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Marcos José de Castro Saraiva Filho

Sistemas de Informação / FA7 – Direito e Legislação (Noite)
Prof. Carlos Roberto

Direito Autoral
Desde o fim da primeira década do século 21 testemunhamos a democratização do acesso à
internet, promovendo uma verdadeira revolução digital e universalizando o acesso à informação. Essa
revolução permitiu que o processo criativo do ser humano florescesse ainda mais, e que as obras
resultantes pudessem ser facilmente compartilhadas para milhões de pessoas. Novas músicas, vídeos,
textos críticos, resenhas e outros surgem diariamente. Contudo, tal facilidade também gera novas
preocupações e questionamentos, como por exemplo, o do direito sobre essas obras por parte de seus
criadores.
De acordo com definição do Ecad, uma instituição privada e sem fins lucrativos, cujo principal
objetivo é centralizar a arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública musical,
direito autoral “é um conjunto de prerrogativas conferidas por lei à pessoa física ou jurídica criadora da
obra intelectual, para que ela possa gozar dos benefícios morais e patrimoniais resultantes da exploração
de suas criações”. No Brasil, este direito é governado pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que
define as obras intelectuais protegidas como sendo “as criações do espírito, expressas por qualquer meio
ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro”. Portanto,
fica claro que qualquer produção intelectual é protegida por lei, independente do formato e mídia em que
são publicadas. Vale ressaltar que estes direitos perduram por 70 anos, contados a partir de 1° de janeiro
do ano subsquente ao falecimento do autor, e quando estes expiram, passam ao domínio público.
Infelizmente, o que se observa no mundo é a constante violação desse direito. No que diz respeito
ao Brasil, em 2014 ficamos na segunda posição no ranking de pirataria digital, segundo estudo realizado
pela consultoria TrueOptik, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Vendedores ambulantes e camelôs
oferecem cópias dos últimos lançamentos das indústrias fonográficas e cinematográficas a preços
módicos, e essas arrecadações não beneficiam de forma alguma os criadores destas obras. Trata-se de
prática criminosa, existindo até mesmo jurisprudência que torna inaplicável do princípio da bagatela no
delito de violação de direitos autorais (TJDFT – 1ª Turma Criminal – Apelação Criminal n. 20050910051260 – Rel. Des. Mário Machado – j. 16.11.06). Em ambos os casos, a certeza da impunidade tida pelos
perpetradores estimula a continuidade dessas práticas. Além, claro, do próprio consumidor desses
produtos ilegais, que ao adquirir essas mercadorias incorre em prática criminosa de Receptação, prevista
no art. 180 do Código Penal.
Observamos que mais do que leis, faz-se necessário uma re-educação da sociedade quanto ao
respeito do direito de propriedade que autores tem sobre as obras de seus intelectos. Acredito que boa
parte do problema se encontra no anseio particular da busca pelo novo, aliado ao sentimento de que
“copiar aquela música (ou filme) não faz mal a ninguém”. Há muitas obras de qualidade que pertecem ao
domínio público e que podem satisfazer a busca por conhecimento e entretenimento. Dentre eles é
possível destacar Internet Archive (com vídeos, softwares, jogos eletrônicos, livros e mais) e o Project
Gutenberg (com mais de 36.000 e-books). No Brasil, o Ministério da Educação mantém o
Domíniopúblico.gov.br, com a obra completa de Machado de Assis, as letras de música de Noel Rosa e

Tudo de graça.outros clássicos brasileiros. . e à distância de cliques de mouse. e sem violar o direito de ninguém.