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Antes de concluir

quem sou...
Você me dirá
quem é?

Allan Nunes

—Sumário—
Apresentação (ou quase isso) e Agradecimentos.....................................5
Dúvidas, Pensamentos e Reflexões...............................................................7
História e Esperança..........................................................................................8
Mudança Contemporânea................................................................................9
Sol e Lua...............................................................................................................10
Ventilador........................................................................................................ ...12
Reflexo na TV.....................................................................................................13
Trovador no Abismo........................................................................................14
Maldito Coração................................................................................................16
Pássaros............................................................................................................ ...17
Solidão #1............................................................................................................19
Máquina de Escrever.......................................................................................20
Café........................................................................................................................21
Chuva na Janela e Gotas no Telhado...........................................................23
Poemas de Outono............................................................................................25
Ela #1....................................................................................................................27
Ela #2................................................................................................................. ...29

Notas em Branco...............................................................................................30
O Relógio..............................................................................................................32
Elogios a Alguém...............................................................................................33
Ruas Esquecidas................................................................................................34
Solidão #2............................................................................................................36
Carta para a Frieza...........................................................................................37
Para Sempre Só..................................................................................................39
Vazia Juventude.................................................................................................41
Atitudes Humanas Cotidianas......................................................................43
Falta de Inspiração...........................................................................................45
Amor Contemporâneo.....................................................................................47
Felicidade nos Sonhos.....................................................................................48
Francine................................................................................................... ............49
Rótulos Sociais...................................................................................................51
Tiroteio ao Anoitecer......................................................................................52
Policiais - Anjos da Pátria..............................................................................55
Saudades...................................................................................................... ........57
A Vida Deve Ser Isso... Ou Talvez Não.........................................................59
Postes, Carta e Vinho Barato.........................................................................61

Há um sorriso em meu rosto e muitos não conseguem
compreender......................................................................................................63
Biblioteca Repleta de Conhecimento e Juventude Alienada..............65
Aquele que Não Aprendeu a Amar..............................................................67
Pessoas Mortas..................................................................................................69
Penso............................................................................................................ .........71
Entre Uma Dose e Outra.................................................................................73
Brasileirismo ou Jeitinho Brasileiro?........................................................75
Simplicidade.................................................................................................. .....77
(Não) Será Lido..................................................................................................79

decisões.blogspot. tudo que posso dizer é que me chamo Allan Nunes e não sou interessante. solidão. Escrevi tendo como inspiração as lembranças passadas e o cotidiano. atitudes que parecem não mudarem. Tive . opiniões.com. pensamentos.—Apresentação (ou quase isso) e Agradecimentos— A respeito de mim. eis o endereço de meu e-mail allan_delao@hotmail. ou seja. perda emoções e o esvaziar cultural de um jovem. mas tanto o email quanto o blog pertencem a mim. Agradeço a todos que adquiriram o livro. romances que nunca aconteceram. Sou apenas uma pessoa comum. não estou recebendo por clique ou algo do tipo. Os detalhes que passam despercebidos.br/ Nota 1: Os sobrenomes estão diferentes. Mas se quiserem saber algo sobre mim ou me contatar. problemas e violências de bairros e ruas. mas vamos ao que lhes interessa. Nota 2: O blog não possui propagandas pois não há nenhum tipo de monetização. pré-conceito sobre aquilo que não conhecemos.com e eis o endereço de meu blog comum (básico) onde publico meus poemas http://poemasdeumvazio. críticas sociais.

. crua e sincera. Depois de um tempo eis que surge o título “Antes de concluir quem sou. pois seu tipo de escrita que aborda tudo de uma forma nua. eu queria algo que fizessem as pessoas olharem para si mesmas antes de falarem do próximo. não me processem por ter mencionado o nome dele neste livro ou por tê-lo como inspiração). Este é meu primeiro livro. mas estou gostando muito e. Sobre o título. Haverá alguns trechos inspirados nele. e caso seja lido talvez digam que é um lixo literário. pois estas palavras que escrevo nutrem minha alma. Enfim. com doses de vinhos e cervejas sem utilizar eufemismo para cobrir a visão da realidade. é realmente fascinante. por favor. como inspiração (ainda não li todos os seus livros e poemas avulsos. chega de enrolação. talvez seja um fracasso ou talvez nem seja lido. Diga-me quem és?”. Boa leitura.. foi espontâneo.também o escritor Charles Bukowski. e sei que sou um mero amador comparado a ele ou a outros escritores. mas isso não me impedirá de escrever..

Pensamentos e Reflexões— Minha vida é um jogo de escolhas Das quais todos me levam a errôneos caminhos Já me apaixonei e até mesmo me declarei Mas quem disse que foi correspondido? Tudo ao meu redor é vazio Vejo as pessoas.. às 5h os relógios estão a tocar E o ciclo está a começar Prisioneiros do tempo Até o dia acabar . mas vejo o motivo A sociedade desenvolve seus rótulos E perdemos nossos nomes diariamente Não há significado no que somos Mas sim a incerteza do que temos Fazemos isso e aquilo Mas não sabemos o por que Pagamos isso e aquilo Apenas para sobreviver Respirar se tornará algo privado E o TER valerá mais que o SER Uma espiral drena nossa vontade Aos poucos abdicamos de nossa (falsa) liberdade Sou uma falha para sociedade Abri mão das normas por ela imposta Para nutrir minha racionalidade Amanhã será diferente? Não sei.. mas não vejo os sorrisos Vejo a lutarem.—Dúvidas.

parado Olhando para um antigo banco de praça E um imenso jardim devastado Onde há somente uma rosa branca Com poucas pétalas Que rego diariamente Mas temo que a esperança esteja se esvaindo E logo.—História e Esperança— Caminhando pelas ruas De um bairro esquecido A cor cinza é predominante A história para sempre foi esquecida O presente são as ruínas E o futuro totalmente irrelevante Não sobrou ninguém para contar Agora que todos desejam escutar Aqui me encontro. ela murchará Apagando completamente qualquer vestígio de existência E se tornando apenas uma lembrança de meu passado sua .

—Mudança Contemporânea— O que aconteceu com as cores? Porque não importa para onde eu olhe Tudo é cinza e melancólico O que aconteceu com as pessoas? Porque não importa de onde eu olhe Seus rostos são estáticos e desprovidos de almas O que aconteceu com a moral e a ética? Porque não importa o ponto de vista que eu escute O errado tornou-se o certo E o certo se tornou idiotice Vivemos em uma inversão de valores Onde nossos comportamentos são recompensas materiais motivados Nunca é sobre ajudar quem está precisando Sabemos que o que fazemos é errado Mas não fazemos nada a respeito Temos uma enfermidade E a cura para a mesma Porém preferimos deixar que ela se espalhe pelas .

é a luz oferecida pelo seu distante amado Tão distantes pelas leis Desejando a companhia um do outro Somente o eclipse satisfaz esse desejo Mesmo que por um curto instante Para aquele que vê a amada distante a todo o momento Um breve instante de proximidade . ocorreu o oposto E entristecido comecei a ficar Não pelo nascer daquela esfera iluminada Mas sim pela solidão em que a mesma se encontrava Sublime em meio aos céus diurnos Porém solitário em todo o momento O pôr do sol no horizonte és teu lamento Sua única companhia pertence aos céus noturnos Onde tudo que tem.—Sol e Lua— Certa manhã acordei cedo Para ver o sol nascer Fiquei sentando em uma velha cadeira Que estava na varanda Esperando que aquela estrela me alegrasse No entanto.

Com trocas de sorrisos e olhares Já curam quaisquer enfermidades Presentes em românticos corações .

—Ventilador— A tarde está tão silenciosa Que só escuto o barulho do ventilador Da esquerda para a direita e vice-versa Preso em sua mecânica movido à eletricidade O ventilador se parece comigo Olhando para um lado e para o outro continuamente Sem decidir qual caminho escolher Há tantos caminhos disponíveis Mas só posso escolher um E quando escolher esse ‘um’ Perderei acesso dos que não escolhi Fazendo assim com que eu fique-me perguntando: O que aconteceria se eu tivesse escolhido outro caminho? Portanto serei como um ventilador Observando todos os caminhos disponíveis Mas não escolhendo nenhum deles .

—Reflexo na TV— Observando a tela de uma TV desligada Vejo meu reflexo totalmente borrado Não vejo meus olhos Não vejo meu nariz Não vejo minha boca Não vejo se sou feliz Talvez a tela da TV Tente me confortar Ocultando toda a tristeza Por trás de meu olhar Mas se eu estivesse sorrindo A tela da TV não me mostraria Já que meu reflexo borrado Não possui uma face Olhando profundamente para o reflexo Sinto a solidão. a infelicidade e o desânimo De minha própria imagem borrada . a dor.

—Trovador no Abismo— Aprisionado em um abismo intocado pela luz Utilizo os fragmentos de minhas memórias Para assim criar minha história Não sei o que ou quem sou Não possuo nome ou sobrenome Sou um desconhecido no esquecimento Que veleja pelos mares da consciência Tento manter a sanidade Escrevendo poemas em meus pensamentos E recitando-os em voz alta Na esperança de que alguém me escute Dias e noites se passaram Até que tive a certeza de ser o único ali Semanas se passaram Até que comecei a enlouquecer Meses se passaram Até que recuperei o controle de mim mesmo Anos se passaram Até que minha mente começou a entrar em decadência Neste imenso abismo sem fim .

Minha mente em ruínas É o único lar que possuo E quando a mesma ruir totalmente Cessará minhas inspirações E minha habilidade de escrever E a partir desse momento Deixarei de existir como poeta E com toda a minha vontade Desejarei morrer .

maldito coração apaixonado... Por que fizeste este poeta se entregar de corpo e alma a uma musa? ..—Maldito Coração— Maldito coração apaixonado Fragmentaste minha mente Fazendo da mesma um vasto labirinto Para a razão interior Retas quase intermináveis E curvas ilusórias O que planejas o aprisionando? Não importa a ordem que sigas Tudo fazes o levas ao ponto de origem Maldito coração apaixonado Mergulhado em incertezas Fizeste da razão uma vilã Expulsando-a para os confins do esquecimento E abrigaste uma ilusão sentimental Ah..

—Pássaros— São 06h08min da manhã E o sol está a nascer Alguns pássaros estão cantando Outros estão voando Enquanto estou admirando Sempre desejei ter asas Para percorrer os céus Estar em qualquer lugar Em questão de instantes Romper a barreira entre o perto e o distante Admirando os pássaros Belas criaturas aladas Agraciadas por essa dádiva Livre para seguir seu rumo Sou agraciado por uma bela cena Na qual um casal de pássaros cuida de seus filhotes Algo presente nos seres humanos Mas pouco praticado Depois de um tempo O casal parte para os céus .

Cantando formosas melodias E antes do anoitecer. Sorrindo e observando tudo da janela Enquanto sonho em ter asas Pássaros.. retornam para os seus filhotes Compondo assim uma bela família E aqui estou. Felizes por amar o próximo E sortudos por observar o mundo de uma outra perspectiva ....

—Solidão #1— Ó solidão que assombra minha tarde Fantasma que remove minha vontade Silêncio profundo de minha inspiração Ó solidão que és um parasita Que se alimenta de minhas emoções Impedindo-me de encontrar O prazer de viver uma vida Ó solidão que és traiçoeira Chegando sempre com inocência E no final das contas Acaba agindo de má fé Ó solidão que és sedutora Atraindo-me com tuas curvas E teus lábios revestidos de luxúria Para que na primeira chance Me algeme ao teu lado Ó solidão que és a única companhia Que não me abandonas de noite nem de dia Fui ferido pela felicidade E chorei com a dor em minha alegria E tu estavas lá ao meu lado Minha doce e inseparável solidão .

—Máquina de Escrever— Sempre quis ter uma máquina de escrever Para sentir o que é ser um clássico escritor Sentir a emoção da datilografia Ao converter a velocidade de meus dedos Em algo a ser lido por alguém Não se trata apenas de escrever com uma máquina Mas sim sobre saber se expressar Reunindo as palavras espalhadas em seu pensamento Recordando das lembranças de outrora Fantasiando um enredo alternativo para uma história real Declarando a alguém por escrito o que a timidez te impede A máquina de escrever É aquela que converte os sonhos de um escritor Em diversas realidades para um mesmo leitor .

saboroso ou amargo Semelhante a um relacionamento Doce ao conhecer Saboroso no desenvolver E amargo no término Alguns precisam sentir teu gosto E sentem prazer ao sentir teu aroma Outros preferem a distância E também uma vida sem tal aroma O café nunca deve ser servido com frieza Mas sempre quente Igual ao amor que queima intensamente Com a união dos corpos Para algumas pessoas O café é apenas um líquido escuro Mas para mim. o café É um meio de inspiração Pois naquele líquido escuro Encontram-se mistérios a serem descobertos Enigmas a serem desvendados Ou talvez eu esteja apenas agitado .—Café— O café pode ser doce.

Após tomar o terceiro copo de café .

—Chuva na Janela e Gotas no Telhado— Fora da minha casa Entretendo-me com o céu azulado Havia uma calmaria naquela rua E quando o relógio marcou 16h Senti uma sombra pairando sobre mim Olhei para cima a fim de ver o que era Eram apenas as nuvens E em questão de segundos O sol foi coberto por elas Elas começaram a ficar acinzentadas Representando a chegada da chuva Em seguida surgiu o vento Trazendo consigo alguns fragmentos de poeira Depois de um tempo Todo o céu estava enegrecido Comecei a ouvir barulhos de trovões Acompanhado de alguns clarões Logo surgiram as primeiras gotas de chuva .

Entrei na minha casa sem pressa Fui para perto da janela Apoiei meus braços nela Então comecei a admirar a chuva E ouvir a melodia que as gotas faziam Ao colidir com o telhado .

—Poemas de Outono— Bela dama era aquela Com longos cabelos soltos Da cor de uma folha no outono Parecia ter sido pintada sobre uma aquarela Ou esculpida por anjos Ela expressava liberdade Estava sempre sorrindo Não havia espaço para lágrimas Em teus olhos castanhos Percebi naquele momento Que por ela estava me apaixonando Mas eu não disse nada Preferi manter isso comigo Pois não sabia que ela Sentia algo por mim No entanto após um tempo Não aguentei esconder esse sentimento Então a procurei E disse que a amava Em seguida perguntei Se ela sentia o mesmo .

E ela terminou: Sinto muito. E isso é tudo que recordo daquele dia Agora em toda estação de outono Vou para a praça perto de casa Acompanhado de um velho caderno E uma caneta quase sem tinha Sento-me em um banco E escrevo meus poemas Enquanto as folhas estão caindo . mas somente como amigo.Um breve silêncio E ela começou: Eu também te amo.

. Dediquei tantos poemas E todos foram rejeitados Liguei várias vezes E sempre dava ocupado Os poemas estão aqui Espalhados pelo chão Uma folha distante da outra Em completa solidão Por que mesmo sentindo esta dor Por ela continuo sentindo amor? Talvez eu seja um tolo Acreditando no impossível No desfecho de tudo isso Ela não me notará E de mim nem se lembrará Então os poemas que dediquei a ela . quem dera.—Ela #1— O sol não apareceu hoje Assim como ela Provavelmente ele voltará amanhã Mas ela....

Serão vestígios de algo que nunca aconteceu .

—Ela #2— Meu coração está dolorido Meu peito está sendo corroído Lágrimas deslizam pelo meu rosto Uma imensa tristeza toma meu corpo Não penso com clareza Não sei mais do que tenho certeza Tento alcançar a bela rosa vermelha Mas quando sigo o caminho Sou cercado pelos espinhos Queria estar preso em uma gaiola Para nunca ter conhecido O prazer de teu corpo E a tragédia do abandono Tudo deixado por ti Empurra-me para a dor Fazendo-me sofrer E tirando minha vontade de viver .

Mas o teu coração te diz: Tu disseste tudo? .—Notas em Branco— Olho fixamente para o mural De uma antiga escola estadual E percebo que há diversas notas Deixadas por alunos de outrora Muitas delas estão preenchidas Transmitindo até um certo tipo de alegria Porém. quanto mais escrevemos Mas temos aquele pensamento De estar faltando algo Em tua mente ecoa: Tu disseste tudo. há outras contendo apenas o nome Não possuindo nenhum comentário Talvez sejam os futuros poetas Que ao olharem aquele pedaço de papel Perceberam o impercebível para os demais Não havia espaço suficiente naquele papel Para abrigar todo o pensamento e sentimento pessoais Talvez não exista um papel para tal coisa No fundo.

No final não há poema um completo Apenas estilhaços de uma tentativa .

—O Relógio— O relógio não é dono de si mesmo Nem mesmo teus ponteiros possuem liberdade Ambos estão fadados ao tic tac Segundos. Nem mesmo o relógio que controla nosso tempo Não possui controle de si próprio .. minutos e horas Todos presos em seus ritmos De volta após volta Somente quando a energia se esgota É que o relógio tem folga Então a bateria do relógio é trocada E o escravo é acorrentado mais uma vez Para realizar o labor do controle Que ironia..

—Elogios a Alguém— Teus lábios com gosto de vinho Tua pele de macia como a seda Teu corpo belo como a porcelana Teus cabelos escuros como pétalas de rosas negras A lua perolada inveja tua beleza As estrelas são teus holofotes Tu és a personificação da perfeição Tu és um enigma sem resposta Tu és uma composição produzida por anjos Tu és uma obra literária de um autor desconhecido O brilho do sol não se igual ao brilho de teu sorriso O azul do céu não é tão vívido quanto o azul de teus olhos .

—Ruas Esquecidas— Caminho por essas ruas estreitas Onde todas as portas e janelas Sempre estão fechadas Foi-se o tempo onde as ruas eram vivas Repletas de pessoas e cantigas As paredes não possuem vida E são dominadas pela cor cinza Talvez eu seja a única alma viva Neste profundo silêncio Isso é a solidão de um pálido dia Onde nem mesmo as sombras Podem ser vistas Os vasos de flores nas janelas Já não possuem mais terra E as flores já murcharam Antes mesmo de desabrocharem Ruas tão melancólicas Que os pássaros se recusam a cantar Caminhando por ruas que perderam a vida Devido ao esquecimento .

lamentos .A trilha é longa Os tijolos contém sofrimento E cada velha casa.

—Solidão #2— Sozinho num canto escuro Em silêncio profundo O sofrimento me cerca A alegria me abandona Luto para tentar ao menos sorrir Mas uma desconhecida tristeza me aprisiona A felicidade me deu as costas E a solidão me enganou com tua proposta Agora me encontro em uma prisão Sem porta ou sem grades Apenas a vasta escuridão As lágrimas que rolam de meu rosto Caem e desaparecem Não emitindo algum eco Não consigo expressar o que sinto Porque meu corpo aos poucos Começa a congelar Não está nevando. É apenas minha chama interna se apagando E a solidão aos poucos me matando ...

—Carta para a Frieza— Ó cara frieza que mora em mim Escrevo-lhe esta singela carta Enquanto lágrimas estão a cair Para pedir nosso término Tivemos bons momentos lado a lado Tu impediste meu coração de sofrer Fazendo-me ser cauteloso antes de agir Pensando nos possíveis resultados Porém tu me fizeste ser insensível Indiferente perto daqueles que amo Impediu-me de demonstrar afeto Arruinando amizades que duraram anos Sinto muito amada frieza Mas não desejo a ausência de sentimentos Negação de minhas emoções E seguir sempre a razão Com pesar em minhas palavras escritas Peço que me esqueças Nossa união foi bela e duradoura Entretanto gerou-me irreparáveis perdas Tu tens um canto em meu coração Porém peço que me esqueças .

Adeus... companheira e amada frieza .

—Para Sempre Só— Sente-se ao meu lado Faça-me companhia Ofereça-me o calor de teu corpo E não me deixe jamais Porque a noite é triste As estrelas são distantes E as nuvens sempre choram A lua se torna uma lanterna Para os perdidos na névoa Um ponto de ligação Para amores proibidos E um retrato inspirador Para os poetas Não sei lhe dizer o motivo Mas toda vez que a observo Sinto um aperto em meu coração Algo que dói muito Chegando a queimar Mas não sangra E finalmente quando ela parte Sinto-a escapando de meus braços Sem me avisar se ou quando voltará .

E quando acordo eu percebo Que sempre estarei só .

—Vazia Juventude— Tão vazia és essa juventude E teus costumes banais Não há mais romances Somente a atrações sexuais Não há mais profundas declarações Qualquer frase com má pronúncia faz efeito Os términos são fixos E não possuem tentativas de reconciliações Tão vazia és essa juventude E teus costumes banais Mudanças que não levam às inovações Apenas à própria decadência Presos por opção à linearidade Ignorando o que se passa aos seus redores A repugnância ao clássico é visível Compreensão é algo inexistente Mesmo o gosto sendo indiscutível A cultura nessa geração é ausente Não há sentido em suas ações Fazem de tudo para serem os centros das atenções A carência és nítida em teus olhares Devido à busca constante de aceitação .

. Não há mais originalidade Todos querem ser iguais ..Tão vazia és essa juventude E teus costumes banais.

separados da realidade Borrifando algo que prejudicará a humanidade Talvez seja o carma Ou a atitude humana Inconsequente como sempre .—Atitudes Humanas Cotidianas— A manhã está surgindo E antes disso vejo a fumaça O homem está agindo Queimando alguma mata Pois sabe que as leis são brandas E que após uma longa demora não levam a nada O ar já não és puro E necessito de aparelhos para respirar A nuvem vinda do horizonte É apenas um eufemismo para a desgraça Animais têm seus lares devastados E infelizmente encontram a morte Sendo atropelados em algumas estradas E depois realizamos reuniões e discussões desnecessárias Para descobrir o porquê da extinção de alguns animais As frutas. crescendo E aos poucos estamos morrendo Em suas máscaras. frutos e legumes naturais estão desaparecendo Já os criados em laboratórios com agrotóxicos.

. causamos diariamente A morte de animais. de semelhantes E também a do meio ambiente Então por que merecemos viver? .Bem..

—Falta de Inspiração— Acordei cedo para escrever Porém fui tomado Pela falta de inspiração Já está muito tarde Prestes a chover E ainda não encontrei luz Nesse caminho de escuridão Os ventos sopram O sol se esconde Em meio às nuvens tão escuras Impedindo-me de ver o horizonte E mesmo após tudo isso Não encontro inspiração Os ventos me convidam Para uma valsa que irá começar Assim que a chuva chegar Mas eu recuso tal convite Pois tempo um poema para terminar Não consigo compreender Expressar ou escrever Aquilo que realmente sinto .

Há muitas palavras No interior de minha mente Porém elas estão espalhadas E quanto mais eu tente reuni-las Menos esse poema fica coerente .

não há troca de olhares É como se nada tivesse acontecido Este é o amor contemporâneo Onde nada é permanente E tudo é momentâneo . esquecem E quando se encontram ao acaso.—Amor Contemporâneo— Os dias estão a passar E no amor fica difícil acreditar Não há mais relacionamento sério Em menos de uma semana vem o término Algo tão rápido e sem valor Que não há fotos para serem rasgadas Ou ‘eu te amo’ para se lembrar Nem lágrimas de saudades para serem derramadas Algo quebrado que possui reparo Mas não estão dispostos a tentar Então cada um segue uma trilha Apagando suas pegadas Impedindo que um encontre o outro Depois de um curto tempo.

. Assim meus dias deixariam de ser tristes E teria aquela vontade de viver restaurada ..—Felicidade nos Sonhos— Encontrei abrigo em meus sonhos Criando apenas o que precisava Uma bela dama que não só opinasse Como também me escutasse E um banco de praça Quando fecho meus olhos A vejo sorrindo e sentada Me aguardando naquele banco de praça Talvez ela seja a mulher que nunca terei Alguém que demonstra se importar Alguém que não tentará me mudar Aceitando-me do jeito que sou Conto a ela o que não conto a ninguém Ao contrário das pessoas da realidade Ela não demonstra tédio Está sempre sorrindo E com brilho nos olhos Ela se importa com os detalhes Quem dera ela fosse real.

—Francine— Sempre sorrindo E séria quando possível Francine era uma ótima companhia Sendo ela mesma Falando com toda certeza Descobria verdade é meio à mentiras Não ligava para o espelho Dispensava o uso de maquiagens Ela sabia que era bela e não se prendia a vaidade Teus olhos castanhos Enaltecidos pelas lentes de teus óculos Convertiam-se em um par de pérolas negras Teus cabelos escurecidos Refletiam a luz do luar de uma primavera Tornando-a mais radiante do que qualquer estrela Ela era sempre tão calma Não ligando para os cortejos dos interesseiros E agradecendo aos elogios e deixando claro que ela não era desse tipo Sempre em teu canto Tendo livros como companhia .

....Romances a agradavam e a cada página ela sorria Não ligava para o que achavam Pois para ela a vida era mais que palavras E em seu coração não haviam espaços para opiniões ofensivas e negativas Não havia ninguém igual à Francine Ela era uma mulher feliz sem a necessidade de luxo Jeito simples. uma mulher sublime Hoje percebo que ela era única Pois a maioria se prende com vontade à vaidade E estão dispostas a venderem a alma pelo luxo temporário Francine. sorriso radiante e força de vontade inabalável. onde quer que esteja Sabia que tu foste a única estrela com brilho próprio .

. é a própria sociedade intolerante e preconceituosa apontando o dedo e rotulando todos ao seu redor sem ter misericórdia.—Rótulos Sociais— Este brinco faz de você um MARGINAL Esta tatuagem faz de você um BANDIDO Esta roupa curta faz de você uma IMORAL Este penteado faz de você um VÂNDALO Este batom muito vermelho faz de você uma MERETRIZ Este belo sorriso faz de você um HIPÓCRITA Esta sua vontade de não trair quem ama faz de você IDIOTA Esta qualidade de se importar com o próximo faz de você um FRACO Este seu dom de analisar a realidade faz de você um PESSIMISTA Este jeito original que você possui faz de você um ESQUISITO Estes antigos costumes corretos faz de você um ULTRAPASSADO Estas músicas clássicas que tu escutas faz de você um SENIL Esta religião é oposta a dele e segui-la faz de você um HEREGE Estas cartas de amor que escreves faz de você um TOSCO Esta sua busca pelo amor recíproco faz de você um LOUCO Esta opção sexual diferente da dele faz de você uma FALHA Esta sua sinceridade faz de você um ARROGANTE Ela não é singular.

—Tiroteio ao Anoitecer—

As balas iam e vinham
De direções desconhecidas
Enquanto as pessoas corriam
Segurando a mão de seus filhos
Ou com uma criança em seus braços
Pessoas rezavam em suas casas
E crianças choravam enquanto abraçavam seus pais
Tiroteios que não cessavam nem mesmo ao anoitecer
‘Dormir’ era uma palavra inexistente
Era impossível sentir segurança embaixo de uma mesa
Os gritos e choros de hoje não sairão de suas cabeças
Os que sobreviverem nesta noite
Talvez agradeçam ao ver um novo dia
Mas aqueles que não...
Provavelmente terá alguém chorando ao seu lado
Não há anjos esta noite para nos proteger
Os dois lados estão conflitos pelo poder
E somos meros peões em um jogo mortal de xadrez
Derramamos mais lágrimas de tristeza em um dia
Do que lágrimas de felicidades em um ano

Chegar à fase adulta está ficando cada vez mais impossível
Terei sorte se chegar aos 16 anos
Os barulhos de tiros diminuíram
A munição deve estar acabando
Ou a quantidade de corpos de um, aumentando
E depois de algumas horas
Surge o silêncio
Aquele conflito...
Por hoje...
Estava acabado
Pena que essa paz não será eterna
Apenas temporária
Vou para a minha cama
Deito-me, porém não consigo dormir
Os gritos e choros de hoje estão ecoando em minha cabeça
Tanto sofrimento causado pela ambição do próximo
Não sabemos quando esse conflito acontecerá novamente
Tudo o que sabemos é que haverá velórios no dia seguinte
E o resultado será
Lágrimas derramadas
Vinganças realizadas
E algumas famílias dizimadas

Mesmo após o conflito
Mortes estão a acontecer
Não há paz ou sossego
Apenas mais lágrimas e mais enterros

—Policiais - Anjos da Pátria—

Arrisco a minha vida diariamente
Posso morrer de um dia para o outro
Pois sou um policial que jurou proteger o povo
Minha imagem foi manchada
Por aqueles que aceitaram propina
Fui taxado como opressor e vilão
Enquanto os criminosos segundo os Direitos Humanos são
vitimas
As leis não protegem os cidadãos
Fazendo alguns realizarem justiça com as próprias mãos
Saio de minha casa para o dever
Pensando em minha esposa e filho recém-nascido
E toda vez me pergunto:
Chegarei vivo em casa para vê-la sorrindo?
Chegarei vivo em casa para abraça-los?
Viverei o suficiente para vê-lo dar seus primeiros passos ou
me chamar de pai?
Tenho que tornar este mundo melhor
Ou pelo menos tentar
Não só para minha família, mas também para todas as outras
Quero um mundo onde as crianças estão sorrindo
Carregando mochilas e seguindo em direção à escola

. meses ou anos Que apague aquela imagem da minha cabeça As leis insistem em eufemizar a criminalidade Retirando as asas dos anjos da pátria E as colocando nas serpentes traiçoeiras Não posso e não vou desistir. Acredite.Isso infelizmente acontece. tenho um deve a cumprir Fiz um voto de jurando proteger meu povo Mesmo que eu não seja reconhecido por isso Prefiro um mundo pacífico e pessoas sorrindo Ao invés medalhas em minha farda . seguindo um caminho sem volta Nada motiva mais um policial Do que uma criança o chama-lo de herói É uma sensação impossível de ser descrita Porém nada fere mais um policial Do que ter que levar em seus braços um corpo de uma criança E ter que noticiar os pais sobre o ocorrido O Estado ainda me dizer friamente: . não há dias. tire o resto do dia de folga.Não quero um mundo onde as crianças sentem ódio E carregam fuzis. semanas..

.—Saudades— Sinto saudades de ti Queria que estivesse aqui Partiste tão cedo Que não me deste tempo Para expressar meu amor Lembro-me de teu rosto E de teu belo nome Das nossas conversas E planos para o futuro O destino foste tão cruel Quando a tirou de meus braços Por onde tu andas? Foste para longe Ultrapassando o horizonte Sem deixar trilhas Para que eu pudesse encontrá-la Ainda significo algo para ti? Sinto frio.. muito frio Não consigo te esquecer Minhas lágrimas deslizam de meu rosto .

.... Ainda permanece vivo Talvez eu seja um tolo Criando falsas esperanças Para um impossível retorno E tenho que admitir A saudade faz seu dever corretamente Ferindo-me intensamente E me matando lentamente . Não sei o porquê.E só desparecem no amanhecer Por que me deixaste? Os planos foram esquecidos Os juramentos foram quebrados Mas o amor.

—A Vida Deve Ser Isso... Ou Talvez Não— Talvez a vida se resuma a isso Acordar cedo todos os dias E voltar tarde para casa todas as noites Ou fica bebendo o dia inteiro Acordar com ressaca no dia seguinte E apostar em cavalos durante a tarde Ou talvez esquecer a tragédia dos asilos O sofrimento dos abandonados E tapar os ouvidos para não ouvir o choro dos que perderam tudo Ou talvez fraudar uma reportagem Enaltecendo a falsa harmonia urbana Enquanto o índice de violência aumenta toda semana Ou talvez participar de um reality show Tornar-me um deputado Sem ter conhecimento adequado E caso contrarie minha opinião Me farei de vítima E você estará encrencado Ou será “silenciado” Ou talvez a vida se resuma a rotular os outros .

Pois tenho a falsa liberdade E uma santa ignorância Gasto o que não tenho para manter a minha vaidade Portanto posso exercer meu preconceito Ou observar a injustiça em uma comunidade Onde sabemos a verdade Mas optamos em olhar para os lados Afinal... vai que alguém me mate?! Ou talvez se resuma em disseminar o ódio Mantendo o anonimato enquanto digito no teclado Ou dizer que a religião do outro é errada Enquanto afirmam que vivo em um Estado Laico Bem vindo à “Democracia” do séc. XXI Fuja enquanto há tempo Antes que te mandem para a forca Por não ter o molde adequado para a parede de cimento .

—Postes. Carta e Vinho Barato— Vivendo em um apartamento com aluguel vencido E paredes que estão caindo aos pedaços Minha geladeira está enferrujada devido às goteiras Não sei como ainda funciona Sentado em uma cadeira de ferro Com a almofada desgastada Estou lendo uma antiga carta Utilizo a luz do poste que entra em minha janela Pois a lâmpada acima de mim Está com defeito no bocal Fazendo-a piscar como luzes de natal Por isso prefiro-a apagada É uma carta longa a ser lida Porém preciso acaba-la antes das 10:30 Porque nesse horário os postes são apagados E infelizmente hoje não é uma noite de lua cheia E para complementar. o céu está nublado Leio a carta na companhia de uma garrafa de vinho barato Mas não posso beber ainda já que o tempo não está ao meu favor .

mas não o envelope Começo a leitura lutando contra o tempo Para no fim descobrir que é um pedido de divórcio de 3 anos atrás O engraçado é que nunca fui casado Mas enfim.. não é mesmo senhor tempo? Hora de abrir a garrafa e beber o vinho E acordar com uma forte dor de cabeça no domingo 10:30 Postes apagados e janelas fechadas Rua escura e silenciosa Lá se vai o vinho E nesta cadeira desconfortável dormirei Pois se eu me levantar. cairei E bêbado e no escuro nada enxergarei .O ruim é que tenho a carta. 10:27 Parece que eu te derrotei..

quarto. marginal e lixo Algumas pessoas tapam os olhos de seus filhos ao passarem Pois não querem que eles saibam como é a realidade nua e crua Outras oferecem moedas para tentar me ajudar E educadamente recuso e digo sorrindo: . banheiro ou cozinha Tudo naquele apartamento de desaminava . eles seguem seus caminhos Não optei por este caminho para evitar impostos Mas sim para fugir da chatice cotidiana e padrões obrigatórios Sentia-me sufocado pelas paredes acinzentadas Não importa aonde ia Sala. Sem entender nada. não se incomode. bêbado. pois a anterior me entristecia.Por favor.—Há um sorriso em meu rosto e muitos não conseguem compreender— Bêbado em um canto com uma garrafa de aguardente Minha visão está turva e estou desprovido de razão Pois estava discutindo sobre moral e ética com o chão O tempo passa e a sobriedade surge Os olhares de julgamentos estão fixados em mim Ouço me chamarem de escória. Escolhi este estilo de vida por vontade própria. mendigo.

Sai de lá enquanto tinha um pouco de razão Porque faltava pouco para que aquele piso branco me levasse à depressão Não me arrependo do que fiz Sai daquela prisão industriaria Para realmente ser feliz As ofensas sociais não me abalam E o preconceito não me tiram lágrimas Uma vez que o mundo aqui fora é imenso Estou mais maravilhado com o céu azulado Do que preocupado com os aborrecimentos .

—Biblioteca Repleta de Conhecimento e Juventude Alienada— Costumava ir à biblioteca Em busca de livros de ciências Sentia uma atração pelas invenções Mas com o passar do tempo deixei de frequentá-la A juventude que estava lá entediava minha leitura Ou atrapalhavam com seus aparelhos celulares tocando alguma música Os rostos tornaram-se sem expressões A alma vazia e as mentes digitalizadas Não é uma crítica ao avanço tecnológico Mas sim ao seu mau uso Passaram-se alguns meses até que voltei a frequentá-la E nada havia mudado apenas piorado O jeito era ignorar (ou fazer de tudo para ignorar) Aqueles jovens se achando donos da verdade Achando que o mundo será melhor amanhã com suas palavras Os mesmos jovens que carregam livros sobre ideologias e revoluções para onde quer que vá E preferem debater sobre um modelo novo de tênis .

apodrecendo no esquecimento . enquanto aquela juventude em ruínas clama por atenção Ou deixar o livro aqui e me retirar do local Sentado estou em um canto lendo poesias Enquanto jovens caminham para o próprio declínio Foi-se o tempo em que a mente era aberta para o conhecimento Agora ela está trancada. em um canto.Vou para estante que contém poesias Pois as revistas estão cheias de mentiras e são tediosas Escolho aleatoriamente e pergunto à bibliotecária se posso levar o livro para ler em outro lugar Ela diz que ‘não’. pois os que pediam isso não retornavam e nem os livros Eu tinha duas opções: Ou ler o livro aqui.

—Aquele que Não Aprendeu a Amar— Talvez a tenha decepcionada A mim ela se declarou E nada eu havia demonstrado Então para longe ela se foi E com o tempo notei Que ela era tudo que eu tinha Tarde demais a amei Talvez com o meu silêncio Após ouvir a declaração Eu a fizeste chorar Quebrando uma das minhas promessas feitas A ausência dela é minha punição As lembranças não minhas feridas abertas Por minha culpa ela saiu da minha vida Por que só percebi que a amava Quando ela não estava mais aqui? Parte meu coração Pensar que outro está a fazendo sorrir .

Mas infelizmente não posso fazer nada A não ser me martirizar pelo meu erro Tarde demais a amei Nunca a esquecerei Penso em ti constantemente Mas sei que nunca a terei novamente Pois não a mereço Já que não aprendi a amar Quando tive a chance Sou um pássaro que não aprendeu a voar E tu és o sol se pondo no horizonte .

—Pessoas Mortas— As pessoas estão mortas Teus olhos não emitem vida Tua literatura está tendenciando para o nada A língua portuguesa é escrita de forma errada Falada de tal maneira que escorre uma lágrima E os verbos são conjugados de forma inadequada com o desnecessário gerundismo Alguns poetas estão utilizando eufemismos Para ocultar toda a realidade Não vejo sinceridade em tuas palavras Só vejo linhas mortas e mais nada Os livros de histórias estão mortos E transmitem uma ideologia errada Não há vida em nenhum dos quatro cantos Só cores pálidas. silêncio e mais nada Reuniões são feitas por idiotas Para debater assuntos idiotas Onde o ‘blá blá blá’ é o que importa E quando surge alguém vivo e cheio de vida A horda se mobiliza para mata-lo Da mesma forma que um escritor é atacado .

nojento. depravado ou maluco Os mortos se acostumaram tanto ao fúnebre Que alguém com uma escrita ousada é inaceitável O mundo está morrendo E alguns estão sobrevivendo Mas por quanto tempo? .Quando em sua escrita transmite vigor És chamado de imoral.

penso nos trabalhos apresentados. penso nos antigos poemas que dediquei. penso nas moedas encontradas na rua. penso no vinho que tomei. penso na rotação do ventilador de teto. penso na minha ausência de inspirações. penso nos livros lidos. penso no rádio antigo que não funciona. penso na garrafa de cerveja. penso nos esquecidos moradores de rua. penso na falsa democracia. penso nas lembranças. penso no armário empoeirado. penso no trânsito lento e suas buzinas desnecessárias. penso na lâmpada queimada. penso na arte urbana. penso nas lágrimas derramadas. penso no sorriso de uma jovem. penso no papel em branco. penso no motorista imprudente que derrubou o poste. penso na porta que está trancada. penso na rua esquecida. penso no frio que durou dois dias. penso na ampulheta quebrada. penso em romances frustrados. penso nas perdas. penso na chuva de três meses atrás. penso nas estrelas de meia-noite.—Penso— Penso nisso. penso no sol de meio-dia. penso na minha barba não feita. penso na garota que me usou. penso nas roseiras já secas. penso na torneira que está pingando mesmo fechada. penso nos meus professores. penso no que fiz hoje. penso na garota que meu um fora. penso nos pássaros que cantam encima do muro. penso nas duas escolas em que estudei. penso na falha justiça. penso nas paredes esverdeadas. penso nas amizades perdidas. penso naquilo. penso no . penso nos e-mails enviados. penso na garota que me apaixonei e me deixou. penso nos olhos castanhos. penso no passado. penso na caneta sem tinta.

amor. penso na tristeza. penso em tudo e ao mesmo tempo em nada. . penso no que estou pensando. penso na frieza. penso na solidão.

—Entre Uma Dose e Outra— Entre uma dose e outra Lembro-me do gosto de mel da tua boca De teu batom vermelho como o vinho tinto Do teu corpo quente como um gole de whisky com gelo Bons tempos foram aqueles quando estávamos juntos Quando não ligávamos para as opiniões alheias Talvez a culpa seja minha por deixar o nosso relacionamento esfriar igual ao café Como sempre não agi quando deveria agir E por consequência você perdeu o interesse em mim No fim das contas o nosso romance tornou-se um copo vazio e não havia nada para preenchê-lo O tempo passa. onde você se emocionava ao observar o pôr do sol Tantos detalhes sendo lembrados e sua ausência desmorona tudo Entre uma dose e outra Martirizo-me em um quarto totalmente frio Danifiquei a mim mesmo. tornando-me fora de reparo . as estações mudam e a idade avança Teu aroma ainda está vivo nos lençóis E a janela está apontando para o horizonte.

.. deixando meu coração em pedaços Dou um último gole. .Deixei-a ir para longe de meus braços ao não agir. deixando somente o gelo quase derretido e vou dormir Pois há lágrimas demais para aquele copo conter.

isso é mito Vamos levar os cães para passearem no verão Já que está certo suas patas tocarem aquele ardente asfalto .—Brasileirismo ou Jeitinho Brasileiro?— Buzine em um trânsito lento Vai que acelere Fale ao celular enquanto dirige E culpe o pedestre Atravesse a rua fora da faixa com o sinal ainda vermelho E culpe aquele que dirige ou pilota Jogue lixo nas ruas E diga que a natureza fará o resto Bueiros entupidos em época de chuva? Relaxa. Não é culpa sua Queime uma árvore em época de seca Afinal há muitas crescendo por aí Problemas respiratórios? Poluição do ar? Poluição do solo? Extinção de animais? As novelas que assisto não falam sobre isso E pela minha ausência de conhecimento.

. discriminação racial. Cortamos seus rabos e orelhas por estética Somos “donos” exemplares Vamos enganar o próximo em benefício próprio E dizer que o mundo é dos “espertos” Vamos zombar dos menos favorecidos e elevar nosso elitismo Afinal os fracos estão aí para justificar os fortes Vamos ocultar os galhos podres da nação Exploração infantil. apenas aja! Vamos lá. violência doméstica. morte de inocentes. abuso sexual. sexual e religiosa. mas sim de pessoas robóticas Siga! Faça! Não pense..Afinal sabemos o que eles sentem. vamos disseminar uma falsa harmonia Afinal essa é a tal da “Pátria Educadora” . roubo de cofres públicos? Empurraremos para debaixo do tapete e apagaremos dos livros de história Não precisamos de mentes críticas.

Sorrindo ela foi embora levando consigo a enorme tatuagem na coxa. selecionamos 4 músicas na máquina E em seguida conversamos enquanto bebíamos Um rapaz perguntou se éramos novos na cidade já que tínhamos um gosto musical diferente E como sempre. Mulheres. não importando o assunto Comentamos que os que passavam pela rua achariam que estava ocorrendo uma briga E rimos. Somos daqui mesmo. como rimos Mas como era um feriado e o céu estava nublado. um amigo me convidou para sair Fomos a um bar simples.—Simplicidade— Em uma sexta-feira. . quando ela estava saindo e outro estava vindo. respondíamos: . Conversamos sobre tudo. política. não havia tantas pessoas A atendente estava para acabar o seu turno e como sempre. a vida em si e o futuro E lá reparávamos no costume padrão das pessoas próximas Falar mais alto do que a música que estava tocando. Até que ela é atraente. dentro dos seus limites. música.Não não. começaram a assoviar e a elogiar.

ele respondia e todos caiam em gargalhadas. nos despedimos e ele disse que sairíamos novamente quando tivéssemos oportunidade. alegria e diversão estão nas coisas mais simples. não há necessidade de ter todo dinheiro do mundo. . Conversa vai e conversa vem. veio um cara que parecia ser do tipo amigão de todo mundo pois o pessoal o perturbava. sem adjetivos. basta ter bons amigos. avistamos o local onde trabalhávamos e por consequência nos conhecemos. Digamos que ele é a única amizade sincera que consegui lá. olhamos o relógio e decidimos que era hora de cada um voltar para a sua casa. Esse amigo sabia como viver a vida e com ele aprendi que a felicidade. Apenas em casa. Próximo de chegar a minha casa. Ele me deu uma carona.Mudando de turno. e dirigindo por aquele caminho. Enfim em casa.

—(Não) Será Lido— O que escrevo talvez não seja lido Permanecendo no abismo literário Ou talvez encontre páginas avulsas Espalhadas em meio ao asfalto enquanto os pneus de vários veículos passam por cima Mas pode ser que seja lido Em seguida o leitor chamará isso de ‘amador’ e logo jogará no cesto de lixo (ou apertará DEL no PDF) Ou me escreva uma carta ou e-mail contendo ofensas para 3 gerações As pessoas tornaram-se menos tolerantes aos livros que possuem um estilo diferente dos demais Seja expressando a realidade como realmente é ou usando “termos obscenos” (segundo eles) Mas podem dizer: . Veja bem... há uma diferença entre dar uma opinião e fuzilar aquele que escreveu de costas em uma parede branca com palavras ofensivas .Eles estão usando a liberdade de expressão ao darem suas opiniões.

sugestões.blogspot.com Caso queira ler outros de meus poemas: http://poemasdeumvazio. Acho que não terei fãs Já que não escrevo romances adolescentes e não tenho vontade de esvaziar uma mente em perfeito estado e preenche-la com ilusões Isso provavelmente não será lido E meu nome não será lembrando Mas se você leu tudo isso Bem..br/ .Vamos tingir esta parede com o sangue e depois criar um feriado nacional “Os fãs fazem o artista”. meus mais sinceros obrigado Caso queria enviar opiniões. críticas não ofensivas ou elogios. O endereço de e-mail é esse: allan_delao@hotmail.. que pena.com.