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X Encontro Nacional da Anpur

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Humor como ferramenta crítica
Danielle De Marchi Tozatti
UEL - Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave
Humor; Lixo; Imaginário Social.

Introdução
Pelo humor o homem, livre, leve, zomba do mundo, reaprende e adquire inocência
no olhar e fluidez no pensamento, descobre analogias ocultas e ousadas combinações de idéias, transformando sua vida num jogo espirituoso com o mundo.
Entende-se o humor como qualquer mensagem - expressa por atos,
pa- lavras, escritos, imagens ou músicas – cuja intenção é a de provocar o riso
ou um sorriso (Bremmer e Roodenburg, 2000).
Em uma das suas mais interessantes declarações sobre as
questões
literárias, Marx (1975) afirmava que se podia aprender mais sobre a situação da
Inglaterra contemporânea com a leitura de certos romances do que estudar o
conjunto das análises que tratavam desse tema. Para o autor do O Capital,
portanto, a literatura pode permitir o acesso ao conhecimento social. O humor
também faz parte deste meio literal de transmissão de informações, podendo,
como estudaremos neste tra- balho, relacionar o humor enquanto ferramenta
crítica nas charges, levando a infor- mação ao leitor através de personagens que
representam os indivíduos sociais e fa- zendo com que estes possam refletir de
forma crítica sobre sua realidade.
Como freqüentemente insistia o sociólogo da literatura,
Lucien
Goldman, a teoria formula os conceitos, as leis, as análises, e a obra literária
ganha vida através dos indivíduos, dos personagens e das situações. Se a
primeira segue a lógica da racionalidade científica, a segunda segue a da
imaginação e, dessa forma, produz um “efeito de conhecimento” insubstituível,
iluminando, por as- sim dizer, o “interior”, os contornos e as formas da
realidade social. O que im- plica
uma
complementaridade possível, e
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desejável, entre as duas formas de discurso . Constata-se ainda que
conhecimento e imaginação, ou ainda, pen- samento
e
cogitação,
necessariamente precedem o riso, como explica Alberti (1999): “(...) o que
determina a especificidade do riso é a atividade cognitiva, é preciso conhecer
ou conceber a matéria que entra na alma” (p.104).
Assim, surge a questão para Caruso (1987): que seria de ser humano sem
o humor, sem algo que lhe alegrasse o espírito? O que seria de nós se não
fossemos dotados dessa capacidade surpreendente de rir diante dos
acontecimentos da vida? É verdade que o homem nasce chorando... Mas algumas
horas depois, quando ador- mece, já começa a sorrir, talvez por instinto de
sobrevivência neste planeta.
Assim, o riso acompanha toda nossa vida, desde a infância, na qual através dele, ele expressa seus encantos, até a idade madura, quando rir passa
a construir uma compensação de seus aborrecimentos e contrariedades.
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| Novas sociabilidades: cultura, identidade e diversidade na produção do espaço

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Sayre, e Lowy, 2001, p. 07.

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Além de passar por teorias que compõem as charges. através do espetáculo dos erros dos outros.quenos quadros de desenhos satíricos e irônicos. Risco. 1.co quando o riso se torna de zombaria. Lixo.. psi. podem levar o leitor facilmente a uma interpretação da realidade vivida. Posteriormente. é uma necessidade social na medida em que nasce também da observação dos defeitos humanos. (Caruso). que seguem: Espécie Humana. É neste contexto que insere a proposta deste trabalho. e constatar como pe. aqui estudados nas charges. umidade”.vem nos lixão (aterro sanitário).ficado. Igreja x Consumo. antropológico e suas formas mais atuais de explicação das manifestações humorísticas. o humor. chegando ao humor como ferramenta da crítica. E posteriormente a escolha de algumas questões. cômi.ção. indica-se aí a autocrítica.cológico com os relevantes estudos de Freud.sados os temas Lixo. ponto de partida para o autoconhecimento. 3 | Novas sociabilidades: cultura. o ridículo de si mesmo. Neste sentido. e Criador (Deus). Caricatura. daquilo que é preciso mudar na sociedade..der como o humor pode servir de ferramenta para a crítica. Ovelha Negra e o Pasquim. nas charges de Edgar Vasques. Também foram anali. estudar o humor como ferramenta crítica. num dado momento histórico.X Encontro Nacional da Anpur | 3 E o riso além disso. O humor apresenta características físicas no ser humano quando este ri. revelando a comunicação existente entre o imaginário dos personagens e a realidade estabelecida com o leitor. Democracia. desde seus primórdios.lavra inglesa “humour” para definir a ST6. Enten. publicadas no jornais: Folha da Manhã. pois os personagens das charges vi. psicológicas por que o faz rir. só cumpre o seu verdadeiro papel quando expressa o dom da razão e a consciência de que o erro não passa de um pobre diabo. O humor aqui estudado é analisado do ponto de vista histórico. entre 1973 e 1980. Fome. identidade e diversidade na produção do espaço . O dramaturgo inglês Ben Jonson. História em Quadrinhos. pretende-se estabelecer a relação entre humor e crítica. como significativo.ges. filosófico e literal. Termo derivado de antiga crença na influência dos fluidos do corpo sobre o caráter dos indivíduos. O termo latino humor. E quando se tem clareza suficiente para compreender. Civilização Industrial. o termo voltou a evoluir quanto ao signi. temperamento”. utilizou a pa. em contos e apresentações teatrais. mais enfatizadas pelo autor e selecionadas para descrição das char. Enfim. Humor Tendência estética e filosófica de mostrar o ridículo da condição humana e provocar o riso. irônica derivada de processos intelectuais. e Personagens. e transcende todos estes aspectos quando se trata da comunicação que este faz entre a realidade vivida e a cena que exemplifica esta verdade com ironia. no final do século XVI. como: Comunica.nio. Da antiga crença na influência dos fluidos do corpo sobre o estado de ânimo das pessoas veio o uso da palavra “humor” como sinônimo de “gê. significa “líquido.

identidade e diversidade na produção do espaço . 3 X Encontro Nacional da Anpur | 4 | Novas sociabilidades: cultura.personalidade extravagante e aplicou a ST6.

o humor encontrou terreno fértil. que quase meio século depois continua sendo o ponto central de referência para o estudo dessa evolução. O humor contemporâneo ampliou em grande medida suas fronteiras. veiculado por uma narrativa cheia de ambigüidade e sutileza. e se impôs uma estética na qual se destacava em grande medida a espirituosidade. no fim do século XIX. segundo Luigi Pirandello. a tendência a mostrar de maneira jocosa as incoerências da sociedade e a caçoar do absurdo e do ridículo (Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. as damas e os cavalheiros já não participavam de certos tipos de humor. nas obras de Shakespeare e constituiu elemento essencial no D.perado (consciente) e o inesperado (inconsciente). revitaliza o homem como sujeito social. identidade e diversidade na produção do espaço . O humor é uma linguagem simbólica porque através dele o mundo exterior é símbolo de um mundo interior. Os franceses Auguste Villiers de L`Isle.X Encontro Nacional da Anpur | 5 teoria dos humores aos personagens que atuavam em sua comédia. O humor aparece muito.tico rápido que aguça os sentidos. p. de “humeur” no sentido moderno de tendência para o gracejo. que começou no século XVI: houve uma redução dos domínios. além disso.). No século XVII. do mexicano Joaquim Fernández de Lizardi. A literatura de todos os países exibe. com o barroco. ocasiões e locais da arte cômica. Em seu significado moderno. além de Gogol. destacou-se o humor fino e penetrante de Tchekov.pressão ao cômico. segundo Fromm (1966). é uma “lógica sutil” e também “o sentimento do contrário”. já que. no entanto. pelo menos em público. provocando um confronto dialé. evoca o diálogo bitextual. aquele em predomina as notas cínicas e aparece o tema da morte. cujo humor penetrante é repassado de um pessimismo irredutível. Ainda na virada do século brilharam na literatura humorística o americano Mark Twain e o britânico Bernard Shaw. Na Rússia. o clero. permite a expressão do mundo interior de cada indivíduo. significava disposição mental ou temperamento. transcendendo às fronteiras nacionais. estimula o cérebro. Esta troca de “fronteiras” de arte cômica se enquadrava no 2 estudo de Norbert Elias sobre a ascensão da “civilização”. Abrange tanto o sociológico como o histórico e psicológico. 34) há uma “desintegração” do humor tradicional.ram o primeiro romance hispano-americano El periquillo sarniento (O periquito sarnento. O paradoxo é o forte dos textos de Oscar Wilde e Lewis Carrol. Quixote de Cervantes. A ruptura da concepção renascentista do mundo fez com que ganhasse força uma visão desiludida da vida.Adam e Alfred Jarry notabilizaram-se como cultores do humor negro. desde tempos muito anteriores ao uso da palavra humor. ambigüidades e humor sub-reptício. 3 | Novas sociabilidades: cultura. compreende todas as manifestações da atividade do ST6. Essa é também a atmosfera da obra de Machado de Assis. Homem de meios-termos. que com freqüência surgia para dar ex. O humor como instrumento de crítica social aparecia já no que muitos conside. por exemplo. precedeu assim a concepção moderna de humor que. 1819). antes disso. foi pela primeira vez registrada na Inglaterra em 1682. De acordo com Bremmer e Roodenburg apud Burke (1995. No século seguinte impôs-se o uso. bimagético entre o es. no francês.

3 | Novas sociabilidades: cultura. 1939). ST6. Basiléia.X Encontro Nacional da Anpur ho2 | 6 Uber den Prozess Zivilisation (vol 2. identidade e diversidade na produção do espaço .

Os novos meios de comunicação. portanto.sulta da consciência dessa desproporção exprime também o sentimento de nossa superioridade. 3 | Novas sociabilidades: cultura. num planar aparente. infinidade interna e atemporalidade. a la RadcliffeBrow. O teatro do absurdo. Fonte de comicidade é também a relação com o que irá acontecer.gens. das paixões. Ri-se dos palhaços porque seus gestos parecem excessivos e inadequados. Segundo outra hipótese. pro. Neste livro. por exemplo. estabelecendo um processo dialético circular. Através dessas o caráter imagético escondido deixa-se descobrir. O prazer cômico nasce. o humor desempenharia um papel de transmissão de valores de uma geração para outra. a esfera do jogo é a das ima. Para Freud. A gozação seria uma maneira de estigmatizar desviantes. o humor relaciona-se ao irracional e ao obscuro dos instintos.ções anímicas destinadas à obtenção de prazer. evidencia-se pela compreensão que o homem apresenta como resposta. imagem é o modo como se apresentam as coisas e os acontecimentos em seu caráter prático. podem tornar-se cômicos. As gozações também poderiam ter sido vistas como maneira de designar um bode expiatório. a comicidade e o humor à luz dos princípios gerais da psicanálise. como o cinema. por exemplo. possibilitaram o surgimento de novas formas de humor. o humor tem como suporte o jogo de funções do homem no contexto social. das fantasias e das possibilidades. do irlandês James Joyce ao alemão Gunter Grass e o cubano Cabrera Infante. por exemplo. do confronto entre o comportamento da pessoa observada e o do observador. 1905) realizou estudos sobre os chistes. enquanto instrumento usado para amenizar tensões latentes na estrutura social. O riso que re.venientes da desproporção entre o esforço a que se predispõe o jogador. das capacidades. permitindo o sacrifício simbólico de certos indivíduos para a expiação do grupo. muitos grandes romancistas. De relevante importância Freud (Os chistes e sua relação com o Inconsciente. e com o inexplicável elemento criador.X Encontro Nacional da Anpur | 7 mem. De maneira similar. com linguagens específicas e adequadas a esses veículos. Os movimentos supérfluos. e a leveza inesperada da bola. empregaram o humor como meio para penetrar na falsidade do mundo convencional. o autor estuda a piada. coerência. Para Buytendijk (1977). de mover e ser movido. O humor é um jogo humano produzido através da linguagem e que nela se realiza. No humor joga-se com imagens e estas jogam com os indivíduos. Assim. condições e estado de ânimo dos seres humanos. do qual trataremos neste momento. disposições. O humor licencioso poderia ser analisado. de estímulo e resposta. A comicidade decorreria assim de um consumo de energia superior ao que julga necessário. Observa que a pilhéria é a mais social das fun.terne tensão e relaxamento como surpresa. utilizou um humor corrosivo para apresentar sua desolada visão da existência humana. num vaivém que al. Na criação do humor há um fenômeno lúdico que implica em liberdade. No entender do referido autor. identidade e diversidade na produção do espaço . o rádio e a televisão. tendo com conseqüência ST6. Por isso Freud cita Kant: “O cômico é uma esperança decepcionada”. ou seja. ambivalência.

identidade e diversidade na produção do espaço . ST6. 3 X Encontro Nacional da Anpur | 8 | Novas sociabilidades: cultura.o reforço de norma vigente.

abraçando a crítica de Bakthin (1987) àqueles pesquisadores que julgam que “o riso é sempre o mesmo em todas as épocas e que a brincadeira nunca é mais do que uma brincadeira”. utiliza coisas que são ambíguas ou que são tabu e brinca com isso de formas diferentes” (Seeger.presa e/ou a aversão. revelam que a obstinada presença do humor nas trocas sociais. Em um contexto mais amplo. para o inesperado.dissociável. Todos nós sabemos como uma pitada inesperada de humor é capaz de desfazer um clima tenso num instante.dade. ele nos ajuda a perceber as ST6. libertária. deve ser situado num contexto de práticas e valores. o crítico alemão Benjamin (1916). para o fluxo infinitamente rico da vida. permitindo a constituição da consciência dos homens. Só no humorismo é que a linguagem pode ser crítica”. Ou concerne – porém só se fica oculta sob um véu: o véu do humorismo. O processo de formação do pensamento é despertado e acentuado pela vida social e pela constante comunicação que se estabelece entre as pessoas. 2. Comunicação A construção da imagem e a constituição do pensamento formam um par in. identidade e diversidade na produção do espaço . O humor força a consciência para o novo. Em outras palavras. as conclusões que se pretendem definitivas. Descartes via o riso como uma manifestação de alegria misturada a sur. O indivíduo reflete os caracteres pelo seu ponto de vista e julgamentos associados às circunstâncias que o ligam à coletividade.val e as festividades análogas podem corromper temporariamente as regras sociais rígidas a que todos nós obedecemos. que o leva a questionar os princípios que enrijecem. Em suas expressões mais desenvolvidas. a sociedade antiga desmorona e o homem se dispersa no vento das descobertas novas que revolucionam a concepção do homem e do universo. Sabe-se que é na linguagem que o indivíduo constrói e interage com o mundo a sua volta. dentro dos acontecimentos históricos. as certezas que se cristalizam. Com relação à esta capacidade do humorismo. o humor é uma força desinibidora. Cícero afirmava que o ridículo se apóia na vileza e na deformi. escreve: “A crítica das coisas espirituais consiste na distinção entre o autêntico e o inautêntico.X Encontro Nacional da Anpur | 9 Koestler informa que para Aristóteles o riso relaciona-se com a fealdade e o aviltamento. a qual permite a assimilação de experiências.multaneamente forma e organiza o pensamento. Segundo Konder (1983). Mas ela não concerne à linguagem. si. para a inesgotabilidade do real. 1980). há no humor uma vocação dialética espontânea. Segundo Huyge (1976). “como o bom humor em todas as sociedades. 3 | Novas sociabilidades: cultura. Certamente. As práticas e os discursos da vida cotidiana. O humor para ser compreendido. levam a refletir sobre a relação entre o estilo da expressão e o valor expresso no humor. a linguagem que resulta das relações humanas. Nesta junção. o carna. Para sua própria natureza. o humor.

3 | 10 | Novas sociabilidades: cultura.X Encontro Nacional da Anpur ambigui- ST6. identidade e diversidade na produção do espaço .

desse modo os quadri. Assim. Como prática significante. desde que quase sempre a comunicação vi. as contradições disfarçadas. animais ou seres antropomórficos. não respeita ninguém.sual é ambígua e decodificável de múltiplas maneiras. o humor não poupa nada. A ST6. etc. da au.dição e do tato.X Encontro Nacional da Anpur | 11 dades da condição humana. os personagens interagem por via da visão. passando do espaço so. o quadrinho – assim como qualquer discurso artístico – assume. Aparentemente a mensagem lingüística dirige a mensagem iconográfica: o desenho ilustra o texto.gia. surge a charge.mática) fornece a totalidade da ação.. que povoam um dado espaço de ficção. 1968). São estes os sentidos pressupostos e/ou mostrados pela ação de tais personagens. cuja seqüência (sintag. 3. A mensagem visual (cujos constituintes imediatos mínimos são linhas. passando a mensagem ao leitor de forma mais rápida. As HQ constituem uma instância possível de análise de formas não-verbais de comunicação.serva que um certo número de relações mantidas pelos personagens (pala. Sua conduta é intencionalmente si.ata de um fato ou acontecimento específico. História em Quadrinhos Parte-se do pressuposto que as charges derivam das Histórias em Quadrinhos. os anseios e insatis.se sem dúvida. que vão por exemplo. superfí. em variados graus de verossimilhança. que tem por objetivo a crítica humorística imedi. entre o espaço representado na historieta e o espaço real. andróides. homolo. 137-157). gestos e atitudes).nhos seriam aparelhos ideológicos de Estado culturais. Seus personagens são figuras humaniza. da gestualidade à expressão cromática. um micro-espaço.cies e tonalidades) é sustentada pelos balões (cujos constituintes imediatos mínimos são as palavras).dalidade de comunicação (horizontal e coletiva).thusseriana (Pratica teórica y lucha ideológica. em geral de natureza política. As Histórias em Quadrinhos são um gênero narrativo que.cial aos movimentos perceptíveis do corpo. isto é. Este autor ob.das. identidade e diversidade na produção do espaço .mático-gráfico-estrutural.mitir fácil percepção e pronto entendimento. Manifestação característica da chamada cultura de massa. p. A luta ideológica transforma-se em luta política contra a direita e os reformistas. Nele. 3 | Novas sociabilidades: cultura. se volta para a análise do espaço interpessoal nos quadrinhos.vras. Os protagonistas das HQ “vivem intensamente” sua expres. as Histórias em Quadrinhos introduzem uma mo. No nível mais conseqüente da dialética imanente. cujo fim precípuo é o de per. a prática ideológica em sua concretude te. por outro lado.fações. Esta discussão remete. comumente direto. apresentam imagens fixas.são total é “paroxística”.gnificante e o estilo de apresentação. Entende-se a ideologia a partir de uma leitura Al. constitui uma estrutura própria de comunicação. de maneira categórica. Sempre “em situação” os “heróis” se manifestam em seu próprio nome. para uma discussão política. Fresnault-Deruelle (1978. Partindo da necessária verossimilhança. O registro verbal teria a função de “ancorar” a mensagem.

níveis. identidade e diversidade na produção do espaço . nos quadrinhos. em quadrinhos suposta- ST6. 3 X Encontro Nacional da Anpur manifesta-se em todos | 12 os | Novas sociabilidades: cultura.verdade é que a ideologia.

pouco a pouco. seja politicamente. seu amontoado ST6. nos fins do século XVI. identidade e diversidade na produção do espaço .velar um ponto não percebido. em quadrinhos de aventura tradicional. semi. A caricatura é a represen. o político manifesta-se em todos os ní. cômicas ou humo. procurando re. 3 De acordo com a Associação dos Caricaturistas do Brasil . devem lutar por um espaço artístico.tação da fisionomia humana com características grotescas.truindo a imagem das figuras caricaturadas. ressaltar um má qualidade escondida. Seja de modo crítico. seja de modo ideológico. de Bolonha. ao lado daqueles que combatem qualquer espécie de imperialismo”. inclusive ao nível econômico. porém vem de épocas imemoriais. etc. ou um momento de reflexão no espectador. 4. em | 13 quadrinhos Discurso ideológico. após a chegada da Corte Portuguesa. provocando com isso o riso. que vem expressa em editoriais raivosos. vai se cons. estudiosos acreditam descobrir nos artistas com que representavam seus inimigos. a caricatura apre. Nas pinturas rupestres. Recife/PE. em quadrinhos humorísticas e nas caricaturas que. mas necessita-se como referência. portanto uma arte de resistência. seja de modo indireto. 3 | Novas sociabilidades: cultura. um quadrinho de resistência. que se tem notícia da primeira referência sobre a caricatura no Brasil. Para Cirne (1982.do de maneira despropositada um ou outro detalhe característico. Entre outras formas de arte.rais. de 16 de maio de 1831. em quadrinhos familiares. seja de modo direto. apresentar uma visão crítica e quase sempre impiedosa do seu modelo. Assim como o ideológico manifestase mais níveis de articulação formal.tência. Caricatura Através das críticas da imprensa.rísticas.senta peculiaridade de ter um objetivo específico: o artista estará realizando uma caricatura toda vez que sua intenção principal por representar qualquer figura de maneira não convencional. acentuan. seja culturalmente. libe.mãos Caracci. Até então. Esta caricatura foi publicada na primeira página do terceiro e último número de O Carcundão.veis.X Encontro Nacional da Anpur mente inocentes. p. exagerando ou simplificando os seus traços. não é necessário que esteja ligado apenas a formas humanas. O humor sempre foi uma marca da imprensa brasileira. Itália. ridicularizá-las ou fazê-las cômicas. A característica de exagerar as feições humanas. Uma arte e um quadrinho de resis. não era permitido qualquer meio de impressão na colônia e é a partir de 1831. tem início as artes gráficas no Brasil. A caricatura apareceu pela primeira vez numa série de desenhos dos ir. Mesmos as folhas mais tradicionais do século XIX. com sua péssima paginação.ológico e cultural próprio. o quadrinho é também discurso que se faz político (ao nível de sua especificidade). 21) “Faz-se necessário.

20/03/2000. identidade e diversidade na produção do espaço . 3 | Novas sociabilidades: cultura.com.X Encontro Nacional da Anpur 3 | 14 Informação retirada do site www.br “Charge dos 500 anos do Brasil” Associação dos Caricaturistas do Brasil.terraavista. ST6.

o fato político signi. Nos últi. Agostini. que significa carga. O caricaturista. ela acrescenta alguma coisa. Daí em diante.los por si mesmos” (Revista Veja. ao registrar o momento histórico. deforma a realidade no nível mesmo da mensagem denotada. reservaram sempre um espaço. um fator essencial para a sua compre. identifica uma tendência. a nota maliciosa sobre as figuras importantes do tempo. dos quais o mais famoso foi O Mosquito (1869-1875). Hermen Lima observou: “Não é a caricatura que torna os homens ridículos. do italiano Ângelo Agostini.sileira será produzida por estrangeiros ou por sua inspiração. quase sempre. No decorrer do tempo. até hoje. ou mesmo para a pura e simples ane. multiplicar-se-ão as pu. e ir buscar direto aonde estão centrados a atenção e o interesse do público ST6.mos anos do século.X Encontro Nacional da Anpur | 15 de colunas e de notas.blicações do gênero. Hoje.vista ilustrada. sem manchetes e sem fios a destacá-las. arejada. O objetivo da charge é a crítica humorística imediata de um fato ou acontecimento específico. promovera a verdadeira revolução da caricatura brasileira. Apesar dessa limitação é a forma de expressão artística que traça o panorama mais original da história do país. De acordo com Lustosa (1998). 3 | Novas sociabilidades: cultura. ainda que pequenino. en.giar o ridículo. quase todas de vida efêmera. alegre. Ao privile. no entanto. a caricatura brasileira não conseguiu fugir a um paradoxo que acompanha esse tipo de arte desde sua origem. re. de certa maneira. vem do francês.quanto quadro obrigatório da página central de quase todos os grandes jornais do país. compõe. vítima de febre amarela. Uma boa charge. a caricatura se encontra. 1999). em 1876) e o português Rafael Bordalo Pinheiro. Para revitalizar sua crueldade. O conhecimento prévio. só começa a se tornar freqüente a partir de 1837. pode ser conservadora. por parte do leitor. Além de Agostini. a caricatura brasileira foi uma das mais fortes expressões culturais do país. estabelecida como uma das formas de expressão da imprensa. Ao deformar a realidade para criticar. A campanha sanitária de Osvaldo Cruz no início do século.ficativo do dia. estrategicamente menos importante do que foi no seu apogeu. foi demolida pelos desenhistas da época.sunto de uma charge é. 5. deve procurar um assunto momentoso. ela simplifica e pode se tornar maniqueísta. em 1867. A chegada ao Rio de Janeiro. Cordial. Eles são ridícu. antes de criar sua pró. em geral de natureza política. represente uma nova força na arte da caricatura. um aspecto da personalidade de seu jornal. Praticamente até o final do século XIX a caricatura bra. para a quadrinha. colabora com vários periódicos.pria revista. Ela se perpetua. por exemplo.ensão. do as. outro português. de Araújo Porto Alegre. no entanto.dota. a caricatura. firma uma posição. com a publicação da Lanterna Mágica. do leitor. Charge Charge. o Rio acolhe outro italiano Luigi Borgomaniero (precocemente falecido. Julião Machado. distorce. identidade e diversidade na produção do espaço . Na caricatura basta concluir que a função do desenho já não aparece como a de mera “ilustração” do texto.

A men- ST6. 3 | 16 | Novas sociabilidades: cultura.X Encontro Nacional da Anpur leitor. identidade e diversidade na produção do espaço .

ruboriza. identidade e diversidade na produção do espaço . a charge é o gatilho rápido do jornalismo. 6. ainda não havia o trabalho dos catadores de materiais recicláveis. ironia. diagramador. muitas vezes o desimportante das situações que o editorial trata com uma dignidade – se não hipócrita – quase sempre um pouquinho chata. mostrando como seus personagens vivem dos produtos descartáveis da sociedade ca. O autor ilustra as cenas com exatidão real. para que a síntese não prejudique a compreensão. editor.lando assim. dividindo-se em duas espécies de geração da demanda espontânea de consumo. indu. Vendo os implícitos. Que passou a ser uma vitrine colorida de humor.zindo o leitor à curiosidade do que mais havia dentro desse jornal. O autor procura enfatizar que seus personagens moram. Para Dante apud Assis (1989). criatividade e crítica. a charge jornalística não é apenas um cartum cercado por quatro linhas. Mostrar o irônico. E uma charge vale uma opinião. De acordo com as afirmações do mesmo autor. onde os bonecos são a representação de um tipo de ser humano e não de uma pessoa específica. 3 | Novas sociabilidades: cultura. Obra evidentemente. de crítica explícita mas so. demonstra a total exclusão social que os indivíduos sofrem ao sobreviverem nos aterros sanitários. integrando a figura com o contexto. nem mil palavras conseguiram transmití-la. 1987). A charge faz cócegas no cérebro.X Encontro Nacional da Anpur | 17 sagem contida numa charge é eminentemente interpretativa e crítica e. É importante fazer pensar. È válido ressaltar que a charge jornalística já ocupou vários espaços dentro do jornal. o leitor esboça um sorriso e pensa. O desenho na charge acha explícita demais. Segundo Dante apud Schaitza (1989).pitalista/sociedade de consumo. que neste período entre 1973 e 1980. o que nunca acontece com o cartum. Opinião que muitas vezes. no editorial e em cadernos especiais. que estão intimamente ligadas. se vestem e comem produtos que sobram ou já foram utilizados por outras pessoas. vulgo “lixões”. ou o mentiroso. A charge veio compor na fisionomia gráfica na página dos jornais. A sociedade brasileira na década de 1980 (posterior aos quadrinhos) entrou na hiperdinâmica do consumo. na primeira página. “Como chegar a uma síntese tão perfeita que a caricatura já é a charge ?” (Veríssimo apud Caruso e Mendes. pode ter às vezes o peso de um editorial.bretudo implícita. reve. uma foto vale mil palavras. Geralmente a charge é composta por caricatura e fato social. ST6. Lixo “tema significativo Este tema abordado por Edgar Vasques. O desenho envolve toda a página. fotos e textos. com tanto efeito e compreensão. usam os elementos da caricatura na sua primeira acepção. o editorial dá marteladas. Num tiro seco faz um editorial profundo. como na capa. pelo seu poder de síntese. emoldurando manchete. devendo ser reproduzida na proporção adequada. Algumas charges. de um chargista que também é layoutman. Chegando alguns trabalhos a “agredir” o próprio logotipo do jornal.

E dar continuidade a vida é o desafio que muitos brasileiros enfrentam criativamente tirando do lixo sua sobrevivência. e as conduz nesta vocação e neste des. a determinadas práticas. falta emprego e sobram desafios. Separando o reciclável. p. por meio da definição do autor. (Grossi. devolvendo às fontes naturais de recurso ritmo para sua sustentabilidade. e através de seu conteúdo mostrar que elas hierarquizam os moradores do lixão por meio de uma escala implícita de valores e pensamentos.se. Todos esses objetos úteis/inúteis. esses catadores de vida subtraem do ambiente quanti. 38) que esclarece: “ao nível mais simples. ruins/bons. como as diferenças. crítico. provocam uma discriminação radi. onde as classes se distanciam economicamente a cada dia. consolida e expressa a estrutura hierárquica: esses objetos designam a classe social do seu possuidor. através do qual cada grupo e indivíduo reafirma o seu lugar numa ordem social.tico.X Encontro Nacional da Anpur | 18 Esses produtos descartáveis e sua relação com a sociedade ganham significante peso nos estudos de Baudrillard (1995. um processo de extração do material produzido por uma natureza culturalizada. um discurso de classe. que antes setores da sociedade pretendem devolver à natureza. 7.” A posse/não posse de determinados objetos reforça as diferenças sociais. sistema pelo qual são marginalizados. Poderia ser considerada uma forma de extrativis.tino segundo toda uma sistemática social.nados signos . ridículo. Tal interpretação ST6. Essa escala de valores. louco. mas integrada ao processo de produção e circulação industrial e comer. ou por estarem fora de moda – assume a mesma relevância que tem sua pos. sobretudo nos grandes centros urbanos. pensante.mo. Consideramos este estudo ainda representativo de um fenômeno social am. formam um sistema semân. poderia ser caracterizada como um tipo de coleta urbana. delinqüente. 73) No Brasil. p. o da prática do objeto. procura incutir nos personagens noções morais de bom. Personagens O chargista Edgar Vasques criou sete personagens característicos: Rango. Prévio e Boca 3. Chaco.cal e uma segregação do fato. não mais inserida na vida do campo e no ciclo das estações. Procurou-se descrever as relações sociais que vinculam os vários personagens. fundada na figura do capitalismo. Por outro lado. longe de marcarem uma hierarquia social progressiva. produzindo e reproduzindo distinções e diferenças. 1998. O Filho.dades de lixo para a reciclagem industrial.plamente difundido no Brasil. identidade e diversidade na produção do espaço . que votam certas classes e não outras a determi. Esse tipo de atividade ligada a uma economia de subsistência. devido a sua doação por parte de outra classe. Baba. que neste processo lhe incorpora trabalho e produz valor”. o desfazer-se de tais objetosquando perdem sua significação social. comunicando concomitantemente sua relação com as outras classes. “Os catadores “catam” os dejetos culturais supostamente desprovidos de valor. entre outras. 3 | Novas sociabilidades: cultura.cial dos grandes centros urbanos.

identidade e diversidade na produção do espaço .seria impossível sob a ST6. 3 X Encontro Nacional da Anpur | 19 | Novas sociabilidades: cultura.

e seu nome lhe confere múltipla nacionalidade. subúrbio. mercadoria. Rango e seus amigos estão a margem da sociedade. passam por uma desigualdade social caótica. os problemas enfrentados pela sociedade. são refletidos por seus personagens. os acontecimentos nacionais e internacionais relevantes. nas ruas da cidade. nu e faminto. devido ao mau cheiro e a poluição visual que prejudica o ambiente urbano. Cenário: a maioria das cenas são retratadas no lixo. que questionam e criticam o mundo em que vivem. e pelo menos nisso é altamente competente. por motivos óbvios apelidado Jejum. antes de | 20 tudo O local de moradia e vivência dos personagens é no lixão da cidade. O Filho: um menor abandonado. Sem chances. Os personagens de Vasques moram no lixão. levando o leitor a refletir sobre essa época. além do co. Rango: o marginal-síntese. O autor satiriza os acontecimentos explicitando a realidade vigente. é só um observador. Cada um possuído por suas próprias características. desbocado. Boca 3: o cachorro vira-lata. O personagem Rango. É um imigrante. além do constrangimento causado aos cidadãos. tem filho e amigos. magro. além de suas excentricidades. doente. de toda circunstância. 3 | Novas sociabilidades: cultura. É notório o crescimento econômico da classe média brasileira. o único que intimamente conversa com o Criador (Deus). que o autor por meio de suas charges procurava criticar de forma explícita. local de moradia dos personagens. foram eles: ST6. 8. sujo. ora esperto do índio. desprovido até de aparência humana. Prévio: negro letrado mas que sofre de uma doença intermi. ou favelas. enquanto as classes menos favorecidas aumentam suas porcentagens. Tem o temperamento ora ingênuo. cabeludo.tente que justamente nas horas mais indicadas tira-lhe a fala. filho de marginal. com olhos fundos. amigo fiel mas cínico (afinal. Os temas explorados por Vasques. da mesma. Personagem principal nas charges. Temas das charges Edgar Vasques. que se vende e se compra. é um cão) do marginal. que se localiza em pontos periféricos.gem que serve de referência na definição e constituição de todos os outros. barba apontando. sujo e maltrapilho. sobrevivem de produtos descartáveis da sociedade capitalista / sociedade de consumo. Aparenta uma criança subnutrida. Chaco: a fome da América Espanhola.X Encontro Nacional da Anpur constatação preliminar de que cada personagem é. Baba representa um bêbado. Jejum: o pe.tidiano dos indivíduos menos favorecidos. É importante ressaltar que neste período era grande a repressão oriunda do regime militar. passivo e inocente. Baba: adepto da única solução imediata: fugir da realidade adversa (via cachaça). Alguns temas ganharam maior destaque nas charges de Vasques. identidade e diversidade na produção do espaço . sempre faminto. cabeça grande e corpo magro. nem perspectivas.queno Jejuíno. em suas charges nos remete a realidade da década de 1970.dita em sua raça e tem esperanças de um futuro melhor. Chama-se boca 3 porque foi a terceira boca que apareceu para (não) se alimentar. Rango é o único persona. Apesar de tudo acre. Conserva apenas o cérebro e a voz. Representa o mundo do subemprego e também é filho de maiores abandonados. Em suma.

2 e 3 (1973 – 1977). como tantos outros eventos do nosso mundo. Está longe de apreender-lhe os paradoxos. carece de conhecimento: não porque mereça e sim porque não sabemos como lidar com ele. identidade e diversidade na produção do espaço . Ao menos para ocupar seu lugar de origem. Mas a imagem vai acompanhá-lo pelo dia aden. passadas através de um desenho satírico.org. 5 Edgar Vasques. Joe Sacco (2001) acredita que a linguagem da história em quadrinhos seja capaz de superar o bloqueio do grande público com temas poucos palatáveis. Adiciona-se mais uma questão: o riso pede um novo conceito de ciência.ceito científico tradicional. Jornalista. Conclusão O presente estudo relata. 4 políticos e sociais. Questões como a do humor e do riso em nossas vidas. nos relata a realidade da época de suas criações (19701980). 15/04/2001. Rango7 (1976 . O cômico tem seu lugar garantido por obrigar uma lógica diferente da do con. como o humor pode servir de ferramenta para a crítica. carece de conhecimento. conquista-se a atenção do leitor. p. Igreja x Consumo. e Ovelha Negra. entre outros. como tantos outros eventos do nosso mundo. Democracia.br. é capaz de contar a ele his. caderno mundo.1980). O leitor cotidiano. Igreja e Criador (Deus) Estas charges foram retiradas dos Jornais: Folha da Manhã. seus personagens moravam no “lixão” e sobreviviam dos restos. o tiramos da sua condição natural. O Pasquim. 19/04/2001. as charges podem parecer uma opção pouco convencional para discutir temas delicados. As charges são compostas por vários elementos. “Os quadrinhos têm muito apelo em razão das imagens. do que é cômico.doutoresdaalegria. num trabalho paciente de sedimentação das significações digeridas e diri. irracionalidade. longe mesmo de aprendê-la com totalidade.tro. temos o estudo do humor. Risco. Civilização Industrial. entre eles o humor e a crítica.gidas. no período de 1973 a 1980. Atualmente essa situação não é a 4 Joe Sacco. provocando o riso. ou fazendo cócegas no cérebro. Assim. (Matos. Rango 5 (1976 – 1980).coerentes ou absurdas. 218) Tradicionalmente associados ao humor e ao entretenimento. 3 | Novas sociabilidades: cultura. Se quisermos compreendê-lo precisamos de um modelo que possa descrevê-lo com suas características. de uma condição de humildade com relação ao quanto devemos caminhar. Lixo. ST6. recebe o mosaico de significações como um jato de água fria. em entrevista dada ao Jornal Folha de São Paulo. O humor se junta aos conceitos de agrupar idéias in. Fome. Assim. segundo Masetti (2001) ao explicarmos o cômico ou ao tentarmos medí-lo e classificá-lo. 5 http://www. não porque mereça e sim porque não sabemos como lidar O riso. complexidade. 1972.tórias difíceis e introduzir a informação”. O riso. duplo sentido. Rango 4 (1976). A15. e posteriormente foram selecionados e distribuídas em coletâneas: Rango 1. utilizando-se das charges de Edgar Vasques. nos recolocam diante de um mistério. colocado num plano de vivência imediata com a mensagem gráfica “charge”.X Encontro Nacional da Anpur | 21 Espécie Humana. editados no Estado do Rio Grande do Sul. ali descartados pela sociedade de consumo.

com 1. MENDES. Para uma crítica da economia política do signo.dor de Materiais Recicláveis e determina que o processo de industrialização (reciclagem) seja desenvolvido. 1989. J. Barcelona: Gustavo Gili. P. p. aumenta-o. identidade e diversidade na produção do espaço . T. 1995. em todo o país. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.500 participantes. estas pessoas passaram a catar o lixo na rua. J. levado por um humor rebelde. Rio de Janeiro: Elfos. BRAUDILLARD. ROODENBURG. em Brasília nos dia 4. o Governo Federal promulgou uma lei que proí. 1997. prioritariamente.be qualquer pessoa de freqüentar os aterros municipais. O riso e o risível: na história do pensamento. São Paulo: Epu-udesc. J. 3 | Novas sociabilidades: cultura. CARUSO. 1982. El espacio interpesonal en los comics. Referências Bibliográficas ALBERTI. 5 e 6 de junho de 2001. Álbum de Figurinhas & Figurões. DANTE. CIRNE.alidade a grande diferença da década de 70. F. 1978. Em janeiro de 2001. 1995. da sociedade através de personagens representativos do cotidiano social. C. O jogo humano. assim o leitor. Este tipo de humor imita as deformidades.do o 1º Congresso Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. os erros.gência da referida lei. Rio de Janeiro: Record. que o faz rir de suas características reais. CARUSO. P. CARUSO. O humor promove o pensamento. por empre. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais: Extensão.X Encontro Nacional da Anpur | 22 mesma. BUYTENDIJK. levado pela ironia e pelo humor é afligido pelas provocações da charge e consegue obter prazer. 1987. Nova República – Novo Testamento. No Brasil milhares de indivíduos tem como meio de sobrevivência a venda de materiais recicláveis. ST6. H. C. ou são amparadas por Ong’s. BREMMER. 2000. a partir da data de vi. FRESNAULT-DEREULLE. ou outras entidades. São Paulo: Brasiliense. 1999. J.sas sociais de catadores de materiais recicláveis. V. que antes eram garimpados no próprio aterro sanitário. J. guarda-o para a crítica que é aguçada pelo instinto e torna o indivíduo mais acessível a ela. Rio de Janeiro: Achiamé. Uma introdução política aos quadrinhos. M. 137-157. e apresentado ao Congresso Nacional um anteprojeto de lei que regulamenta a profissão Cata. Curitiba: O Estado do Paraná. Uma história cultural do humor. prefeituras municipais. Foi realiza. M. estes dados mostram na atu. in Humanas.

Rango 5. MICHAEL. HUYGHE. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Almanach. Erich. ano 6. R. S. 1998. Structure and Function in Primitive Society. nº 182 Jul/Agosto. MARX. 1983. 1975. Rio de Janeiro: Imago. 2 e 3. Rango 1. 1980. Obras psicológicas completas: Os chistes e sua relação com o Inconsiente. E. Salvador: Cadernos do CEAS. Rango 4. KOESTLER. 1975. R. L. São Paulo: Melhoramentos. Porto Alegre: L & PM. 1966.X Encontro Nacional da Anpur | 23 FREUD. nº 11. 1976. Rio de Janeiro: Campus. identidade e diversidade na produção do espaço . Tirania e Humor no País deo Homem Cordial. Araraquara. Jano. K. MAZZOLENI. In: Os índios e nós: estudos sobre sociedades tribais brasileiras. 1981. KONDER. 1975. Porto Alegre: L & PM. Porto Alegre: L & PM. 3 | Novas sociabilidades: cultura. 1. A. Reitificação e Consumismo Ostentório no Gatsby O Magnífico. A. São Paulo: Edições 70. Londres. A. Caras Pintadas. L. O Poder da Imagem. 01-09. 1952. Barão de Itararé. Os Badameiros: a descoberta do lixo. P. São Paulo: Brasiliense. Porto Alegre: L & PM. SAYRE. LUSTOSA. R. O Capital. VASQUES. Vol. Rango 7. 1993. RADCLIFFE-BROW. 2001. Homo Ridens: O Riso como Instrumento Cultural. ST6. A Linguagem Esquecida. Os velhos nas sociedades tribais. G. I. Imago. Universidade Federal do Ceará: Ciências Sociais. G.: Rio de Janeiro. São Paulo: Perspectivas. 1999. SEEGER. 3ª Ed. 1989/90. GROSSI. FROMM. Porto Alegre: L&PM.