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Apelação Cível nº817079-2, do Foro Central da Comarca da Região

Metropolitana de Curitiba – 7ª Vara Cível.
Apelante: Tereza Cordeiro Kiem
Apelados: Companhia Brasileira de Distribuição e outro
Relator: Desembargador Francisco Luiz Macedo Júnior

APELAÇÃO CÍVEL – RESPONSABILIDADE
CIVIL – INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS –
INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO CONTRATUAL
ENTRE AS PARTES – COBRANÇA INDEVIDA
DE VALORES – DÉBITOS DECLARADOS
INEXISTENTES – COBRANÇA VEXATÓRIA
NÃO EVIDENCIADA – AUSÊNCIA DE PROVAS
SOBRE O DANO – OCORRÊNCIA DE MERO
DISSABOR – INDENIZAÇÃO QUE DEVIA SER
AFASTADA, MAS QUE EM FACE DA AUSÊNCIA
DE RECURSO PARA ISTO NÃO PODE SER
MODIFICADA, MUITO MENOS AUMENTADA –
RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.

Trata-se de ação de inexigibilidade de débito cumulada
com indenização por danos morais intentada por Tereza Cordeiro Kiem
em face da Companhia Brasileira de Distribuição – Grupo Pão de Açúcar.
Sustentou a autora, que apesar da inexistência de relação

Documento assinado digitalmente, conforme MP n.° 2.200-2/2001, Lei n.° 11.419/2006 e Resolução n.° 09/2008, do TJPR/OE
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1. Lei n. em relação a requerida Companhia Brasileira de Distribuição. com fulcro no artigo 267. julgou procedentes os pedidos formulados na inicial. A Financeira Itaú CDB S. Documento assinado digitalmente.00 (trezentos reais). Crédito e Financiamento e Investimento. inciso VI. requerendo a substituição das partes. condenando a Financeira Itaú CDB S.A. requereu a improcedência da ação.419/2006 e Resolução n. ante a ilegitimidade passiva. inépcia da inicial e ilegitimidade passiva. conforme MP n. com a exclusão do Grupo Pão de Açúcar – Companhia Brasileira de Distribuição do pólo passivo da demanda. a Companhia Brasileira de Distribuição .° 11.200-2/2001.Grupo Pão de Açúcar argüiu. para declarar a inexigibilidade dos débitos.br Página 2 de 9 . Contestando o feito (fls.° 09/2008. Ainda. 134/155. devidos ao patrono da requerida Companhia Brasileira de Distribuição. a requerida teria efetuado cobrança indevida de valores. de maneira vexatória. compareceu espontaneamente ao feito. preliminarmente. causando-lhe constrangimentos. do TJPR/OE O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. sem julgamento do mérito.00 (trezentos reais).tjpr.A ao pagamento de indenização por danos morais. No mérito. fixados em R$ 300. ressalvando o disposto no artigo 12.jus. O juiz julgou extinto o processo.cbss Apelação Cível nº 817079-2 2 jurídica entre as partes.° 2. apresentando contestação às fls.050/60. fixados em R$ 300. 91/120). Em razão da sucumbência. da Lei n. condenou a autora ao pagamento dos honorários advocatícios. do Código de Processo Civil.

ainda.jus. VOTO: Presentes os requisitos de admissibilidade.A. observa-se que a magistrada a quo fixou o Documento assinado digitalmente. 78/85). A autora Tereza Cordeiro Kiem interpôs embargos de declaração às fls. Inconformada com o valor da indenização arbitrada a título de danos morais. ao pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios.cbss Apelação Cível nº 817079-2 3 Condenou. intrínsecos e extrínsecos. que foram rejeitados. conforme decisão de fls. 178/190).° 2. bem como dos honorários advocatícios fixados.tjpr.00 (trezentos reais). a autora Tereza Cordeiro Kiem apela (fls. fixados em R$ 300. Lei n. Contrarrazões das requeridas (fls.419/2006 e Resolução n. a requerida Financeira Itaú CDB S. requerendo a majoração de tal verba. No caso.200-2/2001. conforme MP n. nos termos do artigo 20.° 09/2008. do Código de Processo Civil. 213/216 e 219/223) pela manutenção da sentença. de se conhecer o recurso. 191/192.° 11.br Página 3 de 9 . do TJPR/OE O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. § 4º. Restringe-se o recurso a majoração do valor da condenação e da verba honorária de sucumbência. É o relatório.

br Página 4 de 9 . as circunstâncias do caso concreto. fatos que. no presente caso. efetuada supostamente de forma ofensiva e persistente. se esperou tanto tempo para resolver a situação. segundo ela. 18. No entanto.419/2006 e Resolução n. a autora interpôs a presente ação somente em 05/08/2010.cbss Apelação Cível nº 817079-2 4 valor da indenização em R$ 300. tanto que seu pedido indenizatório baseou-se na cobrança indevida de valores. mais de 3 (três) anos depois.° 09/2008. inexistem provas quanto às alegadas cobranças vexatórias. verifica-se que a autora/apelante não foi inscrita nos cadastros restritivos de crédito. quantia que se mostra ínfima ao ser comparada com os parâmetros jurisprudenciais estabelecidos para casos semelhantes (entre 20 a 50 SM).tjpr. é Documento assinado digitalmente. E. ensejadores de danos morais indenizáveis.° 2. apenas. ou seja. também. Logo. o que se verifica pela fatura de fl. Lei n. pois corresponde a 0. do TJPR/OE O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.58 SM (zero vírgula cinqüenta e oito salários mínimos). levar-se em consideração os parâmetros jurisprudenciais. conforme MP n. de R$ 510.° 11.00 (quinhentos e dez reais).jus. Outrossim. é necessário analisar.200-2/2001. No entanto.00 (trezentos reais). para fixação do valor da indenização não basta. teriam lhe causado inúmeros constrangimentos. apesar das cobranças indevidas terem iniciado em maio de 2007. da época da sentença.

Para tanto..tjpr. do TJPR/OE O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. de seu turno. Observa-se. bem como para que seja irrisório.. a autora afirma que ficou doente ante as cobranças indevidas. considerou tais fatos. ao arbitrar o valor da indenização em valor inferior aos parâmetros jurisprudenciais atuais. conforme MP n. verifica-se que a autora não teve seu nome inscrito em cadastro de restrição ao crédito (fl. Lei n. a tristeza e eventual prejuízo em decorrência da ofensa perpetuada. Por fim. que a cobrança descrita na inicial perdurou mais de três anos. Valor maior que este. o sofrimento.. Com efeito. tanto do ofendido como do agente ofensor. cumpre analisar a situação econômica. importante citar parte da sentença: “. deve o magistrado analisar simultaneamente vários critérios para a definição do quantum devido. 160). minimizando-lhe a dor. a magistrada a quo. A respeito. Ante o exposto fixo a indenização por danos morais em R$ 300.° 09/2008. e os danos causados.br Página 5 de 9 . o que revela que a autora não teve pressa em resolver a situação. sendo o suficiente para fazer às vezes da restauração ao status quo ante. a ponto de ser causadora de constrangimento e geradora de abalo moral.00 (trezentos reais). social.200-2/2001.° 11. já que somente ingressou com a presente demanda em 2010 e a primeira fatura que junta aos autos é de maio de 2007. familiar e cultural. também. poderia ocasionar enriquecimento indevido a Documento assinado digitalmente.° 2.jus. para que a indenização não se constitua em fator de enriquecimento fácil e indevido. profissional. Considerando que a indenização devida a título de danos morais tem por objetivo compensar e consolar de algum modo a parte lesada. contudo não juntou aos autos qualquer comprovante de que sofre de qualquer doença. de modo a agravar a dor e o inconformismo da vítima.cbss Apelação Cível nº 817079-2 5 porque não a considerava tão urgente. nem aflitiva. na análise dos autos. o grau de culpa do ofensor. a divulgação e a repercussão do fato.419/2006 e Resolução n. o comportamento da vítima e do ofensor.

é necessário que se demonstre.” (fls.tjpr. nenhuma prova neste sentido foi produzida. gravação das ligações telefônicas. a conduta ou o fato que supostamente teria ensejado o dano.br Página 6 de 9 . conforme MP n.jus. o que é vedado pelo tratamento jurídico da indenização por dano moral. efetuadas pelos prepostos da apelada. Lei n.200-2/2001.° 11. o pedido indenizatório baseou-se somente nas cobranças insistentes (telefonemas). No caso em tela.419/2006 e Resolução n. não obstante a inexistência da dívida. Ao contrário. Veja-se que tais fatos. por exemplo. uma vez que estes se manifestam no íntimo do indivíduo. sequer foram objeto de noticia crimines. a prova da ocorrência de cobrança vexatória se fazia necessária para a configuração do dano moral indenizável. as supostas cobranças vexatórias realizadas poderiam ser comprovadas através da prova testemunhal ou por outro meio de prova. que muito embora a condenação por danos morais dispense a prova efetiva dos prejuízos experimentados. Contudo. que segundo a autora foram os causadores de abalo moral.cbss Apelação Cível nº 817079-2 6 requerente. o que torna a cobrança indevida. com a confecção do correspondente Boletim de Documento assinado digitalmente. Porém. a propósito. não há qualquer indício de que o nome da apelante foi inscrito nos cadastros restritivos de crédito. que poderiam configurar delito.° 2. pelo que se observa na inicial. Além disso. do TJPR/OE O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. ao menos. 172/173) Importante salientar. como se disse.° 09/2008.

E. de modo a submeter o devedor à situação vergonhosa perante as pessoas do seu convívio social ou de terceiros. nada provou! Com efeito. do TJPR/OE O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. não podem ser entendidas como vexatórias. Da leitura da inicial.br Página 7 de 9 . a prova produzida. Registre-se que as ligações telefônicas. a propósito.419/2006 e Resolução n. sobretudo a documental. no caso.cbss Apelação Cível nº 817079-2 7 Ocorrência. muito menos constrangedora ou vexatória. ou que tenham exposto a autora à situação constrangedora ou a outros sofrimentos passíveis de indenização. o que leva a crer que se existiu era uma cobrança não insistente. por si só. feitas pela apelada. do Código de Processo Civil. Lei n. observa-se não existir prova de que as cobranças foram realizadas na presença de várias pessoas. observa-se que a autora/apelada reclama.° 2. ou termo circunstanciado. nos termos do artigo 333. sobre ligações telefônicas. tão somente. a autora incumbia demonstrar que houve cobrança vexatória. não foi suficiente para. que somente a prova da exposição pública da dívida. Logo. capaz de ensejar o dever de indenizar. conforme MP n.° 11. Contudo. de forma ofensiva e vexatória. com a certeza necessária a uma condenação.tjpr. comprovar a existência de cobrança vexatória. I. Documento assinado digitalmente.200-2/2001. Cumpre ressaltar. já poderia configurar a prática de cobrança vexatória.° 09/2008.jus. compulsando os autos.

incabível. não obstante a inexistência de débito. qualquer majoração sobre tal indenização. em virtude das tentativas de cobrança feitas pela requerida (fato no qual fundamenta a ocorrência de dano moral). como por exemplo. verifica-se que a autora não produziu nenhuma prova que pudesse.419/2006 e Resolução n. as cobranças realizadas mediante o envio de correspondência ou via telefônica.° 11. trazer algum indício de que tenha sofrido abalo moral.br Página 8 de 9 . Relativamente aos honorários advocatícios. resignando-se com tal condenação. considerando a singeleza da causa. que houve cobrança vexatória por parte da apelada. não há que se falar em indenização.cbss Apelação Cível nº 817079-2 8 Além disso. como se disse. conforme MP n.° 2. que não caracteriza dano moral.00 (trezentos reais).° 09/2008. por óbvio. arbitrados em R$ 300. Tal prova poderia ser facilmente produzida através do depoimento de testemunhas que eventualmente tivessem presenciado o momento em que ocorreram as ligações.tjpr. vizinhos ou amigos. Nesse passo. a requerida/apelada não recorreu.jus. configuram mero dissabor cotidiano. Lei n. no caso. Mas. o que levaria a inversão dos Documento assinado digitalmente. bem como ser caso de afastamento da indenização (que somente não ocorreu em virtude da resignação da parte contrária). Isto porque. do TJPR/OE O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. uma vez não demonstrado. Assim. que por isto não pode ser modificada. pelo menos. nestes autos. entre outras pessoas.200-2/2001.

Diante do exposto. VOTO por CONHECER o recurso. por unanimidade de votos.tjpr. mantendo a respeitável sentença. em CONHECER o recurso. conforme MP n.419/2006 e Resolução n. para NEGAR-LHE PROVIMENTO.° 2. nos termos do voto do Relator. Curitiba. 17 de novembro de 2011 Documento assinado digitalmente.cbss Apelação Cível nº 817079-2 9 ônus sucumbenciais. do TJPR/OE O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. O julgamento foi presidido por este Relator e dele participaram os excelentíssimos Desembargadores D’artagnan Serpa Sa e Rosana Amara Girardi Fachin.200-2/2001.° 09/2008.br Página 9 de 9 . entendo por manter a verba honorária fixada pelo juízo a quo.° 11.jus. para NEGAR-LHE PROVIMENTO. Lei n. ACORDAM os Membros Integrantes da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná. nos termos deste voto.