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RESUMO DO TEXTO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

Estágio de Operações Formais de Piaget

A adolescência não só é marcada por mudanças no corpo mais também envolve
mudanças na forma de pensar. Embora o pensamento dos adolescentes possa
permanecer imaturo em alguns aspectos, eles são capazes de raciocinar de maneira
abstrata e fazer juízos morais sofisticados, além de poderem planejar o futuro de
maneira mais realista.
Segundo Piaget, os adolescentes entram no nível mais elevado de desenvolvimento
cognitivo - as operações formais - quando desenvolvem a capacidade para o pensamento
abstrato. Esse desenvolvimento, geralmente ocorre em torno dos 11 anos, onde irá lhe
proporcionar um modo novo e mais flexível de manipular as informações. Contudo, a
capacidade de pensar de maneira abstrata tem implicações emocionais.
Quando o indivíduo entra no estágio de operações formais será capaz de produzir
raciocínio hipotético-dedutivo. Ele pode desenvolver uma hipótese e criar um
experimento para testá-la. Considera todos os relacionamentos que pode imaginar e
examina-os sistematicamente, um depois do outro, para eliminar o falso e chegar ao
verdadeiro.
Piaget considera que essa mudança para o raciocínio formal é acarretada por um
misto de maturação cerebral e expansão das oportunidades ambientais. Ambas são
essenciais: mesmo que o desenvolvimento neurológico dos jovens tenha avançado o
suficiente para permitir o raciocínio formal, eles só podem alcançá-lo com estimulação
ambiental apropriada. Um modo de isso ocorrer é mediante o esforço cooperativo.
A análise de Piaget do desenvolvimento do raciocínio formal parece, até certo ponto,
bastante precisa. Entretanto, existem diversos avanços, tanto na terceira infância como
na adolescência, que ela não leva em conta adequadamente. Entre eles estão o acúmulo
gradual de conhecimento e de saber em campos específicos; o aumento na capacidade
de processamento de informações; o desenvolvimento da metacognição, da consciência
e o monitoramento de nosso próprios processos e de nossas estratégias mentais.
Embora a pesquisa não tenha questionado seriamente a sequência geral de
desenvolvimento descrita por Piaget, ela questionou sua asserção de estágios definidos

. Seus próprios textos apresentam muitos exemplos de crianças demonstrando aspectos do pensamento científico muito antes da adolescência.de desenvolvimento. tais como a transição para o ensino médio. O público imaginário e a fábula pessoal. a distinção entre os estágios de operações concretas e formais pode ser menos bem-definida do que sugere a teoria de Piaget. Eles podem ser mais característicos de jovens que estão sofrendo dificuldades de adaptação. Por exemplo. Entretanto. porque não levava em conta o papel essencial da situação para influenciar e limitar o pensamento das crianças. na maioria de seus textos. persistem em grau menor na vida adulta. dos professores ou dos amigos. Hipocrisia aparente. Muitos adolescentes tardios e adultos parecem incapazes de pensamento abstrato como Piaget o definiu e os que são capazes nem sempre o utilizam. de acordo com Elkind. em vez de simplesmente internalizar os padrões dos pais. a variações no desempenho de uma criança em diferentes tipos de tarefas ou influências sociais e culturais. Piaget parece ter superestimado as capacidades de crianças com mais idade. Indecisão. deu pouca atenção a diferenças individuais. particularmente das operações formais. Julgamento Moral: A Teoria de Kohlberg Kohlberg afirma que nossa maneira de pensar sobre questões morais reflete nosso desenvolvimento cognitivo e que as pessoas chegam aos julgamentos morais sozinhas. Estes são: Tendência a discutir. como falho. o público imaginário e a fábula pessoal podem estar relacionados com experiências sociais específicas. Em vez de serem características universais do desenvolvimento cognitivo dos adolescentes. Autoconsciência (público imaginário) e Suposição de invulnerabilidade (fábula pessoal). Elkind: Aspectos Imaturos do Pensamento Adolescente O psicólogo David Elkind descreveu atitudes e comportamentos imaturos que podem ser provenientes das incursões inexperientes dos jovens no pensamento abstrato. Encontrar defeitos na figura de autoridade. Piaget. o próprio Piaget passou a considerar seu modelo prévio do desenvolvimento do pensamento das crianças. Ao mesmo tempo. Em seus últimos anos de vida.

Na teoria de Kohlberg. como desenvolvimento emocional e experiência de vida. muitas pessoas nunca o superam. influenciam os julgamentos morais. quando podem escolher entre dois padrões socialmente aceitos. Preocupam-se em ser "boas". contudo. Obedecem a regras para evitar punição. obter recompensas ou por interesse próprio. ele propôs um sétimo estágio cósmico. Um dos motivos pelos quais as idades associadas aos níveis de Kohlberg são tão variáveis é que fatores além da cognição. mas ainda não desenvolveram princípios de justiça de origem racional. Kohlberg acrescentou um nível de transição entre os níveis II e III. Muito poucas pessoas atingem o terceiro nível. mas seus estágios avançados abrangem a idade adulta. Posteriormente.O desenvolvimento moral na teoria de Kohlberg guarda certa semelhança com a teoria de Piaget. no qual as pessoas consideram os efeitos de suas ações não apenas sobre as outras pessoas mas também sobre o universo como um todo. em agradar aos outros e em manter a ordem social. As pessoas internalizaram os padrões de figuras de autoridade. que indica o estágio de desenvolvimento moral. de imparcialidade e de justiça. As pessoas geralmente só chegam a esse nível de julgamento moral pelo menos no início da adolescência ou mais comumente no início da idade adulta. é o raciocínio subjacente à resposta da pessoa a um dilema moral. mas seu modelo é mais complexo. As pessoas agora reconhecem conflitos entre os padrões morais e fazem seus próprios julgamentos com base nos princípios de correção.  Nível II: Moralidade convencional (ou moralidade de conformidade ao papel convencional). Kohlberg questionou a validade do sexto estágio. podendo nunca atingi-lo. e  Nível III: Moralidade pós-convencional (ou moralidade dos princípios morais autônomos). cada um dividido em dois estágios:  Nível 1: Moralidade pré-convencional. Os primeiros estágios de Kohlberg correspondem aproximadamente aos estágios de desenvolvimento moral da infância de Piaget. e não a resposta em si. Esse nível é típico de crianças de 4 a 10 anos de idade. em determinado momento. Esse nível geralmente é alcançado depois dos 10 anos. As pessoas que alcançaram um . mesmo na idade adulta. As pessoas agem sob controles externos. Posteriormente. Na verdade. já que tão poucas pessoas parecem alcançá-lo. quando as pessoas não se sentem mais limitadas pelos padrões morais da sociedade. Kohlberg descreveu três níveis de julgamento moral.

como obediência a regras e medo de punição. Pessoas mais velhas de outros países tendem a obter pontuações de estágios mais elevados do que pessoas mais jovens. Em vez de verem a moralidade apenas como a capacidade de controle sobre impulsos de autogratificação. Os adolescentes começam a compreender que toda sociedade desenvolve suas próprias definições de certo e errado.alto nível de desenvolvimento cognitivo nem sempre alcançam um nível comparavelmente alto de desenvolvimento moral. Kohlberg e Piaget trouxeram uma profunda mudança em nosso modo de ver o desenvolvimento moral. os valores de . um certo nível de desenvolvimento cognitivo é necessário. e a contagem de pontos dever ser realizada por juízes treinados. alega que a teoria de Kohlberg está mais orientada a valores que são mais importantes para os homens do que para as mulheres. Piaget e Kohlberg não consideravam os pais importantes para o desenvolvimento moral das crianças. O próprio Kohlberg observou que antes que as pessoas possam desenvolver uma moralidade plenamente baseada em princípios. pesquisas mais recentes enfatizam a contribuição dos pais tanto no domínio cognitivo como no emocional. mas parece mais provável que alguns aspectos da definição de Kohlberg de moralidade podem não se enquadrar nos valores culturais de algumas sociedades. elas devem reconhecer a relatividade dos padrões morais. tanto Kohlberg como Piaget podem ter dado excessiva ênfase a fatores externos. deixando de considerar a capacidade das crianças pequenas de reconhecer o impacto de suas ações sobre os outros. ao analisarem o desenvolvimento moral inicial. estudos transculturais confirmam. Um problema de ordem prática na utilização do sistema de Kohlberg refere-se aos procedimentos de teste. Contudo. mas não suficiente para um nível comparável de desenvolvimento moral. os quais exigem muito tempo. pessoas de culturas nãoocidentais raramente obtêm pontuações superior à do quarto estágio. hoje os pesquisadores examinam como as crianças fazem juízos morais com base em sua crescente compreensão do mundo social. É possível que essas culturas não promovam um desenvolvimento moral superior. Assim. em alguns casos. Já Carol Gilligan com base na pesquisa sobre mulheres. Entretanto. até certo ponto. a sequência de estágios de Kohlberg. Segundo Gilligan. Entretanto. Por fim. Os dilemas padrão precisam ser apresentados a cada pessoa individualmente. as mulheres vêem a moralidade não tanto em termos de justiça e de imparcialidade quanto de responsabilidade em demonstrar interesse e em evitar danos.

Eles se esforçam. estando apenas convencidos de que os adolescentes devem ser responsáveis por suas próprias vidas. Aprendizes que se autorregulam estão interessados em aprender. dizendo-lhes que "irão entender quando forem adultos". Os estudantes que não acreditam em sua capacidade de ter êxito tendem a ficarem frustrados e deprimidos. persistem a despeito das dificuldades e buscam auxílio quando necessário. Fixam metas desafiadoras e utilizam estratégias apropriadas para alcançá-las. Questões Educacionais e Vocacionais Albert Bandura considera que a auto-eficácia é o que faz com que um estudante esforce-se para tirar boas notas. não participam das cerimônias escolares e não ajudam nem verificam o dever escolar dos filhos. sentimentos que dificultam o bom êxito. Segundo o mesmo. admitem que às vezes os filhos sabem mais do que os pais e aceitam a participação dos filhos nas decisões familiares. O envolvimento parental pode estar relacionado com seu modo de criar os filhos. Isso se aplica particularmente aos pais cujo envolvimento varia mais do que o de mães. não estabelecem regras para assistir à televisão. Esses pais podem não ser negligentes ou indiferentes. Muitos jovens questionam suas antigas visões em torno da moralidade quando entram no ensino médio ou superior e conhecem pessoas cujos valores. Pais democráticos fazem os adolescentes considerar os dois lados das questões. O Envolvimento dos Pais e os Estilos Parentais Os alunos cujos pais envolvem-se em suas vidas escolares e acompanham seu avanço se saem melhor na escola de ensino médio. Pais autoritários dizem aos adolescentes que não discutam com os adultos nem os questionem. Por fim. Pais permissivos parecem não se importar com as notas.uma cultura podem até parecer chocantes aos integrantes de outra. os estudantes que acreditam que podem aprender o material acadêmico e regular sua própria aprendizagem têm maior probabilidade de obter bons resultados e de ter êxito do que aqueles que não acreditam em suas próprias capacidades. cuja cultura e cuja origem étnica são diferentes dos seus. Condição Socioeconômica e Ambiente Familiar .

Os pais que investem tempo e esforço em seus filhos e que possuem uma forte rede de apoio comunitário constroem o capital social da família. Entretanto. pode contribuir para o fracasso. outra pesquisa constatou que estudantes bem dotados têm melhor desempenho e maior motivação quando reunidos com colegas de mesmo nível intelectual.A condição socioeconômica pode ser um fator poderoso no desempenho. afeta a motivação. Outros possíveis . O diretor e os professores devem ter altas expectativas para os estudantes. sociais e psicológicos para estes jovens e não atrasam os estudantes mais capazes. Qualidade de Ensino Um importante fator no desempenho dos estudantes é a qualidade das escolas que frequentam. Algumas pesquisas sugerem que grupos com estudantes de diversos níveis de habilidade trazem benefícios cognitivos. a disponibilidade de tais oportunidades. Uma boa escola de ensino médio tem uma atmosfera de organização sem ser opressiva. O bairro onde uma família tem condições de morar geralmente determina a qualidade do ensino disponível. A prática educacional em que consiste em agrupar os estudantes por capacidade. Os estudantes colocados em turmas mais atrasadas perdem o estímulo dos colegas mais habilidosos e muitas vezes recebem ensino mais fraco. Alguns jovens de famílias pobres e de bairros desfavorecidos saem se bem na escola e melhoram suas condições de vida. bem como as oportunidades de educação superior. dar mais ênfase às disciplinas acadêmicas do que às atividades extracurriculares e monitorar de perto o desempenho dos alunos. juntamente com as atitudes no grupo de amigos do bairro. um diretor ativo e energético e professores que participam da tomada de decisões. As maiores taxas de evasão entre grupos minoritários que vivem na pobreza podem dever-se em parte à má qualidade de suas escolas quando comparadas com aquelas frequentadas por crianças mais favorecidas. Isso ocorre devido ao capital social: os recursos familiares e comunitários de que as crianças dispõem. Abandono da Escola Estudantes de baixa renda são muito mais inclinados a abandonar os estudos do que estudantes de classe média ou alta.

o quanto o estudante está ativamente envolvido no aprendizado. o encorajamento dos pais prediz alta ambição escolar melhor do que a classe social. Enquanto isso. deixam a escola para ajudar a sustentar suas famílias. Estudantes em lares de pais solteiros ou de segundo casamento tendem mais a abandonar os estudos do que estudantes que vivem com ambos os pais. outros podem ser o pequeno tamanho da turma e um ambiente escolar afetivo e favorável. Assim. as pressões financeiras e uma cultura que coloca a família em primeiro lugar. muitas vezes. como previsto pelos testes. As aspirações parentais e o apoio financeiro. Esses jovens podem ser excluídos de caminhos profissionais ou forçados a assumir outros menos desafiadores e compensadores em função de resultados em testes e de notas baixas demais para colocálos a caminho do êxito. influenciam os planos dos jovens. Referência: . O próprio sistema educacional pode atuar como um freio sutil nas aspirações vocacionais de alguns alunos. estudantes cuja força está no pensamento criativo ou no prático nunca têm chance de mostrar o que sabem fazer. muitas vezes. A relativamente estreita gama de capacidades valorizadas e cultivadas em muitas escolas oferece a alguns estudantes uma posição vantajosa. Os estudantes que têm capacidade de memorização e de análise tendem a se sair bem em testes de inteligência que dependem dessas habilidades e em salas de aula onde o ensino é adaptado a essas capacidades. Na verdade. esses alunos são bem sucedidos em um sistema que enfatiza as capacidades nas quais eles casualmente sobressaem. Influências sobre as Aspirações dos Estudantes As crenças na auto-eficácia dos estudantes formam as opções ocupacionais que eles consideram e o modo como se preparam para a profissão. ou seja. Os fatores que promovem o envolvimento ativo são: o encorajamento da família. Talvez o fator mais importante para determinar se um estudante irá terminar os estudos seja o envolvimento ativo.motivos para as elevadas taxas de evasão entre latinos encontram-se as dificuldades de linguagem. pois esses estudantes.

.PAPALIA. Desenvolvimento cognitivo. Págs.. Editora ARTMED. 2006. . In: Desenvolvimento Humano. Ruth D. Diane E. Sally W. OLDS. 443 á 460. FELDMAN.. 8ª ed.