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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Centro de Ciências Humanas e Sociais – CCH
HISTÓRIA
Modalidade EAD
História do Brasil IV

Segunda Avaliação à Distância (AD2)

Profª. Drª. Maria Letícia Corrêa
Prof. Dr. Cláudio Beserra de Vasconcelos
2015.2

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Neste sentido. no qual o poder militar deveria ser aliado aos movimentos sociais e possuir um papel de vanguarda na sociedade brasileira. social e econômica. como um namoro. um terceiro momento entre 1945-1964. dos seus herdeiros e do período democrático pelo golpe militar em 1964 Assim sendo. um primeiro período entre 1930-1937. basicamente. Carvalho percebe a aliança entre Vargas e militares comparáveis a uma relação amorosa. bem como a contextualização das diferentes etapas entre o projeto de poder varguista e o projeto político dos militares. Deste modo. terceiro. conhecido como intervencionismo reformista. como um rompimento entre essas forças políticas e o fim definitivo da coexistência pacifica dessa relação. a saber: primeiro. Desta maneira. isto é. a visão de que os militares deveriam seguir um modelo alicerçado no profissionalismo alemão e francês. a concepção radical nas forças armadas. especialmente aliado ao partido comunista brasileiro. Assim. o crescimento material do poderio militar e da doutrina militar empreendida por Góis Monteiro e Dutra ocorreram em etapas e se caracterizaram por intervenções militares em momentos históricos bem específicos. em que os militares teriam que ficar de fora das questões políticas internas e somente atuar na defesa externa. segundo Jose Mutilo de Carvalho. os militares interessavam como agente político para consolidar o governo varguista frente as pressões políticas oligárquicas e liberais ainda presentes na sociedade brasileira e 2 . essas diferentes visões dentro do poder militar acabaram ocasionado uma vertente dominante ou facção hegemônica dirigida pelo general Pedro Aurélio Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra. para Vargas. Conforme Jose Murilo de Carvalho. sobretudo as diferentes concepções de alinhamento teórico no interior das forças armadas. como uma lua de mel.Para se entender as fases da relação entre Vargas e os militares descritos por Jose Murilo de Carvalho em Vargas e os militares: aprendiz de feiticeiro se faz mister antes compreender alguns pontos levantados pelo próprio historiador no artigo. assim como a criação de instituições como as escolas militares como a AMAM e a Escola Superior de Guerra em 1949. José Murilo de Carvalho detecta três concepções políticas no interior das forças armadas. um segundo momento entre 1937-1945. o momento de namoro pode ser entendido como uma estratégia política que interessava tanto ao regime varguista quanto os militares após a revolução de 1930. se baseava na idéia de uma elite militar que conduziria um projeto de nação e poderia atuar em momentos de crise política. segundo.

e. . Desta maneira. a aliança de Vargas e dos militares ocasionou a redução do papel dos partidos políticos no contexto nacional. Com isso. Por isso. as intervenções militares ocorridas colocaram gradualmente o poder nas mãos de Vargas. Buscou-se criar um ambiente de paz social. mas se abriu um primeiro espaço de autonomia de ação das forças armadas. de direitos trabalhistas e previdenciários representou um custo maior na produção pela visão do empresariado brasileiro. Por sua vez. a constituição de uma proteção social por aumento de salários. tático e ideológico. as revoltas comunistas de 1935 e o golpe de 1937 foram momentos que a união entre Vargas e militares trouxe um crescimento para ambas as forças políticas e representou uma simbiose vantajosa. de acordo com Carvalho. mas igualmente uma redução das contendas políticas dentro das próprias forças militares. uma normalidade institucional e um bom ambiente de negócios que viria a ser rompido apenas quando o varguismo se aproximou do trabalhismo. a criação dos militares da reserva como o CPORe o NPOR.pelo lado dos militares representou uma possibilidade de unificação e fortalecimento do corpo militar diante de um quadro militar ainda pouco organizado. Nesse período. uma vez que para os militares as demandas sociais possuíam apenas caráter revolucionarias. as forças armadas tornaram-se não apenas um instrumento para eliminação de adversários políticos de Getulio Vargas no plano federal e estadual. a criação de empresas estatais em setores estratégicos como petróleo seria um atraso para a 3 . para os interesses internacionais. sobretudo com a implementação de medidas como o recrutamento obrigatório. das elites econômicas e de grupos econômicos internacionais. o impedimento ou a dificuldade de progressão pelos sargentos e cabos na carreira militar e a criação de uma escola para a formação de uma elite militar com treinamento militar de alto padrão estratégico. bem como uma primeira aproximação entre os militares e as elites econômicas. o momento de divorcio entre 1945-1964 pode ser compreendido quando Getulio Vargas busca ampliar o capital político através de uma aproximação com o proletariado urbano e trabalhadores rurais. a implementação dessas medidas. para as elites econômicas nacionais. ou seja. . o momento de lua de mel entre 1937-1945 detonou um processo de centralização política com o estabelecimento de um Estado forte e ditatorial. Vê-se que essa junção acarretou descontentamento dos militares. significaram uma profissionalização das forças armadas. Vale ressaltar que a revolução de 1932. bem como executou políticas publicas em setores estratégicos da economia como o industrial e infra-estrutura.

mas que para elites econômicas nacionais e internacionais era visto como um momento anárquico. assim como afastaram em outros momentos. É relevante destacar que muitas circunstancias históricas aproximaram as forças militares com o poder. mais ainda. Por isso. . igualmente podese notar que aos poucos os militares foram se inebriando com o poder e o racionalismo positivista se revelou insuficiente frente aos encantos do poder e. Desta forma. mas que não pode ser visto como um processo inevitável. no qual o período democrático entre 1945 e 1964 trouxe um exercício democrático bastante rico para a sociedade civil brasileira. Por isso. mas igualmente ocorrem por transformações no plano externo como a Guerra Fria e por um desejo de maior de participação política do povo brasileiro nos assuntos nacionais. em consonância com Jose Murilo de Carvalho. representado na pessoa de João Goulart.economia e a sociedade brasileira pela incapacidade tecnológica do país e feria obviamente os interesses desses grupos multinacionais. Portanto. . o rompimento ocorre pelos interesses cruzados das forças políticas citadas anteriormente. no qual necessariamente teria que ocorrer um golpe militar em 1964. como se pode observar no artigo de Jose Murilo de Carvalho. bem como de salvar o país do perigo comunista. acabaram por reforçar uma pratica modernista conservadora com tons patrimonialistas. as forças armadas ao se aliarem a Getulio Vargas a partir de 1930 foram construindo gradativamente um projeto de poder com avanços e retrocessos. perigoso e desestruturador da nossa realidade. mesmo que tivesse que alijar a democracia. eliminar os partidos políticos e as políticas sociais iniciadas por João Goulart. 4 . os militares e essas elites se viram na missão de eliminar os herdeiros do trabalhismo varguista.