You are on page 1of 7

A sociedade justa e injusta: estudo a partir de “A República” de Platão.

Hilda Eunice da Silva

Introdução
O presente artigo tem por fim analisar o sentido da Justiça a partir do estudo da
obra “A República” de Platão. O tema é artigo e fundamental sua análise nos tempos
atuais, diante de tantas injustiças vividas na sociedade.
Platão nasceu em Atenas em 428-7 a.c e morreu em 348- 7 a.c. Essas datas são
bastante significativas: seu nascimento ocorreu no ano seguinte ao da morte de Péricles;
seu falecimento deu-se dez anos antes da batalha de Queronéia, que assegurou a Felipe
de Macedônia a conquista do mundo grego.
A vida de Platão transcorreu, portanto, entre a fase áurea de democracia
ateniense e ao final do período helênico; sua obra filosófica representará, em vários
aspectos, a expansão de um pensamento alimentado pelo o clima de liberdade e de
apogeu político. Filho de Ariston e de Perictione, Platão pertencia a tradicionais famílias
de Atenas estava ligado sobre tudo pelo o lado materno, a figuras eminentes do mundo
político Platão manifesta desapreço pelos políticos de seu tempo, suas críticas a
democracia ateniense pressuponham um conhecimento direto das manobras políticas e
seus verdadeiros motivos, na sua juventude ele teria conhecido Crátilo, que amoldando
as idéias de Heráclito de Efésio sobre a mudança permanente de todas as coisas e
certamente interpretando de forma parcial e empobrecida a tese herética, afirmava a
impossibilidade de qualquer conhecimento estável.
Platão desenvolvera, na fase inicial de sua filosofia teses que tendem a
sustentar a realidade no intemporal e no estático, na sua mocidade ele foi ao encontro
com Sócrates seu mestre a quem ele considerava “o mais sábio e o mais justos dos
homens”; Por intermédio de Sócrates, Platão foi inicialmente dirigido para a política
não qualquer política, mas política. Por isso é que justamente se recusa a participar, na
mocidade, de atividade política: primeiro tem que encontrar os fundamentos teóricos da
ação política- e toda a ação- para orientá-lo retamente.
A filosofia para Platão representou, assim, o inicio, a ação entravada, a que se
renuncia apenas para poder vir a ser realizado com plenitude de consciência. Após a
morte de Sócrates, Platão viaja e visita Megara, onde Euclides que pertencera ao grupo

socrático e elatísmo, ele compõe seus primeiros diálogos “diálogo Socrático”, pois tem
em Sócrates o personagem central, entre esses diálogos está a Apologia de Sócrates, e é
possível que, também nessa época, Platão tenha começado a escrever A República em
387 a.C.
Platão funda em Atenas a academia, a sua própria escola de investigação
científica e filosófica. O acontecimento é da máxima importância para a história do
pensamento ocidental. Platão tornou-se o primeiro dirigente de uma instituição
permanente, dedica-se ao magistério e a composição de suas obras.
Sobre forte influência do Pitagorismo, escreve os “diálogos de transição”, que
justamente marcam a formação de uma filosofia própria, formas incorpóreas e
transcedentes, essas novas formulações aparecem em vários diálogos: Menon, Fédon,
Banquete, República e Fédro. Da fase final da obra de Platão e ainda Felipo, que retoma
o tema a felicidade humana, tratado a luz das últimas formulações do platônico.
Ao morrer Platão não terminara uma grande obra: as leis. Retomando o
problema político e alterando teses expressas anteriormente em a República, Platão
propõe em sua última obra uma conciliação entre monarquia constitucional e
democracia.
John Bordley Rawls1 chamado pelos íntimos de Jack nasceu 21 de fevereiro de
1991 em Baltimore, no estado de Maryland, na região nordeste dos Estados Unidos,
seus pais eram William See Rawes (1883-1946) e Anna Abele Strump, (1892-1954) e
Johns, seguindo passos de seu irmão da qual era bem sucedido ele desenvolveu
interesses particulares por biografia de cientistas famosos e por química. Foi estudando
na escola de Calvet Scholl que ele superou a sua gagueira chegando a ser mesmo orador
oficial de sua turma. O seu interesse por questões sociais começa devido ao
envolvimento de sua mãe com o movimento feminista e com a constatação negra de
Baltimore e vivia em condições muito diferentes da população branca. Os campos de
interesse de Rawls variam bastante, passando por química, matemática e historia da arte
e finalmente se dudicou a filosofia com Kant, Stuart Mill e Wittgenstein, ele foi
convocada pela força armada para combater na segunda guerra mundial Rawls desiste
da sua carreira no exercito e começa seu estudo de graduação em filosofia na
Universidade de Princeton, onde escreve sua dissertação sob a orientação de Walter
Stace. Foi na Universidade de Cornell que Rawls se torna editor do famoso jornal
1

Disponível em: <http://grupoeticaejustica.wordpress.com/textos/uma-breve-biografia-de-john-rawls/>.
Acessado em: 21/05/2014.

Philosophical Rawiew. Nos anos seguintes esta edição foram dedicados a acabar de
escrever Uma Teoria da Justiça (a obra teve três versões preliminares (1964-5 1967-68 e
1969-70) e as obras de grandes autores da filosofia política. Durante a guerra do Vietna
seus escritores pega fogo quase colocando a perda de seus escritos, mais alto grau da
carreira o mais importante de filosofia dos EUA, possuem pele menos um professor que
foi aluno de Rawls, em 19995, Rawls sofre o primeiro de vários derrames que fez com
que sua carreira acadêmica seja bastante prejudicada. Jhon Bodly Rawls morre em um
sábado, 24 de novembro de 2002, em sua casa em Sexington, Massachusetts, de
insuficiência cardíaca.

1. A Justiça e a sociedade.
Podemos facilmente perdoar uma criança que tem
medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os
homens têm medo da luz. Platão

Os gregos pronunciam uma vivência jurídica intensa tanto no teatro como na
filosofia, a justiça segundo2 eram atribuído as divindades Themis Diké, o conceito foi
fundamental dentro da filosofia pra Ferraz Junior aquilo que é justo no sentido
equitativo conjunte, igual relativo ao homem ou igualdade harmonia, a proporção e a
ordem. Diké significa decisão judicial, “dentro do julgamento” Themis - o que forma a
vontade de um e o conselho da outra, como conselheira de prudência. Nesse sentido
Themis refere-se á autoridade do direito, legalidade ou vaidade, Diké - o cumprimento
da justiça, as leis escritas.
Assim nasceu a vontade de justiça na polis onde a sociedade se reunia e
discutia as relações do homem grego, seu valor de guerreiro e os ensinamentos das
quais lhes eram passado.
Na qual o homem justo que respeitava as leis se relacionava em harmonia e
cultivava os deuses, desse conceito de justiça como forma de aceitar o que envolvia as
exigências dos cidadãos perfeito, não que existissem homens perfeitos na Grécia antiga,
mas eles tentavam transmitir a polis essa referência de valores e de justiça, exemplo,
temos Platão que seu ideal de homem era aquele que possuía 4 virtudes; fortaleza,
temperança, sabedoria, prudência e a diraiosyne (justiça).

2

Disponível em <
http://www3.pucrs.br/pucrs/files/uni/poa/direito/graduacao/tcc/tcc2/trabalhos2010_1/bruna_siciliani.pdf>.
Acessado em 10/05/2014.

De acordo com a “Republica de Platão”, seus alunos debatem e tentam definir o
que seria Justiça e o que cada um entende por esse tema.
No livro I - Platão define, em vão, uma palavra de uso corrente deste o princípio
da humanidade e de conceituação ao longo da história das civilizações. Ele resume
Justiça como algo útil para os amigos e prejudicial aos inimigos.
Para Céfalo – “A Justiça é a verdade e restituir o que se tomou”. Todo tem
Direito a honestidade. Complementa ainda Palemarmo – que afirma que “Justiça” é dar
a cada um o que lhe é deve. Assim justiça consiste em agir com retidão.
Porém, Trasímaco contradiz com os pensamentos de Céfalo e de Palemarco, pois
diz: “Justiça é o que está no interesse domais forte”. O mais forte seria os políticos e
governantes que não olham para os interesses dos necessitados e sim para o que é
conveniente a si próprio.
“A Justiça é a primeira virtude das instituições sociais como a verdade o é dos
sistemas de pensamentos”.
Somente a verdade é capaz de levar o ser humano a alcançar a sua
meta social. (JOHN RAWLS 200, p.3)

Após definir toda a ideia de diferentes pontos de vista sobre o que é justiça e
como praticar na sociedade, podemos analisar a “Cidade justa” como é falada no livro
II, onde busca explorar o indivíduo na sociedade buscando fatos em grande escala e
assim atingir a verdadeira natureza da justiça. Ao invés de defini-la ao sujeito, o que se
procura é conceituar uma cidade Ideal.
Os filósofos que examinaram os fundamentos da sociedade sentiram
todos, a necessidade de remontar ao estado da natureza, mas nenhum
deles conseguiu. Uns nem hesitaram em atribuir ao homem nesse
estado de noção de justo e do injusto sem se preocupar em mostrar
que ele deveria ter esta noção, mesmo que ela lhe fosse útil. Todo
indivíduo tem noção do que é justo ou injusto. Todos têm consciência
disso. (JOHN RAWLS 1997, p. 6)

No livro III - A definição de justiça é alcançada na cidade ideal. Cada um deve
exercer sua função na sociedade para qual por natureza foi mais dotada. Tal cidade
poderia ser chamada de justa. Em outras palavras, se todos fizerem o que a sua parte na
sociedade ela seria mais organizada e elaborada ao ponto de ninguém ser prejudicado ou
privilegiado.
“Concebo na espécie humana dois tipos de desigualdade”.
(ROSSEAU 1981, p. 22)

A primeira estabelecida pela a natureza e que consiste na diferença de idade, na
saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito ou da alma. A segunda é a
Política ou desigualdade moral, porque depende de uma convenção consentida pelos
homens, como serem mais ricos, poderosos e mesmos os que fazem obedecer.
Há vários tipos de desigualdades contra idosos, crianças, mulheres, negros,
escravos, mas a desigualdade política onde tiram o que pertence aos menos providos e
os mantêm deveria ser abolido, assim teríamos uma sociedade ideal.
2. Desigualdade social, moral e política
“Os princípios da justiça são escolhidos sob
um véu de ignorância.”John Rawls
Segundo Rawls, a justiça é a primeira virtude das instituições sociais como a
verdade é dos sistemas do pensamento. Caso sejam injustas devem ser abolidas, a perda
da liberdade de uns significa o bem partilhado por outros.
Percebe-se com a fala de Rawls que embora uma sociedade veja vantagens
mútuas ela é marcada por conflitos desde os primórdios, esses dos quais (a cooperação
social é essencial para que as instituições coloquem em ordem nossa vida moral, ética e
social.
Sem esses conjuntos de princípios que regem o direito tanto social como direito
humano sofre período de intensos conflitos tanto interno como externo do qual fez
nossa organizar e essa divisão sempre com acordo escrito em razão dos princípios da
justiça social da qual nossos direitos e deveres sofrem as definições e distribuições
apropriadas desses benefícios e encargos da cooperação social.
O que observamos é que muitas justiças são consideradas injustas não apenas
nas leis, nos sistemas e nas instituições.
Podemos relatar o exemplo do Brasil que com seus recursos naturais e com
PIB (Produto Interno Bruto) entre os dez maiores do mundo sendo representada bem
nossa taxa, mas em compensação somos um país das injustiças sociais, tanto em
distribuições de recursos entre a população, tanto em pobreza devido ao fenômeno da
desigualdade social, e essa semana saiu uma pesquisa3 onde o Brasil está na penúltima
colocação em educação global.
Isso é lamentável quando se trata das injustiças sociais um dos piores dados
mundiais, em educação nos remete a uma folha do governo se tratando de professores
3

Disponível em < http://www.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-fica-em-penultimo-lugar-em-rankingglobal-de-qualidade-de-educacao,965846,0.htm>. Acessado em 15/05/2014.

mal remunerados, as manutenções da escola pública da qual em muitos lugares mais
parecem com presídios do que um local onde pode transformar nossos jovens; a quem
interessa o objetivo político em apenas nas eleições clamam por educação e nada muda,
criam-se projetos, bolsas que mantêm os filhos em sistemas educacionais falhos e sem
preparo para trabalhar com aquele jovem, muitas vezes dependente químico ou que
sofre maus tratos, violência de todas as espécies e os professores que ficam como de
linha de frente nessa terrível batalha entre a justiça e a injustiça.
É a essas desigualdades, supostamente inevitáveis na estrutura básica
de qualquer sociedade, que os princípios da justiça social devem ser
aplicados em primeiro lugar. Esses princípios, então, regulam a
escolha de uma constituição política e os elementos principais do
sistema econômico e social. A justiça de um esquema social depende
essencialmente de como se atribuem direitos e deveres fundamentais e
das oportunidades econômicas e condições sociais que existem em
vários setores da sociedade. (JOHN RAWLS 1997, p. 8)

A sociedade atual polemiza uma das teorias criadas por Rawls, a concepção de
sociedade justa como a cotas para os negros, contribui para o sucesso dos diretos
sociais.
Hegel escreveu que a filosofia tal como a coruja que só alça vôo depois do
entardecer assim foi as ideias de Rawls de conciliar direitos iguais numa sociedade
desigual e com suas posições conflitantes da qual fez histórias.
O liberalismo social existente hoje nos remete a discussão ocorrida nos tempos
da Grécia Antiga, no séc 50 a.C registrada na Republica de Platão da qual se discutiu os
fundamentos de uma sociedade justa para Rawls4.
1Igualdade de oportunidade aberta a todos em plena equidade.
2Benefícios aos membros menos privilegiadas da sociedade os worst off
atender expectativas deles better off os talentosos (melhor dotados por nascimentos,
herança dons.
Segundo Fraile (p. 360-361) para Platão a justiça no homem é a harmonia entre
o racional, o fogoso e o apetitivo. A cidade para Platão é um grande todo como um
organismo. Num Estado perfeito devem existir quatro virtudes cardeais:
PRUDENCIA- nos guardiões perfeitos.
VALOR- nos guardiões auxiliares.
TEMPERANÇA- nas classes inferiores.
JUSTIÇA- em todas as classes.

4

Disponível em: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2003/04/13/001.htm#inicio>. Acessado
em: 23/05/2014

A missão da justiça é a de estabelecer ordem no conjunto e harmonia entre as
partes distintas da sociedade. Mantendo cada um dentro dos seus limites e atribuições. A
justiça é a salvaguarda e a garantia do bem comum.
Conclusão
As desigualdades existem em múltiplos aspectos e se torna aguda na esfera
política onde opera a corrupção, entendo que sem isso havia uma sociedade ideal.
Conclui-se que embora a sociedade seja marcada por conflitos desde os
primórdios é fundamental a cooperação social amparada na ética e com fundamentos na
Justiça.
A missão da justiça é a harmonia entre as partes distintas da sociedade.
Mantendo cada um dentro dos seus limites e atribuições.
A justiça é, portanto, a proteção e a garantia do bem comum.
Referências Bibliográficas
FRAILE, Guilherme. História de La Filosofia. La Editorial Catolica, S.A. Apartado 466 Madrid .
MCMLVI. 1956.
RAWLS, John. Uma teoria da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 1997. – (Ensino Superior)
PLATÃO. A República/Platão;/supervisão editorial Jair Lot Vieira/. - -Bauru-SP: EDIPRO, 2000 (1ª
Reimpressão). – (série clássicos)
ROSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os
homens/Jean-Jacques Rosseau; apresentação e comentários de Jean-Françõis Braunstein; tradução de
Iracema Gomes Soares e Maria Cristina Roveri Nagle.-Brasília: Editora Universidade de Brasília; São
Paulo: Ática, 1989.