de janeiro: Imago. A.Setembro 3013 . S. (Orgs). Rio de Janeiro: Imago. Penas perdidas: O sistema penal em questão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. _______. E (org). Mal-Estar na Civilização. v. 1975. 1-144 . S. Porque a Guerra ? Einstein e Freud. et al. dando foco às características positivas. Através do trabalho em grupo com a psicomotricidade pôde haver um fortalecimento dos vínculos. 2003. Rio de Janeiro: Altos da Glória Editora. G. ________. (1919). São Paulo: Editora Escuta. 1975 ________Experiências com grupos. 2008. sendo responsável pela sua própria ação. Hulsman. Carneiro.2004 Bauman Bion. v.L. Rio de janeiro: Jorge Zahar editor. 1988. (1932) In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. B.. A Essência dos Vínculos. 1997. 1977. 2008 Freud. Rio de Janeiro: Contraponto. A. Thiers. L. O nascimento Psicológico da criança. M. Green. In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. a construção lúdica e a organização no plano micro e macro. Rio de Janeiro: Imago. S. ampliando a consciência. v. narcisismo de morte.pag. 23. 1980.A. v. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria. Celis.14. Fuks.W. O Brincar e a realidade. REFERÊNCIAS Alberti. Rio de Janeiro: Luam Editora. In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. 1991 Debord. Rio de janeiro: Editora Zahar. 1979 ________. Thiers. São Paulo. v. Rio de Janeiro: Imago. Rio de janeiro: Imago. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Freud e o inconsciente. Garcia Rosa. 1980. Winnicot.

pag. nos animais. pensar no termo indivíduo. 2. como escreveu Heráclito. INTRODUÇÃO Este trabalho tem por finalidade refletir sobre a aprendizagem em contexto educacional. p. potencializam o pensar? Por outro lado. Educação. 2013) e Spinoza (2011). Pois. "A harmonia invisível é mais poderosa que a visível" (apud Kohan. nos afeta? Volto ao fragmento 54 de Heráclito: "A harmonia invisível é mais poderosa que a visível". p. no contato com o próprio corpo. das impossibilidades de atuação. ninguém conseguiu. LAMA E CONCRETO NA ESCOLA 1. a experiência a ninguém ensinou. é água. Nosso corpo é constituído dos elementos da terra e da água e também é natural. pois como a lama pode ser percebida como potencializadora. No século XVII.. que nos formamos. ao mesmo tempo em que se instaurava uma nova forma de compreender o mundo. Heráclito (apud KOHAN. de vivenciar. ainda desprezamos o corpo na escola? Como ainda nos mantemos fiéis à separação da mente e do corpo? Precisaríamos voltar na história a outros filósofos para entender melhor o que acontece nos contextos educacionais. em um tempo onde a sociedade ainda valorizava fortemente às instituições religiosas. com o calor do sol. sem falar que se observam. Assim. em um sistema 35 . há indivíduos. com nosso habitat. de argila. pois é na percepção do nosso próprio corpo em relação com outros corpos naturais que aprendemos. Spinoza (2011) questionava: o que pode o corpo? O fato é que ninguém determinou. lama é terra. Então. pelo que nos toca. desestruturando-os. considerando práticas e olhares psicomotores na rotina escolar. trago a contribuição de filósofos como Morin (2004). "estamos na lama" quando estamos mal. Nietzsche afirmou que somos um corpo. chão seguro e uniforme. pudéssemos potencializar o desenvolvimento cognitivo de nossos alunos? Na Educação Infantil ainda é mais fácil encontrar o movimento. Também há concretos. Almeja-se uma harmonia na qual se compreenda que ela levará à aprendizagem. não suja. alicerces. 59). O concreto não adere. maleável. Aos poucos. 2013. Junto com essa ideia. mesmo quando tal obediência vai contra seus próprios desejos. da aprendizagem a partir da experiência encarnada. ao mesmo tempo em que sabe ceder com o vento e com a água. é capaz de muitas coisas que surpreendem a sua própria mente. na era contemporânea. Lama que escorre pelo concreto e também é absorvida pela pele e pela terra. o que o corpo – exclusivamente pelas leis da natureza enquanto considerada apenas corporalmente. que pensamos. em virtude exclusivamente das leis da natureza. então. muitas vezes. compartimentos. por hora. Por isso repugnamos a lama. minimizando o poder da igreja. o olhar e o trabalho psicomotor aliado à aprendizagem cognitiva também. equilíbrio. Aprendizagem. até agora. seus movimentos vão sendo docilizados. E me refiro a uma forma de lama. é natural. levar lama para a escola é sujar o concreto. pois as crianças ainda estão aprendendo as regras exteriores. da transformação. Para tanto. com o corpo do outro e com o ambiente. parando o corpo. porque há muros. no século XXI. no seu fragmento 54. que escreveram sobre um novo olhar para o corpo a partir da unidade e da complexidade do ser humano. também mediado por filósofos como Nietzsche (2011). Fazemos parte dessa lama e essa lama faz parte de nós. 101) Em uma época onde se buscava fortalecer as verdades da ciência. mas que não nega sua origem da lama. sobre o pensamento complexo e os sete saberes necessários à educação do futuro. Como diz a expressão popular. eliminando qualquer incerteza. ao mesmo tempo em que nos leva a uma harmonia invisível com o que nos é natural. intitulado Dos desprezadores do corpo: "Todo eu sou corpo. a alma não é mais que um nome para chamar algo do corpo". trago o convite para subverter o senso comum e estranhar certas verdades para que possamos abrir janelas para novos olhares. Séculos se passaram e ainda não sabemos o que pode o corpo e pouco sabemos lidar com essa incerteza.C. Lama como algo sujo. a obedecerem a outros. harmonia originada da calma. até de si mesmos. Argila que pode virar concreto. Diante das questões suscitadas por estes filósofos. 2 da segunda parte. há terra. nojento e que não deve estar em contato com nosso corpo. 1-144 A provocação se inicia na ideia de lama que temos no senso comum. que também constrói estruturas enrijecidas. que adere. Mas. por si só. um sujeito indivisível: como separar o cognitivo do tônus afetivo e emocional? Como separar ação e pensamento? O que acontece na escola que faz com que educadores acreditem que. Spinoza afirmou não saber o que pode o corpo. escólio. No século XIX. no discurso de Zaratustra. 17). até agora. considerando práticas e olhares psicomotores na rotina escolar. ou seja. na ação. Lama que se mistura. Apesar das práticas divergentes. o que seria a aprendizagem na lama? Onde levaríamos a Educação e sua intenção de ensinar quando esta estivesse relacionada à Psicomotricidade? Por outro lado. de se religar. 2011. (Nietzsche. a partir da reflexão sobre a lama e o concreto em analogia aos atores sociais dentro das escolas com suas práticas e estruturas. nos sonhos. ele fortalece nossas cascas e nos dá segurança. até agora. Pelo contrário. a partir da reflexão sobre a lama e o concreto em analogia aos atores sociais dentro das escolas com suas práticas e estruturas. e nada mais. dos afetos dos corpos. ele nos esconde. mas. o que pode o corpo. através da ciência. transmutável. de transformar.Trabalhos Científicos Psicomotricidade e educação: A aprendizagem na lama Autor: Katia de Souza e Almeida Bizzo Instituição: UERJ Resumo Este trabalho tem por finalidade refletir sobre a aprendizagem em contexto educacional. Isso basta para mostrar que o corpo. com nossa essência. isto é. muitas coisas que superam em muito a sagacidade humana. sólidas. do homem. mas. e que os sonâmbulos fazem muitas coisas. que não ousariam fazer acordados.Setembro 2013 . Para não ficar apenas no campo teórico. e também afirmou que há potência neste. ele nos protege do caos da lama. que práticas poderíamos propor para que. que cria cascas enrijecidas ao secar. transformadora. nos acostumamos a viver no concreto e somente no concreto. por que evitar a lama? Por que considerá-la repugnante quando ela nos religa ao nosso ambiente natural? O que fizemos com o contato com a nossa essência humana que nos faz rejeitar a lama? E por isso trago a ideia da aprendizagem na lama como uma potência. o conflito se torna oculto: oculto dos outros e. Cabe. convido os leitores a pensar no caminho do desejo. é invadir os corpos. ilustro com vivências na rotina escolar que permitiram o olhar para prática psicomotora na busca do desenvolvimento pleno dos indivíduos. disciplinados e. mas o que nos impulsiona a buscar aprender? O que nos impulsiona a desejar potencializar nossos saberes e fazeres? Será a acomodação no equilíbrio e na segurança ou o incômodo causado pelo desequilíbrio. então. do controle. Enquanto o concreto nos dá uma harmonia visível. entre os séculos V e VI a. Nos grandes centros urbanos. não nos invade. porque há chuva. Então retorno ao título: "Psicomotricidade e Educação: a aprendizagem na lama". (prep. há o desejo de dividir reflexões e experiências que apontem para as possibilidades do olhar para a corporeidade dentro das instituições escolares. quando decaímos. como. Há lama na escola. Trabalhos Científicos/Temas Livres . Potência de aprender. do silêncio e da paralização dos corpos. sem que seja determinado pela mente – pode e o que não pode fazer. Palavras-chave: Psicomotricidade. p. conhecer tão precisamente a estrutura do corpo que fosse capaz de explicar todas as suas funções.

a produzir. rolaram. Esta. ao se misturar com a água. NA ESCOLA Uma das práticas realizadas se refere a um banho de mangueira.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual neoliberal. Nesta lógica. pularam. Cabe aos educadores ensiná-las a agir diante das situações sociais. pouco a pouco. Elas buscam a lama. Afinal. armas e bombas invadem a segurança até então garantida pelos muros e o futuro dito promissor cada vez se distancia mais. Em mais alguns momentos. na potência dos acontecimentos. Levei a mangueira até lá e. não é aonde elas chegarão. há terra e há água no concreto também. 3. no texto intitulado Das três metamorfoses. prepotente e necessária. valorizar esse corpo se este for percebido como imaterial? Como dar espaço para o corpo na escola se seus fluxos e suas produções não forem visíveis? Como permitir o desequilíbrio do mesmo diante da busca constante de um equilíbrio visível? Para muitos educadores. problemáticas e até adoecidas. elas são capazes de envelopar com o simples toque de suas mãos. mas nada nesse sentido aconteceu. a se deliciar com os próprios excrementos. se não fosse alterado o espaço onde ela ocorrera. seja oral ou escrita. elas buscam invadir outros corpos. Este local era de terra (onde eles costumavam brincar) e havia. por isso. É uma missão primorosa. Elas estão muito mais para lama do que para concreto. se sujaram e a farra intensificou-se. o espanto. da disciplina e da moral imposta. ensiná-las a estudar. a amar. refletiu sobre as transformações do espírito do homem ao longo da sua vida na busca de superação. em volta. A partir do comando "tu deves". primeiro os espíritos se tornam camelos. E se assim não fizerem. mal conseguíamos ver a pele deles no meio de tanta lama. Diante deste quadro. com um olhar. com os olhos brilhando e com uma euforia contagiante. e esquecimento. mas o processo que vivem no ambiente escolar. Há criança em todos os adultos. na intenção de se relacionarem com outros indivíduos. Para o autor. passa a lutar pelo que deseja. brincava com eles. na intenção de protegê-las e educálas. na segunda metamorfose. que também se harmoniza com a sociedade em que vivemos. na troca de afetos e de saberes. válida. um sagrado dizer 'sim'" (p. o que são: camelos. cada vez mais. em um dia quente de verão. Vagarosamente. Sabia que a proposta era inusitada e que eles se surpreenderiam. O leão combate o camelo e luta pela liberdade de alcan36 çar novos valores para sua vida. sendo podadas e disciplinadas com punições e castigos. desequilibrado. ou seja. Os educadores. leões ou crianças. A partir deste pensamento. Algumas crianças insistem. dentro dos alicerces compartilhados no concreto. ou seja.Setembro 3013 . mas não imaginava tanto estranhamento. aumentam a produção nas escolas e produzem armas e bombas para destruírem armas e bombas. chamado de anfiteatro. As crianças têm o potencial da transformação. pelo que quer. por sua vez. portanto. para trocarem. passando concreto no próprio corpo para que ele não seja invadido. pois a cada dia. persistem e. porque fazem parte de um sistema social que impõe essa condição. Há penetração. Todas haviam subido na arquibancada de cimento. elas são parte não só do que é natural. se transformar. O comando se torna "eu quero". Por fim. peguei um pouco com as mãos e os convidei a descerem e a experimentarem a sensação de seus pés ao afundar na terra. A lama fazia parte deles. dispostas a trocar. aceitam e obedecem. desde cedo. para pensarmos na aderência da mistura da lama e do concreto. Elas vão para aprender. com um sorriso. E o leão? O que fazer para despertar o leão. Elas são parte de tudo que há no mundo e tudo que há no mundo passa também a constituí-las (Morin. as crianças contavam para seus pais. algumas perguntas surgiram de outros professores: você avisou aos pais? Será que eles vão reclamar? Você sabe que isso pode transmitir doenças? Como as outras turmas vão usar o espaço agora se ele está todo molhado? Eu respondia uma a uma e confesso ter ficado apreensiva em relação a alguma reclamação. A proposta do banho de mangueira era comum no pátio na frente da escola. pois sejam estes em grades de ferro ou concreto. em poucos minutos. como justificar o invisível? Como valorizar afetos? Como relacionar aprendizagem ao que. tocaram. buscam nas próprias experiências escolares reproduzir o que aprenderam. Nietzsche (2011). visivelmente. futuro promissor e aprendizagem. PRÁTICAS PSICOMOTORAS NA LAMA. nascem milhões de crianças dispostas a se encontrarem no mundo. um movimento inicial. fortalecimento. por sua vez. mas será que retornam à origem de ser crianças? E os professores. se divertiam e gargalhavam até que a água começou a produzir poças na terra. na perspectiva das metamorfoses? O importante nesta reflexão. é a criança. visando meios de acumular bens materiais. como do adulto. as deixarão vulneráveis de tal forma que possam sucumbir e até morrer. nela própria. assustadas. o espírito se torna criança: "Inocência. buscar descartá-lo e acreditar no que nos é concreto através de uma comunicação verbal. se abraçaram. Conflito este que surge através de transgressões que vão. as crianças não estavam mais com os pés ali. da proximidade com a origem. No entanto. passando as regras de sobrevivência e convivência no seu entorno. Nesta busca da sobrevivência. Afinal. a obedecer as leis. professores. tais promessas não têm sido cumpridas. Ainda na proposta. paralisadas. 53). Entram ainda crianças. se enrijecem como armaduras a caminho da guerra. avaliado e valorado. pois é exatamente no conflito. há modificação tanto da lama. em uma escola particular da zona sul do Rio de Janeiro. se esvai? Então retorno à questão: o que pode o corpo? Como entender. E assim. prontas para reproduzir o sistema ou transgredi-lo e arcar com as consequências de seus atos. um novo começo. Esta prática poderia ser mais uma entre outras de uma rotina comum na Educação Infantil. na euforia da brincadeira com a água. um espalhava lama no corpo do outro e no próprio corpo. Na saída da escola. Também há camelo. também são constituídos de sua essência. então. Diante de tais evidências. onde o conhecimento é testado. com a harmonia que surge aos nossos olhos. é melhor. elas são envelopadas. sentaram. os indivíduos imersos nesta realidade buscam. pois vem aumentando o índice de dificuldade de aprendizagem nas escolas. de 3 a 4 anos. o espírito se torna leão. da percepção. ampliam o concreto e as grades de ferro. Entre risadas e brincadeiras. pulavam. mas não é. todas as crianças. 2004). de apenas calcinha ou cueca.pag. As crianças. Outras aceitam as regras impostas com menos questionamentos (o que também não as impedem de adoecerem). trago algumas das práticas que foram realizadas na escola de forma a buscar desconstruir e construir relações entre indivíduos. com o ambiente e consigo mesmos. levando-os para outro espaço pedagógico. experimentaram. NO CORPO. transformou-se em lama e. E elas vão à escola. É melhor ficar com o controle. onde aprender significa produzir massivamente. carregam o peso da vida social. Após as propostas. uma pequena arquibancada de cimento. como do concreto. na última metamorfose. eles prometem segurança. elas sugam o leite produzido na essência de suas mães. a história poderia ser fatalista. A mim. na Educação Infantil e vão se tornando camelos. as crianças aprendem a se comportarem como camelos. exporão tais crianças à violência do mundo. com cimento no chão e um chuveiro por perto para tais atividades. vemos muros nos ambientes escolares. E essas metamorfoses também estão presentes na escola. Eu era professora da turma e resolvi dar um banho de mangueira diferente. uma roda que gira por si mesma. que crianças e professores podem se alterar. mas também vivem em conflito. um jogo. ou melhor. pois assim já foram em suas infâncias e. são consideradas rebeldes. como também do que deixou de ser. para que os adultos reencontrem a criança que já foram? O cheiro da lama e a aderência na pele abrem os poros para a transformação. E assim essas crianças se tornam adultas. 1-144 . cabe aos educadores prepará-las para a sociedade. porém. São a maioria ao mesmo tempo em que são percebidas como menores nos ambientes educacionais. mas fazendo uma analogia entre criança e lama e professor e concreto. Eu confirmava que era em Trabalhos Científicos/Temas Livres . para se formarem. me sujei de lama. Era a terra que eles brincavam com água que eles adoravam. Segundo ele. tanto da criança. É nesse espaço que foco a questão presente e a trago para reflexão para pensarmos não em um embate entre criança e professor.

É dizer sim. Em outros momentos. pois seus filhos haviam adorado. saiu a representação da primeira figura humana. O incômodo desperta nossos leões. Foi assim na lama. não havia ligação entre brincar. Ela acontece a partir das experiências. Rio de Janeiro: Faperj. Essa ação ocorria diariamente. Os sete saberes necessários à educação do futuro. histórias inventadas. Como não havíamos feito nada? Houve afeto. se fantasiavam. O incômodo desestrutura. a partir dos afetos destas relações e a partir do desejo. Dias se passaram e os pais retornaram. pensamento. Revisão técnica de Edgard de Assis Carvalho. como bolas. que todos se sujem. Quanto à aprendizagem. percebi o quanto ela estava incomodada com o fato de não "ajudá-los" a desenhar.Trabalhos Científicos um espaço que eles sempre brincavam com a terra e que a única diferença foi a água. se lambuzem. Produziram até mais do que o esperado dentro da lógica escolar. entre alunos e professores. movimento. ouvíamos histórias. 19ed. não há provas. Não apenas se deve aprender. Por isso a importância de senti-la e de se incomodar com o que se sente. Por isso a importância de retornar à lama. O mais próximo que se pode chegar é no resultado de todo o trabalho desenvolvido. da Silva e Jeanne Sawaya. Há vida. contávamos nossas experiências de vida. ao desejo de aprender. E precisamos de novas construções na escola. 9ed. lama e concreto. foi assim no corpo. ao raciocínio lógico. Brasília. os movimentos descontraídos quebravam a rigidez do concreto imposto. rabiscava. em sala de aula. brincadeiras. nos movimentávamos sozinhos. histórias misturadas. 2011. se deve. Trad. A intensidade das vivências ficou registrada nos nossos poros. 1-144 37 . em meio às múltiplas vivências de corpo. mas também impulsiona às novas construções. Trad. tudo em cada um. brincavam de dramatizar cenas do cotidiano deles. às atividades direcionadas ao grafismo.. há corpo. se relacionem e vivenciem a aprendizagem na lama. Nietzsche. Essa turma também desenhava.. Em um determinado dia. Belo Horizonte: Autêntica. até então. Edgar. como as crianças que se esquecem do peso do camelo e que lutam por seus desejos. Em propostas consideradas como brincadeiras. Tudo junto.pag. há lama. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. perceber o seu corpo no espaço e perceber o corpo do outro com a aprendizagem formal exigida pelas instituições escolares. cada um em todos. Benedictus de. risadas. ao sentarmos para desenhar. mas não há como avaliar o retorno de forma mensurável. se tocar. Ética. Então. histórias reais. São Paulo: Cortez. Spinoza. DF: Unesco. de se descobrirem enquanto indivíduos e enquanto grupo. Friedrich Wilhelm. não há números. 2ed. Mário da Silva. mas como garantir? Como provar a aprendizagem e a potência de cada indivíduo? Como mensurar o que e quanto cada sujeito foi potencializado a aprender? Não há palavras. sejam de concreto.Setembro 2013 . Trad. E essa turma viveu intensamente as propostas oferecidas. Tomaz Tadeu. Elvira. 2013. Catarina Eleonora F. Para ela. Walter Omar. cavalos de pau. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . Pensar com Heráclito. a aprendizagem se potencializava. ou melhor. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. gritos. o pensamento se flexibilizava. foi assim na escola. principalmente querer. experiência. sejam na relação entre lama e concreto. utilizavam giz de cera ou pilot sem representarem algo de concreto. Lamparina. Morin. pois se entregavam às atividades. Lembro do olhar curioso e do questionamento da estagiária que fazia parte da turma: "como isso aconteceu? Eles só rabiscavam e você não fez nada para eles aprenderem a desenhar!". ao desenvolvimento da linguagem verbal etc. perguntando quando haveria outra atividade igual àquela. Na mesa de atividades. REFERÊNCIAS Kohan. corda etc. de deixar que ela penetre pelos poros. junto aos outros e com auxílio de objetos. 2004. Diante de suas palavras. sejam de lama. Vigna. O que pode o corpo? A incerteza da resposta contraria a lógica conteudista e produtivista das instituições educacionais e nos empurra para outros caminhos. e é esse desejo de aprender que potencializa essa ação. 2011. de descobrir o mundo.

encoraja. 5/2005 e demais autores. até o final de sua vida. também. As diferenças na origem do ser humano. 1-144 . A política educacional pós-1964 organizou-se para profissionalizar o ensino médio. nº. as coisas vão tendo sentido de acordo com essa perspectiva e é a partir daí que vamos construindo o saber sobre nós mesmos. e este é estimulado a produzir para si e para a sociedade. estimulação e estrutura Autor: Ricardo Carlos Santos Alves CPII-HII Resumo O objetivo deste artigo foi discutir e refletir sobre a Educação Psicomotora (EP).XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Educação psicomotora: Vínculo. seus critérios. como terapêutico. sem discriminação econômica. o professor. onde foi deixado e precisa nesse momento do outro para unificá-lo. de um processo educativo vivenciado por todos os envolvidos. INTRODUÇÃO O ser humano está na essência da estrutura social e da educação. aprimorando esta importante área. 1. Porém no ensino privado essa profissionalização era superficial e o que se enfatizava era o ensino preparatório ao vestibular. proporciona situações e materiais enriquecedores para estas explorações. A sociedade e a educação brasileira estiveram desde o Império. até este momento. desde sua origem. O bebê nasce fragmentado em seus campos sensorial e motor. A disputa pela organização do ensino fica entre as funções da família. precisamos dar conta da resistência natural entre idéias mais retrógradas e as ditas contemporâneas. nas marcas iniciais da vida.394/96) considerou apenas o ensino fundamental como obrigatório e justificado pelo governo como sendo a lei do possível. ou um ALUNO e um PROFESSOR. características na doutrina católica. Trata-se por isso. numa perspectiva comportamentalista. Araújo (1985) em seu artigo numa das mesas de debate do II Congresso Brasileiro de Psicomotricidade já afirmava que a EP 38 antecede o processo tanto reeducativo. O papel do educador será o de acompanhar a criança nas suas descobertas a nível da exploração. podendo. antes mesmo de iniciarmos uma intervenção na escola. segundo Ribeiro (2007) submetidas aos elementos mediadores (quantidade x qualidade) para a solução desta contradição. num disfarce de delegação de poderes as sociedades comerciais e religiosas. A partir da Constituição de 1988. Esse outro irá antecipar um sujeito que ainda não existe. Assinada em 20/12/1961 pelo Presidente João Goulart. dependente dos recursos possíveis pelo estado e adequada às diferentes situações da educação nacional. pois esta ficava subordinada a Secretaria de Saúde e não a Secretaria de Educação. mesmo sob uma contradição nessa estrutura caracterizada entre a conservação x transformação. em realizar um trabalho de EP com mulheres e homens grávidos. aprimorando esta importante área da Psicomotricidade. estimula. eixos do conflito entre o público e o privado. HISTÓRICO DO PROCESSO EDUCATIVO NO BRASIL. afastando-se do mundo rural e patriarcal. Iniciamos nossa vida numa experiência multisensorial. o ensino religioso como disciplina integrante do currículo das escolas oficiais. que necessitará dessa estimulação. VII e IX Anais do Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. o Fórum Nacional de Educação defendeu princípios gerais como: ensino público. suas fronteiras de intervenção. pois nestes primeiros momentos. mas sob a ordem e a disciplina. e a Federação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (FENEM) defendeu a concessão de bolsas de estudos pelas escolas particulares como e. de forma cada vez mais eficiente. o Estado dá literal autonomia à família e à sociedade. surge a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) colocando em lados opostos os centralizadores e os autonomistas. Palavras-chave: Estimulação. A Educação Psicomotora (EP) não é a presença da Psicomotricidade na Educação. Para Xavier (2003) na nova república. permanência e gestão da educação. política ou religiosa. qualidade do ensino. inclusive. irá gradativamente inventando saberes que darão um sentido aos movimentos deste ser. Podemos observar então há quanto tempo a Psicomotricidade enfrenta dificuldades em seu processo. seus atendidos. cristalizadas. Por isso. necessita de ajuda e a Pedagogia não o formou para tal. PRINCIPAL CAMPO DA INTERVENÇÃO DA EP Segundo alguns autores como Ribeiro (2007). da Igreja e do Estado.pag. 9. A Psicomotricidade surgiu nesse segundo momento com a Sociedade Brasileira de Terapia Psicomotora. deixando-as sujeitas às obrigações tributárias pertinentes às empresas privadas em geral. numa poesia melódica que inaugura ao mesmo tempo. A nova LDB (Lei n. Este processo educativo de ambos. concorre para o fortalecimento do poder Trabalhos Científicos/Temas Livres . pois investe em um sujeito que vive sob a tutela da disciplina pela disciplina. Assim também acontece na escola. mantidas pelo estado. a imaginação de um filho. Caracterizava-se por uma educação subordinada a interesses político-partidários. uma MÃE e um PAI. Mas para isso ele. é composto de linguagens re-significadas a cada instante. seus profissionais. ainda. Organização. Podemos pensar então. Estrutura Psicomotora. com demandas a interferência da Igreja católica. até suas amplas relações na retrogênese. facilitar seu desenvolvimento à medida que permite. os outros e os objetos. se iniciam no processo de humanização. devendo ser estimulada não apenas na escola. submetidas a esta contradição e também. mas através das bolsas de estudo. popularizar o acesso ao ensino superior e aprimorar a mão de obra mais adequada precocemente. O professor é exatamente esse outro capaz de exercer essa função. a ordem pela ordem. expandiu os negócios com o ensino. ele vai se tornando um portador de um suposto saber subjetivado nas cenas relacionais dele com o outro. Em 1948. Xavier (2003) e Bonamino (2003). esta permitiu a descentralização administrativa e didáticopedagógico do sistema nacional de ensino. ou seja. democratização do acesso. pois neste momento se inicia a ideia de uma vida. O processo de abertura política iniciado em 1974 (Geisel) até 1985 (Figueiredo) ativou movimentos sociais em prol da restauração dos direitos democráticos. Concluímos que a EP é uma área alicerçante à todo sujeito. Observamos que até então não se falava em educação infantil. mas em qualquer evidencia da necessidade de possibilitar um desenvolvimento e estruturação do ser humano. na família. um FILHO. no ato de educar. laico e gratuito em todos os níveis. ou na escola e sim a existência de um trabalho de estimulação essencial no processo de evolução do sujeito. O aluno nos chega fragmentado. local onde muitas coisas desse ser humano e seu núcleo familiar. une e humaniza esses fragmentos e aos poucos vai dando um sentido a esse corpo. seguindo valores da cultura clássica européia. Segundo Bonamino (2003) a LDB. a imunidade tributária e fiscal. Trata-se de um estudo bibliográfico com base nos II. inicialmente a formação da sociedade brasileira sofreu forte influência do Estado português e da Igreja católica. Nosso objetivo é discutir e refletir sobre a EP. A FENEM defendeu. onde um educa um aluno (filiação) e o outro educa um professor (maternagem). porque ela faz parte do processo evolutivo natural da criança. 2. A noção de unidade corporal não é inata. ou melhor. querendo saber onde está. pluralismo de escolas públicas e particulares e a extinção de isenção fiscal para as escolas particulares. O outro é quem unifica esse órgão (o novo ser-bebê). artigos da Revista brasileira de história da educação.Setembro 3013 . está fragmentado. já chegam estabelecidas. vivenciada em suas diversas atividades práticas. sua amplitude de atuação.

Quando o filho esperado não corresponde ao que foi antecipado pelos pais. pela via da avaliação e das reformas curriculares.mesmo das sessões de Psicomotricidade. Por outro lado. tanto para um menino. como podemos imaginar a situação dos docentes e demais funcionários da educação sob este prisma? Surgem as propostas de supervisão à escola e ao profissional individualmente. os Estados e os Municípios. ameaçando o que é comunitário. a saber. Ela é reproduzida de cima para baixo. ainda que a terminologia "Psicomotricidade". Outra descrição fundamental neste aspecto é a de Pereira (1985) quando fala do instituído e do instituinte dentro da escola. tentando suprir esse cuidado que não existe mais. ou melhor.. Vivemos um novo mito: o Virtual. a desorganização. o afastamos dos encontros. A criança tem seu quarto. A opção por política de parcerias camufla potencial estímulo à ampliação da participação de diversos setores sociais no processo de construção da democracia e da justiça social com sentido universal. muitas pessoas que não sabem lidar com espaços de prazer durante a vida.pag. não desejados ou pensados. Este é o quadro do campo de maior atuação da EP no Brasil. (Lejonquière apud Levin. em sua experiência no Projeto Movimento. Com isso. desenvolver. A escola é um dos elementos mais importantes deste ambiente social.11). supervisoras. ficarmos menos estranhos e mais familiares. seu laptop. um apêndice fora do corpo. Ele mesmo responde dizendo que isto coloca em questão não apenas a criança. detentor do poder absoluto. A educação como uma nova etapa na vida de um ser humano. pois não dispõe mais desse tempo. agressividade destrutiva. construída ao longo desses anos nos modelos pedagógicos escolares. captando recursos públicos das brechas deixadas pela atuação do estado em áreas de políticas sociais e de serviços públicos em geral. à oposição entre o princípio do prazer e o princípio da realidade. sua tv. Levin (2005) nos diz: "Lutamos para gerar sentidos cênicos e para que o destino não seja o órgão ou a síndrome. que estimulava estados e municípios às atribuições de gestão da educação através de uma descentralização administrativa e financeira do ensino fundamental. Estando no mesmo lugar este sujeito só poderá reproduzir sempre a mesma coisa. A mãe cuidadora está deixando de existir e assumindo o papel de mantenedora. só podemos esperar comportamentos transviados diante da lei: boicote. Algumas crianças em sua origem são recebidas como selvagens. a dificuldade. pois ela pode tornar claros os reais movimentos que acontecem intrínsecos nas relações entre alunos. sobre esse Outro mundo e. com bases na Psicomotricidade. os quais não queremos saber. Isso depende de seu ambiente familiar. assim. pois o que é importante não é apenas o que se passa dentro da criança. Será que o aluno esperado pelo professor quando não corresponde ao que foi antecipado por este. pais e comunidade em geral. cada vez mais. diretores. a ludicidade e o prazer são ínfimos. o estrangeiro é suposto ter coisas de Outro mundo para nos contar. revoltas e não revolução. Lapierre (1985) afirmava que os conflitos são inerentes à vida. da passividade na qual este sujeito foi colocado ou visto pelo outro. questiona a função do professor em educar? Como unificar fragmentos de um corpo não reconhecido? Como o ensino acontece a um aluno não reconhecido pelo professor? Será que os professores sabem com que sujeito lidam? Qual o lugar e a função que ocupam diante do aluno? Nesse momento podemos dizer que a saúde psicomotora se resume em retirar a deficiência.Setembro 2013 . assim como o jogo deveria formar a moral de um sujeito. atitudes desviantes como Trabalhos Científicos/Temas Livres . Espera-se que aprenda nossa língua para virmos. Enquanto você está virtual. P. que segundo Morizot (1985) tratam de alguns profissionais ligados às áreas da deficiência. estático. Ela não pode continuar a iludir sua responsabilidade neste domínio. evoluir.. O ser humano é um ser que tem que aparecer. Essas ações criam novas formas de subjetivação. o desejamos. Como afirmou Cabral (1985) ficou evidente a dificuldade dos educadores em abandonar a sua posição de poder e seu autoritarismo. 2005. Segundo Le Breton (2003) o corpo da realidade virtual é incorpóreo. como ela não pode se doar ao filho como gostaria. mas também o professor.OS VÍNCULOS POSSÍVEIS Os primeiros indícios da Psicomotricidade no Brasil datam de 1950. pois ela subverte a lógica cartesiana de aprendizagem e estruturação de um sujeito. compartilhável. Quando tratamos o aluno como um estrangeiro. Isso acontece hoje. começam a valorizar o corpo e o movimento. Em 1996. 3. mesmo se elas são dirigidas por um especialista. Em nossa civilização ocidental. mentiras. surgem as ONGs que se proliferaram. sabotagem. ela compra tudo para esse filho. O Estado é percebido com a sua ideologia dominadora. mas o trânsito realizado pela infância". Certas crianças os elaboram menos mal do que outras e constroem uma personalidade menos patológica. ele é o lugar onde o mundo é questionado. Se esse aluno for bom. O individualismo cresce assustadoramente. não fosse mencionada. diretora. professores. finalmente dentro da sala de aula entre a professora e seus alunos. Nessa perspectiva de novas formas de parceria entre a União. colocando a União num processo de controle da educação nacional pela avaliação. mas ao aparecer não pode correr o risco de ser deletado. Portanto. pois acreditamos que ele tem algo a nos contar de outro mundo. 1-144 forma de protesto diante do estabelecido e imposto. À diferença do selvagem . A Educação no sentido amplo do termo não consiste apenas em fazer adquirir conhecimentos. O investimento narcísico dos adultos faz da criança um estrangeiro a ser recebido nos braços e não um selvagem de quem nada se quer saber".Trabalhos Científicos regulatório que o governo federal passou a exercer em todos os níveis educacionais. Assim também acontece no processo educativo quando tratamos o aluno como um selvagem. Se para os alunos a situação sempre foi esta. principalmente pública. Isso equivale dizer que esta relação se multiplica dentro da escola através da inspetora. desde sua origem. formar um aluno e sim um sujeito. Há nas pessoas um estímulo ao narcisismo desde muito cedo. assim como o domínio familiar e a herança simbólica gerada por esse filho. tentaremos vencê-lo para rapidamente ignorá-lo. pois acreditamos que nele nada habita. que supomos nos trazer coisas de outro mundo. como o processo de evolução de grande parte da população brasileira sofre para se organizar. nada se quer saber. quanto para uma menina. vivem num mundo cartesiano. como elementos coadjuvantes em formas diversificadas de reabilitação. juntamente com os profissionais: Suzana Veloso Cabral e Marcelo Savassi. questiona a função parental de tal forma que a própria genealogia é questionada. o adoraremos em silêncio. é reconhecido nesta docência? Será que este aluno da mesma forma. por conseguinte. esse outro não tem sido o mesmo. foi criado o FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério). ela deve também se preocupar com a formação da personalidade nos seus aspectos mais profundos. mas se for mau. Essa forma institucional tem o seu início na relação do Estado com a Instituição Escola. Ele ainda complementa dizendo que é indispensável que o professor participe ele . Lapierre neste mesmo evento amplia suas considerações questionando por que tantas resistências por parte da Instituição Escolar. Todas essas movimentações podem esclarecer plenamente onde se encontravam e ainda hoje se encontram os interesses públicos e privados no panorama atual da educação brasileira. não é reconhecido nessa filiação. laudos médicos. Observamos aqui a posição da Psicomotricidade na maioria das instituições escolares que segundo Lapierre é tida como subversiva. etc. na maioria de nossas famílias. Não são todas as crianças que têm em sua origem a implantação do desejo. não deveria. A Lei nunca é assumida e introjetada conscientemente. 39 . onde a arte. mas também o que se passa entre a criança e o professor neste espaço de comunicação em que cada um projeta mais ou menos seus fantasmas.cujos mistérios o civilizado teima em apagar enquanto tais. Vemos hoje. você não é. cada vez mais os pais deixam de exercer a unificação dos fragmentos corporais dos nossos bebês. Outras são recebidas como estrangeiros. mas também do ambiente social. Isso também é aprendido. isso justifica o que Lapierre havia dito em 1984 quanto a Psicomotricidade ser subversiva na escola. "A criança dessa mãe aterriza nos seus braços como se fosse um estrangeiro. as pessoas hoje querem aparecer a qualquer custo. PSICOMOTRICIDADE E EDUCAÇÃO . pois seus mistérios são os nossos. orientadoras e. que deles. O aluno selvagem não nos faz curiosos. este é o perigo do virtual. Você só é quando aparece.

em um novo mundo. etc. Anais do II Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. não seria apenas na escola. que se faz presente na escola. ou mesmo. com bases na Psicomotricidade. O trabalho não era feito apenas na quadra de esportes. de uma forma geral. Alicia Maria Catalano de. Bras. Maria Luisa Santos. Oscilações do público e do privado na história da educação brasileira. 2007. iluminando um caminho possível de um novo sujeito. de Psicomotricidade. Terezinha. Talvez seja esta a visão que outras áreas tenham do trabalho da EP. Uma delas inclusive. que mesmo adultas. Trabalhos Científicos/Temas Livres .). mas como uma forma de organização da espera. rompendo barreiras. desejosas de oferecerem aos seus alunos.com). 1985. PE. Psicomotricidade. que está intrinsecamente mergulhada numa comunicação autêntica. poster´s e temas livres. Outra possibilidade experimentada com sucesso. David. desejada e estimulada pelos diversos profissionais das inúmeras áreas da educação e da saúde. por não compreender essa atitude de estimulação. Petrópolis. encontros mensais com os pais e responsáveis numa junção de forças comunitárias. Das 15 grávidas. voltados para a Educação Psicomotora. Ribeiro. Inicialmente nas creches e pré-escolas. Le Breton. Vozes. Desde a família. com os objetos e consigo mesmo. comemorando os aniversários. etc. muitas vezes confundida com as atividades de um parmédico. Wallon. Nossa perspectiva era mostrar as atletas a fabulosa experiência de participar de uma ação em equipe. Willian Cesar Castilho. adolescente. para uma atuação baseada nas possibilidades de saúde psicomotora. Isto é caracterizado pelo número bem superior de artigos. Pereira. da chegada.pag. Por isso. O fato da descentralização dos processos educativos nas dificuldades. deficiências. Belo Horizonte. na UCB. SP. Morizot. a importância da figura do pai. Xavier. inaugurando um processo de supervisão aos professores e às escolas. encontramos conceitos e definições e até mesmo exemplos de atuação extremamente confundidos com a clínica e a terapia psicomotora. O público e o privado na educação brasileira: inovações e tendências a partir dos anos de 1980. num vínculo de confirmação de energias ao novo ser que habita entre nós. dai às suas vivências nessa filiação infantil. do desejo. apresentados nos onze congressos realizados até aqui pela Associação Brasileira de Psicomotricidade. no local do evento. clubes. 5. destes seres em transformação: aprendizes das relações. Com o tempo resolvemos atuar junto aos docentes ajudandoos a ter uma escuta. acompanhamos 11 partos.Análise Institucional. Anais do II Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. o olhar era sempre psicomotor. as pós-graduações. condomínios. pois na literatura. sermos demitidos da escola pela diretora. mais do que conhecimento. cursos de extenção e aperfeiçoamento. ____________ Psicomotricidade: O Corpo na escola . etc. Papirus. recebemos convites para participar de encontros com essas exatletas. mas em suas casas. Belo Horizonte. Regina. As desviações. Olinda. não como uma profilaxia apenas. mas continuamos a nos relacionar por emails. com alguns conhecimentos básicos dos cursos de extensão em Psicomotricidade. Clínica e educação com as crianças do outro espelho. atendendo necessidades e encontrando apoio de escolas públicas e privadas. A maioria das mulheres com problemas de relacionamento com seus companheiros. mas sim. até sua fase idosa. deveriam ser indicados à observação e trabalho de outro profissional. sem perceber que estas são o alicerce para a formação do sujeito. Belo Horizonte. evidencia as influências positivas da Psicomotricidade desde a década de 1980. quando recebemos 15 mulheres e 3 homens. Belo Horizonte. Lapierre. Até hoje. 2004. n° 5 jan. Belo Horizonte. André. no início de uma vida. A EP é uma área de estimulação. Suzana Veloso. quando vibramos com um aluno por ter feito um gol (mesmo que tenha sido gol-contra) e logo após. Vygotsky. a relação com os companheiros e maridos. 2003 Levin. Sabemos que as formações. Revista brasileira de história da educação. Anais do II Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. Anais do IX Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. sensibilizações e relaxação. Para Lapierre (2004) o psicomotricista necessita: 1º) Compreender o que está vivendo a criança e de ajudá-la a experimentá-lo entrando em seu jogo e. 40 algumas não queriam esses filhos. evitando os desviamentos neoróticos. pois coordenadores e diretores são hoje na escola. pois educar à partir do movimento era uma hipótese apenas dos livros e textos de Piaget. MG. na faixa etária média de 22 anos. SP. os cuidados com o bebê e com a mulher em sua gestação. Segundo Vieira ((2004) podemos dizer que pouco a pouco esta nova profissão está conquistando espaço e reconhecimento. pois alguns desistiram. Esta área estuda o ser humano a partir das valências. Não foi difícil decidirmos então. MG. O Projeto Movimento . Autores Associados. reeducação ou terapia psicomotora? Anais do II Cong. da caminhada e do fim de um sujeito no mundo. da vida que é sua. os indícios de inadequações. tentando fugir dos modelos cartesianos desses setores. 2003.o dualismo. um diferencial baseado na escuta destes corpos em movimento. Revista brasileira de história da educação. 1985. o que seria a EP. Isso interfere não apenas na escrita. extremamente possíveis em nossa civilização atual. etc. deixam a desejar em relação a formação pessoal e acabam tornando o profissional um teórico carente da prática.Setembro 3013 ./jun. distúrbios. Mesmo como técnico de equipes de Handebol Feminino de 1980 a 2005. 2004. ou mesmo com a reeducação psicomotora.Encontro. com atuação em várias áreas (escolas. Histórias e rumos da Psicomotricidade no Brasil. MG./jun. ou clínico/terapeuta. Vieira. 1-144 . MG. informações e programas engessados. na educação brasileira. de fornecimento das estruturas básicas ao asujeitamento do candidato a se tornar humano. História da educação brasileira: a organização escolar. MG. Adeus ao corpo. nas relações com o outro. 1985. Libânia Nacif. estimulando o que a Educação Física não alcançava: as estruturas psicomotoras. Campinas. Anais do IX Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. Olinda. Ele ainda afirma que o sucesso escolar e intelectual não é necessariamente uma prova de saúde mental. redes sociais.psicomotricialves. em suas funções psicomotoras. figuras estritamente administrativas. voltado mais para o jogo que para a competição. acompanhando sua morte e o que ficou desse sujeito nos outros. Maria. 2005. começamos a incomodar colegas. Aos poucos. EXPERIÊNCIAS EM EDUCAÇÃO PSICOMOTORA Nossas experiências em EP datam de 1980. 4. sua autonomia adulta. Devemos realizar uma EP que invista em uma nova vida sem a presença cega dos medos e menos valias e sim numa exaltação à energia individual que todos nós temos. n° 5 jan. Um exemplo claro consta em no livro O Corpo do Professor. Linguagem e Orientação (vide site: www. abandonar os estilos e métodos dessa formação endurecida em Educação Física. desenvolvido de setembro de 2012 a Julho de 2013. coordenadores e diretores. 1985. O atendimento psicomotor institucional e privado. ou qualidades físicas deixando as estruturas psicomotoras praticamente de fora. ou distúrbio. sua principal investida. a EP poderia ser indicada. RJ. outras não relatavam dados pessoais e do processo de gestação. 2003. pois para alguém que não foi estimulado. Defendemos em uma tese de mestrado sobre tal tema. fomos mostrando os vínculos necessários para uma adoção do próprio filho. intitulado ELO . limitrofes na vida desse sujeito. organize seu espaço gráfico. CONSIDERAÇÕES FINAIS Precisamos discutir como atuar em Educação Psicomotora (EP). Leopoldo. Cabral. Esta EP deve trabalhar na organização desse sujeito. Campinas. O olhar do profissional em EP não deve procurar problemas ou inadequações. não sabia quem era o pai. foi a EP com grávidos (Mulheres e homens) através do Projeto Materno. Por que educação. ainda conseguem um tempo para a prática desse momento mágico da infância/adolescência delas. Bonamino. de organização inicial desse ser. academias. e também de intervenções em quem deseja ser mãe/pai. a ausência da produção (observada e avaliada como num rol de normalidades muitas vezes vistas como obrigatórias no sujeito) não deve ser tratada como inadequação. mas também na leitura. 2º) Dominar sua própria implicação para não projetar seus próprios conflitos utilizando a criança para sua própria terapia. 1985. através de vivências corporais. clínicas de reabilitação. REFERÊNCIAS Araújo. no relato que chamamos de "cena breve".XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual A criança precisa ter organizado seu espaço corporal enquanto referencia primária para que no espaço que ela viva. PE. para olhar os alunos e clientes com um olhar psicomotor. em quem surge como uma possível filiação. Esteban. Anais do II Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. Psicomotricidade Relacional na escola: ação de cidadania e transformação social.

Antes de discutirmos a respeito da inserção psicomotora no processo educativo. perdendo a oportunidade de conhecer.G. SP Resumo O presente trabalho discorre sobre a importância da prática psicomotora e sua real inserção no contexto educacional. leva a criança a tomar consciência do seu corpo. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem . O trabalho apresentado a seguir é realizado desde 2006 em um colégio privado em São Paulo. acreditando que este caminho é ainda permeado por muitos desafios.São Paulo Fonseca. todo o processo formativo posterior fica à mercê de possíveis falhas e/ou dificuldades de várias origens. grupos de estudo sobre os principais autores da área. P. a dominar o tempo. Psicomotricidade Escolar Wak Editora . entre tantas outras. INTRODUÇÃO CONCLUSÃO A implantação da prática psicomotora na escola não é um trabalho tão comum e totalmente aceito neste contexto.B. dada a falta de informação de gestores. f ) Implantação gradativa da prática psicomotora em vários projetos e eventos da escola (oficinas com pais. Finalizo lembrando que nas escolas a maioria dos educadores desconhecem detalhes sobre os fundamentos da Psicomotricidade.M & Heinsius. diariamente. J. interações e rico aprendizado. mais profundamente. mantêla de forma efetiva foi necessário um longo caminho. "diferentes Psicomotricidades não. artigos para discussões em grupos etc).A & Filho. 1) Refletir sobre a inserção da Psicomotricidade na escola e o seu real papel.Setembro 2013 . D. da lateralidade. a situar-se no espaço.J.pag. 1-144 41 . atividades ligadas à Psicomotricidade. embora os utilizem no seu cotidiano. tendo apresentado desdobramentos importantes a respeito da temática discutida.M. sendo que.Rio de Janeiro Fernandes. Para Le Boulch (1984:24-25).R. V. g) Fechamento semestral do trabalho desenvolvido e elaboração de sua continuidade para o semestre seguinte. Destaco a seguir uma fala importante. buscas. a adquirir habilmente a coordenação dos seus gestos e movimentos. b) Acompanhamento regular com os docentes sobre a fundamentação psicomotora e as possibilidades de atividades multidisciplinares inseridas neste trabalho (reuniões periódicas. Como cita Jorge Manuel Gomes de Azevedo Fernandes (2012:11).A. Psicomotricista. Psicomotricidade OBJETIVO Para implantar esta prática na escola e. permite prevenir inadaptações.2013. projetos semestrais sobre temas relacionados à Psicomotricidade etc). c) Reflexão sobre o papel do professor nesta inserção.M & Barros. mas compreendendo a escola como um lugar especial em que a Psicomotricidade deve se firmar como um campo de atuação inesgotável em descobertas humanas. 5) Conclusão do trabalho realizado até o presente momento (2013). que justifica a crença em todo o trabalho apresentado. apresentando como eixo referencial um trabalho voltado à aprendizagem por meio do movimento. não perdendo de vista o foco ao desenvolvimento do ato motor realizado com intencionalidade. J.Artmed Editora 2008 . das vivências corporais e suas experimentações e evoluções. erros e acertos. conduzida com perseverança. Posteriormente o mesmo projeto foi implantado em outras localidades. o que esta prática atinge no desenvolvimento de seus alunos e qual o melhor momento de inserir atividades específicas a necessidades emergentes. Escola.O Desenvolvimento Psicomotor . coordenadores e docentes sobre Psicomotricidade.Artmed Editora . 3) Discutir sobre a capacitação e acompanhamento docente. sócio-afetivo ou cognitivo. Esta resposta está em permanente construção. seja no aspecto motor. Discorro sobre o trabalho realizado em escolas de SP. C. 4) Abordar as maiores dificuldades encontradas neste contexto. A.Porto Alegre xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . d) Montagem de um planejamento psicomotor com atividades regulares inseridas na Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental que contemplem todo o desenvolvimento psicomotor. nas quais foi implantada a prática psicomotora e toda a sua contribuição no contexto educacional.Porto Alegre Le Boulch. difíceis de corrigir quando já estruturadas. A seguir descrevo as etapas deste trabalho: a) Curso inicial de capacitação aos docentes e a toda equipe de apoio inserida neste processo. principalmente. e) Elaboração de uma Organização Curricular voltada ao Desenvolvimento Psicomotor. trocas.2008 .G. O PROJETO É chegada a hora de a Psicomotricidade ocupar o seu real espaço no contexto educacional. devemos nos reportar à importância da Motricidade no Desenvolvimento Humano e à importância do corpo como verdadeiro meio de comunicação e expressão humana.Trabalhos Científicos A psicomotricidade e sua real inserção no processo educativo Autor: Ana Maria Garcia de Mello Educadora Física. 2) Abordar o cotidiano da implantação desta atuação na escola: explicações ilustrativas na Educação Infantil e Ensino Fundamental.Editora Manole . Isto significa que muitos professores realizam. REFERÊNCIAS Ferreira. a educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na escola primária. com o estudo da fundamentação teórica e prática da Psicomotricidade. Palavras-chave: Corpo. diferentes práticas psicomotoras. A educação psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra idade. sim.Abordagens Emergentes .2001. Psicomotricidade . Ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares e escolares. sem as suas reais vivências. mas sem sabê-lo.

pag. que é determinado pelas relações sociais existentes e pelo lugar que o indivíduo considerado ocupa nestas relações. assumindo a psicomotricidade como área do conhecimento. O trabalho coletivo fundado na cooperação primitiva se configura. a consciência humana. No sentido de cumprir nossos propósitos . procuramos tecer reflexões a respeito da ergopsicomotricidade e sua premente tarefa. c) como a estrutura da consciência se transforma com a estrutura da atividade humana.. fruto de pesquisa bibliográfica. Palavras-chave: Trabalho. 2. dentre outros aspectos. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo . Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a. COOPERAÇÃO PRIMITIVA: SENTIDO. desenvolvimento humano. cognitivas e afetivas. a articulação explícita entre os processos psicomotores e o mundo do trabalho.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Ergopsicomotricidade e os vínculos no trabalho: contribuições do campo crítico Autor: Daniel Vieira da Silva Instituição: UNINTER/PR Resumo Este trabalho tem o propósito de subsidiar discussões a respeito da ergopsicomotricidade e suas implicações sobre os vínculos no contexto laboral atual. INTRODUÇÃO Em que pesem os esforços dos pesquisadores do campo psicomotor na produção de conhecimento. nos colocamos próximos a Marx (2001:211). fundamentalmente. b) que estrutura particular (sentido pessoal) engendra tais relações e. mas em seu aspecto de incorporação. pela interdependência consciente entre os diversos membros envolvidos na atividade. ou seja. denominada "Cooperação no modo capitalista de produção: quando o sentido se dissocia da significação". c) como a estrutura da consciência se transforma com a estrutura da atividade humana. armado e limitado pelas representações e conhecimentos da sua época e da sua sociedade" (Leontiev. Ao pretendermos. A cooperação primitiva encontra-se.) consideramos a consciência (o psiquismo) no seu devir e no seu desenvolvimento. um caráter superador e sintético em relação à produção da área. imprimindo-lhes forma útil à vida humana. nos povos caçadores ou. Desta maneira. visto que as condições sociais da existência dos homens se desenvolvem por modificações qualitativas e não apenas quantitativas. intitulada "Cooperação primitiva: sentido. enquanto elemento central da atividade humana ocupa lugar fundante no fazer histórico do homem. Na primeira. Utilizamos o termo "superador" diferentemente daqueles que entendem superação em seu caráter excludente entre as diferentes abordagens. Analisemos. devem cooperar com ações específicas. na agricultura de comunidades indianas. b) que estrutura particular (sentido pessoal) engendra tais relações e.Setembro 3013 . concretamente indissociáveis. pela necessidade de sobrevivência da comunidade. elementos do modo de produção capitalista em suas diversas formas.subsidiar as discussões sobre ergopsicomotricidade e suas implicações sobre os vínculos no contexto laboral atual –. pernas. o trabalho. guardado os limites desta comunicação.. encontram-se intimamente articulados às significações sociais mais amplas. no modo de produção capitalista. processos vinculares. histórica e dialética. nos estudos e debates entre os psicomotricistas. portanto. a fim de apropriar-se dos recursos da natureza. Na segunda parte. este trabalho. Trabalhos Científicos/Temas Livres . denominado "Cooperação Primitiva". ao mesmo tempo modifica sua própria natureza. transforma-se igualmente de maneira qualitativa no decurso do desenvolvimento histórico e social. como a abelha está presa à colmeia. regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. separada da cooperação simples e da cooperação composta. daquela fundada na sociedade de classes. 1995). os quais. significação e apropriação do humano". Na terceira parte. processo em que o ser humano. Marx (2001:387) enfatiza que: A cooperação no processo de trabalho que encontramos no início da civilização humana. SIGNIFICAÇÃO E APROPRIAÇÃO DO HUMANO A mutualidade. fundamenta-se na propriedade comum dos meios de produção e na circunstância do indivíduo isolado estar preso à tribo ou à comunidade.) um processo de que participam o homem e a natureza. a cooperação. as formas de produção de sua existência. exercido pelo modo de produção cooperado. ao mesmo tempo. mais especificamente. nos dedicamos a evidenciar o papel constitutivo da consciência ou do psiquismo humano. na atualidade dos contextos laborais. em determinadas condições históricas. empreender um estudo que vise refletir sobre a ergopsicomotricidade e os processos vinculares no contexto de trabalho contemporâneo.braços. para que a atividade seja concluída com êxito.. pois. o psiquismo humano. mas conexos. Desta forma. desenvolvimento humano e suas dimensões vinculares: 42 (. as formas de produção de sua existência. cabe ressaltar nosso entendimento de que a discussão sobre ergopsicomotricidade porta. s/d:95) Isto implica afirmar que os processos imanentes à formação dos sentidos pessoais e destes.. os quais historicamente vêm proporcionando uma apropriação cada vez mais complexa do ser humano. que tem por objeto o corpo e o movimento humano em suas relações sociais e de produção (Silva. o trabalho. Segundo Marx (2001:378) "[chama-se] cooperação a forma de trabalho em que muitos trabalham juntos. Sintético. a alguns milhares de anos. neste caso. raramente é tomado como destaque. orientado por uma perspectiva materialista. Sobre este aspecto. 1-144 . no mesmo processo de produção ou em processos de produção diferentes. mais especificamente. em determinadas condições históricas. ao articularmos trabalho. mais especificamente. com sua própria ação. as expressões e os modos vinculares. ou seja. procuramos demonstrar o processo de transformação sofrida pela cooperação no modo capitalista de produção. 1. "o homem que percebe e pensa o mundo [e age sobre ele] enquanto ser sócio-histórico está. na medida em entendemos a possibilidade deste debate tomar a produção da existência humana na perspectiva de totalidade. orientada por um plano comum regido. como elemento constitutivo de e constituído por suas dimensões motoras. cabeça e mãos -. s/ d:100). em potencial. a constituição do "trabalhador coletivo" e suas consequências para o desenvolvimento da consciência humana e das relações entre pares. Como efeito. Segundo esta orientação. impulsiona. na sua dependência essencial do modo de vida. 2002). ao perseguirmos a articulação entre trabalho. a partir do estudo de "seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo" (SBP. desenvolvimento humano e processos vinculares." O quanto ele se apropria ou não deste fato é o que determinará o grau de consciência e de liberdade do indivíduo. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Assim devemos considerar o desenvolvimento do psiquismo humano como um processo de transformações qualitativas. Fruto de pesquisa bibliográfica e orientado pelo método da ciência da história. esta questão. "considerações finais". (Leontiev. entendendo o trabalho como: (. por exemplo. de acordo com um plano. fundante para o entendimento de tais relações. entendemos como necessária uma abordagem que evidencie: a) como se formam as relações vitais do homem. Desenvolve as potencialidades nela adormecidas e submete ao seu domínio o jogo de forças naturais. a guisa de fechamento. buscamos apreender: a) como se formam as relações vitais do homem. Neste sentido. encontra-se dividido em três partes. relacionadas e distribuídas a partir de uma divisão social e técnica do trabalho ainda rudimentar.

cit. as ações especializadas tendem a acompanhar tal verticalização tornando-se. por um lado. construindo nesta dialética. o desenvolvimento das forças produtivas. também.Trabalhos Científicos Embora circunscrito a uma condição de dependência quase absoluta à sua coletividade. o artesão. A formação desse trabalhador se realizava nas corporações. historicamente. vai possibilitando e lapidando. dos novos modos de produção que surgiram depois dela. constituiu-se enquanto objetivação da sociedade ao mesmo tempo em que. –.) aquilo que num objeto ou fenômeno se descobre objetivamente num sistema de ligações.) dispunha do domínio teórico-prático do processo de trabalho como um todo. figuras originais da faca e do pilão ou do machado e do martelo. dentre outros (Martins.. ao qual conduz necessariamente o desenvolvimento do trabalho. a história da humanidade. ofereceu o ponto de partida para o surgimento de um tipo de atividade laboral e de trabalhador especializado . na medida em que o sentido pessoal traduz. (Martins. refluiu sobre ela. ao longo dos milhares de anos que se lhe separa da "pedra original". resultantes dos sucessivos avanços mediados pela atividade humana. aquele que é. que unas se objetivam sob a forma de atividade. s/d: 100) Desta maneira. a relação do sujeito com os fenômenos objetivos conscientizados. A significação é refletida e fixada na linguagem. significação é o resultado das apropriações efetivadas pelos homens. 1998:37) Denominado por Alves (1998) como trabalhador total. até se constituir como propriedade privada legalmente instituída. conscientemente. mas. [preparou] a separação do sentido da significação". a qual avança em grau de complexidade na proporção direta do desenvolvimento dos modos de produção e das relações sociais. ou seja. como garantia de ampla colocação. portanto. Coerentes com o pensamento marxiano. do açougueiro etc. pela socialização de sua particularidade. nas transformações técnicas sofridas pelos instrumentos ao longo do tempo. Neste sentido. dos instrumentos. entrando no conteúdo da consciência social. na medida em que é nela que as questões individuais se objetivam. (Leontiev. s/d:109) 3. Deste processo resultou que a cooperação. ao emancipar o humano da égide da animalidade e possibilitar o aprofundamento das relações sociais e de produção. por exemplo. Duarte. a significação não se desvincula de seu conteúdo objetivo. encontra um sistema de significações pronto. O sentido pessoal. das corporações/grêmios. sempre caminhou em inter-relação com a própria individualidade. Neste sentido. ao nascer. dominava um projeto teórico. • Enquanto consciência individual. 1-144 Das hordas aos grupos. os objetivos e as aspirações sociais em objetivos e aspirações particulares. [o] princípio da unidade entre consciência e atividade demanda reconhecer o entrelaçamento entre ambas. Cada detalhe acrescentado a um instrumento é. para ser um elemento. op. no capitalismo. impôs-se a presença de uma figura articuladora entre os processos de produção e os de circulação das mercadorias. no merca43 . Trabalhos Científicos/Temas Livres . apreendida como ato psíquico experienciado pelo indivíduo e. a sua língua existem como sistemas de significações. o homem. podemos apreender os aspectos fundamentais da significação. 2004. necessário à realização de um certo produto e. depois familiar. (. Deste modo. ao longo de todas as etapas do processo de trabalho. ramos de atividades. é a partir deste tipo de trabalhador que se desenvolveu a manufatura. sucessivamente. Neste contexto. um ato criativo particular que responde a uma necessidade específica que. quanto mais o sentido subjetivo coincida com o sentido objetivo.. ou seja. materializada nos instrumentos. apresentou-se como a forma mais individualizada / especializada de trabalhador. agido pelos determinantes sócio-históricos. de todo sistema de objetivações elaborado historicamente. É: (. À medida que esta divisão se aprofunda. a princípio comunal.o artesão. a manufatura surgiu como forma da produção capitalista a partir do processo de crescimento da produção artesanal e da expansão dos mercados para territórios distantes. antes de tudo. pessoal e significação – sentido objetivo –. (Leontiev. fundante. intencional. é responsável. Mediado pela atividade humana. ao transformar. Concomitantemente. o desvelar do próprio indivíduo e do seu lugar na divisão social do trabalho. • A significação é. em que grau isto acontece e qual a influência disto sobre sua personalidade. por sua vez. (Alves. um sentido pessoal. neste caso. a força necessária e habilidades específicas para operar certos instrumentos sobre a matéria-prima adequada. o "alargamento do domínio do consciente. Esta dinâmica entre necessidade social e individual. na medida em que o sujeito se apropria das significações. pelo estudo desta relação podemos apreender aquela existente entre consciência e atividade. Isto é. de interações e de relações objetivas. cujos estatutos impunham longos períodos de aprendizagem. constitui o conteúdo da consciência social. pelo fato do resultado da atividade corresponder a todos. o sujeito é ao mesmo tempo aquele que age. Para Leontiev. paulatinamente. Evidenciando este processo histórico. maior será o grau de consciência do sujeito enquanto ser sócio-histórico. mas o inverso. o qual. constitutiva do homem enquanto ser sócio-histórico é a forma sob a qual ele assimila a experiência humana refletida e generalizada. ao mesmo tempo. 2004). e apropria-se dele tal como se apropria de um instrumento. recebeu aprimoramentos. pela diferenciação primitiva entre a pedra para cortar e a pedra para bater. subjetivo. o que lhe confere a sua estabilidade. constituiu-se como objetivação das diversas novas necessidades e avanços técnicocientíficos. • A significação pertence. por assim dizer.) Sendo assim. mas. dos sentidos objetivos da realidade.pag. afirmamos que não é a consciência do ser humano que determina o seu ser. Na cooperação primitiva. da seguinte forma: • A esfera de representações de uma dada sociedade. por sua vez. elas próprias. o indivíduo.Setembro 2013 . Predominante no período feudal. 2004. que assimile ou não uma dada significação e. por outro lado. deixou de ser o modo de produção vigente de um determinado período.. O martelo. objetivando em si o sentido subjetivo que o refletido tem para eles.. não pode ser dissociado de uma dada necessidade e do grau de desenvolvimento material da sociedade na qual se insere. posteriormente. para produzi-lo. expressão de suas relações com os outros homens e com o mundo. diluiu a base que sustentava a cooperação primitiva e ampliou o processo de divisão do trabalho e de afirmação da propriedade. torna-se assim a 'consciência real' dos indivíduos. a consciência não pode ser "o que está dentro". destes às comunidades e destas às sociedades. Rosler. Produto das necessidades acumuladas historicamente. ao mundo dos fenômenos objetivamente históricos. enquanto humano-genérico. a complexificação das relações sociais mediadas pela cooperação. precisamente. do ferreiro. elaborado historicamente. mas apenas um elemento. contava com formação anterior que lhe assegurava destreza especial. • O homem. também lhe confere um sentido próprio. Na medida em que este apareceu diante dos diversos produtores. O fato psicológico que se refere ao sujeito é o de que se aproprie ou não. • Deste modo. o ser social que determina a sua consciência. a sua ciência. podemos acompanhar sua objetivação. portanto. sim. Sob a forma de significações linguísticas [sic]. 2004:88) Uma vez que a consciência é psicologicamente caracterizada pela presença de uma relação interna específica entre sentido subjetivo. Tomando como ponto de partida os estudos de Leontiev (s/d). ao mesmo tempo em que se diferencia do social está interpenetrado por ele. das formas e relações de trabalho. a divisão do trabalho não se apresenta como numa barreira entre o desenvolvimento humano-genérico e as possibilidades de desenvolvimento dos indivíduos. a significação é mediadora do reflexo de mundo na consciência humana. nas suas diversas versões contemporâneas – martelo do marceneiro. COOPERAÇÃO NO MODO CAPITALISTA DE PRODUÇÃO: QUANDO O SENTIDO SE DISSOCIA DA SIGNIFICAÇÃO A cooperação primitiva. (Leontiev.

ao refletirmos sobre a ergopsicomotricidade e os vínculos no trabalho. quanto mais implicado na atividade social está o indivíduo trabalhador. 44 no capitalismo. a cooperação tange o mecânico. mas o próprio indivíduo é mutilado e transformado no aparelho automático de um trabalho parcial. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir de nossa exposição. mas desta vez. se na cooperação primitiva temos. simplificação e desqualificação do processo laboral. ao não comprar mais o produto do trabalho. outorgando-lhe capacidade reflexiva sobre todo o contexto de suas relações. tempo e potencial criativo) para que o capitalista usufrua o produto de sua atividade. também reflui sobre o indivíduo que vive do trabalho. à custa de repressão de um mundo de instintos e capacidades produtivas. tanto mais o trabalho lhe favorecia constituir-se enquanto indivíduo. Torna-se ele mesmo uma mercadoria e sua atividade. o que podemos chamar trabalho apropriado.. sobrevém e prevalece o polo coletivizado e alienado – Ponos.) a cooperação simples. um caráter de estranhamento. quanto mais limitado ao exercício de uma única função ele fica. Trabalho. tinha. apropriar-se de si. Respondendo aos imperativos socioeconômicos. 2003) Embora. avança sobre o terreno dos artesãos assumindo a propriedade da matéria prima. Ao assumirmos o prefixo Ergo. Sendo assim. submetido. Na medida em que o mote da sua consciência são as relações que estabelece com os outros humanos. quanto mais simplificado e fragmentado se torna o trabalho. o ato de produzir. no sentido daquele que se sujeitou. inicialmente. fato que o obriga. Dono da matéria prima e do espaço físico (meios de produção). no seu revés – no trabalho estranhado. com a natureza e depauperado de sua individualidade.pag. de quem está sujeito a. alienado. a partir da manufatura se institui e se consagra como conteúdo específico do modo capitalista de produção. na cooperação primitiva. para este trabalhador. Uma vez subsumido pelo capital. o trabalho se tornou genérico. justamente. cria uma força produtiva nova. no modo de produção capitalista. levando-o. abstrato. Fragmentando o ofício especializado. na Grécia antiga. no sentido de oferecer à sociedade. que o estranhamento relativo aos eixos produto-produtor e trabalhador-trabalho reflui sobre o próprio trabalhador e sobre as relações com seus pares. representava a exteriorização do próprio sujeito – aquele que faz a ação –. Objetivado no mesmo símbolo linguístico. Isto é. (Marx. Trabalhos Científicos/Temas Livres . a desenvolver uma habilidade parcial. quanto mais produtivo o primeiro se torna. portava duas dimensões antagônicas e complementares: Ergon – como expressão do trabalho criativo. quanto mais coletiva a produção e o trabalhador. artificialmente. identificando uma área da psicomotricidade. Isto é. a manufatura o revoluciona inteiramente e se apodera da força individual de trabalho em suas raízes. na medida em que vende sua força de trabalho. que se afirma no cenário econômico por volta do século XVI. desintegrando de vez a possibilidade de o trabalhador reconhecer na tarefa qualquer resquício de seu antigo ofício. no instrumento. como principal vantagem de seu negócio. o trabalho na manufatura começa a tomar. seguem o mesmo caminho. portanto. o próprio capitalista. individualizando todos os seus órgãos em trabalhadores especiais ou em grupos de trabalhos aplicados em suas funções específicas". a especificidade e a identidade do trabalhador. a exteriorização do objeto. cujo único objetivo é o salário que lhe permite uma ínfima margem de vida. mais empobrecido fica o segundo. (Marx. apropriado e Ponos – termo que indicava o trabalho não criativo. entre a produção humano-genérica e a participação consciente do indivíduo nessa produção" (Heller.Setembro 3013 . em princípio. Deforma o trabalhador monstruosamente. conforme Heller (1972). o fato de acumular riqueza no âmbito da circulação da mercadoria . em determinadas condições históricas. no capitalismo. de fato. ao inserir a força produtiva individual. Segundo Marx. torna-se ele. alienado. bem como seu próprio corpo. para melhor controlar seus bens e a produção. por definição. em geral. uma entidade representativa da média das habilidades e da capacidade produtiva dos trabalhadores individuais de um determinado ramo de atividade produtiva. Enquanto na cooperação primitiva a atividade social inclui um sentido pessoal. limitando sua consciência e existência ao plano imediato da cotidianidade. explicitamente vinculada ao mundo do trabalho. ou seja. 2001:404) Este é o sentido que toma a cooperação no capitalismo. fora do trabalho. temos que: (. energia. Fica posto. de suas relações com os outros homens e com a natureza. abstraindo da atividade qualquer sentido pessoal – de atividade para si. 1972:38). o estranhamento generalizado nestas instâncias. mais especificamente à classe trabalhadora. a saber. assumimos o compromisso de investir nossa competência técnica e política. algo do trabalho concreto e. Segundo esta autora. a cooperação implicou. Explicitamos o modo pelo qual. quanto mais consubstanciado o trabalhador coletivo.. pensamos nos encontrar diante de um dilema ético. vende a si próprio (corpo. Posto isto. restrita à cotidianidade. linearidade e constância de produção. deixamos claro o fato de que. mas sim a própria força de trabalho – o produto do trabalho agora lhe pertence de saída –. Uma vez que a tendência hegemônica é estabelecer um senso de naturalização destes estranhamentos. tornou-se ele. Sendo assim. impedindo que indivíduo e humanidade estabeleçam uma relação dialética consciente. a separação entre produto e produtor e deste com a totalidade de seu trabalho. quanto mais implicado na atividade social encontrava-se o trabalhador. mais especificamente. mais fragmentado o trabalhador individual. Não só o trabalho é dividido e suas diferentes frações são distribuídas entre os indivíduos. outorgou àquele que produz o seu antagônico. A história nos expõe que o trabalho do polo cooperado e criativo – Ergon –. Da mesma maneira. encontramo-nos. reverte-se o trabalho em atividade em si. algo da identidade do trabalhador individual ainda se mantinha preservada. como disse Marx (2004).XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual do. sujeito. dimensões estranhas a ele.compra por um preço e vende por um sobre preço. esta nova figura. a objetivação do trabalho no objeto. Paulatinamente. na medida da complexificação do processo capitalista. 1-144 . Se na cooperação primitiva. "[existe] alienação quando ocorre um abismo entre o desenvolvimento humano-genérico e as possibilidades de desenvolvimento dos indivíduos humanos. procuramos deixar evidente como se formam as relações vitais do homem. em seus estudos econômicos e filosóficos. o trabalho. o trabalhador coletivo. no cumprimento da atividade social. ele se encontra. então. ou seja. Deste modo. ainda se pudesse reconhecer na atividade material. o processo manufatureiro verticaliza o desenvolvimento de um tipo de trabalhador individual cuja habilidade é elevada à sua máxima potência. a divisão manufatureira do trabalho adquire sua forma clássica na medida em que. diante da alienação da vida cotidiana. de expandir a ideia de que a vida é. O trabalhador coletivo é. as formas de produção de sua existência. Se. 2001:415) Como se pode apreender do acima exposto. numa cadeia de operações concomitantes e complementares. para que os modos e as relações de produção da existência superem suas formas alienadas e alienantes. subsídios teórico-práticos. mais estranho às relações que estabelece com seus pares. que estrutura particular (sentido pessoal) engendra tais relações e como a estrutura da consciência se transforma com a estrutura da atividade humana. a vida lhe aparece só como meio de vida. [o] trabalhador coletivo passa a possuir então todas as qualidades produtivas no mesmo grau elevado de virtuosidade e as despende ao mesmo tempo de maneira mais econômica. mais fragmentada a relação que o mesmo estabelece com seus pares. Paulatinamente seus domínios se expandem. quanto mais a divisão do trabalho manufatureiro se intensifica. No capitalismo. a aglomerar os produtores isolados num único espaço físico. não modifica o modo de trabalhar do indivíduo. a forma de divisão calcada na separação entre o produtor e o produto do trabalho e entre atividade material (o trabalho propriamente dito – a produção da mercadoria) e atividade intelectual (planejamento da produção). refluindo em consciência para si mesmo. através da cooperação. lembrando aquela prática das religiões platinas onde se mata um animal apenas para tirar-lhe a pele ou o sebo. com a múltipla divisão da atividade em operações cada vez mais simplificadas. a divisão. polo oposto e complementar à cooperação primitiva. (Klein. Neste sentido. das mercadorias por eles produzidas. livre. portanto.

Leontiev. O capital: crítica à economia política. nº62. São Paulo. (15-42) xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . Curitiba. Marx. em nosso entendimento e pelo aqui exposto. Cadernos Cedes. N. Educar em Revista. Duarte. 1995. Marx. especial 2003. Rio de Janiero. Newton.: Moraes. Gilberto Luiz. igualitária. tão presentes e prementes na atualidade brasileira. vol. RJ: Paz e Terra. São Paulo. 1998. O desenvolvimento do psiquismo na vida cotidiana: aproximações entre a psicologia de Aléxis N. A produção da escola pública contemporânea. Lígia Márcia. Campinas. para que os anseios e esforços por uma sociedade justa. 1972. p. Rio de Janeiro. s/d. Leontiev e a Teoria da Vida Cotidiana de Agnes Heller. Manuscritos econômico-filosóficos. ed. Sociedade Bresileira De Psicomotricidade. consciência e alienação: o ser humano na psicologia de A. SP: Unicamp. Cadernos Cedes. Trabalho educação e linguagem. Karl. 1a. p. SP. vol. abril 2004. Klein. 2004.82-99. SP: Civilização Brasileira. 2001.pag. compartilhado com autores de diversas épocas. abril de2004.24. Campinas. João Henrique. 43-63. A natureza histórico-social da personalidade. A. Martins. p. Alexei N. -Tradução de Jesus Ranieri. Formação do indivíduo. enfatizamos a atualidade deste debate. Rosler. O desenvolvimento do psiquismo. O cotidiano e a história. nº 62.Trabalhos Científicos Leontiev. Karl. conscientemente. ao humano genérico e particularmente. PR: UFPR. Heller. crítica e criativa. nº62. possa se consubstanciar.Setembro 2013 . São Paulo. SP: Boitempo. para que o humano singular possa se reintegrar. Cadernos Cedes.24. Campinas. Campinas.100116. abril de 2004. acrescentando que a transformação de Ponos em Ergon é uma das tarefas fundantes. REFERÊNCIAS Alves. 24. Lígia Regina. vol. Anais do VI Congresso Brasileiro de Psicomotricidade e III Encontro de Profissionais de Psicomotricidade. Efetivamente. 1-144 45 .

coordenação de movimentos. conservando. autores como Dejours (1987). brincadeira. associando aos seus materiais e métodos. constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sociocultural dos adultos. às questões éticas e estéticas". INTRODUÇÃO O ambiente de trabalho vem apresentando complexas demandas e exigências. A Ergomotricidade tornou-se um canal. o que deve remeter. aquisição que amadurece a partir da prática de atividades psicomotoras de diferentes categorias. se maximizam exatamente porque há o desenvolvimento da consciência corporal. personalização e realização. atenção. CONCEITUAÇÃO E DESCRIÇÃO: A Ergomotricidade é "uma aplicação da psicomotricidade no campo da ergonomia". no gesto. não automatizado. vitais para a preparação para a vida. No ambiente laboral. no que se refere às competências. incluindo a criação de uma hipótese. quanto pela sustentação teórica e matriz epistemológica. na postura. esse treino de competências. pois "as percepções dependem dos conhecimentos anteriores do homem. Quando sugere que "o bebê se desmancha em pedaços a não ser que alguém o mantenha inteiro" demonstra que "o cuidado físico é o cuidado psicológico" e "a integração também é estimulada pelo cuidado ambiental". formam e reafirmam os vínculos. tanto nos aspectos físicos e cognitivos como sociais. equilíbrio. sua abordagem é holística. 46 Toda relação reedita histórias pessoais. da atividade de analise-síntese que realiza. Dessa forma. porém. ritmo. experimentou movimento. (1995).Setembro 3013 . deriva-se do grego ergon (trabalho) e nomos (normas. principalmente. assim como as atividades que estimulam a destreza. também. Abergo. também nesta relação há a presença dos vínculos. que aplicada à Ergonomia. organizacionais. pois existe um adulto que. Entende-se. que gera a emoção e vice-versa e a sensação. ata e une. 1996). leis). uma postura preventiva vem sendo adotada pelos profissionais que acompanham crianças e jovens. Por ele poderemos perceber que a psicomotricidade e a ergonomia apresentam interfaces e seus recursos e métodos utilizados para a observação das pessoas no espaço profissional (sócio técnico) assim como no ambiente escolar (psicopedagógico). o jogo interativo e as percepções/representação de papéis se concretizam. estabelecer ligações". Também é descrita como "o mecanismo de compreensão do homem de uma forma mais global na sua relação com o trabalho" (Couto. que são os objetivos da ergonomia. Considerando que tais competências são como molas propulsoras para a auto expressão e autoconfiança. sendo a integração e a harmonia o que faz o indivíduo estar bem consigo e com o mundo". outros. que já representa uma nova área dentro da Ciência da Motricidade Humana. Na prática terapêutica. espaço temporalidade. que "são regidos pelo princípio da identidade referencial para se estabelecerem na unidade. no corpo. portanto. pela possibilidade de atuação global sobre esse corpo em movimento. atividade interativa e representação. no tônus e na respiração". existindo "uma tendência biológica em direção à integração". a redução do desgaste físico e mental do trabalhador e a consequente diminuição de acidentes. Noulin (1996) e Lapagesse (1998) têm sustentado a necessidade da compreensão do homem. observando-o em suas três esferas: o pensamento. 1-144 . memória e imaginação. que cunhou o termo ergomotricidade. desenvolvendo pelo exercício. Na qualidade dessas experiências é que se possibilita. mas que esta é "algo a ser conquistado". o sentimento. que as competências necessárias para a boa execução de um trabalho dependem da preparação adequada ao longo da vida. a autonomia própria. que gera o movimento e vice-versa. Consciência corporal. 2012. Palavras-chave: Ergomotricidade.pag. preconizada pela psicomotricidade. essa inseparabilidade entre ser de uma maneira particular e como o mundo nos parece ser e nos diz que todo ato de conhecer faz surgir um mundo". regras. demonstrou que há uma incompletude dos processos primitivos de integração. que como esclarece Saboya. mas. na dependência do caráter objetivo. Trabalhos Científicos/Temas Livres . oportunizada pela prática psicomotora. De acordo com Lapagesse (1998). Refere Saboya (1995) que "O inconsciente se manifesta não só na palavra. quando criança. mundo este que vincula. tem importante valor. 2000). etc. Sendo assim. uma futura realização profissional. em sua importância para o desenvolvimento biopsicossocial humano. de uma forma mais global. a consciência do gesto. num diálogo tônico-emocional iniciado enquanto bebê e que se segue vida afora. respiração. através das experiências já tidas com o objetivo percebido. VÍNCULOS NO TRABALHO: 1. como por exemplo. que evolui com a idade e a capacidade intelectual. nas interações que estabelece desde cedo com os adultos e o mundo por eles criado. revendo seus conceitos principais. 2. Psicomotricidade. Na obra Human Nature. a brincadeira é uma das atividades humanas na qual a criança é introduzida. que nos possibilita fazer generalizações e nos permitem. que gera a palavra e vice-versa. as ciências cognitivas que têm como foco e objetivo estudar a capacidade mental e os seus processos de transformação. dentre as mais diversas atividades de imitação. na sua relação com o trabalho. Para Wajskop (1995) a criança desenvolve-se pela experiência social. tanto pela importância de seus métodos de pesquisa. "tem no elemento humano (organismo vivo) a preocupação central. onde as bases: esquema corporal.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Ergomotricidade: dialógica entre ergonomia e psicomotricidade formando vínculos no posto de trabalho Autor: Olga Oliveira Passos Ribeiro Instituição: ISERJ Resumo Este texto pretende apresentar a Ergomotricidade. A Ergonomia é vista como "a ciência do trabalho". a Ergomotricidade se ocupa em fazer a ponte entre dois polos aparentemente antagônicos: o que envolve o corpo do trabalho e o do corpo do lazer. evitar riscos à sua segurança e/ou danos corporais e facilitar o desempenho cognitivo e a interação social. Os vínculos em psicomotricidade religam-se às ideias de formação profissional. 3. Por orientarse para uma abordagem sistêmica de todos os aspectos da atividade humana. como uma nova abordagem aos problemas ocupacionais (Verthein & Minayo. Winnicott (1988). tanto para atividade técnica quanto trocas relacionais. oferecendo as bases para o desenvolvimento dessa nova abordagem. No contexto da concepção interativa entre homem e corpo. A Ergomotricidade torna-se relevante no espaço sócio-técnico. Maturana & Varela (1998) entendem que é nessa "circularidade. que remonta aos primórdios da psicomotricidade e da ergonomia. também. ambientais. São os conhecimentos oriundos da Psicomotricidade. gravadas através do sentir. esse encadeamento entre a ação e experiência. da instituição da profissão e de sua organização enquanto tal. tonicidade. onde possibilita a avaliação da natureza das atividades psicomotoras no trabalho e está estreitamente ligada ao meio da evolução do homem visando. sobretudo. Para Lovisaro (2013). se aplicam os jogos de regras com a experimentação de papéis sociais.

(2000). M. que ultrapassa a simples aplicação de alguma solução já conhecida. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em termos práticos. D.Setembro 2013 . de via dupla. desenvolvidos no próprio posto de trabalho. e esta preocupação é inerente na Ergomotricidade. Os profissionais da educação e da saúde quando desenvolvem olhar ergonômico.referida aos processos mentais. precisão e ritmo.et col. associadas a atitudes intelectuais como a representação espacial. cenário inclusivo que busca a totalidade do individuo em seu equilíbrio. 5. Lisboa: Faculdade de Motricidade humana. ed. também. S.Contribuições da Ergonomia e da Ergomotricidade nas estruturas de produtividade. Estes objetivos devem ser alcançados pela junção entre a Psicomotricidade e a Ergonomia" (Barreto.P. Acesso em: outubro de 2012. (. 05(01): 21-41. atuando para solucionar. Gisela. Maturana H. Disponível em: http:// www. Noulin. Ciências. "A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas. Couto. Lapagesse.relacionada com as características da anatomia humana.(1998) . projeto e a avaliação de tarefas. a capacitação do pessoal à sua gestão.Free Association Books. Motos Corporis. de modo a acomodar-se aos estímulos exteriores. tanto mais os operadores deverão estar aptos para tomar uma acertada decisão. (1996) . (1988) considerando "a complexidade das estruturas motoras. visando-se paralelamente a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e o aprimoramento da qualidade de produtos e serviços.) (Abergo.O manual técnico da máquina humana . produtos.Belo Horizonte . Ergonomia organizacional .Manguinhos.Rio de Janeiro: Trainel. Dejours.(1995) . (1998) . como afirma Iwanowicz in Bruhns (1989). ABRANGÊNCIA DA ERGOMOTRICIDADE Quanto mais complexo for um sistema onde o indivíduo estiver inserido.pag. Anais.C. mas sim o desenvolvimento participativo de encaminhamentos possíveis. e à aplicação de teorias. sincronização e perfeição de movimentos. Saboya. REFERÊNCIAS Abergo. pois um funcionário que esteja desatento ou um ambiente que esteja impróprio trará uma situação indesejável: a possibilidade de um erro. translação etc. o esforço. Ergonomia cognitiva . raciocínio e resposta motora conforme afetem as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. sobretudo nos processos de qualificação e requalificação de pessoas. São Paulo: Martins Fontes. normalmente acusado pelos trabalhadores.Editora Ergo Ltda. Neste contexto não é impossível ocorrer os erros humanos que terão sua origem nas falhas decorrentes dos processos de comunicação.45.J. tais são eles: Ergonomia física . princípios. antropológicos e relacionais que.volume 2. A Ergomotricidade possibilita. Verthein. um problema. London. por diversas vertentes. Winnicott. V. perceptivas e cognitivas postas em jogo pela situação de trabalho". 2012).abergo. que defendendo a ênfase no ser humano. vol.). Abergo. (1998) . não se esquecendo. possamos viver." E os profissionais que atuam nesta área intervêm em setores particulares da economia ou em domínios de aplicação específicos que podem se aperfeiçoar e/ou mudar conforme a intervenção. Papirus Editora. H. Bruhns. nos faz entender que terapeutas e seus propósitos representam personagens que transitam nas interfaces das disciplinas. Blumenau: Odorizzi. no sentido de se desenvolver a disponibilidade.D.J. incluindo suas estruturas organizacionais. (2002) .(1996) . cognitivas e perceptivas. M. assimilando uma atenção interiorizada centrada na percepção do esquema corporal".Ergonomia Aplicada ao Trabalho .out. F. Educação e Reeducação. dados e métodos a projetos. B.XII Congresso Brasileiro de Ergonomia. G. 3ª ed.br.Associação Brasileira de Ergonomia.A construção do sujeito doente em LER. "Os ergonomistas contribuem para o planejamento. FURB. (2012) . História.Trabalhos Científicos 4. .Human Nature . memória.& Varela. A. trabalhando na construção de um novo saber.(1988) . o profissional obterá resultados. H. (1988) . O brincar na educação infantil. utilizando o corpo como mediador permite abordar o ato motor humano com o intuito de favorecer a integração do sujeito consigo e com o mundo. Epistemologia da Motricidade Humana. tais como percepção..A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. de respiração.(1989) .concernente à otimização dos sistemas sóciotécnico. 1987. pela natureza de seus métodos e pela estrutura de conhecimento que mobiliza. Para tanto. relaxação (nível neuropsíquico) e mudança cognitiva. 1995. afirma que "é fácil compreender que todo aprendiz deve ter uma educação de sua psicomotricidade. São Paulo: Oboré.). entre as estruturas motoras. 1-144 47 . Campinas . Fonseca. (. observa fundamentalmente a atitude onde se põem em questão estruturas tais como: a destralidade. 1ª edição . Esta aptidão deve estar nas pessoas (formação e capacitação). por seu olhar.org. A. M. Saúde . F. a fim de aperfeiçoar formas de bem estar humano e desempenho global do sistema". fisiológicos.S. 2ª.Psicomotricidade.Psicomotricidade. a vigilância. com percepção das interfaces nas quais fez ponte. relaxamento (nível neuromuscular). . 1998). mas buscam entender a importância dos atos de pensamento destes na execução de suas tarefas. através do corpo.M. fisiologia e biomecânica em sua relação à atividade física (. & Minayo. não se contentam em somente adaptar o ambiente escolar e/ou o posto de trabalho às características humanas dos alunos e profissionais.Conversando sobre o Corpo. Ela irá constituir-se por um conjunto de conhecimentos psicológico.. Christophe. isto elimina o problema da faltas de tempo. Barreto. R. habilidades e limitações das pessoas.R. a perseverança. recebendo estímulos e atuando conforme as modificações que ocorram à sua volta. numa ótica puramente física.4 (2): 327 .. Muitos estudos já se voltam para a formação profissional.Ergonomie: action humanitaire ou politique dedéveloppement? In: Cunha. da empatia e do sentir interpessoal (vincular).. políticas e de processos. Vitor da Fonseca. São Paulo: Palas Athena.V. mas também atuar sobre todo o ser por meio de programas de alongamento. nos sistemas (aplicação da tecnologia) e nas interfaces entre uns e outros (fazer). imaginação.Bases psicomotoras: aspectos neuropsicomotores e relacionais no primeiro ano de vida . a atenção. não busca a aplicação de soluções prontas nem preconiza orientações absolutas. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres .S. postos de trabalho. Wajskop. tão necessário neste mundo em sobressalto pela constante introdução de novas tecnologias. A loucura do Trabalho: Estudo de Psicopatologia do Trabalho. Esta complexidade de estruturas nos mostra que não serão apenas simples executantes de atos mecânicos. A "Ergomotricidade visa não só compensar vícios posturais através de exercícios compensatórios.. ambientes e sistemas de modo a tornálos compatíveis com as necessidades. jul. São Paulo: Cortez. Entretanto é preciso reconhecer que corremos o risco. mas interagirão com o meio. a Ergomotricidade. de perder o contato com aquilo que sensorialmente. Reconhecer que a abordagem transdisciplinar ocupa papel principal na visão da nova ciência.. antropometria.

com a finalidade de colocar previamente cada pessoa e todos da equipe ou grupo de trabalho bem preparados para o exercício do labor diário. Se no passado o corpo oscilou alternativamente entre matéria e psique. podendo ser modificada durante o projeto.O. que é o conjunto de práticas de exercícios físicos realizados no ambiente de trabalho (donde o qualificativo laboral).Setembro 3013 . Psicológicos . Com isso.Reforça a auto-estima de cada colaborador e sua capacidade de concentração no trabalho.Melhora a mobilidade e flexibilidade músculo articular. Além desta pesquisa o projeto pretende possibilitar essas pessoas fazerem contato com seu próprio ritmo.Mostra a preocupação da empresa com seus funcionários e a valorização da saúde corporativa como um todo. Palavras-chaves: Psicomotricidade. desenvolverem sua expressão corporal e se conscientizarem que possuem não só um corpo. Com estas características todos os dados colhidos do perfil de saúde dos funcionários serve de "mapa de referência" para a criação das estratégias de trabalho. hoje. mas um sujeito com história de vida. Usualmente baseia-se em técnicas de alongamento. Este projeto foi fonte de estudo e pesquisa científica para um artigo que seria publicado por nós num Curso de Pós Graduação em Exercício Físico como Terapêutica na Clínica Médica da UNIFESP. 3. Trabalho. 2. . Questionário Investigativo sobre Qualidade de Vida .S. Como Benefícios essa Ginástica Laboral apresenta os: Fisiológicos . Hábitos Alimentares. 1-144 .Desperta o surgimento de novas lideranças e o sentido de grupo/equipe/time. Uma adaptação dos 5S. .Promove maior produtividade com menor desgaste físico e redução da sensação de fadiga no final da jornada. MÉTODOS Qualitativo-descritivo: consiste em investigações de pesquisas empíricas cuja principal finalidade é o delineamento ou análise das características de fatos ou fenômenos. que pode ser um fisioterapeuta ou educador físico. postura e a condição do estado de saúde geral. cada proposta de exercício é aplicada inicialmente como teste. Através da coleta destas informações criamos informativos específicos para orientações posturais. geram melhorias no aspecto "Qualidade de Vida no Trabalho" em funcionários de 9 (nove) unidades de negócios do Grupo Velasco (cerca de 100 pessoas de ambos sexos. Lazer e Diversão e Inserção Social e Medidas Antropométricas Trabalhos Científicos/Temas Livres . Bem Estar Pessoal. diante das necessidades e dificuldades apresentadas na execução dos mesmos. sendo. . A Psicomotricidade nesse projeto veio enriquecer uma proposta física. relatos.o Desafio 7S.Provoca o aumento da circulação sangüínea. O nosso projeto psicomotor visa um trabalho em ERGOPSICOMOTRICIDADE.Diminui as inflamações e traumas. Serviços. funcionais e tudo o que agregar conhecimento e informação ao bom andamento do projeto. ele vem sendo mais compreendido e reestudado em toda sua complexidade. MATERIAIS Termo de Consentimento Livre e Esclarecido com preenchimento orientado e assinado por cada funcionário antes de qualquer coleta e intervenção. prevenindo LER e DORTs. ergonomia do ambiente de trabalho. . que exercem funções operacionais. . passando pelo tronco. Hoje a prática rotineira no mundo corporativo é o da Ginástica Laboral . que objetiva analisar se intervenções e orientações nas áreas de atividade física. avaliação de programas ou o isolamento de variáveis principais ou chave. promovendo integração social e relacionamentos saudáveis. JUSTIFICATIVA A saúde do trabalhador é uma preocupação importante no mundo corporativo. com vínculos emocionais individuais e coletivos que deixaram no grupo de empresas um exemplo de ineditismo nessa área da ciência. Isso sendo desenvolvido através também de musicalidade de algumas das atividades (conforme o que descrevemos no item Procedimentos. a tensão muscular desnecessária. 4. contribuindo para a educação física no sentido de dar outro sentido ao movimento humano. o contato pessoal e os relacionamentos nos grupos de pessoas. encontrando objetivos pessoais e profissionais em seu dia a dia. emoções e sentimentos. 48 Social . PARTICIPANTES De forma convidativa. Nele cada trabalhador é conscientizado da importância do movimento. Atividades Físicas. funcionários (menor aprendiz. sem obrigação formal. valoriza a expressão e o ritmo pessoal e enriquece sua produtividade com motivação diária. de ordinário. na faixa etária de dezesseis a sessenta anos). numa versão brasileira dos sensos: Saudação. celetista e prestador de serviço autônomo) de 6 (seis) unidades de negócios do Grupo Velasco (cerca de 100 pessoas de ambos sexos na faixa etária de dezesseis a sessenta anos). Experimentaal: Consiste em investigações de pesquisas empíricas cujo objetivo principal é o teste de hipóteses que dizem respeito às relações do tipo causa-efeito. graças aos contributos de múltiplas ciências. melhorando a oxigenação dos músculos e tendões.pag. A ciência psicomotora vem se posicionando também nessa área de forma bastante significativa. Sabedoria e Superação. adaptado com itens e questões a respeito de Dados Pessoais. Sono e Repouso. Separação. Os vínculos criados entre empresa e funcionários são reais e o ambiente geral torna-se convidativo a praticar-se um novo programa de qualidade . Ginástica. orientada ou supervisionada por um especialista no assunto ou por alguém (do grupo) treinado.Conceito Biopsicossocial (AQV-BPS). . realizadas no ambiente de trabalho. estagiário.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Ergopsicomotricidade: vínculos no trabalho Autor: Cacilda Gonçalves Velasco Instituição: Associação Vem Ser Resumo Um projeto de intervenção psicomotora em ambiente corporativo que utiliza-se da parceria da Educação Física e da Música. diminuindo o acúmulo do ácido lático. Entende-se por ginástica a atividade que coloca o corpo em movimento.Ser Ocupado Saudável. que chamamos de S. dos membros. administrativas e gerenciais. . a seguir).Facilita a adaptação ao posto de trabalho. Dela dependerá a produtividade de cada funcionário e com certeza o conjunto de pessoas envolvidas no processo de qualidade tem nisso o foco das políticas de benefícios das empresas. à cabeça.Favorece a mudança da rotina. depoimentos e queixas específicas de cada setor. Exploratório: Consiste em observação pontual junto a cada funcionário em relação à postura. Socialização. Satisfação. já que nele encontrar-se a descrição pessoal de cada pessoa envolvida. enriquecendo propostas corporais de Ginástica Laboral. 1. postura e saúde. distribuídas pelas várias partes do corpo. o esforço na execução das tarefas diárias e o risco de acidentes no trabalho.

Conclusão do projeto e a implantação definitiva do Programa S. depoimentos e observações rotineiras durante a execução do projeto. Superação Ser melhor a cada dia. Satisfação Cumprir seu dever correspondendo às expectativas e exigências do setor e da empresa. Socialização Estar com e para o outro. Desejar o sucesso do outro e colaborar para isso. seja ele cliente interno ou externo. Remover dificuldades. afastamentos e motivos de faltas. criando um instrumento de referência na condução de cada passo necessário à conclusão do mesmo. através da freqüência e dificuldades individuais. urgências e emergências no trabalho diário. assim como não levar problemáticas empresariais para o lar. Superar as expectativas dos líderes e colaboradores. Auxiliar colegas de trabalho a produzirem suas tarefas com responsabilidade. limitações). 5. serviços e atitudes. Promover a socialização de conhecimentos. postura e hábitos na rotina do ambiente de trabalho. 8. reciclandose junto a sua equipe de trabalho na conquista de melhores resultados e praticidade em suas tarefas e responsabilidades. Fazer com que o Conhecimento seja um desafio diário em suas rotinas. Estes materiais são construídos a partir dos dados da coleta inicial junto aos funcionários. criando instrumentos de documentação de cada sessão: elaboração de plano de ação com o descritivo das atividades (individuais e grupais). Ser útil aos demais setores da empresa. Orientações e intervenções nas áreas de atividade física.S. o útil do desnecessário nos recursos. da UNIFESP. introduzindo mais dois sensos. pelo resultado de seu trabalho. mas as chefias e gerencias facilitaram essa pratica. pasta de relatórios. jornada de trabalho. CRONOGRAMA Mês a mês foi planejado e determinado cada uma das seguintes fases: Criação de formulários e Coleta de dados. pasta de relatórios.Setembro 2013 . Para aumentar à adesão a empresa. 6. o bom do ruim. na esfera individual e coletiva. fichas de exercícios. Englobou-se a organização de atividades físicas e de intervenções pontuais em cada setor. Vencer obstáculos e desafios encontrados. Não trazer problemas pessoais para a empresa. analisando-se as características do setor. A avaliação dos resultados foi registrada na administração dos procedimentos elaborados. reconhecer e felicitar o sucesso do outro. como pessoa e como profissional. de alongamentos. Construção do calendário de atividades com horários e setores para cada empresa. desempenho e produtividade. mudanças ocorridas e os ajustes necessários para a continuidade do projeto. Respeitar. Reconhecer erros e reparar prejuízos. Oferecer idéias na solução de problemas. no compromisso diário das tarefas. para registro no Comitê de Ética em Pesquisa. PLANO DE ANÁLISE É realizada a análise qualitativa dos dados coletados nos questionários e sobre as medidas antropométricas foi utilizado o Protocolo de Pollock. exercícios aeróbios e anaeróbios. multiplicando a eficiência e eficácia de todos. Sabedoria Buscar conhecimento e aperfeiçoamento constante. como organização. no registro de desempenho de cada colaborador. Prometer e cumprir metas e prazos. Nesse momento concretiza-se o Projeto Psicomotor em Ergonomia nesse grupo de empresas. Hoje temos nas empresas os 7 sensos adaptados a uma versão brasileira: Saudação Dar atenção e escuta ao outro. cortando gastos inúteis. sendo avaliados os resultados alcançados. Tabulação dos dados e Planejamento das orientações e intervenções nas áreas de atividade física. praticando os preceitos de cada senso. Apresentar-se com higiene e zelo diariamente e saudar com alegria e disposição o ambiente e as pessoas que nos cercam. onde o RH e a Saúde Ocupacional apresentando os índices de acidentes de trabalhos e horário de maior prevalência a produção individual e setorial. participando e se unindo aos demais colaboradores. uma individual e a outra grupal.Trabalhos Científicos Fichas de Intervenções e orientações nas áreas de atividade física. planejamento e calendário de atividades. 7. com orientações ergonômicas e posturais. assim como junto ao planejamento de exercícios em cada setor/empresa. Abolir a preguiça e o ócio no ambiente corporativo. 49 . RESULTADOS O interesse de cada funcionário foi manifesto a cada atividade e surgiu a necessidade de se ampliar o Programa de Qualidade que o grupo de empresas já possuía (Cinco S). Construção das atividades conforme os perfis traçados: para cada grupo com perfil identificado elaborando-se atividades que atendessem as demandas necessárias. sendo que estas atividades são aplicadas semanalmente. PROCEDIMENTOS Há um plano de ação que foi a redação do projeto com todas as suas especificidades. uma no próprio setor e outra em pequenos grupos. informações e orientações. Fornecer melhores resultados. Para isso se processou a organização de horários. Se fazer notar. Contagiar as pessoas que estão ao seu redor com sentimento de prazer e humildade. Anular desânimo e pensamentos negativos de si e do ambiente ao seu redor. que complementavam os objetivos desse projeto SOS. duas vezes na semana.O. quando os funcionários de todos os cargos participarem ativamente e perceberem os benefícios. documentações e elaboração da avaliação final do projeto. A meta dessa fase e criar estratégias para a manutenção e adesão de mais funcionários. medidas (peso. Serviços Realizar sua função com qualidade e capricho. se importando com o bom andamento geral e sistêmico da organização. Tabulação de dados e análise do registro de resultados. textos de reflexão. para que sejam personalizados e específicos às necessidades de cada um e de cada setor. textos de reflexão e ficha avaliativa respondida pelo funcionário do decorrer do projeto. Nova coleta de dados através da reaplicação do questionário aos funcionários. 1-144 Define-se locais e elenco de propostas corporais variadas. Suprimir abusos e desperdícios. Oficialização do projeto com os respectivos registros e pareceres dos Órgãos e dos orientadores credenciados: através de modelo oficial modular o projeto levando-o à avaliação de profissionais credenciados e experientes. no meio acadêmico e científico. construindo o perfil de referência para cada atividade planejada. motivando os funcionários e servindo de exemplo. através da aplicação dos dois questionários junto com dados oferecidos pelo setor DHO. Separação Distinguir o bem do mal. tipos de uniformes e equipamentos no trabalho. Ter educação e valores morais para com as pessoas e o ambiente de trabalho. Nessa fase se processou a coleta de dados dos funcionários (assim que tivesse assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) e documentou-se todas as informações a respeito de função. Trabalhos Científicos/Temas Livres . O registro desses resultados ficam sendo documentados criteriosamente. postura e saúde. postura e saúde de acordo com os dados coletados nos questionários. Foi então criado o DESAFIO 7S. funções desempenhadas. materiais. altura) e foco de atuação de cada setor. orientações alimentares e posturais e ficha avaliativa. Aplicação do material investigativo criado na coleta dos dados necessários: teve como propósito reunir todos os dados colhidos junto a cada funcionário e também ao setor DHO das empresas. de forma espontânea e continua. em busca de expressão corporal. já realizando-se as orientações posturais e preventivas que deveriam ser realizadas. não obrigou seus subordinados a praticarem as atividades do programa. utilizando-se de musicalidade.pag. Isso ocorrerá com a análise da atitude dos indivíduos frente ao programa. Separar e classificar prioridades. queixas principais (dores. O questionário investigativo sobre Qualidade de Vida é respondido no início e no final do período de intervenção e orientação com o objetivo de verificar se houve ou não benefícios após as propostas.

no cuidado com o próprio corpo. para todos. O peito aperta quando o orgulho escraviza. Novo Dicionário AURÉLIO da Língua Portuguesa. onde.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual 9. 1-144 . A. A pressão sobe quando o medo aprisiona. com quem. Escolha alguém que possa lhe ajudar a organizar as idéias. E. Editora Positivo. quando soubermos SAUDAR a vida que recebemos a cada dia. 3a. O corpo engorda quando a insatisfação aperta. tudo depende principalmente. O diabetes invade quando a solidão dói.pag. B. escolha o que falar. Protocolos para testes de avaliação antropométrica percentual de gordura através de medidas de dobras cutâneas.br/protocolos1. REFERÊNCIAS Arellano.wikipedia. com a postura. com suas queixas e dores. sabendo SEPARAR o bem do mal e fazendo dos nossos SERVIÇOS diários motivo de SATISFAÇÃO e SOCIALIZAÇÃO.cdof. de qualquer forma.. Avaliação dos programas de qualidade de vida no trabalho análise crítica das práticas das organizações premiadas no Brasil.htm> 10. O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável. Segue um dos textos reflexivos que trabalhamos em uma das atividades: O resfriado escorre quando o corpo não chora.com. VINCULOS CRIADOS A cada atividade ganhávamos mais adeptos e o clima organizacional foi se modificando surgindo mais motivação e união entre os funcionários. São Paulo. de H. liderança e direção. 2004 http://pt. harmonizar as sensações e recuperar a alegria.org/wiki/ginastica_laboral Pollock e col. 2008 xxx 50 Trabalhos Científicos/Temas Livres . Edição revista e atualizada. Tese de Doutorado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. quando e como!!! Crianças é que contam tudo. No entanto. A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade E as suas dores caladas? Como elas falam no teu corpo? Mas cuidado. para fazer acontecer as mudanças da nossa vida!!! "Só seremos capazes de nos SUPERAR.. São Paulo. O estômago arde quando as raivas não conseguem sair. Ficou visivelmente presente a satisfação de todos os participantes e até surgiram outros interesses entre alguns na conscientização corporal. Todos precisam saudavelmente de um ouvinte interessado. B. do nosso esforço pessoal. a qualquer hora. A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições. As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.Setembro 3013 . compartilhando SABEDORIA recebida a todos que nos cercam!" Ferreira. As neuroses paralisam quando a "a criança interna" tiraniza. com a saúde. A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam. Acessado em 10/ 06/2010 <http://www.

enfermeiras e assistentes sociais. fonoaudiólogos. as crianças. Define como princípio um conjunto de estratégias de ação direcionadas ao desenvolvimento psicomotor. projetos e atividades que possibilitam o cuidado. realizam-se ações psicomotoras com crianças desnutridas. fisioterapeutas. a conscientização corporal. quando é promovida a participação durante o atendimento e o tratamento da criança. mas foi transformada em uma sala de acolhida. além do desenvolvimento físico. interpessoal. Inicia-se pelo setor de acolhimento. controle do sobrepeso ou obesidade da criança e do adolescente e as competências familiares. A finalidade da Instituição é promover a saúde da criança e do adolescente e assistência social e educacional às famílias. em face do desenvolvimento físico. pais e/ou familiares usam brinquedos e brincadeiras. Essa atitude se prende à convicção de que a recepção de um serviço de saúde deve ser entendida como um espaço no qual ocorrem o reconhecimento das necessidades e expectativas do usuário por meio da investigação. 1.2 Psicomotricidade A psicomotricidade amplia o atendimento às crianças desnutridas. terapeutas ocupacionais. agindo por meio do corpo. pais e/ou familiares usam brinquedos e brincadeiras. 2007). Possui um ambulatório conveniado ao SUS. com intuito de promover o seu desenvolvimento por meio de práticas de cuidados. com a finalidade de estabelecer "rapport". Interdisciplinaridade. o psicomotricista. para estimular o desenvolvimento neuropsicomotor. a Instituição inicia o atendimento pelo setor de acolhimento. condições de funcionamento às atividades psicomotoras. a melhoria das relações familiares e sociais. além da competência individual. As famílias participam de cursos de profissionalização nas áreas de culinária. Palavras-chave: Psicomotricidade. em Fortaleza. A psicomotricidade. emocional e social de si e das outras crianças. atualmente. grupais e profissionais. o IPREDE vem ampliando suas ações em prol do desenvolvimento da primeira infância por conceber a criança como ser biopsicossocial. compreende o individuo como ser integrado e holístico. O IPREDE vem promovendo profundas reformas estruturais e organizacionais na perspectiva de garantir a legitimação de uma política social ao se dedicar à tarefa de expandir suas ações num horizonte transdisciplinar de compromissos. com vista à estruturação e redimensionamento dos vínculos familiares e institucionais. das crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade e suas respectivas famílias. a conscientização corporal. inter e transdisciplinaridade são realizadas no Instituto da Primeira Infância (IPREDE). em experiências que podem ser utilizadas para construir de modo singular o seu mundo e suas inter-relações. as crianças. expressos com detalhes no livro Psicomotricidade: integração pais. sensorial. a responsabilidade e a cidadania e. bem como melhorar suas relações familiares e sociais. dentre outras. Nessa relação. local em que realiza atividades de ensino e treinamento aos alunos de graduação na área de saúde de várias universidades e instituições de educação superior. dos adolescentes e suas famílias. com uma pauta de programas. o adolescente. do movimento e do jogo.pag. mediante a nutrição infantil. de modo a favorecer o autoconhecimento. interpessoais. como ciência. A organização conta com uma equipe multidisciplinar constituída por médicos. e aos pais das crianças atendidas na Instituição. crianças e adolescentes sobrepesos e obesos e os respectivos pais com o objetivo de estimular o desenvolvimento neuropsicomotor. os fatos e situações que lhes são estranhos e inesperados. 2. Antes. educativas psicomotoras ou terapêuticas. momento em que se trabalha as relações de vínculos. As ações focam o desenvolvimento integral. local onde se inicia o primeiro encontro com o psicomotricista. 2001). nutricionistas. 1-144 convênio com o Departamento Materno Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará/UFC. independente da classe social a que pertence e da sua vulnerabilidade.Trabalhos Científicos A pluralidade dos vínculos em psicomotricidade: multi. emocional e social de si e das suas crianças. psicólogos. psicoafetivo da criança e das competências familiares. Winnicott (1982) coloca que a brincadeira da criança com outra pessoa expressa uma vivência terapêutica na qual adquire experiência interna e externa para o desenvolvimento melhor de sua personalidade. INTRODUÇÃO Falar de pluralidade dos vínculos em psicomotricidade pode-se caracterizar por uma multiplicidade de ações e como exemplo. 51 . Constata-se que nessa relação afetiva. Desde 2012. beleza e artesanato.Setembro 2013 . a elevação da autoestima e melhor qualidade de vida. criança e escola (Campos.Ceará. Trabalha a criança. que trabalha com a psicomotricidade desde 2007.1. todos atuam nas diversas ações propostas mediante programas e projetos. por intermédio do brincar. Adotam-se os princípios psicomotores. pedagogos. O IPREDE é uma organização não governamental (ONG) fundada em 1986. o local era uma sala de espera para todos os atendimentos. Nesses cursos. afetividades e os processos cognitivos no tempo e espaço. o trabalho com psicomotricidade possibilita realizar vivências de integração e conscientização dos grupos com foco nas competências individuais. A psicomotricidade no IPREDE prioriza a primeira infância para atender crianças desnutridas de zero a seis anos e crianças sobrepeso ou obesas de zero a 12 anos. existe mobiliário apropriado e brinquedos variados. Acolhimento Em sua pluralidade de vínculos. educação e a emancipação das crianças. reconhecida como referência nacional no tratamento da desnutrição infantil e. de maneira lúdica e harmoniosa para estruturar e fortalecer os vínculos. Para tanto. explicitamos as ações proativas desenvolvidas no Instituto da Primeira Infância (IPREDE). Realizam-se ações de psicomotricidade nos atendimentos para as mães/pais com vistas ao fortalecimento dos vínculos. da relação afetiva. relação de aceitação incondicional aos pacientes e suas famílias com vistas a minimizar os medos e receios pessoais e grupais. sobrepeso e obesas. SETOR DE ACOLHIMENTO E SETOR DE PSICOMOTRICIDADE 2. nas funções mentais inadequadas ou imaturas. Vínculos. além do corpo técnico em atividades meio. 2. a criança transforma com ludicidade e criatividade. quando o psicomotricista. com foco no estado nutricional e inclusão social. psicomotricistas. em Trabalhos Científicos/Temas Livres . a relação afetiva intra e interpessoal. visando à expressão do psiquismo. respeitando a maneira de ser da criança no seu mundo. cujos pressupostos enfatizam a importância de respeitar as crianças em sua sensorialidade e emocionalidade. Na sala de acolhimento. para estruturar e fortalecer os vínculos entre os funcionários e deles com as famílias atendidas na instituição. de maneira lúdica e harmoniosa. além de fomentar projetos de pesquisas e curso de pós-graduação na modalidade de Especialização em Psicomotricidade Clinica. podendo ser desdobrado na comunidade de origem das famílias. da competência individual. isto é. inter e transdisciplinaridade Autor: Dayse Campos de Sousa Instituição: Instituto da Primeira Infância (IPREDE) Resumo Este estudo sobre psicomotricidade demonstra como a multi. elaboração e negociação dos "casos" a serem atendidos (Teixeira. O vínculo entre as pessoas que acolhem e as que são acolhidas delineia-se quando é estimulada a autonomia. o adulto e suas famílias de modo proativo.

É comunicado que não é permitido quebrar e nem estragar propositalmente qualquer objeto ou brinquedo. Não é permitido bater. ambas com espaço suficiente para jogos livres. As vivências estimulam também o desenvolvimento da linguagem. São usados materiais diversos como recursos intermediários e facilitadores à construção das relações entre as crianças e o psicomotricista. Importante salientar que o principal objeto que se dispõe "é o corpo do psicomotricista". etc. tintas. a interrelação como sujeito de sua ação. As crianças são selecionadas para as salas de psicomotricidade de acordo com a faixa etária. linguagem. entram e sentam-se em círculo. a estruturação no tempo e espaço. da personalidade e do comportamento social. o objetivo do estímulo psicomotor é transformar o cérebro num órgão com maior capacidade para captar. com os outros e com os objetos. Convém lembrar que a criança vê o adulto como modelo e sente nele segurança pelo olhar ou pelo próprio corpo e logo se apega ao adulto (pulsión de apego. armazenar. almofadas. Wallon (1977) afirma que o movimento não se constitui apenas por um deslocamento da criança no espaço. devido à ausência do diálogo tônico-cinético nas relações afetivas primárias e à falta de estímulos do meio. visando.fenômenos cada vez mais complexos. Ressalta. necessidade de ir ao banheiro. A partir dessa compreensão. de modo que vivencie as noções essenciais e básicas dos fatores psicomotores que permitem analisar. Esses. integrar. por via de consequência ajudam a desenvolver as habilidades mentais. mas expressa uma relação afetiva muito estreita com o mundo. durante a idade adulta. Os bonecos. inicia-se a vivência psicomotora do grupo. consequentemente. Para Fonseca (2004).XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual 3 ATENDIMENTOS ESPECÍFICOS ÀS CRIANÇAS DESNUTRIDAS. controle sobre o corpo. Por intermédio da relação estabelecida com o meio. são os procedimentos psicomotores dinamizados pela equipe interdisciplinar no IPREDE. O desenvolvimento. argila. mediante sensações proprioceptivas e adquirem segurança pelos movimentos e deslocamentos. evitando quedas ou situações que podem machucar. por conseguinte. o psicomotricista estabelece uma relação afetiva num brincar com significados. em consequência. ii) estimular a estruturação e redimensionamento dos fatores psicomotores. as atividades individuais e de grupo são organizadas com materiais e instrumentos adequados à idade para que se possa conter a atenção da criança por certo tempo. em face da aquisição de símbolos e formas de comunicação que expressam ideias e sentimentos alicerçados em valores e normas de convivência. Nesse momento. incluindo o falar e o andar. organizar e estruturar qualquer ação e qualquer percepção.1. diminuição da altura e da capacidade produtiva. os objetos e brinquedos devem ser atitudes constantes. 1-144 . situação que desencadeia o comportamento apático. atendendo às crianças em situações de choro. os ritmos e conquistas do desenvolvimento holístico ficam aquém de suas potencialidades. 3. Ademais se ocupa da criança desde o nascimento de forma proativa uma vez que estimula o 3. familiares e do IPREDE. iii) fortalecer a tomada de consciência corporal. O material intermediário é colocado na sala conforme os objetivos e as ações a serem vivenciadas em cada sessão. são materiais complementares. pensamentos. sociais e físicas. Durante as sessões psicomotoras. falta de desejo de explorar o meio. social e afetivo no contexto das relações sociais. à otimização e à maximização do potencial de aprendizagem da criança. Psicomotricidade com crianças desnutridas As intervenções e ações de atendimento às crianças desnutridas. ainda. pulsión de domínio) para depois entrar no espaço e na relação com os objetos. Melhorar a atenção na primeira infância significa oferecer maiores oportunidades de sobrevivência. O ato de brincar tem mais significado quando experienciado nas ações. até à morte.pag. Toda criança precisa interagir com outras pessoas. A desnutrição na infância compromete de forma severa o crescimento linear da criança. 1995). Zelar a sala. Deve-se cuidar e respeitar o corpo do outro.Setembro 3013 . tecidos. o desenvolvimento neuropsicomotor. as crianças se encontram na sala de acolhimento. Baseados nestes pressupostos. as crianças têm necessidades de serem conduzidas e instigadas em pesquisas intra e interpessoais para evitar a dispersão estéril. bambolê. elaborar e expressar informação. As atividades de crescimento. A base teórica se fundamenta nos pressupostos da estruturação e organização dos fatores psicomotores com vista a estimular o desenvolvimento neuropsicomotor e as relações sociais e familiares. Para Lapierre (2000). aumento na incidência e severidade de enfermidades infecciosas. Os primeiros anos de vida do ser é um período crucial e determinante para o desenvolvimento da inteligência. como via de acesso a autonomia e adaptação ao meio familiar e social e iv) fomentar o desenvolvimento dos domínios afetivo. prevenindo as dificuldade do desenvolvimento e da aprendizagem. expressas por meio de funções de equilíbrio e desequilíbrio individual. materiais afetivos e os colchonetes. As de um a três anos ficam em uma sala e as de quatro anos ou mais vão para outra sala. cognitivo e motor. Os materiais dinâmicos mais utilizados são: bola. empurrar. por conseguinte. mediante vivências corporais. 52 Trabalhos Científicos/Temas Livres . em face da implementação de práticas educativas e terapêuticas em psicomotricidade. dentre outros da mesma natureza. a criança desnutrida sofre também com a negligência afetiva. São informadas as normas atitudinais e que os brinquedos estão ao alcance de todos e podem ser usados à vontade. deve ser compreendido como um sistema de humanização no qual as pessoas se tornam dignas e inteligentes. tais como: movimentos. ursos. porém o desenvolver não depende só da maturação dos processos orgânicos. Antes da sessão em grupo. Além do psicomotricista. É nessa perspectiva que a psicomotricidade facilita a estimulação. quando são convidadas para ir à sala de psicomotricidade. espontâneos e/ou dirigidos. emoções e de adaptação social mediante a relação com outras pessoas e com as regras sociais . O momento mais relevante é quando o psicomotricista estabelece as regras do jogo e faz um contrato com o grupo. espaguete. causando emagrecimento. As sessões têm a duração de 50 minutos. O psicomotricista inicia seu contato explicando como vai transcorrer a sessão. corda.1. levando.1 Metodologia do atendimento às crianças desnutridas A estratégia metodológica se arrima na concepção proativa e segue as diretrizes dos procedimentos educativo e terapêutico em grupo. se concretizam nos seguintes objetivos: i) fomentar. com repercussões positivas para a vida da criança e da sociedade. morder e chutar o colega. dos afetos. que os intercâmbios têm uma influência determinante na orientação do temperamento e da personalidade e por meio dessas relações com as outras pessoas o "ser" se descobre e a personalidade se constrói pouco a pouco. de crescimento e desenvolvimento humano. deixa bem claro que durante as brincadeiras cada criança e demais pessoas do grupo deve cuidar do próprio corpo. mas do intercâmbio com o outro que é de maior relevância na primeira infância. Le Boulch (1984) salienta que a criança desde o nascimento apresenta potencialidades para desenvolver-se. nem somente pela contração muscular. portanto. A criança deve colocar em prática suas ideias por meio de ações concretas para que as decisões e os resultados inspirem segurança (UNICEF. SOBREPESO E OBESAS E AOS RESPONSÁVEIS PELAS CRIANÇAS desenvolvimento com o apoio de jogos e brincadeiras. caixas de papelão. em muitos casos. no IPREDE. concebe o individuo como ser integrado e holístico. A psicomotricidade é uma ciência. as crianças se inserem em ações prazerosas. pois as ações cotidianas socioafetivas se aprendem fazendo e sendo mediadas. uma auxiliar técnica participa das sessões para dar apoio necessário durante as vivências. Trata-se da primeira forma de expressão emocional e de comportamento. Além da carência nutritiva que impõe déficit energético-protéico interferente na regulação tônica necessária à mobilidade. a inteligência se edificará. retardo no desenvolvimento psicomotor. Essas proposições sobre o desenvolvimento na primeira infância se destacam no IPREDE em face da convicção de que as crianças desnutridas são impedidas de alcançar plenamente o seu desenvolvimento potencial e. O desenvolvimento infantil pode ser definido como um processo de aquisição de múltiplas linguagens e habilidades. usando material intermediário.

Sentir o próprio corpo em contato com o do outro. 3. sua lateralização e direcionalidade e a planificação práxica. seguindo os mesmos critérios adotados no atendimento às crianças desnutridas. na perspectiva de atendimento às crianças de zero a 12 anos. 3. as crianças expressam sentimentos. cada criança é única. A atuação psicomotora. que atua e que busca o que acha que está faltando.2.estimular a reestruturação dos fatores psicomotores. motivo que deve ser priorizado por meio de prevenção e/ou tratamento. de um meio psicossocial diferente. os profissionais da saúde. os grandes conflitos. visa privilegiar a compreensão e aceitação do próprio corpo. a criança ou adolescente toma conhecimento do próprio corpo. além da noção do corpo. Evidenciou-se que nem todas as crianças exploravam os espaços. Os processos cognitivos e intelectuais também dependem das experiências emocionais precoces. boa tonicidade pelo manuseio dos objetos e início da estruturação do esquema corporal. psiquiátrico. a autonomia e adaptação ao meio familiar e social e iv) . uma vez que se tornam mais comunicativos e demonstram a possibilidade de explorar.1 Metodologia do atendimento às crianças e adolescentes sobrepesos e obesos A estratégia metodológica do projeto de atendimento com as crianças e adolescentes sobrepesos e obesos ocorre de acordo com os procedimentos terapêuticos em grupo investindo na reestruturação da imagem e esquema corporal e nas relações sociais e familiares. a necessidade de estar sempre investindo na psicomotricidade. bem como com fatores socioculturais. As teorias psicológicas em especial a psicanalítica confirmam essas suposições. Observam-se. Concebida. Podem apresentar também alterações posturais em virtude da ação mecânica desempenhada pelo excesso de massa corporal e o aumento das peculiaridades mecânicas regionais. 1-144 qualidade de vida que podem ocorrer desde a primeira infância e persistindo na vida adulta. sobrepeso e obesidade no Estado do Ceará. visto que vem de famílias diferentes. também. Atualmente. No adolescente. Os comportamentos. com adolescentes sobrepesos e obesos. elas passam a apresentar um equilíbrio adequado para a idade. prazer. ii) .revigorar o desenvolvimento afetivo. Buscam também. Ressalta-se. substituição das refeições por lanches mal balanceados. angústias. Constatou-se que as crianças submetidas aos atendimentos psicomotores vão evoluindo durante o processo sem bloqueios. enquanto componentes essenciais e globais da aprendizagem e do ato mental concomitante. respeitam o lugar do outro e reconhecem o seu lugar. Em face do exposto. hábitos alimentares desordenados. Percebeu-se a desenvoltura de cada criança. vínculo através do qual a personalidade se desenvolve. é o fenômeno que desperta a consciência de si. a melhoria na qualidade de vida da primeira infância. compartilham jogos e espaços. por via de consequência. domínio de suas angústias e solução para alguns conflitos. psicossomático. do pulsar rítmico do próprio corpo e do corpo do outro. Nessa ocasião. iii) fortalecer a tomada de consciência corporal. relações psicoativas e familiares inadequadas. Apresenta melhor coordenação apendicular. além de melhoria no desenvolvimento cognitivo. raivas. adquirem segurança nos movimentos e deslocamentos. psicocognitivo. principalmente observando avanços e retrocessos. psicoterapêutico. Quanto ao desenvolvimento psicomotor. com bastante autonomia. reações e demais situações significantes que foram vivenciadas. como uma doença multifatorial de origem complexa e pode causar vários transtornos somatopsíquicos. O conceito e a identificação da imagem corporal estão presentes nas diferentes raças e grupos étnicos. Quanto mais rápido a criança desnutrida tiver domínio do seu corpo. fortalecendo a relação afetiva. a dinâmica ambiental familiar sinaliza indivíduos geneticamente predispostos a sobrepeso e obesidade fenômeno que representa a maior evidência. A obesidade é considerada um problema emergente. Essas informações e relatos ficam arquivados no prontuário da criança para que a Instituição possa fazer uso. o se perceber "próximo a".1.pag. dentre outros (FONSECA.2 Psicomotricidade com crianças e adolescentes sobrepesos e obesos Os objetivos para o atendimento às crianças sobrepeso e obesas atendidas no IPREDE assim se delineia: i) . o desejo de brincar. o desenvolvimento e a maturação corporal.2 Avaliação formativa das vivências psicomotoras com crianças desnutridas No decorrer dos atendimentos. Esse momento é bastante relevante porque as crianças expressam suas alegrias. o sentir-se como "parte de".Setembro 2013 . emoções. relacionar e de viver com prazer. com transtornos nutricionais. os pais e demais educadores devem minimizar a existência de fatores de riscos associados à Trabalhos Científicos/Temas Livres . os obesos são considerados como pessoas fisicamente menos atrativas. tais como: a baixa autoestima. fortalecendo o esquema e a imagem corporal. observou-se a importância da manutenção da educação psicomotora no Instituto da Primeira Infância (IPREDE). sentindo a textura e o calor de si mesmo e do outro. indicadores de desmame precoce e a introdução inadequada de alimentos de desmame. psicanalítico (somato-analítico). também. "tocado por". no entanto. umas brincavam o tempo todo e outras se cansavam rapidamente. consumo de doces e guloseimas e a suscetibilidade à propaganda consumista. como algo que sente prazer e dor. Os motivos psicológicos e emocionais que levam a criança a ser obesa recaem sobre as falhas estruturais da relação mãe/filho. com foco no desenvolvimento da criança e. ou seja. a equipe interdisciplinar de atendimento do IPREDE inicia os trabalhos na área psicomotora. rigidez e impulsividade. planejando intervenções proativas para o desenvolvimento integral das crianças. o sedentarismo. evidenciou-se que as crianças vão se adaptando às vivências psicomotoras. por conseguinte. o sedentarismo. do outro e principalmente de sua relação com o outro. portanto. pois demonstram prazer. Preocupada com o corpo e o bem estar das crianças e adolescentes sobrepesos e obesas. velocidade das refeições. atitudes e condutas são anotados no prontuário da criança no final de cada sessão. Certificam-se os resultados obtidos no contexto do IPREDE.inserir as crianças e adolescentes sobrepesos e obesos em vivências corporais com vistas à reestruturação e adequação dos fatores psicomotores além do fortalecimento da imagem e esquema corporal e das relações familiares e sociais. Apresentam desejos de brincar. portanto as evoluções são diferentes. cognitivo e psicomotor dos adolescentes sobrepesos e obesos atendidos no IPREDE. Apresenta como características de comportamento o excesso de ingestão alimentar. as diferenças entre elas. 53 . estruturação espacial. de criar algo que lhe faz bem. realiza-se o relaxamento para as crianças se acalmarem e retomem a conversação no grupo. São relatadas frequentemente características como dependência afetiva agressividade mal elaborada e dificuldade de sentir-se em igualdade de condições para competir com indivíduos de seu meio. melhor será o rendimento no desempenho de atos abstrativo e representativo. além de outros sentimentos vividos durante a sessão. 1982). incompletos.Trabalhos Científicos Ao final de cada sessão. quando necessário. psiconeurológico. O corpo e a motricidade são abordados como unidade e totalidade do ser. também. O enfoque é. Na obesidade exógena. tristezas. fatos que desencadeiam uma imagem corporal negativa. a partir do contato sensorial e motor. melhor relação com os objetos intermediários. somam-se as alterações fisioquímicas do período de transição à idade adulta. Os relatos descritos confirmam a relevância do comprometimento e dos benefícios que o Instituto da Primeira InfânciaIPREDE realiza para as crianças desnutridas e em situação de risco. reconhecimento dos espaços. a segurança gravitacional e o controle postural. a disponibilidade tônica. elaboram jogos simbólicos pelas representações do faz-de-conta e das dramatizações. O desenvolvimento da imagem corporal nas sociedades ocidentais se deve a fatores socioculturais e aos ideais de beleza que foram se modificando ao longo dos tempos. relacionando-se com a percepção. sócio-afetivo. Observa-se. Nessa oportunidade o psicomotricista passa a ouvir e refletir com a criança os momentos vivenciados. Grünspun (1976) afirma que o contato sensorial da pele a pele. 3.

por intermédio da autoconsciência corporal. recebiam os mesmos atendimentos psicomotores das mães. além da manutenção dos encontros sequenciais. Após a conversação inicial o material é colocado na sala conforme os objetivos e ações a serem trabalhados naquela sessão. poderiam ocorrer mudanças no planejamento inicial com finalidade de se adequar as necessidades e o movimento do grupo em face de seus interesses ou os objetivos institucionais. refletindo sobre as técnicas escolhidas. modelista. ii) orientar as mães sobre o valor da estimulação para a criança pequena com vistas ao melhor desenvolvimento neuropsicomotor. as crianças obesas ou sobrepeso constroem o seu psiquismo. pois os conteúdos irão compor o relatório final com a evolução dos casos. visando à expressão do psiquismo mediante impulsos. Pelos critérios estabelecidos pelo IPREDE. A inadaptação do movimento é essencialmente de ordem psicoafetiva. tios. o conhecimento entre pessoas. para a melhoria do desenvolvimento físico. sendo que cada grupo tinha seu tempo e momento conforme sua participação na programação da Instituição. Mantê-lo é imprescindível para reafirmar ou redimensionar conceitos. ajuda na elaboração dos conflitos interpessoais. Segundo Ferreira (2000). depende da necessidade local. entre outros fenômenos da mesma natureza. até aos serviços burocráticos. 54 Mãe cuidadora é a pessoa que cuida da criança. usados de maneira correta e construtiva e demonstram em jogos as suas disponibilidades de abertura para o mundo. manicure e pedicure. sentam-se em círculo. A mãe colaboradora pode trabalhar em qualquer setor. nas funções mentais perturbadas ou imaturas. iii) favorecer o autoconhecimento. no entanto. do movimento e do jogo. assistente de cabelereiro. os avós. projeções. de acordo com o aporte teórico da psicomotricidade e da psicologia. fortalecem a autonomia. vizinhas. Dessa forma. procedimentos e pressupostos teórico-práticos que um estudo dessa natureza requer. O autor enfatiza de modo contundente que os vínculos sociais são a base para os processos de comunicação e aprendizagem. A terapia psicomotora. emoções. raivas. Esses dados são anotados no prontuário após todas as sessões.2 Avaliação formativa das vivências psicomotoras em crianças e adolescentes sobrepeso e obesos As práticas psicomotoras vivenciadas no IPREDE com crianças e adolescentes evidenciam que a psicomotricidade intermediada pelo brincar livre e espontâneo. de habilidades produtivas e a percepção das dificuldades existentes. 3. Nesta ocasião. desenvolve a consciência corporal. ou seja. e a convivência social. Nas sessões de grupo as intervenções psicomotoras se direcionam ao comportamento dos participantes no que diz respeito à autoestima. A intervenção psicomotora adotada abrange a dimensão afetiva por meio da implicação tônico-emocional e relacional e servem também de técnicas de relaxação uma vez que reduz tensões psíquicas. mas compreendida.1 Metodologia realizada nos atendimentos aos responsáveis pelas crianças desnutridas. colaboradoras e profissionalizantes mantinham a mesma metodologia de atendimento em grupo. passo a passo. Durante o processo grupal. possibilita que as crianças sobrepeso ou obesas descubram e expressam suas capacidades por meio de ação criativa e da expressão da emoção. Em cada encontro os profissionais deveriam pensar sobre as dimensões pedagógicas e terapêuticas envolvidas.2. oferecem cursos para costureiro. desde o brincar com as crianças. Os pais que apareciam na Instituição. depressão. O estudo realizado apresenta resultados significativos e promissores quanto à inserção da psicomotricidade como uma modalidade de delineamento de vínculos. pois este processo contribui para a formação do esquema e da imagem corporal. configura-se como um procedimento cientificamente consistente e necessário ao contexto da sociedade infantil e adolescente. o reconhecimento de si mesma como ser existente e as competências individuais relacionadas aos cuidados pessoais e familiares. O psicomotricista explica como a sessão deve transcorrer. construtos. angústias e tristezas que aconteceram durante a sessão. Mãe colaboradora caracteriza a cuidadora que presta serviço à Instituição. expressam suas alegrias. variável que possibilita às mães e pais sentirem-se participantes de uma rede social. para facilitar a troca de experiências e a comunicação entre os participantes. mãe colaboradora e mãe em formação profissional". o sentimento de pertença. agressividade. antecipando temas e estratégias. por conseguinte. ansiedade. massagista e auxiliar de cozinha. As crianças estudadas e trabalhadas com ações psicomotoras organizam a capacidade de se movimentar as quais são representadas ou expressas por meio de sinais. interpessoais. Notou-se nas sessões que o desencadeamento de agressão na disputa por um objeto não deve ser reprimida. desejos e possibilidades de comunicação. O fortalecimento das competências familiares teve como ação a psicomotricidade que se destina a agir por meio do corpo. sobrepeso e obesas Os trabalhos se iniciavam com diversas propostas dinâmicas e planejadas.pag. o brincar mediante a psicomotricidade auxilia a criança com sobrepeso ou obesa. o grupo se forma a partir de tarefas e de vínculos. Os responsáveis pelas crianças atendidas no IPREDE foram denominados "mãe cuidadora. a percepção do Trabalhos Científicos/Temas Livres . a intervenção se dá no movimento.3 Psicomotricidade com os responsáveis pelas crianças desnutridas. A sessão termina com um relaxamento para que as crianças ou adolescentes possam se acalmar em face dos movimentos realizados e retornar à conversação final da sessão. profissionais e grupais. a troca de informações. aceita como um modo da criança exprimir suas dificuldades. a elevação da autoestima. o delineamento do vínculo envolve processos de comunicação e de aprendizagem. Mãe profissionalizante é uma cuidadora ou colaboradora que tem seu filho em atendimento e acompanhamento no IPREDE e se candidata aos cursos de profissionalização em projetos sociais oferecidos pela Instituição em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) ou com empresas que manifestam disponibilidade para parceria em projetos. o que favorece o potencial de adaptabilidade no indivíduo (FONSECA. sentimentos e pensamentos. autoconfiança e autoimagem. casualmente.Setembro 3013 . 2004). além de adquirir confiança na sua capacidade física e aprender a modular a relação tônico-emocional. a afetividade. símbolos e utilização de objetos reais e imaginários. emocional e social. podendo ser a mãe biológica ou não. O psicomotricista aproveita para ouvir e refletir o que foi vivenciado. Participa de cursos com duração inicial de 16h. favorecem a aproximação. A partir das vivências corporais primárias. estruturam o inconsciente. amigas. Para Pichon-Rivière (1991). a partir do qual os psicomotricistas realizavam as ações. estresse. madrinhas. a autoestima e a conveniência e adaptação social. principalmente realizados com a criança articula-se a sua afetividade. assim como. sobrepesos e obesas. no gesto e visa resgatar o aspecto comunicativo do corpo. Os atendimentos realizados no IPREDE com responsáveis pelas crianças trabalham os seguintes objetivos: i) desenvolver competências individuais. As atividades visavam trabalhar várias formas de expressão. mediatizado pelo brincar.3. veículo de expressão individual de pensamentos e emoções. Nos movimentos. 3. que podem ser compartilhadas. o filho/a deve estar em atendimento e sendo acompanhado pela Instituição. como também as potencialidades presentes. 1-144 . para diminuir a violência familiar e iv) fortalecer a autonomia. O indivíduo se caracteriza como sujeito social e se constrói na relação com o outro. mediante ações e práticas educativas psicomotoras que favorecem a relação mãe/filho. em dar-se conta do seu corpo de uma maneira própria. a pessoa que assume cuidar da criança. Os atendimentos em psicomotricidade vivenciados pelas mães cuidadoras. 3. decodificando na fala de cada um. Informa as normas ou regras a serem respeitadas durante toda sessão. Possuía um plano de atividades flexível.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual As vivências se iniciam com as crianças ou adolescentes sendo convidados a adentrar a sala para atendimento em psicomotricidade. Isso leva a pensar que os encontros vivenciais possibilitam a criação de vínculos entre os indivíduos. inclusive para o atendimento no IPREDE. Atualmente. a formação de vínculos. Recebe uma diária a cada dia de trabalho e no final do mês uma sexta básica. o reconhecimento de si.

mudando sua aparência.Espanha:Mino Dávila. a entrega corporal.3. mães e pais veteranos são encontrados aletoriamente nos grupos. com datas definidas. Vitor. autocuidado.v (Coordinadores). O desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos 6 anos. o psicomotricista deve adotar uma postura facilitadora. 2007. 2011 Fonseca. a liberação de tensões. fortalecida em seu auto conceito. inter e transdisciplinar tem se efetivado de modo eficiente com foco no desenvolvimento da criança e. Percebeu-se que as condições de interação das crianças com a família acontecem em face dos reforços empreendidos pelos pais e das competências intra e interpessoais que otimizam os recursos psicoafetivos e sociais existentes na família e na comunidade de forma contínua e articulada. O brincar e a realidade. motivar. Após a formação do contrato. Curitiba:UTP. assim como a superação da dimensão afetiva corporal e face da inserção do corpo de maneira real e adaptativa. Após este momento o psicomotricista expõe a proposta de trabalho para o grupo e realiza o contrato inicial visando o sigilo diante das vivências e dos depoimentos expressos pelos participantes do grupo. Jean. Málaga: Ediciones Aljibe. 2004. assim como. a partir do desejo de cada participante. comunicar e integrar o grupo. pontuar e complementar. Porto Alegre: Artes Médicas. Psicomotricidade relacional: prática clínica e escolar. ed. equilíbrio e domínio de uma situação. quando necessário são realizadas intervenções pelo psicomotricista. sensibiliza e estimula a concentração e a reflexão. participando dos jogos buscando dinamizá-los e significá-los. Winnicott. 2010 Le Boulch. Ademais. Lisboa: Edições 70. A. levar o filho.. inicia-se a vivência psicomotora. ou seja. M.. 2001. Campos. El psicomotricista em su cuerpo. E Mila J. São jogos de afirmação de si. São Paulo: Difusão Europeia. no entanto. No término do relaxamento. Suzana V. Rio de Janeiro: Wak Editora. Cabral (2001) descreve que os jogos em psicomotricidade podem ser sensório-motores. O grupo de cuidadores tem um funcionamento aberto por serem as mães que vão para consultas e. 2002 Wallon. continuar pesquisas e estudos sobre os atendimentos fomentados no IPREDE. 2. REFERÊNCIAS Cabral. 1-144 55 . As origens do caráter na criança. No final dos movimentos psicomotores o grupo é desaquecido com um relaxamento global ou segmentar utilizando música suave e instrumental.. La prática psicomotriz: uma propuesta educativa mediante el cuerpo y el movimento. Ressalta que os assuntos falados no grupo não podem ser comentados fora do mesmo sem a permissão dos participantes. Porto alegre: Artes Médicas. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . a melhoria na qualidade de vida da primeira infância. Esse relato não pretende fazer generalizações da psicomotricidade em instituições educativas e terapêuticas. A evolução psicológica da criança. simbólicos ou fantasmáticos. a vivência dos gestos que se ampliam e conquistam o espaço ou que adquirem controle.Setembro 2013 . Psicomotricidade: integração pais. Rodriguez J. Os grupos de mãe colaboradora e mãe profissionalizante se mantêm fechados por serem programados antecipadamente. Preocupando em se arrumar melhor para ir á Instituição. São Paulo: Martins Fontes. portanto novas mães e pais podem entrar a qualquer momento. Navarro. 2005. ________. decodificar. a noção de cuidado. mas no âmbito do IPREDE constata-se que a psicomotricidade nas abordagens multi. 1977. devido à dinâmica do ambulatório. Os trabalhos se iniciam com acolhida. fomenta novas soluções para minimizar as dificuldades relacionais e/ou funcionais.r. 1982 3. D. assim como.s. 4. ________. Tradução de Ana Guardiola Brizolara. conversa espontânea. ed. Fortaleza: Livro Técnico. Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares.V. Destaca-se que a livre expressão deve ser manifestada por todos participantes. Rio de Janeiro: Imago. por via de consequência. Henri. não é possível mantê-los fechados. 1982. falando sobre seus desejos e opiniões.Trabalhos Científicos outro. o trabalho demonstra resultados significativos e promissores quanto aos sobrepesos e obesos. permitindo se ver. com o desejo de trabalhar. autoestima. e no atendimento das famílias das crianças que frequentam a Instituição. com direcionamento verbal e/ou utilização de objetos facilitadores. Por isso.W. socializados e de regras. CONSIDERAÇÕES FINAIS Torna-se prudente. Rio de Janeiro: Revinter. um momento é disponibilizado para depoimentos e trocas de experiências. Psicomotricidade. Dayse S. com dinâmicas ou técnicas lúdicas para sensibilizar. a vivência do tônus. sentir e buscar a transformação de sua forma de viver. comunicar. 1984. ________Psicomotricidade e Neurociência. Diaz V. a autoconfiança. D.l.2 Avaliação formativa das vivências psicomotoras com as mães/pais cuidadores No decorrer das sessões as mães começavam a mostrar instrumentadas para compreensão da realidade. observar. enfatiza-se que a psicomotricidade efetivada com mães/pais facilita a expressão e superação de conflitos. 2. pensar. mediante reflexão sobre os sentimentos e ideias surgidas no grupo e sobre as situações experimentadas na sessão. permissiva e desculpabilizante diante das expressões do grupo. Campos C. Deve saber esperar. criança e escola.2002 Silva. favorece a descontração muscular. A psicomotricidade como prática social.pag. Em face do exposto. do grupo. Llorca. Os jogos sensório-motores despertam o prazer corporal. além de uma avaliação dos efeitos e do impacto das ações realizadas com vistas a manter os pontos fortes do programa educativo e terapêutico na vertente psicomotora.

tendo a psicomotricidade diferenciada como subsídio que promove a emergência de conteúdos emocionais. S.Núcleo Ramain-Thiers RESUMO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A Formação em Ramain-Thiers.Abrangência Nacional 12 .Formação em Ramain-Thiers . Rio de Janeiro: Altos da Gloria. a Sociopsicomotricidade prepara o sujeito para ser um cidadão produtivo. A Essência dos vínculos. 2000 Thiers.a Sociopsicomotricidade 2 . a Sociopsicomotricidade.Vínculos na Verbalização 9 . com 360 horas teórica-prática. para o exercício profissional da Psicomotricidade. E Geraldi.Objetivo Geral 3 . 1989 Freud.Vínculos com a Sociedade e a Ética 11 .Formação Permanente 56 Trabalhos Científicos/Temas Livres . tem como objetivo geral capacitar profissionais graduados. Emoção e Sociedade DESENVOLVIMENTO DO ARTIGO 1 . E. São Paulo: Casa do Psicólogo. S. Londrina: Edições CEFIL. Elaine Thiers Instituição: CESIR . S.Distribuição da Formação 6 . S.Áreas de Atuação 5 . S. além do estágio supervisionado. Compartilhar em Terapia. trabalhada à luz da Psicanálise. para o fortalecimento egóico de forma lúdica. Utiliza um material intermediário específico. C. social e empresarial.Vínculos no Trabalho Corporal 8 . A. 1-144 . Corpo e Afeto Rio de Janeiro: WAK. educacional. No transcorrer do artigo apresentaremos os vínculos de sustentação de Ramain-Thiers.Objetivos Específicos 4 . O Eu Pele. que promove a reparação sadia e o processo terapêutico. As bases sociais e éticas do grupo são trabalhadas em consonância com o pensamento do filósofo Alexis de Tocqueville. Ramain-Thiers trabalha com os Orientadores Terapêuticos Thiers para crianças. Ética Pública. adolescentes e adultos.Vínculos com o Instrumental Ramain-Thiers 10 .XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Formação em Ramain-Thiers a Sociopsicomotricidade Autores: Solange Thiers.Vínculos do Embasamento Teórico 7 . transformador. na medida em que cada um apreende que o "fazer" é verdadeiro sentido da vida.pag. 1998 Thiers. No momento da verbalização ocorre a conscientização dos conteúdos emergentes. E Thiers. Anzieu.Setembro 3013 . Ramain-Thiers. 1998 Thiers. No trabalho corporal vivencia o corpo. o entrelaçamento da teoria e prática. com a revivência de situações arcaicas. nas áreas clínica. São Paulo: Casa do Psicólogo. 1996 Thiers. São Paulo: Casa do Psicólogo. Possui a duração de dois anos. 150 horas vivenciais de Sociopsicomotricidade. 1969 Grubits. São Paulo: Casa do Psicólogo. com simbolismo distinto. 2009 Thiers. Obras Completas Rio de Janeiro: Imago. E. A construção da Identidade Infantil. 2003 Palavras-chave: Corpo. a liberação de recalques corporais. S. Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers.

proporcionando o conhecimento e domínio entre o corpo que se valoriza e o corpo desconsiderado que não cuida da fadiga. que favoreça o desenvolvimento de sua capacidade intuitiva. assim como ampliá-las em direção ao contexto sócio-histórico-cultural. INTRODUÇÃO Este artigo visa comunicar sobre a iniciativa de abraçar Pensamento Complexo e Psicomotricidade.Trabalhos Científicos Formação em transpsicomotricidade educacional e clínica Psicomotricidade com base no pensamento complexo e transdisciplinar Autores: Martha Lovisaro. A Formação em Transpsicomotricidade: Psicomotricidade com base no Pensamento Complexo .iniciativa da Profª. A Sociopsicomotricidade procura trabalhar os aspectos social. assim como as premissas da transdisciplinaridade retiram a prática psicomotora de um nicho disciplinar – mesmo que em sua origem tenha sempre apresentado uma estrutura interdisciplinar – e amplificam seu potencial de contribuição à compreensão da condição humana. a atenção interior. psicossomatologia. Um corpo de emergência política. A primeira refere-se ao equipamento expressivo. Tais impositivos do mundo moderno exigem novas ferramentas que propiciem um melhor equilíbrio e ajuste do homem ao trabalho e do trabalho ao homem. não se atendo apenas à segurança física no espaço de trabalho ou do movimento correto para preservar a estrutura orgânica. visando a melhor adaptação do corpo-trabalho e do corpo-descanso por meio dos enfoques econômico e social. antropometria e neurologia. enquanto ação e ou movimento sobre o mundo interno e externo. Palavras-chave: Psicomotricidade. visando um corpo trabalhado para o bem-estar do indivíduo mas também para um corpo que existe em sociedade. Nesse contexto teórico a Transpsicomotricidade refere-se ao estudo das várias áreas disciplinares. adaptado. em 2000. produtividade em menor espaço de tempo e qualidade de vida. democrático e econômico. A Ergopsicomotricidade destaca-se da ergonomia por sua aplicabilidade. Dr. os modos de significar têm por abordagem a etnologia. surge. A Ergopsicomotricidade se dedica às demandas atuais no âmbito do trabalho. trabalha para o seu progresso social. que alimenta o processo de humanização do corpo e de sua cultura de coexistência. intervir e de estar presente em seu espaço e tempo. O significado/sentido se constitui como unidade biosimbólica expressivo motor. promovendo vivências corporais que visam à consciência do gesto.pag. possibilitando identificar padrões estéticos nos modos de ser. Dra. permitindo melhores condições de saúde corporal e psíquica. Ética e estética como tradução de um ethos de existir e coexistir humanos sob novas formas de relacionamento e afirmação de respeito e dignidade pessoal conduzindo à ecocidadania. em prol das metas da "reforma do pensamento". antropologia social e as ciências da linguagem. A Etnopsicomotricidade refere-se à compreensão crítica e transdisciplinar da cultura da coexistência dentro de uma abordagem que parte do exercício teórico vivencial das alternativas solidárias de convivência humana. extracorporal e intercorporal. 1-144 coexistência é vista a partir dos modos de significar e os modos de expressar. do desejo de encontrar uma linha filosófica que permitisse compreender melhor as tarefas atribuídas ao Psicomotricista educacional e clínico e ampliá-las em direção ao contexto sócio-histórico-cultural. enquanto etnologia aplicada estuda a cultura motora a partir das relações existentes entre conteúdos biosimbólicos. ou seja. seu público abrange todo e qualquer profissional que possua uma graduação e tenha o engajamento de abrir-se à auto-escuta e à capacitação pessoal-teórico-prática em direção a um exercício educacional ou clínico transdisciplinar e consciente da corporeidade como condição humana. Formação 1. desde a abordagem preventiva até a terapêutica. Dr. em seus discursos não verbais. A etnomotricidade. Eduardo Costa Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Resumo Este artigo visa comunicar sobre a iniciativa de abraçar Pensamento Complexo e Psicomotricidade. estar e fazer no mundo. em especial. no sentido de atender as necessidades imperiosas da sociedade atual e encontrar estratégias para dirimir seus males individuais e coletivos. esquema e imagem corporal e padrões motores. A proposta moriniana de um olhar poliocular. laboral e social. A configuração do campo teórico se dá pela interconexão de duas perspectivas: corporeidade e redes simbólicas. em 2000. do desejo de encontrar uma linha filosófica mais abrangente que permitisse compreender melhor as tarefas atribuídas ao Psicomotricista educacional e clínico. com o Congresso de Locarno. com papel a desempenhar em seu grupo social. no "fazer parte de" atuar. corporeidade e praxiologia motriz. tendo em vista o ser total que é étnico. na Ergopsicomotricidade e na Sociopsicomotricidade. com o desenvolvimento das bases psicomotoras. Para a Ergopsicomotricidade o homem ajustado. Martha Lovisaro e do Prof. sensível. Desses três campos surge a Transpsicomotricidade.Setembro 2013 . no Projeto CIRETUNESCO (Evolução Transdisciplinar da Universidade) e no Relatório 57 . Eduardo Costa. Essa dimensão faz parte da formação. Dessa forma. surge da necessidade de se ter um conhecimento alargado sobre a ação humana que evolua para além do sujeito. Martha Lovisaro e do Prof. a etnomotricidade tem como tarefa identificar padrões de construção e reconstrução biosimbólica nos processos de humanização do corpo. BASES EPISTEMOLÓGICAS A metodologia dessa construção assenta-se sobre a trilogia dos campos disciplinares reconhecidos na Etnopsicomotricidade. Assim. a partir do princípio de que "o individuo é indivisível". A Formação em Transpsicomotricidade: Psicomotricidade com base no Pensamento Complexo . Complexidade. emocional e motor.iniciativa da Profª. a Ergopsicomotricidade dedica-se ao estudo do movimento corporal no trabalho. através de propostas grupais e ou individuais. Nesse sentido a cultura da Trabalhos Científicos/Temas Livres . tendo em vista os diferentes campos de aplicação às práticas psicomotoras. 2. Tendo como metas a complexificação dos questionamentos sobre os fenômenos humanos. A Transpsicomotricidade. compreendendo o campo teórico da antropologia biológica. em seu aspecto expressivo motor. quando vista como formação. no sentido de atender as necessidades imperiosas da sociedade atual e encontrar estratégias para dirimir seus males individuais e coletivos. tornando-o mais pleno e evoluído no plano cosmológico. No que se refere às redes simbólicas. Assim. apesar de ser pouco ou nada considerada no âmbito da psicomotricidade. ainda pouco explorados por outros campos de atuação educacional e terapêutica. mas. tem por objetivo o reconhecimento dos campos disciplinares e de suas possibilidades de aplicação na prática psicomotora na dimensão apontada em 1997. A Transpsicomotricidade. buscando compreender a multidimensionalidade do ser nessa relação. Eduardo Costa surge. em prol das metas da "reforma do pensamento". permitindo um melhor ajustamento físico e psíquico. a sociopsicomotricidade nos enriquece com a junção dos enfoques social e de atuação. nos seguintes contextos relacionais: intracorporal. Dra.

em suas singularidades étnicas.pag. Valores de respeito. poderá deixar de sê-lo. com a sociedade e com ele próprio. com os fios de outras profissões. o que diante da imposição de um aprender acelerado e as demandas das especializações geram sérios descompassos quanto às formações profissionais que não acompanham essa demanda e fragmentam ainda mais o conhecimento. Educação e Clínica. o que se propõe de prático aos formandos. transpolítica e transnacional. Viver junto é reconhecer a si mesmo na face do outro. de que nossa vida tem um sentido. não se retendo apenas na transmissão de conhecimentos e técnicas que levem o formando à inserção no plano do conhecimento. em prol do reconhecimento da singularidade complexa dos sujeitos hospitalizados e suas necessidades. Questionar passa a ser viver um espírito científico. crianças. 1-144 . Ser criativo é tecer a teia sistêmica. Sempre de forma a aceitar a complexidade do sujeito e a necessidade da autocrítica constante. Tem-se aqui uma outra imposição prevista no documento do CIRET-UNESCO de que qualquer profissão deverá ser uma profissão a ser tecida. Dessa forma o que é uma verdade incontestável. facilitando a elaboração física e emocional da chegada de um novo bebê. na travessia da situação de internação. A Transpsicomotricidade alerta para como as crianças precisam ser educadas no ajuste a essa realidade. Assim. é muito 58 mais. também. através da liberdade de ação. refere-se a uma decorrência da certeza de que existimos. Aprender a conhecer diz respeito às verdades. e prevenindo distorções de personalidade. Com o segundo saber a cultivar. especialmente. No âmbito da Profilaxia. além de contribuir para a humanização dos serviços através do convite ao diálogo transdisciplinar. 3. Aprender a ser. nos berçários (0 a 3 meses). preocupar-se mais com as ligações do que com o objeto em si. lealdade. gerada pela fragmentação do saber. transformar a figura em fundo. criação e ação. auxiliando bebês. onde o foco na "terceira idade" visa amenizar a retrogênese. A transdisciplinaridade nos alerta. aprofundando a cultura e os interesses nacionais e mundiais. ampliando e complexificando os olhares sobre esta fase da espiral do desenvolvimento em suas especificidades e religando saberes em prol da qualidade de vida de cada sujeito idoso. escolas e empresas. o pensador expõe como inicio do caminho. que conduz às dificuldades com o saber unificado. Dessa forma. sócio-econômicas. boa vontade. onde toda escola possa estar aberta às diferenças No mundo do trabalho. é viver a unidade de forma a estar aberto ao novo mesmo que inusitado e reconhecer a complexidade que nos coloca diante da pluralidade das coisas. Outros dois pilares da educação atual diz respeito ao aprender a viver junto e aprender a ser. nos levando a refletir que estamos muitas vezes cegos por nossas verdades absolutas e ilusões cultivadas. adolescentes e suas famílias. Observa-se que há significativo desinteresse pelos grandes iniciadores e a incerteza sobre construções e interpretações feitas sobre autores ditos atuais que poderiam ser eficazes se não tomadas como dogmas que não possam sequer ser refletidos. É a ausência de esse aprender a conhecer. Aprender a fazer. OS CAMPOS DE ATUAÇÃO DA TRANSPSICOMOTRICIDADE A prática transpsicomotora se propõe à atuar nas áreas da Profilaxia.Setembro 3013 . a partir da problematização das escalas de desenvolvimento pré-definidas. Que não neguem o saber passado e se permitam estar abertos para as novas aquisições que lhes facilitem o fluir da caminhada. Nos hospitais. sem refletir sobre o seu fazer. cooperativo. mas não deve disjuntar o objeto de estudos da Transpsicomotricidade: o corpo/sujeito em movimento em suas múltiplas interações e retrointerações. O aprender a fazer diz respeito à aquisição de conhecimento. 4. Na Educação.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Delors sobre a educação no século XXI ligado à UNESCO. os professores e os alunos. em fração de segundos. Aprender a conhecer (ouvir e ver). resgatar a unidade do sujeito com dificuldades. voltada para a verdade. assumido pela Transpsicomotricidade Educacional e Clínica como matrizes de trabalho em todas as esferas de intervenção. para as questões voltadas para a moral e a ética. é levá-lo a desenvolver uma consciência crítica para que possa transformar as estruturas sociais que necessitem de mudanças. facilitando as aprendizagens. sabendo-se que só há escravos entre aqueles que não pensam. em seu encontro com o mundo. auxiliando na maturação do pensamento. Pode-se entender o viver junto como a experiência natural que ocorre sucessivamente na formação da personalidade e individuação do sujeito quando ele só pode ter a noção de si mesmo a partir da percepção da existência do objeto externo ao seu corpo. A fibra ótica vem permitindo o acesso a milhões de mensagens de uma só vez o que favorece a globalização das informações via rede telefônica interligada com toda a mídia gravada. religiosas. acompanhando-o em sua expressividade multidimensional. que devem se desenvolver na relação do indivíduo com a natureza. temos também a atuação em creches. Em sua proposição de sete saberes fundantes. o que parece ser a antítese do processo de conhecimento. ligações entre os mais variados saberes. Esse padrão de conduta é vivido na formação em Transpsicomotricidade. determinando condutas. responsabilidade. é. nossos valores estão tão enraizados em nós que não percebemos essas possessões paradigmáticas. podemos perceber a importância da intervenção com o casal grávido. rompendo com uma falsa racionalidade que pensava poder responder a todas as questões através da lógica Trabalhos Científicos/Temas Livres . não-diretivos. a prática transpsicomotora atua em creches. é viver a complexidade. uma profissão que esteja ligada no interior do ser humano. as escolas. Morin (2000) nos alerta para a necessidade de um "Conhecimento Pertinente". Nesses três pilares foi possível antever o pensamento transdisciplinar expresso nesse relatório e aplicá-lo à Formação em Transpsicomotricidade: Aprender a ser. OS OBJETIVOS TRANSPSICOMOTORES Morin (2000) aponta um currículo para a educação do novo milênio. ou seja. Contudo. onde as instituições e equipes profissionais possam compreender as necessidades ergopsicomotoras de cada participante da tapeçaria empresarial. na lógica do terceiro termo incluso. equanimidade. que diferencia. o reconhecimento das limitações em nossas percepções de mundo. contribui para a possibilidade de ampliação do movimento inclusivo. a Transpsicomotricidade valoriza o ato de ensinar. não esquecendo as famílias. estimulando a possibilidade de envolvimento solidário. na valorização das diferenças rítmicas e identitárias. união. Na Clínica temos objetivos comuns às outras psicoterapias. Assim é possível. Aprender a viver junto. "Vemos o que cremos". É o que o autor denomina de "Erro e Ilusão". o ensino. onde nos fechamos a novos horizontes e paradigmas. viver-se a atitude transcultural. favorecendo a evolução plena. O aprender a conhecer é conhecer de tal maneira que se possam fazer pontes. segundo o Congresso de Locarno. Devemos reconhecer que nossos valores norteiam nossas visões de mundo. através de um olhar/escuta para os discursos corporais. além de contribuir na compreensão transdisciplinar do contexto ecológicoeconômico-relacional em que se encontram inseridos os sujeitos dos processos pedagógicos. Viver junto está além de aceitar o outro. negando mesmo que possam existir verdades em outros pontos de vista ou em pensamentos antagônicos aos nossos. Abrindo campos interativos e expressivos. a distinção entre o que é real do que é ilusório que se faz possível pelo acesso amplo a um saber sem limites. Desconsiderar o saber passado e fechar-se nas idéias ditas atuais. por sua vez. conduz as pessoas a se tornarem escravas de suas construções. resultante da reflexão sobre a "competência do ser humano para o terceiro milênio". a partir da religação dos saberes. que não percam as raízes de sua formação pessoal e profissional em detrimento de novos conhecimentos. através do brincar e do tocar. Há também o trabalho da Educação em Gerontopsicomotricidade. classificação didática. através da orientação e preparação das equipes para atender as demandas manifestas nos discursos não-verbais dos bebês e denunciando a rede de diálogos tônico-emocionais que os constituem como sujeitos. Essas possibilidades quanto ao aprender a fazer estão sem dúvida envolvida com o potencial criador do sujeito que as exerce. transreligiosa.

algumas vezes. as demandas sistemáticas de um auto-olhar . fornecendo instrumental para a compreensão da Etnopsicomotricidade. tão estimulante e enriquecedora. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CIRET-UNESCO: Congresso Internacional de Locarno: Que Universidade para o amanhã? Em busca de uma evolução transdisciplinar da Universidade.). não só científicos. em referencia a nosso status de "Homo Sapiens Sapiens" Para Morin (op. desvendando o sentimento de cidadania planetária. que ele denomina de Demens. É neste momento da formação que ocorrem entrevistas individuais. A necessidade do quinto saber: "Enfrentar as Incertezas" advém das próprias descobertas científicas do século XX. Os sete saberes necessários à educação do futuro. das ações realizadas pelos Transpsicomotricistas formados desde 2000. literárias. Mostra-nos que o pensamento simplificador. Morin (2000) também alerta para o cuidado com nossa terrapátria. apresentação de trabalhos e registro de imagens de sua prática. na solidariedade e democracia. A proposta transpsicomotora é colocar esses saberes em jogo a partir das situações não-verbais propostas sob forma de dinâmicas livre-expressivas. sempre em localidades onde há presença da natureza e. a reorganização.pag. Uma estratégia que tem sido muito proveitosa para todas as turmas é o workshop de final de semana. que promove a ruptura e o surgimento do novo. também aderimos à proposta de alimentação vegetariana e práticas corporais tradicionais. impulsionando-nos a continuar na dialógica. fazendo com que negássemos a existência de nosso lado "insano". visando o afrouxamento dos dogmas absorvidos em cada trajetória pessoal e profissional. mas que necessita da aliança dos conhecimentos. A aventura incerta da humanidade. mas artísticos e míticos. presentes na ação humana. em prol da resolução de conflitos e da aceitação das singularidades . sempre levando em conta a condição humana ternária. O reconhecimento de que todos somos cidadãos planetários e precisamos nos solidarizar nas ações que reconheçam os níveis de agressão ambiental que cometemos e busquem amenizar suas conseqüências. em prol de críticas e sugestões de aperfeiçoamento. o autor propõe o uso da estratégia. cit. Morin. onde o corpo e o espaço são as bases na construção de dialógicas e associações livres não-verbais em prol da ampliação da consciência pessoal e a reconciliação dos sujeitos com suas corporeidades e com os outros. já que a diversidade. momentos de integração e interação ecológica. Reconhecendo as inúmeras dificuldades e obstáculos na busca da compreensão de algo ou alguém. que é ser simultaneamente indivíduo/sociedade/espécie. sem deixarmos de ser autênticos e criativos. temos utilizado as aulas expositivas dialógicas. também cria dificuldades de comunicação e apreensão dos valores e lógicas de contextos diferentes do nosso. em seus consultórios e outras instituições de ensino e de saúde. A escola deveria ser o berço desse exercício. além da clarificação teórico/ prática a partir das situações vividas. não como uma leitura maniqueísta de ações boas e más. a metade da carga horária presencial com experiências de interação e autoconsciência psicomotora. DF: UNESCO. 1-144 59 . que um dia sonhou com o controle total da natureza. plásticas e cênicas. deixar de ignorar nosso destino planetário e as necessidades imperativas para nossa sobrevivência em harmonia com o equilíbrio ecológico. Ao formando.Trabalhos Científicos cartesiana. Para lidar com as incertezas. Edgar. servem de impulso às sínteses possíveis e à elaboração de estratégias. São Paulo: Cortez Editora. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nestes treze anos de existência. o que nos leva ao sexto saber proposto por Morin (idem) como crucial. Realizamos sempre atividades transpsicomotora. em sua maioria – "Ensinar a Compreensão". é nosso destino. em meio a toda essa multiplicidade subjetiva. sob uma nova ordem (sempre contextualizada). Esse modelo supõe ainda a decisão consciente de investir na esperança da humanização da humanidade. e sim a partir da proposta de uma "Ética do Gênero Humano". da produção escrita. é cultivar a tolerância e a solidariedade na constatação de nossa igualdade como seres humanos. com a presença de convidados e apresentação dos discentes e docentes.Locarno . 2000 xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres .Setembro 2013 . a apresentação de obras cinematográficas. Contudo. a partir da consciência de um novo sentido. eventos científicos. percebendo que nunca dominaremos totalmente o lado irracional. pesquisas transdisciplinares. onde não pode haver discriminações e preconceitos contra qualquer indivíduo/sujeito. 5. Morin (ibidem) nos evoca a ética. onde o grupo se afasta do cotidiano familiar e pode realizar um mergulho em suas próprias percepções e nas relações estabelecidas com os parceiros e formadores. visando formar profissionais da saúde e da educação para prestar ajuda psicomotora do bebê ao idoso.fr/nicol/ciret/ 1997. "diferente". e especialmente. não devemos nos esquecer que é nosso lado Demens. preferencialmente nos espaços abertos. ou seja. depende dos níveis possíveis de compreensão. Tais constatações fortalecem nossas bases teórico-práticas. PRÁTICA PEDAGÓGICA NA FORMAÇÃO: Nossa prática pedagógica orienta-se para a desconstrução de imagens e valores próprios. uma 'antropo-ética'. poéticas. mas como um somatório de todos esses saberes/ metas da educação do futuro. a religação. Como instrumentos pedagógicos. "animal". Projeto CIRET-UNESCO Evolução transdisciplinar da Universidade . identificamos a viabilidade e eficácia das hipóteses e estratégias desenvolvidas pela formação para a prática educacional e clínica. 7.a autoformação. mais libertador. sempre antecedidas de recomendações bibliográficas. In: http://perso. a partir das intervenções dos formadores no Centro de Estudos e Pesquisa em Psicomotricidade da Faculdade de Educação da UERJ. apostando na ecologia da ação como tentativa de minimizar as variações e atravessamentos que o acaso e o aleatório podem trazer. por mais civilizados que sejamos e que precisamos muito de nossa capacidade reflexiva para conviver com harmonia. em direção à construção de novas estratégias de ação/transformação nos campos aos quais nos dedicamos. Trata-se da tomada de responsabilidade na realização das mudanças de comportamento inerentes à proposta de sustentabilidade. "É preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza" (2000:16). assim como. da montanha à praia. para processar de forma coerente e contextualizada cada questão. Outro ponto que o autor elenca como prioritário é o "Ensinar a Condição Humana". onde formandos e formadores estabelecem metas de futuro e detectam questões a serem melhor exploradas . visando à auto-escuta e a dialógica. fruto da racionalização. Brasília. Ergopsicomotricidade e Sociopsicomotricidade.Suíça. criou uma dicotomia em nossa personalidade. mas esquecido nos espaços educacionais.club-internet.uma educação para a paz. habitat do humano que precisa construir sua "Identidade Terrena". Ensinar a condição humana é ensinar a presença da diversidade absoluta que nos torna indivíduos singulares. Ele propõe que nos denominemos "Homo Sapiens Sapiens Demens". base de toda a transformação que se demanda. Por último. sempre em coprodução de uma condição sobre a outra. o autor aponta para a premência de exercitar e ampliar nossa capacidade de entender o diverso e a multiplicidade de olhares possíveis. no lugar de negá-las ou tentar eliminá-las como buscou o pensamento simplificador. A cada ano temos visitado diferentes ambientes.

Trata-se de um espaço aberto a todos aqueles para quem a idéia de bem (Agathon). o curso pretende agenciar a educação em saúde e à saúde em educação. cultural. o olhar. Palavras-chave: Cuidar. linguísticas. em um dado momento e situação singular. A experiência vivida em nossa prática e supervisões na clínica do coletivo/clínica ampliada é fundamentada nas relações sensórias e perceptivas que gerem sentido. Corpo compõe deslocamento. psicomotoras. O curso é organizado na direção dos estudos do corpo humano entrelaçado às expressões do sentir. signifique a negação de outros enfoques e possibilidades de ação" (p. o ver. realização de trabalhos monográficos. Como nos diz Merhy et al. São membros fundadores. ao afetivo. A Clínica Ampliada reconhece que.Setembro 3013 . Fazem parte da formação as seguintes atividades sistemáticas: aulas. abrindo extensão nas relações de confiança e contato. do agir e do pensar. pretendendo agenciar a educação em saúde e a saúde em educação e visa a possibilidade de que estes profissionais se tornem facilitadores da multiplicidade do desempenho humano. afirma que a "condição humana é corporal e o corpo é o vetor de toda relação com o mundo" (p1). não há. espaço de contato com outros anteparos e formas. físico. a formação acompanha as atuais políticas de saúde instituídas pelo Ministério da Saúde (2009) que apresenta e afirma como proposta o uso da Clínica Ampliada. pode existir uma predominância.Espaço de Atendimento e Formação em Saúde é um espaço comprometido com o estudo. compreendendo formação teórica e vivências práticas. "a constituição de uma ferramenta de articulação e inclusão dos diferentes enfoques e disciplinas. Cláudia Maria de Lima Graça. linguístico. a pesquisa. tornando as experimentações território rico de singularidades. Cuidar é acolher. discussões clínicas. Nosso proposito é que o formando encontre novos desdobramentos pelos afetos e pelos sentidos desdobrando o olhar. Metodologia Científica Oficinas Psicomotoras 12 horas 18 horas 12 horas 06 horas 12 horas 3º Módulo Teorias Psicanalíticas e Psicomotricidade Terapia Psicomotora Fisiologia do Movimento Clínica do Coletivo / Clínica Ampliada (Maratona) Estágio Supervisionado Oficinas Psicomotoras 12 horas 18 horas 12 horas 24 horas 24 horas 18 horas 4º Módulo Psicomotricidade no meio aquático A construção do Esquema e Imagem Corporal Teorias Filosóficas e Psicomotricidade Clínica do Coletivo / Clínica Ampliada (Maratona) Prática Supervisionada Oficinas Psicomotoras 18 horas 18 horas 12 horas 30 horas 30 horas 12 horas 5º Módulo Teorias Psicanalíticas e Psicomotricidade Gerontomotricidade Metodologia Científica Clínica do Coletivo / Clínica Ampliada (Maratona) Prática Supervisionada Oficinas Psicomotoras 12 horas 18 horas 12 horas 24 horas 24 horas 18 horas 6º Módulo Terapia Psicomotora Educação Psicomotora Metodologia Científica Clínica do Coletivo / Clínica Ampliada (Maratona) Prática Supervisionada Oficinas Psicomotoras Trabalho de Conclusão de Curso 18 horas 18 horas 09 horas 30 horas 30 horas 06 horas 09 horas Disciplinas Teóricas: 282 Horas / Oficinas Psicomotoras: 78 Horas Prática: 186 Horas / Estágio E Prática Supervisionada: 108 Horas Total: 654 Horas Na prática psicomotora o movimento do corpo e dos objetos. enquanto solo de possibilidades de ordem e continuidade na diversidade de experiências. Trabalhos Científicos/Temas Livres . Breton (2008). faça um sentido.formando Autores: Etelvina Maria França Soares. o sentir e o agir. rizomáticas. Etelvina Maria França Soares e Vania Belli. em incessante fabricação e conexões múltiplas. possibilita efeitos inscritos no corpo pelo campo da sensibilidade. como o campo da criatividade e da arte. entendido enquanto estudo das interseções pertinentes ao motor. desde o ano de 2004. O conteúdo programático do curso de Formação em Psicomotricidade atende ao currículo mínimo sugerido pela Sociedade Brasileira de Psicomotricidade e aos novos paradigmas dos profissionais de educação e saúde. observadas através da atuação profissional e supervisões de nossos alunos. O curso de formação em psicomotricidade ofertado por nós tem o objetivo de fundamentar através do conhecimento teórico e prático os fundamentos que envolvem os aspectos psicomotores da ação humana em toda sua complexidade. dedicados à construção. seminários. Assim. Dedicado à formação de profissionais da área de saúde e educação.pag. apreensão. nos movimentos singulares e do coletivo. cognitivo e comportamental. Para tal. o corpo é elemento orgânico. fluidez do convívio e entendimento para com o outro. participação na Jornada Interna e no Ciclo Anual de Conferências do Agathon. ao ensino e à discussão de conceitos que fundamentam a Psicomotricidade. uma hierarquia na capacidade de estabelecer um bom contato" (p 72). a proposta na clínica e na educação baseia-se em aprimorar e ampliar.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Agathon – Curso de formação em psicomotricidade O cuidar na relação formador .10). cognitiva e relacional. de forma individual e grupal. a priori. a Psicomotricidade é um campo de saber que se constitui no estudo do corpo e das ações do homem em toda a diversidade contida no campo social. referentes ao corpo teórico/prático desenvolvido na estrutura do curso (também em maratonas de fins de semana). a escuta e o contato para que essas ações possibilitem saúde do indivíduo. escutar. Profissional. continente de estímulos externos e internos compondo trajetos cerebrais de alta complexidade. com sentido e entendimento comunicativo com o mundo. Formação. A avaliação anual feita do curso nos mostra que os dados qualitativos e quantitativos encontram-se nas expressões verbal e corporal. "A construção de relações se dá em ato e nas circunstâncias específicas de cada encontro. a prática e a transmissão de diferentes saberes do conhecimento humano. possibilita a apropriação de outras ferramentas. A escolha de atos e atitudes criativas e perceptivas não lineares possibilita novas ferramentas de se cuidar e de se relacionar. O foco central deste trabalho é o cuidar redirecionado aos profissionais em formação. 60 1º Módulo Epistemologia da Psicomotricidade Base Neurofuncional do Sistema Nervoso Central Desenvolvimento Psicomotor e suas interseções Oficinas Psicomotoras 18 horas 12 horas 18 horas 12 horas 2º Módulo Teorias Filosóficas e Psicomotricidade Educação Psicomotora A Construção do Pensamento e suas intercessões sociais. (2010 apud Túlio). assim como. subjetivo. práticas supervisionadas. entre outras qualificações. Vania Belli Instituição: Agathon Resumo O curso de Formação em Psicomotricidade do Agathon é dedicado à formação de profissionais da área de saúde e educação. Psicomotricidade AGATHON . uma escolha. visando à possibilidade de que estes profissionais se tornem facilitadores da multiplicidade do desempenho humano. propomos uma formação profissional atenta à alteridade e à singularidade de cada movimento. histórico. em uma determinada situação. sem que isso. 1-144 . Trabalhando com o conceito de subjetividade como espaço de fronteiras permeáveis. ou a emergência de um enfoque ou de um tema. Para nós. O campo da Psicomotricidade. O curso desenvolve-se em seis módulos. trabalhos vivenciais norteados por atividades sensório-perceptivas. Neste contexto.

O lugar da linguagem pragmática promove a realidade e o entendimento na comunicação dos atos estabelecida para com o outro. Ferraz.. 2010. Arriscar e se expor. O que se estabelece são as formas que escolhemos de vida que definimos como agente de experimentação e livre modelo de ação. A ação pertinente ao humano nos leva a alguns tópicos imprescindíveis no teor da discussão. do pensar criativo e da intervenção. gerando uma ampliação do modo de fazer profissional e o aprofundamento de estudos e pesquisas. (2006) Crítica e Clínica. com intuito de tornar nossa crença profissional demarcada pela vida cotidiana e nas relações e interações sociais. Os formandos não se conformam. a proposta do cuidar se baseia na escuta. 2010). dos momentos de retirada ou de permanência. tais como: barulhos. (apud Franco. Essa posição de cuidado tem ampliado. Algumas indagações sobre o cuidar. reconhecendo por meio de alguns dados ou traços o que representa a cena vivida naquele momento. (apud Franco. Rio de Janeiro: Garamond. pelo sensível e pela prática vivenciada sem rótulos. arte. no que concerne ao que elas tiverem de produtivo ou vitalizante. escutar. ter o tempo de aquisição. sim nas novas possibilidades vividas e reagrupadas com novo sentido. Afecção & Cuidado em Saúde. pelas ruelas. estabelecendo uma ética e uma epistemologia do agir.Experimentações no Programa de Saúde da Família. Já a percepção apreende o presente através dos cinco sentidos. Neste sentido os métodos clínicos devem abrir-se à potência de variação da vida. O objetivo é estarmos próximo de cada cena e cenário pertinente a escolhas. hábitos e modos de ação de cada sujeito em sua singularidade e no coletivo. Entrevista. ao fluxo da duração. do pensar e do criar. 65). das ponderações. no contato e na forma de estar e partilhar com o outro. "Vale a noção de que poder partilhar com o outro certas representações tem algo de interessante e rico no viver e no conviver.DF. mas. A clínica dispõe as diversas variantes das construções pessoais e sociais.142). dos agenciamentos. onde os protagonistas da ação não representam papéis pré-estabelecidos mas sim se permitem a diferença através do outro. não é afirmado em lugar algum já estabelecido. 2010). imaginário.Setembro 2013 . utilizados na amplitude das negociações através do encontro.. do não ou do sim. considerar.73) A clínica e a educação se transformam qualitativamente com a abordagem dos afectos. criatividade. experiência. pois. profissionais e acadêmicas anteriores. dar forma. Merhy.br. não são definidos. Surgem então novos trajetos de ação viva para então serem construídos novos mapas. sensibilidade. na igualdade centrada na diferença do outro. pela construção de um estudo teórico e prático e é desempenhado através do envolvimento pelos afectos.) que se "afetar é pelo Tempo. nossa prática clínica é sustentada na clínica ampliada e na clínica no coletivo. pela Hesitação e pela própria paciência da Duração. Dessa forma. Como sugere Merhy et al. potências e acontecimentos afetados pelas ruas de asfalto ou de terra. os saberes podem ser apresentados como oferta e não como imposição de um estilo de vida ou de única explicação válida para os desconfortos e sofrimentos. tempo. O contato com os formandos é sempre inquietante e apreciamos muito isso. Como define Bergson (apud Ferraz. A memória como explica Ulpiano (2012) recupera os antigos presentes e a imaginação trabalha com imagens livres. múltipla e incessante. 2010) "No território das tecnologias leves.Secretaria De Atenção À Saúde (2009) Clínica Ampliada e Compartilhada. quando chega em nosso curso carrega suas posições pessoais. G. nos trabalhos de rua e em viagens. por diversos caminhos todos contendo seus elementos contíguos. "a memória é a espessura do tempo vivido. Performar é a possibilidade de sair de um registro unidirecionado de forma de ação já estabelecido. E E. tudo envolvido em muito cuidado. agenciamentos. algumas vezes. São Paulo: Hucitec. encontro. das dúvidas encontradas ou dos caminhos percorridos.br/noticias/noticias-arquivadas/ 12001-%60o-corpo-tornou-se-um-simples-acessorio%60-entrevista-comdavid-le-breton Deleuze. A perspectiva do cuidar ampliado e desdobrado provoca encontros onde é necessário intensa sabedoria. Feuerwerker L C. A partir de um paradigma do cuidar. estar na intensidade de uma ação. permitiram compor um cenário de debates e. V. D L (2008) O Corpo Tornou-se um Simples Acessório. Os objetos e imagens dos acontecimentos vividos no universo terapêutico são apreciados e fortalecidos em feed-back. a certa relação vivida com a temporalidade. http://claudioulpiano. sentido. Cuidar é dar atenção. responde a um campo imprevisível de variações. pela Espera. sentidos. a memória não memoriza o que quiser. São Paulo: Hucitec. Apud: Franco T B. para entrar no registro do afeto. dobras e multiplicidade.gridserver. mas. Mendes (2007) salienta que a prática no coletivo traz a clínica como objeto não fixo ou definível. do encontro pautado no cuidar. ir a busca de algo.pag. sequência e inteligibilidade aos acontecimentos. 1-144 Deleuze (2006). por uma cena descrita (Ferraz. como um jogo de análise síntese ou pela descoberta de um cenário através da closura visual. o homem pode imaginar o que quiser. as emoções e os fazeres. pré-estabelecidos ou regidos pelos instrumentos oriundos da clínica e da educação.L.com/?s=Mem%C3% B3ria&x=0&y=0 61 . cogitar e só então agir. A memória. pela percepção. do toque. como forças que caminham e traçam direções ímpares na busca de novos sentidos e novas funções de ação. O Orgânico e o Cristalino ou as Faculdades em seu Uso Comum e em seu Uso Transcendente." (p. O espaço do cuidar acontece nos encontros.141). Corpo. pensar. afirma que operar nos espaços construtivos e férteis na clínica e educação é desterritorializar o sujeito. reconhecemos pratica e teoricamente a intuição. o reconhecimento do agente de cuidados. tratar. com o tempo. do respeito. Cuidar dos que estão em formação é tratar com zelo afetivo e rigor epistemológico a passagem para uma produção coletiva a partir do afeto. assim. a sensibilidade de perceber. ousar. Mendes. no acolhimento. principalmente. mas. ou para uma comunidade. transeuntes. Assim. se inquietar é ultrapassar. Jornal Estado de São Paulo http://www. a prática clínica e educativa psicomotora ofertada na formação promove a todo instante reflexões sobre o cuidado com o corpo próprio e com o corpo do outro.org." (p. Franco T B. deslocamentos afetivos de grande importância entre nossos formandos. São Paulo: Hucitec. afectos. Cuidar não é proteger. lembrança. trazemos à tona sempre as referências da memória. percepção. o desejo. em sua singularidade. O desenvolvimento experimental e teórico em nossa formação se estrutura nas supervisões. Ulpiano C.unisinos. refletir. para então. todos estes são movimentos possíveis a partir de um novo per-formar. a imaginação e a percepção são elementos que norteiam a linguagem. O formando. demarcando uma escolha de ação. como também. cuidar. Ramos V C (org) (2010) Semiótica. espaço. Trabalhos Científicos/Temas Livres . O pensamento sobre agenciamentos e produções na clínica nos afirma de forma clara e convincente Merhy et al." (p. Essa relação é mapeada nas ações e diálogos pertinentes a uma proposta de coerência e sentido. em nossa formação. REFERÊNCIAS Breton. Cerqueira M P. ou seja. seguimos adiante mostrando em que acreditamos e valorizamos em nosso trabalho. com suas qualidades. criar através dos mais variados meios. Ministério Da Saúde . no olhar. M C (2010) Homo Deletabilis. Por fim. O modelo exato das escolhas vividas. São Paulo: editora 34. Ramos V C (org) (2010) Semiótica. na singularidade. da espaço à performance da experiência do afeto. esquecimento do século XIX ao XXI. linguagem. Nessa direção. o simbólico e a apropriação de um sentido para o mundo. atentar. Entendemos que "fazer sentido" implica em estabelecer relações. Temos então representações onde o outro define o sentido e a decisão sobre suas ações. Afecção & Cuidado em Saúde. do olhar. do pedido de pertencimento. do encontro pautado na diferença. O trabalho é norteado pelo saber. das tecnologias-leves. a possibilidade da emersão de entraves aos seus processos. corpo." (p. do pedido de esclarecimento. descobrir. e. percepção. olhar.s87743. (2007) Uma Clínica no Coletivo . A memoria que presentifica o vivido. vivência. Rio de Janeiro: Centros de Estudos Cláudio Ulpiano. hesitar e dar a chance do novo começo.ihu. a relação que se estabelece é transversal. Brasília .Trabalhos Científicos Nessa abordagem. Mais uma vez Bergson se aproxima e retrata. ela só envia antigo presente. não é definir o melhor para o outro. o imaginário. os formadores não dão a forma. como um convite a processos de transformação. da escuta. sendo preciso que o formador possa acolher e respeitar o tempo de cada um para criar movimento e deslocar das posições adquiridas social e culturalmente.

tece as questões e os aspectos relacionados aos vínculos. Na formação teórica é preciso entender de que criança. Concluímos então com as considerações finais. Aqui já se estabelece o valor de se ser psicomotricista e não perder a construção profissional anteriormente traçada ainda. bem como os limites entre o subjetivo e o institucionalizado. as bases psicanalíticas. mas que confluem em seus aspectos formativos. entende-se como formação profissional o desenvolvimento profissional caracterizado pelo processo de crescimento individual. discutir o aspecto formativo apresenta em seu cerne questões importantes como o perfil que se busca traçar para que o psicomotricista seja reconhecido em seu papel profissional e o exerça com a devida importância que lhe cabe. É momento de se entender o desenvolvimento humano e partindo de que premissa. por seguirmos em formação continuada a favor dos vínculos e para favorecer os vínculos efetivos na sociedade vigente. 1995). realizando a atividade humana em todas as suas possibilidades. seguindo para o enredamento e o apontamento das congruências e discrepâncias entre estas 62 sustentações e por fim apresentamos o caminho percebido para desmembrar esse emaranhado formativo. pondo em discussão as construções que se dão em cada linha de abordagem. Mas todo vínculo está relacionado a escolhas sobre a quem vincular. tece as considerações. naturalmente esta transformação se dará. Devido à sua abrangência. quando a escolha de ser um psicomotricista se dá. para o mercado atual. Estaremos apresentando primeiramente a questão do processo de vinculação nas três bases de sustentação formativa (teórica. pois através dele se tece a marca da parceria. e os diferentes aspectos: o espaço. a construção e entendimento do eu e do outro nas relações. e também como uma das 50 tituladas inicialmente como Psicomotricista no Brasil. Freud. INTRODUÇÃO A formação profissional na Psicomotricidade vem crescendo na medida em que a ciência psicomotora começa a fazer parte de uma das especialidades mais transdisciplinares nas áreas de educação e saúde na atualidae. O PROCESSO DE VINCULAÇÃO Vincular envolve identificar-se. Entendo. o papel do brincar e de despertar o que significa o prazer em seu corpo. o enredamento dos vínculos e o desmembramento das redes nesse processo formativo. os praticantes. a formatação funcional e relacional. entre o psicomotricista em formação e o processo formativo. Nesse campo o estudo e o valor da brincadeira. dos corpos aprisionados. seja no campo educacional ou terapêutico. as fluências e as desestruturas.Setembro 3013 . de que adolescente. de aquisição e de aperfeiçoamento de competências. para posteriormente entender o papel de ser parceiro no jogo para o outro. e antes disso entender de forma geral as premissas do trabalho psicomotor. trazendo a contradição entre a defasagem de formação inicial neste campo. prática e corporal pessoal. Vínculos. 2004).pag. No trabalho corporal é preciso entender a importância da vivência pessoal na relação com o outro. Sabe-se ainda que na atualidade muitos cursos à distância. A formação didática nesta fase visa decodificar as ações nas práticas psicomotoras. e incorporando a estas a própria singularidade do praticante. prática corporal e didática). juntamente com os movimentos. entendo que estarei. bem como a necessidade de assumir a limitação das formações. as limitações e as potencialidades. Trabalhos Científicos/Temas Livres . os objetos. E ao se dirigir a uma formação de psicomotricidade. o psicomotricista. concretizando o olhar sobre "um sujeito que possui uma história e uma personalidade que compõe sua estrutura interna e externa e que se revela na interação com os diferentes contextos ao longo de sua vida (Bueno. na construção enquanto psicomotricista. a falta. Traça-se assim a compreensão das diferentes linhas de abordagem. 84)". e associando a questão do vínculo. e didática / supervisão. dos vínculos adormecidos. necessários para a efetiva formação de um psicomotricista. prática pessoal corporal. a Associação Brasileira de Psicomotricidade (SBP). é preciso desmistificar a fragmentação imposta pela teoria. 2010. Psicomotricidade Aquática. 1-144 . entrelaçados com a visão bioecológica e sistêmica que nos coloca na realidade em que vivemos. na relação consigo mesmo. buscando superar as bases alienadoras.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Os vínculos e o enredamento necessário na formação profissional em psicomotricidade Autor: Jocian Machado Bueno Instituição: Água & Vida Centro de Psicomotricidade / UTP-PR) Resumo Este artigo vem discutir as peculiaridades inerentes à Formação Profissional em Psicomotricidade Aquática e Escolar. Na fase de vinculação o processo é de descoberta e de escolhas. apontando para a perspectiva de autores do desenvolvimento progressistas como Leontiev. dentre outros. de eficácia no campo de atuação e de socialização profissional (Gonçalves. com quem compartilhar vínculos e que tipos de vínculos podem derivar destas relações. e Wallon. que para uma formação profissional efetiva. No processo formativo esse é um dos pontos de grandiosa importância. a mesma trilhará três aspectos: teórica. a partir do olhar sobre os vínculos: o processo de vinculação. mecânicas e repetitivas intrincadas nas práticas corporais de uma forma geral. aqui também apresentando como estes vínculos vão se enredando. Também a inserção da categoria corporeidade apresenta o principal objeto de estudo de qualquer área da ciência psicomotora. e didática. esta deve envolver a compreensão para as escolhas de ação profissional. com os objetos. ainda preliminar. Assim. Vigotski. apontando a importância do papel ético na formação para a construção de um papel efetivo e construtivo na área da Psicomotricidade. Como representante de uma das linhas de formação. para o mercado atual. na busca da totalidade do participante. com o espaço. de que adulto e de que idoso falamos. a escassez da formação continuada e a dificuldade de compreender o que se entende por formação profissional. (Bueno. 1. Por fim. necessários para a efetiva formação de um psicomotricista. o participante da formação entender ser sua caminhada. assim. a Psicomotricidade Aquática e Escolar. O objetivo deste artigo é elucidar questões e aspectos relacionados aos vínculos. psicomotricista em formação. no momento em que se pautam nas diretrizes de uma ciência psicomotora e de seu órgão apoiador e representativo. Na formação pessoal é preciso entender o papel do vínculo. para que o psicomotricista em formação permita-se desgarrar-se de leituras lineares sobre o sujeito e parta para análises mais profundas. bem como cursos rápidos vem sendo oferecidos. Baseado no tripé conferido a uma formação profissional. em uma construção crítica apoiada em leituras. Aponta as questões éticas que permeiam o processo formativo. 2. a saber: formação teórica. Justifica-se assim por conta da necessidade de sedimentar a formação profissional. sobre a qual diferentes contextos incidem sobre o corpo em movimento e sobre a nossa realidade. Palavras-chave: Formação Profissional. Se. entendendo ser este o principal papel das formações em Psicomotricidade de uma forma geral. é preciso reviver o prazer do encontro. p. juntamente com a apresentação dos eixos norteadores de uma formação profissional. o corpo. envolvendo a cultura e a atividade corporal. Tal construção teórica exige um vincular-se pautado em teorias das práticas vigentes.

no emaranhado que envolve a complexidade de cada praticante. em momentos de vínculos e desvínculos contínuos.Trabalhos Científicos 3. Isso se dá na análise do registro com o vídeo e posterior discussão. suas dificuldades e desejos. acima dos seus formadores e instituições de formação. É o momento em que se constroi a articulação entre as áreas. ao seu aluno. na diversidade de cada indivíduo. os registros e a escrita. incluindo a necessidade de serem eternamente estudiosos. entendo que o papel profissional de tornarse formador nos torna mais vulnerável e a todo instante responsáveis por esta capacidade reflexiva que a profissão de psicomotricista exige e mais ainda. os profissionais e os métodos. É o espaço de encontro e de confronto de ideias. na qual os colegas favorecem essa construção. as limitações que serão encontradas para atuar como psicomotricista nas diversas realidades. 2004) Na formação didática. 1-144 5. O enredamento se constitui assim no momento de maior trabalho e de maior intensidade. a importância da mediatização corporal. permitindo sua estruturação e delimitando novas metas e objetivos na concretização de seu trabalho como psicomotricista. esse é o momento em que cada participante. Trabalhos Científicos/Temas Livres . Isso se obtém a partir da tomada de consciência e da elaboração da própria problemática. a análise do observado e vivenciado. construiu um alicerce com bases imperfeitas em algum dos tripés. Darrault. e também onde se delimita os limites e as possibilidades de atuação de cada participante em formação. empatia tônica e disponibilidade corporal (Camps e Garcia. para assumir a sua identidade precisa suportar a separação. É onde se traça os limites entre o trabalho educacional e clínico. os objetos. bem como a formação profissional sempre em construção e. muitas vezes desfocado. Tal contexto ainda envolve as relações entre os pais. É nessa etapa que o psicomotricista em formação decodifica suas formas de vincular. Tempos importantes.pag. É momento do psicomotricista ousar abrir seus horizontes e alterar. Farias e Vieira do Nascimento (2001). por questões individuais. É o tempo da instalação do olhar psicomotor. quebras de olhares fixados. global. A construção de bons psicomotricistas deve ser individual. Corroborando com Shigunov. acolhendo as inconsistências. No campo do vínculo é o momento em que o acolhimento precisa equilibrar as forças entre a formação pessoal. de refletir sobre o registro e de receber a devida supervisão. decodificando assim os momentos em que o corpo torna-se presente e necessário nessa construção de cada praticante. na prática de seus estágios. entre a prática e a teoria e o momento em que a vivência pessoal assume a sua maior particularidade. a formação teórica e a formação didática. a compreensão de que se trabalha com o desenvolvimento do praticante (em qualquer idade ou complexidade) como uma globalidade (Mila. 2008). podem ser administradas e superadas pelo compromisso com o ser humano e a responsabilidade ética com a profissão que exerce e sobre a qual fez sua escolha. 2008). É no momento da formação pessoal em que se distingue a formação pessoal corporal individual da grupal. A supervisão é o olhar do outro. a condição de suportar as frustrações de receber um olhar diferente na sua atuação e intervenções que desviam seu foco. O ENREDAMENTO 4. VERDADEIRAMENTE. É o momento em que se instala. da sua origem. a organização de conteúdos associando a vivência percebida nos praticantes na prática psicomotora (Mila. o participante. enredam-se. Shigunov (1994) também nos fala do princípio da continuidade. vão alicerçar a identificação com as abordagens em cada psicomotricista em formação. quando se analisam os registros e as observações. de desvincular-se. contradições. Neste olhar do outro. no psicomotrisista em processo de desvinculamento progressivo de seu formador. a de formador. A formação corporal pessoal nesta fase é mais específica e vem sustentada pela formação teórica. e nesta construção vão se delimitando as particularidades de cada praticante. de registrar. Trilha-se assim o encontro com as descobertas do contato corporal. de reflexões e de levantamento de dúvidas sobre a prática do psicomotricista em formação. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como formadora. como por exemplo. seus tons e sobretons. DESMEMBRANDO O EMARANHADO Nesta etapa formativa são delimitados os pontos de congruência entre o tripé de formação anteriormente citado. É a constatação da realidade e do investimento psicomotor ali depositado pelo psicomotricista e o registro das suas imperfeições. Aparecerão as relações transferenciais: diálogo tônico. permitindo viver e contemplar diversas produções pessoais e. Na formação teórica as discussões trilharão os conhecimentos sobre o universo psíquico e das relações. "suas sensações em relação a outras pessoas. sobretudo porque a carência de conhecimento sobre as relações e vínculos tornou o participante da formação aligeirado de seu corpo. p. e consegue entrelaçãr a sua prática com o objetivo ali estabelecido. Empinet. é nesse momento que o psicomotricista em formação toma consciência dos objetivos traçados ao mesmo tempo em que coloca o seu corpo em movimento à disposição do outro na prática educacional e clínica. Associado à formação didática. desfacelamentos de fantasmas e projeções.Setembro 2013 . O grupo fechado oferece a possibilidade de sedimentar a rede vivencial. visto que não podemos garantir a perfeição. a realidade do mercado de trabalho e seus imperativos na prática profissional. O objetivo nesta fase estará em fundamentar as experiências próprias ou do grupo com os aspectos teóricos que as sustentam e fundamentam. com o planejamento de ações psicomotoras futuras. a qual implica em uma reformulação na formação inicial. No momento avançado de atuação profissional é na formação didática que o aluno encontra-se capaz de localizar o fio condutor e vai em busca. generosamente. normalmente entre dois anos e dois anos e meio muitas vezes é pouco para tal construção. incompletas. O desafio é levar o psicomotricista em formação na Psicomotricidade a entender que. como a realidade social dos sujeitos. inteiro. individualizando e assumindo seu olhar e transferindo-o à sua prática psicomotora. sua forma de funcionamento. de muito engajamento e de construções individuais. Torna-se necessário aqui discutir a importância do papel ético e assumir a limitação das formações. Além disso. conforme a área de atuação escolhida. Muitas vezes no momento de enredamento e de desmembramento do emaranhado psicomotor com a prática profissional ali sendo estabelecida. para favorecer a construção de objetivos. E o tempo institucional de uma formação. 22) comenta que "não há mudança no nível profissional se não existe primeiro uma mudança no nível pessoal". a qual aponta e direciona as escolhas para a prática do psicomotricista em ação. tempo em que o formador precisa estar presente e pontuando as verdades. pois leva o psicomotricista em formação a se identificar com as abordagens e as formas de atuar ali apresentadas. mas não é capaz de sustentar teoricamente suas descobertas por não ter se debruçado na questão teórica. à medida que estabelece essa construção com seus pares. independente da identidade da prática do psicomotricista em formação. e no qual muitas vezes temos o maior número de desistências. Conforme Souza (1996) a qualificação na formação profissional é um processo. é momento de se posicionar. futuro psicomotricista em formação. desvincular-se pouco a pouco do formador e emprestar-se corporalmente ao seu paciente. 1986). pois o ser humano é uno. entendendo a relação entre a teoria e a prática e buscando o norteamento desta arquitetura que se intitula a prática psicomotora aplicada. particularidades que confirmam sua identidade enquanto psicomotricista. do encontro com a individualidade de cada psicomotricista em formação e com o grupo. enxerga e pratica. a compreensão dos contextos interligados e a real dimensão de favorecer a estruturação do praticante. suas estratégias de relacionar-se. portanto. o espaço e o tempo" (Aucouturier. experimenta diversas abordagens e decide em prosseguir. Na formação pessoal Biagini (1986. reflexivos 63 . quando em grupo. e se confrontam os saberes teóricos. como pares nas vivências. e desbravar novos campos em cima de sua verdade e atuação profissional. da compreensão das possibilidades do corpo com seus movimentos no espaço e objetos. mas como foi dito.

seu tempo. B. 1988. A prática psicomotora . Da Universidade/UFGRS. Bueno. (org) As Formações em psicomotricidade no Brasil. Empinet. Barcelona. A formação profissional e a prática pedagógica. Vieira do Nascimento. São Paulo: All Print . Psicomotricidade: uma realidade interdisciplinar. Psicomotricidade Aquática: mergulhe de cabeça e de corpo inteiro. 2004. Souza. In: Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. 79-94. 1-144 . em busca de uma maior profissionalização. A. REFERÊNCIAS Aucouturier. Demarchi. São Paulo: Papirus. N. C. De profesión psicomotricista. III Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. Jocian Machado. Que jogo jogamos? Da formação pessoal à profissional. xxx 64 Trabalhos Científicos/Temas Livres . Revista Unimar 16 (1). Alexandre. seu espaço. 243-257. Juarez. L. n. Juan Mila. e críticos. J. Rosa M. 1996.seu objeto. p. Porto Alegre: Ed. p. sim senhor. p 239-243. Olinda: Sociedade Brasileira de Psicomotricidade. Biagini. Camps. In: PRISTA. 21-25. Victor. 2001. 2010. Porto Alegre: Artes Médicas. Farias. p. L. Gelcemar Oliveira. Angela. 2004.reeducação e terapia. Psicomotricidade . 16. Anais. Nosso papel como formadora segue baseado nestes princípios. 2008. O. Formação e desenvolvimento profissional. Shigunov.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Bueno. Victor e Shigunov Neto. Formação dos professores de Educação Física: estudo da dimensão afetiva. E Garcia. Shigunov. O Lugar da Psicomotricidade: especificidade na formação. 1994. Londrina:O autor. I. p.9. 19. L. 1986. In: Shigunov.Setembro 3013 . Darrault. Victor. La formación personal del psicomotricista como proceso de cambio y transformación .pag. Entre Lineas. Jocian Machado.53. Sou professor. Buenos Aires: Miño y Dávila srl. Sociedade Brasileira de Terapia Psicomotora.

A partir destas experiências a dança caminhou ao longo do século para uma pluralidade de estéticas que contribuíram para questionar o modelo idealizado de corpo. Prevalece nos coreógrafos contemporâneos o desejo pela diversidade corporal. virtual e atual o autor toma como referência o pensamento de José Gil (2004) e Pierre Levy (1996). Conforme Gil (2004). Com o surgimento do real os corpos que se mantinham afastados por essa barreira entram de súbito em contato. em locais como telhados. Esta dimensão do real. uma das artistas integrantes do Judson Dance Theater. Esta vertente questiona o corpo idealizado por artifícios como técnicas. rompendo com as formas clássicas de expressão corporal. entre outros. quando de uma descoberta que transforma o pensamento ou a existência.. 1999. 2013). definida pela Associação Brasileira de Psicomotricidade como "a Ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo" (ABP. Suas apresentações fugiam do convencional. No início da década de 1960. Portanto. 2006). Considerando novamente a definição de psicomotricidade como a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu 65 . Palavras-chave: Dança. compreendendo que o corpo é marcado por uma linguagem própria que expressa a forma do individuo existir no mundo. um total envolvimento do público e a instauração de um estado perceptivo no qual o corpo pudesse se configurar como o lugar da experiência enquanto algo que me acontece. jovens bailarinos que haviam trabalhado com Cunningham e desenvolvido experiências com o músico Robert Dunn. Psicomotricidade Somática. passou por diversas transformações estéticas ao longo do século XX. direi que surge em ocasiões excepcionais. o autor coloca: O que é o real? Brevemente. podemos afirmar que este processo corresponde a uma busca por um modo não cartesiano de trabalhar com o movimento. em Nova York). a ousadia criativa de Nijinski. Quebrando as barreiras que separam a arte da vida. A dança de Isadora Duncan. do espaço e do tempo muda bruscamente. que desestabilizaram sua clássica definição como "sequencia de movimentos corporais executados de maneira ritmada. pela pertinência do encontro entre dança e psicomotricidade.Trabalhos Científicos Dança e psicomotricidade: a poética do movimento na relação entre corpo. 148). praças públicas etc. a pluralidade. cognição e subjetividade Autor: Raimundo Severo Junior Instituição: Instituto Aquilae – Fortaleza-CE Resumo O presente trabalho tem como objetivo instigar algumas reflexões a respeito das possíveis relações entre dança e psicomotricidade a partir das concepções de corpo implicadas nas pesquisas e práticas corporais no campo da dança contemporânea e da educação somática. correr. cit. portanto. "o corpo 'verdadeiro'. Cit. A dança. fora esquecido na arte. das artes marciais. a ruptura com a linearidade da narrativa e a introdução do abstracionismo na dança de Merce Cuningham. não idealizado. a sistematização da linguagem do movimento de Rudolf Laban. que me toca (e não como algo que simplesmente acontece como algo exterior a mim). a desconstrução do espaço. 252). por vezes. o butoh japonês de Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata e a dança-teatro de Pina Bausch. O corpo se livra de modelos pré-determinados encarnando sua multiplicidade. No caso da dança em particular. de pensamento e de expressão. assim como todas as linguagens artísticas. Nesta perspectiva. torna-se inevitável estabelecer uma correlação entre a dança e a psicomotricidade. saltar. a qual está necessariamente relacionada às transformações do corpo e das suas relações com as coisas e com o espaço (incluindo os outros corpos) não deve ser confundida com a dimensão da realidade. Cunningham revoluciona a dança na medida em que libertou o movimento para todos os planos e sentidos. A seguir apresenta elementos para uma metodologia de trabalho terapêutico a partir da dança. (op. na obra citada. O VIRTUAL E O ATUAL "Ser um dançarino é escolher o corpo e o movimento do corpo como campo de relação com o mundo. Almejava-se com isso. no campo da improvisação e composição coreográfica. quando a percepção das coisas. na qual não existe uma única técnica capaz de dar conta da capacidade expressiva do movimento. Problematizando esta questão do real. quando o curso dos hábitos se quebra violentamente.pag. Suas experiências trouxeram para a dança algo inusitado para a época: ações cotidianas como caminhar. como acontece no decorrer das terapias psíquicas. 1999). método que vem desenvolvendo há mais de quinze anos. das terapias corporais. foram algumas das experiências que modificaram radicalmente a forma de compreensão da dança no Ocidente. empenhara-se no mascaramento da materialidade humana. das danças tradicionais populares. ou em momentos revolucionários. sentar-se naturalmente. Até a dança. figurinos. cenários e pretende que se mostre pelo movimento um corpo real. em geral ao som de música" (Ferreira. p." (Banes. a arte do corpo.." É com estas palavras que Louppe (2012. 2003). ainda. INTRODUÇÃO: A DANÇA E A PSICOMOTRICIDADE ENTRE O REAL. A busca por uma estética baseada na reaproximação entre arte e vida levou os artistas do corpo a se apropriarem de vários métodos de práticas corporais e de desenvolvimento pessoal como processos de preparação para a cena. trazendo uma concepção de dança enquanto experiência (Launay. a pesquisa de uma linguagem no próprio corpo (Miranda. uma experiência sobre a qual é interessante nos determos um pouco mais é a dos jovens coreógrafos do Judson Dance Theater. que consistiria numa espécie de véu que recobria a nossa vida anterior nos mantendo afastados das coisas e dos outros corpos. a pesquisa técnica de Marta Graham. 1-144 vés de uma intensa presentificação. um outro corpo emerge então. vista como um elemento enriquecedor do processo de criação. porém os jovens da Judson Dance foram além. das ações cotidianas. 2009). o expressionismo alemão. galerias de artes. concluindo. e o gestos exploram novos movimentos. p. pois "queriam libertar os corpos quebrando todas as normas que governavam a dança (incluindo as normas de Cunningham)". da pesquisa pessoal de movimentos. p. como instrumento de saber. Para refletir sobre a dança e sua relação com os conceitos de real. uniram-se a um grupo de artistas que passou a apresentar os seus trabalhos em uma grande sala da Judson Church (uma igreja protestante no Bairro Greenwich Village. elementos das técnicas das danças clássica e moderna. portanto. insatisfeitos com o lugar que a técnica reconquistara na dança moderna. Ao ler esta concepção sobre o que é dançar. (op. geraram ondas que reverberam até hoje em parte da criação atual em dança. 153). Valoriza-se cada vez mais a individualidade e singularidade de um intérprete. ou. Educação 1. Podemos afirmar. principalmente após a experiência da dança pós-moderna. Com efeito. Esta ruptura com a concepção dicotômica de corpo-mente é aprofundada no contexto da dança contemporânea. para Gil. p. 69) inicia o capítulo O corpo como poética. do teatro e da música se interligam para dar visibilidade ao movimento. a dança pós-moderna dos artistas da Judson Dance Church. por ocorrerem fora do espaço dos teatros. Dança e Subjetividade. denominado Corpo. a diversidade de corpos é um dos aspectos que caracteriza a dança cênica na atualidade. que o surgimento do real constitui a condição básica para a experiência do vínculo. atraTrabalhos Científicos/Temas Livres . Para Yvonne Rainer. (Banes.Setembro 2013 . das danças étnicas.

diminuem nossa potência de agir. mas ao atual: virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes. p. p. temas deste congresso. em disfunções fisiológicas ou psicológicas. (Gil. Na filosofia escolástica é virtual aquilo que existe em potência e não em ato. Tudo isto forma não só a percepção da realidade. as práticas somáticas lidam com uma concepção de corpo que poderia ser definida como corpo enquanto experiência (Bolsanello. hábitos cinestésicos. a mobilidade das excessivas cristalizações de modelos sensório-motores e de hábitos relacionados a modelos emocionais que. 2004. datados. mas de uma pesquisa sobre o corpo e sua experiência. A atualização é invenção. 2. Esta hipótese sobre o processo de atualização como condição para a irrupção do real encontra respaldo. criação de uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e finalidades. TERAPIA E EDUCAÇÃO A partir da minha experiência como psiquiatra e psicoterapeuta. poderíamos dizer que a experiência das práticas somáticas pode suspender temporariamente o véu da realidade que impede nosso contato com as coisas do mundo e os outros corpos. o conhecimento. 3. continuam. das coisas e dos outros corpos. 2005) e integram um novo campo interdisciplinar proposto por Richard Shusterman. Para ele: A somaestética se volta para o estudo crítico e para o cultivo melhorativo de como experienciamos e usamos o corpo vivo (ou soma) como lugar de apreciação sensorial (estesia) e de autoestilização criativa. Poderíamos aqui convocar também Baruch Spinoza e dizer que tanto a psicomotricidade como a dança teriam como tarefa o aumento da potência de agir do corpo a partir da produção de bons encontros. A partir desta definição vislumbramos as práticas de educação somática como experiências que podem se constituir como formas de alimentar os processos de abertura do corpo ao mundo e de singularização. respiração e percepção. intensificação das capacidades receptivas das vibrações do mundo e acréscimo das potências ativas do corpo. buscando propiciar ao aluno a possibilidade de experimentar o seu corpo de um modo em que estejam integradas as dimensões sensório-motora. a dança (compreendida nesta perspectiva) e a psicomotricidade. O termo "soma" indica um corpo vivo. Todos os corpos são. por outro lado. Dito de outro modo.BMC) e outros.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. 2008). p. Além disso. à concretização efetiva ou formal. Frederick Alexander (Técnica de Alexander). Embora apresentem diferenças entre si. Todos estes estratos vêm do passado e de uma certa ideia do futuro (segundo as expectativas construídas). (Shusterman. O termo educação somática foi utilizado pela primeira vez em 1983. favorecendo o surgimento do real e os processos de atualização das forças de virtualização. 2012. A EDUCAÇÃO SOMÁTICA Uma das contribuições para a ampliação da concepção de corpo e de dança foi o surgimento das práticas de educação somática ao longo do século XX. movimento. na prática da educação somática o foco do trabalho não está no sintoma. as práticas de educação somática. a examinar as relações entre os termos real e virtual. isto é a concepção de corpoobjeto. O virtual tende a atualizar-se. 16). DANÇA E SUBJETIVIDADE: UMA POÉTICA DO MOVIMENTO NA INTERFACE ENTRE ARTE. por pessoas 66 que se propuseram a pensar a importância do corpo e do movimento na produção da saúde e na aprendizagem de novas habilidades. nas palavras de Spinoza. por exemplo) e do processo de desconstrução e aquisição de novos hábitos de postura. cit. na tendência massiva à construção de um corpo de acordo com o modelo dominante. como sugere o uso no senso comum do termo virtual. o virtual é uma das suas dimensões. compreendido com algo a que falte existência porque é desprovido de realidade material ou presencial. Todos os corpos são constituídos por inumeráveis estratos de tempo. Tomando como base os conceitos formulados acima.Setembro 3013 . Amplamente difundidas nos meio artísticos. 154). Devemos nos deter por um breve momento. potência. Ao invés de se opor ao real. Sobre o conceito de atualização. Todos os corpos são parcialmente inatuais. 15). um verdadeiro devir que alimenta de volta o virtual. a religião nos fizeram abandonar a presença como condição de realidade. talvez por operarem com uma concepção de corpo radicalmente diferente daquela sobre a qual se fundamenta a formação dos profissionais de saúde. paradoxalmente. (op. Dra. As práticas de educação somática. cognitiva e energética.Mind Centering . favorecem a desconstrução do corpo. Ehrenfried (Ginástica Holística). uma transformação das ideias. trazendo para o campo da clínica e da educação possibilidades de resistir às forças de dessubjetivação do corpo no mundo contemporâneo e ativar as potências ativas do corpo. que além de filósofo é também professor do método Feldenkrais de Consciência pelo Movimento. sobretudo no campo da dança. senciente e sensível. força. mas no organismo como um todo. deduz-se a sua estreita relação com esta concepção de dança. As forças de dessubjetivação no mundo contemporâneo manifestamse. sobretudo. o autor nos lembra ainda que. O desenvolvimento das técnicas de educação somática não parte ou se fundamenta em uma teoria do psiquismo humano. 1996. do estudo das práticas terapêuticas somáticas e da minha experiência com a dança contemporânea. Ida Rolf (Rolfing). pertencendo a outras épocas que transportam com eles no seu presente. p. favorecendo aquilo que Gil denomina de abertura do corpo ao espaço. sobretudo na seguinte afirmação: Cada corpo interioriza modelos sensório-motores. mas a sua estrutura e o seu modo de funcionamento e de presença. sem ter passado. a ampliação da consciência corporal.pag. um método de trabalho com grupos o qual tenho denoTrabalhos Científicos/Temas Livres . Em termos rigorosamente filosóficos. derivado por sua vez de virtus. CORPO. Segundo Pierre Levy (1996). e não um mero corpo físico que poderia estar desprovido de vida e de sensação. a memória. em certo sentido. no entanto. Diferentemente da ideia de corpo-objeto ou corpo-máquina. pensamentos e regras de comportamentos rígidos que acompanham modelos emocionais correspondentes. Alguns destes pioneiros são: Gerda Alexander (Eutonia). Os efeitos terapêuticos decorrentes se devem a mudanças dos estados corporais (o tônus muscular. consolidando-se gradativamente na década de 1990. o primeiro equívoco a ser esclarecido em relação a estes dois termos é que não há oposição entre eles. 26). em um artigo de autoria de Thomas Hanna publicado na revista Somatics. afetiva. A árvore está presente virtualmente na semente. Recorrendo a Michel Serres. uma solução que não estava contida previamente no enunciado. desmoronamento este que para ocorrer depende de atualizações e virtualizações que se alimentam reciprocamente. o virtual não se opõe ao real. Dentre estes podemos considerar que os mais importantes são: o trabalho sobre a percepção. Levy coloca que: A atualização aparece então como a solução de um problema. Bonnie Baindbridge Cohen (Body. no sentido de que ambas. Segundo o autor: A palavra virtual vem do latim medieval virtualis. Por educação somática entende-se um conjunto de métodos e técnicas que foram desenvolvidas geralmente na primeira metade do século XX. mesmo antes do surgimento da informatização e das redes digitais a imaginação. pouco conhecidas no campo da saúde. os vários métodos de educação somática apresentam alguns princípios em comum. a valorização da aprendizagem pela experiência e o respeito pela singularidade de cada indivíduo e das diferenças entre os corpos. Acontece algo mais que a dotação de realidade a um possível ou que uma escolha entre um conjunto predeterminado: uma produção de qualidades novas. no entanto. teriam como tarefa a suspensão desta realidade através da criação de dispositivos de produção de condições para o surgimento do real. principalmente na América do Norte e na Europa (Strazzacapa. (Levy. 1-144 . e o "estética" em "somaestética" tem o papel duplo de enfatizar o papel perceptivo do soma (cuja intencionalidade corporificada contradiz a dicotomia corpo/mente). deduzimos que o que Gil (2004) denomina de surgimento do real parece resultar de um processo de desmoronamento de uma dada realidade que nos mantém afastados de nós mesmos. principalmente da formação médica. Moshe Feldenkrais (Consciência pelo Movimento). venho desenvolvendo há mais de quinze anos.

O trabalho sistemático acontece em grupos semanais ou em workshops de finais de semana. como afirma Greiner (2010. 2001. sendo. pois é a partir dele que pode se instaurar um estado perceptivo no qual o corpo possa se configurar como o lugar da experiência.56). desenvolvida a partir da articulação entre os princípios da educação somática. 108): "aprender a viver é aprender a criar seu próprio estilo." Diante da exposição deste método de trabalho. Dessa forma. É com esta noção de mídia de si mesmo que o corpomídia lida. Através deste processo "atingimos uma determinada condição que fenomenologicamente não parece nem puramente mental nem puramente física. fotografia. Baseado nos pressupostos da teoria do corpomídia e nos estudos atuais sobre corpo e cognição. Busca-se. 6). prémovimento. O corpo é o resultado desses cruzamentos. Jorge Larrosa. A improvisação encerra ainda a dimensão do jogo e do lúdico. ao privilegiar a individualização de um corpo e de um gesto. 76). o indivíduo amplia consequentemente a sua capacidade expressiva. pois toda informação que chega entra em negociação com as que já estão." (Varela. como um condutor de informação entre um indivíduo (descorporalizado) e o meio. Vale ressaltar que estes aspectos da experiência somática estão presentes simultaneamente. O trabalho sobre a percepção constitui uma condição básica para todo o trabalho. do corpo que se move (ação corporal) e do corpo que pensa (cognição). Considerando as inter-relações entre percepção. proponho a experiência da improvisação como forma de acionar os processos de transformação das experiências que constituem o corpo a partir das histórias pessoais pela negociação com as experiências com o corpo em movimento. Através da exploração da expressividade do movimento ampliam-se as qualidades expressivas em relação a estes quatro fatores. apresentado no texto "Gesto e Percepção" (Godard. Para as autoras. de uma psicologização da dança na tentativa de atribuir significados e interpretações ao movimento dançado e ao gesto. a experiência do corpo em movimento e a organização da experiência através do pensamento e da linguagem. objetos cênicos (geralmente pessoais e com alto conteúdo simbólico) e outras tecnologias. A performatividade refere-se ao trabalho de composição realizado pelos participantes. e não com a ideia de mídia pensada como veículo de transmissão. Quero lembrar que a dupla captura não é uma síntese. 67 . de eventos e situações significativas ou temas importantes no processo terapêutico do participante. A informação se transmite em processo de contaminação (Greiner e Katz. um gesto que é quase impossível nos tempos que correm" (Larrosa. Segundo a teoria do Corpomídia (Greiner e Katz. o método Corpo. os quais constituem importantes aspectos da experiência somática e do movimento. Não há causalidade linear.Setembro 2013 . Utilizo aqui o conceito de dupla captura para enfatizar que não se trata. p. 1-144 movimento utilizamos os princípios e técnicas da educação somática. p. ação corporal e cognição. Dança e Subjetividade. Nas palavras de Greiner (2005). apoiando-se nas discussões filosóficas sobre corpo e subjetividade. desse modo. 2005) o corpo não é um instrumento a partir do qual transmitimos informação para o ambiente e armazenamos o que dele captamos. especialmente os fatores de movimento espaço. A expressividade do movimento é explorada tomando-se como referência os princípios de movimento de Rudolf Laban. 2012). gostaria de finalizar afirmando que considero o encontro entre dança e psicomotricidade não apenas como possível. emoção e sentimento). peso e fluxo. decorrentes de um processo de desterritorialização (Deleuze & Parnet. oferece possibilidades de criar condições para que se operem passagens do movimento virtual ao movimento atual. baseada em uma concepção de corpo como recipiente. sendo esta segmentação uma estratégia didática para explorar mais adequadamente cada um deles. É um trabalho de criação de pequenas cenas onde podem estar integradas as linguagens da dança. dando passagem a afetos que possam fluir do interior para a superfície do corpo. podemos também afirmar que se trata de uma pedagogia do movimento que possibilita a inserção da dança como prática terapêutica através de agenciamentos heterogêneos entre estes dois campos num movimento de dupla captura. Esta noção. De outro modo. os princípios de movimento de Rudolf Laban e os processos criativos em dança. O conceito de experiência é retomado por vários pesquisadores e filósofos que abordam a questão mente-corpo. a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque. tempo. o corpo é mídia de si mesmo: O corpo não é um meio por onde a informação simplesmente passa. como o cientista cognitivo Francisco Varela (2001) e o filósofo japonês Yasuo Yuasa (1987). As cenas são construídas a partir de fatos da própria história. uma integração. Afinal. Uma metáfora utilizada por Varela para exemplificar o processo de modificação da relação mente-corpo através de mudanças no estado perceptivo é a analogia da afinação de um instrumento de cordas. sendo apresentadas no próprio grupo. em um texto intitulado Notas sobre a experiência e o saber de experiência aborda este conceito a partir do pensamento de Walter Benjamin. É a criação de novas intensidades que corresponde ao que Deleuze chamou de linhas de fuga. p. Dança e Subjetividade estrutura-se a partir de três processos básicos: a ampliação da percepção. portanto. o texto (geralmente da própria autoria). indispensável ao processo de invenção de si. mas produção recíproca. de acordo com o desejo e a criatividade de cada um. como também discorre sobre as condições de possibilidade para que a experiência aconteça: "a experiência. improvisação e performatividade. Os encontros semanais têm duração média de duas horas e meia e se constituem de momentos de conversa e de momentos de experimentações com o corpo em movimento. na experiência de improvisar. acionar um processo que traga a possibilidade de estabelecer um fluxo integrado de experiências entre as dimensões do corpo que percebe (sensação.pag. p. A mídia à qual o corpomídia se refere diz respeito ao processo evolutivo de selecionar informações que vão constituindo o corpo. essenciais para o desenvolvimento da relação do sujeito com o mundo e para proporcionar uma suspensão temporária da realidade. música. o indivíduo é impelido a encontrar novas soluções na relação do corpo com o espaço e os outros corpos. Considero um momento muito importante na produção de aprendizagem inventiva no sentido proposto por Kastrup (2008. nos estudos das ciências cognitivas e na concepção original da Gestalt Terapia. requer um gesto de interrupção. em hipótese alguma. uma mídia que veicula uma mensagem. 1998). considera o corpo como um instrumento passivo. Para estes autores a modalidade mente-corpo se modifica pelo treino da mente e do corpo através da cultivação (que corresponde ao conceito de shugyo).Trabalhos Científicos minado de Corpo. percepção e pensamento estão necessariamente integrados. mas profícuo. paradoxalmente uma condição necessária para o surgimento do real. 2001. expressividade. p. É ele que confere a qualidade expressiva ao movimento e ao gesto e está intimamente relacionado ao nosso estado emocional através de configurações sutis da musculatura. sem categorizações intermediárias. experimentando uma desconstrução de padrões corporais sensório-motores relacionados a determinadas experiências emocionais e a aquisição de novos comportamentos expressivos. portanto. ao invés disso.131). e não um lugar onde as informações são apenas abrigadas. que são: percepção. a produção e não a reprodução de um gesto (a partir da esfera sensível individual) e valores como a autenticidade pessoal e o respeito pelo corpo do outro (Louppe. 2005. a improvisação solicita um tipo de percepção que tem a ver com uma ação interna que se organiza praticamente naquele momento. Nossa referência para este conceito é o pensamento de Hubert Godard. A improvisação pressupõe um fluxo de informações entre o corpo e o ambiente e. As experimentações são organizadas e propostas em torno de cinco conceitos. Para focalizar o trabalho sobre o préTrabalhos Científicos/Temas Livres . O método pode ser definido como uma proposta de trabalho com o corpo em movimento. trata-se mais de um gênero específico de unidade mente-corpo. 2000). o modo como compreendemos como as coisas acontecem é sempre em termos sensório-motores. a dança contemporânea. O conceito de pré-movimento diz respeito à organização do corpo em relação ao peso e à gravidade antes mesmo da realização do movimento. O trabalho que se fundamenta no conceito de pré-movimento é enfatizado geralmente no início da sessão e tem como objetivo modificar o estado do corpo para que surjam novos percursos sensório-motores. como foi dito anteriormente. fazendo escolhas em tempo real onde ação. invenção simultânea de si e do mundo. Conforme apresentado anteriormente.

Levy. mai. Julieta.. São Paulo: Iluminuras. Rosch. Curitiba. Isabelle. Débora. Christine e KATZ. Novo Dicionário Aurélio da língua portuguesa. Francisco. 2001. Louppe.). 1999. Rio de Janeiro: Rocco. Curitiba: Ed. Thompson. Sally. REFERÊNCIAS ABP . Campinas . Lições de dança. Larrosa. Movimento total: o corpo e a dança. Regina.com. Aurélio Buarque de Holanda. Evan. Varela. Roberto (org. Eduardo (org. Poética da Dança contemporânea. In: Bolsanello. Greiner.psicomotricidade. Claire. As técnicas de educação somática:de equívocos a reflexões. xxx 68 Trabalhos Científicos/Temas Livres . Gilles & PARNET. Lisboa: Orfeu Negro.pag. movimento e saúde. O corpo em crise: novas pistas e o curto-circuito das representações. Diálogos. 2009.sp. Educação somática: o corpo enquanto experiência.gov. 4ª ed. Castilho. 34. Trad. New York: State University Press. Débora. Gomes. A mente corpórea: ciência cognitiva e experiência humana. 1. 2001. 2008. v.br/ smenet/seminario/seminario_pronto_jorgelarrosa. In: Calazans. Christine. 1996. Helena. Strazzacappa. São Paulo: Realizações Editora. Gil. 2003 p. Juruá. 1998. Bolsanello.campinas. The Boydy: Toward an Eastern Mind-Body Theory. 2006. Acessado no dia 07 de agosto de 2013. Em pleno corpo: educação somática. In: Soter. Rio de Janeiro: UniverCidade. 2005 Deleuze. In: O Corpo: pistas para estudos indisciplinares. A Cognição Contemporânea e a Aprendizagem Inventiva. Miranda. Richard. Yasuo. Tradução: João Wanderley Geraldi. São Paulo: Anablume. I. In: Kastrup. Sílvia e Passos. 2005. Greenwich Village 1963: avant-garde.Setembro 3013 . Ferreira. www. 2012. José. 2012. Jacyan. In: Seminário Internacional De Educação De Campinas.br. O que é o Virtual? São Paulo: Ed. Kastrup.11 n. performance e o corpo efervescente.2 p.225. Eleanor.SP. Virgínia. Laurence. 216 . Motriz. Shusterman. São Paulo: Cortez.Associação Brasileira de Psicomotricidade. Eloisa Araújo Ribeiro. Greiner.htm>./ago. São Paulo: Anablume. Lisboa: Editora Instituto Piaget. Virgínia. Laban. Porto Alegre: Sulina. Para incluir todos os corpos. 1987. Sílvia e Pereira.99-106. Consciência Corporal.) Dança e educação em movimento. 1-144 . Tedesco. vol. Positivo. Simone (org. Yuasa. 2008.) Políticas da Cognição. Por uma teoria do corpomídia. ou a experiência da dança.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Launay. Banes. 2010. Jorge. São Paulo: Escuta. Rio Claro. 2004. Disponível em <http://www. Márcia. Pierre. Notas sobre a experiência e o saber de experiência.

2006). tanto para quem a testemunha e intervém. ameaça de alunos e familiares aos professores. faz-se necessário aprofundarmos o debate sobre a função social da Psicomotricidade como potencializadora de transformações sociais. legitimada e transformada no cotidiano das interações escolares (Denzin. 1-144 Esclareço que a categoria corpo é utilizada no sentido de corporeidade. conversas informais. fui surpreendida por um fato inesperado que deslocou meu ponto de vista inicial e tem motivado a continuação desta pesquisa. destaco André (2000). do meu ponto de vista. o equilíbrio. dentre outras. Quando associada à Dança. De minuto em minuto. Estas observações foram realizadas em 2011 e 2012. testemunhei uma avalanche de agressões de diversas naturezas entre aluno-aluno. Como referências. beliscões. fomentadora de memórias socialmente compartilhadas que constroem o cotidiano social e os sentidos de humanidade. o tempo e as intensidades energéticas que alimentam o tônus muscular. Sabemos que não existe "a" escola pública. do ponto de vista desses alunos. Palavras-chave: Dança. vale à pena insistir no debate e nas possibilidades de transformação sócioeducacional. Em comum. Freire (2009). situada numa comunidade da zona sul da cidade. Vygotsky (1991). Espero que esta pesquisa possa somar ao diálogo mais amplo e transdisciplinar para a compreensão do fenômeno da violência nas escolas (e na sociedade). estavam brincando entre eles como um modo de inserção e pertencimento ao grupo social. Gondar (20003 e 2005). ao conversar com diversos alunos que praticavam. repleta de elementos verbais e não-verbais que compõem e sustentam os discursos individuais e coletivos (Gee. Dança e Psicomotricidade se comunicam na transversalidade do corpo e do movimento nas suas relações com o espaço. escolhi as escolas públicas como campo de pesquisa observacional na tentativa de compreender como os sentidos de violência circulam nessas e através dessas instituições. Especialmente. mas não são levados à sério". Segundo a fala de um desses alunos cuja identidade. Gomes Instituição: UNIRIO Este trabalho tem como objetivo refletir sobre algumas possíveis contribuições da associação entre Dança e Psicomotricidade como prevenção à violência nas escolas públicas no Estado do Rio de Janeiro. a coordenação motora. em que as diversas formas de violência atingem todos os cantos da cidade do Rio de Janeiro e do Estado. ocupação estéril do tempo de aula. Assim. enquanto ele virava de costas para suas conversas no facebook em seu leptop pessoal. numa escola da rede pública. o modo como a violência é construída. por uma questão ética. como para quem a legitima pela omissão. nas quais a relação entre corpo e violência estão presentes. professores. em 2011. escola pública. e em xeque. Memória Social No atual momento histórico. nos quais atuei como pesquisadora e professora-assistente na disciplina de Educação Física. pontapés. mas "as" escolas públicas. a escola pública deveria construir relações mais democráticas por ser uma instituição mantida pelo capital público com a missão de facilitar o acesso aos bens culturais da humanidade e construir uma cidadania mais plena para todos. 2000). que. Para efeito desse artigo. a partir do ponto de vista deles. procedimentos metodológicos e atitudinais (André. enquanto existirem escolas cujas relações são tecidas nas diferentes formas e sentidos de violência. Como metodologia. educacionais e culturais. na medida em que a comunicação diária acontece de forma dinâmica. autoritarismo na relação professor e aluno. Imersa no campo de estudo das escolas públicas. coordenadores. Diante desse leque de possibilidades sócioeducacionais. quanto para a vítima. na certeza de que a associação entre dança e psicomotricidade é um instrumento valioso capaz de fomentar novos significados e linguagens interacionais. Corporeidade é também considerada aqui como uma linguagem prática interacional. descobri que. Flick (2004). violência. formas violentas de interação social. a capacidade de criação e de interação social. Sontag (2011). 69 . que contribuições a associação entre Dança e Psicomotricidade poderia trazer para a desnaturalização e transformação da violência nas escolas (e na sociedade)? Essa questão originou a pesquisa que venho desenvolvendo sobre corpo e violência nas escolas desde agosto de 2011. psicomotricidade. 1999). Na ocasião. inserida numa visão holística na qual os múltiplos fatores internos e externos participam da construção identidária pessoal (Merleau-Ponty. que atende ao Ensino Fundamental. Trabalhos Científicos/Temas Livres . e até que ponto seria viável a construção de interações escolares alinhadas com os movimentos mais progressistas da educação que tem como prioridade a reflexão-crítica e a construção democrática. análise de documentos e participação em reuniões e atividades escolares. dança e psicomotricidade na prevenção à violência nas escolas públicas no estado do Rio de Janeiro Autor: Simone M. eles não estavam se agredindo. a educação e a saúde pública. Como opção metodológica. Porém. O que para mim parecia violência. assim como sugerir formas de intervenção sócioeducacional. descaso com os alunos e professores. aulas de práticas corporais nas quais o professor entregava a bola para os alunos jogar o que quisessem (se quisessem). gostaria de destacar duas notas de campo. do primeiro ao quinto ano. de expressão do imaginário e de mobilização do self. bulling em diferentes situações. professoresinstituição escolar. Laban (1990). plural e multinivelar. isto é. Nesta escola. Mas. mas sim "zoando" uns com os outros. a Psicomotricidade expande ainda mais sua capacidade de aplicação. Essa pesquisa teve origem quando atuei como professoraassistente na disciplina de Educação Física. 2006). F. Para minha surpresa. aluno-professor. socos. que atuam no segmento do Ensino Fundamental. é preciso estranhar o familiar e se familiarizar com o que parece estranho. acrescidas de entrevistas aprofundadas. Butler (2011). isto é. como dizia Velho (1978). me possibilitou a maior aproximação com os diferentes agentes escolares (alunos. manterei preservada. Galvão (2000). através da observação participante e registro em notas de campo. "os chutes e beliscões até doem. e no qual as manifestações nas ruas colocam novamente em pauta. a partir de minhas próprias experiências como educadora. deslocamento de alunos pelas turmas da escola. entendi que corpo e violência são inseparáveis tanto para o agressor. reproduzida. utilizo a pesquisa qualitativa do tipo etnográfico e notas de campo por mim registradas.Trabalhos Científicos Corpo. e também que as condições de trabalho de cada realidade escolar e as pessoas que dela participam fazem muita diferença na qualidade do ensino e das relações cotidianas.Setembro 2013 . apenas para não deixá-los "soltos" diante das faltas diárias dos professores. funcionários) buscando compreender. mediadora na construção de conhecimentos. operando pequenas e grandes revoluções cotidianas. Toda aquela realidade parecia estranha e assustadora quando lembramos que a escola é um lócus privilegiado de formação humana. para eles era uma linguagem compartilhada culturalmente. a partir da observação participante em diferentes escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro. o esquema e a imagem corporal. São diversas notas de campo já registradas. que permitam a associação entre Dança e Psicomotricidade. para ilustrar um caminho possível de análise dos elementos psicomotores vigentes em cada situação. do primeiro ao nono ano. optei pela pesquisa qualitativa do tipo etnográfico.pag. Assim como contribuir para a criação de políticas públicas que visem à melhoria da qualidade de educação e saúde para a população do Rio de Janeiro e de todo o País.

falar em tom forte e provocativo. seguida de uma conversa coletiva após essa exploração inicial. o que simbolicamente se traduz numa dificuldade (ou resistência) em compartilhar espaços. criatividade. principalmente. Depois. Situação observada 1 . em breve. pois elas não apenas criaram a dança a partir das noções do voleibol. mais suave. Os resultados mostraram uma expansão das possibilidades de compartilhamento e ocupação variada do espaço. capazes de deslocar seus modos próprios de percepção da vida e dos acontecimentos sociais (Flick. mais calmo.pag. tem como objetivo localizar os elementos psicomotores presentes em cada situação. extraídas das notas de campo desta pesquisa mais ampla sobre Corpo e Violência nas escolas. preferi rever algumas noções psicomotoras aplicadas àquela atividade. Logo após. e sem nada mais para fazer durante a aula. pois não apenas as alunas aprenderam a jogar vôlei através das noções psicomotoras. na faixa etária de oito anos de idade: duas meninas ensinam para a outra a passar e dar um esbarrão na colega. afastamento e contato corporal. e tônus muscular através dos seguintes procedimentos: a) exercícios de aproximação. Quando fui perguntar qual o motivo da confusão. mais livre. como outros alunos e alunas quiseram dançar e participar da criação da coreografia. que foi apresentada para toda a escola. ocupação espaço-temporal.Setembro 3013 . mais urgente. aprendiam com os outros novas maneiras de realizar uma mesma atividade proposta. formamos duplas nas quais treinamos as qualidades do tônus e da força muscular para o lançamento e recepção da bola em diferentes distancias e posições corporais. a noção de Esforço. essa experiência possibilitou a valorização das diferenças individuais. Fica a esperança de que. cooperatividade. as três alunas rindo me disseram: "Não é nada. tem a intenção de se constituir num modelo a ser seguido. convidei as alunas a um novo aprendizado que consistia na elaboração de uma dança. provoquei o despertar da noção de que os movimentos e estratégias de movimento apreendidos numa atividade (voleibol) poderiam servir como transferência de aprendizagem para outra atividade (dança). a partir de orientações sobre composição coreográfica. com base nas noções trabalhadas durante as aulas de vôlei. Conceitualmente. A seguir. inclusão e integração sócio-educacional. me aproximei delas e perguntei: "Vocês não querem participar do jogo?" E elas responderam: "Não gostamos". a linguagem por mim utilizada como professora sofreu adaptações com o objetivo de facilitar a compreensão dos conceitos propostos. foram utilizados exercícios de deslocamento pelo espaço e percepção das noções de cheio. A seguir. A noção de tempo também foi utilizada no sentido individual e coletivo para a manutenção do estado de jogo da atividade. Apresento a seguir uma das muitas possibilidades de intervenção educativa por mim selecionada para lidar com essa situação específica em que as alunas aprendiam a "ser marrenta". no mínimo. mais contido). principalmente. afastamento e contato corporal. Gradativamente. possa vir a compor o programa da disciplina Psicomotricidade implantada no currículo regular do ensino público para os diversos segmentos educacionais. disponibilidade para aprender o novo. a descoberta de novas formas de expressão e comunicação. variações das intenções dos movimentos (uso variado do tônus muscular). especialmente. A seguir. ocupação espacial diversificada. sugerindo alternativas à educação escolar através da associação entre Dança e Psicomotricidade. como apresentaram o desejo de se especializar na atividade. pedi para que jogassem do jeito que sabiam para que eu pudesse observar como poderia ajudá-las. como um padrão comportamental psicomotor. na faixa etária de oito anos. Essas experiências relatadas são exemplos de potencialidades educacionais da associação entre Dança e Psicomotricidade. as alunas foram ficando cada vez mais motivadas com as pequenas conquistas e descobertas de que eram capazes de aprender. pudessem compor pequenas danças (com movimentos criados por eles próprios). Que conseqüências para a formação humana pode trazer interações sociais apreendidas. no imaginário e na memória da sociedade. Pausa para uma nova avaliação coletiva da experiência vivenciada. ou. 2) Ocupação espaço-temporal: as alunas percebem o espaço vazio e cheio. não no sentido de corrigir padrões desviantes. às disciplinas de Educação Física e Artes. Primeiro. inicialmente. vocês gostariam de tentar?" E elas aceitaram minha oferta na qual. na qual elas mesmas criariam os movimentos. ou de preencher as "faltas" conceituais com um padrão determinado a priori como "melhor". pois acredito que o processo de ensino-aprendizagem é Trabalhos Científicos/Temas Livres . De que modo poderíamos aproveitar a associação entre Dança e Psicomotricidade. No entanto. e a colocar o dedo em riste no rosto da outra. sem participar diretamente. os resultados foram surpreendentes. modos mais sensíveis e amorosos de perceber a si mesmo e ao outro. trabalhamos a percepção das mãos e de suas possibilidades de movimento. podemos identificar. vazio e ocupação de lugares diferentes. Próximo deste local. não sendo necessária a fixação de um padrão específico como forma de máscara social (persona). mas esbarram intencionalmente para afirmar o domínio de seu território. construção da autonomia e proatividade. dependendo das pessoas envolvidas no processo educacional. jogava voleibol em formação de círculo. 2004). com foco de atenção voltado para as sensações de cada experiência. 1991) também foi observado na medida em que aqueles que tinham mais facilidade na realização de uma determinada prática ajudavam aos outros com mais dificuldade. mais direto ou indireto. forma e relacionamento com os estímulos provenientes do material bola. utilizei a noção de esquema corporal e equilíbrio através de exercícios de sensibilização das posições corporais e transferências de peso.Um grupo de três alunas. De forma alguma. O conceito de zona de desenvolvimento proximal (Vygotsky. Os resultados finais foram surpreendentes. Mais uma vez. das referências sócio-culturais e dos objetivos de cada grupo interativo. foram trabalhadas as noções de esquema e imagem corporal.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual É comum às pesquisas de natureza qualitativa a atitude de disponibilidade do pesquisador diante das demandas imprevisíveis que emergem do campo de estudo. Não utilizei como estratégia de ensino os fundamentos técnicos do voleibol. as noções de posições corporais. mas para ampliar as possibilidades de experiência psicomotora dessas alunas e com isso expandir seus leques de opções individuais e interacionais? São muitos os caminhos possíveis. Mas a experiência não terminou dessa maneira. transferências de peso. além da utilização de diferentes possibilidades de tensão do tônus muscular (mais forte. e de compartilhar com outras pessoas desse aprendizado. Após essa dinâmica. e a construção da idéia de que podemos exercer múltiplos papéis de acordo com as diferentes situações. outro grupo de alunas observava a atividade. Eu. Insisti perguntando: "Não gostam ou não sabem? Se eu ajudasse vocês a aprender. três elementos psicomotores: 1) Esquema e imagem corporal: as alunas precisam aparentar algo que não são para se sentirem mais confiantes e capazes de interagir socialmente. Refletindo sobre essa situação. de criar novas possibilidades para si mesmo. cujo tema central era um jogo de voleibol. aplicada. expansão da capacidade de organização. reproduzidas e legitimadas nas escolas cuja agressão física e simbólica é percebida como brincadeira? Que contribuições a associação entre Dança e Psicomotricidade nas escolas pode trazer para a reflexão-crítica e resignificação dessas práticas discursivas verbais e não-verbais? As duas situações relatadas a seguir. Ou seja. é preciso refletir sobre as conseqüências dos significados que ficam registrados e que são compartilhados como "naturais" nas práticas discursivas. mas com novos e progressivos desafios em torno dos mesmos temas acrescidos da noção de ocupação de lugar. utilizando as diferentes formas de aproximação. Em termos atitudinais. Situação observada 2 . do contexto específico de cada situação. foi proposta outra situação semelhante.Aula de Educação Física na qual um grupo de crianças (meninos e meninas). como meio de reflexão-crítica dos conceitos e preconceitos que emergiram dessa atividade proposta em aula. passando a jogar vôlei nas horas livres do recreio escolar. 1-144 . a turma foi dividida em pequenos grupos para que eles. Estas noções põem em diálogo e parceria conceitos psicomotores básicos já elencados e os elementos de movimento 70 sugeridos por Laban (1998). estamos ensinando a ela a ser marrenta!". Como as alunas tinham apenas oito anos. na condição de professora-assistente. ministradas por mim como professora. 3) Relação entre tônus muscular e emoção: "ser marrenta" significa personificar uma atitude construída pela hipertonia.

Etnografia da prática escolar. No tempo-espaço escolar. Marly (2000) . RJ: Zahar. (1990) .Quatro proposições sobre memória social. isto é.Henri Wallon: Uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Edson de Oliveira (org. I. (1991) A Formação Social da Mente. das Letras. Cap. Norman (2006) O planejamento da Pesquisa Qualitativa teorias e abordagens. R. resignificando a violência em um de seus pontos de origem. Neste sentido. REFERÊNCIAS André.1. Denzin.36-46.S. J. se nos omitimos diante das realidades que passam longe de nós. São Paulo: Papirus. 1-144 71 . Uwe (2004) Uma introdução à Pesquisa Qualitativa. paixão. mas que ajudam a sustentar as instituições do modo como elas existem através dos acordos tecidos nas relações sociais (Sontag. J. Educar é uma responsabilidade de todos. daqueles que estão dentro e fora das escolas. improviso e método na pesquisa social. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . SP: Martins Fontes. Contudo. como caminho de uma pedagogia da esperança e de renovação social. podem provocar brechas nos sentidos constituídos da violência socialmente compartilhada e coconstruída pelos agentes sociais.Observando o Familiar.Memória.Educação como Prática de Liberdade.Setembro 2013 . Flick. (2005) . p.11-26. In: NUNES. RJ: Contracapa. Merleau-Ponty. Gilberto (1978) . nem da escola.Vida Precária. São Paulo:Paz e Terra. (2011) .Fenomenologia da Percepção. Vygotsky. A mudança mais drástica dependeria das articulações entre as estruturas micro (interações pessoais cotidianas). Laban. solidárias e democráticas possam ter iniciação na formação escolar. na diversificação das qualidades do contato entre o ser e o mundo. S. (1999) . Não basta irmos para a rua pedir menos violência e mais qualidade no ensino. (2000) . pg13-33. Velho.) . Porto Alegre: Artmed.2011). por si só. Voltando ao contexto de violência escolar. L. 2011). NY: Routledge. se. é preciso empatia para nos solidarizarmos com a precariedade da vida alheia (Butler. Dossiê Diferenças e (Des)Igualdades. In: O que é Memória Social? Cap.jan-jun. (2011) . In: Memória e Espaço: Trilhas do Contemporâneo. Gondar. J. a realidade atual dos alunos. Gee. (2006) .Dança Educativa Moderna.pag.P.2. J. 7 ed. a associação entre Dança e Psicomotricidade pode viabilizar trilhas ainda inexploradas no campo da educação pública. RJ: Cia. Butler.A Aventura sociológica. Freire. Gondar.An Introduction to discourse analysis: theory and method. PP. Porto Alegre: Bookman. P. De qualquer modo. Petrópolis: Vozes. entre as paredes dos muros escolares e daqueles que sequer tem acesso às escolas. ao outro e à vida. poder e resistência. 2003). objetividade. 1. Galvão. In: Revista Contemporânea ISSN: 2236532X.Trabalhos Científicos sempre um encontro e uma construção inacabada. n. (2003) .32-43. como dizia Freire (2009). meso (formas de organização institucional) e macro sociais (contexto sócio-histórico-cultural e relações de poder vigentes na sociedade e nas políticas educacionais). RJ: 7 Letras. educar antes de tudo é um ator de amor. SP: Martins Fontes. precisamos retornar aos princípios sensóriomotores que orientam nosso modo de perceber a si mesmo. na qual as pessoas em situação interacional decidem a cada momento o que é necessário para as demandas de cada encontro. mas com certeza. nos informando e atuando para que a construção de relações mais amorosas. Sontag. muitas memórias são construídas e reconstruídas diariamente ecoando no imaginário social através das práticas discursivas naturalizadas nas interações cotidianas (Gondar.Diante da Dor dos Outros. p. M. essas intervenções psicomotoras não mudam. (2009) . SP: Ícone.

O exercício de ser afetado permite que a partir de experiências vividas durante um transcurso de tempo alguém seja "Capaz de discriminar um número crescente de diferenças sutis. Adquirir um corpo é um empreendimento progressivo que produz simultaneamente um meio sensorial e um mundo sensível. reunindo o que há de potente em cada um dando lugar a uma obra coletiva. ações. Movem a discussão sobre o corpo imaginado. diversas forças constitutivas estão presentes (afetos. Assim essa criação tem forças e formas que guardam como origem singularidades. Pensar o corpo como construção de singularidades. No fazer. por efeito de reverberação surjam no cotidiano de quem a pratica. Isto permite a construção de algo novo que se gesta e gera juntos e só é possível com a contribuição de cada um. Corporeidade seria pensar esse corpo no tempo. de construção constante. pensadas em sua visão ontológica. Isto permite pensar o processo de criação coletiva mais do que como o encontro das semelhanças.: p. Ruth Machado Barbosa. respeito. Ele afirma: O corpo é efeito de redes de articulação. p.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Corporeidade e criação coletiva em dança Autores: Mabel Botelli. é refletir sobre ele como corporeidade. posto em movimento e efetuado por conexões com outros homens e com não humanos. generosidade. entende o corpo como uma assinatura pessoal. Levanta-se que os valores de confiança. Trata-se de um estudo que aborda o ser humano e sua ação. ou seja. A criação coletiva contrapõese à lógica individualista da identidade separada. pensado. quando é efetuado.. mais diferenças existem. Um sujeito inarticulado é alguém que sente. (op. Os grupos que desenvolvem esse tipo de práticas colocam o corpo pleno e histórico em evidência. assistimos 72 ao corpo como "algo que se processa e que nunca finda sua estruturação. de potências. é possível sensibilizar as pessoas indiferentes para 'distinções cada vez mais sutis'. formado pelas experiências vividas e pelas inscrições históricas e culturais. mas atravessado por questões afetivas e culturais. opressões e desejos etc. O que permite pensar os processos de criação coletiva. A diferença é o que produz sentido. anatômicas e biomecânicas. de seu 'corpo ser'. de um corpo arte. Vivendo sua corporeidade o ser humano sabe de si mesmo. Aqui se destaca a importância do fazer. Nessa gênese. mas sobre tudo que aprenda-se a 'ser afetados. fazeres e ocupações. Saber lidar com a diversidade é uma condição sim equanon para pensar a criação coletiva. Diversos elementos que caracterizam a humanidade são agentes transformadores e. gestando ações de inclusividade. Apropria-se de sua experiência e se reconhece em processo de transformação. da semiconsciência para apreciação consciente'. 43) Articulação significa ser afetado por diferenças. Dança. criadores do corpo. Destaca-se a busca de singularidades e da criatividade. A dança viabiliza. Merleau-Ponty (1999) é autor de referência. 2004.: p.Setembro 3013 . Isto implica mudar 'da desatenção para atenção. portanto são adquiridas progressivamente ao mesmo tempo que as "contrapartidas do mundo" vão sendo registradas de nova forma. 1. 40) Pela prática as pessoas adquirem a 'capacidade de detectar diferenças'. p. o corpo se faz. a construção de sentidos. A dança como linguagem artística. Palavras-chave: Corporeidade. Neste corpo criado percebemos uma natureza simbólica e poética. Corpo numa definição dinâmica é a aprendizagem de ser afetado. O estudo compreende assim o sujeito e o coletivo na esfera das relações concretas. Quem não se envolve nesta aprendizagem. Criação Coletiva. [. Considera-se que a criação coletiva oferece um potencial específico em relação às qualidades das produções que promove. profundo ou válido quando ressoa com os outros. sociedade. que se sensibilizem para as diferenças. de se produzir em formas. de autocriação. aquele que habita a dança que abordamos. como criação coletiva." (op. produz o mundo. aqui focado na dança como arte do corpo.. influenciado. Dessa maneira. especialmente quando realizada em grupo e quando criada em grupo. cit. partindo do reconhecimento do sujeito como ser complexo. sendo sobre tudo o diálogo das diferenças. Temos aqui a noção de um corpo criação. CORPOREIDADE Reflexões sobre o corpo conduzem em seguida ao corpo afetado.. Assinala-se a função política de respeito. 1-144 .. promovendo a produção de singularidades. a ter percepções que lhes permitem habitar num mundo amplamente diferenciado: As partes do corpo. posto em movimento por novas entidades cujas diferenças são registradas de formas novas e inesperadas. cit. Na atualidade existem modos de significar o corpo. faz e diz sempre o mesmo. 2. e define o conceito do eu "sou meu corpo" (1999. INTRODUÇÃO O tema deste artigo enlaça a corporeidade com a criação coletiva em dança. que se diz corporeidade. independentemente do que os outros dizerem. e de as distinguir entre si". fica insensível.pag. O conceito de corporeidade permite compreender o corpo não mais apenas como um conjunto de sistemas e estruturas fisiológicas. como uma rede de conexões múltiplas. Na criação coletiva se constrói a partir de relações de singularidades. se interessam pelo corpo não apenas físico. valorizando exercícios colaborativos e implicando autoria coletiva. (op. e inclusividade ao serem vivenciados nas experiências de criação coletiva. tentativa de anular a dualidade corpo/sujeito." (Almeida. promove a construção de singularidades e coletividade. socializado. 42) Um termo que Latour considera apropriado para falar das camadas de diferenças é o de 'articulação'. as mais diversas possíveis". tecem. cit. pois este corpo sempre se remodela. 2004) O corpo é um corpo arte porque: "tem a capacidade de criar. A prática. efetuados'. Marcus Vinícius Machado de Almeida Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Resumo O tema deste artigo enlaça a corporeidade e a criação coletiva em dança.: p. cit. Nele tudo se produz: subjetividade. organizam. Ter um corpo é ser afetado. (Latour. que doa sentidos intensos à vida. 159) Todo novo Trabalhos Científicos/Temas Livres . pois é na diversidade que estes ganham sua potência. (op. O homem pode viver mil corporeidades. Importa ativar o desejo de possuir novas possibilidades corporais. assim como reverberações destes processos nos seus cotidianos. A corporeidade se entende como a gênese do sujeito. história e cultura). 40) Graças aos diversos objetos do mundo. possibilita que as pessoas criem coisas diferentes cada vez. 10).] Um sujeito articulado pelo contrário é alguém que aprende a ser afetado pelos outros [. Um corpo se remodela nas experiências do próprio corpo. potencialização das diferenças e da criação de um bem comum." (op. 2004) O corpo deixa uma trajetória dinâmica através da qual se aprende a ser sensível e registrar 'àquilo de que é feito o mundo'. O corpo e seu movimento são vistos agora como algo complexo.: p. cultura. É a síntese de nossa trajetória existencial. criado. da diversidade de corpos. (Almeida. mas que se unem.: p. fazeres cotidianos. o corpo vai se constituindo na medida em que ele. criando uma rede que conecta o que estava separado. como os modos de algumas práticas artísticas corporais que se destacam pela busca de singularidades e da criatividade.] um sujeito só se torna interessante. ativar novos desejos e não apenas o movimento. com capacidade de produção de si e de mundos. afirmando a unidade indissociada corpo-sujeito. cit. Estes atores podem ser definidos como "corpos que aprendem a ser afetados por diferenças que antes não podiam registrar. Aprender a ser afetado significa que quanto mais se aprende. através de suas expressões. até mesmo. 208). poderes.

é capaz de engendrar formas inéditas que rompem com formas anteriores. da diversidade e de transformação. e a história pessoal de cada um ocupa um lugar de relevância. e assim sendo gesta ações prenhes de inclusividade. o interprete é também criador. Ética vem do radical grego ethos que significa comportamento. conseqüentemente. É uma postura crítica frente à vida e frente aos outros. ela será construída a partir das redes que se criem. buscando a melhor resposta para a coletividade. produz uma força política e transformadora". Para tanto. No tempo em que as forças das diversas singularidades se enlaçam e geram formas. definidos em diferentes momentos históricos. é produtor de efeitos imprevisíveis. No ato de tornar-se novo. Uma das principais concepções destes teóricos é que "todo corpo. se mistura o que era. de criação de si mesmo. reconhecendo o valor das diferenças (Launay. estas aparecem com um forte sentimento de nós. os pontos para iniciar podem ser múltiplos e a chegada é incerta. Na atualidade características de algumas abordagens da dança pontuam fatores básicos para um trabalho que se pretende coletivo: 1) A forma de abordar o processo da criação. em que se promovem múltiplas autorias. CORPOREIDADE E CRIAÇÃO COLETIVA EM DANÇA A dança se configura como arte no século XX. a aceitação sem preconceito de gênero. o que influencia o alcance e também as restrições de sua prática. A criação coletiva em dança é constituída como um rizoma. deixar que o outro entre em mim. a padronização e a estandardização. Podemos destacar: François Delsarte (França 1811-1871). e considere as histórias e memórias pessoais e corporais de cada um. Emile Jacques-Dalcroze (Austria 1865. com suas anatomias e gestualidades diversas. de sonhar com sensibilidades e movimentos não-pasteurizados. O processo deve ser pensado longe de uma estrutura limitada e limitante. p. para a dança. Ele vive muitas possibilidades. requer acrescentar outro investimento. a fazer. desenvolver capacidades criativa e comunicativa e reflexão.Suiza 1950). poderia ser expressivo fora das convenções e técnicas já formalizadas da dança". Orienta-se ao praticante a se disponibilizar para ampliar sua capacidade de registros e ações evitando expectativas. Implica na responsabilidade de escolhas. base da vivência coletiva em dança. 2011. 1991). entre os quais destacamos ampliação da percepção. possibilitando novas percepções de mundo e. suas formas de expressão. [. O autor defende: "Cada sujeito inaugura em nós uma outra possibilidade de território existencial. a conviver a aprender a aprender (UNESCO. e que todo ser humano tem possibilidades de dançar. temos então o conceito de corpo resistência. podemos nos apoiar no conceito de rizoma de Deleuze e Guattari (2009).: p. p. Qualquer corpo pode participar da dança. ação. (STOKOE eSIRKIN. a escuta. Almeida pontua: A ética leva a posturas e comportamentos sempre reflexivos perante uma determinada situação. Rudolf Von Laban (antiga Áustria-Hungria. 3) Eles foram de grande importância para afirmar o corpo ontológico. (2004. distinto.França. sugestões. Eles desenvolveram propostas que se contrapõem à captura do corpo. p.] Falar o idioma do outro é falar de ética". a dança concretiza o papel ontológico do corpo. Trabalhos coletivos e de criação em grupo pedem construir comportamentos éticos.. Trabalhos Científicos/Temas Livres . refletir sobre o que se faz. Os contatos que geram redes se estabelecem por médio de relações. até vislumbrar uma estabilidade. Isadora Duncan (Estados Unidos. Consideramos importante fazer referência aos pioneiros da dança do século XX cujas pesquisas teóricas e/ou de movimento são os alicerces dessa abordagem. Frente ao vasto universo da dança. não se procura a uniformidade de corpos. Diversos sentidos e funções são atribuídos à dança. 1-144 A dança hoje solicita uma corporeidade que revele um corpo pensante engajado e flexível. com o entorno.. a criação coletiva em dança implica uma 'autoria coletiva'. que desde sua corporeidade possa falar da singularidade. p. 1879 . com diferentes formas e memórias. 1994) Importa 'despertar' a atenção para o corpo. Existe um leque muito amplo de abordagens da dança. Nietzsche (Machado.A aprendizagem de técnicas. defendendo que diferentes corpos criam diferentes danças. poderia dançar. 120). mas sempre o de um grupo ao qual estamos engajados. Enfatiza-se a aceitação dos diversos corpos. controvérsias. conhecimentos. ampliar sensibilidades. é um jogo entre o estabelecido e a criação. cit. gestual e corporal que se apresenta. Abordar o 'coletivo' na dança. 1877. também transitória. ela não visa o interesse próprio. que resistem à massificação. a improvisação e a composição são múltiplas maneiras de viver a dança e buscar suas intensidades. 11) Sobre a capacidade criadora de corpos um outro assunto a ser abordado é a ética. 2) O afastamento do 'ideal' do corpo padrão. em meus sentimentos. Para eles a dança doa sentidos intensos à existência. Assim a dança opõe-se a movimentos mecanicos com padrões esteriotipados. (Almeida. inaugura-se novas corporeidades. (op. de cuidado e colaborativos. O rizoma se modifica a todo momento. (Almeida. Com isto a dança se abre para uma 'democracia do corpo'. para a criação e que o campo do sensível produz intensidades potencializadoras da vida. A valorização da diversidade abre espaço para experiências de inclusão. A dança como linguagem artística contemporânea pensa o corpo que é diverso. Um corpo que não aceita responder às leis do mercado e se revela em múltiplas outras possibilidades. capaz de acionar sua construção transitória.1958). expressão da subjetividade. logo. de limitações corporais. como dizem Maturana e Varela (1997): uma 'autopoiese' do corpo. Propõe-se uma pesquisa aberta que ofereça liberdade. múltiplos são os imaginários sociais sobre a mesma. Não é presa aos costumes. racionalizações que perturbem a autenticidade da experiência assim como estereotipias que limitem as possibilidades de criação. 2003). Todo movimento pode ser dança. os corpos não se tornam massa. a composição se constitui a partir do aporte de todos.Trabalhos Científicos corpo é um novo sujeito no mundo. Apresentaram e defenderam a dança como prática ontológica e gestaram os processos metodológicos por meio dos quais ela foi colocada em movimento. Não existe um ponto de partida pré-determinado e um ponto de chegada predefinido (uma raiz e o topo da arvore). devido ao fato de o corpo assumir papel principal. construção de conhecimento pelas vias sensóriomotoras. entre outros. o que se expressa e se partilha. exercitar o respeito. O final do processo é aberto. Um corpo que permita revelar uma posição política frente à realidade. produtoras de diferença e que "resistem às capturas de alisamento do socius". Sustentase o direito ao diferente. 1927). A corporeidade na arte tenta resistir às capturas que desintensifiquem a vida. não é marcado pelo determinismo. Almeida afirma: "A cada nova experiência o corpo se remodela. sejam quais forem as capacidades e limitações. 1999) afirma que a arte dá sentido à existência. com processos tão diferentes. Ao focar um trabalho coletivo. em especificidade. de idade. Assim a dança converge com os princípios da corporeidade. as pesquisas de movimento. 3. paciência. Estes autores em forma conceitual e ou prática apresentaram uma nova genealogia para a arte e.Inglaterra. perante a vida. aguçar da sensibilidade. A compreensão do corpo se contrapõe ao corpo capturado e o seu objetivo básico de mobilizar o processo sensível criativo e de reflexão dos praticantes é alicerce fundamental desta oposição.Setembro 2013 . Um contato maior se estabelece consigo mesmo. Este 73 . Na prática da criação coletiva busca-se aprender a ser. 123) O fazer em grupo implica construção de relações para as quais é preciso conhecer 'o idioma' do outro. e construir diálogos. pensamentos. de etnia. pois ela existirá até que uma nova rede a leve a outro lugar. precisando criar estratégias metodológicas para a multiplicidade. Uma postura ética implica um constante ato de reinvenção. 16) Desta maneira o corpo pode ter um papel político. O rizoma é um sistema aberto que excede o domínio das formas. A dança ativa ampla gama de processos. para dar lugar à valorização da multiplicidade de corpos.pag. culturais e geográficos. num enfoque contemporâneo. com os outros. se contém força expressiva e manifesta uma singularidade. que é plural e que é singular e o processo de formação tem que lidar com essa diversidade de olhar. buscando o bem comum. em aparência. aceitação. A arte da dança parece claramente entender que o corpo tem uma potência incomparável para a abertura em direção ao novo. situo este estudo na dança como linguagem artística. 2004. é uma postura política (2004. onde se conecta. qualidades e possibilidades de movimento.

______. São Paulo: Martins Fontes. 2008). obrar juntos. pois assim ao unir-se às de cada um é possível gerar uma ação que contém as forças de todos. de maior intensidade de vida. pp. Fenomenologia da Percepção. E também o corpo que ao expressar transforma. perceber e se movimentar incorpora muitos em si. o fazer com a matéria solicita uma constância e permanência onde múltiplas redes se gerem. Mary Wigman. o estrangeiro passa a ser incorporado. constituída e constituinte de um encadeamento de afecções. Esta prática exercita no sujeito a capacidade de enxergar e ativar múltiplas possibilidades de ação. onde o sujeito passa a fazer parte de algo que o faz sentir-se 'nós'. tempo alargado de estar juntos. A dança tem a possibilidade de contribuir para a preparação de sujeitos que percebam melhor o mundo em que vivem. trabalhar em comum.Setembro 3013 . gerar um mundo caloroso. o que não gostava pode passar a gostar. A selvagem dança do corpo. El proceso de la creación en arte. humanos e não humanos. no construir junto/com o outro Observam-se nas dinâmicas da dança diversos direcionamentos segundo os princípios que alicerçam sua 74 metodologia. 1987. UNESCO Ciência e Tradição: Perspectivas Transdisciplinares para o Século XXI. Rio de Janeiro: José Olympio. R. singulares e coletivas. aquilo que estava separado se une. Nietzsche e a verdade. mobilizando uma relação estética. os desejos se movem e podem ser transformados.pag. O fato de ser desenvolvida em grupo permite criar ações que só são possíveis na interação com o outro e diante dele. Como um rizoma. H. Buenos Aires: Almagento. sendo possível diferenciar aquelas que seguem uma lógica individualista das que investem nos vínculos. ecologia social. podemos levantar a questão sobre o que emerge como relevante na experiência da dança em que se constrói junto. Neste sentido. de relações. A. a construção de sentidos. Minha vida. sendo possível diferenciar aquelas que seguem uma lógica individualista das que investem nos vínculos. 1996) Corpo multidão diz do elo do indivíduo com o coletivo. (Castro. Laban. Buenos Aires: Paidós. Nicolescu. memórias. a descoberta do corpo como subjetividade em que habitam os outros. Deleuze. corpo saturado de forças e 'o corpo-multidão'. (1991):Cazenave. In J. De máquinas e seres vivos: Autopoiese. Machado. ______. e defende que as pessoas só existem na relação com o outro. na incomensurável variedade com que se apresentam. considerando que durante a formação de um grupo o sentimento de pertencimento é ativado. Barus-Michel. O fazer juntos gera sentido de pertença. P. Requer a participação ativa dos integrantes e de 'colocar o corpo' em questão. M. França: Chiron. As singularidades atuam como potentes forças que compõem um conjunto. Há uma força que sustenta esta construção que é pensar na obra como um bem comum. A dança precisa ser colocada num lugar que esgarça as fronteiras da própria arte. Crítica e Clínica. Maffesoli (1987) contrapõe a crença da lógica individualista da identidade separada e fechada sobre si mesma. R. modos diferentes de perceber o mundo e agir são provocados. Transdisciplinaridade (anexo 2). Isto pede processo. o que era indiferente começa a ser percebido e passa a ter sentidos que não existiam previamente. Merleau-Ponty. 2009. Para a criação coletiva ser possível é preciso: aprender a aceitar. 2003) e segue na contramão do corpo produto. 1999. 4. Podemos pensar que a criação coletiva gera um processo de subjetivação política já que implica a construção do pertencimento à coletividade e a responsabilização pela vida em comum. As redes na atualidade: refletindo sobre a produção de conhecimento. onde a afetividade circulante propicia que o 'nós' apareça para referir-se ao grupo. Pedro. Sirkin. a Organização do Vivo. Curitiva: Editora CRV. o corpo como existência.. Com estas forças e formas. Domínio do movimento. 2004. M. fazeres e movimentos dos outros. Experiências em Estudos sobre a Ciência. o corpo que ao sentir.) Tecendo o desenvolvimento. (Org.. a partir do grupo de dança. É preciso aprender a valorizar o que é do outro. porque ao juntar o que é do outro e o que é de cada um passa a ser de todos. a construção de uma subjetividade criativa tanto quanto de um coletivo criativo é afetada pelas relações estabelecidas. 39-61. Roberto. Duncan. de relações fugazes. de partilha que assim sendo gestam subjetividades autônomas. Levanto aqui a possibilidade de que os valores de confiança. tenham função política de respeito e potencialização da diferença". Paris. Corpo e Arte em Terapia Ocupacional. Criar coletivamente também instiga a aceitar o diferente. B. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. R. Almeja-se que "as ocupações significativas. 2004. um corpo marcado pela história de cada um. criando novas. Maffesoli . Varela. In: D'avila. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao criar coletivamente outros mundos se aproximam. decisões. Maffesoli. um lugar de encontro nutriente. Rio de Janeiro: Forense-Universitária. Latour. talvez. O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas sociedades de massa. respeito. 1978. Nas atividades grupais. M. São Paulo: Summus. Algo se transforma em cada um. O sujeito social. 1-144 . Freitas. 2011. As escolhas. Aceitar a expressão do outro. Juarroz. Isadora. Saberes. (Almeida. p. generosidade. Launay. 2009. exercício de respeito e cuidado pelas singularidades e as diferenças. Como falar do corpo? A dimensão normativa dos estudos sobre a ciência. Roque (orgs. a idéia do outro. a dança mobiliza forças que conectam formas. de escolha.. Construir uma obra de maneira coletiva requer atitudes de confiança entre os integrantes. o movimento do outro. organizações se definem na dinâmica interna do próprio grupo. Rio de Janeiro: Graal. um forte sentimento coletivo. Uma outra intensidade emerge e novos desafios são inaugurados quando essa relação vai ao encontro do belo. assim outros mundos podem ser vividos. mobiliza o coletivo promovendo nele mudanças. São Paulo: Ed. no construir junto/ com o outro.defende que na relação com o próximo emerge uma estética comum que serve de receptáculo à expressão do 'nós'. Barus-Michel (2004) contribui para esta concepção. a desfrutar da criação do outro.br/leptrans/arquivos/Congresso_Ciencia_Tradicao_1991. Na aceitação algo pessoal tem que ceder para viver a potência do grupo. Observam-se nas dinâmicas da dança diversos direcionamentos segundo os princípios que alicerçam sua metodologia. antes de tudo. afetos.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual sentimento ao dizer de Deleuze (1997) aumenta nossa potência. 2004. 1. 1996. Quanto mais produzimos. Comunicado final: Comitê de redação: Berger. gênero. Porto Alegre: Artes Médicas. ampliando a possibilidade de transformar-se e ao seu mundo. Rio de Janeiro: Enelivros. indica as transformações que acontecem em si mesmo e que implicam as reverberações dos outros em si. Nunes e R. onde se entrelaçam os fazeres de cada um. 1994.para quem é muito mais importante o que une do que aquilo que separa . 1985. a partir dos diversos componentes. Porto: Afrontamento. (p 29-47) Rio de Janeiro: Bapera. o que implica incluir o criado por outro. 1997. 34. G. M. com capacidade de produção de si e de mundos. REFERÊNCIAS Almeida. Há um exercício a ser realizado o da confiança. É preciso ampliar a qualificação desta atividade reconhecendo a potencialidade de suas ações para transformações no dia a dia. A la Recherche d'une Danse Moderne: Rudolf Laban. ao dar lugar ao outro e os outros. e as construções possam ser constituídas. Podemos buscar na dança o corpo como singularidade marcado pelas experiências.).ufrrj. nesta prática se distanciam da competição mobilizando experiências de cooperação. F. Requer desenvolver a flexibilidade no sentido de aceitar que a escolha estará em função de um construir junto. agradável de se viver. ______. I. por efeito de reverberação surjam no cotidiano de quem a pratica. Confiar na força do fazer juntos acreditando que isto leva a um lugar de encontro mais potente. I. e o social surge como um projeto que propicia uma transformação. Objectos Impuros.pdf. São Paulo: Editora 34. 1987. ao estar junto o coloca numa posição de união. feito da integração do que há de mais potente em cada um. Implica afetar e ser afetado pelo outro. os interesses podem se abrir. 1999. Há a ampliação de possibilidades. e inclusividade ao serem vivenciados nas experiências de criação coletiva. e nele possam ser atores e autores na construção do coletivo. Os exercícios. aceitação e generosidade para dar espaço às idéias. Os gostos podem variar. Stokoe. Trabalhos Científicos/Temas Livres . Maturana. seja possível. como criação coletiva. J. Pedro. 44-45) A criação coletiva em dança por sua dinâmica se assemelha ao conceito de rede (Pedro. (Launay. Cada relação chama a uma adequação. A. Vol. Danza educativa moderna. Algo acontece quando se pratica dança como criação coletiva que repercute de maneira peculiar no cotidiano de quem a vivencia. nossa alegria. http:// www. Aquilo que ao estar separado coloca o sujeito numa posição de competição. A dança viabiliza. Belo Horizonte: PUC Minas. 2003. 1997.

os suportes essenciais do universo em análise estavam presentes. O PERCURSO DE UM ESTUDO A tarefa metodológica de entrevistar adolescentes provenientes de diferentes classes sociais foi se revelando como uma tarefa de busca. significante do mundo adulto. A escolarização é penosa para muitos. como: relacionamento com a família. que deveria ser trabalhada. 75 . uma biografia produzida com verdade. lutando para serem respeitados pelo mundo adulto que ainda os vê como crianças. pode mentir no varejo. Imagens do corpo. que já reunimos tudo que era possível. Os jovens apontam novas dinâmicas sociais e culturais. 1. pode estabelecer desde já o significados emprestados às práticas e ao cotidiano escolar pelos adolescentes. que a torna útil. Descobrimos que o mais importante era exatamente o que não era dito: os silêncios. quase "mutantes". A escola. As narrativas nos mostram como as relações passado/presente modelam as expectativas de futuro e dão corpo e sangue aos sonhos desses jovens. não foge à regra da exclusão. Para este texto. tratando-os como rebeldes e transgressores de um modelo de vida considerado o único possível.longitudinal e historicamente . história de vida e Psicanálise ajuda o pesquisador a construir uma biografia diferente através da coerência longitudinal e temporal. O que estamos colhendo dessa experiência é que a metodologia potencial ganha quando somos livres para usar instrumentos. à margem do instituído e em um "contra ritmo" do tempo e da história que até então conheciam. tinha a sua lógica. O referencial teórico está assentado na combinação de abordagens teóricas: Psicanálise. permite que seja desvendado. porque entendemos que seria impossível interpretar a realidade vivida por esses jovens com um único olhar teórico. sim. já que a fonte oral . A pesquisa. e não da coerência horizontal e transversal. não foge à regra da exclusão.Setembro 2013 . como os pós .a escola está ausente. presente. Assim. presente. suas lembranças da Trabalhos Científicos/Temas Livres . Em um dos comentários de Vilanova (1994. Ou seja. Marcia Souto Maior Mourão Sá Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Resumo O texto trata do cotidiano escolar de adolescentes na faixa etária de 12 a 18 anos de idade. A escola. de definição e de confrontação com os jovens. a emotividade nos aproxima do nosso objeto. práticas sexuais. desde que não sejamos possuídos. Assim caminhamos durante as entrevistas com os adolescentes. ora como a grande responsável pelos imponderáveis da vida cotidiana. como novamente a autora enfatiza: a amostragem é a garantia do produto. As narrativas nos mostram como as relações passado presente modelam as expectativas de futuro e dão corpo e sangue aos sonhos desses jovens. na interpretação de um fato ou de outro. do campo da formação profissional que vai levar ao confronto com o nosso produto final e com o produto final de colegas que têm outras ideias outras ideologias. de encontro. As conversas bruscamente interrompidas. ainda em andamento. seus presentes e expectativas de futuro. enunciado segundo a lógica da trajetória do entrevistado. ao invés de atrapalhar. através da categorização de várias temáticas recorrentes nos relatos dos jovens. pertencentes a classes sociais diferentes. como etapa do ciclo vital do ser humano.a escola está ausente. pelos nossos próprios sentimentos. desse sentimento de estarem vivendo sem um sentido definido. A escola enredada em suas vidas ora como o grande palco social. mas não pode mentir no que diz respeito à sua relação com o mundo. do campo intelectual. Mais ainda. não apenas estudamos psicanálise. apontavam para pontos cruciais que prejudicam a independência ou a liberdade de vida dos adolescentes. É parte.passado.a adolescência. e não apenas a informação pontual que os documentos oferecem. houve a possibilidade de não manipulação dos diálogos. Um segundo aspecto importante é o ponto de saturação. carregada de emotividade e de subjetividade. 2. que tal emotividade ajuda a entender. não mais crianças e ainda não adultos. subestimando as suas competências e. História oral. com o seu trabalho. esgotamos aquele universo. Por termos trabalhado com um conjunto expressivo de entrevistas.Trabalhos Científicos Imagens do corpo: a adolescência abordada pela história oral Autores: Eloiza da Silva Gomes de Oliveira. A aliança entre História Oral. tratandoos como rebeldes e transgressores de um modelo de vida considerado o único possível. Sem meio-termo porque nada é morno na vida dos adolescentes! Ouvimos. Sociologia. estabeleceu os significados emprestados às práticas e ao cotidiano escolar pelos adolescentes. seus lutos pela morte da infância.passado. em determinado momento. são excluídos de diversas práticas e movimentos sociais. já entrevistou 120 jovens usando a linha de história de vida e. subestimando suas competências e. no que ele enfoca .pag. Em nenhum tempo de verbo . futuro . Palavras-chave: Adolescência. Antropologia. INTRODUÇÃO O texto trata do cotidiano escolar de adolescentes na faixa etária de 12 a 18 anos de idade. ouvindoos falar sobre as suas trajetórias de vida. de forma sistemática. Quando começamos a repetir em demasia a informação. não conseguem vislumbrar uma vida futura sem ter vivido a experiência escolar. mas permitimos que a dimensão psicanalítica esteja presente na relação entre entrevistador e entrevistado. ingenuamente. porque entendemos que seria impossível interpretar a realidade vivida pelos jovens com um único olhar teórico. E sempre paira no ar a pergunta: como ensinar essa postura aos nossos alunos de pesquisa? Sabemos que ela não é parte do problema da História Oral. uma amostragem selecionada. são excluídos de diversas práticas e movimentos sociais.introduz "uma revolução historiográfica porque impede que os diálogos sejam manipulados como têm sido até o presente". através da entrevista. O referencial teórico está assentado no entrecruzamento de várias abordagens teóricas. Começamos a fazer as entrevistas e. 48) acerca das fontes orais.fonte porque está gravada numa fita não necessariamente transcrita . no qual os relacionamentos acontecem. referências – muitas vezes poéticas e outras vezes sofridas e duras.modernos. Entrevistamos 120 jovens usando a metodologia de história de vida e. na história da humanidade. escolhemos "iluminar" o referencial teórico da Psicanálise. Foi também um sinal de que este campo que criamos artificialmente. ter ou não ter namorado. em um ritmo que ainda lhes é ditado pelo mundo que não compreendem bem. um mal necessário. A escolarização é penosa para muitos. 1-144 meninice. p. exibindo os bloqueios sociais presentes na consciência e sublinhando sofrimentos morais. em nenhum tempo de verbo . futuro . significante do mundo adulto. mas mesmo sendo uma travessia sofrida. Ou. com os acontecimentos dos quais participou. procedimentos e abordagens diferentes. o que nos aproximou também da abordagem antropológica e como afirmou Camargo (1994): pelo fato de estarmos trabalhando com atores que são suportes de uma ideologia da sua classe. é o sinal de aquele circuito de informação se esgotou. distinta e absolutamente necessária para uma história completa. Entende que nunca antes. E ousamos acreditar. através da categorização de temáticas recorrentes nos relatos. não conseguem vislumbrar uma vida futura sem ter vivido a experiência escolar. Os jovens apontam para novas dinâmicas sociais e culturais. lutando pelo respeito do mundo adulto que ainda os vê como crianças. de forma sistemática. a autora defende a subjetividade criadora da fonte oral. também. mas mesmo sendo uma travessia sofrida. Enfim. o constrangimento e até mesmo a vergonha para falar sobre determinados temas. podíamos partir da ideia de que nenhum ator pode mentir quanto à sua verdadeira natureza. e não obscurecido. com a história. pois está montada sobre a coerência interna do discurso.

que se configuravam como origem dos sintomas atuais. 1365-1440) Freud descreveu o processo de desenvolvimento psicossexual. As questões da infância. propostos por Freud. Atores que estão em processo. Trata-se do processo da ambivalência dual. Reformulou os estágios do desenvolvimento psicossexual. Não fogem a um determinismo – mais ou menos acentuado. Ele desvinculou a sua teoria de aspectos como as pulsões o inconsciente. Ele tornou a criança. em seus relacionamentos com os adolescentes. Freud e o ritmo mítico da tormenta. De acordo com o determinismo psíquico. é o nosso desafio. dá-se a satisfação libidinal de uma nova modalidade (genital). que levou Freud às fases do desenvolvimento sexual: oral. Esta é uma das muitas verdades que os adolescentes entrevistados nos forneceram e que nos deixaram estarrecidas . no plano consciente. Freud (1856-1939). estas leituras da adolescência situam-na na história da vida do homem. de certa forma são submetidos a uma espécie de pacto de sigilo. Meninos e meninas. Agora. Isto pode ser explicado. ressaltando-lhe a importância e. Ainda que Erikson as chame de crise. Assim. a Psicanálise nos adverte que os adultos muitas vezes não aceitam visitar suas memórias e misturam. Referem-se a Freud. Saído da latência. embora inconscientes. que são psicossociais. É preciso lembrar que. revolucionou a sociedade da época. Incoerente? Certamente! Mas qual homem não é atravessado pelas contradições? Além disso. questões atuais com questões de sua própria adolescência.a solidão da juventude ou. o termo é bem mais amplo. Cada fase compreende certas tarefas ou funções. então. que emergem depois da puberdade. período de latência e genital (a que nos interessa no momento).1. No final. sem chance de voltar ao mundo infantil. existe um conflito ou antinomia de saídas. muitas vezes à nossa revelia.pag. de sintomas encobridores dos processos conflituosos inconscientes. são marginalizados do mundo adulto e. interligando-a as fases que a antecedem. a que nos referimos. mas era mais orientado para a sociedade e a cultura do que qualquer outro discípulo do criador da Psicanálise. TRÊS "ESCUTAS" 3. socialmente criados. as excitações sexuais estão localizadas em partes do mesmo (zonas erógenas). a ser conquistada a qualquer preço. As emoções. no decorrer das últimas décadas.Setembro 3013 . já conscientes de suas identidades sexuais distintas. O termo "crise" pode ser explicado porque. Cada uma a seu modo. Ocorre um desenvolvimento progressivo. de sua infância etc. determinando o "produto final" – um adulto mais ou menos neurótico. antes relegada a um papel insignificante. marcas sensíveis. Em seguida Freud voltou-se para as próprias crianças. Ao estudar as causas e o funcionamento da neurose. e afirmando que o desenvolvimento humano ocorria de acordo com um principio epigenético. revivenciando-as e atribuindo-lhes novos significados. que organizam a personalidade no rumo da construção identitária. Ora. impasses e os reativa involuntariamente. a partir da revivescência mítica e universal do Édipo infantil. figura central na vida do adulto. em parte. localizados nos primeiros anos de vida dos indivíduos. grupo social. No segundo dos "Três ensaios sobre a Sexualidade" (1981. Não só trouxe a sexualidade à luz 76 Trabalhos Científicos/Temas Livres . p. Temos. de acordo com a teoria – e à generalização universalizante de alguns aspectos. afirmando que o indivíduo encontra o prazer no próprio corpo. ao criar a Psicanálise. Em compensação. Ao incentivar os seus pacientes adultos a falarem livremente (regra fundamental da Psicanálise). em cada uma. A geração seguinte explora esses vestígios da nossa juventude através de suas questões. rompem com o biologismo acentuado – e muito criticado – da visão freudiana. Erikson (1965) Postulava a existência de oito fases do desenvolvimento.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Entender o adolescente "por dentro". eles deixam impressões. escola. as transmissões entre gerações se complicaram. são psicanalíticos. descrita por Freud. Ela nos oferece. cicatrizes à altura de sua força. Na raiz de tudo a independência. a uma dimensão global da identidade humana ou à sociedade que a envolve. Este embate pode dar origem. que não conseguem se alojar em nossas memórias. o sentimento de não nos lembrarmos bem de nossa adolescência. um oceano de brigas onde navegam adultos e adolescentes. Erikson. entre outras coisas. significando que ele aceitava a maior parte das ideias de Freud. as da adolescência dos pais. para guardar grupos de pessoas. 3. desejos e sonhos. Surgem os conflitos. 1-144 . descobriu que as associações que estabeleciam os impulsionavam de volta a importantes acontecimentos da infância. Erik Erikson (1902 . constituindo determinados campos. geralmente ligados a aspectos da vida sexual e à relação com os pais. ligado às modificações das formas de gratificação e de relação com o objeto. a partir dos relatos ouvidos nas análises de adultos. é preciso criá-las. em suas palavras. Temos aí um primeiro ritmo atribuído à adolescência: a emersão de um profundo conflito pulsional. e percebeu que a grande maioria de pensamentos e desejos reprimidos referia-se a conflitos de ordem sexual. As idades da vida estão cada vez mais compartimentadas em espaços. começam a buscar formas de satisfazer as suas necessidades eróticas e interpessoais. É isso que a Psicanálise nos aponta: a eclosão de um ser humano não acontece sem considerar os acontecimentos presentes e passados. os afetos e os novos desejos. em que há diminuição das atividades sexuais. fálica. quando o filho e/ou aluno tenta afirmar sua autonomia. Se atravessarmos bem ou "resolvermos" apropriadamente um estágio.2 Erikson e o ritmo vivido no "palco" do grupo: a construção da identidade. característicos da Psicanálise. andanças. através da ligação amorosa. Assim. ou ritmos a ela atribuídos. Até mesmo os mais atentos e mais amorosos ficam perturbados. que precisa ser resolvido. o que pode levar a situações conflituosas entre jovens e adultos nos diversos cenários sociais. estão enterradas sob as camadas do tempo e recobertas por lembranças oficiais e aceitáveis. as pulsões orais e anais exigem satisfação e o binômio desejo incestuoso . As oportunidades para que pais e filhos.ódio ao pai (resíduos edipianos) encontram barreiras estabelecidas pelo Superego. com as radicais transformações físicas e a revivescência de desejos e fantasias de etapas anteriores (não podemos esquecer que a Psicanálise empresta à adolescência uma tonalidade regressiva). criações. São crises "normativas". no entanto. não ter com quem contar. estão em vias de se transformar em adultos e testemunham diariamente essas transformações em seus corpos. reprimidas. dependendo da "resolução" deste complexo. e Aberastury e Knobel. seja de explicitá-las. pelo interesse que tinha pela Antropologia. Estas descobertas colocam a sexualidade no centro da vida psíquica e permitem que Freud desenvolva um conceito muito importante da teoria psicanalítica: a sexualidade infantil. dependendo do paradigma a que estejam ligadas. confirmando que as ocorrências deste período de vida deixam marcas profundas na estruturação da personalidade. reconstituiu muitos acontecimentos significativos da infância. o adolescente enfrenta o impacto da puberdade. a amnésia juvenil é tão evidente na prática clínica da Psicanálise quanto à amnésia infantil. a revolução sexual da era moderna . que é erotizado.como também modificou a situação das mulheres e crianças para sempre. no cerne de sua cultura em movimento. tornando-os psicossociais. continuam influenciando fortemente o comportamento do homem. objetivando confirmar e ampliar as suas descobertas. Lá estavam as experiências de caráter traumático. mas externo ao indivíduo – trata-se do outro. professores e alunos se conheçam não estão dadas. através da História Oral. na maior parte do tempo. Os três "olhares ou escutas" sobre a adolescência.1994) fez a formação psicanalítica freudiana. Embora os adolescentes sofram a exclusão do mundo adulto pelos adultos. a possibilidade seja de bloquear o acesso às nossas lembranças. regido pelo Complexo de Édipo. impulsos intactos. As entrevistas são testemunhas das feridas causadas por esses conflitos – os pais perdem a paciência e os professores também. ligando passado e presente. ADOLESCÊNCIA E PSICANÁLISE: TRÊS OLHARES. em que sentimentos e identificações contrastantes se misturam. anal. 3. As duas últimas. de suas relações passadas com seus próprios pais. prenunciando. ao longo do ciclo vital. os jovens já estão marcados pelos acontecimentos passados e presentes de sua família. o objeto de desejo não está mais no próprio corpo. são de tal intensidade.

Além disso. homo e heterossexualmente. História Oral e Política. Mercedes (1994). Uma o focaliza como universalmente pré-estabelecido. produzindo resultados positivos. O autor destaca a importância das experiências vividas no grupo. a estabilização da personalidade não é obtida sem que se passe por certo grau de conduta "patológica". Rio de Janeiro. Porto Alegre. Uma traição de amigo pode ser mortal. As outras matérias escolares. É interessante destacar que a noção de ser ou não adolescente também é balizada pelo grupo. por eles criada e cultivada. Focaliza a força potencial do Ego para lidar com as expectativas e demandas da sociedade. Acreditamos que os estágios propostos por Erikson são um marco teórico para o entendimento da adolescência. afirmarmos que ela está em um contra ritmo. O corpo é marco e referencial neste processo. Uma grande inovação da teoria de Erikson foi ter proposto três estágios adicionais. A escola torna-se um lugar insuportável e o único conforto possível é o recreio com os amigos e algumas poucas aulas. os amigos assumem um lugar de destaque na adolescência. New York. uma espécie de "palco" para as variadas tentativas de consolidação da identidade e para o desempenho de identidades transitórias ou circunstanciais.estatísticas e fontes orais.Setembro 2013 . Erik H. para que solucione o que não restou bem estabelecido dos quatro estágios anteriores e atinja o desenvolvimento da sua identidade. isso não é bem visto pelo grupo. que reconhecem como sendo a adolescência. agem contra o ritmo do desejo e sufocam a sexualidade em uma aparente liberdade de escolha. tornando-se suas famílias e regulando seus afetos. mas os que discutem política e questões sociais e gerenciam debates em sala de aula. Necessitamos. Biblioteca Nueva. Garden City. à medida que vai sendo incorporado à autoimagem transicional da infância para a adultície. anabolizantes e sessões de "malhação". Por isso. do ponto de vista emocional. É ele que diz se você começou a agir como um de seus membros se tem capacidade para saber o que é certo e o que é errado no mundo deles e não no mundo dos adultos (luto pelos pais de infância e uma orfandade assumida com pais vivos. sem exigirem um modelo único ou padrão. da ocupação de um lugar no mundo adulto. Trata-se. Começando com a puberdade e terminando em torno dos vinte anos. 3. Por último os de Geografia. Pensar a subjetividade . segundo os autores. adquira características do mal. Voltando aos autores deste terceiro "ritmo" da adolescência. em relação à vida. sempre em busca da mitificação do "belo". Identidade. Madrid. que os obrigam a decorarem um monte de coisas desnecessárias. eles a descreveram como um processo normal. através de alguns resultados iniciais das entrevistas realizadas com adolescentes. recebe tatuagens e piercings. ordenação decrescente de afinidade fornecida pelos adolescentes nas entrevistas e justificada da seguinte maneira: os professores de Educação Física lhes fornecem espaço físico. Isto nada mais é que uma nova versão do histórico conflito. pelo papel e a identidade infantil e pelos pais da infância (em alguns textos Aberastury chega a falar de um quarto luto.Trabalhos Científicos levamos conosco certas virtudes ou forças psicossociais. Maurício (1981). são os de Educação Física. aderir ao uso de drogas. Esta visão foi reforçada por alguns psicanalistas que a caracterizavam como de angustiante reativação do Complexo de Édipo e de outras características dos estágios psicossexuais anteriores. no sentido psicanalítico do termo: pelo corpo infantil perdido. para não contrariar seus grupos. Para Aberastury e Knobel (1981) a adolescência é marcada por três grandes lutos. In: História Oral. In: Obras Completas. Aspásia (1994). Sede das pulsões e do narcisismo. assim como a desqualificação de suas pessoas. vigiando para que as regras do grupo não sejam violadas. Adolescência. que nos ajudarão pelo resto da vida. segundo o autor. Artes Médicas. É a época do ficar com alguém do outro sexo em espaços e momentos diferentes. In: História Oral. ______ e Knobel. por exemplo. ele acompanha os meandros da busca da identidade. História e Geografia. os psicanalistas argentinos Arminda Aberastury (1910 . ADOLESCÊNCIA: NO CONTRA RITMO DA VIDA Embora pareça paradoxal. Se ficarem com a mesma pessoa muitas vezes.pag. doendo muito mais do que uma briga familiar. de forma criativa. e seja por ela agredida. Rio de Janeiro. ele é adorado e odiado. para qualquer adolescente. Os únicos professores que têm a chance de serem queridos e confiáveis. no início da adolescência. juventude e crise. Erikson sugere que a sociedade proporcione ao adolescente uma moratória psicossocial. podemos comparar a nossa cultura com outras e a atualidade com a de outros períodos históricos. S. Vilanova. Segundo os autores. a não ocorrência de tais "sintomas" deve gerar preocupações e atenção especial ao adolescente. de que é difícil estabelecer o limite entre o que é ou não normal. de um mecanismo esquizóide da própria sociedade. a tarefa principal a ser realizada é a construção da identidade do Ego.1972) e Maurício Knobel (1922) são criticados por estarem retornando ao estereótipo de "tormenta e drama" ou "tempestade e tormenta" aplicado à adolescência. por três liberdades fundamentais: nas saídas e nos horários. depois de apresentarmos três tentativas de definir a adolescência. apesar de adultos. Erikson. liberdade e apoio. posteriores à adolescência. de defender nas uma ideologia. Caso este não consiga elaborá-la convenientemente. pela bissexualidade infantil). em que as próprias "anormalidades ou sintomas" devem ser vistos como característicos da fase. REFERÊNCIAS Aberastury. Trabalhos Científicos/Temas Livres . melhor se caracteriza a entrada na adolescência. e estabelecerem a terminologia "síndrome normal da adolescência". já significa namoro e. A forte relação com os pais. Vamos agora. In Aberastury. pode repudiar o pertencimento ao mundo adulto ou "fundir-se" a grupos de modo fanático. A identidade egóica significa saber como somos e como nos inserimos na sociedade. The Challenge of Youth.3.lembrando-nos o conceito de mutualidade de Erikson – os pais também vivem lutos pelo filho criança e pela própria juventude perdida. se influenciam mutuamente. a juventude. Um enfoque psicanalítico. na Psicologia. que faz com que uma das suas partes em conflito. verificando como os padrões gerais se adaptam a diferentes épocas e culturas e realizando uma bela leitura longitudinal do ciclo de vida do ser humano. Adolescência normal. Diadorim Editora Ltda. Arminda (1980). é transformada na visão da mutualidade: pais e filhos. evitando a confusão de papéis. A. sem ênfase na patologia. Os de Arte os ajudam a criar. ______ (1976). não aqueles de sempre. um mundo que não desejam para eles. 1-144 4. Porto Alegre. 77 . reforçando-o. Freud. Através deles. do que aprendemos sobre a vida e sobre nós mesmos. mas principalmente no presente. Os jovens anseiam ainda. adequando-o a uma autoimagem unificada e consistente. ou dar-lhe um "ritmo". outro contra ritmo da vida). Ao mesmo tempo . Artes Médicas. As narrativas dos adolescentes marcam o fim da infância e a entrada em uma nova fase da vida. o chamado para ser alguém na vida é constante. Rio de Janeiro. Esse alguém é mutável e quanto mais "alguéns" diferentes. correspondentes à adultície e à senescência. ilustrar esta afirmativa. que caracteriza a "síndrome normal da adolescência". Artes. Aberastury e Knobel e a inversão do ritmo: a anormalidade normal ou o modelo da "tempestade e tormenta" revisitado? Ao enfatizarem a opinião de Anna Freud. um período de descoberta do outro gênero. Também funcionam como censura. Diadorim Editora Ltda. de duas visões do mesmo fenômeno: o desenvolvimento humano. O paradoxo dessa regra social. e de viver um amor e um trabalho. para isto. realizar atividades destrutivas ou apresentar um surto psicótico. Os de História contam casos interessantes e fazem pensar não só no passado. Adolescência. Zahar. como metaforizamos. segundo Aberastury (1980). vendida pela indústria cultural. Camargo. é que o desejo de ter um parceiro pulsa com força mas. aparecem como disciplinas (leis) do mundo dos adultos. (1981) Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. proposta por Freud. o que é evidenciado pelo crescimento dos filhos. vivenciado. Ao contrário. com raríssimas exceções. O autor destaca a adolescência como talvez a etapa mais importante do ciclo vital. outra. (1965). Submetido a rituais de enquadramento na imagem idealizada. É nesse lugar também que a escola fica situada – o mundo dos adultos – onde suas regras e ritmos não valem. Auto e exogenamente erotizado. como culturalmente determinado. et al.

certamente serão trancafiados. Nos hospícios. cheio de suspeita de tudo o que ainda era forte e feliz. não crê em caridade. com humor. só para olhares atentos. um "cristão". do capítulo "Os melhoradores da humanidade": "Eis um primeiro exemplo. E o grupo segue em frente. no entanto. a Igreja era sobretudo uma ménagerie.. há doces olhos azuis que se transformam em fúria. um teto. Mas que aparência tinha depois esse germano 'melhorado". na esquina da Hans Staden. Ninguém será domado. ah. malevolente consigo mesmo. Mas. É só mais uma possibilidade. não atrapalhe o trânsito da rua de Botafogo. livros. São nômades. tornada menos nociva. ela se torna uma besta doentia.realidades. internados. rico. Nietzsche. porque é nisso que acreditam. por mais que.Não é diferente com o homem domado. há esquizofrenia. Trabalha com a potência de cada um. A igreja tem prédio próprio. 1-144 . Sou invadida por uma onda forte de ternura. a química sendo usada a favor do corpo. grande. É o bem e pronto. A casa lhes será devolvida. Mas porque acreditam no movimento do corpo como forma de saúde. Querem viver. mas em algum momento precisam de um muro. o sacerdota. de um aborto: tornara-se um 'pecador". isso dá muito trabalho. se aninhar. ler. caros. E continuarão nômades. a rua que ficou triste depois que a casa 23 teve que ser fechada à força. há psicose. paredes... no entanto. muitos livros. O grupo de mochila nas costas que marcha devagar. Ali há muitos remédios. conforme as normas normatizam. o "kit nomadismo" como o Gonzalez a descreve. Diogo. cadeira. para quem a compaixão pouco ou nada vai valer. Se lá estiverem desacompanhados de um técnico responsável. Terá um selo. fazem fila. gritam palavras de ordem para aprenderem a pôr. carimbo. Os cabelos nem sempre tão penteados e a marcha. cheio de ódio para com os impulsos à vida.. entre eles. Eles são nômades. engarrafa a calçada. conforme as leis pregam. Não. Lá dentro há pessoas que também andam de mochilas nas costas. atrapalha a ordem. Olhe suas receitas. chão.. São bípedes.. Agora. enfim. que não precisam ser "melhorados". selo. de F. anuência. das quais o típico "melhorador". tornar doente pode ser o único meio de enfraquecê-la. carimbo. E lá dentro. compenetrados. de fato. humanos. seu território sagrado. O trânsito de meio dia e meia da Rua São Clemente vai ficando cada vez mais enrolado. Em termos fisiológicos: na luta contra a besta. oficializado. nada sabe . Mas as mochilas já poderão pesar menos porque haverá também um lugar fixo para conter parte das traquitanas que hoje compõem o "kit". Foram compradas. doente. a quantidade de carbono que cada um ali emite. Sempre se quis "melhorar" os homens: sobretudo a isso chamava-se moral. sim. não perturbe a ordem. receitada por quem entende do riscado e administrada por quem estuda um bocado sobre o humano.. Também sobre o demasiado humano. .Setembro 3013 . Delicadamente. bem mais lenta do que quer a correria das ruas de Botafogo. Na Alta Idade Média.pag. a rua da Festa Pirex. os soldados se formam. Um gesto quase solene. podem dar o tom da diferença. Estão também voltando de uma longa caminhada. acreditam no movimento. da saúde.. Acreditam na caridade. do Rio Cidade Maravilhosa Sede das Olimpíadas. Mauro. essa só vai triplicar. prato. Longe.. Quem sabe o que acontece nas ménageries duvida que a besta seja ali "melhorada'. Ela é enfraquecida. coberta. tinham-no encerrado entre conceitos terríveis.. há vícios. engaiolados. Há técnicos responsáveis entre aqueles que.. calçados. devidamente aviadas por doutores. se abrigar de uma chuva torrencial ou do sol escaldante. todos comprados. Chamar a domesticação de um animal sua "melhora" é. Olhe seus calçados. fogão. Ora. os nobres germanos. por exemplo. desde que ele continue precisando da compaixão. despotencializados. decidiram destrambelhar. comer. televisão. Mas o estado não lhes dá esse direito. Presta atenção! O grupo pára e alguém se abaixa. deixam cair o sapato do pé. Passo de carro e vejo Gonzalez. Mas sob a mesma palavra se escondem as tendências mais diversas.. Da bondade alheia. a vontade de fazer troça. os seres são cidadãos.. Nômades onde possam descansar o corpo.. Ali jazia ele. a nossos ouvidos. ter sua diferença respeitada. Em suma. Foram comprados. E para lá correrão os fiéis que querem fazer o bem para ganhar o reino dos céus. bastante provisoriamente. O grupo de mochilas nas costas é composto por pessoas assim.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual De mochila nas costas Autor: Amelia Gonzalez Considerações a respeito do trabalho de técnicos e psicomotricistas no acompanhamento terapêutico da Casa Hans Staden Palavras-chave: Religião. Para esses há remédios. há humanos. com alvará. Nietzsche. Sigo pela Visconde Silva e vejo Ayres. um carimbo. eles serão merecedores da compaixão religiosa. no grupo de mochila nas costas. ordem.. E isso lhes dá mais e mais força. não tem alvará. Homens e mulheres vestidos. O sapato que saiu do pé vai de volta para o pé. estão em frente a uma igreja. tratados como loucos. muito longe do mainstream. não é a solução porque não há solução. Isso compreendeu a Igreja: ela estragou o ser humano. comida. .. domado. de lixo que cada um ali produz. selo. E a potência. Bernardes. então o Estado os quer nas ruas? Também não. Estão ali. não aquece a economia. Vai ter festa Pirex para comemorar. ornamentado.. Só se fizerem tudo direitinho. ah. miserável. Para laçar cidadãos. quando. mediante o depressivo afeto do medo. Então. não tem direito de estar numa casa. Não perderam o humor. jogos. senhor! Quer ver? Olhe suas roupas. O que seria dos laboratórios sem eles? A quantidade de imposto que cada um ali paga.. Não importa muito que tipo de "bem" é esse. Querem que aquele que deixa cair o sapato fique quieto. como se tivesse mexendo num cristal. quase uma piada.. O grupo está em frente ao Quartel da Polícia Militar. Juliana. Todos têm uma mochila nas costas. é claro! Porque enfeiam. xxx 78 Trabalhos Científicos/Temas Livres . mediante dor.na quer saber.. que o sacerdote "melhorou". anuência. conquistado para o claustro? A de uma caricatura de homem. ela o debilitou – mas reivindicou tê-lo melhorado". não são cidadãos? O grupo de mochila nas costas que acredita na potência e é capaz de parar a calçada para arrumar um sapato que caiu do pé na frente do quartel. arruma o sapato daquele que anda sempre de mãos dadas. Roberto. um alvará. Mas ali. Laís. --. mas se diferem daquele grupo. a igreja ganha a parceria do Estado e tem lá seu prédio bonito. amarrados. engarrafam. Sabe que. feridas. não na potência. Porque a religião as faz acreditar em outras coisas. Tanto o amansamento da besta-homem como o cultivo de uma determinada espécie de homem foram chamados de "melhora': somente esses termos zoológicos exprimem realidades . fome. de vez em quando. Estão voltando de uma longa caminhada. som. Quem vem lá? O grupo de mochila nas costas. sim. melhorado. se divertir. a anuência. há neurose. os mais belos exemplares da "besta loura" eram caçados em toda parte – foram "melhorados". sabe-se lá por quais motivos. Marcelo. estava numa jaula. Os outros assistem. quadruplicar. Ou nasceram destrambelhados. E. Deixo para reflexão um texto do "Crepúsculo dos Ídolos". porque todas as normas serão cumpridas. as pessoas correm cada vez mais na calçada. é certo.

UERJ Resumo Este trabalho tem por finalidade apresentar a proposta da Oficina de Psicomotricidade do Centro Cultural da UERJ. de botox. Sem que qualquer interioridade venha curtocircuitar a graça do movimento sob a forma de afetação. de perda da alegria (p. farei uso deste artigo de Ferraz. 2001. Portanto. em seus textos Movimento Total e O Corpo Paradoxal. hipertensão arterial. O envelhecimento não precisa vir acompanhado de doenças cardiovasculares. não precisa ser um período de sofrimento e só de recordações. Brum (2012) Quando chegar a minha hora. encanto e leveza estão ligados a certo deslocamento da consciência: da interioridade reflexiva para o jogo das articulações. sem pele que esconda a força das vísceras. A partir destes momentos. Trata-se do cômico. tradicionalmente. pode ser uma descrição do que o corpo social acredita quando chegamos à velhice. Trago. 1. pijamas. negócios a parte. p. óculos. vaidades. É sempre cruel testemunhar a quebra fatal da graça". O primeiro deles é Kleist (1997) e seu texto Sobre o Teatro de Marionetes. mas. este espanto que afeta. a velhice ficou velha. uma nova velhice. Gonçalo Tavares. nos movimentos executados. há riso e suspeitamos o mecânico por de trás do vivo. Não precisa vir acompanhado de perda de força. diabetes. para falar do que estou chamando aqui de uma velha velhice: Trabalhos Científicos/Temas Livres . talvez. Segundo o artigo. (O Riso. de perda da coordenação motora. Um tempo da vida. concentrando toda a sua alma-movimento. diz respeito a uma velhice que anuncia a graça. como traz a autora. memória. capaz de promover a encantadora confluência entre o puro movimento e a alma motriz. poderia trazer a potência da graça? Seguindo esta trilha. resta o cômico" (2001. Palavras-chave: Vida. Sei que estou envelhecendo.Setembro 2013 . remédios. pertence a ela. remetido à dança e ao corpo de bailarino. ao propor a relação entre a graça e o processo do envelhecimento. Portanto. Dando prosseguimento ao que estamos apresentando até aqui. onde há imitação. mas. Um tempo que não está sobre a tutela do cronológico. do automatismo instalado na vida e imitando a vida. Vida que pulsa a cada instante a sua força. da memória. de "barriguinhas tanquinhos". a graciosidade como sua invenção e como uma brincadeira. podemos observar nos corpos dos velhos que se instalam numa velha velhi79 . a perda da graça é por efeito de uma consciência que se reflete nos espetacularizados espelhos da imagem. o filósofo Bérgson (2001) que em seu livro O Riso fala sobre o mecânico aplicado ao vivo que. de qual graça estamos falando? Segundo Ferraz.20) O que queremos dizer com este poema? Qual a relação que vamos fazer entre o poema e o trabalho que desenvolvemos com idosos? Qual a relação que faremos entre a poesia e o tema que vamos apresentar neste Congresso? Vamos tentar responder. que turva e elimina toda a graça. segundo ele. com gratidão e respeito. 2. Aos poucos. de perda da flexibilidade. De novo. nas suas diferenças. Ferraz (2011) apresenta o conceito de graça ou graciosidade do corpo. Ferraz. Este pensamento sem afetações não poderia trazer a presença da carne que nos diz o poeta? A carne pura. basta sentir e isto é pura carne. Não há possibilidade de reversão deste quadro dramático. Corpo e Consciência. Esta Oficina se propõe um trabalho na imagem corporal de idosos. graça. apenas. ela clama por autores e seus textos. cirurgias plásticas a qualquer custo. qual é a chance de um corpo que dignamente se permite envelhecer? Vaidades. talentos. acreditamos que se a imagem é algo idolatrado em nossa sociedade e se. este movimento-carne. espero contar com um espírito cada vez mais velho para ter a coragem de encerrar minha travessia com a graça de um espanto. José Gil (2002). velhice. Vida que é carne. vão percebendo que envelhecer pode ser uma potente fase da vida. cada um no seu tempo. 25) Ele se posiciona em favor do vivo: "A aliança homemmáquina reduz o homem ao nível de automatismos desalmados e esvaziadores. e o artista e filósofo Schiller (1997). os idosos vão apresentando talentos que se transformam em performances. No artigo Graça. 2001. camisolas. dentro e fora da Universidade. A doença e todas as suas cronicidades imperam neste tempo. Portanto. Me sentirei honrada com o reconhecimento da minha força. Portanto. fraldas. 24) Para o filósofo. (Me chamem de velha. é fonte do riso e da comicidade. repetição.Trabalhos Científicos A Oficina de Psicomotricidade da UERJ "Um show de talentos e de vidas na terceira idade" apresenta: a velha e a nova velhice Autor: Cristie de Moraes Campello Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro . utilizando o cinema como instrumento de evocação de memórias que são atualizadas e provocam emoções e expressões de movimentos. p. Deste autor. A autora nos coloca diante de um espanto. INTRODUÇÃO Inicio este artigo com um trecho de um poema do poeta angolano Gonçalo Tavares: Meter na dança carne A carne é o corpo anterior ao sexo Meter carne na dança Deixar a dança ser naturalmente carne A poética dos ossos e dos mortos é igual: carne. Uma brincadeira do tempo. a marionete bem feita e bem manipulada possui sobre um dançarino vivo: a ausência de afetação. não precisamos. um início e que uma velha velhice. A VELHA VELHICE E A NOVA VELHICE Dou a partida apresentando um trecho de um texto de Eliane Brum (2012) Me chamem de velha. me faz relacionar ao processo de envelhecimento. aproveita o seu pensamento no texto Sobre Graça e Dignidade. mas. de perda de desejo sexual. 1) Se tudo isto que a autora descreve acontece. de "corpos sarados". apresentamos a possibilidade da velhice se inventar como uma novidade. psicomotricidade. Todo este processo possibilita uma metamorfose na imagem do corpo destes alunos que entram na Oficina acreditando que a velhice não oferece mais sentido à vida e que envelhecer é um fardo. urinol. no fascínio narcísico da consciência. p. Não se trata mais de vida. novamente. me chamem de velha. a relação entre movimento. apenas. realmente. Para isto. Ela apresenta no pensamento de Kleist (1997) que o desejo e a meta do bailarino seriam ultrapassar a clivagem corpo e alma. jovem. tudo que se vive é em busca da imagem perfeita. espetacular. O filósofo Bérgson diz que "quebrada a graça. corpo. Este olhar não. comadres. por favor. Mary Stuart. (Livro da Dança. Como envelhecer sem perder a graça? O que é graça? Como Ferraz nos apresenta este conceito? A partir destas questões fui compondo algumas relações. espelhos. 1-144 A velhice ficou velha. testemunho essa passagem no meu corpo e. p. a velhice dramática pode se transformar numa nova velhice: uma velhice em que inventar e brincar façam parte deste tempo da existência. Estas performances são apresentadas para diferentes públicos. pois fui tocada e inspirada pelas suas palavras e pensamentos que me levaram a criar o tema que estamos trazendo neste evento: A velha e a nova velhice. tais como. escritor de tragédias clássicas. A perda da graça é inevitável.1). graça. dança.pag. andadores. também. sem perder-se ou desviar-se em vaidades. para suas famílias. a partir dos estudos dos autores que ela propõe em seu artigo. O tema da graça e da graciosidade. para o futuro.

Rio de Janeiro: Sette Letras. p. também. Daniel e GADELHA. Para o autor. quanto mais fraca e obscura se torna a reflexão. 674-684. então. Lisboa: Relógio D'Água. p. 1997. virtual e atual quando apresenta a sua teoria da memória REFERÊNCIAS Bergson. São Paulo: Martins Fontes. mais uma vez remete ao filósofo Bérgson (1999) que convoca a uma tensão entre real. O cinema é utilizado como um instrumento que acorda a memória e faz eclodir a emoção e a expressão dos corpos. Na era da técnica. O medo. automatismos e ressentimentos. 1-144 . o que há é uma diferença de natureza. In: LINS. no ato de fabular. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda. cria o seu Carlitos. Porto Alegre: Artes Médicas. inclusive. atual e real. oferecemos e abrimos os espaços para possibilitar que isto vá acontecendo. Os corpos expõem. Assim e Alvim. um campo virtual e que gera no corpo sensações virtuais que só atingem o campo real a partir da ação presente do corpo e que vão imprimir nele os movimentos e as atitudes que partiram desta virtualidade. para sua vida atual. ou seja. Este trabalho com os idosos convoca a uma atitude afetiva. então. 2001 A lembrança pura.18. 3. é uma força motriz que impulsiona o corpo ao movimento. É o puro devir. é cuidar para que não esclerosem e não percam a lucidez. ________Movimento Total: o corpo e a dança. Neste trabalho com idosos que já acontece há 16 anos. desvitalizados. v. Porto Alegre: Revista Famecos. O Riso. Heinrich Von. o Sublime e o Trágico. Friedrich. Alienados e esvaziados. restaurar o movimento. a lembrança pura é uma temporalidade. dilatada e toda esta elasticidade vai refletir em mais potência de vida. José.Setembro 3013 . Rio de Janeiro/Fortaleza: Relume Dumará. fazem suas performances.pag. com que nele se imprimam os movimentos e atitudes dos quais elas são o antecedente habitual (Matéria e Memória. evocando memórias. uma velhice que se permite viver com mais liberdade e leveza corporal. Trazemos uma bela citação de Kleist (1997) que convida à obscuridade e à fragilidade da vida e que não temos certezas e nem garantias sobre o que é envelhecer. Eliane Deleuze. assustar menos com as vertigens da vida. trazemos uma questão: Como liberar a vida das dinâmicas que a sufocam? Ao refletir sobre esta pergunta. afetos e resistência às mediocridades. p. criar e resistir para poder suportar as forças dos encontros. que estamos escancarados de frente para a crueldade da vida e estamos sendo forçados a dar conta desta crueldade. real e que este movimento ao se tornar ato traz com ele a sensação e a imagem virtuais. para Deleuze (1990). que os transportam a uma pura temporalidade. 2001 Kleist. apresentando seus personagens para o público. é a ruptura com um modelo de verdade. por exemplo. nem travessias. nas suas diferenças. Quando os idosos assistem a uma cena de filme. a imagem virtual desenvolve uma sensação virtual que se move em direção a um movimento corporal. não se sabe o que é um corpo sem um aparelho conectado. movimento de vida. que o coletivo está sendo convocado. 1999. puros pêndulos que servem à mera lei da gravitação. verdadeiros autômatos obedientes a ordens corporais mecânicas e sem forças para uma rebelião.3. não é a identidade de uma personagem real ou fictícia. pensamos que precisamos lutar para reinventar o coletivo. 2001. que o sintoma é corpo sem carne. O corpo paradoxal. repetitivos. ela é outro. temporalidades. A imagem tempo. onde tem atitude política. afetada por estes encontros com eles. Brum. se desnudar de formas mecânicas e velhas e sem afetações não se deixam capturar pelas imagens do espelho e aprendem a jogar com o encanto e com o espanto. completamente. quando entra em flagrante delito de criar e assim contribuir para a invenção de sua própria vida. Nestes dias. é a Dulce que inventa a sua metamorfose. mais sintomas. esclerosase rapidamente. mais possibilidades temos de alcançar uma memória absoluta. Ferraz. ela.7). E. como se o sintoma se repetisse em cada corpo. devem tender a fazer com que o corpo aja. que as manifestações estão nas ruas. uma idosa de 87 anos. p. e principalmente. não é a ficcção que está na tela do cinema. de resgatar o sentido dos encontros vivos entre pessoas. Num tempo em que o mundo inteiro vira tela. São Paulo: Brasiliense. Textos sobre o Belo. para dar sentido ao que os idosos expressam durante a Oficina e para além dela. UM SHOW DE TALENTOS E DE VIDAS: UMA INVENÇÃO DO ENVELHECIMENTO O trabalho da Oficina de Psicomotricidade do Centro Cultural da UERJ tem como tema “Um show de talentos e de vidas” porque aposta na nova velhice. Henri. Então. mas. Fabular. esclerosa-se rapidamente" (A Simbologia do Movimento. _______________. ela ficciona a si própria. plena de virtualidades. tende a provocar no corpo todas as sensações correspondentes.). Schiller. n. Podemos dizer. Incentivamos. duas emoções que só se realizam nos vínculos. Esta lucidez aumenta à medida que o medo de envelhecer aumenta. real e. Livro da Dança. ela se inventa. tem saúde e criação. Nietzsche e Deleuze: o que pode o corpo. Aucouturier. ao trabalhar com corpos idosos. 1986. Matéria e Memória. mais a graça. magnífica. com certeza. Podemos. não é mais a aluna Dulce e. no corpo. a metamorfose acontece e eles inventam uma nova velhice. gestos crônicos. 2002. set/dez 2011 GIL. A única coisa que podemos arriscar é que sem carne não há vida e sem vida não há caminhadas. Graça. Lapierre. Lapierre e Aucouturier dizem que "toda pedagogia que não se renova. também. 152) xxx 80 Trabalhos Científicos/Temas Livres . a Dulce. resplandece". Maria Cristina Franco. para ele. que o corpo está digital. Ceará. Ao passo que uma velhice que se propõe nova arrisca tudo. eles estão trazendo um tempo de vida passada para o presente. que dedos são projetores de imagens virtuais e que questões de poder e vigilância estão nas redes. Sylvio (org. 1986.39). não. Corpo e Consciência. A. a proposta desta Oficina. vivemos um cenário de tensão de forças e de potências digitais. Tavares. Me chamem de velha: artigo no blog Brum. ela se transforma. no campo real. neste momento. não podemos abrir mão de construir relações afetivas. à medida que se atualiza.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual ce. Neste momento. Gilles. política e de potência de resistência. trago um conceito deleuzeano: fabulação. profundamente. atualizando lembranças em emoções e movimentos e numa atitude corporal. O tema do Congresso – “Vínculos em Psicomotricidade: o real e o virtual”. 1997. a psicomotricidade tem a sua atuação na imagem corporal que se transforma de uma velha velhice para uma nova velhice. subjetividades e. Quanto mais vivemos a temporalidade e a atualizamos no presente. Eliane. para se tornarem reais. 1990. podemos afirmar o mesmo de um corpo que não se renova. imitativos. B. mecânicas. São Paulo: Martins Fontes. o devir da personagem real quando ela própria se põe a ficcionar. Acredita que os idosos podem expressar os seus talentos sem pudores. Nestes tempos. neste momento. Quando os idosos na Oficina criam os seus personagens. É por onde me sinto. celebrar a presença do riso e da alegria. os seus talentos.Psicomotricidade e Educação. Mas essas sensações na verdade virtuais. O que está em jogo. Gonçalo M. Lisboa: Ed. E que viver é experimentar o que nos acontece: "É que no mundo orgânico. Sobre o Teatro de Marionetes. dizer o que o filósofo está apontando é que não há uma diferença de grau entre virtual. se despir. A Simbologia do Movimento. (Sobre o Teatro de Marionetes. Corpos mortos.

de um avanço de pensamento: a tradição cartesiana da heterogeneidade das duas substâncias não permitia imaginar mais do que a posição pura e simples ou a antinomia das duas categorias. a leitura deslizante. mas que no entretanto é capaz de se tornar um grande desenhista. cuja preocupação centrava-se na transição da concepção do corpo motor marcado no primeiro corte para um corpo como expressão e o movimento como globalidade. 31-33). assim como o desdobramento desta ciência em diversas vertentes.] O homem teria que ter um olho grande. de ter um olho multifacetado dos insetos. As metodologias objetivavam consertar um corpo mecânico focando o instrumental do corpo. provocou o surgimento da ideia de se retomar construções de conhecimentos que foram apresentados durante um período de 30 anos nos congressos organizados pela Sociedade Brasileira de Psicomotricidade. o corpo era treinado. definição dos campos de atuação da psicomotricidade. em uma fase ainda embrionária. O trabalho era voltado para as relações do corpo com a mente. que em conferência de abertura abordou a temática a psicomotricidade e a ciência. apresentando uma concepção de movimento mecânico e corpo orgânico. preenchendo falhas/déficits afim de conseguir melhoras Trabalhos Científicos/Temas Livres . Corroborando a comunicação de Saboya (1988). epistemologia e vínculos.. 1-144 cognitivas e afetivas com atividades pré-estabelecidas. formação do terapeuta em psicomotricidade e terapias corporais. 1986). no Brasil. o I Congresso de Psicomotricidade. Para dar início às impressões a serem aqui apresentadas entende-se que se faz importante citar a definição do que seria epistemologia. horizontal ao simples patinar mental. Einstein. Do grego. fala que: [. Descartes e Leonardo da Vinci.pag. que influencia inclusive o nome da ciência. com o seu corpo em movimento. interessada em constantemente atualizar e discutir o objeto de estudo da psicomotricidade inaugurou. assim. Ortega y Gasset.] em ciência. Período marcado pela contribuição da psicologia e suas vertentes. Com esse ideal é inaugurado o 1º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. seja no campo teórico. Em 1950. integrando a mesa que aborda a temática Psicomotricidade. Somente em 1982 ocorreu o 1º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. a ausência de relação. é preciso substituir à leitura vertical. uma boca que fala. seus lápis sobre a superfície a desenhar e coordenar tudo com o seus pés. A preocupação do período era com o sintoma e não com o sujeito. um cérebro que pensa. de três em três anos são realizados novos congressos. seu espaço e seu tempo (1986).. Fica claro na colocação de Cavanha (1982) o marco do 1º Congresso ao apontar a concepção de olhar o indivíduo como um todo. consiste no ramo da filosofia que trata da natureza. relembra o pensamento da época: "vendo o corpo como um organismo e não só um ouvido que escuta. A concepção de corte epistemológico não significa separação. a exemplo de Bachelard. e verifica-se a retirada do hífen da palavra Psicomotricidade. em 1982. a imersão no pequeno abismo que é cada palavra. mas sua representação diante da interdisciplinaridade dos saberes afins. Como construir conhecimento? Quais metodologias buscar? Quais modelos epistemológicos a Psicomotricidade vêm percorrendo ao longo desses anos? Importante lembrar Minayo (1992) quando coloca que "a pesquisa remete-nos a um processo inacabado e contínuo que exige uma postura de busca permanente.O Sujeito na Prática Psicomotora 81 . psicomotricidade relacional. ou quem sabe.. Congressos de Psicomotricidade O convite para participar do 12º Congresso de Psicomotricidade. A partir de então. Essa concepção é fortalecida no 2º e 3º Congressos de Psicomotricidade. Segundo Le Camus (1986): Este conceito de paralelismo permite dar um inicio de resposta ao problema crucial das relações entre fenômenos psicológicos e fenômenos motores. É importante lembrar que o momento está presente em todos os cortes. Como se encontra hoje a validade desse conhecimento? Dessa episteme? Como precisar o aprofundamento da sua especificidade na contemporaneidade? O que se tem ampliado nas interlocuções teóricas e na sua aplicação nas áreas da saúde e da humanas? Pode-se observar que definir psicomotricidade remete a momentos históricos distintos relacionados aos cortes epistemológicos. respectivamente. certamente. Essa entidade.Trabalhos Científicos Psicomotricidade: epistemologia e vínculos Autores: Cláudia Santos Jardim. O 4º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade . tentando responder o que é o conhecimento e como pode ser alcançado. Com o objetivo de apresentar a evolução epistemológica dos Congressos organizados pela Sociedade Brasileira de Psicomotricidade no Brasil realizou-se uma pesquisa bibliográfica por meio das publicações feitas em Anais de cada congresso. Em sua apresentação Cavanha (1982). Esses congressos fortaleceram dimensões epistemológicas e filosóficas do saber psicomotor e neles foram apresentados trabalhos sobre: educação psicomotora. (p. No 1º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade contou-se com a presença do epistemólogo brasileiro Armando Oscar Cavanha. [. com slogan à época: "abaixo a técnica e viva a relação" (Le Camus. promovido e organizado pela ainda Sociedade Brasileira de Terapia Psicomotora (SBTP). Após a pesquisa tornou-se possível identificar a construção de uma especificidade em torno do eixo corpo e movimento. montando seus pincéis. pelo infeliz gozo da talidomida. La Fontaine. apontando citações de vários cientistas.e o 5º Congresso . ao participar da conferência de abertura do VII Congresso de Psicomotricidade (SBP): um caminho percorrido. Percebe-se nesse período a concepção de paralelismo psicomotor. Palavras-chave: Psicomotricidade. O segundo corte epistemológico recebe contribuições marcantes do psiquiatra Ajurriaguerra. Cortes epistemológicos. mas a visão de cada um difere de um para o outro. enfatizando a importância do estudo epistemológico para a construção de um saber científico. com o sujeito passando a ser visto como total. isto é. [.A Imagem do Corpo (1992) . Michelle Sales Belchior Instituição: Unifor Resumo A psicomotricidade como um saber começou a ser estudada na década de 50 no Brasil... Trata-se. Passado mais de um século pode-se lembrar não só da origem da Psicomotricidade e seu percurso. já demarcando o segundo corte epistemológico. Alguns profissionais com interesse em regular esse saber fundaram a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP). seja no metodológico".. escrita com hífen (psico-motricidade).Setembro 2013 . 29. das origens e da validade do conhecimento.. cujas temáticas foram: O Corpo Integrado (1984) e Psicomotricidade: seu objeto. não dicotômico. (p. um fértil mergulho sem escafandro. A concepção de trabalho era do corpo motor em uma realidade puramente mecanicista e sensorial.] poderíamos entender o menino privado de seus braços.] nossa mente deve estar aberta e porosa a todas as mentes [. particularmente. um olho que lê e uma mão escreve". O primeiro corte epistemológico demarca um período representado por um paralelismo psicofísico.. mas sim a inserção de um saber sobre outro(s) saber (es) ao longo da evolução do campo psicomotor desde o ano de 1900 até hoje.) Desse momento não existe registro de congressos em Psicomotricidade realizados no Brasil. iniciam-se os primeiros interesses dos pesquisadores em compreender o objeto de estudo da psicomotricidade. ou deveria ser dotado de centenas de olhos. vivo para observar o grande livro do mundo.

Com a formação de especialista em Psicomotricidade o profissional é plenamente capaz de trabalhar num enfoque interdisciplinar. idosos e famílias. Como exemplo. creches. apontaram um currículo básico para os cursos de especialização. imaginário e simbólico. haja vista o surgimento crescente de novas técnicas de promoção da saúde. a arte e a ética. . no 10º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade . De maneira geral. em sua conferência apresentada nesse congresso. da filosofia. adultos. Na educação se propõe à prevenção dos transtornos psicomotores tão comuns na infância por meio do processo de apropriação do corpo e do movimento. a atenção primária em psicomotricidade.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual (1995) . das áreas de atuação que hoje se situam entre o campo educativo e o campo clínico e dos transtornos psicomotores e suas formas de avaliação.A multiexperencial (explorando processos evolutivos e involutivos desde o bebé ao sênior.).Interfaces da Psicomotricidade -. Deleuze. especialmente naquela relacionada ao desenvolvimento psicomotor humano. desde o indivíduo dito "normal" ao indivíduo portador de deficiência etc. sem perder a especificidade da psicomotricidade. a teorização para a prática da avaliação. dos aspectos neuropsicomotores. visando alcançar o objetivo maior da época . o planejamento educacional e na clínica. (1996). a inclusão e saúde mental e a formação acadêmica em psicomotricidade. o Real e o Virtual . o conhecimento do desenvolvimento psicomotor. tornando possível a articulação entre as várias abordagens da psicomotricidade com os novos discursos na contemporaneidade. assim como a discussão das contribuições da neurociência. na filosofia escolástica. O 11º Congresso de Psicomotricidade – Diálogos e interseções com a psicomotricidade (2010) comemorou os 50 anos de 82 Psicomotricidade no Brasil. ligado ao inconsciente. justificando a realização do 12º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade . sendo essa a especificidade dessa ciência. As autoras Saboya. empresas. que significa a expansão do conhecimento. o virtual não se opõe ao real. mas também possibilita linhas de fuga e saídas. do adulto e do idoso. A especificidade da Psicomotricidade foi destacada como temática do 6º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade (1995). A ética foi um dos principais assuntos abordados no 7º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade.a multicomponencial (com a integração dos conteúdos da fenomenologia. é uma disponibilidade desafiadora. A preocupação é com o sujeito. Vínculos são laços. da ecologia humana etc.a regulamentação da profissão. à concretização efetiva ou formal. A psicomotricidade vem sendo exercida por profissionais qualificados e especializados em algumas instituições de saúde e de educação como escolas. no qual foram apresentados trabalhos escritos por psicomotricistas brasileiros apontando como eixo estrutural na formação do psicomotricista a importância do conhecimento da gênese histórica da psicomotricidade.inauguram no Brasil a inserção do terceiro corte epistemológico.Setembro 3013 . A árvore está virtualmente presente na semente. promovendo a interrelação dos conteúdos das ementas ao processo de assimilação da aprendizagem. nas intervenções educacionais e clínicas. tratando das questões afetivas. Os estudiosos que têm interesse pelo conhecimento da psicomotricidade têm a oportunidade de buscar cada vez mais. atendendo a bebês. A fim de atender a uma necessidade da classe acadêmica. demarcando a importância da formação científica em psicomotricidade e fortalecendo o ideal de regulamentar a profissão e formar profissionais para o exercício da psicomotricidade. -A multicontextual (enfocando os vários contextos ecológicos que caracterizam os diversos campos de aplicação profissional da psicomotricidade). promovendo reflexões sobre valores e influências de épocas vividas. eles coexistem. coloca que toda atualidade rodeia-se de uma névoa de imagens virtuais. No congresso foram apontadas perspectivas de pensamentos e atuação de várias abordagens. O 9º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade teve como eixo norteador a Psicomotricidade: uma realidade transdisciplinar. O corpo estudado é o real. auxiliando nos processos terapêuticos e ou educacionais. crianças. Daí a importância de não se isolar os acontecimentos da atualidade como se eles não tivessem um passado. com o seu corpo em movimento. Morizot e Thiers (2007) comunicaram que para a formação em psicomotricidade se faz necessária a preparação do profissional para as funções educativas e clínicas. Carmo (2011) citou que o virtual. as diretrizes da Psicomotricidade. Saboya. tendo como objetivo geral capacitar alunos para o exercício profissional da práxis psicomotora no âmbito educacional e clínico. Ele tem todo o potencial necessário para viabilizar a passagem para o atual. O virtual tende a atualizar-se. rizoma conceitual de Deleuze: o encadeamento de noções que cada vez se subdivide em novos espaços. Entretanto. sendo apresentadas como principais temáticas o cuidar. O desafio maior é a passagem desse estado de latência para um acontecimento no plano da atualidade. O desafio maior para isso acontecer é justamente a criatividade dos sujeitos envolvidos na sua dinâmica. a filosofia. Crê-se que o real e o virtual. sendo o movimento implicado na história do sujeito. podemos dizer que o virtual está sempre disponível a se atualizar. prevenção. conectar o real e o virtual produzindo novas formas Trabalhos Científicos/Temas Livres . 1-144 . do corpo e do movimento como eixo principal desse conhecimento desde a antiguidade até a contemporaneidade. Os cortes epistemológicos fundaram éticas. Portanto. hospitais e clinicas particulares. dos fundamentos básicos do desenvolvimento psicomotor humano com seus subfatores. Fonseca (2004).): O virtual sempre qualifica um conhecimento que está predeterminado a acontecer.). atualizam os conceitos já estudados. da neurociência.Vínculos em Psicomotricidade. Morizot e Thiers (2007). no âmbito do qual as crianças poderão vivenciar atividades psicomotoras lúdicas. das teorias construtivistas cognitivas. da psicopedagogia. Vinculado a essas questões.pag. o que liga. a promoção da saúde. faz contato. portanto. da psicanálise. seria aquilo que existe em potência e não em ato. da psicanálise e as de origem psicomotora. no entanto. de forma criativa. propondo uma revisão dos seus principais paradigmas e pressupostos. diagnóstico e reabilitação dos comprometimentos que afetam o desenvolvimento psicomotor da criança. como se tivessem surgido do nada. da psicossomática. pois traz em sua essência as condições suficientes para isso. a necessidade de atualização é constante. pela via do corpo. avaliação. temas de estudo do congresso. O virtual e o atual estão essencialmente imbricados um ao outro. É dessa forma que se fazem conexões de conceitos já formados para a formação de um novo conceito. Neles são apresentados os pressupostos da especificidade da clínica psicomotora. há indiscutível avanço tecnológico e científico na área humana. do diagnóstico e da terapêutica dos transtornos que afetam os processos do desenvolvimento psicomotor. O autor apontou uma proposta para equacionar a psicomotricidade em três vertentes essenciais: . Após esse percurso percebe-se que a Psicomotricidade vem ao longo dos anos se afirmando como campo de atuação na educação e na clinica.relacionais. discutiu o conceito de psicomotricidade em um foco transdisciplinar e sistêmico. No 8º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade (2001) um dos eixos da programação científica foi delegado para a apresentação de monografias. eliminando as distâncias e fronteiras entre os saberes e vinculando-os. da biossemiótica. Segundo a autora a formação está entrelaçada com a história da psicomotricidade no Brasil. filósofo contemporâneo. rizoma. Na clinica trata de transtornos associados ao corpo e ao movimento possibilitando um despertar psicomotor.o qual se está vivenciando agora. Ele traz em sua essência um conjunto de condições suficientes para processar-se através de uma realização. mas ao atual: virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes. O Congresso atual é um acontecimento em profundidade. avaliando e implementando programas de Psicomotricidade no âmbito educacional e clinico e atuando em promoção do desenvolvimento humano. Segundo Pais (2004 p. da inclusão social. Nas palavras de Morizot (1998) buscam-se a formação e os princípios éticos. redes. que teve como principal discussão a Psicomotricidade de Fato e de Direto. mas que permanece num estado de latência. sem ter passado.

2007. de comunicação mediante interações de saberes que implicam novas formas de um fazer psicomotor. In: Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. O processo de virtualização rompe com o modo de pensar estereotipado e repetitivo. IX. In: Congresso Brasileiro de PsicomotricidadeInterfaces da Psicomotricidade. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. Beatriz. Saboya. Gilles. A Psicomotricidade e a Ciência. VII. Rio de Janeiro: 1982. 1988. Anais. Anais. I. In: Congresso de Psicomotricidade . Porto Alegre: Artes Médicas. Noção de virtualidade e o encanto desvairado da tecnologia na educação escolar. Fortaleza. Curso de Especialização em Psicomotricidade. Recife . Fortaleza. Fonseca. Solange. Regina. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . In: Congresso Brasileiro de Psicomotricidade.Psicomotricidade de fato e de direito: formação e ética. Formação e Ética. X . Anais. Luiz Carlos. Anais.pag. Maio/ 2004. Rio de Janeiro: Hucitec. Regina. VII. Morizot. In: ALLIEZ. Josué Geraldo Botura do. Disponível em: <educacaoescolareducacao. blogspot.com/2011/10/virtual. 1-144 83 . 2013. Acesso em: 10 jul. Pais.PE: 2004. 39-40. 1988. C. p.Trabalhos Científicos Le Camus. Filosofia Virtual.1992. Revista Eletrônica da UNESC. 27. Éric. Nº 3. p. p. Thiers. É dessa forma que se faz epistemologia. 1996. p. Psicomotricidade: Abordagens Multidisciplinares. Abrasco. Rio de Janeiro. O Atual e o Virtual.html?>. Morizot. Cavanha. pois pensa em profundidade.Ceará. Vitor. Fortaleza. 1986. In: Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Psicomotricidade de Fato eDe Direito. Oscar Armando. O corpo em discussão: da reeducação às terapias de mediação corporal. Um caminho percorrido. 22-24. Beatriz. M. São Paulo. Deleuze. 1998. Afinal o que é virtual? 2011. Minayo. São Paulo: Editora 34. 30-33. Anais.Setembro 2013 . Saboya. Jean. Deleuze. Ano 2. de S. p. 61. REFERÊNCIAS Carmo.

portanto. suas coordenadas Trabalhos Científicos/Temas Livres . O corpo intensivo é atravessado por uma multiplicidade de forças que agem e reagem sobre o corpo biológico. A partir deste principio podemos facilmente entender o corpo psicomotor como variações de intensidades. político. nervoso. dissolvidos nas superfícies de efetuação da experiência do cotidiano.. É a partir desta análise das dinâmicas e cinéticas dos espaços que o corpo psicomotor inscreve seus deslocamentos. significa que só percebemos em psicomotricidade as qualidades e quantidades extensivas como razão do sensível. cuja experiência abre-se para um corpo experimental o qual reconhecemos como corpo psicomotor intensivo em suas dinâmicas e cinéticas. atraindo sobre si. em que invertemos a lógica da representação para inaugurarmos uma lógica da sensação. cujas unidades de diferença mínima é a intensidade em seu grau 0. sair pelos semáforos com a necessidade de nos projetarmos nos espaços epidérmicos da natureza espaço-corpo. É por isso que o movimento psicomotor traz sentido. Isto significa que a intensidade constitui a condição do aparecimento de qualquer fenômeno. Isto é o corpo intensivo. Quando falamos de auto. (2009) É um exercício. nossas verdades. como contingencia subjetiva de produções de corporeidades desejantes. consideramos o mundo próprio como o conjunto de agenciamentos orgânicos e instintivos possíveis entre um corpo e um certo psiquismo.relação que rodeia a terra de onde devemos olhar para ela. incluindo o eu e o outro. relações) e cinéticas ( velocidades e lentidões). por isso relacional. Podemos entender a partir desta prerrogativa que a individuação produz territórios psicomotores. O olhar é diferente da visão objetivadora. Deleuze insere a noção de intensidade numa interpretação que visa mostrar que as essências singulares são realidades físicas. Seria a abertura psicomotora para a constituição de mundos próprios heterogêneos e múltiplos. como pensou Félix Guattari em seu construtivismo subjetivo ao falar dos espaços trans-subjetivos. dotadas de existência. nunca se termina de chegar. como uma intencionalidade psicomotora do "eu posso". Mas.. Os afetos são estados intensivos que atravessam o corpo psicomotor. uma unidade psicomotora de transdução de fluxos de afectos (intensidades afetivas).XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Epistemologias das intensidades da teoria para uma prática em psicomotricidade Autor: Marcelo Antunes Fisioterapeuta e Psicomotricista Clínico e Educacional Segundo Nietzsche: O homem é uma corda que se estende entre o animal e o super-homem. forças vitais e vontade. talvez a partir daí inaugurasse-se uma transtemporalidade em psicomotricidade. uma unidade que não resiste ao exame". O corpo age de maneira dotada de sentido como carregadores de imagens que somos. velamos. a meu ver. (Antunes. pois apreende o que esta não consegue ver. algo deste é incluído em nós.. uma lógica que se vincula a experiência psicomotora como uma transdução de intensidades imanentes que se vinculam ao dialogo tônico corporal e subjetivo. Quando olhamos o mundo. "O corpo é o primeiro visível que se rodeia de uma atmosfera". Sobre ele dormimos. Segundo Nietzsche "O individuo não é senão a soma de sensações conscientes. O corpo intensivo poderia ser chamado também de corpo psicomotor intensivo. dotados de 84 sensorialidades. lutamos e somos vencidos. de estar a caminho. onde os movimentos naturais dão suporte aos sentidos através da efetuação das forças. Nesse artigo pretendo aproximar a ideia do psicólogo Daniel Stern sobre os afetos de vitalização da experiência de constituição de uma unidade transdutora em psicomotricidade. sendo. amamos e somos possuídos. nesse sentido. que dá qualidades aos sentidos. por isso que são micro-auto-reguláveis. não há "eu posso" a não ser graças ao movimento das forças que atravessam o corpo psicomotor. onde as forças que nos atravessam são epidérmicas com efeitos imanentes sobre a superfície de efetuação contraente. perceptos (intensidades da percepção) e conceitos (intensidades simbólicas). Ao corpo psicomotor intensivo. São esses os movimentos que caracterizarão o surgimento de um senso de "eu" em processos de vida antes do estágio verbal. unidade que atua sobre o corpo psicomotor. São domínios que reivindicam atenção para experiência psicomotora. auto-microreguláveis que se utiliza de uma lógica dos sentidos. Uma corda que se estende sobre o abismo. um conjunto de práticas em psicomotricidade: dinâmicas (cognições. é antes uma prática. espaço-potência. Mesmo sabendo que a esfera das forças que nos rodeiam é um mundo de possíveis.pag. As intensidades são unidades mínimas de diferenciação. um campo de tensões que emerge das paisagens e cria desenhos ou cartografias subjetivas.Setembro 3013 . a saber: a sensação contraente como modos de organização que operam por toda uma vida.) o que no homem é grande é que ele é um ponto e não um fim (. a saber: a sensação. o que já constitui desde sempre a sua esfera do sentido. seguindo a ideia de Daniel Stern de "Afetos de Vitalização". uma crença. sonhamos. o que entendo podemos entender como modo de diferenciação singular de cada corpo. sentir de todas as maneiras. espaço-afeto. É a partir deste conceito que iremos transpor a teoria para uma prática psicomotricidade. de julgamento e de erros. espaço.. ou encaminhamos para o sentido. onde o corpo seja talvez o mais superficial e profundo. de regressar (. paixões. uma experimentação inevitável. 2013). onde o devir da ação inaugura um construtivismo temporal como condição de criação. Talvez. São variações intensivas de um mesmo corpo. Em Spinoza et le problème de l'expression. assim como afirma Nietzsche: a vontade não anda para traz. 1-144 . Isto implica sentir de outra maneira. Deleuze afirma que a intensidade é a forma da diferença de nos diferenciar em nossa própria natureza. o que é uma atmosfera? Um certo regime de forças. ou seja os estados tônicos natural da natureza de um certo corpo. como possibilidade de vida e criação. a desestabilização dos estados conhecidos e reconhecíveis do mundo percebido. deslocar pelos ares todas as especulações. Os limites topológicos deste corpo não estão na interioridade da experiência. mas na própria pele como superfície relacional profunda. Lugar no qual experimentamos nossos afetos. O Que será a experimentação de um corpo psicomotor intensivo? O movimento de efetuação das forças se passa na beira do fora. afirmação e arte como condição de invenção de uma estética psicomotora existencial. censuras e repressões. onde a relação sujeito e objeto. Perigosa de passar. afetos. marca um campo de agenciamentos de produção de conteúdos intensivos de expressão em psicomotricidade. é precisamente oculto pelo mistério do contato com a superfície psicomotora. É preciso desagregar.micro. Privilegiamos em nossa prática a leitura de uma consciência psicomotora da imanência. um pequeno pedaço do verdadeiro sistema de vida ou vários pequenos pedaços juntos por fabulação. proclamações que esburacam o sujeito e quebram a luz das limitações da interioridade psicomotora. A partir desta reflexão podemos supor que as variações sensíveis que acometem o corpo orgânico são sensíveis ao corpo psicomotor em seu plano de composição dinâmico e cinético.) o que no homem se ama é ele ser uma passagem e um declínio. ou seja. Utilizo outra lógica dos sentidos ou talvez reinvento uma metafísica psicomotora onde os efeitos são mais importantes do que as causas. espaço-vontade. Tanto que se refere ao processo de individuação. digo uma experiência no domínio das forças instintivas do corpo orgânico.regulação ou molecularização em psicomotricidade. ele nos convida a repensar a noção de identidade. cuja relação produz efeitos significativos sobre o estados do corpo. em que os registros da memória funcionam de forma diferente da imagem ou da linguagem verbal organizada.

mas pelas reflexões. vida ou de morte.Setembro 2013 . Por isso. ligações. ao contrario. e. um construtivismo corporal de pele. das forças e da expressividade. É aí que tudo funciona e se decide. os contrastes psicomotores ou seja a passagem de um estado intensivo ao outro. ela só percebia o avesso das coisas. Matéria é igual à energia. deveríamos dizer vamos mais longe. políticos. E se os corpos imitam a linguagem. alegria ou tristeza. em função de uma imagem do corpo. uma grandeza intensiva. as significâncias e as subjetivações. recordações da infância e objetos parciais e nada compreendia acerca dos corpos intensivos. reencontre o seu eu. Produção do real como grandeza intensiva. dois aspectos merecem ser ressaltados: o primeiro é a afirmação de que o afeto é um aumento de potencia ou uma diminuição da potencia do corpo. O corpo é o corpo. As forças que atravessam os corpos intensivos constituem o plano de experimentação. quer dizer um fenômeno de acumulação. fantasmas. Portanto minha proposta é criar um pensamento sensorial na prática psicomotora intensiva. o organismo não é corpo. Existem três estratos psicomotores. a interpretação pela experimentação". das intensidades. ou seja. Cita Deleuze: "Onde a psicanálise diz pare. trabalho em ação. Criar um corpo experimental sobre o corpo psicomotor poderá ser através da arte como processo estético e expressivo. A psicanálise erra ao ter compreendido os fenômenos de corpo intensivo como regressão. Muito mais pelos afeitos diretos sobre o modo de funcionamento do que propriamente pelas causas que atuam sobre o programa psicomotor. assim como pensava Deleuze escrevendo sobre Espinosa em Filosofia Prática. funções. a fim de responder a realidade dominante. Entendemos por efeitos as variações intensivas no corpo psicomotor. O plano de consistência seria então o conjunto de práticas psicomotoras. o ponto aleatório sempre deslocando de onde brota o acontecimento como sentido". nos habituamos a ver nosso corpo como não intensivo. O corpo intensivo não é um espaço ou está no espaço. Mas. No corpo psicomotor intensivo o inconsciente é produção. polifonias e multiplicidades de gestos e vozes. cujo material é o ser sensível e criador de uma estética do pensamento sensorial em psicomotricidade. e é através dele. artísticos. e entrópico através das camadas e camadas de saberes e práticas que moldam nosso esquema sensório-motor. a partir de signos-partículas. É a intensidade que dramatiza. O corpo intensivo oscila entre dois polos ou sobre as forças ativas ou reativas. Toda vez que o corpo intensivo é arrancado do desejo é porque este corpo está submetido Trabalhos Científicos/Temas Livres . assim como organismo cola no corpo. que não tem o mesmo tipo de corpo intensivo. o que a coloca numa zona de lentidões. ele é matéria intensa não formada e estratificada. de sedimentação que lhe impõe formas. non-sens da superfície. apenas intensificado por meios técnicos que inscreve o corpo psicomotor num modo de funcionamento do organismo e do psiquismo como representação. de tal modo que a ideia de um corpo normal como corpo universal. Isso porque o corpo intensivo não para de oscilar entre as superfícies que o estratificam e o plano que o libera. místicos. A linguagem forma um corpo intensivo. fragmentadas por natureza cujos trajetos intensivos são dispositivos de subjetivação entre outras habilidades do corpo em processo expressivo. O corpo é a potencia de devir. O corpo intensivo é o primeiro como o prova o corpo das crianças. a saber: os organismos. A partir desta relação o corpo oculta. É um programa devir-experimental que segue as regras dos acoplamentos parciais e das multiplicidades. ou seja. Assim você será organizado em seu corpo psicomotor. e o que diminui ou bloqueia a potencia de agir do corpo também diminui ou bloqueia a da mente. Por isso que as crianças se sentem amedrontadas a privação dos movimentos quando machucada. cujas variações intensivas constituem a unidade transdutora de afectos. é maquínico. Não se trata de falar de corpos tais como são antes da linguagem ou fora da linguagem. para empregar sua expressão psicomotora. A exploração dos meios faz-se graças a devires. Por que ainda não sabemos o que pode um corpo em sua natureza de afetar e se afetados Por afetos entendemos as afecções do corpo pelas quais a potencia de agir do próprio corpo é aumentada ou diminuída. o que define o território psicomotor. Segundo é o emprego do advérbio "simultaneamente" para se referir ao afeto da mente. um mapa das forças. devires. é um estrato sobre o corpo intensivo psicomotor. não o é pelos órgãos. de coagulação. onde privilegiamos os afetos e forças. e 85 . Portanto o corpo cola no psiquismo. afetos. como pensou Nietzsche ou tendo o "corpo" como fio condutor. ora ele pode ser em formas sociais e agenciamentos diferentes: brincantes. E que os acontecimentos psicomotores são simultâneos.Trabalhos Científicos energéticas intensivas a onde a constituição dos mapas das intensidades vai além da relação sujeito e objeto e inscreve no espaço transacional. tornando o espaço e o tempo psicomotor uma sucessão de acontecimentos e deslocamentos de potências intensivas que atuam sobre o corpo em sua natureza de afetar e se afetado. sobre a contemporaneidade de um meio que não para de se fazer em constante devir. Talvez a função do psicomotricista seja cartografar as dinâmicas e cinéticas dos movimentos. Entendemos por diagramas um plano de composições de variações intensivas. Desse entendimento podemos refletir o que pode um corpo psicomotor em seu construtivismo a serviço da vida. Mais do que a dor. a da regra extrínseca e do ideal transcendente. o plano de consistência no qual ele se desenrola e se abre à experimentação das forças ativas. das potências de afetar e se afetado pelo próprio corpo ou por outros corpos. dos meios. favorecida ou coibida. que estas exploram os meios. saiba fazê-lo. por outro lado. organizações dominantes e hierarquizadas. que valoriza a lógica da sensação. As crianças não têm um corpo autônomo e isolado. é a matéria psicomotora expressiva que ocupará o espaço em maior ou menor grau. não encontramos ainda nosso corpo intensivo". encerra uma linguagem. um corpo pensado como forças. Como diz Deleuze. intensidades e forças acopladas a partir dos encontros com a exterioridade das superfícies dos corpos sensíveis. mas. Não se sabe mais se é a pantomima que raciocina ou o raciocínio que faz a mímica. de formar com as palavras um corpo psicomotor intensivo. perversos. Não é seguindo um programa centrado no fantasma que assombra a máquina psicomotora. científicos. e substituiu o mapa mundial de intensidades por fotos de família. É necessário o mínimo de significações e de interpretação e subjetividade. o esquecimento como força vital para a realização do movimento. Cita Deleuze: "Ao corpo intensivo substituímos a anamnese pelo esquecimento. Precisamos concluir que o que aumenta a potencia de agir do corpo também aumenta a potencia da mente. onde as cenas são produtoras de sentidos. é uma questão de afirmação vital ou repressão. 1-144 à lei negativa. Concluímos que o corpo psicomotor intensivo seja até o instante uma proposta de criação de novos modos de vida e experimentações que valorizem os processos cinéticos e dinâmicos dos espaços transacionais. mas chegamos ao corpo intensivo pelo programa efetivo da experimentação psicomotora. De um lado.pag. Assim como nos orienta Deleuze todo um diagrama contra um programa. perceptos e conceitos que entendemos como valências psicomotoras. O corpo intensivo é o próprio desejo como produção. num texto Zen "O vazio é ele próprio o elemento paradoxal. ou seja. O plano psicomotor deve ser construído. É ela que se exprime imediatamente nos dinamismos espaços-temporais de base e que determina uma relação diferencial. um campo de força. é pura afirmação de fluxos de passagens intensivas e de modos de subjetivação em oposição ao corpo psicomotor da representação que é um inconsciente em forma de teatro. Encontre seu corpo intensivo. é a angustia que se apodera do corpo da criança neste momento. projeção. Em última análise proponho uma questão de expressividade psicomotora como condição de uma epistemologia das intensidades em psicomotricidade. E o acontecimento como motor endógeno da prática psicomotora. fluxos. e simultaneamente as ideias e afecções. como corpo morno. devires e potências. uma grande razão do corpo. unidade intensiva da palavra. Não há nada mais verbal do que o excesso de carne. as superfícies de estratificações sobre as quais ele é rebaixado e submetido ao juízo das forças reativas. o que se passa no corpo simultaneamente se passa na mente. acontecimentos e produção de subjetividades. Nessa definição.

2013. F. Guatarri. G. e nos convida a experimentar o corpo psicomotor como processo de diferença e imanência. Acreditamos que essa intenção abre um campo de problematizarão para além dos dualismos corpo e mente. Nietzsche. Transpsicomotricidade: Psicomotricidade com base complexa e transdisciplinar. Macerata. São Paulo: Escuta. F. D. Ed. e Guatarri.Setembro 3013 .XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Deleuze. Antunes. agenciamentos como produção de subjetividades e processos de subjetivação de corpos e afetos. 34. Ansaldi. São Paulo: Companhia das Letras. Caosmose: um novo paradigma estético. Porto Alegre: Artes Médicas. notas e posfácio de Paulo César de Souza. Lapierre. Feltrinelli. xxx 86 Trabalhos Científicos/Temas Livres . 1992. REFERÊNCIAS Deleuze. 1-144 . 2005. Quodlibet. F. Ed. 34.W. _________ . Traduzione di S. e Aucouturier. De Stefanis. 1972. Ed. O que é a filosofia? Ed. 1992. _________ . 1999. O mundo interpessoal do bebê.Traduzione di M. 34. 1992. _________ . 1986. Espinosa: Filosofia Prática. A simbologia do movimento: psicomotricidade e educação.pag. Tradução. G. A. O anti-Édipo. 2002. Stern. Genealogia da moral: uma polêmica. Porto Alegre: Artes Médicas. M. B. WAK. Os caminhos da imanência em Transpsicomotricidade: (Org) Martha Lovisaro e Eduardo Costa. 2009. Logica del senso. Spinoza e il problema dell'espressione.

afetivas e orgânicas. 05). sentimentos estéticos – da capacidade estética. Vigostsky. Estes deram contribuições teóricas sobre a brincadeira. A experiência provocada pelo contato com a arte não se dá apenas pela via da razão.. 2003).08). com o outro e com o mundo (Piaget. 1978. (é a experiência de corpo vivido) o que efetivamente nos acontece. Palavras-chave: Vínculos sensoriais. O conceito de estética (aisthésis: percepção. 2002. muitas vezes extremamente abstratas e aparentemente sem nexo. o qual me provoca duas grandes interrogações: o que determina a vinculação entre os corpos na práxis em Psicomotricidade? E o que podem os vínculos sensoriais oriundos do lúdico e da arte na cena psicomotora? Antes de começar a desdobrar o meu pensamento sobre esta temática. sua crítica e sua criatividade (p. a aprendizagem. trabalhar (. da capacidade sensível de perceber sensações e sentimentos. com suas afetividades. de realização de desejos. o jogo. 2001. A relação entre o lúdico e a psicomotricidade possibilita perceber a difusão de uma potente condição geradora de vínculos sensoriais na relação entre corpos que também logram do brincar um lugar de constituição da subjetividade. 2010). a arte e a práxis psicomotora. o desenvolvimento e a cultura lúdica. As práticas lúdicas.. ele acoberta a necessidade/prioridade de .Trabalhos Científicos Como se articulam e desarticulam as dobradiças dos vínculos que se instauram no corpo lúdico e na arte? Autor: Genivaldo Macário de Castro Instituição: Instituto Aquilae . suas percepções. retomo o conceito de Psicomotricidade: É a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. estimo que as práxis em Psicomotricidade quando apontadas em direção das reais necessidades pessoal do sujeito é que de fato criamos possibilidade da constituição de vínculos sensoriais. O fazer artístico por excelência é menos centrado na razão e potencialmente voltado para o campo da sensibilidade ou estesia. 2003). blocos de sensações. explicito que o objetivo aqui é refletir sobre os modos de vinculação articulados pela arte. a trajetória dos affectos e a consequência destes nas relações entre os corpos.Fortaleza-CE Resumo O presente artigo trata dos vínculos sensoriais na práxis em Psicomotricidade articulados pelo lúdico e pela arte. vêm ocupado espaços significativos nos espaços educacionais e clínicos (terapêuticos). Assumindo a base que abanca esta discussão entre o lúdico. E é nesta situação que na condição de jogador o sujeito. o experimento artístico e estético diz respeito à qualidade da percepTrabalhos Científicos/Temas Livres . 1978. Os resultados desta reflexão apontam que os vínculos ocasionados pelos bons encontros são consequências dos affectos da alegria (expansão) e os dos maus encontros dos affectos da tristeza (contração).. que fundam os canais da percepção. olfato. gerando um campo de possibilidades de elaboração. ou melhor. e se constitui como uma experiência que se opõe à anestesia. entre elas o brincar. 2001. Além do que postula Herbert Read.1981). o que nos toca. pelo lúdico e posterirormente como se dá a microgenética da trajetória destes vínculos sensoriais entre os corpos na práxis em psicomotricidade. ou seja. a experiência/experimento é o que nos passa. Dos vínculos sensoriais articulados pelo lúdico O lúdico por sua vez também ocupa lugar de destaque nos cenários educativos e terapêuticos. 2003) o qual enfatiza o papel do brinquedo e do brincar na impregnação cultural do sujeito. 1986). Adotar uma práxis em Psicomotricidade voltada para o experimento artístico e estético converge com o pensamento de Larrosa (2003). a arte na educação dos sentidos (Read. Práxis em Arte. ou seja.. 2001) e na origem e na natureza dos afetos (Spinosa. resolução de conflitos e de aprendizagem (Vigotsky. facilitando a promoção de potentes vínculos e atendendo as necessidades de articulações vinculares entre os corpos brincantes que habitam a cena psicomotora. imbuído de um campo de imitação. Portanto. audição. é um termo em- 87 . os vínculos sensoriais entre os corpos humanos se estabelecem no campo da estesia. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento. com o qual concordo. 1986) e Wallon (1981). 2003). o contato com a arte mobiliza as expressões do pensamento (artístico) através de signos mediados por blocos de afetos e perceptos.Setembro 2013 . 2003. as interações sociais. na qual o jogador suspende o real e se permite voluntariamente a adentrar no campo da fantasia (Wallon. produz zona de desenvolvimento proximal (ZDP).) a pessoa inteira. Dos vínculos sensoriais articulados pela arte Segundo Vasconcellos (2005). onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas. Piaget (1978. o lúdico na abordagem socioantropológica (Brougère 2001. 1981). Para este teórico. paladar e tato/sinestésico). 1-144 ção do contato com o fenômeno vivido através dos sentidos (visão. Esse tema gerador me convida a refletir sobre a qualidade dos vínculos que se estabelecem em Psicomotricidade. A potência do lúdico se estabelece quando a condição lúdica se instaura provocando no sujeito a situação de jogo. do julgamento e da percepção humana (experiência sensorial). Affectos. suas expressões. Assim. numa concepção pensada em constituir vínculos potencialmente efetivos e afetivos. Psicomotricidade. principalmente. Este apresenta como conclusão a partir da afirmação spinosiana assegurando que os affectos da contração são tão importantes quanto os affectos da expansão.. seus sentidos. Concordando com o que foi dito. Read (2001) defensor da educação dos sentidos considera que a função da arte é preparar o sujeito para a vida e não para o acúmulo de informações. Está relacionada ao processo de maturação.pag. estabelece outras qualidades de relações com ele mesmo. Articulações entre arte..) é só quando estes sentidos são levados a uma boa relação harmoniosa e habitual com o mundo externo que se constitui uma personalidade integrada (p. Os fundamentos teóricos se pautam no lúdico na abordagem psicogenética (Piaget. do qual me fundamento para dialogar com estes saberes que se convergem. da capacidade de perceber sensações. A importância da atividade lúdica na abordagem psicogenética é destacada nos estudos de referência de Vigotsky (2001. Este objetiva fazer uma reflexão sobre a qualidade dos vínculos oriundos da condição lúdica. INTRODUÇÃO Essa mesa tem a incumbência de tratar do tema: vínculos sensoriais na práxis lúdica e na arte. 2002. assegura que: A educação da sensibilidade estética é de fundamental importância (. sensação) posto nesta reflexão é tomado de uma vertente da filosofia que tem como base o estudo da produção das emoções causadas pelos fenômenos estéticos (dos sentidos). portanto. como também na compreensão socioantropológica de Brougère (2001. Os fenômenos da brincadeira e a materialidade assim como um brinquedo. o intelecto e o afeto. Wallon. 1986. da arte. Quando Read (2001) em sua obra – Educação pela arte faz referência à educação dos sentidos. Práxis lúdica. lúdico e psicomotricidade.

recorro as reflexões de Moreira (2013) sobre uma terapêutica dos afetos baseada em Spinosa e Nietzsche. Dando sequência à discussão de como acontece a vinculação entre o campo da arte e do lúdico enquanto propiciadores de vínculos sensoriais. sua linguagem e sua socialização. a qual informa que os dois filósofos. entendida como uma multiplicidade compondo um todo. vai construindo um dispositivo que se aprisiona na forma mais dura. Como os vínculos sensoriais se constituem entre os corpos na práxis psicomotora? Em meu percurso deparei com alguns teóricos que muito instigaram com suas teorias sobre o corpo e suas produções afetivas.142) Para Spinosa os bons encontros que nascem dos affectos da alegria. desencadeando sentimentos e consequentemente acendem atitudes (ação).XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual pregado para uma concepção de movimento organizado e integrado.26). Este pronuncia: então quando emprego a palavra afeto isso remete ao affectus de Spinosa. 2013). lugar onde se articulam e desarticulam os vínculos sensoriais que emergem da arte e da condição lúdica. ele tende à estagnação de suas formas de querer. esta remete a Affectio (p. Portanto. E é nesta configuração com o corpo em movimento que se estabelece os vínculos sensoriais entre os corpos. aquilo que ata. o que liga duas ou mais pessoas. emocional e cognitivo (p. segundo Yontef (1998) é o processo de estar em contato vigilante com o evento mais importante do campo sensório motor. Os affectios (afecções) são forma de excitação. Os corpos na relação entre psicomotricista e cliente. ao mesmo tempo.pag. Dos três conhecimentos básicos que constituem a ciência da Psicomotricidade (o movimento. digo que dois corpos se vinculam quando um corpo é affectado por outro. quando digo a palavra afecção. Toda mistura de corpos será chamada de afecção. Diminuem-nos. O que podem as afecções da contração? Os affectos da contração direcionam o sujeito a se contrair. EIII Def. Quando se perde a membrana do limite perde-se a capacidade de afetar e ser afetado / se mistura com o mundo.33). o intelecto e o afeto). nós efetivamente somos um bloco de afetos. mais precisamente nos postulados teóricos de Espinoza (1632-1674) e nas bases fenomenológicas e existenciais. Outra condição importante é o estado de aqui e agora. Trabalhos Científicos/Temas Livres . pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída. ele experimenta diferentes pensamentos. nó. acontece em condição de awareness. Para tanto o ato de vinculação e ou afecção. um corpo que é dito agir sobre o outro. estimulada ou refreada. p. O experimento lúdico e ou artístico na cena psicomotora. o que diminui sua potência criativa. A cada momento nós afetamos e somos afetados. Afirma a potência. numa dimensão estésica (do corpo/no corpo). de subjetividade. que geram emoções. liga ou aperta (duas ou mais coisas). CONSIDERAÇÕES FINAIS Affectamos e somos affectados e nesse movimento o corpo constrói (cria. nos tornam passivo. a discussão passa a ser ancorada pelas bases filosóficas. articular e ou desarticular os vínculos do viver pode ser lúdico e artístico. (Espinosa. nos entristecem e frustram o nosso desejo (fere a potência de agir). Spinosa (2010) aponta ainda que os bons encontros são consequência dos affectos da alegria e os maus encontros dos affectos da tristeza. a vida pode ser uma invenção. ganhando uma dimensão biológica. sentimentos e quereres e se recria incessantemente. dão-se por via das affecções entre ambos. (p. 1-144 . Para tanto postula que: Affectio é a mistura de dois corpos. a partir da origem e a natureza dos affectos concebidas pelo filosofo modernista Spinosa (2010). de saúde. 2013). articula. desarticula) sua coreografia própria para acompanhar essa oscilação dos affectos que contrai e se expande. Apresentam o corpo e a alma ou mente como uma totalidade afetiva. ocupam status de igual tamanho. é porque os conjuntos afetivos encontram-se desorganizados.3. as idéias dessas afecções. Spinosa (2010) assevera: por afeto compreendo as afecções do corpo.) afecção indica a natureza do corpo afetado (do corpo modificado). e aqui vou tentar abordar a microgenética do percurso dos vínculos sensoriais entre os corpos. cujo propósito é promover a concentração.163). é uma forma de experienciar. Os afetos moldam as ações atitudinais e em consequência moldam a vida. conduzindo o sujeito às afecções da contração. em sua obra – Cursos sobre Spinoza – chama a atenção para a diferenciação dos dois termos: affectus e Affectio. em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade. Ao debruçar sobre a importância dos affectos alegres e tristes como pilar base de vinculação na intervenção psicomotora. e o outro que vai acolher a marca do primeiro. reduzindo a potência de ação. Sem limite não há forma. É como se misturar com o ambiente a tal ponto e não se reconhecer mais. Para Spinosa (2010). produzindo tristeza. e. Tal condição toca no campo físico vibrando em cada célula que compõem a totalidade do corpo. nos alegram produzindo potência de ação. (. ela pode ser criada e recriada por nós como uma obra de arte.. que pode ser facilitado por uma terapêutica fundada na forma como se processa a dinâmica de nossos afetos. mas quando a dança esfria e ou diminui. conduzindo o sujeito às afecções da expansão. 2007). Deste modo. Diz-se por vinculação: ato ou efeito de ligar-se por vínculos. Este filósofo trata sobre o encontro de corpos e como estes se affectam e/ou se vinculam. as emoções do nosso rosto são formas de manifestar os afetos que sentimos. Deleuze (2012). gerando força de existir e nos aumentam. Se a potência do corpo está elevada é porque a dança dos affectos está caracterizada pelo dinamismo e pela mudança de formas. Portanto. Na proporção que aumenta o estado de contração mais o sujeito vai entrando em contato com a "morte". Orgler. affectar e ser affectado é próprio da vida. No movimento da contração o sujeito em estado de angustia se protege da vida e perde a capacidade de abismar não conseguindo afrontar a vida. 36). e nos fazem pensar a saúde como um processo contínuo de busca por aumento da potência de ação deste conjunto. 88 É tácito afirmar que a vinculação psicomotora é produzida no modo de experimento estético. é sentido/percebido e ganha forma de ação: motora. p. (SBP/Nacional. não conseguindo compor um bailado harmonioso (Moreira. sentir e pensar. Quando o corpo lúdico está mais ativo em sua dança. e das vivências de contato nele estabelecidas. É na qualidade da vinculação que gera as diferentes condições que possibilitam a produção. se está diminuída. quanto para designar um "estilo" de intervenção. O que podem as afecções da expansão? Os affectos da expansão tendem a conduzir o sujeito a não se dar limite e em consequência se perder na expansão. FUNDAMENTOS TEÓRICOS Os vínculos sensoriais na práxis lúdica e na arte que se estabelece entre corpos. provocada no contato entre corpos. Diminui a potência de agir. aqui tomo como figura as articulações vinculares no campo dos afetos. Por conseguinte tudo que o corpo experimenta na cena psicomotora. expressão utilizada na gestal-terapia tanto para exprimir o caráter temporal do sistema self. (Gladys. relação e relacionamento.. tem sua trajetória com início nas sensações. conexão. Nietzsche apresenta a luta entre os affectos como um ensaio de novas coreografias próprio da vida. fenômeno de um encontro com outros corpos (indivíduos ou coisas) gera um sentimento que aumenta nossa potência de agir. Os maus encontros nascem dos affectos da tristeza. (Moreira. E assim.Setembro 3013 . Quando um corpo é afetado de forma contraída ele vai afetar o outro de forma contraída. consumindo e se defendendo da possibilidade de afetar e ser afetado. ou seja. a realização de desejos e a potencialização pessoal. somos formados por uma porção caótica de afetos e vivemos buscando entendê-los e expressá-los. ou seja. sem forma o corpo tende a dissipar-se. o limite é uma membrana que dá forma. Os gestos de nosso corpo. Lima. cognitiva e emocional.

26. 2003. que mutuamente se dão vida (criam vida). Disponível em: http://www. São Paulo: Martins Fontes. In: KISHIMOTO. ______. H. Acesso em 01 de agosto de 2013. A construção do pensamento e da linguagem. Seis estudos de Psicologia. H. 1998. M.fflch. 2002. vol.1217-1227.93. 2003. ______.Setembro 2013 . Cursos sobre Sapinoza. J. G. sejam reais ou virtuais. Moreira. p. Rio de Janeiro: Forense. Porto Alegre: Artes Médicas. Educação & Sociedade. 2001.imagem e representação. Wallon. Diálogo e awareness. São Paulo: Pioneira. J. A evolução psicológica da criança. T. n..edição bilíngüe latim/ português). REFERÊNCIAS Brougère. Os bons vínculos sensoriais que articulamos na vida se explicam pelas escolhas dos encontros que fazemos. A filosofia e seus intercessores: Deleuze e a não filosofia.pdf .usp. G. Assim como os "bichos" de Lygia Clark que no diálogo permitido entre sujeito (observador) e obra. Concluo estas reflexões com uma afirmação spinosiana que assegura que os affectos da contração são tão importantes quanto os affectos da expansão. set/dez. podendo quando desejosamente. J. 1981. Barcelona: Laertes. Lima. Yontef. xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . Belo Horizonte: Autêntica Editora. Uece. Deleuze. voltar para a forma de origem. Piaget. B. L. Orgler. 1978. O brincar e suas teorias. Read. estabelecer bons vínculos seria a capacidade de manter a dança dos affectos sempre viva. A formação do símbolo na criança: imitação. Spinoza. articulado pelas dobradiças (linha orgânica) num movimento lúdico e artístico se vinculam num movimento corpo-a-corpo. ______. jogo e sonho . 2001. São Paulo: Martins Fontes.br/df/espinosanos/ARTIGOS/ adriana. 2012. 2007. Deste modo na condição que articulamos e ou desarticulamos as nossas relações. S. Lisboa: Edições 70. São Paulo: Cortez. B.. 2010. Algunas notas sobre la experiencia y sus lenguajes. 1-144 89 . Nietzsche e Espinosa: fundamentos para uma terapêutica dos afetos. D. A educação pela arte. Os affectios igualmente como a obra de Lygia só se estabelecem quando as pessoas (os corpos) se permitem a interagir entre si. Fazer da vida uma obra de arte é reconhecer a potência de affectar e ser affectado. P. se inventam e reinventam em múltiplas configurações. São Paulo: Summus. S. 2003. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. através da criação de diferentes coreografias vitais. Gladys. 2001. Dicionário de gestalt-terapia: gestaltês. A formação social da mente. 2005 Vigotsky. Brinquedo e cultura. Ética (Tradução e notas de Tomaz Tadeu . 1986. Larrosa. Vasconcelos. Jogo e educação.Fortaleza: Ed. São Paulo: Summus. A.Trabalhos Científicos Por este viés. G. compondo ou decompondo forças. o mais importante é saber transitar entre as polaridades dos affectos da contração e dos affectos da expansão sem se perder de si mesmo e do outro. ______. A criança e a cultura lúdica. São Paulo: Martins Fontes.pag. Campinas.

Há um incômodo geral que se caracteriza através de uma tensão traduzida através do choro. acerca da expressividade motora. As emoções caracterizam o homem e o constituem diferenciando-o das demais espécies do reino animal. pretende-se discutir os atravessamentos do jogo psicomotor e do jogo eletrônico enquanto práticas da criança na contemporaneidade. A emoção será caracterizada tipicamente humana na medida em que significará uma comunicação deste indivíduo com o social na dinâmica dos cuidados requeridos. ao serem manifestas. De outro modo. imagens e bibelôs. quando as danças. fisiológico. Logo. ¨O outro é parceiro perpétuo do eu na vida psíquica. construção de presépios e outras atividades religiosas seriam posteriormente classificados enquanto brinquedos infantis". Comprar celular para a criança que tanto insiste alegando que as demais colegas já possuem o equipamento. A realidade digital é uma constante contemporânea e o fazer infantil perpassa por tal condição. a dinâmica tônico-afetiva e o brincar. p. Psicomotricidade INTRODUÇÃO Imersos na realidade eletrônica do século XXI. em certa medida. requer organização e logo. A contribuição de Wallon ao focar a dinâmica das emoções. A vivência tônica-afetiva embasa a construção do eu corporal da criança e é elemento fundante de todo o sistema de relações sociais. endereçar esse fazer como a atividade mais significativa da criança também pode promover prejuízos que acometem o desenvolvimento infantil.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Vínculos sensoriais e a práxis lúdica: do jogo psicomotor ao jogo eletrônico Autor: Érica Silva Fróis Dalla Instituição: Pontifícia Universidade Católica . Nesta medida. Compreendendo como práxis lúdica um fazer constante circunscrito na atividade criadora e autônoma do indivíduo. A criança no útero da mãe está em estado de simbiose orgânica. na mesma medida que a emoção informa certa desorganização e mobilização corporal e visceral.pag. visto a necessidade de inclusão digital atual. contida. Esse choro inicial é visceral. movimento e desenvolvimento infantil De modo a pensar acerca do desenvolvimento infantil. pois traduz um código capaz de estruturar este conteúdo abrupto. toma-se as contribuições de Wallon acerca da constituinte da criança. Nesta medida se faz pertinente uma reflexão sobre o uso deste modo intitulado "brincar eletrônico".¨ (Wallon. ainda que parcialmente. Este estudo pretende problematizar e apresentar reflexões acerca desse debate mantendo um diálogo com as ideias de Wallon sobre a relação entre o movimento. A criança. Posteriormente apresenta características acerca do jogo psicomotor à luz das ideias de Aucouturier. ¨A razão nasce da emoção e vive da sua morte. De modo a pensar sobre a perspectiva contemporânea acerca do jogo eletrônico será citada a pesquisa de Fróis (2010) sobre os jogos digitais e analógicos. ao discutir esta temática o estudo pretende contribuir com pais. orgânico. ao ser manifesta. a partir das convenções sociais. O autor afirma em suas reflexões que a relação tônico-afetiva subsidia todas as aquisições infantis. A emoção. Esta relação tem função na manutenção da condição humana. Coexistindo a tal realidade está o brincar livre e espontâneo. destaca que esta relação é posta pela via do movimento e que este é fundamental para esse exercício de autopercepção e autoconhecimento. A estes aspectos Wallon (1968) nomeou como diálogo tônico e apontou como sendo os primeiros investimentos da relação criança-mundo. Problematizando o uso desses fazeres pela criança. seja da ordem cognitiva. os jogos de azar e corridas de biga convidavam a todos á distração e diversão. 90 DESENVOLVIMENTO Algumas ideias de Wallon: emoção. desenvolve uma relação inicial pautada na simbiose fisiológica.PUC Minas Resumo O presente artigo se propõe a discutir sobre a práxis lúdica da criança sob a ótica do brincar contemporâneo. bem como. Este termo traduz o estado da criança de homeostase havendo uma ausência de necessidades. o estudo apresenta as ideias de Wallon sobre a constituinte tônico-afetiva e a relação social indissociada. desde à população mais carente economicamente até os mais abastados. do brincar livre e da relação de desenvolvimento construída neste ínterim. surgido desde o fim da idade média.¨ Dantas (1990) Para Wallon (1975). educadores. O autor afirma que o bebê ao nascer e em constante contato com seu cuidador. atribuindo diferentes constituintes à subjetividade infantil. O celular. pois.159. o que auxilia na co-construção do próprio eu. sustentação característica de apoio. o viés biológico é significado pelo percurso social e histórico e assim. Wallon (1968). A esta sustentação a manifestação das emoções está em constante interação. Logo. é elemento de sobrevivência. segundo Ariés (1981). relacionais e cognitivas da mesma. e com as ideias de Aucouturier. responsável pelo suporte. Esta trama Wallon(1968) descreve como sendo dialética. Diante a esta dinâmica muitos pais e educadores podem se ver divididos entre oferecer ou não o jogo eletrônico ao filho. Segundo Wallon (1968). estabelecendo um paralelo com a dinâmica existente no jogo eletrônico. "As pequenas estatuetas. as vantagens e desvantagens destes na constituição da criança. o processo de desenvolvimento psíquico é um caminho de humanização e individuação. Tais práticas incluem os jogos eletrônicos e rechaçá-los da dinâmica infantil pode colaborar com um mecanismo excludente. o tônus é o arcabouço de sustentação orgânico-afetivo que dá suporte ao movimento e ao conjunto de expressões do indivíduo. Ao nascer este estado muda e o desconforto impera no indivíduo. linguística e maturacional. pela via do outro. a realidade do jogo eletrônico na atualidade se apresenta juntamente com o brincar livre e espontâneo da criança. a televisão interativa e o computador. traduz um simbolismo social e recebe a significaTrabalhos Científicos/Temas Livres . pois. serão nomeadas. os aparelhos eletrônicos. são instrumentos amplamente difundidos na contemporaneidade. ao chorar. atribui uma condição ao individuo. controlada. afirma que estruturar e desestruturar é o papel das emoções na medida em que esta é constituinte do ser humano e é nessa trama construção-desconstrução que o indivíduo irá se definir enquanto sujeito social. faz uso das relações sociais e sistema cognitivo para conhecer mais sobre si mesmo. psicomotora. O autor afirma que o sustentáculo muscular do indivíduo possui duas características: uma clônica. responsável pelas funções cinéticas do gesto e outra tônica. traduzida à posteriori em uma simbiose afetiva. demandando significação. colabora para a compreensão e apropriação do próprio corpo pelo indivíduo. para Wallon (1968) é um fenômeno que mobiliza o substrato biológico e auxilia o indivíduo na sua autoconstrução. mobiliza o corpo. é uma das constantes perguntas que se apresentam em palestras e consultorias que comumente participo. Ao final do trabalho o leitor perceberá que o brincar da criança na contemporaneidade implica em práticas amplas circunscritas pela dinâmica sócio-cultural. usados para a ornamentação das casas. Porém. 1975) A emoção para Wallon é visceral.Setembro 3013 . caracterizante do animal e marca o processo inicial da condição social do indivíduo. tais emoções. levantando discussões e problematizações acerca dos fazeres da criança na contemporaneidade. estudantes e profissionais que atuam com o público infantil. Brincar. Palavras-Chave: Desenvolvimento infantil. 1-144 . a proliferação digital invade todos os âmbitos sociais. fornecendo um elemento físico e perceptível. os órgãos e contagia. se verá. Os rituais sociais vão atuar nessa dinâmica organizadora do sujeito. traduzem uma condição estruturante a este sujeito. ao ser organizada.

O brincar com os jogos eletrônicos funciona nesta dinâmica. A rotina. pode-se perceber o quão rica é a experiência psicomotora através do jogo livre e expressivo. Essa transformação é uma atuação da criança na realidade na qual vive e implica todo o seu sistema perceptivo. 75. Entre as ideias apresentadas é unânime o rol de indicações e benefícios à criança e ao seu desenvolvimento o uso do brincar psicomotor espontâneo. informacional dirigido ao outro. Nesta medida. p. a dinâmica que inicialmente seria orgânica passa a ser social. A criança. Daí a constante necessidade de agir sobre o objeto. Neste processo dinâmico Wallon (1975) aponta destaque para o papel do movimento junto à emoção na conquista do desenvolvimento. Sendo a vivência tônica-afetiva uma importante realidade para a criança. expressar suas próprias sensações. correr. O uso de um meio interativo com tamanha dinamicidade e agilidade de comunicação atende ás expectativas contemporâneas garantindo ao usuário uma boa adaptabilidade no mundo do trabalho. A criança. Dá-se o processo de humanização e é nessa medida que ocorrerá a indissociação entre o estado social e orgânico. importante estudioso do desenvolvimento infantil pela via psicomotora. Havendo compatibilidade entre sistemas os jogos podem funcionar e transitar de forma independente da tradução de uma dinâmica física. segundo Frois (2010).Setembro 2013 . A relação tônico-emocional também aparece em destaque para Aucouturier (2007). Uma relação na qual a criança não é passiva aos elementos que recebe. categorias distintas que acometem o desenvolvimento. (Fois. A imagem digital não procura representar a realidade ou "substituí-la". bem como o uso de comunicação via aparelho celular. Logo. ideias e desejos. há de se verificar alguns atravessadores que impactam essa realidade do brincar livre e espontâneo em nossa sociedade. o autor subsidia todo um enquadre prático abarcando a importância dessa relação na vida da criança. contudo. este termo . transforma-o. Através do corpo em movimento a criança cria possibilidades de trazer à tona vivências primitivas. de expressar o prazer de descobrir e de conhecer o mundo que a cerca" (Aucouturier. juntamente a estas vivências prazerosas une-se certa dose de insatisfação. desde as mais elementares e primitivas como nas vivências dos primeiros meses de vida. dentre as suas contribuições. sob a égide da transformação. 1-144 Contribuições de Wallon e aucouturier e o debate sobre o jogo livre e o jogo eletrônico A partir do exposto. fica evidenciada a importância do jogo psicomotor livre e espontâneo. ampla gama de conhecimentos e o uso fluente de instrumentos da realidade social que requerem o conhecimento tecnológico. Enquanto o jogo livre atua junto ao potencial criativo e espontâneo o jogo eletrônico colabora junto à inserção social e a atributos valorizados socialmente. Através da apreensão do sistema de códigos e símbolos pode se comunicar efetivamente significando suas próprias experiências. a partir de suas reflexões pode-se perceber que há uma valorização da autonomia e criação infantil enquanto desejáveis no desenvolvimento. parece haver pontos distintos na defesa ou não do uso dos jogos eletrônicos na infância.tem uma importante significação na construção infantil. Trabalhos Científicos/Temas Livres . logo. A imagem traduz uma dinâmica própria. pois estes trabalham com quesitos diferentes. como a atenção multifocal. construir casas e outras brincadeiras mais. que a realidade os impele a deixar que os filhos tenham celulares e brinquem no computador. p. Através do jogo livre a criança expressa seu corpo em movimento. O fantasma de ação é a primeira atividade criadora da criança e será atualizado pela via lúdica. os pais se vêm muitas vezes sem saber como lidar com tal realidade e afirmam. o jogo eletrônico traz à tona outra realidade e contexto. Segundo Fróis(2010). Tomando as ideias apresentadas. transformá-las. Um núcleo de sensações. ao brincar livremente se coloca em movimento aprimorando funções psicomotoras como o esquema. podese perceber que muitas vezes a capacidade criativa da criança fica 91 . Tais práticas refletem uma dinâmica sócio-cultural que acomete a criança e sua realidade. até os modos já representativos. Em se tratando de jogos eletrônicos. entende-se que os jogos eletrônicos são uma realidade e que atendem à circunstâncias comumente observadas nos lares infantis. para atuar sobre elas. como o uso de eletrodomésticos. Logo. Seriam estes voltados à manifestação do movimento e das emoções compondo um cenário propício ao desenvolvimento? Busquemos alguns novos componentes. Aucouturier(2007) destacou a expressividade motora da criança como importante prática na qual pode-se viver o prazer de ser si mesma. Algumas ideias de Aucouturier: a expressividade motora e as experiências corporais Aucouturier. Nesta medida. Logo. ao se debruçar sobre tal conteúdo. o que permite pensar que nesta realidade coexistem ambas as formas de jogo: livre e eletrônico. a sensação de falta de segurança e a diminuição dos espaços internos de moradia. A criança age para transformar e nessa relação vai se transformando. envolve a criança e a auxilia na construção de seu próprio eu e consequentemente fundamenta sua atuação no mundo. como o das emoções. tal funcionamento opera de modo independente. 2007). atualizá-las. os jogos eletrônicos no celular e em vídeo-games off-line (que não fazem uso da interatividade via internet) ganham destaque. vivencial. fazendo jus à uma dinâmica sócio-cultural apresentada. Tais elementos perpassam pela conjuntura social e devem ser vistos sob esta ótica. salienta. tema do nosso estudo. orgânico e social. é possível estabelecermos uma reflexão acerca das práticas da criança na contemporaneidade: o jogo livre e o jogo eletrônico. Assim. Wallon e Aucouturier não estudaram os atravessamentos para a criança do uso do jogo eletrônico. quer seja de valorização sensório-motora e/ou cognitiva. transformando-o e compondo a sua brincadeira. mas na relação com os outros. que está vinculada a uma trama de pixels composta por um sistema alfanumérico. menos difundidos do que as atividades off line. não se trata de substituir ou fazer uma equivalência entre o jogo livre e o jogo eletrônico. através do jogo psicomotor livre. Aucouturier (2007) preconiza o uso de materiais transformáveis feitos em espuma que subsidiam esta atividade criadora da criança oferecendo-lhe suporte ao jogo expressivo.pag. a imagem corporal e as noções espaço-temporais. da ordem do prazer e do desprazer. Segundo Frois (2010). contudo. à luz da teoria de Aucouturier. voltando-se ao brincar. contudo. Outra conquista obtida com o jogo livre e espontâneo é a possibilidade de se valer do corpo em movimento e do processo de ação-transformação para a apropriação de si e do mundo. ela. motor. pois tem sentido comunicante. 2010) Diante a tal contexto cabe-se afirmar que a realidade eletrônica possui aspectos que devem ser considerados. muitas vezes.Trabalhos Científicos ção deste núcleo perante a este comportamento. de modo a ampliarmos alguns encaminhamentos a essa questão. a ação e as relações estabelecidas com seu grupo de referência tornam-se fundamentais na rotina infantil. muitas vezes atribulada dos cuidadores. 152. Com o uso da internet. Assim. contudo. Neste ínterim. Contudo. a expressividade pela via motora é fundamental na vida do infante. brincar de lobo. colaboram para a ampliação de práticas que valorizam a atividade de relação corporal individuais ou em pequenos grupos. de construir sua autonomia. obtém significações e nomeadores a esta e vai construindo um rol de representações que permitem uma relação de efetividade e autonomia no mundo. ¨A expressividade motora é para a criança a maneira de manifestar o prazer de ser si mesma. O desenvolvimento infantil está condicionado a este sistema de relações que envolve um substrato orgânico-biológico e as relações sensório-motoras estabelecidas entre a criança e seu meio. esconder-se. o uso dos eletrônicos na infância vem capacitar a criança a exercer com autonomia a própria cidadania. O jogo psicomotor livre implica no exercício lúdico da criança que se debruça sobre materiais diversos e constrói sua cena. caixas eletrônicos e consultas em bibliotecas. O corpo e o movimento são os primeiros núcleos organizadores do indivíduo. Aucouturier (2007) chamou de fantasma de ação a capacidade da criança retomar imaginariamente o prazer da satisfação. a importância das experiências corporais e da relação criança-mundo enquanto elementos constituintes da criança. a agilidade e a interatividade. significá-las. percebe-se que os jogos on line (que fazem uso da interatividade via internet) também são uma realidade. Ao poder expressar suas emoções para o mundo que a cerca. modifica-o. no qual ela pode pular. já que as experiências vividas previamente não estão calcadas apenas no prazer. vai se apropriando e se debruçando de sua construção subjetiva. Tal núcleo sensório-motor não se estabelece individualmente. configura uma realidade própria. ao brincar traz à tona uma animação advinda dos fantasmas de ação. manifestando suas emoções pela via da ação.transformação. criar personagens.

mas também de atuar na construção de uma corporeidade voltada à adaptabilidade social. trabalhando com bases de estímulo-resposta. Seus modos de usar a expressividade motora livre. no intuito de reconhecer a importância das crianças usarem. esta possibilidade parece reduzida. o processo de transformação da condição de não-saber para saber.1981. entendido neste estudo como jogo psicomotor livre e espontâneo. conhecerem e saberem operar a realidade tecnológica na qual se inserem. não se pode afirmar que existam prejuízos evidentes de ordem psicomotora no uso do jogo eletrônico pela criança. Na cena virtual o personagem representado pode atravessar paredes e operar poderes mágicos não apenas em um plano imaginário. Psicologia e educação da infância. Logo. constrói uma percepção do corpo vivido. Ainda que tal jogo anuncie incentivar funções de memória e atenção. Nesta medida. P. Persona/Martins Fontes. trazem conquistas distintas ao brincar infantil: O brincar digital opera com possibilidades de visualização. em imagem. Por serem ainda reduzidas as pesquisas de campo e investigações da ordem patológica junto ao contato com o jogo eletrônico. mas no plano da tela. ideativo. tal processo se vê prejudicado em se tratando do jogo eletrônico. ainda que utilize os jogos que permitem a própria movimentação do corpo e a comunicação interpessoal. Sabe-se que o diálogo tônico estende-se à comunicação verbal.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual limitada. Rio de Janeiro: Zahar. será possível concluir que uma criança que esteja explorando o mundo através do jogo sensório-motor. H. impactam a criança de modo diferente e nesta medida devem ser respeitadas condições para tais práticas. respeita suas próprias condições de desenvolvimento. A construção de uma corporeidade capaz de responder ás demandas do meio subsidia um dos pontos de defesa do uso dos eletrônicos ainda na infância. Retirar o jogo eletrônico da infância pode funcionar como um mecanismo de exclusão digital e social em uma realidade grandemente favorecida por estas aprendizagens. O jogo eletrônico. H. 2010) Esta dinâmica não permite uma comunicação expressiva. muitos jogos eletrônicos viabilizam realidades de facilitação cognitiva e no auxilio junto a atividades de pessoas com deficiência que. é possível considerar que o jogo psicomotor. bem como à necessidade criativa e transformadora. A criança. compreender representações e classificações. Tal condição atribui-lhes prazer e nesta medida. uma base de desenvolvimento aguardada será significada pela atividade construtora da criança e seu meio. esta condição eletrônica não favorece o acolhimento das necessidades da criança para a efetivação de uma aprendizagem neste âmbito. apontando não apenas para a imaginação de algo. livre e relacional. de uma realidade fantástica na qual há experiência de possibilidades distintas daquelas vividas no campo da concretude. S. É só a partir de uma aquisição acerca de uma percepção representativa de si mesmo que a criança obterá determinados benefícios em sua aprendizagem e desenvolvimento.pag. (Frois. por meio da realidade da imagem. Wallon. Isso não significa que a imagem digital possa substituir a dinâmica analógica do brincar "concreto". por apresentar possibilidades reduzidas junto à dinâmica tônico-emocional da criança. das próprias emoções e sensações. Aucouturier. Devem responder aos anseios do desenvolvimento oportunizando que o infante possa significar tal experiência. cabe aos pais e educadores. traduzem especificidades dirigidas ao potencial presente na criança. evidenciado também através do jogo espontâneo e relacional da criança. o uso dos eletrônicos na infância pode ganhar adeptos. contudo. deve ser disponibilizado pelo adulto de modo cuidadoso e moderado. que implicaria certo diálogo tônico-afetivo. Trata-se. Segundo Fróis (2010) o brincar analógico. pois poderá acolher a criança a partir do nível de aprendizagem em que está. e o brincar digital. Acredita-se que. organizar com a criança a permanência dessas atividades na vida infantil.77. o infante pode atuar de modo autônomo no mundo. do brincar analógico. já sendo gradativamente capaz de realizar categorizações. acompanharão um esquema de vivências e apropriações típicas aquela criança e sua condição de vida. fazendo com que as habilidades exigidas neste contexto possam também ser distintas Ambas as cenas. pois não possui mecanismos suficientes para se debruçar sobre ele transformando-o. ainda que exista a interatividade. veem condições razoáveis de se projetarem na tela possuidoras de determinadas funções inexistentes na própria realidade. do brincar analógico e digital. que o jogo eletrônico e o jogo livre e espontâneo respondem a necessidades distintas e nesta medida devem vigorar de modo diferente ao longo do desenvolvimento infantil. acredita-se que esta precisa ser uma atividade que coexista com o jogo livre espontâneo e relacional. O jogo eletrônico não deve substituir o brincar livre. A infância da razão. da capacidade criativa e da habilidade de transformação e apreensão autônoma do mundo. As Práticas da criança na contemporaneidade: o brincar analógico e digital: uma perspectiva acerca do corpo no processo de subjetivação infantil. Acesso em julho/2013 Wallon. H. Operar eletrodomésticos e diversos equipamentos requer esse conhecimento e nesta medida é importante que a criança tenha acesso a tal realidade. 1968. pois esta não pode dar vazão ao seu potencial de transformação e invenção quando usa o jogo eletrônico. Cabe ao adulto oferecer-lhe condições de segurança para que a criança possa modificar. 2010) Como modo não apenas de instrumentalizar a criança. Outro ponto colocado em destaque é o diálogo tônico-afetivo.pucminas. Para este exercício a condição do jogo livre auxiliará. quando explora seu corpo em movimento e as relações sensoriais com o mundo dos objetos e relações. Irá se dedicar ao jogo sensório-motor e posteriormente também ao jogo simbólico. neste ínterim. Fróis. do processo imaginativo. correr. História social da criança e da família. a criança. pois a própria criança estabelecerá os mecanismos que necessita para o seu desenvolvimento. 2010. São Paulo : Manole. entendido neste estudo como jogo eletrônico. saltar. O uso do jogo eletrônico deve ser moderado e condicionado ao desenvolvimento infantil e não deve substituir o brincar livre da criança com seus pares e cuidadores. REFERÊNCIAS Ariés. reconhecendo suas próprias necessidades e viabilizando suas potencialidades.Setembro 3013 . 1-144 . falar das suas vivências podendo transformá-las e assim se apropriar de uma auto imagem positiva e de habilidades psicomotoras e relacionais que vão lhe proporcionar uma condição autônoma no mundo. Assim também entende-se que os jogos eletrônicos façam parte da vida infantil. podem ser benéficas ao seu desenvolvimento. sob pena de prejuízos da ordem da construção do próprio eu. Logo. aceita-se o uso do jogo eletrônico. fará uso gradativamente de gestos de rolar. que vai dos 6 aos 11 anos. Aparecida. O Método Aucouturier: fantasmas de ação e a prática Psicomotora. Disponível em http://www1. possibilitando a posteriori uma construção de representações e comunicações eficazes entre a própria criança e o mundo a sua volta. (Frois. 2010) Diante a tais considerações há de se pontuar que. Ao conhecer e debruçar-se sobre as próprias sensações e emoções. construir. através da relação entre o adulto e a criança.br/ documentos/dissertacao_erica_silva. Já o jogo livre e espontâneo pode ser utilizado sem restrições. (Frois. Esta. o jogo eletrônico deve obedecer à dinâmica do desenvolvimento e das necessidades infantis devendo ser usado com moderação e cautela. Contudo. Lisboa. a partir do exposto.2007 Dantas. arrastar ou engatinhar. por tratar-se de realidades distintas e coexistentes. a partir do estágio intitulado por Wallon (1975) como categorial. CONCLUSÃO Percebe-se. 1990. poderá atuar sobre os jogos eletrônicos com alguma propriedade e certos benefícios junto à inclusão digital. andar. conforme anunciado por Fróis (2010). 1975. A evolução psicológica da criança. auxiliadas pelo jogo eletrônico. no brincar digital. Logo. E. está submetida a uma percepção diferente de si ao se ver no eletrônico. No jogo eletrônico. SP: Idéias e Letras. Contudo. Quando a criança faz uso do brincar livre e espontâneo. não se beneficiará de um 92 jogo eletrônico. ao trazer para a realidade virtual imagens incompatíveis com a dinâmica da concretude. Dissertação de mestrado. pois a imagem que a representa não corresponde à imagem que atua no jogo. oferece amplos benefícios junto à constituinte infantil. Trabalhos Científicos/Temas Livres . pois o indivíduo se comunica com a tela do computador ainda que esteja falando com outro indivíduo. podendo alternálos no seu brincar autônomo. respeitando-se as necessidades da criança e de seu desenvolvimento. segundo Aucouturier (2007). pois há uma realidade presente no brincar digital-virtual distinta do contexto analógico e concreto. B. possibilitandolhe transformações e atuações. Contudo.pdf . mas para a projeção. perpassando pela estruturação do corpo e suas relações. Lisboa: Estampa. p.

Setembro 2013 . provocando a variação do tônus num continuum que pode ir desde a hipertonia à hipotonia. É na primeira relação do bebê com o outro (mãe. Sua utilização se dá a partir do desejo e da necessidade de cada grupo e tem como objetivo maior o desenvolvimento global da criança e sua interação social. Esse sistema seria formado pelo intercâmbio entre o SNC e os sistemas imunológico e endócrino. percepção.Centro Integrado de Desenvolvimento Infantil Resumo Esse artigo apresenta as bases teóricas e práticas da construção da metodologia "Growing Up".Trabalhos Científicos O Método "Growing Up" – onde vínculos. na intenção de contemplar todas as áreas do Sistema Nervoso Central e Periférico por meio do jogo e do brincar da prática psicomotora. Palavras-chave: Vínculo. podendo. pois. o desenvolvimento dos músculos da face. O pensamento e a ação são as duas facetas sublimes da atividade psíquica superior. encontramos aí o que Wallon (1998) chamou de diálogo tônico (a hipertonia do apelo e a hipotonia da satisfação). através do brincar e da arte. palato e faringe. traduz a unidade de seu comportamento numa estreita analogia com a organização do sistema nervoso. Wallon e outros. Winnicott. essencialmente. como são fundamentais para o equilíbrio interno do indivíduo. as tramas da vida afetiva infantil em seu seio familiar e o estabelecimento das relações sociais na infância.O ENCANTO DO UNIVERSO . responsável pela sua introdução na cultura. À medida que vão se ampliando os contatos com o meio. um conceito de ordem inconsciente. É importante observar que desde o nascimento até a aquisição da linguagem o movimento é a forma de expressão utilizada pelo ser humano. pode-se observar o desenvolvimento da inteligência do bebê através do seu movimento e de suas atividades. de acordo com Gesell (apud Ajuriaguerra.pag. a cada intervenção. de ordem motora e. como primeiro aspecto da relação de integração com o mundo. Segundo Fonseca (1988). deglutição. não só estão impregnados de emoções. estamos confrontados neste processo de coconstrução. a história do indivíduo e suas diferenças posturo-motoras. estamos de alguma forma. Para que esta relação ocorra é necessário "romper com os horizontes do seu espaço e projetar-se no universo pelo movimento" (Fonseca.ALEGRO Para promover o desenvolvimento psicomotor alguns conhecimentos básicos se fazem necessários: o aspecto neuromotor. O movimento envolve tudo o que constitui a vida da criança. Para Pinto (2003) mesmo antes da formação de uma rede neuronal com axônios condutores de sinapses eletroquímicas. elementos de um sistema inteligente interligado e de mão dupla atuam dentro e fora do SNC. e é sem dúvida uma experiência tônica postural. mastigação proporciona. 1988). A flutuação tônica vivenciada nos processos de sucção. O material que compõe o método é organizado em 10 caixas temáticas. mordida. constroem a subjetividade e as várias formas das representações Autor: Vera Lucia de Mattos Instituição: UNESA e MÓBILE . Pelos movimentos estaríamos investigando indiretamente as percepções e fazendo inferências sobre as funções cerebrais. Fonseca (1995) explicita que nesta fase não verbal a criança e seu sistema nervoso estão preparados para receber informações sensoriais. cognitivo/linguísticas e psicoafetivas/sociais do universo infantil. capacitando o feto a exercer funções ditas superiores ou corticais. Autores como Piaget. só mais tarde de ordem mental. nós sabemos do peso de toda e qualquer intervenção. possibilitando a organização da vida mental do indivíduo. uma dependência recíproca com a consciência (Fonseca. trava um verdadeiro diálogo tônico. como consciência. Ludicidade SESSÃO 1: O INÍCIO DE UMA SINFONIA . pelo balbucio. verbal ou corporal. As funções motoras e psíquicas se interrelacionam em todo o processo da evolução humana. O primeiro grito ou choro. linguagem) vai. as etapas evolutivas dos processos cognitivos e linguísticos. 1-144 SESSÃO 2 . língua. "o pensamento é o corolário da ação". as seqüências de vogais (consoantes também já são montadas) e por volta dos 10 meses os sons velares e alveolares entram em cena. É através do movimento. As áreas complexas dos sistemas associativos demorarão cerca de 8 anos para sua completa mielinização. Estas impressões vão modificar a musculatura estriada. Após o nascimento. através dos aspectos proprioceptivos e cinestésicos. O indivíduo. O bebê. afetando e possibilitando sua ressignificação. Segundo Cupello (1993) o bebê passará do choro indiferenciado ao choro com características de diferenciação.SEGUNDO MOVIMENTO . Diante disto podemos constatar a dimensão de nossa responsabilidade enquanto terapeutas. foram estudados cuidadosamente e articulados com os saberes da Neurociência. que o sistema nervoso vai se elaborar e se estruturar. antes mesmo de um cérebro estar desenvolvido. de não menor importância.ADÁGIO É a atividade de relacionar-se com o mundo que permite a evolução da estrutura psíquica da pessoa. Sua comunicação se faz através de gestos que. Os músculos. As experiências motoras que se seguem podem ser analisadas pelo enfoque da observação dos músculos da face e da fonação e sua parceria. pai. ser identificado pelo outro e.O MUNDO DAS RELAÇÕES SOCIAIS . O vínculo como principal elo para quaisquer das áreas do desenvolvimento é a mola mestra nessa proposta metodológica. pouco a pouco. enquanto conhecedores deste conceito. assim. a todo o momento. a imagem do corpo. 1977). 93 . O aumento do repertório sonoro dá-se a partir dos sons de "gargarejo" presentes durante todo o primeiro mês de vida. por meio de todas as caixas. através do contato com mundo pelo gesto. cuidador) que a imagem do corpo inicia sua constituição. Vygotsky. ligada à primeira emissão de som no recémnascido. assim como dos lábios. Por ser. pois esta relação é essencialmente dinâmica e cinética. afetado pelo meio (outro. As primeiras dessas trocas fazem-se com a mãe (ou outro responsável). um método de suporte psicomotor que foi criado para estimular e desenvolver as habilidades sensório-motoras/funcionais. ao nascer. interpretado. No "Growing Up". sendo seguido pelos sons vocálicos. seu movimento voluntário e ajustamento postural são as chaves da inteligência e da comunicação humana. As primeiras estruturas do comportamento humano são. A aquisição de novos comportamentos motores implica uma nova experiência psicológica também paralela ao desenvolvimento do sistema nervoso. vem junto com a experiência da entrada do ar nos pulmões. 1995). trabalhando fora dos condutos nervosos. este. cada vez mais. uma vez que os movimentos têm uma fonte de ativação interna – a propriocepção – pelo feedback do aparelho muscular e tais sensações vão possibilitando uma codificação de uma possível representação de self e de mundo. estruturas que serão utilizadas na vocalização. assim. fazendo seus vínculos e construindo internamente suas imagens mentais e é a partir daí que será possível alguma representação mental de si. Clínica psicomotora. Estas primeiras relações vão ocasionar alterações da tonicidade do indivíduo que traduzirão esquemas de reação. seja por intervenção lúdica. o papel da motricidade vai estabelecendo. formando. Trabalhos Científicos/Temas Livres . aprendizagem e memória. por meio do diálogo corporal e gestual.

na articulação de palavras e na realização de ações sem ajuda do adulto. Por isso procuramos trabalhar cantando canções infantis acompanhadas de palmas ou batidas rítmicas. seletivo. mesmo fora de seu campo visual. também. nessa fase. como a atenção seletiva para faces sorridentes ou vozes agudas e brincadeiras. É nesse momento que ocorre o aparecimento da função simbólica. o córtex pré-frontal ventromedial – com o raciocínio social e com a tomada de decisões. 2009). sua adaptação ao meio. A criança já é capaz de construir imagens dos objetos e dos seus deslocamentos no espaço. Por isso. É nesse sentido que a estimulação psicomotora desde os primeiros momentos da vida é um recurso poderoso para promover um desenvolvimento que abrace todas as possibilidades de evolução da criança e sua fundamental subjetivação. Sem dúvida. 94 A fase em que o "bebê" passa a ser criança é marcada por reações afetivas que envolvem grandes alegrias e também sofrimentos.pag. Inicialmente a criança irá explorar os materiais como qualquer outro. simbolizando atividades do cotidiano. compostos de. explora o mundo de forma independente. de uma base neurobiológica natural. formando diversas redes neurais (Klin. é importante colocar a sua disposição materiais que possibilitem essas atividades. O aparecimento da função simbólica é a emergência da linguagem. Estes laços sociais vêm sendo explicados como oriundos. tanto de satisfação como de fracasso. Nesta fase a criança desenvolve a construção da consciência de si mediante as interações sociais e isto reorienta o interesse da criança pelas pessoas. Fica clara a fase de autonomia presente na criança: anda. Estes grupos são sempre coordenados por dois profissionais de áreas diferentes (saúde e educação). O balbucio e as mímicas expressivas significam as primeiras formas de linguagem oral que conduzem a criança à fala. a todo instante. representando uma evolução gráfica que leva a expressão de seus sentimentos e o registro de sua personalidade em formação. a habilidade de enxergar as coisas – seu tamanho. seria realizado permitindo ao meu corpo colocar-se no mundo de forma singular. Por exemplo. Mercadante. então. 1990). O sentido de autonomia começa a fluir quando a criança aprende a andar sozinha. pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva que não é dado pela linguagem. propostas de jogos corporais que preparam o "seting" terapêutico para a utilização dos 10 "kits" de trabalho.Setembro 3013 . Da mesma forma que entende que a mãe. caracterizada por uma integração funcional que permite ao organismo manter seu equilíbrio e. no máximo. Algumas estruturas cerebrais atuam como mediadores entre as representações perceptivas dos estímulos sensoriais e a recuperação do conhecimento que o estímulo pode ativar. Isso acontece quando a criança se reconhece no espelho e responde quando é chamada pelo nome. O cérebro social é visto como conjunto de regiões cerebrais que são ativadas durante o desempenho de atividades sociais. SESSÃO 3 . a fim de descobrir alternativas para lidar com frustrações tanto quanto para satisfazer seus desejos. desde a mais tenra infância.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Stern e al.. 1983) nos relatam diversos experimentos voltados para os bebês e suas relações com o meio enfocando a questão motora e da vocalização como resposta ao mundo.. 1990). para tal todo um esforço perspectivo. sensorial/motora/funcional e cognitiva/ linguística. um enorme esforço perceptivo e cognitivo. É importante que a criança passe por todas as emoções. É a chamada idade dos porquês e do faz-de-conta (Zorzi.) neste estágio esta é uma importante aquisição. consequentemente.noção de objeto permanente (Piaget. dando vida aos bonecos. 1-144 .SCHERZO ANDANTE O método "Growing Up" tem esse objetivo: proporcionar à criança uma forma divertida e prazerosa de galgar seu desenvolvimento. como o substrato biológico que fundamenta a sociabilidade humana. ligadas umas às outras. O advir da função simbólica pela capacidade de representar o objeto quando está ausente. (1971. Rosário. Através de diferentes texturas e do tato a criança adquiri condições para conhecer e perceber as diferenças e semelhanças dos objetos e pessoas. a visão é um dos sentidos importantes para conhecer o mundo. Nesta fase a criança é ainda muito dispersa. continua existindo em sua mente . forma e cor – que estão no ambiente faz com que se estabeleça uma relação entre a criança e os objetos externos. O primeiro tipo de pensamento separado da ação envolve os esquemas de ação de símbolos (palavras. sinais.TERCEIRO MOVIMENTO . Nestes processos estão implicadas estruturas anatômicas como: a amígdala – no julgamento social de faces. seis crianças (com ou sem atraso em seu desenvolvimento). fortalecendo a noção do "EU" e do "NÃO EU".A CONQUISTA DE SI ALEGRO MAESTROSO O método "Growing Up" é uma forma de intervenção em psicomotricidade para grupos. Para o desenvolvimento do autoconceito positivo são fundamentais os sentimentos de confiança e autonomia. mas não suficiente ao desenvolvimento. uma vez que exigem. Sua intenção é deixar sua marca. Estes desdobramentos ultrapassam suas fronteiras. a ínsula – com Trabalhos Científicos/Temas Livres . ou seja. gestos. a música desempenha importante papel na discriminação auditiva.O MUNDO DO APRENDER . Quando a criança começa a desenhar seu interesse não é representar uma figura ou objeto. bem como iniciando e desenvolvendo suas próprias atividades. SESSÃO 4 . A transição de "bebê" para criança ocorre por volta dos 15/18 mês e se revela na mudança de postura da criança para a posição ereta. é considerada como uma condição necessária. depois passa a imitar os gestos do adulto. Outro ponto importante nessa fase do desenvolvimento da criança é a questão do autoconceito. embora não os veja. 1974. O cérebro pode ser visto. as esferas sócio/afetiva. A linguagem. A criança cria a imagem do objeto. de análise e finalmente de síntese. e é quando a criança inicia a construção da relação causa e efeito. As crianças deste estágio são egocêntricas (Piaget. O trabalhar com símbolos ou palavras no lugar do objeto concreto compreende esta fase. proporcionando o conhecimento do corpo e de seu lugar na família e no social por meio das atividades psicomotoras que tanto prazer traz às crianças. As caixas temáticas foram desenvolvidas com base na evolução cortical e das funções corticais superiores. A criança nessa fase pode naturalmente iniciar seus rabiscos. Os estímulos sensoriais são de enorme importância para formar o leque de experiências sensório-motoras desta etapa do desenvolvimento. A metodologia do "Growing Up" busca favorecer o desenvolvimento das habilidades infantis. O objeto. que vai e volta. A criança busca seus parceiros sociais através de mecanismos básicos de socialização. buscando estimular.QUARTO MOVIMENTO . no método. A criança ainda não domina operações mentais. Desse modo. compreensão de conservação de matéria "ainda é abstrata". Inicialmente há. através da qual se pode equacionar uma reposta ao mundo em forma de movimento. irá favorecer ao universo da linguagem e a fala da criança. 2002). Quando fala utiliza um número reduzido de palavras e seu vocabulário é mais gestual expressivo. é a mesma pessoa e que os brinquedos de sua preferência continuam existindo. mas sim perceber o efeito que o material produz. O método possui uma progressão de atividades que visa estimular e desenvolver habilidades psicomotoras – envolvendo as grandes áreas do desenvolvimento. O importante é que esses fragmentos vão sendo modificados. a emergência da linguagem. ela deve começar a ver a si mesma como existindo continuamente no tempo e no espaço. é um grande divertimento. a dizer o que quer e a explorar o mundo de seu modo independente sendo capaz de iniciar suas próprias atividades. A elaboração da noção de objeto. O interesse pelo meio social nas crianças é evidente desde o nascimento. as sensações táteis possibilitam uma outra forma de conhecimento do mundo. como algo separado do sujeito é concluído nessa fase. As atividades psicomotoras vividas na situação de grupo provocam desdobramentos afetivos e sociais de grande riqueza na construção da subjetividade. dá um salto significativo no aspecto afetivo. Quando a criança percebe que é um ser separado das outras pessoas. incentivando a criança a fazer o mesmo já que nessa fase ela tem prazer em imitar o adulto. Assim o ato motor seria uma das muitas representações de uma imagem do corpo.

São Paulo: Segmento Farma. Porto Alegre: Artmed. A .1993 Fonseca.1-26 Mattos. No grupo do "Growing Up" os profissionais serão os coautores desta história.2ª edição . MC . V.Editora Revinter . (2003) A Mente Incorporada: ciências cognitivas e experiência humana. O processamento da informação é influenciado pelos seguintes fatores cognitivos: atenção.2008. REFERÊNCIAS Ajuriaguerra. Revista Brasileira de Psiquiatria. assim.1988. é a base para o desenvolvimento de qualquer criança. A partir destas considerações. É por isso que os profissionais do grupo devem estar sempre preocupados em proporcionar às crianças. Estes processos possibilitam a aquisição dos comportamentos adaptativos que envolvem planejamento estratégico. Rosch. (2006) Autismo e Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. A atenção é o processo que nos leva a dirigir e manter a consciência nos estímulos percebidos. E.A linguagem do meu filho. flexibilidade e regulação da ação baseada em pistas fornecidas pelo meio (Mercadante.1998. juízo. 2003). Thompson. Rosario. O mecanismo de atenção é fundamental para o processo perceptivo. A memória é conceituada como a capacidade que os humanos possuem de separar e organizar as informações dos estímulos recebidos e acessá-los em outro momento. que se aproximam ao máximo das relações interpessoais do mundo adulto.. A percepção pode ser definida como entrada na consciência de uma impressão sensorial através da qual o sujeito forma uma imagem de si próprio e do ambiente. apelos linguísticos para manter ou capturar a atenção do grupo.2003. A união entre atenção. se dá a ver a cada encontro com o grupo. pensamento e discurso (Varela et. F. Vygotsky. E. Sem dúvida. 1-144 95 . p. Fonseca. síndrome de Asperger e cérebro social. .LTC . raciocínio. seu mundo vivencial. I.Artes Médicas . Varela. Klin. percepção. possibilitando ao sujeito a tomada de consciência dos estímulos que o envolvem.A intervenção fonoaudiológica nas alterações da linguagem infantil .Madrid .Perfil Psicomotor . Revinter . Do Ato Motor ao Ato Mental: a Gênese da Inteligência -Petrópolis RJ .1992. Piaget.. apegos exagerados à rotina ou à interesses específicos. organização do pensamento. 2009). pois. A busca pelo equilíbrio entre a própria autonomia e as atividades compartilhadas passa a ser o centro da questão na metodologia. inadequadas e desadaptadas socialmente. fica evidente que as habilidades sociais são passíveis de serem adquiridas pelas trocas que acontecem no processo de aprendizagem social.pag. H. Rosario. In: Mercadante.um olhar para além do desenvolvimento -Rio de Janeiro . Wallon. pois.Jornal da Sociedade Brasileira de Pediatria .Ed Guanabara Koogan. J .Porto Alegre . a oportunidade de interação entre pares. O método "Growing Up" proporciona. Na metodologia o cuidado para com o fenômeno da atenção é primordial.Rio de Janeiro . As situações oferecem para as crianças que apresentam alterações do desenvolvimento. a partir das intervenções terapêuticas. Algumas destas dificuldades se traduzem por comportamentos normalmente inflexíveis.Artes Médicas . provocando. M. A. tornarem-se capazes de regular seus comportamentos de acordo com o contexto. objetivando uma correta cognição social. Zorzi . Mercadante M. Cabe ao profissional usar recursos como a prosódia.Porto Alegre . xxx Trabalhos Científicos/Temas Livres . é o corolário do desenvolvimento das relações sociais do humano: aprender a manipular essas emoções conforme as normas e expectativas sociais. Pinto. M. tornando-as.Masson -1977 Cupello. Klin. etc. Este mecanismo é crucial na determinação daquilo que deve ou não ser retido na memória.. que. atividades diferenciadas.Rio de Janeiro .Setembro 2013 . memória. então. Não podemos esquecer que a história da criança (todas as suas experiências vividas). a nosso ver. 28.Vozes . Stern D .Manual de Psiquiatria Infantil .Trabalhos Científicos a resposta autonômica e o córtex somatosensorial direito – com a empatia e com a simulação. e memória. A cognição é um processo de construção interna do conhecimento. T.(2009) Autismo. T. Vl & Kabarite. T. (1984) Pensamento e Linguagem. É desta associação de informações que resulta a dinâmica das nossas relações sociais e a formação das impressões acerca das outras pessoas. o seu crescimento.Artes Médicas . sabemos de sua importância para todos os processos cognitivos. Ed. supl.Manual de Observação Psicomotora .2002. Rio de Janeiro.A formação do símbolo na criança . M. vindos do meio com o qual interagimos e/ou do nosso organismo. percepção. Autismo e Cérebro Social. R . A intensidade da emoção vivida é que vai ajudar a determinar seu grau de retenção na memória.Psiquismo pré e perinatal . A. o tempo todo. imaginação. A frequência da criança no grupo determina a construção de uma história em comum entre seus pares e a continuidade das atividades deve respeitar essa memória compartilhada. C. Porto Alegre. às vezes. percepção e memória dará à criança ferramentas para que ela possa se tornar o autor de sua própria história. Cada tarefa a ser realizada exige determinados processos perceptivos que sofrem a influência da realidade pessoal (experiências e vivências anteriores). Artes Médicas.1995..O mundo Interpessoal do bebê: A visão a partir da psicanálise e da psicologia do desenvolvimento . as atividades em grupo requisitam diversas capacidades (atenção seletiva. que compreende a atenção.Psicomotricidade . dificuldades na compreensão de situações sociais e de regras implícitas nos relacionamentos interpessoais. V .. V . al.Porto Alegre . memória verbal.. ampliando. Mercadante M. o profissional não pode negligenciar os dados obtidos na entrevista inicial com a família. assim.1990. intervenção tônica.). J . C. a possibilidade de lidar com situações inusitadas e.

Mariana Vasconcelos Gontijo. Já a vítima do bullying. Como nos dias atuais. 1-144 . pais e profissionais que atuam com crianças. podem apresentar também aspectos negativos. bem como a certeza do anonimato e do silêncio acuado das vítimas. que acontecem sem motivação evidente. Adriana Abijaodi Vieira Resumo Diante dos inúmeros casos de bullying nas escolas. não aceitam ser contrariados ou frustrados e enfrentam problemas com os limites e a tolerância á frustração.137) Desse modo.52) Diante da construção da imagem do corpo calcada em uma desvalorização de si. As agressões que ocorrem no ambiente escolar ficam restritas a um espaço menor. o cyberbullying pode alcançar uma dimensão inimaginável. 2010) O agressor e a vítima envolvidos no bullying confundem-se. desde muito cedo. indispensável para uma boa estruturação global do indivíduo. e executadas dentro de uma relação desigual de poder. tanto nos que sofrem com esta prática. que envolve a comunidade escolar como um todo. que é obtido ou legitimado através da força física ou do intenso assédio psicológico. pois. como naqueles que a praticam. se torna cada vez mais frequente nos dias atuais. Nesta conjectura. torna-se necessário pensar sobre ações educativas que estimulem a construção de uma auto imagem favorecedora de autonomia na criança. DESENVOLVIMENTO 2. 1. adotadas por um ou mais estudantes contra o(s) outro(s). e a compreensão de ações a favor da construção de um desenvolvimento voltado para a autonomia. do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE. principal e/ou secundário e a vítima. 2. Dentre eles pode-se citar: a fragilidade dos padrões legais e éticos para a utilização dos recursos tecnológicos. para contribuir na construção de uma boa imagem corporal do indivíduo e. essa vertente da violência torna-se mais latente e perigosa. Bullying são todas as atitudes agressivas. O universo da informação e da comunicação virtual. pode-se entender que a prática do bullying é um ato de violência que envolve o agressor. Assim. o ato em si. quer seja no nível cibernético. segundo Olweus. o bullying virtual encontra fatores bastante propícios para se proliferar de forma sombriamente imprevisível. As formas podem ser direta (vítima presente). passiva ou provocativa. As investigações sobre o assunto põem em voga o tema Bullying e suscitam reflexões sobre a formação da criança e a construção da sua auto-imagem." (P. apontando possibilidades de colaborar preventivamente ao bullying e a outras questões prejudiciais ao desenvolvimento infantil. mesmo com atitudes erradas.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual A educação psicomotora em favor da construção da imagem corporal infantil: Discutindo sobre ações preventivas ao Bullying Autores: Érica Silva Fróis Dalla. 2007 p. sente-se atacada e menosprezada. o presente trabalho tem como objetivo discutir sobre o bullying e suas inúmeras implicações no desenvolvimento global de cada indivíduo. Imagem Corporal. agressões físicas e psicológicas feitas por indivíduos ou grupos. tão comuns e importantes nos dias de hoje. a Educação Psicomotora será abordada. junto à construção da imagem corporal. não consegue responder a esta agressão. Os agressores possuem em sua personalidade traços de desrespeito e maldade e. uma forma de se prevenir práticas de bullying e cyberbullying.pag. um número cada vez maior de pessoas tem acesso à Internet. Deste modo. no entanto. P. pretende-se compreender os atravessamentos dessas práticas. aversão ás normas. causando dor e angústia. o cyberbullying. Com o avanço da tecnologia e a comunicação virtual cada vez mais difundida. Desenvolvimento Infantil. Tais questões mobilizam a discussão acerca das relações que os indivíduos constroem no mundo. de forma a apontar sua íntima relação com a complexa dinâmica entre os envolvidos com a prática do bullying. Logo. mesmo com os professores presentes. através de práticas que favoreçam a estruturação de uma imagem corporal saudável. Este artigo se propõe a discorrer sobra a análise do contexto amplo da escola frente à prática do bullying. o que tem possibilitado o uso desse meio para a prática do bullying. a criança ou adolescente ficam mais expostos a tais manifestações.133. Educação Psicomotora. que seria tal prática de violência via internet. de modo a compor a discussão sobre o assunto. e mais recentemente. Tais práticas podem se dar a partir de calúnias verbais. segundo Silva (2010). eles sofrem com seus atos e suas respectivas consequências. Propõe-se também a construir reflexões acerca do ambiente amplo da escola. Na língua inglesa "bully" significa ser valente ou "o valentão" e o termo bullying seria a ação de praticar o "bully". (Silva. Bullying. essas características estão associadas ao poder de liderança. intencionais e repetidas. doloroso e persistente"(p. (Lopes Neto. será amplamente abordada.43. educadores e profissionais 96 que atuam com crianças e jovens. percebe-se que. incentivo ou observação prazerosa deste fenômeno.) Trabalhos Científicos/Temas Livres . (Silva. pais. Ainda que para o uso das comunicações virtuais seja preconizado o acompanhamento do adulto. como esta nova forma de violência. Pretende-se contribuir com educadores. não seria o agressor também uma vítima a partir de uma imagem corporal distorcida? Segundo Silva (2010) "tais jovens. fomentam práticas que garantam o anonimato e a diversão. Deste modo.18). Aucouturier (2007) e Silva (2010). A imagem corporal. a internet é um canal de interação também entre as crianças. p. considerando este um local de práticas que podem proporcionar um desenvolvimento saudável da criança ou fomentar situações de exclusão e bullying. 2010.Setembro 3013 . por possibilitar o anonimato e a criação de personagens pelos usuários. O estudo contará com contribuições dos autores Cabral (2001). INTRODUÇÃO O bullying é uma prática que. falta de sensibilidade e responsabilidade nas relações interpessoais. da própria auto-estima e do contato relacional com o mundo. pode-se ampliar a discussão do bullying como uma prática ilustrativa da modernidade. De acordo com a Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar. Nesse contexto. segundo Beane (2010) é "uma forma de comportamento agressivo e direto que é intencional.1 O Bullying e a Imagem Corporal Brincadeira. citado por Cubas (2006). pois. merecem nossa ajuda e precisam dela. Nesta perspectiva o cyberbullying é um reflexo perfeito dessa cultura embasada na insensibilidade interpessoal e na total ausência de responsabilidade e solidariedade coletiva. independência e bemestar infantil. com algumas variantes. Neste ambiente tão rico em interações. na maioria das vezes. indireta (vítima ausente) ou através do cyberbullying. o cyberbullying. 2013). como um trabalho dinâmico. este se dedica à prática. Palavras-Chave: Bullying. 21% dos casos de bullying ocorrem nas salas de aula. pois. "zoação" ou prática de violência? Estas são perguntas feitas por adolescentes. assim. tomando a violência como uma deterioração de si. apesar de antiga. Estes apresentam. o individualismo e a cultura imediatista. quer seja no contato direto entre as crianças. surge uma nova forma de bullying. a necessidade de se ver enquanto praticante ativo de um ato torna-se uma busca do indivíduo. já que inúmeras pessoas podem acessar o seu conteúdo e encaminhá-lo. surgem possibilidades de ações que contribuem preventivamente ao bullying. que serão discutidas neste estudo. Desta forma. também por uma imagem do corpo desvalorizada. bem como contribuir com a formação dos educadores. de modo a atuarem preventivamente ao bullying e a outras questões despotencializadoras que acometem a criança e seu desenvolvimento. pela internet.

segundo os autores abordados. recebe investimento afetivo que nomeia e estrutura tal corpo. procurando por objetos e pessoas que atendam suas necessidades. Dolto (1984) afirma que "a imagem do corpo é a síntese viva de nossas experiências emocionais. influenciam a criança que aprende a partir do "sim" e "não" colocados em sua vida. ainda que de modo negativo socialmente. Para Winnicott (1983) a imagem corporal será construída a partir da relação materna. Desse modo pode-se perceber que as relações que a criança constrói no mundo serão fundantes na estruturação do seu corpo. a criança consegue encontrar. São nessas primeiras marcas que a imagem corporal se baseia. progredir e. Uma vez que o indivíduo possua uma construção ajustada da própria imagem corporal. e até mesmo o prazer de ser responsável por suas ações. acontecendo de forma progressiva e específica.pag.. isto é. ao ser vista pela mãe ou cuidadora.167). que é biológica. práticas de bullying. pode prevenir inúmeras dificuldades e alterações na estruturação psíquica. Dolto (1984) baseia-se na teoria freudiana acerca da estruturação do aparelho psíquico definindo as vivências primárias como marcas fundantes da imagem corporal e integralização do esquema corporal. Este processo vai depender da significação dada ao corpo na infância a partir das vivências sociais da criança. acredita-se que um trabalho em educação psicomotora. através de práticas lúdicas. apontando regras e direcionamentos que dão-lhe proteção e segurança. valorizada e buscar o que entende que atenderá suas demandas de amor. quando se fala em Educação Psicomotora. mas conquista sua autonomia. pode ser ouvida com consideração e o aluno pode afirmar sua identidade. marca um lugar do indivíduo no mundo e nas relações que constrói no meio. o excesso de tolerância ou permissividade e a prática de maus tratos físicos ou psicológicos. consequentemente. de ser visto.2. um vínculo de amor e afeto. Sem um ambiente propicio de cuidados e afeto a criança não pode se sentir segura para atuar e investir no mundo. a imagem corporal é também o reflexo das memórias corporais que as inscrições no corpo permitem ao longo da vida. a mãe vai permitindo um rompimento parcial dessa vinculação inicial. 14). é a síntese viva das experiências emocionais. emocional e motriz do indivíduo e assim. momentos de pesquisar e valorizar os interesses do infante. (p. 2. A Educação Psicomotora enquanto uma concepção preventiva ao bullying A escola é o ambiente no qual se estabelecem algumas das principais e iniciais relações sociais do indivíduo. Assim. colocando tais indivíduos em um lugar de sofrimento. conforme o desenvolvimento global de cada um. Cabe ressaltar que estas relações referem-se a um contato insatisfatório. É nessa relação que a criança. sentindo-se inferiorizada e menosprezada por estes ataques. cresce em sua individualização. Esse espaço pode ser traduzido através da prática do Bullying e da ocupação do lugar de vítima do bullying. motores e cognitivos. uma relação insatisfatória da criança com sua mãe ou cuidadores pode resultar em um contato distorcido com o meio.. pode se ver e atuar no mundo. por si mesma. permitindo a organização do corpo e de seu movimento no mundo. Assim. torna-se capaz de se perceber e a suas atitudes e comportamentos. o infante pode "experimentar um prazer renovado que lhe dá energia para desenvolver-se. Abreu (2007) destaca que a distorção na construção da imagem corporal na criança é proveniente de faTrabalhos Científicos/Temas Livres . o extrafamiliar. Assim. Ressalta-se que. através do envolvimento tônico. Nessa medida. Assim. Cabral (2001) definirá a imagem do corpo enquanto o conjunto de fantasias. Trata-se dos investimentos a que este sujeito foi ou não submetido. Diante a essa separação parcial da mãe que a criança investirá suas buscas no mundo. É através desse contato tônico inicial entre mãe e bebê. A criança. levando a uma grande atenção para com o mundo e as relações construídas nele. pois procuram na mesma prática uma forma de atuar sobre o fenômeno e reproduzir a forma apreendida de viver as relações. Diz da simbolização do corpo. Tais relações sugerem ausência de limites claros que definem as bordas corporais e inserem a criança na lógica da realidade. para "sentir-se amado". corporais e sociais. outorgando certa separação e autonomia à criança. além de desenvolver uma boa imagem corporal. 1-144 lhas nesta relação primária de simbiose entre mãe e bebê. O conceito de imagem corporal perpassa por organizadores fisiológicos. A criança educada no sentido de se expressar e poder assumir seu próprio desejo de conhecer é mais criativa e produtiva. acolhendo afetivamente seu filho e traduz.)"(p. bem elaborado e executado. (. corporalmente. através de percepções vivenciadas. p. estruturando o indivíduo como um todo. que o bullying é um fenômeno de violência que encontra campo propício entre jovens e crianças que viveram relações insatisfatórias de desrespeito e não-proteção. (Cabral. sendo determinantes na prática e vivência do bullying. que vai dizer do esquema corporal do indivíduo. visto contornar a criança de significados.Trabalhos Científicos Desse modo. Quando essa relação falha em alguma medida. vai além da função alimentar. com estimulação direta nos aspectos emocionais. no ambiente escolar. seguirá buscando ocupar um lugar para "ser visto". limites inexistentes ou pouco claros. acredita-se ser este um trabalho preventivo e que abrange todo o processo de aprendizagem da criança.82) Neste sentido. a imagem corporal estrutura e é estruturada pelo indivíduo na relação com o mundo. 2007). refere-se ao mundo de registros mnêmicos. já que é quando surge o novo. o limite é sinal de afeto. vivendo sem perigo as frustrações que todo ser humano tem de superar"(P. de modo a buscar atender suas necessidades de satisfação. Segundo Cabral (2001) o papel do grupo na vida do indivíduo se elabora de forma mais intensa no ambiente escolar. recursos simbólicos para minimizar ou mesmo neutralizar suas angústias. 2001. afinal. Logo. 57) Deste modo. Pode-se perceber. com o desenvolvimento progressivo da criança. podem surgir seus desejos enquanto indivíduo. do desejo de se sobressair ao outro. inscreve o corpo e recebe inscrições nele. pode ser considerada como a encarnação simbólica inconsciente do sujeito desejante" (p. Segundo Aucouturier (2007). Além disto. Em alguns casos. Acontece em todos os momentos da vida do infante. enfrentar as dificuldades externas. já que. Lopes Neto (2007) relata que são fatores predisponentes para esta violência o relacionamento afetivo pobre. o bullying será um meio de dizer da necessidade de amor não alcançada. que a criança vive esse continente que limita e envolve afetivamente o corpo infantil. afetos e imagens introjetadas que foram definidos nas primeiras relações com o mundo. Gradativamente. É o "banho social" e inicialmente materno que definirá a estruturação dessa imagem corporal. a formação da imagem corporal enquanto núcleo constituinte da criança.Setembro 2013 . Cabral (2001) explicita que é importante permitir. (Aucouturier. Sua fala pode se expressar com mais autonomia. quando entra neste meio "perde o prazer dos cuidados de maternagem e do corpo-a-corpo direto com a mãe. Este mesmo autor afirma que a tarefa educativa tem como objetivo "implementar todas as condições necessárias para a 97 . psíquicos. O corpo do bebê é libidinizado pela mãe. A mãe. assim. tais fatores tornam-se marcantes e degradantes na formação do indivíduo que pratica e sofre a ação do bullying. ao alimentar seu bebê. a criança que teve uma imagem corporal imbuída de significados de desvalorização e baixa auto-estima ocupa lugar potencial de vítima de bullying. situando a criança na existência relacional. vivências. Esta consideração remete-se às relações que o individuo estabelece no mundo. pois se sente atacada com as ofensas e agressões e não consegue responder a estas agressões. vítimas que sofreram bullying passam a ser praticantes do mesmo. de relações não-capazes de definir a criança e contribuir com uma formação de autonomia e desenvolvimento biopsicossocial do indivíduo. ao mesmo tempo. É a partir da imagem corporal que se pode entrar em contato com o mundo e se relacionar com ele. A ausência disso em suas vidas traduzem experiências insatisfatórias de cuidado. Na mesma medida em que funciona como elemento estruturante da criança fundando-a no espaço relacional. no trabalho de educação psicomotora. a criança precisará se valer de recursos para sentirse amada.55) Santos (2000) afirma que a educação psicomotora "tornase o caminho para o desenvolvimento global a partir do prazer obtido na ludicidade e na corporeidade de forma saudável e feliz". no qual estão comprometidas as relações de comunicação e trocas expressivas.

além de questionar suas próprias atitudes educativas. Vol 7."(p. D. é aquela que tem prazer em dar e receber. mas nos pormenores das relações. Porto Alegre: Artes Médicas. Rio de Janeiro: Best Seller. (2010) . (2007) . O educador.pag. É uma criança que ousa recusar. php?option=com _saladeimprensa& view=noticias&id=1&paginar=1&quantidade=10&pagina=1&busca= 1&Itemid=1719&data-inicio=&data-fim=&alvo=bullying+infantil.167).A. mas a defesa é por uma discussão mais ampla e sistêmica acerca da educação psicomotora enquanto concepção de um sistema educativo que inclua a família.Cap 3 e 4. Nesta lógica de pensamento defende-se que a prevenção não está localizada em uma ação escolar em si. deve preconizar um olhar mais dinâmico. o Cyberbulliyng. REFERÊNCIAS Abreu. (Lapierrre. sendo esta veloz e nociva no mundo contemporâneo. Viviane de Oliveira. pois se trabalha para a construção de. Cabral. Porto Alegre: Artes Médicas. e em particular os fracassos na escola". Dolto. Aucouturier. a instituição escolar não lhe deixa o tempo suficiente para viver a maturação afetiva". Logo. segundo Aucouturier (2007).(p.168) Com certeza. como palestras. W.A Simbologia do Movimento. "Na pressa em fazer da criança um adulto. 2.167). (2007) . São Paulo: Idéias e Letras.Proteja seu filho do bullying. (1982) .nº 28. Seus aspetos nocivos e desvalorizadores do indivíduo são incontestáveis e devem ser amplamente discutidos em todos os vértices da sociedade. Winnicott. para com o indivíduo e sua construção.ed. a prática do bullying e a construção da imagem corporal estão atrelados a esta conjectura mais ampla e. real e virtual. os alunos e toda a comunidade circundante à escola. In: Ferreira. São Paulo: Ed. Sociedade Brasileira de Pediatria. considera-se que a educação psicomotora fica a cargo não apenas das práticas escolares. pois. é necessária uma relação próxima e direta entre educadores e pais. Lopes Neto. Rio de Janeiro: Zahar. a criança aberta é "aquela que não está traumatizada pelos fracassos. reconhecendo seu papel de ajuda para a criança em seu desenvolvimento. Assim. Assim. uma criança aberta. SP. CONSIDERAÇÕES FINAIS Inegavelmente o Bullying e a sua versão mais atual.Psicomotricidade relacional: prática clínica e escolar. C.A imagem especular e o corpo social nos transtornos alimentares. Psicomotricidade: da educação infantil à Gerontologia. descobrir sobre o mundo a sua volta. Para Cabral (2001." (p. 4.57) Portanto. pois está segura de si. (2010) . "atenta às demandas de todas as pessoas que estão a sua volta.gov. mas também buscando formas preventivas e promovedoras de comunidades mais produtivas e valorizadoras das relações e do ser humano.O ambiente e os Processos de Maturação. André. que é reconhecida em sua originalidade. (2007) . que é aquela que acolhe e se abre aos outros.168). num ambiente familiar e escolar abertos e favorecedores de relações e trocas produtivas. Manole. Diante desta problemática."(p. Beane. São Paulo: Louvise. (1984) . e que escapa à dominação dos adultos que estão próximos. Santos. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual maturação psicológica de cada individualidade no grupo e criar as condições fundamentais para um desenvolvimento harmonioso de cada criança no âmbito educativo. Aramis Antonio.M.O método Aucouturier . 3. que explicita seu mundo interno através de seu corpo e comunica o que pensa. Rio de Janeiro: objetiva. 246p. IBGE.ibge. na concepção dos sujeitos que constroem esta escola. Winnicott. para colaborar com eles. São Paulo: Andhep: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Françoise. Berenice Ferreira Leonhardt. o bullying se apresenta como uma violência. (2001) .Setembro 3013 . questiona o que compreende do modo de ser dos pais. Lapierre. Bernard. sem culpa. mas das relações interpessoais presentes neste contexto. há menos espaço para surgirem atitudes de bullying. (1998) . S. Ana Beatriz Barbosa. Acesso em agosto de 2013. (1983) .Fantasmas de ação e prática psicomotora. Silva. Reforça-se que tal idéia é apontada não enquanto crítica às ações escolares de prevenção. 1-144 . (2000) Educação: Física ou Psicomotora . Suzana. abrindo a discussão do que se refere aos fatores de interrelação que têm repercussão clara na escola . oficinas e atividades de esclarecimento contra o bullying. Bernard. Baueri.). Revista Iberoamericana de Psicomotricidad y Técnicas Corporales. Rio de Janeiro: Revinter. Disponível em http:// saladeimprensa. (2006) . sem dúvidas. Enfim.(org. M. os educadores e suas relações.Tratado de Pediatria. W. Cap 5. de sua auto imagem. "que afirma seus desejos sem medo. para que estes possam compreender seus papéis na sociedade e na educação da criança. D. Págs 91-98. Aucouturier. P 175-206. Allan. Perspectiva. p. é uma criança feliz.1998) xxx 98 Trabalhos Científicos/Temas Livres . estão cada vez mais presentes na sociedade.A criança e seu mundo.Bullying: mentes perigosas nas escolas.Uma escolha para o ensino infantil.br/dex. não só quanto às suas implicações nos envolvidos. deste modo. para que estes objetivos sejam alcançados. objetiva promover um contexto de prevenção construído a partir de uma concepção de educação e não apenas de práticas que isoladas possuem cunho preventivo.A imagem inconsciente do corpo.Um guia para pais e professores. torna-se necessário um novo olhar para a educação escolar e familiar. bem como das relações familiares e comunitárias. Cubas.

El sujeto capta. percepción. ese espacio de desplazamiento "de lo actuado a lo representado". movimiento. trabajo presentado en las jornadas de trabajo de A. "Postura y comunicación". en Cuadernos de Terapia Psicomotriz. ritmo. b) los aportes del campo de la Relajación Terapéutica en la elaboración de intervencione con fines terapéuticos y educativos. "Diagnóstico y Terapia en psicomotricidad". de su espacio propio. La relajación terapéutica con niños adolescentes y adultos. acompañamiento. CONTENIDOS EJE: Función y aplicación de la Relajación Terapéutica en la clínica y en educación. desconocimiento y de placer. No sólo se trata de que el sujeto se distienda sino que "escuche" lo que sucede en su cuerpo mientras se distiende. Presencia -ausencia del cuerpo: espacio.Trabalhos Científicos Formación en relajación terapéutica Autor: Leticia González INTRODUCCION Desde una perspectiva descriptiva. o Experimentar y reflexionar sobre las condiciones técnicas y la posición clínica y pedagógica inherente la transmisión de propuestas de Relajación. "Algunos temas de investigación en psicomotricidad".. Al estar la motricidad "suspendida" por demanda del estado de Relajación. la postura. El origen : o Origen. "La función estructurante del placer". la relajación "apunta a modificar la asociación entre respuesta de ansiedad e incremento del tono de la musculatura estriada. voz. apunta a obtener "nuevas relaciones entre el cuerpo.L. 1983. fluctuación tónica. Schultz. "sumergirse" en la vía de la fluctuación tónica. las imágenes y la representación. tono. La técnica de Entrenamiento Autógeno de Schultz 3. La técnica de Relajación Terapéutica de J. teórico y técnico para luego trabajar los aspectos clínicos. a) Presentación 1. la relajación es un modo de abordar al cuerpo en su totalidad y no solo la parte que hace síntoma. Editor V. sus funciones y funcionamiento. dado material clínico sobre: a) los límites y alcances de la Relajación Terapéutica en la práctica clínica. aspectos fundamentales en la constitución de la imagen corporal.P.pag. las dificultades del lenguaje y a los problemas psicosomáticos. el aprendizaje se amplíe y profundice. en lo que se ha dado a llamar "la frontera corporal". La Relajación Terapéutica aporta un cambio radical en la calidad tónica del sujeto (tensión-distensión) en la lógica del espacio corporal y en el encuentro con la postura y el ritmo del propio cuerpo. y fisiológicas generales después. Jean. Precisamente la Relajación Terapéutica toma al campo postural y se sitúa entre la función tónica y la emergencia de la función motriz (entre el adentro y el afuera). Buenos Aires. BIBLIOGRAFÍA OBJETIVOS o Comprender y valorar las funciones receptivas-expresivas que se integran en el funcionamiento del cuerpo." Desde una perspectiva originaria.R. b) Aplicación Principios fundamentales y aspectos prácticos de: 1. imagen: direccionalidad. 1-144 Bergés. Trabalhos Científicos/Temas Livres . 3. Transferencia. Bergés. METODOLOGÍA El seminario se llevará a cabo en forma teórica-práctica. Singeser de Votadoro. poniendo atención en la legalidad que las causa y en la lógica que traza dicho funcionamiento. se llama relajación a un conjunto de respuestas musculares en principio. sus puntos de dolor y de malestar. La propuesta de formación se centra en la transmisión de conocimientos y habilidades sobre la Relajación y sus técnicas. mirada. el cuerpo y todas aquellas relaciones que en el se implican. voz. actúan en el lenguaje. imaginario y funcional. material inédito.O. o Conocer los fundamentos y características de los diferentes métodos de Relajación a través de la propia vivencia y del estudio de sus teorías. Editoras Raquel Aragón y Leticia González. El lugar de la técnica. palabra y lenguaje. nº 1. que es la que se establece en los ritmos primarios y en la dialéctica de la presencia y ausencia del propio cuerpo y del cuerpo del otro. el tono. percepción. con el fin de que: o Los interesados puedan aplicar y utilizar sus principios en el área clínica y educativa. como así también el circuito condicionado de mutua alimentación que se crea frente a un estímulo real o imaginado. Bergés) y se incluirá la reelaboración de la experiencia en su aspecto personal. En cada encuentro se trabajarán las técnicas de Relajación (desde las más concretas a las más abstractas: Jacobson. lenguaje) forman parte de las vías y recursos con los cuales el psicomotricista opera e interviene. Número especial de la Sociedad Internacional de Terapia psicomotriz para los países de lengua española. 2.Setembro 2013 . mirada. junio de 1978. Con la relajación terapéutica el sujeto va construyendo paso a paso y a través de la relación con el terapeuta. la imagen y el lenguaje. aprende la creación progresiva de su espacio interno. palabras. o Reflexionar y discutir. Bergés. sensorialidad. número 5. Buenos Aires. incompatibles con ese otro conjunto de respuestas que se denominan "emocional de ansiedad". como recurso para facilitar y reflexionar sobre la naturaleza y el aprendizaje de las relaciones del sujeto con su propio cuerpo. escucha. la discapacidad. La relajación como intervención. 1996. 1973. Con un sentido terapéutico. generalidades y características de la relajación. La técnica de Relajación Progresiva de Jacobson 2. Bergés Jean. postura. la envoltura del cuerpo. de manera tal que estableciendo diferencias y similitudes. El fin es hacer un estudio comparativo. o El cuerpo como acto de transmisión de otro: discursivo. Jean. o Principales métodos y fundamentos. Bergés c) Ejercicio 1. En Revista Cuerpo y Comunicación. Relajación Terapéutica: Posición Clínica. Aportes de los principios de la Relajación Terapéutica a la clínica con bebés. Jean. o Los interesados acceden a través de la propia experiencia en relajación a un conocimiento y saber sobre el propio cuerpo. el medio ambiente y las emociones a través de las relaciones al terapeuta". Los conceptos: o Motricidad y Psicomotricidad o El cuerpo como receptáculo: El campo tónico postural: tensión-distensión. de su posición al experimentar y considerar en transferencia las relaciones que se establecen entre las partes del cuerpo. tiempo. 99 . Buenos Aires. hacerle una "visita al cuerpo" y ubicar así a través de la experiencia. Siendo que el cuerpo y sus funciones (escucha. 2. en Crónicas clínicas en relajación terapéutica y psicomotricidad. la Relajación Terapéutica es un medio para estar a la escucha de lo que sucede en el cuerpo.

En Revista do corpo e da Linguagem.Setembro 3013 . "A propósito de la relajación terapéutica en el niño". Montevideo. Leticia. EDUNTREF. Marika. Julián. 1998. Un modo de especificar la práctica psicomotriz" En Pensar lo psicomotor. "Informe preliminar para el estudio de la relación entre las alteraciones del lenguaje y la organización psicomotriz". Apuntes sobre el desarrollo psicomotor" En Pensar lo psicomotor. paper inédito González. 1996. Conferencia "La relajación terapéutica en la infancia". ontogénesis". "Las terapias y las psicoterapias (de mediación) corporal". Leticia. "Intervención temprana en psicomotricidad". 2009 González. La constructividad y otros textos. Marika. 2009 González. 1988 xxx 100 Trabalhos Científicos/Temas Livres . 1996. "Reflexiones acerca de la terapéutica de Relajación en el niño". 1-144 . "Filogénesis. "De la ficción de las formas a una forma para las ficciónes" En Pensar lo psicomotor. lenguaje. 1998. 1988 De Ajuriaguerra. paper inédito. Buenos Aires. 2003 González. "La relajación o una experiencia significativa en el silencio del cuerpo". Litoral. Jean. Leticia. inédito Bergés. 2009 González. EDUNTREF. "El cuerpo y la mirada del otro" en Crónicas clínicas en relajación terapéutica y psicomotricidad. IV. González. Buenos Aires. Leticia. inédito. Buenos Aires. EDUNTREF. Primeras jornadas interhospitalarias en psicomotricidad. Buenos Aires. Jean. La constructividad y otros textos. "La relajación terapéutica en psicomotricidad". Introducción al estudio de la relación entre las alteraciones del lenguaje hablado y la organización psicomotriz" En Revista Cuerpo. "La transferencia a la Cantonade". inédito Bounes. Jean. Bounes. Leticia. "Con la traba en la lengua. Bergés. Bounes. Río de Janeiro. nº 12. Conferencias 2003. Bergés. Buenos Aires. La constructividad y otros textos. 2009 González. 1985 González. 1996. "La constructividad corporal. Eric. "Con el lenguaje en el cuerpo. En Pensar lo psicomotor.pag. paper inédito Porge. Vol. Buenos Aires. Leticia. Leticia. Conferencia en Ginebra. EDUNTREF. Editoras Raquel Aragón y Leticia González. Asociación Uruguaya de Psicomotricidad. Leticia. Jean. Marika. simbolización. La constructividad y otros textos.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Bergés.

na criatividade das relações intersubjetivas. como também em outras Instituições Psicopedagógicas e em meu consultório. permitem a elaboração de novas narrativas corporais. voltadas mais para os aspectos motores do que psicológicos ou afetivos. Fundamentada na perspectiva de Merleau-Ponty. o objetivo da proposta. rítmico e expressivo. através da Coreoterapia. por meio da linguagem. deve ser entendida no sentido mais além de seus objetivos específicos. segundo o paradigma norteador da Psicomotricidade: o de considerar a motricidade e o pensamento ao mesmo tempo. Para a sustentação dessa ideia. em 1973. Com fins de aplicação processual e didática. como previsto pela dança. responsável pelo fim da dicotomia entre o corpo e a mente. indo além da perspectiva desenvolvimentista. Reúne. desdobrou-se para o atendimento de adultos. é necessária a compreensão fenomenológica do sujeito em sua forma de ser e estar no mundo com o outro. marcada historicamente pelo raciocínio cartesiano e pela epistemologia de cunho representacional. A dança. 2. com destaque para a importância das crises evolutivas. já caminhasse em direção aos imperativos de uma perspectiva mais relacional.PUC Minas) Resumo A possibilidade de articulação entre as partes corporais. segundo a perspectiva do desenvolvimento psicomotor. o primeiro a sair da perspectiva da "doutrina do paralelismo". As intervenções verbais. com base nos ensinamentos de Henri Wallon. ciência do corpo e das relações do corpo com o outro e com o mundo. do Curso de Psicologia da PUC-Minas. compreendendo a plasticidade de qualquer movimento. 3. na tentativa de promover a desarticulação e a rearticulação dos processos motores e psicológicos. Para tanto. ou criados pelos participantes. logo após a minha graduação em Psicologia pela UFMG. consideradas como extensões dos gestos. Palavras-chave: Coreoterapia. o presente artigo discorre sobre o tema ao propor a realização da Oficina da Coreoterapia. Dança. INTRODUÇÃO Ao considerar o ser humano em sua globalidade e na tentativa de aproximar mais os fenômenos corporais dos fenômenos psíquicos. Prática Psicomotora. característica dos anos de 1970. no mesmo espaço. por volta de 1920. por ocasião da II Mostra Regional de Psicologia. na tentativa de uma aproximação maior entre os aspectos corporais e psíquicos. o outro (seu ser-com). prática psicomotora com a dança. com seu corpo. Por meio de exercícios específicos. a experiência prática e outros estudos e formações me permitiram ampliar a visão dessa proposta a caminho de uma metodologia que melhor a embasasse. os princípios da dança. permite a ideia da aproximação entre os fenômenos corporais e os psíquicos. portanto. apresentei então a proposta da Coreoterapia para crianças e adolescentes atendidas em Reeducação Psicomotora. como também encerra a ideia do fundamento musical sobre o qual ela se desenvolve. O termo vem do vocábulo grego choros que implica um sentido dançante. Considerados como intervenções não verbais. as sessões de Coreoterapia foram organizadas inicialmente em três estágios: sensorial. quais sejam: o tempo (sua história). isto é. desarticulando antigas formas da presença no mundo. 101 . a noção de si que cinde a percepção sensório-motora-afetiva. e fundamentar a prática de forma menos evolutiva e cartesiana. e. 2012) do corpo com o mundo. a Coreoterapia passou a integrar as atividades do Estágio Supervisionado de Psicomotricidade. no ritmo da vida. no instante vivido. na concepção fenomenológica de Merleau-Ponty (1999). na intencionalidade do projeto psicomotor (seu estar-com e seu fazer-se). em 1973. restaurando e reorganizando outras novas. os exercícios propostos pelo coreoterapeuta. De igual modo. utiliza em sua técnica. por intermédio da linguagem corporal. indicou-me que é dessa forma que a pessoa terá novas oportunidades de se rever com seu corpo no mundo em sua subjetividade encarnada. Àquela época. o conceito de articulação horizontal (entre a mente e o corpo) e vertical (entre os lados do corpo). uma vez divulgada pelos jornais. em 1971. nesta nova visão.Setembro 2013 . é desarticular a noção cartesiana de estar no mundo sem o corpo. COREOTERAPIA: A PRÁTICA COM DANÇA Coreoterapia é a terapia através da dança. embora a Psicomotricidade. a Coreoterapia considera as características fenomenológicas da existência do sujeito. segundo a perspectiva fenomenológica do vivido corporal.pag. aos poucos. Aos poucos. no entrecruzamento. O MÉTODO FENOMENOLÓGICO NA PRÁTICA COM A DANÇA Promover a desarticulação e a rearticulação da história psicomotora do sujeito. na França. segundo a proposta. na modalidade individual ou de grupo. Trabalhos Científicos/Temas Livres . a Psicogenética de Wallon pode ser revista e realimentada em suas considerações. no tempo e no espaço. limitando a integração dos mesmos. tive a oportunidade de desenvolver e apresentar uma prática psicomotora auxiliar. constatei que as práticas psicomotoras de Reeducação lidavam mais com objetivos terapêuticos segundo a vertente reeducativa. e Hospital Santa Margarida. IPPMG. 1980) ao Instituto Psicopedagógico de Minas Gerais. denominada como Coreoterapia (Rennó. de forma gradual. noção advinda da prática da dança. Ao término do Curso de Especialização. Pelo fato de ter praticado a dança. Desde então. 1-144 Em agosto de 2012. passou a fazer parte da equipe de tratamento nos Hospitais-Dia que iniciaram os atendimentos de pacientes. como o Centro Psicoterapêutico Ltda. lá realizado em 1972. segundo o método fenomenológico de Merleau-Ponty. percebi que as atividades psicomotoras mostravam certa semelhança com os exercícios da dança. 1. com a necessidade de buscar maior articulação entre o corpo e o pensamento. estimulam e resgatam a presença de ser e de estar no mundo com o corpo. do que com os objetivos da vertente clínica. para o XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade.Trabalhos Científicos Coreoterapia: prática psicomotora com a dança Autor: Eline Maria Fernandes Rennó Instituição: Pontifícia Universidade Católica . cada sessão procurou seguir as fases da dinâmica do movimento. no Coração Eucarístico. Em seguida. A partir de 1992. principal objetivo da Psicomotricidade. na dobra. o espaço (sua corporeidade). A Coreoterapia visa aos dois princípios contidos na dança e na música: o agógico (lentidão ou rapidez do movimento no tempo) e o dinâmico (modo de atividade muscular com que os gestos se sucedem). desenvolvida em Belo Horizonte. segundo Merleau-Ponty (Rennó. dificultando o desabrochar do movimento. em Belo Horizonte. princípio fundamental que deu origem à Psicomotricidade. que foi aceita pela direção do Instituto. passei a pensar na possibilidade de relacioná-las com as atividades da dança. o acesso às referências teóricas e práticas era reduzido e mais voltado para a vertente reeducativa da Psicomotricidade. desde pequena. segundo a filosofia de Comunidade Terapêutica. Busca desenvolver a capacidade expressiva e criativa da pessoa por meio de atividades da dança que se assemelham às atividades psicomotoras. Com o objetivo de ilustrar a possibilidade de usar o movimento da dança na prática psicomotora. do pensamento. recebeu um prêmio do Conselho Regional de Psicologia como melhor Oficina. A construção criativa revelada nas atividades vai. na dimensão da unidade subjetiva. em Belo Horizonte. O verbo chorein não só se refere à dança. Como as atividades propostas pela Reeducação Psicomotora me pareceram muito estáticas e paralelas. Durante o Curso de Especialização em Psicomotricidade. no tempo e no espaço.

Belo Horizonte. Gerardo Dantas Barretto.pag. Jeny Wolff. na forma como o sujeito vidente e visível integra-se ao seu vivido corporal. M. que fazem do movimento a expressão de um campo de presença. Trad. 2ª Edição. Merleau-Ponty. na intencionalidade de sua existência que se expressa em gestos fonéticos. (1969) . o espaço (sua corporeidade).Psicomotricidade: da melodia cinética ao corpo político. Grifo. E.Setembro 3013 . são consideradas as características fenomenológicas da existência do sujeito. na perspectiva fenomenológica de Merleau-Ponty (1969) passou a se sustentar. quais sejam: o tempo (sua história). L. o outro (seu ser-com). Rennó. M. na linguagem. J. (1986) . advinda da dança. na intencionalidade de um projeto psicomotor (seu estar-com e seu fazer-se). 1986).Coreoterapia . A. com a concepção fenomenológica do corpo permitem a compreensão do sujeito em sua forma de ser e estar no mundo com o outro. (1999) . M. Belo Horizonte. Assim. interessados na impressão e na expressão corporal (Camus. xxx 102 Trabalhos Científicos/Temas Livres . F. 1-144 .O corpo em discussão: da reeducação psicomotora às terapias de mediação corporal.terapia através da dança. Ribeiro de Moura.Fenomenologia da percepção. F. (2012) . REFERÊNCIAS Camus. Porto Alegre. Rennó. ArteSã. portanto. CONSIDERAÇÕES A necessidade de articulação entre as partes corporais. A Coreoterapia tem se mostrado útil na formação e na prática de psicomotricistas e outros profissionais que têm o corpo como objeto de investigação e tratamento. _________________. ou seja. C. Trad. a partir de seu corpo. São Paulo. Trad. Rio de Janeiro. 4. Artes Médicas. (1980) . Martins Fontes.O olho e o espírito.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual O objetivo da técnica da Coreoterapia. no instante vivido. E. Interlivros.

vivenciar as duas coisas. dão prazer e alegria à alma". O brincar. o tempo e os objetos. brincar é importante para a saúde cognitiva. – Certo dia apareceu uma cena na TV. para passar um final de semana com eles. mais uma vez. é importante também ressaltar sobre a modalidade do brincar sozinho. de brincar e evoluir cognitivamente. tirando das crianças a oportunidade de vivenciar experiências de criação. é que as crianças de hoje estão imersas na cultura da mídia comercializada. o que coloca em perigo a criatividade e as brincadeiras. ao convidar as crianças para as referidas atividades. que cada vez mais. os bebês são sensitivos e exploradores naturais. geralmente. Somos de uma geração que brincavávamos em casa. virtualmente. no excesso da mídia de tela e de brinquedos equipados com sons. o convite a esta reflexão sobre o brincar/criativo tornouse relevante no texto desta oficina. Lúdico. Porém. leva-la. trilhas.REFLETINDO O que tem se visto na infância atual. aprender brinquedos. uma criança havia lido um livro. O que vemos. 2 . Segundo Alves (2004). constata-se que aquelas que mais apresentam dificuldades corporais e escolares. são crianças que não tiveram ou têm pouquíssimas oportunidades de vivenciar o brincar/criativo. no social e na mídia de tela: – Crianças cujos pais não conseguem nem mesmo dar atenção às visitas porque seus filhos não são capazes de brincar sozinhos. Podemos dizer que está se transformando em mais uma questão social que clama por atenção. exploração. às suas próprias fantasias. torna-se urgente uma parada para analisar o que estamos fazendo com essa capacidade! Sim. porque nós adultos. advindos de uma cultura de mídia eletrônica altamente massificada. podendo desta forma. É ele que dá as ordens. emocional e social. estamos permitindo que nossas crianças se tornem incapazes para o brincar criativo. não tendo nenhuma utilidade como ferramentas.. como também nas interações sociais. conhecido pesquisador sobre mídia para os pequenos. como um todo. como ferramentas/ brinquedos para o "brincar/criativo". "O sujeito da educação é o corpo. campo de futebol. então. porque é nele que está a vida. O pai foi lá e resolveu confiscar os aparelhos. em dar maior controle. – Uma mulher contava para um grupo que seu marido resolveu levar um dos amigos do filho. fazendo com que as aprendizagens fiquem mais voltadas para os eletrônicos e os virtuais.Setembro 2013 . como também para a saúde psíquica da criança. a qualquer lugar que queira ir. através do uso da imaginação. você entrega uma 103 . Brincar/ Criativo. o lúdico. Outra criança que havia assistido ao filme lhe disse: "Está errado"! Afinal. se saem bem nos dois mundos: real e virtual. se distancia da infância. Era um hotel fazenda agradável e espaçoso. E já vemos este tipo de imersão com crianças em torno de dois anos de idade. não precisam que alguém os ensine a brincar. 1 . o faz de conta.pag. é que ela se apresenta com o brincar criativo e seus benefícios alterados pelo tempo. E. sobre a importância de viabilizar para as crianças atuais. resgatando o prazer de interagir. está cada vez menos fazendo parte do dia a dia curricular. roubando o espaço e o tempo que outrora as crianças despendiam com o brincar. E se a criança está constantemente diante de telas eletrônicas. As ferramentas são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. É o corpo que quer aprender para poder viver. nas pracinhas. árvores frutíferas etc. a interação do próprio corpo com o espaço. estas mesmas crianças têm um bom desempenho com as ferramentas/brinquedos da área tecnológica. de entrar no jogo. com piscina. torna-se pertinente o convite a uma reflexão sobre o "brincar/criativo". ela não parava de contar as estripulias de seu bebê. em que momento irá explorar e desenvolver novos pensamentos. Quando o pai percebeu. "as crianças estão criando vínculos afetivos com imagens da mídia. Já as crianças que tiveram a oportunidade de. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender ferramentas. Ou seja. são atividades prazerosas que trazem importantes efeitos não só para o desenvolvimento. o acesso ilimitado aos seus programas e personagens preferidos. Hoje em dia. em prol do treinamento de aptidões escolares mais avançadas. Então. [A cada marca comprada]. se utilizando de atividades orientadas para a memorização de letras e números. 1-144 todas as gerações do brincar/criativo. totalmente voltados para os seus aparelhos eletrônicos. o pai foi lá e jogou os dois na piscina. se fechou em um modelo. mas. em detrimento do brincar/criativo. E os terapeutas sabem que elas só irão até onde estiverem prontas para chegar! Eis aqui alguns exemplos do que tenho visto através de relatos na clínica. Antigamente ao encontrarmos com uma mãe. corporalmente. Se a capacidade de brincar é inata e se desenvolve naturalmente nos indivíduos. Ferramentas. no quintal. Palavras-chave: Gesto Gráfico. ideias e sentimentos que o próprio conteúdo desta mídia poderá produzir? De acordo com Linn (2010). Já a criança do filme. também. Nietzsche dizia que a inteligência era a ferramenta e o brinquedo do corpo. os meninos estavam parados e sem saber o que fazer. De acordo com Dan Anderson. cada um num canto. na escola. não tinha assistido ao filme da mesma história e se pôs a desenhar um dos personagens. ressaltando o quanto as novas ferramentas/ brinquedos das mídias eletrônicas ocupam o espaço deste brincar. que sempre pertenceu a Trabalhos Científicos/Temas Livres . Quando viu. Solicitam constantemente a presença de um deles e até da própria visita. Reflexão.INTRODUÇÃO Como as atividades contidas no livro "Do Ato ao Gesto Gráfico" são regidas pelo brincar. De acordo com Linn (2010). através da imaginação criativa. esta. psicomotoramente e emocionalmente. interferindo na construção da subjetividade cognitiva e emocional. já que. vozes e movimentos. não estava igual ao que ela vira no filme! Este exemplo mostra bem o fato de que através de nossas leituras preferidas. pré-adolescente. através de suas ferramentas/brinquedos e do lúdico. ainda teremos de usar nossa imaginação para imagens e sons.. utilizando-se do faz de conta os construam e os aperfeiçoem por si mesmas. por parte dos adultos. atividade lúdica. com o acesso ilimitado. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. resolução de problemas etc. passando um longo tempo interagindo com mídias eletrônicas. Outra observação importante é que até na escola infantil onde o brincar era prioridade máxima e preenchia praticamente todo o currículo escolar. impede que as crianças tenham acesso ilimitado as suas lembranças imaginárias. sendo que nossas imagens ainda podem mudar ou se aperfeiçoar. porém.Trabalhos Científicos Do ato ao gesto gráfico: entendendo e praticando Autor: Marília Laurentino de Souza Betencourt Resumo Sob a influência das sugestões lúdicas e das ferramentas/ brinquedos contidas na proposta do trabalho em "Do ato ao gesto gráfico". criativas das histórias e dos personagens e. e que leva a criança. E passamos por todas as modalidades do brincar criativo. ela nos conta sobre como seu bebê já está interagindo com o Ipad. estavam os dois meninos. Os brinquedos são todas aquelas coisas que. onde a mãe falava sobre a escrita da filha: "Tem que melhorar! Sua letra está horrível!" E a filha respondeu: "Eu fico com preguiça de escrever porque estou acostumada a digitar"! Esta reflexão vem focar e sublinhar o hábito do brincar/criativo.

BestSeller. potencializando o indivíduo para sua aprendizagem formal. o tempo e as ferramentas/brinquedos para exploração e criação de brincadeiras. inicialmente. principalmente. coloca em ação mecanismos de: – Atenção. equilíbrio postural. Reforçando que." 4 . Linn. livre e depois determinado e específico. que aqui tratarei como vínculos psicomotores. Di Leo. 5 . – Relação Espaço-Temporal (Que é a precisão do corpo no espaço.que. 1-144 . aquele que cria e aquele que atende terapeuticamente uma criança. R.Sugestões Psicomotoras. também deve ser criativo. de tomarmos para nós adultos. – Coordenação Motora Fina. como também em indivíduos mais velhos que entram num processo de perda das capacidades adquiridas. fazendo uso das suas aquisições subjetivas.A Interpretação do Desenho Infantil . – Percepções (visual e auditiva). variados sinais e signos visuais e auditivos. que não se trata de voltarmos no tempo e ignorarmos as novas tecnologias .A arte do voo ou a busca da alegria de aprender. pelas fases iniciais: rabiscação. O desenvolvimento infantil se dá de forma concomitante. (2007) .Gaiolas ou Asas . (2010) . a responsabilidade de. para que atinjam um bom desenvolvimento. – Tônus. – Esquema e Imagem Corporal. através de suas atividades. (Linn.. A proposta é colocar o corpo em relação.Ed.Artes Médicas . Ed.Preserve a brincadeira em um mundo dominado pela tecnologia.CONCLUSÃO Aquele que ensina. não podemos esquecer de que nada acontece isoladamente. neurológica. Segundo Alves (2004). Mas. habilidade. através da escuta. ou seja. (2004) . linguística e psicológica. Mas se ela tem de fazer coisas que não são desafios. quando se trata do infantil. e. espaço e ferramentas para o brincar/criativo. já que não se recomenda a aplicação da parte gráfica antes da criança experimentar de forma livre e espontânea o grafismo. cognitiva. do tempo e do espaço. primeiramente. como se uma se apoiasse na outra. J. mas permite que aconteçam resgates na subjetividade cognitiva de indivíduos que já passaram pelo processo de alfabetização. No entanto é importante salientar.H. espontaneidade nessa forma de expressão). pudéssemos nos referir a essa multidisciplinaridade como: uma rede de sustentabilidade do ser humano. à sua força. com todas as áreas atuando. variadas consignas. 2010). – Coordenação Motora Ampla. os objetos e o som. fundamentais para a construção da subjetividade cognitiva.. com o outro.L.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual parte do amor do seu filho a uma gigantesca corporação". a inventividade e que acontece também através de sugestões evolutivas. – Concentração. 2010 xxx 104 Trabalhos Científicos/Temas Livres . oferecermos as crianças: tempo. analogicamente se expressando. Asa. M.Do Ato ao Gesto Gráfico . "Há brinquedos que são desafios ao corpo. fortalecendo elementos da psicomotricidade. nenhuma se sustenta sozinha. Permitindo que a criança se torne apta para aprender a ler e a desenvolver sua Expressão Gráfica (Domínio do gesto e do instrumento. 3 . com os seus respectivos desdobramentos.S. Educar Campinas . tendo como objetivo final a cognição.A OFICINA A nossa oficina vem trazer o lúdico como referência e tem como base sugestões psicomotoras corporais. o que o caracteriza como um objeto de estudo multidisciplinar. uma forma também de se familiarizar com as infinitas possibilidades e melhor desempenhar as sugestões lúdicas que estarão por vir: propostas de atividades psicomotoras. Porém.mas sim. Permite que o indivíduo participe de forma ativa e também criativa. A inteligência gosta de brincar. quando se oferece o espaço.DO ATO AO GESTO GRÁFICO Do Ato ao Gesto Gráfico é um trabalho lúdico que dá espaço para a criatividade.. deveria estar sempre proporcionando ambientes e situações que estimulem atuações corporais através dos objetos. passando. Rio de Janeiro. ela fica preguiçosa e emburrecida. – Equilíbrio. concomitantemente com a mídia e as novas tecnologias. com variados sons. em relação também. Talvez. enquanto tal. o estudo do desenvolvimento infantil se dá através de diversas teorias e por diferentes áreas: psicomotora. REFERÊNCIAS Alves.2004. desafiando-as.Rio de Janeiro.pag. E há brinquedos que são desafios à inteligência. o tempo. Porto. do ponto de vista de quem cria e dá a sugestão da atividade. e. E eu acrescentaria que você também entrega a imaginação de seu filho aos interesses corporativos.Porto Alegre. percepção e compreensão da imagem a reproduzir. (1993) . Não basta ser lúdico. se faz necessário um limite . As atividades são propostas. incentivando a criatividade nos indivíduos. – Lateralidade. primeiramente. Os recursos corporais deste trabalho colocam o indivíduo com seu corpo em relação com os objetos. S. – Orientação Espacial. Apesar de se utilizar do grafismo como um dos recursos para colaborar com o desenvolvimento.Edição do Autor . Brinquedo é tônico para a inteligência. Cinestésicas e Gráficas para a aquisição da Lecto-Escritura . Do Ato ao Gesto Gráfico não visa somente à aquisição da leitura e da escrita. precisão do ato voluntário e do livre jogo dos automatismos). Betencourt. devemos utilizar somente as sugestões psicomotoras e cinestésicas.. de dois pontos de vista: do ponto de vista de quem recebe a sugestão da atividade. através do brincar/ criativo e de suas ferramentas/brinquedos.Em defesa do faz de conta . cinestésicas e gráficas. – Ritmo. apesar de muito bom. propondo uma decodificação gráfica rítmica para leitura e uma produção gráfica abstrata. _________ (2004) . Brincando ela salta e fica mais inteligente ainda. realismo fortuito (garatuja) e realismo gorado (a partir de células). com um espaço.Setembro 3013 . paciência. interagindo com o espaço livre e o espaço limitado.O desejo de ensinar e a arte de aprender . Ed. como também. já que.

Temas Livres / Apresentação oral Temas Livres / Apresentação oral Trabalhos Científicos/Temas Livres .pag.Setembro 2013 . 1-144 105 .

Nesse sentido. Rio de Janeiro: WAK Editora. A prática psicomotora educativa e as contribuições de Aucouturier sobre a manifestação da agressividade em crianças Autores: Dalla ÉSF. Humberto Maturana. além de contribuir para a socialização da criança no grupo e na vida. uma potencialização em aspectos que consideramos fundamentais na prática psicomotora. Conclusão: percebemos que a prática psicomotora na escola potencializa o desenvolvimento global da criança. bem como pelas prefeituras da cidade de Arcos e Lagoa da Prata/MG.pag. Segundo Aucouturier (2007).XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual EIXO A: EDUCAÇAO PSICOMOTORA Grupo Afectos De Psicomotricidade Autores: Antunes MV. Resultados: Observamos que durante um período de seis meses na escola Unisanta. Os fatores psicomotores e o Teatro do Oprimido: um possível diálogo sobre o corpo Autores: Reis AC. 2004. colaborando para o amadurecimento do esquema e da imagem corporal. talvez. torna-se fortuita a aproximação com o Teatro do Oprimido. Cabral JR.527). 1989. Em ambos enfoques. Carvalho G. Essa é. Esta ação educativa ocorre alicerçada pela extensão universitária: equipe de graduandos em psicologia e professora responsável. 2008. poderá se desculpabilizar frente á destruição e exercer seu potencial de dominação. Para Boal. Loures AP Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais . Humberto R.Fundamentação teórica: De acordo com Ajuriaguerra (apud Fonseca. Gerda. devolvendo-lhe o direito de mudar seu futuro. Rio de Janeiro: Imago. 2004. O que é a filosofia. pautou-se no método do Teatro do Oprimido. Gilles. a metodologia das sessões se dá a partir da construção coletiva onde asseguramos um espaço potencial de segurança para o desenvolvimento afetivo. 2. Para isso. _______ . Para tal lançamos mão de materiais mediadores que entendemos a partir do conceito de transicionalidade objetal de Winnicott (1975). a maior contribuição da Psicomotricidade no sentido de compreender o ser humano em sua integridade. tendo como objetivo viabilizar a expressividade da criança proporcionando benefícios junto ao seu desenvolvimento. alienado. SP: Idéias e Letras. 34. Bernard. uma possível relação entre Psicomotricidade e o Teatro. Toledo MM Instituição: UNICAMP Resumo: A psicomotricidade se caracteriza por uma educação que se utiliza do movimento para atingir outras aquisições mais elaboradas. Frente a esta demanda circulam sentimentos de culpa. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. Ivanoff N Instituição: FMU . Oliveira RA. propondo a utilização de alguns jogos teatrais no trabalho de estimulação psicomotora. 1986. 1-144 . Augusto. O Método Aucouturier: Fantasmas de ação e prática psicomotora. As crianças. as crianças apresentaram uma melhora significativa na integração esquema-imagem corporal. RJ Introdução: O Grupo Afectos é uma iniciativa consoante à preocupação atual com a saúde e a educação em espaços educacionais. Os sete saberes necessários à educação do futuro. os jogos teatrais apresentam-se como uma possibilidade de estimulação psicomotora. percebe-se que a agressividade pode ser compreendida como constituinte do indivíduo. ed. que privilegia a Psicomotricidade como instrumento que atua ao nível profilático e educacional inserido no currículo da educação infantil. proposto por Augusto Boal. Manifestar esta agressividade por meio da ludicidade. Através do brincar espontâneo a criança pode encaminhar sua necessidade de dominação de modo ajustado. Maturana. Bernard. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Artes Médicas. Fundamentação Teórica: As práticas psicomotoras são desenvolvidas à luz do Método Aucouturier. Todo o trabalho proposto pela metodologia visa desmecanizar esse indivíduo. 2005. permitindo que se insira de forma crítica e criativa dentro da sociedade (Fonseca. Conclusões: Tanto o Teatro do Oprimido quanto a Psicomotricidade almejam um sujeito integrado e inserido na sociedade de forma ativa. Andre e Aucouturier. pois. São Paulo: Cortez. A criação do grupo foi uma necessidade de ampliar a inserção da proposta psicomotora em outros estabelecimentos de educação infantil. 2008). Houve. somos o nosso corpo. 1975. no contorno da agressividade e na construção de limites relacionais. Edgar. 1992.200 exercícios e jogos para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro. São Paulo: Pallas Atenas. permite o exercício do prazer de dominar e da capacidade de acreditar em si e em sua própria potencialidade. Silva AN.PUC Minas Introdução: O presente estudo apresenta as contribuições do Projeto Brincar frente á manifestação da agressividade das crianças de 3 a 10 anos em situação de vulnerabilidade social da cidade de Arcos/ MG. retoma uma necessidade de dominar para se auto afirmar. desde 2007 vem atuando na Escola de educação infantil Unisanta. 2012) As dificuldades de aprendizagem têm sido uma constante no meio escolar. e Verden-Zöller. Boal. Fundamentada na livre-expressão da criança. Maia CM. Objetivo: Apresentar as contribuições do projeto: "O Brincar e o desenvolvimento psicomotor da criança: intervenções psicossociais na infância" frente ás manifestações infantis da ordem da agressividade. além de apresentar uma proposta de sensibilização teatral. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2012. baseado nos autores como Edgar Morin. que manifestam suas demandas através do ambiente assegurador e lúdico das práticas. necessitando de Trabalhos Científicos/Temas Livres . motor e intelectual. escolar e integração mais ajustada junto ás demandas de aprendizagem. no amadurecimento grupal. DF: UNESCO. Conclusões: Diante a tais considerações. por meio de revisão bibliográfica. Morin. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. p. GUATTARI. ______ . Manual de Observação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores psicomotores. Rio de Janeiro: Ed. encaminhando a agressividade de modo possível. Amar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano. um sujeito consciente de si e com autonomia para poder decidir sobre sua própria vida. portanto. o teatro é um ensaio para a vida. Lima RA. Porto Alegre: Artmed. Brasília. Nenhuma outra metodologia teatral tem tão forte a questão do sujeito crítico quanto a idealizada por Boal. A conscientização que o indivíduo adquire ao longo da vida sobre o seu corpo e suas possibilidades de atuação propicia-lhe maior autonomia e independência. Foi criado a partir de uma experiência-piloto consolidada pelo Psicomotricista Titular da SBP Marcelo Antunes que. a criança ao investir sobre os objetos. Dal Castel AM. sendo estas importantes conquistas do desenvolvimento. A Simbologia do Movimento. 2008. Vitor. no bairro de Santa Teresa (RJ). Perfil psicomotor de crianças com queixas de dificuldades de aprendizagem do 2º ano de escolaridade Autores: Butiro VLM. Objetivos: O objetivo desta pesquisa é oferecer ao profissional psicomotricista outras possibilidades de trabalho. atacar e dominar significa também destruir. Pereira GM. Bibliografia: Deleuze. Winnicott. ou seja.Setembro 3013 . utilizando a metodologia de atividades livre-expressivas. 2007. Félix. expressam comumente conteúdos da ordem da agressivi106 dade. Costa N. Fundamentação Teórica: Nosso referencial teórico é transdisciplinar. Donald. Sob esse ponto de vista. Lapierre. como as intelectuais. (Oliveira. afetiva e relacional.Faculdades Metropolitanas Unidas/SP Introdução: O presente trabalho apresenta. Gilles Deleuze. André Lapierre e Bernard Aucouturier. Valente KN Instituição: Escola de Educação Infantil Uni-Santa. Aparecida. ed. o corpo é o principal meio de conquista dessa autonomia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Objetivos: Apresentamos como objetivo contribuir para o desenvolvimento psicomotor da criança de forma autônoma. Bibliografia: Fonseca. Bibliografia: Aucouturier. Resultados: Os resultados que se destacaram foram: melhoria das crianças na convivência familiar. 9.

Temas Livres / Apresentação oral

propostas para contribuir e reverter este quadro. O presente trabalho teve como objetivo geral verificar a eficácia de um programa de
intervenção psicomotora em crianças com queixas de dificuldades
de aprendizagem. Dois grupos foram constituídos pela indicação
das professoras de sala de aula, o grupo controle foi estruturado
por três alunos os quais dispunham de um bom desenvolvimento nas
questões escolares e o grupo de estudo formado por outros três
alunos que apresentavam dificuldades de aprendizagem. Foram utilizados dois instrumentos de avaliação, o questionário de Fonseca
(1995), direcionado a identificar dificuldades de aprendizagem abrangendo as habilidades de leitura, escrita, cálculo e a avaliação
psicomotora de Oliveira (2012) onde possibilitou delinear o perfil
psicomotor antes e após a realização de um programa de intervenção psicomotora. Os objetivos específicos abordados foram: identificar as queixas de aprendizagem; avaliar e comparar o perfil
psicomotor antes e após as intervenções e aferir os resultados
psicomotores entre o grupo controle com o grupo estudo. Constatou-se inicialmente que a leitura, escrita e cálculo estavam abaixo do
esperado e, nas funções psicomotoras inferiores a faixa etária.
Após as intervenções e ao comparar os resultados das avaliações
verificou-se progresso tanto nas questões escolares como psicomotoras. Na comparação do perfil psicomotor entre os dois grupos,
pode-se contemplar uma grande diferença onde o grupo controle
apresentou um bom desenvolvimento. Os resultados revelam que
intervenções psicomotoras asseguram evolução no contexto
psicomotor defasado e nas dificuldades de aprendizagens.
Bibliografia: Ajuriaguerra, J. et al.(1988). A escrita infantil: evolução e dificuldades. Porto Alegre, RS: Médicas.
Fonseca, V. da (2011). Cognição, Neuropsicologia e Aprendizagem (5ª Ed.).
Petrópolis, Editora Vozes.
Oliveira, G. C. (2012). Avaliação Psicomotora: à luz da psicologia e da
psicopedagoga (10ª ed. Ver.). Petrópolis, RJ: Vozes.
Oliveira, G. C. (2010). Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque
Psicopedagógico (15ªed.). Petrópolis, RJ: Vozes.
Rotta, Newra Tellechea; (2006). Transtornos da Aprendizagem. Abordagem
Neurológica e Multidisciplinar.Porto Alegre, Artmed.

A psicomotricidade na interação das famílias do aluno com
necessidades especiais
Autor: Rodrigues AR
Instituição: Trabalho realizado na Escola Municipal Vera Lucia Machado, Niterói-RJ.
Introdução: Este trabalho visa apresentar uma intervenção junto
às famílias de Alunos com Necessidades Especiais (ANE). Os participantes são pais; mães; avós; tias e irmãos, num total de 45
pessoas, destas 20 ANEs. Ação é desenvolvida por um
Psicomotricista com o suporte de 10 professoras. Utilizando basicamente a Psicomotricidade para promover maior interação entre
famílias e escola, à medida que o corpo docente detectou a necessidade de maior aproximação com os núcleos familiares, traduzindo um trabalho de vanguarda e inédito na rede municipal de ensino.
Objetivos: 1. Contribuir com o processo de Inclusão. 2. Promover
um espaço de sensibilização corporal através da Psicomotricidade.
3. Desenvolver a interatividade dos protagonista da Inclusão. Fundamentação Teórica: A base teórica se deu com a Psicomotricidade
Relacional de Andre Lapierre, e as contribuições da psicomotricidade
psiconeurológica de Vitor da Fonseca e a Psicocinética de Le
Boulch. Foi construído um espaço de interatividade e reflexão através da Psicomotricidade utilizando o despertar de uma pulsão para
a expressão e o desvelamento de sentimentos, mediado pela elaboração de movimentos que buscavam o contraste e o reequilíbrio
nas situações de interatividade entre os familiares. Resultados: O
trabalho descortinou elementos do corpo e da emotividade, não só
pulsionado pelas histórias pessoais, como pelo sentido de cumplicidade do momento trazendo o desejo de expressão. Os envolvidos construíram um momento de reflexão coletiva. A interação, a
comunhão e o desvelamento das demandas intra e extra familiar
motivou um cronograma com novos encontros sistemáticos. Conclusão: A atividade permitiu o desenvolvimento de vários elementos intrínsecos ao processo de Inclusão, bem como a reflexão
pessoal da interação enquanto sujeito. Os objetivos foram superaTrabalhos Científicos/Temas Livres - Setembro 2013 - pag. 1-144

dos por novas formas de expressividade e a diversidade de
contextualizações do movimento
Bibliografia: Lapierre, A. A simbologia do movimento: Psicomotricidade e
educação. RS: Artes Médicas,1986.
Lapierre, A. Da psicomotricidade relacional a analise corporal da relação. Pr:
UFFPr, 2010.
Le Boulch, J. A educação Psicomotora: Psicocinética na idade escolar/ Jean Le
Boulch; Porto Alegre: Artes Médicas, 1987
Fonseca, V. Psicomotricidade, Filogênese, Ontogênese e Retrogênese. RS.
Artes Medicas, 1998.

O corpo infantil: esquema e imagem corporal em crianças
do ensino infantil
Mendes MTG, Toledo MM.
Unicamp - Faculdade de Ciências Médicas.
Introdução: O desenvolvimento infantil é caracterizado por seu
potencial, que depende da maturação dos processos orgânicos,
das trocas afetivas e sociais. A psicomotricidade acompanha esta
evolução e auxilia na formação da personalidade da criança. Objetivos: Esta pesquisa verificou a eficácia de uma estimulação
psicomotora, com o objetivo específico de averiguar se esta contribui para um melhor desenvolvimento do esquema e da imagem corporal. Fundamentação Teórica: A psicomotricidade proporciona o
intercâmbio com o ambiente e a interação social, estabelece o centro
para a formação do indivíduo, contribuindo para o desenvolvimento
infantil dentro das possibilidades individuais e ajudando a afetividade
a se expandir e equilibrar. Estas experiências psicomotoras auxiliam
na construção e interiorização do esquema e imagem corporal, permitindo um domínio e um conhecimento maior sobre o corpo. Resultados: Participaram desta pesquisa três crianças do ensino infantil
de uma escola particular, com faixa etária entre 3 e 5 anos de idade.
Foram realizadas 24 sessões e o instrumento utilizado para a avaliação pré e pós estimulação foi o modelo proposto por Oliveira (2012).
Os resultados deste estudo mostraram que, após um programa de
estimulação, as crianças obtiveram uma evolução significativa nas
funções psicomotoras de coordenação e equilíbrio, tonicidade e esquema e imagem corporal. Conclusão: Esta pesquisa sugere que a
psicomotricidade, aplicada em ambiente de ensino infantil, pode ser
eficaz para o desenvolvimento psicomotor da criança, indicando que
um enfoque na função psicomotora de esquema e imagem corporal
pode estimular a aprendizagem escolar e auxiliar a criança a perceber melhor seu corpo e o ambiente social em que vive.
Bibliografia: Piaget J. Seis estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Editora
Forense Universitária; 1999.
Le Boulch J. O Desenvolvimento Psicomotor: do nascimento até 6 anos. Porto
Alegre: Artes Médicas; 1992.
Fonseca V. Manual de Observação Psicomotora. Significação psiconeurológica
dos fatores psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995.
Schilder P. A imagem do corpo - as energias construtivas da Psique. São Paulo:
Martins Fontes; 1994.
Oliveira GC. Avaliação psicomotora à luz da psicologia e da psicopedagogia.
Petrópolis, RJ: Vozes; 2012.

As estruturas psicomotoras e o alto rendimento esportivo
Alves RCS, Fachada RF
Introdução: O panorama esportivo nacional, ganha impulsos grandiosos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de
2016 para o desenvolvimento de um projeto de descoberta de talentos esportivos no Brasil, mas ainda há dúvidas de como criar esses
talentos, ampliando assim a participação do país nesses grandes
eventos. A pesquisa de campo, qualitativo-quantitativa, utilizou-se
de um questionário, analisado através de cálculo de freqüências
relativas e médias, em Excel 2007. A amostra foi composta por 409
atletas dos JAB´S 2006 em Nova Friburgo - RJ. Objetivo: Identificar
as influências da estimulação das estruturas psicomotoras na formação dos atletas de Alto Rendimento. Fundamentação Teórica:
Fonseca (1995) salienta que a evolução da criança é processada
numa dialética de desenvolvimento, envolvendo fatores metabólicos, psicomotores, psicossociais. Ainda Fonseca (2004) diz que o
alto rendimento se apóia na formação psicomotora de base. As har107

XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual

monias cinestésicas, os encadeamentos motores e as sinergias
adaptativas inerentes ao comportamento motor, que caracteriza o
alto rendimento, requerem a construção de engramas motores ao
longo de um processo de aprendizagem. Sabemos que os primeiros
anos de vida são decisivos no processo de estruturação psicomotora
da criança. Nesta fase, a criança necessita vivenciar uma série de
estímulos que irão contribuir em sua estruturação psicomotora. Além
desses estímulos, a relação que a criança estabelece com seu "próprio mundo", seus brinquedos, seu quarto, também são fatores primordiais neste momento. Jean Le Boulch (2008) diz que, uma criança que se beneficiou desde o ciclo inicial do Ensino Fundamental de
uma educação psicomotora pode, portanto, utilizar-se de sua bagagem de automatismos globais diante das situações-problema apresentadas pelos esportes coletivos. Resultados: Os dados apontam que 53,8% dos atletas iniciou no esporte entre os 11 e 16 anos,
51,8% iniciou as atividades dirigidas, desde os 2 anos de idade, as
quais tinham caráter lúdico recreativo para 47,4% dos atletas, 86,3%
teve apoio de familiares e professores. 92,4% teve grupos de amigos fora da escola, 51,3% brincava mais com brincadeiras com
bolas e ainda 52,8% tinha muitos brinquedos quando criança e 76,8%
residiu em casa com quintal durante toda a infância. Conclusão:
Concluímos que após análise, a amostra sofreu forte influência das
estimulações das estruturas psicomotoras, primordiais ao alicerce
de talentos esportivos, à chegada ao alto rendimento.
Bibliografia: Fonseca, Vitor da. Manual de Observação Psicomotora, Artes
Médicas, PA. 1995.
Fonseca, Vitor da. Dificuldades de Aprendizagem - abordagem neuropsicológica
e psicopedagógica ao insucesso escolar. Âncora Editora, Lisboa, 2004.
Le Boulch, Jean. O corpo na escola no século XXI. Phorte, SP, 2008.

A Educação Física no âmbito escolar com alunos do EJA: um
olhar psicomotor
Autor: Oliveira ACM
Instituição: Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU/ São Paulo
A importância da educação psicomotora está contida no descobrir e
entender o corpo por inteiro; assim, as aulas de Educação Física
trazem aos alunos um momento diferenciado da prática em sala de
aula e, quando trabalhada no âmbito da Psicomotricidade, proporciona vivências no campo motor, cognitivo e afetivo. Objetivo: As constantes queixas dos professores em relação ao interesse e permanência de atenção dos alunos de EJA originou o presente estudo que
visa ressaltar quais são as contribuições que a Psicomotricidade
proporciona para aperfeiçoar/despertar a atenção do citado grupo.
Metodologia: A pesquisa, prática, utilizou a Bateria de Observação
Psicomotora de Vitor da Fonseca, de caráter qualitativo, num grupo
de 22 alunos do EJA em 2 escolas municipais da cidade de Itatiba, em
São Paulo. A Psicomotricidade inserida nestas aulas buscou identificar os prováveis "efeitos" na atenção, favorecendo o processo
educativo. Fundamentação Teórica: As vivências em aulas de
Educação Física firmaram-se num primeiro momento na experimentação com o corpo-motor e, num segundo momento, passaram a se
firmar nas representações afetivas, emocionais e cognitivas (Le
Boulch,1992). Resultados: A avaliação psicomotora e as observações nos revelam que os alunos apresentaram dificuldades variadas, mas o que é mais presente neste trabalho é que a atenção dos
alunos era de grau maior nas aulas e atividades propostas com o
trabalho psicomotor, porque o mesmo, além da motricidade, ofereceu-lhes um leque maior de possibilidades. Conclusão: O olhar
psicomotor tornou o meio e o grupo em questão num ambiente agradável, de fácil socialização e relações interpessoais que foram além
do âmbito motor, tendo reflexos diretos na autoestima contribuindo
efetivamente para a melhoria da atenção e interesse dos alunos,
conforme relatado pelos professores dos mesmos.
Referencial teórico: Fonseca,V. Psicomotricidade: Perspectivas multidisciplinares. Porto Alegre: Artmed, 2004.
Le Boulch,J. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos 6 anos.Trad:
Ana Guardiola Brizolara. 7. ed. Porto alegre: Artes Médicas, 1992.
Fonseca, V. Manual de Observação Psicomotora: Significação Psiconeurológica
dos Fatores Psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
EJA/2012. Disponível em: www.oacademico.com.br/cursos/index/id/2/Supletivos. Acessado em: fevereiro de 2013.

108

Formação corporal de professores da Educação Infantil: uma
abordagem psicomotora em educação continuada
Autor: Coelho M.T.Q.
Instituição: Universidade da Coruña/ES
Resumo: O estudo em questão constitui um recorte de investigação
de doutorado cuja proposta objetivou por em relevo a formação
corporal de professoras(es) da Educação Infantil focalizando a relação entre ampliação da consciência pelo movimento e qualificação
dos saberes e fazeres pedagógicos. Em tempos de modernidade
líquida, cujas práticas sociais encontram-se marcadas por noções
de atitude, flexibilidade, criatividade e produtividade, o presente estudo buscou problematizar a formação dos profissionais da educação desde uma abordagem de formação psicomotora com ênfase
sobre a ampliação da consciência corporal e a relação entre esta e
os imperativos sociais que convocam, sobretudo, as mulheres a
produzirem e consumirem práticas culturais cujos corpos espelham
dinâmicas sociais que repercutem sobre o trabalho com crianças
pequenas. Fundamentado em estudos sociológicos (Bauman, 2001),
estudos psicomotores (Lapiere e Aucouturier, 1987) e estudos sobre formação de professores (Nóvoa, 2010), analisou-se, previamente, as diretrizes curriculares de formação de professores que
evidenciaram desequilíbrio entre os eixos teórico, prático e pessoal
da formação profissional resultando pouca ou nenhuma atenção
sobre processos que vislumbram a ampliação da consciência corporal dos sujeitos da educação. Este recorte remete, portanto, aos
primeiros resultados do projeto piloto desenvolvido com um grupo de
12 professoras da rede municipal de Educação Infantil da região
serrana do Rio Grande do Sul, convidadas a participar do Programa
de Formação Corporal proposto por esta pesquisadora. O referido
Programa de Formação foi organizado em oito encontros vivenciais
de oito horas cada, totalizando sessenta e quatro horas de práticas
corporais alternativas. Entre jogos, exercícios físicos e momentos
de reflexão sobre consciência corporal o grupo de professoras
analisou suas formas de relação e comunicação com os mundos
interno e externo, refletindo, também, acerca suas influências sobre
a ação pedagógica com crianças na faixa dos zero aos seis anos de
idade. Mediante Termo de Consentimento, os oito encontros foram
registrados por meio de gravações em áudio e vídeo, bem como em
memoriais produzidos pelas participantes. As análises preliminares
deste estudo evidenciaram necessidades e potencialidades de um
enfoque corporal destinado ao eixo da formação pessoal de professores sob a abordagem psicomotora durante e ao longo das formações iniciais e continuadas dos profissionais da educação.
Palavras-chave: Formação Corporal, Abordagem Psicomotora, Educação Continuada
Educação psicomotora e os vínculos no espaco escolar
Autores: Souza MMM, Latini DM, Lima AA
Instituição: Convívio Núcleo Educacional
O espaço escolar é, por excelência, espaço de vivência em sociedade, onde todos os conflitos e questões humanas podem ser de
fato, vividos e resolvidos para garantir a nossa saúde mental. Nossa
experiência se baseia no trabalho desenvolvido, há treze anos, na
Escola Convívio. Uma escola inclusiva onde os princípios éticos e
estéticos são os norteadores das nossas ações psicomotoras. Neste
Congresso vamos nos ater ao tema "Vínculos em Psicomotricidade"
enfocando a importância do jogo livre e espontâneo na construção
dos vínculos afetivos. Objetivo: Compartilhar nossas experiências
psicomotoras vividas com as crianças da escola Convívio. Fundamentação teórica: Na escola Convívio existe um espaço de liberdade para os jogos e as brincadeiras espontâneas, onde a criança
pode manifestar seus conflitos e vivenciá-los simbolicamente evitando assim o surgimento de distúrbios emocionais, motores e de
comunicação. Trata-se de considerar e respeitar o corpo "inteiro",
"integrado". Segundo Cabral (2001, p.16) "É esse corpo que pode
tornar-se a sede de bloqueios ou de passagens ao ato, expressarse por instabilidade ou impulsividade, e prender-se em inibições ou
Trabalhos Científicos/Temas Livres - Setembro 3013 - pag. 1-144

Temas Livres / Apresentação oral

passividade, quando o sujeito não consegue elaborar seu vivido no
plano simbólico". Cada criança é compreendida e respeitada em suas
particularidades, ela pode exprimir suas fantasias e libertar suas
pulsões de vida, com permissividade e desculpabilização. Como
Lapierre (2002, p.18), "Tentamos instaurar entre nós e a criança, um
diálogo autêntico, (...), uma relação de pessoa a pessoa". Conclusão: Encontramos na educação psicomotora valiosa contribuição
para que a criança, reconhecendo sua autonomia afetiva e corporal,
valorize a qualidade das relações com as outras crianças e com os
adultos, aprendendo a lidar com o diferente, construindo vínculos e
vivenciando relações mais humanas e solidárias. A ação educativa
da escola Convívio ocorre num espaço de transformação e como
acreditou André Lapierre "Transformar a escola é quem sabe, em
longo prazo, transformar a sociedade". Essa é a nossa esperança!
Bibliografia: Cabral, Suzana Veloso. Psicomotricidade Relacional: prática clínica e escolar. Rio de Janeiro: Ed.Revinter, 2001. 350p.
Lapierre, André; Lapierre, Anne. O adulto diante da criança de 0 a 3 anos:
Psicomotricidade relacional e formação da personalidade. Curitiba: Ed. UFPR:
CIAR, 2002.

Programa de intervenção psicomotora em crianças na fase
inicial de alfabetização com dificuldade de aprendizagem
Autores: Almeida T.M.¹, Salgado C.A.², Ciasca S.M.³
¹ Mestranda em Ciências Médicas / FCM Unicamp, ² Psicomotricista,
Pós Doutora em Ciências Médicas / FCM Unicamp, ³ Professora Titular III da Faculdade de Ciências Médicas - FCM Unicamp.
Monografia de Conclusão de Curso do programa de Especialização em Psicomotricidade pela Faculdade de Ciências Médicas FCM Unicamp.
Ensinar e aprender são processos lentos, individuais e estruturados,
quando existem alterações entre eles surgem as dificuldades de
aprendizagem. As funções psicomotoras, neste contexto podem
proporcionar a aquisição de conhecimentos e habilidades necessárias de forma a auxiliar na aprendizagem. O presente estudo teve
como objetivo elaborar um programa de intervenção psicomotora em
crianças com dificuldade de aprendizagem no início da alfabetização. Participaram do estudo 3 crianças, entre 6 e 8 anos de idade
cronológica, de ambos os gêneros, do 1º e 2º ano do ensino fundamental de escola pública de ensino. Conforme encaminhamento do
professor, fomaram o grupo de pesquisa, e foram submetidas à
avaliação psicomotora, intervenção e reavaliação psicomotora. Para
as avaliações, foi utilizado o Exame Psicomotor (Oliveira, 2012), aplicadas individualmente, em sala disponibilizada pela a escola. As sessões foram divididas em 4 sessões de avaliação, 20 sessões de
intervenção e 4 sessões de reavaliação, totalizando 28 sessões. A
intervenção foi realizada em grupo, uma vez por semana, com duração de 50 minutos cada sessão, contendo atividades conforme as
funções psicomotoras descritas na avaliação: Tonicidade, Equilibração,
Esquema e imagem corporal, Lateralização (dominância lateral e
lateralidade), Estruturação espaço temporal. as três crianças, segundo os estágios do perfil do desenvolvimento psicomotor, relacionadas
no período da avaliação, apresentaram idade psicomotora inferior a
idade cronologica de cada um respectivamente, em todas as habilidades, apresentando maior dificuldade relacionadas à habilidade
psicomotora de Orientação temporal. Após o processo de intervenção
realizada em grupo, as três crianças apresentaram melhora no desempenho psicomotor, principalmente nas habilidades como
Lateralidade, Habilidade de Orientação Temporal e Orientação Espacial. Em relação ao indivíduo que apresentou melhor desempenho dentro
do programa de intervenção, encontramos o SI com a melhora em
coordenação e equilíbrio, esquema corporal e lateralidade, SIII em orientação temporal e espacial, já o SII mostrou melhora em coordenação, equilíbrio e orientação temporal. Com isso, podemos concluir que
após o programa de intervenção psicomotora, houve aquisição de
conceitos que auxiliam na alfabetização e aumento da idade motora,
entre os estágios IA e IIA, demonstrado melhora das habilidades
psicomotoras nas crianças com dificuldade de aprendizagem.
Palavras-chave: Neurociência, Psicomotricidade, Dificuldade de
aprendizagem, Programa de intervenção psicomotora
Trabalhos Científicos/Temas Livres - Setembro 2013 - pag. 1-144

Diálogo tônico em psicomotricidade relacional: a importância da maternagem e da afetividade nas intervenções com
uma criança de quatro anos
Autores: Anjos, TS; Moraes, RRA; Martins, SCA
Instituição: Centro Internacional de Análise Relacional (CIAR) / Faculdades de Administração, Ciências, Educação e Letras (FACEL)
Introdução: Relata um estudo de caso de um menino de quatro
anos de idade. As observações ocorreram durante o Estágio Supervisionado do Curso Especialização em Psicomotricidade Relacional.
Objetivos: evidenciar a importância da afetividade e da maternagem
no estabelecimento da relação tônica entre o psicomotricista e a
criança dentro do setting da Psicomotricidade Relacional. Fundamentação Teórica: A falta afetiva é inerente ao indivíduo que, após
o nascimento, é invadido por uma sensação profunda de perda e de
incompletude. Assim, ele tentará incansavelmente, encontrar no meio,
o prazer desse estado primitivo. Será com a mãe ou figura equivalente, que a criança terá seu primeiro contato com o mundo e com a
saciedade de seus desejos e necessidades. Não apenas das necessidades de cuidados essenciais, mas de suas necessidades
afetivas, sobretudo. A mãe imprime suas emoções sobre o corpo do
lactente por meio do seu tônus, e a criança, respondendo imediatamente, também transmite suas emoções por meio do seu corpo, num
ciclo contínuo. Segundo André Lapierre, a qualidade desta relação
tônica e afetiva com a mãe ou semelhante, possui influências futuras
sobre o comportamento e o desenvolvimento da criança. No setting
de Psicomotricidade Relacional, o indivíduo é capaz de encontrar
seus sentimentos mais primitivos e inconscientes. Através do jogo
simbólico e do acordo tônico implicado nas relações que ali se estabelecem, a pessoa ressignifica e passa a lidar melhor com esses
sentimentos. Resultados: Observamos que a criança esboçava
comportamento regressivo e possessivo em relação ao adulto, além
de apresentar uma acentuada lacuna afetiva, que se expressava
por meio da dependência afetiva ao adulto. Compreendemos a necessidade de investir em relações afetivas e de maternagem entre
esta criança e o adulto, como meio de promoção do diálogo tônico.
Deste modo, possibilitamos à criança experimentar vivências afetivas
importantes e ressignificar possíveis vivências corporais negativas,
suprindo parcialmente sua falta. Conclusões: Ressaltamos que foi
a partir da construção de uma relação tônica significativa, comunicativa e de prazer mútuo, que o adulto conferiu à criança a capacidade
de evoluir de uma fase mais regressiva para um processo de ganho
de autonomia e fortalecimento de sua identidade.
Bibliografia: Lapierre & Lapierre, 2002. Lapierre & Aucouturier, 2012. Lapierre &
Aucouturier, 1984. Sousa, 2004. Toledo, 2009. Vieira, Batista, Lapierre, 2005.
Yin, 2001.

Palavras-chave: Psicomotricidade relacional; diálogo-tônico;
afetividade; maternagem.
Afetividade: um estudo convergente entre a psicomotricidade
relacional e a anatomia das emoções
Autores: Braga RD de O, Braide ASG
Instituição: CIAR-Centro Internacional de Análise internacional /
FACEL-Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras
Introdução: Este artigo apresenta discussão sobre afetividade no
âmbito da Psicomotricidade Relacional. Relata-se uma experiência
de atendimento realizado durante vinte e oito sessões de
Psicomotricidade Relacional, com um grupo de doze crianças de 7 a
9 anos, de uma escola da Rede Pública Municipal de Ensino de Fortaleza. Objetivo: O estudo tem como objetivo investigar, a partir das
observações feitas no grupo atendido, pontos de convergência entre os conceitos da Psicomotricidade Relacional, criada por Lapierre
e da Anatomia das Emoções, proposta por Keleman. Fundamentação Teórica: Os autores, Lapierre(2002), Keleman (1992), Vieira,
Batista e Lapierre (2005), Damásio (2012), Fonseca (1995), Castro
(1998), abordam a relação corpo e mente, partindo da compreensão
da interação do fator orgânico com o fator social na evolução da
afetividade. Resultados: Intentou-se destacar que quando a influ109

Por meio das estimulações que foram dadas à descoberta pessoal e a criatividade. 116 p. A presente ação acontece através da parceria entre a extensão da universidade PUC Minas e o CRAS municipal. Supervisão técnica: Regina Favre.Coleção Papirus Debates. . Anne Lapierre. juventude e crise. Carneiro CF Instituição: Organização Educacional Farias Brito. social e afetivo. 1979. J. 2002. Herley. Porto Alegre: Artes Médicas. O Erro de Descarte: emoção. de Ana G. Rio de Janeiro : Guanabara. tradução de: Maria Ermantina G. c1987. (Pesquisa. Lapierre. com faixa etária de 5 anos. Psicomotricidade Relacional: A teoria de uma prática/ José Leopoldo vieira. Yin.]. visando discutir a Educação Psicomotora como prática preventiva para o desenvolvimento global e facilitadora na formação de vínculos. Le Bouch (1984) considera a educação psicomotora básica para o ensino infantil.. V. Emoção. (2011). Percebeu-se um avanço no estabelecimento de vínculos e na construção de relações de respeito e companheirismo entre o grupo. Lapierre. O brincar e a realidade. cognitivos e afetivos.el Galvão-São Paulo: Martins fontes. convergem principalmente na forma como o corpo se comunica.-São Paulo : EPU. Porto Alegre-RS. A evolução psicológica da criança/Henry Wallon. Estudo de caso Ciências sociais . Formação e Ética (7. Damásio . Mastrascusa. este trabalho trata do relato de experiência desenvolvida com um grupo de crianças da educação infantil. Damásio. Diferença sexual. 156). visto condicionar todas as aprendizagens pré-escolares e escolares. estimular o processo de aprendizagem e desenvolvimento psíquico e social.2007 Erikson. trad. TM Instituição: Universidade Federal do Pará .Planejamento. Anatomia. Universidade Federal do Paraná. Autores: Vieira KSAD. Wallon. ed. Educação psicomotora como prática preventiva e facilitadora na formação de vínculos.São Paulo: Companhia das Letras. O Método Aucouturier: fantasmas de ação e prática Psicomotora. A pesquisa foi desenvolvida com um grupos de 12 crianças. proposiçoes.2. Ivan. 1984. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento até seis anos. Velasco. A psicomotricidade vinculada à prática da dança com crianças Autor: Barbosa.São Paulo: Companhia das Letras. 2012. sugerido pela Psicomotricidade Relacional. Sánchez. Antonio R. Torres. novos registros afetivos se expressam por reações orgânicas além do comportamento da criança. Conclusões: Sendo a Psicomotricidade uma área de estudo que valoriza o individuo com seu corpo em movimento. André & Lapierre. que colaborou para a articulação entre o ensino. atual. ao longo de um semestre. tradução Dora Vicente.R. 166p. O adulto diante da criança de 0 a 3 anos: Psicomotricidade Relacional e formação da personalidade/ André lapierre e Anne Lapierre. da UFPR: CIAR. 2. Conclusão: Ao final do estudo. Resultados: O resultado alcançado foi o de promover um espaço lúdico e expressivo aos jovens facilitando a construção da própria identidade sexual.. favorecendo a consciência do corpo. Mehl. Fonseca L Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. tradução Laura Teixeira Motta . Bibliografia: Le Boulch. 2001. 2007. razão e o cérebro humano/ António R..G. Laura. consideramos que a Educação Psicomotora na educação infantil. Introdução às dificuldades de Aprendizagem.. mas também a expressividade psicomotora e lúdica do jovem.UFPA Introdução: A presente pesquisa é resultado do trabalho de conclusão do curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal do Pará.Método . SP: Idéias e Letras. 2011. este trabalho favoreceu a percepção dos jovens acerca do próprio corpo. Capelatto. um espaço para que possam vivenciar experiências lúdicas. Abordar as questões trazidas pelos adolescentes em relação ás vivências afetivas-sexuais requer dispositivos que envolvam não apenas a expressão oral. . proporcionando a criança viver principalmente o prazer do movimento e das relações por meio das atividades motoras espontâneas. O silencio da criança/Luiz Celso mastrascuza. Daniel Grassi . Estudo de caso: planejamento e métodos / Robert K. age e reage aos eventos da vida. André. a pesquisa e a extensão universitária. Valéria de. O ser emocional: vencendo barreiras e buscando qualidade de vida no trabalho e na família/ Valéria Castro . . foi possível observar melhor cada criança e ajudá-la evoluir em suas relações com o grupo de colegas e consigo mesma.br/~proposicoes/textos/42-dossie-cipollone. . com introdução de Émile Jalley. Georgina Segurado. 2010. pôde-se observar mudanças nas relações inter-grupais estendendo esse comportamento no âmbito educacional. P. 2. 1999. 1-144 . Winnicott DW. Erik H. Pereira. A Psicomotricidade na Educação Infantil: uma prática preventiva e educativa. tradução Cláudia Berliner. percebeu-se que conceitos da Psicomotricidade Relacional e da Anatomia das Emoções. Brincar: o despertar psicomotor..-Fortaleza: SBP. Onde analisei crianças de diferentes escolas e projetos Trabalhos Científicos/Temas Livres . Curitiba : Ed.ed Curitiba. 1998. 1ª ed..al. 1995.Curitiba: PR : Filosofart Editora. proporcionar às crianças. A construção da identidade sexual na adolescência e a expressividade pela via do corpo em movimento: a Psicomotricidade e suas contribuições Autores: Dalla ÉSF.3ª ed.Campinas . E o cérebro criou o Homem/Antonio R. . Iuri Capelatto . n. realizamos um trabalho de Educação Psicomotora onde ficaram definidos os seguintes objetivos: resgatar o brincar de maneira livre e espontânea. revisão técnica Izab WALLON. fe. Luiz Celso. Fortaleza-CE Considerando a importância da Psicomotricidade e compreendendo que o desenvolvimento humano esta atrelado aos fatores psicológicos.Aparecida. promo110 vendo o bem estar psicossocial dos jovens atendidos. Henry. 1. I. Nivaldo. pela via do corpo e do movimento.. 2012 . Brizolara. 2007.(Coleção Psicologia E Pedagogia. 569 p..A. Ed. 170p. 1996. Yin. -Porto Alegre : Bookman. Lapierre. Porto Alegre: Artmed. Keleman. em uma escola particular de Fortaleza/ CE. A Psicomotricidade favorece esse conjunto viabilizando. 2004. Afetividade. Da psicomotricidade relacional à análise corporal da relação/ André Lapierre. Bibliografia: Castro.(pesquisa:64). Curso de introdução à psicologia/Herley Mehl. Com base nessa concepção. De modo a entender o conjunto psicossocial do jovem foi usada a teoria de Erick Erickson.Rio de Janeiro: Ediouro. 2.pag. tradução Cláudia Berliner.Setembro 3013 . Fundamentação Teórica: Inspirados pelo enquadre apontado pelo Método Aucouturier e a importância dada pelo autor acerca da ludicidade e do jogo livre.São Paulo: summus. ilustrações: Vincent Perez]. Rio de Janeiro: Imago: 1975.I:1998: Fortaleza. ed. Editora. Fonseca. Martinez. com introdução de Émile Jalley. André. 1..PUC Arcos Introdução: O presente artigo relata sobre o trabalho de intervenção psicossocial á luz da Psicomotricidade com jovens em situação de vulnerabilidade social da cidade de Arcos/MG.(Coleção Psicologia E Pedagogia). Porto Alegre: Artes Médicas. A evolução psicológica da criança/Henry Wallon. Anne.ed. Stanley. Uma escuta psicanalítica na clínica psicomotora. Palavras-Chave: Psicomotricidade Relacional./ Organizado pelo Capítulo Cearense da Sociedade Brasileira de psicomotricidade. Rio de Janeiro: Sprint. a expressividade espontânea do indivíduo. No decorrer do processo de educação psicomotora.Curitiba: Ed. 2005. Damásio. favorece o desenvolvimento e a formação de vínculos. 1929. dimensão interpessoal e afetividade nos contextos educacionais para a infância.Curitiba: Ed. Anatomia emocional/ Stanley Keleman [tradução: Myrthes Suplicy Vieira. Maria Isabel Bellaguarda Batista. acessado em 13/05/13. revisão técnica Izabel Galvão-São Paulo: Martins fontes. Cipollone. Vieira. Penãlver. Damásio. B. Henry. [et. Vitor da. 1992. Bibliografia: Aucouturier. Antonio R. CE) Anais. Cacilda G. Letra e vida. 2003..XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual ência mútua ocorre por meio da comunicação tônica vivida no jogo simbólico.SP: Papirus 7 Mares. Editora Suliane. Ivan Capelatto. das sensações e da expressividade através da relação em grupo construída. . M.. 247p. Assim. José Leopoldo. 3 ed. Robert K. A simbologia do movimento: psicomotricidade e educação/ André Lapierre e Bernard Auncouturier.unicamp. A Equação da Afetividade: Como lidar com a raiva de crianças e adolescentes. Trad. PR : Filosofart. UFPR. Objetivos: Relatar as intervenções psicomotoras através da prática lúdica. In: Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Psicomotricidade de Fato e de Direito. a promoção de práticas e dinâmicas que viabilizem a expressividade do jovem pela via lúdica favorece e permite o seu desenvolvimento e suas construções envolvendo a descoberta da própria identidade sexual. Disponível em: www. Identidade.2ª ed.

Para Levin (2003). sociais e culturais. A criança comunica seu desejo através da fala. Objetivo: Trabalhar aspectos da clínica Psicomotora sua interface com a clínica fonoaudiológica. A criança nascida prematura. flexibilidade. Porto Alegre: Artes Médicas. um melhor desenvolvimento psicomotor. 1982. O material analisado foi de um grupo de 24 crianças que freqüentam a instituição. 211-219. interação com as brincadeiras confrontando as perdas: familiar.Temas Livres / Apresentação oral sociais da área da dança e atentei que as crianças. a não diferença. Paulo. 15 a família trabalha o dia todo. descobre o prazer do movimento que a impulsiona para ação. Conclusões: Ao término dos laboratórios práticos pude perceber que as crianças foram gradativamente tomando consciência do seu corpo e tornando-se mais atentas. brincar constituindo um corpo de análise de 72 itens. respeitando o fato de que cada indivíduo tem seu modo de se movimentar formado pela experiência de descobrir o corpo e o meio. Rudolf. mas. Resultados: A pesquisa resultou no desdobramento prático com crianças na faixa etária de 8 a 11 anos. criativas e dispostas a novas descobertas. percepção. Bofi TC. v. na maioria das vezes. LABAN.A. Que características possuem esses liames criativos? Nas ultimas décadas. sendo 12 de cada sexo. Reflexões sobre Laban. Psicomotricidade: corpo. Para Lapierre & Aucouturier (1988). parece exigir abordar e legitimar. emocional. Para a coleta de dados foram utilizados testes das áreas avaliadas. as crianças estão no processo de descobertas do corpo e o meio. assim penso que durante a prática da dança os educadores deveriam dar espaço para que as crianças tenham liberdade de explorar e descobrir o seu corpo.. Ribeiro A Instituição: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FCT/UNESP) Introdução: A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como prematuro ou pré-termo. e que vale-se de exercícios de coordenação. linguística e corporal.46. prevenindo ou auxiliando 111 . ação e emoção / 4 ed.33. o neonato com menos de 37 semanas de gestação. Fátima. intelectuais e mentais de crianças com histórico de prematuridade. expressa por um emaranhado de vínculos em curso fluido e sensível. construção e prazer no espaço de comunicação. que nos ultrapassa. J. São Paulo: Summus.9 milhões de nascimentos. perfil psicomotor. visto que a psicomotricidade caracteriza-se pela relação entre o corpo em movimento e a organização das emoções. relacionar com o mundo através da linguagem corporal. tradução e transmissão de Vida. do olhar e do uso de gestos. tempo e fluência . haja vista que a pessoa desvela-se como integrante do macro biodiversidade virtual. conscientização e equilíbrio do corpo pude vincular essas atividades aos quatro fatores do esforço do movimento . da ação-viva do homem. Conclusão: As crianças demonstram alterações interpessoais. E. Prutting. 2002. C. Aucouturier. Foram analisadas: funções de linguagem oral e corporal. desenvolvendo a percepção dos sentidos e tomando consciência do seu corpo. Mommenshon. Objetivos: a) Encontrar vínculos na psicomotricidade que possam auxiliar o ensino-aprendizagem da dança para crianças. 1988. Palavras-chave: Linguagem. Sigman. Bibliografia: Alves. Vinculo Trabalhos Científicos/Temas Livres . a inclusão no simbólico. com isso. Levin. v. porém também é reflexo. pensar no crescimento pleno oriundo de um diálogo psicomotor e frente um cenário social instável. de natureza descritiva. e mais afeita à busca pela capacidade de criar e recriar a dança no corpo.Maria e Petrella. que o nutrem enquanto indivíduo. este parece ser circunstância da Vida. destes. pois incorpora também uma Natureza abrangente em formas e forças. Neste sentido. Speech Hear. a não legalidade. em certa medida. ajustam sua fala à fala da criança com o intuito de facilitar a comunicação. Rio de Janeiro: Vozes. em termos qualitativos quando comparada a crianças nascidas a termo. O presente artigo investiga que condições vinculativas e criativas possíveis anunciam um desenvolvimento pleno do indivíduo. Pela linguagem esta reação tônica transforma-se em gestos de linguagem. Dança Educativa Moderna. Humano. 2003. controle e versatilidade rítmica. a criança ao se lançar no espaço físico se abre para a comunicação com o outro. São Paulo: Ícone. Método: Estudo clínico qualitativo. Rio de Janeiro:Wlak. Washington. a linguagem do corpo é a pura ação. o brincar para estimular a imaginação. pode apresentar desvios no padrão de desenvolvimento psicomotor. princípios clínicos que permeiam a ação corpo/linguagem.FUNEC Introdução: A aquisição da linguagem é imprescindível para a compreensão e transmissão de valores pessoais. espaço. a livre exploração do movimento corporal. no entanto. mostra que durante a interação social. 2006. sobre exercícios psicomotores voltados para a locomoção. tendo. gravador.pag. pois atua na integração das funções motoras. B. Scarin S. A. em 2005 cerca de 9. Referencial Teórico: Sigman. Criatividade. por não ter atingido a maturidade funcional e estrutural dos órgãos e tecidos.6% dos nascimentos em todo o mundo foram prematuros. Os contrastes. sem precedente. que não queria o ensino de uma técnica de dança "fechada". Corpo e Psiquismo Bibliografia: Lapierre. desenhos e máquina fotográfica. sim. O Mestre do movimento.peso. levando em consideração esse nível de afetação.Setembro 2013 . a atuação da psicomotricidade é de extrema importância nessa população. entre seis e vinte quatro meses de idade. p. Developmentof their children´s communication. b) Propor que durante as aulas de dança as crianças tenham espaço para se expressar explorando novas possibilidades de movimentação. Vínculo criativo: processos psicomotores para um crescimento pleno Autor: Ataíde AO Instituição: Universidade da Amazônia Resumo: O contexto psicomotor suscita Movimento. aquece e esfria promovendo atenção a favor de um crescimento significativo. relacional. a criança consolida sua competência comunicativa. 1-144 EIXO C: CLINICA PSICOMOTORA Aspectos clínicos da ação corpo/linguagem de um grupo de crianças de 8 a 32 meses de uma creche do leste mineiro Autor: Gomes MA Instituição: Escola Professor Jairo Grossi . o que traduz cerca de 12. O corpo e mente da pessoa em graça simultânea e rítmica. de diversos cenários.fundamentadas em imitação e repetição -. Fundamentação Teórica: Com base nos estudos da psicomotricista Fátima Alves. Segundo essa organização. Carvalho AC. Pramatic as Social Competence. 1990. como numa dança coreografada pela própria Vida. Além da aprendizagem fonológica e sintática aprende normas sociais que regem a interação com o parceiro comunicativo. o Ser humano na sua ilustre natureza autêntica e criativa em dialogo com o Universo e Sua corrente de Forças. Prutting (2002). comunicativas e psicomotoras. Sperry e Symons (2002). relataram que os pais são os primeiros parceiros comunicativos. ao iniciar a prática da dança adentram em técnicas mais "fechadas" . 2008. A Clínica Psicomotora: o corpo na linguagem. Evidencia a necessidade de promover a expressão criativa. New York. ágeis. Sperry E Symons. Palavras-chave: Corpo.desenvolvidos pelo coreógrafo e pesquisador do movimento Rudolf Laban. Desenvolvimento psicomotor de crianças com histórico de prematuridade Autores: Oliveira NG.

fazendo-se necessário uma intervenção multi/transdisciplinar. promovendo sua adaptação nas AVDs e na escola. Psicomotricidade relacional . Niterói. Neste trabalho afirmamos a psicomotricidade enquanto esta clinica cuja ética é trágica e cujo lócus é utópico e por isso ponto de encontro entre os saberes saúde e educação. principalmente na escola Estação do Aprender. Enquanto acontecimento se propõe em um não lugar (u-topos). Resultado: 13 anos de permanecia em instituições ditas educacionais. mas um acontecimento. Um estudo das configurações familiares a partir da psicomotricidade sistemica Autores: Prista R M. Resultados: Participaram do estudo 3 crianças (1 do sexo masculino e 2 do sexo feminino) com idade cronológica média de 74 meses. jogar. Neto. Vozes. Onde a vida acontece. de forma contínua ou recorrente. Oliveira. organização temporal/ linguagem (IM6) e lateralidade. 2001. subjetiva e complexa. Rio de Janeiro. Para embasar nosso pensamento iremos pensar a palavra clinica a partir do termo epicurista clinamen. Jung.G. Jung) pertinentes a Psicomotricidade Sistêmica na forma como organiza a evolução socioantropológica do Homem. e no âmbito institucional. Acta Paul Enferm. É uma experiência individual. 2009. junto ao Grupo Movimento de Psicomotricidade. V. 2009. O tratamento da dor abrange aspectos biológicos. 3. 2010. C. Sendo assim não pertence à saúde. Objetivo: Fazer Trabalhos Científicos/Temas Livres . 2002. Prista. Complexidade. A clínica enquanto um não lugar acontece para além de um lugar fechado de um setting. C. Autista fala e pensa. Clinica aqui será compreendida como um instante relacional criador. O ponto em comum é a própria clinica. Wallon. & Manoel. Fundamentação teórica: Oliveira et. Felismar. 1979. Mahler. (1976) Nietzsche e a Filosofia. Objetivo: Avaliar o desenvolvimento psicomotor de crianças prematuras e classificá-las utilizando a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM). Bibliografia: Deleuze. n. o que demonstra atraso médio de 19 meses. P. normalmente não existe uma prática de atendimento especializado. Oferecer aos interessados na área.. dançar . psicológicos. potencial ou descrita como tal. Rio de Janeiro: ed. O processo de separação e individuação. M.Setembro 3013 . Rosa M. A análise mostrou que a aprendizagem do autista depende da forma intencional como me dirijo ao outro e mostra a descontinuidade entre o movimento dos pais neste contexto. Neste sentido a clinica está na arte de afirmar a própria vida. A clinica psicomotora um lugar utópico . Bibliografia: Aulagnier. All Print. Aulagnier. M. Petrópolis: Ed. M. podemos inferir que a atuação psicomotora favorece o desenvolvimento psicomotor dessas crianças. define dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável. Classificou-se o desenvolvimento da população estudada como normal baixo para as duas crianças do sexo feminino e muito inferior para a criança do sexo masculino. Um ponto que se propõe aqui em comum e que distorce a ideia de oposição de saberes ou de poderes. A Clínica utópica acontece no instante de um encontro. Edição Histórica. sendo de difícil diagnóstico e tratamento. a importância de se formar profissionais que possam atuar na área. __________.Tese de mestrado. EE Introdução: A Sociedade Internacional para o Estudo da Dor. A Violência da Interpretação. KF. Fundamentar a importância da psicomotricidade enquanto proposta potencializadora de vida e não como lugar de poder entre os saberes. Anotações do enfermeiro no acompanhamento do crescimento e desenvolvimentoinfantil. Les origines du caractère.Deficiência mental ao Espelho. motricidade global (IM2). pg. que avalia as áreas: motricidade fina (IM1). (org)Formações em Psicomotricidade. Cadette. equilíbrio (IM3). Porto Alegre: Ábaco. 2002). Departamento de Psicologia UFF. Estudos vêm buscando uma melhor compreensão acerca dos mecanismos da dor. Tem permitido encontrar caminhos que facilitem a mudança paradigmática sobre a questão. Sendo assim este instante se dá no acontecimento. Souza. material teórico e prático de uma psicomotricidade imbuída da vida e não de disputas de poder. Além disso. Minas Gerais: Savassi. Revinter. Tem como objetivo discutir a aprendizagem e o desenvolvimento destas pessoas nas relações estabelecidas com os adultos responsáveis pela maternagem e paternagem. por seu caráter muldimensional. ato de desvio dos corpos. organização espacial (IM5). Bibliografia: Cabral. H. 2001). Rozaes J Instituição: Centro de Estudos da Criança do Rio de Janeiro Laboratório do Movimento . Motricidade Humana e Fisioterapia. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FCT. 301-6. Instituição onde o trabalho foi realizado: Escola Estação do Aprender Resumo: O presente texto pretende colocar em questão a interface entre Saúde e educação. onde os corpos em relação sofrem um desvio. Olivetti P. Este trabalho foca um recorte nesta pesquisa e desenvolve discussões sobre a dinâmica das configurações familiares e nas estratégias de mediações que facilitam ou empobrecem a aprendizagem e consequentemente o desenvolvimento do autista e dos membros familiares. Intencionalidade e Inteligência.pag. 2001. utilizando-se como instrumento de avaliação a EDM (Rosa Neto. 1949. Dor crônica é aquela que persiste. v: 22. Conclusão: Os achados desse estudo reiteram a possibilidade de que crianças com histórico de prematuridade possam apresentar atraso psicomotor na idade escolar. al (2009). assim como ditas clinicas apostando numa prática 112 onde a prioridade é afirmar o instante relacional criador. para evitar que os fatores de risco transformem-se em problemas nas AVDs e aprendizagem escolar. sociais e culturais. tomando como exemplo prático o trabalho realizado por mim desde 2000 nas Escolas. Fabre A. Rio de Janeiro: Editora Rio. Poucos são os profissionais com conhecimento sobre avaliação e terapêutica da dor. no tratamento da dor. 2004. Dois aspectos foram chaves: a interação e as estratégias da mãe e do pai em ajudar o filho a brincar. das dimensões da experiência dolorosa e do tratamento mais adequado. Pode se dar tanto em um espaço dito de educação como de saúde. a idade motora geral (IMG) média do grupo foi de 57 meses. F. Desenvolvimento da Personalidade. Os pais assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Paris: PUF. associada à lesão tecidual presente. Rio de Janeiro: CEC. All Print. demonstraram em seu estudo a importância de acompanhar o desenvolvimento de crianças com histórico de prematuridade. Trágica porque afirma na vida até a morte. Porto Alegre: Artmed. R. Os encontros foram gravados em vídeos e analisados posteriormente. 1982. Iniciou uma série de pesquisas bibliográficas (Wallon.Prática clínica e escolar.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual nas dificuldades em suas atividades de vida diária (AVDs) e aprendizagem escolar (Cabral. As avaliações foram realizadas no "Laboratório de Psicomotricidade (LAPS) da FCT-UNESP. Conclusão: Podemos concluir a fundamental existência da clinica psicomotora utópica cuja ética é trágica para contribuir numa práxis relacional focada na vida afirmativa. Rosa M. 1-144 . Revista Mosaico. Dor crônica: perspectivas do atendimento transdisciplinar Autor: Kajihara. Manual de Avaliação Motora. um desvio constituidor de novas possibilidades. A pesquisa foi realizada com dez famílias com crianças entre dois e sete anos em clinica psicomotora familiar e teve a mediação como unidade de analise em espaço de livre expressão tendo como meta "brincar". Prista. Clinica aqui será entendida não como um espaço físico ou um lugar de saber da área da saúde. S. Segundo a avaliação por meio da EDM. A descontinuidade entre o movimento dos pais e do filho mostra rupturas e aponta para caminhos clínicos no tecer da configuração familiar. esquema corporal/rapidez (IM4). Mahler. Objetivo: Colocar a pensar a psicomotricidade enquanto clinica. Para entender a ética trágica o termo grego ethos e o termo trágico a partir de Nietzsche.onde saúde e educação se encontram porque se fazem trágicas Autor: Souza.LAPEM-UCB O artigo retrata o primeiro estudo científico desenvolvido pela Escola de Autistas que é um programa de desenvolvimento da aprendizagem e desenvolvimento do CEC – Centro de Estudos da Criança..Humor trágico: um ethos clínico.UNESP. Daí. K ( 2006) Rir .

2002. Sousa DC Local: Instituto da Primeira Infância – IPREDE Resumo: Este trabalho demonstra uma pesquisa com criança diagnosticada com a síndrome de Artrogripose. ocupando um novo espaço. demonstrar a ressignificação da imagem corporal na terapia psicomotora e reafirmar a capacidade de ressignificação do vivido através do jogo livre. através de suas práticas corporais de impressão e de expressão. impondo-se limites. Cabral.de. Bibliografia: Ajuriaguerra. Rio de Janeiro: Revinter. os objetivos desta pesquisa fundamentam-se na questão: Como ressignificar a imagem corporal mediante a terapia psicomotora? Objetivou-se. Dutra (2004). e uma nova imagem. para lidar com um corpo em sofrimento.Setembro 2013 . para designar atos ou atitudes que visam prejudicar o outro de forma física ou moral. salienta que nas últimas décadas. sociais e econômicos. 2011. A criança é seu corpo. Psicomotricidade relacional: prática clínica e escolar. com agravantes psicológicos. A criança evolui a partir da conscientização e conhecimento do seu corpo. Objetivos: O presente trabalho pretende abordar o tema da agressividade infantil na idade pré-escolar sob a perspectiva teórica da Psicomotricidade Relacional e da Neurociência. Fonseca (1995). Levin (2007) e outros. música e aulas de dança) e uma crescente intolerância para tudo o que se relacione à agressividade. A Síndrome de Artrogripose apresenta rigidez articular que ocorre. 1-144 Ressignificação da imagem corporal: estudo de caso com uma criança desnutrida Autor: Carvalho FST O estudo tem por finalidade abordar o tema da imagem corporal como reflexo do desenvolvimento da psicomotricidade. não se consegue ter a noção de si. Rocha SMK. buscando o nível dos símbolos. Suzana. Em todos os setores se busca uma melhor compreensão para saber lidar com a manifestação deste comportamento nas crianças. Ciências. Almeida. A dor não tratada adequadamente dificulta a recuperação. Lapierre (2002) percebe a agressividade de um outro ponto de vista. 2011). Entendendo a psicomotricidade como procedimento terapêutico. adotou-se a terapia psicomotora para tratamento da criança. traz consigo um vasto arsenal terapêutico. Manual de Psiquiatria Infantil. o do distanciamento. A realização desta pesquisa. tem papel importante a desempenhar. com a possibilidade de expressão da dor. 2001). Universidade de São Paulo. afetividade. com o tônus de um corpo contraído pela dor. como parte na clínica da dor. em flexão e pode comprometer várias articulações. A fundamentação teórica relativa à psicomotricidade sedimenta-se nas ideias e concepções de Wallon (1925). Faculdade de Medicina da USP. Educação e Letras (FACEL) Introdução: A agressividade infantil é assunto bastante presente dentro da família. III Programa de Educação Continuada em Fisiopatologia e Terapêutica da dor. Terapia psicomotora na formação de vínculos e estruturação da imagem corporal de criança com síndrome de Artrogripos Autores: Campos MHCF. 2001. Conclui-se. fundamentação em Murahovach (1998). Agressividade infantil na idade pré-escolar: considerações da Psicomotricidade Relacional e da Neurociência. profissionais de diferentes áreas vem desenvolvendo trabalhos junto à "equipe da dor". 2001). com a transformação que se alcança pelo auto conhecimento advindo da (re)vivência de novas perspectivas do corpo. ressaltando sua importância a partir dos transtornos da percepção da imagem do corpo de uma criança desnutrida. de modo condensado e deslocado no simbolismo lúdico (Cabral. das escolas e da sociedade. p. mediada pela associação dos elementos cada vez mais coordenados e complexos. comprometimento dos membros inferiores.201. com a reconstrução de uma imagem distorcida. um meio pela qual a criança se afirma na relação com o mundo. mediante a abordagem do corpo e do movimento com vistas a redimensionar os vínculos e estratégias relacionais do indivíduo. 2012. cognitivos e psicomotores do ser enquanto ser. é a falha na formação de profissionais que atuam na área. no jogo livre. Autor: Bellaguarda APC Instituição: Centro Internacional de Análise Relacional (CIAR) / Faculdades de Administração. há que se desenvolver programas de educação continuada que envolvam um aprofundamento acerca das questões voltadas para a dor. como uma pulsão de vida. com o equilíbrio na reconquista do prazer. em suas diferentes formas. A Psicomotricidade. Conclusão: Palavras-Chave: Agressividade infantil. J. Trabalhos Científicos/Temas Livres . Sousa (2007). de outras e de estudos sobre o tema psicomotricidade tem sua relevância no sentido de afirmá-la como ciência e como instrumento expressivo e terapêutico da ressignificação da imagem corporal do sujeito. é por meio deste que elabora as suas experiências vitais e organiza a sua personalidade. a partir da ilustração de um caso. 2012. psicomotricidade relacional e neurociência. O sujeito da pesquisa foi descrito considerando-se suas características etioló113 . A psicomotricidade utiliza-se do simbolismo do jogo para promover o desenvolvimento mais harmonioso das crianças que a vivenciam e sua intervenção terapêutica. a da dor e desconforto.pag. Smith (1998). para permitir maior consciência do que foi expresso. A frequência da agressividade aumenta com a idade ao longo dos primeiros três a quatro anos após o nascimento (Tremblay. Ajuriaguerra (1983) coloca que a imagem de si se constrói igual à forma que as demais estruturas mentais. inteligência e a relação do vínculo materno. Resultados: Um dos fatores que comprometem o adequado manejo da dor. Fundamentação Teórica: A dor crônica provoca grande impacto. Peellis (2012). No entanto. Os objetivos da intervenção visam estimular a relação afetiva materna e reestruturar sua imagem corporal. Oferecendo as crianças à possibilidade de elabora-se sobre o vivido. 1983. esportes.Constatou-se que. mediante a sua identidade. no tratamento da dor crônica. prejudicando o atendimento desse contingente. São Paulo: Masson do Brasil Ltda. A agressividade infantil é um dos problemas enfrentados em creches e a razão principal por que as crianças pré-escolares com dificuldades de comportamento são encaminhados para ajuda clínica. Para tanto. ressignificar suas relações e imagem de seu corpo.O desenho da figura humana revela etapas maturativas de acordo com o modo em que o esquema do corpo é representado graficamente. dificuldades de relacionamento com a mãe e aceitação de sua imagem corporal. Corpo e movimento vão se aprisionando. no campo da neurociência. Daí a importância do contato corporal e do afeto nas relações com o outro que assim outorga a possibilidade de construir um esquema e uma imagem corporal. Conclusão: A Psicomotricidade. É um instrumento interessante para a avaliação da criança (Cabral. Fundamentação Teórica: Almeida (2012) salienta que o termo agressividade é utilizado no contexto social muitas vezes com uma conotação negativa. para responder a esta questão. Bibliografia: São Paulo. a oportunidade das crianças para brincar livremente foi modificada ao longo do tempo para brincadeiras cada vez mais estruturadas (e.x. a proposta e resultados da intervenção psicomotora relacional sobre a agressividade como uma ferramenta inovadora e eficaz sobre o desenvolvimento positivo da agressividade infantil.Temas Livres / Apresentação oral uma reflexão acerca das contribuições da Psicomotricidade. bem como apresentar. As intervenções priorizam a qualidade de vida na infância uma vez que relativizam a motricidade. Para além do tratamento medicamentoso. geralmente. Tremblay. Sem a representação mental ou física do próprio corpo. Equipe de Controle da Dor da Divisão de Anestesia do Instituto Central do HCFMUSP. Diante do exposto. Bibliografia: Peelis. comprometendo a qualidade de vida das pessoas. a criança teve oportunidade de expressar. Lapierre. Limita e incapacita. que a psicomotricidade se constitui uma ciência que promove a mediação entre as aprendizagens e seus domínios afetivos. A psicomotricidade ofereceu subsídios para a compreensão da imagem corporal. atitudes inovadoras.

Martins Fontes editora. Fundamentação Teórica: Temos como base e filosofia a Transpsicomotricidade Educacional e Clínica e influências do método D. Nas áreas em que não houve evolução na idade motora. Rodrigues GM.São Paulo . Nosso objetivo é fazer com que a criança entre em contato com diversas emoções e ideias construindo a capacidade de olhar para o mundo utilizando-se de diversas lentes. Conclui-se que a terapia psicomotora propicia o fortalecimento dos vínculos e estimulação da imagem corporal em criança com Síndrome de Artrogripose. A socialização minimiza processos competitivos.Morin. reduzindo a agressividade. Nos atendimentos se trabalhou a relação dos vínculos maternos.De Feto à Criança .Setembro 3013 . H. Porto Alegre: Artmed.Editorial Presença.O Mundo interpessoal do Bebê . a compreensão de si e do mundo. logo. haja vistas que após um ano de trabalho individual foi possível inseri-la em grupo. Os resultados demonstraram que ambas as crianças obtiveram melhora na organização espacial.R. Almeida MVA.. 2008. 2008).São Paulo. Conclusão: Através da análise dos resultados. Bibliografia: .PSICOMOTRICIDADE AQUÁTICA Psicomotricidade aquática e o desenvolvimento psicomotor de crianças com Síndrome de Down: relato de dois casos Autores: Scarin SRF*. É Composta por uma bateria de testes em que a criança é orientada a realizar e varia de acordo com a idade cronológica da criança. uma vez por semana. Manual de Avaliação Motora. as crianças realizaram as tarefas com melhor desempenho. mediante o estudo de caso. Rocha J Instituição: Crescendo – Centro Integrado de Desenvolvimento Infantil Introdução: O presente resumo visa apresentar o trabalho realizado no Crescendo desde Abril de 2011.palla Atenas editora. FR.Campus de Presidente Prudente-SP Introdução: Os indivíduos com Síndrome de Down (SD) apresentam certos traços típicos que justificam o atraso no desenvolvimento das funções motoras do corpo e da mente. DF: UNESCO. Edgard. . Objetivos: Potencializar o desenvolvimento funcional da criança através do desabrochar das competências sociais. Maturana.Zoller.I. D. Gerda 2004. Carvalho CB. oferecemos um espaço de expressão onde as relações. entrevista com a família e profissionais da Instituição.Amar e Brincar-S. Stern. Os resultados revelam evolução da criança. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. Conclusões: O Crescendo promove um espaço lúdico.2002. pois permite a possibilidade de trabalhar em três dimensões. 2009. Winnicott. linguagem corporal e verbal fortalece as trocas sociais. Com um olhar poliocular acompanhamos a criança nas suas expressões espontâneas num espaço de segurança. 1992 . Resultados: Participaram do estudo duas crianças de ambos os sexos de nove anos de idade com Síndrome de Down. Objetivamos trabalhar com o desenvolvimento infantil a partir de uma perspectiva integrada. consigo e com o outro permitam a harmonia das comunicações. propiciando o desabrochar das potencialidades da criança. a abordagem psicomotora se revela importante à intervenção em crianças com diagnóstico similar. e em outras áreas individualmente. A água promove uma reaprendizagem postural e motora. tratamento e intervenções. Através de vivências múltiplas integrando a música. com evolução de 12 meses. Barueri: Manole. ed. proposta por Rosa Neto (2002). A interação das pessoas com síndrome de down em Atividades na água. Como instrumento de avaliação utilizou-se a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM).A Criança e o seu Desenvlvimento. interativo e expressivo que acompanha e respeita a complexidade do desenvolvimento infantil e possibilita a liberdade de ser e fazer em busca de sensibilizar os vínculos afetivos. Boffi TC. Brasília.um estudo observacional e psicanalítico . 1-144 .Imago editora. Carvalho AC Instituição: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FCT/UNESP) .RJ . que lhe assegurasse confiança. Bibliografia: Filho PG. Neto. As sessões diante do espelho tiveram como finalidade propiciar melhor estruturação da imagem corporal.pag.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual gicas. Piontelli. A análise das informações pelo prontuário da criança. Contre M.R. emocionais e intelectuais. na interação com o ambiente e déficit de sensações e vivências. 114 Trabalhos Científicos/Temas Livres .D.Artmed. arte e psicomotricidade. durante um ano. Resultados: O desabrochar de uma comunicação empática através de gestos. a afetividade de modo que a criança. estabelecendo a cooperação com os adultos e com as outras crianças./ Floortime. 2003. atendidas no Laboratório de Atividades LúdicoRecreativas-LAR da FCT/UNESP duas vezes por semana. A interação com os outros de forma espontânea propicia o desenvolvimento da autoconfiança. EIXO: E .W. Objetivo: O trabalho objetiva avaliar a influência da psicomotricidade aquática no desenvolvimento psicomotor de crianças com SD.Verden-. 1999 .Cortez. contribuindo para o desenvolvimento psicomotor das crianças envolvidas. A brincadeira espontânea permite que a criança expresse o seu desejo crescendo saudável e feliz.Paulo. A metodologia segue as diretrizes da abordagem qualitativa. prognóstico.POA . 2000-Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro 3a. Fundamentação teórica: A SD é uma condição genética reconhecida há mais de um século e considerada uma das mais freqüentes anomalias numéricas dos cromossomos autossômicos (Carvalho et al. em interação com o corpo da psicomotricista. concluiu-se que a atividade aquática é um importante recurso que proporciona liberdade motora e melhora do estado emocional e psíquico. A psicomotricidade aquática proporciona o inter-relacionamento entre o prazer e a técnica. que avalia áreas do desenvolvimento psicomotor. otimizando suas habilidades motoras e promovendo seu desenvolvimento. A Psicomotricidade relacional em meio aquático. O atraso mental e hipotonia característicos dessas crianças interferem nas aquisições do desenvolvimento motor de suas habilidades. Stanley. tendo como suporte o método clínico. utilizando-se procedimentos psicomotores diversos. EIXO D: PROFILAXIA PSICOMOTORA Um olhar transpsicomotor para o desenvolvimento infantil Autores: Pinheiro F. Greenspan. através de procedimentos pedagógicos criativos que facultem comportamentos inteligentes de interação entre o indivíduo com o meio líquido visando o seu desenvolvimento (Filho 2003). Não há dúvidas de que a intervenção psicomotora aquática proporciona experiências variadas possibilitando a interação do indivíduo com o ambiente de forma significativa. obtivesse melhor desempenho. Oliveira NG. Silva CAB. A 1995 . sobretudo para portadores de SD. totalizando 30 sessões. As sessões de 45 minutos.Os Bebês e suas Mães .

As. As. 1996. 1992 Wallon.Riviere. Nueva Visión Bs.. Cerutti. cuando sobrevienen situaciones de riesgo o dificultades en edades tempranas.pag. Marco Conceptual: Concibiendo el desarrollo como un proceso integral y multidimensional. Escuela Universitaria de Tecnología Médica. H. D. seguimiento).As. Nueva Visión. La evolución psicológica del niño. abordajes clínicos e inserción institucional. Editorial Crítica. contextos (internación. Montevideo. España. H. en centros de salud de distintos niveles de atención: Servicio de Recién Nacidos y Pediatría "C" del Hospital Pereira Rossell y Programa de Seguimiento de Recién Nacidos de Riesgo (Unidad Pereira Rossell y Unión). ubicación (hospital. Cinco. Rebellato. Resiliencia. J. Ed. 2002.W. Argentina. y otros. Área: Clínica del Lactante (0 a 24 meses) Introduccion: La materia Clínica del lactante se cursa en 4º año de la Licenciatura desde 1988. juego y aprendizaje. AULA Montevideo. Mila J Instituição: Universidad de la Republica. As. Bs. E. los factores de riesgo y las alteraciones. Antropología del cuerpo y Modernidad Ed. 1999. La constitución de los equipos. Matrices del Aprendizaje. La práctica se realiza siguiendo el desarrollo de la disciplina y abriendo nuevos campos de acción. el dolor de la familia. Plan CAIF INAU. Uruguay 2001. Montevideo. Argentina. lo abordamos fundamentalmente a través de la madre. Constitución del sujeto en el Proceso de Conocimiento. tomando en cuenta su lugar en la familia y la significación de la dificultad para elaborar un proyecto de trabajo singular. Ojeda Suarez. Paidos Bs. José Luis Ética de la liberación Ed. Sanguinetti E. Los Orígenes del Carácter. Editorial Laia. Esto implica valorar al niño en todas sus dimensiones. Objetivo: . requiriendo en algunos casos ser abordado en otras instancias de formación Bibliografia: Cerutti. comunidad) inciden en el encuadre de trabajo y en nuestro rol. Siempre revalorizamos a la familia como pilar fundamental en el desarrollo del niño. necesidades. A. A. Facultad de Medicina. Ana. Argentina. requiriendo algún tipo de intervención. promoviendo interacciones que provean espacio y experiencias de movimiento. Argentina.Comunidad. Licenciatura de Psicomotricidad. y Cols. Uruguay 2008 Wallon. Le Breton. La escala de desarrollo del Instituto Pikler (Lóczy) Ediciones Ariana -Fundari . Ed. D. A. Grajales M. Los estudiantes toman a su cargo un lactante en dificultad supervisados por el docente.Temas Livres / Apresentação oral EIXO F: FORMACIÓN DE PSICOMOTRICISTAS Formación universitaria de grado de psicomotricistas en clínica del lactante La importancia de los vínculos reales en la construcción del sujeto Autores: Bueno F. adecuadas al niño.. E. La observación clínica es la herramienta privilegiada y el trabajo en interdisciplina imprescindible. Ed. Pichón. " Un lugar para crecer y aprender jugando". La formación teórica y práctica busca que el estudiante comprenda el desarrollo normal. Introducción al pensamiento complejo . Bs. Desarrollo y familia el niño de 0 a 5 años Ed. As. conecta al estudiante con aspectos de la historia de su propio cuerpo. Nueva Vision Bs. 1-144 115 . descubriendo las propias fortalezas. España. Gedisa ( 2007 ) Barcelona Pampliega de Quiroga. la familia y la situación que atraviesan. Mirar al niño.Promover el intercambio.Presentar la asignatura: sustento teórico. E. 2001 Morin. Melillo. 1984 Winnicott. consulta. a través de instancias diagnósticas y acciones preventivas o terapéuticas según sea necesario. Teoría del Vínculo. Ed.Setembro 2013 . Considerando al bebé inseparable de su entorno inmediato familiar y social. El contacto con la fragilidad de los bebes. 1997. Argentina . . El proceso de maduración en el niño. 1981 Trabalhos Científicos/Temas Livres . Uturbey N. Uruguay 1998. Ed. el desarrollo psicomotor y el proceso de construcción del cuerpo se ven afectados. favoreciendo la función materna: sostén y presentación del mundo.. Nordan. Al mismo tiempo nuestra acción incide en el encare de la dificultad que hace el equipo. Reflexiones: La práctica ha experimentado un gran crecimiento debido a una mayor conciencia de las instituciones de la importancia de la promoción y prevención del desarrollo.. Falk. Argentina.

Setembro 3013 . 1-144 .pag.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Temas Livres / Posters 116 Trabalhos Científicos/Temas Livres .

conectando a ciência psicomotora com o esporte. Somaram-se registros das reuniões de pais. Corpo e Psiquismo. Os elementos corporais objetivados nesta prática para alcançar o desenvolvimento psicomotor são os aspectos psicomotores. Educação Física Escolar: as representações sociais. equilibração.19. impulsividade dos participantes. C. Objetivo: Expandir o conhecimento sobre as bases psicomotoras. organização espaço-temporal. apontando a importância de ambas como promotoras do desenvolvimento infantil reservando a especificidade de cada uma. psicomotricista. o cotidiano no ambiente escolar. A prática psicomotora escolar se utiliza de atividades lúdicas e sensoriais que valorizam elementos como a espontaneidade. e o vínculo com a psicomotricidade também se dá quando analisamos as experiências vividas no surf. n. estimular a organização disciplinar. dentro da sala de aula e em casa. s/ed. A Educação Física por sua vez. passividade. Educação Física como prática científica e prática pedagógica: reflexões à luz da filosofia da ciência. proporciona para a formação de seus alunos. surfar é se adaptar. saúde e integração com a natureza. elabora por si mesma e pelo outro o brincar consciente. Fonseca.pag. afeto e movimento. L. Sendo assim. que tem o objetivo de respeitar a integração constante e dinâmica de seus aspectos motor. a criatividade. também é uma ciência que estuda e age no homem por meio de seu corpo em movimento utilizando práticas específicas relativas à cultura corporal do movimento. não apenas como uma ação recreativa. lateralização. Contribui para a formação do indivíduo por meio de atividades que vão além do brincar. Oliveira. o imaginário e a afetividade com vistas a aquisição de aprendizagens futuras. colaborar para a superação de conflitos relacionais e de identidade. De intervenção profilática preventiva. com vistas a estimular o aprendizado de técnicas e regras esportivas. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. Enquanto o surf é considerado o esporte do imprevisível.M Instituição: Faculdade Metropolitana Unidas . de A. Araña. livre. validando assim a modalidade. Aprenda a surfar: Esporte. O objetivo deste estudo foi delinear o trabalho da Psicomotricidade no espaço escolar.183-197. convivência. conexões entre as vivências do surf e a ciência da psicomotricidade.Setembro 2013 . mas como um instrumento psicomotor junto a educadores. Iniciou-se em abril de 2011 em parceria com a FAPEMIG. e quando déficits psicomotores são observados.FMU/ São Paulo Introdução: É sabido que para o desenvolvimento integral de um individuo. os ajustes do surfista dependem das circunstâncias em que o praticante está inserido no momento e sua prática é associada com prazer. com duração de 50 minutos cada. psicomotores da aprendizagem do léctro-escrita. 2004. A criança quando acessada nesta prática do simbólico espontâneo. o vento. a consciência. a expressividade.1997 Laboratório de Psicomotricidade da "Escola Professor Jairo Grossi" FUNEC-Caratinga MG Autor: Gomes MA Instituição: Escola Professor Jairo Grossi .G. melhor participação e relação em grupo. afetividade. contribui para o desempenho acadêmico. onde a onda. promover a saúde e a qualidade de vida. de natureza descritiva com 69 crianças encaminhadas ao laboratório de Psicomotricidade. a sensação.V. Árias.Temas Livres / Posters EIXO A: EDUCAÇÃO PSICOMOTORA Surf x Psicomotricidade: relações e possibilidades Autor: Santos. Colabora para a superação de conflitos relacionais e de identidade individual ou em grupo. pedagógicas. cerceada de liberdade dos mesmos. M. Santos. 1-144 que se refere aos problemas motores. Betti. poderiam ser encontradas contribuições ao desenvolvimento psicomotor ou intervenções para uma reeducação psicomotora? Na tentativa de sanar estas questões. Melhor rendimento acadêmico. J. Para o desenvolvimento de tal ideia foi realizada uma pesquisa no campo teórico e organizados conceitos importantes para a compreensão das áreas de congruência na prática da educação física e da psicomotricidade no ambiente escolar. Podemos então concluir que ambas práticas têm como objeto de estudo e ação o homem por meio de seu corpo em movimento e embora a Psicomotricidade trace caminhos para o desenvolvimento valorizando a experimentação corporal espontânea e a Educação física busque o mesmo desenvolvimento por meio das práticas esportivas e brincadeiras estruturadas.1996. praxia global. com isso tende diminuir os problemas cognitivos e relacionais.M. ampliar a capacidade de socialização. sócioafetivos e cognitivos. através de uma pesquisa teórica descritiva. Palavras-chave: Linguagem. Secretaria de esportes. Traz benefícios às funções de motricidade.C. professores e pais. criar um suporte que lhes permitisse entrar no processo de análise. A Psicomotricidade hoje se constitui como uma ciência que se responsabiliza por estudar e atuar com o homem em sua totalidade. 117 . 2000 2. estas ciências tratam dos objetivos fundamentais para a formação do homem que é a ação de seu corpo integrado e em relação.FUNEC A Psicomotricidade é discutida por estudiosos das áreas da saúde e educação. Porto Alegre: Artmed. 1996). 2005. autonomia social. v. Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque Psicopedagógico. Resultados: A intervenção psicomotora envolveu a busca das possibilidades de comunicação corporal entre os alunos. Bibliografia: 1. C. e desenvolver as habilidades motoras. é criar. superação de limites e arte (Araña & Árias. psiquismo e aprendizagem da leitura e escrita nos anos iniciais como no percurso escolar. Psicomotricidade: Perspectivas multidisciplinares. audiogravados e transcritos em ortografia regular. Criar. set. Conclusão: Aprender a surfar pode ser um instrumento na construção de indivíduos conscientes sobre seus corpos. adaptação à educação física. em grupo e individual. Método: estudo de caso clínico qualitativo. contemplados com estímulos para seu desenvolvimento psicomotor e reeducação psicomotora. A história do surf em Santos. a percepção. a subjetividade. por meio do seu corpo em movimento na intenção de um desenvolvimento harmônico em suas áreas formadoras: cognição. Foi possível reverter situações de angustia nos intervalos. A Educação física promove o desenvolvimento infantil por meio de atividades lúdicas e esportivas. psicomotricistas e praticantes. visa minimizar as dificuldades escolares no Trabalhos Científicos/Temas Livres . 3. junto à teoria do desenvolvimento cognitivo e às bases psicomotoras: tonicidade. surge uma hipótese: Dentro do processo de aprendizagem do surf. Psicomotricidade e Educação Física nas séries escolares iniciais Autor: Vasconcelos F Resumo: Este estudo tem como proposta apresentar o campo teórico que sustenta a interface entre a Educação Física e a Psicomotricidade como ciências afins e complementares no ambiente pedagógico. Resultados: Foi possível fundamentar as vivências no surf com as bases psicomotoras. Barbosa. Aprendizagem. Pudemos observar que a Psicomotricidade e a Educação Física têm como proposta comum a ação corporal e o desenvolvimento humano. Bibliografia: Araña. lazer. A Escola Professor Jairo Grossi Caratinga-MG. Conclusão: A intervenção psicomotora permitiu melhorar o relacionamento e o rendimento acadêmico dos alunos. inserir o aluno no conhecimento relativo à cultura corporal. entrar em contato com a angústia. 2012. através de revisão bibliográfica. intervenções reeducativas são fundamentais. Petrópolis: Vozes. interpretar e dialogar com o mundo em que vive. para compor os dados de análise. C. as bases psicomotoras precisam ser devidamente exploradas. é resolver problemas. melhorar sua condição acadêmica e relacional. os participantes foram fotografados. São Paulo. Rio de Janeiro: Shape. p. Ou seja. que podem ser encontradas nas vivências do surf. Fundamentação Teórica: Fonseca (2004) aponta que a essência da adaptabilidade criativa e propensão de resolver problemas com soluções motoras não seriam possíveis sem a psicomotricidade. Foram feitos recortes dos encontros realizados em uma sala montada nas dependências da Escola. o presente trabalho busca.

2ª Ed. E. F. Darido.). 2013). pois são expostas a momentos de organização de suas ações de acordo com as experiências anteriormente vividas e aos conceitos anteriormente adquiridos. 1-144 . Lapierre. S. mas ainda as entendem como obrigação institucional. 1999. concentração. A psicomotricidade. Rangel.. L.. Desenvolvimento Humano. pensamento abstrato e funções cognitivas como: relações causais. SP. Gonzàlez.exercício: regulação e integração de sistemas múltiplos. V.uma apresentação crítica e abrangente dos conceitos e do conhecimento fisiológicos . A. 5. 16. Ferreira. C. concebido como uma experiência promotora de aquisições que servem de suporte para a aquisição de conhecimentos formais. S. Lapierre. A Educação Psicomotora contribui. Compreendendo o desenvolvimento motor bebês . estão sendo decodificados." Nas sessões de psicomotricidade relacional é despertada nos educadores uma atenção para a linguagem corporal da criança. 6. Rowell. Porto Alegre.C. L. a negociar. P. Neurociência do Comportamento. Educação Física Escolar. 1984. Motriz.Setembro 3013 . A ação desenvolvida pela criança por meio do brincar promove uma experimentação representacional de situações vividas no ambiente de sua existência. Shepherd. SP: Fontoura. Rio de Janeiro. n. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Eric. Rio de Janeiro. 7. 6. O brincar possibilita ainda o desenvolvimento de determinadas aspectos do desenvolvimento como: a linguagem oral. Psicomotricidade e Neuropsicologia: uma abordagem evolucionista. o desempenho do Brasil e algumas implicações pedagógicas. Martins Fontes. Campos. São Paulo. Vygotsky. Q. 12. 2005. Trabalhos Científicos/Temas Livres . neste trabalho ressaltar a importância da Educação Psicomotora.. As ações mais comuns presentes nas brincadeiras relacionadas à interação social estão diretamente relacionadas ao aprender a ouvir. Lundy-Ekman. São Paulo. (2013) O corpo do professor. Porto Alegre. julgamento. Dicionário crítico de Educação Física. 4. São Paulo. Editora Manole. Gazzaniga. 8. n. jul. discriminação. 2007. 168f. 150-156. Phorte Editora. 7 ed. : Olds S. mente. na escola. A.fundamentos para a reabilitação. Artmed. 2007. uma maior escuta e percepção da localização espacial da criança (Lapierre. Traba118 lhar na ordem dos afetos. Wak Editora. análise e síntese. 11. necessitando de escuta e acolhimento.OCDE . Lapierre. 2000. Educação física na escola: implicações para a prática pedagógica. A. V. Tese (Doutorado em educação) . Edições ASA. v.93-107. 2. 101-105. 13. Wak Editora. Rio de Janeiro. V. Fundamentação Teórica: Sabemos que a formação acadêmica muitas vezes não valoriza esses aspectos da experiência empírica em detrimento do saber científico e abstrato. F.19. 17. 2009. O adulto diante da criança. Manual de Observação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores psicomotores. D. Bibliografia: Alves. C. R. A. Lapierre. 2001. 3. 4. Festerseifer. 10.da educação infantil a gerontologia. L. Kátia A. . As olimpíadas de Sydney.Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos. Zahar Editores S. Papalia. R. Campinas Aug. São Paulo. 6. Editora Lovise. P. afastando ainda mais o futuro profissional da reflexão (Alves.1987). Diante das novas experiências as reas corticais ajustam-se rotineiramente e de acordo com a experiência específica. e jun. atenção voluntária. vincular. /dez. Para o professor a tarefa de educar torna-se cansativa. criatividade. Rio de Janeiro. v. Lisboa. Rumo a uma ciência do movimento humano. p. K. Editora Manole. pela grande demanda. mas também para o docente da Educação Infantil. a rir com as outras crianças e a criar. As relações vivenciadas em sistemas de brincadeiras espontâneas em grupos de faixa etária próxima estimulam o desenvolvimento de redes neuronais associadas às tomadas de decisão. 9. a esperar sua vez. n. n. Educação e Neurociência. L. M. Aucouturier. 2002. p. 1987. Artmed. A Formação Social da Mente. (org. B. C. O adulto diante da criança de 0 a 3 anos: Psicomotricidade relacional e formação da personalidade. permitindo a criança o desenvolvimento de elementos fundamentais para o processo de interação social. e a aprendizagem um processo interativo.B. T. São Paulo. Le Boulch. Adolescentes e adultos. Partindo do princípio neurobiológico o corpo age de acordo com o que recebe. J.A. organização espaço-temporal. memória auditiva. Rio de Janeiro.revista multidisciplinar das ciências do cérebro. D. Darido. As culturas da Educação Física. 1987. 2012. prazeres e dificuldades. Neurobiologia do brincar Autor: Vasconcelos F Instituição: Autônoma Resumo: Este projeto pretende promover a compreensão do conceito do brincar como uma necessidade inerente ao desenvolvimento da criança e. L. Jensen. CEDES. Ozmun. São Paulo. Kolb. O tempo e o lugar de uma didática da educação Física. É por meio do brincar que a criança conhece e reconhece o seu corpo assim como as suas possibilidades de movimento. F. Didática da Educação Física. 2003. E. Queremos ainda refletir sobre as dinâmicas institucionais presentes nas práticas de supervisão (nomeada ou não). v. 2010. S. Esse corpo acaba vivendo excessos. W. A constituição das teorias pedagógicas de educação física. 2002.pag. 2000. 1996.T. RS. (1987). analisados e processados por estruturas específicas do sistema nervoso para ocorrer um aprimoramento da resposta específica anteriormente adquirida. Editora Manole. Repensando a avaliação: As representações sociais compartilhadas pelos professores de educação física. Coste. Acreditamos que os docentes podem com as dinâmicas psicomotoras ampliar sua compreensão do próprio corpo e de como afetam e são afetados pelo educando. desde a apropriação da leitura e da escrita e de outros sistemas simbólicos. a defender seu ponto de vista. M. 2. 8. 1998. J. Bracht. S. São Paulo. 2003. Chedid. Artes Médicas. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2011. I. 15. São Paulo.C. Os retornos dados pelas docentes são positivos quanto à prática psicomotora tanto no que se refere ao conhecimento de si e seu papel quanto à integração entre as diversas equipes da escola. Neurociência . A. 2010. ______. Várzea Paulista. Editora Guanabara Koogan. mai. percepção visual. jan. p. crianças. (Org. vol. 2009. 19. I. não só nas práticas discentes. p. Bracht. Bibliografia: 1. In: Gonzàlez. & Lapierre. assegurando aos sujeitos um ambiente onde ele poderá vivenciar as suas pulsionalidades. 21-37.. Resultados: Os professores demonstram participação nas práticas psicomotoras. imaginação e expressão. Dizia Ajuriaguerra: "é o outro que faz de nós um ser único. A. Seção 12. em contato com sentimentos. A compreensão da organização de uma brincadeira possibilita à criança desenvolver a memória operacional e aprende a organizar seu comportamento. Cad. V. SP. de modo psicomotor. São Paulo. E. diminuindo a tensão é fundamental para uma boa atuação em sala de aula. 5. podemos concluir com a afirmação de que o brincar é fonte fundamental de estímulos necessários ao desenvolvimento infantil uma vez que por meio desta experiência inúmeros estímulos estão sendo captados por uma gama incontável de receptores periféricos e pelos órgãos dos sentidos.Pontifícia Universidade Católica. Fantasmas corporais e prática psicomotora. Contribuições da Psicomotricidade para o trabalhador em Educação Infantil Autores: Baldanza MD.. Manual de fisiologia . Rumo a uma ciência do aprendizado. Este processo é denominado de integração sensorial e é por meio deste que há uma nova possibilidade de ação no meio. 18.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual 3.32. filtrados. Caparroz. 14. um guia para pais e educadores. e Heathrrton.M. F. Revista Brasileira Ciências do Esporte. Campinas. _____. Otoni BV Instituição: Grupo Movimento e Clínica Agathon Introdução: Na educação infantil as relações são essencialmente corporais e motoras. Oxford. Conclusões: O professor vive atualmente uma dimensionalidade do saber. 2. O Cérebro e as aprendizagens.1. B. Cunha. 3 (3): 132-134. J. 2000. Editora SENAC.) Psicomotricidade .S. Neurociências . Tal prática voltada para os docentes também pode trazer benefícios? Objetivos: Buscamos. 2006. São Paulo: Manole. J. set. 7.48. Fonseca.A. J. Gallahue. Ciência Psicológica. Curitiba: CRV. C. 28.. A comunicação da criança exprime-se de modo infraverbal. realizadas pelo Grupo Movimento junto aos docentes das instituições em que atuamos no Rio de janeiro e Niterói. cérebro e comportamento. Campinas. Whishaw. Bracht. 1981. Ijuí: Unijuí. J. 2008. V. Compreendendo o Cérebro. A.

Aparecida. manipulações. Por meio desta relação é possível considerar que. Tópicos sobre os tipos de movimentos Autor: Lussac RMP. Entretanto. conscientes ou não. M. Oliveira. a ludicidade. A função motora. Mello. Trabalhos Científicos/Temas Livres .K. Editora Lovise. Editora Manole. Summus Editorial. Dantas. Piaget. não é nada sem o aspecto psíquico. Psicomotricidade teoria e prática . 2.Temas Livres / Posters Psicomotricidade escolar Autor: Vasconcelos F Instituição: Autônoma Resumo: A organização deste trabalho tem como objetivo promover a compreensão da prática psicomotora como a relação mútua entre a atividade psíquica e a função motora do indivíduo. H. Carlos Autor: Costa J. São Paulo. São Paulo: Ideias e Letras. Fantasmas corporais e prática psicomotora. afirmou que na busca da globalidade do ser. pois a oportunidade de melhorar o sistema educativo ao introduzir esta prática baseada no brincar. A.Lapierre. 8. Introdução à Psicomotricidade. crianças. Vygotsky. A.Universidade do Estado do Rio de Janeiro.estimulação. De acordo com a exposição realizada podemos concluir que a proposta psicomotora oferecida no ambiente educacional é composta por estratégias cujo principal objetivo se concentra na promoção da experimentação corporal por meio de movimentos espontâneos. J. como nos esportivos. sem apoio de nenhum outro recurso que não seja o próprio corpo em estado de comunicação. análise documental e análise de conteúdo. educação física e jogos infantis. constitui-se de uma atividade psíquica e consciente. Fonseca. A. Objetivos: Esta pesquisa teve como objetivo produzir apontamentos sobre os tipos de movimentos e sua respectiva importância para o educador e psicomotricista. 1996. Autores têm organizado um conceito de Psicomotricidade e todos têm ressaltado a interação psiquismo-motricidade. normais ou patológicos. 2000. Editora Manole. São Paulo. L. A educação Psicomotora atua como agente preventivo no que se referem a distúrbios de aprendizagem. 1998.1994. de intencionalidade e de significação. Editora Manole. a expressão corporal. 1987. Adolescentes e adultos. 4. obriga-se que uma criança adapte-se às exigências formais e metodológicas impostas e que tenha um controle sobre si mesma. São Paulo. A organização dos materiais é através do Sistema ESAR de acordo com as propostas da International Toy Library Association (ITLA).. S. Rumo a uma ciência do movimento humano. Os movimentos corporais como gestos. São Paulo. em sua vertente educativa atende fundamentalmente ao desenvolvimento harmônico da criança proporcionando uma maturação adequada das estruturas e funções neuromotora. Lapierre. B. vivências lúdicas e criativas. em portador de resposta. Imprensa Oficial. Rio de Janeiro. 1982. 1985. Psicomotricidade . a espontaneidade. Resultados: Quando o aluno chega à escola. 7.. Wallon . Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.Curso De Formação De Brinquedistas . Segundo Chazaude (1987) a Psicomotricidade a visão de que é uma organização funcional da conduta e da ação. podem ser definidos como um movimento determinado por uma intenção. na intenção de se trabalhar o relacionamento corporal e a comunicação afetiva. São Paulo: Martins Fontes. chegando às vezes a ser uma redundância da comunicação. visando a realização de suas intenções.M. Simbologia de Movimento: psicomotricidade e educação.A. Lapierre. muitos comportamentos dependem de sua vontade e outros aparecem automaticamente. A criança e seu mundo. dinâmicas de exploração com utilização de objetos diversos e exploração de ambientes diversos. Compreendendo o desenvolvimento motor bebês . Associação Brasileira De Brinquedotecas . J. Quanto a metodologia. C. É através do psiquismo que o movimento se converte em gesto.M. Editora Lovise. Artes Médicas. disfunções psicomotoras e fatores relacionados aos desvios de desenvolvimento. a Psicomotricidade se nos apresenta como o conjunto de comportamentos tecno-gestuais. L. André & Aucouturier. Instituição: PROPED .) Psicomotricidade . São Paulo. 1975. pondo em relevo sua relação profunda "corpo-mente". 6.. 11. na formação do sujeito na infância. Fundamentação Teórica: Se baseia pelo ato do brincar espontâneo na perspectiva da teoria de Winnicott e Aucouturier quando o brincar é dizer a realidade. São Paulo. Psicomotricidade. 2007 Lapierre. Jan/2011 Winnicott. La Pierre (1984). Brinquedoteca: Sua Caracterização e Diversidade.W. Phorte Editora. C.1992.. 4ª ed. os movimentos são classifi119 . 1987. foram realizadas: revisão bibliográfica. 1-144 Espaço Brincar: Atenção primária em Psicomotricidade na formação do sujeito na infância na Escola Municipal J. D.pag. nos leva a perceber a necessidade da intervenção e prevenção que se justificam por existir vários estudos que relacionam a integridade psicomotora com a aprendizagem eficiente da criança que podem impedir que um problema ligeiro se transforme num problema mais sério. Belo Horizonte. Delataille.teorias psicogenéticas em discussão. Muitas vezes no ambiente escolar ou mesmo em outros. significantes ou desprovidos de significado. 2ª Ed. Martins Fontes. A Educação Psicomotora propõe por meio da estimulação corporal o desenvolvimento das potencialidades inatas da criança em seus aspectos cognitivos. o deslocamento do corpo no espaço assumirá significados internos e externos. Este autor coloca também a Psicomotricidade no lugar de uma prática onde o sujeito está inserido em uma prática harmonizada de seu corpo e dos objetos que ele manipula.da educação infantil a gerontologia. ______. Neste sentido. Y. Le Boulch. 9. A Formação Social da Mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores.Setembro 2013 .Aucouturier. Assim como o movimento corporal pode estar diretamente ligado a comunicação em algumas situações. Bueno. RJ: Imago. A Psicomotricidade. V. São Paulo. 3. Bibliografia: Aucouturier. Psicomotricidade. os atos motores. 1987. J. o caminho é promover a redescoberta e utilizar a dimensão psíquica do corpo e a dimensão corporal de psiquismo. A. A Psicomotricidade é a integração da motricidade elevada ao nível do "desejar" e do "querer fazer". a interação sócio-afetiva. Introdução: Movimento é um termo genérico que abrange indistintamente os reflexos.C. motores e afetivo-sociais como: os aspectos psicomotores. 5. a abstração. Objetivos: Tem a finalidade de oportunizar o brincar. Resultados: Foi possível verificar que algumas funções do sistema nervoso se relacionam aos movimentos. traz consigo uma gama de conhecimentos oriundos da própria vivência histórico sócio-cultural-lúdica. 1986 Oliveira. B. UFMG. 10. tanto intencionais como involuntários. São Paulo. 2001. O Método Aucouturier: Fantasmas de ação e prática psicomotora. IBRASA. ainda que a base da Psicomotricidade seja o movimento. A. Ferreira. Conclusões: Seria importante a prática psicomotora na escola. Ozmun. (org. Conseqüentemente. educação e reeducação psicomotora com atividades aquáticas. J. II Congresso de Psicomotricidade . Bibliografia: 1. bem como. cognitiva e sócioafetiva. O gesto tem finalidades conscientes ou inconscientes. 2002. Porto Alegre: Artes Médicas. a criatividade. M. Chazaude. A maior parte das crianças que participam da prática psicomotora durante o seu período escolar são mais disponíveis e criativas do que aquelas que nunca tiveram essa oportunidade.. o prazer. 1984. retomar as vivências que foram inadequadamente incorporadas. Lapierre. Porto Alegre: Artmed Vygotsky. Porto Alegre. A.São Paulo.Apostila. a curiosidade e o simbolismo. definitivamente. "A Brinquedoteca: sua organização e operacionalização com qualidade". Vera Barros de. Reconhecidos autores do campo fundamentaram teoricamente a pesquisa.. O adulto diante da criança. 1991. O brincar e a realidade. Gallahue. D. da Instituição: Secretaria Municipal de Educação (SME/RJ) Introdução: O presente projeto possibilitou-nos a reflexão de uma proposta aos alunos do Primeiro Segmento do Ensino Fundamental que leve em consideração as contribuições da Psicomotricidade em um contexto educacional de forma desafiadora.Corpo Integrado .

e são portadores de significados. inclusive o conceito de nós mesmos. Jean. discutimos o conceito de leitura e possibilidades para fortalecer vínculos entre a criança e o adulto. Os movimentos reflexos. Integra sensações e ideias. As experiências vividas funcionam como uma "escada da maturidade" baseada em um "alicerce da maturidade herdada". Piaget. 2004. A pesquisa foi realizada por meio de revisão bibliográfica. 7ª edição. ao contrário de algumas outras estruturas. a tristeza e os nossos conceitos. este pode ganhar outros status em sua reprodução. enquanto portador de significado. Psicomotricidade: filogênese. O comportamento humano. Trad. Porto Alegre: Artes Médicas. em que adultos e crianças estão livres para ler e brincar. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos 6 anos. Conclusões: Foi possível concluir que os movimentos estão sempre impregnados de um saber corporal e cultural. A percepção ao próprio tônus e ao tônus representado nos corpos dos outros. Conclusões: Concluiu-se que os estímulos motores são essenciais para a aprendizagem e desenvolvimento do sistema nervoso do Homem. Psicomotricidade: corpo. de atitudes. Fonseca. Porto alegre: Artes Médicas. entre outros. os educadores e psicomotricistas devem apurar sua sensibilidade de percepção do tônus. podem ser subdivididos em inatos e adquiridos. ação e emoção. Fonseca. Transmitimos a dor. Gislene de Campos. é um passo significativo para compreender que o tônus emite importantes mensagens. Oliveira. Na obra de pesquisadores como: Wallon.Setembro 3013 .pag.Manual Básico. é possível transmitir. Resultados: Foi possível verificar que a atividade tônica e tônico-postural são consideradas suporte de comunicações pré-verbais. neurologicamente falando. as experiências motoras. Petrópolis: Editora Vozes. Uma boa evolução da afetividade é expressa através da postura. 2003. Apontamentos sobre o sistema nervoso e a experiência motora Autor: Lussac RMP Instituição: PROPED – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 120 Subsídios para a compreensão do tônus muscular como linguagem corporal portadora de significado Autor: Lussac RMP Instituição: PROPED . possui um estado permanente de tensão que é conhecido como tono ou tônus muscular. Neste sentido. o profissional psicomotricista pode contribuir muito atuando como interventor primário na área da saúde. em intervenções psicomotoras. 2001. Essas informações são selecionadas. Deste modo. o funcionamento dos órgãos e até mesmo a velocidade de secreção das glândulas endócrinas. de comunicações e até de um saber corporal. Fundamentação Teórica: Quanto aos métodos. Fonseca. foi possível verificar que compreender as características dos movimentos e conhecer os seus respectivos tipos é fundamental para a intervenção do educador e psicomotricista. Bartolomeu C. principalmente em seus primeiros anos de vida. Liberdade no movimento e na escolha Autor: Serra MB Instituição: SME. Fátima. pode contribuir com a formação de um individuo sensíTrabalhos Científicos/Temas Livres .Manual Básico. Conclusões: Diante do vivido propomos discutir como a leitura com bebês e crianças pequenas. o mesmo as canaliza para as regiões motoras correspondentes do cérebro para depois emitir respostas adequadas. Também pode ser constatado que. Ele precisa de condições favoráveis para o seu pleno desenvolvimento e funcionamento: responsável pelo movimento. por sua vez. interpreta os estímulos advindos da superfície do corpo. Machado. 1998. 2003. sem palavras. Psicomotricidade: corpo. Bibliografia: Alves. Todo movimento se realiza sobre um fundo tônico e um dos aspectos fundamentais é sua ligação com as emoções. O tônus muscular está presente em todas as funções motrizes do organismo como o equilíbrio. Objetivo: Esta pesquisa teve como objetivo analisar tópicos sobre a relação entre o sistema nervoso e a experiência motora. das condutas e dos comportamentos. Aprovação em concurso na SME-RJ e pesquisa de mestrado. o uso de maior ou menor número de sinapses é o que condiciona uma aprendizagem no sentido neurológico. 1998. 2013/1. 1998. conforme a maturidade e compreensão corporal do movimento. Nicola. Bibliografia: Alves. Vítor da. podemos citar as seguintes ações: Aulas "O desenvolvimento psicomotor e a formação do leitor de 0 a 4 anos" (FNLIJ/ SME-RJ) início 2010. a interação e integração do homem às condições do meio ambiente. reflexo e automático.Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Neste sentido. Mônica. Conclusões: Ao compreender os fatores envolvidos foi possível constatar a importância da percepção do tônus. das vísceras e de todas as funções orgânicas e é responsável pelas respostas adequadas a cada um destes estímulos. contribuindo com a rede de profissionais comprometidos com o respeito à infância e sua cultura própria. Fátima. 1992. Yolanda Reyes. saber que. Rio de Janeiro: Wak. ação e emoção. Objetivos: Divulgar ações. 5ª edição. de sentimento e de pensamento. a coordenação. portanto. maturidade e experiências de vida andam de mãos dadas. 1-144 . Neste sentido. ontogênese e retrogênese. foram realizadas: revisão bibliográfica. 2004. a coordenação e o controle de todas as atividades do organismo. Deste modo. 2003. portanto. podem ser eliminadas ou não pelo cérebro que mensura a significância destas informações. presença e atuação no mundo. Resultados: Foi possível verificar que o sistema nervoso não se encontra pronto quando o ser humano nasce. sendo considerado o alicerce das atividades práticas. enquanto portador de significado. Por Ana Guardiola Brizolara. Rio de Janeiro: Wak. as ações. foi possível entender o processo de desenvolvimento da criança. Também que é crucial para elaborar de forma eficaz um programa individualizado. que devem ser encaradas inclusive sob a perspectiva de um diálogo corporal. a alegria. Vítor da. G. Nicola. 2001. baseados em reconhecidos autores do campo. ontogênese e retrogênese.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual cados em três grandes grupos: voluntário. Porto Alegre: Artes Médicas. Reconhecidos autores do campo fundamentaram teoricamente a pesquisa. através de uma linguagem corporal. 5ª edição. C. ontogênese e retrogênese. através do corpo. Objetivos: Esta pesquisa teve como objetivo produzir apontamentos sobre o tônus muscular como linguagem corporal portadora de significado. tem no tônus uma grande parcela de significados. inclusive.RJ/Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil/ UFRJ Introdução: Ao criar laços entre áreas do conhecimento. Vygotsky. Queirós. Bibliografia: Alves. o qual é a sua condição de existência. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num enfoque Psicopedagógico. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num enfoque Psicopedagógico. na UFRJ. de acordo com a vivência e experiência de cada indivíduo. todo o nosso estado interior. análise documental e análise de conteúdo. Rio de Janeiro: Wak. V. Introdução: O músculo. aprender significa usar sinapses normalmente não usadas. Le Boulch. Psicomotricidade: corpo. Petrópolis: Editora Vozes. discutimos a relação existente entre o ato de ler histórias para e com crianças e o desenvolvimento psicomotor. no intuito de uma melhor possibilidade de comunicação e intervenção. o movimento. incluindo as condutas e os comportamentos motores. Resultados: Esta pesquisa teve início com a monografia do curso de Pós Graduação em Psicomotricidade no IBMR (2009). ação e emoção. Rio de Janeiro: Revinter. Psicomotricidade . opera os fenômenos de consciência. Psicomotricidade: filogênese. Fundamentação Teórica: Em escritores como Ana M. análise documental e análise de conteúdo. Psicomotricidade . desde as contrações musculares.Como resultados. Oliveira. os quais fundamentaram teoricamente a pesquisa. Mônica. o medo. mesmo em repouso. F. Porto Alegre: Artes Médicas. sendo uma das funções do sistema nervoso selecionar e processar as informações. Destarte. devem ser entendidos como uma forma de linguagem corporal permeada de voluntariedade ou de subjetividades. Psicomotricidade: filogênese. Introdução: O sistema nervoso coordena e controla todas as atividades do organismo. Rio de Janeiro: Revinter.

PR. tônus e ritmo servem de alicerce às práticas realizadas. São Paulo. Para Alves (2013). PE. Sendo a psicomotricidade uma ferramenta pedagógica de ensino que se baseia nas aulas de educação física para conceber o homem segundo uma visão mais abrangente na qual se considera o processo social. 243) Super-visão é a forma de ampliar a visão do terapeuta e não substituí-la pela própria. O aluno hoje é um consumidor e o professor tornou-se um comerciante com habilidades obsoletas.pag.uma saída ou uma ameaça? Autores: Alves RCS. Resultados: Em 5 cinco anos de supervisão com 72 profissionais da Ed. principalmente da docência. a comunicação da criança exprime-se de modo infraverbal.Setembro 2013 . adolescentes e adultos destacados neste relato. o administrativo à frente do pedagógico. esquema corporal. Autismo. Dentre os avanços observados ao longo do destacamos: maior facilidade na adaptação aos diferentes espaços. 378 à 380. histórico e cultural. como área de intersecção para a atenção educativa e terapêutica. Fachada RF Introdução: Nas instituições de ensino o "contrato" atual não é mais apenas pedagógico como antes. Portugal. Lapierre. E. A psicogenética walloniana: alguns aspectos. Munduruku. C. mas que após 3 meses voltou ao processo. 2013. Vygotsky e Bakhtin . Diretores.1998) quando a psicomotricidade é publicada difundido seu caráter pedagógico entra a educação física que organiza seus conteúdos e começa a trabalhar os aspectos da psicomotricidade nos encontros. quanto mais conhecedor de sua imagem corporal. 1998. Fundamentação Teórica: Para Morizot (1997. As habilidades e fundamentos psicomotores que envolve desde a motricidade global (Le Boulch 1987) ao ritmo (Ferreira 2003) 121 . Bibliografia: Brêtas. Aspectos da psicomotricidade nas aulas de educação fisica Autores: Silva DD. 2000. 2009. Tais avanços foram considerados possíveis na medida em que o brincar emerge como ferramenta pedagógica e a metodologia propicia o desenvolvimento e o aprimoramento da linguagem oral e corporal. do adulto. Fundamentação Teórica: Segundo (Negrine. Para Alves (2013) é com o corpo do aluno e a partir dele que o corpo do professor é inaugurado e se estabelece. J. 2008. Essa iniciativa produziu inúmeras outras intervenções com diversos psicomotricistas em muitas outras escolas no RJ. Editora da UFJF. Revista do corpo e da Linguagem. Psicomotricidade: filogênese. Ferreiro. Regina. Queirós. serão percebidas pela criança. estimular a continuidade ou a criação destes espaços. motivo pelo qual seu estudo integrou o processo de formação dos profissionais da instituição e norteou nossas observações durante o trabalho desenvolvido com o grupo de crianças. Seminário Prazer em Ler. é nessa relação que resulta o aprender e o ensinar. mesmo inconscientes. uma proposta de intervenção da Psicomotricidade na educação.APAE de Esteio Autores: Silva KC. numa Perspectiva Sócio . Ed. L. Objetivo: Elucidar na prática a importância de trabalhar aspectos psicomotores. ou entidades mantedoras dão continuidade a essa esquizofrenia apostando na compulsão pedagógica neoliberal que colocou aos poucos e definitivamente. Segundo Lapierre (1987). não dão conta dos nós educativos. In: Nos Caminhos da Literatura / .Rio Grande do Sul. Freitas. só houve 1 desistência. Mediante os resultados apresentados consideramos que os atendimentos realizados sob a abordagem psicomotora mostram-se favoráveis ao processo de adaptação de alunos autistas que ingressam na instituição. durante esses anos. com deficiência intelectual associada ou não a outras deficiências. Vygotsky. O adulto diante da criança. mais facilmente o professor se relaciona com os alunos e com os colegas de trabalho. O corpo do educador: um agente motivador para o educando. Todas as tensões. CRV. Ferreira.Psicologia e Educação:um intertexto.Rio de Janeiro: Wak Ed. 1997. 2003. Lisboa. S. é um slogan silencioso que corre em nosso processo educativo do Oiapoque ao Chuí.Educação Indígena: Do corpo. Manole. a presente experiência pôs em relevo estudos e práticas em Psicomotricidade Relacional.M. fazendo-os refletir sobre o corpo construído pelas marcas feitas pelo outro. apoiado pelas afirmações dos autores acima.S. Pasado y presente de los verbos leer y escribir. p. . Compreendida. Assim. Esperamos dividir esta experiência. ontogênese e retrogênse / Vitor da Fonseca . assim espaços de reflexão devem ser criados com esta temática. Os demais avaliaram a supervisão como ótima. positivas ou negativas. A contribuição da Atividade Lúdica na Construção do Pensamento e da Linguagem. adolescentes e adultos matriculados na Escola de Educação Especial Novo Horizonte. o que contribui ao professor utilizar tais fundamentos da psicomotricidade para compor suas aulas de acordo com seus objetivos finais. 1995). e acima de tudo. Fonseca.Histórica. como estratégia com potencial de modificação da atuação do professor na evolução do aluno e em seu próprio desenvolvimento. capaz de conviver em sociedade respeitando e se fazendo respeitar.D. 1-144 A Psicomotricidade relacional na Escola de Educação Especial Novo Horizonte . mantida pela APAE de Esteio . Mª T. O Corpo do Professor. Coordenadores e diretores há muito. em 2 instituições de educação. de modo psicomotor. 2001. de Alemida MCS e Freire IB Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte Introdução: Considerando que historicamente a educação física tem priorizado e enfatizado a dimensão biofisiológica. André e Anne. Bibliografia: Alves. V. Psicomotricidade Relacional. a psicomotricidade relacional possibilita ao sujeito organizar as aprendizagens construídas nos diferentes aspectos do desenvolvimento priorizando e explorando suas potencialidades cognitivas. Educação psicomotora. por meio da qual foi possível capacitar profissionais de diferentes áreas para atuarem como facilitadores da relação educativa. Morizot. Infantil. maior voluntarismo dos adultos autistas no atendimento psicomotor.48. São Paulo: Lovise.São Paulo: Peirópolis.3ed. entra em cena a psicomotricidade que de uma forma atuante e com uma visão de técnica e ciência associa-se aos aspectos motor. pensamos ter encontrado. Alicerçado em fundamentos da deficiência (Vygotsky. Olinda. p. México: Fondo de Cultura. organização espaço-temporal.A. Conclusões: A supervisão. cognitivo e social. Objetivo: Objetivamos identificar as intervenções da Psicomotricidade. In: Nos Caminhos da Literatura / São Paulo: Peirópolis. Schrank ROS Instituição: APAE . 1987. B. Sottomayor. levando-o a descobrir seu próprio envolvimento e permitindo gradativamente sua própria diferenciação e autonomia. de A. afetivo.C. Palavras-chave: Educação Especial. Trabalhos Científicos/Temas Livres . da mente e do Espírito. 2004. requerendo continuidade às direções. estimulando docentes a perceberem seu corpo como um dos instrumentos do aprender e do ensinar. Para Souza (2004) A teoria da New Look in Perception (1947) mostra que a percepção do outro é influenciada por nossa auto-percepção. São Paulo: Lovise. o presente trabalho objetiva descrever uma experiência de intervenção com grupos de crianças. por nossa equipe. A. Ricardo. La imaginación y su desarrolo em La edad infantil O professor em supervisão com bases na psicomotricidade . 2000. Juiz de Fora. Outro presente. C. Anais do IX Congresso Brasileiro de Psicomotricidade. lateralidade. 1997) e em estudos sobre terapia psicomotora (Negrine. a psicomotricidade relacional ajuda-nos a pensar os processos de desenvolvimento e de aprendizagem da criança autista. 2008. In: Cadernos de Educação da Infância n. Cada um por si e Deus a todos. Curitiba. Souza e Silva. M. emocionais e expressivas. reconhecimento de colegas e profissionais.Esteio/RS Resumo: Situado no eixo da educação psicomotora. o conhecimento. no contato e até a distância. maior domínio corporal e iniciativa na exploração do espaço e materiais.Temas Livres / Posters vel e crítico. que as sente. onde as habilidades psicomotoras globais. Acreditamos que para o educador ainda é novo o valor do encontro entre a 1ª infância e os livros. Tal experiência corresponde a uma trajetória de trabalho que objetivou oferecer e qualificar o atendimento a pessoas com transtorno global do desenvolvimento desde a abordagem psicomotora ampliando a capacidade de atenção à demanda e qualificação da equipe profissional lançando mão de parceria EscolaUniversidade. equilíbrio. Dias MA.

para tanto serão utilizados jogos tradicionais e confeccionados com materiais de sucata. Além disso. Souza BM de Instituição: Universidade Estadual de Londrina-PR A educação para crianças de zero a seis anos nos moldes da educação infantil se faz necessária pelo entendimento da importância das experiências na primeira infância. considerando suas diferenças em relação aos padrões regularmente previstos nos processos de desenvolvimento infantil. 1974. serem significativas.pag. O sorriso se instaura ao ouvir as músicas. Porto Alegre: Artes Médicas. Realizaram-se encontros semanais com o grupo de baixo rendimento.Profª Leci Caldeira Scherner Este trabalho foi motivado pela busca de um instrumento que favorecesse o desenvolvimento de crianças matriculadas nos 3º e 4º anos de uma escola da rede municipal de São José dos Pinhais. Psicomotricidade e cantigas de roda. responsável pelas funções psicomotoras supracitadas e a dificuldade de aprendizagem. Capovilla Fc. a interação e reciprocidade aparecem em evidência. ou seja. Para a construção de uma sociedade mais solidária e humana torna-se imprescindível o respeito à criança. Educação Psicomotora: Psicocinética na idade pré-escolar. Introdução às Dificuldades de Aprendizagem. ressaltamos que nos baseamos numa experiência ocorrida uma vez por semana. com uma hora de duração. Estudos de Capovilla. sensações. confiança. O grupo é composto por crianças com idades entre 02 a 05 anos. Leomar Rodrigues de Avellar. Vitor da. Oliveira.O jogo no contexto da educação psicomotora. Dandi Walker. São Paulo. ao seu mundo peculiar. Brasil. São Paulo. Miyamoto N. pretende proporcionar e facilitar o desenvolvimento das potencialidades das crianças. 1998.Pós Graduação em Psicomotricidade. O desenvolvimento Psicomotor: Do nascimento até 6 anos. 2010. Palavras-chave : Psicomotricidade. durante quatro meses com vivência de atividades direcionadas à consciência postural. tonicidade.Setembro 3013 . roda e saia do lugar. Ao final do ano letivo. Secretaria de Educação Fundamental. Encontramos na música. Fonseca V. visando à máxima realização de seu potencial humano. respiração. Monografia . classifica-se por Educação Psicomotora. as percepções têm no corpo a base. Entretanto. Movimento e desenvolvimento das múltiplas linguagens na infância. Para tanto. O Projeto teve como objetivo verificar a eficácia do trabalho psicomotor associado a atividades de linguagem que propiciassem o desenvolvimento da consciência fonológica para resgatar a aprendizagem da leitura. Miyamoto e Capovilla(2002) mostram a relação entre a disfunção vestibular. 2010). 1995. 122 Fonseca (1995) descreve as funções integrativas durante a leitura. Estas experiências têm como objetivos. que ainda não compreendiam o processo de leitura e escrita. O processo de aprendizagem e desenvolvimento psicomotor foi perceptível. Henri. C. pensar. tendo músicas do cancioneiro infantil como mediadora neste processo. à singularidade de suas emoções e percepções. compreendendo que não apenas possuem um corpo. andar. Teste de Competência de Leitura de Palavras e Pseudopalavras. medos e desejos. 2007. Bibliografia: Capovilla Ags. 12 ed. e Edunisc. Lou. além do avanço na leitura e escrita. Aprendizagem e Desenvolvimento infantil Psicomotricidade: Alternativa pedagógica. Foram selecionados dois grupos de alunos: com baixo rendimento e não alfabetizados. Desenvolvimento e validação do Teste de Equilíbrio por comparação com o subteste de Nistagmo Pós-rotatório do SIPT na identificação de crianças com dificuldades de leitura. 1987. André e AUCOUNTURIER. Bibliografia: Negrine. Roda. Lapierre. Ao modificarmos o ambiente para realização das práticas. Airton. Alguns alunos relataram que após as experiências sua concepção modificou. recreação. Le Boulch (1986: 27) afirma que: "É através das relações com os outros que o ser se descobre e a personalidade constrói-se pouco a pouco". afetivo e motor. A Psicomotricidade estimulando a aquisição da leitura Autor: Almeida SCSA Instituição: Escola Mun. Ferreira. Martins Fontes. Foi aplicado o TCLPP (Teste de Competência de Leitura de Palavras e Pseudopalavras. Rio de Janeiro: Wak Ed. Simbologia do Movimento Psicomotricidade e Educação. sentir. São Paulo: Cortez.Brasília: MEC/SEF. As crianças passaram a interagir e relacionar-se melhor com o outro. olhar. Além disso. V. São Paulo: Memnon. a partir das práticas. Andrade APCV de. Cantigas e movimentos: O diálogo entre as emoções e a aprendizagem Autor: Avellar L Instituição: Associação Pestalozzi Itaboraí Este pôster pretende contribuir com as reflexões sobre a prática psicomotora e o fazer pedagógico. 2011. a psicomotricidade é uma ferramenta mais que educacional para ser trabalhada no âmbito da educação física. Bernard. e com notas altas. Capovilla e Seabra. com significações entre conceitos verbais e não verbais. Rosot N. Porto Alegre: Artes Médicas. respectivamente. A criança. Curitiba: Filosoart Editora. Jean. Psicomotricidade. tem-se como objetivo também apresentar às educadoras alternativas metodológicas para a estimulação da educação psicomotora. Conclusão: Portanto. 2ª ed. nos levando a crer que estudo mais aprofundado e outras experiências trarão resultados satisfatórios. Oliver. como objetivo propiciar aos profissionais da educação infantil a conscientização sobre a relevância do desenvolvimento psicomotor na educação infantil. Professores relataram em Conselho de Classe diferenças quanto à motivação para aprender. Seabra AG. educação psicomotora. Rio de Janeiro: Andes. UNIPLI. Ministério da Educação e do Desporto. equilíbrio e orientação espaço-temporal associadas à atividades rítmicas e de linguagem. 3ª ed. Arnold-Chiari. Evolução Psicológica da Criança. Distúrbios de aprendizagem e de comportamentos. de C. Este trabalho visa a implementação da educação psicomotora de maneira regular nestas instituições. será feita a intervenção psicomotora junto a crianças de 3 a 5 anos em um CEI filantrópico. Sendo representado no nosso falar. 108-121). o movimento. nova testagem comprovou mudanças significativas no desempenho dos alunos. Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque psicopedagógico. através da vivência na execução de atividades psicomotoras simultâneas ao uso da linguagem. Trabalhos Científicos/Temas Livres . a expressão livre. 1996. o ritmo. experiências foram relatadas e tal modificação simbolizou segurança e conforto. portanto. 2° edição. aperfeiçoa conexões específicas e estimula a integração funcional de ambos os hemisférios cerebrais. Niterói. Intervenção psicomotora em um Centro de Educação Infantil Autores: Furtado VQ. Petrópolis RJ: Vozes. O movimento espontâneo oferece as crianças a sua própria harmonia e coordenação. Educação Física. Referencial curricular nacional para a educação infantil / Ministério da Educação e do Desporto. tendo. A organização da vida humana. Bibliografia: Baptista. 1982. Rio de Janeiro: Sprint. SP: Sociedade Brasileira de Neuropsicologia. 2° edição. com duração de uma hora e meia com variação teórico-prática. Em Tecnologia em reabilitação cognitiva 2002 (pp. Estabelecer o diálogo tônico é fundamental nas relações e interações. jogos e desportos. um suporte privilegiado para se alcançar a harmonia.O presente estudo encontra-se em fase de execução e pretende atuar no reforço à conscientização de profissionais da educação sobre a importância das atividades psicomotoras no desenvolvimento e aprendizagem infantil e auxiliar educadores infantis a tornarem a educação psicomotora uma prática constate. 2003. Construímos vínculos e superamos alguns limites.1998. .XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual representam importante ferramenta pedagógica na busca do desenvolvimento social. Resultados: De acordo com o que foi observado no decorrer das aulas. Vanja C. autonomia e independência. 1-144 . G.. 2007. Porto Alegre: Artes médicas. Wallon. Crianças estas com Autismo e Síndromes: Down. E Capovilla FC (2002). a expressão do próprio tempo da criança e do prazer. serão realizadas orientações aos educadores referentes às atividades desenvolvidas. principalmente nos itens relacionados ao uso da rota fonológica. 2004. educação infantil Bibliografia: Araújo. resultantes da interação ativa. Os Centros de Educação Infantil (CEI) como locais apropriados para tal cuidado e educação devem então funcionar de maneira a possibilitar o desenvolvimento pleno das crianças atendidas. Le Boulch. 1998. Secretaria de Educação Fundamental. Le Boulch. mas que esse tem limites. Os encontros semanais terão a duração de 4 meses e serão realizados na instituição. Fonseca. Jean. Porto Alegre: Edita.

Teixeira ACA. ritmo. 106-112. a nível cognitivo. o aumento: da vivência multissensorial. Avaliamos os significados dados à oficina. através de: Observação participante das experiências de aprendizagem. a procura e compreensão da metáfora. atualizações na imagem corporal. por meio da educação psicomotora. da. Nesse sentido. poema IX Alberto Caeiro) Introdução: A disciplina de "Fundamentos da Expressão e Comunicação" da Licenciatura de Dança (LD). E. 2003. segundo um raciocínio indutivo. Optamos por atividades conhecidas.Temas Livres / Posters 'Pensar uma flor…' Autor: Monteiro E Instituição: Faculdade de Motricidade Humana (FMH)/INET-MD/ Portugal "Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la E comer um fruto é saber-lhe o sentido" (In Guardador de Rebanhos. 2011.Lógica da Sensação. alargando os recursos expressivos e forma de estar. Trabalhos Científicos/Temas Livres . 1994). Izabel. afetivo e cognitivo dos educandos. G. ou de sua expectativa. Bastos. Moura e E. p. Experienciação dos aspectos psicomotores: noções espacial e temporal. Fonseca. Objetivo: Descrever e interpretar o impacto da intervenção quanto às competências de comunicação e de expressão estruturantes e facilitadoras do desenvolvimento do estudante. de 10 cursos distintos e ministrada por duas licenciandas em EF orientadas por uma psicomotricista. na escola e na comunidade. da Educação e da Psicomotricidade. sentir e ser um corpo. Fonseca. Psicomotricidade educativa na perspectiva da formação docente no PIBID Autores: Sousa Dandara QOS. pessoal e profissional. Para eles. Porto Alegre: Artmed. estavam curiosos e sonolentos. A Simbologia do Movimento: Psicomotricidade e educação. possibilidade e entendimento da relação de muitas situações de sua própria vida.Um Olhar da Psicomotricidade Autor: Freitas Mf. Ao sair. Pedagogia dos Afetamentos. Organização Não Governamental (ONG) que desenvolve atividades de arte e educação com crianças e adolescentes moradores do Grande Mucuripe. Realizamos três momentos: Introdução teórica. Deleuze. In Dança em Contextos Educativos. 2007. lateralidade. ao chegar e ao sair da intervenção. Henri Wallon. elevação da autoestima. Bibliografia: Bastos. do envolvimento e do outro. assim como evidenciou a potencialidade das intersecções entre Psicomotricidade. de como o participante sentia-se. Francis Bacon . (2011).P. Experiências Criativas do Movimento: Infinita curiosidade. Foram identificados notável desenvolvimento nos fatores psicomotores.percebidas ou descobertas . V. Manual de observação Psicomotora. 1-144 com observação participante e entrevistas com educandos e profissionais da ONG. ao chegar. . Bibliografia: Lapierre. por meios verbal e folheto. Representação grafomotora individual. sentiam-se felizes e surpresos com o que vivenciaram durante a oficina. Bibliografia: Farina.21). contribuindo para uma visão diferenciada da prática pedagógica destes futuros docentes.Curitiba. Arte e Educação no contexto do desenvolvimento humano global. RJ: Vozes. 2006). ausente da escrita. como fenómeno em que a percepção simultânea se traduz numa unidade da experiência. cinestésico e afetivorelacional. os fundamentos dos fatores psicomotores de Vitor da Fonseca e a relação entre experiências estéticas. (Monteiro. In Textos e Resumos do Seminário Internacional 'Dança e Movimento Expressivo'.pag. da cooperação e confiança. em Fortaleza-Ceará. A análise dos dados teve como base a teoria psicogenética de Henry Wallon. M. CA: SAGE Publications. aumento da qualidade na construção do aprendizado. além de mudanças positivas significativas quanto à qualidade das relações na família. Petrópolis. Cruz Quebrada. Case Study Research: Design and Methods (2ª Ed) Thousand Oaks. O quadro teórico se constitui nos campos da Arte. Análise dos testemunhos por entrevista e dos Diários de Bordo. A Escuta do Corpo. visionamento dos trabalhos individuais. um grande desafio. Significativa parcela dos participantes. Inferimos de suas representações que proporcionamos uma vivência significativa para maioria. Para nós. Cynthia. desenvolvimento do sentimento de pertença ao grupo. uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. propõe-se trabalhar os estímulos e outros mediadores expressivo-emocionais através de atividades lúdicas e de situações problema. H. A investigação revelou que as propostas arte-educativas com break podem se vincular ao favorecimento do desenvolvimento psicomotor. das possibilidades perceptivas. A metodologia se pautou num estudo de caso de base qualitativa. V. como também analisar nesse sentido as potencialidades educativas desenvolvidas na referida oficina junto aos educandos. Break no Projeto Enxame: contribuições para o desenvolvimento psicomotor dos educandos . Yin. Artes Médicas. Cruz Quebrada. 1995. A Macara e A. PR: Filosofart Editora. Porto Alegre. da contaminação entre distintos estímulos. com intersecções que inauguram um olhar em direção a uma compreensão global (aspectos afetivo. Batalha (Eds). A. analisando suas representações. por análise de conteúdo. 3 ed. inclusive de nossa prática pedagógica. Orfeu Negro: Lisboa Monteiro. O presente relato objetiva descrever as experiências e reflexões advindas desta intervenção de educação psicomotora.Setembro 2013 . justificando a tipologia instrumental perseguida (Yin. A análise dos dados revelou importantes avanços no desenvolvimento psicomotor.num mundo multissensorial que devemos contribuir para tornar sempre presente. Fundamentação: O enquadramento conceptual da disciplina destaca a noção de 'synesthesia'. Monteiro (Eds).PIBID. Resultados: Participaram alunos do 1º ano da LD (N=16). 2002. A intervenção foi realizada com 19 graduandos. 24ª Reunião Anual da ANPED. do respeito às diferenças e de visão confiante do futuro. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. o intuito foi que os participantes vivenciassem o próprio corpo e refletissem sobre as conseqüências das amarras que por vezes impomos aos estudantes. esta pesquisa objetivou investigar as contribuições do ensino-aprendizagem do break para o desenvolvimento psicomotor. Castro GM Instituição: Universidade Estadual do Ceará/UECE Resumo: Partindo do relevante impacto no desenvolvimento dos educandos da oficina de break no Projeto Enxame. a escuta do corpo. Fontes de dados da investigação empírica. Dias MA Instituição: Universidade Federal do Rio Grande Norte . fortalecimento nos vínculos afetivos entre educandos e deles com educadores. da consciência do corpo próprio. Galvão. (2007). FMH edições. com qualidades estéticas específicas . Conclusões: O estudo de caso destaca de forma unânime. realizada no VI Encontro Integrativo do PIBID-UFRN. Escolhemos tematizar a (in)quietante relação corpo x escola. além de engrandecedor foi um desafio autoavaliativo. Visamos assim estender horizontes da percepção abrindo campos de possibilidade com ganhos de autonomia para a intervenção no âmbito da Dança e de similar aplicabilidade no contexto da Psicomotricidade. R. 123 .UFRN Produzimos uma oficina que atendesse as demandas de licenciandos dos grupos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência . 179-191. corporais e pedagógicas de Cynthia Farina. Inclusive ao considerar que alguns não desejavam participar desta oficina e ao final enxergavam a psicomotricidade como conhecimento. Mas também o movimento autêntico. cognitivo e motor) do ser humano em sua integralidade. 2004. FMH edições. pautada nos princípios de Lapierre e Aucouturier (2004. (1994). esquema e imagem corporais e motricidades fina e global. possibilitar a reflexão sobre o próprio corpo. aproximando os participantes do entendimento dos aspectos pela vivência corporal. (2006).

Conclusões: Há pontos de convergência e divergência entre os percursos das duas companhias e evidencia-se um claro tráfego entre as experiências vividas nos dois lados do Atlântico. baseado na pedagogia tecnicista visando desempenho e rendimento. com influência da ótica piagetiana e com alianças na Psicomotricidade. o Renascimento. Psicomotricidade Relacional: a teoria de uma prática. Curitiba: Ed Filosofart. nomeadamente a aprovação de intérpretes dos seus elencos para escolas de formação em dança que até então não tinham recebido nenhum intérprete com deficiência. 2005. Cuidados e Técnicas do Corpo. Dança inclusiva em contexto artístico. A Psicomotricidade com as contribuições do método Aucouturier irá ajudar a criança pela via da expressão espontânea a transformar suas angústias e dificuldades em potencialidades. 2007.pag. J. 2002. 1990.H. MIB de Souza. Bibliografia: Carné. situando-se exclusivamente no universo artístico. Lebre P 3 Faculdade de Motricidade Humana/Doutorando 2 Faculdade de Motricidade Humana / INET/MD 3 CMDT 1 Introdução: As relações entre a Dança e a Psicomotricidade são inegáveis. por forma a compreender o conceito de Dança Inclusiva por ele proposto (2002) apontando ainda a sua possível interseção com a psicomotricidade é o principal objetivo desta comunicação.com. Na Psicomotricidade Relacional André Lapierre propõe experimentar uma educação baseada na descoberta e na atividade espontânea. de Dança (Natal. Muitas vezes.PUC Arcos Introdução: A criança portadora do TDAH . Fundamentação Teórica: Inicialmente dentro das cinco épocas: a Antiguidade Greco-Latina. afetivos e de construção que trazem à tona representações do inconsciente. Para Carné (2013) a Prática Psicomotora Aucouturier tem como finalidade possibilitar. Lisboa. Este estudo pretende destacar as contribuições educativas do Método Aucouturier junto à perspectiva de ajuda á criança com TDAH. o qual influenciou as concepções teóricas e as abordagens práticas sobre o corpo. assim como das obras científicas nos períodos de 1979 a 2003 publicadas na Revista Brasileira de Ciências do Esporte e os trabalhos de conclusão de curso no período de 2000 a 2010. 2002. A Psicomotricidade com influência de Françoise Desobeau substitui as técnicas instrumentais e mecanicistas por atividades livres. 1-144 . Prista e André Lapierre. Monteiro E2. Este. do Centro Internacional de Análise Relacional. entre outras. prejudicando assim suas próprias relações e desenvolvimento. Objetivo: Analisar a composição dos elencos e dos repertórios da Roda Viva Cia. JL.Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade tem como característica a dificuldade de desenvolvimento de autocontrole. por não obter tratamento adequado.Proximidades e Distanciamentos na Visão do Corpo em Movimento Autor: Zelaga GT Instituição: Centro Internacional de Análise Relacional (CIAR) Introdução: Este artigo é uma oportunidade de percorrer a jornada epistemológica do Corpo em Movimento no percurso histórico construtivo de três ciências: A Educação Física. valorizando o brincar. o jogo projetivo e simbólico. Sulina. Bibliografia: Amoedo Barral. Summus. Resultados: O resultado esperado com esta pesquisa é contribuir com profissionais da área da educação e da psicologia. Silvia. Vieira.espaconectar. acaba sendo rotulado e prejudicado em seu próprio desenvolvimento. chegando ao inconsciente através dos objetos clássicos e com os conceitos da psicanálise. no Brasil e em Portugal.XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual Da Roda Viva Cia. São Paulo: Ed. P. O extrapolar do ambiente terapêutico e a entrada no mundo dos espetáculos é também algo que podemos verificar em diferentes exemplos de grupos que incluem pessoas com deficiência no Brasil e em Portugal. Bibliografia: Huard. Portugal). Prista. assim como o cultivo de corpos em busca de um modelo hegemônico de saúde e beleza. intelectual e prática no período de 1999 a 2013. posteriormente a história da Psicomotricidade e da Psicomotricidade Relacional e por fim as distinções entre as ciências Educação Física e a Psicomotricidade Relacional dentro de suas produções de conhecimento e atuações. enquanto estiveram sob a direção artística do criador das duas companhias. Faculdade de Motricidade Humana. Interfaces da clínica na prática psicomotora Aucouturier. RM. entrevistas gravadas com diferentes coreógrafos. voltado para eficiência ao treinamento esportivo. do corpo vivido. 2013. a Psicomotricidade e a Psicomotricidade Relacional. vídeos das coreografias. o Século das Luzes. da linguagem e das representações plásticas – que o mundo fantasmático da criança 124 se expresse. Rosa M. com a utilização de objetos dinâmicos. Universidade Técnica de Lisboa. de Souza Mendes. Objetivos: Abordar a Psicomotricidade e as contribuições do Método Aucouturier como modo de intervenção e ajuda terapêutica no tratamento da criança com TDAH. através de uma prática de ajuda á criança com TDAH. apresenta-se como resultado na concepção de corpo uma considerável distinção com relação aos olhares sobre ele. Disponível em: <http://www. no qual se permite que a criança possa tomar consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar através deste. para aperfeiçoamento e aprendizagem. além de fontes secundárias. Henrique Amoedo. 2010. Para o estudo do tema proposto.doc? > Acesso em: 02 de Abril de 2013 Educação Física.Setembro 3013 . Objetivo: O objetivo deste trabalho é analisar o contexto histórico evolutivo. Dalla ÉSF Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais . utilizou-se uma metodologia de abordagem exploratória qualitativa de autores das suas respectivas áreas. As Formações Brasileiras em Psicomotricidade. A Psicomotricidade e o tratamento da criança com TDAH: contribuições do método Aucouturier Autores: Gontijo LS. o fato de alguns coreógrafos terem trabalhado tanto com a companhia brasileira quanto com a portuguesa e ainda a participação em eventos relacionados às questões das deficiência e outros que não mantém relação com esta questão. Resultados: Nas duas experiências há aspectos que se repetiram. Silva DQ.br/artigos/ interfacessilviacarne. representadas nesta obra por três "Homens em Movimento" respectivamente: Maria Isabel B. Ambas as companhias têm grande influência na disseminação da filosofia de intervenção proposta pela direção artística de Amoedo e tem influenciado a Dança Contemporânea. de Dança ao Grupo Dançando com a Diferença: Brasil e Portugal na rota da inclusão através da dança Autores: Amoedo H1. Fundamentação Teórica: A contribuição da Psicomotricidade no tratamento do TDAH se dá através da ludicidade. onde constarão prioritariamente textos científicos e de opinião acerca das duas companhias. por serem cerceadas ou punidas devido à agitação manifesta. Trabalhos Científicos/Temas Livres . apresentam dificuldades em estabelecer uma relação tônica satisfatória com o meio em que vivem. análise de duas companhias. atenção e um nível de hiperatividade e impulsividade. Ilha da Madeira. Mens Sana in Corpore San: saberes e práticas educativas sobre corpo saúde. All Print. Mendes. Psicomotricidade e Psicomotricidade Relacional . através da relação terapêutica – pela via da ação espontânea. o Século Dezenove e a Época Contemporânea. encontrando-se com a dimensão psíquica. transformando suas dificuldades em formas potencializadas de viver. Rio Grande do Norte.Dança). Resultados: Utilizando-se de uma análise deste material documental e da vivência pessoal. Brasil) e do Grupo Dançando com a Diferença (Calheta. Porto Alegre: Ed. São Paulo: Ed. Dissertação (Mestrado em Performance Artística . Fundamentação: Fontes primárias como programas de espetáculos. nos auxiliarão na prossecução dos objetivos desta investigação. Conclusões: O TDAH e suas características na maioria dos casos prejudicam a vida pessoal e acadêmica do portador. Conclusão: A Educação Física de acordo com os artigos analisados por Mendes concebem o corpo sob uma concepção mecanicista.

da Pedagogia e da Psicologia. Fundamentação Teórica: A descrição do Projeto Promoção de Saúde na Escola através da APEAtividades Psicomotoras Especiais baseadas nos princípios da Psicomotricidade Relacional e em termos Pedagógicos da Abordagem da Pedagogia Paulo Freire e da Educação Permanente em Saúde (EP). bem como dos direitos sociais fundamentais. compreender o jogo e sua contribuição no processo grafomotor de crianças do 1º ano do ensino fundamental. São Paulo. Lapierre.UFAM Resumo: No presente estudo buscamos analisar as repercussões psicoeducacionais que podem resultar da falta de um atendimento.NEPPD. 2004 apud LUSSAC. 125 . Educação Psicomotora versus Pedagogia: desenvolvendo competências na prevenção de educandos com atrasos leves no desenvolvimento avaliados no NEPPD/FACED/UFAM Autores: Matos MAS. Manole. André. Freire KLM Local de realização do estudo: APAE de Santarém/PA O corpo é instrumento essencial para o processo de aprendizagem. Brasil: Editora Manole. 1-144 do dos dados da história e evolução da criança. Pedagogia de Autonomia Saberes necessário à Prática Educativa. O instrumento para a avaliação e coleta de dados foi a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM). Bibliografia: Ajuriaguerra. foi possível a verificação de suas dificuldades e potencialidades motoras através da análise dos elementos motores estabelecidos pela bateria de testes. Suzana. La elección terapêutica em psiquiatria infantil. proposta por Rosa Neto (2002).pag. Bibliografia: Aucouturier. definições e intervenção profissional. anatômicos e locomotores. seja do cunho de educação.A. São Paulo. Atrelada ao campo da Neurologia. Barcelona: Toray-Masson. 1977. com enfoque quantitativo.FACED e Universidade Federal do Amazonas .Psicomotricidade e Educação. Carbonari. J. Psicomotricidade: história. London: Willian Heineman Medical Books Ltda. Situação dos Direitos Humanos no Brasil. Paulo. Com o intuito de investigar o jogo e a sua utilização pelos professores realizamos nossa pesquisa observando a contribuição do mesmo no desenvolvimento dos alunos em especial no processo grafomotor. 1975. Kishimoto (2008). A Simbologia do Movimento.Temas Livres / Posters A psicomotricidade como possibilidade de desenvolvimento de potenciais motores de indivíduo com Síndrome de Down: uma análise do perfil psicomotor de crianças com diagnóstico clínico de Síndrome de Down entre 08 e 11 anos de idade na APAE de Santarém/PA Autores: Sampaio PLG. que podem aparecer mais ou menos alterados e muitas vezes apenas discretamente e tentamos identificar as correlações destas alterações no processo de desenvolvimento de ensino e aprendizagem. Bibliografia: Lussac R. Diatkine.SEEDUC/RJ Objetivo: O presente pôster trás um Relato de uma experiência com a Psicomotricidade Educacional e profilática que tem como proposta descrever a importância de ações inclusivas através de Projetos especiais e transversais no universo escolar da Educação de Jovens e Adultos (CEJA) com alunos com necessidades especiais visuais (alunos com Deficiências Visuais) através da inserção de Atividades Psicomotoras Especiais. As Nuanças.1985. 1972. Considerando a importância fundamental do estuTrabalhos Científicos/Temas Livres . e sua relação com o mundo interno e externo. aplicada. Helmer. Barcelona: Toray-Masson. Goes VMSS de Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte Introdução: Este estudo destaca a importância do jogo para o desenvolvimento infantil. R. André. O objetivo principal deste trabalho foi tecer considerações a respeito daqueles casos que na avaliação psicomotora inicial não apresentam prejuízos quantitativos importantes do ponto de vista psicomotor. psicopedagógicas e psicomotora. 2002. desenvolvimento. A psicomotricidade propõe a abordagem global do ser humano destacando a relação entre motricidade. Bernard. et alu. Os dados em discussão foram examinados a partir das experiências acumuladas desde 2001 no NEPPD/FACED/UFAM (ou práxis) de atendimento de educandos na faixa etária de 02 a 12 anos de idade com dificuldade psicoeducacionais e também com deficiência intelectual (mental) e Transtornos Globais do Desenvolvimento. Os autores que deram suporte a esta pesquisa foram Rius (2008). considerando que o emocional e o afeto encontram-se tão presentes na psicomotricidade é que se faz necessário o auxilio de um profissional da Psicologia. bem como pela revisão da literatura especializada. Cardus. pois. Ajuriaguerra. tendo assim como objeto de estudo o homem. Brasil: Ed. Visto isso.1986. verificamos. seu corpo. 1970. Paulo César. no entanto lacunas ou falhas referentes à qualidade da execução nas respostas dadas. isto se confirma em razão da influência que os movimentos assumem frente a maturação do indivíduo. São Paulo. Promoção de Saúde e Direitos Humanos através das APEAtividades Psicomotoras Especiais . Lima (2008). El estúdio psicológico em El diagnóstico de La D. Disponível em: www. 30° Edição. 2011). já que 66% da população apontaram para a Deficiência Motora Moderada. exploratória e não experimental buscando identificar com precisão dificuldades e potencialidades particulares a esta população. Lapierre. como fontes de significados que permitem a compreensão mais clara e à valorização de sinais leve de alteração no desenvolvimento global que muitas vezes não são considerados como elementos possivelmente determinantes de futuras alterações maiores da aprendizagem. Mykle Bust. Manual de Psiquiatria Infantil. Rutter. fazendo-se necessária a realização de intervenções específicas para esta demanda. afetividade e inteligência. Brasil: Paz e Terra. haja vista que o principal instrumento de trabalho para estes profissionais é o comportamento. C.com Acesso em: fev 2011. 1972.efdeportes. 1996..Educação de Jovens e Adultos com Deficiências Visuais Autor/Relator: Rangel G Instituição: Centro de Educação de Jovens e Adultos Instituto Benjamin Constant (CEJA-IBC) . A psicomotricidade estuda o homem na sua totalidade como pessoa (Nicola. reeducação ou terapia em determinados casos de crianças que apresentam falhas aparentemente discretas na avaliação pedagógica. Este estudo objetivou traçar o perfil motor de crianças com Síndrome de Down (SD) na APAE de Santarém/Pará. corroborando com os apresentados pela literatura. O jogo no Ensino Fundamental: contribuições no processo grafomotor de crianças do 1º ano Autores: Paiva AKM. 17% para a Deficiência Motora Leve e também 17% para a Deficiência Motora Profunda. Michael. Uruguai: Delta Editoriad. Buscamos com isso. Resultados: A APE tem proporcionado uma melhoria nas adequações ao ritmo escolar. conceitos. Trata-se de uma pesquisa de campo. bem como na autoconfiança e no desenvolvimento de uma ação pró-autonomia da saúde do alunado deficiente visual. Freire (2005).Setembro 2013 . Faculdade de Educação . comportamento este desencadeado por uma emoção. Conclusão: O Pôster tem como princípio demonstrar a aplicação da política de promoção de saúde e educação permanente na escola através de Atividades Psicomotoras e apontar para a contribuição para minimizar o marco da historicidade da Educação de Jovens e Adultos no Brasil que trás já na sua essência a dívida social e a exclusão de tempos passados e apontar para os novos pilares da Educação a serem cumpridos pelas políticas públicas de hoje no Brasil tratando da equidade educacional. Dias M. In: Neuro pediatria latina americana. What do we mean by learming disordors? In: Learning disabilities. Boston: Hongton Muffen Company. a psicomotricidade compreende o corpo e seus aspectos neurofisiológicos. Souza DB Instituições: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psicopedagogia Diferencial . Freire. OEA. J. Verificouse que a EDM é de grande utilidade na avaliação de crianças com Síndrome de Down. Averiguamos alguns elementos do funcionamento infantil através do desenvolvimento evolutivo. ou que apresentam um perfil psicomotor próximo da sua idade cronológica. In: The child with delayed speech. Nesta ciência não existe movimento sem um elemento emocional que o origine carregados de afeto que o mantém. M. Clinical assessment of language sisordens in the yaung children. Franklin DV.

XII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Vínculos em Psicomotricidade: o Real e o Virtual

Adelantado (2002), Huizinga \91996;1997), dentre outros. A pequisa
foi de caráter qualitativo-descritivo e a coleta de dados na forma de
quationário com perguntas abertas. Para a análise dos dados foram
tomadas amostras de questionários realizados com 5 professores
do 1º ano do ensino fundamental do município de Arêz/RN. Através
da análise de teóricos e do discurso dos professores entrevistados
constatamos que o jogo é um importante elemento potencializador da
nosssa cultura, inserido em um contexto histórico-cultural. Aliado a
uma proposta pedagógica colaborativa interdisciplinar o jogo contribuirá para a formação integral do ser na sua totalidade facilitando,
assim, o desenvolvimento das habilidades e capacidades básicas
para o ato gráfico.
Palavras-chave: Jogo, processo grafomotor, criança, Ensino Fundamental

EIXO B - GERONTOPSICOMOTRICIDADE

Efeitos da Psicomotricidade Aquática no equilíbrio, risco de
quedas e qualidade de vida em idosos
Autores: Flach CRC, Teigão FC. Carvalho GRS, Gruber CR
Instituição: Unibrasil - Faculdades Integradas do Brasil
Introdução: Há uma maior expectativa de vida no país levando em
consideração as estimativas. Mas, apesar de viverem por mais tempo, há uma tendência, na população, de se confrontarem com déficits
de funcionalidade como a perda do equilíbrio, predispondo ao risco
de quedas e diminuição da qualidade de vida. Estudos demonstram
que a psicomotricidade aquática enquanto abordagem terapêutica
associada ao trabalho fisioterapêutico pode favorecer a atenuação
das ações pertinentes ao envelhecimento, além de lhes propiciar
maior autonomia e socialização, ou seja, melhor qualidade de vida.
Objetivo: Avaliar os efeitos da psicomotricidade aquática associado a um tratamento fisioterapêutico no equilíbrio, risco de quedas e
qualidade de vida em idosos. Metodologia: Foi realizada uma avaliação do equilíbrio, risco de quedas e qualidade de vida pré e pósaplicação de um programa de exercícios fisioterapêuticos dentro da
abordagem da psicomotricidade aquática. Como instrumento de avaliação foram utilizados a escala de equilíbrio berg (BERG), Timed up
and go (TUG) e SF-36 respectivamente. De acordo com os critérios
de inclusão e exclusão fizeram parte deste estudo 27 idosos do
Movimento da Terceira Idade da Paróquia São Benedito da cidade de
Curitiba. Fundamentação Teórica: Este estudo teve com base autores como Bueno (1998), Degani (1998), Gandolfi (2001), Rebelato
(2007), Vasconcelos (2003): Resultados: Na avaliação do equilíbrio realizada pela BERG foi constatado um valor médio de 46,25 (±
5,10) pontos pré exercício e na avaliação realizada após o protocolo
foi observado um valor médio de 52,93 (±3,65), na TUG foi percebido
uma média acima do ponto de corte (10,67 ± 2,61segundos) Variando de 7 a 8 segundos pré intervenção e após a média passou para
8,13 (± 12,32) segundos variando de 5 a 14 segundos. Já na avaliação da qualidade de vida através da SF-36 foi percebido na primeira avaliação uma média de 64,94 (±21,58) pontos, pós o tratamento
foi encontrado uma média de 67,36 (± 21,71) mostrando um desvio
padrão muito alto. Conclusão: O estudo não teve relevância estatística devido ao numero de pacientes, porém apresentou uma relevância clinica no que diz respeito ao equilíbrio e risco de queda com
manutenção das habilidades motoras já adquiridas, maior eficácia e
agilidade nas atividades propostas e consequentemente percebeuse uma melhora na qualidade de vida dos sujeitos do estudo.
Palavras-chave: Equilíbrio, risco de quedas, qualidade de vida, exercícios psicomotores, fisioterapia aquática.

126

APR – Atividade Psicomotora Refinada
Autor: Amorim RA
Instituição: Instituto de Yoga Maha Vishnu
Introdução: Esse é um projeto psicomotor direcionado ao publico
da melhor idade. Numa abordagem psicomotora inovadora, divertida,
dinâmica... que venho apresentar neste "paper". A APR, atividade
psicomotora refinada, trás esse nome em função do refinamento
motor necessário para a sua prática e seu aprimoramento. Utilizando
acessórios como bolas dos mais variados tamanhos e aparatos
que gerem desequilíbrio mecânico ao corpo, que é o objeto maior.
A APR consiste de 5 domínios motores o qual venho denominar como
um RARME: R- respiração, A- arremessos, R- recepções, Mmalabares e E- equilíbrio. Realizar um RARME, significa executar os
5 domínios motores ao mesmo tempo, nível de maior dificuldade dessa prática psicomotora. No entanto não significa que só realiza APR
quem consegue fazer um RARME, o controle de pelo menos 2 desses domínios ao mesmo tempo já se considera um inicio para a APR.
Objetivos: Venho por meio deste, apresentar a APR ao universo
psicomotor e demais interessados. Trazendo como objetivos específicos uma investigação do equilíbrio corporal e capacidade de
preensão das mãos do publico alvo. Fundamentação Teórica:
Através de autores do crivo psicomotor como Cacilda Velasco, Vitor
da Fonseca, Jocian Bueno entre outros passo a acreditar que a
pratica psicomotora direcionada e bem organizada, trás possibilidades a qualquer idade e variados prognósticos. Não existe idade
para obter respostas do seu eu. Que reside dentro do corpo que se
movimenta mais ou talvez menos, que pode ter passado sem algumas etapas motoras, podendo haver um resgate dessas vivências
para aquisição do todo mais definido, seguro e auto controlado.
Resultados: A seguinte pesquisa esta em andamento, e os resultados só poderão ser apresentados ao término do estudo. Conclusões: Entendo como psicomotricidade, os estímulos motores, emocionais e cognitivos que tragam ao individuo uma restauração ou
melhora da satisfação do seu ser com o universo que lhe rodeia.
Bibliografia: Velasco, Cacilda. Aprendendo a envelhecer... a luz da
psicomotricidade.
Deepak, Chopra. Corpo sem idade, mente sem fronteiras.
Fonseca, Vitor. Psicomotricidade filogênese, ontogênese e retrogenese.
Matos, Vera. Perfil psicomotor um olhar para além do desempenho.
Campigonon, Fhilippe. A respiração para uma vida saudável.
Moragas, Ricardo. Gerontologia Social

Estudio del impacto de un programa gerontopsicomotriz en
pacientes con caídas y/o miedo a caer
Autores: Vázquez S, Mazzoni L, Mila J.
Especialidad en Gerontopsicomotricidad. Escuela de Graduados.
Facultad de Medicina.
Introducción: Las caídas forman parte de los Sindromes Geriátricos y constituyen un indicador de vulnerabilidad en este grupo etario.
Se trata de un problema de etiología multifactorial y de consecuencias
importantes tanto a nivel físico como psicológico y social del sujeto.
A través de una modalidad de trabajo grupal en sesiones de
Gerontopsicomotricidad se abordará la problemática de las caídas
como suceso vital, incluyendo todas las dimensiones significativas
para el individuo favoreciendo el proceso rehabilitador. Objetivos:
Diseñar, implementar y estudiar el impacto de un programa de atención
gerontopsicomotriz en pacientes con caídas y/o miedo a caer.
Restablecer según las posibilidades de cada individuo, las condiciones
funcionales, afectivas y sociales que le permitan el máximo de
adaptación, autonomía y mejora en su calidad de vida. Fundamentos teóricos: Es frecuente que tras una caída se manifieste el
Síndrome post caída, representado por la ansiedad y temor a presentar
una nueva caída que se asocia a una pérdida de confianza en sí
mismo y aislamiento social. Todo esto se traduce en una disminución
del nivel de funcionamiento y autonomía del individuo. Resultados:
Todos los pacientes presentan mejoría en relación a su autopercepción corporal representada en los test. Se observan
modificaciones en el control postural y el manejo de tensiones que
Trabalhos Científicos/Temas Livres - Setembro 3013 - pag. 1-144

Temas Livres / Posters

repercuten directamente en el control ortostático. Existe asimismo
una percepción subjetiva de mejoría, refiriendo mayor dominio del
movimiento y menor sensación de inestabilidad. Conclusiones: A
través de modificaciones en el tono, la incorporación de mediadores
adecuados, se favorece la toma de conciencia del propio cuerpo, de
sus posibilidades reales y de lograr una adaptación funcional más
efectiva a las necesidades y expectativas individuales.
Bibliografía: Pérez, R. Indicadores Psicoafectivos en el Test de K. Machover
aplicado en adultos mayores. Servicio de Psicología de la Vejez. UDELAR.
Montevideo, 2007.
Rose DJ. Equilibrio y movilidad con personas mayores. Ed. Paidotribo. Barcelona, 2005.
Société Française de Gériatrie et Gérontologie. Évaluation et prise en charge
des personnes agées faisant des chutes répétées. Año 2009.

A Psicomotricidade contribuindo para a qualidade de vida do
portador de Parkinson
Autores: Melo OAS, Magalhães MLB
O presente trabalho envolveu os seguintes aspectos: compreensão
da Doença de Parkinson (DP), de seus sintomas, suas causas e
tratamento; intervenção por meio da Reeducação Psicomotora visando reduzir a degeneração natural causada pela doença e resgatar aspectos motores, sócio-afetivos e cognitivos. O objetivo principal dessa investigação é compreender como a Psicomotricidade pode
contribuir para a qualidade de vida do portador de DP. Parkinson é
uma doença degenerativa e progressiva do Sistema Nervoso Central (SNC), por morte neural na substância negra, com consequente
diminuição do neurotransmissor Dopamina. Estima-se que por volta
de 2020 mais de 40 milhões de pessoas no mundo serão portadoras
de DP. A prevalência da doença aumenta com a idade. Adotamos a
metodologia qualitativa, desenvolvendo um estudo de caso. A pesquisa realizou-se com uma mulher portadora de DP, com 62 anos de
idade, no período de Agosto a Novembro de 2012. Utilizamos a Avaliação e a Reeducação Psicomotora na retrogênese (Fonseca, 2012).
O registro das atividades se deu por imagens fotográficas e relatórios. A frequência do trabalho foi, inicialmente, duas vezes, posteriormente três vezes por semana, durante três meses; na residência
da paciente. Utilizamos como base da avaliação a Bateria Psicomotora
(Fonseca, 2012). As atividades de Reeducação Psicomotora visaram desenvolver o tônus, a capacidade de percepção corporal, a
noção espaço-temporal, a capacidade de concentração, o equilíbrio,
a coordenação motora ampla e fina e algumas atividades da vida
diária limitadas pela doença. O material empírico obtido foi lido e
relido, submetido à supervisão e análise criteriosa, além de ser discutido com a própria paciente visando uma validação dos resultados. Os resultados desta pesquisa sugerem mudanças no modo de
sentir e viver da paciente, no modo de enfrentar as limitações da
idade e da doença, evidenciando crescente evolução dos aspectos
motores, sócio-afetivos e cognitivos. Seguiremos com o trabalho
psicomotor possibilitando à paciente escapar à imobilidade, à passividade e ao isolamento. Compreendemos que, com o aumento crescente de pessoas acometidos com a DP no Brasil, é necessário que
número maior de pesquisas referentes à intervenção Psicomotora
nestes casos seja desenvolvido.
Bibliografia: Fonseca, Vítor da. Manual de Observação Psicomotora - Significação Psiconeurológica dos Fatores Psicomotores. Rio de Janeiro: WAK,
2012.

Uma busca pela Psicomotricidade como disciplina das
UNATIs
Autores: Cardoso KR e Mello LM de
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Introdução: O envelhecimento populacional brasileiro é evidente e
traz consigo a preocupação dos órgãos públicos e demais instituições, que buscam oferecer alternativas para amenizar o "peso"
causado pela idade, através de uma educação continuada e estímulo ao resgate da cidadania. Objetivo: Verificar a presença, características e resultados das propostas psicomotoras oferecidas pelas
Trabalhos Científicos/Temas Livres - Setembro 2013 - pag. 1-144

UNATIs – Universidades Abertas da Terceira Idade do município do
Rio de Janeiro. Fundamentação Teórica: A Psicomotricidade voltada à terceira idade faz uso dos conhecimentos da gerontologia,
ciência que aborda as mudanças regressivas do sistema psicomotor
do idoso sob a terminologia de Gerontopsicomotricidade. Desta forma, propõe uma abordagem psicomotora voltada a favor da manutenção de uma estrutura funcional adequada às necessidades específicas do geronte. Fonseca (1998:351) ressalta que a "Psicomotricidade pode exercer um efeito preventivo, conservando uma
tonicidade funcional, um controle postural flexível, uma boa imagem
do corpo, uma organização espacial e temporal plástica, uma
integração e prolongamento de práxias ideomotoras e etc.", proporcionando ao idoso a dignidade que ele merece. Resultados: Os
resultados demonstram que a Psicomotricidade ainda é uma matéria
pouco oferecida nas UNATIs, por falta de investimentos, de conhecimento e desinteresse dos coordenadores sobre o tema, bem como
carência de profissionais qualificados em Gerontopsicomotricidade.
Conclusões: Após constatado que todas as universidades dispõem do projeto de extensão Universidade Aberta da Terceira Idade,
porém, apenas uma oferece formalmente a Psicomotricidade como
disciplina em seu programa de curso, fica evidenciado que essa
ainda é uma matéria pouco valorizada nas UNATIs. Verificou-se,
portanto, que as políticas públicas e os programas das universidades precisam estar mais voltados para a terceira idade e que, em
virtude dos múltiplos benefícios proporcionados, a Psicomotricidade
deveria ser mais valorizada e explorada nesta faixa etária.
Bibliografia: Fonseca, Vítor da. Psicomotricidade: Filogênese, Ontogênese e
Retrogênese. Porto Alegre: Artes Médicas. 1998.
Levy, Denise. Psicomotricidade e Gerontomotricidade na Saúde Pública. In:
Psicomotricidade: da educação infantil à gerontologia. São Paulo: LOVISE, 2000.
Cap.17.
Rego Barros, Darcymires do. A Gerontomotricidade e as Condutas Psicomotoras.
In: Psicomotricidade: da educação infantil à gerontologia. São Paulo: LOVISE,
2000. Cap.16.
Velasco, Gonçalves Cacilda. Aprendendo A Envelhecer ...á luz da
Psicomotricidade. São Paulo: Editora All Print, 2005.

EIXO C - CLINICA PSICOMOTORA

Projeto Psicosom
Autores: Rocha MDS, Bueno CS, Sapori MM
Instituição: Núcleo Assistencial Caminhos para Jesus
Em 2011, após estudos de casos realizados no Setor de Apoio
Interdisciplinar, iniciou o Projeto Psicosom, embasado na Psicomotricidade e Terapia Ocupacional. Promover um espaço onde o indivíduo possa expressar e resignificar suas dificuldades, limitações e
potencialidades relacionais, através do trabalho corporal, atuando
de forma positiva na questão cognitiva, social, emocional e psíquica,
levando-o a desenvolver suas habilidades de ação inteligente, seja
seu potencial íntegro ou afetado por deficiências de qualquer origem. A criança em um primeiro momento é sensório motor e explora
o mundo com seu corpo, portanto, é necessário dar a ela a possibilidade de vivenciar este momento, para que, apoiada neste, haja uma
evolução no seu desenvolvimento. No espaço da vivência psicomotora a criança está livre para explorar seu corpo e suas
potencialidades, viabilizando a "construção do eu"