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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE (UNI-BH) LUCÉLIA GOMES DOS SANTOS

A INFLUÊNCIA DOS CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE NO JORNALISMO NA RÁDIO UFMG EDUCATIVA

Belo Horizonte 2009

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE (UNI-BH) LUCÉLIA GOMES DOS SANTOS

A INFLUÊNCIA DOS CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE NO JORNALISMO NA RÁDIO UFMG EDUCATIVA
Monografia apresentada ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito parcial á obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo. Orientadora: Wanir Campelo

Belo Horizonte 2009

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Agradeço a Deus pela benção da vida. Aos amigos que fiz na faculdade, Kelly Cristina, Priscila Oliveira, Ederson, Fernanda Rondis, Tamira e Aldria. À orientadora Wanir Campelo, pelo carinho e serenidade. Ao Everson, pela força nos momentos difíceis. Aos meus pais, pelo apoio constante (em especial à minha mãe, por acreditar no meu sonho enquanto muitos desacreditavam).

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RESUMO

O presente trabalho consiste na análise do jornalismo da Rádio UFMG Educativa FM 104.5. O objetivo é verificar a influência dos critérios de noticiabilidade segundo os autores Wolf (1995) e Traquina (2005, 2v.). Percebemos que, na emissora as notícias ligadas à educação são uma prioridade da rádio e que há, sim, uma influência dos valores notícia na produção e veiculação de matérias. Percebemos também que, assim como as emissoras comerciais, as educativas constituem um meio eficaz de propagação de notícias.

Palavras-chave: Radiojornalismo; radiodifusão educativa; critérios de noticiabilidade

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LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Critérios de Noticiabilidade ..........................................................................................63 Tabela 2 - Quantidade de matérias por Editoria – Jornal da UFMG..............................................65 Tabela 3 - Quantidade de matérias por Editoria- UFMG Notícias.................................................68

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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..........................................................................................................07 2. JORNALISMO E O RÁDIO ......................................................................................09 2.1 Objetividade jornalística............................................................................................09 2.2 Critérios de noticiabilidade........................................................................................11 2.3 Características do jornalismo radiofônico.................................................................18 3. HISTÓRICO DO RÁDIO NO BRASIL.....................................................................23 3.1 Como tudo começou..................................................................................................23 3.2 As primeiras emissoras de Belo Horizonte................................................................29 3.2.1 Rádio Mineira.........................................................................................................29 3.2.2 Rádio Guarani.........................................................................................................30 3.2.3 Rádio Inconfidência................................................................................................31 3.2.4 Rádio Itatiaia...........................................................................................................32 3.3 O sistema pluralista de radiodifusão..........................................................................33 3.3.1 Retrospectiva do Rádio Educativo no Brasil .........................................................34 3.3.2 O papel das Rádios Educativas na mídia atual.......................................................41 4 ANÁLISE DOS CONTEÚDOS DOS PROGRAMAS UFMG NOTICIAS E JORNAL DA UFMG.......................................................................................................44 4.1 Metodologia de Pesquisa...........................................................................................44 4.2 Rádio UFMG Educativa - Estação do Conhecimento...............................................46 4.2.1 Breve perfil da UFMG ...........................................................................................48 4.2.2 UFMG Notícias......................................................................................................49 4.2.3 Jornal da UFMG.....................................................................................................49 4.3 Análise dos Programas UFMG Notícias e Jornal da UFMG.....................................50 4.3.1 A UFMG Educativa e os critérios de noticiabilidade.............................................51 4.3.2 UFMG Notícias e os valores – noticia....................................................................52 4.3.3 A notícia no Jornal da UFMG ...............................................................................54 5 CONCLUSÃO..............................................................................................................59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................61 ANEXOS.........................................................................................................................63

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1. INTRODUÇÃO

Este estudo surgiu a partir do interesse da autora em descobrir o papel das emissoras educativas na mídia atual. O objetivo geral do trabalho é contribuir para a discussão e valorização do rádio educativo, tema pouco explorado por pesquisadores da área de comunicação e cuja literatura existente é escassa e desatualizada.

O rádio é considerado por muitos um veículo popular, que visa à informação e ao entretenimento. Por tratar-se de um meio de comunicação não excludente, ele pode ser ouvido independentemente de classe social, raça, sexo, cultura ou religião.

O rádio é ágil, barato e democrático. Possui particularidades como instantaneidade, simplicidade e sensorialidade. Graças a essas potencialidades, o rádio se expandiu em todo o mundo.

Este trabalho consiste em um estudo sobre o rádio, especificamente sobre o rádio educativo, a partir da análise de reportagens veiculadas pela Rádio UFMG Educativa, no período de 28 de setembro a 2 de outubro de 2009.

Dentre os tópicos de análise, o destaque dado será a influência dos critérios de noticiabilidade em dois programas jornalísticos da emissora.

Conceitos como Comunicação de Massa, Jornalismo Público e Rádio Educativa nortearão o estudo, mas não está descartada a inclusão de outros temas pertinentes à comunicação.

A UFMG Educativa (FM 104.5) reúne informação de qualidade e entretenimento e se destaca das demais emissoras do gênero por enfatizar uma programação voltada para o enriquecimento intelectual dos indivíduos.

Abordaremos também, as características e peculiaridades do rádio, os critérios para seleção e veiculação de notícias, assim como a tão debatida objetividade jornalística. Faremos, ainda, uma retrospectiva da história do rádio no Brasil, discutiremos o surgimento das

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emissoras de rádio em Belo Horizonte e abordaremos o papel da radiodifusão educativa na mídia atual.

No último capítulo, será realizada uma análise dos programas UFMG Notícias e Jornal da UFMG, para verificarmos de que forma os critérios de noticiabilidade influenciam no jornalismo da UFMG Educativa.

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2. JORNALISMO E O RÁDIO Nesse capitulo vamos abordar a tão discutida objetividade jornalística, assim como os critérios de noticiabilidade na visão de pesquisadores como Traquina, Wolf, Galtung e Ruge e Ericson, Baranek e Chan. Trataremos também as característica do jornalismo radiofônico e a importância do rádio como veículo eficaz de propagação de mensagens. 2.1 Objetividade Jornalística

A objetividade jornalística é um tema recorrente nas discussões dos estudiosos e profissionais da comunicação. Amaral (1996) distingue objetividade e subjetividade propondo uma discussão filosófica a respeito dos termos.

O conceito de objetividade para Hilton Japiassú; Danilo Marcondes é:

Característica daquilo que existe independente do pensamento. Opõe-se a subjetividade; Na filosofia Kantiana, característica do conhecimento objetivo, ou seja, aquilo que o entendimento, com base nos dados da sensibilidade, constitui como objeto da experiência; Em um sentido epistemológico, tentativa de constituir uma ciência que se afaste da sensibilidade e da subjetividade, baseando suas conclusões em observações controladas, em verificações, medidas e experimentos, cuja validade seja garantida pela possibilidade de reproduzi-los e testá-los (Dicionário Básico de Filosofia, 1996, p. 199)

Podemos afirmara ainda que objetividade é:
Qualidade do que é objetivo; Existência real daquilo que se concebeu no espírito; existência dos objetos fora do eu. (Novo Dicionário Aurélio da lingua portuguesa, 2.ed., rev. aum. , 1986, p. 1208)

“Para os realistas, a verdade deve ser interpretada como a correspondência com a realidade (objetividade); para os pragmatistas, a verdade é aquilo que é vantajosa para nós crermos (subjetividade)”. (AMARAL, 1996, p. 19)
Até a primeira metade do século XIX não havia preocupação, por parte do editor e do leitor, com equilíbrio e imparcialidade. A imprensa era sobretudo político-partidária, comprava-se (assinava-se) jornal para saborear a versão parcial dos acontecimentos e para ler as críticas ao adversários (AMARAL, 1996, p. 25).

Segundo Amaral (1996), a adoção definitiva do princípio da objetividade é atribuída a quatro

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acontecimentos: o advento das agências de notícias, o desenvolvimento industrial, as duas grandes guerras e o advento da publicidade e das relações públicas.

Nas palavras de Genro Filho “o jornalismo deve ser imparcial, mas deve interpretar os fatos e guiar seus leitores.” (GENRO, 1989, p. 43). Rossi 1apud Genro (1989) diz que: “A objetividade é possível, por exemplo, na narração de um acidente de trânsito - e, assim mesmo, se nele não estiver envolvido o repórter, pessoalmente, ou algum amigo ou parente”. (ROSSI,1984, apud FILHO,1989, p. 48). Na visão de Nilson Lage2 (1979) um jornalismo que fosse a um só tempo objetivo, imparcial e verdadeiro excluiria toda outra forma de conhecimento, criando o objeto mitológico da sabedoria absoluta.

O conceito de objetividade posto em voga consiste, basicamente, em descrever os fatos tal como aparecem; é, na realidade, um abandono consciente das interpretações, ou do diálogo com a realidade, para extrair desta apenas o que se evidencia (LAGE,1979, apud FILHO, 1989, p. 132).

Juntamente com a discussão da objetividade, Amaral (1996) faz algumas indagações sobre o conceito de verdade, para isso cita Hilton Japiassú (1987) e Richard Rorty (1994). O primeiro afirma que, do ponto de vista epistemológico, nenhum ramo do saber possui a verdade; completando que uma verdade possuída não passa de um mito, de uma ilusão ou de um saber mumificado. Já o outro autor diz que:
Os defensores da objetividade acham que a partir do momento em que uma pessoa está em busca da objetividade ela deve se distanciar de sua entourage, não se considerando membro de qualquer grupo real ou imaginário, mas associando o seu destino a qualquer coisa susceptível de ser descrita sem qualquer referência a seres humanos particulares (RORTY, 1994, apud AMARAL, 1996).

Para Amaral (1996), os preconceitos, os interesses pessoais, as dificuldades de espaço e tempo, a
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ROSSI, Clóvis. O que é Jornalismo. 4 ed. São Paulo, Brasiliense, 1984 (Primeiros Passos, 15). LAGE, Nilson. Ideologia e técnica da notícia. Petrópolis, Vozes, 1979, p. 15.

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pressa (na apuração) e a omissão constituem obstáculos no caminho da verdade.

Apesar das discussões propostas sobre objetividade jornalística, é intrínseco ao jornalista buscar um trabalho imparcial, visto as discussões no meio acadêmico e profissional.

Tuchman (1993), citado por Traquina (2005) aponta quatro procedimentos utilizados pelos jornalistas para justificar a objetividade. O primeiro refere-se a apresentação de possibilidades conflituosas, ou seja, a identificação de questões que possam parecer ambíguas ou que pareçam beneficiar um indivíduo em detrimento de outro. O segundo procedimento diz respeito a provas auxiliares, fatos que comprovam o que está sendo dito. Já o terceiro tem relação com o uso de citações, isto é, o jornalista estar isento do que foi dito, pois a fala não é dele, é de outro. O quarto procedimento identificado com a objetividade trata-se do uso do lead. Os fatos mais relevantes são priorizados na estruturação da notícia, tem-se daí a justificativa de um trabalho ancorado na objetividade. 2.2 Critérios de Noticiabilidade Antes de abordar os critérios de noticiabilidade, faz-se necessário algumas considerações. Traquina (2005) propõe uma retomada ao ano de1606 contextualizando o surgimento das "folhas volantes".
As folhas volantes são diferentes dos jornais em primeiro lugar porque são dedicadas habitualmente a um único tema, e não uma variedades de assuntos como os jornais, e, em segundo lugar não são publicações regulares. (TRAQUINA,2005, p. 64).

Milagres, abominações, catástrofes, acontecimentos bizarros, o insólito, os homicídios, as feiticeiras e a guerra eram as principais notícias das folhas volantes.

Os primeiros jornais datam do século XVII. No século XVIII os jornais e os meios de comunicação em geral eram tidos como arma política. A mudança ocorreu na década de 30 do século XIX com o surgimento da “penny press”. O termo penny press tem ligação com a diminuição no preço cobrado por um exemplar de jornal. A penny press surgiu com o objetivo de aumentar a circulação dos impressos. O baixo preço do jornal era uma estratégia para atrair novos leitores. “Com o desenvolvimento da “penny press” nos anos 1830-1840, surgiu um novo jornalismo que privilegia informação e não propaganda, distinção que era vista como

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pressupondo um novo conceito de notícia onde existiria a separação entre fatos e opiniões”. (TRAQUINA, 2005, p. 50-51)

Nos Estados Unidos e na França, os jornais New York Sun (1831) e La Presse (1836) mudaram a forma de fazer jornalismo. O New York Sun, por exemplo, começou enfatizando as notícias locais, as histórias de interesse humano e reportagens sensacionalistas de fatos surpreendentes. No Brasil, a imprensa surgiu em 1808 com a vinda da família real, porém há registros de duas tentativas de implementação da tipografia, uma em 1706, em Recife, e a outra em 1746, no Rio de Janeiro. Ao transferir-se para o Brasil, Antônio Isidoro, impressor da cidade de Lisboa, trouxe consigo o seu material tipográfico. Isidoro chegou a montar uma oficina no Rio de Janeiro imprimindo alguns trabalhos. O destaque é para a Relação da Entrada do Bispo Antônio do Desterro, redigida por Luís Antônio Rosado da Cunha, considerado o primeiro folheto impresso no Brasil. Antônio Isidoro teve sua oficina queimada a mando da metrópole. A justificativa era a não propagação de idéias que fossem contrárias ao interesse do Estado. A Gazeta do Rio de Janeiro era o jornal oficial do Brasil. Como era de se esperar, trazia apenas informações de interesse da nobreza. A Gazeta do Rio de Janeiro era uma reprodução fiel da Gazeta de Lisboa, tinha uma periodicidade curta, poucas folhas e preço baixo.

Ao abordar a imprensa no Brasil, faz-se necessário falar do Correio Brasiliense de Hipólito da Costa. Mesmo sendo dirigido e redigido em Londres, o jornal de Hipólito da Costa foi considerado parte da imprensa brasileira. O primeiro número do jornal surgiu em 1° de junho de 1808, três meses antes da Gazeta do Rio de Janeiro que data de 10 de setembro de 1808. O Correio Brasiliense era doutrinário (sua finalidade era influir opiniões), possuía cerca de 140 folhas, periodicidade mensal e o seu preço era maior se comparado a Gazeta do Rio de Janeiro.
Em tudo o Correio Brasiliense se aproximava do tipo de periodismo que hoje conhecemos como revista doutrinária, e não jornal; em tudo a Gazeta se aproximava do tipo de periodismo que hoje conhecemos como jornal – embora fosse exemplo rudimentar desse tipo. (SODRÉ, 1999, p. 22)

Em 20 de junho de 1809, o embaixador português em Londres, D. Domingos de Sousa Coutinho comunica a D. João através de oficio a existência do Correio Brasiliense. A partir daí, o jornal de

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Hipólito da Costa passa a sofrer perseguições da Corte do Rio de Janeiro.
As perseguições, segundo alguns não partiam do príncipe, mas de subordinado seus, inclusive ministros. Com a revolução do Porto, em 1820, as perseguições cessaram e o jornal passou a circular normalmente no Reino e no Brasil. (SODRÉ, 1999, p. 27)

O Correio Brasiliense desapareceu em 1822. Ao contrário do que possa parecer, o Correio Brasiliense não pregava a Independência, as críticas eram em relação à administração do Brasil, principalmente nas questões relativas à abertura dos portos e ao pagamento de impostos.

Após a Gazeta do Rio de Janeiro outros jornais foram surgindo, a exemplo da Idade do Ouro do Brasil datado de 14 de maio de 1811 na Bahia, As Variedades ou Ensaios de Literatura (1812) e o Patriota (1813) fundado por Manuel Ferreira Araújo Guimarães.

No Brasil, a imprensa acompanhou desdobramentos históricos como a vinda da Corte Portuguesa, a Independência, as lutas políticas, a abolição da escravatura, a instalação da Républica, entre outros acontecimentos. A partir do século XIX, a imprensa consolidou-se passando do processo artesanal para a fase industrial com estrutura de empresa jornalística.
O desenvolvimento da imprensa no Brasil foi condicionado, como não podia deixar de ser, ao desenvolvimento do país. Há, entretanto, algo de universal, que pode aparecer mesmo em áreas diferentes daquelas em que surge por força de condições originais: técnicas de imprensa, por exemplo, no que diz respeito à forma de divulgar, ligadas à apresentação da notícia. (SODRÉ, 1999, p. 394)

A introdução do lead, criado pelo jornalismo norte-americano para situar os elementos mais importantes da notícia (Quem, Que, Quando, Onde, Por que e Como) inovou a forma de fazer jornalismo, a ideia que se tem é de notícia como algo a ser consumido, um produto à venda. Daí a necessidade de buscar o que interessa ao leitor. Lembremos a história contada por Charles Dana: “se um homem vai andando pela rua e um cão o morde, isso não é notícia, a não ser que esse homem tenha projeção política, social, financeira, notoriedade por qualquer motivo; mas se um homem morde um cão, isso e notícia”. (SODRÉ, 1999, p. 394). Os valores-notícia seguem essa temática proposta por Charles Dana. O insólito, a violência, as guerras, a morte constituem critérios para promover um acontecimento ao status de notícia.

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Definida a noticiabilidade como o conjunto de elementos através dos quais o órgão informativo controla e gere a quantidade e o tipo de acontecimento, podemos definir os valores-notícia (news values) como uma componente da noticiabilidade. (WOLF, 1999, p. 195).

Silva (2005) acrescenta que a necessidade de se pensar sobre critérios de noticiabilidade surge da constatação de que há pouco espaço nos veículos de informação tendo em vista a infinidade de acontecimentos que ocorrem no dia a dia. “Frente a volume tão grande de matéria-prima, é preciso estratificar para escolher qual acontecimento é mais

merecedor de adquirir existência pública como notícia”. (SILVA, 2005, p. 97).

Goldig e Elliot (1979) citados por Wolf (1999) afirmam que os valores-notícia são critérios de seleção dos elementos dignos de serem incluídos no produto final. (...) são qualidades dos acontecimentos ou da sua construção jornalística, cuja presença ou cuja ausência os recomenda para serem incluídos num produto informativo. (GOLDIND; ELLIOT apud WOLF, 1999, p. 196).

Silva (2005) também recorre a Golding e Elliot (1979) ao abordar o saber de reconhecimento, ou seja, a capacidade de identificar os acontecimentos que possuem valor como notícia.
(...) não é verdade que os valores-notícia estejam além da compreensão dos jornalistas, eles constituem referências claras e disponíveis a conhecimentos compartilhados a respeito da natureza e objetos das notpicias ( SILVA, 2005, p.100).

Galtung e Ruge (1993), citados por Traquina (2005), identificam doze valores-noticia que influenciam os fluxos de notícias:
A frequência, a amplitude do evento, a clareza ou falta de ambiguidade, a significância, a consonância, o inesperado, a continuidade, a composição, a referência a nações de elite, a proeminência do ator do acontecimento, a personalização e a negatividade (GALTUNG E RUGE apud TRAQUINA, 2005, 2v,p. 69-70)

Já para Ericson, Baranek e Chan (1987), citados por Traquina (2005) os valores notícias são: simplificação, dramatização, continuidade, consonância, o inesperado, e a infração.

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Wolf3 (1987) citado por Traquina (2005) subdivide os valores-noticia em: valores-notícia de seleção e valores-notícia de construção. Os valores-notícia de seleção referem-se aos critérios que os jornalistas utilizam na seleção dos acontecimentos. Os valores-notícia de seleção subdividemse em: a) critérios substantivos que dizem respeito à avaliação direta do acontecimento em termos de sua importância ou interesse como notícia; b) critérios contextuais que dizem respeito ao contexto de produção da notícia.

A morte, a notoriedade do ator principal do acontecimento, a proximidade, a relevância, a novidade, o tempo, a notabilidade (refere-se ao insólito, a inversão de valores, a uma falha ou excesso), o inesperado (aquilo que irrompe, surpreende a comunidade jornalística), o conflito (violência física ou simbólica, marca uma ruptura) e a infração (violação, transgressão de regras) são tidos como critérios substantivos dos valores-notícia de seleção. Como critérios contextuais dos valores-notícia temos: a disponibilidade (diz respeito a facilidade com que é possível fazer uma cobertura jornalística), o equilíbrio, a visualidade (refere-se a presença de elementos visuais, é um critério bastante explorado no jornalismo televisivo), a concorrência (diz respeito ao furo, noticiar o fato antes dos concorrentes) e o dia noticioso (ocorre em dias pobres de notícias, quando fatos com pouca noticiabilidade acabam se destacando).

A seguir, exemplos de acontecimentos que se tornaram notícia e repercutiram na mídia nacional e internacional, graças aos critérios de noticiabilidade.

O caso Isabela Nardoni, ocorrido em 29 de março de 2008, gerou comoção e revolta. Dentre os critérios de noticiabilidade, o que mais pesou para que o caso fosse veiculado e ganhasse repercussão foi a inversão de valores. De acordo com o senso comum, é dever dos pais proteger os filhos. O caso Isabela demonstra o oposto. A morte da garota, que sofreu uma queda do sexto andar de um edifício em São Paulo, é atribuída ao pai dela (Alexandre Nardoni) e à madrasta (Anna Carolina Jatobá). Além do critério inversão, outros dois critérios contribuíram para a veiculação do fato: a morte e a infração. De acordo com Traquina (2005), a morte é um valor-noticia fundamental, que explica inclusive o

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WOLF, Mauro (1987). Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença

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negativismo do mundo jornalístico exibido diariamente pela mídia. O critério infração refere-se a quebra de regras, violação. Os crimes são exemplos de infração. " Qualquer crime pode ficar com mais valor notícia se a violência lhe estiver associada." (TRAQUINA, 2005, p. 85)

A notoriedade do ator principal do acontecimento, também chamado por Galtung e Ruge (1993) citados por Traquina (2005) dizem que a importância de “pessoas de elite” é outro valor-notícia bastante explorado no meio jornalístico. Em junho de 2009, o nome do presidente do Senado Nacional, José Sarney, foi envolvido em um escândalo nacional. A denúncia feita contra o expresidente da Republica era a de que ele tinha conhecimento de documentos usados para contratação ilegal de pessoal e beneficiamento de senadores (atos secretos). O caso abalou negativamente a imagem pública de Sarney. Cogitou-se, inclusive, o afastamento dele da Presidência do Senado. Após semanas de discussão, o próprio Sarney cancelou todos os atos secretos. Quanto ao Presidente do Senado José Sarney, esse foi absolvido de todas as acusações que pesavam contra ele. Além dos já citados, podemos incluir a relevância nos critérios de seleção de notícias. Muitas notícias são priorizadas pelos jornalistas exatamente pelo impacto, relevância do acontecimento para a sociedade. Como exemplo citamos a Gripe Suína, que antes mesmo de atingir o Brasil, já era amplamente divulgada pelos meios de comunicação de todo o mundo.

O valor-notícia da concorrência é um critério contextual. O “furo” é uma prática recorrente no meio jornalístico, considerado inclusive um artifício para driblar a concorrência. O programa Fantástico da Rede Globo trabalha nessa linha do “furo jornalístico”. A revista eletrônica foi o primeiro programa a entrevistar o casal Nardoni, na época da tragédia envolvendo a garota Isabela. Um ano após a morte da menina, o Fantástico exibiu uma entrevista exclusiva com Ana Carolina Oliveira (mãe de Isabela Nardoni).

De acordo com Traquina (2005), os valores-notícia de construção referem-se à seleção de elementos presentes em um dado acontecimento. Como valores-notícia de construção temos: a simplificação, a amplificação, a relevância, a personalização, dramatização e consonância, alguns destes já listados por Galtung e Ruge, e Ericson, Baranek e Chan.

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O valor-noticia da amplificação refere-se à forma como os jornalistas ampliam o fato na hora da veiculação. “Quanto mais amplificado é o acontecimento, mais possibilidades tem a notícia de ser notada, quer seja pela amplificação do ato, do interveniente ou das supostas consequências do ato”. (TRAQUINA, 2005, p. 91). Como exemplo do valor-noticia amplificação podemos citar a morte de Michael Jackson. A imprensa nacional e internacional fez um alarde com o fato. Um mês após o ocorrido, ainda se ouviam os desdobramentos sobre a morte do Rei do Pop.

Ericson, Baranek e Chan falam da dramatização como valor-notícia de construção. Na dramatização, busca-se o lado mais sensível da história. O intuito é reforçar os aspectos mais críticos e emocionais dos fatos. Como exemplo podemos citar a cobertura do temporal que caiu sobre Belo Horizonte no dia 7 de outubro de 2009. Ao veicular imagens dos locais mais atingidos pela chuva, assim como os depoimentos de quem teve que arcar com os prejuízos decorrentes dela, os veículos de comunicação pautaram-se pelo critério da dramatização.

Não podemos esquecer que a seleção dos valores-notícia não depende exclusivamente dos jornalistas. Como em toda profissão, o jornalista está subordinado a um chefe ou à política editorial da empresa na qual presta serviço. Em algumas ocasiões, é visível a intervenção da linha editorial na escolha das notícias.

No dia 11 de agosto de 2009, a Rede Globo de Televisão veiculou uma extensa matéria acusando o empresário Edir Macedo de lavagem de dinheiro. De acordo com a matéria, o Bispo Macedo estaria desviando os dízimos ofertados pelos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus em benefício próprio. Em contrapartida, no dia 12 de agosto, a Rede Record rebateu as acusações afirmando que Macedo já havia sido absolvido e que não havia motivos para que o processo fosse reaberto. Emissoras como o SBT e a Bandeirantes se limitaram a dar apenas uma nota sobre o fato.

Os casos citados mostram claramente o papel dos valores-notícia na seleção e produção da notícia. “Um acontecimento será tanto mais noticiável quanto, maior número de valores possuir”. (GALTUNG E RUGE, 1965/19993 apud TRAQUINA, 2005, p. 73)

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2.3 Características do jornalismo radiofônico O rádio que nossos avós conheceram é diferente do que nós conhecemos hoje. Décadas atrás, o rádio era parte da família e as pessoas se reuniam em volta dele para escutar as radionovelas. Nossa realidade agora é outra. Atualmente, ouvimos as notícias pelo rádio do carro, do celular e até pela internet. “(...) o rádio se expandiu até se tornar um meio de comunicação quase universal. Percorre o mundo em ondas curtas, ligando continentes numa fração de segundos”. (MCLEISH, 2001, p. 15). Para Ortriwano (1985), o rádio possui características que fazem dele o meio de comunicação de massa mais popular. Dentre essas características, Ortriwano (1985) destaca a linguagem oral, a penetração, o baixo custo, o imediatismo, a instantaneidade, a sensorialidade e a autonomia.

A linguagem oral é uma característica marcante no rádio. Graças a ela, o rádio pode alcançar uma infinidade de pessoas. Essa característica foi muito explorada logo que o veículo surgiu devido ao alto índice de analfabetismo. Mesmo com a evolução do sistema de ensino no Brasil, o rádio ainda é um veículo que detém a confiança dos ouvintes.

A penetração é outra característica radiofônica apontada por Ortriwano (1985). Segundo a autora, em termos geográficos, o rádio é o mais abrangente dos meios. Nas palavras de Mcleish (2001), o rádio não tem fronteiras.

Seus sinais eliminam barreiras montanhosas e cruzam as profundezas do oceano. (...) algumas vezes enfrentando barreiras hostis, outras bem-vindos como uma verdade que sustenta a vida, os programas radiofônicos possuem uma liberdade independente das linhas de um mapa (MCLEISH, 2001, p. 16-17).

Embora a um custo mais elevado, as novas tecnologias têm aumentado vertiginosamente a característica da penetração. O rádio na internet é um bom exemplo.

A mobilidade é outra característica apontada por Ortriwano (1985). Essa característica está relacionada com a penetração. A mobilidade é definida sob os aspectos do emissor e do receptor. A mobilidade no aspecto do emissor tem relação direta com o imediatismo, também citado por Ortriwano (1985) como característica do meio radiofônico. “O rádio permite “trazer” o mundo

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ao ouvinte enquanto os acontecimentos estão se desenrolando”. (ORTRIWANO, 1985, p. 80). Atualmente o rádio nos acompanha no carro, no celular, no MP3. Ao transportar o aparelho estamos colaborando para a mobilidade sob o aspecto do receptor.

O baixo custo também é uma característica do meio radiofônico. Tanto Ortriawo (1985) quanto Mcleish (2001) abordam essa questão. Para Ortriwano (1985), os custos de uma emissora de rádio são baixos devido a menor complexidade do meio se comparado com outras mídias, além do baixo custo do aparelho para os ouvintes. Na visão de Mcleish (2001), o rádio é barato para a emissora e para o ouvinte. Os custos ouvinte-hora de uma emissora são baratos devido ao fator audiência. Para o ouvinte, o baixo custo refere-se à produção industrial dos aparelhos de rádio.

Ortriwano (1985) diz que o rádio envolve o ouvinte, fazendo-o participar por meio de criação de um “diálogo mental” com o emissor. Essa característica é a sensorialidade. Para Mcleish (2001), o rádio estimula a imaginação do ouvinte. “Ao contrário da televisão, em que as imagens são limitadas pelo tamanho da tela, as imagens do rádio são do tamanho que você quiser” (MCLEISH, 2001, p. 15).

Ortriwano diz que o rádio possui autonomia, ou seja, ele deixou de ser um meio de recepção coletiva para tornar-se individualizado. “A mensagem oral se presta muito bem para a comunicação “intimista”. É como se rádio estivesse “contando” para cada um em particular.” (ORTRIWANO, 1985, p. 81). Na visão de Mcleish (2001), “o rádio é muito mais algo pessoal, que vem direto para o ouvinte” (MCLEISH, 2001, p. 16) Para que uma mensagem atinja o ouvinte, é preciso que seja ouvida no momento da emissão. Essa característica é o que Ortriwano (1985) denominou como instantaneidade. Ou como diria Mcleish (2001), natureza efêmera do rádio. “Diferentemente do jornal, em que o leitor pode deixar de lado, pegá-lo numa outra hora ou passar para outras pessoas, a radiodifusão impõe uma disciplina rígida de ter de estar ali na hora certa”. (MCLEISH, 2001, p. 17-18). O rádio pode ainda atuar como pano de fundo nas atividades cotidianas do ouvinte. “O rádio se adapta muito bem ao papel de “pano de fundo” em qualquer ambiente, despertando a atenção quando a mensagem apresentada é de interesse mais especifico do ouvinte”. (MCLEISH, 2001, p.18)

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A linguagem oral é uma característica fundamental do meio radiofônico, porém é preciso que ela seja transmitida de forma precisa.

Em um texto, a simplicidade e a clareza são muito importantes, devido à diversidade do público e às diferentes situações de audiência. Segundo Porchat (1993), o rádio exige uma linguagem nítida, simples, rica, repetitiva, forte, concisa, correta, invocativa e agradável.
Se o objetivo é atingir incisivamente o ouvinte e se sabemos que sua concentração é superficial, só nos resta apresentar um texto inconfundível, que não dê margem a duas interpretações. (...) Nitidez demanda simplicidade, frases enxutas e corretas, exatidão e não temer a repetição, que reforça a comunicação oral. (PORCHAT, 1993, p. 1001)

Para Jung (2005), ser simples, claro e objetivo é usar a linguagem coloquial sem vulgaridade. “É falar e escrever de forma que o ouvinte entenda de imediato”. (JUNG, 2005, p. 62).

Porchat (1993) considera que a repetição de informações é necessária para atingir os ouvintes desatentos ou aqueles que não tiveram acesso à notícia completa. Jung (2005) concorda com Porchat (1993) ao afirmar que o ouvinte quer ter informações do que está acontecendo no exato momento em que sintoniza a emissora. “As sínteses noticiosas com o resumo da última meia hora4 é estratégia sempre adotada com resultado positivo”. (JUNG, 2005, p. 63).

No que diz respeito à redação do texto para o rádio, Prado (1989) diz que “é necessário uma mudança total de mentalidade para escrever para o rádio, já que a estruturada da informação diverge da estrutura dos outros meios de comunicação”. A escrita do rádio deve considerar três aspectos: a pontuação, a estrutura gramatical e a linguagem. “Ao elaborar um texto jornalístico para o rádio, deve-se atentar para o fato de que o texto é para ser ouvido, contado e não lido”. (PRADO, 1989, p. 29)

A pontuação no rádio serve para associar à ideia expressada. A vírgula e o ponto são sinais que servem para marcar a respiração do locutor. Quanto à estrutura gramatical vale ressaltar que ela deve ser simples e clara. Em um texto, a clareza e a simplicidade são fundamentais devido à
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Repórter CBN

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diversidade do público e as diferentes situações de audiência.

Prado (1989) fala em “fatores de eficácia” da mensagem radiofônica. A clareza é um fator de eficácia e divide-se em técnica e enunciativa. A clareza técnica determina uma transmissão sem ruídos. Quanto à clareza enunciativa, o autor expõe dois aspectos: o da redação e o da locução. Na locução intervém quatro variáveis importantes que são: a vocalização, a entonação, o ritmo e a atitude. No rádio, a vocalização é essencial para a compreensão do texto. Pronunciar todas as silabas das palavras e atribuir a cada letra o som exato é fundamental, visto que os ouvintes não podem pedir esclarecimentos a respeito do que foi dito. A entonação clássica e a radiofônica distinguem-se uma da outra. Na clássica, a leitura em voz alta adquire tom constante. Já a radiofônica deve descrever uma curva variável, próxima da expressão oral cotidiana. No que diz respeito ao ritmo, esse também não pode ser constante, visto que o ritmo rápido causa a dispersão do ouvinte e o lento provoca o tédio, o cansaço. A atitude tem forte ligação com o ouvinte e depende do posicionamento deste diante dos temas discutidos. O recomendável é que o locutor se expresse de forma amigável, mas sem exageros. A compreensibilidade da mensagem informativa e a audiência também constituem fatores de eficácia da mensagem radiofônica.

Os manuais de Redação recomendam bom senso quanto à escrita e locução do texto para o rádio. Os autores desses manuais são unânimes em afirmar que o emprego correto do português é uma ferramenta fundamental para o entendimento dos conteúdos dos materiais radiofônicos. O produtor do texto deve ficar atento ao emprego correto do gênero, dos pronomes, da concordância, das conjunções e, principalmente, do verbo. “Na redação radiofônica o verbo tem que ser utilizado no presente do indicativo e em voz ativa. O passado não é noticia para o rádio”. (PRADO, 1989, p. 40)

Para Barbeiro e Lima (2005), a clareza ao redigir um texto também deve estar presente na fala. “Não é um belo timbre de voz que prende a atenção do ouvinte, mas a naturalidade, a simplicidade e a pronúncia correta das palavras”. (BARBEIRO E LIMA, 2005, p. 97).

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É importante salientar que o ouvinte é seletivo. Se os profissionais envolvidos na produção e transmissão das notícias não foram capazes de passar uma informação precisa e coerente, o receptor certamente irá buscar outra emissora que o satisfaça. Os erros coletivos ou individuais podem comprometer inclusive a credibilidade do veículo de comunicação.

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3. HISTÓRICO DO RÁDIO NO BRASIL Neste capítulo, vamos contextualizar o surgimento do rádio no Brasil, abordando as mudanças do veículo ao longo de oito décadas. Falemos ainda das emissoras educativas e do seu papel na mídia atual. 3.1 Como tudo começou...
Foi em 1864 que o físico escocês James Clerk Maxwell lançou a teoria de que uma onda luminosa podia se considerada como uma perturbação eletromagnética que se propagava no espaço vazio atraída pelo éter. (...) em 1887, um estudante alemão impressionado com a teoria de Maxwell, construiu um aparelho que se compunha de duas varinhas metálicas de 8 centímetros de comprimento, colocadas no mesmo sentido e separadas por um intervalo de 2 centímetros; unindo cada varinha ao pólos de um gerador, carregava-se um condensador. O dispositivo produzia correntes alternadas que variavam rapidamente. O jovem alemão era Heinrich Rudolf Hertz. As ondas descobertas foram chamadas de ondas hertezianas em homenagem ao seu descobridor. (TAVARES, 1999, p. 19)

Estudando as ondas hertzianas, o físico italiano Guglielmo Marconi conseguiu, em 1886, enviar mensagens de Dover (Inglaterra) para Viemeux (França) a uma distância de 32 milhas e a uma velocidade de 20 palavras por minuto. Ainda em 1886, Marconi obteve em Londres a patente de seu invento. Utilizando uma antena denominada Detetor, Marconi conseguiu enviar em 1889 três sinais do telegráfo “SOS” realizando a primeira transmissão. Guglielmo Marconi recebeu, em 1909, o Prêmio Nobel de Física

Segundo Tavares (1999), as primeiras experiências de radiodifusão no Brasil realizaram-se em 1892, no interior de São Paulo, ou seja, quatro anos antes das descobertas de Marconi.

“Foi em Campinas que o Padre Landell de Moura, utilizando uma válvula amplificadora, de sua invenção e fabricação, com três eletrodos, transmitiu e recebeu a palavra humana através do espaço!...” ( TAVARES, 1999, p. 22). Oficialmente, a primeira transmissão radiofônica no Brasil ocorreu em 07 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro. Um sistema de “Telefone Alto Falante” montado na Praia Vermelha e um transmissor instalado no Corcovado pela empresa americana Westinghouse Eletrics permitiram que os presentes na Exposição do Centenário da Independência do Brasil ouvissem o discurso do

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então Presidente Epitácio da Silva Pessoa.
Aquele mesmo discurso foi ouvido em São Paulo, Petrópolis e Niterói graças a instalação de uma potente “estação transmissora” (torres, transmissor etc.) no alto do Corcovado, a SPC, contando com o auxílio de 80 “aparelhos receptores” (que foram trazidos pelos americanos) distribuídos nas cidades já mencionadas, sendo muitos deles instalados nas vias públicas da capital paulista, no centro de Petrópolis e nas principais avenidas de Niterói. (TAVARES, 1999, p. 50)

O responsável pela propagação do rádio no Brasil foi Edgar Roquette-Pinto, fundador da primeira emissora brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro inaugurada em 20 de abril de 1923. “A Rádio Sociedade era uma instituição puramente educativa e não querendo transformá-la num veículo comercial, Roquette-Pinto, mediante carta, resolveu doá-la ao Ministério da Educação e Cultura”. (TAVARES, 1999, p. 50). A doação foi concretizada em 1936. Segundo Tavares (1999), os primeiros prefixos implantados em nosso País denominavam-se sempre sociedades ou clubes, financiados por seus associados, com o objetivo de difundir a cultura e favorecer a integração social.

As estações de rádio fundadas durante a década de 20 tiveram características muito semelhantes: eram empreendimentos não comerciais (não transmitiam anúncios), de grupos aficionados do rádio, de geralmente de classes mais abastadas e que se utilizavam dos mesmos muito mais para diversão dos membros daquelas sociedades ou clubes de rádio do que dos próprios ouvintes. (TAVARES, 1999, p.52)

De acordo com Tavares (1999), a publicidade no rádio passou a vigorar a partir da assinatura do Decreto-Lei n° 21.111, de 1° de março de 1932, pelo então Presidente Getúlio Vargas.
A introdução de mensagens publicitárias provocou uma verdadeira metamorfose no veículo, que até então era erudito, instrutivo, cultural; parecia transformá-lo em popular órgão de lazer e diversão. (TAVARES, 1999, p. 55)

Com a introdução da publicidade, as emissoras de rádio começaram a estruturar-se como empresas. Houve necessidade de especialização, o improviso foi sendo substituído pelo trabalho em equipe. Cada vez mais as emissoras buscavam conquistar o público (audiência). Atento à expansão do rádio como meio de comunicação de massa, Getúlio Vargas foi o primeiro governante a ver no veículo um aliado político. Durante a Era Vargas, o rádio teve como base um

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modelo autoritário. É na Década de 30 que surge o DOP (Departamento Oficial de Propaganda). Em 1934 o DOP é transformado em Departamento de Propaganda e Difusão Cultural e é nesse período que surge a “Voz do Brasil”. Em 1939 por meio do Decreto n° 1.915 é criado o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). O papel do DIP era o de fiscalizar e censurar os conteúdos dos programas de rádio, assim como os jornais, teatros e cinemas.
O rádio comercial e a popularização do veículo implicaram a criação entre um elo entre o indivíduo e a coletividade mostrando-se capaz não apenas de vender produtos e ditar 'modas', como também de mobilizar massas, levando-as a uma participação ativa na vida nacional. (ORTRIWANO, 1985, p. 19)

A década de 40 foi o período mais próspero do rádio brasileiro, também chamada de “Era de Ouro do Rádio”. Em 1941 surge o Repórter Esso, transmitido inicialmente pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro em 28 de agosto. “Com seu slogan de "Testemunha ocular da história”, o Repórter Esso, durante os 27 anos em que esteve no ar, deu em primeira mão as principais notícias do Brasil e do mundo". (ORTRIWANO, 1985, p. 20). No rádio a última edição do Repórter Esso foi transmitida em 31 de dezembro de 1968. Assim como a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a Rádio Tupi de São Paulo também investiu no jornalismo. O “Grande Jornal Falado Tupi” foi ao ar em 1942 e tinha uma hora de duração. Em 1946 foi a vez do “Matutino Tupi” que ficou no ar por 31 anos, totalizando 10.287 edições. É durante a Era de ouro que surge a primeira radionovela. “Em Busca da Felicidade” foi transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro em 1942. É também na década de 40 que o rádio sofre uma segmentação na programação, como ocorreu com a Rádio Panamericana de São Paulo, que em 1947 especializou-se em programação esportiva. Em dezembro de 1947, os cientistas John Bardeen, Walter Brattain e William Schokley apresentam ao mundo o transistor, um componente eletrônico que permitiu a todos nós, ouvintes, escutar os programas radiofônicos fora de nossas residências. O transistor trouxe mobilidade ao veículo. Se a década de 40 foi o período mais próspero do rádio, podemos dizer que na década seguinte o veículo passou por uma reestruturação. Com o surgimento da TV em 1950 o rádio perdeu o

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espaço privilegiado que tinha junto ao público.
Com a chegada da TV, na década de 1950, o rádio perdeu artistas, profissionais e poder de influência com a transferência de verbas publicitárias. Foi-se recuperar anos depois com a estruturação de novas emissoras construídas com base no tripé jornalismo, esporte e entretenimento. (JUNG, 2005, p. 37).

A Rádio Bandeirantes é um exemplo de emissora que revolucionou o modo do fazer jornalismo. Em 1954, a emissora criou um sistema de notícias com duração de um minuto. Essas notícias iam ao ar a cada quinze minutos. Nas horas cheias havia boletins que duravam cerca de três minutos. Os programas de utilidade pública também datam da década de 50. A Rádio Nacional do Brasil foi a primeira a transmitir, em 1959, esse tipo de programa. O fim da década de 60 marca o surgimento das transmissões em Frequência Modulada - FM. A primeira emissora a explorar esse serviço foi a Rádio Imprensa, do Rio de Janeiro. Em 1969, surge a Rádio Mulher de São Paulo, voltada para o público feminino. Na programação, assuntos relativos a moda, horóscopo, músicas românticas, enfim, pautas focadas nesse segmento de público. Em 1965, o governo federal cria a Embratel (Empresa Brasileira de Telecomunicações), possibilitando a modernização do sistema de telecomunicações no país. Na década de 70, as rádios começam a buscar novos públicos, visando segmentos específicos da sociedade. Surge a necessidade de se criar uma programação que atingisse as faixas sociais, econômicas e culturais. As agências de produção radiofônica também datam da década de 70. Cabiam a essas agências produzir programas e vendê-los às emissoras que não podiam realizar produções próprias. A Radiobrás (Empresa Brasileira de Radiodifusão) surgiu a partir da preocupação do Governo com a expansão da radiodifusão sonora no país. A Radiobrás foi criada com a finalidade de organizar as emissoras existentes e explorar o serviço de radiodifusão. Também era papel da Radiobrás produzir e transmitir programação educativa, informativa e de recreação.

A década de 80 marca a chegada das redes via satélite. A primeira emissora a experimentar esse sistema foi a Bandeirantes, tendo apresentado, em 1982, o programa Primeira Hora para 25 emissoras. Segundo Jung (2005), o lançamento de dois satélites próprios, um em 1985 e o outro

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1986, além da criação da Radiosat, em 1989, pela Embratel, permitiram a formação da “cabeça de rede” 5 e da “afiliada”. 6 A Rádio JB do Brasil lançou, em 1980, o conceito de rádio e jornal, consolidado nos Estados Unidos como all news. Apesar da inovação na programação, a Rádio JB não transmitia apenas notícia, era usual intercalar música na programação jornalística.

É na década de 90 que surge a Central Brasileira de Notícias do Sistema Globo de Rádio. Em 1991, duas emissoras transformam-se em CBN, são elas: a Excelsior de São Paulo e a Eldorado do Rio de Janeiro. Com o surgimento da internet, na década de 90, o rádio passou por mais uma reestruturação, era preciso adaptar-se ao novo meio que emergia. “O computador é, ao mesmo tempo, uma máquina de dados, de vídeo, de áudio, de correio, de arquivos etc. Em outras palavras é um equipamento que contém todas as outras mídias, portanto, um fator de aglutinação ou de convergência”. (BARBEIRO E LIMA, 2003, p. 45).

Os autores enfatizam ainda que "é preciso separar a idéia de rádio como aquele aparelhinho quadrado, com botões, e que retransmite emissoras de áudio. O rádio comunicação-auditiva, eletrônica à distância, pode se materializar no computador basta que este tenha instalado um programa de áudio". (BARBEIRO E LIMA, 2003, p. 45) Para finalizar este capítulo falaremos sobre o Rádio Digital no Brasil. De acordo com Del Bianco (2003), a transformação do sinal de analógico em bits (informação numérica) provoca talvez a mudança mais radical experimentada pelo rádio desde a invenção do transístor e da frequência modulada.

A qualidade de som do AM melhora de forma fantástica, passando a ter qualidade equivalente ao do FM atual. O ganho maior é do FM que passa a ter som igual ao do CD. Favorece ao desaparecimento por completo de interferências na transmissão de “Cabeça de Rede” é o nome dado á emissora lider da cadeia de rádio, responsável por produzir e gerar os programas. (JUNG, 2005, p. 42) “Afiliadas:” têm o compromisso de enviar boletins e participar da programação sempre que notícias de interesse nacional ocorrem na região onde atuam. (JUNG, 2005, p. 42)
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sinais nas freqüências AM e FM. O rádio digital é uma revolução técnica tão significativa que irá alterar o modo de produção da programação, de distribuição de sinais e a recepção da mensagem radiofônica. (DEL BIANCO, 2003, p.2 )

O rádio digital conta com três formatos, são eles: o sistema norte americano IBOC (In-Band O Chanel), o sistema Europeu Eureka 147 DAB (Digital Audio Broadcasting) e o sistema japonês ISDB-Tn (Services Digital Broadcating - Terrestre narrowband).

O sistema europeu foi desenvolvido pelo consórcio WorldDAB Forum, esse por sua vez é coordenado pela União Européia de Radiodifusão. A Europa, o Canadá, a Austrália e alguns países da Ásia utilizam esse sistema.
Para entrar em operação, esse sistema exige uma nova faixa de freqüências, acima de 30 MHz, para transferência das atuais estações de FM ou para consignação a novas estações. Cada transmissor emite seis canais de programa e ocupa 1,5 MHz de faixa. A desvantagem desse sistema está no alto custo dos aparelhos receptores, entre U$ 800 a U$ 1.800. Inegavelmente o Eureka 147 DAB oferece alta qualidade técnica de transmissão, mas é um modelo feito sob medida para os padrões da rádio pública européia. (DEL BIANCO, 2003, p.3)

O sistema americano foi criado na década de 90 pelas empresas USA Digital Radio e Lucent Rádio Digital. Esse sistema permite a transmissão simultânea de canais analógico e digital.

O sistema japonês também foi desenvolvido na década de 90 pela empresa NHK Science & Technical Research Laboratorie. O diferencial desse sistema é que ele deriva-se do sistema para transmissão de televisão digital.
Segundo o Dibeg (Digital Broadcasting Experts Group), grupo encarregado de divulgar o sistema, o ISDB-Tn tem qualidade de som equivalente ao do CD, tanto para recepção móvel como fixa, e permite utilização mais eficiente das faixas de freqüência, proporcionando uma melhora em até 150% em relação a atual. O que garante essa qualidade é o uso do canal de TV para transmissão de áudio em canais diferentes, independentes e simultâneos. É possível transmitir simultaneamente para receptores móveis e portáteis que usam sinal de rádio enquanto se transmite um sinal de HDTV. (DEL BIANCO, 2003, p. 5)

No Brasil, a implantação do sistema de rádio digital ainda causa polêmica, já que não há um consenso quanto a escolha do modelo a ser implantado no país. No estado de Minas Gerais as emissoras autorizadas pela ANATEL a realizar experiências com a Radiodifusão Digital são as

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Rádios Globo7 e Itatiaia.

O modelo de rádio digital adotado pelas duas emissoras mineiras é o americano. “Como as outras emissoras brasileiras autorizadas pela Anatel, a Rádio Globo Minas testa atualmente o Sistema de Radiodifusão Sonora Digital IBOC (In-Band On Chanel). O IBOC, conhecido comercialmente como HD Rádio, é o padrão norte-americano de radiodifusão digital, desenvolvido pela Ibiquity Digital Corporation. Neste sistema, a freqüência do sistema analógico é a mesma para as transmissões digitais”. (MOURA ET AL, 2007, p. 4)

De acordo com Mouta et al (2007) a implantação definitiva do rádio digital em Minas Gerais será um processo de longo prazo. Na avaliação das autoras, não há como ter uma certeza sobre o prazo da implantação do rádio do estado, afinal as informações coletadas constituem pontos de vistas diferentes e desencontrados.

(...) é preciso continuar acompanhando esse lento, mas gradual processo de implantação do rádio digital em Minas Gerais e torcer para que um dia ele se torne realidade com todas as promessas de um novo modo de se fazer radiofonia. ( MOURA ET AL, 2007, p.13)

3.2 As primeiras emissoras de Belo Horizonte 3.2.1 Rádio Mineira
Fruto do clima de contradição, hesitação e efervescência política que reinava durante a articulação da Revolução de 1930, a Rádio Mineira é uma das vozes do movimento que confere a Minas Gerais papel relevante na história política do país. (MARTINS, 1999, p. 77-7)

A Associação Rádio Mineira fez a sua primeira transmissão experimental radiofônica em Belo Horizonte no dia 16 de dezembro de 1925, em um estúdio localizado no prédio do Conselho Deliberativo da cidade. Mas a rádio Mineira só foi inaugurada oficialmente em 6 de fevereiro de 1931 e teve como fundadores Henrique Silva, Lincoln de Carvalho, José Zacarias de Miranda e

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A rádio Globo foi à primeira emissora de Minas a participar dos testes para a transmissão digital no Estado. Desde novembro de 2005 tem uma autorização para realizar esta experiência, em horários indeterminados, e em abril de 2007 foi entregue à Anatel um relatório final com os resultados obtidos. ( MOURA et al, 2007, p, 8)

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Lindolpho Espeschit. A emissora tinha como patrocinadores a Andrade Alfaiate, a Parc Royal e a loja Guanabara, além de uma ajuda financeira do governo do Estado. A ajuda vinha ainda das pessoas que possuíam os rádios receptores, que pagavam 5 contos de réis por mês para ter direito de ouvir a programação que era composta por audições da Orquestra Fernandez, as canções gravadas em discos vendidos pela Casa Edison, além de duas edições do Jornal Falado.

Das 19h30min às 20 horas, a Rádio Mineira transmitia o Programa Nacional (posteriormente denominado A Hora do Brasil) para, em seguida, apresentar o Tardes Românticas, um programa de crônicas em que eram narradas as vivências de Belo Horizonte, e que, apesar do nome, era apresentado às oito horas da noite, horário considerado nobre na programação radiofônica daquela época.
O locutor que apresentava o Tardes Românticas veio do Rio de Janeiro e se apaixonou, perdidamente com uma moça da capital mineira, a quem, diariamente, dedicava o programa. Um dia, porém, a moça lhe dá o fora. O Romeu radiofônico, em pleno programa, dá um tiro na cabeça: um tiro que toda a população ouviu. Socorrido às pressas sobreviveu e, poucas semanas depois, casou-se com sua amada.[1] (Jornal DIÁRIO DA TARDE. 30/9/72, p. 6. apud Campelo, 2001, p. 99)

Além do radioteatro apresentado na emissora, também, as transmissões esportivas tiveram lugar na Rádio Mineira. A primeira delas ocorreu em 1940, com a transmissão do jogo entre Vila Nova e Atlético. 3.2.2 Rádio Guarani Em 1936, após um ano de experiências de transmissões radiofônicas no porão da casa de Lauro de Souza Barros, tem lugar em Belo Horizonte a Rádio Guarani, segunda emissora da cidade.

Na emissora os programas de auditório tinham presença garantida, tais como o Roda Vida, Roteiro das Duas e a Hora do Calouro. Assim como acontecia na Rádio Mineira, era o patrocínio dos anunciantes e a colaboração dos ouvintes que custeavam os gastos da emissora .
A programação da rádio, nos primeiros anos, atinge principalmente os ouvintes que têm condições de adquirir aparelho receptor, recolhendo ao Departamento dos Correios a taxa anual de licença instituída pelo governo. Os ouvintes também frequentavam o auditório da rádio da rádio, na Rua Curitiba, o qual comporta cerca de 100 pessoas.

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(MARTINS, 1999. p 96).

Na Guarani, os finais de semana eram marcados pelas transmissões esportivas com as partidas do campeonato mineiro, disputado por Atlético, América e Palestra Itália.

Ali também eram apresentados os dramas dos cidadãos belo-horizontinos, reproduzidos em peças radiofônicas.

Nos anos 50, o Programa Prova de Fogo, apresentado por Waldomiro Lobo prestava semanalmente uma homenagem a um bairro da cidade. Havia, ainda, transmissão de música ao vivo, informações e entrevistas com os moradores.

Os anos 60 introduziram mudanças profundas na programação da emissora. Martins (1999) apud Cunha diz que em 1965, José Mauro, diretor de programação, criou a matriz “música, esporte e notícia”.
Os noticiaristas são chamados primazes; os repórteres de esportes, linces; os disc-jóqueis recebem a denominação de disque-jovens. As inovações levam a emissora a ganhar o primeiro lugar em audiência nos anos de 1966, 1967 e 1968. (MARTINS, 1999, p. 97)

Campelo (2001) afirma que atentos ao nível de audiência, os comerciantes da cidade empenharam-se em obter patrocínio para os programas garantindo assim, à emissora, verba suficiente para novos investimentos.
Prova disto foram as quatro orquestras mantidas pela Guarani, uma de câmara, uma popular, uma regional e outra típica, que se apresentavam ao vivo nos principais programas de auditório, entre eles um de grande predileção do público: o Roteiro das Duas, de segunda a sexta com Aldair Pinto.Entre os que iniciaram sua vida artística neste programa e se revelaram para o Brasil foram Clara Nunes e Agnaldo Timóteo. (CAMPELO, 2001, p.111)

3.2.3 Rádio Inconfidência Emissora oficial do Estado, a Rádio Inconfidência estreou a sua programação em 3 de setembro 1936, no prédio da Feira Permanente de Amostras, localizado na Avenida Afonso Pena, coração de Belo Horizonte.
A impossibilidade de comunicação entre a capital e o interior foi a alavanca propulsora

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que serviu para justificar a criação de uma estação de rádio do governo que pudesse unir todo o Estado de Minas Gerais, ainda carente de estradas asfaltadas, de linhas aéreas e de telefonia (CAMPELO, 2001, p.116)

Na inauguração estiveram presentes Benedito Valladares, governador do Estado na época, Israel Pinheiro, Secretário de Agricultura, Comércio, Indústria, Viação e Obras Públicas e também idealizador da emissora, Wenceslau Braz, ex- Presidente da República, membros do episcopado nacional, secretários de Estado, além de várias outras autoridades.

Já nos seus primeiros dias de vida a rádio começou a receber cartas, telegramas e cartões de ouvintes. Os conteúdos das correspondências iam desde elogios sobre as transmissões da emissora até pedidos de música.
Sendo a emissora mais moderna da cidade, a Inconfidência servia como ponto de referência não somente para os turistas, como também para o povo da capital. E havia razão de ser para esse prestígio. Todos os que tinham rádio em casa ligavam-no obrigatoriamente às cinco da tarde, horário em que as transmissões começavam. Os que não tinham, iam ouvir a Inconfidência debaixo dos ficus da Praça Rio Branco, que possantes alto-falantes colocados na torre da Feira inundavam de músicas e de notícias. Gente de todos os bairros distantes assentava-se pelos bancos da praça ou na mureta da Secretaria de Agricultura para ouvir música, programas culturais e educativos, conferências científicas e concertos [2] (Conf: BOLETIM MENSAL, Rádio Inconfidência. Maio 1961. Notas e Informações apud Campelo, 2001, p. 117)

Campelo (2001) afirma que, com o passar dos anos, além da comunicação instantânea na cobertura dos principais acontecimentos estaduais, a Inconfidência privilegiou segmentos diferenciados da sociedade com programas destinados a públicos específicos. Segundo a autora, pela sua potência, pelas suas finalidades comprovadas em programas cujo número de ouvintes aumentava dia após dia, pela sua larga função cultural e educativa abrangendo tantos e tão variados setores, a Rádio Inconfidência impôs-se como uma das emissoras de real e positiva projeção em todo o País.

A televisão avança, modificando o conceito de horário nobre do rádio. Mesmo com as mudanças exigidas pelos novos tempos, a Inconfidência se preserva em meio á disputa ferrenha de horários e audiência (MARTINS, 1999, p. 119)

3.2.4 Rádio Itatiaia
Nos subterrâneos da capital mineira, há miséria, desigualdade e injustiça social que, camuflados pelo tom bucólico da cidade, não são apontados meios de comunicação

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locais. Entretanto, uma rádio irá atrever-se a desvendar os cenários dos marginalizados e excluídos sociais, o jovem redator Januário Carneiro funda a Rádio Itatiaia (MARTINS, 199, p. 125).

O ano é 1948, o jovem Januário Carneiro então redator do Jornal O Diário e cronista esportivo da Rádio Guarani consegue um empréstimo bancário para comprar um equipamento radiofônico e fundar a Rádio Itatiaia. Até então localizada no município de Nova Lima, a Rádio Itatiaia transmitiu pela primeira vez em 21 de julho de 1951.

Em 31 de janeiro de 1952, com a autorização do Presidente Getúlio Vargas, a emissora inaugurou um escritório na Rua Rio de Janeiro, 446, em Belo Horizonte, local de onde passou a transmitir seus noticiários.

Daí por diante, não parou mais.

No lugar de programas de auditório, programas de calouro e programas de humor, a Itatiaia investiu em programas jornalísticos e esportivos, o que valeu a Januário Carneiro, em 1956, o título de Melhor Locutor Esportivo e de Radialista do Ano.

Em 1957, a emissora passou a aumentar vertiginosamente o seu faturamento fechando contratos de publicidade com anunciantes multinacionais, a exemplo da Alka Seltzer e da Philips.
A Itatiaia passa a ser a quarta estação do Brasil e a primeira de Minas. A emissora faz, de forma planejada, a propaganda e a divulgação dela mesma. Diz que “vende espaço”, mas “não vende opinião”. Em 1958, já permanecia 24 horas no ar (MARTINS, 1999, p. 127).

3.3 O sistema pluralista de radiodifusão No Brasil temos a presença de emissoras estatais e privadas. Esse sistema é chamado por Ortriwano (1985) de pluralista. No sistema pluralista de exploração de radiodifusão, os veículos de comunicação podem atuar segundo a teoria da responsabilidade social ou a teoria liberal. As duas teorias visam a informação e o entretenimento, tendo como base a veiculação de publicidade. Na teoria liberal, especificamente, os conteúdos veiculados estão sujeitos a mecanismo de controles impostos por segmentos sociais e culturais. Aqui no Brasil, o sistema de

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radiodifusão é baseado na teoria da responsabilidade social pela iniciativa privada. Cabe ao Estado autorizar a exploração comercial do rádio. Também é função do Estado estabelecer princípios que garantam o uso social dos meios de comunicação. As empresas de radiodifusão estão fundamentadas em três fatores: técnico, de programação e de audiência. No caso das emissoras comerciais, o lucro constitui um fator de grande relevância. “Para a empresa comercial de radiodifusão, o interesse básico é o mercantil. (...) Para a empresa estatal, a situação assume outros aspectos, uma vez que ela não tem preocupação em gerar diretamente às verbas responsáveis por sua manutenção”. (ORTRIWANO, 1985, p. 54)

3.3.1 Retrospectiva do Rádio Educativo no Brasil “As emissoras que iniciaram suas atividades na década de 20 se organizavam enquanto sociedades civis ou clubes, tendo na difusão cultural seus atributos elementares. Portanto, as primeiras emissoras de rádio tiveram como princípio, o caráter educativo”. (ROLDÃO, 2006, p. 6)

A Rádio Ministério da Educação e Cultura (PRA-2) surge a partir da doação da Sociedade Rádio do Rio de Janeiro ao Ministério da Educação e Cultura por seu fundador Roquette-Pinto.
O advento de uma emissora oficial voltada para a educação e a cultura levou o governo a criar o Serviço de Radiodifusão Educativa – SRE, pela lei nº 378, de 13 de janeiro de 1937, menos de seis meses após a criação da Rádio Ministério. De acordo com esta lei, o SRE destinava-se a promover, permanentemente, a irradiação de programas de caráter educativo (PIMENTEL, 1999, p. 32).

Em fevereiro de 1943, foi aprovado pelo Decreto n° 11.491 um Regimento do Serviço de Radiodifusão Educativa. O SRE tinha por finalidade orientar a radiodifusão como auxílio à educação e ao ensino, por meio da transmissão de programas de caráter educativo. O técnico em educação, Fernando Tude foi o primeiro diretor do Serviço de Radiodifusão Educativa. 1944, a direção do SRE propôs uma distinção entre rádio educativo e rádio instrutivo.
Segundo Fernando Tude de Souza, “rádio educativo” poderia ser todo o rádio feito no país, independente de ter um caráter instrutivo ou de ensino. Dessa forma, o mais importante é que toda a programação radiofônica não fosse “deseducativa”, mesmo a transmitida pelas emissoras puramente comerciais. (...) O rádio instrutivo, por sua vez,

Em

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ficava a cargo do SRE, que inicialmente passou a realizar cursos de Português, Inglês e Geografia, com duas aulas semanais, transmitidas regularmente pela Rádio Ministério da Educação e Cultura (PIMENTEL, 1999, p. 34)

Nas décadas de 40 e 50, os programas voltados para a educação tornaram-se realidade, a exemplo do programa Universidade do Ar, criado em 1941 por Gilberto Andrade, então diretor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. O programa era supervisionado pela Divisão de Ensino Secundário, sob a direção da professora Lúcia de Magalhães. O público alvo do Universidade do ar eram os professores secundaristas de todo o país. O objetivo pedagógico do programa era propor aos professores uma nova metodologia no que diz respeito às apresentações das aulas, visando prender a atenção dos alunos ao conteúdo transmitido.

Os cursos ministrados no Universidade do ar eram gratuitos e contavam com disciplinas de Português, História da Civilização, Ciências, Matemática, Geografia, História do Brasil, Francês, História Natural, Inglês, Latim e Estatística Educacional.

No primeiro ano, o programa chegou a registrar aproximadamente 5.000 matriculados, tendo esse número diminuído para 2.000 inscritos, dois anos depois. O motivo da queda abrupta nas matrículas foi a não adaptação dos docentes à didática das aulas, ou seja, a transmissão do conteúdo via rádio. A cidade de São Paulo também contou com a iniciativa do Universidade do Ar. Criada em setembro de 1947, pelo professor Benjamim do Lago, o programa de São Paulo tinha como público-alvo os comerciantes. “As disciplinas do curso radiofônico iam ao encontro das necessidades dos comerciantes e incluíam Português, Aritmética Comercial, Técnicas de Vendas, Noções de Economia Política e Ciências Sociais”. (Pimentel, 1999, p. 37). As aulas do Universidade do Ar eram ministradas a partir de uma emissora da capital paulista, que transmitia em cadeia juntamente a outras 11 emissoras. O material didático era entregue aos alunos pelos correios, sendo que, para ouvir as aulas, eles se reuniam em núcleos de recepção e, sob a orientação de um professor-assistente realizavam as tarefas propostas. Na Universidade do Ar de São Paulo os alunos eram avaliados por meio de duas provas realizadas no próprio núcleo de recepção.

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No primeiro ano de transmissões, a Universidade do Ar teve mais de 1.500 alunos matriculados em todo o Estado de São Paulo, com uma aprovação final de pouco mais de um terço deles. Em 1948, o programa apresentou grandes melhorias pedagógicas, mas um fato prejudicou bastante o desenvolvimento da Universidade do Ar: a abertura para a inscrição de alunos de recepção livre, que poderiam ouvir os programas em suas casas. Com isso, muitos dos alunos matriculados nos núcleos optaram por esta forma de recepção, o que levou a um aproveitamento final muito baixo, com mais de setenta por cento de reprovação, enquanto os resultados obtidos pelos poucos alunos que continuavam ligados aos núcleos melhoraram consideravelmente. (...) Os núcleos de recepção foram totalmente suspensos em 1951, só voltando a ser restabelecidos em 1953, mas, neste momento a Universidade do Ar já não tinha a mesma importância inicial para a educação a distância realizada no Estado de São Paulo (Pimentel, 1999, p.37-38)

Na década de 60, a igreja Católica lançou o Movimento de Educação de Base (MEB). Em 21 de março de 1961, o Presidente Jânio Quadros, com base no decreto 50.370, assinou um convênio entre a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Ministério da Educação. Segundo esse decreto, o Ministério das Comunicações deveria instalar 15.000 Escolas Radiofônicas nas regiões subdesenvolvidas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em 1963, o MEB firmou parceria com o Governo Federal.

O Movimento de Educação de Base foi uma experiência não-formal na área de educação a distância, que obteve resultados bastante positivos, sendo desenvolvido pela Igreja Católica através de dioceses da Região Nordeste, a partir da criação de escolas radiofônicas. No Rio Grande do Norte, foram realizadas as primeiras experiências com radiodifusão educativa, em escolas radiofônicas organizadas pela diocese de Natal, a partir do ano de 1957, tendo sido a diocese de Aracaju a primeira a ter um projeto oficial de radiodifusão educativa, em 1959 (PIMENTEL, 1999, p.43 )

O objetivo inicial do projeto era educar jovens e adultos das regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, utilizando para esse fim os meios de comunicação. “Os próprios documentos do MEB diziam que os objetivos específicos de cada escola radiofônica eram a “conscientização”, a mudança de atitudes e a instrumentação das comunidades.” (PIMENTEL, 1999, p.45). O Movimento de Educação de Base era formado por um Conselho Diretor Nacional, um Conselho Nacional de Representação e Consulta e um Conselho Fiscal, sendo o primeiro composto por 10 membros da CNBB e 1 membro do Governo Federal. “As unidades básicas do MEB eram os Sistemas de Educação de Base, que contavam com equipes locais, responsáveis pela execução do programa nas comunidades atingidas, através de animadores, monitores e educadores”. (PIMENTEL, 1999, p.45)

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No que se refere à programação, essa era feita em nível de sistemas e sob a orientação de uma Equipe Técnica Nacional. A programação se dividia em aulas para escolas radiofônicas, cursos radiofônicos e programas especiais.
O Movimento de Educação de Base utilizava, como referência para o desenvolvimento de seus programas educativos, as fases do trabalho dos agricultores: preparação dos terrenos, plantio, colheita e venda dos produtos, sendo que cada fase correspondia a uma unidade do programa. (...) Toda a programação do MEB era transmitida ao vivo, através de emissoras pertencentes às dioceses onde se localizavam as sedes de cada sistema, que cediam os horários para as transmissões. A recepção organizada dos programas era realizada em escolas radiofônicas e em grupos de audiência organizada para os cursos transmitidos, sendo que, durante o desenvolvimento dos projetos educativos do MEB, as técnicas de animação popular foram tomando o lugar de destaque inicialmente ocupado pela programação radiofônica. (PIMENTEL, 1999, p. 46-48).

O MEB era custeado pelos convênios com o Ministério da Cultura, superintendências das áreas onde os projetos atuavam, tais como a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) a Legião da Boa Vontade (LBV) e entidades internacionais. “A maior parcela de recursos destinados ao MEB vinha do MEC, o que muitas vezes foi prejudicial ao funcionamento normal da entidade, devido aos constantes atrasos na liberação das verbas federais”. (PIMENTEL, 1999, p 49-50). No final da década de 60, mais especificamente em 1968, o Movimento de Educação de Base foi considerado um projeto perigoso pelo sistema de governo vigente, exatamente por promover a conscientização dos integrantes menos favorecidos da sociedade. Ao todo, o MEB alfabetizou aproximadamente meio milhão de pessoas, recebendo pela contribuição à educação do país um prêmio da UNESCO.

Segundo Pimentel (1999), o primeiro passo para a implementação de um projeto nacional de educação através do rádio foi o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967. Pelo decreto, o CONTEL – Conselho Nacional de Telecomunicações determinava a obrigatoriedade da transmissão de programas educativos para toda a rede de emissoras comerciais de radiodifusão, além de definir a faixa de horário para a transmissão, a duração e a qualidade da programação. O Decreto previa ainda uma duração máxima de 5 horas para os programas educativos, sendo que o horário estabelecido para transmissões seria entre 7 e 17 horas. O Decreto-Lei n° 236 foi

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colocado em prática em 9 de fevereiro de 1970, a partir da Portaria n° 408 que previa, entre outras coisas, um tempo obrigatório e gratuito de 5 horas semanais para emissoras comerciais, sendo distribuídos da seguinte forma: 30 minutos de segunda a sexta e 75 minutos aos sábados e domingos e proibição de propaganda durante o horário reservado à transmissão educativa.

Na década de 70, foi a vez do governo federal lançar mão de um projeto educativo. O Projeto Minerva foi criado em 1° de setembro de 1970, porém o primeiro programa foi transmitido somente no dia 4 de outubro.
O objetivo geral do Projeto Minerva era transmitir, através do rádio, programas educativos e culturais, aperfeiçoando o homem dentro da sua própria comunidade, e permitindo o seu desenvolvimento individual e coletivo. (PIMENTEL, 1999, p. 63)

Para Pimentel (1999), os objetivos específicos do Minerva contemplavam a renovação e o desenvolvimento do sistema oficial de ensino, o planejamento e a utilização de horários para a programação educativa, a complementação das atividades regulares, a possibilidade de uma educação continuada e a divulgação de programação cultural de interesse das comunidades atingidas.
Esses objetivos mostravam que havia necessidade não só de um projeto que complementasse o sistema oficial de ensino – dando oportunidade a quem não tivesse acesso às escolas tradicionais ou permitindo uma complementação dos estudos –, mas que trouxesse modificações a este sistema, já que a transmissão da informação pelo rádio tem peculiaridades próprias, bem diferentes do processo regular de ensino. ( PIMENTEL, 1999, p. 64)

Não podemos nos esquecer do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização) programa oficial de alfabetização, que utilizou o rádio como meio de propagação de mensagens, a exemplo do Programa de Educação Comunitária para a Saúde – “Boa Saúde” realizado em 1976 que abordava a saúde, alimentação e higiene, tendo como base as histórias do cotidiano de uma pequena comunidade rural. O Projeto Minerva era voltado para as pessoas que não podiam participar do MOBRAL. Em 1973, foi aprovado o Curso Supletivo de 1° Grau, que tinha como público-alvo alunos com idade superior a 17 anos e nível de escolaridade equiparado ao antigo Primário completo (1° a 4° série) ou Ginasial incompleto (a partir da 5° série). No Curso Supletivo de 1º Grau, os alunos tinham

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aulas de Comunicação e Expressão, Estudos Sociais e Ciências. O Supletivo era composto por um período preparatório, além de um Plano de Reforço, com duração de 60 semanas.
As aulas, unidades fundamentais do Curso, eram preparadas por equipes, recebendo um tratamento radiofônico. Os scripts eram avaliados e posteriormente gravados em fitas, que, depois de prontas, passavam por uma nova avaliação, para finalmente serem copiadas e distribuídas de acordo com a programação pré-estabelecida. Paralelamente, eram produzidos os fascículos, que serviam de apoio às aulas radiofônicas. (...) Os fascículos se justificavam devido à dificuldade de fixação das mensagens transmitidas através do rádio. (...) Os fascículos, por sua vez, ainda tinham a vantagem dos recursos gráficos, como quadros, tabelas, ilustrações e exercícios de aprendizado. (PIMENTEL, 1999, p. 68)

No Projeto Minerva, o conteúdo das aulas era transmitido pela EMBRATEL (Empresa Brasileira de Telecomunicações) e pela Agência Nacional, essas por sua vez eram encarregadas de transmitir para as principais emissoras do país (elas repassavam o material para as emissoras menores).
Nas áreas que recebiam os programas através dos sinais radiofônicos, o Projeto Minerva distribuía aparelhos receptores para serem utilizados pelos alunos nos radiopostos. (...) Nos radiopostos, os alunos se inscreviam nos Cursos e freqüentavam as rádio-aulas diariamente, de segunda a sexta-feira, por cerca de duas horas, formando grupos de 40 alunos em média, sendo orientados pelos monitores durante a aprendizagem e utilizando como base os fascículos de apoio. (PIMENTEL, 1999, p.69-70)

No Projeto Minerva, os alunos eram avaliados diariamente e também por testes trimestrais e bimestrais de conhecimento. Para receber o certificado de conclusão do Curso, o aluno era submetido a exames produzidos pelos sistemas de educação local. Esses exames eram encaminhados posteriormente para a Coordenação do Projeto que avaliava o processo de aprendizagem dos alunos. Em cinco anos (1973-1777), o Curso Supletivo do Primeiro Grau registrou uma média de alunos que variou entre 80.000 e 138.000 (estes números não correspondem a uma audiência total, pois muitos ouvintes não tinham contato com o sistema, o que impossibilitava uma quantificação exata.). “Dentro do universo que o Projeto pretendia alcançar, composto pelos alunos evadidos dos antigos Cursos Primário ou Ginasial, que não chegavam a concluí-los, e por todos que não tinham oportunidade de ingressar no sistema oficial de ensino – somando quase metade da população total do país –, o alcance do Projeto foi realmente muito pequeno” (PIMENTEL, 1999, p. 71-72).

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Paralelamente ao Curso Supletivo do 1° Grau, o Projeto Minerva produzia Informativos Culturais.
Nos intervalos entre os períodos de emissão dos Cursos do Minerva os Informativos Culturais eram transmitidos diariamente, no horário normal dos Cursos e, fora destes intervalos, iam ao ar aos sábados às 13 horas e aos domingos às 10 horas, sempre durante 1 hora e 45 minutos. (PIMENTEL, 1999, p. 72)

Os Informativos abordavam grande variedade de temas culturais, dividindo-se em sete séries. São elas: música popular, música erudita, literatura, educação, esportes, folclore e assuntos gerais. A partir da Lei n° 5692/71, o Projeto Minerva produzia o Curso Supletivo de 2° Grau. A Lei n° 5692/71 estabelecia as funções de Suplência e Suprimento no Ensino Supletivo.
Sendo um curso de suplência, o Supletivo 2º Grau direcionava-se aos alunos adolescentes e adultos que pretendiam completar a escolarização regular de 2º Grau e, pelo seu caráter de suprimento, também destinava-se àqueles que desejavam aperfeiçoarse ou atualizar seus conhecimentos (...) A clientela a ser atendida pelo Curso correspondia ao público com idade acima de 19 anos e nível de conhecimento relativo ao ensino de 1º Grau, sendo possível o sistema de ensino realizar testes prévios para conhecer as condições dos alunos e permitir um melhor planejamento do seu desenvolvimento. (PIMENTEL, 1999, p. 74)

As aulas do Projeto Minerva tinham início às 20h e terminavam as 20h30."Nos locais onde se realizava a recepção organizada, os alunos chegavam meia hora antes, permanecendo por mais uma hora e meia após o término das transmissões, ficando nos radiopostos das 19h30min até as 22h, de segunda a sexta-feira". (PIMENTEL, 1999, p. 76) . O Supletivo de 2° Grau era dividido em três etapas, sendo que na primeira etapa as disciplinas apresentadas eram Língua Portuguesa, Geografia e História. A segunda etapa contava com as disciplinas de Matemática, Inglês e OSPB (Organização Social e Política Brasileira), num total de 230 aulas. Já na terceira etapa as matérias apresentadas eram Física, Química e Biologia, num total de 218 aulas. “A primeira emissão do Curso foi realizada experimentalmente em 1979, com a primeira etapa do seu desenvolvimento, que se realizou nos anos seguintes, sendo que a transmissão da terceira etapa foi iniciada em janeiro de 1981”. (PIMENTEL, 1999, 76)
Uma nova Portaria Interministerial do MEC e do Ministério das Comunicações – nº 568, de 1980 – veio substituir e revogar a Portaria 406/70 (que servira de base para a criação

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do Projeto Minerva), ratificando os horários de transmissão, o intercâmbio e os subsídios dados à produção da programação educativa e à proibição da veiculação de propaganda durante estas transmissões. (PIMENTEL, 1999, p.76)

Durante a década de 80, o Projeto Minerva foi perdendo força, em parte devido ao fim do regime militar (...) a ideia de um país sem fronteiras, onde todos tivessem acesso às informações produzidas nos grandes centros, já havia se estruturado com o desenvolvimento a televisão. (PIMENTEL, 76-77) Os projetos de educação à distância também ganharam maior espaço na programação televisiva, e o programa Telecurso, realizado pela TV Globo, passou a cumprir o papel anteriormente destinado ao Projeto Minerva, que, aos poucos, foi sendo inviabilizado, tornando-se simplesmente uma programação obrigatória nas emissoras de rádio. (PIMENTEL, 76-77) Em fevereiro de 1991 o Ministério da Educação e da Infra-estrutura suspendeu a Portaria n° 568. A partir daí foi instituído um convênio que determinava que as emissoras brasileiras deviam veicular programas de cunho educativo voltados para a educação e ensino básico. Por esse convênio as emissoras deveriam reservar 5 minutos diários em sua programação para a transmissão de material educativo. Aos sábados e domingos as emissoras deveriam colocar no ar dois programas de conteúdo educativo com duração de 45 minutos cada.
Este convênio determinou o fim do Projeto Minerva, encerrando assim a maior experiência oficial do Rádio Educativo brasileiro e deixando um grande acervo de programas gravados, dos quais uma quantidade considerável ainda faz parte do Acervo da Rádio MEC. Muito do material de apoio dos programas e até mesmo os aparelhos receptores fabricados especificamente para o Projeto Minerva estão hoje se decompondo no depósito da emissora, no bairro da Penha, no Rio de Janeiro. (PIMENTEL, 1999, 78)

3.3.2 O papel das Rádios Educativas na mídia atual Antes de abordar o tema Rádios Educativas é necessário distinguir Radiodifusão educativa e Rádio-Escola. A portaria n° 651 assinada em 15 de abril de 1999 pelos ministros Paulo Renato e Pimenta da Veiga, na época, ministros da Educação e das Comunicações, respectivamente, em seu Art. 3° diz que: a radiodifusão educativa destina-se exclusivamente à divulgação de programação de caráter educativo-cultural e não tem finalidades lucrativas. Pimentel (1999) completa dizendo que

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Radiodifusão Educativa é definida como a que utiliza o rádio e a televisão, ou seja, os meios que transmitem os programas de educação formal e não-formal, como suporte dos materiais educativos produzidos.

No que diz respeito à Rádio-Escola, Pimentel (1999) relembra a Reforma do Ensino do Distrito Federal realizada no final da década de 20 por Fernando de Azevedo, na época Diretor geral da Instrução Pública do Distrito Federal.
Dois artigos desta Reforma determinavam que fossem instalados aparelhos receptores nas escolas municipais e que se criasse uma rádio-escola municipal, para transmitir para todas as escolas e para os ouvintes em geral uma programação educativa. (PIMENTEL, 1999, p.30 ).

Em 1933, graças à iniciativa de Anísio Teixeira, então Diretor Geral da Instrução Pública do Distrito Federal surgia, sob a direção de Roquette-Pinto, a Rádio-Escola Municipal (PRD-5). A transmissão experimental da emissora foi no dia 31 de dezembro. Oficialmente, a Rádio-Escola foi inaugurada em 6 de janeiro de 1934, tendo posteriormente o nome modificado para Rádio Difusora. Em 1945, o Prefeito Henrique Dodsworth nomeou a emissora como Rádio RoquettePinto. Atualmente, a rádio pertence ao governo estadual do Rio de Janeiro. As rádios consideradas educativas são concessões destinadas a universidades, fundações ligadas a empresas privadas, governo federal, estaduais ou municipais. Roldão (2006) esclarece que o fato de uma emissora ter caráter público ou ser ligada a uma universidade não implica que a sua programação tenha caráter educativo. Para ratificar essa afirmativa, Roldão (2006) cita Sandra de Deus (2003, p. 4) que diz: “As rádios universitárias estão reproduzindo o que fazem as rádios comerciais e não estão produzindo conhecimentos novos.”. Bespalhok; Heitzmann (2005) apud Nélia Del Bianco (2003) interpreta o conceito de educativo mais ligado à cultura. Del Bianco sugere que o projeto educativo atual deveria assumir tais princípios:

a) adotar a perspectiva da mobilização social, promoção humana e desenvolvimento da comunidade no uso do rádio para fins educativos; b) ter o propósito de não dar aulas pelo rádio, mas sim, aproveitar a radiofônica para disseminar uma cultura; c) produzir programas regionalizados, respeitando as características culturais e as

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potencialidades econômicas e sociais do local; d) apresentar conteúdos que estimulem a reflexão e a construção do saber a partir da vivência coletiva, o saber popular, as vivências comunitárias e coletivas, propiciando elementos conceituais para que o público possa desempenhar ações concretas; (DEL BIANCO, 2003, apud BESPALHOK; HEITMANN, 2005, p.13)

As emissoras educativas têm o papel de informar, entreter e promover uma conscientização na comunidade na qual está inserida. Cabe às emissoras educativas proporcionar ao público uma informação que vá ao encontro das necessidades individuais e coletivas. Para Blois (2003) a emissora educativa deve valorizar e preservar a memória histórica e cultural da comunidade, além de abrir espaço na grade de programação para expressões da cultura local, regional e nacional. Em uma rádio educativa, a abordagem de assuntos de interesse público deve pautar-se pelo caráter informativo e não pela espetacularização dos fatos. “Jamais se deve, em uma emissora educativa, dar voz à população para explorar suas mazelas e conflitos pessoais. Pelo contrário, procura-se colocar na pauta do jornalismo as atividades da sociedade organizada e que busca os seus direitos”. (ROLDÃO, 2006, p.12).

Para Bespalhok; Heitzmann (2005) a arte de saber escutar, disponibilidade para o diálogo, produção de material educativo com qualidade ética e estética e independência editorial são alguns dos desafios enfrentados pelas emissoras de rádio educativas no país.

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4 ANÁLISE DOS CONTEÚDOS DOS PROGRAMAS UFMG NOTÍCIAS E JORNAL DA UFMG

O presente capítulo tem como objetivo analisar o jornalismo da Rádio UFMG Educativa FM 104.5, tendo como base a categoria dos critérios de noticiabilidade estabelecidos por Wolf e Traquina. Os programas escolhidos foram UFMG Notícias e Jornal da UFMG. O objetivo principal é verificar a influência dos valores notícia no seu processo de seleção e veiculação da informação jornalística.

4.1 Metodologia de Pesquisa A metodologia refere-se à forma como o pesquisador constrói o seu trabalho. De acordo com Minayo (2000) a metodologia é o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. Na visão da autora, a metodologia não visa somente descrever as técnicas e métodos utilizados na elaboração de um trabalho científico. A metodologia indica também as opções e leituras feitas pelo pesquisador no quadro teórico.

Minayo (2000) apresenta os principais elementos da metodologia como sendo a definição de amostragem, a coleta de dados, a organização e a análise desses dados.

O material empírico analisado na construção dessa monografia reúne cerca de 4 horas de gravações, o que corresponde a 5 edições de cada programa, sendo o UFMG Notícias um programa com 15 minutos de duração e o Jornal da UFMG um programa de meia hora.

O cronograma de coleta do material foi cumprido entre os dias 28 de setembro e 02 de outubro de 2009.

Para este trabalho optou-se por adotar as categorias de análise e a análise de conteúdo. De acordo com Minayo (2002), as categorias são empregadas para se estabelecer classificações. Ainda segundo a autora, o trabalho com categorias agrupa elementos, ideias e expressões na busca de um conceito único e abrangente.

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Segundo Gil (1991), a análise de conteúdo desenvolveu-se a partir do grande volume de material produzido pelos meios de comunicação de massa e pela criação de técnicas quantificação desses materiais. “Esta técnica possibilita a descrição do conteúdo manifesto e latente das comunicações e devem sem bastante utilizados em pesquisas na área de Ciência Política, Psicologia Social e Sociologia”. (GIL, 1990, p. 83-84)

A todo momento, somos surpreendidos por uma infinidade de notícias que, dependendo das circunstâncias, podem até modificar as nossas rotinas diárias. “A melhor definição de notícia é aquilo que é novidade, interessante e verdadeiro” (MCLEISH, 2001, p. 71).

Quem de nós nunca se perguntou por que alguns acontecimentos são veiculados pela mídia e outros não? A resposta está nos critérios usados pelos jornalistas para selecionar o que será ou não noticiado.
A necessidade de se pensar sobre critérios de noticiabilidade surge da constatação de que há pouco espaço nos veículos de informação tendo em vista a infinidade de acontecimentos que ocorrem no dia a dia. Frente ao volume tão grande de matéria-prima, é preciso estratificar para escolher qual acontecimento é mais merecedor de adquirir existência pública como notícia. (SILVA, 2005, p. 97)

No rádio, a falta de espaço é facilmente perceptível. O que há de mais relevante na notícia radiofônica deve ser priorizado, haja vista que o espaço destinado às notícias no rádio é diferente dos demais meios de comunicação. “Diferentemente de um jornal, que tem capacidade de variar o tamanho do tipo, o rádio pode apenas enfatizar a importância de um assunto pelo tratamento que lhe der.” ( MCLEISH, 2001, p. 74) O referencial teórico foi construído a partir de leituras das obras Teorias da Comunicação de Massa, de Mauro Wolf, Teorias do Jornalismo volumes I e II de Nelson Traquina, também como o artigo Para Pensar critérios de noticiabilidade de Gislene Silva. A construção do histórico do rádio no Brasil teve como a base as obras Histórias que o rádio não contou; Das ondas do rádio à tela da TV- o som e a imagem na cidade das alterosas (1900-1950). Mimeo. Dissertação de Mestrado; A informação no rádio: os grupos de poder e a determinação dos conteúdos; Senhores ouvintes, no ar... a cidade e o rádio e Jornalismo de Rádio, obras essas dos autores Tavares, Campelo, Ortriwano, Martins e Jung respectivamente. A temática das rádios educativas

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está alicerçada, principalmente, nas obras de Roldão (2006), Bespalhok; Heitzmann (2005) e Pimentel (1999). 4.2 Rádio UFMG Educativa - Estação do Conhecimento

A Rádio UFMG Educativa foi inaugurada em 6 de setembro de 2005 e ocupa a frequência FM 104.5. Os estúdios da emissora funcionam no Cedecom (Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais) na Pampulha.

A UFMG Educativa é o resultado de um convênio entre a Universidade Federal de Minas Gerais e a Radiobrás (empresa do governo federal detentora do monopólio para exploração do serviço de radiodifusão). Os transmissores da UFMG Educativa estão localizados em Contagem, tendo em vista que a concessão do canal de emissora educativa do município de Belo Horizonte, pertence a Rádio Educativa Favela FM8 (106.7).

Na UFMG Educativa o ouvinte fica informado sobre o que acontece no Brasil e no exterior. Além de manter uma programação musical eclética, a emissora também abre espaço para os assuntos de interesse da comunidade acadêmica, tais como vestibular, palestras e congressos. A direção executiva da emissora está a cargo do radialista Elias Santos.

Ao longo desses quatro anos, a emissora tem conquistado vários prêmios em reconhecimento ao trabalho realizado. Em 2006, a Rádio conquistou o 1° Prêmio IGE de Jornalismo – categoria Rádio, região Sudeste com a reportagem Escola pública – quanto vale a educação de seu filho?, autoria de Larissa Nunes, Luísa Brasil e Tacyana Arce. O prêmio IGE de Jornalismo é uma iniciativa da Fundação Lemann, ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) e IGE (Instituto Gestão Educacional).

A Rádio Favela FM (106.7) foi fundada em 1981, graças a iniciativa de moradores da Vila Nossa Senhora de Fátima, localizada no Aglomerado da Serra. Após operar por cerca de 20 anos na ilegalidade, a emissora conseguiu em 1996 (após sua legalização) a concessão de Rádio Educativa.

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Entre os prêmios conquistados em 2007, destacam-se o I Prêmio de Jornalismo de Interesse Público SJPMG (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais) - categoria rádio, com a reportagem Arte da Periferia, o V Prêmio Alexandre Adler de Jornalismo em Saúde, com a reportagem O SUS que temos o SUS que queremos e o 4º Prêmio CONFEA (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) de Jornalismo, com a reportagem Planeta em febre - onde está a cura? O prêmio CONFEA de Jornalismo tem como objetivo premiar matérias cuja abordagem seja a contribuição das áreas de Engenharia, Arquitetura, Agronomia, Geologia e Meteorologia na vida econômica, social e política dos brasileiros.

Em 2008, a Rádio UFMG Educativa conquistou 7 prêmios e duas indicações para a etapa final dos Prêmios Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano/Fórum 2007 e Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo.

De acordo com o site9 a equipe da Rádio UFMG Educativa conta com 50 pessoas. A equipe de programação musical da emissora é formada por 1 programador e 2 estagiários. A coordenação da Programação musical está a cargo de Paulo César Ribas. Na produção são 7 estagiários e 1 produtor executivo. A equipe de Jornalismo conta com 3 jornalistas, 2 trainee e 13 estagiários. A coordenação de jornalismo está a cargo de Tacyana Arce.

Já o Departamento Técnico por 3 técnicos e 1 estagiário. O departamento técnico é coordenado por Judson Porto. O núcleo de publicidade conta com 1 coordenador (o mesmo da programação musical) e 2 estagiários. A locução dos programas da UFMG Educativa é feita por Elias Santos (apresentador do programa Conexões e diretor executivo da emissora), Rosaly Senra (Universo Literário), Tatá Marinho (Noite Ilustrada) e Otávio Ogando (Expresso 104,5). A equipe de Engenharia é composta por Cássio Gonçalves e Cláudio Garcia, além de 3 estagiários. O Núcleo de Tratamento da Informação conta com 1 coordenador e 1 responsável pela atualização do site. A coordenação do Núcleo de Tratamento da Informação está a cargo de

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Disponível em: <http://www.ufmg.br/online/radio/arquivos/004231.shtml>, Acesso em 24/10/20009

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Cida Moura. O motorista José Daniel Pereira também integra a equipe de pessoal da emissora. A emissora tem a parceria da CEASAMINAS e da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos)

4.2.1 Breve perfil da UFMG

A Universidade de Minas Gerais (UMG) surgiu em 1927 como uma instituição privada, porém subsidiada pelo Estado. Em 1949, a instituição foi federalizada, mas o nome UFMG só foi adotado em 1965.

A UFMG conta, atualmente, com 75 cursos de graduação presencias e 5 cursos de graduação à distância. Ao todo são 24.552 alunos.

Já a Especialização conta com 79 cursos presenciais e 4 cursos à distância.

O Mestrado da instituição conta com 66 cursos e 3.814 alunos (1.200 mestres são formados por ano).

No Doutorado são 57 cursos, num total de 2.880 alunos (600 doutores por ano). No campo da pesquisa são 732 grupos, 2.540 linhas de pesquisa e 11.814 publicações científicas. Os dados citados foram retirados do site10 da Universidade Federal de Minas Gerais.

Com a adesão da Universidade Federal de Minas Gerais ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), novos cursos foram criados. Para o vestibular 2009 os alunos puderam optar pelos cursos de Aquacultura, Ciências de Alimentos, Engenharia Florestal, Arquivologia, Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis, Engenharia Aeroespacial, Engenharia Ambiental, Cinema de Animação e Artes Digitais, Design e Design de Moda,
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Disponível em:: <http://www.ufmg.br/conheca/nu_index.shtml>, Acesso em 24/10/2009

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A partir de 2010, dez novos cursos serão ofertados pela Universidade Federal de Minas Gerais. São eles: Química Tecnológica, Antropologia, Tecnologia em Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Ciências Socioambientais, Engenharia de Sistemas, Biomedicina, Relações Econômicas Internacionais, Controladoria e Finanças, Museologia e Dança.

4.2.2 UFMG Notícias

É diante dessa diversidade que são pautados os temas para alimentar o programa jornalístico UFMG Notícias. Nas reportagens, assuntos ligados à educação, ciências e tecnologia, sempre abordados na perspectiva de fontes especializadas (observamos inclusive uma preferência por fontes ligadas à própria universidade).

O UFMG Notícias é um programa diário, transmitido às 7h45 da manhã e que tem como foco a Universidade Federal de Minas Gerais com toda sua diversidade e história construída ao longo dos últimos 82 anos.

O UFMG Notícias tem duração de 15 minutos e é editado por Gustavo Cunha.

4.2.3 Jornal da UFMG

O Jornal da UFMG é transmitido de segunda a sexta-feira no horário de 12h30 com duração de meia hora. O Jornal da UFMG tem uma cobertura mais ampla, se comparado ao UFMG Notícias. O programa conta com editorias de: Política, Saúde, Cidades, Educação, Cidadania, Cultura e Esportes.

Toda segunda-feira, no Jornal da UFMG, os jornalistas Flávio de Almeida e Tacyana Arce discutem os destaques do Boletim Informativo da UFMG no quadro Agenda UFMG de Notícias.

Na sexta-feira, a discussão gira em torno da Política. A jornalista Tacyana Arce conduz uma entrevista com especialistas da área, debatendo os assuntos de maior relevância na política

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nacional e internacional.

O Jornal da UFMG é apresentado por Pedro Alvarenga e Tacyana Arce.

4.3 Análise dos Programas

O Jornal da UFMG e o UFMG Notícias são programas informativos centrados essencialmente na produção de material jornalístico. A escolha dos programas considerou o perfil jornalismo de ambos. Os programas são compostos por editorias, cada uma tratando dos assuntos de maior destaque do dia. É pertinente ressaltar que as editorias abordam necessariamente acontecimentos factuais.

A partir da análise, podemos constatar que os programas se assemelham nos aspectos estrutura e linguagem. Tanto o UFMG Notícias quanto o Jornal da UFMG são compostos essencialmente por reportagens. Analisando as entrevistas, observamos que elas são, em sua maioria, gravadas, o que as diferencia é o enfoque dado pelo repórter.

Prado (1989) propõe dois níveis de diferenciação para as entrevistas. No primeiro nível, Prado fala em entrevista direta (não aceita montagem) e entrevista diferida (nesse tipo de entrevista, tem-se a oportunidade de corrigir erros, controlar o tempo e até modificar a ordem das perguntas). No segundo nível, Prado (1989) aborda as entrevistas de caráter (tem como foco a personalidade do entrevistado) e a noticiosa (o foco é a informação).

A entrevista veiculada na editoria de Saúde no Programa Jornal da UFMG no dia 30 de setembro é um exemplo de entrevista direta. A entrevistada Celina Alves, participante do fórum mineiro de saúde na Marcha anti-manicomial em Brasília conversou ao vivo com Alessandra Ribeiro. O tema da entrevista foi a reforma psiquiátrica no Brasil. Celina Alves abordou a importância da socialização do portador de sofrimento mental no convívio familiar e social.

Tanto no UFMG Notícias quanto no Jornal da UFMG não identificamos entrevistas de caráter. Percebemos, sim, uma predominância da entrevista noticiosa.

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Na visão de Prado (1989), a entrevista noticiosa subdivide-se em: entrevista de informação estrita (serve para veicular uma informação através de um protagonista ou fonte), entrevista de informação em profundidade (buscam dados adicionais para se interpretar o fato, a fonte desse tipo de entrevista é sempre um especialista) e declarações ou “falsa entrevista" (produz uma comunicação unilateral direta, ou seja, a visão do entrevistado).

A entrevista do Ministro das Cidades Márcio Fortes ao Programa Bom Dia Ministro! veiculada no Jornal da UFMG em 01 de outubro é um exemplo de entrevista de informação estrita. O Ministro Márcio Fortes respondeu às perguntas de Alessandra Ribeiro sobre o andamento do Programa Minha Casa Minha Vida em cidades com menos de 50.000 habitantes. Alessandra Ribeiro ainda questionou o Ministro sobre o posicionamento das construtoras em relação ao programa, tendo em vista a baixa adesão de algumas empresas ao programa Minha Casa Minha Vida. O Ministro das Cidades enfatizou o início do cadastro para famílias de até três salários mínimos nos municípios de até 50.000 habitantes ao programa do governo.

A entrevista concedida por Sinara Zardo (coordenadora de articulação da política de inclusão nos sistemas de ensino da secretaria de educação especial) à jornalista Tacyana Arce, veiculada pelo programa UFMG Notícias é um exemplo de entrevista de informação em profundidade. O tema da entrevista girou em torno da determinação do Ministério da Educação quanto a matrícula de alunos superdotados e com deficiência. A entrevistada explicou o parecer n° 13/2009 do Conselho Nacional da Educação que assegura aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e superdotação, o acesso a escolarização comum e atendimento especializado.

4.3.1 A UFMG Educativa e os critérios de noticiabilidade

Analisando o conteúdo das reportagens dos programas Jornal da UFMG e UFMG Notícias podemos constatar a importância dos valores-notícia na produção e veiculação de material jornalístico. Com essa análise, objetiva-se verificar se os programas focam ou não algum segmento ou editoria.

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4.3.2 UFMG Notícias e os valores - notícia

No dia 28 de setembro, o UFMG Notícias teve como foco a editoria de Saúde. Das três matérias veiculadas, apenas uma abordava o tema Educação. A primeira reportagem exibida falou sobre o 11° Encontro de Transplantados ocorrido no Hospital das Clínicas da UFMG. O encontro fez parte do Dia do Doador de Órgãos (comemorado em 27 de setembro) e teve como objetivo estimular a doação de órgãos.

A segunda reportagem abordou a parceria firmada entre o governo brasileiro e um grupo farmacêutico britânico para produzir uma vacina contra a dengue. No que diz respeito a essa segunda matéria, podemos dizer que ela se encaixa no critério de noticiabilidade denominado como relevância, tratado por Traquina como um valor notícia de construção. A abordagem do assunto é relevante tendo em vista o aumento no número de casos de dengue registrado a cada ano.

A reportagem sobre Educação trouxe como tema a determinação do Ministério da Educação referente à matrícula de alunos superdotados ou com deficiência. A entrevista foi conduzida por Tacyna Arce e teve como entrevistada a coordenadora geral de articulação da política de inclusão nos sistemas de ensino da Secretaria de Educação do Ministério da Educação, Sinara Zardo.

Em 29 de setembro, o programa apresentou uma matéria de saúde, cuja temática foi o tratamento experimental desenvolvido nos EUA que conseguiu reverter a raiva em um paciente brasileiro de 16 anos. Analisando o conteúdo da reportagem, podemos afirmar que ela se encaixa no valor - noticia relevância do acontecimento quanto à evolução futura de uma determinada situação, tratado por Mauro Wolf como critério substantivo (diz respeito à importância e ao interesse da notícia). Sabe-se que a raiva é uma doença incurável, mas o fato de uma pessoa ter resistido ao tratamento (embora com algumas sequelas) agrega valor notícia ao acontecimento.

Ainda no dia 29 de setembro, o programa veiculou uma nota falando de um evento aberto ao público, promovido pela faculdade de Educação, para debater a relação entre juventude e

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internet. Em 30 de setembro, as editorias apresentadas foram Educação e Vestibular. A matéria de educação abordou uma possível mudança no sistema de ocupação de vagas a partir do Enem11. A discussão envolvendo o Exame Nacional do Ensino Médio foi baseada em uma matéria do jornal Folha de São Paulo, de 29 de setembro de 2009.

Já a matéria sobre vestibular abordou a criação dos cursos de Licenciatura para educadores indígenas, habilitação em Matemática, além de Licenciatura em educação do campo, habilitação em Letras e Artes, dois novos cursos para o vestibular 2010.

A entrevista com a coordenadora da COPEVE (Comissão Permanente do Vestibular), Vera Resende, além de esclarecer dúvidas sobre esses dois cursos, serviu para enfatizar a importância da inclusão da população indígena na universidade.

Em 01 de outubro, o UFMG Notícias trouxe duas matérias sobre Educação e uma sobre Ciência e Tecnologia.

A primeira matéria sobre Educação falou sobre o Projeto de Lei que proíbe alunos das universidades públicas de ocupar duas vagas em curso de graduação. A matéria trouxe a fala do relator do Projeto, senador Augusto Botelho (PT - Roraima) e de alunos que se sentiram prejudicados com a proibição. A segunda matéria de Educação abordou a nova prova do Enem e a importância do exame na reforma do ensino médio e profissionalizante. Já a matéria de Ciência e Tecnologia abordou a criação de um game educativo (Game Estrada Real Digital), desenvolvido pelo Centro de Convergência de Novas Mídias da UFMG. A entrevistada Regina Helena Alves da Silva, coordenadora do Centro de Convergência e professora do Departamento de História da UFMG,
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A realização do Exame Nacional do Ensino Médio estava prevista para os dias 03 e 04 de outubro. No dia 1de outubro descobriu-se que exemplares da prova foram extraviados. A fraude foi denunciada por uma repórter do Jornal Estado de São Paulo que alegou ter recebido uma oferta do conteúdo do exame.

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falou sobre as dificuldades envolvendo o processo de criação e da importância em ensinar os alunos por meio dos jogos educativos.

Em 02 de outubro, o programa teve como foco a editoria de Educação. Todas as três matérias veiculadas abordaram o vazamento do conteúdo da provas do Enem e o consequente adiamento do exame.

Na primeira matéria, o enfoque foi a inviabilidade da utilização da nota do Enem nas universidades. A segunda matéria teve como foco os alunos inscritos no exame, a versão de quem estava “aliviado” e/ ou indignado com a fraude.

A última reportagem tratou a credibilidade do exame perante os alunos e as instituições de ensino. 4.3.3 A notícia no Jornal da UFMG

O programa Jornal da UFMG de 28 de setembro apresentou 5 reportagens e uma entrevista com o jornalista Flávio de Almeida. Foram duas matérias da editoria Cidades, sendo que as editorias Esportes, Saúde e Economia tiveram uma reportagem cada.

Os temas debatidos na editoria de Cidades foram: a suspensão pelo Tribunal de Justiça de Minas do decreto 12.615 de 2007 da Prefeitura de Belo Horizonte, que permitia a aplicação de multas de trânsito pela guarda Municipal e a lei que garante aos feirantes a exposição de produtos nas calçadas de Belo Horizonte.

Na editoria de Esporte houve uma nota de Lucas Pavaneli abordando a fala do presidente Lula no Programa Café com o Presidente sobre a escolha do Brasil como sede das Olimpíadas de 2016. A editoria de Saúde veiculou uma reportagem em comum com o UFMG Notícias. A matéria teve como foco o 11° Encontro de Transplantados no Hospital das Clinicas da UFMG.

A reportagem da editoria de Economia girou em torno da redução do IPI (Imposto sobre Produtos

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Industrializados). O especialista em finanças, Alfredo Mello, respondeu às dúvidas dos ouvintes da emissora.

Segunda-feira é dia da editoria Agência UFMG de Notícias. A apresentadora Tacyana Arce e o editor do Boletim Informativo, Flávio de Almeida, analisam os temas do impresso que circula pelos campi da universidade. Na edição de 28 de setembro os jornalistas discutiram os destaques da edição n° 1669, ano 36 do Boletim Informativo. O foco foi em torno da matéria de capa, que abordou uma pesquisa realizada por pesquisadores de Química da UFMG sobre uma substância com potencial farmacológico encontrada na pele do anfíbio perereca brasileira.

A edição de 29 de setembro apresentou 5 matérias. As editorias foram: Política, Esportes, Cidades e Internacional. Nessa data, a editoria Internacional apresentou duas matérias, uma abordando a crise em Honduras e outra tratando do início dos testes com mísseis no Irã.

A matéria de Política teve como foco a entrega do projeto “Ficha Limpa” na Câmara dos Deputados. O projeto “Ficha Limpa” proíbe a candidatura de pessoas que tenham sido condenadas em processos judiciais ou que respondam a ações nos Tribunais de Justiça. A reportagem foi de Soraia Fidelis. A editoria de Esportes abordou o cancelamento da etapa brasileira da Copa do Mundo de Natação que seria realizada no Rio de Janeiro. A alegação da Federação de Natação para o cancelamento foi a falta de verba para realização do evento.

Na editoria de Cidades foi apresentada uma reportagem sobre a suspensão do decreto que permitia a aplicação de multas pela Guarda Municipal. O tema foi discutido pelo procurador geral do município Marco Antônio Resende, o promotor responsável pela ação de

inconstitucionalidade do decreto, Renato Franco e o especialista em engenharia de transportes Ronaldo Gouveia. Os entrevistados expuseram os prós e contras a respeito da aplicação de multas pela Guarda Municipal. O critério de noticiabilidade observado nessa reportagem foi o de proximidade.

A editoria de Internacional trouxe duas matérias: a primeira abordou a crise em Honduras,

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envolvendo o presidente deposto do país Manuel Zelaya. Essa matéria remete ao critério denominado por Wolf de Impacto Sobre a Nação e sobre o Interesse Nacional. (Conforme Tabela 1 do Anexo). O fato de Zelaya ter se abrigado na embaixada brasileira repercutiu negativamente dentro e fora do país.

A segunda matéria apresentou um comentário do Professor da PUC de São Paulo, Reginaldo Nasser, a partir da notícia do início de testes com mísseis no Irã. O professor repercutiu a reação da comunidade internacional com o fato e a relação entre o governo brasileiro e iraniano. Nessa matéria observamos os valores notícia Conflito e Relevância citados por Traquina. O fato é

conflitante devido a postura assumida pelo Irã de atacar seus opositores. O fato tem Relevância por influir diretamente na busca pela paz mundial.

Em 30 de setembro, as editorias apresentadas foram: Educação, Política, Urbanismo e Saúde.

A editoria de Educação veiculou uma reportagem em comum com o programa UFMG Notícias. O tema girou em torno da mudança no sistema de ocupação de vagas nas universidades públicas a partir do Enem. Em ambos os programas a jornalista Tacyana Arce esclareceu como será feito o processo de ocupação de vagas e quais faculdades mineiras adotarão as notas do Enem em substituição ao vestibular. A segunda reportagem também discutiu a temática das provas do Enem. A matéria repercutiu a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio em substituição total ou parcial das avaliações nas faculdades federais de Minas Gerais.

A editoria de Política abordou o debate entre os candidatos à reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais. A repórter Soraia Fidelis trouxe os detalhes do debate, explicando as propostas dos candidatos Bismarque Vaz da Costa (Chapa 1) e Clerio Campolina (Chapa 2). A editoria de Saúde abordou a Marcha dos Usuários pela Reforma Psiquiátrica Anti-manicomial ocorrida em Brasília. A representante do Fórum Mineiro de Saúde, Celina Alves, discutiu a importância da reforma psiquiátrica anti-manicomial para os portadores de sofrimento mental.

Na editoria de Urbanismo, a temática foi a audiência pública realizada na Câmara Municipal para debater o tombamento de 30 imóveis no Bairro Santo Agostinho. Na matéria, a repórter Geanine

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Nogueira trouxe o posicionamento dos proprietários de imóveis tombados pela Prefeitura de Belo Horizonte e a fala da professora da Escola de Arquitetura da UFMG Ana Célia Veiga sobre a importância do tombamento de imóveis para o Patrimônio Cultural. O fator Tempo citado por Traquina é um critério fundamental no radiojornalismo. A notícia do vazamento das provas do Enem já era realidade no horário de transmissão do UFMG Notícias, porém, a reportagem veiculada na editoria Educação não fez menção alguma ao fato. Como a notícia do vazamento da prova se espalhou na madrugada do dia 01 de outubro não havia tempo hábil para apuração. O Jornal da UFMG por sua vez trouxe três reportagens abordando o adiamento das provas. Todas elas tiveram como foco o vazamento do conteúdo das provas e a credibilidade do exame.

As editorias Saúde e Esportes também tiveram lugar no programa do dia 01 de outubro. A editoria de Esportes abordou os preparativos para a escolha da cidade sede das Olimpíadas de 2016.

Já a editoria Cidades focou o cadastramento de famílias com renda de até 03 salários mínimos ao programa Minha Casa Minha Vida em cidades de até 50.000 habitantes. A reportagem de Alessandra Ribeiro trouxe o posicionamento do ministro das cidades Márcio Fortes sobre o programa habitacional do governo.

A edição de 02 de outubro apresentou temas debatidos em edições anteriores.

Das cinco

reportagens veiculadas, duas eram referentes ao vazamento do conteúdo das provas do Enem, duas abordavam a escolha da cidade sede das Olimpíadas de 2016 e a outra tratava do Projeto “Ficha Limpa”.

As reportagens das editorias de Esportes e de Educação abordaram a escolha da cidade sede das Olimpíadas de 2016 e os desdobramentos decorrentes do vazamento da prova do Enem.

Com o surgimento de novos fatos (novidade), os temas retornam a mídia como fatos factuais.

A entrevista com o professor Carlos Ranufo também trouxe um assunto já comentado em 29 de

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setembro pela repórter Soraia Fidelis. Na edição de 02 de outubro, a apresentadora Tacyana Arce comentou com o professor a aprovação na Câmara dos Deputados do Projeto “Ficha Limpa”. Ele falou sobre o encaminhamento do projeto ao Congresso Nacional e a importância disso para a política nacional.

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CONCLUSÃO A partir da análise do material empírico foi possível observar algumas particularidades no jornalismo da Rádio UFMG Educativa. É pertinente frisar que o jornalismo da emissora é comprometido com a veracidade dos fatos. Isso é perceptível quando observamos a quantidade de fontes consultadas, sejam elas especialistas ou não. Ainda abordando o quesito fonte, percebemos uma predileção por aquelas que possuem algum vínculo com a UFMG, isso nos remete a uma valorização do corpo docente da universidade.

No que diz respeito às editorias, constatamos que o segmento mais privilegiado é o da Educação. No período de análise, tanto o UFMG Notícias quanto o Jornal da UFMG veicularam sete matérias referente a essa editoria. No Jornal da UFMG, as sete matérias tinham relação com o vazamento da prova do Enem. Das sete matérias veiculadas no UFMG Notícias cinco abordaram a fraude.

A editoria de Esportes foi a segunda mais destacada. O período de análise coincidiu com a semana em que seria escolhida a cidade sede das Olimpíadas de 2016. Sendo assim, todas as cinco matérias transmitidas no Jornal da UFMG focaram o assunto. O programa UFMG Notícias não conta com a editoria de Esportes.

A Editoria de Cidades apresentou quatro reportagens. Isso nos remete ao critério denominado por Traquina de Proximidade. Quanto mais próximo da realidade dos indivíduos, mais chance o fato tem de ser noticiado.

Na editoria de Política o foco foi o projeto “Ficha. Limpa” que rendeu uma reportagem no dia 29 e uma entrevista com um especialista em 02/10. As editorias de Economia e Urbanismo contaram com apenas uma reportagem cada.

No período de análise, não houve qualquer matéria referente as editorias de Cultura e Cidadania no Jornal da UFMG. Esse fato não significa que elas não são enfatizadas. É pertinente destacar que essas editorias tiveram lugar no programa nas edições de 24 e 25 de setembro, dias antes do período demarcado para análise.

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O UFMG Notícias apresentou duas matérias relacionadas à saúde, enquanto que o Jornal da UFMG apresentou três reportagens. A matéria que abordou o 11° Encontro de Transplantados no Hospital das Clínicas da UFMG foi veiculada nos dois programas.

A princípio, poderíamos pensar que, por ser uma emissora educativa, o único tema discutido seria educação. Essa é uma prioridade da emissora, mas não a única (Conforme as tabelas 2 e 3 do Anexo A).

A partir da análise podemos contatar que há uma flexibilidade do que diz respeito às editorias, a exceção do Acontece na UFMG (editoria veiculada toda segunda-feira no Jornal da UFMG). Observamos que essa flexibilidade tem uma ligação estreita com os critérios de noticiabilidade. Percebemos nas matérias apresentadas, valores - noticia como Relevância, Proximidade, Quantidade de Pessoas Envolvidas, Impacto Sobre a Nação, Tempo, Notoriedade do ator principal da notícia, Conflito, Novidade, Inesperado, Inflação, Equilibrio, Simplificação e amplificação.

Outra observação diz respeito à discussão da violência. A partir da análise, constatamos que o assunto não está presente na emissora. A editoria de Polícia é muito explorada nas emissoras comerciais, na UFMG Educativa isso não procede.

Nas palavras de Roldão (2006) “jamais se deve, em uma emissora educativa, dar voz à população para explorar suas mazelas e conflitos pessoais”.

Diferentemente da Rádio Escola, cujo compromisso era a alfabetização, as emissoras educativas da atualidade têm o compromisso de informar, entreter, prestar serviço e promover nos ouvintes uma reflexão a partir da discussão de pautas de interesse público.

As emissoras educativas têm um papel fundamental na mídia atual, constituindo tanto quanto as emissoras comerciais em um meio eficaz de transmissão de mensagens.

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ANEXO Tabela 1 - Critérios de Noticiabilidade UFMG Notícias Jornal da UFMG

Mauro Wolf Grau hierárquico dos indivíduos Impacto sobre a nação e sobre o interesse nacional Quantidade de pessoas que o acontecimento envolve Relevância e significatividade do acontecimento quanto a evolução futura de uma determinada situação - Tratamento experimental consegue reverter caso de raiva em um garoto pernambucano. Ausente Ausente

Ausente

Ausente

- Matérias envolvendo o vazamento do contéudo das provas do Enem

Nelson Traquina Ausente Morte Notoriedade do ator principal Proximidade Ausente - Hospital da Clinicas da UFMG -Audiência Pública discute reune transplantados e pacientes tombamento de imóveis no a espera de um orgão. Bairro Santo Agostinho - Governo Brasileiro firma parceria com farmacêutica inglesa na produção de vacinas. Ausente

Relevância

Novidade

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Ausente Tempo Notabilidade Ausente Ausente Inesperado - Mec prepara nova prova do Enem após fraude no exame

Conflito

Ausente Ausente

Infração

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Tabela 2 – Quantidade de matérias por Editoria – Jornal da UFMG

Jornal UFMG

da Segunda-feira 28/09 Ausente Terça-feira QuartaQuinta-feira 29/09 feira 30/09 01/10 - Projeto Ficha - Candidatos Ausente Limpa é a reitoria da entregue na UFMG Câmara dos debatem Deputados proposta de melhoria da universidade Ausente Sexta-feira 02/10 - Projeto Ficha Limpa segue para o Congresso Nacional (Entrevista com Convidado – Carlos Ranufo) . Ausente

Politica

Economia

Saúde

- Redução do IPI Ausente já tem prazo para acabar - Hospital da Ausente Clinicas da UFMG reune transplantados e pacientes a espera de um orgão. Ausente Ausente Ausente Ausente Ausente Ausente

- Marcha pela reforma psiquiátrica antimanicomil chega a Brasilia. Ausente Ausente - Mec pode alterar o sistema de ocupação de vagase pelo Enem

Ausente

Ausente

Cultura Internacional Educação

Ausente Ausente - Mec prepara nova prova do Enem após fraude no exame

Ausente Ausente

- Policia Federal investiga fraude no vazamento do Enem . -Adiamento da - Adiamento provas do Enem - UFMG das provas do pode atrasar inicio ainda não ENEM pode letivo decidiu se afetar o prazo utiliza ou para realização não a nota do vestibular do Enem em 2010 substituição ao vestibular -Adiamento

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das provas do ENEM causa frustração nos candidatos ao vestibular 2010

Cidades

Cidadania Escala Internacional

- Tribunal de - Prefeitura de Justiça de Minas Belo Ausente Gerais suspende Horizonte acata decisão decreto de lei que permite à do Tribunal de guarda Justiça de municipal de suspender a aplicar multas de aplicação de trânsito. multas de trânsito pela Novo código de Guarda pósturas da vai Municipal beneficiar feirantes e donos de bares da capital Ausente Ausente Ausente Ausente - Crise em Honduras próxima do fim - Ira promete reagir caso seja atacado por seus opositores Ausente

Cadastramento de familias no programa Minha Casa Minha vida sera iniciado, é o que garante o ministro Márcios Fortes

Ausente

Ausente Ausente

Ausente Ausente

Esportes

- Rio de Janeiro cada vez mais próximo de sediar olimpiadas

- Copa do mundo de Natação é cancelada no Rio de Janeiro por falta verbas .

- Falta um dia apenas para a escolha da cidade que irá sediar as Olimpiadas de 2016

- Rio de Janeiro a um passo de sediar olimpiadas. - de Janeiro tem a melhor proposta para se tornar sede das Olimpíadas 2016.

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Tempo Ciência Agencia UFMG de Notícias

de Ausente Pesquisadores de Quimca da UFMG descobrem substância com poderes farmacologicicos na na pele de anfibio.

Ausente Ausente

Ausente Ausente

Ausente Ausente

Ausente Ausente

Urbanismo

Ausente

Ausente

Audiência Pública discute tombamento de imóveis no Bairro Santo Agostinho

Ausente

Ausente

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Tabela 3 – Quantidade de materias por Editoria- UFMG Notícias

UFMG Notícias Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira 28/09 29/09 30/09 Ausente - MEC discute uma possivel - Ministério da alteração no Educação sistema de determina que ocupação de alunos superdotados ou vagas nas com deficiência universidades sejam pelo ENEM. matriculados em duas escolas- uma regular e outra especializada. Quinta-feira 01/10 - Projeto de lei aprovado pelo senado proíbe alunos de ocuparem ao mesmo tempo duas vagas em universidades públicas. Sexta-feira 02/10 - das provas do ENEM pode dificuldar a utilização da nota do exame em substituição ao vestibular.

Educação

- Novo modelo da prova do ENEM é o início Adiamento da reforma do da provas do ensino médio e Enem profissionalizant provoca e no Brasil Alivio e Indignação - Vazamento das provas do ENEM provoca descrédito no exame Ausente

Vestibular

Ausente

Ausente

Tempo de Ausente Ciência Ciência e Ausente Tecnologia

Ausente Ausente

- UFMG lanca edital de dois novos cursos para 2010 Ausente Ausente

Ausente

Ausente - Grupo da UFMG lança game educativo sobre a Estrada Real. .

Ausente Ausente

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Ciências Humanas Saúde

Ausente

Ausente

Ausente Ausente

Ausente Ausente

Ausente Ausente

- Hospital da - Tratamento experimental Clinicas da UFMG reune consegue transplantados e reverter caso de raiva em pacientes a espera de um um garoto orgão. pernambucan o - Governo Brasileiro firma parceria com farmacêutica inglesa produção de vacinas . - Encontro promovido pela Faculdade de Educação debate a relação entre as redes sociais da internet e a escola.

Acontece na Ausente UFMG

Ausente

Ausente

Ausente